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Educação

FENPROF e FNE garantem que luta contra políticas educativas continua no próximo ano lectivo
Os secretários-gerais da FENPROF, Mário Nogueira, e da FNE, João Dias da Silva, afirmaram hoje, no Porto que o entendimento com o Ministério da Educação (ME) representa apenas uma trégua até ao final do ano lectivo

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Falando aos jornalistas à margem da concentração que ao fim da tarde de hoje reuniu cerca de 600 professores na Praça da Liberdade, ambos os dirigentes sindicais garantiram que a luta contra as políticas educativas continuará no início do próximo ano lectivo. Na última sexta-feira, o ME acordou com os sindicatos de professores que, neste ano lectivo, a avaliação de desempenho terá apenas em conta quatro parâmetros, aplicados de igual forma em todas as escolas. De acordo com um documento distribuído no final de uma reunião de mais de sete horas, entre a equipa ministerial e a Plataforma Sindical, a ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua, quando obrigatória, serão os únicos critérios a ter em conta. Estes quatro parâmetros integram o regime simplificado da avaliação de desempenho a desenvolver este ano lectivo, sendo aplicados a todos os professores contratados e aos dos quadros em condições de progredir na carreira, num total de sete mil docentes. «Para efeitos de classificação, quando esta tenha lugar em 2007/08, apenas devem ser considerados os elementos previstos na alínea anterior», lê-se no documento. Os sindicatos exigiam que estes critérios fossem aplicados de forma igual em todos os estabelecimentos de ensino, ao contrário da posição inicial do ME, que os queria como parâmetros mínimos do sistema de avaliação, podendo as escolas trabalhar com outros procedimentos. O secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, garantiu que este entendimento não significa qualquer acordo quanto às políticas negativas. «Conseguimos, sobretudo, trazer a tranquilidade às escolas e evitar que haja greves no terceiro período, mas continuamos totalmente insatisfeitos com as políticas educativas e a luta irá continuar no início do próximo ano lectivo», afirmou. Mário Nogueira garantiu que «não há qualquer tipo de acordo» com o Ministério quanto ao estatuto da carreira docente, à divisão dos professores em categorias e ao modelo de gestão das escolas proposto. Quanto aos grupos de professores que têm vindo a manifestar a sua oposição ao entendimento verificado sexta-feira com o ME, Mário Nogueira considerou que «este já não é um tempo de unanimismo, pelo que é natural que não haja um acordo total». Salientou, no entanto, que «essas críticas só vêm desvalorizar a luta dos professores». «Durante três anos foi impossível sequer sentar a senhora ministra à frente dos sindicatos. A maior parte dos colegas está de acordo com o entendimento, que é bom para os professores e que só foi possível com a unidade dos professores, com cem mil professores na rua», afirmou João Dias da Silva, da Federação Nacional da Educação (FNE), afirmou também que «em qualquer matéria o mais provável é não haver unanimidade», mas defendeu que «este entendimento é bom porque permite que o terceiro período possa decorrer em tranquilidade». «Na generalidade o que temos recebido dos nossos sindicalizados é um forte apoio ao acordado na sexta-feira», disse, admitindo, contudo, que «é natural que um ou outro professor possa estar desencantado com a opção tomada».

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João Dias da Silva garantiu, também, que os professores continuarão a lutar «contra um estatuto imposto e que não é dignificador da profissão docente, contra a distinção inútil de duas categorias na carreira de professor e contra a prova de ingresso na carreira». «Quanto à avaliação de desempenho, nunca estivemos contra, o que exigimos é um modelo de avaliação que reconheça o empenhamento profissional e que não seja um instrumento meramente punitivo como este é», afirmou o secretário-geral da FNE. Lusa/SOL

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