DIREITO

TRIBUTÁRIO I
1º BIMESTRE
2014/2

PROFESSOR: RICARLOS ALMAGRO
ALUNA: OLÍVIA LOPES CELESTINO

Olívia Lopes Celestino
Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2
Prof.: Ricarlos Almagro

DIREITO TRIBUTÁRIO I – 1º BIMESTRE
PROFESSOR: RICARLOS ALMAGRO

AULA 04/08 – 1ª Aula:
INTRODUÇÃO

Direito Tributário – relações com outros ramos do Direito

Direito Tributário – conceito

O estado desenvolve uma atividade financeira. Esta é uma atividade, em princípio
instrumental, serve para que outra seja feita. Então, temos políticas desenvolvidas pelo
estado, e para isso tem que realizar obras de infraestrutura. A atividade financeira vai
servir para eu realizar essas outras, por isso atividade instrumental.
Essa atividade é dividida em três etapas:
a) Receitas: recursos financeiras que servirão para atividade principal
b) Gestão: como aplicar esses recursos
c) Despesas: efetivo empenho desse numerário na realização da atividade
Na verdade, temos projetos de atividades que é anualmente estabelecido e que tem
que passar pelo poder legislativo e a adoção orçamentária para cada projeto. A despesa
também não é algo aleatório. Tudo isto está no campo do direito financeiro, por
exemplo, como realizar a despesa. Por isso, não veremos tudo referente a estas etapas.
O direito tributário está envolvido com isso, mas apenas na fase denominadas de
RECEITAS, portanto, se ocupa na captação de receitas. O que faremos com elas é do
ramo financeiro.
O artigo 4 do Código Tributário afirma que a espécie de tributo é dada pelo seu fato
gerador. A denominação legal que é atribuída, se eu chamo de taxa o que não é taxa,
nem por isso vira uma taxa, apesar do nome atribuído.
Taxa de marinha, como temos em Vitória, na verdade, não é uma taxa. O nome que
damos não é determinante.
O inciso II afirma que para saber se estamos diante de um tributo ou não, não devemos
olhar para o que vamos fazer com o dinheiro, pois, em princípio, se preocupa com a
receita. Isto, está alinhado com a ideia de que o direito tributário regula uma parte
financeira do estado. O que vamos fazer com o dinheiro é a gestão, portanto, o que vai
ser ou não tributo tem que estar definido na Receita.

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Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2
Prof.: Ricarlos Almagro

Temos várias espécies de receitas, por exemplo:
a) Originárias: são aquelas que são recursos obtidos em razão da exploração do
próprio patrimônio estatal.
Por exemplo, o INSS tem um imóvel que não é utilizado para a finalidade do estatuto,
ou deixa apodrecer ou aluga. A segunda opção é mais racional, por que já que não utilizo
do bem, eu exploro ele e obtenho receita para minhas atividade principais, logo, os
alugueis são receitas originárias.
Toda relação que o poder público está presente, sempre irá desfrutar de algumas
prerrogativas, mas não serão tão gritantes como aquelas em que ele atue na qualidade
de poder público.
As receitas originárias normalmente são de origem contratual, que embora
administrativos, elas se dão em uma relação mais ou menos equilibrados.
b) Derivadas: são aquelas que decorrem de uma relação de índole mais
verticalizada e o pagamento não se dá por um acordo de vontade e sim, são
compulsoriamente impostas.
Exemplo: Multas, existe algum fato que quando se deflagra eu me torno obrigado a
pagar aquele valor. Por exemplo, ultrapassei o sinal vermelho e o guarda me multou, eu
sou obrigada a pagar, querendo ou não.
Um outro exemplo são os tributos, eu sou proprietário de um imóvel, então você deve
IPTU. Se você comprou um carro você tem que pagar IPVA. Não contratou, acha um
absurdo, mas tem que pagar, é compulsória.
É algo compulsório; não é fruto de acordo de vontade; não é um recurso que derivou de
uma exploração de patrimônio estatal.
Visto isso, o direito tributário é a área do direito público que visa a disciplinar as relações
voltadas a captação de receitas que se enquadrem no conceito de tributo.
Essa definição não agarra o fenômeno em sua totalidade, mas dá uma noção do que
vamos estudar. Este esquema conceitual já delimita o campo do direito tributário. Este
não se ocupa do modo como você vai gerir os recursos públicos, na captação de aluguéis
e de multas, e sim, tão somente de tributos.

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Veja que o conceito é dado pelo próprio legislador. Não pode se caracterizar em um fazer. É toda prestação pecuniária compulsória instituída por lei que não se confunde com multa ou sanção de ato ilícito e que é cobrado por meio de atividade plenamente vinculada. examinando os seus diversos elementos:  Prestação pecuniária: Trata-se de prestação tendente a assegurar ao Estado os meios financeiros de que necessita para a consecução de seus objetivos. que não constitua sanção de ato ilícito. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória. O legislador afastando as divergências da doutrina. Tributo é prestação em dinheiro. pago em serviços ou em bens diversos de dinheiro. Assim. instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada” (artigo 3.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. mas é dar dinheiro. mas sim fazer algo. CTN). em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. CONCEITO: Art. O valor não precisa ser em moeda especificamente. É uma prestação que consiste em um dar. resta apenas então analisa-lo. Não há mais nos sistemas tributários modernos o tributo em natureza. 4 . É redundante. não cabendo a dação em pagamento para quitar. em que por meio deste se define um campo de aplicação do direito tributário. Assim como no direito penal temos penas alternativas.: Ricarlos Almagro TRIBUTO 1. instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. O legislador colocou a expressão “em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir” por uma situação da época. por isso é de natureza pecuniária. em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir. A prestação que configura o tributo é em dinheiro. não há essa possibilidade. disse que tributo é: “toda prestação pecuniária compulsória. mas não se pode prestar serviço para a administração pública. Isto não é tributo. poderia ter tributos cuja obrigação não é dar algo. Significa prestação em dinheiro. O cheque se converte em dinheiro. que não constitua sanção de ato ilícito.

ordinariamente mediante entrega de dinheiro (Lei complementar 104/2001). sem que se interponha qualquer ato de vontade daquele que assume a obrigação diferente das prestações contratuais que são obrigatórias. Nenhum tributo será exigido sem que a lei o estabeleça (artigo 150. quando trata de receitas derivadas.: Ricarlos Almagro “em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir” – esta expressão não tem qualquer significado no artigo 3. ninguém opta em pagar ou não. Tributos são receitas derivadas. Ninguém opta por pagar ou não pagar IPVA. 5 . Esta expressão deve-se as circunstâncias da época. Isso decorre do princípio da legalidade tributária. Só nos casos expressamente previstos pela CF é que se há de exigir lei complementar para esse fim.  Instituída por lei: Só a lei pode instituir o tributo. A lei instituidora do tributo é em princípio a lei ordinária. esta não constitui uma forma ordinária de extinção de crédito tributário. prevalente no Estado de direito. Nesta lei.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Não se diz que “a prestação tributária é compulsória porque o pagamento do tributo é obrigatório”. ou seja.  Compulsória: Queira ou não terá que pagar. especificamente conceituam que são receitas compulsórias. e todas elas por natureza são compulsórias. logo. CTN. Imposto de renda e etc. Isto porque na prestação tributária a obrigatoriedade nasce diretamente da lei. a prestação tributária há de ser satisfeita. A lei complementar acrescentou ao artigo 156 do CTN um inciso referente a dação em pagamento. Há uma lei que estabelece regras orçamentárias (lei 4320) que via de regra está anexada a legislação complementar que acompanha o CTN. Serve apenas para colocar o conceito de tributo em harmonia com a possibilidade excepcional de extinção de crédito mediante dação em pagamento (exceção). CTN). O dever de pagar tributo nasce independentemente de vontade. A compulsoriedade da prestação tributária caracteriza-se pela ausência do elemento “vontade” no suporte fático da incidência da norma de tributação. mas a obrigatoriedade nasce diretamente do contrato e só indiretamente da lei.

Todavia. A multa é uma prestação em dinheiro. e por isso há no conceito que tem que ser diferente de multa. significa que para ser tributo tem que ser criado por lei. por que se não ela se adequaria ao conceito.  Diferente de multa O tributo distingue-se da penalidade exatamente por que esta tem como hipótese de incidência um ato ilícito. por exemplo. portaria. Se eu aumentar a multa de trânsito. eu não preciso esperar o novo ano para aumentar o valor. um fato gerador do tributo pode ocorrer em circunstâncias ilícitas. ato normativo qualquer do poder executivo. Há uma lei que afirma que se eu avançar o sinal deverei pagar uma prestação em dinheiro. para reparar aqueles desvios que constatávamos no passado que o soberano criava tributos ao seu prazer. A exigência de criação por lei configura um elemento de conceito de tributo. No direito tributário existe um princípio que a lei que cria ou aumenta o tributo só pode ser aplicada no ano seguinte em que foi publicada. Esta é uma caraterísticas dos povos civilizados. é uma multa. Observação: o fato de haver uma lei complementar em atendimento ao artigo 146. Exemplo: ato normativo qualquer do poder executivo cria um tributo: não é válido e nem tributo é. 6 . falaremos que nem tributo é. Mas é muito mais que isso. e por que não chamamos de tributo? É igual. CF. este tributo não é válido. princípio da anterioridade. visto que não se aplica as regras de tributo. traçando normas gerais a respeito do fato gerador de um imposto não pode ser entendido como a criação desse imposto. decreto. III. Garante que a criação de um novo tributo só ocorra se o legislador assim concordar. compulsória e criada por lei. a cobrança não poderá realizar-se.: Ricarlos Almagro Trata-se do princípio da legalidade tributária. além de não ser válido. “a”.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. enquanto a hipótese de incidência de um tributo é sempre algo lícito. mas essas circunstâncias são estranhas à hipótese de incidência do tributo. Poderíamos dizer que se criar tributo por um outro meio que não seja lei.

mas porque a hipótese de incidência do tributo. motivo de praticar o ato. com menos eu consigo definir o que é tributo. Os elementos acima são cumulativos. iluminação noturna. por exemplo. Todo ato administrativo reconhecemos alguns elementos. Alguém recebe rendimento da exploração de um casa de prostituição ou jogo de azar ou qualquer outra atividade criminosa ou ilícita -> O tributo é devido. 7 . A multa é uma sanção e o tributo não. não é a mesma coisa. é o tempo de pousar e sair as pessoas.: Ricarlos Almagro Exemplo: a Infraero disponibiliza um serviço para seus usuários. ocorreu. Se colocar mais coisa. Assim. a multa não se sujeita as regras tributárias. Isso é uma discussão muito grande. considerando que as aeronaves não param. não que incida sobre a atividade ilícita. É uma ação que decidimos com o conceito. E eu afirmo que é inconstitucional e então quero todo o dinheiro de volta. CTN).  Cobrança vinculada: Vinculada se contrapõe a outra que estudamos que é a palavra discricionário. imagine esse volume pousando e decolando ao longo do ano. se for tributo tem que sujeitar a cobrança as regras tributárias e não for não aplica as normas. portanto.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Toda aeronave para pousar ou decolar precisa pagar um valor a Infraero e. Quando temos um ato vinculado todos os elementos estão vinculados a lei. pode aumentar e só pode aumentar no ano seguinte. por que é um tributo. voltaremos neste exemplo a frente. Se for tributo. que é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. -> Ocorrerá obrigação tributária no imposto de renda sempre que há aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou dos proventos de qualquer natureza (artigo 43. sujeito. manutenção da pista. mas. Exemplo: se aumentar uma multa de transito não precisa esperar até o próximo ano para ser cobrada. finalidade. Se não for. não há espaço para o administrador. Discricionário é aquele que dá uma margem ao administrador. serviço de proteção. pode cobrar o aumento desde já. Quem define o ato em tal circunstância é a lei. no caso. Exemplo: imposto de renda. Essa cobrança é em dinheiro. mas deveria. corro o risco de deixar entrar no conceito de tributo coisas que não são tributo. é compulsória mas não é criada por lei. forma como se reveste e o determinado objeto que é a materialização daquele ato. Se não estiver presente um destes elementos. não é mais o conceito. pode dar uma noção mais ampla.

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Atividade vinculada é aquela cujo o desempenho da autoridade administrativa não goza
de liberdade para apreciar a conveniência e a oportunidade agir. Assim, o momento de
agir, o conteúdo ou o quando agir não está sujeito a apreciação da autoridade, que fica
inteiramente vinculado ao comando legal.
Arbitrária ≠ Discricionária (liberdade) ≠ Vinculada
Assim, a autoridade administrativa deve descrever o fato gerador da obrigação
tributária, a base de cálculo, a alíquota, o prazo para o pagamento, os sujeitos da relação
tributária e tudo mais.
Nada fica a critério da autoridade administrativa.
Quando

a

lei

contém

indeterminações,

devem

estas

serem

preenchidas

normativamente, vale dizer, pela edição de ato normativo. A atividade de cobrança de
tributo é sempre vinculada, ainda quando a norma altere conceitos vagos ou
indeterminados.
Os elementos para que o ato seja vinculado devem estar todos presentes para se
concretizar o tributo. Não há necessariamente uma ordem desses elementos.

AULA 06/08:
Estudo histórico: No mundo à um conjunto de elementos espalhados. Então para o
estudo é necessário juntar todos estes elementos, organizá-los realizando um
compartimento entre espécies e gêneros.
A ideia de sistema é organizar os elementos através do gênero.
Assim, haviam regras tributárias que estavam previstas na constituição federal, porém
soltas por ela. Exemplo: artigo 5, CF – ninguém será privado da liberdade sem o devido
processo legal; somente a lei pode instituir ou cobrar tributo. Faltava sistematização das
normas tributárias.
Dessa forma, surgiu a emenda 18/65 que tinha a função de instituir o sistema tributário
nacional, então pegou as normas que estavam espalhadas pela CF e as agruparam em
um título (capítulo).
Essa foi a primeira providência = criar um sistema tributário nacional.
Este novo sistema exigia uma regulamentação legal. Exemplo: é assegurado aos
funcionários públicos o direito de fazer greve, nos termos da lei – depende de uma
regulamentação legal.

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Assim, o CTN veio para regulamentar a emenda 18/65. Bem, o CTN não é um código,
esta denominação surgiu depois, a sua destinação inicial dizia o seguinte: o código é
dividido em dois livros, I e II. O livro I trata da regulamentação do sistema tributário e o
livro II, trata das normas gerais de direito tributário.
Depois dessa emenda constitucional 18/65, vieram várias constituições, então este
sistema tributário foi se regulamentando até chegar a CF/88.
Porém há vários artigos que não são mais utilizados. Assim, chega-se ao ponto das
espécies de tributo.
EC 18/65 – instituiu o sistema tributário
Lei 5176/66 = regulamenta o sistema tributário
Artigo 1 – estabelece normas gerais de direito tributário.
Para que o Estado desempenhe as funções típicas que lhe são atribuídas, por exemplo,
segurança, saúde, precisa de recursos financeiros que serão captados por meio da
atividade que ele desenvolve. Então, essa é uma atividade instrumental, que serve para
ele realizar estas coisas. É uma atividade financeira instrumental, mas nem por isso
perde a sua importância.
Vimos ainda, que esta atividade poderia ser desmembrada em três grupos: receitas;
gestão e despesas. São grupos de atividade, dentro da atividade financeira, que possui
ampla regulamentação legal. Essa regulamentação é estabelecida no grande grupo do
direito financeiro, mas aqui, estudaremos apenas o direito tributário.
Os recursos são alocados em certos elementos de despesa, por força de um orçamento,
e não pode ser feita de forma desregrada.
O importante, que estudaremos aqui, são as receitas derivadas. Por exemplo, imóvel do
INSS que não está sendo utilizado, em vez de deixa-lo parado arcando com gastos de
manutenção, eu alugo, então exploro e obtenho receitas. Estas receitas são originárias,
surgem da própria exploração do patrimônio público. Geralmente provenientes de um
acordo de vontades. A administração é vista praticamente como um particular. Porém,
pelo simples fato de ser uma contratação com a administração pública, ela terá algumas
prerrogativas, ainda que não presente cláusulas de prerrogativas exorbitantes.
As receitas derivadas são marcadas pela compulsoriedade e aqui, a administração entra
com poder, como por exemplo, as multas (multas de trânsito – não é um acordo de
vontade, são receitas que não são originadas da exploração do patrimônio. O estado me
obriga pagar aquilo), o outro exemplo seriam os tributos (valores que sou obrigado a
recolher por força legal e independentemente da minha vontade).
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Derivadas – compulsoriedade.
Direito tributário é um ramo de direito que disciplina atividade financeira do estado,
visando a obtenção de receitas que se enquadrem no conceito de tributo.
O ato administrativo comporta elementos e requisitos de validade. Não estando
presentes, o ato existirá e não será válido. Por exemplo, se eu tenho um ato, alguém
praticou, então tem que existir um sujeito, por isso é um elemento do ato
administrativo. Acontece, por exemplo, um juiz flagra um motorista avançando o sinal e
o aplica uma multa, o sujeito praticou o ato, mas não vale nada, visto que, o juiz não
tem competência para aplicar a multa. A cada elemento, haverá um requisito de
validade.
Costuma-se elencar os seguintes outros elementos:
a) Sujeito: competência
b) Finalidade
c) Forma: prevista em lei
d) Motivo
e) Objeto: tem que ser lícito
Dizemos que o ato é vinculado quando todos esses elementos estiverem previstos em
lei. Não há espaço de escolha ou deliberação quanto a isso. E digo que o ato é
discricionário quando ao contrário, alguns desses elementos não derivam de uma regra
legal e há um espaço para quem for agir deliberar. Por exemplo, a lei diz que chefes de
determinados setores podem, quando constatar falta disciplinar dos servidores aplicarlhes uma sanção. Mas não há, como no código penal uma correlação imediata, por
exemplo, faltou: suspensão de X a Y dias. Fornece apenas algumas regras gerais, vai
depender se a falta cometida decorreram problemas graves para a administração, se o
servidor é reincidente ou não, tudo influencia, mas não há um correlação imediata.
Vamos imaginar que o servidor faltou um determinado dia, e a administração dá a
advertência. Na próxima vez que ele falta e gera algo grave, a administração dá uma
suspensão de 10 dias. O objeto da punição é a suspensão, é o ato, variou, em um caso
foi advertência e no outro a suspensão em razão da mesma falta. Quem decide isso, é o
sujeito que pratica o ato, ou seja, o administrador. Visto isso, há a discricionariedade,
ele tem opções de como agir. Claro que, o sujeito sempre terá a regra de competência
prevista na lei, mesmo nos discricionários.
No ato vinculado TODOS os elementos estão previstos em lei e no discricionário não.

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só posso dar moratória (alargar o pagamento) se a lei autoriza. não posso. A lei que criou tributo só pode ser aplicada no ano seguinte. de 1º de dezembro de 1965. A emenda constitucional 18/65 instituiu o sistema tributário e a Lei 5172/66 regulamenta o sistema tributário que foi criado pela emenda 18. 1º Esta Lei regula. com fundamento no artigo 5º. da Constituição Federal. por exemplo. O direito tributário tem regras próprias. o artigo 145 da CF veremos que ali começa o capítulo da constituição intitulado de Sistema Tributário. 11 . Se eu entendo que é tributo. o sistema tributário nacional e estabelece. as normas tem que ser aplicadas. que temos a regulamentação do sistema tributário nacional. ao Distrito Federal e aos Municípios. se você me deve valores de IPTU. eu só posso parcelar se a lei autorizar. alínea b. Por isso.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. O que não for tributo. 18. eu não aplico. as normas gerais de direito tributário aplicáveis à União. o valor é calculado de acordo com a lei. com fundamento na Emenda Constitucional n. O conceito de tributo nos dá o campo de atuação das regras do direito tributário. O regime jurídico tributário se aplica a algumas relações e não se aplica a outras.: Ricarlos Almagro A cobrança dos tributos é regrada por lei. Só há acordo se houver autorização legal. e o Livro dois com as normas gerais. supletiva ou regulamentar O código estabelece normas gerais de direito tributário. aos Estados. O código é divido pelo Livro I. se não é tributo posso cobrar de imediato. inciso XV. O que é reforçado pelo artigo 1: Art. inúmeros artigos do código de 66 não se utiliza mais. Hoje. sem prejuízo da respectiva legislação complementar.

Temos que analisar o fato gerador. a lei diz que quem for proprietário de imóvel urbano deve pagar IPTU. § 2º . § 1º . em razão do exercício do poder de polícia ou pela utilização. 12 . taxas e contribuição de melhoria são espécies do gênero tributo.Sempre que possível. prestados ao contribuinte ou postos a sua disposição.: Ricarlos Almagro 2. A natureza jurídica significa o que é esta prestação do ponto de vista tributário. já sabemos que não é uma taxa ou contribuição de melhoria. Art. Gênero x Espécie: a espécie é um elemento do gênero.As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos. III . A União. de serviços públicos específicos e divisíveis. Pela natureza do fato nós descobrimos. A espécie de tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação.a destinação legal do produto da sua arrecadação. Art. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: I . 5º Os tributos são impostos. sendo irrelevantes para qualificá-la: I . CF Art.taxas. taxas e contribuições de melhoria. Então podemos dizer que o gênero fruta.contribuição de melhoria. os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. II . decorrente de obras públicas. efetiva ou potencial. identificar.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof.impostos. comporta diversas espécies (mamão. facultado à administração tributária. os Estados. os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte.a denominação e demais características formais adotadas pela lei. o patrimônio. É irrelevante o nome dado. Impostos. 145. especialmente para conferir efetividade a esses objetivos. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. respeitados os direitos individuais e nos termos da lei. Exemplo: taxa de condomínio e taxa de marinha NÃO são tributos e por isso o nome dado é irrelevante. II . banana e maçã). ESPÉCIES DE TRIBUTO: Vamos estudar:  Artigo 145.

Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. E realmente é assim. Antes de gastar o dinheiro. O artigo 5 do CTN também colocou os impostos. para diferenciar o artigo 145. mas não ser um tributo. então qual a diferença do artigo 5. O nome não é relevante. CTN para o artigo 145. O que importa para a determinação da natureza jurídica do tributo e de cada uma das suas espécies é o que está na relação entre o tesouro público e o contribuinte. não é tributo apesar do nome. consigo saber se o tributo é um imposto. Cuida da distinção entre impostos. eu terei uma pista segura para saber se é imposto. Será ele que dará o norte para nosso estudo. Assim. É necessário saber a destinação final do produto de arrecadação. este princípio foi quebrado. dizendo que a previdência também é tributo. A destinação final. CTN: este artigo diz respeito a natureza jurídica. já sabemos qual é a espécie de tributo que estou lidando. em princípio. qualquer que seja. Artigo 5 do CTN – princípio numerus clausulus: ideia de fechamento. Artigo 4. É possível algo ter nome de “taxa”. De acordo com o artigo. taxa ou contribuição. o que é isto para o direito. taxa ou contribuição.: Ricarlos Almagro O que determina a espécie de tributo é o fato gerador da obrigação. CF? Se olhar para o fato gerador do tributo. A norma do artigo 4 do CTN diz que é irrelevante a destinação legal do produto da arrecadação. observando o fato gerador. Exemplo: taxa de marinha. não afeta. o nome é irrelevante. a natureza jurídica do tributo é determinada elo fato gerador da respectiva obrigação. CF e o artigo 5 do CTN. ou seja. A constituição federal também estabelece algumas competências para criar tributo: União. Porém. se não for isso não é tributo e a CF confirma isso no artigo 145. Fato gerador é a situação prevista na lei que quando efetivamente ocorre eu estou obrigado a pagar o tributo. Dessa forma. Esclarece que a relação entre o contribuinte e o tesouro público nada tem a ver com a relação entre este e os destinatários do gasto público. taxas e contribuições de melhorias como espécie de tributo. Distrito Federal e Municípios. não é importante para determinar a espécie de tributo. refere-se a receita. O que vou fazer com o dinheiro arrecadado não é determinante para estabelecer qual é o tributo. 13 . Estado. taxa e contribuição de melhoria.

a destinação legal do produto da sua arrecadação. que é ser dono de um imóvel urbano. relativa ao contribuinte. contribuição de melhoria é a espécie de tributo. me dará o fato gerador. então pode ser que mais a frente não se resolva assim. e depois temos que falar o que os diferencia. já saberemos qual é sua espécie. Para saber a espécie não devemos olhar para o nome. 16. por que ele não importa. Essa diferença é auxiliada pelo artigo 4. sendo irrelevantes para qualificá-la: I . O que o código afirma que para saber qual espécie de tributo é eu devo fazer a pergunta: “por que eu sou obrigado a pagar?”. taxa é a espécie de tributo. 4º A natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. eu pergunto por que. Se os tributos são sempre espécies do gênero tributo: sempre começaremos a definição assim: imposto é a espécie de tributo.: Ricarlos Almagro AULA 11/08: IMPOSTOS – Artigos 16 do CTN Art. que afirma que a natureza específica de tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica. relativa ao contribuinte. Art. 14 .Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. que é por que sou proprietário de um veículo. Independente do que se fará com o dinheiro recolhido.a denominação e demais características formais adotadas pela lei. Então. Quando eu digo que sou obrigado a pagar IPVA. A mesma coisa o pagamento o IPTU. ele aponta como elemento determinante para eu identificar a espécie de tributo e para que eu diferencie uma espécie da outra o fato gerador da obrigação. por exemplo. não é. Mas. II . taxa de marinha. veremos que a lista é um pouco maior do que estes três. e a resposta me dará o fato gerador. Imposto é o tributo cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica.

que afirma mais ou menos isso. significa que. não compraria o imóvel. Esse fato. este fato gerador do imposto. ser proprietário de imóvel. me leva a presunção de que você pode colaborar com as despesas públicas. o Silvio Santos pode pagar outra quantia. IV da CF). nada mais justo que haja um rateio das despesas públicas entre os cidadãos. em princípio. eu tenho capacidade econômica. eu posso pagar uma certa quantia. será um fato-signo presuntivo de riqueza. Uma situação que independe de qualquer prestação estatal específica em relação ao contribuinte. já que o fato gerador é o caráter determinante. se não. que serão chamados de contribuintes. presumidamente. os conceitos serão assim: 1) Imposto é a espécie de tributo cujo o fato gerador (vem a particularidade) 2) Taxa é a espécie de tributo cujo o fato gerador (vem a particularidade) 3) Contribuição de melhoria é a espécie de tributo cujo o fato gerador (vem a particularidade) O estado. É um fato econômico. isso está correto. pode ser que não. você tem a capacidade para contribuir. no sentido de ter capacidade econômica. este fato. eu presumo que você tem alguma riqueza. isso significa que.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Então. afirmando que o fato gerador é uma situação estatal específica. é preciso que cada um seja exigido um valor compatível com a sua capacidade para contribuir. 15 . Se esta entidade é feita para promover o bem comum. Se eu falar que todo o dinheiro do IPTU será para a saúde está errado. É vedada a vinculação da receita de impostos a determinados fundos (artigo 167. existe para promover a satisfação do interesse público da coletividade em geral. presumidamente. Ai sim é permitido! O conceito está no artigo 16. A mesma coisa vale para quem tem imóveis. Não posso vincular as receitas de impostos a determinada despesa. De certa forma. se eu tenho um imóvel urbano. não pode. O estado elege determinadas situações denominadas tecnicamente de “fatos-signo presuntivos de ‘riqueza’” – esse fato significa alguma coisa. se você tem recurso para comprar o veículo. Se eu ganho dinheiro com meu trabalho. O que eu posso fazer é: 10% de todo o montante (de todo o bolo) vai para a saúde. por isso. que.: Ricarlos Almagro Então. você tem alguma capacidade econômica para contribuir com as despesas públicas. Por exemplo.

no âmbito de suas respectivas atribuições. CF: “uma situação” – depende do imposto. o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir taxas. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. de serviço público específico e divisível. Conceito¹: é uma espécie de tributo cujo fato gerador é vinculado a uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. os Estados. efetiva ou potencial. têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia. ou ao exercício do poder de polícia. TAXAS – Artigo 77 do CTN Art. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Artigo 167. A taxa é vinculada a serviço público. prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. ou a utilização efetiva ou em potencial de serviço público específico e divisível. prestado ao contribuinte ou posto a sua disposição (professor). 77. As taxas cobradas pela União. o artigo 77 a CF praticamente reproduz o texto do código. Temos dois tipos de taxas: taxas de polícia e taxas de serviço. mas todos as situações possuem algo em comum.: Ricarlos Almagro Exemplo: todo o IPTU arrecadado (integralmente) vai para as despesas de melhoria de estradas e ruas – NÃO PODE. Em relação aos impostos e a contribuição a CF não fala nada. O fato gerador da taxa é sempre uma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. IV. só discrimina melhor as taxas. artigo 77 e também no artigo 145 da CF. A União.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. ou a utilização. Parágrafo único. Então. 16 . Conceito²: é espécie de tributo cujo fato gerador é o exercício regular do poder de polícia. que é a não contraprestação do estado a favor do contribuinte. pelos Estados. As taxas tem previsão no CTN.

afirmo que farei um comércio. limitando ou disciplinando direito. e a pessoa deve pagar para ser fiscalizada. Está na segunda parte. É um poder atribuído ao estado para que restrinja a prática de ato ou abstenção de um fato em razão do interesse público (sentido restrito). para que eu obtenha a licença para funcionar. com observância do processo legal e. ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público. é um conceito do direito administrativo. aluguei uma sala. à ordem. realizando um laudo de exigências.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. eu quero montar um comércio na porta da faculdade. A liberdade da iniciativa é assegurada. à higiene. estou vendendo sanduíche para os alunos na cantina e chega um fiscal sanitário do município para ver onde está armazenando os alimentos perecíveis. sem abuso ou desvio de poder. Por exemplo. Porém. e pode vir a interditar o estabelecimento. aos costumes. 17 . interesse ou liberdade. Para exercer o direito de polícia o estado cobra tributo. Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável. regula a prática de ato ou a abstenção de fato. Sempre que houver fiscalização haverá poder de polícia. por exemplo. tratando-se de atividade que a lei tenha como discricionária. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que. à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. entretanto não pode assegurar isto se colocar em risco a segurança coletiva. em razão de interesse público concernente à segurança. o exercício regular do poder de polícia. porém. Como identificar que se trata de poder de polícia? Toda vez que estiver presente a fiscalização. então limito a liberdade de iniciativa em prol do interesse público. O poder de polícia é um poder atribuído ao Estado para que restrinja direitos individuais em prol do interesse público. Quem pagará para a fiscalização voltar e fiscalizar de novo é o dono da cantina – paga-se para haver fiscalização. Para exercer o poder de polícia o estado irá cobrar. os estudiosos administrativos utilizam do artigo 78 do CTN para conceituar poder de polícia. à disciplina da produção e do mercado. terei que sofrer a fiscalização de diversos órgãos públicos. 78. Exemplo: é livre o exercício de qualquer atividade.: Ricarlos Almagro TAXAS DE POLÍCIA: Art.

divide os tributos em duas categorias:  Não vinculadas: o fato gerador não se liga a nenhuma atividade estatal específica relativa ao contribuinte. não há em seu fato gerador a manifestação estatal específica ao contribuinte. O vinculado ou não vinculado. Há casos. Pode ser que ele nem cobre. se você confundir. Já aqui. Placas ou outras faixas com anúncios  Taxas de licença para construções e edificações. ou seja. Os impostos são tributos não vinculados. em que determinadas regras se aplicam a taxa e outras a impostos. As taxas são vinculadas. Outros exemplos de taxas com o fato gerador a atividade de polícia:  Taxas de licença para localização e funcionamento. é uma classificação de vinculada e discricionária. Exemplo: taxas e contribuições de melhoria. Conceito de tributo falamos que a cobrança é vinculada. Jamais confundir uma espécie com outra. vinculado diz respeito a uma atividade estatal em um fato gerador. pode instituir a cobrança. todos os tributos são vinculados a lei. diz respeito a uma prestação de serviços do Estado para mim. Exemplo: impostos. ou ele vai exercer o poder de polícia ou vai prestar um serviço. Observação: No poder de polícia não tem ‘exercício em potencial’. cobrada por diversos municípios brasileiros de quem quer se estabelecer com qualquer atividade empresarial  Taxas de licença para publicidade – outdoors. Observação: Geraldo Ataíba. Taxas são vinculadas. neste deve haver ‘exercício efetivo’.  Vinculadas: ou exerce um serviço para o contribuinte ou exerce o poder de polícia. irá aplicar a regra errada. mas se quiser.: Ricarlos Almagro O fato gerador. 18 . por que não tem a previsão em lei para cobrança. por que eu pago? Por que ele exerce o poder de polícia. só cobra quando efetivamente fiscalizar.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof.

Por exemplo. coleta de lixo. o poder público recolhe o lixo despejado.: Ricarlos Almagro TAXA DE SERVIÇO: É toda e qualquer atividade prestacional realizada pelo Estado. II . é a possibilidade. 19 . eu também pago taxa de incêndio. pode ser que eu passe o ano inteiro sem utilizar os serviços dos bombeiros.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. por parte de cada um dos seus usuários. Então eu tenho a utilização efetiva de um serviço público que me foi prestado. ou por quem fizer suas vezes. para satisfazer. isso. cumulativamente. O fato gerador é a utilização efetiva ou potencial de um serviço público. III . mais de uma vez inclusive. Então. quando possam ser destacados em unidades autônomas de intervenção. de modo concreto e de forma direta. por que é sempre atividade prestacional de natureza material. pelo serviço de segurança pelo combate ao incêndio. 79. específico e divisível prestado ao contribuinte ou colocado à sua disposição. Cuidado: OU e depois E. É preciso que o serviço seja ESPECÍFICO E DIVISÍVEL. de unidade. este serviço não foi efetivamente prestado.utilizados pelo contribuinte: a) efetivamente. Não se confunde com o poder de polícia. Não é qualquer serviço público que enseja a cobrança de taxa. quando. Os serviços públicos a que se refere o artigo 77 consideram-se: I . de ter sido colocado a minha disposição é o que chamo de uma utilização potencial. sendo de utilização compulsória. por que. b) potencialmente. A palavra efetiva se relacionada ao prestado e a palavra potencial está relacionada a “colocado a sua disposição”. separadamente.divisíveis. Art. semanalmente.específicos. quando suscetíveis de utilização. eu pago da mesma forma. ou de necessidades públicas. Mas. quando por ele usufruídos a qualquer título. necessidades coletivas. Use efetivamente o serviço pago ou se ele está a minha disposição. ele foi me colocado à disposição. sejam postos à sua disposição mediante atividade administrativa em efetivo funcionamento.

É preciso olhar para a natureza do serviço para saber se é específico ou não específico. Por exemplo: taxa de coleta de lixo. EM TESE. Uma vez que tem a possibilidade de identificar o usuário. quero saber se ele se reveste das características de especificidade e de divisibilidade. você é obrigado a pagar. a cobrança é inconstitucional e o STF já pacificou sobre o assunto. exemplo. um serviço não pode ser divisível se não for específico. por que.: Ricarlos Almagro  Especificidade: é aquele serviço que está voltado para os cidadãos de uma tal maneira que eu consigo identificar quem é que se beneficia dele. se não houver a prestação do serviço. você poderia ver quanto a pessoa usou (pesando o lixo) e quem usou. a obrigação não nasce. Exemplo: iluminação pública: genérico por que não se sabe especificar quem isoladamente se beneficiou. iluminação pública. O STF já teve oportunidade de enfrentar esta questão para determinar se aquela cobrança era válida ou não. É possível dizer matematicamente o quanto o beneficiário se utilizou daquele serviço. Mesmo que eu não tenho capacidade econômico. Se não estiverem presentes as características. a cobrança de determinada taxa. conseguese saber a quantificação daquele serviço. Mas. pressupõe-se que eu tenho um serviço prestado. pode cobrar? Pode. eu não quantifico. Inconstitucional. não pode ser cobrada nenhuma taxa. Se não há o serviço colocado a disposição e efetivamente prestado.  Divisibilidade: Serviços públicos que são voltados a certos cidadãos (ut singuli) ou prestado para um coletividade que eu não consigo especificar quem é o usuário (ut universi). se eu uso o serviço ou ele é colocado à disposição. Não é específico. por que a cobrança é proporcional. posso quantificar quanto foi utilizado da coleta de lixo (quem produz mais lixo usa mais). Na medida que eu consigo identificar. por exemplo. é nula a cobrança da taxa. por que discutia-se se o serviço que ensejava a cobrança da taxa era específico e divisível ou não. Neste caso. conseguirei quantificar o uso. Se eu não identifico. Exemplo: fornecimento de certidões ou da prestação da atividade jurisdicional – específico e divisível. É a possibilidade de eu mensurar o quanto você usa deste serviço.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. não entra o fato signo. não haverá fato gerador. embora tenha serviço público. não há fato gerador de obrigação. isso é outra questão. consequentemente. Se cobrarem. É possível a coleta de lixo ser cobrada. Isso é discutido até hoje nos tribunais. 20 . Se não tiver a especificidade e a divisibilidade. Assim.

só cobra quando efetivamente fiscalizar. estabelece que são somente estes três. 21 . mas. ou seja. só a sua utilização efetiva enseja a cobrança de taxa. Neste caso. é indispensável que a atividade estatal. deve-se ainda pagar. visto que foi uma utilização potencial. sofreu uma alteração e quebrou o princípio numerus clausus. discutiu-se muito se contribuições previdenciárias seriam tributos. Entende-se como “prestada ao contribuinte” o serviço que este utiliza efetivamente. Potencial = colocado à disposição.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Exemplo: taxa de incêndio. hoje em dia está consolidados que são tributos. é a CF que confirma. Se por um lado. por que o código é de 1966 e a CF de 1988. Com base nesta situação. incluindo as cotas da previdência. se não for nenhuma delas. Mas se não usou efetivamente o serviço. usando uma palavra como sinônimo de outra nem sempre será possível. encontra-se em efetivo funcionamento. Se o serviço é de utilização compulsória.: Ricarlos Almagro Quando se usa um serviço público. Só que nós vamos ver que já quando da promulgação do CTN estabeleceu-se uma data para ele entrar em vigor. AULA 13/08: Se eu digo que são essas três espécies de tributo: imposto. taxas e contribuições de melhoria são espécies do gênero tributo. ou seja. estava a disposição para usar. e antes de entrar em vigor. princípio do numerus clausus. Há determinadas regras que se aplicam somente aos impostos e outras que se aplicam somente as taxas. todos os impostos são tributos. e “posto à disposição” do contribuinte aquele que por este apenas potencialmente utilizável (artigo 79. I do CTN). neste deve haver ‘exercício efetivo’. ainda que não ocorra efetivamente esta utilização a taxa pode ser cobrada. taxas e contribuição. Em qualquer caso desses. Portanto. Efetiva = prestada ao contribuinte. deve-se pagar uma taxa por isso. o serviço público. específico e divisível. nem todos os tributos são impostos. Impostos. e a CF/88 em princípio confirma isso. (Esteja a disposição do contribuinte) Observação: No poder de polícia não tem ‘exercício em potencial’. é verdade. Maneira que. Se o serviço não é de utilização compulsória. em princípio o artigo 5 estabelecendo estas ideias de fechamento. não será tributo. e elas seriam consideradas tributos.

por exemplo.....) No artigo 4. por que ele exemplifica demasiadamente as áreas do direito individual que pode ser restringido. quando os administrativistas quando abordam esta temática abordam este artigo. 22 . qualquer que seja ele.. O que o imposto tem peculiar é que QUALQUER que seja o fato gerador.) cujo fato gerador (. como se o dinheiro do IPVA estivesse vinculado a uma despesa específica. mas em determinados momentos posso ser proibido de circular em determinados locais. que embora o fato gerador seja objeto de tratamento específico por nós mais a frente.) cujo fato gerador (. então primeiro tem que se formar. que sabemos pelo menos o que seja isso. ele tem uma definição no CTN (artigo 78) e.. inclusive.) Contribuição de melhoria: espécies de tributos (. Esta é a nota típica dos impostos.. O artigo 78 do código tem um conceito de poder de polícia amplo. Mas. eu acobertar por um princípio da ordem econômica. Em relação as taxas vimos que elas se desmembram em dois tipos: taxas de polícia e as taxas de serviço.) cujo fato gerador (. imaginar que a liberdade de locomoção é amplamente assegurado pela CF... e sim. Um outro exemplo seria. afirma que a espécie de tributo é dada pelo fato gerador da respectiva obrigação. por que eu sou proprietário de um automóvel. é preciso.) Taxas: espécies de tributos (. Posso. isso NÃO é verdade! Eu não pago o imposto para que o Estado mantenha as estradas bem conservadas. sempre será uma situação que independe de uma contraprestação por parte do estado perante o contribuinte. Por exemplo. que é a da liberdade de iniciativa. e é. respeitadas as normas legais que indisciplinam o exercício da profissão. uma taxa ou uma contribuição de melhoria. por exemplo..: Ricarlos Almagro Impostos: espécies de tributos (. Esclarecemos.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. quero exercer medicina. terei uma pista segura para verificar se ele é um imposto.. O fato gerador pode ser identificado quando respondo a pergunta: por que eu devo pagar? Se eu sou obrigado a pagar IPVA eu respondendo à pergunta.. tenho a resposta que devo pagar por que sou proprietário de um automóvel. pelo fato de que pagamos IPVA as estradas deveriam estar conservadas. Se eu olhar para o fato gerador do tributo. As taxas de polícia são as espécies de tributo que tem por fato gerador o exercício regular do poder de polícia. o que é poder de polícia? Apesar de ser um conceito do direito administrativo. em última análise a possibilidade do Estado de limitar direitos individuais em prol da coletividade.

eu pago anualmente a taxa de incêndio e pode ser que eu nunca precisei dos serviços dos bombeiros. Isso é considerado como modo de utilização em potencial. ai o estado não deixa. ele foi colocado a minha disposição. ainda assim terei que pagar. mas a coleta do lixo domiciliar é identificável. tenho que pagar. Então. Para que ele faça esta vistoria. tenho que pagar uma taxa. Toda vez que o estado fiscalizar ele estará exercendo o direito de polícia. de outro. o estado exerce o poder de polícia. por que se de um lado eu não usei efetivamente. faz-se uma quantificação indireta. montar um comércio ao lado da UVV. não consigo identificar quem é o usuário. ou seja. do fórum e do shopping para revenda e fabricação de fogos de artifício. Esta quantificação não é prática em alguns casos. por exemplo. específico e divisível prestado ao contribuinte ou colocado a sua disposição. por que pode afetar a segurança da comunidade do entorno. Conseguindo especificar quem é o usuário. então. mas isso seria inviável. é preciso que ele esteja revestido das duas características: específico e divisível. consigo saber QUANTO a pessoa usou o serviço. posso em tese. vamos supor que ele faz um laudo de exigências dentro de um prazo. a coleta de lixo. exerce o poder de polícia e para isso eu pago uma taxa. ele cobra a taxa de polícia que é uma espécie de tributo cujo fato gerador é o exercício pelo estado do poder de polícia. Significa que o serviço deve ser de tal natureza que eu possa identificar quem é o usuário efetivo dele. Mas. tem que ser específico e não genérico. e ele volta para saber se você realmente cumpriu. No exemplo de fogos de artifício. e para isso cobra-se uma outra taxa. a iluminação pública da rua. Nesta vistoria. 23 . Não é todo e qualquer serviço. assim. É possível fazer esta cobrança.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. teremos que solicitar a vinda do corpo de bombeiros para fazer uma vistoria no local e ele pode impor restrições e impedir de explorar a atividade.: Ricarlos Almagro Fora estes casos que a lei não prevê uma formação específica. se houver previsão em lei. Exemplo: medição do escapamento de gás dos veículos. para ter licença. cobra quando efetivamente fiscalizar. eu utilizo efetivamente. Embora o serviço seja divisível. por conta do direito coletivo o Estado restringe um direito seu. Para isso. pode limitar o direito de uso do veículo. saber quanto você precisou da coleta de lixo (pesando o lixo recolhido). Então. pela área do imóvel por exemplo. A outra subdivisão é a taxa de serviço que tem como fato gerador a utilização efetiva ou potencial de um serviço público. Não pode ter em potencial. Quando eu uso um serviço público. por exemplo. por exemplo.

é instituída para fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valorização imobiliária. 81. *E = estado V = valorização C = Contribuinte 24 .Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. A contribuição de melhoria cobrada pela União. pelo Distrito Federal ou pelos Municípios.: Ricarlos Almagro CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA – Artigo 81 do CTN Art. no âmbito de suas respectivas atribuições. tendo como limite total a despesa realizada e como limite individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada imóvel beneficiado. pelos Estados.

desde que esta valorização seja decorrente de obra pública. CÁLCULO: V (valor de antes) – V (valor depois) = “MAIS VALIA” Veja: Vd-Va=MV Va = 500. Por exemplo. Se houver desvalorização ou não houver a valorização no imóvel em razão da obra pública. só alguns. tem. Mas. então a mais valia é deste valor.000 MV = 150. visto que o fato gerador não é a obra e sim a valorização no imóvel.: Ricarlos Almagro É a espécie de tributo cujo o fato gerador é a valorização do imóvel em função de uma obra pública realizada OU pode se dizer também que é uma espécie de tributo. então ele valorizou 150 mil. Em razão da valorização no imóvel do contribuinte ele paga a contribuição de melhoria. O entorno da obra. cujo fato gerador está ligado a atividade estatal específica relativa ao contribuinte. identificamos a possibilidade de valorização dos imóveis através de uma perícia. o proprietário do imóvel valorizado é chamado a pagar a contribuição de melhoria.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. vinculado. achamos o valor denominado de mais valia. Desta obra. 25 . Por isso.000 (MÁXIMO QUE PODEM COBRAR) CONCLUSÃO: O fato gerado da contribuição de melhoria é a valorização do imóvel do qual o contribuinte é proprietário. por exemplo. ou enfiteuta. com a qual de certa forma repõe no tesouro público o valor ou parte do valor aplicado na obra. a construção do fórum não trás valorização para as pessoas que moram quase em Guarapari. não há essa contribuição. bem como os que foram muito ou pouco valorizados. Tenho uma ação do estado (obra). Não é justo que o proprietário do imóvel valorizado em decorrência da obra pública aufira sozinho essa vantagem para qual contribuiu toda a sociedade. por isso. O valor do imóvel depois menos o valor do imóvel antes da obra. uma valorização do seu patrimônio uma obra que foi realizado com o dinheiro de todos. Entre a ação do estado e a minha obrigação de pagar existe a valorização. O imóvel que não foi valorizado paga impostos. Tem como elemento essencial de seu fato gerador a valorização imobiliária. além do retorno comum.000 Vd = 650. resulta uma valorização (v). nada mais justo do que ele retornar para o público uma parte desta valorização. o imóvel vale hoje 500 mil e depois da obra ele passa a valer 650 mil.

por exemplo. não há discussões tributárias em torno da sua cobrança.00  Contribuição de A: 1. visto que não estaria cobrando algo a título de valorização. por que você estaria arrecadando mais do que custou a obra.00  Contribuição de D: 10.: Ricarlos Almagro Limites: a) Individual: o máximo que pode ser cobrado é a mais valia que ele experimentou. Enquanto a taxa está ligado ao exercício regular do poder de polícia.00  Contribuição de C: 100.000. podemos falar que a valorização será feita de 1% da valorização experimentada. ou a serviço público.000. Jamais seria tolerado. o máximo que poderia ser cobrado é 150 mil reais. Por isso. mas se você gastou 1000 reais na obra.00  Total de Contribuições: 11. Vamos imaginar no exemplo supramencionado.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. então. Às vezes.  Caracteriza-se.00  Contribuição de B: 500.  Distingue-se de impostos por que depende de atividade estatal específica e da taxa por que a atividade estatal de que depende é diversa. você arrecadaria 2600 reais. Exemplo:  Obra custou: R$10. ultrapassaria o segundo limite. a contribuição de melhoria está ligada a realização de obra pública. O que vai arrecadar não pode ultrapassar o que foi gasto com o valor da obra. a contribuição de melhoria por seu fato gerador ser instantâneo e único. Mas. teria que reduzir a arrecadação.600. ainda. Como é pouco utilizada. 26 . que neste caso daria 1500 reais por exemplo. EM RESUMO:  Contribuição de melhoria é o tributo cujo fato gerador é a valorização de imóveis decorrentes de obra pública. (Individual = mais valia) b) Global: o máximo é o valor da obra. não pode.00 – deve-se diminuir a arrecadação quando o valor da obra for maior.000. uma cobrança de 200 mil. não quer dizer que vão cobrar isso tudo. se cobrar no limite individual.

porém no artigo 148. Porém. portanto. contemplaram-se cotas da providência como possíveis tributos. assim. podemos incluir vários meios cruéis. pois está no capítulo da CF que trata de tributos e além disso. taxas e contribuições de melhorias’. ou seja. O código no artigo 5. CF trás a possibilidade de instituir empréstimos compulsórios. CF Quando vimos o CTN falamos em um princípio chamado numerus clausus. CTN. pois possui todos os elementos. afirma que os tributos são impostos. ela admite algumas complementações ou ela é fechada. taxas e condições de melhoria. Quando temos uma lista perguntamos se esta lista é numerus apertus ou se é numerus clausus. CF. mas isso não deu muito certo. crime de homicídio. o que não for um destes três. tem uma qualificadora motivo torpe e no final fala ou outro meio cruel. Por exemplo. Se observar o artigo 145 da CF. mas todos os outros artigos. Essa discussão hoje não é forte. esta lista não é fechada. não é tributo. CTN era número clausus: ‘os tributos são impostos. os empréstimos compulsórios seriam uma espécie de tributo. A princípio o artigo 5. AULA 18/08: Bibliografia: Hugo de Britto Machado EMPRÉSTIMOS COMPULSÓRIOAS – ARTIGO 148. numerus apertus – flexível.: Ricarlos Almagro Observação: numerus clausus – fechado. percebe-se que ele surgiu de acordo com o princípio do numerus clausus. 27 .Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. se enquadra dentro do conceito de tributo. durante o período de vacation legis. Então se o sistema tributário nacional não é apenas o artigo 145.

80 reais por litro da gasolina. Você não é obrigado a abastecer o carro e nem comprar um carro zero. então um carro que custa 30 mil reais. o que nós vemos lá? A possibilidade de instituir empréstimos compulsórios. No direito privado eu empresto se eu quiser. você vai pagar este empréstimo compulsório. Aqui. Aqui há uma devolução. devido ao empréstimo compulsório de 10%. O empréstimo compulsório é um tributo. Eu identifico certas situações e tributo ela. a diferença deverá ser entregue ao Estado. sendo esta. reunimos neste instituto todos os elementos do conceito de tributo. e o artigo 148 está dentro do sistema tributário nacional. Antes de mais nada é um empréstimo. é unilateral. cobrado mediante atividade vinculada e não pago por que cometi uma infração. e ai.28 vai para o estado. Entretanto. Exemplo: a União tem que devolver o empréstimo compulsório sobre a gasolina? Quanto? Uma espécie de defesa é apresentar as notas fiscais para provar a quantidade de gasolina (litro) que abasteceu.08 centavos por litro de gasolina e a diferença de 0. estamos estudando um capítulo da constituição que trata do sistema tributário nacional. por exemplo. mas. empréstimo compulsório sobre aquisição de combustível.: Ricarlos Almagro A constituição afirma em seu artigo 145. você irá pagar agora 33 mil reais.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. o governo resolve cobrar um valor de 10% do valor do veículo a título de empréstimo compulsório. que a União. que sugere que empréstimos compulsórios devem ser tributos. Estado e Município podem incidir os três tributos estudados. apesar de ser compulsório não deixa de ser empréstimo. é um contrato de um acordo bilateral. Outro exemplo é a aquisição de carro zero. ou pelo menos deveria ter. vou ao posto de gasolina abastecer e quando eu compro o combustível é um fato gerador do empréstimo compulsório. a interpretação não deve ser feito de dispositivos isoladamente e sim em um sistema. ou seja. se você fizer qualquer uma das coisas previstas nos exemplos acima. não apenas por estar dentro do capítulo e sim por que ele acolhe todos os elementos que vimos no conceito de tributo. Devendo provar que na época era proprietário do veículo. quando chegamos no artigo 148. 28 . então parece que ela acompanhou o numerus clausus. instituído por lei. em vez de pagar 2. Então. salvo a compulsoriedade. Empréstimo compulsório não é confisco. modalidade contratual que já estudamos no direito civil. é prestação pecuniária. uma espécie ou prova. No confisco não há contrapartida. neste caso é compulsório. então tem todas as características do empréstimo privado. irei pagar 3.

3) Matérias: a) Calamidade Pública/ Guerra externa. sob pena de sua instituição ser considera inconstitucional: 1) Competência: somente a União. Exemplo: a União não consegue controlar a inflação. tenho que ter metade de votos correspondente a metade de número total de membros. A lei ordinária é mais fácil de ser aprovada do que uma lei complementar. ainda. Por exemplo. Os tributos serão instituídos por lei – Lei ordinária.: Ricarlos Almagro STJ = toda pessoa que compra um carro usa ele. Assim. temos 300 membros presentes para votar. assim como fez com os empréstimos compulsórios. vamos imaginar que no congresso tenhamos 500 membros. porém. o judiciário regulamentou a situação. deveria provar. o valor da média do combustível. AULA 20/08: Os empréstimos compulsórios é uma espécie tributária. pela CF. preciso de no mínimo 151 votos para aprovar esta lei (50%+1 dos membros presentes – maioria simples relativa). 2) Cobrir despesas decorrentes de calamidade pública ou. ele terá que especificar. tirando assim. só pode ser utilizando dentro de certas situações: 1) Cobrir despesas decorrentes de guerra externa ou sua eminencia ou. 251 votos (50%+1 do total de membros – maioria absoluta). O empréstimo compulsório. 29 . visto que se ajeitam ao conceito de tributo e. se adequam aos regimes e princípios tributários. deve fazer uma média de quanto por ano roda com o carro. Lei ordinária x Lei complementar: a diferença está no quórum para aprovação. entra em pauta um projeto de lei ordinária. 3) Custear investimento público urgente e relevante. 2) Formal: somente por meio de Lei Complementar. Em regra os tributos serão criados por lei ordinária. ou seja. b) Investimento público urgente e relevante. e quando o legislador quiser que seja criado através de lei complementar. Se a pessoa achasse que era mais. dando uma médica do valor do empréstimo. se entrar em pauta um projeto de lei complementar.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Os empréstimos compulsórios tem alguns requisitos que tem que ser observados. independentemente do número de presentes.

30 . eu tenho que verificar de acordo com a constituição vigente na época que ela surgiu. o poder público investiu nas linhas de transmissão. Esta matéria está sobre reserva de lei complementar. veja no artigo 15 do CTN. mas. que neste exemplo há uma armadilha.: Ricarlos Almagro Diante do risco de apagão elétrico. Então. a CF de 1967. é algo urgente. Vimos ainda. por que ele só pode atuar validamente em face de uma constituição que já existe. a constitucionalidade é verificada de acordo com a constituição vigente. visto que não há preenchimento de nenhuma das matérias acima mencionadas. para saber se esta lei está compatível com a constituição. Por exemplo. por que no artigo 15 do CTN há a situação da capitação temporária do poder aquisitivo. e surge a Lei X. ainda com esta previsão a solução continua a mesma: é inconstitucional esta lei. Não aplica o termo inconstitucionalidade. O que é cumulativo são os demais requisitos: 1) Competência: somente a união E 2) Formal: somente por lei complementar E 3) Somente nas hipóteses denominadas acima. Demos um exemplo de que a União tenha instituído um empréstimo compulsório para evitar o progresso da inflação. Somente por lei complementar podemos instituir empréstimos compulsórios. então estas circunstâncias não autorizam a União captar recursos.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. por que quando eu analiso a constitucionalidade de uma lei eu tenho que auferir ela em relação a lei que está em vigor. Como que o legislador vai pautar a sua atuação com uma constituição que ainda nem apareceu? Não tem como. Análise dos elementos do exemplo:  Foi a União que instituiu  Foi através de lei complementar  Não é caso de Guerra  Não é caso de calamidade pública  É urgente  Não é investimento Logo: não tivemos alguns requisitos. Esta circunstância não autoriza a União a instituir o empréstimo compulsório. Nesse caso há uma armadilha.

sendo que não são só contribuições sociais. Podemos chamar isso também de não recepção. relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas. o parágrafo primeiro do artigo 149 da CF estabelece uma exceção em que Municípios. Ressalta-se que não há um prazo fixado em lei para devolução. tal dispositivo deve ser revogado. e 150. deverá fazê-lo e não poderá cobrar menos do que a previdência. Porém. Estados e DF podem instituir um tipo: contribuição (social) destinada ao custeio próprio de previdência de seus servidores. Em princípio. Competência exclusiva da União. 149. 146. Não deve ser lido direito. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Se a lei tivesse sido criada com a constituição de 1967. mas a mesma lei. ela revoga tacitamente a lei anterior. observado o disposto nos arts. e mesmo assim fosse contrária a ela. seria caso de INCONSTITUCIONALIDADE. quando a lei trata de assunto de maneira diferente do tratamento dado por lei anterior. mas não foi recepcionada pela nova. III. e sem prejuízo do previsto no art. em relação a constituição de 1988 deve ser REVOGADA. somente a União tem competência para criá-las. I e III. § 6º. a norma não foi recepcionada pela nova constituição. são 03 classes de contribuições. de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas. 31 . O professor criou a nomenclatura de “contribuições especiais” para não confundir com contribuições de melhoria.: Ricarlos Almagro Então. CONTRIBUIÇÕES ‘ESPECIAIS’ – ARTIGO 149. e quando fizer. Para evitar situações em que entidades outras não cobravam nada. A nova constituição deu um tratamento aos empréstimos compulsórios diferenciado do que foi dado pelo CTN. visto que o constituinte foi econômico nas suas palavras. Contribuições sociais de intervenção no domínio econômico e de interesse de categorias profissionais e econômicas. Esta leitura do artigo 149. por que ela foi produzida de acordo com a constituição que estava em vigor. Não é caso de inconstitucionalidade e sim de revogação. CF tem que ser feita em separado. 195. então. CF Art.

As contribuições cobradas pelas demais associações e a que se trata do artigo 8. O conselho regional de medicina. A espécie destes tributos são contribuições de interesse das categorias profissionais e econômica. CONTRIBUIÇÕES DE INTERESSE DAS CATEGORIAS PROFISSIONAIS E ECONÔMICA Caracteriza quando se destina a propiciar a organização dessa categoria profissional e econômica. não são contribuições sociais. São três classes distintas de contribuições. em maioria são fornecidos pelos próprios médicos. há interesse dos médicos em geral para isso. a função dele é fiscalizar o exercício da função de médico dentro da região que ele opera e para isso ele precisa de recursos. e as anuidades pagas pelos engenheiros ao CREA são tributos.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. então há interesse dos médicos a se submeter ao poder de polícia do conceito. Trata-se de vinculação da própria entidade representativa da categoria profissional ou econômica com o contribuinte. que estejam filiados ao respectivo sindicato. Não pode ser cobrada de trabalhador não vinculado ao sindicato. 32 . O poder de polícia exercido pelos conselhos. As contribuições especiais são compostas por: 1) Contribuições sociais. há interesse de categorias profissionais que são defendidos por estes conselhos. 2) Contribuições de intervenção no domínio econômico e. isto é. há de ser a mencionada entidade. por exemplo. dos enfermeiros ao seu conselho e etc. As contribuições de intervenção no domínio econômico. IV da CF é devida apenas pelos trabalhadores sindicalizados. 3) Contribuições de interesse das categorias profissionais e econômica.: Ricarlos Almagro Temos que utilizar o termo contribuição de maneira distributiva: são contribuições sociais. E estes. contribuições de intervenção no domínio econômico e contribuições de interesse das categorias profissionais e econômica. por que. por exemplo. fornecendo recursos financeiros para a manutenção de entidade associativa. No ponto de vista tributário. O sujeito ativo da relação tributária. na verdade ele também atua em defesa dos médicos.

Os veículos importados com qualidade superior chega ao mercado com preço competitivo. CONTRIBUIÇÕES DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO – CIDE São muito genéricas. o governador não quis pagar mais. o governo. 33 . as portas para veículos estrangeiros. imediatamente e dentre outras medidas. chuveiros. justamente para desestimular a compra. O Fernando Henrique subiu os impostos de importação para retrair o consumo de carros importados. com isso arrecada um pouco. então. que é a utilização do tributo para outros fins que não seja a mera arrecadação de dinheiro. que a população começou a comprar novamente os carros nacionais. então a contribuição não é só para isso e sim para custear todos os serviços prestados por ele. Por exemplo. Por exemplo. o governo de vez em quando cria uma contribuição para intervir em determinado setor. por que quando acabou o risco de apagão ele diminuiu novamente o imposto. então. na época do apagão. eu penso em dinheiro. então. Quando eu falo em tributo. ou ao menos não em forma exclusiva. Então. é uma medida de extrafiscalidade. nestes caso. e sim para as indústrias se recomporem. A extrafiscalidade não se refere apenas as questões econômicas. falamos então de uma finalidade extrafiscal. O governo Collor se referiu aos automóveis brasileiros como carroça e ele abriu. reduzindo o imposto de importação. Ao abaixar o imposto de importação. valeu-se do direito tributário para evitar o uso de produtos elétricos de alto consumo. então a indústria nacional teria que melhorar ou ela iria a falência.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. grill. do risco do apagão. devido a redução de impostos. quando eu aumento o imposto no processo de fabricação dos produtos e esse aumento vai incidir no custo do produto. ferro de passar roupa. é qualquer finalidade que não seja a arrecadação. e quem suporta este aumento é o consumidor. e elas ficaram então a ponto de quebrar. mas nem sempre o tributo tem esta função. eles tem outras funções. conhecida como CIDE. mas o objetivo fundamental é a intervenção em determinado setor. Existe uma classe de contribuição criada especificamente para intervir no domínio econômico. e não era para arrecadar mais. Deveria ter dado um prazo para as empresas nacionais se adaptarem. embora a atuação do conselho inclua isso.: Ricarlos Almagro Vale ressaltar que a fiscalização está associada ao exercício do poder de polícia que pode ser custeado por taxas. Entretanto isto não é restrito das contribuições de intervenção no domínio econômico. mas.

contribuía sobre ele. o Estado paga um benefício. não somente o de aposentadoria. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS É um subespécie. Vale ressaltar que somente a lei pode criar ou majorar os tributos. o poder público libera os benefícios. os trabalhadores pagam. sou atropelado e não posso trabalhar por 6 meses. A CF no artigo 194 trata da seguridade social. Por exemplo. Essas contribuições são genéricas.: Ricarlos Almagro A CF prevê a possibilidade de que a União institua contribuições específicas para intervir em determinados setores. pois. nos termos da lei.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. paga uma aposentaria por invalidez. 34 . Por outro lado. tendente a corrigir distorções em setores da atividade econômica. e sim. previdência social e assistência social. e afirma que é um conjunto de ações do poder público e da sociedade nas áreas de saúde. Ela não é um instrumento de arrecadação de meios financeiros simplesmente. A intervenção não é uma atividade normal. a empresa paga. Eu vendo cachorro quente na frente da UVV. que provêm do próprio poder público e contribuições sociais para custeá-lo. mas com relação a majoração há exceções. Com relação a criação não há exceções. auxílio-doença por exemplo. Pagar estes auxílios gera custo e precisa de recursos. Para cada situação de risco haverá um benefício. o INSS fornece vários benefícios. A intervenção no domínio econômico aqui é apenas aquela que se produz com objetivo específico perseguido pelo órgão estatal competente para este fim. É um instrumento de intervenção no domínio econômico. ordinária. ganhava um salário mínimo. Agora. então na aposentadoria você ganha o salário mínimo. quando se fala em tributo se pensa logo em dinheiro. chamado auxílio-doença. Se ficar incapacitado de vez. permanente do Estado e sim uma atividade excepcional e por isso mesmo temporária. as ações na área de previdência são aquelas que quando determinado risco social envolvem em certas situações que me impedem de obter o próprio sustento e não prover a minha família de prover destes meios. Esta espécie de contribuição especial caracteriza-se por ser instrumento de intervenção no domínio econômico (a transposição de recursos financeiros do denominado setor privado para o setor público configura intervenção no domínio econômico). Ela não se destina a suprir os cofres públicos de recursos financeiros necessários para o custeio das atividades ordinariamente desenvolvidas pelo estado.

pelo fato de não possuírem corpo legislativo. Contribuições destinadas aos gastos na área social. sujeito ativo e de outro o devedor e o sujeito passivo. Tem também o benefício de prestação continuada. quem cria o imposto de renda é a União e ela quem arrecada e fica com o tributo. chegaram competitivos e com alta qualidade. Com a abertura da importação de veículos estrangeiros com a taxação mais baixa. Esta característica de usar o tributo para finalidade que não seja a arrecadação tem um nome: extra fiscalidade. mas quem é o sujeito ativo são as corporações. Artigo 149-A. idosos ou incapaz que não possam prover o seu sustento. fazem jus. A natureza fiscal é a arrecadação. que é no caso do IPVA. No mesmo sentido. são de três espécies. e é conhecido como LOAS. Há casos em quem cria o tributo não fica com sua arrecadação. por exemplo. pode ser utilizado para estimular certas respostas da sociedade. Por exemplo. idoso e ao incapaz. Extrafiscal é quando eu manejo tributo para intervir em mercador e não para arrecadação.: Ricarlos Almagro A assistência social temos em áreas específicas. o INSS. se eu tenho um imposto de renda. CF – Contribuição para o custeio de iluminação pública AULA 25/08: As contribuições ‘especiais’ estão previstas no artigo 149. mas quem cobra e fica com as contribuições não são eles. por exemplo. por exemplo. Na relação tributária. Por exemplo. se forem miseráveis. os estados criam e figuram como sujeito ativo. CF e só podem ser instituídas pela União. Compete exclusivamente a União a criação. Nem sempre o tributo é manejado com a intuição de arrecadar recurso. 35 . quase levado a falência a indústria nacional. o apagão dado na aula passada. A extrafiscalidade é diferente de parafiscalidade. e por isso. é uma relação jurídica obrigacional em que tenho de um lado o credor. Normalmente a pessoa que figura como credora é a pessoa que criou o tributo. estudas acima. a União cria. Isso é denominado de parafiscalidade.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. do benefício. o governo aumentou os impostos de importação com a finalidade outra que não era puramente arrecadar dinheiro.

O INSS está na área de previdência social. A seguridade social tem ações na área de previdência social. para assistência social. Contribuição social não é sinônimo de contribuição social para seguridade social. Mas. por exemplo. por exemplo. a União exclusivamente compete a instituir todas as contribuições.: Ricarlos Almagro Quando eu vou apontar quem é o réu na ação. Porém as contribuições sociais da previdência social para servidores. ou seja. Se ele entrar com a ação contra a União.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. o INSS é autarquia federal. um regime geral de previdência social. há outras áreas. Regime jurídico é o conjunto de regras sobre determinado assunto. que é quando o sujeito ativo é diferente da pessoa que instituiu a tributo. quando haja um regime especial para eles. Porém. os estados e municípios podem criar. possuem regras próprias diferentes do regime geral (regime especial). eu vou propor ação. na verdade. 36 . O regime jurídico da previdência social não é único. podem existir na saúde. Voltando ao exemplo. DF e Municípios podem criar contribuições sociais para o custeio da previdência social de seus próprios servidores. está errado. então o processo seria extinto sem resolução do mérito. Há uma exceção com relação aos estados. um trabalhador em geral que está vinculado ao regime geral da previdência social. se eu adoeço e não puder vir para a UVV vou receber um auxílio-doença nos moldes do regime geral. Estado só pode instituir contribuição para seguridade social se for para previdência social e se for para seus próprios servidores. por lei. a União cria e é o INSS que cobra e executa. chamada de RGPS e vários regimes especiais. então ele não pode criar tributos. o sujeito passivo da relação processual. municípios e DF. assistência social e na área da saúde. militares que tem regras totalmente diferentes. por que a UFES tem personalidade própria. A expressão contribuições sociais não abrange somente contribuições da previdência social. A CF permite que Estados. por exemplo. processo extinto sem resolução do mérito gera honorários advocatícios. a contribuição que será cobrada dele. nem todos os trabalhadores em geral se sujeitam a este regimes. E. contra a UFES em razão de um professor ter se sentido preterido. o INSS não tem nada a ver com isso. podem instituir contribuições previdenciárias para o custeio do sistema de previdência de seus próprios servidores. temos. A parte entra com a ação contra a União e contra o INSS por assunto referente a saúde. Isto é parafiscalidade.

É uma outra espécie. Se tiver um regime próprio de previdência. exceção é para contribuições de seguridade social para previdência social no regime especial. Em síntese: compete exclusivamente a União instituir as contribuições especiais. CF Uma outra espécie de tributo seria a contribuição de iluminação pública. ou seja. Sendo assim. no entanto o Estado. é um regime geral que concorre com um regime especial. e o percentual deverá ser. Presto o serviço de iluminação pública e todos contribuem com isso. então a CF fala que. 37 . quem institui contribuições é exclusivamente a União. Assim. CONTRIBUIÇÃO DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA – ARTIGO 149-A. DF e Municípios instituirão a contribuição. municípios e distrito federal criem contribuições sociais para custeio da previdência de seus próprios servidores quando há um regime especial para eles. Municípios e DF e o percentual deve ser o mesmo cobrado pela União. DF e Município podem criar contribuições sociais de seguridade social de previdência social dos seus servidores. Talvez no futuro poderá ter uma tendência de unificação. as que são cobradas pela União. regras próprias. desde que haja um regime especial. tem que criar uma contribuição a ser cobrada deles. municípios e DF. só podem constituir contribuições sociais se forem para previdência social com regime especial. mínimo 11%. Há estados que não tem regime próprio. A CF afirma que os Municípios podem instituir tais contribuições.: Ricarlos Almagro O servidor público que ocupa cargo público tem regime especial. As contribuições sociais nos abrangem apenas a previdência social e sim a seguridade social e outros. no mínimo igual. há exceção a regra das contribuições sociais em que a CF admite que os estados. Não é uma taxa. municípios e etc. Porém. Os Estados. Portanto. tem que ser criada uma contribuição pelos Estados. como há um regime próprio para os servidores públicos existem os regimes próprios dos estados. Contribuição social: 1) Previdência social 2) Assistência social 3) Saúde Hoje a União cobra 11% dos seus servidores e os municípios 3%.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. os estados. então ficam vinculados ao regime geral. prevista no artigo 149-A.

Para a contribuição de iluminação pública poder ser cobrada. não tem nada de compulsório. Se ele não fornece o serviço. não é uma taxa e sim uma contribuição. 38 . veja: antes era uma subespécie de taxas. porém ela fugia dos requisitos da taxa pois não é específico e divisível. Imagine que o Estado explorasse uma linha de ônibus. Como é modalidade de tributo. o nome não torna isso inconstitucional. A emenda constitucional nº 39-2002 introduziu na CF o artigo 149-A. modificaram a CF para poderem criar uma nova espécie de tributo. então foi declarada inconstitucional. tem que ser criada por lei e depois da emenda constitucional 39 de 2002 a contribuição de iluminação pública não ficou mais inconstitucionais. é oriundo de um contrato. Quando os municípios ou DF criam contribuições para iluminação pública. eu pego o ônibus apenas se eu quiser. via de regra. é uma espécie. PREÇOS PÚBLICOS ≠ TAXAS A taxa é uma modalidade de tributo. CTN.: Ricarlos Almagro Esta contribuição tem que ter sido criada após a emenda que a constituiu. É a partir de um contrato. O tributo deriva da lei.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Deixou de ser uma subespécie de taxa e passou a ser uma espécie autônoma de tributo. e você paga uma passagem. mas não é uma taxa a passagem. Assim. deve haver um fato gerador. mas de acordo com o artigo 4. É o exemplo do prédio que eu vou alugar do INSS que não está sendo usado. eu só alugo se eu quiser. não há fato gerador para esta contribuição e portanto. A súmula 545 do STF trás a grande diferença: que a taxa é compulsória (pode riscar o restante da súmula a partir de compulsória). Alguns municípios chama de ‘taxa’ de iluminação pública. O preço público. não pode ser cobrada. tem que ser criada por lei. se está pagando é por que deve existir iluminação pública. atribuindo aos municípios e ao DF competência para instituir contribuição destinada ao custeio da iluminação pública. por que não é compulsória. ou seja.

Alguns dizem que pedágio (quando explorado pelo poder público por exemplo. por que. se os custos aumentarem. autarquia. Discutimos o que seria compulsoriedade. Por que está dentro do capítulo de tributo? Se você considerar tributo. apenas estamos citando. outros afirmam que nunca será tributo. então precisaria de lei para aumentar o pedágio. não viola o princípio a cobrança de pedágio. Mas. 39 . via de regra. diferentemente daqueles. o pedágio tem que aumentar. PEDÁGIO Natureza jurídica: é discutível. não seria tributo e sim uma tarifa. (União.. então não pode ser sujeito ativo da relação tributária. não há que se falar de tributo. A principal diferença: questão da compulsoriedade. A Rodosol é uma empresa. portanto. O sujeito ativo do tributo sempre tem que ser uma pessoa jurídica de direito público. a outra via se torna tão onerosa que eu não tenho saída. é considerado tributo. o artigo 150. mas.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. apesar de não ser obrigada a utilizar aquele serviço. se eu considerar tributo. mas isso é uma discussão.: Ricarlos Almagro Preços de serviços públicos e taxas não se confundem. divisível. E se o legislador não aprovar a lei? Como que fica o equilíbrio do contrato? Não há como. em relação a lei que as instituiu.). o contrato administrativo tem que manter o contrato econômico-financeiro. Estado. DF. não pode ser pessoa jurídica de direito privado. Outra coisa. A utilização dos serviços quando nomeamos de preços públicos é por que é voluntária. são compulsórias e tem sua cobrança condicionada a prévia autorização orçamentária. mas não é compulsório. porque estas. V da CF. teremos problemas sérios. e a alternativa não existe ou é muito onerosa. então não é tributo. então acaba sendo compulsória e sendo evidenciada como uma taxa. Município. então está no âmbito de minha declaração de vontade. Há um serviço específico.. afirma que não configura violação a este direito a cobrança de pedágio. visto que só podem ser aumentados por lei. ainda assim.

mas porque independentemente o que venha a considerar sobre o pedágio. por exemplo. vamos supor que eu tenho uma estimativa de arrecadação de 1000 e um custo para explorar de 500. mas o professor acredita que não seja assim. não terão esta personalidade. Se for considerado tributo. se o poder público quem cobra o pedágio. e este se sujeito ao princípio do equilíbrio econômico financeiro. e o sujeito passivo.: Ricarlos Almagro 27/08: A cobrança de pedágio não configura violação ao princípio da CF. Então. Mas não é por ai. o custo do serviço dele e a remuneração que virá por conta do pedágio tem uma determinada constante. violando o equilíbrio. Ele não sustenta a natureza tributária por dois motivos (na opinião do professor): o direito tributário conceitua o direito ativo da obrigação. Se este pedágio for um tributo. ele será uma modalidade de taxa de serviço. não por que considerasse uma espécie de tributo. União. ainda que integrantes da administração pública indireta. eu teria o constante de 1. as concessão são modalidade de contrato administrativo. valores cobrados por ela não podem ser considerados tributos. não há problemas com o equilíbrio financeiro e ainda. Municípios. que é o devedor. Se amanhã. Em segundo lugar. talvez tenha o constituinte se manifestado expressamente no sentido de que a cobrança não viola o princípio. ela não está tendo lucro. as outras. 40 . que é o credor. portanto. Quando cobram pedágio. para que afirmar que a sua cobrança viola um princípio tributário? Óbvio que não. autarquias e fundações públicas. o custo sobe para 1000. então me dá um índice de 2. Para que o índice seja uma constante durante toda a execução contratual. Estados. Há quem diga que como é uma concessão de serviço público poderia cobrar tributo. por que ele não pode ser considerado sujeito ativo. temos uma empresa pessoa cobrando. Se ele não é tributo. que significa que quando eu contrato com a administração. então não pode ser tributo. No conceito de sujeito ativo consta: sujeito ativo da obrigação tributária é a pessoa jurídica de direito público titular da competência para exigir o tributo (artigo 119. não há problema quanto ao sujeito ativo. DF. considerando ou não tributo. ele não viola o princípio.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. pode ser que ele seja considerado tributo. o contrato desequilibrou. visto que o poder público pode figurar como sujeito ativo. como eu vou aumentar isso? Visto que só podem ser aumentados por lei. precisa manter uma relação de equilíbrio. CTN). Mas.

autorizar um argumento razoável como este. emendada pela emenda 18. (matéria reservada a lei complementar) II . bem como.) 41 .regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. estamos falando de outra CF. estamos falando da CF de 46. Somente um ou outro tributo deverá ser criado por meio de lei complementar.  Lei Complementar Tributária Art. (não viola a CF – apesar deste dispositivo mal redigido. Não quer dizer que não existia nada de tributário. que não a atual.estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. o Distrito Federal e os Municípios. dizendo que determinados assuntos estão sujeitos a lei complementar. já ao surgir incorporou este sistema. A constituição federal citada é a de 46. CF). Dentro deste sistema na CF/88 existe o artigo 146. os Estados. A constituição de 88. mas estava tudo espalhado na CF.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. III . que trata sobre a lei complementar tributária. empréstimos compulsórios. já incorporou este sistema. em matéria tributária. Se a emenda é de 65. por exemplo. Cabe à lei complementar: I . criando assim um sistema tributário nacional. mas estavam pulverizadas na constituição. o que dificultava a operatividade destas regras. a dos respectivos fatos geradores. em relação aos impostos discriminados nesta Constituição.dispor sobre conflitos de competência. nele há um capítulo que trata do sistema tributário nacional (artigo 145. 146.: Ricarlos Almagro AULA 27/08: SISTEMA TRIBUTÁRIO NACIONAL  EC 18/65 Haviam normas tributárias até o advento da EC 18/65. O sistema tributário nacional não existia até o advento da emenda constitucional 18/65. A CF/88 ao surgir. a verdade é que a CF não exige lei complementar para criar todo e qualquer tributo. bases de cálculo e contribuintes. Então o legislador promulgou a emenda constitucional 18/65 e sistematizou os artigos. especialmente sobre: (aqui começa a divergência) a) definição de tributos e de suas espécies. para deixar como um todo organizado. Criou o sistema tributário nacional. dificultando. não estavam organizadas. entre a União.

d) definição de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte. d. das contribuições previstas no art. 195. a fiscalização e a cobrança poderão ser compartilhadas pelos entes federados. por exemplo. tenho o imóvel e vem o Município e me cobra IPTU. do Distrito Federal e dos Municípios. cada ente aplica a lei específica municipal. não podendo fugir das regras gerais do Código Tributário Nacional. a lei complementar estabelecerá regras para superar estes conflitos. observado que: I . O artigo 146 da CF afirma que compete a lei complementar dispor acerca de conflitos de competência em matéria tributária entre o ente federativa. 155. dos Estados. e da contribuição a que se refere o art. IV . vedada qualquer retenção ou condicionamento. os dois estão cobrando tributo pelo mesmo fato. quem é o competente? Temos um conflito. Afirma o artigo 146 que deve regular as limitações constitucionais ao poder de tributos. Vamos imaginar que determinado município entenda que certo serviço público é de sua competência. aplicáveis a todos. Ainda no referido artigo. lançamento. prescrição e decadência tributários. Parágrafo único.será opcional para o contribuinte.poderão ser estabelecidas condições de enquadramento diferenciadas por Estado. 239. II . A lei complementar de que trata o inciso III. II. mas no âmbito das especificidades. inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. imagine que a União entenda que este serviço é de sua competência e também compra este serviço. vem a União e me cobra IPTR. c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. tem a função de regular normas gerais de direito tributário. adotado cadastro nacional único de contribuintes Há uma discussão muito intensa.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Não posso tributar duas vezes o mesmo fato gerador de obrigação tributária. III .o recolhimento será unificado e centralizado e a distribuição da parcela de recursos pertencentes aos respectivos entes federados será imediata. crédito. I e §§ 12 e 13.a arrecadação.: Ricarlos Almagro b) obrigação. também poderá instituir um regime único de arrecadação dos impostos e contribuições da União. 42 .

ou seja. mas. estão reservados ao tratamento deste regime normativo. A lei complementar então soluciona conflito de competência em matéria tributária. O CTN nasceu como uma lei ordinária que visava a regulamente o sistema tributário recém produzido pela emenda de 65. Por exemplo. se todos podem legislar é necessário que uma não entre em atrito com a outra.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Por exemplo. deve haver um corpo de regras que devem estar composto em lei complementar. Ela foi recebida como se estivesse formatada adequadamente. tenho que fazê-lo por meio de lei complementar. Tanto assim. A ideia de regulamentação é quando eu tenho uma lei e a regulamento. se eu hoje quiser alterar o CTN apesar de ser lei ordinário. As regras de solução destes conflitos são para ser tratadas em lei complementar. para identificar qual é a entidade competente para determinado assunto. São assuntos que competem a lei complementar: a) Conflito de competência: Há previsão de que havendo conflito de competência em matéria tributária. Que assuntos são estes? Solução de conflitos de competência de matéria tributária. 43 . surge uma lei para regulamentar o que são cargos técnicos.: Ricarlos Almagro AULA 01/09: Determinados assuntos estão sobre reserva de lei complementar. No artigo 1 do código nos deparamos com a informação de que a lei tem como objetivo regulamentar o sistema tributário nacional e estabelecer normas gerais de direito tributário. O código tributário é uma lei ordinário mas se estabelece normas gerais de DT teria que ser uma lei complementar. não havia essa exigência. eu afirmo que pode cumular a função de servidor público com o cargo técnico. c) regular as limitações constitucionais ao poder tributário. no artigo 151 foram inseridos dois novos incisos através de uma lei complementar. b) normas gerais de Direito Tributário (DT). deve haver regras para definir quem é a competente. eu posso ter dúvidas quanto ao regulamento. Precisamos de uma regra para que não haja conflito na legislação. Para identificar qual é a entendida competente para legislar sobre determinado assunto. Sujeitos ao regulamento de lei complementar: a) solucionar conflitos de competência em matéria tributária. mas quando o código foi criado.

o CTN plica-se no pais todo porque lá tem normas gerais de direito tributário. b) Regular as limitações constitucionais ao poder tributário: Dentro das limitações. Há um conflito de competência. Exemplo: entidade de assistência social é imune aos impostos. não há essa correlação necessária. Então é preciso uma regra para não haver conflito entre as federações. deve ser por lei complementar. Exemplo: direito tributário = só compete a união (artigo 24. Mas. Pode ser então que tenhamos dificuldade para saber como esta lei será aplicada em cada caso. o papel do regulamento é: a norma que limita está na CF. Por isso que temos um código tributário nacional e um só para Estado. mas por meio de lei complementar. O importante é saber que para criar normas gerais tributárias só pode ser por meio de lei complementar. no caso do direito tributário sim. As o que é entidade assistencial? A CF não diz. mas há outras matérias que só podem ser tratadas por um ente federativo. 44 . O fato de ser norma geral não significa que deva ser lei complementar. CF). existem vedações que são as imunidades. as normas gerais de direito tributário compete a União estabelece-las.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Assim. então a lei complementar vem para fixar os requisitos para ser uma entidade assistencial. por que é o que a CF determina.: Ricarlos Almagro Exemplo: sou proprietário do imóvel e pago IPTU para o município e vem a União e cobra um imposto para imóvel rural. Quem regulamenta é a lei complementar. mas para que eu aplique bem ela. Assim. para regulamentar. mas não pode este. Mas todos estão sujeitos a norma geral. mas. c) Estabelece normas gerais de direito tributário Há determinadas matérias que podem ser tratadas por todos os entes federativos. mas o município de qualquer cidade tem seu próprio CTN. por que esta é uma lei federal. Município e etc. deve haver uma lei complementar. Meu imóvel ou é urbano ou é rural. O CTN do município regulamentará o que lhe for peculiar. fugir dos princípios gerais do CTN nacional. A lei complementar irá criar regras para dispor sobre o conflito de competência.

As regras são específicas. e ao final do ano descobre que eu paguei mais do que deveria. ele está tratando diferentemente pessoas que estão em situações iguais. na sequencia vem outro sujeito. não são recomendações. o campo de aplicação é amplo. princípio da isonomia. compromete todo o sistema jurídico.: Ricarlos Almagro LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR 1. Se eu não respeitá-lo haverá uma consequência jurídica. por exemplo. Violou o princípio da isonomia. fere o princípio de isonomia. Um terceiro caso é que quando pagamos o imposto de renda no final do ano. Princípios são normas jurídicas. 45 . mas. o cara verifica que eu tenho 50 anos de idade e não posso me inscrever. visto que você violando um. com mais de 50 anos de idade.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. COMPETÊNCIA 3. e por exemplo. visto que esta está voltada para algo específico e o princípio não. a ponto de dizer que violar o princípio é mais grave do que violar uma regra jurídica. vamos imaginar que na hora de me inscrever para uma prova. chego em sala e aplico uma prova. Os princípios dão sustentação a todo o edifício jurídico. O princípio não é referente a um ponto e sim vários. VEDAÇÕES – IMUNIDADES 1. se a pergunta foi a mesma e a resposta também. e eu tenho que receber 5 mil reais de volta. o servidor público irá se aposentar com 70 anos de idade. E tem um cronograma de devolução. Mas. somente este. E quando falamos que o servidor público tem que se aposentar aos 70 nos de idade. mas todo mês eu recolho. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS 2. Estamos discutindo a correção da prova. não interfere nada. por exemplo. e eles serão resolvidos pelo princípio da isonomia. mas é servidor público de outro órgão. o aluno questiona a correção e diz que eu dei errado para um e certo para outro. Vamos supor que em determinado ano irão devolver primeiro os servidores de tal local. São espécies do gênero normas jurídicas: regras e princípios. O princípio pode ser aplicado em várias situações. Temos todos estes casos. não há outro caso. o professor reconsidera somente para um. o fato de um ser servidor e outro não. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS Os princípios estruturam todo o sistema jurídico. ambos são candidatos ao cargo.

onde a maioria dos princípios tributários estão localizados. o valor a pagar estiver previsto em uma portaria e não na lei. Não estão voltados a um caso específico e apanham em seu campo de aplicação várias situações. por que senão quando você for cobrar estará violando o princípio da legalidade. imposto sobre produto industrializado (IPI). Vamos aos princípios: 1.: Ricarlos Almagro Quando há conflito entre princípios. Para instituir ou aumentar tributos. Estas exceções compreendem impostos da União. No artigo 150. Art. Por exemplo. somente por meio de lei. Instituir o tributo significa dizer em que situação ele deverá ser cobrado.1 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA  Instituir  Aumentar O artigo 37 da CF trás o princípio da legalidade administrativa. e imposto sobre operações financeiras (IOF) – podem seu aumentados por outra via que não a lei e sim. não poderá mais a INFRAERO cobrar. Se houver a cobrança de um tributo que não foi criado por lei. dando um peso maior a um do que a outro. mas precisamos fazer a ponderação de valores em jogo. mas todas as exceções são impostos da União. nem todos os impostos da União são exceções.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. 46 . EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO: Imposto de importação e exportação (II e IE). ao Distrito Federal e aos Municípios: I . 150. aos Estados. Colocam os princípios como espécie de norma jurídica e portanto os colocam como força normativa. não se pode cobrar. pois não foi criado por lei.exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. é vedado à União. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte. Todos os elementos exigidos tem que estar na lei. mas os dois continuam em vigor. Devem ser considerados como estruturante do sistema jurídico. Mas se não for considerado tributo pode cobrar. Se o juiz entender que determinada coisa é um tributo. As vezes o princípio da legalidade e violado mas não expressamente. os dois continuam a exercer a sua força normativa. por exemplo. via decreto.

O estudo destes princípios não são enquadrados dentro. ainda que eles tenham aplicação fora do direito tributário. pois muitas vezes usamos como sinônimo de norma jurídica. A medida provisória pode tratar destes assuntos. não sendo as suas disposição honradas. 47 . Os que estudaremos são os especificamente tributários. Há uma dúvida entre colocar ou não a medida provisória entre as exceções. Há outros princípios que são aplicados no direito tributário. isso não se aplica ao princípio da legalidade geral. via de regra. por exemplo. somente o específico. isso em um sentido estrito. o princípio tem que ser CRIADO por LEI e NÃO há exceção. por exemplo. somente por lei eu posso criar e modificar os tributos. mas falamos ainda que encontramos o campo das matérias destinadas a tratamento de lei complementar. o princípio federativo. que resolve conflitos de competência entre os Estados. O manejo de medida provisória para criar ou modificar tributos decorre da CF e em seguida. por exemplo. não como uma questão residual. União e etc. que se aplicam também ao direito tributário. CF é uma coisa e a lei é outra. necessariamente. A legalidade é relacionada ao conceito determinado de lei. não posso tratar de matérias que devem ser tratadas por lei complementar por meio de lei ordinária. Há exceções a este princípio. então ela afirma que a Medida Provisória pode. porém não são específicos do direito tributário. já que se tratava de diretrizes informativas. O princípio da legalidade não é exclusivo do direito tributário. se aplica a outros ramos. ou seja. mas por que ela autoriza.: Ricarlos Almagro AULA 03/09: Os princípios eram assumidos como meras recomendações dadas ao legislador ou administrador público para adorem certas posturas. Existem outros princípios: republicano. alguma sanção decorrerá da não aplicação do princípio. sem que decorresse qualquer efeito sancionatório por seu descumprimento ou acatamento. parágrafo segundo do artigo 62 da CF. Também é denominado de princípio estrito da legalidade. O princípio da legalidade se refere a dois verbos: instituir ou aumentar. da negativa de reconhecimento de validade aos atos praticados em desacordo com ele.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. eles possuem força normativa. em que ambas são encaradas como a mesma coisa. do direito tributário. federativo. As discussões que tivemos acerca do direito constitucionais poderão ser aplicadas envolvendo tributos. mas podemos utilizar em sentido amplo. Mas no direito tributário ele tem um sentido muito próprio. somente a lei poderá fazer. também deriva da CF a possibilidade. Este panorama se modificou e eles conquistaram um espaço na categoria de norma. apenas que entenda que a Medida Provisória configura uma exceção.

a indústria automotiva poderia estar comprometida que não adiantaria. II e IE – veículos importados IPI – apagão IOF – exemplo da CPME Tem um duplo viés: elemento necessário para criar ou aumentar o tributo. O caso quando o Collor abriu a importação para veículos estrangeiros (exemplo de aulas anteriores). se eu fosse aumentar este imposto por lei. é diminuído através de decreto. o governo de Fernando Henrique teve que aumentar o imposto de quase cem por cento para que as pessoas diminuíssem as compras dos veículos importados. Essa característica é um mecanismo rápido e eficiente para prover respostas a sociedade. quatro impostos da União que podem ser aumentados por norma diversa de lei. Extrafiscalidade é quando o Estado utiliza o tributo para fins que não a arrecadação. se isso acontecesse. A CPME tinha um fato gerador muito parecido com o IOF. em princípio.: Ricarlos Almagro Por exemplo. muito provavelmente o apagão já teria se consumado. um ou outro a CF exige a criação por meio de lei complementar. Nós temos exceções efetivas. Por que que excepcionaram estes impostos? Por que eles podem ser utilizados com finalidades extrafiscais. Ora. lei ordinária. 48 . a criação é somente mediante lei. Diante disto encontramos a resposta por que eles podem ser alterados sem ser mediante lei.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. empréstimos compulsórios só podem ser constituídos por meio de lei complementar. o tempo que demanda o resultado seria tão grande que já não surtiria os efeitos esperados. Portanto. o que não quer dizer que todos os princípios da União sejam exceções. O mesmo ocorreu no IPI na época em que o risco de apagão era auto. Todos estes impostos são de competência da União. então não podem ser criados por medida provisória. Mas. ele aumentou o recolhimento do IOF. encaminhado para sanção e etc. o que reclamaria uma ação mais imediata do poder público. IPI e IOF. Se para eu aumentar este valor tivesse que aprovar mediante lei. estes impostos podem ser majorados por meio de outro ato que não seja a lei. Criado por lei complementar. teria que encaminhar o projeto de lei. normalmente por meio de decreto: II. a alteração tem que ser por lei complementar. e então. Por isso. o aumento somente poderá ser por lei complementar. até ser publicado. em regra. ele seria discutido. então quando ele extinguiu o primeiro. votado. para dar respostas rápidas a sociedade. porém. é lei ordinária. IE.

previsão de recurso para este orçamento. a minha relação com a administração tem que ser de confiança.: Ricarlos Almagro 1. 49 . Isso foi objeto de discussão mas o STF apegou-se ao sentido estrito do princípio e não ao finalístico. só que essa autorização prévia não existe mais. a tributação. mas ele pode ocorrer. por que eu não teria dinheiro para pagar tudo isso de IPVA. Por exemplo. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE TRIBUTÁRIA Também está previsto no artigo 150 da CF. Ele dizia que para criar ou aumentar tributo eu tenho que ter prévia autorização orçamentária. eu fui surpreendido com o aumento da carga tributária e isso impediu que eu fizesse o planejamento da minha vida econômica. temos que incluir na proposta orçamentária. em 10/04/14. o IPVA será pago daqui a 3 meses e de repente sai uma lei afirmando que o IPVA passa a ser de 10% sobre o valor do veículo.2. por exemplo. mas se eu comprar a BMW eu vou quebrar. e sim O ano seguinte. não quer dizer que ele vai ocorrer. A lei que criou ou aumentou o tributo só pode ser aplicada a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte a que ela foi publicada. A lei foi publicada. isso resolvia o problema da não surpresa. inciso I em uma das alíneas. então. Como o orçamento prevê despesas e arrecadações tinha que ter previsão. Imagine que você vai comprar um carro e está em dúvida se compra um fusca ou uma BMW x1. por que antes de eu elaborar a lei criando tributo eu tinha que ter autorização no orçamento então eu sabia se o governo estava com intenção de aumentar tributo. ele aumentaria em 31/12 e na manhã de 01/15 eu estaria sujeita ao tributo. mas não é isso que ocorre. ainda que o intervalo não venha ser de um ano. por que se não só poderia ser aplicada em 10/04/15. ser aplicado em 01/01/15. E se o tributo é aumentado em 31/12/14. Tínhamos em nosso sistema tributário um princípio denominado da anualidade e ele não tem mais aplicação no campo do direito tributário. o IPVA de um é bem maior do que o do outro. Ou então eu posso dizer que até consigo arcar com o IPVA da BMW.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. não há surpresa maior do que essa. por exemplo. não é para esperar um ano. eu até tenho dinheiro para comprar qualquer um dos dois. Está no contexto do princípio da não surpresa. pois bem. mas ele ainda existe no direito financeiro. teremos aumentos para os juízes. ele poderá. o imposto pode ser cobrado a partir de 01/01/15. em razão de que não posso ser surpreendida pelos tributos. então eu teria que pagar muito. a partir de quando eu poderei cobrar o aumento do tributo? Não é correto falar em um ano. Então. de acordo com o princípio da anterioridade. que é de 6 mil reais por exemplo. Então.

caput e inciso II: pode instituir outros impostos. §6º CF). CUIDADO: as contribuições sociais não são apenas aquelas destinadas ao custeio das ações próprias da seguridade social. não é possível criar empréstimos compulsórios? Sim. por isso que existe a anterioridade. então ocorreria a bitributação e este novo imposto seria indevido. por isso quando estudamos a diferença de taxas e preços públicos. podendo. Temos ainda outra exceção: contribuições sociais para o custeio da seguridade social. EXCEÇÕES de impostos que podem ser criados ou aumentados que publicada em determinado ano já podem ser cobradas ainda neles: II. 08/09: Estabelece que a lei que aumentou ou alterou o tributo só pode ser aplicada no ano seguinte em que ela foi instituída. 50 . O contribuinte não pode ser surpreendido com o aumento da carga tributária sem aviso. Impostos extraordinários são aqueles criados exclusivamente pela União para atender as despesas extraordinárias decorrente de guerra externa ou sua iminência. Somente as contribuições sociais para o custeio da seguridade social podem ser instituídas ou aumentas e cobradas no mesmo ano (artigo 195. Os impostos extraordinários podem ser criados por medida provisória. Mas.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. é outra exceção a este princípio. IE. Artigo 154. inclusive. então optou pela aplicação pelo princípio da anterioridade. havíamos estudado a seguridade social compostas na área de saúde.: Ricarlos Almagro Não há mais necessidade de prévia autorização do orçamento para a criação ou aumento de tributos. Para afastar a incidência de um princípio constitucional. cumular os dois. Podemos instituir empréstimos compulsórios em casos de guerra e calamidade pública. entendeu o legislador constituinte em hipóteses incontroversas. investimento urgente. este imposto já existe. mas nem toda contribuição social é para seguridade social. nesses casos. Não se confunde com o princípio da anualidade. assistência social e seguridade social. Agora. IPI e IOF. pode haver discussão sobre este tema. por que os empréstimos compulsórios podem não ser suficientes. As ações nestas áreas podem ser custeadas por contribuições social e elas serão chamadas de contribuições sociais para o custeio da seguridade social. ao fazer referência da súmula 245 pediu para que riscássemos o final da mesma. este não tem mais aplicação no direito tributário. O fato é que se ele instituir o imposto extraordinário por exemplo sobre a propriedade de imóvel urbano. Não é para esperar um ano e sim o próximo ano para poder aplicar.

mas pelo princípio da anterioridade nonagesimal tem que esperar 90 dias. isso nos garante alguma previsão. retirando as hipóteses excepcionais. mais ou menos 90 dias depois. 51 . mas não ao princípio da anterioridade comum. Esta lei. Se eu publicar a lei em 31/12/2014 pelo princípio da anterioridade comum ele poderia ser aplicado em 01/01. então. pelo princípio da anterioridade nonagesimal eu poderia aplicar a lei em novembro de 2014. eu verifico um e depois o outro. valerá o 01/01/15. a todos os tributos. pelo primeiro. Antes ele só se aplicava as contribuições sociais para o custeio da seguridade social.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. se a lei foi publicada em agosto. cairá dentro do ano de 2014.3. que não são necessariamente em 3 meses. foi utilizado como um critério para dar um intervalo mínimo para que o contribuinte não ser surpreendido. A lei que houver instituído tributo só pode ser aplicada 90 dias depois de sua publicação. via de regra. IR – é exceção a nonagesimal. agosto. IR e IOF. IPI – tem que respeitar o prazo de 90 dias. II. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (90 DIAS) Significa que a lei que houver instituído ou aumentado tributo só pode ser aplicado 90 dias após a sua publicação. tornou-se uma nova regra de aplicação e então. EXCEÇÕES: II. pode cobrar na publicação. pode começar a cobrar em 01/12. IE. em princípio.: Ricarlos Almagro 1. pode ser aplicada em 01/01/15. a resposta seria em 01/01/15. por que estes dois princípios devem ser aplicados cumulativamente. AULA 08/09: Vamos imaginar que a lei foi publicada em agosto de 2014. Há algumas exceções ao princípio anterioridade e outras para o princípio da anterioridade nonagesimal. mas ai eu violaria o princípio da anterioridade comum. então. portanto. que aumentou o tributo. Este princípio deve ser aplicado em conjunto com o princípio da anterioridade comum. IR e IOF – não obedece nenhum dos dois. se publicar em 31/12. só que este princípio por força de uma alteração na CF.

esta lei foi publicada em 30 outubro de 2013. 90 dias depois ele pode ser aplicado. por que não é exceção a anterioridade comum. podendo ser exigível em 31 de maio de 2013. §6º. visto que ele é uma exceção ao princípio da anterioridade nonagesimal. automaticamente os 90 dias ficou para trás. Para nossa prova não vamos exigir o calendário. mas sim o da anterioridade nonagesimal. Ao atender o primeiro. Imposto de importação com publicação em 30 de maio de 2013. CF) Empréstimo Compulsório Guerra Empréstimo Compulsório Guerra Empréstimo Compulsório Calamidade Empréstimo Compulsório Calamidade Pública Pública Impostos extraordinários (guerra) Impostos extraordinários (guerra) - Base de cálculo IPVA e IPTU* *NÃO é o aumento da alíquota Base de cálculo: valor = % x base de cálculo. II.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. IR e IOF Contribuição social para a seguridade - social (artigo 195. poderia ser aplicada em 01/01/15. IPI. são aplicáveis de imediato. IE. por isso. A partir de que momento este aumento já poderá ser aplicado? Não aplico o princípio da anterioridade comum. 52 . será aplicada no final de janeiro de 2014 por exemplo. Quando pode ser o aumento exigível? No dia seguinte. mas ela é a exceção aos 90 dias. Uma lei aumento a alíquota de uma contribuição social para a seguridade social. IOF II. IE. Se fosse um lei publicada em 30/12/14. por que ele é exceção ao princípio da anterioridade comum e nonagesimal. basta dizer que é 90 dias depois da data X. não preciso esperar 01/01/15. mas já neste ano. então. IE e IOF estão como exceção dos dois princípios. Valor do IPTU = % x valor do imóvel Valor do IPVA = 2% x valor do veículo IPI – está na lista das exceções do princípio da anterioridade comum mas não da anterioridade nonagesimal. IR – a lei somente poderá ser aplicada em 01/01/15.: Ricarlos Almagro EXCEÇÃO ANTERIORIDADE EXCEÇÃO ANTERIORIDADE NONAGESIMAL (90 DIAS) II. por exemplo.

temos que saber se este critério é discriminatório ou não. não está entre as exceções. e mesmo assim. Dar igual tratamento em todas as hipóteses não significa atendimento ao princípio da igualdade.4. Somente a base de cálculo que é exceção. visto que tem renda inferior a X e estudaram em escola pública durante o período exigido. só será aplicada respeitando ambos os princípios. Estamos desigualando os que são desiguais.: Ricarlos Almagro União por meio de lei complementar instituiu o empréstimo compulsório para atender a despesas decorrentes de investimento público urgente e relevante. podemos estar violando o princípio dependendo da situação. Exemplo: pessoas com direito a quotas nas universidades públicas. isso tem que respeitar os dois. mas tem que respeitar o princípio da anterioridade comum. A igualdade não pressupõe sempre tratamento igualitário e sim descriminações o tempo todo. A lei foi publicada em 20 de junho de 2013. A diferenciação deve-se dar por um critério razoável e ai eu digo se o princípio foi respeitado ou não. nós a todo momento estaremos fazendo distinção entre classe de pessoas e com base nelas dando um tratamento jurídica diferentes. tratamento diferenciado. A igualdade não pressupõe tratamento igual a todos mas. e cada um tem um tratamento a partir do critério. tem que atender aos dois princípios. ocorre que os candidatos estão em situação inferior aos demais. por exemplo.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. A alíquota tem que obedecer aos dois. Exceção aos dois – aplicada de imediato Exceção a nenhum dos dois – tem que respeitar os dois Exceção a um – aplica-se ao que não é exceção 1. princípio da anterioridade nonagesimal. São grupos de pessoas. PRINCÍPIO DA IGUALDADE TRIBUTÁRIA OU ISONOMIA TRIBUTÁRIA Deverá ser concedido igual tratamento tributário a pessoas que se encontrem em situações equivalentes. aumentar a alíquota de 2% para 3% de IPVA sobre o valor do veículo. Fora da área tributária. A base de cálculo do IPVA e do IPTU ao precisa obedecer o princípio da anterioridade nonagesimal. Quando ela pode ser aplicada? Em 01/01/14. ao contrário. 53 .

do artigo 145 do CTN AULA 10/09 e 15/09: 1. Não posso deixar de pagar alimento. protegido contra a veracidade fiscal e nele se enquadram as necessidades básicas do contribuinte. violando o princípio da capacidade contributiva. todos que auferem impostos pagam o imposto de renda. Parágrafo 1. A capacidade contributiva afirma que os impostos serão graduados segunda a capacidade econômica do contribuinte. pagam 27. Mínimo existencial tem que ser guarnecido. Ao mesmo tempo que eu violo o princípio da capacidade contributiva eu violo o princípio da igualdade tributária.: Ricarlos Almagro 1. Exemplo: Tabela do imposto de renda.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. viola o princípio da isonomia. educação. 54 . analisa se ele é exceção ao princípio da anterioridade e depois exceção ao princípio da anterioridade nonagesimal. Os que ganham pouco.6. Por isso que nas peças processuais falam em violação aos dois princípios. O conceito de renda só é composto pelo o que ultrapassa o mínimo existencial.5%. Este princípio nada mais é então do que a necessidade de graduar o valor do imposto segundo as capacidades econômicas ou contributivas. a alíquota é zero. então só posso tributar o que ultrapassa o mínimo. quando este aumento pode vigorar?  Primeiro: identifica de que imposto estamos tratando  Segundo: vai até a tabela das exceções. saúde para pagar tributo. por exemplo. visto que essas pessoas não estão em situação de igualdade.5. pois eles estão interligados. As despesas que eu tenho para satisfazêlos não pode os recursos que eu mobilizo para isso serem considerados renda. PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA É uma decorrência do princípio da isonomia. os que ganham acima de 20 mil reais. aplicado do ponto de vista econômico. podemos violar o princípio da isonomia sem violar o princípio da capacidade contributiva. então estamos graduando o valor do tributo em razão da capacidade econômica de cada um. e nem por isso estou violando a isonomia. Mas. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE Vamos imaginar que eu tenha publicado uma lei aumentando a alíquota do IPVA e esta lei foi publicada em 10 de julho de 2013. porém o fazem de acordo com a renda de cada um.

mas tem a asseguração ao direito de propriedade e por isso não posso confiscar o bem. por exemplo.: Ricarlos Almagro Ele não é exceção ao princípio da anterioridade comum. embora ele afirme que estava aplicando a lei somente em 2014. desde que haja um indenização prévia e justa. por que ai cairia no mesmo ano. Mas. nenhum deles eu posso aplicar. o legislador aplica de forma retroativa.7. não é absoluto e por isso pode ter algumas restrições. e quando chega em janeiro de 2014. o que não é o caso aqui. Se não posso confiscar. ela poderia ser aplicada a todos os fatos gerados que ocorreram após 10 de julho de 2013. A vedação ao confisco fora da esfera tributária não vem expressamente na CF. Por isso que a palavra correta e de referência é VIGÊNCIA e não publicação. A lei que aumenta a alíquota do IPVA poderá ser aplicada a partir de 1 de janeiro de 2014. aplica a lei a esses fatos que ocorreram em 2013. e o da anterioridade comum seria a partir de 1 de janeiro de 2014. é autorizada a desapropriação por necessidade pública ou utilidade pública. A vigência da lei é a partir de janeiro de 2014. 55 . PRINCÍPIO DO NÃO-CONFISCO Confisco é quando eu me aproprio de bem de terceiro sem uma causa justificada (qualquer bem ou direito). portanto teremos que aplicalo. como qualquer outro. NÃO PODE RETROAGIR PARA ALCANÇAR FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTES DA SUA VIGÊNCIA. a lei que aumenta a alíquota pode ser aplicada ame 1 de janeiro de 2014. por que ainda a lei não está válida. Mas. Agora vamos analisar a anterioridade nonagesimal. por que pode o poder público desapropriar bens meus? O direito a propriedade. 1. portanto. Noventa dias seria aproximadamente no meio de outubro. não pode. também não é exceção. nada que ocorreu antes de 1 de janeiro de 2014 pode estar sujeito a esta lei. Estou dizendo que de acordo com os princípios da anterioridade. Imediatamente ao dispositivo da lista do artigo 5. o legislador não pode aplicar a estes fatos. CF.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. e outro depois. outro depois de outubro. visto que a exceção do IPVA é somente alterações com a base de cálculo. e não pode ser aplicado a fatos gerados anteriores a sua vigência. então não adianta eu atender a anterioridade nonagesimal. vamos imaginar que ao aplicala o legislador faça o seguinte: ocorreu um fato gerado antes de outubro. se utilizarmos a palavra publicação.

Às vezes. Então é vedada a utilização de tributos com EFEITOS confiscatórios. Desapropriações não são atos confiscatórios. e sim a carga confiscatória. Mas. estudamos que tributo não se confunde com multa. Ela tem que ter um tom ameaçador. mas pode ser que em determinados casos o efeito confiscatório fique bem individualizado. A justiça está presente para discutir qual é o valor da indenização. Multas devem ter um valor ameaçador. não está confiscando explicitamente. mas tem efeito confiscatório. ela não pode ser um valor irrisório. em princípio tal não se aplica a multa. elas tem que vim com um tom ameaçador para que o cidadão não viole a lei em razão de existência da multa. É algo que funciona. mas isso tem que ficar comprovado de acordo com o caso concreto. visto que por vezes alíquota muitas altas não tem este efeito e em contra partida alíquotas baixas possuem este efeito. mais ou menos. Por outro lado. mas o STF afirmou que são princípios tributários então não se aplicam as multas. Mesmo neste caso. como é resguardado o direito de propriedade. Desapropriar no direito significa substituir o patrimônio por dinheiro. por exemplo 92%). Então. visto que quem arbitra o valor justo é o governo. logo no primeiro pagamento leva quase todo o valor do imóvel. mas pode ser que fique provada o efeito confiscatório. não pode ser um valor irrisório. O que o princípio afirma é que não posso me valer de tributação com efeitos confiscatórios. 15/09: A CF assegura o direito de propriedade e ao fazê-lo eu proíbo atos confiscatórios por parte do governo. mas está implícito. Por exemplo: IPTU sobre 95% do valor do imóvel. isso não é um confisco.: Ricarlos Almagro O IPTU hoje é de x% do valor do imóvel. Este princípio x multas: estamos falando de princípios constitucionais tributários e quando vimos tributos. Isso é muito complicado. primeiro paga para depois tirar. é impedimento ao confisco. O que não pode é você usar o tributo com efeitos confiscatórios. levam em consideração que não pode dar o mesmo tratamento que dar ao tributo.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. para mascarar um confisco. visto que o direito de propriedade está assegurado pela Constituição. no caso tem que evidenciar onde que o efeito confiscatório está presente. Por isso que a CF afirma que é possível a expropriação por utilidade pública. É preciso: o princípio do não confisco é um princípio tributário e ele em regra não aplica em multas. as multas. vamos supor que venha uma lei municipal e afirma que a alíquota agora é de y% (imagine um valor absurdo. desde que haja prévia indenização em dinheiro. mas nem por isso admite-se multas confiscatórias. 56 . alíquotas de 11% para 17% o STF considerou confiscatória visto que não analisamos apenas o aumento.

57 . é a mesma tabela em todo o País. PRINCÍPIO DA UNIFORMIDADE É um princípio dirigido a União. cidade pequena e turística. PRINCÍPIO DA NÃO-LIMITAÇÃO DO TRÁFEGO DE PESSOASE BENS No rio existe um balneário chamado Búzios. Mesmo que alguns considerem ele como tributo. ou seja. Em princípio o estágio não é para limitar o fluxo e sim para as despesas de manutenção da rodovia e etc. devendo conferir tratamento tributário uniforme por todo o território nacional. por exemplo. é uniforme ao longo de todo o pais. não consumindo nada e não gerando recursos para a cidade. as normas de proteção em relação aos tributos. A despeito disso podemos conceder alguns incentivos fiscais que não configuram violação ao princípio. 1. mas isso não impede que seja dado um tratamento diferenciado para que com isso se promova um desenvolvimento regional equilibrado. visto que a constituição excepcionou.9. O fato de eu ter um zona franca com série de benefícios não viola este princípio. Não se pode tributar para limitar o tráfego de pessoas e bens. Como estamos falando em uma extensão nacional o princípio é direcionado a União. Quem em sã consciência optaria por estabelecer uma indústria na floresta Amazonas ao invés de SP? A menos que eu te der uma contrapartida para que faça isso valer a pena. para que promova o desenvolvimento equilibrado entre as regiões do país. O prefeito não pode usar o tributo com o fim de evitar que as pessoas utilizassem o local daquela maneira. bem como o IPI.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Por exemplo. Pedágio não é tributo então não se aplica a estas categorias. 1. e as pessoas começaram a parar na rua e fazer churrasco no período de verão. apenas. e então o prefeito começou a cobrar alguns valores para ônibus de turismo. Em regra. O imposto de renda.8. o tratamento tributário é uniforme. ele não fere o princípio da não limitação do tráfego. estes princípios estão quase todos no artigo 150 da CF. por exemplo.: Ricarlos Almagro Não basta olhar para o percentual. Todas as garantias do contribuinte se encaixam no estatuto do contribuinte. tem que analisar onde o efeito confiscatório se concretizou. não poderia colocar taxa de visitação. O tratamento é uniforme.

então parece que impõe em caráter obrigatório para o IPI e facultativo para o ICMS. Seleciono produtos em razão da essencialidade dele. mas se você for importar remédio. há um interesse que a sociedade consuma menos cigarros.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. Em função da essencialidade do produto eu terei maior ou menor tributação. Não confundir o nome do princípio com princípio da essencialidade. são vinculados.10. é o critério de diferenciação do valor. você vai pagar caro no imposto de importação.: Ricarlos Almagro 1. O que marca este princípio é a essencialidade do produto. aos dois impostos: IPI (Imposto sobre produtos industrializado) e ICMS (Imposto sobre operações relativas sobre circulação de mercadorias e serviços). cigarros. A CF textualmente disse que o IPI deverá ser seletivo em razão da seletividade do produto e quando ele fala do ICMS ele fala em poderá. O valor do tributo será inversamente proporcional a sua essencialidade. ou seja. que é obrigatório para os dois. produtos supérfluos o valor do tributo é maior (caso do cigarro. 58 . Então afirmamos que este princípio é informado pela essencialidade do produto tributado. por exemplo). tributando menos os mais essenciais. por exemplo. constitucionalmente. por questão de gastos com a saúde pública. mas o professor entende que não é assim. por exemplo. por vezes eu uso da seletividade como mecanismo extrafiscal. PRINCÍPIO DA SELETIVIDADE O valor do tributo será seletivo em função da essencialidade do produto. parece que o princípio é obrigatório para os dois. Este princípio. Por vezes até uso a tributação com a função extrafiscalidade. valor do tributo baixo. são pessoas em situações diferentes. Não pode dar o mesmo tratamento para quem compra caviar e para quem cobra arroz. se eu vou importar caviar. produtos muito essenciais. você não vai pagar tão caro. Por isso que a despeito deste termo. assim como o seguinte.

ele está embutido no preço e é calculado sobre o preço total. é cobrado imposto sobre o imposto e isso é legal. Toda vez que vende de um para o outro incide o imposto. e o ICMS é 10 reais. o correto é você olhar para o valor total do produto e dali tirar o valor do imposto correspondente a porcentagem da alíquota. Por exemplo.11. eu compro uma calça que custa 90 reais. Temos duas fases no desenho. e não podemos analisar e achar que temos que olhar o valor do produto sem imposto mais o imposto pra chegar na mercadoria. C é o consumidor final.: Ricarlos Almagro 1. B agregou valor e vendeu para C por 170 reais.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. então quem acaba suportando o imposto é B. É uma cadeia de consumo: B consumiu de A e C consumiu de B. por que o imposto incide sobre ele mesmo. então. A tem um produto que vendeu por 100 reais a B. então A pagou 10 reais de ICMS. mas por que não é 9 reais? 10% de 90 reais seria 9 reais? Não é 9 reais. O imposto é incidido sobre o valor total. essa sequência do desenho acima é uma sequência de vendas. quem compra. eu pego 10% de 100 reais que dá 10 reais. a base de cálculo é o valor da venda. Temos que entender o seguinte: a base de cálculo do imposto é A PARTIR do valor do produto de venda. 59 . Vamos supor que a alíquota do ICMS para este produto seja de 10%. Mas acontece que eu jogo isso na nota fiscal. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE *Falar que quem comprou o produto SUPORTOU o tributo e não que pagou Situação: temos uma conta corrente de ICMS.

C e D. mas ele tem 12 reais de crédito. ele teria que pagar 14 reais. Quanto C deverá recolher a título de ICMS quando ele vender o produto para D que é consumidor final? A pagará 12 reais de imposto. Como foi B que suportou o imposto eu dou o crédito de ICMS para B de 10 reais. quem suportou os 10 reais foi B. quando ele comprou ele pagou 100 reais para o produto. o fisco recolher 17 reais no total. é como se ele estivesse jogando apenas sobre o preço final. então ele fica com o crédito de 14 reais. C vendeu a 180 reais o produto. então como ele tinha o crédito de 14 reais. visto que 10% de 180 reais do produto é 18 reais. Pelo princípio da não-cumulatividade. No final das contas. o contribuinte pode deduzir na operação atual aquilo que ele suportou na operação anterior a título de imposto. Então.: Ricarlos Almagro Então. 60 . E por isso a lei autoriza que o B se credite deste valor. e nestes 100 reais estavam embutido 10 reais de imposto e por isso ele tem crédito. quem suportou os 14 reais foi C. ele teria recolhido 27 reais de imposto. visto que o produto custa 120 reais. só falta ele recolher 7 reais. quando B vender a 140 reais o produto. se a lei não autorizasse essa operação. só que como ele tem o crédito de 10 reais. quando ele vai vender a 170 reais. mas quem suportou foi B. Outro exemplo: Suponhamos que a alíquota seja a mesma.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. mas agora temos A. quem pagou o Estado foi A e quem suportou este imposto é B. ele tem que recolher apenas 4 reais. A não comprou de ninguém então teve que pagar 10 reais. então ele teria que pagar apenas 2 reais. que foi o que ele pagou a A. B. em tese 10% dá 17 reais.

Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof.5 reais (5% de 130 reais). Quando que C deverá recolher de ICMS?  A tem que recolher 4 reais. visto que ele tem crédito de TODO o imposto repassado para ele.  D vai pagar 6. vamos supor que o ICMS é de 5%. C comprou o produto de B por 100 reais e. Outro exemplo: agora. então ele recolhe 1. A comprou o produto e vendeu para B por 80 reais. quem suportou foi B. mas ele tem o crédito de 5 reais.5 reais. então 5% é igual a 6. o produto custou 130 reais.5 reais.  B tem que recolher 5 reais. visto que 5% de 130 reais é 6. mas como tem o crédito de 4 reais. FIM DA MATÉRIA DO 1º BIMESTRE 61 . VEJA: D tem que pagar a C 18 reais. no caso do último exemplo.5 reais. 18 reais é 10% de 180 reais. então ele tem o crédito de 4 reais.: Ricarlos Almagro No final de tudo.5 justamente o que D tem que pagar. o valor que D tem que pagar tem que ser EXATAMENTE igual o valor da alíquota sobre o preço do valor final. C tem crédito de 5 reais.  C teria que pagar 6. ATENÇÃO: sempre tem que dar no final o valor correspondente a alíquota sobre o produto final. C vendeu o produto para D por 130 reais. ele recolher somente um real.

o fato gerador é de ter que pagar uma taxa? A fiscalização é o fato gerador da taxa. significa o máximo que pode ser exigido de cada contribuinte é a valorização experimentada em cada um destes imóveis. em algum ponto da cobrança. Ao argumento de que o estado faz uma obra e o contribuinte é obrigado a pagar a contribuição de melhoria se houver valorização. então não serviria de elemento limitador da cobrança. Quando eu digo que não pode comercializar fogos em áreas populosas da cidade. tem que exercer efetivamente. Não há um limite caso entenda que tem que diminuir para respeita o limite global. impede um direito em prol da coletividade. se você entender que o limite global deve ser respeitado. O limite tem que estar vinculado a valorização e não ao valor da obra. b) No caso de contribuição de melhorias em que o valor da obra for menor do que o valor das contribuições. Vamos imaginar que um dia eu cobro de você uma taxa de polícia. Embora exista um conceito completo no artigo 78 do CTN podemos dizer que ele está presente sempre que a administração pública fiscaliza. O fato gerador é a valorização experimentada no imóvel do contribuinte em razão da obra pública. em quanto pode diminuir as contribuições individuais? O limite individual é inquestionável. isso é uma questão controvertida. Mas. 62 . tem que diminuir o valor da cobrança. NÃO pode. por que a obra não é o fato gerador. estamos limitando um direito em prol da segurança coletiva.: Ricarlos Almagro Perguntar ao professor: a) O fato gerador da taxa de polícia é a fiscalização? Ou para o exercício regular do poder de polícia ser realizado. A polícia tem que exercer. o exercício regular do poder de polícia é o fato gerador da taxa. O fato gerador é o exercício regular do poder de polícia. por que eu posso vir a exercer tal serviço. O limite global é que o total arrecadado não pode ultrapassar o que gastaram com a obra. c) Taxa de serviço x Taxa de polícia Taxa de polícia: por que a administração exerceu regularmente o seu poder de polícia. Por que é que eu devo pagar a taxa? Por que eu fui fiscalizado. tem que ser efetivo. então para certo doutrinadores não haveria problema algum passar o valor da obra. se ultrapassar o montante global.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof.

d) Limite global da contribuição de melhoria: O código estabelece o limite individual. O limite global não é quando eu ou outro deve pagar. Depois disso. Não é verdade. visto que o fato gerador era movimentação financeira. por que ele foi instituído em um ano e cobrado no mesmo ano. Somente o fato de colocar o serviço a disposição já autoriza a cobrança da taxa. CTN: Independentemente da natureza do fato gerador. o máximo que se pode pagar é a valorização obtida. por não serem tributos. e portanto tentaria instituir como contribuição. Há algum tempo a União institui um imposto chamado IPMF. desde que não cobre de cada um mais do que a valorização que experimentou. Os serviços públicos que autorizam a taxa são aqueles revestidos das características da divisibilidade ou especificidade. Isso não importa. o que as caracteriza é a vinculação do produto da arrecadação a finalidade constitucionalmente estabelecida. Há divergência doutrinárias. em um entrevista disse que o imposto seria importante. e este valor não pode ser maior do que o que foi gasto com a obra pública.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. CFM – médicos é um exemplo de parafiscalidade. só que o STF declarou a inconstitucionalidade do IPMF. parecia tudo certo. Sendo específico é importante que eu consiga apurar quanto daquele serviço eu estou utilizando. e) CIDE é um exemplo de extra fiscalidade. independe da denominação dada pelo legislador e da destinação do produto da arrecadação. então. isso é o que chamamos de divisibilidade. f) Artigo4º. está relacionado com o quanto que a fazenda arrecadou com a cobrança. foi um parlamentar. Alguns afirmam que pode arrecadar quanto quiser. pode ser fracionado para que eu calcule adequadamente o valor da taxa que será cobrada. por que ele achava que não estava sujeita a contribuição aos princípios. elas são tributos. está é uma situação que independe de qualquer contraprestação estatal em relação a mim. 63 . vimos que o fato gerador da obrigação tem que independer de qualquer prestação específica. O que importa é a afetação do tributo. antes disso já temos o tributo. Quando vimos o artigo 4.: Ricarlos Almagro Taxa de serviço: por que um determinado serviço público me é prestado efetivamente ou é colocado a minha disposição.

a contribuição também é tributo.: Ricarlos Almagro As contribuições sociais para a seguridade social configuram exceção ao princípio da anterioridade. Se aplica a anterioridade de 90 dias. é uma contribuição social para a saúde.Olívia Lopes Celestino Direito Tributário – 1º Bimestre – 2014/2 Prof. 64 . E ai. Então a ideia do parlamentar é um falha. então. esta contribuição se destina a ações que são destinadas a contribuições sociais para saúde. Como a seguridade social é um conjunto de ações da área da previdência social. Não são impostos. assistência social e saúde. a sua arrecadação é destinada a alguma área social. A contribuição social independente de seu fato gerador. Porém. e os impostos não podem ter uma destinação específicas ou serem vinculados a determinadas despesas. ficou o mesmo. aqui há uma destinação específica de saúde. o fato gerador não mudou. a elas só se aplicam a anterioridade de 90 dias. surgiu a CPMF a contribuição provisória sobre movimentações financeiras.