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Laboratório de Circuitos Elétricos 1

Segundo semestre de 2010
Departamento de Engenharia Elétrica
Universidade de Brasília – Faculdade de Tecnologia
Profº: Leonardo Aguayo

E XPERIMENTO 8 – C IRCUITOS RLC

Bruno Henrique Alves Noronha – 09/0062761
Natália Aquino de Freitas Tristão – 09/0011376
Vinícius Santana- 09/0014928
Data de realização: 31/01/2011

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Objetivos

Neste experimento, temos como objetivo estudarmos o comportamento de um circuito RLC, ou
circuito de segunda ordem. Vamos excitar o circuito RLC da figura 1 com uma onda quadrada e
analisar seu comportamento quando ele passa do transitório ao regime permanente.
2

Introdução Teórica

Circuitos RLC são constituídos de indutores, capacitores e resistores, que podem estar ligados
em série ou em paralelo. As tensão e correntes em um circuito RLC são descritas com uma equação
diferencial de segunda ordem, por isso esses circuitos também são chamados de circuitos de segunda
ordem.

Definindo R a Resistência [Ω], L a indutância [Henry], C
a Capacitância, I a corrente [A] e V a tensão [V].

Figura 01

Para o resistor:

v R (t )  R  i(t ) ,

indutor:

v L (t )  L

di ( t )
dt

, capacitor: v C ( t ) 

1
C

t

 i ( )d  .


Aplicando Lei de Kirchoff para tensões, obtemos:
v R (t )  v L (t )  vC (t )  v (t )
R  i(t )  L

di ( t )
dt

1
C

t

 i ( )d 

 v (t )



Ao derivarmos novamente a expressão acima de ambos os lados em t e dividirmos por L, tem-se:
2

d i(t )
dt

2

R di ( t )
L

dt

1
LC

i(t ) 

1 dv ( t )
L

dt

1

R . i   2 i    o i  0 2 Para resolvermos essa EDO precisamos das condições iniciais i(0) e i´(0).  2   o  0 . implicando que 2    2  R     2L  R 2 2 o     2 4L RC 2 1 LC    2 1  LC  4L R Dessa forma. a freqüência de ressonância e   R como um fator de carga. s1 e s2 serão: A solução será: v (t )  K 1e s1t  K 2e s1      2  o 2 s 2     2  o 2 s2t 2 .σ S+  o ². obtemos:  2  s  4 2  4 o 2 2 s     2 o 2 Dessa forma obteremos três possíveis soluções para a EDO: 1) Sobre-amortecido: Nesse caso temos que Δ > 0. vR(0) + vL (0) + vC(0) = 0.i(0) + L i´(0) + vC (0) = 0. Analisando o circuito percebe-se que i(0) = iL(0) Assim. isto é. obtemos 2L LC a seguinte Equação Ordinária (EDO) de segunda ordem: i   2  i    o i  2 1 dv ( t ) L dt Caso v(t) seja constante temos uma EDO de segunda ordem homogênea e sua solução é chamada de solução natural. i´(0) = -1/L (i(0)R + vC (0)) Através da equação característica s² + 2.Considerando  o  1 .

R Dessa forma. isto é. R s A resolução da equação característica para esse caso nos fornece apenas uma raiz dupla:   . Utilizando o mesmo raciocínio anterior 2 obtemos que RC  4L .  2   o  0 . Utilizando o raciocínio anterior é possível 2 inferir que RC  4L . s1 e s2 serão: s1     i  o   2 s2    i  o   2 2 2 A solução da EDO de segunda ordem será: v (t )  e  t  K  sen   1  o  2 2   K  cos  2   o   2 2     3) Criticamente amortecido: Para esse caso.Respostas do Circuito RLC sobre-amortecido Figura 02 2) Sub-amortecido: Para esse caso. Δ < 0. A solução será da seguinte forma: v ( t )  e   t  K 1  K 2  t  Respostas do Circuito RLC criticamente amortecido Figura 03 3 . isto é.  2   o  0 . Δ = 0.

2) Sub-amortecido: R  4L  C 4  470  0 . i   2  i    o i  2 i ( t )  in ( t )  i f ( t ) A solução é dada por: . 68  A resistência escolhida para o estudo desse caso em laboratório foi: 100 Ω 4 . 68  R  238 . 033   238 .033µF. 1) Sobre-amortecido: R  4L  C 4  470  0 . sendo in ( t ) 1 dv ( t ) L dt a solução da EDO na forma natural e i f (t) a solução forçada. 68  R  238 . respectivamente. a constante 4L C determinada mantendo fixos os valores de L e C. L=470µH e C=0. sub-amortecido e criticamente amortecido. 68  A resistência escolhida para o estudo desse caso em laboratório foi 1kΩ. temos a chamada solução forçada.No caso em que a EDO de segunda ordem abaixo não possui v(t) constante. 033   238 . As soluções forçadas mais comuns são: Parte não homogênea 3 Solução forçada i f (t) k (constante) B k cos(wt) ou k sen(wt) B1cos(wt)+B2(sen(wt) ke^(-at) B e^(-at) kt B1+B2t Kt² B1+B2t+B3t² Resistências utilizadas para cada caso: Visando à escolha adequada para as resistências utilizadas em cada caso estudado anteriormente: sobre-amortecido.

033   238 . 68  R  238 . valores fixos. 68  4 5 Equipamentos e materiais utilizados  01 gerador de função  01 osciloscópio  Década resistiva  01 capacitor de 0. observando a forma de onda de tensão no capacitor para três casos. configurando-se vg(t) como uma onda quadrada com amplitude 5 V e freqüência 2 kHz. L= 470 μH e C = 0. sobre-amortecido e criticamente amortecido.033 μF.3) Criticamente amortecido: R  4L  C 4  470  0 . Variamos o valor do resistor para analisarmos os três casos: sub-amortecido.033 μF  01 indutor de 470 μH Procedimentos O circuito da figura 1 foi montado. caso sub-amortecido: 5 . Figura 04: circuito RLC 6 Resultados As formas de onda da tensão no capacitor são as seguintes para cada caso:  Utilizando R = 100 Ω.

obtivemos os seguintes resultados: 1) Caso sub-amortecido: L e C possuem valores fixos. 6 . A resistência utilizada foi R = 100Ω. O gerador de funções foi ajustado para a forma de onda quadrada. caso criticamente amortecido: Forma de onda de tensão vista com zoom 7 Simulações Com o intuito de analisar e comparar os resultados obtidos no laboratório com os estudos teóricos foram feitas simulações no software EWB 5 (Eletronics Workbench). Além dos componentes presentes no roteiro foram consideradas as resistências internas do gerador de funções (50 Ω em série com o resistor) e do osciloscópio (1 MΩ em paralelo com o capacitor). Utilizando R= 1kΩ. 033µF respectivamente. L=470µH e C=0. Dessa forma. caso sobre-amortecido: Forma de onda de tensão vista com zoom  Utilizando R = 238 Ω. que satisfaz a relação: R  238 . 68  . amplitude de 5V e frequência de 2kHz.

033µF respectivamente. 7 .A forma de onda encontrada foi: 2) Caso sobre-amortecido: L e C possuem valores fixos. 68  . L=470µH e C=0. que satisfaz a relação: R  238 . A resistência utilizada foi R = 1kΩ.

O roteiro do experimento faz um questionamento a respeito de como seria o projeto do circuito caso não fossem tolerados valores maiores que 5V na saída. porém uma delas é multiplicada pelo tempo (t). L=470µH e C=0. um indutor e uma resistência em série. Através da figura 03é possível perceber que a solução cai de maneira rápida a partir de seu ponto de máximo. 3) Regime criticamente amortecido: A solução para esse regime é a soma de duas exponenciais. impedindo o sistema de apresentar oscilações em torno de um valor estacionário. É possível. 033µF respectivamente. apresentando amplitudes que decrescem com o tempo. 9 Conclusões Através deste experimento foi possível explorar as propriedades do circuito RLC composto por um capacitor. A resistência utilizada foi R = 238. Ao observar o sinal através do osciloscópio percebemos que as oscilações ultrapassam uma amplitude de 5V.Caso criticamente amortecido: L e C possuem valores fixos. comprovando que o experimento foi bem-sucedido.68 Ω. É possível inferir. 68  . então que quanto menor for o valor da resistência maior será a oscilação em torno do valor de entrada. que satisfaz a relação: R  238 . A partir da análise dos três regimes acima e considerando que o novo projeto não tolera valores maiores que 5V na saída concluímos esse circuito deveria ser projeto apenas com valores da resistência que obedecessem a relação: R  238 . Dessa forma foram feitas as seguintes considerações referentes a cada um dos três regimes possíveis: 1) Regime sobre-amortecido: A solução da EDO para esse regime é feita a partir da soma de duas exponenciais. Deste modo o regime sub-amortecido não faria parte dos regimes possíveis para o sistema e então os valores de saída nunca ultrapassariam 5V. 68  . analisando o sinal no osciloscópio. 2) Regime sub-amortecido: A solução para esse regime é dada por uma senóide amortecida exponencialmente que tende a um valor estacionário. Através do osciloscópio é possível ver que as oscilações não ultrapassam uma amplitude de 5V. Outro aspecto relevante é o fato de uma exponencial decair mais lentamente em relação à outra. perceber que as oscilações não ultrapassam a amplitude de 5V. 8 Discussões Os resultados experimentais foram muito semelhantes aos resultados teóricos e as simulações (as resistências internas do gerador de funções e do osciloscópio foram acrescentadas visando maior fidelidade ao ambiente real). valor muito próximo do seu valor de entrada (5V). A análise teórica determina que o circuito possa ser 8 .

10 Referências Bibliográficas   Roteiro do Experimento 08. interferência e qualidade dos equipamentos utilizados. De circuitos elétricos 1. atingindo os objetivos propostos pela disciplina. variando apenas a resistência de acordo com o objeto de estudo. foram fixados os valores da capacitância C e do indutor L. As simulações feitas no software EWB foram de suma importância. J. que nos forneciam os três regimes estudados: criticamente amortecido. Entretanto. visto que proporcionaram a comparação entre os resultados experimentais e teóricos. 9 . Moodle Lab. levando-se em consideração a imprecisão. David Irwin. A partir da resolução desta EDO é possível analisar o comportamento da tensão e da corrente nos componentes do circuito. tivemos que analisar três possíveis casos para as soluções da EDO. colocando em pauta os possíveis contratempos encontrados em laboratórios e mostrando o comportamento dos circuitos em situações não ideais. sub-amortecido e sobre-amortecido. Análise Básica de circuitos para engenharia. estando de acordo com os estudos e cálculos teóricos realizados anteriormente e muito próximos das simulações feitas em ambiente ideal. UnB.modelado de acordo com uma Equação Diferencial Ordinária (EDO) de segunda ordem. De maneira geral os resultados obtidos no experimento foram satisfatórios. 7ªed. Para tais. mostrando que o grupo obteve excelência na manipulação dos equipamentos presentes no laboratório.