You are on page 1of 7

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

PODER JUDICIÁRIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA

GRS
Nº 70052345121
2012/CÍVEL
EMBARGOS INFRINGENTES. DIREITO PRIVADO
NÃO ESPECIFICADO. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C
INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. INSCRIÇÃO
DO NOME DO CONSUMIDOR EM ÓRGÃOS DE
PROTEÇÃO
AO
CRÉDITO. DANO
MORAL
CONFIGURADO. ACÓRDÃO MANTIDO.
EMBARGOS DESPROVIDOS POR MAIORIA.

EMBARGOS INFRINGENTES
Nº 70052345121
DR EMPRESA DE DISTRIBUICAO E
RECEPCAO DE TV LTDA

NONO GRUPO CÍVEL
COMARCA DE SANTA CRUZ DO
SUL
EMBARGANTE

ROBERTO CARLOS BENDER

EMBARGADO

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos.
Acordam os Desembargadores integrantes do Nono Grupo
Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à unanimidade, em negar provimento
ao recurso, vencida a Desembargadora Nara Leonor Castro Garcia.
Custas na forma da lei.
Participaram do julgamento, além do signatário, os eminentes
Senhores DES.ª ELAINE HARZHEIM MACEDO (PRESIDENTE), DES.
PEDRO CELSO DAL PRÁ, DES. NELSON JOSÉ GONZAGA, DES.ª NARA
LEONOR CASTRO GARCIA, DES. LUIZ RENATO ALVES DA SILVA E
DES.ª LIÉGE PURICELLI PIRES.
Porto Alegre, 22 de março de 2013.

DES. GELSON ROLIM STOCKER,
Relator.

1

no qual. Tribunal de Justiça do RS. a embargante busca a prevalência do voto minoritário. Em síntese. (Apelação Cível Nº 70042569731. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. 14 DO CDC. por maioria de votos. GELSON ROLIM STOCKER (RELATOR) Trata-se de embargos infringentes interpostos por DR – Empresa de Distribuição e Recepção de TV Ltda. ALTERAÇÃO DO PLANO. COBRANÇA A MAIOR. cuja ementa a seguir se reproduz: APELAÇÃO CIVEL. APELO PROVIDO. Julgado em 06/09/2012). Relator: Elaine Maria Canto da Fonseca. RESPONSABILIDADE DA FORNECEDORA DOS SERVIÇOS. que negou provimento à apelação.COMBO . SERVIÇOS PRESTADOS EM COOPERAÇÃO COM A EMBRATEL. INSCRIÇÃO INDEVIDA NOS CADASTROS DE INADIMPLENTES. 2 . nas razões das fls. 154-167. da lavra da ilustre Desª. TEORIA DA APARÊNCIA. QUANTUM FIXADO DE ACORDO COM OS CRITÉRIOS DE PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE.NET TV. 189-196v. para manter inalterada a sentença de primeiro grau. acórdão das fls. Décima Oitava Câmara Cível. em face do v. NÃO CONTESTADOS. a 18ª Câmara Cível deste Egrégio Tribunal de Justiça. REQUISITOS ENSEJADORES DO DEVER DE INDENIZAR PREENCHIDOS. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS . RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Nara Leonor Castro Garcia. NOS TERMOS DO ART. reformou a sentença de mérito proferida na ação declaratória c/c pedido de reparação de danos morais ajuizada por Roberto Carlos Bender. DERAM PROVIMENTO À APELAÇÃO. ora embargado.ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL RELATÓRIO DES. POR MAIORIA. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. DANOS MORAL CONFIGURADO. REDUÇÃO DO PREÇO. INTERNET E TELEFONE.

nos termos da certidão da fl. Admitidos os embargos (fls. impõe ao fornecedor o dever de reparação”. ora embargado. GELSON ROLIM STOCKER (RELATOR) Presentes os requisitos de admissibilidade. contra a recorrente. O acórdão embargado reformou a sentença de primeiro grau. tendo em vista a adoção do sistema informatizado. juíza convocada Dra. conheço do recurso. reformou a sentença de mérito prolatada nos autos da ação declaratória c/c reparação de danos morais proposta por Roberto Carlos Bender. Anotou a relatora da apelação. Conforme relatado. cuida-se de embargos infringentes interpostos por DR – Empresa de Distribuição e Recepção de TV Ltda.ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL Não houve resposta. VOTOS DES. 551 e 552 do Código de Processo Civil. A controvérsia no presente recurso cinge-se sobre a ocorrência ou não do dano moral reclamado na petição inicial. eventual falha no sistema de atendimento ao consumidor. objetivando ver prevalecer o voto vencido proferido no v. por maioria. 214. acórdão das fls. sob o seguinte fundamento: “envolvendo o caso relação de consumo. os autos foram redistribuídos. me vindo conclusos para julgamento. 189-196v que. embora ensejada a oportunidade para tanto.. que: 3 . Registro que foi observado o disposto nos artigos 549. Elaine Maria Canto da Fonseca. É o conciso relatório. 215). por maioria.

quantia esta que deveria ter sido abatida na fatura subsequente. pelo cadastramento do nome do autor. na fatura com vencimento em dezembro de 2008 e não o foi.). sendo que o seu reconhecimento prescinde da comprovação de qualquer repercussão surtida no psiquismo do lesado. nos órgãos negativadores de crédito. caracterizam-se como meros aborrecimentos incapazes de gerar o dever de indenizar. Nara Leonor Castro Garcia. E.]. pois a simples constatação da inscrição indevida. V e X. bem como foi devidamente comprovada a inscrição do nome do autor. ou seja. 5º. O voto divergente. a qual se mostrou indevida. bastando a existência do dano e do nexo causal. relativo ao serviço “Net Fone via Embratel”.. dispensa comprovação efetiva do prejuízo. foi abusiva. a teor do disposto no art. no caso dos autos.). da CF. haja vista que restou incontroverso que a cobrança relativa ao mês de novembro de 2008.. confirmava a sentença de primeiro grau. É o chamado dano “in re ipsa” que.97(.. por débito no valor de R$ 34. da lavra da ilustre Desª.47(.90(. resta configurado o dano moral. na fatura com vencimento em novembro de 2008. posto que o autor era credor da ré. em virtude da sua conduta negligente de olvidar em abater da fatura subseqüente. evidenciada que a inscrição do nome do consumidor em cadastros de inadimplentes foi indevida. 4 .ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL [.. mesmo após inúmeras reclamações feitas pelo consumidor. é suficiente à configuração do dever de indenizar. pois incluía valores indevidos. como cediço. no sentido de dar parcial procedência ao pedido autoral. de responsabilidade objetiva. Colhe-se do referido voto: Os transtornos acarretados pela conduta da R. em se tratando. Assim.).. revisora. Dessa feita.. além do que tal inscrição só ocorreu. com vencimento em dezembro de 2008. conforme asseverado. conforme protocolos informados na exordial. não há razão para discussão de culpa.. não significando violação a direito personalíssimo. no montante de R$ 96. porque o serviço de telefonia foi contratado pelo autor diretamente com a ré. o valor cobrado a maior.. no total de R$ 156. não há como afastar a responsabilidade da ré. restaram preenchidos os requisitos ensejadores do dever de indenizar. nos cadastros de inadimplentes.

Isso porque. no ponto: Por fim. ao contrário do afirmado pelo requerente. seu nome não foi inscrito no SPC e SERASA pela empresa ré. Com relação às demais questões ventiladas na peça recursal. depois. conforme se vê do ofício das fls. 134/6 demonstram que. não verificando na conduta do Banco demandado violação aos direitos a honra e de imagem da autora. causando-lhe prejuízo de ordem moral passível de reparação.. a repetição em dobro do valor irregularmente cobrado pela R. nada a reparar no voto condutor do acórdão embargado. para a Câmara. o que. e. corresponde a penalização suficiente pelo ilícito praticado. Efetivamente. no período compreendido entre 29 de abril de 2009 e 15 de maio de 2009. cuja restituição restou impossibilitada por problema no sistema da R. Isso porque não existe prova de que a requerida tenha incluído o nome dele em cadastros de inadimplentes. Com essas considerações. não houve abalo de crédito. Ou como dito na sentença pelo Juiz de Direito André Luis de Moraes Pinto. Elaine Maria Canto da Fonseca. 5 . desacolho os embargos infringentes. quanto aos danos morais. não se pode afastar a responsabilidade objetiva da embargante pela inscrição do nome do autor na base de dados da SERASA. seria causa adequada à configuração do dano moral. dotada do caráter dissuasório referido pelo A. do exame atento dos autos verifico que a conduta da ora embargante gerou ofensa à dignidade e honra do autor-embargado. da lavra da culta Dra. Em que pesem as judiciosas ponderações em contrário.ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL Houve reconhecimento da cobrança a maior. Os ofícios das fls. pela rescisão do contrato pelo A. Assim. pois o A. igualmente não procedente a pretensão do autor. que bem apreciou a prova carreada aos autos e aplicou o direito ao caso concreto. não foi inserido em cadastros de proteção ao crédito. 134.

a repetição em dobro do valor irregularmente cobrado pela R. DES.De acordo com o(a) Relator(a). certifique-se. caracterizam-se como meros aborrecimentos incapazes de gerar o dever de indenizar. seu nome não foi inscrito no SPC e SERASA pela empresa ré. Ou como dito na sentença pelo Juiz de Direito André Luis de Moraes Pinto. É o voto. e. com as formalidades legais.ª NARA LEONOR CASTRO GARCIA Voto em divergência.ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL Com o trânsito em julgado. depois. igualmente não procedente a pretensão do autor. no ponto: Por fim. quanto aos danos morais. dotada do caráter dissuasório referido pelo A. 134/6 demonstram que. não significando violação a direito personalíssimo. restituindo os autos à Vara de Origem.. LUIZ RENATO ALVES DA SILVA (REVISOR) . Os transtornos acarretados pela conduta da R. Razões do voto proferido no âmbito da apelação. corresponde a penalização suficiente pelo ilícito praticado. mantendo o voto que proferi por ocasião do julgamento originário. PEDRO CELSO DAL PRÁ Acompanho o eminente Relator e desacolho os embargos infringentes. Houve reconhecimento da cobrança a maior. DES. Isso porque não existe prova de que a requerida tenha incluído o nome dele em cadastros de inadimplentes. Os ofícios das fls. DES. 6 . Assim. pela rescisão do contrato pelo A. cuja restituição restou impossibilitada por problema no sistema da R. ao contrário do afirmado pelo requerente.

VENCIDA A DESEMBARGADORA NARA LEONOR CASTRO GARCIA. NEGARAM PROVIMENTO AO RECURSO. em acolher os Embargos Infringentes. DES." Julgador(a) de 1º Grau: ANDRE LUIS DE MORAES PINTO 7 .ª LIÉGE PURICELLI PIRES . DES.De acordo com o(a) Relator(a). NELSON JOSÉ GONZAGA . não houve abalo de crédito. para a Câmara. Comarca de Santa Cruz do Sul: "POR MAIORIA.ª ELAINE HARZHEIM MACEDO (PRESIDENTE) .Presidente . não foi inserido em cadastros de proteção ao crédito.De acordo com o(a) Relator(a). DES. DES. pois. Voto.Embargos Infringentes nº 70052345121.ª ELAINE HARZHEIM MACEDO . pois o A.ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA GRS Nº 70052345121 2012/CÍVEL Efetivamente.De acordo com o(a) Relator(a). o que. seria causa adequada à configuração do dano moral.