OS DONOS DO PODER

RAYMUNDO FAORO
CAPÍTULO FINAL. A VIAGEM REDONDA:
DO PATRIMONIALISMO AO ESTAMENTO
CAPÍTULO FINAL. A VIAGEM REDONDA:
DO PATRIMONIALISMO AO ESTAMENTO
1
De D. João I a Getúlio Vargas, numa viagem de seis séculos, uma estrutura
político-social resistiu a todas as transforma!es fundamentais, aos desafios mais
profundos, " travessia do oceano largo. # capitalismo politicamente orientado $ o
capitalismo político, ou o pré-capitalismo $, centro da aventura, da con%uista e da
coloni&aão moldou a realidade estatal, so'revivendo e incorporando na
so'reviv(ncia, o capitalismo moderno, de índole industrial, racional na técnica e
fundado na li'erdade do indivíduo $ li'erdade de negociar, de contratar, de gerir a
propriedade so' a garantia das institui!es. ) comunidade política condu&, comanda,
supervisiona os neg*cios, como neg*cios privados seus, na origem, como neg*cios
pú'licos depois, em lin+as %ue se demarcam gradualmente. # súdito, a sociedade, se
compreendem no ,m'ito de um aparel+amento a e-plorar, a manipular, a tos%uiar nos
casos e-tremos. Dessa realidade se pro.eta, em florescimento natural, a forma de
poder, institucionali&ada num tipo de domínio/ o patrimonialismo, cu.a legitimidade
assenta no tradicionalismo $ assim é, por%ue sempre foi. # comércio d0 o car0ter "
e-pansão, e-pansão em lin+a esta'ili&adora, do patrimonialismo, forma mais fle-ível
do %ue o patriarcalismo e menos ar'itr0ria %ue o sultanismo 1cap. I, n2 34. 5o molde
comercial da atividade econ6mica se desenvolveu a lavoura de e-portaão, da col6nia
" 7epú'lica, 'em como a indústria, se.a no manufaturismo pom'alino, no delírio do
encilhamento, %uer nas estufas criadas depois de 1839. :empre, no curso dos anos sem
conta, o patrimonialismo estatal, incentivando o setor especulativo da economia e
predominantemente voltado ao lucro como .ogo e aventura, ou, na outra face,
interessado no desenvolvimento econ6mico so' o comando político, para satisfa&er
imperativos ditados pelo %uadro administrativo, com seu componente civil e militar.
;ontes%uieu, so' a visão de um contraste teori&ado e ideali&ado, e-primiu 'em a
peculiaridade da ordem patrimonialista. <odos os =stados t(m igual o'.eto/ manter sua
integridade> mas, so' esse escopo geral, +0 outros, de nature&a particular. 7oma
dedicava-se ao engrandecimento territorial e político. 7odes cuidava do comércio, os
despotismos se preocupavam com a delícia dos príncipes, sa gloire et celle de l'État,
celui des monarchies. 5o outro e-tremo $ num =stado %ualitativamente diverso $, uma
naão +averia, a Inglaterra, %ue se constituir0 na fiadora da li'erdade política.
1
5o
?
rigorismo da doutrina de ;a- @e'er, +averia, em tais fins, o primado do irracional,
?
mesmo se temperado com técnicas racionais.
) estran+e&a do corpo +ist*rico, longamente persistente, assume propor!es de
fantasmagoria em virtude de uma *ptica nova, nascente ao tempo de ;ontes%uieu. )o
capitalismo político sucedeu, em algumas fai-as da <erra, o capitalismo dito moderno,
racional e industrial. 5a transião de uma estrutura a outra, a nota t6nica se desviou $
o indivíduo, de súdito passa a cidadão, com a correspondente mudana de converter-se
o =stado, de sen+or a servidor, guarda da autonomia do +omem livre. ) li'erdade
pessoal, %ue compreende o poder de dispor da propriedade, de comerciar e produ&ir, de
contratar e contestar, assume o primeiro papel, dogma de direito natural ou da
so'erania popular, redu&indo o aparel+amento estatal a um mecanismo de garantia do
indivíduo. :omente a lei, como e-pressão da vontade geral institucionali&ada, limitado
o =stado a interfer(ncias estritamente previstas e mensur0veis na esfera individual,
legitima as rela!es entre os dois setores, agora rigidamente separados, control0veis
pelas leis e pelos .uí&es. A o %ue se c+amou, em e-pressão %ue fe& carreira no mundo
.urídico e político, de B=stado 'urgu(s de direitoB, %ue tradu& o es%uema de
legitimidade do li'eralismo capitalista.
3
=ntre os dois modelos, um seria o o'soleto, o
retr*grado, o anacr6nico, en%uanto o =stado de li'erdade consagraria o ideal a atingir,
numa utopia construída doutrinariamente. De outro lado, para maior desmorali&aão
da forma antiga, o progresso se com'inou com o li'eralismo, en%uanto as vel+as
na!es, imo'ili&adas nos sarc*fagos de suas tradi!es, desacataram o passo no ritmo
ascensional.
C crítica de fonte li'eral .unta-se, parado-almente no mesmo sentido, " crítica
mar-ista. # capitalismo antigo identificado, por simplificaão de escola, ao feudalismo
1cap. I, n2 3, notas 39 a 3D4, ou ao pré-capitalismo $ ser0 devorado pelo modelo do
capitalismo industrial, e-pansivo e universali&ador nas suas técnicas e na sua
su'st,ncia. # país industrialmente desenvolvido oferece a imagem do futuro ao menos
desenvolvido $ o'servava ;ar-, na primeira edião de # Capital. )pressava-se em
esclarecer, no mesmo passo, %ue os países da =uropa continental, inade%uados ao
ritmo da Inglaterra condutora do mundo, sofriam não apenas a pressão atormentadora
3
de fora, mas as defici(ncias do desenvolvimento incompleto. B)os modernos malesB $
di&ia, dirigindo-se aos seus compatriotas alemães $, Buma série ampla de males
+erdados nos oprimem, emergentes da so'reviv(ncia passiva de anti%uados modos de
produão, com a se%Eela inevit0vel de rela!es do anacronismo social e político. 5*s
sofremos não apenas dos vivos, mas tam'ém dos mortos. Le mort saisi le vif'.
F
Gm
te*rico mar-ista, <rotsHI, atento " lião do seu mestre, ol+os postos no país atrasado
onde o =stado a'sorve parte da fortuna, enfra%uecendo todas as classes e
'urocrati&ando-se, nota %ue a adaptaão ao ritmo mundial imp!e a com'inaão
original de 'ases diversas do processo +ist*rico. B:elvagens lanaram fora os arcos e
flec+as e apan+aram imediatamente os fu&is, sem percorrer o camin+o %ue +avia entre
essas duas armas no passado.B
D
J) desigualdade do ritmoB $ prossegue mais tarde $,
B%ue é a mais geral das leis do processo +ist*rico, manifesta-se com especial rigor e
comple-idade no destino dos países atrasados. :o' o c+icote das necessidades
e-teriores, a vida retardat0ria é constrangida a avanar por saltos. Desta lei universal
da desigualdade do ritmo decorre outra lei %ue, na falta de mel+or nome, pode
denominar-se lei do desenvolvimento com'inado, no sentido da apro-imaão das
etapas diversas, da com'inaão de fases discordantes, da am0lgama de formas arcaicas
com as modernas.B
K

) crítica li'eral e a mar-ista, ao admitirem a realidade +ist*rica do =stado
patrimonial, com sua alma no capitalismo politicamente orientado, partem do
pressuposto da transitoriedade do fen6meno, %uer como resíduo anacr6nico, %uer
como fase de transião. )m'as, na verdade, comparam a est0tua imperfeita a um tipo
ideal, este em termos de dist,ncia +ist*rica, de e-ist(ncia mais curta, de cores mais
em'aral+adas %ue a clara visão de seus ide*logos. # ponto de refer(ncia é o
capitalismo moderno, tal como decantado por )dam :mit+, ;ar- e @e'er, tratados os
estilos divergentes como se fossem desvios, atal+os som'reados, revivesc(ncias
deformadoras, vestígios evanescentes. :o're um mundo aca'ado, completo, ou em via
de atingir sua perfeião última e pr*-ima, a vista mergul+a no passado, para
reconstruí-lo, conferindo-l+e um sentido retrospectivo, numa concepão linear da
List*ria. # passado tem, entretanto, suas pr*prias pautas, seu curso, em'ora não
F
capric+oso, o'ra dos +omens e de circunst,ncias não +omog(neas. # +istoriador,
adverte um fil*sofo, elimina o elemento irracional dos acontecimentos, mas, nesta
operaão, cria uma ordem racional, %ue não s* por ser racional ser0 verdadeira. )
sociedade capitalista aparece aos ol+os deslum'rados do +omem moderno como a
reali&aão aca'ada da List*ria $ degradadas as sociedades pré-capitalistas a fases
imperfeitas, num processo dialético e não mec,nico, de %ual%uer sorte, su'stituindo o
fato 'ruto ao fato racional, %ue 'em pode ser o fato ideali&ado artificialmente. 5o
fundo, a tese da unidade da List*ria, acelerada, senão criada, pelo império do
capitalismo. ) lei do desenvolvimento desigual do ritmo não é, na verdade, senão a
aplicaão dessa premissa maior articulada ou pressuposta.
M
Il me paraissait -
respondia Taine, no século passado, aos ideólogos da política - u 'une maison ne doit
pas !tre construite pour l'architecte, ni pour elle-m!me, mais pour le propriétaire ue
va s"# log,er.
$

) realidade +ist*rica 'rasileira demonstrou $ insista-se 1cap. III, n2 ?4 $ a
persist(ncia secular da estrutura patrimonial, resistindo gal+ardamente,
inviolavelmente, " repetião, em fase progressiva, da e-peri(ncia capitalista. )dotou
do capitalismo a técnica, as m0%uinas, as empresas, sem aceitar-l+e a alma ansiosa de
transmigrar. Node con.eturar-se, em alargamento da tese, %ue fora do núcleo anglo-
sa-ão, da Orana talve&, o mundo deste século, periférico " constelaão mais ardente,
desenvolveu curso e-c(ntrico, %ue se c+amaria, nas suas vertentes opostas, por
defici(ncia de língua da ci(ncia política, paracapitalista ePanticapitalista, alternativas
re'eldes " imagem moderni&ante. 5ão +averia no universo, ao contr0rio do %ue sup6s
<aQneI, apenas uma paralisia, a i'érica
8
, senão muitas, sem a passividade dos
mem'ros, mas agitadas, convulsas, desesperadas. ) um corpo renovador, e-pansivo e
criador, se agregam, em conviv(ncia relutante, na!es moderni&adoras, em constante
adaptaão, mas dentro de pro.e!es de seu pr*prio passado, de sua +ist*ria, lanada em
outro rumo. Raracterístico principal, o de maior relev,ncia econ6mica e cultural, ser0
o do predomínio, .unto ao foco superior de poder, do %uadro administrativo, o
estamento %ue, de aristocr0tico, se 'urocrati&a 1cap. III, n2 3 4 progressivamente, em
mudana de acomodaão e não estrutural. # domínio tradicional se configura no
D
patrimonialismo, %uando aparece o estado-maior de comando do c+efe, .unto " casa
real, %ue se estende so're o largo territ*rio, su'ordinando muitas unidades políticas.
:em o %uadro administrativo, a c+efia dispersa assume car0ter patriarcal, identific0vel
no mando do fa&endeiro, do sen+or de engen+o e nos coronéis. 5um est0gio inicial, o
domínio patrimonial, desta forma constituído pelo estamento, apropria as
oportunidades econ6micas de desfrute dos 'ens, das concess!es, dos cargos, numa
confusão entre o setor pú'lico e o privado, %ue, com o aperfeioamento da estrutura,
se e-trema em compet(ncias fi-as,
19
com divisão de poderes, separando-se o setor
fiscal do setor pessoal. # camin+o 'urocr0tico do estamento, em passos entremeados
de compromissos e transa!es, não desfigura a realidade fundamental, impenetr0vel "s
mudanas. # patrimonialismo pessoal se converte em patrimonialismo estatal, %ue
adota o mercantilismo como a técnica de operaão da economia. Daí se arma o
capitalismo político, ou capitalismo politicamente orientado, não calcul0vel nas suas
opera!es, em terminologia adotada no curso deste tra'al+o. ) compati'ilidade do
moderno capitalismo com esse %uadro tradicional, e%uivocadamente identificado ao
pré-capitalismo, é uma das c+aves da compreensão do fen6meno +ist*rico portugu(s-
'rasileiro, ao longo de muitos séculos de assédio do núcleo ativo e e-pansivo da
economia mundial, centrado em mercados condutores, numa pressão de fora para
dentro. )o contr0rio, o mundo feudal, fec+ado por ess(ncia, não resiste ao impacto,
%ue'rando-se internamente, para se sateliti&ar, desfigurado, ao sistema solar do
moderno capitalismo. Rapa& de comerciar, e-portando e importando, ele ad%uire
feião especulativa mesmo nas suas e-press!es nominalmente industriais, forando a
centrali&aão do comando econ6mico num %uadro dirigente. =n%uanto o sistema
feudal separa-se do capitalismo, enri.ecendo-se antes de partir-se, o patrimonialismo se
amolda "s transi!es, "s mudanas, em car0ter fle-ivelmente esta'ili&ador do modelo
e-terno, concentrando no corpo estatal os mecanismos de intermediaão, com suas
manipula!es financeiras, monopolistas, de concessão pú'lica de atividade, de
controle do crédito, de consumo, de produão privilegiada, numa gama %ue vai da
gestão direta " regulamentaão material da economia.
K
=ste curso +ist*rico leva " admissão de um sistema de foras políticas, %ue
soci*logos e +istoriadores relutam em recon+ecer, atemori&ados pelo parado-o, em
nome de premissas te*ricas de v0ria índole. :o're a sociedade, acima das classes, o
aparel+amento político uma camada social, comunit0ria, em'ora nem sempre
articulada, amorfa muitas ve&es impera, rege e governa, em nome pr*prio, num círculo
imperme0vel de comando. =sta camada muda e se renova, mas não representa a naão,
senão %ue, forada pela lei do tempo, su'stitui moos por vel+os, aptos por inaptos,
num processo %ue cun+a e no'ilita os recém-vindos, imprimindo-l+es os seus valores.
5o plano das interroga!es te*ricas, um longo de'ate, a'erto provavelmente por
Legel, discute a possi'ilidade da e-ist(ncia desse setor aut6nomo, estatal no conteúdo,
disciplinador da sociedade, a'soluto na ess(ncia.
11
;ar- e =ngels, num escrito de
.uventude, advertem para a realidade, vinculando-a " concepão do =stado como
forma de domínio da classe dominante e acentuando seu papel transit*rio. B)
independ(ncia do =stado s* ocorre, atualmente, nos países em %ue os estamentos ainda
não se transformaram inteiramente em classes, onde a%uelas ainda desempen+am certo
papel, .0 eliminado nos países adiantados, onde +0 certa mescla, nos %uais uma parte
da populaão pode dominar so're as outras.
1?
J) cone-ão se fa&, em se%E(ncia ao
mesmo pensamento, com a monar%uia a'soluta. # pro'lema, tal como posto, não
assimila o estamento " 'urocracia, como se l( nos escritos seguintes dos papas do
mar-ismo e seus epígonos. # conceito, o'scurecido desse elemento diferenciador,
assume, mais tarde, um nome personali&ador/ o 'onapartismo. 5a verdade, a
'urocracia seria apenas o formalismo do =stado, a sua consci(ncia e a sua vontade, s*
e-cepcionalmente aut6noma. =n%uanto para ;ar- o 'onapartismo não passaria de
uma apar(ncia, .0 ultrapassada sua concepão antiga, e-istindo sempre, oculta ou
ostensiva, uma classe dominante, em'ora transacional na cúpula,
13
=ngels permanece
fiel " concepão original. Nara ;ar-, 5apoleão III, sustentado por uma classe, danava
entre as classes, entre contradi!es e troca de parceiros, falso 0r'itro de interesses em
conflito. =ngels, ao contr0rio, vincula o pe%ueno 5apoleão " monar%uia a'soluta, %ue
e-erce um real poder de governo, com os oficiais e funcion0rios d*ceis " aão
política.
1F
Igualmente, a doutrina li'eral, mais compatível com ;ar- do %ue com
=ngels, nega o papel aut6nomo da 'urocracia,
1D
tratando-a, na realidade, de coisa
M
diversa. L0 a 'urocracia, e-pressão formal do domínio racional, pr*pria ao =stado e "
empresa modernos, e o estamento 'urocr0tico, %ue nasce do patrimonialismo e se
perpetua noutro tipo social, capa& de a'sorver e adotar as técnicas deste, como meras
técnicas. Daí seu car0ter não transit*rio. 5a conversão do ad.etivo em su'stantivo se
trocam as realidades, num .ogo de palavras fértil em e%uívocos. # pr*prio
'onapartismo, em lugar de ser uma e-pressão política pr*pria, serve para assegurar
uma situaão permanente, a apar(ncia democr0tica, cesarista num %uadro autocr0tico,
generali&aão e não participaão do poder pelo povo. Résar o +er*i e a caricatura
desce a escada do pal0cio e se dirige ao povo, para mel+or afastar a so'erania de 'ai-o
para cima, num espet0culo aclamat*rio, em favor de D. Nedro II, 5apoleão III,
SismarcH ou Getúlio Vargas.
5ão impera a 'urocracia, a camada profissional %ue assegura o funcionamento
do governo e da administraão 1%erufs&eamtentuam4, mas o estamento político
1%eamtenstand4. ) 'urocracia, como 'urocracia, é um aparel+amento neutro, em
%ual%uer tipo de =stado, ou so' %ual%uer forma de poder. :eu domínio ser0 compatível
com a monar%uia a'soluta, mas pode caracteri&ar-se pela reduão do c+efe supremo a
uma figura decorativa, espécie de primeiro magistrado. 5ão se converte, o estamento
político, entretanto, em governo da so'erania popular, a.ustando-se, no m0-imo, "
autocracia com técnicas democr0ticas. 5a cúpula, graas ao e%uilí'rio ou " impot(ncia
de classes e interesses de empolgar o comando, o governo arma, so're o e%uilí'rio das
'ases, o papel de 0r'itro, sem %ue se possa e-pandir na tirania a'erta ou no despotismo
sem medida e sem controle. Gma política econ6mica e financeira de teor particular,
estatal e mercantilista, atua e vigia, se e-pande e se amplia, com so'ranceria.
1K
)
autonomia da esfera política, %ue se manifesta com o'.etivos pr*prios, organi&ando a
naão a partir de uma unidade centrali&adora, desenvolve mecanismos de controle e
regulamentaão específicos. # estamento 'urocr0tico comanda o ramo civil e militar
da administraão e, dessa 'ase, com aparel+amento pr*prio, invade e dirige a esfera
econ6mica, política e financeira. 5o campo econ6mico, as medidas postas em pr0tica,
%ue ultrapassam a regulamentaão formal da ideologia li'eral, alcanam desde as
prescri!es financeiras e monet0rias até a gestão direta das empresas, passando pelo
T
regime das concess!es estatais e das ordena!es so're o tra'al+o. )tuar diretamente
ou mediante incentivos serão técnicas desenvolvidas dentro de um s* escopo. 5as suas
rela!es com a sociedade, o estamento diretor prov( acerca das oportunidades de
ascensão política, ora dispensando prestígio, ora reprimindo transtornos sediciosos,
%ue 'uscam romper o es%uema de controle. 5o ,m'ito especificamente político,
interno " estrutura, o %uadro de comando se centrali&a, aspirando, senão " coesão
monolítica, ao menos " +omogeneidade de consci(ncia, identificando-se "s foras de
sustentaão do sistema.
1M
#'viamente, e os capítulos precedentes testemun+am essa
realidade, a estrutura não se mantém senão ao preo de muitas tens!es e conflitos.
Grupos, classes, elites, associa!es tentam, lutam para fugir ao a'rao sufocador da
ordem imposta de cima, se.a pelo centrifuguismo colonial, o federalismo repu'licano,
a autonomia do sen+or de terra, gerando antagonismos %ue, em 'reves momentos,
c+egam a arredar, sem ani%uilar, o estado-maior de domínio, imo'ili&ando-o
temporariamente, incapa&es os elementos em re'eldia de institucionali&ar-se
fi-amente. # estamento, por so'ranceiro "s classes, divorciado de uma sociedade cada
ve& mais por estas composta, desenvolve movimento pendular, %ue engana o
o'servador, não raras ve&es, supondo %ue ele se volta contra o fa&endeiro, em favor da
classe média, contra ou a favor do proletariado. Ilus!es de *ptica, sugeridas pela
pro.eão de realidades e ideologias modernas num mundo antigo, +istoricamente
consistente na fluide& de seus mecanismos. )s forma!es sociais são, para a estrutura
patrimonial estamental, pontos de apoio m*veis, valori&ados a%ueles %ue mais a
sustentam, so'retudo capa&es de fornecer-l+e os recursos financeiros para a e-pansão
$ daí %ue, entre as classes, se alie "s de car0ter especulativo, lucrativo e não
propriet0rio. # predomínio dos interesses estatais, capa&es de condu&ir e deformar a
sociedade $ realidade descon+ecida na evoluão anglo-americana $, condiciona o
funcionamento das constitui!es, em regra escritos sem,nticos ou nominais sem
correspond(ncia com o mundo %ue regem.
# conteúdo do =stado molda a fisionomia do c+efe do governo gerado e
limitado pelo %uadro %ue o cerca. # rei, o imperador, o presidente não desempen+am
apenas o papel do primeiro magistrado, comandante do estado-maior de domínio. #
8
c+efe governa o estamento e a m0%uina %ue regula as rela!es sociais, a ela
vinculadas. C medida %ue o estamento se desaristocrati&a e se 'urocrati&a, apura-se o
sistema monocr0tico, com o retraimento dos colégios de poder. Romo realidade e, em
muitos momentos, mais como sím'olo do %ue como realidade, o c+efe prov(, tutela os
interesses particulares, concede 'enefícios e incentivos, distri'ui merc(s e cargos, dele
se espera %ue faa .ustia sem atenão "s normas o'.etivas e impessoais. 5o so'erano
concentram-se todas as esperanas, de po'res e ricos, por%ue o =stado reflete o p*lo
condutor da sociedade. # súdito %uer a proteão, não participar da vontade coletiva,
proteão aos desvalidos e aos produtores de ri%ue&a, na am'igEidade essencial ao tipo
de domínio. 5ão se su'mete o c+efe " aristocracia territorial, ao sen+or de terras, "
'urguesia, governando, em nome de uma camada, diretamente so're a naão. =le fala
ao povo, não aos intermedi0rios por este criados, do pal0cio " sociedade, em dois
planos separados. =le é o pai do povo, não como mito carism0tico, nem como +er*i,
nem como governo constitucional e legal, mas o 'om príncipe $ D. João I, D. Nedro II
ou Getúlio Vargas $ empreendendo, em certas circunst,ncias, uma política social de
'em-estar, para assegurar a adesão das massasU
1T
Nara evitar a participaão popular,
recorre, não raro, " mo'ili&aão das ruas, em manifesta!es %ue, atr0s de si, s* dei-am
o p* de palavras inconse%Eentes. Oil+o do providencialismo estatal, ele o fortifica,
usando dos poderes %ue a tradião l+e confere. =m casos e-tremos, ser0 o ditador
social, de apar(ncia socialista, de um suposto socialismo %ue sacia aspira!es,
desviando-as e acalmando-as, com algum circo e algum pão. # 'om príncipe, o pai do
povo guarda, na sua prud(ncia de generali&ar a apar(ncia de poder, sem a'rir nen+um
canal de participaão, a conduta do consel+o de )lvaro Nae& ao ;estre de )vis, no
século VIV, na sua finura sarc0stica/ J:en+orW $ recomendava-l+e o astuto consel+eiro
$, Jfa&ei por esta guisa/ Dai a%uilo %ue vosso não é, e prometei o %ue não tendes, e
perdoai a %uem vos não errou, e ser-vos-0 mui grande a.uda para tal neg*cio em %ue
sois postoB. 5a 'ase da pir,mide, no outro e-tremo dos manipuladores olímpicos do
poder, o povo espera, pede e venera, formulando a sua política, e-pressão prim0ria de
anseios e clamores, a política de salvaão. Ronfundindo as súplicas religiosas com as
políticas, o desvalido, o negativamente privilegiado, identificado ao providencialismo
do aparel+amento estatal, com o entusiasmo orgi0stico dos supersticiosos, confunde o
19
político com o taumaturgo, %ue transforme pedras em pães, o po're no rico. =n%uanto
o estamento 'urocr0tico desenvolve a sua política, superior e aut6noma, remediando as
crises com as revolu!es 'onapartistas, de cima para 'ai-o, desenvolve-se a mística da
revoluão salvadora, esta oficial como as outras, repita-se Joa%uim 5a'uco. Da ordem
tumultuada, da anar%uia fomentada, as massas, em'aídas por esperanas e alimentadas
de entusiasmo, incensam o oculto deus e'-machina, %ue remediar0 todos os males e
mitigar0 todos os sofrimentos. )s duas partes, a sociedade e o estamento,
descon+ecidas e opostas, convivendo no mesmo país, navegam para portos antípodas/
uma espera o taumaturgo, %ue, %uando a demagogia o encarna em algum político,
arranca de seus partid0rios mesmo o %ue não t(m> a outra, permanece e dura, no
trapé&io de seu e%uilí'rio est0vel.
# estamento, implantado na realidade estatal do patrimonialismo, não se
confunde com a elite, ou a c+amada classe política 1cap. III, 34, mesmo %uando esta se
esclerosa, incapa& de renovar-se. ) minoria governa sempre, em todos os tempos, em
todos os sistemas políticos. ) organi&aão, segundo o truísmo %ue o estudo de ;ic+els
divulgou, leva " oligar%uia, " Blei de 'ron&e da oligar%uiaB/ os poucos, eleitos ou
cooptados, asseguram um estatuto pr*prio de comando, mas não aut6nomo. #
aparel+amento, empresarial ou estatal, não se confunde com o poder, su.eito, nos
sistemas elit0rios, " escol+a, " renovaão, " mudana, ao movimento circulat*rio,
pressionado de 'ai-o para cima, nunca limitado a um %uadro fec+ado. Raracteri&0-la
de classe levaria a e-trapolar uma categoria econ6mica a uma categoria política, na
prestidigitaão ver'al dos termos, pecado de %ue não escapou Gaetano ;osca, com
sua classe política. Ronferir-l+e car0ter social, para estratific0-la no estamento $ como
Belite de poderB, tal como procedeu @rig+t ;ills
18
$, importaria, em último termo, a
converter a 'urocracia numa realidade em si, desmentindo a neutralidade técnica da
última. Ronfundir-se-ia, ademais, o estado patol*gico com o estado natural, em
situa!es de la'ilidade %ue, apesar de apro-ima!es empíricas, mant(m a dist,ncia dos
tipos ideais.
?9
5o governo estamental, tal como se estrutura neste ensaio, +0
necessariamente, como sistema político, a autocracia de car0ter autorit0rio e não a
autocracia de forma totalit0ria. B# conceito Xautorit0rioYB $ escreve ZoeQenstein
11
$Bcaracteri&a uma organi&aão política na %ual um único detentor do poder $ uma s*
pessoa ou Xditador[, uma assem'léia, um comit(, uma .unta ou um partido $
monopoli&a o poder político sem %ue se.a possível aos seus destinat0rios a participaão
real na formaão da vontade estatal. # único detentor imp!e " comunidade sua decisão
política fundamental, isto é, Xdita[-a aos destinat0rios do poder. # termo Xautorit0rio[
refere-se mais " estrutura governamental do %ue " ordem social. =m geral, o regime
autorit0rio se satisfa& com o controle político do =stado sem pretender dominar a
totalidade da vida socioecon6mica da comunidade, ou determinar sua atitude espiritual
de acordo com sua imagemB. =ste sistema é compatível, e ordinariamente se
compati'ili&a, com *rgãos estatais separados, assem'léias ou tri'unais, numa
ordenaão formalmente .urídica. De outro lado, o regime autorit0rio convive com a
vestimenta constitucional, sem %ue a Zei ;aior ten+a capacidade normativa,
adulterando-se no aparente constitucionalismo $ o constitucionalismo nominal, no %ual
a Rarta ;agna tem validade .urídica, mas não se adapta ao processo político, ou o
constitucionalismo sem,ntico, no %ual o ordenamento .urídico apenas recon+ece a
situaão de poder dos detentores autorit0rios.
??
) autocracia autorit0ria pode operar
sem %ue o povo perce'a seu car0ter ditatorial, s* emergente nos conflitos e nas
tens!es, %uando os *rgãos estatais e a Rarta Ronstitucional cedem ao real, verdadeiro e
atuante centro de poder político. =m última an0lise, a so'erania popular não e-iste,
senão como farsa, escamoteaão ou engodo. J0 na estrutura normativamente
constitucional, democr0tica na ess(ncia, os detentores do poder participam na
formaão das decis!es estatais, mediante mecanismos de controle %ue atuam na
participaão popular. 5ão importa %ue o encadeamento %ue vai da cúpula " 'ase este.a
enri.ecido por minorias diretoras, contanto %ue o circuito percorra a escala vertical.
=ste último sistema $ normativamente constitucional e democr0tico $ se a.usta ao
%uadro das elites, mais ou menos su.eitas ao controle, necessariamente preocupadas
com as ag(ncias de comando, se.am os círculos eleitorais, as oligar%uias estaduais
entrosadas "s municipais, como na 7epú'lica Vel+a, ou os partidos. ) so'erania
popular não se redu& " emanaão da vontade de 'ai-o para cima, ca'endo "s minorias
as decis!es e " maioria o controle, de acordo com a f*rmula de :ieI\s/ B) autoridade
vem de cima, a confiana vem de 'ai-oB. ) astúcia, a +a'ilidade, a saga& manipulaão
1?
são %ualidades psicol*gicas a.ustadas ao comando elit0rio, en%uanto nos estamentos
prevalece a decisão de utili&ar a viol(ncia, a direão voltada " efici(ncia, o c0lculo nas
interven!es so're o mecanismo .urídico.
) elite das democracias não pode se consolidar num estrato privilegiado,
mut0vel nas pessoas mas fec+ado estruturalmente. )s institui!es, normativamente
operantes, trituram suas veleidades autonomi&adoras, veleidades sempre discerníveis
na 'urocracia. 5o patrimonialismo, no momento da emerg(ncia das classes, procuram
estas nacionali&ar o poder, apropri0-lo, para %ue se dilua na elite. # conflito est0
presente nesse tipo de estrutura, so'retudo %uando posta em convívio com o
capitalismo industrial, por pressão e-terna e por efeito de e-pansionismo internacional
deste. ) elite política do patrimonialismo é o estamento, estrato social com efetivo
comando político, numa ordem de conteúdo aristocr0tico. Il ne faut pas $ adverte
Lauriou, .urista soci*logo como ZoeQenstein $ confondre élite politiue avec
aristocratie( les régimes aristocratiues sont ceu' o) l'élite politiue est devenue une
classe ou un ordre dans l'État avec des privil*ges +uridiues( c'est une solution, mais il
# en a d'autres( les démocraties, elles aussi, peuvent avoir une élite politiue, elle ne
sera pas organisée en une classe privilégiée, elle se recruitera dans toutes les couches
de la population, elle se renouvellera continuellement, elle e'istera uand m!me.
?3
:e
a lin+a divis*ria se traa com firme&a, em relaão "s elites, na sua cone-ão com o
sistema político, nem sempre ser0 possível evitar o campo l0'il, am'íguo, e%uívoco
das con.un!es entre 'urocracia e controle popular, so'retudo nos países em formaão
e nos superdesenvolvidos. 5os primeiros, a elite 'urocr0tica, a intelligentsia %ue
a'sorve as técnicas do capitalismo industrial, preocupada com a efici(ncia da
moderni&aão econ6mica e social, tenta se autonomi&ar, desden+ando dos políticos,
para ela simples agitadores, ignorantes, incapa&es e corruptos. 5um país %ue recém-
ingressou nas na!es independentes, o administrador egresso da universidade européia
espanta-se %ue o político %ueira orientar o plane.amento econ6mico, ele %ue nunca
fre%Eentou um curso de p*s-graduaão.
?F
5o outro e-tremo, nos =stados Gnidos de
+o.e, a elite tecnocr0tica, gerada " margem da elite tradicional, fil+a do ordenamento
racional legal, usurpa fun!es pú'licas, reservadas, na concepão li'eral, " empresa
13
particular, " li'erdade no seu sentido cl0ssico. =sse movimento, %ue por motivos de
outra índole, se a.usta aos países moderni&adores e em desenvolvimento, tem sua rai&
pr*pria. #corre %ue, no c+amado novo =stado industrial, a atividade particular, nas
organi&a!es de larga envergadura, torna-se uma e-tensão da 'urocracia oficial, da
%ual depende e a cu.as necessidades serve. ) separaão entre o campo econ6mico e o
estatal se apro-ima, em favor de largo comple-o capa& de a'arcar am'os os setores. )
din,mica do mercado a'erto, congenial ao li'eralismo, se altera em direão ao
mercado administrativo, com demandas políticas seletivas, de car0ter militar e
político.
?D
) emerg(ncia de tais ritmos ou veleidades tecnocr0ticas opera, no campo
internacional, para enfra%uecer a fora de atraão do ímã do capitalismo li'eral,
acelerando a convicão dos camin+os pr*prios de desenvolvimento, e-c(ntricos ao
modelo cl0ssico, %ue redu& os tipos universais divergentes a est0gios de um padrão
único. # estamento 'urocr0tico desenvolve padr!es típicos de conduta ante a mudana
interna e no a.ustamento " ordem internacional. Gravitando em *r'ita pr*pria não
atrai, para fundir-se, o elemento de 'ai-o, vindo de todas as classes. =m lugar de
integrar, comanda> não condu&, mas governa. Incorpora as gera!es necess0rias ao seu
servio, valori&ando pedag*gica e autoritariamente as reservas para seus %uadros,
cooptando-os, com a marca de seu cun+o tradicional. # 'rasileiro %ue se distingue +0
de ter prestado sua cola'oraão ao aparel+amento estatal, não na empresa particular,
no (-ito dos neg*cios, nas contri'ui!es " cultura, mas numa ética confuciana do 'om
servidor, com carreira administrativa e curriculum vitae aprovado de cima para 'ai-o.
) vit*ria no mundo social, fundada na ascética intramundana do esforo pr*prio,
racional, passo a passo, tradu&, no desdém geral, a mediocridade incapa& das am'i!es
%ue visam " gl*ria, no estilo %ue l+e conferia ;ontes%uieu. # capitalismo cl0ssico, de
car0ter puritano e anglo-americano, 'aseia-se em valores de todo estran+os ao curso de
uma estrutura de seiscentos anos deslum'rada, com estilos diferentes, pelo golpe das
caravelas na ]ndia. ) naão e o =stado, nessa disson,ncia de ecos profundos, cindem-
se em realidades diversas, estran+as, opostas, %ue mutuamente se descon+ecem. Duas
categorias .ustapostas convivem, uma cultivada e letrada, outra, prim0ria, entregue aos
seus deuses primitivos, entre os %uais, ve& ou outra, se encarna o 'om príncipe. #nde a
mo'ili&aão de ideais manipulados não consegue manter o domínio, a repressão toma
1F
o seu lugar, alternando o incentivo " compressão. Gm via.ante norte-americano da
década de ?9, irritado e furioso, caricaturou, forando as lin+as e as cores, o %uadro
%ue supusera ver. B=-iste no SrasilB $ clama o profeta puritano $ Buma massa
desarticulada a %ue c+amarei YpovoY. A completamente analfa'eta. Nor isso, não tem
padrão pr*prio de agricultura, &ootecnia ou ar%uitetura. ...<em uma idéia muito vaga
do resto do mundo a %ue alguns c+amam englo'adamente de YNarisY. 5ão toma parte na
administraão pú'lica. Desprovida de terras> em sua maioria, tra'al+ando por conta de
outrem/ o patrão ou o c+efe político.
B=-iste, porémB $ continua cada ve& mais irado $, Boutra classe altamente
articulada a %ue c+amarei Ytraidores do povoY. :ão letrados, capa&es de compor frases
sonoras. ... Ron+ecem o conforto das moradias are.adas. :a'em muito mais a respeito
do resto do mundo %ue de seu pr*prio país. # governo é a missão para a %ual .ulgam
ter nascido.B
?K
5o e-agero das cores, filtra-se uma conse%E(ncia/ o povo %uer a
proteão do =stado, parasitando-o, en%uanto o =stado mantém a menoridade popular,
so're ela imperando. 5o plano psicol*gico, a dualidade oscila entre a decepão e o
engodo.
# div*rcio dos mundos estan%ues, ao tempo %ue marginali&a a consci(ncia do
dirigente, criando um conflito íntimo, %ue um de seus mais e-pressivos representantes
tradu&iu na f*rmula do sentimento 'rasileiro e a imaginaão européia, imp!e, em outro
plano, o cuidado de construir a realidade. Ronstruir com a lei 'em ela'orada, num
momento, e, noutro, vítima de pressupostos diversos, com o plane.amento, tão
decorativo, em certos casos, como a ordenana meticulosa. ) legalidade te*rica
apresenta, ressalvada a eleg,ncia da frase, conteúdo diferente dos costumes, da
tradião e das necessidades dos destinat0rios da norma. Gm sarc0stico +istoriador
pedia, para remediar o desacerto, %ue se promulgasse uma lei para tornar as outras
o'rigat*rias. B# nosso .urismoB $ escreve 5estor Duarte $, Bcomo o amor a
concep!es doutrin0rias, com %ue modelamos nossas constitui!es e procuramos
seguir as formas políticas adotadas, é 'em a demonstraão do esforo por construir
com a lei, antes dos fatos, uma ordem política e uma vida pú'lica %ue os costumes, a
tradião e os antecedentes +ist*ricos não formaram, nem tiveram tempo de sedimentar
1D
e
cristali&ar. ...
BGm tra'al+o de construão ora desproporcionado, ora artificial, sempre com
maior ou menor contraste, so're o terreno va&io.B
?M
=difica-se nas nuvens, sem contar
com a reaão dos fatos, para %ue da lei ou do plano saia o +omem tal como no
la'orat*rio de Oausto, o %ual, apesar de seu artificialismo, atende " moderni&aão e ao
desenvolvimento do país. ) vida social ser0 antecipada pelas reformas legislativas,
esteticamente sedutoras, assim como a atividade econ6mica ser0 criada a partir do
es%uema, do papel para a realidade. Ramin+o, este, antag6nico ao pragmatismo
político, ao florescimento espont,neo da 0rvore. Nolítica silogística, c+amou-a
Joa%uim 5a'uco. BA uma pura arte de construão no v0cuo. ) 'ase são teses, e não
fatos> o material, idéias, e não +omens> a situaão, o mundo, e não o país> os
+a'itantes, as gera!es futuras, e não as atuais.B
?T
) incolumidade do conte-to de poder, congelado estruturalmente, não significa
%ue ele impea a mudana social, %uer no acomodamento ao campo internacional, %uer
no desenvolvimento interno. ) perman(ncia da estrutura e-ige o movimento, a
incorporaão contínua de contri'ui!es de fora, ad%uiridas intelectualmente ou no
contato com as civili&a!es mais desenvolvidas. Oavorece a mudana, ali0s, a
separaão de uma camada minorit0ria da sociedade, sensível "s influ(ncias e-ternas e
internas, mais r0pida em ad%uirir novas atitudes do %ue se a alteraão atingisse o
con.unto, em impacto indiferenciado. ;uda uma categoria, %ue, por meios
autoritariamente coercitivos, a transmite "s outras fai-as de populaão, num processo
moderni&ador, marginali&ador e 'ovarista não raro, mais imitador %ue criativo. #
estamento forma o elo vinculador com o mundo e-terno, %ue pressiona pelo domínio
de seus padr!es, incorporando as novas foras sociais. =sse papel, reservado, nos
momentos de eclipse do sistema, "s elites, ser0 desempen+ado, em outras estruturas,
pela 'urguesia, pr*-ima ao mundo capitalista $ 'urguesia e-terna com ramifica!es
nacionais ou 'urguesia nacionalmente emergente. 5a peculiaridade +ist*rica 'rasileira,
todavia, a camada dirigente atua em nome pr*prio, servida dos instrumentos políticos
derivados de sua posse do aparel+amento estatal. )o rece'er o impacto de novas foras
1K
sociais, a categoria estamental as amacia, domestica, em'otando-l+e a agressividade
transformadora, para incorpor0-las a valores pr*prios, muitas ve&es mediante a adoão
de uma ideologia diversa, se compatível com o es%uema de domínio. )s respostas "s
e-ig(ncias assumem car0ter transacional, de compromisso, até %ue o eventual
antagonismo dilua, perdendo a cor pr*pria e viva, numa mistura de tintas %ue apaga os
tons ardentes. )s classes servem ao padrão de domínio, sem %ue orientem a mudana,
refreadas ou com'atidas, %uando o ameaam, estimuladas, se o favorecem. # sistema
compati'ili&a-se, ao imo'ili&ar as classes, os partidos e as elites, aos grupos de
pressão, com a tend(ncia de oficiali&0-los.
) mudana econ6mico-social, possível e a.ust0vel " estrutura política, opera-se
em graus de teor v0rio. 5o século VIV, até esgotar-se o ,nimo criador %ue inspirou a
ascensão da dinastia de )vis, a monar%uia portuguesa tomou so're si uma missão
universal. # centro do mundo desloca-se, na consci(ncia dos atores, para o pe%ueno
palco lusitano, com o mundo descon+ecido aos seus pés. =ste foi seu momento
criador, envolvendo todos os %uadrantes numa visão egoc(ntrica, suscitando
imitadores e epígonos.
?8
De tal ,nimo, .0 som'reado da saudade desesperada,
infundido por uma tentativa %ue aca'aria em p* e em fumaa, vi'ra o poema da época
$ ,s Lusíadas. )s palavras de Vasco da Gama ao rei de ;elinde colocam a =span+a
na ca'ea da =uropa e o reino lusitano na sua parte superior $ no Bcume da ca'eaB
1R. III, VVIII e VV.4. Orustrado o son+o imperialista, sem em'argo não dissolvida a
conte-tura internacional, em convulsivos espasmos, seca a veia criadora/ Nortugal, de
centro da terra, torna-se servo das na!es %ue l+e arre'ataram o cetro. ) mudana
fundamental de outrora, enri.ecida num %uadro est0vel, sem se sateliti&ar, so'er'o com
o feito marítimo, ser0 um povo em permanente processo de moderni&aão.
;oderni&aão %ue, s* num espao, tem veleidades mais profundas/ na o'ra de criaão
americana, %ue ameaa tomar rumo pr*prio, logo corrigido com a transmigraão da
corte e sua institucionali&aão até o termo do reinado de D. Nedro II, com seus
estadistas nativos. ;oderni&a-se o país $ prolongando-se em outra naão $, a.ustando,
acomodando, se.a na convulsão pom'alina %ue prefigura o'ra do Nedro russo, se.a no
tra'al+o o'scuro e di0rio, com a mercadoria e a técnica inglesas. 5essa incorporaão
1M
de retal+os, na %ual se .untam peas anacr6nicas e idéias de vanguarda, a conduta vai
desde o maca%uear imitativo até ao cuidado de dotar o país dos 'enefícios técnicos das
na!es adiantadas, com meios pr*prios de sustentaão interna. # processo, todavia, em
todos os níveis, gera mal-estar íntimo, com os moderni&adores atuando so' o
pressuposto da incultura, senão da incapacidade do povo, e o povo sem convívio
íntimo com a%ueles, %ue'rados os vínculos de solidariedade espiritual. # processo de
moderni&aão, %ue rea.usta o anacr6nico e o informe " atualidade, atinge, na +ora em
%ue a 'ase interna sente a consci(ncia de um destino pr*prio, uma alteraão, ainda de
grau. ) crise se manifesta com o nacionalismo $ o autonomismo da década de ?9 do
século passado, na ing(nua adoão de nomes indígenas, o .aco'inismo antiluso dos
comeos da 7epú'lica, o nacionalismo, em nome pr*prio, dos dias de =pit0cio Nessoa
e )rtur Sernardes, %ue se cristali&a no movimento de 183M. ) camada dirigente
seciona-se, em tais emerg(ncias, ense.ando a %ue se agreguem, da 'ase para o alto,
contri'ui!es pertur'adoras, %ue o sistema controla autoritariamente para não se
destruir. :e o nacionalismo ocupa um papel de relevo, nem sempre, todavia, acentua
caracteres estati&antes, voltado mais para a moderni&aão do desenvolvimento do %ue
para o fec+amento da corrente e-terna. # tr,nsito entre um tipo de moderni&aão para
outro tipo est0 vinculado ao =-ército, cu.a atividade política ad%uire su'st,ncia e
relevo na era repu'licana, depois do longo ostracismo imperial, mal avaliado pelos
+istoriadores seu papel na fase colonial. Interpretada a Oora )rmada como e-pressão
de classes, ou mesmo de camadas sociais, ser0 ininteligível sua funão, %ue redu& os
es%uemas a peas incongruentes. =la não comp!e apenas um ramo da 'urocracia,
como não constitui uma classe, representando sua ideologia. Integra-se no estamento
condutor, com presena pr*pria no %uadro do poder, ostensiva nos momentos de
divisão no comando superior, divisão %ue, na estrutura estamental, condu& " anar%uia.
)o tempo %ue preenc+e o v0cuo, transforma as institui!es, de cima para 'ai-o,
engendrando o rea.ustamento, para mais acelerado desenvolvimento. 5as tr(s
interven!es militares, verificadas no curso de tempo %ue este livro a'arca, 1TT8,
1839-3M e 18FD, so' o mesmo rumo, nova configuraão político-.urídica se formou, na
esteira dos movimentos. 5a primeira, um es%uema de transião assegura a unidade
nacional, no plano da +omogeneidade do único corpo não regional na esfera de
1T
domínio. ) segunda se prop!e, com o'.etivos de desenvolvimento, restaurar o vigor do
=stado para gerar a indústria '0sica e o controle de foras sociais e-c(ntricas " direão
superior. =m 18FD, a rigide& nacionalista, estati&ante no seu ritmo interno, em'araa a
cola'oraão estrangeira, e-perimentada no convívio da guerra, para %ue entre em
contato com a empresa nacional. Suscar a causa de tais movimentos na estrutura
interna do =-ército, na composião de suas fileiras superiores, condu& a enganos de
*ptica %ue formam a consagrada fal0cia de muitos +istoriadores e soci*logos. ) fal0cia
se desenvolve na caricatura, como na perspectiva de =duardo Nrado, ou na demagogia
irrespons0vel de generais do povo e generais contra o povo. =m todas essas distor!es,
o analista cria o modelo, teoricamente, e, para prov0-lo, a.eita os fatos, os
acontecimentos, em cu.o apriorismo se escondem o louvor ou a censura, na prévia
valoraão da realidade. ) legitimidade, %ue e-pressa as valora!es, artificialmente
recon+ecida ou negada, é outro sintoma da preval(ncia da teoria so're o fato, do
legismo oportunista so're a realidade.
39

) longa camin+ada dos séculos na +ist*ria de Nortugal e do Srasil mostra %ue a
independ(ncia so'ranceira do =stado so're a naão não é a e-ceão de certos períodos,
nem o est0gio, o degrau para alcanar outro degrau, previamente visuali&ado. #
'onapartismo mete*rico, o pré-capitalismo %ue sup!e certo tipo de capitalismo não
negam %ue, no cerne, a c+ama consome as 0rvores %ue se apro-imam de seu ardor,
carvão para uma fogueira pr*pria, peculiar, resistente. # estamento 'urocr0tico,
fundado no sistema patrimonial do capitalismo politicamente orientado, ad%uiriu o
conteúdo aristocr0tico, da no're&a da toga e do título. ) pressão da ideologia li'eral e
democr0tica não %ue'rou, nem diluiu, nem desfe& o patronato político so're a naão,
impenetr0vel ao poder ma.orit0rio, mesmo na transaão aristocr0tico-ple'éia do
elitismo moderno. # patriciado, despido de 'ras!es, de vestimentas ornamentais, de
casacas ostensivas, governa e impera, tutela e curatela. # poder $ a so'erania
nominalmente popular $ tem donos, %ue não emanam da naão, da sociedade, da ple'e
ignara e po're. # c+efe não é um delegado, mas um gestor de neg*cios, gestor de
neg*cios e não mandat0rio. # =stado, pela cooptaão sempre %ue possível, pela
viol(ncia se necess0rio, resiste a todos os assaltos, redu&ido, nos seus conflitos, "
18
con%uista dos mem'ros graduados de seu estado-maior. = o povo, palavra e não
realidade dos contestat0rios, %ue %uer ele^ =ste oscila entre o parasitismo, a
mo'ili&aão das passeatas sem participaão política e a nacionali&aão do poder, mais
preocupado com os novos sen+ores, fil+os do din+eiro e da su'versão, do %ue com os
comandantes do alto, paternais e, como o 'om príncipe, dispens0rios de .ustia e
proteão. ) lei, ret*rica e elegante, não o interessa. ) eleião, mesmo formalmente
livre, l+e reserva a escol+a entre op!es %ue ele não formulou.
) cultura, %ue poderia ser 'rasileira, frustra-se ao a'rao sufocante da carapaa
administrativa, tra&ida pelas caravelas de <omé de :ou&a, reiterada na travessia de D.
João VI, ainda o regente de D. ;aria I, a Zouca, dementada pelos espectros da
7evoluão Orancesa. ) terra virgem e misteriosa, povoada de +omens sem lei nem rei,
não conseguiu desarticular a armadura dos cavaleiros de =l-7ei, +er*is oficiais de uma
grande empresa, +erdeiros da lealdade de Vasco da Gama $ +er*i 'urocrata. ) m0%uina
estatal resistiu a todas as setas, a todas as investidas da voluptuosidade das índias, ao
contato de um desafio novo $ manteve-se portuguesa, +ipocritamente casta, duramente
administrativa, aristocraticamente superior. =m lugar da renovaão, o a'rao lusitano
produ&iu uma social enormit#
31
, segundo a %ual vel+os %uadros e institui!es
anacr6nicas frustram o florescimento do mundo virgem. Deitou-se remendo de pano
novo em vestido vel+o, vin+o novo em odres vel+os, sem %ue o vestido se rompesse
nem o odre re'entasse. # fermento contido, a rasgadura evitada geraram uma
civili&aão marcada pela veleidade, a fada %ue presidiu ao nascimento de certa
personagem de ;ac+ado de )ssis, claridade opaca, lu& coada por um vidro fosco,
figura vaga e transparente, tra.ada de névoas, toucada de refle-os, sem contornos,
som'ra %ue am'ula entre as som'ras, ser e não ser, ir e não ir, a indefinião das formas
e da vontade criadora. Ro'rindo-a, so're o es%ueleto de ar, a túnica rígida do passado
ine-aurível, pesado, sufocante.
?9
Notas
1. ;ontes%uieu.DeZYesprit des lois. Z. VI, caps. V e VII. #euvres completes. Nléiade,
18D1, tomo II, p. 38K e F9T.
?. @e'er, ;a-. -irt. u. .esel., cit., p. 1?F.
3. :c+mitt, Rarl. Teoria de Ia Constituici/n, cit., p. 1FD e segs.
F. 01-, cit., v. 33,18K?, p. 1F eI:.
D. In/ Deutsc+er, Isaac. Trots2# o profeta &anido. 7io, Rivili&aão Srasileira, 18KT, p.
?F9.
K. <rotsHI, Zéon. 3istoire de Ia révolution 4usse. Naris, Aditions du :euil, 18D9, tomo I,
p. 1M.
M. V. ;erlau-NontI, ;aurice. Les aventures de Ia dialectiue. Naris, Gallimard, 18DD, p.
33, D1 e 8F.
T. <aine, L. Les origines de Ia 5rance contemporaine. Naris, Lac+ette, _s. d.`, I, tomo I,
p. 11.
8. <aQneI 7. L. 4eligion and the rise of capitalismo 5. aorH, ) ;entor SooH, 18D9, p.
KK. 5a realidade, <aQneI alude " paralisia espan+ola, ampliada a e-pressão no te-to
por fidelidade ao sentido.
19. @e'er, ;a-. -irt. u. .esel. cit., p. 1M9, 1M1, 1MD, MK1, MK8.
11. ;arcuse, Ler'ert. 4a67o e revolu87o. 7io, =d. gaga, 18K8, p. 1KF e 1TT.
1?. 01-, cit., BDie Deutsc+e IdeologieB, v. 3, p. K?.
13. 01-, cit., BDer 1T. Srummaire des Zouis SonaparteB, v. M, p. 18M e segs.
1F. Id., Bbur @o+nungsfrageB, V. 1T, p. ?DT e segs.
1D. ;ises, ZudQig v. La &ureaucratie. Naris, Zi'rairie de ;édicis, _s. d.`.
1K. ) tese ora e-posta .0 se encontra na primeira edião deste livro. ) tese, ao tempo não
consagrada, tem atualmente o a'ono de tra'al+os recentes, paralelos aos estudos do
autor, entre outros/ 7osem'erg,. Lans. %ureaucratie, aristocrac#and autocrac#. The
prussian e'perience 9//:-9$9;. 3. ed. Larvard GniversitI Nress 118DT4, 18KT.
Goldmann, Zucien. Le dieu caché. Naris, Gallimard, 18DT, p. 11T e segs., 131 e segs.,
1F9 e segs. ;oore Jr., Sarrington. <ocial origins of dictatorship and democrac#.
Soston, Seacon Nress, 118KK4, 18M9, p. FF1 e segs. LoroQit&, Irving Zouis. The
=orlds of development. #-ford GniversitI Nress, 118KK4, 18M?, p. FM3. =isenstadt. The
political s#stems of empires. 5ova aorH, <+e Oree Nress, 118K34, 18K8. 5a crítica
formulada " primeira edião de ,s >onos do ?oder, não se atentou convenientemente
na distinão entre estamento 'urocr0tico e 'urocracia. Nara uma discussão do assunto,
dentro do particularismo alemão, no %uadro moderno/ Srac+er, carl Dietric+.
>ie@u.llosung der -eimarer 4epu&li2. F. ed. 7ing-Verlag, :c+Qar&Qald, 18FF, p. 1MF
e segs. Id., >ie >eutsche >i2tatur. c!ln Serlin, ciepen+euer d @itsc+, 18M9, p. 1K e
segs.
?1
1M. =ssas considera!es, %ue es%uemati&am o curso +ist*rico desenvolvido neste livro,
com'inam-se ao %uadro es'oado por =isenstadt, :. 5. #p. cit., p. 18,8M,1?1,133 e
1F3.
1T. @e'er, ;a-. -irt. u. .esel., p. T?8. .
18. #p. cit., passim.
?9. Noulant&as, 5iHos. ?ou'>oir politiue et classes sociales. Naris,Oranois ;aspero,
18M9, p. 3DF e segs. Jaeggi, Grso #p. cit., p. ?M.
?1. ZoeQenstein, carl.<eo<e1 de la consti=ci/n. Sarcelona, =d. )riel, 18KF, p. MK. )
distinão entre regime totalit0rio e autorit0rio, criada por ZoeQenstein, foi inspirada
pelo estudo de uma época 'rasileira/ ZoeQenstein, carl. %rasil under Aargas, cit., p.
3M9 e segs.
??. Id., i'id., p. ?1T e segs.
?3. #p. cit., p. 1M?.
?F. LoroQit&, Irving Zouis. #p. cit., p. F91 e segs.
?D. Gal'rait+, Jo+n cennet+. The ne= indB<tTC9l state. 5ova aorH,) :igned SooH, 18KT,
p. 3TK, 388 e F9F. 7oc+er, GuI. Dntroduction E la sociologie générale. 3. Le
changement social. Aditions L.;.L., Zttée, 18KT, p. 13K e 13M.
?K. 5as+, 7oI. @ conuista do %rasil. ?. ed. :ão Naulo,Ria. =d. 5acional, 18D9, p. FFF e
FFD.
?M. Duarte, 5estor. @ ordem pri'>ada e a organi6a87o política nacional. :ão Naulo, Ria.
=d. 5acional, 1838, p. ??1 e ???.
?T. %almaceda. :ão Naulo, Instituto Nrogresso =ditorial Ztda., 18F8, p. 1M.
?8. :o're o car0ter profundo das revolu!es universais/ 7osenstocH LuessI.
#p. cit., p. D e segs.
39. Romo e-emplo de tais tentativas, na 'i'liografia estrangeira/ JanoQit&, ;orris. The
militar# in the political de'>elopment of ne= nations. R+icago, GniversitI of R+icago
Nress, 18KF. Luntington, :.N. 1l orden político en ias sociedades en cam&io. _<rad.`
Suenos )ires, Naid*s, 18M?. :tepan, )lfred. The militar# in politics. Changing
pattems in %rasil. Nrinceton GniversitI Nress, 18M1. Nioneiro é o livro de/ Jo+nson,
Jo+n J. The mFitar# and societ# in@merica Latina. :tanford, Ralif*mia, :tanford
GniversitI Nress, 18KF. ) refer(ncia no te-to não importa em negar o valor e a
relev,ncia, o mérito e a ci(ncia de tais tra'al+os. ) crítica alude apenas " perspectiva,
mais imediata do %ue +ist*rica, crítica ali0s tam'ém includente das o'ras cl0ssicas de
J.=. Oiner e outros.
31. <oIn'ee, )mold. @ stud#of histor#. D.R. :omervell. Zondres, #-ford GniversitI
Nress, 18DF, p. ?T1. V. 1.
??
CRONOLOGIA
18?D $ 7aImundo Oaoro nasce em Vacaria 17:4.
18FT $ Oorma-se em direito na Oaculdade de Direito da Gniversidade do 7io Grande
do :ul.
18DT $ Nrimeira edião de ,s donos do poderG forma87o do patronato político
&rasileiro 1Norto )legre, =ditora Glo'o4.
18D8 $ # livro gan+a o Nr(mio José Veríssimo da )cademia Srasileira de Zetras.
18MF $ Nrimeira edião de 0achado de @ssisG a pirHmide e o trapé6io 1:ão Naulo,
Rompan+ia =ditora 5acional4.
18MD $ :egunda edião, revista e aumentada, de ,s donos do poder 1Norto )legre,
=ditora Glo'o4.
18MM $ =leito presidente do Ronsel+o Oederal da #rdem dos )dvogados do Srasil.
18T1 $ Nrimeira edião de @ssem&léia ConstituinteG a legitimidade recuperada 1:ão
Naulo, Srasiliense4.
188F $ Nrimeira edião de 1'iste um pensamento político &rasileiroI 1:ão Naulo,
=ditora ftica4.
?3
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
1R,mara Srasileira do Zivro, :N. Srasil4
Oaoro, 7aImundo. Vacaria, 7:, ?M de a'ril de 18?D g 7io de Janeiro, 1D de maio de ?993.
#s donos do poder/ formaão do patronato político 'rasileiro
vol. ?- 19 ed. :ão Naulo/ Glo'o> Nu'lifol+a. ?999. 1Grandes nomes do pensamento 'rasileiro4.
I:S5 TD-?D9-9?TK-9 =ditora Glo'o I:S5 TD-MF9?-18K-? Nu'lifol+a
1. )utoritarismo Srasil
?. Srasil Nolítica e governo
3. =lite 1Ri(ncias sociais4 Srasil.
F. Noder 1Ri(ncias sociais4 I. <itulo. II. <itulo/ Oormaão do patronato político 'rasileiro.
ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO
1. Srasil/ Surocracia/ Ri(ncias sociais 39D.D?98T1
?. Srasil/ Rlasses administrativas/ :ociologia 39D.D?98T1
3. Srasil/ Rlasses dominantes/ :ociologia 39D.D?98T1
F. Srasil/ =lite Rlasses sociais. 39D.D?98T1
D. Srasil/ =strutura social 39D.D?98T1
K. Srasil/ Oormaão política/ List*ria 39D.D?98T1
M. Srasil/ #rgani&aão política 39D.D?98T1
T. Srasil/ Noder e autoridade/ Rlasses sociais 39D.D?98T1
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