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PANIER, Louis. Ricoeur et la sémiotique. Um rencontre “improbable”? Semiotica 168 ¼, 305-324, 2008.

Diretor do Centro para Análise do Discurso Religioso da Universidade de Lyon. Professor de semiótica na
Universidade de Lumière-Lyon 2. Diretor do Grupo Linguagens, textos e imagens e responsável pelo Grupo de
pesquisa “Séméia”. [Foi amigo de Michel de Certeau]
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Em 1985, em um curso dedicado à obra de Greimas, Ricoeur concluiu sua alocução expressando como sua
leitura havia mudado a partir de Greimas.
Podemos reconstituir o lugar e a função que Paul Ricoeur pode ou quis atribuir à semiótica (greimasiana,
em particular) na sua reflexão. Entre os dois, pode-se falar de uma amizade improvável (segundo a expressão de M.
L. Fabre): o filósofo que se interroga sobre a possibilidade de compreensão de si como sujeito de operação de
conhecimento, de volição, de estímulo (Ricoeur, 1986: 25) e o semiótico que se interroga sobre a produção e as
condições da significação e que funda sua elaboração de uma teoria da linguagem sobre a análise do corpus. O
encontro parece improvável.
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A semiótica no arco hermenêutico?
Para Ricoeur, a questão concerne à articulação entre explicar e compreender ao seio de um projeto
hermenêutico, no qual o problema da leitura dos textos é central. Esta questão se colocou a ele desde os trabalhos
sobre a filosofia da vontade, sobre a simbólica do mal, e que cruza a das relações entre verdade e história e verdade
do relato. Sua reflexão o conduziu à formulação: “explicar mais para compreender melhor”. No bojo dessas
questões, Ricoeur elabora o que ele chama um “arco hermenêutico da interpretação”, em cuja tensão ele gostaria de
inscrever a semiótica e sua própria teoria do relato e da narração. 1
Para Greimas, a questão da abordagem dos textos é diferente. Sua abordagem é de origem semântica e
lingüística (Saussure, Hjelmslev). Ela supõe distinções entre um plano de expressão e um plano de conteúdo e
análise de suas formas específicas, ela considera os textos como uma manifestação de articulação da significação,
como elementos para elaboração de modelos constitutivos de significação.
Sobre o arco hermenêutico, um primeiro tempo é o da pré-compreensão, momento existencial, subjetivo,
que vai determinar a relação fundamental ao texto. Vem em seguida o momento da explicação, ao seio do qual
pode-se colocar as diferentes abordagens “científicas” (filológica, histórico-crítica, lingüística, semiótica); a
explicação encontra-se em função da compreensão. Em um terceiro tempo vem a compreensão mediatizada do
texto, vinculada à compreensão de através dos signos, símbolos e textos.
Este horizonte problemático é a teia de fundo do encontro de Ricoeur e a semiótica. A análise estrutural,
como se chamava então, poderia situar-se no segundo tempo (explicação) do arco hermenêutico? Ela poderia
colocar-se a serviço de um projeto de interpretação e de compreensão de si?
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Ela se apresentava mais como uma disciplina objetiva de explicação (não causal, mas estrutural) dos textos, mas
seus pressupostos epistemológicos pareciam incompatíveis com o projeto hermenêutico de Ricoeur. 2 O debate já
havia sido posto – bem duramente – por Claude Lévi-Strauss: o estruturalismo não implicaria na “morte do
sujeito”? (Ricoeur, 1999: 351-385).
O encontro entre Ricoeur e a semiótica greimassiana teve lugar, sendo inicialmente provocado suspeitas,
mas ela obteve certo reconhecimento (Ricoeur agradece a Greimas), mas a que preço? Há impressão de um
recíproco mal-entendido. Ricoeur leu a semiótica greimassiana (clássica) a partir de um ponto de vista que não
poderia integrá-la, não comportando o estatuto da composição discursiva no dispositivo então generativo. De seu
lado, a semiótica greimassiana acreditou integrar certos aspectos da problemática de Ricoeur (as estruturas modais
e tensivas, as pré-condições do sentido, corresponderiam à precompreensão do primeiro momento da hermenêutica
de Ricoeur), com o risco de passar de uma problemática da linguagem a uma problemática do sentido.
Efetivamente, é muito difícil integrar a semiótica na perspectiva hermenêutica de Ricoeur, mas vale nos
interrogarmos sobre as transformações que uma prática efetiva da leitura semiótica dos textos pode operar sobre a
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A interpretação do texto representa uma mediação privilegiada para guiar o leitor em seu caminho para si. “A compreensão
do texto não é, em si mesma, a finalidade, porque ela mediatiza a relação a si de um sujeito que não acha no curto-circuito da
reflexão imediata o sentido de sua própria vida [...] Não há compreensão de si que não seja mediatizada pelos signos, símbolos
e textos; a compreensão de si coincide, em último título, com a interpretação aplicada a esses textos mediadores” (Ricoeur,
1986: 29).
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“Pode-se dizer, de forma ampla, que a análise esturtural tende a reduzir o papal da intriga à função secundária da figuração
em relação às estruturas lógicas subjacentes e às transformações dessas estruturas. A intriga é então assinalada no plano da
manifestação, por relação ao plano da gramática profunda, ao qual pertencem apenas as estruturas e suas transformações”.
(Ricoeur, 2005: 57-58).

as coisas mais nuançadas.Trata-se de ver como Ricoeur compreende os níveis constitutivos do percurso generativo de significação.. que se apresenta. 1995: 51).. a semiótica encontrava-se invalidada em sua autonomia e em sua capacidade científica. 1979). enquanto prática de leitura.A semiótica. evidentemente. A semiótica não se reduz ao percurso generativo da significação. pois lhe era atribuído um objeto que não era verdadeiramente o seu: o relato como “colocação em intriga” ou “configuração” da ação não deve ser confundido com a narratividade greimassiana. Com isso. As críticas de Ricoeur não são estrangeiras a essas evoluções. reunidos na manifestação e analisáveis separadamente. Ricoeur. trata-se de fazer entrar a semiótica no arco hermenêutico (Ricoeur. O fazer e a temporalidade ultrapassam a lógica das relações que constituem a quadratura semiótica e a síntese das pressuposições que ligam o esquema narrativo. 1980b. No seio dessa interrogação. O percurso generativo procura modalizar a ordenação dos diferentes níveis de articulação (de colocação em forma) do conteúdo. 1994: 198. Mas a semiótica. e a abordar a questão do sensível que leva a reencontrar as problemáticas da fenomenologia. não é capaz de dar conta do relato. Isto é. nos primeiros artigos sobre a semiótica de Greimas. na medida em que. digamos. se assim você o quiser. indo para a manifestação. Sem dúvida. p. 22). ela também desenvolveu uma abordagem das estruturas e percursos modais. mas os sistemas de significação que se encontram dispostos. à sintaxe narrativa e à quadratura semiótica. que você verá. Um debate teve lugar em 1980. A esta posição. o percurso do leitor. Sem o conceito de ação. a gramática narrativa se reduziria a um sistema de determinações lógicas (alusão a um artigo de Greimais. Sobre essas duas frentes. fundada sobre uma semântica estrutural e sobre a lógica das relações da quadratura semiótica. a semiótica narrativa de Greimas. mas é a riqueza do texto. do segundo momento do arco hermenêutico. Mas semiótico não aceitou o que a aprisionava. as mais complicadas. tanto como forma quanto como substância. o debate incide sobre várias frentes: . A explicação do que já estava compreendido não pode se confundir com um projeto de construção e de modalização de um objeto de conhecimento que não é o relato. 5 entre Greimas e Ricoeur. uma semiótica das paixões. este último comporta uma pré-compreensão do fazer e uma percepção tensional da temporalidade.experiência de interpretação. 1986. Não se pode confundir a “colocação em intriga” e a “colocação em discurso”. interpreta a gramática narrativa e crítica. há um mal-entendido. indicando o que para ele é uma falsa objetividade. evidentemente. 1999: 389-421). . lógicas. que emergem à superfície do texto. sob a égide do CPED e da associação ALEF (Ricoeur. em seu dinamismo próprio. o processo imaginário da produção do texto. evoluiu em relação ao estruturalismo estrito dos primeiros anos. é inverso do percurso do gerador”. pouco a pouco. que permite propor um “percurso interpretativo”. Como se vê. Lembremos que este percurso generativo é elaborado numa perspectiva semiótica hjelmsleviena. . 4 Mas se a semiótica situa-se como elemento explicativo. Ricoeur instala a semiótica em um percurso de interpretação a partir de sua própria perspectiva hermenêutica. Greimas respondia com humor: Se nós pré-sabemos. por articulações sucessivas. A problemática da enunciação conduziu a que ela se interrogasse sobre o discurso em ato. A semióticoa é também uma semiótica do discurso. sem dúvidas. dificuldade em situar-se. 1970: 135155). para ele. distinguindo em toda linguagem um plano de expressão e um plano de conteúdo. não temos necessidade de semiótica! Pode-se ao mesmo tempo integrara a semiótica como o momento explicativo e objetivo do arco hermenêutico e negar a objetividade a que ela pretende? A semiótica tinha. o percurso generativo ao qual Greimas tinha se debruçado na elaboração de sua teoria semiótica foi e permanece bem criticável entre os próprios semióticos. sua função é a retomada explicativa da pré-compreensão existencial (inteligência narrativa) que abre o percurso de interpretação de si. Para Ricoeur. Ricoeur. ela desenvolve uma problemática específica da figuratividade e da enunciação. como a partir de um núcleo de sentido. 6 Um percurso generativo em questão A crítica de Ricoeur coloca em causa o percurso generativo de Greimas e a hierarquia dos níveis que o constituem (Greimas e Courtés. Para Ricoeur. E você se coloca do ponto de vista do leitor. não são essas estruturas simples. as mais refinadas. É assim aliás que Ricoeur. p.Trata-se de saber sob que condições a semiótica pode se inscrever num projeto de interpretação (“explicar mais para compreender melhor”). p. (Henault. para a complexificação dos componentes que são introduzidos sucessivamente. em toda sua beleza. aparecendo. a partir de sua própria concepção do relato e da função narrativa. é preciso inscrever a questão do sujeitos e dos reenvios que ela opera em uma problemática semiótica do discurso e da enunciação. . orienta talvez para outras formas de interpretação. Retomemos a maneira pela qual Greimas a apresentou a Ricoeur: “Eu apresentei a geração de um texto a partir das estruturas simples e das relações elementares.

numa releitura da semiótica de Greimas. Para ele. pois à seguida da conversão. 1994). Todo aspecto sintagmático do relato é reduzido ao paradigmático. 65). A colocação em intriga tem uma definição muito larga: ela corresponde ao ato de contar (que vai tornar-se uma “arte de contar”). Haveria uma tendência a decronologizar relato. a atividade de contar não consiste simplesmente em acrescentar episódios uns aos outros. do nível da manifestação. aos olhos de Ricoeur. 8 Ela consiste em combinar eventos descritos. no colégio internacional de Filosofia. por outro lado. 4 A colocação em intriga é. Mas este nível discursivo (na terminologia de Greimas) deveria. Ela constrói também totalidades significantes a partir de eventos dispersos. ela substitui às operações lógicas os sujeitos do fazer e que ela define os sujeitos de estado por sua junção com os objetos suscetíveis de serem investidos de valores que os determinam” (Greimas e Courtes. em 1989 (Hénault. p. a reduzir seus aspectos temporais a propriedades formais subjacentes. para Ricoeur. Ele sugere um reenvio do percurso e de seus níveis. 7 Ele então recrimina a semiótica por “abolir ou comprimir o elemento irredutivelmente seqüencial do relato” (Ricoeur. que considera o nível lógico-semântico profundo com a introdução dos papeis dos atores (actantiels) e das grandezas figurativas. 5 . anterior à distinção analítica entre plano de expressão e plano de conteúdo de uma parte. a arte de contar corresponde. são os prelúdios fornecidos pela inteligência narrativa e não do “objetos construídos” sobre as bases teóricas regradas pelos princípios da semiótica. (Ricoeur 2005: 68). para Ricoeur. para Greimas. do lado da arte de seguir uma história. Debate mais sereno que o precedente. O encontro permanece improvável. para Greimas. no plano do relato”. 61-62). prova etc. (Ricoeur. a princípio. a elaboração de uma semiótica das modalidades e da aspectualidade manifestam. em termos semióticos. A consideração das operações narrativas de superfície. em uma totalidade configuracional e a ligar uma história a um narrador. ao esforço por “atingir o conjunto” dos eventos sucessivos. e nível profundo (sémio-narrativo) e nível de superfício (narrativo e discursivo). Sob este aspecto.. um novo debate público teve lugar entre ele e Ricoeur. A intriga é assinalada ao plano da manifestação. As noções de busca. Para Ricoeur. anti-destinadores etc. deixando entender que os elementos ditos “de superfície”. dos destinadores. 9 A releitura que faz Ricoeur da evolução da semiótica. 2005. esta prática lingüística quotidiana permanentemente adquirida e à qual o modelo de Greimas buscaria somar-se. a figuração à configuração e à colocação em intriga. assim. Ricoeur liga. quer dizer. p. a semiótica permanece privada da propriedade de seu projeto. A evolução da reflexão de Greimas justificaria então as críticas de Ricoeur. os episódios. indicando que os pontos de vista se aproximaram e que a problemática das paixões poderia desdobrar na semiótica as bases existenciais dessa inteligência narrativa prévia à formalização do modelo constitucional.A crítica de Ricoeur não é uma crítica de semiótico. Não é assegurado que. para Aristóteles). lhe parece dar razão a suas observações anteriores.. e não da gramática profunda (Ricoeur 2005: 63). Quando Greimas elabora A semiótica das paixões (Greimas e Fontanille. à produção do relato por um enunciador (às vezes confundido com o autor-narrador) 5. nível profundo seja mais importante e que o plano da manifestação seja secundário. 3 “A sintaxe narrativa de superfície é dita antropomofa. Ricoeur vê o prelúdio da análise: 3 a colocação em intriga. Ela requer que sejamos capazes de formular uma configuração de uma sucessão. Todo relato pode ser concebido como a competição entre sua dimensão episódica e sua dimensão configuracional. 1979). enquanto Ricoeur coloca a tensão narrativa no coração da compreensão da ação e da definição do relato e sua possibilidade de interpretação. entre sequência e figura (Ricoeur 2005. na “configuração” responsável pela homologação entre as figuras (grandezas figurativas) e os papeis temáticos: a iniciativa de contar uma dada história decida a figurativização (empregando-se o jargão da semiótica) dos traços axiológicos. como os percebe a semiótica de Greimas. “Esta narrativização exprime a sinergia da inteligência narrativa e da racionalidade narratológica” (1999: 447). 1999. que advém. p. 1991). uma narrativização dos constrangimentos lógicos (relações) do modelo constitucional. 4 “Podemos nos perguntar se não é esta ordem mesma de precedência entre o plano profundo e o plano da manifestação que deve ser invertido e se a estrutura lógica situada no plano profundo não é apenas a projeção ideal de uma operação eminentemente temporalizante que se desdobra. é (só?) a este nível que Greimas introduz a temporalidade e o aspecto. No que Greimas nomeia “nível de superfície”. o componente discursivo. a análise estrutura reduz a intriga à função secundária de figuração por relação às estruturas lógicas subjacentes e às transformações dessas estruturas. mas também. aos quais se tributa as relações sintáxicas e a lógica da pressuposição do nível narrativo. Com efeito. fazer a solda entre a pré-compreensão do mundo da ação (dos atores em ação) e sua re-simbolização. em particular a partir do Maupasant de Greimas. A dinâmica do relato emerge de uma to de agenciamento dos incidentes (muthos. 426). deveriam corresponder ao que ele considera como “colocação em intriga” ou configuração dos elementos relatados..

A pesquisa semiótica sobre o nível discursivo (figurativo) trouxe à baila a consistência desse plano de organização do conteúdo. Mas as intervenções de Greimas no debate não respondem exatamente a esta impressão. e de outra parte à função própria da enunciação na semiótica do plano discursivo. a fraqueza da semiótica da ação é tratar-se de uma semiótica que destaca apenas as transformações. 1994: 202). que ele havia já percebido na semiótica de Greimas. Greimas responde como semiótico: da massa tímica. Podemos dizer que nesta reelaboração da semiótica. e deixa os estados das coisas indeterminados. a metáfora e colocação em intriga são dois casos de “inovação semântica”. que se observam os fenômenos tensivos e aspectuais. é preciso supor um agente competente: a competência reporta-se aos problemas das modalidades: o poder. Para que a ação seja justificada e o fazer seja possível. A inovação semântica. “É este mundo do texto que intervém no mundo da ação para o configurar de novo ou. Sobre esses dois pontos. no quadro da semiótica que. Trata-se do nível da manifestação. Nos orientamos assim para uma problemática semiótica que dá lugar aos dados da fenomenologia. prévias e condições às operações discriminantes dos sistemas de valores (quadratura semiótica) e das instâncias actantiais (sintaxe narrativa). 12 Pode-se retomar. um mundo do texto que carece ser compreendido. a título de hipótese. deveria construir uma semiótica do ser. o trabalho de Ricoeur sobre a metáfora. e da configuração dos relatos. um plano ou um domínio de pré-condições no qual semiótica e fenomenologia seriam suscetíveis de se unir. as observações de Ricoeur sobre a configuração da narrativa foram levadas em conta. 1986: 23). que não assegura somente a manifestação (concretização) dos elementos constitutivos da sintaxe (modelo actantial) e da semântica (sistema de valores) narrativos. as projeções de simulacros que se pode colocar sobre um horizonte ôntico que nele mesmo escapa ao olhar do semiótico. na narração. contribui para remodelar as estruturas e as dimensões da ação humana.Para Ricoeur. o querer etc. que não é talvez exatamente aquele que Ricoeur cogitava. ou nessa abertura para uma nova semiótica. do exterioceptivo ao intereoceptivo. esta “síntese do heterogêneo”. 11 Para dar conta das modulações observáveis no nível de superfície. após ter analisado e formalizado uma semiótica da ação (do fazer). expressão x conteúdo). permanece sempre o ponto central da reflexão. Ricoeur considera a metáfora de forma similar à que procede para a intriga. A metáfora é abordada ao plano da frase (do enunciado) e não apenas da palavra. Haveria. As categorias da tensitividade e da phoria. Ela produz no discurso uma nova referência. a crítica de Ricoeur é estranha ao que era então o projeto de Greimas. Dos estados de coisas aos estados da alma. para ele. e que resgata a função do corpo (o “corpo próprio”) nas operações do sentir e do perceber. asseguram esta transição entre uma semiótica da ação e uma semiótica das paixão. como o nota Greimas. É neste nível do discurso. A elaboração dessa sintaxe modal conduz a prever as pré-condições dos sentidos anteriores às discriminações. 10 Para Greimas. Os trabalhos de Jacques Geninasca sobre o discurso literário. e mostrar como ele deve ser rearticulado em uma perspectiva semiótica. que modelizam a quadratura semiótica. a semiótica imaginou. quais são os postulados. Poderia-se assim inscrever na profundidade o que parecia permanecer um fenômeno de superfície. aspectuais e tímicas?A estas questões. p. à unidade do relato realizada pela colocação em intriga. realizada pela metáfora ou pela configuração dos eventos no relato. Ricoeur se situa distante das distinções fundamentais da semiótica (manifestação x imanência. a este propósito. para ele. duas janelas abertas sobre o enigma da criatividade”. Ela é dupla: concerne de uma parte à definição e ao estatuto semiótico das grandezas figurativas. se ousamos dizê-lo. Para Ricoeur. passagem que se efetua pela mediação do sentir. a semiótica das paixões traz à luz esta orientação tácita. já colocadas em Maupassant. ou fizeram efeito. (Hénault. p. que se decompõe em diferentes modalidades que a articulam. os pressupostos. dois domínios onde se coloca a questão da compreensão. . Debate em torno do figurativo Mas a questão do figurativo permanece. é conveniente colocar uma forma particular de transformação. mas que deve ser considerado como um plano autônomo da articulação do sentido. A configuração narrativa corresponde. Mas a intriga. correspondendo à passagem das “figuras do mundo” às “figuras de sentido”. supondo um nível de organização das pré-condições de sentido. e além disso a semiótica pode evoluir em uma direção original. e as pesquisas conduzidas sobre os relatos-parábolas pelos semióticos que abordam os textos bíblicos têm contribuído a este avanço da questão do figurativo. para o transfigurar” (Ricoeur. A semiótica das paixões justifica-se. dos quais é preciso dar conta. na primeira semiótica. p. subjacente às formas construídas pelo nível sémio-narrativo do percurso generativo. De onde vêm essas modulações dos estados do sujeito. indiviso em relação ao perceber discriminante. Falando de figura e de configuração no relato.

manifestada em um texto dado. agora). espacialização. Quando ela convoca as grandezas figurativas a partir das configurações virtuais para as atualizar em um enunciado. aqui. Segundo essa perspectiva. signos ou formants. essas grandezas manifestam as articulações semio-narrativas do nível profundo. aí adquirindo significações funcionais correspondentes ao discurso de conjunto” (Greimas-Cortes. as coisas não são tão diretas nem o acesso à referência tão simples. a figura é suscetível de manifestar (de maneira concreta. independente do estatuto desses eventos contados que a narração configura novamente. o deslocamento figurativo do discurso determina os “centros de perspectivas”. 6 A colocação em discurso atualiza uma possibilidade de configuração. a configuração corresponde à narração. Chamamos operação figural esta operação que corresponde ao ato de enunciação. e da prosição de um corpo próprio da percepção (Ouellet 2000. 1985-1986). na perspectiva de uma semiótica discursiva. a colocação em discurso realiza uma operação na qual as grandezas figurativas se encontram dissociadas dos conteúdos semânticos que eram os seus nas configurações discursivas. e suscetíveis de se integrar nas unidades discursivas mais largas. 1979: 148-149). “as configurações discursivas aparessem como tipos de micro-relatos. a figura contribui à constituição das impressões referenciais. . Poderia-se sugerir que a figura em discurso se comporta como um nó hipertextual no sentido de uma figura singular. 1998: 150s) e polariza o conjunto do discurso para um foyer enunciativo (Eu-Aqui-Agora) de tipo perceptivo. desenha um esquema actantial para os actants posicionais (Fontanille. p. a colocação em discurso das grandezas figurativas obedece a uma sintaxe discursiva polarizada em torno de três funções figurativas: actorialização. temporalização.Para a semiótica discursiva. Para a semiótica discursiva. Se existe uma operação (a narração) que configura os eventos no relato. tendo uma organização sintático-semantica autônoma. a figura atesta no texto que a enunciação é indissociável da relação ao mundo de um sujeito do discurso. sem que sejam verdadeiramente construídos e definidos o estatuto e a função desta instância em relação ao relato constituído. podendo abrir a perspectiva vasta dos discursos possíveis. Como ela constitui um plano específico de organização do conteúdo. Na perspectiva generativa de Greimas. 15 Como unidade de discurso. que vem a restringir este termo “às únicas figuras do conteúdo que correspondem às figuras do plano de expressão da semiótica natural (ou do mundo natural)” (Ibid). a seu nível. e a colocação em discurso de figuras (a construção dos percursos figurativos no enunciado) pode se medir aos dispositivos do saber comum e às redes que articulam e ordenam os elementos. como o mostra Umberto Eco (1985). O “sentido” da figura se exprime nessa correspondência (Geninasca 1997: 88) e a inovação semântica se manifesta em uma referência nova. Assim considerada. tanto quanto composição unificada (colocação em intriga) dos eventos contados. Para a semiótica. colocação em discurso. um mundo do texto ao qual o leitor seria chamado a aderir. Assim articulada. elas constróem. a uma 6 Observe-se que a definição de configuração para Greimas não é idêntica à de Ricouer. a figura é convocada (e reconhecível) em um texto dado a partir de uma configuração virtual (ou memória discursiva). inscritos no discurso. Ricoeur retém esta concepção da figura quando ele fala da figurativização a propósito de Maupassant. Fontanille. “o simulacro dos signos do mundo natural”. Ela pode ser assimilada a uma suspensão do sentido das figuras. em Lector in fabula. 1979: 58. Esta abordagem inscrevem a figura no Carrefour de vários dispositivos e processos semióticos que colocam em obra o discurso como ato enunciativo e esses diversos processos determinam diversas modalidades de instâncias de enunciação. p. ela suscita uma transformação. a forma do conteúdo. até icônica) valores abstratos. que encontram-se ligadas de uma parte com uma esquematização de representação do “mundo” e dos “eventos contados” (personagens agindo nas situações espaço-temporais) e por outra parte com os três registros do ato de enunciação (eu. no discurso. a figura é “uma unidade não signo do plano do conteúdo ou da expressão de uma semitóica” (Greimas e Courtés. na dinâmica de Hjelmslev. As grandezas figurativas podem então serem analisadas semioticamente como signos. Esta primeira definição dese ser cruzada com as aproximações semióticas da figuratividade (Bertrand. uma mudança de estatuto para um universo semântico articulado. A figura manifesta os elementos semânticos e temáticos e a configuração singular aparece como uma instância de estruturação do relato. 2000: 97-164). mas ele não leva em conta a transformação do estatuto dos elementos constituindo esta “totalidade” e as instâncias enunciativas convocadas por esta colocação no discurso. Esta abertura é indissociável do ato enunciativo pressuposto por esses laços. um todo de significação. fala-se das grandezas figurativas como “simulacros. ela funciona como o significante figurativo dos significados temáticos. Enquanto unidade de conteúdo. 1997:20). p. para tornarem-se figuras disponíveis para entrar na articulação do sentido do discurso realizado. Calloud. 13 Ricoeur nota bem que a graça da colocação em intriga é que o relato é constituído como uma totalidade significante. da semiótica do mundo natural” (Geninasca. 1998). Para este último. 14 Como ela é. Ela reenvia aos elementos do mundo natural aos quais ela pode corresponder.

mas no ato de enunciação. é a rejeição (com os procedimentos de embrayage) das mesmas categorias. em seu nível. . p. mas elas são relativas ao encadeamento que nas liga no discurso. É na leitura que se realiza finalmente a compreensão de si (Ricoeur 1986: 152) pela mediação dos símbolos. quer dizer. transforma o estatuto dos elementos constitutivos da linguagem e da significação. O ato de enunciação realiza a atualização discursiva das grandezas figurativas. as figuras não são mais apenas relativas a um sentido ou a uma referência.] de início. Esta ruptura assinala o debate constitutivo da instância de enunciação.dissociação da relação de signo entre o plano figurativo e seu conteúdo temático inicial. supõem concepções e abordagem da linguagem. a passagem da língua ao discurso. Pode-se assim notar como a colocação em intriga. correspondente ao ato de enunciação. e os semióticos fazem larga referência a ele (Coquet 1997). modais e referenciais prévios (na configuração discursiva). depois os caracterizando pela composição das sequências de frases em forma de relato. espaços. os identificando à frase (alguém diz alguma coisa sobre alguma coisa a alguém). mas sobre as duas dimensões de referência e da comunicação. anteriormente à sua articulação. tal como a define Ricoeur. Assim transformadas. destinadas a recobrir o lugar imaginário da enunciação. o discurso adquire uma tripla autonomia semântica: com relação à intenção do locutor. É neste sentido que o escrito se desata dos limites do diálogo face a face e torna-se condição do tornar-se texto do discurso (Ricoeur 1986:31). é uma questão de ruptura . e dos actants do enunciado e das coordenadas espaciais-temporais. com efeito. poderia-se dizer. p. As grandezas (atores. A escrita opera uma distanciação dos parâmetros habituais do discurso (do lado do locutor. quer dizer. 16 Será então conveniente passar ao estatuto do leitor em uma perspectiva semiótica e enunciativa. e a colocação em discurso. As figuras encadeadas no discurso provocam um acréscimo (surplus) do figurativo que exprime sempre uma falta do lado do temático (um excesso do referencial de significação. 7 O ato de enunciação constitui no mesmo gesto o lugar real da palavra e sua projeção nos termos. elas participam. mas de ser colocado no foyer de um mundo singular de estruturação de significance. semioticamente vide e semanticamente (enquanto depósito de sentido) demasiadamente pleno: é a projeção (com os procedimentos que nós reunimos sob o nome de débrayage). de poema ou de ensaio. e do lado do contexto referencial). à recepção pelo primeiro auditório. da qual falam os semióticos.. do lado do receptor. de colocação em discurso das figuras (Gelas 1993:87-93). culturais de sua produção. O lugar que se pode chamar de “ego hic et nunc” é. Ricoeur se apóia fortemente sobre esta proposição de Benveniste para elaborar sua concepção de escritura e do texto (a ler): A escritura. mas. fora desta instância. Enunciação e leitura O arco hermenêutico de interpretação proposto por Ricoeur conduz a uma perspectiva sobre a leitura. de débrayage para retomar os termos de Greimas. dos relatos e dos textos (Ricoeur 1986: 28-29). A concepção de leitura para Ricoeur deve muito à sua leitura de Benveniste. em que um sujeito faz a experiência da língua. As proposições de Benveniste sobre a enunciação abrem uma perspectiva de reflexão sobre o discurso e seu sujeito. dissocia a relação de signo que liga a figura a seus investimentos semânticos. não há somente a questão da colocação à distância. tempos) não estão no texto ao serviço somente da percepção e da representação do mundo. a referências propostas pelo texto e um sujeito relativo ao ato de falar. Benveniste propõe a dupla semiótica/semântica para dar conta dessa mutação. 1997: 26-27). da palavra e do sujeito claramente diferentes. No nível do discurso (da frase) o sentido não se define mais no único quadro de um sistema. se a enunciação é o lugar do exercício da competência semiótica. Pode-se então conceber que não se trata apenas para um leitor de aderir às referências novas propostas pelo texto. 17 Lembremo-nos de que para Benveniste. Se falamos de um sujeito DE enunciação. abre as fontes originais aos discursos [. que constituem o sujeito da enunciação por tudo que ele não é. O discurso é uma cadeia figurativa a percorrer. 1979: 127). que deve ser distinguida de sua atualização referencial (Geninasca. como formants (figurativos). da articulação do conteúdo. A operação figural em que consiste a enunciação faz passar da verossimilhança de um mundo do texto (real ou fictício) ao estabelecimento de uma forma figurativa do conteúdo. que confere ao sujeito o estatuto ilusório de ser” (Greimas e Cortés.. A operação enunciativa (tanto para o enunciador como para o enunciatário) modifica então o estatuto das grandezas figurativas: convém então distinguir um estatuto figurativo e um estatuto figural das grandezas figurativas. é também para designar uma instância cuja existência e 7 “De um outro lado. que exprime uma falta do significado). nas formas e nas redes do discurso ou do texto. às circunstâncias econômicas. a colocação em obra da língua em uma enunciação. A operação figural. dividida entre um sujeito relativo aos conteúdos de sentido organizados. ela é ao mesmo tempo a instância de instauração do sujeito (de enunciação). sociais. Graças à escrita.

nem aquela do leitor. 20 Nós falamos de um encontro improvável entre Ricoeur e a semiótica. “O que eu finalmente me aproprio. Leitura e interpretação O encontro de Ricoeur com a semiótica se inscreve em seu projeto hermenêutico de estabelecer uma relação dialética entre explicar e compreender. A prática da semiótica. Previamente a sua colocação em charge pelo sujeito. que colocam em destaque na linguagem (quando trata-se de textos) as condições de emergência da significação. é se compreender diante do texto e receber dele as condições de um si outro que o eu que vem à leitura. o texto interpretado não fornece apenas ao sujeito “uma compreensão nova de si”. A experiência efetiva da análise semiótica dos textos coloca em causa o analista-leitor. a referência nova visada pelo texto em sua leitura não é apenas aquela de um “mundo do texto”. como um discurso” (Geninasca. O leitor não tem somente que colocar a intriga em ação ou na configuração dos eventos nos relatos. Sem dúvida a semiótica não é como tal integrável no projeto hermenêutico elaborado por Ricoeur. por e através da atualização simultânea de um sujeito (uma instância enunciativa) e de um objeto (o texto propriamente dito). com efeito. e uma racionalidade semântica (ou “mítica”) que se atém à coerência da colocação em discurso realizada em um dado texto (Geninasca 1997 e 1998). mas sobre um outro nível de pertinência. Esta interrogação deu frutos. este não está atrás do texto. 8 Ele não fornece apenas uma nova representação do mundo (um mundo do texto ao qual o leitor poderia aderir como a um de seus possíveis) (Ricoeur 1986: 32). ele é afrontado à alteridade de uma colocação em discurso de grandezas figurativas. mas negligencia sem dúvida que se trata igualmente de uma prática. Cada uso. p. Esta interpretação é desenvolvida sob a forma de um arco hermenêutico onde uma fase de explicação deve encontrar seu lugar como uma “retomada” do que é uma pré-compreensão que sempre esteve lá. é primeira no sentido de uma presença originária a sim mesmo” (Ricoeur.. Se admite-se. é uma proposição do mundo. a hipótese semiótica da débrayage enunciativa. p. . 18 Convém então perceber a leitura (e o trabalho de interpretação) à luz desta abordagem da enunciação: a leitura é ato de enunciação. a leitura regrada (disciplinada) pelos princípios teóricos e metodológicos revela que a construção do sentido é no ato de leitura e que esta construção é. ele propõe uma instauração do sujeito. não há ocasião nem lugar para interpretação. sobre as noções como relato. Ler. Mas a questão colocada por Ricoeur sobre um momento prévio à articulação 8 Recorda-se aqui as distinções propostas por Geninasca entre os discursos transitivos. nem aquela do autor. tal é o visado pela interpretação segundo Ricoeur. mas sem dúvida o filósofo colocou aos semióticos a questão da interpretação e aquela do lugar do intérprete na descrição dos sistemas de significação. em vista de atingir um todo de significação. colocação em discurso. constituir sua coerência. 1997: 86). A explicação. Pode-se então reencontrar certas formulações de Ricoeur. e à mudança de estatuto que lhe faz atingir o ato enunciativo que dá lugar ao texto lido. ou a melhor enterprise. narração. interpretar um enunciado. o texto instaura um sujeito ao nível da experiência fundadora da significance. como um conjunto organizado de significações. orientados pela referência dos objetos a serem conhecidos e os discursos intransitivos. revela” (Ricoeur. cada prática discursiva tem por efeito atualizar certas virtualidades desse objeto textual. ela não existe nela mesma.. e faz dessa prática um lugar de interpretação. Ricoeur integra em seu percurso a semiótica como teoria estrutural do relato. na construção que deve ainda efetuar uma instância de enunciativa. a partir do qual convém instaurar um ou vários textos. as formas actantialles e modais de narratividade. como o seria uma intenção escondida. para o ouvinte. desdobra. isto atualiza o texto – cujo objeto textual não é senão a promessa. ele não é para o leitor.promoção é “assujeitada” à enunciação em ato. atualização simultânea de um sujeito (instância de enunciação) e de um objeto (o texto lido) (Panier 1991: 99-118). também recorda-se de uma racionalidade prática que avalia a referência e o sentido dos textos a partir dos dados do saber comum.) e isto tanto na produção do discurso como em sua recepção. O estatuto assim conferido à semiótica explica sem dúvida uma certa resistência da parte dos semióticos e também que certas práticas interpretativas dos textos reportados a Ricoeur tenham negligenciado o aporte da semiótica em favor de formas menos estruturais e sistemáticas de análise. p. da qual a semiótica tornar-se-ia o melhor exemplo. 9 Se compreender diante do texto. mas na construção de sentido à qual ele obriga. narratividade. em um mesmo gesto. é também aquela de um corpo posto no ponto de diferença e de instauração do discurso do sujeito (Martin 1995: 144). como o que o abre. O ponto de vista do filósofo de compreensão de si não é aquele do teórico da linguagem e da significação. mas diante dele. Esta práxis enunciativa é em ato desde que se trata de colocar em discurso os elementos constitutivos da linguagem (as grandezas figurativas. os pontos de vista são muito diferentes. Nenhuma das duas subjetividades. é se compreender a si mesmo diante do texto. está ao serviço da compreensão. que redefine os termos em jogo: “Se compreender. compreender a si mesmo como um outro pela mediação do texto. ou dito de outra maneira. para ele. 1986: 31). 1986: 116). 19 Interpretar. e de um sujeito engajado nas condições de emergência da significação. senão a promessa ou a virtualidade de um texto: um objeto textual. 9 “O escrito não é o texto. colocação em intriga.

que coloca talvez a condição do sujeito humano mais próximo (em deçà) do que se esboça no arco hermenêutico. A semiótica aproximou-se da fenomenologia. para além do que Ricoeur elaborava na direção da compreensão mediatizada de si. . Mas para além da prática efetiva da semiótica na leitura dos textos.do sentido pode dar lugar a modificações do percurso teórico da semiótica. nascida de uma problemática especificamente semiótica da enunciação. na direção de uma exploração e de uma análise de dimensões tensionais e foricas. e de uma consideração do centro de percepção na constituição da significação. encontra-se uma abordagem da interpretação.