You are on page 1of 68

D

i
m
e

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo

IRC2

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 1

Índice
Dimensões da globalização: económica, social política e
cultural.
Formaçãoe expenção das empresas multinacionais.
Interdependências entre sociedades e territórios com níveis
de desenvolvimento diferentes.
Fatores responsáveis pela globalização
1- Enfraquecimento do estado-nação
2- Abertura das fronteira
3- Desenvolvimento das comunicações
4- Liberação das trocas
5- Expanção multinacionais
Centro de decisões do Sistema Mundo: E.U.A, U.E e Japão.
Novas economias emergentes: China, Ìndia e Brasil.
Efeitos da globalização na economiae na sociedade:
1- Desenvolvimento dos mercados financeiros
2- Deslocação de empresas e fluxos de mão-de-obra
3- Aumento de desigualdades
4- Incremento do consumismo
5- Homogeneização de modos de vida
Estrura do comércio mundial: bens transacionados,
organizações e acordos internacionais.
Comécio justo: principios e objetivos.

IRC2

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 2

Medidas para diminuir os impactos negativos da
globalização.
Introdução
Este trabalhao esta a ser realizado para que para que es alunos possam
aprender e tirar todas as duvídas que são apresentadas.

IRC2

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 3

É também um fenómeno ‘interior’. Para ambos os grupos. A globalização é política. de maneiras que não nos são imediatamente apreensíveis. entendemos por este conceito o processo histórico em curso. “é um erro pensar-se que a globalização só diz respeito aos grandes sistemas. e os seus actores não são apenas – nem fundamentalmente – os Estados. mas que condicionam fortemente os nossos comportamentos mais expostos ou mais íntimos. o fenómeno mais marcante das sociedades contemporâneas. Ao longo deste ensaio. desde a política e a economia. como a ordem financeira mundial. trata-se. Em sentido lato. Ela influencia a nossa maneira quotidiana de viver. além de económica”. de um fenómeno de natureza económica. à sexualidade. A globalização não é apenas mais uma coisa que ‘anda por aí’. que consiste no adensamento das redes de interdependência à escala IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 4 . porventura. tecnológica e cultural. remota e afastada do indivíduo. Principalmente. à família ou à religião. O que é um erro. importa esclarecer que a globalização não é algo que tenha a ver exclusivamente com o mundo dos negócios e da finança internacional. social política e cultural. indagaremos até que pontos essas consequências se reflectem nas práticas culturais em contexto urbano. antes de tudo. que influencia aspectos íntimos e pessoais das nossas vidas”. Nesse sentido. a globalização tem consequências em praticamente todas as esferas da nossa vida social: “Nem os cépticos nem os radicais compreenderam inteiramente o que é a globalização ou quais são as suas implicações em relação às nossas vidas. A GLOBALIZAÇÃO A globalização é.Dimensões da globalização: económica. Como diz Giddens.

mas.planetária. política e cultural. Essa discussão ficará. tem aspectos positivos e outros negativos – sem prejuízo de defendermos eventualmente a necessidade de uma alter-globalização (um sistema mais regulado). Actualmente. ● Numa perspectiva económica. As trocas mercantis andaram sempre pari passu com o alargamento das possibilidades de circulação no globo terrestre. Esta dinâmica observa-se nas práticas dos públicos urbanos da arte – e é este o objectivo deste ensaio. a “economia global” impõe-se como a forma mais adequada de descrever o sistema mundial. na ordem do dia. para outra ocasião. A literatura observa normalmente três dimensões da globalização: económica. de cisão. simultaneamente. foi o comércio que pôs em contacto sistemas regionais relativamente autónomos. estão também a IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 5 . Como processo histórico em curso. no entanto. produzindo fenómenos de integração e de hegemonia. Devemos esclarecer que assumimos como ponto de partida que a globalização não é intrinsecamente boa nem má.

ultrapassamos as duas clivagens que normalmente se manifestam a este propósito: entre os que acham a globalização uma posição ideológica (ligada ao neoliberalismo) ou parte do processo histórico em curso. etc. como expressa o marketing. porque um existe em função do doutro e define-se apenas em contraposição ao outro (ou. consideramo-la irrelevante. pelo menos desde a pop-art. ● As redes supranacionais dos media ilustram bem a dimensão cultural da contemporaneidade. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 6 . É nesta dinâmica que se inscrevem as problemáticas nacionais e a questão ecológica (cada vez mais internacionalizada. que a realiza). nos idos de 80 (a aldeia global). com a preocupação das chuvas ácidas. O fim da 2ª Guerra Mundial fez nascer uma nova ordem. Sobre esta última. e não a televisão. Assim. um contra-senso. tomamos a posição de que se trata de uma realidade histórica que define e molda a nossa vivência contemporânea. de certo modo.). e entre os que a consideram uma realidade positiva ou negativa. ao contrário do que previa este autor. na sequência do “11 de Setembro”. “think global. é a Internet. é hoje um lugarcomum (mas. A globalização está no coração da cultura e da arte modernas. o fim desse período deu origem à supremacia de uma “hiperpotência”. marcada pela “guerra fria” bipolar.globalização da democracia. usualmente excluídos dos circuitos das trocas mundiais. sobre a primeira clivagem. Defender o local contra o global é. ● A dimensão política da globalização é indissociável da história dos impérios e das colonizações. O facto de as duas as grandes guerras do século XX terem sido chamadas de “mundiais” mostra que os historiadores já então se apercebiam da lógica em curso. ao definirmos estas três dimensões. Os principais obstáculos a uma globalização económica provêm da periferia do sistema: os países mais pobres. A profecia de McLuhan. act local”). dos direitos humanos e da justiça penal internacional (mais sonhada que efectivamente realizada). os analistas voltam a falar de uma ordem nascente. hoje. das nuvens radioactivas.

poderá ser mais forte uma tendência “uniformizadora” ou “diversificadora”. No senso comum. ● Uniformidade versus diversidade. nos comportamentos. Para encerrarmos este assunto. mesmo. pelo menos sem que possa ser desafiada. já que. vista como neo-colonizadora. e mais livros e discos de autores nacionais. chamar de “McDonaldização” (uma vez que os restaurantes McDonald’s são semelhantes em todo o mundo). é justo dizer que esta visão não é inteiramente correcta. num processo a que poderíamos. africanos…. é multicultural e suficientemente ávida de novos inputs de outras origens. com alguma propriedade. franceses. Hoje. tal como o espectador tem mais telenovelas portuguesas do que antes. que. ideias e imagens que circulam por todo o planeta. produz-se maior diversidade de conteúdos. nos países da UE).). em cada momento específico ou em cada situação social. ● Novas noções. na arte. desenraizadas de uma referência IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 7 . Hoje. não obstante. No entanto. Concedemos. o consumidor comum tem ao dispor igualmente mais restaurantes italianos. qualquer pessoa tem uma cultura mental composta por figuras. identidade em geral e. ao mesmo tempo. a globalização está associada à uniformização a todos os níveis (na música. chineses.A DIMENSÃO CULTURAL DA GLOBALIZAÇÃO Antes de analisarmos em maior profundidade as práticas urbanas ligadas à cultura. indianos. vejamos as características fundamentais que moldam a cultura globalizada que fruímos. O processo de globalização cultural é contraditório e é duvidoso dizer que haja uma tendência para a uniformidade se instalar. etc. de nação (pelo menos. na televisão e no cinema. identidade cultural nacional. deixemos que a cultura norte-americana. brasileiros. Uma das características da cultura contemporânea é a substituição das noções tradicionais de cultura.

A supremacia da imagem tomou forma no sistema de “vedetariado” de Hollywood. Os autores jurídicos que definiam a nação em termos de “poder. militares…). do “look”. A moda instituiu-se.ex. espaço e população” encontram-se ultrapassados pelos acontecimentos. pop. políticos. com os seus “quinze minutos de fama”. techno. em larga medida.local ou nacional. de considerações extra-artísticas.: música clássica. dos gabinetes de assessoria de imprensa aos museus de arte contemporânea. Os media e a industrialização da arte tornaram as imagens omnipresentes. como bem analisou Barthes. por contraposição. Andy Warholl deu voz à era da imagem. tudo se joga na “construção da imagem”. Hoje. re-mix. numa lógica de circulação sem barreiras. É comum dizer-se hoje que “uma imagem vale mil palavras”… embora nem com mil imagens seja possível dizer o que dizem aquelas cinco palavras! ● O sistema das artes. de língua ou de etnia mostram-se incompatíveis com qualquer aproximação empírica às sociedades actuais. O multiculturalismo. ● O império da imagem. os autores que falavam de cultura nacional em termos de homogeneidade. Apesar de sermos forçados a constatar a presença do fundamentalismo como actor dos novos confrontos (ideológicos. o cosmopolitismo (a abertura ao outro. a partir de meados do século XX. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 8 . da publicidade ao design e à arquitectura. O sistema artístico globalizado caracteriza-se por uma segmentação em disciplinas (p. prontamente copiado/adaptado a diferentes contextos locais. A “imagem de marca” faz com que uma obra de arte seja consumida num circuito que depende. a visão abrangente do mundo) e o relativismo (a ausência de preconceitos a priori para olhar o outro). com regras e leis (chegando-se ao ponto de ser moda não estar na moda). a transculturalidade são as perspectivas para abordarmos os novos contextos. como sistema. identificamos.

etc. pela experimentação (sem limites: arte é aquilo que os artistas dizem que é arte…) e. o nome e a reputação do autor…). mais importante.) e por uma hierarquização (um cantor de bar não está ao nível de uma estrela dos circuito mundial de concertos…). IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 9 . ao mesmo tempo que há uma pluralidade de discursos (um filme sem imagem pode ser uma obra de arte…). pela mediação social da obra de arte (o merchandising.

Essa intensificação vem acompanhada de uma “invasão” cultural. fizeram com que estes. que nos impressiona com o “american way of life”. transformando-se em multinacionais. o capitalismo uniu vários países do planeta. mundo é praticamente sinônimo de planeta. Depois de muito tempo o capitalismo atingiu a atual fase de globalização. e assim desenvolveu o sistema-mundo. internet. ao se desenvolverem. temos a oportunidade de saber um pouco da cultura de nosso pais. Além disso. Superada a destruição provocada pela Segunda Guerra. está havendo uma verdadeira revolução nas unidades de produção e em outros setores. pois alguns países e regiões estão mais integrados que outros. Hoje em dia. se origina nos Estados Unidos. sabemos que os fluxos da globalização atingem desigualmente o mundo. o que é uma grande vantagem. tornando-os privilegiados. e uma prova disso é que os capitais especulativos e produtivos concentram-se em poucos lugares do planeta. passassem a ser chamados países emergentes. deve-se ao chip . revistas e etc. Desde a década de 1970. sobretudo nas cidades globais. que na maioria das vezes. a economia mundial voltou a crescer num ritmo mais acelerado. que possibilitou a criação de microcomputadores mais rápidos preciosos e baratos. que é controlado por alguns centros de poder econômico e político. Com isso.). apresentam melhores infra-estruturas e maior poder aquisitivo. e se encarregaram de globalizar a produção e o consumo. O espaço geográfico mundial é bastante desigual. Porem. Hoje. Grande parte dessa revolução. jornais. atualmente.Formaçãoe expenção das empresas multinacionais. As empresas dos países industrializados se expandiram pelo mundo. com a facilidade de acesso aos vários meios de comunicação (TV. onde a mão de obra é mais barata. Alguns lugares. radio. A intensificação do fluxo de viajantes pelo mundo ocorre junto a globalização da produção e do consumo. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 10 . ao construírem filiais em países subdesenvolvidos. num único sistema.

IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 11 .

Esta transformação exacerba a concorrência entre as empresas. surgem várias alternativas institucionais de descentralização espacial do desenvolvimento que procuram integrar as potencialidades do território e os interesses de médio e longo prazo das comunidades ou sociedades civis localizadas. da administração. Estas novas estratégias de desenvolvimento local começam a ocupar um lugar experimental nas políticas públicas.Interdependências entre sociedades e territórios com níveis de desenvolvimento diferentes. O local apresenta-se como uma configuração espacial descentralizada da territorialidade global.que não tenha sofrido algum tipo dos efeitos (positivos ou negativos) conjugados pela mutação recente do sistema produtivo e da mundialização da economia.esta primeira instância da governabilidade do território . o papel do desenvolvimento local tem sido alvo de um intenso debate entre vários profissionais nas áreas da economia. da União Européia e do Mercosul. Nesse contexto. Diferentes autores acadêmicos e autoridades políticas têm alertado para um fato marcante da história recente da economia mundial: em muitos países hoje não há um local . entre os produtos industriais e agrícolas. da IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 12 . mas também entre os modos de organização e de governabilidade das sociedades nacionais e dos sistemas sociais locais. sobretudo. como ilustram bem os exemplos do Nafta. e. A maior integração econômica e social do território revela-se na emergência de diferentes sistemas sociais locais nos países desenvolvidos e em desenvolvimento. que integra instâncias de controle. relançando em novas bases as noções e as estratégias do desenvolvimento local. de poder e de estratégias. Com isto. nos interesses dos atores políticos e dos grupos econômicos nos processos atuais de regionalização da economia mundial. É nesse novo contexto que o desenvolvimento local reaparece no centro das estratégias dos estados nacionais dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. embora venham se destacando nas discussões e metodologias recentes para atingir o desenvolvimento econômico sustentável nas regiões. na grande maioria ainda compensatória.

Temas como a construção e formação de identidades e vocações econômicas. assim como a conformação de novos atores sociais. em processos de tentativas de "desenvolvimento local integrado e sustentável". da antropologia. estadual e municipal). democrático e solidário que envolve os governos em todos os níveis (federal. sócioculturais e ambientais locais. por exemplo. do perfil das instituições e dos atores sociais envolvidos. Em seguida. entidades de classe. GLOBALIZAÇÃO Aspectos positivos . da geografia e do urbanismo. Na terceira seção sintetizamos as ações propostas na elaboração do Plano de Desenvolvimento e da Agenda Local democraticamente decididos pelos Fóruns de Desenvolvimento Local de cada localidade. IRC2 Aspectos negativos . organizações não governamentais e lideranças comunitárias. através de um processo participativo. de novas estratégias de políticas locais. Frente a este quadro. mas também sistemático da questão do desenvolvimento local. que objetiva a sensibilização dos atores sociais das comunidades para agirem sobre suas vocações e potencialidades. analisaremos a pertinência institucional da construção da política pública nacional do governo brasileiro. da política. a partir da coerência das suas formas institucionais.sociologia. de novas territorialidades criadas na distribuição/integração espacial do desenvolvimento. têm sido re-interpretados com novos conceitos e modelos de análise que possibilitam um novo tratamento ao mesmo tempo amplo. a partir de situações apresentadas pelo cenário econômico mundial desde meados dos anos 90. partindo das vantagens locais. Na primeira seção apresentaremos o debate das novas estratégias e principais tendências de processos de desenvolvimento local. Na quarta e última seção concluimos fazendo uma análise geral da estratégia adotada e dos resultados parcialmente obtidos desde a implantação do Programa em 1999. o artigo tem por objetivo abrir um debate sobre o alcance da estratégia de desenvolvimento local do governo brasileiro a partir de 1999.o comércio é controla pelos países Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 13 .turismo.

conhecimento de outras culturas.dependência económica das multinacionais. . . Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 14 .maior oferta de produtos de baixo preço. drogas.crises financeiras afectam todos os países. .. IRC2 desenvolvidos.proliferação dos crimes (comércio de armas. . terrorismo).deslocalização das indústrias que origina desemprego.rápida difusão do programa tecnológico. .maior produtividade pela divisão do trabalho. . .

além do mercado. deriva-se da revolução burguesa e surgiu em oposição à hierarquia feudal existente com o objetivo de delimitar um território para a acumulação do capital. em sua concepção. o Estado Nacional não representa algo indefinido. hoje. culturais e econômicos. surgidas com o apoio popular. A delimitação territorial tem um “posto” de observação e um ângulo de posicionamento muito especial: a Nação. Este Estado. com o estabelecimento da Nação. mas a organização mundana do poder nacional. as instituições nacionais foram fragilizadas. a mais drástica e intensa transformação em seus paradigmas. que era um sistema econômico baseado na livre empresa. também agia o Estado. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 15 . para ele. como uma quebra da separação entre a sociedade (esfera privada ou mercado) e o Estado (esfera pública ou política). por vários estudiosos. num sistema bipolar de alocação de recursos onde. mas com significativa participação do Estado na promoção de benefícios sociais. Com a representação desigual dos interesses sociais. originando as crises institucionais que ocorriam quando as classes subjugadas se mobilizavam.Enfraquecimento do estado-nação A intervenção do Estado na promoção do bem-estar econômico e social. gerando instituições e formas culturai apropriadas. afirma Weber[i] e. Seu desenvolvimento foi considerado. que durante longo período da história foram inerentes à ação estatal. O Estado Nacional se estruturou inicialmente na Europa a partir do final da Idade Média. tendo o seu território controlado pelo Estado. bem como sua soberania e todas as premissas. sofreram várias mudanças e enfrentam. Essa estrutura estava constituída para atender aos interesses dos grupos sociais dominantes. os fatores econômicos como a transformação da sociedade agrária em industrial acabaram constituindo o Estado assistencial ou o Estado do bem-estar. Com o passar dos anos.

prevenindo conflitos. G. Mas. muitos avanços foram conquistados conforme salienta BOBBIO. Com a economia estruturada sob a ação do poder público. e os conflitos no interior das classes dominantes e entre as burguesias para repartir os espaços de dominação ou imperiais impuseram limites temporários à dinâmica do capital. desenvolver a produção de bens e serviços sociais. através de seus instrumentos políticos. à medida que há desenvolvimento econômico de uma nação. foram aperfeiçoadas as técnicas de descobertas e avaliação das necessidades sociais entre outras. N. o Estado é tanto organizador como própria organização de dominação. (2002): o aumento da cota do produto nacional bruto com a despesa pública. resultante das pressões das classes populares ou subalternas. passa a proporcionar os meios de acesso. trabalho. expectativas . Como ressalta Weber[ii]. A ação estatal. na construção de um patrimônio público e na ampliação da democracia. Nesse espaço. o espaço universal de interesses e particularidades e seu mediador geral. entre outras reformas. renda. ampliaram-se as estruturas administrativas voltadas para os serviços sociais e se tornaram mais complexas. que resultaram em direitos sociais e econômicos. há também aumento na parcela do produto nacional bruto usada para fins sociais. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 16 . como demonstrado em várias teses[iii]. a maioria projetos de desenvolvimento capitalista. & PASQUINO.. N. em que foram contemplados os desenvolvimentos da industrialização. da urbanização. MATTEUCCI. iniciaram-se vários projetos nacionais de desenvolvimento econômico. principalmente desde o fim da Segunda Guerra Mundial.O Estado. a democratização do sistema de ensino. estabilizando o sistema e legitimando o Estado.com o objetivo de proporcionar ao conjunto de cidadãos padrões de vida mínimos.não mais determinados pelo mercado . controlar os ciclos econômicos e ajustar a produção. dessa maneira.

que criou instrumentos de regulação internacional com a Ordem Econômica Internacional do pós-guerra – que hegemonizou os EUA com a criação do dólar como dinheiro mundial. em 1971. Mas. o superfaturamento das obras públicas. N. social e política afetando as possibilidades de atuação estatal. A crise retornou de maneira violenta no início dos anos 70 e.. em alguns. entre eles a sonegação fiscal praticada pelo setor privado que se apropria indevidamente de significativa parcela da receita da União. MATTEUCCI. por conseqüência. em vários países da Europa e nos Estados Unidos. os acordos firmados de Bretton Woods[iv] em 1944 . a dos Estados Unidos. dos serviços e dos bens fornecidos pelo governo. o determinante da nova era global foi a crise da economia capitalista e mais especificamente na sua economia mais poderosa. N. a instabilidade econômica. à Relação Estado x Mercado. & PASQUINO. os grandes lucros do sistema financeiro com a dívida pública que se multiplica com as altas taxas de juros tornando o Estado cada vez mais refém desse sistema. G. casos chegou a 100% e a famosa burocracia que. no final da década de 60. mas sim uma crise em que um dos pólos será eliminado. trazia. Como salientam os escritos de BOBBIO. Aliado a esses. que as despesas governamentais aumentavam mais rapidamente que as receitas. muitas vezes. (2002). não há mais equilíbrio na relação de bem-estar entre Estado e sociedade. A crise fiscal do Estado indica incompatibilidade entre as duas funções do Estado assistencial que eram fortalecer o social das organizações de massa e o apoio à acumulação capitalista com o emprego anticonjuntural da despesa pública.Verificou-se. outros fatores contribuíram para a crise fiscal do Estado e. gerando a crise fiscal do Estado e. à medida que o déficit público aumentava. emperra o setor público em suas iniciativas. que. como IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 17 . que rompeu unilateralmente. o que lhe conferiu o benefício da senhoriagem[v] e havia dado um fôlego à economia capitalista. por conseqüência.

que se traduzia numa maior competitividade internacional de suas mercadorias. e esse alto custo levaria muitos anos para ter um retorno de seu investimento.salienta SOUZA. No período de 1960 a 1976 (segundo dados do Relatório sobre Economia Mundial da ONU)[viii]. N. Os EUA quase sempre foram um dos países que mais investiram em desenvolvimento de pesquisas tecnológicas. os quais serviam de lastro que sustentava a paridade e a livre conversibilidade do dólar. tinha. A partir da década de sessenta. dessa maneira. mantendo o persistente déficit no balanço de pagamentos[ix] o que acarretou na perda de confiança da IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 18 . redução de salários. (1995). formação de mercados cativos. utilização de fontes de matérias-primas baratas. os EUA passaram a perder em produtividade do trabalho e em competitividade para o Japão e a Alemanha devido ao esgotamento de suas tecnologias. recursos de outros países. o que resultou em perdas no comércio internacional para os produtos mais baratos do Japão e da Alemanha. o que não compensaria em termos da lucratividade. pois era muito oneroso mudar toda uma estrutura produtiva já instalada por outra. gerando superávits em sua balança comercial. mas nem sempre as aplicavam. enquanto no Japão cresceu 289% e na então Alemanha Federal cresceu 145%. em sua raiz. e a reconstrução desses países se deu com estruturas produtivas mais avançadas tecnologicamente que os EUA. a perda do papel de vanguarda tecnológica da economia norte-americana. desaparecendo os superávits comerciais necessários à captação de recursos dos outros países. captando. pois os monopólios não buscavam a conquista ou a manutenção de mercados através de avanços tecnológicos e sim em práticas de dumping[vii].A. que sustentava a força do dólar através de uma maior produtividade do trabalho[vi] dos EUA. Já a Alemanha e o Japão tiveram suas Nações arrasadas durante a Segunda Guerra Mundial. entre outras. a produtividade do trabalho nos EUA cresceu apenas 57%.

4%. pois não havia como sustentá-la sem reservas. Segundo dados do Banco Mundial.[x] Havia também uma insuficiência de demanda agregada[xi] interna nas economias capitalistas desenvolvidas. Essas crises.5% para 11. para 12. em 1970-83. Ao mesmo tempo. a crise atingiu as economias mais desenvolvidas. Com isso. a Comunidade Econômica Européia liderada pela Alemanha aumentou de 11. Os EUA passaram a “enxugar” os capitais excedentes pelo mundo através de juros altos. desde então.moeda norte-americana e inviabilizou a manutenção da paridade do dólar. onde o crescimento de seus mercados domésticos era significativamente menor e a taxa média de lucro nesses países teve uma queda dramática. as quais tinham sido transferidas para o Japão e para a Alemanha através de seus superávits comercial. Em 15 de agosto de 1971. Com o dilema da necessidade de um instrumento de regulação econômica de âmbito mundial – gerado pela crescente integração econômica em escala global – mas impossibilitado dentro do sistema capitalista pela ação dos monopólios que sobrevivem controlando mercados cativos. a participação dos EUA no total mundial das reservas estrangeiras e de ouro que era 43% em 1953 passou para 8. vieram se propagando sem uma solução exeqüível.2%. em 1974/75. com títulos rentáveis da dívida do governo norte-americano e com o aumento dos custos das dívidas externas dos países em desenvolvimento. sem uma política econômica de âmbito mundial para superá-las e sem instrumentos globais de intervenção econômica e. [xii] a taxa média de lucro dos EUA baixou de 20%. o que acarretou estagnação das economias desses países na década de oitenta. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 19 . a saída estava em o mercado desempenhar a função da regulação internacional. em 1947-69. e a do Japão aumentou de 1.3% em 1970. o presidente Nixon decretou o fim da paridade e da conversibilidade do dólar.5% para 37%.

vinha amargurando baixas taxas de crescimento econômico e havia também uma forte estagnação dos monopólios dos países centrais que passaram a necessitar de novos mercados e da internacionalização da produção. Sob a liderança de Nikita Kruschev. Banco Mundial . aglobalizaçãofoi uma estratégia de reação à insuficiência de demanda agregada nos países capitalistas maduros. com os governos agindo sob forte influência de organismos internacionais como FMI. a redução da planificação ou da ação consciente do homem sobre as forças econômicas. e essa desintegração do Estado socialista foi um componente político decisivo que acabou unificando o mercado mundial num patamar superior ao existente antes da primeira grande guerra. Nessa busca por novos horizontes econômicos. e essa insuficiência se constitui no mais importante determinante desse processo naquele final de século Essa nova era mundial foi estrategicamente planejada como uma saída à economia capitalista que. (1999). Essa mudança estrutural era IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 20 . que não oferecia mais o perigo da Guerra Fria. principalmente os países menos desenvolvidos. que destruiu metade de sua economia e matou mais de 20 milhões de soviéticos. desde os anos 70. fazia-se necessário diminuir as fronteiras de Estados Nacionais. iniciou-se a inserção de mecanismos de mercado e. R. por conseqüência. Tal estratégia foi facilitada a partir da queda do muro de Berlim. muitas vezes. em 1989. depois da Segunda Guerra Mundial. O Estado socialista começou a transformar sua estrutura e mudar os rumos que o conduziriam ao comunismo. após a morte de Joseph Stalin e do enorme esforço para reconstruir a União das Repúblicas Socialistas Soviética – URSS. no final dos anos 50 e iníci dos anos 60.Para GONÇALVES. tornando-os.BIRD e Organização Mundial do Comércio OMC. meros consumidores de produtos industriais e em fontes de matéria-prima e mão-de-obra barata. flexibilizando-os.

ampliaram-se as exportações dos países socialistas. aumento da autonomia de gestão de cada empresa. com a revitalização da ação do mercado na regulação interna. ocorrido através da integração das economias soviéticas no mercado capitalista mundial. é dominado pelos trustes e cartéis sujeitos a crises cíclicas ou mais duradouras. além de diminuir o papel deste. as economias socialistas acabaram se subordinando a lógica deste que. ou seja. o ritmo de expansão da produção total. através da desarticulação das Estações. substituição da gestão coletiva pela gestão individual. Também resultou que. que em 1960 cresceu 7%. A produção agrícola que crescera 7% ao ano no qüinqüênio 1954/59. o que fez com que estes fossem dependentes dessas exportações. 32). O produto per capita que aumentara 33% no qüinqüênio 1966/70.[xiii] Destaco que. O resultado dessas medidas foi o afastamento dos trabalhadores do processo de elaboração do plano.expressa por medidas como Aumento da autonomia das cooperativas. em 1963 caiu para 3%. (SOUZA. as exportações chegaram a 40%[xiv] IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 21 . por sinal. Máquinas e Tratores e conseqüente venda dos equipamentos para as cooperativas. intensificação das relações comerciais e financeiras com o mundo capitalista. A. reduziu-se a ação consciente da coletividade fundada nas decisões das bases e cresceu o papel do mercado e dos burocratas na regulação econômica. ficando vulneráveis a choques externos. fortalecimento da autonomia dos dirigentes das empresas em detrimento do papel dos coletivos de trabalhadores. foi decrescendo e no qüinqüênio 1981/85 cresceu apenas 11%. ao intensificar as relações com o mercado mundial capitalista. 1995. Em alguns casos. Logo após a implantação dessas medidas. maior poder de decisão para cada empresa em detrimento dos organismos centrais de planejamento. cresceu apenas 1. como na Polônia. O resultado foi imediato. N. p. como as estruturais.5% no qüinqüênio seguinte. Com isso. intensificação dos incentivos individuais em detrimento aos incentivos coletivos.

Gosto · · Partilhar · 262 · há 9 horas · Opções IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 22 . na segunda metade da década de oitenta. também. regulação da atividade empresarial pelo comportamento do lucro e não por metas globais e sociais de produção. autonomia das empresas para escolher seus fornecedores. [xvi] O agravamento da crise da economia capitalista. autonomia contábil das empresas.. através do livre desenvolvimento das forças produtivas rumo ao consumismo. a URSS entrou em crise e Mikhail Gorbatchev implementou uma série de medidas que ampliou o espaço interno para a ação do mercado e tirou o caráter diretivo dos organismos superiores de planejamento. EUA e Japão que era em torno de 8%. Na URSS. reestruturação do sistema de crédito. os países socialistas que tinham se integrado ao mercado. diminuindo consideravelmente o ritmo do crescimento econômico.. Destacam-se entre essas. o comércio exterior multiplicou-se por cinco. na década de oitenta. levando os bancos a operarem de acordo com a lucratividade das aplicações financeiras e não mais conform Gosto · · Partilhar · 1058124 · há 9 horas através de PostCron: · Opções Coração Apaixonado O AMOR da minha vida é VOCÊ ♥'. acabou atingindo. e tinham. medidas como: plena independência dos dirigentes das empresas para disporem dos rendimentos destas. nos anos setenta. amadurecido as bases internas para tais crises. em termos relativos[xv]. e em 1986 suas exportações representavam 12% de sua produção nacional – índice alto para uma economia socialista se comparados ao Brasil. portanto. Por fim.de seu produto nacional e sua dívida externa era maior do mundo.

Gosto · · Partilhar · há 9 horas · 9 pessoas gostam disto. — em Go Between. mas estou aqui humildemente pedindo pra voce assinar meu perfil Jocimar Santos Gosto · · Partilhar · há 10 horas · Opções Coração Apaixonado IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 23 .Curtam Gosto · · Partilhar · há 9 horas · 1 partilha Opções Cristiana Santos adicionou 2 fotos novas ao álbum Álbum sem título. roubando ou enchendo a sua timeline de spam. ~> Curta Perolas de verão <~ ____ Poderia estar matando.Luiza Duarte partilhou a foto de Cruzeiro Torcedor. Opções Luis Fernando Oliveira partilhou a foto de Como Que Ta A Quebrada. HOHOHO Curtam -> Cruzeiro Torcedor <.

445 · há 10 horas · Opções Mercado de Transferências Esta marca promete! Veste&Siga Veste&Siga é uma marca que produz T-shirts. CURTA•••►Frases. imagens e poesia ◄••• CURTA•••►Versos de Música ◄••• Gosto · · Partilhar · há 9 horas · Opções Ah Manolo adicionou uma foto nova. ♥ Gosto · · Partilhar · 123 · há 10 horas · Opções Beijo Aprenda a falar inglês mais rápido e fácil! e ainda Ganhe até 3 meses GRATÍS! Clique agora.ly/R7Yw4g SEU CONHECIMENTO É QUE MUDA SUA VIDA! Gosto · · Partilhar · 1457321 · há 10 horas através de PostCron: · Opções Luiza Duarte partilhou a foto de Amando Você. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 24 . se conquista. essa oferta é por tempo limitado: http://bit. Gosto · · Partilhar · 655341.Pra quem ama dicas de moda e beleza Só para mulheres ◄••• Curtam ♥ Amor não se ganha. com um estilo único e repletas de humor.

4 de 75 Ver comentários anteriores Dylan Neves Filmes de pessoas que não batem bem da cabeça . Tânia Costa. há 11 horas · Gosto · 1 IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 25 . tipo tu ! há 11 horas · Gosto · 1 Sara Silva Ahah. — com Tânia Costa e Juliana Silva.. devo bater melhor que algumas pessoas ! há 11 horas · Gosto · 1 Dylan Neves Isso já não me diz respeito há 11 horas · Gosto · 1 Sara Silva Ah pois ! Eheh.Página: 270 gostam disto Gosto · · Partilhar · 32 · há 9 horas · Opções Sílvia Carvalho e há pessoas que mesmo sem saberem nos marcam muito :D Gosto · · há 10 horas · 11 pessoas gostam disto. Ahah. ui ui !! xD Não gosto · · há 10 horas · Tu. que tarde amor !!! Vampira e tal. Opções Sara Silva alterou a sua foto de perfil. Sara Silva e 18 outras pessoas gostam disto.

eliminando a ameaça da Guerra Fria.Opções Luana Sofia Pimentel Um dia vais dar valor ao que tens e ai vai ser tarde :$ Gosto · · há 10 horas · Nuno Sousa. unificando o mercado mundial e dando espaço ao avanço capitalista impulsionado pela modernização e pela revolução da tecnologia e da informação. Estas medidas resultaram na desintegração do Estado socialista. O “Consenso de Washington”. hegemonizado pela ideologia neoliberal. Bernardo Baptista Entao Luana ? há 10 horas · Gosto Luana Sofia Pimentel vida ** há 10 horas · Gosto Bernardo Baptista Se precisares de falar estou aqui!!!Sabes bem não sabes ? há 10 horas · Gosto Luana Sofia Pimentel sim sei :) obrigado há 10 horas · Gosto · 1 Opções Editar opções Mais históriase as necessidades gerais do desenvolvimento. o estabelecimento do trabalho privado. [xvii] que é o sustentáculo do processo IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 26 . ressurgindo novos capitalistas. Maria Manuel Mexia e 2 outras pessoas gostam disto.

a regulação estatal deve ser mínima. o capital global entraria nesses países.de globalização. de investimentos e dos lucros. deve se garantir a mobilidade de recursos. processos de produção flexíveis e multilocais. apoiada por preços estáveis. Ele também resume as implicações dessas transformações para as política econômicas nacionais que são traduzidas pelas seguintes exigências: as economias nacionais devem abrir-se ao mercado mundial. deve ditar os padrões nacionais de especialização. SANTOS. reduzindo o montante das transferências sociais. principalmente os países periféricos tiveram que se submeter como condição para renegociarem suas dívidas externas com as agências financeiras multilaterais. deve reduzir-se o peso d políticas sociais no orçamento do Estado. legitimando o sistema e que também justificasse a nova ação dos monopólios pelo planeta. B. só depois que as economias fossem liberalizadas. Destaco que esse consenso buscava uma ideologia positiva. esses ajustes estruturais. desregulamentação das economias nacionais. e os preços domésticos devem adequar-se aos preços internacionais. pois. preeminências das agências financeiras multilaterais. (2002). as políticas monetárias e fiscais devem ser orientadas para a redução de inflação e da dívida pública. não IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 27 . S. eliminando sua universalidade. o setor empresarial do Estado deve ser privatizado. a tomada de decisão privada. destaca os principais traços dessa nova economia mundial que são: economia dominada pelo sistema financeiro e pelo investimento à escala global. deve ser dada prioridade à economia de exportação. atendendo às necessidades do capitalismo moderno. e estes. foi um conjunto de propostas elaborado em meados da década de oitenta pelos Estados hegemônicos do sistema mundial que abrangia desde o futuro da economia mundial às políticas de desenvolvimento e especificamente o papel do Estado na economia. revolução nas tecnologias de informação e comunicação. A todas essas exigências.

ou descumprir os acordos firmados. para que o capital. R. (1999).por acaso. social e política. a meta era a unificação de todas as economias ao redor de um conjunto de regras homogêneas do jogo. (1999). As agências multilaterais coordenaram o processo. especialmente dos países periféricos dentro da economia capitalista. GONÇALVES. concordo com SANTOS. ressalta que a liberdade de escolha. tendo em vista a força avassaladora e a gravidade da realidade econômica. contando com governantes representando interesses internacionais. os bens e os serviços pudessem fluir para dentro e para fora. resultará na fuga de capitais e diminuirá a credibilidade dos “investidores globais”. e também com CASTELLS. na gestão de Clinton. Essa pressão política teve. Por esse aspecto. S. Entendo que as metas fiscais impostas pelo FMI tornam quase insignificativa a ação estatal no combate às desigualdades sociais. conforme os critérios de mercado. o maior empenho. M. pois um aumento dos investimentos nas áreas sociais que venham comprometer os superávits exigidos. M. ao afirmar que o IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 28 . FMI e Banco Mundial impuseram as regras determinando as políticas econômicas e os gastos públicos com o objetivo de disciplinar os governos d vários países. diante de opções políticas e ideológicas mais liberalizantes parece ter desempenhado um papel coadjuvante no processo de liberalização. estavam com as suas economias deterioradas após a primeira etapa de globalização financeira na década de oitenta[xviii]. segundo CASTELLS. pressionando diretamente os governos do mundo inteiro e instruindo o FMI para implantar essa estratégia de maneira mais rígida possível e. principalmente após a década de 80. B. bem como a própria incapacidade das elites nacionais de definirem projetos alternativos de ajuste e de desenvolvimento. (2002). (1999). quando diz que o Estado-Nação parece ter perdido a sua centralidade tradicional como unidade privilegiada de iniciativa econômica.

que. para com isso se proteger da instabilidade monetária e cambial resultante das crises e do fim da paridade do dólar em relação ao ouro em 1971. foram quebrados sem esperança de conserto. O capital necessitava expandir além dos limites dos mercados de capitais dos países desenvolvidos e fugir das regulamentações nacionais do mercado financeiro. econômica e cultural do Estado deixou de ser uma perspectiva viável. os Estados buscaram alianças e entregaram voluntariamente pedaços cada vez maiores da sua soberania. reduzindo a proteção externa de suas economias. Assim sendo. adaptando-as com as economias mundiais e diminuindo a sua capacidade de controlar os fluxos de pessoas. os pés do “tripé da soberania”. como ele chama. que tentava. serviços. comunicação e informação. através de suas próprias instituições IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 29 . para preservar sua capacidade de policiar a lei e a ordem. E isso. segundo esse autor. tecnologia. por quase todo o século passado. atrair capitais para estancar o processo de desvalorização do dólar e amenizar a difícil situação de permanentes déficits na balança de pagamento dos EUA. A auto-suficiência militar. bens e capital Na visão de BAUMAN.controle do Estado sobre o tempo e o espaço vem sendo sobrepujado pelos fluxos globaisde capital. A estratégia era diversificar seus recursos.(1999). dispersando-os geograficamente. Os grupos transnacionais. os estados acionais. dessa maneira. Saliento que os mercados financeiros desempenharam papel importante nesse processo. Z. produtos. foram se enfraquecendo à medida que avançava o processo de globalização ou de transnacionalização. tinham como um dos seus principais objetivos a promoção do bem-estar social e econômico da nação e eram um instrumento de defesa desta. principalmente pelos EUA no governo Reagan. estimulado pelos desenvolvimentos tecnológicos[xix] e pela desregulamentação do sistema bancário pelos países centrais.

passou a ser enfraquecido. o controle estatal. e. para com isso impedir o rastreamento de seu giro constante pelas autoridades competentes. com o desenvolvimento do mercado de euromoedas nos anos 60 e 70. através de políticas monetárias. políticas de crédito e fluxos financeiros. dado ao grande volume de capital envolvido. muitas vezes. passaram a atuar diretamente no sistema financeir internacional e. pois esses fluxos necessitam ser processados com maior mobilidade e flexibilidade que qualquer outro. colocando vários países em condições de extrema dependência externa. houve um crescente endividamento público e privado que resultou na emissão de títulos – particularmente os públicos – para financiar essas dívidas.financeiras. Outro fator importante é que. além da arbitragem internacional das taxas de juros das quais o capital financeiro internacional se beneficia ganhando com as diferentes IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 30 . as reservas monetárias dos bancos centrais. Com isso. pois com as economias nacionais inter-relacionadas. Com o avanço da globalização econômica. Também tiveram significativa “contribuição” os empréstimos contraídos pelos governos que superam. aumento da concorrência desenfreada no sistema econômico mundial. na tentativa de retomada do crescimento econômico através do aumento dos gastos públicos em armamento pelo governo Reagan e aumento do crédito. e esses títulos são a base do mercado financeiro global. os movimentos especulativos e o potencial destrutivo do capital têm conseguido condicionar até as políticas econômicas dos países ricos. créditos sem critérios. o crescimento dos fluxos de capital de origem criminosa[xx] também foi um fator relevante e desestabilizante. as estabilidades cambiais e monetárias são essenciais para garantir o volume de investimentos e o livre fluxo de capitais (de curto prazo) e mercadorias. começou se configurar o atual sistema financeiro internacional. Por outro lado.

da renda. Através da política monetária. quanto menores forem as alternativas de políticas de ajustes e quanto maior for o custo do processo de ajuste. os bancos centrais modernos tentam controlar (vendendo e comprando títulos da dívida pública no mercado aberto) a oferta e demanda de moeda e. através dos mecanismos tradicionais das políticas monetárias. aumenta-se a taxa de juros básica. pois a especulação desenfreada em escala mundial. na quantidade e no preço do capital externo e das mercadorias. da qual participam bancos. fundos de pensão. fiscais e cambiais que afeta os volumes de produção. são sempre mais vulneráveis aqueles países subdesenvolvidos. para IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 31 . A vulnerabilidade externa será maior quanto menor for o poder de defesa de um país contra esses ataques.alíquotas. Esse custo negativo da resistência à vulnerabilidade externa se traduz em políticas de estabilização macroeconômica contracionistas. por conseguinte. Essas tensões e vulnerabilidades externas[xxi] impõem às nações uma trajetória de instabilidade e crise e enfraquecem as estruturas econômicas a ponto de um país que desfruta de uma relativa estabilidade do sistema econômico internacional se vê refém das expectativas desfavoráveis quanto à manutenção de sua trajetória a longo prazo. a taxa de juros. Desse modo. dos gastos e preços relativos. empresas. e a volatilidade dos fluxos econômicos internacionais se reflete nas economias nacionais. investidores individuais e a capacidade de instantâneas transferências de recursos de uma praça financeira a outra tornam a crise uma possibilidade permanente. Mas a globalização do mercado financeiro trouxe ao sistema grande grau de instabilidade e alguns setores capitalistas que clamam por uma nova regulamentação. em mudanças drásticas. ou seja. reorientando e reduzindo o nível dos gastos. Por esse instrumento.

que são medidas de controle direto sobre as contas externas em situações extremas. afetando a oferta de moeda. conforme o impacto que isso irá causar no mercado de ações. o governo aumenta os impostos. uma predominância do capital financeiro sobre o capital produtivo e um crescimento cada vez maior do mercado financeiro com relação ao crescimento do comércio global. As transações financeiras intercambiais puramente especulativas alcançam um volume diário que ultrapassa os US$ 1. Através de uma política fiscal contracionista. Também poderão ser adotadas medidas como a centralização do câmbio. à moratória da dívida externa. gerando desemprego. Outra característica é que há. superando em cinqüenta vezes os volumes de trocas comerciais e diariamente se equivalem à soma das reservas dos “bancos centrais” do mundo. pois é através delas que os governos conseguem uma margem de arbitragem. onde as grandes corporações planejam suas produções. fazendo com que o governo venda esses títulos retirando moeda da economia para reduzir a inflação. o rumo de suas empresas. e o endividamento interno torna-se quase incontrolável. e. Z. muitas vezes. segundo BAUMAN. Mas o movimento dos fluxos financeiros internacionais cria uma instabilidade nos sistemas monetários nacionais. diminuindo a renda disponível das pessoas. afirma IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 32 . o nível de preços e as taxas de juros internas. reduzindo o consumo. ocorrem crescentes déficits nas contas públicas.3 bilhões. no ano. seus investimos. o nível de produção e os novos investimentos no curto prazo. as vendas. superam em mais de dez vezes o valor do PIB global. estabilizando os fluxos. Os fluxos de capitais aumentaram drasticamente em relação às taxas de exportação.reduzir os preços dos títulos e remunerar alto as taxas de retorno nesses investimentos. nesse contexto. (1999). quando as nações são levadas. o que acarreta em estagnação da economia. Com o aumento das taxas de juros internas.

e os fluxos financeiros estão bem além do controle dos governos nacionais e que muitas das alavancas da política econômica não mais funcionam. e o comércio internacional ocorre em situações desiguais. afirma que vivemos num mundo em que o capital não tem domicílio fixo. 1 bilhão de desempregados e 75% da humanidade vivendo abaixo da linha da pobreza. desse modo. isto é. S. entre países com condições sócio-econômicas e culturais diferentes. e ela também resulta do desemprego. especulativo e de curto prazo. Em 1960. com uma renda inferior a US$ 370. financiam suas contas. pois. (2002). Z. se reforçam as fronteiras econômicas dos países hegemônicos ou centrais. Outra característica desse processo é que com a diminuição do poder de ação estatal no mundo globalizado aumentou drasticamente a diferença entre os países pobres e ricos e também entre os pobres e os ricos de cada país. pois. Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT)[xxii] e dados do Banco Mundial.00 por ano ou menos de US$ 2. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 33 .00 por dia. É a globalização da pobreza. em 1997. a maior parte dos países em desenvolvimento apresenta taxas de desemprego e subemprego elevadas que podem chegar até 35% da força de trabalho.(CASTELLS. da destruição das economias de subsistência e da minimização dos custos salariais à escala mundial. sob o comando do capital financeiro dos países centrais e com a contribuição dos governos locais que emitem títulos públicos a uma taxa de juros atrativa ao capital externo. os 20% mais ricos da população mundial tinham sua renda maior em 30 vezes aos 20% mais pobres. ou seja. M. 1999). à medida que se abrem as fronteiras econômicas pelo mundo. Alguns autores afirmam que não há globalização efetivamente. Isso tudo facilitado com a integração dos circuitos financeiros em âmbito internacional. BAUMAN. alcançou a distância de 74 para 1. afirma SANTOS B. Já em 1990. a proporção atingiu 60 para 1 e. (1999).

mesmo restando pouca margem de ação ao encolhido Estado-nação. submetido a tensões de diferentes lógicas de funcionamento que movem os mercados globais. como a de estabilização macroeconômica e de ajuste estrutural. degradação da qualidade de vida do trabalhador. depredação do meio ambiente. desregular implica uma intensa ação regulatória do Estado para pôr fim à regulação estatal anterior. áreas irregulares sendo ocupadas. um aumento em escala mundial da violência. após toda essa etapa de desregulamentação da economia. Com a transnacionalização da regulação estatal na economia e sua várias políticas. por isso. privatização de empresas rentáveis e estratégicas ao desenvolvimento IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 34 . S. a legitimidade global do Estado para organizar a sociedade. etc. Como escreve SANTOS. Na medida em que o Estado Nacional já não é mais o único sustentáculo dos sistemas econômicos. B. Outro fato é que o contexto internacional exerce uma forte influência no campo da regulação jurídica da economia. Destaco que. pois elas surgiram após um longo período de intervenção estatal na economia e no campo social. muito para além. Concordo com SANTOS. pobreza e aumento das favelas. (2002). no sentido da uniformização e da normalização.Esse fato evidencia a necessidade de se beneficiar dos avanços conseguidos com a globalização e repensar o Estado-Nação para encontrar a solução para o problema da pobreza mundial. uma destruição institucional e normativa de tal modo massiva que afeta. quando salienta que a criação de requisitos normativos e institucionais para as operações de desenvolvimento do modelo neoliberal envolve. dos crimes. o papel do Estado na economia. S. exigiram-se mudanças legais e institucionais em grande porte. B. este se encontra com um elevado grau de exposição e vulnerabilidade. (2002). Em decorrência disso. por isso essa diminuição do Estado é obtida através da forte intervenção estatal. houve nos últimos anos.

É preciso adotar uma política fiscal progressiva que onere mais quem mais dispõe ou concentra renda e riqueza. após passar por várias mudanças políticas. Acredito que também pode ser providente. para manter a especulação financeira IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 35 . A. é preciso pensar em alternativas para o Estado. Apesar de toda essa conjuntura delicada e quase inflexível. como afirma GIDDENS. sem sofrer a punição dos mercados mundiais. ou. de maneira que viabilize a execução de programas de moradia. em fração de segundos. É preciso se desvencilhar das armadilhas da ortodoxia do mercado financeiro internacional – que. previdência social e política de geração de emprego e renda Nesse contexto. podem quebrar com pessoas. educação. é imprescindível o fortalecimento dos blocos periféricos para conseguir maior equidade ou se contrapor aos blocos hegemônicos nessas esferas econômicas globais. principalmente aos países periféricos. combatendo a sonegação existente. combatendo o endividamento. faz-se necessário pensar alternativas que possibilitem a reversão no papel do Estado para além de construir um orçamento equilibrado. uma utopia a ser alcançada pelos governantes. econômicas. culturais. saúde. empresas e nações em qualquer parte do mundo. desburocratizando-as e aumentando os mecanismos de transparência destas e os mecanismos de controle popular. e essa busca do Estado do bem-estar não pode deixar de ser um objetivo futuro. criar vantagens comparativas[xxiii] especiais como alternativa e compensando o atraso na industrialização desses países. procurando a eficiência das administrações públicas. Entendo que o Estado deve buscar a possibilidade de regular o mercado e neutralizar os efeitos desestabilizadores do ciclo econômico.(2000) é preciso reafirmar e reinventar o governo diante do mercado. entre outras.social e econômico. que. gerando poupança interna.

redimensionando a globalização com novos limites em função do interesse social. Toda modernização. destrói com a economia de vários países . do ponto de vista do bem-estar econômico e social. mas cabe aos governantes avaliar pragmaticamente. e buscar o que lhe é mais vantajoso.em escala mundial.e do conservadorismo político e reestruturar. revitalizar a soberania nacional. toda transformação do mundo econômico não tem somente o seu lado ruim ou bom. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 36 .

Trata-se de dois acordos diferentes. Roménia e Chipre estão em fase implementação do acordo.Abertura das fronteiras O Acordo de Schengen é uma convenção entre países europeus sobre uma política de abertura das fronteiras e livre circulação de pessoas entre os países signatários. em 02 de outubro de 1996 o acordo e a convenção de Schengen passaram a fazer parte do quadro institucional e jurídico da União Europeia. Mesmo que não haja controle nas fronteiras. incluindo todos os integrantes da União Europeia (exceto Irlanda e Reino Unido) e três países que não são membros da UE (Islândia. É condição para todos os estados que adiram à UE aceitarem as condições estipuladas no Acordo e na Convenção de Schengen. o documento legal substitutivo. sem a necessidade de apresentação de passaporte nas fronteiras. Nesse caso. O espaço Schengen não se relaciona com a livre circulação de mercadorias (embargos. a prova de identidade é sempre o passaporte ou. Um total de 30 países. por norma. embora ambos envolvendo países da Europa. De todo modo. no caso de longa permanência. emitido pelas autoridades de imigração de um dos países signatários. a entidade mediadora é a União Europeia. pela via do Tratado de Amsterdão. Liechenstein. Bulgária. como bilhete de identidade. Noruega e Suíça). os cidadãos residentes nos países signatários devem. Para os turistas de países não signatários. Definição: O Espaço Schengen permite a livre circulação de pessoas dentro dos países signatários. A área criada em decorrência do acordo é conhecida como espaço Schengen e não deve ser confundida com a União Europeia. bem como os governos dos países membros que não participam do bloco económico. etc. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 37 . assinaram o acordo de Schengen. portar um documento legal de identificação.).

Estados-membros pertencentes à União Europeia Estados-membros não pertencente à União Europeia Estados-membros que aguardam a implementação Estados-membros que apenas cooperam policial e judicialmente IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 38 .

planejamento. vídeos. podemos observar uma lacuna. – Coordenar reuniões. gerenciamento. – Reforço positivo. Porém. Quando focamos a atenção no avanço tecnológico. 4. Conhecer técnicas de persuasão e convencimento: – Prestidigitação verbal. – Uso de recursos: slides. um buraco negro que algumas vezes acaba por trazer prejuízos nas relações dentro das empresas. Detectar e romper com bloqueios e inibições: IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 39 . veremos o quanto à ciência evoluiu e o quanto o homem é capaz. – Usar a palavra para semear concórdia.Desenvolvimento das comunicações Uma das maiores demandas no mundo corporativo é sem dúvida a comunicação. quando se trata de comunicação. – Entrevistas: rádio e TV. etc. Aprender técnicas de apresentação: – Falar em público. * Potencializar virtudes e noções de marketing pessoal. etc. – Mensagens subliminares. Objetivos Gerais: * Capacitar o participante para uma comunicação elegante e eficiente. Conhecer técnicas de comunicação não verbal: – Aprender a ler o corpo do interlocutor – Aprender a usar o corpo para comunicar (falar sem abrir a boca) 3. * Aprender e exercitar técnicas de expressão corporal e teatro Objetivos Específicos: 1. – Congressos /mesa redonda. Aprendemos nas escolas formais técnicas de administração moderna. para grandes e pequenas platéias. * Detectar e romper bloqueios e inibições na comunicação em público. 2. seja qual for à direção que tomemos.

5. – Adquirir recursos internos através de exercícios práticos. * Jogos lúdicos para desenvolvimento corporal e vocal. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 40 . Conhecer e despertar em si os quatro tipos de comunicador: – O guerreiro – O curador – O visionário – O mestre Metodologia: * Aulas teóricas com apostilas. * Apresentações filmadas em vídeo. * Técnicas teatrais como ferramenta de comunicação e expressão corporal.– Conhecer o sistema de crenças e circuitos mentais. – Re-programar circuitos mentais potencializando virtudes. * Exercícios práticos em grupo.

dos transportes. O aumento do comércio internacional pode ser relacionado com o fenômeno da globalização. mas a sua importância econômica. social e política se tornou crescente nos últimos séculos. o surgimento das corporações multinacionais. a globalização. Na maioria dos países. O comércio internacional é uma disciplina da teoria econômica. o outsourcing tiveram grande impacto no incremento deste comércio.Liberação das trocas O comércio internacional ou comércio exterior é a troca de bens e serviços através de fronteiras internacionais ou territórios. juntamente com o estudo do sistema financeiro internacional. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 41 . O comércio internacional está presente em grande parte da história da humanidade (ver rota da seda). que. ele representa uma grande parcela do PIB. O avanço industrial. forma a disciplina da economia internacional.

para que seus produtos fossem aceitos nos mercados dos países onde foram se instalando devido a exigências locais. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 42 . Com isso . Tornaramse multinacionais à medida que se expandindo e. No Brasil . fazer a montagem final num segundo país . deixaram de ser apenas nacionais . tornaram-se transnacionais.tiveram de passar por tantas modificações que perderam a identidade de origem. As empresas transnacionais são as maiores responsáveis pela globalização da produção. os maiores exemplos são as indústrias de automóveis.são empresas que nasceram com uma nacionalidade e. e vender esses produtos em um terceiro país . A maior característica das empresas transnacionais é de que ela pode produzir os componentes de um produto num país . Dizendo de um modo mais objetivo. e assim por diante .com seu crescimento .Expansão multinacionais As empresas transnacionais são como filhos que seguiram os passos dos pais e acabaram superando-os em seus empreendimentos pessoais e profissionais.

electricidade e motor de combustão/automóveis). Na 1ª Metade deste século assiste-se ao apogeu do domínio económico e político da Europa Ocidental e à afirmação dos EUA (e de alguma forma também da URSS e do Japão embora mais tardiamente). Reorganização dos processos de produção e comercialização dos seus produtos industriais ("Taylorismo" e "Fordismo" . centrada sobretudo no poder militar das superpotências.U. deu origem a um mundo multipolar. coexistiram duas vias de afirmação de poder e de decisão: uma. Passagem de um capitalismo industrial para um capitalismo financeiro e tendência a formação de monopólios. Deste modo. o poder económico da Europa. Expansão das redes de transportes (encurtamento distância-custo e distânciatempo). •Alteração das interacções e interdependências que se estabelecem a nível espacial. Assim foi reforçado. consolidou um mundo multipolar. Crescimento da produção Industrial (carvão.Centro de decisões do Sistema Mundo: E. •Poder Económico que. do Japão. baseada no poder económico. ferro. devido à emergência de vários Estados-Nações e de poderes supranacionais. O seu domínio da economia mundial era devido: Expansão das suas áreas de influência comercial (colónias). ao mesmo tempo que se reafirmam os poderes locais/regionais e os das multinacionais. A partir da 2ª Guerra Mundial as bases económicas e políticas do sistema mundo alteraram-se porque: •Aumentaram os actores em presença. a nível mundial. cultural e económico. conduziu à constituição de um mundo bipolar .divisão de tarefas. outra. estandardização e trabalho em cadeia).EUA/URSS. centrado em várias áreas geográficas e com protagonistas diversificados. das empresas transnacionais e dos NPI (Novos Países IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 43 . dos EUA.E e Japão Até à desagregação do bloco socialista. U. produtos químicos. centrado em diversos espaços geográficos cujas interacções se processam em diferentes escalas de análise.A. a afirmação do poder e decisão começou a processar-se através de duas vias: •Poder Militar das duas potências vencedoras da guerra (EUA e URSS) que devido às sãs ideologias opostas estão na origem da bipolarização do mundo. que radicou na existência de ideologias opostas.

Como tal. os EUA mergulharam numa terrível crise de repercussão mundial pois terminada a guerra. "A evolução económica do mundo inteiro. Nouvelle Histoire Economique. procurar novas áreas para desenvolver a agricultura de plantação ou explorar novas jazidas de matérias-primas minerais e energéticas. Países como o Reino Unido." Guillaume. Para vencer esta crise. As repercussões dos acontecimentos que têm lugar na América do norte e na Europa são profundas tanto na África como na Ásia e estes continentes não evoluíram de maneira autónoma. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 44 . oferecendo muito pouco em troca desta exploração. Turquia. P. impondo medidas proteccionistas. Ao mesmo tempo que vai retirando recursos naturais de vastas áreas. Desta forma. a indústria dos EUA era responsável por quase 50% da produção mundial. os EUA deixaram de ser o país com maiores níveis de produção industrial dando lugar aos países europeus. como a Índia. electrodomésticos e todos os produtos industrializados. obriga os países industrializados a procurar novos mercados para os colocar asfixiando as produções artesanais dos países ou territórios não europeus. Através da riqueza o país criou um novo estilo de vida: "The American way of life". ao passo que países como a Alemanha optaram pelo rearmamento. Pérsia). reduziram as importações de produtos americanos. (1976). A Revolução Industrial ao produzir em quantidade numerosos produtos. e Delfaud. Siècle" A fragilidade das economias das colónias e dos novos países foi particularmente sentida durante a grande crise dos anos trinta: No final da Primeira Guerra. Estados ainda independentes (Etiópia) ou velhos impérios asiáticos (China. Esta luta pela partilha do mundo tem como causas a necessidade de aumentar os mercados para exportação dos produtos fabricados pelos Países Industrializados da Europa Ocidental e. ao mesmo tempo. Este caracterizava-se pela aquisição de automóveis. a Alemanha e a Itália lutam pelos territórios ainda pouco povoados (disputa do mapa cor-de-rosa). Isso colaborou para aumentar o desequilíbrio entre o excesso de mercadorias produzidas pelos EUA e o escasso poder aquisitivo dos consumidores Europeus. Configurava-se assim uma conjuntura económica de superprodução capitalista. Entretanto. Tome 2 "Le XXe. em 1929. entre 1914 e 1945 está estreitamente ligada às convulsões do Mundo "Branco".industrializados). a França e a Alemanha foram actualizando rapidamente os seus métodos industriais. os países europeus voltaram a organizar-se e a desenvolverem a sua estrutura produtiva. P. A Inglaterra. as nações colonialistas voltaram-se para o estreitamento das relações com as colónias.

IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 45 .

em conjunto. em um estudo de 2001 intitulado "Building Better Global Economic BRICs". os BRICs realizam cúpulas anuais e. BRIC é uma sigla que se refere a Brasil Rússia. em 2050. formando o BRICS. e emitiram uma declaração apelando para o estabelecimento de uma ordem mundial multipolar. chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs. de acordo com um artigo publicado em 2005. há fortes indícios de que "os quatro países do BRIC têm procurado formar um "clube político" ou uma "aliança". mas suas economias foram excluídas inicialmente porque já foram considerados mais desenvolvidas. China.Novas economias emergentes: China. Brasil Presidente (chefe de Estado e de Governo): Dilma Rousseff Índia Presidente (chefe de Estado): Pratibha Patil Primeiro-ministro (chefe de governo): Manmohan Singh China Presidente (chefe de Estado): Hu Jintao Primeiro-ministro (chefe de governo): Wen Jiabao IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 46 . Os quatro países. Em economia. O Goldman Sachs não afirma que os BRICs se organizam em um bloco econômico ou uma associação de comércio formal. uma vez que estão em rápido desenvolvimento. O acrônimo foi cunhado e proeminentemente usado pelo economista Jim O'Neill. como no caso da União Europeia. em 2011. Índia. os líderes dos países do BRIC realizaram sua primeira reunião. convidaram aÁfrica do Sul a se juntar ao grupo. o conjunto das economias dos BRICs pode eclipsar o conjunto das economias dos países mais ricos do mundo atual. O Goldman Sachs argumenta que. que se destacam no cenário mundial como países em desenvolvimento." Em 16 de junho de 2009. Ìndia e Brasil. No entanto.[14] Desde então. representam atualmente mais de um quarto da área terrestre do planeta e mais de 40% da população mundial. O México e a Coreia do Sul seriam os únicos países comparáveis com os países BRIC. e assim convertendo "seu crescente poder econômico em uma maior influência geopolítica. em Ecaterimburgo.

Uma última variável dependente indica a orientação do mercado de cada país: se é mais orientado para mercado acionário ou mais orientado para mercado de crédito. São eles: África do Sul Dinamarca Irlanda Polônia Alemanha Egito Israel Portugal Austrália Espanha Itália Reino Unido Áustria Estados Unido Japão Singapura Bélgica Filipinas Jordânia Suécia Finlândia Malásia Suíça Canadá França México Tailândia Chile Grécia China Holanda Nova Zelândia Colômbia Índia Paquistão Brasil Coréia IRC2 Indonésia Noruega Turquia Venezuela Peru Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 47 . Obtivemos dados de 42 países. Já o desenvolvimento do mercado bancário pelo quociente entre o volume de débito de longo prazo e o Produto Interno (LTD). A fonte dos dados é o Relatório Anual do Banco Mundial (World Bank). O desenvolvimento do mercado acionário é medido pelo quociente entre o valor de capitalização das empresas listadas em cada país por seu Produto Interno Bruto (MKCAP) .Desenvolvimento dos mercados financeiros Vamos analisar esse desenvolvimento de três ângulos complementares. também como em Tadesse (2002). Utilizaremos a variável também desenvolvida por Tadesse (2002) e chamada por ele de Arquitetura do Mercado (ARQ) e discutida na revisão bibliográfica. como proposto por Tadesse (2002).

embora inconsciente. religioso e linguístico. Portugal como país de exploradores e mercadores sofreu múltiplas influências ao longo da história dessas culturas exóticas. As migrações são movimentos ou deslocações massivos de populações que tendem para um equilíbrio demográfico a nível global que. económico. O termo migração também é usado para designar os fluxos de população dentro de um mesmo país sendo neste caso denominadas migrações internas. tende a estabelecer um determinado equilíbrio de recursos necessários à prosperidade de existência humana profícua. O homem tende a procurar esse equilíbrio com o meio envolvente. mas também um fenómeno de dimensões globais. à medida que se acentuam os desequilíbrios demográficos regionais. Os que saem de Portugal são emigrantes e os que entram são imigrantes. A Emigração é um direito universal e consiste num acto espontâneo em que o ser humano tem de deixar seu local de origem para se estabelecer num outro país.Deslocação de empresas e fluxos de mão-de-obra O fenómeno das migrações não só um fenómeno regional. Trata-se do fenómeno oposto ao da imigração e a denominação aplica-se em relação ao país em causa. decorrente deste contacto que se perpetuou durante séculos. As migrações são por sua vez deslocações em massa de populações. maior é a tendência para que as populações efectuem movimentos migratórios para compensar o deficit. social. sendo que.condicionados pela natalidade e mortalidade. cultural. Há uma interdependência entre estes movimentos horizontais e os movimentos verticais crescimento natural . que trouxeram uma grande mudança a nível cultural e particularmente linguístico. o que levanta novos problemas decorrentes do contacto intercultural. As migrações são movimentos horizontais de populações que tendem a um equilíbrio demográfico. Este processo tem consequências de grande importância no domínio político. Nos dias que correm existe uma grande movimentação de populações para países estrangeiros. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 48 . nomeadamente Portugal.

O fenómeno das migrações é. pois não existia a mesma IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 49 . com intuito permanente ou temporário e com a intenção de trabalhar e residir. banidos. O fenómeno das migrações não é novo e pode-se encarar este fenómeno como natural como acontece com várias espécies de aves como a andorinha. hoje em dia. Como imigração. Este processo tem consequências de grande importância em vários domínios. prolongavam-se durante várias gerações. mas também um fenómeno de dimensões globais. não só um fenómeno regional. embora inconsciente. O imigrante não deve ser confundido com um nómada que é aquele que se desloca entre fronteiras sem fixar residência. políticos ou guerra. desemprego. Estas migrações. religiosos. pelos mais variados motivos. patos entre muitas outras. As migrações são grandes fluxos de populações que tendem para um equilíbrio demográfico a nível global que. pretende estabelecer um determinado equilíbrio de recursos necessários à prosperidade. na préhistoria.A emigração e a imigração não devem ser confundidas com fenómenos de migração involuntária. considera-se o movimento de entrada. de um país para outro. O imigrante não é um colono que se desloca para uma região geralmente pouco povoada de seu país de origem com espírito pioneiro. é levado a procurar melhores condições de vida. fome. Nem escravos. deportados ou exilados que são os deslocados que saem dos país de origem por razões compulsivas ou com os refugiados que são deslocados temporariamente em razão de guerras ou perseguições. Desde tempos pré-históricos que o ser humano. o seu instinto de sobrevivência leva-o a procurar outro com melhores condições. Dos diversos factores que levam as populações a migrar estão uma distribuição desigual da riqueza. O homem se não encontra num determinado local meios de subsistência. existência de conflitos étnicos. mas também e mais recentemente a deterioração dos ecossistemas ambientais que forçam todos os anos milhares de pessoas a sair do seu país de proveniência em busca de um futuro com melhores condições de vida para si próprio e as suas famílias. de pessoas ou populações.

que o território português tem sofrido múltiplas influências. Romanos e finalmente árabes ou mais propriamente berberes do norte de África. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 50 . Com os Descobrimentos. entre os séculos XV e XVI. Os fluxos seguintes já estão relacionados com guerras travadas pela sede de conquista. Os países americanos actualmente possuem grande parte da sua população originária de África ou descendente de africanos devido ao comércio triangular desenvolvido pelos europeus durante séculos. As migrações eram invariavelmente feitas caminhando literalmente com a “casa às costas”. ocuparam a América do Norte. Desde o seu inicio com os gregos e fenícios. étnicas. espanhóis e portugueses ocuparam países da América e África. O transporte destas imensas remessas de pessoas era invariavelmente feito de barco em navios que se chamavam negreiros. abriram-se novos e imensos horizontes geográficos. Um grande impulso aos fluxos migratórios surge na sequência do anterior e inicia-se de forma involuntária com o comércio de escravos que foram sucessivamente introduzidos nos países americanos para compensar a escassez de mão-de-obra nesses territórios. Todas estas interacções deixaram marcas culturais. sendo depois seguidas das migrações do Homo sapiens e trata-se de exemplos típicos de reequilíbrio demográfico. e de certo modo errantes.mobilidade de hoje na idade do gelo. É do conhecimento de todos que a partir desta data. genéticas e linguísticas. As colónias apresentavam grandes espaços praticamente despovoados que permitiam uma oportunidade de emigrar para novas paragens e a partir desta época abriu-se uma nova era na história das migrações. Franceses e Britânicos. São de todos conhecidas as sucessivas invasões e relações comerciais desenvolvidas na história de Portugal. Nas suas origens naturais as migrações do Homo erectus são tidas como os primeiros fluxos em massa de populações. nelas participavam a totalidade da família ou clã e não só os adultos como nos dias de hoje. explorando uma perspectiva comercial e depois com as invasões militares e ocupações de povos ditos bárbaros.

As sociedades sempre evoluíram graças ao contacto com outras sociedades independentemente do tipo de contacto e a história dá testemunho desta realidade. A história social de um povo reflecte-se também na história da sua língua e as novas culturas eram também novos cheiros. Mais tarde o esforço de colonização do Brasil e outros territórios de África impulsionaram novamente este êxodo rural. O português é uma das cinco línguas mais faladas no mundo e estima-se em 220 milhões o número de falantes. tal processo foi particularmente IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 51 . A língua Portuguesa sofreu muitas influências fruto dos contactos desenvolvidos por razões comerciais e que se prolongaram por séculos com povos ultramarinos durante a diáspora e que ficaram até aos nossos dias. Um dos efeitos mais profundos deste intercâmbio cultural está na linguagem e no vocabulário. A influência da nossa língua chegou a locais tão remotos como Timor e até a língua japonesa sofreu muitas influências da interacção comercial dos mercadores portugueses. Portugal e Espanha e como resultado a área de influência destas duas nações era enorme. A necessidade de criar e manter as colónias portuguesas exigia da Coroa Portuguesa uma politica eficaz de colonização visto que Portugal não possuía população suficiente para ocupar de facto os territórios. sabores. costumes e novos vocábulos. Como a população portuguesa era escassa para ocupar os territórios. Beiras e Trás-os-Montes. foi política dos governadores portugueses estimular os casamentos mistos como forma de cimentar laços com as populações autóctones. Os navegadores portugueses que partiram em busca do desconhecido usaram a sua própria língua para comunicar com as novas culturas. A povoação de territórios desabitados como os arquipélagos dos Açores e Madeira levaram ao escoamento de parte da população do interior de Portugal nomeadamente do Algarve. O intercâmbio entre culturas possui grande importância na ampliação lexical e no desenvolvimento das línguas que sofrem interferências constantes e o contacto próximo e massificado acentua esta evolução. Esta difusão começou com os descobrimentos e consequente expansão ultramarina. O tratado de Tordesilhas determinou a área de expansão das duas potências concorrentes.

Outra influência visível encontrase na língua. onde termos oriundos das culturas contactadas foram gradualmente absorvidos pela nossa língua. Damão e Diu. A causa de toda a expansão havia sido o comércio de especiarias muito dispendiosas na Europa. Como consequência do comércio. O efeito foi um sem número de influências culturais e linguísticas e a consequente miscigenação étnica. o preço e abundância destes produtos decresceram exponencialmente e as ditas especiarias começaram a ser vulgares nos temperos da culinária da metrópole até nas classes mais baixas. Ao contrário de outros países colonizadores que proibiam os casamentos mistos. Portugal com esta politica mantinha os seus interesses nestas possessões longínquas. entraram no léxico português. Os exemplos destas influências podem ser vistos nas figuras seguintes: IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 52 . Palavras de origem nas línguas nativas angolanas Quimbundo e no Tupi-Guarani falado no Brasil e outros vocábulos oriundos línguas africanas e asiáticas. As primeiras influências estão necessariamente associadas à Gastronomia.visível nas colónias de Goa.

Se os trabalhadores recebessem em 2009 um valor correspondente à mesma percentagem do PIB que receberam em 1975. ou seja. Desta forma procura-se contribuir para chamar a atenção para uma realidade preocupante que não poderá ser nem ignorada nem esquecida pelo governo "Sócrates 2". as remunerações "liquidas". ou seja. representam da riqueza criada. quer incluindo as contribuições sociais quer sem contribuições sociais. ano em que a situação foi mais favorável para os trabalhadores. do PIB diminuiu muito após o 25 de Abril.Aumento de desigualdades As desigualdades e a exploração aumentaram muito em Portugal nos últimos anos. representaram 59% do PIB. é o objectivo deste estudo. De acordo com dados do Banco de Portugal. menos 42.9 pontos). enquanto este ano (2009) prevê-se que representem apenas 34. receberiam em IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 53 . Assim. menos 24. Mostrar isso. ou seja. sem contribuições sociais mas antes do pagamento do IRS. em 1975.2% do que a percentagem de 1975 (em pontos percentuais. utilizando apenas dados oficiais.1% do PIB. do INE e do Eurostat a percentagem que as remunerações.

2009 mais 40.860 milhões de euros de salários (Quadro I). Este valor dá uma ideia clara
das consequências para os trabalhadores do agravamento da desigualdade na repartição
da riqueza criada anualmente que se verificou depois de 1975.
Numa sociedade capitalista como é a nossa, o grau de exploração dos trabalhadores é
medido pela taxa de mais valia ou taxa de exploração. As estatísticas em Portugal assim
como as União Europeia não são elaboradas de molde a se poder calcular com precisão
a taxa de mais valia, pois isso poria em causa o próprio sistema capitalista. No entanto
mesmo com as limitações existentes pode-se utilizar os dados oficiais para calcular uma
taxa que dá uma ideia clara do aumento da exploração em Portugal nos últimos anos. E o
valor que se obtém para essa taxa é de 46,3% em 1975 e de 100,6% em 2009. Portanto,
a dimensão da exploração dos trabalhadores em Portugal mais que duplicou entre 1975 e
2009.

De acordo com um estudo recente divulgado pela OCDE, Portugal é um dos países onde
é maior a desigualdade na distribuição do rendimento. É precisamente no nosso País
onde o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade, é mais elevado (0,385). A média
nos países da OCDE é de 0,311 (Gráfico I). Depois de Portugal, na OCDE apenas
existem dois países: Turquia e México.
A pobreza está também a atingir milhares de trabalhadores com emprego devido aos
baixos salários que auferem. No fim de 2008, 139,5 mil trabalhadores por conta de outrem
recebiam um salário liquido médio mensal inferior a 310 euros por mês, e os que
recebiam salários até 600 euros correspondiam a 40,9% do total de trabalhadores por
conta de outrem (Quadro II).
Uma camada numerosa da população muito afectada pela desigualdade na repartição do
rendimento são os reformados. Em Julho de 2009, a pensão média de velhice de
1.843.375 reformados era apenas de 384,72 euros por mês, e 981.181 mulheres
recebiam da Segurança Social uma pensão média de velhice ainda mais baixa (292,10
euros), portanto um valor muito inferior ao limiar pobreza (354,28€/mês-14 meses). Em
IRC2

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 54

relação aos reformados por invalidez a situação é ainda mais grave. A pensão media dos
300.173 pensionistas por invalidez paga pela Segurança Social era, em Julho de 2009, de
apenas 321,25 euros. E o valor das pensões auferidas pelas mulheres (em média
281,10€ por mês) correspondia apenas a 77,8% das do homem. Mas existem distritos em
que as percentagens são ainda inferiores, como sucede com Lisboa (69,4%) e Setúbal
(64,4%) – (Quadros III e IV). Se a análise for feita por escalões de pensões conclui-se que
79% dos pensionistas de velhice e de invalidez recebem uma pensão inferior a 407 euros
(Quadro V)
Alterar a profunda desigualdade que existe na distribuição do rendimento e da riqueza em
Portugal é uma obrigação do próximo governo. E isto até porque a desigualdade existente
é uma das causas da fragilidade actual do tecido social e económico do país, e do atraso
de Portugal. E como refere a própria OCDE, "a única forma sustentável de reduzir a
desigualdade é travar o desfasamento de salários e rendimentos de capital que lhe está
subjacente" (Crescimento Desigual? Distribuição do Rendimento e Pobreza nos Países
da OCDE, pág.3, 2009). Para além de uma politica salarial justa que o governo de
"Sócrates I" sempre recusou é necessário também alterar um conjunto de leis que estão
também a contribuir para agravar as desigualdades: leis fiscais que protegem os
rendimentos do capital mas penalizam os rendimentos do trabalho; lei do subsidio de
desemprego que exclui centenas de milhares de desempregados do acesso ao subsidio
de desemprego; leis da segurança social que reduzem o valor das pensões dos
trabalhadores que se reformam e que também impedem a melhoria mesmo das pensões
mais baixas dos que já estão reformados; Código do Trabalho, Regime do Contrato de
Trabalho em Funções Públicas, Lei 12-A/2008, que estão a determinar a
desregulamentação das relações de trabalho, dando todo o poder às entidades
empregadoras e reduzindo drasticamente os direitos de quem trabalha; etc.
QUADRO I – A repartição da riqueza criada em Portugal (PIB) no período 1973-2009

ANOS

1973
1974
IRC2

Remunerações
Remunerações
com
Contribuições
sem
PIB
Contribuições
Sociais
contribuições % Remunerações % Remunerações
Milhões
(*)
Milhões
sociais
com Contrib./PIB sem Contrib./PIB
escudos
Milhões
escudos
Milhões
escudos
escudos
342.817
188.153
25.784
162.368
54,9%
47,4%
405.744
247.302
34.165
213.138
61,0%
52,5%
Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 55

1975
1976
1980
1985
1990
1995

ANOS

1998
1999
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
(E)

IRC2

469.776
561.947
1.476.316
4.131.014
10.072.063
15.912.873
PIB
Milhões
euros
106.498
114.192
122.270
129.308
135.434
138.582
144.128
149.123
155.125
162.811
166.226
163.785

321.150
44.169
276.981
373.076
51.772
321.305
772.260
137.536
634.724
1.894.891
422.554
1.472.337
4.505.870
972.792
3.533.078
7.535.440
1.968.248
5.567.193
Remunerações
Remunerações
com
Contribuições
sem
Contribuições
Sociais
contribuições
(*)
Milhões euros
sociais
Milhões euros
Milhões euros
52.457
14.902
37.555
56.269
15.781
40.488
61.083
17.470
43.613
64.349
18.513
45.836
67.622
19.545
48.077
69.431
20.635
48.796
71.693
21.227
50.466
75.197
23.056
52.141
77.630
23.883
53.747
80.147
25.405
54.742
83.344
26.319
57.024
81.638

25.864

55.773

68,4%
66,4%
52,3%
45,9%
44,7%
47,4%
% Rem. c/
Contr./PIB

59,0%
57,2%
43,0%
35,6%
35,1%
35,0%
% Rem. s/
Contr./PIB

49,3%
49,3%
50,0%
49,8%
49,9%
50,1%
49,7%
50,4%
50,0%
49,2%
50,1%

35,3%
35,5%
35,7%
35,4%
35,5%
35,2%
35,0%
35,0%
34,6%
33,6%
34,3%

49,8%

34,1%

Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 56

IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 57 . entre elas o tipo de influência que as empresas. exercem nas pessoas.Incremento do consumismo Consumismo . Os comportamentos de compra Racional: O consumidor sabe o que quer comprar e compara preços. As vezes influencia-se pela promoção e pela publicidade. bem como a cultura industrial. Muitos alegam que elas induzem ao consumo desnecessário. por meio da propaganda e da publicidade. sendo este um fruto do capitalismo e um fenômeno da sociedade de agora. por meio da TV e do cinema. sem noção de que podem ser nocivos ou prejudiciais para a nossa saúde ou para o ambiente. mas o resultado pode ser o oposto caso se sentir enganado.é o ato de consumir produtos e/ou serviços. indiscriminadamente. Há várias discussões a respeito do tema.

IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 58 . de sentir-se acompanhado. Costuma pesquisar preços antes da compra e zela pela qualidade dos serviços e produtos que consome. trata-se de um sintoma de uma desordem emocional. ainda que seja por um objeto. Consumidor responsável O consumidor leva em consideração as informações recebidas sobre produtos e empresas. por exemplo. Compulsivo: Para esse tipo de comprador. Consumidor consciente O consumidor acredita na possibilidade de contribuir para mudanças locais e planetárias por meio de seu ato de consumo. que ele ou empresa que o produz prejudicam o meio ambiente. cuidando do seu bolso e do seu gosto. Tipos de consumidores Consumidor individualista O consumidor ndividualista é aquele que está preocupado com seu estilo de vida pessoal. reforçado pelo próprio shopping center ou supermercado. a necessidade de comprar é comparável à de umviciado em drogas.Impulsivo: O ato de comprar serve para canalizar o estresse. não compra um produto se receber a informação dizendo. Para os psiquiatras. Nesse caso compra pelo desejo e prazer de ter o que quer. Consumidor eficiente O consumidor consome de modo eficiente. Sendo assim. O consumo se dá como uma forma de compensar um vazio. produzindo uma sensação de prazer imediato.

65). basta analisar as intenções dos muitos praticantes de atividades físicas. dentro dos padrões estéticos referidos no primeiro parágrafo. tornar igual os padrões de consumo e beleza em todo este continente. formando indivíduos alienados e coisificados. ou seja.Homogeneização de modos de vidaIncremento do consumismo A publicidade e a Ciência a serviço da Globalização vêm tentando homogeneizar o modo de vida ocidental. na modernidade. p. para perceber que muitas vezes não há naquela prática de exercícios nenhuma preocupação com os aspectos emocionais e da saúde. é avassaladora. 2001. onde “parecer bem determina o estar bem”. o importante parece ser o ganho imediato e muitas vezes até irresponsável do padrão de corpo IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 59 . em síntese o interesse é formar um corpo único. A busca obsessiva por um corpo perfeito. (SILVA.

evidenciando o discurso da magreza. circulam pelo mundo. ou que lhes adestraram a ter. bulimia e vigorexia. o mau e o feio. O presente trabalho tem como objetivos identificar e desvelar o padrão corporal adotado pelos acadêmicos do curso de Licenciatura em Educação Física do 4º período. para ganharem o corpo que desejam. p. 2007. As informações de como se manter em forma e as formas de se chegar à aparência de beleza adotada. vem adotando um padrão magro de beleza. os praticantes querem resultados rápidos a todo custo e em curto prazo. matutino da Universidade Estadual de Goiás – ESEFFEGOEscola Superior de Educação Física e Fisioterapia de Goiás – Unidade universitária de Goiânia. pois as mesmas tem feito uma leitura simbólica que a magreza é um caminho para superar a feminilidade doméstica e alcançar o mundo público. visualizado através da avaliação antropométrica. principalmente entre os adolescentes e mulheres. A questão do “apelo social” é forte. pois a Ciência passou a homogeneizar o corpo e o perfil de beleza.91). a favor dos magros e contra os gordos” (KOWALSKI. FERREIRA. mas sim para serem apreciadas pelos outros.midiático. em nível de globalidade. onde a “estética é utilizada como estratégia no julgamento entre o bom. sem se preocuparem com os malefícios futuros que isso possa acarretar. gerando doenças como anorexia. Essa política autoritária está mobilizando milhões de pessoas e massacrando outros milhões de corpos. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 60 . atravessam as diferentes culturas pela força de penetração dos meios de comunicação de massa. A sociedade goiana. no quesito IMC (Índice de massa corporal). levando a uma homogeneização das tecnologias do corpo como construção de um sonho. ou seja. ou seja. em geral as pessoas não querem ficar bonitas para si. sendo melhores “aceitas” pelo grupo social a que pertence. fazendo com que o igual venha a ser desejável e o diferente desprezado.

através do desenvolvimento da teoria económica. consiste na produção. A Economia. organizações e acordos internacionais. oikos. administrar': daí "regras da casa" ou "administração doméstica". 'costume ou lei'. ou também 'gerir. nomos. translit.- Estrura do comércio mundial: bens transacionados. É também a ciência social que estuda a atividade económica. O termo economia vem do gregoοικονομία (de οἶκος . e que tem na administraçãoa sua aplicação. translit. ou ciência económica. 'casa' + νόμος . Os modelos e técnicas atualmente usados em economia evoluíram IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 61 . distribuição e consumo de bens e serviços.

IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 62 . Pode representar. derivado da vontade de usar métodos mais empíricos à semelhança das ciências naturais.da economia política do final do século XIX. cooperativas etc. finanças. empresas privadas. cultura. e a economia heterodoxa. a economia aplica o seu corpo de conhecimento para análise e gestão dos mais variados tipos de organizações humanas (entidades públicas. a sua situação conjuntural (relativamente aos ciclos da economia) ou estrutural.). que tenta explicar o comportamento ou fenômeno econômico observado) e economia normativa ("o que deveria ser". aquela que lida com o nexo "racionalidade-individualismo-equilíbrio".) e domínios (internacional. Atualmente. a distinção entreeconomia ortodoxa. Outras formas de divisão da disciplina são: a distinção entre economia positiva ("o que é". etc. A economia é geralmente dividida em dois grandes ramos: a microeconomia. que pode ser definida por um nexo "instituições-históriaestrutura social". desenvolvimento dos países. isto é. a situação económica de um país ou região. ambiente. mercado de trabalho. frequentemente relacionado com políticas públicas). agricultura. em sentido lato. que estuda os comportamentos individuais. e amacroeconomia que estuda o resultado agregado dos vários comportamentos individuais.

na Holanda. quando foi criada. bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados nas cadeias produtivas. A ideia de um comércio justo surgiu nos anos 1960 e ganhou corpo em 1967. Dois anos depois. foi inaugurada a primeira loja de comércio justo. foi criada a International Fair Trade Association. Em poucas palavras.Comécio justo: principios e objetivos Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos. promovendo o encontro de produtores responsáveis com consumidores éticos. O café foi o primeiro produto a seguir o padrão de certificação desse tipo de comércio. é o comércio onde o produtor recebe remuneração justa por seu trabalho. O movimento dá especial atenção às exportações de países em desenvolvimento para países desenvolvidos. em 1988. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 63 . no ano seguinte. como artesanato e produtos agrícolas. a Fair Trade Organisatie. A experiência se espalhou pela Europa e. que reúne atualmente cerca de 300 organizações em 60 países.

para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. Sua missão é promover a equidade social. voluntários e empregados nas tomadas de decisão que os afectam. da protecção ambiental e da segurança económica). incluindo o pagamento de um preço justo (um preço que cubra os custos de um rendimento aceitável. colocando as pessoas acima do comerciante. Abertura e transparência quanto à estrutura das organizações e todos os aspectos da sua actividade. Esta opção ética tem permitido aos pequenos produtores de países tropicais viver de forma digna ao fazeram a opção pelaagroecologia. a proteção do ambiente e a segurança econômica através do comércio e da promoção de campanhas de conscientização". enquanto produtores e comerciantes. A criação de meios e oportunidades para os produtores melhorarem as suas condições de vida e de trabalho. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores. e informação mútua. sobre os seus produtos e métodos de comercialização. entre todos os intervenientes na cadeia comercial. Alguns países têm consumidores preocupados com a sustentabilidade e que optam por comprar produtos vendidos através do comércio justo. é o comércio onde o produtor recebe remuneração justa por seu trabalho. Princípios A preocupação e o respeito pelas pessoas e pelo ambiente. Em poucas palavras. Envolvimento dos produtores. e a promoção da igualdade de oportunidades. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 64 . A consciencialização para a situação das mulheres e dos homens. especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. nomeadamente os das mulheres. O comércio justo é definido pela News! (a rede europeia de lojas de comércio justo) como "uma parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros.O movimento dá especial atenção às exportações de países em desenvolvimento para países desenvolvidos. como agricultura orgânica. A protecção dos direitos humanos. como artesanato e produtos agrícolas. das crianças e dos povos indígenas.

educação e a participação em campanhas de sensibilização.Princípios ambientalistas Estabeleça compromissos. padrões ambientais que incluam metas possíveis de serem alcançadas. 2 . produção tão completa quanto possível dos produtos comercializados no país de origem. 1 . principalmente comunicação. Confira se há desperdício de matéria- IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 65 . com diferente intensidade dependendo do nível de desenvolvimento e integração das nações ao redor do planeta. Medidas para diminuir os impactos negativos da globalização A globalização afeta todas as áreas da sociedade.Investigue processos Verifique os recursos utilizados e o resíduo gerado.A promoção da sustentabilidade através do estabelecimento de relações comerciais estáveis de longo prazo. comércio internacional e liberdade de movimentação.

prefira o e-mail ao invés de imprimir cópias e guarde seus documentos em disquetes. permitindo que funcionários trabalhem em suas casas pelo menos um dia na semana utilizando correio eletrônico. quando apropriado. aumentar a vida útil dos depósitos de lixo. Procure por produtos que sejam mais duráveis. 4 . Considere o trabalho a distância. transporte público ou mesmo caminhem para o trabalho. Investigue desperdício com energia e água. ao comprar estes produtos.Política ecológica Priorize a compra de produtos ambientalmente corretos. diminuir a poluição. substituindo o uso do papel ao máximo. 5 . Sugira e participe de programas de incentivo como a nomeação periódica de um ‘campeão ambiental’ para aqueles que se destacam na busca de formas alternativas de combate ao desperdício e práticas poluentes. etc. de melhor qualidade. Use os dois lados do papel. A meta será encontrar meios para reduzir o uso de recursos e o desperdício.Não desperdice Ajude a implantar e participe da coleta seletiva de lixo. Localize e repare os vazamentos de torneiras. linhas extras de telefone e outras tecnologias de baixo custo para permitir que os funcionários se comuniquem de suas residências com o trabalho IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 66 . recicláveis ou que possam ser reutilizáveis. Você estará contribuindo para poupar os recursos naturais.Incentive seus colegas Fale com todos a sua volta sobre a importância de agirem de forma ambientalmente correta. Mantenha os filtros do sistema de ar-condicionado e ventilação sempre limpos para evitar desperdício de energia elétrica. como planejar um rodízio de automóveis para que as pessoas viajem juntas ou para que usem bicicletas. Evite produtos descartáveis não reciclados como canetas. de que são biodegradáveis. 3 .prima e até mesmo de esforço humano. Desligue lâmpadas e equipamentos quando não estiver utilizando. utensílios para consumo de alimentos. Promova o uso de transporte alternativo ou solidário. copos de papel. Procure certificar-se. Existem certos produtos que não se degradam na natureza.

Evite poluir seu ambiente Faça uma avaliação criteriosa e identifique as possibilidades de diminuir o uso de produtos tóxicos. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 67 . incluindo até o que não aparenta ser prejudicial como pilhas e baterias.Anote seus resultados Registre cuidadosamente suas metas ambientais e os resultados alcançados. etc. cartuchos de tintas de impressoras. Assegure-se de que o óleo dos veículos esteja sendo descartado da maneira correta pelos mecânicos. Não espere acontecer um problema para só aí se preparar para resolver. 8 . Isso ajuda não só que você se mantenha estimulado como permite avaliar as vantagens das medidas ambientais adotadas. Faça a regulagem do motor dos veículos regularmente e mantenha a pressão dos pneus nos níveis recomendáveis. Converse com fornecedores sobre alternativas para a substituição de solventes.6 . tintas e outros produtos tóxicos. Faça um plano de descarte. Participe de treinamentos e da preparação para emergências. 7 – Evite riscos Verifique cuidadosamente todas as possibilidades de riscos de acidentes ambientais e tome a iniciativa ou participe do esforço para minimizar seus efeitos.

cuidar de uma árvore. Você pode.Trabalho voluntário Não adianta você ficar só estudando e conhecendo mais sobre a natureza. habilidade e talento para o trabalho voluntário ambiental a fim de fazer a diferença dando uma contribuição concreta e efetiva para a melhoria da vida do planeta. Considere a possibilidade de dedicar uma parte do seu tempo. É preciso combinar estudo e reflexão com ação. etc. IRC2 Globalização e Comércio: Atores do Sistema Mundo Ruan Medeiros 68 . fazer palestras em escolas. resgatar e recuperar animais atingidos por acidentes ecológicos ou mesmo abandonados na rua. Busque manter uma atitude de diálogo com o outro. tome a iniciativa de informar em tempo hábil para que possam minimizar prejuízos. redigir um projeto que permita obter recursos para a manutenção de um parque ou mesmo para viabilizar uma solução para problema ambiental. por exemplo. organizar e participar de mutirões ecológicos de limpeza e recuperação de ecossistemas e áreas de preservação degradados. 10 .9 – Comunique-se No caso de problemas que possam prejudicar seu vizinho ou outras pessoas. .