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CAPÍTULO 3
RELÉS DE CORRENTE, TENSÃO E POTÊNCIA
Prof. José Wilson Resende
Ph.D em Sistemas de Energia Elétrica (University of Aberdeen-Escócia)
Professor titular da Faculdade de Engenharia Elétrica
Universidade Federal de Uberlândia

3.1 – Definições Gerais
a) Relé de corrente – 51 ASA:
Sua grandeza de atuação é uma corrente fornecida ao relé (diretamente, ou por TC).
São relés cuja função é abrir um circuito, quando a corrente que percorre sua bobina
excede do valor normal. A bobina desse relé está sendo continuamente alimentada
pela corrente do circuito, através de TC, de modo que, quando atingir um valor prédeterminado (valor de ajuste), o relé opera, provocando a abertura do disjuntor.
Os tipos construtivos mais usados para estes relés são o de armadura em
charneira ou, axial, que oferecem uma característica de tempo instantânea e, o de disco
de indução, que oferece uma característica temporizada.
Nos relés de sobrecorrente temporizados existem dois ajustes:
• Ajuste de Corrente: é feito nos tapes da bobina principal.
• Ajuste de Tempo: é feito, regulando-se a distância de percurso do contato móvel.
b) Relé de tensão – 59 ASA:
Sua grandeza de atuação é uma tensão (diretamente ou por TP). Quando a tensão
varia, temos dois casos a considerar:
• Aumento da Tensão
• Diminuição da Tensão
O primeiro caso seria uma sobretensão, o que geralmente ocorre quando sai uma
grande parte da carga de um gerador. O relé de sobretensão é análogo ao relé de
sobrecorrente, inclusive, nos tipos construtivos.
O segundo caso seria de uma subtensão, que acontece quando ocorre um aumento
excessivo da carga, ou mesmo, um curto-circuito. Geralmente é aplicado na proteção
de equipamentos que não operam satisfatoriamente com tensões baixas.
c) Relé de sobre e sub (corrente, tensão):
O relé atua para valores acima ou abaixo de um valor predeterminado.
d) Contatos “a” (NA) ou “b” (NF):
É como aparecem nos esquemas (com suas posições, estando o circuito desenergizado).
e) Código ANSI:

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É o código americano, para indicação abreviada dos diversos elementos de um
esquema.
f) Regime de um relé:
São as condições em que ele melhor desempenha sua função (40oC, tempo de
circulação de corrente: 1 segundo, segundo a norma“ANSI”).
Para maiores tempos (estipulados pelo fabricante):
usar: I2t = 48400 (relé tipo BDD, diferencial c/ restrição harmônica, da GE)
Ex.: ⇒ I = 220 1 / t ⇒ Esta equação significa que, para t = 1 segundo, I = 220 A.
Para “t” segundos, usa-se também a equação acima.

g) Regime dos contatos:
Indica a corrente e a tensão que os contatos suportam, sem auxílio de contatos mais
robustos, além de indicar se estas ondas são AC ou DC.
h) Consumo próprio (carregamento):
Refere-se ao consumo, em potência, do relé (e TP’s e TC’s).
Exemplo: No catálogo do relé de sobrecorrente da GE, IAC – 51 (com tapes no
primário de 4 a 16 A e no secundário 5A): Potência ⇒ 0,1 Ω, no tap menor (4A). a
potência correspondente será:⇒ N = 1,6 VA
i) Regime térmico:
Indica a corrente admitida em certo tempo.
direcional, tem: 20 In, durante 3 segundos.

Por exemplo, o relé PCD, da GE,

j) Pick-Up
É o valor da grandeza característica para que o relé opere, abrindo seus contatos tipo
“b” e fechando seus contatos tipo “a”.
k) Drop-Out
É o valor máximo da grandeza característica que o relé desopera, abrindo seus contatos
tipo a e fechando seus contatos tipo b.
l) Reset
“Resetear” um relé é colocá-lo em condições de uma nova operação. Isto é, voltar o
relé à sua condição inicial. O reset pode ser mecânico ou elétrico.

O movimento desta peça atua direto ou indiretamente para disparo do disjuntor. numéricos(digitais)). quando este for estabelecido pela corrente elétrica no enrolamento da bobina do relé. energizada eletricamente.1. Figura 3. atrai para o seu interior um núcleo de ferro. microprocessados. que consiste de uma armadura magnética. a qual.2) Princípios de funcionamento dos relés Os relés podem ser dos seguintes tipos de funcionamento: • • • • Relés de Atração Eletromagnética Relés de Indução Eletromagnética Relés Térmicos Relés Eletrônicos (estáticos.1 mostra a armadura axial e que consiste de uma bobina solenóide.2 mostra a armadura em charneira.2.3 3. Esses relés são do tipo instantâneo e têm muitas aplicações em proteção contra faltas. Eles são sensíveis a grandezas contínuas ou alternadas. A figura 3.1: Relé de atração axial A figura 3. fechando um circuito magnético. móvel em torno de um eixo. . Relés de Atração Eletromagnética Existem dois tipos de relés eletromagnéticos tipo atração: Armadura Axial e Armadura em Charneira. 3.

em geral.2. o SCR. com alto grau de confiabilidade. . de uma lâmina bimetálica aquecido pela passagem de corrente elétrica em um resistor colocado adjacente.. A lâmina se distende. Figura 3.3 – Relé térmico 3.3.2 – Relé de atração em charneira. conduziu ao projeto de relés de proteção. como os transistores.2. Relés térmicos Consistem.4 Figura 3. 3.2. que utilizam esses componentes. dando contato no circuito de disparo do disjuntor. Relés estáticos O desenvolvimento de dispositivos semicondutores estáticos. etc.

tipo indução. independentemente da magnitude e localização da falta. Consiste num tambor ou copo condutor. que são de alta velocidade (ou instantâneo).4) Relé de Indução Eletromagnético Os relés eletromagnéticos.4 – Relé de indução eletromagnética: tambor de indução. O relé do tipo tambor de indução possui os principio do motor de indução. Figura 3. Há duas formas básicas de relés de indução: • os do tipo “tambor de indução”. constituído por um disco ou copo metálico. 3. 3. um disco se movimenta no entreferro de um núcleo magnético.2. que se move no entreferro de um circuito magnético múltiplo. se baseiam na ação exercida por campos magnéticos alternados sobre as correntes induzidas por esses campos em um condutor móvel. • carga consideravelmente menor para os transformadores de instrumentos. • e os do tipo disco de alumínio como condutor móvel. • menor manutenção pela ausência de partes móveis. Eles apresentam as seguintes vantagens básicas em relação aos relés eletromecânicos: • alta velocidade de operação. geralmente de alumínio. atuado pelos enrolamentos do relé.5 Esses relés são extremamente rápidos em suas operações. solidário com o eixo do . porque não têm partes móveis. Estes são úteis quando os relés são temporizados. Em geral.3 – O Relé de Indução Neste tipo de relé.

5 – Relé de indução eletromagnética: disco de indução OBS. dφ dt dφ1 e − K. cos ωt ⇒ i = = . as correntes induzidas iφ1 e iφ2 estão. φ1 e φ2: ⎧φ1 = φ1 . o entreferro é de poucos milímetros de comprimento. existe um contato móvel para disparo do disjuntor.: Na prática. • O anel de defasagem causa um defasamento “θ” nos dois fluxos. Figura 3. variando-o percurso total do contato móvel. R R dt dt . Podemos modificar o tempo de fechamento por meio de um dial.ω.6 disco. praticamente.n dφ αφ1 .sen ωt ⎨ ⎩φ 2 = φ 2 .sen(ωt + φ) Onde: φ1 e φ2 = fluxos máximos produzidos Devido à desprezível indutância do disco. em fase com as tensões eφ1 e eφ2 induzidas no disco: Podemos escrever que: iφ1α e = − Kn.

senθ = K .φ) onde φ: ângulo de projeto do relé Cmáx ⇒ para sen(θ .φ) = 1.cos(ω+θ) Com simplificações trigonométricas: F α ω . I1i . mesmo sendo a grandeza de entrada no relé. cos(ωt + θ ) dt Pela regra da mão esquerda. sen(θ .1) conclui-se que: (3. I2 . em oposição.ω . I1 . pois isto equivaleria a um anel de defasagem com resistência nula.φ1. A força líquida no entreferro é: F = (F2 – F1) α φ1 = (φ2 . isto é: . senoidal. iφ1 . Vamos decompor a corrente I1 em suas componentes indutiva (I1i) e resistiva (I1r): Figura 3. nota-se o aparecimento das forças F1 e F2. poderá ser aumentada sensivelmente.φ2[sem(ωt+θ). Isso deve ser evitado. I2 senθ De (3.1) a) A força no disco é constante.φ1 . φ2 . c) A referida força. no bom relé. Ainda com Relação à nota “b”: θ = 90o é difícil de se obter. por ser ainda proporcional à freqüência aplicada.cosωt-senωt.7 iφ 2α dφ 2 αφ 2 . com variações de freqüência.6a: Noção de conjugado máximo do relé de indução Da figura tira-se: C = conjugado do relé = K . b) A força no relé é proporcional ao seno do ângulo de fase entre os dois fluxos Fmáx ⇒ θ = 90o. iφ2) = F α ω. φ1 .

150o Figura 3.T) = 0 ⇒ θ = T + 90 Exemplo: Seja o relé de distância. SIEMENS. R3Z27.T) = 1 ⇒ θ = T Cnulo ocorrerá para cos(θ . I1i .30o . em torno da posição de Cmáx. I1i .T) ⇓ Cmáx ocorrerá para cos(θ . 73 e 80o . Isto é: no defeito de curto circuito o sentido de I2 se inverte e.φ) = K .φ = + 90 ou θ = + 90 + φ Pode ser tirado da figura acima que: − φ = 90 − T ⎫ ⎪ T : ângulo de⎬ ⇒ sen(θ − φ) = sen(θ + 90 − T ) = sen[(θ − T ) + 90 o ] = cos(θ − T ) ⎪ C máx ⎭ Assim. Ajustando-o para T = 60o . Cmáx ⇒ θ = T = 60o Cnulo ⇒ θ = 60 + 90o . constata-se a condição de defeito (I2 se situará na região de ⇒ “existência de conjugado”). 67.8 θ . I2 .6b: Exemplo numérico de conjugado máximo do relé de indução ∴ Há uma região de conjugado. sen(θ . ⇒ Direcionalidade dos relés: só há conjugados para variações de I2 (grandeza de operação em relação à grandeza de referência I1i) desde 0o até 180o . que possui T + 60. poderemos escrever que: C = K . . assim. I2 . cos(θ .

5 – Ajuste dos Relés de Corrente 1.4 – Equação Universal dos Relés 2 • Do relé elementar. φ1 e φ2). A equação universal do conjugado dos relés será: C = K1 . cos(θ . teríamos: F = K . Conjugado de um Relé de Corrente Tomando a eq. • • • • Ajuste de corrente: pode ser obtido de várias maneiras: Variando o entreferro Pela tensão da mola Por pesos Por taps em derivação da bobina 2. I . I2 + K2 . cuja forma geral é: F = K3 . U2 senθ F = K . I2 senθ F = K . U1 . I2 + K2 . I . Geral dos relés: C = K1 . senθ . Ajuste de tempo: Por regulagem do percurso do contato móvel (ajuste do dispositivo de tempo – DT) ou. cos(θ . U2 + K3 . I2 + K4 .9 3. U2 . U .2) é operado por uma grandeza simples (corrente). U2 + K3 . I1 .T) A estrutura polar do relé de indução pode ser substituída por duas estruturas polares.T) A constante de mola é representada também por uma constante (K4).T) O relé visto em (3. U . Caso a grandeza atuante fosse a tensão. cada uma recebendo uma grandeza de atuação e sem o anel de defasagem (cada estrutura prove um fluxo simples.T) + K4 3. Φ2 senθ tira-se: F = K . U . A partir da equação: F2 ω .cos(θ . I1 . de sobrecorrente: Fe = KI • Do relé de indução: F = KI1i: I2. Φ1 .T) + K4 e fazendo U = 0: C = K1 . I . cos(θ . V1i : V2 cos(θ . por outros meios (de acordo com a construção do relé).

7: Esquemático de conjunto relé-disjuntor . Da mola.10 Onde: K4 = Cte. Figura 3. ou de um imã uniformizador da velocidade do disco.

pois haverá melhor coordenação com fusíveis e religadores. a partir de um determinado valor da corrente. e que tenha RTC = 60/1. a estrutura de ferro começa a saturar e. em 0. Projetando-se adequadamente a quantidade de ferro e o no de espiras da bobina. um aumento da corrente não corresponde a um aumento proporcional do fluxo.11 EXERCÍCIOS 1) Seja um Relé de Sobrecorrente (IAC – 77 – GE). Contudo. Curva extremamente inversa: maior quantidade de ferro e o menor número de espiras. Este tipo de curva é adequado para proteção de circuitos alimentadores de distribuição primária. obtém-se várias curvas características: Curva inversa: tem a menor quantidade de ferro e a maior quantidade de espiras.8: tipos de curvas para os relés de sobrecorrente .3 seg. Figura 3. Solução: Do catálogo do fabricante tem-se que a característica “t x i” deste relé é extremamente inversa. que aciona um disjuntor que deve desligar para: I = 450A I cc = 3750A. conseqüentemente. Notas: O conjugado elétrico que provoca a rotação do disco é produzido por uma eletroimã e aumenta com a corrente .

Figura 3.9: Diagrama de conexões e circuito DC para relés de sobrecorrente IMPORTANTE: Como o relé. ⎬ y=62. • Para atender à condição de disparo para I ≈ 450 A. O contato do relé fechará quando a corrente em sua bobina estabelecer o conjugado necessário para girar o disco de indução. Para evitar a danificação do contato da unidade (devido ao arco formado pela pressão de fechamento). que é o de 8A.8 vezes o ajuste do tape. às vezes. O “ajustador de tempo” permite graduar o tempo que a unidade demora para fechar os contatos. o valor do tape de corrente deve ser: 60A → 1A ⎫ ⎬ ⇒ x = 7. determina-se primeiramente a corrente que circulará no relé quando ocorrer o curto-circuito: 60 → 1A ⎫ 62. que se manterá firmemente fechado até a completa abertura da chave auxiliar 52/A.5 = 7.12 A abcissa é graduada em múltiplos da “corrente de acionamento” (é a corrente necessária para fechar os contatos quando o relé se encontra na divisão 0.5 do ajustador de tempo). o que equivale ao múltiplo 3750 → y ⎭ 8 . este é curto-circuitado pelo contato de selagem. deve operar para pequenas sobrecorrentes (ocasião em que o conjugado é pequeno) poderia haver o perigo do contato da unidade não ficar firmemente fechado no momento em que a chave auxiliar 52/A do disjuntor estiver abrindo o circuito de disparo.5A → adota-se o tap mais próximo.5A. quando a corrente atinge um valor pré-determinado (as divisões são de 1/2 a 10). 450A → x ⎭ • Para determinar a divisão do “ajustador de tempo” a ser usado.

Tal relé está no secundário de um TC cuja relação (RTC) de espiras é de 1000:5 A.13 Da figura abaixo.0 seg.000 [A] é detectado pelo relé de sobrecorrente cujas curvas se encontram a baixo.8 vezes a corrente de acionamento. Caso se quisesse o disparo em 1. Para esta falta. devemos escolher a divisão 3. qual será o tempo de atuação do relé sobre o correspondente disjuntor? Solução: Para 8. deveria ser escolhida a divisão 10. para 7.3 seg. O relé está ajustado no tape 8 A e na curva DT=4.5 do ajustador de tempo.10: Aspecto das curvas tempo-corrente dos relés de sobrecorrente 2) Uma corrente de falta de valor 8.000 A no primário a corrente no relé será: . conclui-se que para obtermos um tempo de disparo de 0. Figura 3.

14 1000A → 5A ⎫ ⎬x = 40A 8000A → x ⎭ O múltiplo da corrente de acionamento. neste caso.5b) Ajustes do relé microprecessado URPE 7104 (PEXTRON) As curvas características mais comuns para os relés de sobrecorrente digitais são representadas pela seguinte equação: t= K .dt ( M α − 1) Onde: t: tempo de atuação K: constante que caracteriza o relé dt: dial de tempo M: múltiplo da corrente de atuação (*) [corrente de entrada/corrente ajustada para o relé iniciar a contagem de tempo] α: constante que caracteriza a curva (*): também conhecida por “ Corrente de pick-up” ou “ Corrente de partida” .0.8 seg. será: m = 40/8 = 5. Levando este valor na figura do exercício anterior. para DT=4 e m=5. 3. . tem-se que este relé atuará em aproximadamente 0.

15 A tabela abaixo apresenta os ajustes de curvas padronizadas: CURVA NORMALMENTE INVERSA (NI) MUITO INVERSA (MI) EXTREMAMENTE INVERSA (EI) TEMPO LONGO K 0.14 0.5 1 80 2 80 1 α dt M Ajuste de tempo de atuação Múltiplo da corrente de atuação CURVAS OBTIDAS PARA AS CONSTANTES ACIMA: .02 13.

Aplicações: a) Relé de sobretensão: abrindo disjuntores quando U > Uregulagem b) Relé de subtensão: abrem quando. • Fazendo I = 0 na equação geral dos relés: C = K1 . .65 Uregulagem c) Relé de partida (ou de aceleração): curto-circuitam parte de resistências de dispositivos de partida.16 3. por exemplo. os relés de tensão não são temporizados. A figura a seguir ilustra um arranjo de um relé de tensão eletromecânico. U2 + K4 • Normalmente. em aceleração de motores.6 – Relés de Tensão • Reagem em função da tensão do circuito elétrico que estão protegendo. U < 0.

17 Figura 3.7 – Relé de Balanço de Corrente Podem ser usados em sobrecorrentes ou como indicadores de direção do fluxo de potência (direcionais) Figura 3.I12 − K 2 .12: Esquema básico do relé de balanço de correntes Na figura: C = K 1 .11: Um arranjo de relé de sobretensão 3.I 22 ou I1 = .I 2 K1 Considerando o efeito da mola: I1 = K3 ⇒ K1 I2 = K3 K1 − .I1 ⇒ K 2 K 2 .I 22 − K 3 (I1 e I2 em fase) No início da operação C = 0.I12 Supondo I2 = 0: .I12 = K 2 . Desprezando o efeito da mola (0 = K3): K2 ⇒ K 1 .

: se ID > 0 ⇒ abre o relé.18 Pela curva acima. usam-se (I1 + I2) e (I1 – I2) na equação do conjugado: C = K1(I1 + I2) (I1 – I2) – K2 ⇒ Se &I1 = &I 2 : C = . diz-se que o relé é “DIRECIONAL”. ao invés de usarmos I1 e I2 separadamente. Para aumentar a sensibilidade. Os relés de distância. de modo que a corrente “ID = IA – IB“ circule sobre um sensível relé de bobina móvel (ID é uma corrente contínua) • A polaridade desta corrente ID é detectada pelo elemento de medida M. os relés são mais sensíveis. . nesta situação. porém exigindo um certo valor para I1 (para vencer a mola). Por ex. Os dois retificadores são conectados em oposição. 3. Figura 3. de geradores (comparando correntes de mesma fase). o relé poderá operar para I2 = 0. estáticos. nota-se que. Aplicações: Proteção de linhas paralelas e enrolamentos de fase dividida.13: Esquema básico de um relé estático Como funcionam: • I1 e I2 são introduzidos na ponte retificadora de onda completa.8 – Princípio de operação dos Relés Estáticos: Os tempos de operação dos relés ESTÁTICOS são bem mais confiáveis.K2 ( o relé não operará) Se &I1 ≠ &I 2 : haverá conjugado : o relé pode operar A direção do conjugado depende de qual corrente é maior: I1 ou I2 ⇒ Logo. para Icurtos de 1 a 60 Inom. possuem precisão de 5%. possuem baixo consumo e não têm peças mecânicas desgastáveis.

através do ângulo de fase entre a grandeza de operação e a grandeza de polarização. Existem dois tipos de relés direcionais. estrela ou delta aberto.15 – Relé direcional corrente-tensão.14– Relé direcional corrente-corrente. o tipo “corrente-corrente” e o tipo “correntetensão”. contra outras anormalidades ou. conforme o tipo da proteção. . Figura 3. No entanto. No tipo “corrente-tensão” a grandeza de operação novamente é a corrente de linha. a grandeza de polarização é a tensão.19 3.9 – Relés direcionais e/ou de Potência: Um relé é chamado direcional quando for capaz de distinguir se o fluxo de corrente é em uma ou outra direção. No tipo “corrente-corrente” a grandeza de operação é a corrente de linha e a grandeza de polarização é a corrente no neutro de um trafo ou de um gerador. Os relés direcionais são usados na proteção contra curto-circuito. que pode ser obtida de uma ligação em delta. como elemento de discriminação direcional apenas. Figura 3.

Relés Direcionais de Potência É conectado tal que o conjugado máximo do relé ocorra para cargas com fp = 1. • No caso de circuitos trifásicos desequilibrados: .20 Como foi mencionado anteriormente. permitindo trip somente para o fluxo de corrente em uma determinada direção.17(a)): Figura 3.1. Para se determinar se a causa desse fluxo de corrente é um curtocircuito (ou não).0 (fig. esse tipo de relé pode ser usado como elemento direcional. 3. um relé de sobrecorrente é usado.9.16 – Esquemático DC mostrando unidade direcional. Na figura 3. Figura 3.16 temos um exemplo de uma unidade direcional supervisionando a atuação das unidades de sobrecorrente.17: Tipos de alimentação de um relé direcional de potência A figura 3.17(b) é uma outra alternativa de conexão. 3.

Relés Direcionais para Proteção Contra Curto-Circuito • São arranjados para desenvolver conjugado máximo sob condições de corrente bastante atrasadas da tensão (situação característica de curto). na carga (sistema sem defeito): Figura 3.21 um único relé monofásico (para Ia) não poderá ser usado: usam-se 3 unidades monofásicas. Conexões que descrevem a relação entre a corrente na bobina do relé e a tensão de referência. para impedir operação indesejável.18: Alimentação do relé direcional de curto-circuito . com os 3 conjugados somados. (sob tensão nominal). Isso implicará em uma alteração no ângulo de 25o para 75o → T = θ = 75o ⇒ conjugado máximo.30. ou em termos da mínima potência de atuação.90 (por ex. • Os relés direcionais de potência podem ser calibrados em função da mínima corrente de operação. em watts. Normalmente esses relés são temporizados. • Estes relés são geralmente usados para completar outros: • O relé direcional atua somente se a corrente flue em uma determinada direção.9. 3. seus “pick-up” não são ajustáveis. • O relé direcional não é temporizado. o fp passa de 0.) para 0. (2) se o curto é tal que os disjuntores devam abrir. O relé irá atuar. • No curto. Já outros relés determinam: (1) se de fato há um curto.2. mas operam sob baixos valores de corrente. sob condição de fp = 1. acionando um único jogo de contatos.

não tem significado.22 3. Aplicações (Relés Direcionais) 3. Significado da indicação exemplificada: Se a queda de tensão.: duas marcas são necessárias.9.4.I1 I3 I3 I3 Há Cmáx quando (*) V V32 V32 -V2 V12 V12 Iatr. e estiver em fase com o fluxo de corrente (na bobina de corrente). do terminal com marca para o terminal sem marca. 60o Iatr. para que as unidades possam ser corretamente conectadas ao sistema: Os tipos de conexões para elementos direcionais mais usados são: Fase 1 No Conexão Tipo Relé 1 2 3 4A 4B 30o 60o ∆ 60o Y 90o . OBS. junto com uma nota indicando seu significado. do terminal ou do enrolamento do relé. na bobina de tensão. NOTA: Com a polaridade instantânea indicada. 60o Iatr.I2 I1 I1 I1 Fase 2 V V13 V13 -V3 V23 V23 I I2 I2 .I3 I2 I2 I2 Fase 3 V V21 V21 -V1 V31 V31 I I3 I3 . pois uma apenas. para as fase 1. Polaridade • É indicada por uma marca (x) acima ou próxima do símbolo.9. 2 e 3 Como se vê.45o 90o . então O RELÉ FECHARÁ OS CONTATOS.4. 60o (*) Cmáx. 30o Iatr. a) Características dos Relés Direcionais: Alem da marca de polaridade. 60o e 45o . as unidades direcionais têm um ângulo de fase característico que deve ser entendido. . o contato fecha.60o Watt Watt Watt Watt Cilindro I I1 I1 .1. 45o Iatr. for do terminal com marca para aquele sem marca. os valores para “α” (ângulo de defasamento) são 30o.

.4a: Figura 3.19: Tensões e correntes relativas às diversas conexões dos relés direcionais NOTAS: Estas conexões são feitas selecionando-se as apropriadas grandezas do sistema. 4b: No.23 No. 2: No. para dar a desejada posição de Cmáx no defeito. com fp = 1.3: No.1: No.0 ⇒ V1 e I1 em fase antes do defeito).

24 As conexões dos diversos tipos são mostradas a seguir: Figura 3.20: Diversas conexões de unidades direcionais .