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Grupo Parlamentar

Deputado José Ribeiro e Castro

DECLARAÇÃO DE VOTO
Votação na generalidade dos Projectos de Lei n.º 695/XII (PCP), n.º 697/XII (PS), n.º 699/XII (BE),
n.º 749/XII (PEV), n.º 750/XII (PEV) e n.º 751/XII (individual, meu próprio)

Uma votação na generalidade de iniciativas legislativas nunca significa acordo integral com os
projectos que são votados. Significa tão-só o contributo em diferentes graus (a favor ou abstenção)
para que possam passar à fase da especialidade, onde poderão ser melhor trabalhados e
aperfeiçoados até chegar-se à versão final da lei, que, essa sim, merecerá acordo ou desacordo
pleno na votação final global.
Assim:
- Votei naturalmente a favor do meu próprio projecto (751/XII), o único que define e explica mais
desenvolvidamente a minha própria posição política.
- Votei para viabilizar, na generalidade, qualquer projecto de lei que, no problema aberto (os
quatro feriados suprimidos), permitisse a reabertura do debate e, nomeadamente, previsse a
reposição imediata do feriado nacional do 1º de Dezembro.
- Não quis dar sentido de voto favorável ao agravamento do problema aberto (os quatro feriados
suprimidos) com o acrescento, totalmente a despropósito, da questão do Carnaval.
- Consequentemente, votei a favor, na generalidade, do projecto do PS (697/XII) e de um dos
projectos do PEV (749/XII), que se cingem à matéria do problema aberto e que, na especialidade,
havendo maioria, são de molde a ser feitos convergir com as soluções que eu próprio proponho ou
equivalentes.
- Consequentemente também, abstive-me nos projectos do PCP (695/XII) e do BE (699/XII), para
sinalizar a minha oposição à introdução da agenda do Carnaval, embora sendo favorável à
reabordagem da questão dos quatro feriados suprimidos.
- E votei contra o outro dos projectos do PEV (750/XII), porque só trata da agenda do Carnaval, que
não tem aqui a menor pertinência.
A concluir, feitas as votações, lamento que a maioria, ao não viabilizar a passagem na generalidade
do projecto de lei que apresentei, como proposta aberta e com espírito construtivo, tenha
desperdiçado esta oportunidade para clarificar a lei vigente como é indispensável; e, assim, tenha
escolhido manter a flagrante contradição entre o discurso público (suspensão de feriados por cinco
anos) e o texto efectivo da lei (eliminação de feriados, que foram inteiramente apagados da
respectiva lista legal e, portanto, da ordem jurídica). Este facto só pode, infelizmente, contribuir
para o prosseguimento do clima de confusão e desconfiança.
Lamento também que, por isso, se mantenha um quadro jurídico delicado, em que, a qualquer
altura, pode surgir um diferendo desagradável com a Santa Sé ou um conflito com o direito
português vigente emergente da Concordata, em razão das imperfeições que a lei mantém desde o

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início, em 2012. Já teve, por isso mesmo, que ser revista uma vez em 2013; e terá que ser revista
uma segunda vez ou inteiramente revogada.
Por último, constato, com mágoa, que esta é a quarta vez consecutiva, nesta Legislatura, que a
Assembleia da República efectivamente vota, com os votos da maioria, no sentido da eliminação de
quatro feriados, sendo de destacar o 1º de Dezembro, o feriado da nossa independência nacional.
Foi assim que aconteceu na lei de 2012; foi assim na revisão da lei em 2013; foi assim de novo na
rejeição do Projeto de Lei 485/XII, em 2014; e foi novamente assim na rejeição global dos projectos
de hoje, em 2015.
Parece-me demais.
Nem Portugal, nem os portugueses merecem ver assim tratado o mais alto dos seus dias nacionais.
Nunca se vira uma coisa assim desde que o feriado nacional do 1º de Dezembro foi estabelecido
em 1910 – primeiro, denominado como Dia da Autonomia da Pátria Portuguesa, logo a seguir
qualificado simultaneamente como a Festa da Bandeira Nacional e, mais tarde, redenominado
como Dia da Restauração da Independência, sem dúvida o mais antigo e o mais transversal e
inclusivo de todos os nossos feriados nacionais civis.

Lisboa, Palácio de S. Bento, 16 de Janeiro de 2015

O deputado do CDS – Partido Popular,