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revista

do
tribunal
regional
federal
QUARTA REGIÃO

Branca

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do
tribunal
regional
federal
QUARTA REGIÃO

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 1-428, 2001

Revista do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. – Vol. 1, n. 1

(jan./mar. 1990). – Porto Alegre: O Tribunal, 1990 – v. –
Trimestral.

ISSN 0103-6599

1. Direito – Periódicos. 2. Direito – Jurisprudência. 1. Brasil.
Tribunal Regional Federal 4ª Região.

CDU 34(051)
34(094.9)

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
4ª Região
R. Mostardeiro, 483
90430-001 - Porto Alegre - RS
Tiragem: 1000 exemplares

revista
do
tribunal
regional
federal
QUARTA REGIÃO

MARGA BARTH TESSLER

Juíza-Diretora da Escola da Magistratura

Branca

TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL
4ª Região
JURISDIÇÃO
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná
COMPOSIÇÃO
Em maio de 2001
PLENÁRIO
Juiz Fábio Bittencourt da Rosa - Presidente
Juiz Manoel Lauro Volkmer de Castilho - Vice-Presidente
Juiz Teori Albino Zavascki
Juiz Vladimir Passos de Freitas - Corregedor-Geral
Juíza Luiza Dias Cassales
Juíza Tania Terezinha Cardoso Escobar
Juiz Nylson Paim de Abreu
Juíza Silvia Maria Gonçalves Goraieb - Vice-Corregedora-Geral
Juiz Vilson Darós
Juíza Marga Inge Barth Tessler - Diretora da Escola da Magistratura
Juiz Amir José Finocchiaro Sarti
Juíza Maria Lúcia Luz Leiria
Juiz Élcio Pinheiro de Castro
Juíza Virgínia Amaral da Cunha Scheibe
Juiz José Luiz Borges Germano da Silva
Juiz João Surreaux Chagas
Juiz Amaury Chaves de Athayde
Juíza Maria de Fátima Freitas Labarrère
Juiz Edgard Antônio Lippmann
Juiz Valdemar Capeletti
Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon
Juiz Tadaaqui Hirose
Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia (convocado)
PRIMEIRA SEÇÃO

Juiz Manoel Lauro Volkmer de Castilho - Presidente
Juíza Tania Terezinha Cardoso Escobar
Juiz Vilson Darós
Juiz Amir José Finocchiaro Sarti
Juíza Maria Lúcia Luz Leiria
Juiz Élcio Pinheiro de Castro
Juiz José Luiz Borges Germano da Silva

SEGUNDA SEÇÃO
Juiz Manoel Lauro Volkmer de Castilho - Presidente
Juiz Teori Albino Zavascki
Juíza Luiza Dias Cassales
Juíza Silvia Maria Gonçalves Goraieb
Juíza Marga Inge Barth Tessler
Juiz Amaury Chaves de Athayde
Juíza Maria de Fátima Freitas Labarrère
Juiz Edgard Antônio Lippmann
Juiz Valdemar Capeletti

TERCEIRA SEÇÃO
Juiz Manoel Lauro Volkmer de Castilho - Presidente
Juiz Nylson Paim de Abreu
Juíza Virgínia Amaral da Cunha Scheibe
Juiz João Surreaux Chagas
Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon
Juiz Tadaaqui Hirose
Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia (convocado)
PRIMEIRA TURMA

Presidente Juiz Tadaaqui Hirose Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia (convocado) SEXTA TURMA Juiz Nylson Paim de Abreu .Presidente Juiz Amaury Chaves de Athayde Juiz Edgard Antônio Lippmann Juiz Valdemar Capeletti QUINTA TURMA Juíza Virgínia Amaral da Cunha Scheibe .Presidente Juíza Luiza Dias Cassales Juíza Marga Inge Barth Tessler Juíza Maria de Fátima Freitas Labarrère QUARTA TURMA Juíza Silvia Maria Gonçalves Goraieb .Presidente Juiz Vilson Darós Juiz Élcio Pinheiro de Castro TERCEIRA TURMA Juiz Teori Albino Zavascki .Presidente Juiz João Surreaux Chagas Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon .Juiz Amir José Finocchiaro Sarti .Presidente Juíza Maria Lúcia Luz Leiria Juiz José Luiz Borges Germano da Silva SEGUNDA TURMA Juíza Tania Terezinha Cardoso Escobar .

Branca .

....................................................................................................331 Direito Tributário.......................407 ÍNDICE ANALÍTICO...................................15 Mauro Cappelletti Alguns princípios do Direito Penal....................375 ÍNDICE NUMÉRICO......................59 Manoel Lauro Volkmer de Castilho O Direito à Saúde A Saúde como direito e como dever na Constituição Federal de 1988..................... em Florianópolis........................................13 Repudiando Montesquieu? A expansão e a legitimidade da “justiça constitucional”......SUMÁRIO DOUTRINA...........261 Direito Processual Civil.................................................................................................. 113 Direito Penal e Direito Processual Penal......................................................75 Marga Inge Barth Tessler  Declaração do Primeiro Congresso de Magistrados Federais Argentina...........................51 Fábio Bittencourt da Rosa Notas sobre o processamento do juízo de admissibilidade dos recursos especiais e extraordinários........ 111 Direito Administrativo e Direito Civil...............................................109 ACÓRDÃOS........................................................... 411 ............................................................................................................... Brasil e México...................221 Direito Previdenciário................................................................

Branca .

DOUTRINA .

n. Trib. 4ª Reg.Branca 14 R. 40. Fed. 12. Porto Alegre. p. a. 2001 . Reg. 13-110.

M.. Cappelletti. É um texto anotado da 20ª Conferência Anual do Papa João XXIII.. * Copyright Mauro Cappelletti. Reg. A contribuição da justiça legal na persecução da liberdade política O que “a justiça humana” pode fazer é solucionar. Stihhoff & Bruylant. eds.Repudiando Montesquieu? A expansão e a legitimidade da “justiça constitucional”* Mauro Cappelletti 1. R.). Cappelletti. Vols. D. 1978-79) e M. na Universidade Católica Americana em Washington. e realizou a respeito de pesquisa levada a efeito no IEU em dois projetos prévios também dirigidos pelo autor. 4ª Reg. Aceito o desafio. no Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul] de revisar e conformar à linguagem técnica do texto certos conceitos do autor. Fed. Porto Alegre. desde 1984. ed. Seccombe & J.. denominado “Access to Justice Project” (1976-79) (resultados publicados in M. Giuffrè & Sijhoff & Noordhoff. criar instituições.C. Trib. Access to Justice and the Welfare State. Milão & Alphen aan den Rijn.. 12. Walter de Gruyter. Access to Justice Project. n. 40. Alphen aan den Rijn & Bruxelles. a... vols. traçar processos. Esta é uma versão brevemente revista de um artigo originariamente publicado em 35 Catholic University Law Review 10001-1032 (1985). 1985-.. I-IV. I (3 livros)-VI. tudo com um objetivo em ______________ **Tradução de Fernando Sá – advogado em Porto Alegre Nota do tradutor: esta tradução resulta de um repto a mim lançado pelo amigo e professor Carlos Alberto Alvaro de Oliveira em suas aulas no mestrado da Faculdade de Direito da UFRGS. 1981 e o projeto sobre “European Legal Integration in Light of the American Federal Experience” (1979-85) (resultados publicados in M. Foi preparada dentro da concepção de projeto sobre as “Dimensions of Justice: Constitutional and Transnational Enforcement of Human Rights”. Weiler. 2001 15 . p. gen. como Magistrado consciente e responsável. teve ainda o mestre a dedicação [no que pese a tremenda carga de trabalho que enfrenta. gen. Berlin & New York. que o autor dirigiu no IUE. 1 A versão inglesa comentada pode ser encontrada in The Encyclicas and Other Messages of John XXIII. proferida no dia 25 de abril de 1985. 13-110. Integration Through Law: Europe and the American Federal Experience. Cappelletti ed. ou tentar solucionar. problemas concretos da vida individual e social: promulgar e impor normas.

e até mesmo clama. os processos e as instituições. p. foi e vem sendo flagelado pela miséria nascente e pela fome maciça. A justiça humana nunca cessou de ser a sua preocupação. reduzindo-se no seu tamanho. da pobreza e da guerra. a sua doutrina tinha o significado de uma filosofia essencialmente do e para o nosso tempo. Todavia. Essa foi a lição tirada dos tremendos desafios do nosso século.1  representam um formidável esforço na tentativa de traçar as linhas básicas para a solução do que seja talvez o mais desafiador dos problemas da vida em nossa época: o desafio da opressão. em algum ponto final. um Absoluto que proporcione uma trégua. pode-se dizer que sua doutrina era relevante para todos os tempos. pois cada época sofre opressão. como ele afirmou.C. da justiça social e da coexistência pacífica dos indivíduos e dos povos. caracterizou-se justamente como sendo a época dos mais terríveis sistemas de opressão dos indivíduos. Em suas raízes. em um tributo de respeito e gratidão ao Papa João XXIII. Washington. 13-110. Mas os problemas humanos mudam continuamente. violência e guerra. pede. a base para esboçar uma filosofia de vida para os indivíduos e as nações de nossa época. embora alardeando os mais nobres ideais de liberdade individual e de dignidade humana. Tenho a honra de estar hoje com vocês. injustiça social. grupos e povos.mente – dirimir problemas reais. num sentido mais profundo. problemas cuja solução deveriam unir. assim como as normas. 2001 . Suas duas principais Encíclicas. o qual. por união e paz. a. todos os homens de boa vontade. TPS Press. Mas. editada por Staff of the Pope Speaks Magazine. Sua visão de fé no Absoluto não diminuiu seu profundo compromisso e ardor pela mudança. n. D. embora tenha testemunhado o mais impressionante crescimento de riqueza material e de genuína possibilidade de criar novas riquezas e bem-estar. se ela existe ou não. esta tem sido a era das mais terríveis guerras mundiais e de uma impendente ameaça de um ______________ 1 A versão inglesa comentada pode ser encontrada in The Encyclicas and Other Messages of John XXIII.   16 R. assim. em alguma abrangente permanência. Este nosso século. A justiça humana está mudando a idéia de Justiça. Mater et Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963). pouco importando a raça. 4ª Reg. O mundo. Porto Alegre. batalhado e fugaz fenômeno que é a vida humana. 40. Fed. sentido e luz a todo este comovente. como o foram o holocausto e o tentado genocídio de populações e de nações inteiras. Trib. Ele nos deu. 12. os problemas da liberdade e da dignidade humanas. a nacionalidade e a fé.. Reg. 1964.

o fim. Os problemas de buscar a liberdade. 40. Fed. têm feito advogados e professores americanos de Direito lembrarem que existe um problema de moralidade no Direito. Porto Alegre. como estou eu. gostaria de acrescentar que me é particularmente gratificante falar a respeito deste tópico. instituições e processos que proporcionam. relativamente limitados. afinal. Seja-me permitido. visualizações econômicas. se as soluções adequadas não forem encontradas. o dilúvio universal. e se o Vietnam. possivelmente. como. diferentes facetas à mesma resposta – oferecendo. de um terrível sistema de opressão política que levou à mais trágica de todas as guerras. especialmente para um deles – o problema da opressão política. fizeram com que homens e mulheres lembrassem ainda mais – felizmente atrás da cortina de ferro também – que existe um problema de moralidade na política e no modo em que nosso mundo em perigo é conduzido. pode eventualmente significar o fim do milênio da civilização. dia da liberação da Itália. respostas objetivas ou potenciais ao mais dramático desafio de nosso tempo. Reg.os problemas de sobrevivência em nossa época. de nos preocuparmos em encontrar solução adequada para as mais importantes questões que nos assolam . uma vez que procurarei ordenar algumas das mais significativas normas legais. obviamente. 2001 17 . o quadragésimo aniversário da libertação de minha pátria. na Europa. será a indagação de um advogado. hoje. o escândalo de Watergate. uma dimensão sem precedentes em nosso tempo: uma dimensão que. Minha busca focar-se-á. como preferiria pensar. da humanidade. usar este privilegiado forum. Em um nível pessoal. É tempo. 4ª Reg. a. pela forma como assumiram. mas não se limitará a ela. Se alguns episódios. então. n. naturalmente. 13-110. de nos preocuparmos com o fundamental. e muitos outros. a justiça e a paz são novos. mais diretamente preocupado. podem propor diferentes respostas para este desafio – ou. 12. 25 de abril. em minha opinião. é tempo. Trib. para todos nós. p. assim como também o Iraque e o Chile e o Afeganistão. mais do que legais.terceiro e derradeiro conflito. R. aqui e agora. por exemplo. então. e. por exemplo. para todos nós. para fazer um breve interrogatório em busca da resposta específica que a nossa época tem tentado dar àqueles problemas maiores da sobrevivência. Outros. na profissão e na formação jurídica.

ocasionalmente provou não ser menos perigoso e opressivo. nunca passarão sem nos terem ensinado a mais importante lição: quando o poder político não sofre controle. 18 R. para mencionar apenas os mais clamorosos. discutidas alguns anos atrás pelos professores Hart e Fuller. “Positivism and Fidelity to Law – A Reply to Professor Hart”. da comunicação de massa.2. os sindicatos. as formas de opressão que caracterizam nossa época são várias e muito complexas. tudo pode perverter-se numa grande máquina corruptora. o poder organizado – o Estado e a sua multiplicidade de órgãos e agências. o perigo que provou ser o mais temido de nosso século é. 2001 . sua proliferação central e local. do que o poder oficial do Estado. ao problema da opressão. L. as corporações econômicas. A corrupção das mentes é obtida através da desinformação maciça e da proibição de toda crítica. Mesmo os fantásticos e esplêndidos desenvolvimentos tecnológicos constituem-se numa ameaça potencial. o poder não-governamental como o poder de grupos organizados. É comum dizer-se que o poder governamental encontra-se limitado por uma norma constitucional. em termos de justiça legal. Os casos. nunca talvez tão agudamente quanto nos dias de hoje o indivíduo sentiu a opressão da “solidão dentro da multidão”. o sentimento de alienação. a. 630-672. 13-110. Fed. p. da Itália fascista e da Rússia de Stalin. sem dúvida. Por exemplo.2  num dos mais citados debates sobre o direito e a moral. de 1944. 12. não menos invasor da privacidade e da liberdade dos indivíduos. pode ser expressa por uma fórmula largamente usada hoje em dia na Europa: Justiça Constitucional. pois os instrumentos de intromissão tornaram-se cada vez mais disponíveis para uso opressivo imediato. Na verdade. Ibidem. que constitui uma das mais básicas doenças psicológicas do homem moderno. e que os procedimentos tenham sido concebidos e as instituições criadas para implementar tal limitação. O Significado de “Justiça Constitucional” A principal resposta. clamans in deserto. da assim chamada “educação popular”. E. mesmo os instrumentos da nova tecnologia. 4ª Reg. Reg. ______________ 2 H. as associações. denunciado por sua mulher. n. Porto Alegre. Ademais. A lei alemã. Trib. o sentimento de que nossa voz é como a paráfrase bíblica. A HART. permitia que um homem. 40. na verdade. e os partidos políticos . da Alemanha Nazista. Lembro uma das mais infames leis.

cit. nos últimos 40 anos mais ou menos. todavia. acredito. 1207-1224 (1966). que traz à tona a descentralização. 79 Harv. Bobbs-Merrill. incluindo. o Japão. todos esses países percorreram um caminho semelhante em seus esforços de construção duma nova forma de governo civil e democrático. Esses meios incluem o regionalismo. entretanto. 12. Fed. FULLER. da legislação. O que pode emergir de um governo sem controle. num sentido mais real. M. eventualmente. a Alemanha desde 1949: emergindo do pesadelo da tirania e da guerra.. Daí. a intolerância e o fanatismo e. Como já mencionado. como a triste história recente nos revela. C. Reg. instituições e processos. “Judicial Review of Legislation: European Antecedents and Adaptations”. n. p.. e até mesmo o chamamento à violência e à guerra. 1971. CAPPELLETTI. Rev. M. 3. Existe. aceita como obrigatória por todos os órgãos do governo. 13-110. é. uma forma de “divisão vertical” do mesmo. Trib. uma variedade de meios que ajudam a alcançar este desiderato. v. 40. Aqui. a aceitação. ob. é uma distorção. 654-655. 618-619. L. Indianapolis. a Itália desde 1948. Para alguns precedentes históricos. particularmente. a. cit.3 quando em licença militar. eu pretendo centrar minha discussão a respeito da revisão judicial da constitucionalidade do ato administrativo e. Porto Alegre.  3  4 R.fosse condenado à pena capital. ob. Judicial Review in the Contemporary World. 4ª Reg. em sua casa. por exemplo. uma das mais importantes e promissoras respostas que um crescente número de nações tem procurado dar a esse problema da opressão governamental. CAPPELLETTI e J. O Surgimento e o Crescimento da Justiça Constitucional na Era Posterior à Segunda Guerra Mundial A Áustria desde 1945. A justiça constitucional. o que está implícito na justiça constitucional é a noção de um novo4  tipo de normas constitucionais. Cada um deles adotou uma Constituição escrita. vide. mudou a estrutura governamental na maior parte da Europa continental. pelo menos de parte do poder político. numa tentativa de limitar e controlar o poder político..g. até mesmo para o mais prosaico sentido de justiça. naturalmente. com expansões em outras partes do mundo. na verdade. Trata-se de uma evolução que. 2001 19 . pelo “crime” de criticar Hitler. Introduziram severas limitações ao processo de ______________ HART. 24-43 [doravante citada como Judicial Review]. ADAMS. o Japão desde 1947.

logo (em princípio) nula e ineficaz. protegendo. p. quando se tornou o mais importante instrumento para a garantia de certos direitos civis básicos dos cidadãos e de grupos minoritários contra maiorias resistentes nos Estados e contra a inação de órgãos políticos no plano federal. A revolução constitucional – e eu realmente entendo o que estas palavras significam – somente ocorreu na Europa com o doloroso entendimento de que a Constituição e os direitos fundamentais constitucionais necessitam de uma máquina judiciária para Sobre estes desdobramentos vide Judicial Review. pode parecer um pouco banal para os americanos. 46-47 et passim. A principal característica dos sistemas europeus de revisão é sua natureza “centralizada”.6 nenhum órgão independente tinha a prerrogativa de supervisionar suas reais aplicações. em relação a novos ou reestruturados tribunais judiciais. mas. talvez. Realmente. 4ª Reg. a proteção constitucional aos indivíduos em face do poder governamental. foi uma verdadeira revolução. Quanto ao resto do mundo. com poucas e esporádicas exceções de curta duração (mais marcadamente as da Áustria em 1920 e início de 1930).5  Isso. por muitos anos. as outras Cortes não decidirão. assim. nota-se que. Porto Alegre. representou uma inovação fundamental. seus significados tendiam a ser compreendidos mais como meras declarações político-filosóficas do que como atos legalmente obrigatórios. 40. cujas decisões têm efeito erga omnes. sim. 3-5.emenda à Constituição.. suspenderão o feito e reverterão a decisão de constitucionalidade à Corte Constitucional. que mesmo neste país.  6 Vide id. está restrita à revisão da recém-criada Corte Constitucional. 3. 2001 . estendendo. o novo direito fundamental. Permitam-me advertir. caps. todavia. Reg. Os sistemas europeus são contrastantes com o sistema americano “descentralizado”. que a autoridade para declarar uma lei inconstitucional. Se confrontada com a questão da inconstitucionalidade da lei relevante no caso em espécie. n. em que as Cortes têm o poder revisional. em muitos outros países.  5 20 R.. dos caprichos de maiorias passageiras. existiram na França. E isso porque. a justiça constitucional. 12. 13-110. last but not least. Fed. Trib. e. todavia. no Japão. p. na Alemanha e em outros lugares. é claro. supra nota 4. Vide Judicial Review supra nota 4. Incluíram direitos fundamentais na Constituição. especialmente cap. Constituições e direitos fundamentais. Até a época que se seguiu à II Guerra Mundial. reforçaram a atuação da Constituição e de seus direitos fundamentais. assim. vale dizer. dotados de importantes garantias de independência face a órgãos políticos. ao menos na Europa continental e. a. naturalmente. o papel da decisão constitucional adquiriu sua importância atual somente depois da II Guerra Mundial. em todos os sentidos até agora mencionados.

n. p. 12. legislativo. 1147-1201). contra qualquer ato do Estado. p. Fed. e na Áustria. Vide. Mas a mais marcante lição veio da experiência doméstica. SCHLAICH. em Uppsala. JOLOWICZ [doravante citados como Uppsala Reports]. Paris. na Áustria. tanto quanto o relatório geral de M. apresentado na Conferência da Associação Internacional de Ciência Legal. 128-129 [doravante citada como Cours constitutionnels]. O sucesso da “justiça constitucional”. Menciono apenas um desses processos.  8 Vide o relatório de L. CAPPELLETTI. Trib. 13-110. Os relatórios regionais.se tornarem efetivos. v. Suécia. 1982. foi adotado um processo similar. Reg. diga respeito ao conteúdo das decisões constitucionais particulares ou mesmo acerca de algumas tendências generalizantes no caso do direito ______________ Vide id. (Uma versão adaptada do relatório do Deão Favoreu é publicada in Revue du droit public et de la science politique en France et à l’étranger. §§ 8-10. Para prevenir o abuso deste processo é necessário ocorrer a exaustão dos remédios normais. chamado “Verfassungsbeschwerde”.” in Louis FAVOREU (sob a direção de).. 4ª Reg. administrativo ou judicial. este extraordinário remédio. a legislação ordinária concedeu a qualquer cidadão o direito de demandar perante a recém-criada Corte Constitucional. Cours constitutionnelles européennes et fondamentaux. que violasse direitos constitucionalmente protegidos. Os Estados Unidos certamente concorreram com um influente precedente. 40. realizada em junho de 1984. 22-23. 1984. mas mesmo este pré-requisito não é necessário no caso de uma queixa refletindo um “interesse geral” ou quando a demora poderia ocasionar importante prejuízo à parte interessada. por uma máquina ao mesmo tempo acessível às vítimas do abuso governamental e capaz de restringir tal abuso. especialmente desde 1975. Tribunal Constitutionnel Fédéral Allemand. K. muito embora. a dissensão. Econômica. p. “Procédures et techniques de protection des droits fondamentaux. muitas vezes.. Cortes constitucionais foram criadas e processos constitucionais esboçados para fazê-las funcionar. como é natural. e seu profundo impacto na forma de liberdade democrática de governo.g. Na Alemanha. foram publicados em forma de volume sob a editorialidade dos Professores Louis Favoreu e J. 2001 21 . Porto Alegre. na Alemanha. no “Judicial Review at Legislation and its Legitimate – Recent Developments”. da experiência de tirania e de opressão por um poder político sem freios. têm sido geralmente reconhecidos em todos esses países.8 Através desse e de outros mecanismos a constitucionalidade de milhares de atos legislativos e de outros administrativos foi controlada e os direitos fundamentais do povo protegidos por Cortes independentes. Favoreu sobre a Europa Ocidental. porque parece ser o mais indicativo de uma filosofia permeando essa revolução constitucional de direitos civis. como instrumento para a proteção dos direitos humanos. em 1951. a.7 Em 1969. ou queixa constitucional. foi introduzido na Constituição alemã. na Itália e em outros lugares.  7 R. A lição foi eventualmente apreendida.

Jarhbuch des oeffentlichen Rechts. ARAGÓN REYES. parece que nenhum país da Europa.  11 Constituição Portuguesa de 1976.9 Realmente. H. “Judicial Review of Legislative Acts in Greece”. Madrid. La constitución como norma y tribunal constitucional. 2ª ed. A et passim. 2. todas as Cortes têm o poder de negar aplicação de leis inconstitucionais (assim o chamado sistema de revisão “descentralizado”. Vide o relatório de Uppsala por Pavle NIKOLIC sobre as nações socialistas. Reg. supra nota 8. 396. FAVOREU.12 Significativamente. n. FAVOREU. Fed. supra nota 8. supra nota 8. Foi o caso da Grécia em 1975. o único país ______________ Constituições de Chipre (1960). e Malta em 1964. depois da queda do regime de Salazar. 4ª Reg. p. §§ 22-26. FIX-ZAMUDIO. 40. supra nota 8. 208-212. Vide E. Portugal adotou um sistema de revisão judicial similar àquele prevalecente na maioria das nações européias mencionadas no texto. FIX-ZAMUDIO supra nota 11. 1980. 1982. seguida pela criação em 1980 de um Tribunal Constitucional bastante ativo. a. 12. GONZÁLEZ PÉREZ. ZAMUDIO. § III. Madrid.  12 Constituição da Espanha de 1978. La protección jurídica y procesal de los derechos humanos ante las jurisdicciones nacionales. 50-51. Constituição Grega de 1975.10  de Portugal em 1976. J. Especialmente após a reforma constitucional de 1982. 203-207. CAPPELLETTI. Refiro alguns episódios: Chipre em 1960. todos introduziram formas de jurisdição constitucional largamente inspiradas nos modelos da Alemanha. V. relatório geral de Uppsala por M. NICKLIC.. supra nota 4. 197-202. promulgou uma Constituição em 1963 que introduziu um sistema de revisão judicial. Judicial Review.constitucional. § 2.. 51-52. 2. Turquia em 1961. p. Sob o sistema grego. supra nota 4. 13-110. Porto Alegre.  13 O sistema foi reafirmado na Constituição da Iugoslávia de 1974. emergindo de alguma forma de regime não-democrático ou de sérios conflitos domésticos. Perifanaki ROTOLO.  14 Vide relatório Uppsala por P. do que introduzindo a justiça constitucional em seu novo sistema de governo. e.11 e da Espanha. Madrid. “The Constitutional Review of Laws in Poland”. Vide Judicial Review. §§ I.13 A Iugoslávia foi o primeiro e. 2001 . FAVOREU. supra nota 11. vide nota 5 supra). 1982.  9  10 Vide A GWIZDZ. Derecho procesal constitucional. FIX. 7 Revista de Estudios Politicos 171 (1979). Turquia (1961) e Malta (1964). Civitas. J. Áustria. M. “La Corte Suprema Speciale nella Costituzione Greca del 1975”. 29 Rivista trim. §§ 13-14. Vide E. GARCÍA DE ENTERRÍA. 56 Temple Law Quartely 463 (1983). L. relatório polonês do 1º Congresso da Associação Internacional de Direito Constitucional realizado em Belgrado. Talvez a mais conclusiva evidência do sucesso deste fenomenal desenvolvimento conceitual seja dada por sua tremenda força de expansão. di diritto pubblico 183 (1979). depois da queda do regime dos coronéis. confiando a função de controle a uma recém-criada Corte Constitucional. III. 1. 1983. supra nota 8. poderia achar uma melhor resposta à exigência de reagir contra pecados passados. Civitas. “Grundrechtsschutz in Griechenland”. ILIOPOULOS-STRANGAS. Civitas. “El control de constitucionalidad en la Constitución española de 1978”. H. SPILIOTOPOULOS. Vide L. B. depois da queda de Franco. e Itália. supra nota 13. possivelmente prevenindo uma recaída. mas uma recém-instituída “Suprema Corte Especial” tem a palavra final no caso de opiniões conflitantes entre as altas Cortes. na procura de uma autonomia política e ideológica vis-à-vis da União Soviética. §§ 27-31. F. até agora. setembro de 1983 (não publi15 22 R. também a Iugoslávia. vide também H. Trib.

criou uma enorme controvérsia na África do Sul.de regime comunista a fazer isso. 2. em 1952. que dispunha que “nenhuma lei . L. se uma boa lição claramente emerge da análise comparativa desses acontecimentos mais recentes. Porto Alegre. foi rapidamente ameaçado pela Suprema Corte como inválido. A “Alta Corte” foi declarada como sendo uma Corte de direito com poder de revisão de qualquer decisão da Suprema Corte que declarasse atos do Parlamento como inválidos. 4ª Reg. O Ato tinha o efeito fundamental de desqualificar como votantes os negros do Cabo e a Corte decidiu que isto violava algumas seções “enraizadas” na Constituição Sul-Africana (Ato da África do Sul de 1909). Trib.. é a de que nenhum sistema efetivo de controle judicial é compatível ou tolerado por regimes anti-libertários e autocráticos. 2001 23 . supra nota 8. __________________________________________________________ cado). relatório de Uppsala por P. no ano de 1952. “Comment: The ‘Coloured Vote Case in South Africa”. a Corte manteve que o Ato 46 de 1951 (A Representação Separada do Ato dos Eleitores) era inconstitucional. as emendas constitucionais da Tchecoslováquia e da Polônia permaneceram letra morta. A. a autoridade de revisão juridicial da Suprema Corte com respeito às seções “enraizadas” era motivo de grande debate e a decisão do Presidente da Suprema Corte. que criou a “Alta Corte” da qual cada membro do Parlamento seria membro. 65 Harv.. van de Sant Centlivres (que foi declarada pelo menos por um comentarista . O fato de que a revisão judicial se constitui em um anátema à tirania. relatório geral de Uppsala por M. a. que é ou possa vir a ser capaz de se registrar como votante . Naquele tempo. R. Ervin Griswold – ombrear com as melhores decisões sobre direito constitucional. FIX-ZAMUDIO sobre a América Latina e por B. 1952 (2) S. vide Griswald. O NWABUEZE sobre a África.15 Diferentemente da Iugoslávia. § III. A 428 (A.. § 2. Ministro do Interior. somente em razão de sua raça. CAPPELLETTI.  17 A história Sul-Africana de luta de uma Corte contra alguns excessos de um regime não liberal é muito sugestiva e merece ser relembrada com certos detalhes. supra nota 8. quer se coloquem à esquerda ou à direita dum espectro político. é confirmado pelo seu desenvolvimento em vários continentes. concordando os juízes que a Alta Corte era simplesmente o “Parlamento disfarçado”. uma lição que muitos críticos da legitimidade democrática da revisão judicial parecem negligenciar. NIKOLIC supra nota 13. esmagadas pela ressurgência de seus regimes autocráticos. Realmente. Na decisão. 479. mas é bastante significativo que a Tchecoslováquia em 1968 – o ano das paixões e esperanças da “Primavera de Praga” – tenha tentado logo a seguir14  uma experiência semelhante. promulgou o Ato da Alta Corte do Parlamento.. Reg. por maioria simples de votos. todavia. O governo da África do Sul não ficou satisfeito com a decisão sobre o Voto e mais tarde.” O caso do Voto p.). p. O Ato da Alta Corte. A “Alta Corte” procedeu então à revisão do caso do Voto e o derrogou sob a alegação de que as seções “enraizadas” das Constituições Sul-Africanas não eram mais aplicáveis. a não ser que [aprovada por maioria de dois terços do Senado e da Câmara dos Deputados em sessão conjunta]”. particularmente a seção 35. CARPIZO & H. também conhecido como o caso do Voto.D. 40. 13-110.. em 1982. cada uma das casas do Parlamento. C. antes de o “Solidariedade” e todo o resto terem sido condenados ao silêncio.o então Deão da Escola de Direito de Harvard. R. e que assim o tenha feito a Polônia. A “crise constitucional” daquele país pode ser remontada à decisão da Suprema Corte da África do Sul. 35 de 1952. no caso de Harris e outros v. entretanto.   16 Vide os iluminados relatórios de Uppsala por J. desqualificará qualquer pessoa . 1361 [1953]). Fed.. o Presidente da Suprema Corte Centlivres declarou que a Corte era competente para determinar se um Ato do Parlamento havia sido validamente aprovado: “determinando diferentemente significaria dizer que as Cortes de Justiça não teriam poder para proteger os direitos dos indivíduos que estavam especialmente protegidos pela Constituição deste país. Na decisão. 12. n.

L. Essa ausência de revisão judicial foi mantida na da África do Sul de 1983. Para maiores discussões da “crise constitucional” da África do Sul. The South African Legal System and its backgrounded. mesmo que nem tão importante e significativa _________________________________________________________ Ministro do Interior v.). Martin’s Press. quando a África do Sul formalmente tornou-se uma República. em 1955. 53-63.. Essa emenda constitucional alterou consideravelmente as cláusulas pétreas da Constituição e particularmente derrogou a seção 35 relativa aos direitos de desqualificação do voto. Juta & Co. 1984.A . ROSE INNES.. 53. Sei. Conntitutional Reform and Apartheid. R. 21 Modern L. Para maiores discussões sobre a revisão judicial e o pano de fundo constitucional na África do Sul vide H. Capetown. 587 (1958). “The South African Appeal Court and Judicial Review”.. em outra tentativa de passar por cima de um Judiciário “pouco amigável”. A nova Constituição. A. Judicial Review of Administrative Tribunals in South Africa. a. A emenda constitucional também considerou a revisão judicial. Para discussão da Constituição da África do Sul de 1983 e melhor bibliografia vide L. Porto Alegre. Finalmente. O Ato do Senado. BOULLE. St. 1955. A Constituição Sul-Africana de 1961 refletia inteiramente as enfraquecidas secções pétreas e o significado da emenda de 1956. A seção 2 estabelecia em termos gerais: “Nenhuma Corte de Justiça será competente para investigar ou pronunciar-se sobre a validade de lei aprovada pelo Parlamento [exceto aquelas que afetem as seções “enraizadas”]. 4ª Reg. 1952 (4) S. Reg. o Ato de Emenda Sul-Africana. HAHLO e E. A indignação causada por esses desdobramentos foi finalmente acalmada em 1961. p.769 (A.MAY. Harris. 1968. Juta & Co. que efetivamente negava ao Judiciário qualquer autoridade para revisar a validade dos atos legislativos. todavia. A França Repudiou Montesquieu ? Não sou um especialista em assuntos japoneses. foi aprovado por uma sessão conjunta.e mais freqüentemente na América Latina e África. Se a revisão judicial pode tornar-se viável novamente na África do Sul é algo que permanece em dúvida. The South African Constitution. D. 40. mesmo naquela nação. 3ª ed. É claro. que. onde uma “crise constitucional” desenvolvida em 1950 irrompeu no momento em que o Judiciário declarou inconstitucionais certas promulgações do Parlamento Sul-Africano. O Ato aumentando o Senado e a Emenda constitucional foram ameaçados. que as seções pétreas foram consideravelmente enfraquecidas pela emenda. 9 de 1956. Capetown.. todavia. 1-20. 13-110. gra-dualmente construiu para si uma relevante função e uma significação genuína dentro do sistema. de 1955. KAHN. em 1950. 12. vide H. como previamente notado. Cape Town. Taniguchi sobre o Japão. 2001 . BEINHART. Fed. mas amordaçados pelo novo Judiciário aumentado.17  4. R. O governo ficou assim em situação de prosseguir e com sucesso retirar os poderes de voto dos negros do Cabo tal como originariamente tentado em 1951. supra nota 8. Trib. 1963. inicialmente vista por muitos como um elemento alienígena no sistema de governo japonês. No ano seguinte. 18 24 Vide relatório Uppsala por Y. Juta & Co. aumentou o Senado (e o Judiciário) e encheu o Senado com aliados do Partido Nacional de forma que numa sessão das duas casas do Congresso o Governo teria uma maioria de dois terços de todos os membros das duas Casas. n. A crise culminou com a adoção da Constituição Sul-Africana de 1961. New York.J. a justiça constitucional. B. J. incorporou uma terminologia de direitos políticos em seu preâmbulo e pode implicar um papel constitucional mais atuante para as Cortes.16 Uma ilustração peculiar oferece a África do Sul.

cada uma dessas duas nações européias tem uma história diferente acerca da supremacia parlamentar. p. The Rights of Man Today. Isto pode explicar por que. II. tit. 12. v. 10. Trib. Porto Alegre. tem-se mostrado imune ao controle judicial. 350-362. 24 Stanford Law Rev. autonomeada. ou eletiva. p. 1978. 1790. pode ser justamente declarada como a exata definição da tirania. Louis BENKIN. DAWSON. Os juízes estavam de tal maneira ______________   19 Talvez a razão histórica para esta diferença básica. P. Neles. ou muitas. ironicamente denominados de Parlements. e se hereditária. CAPPELLETTI & J. 347. 2001 25 . O assim denominado “princípio da venalidade da justiça” foi abolido na França pela Revolução através da lei de agosto 16-24. supra nota 20. 362-371.. induziram as Cortes a afirmar a “heureuse impuissance” do legislador até mesmo introduzindo pequenas reformas liberais. Esses tribunais. “Legal Aid: Modern Themes and Variations”.19  Para dizer a verdade. se em uma. repetindo The Federalist n. p. Ann Harbour. Boulder.18  Retornando à Europa. art. os constituintes da Constituição Americana “não estavam contentes com a democracia. Colorado. executivo e judiciário nas mesmas mãos. recusando-se a aplicar os considerados incompatíveis com “as leis fundamentais do reino”.quanto à da Europa Continental. pois tinham aprendido que o Parlamento também poderia ser despótico”. A Universidade de Direito de Michigan. a. a supremacia parlamentar se enraizou de há muito como um credo político – de tal forma que o Parlamento nacional. como diz o Professor HENKIN.º47 (James MADISON): “A acumulação de todos os poderes. Westview Press. face à recusa de registrar as proclamações reais nos registros do Parlement e pelo protesto público (remonstrance) contra um ato real de que o Parlement desaprovava. meu relato seria um tanto quanto incompleto caso não dissesse algo a respeito de outras duas grandes nações: a França e a Inglaterra. O poder de veto foi exercido por ambos. que se reflete na profunda diferença entre as versões francesas e americanas de “separação de poderes” (vide texto acompanhando e seguindo nota 33. n. entretanto. DAWSON in The Oracles of Law. algumas.  21 22 R. Reg. Vide. Na França. infra).acerca dessas leis fundamentais.”  20 O desenvolvimento gradual e as conseqüências políticas do “poder dos Parlements de vetarem a legislação real” são descritas por John P. 13-110. J. 40. tinham competência para rever atos do soberano. Fed. é mister voltar-se ao passado para nele encontrar um profundo sentimento de repulsa popular contra o abuso da função jurisdicional exercido pelas altas Cortes de Justiça no tempo do ancien régime. na Inglaterra desde a “Revolução Gloriosa” de 1688. nem mesmo com o governo representativo. mito de que não compartilha a Revolução Americana. e na França desde sua Revolução um século depois. GORDLEY. 1968. Esses países têm sido muito mais relutantes do que a maior parte da Europa em participar da “revolução constitucional”. encontra-se no fato de que a americana independe do Parlamento Britânico. como incorporação da vontade democrática. 355 (1972). 1 Vide M.na maior parte não-escritos .20  Os pronunciamentos .g. Essa tem sido a tradição e o mito. legislativo. 4ª Reg.

que era a favor de um governo “republicano” – i.e. por vezes em forma velada.  27 Ibidem. em 1748. 12.23 O ressentimento popular contra os Parlements era justificado24  e se refletiu. educação. um iluminado Montesquieu. Status. A consistente linha política era a da defesa dos privilégios da nobreza e da resistência a todas as mudanças na administração. Invocavam os direitos fundamentais do reino e alegavam estar resguardando suas liberdades. Charles-Louis de Secondat.” Ibidem p. Editions Garnier Frères. Os Parlamentos fundamentavam suas demandas em sólidos argumentos. VI.. diz ele. VI (traduções desse artigo. senão diferentemente indicado. que os juízes não deveriam ser investidos de nenhum poder político: Não há liberdade . livro XI. CAPPELLETTI).. fato que.. Os cargos eram hereditários. n. de seu falecido tio..e. i. Reg. resistindo a todos os esforços de reformas moderadas que sucessivos ministros procuravam propor. na celebrada obra. in MONTESQUIEU.. na definição de Montesquieu. várias ambigüidades. 4ª Reg. 2001 . e.  25 Vide Robert DERATHÉ. contribuiu para a deflagração da explosão revolucionária.identificados com o regime feudal que consideravam inaceitável qualquer inovação liberal. eventualmente. ROUSSEAU. supra nota 20. IV e livro V. p. assim como o nome de Montesquieu. “embora clarividente e cega”. 369. Bordeaux foi o próximo (26 executados. P. uma monarquia constitucional (livro II. De L’Esprit des Lois”. i.. sabia muito bem o que estava dizendo. J. n. 50 porcento).tem o poder soberano” (MONTESQUIEU..25 Perfeitamente compreensível. dado o tipo de juízes daquele tempo. A teoria de Montesquieu tem. 1) – Montesquieu advogava uma monarquia moderada. 370. podendo ser comprados e vendidos. o primogênito duma antiga família de juízes “parlamentares”.27  parecesse   23 “Por volta de 1750 os Parlements tinham emergido como uma bem-articulada e determinada oposição. p. 13-110. De L’ Esprit des Lois. cap. Trib. livro II.” J. 20 porcento). são de M. Herdara o alto cargo judiciário. cap. Porto Alegre. publicada pela primeira vez. mesmo sabendo que isto largamente deveu-se ao fato de muitos se terem exilado. cap.21  O trabalho dos juízes devia ser pago pelos litigantes como se a administração da justiça22  fosse um privilégio dos magistrados e não uma obrigação. nota 1 et passim) ou.26 ______________ “Mesmo que a lei”. ob.º 22.  28 Ibidem. como nós a chamamos hoje. cap. p. já se tinha tornado “Président à mortier” no “Parlement” de Bordeaux. Contrariamente a J. 26 R. 40. e Paris em terceiro (28 executados ou 14 porcento). cit. Du Contrat Social ou Principes du Droit Politique. p. ao falar dos juízes de seu tempo e país. é surpreendente que poucos de seus membros tenham sido guilhotinados.  26 De L’Esprit des Lois. se o poder de julgar não está separado do poder legislativo e do executivo. nada obstante. DAWSON. ou.. família e interesses pessoais de classe se combinavam para motivar comportamentos extremamente conservadores. em 1716. P. LXVII-LXVIII. supra nota 20. livro II. pregasse. de um governo “guiado pela vontade geral. que é a lei” (Jean-Jacques ROUSSEAU. 1973.. “A mais alta taxa de mortalidade recaiu sobre os parlamentaires de Toulouse (55 executados. Fed.. de um governo no qual “o povo. Paris. cap. por quem. Tomo I. não absoluta. 370. DAWSON. a. contando 27 anos de idade.  24 A Revolução prontamente dissolveu todos os Parlements e “quando se considera a selvageria do ressentimento popular contra eles.” J.

mesmo contra o monarca. 1) e contrastava com o regime despótico em que “uma pessoa decide tudo. “leges generales” ou direitos fundamentais. cap. 12. está longe de significar o que DERATHÉ parece sugerir. enraizados na natureza ou na razão humanas. 3 Estudos Franceses 299. a glória. SHACKLETON. DERATHÉ. livro II. para uma estudada interpretação vide R. ob. v. embora os negócios do estado sejam conduzidos por uma só pessoa. supra. sem leis nem regras. cap. X. IV. Tais teorias afirmam a existência de certos direitos. meramente baseada em sua vontade e caprichos” (ibidem). p. IV) e mais particularmente pela nobreza (ibidem) do que pelo papel das Cortes. Trib. afora a obediência e a aplicação do direito natural. ainda assim não seria dado aos juízes interferirem. Reg. uma importância muito grande aos “direitos naturais” na determinação do papel dos juízes. que nenhuma liberdade existe quando o juiz é também o legislador (livro XI. era muito pouco para representar a fundamentação de um sistema de revisão judicial da legislação monárquica. Porque. devido a sua essencialmente fluída e vaga natureza eram interpretadas arbitrariamente por aquelas Cortes de Justiça do ancien régime. Montesquieu parecia apoiar exatamente o que os Parlements tinham tentado fazer por um longo tempo – impor. livro I. onde não. que o julgamento não refletirá as opiniões pessoais do juiz (livro XI. A monarquia de Montesquieu era por ele caracterizada como um sistema em que “somente uma pessoa governa. Porto Alegre. VI). cap.não parece convincente.g.em certos casos cruel.g. cap.. Uma outra explicação pode ser a de que Montesquieu não atribuía. Isso. Essas teorias também eram dificilmente compatíveis com um papel puramente mecânico do juiz. 2001 27 . Assim agindo. embora pagasse um tributo à “gloire” do “corps” como tal. cap. SHACKELTON. III. cap. X. p. a superioridade de certas leis não-escritas. Fed. enquanto condenava a forma despótica de governo (livro II. 32-36. imutáveis e universais e superiores ao direito positivo de um dado tempo e lugar. Ele enfatizou. V). mesmo o assim chamado “éloge de l’état de la robe” por Montesquieu no livro XX. cap. “fixes et immuables”. 4ª Reg. Teria então Montesquieu “repudiado” – ou de fato contraditado a si mesmo? Onde estará o “verdadeiro” Montesquieu? Como poderiam tais passagens ser reconciliadas com o contínuo apelo no sentido de que as decisões não deveriam ser “arbitrárias” (livro XI. o “príncipe” requer obediência absoluta a seus desejos e nenhuma “remonstrance” é permitida. tal eficiência não degenera em descaso porque a ação estatal é constrangida ao respeito às leis. cap. 303-323 (1949)). supra nota 25. “Montesquieu em 1948”. todavia. ele procura seu espírito”) (livro VI. cap. VI). cap. muito embora mesmo os reis de França admitindo a existência de tais direitos. cap. No entanto. onde ele elogia a (moderada) monarquia pelo fato de que. XI) e não deverá concentrar em si a função judicial (livro VI. afinal de contas. que foi severamente condenado por Montesquieu (vide R. donde provinham seus poderes. XIII). VI). Aos juízes _________________________________________________________ XI). a R. cap. é a da visão de Montesquieu em defesa de uma “monarquia moderada” em que os poderes do monarca estavam mais limitados pelos “poderes intermediários” (vide v. XXXI-XXXII. que os juízes estão obrigados a aplicar rigorosamente “la loi” (“onde necessário. V e livro V. eram para serem relegadas à exclusiva preocupação do soberano. Há no mínimo duas passagens no L’Esprit des Lois. cap. p. a.. 13-110. “tinham limitado o número (desses direitos) a somente dois: o direito que regulava a sucessão à coroa (Lei Sálica) e o direito que estabelecia a inalterabilidade do domínio real” (assim R. e no livro V. pois esta tarefa é da competência exclusiva dos legisladores. 40. poderia ser a influência das teorias do direito natural dominante em toda a Europa nos séculos XVII-XVIII com as quais Montesquieu compactuou (vide. conforme o já mencionado. onde ele lamenta que nos regimes despóticos. cap.. Uma terceira explicação. 310-311 (1949). que parece mais plausível. no entanto. supra nota 4. que o monarca não-despótico estará obrigado por “direitos fundamentais” (livro II. 430). XIV). como na concepção de Hobbes. mais eficiente e prontamente do que no governo “republicano”. “Montesquieu em 1948”. nas quais Montesquieu parece apoiar essa função jurisdicional dos Parlements: no livro III. e vide o texto e nota 20. que nas boas monarquias a virtude do juiz encontra-se na “la médiocrité” (livro XX. De L’Esprit des Lois. repetidamente. A opinião contrária de DERATHÉ. Essa doutrina da superioridade “dos direitos fundamentais do reino” leva os Parlements a exercerem aquilo que redundava ser uma revisão judicial da legislação. naturalmente. mas com base em leis fixas e estabelecidas” (livro II. n. o juiz simplesmente a segue. XXII. naturalmente. em suma. 3 Estudos Franceses 299. mesmo Montesquieu magnificava a “médiocrité” e a “suffisance” do juiz “parlamantaire”. p. Deve-se notar que. cit. que. cap. Vide Judicial Review. que o juiz deve ser somente a “inanimada” boca da lei (ibidem)? Uma explicação. II. cap. livro V.

também a fé roussoniana na “infallibilité” da “loi”. essa idéia deveria tornar-se a parte central de sua ideologia. 12. 1981. na realidade. e no despertar da França. que este terceiro ramo. seguindo-se ao Legislativo e ao Executivo. que é imediatamente declarada bastante inferior àquela da nobreza (ibidem). de justificação 32 28 R. 1973.incumbe o dever de aplicar a lei cegamente. 60-66 e “The Doctrine of Stare Decisis and the Civil Law”. como um de seus primeiros princípios. supra nota 4. DAWSON. Como tentei demonstrar em outra ocasião (vide Judicial Review. VI.. grande parte do continente europeu acabou por introduzir a carreira judiciária. quer a força. esta “mediocridade” social e profissional dos juízes ordinários continentais (“Civis”) tornar-se-ia uma das razões por que eles se tornariam inadequados para o desafiador papel da revisão judicial dos atos administrativos e legislativos. Berstein. P. 381.31  __________________________________________________________ qualquer custo. realmente.  31 Ibidem. in P. in Festschrift für Konrad Zweigert. Daí ser essa uma importante razão por que as Cortes Administrativas especiais precisaram ser criadas no século XIX e especialmente as Cortes constitucionais em nosso século para preencherem aquele papel. Mohr. supra nota 20. como expressão da “volonté générale”. A Revolução proclamou. 13-110. Trib. nulo. n. tenha apresentado o Judiciário como um dos “três poderes”. em certo sentido. Charles Scribe’s Sons. a absoluta supremacia do direito escrito. Reg. II. uma vez que os juízes não são nada mais do que a boca que pronuncia as palavras da lei.30  Qualquer que tenha sido a real influência de Montesquieu na Revolução Francesa. New York. não muitas décadas depois a França.Dictionary of the History of Ideas. 376. Fed..g. Kötz eds. a. ed. do direito originado do corps législatif por representantes do povo. 2001 . H. encontrou sua maior expressão neste desdobramento revolucionário.. Porto Alegre. cap. E. o Judiciário é. 4ª Reg. p. 251 – é. preenchida por servidores públicos – a glória real da médiocrité. quer o rigor da lei. quão profético foi ele ao louvar tal mediocridade! Implementando o espírito desta recomendação.28 Embora Montesquieu. A influência dos “ditames da lógica de Montesquieu na produção desta estrita separação dos poderes governamentais que permaneceu como um quadro básico da organização judicial francesa” é afirmada por J. P.29 deixou claro. 387-393). Tübingen. são seres inanimados que não podem moderar. para dizer o mínimo. 40. contudo. Wiener. livro XI. Naturalmente. não é um “poder”: Dos três poderes de que falamos. p. 29 De L’Esprit des Lois.  33 A freqüente afirmação feita de que “a Constituição dos Estados Unidos compreende a idéia (do Barão de Montesquieu)” da separação dos poderes – como se pode ler. Hoje. diferentemente de Locke. v. os juízes administrativos e até mesmo os constitucionais na Europa assemelham-se muito mais aos juízes federais americanos do que aos simples juízes de carreira.  30 Ibidem. Drobing & H. enquanto reduzia o Judiciário a desempenhar uma tarefa puramente mecânica de aplicação da lei aos casos concretos. p. U.

284 (“nenhuma situação concreta permite uma só aplicação da lei”). A famosa loi revolucionária de 16-24 de Agosto de 1790 da “organization judiciaire” . 40..enquanto tentativa de proteção contra a tirania -. deixou as portas abertas às tiranias do Legislativo e do Executivo. ed. sobre a qual vide infra nesta seção. 629 (“a lei existente impõe limites somente em nossa escolha e não sobre a escolha propriamente dita”). ao fato de que nenhuma norma. A história legal da França. ou código poderiam ser tão claros e completos para permitir uma única e “correta” interpretação. 15-16. 1985. Essa circunstância logo provou ser a fonte de problemas e dificuldades não menos sérias do que as que tentava solucionar. dos poderes governamentais. A. Sijhoff & Bruylant. influenciados pela França -. 2001 29 .  34 Até os positivistas legais concordam. HART. n. 12. v. reduziu-se a função judicial a uma cega e “inanimada” máquina caça-níqueis de aplicação das leis a casos individuais. melhor descrita como “de pesos e contrapesos”.g. Vide. H.. Berkeley.cujos princípios dever-se-iam tornar os pilares do sistema judicial francês e de outros sistemas continentais. O fato é que a “séparation des pouvoirs”. J. Vide. estabeleceu que não seria permitido nenhum controle pelo judiciário de atos legislativos ou administrativos: ______________ duvidosa. é algo muito diferente do que sua versão americana. A história da França (e da Europa continental) da Justice administrative no século XIX e da justice constitutionnelle em nosso tempo. 4ª Reg. Alf Ross. Reg.g. 13-110. CAPPELLETTI. Leyden & Bruxelles. Cal. sobre Direito e justiça.34 De modo ainda mais importante. 1959. a. indiferente à realidade. lei.. 1978..   R. The Civil Law Tradition. p. 173. in M. p.Na realidade. New Perspectives for a Common Law of Europe. Fed. ao contrário. o modelo montesquiano (e roussoniano).. seria totalmente incompreensível se a afirmação acima fosse correta. University of California Press. Sir Otto KAHN-FREUND. isto é. 2ª ed. Stanford University Press. A separação dos poderes na América é melhor caracterizada como “pesos e contrapesos”33  e sob este princípio está reservada aos tribunais a função extremamente importante de rever atos do Legislativo e da Administração. L. p. MERRYMAN. estritamente diverso do papel e da atividade dos órgãos políticos. Common Law and Civil Law in Imaginary and Real Obstacles to Assimilation”. Stanford. é a ilustração contínua de tais problemas. tanto quanto de enormes esforços para achar soluções novas e mais apropriadas para os mesmos problemas. a estrita separação. v. “Séparation des Pouvoirs” no estilo francês. H. se de inspiração realmente 32  “montesquiana” ou não. implicava que o Judiciário deveria. 159. tal como introduzido pela legislação Revolucionária Francesa . Trib. estava a milhas de distância do tipo da separação dos poderes praticamente adotada ao mesmo tempo pela Constituição Americana. supra nota 2. Com isso. a qualquer preço. através da maior parte do século XIX. “French style”. do modelo francês. Porto Alegre. assumir um papel totalmente subserviente.

4ª Reg. independente.e. Art. Trib. O constitucionalista iugoslavo Pavle Nikolic. Título II. Sob pena de perda de seus cargos. apolítico ou. nem convocarão os administradores à prestação de contas com respeito ao exercício de suas funções. Mas a história.. de fato. supra nota 13. e isto não é menos verdadeiro para o Poder Legislativo. n. Esta mesma ineficiência foi a maior razão que levou a Yugoslávia a adotar. Paris. 1834. os franceses gradualmente se deram conta. em seu mais alto nível. gloriosa instituição. por todos reconhecida como uma alta Corte da ______________  35 O texto completo da loi pode ser encontrada em J. 2001 . 13-110. gradualmente evoluiu. 1852 e 1946. I. DUVERGIER. p. até tornar-se uma agência judicial independente. como inicialmente havia sido no século XIX. Não permite. revelaram-se extremamente ineficientes. e os correntemente adotados por muitos países comunistas. Reg. Fed. 10: Os Tribunais Judiciários não tomarão parte. informa-nos que este “autocontrole. 310-333. um fácil controle interno independente.B. i. provou ser ineficiente”. um sistema 30 R.”35  Isso significa dizer que tanto os legisladores quanto os administradores públicos estavam isentos de qualquer controle por parte de um terceiro órgão. A maioria das constituições européias orientais e outras dos países socialistas confiam o papel de controlar a constitucionalidade da legislação ao “Soviet Supremo” ou à “Assembléia Popular” e/ou aos “praesidiums”. sem surpresa.“Título II. que se afirma como supremo. direta ou indiretamente. etc. E disso. Art. Título II. 12: (Os Tribunais Judiciários) reportar-se-ão ao corpo legislativo sempre que assim considerarem necessário. 40..  36 Para os precedentes franceses vide Judicial Review supra nota 4. pelo menos no tocante ao ato administrativo. Guyot et Scribe. 33 e as referências na nota 30 ibidem. 12. a fim de interpretar ou editar uma nova lei.. o controle da constitucionalidade da legislação confiada ao próprio corpo legislativo. portanto. provou que. Os controles internos.. Deve-se admitir. os controles dos órgãos políticos dificilmente podem ser controlados de dentro. menos político. poderiam ser e de fato foram estabelecidos. em seu relatório de Uppsala sobre os países socialistas. de alguma forma. O Conseil d’ État. de mero departamento interno da administração. para serem efetivos. e a Tchecoslováquia e a Polônia tentaram adotar. Art. no exercício do Poder Legislativo. nem impedirão ou suspenderão a execução de decisões do Poder Legislativo. Collection Complète des Lois. que todos os sistemas passados e presentes de controle político e não-judicial.36 O controle efetivo dos órgãos políticos necessita ser realizado de fora: precisa ser confiado a pessoas e a agências suficientemente independentes em relação aos órgãos controlados. Porto Alegre. os juízes de nenhuma maneira interferirão com a Administração Pública. naturalmente. 12: As funções judiciárias são distintas e sempre permanecerão separadas das funções administrativas. p. não raro neste ponto de forma infeliz. a. Um Poder Executivo eficiente é hierarquizado. como os experimentados na França com as Constituições de 1799.

2. 2. III. “Nécessité et Légitimité de la Justice Constitutionnelle”. outras nações continentais seguiram seu exemplo. que as tiranias legislativas e majoritárias podem ser tão opressivas quanto a tirania do Executivo. Quanto mais importante e aceito se torna o papel do Conseil. e a giustizia amministrativa. French Administrative Law. naturalmente. e. I. 13-110. a Itália e a Alemanha.38  Nosso século. da perversão política. 40. da ditadura e da derrota. Essa é a razão por que a Áustria. GARNER. tais como a Verwaltungsgerichtsbarkeit. entretanto.França. e vide o texto e as notas 13-15 supra. que a possibilidade do abuso legislativo cresceu enormemente com o crescimento legiferante do estado moderno. 1983.40 e. 3ª ed. 464-471 [doravante citada como “Nécessité et Légitimé”].39 pois até o Legislativo. Butterworth. supra nota 7. tanto mais independente ele se apresenta vis-à-vis dos órgãos políticos. Reg. FAVOREU. E com sua independência. a. o sistema de justice administrative francês tornou-se modelo do desenvolvimento de órgãos análogos. in Cursos Constitucionais. e não apenas o Executivo. n. logo se voltaram para a justiça constitucional. A B-C. N. que privou os judeus e outras minorias de seus direitos mais fundamentais. § 48. a natureza judicial do processo também fica cada vez mais acentuada e reconhecida. na Alemanha. A experiência mostrou.. F. dessa evolução histórica: o estabelecimento da justice administrative ou da revisão judicial dos atos administrativos. London. p.  38 A influência do sistema francês de justiça administrativa fora da França é discutida in id. haveria de ensinar uma outra lição: a de que a idéia roussoniana da infalibilidade da lei parlamentar não passava de outra ilusão. vide L. 162-171. todavia. Porto Alegre. 2001 31 . foi o início. com todas as conseqüências de tal entendimento – incluindo a adoção das salvaguardas mais características do processo judicial: a imparcialidade do magistrado. R. 28-31. além disso. BROWN & J. Cedo ou tarde.  39 Vide o relatório Uppsala por L. Seu papel é o de controlar a legitimidade do ato administrativo. Fed. 4ª Reg. Vide o relatório de NIKOLIC. na Itália etc. como antes se aludiu. CAPPELLETTI. §§ II. supra nota 8. emergindo do descalabro moral e material. 40 Vide M. Trib. 12. É suficiente lembrar a legislação fascista. A França. assim. pode abusar do poder. também. o direito das partes de serem ouvidas e de todos os vários corolários dessas regras básicas da “justiça natural”37 .. no velho continente.  37 Para uma breve idéia sobre o desenvolvimento da justice administrative na França. vide também Jean RIVERO. para criar um novo tipo de controle a ser acrescentado _________________________________________________________ de revisão judicial no lugar de uma revisão política.

supra nota 8.  44 Sobre as “infirmações” do sistema francês vide “Nécessité et Légitimité”. tornada atuante pela decisão constitucional. a. entretanto. 2001 . A influência histórica das idéias francesas. quando o órgão criado pela Constituição de De Gaulle. Assim fazendo.  42 32 R. 4ª Reg.42 Tal tornou-se patente especialmente a partir de 1971. 53 Southern California Law Rev. 13-110. Originariamente. p. Todavia. dentro do esquema da nova norma constitucional. 412-421 (1980) [doravante citada como “The Mighty Problem”]. Favoreu. tentavam limitar e controlar o poder do legislativo e da maioria legislativa. reforçou esse desenvolvimento. Fed. § 38 et passim. “The ‘Mighty Problem’ of Judicial Review and the Contribution of Comparative Analyses”.à justice administrative. visto como mero vigia dos ampliados poderes do Executivo sob o regime do Général. e certamente menos duráveis do que em outros países. supra nota 8. quase como um pendant do Conseil d’ Etat do século XIX e de seus similares alemães e italianos. 12. envolveu-se ultimamente de maneira profunda num fato mais recente: o da revolução da revisão constitucional e judicial. como um órgão independente. isso não foi ainda o fim da atuação francesa. cujo papel era o de rever a constitucionalidade da legislação parlamentar. Trib. o Conseil Constitutionnel assentou-se. em julho de 1971. §§ 15-20. Os desdobramentos na França são descritos por M. muito embora a líder no século XIX no desenvolvimento da justice administrative. denominado Conseil Constitutionnel. CAPPELLETTI. garantindo às minorias parlamentares de oposição o direito de ______________  41 Vide nota 5. 43 Relatório Uppsala por L. Reg. corajosamente transformou seu papel. supra nota 40. violadora de direitos fundamentais. 499-501. não desempenhou o mesmo papel no desenvolvimento da “constitutional justice” no mundo que se seguiu à II Guerra Mundial. embora não tenha liderado o processo. A França. Porto Alegre. promulgada durante o governo do Presidente Giscard d’Estaing. 409. n. pode também ajudar a compreender porque essas nações sentiram a necessidade de seguir um caminho similar àquele da justice administrative: todas elas controlam os órgãos judiciais de controle do ato administrativo41  – criado que foi um novo tipo de órgão controlador. Os abusos do régime de Vichy durante a II Guerra Mundial foram talvez menos excessivos. supra. Isso pode explicar porque a França. por outro lado. pela primeira vez. transmudando-o radicalmente. vide também o relatório Uppsala por Favoreu . A França. Uma emenda constitucional de 1974. estava de algum modo menos envolvida nesse novo curso de ação. 40. quase judicial. de 1958.

5. Assim. 5. Vide L. Por um lado. 12. 1979. 16.  47 A frase citada no texto tem uma literatura própria. Trib. discutindo a quem se deve a paternidade (De Lolme. a legislação só pode ser atacada durante o curto período entre sua aprovação pelo Congresso e o de sua promulgação. London. Indianapolis. Law]. 36. H. uma vez promulgada. ou por autoridades políticas que tenham representatividade individual para assim agirem no interesse geral. porquanto. apresenta uma história muito diferente. os direitos constitucionais das minorias e dos cidadãos encontraram nesse sistema revisional um formidável escudo contra o que era havido por muitos como um abuso da maioria. que manteve a opinião de que o sistema de revisão judicial da constitucionalidade da legislação. a. Porto Alegre. desenvolvido pela França durante os últimos quinze anos.. PHILIP. muitos juristas concordam com nosso colega francês. Fed. 344 n. FAVOREU & L. 295 R.g.43 No entanto. levarem sua inconformidade ao Conseil Constitutionnel. cujo histórico papel de proteção das liberdades individuais geralmente gozou de largo ______________ 45 Algumas das decisões mais marcantes do Conseil Constitutionnel são traduzidas in M. cap. Les Grandes Décisions du Conseil Constitutionnel.C.45 legalmente obrigatória e judicialmente impositiva. tornou-se. nenhum juiz na França pode afastar uma loi. Em muitos casos. Comparative Constitutional Law. a Constituição francesa. p. Bagehot). COHEN. CAPPELLETTI & W. é tão efetivo como o das nações continentais vizinhas. 1968. J. 12 A History of English Law. mesmo nesses estreitos limites. p. reedição 1966.. 2ª ed. The Judicial Press. contrariamente ao ancien régime da França. em toda a sua extensão. C   e cap. Paris. A “Grundnorm” inglesa: A Absoluta Supremacia do Parlamento A Inglaterra. Bobbs-Merril. 5. n. 40. HOLDSWORTH. naturalmente. v. Vide. supra nota 4. W. 13-110. pela primeira vez. J. De mais a mais. 3ª ed.  46 Vide Judicial Review.questionarem a legislação perante o Conseil Constitutionnel.. 3. 2001 33 . lá não houve nenhum profundo sentimento popular contra o judiciário. uma vez que a legislação parlamentar somente pode ser atacada por pelo menos 60 membros de cada Casa do Congresso. Reg. 1984. H. cujos direitos fundamentais tenham sido violados. supra nota 33. a revisão judicial da legislação na França só se tornou expressiva há bem pouco tempo. [doravante citado como Coparative Const. Segundo. o Deão Louis Favoreu. MERRYMAN. e muito particularmente seus direitos fundamentais que incluem a Déclaration des droits de l’homme et du citoyen. p. Hoje. de 1789. declarando-a conflitante com a Constituição. ABRAHAM. na França não há possibilidade de os indivíduos. ao menos duas sérias limitações do sistema francês não devem ser desconsideradas. Methuen. 1938.44 Primeiro. 4ª Reg.

desta fonte original”. que em razão do poder legislativo e mais geralmente. ter sido considerado por Locke como “a promulgação e a sanção de uma lei. 160-162.. § 134.  50 John LOCKE. Todavia. como a famosa decisão do Lord Coke no caso Dr. 392 (1908). “Eu não conheço poder”. isto é. através de uma imagem excessivamente ousada como a onipotência do Parlamento. confirmar. abrogar. 2001 . 149. repristinar e interpretar as leis concernentes a matérias de qualquer natureza eclesiásticas ou temporais. Pode ser verdade. mediata e imediatamente.Rev. nenhuma força no mundo pode desfazer . a lei da natureza que é a lei da razão.espectro. enquanto a Constituição inglesa subsistir. e elas. Vide também Judicial Review.  49 Em uma passagem muito criticada por John Austin. p.47 Rejeitando esses precedentes judiciais. cap. a revisão judicial do ato administrative nunca encontrou sérios obstáculos.dentro de quaisquer fronteiras. que há de residir em qualquer governo. e sustentar que os juízes têm liberdade para rejeitá-las”. Por outro lado. restringir. Como Pound observou acertadamente. ou impossível de ser aplicado. The Povince of Jurisprudence Determined. p. p. cap. sendo “superior em obrigação” ao direito positivo.. 90-91. ousaremos afirmar que o poder do Parlamento é absoluto e fora de controle. cap. colocaria o poder judicial acima da legislatura. L. a Revolução Inglesa de 1688 afirmou. Blackstone afirmava que o direito natural. 338. The Second Treatise of Government. 184-186). 40. Para um comentário muito utilizado vide T. a absoluta supremacia do Parlamento que. na Grã-Bretanha. quando Blackstone “aplica [esta teoria do direito natural] à legislação.” 8 relatórios Coge 118a.  52 The Second Treatise. menos transformar um homem em mulher ou uma mulher em homem”. 1765. afirmava o poder que o Judiciário tem de controlar a validade da legislação: “porque. do “poder de governar”. A doutrina da separação dos poderes jamais foi inteiramente adotada na Inglaterra. R. p. XII. 1832. Bonham. é posto pelas constituições deste reino . John AUSTIN. em suma. 13-110. Pound.. quando um ato do parlamento é contra o direito e a razão comum.. “pode fazer tudo.. n. cap. a. Na verdade.. militares. fazer tudo quanto não seja naturalmente impossível. em 1610. secção 3ª “Of the Laws of England”. cap. F.  51 The Second Treatise. Lecture V (London. anular. diferentemente da França. como diz o provérbio. Vide William BLACKSTONE. 4ª Reg. Rep. muito enfaticamente. “é obrigatório sobre todo o mundo. XI. Weidenfeld & Nicolson. de forma que “[somos] obrigados a transgredir a lei humana” violadora do direito natural. §§ 145-148 et passim. Reg. T. p. e por isso alguns não têm escrúpulos em exercer este poder. 30-70 (1926).  53 The Second Treatise. 36-41. Clarendon Press. 77 Eng. secção Segunda “Of the Nature of Laws in General” (Oxford. Blackstone também afirmou que o poder do Parlamento é “tão transcendental e absoluto. Trib. em sua “versão francesa”. o direito consuetudinário o controlará e o considerarão um ato nulo. 52. § 212. 149 et passim. 21 Harv. Introdução.48  a supremacia parlamentar teve como corolário a irrevisibilidade da legislação parlamentar – a “onipo______________  48 A decisão Bonham. em que Blackstone rejeita a possibilidade de os juízes afastarem as leis do Parlamento mesmo quando estas leis imponham “algo que não seja razoável”. Livro I. e não somente no Legislativo. aumentar. 12. e em todos os tempos: nenhuma lei humana tem qualquer validade se lhe é contrário. et passim. vide também a Introdução. no entanto.46 Isso pode explicar porque.. ele se retrata”. XII. “O caso Bonham e a Revisão Judicial” 40 Harvard Law Rev. cap. XIX. “que ‘possa obstar’ tais leis.” BLACKSTONE. Pode.ele tem autoridade soberana e incontrolável para fazer. Commentaries. 652. que ele não pode ser confinado. diz ele. retiram todas as suas forças e toda sua autoridade. o que seria a subversão de qualquer governo.. 41. como é muito conhecida. supra nota 4. Conseqüentemente. marítimas ou criminais: este sendo a sede em que esse poder absoluto e despótico. civis. II. em todas as nações. PLUCKNETT. enquanto válidas.43). Commentaries of the Laws in England. na versão que implica a proibição de qualquer “interferência” dos tribunais nos órgãos da administração. §§ 145.” ele tenha visto uma forma “judicial” inerente 34 R. p. 1954. Fed. Porto Alegre. “Common Law and Legislation”.. o que o Parlamento faz. ou incompatível.

IX. tal como observado por Peter LASLETT.51 enquanto o poder “supremo”.  56  57 R. Fed. cap.. significativas brechas foram abertas nos sólidos princípios das tricentenárias muralhas. v.52  é magnificado como o “a alma que dá Forma. porém. vide. in University Press. cap. XI. Em sua tricotomia. cap. Porto Alegre. considerando-a como equivalendo a colocar “o Poder Judiciário acima do Legislativo. A supremacia parlamentar ainda é ali afirmada como um princípio básico: a Grundnorm57  da Constituição não-escrita daquele país. 96. o que seria a subversão de todo o governo”. § 135. quando o grande comentador rudemente rejeitou a revisão judicial. WINTERTORN. VII.. “The British Grundnorm: Parlamentary Supremacy Re-examined” Law Quartely Review.  55 Vide v. Elas nos revelaram uma nova e única dimensão do extraordinário desenvolvimento e crescimento da ______________ e que perpassa àquele poder. A doutrina de Locke repercutiria e far-se-ia mais explícita através de Blackstone. vv.49  Se o modelo francês de impotência do Judiciário encontra em Montesquieu seu mais autorizado teórico. p. Trib. 13-110. 40. 12.. ao mesmo tempo. 2001 35 . n. John Locke é visto como tendo desempenhado papel similar na Inglaterra. The Second Treatise. § 124. o “Legislativo”.56  Diferentemente do que ocorre na França.g. Two Treatise of Government. Vide nota 49. 107. Vida. Cambridge. The Second Treatise. Nos últimos anos. de fato. Mencionarei apenas duas que se aplicam ao Reino Unido e. embora não sem ambigüidades.g. 4ª Reg. os dois poderes “derivados” ou “inferiores” eram o “Executivo50 ” e o “Federativo”.g. “Introduction” to John Locke. 1976.  54 Vide. supra. não via o Judiciário como um “ramo” ou “poder” separado. cap. §§ 88-89. a várias das demais nações da Europa Ocidental. Embora esteja freqüentemente associado com a histórica doutrina da separação dos poderes. 1960. 591-617..54 ele não via o judiciário como o aplicador competente e privilegiado desses naturais limites legais da vontade legislativa55 . § 136. a. mas não criadas pela razão. XI.tência” do direito (lei) positivo e a impotência judicial para controlar a “validade” da lei. não se trata de história passada para a Inglaterra. Reg. The Second Treatise. G. descobertas. Locke. Vide v.53 Ainda que o “Legislativo” de Locke estivesse constrangido a “revelar” e a “executar” as “eternas e imutáveis leis da natureza”.g. e Unidade à Commonwealth”.

1983.revisão judicial na Europa. n. 2ª ed. Luxemburgo.g. este corpo legislativo da comunidade penetrou no sistema legal britânico e no sistema dos outros nove Estados-membros “como uma maré crescente. supra nota 45. Nijhoff. BROWN N. 36 R. a. 1982. KERRIDGE & B. P. como sendo automaticamente the law of ______________  58 Vide v. 1983. Oxford. p. I. consistindo por enquanto. 12. JACOBS. 2001 . o Reino Unido tornou-se membro pleno da Comunidade Européia – o assim chamado Mercado Comum. supra nota 45.  61 Vide Comparative Const. 30 anos da Comunidade do Direito. desde 1973. sua dimensão transnacional. com alguma participação da Comissão Comunitária e do Parlamento Europeu. Uma das características básicas da Comunidade é a de que ela se auto-outorgou poderes legislativos. Nederlandse Administrative Belastingen. Porto Alegre. p. vale dizer. na sua maior parte promulgado pelo Conselho de Ministros da Comunidade Européia. Vide v. 137. em breve.  59 Vide Comparative Const. Sasse & H. especialmente na econômica.. 137. COURTS AND FACE MARKETS. 40. van Gend en Loos v. Sweet & Maxwell. com uma população de cerca de 300 milhões de pessoas. 1983. tornar-se-ão treze. YOUROW & E. mas também no plano social. Reg.. (1974) 2 All E. STEIN. eds. 6. N. London. HAY & M. Trib. European Community Law and Institutions in Perspective. FURMSTON. C. Bobbs-Merril. Office for Official Publications of the European Communities. The Hague. em milhares de “regulamentos” e “diretivas”. F. WAELBROECK. P.g. Case 26/62 (1963) ECR 1. G. L. C. COMMISSION OF THE EUROPEAN COMMUNITIES.. Law. basicamente. 4ª Reg. provou ser um ordenamento de legislação transnacional em expansão. R. [que] corre pelos estuários e rios adentro [e que] não pode retroceder. 1226. STEIN. p. mas que. 92-126. Vide também M. Bollinger.  60 O princípio foi afirmado pela primeira vez na histórica decisão da Corte de Justiça Européia (CJE). 162. eds. 1-246. O Direito Comunitário.”59  A razão pela qual ele não pode ser contido decorre do princípio básico do Direito Comunitário que assegura a “aplicação direta” da lei da comunidade. Clarendon Press. The Effect on English Domestic Law of Membership of the European Communities and of Ratification of the European Convention on Human Rights. 13-110. Indianapolis. R. Estaria a Inglaterra Abandonando sua Grundnorm Lockeniana? A Lei Comum “Não poderia Ser Detida” A primeira “brecha na muralha” foi aberta pela Comunidade Européia. Vide geralmente E. a citação é de Bulmer v. Fed.58  Na expressiva frase de Lord Denning. p. em um largo espectro de áreas. Law. de que ora participam dez países da Europa. Como se sabe. The Court of Justice of the European Communities. 1976. SUFRIN..

1.parte de nosso direito. 1986. pela Corte Européia de Justiça. consistente corrente jurisprudencial da Corte de Justiça Européia – a Corte da Comunidade. Vol. p. BROWN & F. Integration Through Law. Livro 2. 424-426. 1982. Luxembourg. 109. 40. Case 106/77.the land de cada um dos Estados-membros.62 A legislação nacional. pelo menos como regra geral. 281-285. ele deverá ser uniformemente aplicado em todos os Estados-membros. R. Vol. Casos 18-30/62 (1963) ECR 31. Berlin & New York. KOVER. decisão da CJE Da Costa en Schaake. desde 1964. 4ª Reg.64  Podemos verificar. Caso 6/64 (1964) ECR 585. publicação inédita. há de ser afastada pelos tribunais nacionais dos dez países.”61  Tal conseqüência é da própria natureza do Direito Comunitário. supra nota 42. SECCOMBE N J. Livro 2. de que o princípio histórico da absoluta supremacia da lei Parlamentar não mais prevalece inteiramente. M.60 Nas palavras ainda de Lord Denning: “o Parlamento decretou que (a lei da Comunidade) é. ENEL. supra nota 60. como também. Sobre a gradual aceitação pela maioria da cortes nacionais da doutrina da supremacia do direito da Comunidade vide.. com sede em Luxemburgo – estabeleceu que o direito da Comunidade não é somente o direito de todos os Estados-membros. independente da data de sua promulgação. ______________  62 A primeira afirmação da preeminência da doutrina pode ser encontrada em outra histórica decisão da CJE. para todos os Estados-membros. embora seja pelo menos um primeiro passo para o reconhecimento.  63 Vide a decisão da CJE in Simmenthal. 13-110. JACOBS. É uma forma de revisão muito similar à decisão executiva americana da supremacia da legislação federal sobre as leis estaduais conflitantes. de Gruyter. mesmo na Inglaterra. Isso explica porque. R. 12. prevalecendo sobre a legislação nacional conflitante. eds. CAPPELLETTI. “The Relationship Between Community Law and National Law” in Thrity Years of the Community Law. 1. no papel da Corte de Justiça Européia. p.. assim. Costa v. Fed. Europe Experience. L. em última instância e com efeito final.g. N. a ser diretamente aplicado por todos os tribunais nacionais.63 e os problemas de interpretação se resolvem. n. de Gruyter. Na verdade. Geralmente. publicação inédita. que uma nova e importante forma de revisão judicial da legislação penetrou nos “estuários e nos rios” da Inglaterra e também nos outros nove sistemas jurídicos europeus. a. é a mais alta lei dos Estados-membros. 1986. “The Mighty Problem”. Reg.. se considerada contrária à legislação da Comunidade. WEILER. vide M. Trib. AmericanAmerican Federal Experience. e sobretudo. não se trata de um controle de constitucionalidade da legislação. (1978) ECR 629. Berlin & New York. Porto Alegre. 2001 37 .  64 Vide v. p. porquanto. G.

a última ocorreu em 1981. 13-110. Suíça (1974. mais especialmente.Chipre. MERON. 4ª Reg. KERRIDGE & B.  68 A respeito do impacto da Convenção Européia no Reino Unido. o ano da ratificação. que estende a todos os cidadãos. 1960). Relembro que a Convenção é um ______________  65 C. “do Papa João XXIII” – a sustentar que a Inglaterra. E. “Is There Already a British Bill of Rights?”. desde então. 495-549. FURMSTON. Martin’s Press. A “Justiça Transnacional” da Corte Européia dos Direitos Humanos Um segundo desenvolvimento dessas idéias diz mais respeito a nossa preocupação inicial. supra nota 61. foi. A aceitação. Realmente. R. após esgotados os remédios nacionais. Dinamarca (1953. desde então ininterrupta da cláusula opcional do art. supra nota 66. Fed. 247-428. 177-187.1955). membro signatário da Convenção dos Direitos Humanos desde 1951. Human Rights in Internationa Law. II. 25: Áustria (1958. segundo me foi dito. vide A. P. Irlanda (1953. incluindo legislação. Itália (1955. 177-187. realmente já tinha direitos fundamentais escritos e obrigatórios. 12. o desenvolvimento do que eu discutirei agora motivou o ilustre constitucionalista americano Charles Black – um anterior “conselheiro”. 38 R. Chipre (1962). 1974). Desses países somente três . 66 67 Para breves pesquisas.g. 89 Law Quaterly Rev. Para maiores informações relativamente também às ratificações do Protocolo da Convenção. 362. República Federal da Alemanha (1952.66  Esta cláusula estabelece uma forma de Verfassungsbeschwerde transnacional. “The European Convention on Human Rights”. 1973). n. materializou-se especialmente quando o Reino Unido.1963). Rosalyn HIGGINS. ROBERTSON. o ano da aceitação. Human Rights in the World. Bélgica (1955. geralmente. à revisão judicial. 362-363. 2001 .65  Esse segundo episódio. A. Z. a. Malta (1967). 80-117. e. 1958). Malta e Turquia – ainda não aceitaram a cláusula opcional do art. supra nota 66. European Human Rights Convention in Domestic Law. com referência a um número de casos. Clarendon Press. Drzemczewski. 1984. por um período de cinco anos. 1955). M. 2ª ed. Z. à revisão da constitucionalidade da legislação e. como instrumento de proteção dos direitos humanos. 1985). França (1974. DRZEMCZEWSKI. p. 1955). 1955). 1981). a cláusula opcional do artigo 25 desta Convenção. vide v. aceitou. L. Porto Alegre. A H. Oxford. Suécia (1952. 1982). Holanda (1954. ed. 1978). há poucos anos. 173 (1973). Oxford. in T. em 1966. Liechtenstein (1982. 1958). New York St. primeiro. DRZEMCZEWSKI. Trib. Clarendon Press. p. violador de seus direitos protegidos pela Convenção. primeiro limitada a um período 3 anos. 1953). BLACK Jr. o direito de apresentarem suas reivindicações perante o aparelho judiciário da Convenção em Strassbourg contra qualquer sorte de ato administrativo.. 40. Portugal (1978. 1981). A convenção foi ratificada pelos seguintes países (em parênteses está. 1982. 1966). SUFRIN. 1983. ao contrário da opinião geralmente aceita. Luxemburgo (1953. Reg. Grécia (1974. 25. Z. Vide.7. 1952). Espanha (1978. Noruega (1952. Turquia (1954) e Inglaterra (1951. Islândia (1953. segundo. regularmente renovada. vide A. ou seja.

The Honourable Mr. “Legal Procedure: Acess to Justice. e os custos.vinte e uma nações. como o uso de punição física numa escola sem o consentimento dos pais. 4ª Reg. mas eram desumanas e degradantes. O Reino Unido poderia denunciar a Convenção dentro de seis meses conforme o artigo LXV . Foi alegado que as autoridades da Irlanda do Norte tinham infligido torturas em prisioneiros republicanos pelo uso de vários métodos de interrogatório. um bill of rights transnacional tornou-se obrigatório para a Inglaterra. Não houve a intenção de desafiar a decisão da Corte. 12... p. quando necessário. 40.. Z. com bastante freqüência nos últimos anos. basta um pequeno passo para aceitar-se a idéia de que a Convenção faz parte do direito da Inglaterra. Com especial atenção ao Reino Unido. n. 2001 39 . e em não poucos casos as condenações pela Comissão Européia e pela Corte de Direitos Humanos ______________  69 A respeito da autoridade e adequação com as decisões dos órgãos decisórios da Convenção Européia dos Direitos Humanos nos vários Estados-membros vide A. e que os tribunais ingleses devem aplicá-lo. Eire v. Houve casos. conflitantes com o artigo III. Uma brecha foi estabelecida em um caso sobre o trabalho em loja que teve suas atividades encerradas numa de nossas estradas de ferro nacionalizadas. supra nota 42. Justice GIBSON. p. de mudar a lei pertinente. com a única exceção da Finlândia.  70 Vide “The Mighty Problem”. por indivíduos. A Corte (Européia) sustentou que as técnicas não chegavam a ser torturas. 13-110. Basta dizer que ações bem-sucedidas têm sido submetidas à Convenção. perfazendo uma população de mais de 350 milhões de pessoas. entre outras nações. não é questão a ser discutida agora. considerou esses acontecimentos surpreendentes e embaraçosos. como as regras da prisão. 1883 to 1983”. ao qual aderiram. embora nem todos concordem com a interpretação da Convenção pelas várias maiorias na Corte de Strassbourg. sem dúvida. e. como permanecer em pé contra a parede.foram assegurados a três reclamantes. vide os recentes comentários do Presidente do Law Commission of the European for England and Wales. impondo-se de forma obrigatória para o Parlamento Britânico. A resposta do governo a estas e outras decisões foi a de suspender tais práticas ofensivas. 260-325. Trib. Nesse contexto.sobre imigração.. DRZEMCZEWSKI. a censura de cartas pelas autoridades carcerárias e a recusa de permissão de apenados procurarem aconselhamento legal. Porto Alegre.. Em um caso. salvo se quiserem que seus julgamentos sejam submetidos à apreciação dos julgadores transnacionais em Strassbourg. privação do sono.. um amplo e definido sistema de revisão judicial.68 Se os britânicos estão prontos para dar esse passo à frente e adotar. contra a legislação inglesa e outros atos administrativos ingleses. Fed. p. in 9 Dalhousie Law Journal 3. submissão a ruídos. R. o processo era entre duas turmas da Convenção.. Brechas também foram estabelecidas em petições individuais em outros contextos. assim.abrangente bill of rights transnacional. 424-430. 27-28 (1984): O Reino Unido foi intimado por estar em falta com suas obrigações perante a Convenção Européia em inúmeros casos. e é imposto por um magistrado transnacional a quem os cidadãos britânicos têm acesso. supra nota 66. todos os países da Europa Ocidental . muitas vezes antes da decisão da Corte. Reg.67  Dessa forma. O governo. Não o fez e esta medida é bastante improvável. e o direito consuetudinário de desacato contra The Sunday Times Newspaper em suas investigações e reportagens no caso da Thalidomida. a. U.. na qual os danos. K..

1983. Law Rev. ou teve seu papel grandemente expandido. Costa Rica (Corte Inter-Americana de Direitos Humanos. Annual 40 R. ed. 1983. Sobre o “Tormentoso Problema” da Legitimidade Democrática da Justiça Constitucional Vimos como a revisão judicial foi recentemente introduzida.provocaram ressentimentos no Reino Unido.Connecticut. Ten Years of Activities 1971-1981. 439-493. 13-110. “Parlamentary Sovereignty and Human Rights in Canada: The Promise of the Canadian Charter of Rights and Freedoms”. percorreu um longo caminho para. P. unanimemente. inclusive o Parlamento. que uma lei da Costa Rica. 69 (esp. Westport. R. supra nota 67. Todavia. embora ostensivamente mantendo suas tradições de rejeitar a revisão judicial da legislação. p.. também. J. finalmente. H. Estudos Políticos. Clarendon Press.69A Grã-Bretanha em particular. Protecting Human Rights in the Americas. 4ª Reg. 11-13 discutindo a recente criação da Corte Inter-Americana de Direitos Humanos). A BAYESKY. Schmidt v. a. C.. Assim sendo. p. por terem atingido queridas tradições.. vide também. The International Law of Human Rights. MERON.. 543-565. B. D. The International Dimensions of Human Rights. 73 Um sinal encorajador é a importante decisão tomada pela Corte Inter-Americana. II. BUERGENTHAL. Estudos Políticos. “The Inter-American System of Protection of Human Rights”.. 229. “The american and Europian Conventions on Human Rights: Similarities and Differences”. 401-414. NORRIS & D. violava a liberdade de opinião e de expressão garantida pelo art. nossa lista para ser completa deveria ser estendida a muitos ______________  71 Vide o relatório Uppsala por Eivind Smith sobre os países escandinavos. de facto. v. Id. geralmente demonstraram a determinação de se conformarem com as decisões finais da Corte Européia de Direitos Humanos. julgamento de 14 de nov. v.70 8. in T. White sobre países da Common Law. Vide. D’ONORIO. vide também. SHELTON. Oxford. 1983. T. in K. 239. T. que requeria uma licença compulsória para jornalistas. 2001 .155 (1981). n. num grande número de países. 100-101 sobre as sérias conseqüências da “notwithstanding clause” da Seção 33 da Carta).g. “The Organization of American States (OAS)”. Inter-American Court on Human Rights. “Le répatriement de la Constitution Canadienne”. Revista internacional de direito comparado. Inter-American Commission on Human Rights. Organization of american States. Strasbourg. General Secretariat Organization of American States. a supremacia da Constituição transnacional tem sido largamente confirmada na Europa Ocidental. 40. 1982. Fed. BUERGENTHAL. supra nota 8. Engel Publ. GROSS ESPIELL. II. Vide geralmente. 30 American Univ. D’ONORIO. A BAYEFSKY. “The Parlamentary Sovereignty and Human Rights in Canada: The Promise of the Canadian Charter of Rights and Freedoms”. Vasak. repudiar sua própria tradição – uma lockeniana e blackstoniana tradição. supra nota 8. Porto Alegre. as autoridades inglesas. 1982. Realmente. somos tentados a dizer – da doutrina da incontrolabilidade judicial da vontade legislativa. 1982 (p. “Le répatriement de la Constitution Canadienne”. Trib. SIEGHART. Revue internationale de droit comparé..g. Greenwood Press. 1983. 12. 1983.. 100-101 sobre as sérias conseqüências da “notwithstanding clause” da secção 33 da Carta). Reg. de 1985). 69 (especialmente p. 13 da Convenção Americana dos Direitos Humanos. J. 72 Vide o relatório Uppsala por John D. B. Washington. sustentando.

73  Mas meu tempo está acabando. 2001 41 . 1968. especialmente desde sua nova “Carta de Direitos e Liberdades” constitucionais de 1982. supra nota 19.71  e o Canadá. Washington. 18-23 e CARPIZO & FIX. L. especialmente 51-58 (1981) [doravante citada como “Law-Making Power”]. tornou-se obrigatória para vários países.” Somente o privilégio do writ do habeas corpus pode ser suspenso. primeiramente. foi o de uma reação contra passados abusos governamentais. 8 Monaas University Law Rev. assinada em São José da Costa Rica. ao menos. da Ásia e da América Latina. 91. A Convenção Americana sobre os Direitos Humanos. 75 R. p. com sede em São José. desde 1980. e desejo ainda discutir. Largamente modelada pela Convenção Européia.outros países. D. p. 31. Fed. 475-493. ou governo por decreto mesmo em emergências. §§ 61-69. posto que brevemente. cap.72 Deveria ter mencionado. como vimos. n. supra nota 16. Trib.74  Para muitas nações. 1984 (um triste e impressionante documento do até agora nada encorajador caso Schmidt de 1985 discutido previamente. C. Reg. 40. mesmo em sua mais impressionante e historicamente sem precedente dimensão – a dimensão transnacional – o precedente europeu não se encontra mais só. de uma Corte Inter-Americana de Direitos Humanos. 2. México. 150 n. 13. 95. General Secretariat OAS. reporto-me a meus estudos. em 1979. além disso. Inter-American Court). abrindo-se.. ________________________________________________________ Report of the Inter-American Court of Human Rights. supra nota 40. Isso ficou sobretudo evidente em vários dos países mencionados e outros poderiam ser adicionados. “Nécesité et Légitimité”. Vienticinco años de Evolución de la Justicia Constitucional 19401965. talvez. 110 et passim. esp. 13-110. Professor Henkin aponta para o “que hoje pode parecer uma forte embora feliz omissão” da Constituição dos Estados Unidos que “não prevê sua suspensão.particularmente na América Latina. 4ª Reg. Inclusive nesses continentes . HENKIN. a questão básica a respeito do significado e legitimidade da revisão constitu-cional à luz de seu tremendo desenvolvimento no mundo contemporâneo. 12. esse significado. desde 1978. onde alguns aspectos do fenômeno da revisão judicial são mais antigos do que na Europa75  – estudo comparado demonstrou que a revisão judicial da constitucionalidade da legislação e do ato administrativo têm. Para uma discussão mais elaborada. em 1969.. 1984. supra nota 16.  74 Vide geralmente H. para futuros desdobramentos similares aos já sensacionais de sua antecedente européia. p. a. “The Law-Making Power of the Judge and its Limits: A Comparative Analysis”. Porto Alegre. UNAM. incluindo a Suécia. que. FIX-ZAMUDIO. 15. da África.  76 Vide os relatórios de Uppsala por Nwabuenze. essa Constituição transnacional levou à criação.

O paradoxo – de confiar a juízes não-submetidos a controle externo a função de controlar políticos responsáveis – revela-se. de que. os juízes deixam de ser controlados externamente somente no sentido de que eles não são e não deverão ser tidos como responsáveis perante os outros órgãos do poder ou ______________  77 Guido CALABRESI.76 Mas. Reg. em nações como a Inglaterra. 57. 2001 . esp. ao menos nos países ocidentais. tanto quanto do federalismo. p. cujo papel no Estado moderno cresceu em dimensões sem precedentes. 1982. p. Id. 6 Journal of Public Law. 40. trazem inevitavelmente a possibilidade de conflitos entre os vários níveis de poder. de leis e de direitos. “Decisions-Making in a Democracy. supra nota 74. Verifica-se uma percepção generalizada. onde felizmente não houve tal herança de sério abuso governamental. Na realidade. Fed. sua atividade “traz os juízes à realidade. todavia. 54-57. a revisão judicial está emergindo indiretamente como um elemento dessa nova e fascinante tendência no direito. Cambridge. Mesmo quando sua profissão ou papel possa. 42-46. O compartilhamento do poder vertical e o conseqüente pluralismo das fontes legais. uma vez que são chamados para decidir casos envolvendo a vida das pessoas. espec.. Em nossas sociedades. 42 R. 279. Trib. de um legislador cada vez mais onipresente. a. e a revisão judicial é o instrumento natural para dirimir tais conflitos. muito embora. conquanto pertença à própria natureza da função judicial não serem os juízes facilmente responsabilizáveis. 4ª Reg. é verdade. meramente aparente. Harvard University Press. n. 284-285 (1957). mais ainda se considerarmos que esse controle constitui a necessária “coroação” da regra da lei. A Common Law for the Age of Statutes. Robert DAHL. em nossa “era de leis” – como o Deão Calabresi a denominou –77  é realmente uma salvaguarda valiosa o controle por um julgador independente. de algum modo isolar os juízes da sociedade. um típico produto do transnacionalismo. Mass. The Supreme Court as a National Policy-Maker”. a eficácia da revisão judicial no mundo em desenvolvimento tenha sido freqüentemente prejudicada pela insuficiente independência judiciária e pelo uso e abuso por parte do Executivo do poder de suspender as garantias constitucionais. 79 Vide “Law-Making Power”.. o legislador em sociedades democráticas é o representante e o responsável do povo. 13-110.g. na política e nos direitos humanos: o transnacionalismo. p. fatos concretos e problemas da vida real”.a potencialidade de agir como instrumento para proteger os indivíduos e as minorias. 12. 78 Vide v. Porto Alegre. p.

A irresponsabilidade judicial é uma irresponsabilidade política e legal –. é particularmente facilitada naqueles países em que a dissensão e as opiniões concorrentes são também publicadas. usualmente requerem uma ação estatal afirmativa. naturalmente. limitada a um certo número de anos. É freqüentemente dito que a moderna jurisdição constitucional. No entanto. 1948. em regra. não de abstrações. conexões recíprocas e controles mútuos. quer neste país. Maiores dificuldades são encontradas e maiores restrições são recomendáveis. com importantes limitações no caso de abusos sérios. 2001 43 . os mais importantes julgamentos e suas motivações são publicados. 1962.80 Quando falamos hoje na Separação de Poderes. Comp. o comparativista “especula” acerca da significação dos fatos. Bobbs-Merril. Principi di Scienza Nuova (1744). deve ser longa o suficiente para lhes dar autonomia e segurança. sem dúvida. a. p. Tal irresponsabilidade. Esses laços podem ser reforçados pela maneira como são nomeados os membros do judiciário. é apenas meia verdade. 12. J.. Vide o estudo comparativo por K. g. n. Fed. Giambattista VICO. Uma sadia conseqüência de nossa liberdade de expressão está no fato de que também os juízes. sem possibilidade de extensão. 25-27 et passim. G. Law 415 (1959). todavia. Análise comparativa. Indianápolis. só é sustada a curto e a médio prazos. é facilitada pelo fato de que.face ao povo por suas decisões e filosofias individuais. uma vez que o papel dos juízes baseia-se em casos da vida real e somente podem ser exercidos sobre e dentro de limites dos interesses e da controvérsia das partes. Journal of Comparative Law 1 (1983). entretanto. 4ª Reg. queremos dizer. desejos e aspirações79  da sociedade. The Least Dangerous Branch. Y. A Comparative Study on Judicial Responsability”. diferentemente dos tradicionais. isso sim.. Tradução inglesa de T. 13-110. R. tornam os juízes conectados com seu tempo e com a sociedade. Alexander M. constata-se uma alta potencialidade de um contínuo contato do Judiciário com os reais problemas. dia após dia. BERGIN and M. FISCH. A História. 31. Há muitas ligações que.78  quer na Europa.81 Abusos do tipo análogo aos dos juízes do ancien régime francês seriam dificilmen______________  80 A crítica. em nossas sociedades. Secrecy”. “Who Watches the Watchmen. é um componente na essencial análise comparativa. pela permanência dos juízes em seus cargos que. 8 Am.  83 Vide v. Ithaca. NADELMANN. estão sujeitos à crítica pública. 82 Aplicando os ensinamentos do grande historiador-filósofo Vico. 81 Vide M. Trib. naturalmente. enquanto potencialmente um poderoso instrumento para a proteção de direitos e valores políticos tradicionais. a longo prazo. mas também a análise de sua evolução e tendências. H. não tem potencial para também ser ou se tornar um instrumento para a proteção e a implantação dos “novos” direitos sociais e econômicos. tendências e desenvolvimentos. e o mandato judicial é considerado como não tendo força para determinar esta ação. Am. Porque estes direitos. N. Nesse sentido. “The Judicial Dissent: Publication v. Também deve-se notar que a verdadeira natureza do processo judicial é altamente participativa. Porto Alegre. Cornell University Press. certamente não queremos dizer “séparation” no sentido original francês. Isto. BICKEL. Reg. não é só a comparação de leis contemporâneas. The New Science of Giambattista Vico. 40. H. não se trata de uma irresponsabilidade social. em outras palavras. “verum factum”. CAPPELLETTI. estando.

certamente uma Corte não-atuante na esfera dos direitos socioeconômicos. Alphen aan den Rijn & Bruxelles. J. Vide geralmente M. 12. 40.. Realmente. no tempo do crime. Access to Justice and the Welfare State. H. na qual somente um juiz dissentiu e a Corte manteve o ponto de vista de que os Estados devem providenciar para que os acusados indigentes disponham de assistência psicológica ao prepararem sua defesa por insanidade. ed.. Milan & Alphen aan den Rijn.83 pessoas e grupos que seriam de outro modo marginalizados ou oprimidos. CAPPELLETTI. Giuffrè & Sijhoff and Noordehoff. Prentic Hall. podem ser mais bem protegidos. no entanto.84 O princípio democrático requer que cada cidadão tenha uma “voz” no processo político e que __________________________________________________________ quando as Cortes. determinam ao governo fazer algo com todas as implicações econômicas e outras daí decorrentes. in M. A tese central do livro de Reitor Ely é sua advocacia de aproximação de “representação reforçada”. ELY.embora não literalmente “separado” -. Trib. e. J. 1981. 13-110.g. Democracy and Distrust. 1980. 4ª Reg. 37 et passim. CAPPELLETTI & B. pois aqueles eram abusos de um corpus séparé.  85 Vide M. considerando a ilegitimidade da inação governamental. que há muitas maneiras para as Cortes intervirem mesmo nesta área mais difícil. esta aproximação enfatiza o papel da revisão judicial como instrumento para preservação de um processo político justo e transparente para a correção de “malfuntions” deste processo que iria enfraquecer a efetiva participação das minorias. possa vir a ser um importante fator para o julgamento. a justeza e a permanente representatividade do processo político mais bem asseguradas. 105 S. eds. a investigação de um Judiciário mais “destacado” .  84 44 R. 3-124. Estudos comparativos demonstram. Cambridge. um grupo social separado do resto da sociedade. inexistem tais soluções universais. mais genericamente. Martin SAPHIRO. Vide v. em nosso mundo ocidental. Mass. Freedom of Speech: The Supreme Court and Judicial Review. CAPPELLETTI & B. GARTH. Harvard University Press. Vide Ake v. Um recente exemplo é fornecido pela Corte de Burger.82 Se nossos juízes atuais fossem da espécie que prevaleceu na França pré-revolucionária. e certamente uma página de realística análise comparativa pode ser mais valiosa do que muitos livros acerca de especulações abstratas. n. Porto Alegre. Englewood Cliffs.te concebíveis em nossas sociedades. 1966. GARTH . p. Oklahoma. pode ser mais saudável. I: A World Survey. Access to Justice Vol. em que os papéis dos órgãos políticos se expandiram de uma maneira inevitável em tantas áreas da vida. Reg. 1087 (1985). então é claro que dificilmente legitimar-se-ia a revisão judicial. 2001 . Sijhoff & Bruylant. caso a sanidade do acusado. N. O “tormentoso problema” da legitimidade da revisão judicial não pode ser resolvido por meio de soluções puramente abstratas e especulativas que sejam válidas para todo o tempo e lugar. Valores mais duráveis podem ser mais bem preservados. “Access to Justice: The Worldwide Movement to Make Rights effective”. a. Fed. Mas. Ct. do que quando simplesmente declaram a ilegitimidade de um ato governamental.

40. 101-102. emerge como um instrumento central para escudar os princípios democráticos e majoritários contra o risco de corrupção.   R. W. g. L. ed. o próprio princípio democrático estaria em perigo. II. foi este impulso que “revelou uma quantidade de novos Estados e governos que procuraram nos direitos humanos para alcançar a ‘autonomia’ e a eliminação do racismo. SOHN. p. HENKIN. de modo conclusivo. supra nota 67. R. nota 19.seja possível à minoria de hoje tornar-se a maioria de amanhã. Se os direitos fundamentais.86 ______________  86 Vide. sem o devido processo.. pudessem ser limitados pela maioria ocasional. Columbia University Press. p. as duas mais importantes teses aqui tratadas. The International bill of rights. a. id. n. New York University Press. 107-113. L. L. HENKIN. em vigor desde 1976. Meron.  87 Cfe. supra nota 19. porque sua rationale é a de tornar efetiva a mais básica de todas as titulações democráticas – o direito de acesso ao sistema legal e político. em alguns momentos. 1981. de opinião e de associação. p. Como disse o Professor Henkin. B. 13-110. 12. por certo não é aquele em que a vontade majoritária esteja onipresente. The Convenant on Civil and political rights. e isso não é menos verdade para os “novos direitos” de natureza econômica e social. nossa filosofia de vida não é a de que tudo possa ser objeto de barganha. Outro importante desenvolvimento de nosso tempo. Trib. 18. New York. in Nomos XXIII: Human Rights. 9. J. Fed. as sociedades ocidentais têm vivido de uma maneira que não hesito em caracterizar como uma revolução constitucional de direitos humanos. A primeira é que. 89-101. 2001 45 . v. CHAPMAN. Nosso ideal democrático – deixemos o ponto firmemente vincado –. desde a II Guerra Mundial. PENNOCK & J. “Human Rights: Their Implementation and Supervision by the United Nations”. supra. Porto Alegre. supra nota 19. id. como as liberdades de expressão. que trouxe à luz dezenas de novas nações nos anos após a II Guerra Mundial pode ser visto como uma expressão da tendência mencionada no texto. “The International Human Rights as Rights”. Além do mais. p... o impulso contra o colonialismo. eds. a Justiça constitucional. 1981. houve sinais de que essa tendência iria além do mundo ocidental: menciono apenas a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 e os Convênios Internacionais de 1966. A Revolução Contemporânea dos Direitos Humanos e sua Legitimidade – Vencendo o Tradicional Conflito entre o Direito Natural e o Positivo Resumo agora.. longe de ser inerentemente antidemocrática e antimajoritária. Reg.” Id. in T.. Realmente. 257-280.85  Dessa maneira. 369-401. 4ª Reg.

muitos acontecimentos podem obscurecê-lo e. Setor XII. Parte II.Quando [um cético excessivo] acorda de seus sonhos.  88 A documentação de HENKIN focaliza os Estados Unidos sem a ele limitar-se. 1902. em princípio. supra nota 19. Setor XII. de reunião. apesar de suas mais diligentes indagações. e.. o niilismo – essas duas recorrentes doenças do narcisismo intelectual. 6-12). Eu me pergunto quantos textos legais contemporâneos mudariam seu tema e tom e quanta energia e talento intelectual teriam melhor uso se os ensinamentos de Hume tivessem sido assimilados. embora as pessoas disso não sejam capazes. 4ª Reg. assim como o grande filósofo do “ceticismo moderado”.[Todavia] a natureza. ou de remover as objeções que poderão levantar-se contra elas (Ibidem. há uma “explosão” de direitos humanos nas “democracias libertárias” de ______________ Hume. in Enquiry Concerning Human Understanding. 40. Part. donde nada de bom e durável pode advir. onde seus princípios firme e universalmente prevalecem.[O Ceticismo pirrônico] precisa reconhecer. encobrir o caráter humanístico de nosso tempo. pois testemunham uma aspiração universal. Oxford Clarendon Press. está descrita como “impressionante”: A 14ª Emenda foi mantida por ter incorporado e tornado aplicável aos Estados as principais provisões do “Bill of Rights” – liberdade de expressão. do mesmo modo como afirma e demonstra amplamente o professor Henkin. Reg. Selby-Bigge editor. Fed.87  E. de imprensa. embora ainda largamente irrealizada. raciocinar e acreditar. a. Rejeito. todavia. o ceticismo não construtivo e excessivo.. assim como o seu irmão gêmeo. mesmo essas tentativas embrionárias. 12. ele será o primeiro a juntar-se no riso de si mesmo e a confessar que todas as suas objeções são meros divertimentos e não podem ter outra tendência do que mostrar a caricata condição humana. muitas vezes. negá-lo e ridicularizá-lo. p. Law. 13-110.. Porto Alegre. 2001 . é muito forte. esses documentos não foram acompanhados por processos legais e por instituições fortes o bastante para concederem o necessário grau de efetividade às regras neles incorporadas. na verdade. de que o ceticismo excessivo não pode resistir ao teste da “ação” e da realidade da “vida comum”..  89 L. 2ª ed. até mesmo. p.88 Essa realidade demonstra que. HENKIN. Trib. caps. Embora ensinando que o conhecimento humano é limitado à experiência das idéias e impressões. David Hume. I (in Enquiries Concerning the Human Understanding and Concerning the Principles of Morals por DAVID HUME reimpressão da Edição Póstuma de 1777. 156-161. infelizmente. A “explosão dos direitos”.. de satisfazer relativamente à fundamentação destas operações. que precisa agir.Mas. são significativas. p. Estamos convencidos. n. pode.... A. tal como permanecem.. 43-55. espec.. L. (para uma avaliação do desenvolvimento da Europa vide Comparative Constit. 158-160). p. desde a II Guerra Mundial. 149). de religião...que toda a vida humana deve perecer.[o] primeiro e mais trivial acontecimento da vida esfumaçará todas as dúvidas [pirrônicas]. reimpressão 1963. e excluindo a possibilidade de qualquer verificação de suas verdades. Hume condenou severamente o que foi chamado de ceticismo “excessivo” ou “pirrônico”: Porque aqui está a principal e mais confusa objeção do ceticismo excessivo. supra nota 45. Claro que nosso ceticismo. assim como as várias e fracassadas implementações e as violações gerais da filosofia dos direitos humanos. de segurança pessoal e de 90 46 R.

a.. invasão da qual será .. assim como os funcionários militares. 4ª Reg.89  Essa explosão tem sido caracterizada por uma preocupação sem precedentes com a criação de instrumentos efetivos. Não reconhecer a importância histórica e o caráter desse crescente desenvolvimento implica permanecer surdo e cego à talvez mais espantosa tendência de transformação social que jamais ocorreu na história da humanidade..  91 O fato inegável é que a revisão judicial na América desempenhou um papel modesto. As Cortes também descobrem novos direitos. Houve uma fundamental e. pacientes mentais.. um divórcio – mediante paga. autonomia. Mas parece claro para mim que. as mulheres e.. (L. Nós a abrimos também a novos direitos e à expansão da concepção de velhos direitos . 153-180.. privacidade. Nós salvaguardamos não apenas a liberdade política. 2001 47 . New York University Press. “Judicial Review. mais amplamente. Fed. a liberdade social..90  Isso está longe de ser uma rósea visão de nossa época.Todas as classificações raciais são suspeitas e prontamente verificadas . 43-44.senão mesmo universais. e a literatura ali mencionada.. J. (Elas) descobriram uma área de autonomia fundamental.. 1983.nunca as pessoas pensam tanto e se tornam tão introspectivas quanto em momentos de sofrimento.. algumas vezes até mesmo um papel negativo na proteção das liberdades civis.. ao menor e ao pior deles. nacionais e transnacionais . para proteger os direitos básicos de pessoas e grupos – incluindo os pobres. sexual.. foram abertas: prisioneiros agora têm direitos. 40. HENKIN. and Liberal Democracy”.nosso mundo contemporâneo. por exemplo.. em princípio. as minorias raciais e religiosas. supra nota 19.. se é justo ou injusto o que estão sofrendo. uma irresistível transformação no status da mulher . Ainda mais impressionante foi a expansão de nossos direitos do século XVII em concepção e conteúdo. alunos nas escolas. Por outro lado. invalidada a não ser que elas sirvam a compelir um interesse público . aqueles tradicionalmente privados de justo e igual acesso à justiça. salvaguarda para os acusados de crime. como se a alegria fosse para elas um direito natural. uma vez que estão ansiosas para entender .” 92 R. New York. 46).. a explosão dos direitos humanos não passa de uma tentativa de dar resposta a problemas que. seguidamente indigitada como evidência de um déficit da própria instituição. Peter Railton. R. Elites. __________________________________________________________ domicílio. Pennock & J. da pobreza e da guerra. até poucas décadas atrás.. Ato III: “. os jovens e os velhos. individual (chamada “privacidade”). Reg.g.. Luigi PIRANDELO. W. 13-110... 12. Só o futuro dirá se esta tentativa falhará ou terá sucesso. como disse no começo desta palestra. p. creio eu. estão pondo em perigo a sobrevivência da civilização humana – os problemas da opressão.. Abrimos nossa Constituição a cada homem e mulher. Six Characters in Search of an Author. mais do que nunca. Outras categorias. e crianças independentemente de seus pais. Chapman eds. mas também.. e outras liberdades pessoais. Em verdade. Trib. Porto Alegre. outrora fechadas. . Vide v. e o Estado não pode ofertar direitos importantes – um recurso criminal. sem torná-los disponíveis àqueles que não os podem pagar . quando estão alegres pressupõem a alegria como algo evidente e não a procuram analisar. o direito de viajar ao exterior bem como inter-Estados. Os pobres também tiveram direitos à igual proteção. in Nomos XXV: Liberal Democaracy. n.

1017. v. o poder político se expõe mais facilmente ao risco da perversão. supra nota 19.g.  94 Vide meus estudos “Judicial Review in Comparative Perspective”. 13-110. L.91 Somente em nossa época o momento é propício para o que eu insisto em chamar de nossa revolução de direitos civis. The World Publishing Co. 165-188 (1982). Tübingen.. Zewiger eds. 2001 . Reg. será forçado a emergir – queira Deus não apenas no ocidente. como proteção   ______________ 93 Uma ilustração típica é dada pelas contribuições no volume Natural Law and Modern Society.se for exitosa. não teve um papel adequado como instrumento para a perfeição dos direitos civis. 1032-1033 (1970). Na ausência de um controle judicial. p. 1962. Minha segunda tese é a de que esse papel judicial mostra-se legítimo. a revisão judicial neste país. Mohr. certamente. o papel privilegiado. ou seja. “The Significance of Judicial Review of Legislation in the Contemporary World”. 5-23. 1969. 34 Univ. capacite-nos a fazer uso decente do tremendo poder material que adquirimos. 4ª Reg. aos seus valores inerentes. 53 California Law Rev. de algum modo. S. p. dos juízes nacionais e transnacionais tem sido o de interpretarem e de harmonizarem esses valores inegociáveis. O controle judicial. supra nota 19. n. 155-162.). a. Vide também. Parece comprovar meu ponto de vista o próprio fato de que. Disse um escritor que uma das “características” das pessoas humanas é que somente o perigo e o sofrimento as fazem sensíveis à justiça. p. a não ser que uma renovada filosofia de tolerância e de mútuo respeito. Certamente podemos dissentir. Porto Alegre. in Ius Privatum Gentium. os direitos nacionais e transnacionais e suas imposições judiciais terão uma boa parte do mérito. enquanto desempenhando um papel importante na formação de “uma mais perfeita União”. HENKIN. em nossa sociedade ocidental. não é um remédio infalível. “Natural Law Revisted”. aos sentimentos e à pergunta do que seja bom ou mau – em suma. 148- 48 R. até a época que se seguiu à II Guerra Mundial. Vide também HENKIN. p. Festschrift für Max Rheinstein (E. A expansão sem precedentes do controle judicial dos órgãos políticos não é uma faceta secundária da revolução desses direitos humanos. Fed. 19.. DWORKIN. Cfe. Cleveland & New York. 12. Mesmo assim. R. Mentschikoff & K. of Florida Law Rev. 40. A. p. embora não exclusivo. um século e meio de história continental está aí para demonstrar que a solução alternativa é ainda pior. Trib. von Caemmerer. até mesmo lutar contra certas determinações ou tendências em matéria de decisão constitucional. num sentido real.92  As tensões e os perigos de nosso tempo são tão grandes e iminentes que este sentimento de valor. uma filosofia dos direitos humanos. Torno bem clara a afirmação de que não vejo futuro para a humanidade. E. 1017-1020.

Reg. a.de nossas liberdades. Trib. e nenhuma outra. 517. Semelhante desenvolvimento marca o renascimento de um novo “direito natural”? Muitos afirmam isso. Se essa não é uma barreira invencível. p. in Cours Constitucionnelles. entretanto. Mais acuradamente. 525-526. muitas vezes pode provar ser incapaz de resistir à tirania. R. como um aviso e uma advertência. 2001 49 . eu diria que o moderno constitucionalismo constitui uma tentativa de suplantar o plurimilenar contraste entre o direito natural e o positivismo. “Rapport de synthèse”. é a época do direito natural. 95 Vide Jean RIVERO. Neste sentido. para dizer que o moderno constitucionalismo. possa agir. supra nota 7. talvez. 40. o contraste entre um direito não-escrito imutável e mais elevado. especialmente p. enraizado na natureza ou ________________________________________________________ 152. com seus ingredientes básicos – uma Constituição garantidora de liberdades civis e sua imposição – é a única tentativa realística de implementar valores de direito natural em nosso mundo real. Porto Alegre. 19-23. como demonstrado pela experiência de muitas nações. 13-110. n.93  Eu iria além. p. Fed. pelo menos. nossa época. 12. 4ª Reg.

a. 2001 . 12. n.Branca   50 R. 40. 13-110. Porto Alegre. Fed. Reg. 4ª Reg. p. Trib.

e. da irretroatividade da lei penal incriminadora. Quais os postulados que integram modernamente o princípio da legalidade dos delitos e das penas? O princípio da legalidade vem evoluindo. tais alterações no princípio da legalidade vêm ocorrendo no sentido de revisá-lo. 2001 51 . 12. o princípio da legalidade passa a ter a seguinte redação: não há crime sem lei prévia determinada e atual. Modernamente. Fed. Porto Alegre. n. no decorrer da história. 40. requer-se. Princípio da legalidade penal a. Trib. sempre numa orientação claramente restritiva dos desígnios criminalizadores. Ao postulado da anterioridade.Alguns princípios do Direito Penal Fábio Bittencourt da Rosa* 1. dando origem aos princípios da anterioridade. Reg. a fim de acrescentar-lhe outras considerações em relação a sua concepção original. precisa. não basta a lei penal ser anterior ao crime que vier a ser praticado. 4ª Reg. p. que seja certa. Segundo a corrente mais moderna. da proibição da via consuetudinária e da analogia para a eleição de comportamentos penais típicos. ainda. Assim. ainda. a. E não há pena ______________ * Juiz-Presidente do TRF da 4ª Região R. 13-110. portanto. o da atualidade. ou para fundamentar ou agravar penas. da retroatividade da lei penal benéfica. se acrescenta o da determinação ou taxatividade.

mas. também. 2001 . n. Porto Alegre. muitas vezes. As Constituições da Alemanha e da Nicarágua adotam o princípio da determinação taxativa. precisa e determinada. não apenas aspectos formais. b. c. Assim. como princípio de validez geral para a determinação do injusto. Requer-se. a qual exige. as quais devem ser expressas e inequívocas. 40. Obsta. traz como resultado interpretações diversificadas e até mesmo contraditórias do entendimento do mesmo tipo penal. para considerar lesiva a conduta humana necessária a fazer incidir a pena criminal pela ofensa concreta a um determinado bem jurídico. p. Em que consiste o princípio da insignificância? Se constitui uma excludente da tipicidade. a. elementos objetivos que levem à percepção da utilidade e da justiça na imposição da pena criminal ao agente. 13-110. não basta para o preenchimento da figura penal a mera acomodação formal de seus termos. ainda. também dito da determinação taxativa. modernamente. Trib. nas estruturas típicas do Direito Penal. e essencialmente. a doutrina e algumas legislações constitucionais contemporâneas vêm entendendo que não basta a anterioridade da lei penal incriminadora. o fato de que a valoração das referências axiológicas. Fed. 4ª Reg. em 1964. por ensejar uma área de arbítrio muito grande ao aplicador da lei. Ou seja. que seja clara. 52 R. precisa.sem prévia cominação legal. a quem caberá precisar o sentido do enunciado confuso. e quais os seus fundamentos? O princípio da determinação ou da determinação taxativa ordena que a lei penal contenha uma linguagem clara. expressando textualmente a exigência da determinação das normas penais incriminadoras. qual o fundamento desse entendimento? O princípio da insignificância foi formulado por Claus Roxin. bem como a sua aplicação diferenciada às espécies fáticas similares. 12. O princípio ressalta. A doutrina evoluiu de um conceito formal de crime para outro material. Em que consiste o postulado da determinação. Reg. à utilização exagerada de elementos axiológicos nos tipos. portanto. Evita-se o exagero na formulação dos tipos abertos. também. Decorre da concepção utilitarista que se vislumbra. para a composição do tipo penal.

Ou seja. não seja demasiadamente estendido a situações desnecessárias e. 2. tendo em vista que são tipificados criminalmente fatos sem autêntica relevância. a pena só tem sentido diante da insuportabilidade do crime. Fed. mesmo no seu enunciado moderno. Porto Alegre. e por isso se justifica. Em que consiste o princípio da intervenção mínima e quando surge historicamente? Para que o princípio da legalidade. n. 13-110. O princípio da necessidade ou da intervenção mínima tem sua origem registrada na norma inserta no art. assim. Assim. O direito penal tem caráter sancionador meramente. Tal princípio tem por objetivo evitar a hipertrofia penal decorrente da desordenada criminalização. Como disciplinar a neocriminalização decorrente da revolução tecnológica de nossos dias? R. 40. claras e simples leis”.Nasce. gerando acúmulo de processos. 4ª Reg. dificultando a prestação jurisdicional e dando margem à impunidade. no intuito de evitar a hipertrofia do direito penal. b. 8º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Trib. mas apenas neutraliza os efeitos danosos das condutas. modernamente. p. o direito penal se propõe a assegurar o mínimo do mínimo ético. a idéia da indisponibilidade da gravidade do resultado concretamente obtido ou que se pretendia alcançar. E. face ao princípio da insignificância. de agosto de 1789. no ideal iluminista que visava a reduzir a legislação em geral. especialmente a penal. Não resolve os problemas sociais. 12. a. Princípio da intervenção mínima a. o que acabaria por acarretar a sua deterioração. mister se faz a ele acrescentar o princípio da necessidade ou da intervenção mínima. a noção de tipicidade engloba um valor lesivo concreto e relevante para a ordem social. 2001 53 . Se o direito realiza um mínimo ético. ao determinar que só “a lei deve estabelecer penas estrita e evidentemente necessárias”. Reg. Ocorre a inexistência da tipicidade. a “poucas. por falta de qualidade do resultado lesivo. ainda.

então. Fed. debate-se a elaboração de um novo direito penal. 13-110. então. sendo exemplo os problemas ligados à ecologia. A pena também haverá de passar por modificações a fim de que a sanção seja efetiva no sentido de resposta à criminalidade cuja pericu54 R. No que se refere ao resultado. O direito penal clássico também acabou por assimilar a orientação. Nesse sentido. Há crimes de lesividade ampla cuja sanção deve interessar a toda humanidade. Tal realidade normativa fincava suas raízes num direito eminentemente individualista. já que a providência da prevenção é necessária em delitos cujas conseqüências possam afetar número considerável de vítimas. espe-cialmente tendo-se em conta a globalização de nossos dias. atento à criminalidade moderna. a. há de se modificar o princípio da aplicação da lei no espaço. o princípio da presunção da inocência. 12. Hoje.O direito penal da criminalidade clássica se baseou numa experiência normativa oriunda da teoria geral do direito existente no fim do século XVIII. p. deparou-se o direito penal com um arcabouço dogmático totalmente incompatível com a macrocriminalidade emergente. Porto Alegre. que era o romano. n. Aí. A extraterritorialidade se impõe. Reg. Não era contemporânea da construção doutrinária do direito penal a criminalidade organizada ou empresarial. 40. Um novo conceito de autoria e de culpa começa a surgir quanto ao crime empresarial. no caso. não se havendo de aplicar com rigor. dando tratamento dogmático ao crime pelo prisma do criminoso ou da co-autoria. Na segunda metade do século XX. 2001 . 4ª Reg. Trib. O jus civile pesquisado pelos glosadores. exegetas etc. que teve por base o estudo dos textos romanos com os acréscimos dos juristas italianos e germânicos. pós-glosadores. constituía um corpo de normas e princípios destinados a dirimir lides individuais. é preciso criar tipos em que o resultado seja o perigo abstrato. houve uma transformação da realidade do crime. mesmo desprezada a nacionalidade do agente e a existência de tratado ou convenção internacional.

de caráter perpétuo. 12. de banimento e cruéis. O princípio da humanidade a. na obra “Diretio Penal na Constituição”. b. está na contramão no caminho da evolução do Direito Penal. p. n. salvo em caso de guerra declarada. 4ª Reg. O inc. nos termos do art. Como bem assevera Luiz Vicente Cernicchiaro e Paulo José da Costa Jr. L dispõe que às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação. não se pode conceber que o próprio estado adote quaisquer métodos que importem a eliminação do próprio homem. Reg. 40. 3. Trib. XLIX é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral. Quais as normas da Constituição Federal que expressam o princípio da humanidade? O princípio da humanidade encontra-se previsto na Constituição Federal de 1988 em vários dispositivos. o homem deve ser respeitado desde o nascimento ou desde o momento da concepção até a morte natural. de trabalhos forçados. 2001 55 . a. Fed. qual a sua opinião quanto à pena de morte e as penas perpétuas? A adoção da pena de morte. XLVII determina que não haverá pena de morte. 13-110. Sendo a função precípua do Estado a realização do bem comum. como das penas perpétuas. Afronta alguns postulados modernos como os princípios da humanidade e do interesse público. Logo. R. inc XIX. No inc. 84. que tem como postulado reitor o cumprimento da pena privativa de liberdade. Em sua perspectiva de jure condendum. a pena de morte leva à mesma conseqüência. o homicídio é crime porque se choca com o interesse público. e como tal deve ser tratado. Pelo princípio do interesse público. O inc. o condenado antes de mais nada deve ser considerado como pessoa humana..losidade social tem tanto relevo. Pelo princípio da humanidade. Porto Alegre.

O princípio da individualização da pena a. Em nosso país. 40. Na etapa legislativa. 13-110. com sua formação liberal. posteriormente. e as hipóteses de substituição das penas mais graves 56 R. Quais os diferentes aspectos em que se configura a individualização da pena? O processo de individualização da pena se desenvolve em três momentos complementares: o legislativo. as Constituições de Portugal. com o intuito de fazer com que a pena se limitasse ao criminoso. b. ou aplicação. Trib. a. também. a França foi o último país a abolir a pena de morte. 4. no sentido de banir as penas infamantes e. na Europa Ocidental. Espanha. Seguiu-se a Lei Fundamental da Alemanha Ocidental de 1949 e. As penas não possuem quantitativos certos ou fixos. A Constituição italiana de 1947 disciplinou expressamente a proibição da adoção da pena de morte. Qual o movimento jurídico-penal (Escola) que ensejou o surgimento do princípio da individualização da pena? A Escola Clássica preconizou. sendo que. Quem pela primeira vez contestou a legitimidade da pena de morte? Numerosas constituições do pós-guerra proíbem expressamente a pena de morte. o judicial.c. a lei fixa. algumas vezes de forma alternativa. Fed. 12. segundo a importância do bem tutelado e a gravidade da ofensa. A Constituição de 10 de novembro de 1937 deixou de inserir a pena de morte em seu texto. A obra do Marquês de Beccaria já pregava tais soluções. ou cumulativamente. desde 1851 ocorreu a sua revogação de fato. todas as soluções trazidas pelos iluministas. Porto Alegre. uma ou mais penas proporcionais. e o executório. passou o Imperador Dom Pedro II a comutá-la em galés perpétuas. que resultou na execução do cidadão Mota Coqueiro. ou execução. Reg. p. Em razão do erro judiciário. A lei prevê também as espécies de pena. para cada tipo penal. ou cominação. 2001 . n. 4ª Reg.

conduta social. Estabelecidas as regras. eis que preso aos parâmetros que a lei estabelece. atendendo à culpabilidade. 13-110. tendo presente o necessário e suficiente para a repressão e prevenção do crime. à fixação da pena definitiva e concreta. sua quantidade. 4ª Reg. Porto Alegre. Através da lei penal são fixadas regras que irão permitir as ulteriores individualizações. ainda. Também através da lei são fixadas as diretrizes balizadoras da execução das sanções penais. o da individualização judiciária ou aplicação da pena. Como observa Anibal Bruno. o juiz deve obedecê-las para chegar. determinando. R. n. que se mostrou insensível à ameaça contida na cominação”. No segundo momento. Na última etapa da individualização da pena. 59 da nova Parte Geral do Código Penal. e a possível substituição da pena. em cada caso. 40. personalidade do agente. “é a fase em que a sanção penal começa verdadeiramente a atuar sobre o delinqüente. 2001 57 . Tais regras se encontram previstas no art. no caso de previsão alternativa. Ao juiz cabe escolher a pena aplicável. Reg. antecedentes. 12. p. Trib.por espécies mais atenuadas. ocorre a sua efetiva concretização através da execução. a. motivos e circunstâncias e o comportamento da vítima. considerando suas peculiaridades. o modo de sua execução. Fed. o regime de execução. e fixará o quantitativo entre o máximo e o mínimo previsto para o tipo realizado. A individualização judiciária enseja ao juiz uma discricionariedade juridicamente vinculada. o juiz levará em consideração as características da espécie concreta e uma variedade de fatores especificamente previstos pela lei penal para fixar qual das penas será aplicada.

2001 . n. a.Branca 58 R. Reg. 4ª Reg. 13-110. p. 40. Fed. Trib. 12. Porto Alegre.

2001 59 . tão-só. a. A esse propósito. sem ignorar inúmeros outros aspectos já tantas vezes e muito mais amiudadamente tratados por especialistas. nem pela sua racionalidade e muito menos pela sua finalidade. Porto Alegre. 13-110. estas anotações não buscam mais do que realçar alguns pontos de interesse prático. p. Função dos recursos excepcionais A primeira observação é que o domínio dos chamados recursos excepcionais tem de ser encarado com excepcionalidade. nas ______________   * Juiz Vice-Presidente do TRF 4ª Região R. 40. porque essa instância não se orienta pela filosofia ou pelo regime dos recursos ordinários. tanto o recurso especial como o recurso extraordinário servem a propósito sistematicamente definido e próprio. oferece a oportunidade de vivenciar situações às vezes pouco versadas na doutrina e permite dar uma colaboração e por certo até necessária ao esforço de sistematização da aplicação da lei processual. Reg. Trib. Ao contrário do que a muitos parece.Notas sobre o processamento do juízo de admissibilidade dos recursos especiais e extraordinários Manoel Lauro Volkmer de Castilho* O exercício do juízo de admissibilidade dos recursos especiais e extraordinários. n. 12. O projeto. é alinhar experiências. praticado nos casos concretos. É que. aqui. em matéria cível. 4ª Reg. Fed.

Min. e não o interesse dos recorrentes. reversamente. um pressuposto lógico que deve estar sempre presente ao intérprete. assim. DJ 15. da produção das provas e da distribuição da justiça.99. o que.1 Essa ilação parece tão mais evidente quando se percebe que o rigor na admissão dos recursos excepcionais nada mais é do que. convém não perder de vista que os Tribunais Superiores. devendo ser minimizado o interesse das partes exatamente porque se deve privilegiar a melhor inteligência constitucional e legal. 40. ao tratarem com extremo rigor o processamento dos recursos excepcionais e os agravos destinados a fazê-los subir. Prequestionamento ______________ v. Rel. do que resulta lógico que a interpretação que se vai emprestar aos institutos respectivos tem de ser. Em outras palavras. rigorosa no que respeita às formas e aos requisitos. não custa repetir. que. Rel. 1 60 R. Também por essa razão. busca proteção para o seu direito pessoal violado. não se destinam ao reexame da lide ou da causa na perspectiva do recorrente. proteger a correta aplicação das leis federais e da Constituição. não acontece (e não pode acontecer). já que a finalidade dos ditos recursos é a de. Reg. 2001 . 13-110. está pedindo aos tribunais que impeçam uma violação da Constituição ou da lei federal. REsp nº 126002/ES.06.instâncias ordinárias. Há. justamente porque são as instâncias instrutórias e de proximidade com o cidadão como porque são os Juízes de primeiro e segundo graus os que cuidam da solução concreta das lides. mas. o sistema processual busca proteger ou garantir a oportunidade de o vencido obter uma nova apreciação de sua pretensão com reexame das provas e das alegações das partes. Fed. aí. 4ª Reg. respectivamente. n. quando a parte apela da sentença. nas instâncias especial e extraordinária. AGA nº 176707/SP. Essa constatação é.03. enquanto as instâncias excepcionais se dedicam exclusivamente ao controle da legalidade e da constitucionalidade. ou promovam a correta aplicação delas. Trib. Min. quando interpõe o recurso especial ou extraordinário. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Sálvio de Figueiredo Teixeira.99. a. e sim à conservação da correta interpretação da Constituição e das leis federais. na mesma medida. DJ 14. uma profunda diferença de natureza entre as pretensões deduzidas. p. a valorização das instâncias ordinárias. não estão fazendo mais do que dar curso a essa ontologia dos recursos excepcionais. Porto Alegre. 12.

A explicação é histórica. ou. também não no Código de Processo Civil2  (e na Lei 8. Trata-se de fenômeno processual que se deve identificar no curso da lide para demonstrar que a questão constitucional ou legal. é usual a apreciação dos requerimentos pela verificação prévia dos requisitos de sua admissão. Como não há nenhuma determinação constitucional e. dispondo apenas que aos dois maiores Tribunais Superiores caberá julgar mediante recurso extraordinário ou especial as causas decididas em única ou última instância (art.038/90. Trib. e art. é preciso procurar a razão da exigência. CPC. quando não ventilada. Assim. de resto. 102. o prequestionamento assume capital importância no processo de admissão dos recursos excepcionais. 101.  5 “O ponto omisso da decisão.  2  3 R.756/98. que o alterou. b. Fed. para que só se proceda ao julgamento se houver o prequestionamento. também editada sob a Constituição de 1946 e referindo o art. na decisão recorrida. Forense 346/199) mostrando a impertinência e o descabimento dessa exigência em face da atual regra constitucional. não foi apreciada pelo Tribunal a quo”. não pode ser objeto de recurso extraordinário.950/94. b. sob a Constituição de 1946 (art.  7 v. p. III. Em outros termos. cuida-se de evidenciar que as instâncias ordinárias julgaram a lide enfrentando os referidos temas como razão de decidir.  6 Súmula 211: “Inadmissível recurso especial quanto à questão que. sobre o qual não foram opostos embargos declaratórios. portanto. a questão federal suscitada” referindo precedentes dos anos 1961 a 1963. que alterou no CPC o regime dos recursos excepcionais). a despeito da oposição de embargos declaratórios.III).76. b. III. Constituições anteriores3  davam como um dos requisitos do então recurso extraordinário . aparece o prequestionamento. 101.o ter questionado sobre a vigência ou validade de lei federal em face da Constituição. talvez o mais tratado pelos comentadores. 4ª Reg. III. III. ao que todavia a jurisprudência não dá mostra de qualquer atenção.que ao tempo era único para o controle da legalidade e da constitucionalidade . 105. a propósito. a. Constituição de 1937. e Constituição de 1934. 101. daí resultando a tese da necessidade do prequestionamento. Reg.No processo e julgamento desses recursos. depois consagrada nas Súmulas ______________ v. por faltar o requisito do prequestionamento”. que o revigorou. art. Porto Alegre. Constituição de 1946. Dentre vários. 40. pois não teria sentido pedir ao Tribunal Superior a apreciação de questão que o inferior não tivera necessidade ou oportunidade de examinar. foi devidamente examinada no tribunal inferior. da CF) nas hipóteses que relaciona. 13-110. art. n. que se quer trazer à discussão no Tribunal Superior. daquele texto. art.III. 12. mas a Constituição não menciona claramente essa exigência. caput. na Lei 9. A obviedade do axioma é patente. 101. 2001 61 . ainda. v. III. ou na Lei 8. parecer de Galeno Lacerda (Rev. arts.  4 “É inadmissível o recurso extraordinário. 539 a 546.

como também se diz. mesmo que. mantivessem a orientação jurisprudencial de cobrar dos recorrentes a demonstração do prequestionamento. para a adequada discussão dos temas eventualmente invocados pelos recorrentes. n. agora depois da Constituição de 1988. 13-110. explícito ou implícito.06. mas. respectivamente. Reg. os Ministros Eduardo Ribeiro (DJ 16. Se é verdade que a Constituição não mais exige a prova do prequestionamento. mas apenas que a falta de específico prequestionamento não impede o acesso à instância excepcional. É a maneira mais aceita pelos Tribunais Superiores. tecnicamente. a. contudo.2824  e 3565  do Supremo Tribunal Federal. não reproduzindo a cláusula referida.08. discute-se se deve ser questionamento direto ou aceita-se o prequestionamento indireto ou. Relatores. 4ª Reg.7 mesmo em aparente desacordo com a letra da Constituição em face da qual os recorrentes têm acesso à instância excepcional. 12. embora de fato a mais exata porque seria insuportável a proliferação de recursos.99). Isso em termos práticos eqüivaleria ao prequestionamento. Luiz Vicente Cernicchiaro (DJ 28. inclusive com a referência clara e expressa aos artigos de lei ou da Constituição que aplica ou interpreta para decidir a causa. Porto Alegre. não impediu que o STF e. reforçando então a conclusão de que a admissibilidade dos recursos excepcionais precisa ser muito mais rigorosa também em virtude dessa peculiaridade. Prequestionamento implícito ou explícito O modo de prequestionamento seguidas vezes é discutido na admissão de recursos excepcionais. Nesse campo. e isso não porque seja exigido pela Constituição senão por exigência lógica da admissibilidade do recurso. Trib. A exclusão pura e simples do prequestionamento. assim. pena de não seguimento do recurso excepcional. mas foi enfrentada indiretamente nele) – EREsp nºs 181682. A posterior alteração dos textos constitucionais. desde que demonstrem que a decisão atacada contrarie a Constituição ou as leis federais. p. também o STJ6 . 2001 . isso não implica dizer que os recorrentes se dispensariam de provar a discussão do tema nas instâncias ordinárias. também é possível se questionar sobre _________________________________________________________ O STJ aceita o prequestionamento implícito (a matéria não foi expressamente decidida no acórdão. que o exigem ordinariamente. Fed. Corte Especial. 144844 e 155321. tivesse de haver nos autos a indicação da discussão deles pelas instâncias ordinárias. examinando-lhe os termos e disposições. 40. Explícito é o tratamento que o acórdão atacado dá à questão quando a aborda diretamente. parece fora de cogitação.99) e Hélio 8 62 R.

por razões compreensíveis. só que denomina-o de explícito. DJ 04.99). nesse caso. DJ 19.06. para consegui-lo.641. Reg. pois se os embargos declaratórios não tiverem sucesso. pena de não seguimento do recurso.04. RE 210. o qual não admitia o  11 R. Min. 2001 63 .03.é suficiente para o prequestionamento. outra. francamente minoritária. não há como aceitar qualquer delas: a primeira.  9 v.93. Rel. o STF aceita o que o STJ conceitua como prequestionamento implícito.8  Da prevalência da primeira tese resulta que. mas não aceita o prequestionamento implícito (quando o tema não foi tratado no julgado) – RE nº 272.toda a matéria de fato e de direito para dizer que a omissão ou a contradição não-declarada impediu ilegalmente a subida do recurso. a outra. reconhecendo-a cumprida mesmo rejeitados os embargos. Fed. RE nº   219934/SP. n. Essa corrente tem defensores nos dois Tribunais Superiores mas é.para o suprimento do defeito . A conclusão correta parece ser a de que. DJ 13. Súmula 356-STF. embora exija o prequestionamento explícito. Octávio Gallotti. Ilmar Galvão. cfr. duas alternativas têm sido utilizadas: uma. Min.98. O Supremo Tribunal Federal. haverá obstáculo ao seguimento do recurso excepcional. 12.02.9 Isso. cabendo a movimentação _________________________________________________________ Mosimann (DJ 19. entende. Celso de Mello. acarreta outra dificuldade. aceita que seja satisfeita a exigência com a simples apresentação dos declaratórios. que a apresentação dos embargos . posto que pode ser implicitamente versado quando no raciocínio lógico é pressuposto necessário da conclusão. e. DJ 12.ainda que não acolhidos .10 A solução da Corte Suprema parece contraditória porque. entretanto. 40.639. 4ª Reg. p. ocorrendo o prequestionamento implícito. porque. O STF. Contra essa situação de impasse. aceita a afirmação da parte de que o não-provimento dos declaratórios vulnera o direito de prestação jurisdicional e isso implica a necessidade de examinar . em interpretação a contrário da Súmula 356.2000. Rel. 10 v. Rel. que promove a interposição de recurso excepcional exclusivamente destinado a desfazer a decisão que rejeitou os embargos declaratórios. e.determinado tema sem abordar-lhe diretamente os termos e disposições. Há voto em sentido contrário ao acima indicado no RE 208.749/BA. Salvo melhor exame. Min. que no próprio recurso excepcional pede a nulidade do acórdão omisso (não-corrigido nos embargos declaratórios ou a reforma dos próprios declaratórios) como pedido preliminar. Porto Alegre. no entanto. porque faltando a explicitação não há prequestionamento suficiente.638-SP. será sempre obrigatória a interposição de embargos declaratórios para a explicitação da questão discutida.09. 13-110. AGRAG nº 143. a. relator originário o Min Marco Aurélio.2000. seria necessário examinar fatos e provas. Trib. não há mais como examinar a pretensão da parte.

Porto Alegre. Certo é que não se pode. Trib. Ora. via embargos declaratórios do julgamento da apelação ou da ação rescisória. é preciso ainda deixar claro que o costume.da ação rescisória na qual se poderá desfazer o acórdão deficiente e. para que o tribunal de segundo grau faça a indicação dos artigos ou textos legais que se quer sejam tidos por prequestionados.12 Aliás.11 contrariando a própria jurisprudência que o veda. voto do Min. de admitir – por embargos declaratórios – a “explicitação” dos artigos que o embargante quer sejam tidos por prequestionados. no recurso excepcional ou através de recurso excepcional. como visto na nota anterior) porque obriga a parte a promover o recurso especial para pronunciar a nulidade do acórdão omisso não corrigido e só então a renovação do julgamento da questão federal. o relator acolhia o RE apenas para anular o acórdão recorrido em ordem a este pronunciar-se sobre as omissões ou contradições. o recurso especial não pode ser admitido. na retomada do julgamento do acórdão defeituoso. 12. Esse expediente certamente não constitui o prequestionamento de que tecnicamente cogita a interpretação constitucional predominante. p. tese que diverge da orientação prevalecente no STF (tem ao contrário convergência com a posição defendida pelo Min. não tem nenhum fundamento. Reg. pena de transformar a instância excepcional em instância revisora de fatos e de prova. o prequestionamento de que cuida a velha jurisprudência do STF é a efetiva discussão e abordagem do tema respectivo na sentença e no acórdão que julga a apelação. 13-110. Marco Aurélio. também a Súmula 211 do STJ. Aurélio no RE 208.638-1/SP e o do Min M. Ocorre que esse raciocínio (vencido de resto) e o que defende a imediata admissão do recurso excepcional partem de um suposto não discutido – o de que há indevida omissão no acórdão recorrido e que os embargos foram injustificadamente rejeitados (v. 2001 . 64 R. muito difundido entre os tribunais inferiores. Fed. exigir o adequado prequestionamento. sendo evidentemente insuficiente o mero requerimento. com a devida venia. n. a. mas é essencial para essa conclusão que sobre ele se tenha um juízo de mérito em que logicamente se tenha de apreciar fatos e provas mesmo indiretamente.  12 v. v. mesmo quando não tenham sido de fato discutidos como razão de decidir no respectivo julgamento. a qual exige do recorrente uma provocação concreta do tribunal inferior sobre a questão constitucional ou federal capaz de __________________________________________________________ prequestionamento via de embargos declaratórios improcedentes porque se estaria contrariando regra formal que garante a objetividade da apreciação da questão constitucional pelos julgadores. Com efeito. postular-se a reforma do acórdão que rejeitou embargos declaratórios. segundo a qual se a questão não foi discutida no acórdão e nem nos embargos declaratórios interpostos para esclarecê-lo. Súmulas 7 do Superior Tribunal de Justiça (“A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial”) e 279 do Supremo Tribunal Federal (“Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”). afirmar-se que o acórdão recorrido omitiu indevidamente ponto sobre que devia pronunciar-se tanto como prover o RE para determinar o suprimento da omissão sugerem o pressuposto lógico de que o acórdão recorrido está errado. 40.639-8/RS). Pertence no RE 210. 4ª Reg.

e Vicente Greco Filho (pág. em “Aspectos polêmicos e atuais dos recursos cíveis de acordo com a Lei nº 9. 13-110. Rel. Recurso contra decisão interlocutória e recurso retido Os recursos excepcionais podem ficar retidos. v. se os embargos destinados ao prequestionamento forem rejeitados nada mais pode ser feito na via excepcional.2000. 604). ou de decisão que extingue o processo ou julga deserto o feito. REsp nº 182382. Desde logo. MC nº 2906. 4ª Reg. ou de antecipação de tutela. REsp nº 212452. por exemplo. DJ 26. 410). do CPC. os precedentes nos MC nº 1728. Rel. DJ 17.99. casos de evidente lesão irreparável ou dano iminente. § 3º. Rel. para maior aprofundamento do assunto. Ruy Rosado de Aguiar. Min. 544). DJ 01. REsp nº 203227. DJ 16. por sua vez. Porto Alegre. Min. 13  14   R. em processo de conhecimento.02. De acordo com a previsão do art. os artigos assinados por Donaldo Armelin (pág. DJ 02.08. 542. os de José Miguel Garcia Medina (pág.99. DJ 12.99. 205). a vigorar de sua publicação. aprecia decisão interlocutória de primeiro grau. Fed. Sálvio de Figueiredo Teixeira.04. Min. Min. Rel. ou em processos ______________ Redação estabelecida pela Lei 9756/98. não podendo serem acolhidos só para dar por prequestionados os pontos solicitados como fundamento do julgado sem a devida discussão. DJ 12. 542. REsp nº 90391. Min. REsp nº 203791. pois há. DJ 08. Rel.habilitar a discussão no Tribunal Superior. Rel.13 Isso não significa que o recurso excepcional que pode ficar retido é apenas aquele que ataca decisão interlocutória colegiada em processo de competência originária dos tribunais de segundo grau (se do relator ainda caberia antes a interposição do agravo regimental). Em resumo. 40.99. também. v. Rel. Min. n. Rel. Nélson Nery Junior (pág. Eduardo Ribeiro.99. convém assinalar as exceções necessárias. 369).06.14 mas também o que enfrenta acórdão de segundo grau que. REsp nº 173883. Reg.08. Félix Fischer. ou proferidas no processo de execução (nos termos do art.99. Rel. ou em mandado de segurança. Min. Humberto de Barros. 12. “quando interpostos de decisão interlocutória. Waldemar Zveiter. 475) e Sálvio de Figueiredo Teixeira (pág. Min.  15 v. § 3º. Waldemar Zveiter.756/98”. Humberto Gomes de Barros. DJ 28. p. a. citados no texto. em recurso (usualmente por meio de agravo de instrumento). 2001 65 . Min.2001. José Saraiva (pág.12. cautelar ou em embargos à execução” o recurso extraordinário ou o recurso especial ficarão retidos nos autos e somente serão processados se os reiterar a parte no prazo para a interposição do recurso contra a decisão final.11.99.07. ou que diga respeito ao conhecimento ou processamento do próprio agravo. consoante hipóteses novamente instituídas pela lei processual. Trib.06. Sálvio de Figueiredo Teixeira. MC nº 2411/RJ. CPC).

especialmente no STJ. como diz a lei. Min. pena de se perder a razão do recurso. Min. Min. as quais não podem.criminais. Porto Alegre. Hermes Lima. abrangendo também questão interlocutória que não decide sobre mérito da lide. mesmo admitindo que os acórdãos de decisões interlocutórias sejam suscetíveis de revisão por recurso especial. se causa decidida é a que não comporta revisão pelo mesmo juízo. as decisões interlocutórias revisadas por recurso ordinário só podem ser atacadas por recurso excepcional quando há definitividade.728. causa decidida não é só a decisão final da lide principal. ou no caso de decretação de falência. RT 532/289. Mas. ficar trancadas pela retenção do recurso excepcional.  16 66 R. isto é. recentemente. Rel. 12. Sobre causa. p. ou de AJG. Com efeito.  17 v. Moreira Alves. RTJ 31/323. isto é. RE nº 157903/ES. ver ainda “O conceito de causa para a competência do STF”.2000. não é a categoria causa decidida (da lide) que suscita discussão (como a que se vê. Victor Nunes. e.17 Assim. Trib. basta identificá-la para definir qual poderá ser objeto de exame por recurso excepcional. Reg. sim. 13-110. ou sobre questão de competência ou de legitimidade. não se reterá o recurso contra interlocutórias fora do processo de conhecimento.08. Súmula 86 do STJ (“Cabe recurso especial contra acórdão proferido no julgamento de agravo de instrumento”) e precedentes do STF (RE 53. e o recurso cabível esgota a jurisdição ordinária. nos precedentes da Súmula 86 STJ. 40.2000. Prevaleceu. É certo que a jurisprudência dos Tribunais Superiores admite de longa data o recurso excepcional contra decisão em agravo de instrumento. Roberto Rosas. a. RTJ 41/153. por exemplo. RE nº 263038. Rel. RE 57. RTJ 41/153. logicamente. DJ 10. n. E é daí que surgem algumas conseqüências (ou dificuldades) interessantes. RTJ 31/322. saber se decisão em agravo eqüivale à decisão de causa). Min.15 De resto. RTJ 17/114). Sepúlveda Pertence. a interpretação que aceita a noção de causa em sentido lato. mas. isto é. Rel.16 reconhecendo a orientação de que a noção de causa decidida é abrangente também das decisões em que se não decide sobre o mérito da lide. mas também a decisão de um incidente ou de uma questão processual resolvida por interlocutória. ainda. Evandro Lins. Rel. RTJ17-18/114.124. há pelo menos um problema importante. É preciso que seja causa decidida definitivamente. aquela de que não caiba mais recurso ordinário. Em outros termos. preclusão para o prolator de primeiro grau e insuscetibilidade de revisão por outro re______________ v. da ação cautelar ou dos embargos à execução. ou. 2001 .04. AI 24.434. Min. Por isso é bom ter presente que não basta que se cuide de causa decidida. Rel. na hipótese de decretação de indisponibilidade de bens. Como se percebe. Fed. DJ 28. saber se se cuida de causa decidida. 4ª Reg.

vai-se à outra. RCL 658.2000.05.03. Eliana Calmon. DJ 20. DJ 20. Com efeito. e 105. 2ª Seção. se a decisão se revelar suscetível de recurso excepcional porque há preclusão ou inexistência de outro recurso ordinário (isto é. mas é de natural conveniência que se o tenha presente.12. Por outro lado. portanto. CPC. No Supremo Tribunal Federal. Pela natureza da decisão. Rel. não faz sentido mandar retê-los. dizem os arts. DJ 05.3. até mesmo para quem entenda que não há recurso cabível. Asfor Rocha. Nilson Naves. 4ª Reg. não faz sentido retê-lo. Min. tanto quanto.2000. III.03. Assim. é preciso referir que dessa decisão de retenção (normalmente ato do Presidente ou Vice-Presidente do tribunal a quo) a lei não prevê recurso. Nilson Naves. n. a. Eduardo Ribeiro. 40. Rel. do mesmo modo. DJ 18. ao longo da instrução ou ao tempo da sentença. Sálvio de Figueiredo Teixeira. CF). Aceita essa premissa necessária. 542. III. surge a dificuldade quando a parte reclama contra a retenção à vista de uma das exceções referidas. porque não haveria definitividade no aresto atacado e. pois que estariam logicamente fadados a serem inadmitidos desde logo ou o serão quando da subida do recurso excepcional principal se houver. Reg. se se pudesse submetê-las à discussão por qualquer recurso ordinário. outras decisões têm por incabível o agravo de instrumento: AGA nº 248036/RS. DJ 313.2000. MC 2097/SP. tem-se admitido a discussão da retenção por petição (medida cautelar). do ponto de vista prático. § 3º. não seriam definitivas. causa interlocutória decidida). Se a maioria das decisões interlocutórias desse tipo são então insuscetíveis de recurso excepcional (normalmente o recurso especial). Porto Alegre. o que de certa forma a jurisprudência já detectou. para efeito de admissibilidade do recurso excepcional. Trib.curso na instância ordinária de primeiro ou segundo graus. p. Fed.06. mas a solução não ______________ Alguns acórdãos têm aceito o agravo de instrumento e a ação cautelar: AGRMC nº 2430/PR. uma vez que a retenção poderá gerar prejuízo irreparável ao processo ou à irreversibilidade de determinadas decisões. MC 2361/SP. Rel. não seriam admitidos.2000. 102. Rel. fatalmente. como manda o art. Rel. abrindo as exceções acima relacionadas. Para rematar. DJ 02.2000 e EDAGA nº 266834/PR. sendo comum determinação liminar para o processamento do recurso.05. posto que não prejudica o andamento do tema principal e permite a apreciação da questão incidente. DJ 04. Rel. pudesse ele reexaminá-las não seriam definitivas (única ou última instância. 2ª Seção. as decisões interlocutórias a que a Súmula 86 do STJ se refere teriam de ser insuscetíveis de reapreciação pelo juiz da causa porque se. RCL 687. a regra seria o cabimento de agravo de instrumento. 13-110.2000. Min. 12. Rel. aparentemente. Eduardo Ribeiro. 2001 67 . Min.  18 R.2000.

RT. AGA nº 121. em princípio. n. com relação ao mandado de segurança. Ari Pargendler. Min. 13-110. ______________ v. Súmulas 506 do STF e 217 do STJ. havendo quem tenha por cabível o agravo de instrumento e outros que o recusem. DJ 03. Donald Armelin. Reg. junto à presidência dos tribunais de segundo grau. a. com várias alterações). Porto Alegre. 1999. mas.756/98”. Rodolfo de Camargo Mancuso. 4º de ambas).97. RT. pág. No processamento das ações rescisórias ou na pendência de embargos à execução de julgados dos tribunais (como medidas cautelares ou antecipatórias). acontecem decisões interlocutórias contra as quais se pudesse pedir recurso excepcional na hipótese de ficar esgotada a instância originária. 6ª edição.19 e a proliferação de ações rescisórias com certeza exigirá pronunciamento dos tribunais. Trib.437/92 (esta. pode ser trazido à instância excepcional. A doutrina silencia sobre esse ponto. abrindo-se aí oportunidade para recurso excepcional. por exemplo. dando a entender que não foi disto que se ocupou o legislador que pensava certamente nas interlocutórias em geral.  19  21 v. 40. mas há quem se pronuncie contrariamente.348/64 e da Lei 8. 205. de modo geral. ou não caberá. art.340/MG. 235. 4ª Reg. Outra situação peculiar tem-se apresentado também quando. 12. que estabelecem o cabimento do agravo somente quando a suspensão é deferida. Embora alguns julgados do STJ21  tenham sustentado que essa decisão não é suscetível de recurso especial porque tem natureza política. “Apontamentos sobre as alterações ao Código de Processo Civil e à Lei 8. p. 2001 . in Aspectos polêmicos e atuais dos Recursos Cíveis de acordo com a Lei 9. hoje. onde em tese pode haver decisão interlocutória e recurso excepcional. ou cabe o recurso excepcional contra decisões interlocutórias e não se pode retê-lo. usualmente as da Lei 4. V. ou mesmo da sentença. quando menos para a verificação efetiva dessa natureza política que a eximisse do reexame. Finalmente. É que a decisão singular do Presidente pode ser atacada por agravo20  perante o órgão máximo da Corte (por coincidência. O acórdão do tribunal que aprecia suspensão de liminar ou de sentença.03. nas hipóteses permitidas. Recurso Extraordinário e Recurso Especial.038 impostas pela Lei 9. como a lei não referiu especificamente.é tranqüila no Superior Tribunal de Justiça.18  Em resumo. pág.756/98. vários autores. coordenados por Teresa Arruda Alvim Wambier. Rel. Fed. 2000. 68 R. não há certeza se essa regra de retenção se aplica aos processos de instrução originária nos tribunais de segundo grau. se pleiteia a suspensão da medida liminar antecipada por juiz de primeiro grau. e a retenção é uma inutilidade lógica. ainda assim é necessário avançar sobre o ponto.  20 v.

40. letra c. Porto Alegre. deixaria de prevalecer (até porque não teria atribuição para suspender o acórdão do próprio tribunal) e. R. Essa hipótese. sendo necessário então adequar-se a orientação jurisprudencial ao sistema legalmente previsto. REsp. Em qualquer dessas hipóteses. que nele se limitasse o reexame – acaso ainda tivesse utilidade – apenas às circunstâncias formais do procedimento de suspensão. p. exigiria. 2001 69 . 13-110. isto é. III. na prática. então.11. Eduardo Ribeiro. 74. ou ratificada (confirmada por outro título) se dado provimento ao recurso ordinário. A conclusão intuitiva é de que a admissibilidade dos recursos excepcionais em decisões interlocutórias. isso eqüivale a não ser definitiva para efeito de admissibilidade e. também nessas circunstâncias o recurso excepcional ficaria impedido de seguir porque lhe faltaria o requisito da definitividade da decisão da única ou última instância. que o órgão máximo manteve politicamente. que já não estivessem prejudicadas pela decisão no julgamento do recurso ordinário pelo órgão colegiado competente. diga-se. na verdade. que a decisão que suspende liminar ou sentença pode ficar sem efeito prático. quando julgados de tribunais diferentes apresentarem soluções diversas para o mesmo tema. assim. Reg. a. ficando então esvaziada a suspensão se outra for a solução da turma ou câmara. 12. Fed. salvo engano.a admissão dos recursos excepcionais é considerada além dessa marca. Por conseqüência. Trib. perdendo o significado. pode ser invocada quando ______________  22 v. aparentemente. se os órgãos do tribunal com competência ordinária para apreciar agravo de instrumento ou apelação julgarem pelo mérito a questão (suspensa. Divergência O recurso especial pode ser apresentado com a finalidade de provocar a manifestação do STJ quando do acórdão atacado se puder apontar a divergência de julgados. Ocorre. se a decisão que suspende liminar ou sentença mandamental pode ser esvaziada por provimento de outro órgão do tribunal. legitimidade ativa ou competência.95. da Constituição. como por exemplo. 4ª Reg. é muito mais restrita do que na prática se tem adotado. prevista no art. no entanto. n. Rel. 105. o recurso excepcional endereçado contra a decisão colegiada teria igualmente perdido a sua razão de ser. a admissão de recurso excepcional. politicamente). a decisão do presidente.370/ES. Ora. nesse tema. DJ 20.

mas convém assinalar que “tribunal”. O que importa aqui não é analisar a forma de demonstrar a divergência nem discutir as exigências do regimento interno do STJ a respeito. aí. deste artigo. 541 (. 255 (. autorizados ou credenciados. A razão da admissibilidade do recurso pela divergência está na conveniência de homogeneizar a jurisprudência sobre a lei federal entre os tribunais de segundo grau que a aplicam. tem sentido diverso nas duas súmulas.) Parágrafo único. Porto Alegre. discordantes da interpretação de lei federal adotada pelo recorrido. quando a orientação do Tribunal se firmou no mesmo sentido da decisão recorrida” (Súmula 83). Fed. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça em relação ao assunto estabeleceu que “a divergência entre julgados do mesmo tribunal não enseja recurso especial “ (Súmula 13) e que “não se conhece do recurso especial pela divergência. b. pois na primeira cuida-se de tribunais inferiores e. b) pela citação do repositório oficial. a invocação da divergência supõe a demonstração da dessemelhança. e esta ______________ Regimento Interno do STJ: “Art. Reg. com a finalidade de estabilizar a interpretação respectiva. Quando o recurso fundar-se em dissídio jurisprudencial.) § 1º A comprovação de divergência. 134 e seu parágrafo único deste Regimento. § 2º Em qualquer caso. 105 da Constituição. mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados.22 O que interessa aqui é a divergência como pressuposto de admissibilidade do recurso especial. 2001 . 12. Por essa razão. no sentido de diferença ou semelhança. e. na segunda. § 3º São repositórios oficiais de jurisprudência para o fim do § 1º. aquela em que o tema tomado em consideração pelo acórdão atacado sobre o mesmo assunto recebeu solução diversa em outro tribunal. o recorrente fará a prova da divergência mediante certidão. 4ª Reg. mencionando as circunstâncias que identifiquem ou assemelhem os casos confrontados. p.a decisão recorrida “der à lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal”. nos casos de recursos fundados na alínea c do inciso III do art.. cópia autenticada ou pela citação do repositório de jurisprudência oficial ou credenciado. se trata inequivocamente do STJ. 40.” 23 70 R... 13-110. o recorrente deverá transcrever os trechos dos acórdãos que configurem o dissídio. será feita: a) por certidões ou cópias autenticadas dos acórdãos apontados. autorizado ou credenciado. ou seja. em que tiver sido publicada a decisão divergente. em face da comparação entre espécimes de idênticas características. Mais interessante é deter-se sobre o que significa e o que constitui a divergência e de que modo ela mostra a dessintonia das decisões. a Revista do Superior Tribunal de Justiça e a Revista do Tribunal Federal de Recursos. logicamente.. Trib.” CPC: “art. n. a Revista Trimestral de Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. dado o evidente interesse social daí resultante. a. os habilitados na forma do art. em que os mesmos se achem publicados. Para isso convém ter presente que só se pode compreender a divergência de soluções.

com base na qual os dois acórdãos divergiram. Em suma. como pressuposto lógico. para a admissão do recurso especial pela divergência (art. Assim. n. pois do contrário não haveria semelhança nem termo de comparação. in Recurso Extraordinário e recurso especial. n. o que. também na invocação da divergência (art. 12. que os fatos sejam semelhantes de modo a comportar a mesma tese de direito. 105. Ora. III.23 exige-se. Min. 105. R.95. letra c). logicamente se estabeleçam os pontos de direito sobre os quais os julgados dissentiram como razão de decidir. c. DJ 20. III. Porto Alegre. A solução para esse aparente impasse parece estar na adequada apuração da divergência. a existência das condições de admissão pela letra a do art. em última análise. só se pode estar a tratar de tribunais de mesmo nível.11. CF) é necessária. 13-110. Eduardo Ribeiro. REsp. Reg. para a discussão da divergência. conclusão que leva à necessidade de. p. 40.24 Se a função do STJ é a de padronizar ______________  24  25 Rodolfo de Camargo Mancuso. a. 4ª Reg. Nessa medida. é preciso que os padrões invocados no acórdão atacado sejam de idêntica feição do acórdão que se quer comparar. que. e a aplicação do permissivo constitucional nesses termos padeceria de manifesta inutilidade. Fed. III. além disso. letra a). outra coisa isso não é senão a demonstração do prequestionamento do tema discutido. sendo idêntico aquele que tem as mesmas características de fato e de direito. nessas circunstâncias. e. Se isso é certo. da CF. já que a divergência entre decisões de tribunal inferior e Tribunal Superior é logicamente impossível porque tecnicamente não pode existir divergência entre tribunais hierarquicamente posicionados. 105. não basta que a conclusão ou as soluções de direito se mostrem diferentes entre si para que o recurso seja admitido sem mais exame. mostra-se virtualmente ociosa ou sem sentido a invocação da divergência. do que resulta.º 74370. se a divergência que se quer perseguir é aquela entre tribunais. Rel. demonstrar a contrariedade da decisão à lei federal (art. então. é apenas a rigorosa aplicação do sistema das regras constitucionais.supõe a prova das características dos julgados. III. invalidando a invocação da divergência como requisito de admissibilidade do recurso. Trib. 2001 71 . 105. páginas 208/209. pelo tipo de demonstração das diferenças que o Regimento Interno do STJ estabelece. como é fácil de entender. Ao contrário. a invocação da divergência de interpretação só tem sentido se se demonstra a inequívoca identidade das circunstâncias de fato e dos fundamentos de direito. Com efeito.

92 e PET nº 17986. a. De fato. superior.99.  28 O STF . Quem atua no dia-a-dia dos juízos e tribunais das instâncias ordinárias não ignora essa realidade. III. Rel. certamente boa parte deles não poderá ultrapassar esse juízo preliminar. 13-110. Rel. num caso. ainda se mantiver dissídio interno é no STJ que os mecanismos de padronização terão de ser acionados. de algum tempo para cá. entretanto. o que é sistematicamente inaceitável e não tem previsão na organização constitucional/processual vigente. 12. a partir disso.  27 v. Min. é que a divergência tecnicamente compreensível no sistema constitucional precisa então ser comprovada com acórdãos de tribunais de mesmo nível. Reg. perante o STJ. Moreira Alves. Fed.2000. 105. DJ 14.99. Min. poderia implicar obliquamente a revisão desta. Peçanha Martins. DJ 11. PET(QO) nº 1863/RS. Min. PET(QO) nº 1881/RS. Rel. decisão monocrática. Min.12. Moreira Alves. p. estão fundados na letra c do art. Celso de Mello. CF. o que eqüivale dizer que não estava admitido e que não havia nem garantia de que o fosse imediatamente – MC nº 2205. DJ 28. Se por acaso. 72 R. III. Moreira Alves. Ocorre que. Porto Alegre. Min.03. essas práticas vêm se repetindo com insistência também na instância excepcional. Trib. a decisão inferior que divergir de decisão do STJ está necessariamente incorreta ou equivocada. não sendo adequado corrigi-lo via invocação da divergência a que se refere o art. 40. Rel. embora a praxe diária mostre que isso é largamente utilizado com a tolerância do STJ. Moreira Alves. aos recursos especiais e extraordinários se vêm reclamando a atribuição de efeito suspensivo para com isso ______________  26 AGRPET nº 535/RJ. DJ 17. Efeito suspensivo A velocidade das necessidades e a crescente urgência (ou pretendida urgência) de provimentos judiciais têm levado os juízes e os tribunais – e por conseguinte a jurisprudência – a considerar cada vez mais os requerimentos de antecipação de tutela ou liminares de caráter cautelar. inferior.2000. afirmando a divergência de julgados. c. pois do contrário aquela. Rel. n. 105. não há como demonstrar divergência invocando como paradigma acórdão de Tribunal Superior. Nessas condições. DJ 13. para evitar prejuízo ou lesão irreparáveis também em face dos recursos excepcionais. Min.09.02. PET nº 18729. DJ 14. CF. A observar-se essa orientação no exame de admissibilidade dos recursos especiais que.2000. Rel.04. admitiu o efeito suspensivo em recurso extraordinário retido.04.e homogeneizar a jurisprudência federal. desde que a jurisprudência de nível superior ainda não tenha pacificado o tema.25 A decorrência lógica. 2001 . 4ª Reg.

particularmente a do STF. Rel.98. MC nº 488. Rel. Porto Alegre. Jorge Scartezzini. conferindo fatos e provas ademais da aferição da consistência da ______________ v. independentemente da realização ou não do juízo de admissibilidade (alguns até sem recurso interposto) pela instância a quo. No Supremo Tribunal Federal.27  Entendeu-se que a Corte não poderia decidir sobre o assunto se o recurso não estivesse admitido formalmente no tribunal inferior. mas a urgência e a relevância que autorizassem o efeito suspensivo poderiam ser apreciadas pelo tribunal a quo enquanto não houvesse juízo de admissibilidade realizado. alguns precedentes marcaram a orientação que depois se consolidou rapidamente sem maiores divergências. DJ 29. 40. e MC nº 1949. e hoje o têm de fazer até com grande desenvoltura. tanto no STF quanto no STJ.05. pois na avaliação dos requisitos para atribuição do efeito suspensivo é absolutamente necessário apreciar toda a controvérsia dos autos.  29 R. Rel. a.98. passaram a exercer materialmente as jurisdições especial e extraordinária.98. Fed. naqueles Tribunais. Reg. n.  31 Há casos em que o STJ e o STF concedem liminar para que seja emitido o juízo de admissibilidade pelo Tribunal a quo como pressuposto do exame de pedido de efeito suspensivo.08. PET(QO) nº 1243/BA.sustar o imediato cumprimento do acórdão recorrido. sujeito tudo ao reexame pelo STF quando da subida dos autos. o que até então nunca lhes tocara. os interessados recorrentes passaram a pleitear o deferimento de atribuição de efeito suspensivo a tais recursos. Rel. José Delgado.28 O mesmo se deu com o STJ. mas o certo é que se deve deduzi-lo por petição independentemente de autuação como medida cautelar. DJ 17. só considerava a hipótese de atribuição de efeito suspensivo a recurso extraordinário que já tivesse sido admitido na instância a quo. Min. p. Eduardo Ribeiro.05. mesmo que ainda não regularmente admitidos no juízo a quo. Trib.05. embora naquele tribunal também os juízes em alguns casos exercessem eles mesmos essa atribuição.26 mas.2000.29 Os precedentes ainda não deixam claro se se cuidam apenas de hipóteses de medida cautelar ou caberia também como provimento de natureza antecipatória (o chamado efeito suspensivo ativo). DJ 14. j. AGRPET nº 1440/PE. A jurisprudência tradicional dos Tribunais Superiores.96. 12. Rel. Min. via medida cautelar ou petição. 14. Min.02. ou ao menos seus dirigentes. 2001 73 . Min. Moreira Alves.  30 v. ou pelo menos barrar a abertura de execução provisória. quando a urgência e a relevância o recomendassem. Min. 4ª Reg. Moreira Alves. 13-110. DJ 29.30 Dessa tendência parece também ficar claro que os tribunais de instância inferior. AGRMC nº 1184/DF.

Levando em conta que. Porto Alegre. particularmente do poder que a instância a quo passa a desfrutar. pois no juízo normal de admissibilidade dos recursos excepcionais o juiz-presidente do tribunal inferior ordinariamente não se detém na consideração da plausibilidade da procedência do recurso.pretensão de mérito. entre esse juízo precário pelo tribunal inferior e a efetiva apreciação pelo Tribunal Superior. indo muito além do que a tradição os encarregara de fazer. a. 4ª Reg. Fed. o que agora. 40. é de que na hipótese da atribuição do efeito 74 R.31 pode decorrer certo espaço de tempo é fácil compreender a importância dessa nova dimensão do regime jurídico-processual dos recursos excepcionais. 12. n. 13-110. contudo. ainda não inteiramente versada. Trib. Reg. 2001 . A peculiaridade. p. para atribuir-lhe efeito suspensivo. é preciso fazer nesses casos.

3. 4ª Reg.3. Dr. 13-110. a. Mestranda do Curso de Direito da PUCRS. Competência privativa . 3. 40.3. que lhe conferia.4. a dignidade humana” Charles Baudelaire Introdução: 1. 3.1. orai por nós! “Mas quem é Levana? É a deusa romana que norteava as primeiras horas da criança. p. A saúde conforme a Carta de 1988. Juíza-Diretora da Escola da Magistratura . A saúde como direito fundamental. 3.  1 R. digamos assim. A competência da União. trabalho apresentado na disciplina de Constituição e Direitos Fundamentais. Competência concorrente. Fed.1. n. Prof.1. Porto Alegre. 2001 75 .O DIREITO À SAÚDE A Saúde como direito e como dever na Constituição Federal de 1988 Marga Inge Barth Tessler1  Santa Levana. Ingo Wolfgang Sarlet. Trib. 3. As competências na questão do direito à saúde. 12. Outras diretivas: ______________ Promoção do bem-estar. Princípios da seguridade social.1.1. Reg.2.TRF.4ª Região.1. Competência comum. 2. 4.

 27. Criação do SUS – rede regionalizada. O dever de investigar terapias estéticas. 31. 12. A questão da saúde no primeiro milênio. 4. 19. 7. Relevância Pública das ações referentes ao direito à saúde.1. A saúde como um dever na dimensão aberta à iniciativa privada.2. 35. Atribuições do SUS. Fiscalização. O dever de investigar terapias alternativas. Atividade complementar. Atividade Suplementar. A saúde como um dever próprio.1. Alguns precedentes judiciais. 9.1. 7. propagandas abusivas. 5. A faculdade de prescrever: a prescrição médica. O princípio constitucional da vinculação de recursos para a iniciativa privada no aspecto complementar. A saúde como um dever fundamental do Estado. 11. “na ocasião do nascimento. O dever de instrumentar subsídios técnicos em defesa da saúde pública. 17.1.3. 15. 21. Fed. Reg. Conclusão. Financiamento. 13.1. 17. 4ª Reg. Participação da comunidade. 76 R.1. 32. controle e avaliação. O dever de coibir práticas abusivas: oferta de medicamentos pelas farmácias. 34. 25. O dever de exigir a presença de farmacêuticos. 40. 16. 30. a. 4. O direito à saúde na sua dimensão positiva prestacional e os seus limites. O dever de informar. Trib. 10.5. Agência Nacional de Saúde suplementar – ANS. O SUS e o federalismo. 23.acompanhando o progresso científico. A reserva do possível como princípio. 14. A assistência à saúde. 18. p. A saúde como direito a prestações materiais e os limites. O dever de legislar . O dever de esclarecer. O dever de auditar: auditoria no SUS e nos gastos públicos. 24. A saúde como um dever. O dever de notificar e a segurança coletiva. 13-110. Introdução Na antiga Roma. 8. Sindicabilidade dos gastos. 22. 28. hierarquizada e única. dever da União. 2001 . A saúde como um dever. O dever de incentivar a produção de medicamentos genéricos. Porto Alegre. O dever de prestar informações estatísticas e cadastrais.4. a ordem pública sanitária. 29. Princípios Gerais da Seguridade Social. Vedação da comercialização de órgãos e substâncias humanas. 6. O modelo SUS e a avaliação da OMS. O dever de evitar o risco sanitário. quando a criança experimentava pela primeira vez a atmosfera conturbada de nosso planeta. 12. O SUS e a competência federal. 20. n. O dever da propaganda ética e estética. 6. sistema aberto à ini-ciativa privada no aspecto complementar. 26. a vigilância sanitária. 9. 21. 36.1. 33.

erguer ao ar. depois de São Tomás e com a poderosa influência escolástica.. ordenando-lhe que olhasse para cima. Levana enobrece o ser humano que ela protege. Charles.3  invocam-se os auspícios iniciais de Levana. todos os homens são filhos de Deus. a luta. como se fosse o rei deste mundo. extrai seu nome do verbo latino levare. LPM. Fed. Ensina sucessivamente a paixão. O pai. 21 set. manter elevado. da saúde como direito humano e social e da saúde como dever do Estado e dever pessoal.4  Salienta Vieira de Andrade5  que o “cristianismo deu nova densidade ao conceito de dignidade humana. Trib. sucessivas e sobrepostas. iguais em dignidade (. Folha de São Paulo.)”. acima de todos. 1998. 12. ANDRADE. ou algum parente próximo. Essa doce ama é dura e severa. A feição atual deve-se a idéias. dimensão.. 2001 77 . 13-110. Os Direitos Fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976. verificar o artigo neste sentido. E essa deusa misteriosa. Dráusio. 40. n. Coleção Rebeldes Malditos. a. que nunca mostrou as suas feições. Paraísos Artificiais. Reg. a tentação.2  A propósito de introduzir a questão da saúde no seu aspecto dúplice. 2000. Coimbra: Almedina. e entre os processos que usa para aperfeiçoar a criatura humana prefere. José Carlos Vieira de. p. talvez dizendo a elas em seu coração: ‘Contemplai aquele que é maior que vós’. como mandatário do pai. Esse ato simbólico representava a função de Levana. 4ª Reg.colocavam-na no chão. e apresentava a fronte da criança às estrelas.. levantava-a no ar. Importante lembrar que a idéia de dignidade humana não era concebida pelos romanos com a amplitude que hoje a entendemos. Porto Alegre.)”. 5 R. a energia da resistência. Foi a Constituição de 1988 a primeira das nossas Cartas políticas a reconhecer ______________ 2 Baudelaire. mas por meios cruéis. O homem é.  3 VARELLA. e que sempre agiu por delegação. como mandatário da deusa Levana. A saúde como direito fundamental Não há dúvida da fundamentalidade do direito à saúde. 1821/1867. 1. construídas em longo processo de elaboração doutrinária do que hoje denominamos direitos humanos.. a dor (. cuja ênfase quiçá seja necessário fortalecer.

um direito subjetivo individual. Ingo Wolfgang. Malheiros. Trib. n. Paulo Bonavides. O quarto procedimento. Este dever do Estado será garantido mediante políticas sociais e econômicas. num segundo momento. dispositivo que remete a regulamentação das ações e serviços de saúde ao legislador (art. 40. É o segundo dos direitos sociais. além de estabelecer o acesso universal e igualitário às ações e prestações nesta esfera. Paulo.  7  8 78 R. RPS. 805 e segs. basta uma leitura superficial dos dispositivos pertinentes. O Físico. A medicina como direito estamental no ano 1021 em Londres. José Afonso da. além de impor aos poderes públicos uma série de tarefas nesta seara. Record. objetivando a redução do risco de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços públicos para a sua promoção. BALERA. logo após a educação. a. como a de promover políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos. Rocco. em princípio. 197) comete ______________  6 BONAVIDES. que o direito à saúde encontrou sua maior concretização ao nível normativo-constitucional”. por vezes. 12. Enunciando no art. Anota o citado autor que mesmo em normas de cunho programático que. p. São Paulo: Verificar em Noah Gordon. Verificar Stanley Pottinger. 2001 . 134/92. Fed. SARLET. ed.6  Na lição de Wagner Balera7  surgiu. O Direito Constitucional à Saúde. a questão do aborto nos USA. reclamariam uma interposição legislativa é possível deduzir-se. Wagner.  9 SILVA. Mesmo assim. Curso de Direito Constitucional. O artigo 196 da Carta de 1988 inscreve a saúde como “direito de todos e dever do Estado”. Rev. p. proteção e recuperação. 4ª Reg. em obra clássica. Ingo Sarlet8  afirma que “consagrado no artigo 6o de nossa Constituição. a questão da saúde pública na corte do Rei James II. seja restrita ao reconhecimento de direitos subjetivos no sentido negativo. um direito subjetivo público “que não pode ser negado a nenhuma pessoa sob pretexto algum”. A Eficácia dos Direitos Fundamentais. Ficção. n. A medicina controversa. arts. no que diz com a forma de positivação. 196 a 200. refere que os direitos fundamentais são a Constituição em seu máximo teor de materialidade. 196 e seguintes. Gloriosa. assim. 1994. em regra. para que se perceba que nos encontramos. 13-110. diante de normas de forte cunho programático. Reg. 16. 1995.explicitamente e assegurar este direito. 196 da Constituição Federal de 1988 que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Salienta ainda que também normas definidoras de fins e tarefas do Estado ou normas impositivas apresentam uma dimensão jurídica subjetiva. é nos arts. Curso de Direito Constitucional Positivo. Verificar o filme disponível em vídeo. Porto Alegre. ainda que esta. há. O outro lado da nobreza.

Trib. absolutos ou relativos. sim. para impedir que. a saúde. bem como estabelece.93) e 1.11  2. na visão da jurisprudência do Colendo do STF. Salienta que as ações e serviços são de relevância pública. etc. Ingo Wolfang. 200). a moradia. mas. 273.742/93).)”  10 10 R. por isso ficam inteiramente sujeitos à regulamentação. 1996. Mas o fato cruel é que   não oferecemos aos pobres nada semelhante ao que as classes médias conseguem oferecer a si próprias (. à fiscalização e ao controle do Poder Público... p. 2001 79 . se são direitos naturais ou históricos. 197). a multiplicidade de diretivas fixadas constitucionalmente. oportunizando a participação (em nível complementar) da iniciativa privada na prestação da assistência à saúde (art. a.. Uma questão de princípio. 11 A questão da saúde é polêmica também em outras latitudes. Martins Fontes. de criar e fixar as diretrizes do Sistema Único de Saúde (art. BOBBIO. qual é o modo mais seguro para garanti-los. Lembre-se. Reg. então.a tarefa de criar os serviços de saúde ao legislador ordinário (art. Fed. normas de eficácia limitada. n. apesar das solenes declarações. como anota Ronald Dworkin. da oportuna consideração de Bobbio10  de que “não se trata de saber quais e quantos são esses direitos. eles sejam continuamente violados”.09. 199). na sua dimensão prestacional. 198). A Era dos Direitos. 40. Porto Alegre. “Nos USA patrocinamos a pesquisa médica com impostos e depois de longas lutas políticas oferecemos ‘Medicare’ aos idosos. então. 12. qual é a sua natureza e seu fundamento. que regulou a assistência social do artigo 203 da Constituição Federal de 1988. Norberto. As disposições constitucionais referentes à saúde são.232/ DF (inconstitucionalidade do artigo da Lei nº 8. em caráter exemplificativo. 2000. Campus. 13-110. Obra citada. p. assim. as atribuições (nos termos da lei) que competem ao Sistema Único de Saúde (art. José Afonso da Silva9  refere que o direito à saúde se rege pelos princípios da universalidade e da igualdade de acesso às ações e serviços respectivos. A saúde conforme a Carta de 198812  O artigo 6o da Constituição Federal de 1988 estabelece que são direitos sociais a educação. não configurando direito subjetivo judicializável. Note-se que o Colendo Supremo Tribunal Federal tem preferido a concepção de José Afonso da Silva sobre a aplicabilidade e eficácia dos direitos fundamentais. O Supremo Tribunal Federal considerou ambos os direitos dependentes da lei. Vê-se. o lazer. 4ª Reg. e ‘Medicaid’ aos pobres. como podemos perceber pelas ADINs nos 737-8 (valor do salário mínimo de 16. sendo de ______________ SARLET. o trabalho.

III. 40. a saúde é mencionada logo após a educação. _________________________________________________________ (Medicare e Medicaid introduzidos em 1965 pelo Presidente Lyndon Johnson). atender também às necessidades vitais atinentes à saúde. O Direito Constitucional e a efetividade de suas normas. 2001 . A Constituição Dirigente e Vinculação do Legislador. que na ordem de precedência. além de ser expressamente reconhecido como direito social. Reg. Renovar. dizendo que representam “mandados de otimização que devem ser densificados”.comentar brevemente que a Emenda nº 26/2000 introduziu o direito à moradia antes não expressamente referido. Constituição Federal de 1988). pois integra o conceito de “dignidade humana”. 1982. a Constituição Federal de 1988. O § 1o do artigo 5o inscreve como sendo de aplicação imediata as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais e.  13 CANOTILHO. José J. § 4º. Em sendo um direito de todos.. XXIII. o seu cumprimento poderia ser negado temporariamente em virtude de impossibilidade material comprovável. proíbe emenda tendente a abolir os direitos e garantias individuais. Gomes. Note-se. o artigo 60. Renovar. aprovado pela sistematização (1987) previa que: “A saúde é direito de todos” em formulação equivocada. um direito fundamental. como visto. Garantiu. da Constituição Federal de 1988. vê-se incluída no valor do salário mínimo (artigo 7o. A saúde.  12 Luis Roberto Barroso ressalta que o artigo 232 do Anteprojeto da Constituição Federal de 1988. 3. Fed. Trib. ver obra “O Direito Constitucional e a efetividade de suas normas. além de outras. bem como assegurou que o exercício de atividades laborativas em locais insalutíferos fossem remunerados com um adicional (artigo 7o. “a saúde” se apresenta como um direito difuso.  14 BARROSO. n. 12. também. a redução dos agravos à saúde por ocasião do trabalho. na sua dimensão de direito social. por sua vez. dificuldade maior para sustentar o direito à saúde como um direito fundamental. no artigo 7o. princípio fundante da República (art. A dignidade da pessoa humana é elevada com o valor “saúde”. a saúde é. mesmo sem a criação das condições materiais para a sua fruição. p. não havendo. IV. Porto Alegre. Barroso14  defende uma interpretação progressiva na linha de Robert Alexy. metaindividual e cujos titulares são indetermináveis. p. 80 R. então. Luis Roberto. IV) que o constituinte imaginou como suficiente para. Mesmo que não fosse expressamente previsto como direito social. sem dúvida. 4ª Reg. 1o. pois intimamente vinculada ao direito à vida (artigo 5o) e princípio fundamental. 1996. Coimbra. a. ed. 13-110. 60”. Canotilho13  admite que sejam direitos subjetivos.

Constituição Federal de 1988). no item XVII do mesmo artigo 21. 3.2 Competência comum Passando à competência comum da União. com a nota no vetor saúde. verificamos que é da União a competência para planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas. XXXIII. prevê que a atividade de cuidar da saúde e assistência pública inscreve-se na competência comum. vemos que apenas por lei complementar poderá ser autorizada aos Estados a expedição de legislação sobre as matérias que acima elencamos.1 Competência privativa A União tem inscrita na sua competência privativa (artigo 21. 40. a competência federal na atividade nuclear (XXIII) na inspeção do trabalho (XXIV) e o exercício da garimpagem (XXV). estão incluídas neste tópico. muito embora o artigo apenas destaque com a nota da especialidade as “secas e as inundações”. a. 4ª Reg. atividades perigosas e insalubres por se entender que os menores mais sentiriam os prejuízos à saúde decorrentes de atividades em ambientes e situações de risco (artigo 7o. sem dúvida. vemos que é da União a competência para instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano. Concluindo o exame deste longo artigo. IX) a elaboração e execução de planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social. Trib. R. Reg. as doenças. Em função da proteção da saúde.XXIII). Prosseguindo. 12. o artigo 23. há a menção aos cuidados e à promoção de programas de saneamento básico. p. 3. Porto Alegre. As competências na questão do direito à saúde 3. No item IX.1 A competência da União 3. condição elementar para a construção da saúde pública. No social. Fed. inscreve-se a atuação em iniciativas em prol da saúde individual e coletiva. n. 13-110. No item XX. Todos os entes da Federação têm o dever de cuidar da saúde pública. Novamente.1. dos Estados e dos Municípios. 2001 81 . atividade que muitíssimo compromete a saúde humana.1. restaram proibidos o trabalho de menores em período noturno. inclusive o saneamento básico. inciso II. justamente.

pois só com condições básicas de garantia da saúde se combate a pobreza. em ultima ratio. a coletividade também participa no asseguramento dos direitos relativos à saúde. da Constituição Federal de 1988 abre a possibilidade de legislar sobre o controle da poluição ambiental e este aspecto tem decisiva importância para a saúde da população. 3. n. Fed. 2001 . a. VI. Trib.vetor da saúde pública. de forma direta ou 82 R. Princípios da seguridade social No artigo 194 são estruturados os princípios da seguridade social que pressupõem um conjunto integrado de ações a serem desenvolvidas pelo poder público e também pela sociedade. que aportará recursos. Ora. ausência de agravos ao corpo e à mente. 12.1. o artigo 24. Porto Alegre. onde vemos que a ordem social tem como base o trabalho e como objetivo o bem-estar.1 Participação da comunidade Vê-se.3 Competência concorrente Ingressando na matéria submetida à competência concorrente. 4ª Reg. será feito por toda a sociedade.1. O bem-estar. 4. aí. o custeio destas ações. mas também deveres já anunciados no corpo da Constituição. é a ausência de mal-estar. O aspecto participativo da comunidade é uma das “mutações” identificadas pelo Professor José Diogo Figueiredo Moreira Neto. 13-110. ao dizer do combate às causas da pobreza também a nota do valor saúde. aí novamente podemos identificar o valor saúde. 40. 4. 4. A sociedade.2 Financiamento O financiamento. Reg.4 Outras diretivas: Promoção do bem-estar Prosseguindo-se no romaneio da Carta Política em busca das linhas mestras definidoras deste direito e também deste dever em relação à saúde. No item X. 3. a inclusão do aspecto participativo da comunidade que não só tem direitos. passamos ao artigo 193 da Constituição Federal de 1988. estabelece o artigo 195. p.

prevendo-se ações para a promoção. a irredutibilidade do valor dos benefícios. proteção e recuperação. 2001 83 .3 Princípios Gerais da Seguridade Social Os princípios estão enumerados no artigo 194. Revista de Serviço Público. direito de todos e dever do Estado. que indicam o caminho para se chegar ao atendimento das suas finalidades. 13-110. de caráter democrático e descentralizada. rede complexa O artigo 198 é uma inovação. em outra ocasião. para esta tarefa coletiva. p. 195. Podem. 4. a diversidade da base de financiamento. Estes os princípios gerais que.indireta. segundo as seguintes diretrizes: descentralização com direção única em cada esfera de governo. parágrafo único. a uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais. são traçados os lineamentos fundamentais do direito à saúde. Relevância pública das ações referentesao direito à saúde Na Seção II. 5. no artigo 196. São eles: a universalidade da cobertura e do atendimento. § 4º). Fed. 40. a. Os princípios que regem o SUS estão relacionados no artigo 198. Reg. 4ª Reg. A execução destas ações poderá ser feita diretamente pelo poder público ou por terceiros15  e se submete fortemente a modalidades interventivas estatais. hierarquizada e única. pois houve a criação do SUS – “Sistema Único de Saúde” – que é a rede regionalizada e hierarquizada para cumprir o leque de atribuições antes elencadas. tais como a fiscalização e a regulação.1 Criação do SUS – rede regionalizada. A presença do Estado no setor saúde Brasil. ______________ FRANÇA. n. a seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços. n. 12. Pela Emenda Constitucional nº 20 foi estabelecida a gestão quadripartida. É proclamada pelo artigo 197 a relevância pública das ações e serviços de saúde. Suzete Barbosa. Trib. ainda. Porto Alegre. a eqüidade na forma de participação no custeio. 5. 03/88. ser instituídas outras fontes para garantir a manutenção e expansão da seguridade social (art. serão melhor examinados.  15 R.

do ADCT). o montante empenhado em ações e serviços públicos de saúde no exercício financeiro de 1999. Fed. Estados e Municípios não podem construir planos próprios de saúde. inciso I. sendo um sistema complexo. O princípio constitucional da vinculação de recursos para a saúde O Constituinte. Já nos referimos ao financiamento que será com recursos do orçamento da seguridade social. no caso da União. a obrigatoriedade de todos os entes da Federação integrarem o sistema. participação da comunidade. na forma a ser definida em Lei Complementar. propriedade de veículos. deduzidas as parcelas que forem transferidas aos Municípios. art. pois o § 1º do artigo 198 encerra com a referência de que haverá outras fontes. recursos da União. repasse de verbas da União. a. caput. I – IPI e IR). 5% (cinco por cento) e do ano 2001 ao 2004 o valor apurado no ano de 2000. 156) e dos recursos previstos na Constituição Federal de 1988 (arts. e o repasse da União referente aos impostos do artigo 159. acrescido de. artigo 157. 40. corrigido pela variação nominal do Produto Interno Bruto (art. 77. Qual seria o conteúdo da “unidade” do SUS? Refletindo sobre o que deve ser “único” no SUS há de se extrair a resposta do artigo 198. 2001 . isto é.atendimento integral. Os Estados deverão direcionar o produto da arrecadação dos impostos previstos no artigo 155 (imposto de transmissão. Reg. alínea b e § 3o). inciso I. 6. ficando a questão em aberto. dos Estados e dos Municípios. p. 4ª Reg. No caso dos Municípios também há a vinculação com gastos na saúde pelo inciso III do artigo 198. também em percentuais extraídos da arrecadação dos impostos (art. no mínimo. Trib. Porto Alegre. 13-110. n. 157 e 159. ICMS sobre prestação de serviços de transporte e comunicação. controle e avaliação Foi notável a preocupação do constituinte em assegurar o direciona84 R. preocupou-se em determinar a efetiva aplicação em ações e serviços públicos de saúde dos recursos mínimos (§ 3o. 6.1 Fiscalização. controlado pela União. 198) que deverão ser. mas executado localmente. e inciso I. pela Emenda nº 29/2000. no ano 2000. com prioridade para as atividades preventivas. 12.

História do Brasil. Então. e a mesma Lei Complementar (Lei Complementar nº 84. Prosseguimos. e vê-se no § 2o que está vedada a destinação de recursos públicos para auxílios ou subvenções às entidades com fins lucrativos. prevê as normas e os procedimentos fiscalizatórios e controladores.mento de recursos para atender aos serviços de saúde. a. 40. salvo expressa previsão legal em contrário. pois ali se previu o acesso da iniciativa privada ao ramo da prestação de serviços em saúde. 7. Porto Alegre. Boris Fausto. Fed.96) que terá seus percentuais revistos a cada 5 anos. em 19.17  Nos dias atuais. Este aspecto é muito importante pelas conseqüências que mais adiante poderemos extrair.2000. remoção ______________ Sobre os gastos do governo federal. A forma pela qual se abriu à iniciativa privada a participação nos serviços de saúde e.01. É bem de ver que o município não gastará bem se apenas se limitar à compra de ambulância para remoção dos doentes16  e poderíamos fartamente citar exemplos do inadequado direcionamento de recursos. “A saúde gasta bem. de forma complementar. a municipalidade que não direcionar pelo menos recursos ao atendimento de saúde básica e materno-infantil descumpre o dever legal.09. ver Folha de São Paulo. obrigado”. palácio em estilo mourisco.09. n. bem como avaliadores dos gastos com saúde. Trib. Secretário Executivo do Ministério da Saúde. Para a vinculação dará preferência às entidades filantrópicas ou às sem fins lucrativos. repise-se. Edusp. de 18. 13-110. há sinalização de que o serviço complementar de preferência não será puramente mercantil com objetivo tão-só de lucro. Sinale-se que esta participação se dará de forma complementar ao SUS e segundo diretrizes do SUS. Assistência à saúde. vemos que a assistência à saúde não é monopólio do Estado. sistema aberto à iniciativa privada no aspecto complementar No artigo 199. 7. 12. 4ª Reg. e no § 3º houve a vedação da participação direta ou indireta das empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde.1 Vedação da comercialização de órgãos e substâncias humanas O § 4o do artigo 199 remete à lei a questão dos transplantes.  17 No início do século. 2001 85 . até Osvaldo Cruz foi criticado por usar o dinheiro da saúde pública para reformar o então Instituto Manguinhos.   16 R. artigo de Barjas Negri. Reg. vinculação por regras publicistas ou conveniais.2000. p. 1994. em resposta a críticas de 10.

O Decreto nº 2. assim. São da competência do SUS a execução das ações de vigilância sanitária e epidemiológica. Vê-se que já ______________ 18 Precedente pedindo cirurgia imedita com doador voluntário. 2001 . Este artigo foi regulamentado pela Lei nº 9. é uma competência vastíssima que se atribuiu ao SUS. participação da formulação da política e ações de saneamento básico. abordagem que ultrapassa as dimensões deste trabalho.507. A Lei nº 8. (fila única ou dupla porta) 86 R. 13-110. vedando “todo o tipo de comercialização”. transporte. onde atuará cumprindo o seu dever para com a saúde. foram já editadas atendendo ao comando do artigo 200. e bem cumprida segundo vetores do Decreto nº 3.12. ainda. produtos e substâncias de interesse para a saúde. 4ª Reg.142.080. hemoderivados e outros insumos. imunobiológicos. p. disciplinando e estruturando o SUS. de 13. transfusão de sangue e seus derivados. o SUS deverá. Neste campo vastíssimo se abrem inúmeras questões e que vão desde a ética a pendências judiciais. o artigo 200 vem dizer da competência do SUS e definir as suas múltiplas atribuições. Atribuições do SUS Concluindo o “bloco da saúde”. guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos. dever que há de ser cumprido. tecidos e substâncias humanas. incrementador do desenvolvimento científico e tecnológico. ordenação e a formação de recursos humanos para atuar na saúde.90.de órgãos. e a Lei nº 8.06. bebidas e águas para consumo humano. tempo de espera. 12.268/97 procedeu à regulamentação da primeira. Trib. aí compreendendo o meio ambiente do trabalho. respeito e cortesia. limpeza. o controle e fiscalização de procedimentos. que estabeleceu os padrões de qualidade dos servidores públicos. verificação de prioridades. entre outros.09. os do artigo 3o: atenção. Vê-se. n. fiscalizador e inspecionador de alimentos para verificar o teor nutricional. que não é pouco. Fed. participar do controle e fiscalização da produção. A Lei nº 8. de 28. 40.18  8. Porto Alegre. tóxicos e radioativos. de 19. equipamentos. finalmente atuará na proteção do meio ambiente. além do controle e avaliação periódicas. a.501/92 trata das disposições referentes ao cadáver de humanos e sua utilização. Reg.2000.434/97 que dispôs sobre a remoção de órgãos e transplantes. produção de medicamentos. conforto das dependências.90.

ainda mais quando. Esta esclarecedora passagem já nos habilita a bem compreender e sustentar que o atendimento. no seu aspecto prestacional. em um determinado ‘Spa’ em Gramado ou Campos do Jordão. Nesta avaliação. os serviços oferecidos e exigíveis são apenas os previstos pela legislação e regulamentação. não poderia ser interpretado de forma completamente liberal. benefícios desta natureza. não abrangendo.há sinalização dos critérios para que qualquer atendimento ou serviço seja avaliado. em clínicas especializadas. legislação prevendo até mesmo um tratamento de algumas semanas para o stress. completa ou substancialmente. Se existe. estão começando a ser cortados. Ingo Sarlet:19  “Encaminhando-nos. 13-110. considerado como um direito subjetivo (isto é. as prestações. p. ______________ 19 SARLET. sendo claro que o exemplo citado é extremo e visa a tornar mais evidente o contraste. Fed. Sobre a questão já se pronunciou o Prof. sequer temos as prestações básicas asseguradas na área da saúde e da educação”. o direito. A definição é da lei ordinária e regras inferiores. o direito subjetivo à saúde. pleitear um tratamento. alegando estar acometido de stress. direito de compelir a parte obrigada a fazer ou dar aquilo que me cabe). isto não quer dizer que aqui possamos admitir tal coisa. 12. às custas do Estado. R. Áustria e Suíça). o direito de alguém.1 A reserva do possível como princípio A Constituição Federal de 1988 não chega a definir em que consiste o direito à saúde. por certo. ou mesmo um tratamento em uma estação de águas termais. parece evidente que o direito à saúde. O Direito à Saúde. como ocorre no Brasil. até mesmo nestes países (tais como Alemanha. 40. em alguns países europeus. a que prestações efetivamente o cidadão tem direito. Em que consiste este direito. A proteção. para uma tomada de posição. Ingo Wolfgang. a. Aliás. A saúde como direito a prestações materiais e os limites 9. n. aos poucos. observadas as técnicas e práticas médicas disponíveis no Brasil. 9. Obra citada. 2001 87 . Reg. Porto Alegre. Luis Roberto. são conferidos a todos de forma genérica. Efetivamente. 4ª Reg. Trib. aspectos Consti20 BARROSO. deve-se atender ao princípio da razoabilidade e levar em conta a inconclusão do modelo que está sendo construído.

mas. de intermediação legislativa. que tal não é possível nem razoável na atual conjuntura brasileira. voto do Ministro Demócrito Reinaldo que estabelece os limites prestacionais – REsp nº 1995. Sua dimensão positiva prestacional e os seus limites.080/90. Del Rey. convém reiterar e clarificar que é majoritário o entendimento de que não há possibilidade de reconhecê-lo como um direito subjetivo individual. O princípio da proporcionalidade. 2. 22  Transposta esta questão. pronunciamentos em contrário. Não é nesta dimensão norma de eficácia plena. Susana de Toledo.20  o direito à saúde “direito de todos e dever do Estado. como refere Suzana de Toledo Barros. Fed. Nesta linha. p.05. 2000. Trib. Paulo Fernando. O direito à saúde.21  retornando à doutrina dos status de Jellinek. Manifesta-se em sentido  contrário citando precedentes. é o estabelecido pelas Leis nºs 8. Impõe-se. no mínimo. Devido Processo Legal. no caso do direito à saúde. SILVEIRO. não concede direito subjetivo a ninguém de exigir prestações positivas do Estado. aqui.00068782-8/RS – “é proibido realizar despesas sem precisão orçamentária”. mas quem define o que é possível. como antes mencionado. ______________ BARROS. asseguram uma posição jurídica ao indivíduo. à vista das considerações antes feitas. as prestações positivas defluem. na fórmula em que incrustado no artigo constitucional. 4ª Reg. observados os princípios regedores da Carta de 1988. em 23. 1997. refletir se o particular pode compelir o Estado a custear-lhe caríssimo tratamento no exterior? Na maior parte dos casos. ed. ed. Porto Alegre. a. O conteúdo material do direito à saúde. Brasília Jurídica. 2001 . Vide-se. Alguns precedentes judiciais Concluindo a abordagem desta faceta do “Direito à saúde” sob o enfoque de direito prestacional. o Congresso. Ele depende. a propósito. antes citado. dos comandos legais que estruturam o SUS e demais mecanismos reguladores da assistência à saúde. ao votar o orçamento? 10. tais tratamentos são experimentais.deve ser o compatível com a realidade econômica do país. Reg. 2. Como bem sustenta Barroso. para o surgimento do direito individual judicializável. todavia.96. Há. não investe. 40. seria possível exigir do Estado o custeio de tal aventura médica no exterior? Impõe-se. n. 12. 13-110. assim. é também importante concluir que os seus limites são os da legislação de regência. 21    22 88 R.

DJU de 21.04. Apelação Cível nº 95. assim. Relatora Juíza Marga Inge Barth Tessler. temos os que seguem: a) Liberação do FGTS para despesas com saúde em especial pacientes acometidos de AIDS ou outras doenças graves. Dá-se. não sendo ______________ 23 MENDES. Liberação de valores depositados em contas vinculadas do FGTS para tratamento de doença de dependente.049127-5. há a reserva do financeiramente possível. julg. 2.8.01. n. 1.96.   fls. p. acabam por desorganizar aquelas prioridades legitimamente estabelecidas. de regra. A Lei nº 9.03. 13-110. “ADMINISTRATIVO. que pretende a liberação do saldo das contas do FGTS para tratamento de filho menor portador do vírus da AIDS. um exagerado apego à letra da lei. concedendo a ordem. os medicamentos são aqueles previstos nas prescrições médicas do SUS. exemplificando com decisões da Corte Constitucional alemã. não está compreendida nos permissivos de saque é uma demasia.514. AI nº 97. a qualquer título de complementaridade.  24 R. Porto Alegre.922/91 identificam um rol de doenças que não inclui a AIDS e outras afecções. Gilmar Ferreira Mendes refere-se ao fato de que.04. a orientação preconizada por Barroso e Sarlet quando lecionam que o cidadão tem direito de obter decisão judicial no mesmo sentido apontado pela Constituição. TRF-4ª Região. Hermenêutica Constitucional.10. As Leis nºs 8. Reg.  25 Apelação Cível nº 1998. é procedente o pedido de liberação dos recursos do FGTS. em 19. Inúmeros precedentes fixam a legitimidade passiva da União. 17.41672-1/RS. Fed. bem como estabelecem a gratuidade total para o paciente e proíbem a cobrança a qualquer.1995. dentre outras condicionantes.57545-9. em frontal colisão com o espírito que animou o legislador ao editá-la.313/96 dispôs sobre a distribuição gratuita de medicamentos aos doentes nestas condições. repito.036/90 e 8. O que merece ser lembrado é que o órgão público gerenciador da lista e precedência das pessoas atendidas.23  Fazendo um breve comentário sobre precedentes judiciais. AI nº 97.513-17. aqui. Ferreira Mendes. tem a relação dos doentes cadastrados e antecipações de tutela antes da oitiva do órgão encarregado.57548-3.04. Entender que a situação do autor.04. Improvido o apelo da CEF”. 12. diante da inexistência ou ineficiência do serviço público nesta situação. Relatora Juíza Silvia Goraieb. Tem-se entendido que o rol não é numerus clausus. quando em pauta os interesses por ela protegidos. 2001 89 . Trib.24  b) Fornecimento de medicação para os portadores de AIDS. nesta seara de direitos prestacionais. 40. Por outro lado.142/90 e Resolução nº 283/91 e demais atos normativos que disciplinam o internamento hospitalar de pacientes do SUS no sistema eletivo e de emergência. a. 4ª Reg.

Ministro Milton Luiz Pereira. Verificar.25  c) Internação hospitalar pelo SUS. e o Supremo Tribunal Federal. 1a Turma. Reg. 12.09. pesquisa coordenada pelo Dr. Paulo Afonso Brum Vaz.98. 199600714630. 32 90 R.04. REED 196982/PR.29  d) Reajuste da Tabela do SUS. Folha de São Paulo.03324-9/SC. 2001 . Juiz José Luiz Borges Germano da Silva. ______________ EIAC nº 97. Há prejuízos.53513-5. “Sem leito”. 13-110. “40% de São Paulo vive em área sem hospital”. Fed. AMS nº 95. diz Jatene. Rel. Rel. sim. AMS nº 95. Rel. n. a.09. o modelo implantado há 15 anos.12870-1. 2000. Trata-se de pretensão em obter.113891-9. Porto Alegre.2000. STJ. para todo o sistema como infelizmente o noticiário jornalístico constata. p/ o acórdão Juiz Volkmer de Castilho). O modelo SUS e a avaliação daOMS Prosseguindo com breve digressão. Rel. ainda. redução de 21%. Juiz Dirceu Almeida Gomes.04.  28 O IBGE informa que de 1992 a 1993 o Brasil perdeu 59. 1a Turma. Ministro José Delgado. Presidente do STJ. em decisões mais antigas. baixa hospitalar por conta do SUS.26  O Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Há precedentes que concedem tal possibilidade. Havendo pagamentos parciais.03. o Estado Democrático de Direito não permite a prestação de serviços públicos com diferenciação de “classes”. Adib Jatene. tal não se me afigura possível.  29 AMS nº 96. 40.10. Outra questão recentemente discutida judicialmente é o reajuste da Tabela do SUS em ação civil pública. À luz dos princípios da uniformidade e da legalidade. 26  27 Folha de São Paulo.08. em especial a Resolução nº 283/91. bem como da legislação de regência. os menos favorecidos não conseguirão um leito hospitalar. face à ausência de previsão orçamentária.97. via judicial.  30 Conforme nota da Folha de São Paulo. Rel.razoável a ordem de compra de medicamento estrangeiros experimentais ainda não incorporados à prática médica nacional.2000. mas ocupando acomodações da 1a classe. 199600134278. “É um escândalo”. STF. 25. na modalidade “Diferença de Classe”. 4ª Reg. Sentença de mérito da Justiça Federal. 31.412 leitos hospitalares. Trib. 12.04.  31 Recentemente o Ministro Costa Leite. 15.27  O que se poderia dizer é que não há previsão legal para tal modalidade. O argumento de que não há prejuízo para o SUS é falacioso. p.28  Por último. “Reajuste da Tabela do SUS é suspenso”.2000. 08.05. prestigiou a tese. STJ. em 17. concedendo o reajuste. onde se pede o reajuste de 9.04.01. Relatora Juíza Maria de Fátima Freitas Labarrère. também em decisão mais antiga.98. em 23.30  Verifique-se precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região sobre reajuste tabelas do SUS (Agravo SEL 2000.97.03. Resolução nº 283/91.10. A questão está submetida à jurisdição federal. 3a Vara Federal de Porto Alegre/RS. cassou antecipação de tutela do TRF-2ª Região.31  11.33096-7. 15.04. Ministro Moreira Alves. Rel. Folha de São Paulo.56%.

como principal mantenedora. O que está equivocado é o discurso oficial generalizado. Então. Rel. Em primeiro lugar. Ministro  34 R. salvo nos casos previstos em lei”. A Organização Mundial de Saúde o classificou em uma lista de 191 como um dos piores do mundo. há de se ter uma certa reserva com estes indicadores internacionais. “Acesso à saúde e educação”. Há. em segundo lugar.  35 HC nº 75215. Se houver desvios. n. evento Ajufe/Rio – II Encontro. É prudente considerar que há muitos interesses em jogo. de que basta transferir os recursos e se está transferindo toda a responsabilidade a Estados e Municípios. O SUS e a competência federal A União. Reg. face ao disposto no § 3º do artigo 199 da Constituição Federal de 1988. das grandes empresas estrangeiras prestadoras de serviços privados de saúde que. gestora.09. pelas notícias jornalísticas. Fed. mas é um indicador internacional sobre a situação dos serviços de saúde. Ministro Néri da Silveira. 13-110. é problema deles. Embargos em REsp nº 196982/PR. p. 4ª Reg. __________________________________________________________  33 Idéias lançadas pela esclarecedora conferência do Desembargador Federal Cândido Ribeiro. e por suas agências federais até o fim. Rel. tem “vedada a sua participação direta ou indireta na assistência à saúde no País. Os nossos indicadores sociais não são bons. em 28. 2001 91 . Porto Alegre. TRF-1ª Região.32  Pode-se questionar os métodos da OMS e a sua pesquisa pode não estar correta. A certeza é de que há necessidade de esforços para melhorar.na opinião de quem se debruçou em um estudo mais detalhado do que ora fazemos. até colocar o produto ou serviço nas mãos ou na pessoa do destinatário final. A União é responsável pelo Ministério de Saúde. reguladora e controladora do sistema não pode se omitir em seus deveres. Tendo o STF admitido a presença da União nas demandas referentes ao FGTS. pode-se concluir que não é mais necessário o “interesse jurídico”.33  12. em especial. a.2000. 12. não tem funcionado e irá à falência se não for feito um esforço para implantar melhorias. Pleno. é muito importante internalizar que a União não se libera de sua responsabilidade constitucional com a mera transferência de recursos. não é mais tão fácil buscar recursos junto à sociedade e. Trib. grandes distorções e uso equivocado dos recursos do SUS. 40.

A Lei nº 8. A saúde como um dever O artigo 196 da Constituição de 1988 inscreve a saúde como um direito de todos e um dever do Estado.90. n. 13.09. 32/154. Porto Alegre. em sentido contrário. 40. 36 92 R. O nosso federalismo tem características próprias. Reg. para questão envolvendo internação em hospital pelo SUS. Registra-se que há precedente anterior relatado pelo Ministro Moreira Alves. Secretaria da Saúde. 2001 . aí o interesse federal.37  14. Marlon Alberto.A nota que caracteriza e firma a competência da União e a impõe é a presença da competência concorrente como antes exposto. 13-110. pois o custeio do SUS é incumbência da União. O SUS e o federalismo brasileiro. Bíblia fonte inesgotável de inspiradoras visões. que sinaliza a competência federal. as ações e serviços de saúde executadas por pessoas naturais ou jurídicas de direito público _________________________________________________________ Néri da Silveira. 12. em obediência ao comando do citado artigo. ao regular. O SUS e o federalismo Concluindo. características decorrentes de nossa história diferentemente da norte-americana. Trib. Embora implique prejuízo da autonomia dos Estados e Municípios. 4ª Reg. Ministro Moreira Alves indica a competência estadual. mas ainda a supervisão de sua regular RE nº 207970/RS. Pleno. Deve ser mencionado que há precedente mais antigo que fixa competência esta-dual para a matéria. a.34  O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre a competência federal em algumas oportunidades e mesmo sendo referente a uma questão criminal a mais extensamente fundamentada. Ministro Néri da Silveira (desvio no âmbito estadual de recursos do SUS). p. Revista de Direito Constitucional e Internacional. de 19. Fed. 37 WEICHERT. caso de crime contra a CEF.36  O Eminente Ministro Néri da Silveira oferece fundamentos para a fixação da competência federal em três precedentes e há o precedente relatado pelo Ministro Sepúlveda Pertence com decisiva fundamentação.080. sendo que o raciocínio utilizado pelo voto ministerial se afigura aplicável às causas cíveis.35  sinaliza para a linha a seguir. e a supervisão na aplicação dos recursos. é de fazer uma breve referência sobre o SUS no contexto do federalismo brasileiro. não viola o núcleo do federalismo brasileiro.  38 Evangelho de João 5. marcadamente centralizadoras. À União incumbe a distribuição dos recursos. RECR nº 196982/PR.

no “bloco da saúde” (artigo 196 e seguintes) de deveres impostos aos órgãos públicos. encarar seriamente a saúde como um dever fundamental. R. no § 2o do artigo 2o. lembro de uma inspiradora visão bíblica38  que faz pensar nas condições em que são oferecidos os serviços públicos de saúde nos países do chamado Terceiro Mundo. ‘cegos. no sentido de tomar as iniciativas para “promover. participar. 2001 93 . sarava de seus males”. Direcionar os recursos de vinculação obrigatória.39  “o de ver regulamentada. de forma adequada. que: “O dever do Estado não exclui o das pessoas. tocando-as com sua asa. Antes de desenvolver as idéias relativas a este tópico e tentar identificar e fundamentar os diversos deveres que são impostos aos órgãos públicos e privados e às pessoas individualmente. faço um resumo das palavras do apóstolo João: “Estava Jesus a caminho de Jerusalém quando notou o lago de Betesda em volta do qual se reunia uma multidão de enfermos. O artigo 200. Porto Alegre. O primeiro doente que entrasse no tanque após o toque angelical.ou privado. 113. Nesta dimensão. a situação ______________ 39 BARROSO. A saúde como um dever fundamental do Estado A Constituição Federal de 1988 está repleta. utiliza os verbos controlar e fiscalizar. das empresas e da sociedade”. incrementar. A visão é dramática. ordenar. p. então. Impõe-se. estabelece. Luis Roberto. inspecionar e colaborar. p. 12. 40. Qual o papel da Justiça nesta questão. executar. quando ocasionalmente consegue agitar as águas. Não está tão distante da realidade. 15.. financiá-los. surge um direito subjetivo para o cidadão como anota Barroso. Trib. Reg. 4ª Reg. Vê-se que o leque de deveres é bastante amplo. acaba desequilibrando aqueles que esperam a sua vez de serem atendidos. O Juiz não maneja a espada com a delicadeza da asa do anjo. elencando as atribuições do SUS. 13-110. proteger e recuperar” a saúde por ações e serviços. n. fiscalizar a aplicação dos recursos. Obra citada. Fed. a. coxos e paralíticos’. mas inspiradora. esperando que se movessem as águas pois um anjo descia de tempos em tempos. da família.

racionalmente. é uma especificidade humana. pelo Ministério da ______________ BOFF. Trib. 12. no seu percurso temporal no mundo é cura”. Tendo a União. 1999. sobre a situação das pessoas com escolaridade média e que continuam a prestigiar o hábito de fumar ou consumir substâncias psicoativas. pela construção da própria dignidade pessoal. Cuidar-se. 4ª Reg.  42 Folha de São Paulo. exige educação. 235. 13-110. “Brasil é reprovado em qualidade de vida pelo Banco Mundial (não ampliou acesso à educação e saúde)”. Os Municípios que não instalarem serviços de atendimento materno e infantil e outros básicos violam a fundamentalidade do dever. esta também não é possível. Fed. p. Os dados do estudo são de 1995. também não é a que anula o direito”. “O ser. idéia tão bem desenvolvida por Leonardo Boff40  a partir de Heidegger. Nesta linha. Porto Alegre. Saber Cuidar. Parte I. diria. 262 e segs. Petrópolis : Vozes. Adiante se comentará como se vêm desenvolvendo as iniciativas públicas no cumprimento destes deveres. Martin. p. necessariamente.jurídica esboçada na Lei Maior.41  o filósofo do cuidado (cuidado deriva de “cura” do latim). poderíamos falar em uma “Selbstwirkung” os efeitos em si próprio das regras constitucionalmente impostas como deveres do Estado e erigidas em atenção à saúde individual. Utilizando a idéia do direito alemão. 16.08.42  O cuidado é uma constituição ontológica sempre presente “a tudo o que o ser humano empreende. Leonardo. da sociedade. 2001 . Reg. Vozes. 9. para o cumprimento dos deveres. A idéia de dignidade humana passa. Cuidar-se. a. obra citada. 18. por exemplo. das empresas. racionalmente. das famílias.2000. na não-aplicação dos recursos constitucionalmente vinculados a este fim. O cuidado é mais fundamental do que a razão e a vontade”. Para o ente público está imposto o dever de movimentar-se. então. A saúde como um dever próprio É o próprio cidadão o primeiro responsável pelos cuidados com a sua saúde. 43 Verificar Vieira de Andrade. A exigência de atenções por parte de terceiros reclama o inicial cuidado próprio. 40. questiona-se. A Lei nº 8.  40  41 94 R.080/90 di-lo com todas as letras: o dever do Estado não exclui o das pessoas. HEIDEGGER. é o fundamento para qualquer interpretação do ser humano. “Proibição de restrição desnecessária ou desproporcional. com a reserva do tempo razoável. É o “saber cuidar”. n. ed. Ser e Tempo. projeta e faz. exigível do Poder Legislativo”. A violação da fundamentalidade do dever referente à saúde radicaria. p.

No caso de autolesionismo. “O dever de cuidar-se como limite imanente do direito à saúde”. 214 (limites imanentes. ______________ Verificar Folha de São Paulo. 13-110. 40. A construção que se poderia fazer. 27. reclamando-se para tal a mediação legislativa e campanhas publicitárias motivadoras.  46 Folha de São Paulo. temendo-se uma explosão do problema”. o dos pais e responsáveis em levar os filhos menores às campanhas de vacinação. investido em campanhas publicitárias alertando para os malefícios de tais práticas. Apelação Cível nº 2000. a recusa da prestação do atendimento pelo SUS. esperar-se uma escolha mais racional de opções de consumo e estilos de vida. Reg. Na África subsaariana há a maior incidência de AIDS e Malária.104854-2/RS. a. colisão. É possível.46  poderia ser instituído o dever de fazer periódica contribuição ao Banco de Sangue? Suprir.  44 R. 22. 4ª Reg. José Carlos Vieira de. “Falta de sangue faz hospital limitar cirurgias”.2000. leis restritivas). mas o afastamento. “Utilização de rins de mortos cresce”. É uma questão que reclama construção.  45 Folha de São Paulo.080 ao próprio cidadão não estaria a recomendar uma atitude mais comprometida com a mantença da saúde própria? Certamente que sim. p. é a mesma da autolesão. identifica-se com nota de dever. considerando o grau de escolaridade do cidadão envolvido. Coimbra : Almedina. bem como a dificuldade em obter órgãos para transplantes. no caso de visita a locais considerados de risco. Os Direitos Fundamentais na Constituição Portuguesa de 1976.2000. p. Porto Alegre. “HIV provoca crescimento de casos de malária. reclama intermediação legislativa e ampla divulgação. n. em especial.04. seria razoável no futuro onerar os recursos e serviços públicos com a cura de moléstias diretamente relacionadas com os hábitos ou consumos nocivos.48  Encaminhando a questão da saúde como um dever próprio para uma conclusão. bem como com a necessária intermediação legislativa.09. Trib.Saúde. 12.47  a resistência dos parentes enlutados? Animo-me a pensar que sim. O estoque de São Paulo é para dois dias. 1998. O dever de prevenção imposto pela Lei nº 8.  48 Verificar precedentes envolvendo hemoterapia e responsabilidade do Hospital Público. 2001 95 . setor no qual se registra uma “lista de espera” de 30 mil pessoas. Relatora Juíza Maria de Fátima Freitas Labarrère. o exigir-se uma postura mais consciente e cuidadosa do cidadão. bem como de submeter-se à quarentena em caso de retorno de locais sabidamente comprometidos.09.01. e se faz. não há cobertura securitária. pode-se extrair das posições doutrinárias e princípios constitucionais envolvidos. Fed.43  Prosseguindo na identificação dos deveres.  47 ANDRADE. no mínimo. pela via legislativa. A obrigação dos viajantes em submeter-se à vacinação.44  Considerando a cronicidade de falta de sangue45  e a queda na coleta voluntária.

2001 .11. Jorge.04. Fed. quanto mais instruído o cidadão. data da elaboração do trabalho. mediante contratos de direito público ou convênios. 52 Em 10. a iniciativa privada sujeita-se inteiramente às regras estabelecidas pelo SUS. está aberta à iniciativa privada. conforme estabelece o artigo 199 da Constituição Federal de 1988. 12. em “Drittwirkung”.095390-1/RS). isto é. têm preferência constitucionalmente prevista as entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos. 40. Trib. Artigo do Dr. isto é. a dimensão à iniciativa privada 17.10.2000.01. não há necessidade de serem apenas atendidos pacientes do SUS. a. mais facilmente poderá vir a cumprir a fundamentalidade do dever de “saber cuidar-se”. observa-se que no regime da complementaridade. Porto Alegre. Rel. p. a dignidade da pessoa humana. Direitos Fundamentais e Interpretação Constitucional. 51 MIRANDA. Nesta vinculação ao SUS.01. Reg.2000.04. e aos limites impostos pela lei. Nesta esfera. Juiz Teori Albino Zavascki. a atividade suplementar também tem deveres relacionados ao “direito à saúde”. acusação de lesão doa SUS por administradores privados (1999. não impera a liberdade total.08. não verificamos alteração. 22. 4ª Reg. 13-110.no campo da proporcionalidade. vê-se que a iniciativa privada pode participar de forma complementar do SUS. Palestra proferida em Porto Alegre/RS. Verificar AI nº 2000. III. 49 50   96 R. no entanto. como os alemães. “não basta obrigar o poder público”. reflexionando o direito constitucional nas ______________ Verificar. Há modelos de hospitais universitários bem-sucedidos. Pelo § 1º. todavia. A atividade suplementar A assistência à saúde não é monopólio do Estado.1997. Vê-se o prestígio que se dá às instituições sem fins lucrativos.106152-2/RS. “Incor a consagração de um modelo”. 17. 18.49  18.1 Atividade complementar O artigo 199 da Constituição Federal de 1988 estabelece que a assistência à saúde é livre à iniciativa privada. A saúde como um dever. Na realidade. A atuação do segmento privado50  está sujeita aos preceitos constitucionais fundamentais do artigo 1o. sobre indisponibilidade de bens. Adib Jatene. Poderíamos falar. Folha de São Paulo. n. Neste campo e face ao § 2º do mesmo artigo.

ANS.  54 Folha de São Paulo. A atividade suplementar está regulada pela Lei nº 9. assim dimensionadas: as de Medicina de Grupo. Editorial. Criou-se a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Artigo de Januário Montone. Sobre “agências públicas”. uma autarquia federal e se estabeleceu o início da regulação do setor. atitude altamente democrática. “Saúde Fora do Plano”. Maria Aparecida Fernandes.relações privadas. Reg. em cumprimento do disposto no artigo 197 da Constituição Federal de 1988. Note-se que 12% das operadoras concentram 80%55  do mercado.  56 Folha de São Paulo. e abaixo relacionadas. ao Sr. dispondo-se ao diálogo. Geraldo Biasoto. observando______________ Nesta altura deste estudo impõe-se dizer que o Sr. Porto Alegre. a autogestão pública. é esclarecedor o quadro apresentado pelos palestrantes mencionados na nota de rodapé e. 08 set. as cooperativas. 2001 97 . 13-110. Gonzalo Vecina Neto.53  na sua função de polícia. de ordenamento econômico e de ordenamento social. e trazendo conhecimentos e informações. reproduzido pela imprensa.5 milhões de pessoas associadas a planos de saúde.724 operadoras com registro provisório. Renilson Rehem de Souza.09. 53 R.54  onde se verifica que há um total de 43. Ministro da Saúde. sendo. bem como técnicos e diretores das diversas agências.ANS Convém aqui fazer uma breve digressão. a.52  A referida lei. Trib. 04 out. 2000. procurando clarificar alguns aspectos pela sua novidade. 12. Ministro e Drs. As operadoras estão. em meados de setembro de 2000.2000. consultar Maria Sylvia Zanella Di Pietro. 2000. em parte. sendo credores de admiração e elogios. Página C1.656/98 e pela Medida Provisória nº 1. regular a saúde oferecida pela iniciativa privada. naturais as resistências e compreensíveis as dificuldades por que passam os pioneiros implantadores das agências reguladoras. Curso de Direito Administrativo. Hélio Gil Gracindo. Januário Montone. Ajufe.359 planos de saúde registrados na ANS e 2. 2000. Fed. Atlas. Diretor ANS. Mauro Ricardo Machado Costa. Claudio Duarte. A Agência Nacional de Saúde Suplementar . Fazendo um brevíssimo resumo do segmento abrangido pela regulação e fiscalização da ANS. p. veio disciplinar. 4ª Reg. expondo-se às críticas. Note-se que este segmento do mercado opera por quase 30 anos sem qualquer ação sistemática do Estado. e 26. n. Sady Carnot Falcão Filho. pois. Folha de São Paulo. Barjas Negri. 40. Internet.51  19. a autogestão privada e as seguradoras. José Serra. compareceram a um evento promovido pelas Associações do Ministério Público Federal e dos Juízes Federais. 19.  55 Ver site da ABRAMGE.665. “Situações dos Planos de Saúde no Brasil”.

Não são informados nomes. Neste aspecto. a. ajustando-se às recomendações expedidas. por parte dos órgãos públicos e também do Judiciário. 2001 . A agência ANS. a implantação do ressarcimento ao SUS. a decisão é da 2a Seção do STJ. “Se a doença é coberta pelo contrato não se mostra razoável a limitação a seu tratamento. n. p. na medida em que pacientes com planos privados são atendidos pelo SUS. defesa com os recursos a ela inerentes. de controle e de solidariedade. bastante vulnerável. isto é. 36.8%. não é possível invocar-se o sigilo ou segredo médico. o rural é 1.56  A agência ANS tem como política de impacto. impõe-se deveres às operadoras e.” A operadora foi a Golden Cross. O dever de informar Neste campo da atividade suplementar. 35. aberta à iniciativa privada. A função reguladora poderá ser de prevenção. Está na faixa de rendimentos inferiores a 10 salários mínimos e na faixa etária de 40 anos. p. pois.-se que a modalidade de “Cartão de Descontos”. a ANS deve também atuar em defesa do consumidor.  59 Recentíssima decisão. 10/2000. É majoritariamente urbano. Fed.9%. o que sugere um processo de exclusão do idoso. se encaminha por fulminar as cláusulas limitativas de procedimentos e cobertura sem o devido destaque. Reg. que vem crescendo. 57 98 R. mas códigos. Min. a jurisprudência. Trib. O poder ______________ O consumidor tem a defesa genérica do Código do Consumidor e a específica administrativa da Agência Reguladora. 4ª Reg. não entende a relação com a rede que lhe presta o serviço. critérios diversos de molde a diferenciar as cooperativas de serviços médicos das grandes seguradoras e da Medicina de Grupo. só 6% estão acima de 65 anos. em especial. 40. modo geral. As empresas operadoras têm o dever de exibir à agência reguladora os seus contratos. Na questão das operadoras. n.  58 Revista do Direito do Consumidor. de sua parte. Sálvio de Figueiredo. O consumidor destes planos não tem o domínio sobre o produto que lhe é oferecido. Porto Alegre.57  As regulações podem ainda ser técnicas ou operativas e de fomento. tem o dever de assegurar o contraditório às operadoras. seria desejável que houvesse.58  Considerando que a agência é depositária de prerrogativa legal igual à da Receita Federal. face às divergências anteriores. 12. Embora não esteja plenamente reconhecido. 20. o dever de prestar informações à ANS e ao consumidor. é. 13-110. 310. ainda não é considerado integrante do sistema. Rel.

p.55333-0. 2001 99 .02.91. a saúde e o lucro. a eventual suspensão preventiva de novas vendas de planos. não serão exigíveis hipóteses claramente excluídas dos contratos privados.00.2000. pelo que se pode verificar. há um precedente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. DJU de 07.geral de cautela. Ministro Ruy Rosado de Aguiar em 09.  60  61 R. como elemento garantidor da saúde pública. anulando licitação e contratos na questão envolvendo o Canal da Maternidade e a estação de tratamento de água de Rio Branco.04. AC nº 1999. ______________ Apelação Cível nº 96. vetando a limitação dos dias de internação. A ANS tem o dever de agir procurando harmonizar o aparentemente inconciliável. planos mais econômicos não sustentam tecnologias de ponta ou situações extraordinárias. O INSS. 40. Sobre exclusão da cobertura de plano de saúde. a precaução e o Código do Consumidor legitimam.60  estabeleceu-se que o INSS e operadora de Plano de saúde na modalidade de autogestão pública (FUNCEF) não podem discriminar homossexuais e seus companheiros e companheiras em questões referentes a benefícios pecuniários e serviços de saúde. no mesmo sentido.11. 2a Turma.68900-9/AC. Não se estão prestigiando as letras miúdas de rodapé. Trib.61  Na vertente do saneamento básico. em imediato e correto atendimento à ordem judicial.010. Fed. 13-110. Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Em precedente originário do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 4ª Reg. a. Reg. Na questão do tratamento médico no exterior. Em qualquer caso. com fundamentação também na dimensão do direito à saúde. AMS nº 1998. n. Rel. em face de discordância com o agir da administração. na presença da possibilidade de grave dano ao consumidor. Não sendo exigíveis do SUS tratamentos não previstos na legislação e regras regenciais. Relatora Desembargadora Federal Assusete Magalhães. regulamentou a situação mediante portaria. mas as regras claramente estabelecidas.0007673-/ DF. verificar o precedente REsp 2290078/SP.59  em especial. bem como na questão dos reajustes abusivos. pois há uma realidade que não se pode obscurecer. Porto Alegre. isto é.010. negando a ordem para débito à conta do SUS. 12. Desembargador Federal Luciano Tolentino Amaral. do mesmo Relator o AMS nº 01000637528. desrespeitantes da percentagem estabelecida pela ANS. a operadora tem asseguradas as vias judiciais. O Superior Tribunal de Justiça já registra precedentes favoráveis aos consumidores dos planos de saúde.

com consistente fundamentação para negar a internação hospitalar pelo SUS com “diferença de classe na AMS nº 96.02. em face do asseguramento a todos do Direito à saúde. Relator Desembargador Pedro Rotta. invocando o direito à vida em tratamento de caráter emergencial. O Tribunal Regional Federal da 2ª Região. em transfusão sangüínea pelo SUS. Fed.028336-2/RS.09253-7/RS. em 10.A dedução de despesas com aquisição de óculos e lentes de contato para efeitos de Imposto de Renda foi permitida em decisão na AGA nº 1999. omissão do Estado na área da saúde. O cigarro e as perdas. reconhece direito de saque do FGTS para atender despesas com saúde. a. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.12. concedendo a liberação de cruzados novos bloqueados (Plano Collor) para assegurar vida digna e tratamento de saúde aos doentes e idosos. isto é. Trib.04. “pelo simples fato da ação se tratar de Direito à saúde”. 4ª Reg. 26/314. 100 R. o controle da inflação ______________  62 Verifique-se Folha de São Paulo.02. Relator Juiz João Surreaux Chagas. v. Ministro José Serra.95. 2001 . Precedentes do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.10.00554055-1. AMS nº 96. RTRF 4ª Região. na AC nº 97. 18.24798/RJ. em 17. O torrencial número de liminares deferidas pelos juízes federais. reconhece a falta do serviço público médico.07789-6/ RJ. 12.10. condenando a União a ressarcir despesas. tendo como Relator o Desembargador Federal Chalu Barbosa. 2a Turma. Reg.01. 40.04.97. 13-110. em 05.96. Porto Alegre. AC nº 93. Precedente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Juiz Francisco Falcão. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Relatora a Desembargadora Federal Tanyra Vargas.10. reconhecendo a fundamentalidade do direito. concedeu pensão mensal a menor contaminado pelo vírus HIV. com inspirada fundamentação em face de Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público Federal da 4ª Região.2000. reconheceu a obrigação de indenizar decorrente do mau funcionamento dos serviços de saúde do INAMPS. Precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. n. Determinada extração de peças para instauração de inquérito policial. deixou sedimentado nos anais jurídicos nacionais que os planos econômicos não se sobrepõem ao direito à vida e à saúde. p. Relatora Juíza Tania Terezinha Cardoso Escobar.

Introduzindo esta questão. decisão mantida pelo AI nº 1998. Trata-se de regulação com o objetivo de controle e prevenção. e enfrentando ainda na dimensão da saúde como um dever do Estado e também dos particulares vinculados às atividades mencionadas nos campos ocupacionais abrangidos pelos itens do artigo 200 da Constituição Federal de 1988. 2001 101 . Trib. a. 65 TEIXEIRA. o terror é imenso. n. 13-110. A saúde como um dever . pulgas e ratos. Ação Civil Pública para impedir a comercialização de carne alegadamente contaminada (carne de Chernobyl) face aos riscos à saúde pública e face ao asseguramento de saúde como um direito de todos e dever do Estado (TRF-4ª Região. Ano 2000. Rel. e veio da Ásia aos portos venezianos e genoveses. na pista dos nossos Medos. e o cumprimento de seu dever fundamental em relação à saúde. teve concedida liminar de caráter nacional. R.01. que fundamentou o seu voto no direito à saúde dos não-fumantes. p./ mar.018/97 expressamente ter permitido a prática. Transmitida por parasitas. examinamos agora a atividade de vigilância sanitária. Georges in Ano 1000.018/97.078679-2/RS. Rotavírus já matou 15 crianças no Acre./1998. Maria da Glória et alii. pelo fato do Decreto nº 2. Reg. A campanha antitabagista ganha a adesão ministerial. TRF-4ª Região. AC nº 89.63  em estudo que realizou sobre as epidemias e medos vigorantes no ano 1000 entre as populações européias. O Medo das epidemias. 12. Juiz Cal Garcia). uma referência histórica: 21. 40.1 A questão da saúde no primeiro milênio Registra Duby. VII. Porto Alegre. 4ª Reg. 63 64 66 Verifique-se Folha de São Paulo.62  21. O único recurso é o sobrenatural. jan.01659-2/RS.2000. Seleção das doenças de notificação compulsória. IESUS. Relator Juiz José Germano da Silva.04.10. ao abrigo da proibição da Lei nº 9.294/96 e do artigo 5o do Decreto nº 2. ______________ DUBY. 18. Superado o argumento da União de intromissão indevida do Judiciário na Administração. que o estado sanitário da Europa era comparável ao da África negra em 1900 e “Diante de um mal desconhecido. Ação Civil Pública para proibir o uso de substâncias fumígenas em aeronaves. Fed. Unesp.04.deve pautar-se por não violá-los.a vigilância sanitária Prosseguindo.

09. Feito este registro e constatando que no 1o milênio já se erigia a notificação compulsória como um dever. Inscreve-se o ato notificatório como dever dos agentes laborantes nos serviços de saúde em benefício de toda a coletividade e da ordem sanitária. Portaria Ministerial. e Veneza. Dengue. redução do risco de doenças. p.64  Nas cidades não era mais possível enterrar os mortos. Doença de Chagas. Porto Alegre. a questão vem focada na Portaria nº 993. Raiva. persiste entre nós a obrigatoriedade de notificar a ocorrência de determinadas doenças. Tétano. Sarampo. onde até Rui Barbosa se voltou contra a vacinação compulsória. Fed. a primeira lista de doenças de notificação compulsória e. por ocasião das chamados “bailes funk”. Trib.2000. Febre amarela. artigo do médico José 67 102 R. o que leva à convicção de que ainda estão no primeiro milênio. eram jogados sem mortalha em valas cavadas às pressas. “A luta contra o tabagismo”. de 04. É de triste lembrança a Revolta da Vacina no Governo Rodrigues Alves. 13-110.67  Atualmente. Poliomielite. lá realizou-se a Primeira Conferência Sanitária Internacional. ______________ Doenças sujeitas à notificação compulsória. Cólera. AIDS. 68 Risco sanitário é noticiado pela imprensa do Rio. em uma primeira abordagem é possível concluir a antiguidade deste dever fundamental. Tuberculose. 40. Hanseníase. especialmente com o crescimento de doenças na África e nos países menos desenvolvidos. A situação tornou-se especialmente grave em 1347 por ocasião da peste negra. Meningite.66  22. No segundo milênio. mediante legislação introduziu um dever referente à saúde. 2001 . As cidades de Veneza e Gênova foram as primeiras. Difteria. Durante o Verão de 1348. que divulga lista de doenças sujeitas à notificação compulsória. a ordem pública sanitária Considerando o disposto no artigo 196 da Constituição Federal de 1988. um terço da população européia sucumbiu. O dever de notificar e a segurança coletiva. 4ª Reg. Reg. n. Malária. O macabro instalou-se na literatura. em 1377. Peste. em 1851. 69 Verifiquem-se dados publicados pela Folha de São Paulo.Ondas de mortalidade grassavam e refluíram tão misteriosamente como haviam aparecido”.65  Assim. a. é de lembrar que as providências sanitárias no Brasil nem sempre se desenvolveram de forma tranqüila e sem contestações. 12. os noticiários trazem preocupação crescente.

40. etc.70  acabou por ser reconduzida a parâmetros de maior apuro estético e eficiência. a engenharia genética.2000.294/96.23. afinal. restringindo a propaganda de medicamentos no Brasil.71  26. DJU de 16. O dever da propaganda ética e estética Outro registro é sobre o controle das doenças sexualmente transmissíveis pelo uso de preservativos. Noticia o propósito de editar-se Resolução via ANVS. havendo. Lei n.01. parece que não há argumentos para superar a soberana salvação da saúde pública. § 3º. em 29. O Decreto-Lei nº 986 é o suporte legal. a Lei nº 5. TRF-4ª Região. a. Relator Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia.04. II.032458-6/RS. 72 Folha de São Paulo. Fed. O propósito do Ministério da Saúde de proibir a propaganda de cigarros recebeu parecer contrário na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara. artigo 220. os cosméticos que prometem transformações (tirar rugas. 16 out. 9. 12. manchas).2000. Presidente do Comitê Controlador do Tabagismo no Brasil. ainda.69  e do direito à saúde. Reg. 73 As vitaminas. e § 4º. Dever de legislar – acompanhando o progresso científico No aspecto do controle sanitário verifica-se que até o presente se estrutura com base em legislação da década de 1970. Trib. 2000.10. 70 R.08. 4ª Reg.991/73 a propósito do _________________________________________________________ Rosemberg.06. 2001 103 . inicialmente alvo de críticas de toda ordem e inclusive demandas judiciais reparatórias por alegado dano moral. Resolução limita propaganda de Remédio. 71 Verifique-se Folha de São Paulo. O dever de instrumentar subsídios técnicos em defesa da saúde pública Há em andamento a batalha antitabagista que enfrenta forte oposição de alguns setores dos meios de comunicação que. e esclarecimentos e boas campanhas publicitárias conduzem as populações a se convencer de que realmente é necessário a tomada de medidas preventivas tendentes a evitar os graves danos à saúde. os nutracêuticos. fundamento legal. O dever de esclarecer A condução da questão sanitária realmente evoluiu no caso da vacinação. Porto Alegre. 25.   Ver AC nº 2000. necessitam ser convencidos. inc. A propaganda governamental. 16. n. p. cumprindo aos 84 anos o seu dever. 68  24.2000. e constitucional. julg. 13-110. Nesta questão.

farmacêuticas e alimentares ingressavam no cotidiano das pessoas. O Brasil.73  sendo urgente uma atualização legislativa para facilitar e aperfeiçoar a atividade da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 27. As autorizações para o funcionamento de estabelecimentos sujeitos ao controle sanitário e são feitas pelo Município. face às suas dimensões continentais. tendo em vista a atuação dos agentes sanitários estaduais e municipais. não pode centralizar ou concentrar estas atividades. com repasse de recursos federais para a verificação de riscos sanitários. p. 12. O Estado-membro também exerce atividade de vigilância sanitária.2000.08. A União está autorizada a intervir no caso de urgência sanitária. pois inúmeras novidades tecnológicas. O dever de evitar o risco sanitário Nesta faceta do dever como relação à saúde. Fed. a. sendo. a Lei nº 6. A ANVS faz o controle finalístico e realiza o registro federal para os artigos que a lei submete a tal registro. fazendo “termos de ajuste”. o risco é gerenciado. Bem de ver que sempre os medicamentos ou atividades terapêuticas ou estéticas envolvem riscos.792/99. “Polícia Federal fecha laboratório da ecstasy em São Paulo”. que foi criada pela Lei nº 9. 40.360/76 para o comércio de medicamentos e o Decreto nº 79. A produção nacional de drogas ______________ Folha de São Paulo.  77 A questão é apenas objeto de auto-regulação pelo CONAR.comércio varejista de alimentos. o sistema sanitário uma rede complexa. há de se lembrar que a União pode e deve intervir quando se verificar o perigo ou risco sanitário. Porto Alegre.094. O primeiro modelo de legislação sanitária está na Bíblia. 2001 . 19. O papel básico da ANVS é de auditoria no sistema. O dever de atuar surge no caso de ultrapassada a situação gerencial. não há ausência de riscos. 13-110. 74 75 104 R. com os Estados e os Municípios. n. fica mais tênue a questão da competência federal. assim.72  Constata-se o verdadeiro esforço interpretativo que deve ser feito. que regulamentou esta última.  76 Uma questão antiga é a das vítimas da talidomida. caso recente a falsificação do remédio Androcur. medidas preventivas contra a lepra. Trib. Levítico XIII. Reg. A agência “ANVS” vincula-se por “contrato de gestão” ao Ministério da Saúde. especialmente considerando a origem múltipla dos recursos dirigidos a esta finalidade. São relativamente recentes as apreensões de medicamentos falsos como as pílulas anticoncepcionais e antibióticos. 4ª Reg. Nesta seara.

Porto Alegre. a presença do farmacêutico tem fundamento legal e técnico e se insere no genérico dever de proteção à saúde pública. Reg.  80 SHOR. Na verdade. AI nº 2001. A Lei nº 3.820/60.011377-4/RS.  76  28. 13-110. não é assim. fixa a competência da vigilância sanitária estadual.75. Trib. prática que se generaliza. 78 R. Mediante intermediação legislativa. 27. 12. conclui-se que aqui há muito espaço para práticas puramente comerciais. 40. Anote-se que a Lei nº 5. Nestor. Caderno Mais. como receituários especiais até para colírios e analgésicos. considerando sempre a competência do Conselho de Farmácia.  MP 2134-27/2001. MP nº 2039-20/2000.sintéticas psicoativas e sua distribuição.74  também demanda a atuação da ANVS e do DENARC. Basta refletirmos que se para a compra de qualquer medicamento no exterior há enormes exigências. Rel. n.170/74. Leitão de Abreu (examinava o Decreto nº 74. Fed. a. estas “ofertas” poderiam ser restringidas. Inúmeras demandas judiciais procuram liberar os estabelecimentos das exigências do Conselho de Farmácia e Secretaria Estadual de Vigilância Sanitária.2000. Folha de São Paulo. 79 Recente Medida Provisória. atualmente artigo 11. pois elas atuam na ignorância do consumidor que não sabe que a automedicação causa incontáveis malefícios. propagandas abusivas Fazendo uma reflexão sobre a possibilidade de impor deveres a serem cobrados dos particulares na questão e sob o enfoque de direito à saúde.04.07. artigos 15 e 44. RE 87200-SP. Precedente TRF-4ª Região. p. Min. 79  ______________ O TRF-4ª Região tem precedentes majoritários que não fazem esta limitação.991/73. a do Conselho de Farmácia. Unifesp. Medicina alternativa.77  29. O dever de coibir práticas abusivas: oferta de medicamentos pelas farmácias. artigo 10.01. sob a alegação de serem meramente corporativas. 4ª Reg. há a prática bastante comum de ocorrer “oferta de remédios” pelas farmácias. 2001 105 . O dever de exigir a presença de farmacêuticos Outra questão é a presença contínua de farmacêuticos nas farmácias e drogarias.78. alargou a exigência da presença contínua de farmacêuticos também para os distribuidores de medicamentos reeditando exigência já declarado não-razoável pelo STF.

estaria a recomendar atuação fiscalizatória municipal. impulsionaram a edição da Lei dos Genéricos – Lei nº 9. A comunidade científica não tem poupado críticas e seria de se esperar que a ANVS dirigisse um olhar mais investigativo e crítico para estas atividades. A ausência de embalagens sofisticadas.656/1998. drenagem linfática. 31. da Secretaria de Vigilância Sanitária. 1. foram concedidos 150 registros para 60 drogas. com a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO.99. em geral. Urinoterapia.01.04. mesoterapia. 4ª Reg. que proibiu a manipulação de retinóides. Não são raras as ocorrências letais envolvendo estas terapias. Reflexologia. a Portaria nº 97/97.108463-3/RS. n. A idéia é a de que a cópia e o original sejam absolutamente intercambiáveis. OPERADORES DE PLANO DE SAÚDE. Cromoterapia. 40. Porto Alegre. Reg. de 10. O dever de investigar as terapias alternativas O aumento da procura por terapias alternativas é creditada pelos estu-diosos80  à ignorância da população e ao fato de a medicina não dar conta de todas as doenças. Cura prânica. pois enquanto o trabalho médico é mal remunerado. para que as operadoras de planos de saúde e seguros privados de assistência à saúde forneçam os dados cadastrais 81 106 R. lipoaspiração e outros sem prescrição médica ou farmacêutica. São práticas deste jaez a Aura-Soma. Atualmente. 12. Reike. 2001 .02. a. Trib. A determinação contida na Portaria nº 271/1999. Iridologia. p. 13-110. Não se entende. incluídas no RENAME – “Relação Nacional de Medicamentos Essenciais”. O dever de investigar as terapias estéticas A vulgarização de práticas como o bronzeamento artificial.30. objeto dos artigos 20 e 32 da Lei 9. isto é. Relatora Juíza Marga Barth Tessler. enormes somas são gastas pelos carentes de saúde e esperança sem os resultados prometidos. sem um responsável técnico ou em local adequado. o barateamento do custo do produto essencial é uma necessidade dos países pobres. então. Fed. A produção no Brasil era monopolizada por um laboratório internacional e pela manipulação por farmacêutico ______________ Verifique-se AI 1999. DEVER DE INFORMAR.787. 32. O dever de incentivar a produção de medicamentos genéricos O alto preço dos medicamentos e a submissão do consumidor a posições monopolíticas da indústria farmacêutica internacional.

responsável se obtinha o produto, destinado ao tratamento de câncer de
pele por um terço do preço. Há precedente do Tribunal Regional Federal
da 4ª Região prestigiando a Portaria, AC nº 1998.04.069818-0/SC, sob a
visão da precariedade do direito à manipulação de fórmulas. Não posso
concordar com a tese da precariedade, até porque a tendência é de se banir
a precariedade das relações de administração. Há, todavia, precedente
que autoriza a manipulação, considerando o direito à saúde e a irrazoabilidade da proibição (Apelação Cível nº 2000.04.01.082463-7/RS).
33. O dever de prestar informações estatísticas e cadastrais
A legislação de regência impõe aos operadores da área de saúde a
obrigação de prestar informações cadastrais e estatísticas, não havendo
sustentação na negativa – Lei nº 9.556/98, artigo 20, Portaria nº 271. A
obrigação fundamenta-se como um dever em relação ao direito à saúde,
não sendo invocável a preservação do sigilo de terceiros. Há, todavia,
precedente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sentido contrário, AGA nº 1999.04.01.108463/RS. Em sentido oposto, obrigando
prestadora de serviços a informar, existe precedente mais recente.81 
34. A faculdade de prescrever: a prescrição médica
Intimamente ligada à prática de a medicina, não há como limitar,
restringir ou dirigir o ato da prescrição médica. É a liberdade técnica e
científica do profissional até porque é ele o único responsável pelo medicamento que receita, em caso de equívoco ou erro médico. O dever dos
órgãos públicos e das operadoras inclui, certamente, retribuição digna
ao profissional médico e seus auxiliares. Não se concebe que o cumprimento do dever com a saúde se sustente no aviltamento da retribuição
paga ao médico.
35. O dever de auditar: auditoria no SUS e nos
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dos seus beneficiários ao Ministério da Saúde, não viola direito de sigilo de terceiros.
2. O dever de não informar não existe, ao contrário, o dever de informar é que está implicitamente previsto
no artigo 197 da Constituição Federal de 1988.
3. Agravo de instrumento improvido.”
82

Jornal da ANPR, 15. Brasília.

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 13-110, 2001

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gastos públicos, dever da União
A Emenda Constitucional nº 29, de 13.09.2000, acrescentou o item III
ao § 3º do artigo 198 da Constituição Federal de 1988, no sentido de que
a Lei Complementar é que instituirá as normas de fiscalização, avaliação
e controle de despesas com saúde. Lembre-se que, neste particular, a
atuação competente e efetiva do Ministério Público Federal,82  por seu
Eminente Procurador da República/DF, Humberto Jacques, resultou na
criação do SIOPS – Sistema de Informações sobre Orçamento Público
da Saúde –, vinculado ao Ministério da Saúde. O sistema permite saber,
afinal, o montante gasto com saúde no Brasil.
36. Sindicabilidade dos gastos com saúde
Saliente-se que poderíamos pensar que os gastos com saúde, as
opções administrativas feitas nas três esferas governamentais seriam
insindicáveis, judicialmente voltadas que estariam sobre critérios de
conveniência e oportunidade.
Refletindo sobre a questão, transparece claro que tudo o que tem custos
para o contribuinte é sindicável. É questão de educação e de um olhar
atento e comprometido em concretizar ao máximo o prometido direito à
saúde previsto na Carta de 1988. Gastos suntuosos, despropositados83  e
destoantes da realidade dramática que nos toma de assalto, não poderão
ser prestigiados.
Tudo o que tem custo para o contribuinte é sindicável judicialmente,
todas as opções das autoridades públicas dos três entes da federação
estão sujeitas ao controle de mérito, finalístico. As opções devem atender razoavelmente os princípios constitucionais fixados, sendo, neste
particular, decisiva a lição de Juarez Freitas em obra fundamental sobre
a matéria.84  “O intérprete constitucional, sabedor de que os princípios
constitucionais jamais devem ser eliminados mutuamente, ainda quando
em colisão ou contradição cuida de conciliá-los”.
CONCLUSÃO
Para concluir estas reflexões sobre o direito à saúde, na dimensão de
um dever, com certeza há relevantes argumentos a sustentar este dever,
na sua fundamentalidade, dever do Estado, dever das pessoas, da fa108

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 13-110, 2001

Primer Congreso de Magistrados Federales.
Argentina, Brasil y México.
Florianópolis, 2001
Declaración
En la ciudad de Florianópolis, el 23 de mayo de 2001, concluyeron
las sesiones del “Primer Congreso de Jueces Federales de los Estados
Unidos Mexicanos, la República Argentina y la República Federativa de
Brasil”, con la concurrencia de jueces de distintas jerarquías de dichos
países, con competencia federal.
Los asistentes tuvieron en cuenta especialmente, los lazos de hermandad entre sus patrias, la analogía de sus funciones, el cambio de
experiencias mantenido y las ideas expuestas por los miembros de las
distintas delegaciones nacionales.
Consideraron las dificultades que afectan al servicio de justicia, las
nuevas cuestiones producidas por la creación de instituciones de control
y gestión externas a los Poderes Judiciales, las necesidades de capacitación de todos los agentes judiciales, la conveniencia de un mayor uso
de los recursos informáticos, las menesterosidades presupuestarias, las
transformaciones operadas en diversas áreas - entre las que se tuvo particularmente en cuenta la protección del ambiente -, y otros problemas
comunes.
Concluyeron en la conveniencia del fortalecimiento efectivo del Poder
Judicial, en cada uno de los respectivos ordenamientos institucionales,
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con la debida atención de sus necesidades materiales, la promoción de
una imagen positiva y veraz de la actividad que desarrollan los jueces
en general, y positiva y veraz de la actividad que desarrollan los jueces
en general, y señaladamente las magistraturas federales, a las que corresponde asegurar una concreta unión nacional y la preservación de la
paz social, especialmente en una época rica en novedades y cambios, así
como proveer soluciones que eviten males futuros.
Como medidas a adoptar en lo inmediato, asumieron la difusión de las
deliberaciones y conclusiones, en los países propios, y la organización
de nuevos Congresos de jueces federales, dejando asentado los asistentes de México y la República Argentina, su disposición a recibirlos para
tales eventos.
Ratificando la histórica fraternidad entre sus pueblos, suscriben la
presente, en sendos ejemplares en español y portugués, en representación, respectivamente, de los jueces argentinos, brasileños y mexicanos
asistentes, el Doctor Sergio Dugo, Juez de la Cámara Federal de Apelaciones de La Plata, el Doctor Vladimir Passos de Freitas, Corregidor

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ACÓRDÃOS

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Branca

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DIREITO ADMINISTRATIVO

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Luís Inácio Lucena Adams EMENTA Direito Constitucional.04. 40. em norma infraconstitucional. Aplicação do método interpretativo de concretização. Fed. O art. 4ª Reg.APELAÇÃO CÍVEL Nº 1998.030971-0/RS Relator: O Exmo. Por se tratar de Constituição aberta. Fabricio Touguinha de Castro e outros Dr. 2001 115 . Extensão dos benefícios do art. Reg. a. este. Trib. Juiz Edgard Lippmann Apelantes: Jorge Correia Karan e outros Advogados: Drs. pelo método interpretativo de concretização. integrantes do chamado “Batalhão de Suez”. a norma constitucional interpretada é concretizada para se estender os benefícios a todos que comprovem que R. Porto Alegre.01. é de se concluir que o Constituinte pretendeu beneficiar aqueles que participaram – efetivamente – de operações bélicas. 12. 53. p. 111-405. 53 do ADCT prevê benefícios aos cidadãos que se enquadrem no conceito de ex-combatente. ADCT aos apelantes. sendo desnecessário constar do texto em comento em que situação histórica tal participação se deu. Luciano Rohde Apelada: União Federal Advogado: Dr. n. Juiz Alcides Vettorazzi Relator p/Acórdão: O Exmo. Ferimento da isonomia. Sr. Sr. insculpido. Assim.

então. corrigidos monetariamente e acrescidos de juros de mora fixados em 1% ao mês. Trib. a cargo da vencida. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. ao fundamento de que. sentença (fls. Relator p/Acórdão. Ou seja.. p. 40. nos termos do relatório. 53 do ADCT). mas a própria repercussão das respectivas conseqüências físicas e psicológicas nos ex-combatentes que efetivamente tomaram parte nas operações na Itália e seus familiares. pela concessão de benefício especial. portanto. José Luiz Antunes Pereira e Totil Ramos Oliveira dos Santos apelam da r. concretizado. Porto Alegre.) a apreciação da questão não refoge à análise das peculiaridades próprias à guerra que acabou ensejando a contemplação de benefício assaz vantajoso em sede constitucional (art. 107/110). 12. Reg. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. como forma de evitar que o dispositivo constitucional em apreço venha a ferir um princípio maior da Carta Constitucional – a isonomia.(. Condenação da ré no pagamento dos atrasados requeridos. Hélio Ignácio dos Santos. a. dar provimento à apelação. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 111-405. Porto Alegre. 4ª Reg. Sr. resta evidente o próprio reconhecimento da ausência de base legal ou constitucional à almejada pensão especial. Juiz Alcides Vettorazzi: Jorge Correia Karan. Apelo provido. 15 de dezembro de 2000. n. que resultou em várias baixas às Forças Armadas nacionais. Juiz Edgard Lippmann. Honorários advocatícios de 10% sobre o valor da condenação.efetivamente participaram de operações consideradas de guerra. por maioria. legitimaram o reconhecimento da Nação àqueles heróicos participantes.. independentemente de eventual invalidez e até acumulável com aposentadoria ou pensão previdenciária. enquanto os autores deduzem seu pedido com base na aplicação analógica da legislação que contempla o direito ao pretendido benefício apenas aos ex-combatentes que atuaram efetivamente na 2ª Guerra Mundial. quando não apenas sua magnitude e duração. RELATÓRIO O Exmo. no que se acaba revelando absolutamente legítima. “pode-se depreender que. a interpretação restritiva de que o STJ se vem servindo quando da apreciação de lides e envol- 116 R. Elio Marino. 2001 . vencido o Relator. foi a excepcionalidade da Segunda Guerra Mundial que levou o constituinte à extensão das vantagens próprias àqueles combatentes. Fed.

111-405.737-CE.12. pensão especial a ex-combatente. diga-se de passagem. subiram os autos a esta E. 2001 117 . p. (por trecho da ementa referente ao julgamento do MS nº 91. acórdão publicado no DJU de 02. para fins dos referidos diplomas legais. objeto ora pleiteado. levando-se em conta a igualdade que aos cidadãos é merecida. Dispensada a revisão. n. ‘Batalhão de Suez’ é taxativamente inconstitucional e dizer que não existe lei que ampare seu direito à pensão especial. 12. aquele que apenas participou de patrulhamento do litoral brasileiro. e que é direito de todos. Corte. nº 129. R. só se elege como tal.” Com contra-razões (fls. Do mesmo modo. Sr. 40.315.67. também passou. que bem serve à presente hipótese. 4ª Reg.vendo pensão especial militar com fulcro em legislação de guerra. a.91.. Nas razões de recurso (fls. justo seria aplicar-se a estes militares do 20 º Contingente. p. cidades arrasadas e sofrendo baixas em suas fileiras. não se pode falar em não estender aos Apelantes os benefícios concedidos aos igualmente ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial. os apelantes/autores alegam. nos termos da Lei nº 5. 53. condenando-os de verba honorária em 10% sobre o valor atualizado da causa. que. Fed.. ex-combatente é aquele que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial.) chega-se à inevitável conclusão de que o preconceito com que se trata o pracinha do 20º Contingente.. (.. não se considera ex-combatente. alguém que tenha. Assim. como membro das Forças Armadas ou da Marinha Mercante (REsp. Reg. participado de operações bélicas no teatro da Segunda Guerra Mundial. ‘Batalhão de Suez’. é uma afronta ao direito de igualdade dos cidadãos. os mesmos direitos que são garantidos aos militares que participaram da Segunda Guerra Mundial. garantido pela nossa Constituição Federal que é soberana e indiscutível.17502). Não preenchendo o impetrante os requisitos da lei. p.37934).” julgou improcedente pleito deduzido contra a União Federal. segundo precedente daquela Corte. e elevando esta mesma Carta Magna em seu preâmbulo o direito de igualdade à dogma constitucional. 12. art. ex-combatente não é. passaram pelas mesmas crises. vendo corpos mutilados. 113/120).09. Trib. 122/128). Porto Alegre. DJU 18-08-97.761-DF. efetivamente. em síntese. (. frustrações e decepções que todo pracinha. em terras estranhas. com vistas à percepção de pensão especial. VOTO O Exmo. ratificando esta orientação em seu artigo 5º. “prevendo a Constituição Federal em seus Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. É o relatório. Juiz Alcides Vettorazzi: Cuida-se de apelação sobre pensão especial à ex-combatente. e que.) Por analogia.

53 do ADCT/88: “Art.” Verifica-se dos autos que os apelantes não comprovaram a situação de ex-combatente.315/67. a. § 1º . da Força Aérea Brasileira.. sendo inacumulável com quaisquer rendimentos recebidos dos cofres públicos. como integrante da Força do Exército.Além da fornecida pelos Ministros Militares. 111-405.. uma vez que não foram preenchidos os requisitos 118 R.A prova da participação efetiva em operações bélicas será fornecida ao interessado pelos Ministérios Militares.. haja sido licenciado do serviço ativo e com isso retornado à vida civil definitivamente. todo aquele que tenha participado efetivamente de operações bélicas. e que. 2001 .1º . serão assegurados os seguintes direitos: (. na Segunda Guerra Mundial. no caso de militar. 1º da Lei 5. II – o certificado de que tenha participado efetivamente em missões de vigilância e segurança do litoral. diploma. n.. não havendo como lhes reconhecer o direito à Pensão Especial pleiteada como prevê a CF/88.315/67: “Art. da Marinha de Guerra e da Marinha Mercante. a) no Exército: I – o diploma da Medalha de Campanha ou o certificado de ter servido no Teatro de Operações da Itália. 4ª Reg. § 2º .315/67. Reg. II – pensão especial correspondente à deixada por segundo-tenente das Forças Armadas. Trib. tampouco.Assim estabelece o art. também. 40.Considera-se ex-combatente.” Dita ainda o inciso II do art. dados de informação para fazer prova de ter tomado parte efetiva em operações bélicas: . Porto Alegre. Não pode assim o Judiciário determinar que tal condição seja reconhecida. p. como integrante de guarnição de ilhas oceânicas ou de unidades que se deslocaram de suas sedes para o cumprimento daquelas missões. para o componente da Força Expedicionária Brasileira. Fed. Não consta dos autos nenhuma indicação nos assentamentos dos apelantes referente à participação dos mesmos em operações bélicas. 12. da Força Expedicionária Brasileira. para efeito da aplicação do art. nos termos da Lei nº 5. medalha de campanha ou certificado de que tenham participado de missões de vigilância no litoral como determina a Lei supracitada. ressalvado o direito de opção. 53 Ao ex-combatente que tenha efetivamente participado de operações bélicas durante a Segunda Guerra mundial.). conforme determina a Lei nº 5. 178 da Constituição do Brasil. constituem. exceto os benefícios previdenciários. que poderá ser requerida a qualquer tempo.

2ª Turma. não lhe assiste direito à pensão pleiteada. 53 do ADCT é aquele que comprovou a sua participação efetiva em operações bélicas de acordo com o art. o que faço pelos seguintes fundamentos: Os apelantes. não conceitua o ex-combatente. 1º da Lei 5.315/67. não integra o contencioso constitucional. que se deve buscar o conceito de ex-combatente que fará jus aos benefícios inscritos nos incisos do citado art. A questão. art. aliás. DE 67. II – Caso em que poderia ocorrer ofensa indireta ao art. de índole infraconstitucional. DJU 05.” Isto posto. caput. Já decidiu o Supremo Tribunal Federal: “CONSTITUCIONAL. ex-integrantes do III Batalhão do 2º Regimento de Infantaria. que não tem função legislativa. II. porquanto “Não cabe ao Poder Judiciário. PENSÃO ESPECIAL. a concessão da pensão especial prevista no artigo 53 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias concedida aos ex-combatentes que tenham efetivamente participado de operações 119 R. concessa venia. ADCT/88. 53 do ADCT. 53. Isonomicamente. Trib. soa a Súmula 339 do Superior Tribunal Federal.315/67 e o art. 53. porquanto não prevê legislação regulamentadora. a Lei 5. (RE nº 204. um dos mais destacados Magistrados Federais que distinguem este Colegiado. denominado “Batalhão de Suez”.825/RN. deixando para a Lei 5. portanto. É entendimento pacífico deste Tribunal: o ex-combatente que tem direito à pensão especial definida no art. EX-COMBATENTE. pois. aumentar vencimentos de servidores públicos sob fundamento de isonomia.99)”. Reg. inaplicáveis. com base no princípio da isonomia e na aplicação da analogia. voto no sentido de negar provimento à apelação. 111-405. ADCT. por força do Decreto Legislativo nº 61.E não-conhecido. VOTO-VISTA (DIVERGENTE) O Exmo. Min. ao caso. CONCEITO. a. Juiz Edgard Lippmann: Sem embargo da invejável cultura do eminente Relator. de 1956.03. 12. 53. III– R. art. pretendem.315. Porto Alegre. Fed. Então se o militar não participou efetivamente de operações bélicas durante a Segunda Guerra Mundial. 2001 . I – O ADCT/88. n. ouso divergir do judicioso voto apresentado. todos.previstos na legislação. p.315/67 defini-lo. 40. É na Lei 5. 53 do ADCT é auto-aplicável. Carlos Velloso. o que não autoriza a admissão do recurso extraordinário. MILITAR. Mesmo porque o art.315/67. 4ª Reg. 53. LEI 5. Sr. ADCT.

n. Fed. Assim. p.bélicas durante a 2ª Guerra Mundial. de todas as determinações históricas. cabendo estabelecer que tipo de relação existe entre eles. A justiça formal consiste em um “princípio de ação. Porto Alegre. 40. A decisão de primeiro grau. isto é. a justiça material seria a especificação da justiça formal. cabendo ao julgador uma interpretação sistemática. chegando-se às fórmulas: a) cada um segundo a sua necessidade. As Constituições brasileiras. 111-405. e não do julgador. inscreveram o princípio da igualdade. a) O princípio da isonomia – Violação O fundamento dos apelantes se baseia no princípio da isonomia.315/67. e o seu conceito e valor pressupõem a presença de uma pluralidade de entes. foi no sentido de que a definição do que seja ex-combatente deve emanar da lei. No entanto. sem levar em consideração a distinção de grupos. 4ª Reg. Para ele seria injusto tratar diferentemente os escravos. o princípio da isonomia tem dado lugar a diversas interpretações. identificando a justiça e igualdade formais. com as exigências 120 R. Aristóteles vinculou a idéia de igualdade à idéia de justiça. b) cada um segundo os seus méritos. administrada pelo próprio legislador. ou que a lei é igual para todos. qualquer descrição de igualdade deve responder a duas indagações: Igualdade entre quem? Igualdade em que? A igualdade é um valor humano genérico. concluindo que os apelantes não comprovaram o enquadramento na definição de ex-combatente nos termos do artigo 1º da Lei 5. Apesar de sua universalidade. desde o Império. não deve ser esse o sentido da expressão constitucional. Trib. segundo o qual os seres da mesma categoria essencial devem ser tratados da mesma forma”. confirmada pelo voto do relator. a única que foi universalmente acolhida é a que afirma que todos são iguais perante a lei. 2001 . a idéia de isonomia formal própria do liberalismo. c) a cada um a mesma coisa. aplicando o método de interpretação autêntica. Mas como podemos descrever “igualdade”? A primeiro. ambas no aspecto formal. no sentido de que a lei trata a todos igualmente. alegando que os mesmos sofreram discriminação por não serem incluídos no artigo 53 do ADCT. Contudo. a. mas não seria injusto tratá-los de maneira diversa de seus senhores. Reg. 12.

p. Trib. b) Da analogia – Inaplicabilidade Os apelantes. 40. Fed. individuais. A conclusão a que chego é que a norma constitucional ao excluir os ex-combatentes do Batalhão de Suez apresentou uma restrição casuística que visivelmente afronta o princípio da isonomia. verifico que fator de discriminação da norma contida no artigo 53 do ADCT é a participação efetiva de operações bélicas na Segunda Guerra Mundial e a finalidade da norma é beneficiar esses ex-combatentes com uma pensão especial. É pacífica na doutrina e na jurisprudência a afirmação que o princípio da isonomia consiste em “tratar igualmente os desiguais na medida em que se desigualam”. ao invocarem o princípio da isonomia. 2001 121 . embora não determinadas. Em análise aos documentos coletados aos autos. n. Ao afirmar que todos são iguais perante a lei. No caso específico. 4ª Reg. No caso que se apresenta para o julgamento. O problema da isonomia só pode ser resolvido a partir da consideração: elemento discriminador x finalidade da norma.Gomes Canotilho (Direito Constitucional. a. 12. A doutrina e a jurisprudência já firmaram entendimento no sentido de que o princípio da igualdade perante a lei é um princípio dirigido ao legislador e ao julgador. ou ainda. Segundo o constitucionalista português J. 111-405. Reg. 626).J. mas tanto ela como a lei infraconstitucional podem desigualar. o problema está em saber se os apelantes são iguais ou desiguais aos ex-combatentes da 2ª Guerra Mundial. podem ser determináveis.da justiça social para atingir a ordem econômica e social. que visem a restringir direitos. Não há dúvida de que o nosso sistema não admite a adoção de normas singulares. p. os apelantes e os ex-combatentes da II Guerra Mundial requerem do legislador tratamento isonômico. Porto Alegre. requerem. liberdades e garantias de uma pessoa ou de várias pessoas determinadas. com R. exigindo que as normas jurídicas não contenham distinções que não sejam autorizadas pela própria Constituição Federal. sendo necessário investigar o fator de discriminação utilizado na norma e se há correlação entre esse elemento de discriminação e o efeito jurídico atribuído à norma. a Constituição assegura a isonomia. que imponha restrições a uma pessoa ou a um círculo de pessoas que. a lei restritiva inconstitucional é toda norma que imponha restrições aos direitos.

4ª Reg. 12. Fed. n. uma omissão constitucional cujo problema será resolvido via interpretação. a aplicação do artigo 53 do ADCT para fins de concessão da pensão especial. Trib. Reg. dela poderia ser objeto. 71) Paulo Bonavides muito bem distingue a interpretação analógica da extensiva.404) Diante disso. em tese. posto que no caso do artigo 53 do ADCT não entendo que tenha havido uma efetiva lacuna. finalmente. que. que este vazio não possa ser coberto pela via de interpretação. Celso Ribeiro Bastos explica que para se verificar lacuna constitucional. sendo que a determinação do sentido da norma e sua aplicação a um caso concreto constituem um único processo. determine o conteúdo material da Constituição. é que deixo de aplicar a analogia no caso que se apresenta para julgamento. mas. por não constituir um sistema fechado. de modo que ao intérprete se faculta buscar ‘um novo direito’ com apoio na identidade de fundamento. sim. 2001 . e não pela aplicação da analogia. Segundo. Esse método difere daqueles que fazem da compreensão da norma geral e abstrata e de sua aplicação dois momentos distintos e separados. há possibilidade da existência de lacunas perante a Constituição em sentido formal. Malheiros. 122 R. c) Método interpretativo de concretização Sou partidário do método interpretativo de concretização (Hesse). embora deficiente ou imperfeita. onde houver obscuridade. portanto. 111-405. uma ausência de norma expressa. Na verdade. estabelecendo que “a primeira patenteia sempre uma lacuna. p. é necessário que se preencham certos pressupostos: “primeiro que a situação obviamente não esteja prevista na Constituição. E. p. de forma que o conteúdo material da Constituição é obtido pelo ato interpretativo. e.” (p. 2000. a Constituição não regula tudo aquilo que. O método concretista possibilita que o intérprete. a. 40. segundo o qual a concretização e a compreensão só são possíveis em face de um problema concreto. Porto Alegre. Já na interpretação extensiva existe a norma. ainda que extensiva.base na analogia. (Curso de Direito Constitucional. que exista uma outra situação análoga à anterior que torne a omissão relativamente à primeira insatisfatória. Isto é: nos causa uma sensação de falta de razoabilidade. Para se utilizar a analogia é necessário que se afirme que a Constituição comporta lacunas. contém uma disposição aplicável”.

40. p. Trib. não é interpretado. por conseqüência. a interpretação também o é. Nada mais é do que uma espécie de metodologia positivista – empírico e casuístico – que aplica as categorias constitucionais para fins de chegar a uma solução direta do problema em questão.Hesse justifica o método concretista constitucional. Curso de Direito Constitucional. 4ª Reg. a. 397-398) No campo do Direito Constitucional. Em razão disso. mas. 12. concretizado. independente de problemas concretos. p. é bom que se diga. tão-somente aqueles que participaram da II Guerra Mundial. Portanto. sem ponderar o constituinte o postulado da isonomia. mas que se viram em frente a um conflito. é necessário abandonar a orientação segundo a qual a interpretação do direito é mera operação mecânica. O Juiz tem por incumbência proteger os direitos fundamentais. Reg. adotados consoante a norma e o problema objeto da concretização. de substituir a ideologia constitucional por ideologias pessoais. a compreensão prévia do intérprete e o problema concreto a resolver. visto ser nesse campo que é possível verificar. afirmando não haver interpretação constitucional. O princípio da isonomia. fundamentada tão-somente em fórmulas e formas positivamente estabelecidas. sim. 111-405. com nitidez.” O método concretista aplica um “procedimento tópico de interpretação”. O método concretista deixa de lado formalismos abstratos. a questão da eficácia social das normas tem merecido especial atenção dos juristas. pontos de vista ou critérios-chaves. Dar concretude ao ideário constitucional não é tarefa exclusiva do Judiciário. Fed. n. Não se trata. O artigo 53 do ADCT fez somente repetir o que a norma infraconstitucional considerava ex-combatentes. enviados em missão de paz. deixando de lado os ex-combatentes do Batalhão de Suez. mas é dele o papel mais importante. concebido como direito fundamental regulado pelo princípio da efetividade. A Constituição é a aberta e. levando em consideração a realidade concreta. 2001 123 . meramente silogística. Porto Alegre. ou seja. nas condições lá dispostas. os contrastes entre a realidade(ser) e a normatividade(dever-ser). A compreensão da Constituição deve ser a mais dilatada possível. fazenR. (Paulo Bonavides. ou mesmo de fazer sucumbir as normas criadas pelo Estado Democrático de Direito diante das normas dos sistemas ditos alternativos. cuja finalidade é a busca de orientações. o método concretista de interpretação gravita em torno de três elementos básicos: “a norma que se vai concretizar.

j. por via concretizante. 111-405. os quais. Se a finalidade da norma era conceder benefício ao cidadão que com o risco da própria vida prestou inestimáveis serviços ao seu país e ao mundo. Reg. apego-me na própria definição dada pelas Forças Armadas quanto à expressão “operação de guerra” como sendo: “operações militares conduzidas pelas Forças Armadas em um ou mais Teatro de Operações(espaço físico limitado) contra um inimigo.94): “FUNCIONÁRIO PÚBLICO. chegaram. fazendo jus à concessão de pensão especial do artigo 53 do ADCT. 40. que os Tribunais Suíços “interpretando o art. aperfeiçoá-los de tal sorte que o conceito de ex-combatente previsto na Lei 5. Rel. da máxima normativa e constitucional de que ‘todos os homens são iguais perante a lei’. por ironia do destino. Para se corporificar tal assertiva. Apelo desprovido e Reexame necessário julgado prejudicado”. Cível nº 594077356. não pode a Administração pretender impor-lhe interpretação restritiva. registro o fato de que em reconhecimento a patriótica atuação de inúmeros brasileiros que participaram no multicitado “Batalhão de Suez”. 29.. (Paulo Bonavides. segundo o qual ‘todos os suíços são iguais perante a lei’.do da concretização uma ação essencial para desempenho dessa tarefa. curiosamente se tem notícia de que os militares da ativa (corpo efetivo) que participaram do palco de operações lograram promoção na carreira. que muitas vezes se afasta do teor literal da Constituição. n. Ilha de Macedo”. Ainda mais. a partir daí. Porto Alegre.08. tombaram por terra no palco sangrento daquela guerra. 4ª Câm. Ação procedente. Para ilustrar. p.315/67 possa ser estendido aos apelantes que efetivamente prestaram serviço militar na força de paz da ONU no Canal de Suez. APOSENTADORIA. 4º de sua Constituição Federal. Des. em razão do ato de bravura vários de seus integrantes foram distinguidos com nome de rua nesta e em outras capitais do País. 12. ao passo que os militares temporários – como é o 124 R. p. v. a tese ora aplicada. Trib. e concretizar nada mais é do que dilatar o conteúdo constitucional. derradeiramente.g. “Carlos A. Sentença mantida. Fed. Ramon Georg Von Berg. a uma aplicação. em situação de guerra (declaração de guerra)”. CONTAGEM EM DOBRO DO TEMPO DE SERVIÇO NO ‘BATALHÃO DE SUEZ’. Cível. 4ª Reg. a. 2001 . 558) Destaca-se aqui a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (Apel. incluindo aí os estrangeiros”. Foi com base no método interpretativo de concretização.

Provimento de cargo público de forma derivada após a Constituição/88. para o fim de deferir o pedido na forma como postulado na exordial. Porto Alegre. Fed. 4ª Reg.054251-9/RS Relator: O Exmo. Juiz Alcides Vettorazzi Relator p/Acórdão: O Exmo. 111-405. Sr. por se tratar de discussão acerca da constitucionalidade do ato impugnado. e das custas processuais. 12.01. regulado 125 R. circunstância que estaria a demonstrar o malferimento do princípio da isonomia. Sr. Trib. Legalidade. Juiz Edgard Lippmann Apelantes: Aldair Luiz Vieira e outros Advogados: Drs. jamais obtiveram qualquer vantagem funcional. Face ao exposto e o mais que dos autos consta. além dos juros de mora de 1% ao mês. a.04. n. conforme afirmado nos autos. Paulo Roberto Rubira e outros Apelado: Ministério Público Advogado: Dr.caso dos Apelantes –. Direito Constitucional. Segurança jurídica. 40. Servidor. voto no sentido de dar provimento ao apelo. 2001 . Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz Remetente: Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Rio Grande/RS EMENTA Ação civil pública. p. Prescrição inocorrente. É o voto. Honorários de Advogado de 10% incidente sobre o valor da condenação. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1998. impondo à Apelada o pagamento das verbas atrasadas devidamente atualizadas monetariamente pelos critérios utilizados pela Justiça Federal. O provimento de cargo público por meio de concurso interno. Afastada a prescrição. Alexandre Duarte Lindenmeyer e outros Apelante: Fundação Universidade do Rio Grande Advogados: Drs. Reg.

Walda Cleni Varela de Barros. 40. só poderia ser desconstituído após a declaração de inconstitucionalidade de lei. 12. em relação aos quais extinguiu o processo sem julgamento do mérito. vencido o Relator. pelo Pretório Excelso. movida pelo Ministério Público Federal. Relator p/Acórdão. ou de ato administrativo que vedasse tal modalidade de provimento. realizados pela Fundação Universidade do Rio Grande posteriormente à 126 R. 14 de fevereiro de 2001. já convalidado pelo tempo. extinguiu o processo sem julgamento do mérito “quanto ao pedido de proibição de provimento de cargos por meios derivados.fartamente pela legislação vigente à época. Juiz Edgard Lippmann. De igual sorte. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. em nome da segurança das relações jurídicas. é de ser mantido o ato objurgado. assim como quanto à pretensão de preservação dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade pública. Sr. excluiu da lide os réus Leusa Maria Fernandes Moraes. A sentença proferida às fls. e considerada a boa-fé dos servidores que a ele se submeteram. Porto Alegre. a. 2001 . 5220/5250. nos termos do relatório. Reg. através da qual pretende-se a desconstituição dos provimentos de cargos irregulares levados a efeito junto à Fundação Universidade do Rio Grande. Praticado o ato legalmente.” No mais. por maioria. Porto Alegre. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Silmar Dummer e Ivete Martins Pinto. 4ª Reg. Trib. inexistindo interesse de litigar neste grau de jurisdição. julgou procedente o pedido de desconstituição de provimento de cargos públicos por meio de ascensão ou outros meios derivados. 111-405. e a determinação para que esta não mais proveja cargos através de provimento derivado. Juiz Alcides Vettorazzi: Cuidam os autos de Ação Civil Pública. com o retorno dos servidores ao status quo ante. Fed. n. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. p. dar provimento às apelações e à remessa oficial. RELATÓRIO O Exmo. à vista de que a questão está sub judice perante o Egrégio Supremo Tribunal Federal. mas apenas por meio de concurso público de provas ou de provas e títulos.

suspendendo a execução dos concursos internos para ascensão funcional de servidores. sobre os quais não pesava dúvida quanto à constitucionalidade. A liminar determinando o retorno ao status quo ante dos servidores ascendidos antes da Constituição Federal de 1988 (fl. destacando que a ascensão dos servidores deu-se sob autorização de norma legal então vigente.95. Trib. se o administrador agisse em contrário. 2097/2100 e às fls.promulgação da Constituição Federal de 1988. 5424/5446. 5182/5184. 40. 5449/5473. 5477/5501 e 5505/5529). através da qual foi concedida liminar com efeitos apenas ex nunc. Apontam os diplomas legais autorizadores da ascensão funcional. pois praticada antes da Ação Direta de Inconstitucionalidade 837-4/DF. tomando conhecimento da referida liminar. transferência ou movimentação. Salientam que a própria norma legal previa a realização de concurso público apenas para as vagas não-aproveitadas por ascensão. pelo que a manutenção da sentença implicará ofensa a atos jurídicos perfeitos e ao direito líquido e certo dos demandantes. 5281/5305. não mais percebendo a remuneração de tais cargos. Fed. 5311/5335. em suas razões (fls. afirmando que. apelaram os litisconsortes passivos e a Fundação Universidade do Rio Grande.112/90. representados pelos arts. condenando a parte-ré a anular as respectivas investiduras e determinando o retorno dos demais servidores qualificados na inicial ao status quo ante. conforme justificativa apresentada às fls. 5339/5364. Ressaltam os prejuízos que advirão se mantido o julgado. 111-405. 5365/5389. concedida em 07. 2001 127 .664/87. estaria ferindo o princípio da reserva legal R. 26 do Anexo ao Decreto nº 94. a FURG absteve-se de praticar novos concursos internos e ascensões funcionais. em face do que o julgador singular em sua sentença imprimiu efeito suspensivo à mesma para que viesse a ser cumprida tão logo confirmada por esta E. 65/66). 10 e 17 da Lei nº 8.11. Da decisão de primeiro grau. Os servidores. Corte. p. Porto Alegre. 22 da Portaria 475/87 e 8º. quando da ascensão dos recorrentes. 4ª Reg. Reg. não foi cumprida pela Fundação-ré. Acrescem que. a. 5256/5279. n. 5391/5415. reprisam argumentos expendidos na contestação fortes em que os atos administrativos praticados visando a desconstituir os ora atacados estão alcançados pela prescrição qüinqüenal com previsão no Direito Administrativo. 12. de modo a que não mais exerçam cargos a que foram alçados por ascensão ou qualquer outro meio derivado de provimento.

transferência ou movimentação. situação que acarretaria na colocação em disponibilidade remunerada de servidores. aprovado pelo Decreto nº 94. 2001 . Argumentam também que a ascensão dos réus se deu entre 1988 e meados de 1992. 4ª Reg. Reforça que também não foi declarada a 128 R. em prejuízo muito maior ao erário público do que o apontado pelo Ministério Público Federal em sua inicial. 40. também aplicando-se ao caso os princípios do direito adquirido e da irredutibilidade salarial. 12. Afirma que.07. Defendem que as normas legais referentes ao acesso ou à ascensão funcional anteriores à Constituição Federal de 1988 foram por esta recepcionadas. 37 da Constituição Federal.112/90 previa expressamente a figura da ascensão como forma de provimento de cargo público.112/90 e no art. reforçando que os critérios adotados pela administração universitária constituíram-se em atos válidos resguardados pelo princípio da legalidade. Reg. que criou o Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos. Dizem que a reversão dos recorrentes aos cargos que anteriormente ocupavam ficaria impossibilitada quando fossem encontrados ocupados por outros servidores estáveis. 26 do PUCRCE. oriundos de concursos públicos. Atesta que os concursos internos foram realizados em atendimento à Lei nº 7. Porto Alegre. antes da edição da Portaria 1. na Lei 8. abstendo-se de provê-los desta forma após a concessão de liminar na ADIn que suspendeu a execução dos chamados concursos internos para ascensão funcional dos servidores. Trib. acrescentando que. Fed. Ressalta que também a Lei nº 8. Concluem pela improcedência da Ação Civil Pública. era o PUCRCE que comandava o regime jurídico das Instituições Federais de Ensino. 39 da Constituição Federal de 1988.664/87. Destacam aplicar-se ao caso os princípios do direito adquirido e da irredutibilidade salarial. o que também justifica esta prática desde a sua entrada em vigor. a. 5535/5553). 111-405. até o advento da Lei 8.previsto no art.779-SAF. determinando que as administrações federais se abstivessem de tal prática. acrescentando que se mantida a sentença também se violará o princípio da segurança jurídica. do art. Em suas razões de apelo(fls. de 25.112/90. conclui-se que somente poderia se realizar concurso público para preencher vagas que restassem de ascensão funcional. p. Defende que a ascensão funcional era legal e legítima.596/87. constituindo-se em ato jurídico perfeito. a Fundação Universidade do Rio Grande aduz que agiu em cumprimento ao princípio da legalidade quanto aos servidores ascendidos. n.92.

ao contrário.25431-8/SC. justamente uma Ação Civil Pública onde se discutia matéria similar à destes autos. do qual destaco: “A prejudicial de prescrição qüinqüenal argüida pelo litisconsorte deve ser rejeitada. Menciona decisões do Tribunal de Contas da União entendendo que a suspensão aplicada pelo STF não pode retroagir no tempo. n. Ressalta também não caber ao Administrador questionar a constitucionalidade ou não das leis.910/32. a readaptação. ao regular a prescrição qüinqüenal. Fed. 12. Por fim. eis que a ela poderiam concorrer todos os que preenchessem os requisitos estabelecidos em lei. refere-se R. prevê expressamente o aproveitamento. A douta Procuradoria Regional da República opina pela improvimento dos recursos. julgando-se improcedente a Ação Civil Pública. O artigo 1º do Decreto nº 20. 40. subiram os autos a esta E. Afirma que a decisão recorrida acarretará tanto prejuízos materiais e morais aos servidores atingidos. I e II. destaca comportar diferentes interpretações. desconstituindo atos praticados antes da medida preventiva concedida.04. 4ª Reg. em nenhum outro momento fala não poder haver outra forma de provimento. acompanhando entendimento exposto pela eminente Juíza Luiza Dias Cassales em voto proferido na AC n. Trib. Porto Alegre. por reduzir o acesso a outros brasileiros. Com contra-razões (fls. Sr. mas cumpri-las face ao princípio da reserva legal. É o relatório. Corte. a revisão. VOTO O Exmo. como prejuízos à continuidade do serviço público na medida em que a reversão dos servidores ascendidos aos cargos anteriormente ocupados culminará na colocação de um igual número de servidores em disponibilidade até que sejam reaproveitados. No que diz com o art. Argúi não ser a ascensão inconstitucional. mesmo a Constituição Federal de 1988 não mais se referindo à primeira investidura. 37. Dispensada a revisão. eis que a ascensão encontrava-se prevista em lei e ainda porque. 97. requereu o provimento ao apelo. Reg. Juiz Alcides Vettorazzi: Em primeiro plano. da Constituição Federal. com a inversão dos ônus sucumbenciais. p. a reintegração e a recondução.inconstitucionalidade dos dispositivos legais estando apenas suspensos pela medida liminar concedida pelo STF em ADIn. 5561/5567). 111-405. 2001 129 . a. cumpre afastar a preliminar de prescrição lançada pelos réus.

A presente ação civil pública foi proposta objetivando a declaração de nulidade de atos de ascensão e progressão funcionais praticados pelo TRE/SC. 2001 . o que fez coisa julgada erga omnes. de interesse difuso. n. Fed.2000) A questão a ser deslindada. AC 1998. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. diz com a possibilidade ou não de produzirem efeitos as ascensões funcionais ocorridas após o advento da Carta Constitucional de 1988. A prescrição só pode atingir os efeitos materiais decorrentes do ato inconstitucional. sob o argumento de ofensa ao art.” (3ª T. progressão. 40. SERVIDOR PÚBLICO. o Supremo Tribunal Federal baniu do ordenamento jurídico a possibilidade de a administração prover cargos sem concurso público. Porto Alegre. ARTIGO 37. tampouco o seu objeto não visa à cobrança de qualquer dívida da União Federal. inexiste qualquer das hipóteses previstas pelo referido dispositivo. INOCORRÊNCIA. acesso etc. Trib. Não se pode acenar com o princípio da segurança jurídica para relevar ato administrativo inconstitucional. a Constituição Federal de 1988 não mais autoriza as formas derivadas de provimento.” (DJ 23.10. vez que se estaria negando vigência à Lei Maior. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. PRESCRIÇÃO. 111-405. estando legitimado o Ministério Público para a propositura desta ação. obviamente a ação não foi dirigida contra a Fazenda Pública.às ações que tratam das dívidas passivas da União. tão-só para limitar a decisão ao provimento constitutivo negativo de anulação de atos administrativos inconstitucionais. a. 37. Remessa oficial e apelação parcialmente providas. LEGITIMIDADE ATIVA. Ao prever a existência de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos para investidura em cargo público. Ao julgar procedente a ADIn 838-4/DF. CONCURSO PÚBLICO. em sede de apelação e remessa oficial. tais como ascensão. PROVIMENTO DERIVADO DE CARGO PÚBLICO. ao que se vê das seguintes decisões: “AÇÃO CIVIL PÚBLICA. conforme 130 R. II.02. Não há direito adquirido de servidores à ascensão a cargos criados anteriormente à Constituição porque a inconstitucionalidade atinge a forma de provimento e não o cargo. no âmbito da Fundação Universidade do Rio Grande. p. ASCENSÃO FUNCIONAL. CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO. 12. Reg. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.01077205-7/RS. Estados e Municípios e de todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Pública. 4ª Reg. IMPOSSIBILIDADE. Relator Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia. No caso dos autos. PROIBIÇÃO. Não corre prazo de prescrição da pretensão anulatória de ato administrativo inconstitucional porque a inconstitucionalidade não convalesce nunca. II. tratando-se. ou seja.2000) “ADMINISTRATIVO E CONSTITUCIONAL.04. A matéria não é nova neste Tribunal. da Constituição Federal. DJ 11. portanto.

a.664/87. 2001 131 .02. AC 97.25431-8/SC. da Constituição Federal. ao regular a prescrição qüinqüenal . p. no atual sistema constitucional. Trib. O artigo 1º do Decreto nº 20. primeiramente representada pelo que dispuseram a Lei nº 7.” Por mais de uma vez.112/90. 40. II. O centro das alegações dos réus volta-se em defender que os concursos internos realizados deram-se sob o albergue da lei. inexisitindo. 37. Porto Alegre. largamente utilizada sob a égide da Carta Federal anterior. assim dispôs: “A investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos. n. Fed. A partir da Constituição Federal de 1988 não mais se admite provimento de cargo público mediante a ascensão funcional. Reg. baniu do sistema jurídico a possibilidade de ascensão funcional de servidores públicos. Estados e Municípios e de todo e qualquer direito contra a Fazenda Pública. DJ 23. que é forma de investidura derivada.2000.92.07. inciso III. através da Portaria 1779-SAF. refere-se às ações que tratam das dívidas passivas da União. ressalvados os cargos em comissão declarados em R. Precedentes dos Tribunais Superiores. 12. A atual Constituição. por meio de seu art.04. Não paira dúvida no sentido de que a Constituição Federal. ressalvadas as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração. 168) A ascensão funcional dos servidores arrolados na presente Ação Civil Pública dada após a Carta Federal de 1988 prolongou-se até o ano de 1992. Ascensão ou acesso. de 25. aos quais se seguiu o Regime Jurídico dos Servidores Públicos da União consolidado pela Lei nº 8. qualquer das hipóteses previstas pelo referido dispositivo.596/87 e o Decreto regulamentar nº 94. quando afirmam os réus ter sido determinado que as administrações federais se abstivessem de tal prática. ADIn nº 231-7-RJ: “Ação direta de inconstitucionalidade. p. no caso dos autos. suprimindo a expressão “primeira investidura”.” (3ª T. Relatora: Juíza Luiza Dias Cassales. através da qual exigia-se a realização de concurso público apenas para primeira investidura em cargo público. o Supremo Tribunal Federal se pronunciou acerca da necessidade de concurso público e vedação de outras formas de provimento (ADIns nºs 231-7/RJ. transferência e aproveitamento no tocante a cargos ou empregos públicos.expressamente previsto no artigo 129. 4ª Reg. 245-7/RJ e 837-DF).910/32. 111-405. O critério do mérito aferível por concurso público de provas ou de provas e títulos é.

projeção específica do princípio da separação de poderes. porém. ínsitas ao sistema de provimento em carreira. para o em carreira. Fed. pois. ao contrário do que sucede com a promoção. nesse caso. há igualmente o ingresso em outra carreira sem o concurso exigido pelo mencionado dispositivo. a. enquanto prerrogativa conferida pela Carta Política ao Chefe do Poder Executivo. banidas das formas de investidura admitidas pela Constituição a ascensão e a transferência. por isso mesmo. 111-405. O inciso II do artigo 37 da Constituição Federal também não permite o ‘aproveitamento’. mas. funções ou empregos públicos. que só se fará na classe inicial e pelo concurso público de provas ou de provas e títulos. 37. uma vez que. caput). 37. como vetor condicionante da atividade estatal. impondo-se às pessoas estatais como regra geral de observância compulsória. 2001 . aos princípios que regem a Administração Pública. sem a qual obviamente não haverá carreira. 40. 12. da mera prova de títulos e da realização de concurso interno. Moreira Alves. n. pois. não o sendo.11. em face de explícita previsão constitucional (art. quando desacompanhadas da prévia realização do concurso público de provas ou de provas e títulos.92) ADIn nº 248-1/RJ: “ADIn — Constituição do Estado do Rio de Janeiro (ADCT. Reg.lei de livre nomeação e exoneração. 69 e 74) — Provimento derivado de cargos públicos (transferência e transformação de cargos) — Ofensa ao postulado do concurso público — Usurpação do poder de iniciativa constitucionalmente reservado ao Chefe do Executivo — Procedência da ação. Estão. Ofensa ao princípio da isonomia. pois implicam o ingresso do servidor em cargos diversos daqueles nos quais foi ele legitimamente admitido. A transformação de cargos e a transferência de servidores para outros cargos ou para categorias funcionais diversas traduzem. p. Insuficiência. Os Estados-membros encontram-se vinculados. a investidura se fará pela forma de provimento que é a ‘promoção’. 4ª Reg. Ação direta de inconstitucionalidade que se julga procedente para declarar inconstitucionais os artigos 77 e 80 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias do Estado do Rio de Janeiro. dispõe 132 R. para os cargos subseqüentes que nela se escalonam até o final dela. a exigência de observância do postulado do concurso público (art. para o ingresso nela. que são formas de ingresso em carreira diversa daquela para a qual o servidor público ingressou por concurso. dentre os quais ressalta. Para o isolado. em qualquer hipótese. para estes. DJ 13.: Min. uma sucessão ascendente de cargos isolados. e que não são. Incide em inconstitucionalidade formal a norma inscrita em Constituição do Estado que. Trib. A iniciativa reservada das leis que versem o regime jurídico dos servidores públicos revela-se. subtraindo a disciplina da matéria ao domínio normativo da lei. sim. para esse efeito. Rel. II). arts. indispensável para cargo ou emprego público isolado ou em carreira. formas inconstitucionais de provimento no Serviço Público. Porto Alegre.” (ADIn nº 231-7-RJ. a imprescindibilidade do certame público não mais se limita à hipótese singular da primeira investidura em cargos. A partir da Constituição de 1988.

impedindo.06. Min. Trib. As nomeações relacionadas pela própria Fundação Universidade do R. 7.94. das expressões ascensão e acesso. Fed. n. .sobre provimento de cargos que integram a estrutura jurídico-administrativa do Poder Executivo local. pois. Doutrina e jurisprudência” (ADIn nº 248-1/RJ. 4ª Reg. 2001 133 . 111-405.Inconstitucionalidade no que concerne às normas da Lei nº 8. das expressões acesso e ascensão no § 4º do art. e nessa parte julgada procedente para declarar a inconstitucionalidade dos incisos e das expressões acima referidas” (ADIn nº 837-4/DF. De igual sorte. 8. a Lei n. sem a prévia aprovação em concurso público de provas ou de provas e títulos.99) Percebe-se. 13. segundo a qual é inadmissível qualquer forma de provimento em cargo inicial de carreira ou em cargo isolado. DJ de 25. no parágrafo único do art. ao contrário. inciso III do art. ao prever a ascensão como forma de provimento de cargo público. 17. Outros precedentes: ADIn 245 e ADIn 97. esta Corte. Reg.04. Rel. 033. firmou o entendimento de que são inconstitucionais as formas de provimento derivado representadas pela ascensão ou acesso.No mais. ressalvadas as eventuais exceções proclamadas no próprio texto constitucional. p. Celso de Mello. transferência e aproveitamento no tocante a cargos ou empregos públicos. a. 12.222). .112/90. que contra elas seja invocado o direito adquirido. . Inconstitucionalidade. Rel. p. também. ADIn nº 837-4/DF: “Ação direta de inconstitucionalidade. a partir do julgamento da ADIn 231. que a nova ordem Constitucional não recepcionou a legislação infraconstitucional que dispunha sobre o provimento de cargos mediante ascensão funcional. 08. das expressões ou ascensão e ou ascender no art. A forma de provimento através de ascensão funcional acabou por excluir o acesso ao serviço público de potenciais candidatos que poderiam nele ingressar através de regular concurso público. Moreira Alves. e do inciso IV do art. tais normas restaram tacitamente revogadas com o seu advento.112/90. Formas de provimento derivado. 10. também veio em descompasso com a orientação trazida pela Constituição Federal de 1988. ficou ela prejudicada quanto aos servidores desse Poder. DJ. A supremacia jurídica das normas inscritas na Carta Federal não permite. 8º. Porto Alegre.Ação conhecida em parte. 40. Min.Tendo sido editado o Plano de Classificação dos Cargos do Poder Judiciário posteriormente à propositura desta ação direta. . uma ampla aferição da capacidade entre os concorrentes.

não estando. não pode haver. conforme leciona Celso Ribeiro Bastos: “De fato. de Auxiliar Administrativo. protegido pelo princípio da irredutibilidade. Saraiva. de Vigilante para Assistente em Administração. p. ou declaradas inconstitucionais. teve sua origem em atos nulos. n. dentre muitas outras. de Auxiliar Administrativo para Assistente em Administração. p. de Auxiliar Administrativo para Técnico em Secretariado. a. voto no sentido de negar provimento às apelações e à remessa oficial. se não pode haver nem mesmo. 12. 4ª Reg. ensina a doutrina que não pode existir contra a Constituição. para Assistente em Administração e. Também. Porto Alegre. 111-405. Reg. não é o caso de se reconhecer violação ao princípio da irredutibilidade dos vencimentos e existência de direito adquirido. de Porteiro para Auxiliar Técnico de Veterinária e Zootecnia. Isto posto. O ato assim praticado é inconstitucional e conseqüentemente passível de anulação. 2001 . Fed. direito adquirido em afronta à Constituição. demonstram a ocorrência da mais variada forma de ascensão funcional. 191) Já o acréscimo nos vencimentos dos servidores. 17/27. de Agente Administrativo para Bibliotecário. com o retorno dos servidores ao status quo ante. direito adquirido contra a lei. e deste para Auxiliar Administrativo. 40. de Artífice de Artes Gráficas para Advogado. observada em relação aos seguintes cargos: de Servente de Limpeza para Porteiro. assim. constantes das fls. uma vez que os atos inconstitucionais são nulos e desprovidos de qualquer carga de eficácia jurídica (RTJ 146/461). VOTO DIVERGENTE 134 R. obviamente. posto que ancorados em normas não-recepcionadas pela Constituição Federal de 1988.” (Comentários à Constituição do Brasil. após. para Economista. dado à vista de seu ingresso em outros cargos. mormente em se considerando já ter o Supremo Tribunal Federal se pronunciado quanto à inconstitucionalidade desta forma derivada de provimento.Rio Grande. Quanto a este. de Servente de Limpeza para Operador de Caixa. como se viu no item anterior. Trib. de Vigilante para Técnico em Edificações. merecem ser desconstituídos os provimentos irregulares. Uma vez praticado pela Administração ato em afronta à Lei Maior. 1989.

112/90. Sr.779-SAF. o que bem mostra a elevada cultura jurídica do ilustre relator. subsistisse qualquer empeço a tanto. em parte. No caso destes autos. Fed. ambos submetidos aos ditames da Lei nº 8. concessa venia. por outro. que a administração pública veio 135 R. Assim concluo. até o ano de 1992. logo. diante do cotejo com a farta prova documental e oral carreada aos autos. p. após o advento da atual Carta Magna. especialmente porque o Pretório Excelso já sedimentou o entendimento de sua manifesta inconstitucionalidade por malferir a garantia da livre acessibilidade aos cargos públicos. seja em 1994 na ADIn 248-1/RS). A matéria não é nova nesta Corte de Justiça (conforme se infere dos precedentes colacionados no judicioso voto em análise) – exame da constitucionalidade quanto à forma de provimento derivado de cargo público (seja em ascensão ou progressão funcional) –. por que tal modalidade de concurso vinha sendo adotada reiteradamente pela administração pública. de 25. a solução jurídica ofertada no referido voto me parece questionável. logo.596/87 e no Decreto regulamentar nº 94. a. Registre-se que o procedimento veio calcado em expressas disposições legais como antes mencionado. sem que. 2001 . conclusão que se extrai pelos seguintes aspectos. acobertado pela presunção de legalidade e legitimidade de seus atos. Para o desate da questão.92. estamos diante do exame sobre a possibilidade ou não de produzirem efeitos as ascensões funcionais ocorridas no âmbito da Fundação Universidade do Rio Grande. 37. 40. 12.O Exmo. apenas para casos em que tal ato administrativo tenha sido editado após o julgamento da questão pelo Pretório Excelso (seja em 1992 na ADIn 231-7/RS. entendo como correta a interpretação dada pelo ilustre Relator – inconstitucionalidade dos concursos internos para provimento derivado –. Trib. Pois bem.07. Foi somente através da Portaria 1. Porto Alegre. Reg. Juiz Edgard Lippmann: Sem embargo da invejável cultura jurídica do eminente Juiz-Relator. 111-405. II. CF/88). registro que o concurso interno objurgado deu--se nos estritos limites do contido na Lei nº 7. sob a égide da normatividade constitucional anterior.664/87. entendo que o caso dos autos contempla algumas peculiaridades que me fazem dissentir da linha adotada pelo eminente Relator. 4ª Reg. Se por um lado relevante a tese exposta no judicioso voto. bem como da observância obrigatória do regular concurso público(art. n.

2000. a Suspensão de Execução de Liminar nº 2000. 40. Não houve má-fé. quanto à manutenção de tais atos administrativos. ainda. Aqui a primeira indagação que se lança. por um lado. se. contados da data que foram praticados. ganhou ares da pacificidade tanto na esfera administrativa como na judicial.784/99. decisão que foi acompanhada pelo Plenário.06/99 (anexo ao Parecer GM-002). A tônica dos votos pautou-se no sentido de prestigiar o princípio da legalidade associado ao da segurança jurídica. no voto do ilustre Presidente. aponto o Parecer nº AGU/MF.01. 2001 . a. após o exame da preliminar foi no sentido de negar provimento ao pedido. caput).04. inclusive em Agravo lançado contra tal decisão. n. Juiz Fábio Bittencourt da Rosa. Reg. por razões de segurança jurídica. bem como o da economicidade e com ela o da continuidade da prestação do serviço público. art. 12. IV – Nos casos dos autos. como a ascensão e o acesso. Fed. A tese.04. III – O legislador brasileiro garantiu expressamente a segurança jurídica: O direito de a administração anular os atos administrativos de que decorrem efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos. e. no seguinte sentido: “ASCENSÕES FUNCIONAIS I – Com a Constituição de 1988 ficaram banidas as formas derivadas de provimento de cargo público. p. Trib. Aponto. entendo que resta impresente alegada má-fé por parte da Apelante. ADIn nº 837) II – Precedentes no direito brasileiro admitem que. de 1992. publicado no DOU de 20. inquestionada.a determinar que se coibisse tal modalidade de provimento derivado. se possa obstar à revisão do ato com base na lei decretada inconstitucional. Onde estaria a segurança jurídica das relações estabelecidas conforme a legislação? Como se proceder hoje à correção de tal alegada anormalidade sem prejuízo do evidente tumulto administrativo que a revisão dos provimentos virá ocasionar? Analisando a matéria. (Parecer CGR/CS-56. 54. Naquela. as formas derivadas de provimento de cargo público se deram há mais de dez anos. mas aplicação da lei então vigente. nesta Corte de Justiça. 4ª Reg. 111-405. existam precedentes na linha como acenado pelo ilustre Relator. V – A segurança das relações jurídicas e a lei impedem a revisão dos atos de ascensão funcional de que trata estes autos. por outro existem vários outros em sentido diametralmente oposto. Porto Alegre. salvo comprovada má-fé (Lei nº 9. bem como da boa-fé 136 R. a título de ilustração.” Da mesma forma.050064-9/RS.

descabida é a anulação do concurso público pelo fato de a remuneração atual do cargo de vigilante ser inferior à remuneração do antigo cargo ocupado pelo autor.99. onde ao dispor sobre o processo e o julgamento da ação direta de inconstitucionalidade e da ação declaratória perante o STF. 4ª Turma. em 11 de fevereiro de 1993. 1 – A questão da proibição de qualquer investidura sem concurso público pressupõe. portanto sob a vigência dos dispositivos legais cuja incidência foi suspensa pela decisão do STF.10. por maioria de dois terços de seus membros. 2001 137 . 2 – Inexistindo nulidades quanto ao certame.868. na qual foi dado efeito ex nunc à suspensão de eficácia dos dispositivos legais que tratavam de acesso ou ascensão de servidores públicos. trago à consideração recente precedente (julgado em 31. em decisão unânime. fosse impossibilitada a ocorrência de concursos internos como os ora questionados. Dr. Reg. expressamente. em seu artigo 27. com a recente inovação do Estatuto Processual Civil procedido através da Lei nº 9. o provimento derivado mediante ascensão funcional. p. A ascensão funcional questionada ocorreu em 1989. restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado. de 10. Nesta decisão restou indeclinável a intenção da Suprema Corte com a suspensão da eficácia de tais dispositivos inconstitucionais. SERVIDOR PÚBLICO FEDERAL. antes do concurso. recomenda: “Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. na forma da fundamentação supra. n. com a ementa seguinte: “ADMINISTRATIVO.04. 111-405. analogicamente. Marcos Roberto Araújo dos Santos. Neste aspecto. de recepcionista. onde figurou como Relator o ilustre Juiz Convocado. a.” À vista do exposto. e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social.e confiança. Fed.” Derradeiramente. poderá o STF. ex nunc. 4ª Reg. 12.2000) desta Eg. bem antes da decisão ora citada. por concurso interno. Trib. 40. na AC 97. voto no sentido de dar provimento aos apelos e à remessa oficial. Dentro desta linha de raciocínio. a partir de então. também. em conclusão. É o voto. 3 – Apelação do autor improvida. ANULAÇÃO DE ASCENSÃO FUNCIONAL.08268-1/RS. R. por ser fato alheio à regularidade do concurso público. Porto Alegre. a fim de evitar que. decisão liminar tomada pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal na ADIn 837-4. não posso deixar de registrar que a conclusão ora exposta tem perfeita conformação. com a vênia do ilustre Relator.11.

40. 4ª Reg. Porto Alegre. RELATÓRIO O Exmo. amparada em sentença judicial transitada em julgado.04. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. não se pode considerar presente o direito líquido e certo invocado. Veículo usado. Cezar Saldanha Souza Junior Apelado: João Cláudio de Souza Guetter Advogada: Dra. Não se pode ter por abusivo ou ilegal o ato da autoridade administrativa que. Trib. Cristiane Paraskevi Campos Kollia Remetente: Juízo Federal da 7ª Vara Federal de Curitiba/PR EMENTA Direito Administrativo. Juiz Teori Albino Zavascki. 138 R. Todavia. Juiz Teori Albino Zavascki: Trata-se de apelação (fls. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Ainda que negasse a força vinculativa da sentença em face do terceiro de boa-fé. dar provimento ao recurso e à remessa. Juiz Teori Albino Zavascki Apelante: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. a. quando controvertida. 2001 . 16 de novembro de 2000.APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999. Apreensão do bem em poder de terceiro. Havendo controvérsia sobre o fato essencial da tese da impetração. Sr. seria indispensável que essa circunstância ficasse evidenciada no processo. por unanimidade. Fed.091413-0/PR Relator: O Exmo. Porto Alegre. n. a existência ou não de boa-fé é matéria eminentemente fática e.01. Relator. 12. p. não é passível de elucidação no rito especial do mandado de segurança. Importação declarada ilegítima por decisão judicial. determina a apreensão de veículo usado cuja importação foi declarada ilegítima. Sr. 111-405. Reg.

p. e esse é o fundamento básico da impetração. 4ª Reg. sendo que a proibição de importação de tais veículos decorria de ato normativo público. que a nota fiscal deixava expresso que se tratava de veículo estrangeiro usado. Fed. que não era e nem poderia ser desconhecida de quem quer que seja. essa alegação de boa-fé do adquirente é contestada pela autoridade impetrada. 1.” (AMS nº 97. inviabilizando a regular utilização desse bem no território nacional. 134/143). a propósito. 111-405. 40. do desconhecimento quanto à origem do bem. 2001 139 . agravando o déficit da balança de pagamento e acentuando os já preocupantes índices de desemprego que assolam a indústria nacional (fls. Porto Alegre. É o relatório. Juíza Luiza Dias Cassales.99. n. VOTO O Exmo. 3ª Turma. com argumentos bem razoáveis. Diz ela. que. Ademais. 12. A importação de veículo usado foi declarada ilegal. ILEGALIDADE. 123/128) fundou-se (a) na boa-fé do adquirente e (b) na impossibilidade de penalizar terceiro pelo ato praticado pelo importador. Todavia. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO USADO. Com contra-razões (fls. relativamente aos concorrentes nacionais. DJ 03.02. A sentença (fls.04.133/143) em mandado de segurança contra sentença que obstou a apreensão de veículo importado irregularmente. esta Turma já decidiu o seguinte: “DIREITO ADMINISTRATIVO. À revisão. Trib. em casos análogos. Reg. a. ALEGAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE BEM POR TERCEIRO DE BOA-FÉ. ainda que adquirido por terceiro de boa-fé. 146/156). consideradas as condições do homem comum. por decisão judicial. Rel. pág. constituíam também indicativos da insubsistência. Juiz Teori Albino Zavascki: Sustenta o impetrante. Sobre o tema. O recurso busca a reforma da sentença sustentando que não se pode privilegiar interesses individuais em detrimento de interesses coletivos: o veículo entrou no mercado de consumo nacional concorrendo de forma desleal com os similares brasileiros. sob pena de ver-se iludibriada a proibição contida na PRT-8 DECEX. 590) R. como terceiro de boa-fé. Sr.59568-9/PR. as condições vantajosas do preço da venda. e o amplo noticiário da imprensa sobre a precariedade das importações. não pode ser prejudicado pela ilicitude praticada pelo importador.

40.110764-5/RS 140 R. Fed. não seria no rito especial do mandado de segurança que se produziria a prova indispensável para a sua elucidação.01. Recurso voluntário e remessa oficial providos”.58570-5/PR. 2001 . Rel. seria indispensável que essa circunstância ficasse evidenciada no processo. O exame da boa-fé na aquisição de automóveis importados usados deve ser feito caso a caso. à vista de condutas ilícitas envolvendo a comercialização de automóveis em operações idênticas à presente. n.98. Porto Alegre. Reg. 12. Não pode ser reconhecido como terceiro de boa-fé o pai dos donos da firma alienante. e na linha dos precedentes da Turma. Ora. como aqui o foi. que considerou ilegítima a importação do veículo em causa. 3º Turma. a.09.04. IMPORTAÇÃO DE VEÍCULO USADO. em princípio. Não se pode ter por abusivo. 1. conforme se verifica do documento de fl. não é razoável que. 577) Aos argumentos invocados nos precedentes. privilegiando a prova dos autos em detrimento de conceitos genéricos. não se pode considerar presente o direito líquido e certo invocado. a existência ou não de boa-fé é matéria eminentemente fática. o ato da autoridade administrativa tendente a cumprir uma sentença transitada em julgado. É o voto. TERCEIRO DE BOA-FÉ. p. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. A irregularidade da importação do bem objeto deste mandamus restou decretada nos autos do mandado de segurança 94. APREENSÃO. ainda que se adotasse a tese de que a referida decisão não vincula o terceiro de boa-fé. 2.“ADMINISTRATIVO. Por outro lado. 4ª Reg. DJ 23. cuja sentença foi reformada por este TRF-4R.04. Assim. ALIENAÇÃO. 3. dou provimento ao recurso e à remessa para reformar a sentença e denegar a ordem. Havendo controvérsia sobre o fato essencial da tese da impetração. o ato da autoridade impetrada nada mais representa que o cumprimento de uma decisão do Supremo Tribunal Federal. se deixe de dar efetividade a essa decisão judicial.04. sendo que o juiz ao decidir deve fazer prevalecer a verdade real sobre a formal. 111-405. que figura como indiciado em inquérito policial (DPF) e denunciado em processo criminal perante a justiça comum. Ora.19. pág.25032-5/PR. (AMS nº 97. Quando controvertida. 4. Juíza Marga Barth Tessler. Trib. sem motivos relevantes. acrescente-se que.

Fed. Usucapião especial. juntado aos autos da ação de desapropriação por ela ajuizada (por delegação).Terrenos de marinha e seus acrescidos pertencem à União Federal e não podem ser objeto de usucapião. Sra. 12. José Diogo Cyrillo da Silva Apelado: Estado do Rio Grande do Sul Advogada: Dra.Sucessão e outros Advogada: Dra. Lei nº 6. 3. p. Trib.O autor foi intimado para juntar a planta do imóvel usucapiendo. 2001 . Terrenos de marinha. e sim em zona de expansão urbana.O croquis juntado com a inicial não substituiu a planta do imóvel porque não contém as dimensões e as confrontações. por força do Auto de Imissão de Posse. Área em processo de desapropriação. Porto Alegre. o que impossibilita saber se as terras de marinha e acrescidos abrangem todo o imóvel ou parcela dele. b) o usucapiendo não comprovou que não é titular de outro imóvel. 1. Lucimere Flores Brum EMENTA Civil. lavrado no dia 8 de junho de 1978 (fl. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.Relatora: A Exma.969/81. 111-405. 57). Adriana Krieger de Mello Bampi Apelada: Zelia do Valle Zogbi Advogada: Dra. de 10 de dezembro de 1981.Outros óbices ainda podem ser apontados que impedem a procedência da ação com fundamento na Lei nº 6. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª 141 R. 4ª Reg. o que deixou de fazer. 4. a área usucapienda estava na posse da Companhia de Desenvolvimento Comercial e Industrial do Rio Grande do Sul .Quando a ação de usucapião foi proposta. Mara Alaides Modernel Mendes Apelada: União Federal Advogado: Dr. a.CEDIC. 2. Falta de prova hábil da localização do imóvel e suas dimensões. 5. Reg. a saber: a) o imóvel usucapiendo não está em zona rural.969. 40. em junho de 1982. Juíza Luiza Dias Cassales Apelante: Luiz de Oliveira Gomes . Administrativo. n.

111-405. pago o valor da indenização. Relatora. Porto Alegre. Afirma que o autor era empregado de 142 R. negar provimento ao recurso nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. por determinação judicial. Sra. À fl. 33). 4ª Reg. Juíza Luiza Dias Cassales: Esta ação de usucapião foi ajuizada por Luiz de Oliveira Gomes.CEDIC (fl. ainda. 40. Reg. 01 de junho de 2000.CEDIC. por seu procurador. que faz certa a transformação do trecho da Estrada de Rodagem Rio Grande-Cassino em avenida. foi juntada certidão da Prefeitura Municipal. Por despacho de fl. tendo em vista a imprestabilidade do croquis juntado com a inicial. foi determinada a intimação do autor para que junte a planta do imóvel que pretende usucapir. em junho de 1982.CEDIC. Fed. inclusive.969/81. por unanimidade.Região. informa que a área usucapienda está situada em zona de expansão urbana e que teria sido desapropriada pela Companhia de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Rio Grande do Sul. que o autor não comprovou que não possui outra propriedade. denominada “Avenida Itália”. tendo. A Companhia de Desenvolvimento Industrial e Comercial . que foi imitida na posse do imóvel em dezembro de 1977. a. A petição inicial veio acompanhada do croquis de fl. 40 a manifestação do Delegado do Serviço do Patrimônio da União. Trib.969/81. 2001 . O Município de Rio Grande. não podendo ser objeto de usucapião com base na Lei nº 6. perante a Justiça Estadual. em sua contestação. juntou à fl. 54. pelo Procurador da República. n. RELATÓRIO A Exma. Porto Alegre. proprietárias do imóvel usucapiendo. diz que se encontra na posse do imóvel. por se tratar de terreno de marinha e acrescidos. As contestantes Anna Maria Zogbi Vossler e Zélia do Valle Zogbi. 11. 12. Ponderou. dando conta de que parte da área a ser usucapida pertence à União Federal. 08. dizem que esse imóvel foi desapropriado pela Companhia de Desenvolvimento Industrial e Comercial do Rio Grande do Sul . A União Federal. com fundamento na Lei nº 6. Alega que o imóvel é de natureza urbana. Juíza Luiza Dias Cassales. p.

298 a 302 comprova que em 1993 a CEDIC desistiu da ação de desapropriação. O documento juntado às fls. n. Sra. Acontece que. p.hoje Avenida .Edmundo B. que apenas parte do imóvel está situado em terreno de marinha. Trib. o imóvel usucapiendo está situado entre o Saco da Mangueira e a Estrada . Porto Alegre. O Douto Órgão do Ministério Público. o que foi deferido. Junta (fl. 62). 267. do Código de Processo Civil. publicada no DO de 17. 40. Fed. correspondência enviada a Edmundo B.359.01.que liga a cidade de Rio 143 R. Da r. Costa foi devidamente indenizado.95. Em virtude da morte do autor. 309. Edmundo B. sem julgamento do mérito. O Estado do Rio Grande do Sul passa a integrar a lide e informa. sentença foi interposto recurso de apelação. com fundamento no art. Juíza Luiza Dias Cassales: De acordo com o croquis juntado com a inicial (fl. que não existe qualquer documento que comprove que o autor era mero servidor do real detentor do imóvel. Alvará de levantamento das importâncias depositadas (fl. VI. A CEDIC foi extinta pela Lei nº 10. sua sucessão habilitou-se no processo. guia de depósito do valor da indenização (fl. que parte da área usucapienda invade faixa de domínio do Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem . A r. 57) o Auto de Imissão de Posse. Tendo em vista a manifestação da União Federal de interesse no feito. também. Em suas razões de recurso. a. em suma. 08). 12. por petição de fl. 4ª Reg. 2001 . opinou pelo improvimento do recurso. Alega. por ocasião da desapropriação. 312 até 316. 111-405.sentença julgou extinto o processo. datado de 28 de junho de 1978. Costa e recebida por Luiz de Oliveira Gomes (documentos de fls.DAER. 58/59). É o relatório. diz a apelante. os autos foram remetidos para a Justiça Federal. no parecer juntado às fls. Reg. com assento nesta Corte. O Douto Órgão do Ministério Público Federal opina pela improcedência do pedido. por entender não devidamente comprovada a posse com animus domini. 72). tendo em vista a inexistência de impugnação. Costa. VOTO A Exma. Todos os requeridos apresentaram contra-razões. em nome de quem possuía o imóvel.

o da medida existente entre as margens do Saco da Mangueira e da Av. no período em que esteve no imóvel. por despacho de fl. 4ª Reg. o imóvel não poderia ser objeto de usucapião. 12.Grande com o Balneário Cassino. n. inclusive. b) o usucapiendo não comprovou que não é titular de outro imóvel. 292-299). Não fosse por isso. quando foi proposta. sentença apelada. o que não foi feito. hoje falecido. Reg. na qualidade de comodatários. Portanto. Hoje o imóvel está ocupado por Marco Aurélio Arriegue e Alexandra Maria Arriegue. 57). a área estava na posse da Companhia de Desenvolvimento Comercial e Industrial do Rio Grande do Sul . que processou parte desta ação. Dito croquis não passa de um esboço e não contém dados fundamentais para o deslinde da controvérsia. verificando a inexistência da planta do imóvel e a imprestabilidade do aludido croquis para substituí-la. qual seja. esta ação também não merece prosperar porque. tendo em vista a inércia do autor em cumprir a determinação judicial de juntar a planta do imóvel usucapiendo e a deficiência do croquis. Terrenos de marinha e seus acrescidos pertencem à União Federal e não podem ser objeto de usucapião. em junho de 1982. E mais. 40. que toda a área usucapienda está situada em terras de marinha e seus acrescidos. que o autor. que. Itália. nego provimento ao recurso. e sim em zona de expansão urbana. intimou o autor. como fez a r. Aliás. 11. Outros óbices ainda podem ser apontados que impedem a procedência da ação com fundamento na Lei nº 6. a. amparadas em início de prova escrita. recebeu parte da indenização na ação de desapropriação. deve-se entender. a saber: a) o imóvel usucapiendo não está em zona rural. por força do Auto de Imissão de Posse. p. Trib.969.CEDIC. Isto posto. lavrado no dia 8 de junho de 1978 (fl. estava como preposto do real possuidor. para juntar a planta do imóvel. 2001 . Esse Auto de Imissão de Posse prevaleceu até novembro de 1993. Porto Alegre. 144 R. 111-405. de 10 de dezembro de 1981. Enquanto em poder do Estado do Rio Grande do Sul. para que se possa estabelecer se é todo o terreno ou apenas parte dele que está situado dentro da área de marinha e acrescidos. Fed. há afirmações. em referência. quando houve desistência da ação de desapropriação (fls. juntado aos autos da ação de desapropriação por ela ajuizada (por delegação). o Douto Juiz Estadual.

Reg. No caso. R. a suspensão do registro do Perito no órgão de classe só foi levantada após ter ocorrido a preclusão. Nulidades do laudo pericial. não podendo retroagir para atingir situações passadas já devidamente constituídas. 4 .DNER Advogado: Dr. Trib. 2001 145 . Otelio Renato Baroni e outro Remetente: Juízo Substituto da 2ª Vara Federal de Curitiba/PR EMENTA Administrativo e Civil. nenhum deles impugnados. n. 4ª Reg. Sra. Porto Alegre. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. p.01. Nulidade da intimação da sentença. Irregularidades meramente administrativas referentes à situação profissional do Perito do Juízo não invalidam o laudo. Prescrição. 111-405. Limitação administrativa. no processo existem mais dois laudos.Não se pronunciam nulidades processuais quando tiver ocorrido a preclusão e não for comprovado prejuízo à parte que a alega. Nulidade da sentença extra petita. a prescrição é vintenária e não qüinqüenal.O laudo pericial é meramente informativo não obrigando ao Juiz. Ademais.A lei nova regula para o futuro. verdadeiras reivincatórias. Nulidade do processo por ausência de alegações finais. Juíza Luiza Dias Cassales Apelante: Departamento Nacional de Estradas de Rodagem . 12. 40. Sebastião Domingos Pinto Apelados: Olímpio Moreira Paes e s/m Advogados: Drs. 1 . Fed. 2 . 3 . a. Não foi alegado qualquer prejuízo decorrente do fato de o Perito do Juízo estar suspenso do CREA.É o voto. Desapropriação indireta.Nas chamadas ações de desapropriação indireta.112449-7/PR Relatora: A Exma.04.

Contudo. Afirma que não foram as partes intimadas para apresentar suas alegações finais. Porto Alegre. sentença que. a.09. 111-405. Sra. RELATÓRIO A Exma. é qüinqüenal e não vintenária. em se tratando de órgão público. argúi a prescrição. de 12% ao ano. Em suas razões de recurso. 16 de novembro de 2000. 4ª Reg. negar provimento ao recurso e à remessa oficial. julgou parcialmente procedente a ação para condenar o DNER a pagar aos autores Olímpio Moreira Paes e Ieda Moreira Paes a indenização de R$ 20. e ao espólio de João Skraba a indenização de R$ 11. que. na ação ordinária de indenização por desapropriação indireta. que foi assinado por profissional com o registro suspenso pelo órgão regulador de sua categoria profissional. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.5 . cumuláveis e incidentes sobre o valor atualizado da indenização. tanto a Doutrina como a Jurisprudência entendem que cessa a gratuidade quando dita limitação for de tal ordem que torne o imóvel imprestável para o uso ou que lhe reduza de forma considerável o valor.97 e de juros compensatórios. Pondera que as limitações administrativas não são indenizáveis. por unanimidade. Levanta a nulidade do laudo pericial.812. Fed. oitocentos e doze reais e cinqüenta centavos). p. n. 2001 . devendo o réu restituir 20% dos honorários periciais e das custas adiantadas.25 (vinte mil. Porto Alegre.A limitação administrativa é gratuita. e moratórios. Juíza Luiza Dias Cassales. Reg. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.Confrontando o pedido constante na inicial com a sentença. mais honorários advocatícios de 2% sobre o valor da condenação. Juíza Luiza Dias Cassales: Da r. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 6 . desde 11.50 (onze mil. 12. acrescida de correção monetária. foi interposto recurso de apelação. bem se verifica que não houve julgamento extra petita. à taxa legal. desde o trânsito em julgado da decisão. Relatora. desde 19 de dezembro de 1979. o que causa 146 R.837. Trib. 40. oitocentos e trinta e sete reais e vinte e cinco centavos).

no caso. Esta ação foi ajuizada nos idos de 1982. tendo em vista que. O Douto Órgão do Ministério Público Federal opina pelo desprovimento da apelação. motivo pelo qual a ela se aplica o prazo de prescrição vintenária. 111-405.a nulidade do processo. 4ª Reg. Porto Alegre. consoante jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.703/98. Sra. n. O fato de o laudo oficial ter sido elaborado por profissional que está com seu registro suspenso não ocasiona a nulidade do processo. o prazo prescricional é o estabelecido pelo Código Civil para as ações de natureza real. porque não R. Por falta de intimação pessoal da sentença. A área non aedificandi é apenas uma limitação administrativa. não podendo alcançar situações pretéritas. Reg. Diz que a Prefeitura Municipal de Araucária é litisconsorte passiva obrigatória nesta ação. não se aplicam as legislações apontadas pelo apelante que estabelecem que o prazo prescricional das ações a serem intentadas contra a União Federal e suas autarquias é qüinqüenal. Afirma que a sentença foi extra petita porque concedeu indenização por limitação administrativa. Juíza Luiza Dias Cassales: Não se aplica à espécie o prazo prescricional previsto pela Medida Provisória nº 1. p. a lei dispõe para o futuro. efetuou a duplicação da BR 476 e que essa duplicação ocorreu dentro da faixa de domínio de 60 metros de largura. diz que. Quer o apelante que o processo seja anulado porque o laudo oficial foi elaborado por profissional com o registro suspenso pelo Conselho de Classe. já existente desde 1957. 12. Fed. porque a sentença é extra petita. a. portanto. Foram apresentadas contra-razões. já devidamente constituídas. porque o laudo é meramente informativo do juízo. então vigente. a dois. Por se tratar de verdadeira ação reivindicatória. como é curial. A um. não requerida na inicial. 2001 147 . por falta de intimação das partes para alegações finais. nada tem que indenizar. Assim sendo. motivo pelo qual o processo deve ser anulado ab initio. que não enseja pagamento de qualquer indenização. Trib. É o relatório VOTO A Exma. em 1979. 40. porque o Município de Araucária não integrou a lide como litisconsorte obrigatório. No mérito. entendeu a Corte Suprema.

determinou a MM. Trib. De mais a mais. e o do Assistente Técnico da autarquia apelante. 2001 . tão-só. Victor Ferreira do Amaral. toda a discussão ficou restrita à área non aedificandi que acompanha a faixa de domínio da BR 476. porque a rodovia em questão foi construída pelo Estado do Paraná. A responsabilidade do DNER decorreria. n. A ausência de intimação pessoal do representante legal da autarquia apelante não causa a nulidade do processo. apenas porque não foi realizado na forma estabelecida pela lei. assim. 4ª Reg. sem razão o apelante. nos autos existem mais dois laudos. finalmente. 40. porque ocorreu a preclusão. tendo em vista que o DNER se manifestou sobre o laudo oficial. de sua duplicação. Também. o Município de Araucária deveria ter feito parte da relação processual. 148 R. 16 anos depois da propositura da ação. Deste despacho foram as partes intimadas e contra ele não se rebelaram. depois de as partes terem se manifestado várias vezes no processo e retirado os autos para exame. Fed. Nossa legislação processual civil não autoriza que seja declarada a nulidade de um ato que alcançou seus objetivos e não causou nenhum prejuízo à parte. Juíza que os autos voltassem conclusos para sentença (fl. Como os imóveis dos autores estão encravados entre a BR 476 e a Av. 111-405. uma vez que o recurso de apelação foi interposto tempestivamente. destacou que veio ele corroborar a tese da contestação e as informações prestadas por seu Assistente Técnico. Nem por abstração poder-se-ia entender qualquer tipo de responsabilidade do Município em relação a uma limitação administrativa imposta por órgão da Administração Federal. Contudo. ocorrendo. ao se manifestar sobre o referido laudo. que ocorreu em 1979. o realizado em 1983. Reg. a. Porto Alegre. que pertence ao DNER. a preclusão. a três. por determinação do Juízo. não apontou o apelante a ocorrência de qualquer tipo de prejuízo.apontou a autarquia apelante qualquer tipo de prejuízo decorrente do fato de o Perito do Juízo estar com seu registro suspenso pelo órgão de sua classe. em 1949. visto que o objetivo da intimação foi alcançado. não levantando qualquer óbice em relação à sua qualidade técnica. 260). Entende a autarquia apelante que o Município de Araucária seria litisconsorte obrigatório. em 23 de setembro de 1998. quanto à pretensa nulidade por ausência de alegações finais. De fato. como litisconsorte obrigatório. Ao contrário. 12. p.

3ª Edição. a limitação administrativa que torne inútil o imóvel ou que lhe reduza de tal forma a utilização a ponto de ter reduzido o seu valor. Contudo. Como bem se constata do exame do pedido (fl. seguem a lição do saudoso Mestre. 424) e José Carlos de Moraes Salles (in A desapropriação à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. ensejando. como Diógenes Gasparini (in Direito Administrativo. 40. n. para ser gratuita. “a limitação administrativa é toda a imposição geral. a matéria comporta algumas considerações. tanto na Doutrina como na Jurisprudência que. direito à indenização. p. III).” (Hely Lopes Meirelles. no sentido de que a limitação administrativa. a. 12. passaram a fazer parte de área non aedificandi. É pacífico. abrange ele qualquer tipo de indenização. o que é o caso. Ed. Reg. R.” (ob. 600/601). aliás. pp. e sim a limitação administrativa que os impede de construir sobre as referidas áreas que. Mais uma vez engana-se a autarquia apelante. 761/762). propriamente dita. propugna o DNER pela nulidade da r. cit. Não será gratuita. Já Hely Lopes Meirelles ensinava em 1981 que as limitações administrativas: “Encontram seus lindes nos direitos individuais assegurados pela Constituição e devem expressar-se em forma legal. 4ª Reg. mesmo em relação às áreas não-ocupadas. p. 111-405. p. tanto a Doutrina como a Jurisprudência estabelecem limites para essa gratuidade. Só são legítimas quando representam razoáveis medidas de condicionamento do uso da propriedade. gratuita. 2001 149 . Fed.. Doutrinadores mais modernos. se ficar comprovado que a utilização do remanescente se tornou não-utilizável. sustentava-se nos ensinamentos de Bielsa. em virtude da ampliação da rodovia. condicionadora do exercício de direitos ou atividades particulares às exigências do bem-estar social. 1995. em princípio. o que está dando origem à indenização estabelecida pela r. 05). Porto Alegre. sentença não é a apropriação. Saraiva. p. No mérito. unilateral e de ordem pública. pois. sentença que seria extra petita porque concedeu uma indenização que não foi objeto do pedido. Direito Administrativo Brasileiro. uma das características da limitação administrativa é a sua gratuidade. em benefício do bem-estar social (Constituição da República. Trib. e não impedem a utilização da coisa segundo sua destinação natural. que. Na verdade. 160. de áreas dos terrenos dos apelados.Finalmente. art. 600) Portanto.

pontifica José Carlos de Moraes Salles. n. sendo que o restante do que era seu foi totalmente atingido pela construção da rodovia a título de desapropriação indireta não mais indenizável pelo transcurso do prazo vintenário. 150 R. No caso em exame. inicialmente.” Diante disso. pelo que se conclui. Fed. eqüivalerá. que perderam seu valor e tornaram-se de difícil utilização. É o voto. devendo. e a dois. ou na sua totalidade ou em cerca de 60%. já o segundo. chegando especificamente ao total de 661. nego provimento ao recurso e à remessa oficial. como bem analisou o Douto Procurador da República no trecho de seu parecer que passo a transcrever: “Conforme as cópias das Certidões do Registro de Propriedade dos autores nas folhas 10 e 17. Trib. p.50 m² (um mil e cinqüenta e sete metros e cinqüenta decímetros quadrados). Porto Alegre. Reg. ser indenizada a área atingida. a. Assim. 40.00 m² (um mil e sessenta metros quadrados). nos REsps 16860/SP e 38861/SP.057. Olímpio Moreira Paes e sua esposa possuem um terreno situado na zona urbana da cidade de Araucária. Isto posto. a construção da BR-116 atingiu mais da metade de seu terreno. com área de 1. Os imóveis foram por ela de tal forma atingidos.não pode promover o aniquilamento da propriedade e impossibilitar o seu aproveitamento econômico. os terrenos urbanos dos recorridos foram atingidos. já decidiu o Egrégio Superior Tribunal de Justiça.060. 12. 111-405. então. Para o primeiro autor acima citado. a um porque no primeiro caso correspondeu a quase 60% (sessenta por cento) da propriedade do autor.50 m² (seiscentos e sessenta e um metros e cinqüenta decímetros quadrados). em tal caso. é muito grande a dimensão de terras atingidas para ambos os proprietários. Nesse mesmo sentido. 4ª Reg. a verdadeira expropriação. porque no segundo caso atingiu o restante de terra que ainda cabia ao espólio. citados pelo Douto Procurador da República em seu parecer. motivo pelo qual devem ser indenizados. 2001 . a faixa não edificável alcançou a extensão de 375 m² (trezentos e setenta e cinco metros quadrados). enquanto o espólio de João Skraba possui duas glebas de terra também situadas na cidade de Araucária totalizando 1. Se a limitação administrativa for de tal ordem que impossibilite a utilização da faixa para qualquer outro fim. ficando o restante impróprio para a construção. a espécie está dentro das exceções da gratuidade das limitações administrativas.

1. na prova do fato que gerou a dor.12. Negligência da CEF. Dano moral. “Não há falar em prova do dano moral. 12.97).APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. sob pena de violação ao art. Anésio Rossi Junior e outros Apelantes: Paulo Calixto Ramos e outro Advogado: Dr. Juiz Valdemar Capeletti. 3ª Turma. Juiz Valdemar Capeletti Apelante: Caixa Econômica Federal . Sr. p. Ilegitimidade passiva. Porto Alegre. Preliminar de ilegitimidade rejeitada. sim. Fed. Prova do dano. impõe-se a condenação. 2.002946-0/PR Relator: O Exmo. sentimentos íntimos que o ensejam. estando sujeita ao arbítrio do magistrado a justa quantificação. 111-405. Inépcia. O ato negligente da Caixa Econômica Federal em não comunicar a adjudicação do imóvel pelos ora autores foi causador de toda essa situação vexatória e angustiante. Ação de indenização. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. mas. Porto Alegre. o sofrimento.271/SP. Relator. a. DJ de 09. Relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Luiz Roberto Rech Apelados: (Os mesmos) EMENTA Responsabilidade civil. Não é necessário pedido certo e determinado.08. por unanimidade. Reg. 3. 334 do Código de Processo Civil” ( REsp nº 86.70.CEF Advogados: Drs. negar provimento ao recurso de apelação da Caixa Econômica Federal e da parte-autora. 2001 151 . 40. 4ª Reg. n. Provado assim o fato. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Tentativa de desocupação do imóvel. RELATÓRIO R. 4. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Trib. 12 de dezembro de 2000.

aduz que não foi causadora do dano. a. fundamentando seu pedido com base no art. que fixou em R$ 300. 12. O oficial de justiça. pela angústia e vergonha que passou. Em razão desses fatos. a inépcia da inicial. O MM. tendo em vista um processo de execução. de R$ 1. A autora ficou muito nervosa. pois seus filhos e vários vizinhos presenciaram a cena. Juiz Valdemar Capeletti: Os autores ajuizaram a presente ação de indenização por danos morais. Juiz sentenciante julgou procedente a ação. 40.00 ( trezentos reais). Que ela não mandou fazer a desocupação. A autora passou algumas horas com a angústia de ser desocupada de sua moradia.O Exmo. os autores foram surpreendidos com a notícia de que deveriam desocupar a casa onde moravam. A CEF alega que o causador do dano foi o oficial de justiça. 111-405. em custas processuais e honorários advocatícios. corrigidos monetariamente até a data do efetivo pagamento. que haviam adquirido em leilão há cinco meses atrás. Irresignada. contra a Caixa Econômica Federal-CEF. igualmente. Alguns vizinhos presenciaram a discussão da autora com o oficial de justiça. uma vez que não foi ela causadora do dano. Trib. n. alegou preliminarmente a CEF.00 (um mil e quinhentos reais). Condenou. por ser vizinho da autora. a título de danos morais. ela argumentou que a casa pertencia a eles. No mérito. a ilegitimidade passiva da Caixa Econômica Federal. Porto Alegre. 2001 . Nos fundamentos da exordial. até que depois de duas tentativas foi informada por um funcionário da Caixa que a desocupação não seria mais feita. avisou que passaria à tarde na sua casa para cumprir um mandado de desocupação. ficando ao arbítrio do juízo o quantum da condenação.500. em razão da ameaça de ser desocupada da sua residência. condenando a ré ao pagamento. Fed. da qual tinha certeza que lhe pertencia. requer a autora a procedência da ação para que a Caixa Econômica Federal seja condenada a indenizar os danos morais. Alega ter sofrido danos morais. sob o rito comum ordinário. Alega que não teve participação na atitude do 152 R. Reg. Refere a Caixa que é parte ilegítima na ação. 159 e demais dispositivos aplicáveis à espécie. Sr. que não há nexo causal entre a sua conduta e o dano moral sofrido pelos autores. pela qual pleiteiam a condenação pelo danos morais sofridos. onde o oficial de Justiça afirmava que iria desocupar o imóvel e que voltaria com reforço policial e um caminhão para cumprir o mandado de desocupação. 4ª Reg. p.

Oficial de Justiça. visto que muito insuficientes. ora autores. nem o oficial de justiça cumprir o mandado. Que este deveria pertencer ao pólo passivo da relação. visto que por ato puramente negligente da Caixa Econômica Federal foi ocasionada toda essa situação vexatória e angustiante pela qual passaram os autores. requer que seja reduzido o valor da indenização em R$ 1000. espera a reforma da sentença. n. 111-405. A parte-autora. pois não há pedido líquido e certo. requer a condenação da verba honorária no percentual de 20% sobre o valor da condenação. Por conseqüência. surtindo assim. Alega que não ficou provado o nexo causal entre a conduta da Caixa e o dano sofrido pelos autores. Aduz que a inicial é inepta. Juiz Valdemar Capeletti: A assertiva da ilegitimidade da CEF não procede. Trib. a tentativa de despejo dos novos adquirentes. sendo assim. Após contra-razões. absolvendo a CEF da condenação imposta. VOTO O Exmo. nas suas razões de apelação. subiram os autos a esta Corte. Reg. Esses argumentos não consubstanciam em nada a defesa da ré. Afirma que os autores não poderiam deixar a cargo do magistrado a fixação do quantum da condenação. 12. Rejeito a preliminar. em nenhum momento. 4ª Reg. Por fim. Porto Alegre. Fed. a CEF ordenou tal procedimento do Oficial de Justiça e muito menos o despacho do magistrado. É óbvio que a ré não mandou o magistrado despachar. em razão de os autores não terem feito um pedido certo. R. À douta revisão. É o relatório. careceria a ação. 2001 153 . p. a. 40. Argumenta que. Caso assim não se entenda. requer a majoração da condenação.00 ( mil reais). foi o propiciador do fato da execução seguir seu trâmite. quando o mesmo foi adjudicado pelos autores da ora ré. tendo em vista que o valor arbitrado é ínfimo. tendo em vista que foi ele quem provocou o constrangimento e angústia sofridos pela autora. Sr. O ato negligente da ré em não atualizar os dados referentes àquele imóvel.

a angústia de ser ameaçada de despejo. p. não é necessário que o pedido seja certo e determinado. sob pena de violação ao art. pois. 3ª Turma. A respeito disso. tudo isso causou um incômodo e vexame incontestáveis. 334 do Código de Processo Civil” ( REsp nº 86. 4ª Reg. sentimentos íntimos que o ensejam. na prova do fato que gerou a dor. a justa quantificação do dano. Porto Alegre. a. onde se busca a recomposição dos danos morais. o Superior Tribunal de Justiça tem firmado entendimento reiterado: “Não há falar em prova do dano moral. sim. em razão da desocupação não ter-se efetivado e o fato ter durado apenas algumas horas. Reg. Mantenho a sentença quanto aos honorários sucumbenciais. Voto. Relator Ministro Carlos Alberto Menezes Direito. Todos os constrangimentos vividos pela parte-autora. a vergonha que passou perante os vizinhos que transitavam pela rua e ficaram observando a discussão entre a autora e o oficial. impõe-se a condenação.Nas ações de responsabilidade civil. Sendo assim não é inepta a inicial. presenciar seus filhos chorando e não ter como acalmá-los. No tocante à alegação que não há prova do dano. No que tange ao quantum da indenização. 111-405. Quanto ao mérito. 40. 154 R. o dano moral prescinde de prova. É o voto. Provado assim o fato. tendo em vista que o imóvel foi adjudicado pelos autores. O nexo causal no caso em tese é irrefutável. não merece prosperar. o sofrimento. ficando ao arbítrio do juiz. n. segundo seu bom senso. as alegações de que não há nexo causal nem provas que demonstrem o dano sofrido.271/SP. tenho como improcedentes.97). 12. estando a situação regularizada há 05 (cinco) meses. 2001 .12. DJ de 09. visto que como já consolidado na jurisprudência. tenho como correta a quantificação. Trib. Fed. no sentido de negar provimento ao recurso de apelação da Caixa Econômica Federal e da parte-autora. a recusa do gerente da Caixa em explicar-lhe o que estava ocorrendo. mas. Tendo como única causadora a conduta negligente da ré em não extinguir o processo de execução.

para que não sejam aplicadas punições graves sem a devida apuração dos fatos. Reg. 1. Apelação e remessa oficial improvidas.04. Exclusão do mestrado. Porto Alegre. 3. Porto Alegre. Rodrigo Goldschmidt Apelado: Santos Olavo Misturini Advogados: Drs. p. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 12. Juíza Marga Barth Tessler: Trata-se de mandado de segurança contra ato do Reitor da Universidade de Passo Fundo que R. negar provimento ao apelo e á remessa oficial. Trib. Fed. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. decretando a nulidade do ato de exclusão do impetrante. por unanimidade. 111-405. Ensino superior. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Mantida a sentença que julgou parcialmente procedente o pedido. Juíza Marga Barth Tessler. Enio da Silva Barreto e outro Remetente: Juízo Substituto da 1ª Vara Federal de Passo Fundo/RS EMENTA Administrativo. 2001 155 . 40. n.APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999. Juíza Marga Barth Tessler Apelante: Universidade de Passo Fundo Advogado: Dr. Relatora. nos termos do relatório. Sra. 2.003807-5/RS Relatora: A Exma. pois não foi observado o devido processo legal. deve ser observado o devido processo legal na via administrativa. RELATÓRIO A Exma. Sra. Observância. 03 de abril de 2001. Mesmo que a comissão não seja composta de juristas. Necessidade.71. a. ao impetrante não foi oportunizada a ampla defesa e o contraditório. Ampla defesa e contraditório. 4ª Reg.

) Isso posto. ainda.. foi 156 R. a possibilidade de que a Universidade proceda à nova investigação sobre os atos que reputa afrontantes à dignidade universitária. especialmente o de proceder à sua rematrícula neste semestre. pois a via mandamental não é a adequada para a apreciação das alegações do impetrante. do CPC). forte no artigo 267.). Destarte. parágrafo único. em face da perda de objeto do pleito (. Alega o impetrante que o ato foi arbitrário. Fed.. Com o ajuizamento da ação mandamental. Deverá. Prejudicada a análise e julgamento do pedido de imposição do acolhimento do trancamento de matrícula do aluno-impetrante no curso de mestrado. sem divisão e compensação. A sentença julgou a lide da seguinte forma: “(. sem qualquer oportunidade de defesa. assim. matéria de fato que exige dilação probatória.. n. Custas na forma da lei. no tocante ao pedido de reconhecimento da nulidade dos atos de punição(repreensão e advertência). pela Universidade Federal de Passo Fundo. decreto a extinção do processo sem julgamento de mérito. 12..)... Trib. O impetrante interpôs embargos de declaração. de acordo com o regulamento da instituição. para CONCEDER A SEGURANÇA no tocante à tese de nulidade do procedimento administrativo e de seu ato conclusivo.. aplicados ao impetrante por força da relação de trabalho que o liga à parte impetrada. se persistir no desiderato de apurar os fatos que reputa gravosos à imagem da instituição. dizendo que: . Destaco. proceder instaurando regular processo administrativo contra o impetrado e proporcionando-lhe amplo direito de defesa e contraditório. DECRETO a nulidade do procedimento e ato administrativo supramencionados e ORDENO sejam reestabelecidos integral e imediatamente. A Universidade de Passo Fundo apelou. dos estritos lindes traçados pela lei e pela Constituição (.a inicial deveria ter sido indeferida. ainda que já encerrado o período estabelecido pela instituição educadora para tanto (.. 111-405. JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTES os pedidos vertidos na inicial. para tanto.).. Sem honorários advocatícios (. a. inciso IV.). à vista da sucumbência mínima do impetrante (artigo 21.)”.. que culminaram com o desligamento do impetrado do Programa de Pós-Graduação e do Curso de Mestrado em Educação (. a questão do plágio da dissertação de mestrado é extremamente importante para a solução da lide. desde que não desborde. 40. em face da absoluta incompetência da Justiça Federal para apreciar tal pretensão (. A liminar foi indeferida.. p.. Ao contrário do que entendeu a sentença. que foram rejeitados pelo MM.. Reg. Por fim. 4ª Reg.). 2001 . Porto Alegre. do CPC. Juízo a quo. todos os direitos do impetrante como aluno do referido curso..desligou o impetrante do mestrado em educação. extinguindo o processo com julgamento de mérito.

O apelado é quem tentou impedir as investigações. VOTO A Exma. Ocorre.. É o relatório.a Universidade jamais alegou que os seus atos não eram suscetíveis de apreciação pelo Judiciário. Fed. A acusação de plágio não chega a ser discutida. alega-se que todos os atos que envolveram a exclusão do impetrante foram arbitrários. deixando de fornecer a documentação pertinente ao assunto. Feito sujeito a reexame necessário. não ser possível admitir-se o writ no caso por R. Sra.. tenho por plenamente cabível o mandado de segurança ora apreciado. em princípio. As reuniões serviram exatamente para o esclarecimento da situação. n. o direito ao devido processo legal. sendo suficiente a prova documental constante dos autos para a apreciação do objeto litigioso. Reg.) Os fatos (. 4ª Reg. . Porto Alegre. . que teria como demonstrar a ocorrência do plágio. correta a fundamentação da sentença sobre o tópico: “(. p. sem o mínimo de formalidade..). a.o impetrante não tem o direito líquido e certo pretendido. em suas informações. Assim.. não acedendo razão à autoridade dita coatora. entretanto. Apenas as considerações feitas nas informações foram desconsideradas. pode ser defendido em ação mandamental. pois não foi ocultado o fato de que estava sendo feita investigação sobre o já mencionado plágio. pelo que está em pauta exame de direito líquido e certo (. quando afirma. Por outro lado. 12. que a pretensão deduzida na inicial é anterior. não há como afastar o direito à impetração de mandado de segurança. Trib..prejudicado o direito de defesa da apelante. 40. pois a pretensão é no sentido de que todos os atos sejam refeitos dentro do procedimento exigido por lei. Juíza Marga Barth Tessler: Em primeiro lugar. e a solução da lide foi dada apenas com base em argumentos procedimentais. O Ministério Público Federal opinou pelo improvimento do recurso. analiso a preliminar de ausência de adequação da via eleita. 2001 157 . não se pode exigir na via administrativa o rigor formal da via judiciária. existe um direito que. qual seja. A Universidade de Passo Fundo pretende inserir no mandamus a questão da ocorrência de plágio no projeto de dissertação de mestrado do impetrante. Logo.. Com contra-razões. Preenchido esse pressuposto básico. impossibilitando a sua defesa. 111-405.) são incontroversos.

Já na correspondência cuja cópia está na 158 R. e não só do pedido formal (. 111-405. Certamente. 40. Porto Alegre.. em prejuízo dos princípios da economia. há cópia de uma correspondência enviada ao impetrante em outubro de 1998. no caso.. Sobre o mérito. ser rejeitada a preliminar. que é de índole constitucional. portanto. O cunho mandamental do provimento requerido é indiscutível. a. nem é impulsionado por juristas. extraindo de toda a exposição realizada ao longo da peça inaugural.. discordo das razões de apelo no ponto em que diz ser desnecessário observar formalidades. p. provimento de cunho declaratório e condenatório (.. se no comum das ações não se justificaria o indeferimento da inicial nestas circunstâncias.). que tem por líquido e certo. Reg. Por outro lado. Trata-se. mesmo no âmbito do direito administrativo as punições só podem ser aplicadas após a realização de um procedimento mínimo.estar pleiteando. o procedimento administrativo não tem todos os requisitos e formalidades do procedimento judicial. de uma discussão anterior à ocorrência do ato imputado. na presente ação. 2001 . n. Trib. O processo não contém o teor dessa reunião. assegurando direito ao contraditório e à ampla defesa. algumas regras básicas. dos quais surgirá a defesa. celeridade e utilidade processual. que. qual seja. uma sindicância. é inequivocamente mandamental – em que pese a inadequação dos verbos utilizados nos requerimentos finais (. Deve. Fed. e aproveitando o que foi dito acima. expedição de uma ordem para o desfazimento de todas as penalidades impostas. deve respeitar o regimento e na ausência deste. Na fl. mas..)” Fica muito clara a pretensão da parte impetrante. a parte impetrante. a real pretensão do autor. A documentação trazida aos autos merece algumas considerações. 4ª Reg.). pois o que interessa para a delimitação da lide são os fatos narrados. com mais razão se torna imperioso prestigiar o fim útil do processo. na qual ele é convocado para “tratar de assuntos referentes a seu projeto de dissertação de mestrado”. E esta ação foi ajuizada para discutir se houve obediência a esse mínimo legal ou se a penalidade foi aplicada sem que houvesse oportunidade de defesa. Ocorre que do exposto na exordial deflui claramente sua intenção de que seja apreciado – e.. assim mesmo. para que não sejam cometidas arbitrariedades. O fato de ter havido requerimento de provas é irrelevante. possibilitando a continuidade do mestrado. Ora. 12. de maneira formal e com a devida publicidade. evidentemente. o procedimento de investigação deve ser iniciado mediante uma portaria. o plágio. revogado – ato que entende afrontante ao seu direito. 104. obviamente. em detrimento da forma. Como bem salienta a inicial.

. A primeira parte do referido texto não apenas difere da segunda parte. o aluno do curso de mestrado em Educação da Universidade de Passo Fundo (. as devidas referências bibliográficas. O coordenador da reunião. 111-405. Dr.... Fed. a CPG informou ao aluno (. O aluno (. 40. A ata da reunião do dia 10 de março de 1998 foi juntada pela Universidade nas fls.) para que o aluno entregasse o material que serviu de base para o seu texto... professora doutora Maria Helena Bastos.) ensino aprendizagem.) apresenta um estilo redacional muito diferente do restante (. dia dois de novembro (.) solicitou esclarecimentos R.... adulterando. o aluno (. Diante do fato (. a contar de primeiro de dezembro de um mil novecentos e noventa e oito.) evidências apontadas pela professora orientadora e pelos membros da CPG..). Porto Alegre.. Na ocasião.) as informações solicitadas (. mas também do próprio estilo do autor. das fontes utilizadas.) protocolou (. passou a admitir que havia efetivamente tomado trechos de outros autores para compor o seu próprio texto..) entregou à sua orientadora.).) evidenciada no texto’ fosse considerada posteriormente como parte integrante do processo (.... como sendo o primeiro capítulo do texto destinado para o exame de qualificação.. o apelado foi novamente convocado para uma reunião.142 e seguintes. Colocado a par da situação. Buscando esclarecer o assunto. n. para prestar esclarecimentos sobre o assunto. 12. na íntegra...) reuniu a Comissão de Pós-Graduação do programa (CPG) e a professora orientadora para analisar a questão. porém. 105. Misturini e entrega do material (. o texto ‘Centralização e municipalização na gestão da educação pública’.) Reunimos para discutir a seguinte pauta: processo de trancamento do aluno professor Santos O.. alegando problemas de saúde (.. a.. O conteúdo do relatório foi posto em discussão (..(.fl. O aluno alegou não se lembrar. Reg....... manifestado em redações anteriores.) O confronto dos textos indica que de fato o aluno (. dessa vez para “tratar do seu pedido de trancamento de Curso”. Informado.) substanciais do livro de L. Jaime Giolo... a CPG e a professora orientadora acharam por bem convocar o aluno (..... Trib.) encaminhando. Na análise do documento. Transcrevo alguns trechos: “(.. o aluno inicialmente afirmou ser o autor do texto. solicitando também que a ‘contradição (.).. o relatório. no momento.. Dowbor. p...)... não fazendo. 2001 159 ..). A reunião entre a CPG. a professora orientadora detectou indícios de cópia na principal parte do texto (.... Em resposta. a CPG empreendeu uma série de buscas bibliográficas até localizar o livro que serviu de fonte para o referido texto.) deram até a segunda-feira seguinte. determinados dados fornecidos pelo autor (.. mas aos poucos. a professora orientadora e o aluno aconteceu no dia vinte e oito de outubro (.. o coordenador do curso (.) através do ofício datado de vinte e dois de outubro de um mil novecentos e noventa e oito. inclusive.. 4ª Reg. por sua vez. é o seguinte: Durante o segundo semestre de 1998.). face às (. Prof. A CPG e a professora orientadora insistiram para que fosse indicada a obra donde as passagens haviam sido tiradas..) que seu pedido de trancamento somente seria analisado depois da entrega do material solicitado (.(.) decidiu não fornecer (. passou a relatar os fatos que envolvem o trabalho de texto destinado para o exame de qualificação do aluno Santos Olavo Misturini.. Recusando-se a fornecer o material.....) novo pedido de trancamento de curso.) solicitação de trancamento do curso por um ano.) copiou partes (.

. 4ª Reg.. Mais ainda: o impetrante confessou o alegado plágio. a.. embora sendo do mesmo autor. Os presentes insistiram mais uma vez para que o aluno prestasse esclarecimento. É preciso enfatizar que realmente os estabelecimentos de ensino têm o dever de zelar pela correta formação de seus alunos. 40...(.. Fed. e não apenas que o apelado entregasse materiais. abrindo-lhe prazo para a defesa. Jaime insistiu para que o aluno (.). primeiramente.. n. tanto que a ata acima transcrita registra a insistência da comissão. dizendo que gostaria de ter uma chance.) do aluno ser também professor do curso de Pedagogia (.. O aluno reconheceu que o texto em análise.. que inclusive condicionou a apreciação do pedido de trancamento ao esclarecimento dos fatos. A prof. o aluno disse que sim. Evidente que alguém que se propõe a trilhar tal curso precisa ter nível de conhecimento não apenas em relação ao assunto que será 160 R. Este manteve-se firme na posição de não falar (. é que... Perguntado se conhecia o autor... Se os membros da comissão tinham o trabalho do aluno e acharam o livro do qual havia sido extraído o texto.) o coordenador afirmou que havia notícias de que o texto do aluno poderia ter sido compilado por um terceiro (.) se pronunciasse sobre o assunto.) apresentou o livro de Ladislau Dowbor (. O professor (.. não havendo qualquer referência às supostas irregularidades. que outro material haviam de solicitar? Era só instalar formalmente a comissão de inquérito e comunicar o fato ao impetrante. exibido na reunião. O aluno (. O prof. argumentando que o material utilizado. pois dele sairão os futuros professores. Porto Alegre. foi convocado para essa reunião para tratar do pedido de trancamento do curso. foi extraído de outros livros e revistas. (.. aqueles que terão a nobre missão de transmitir o conhecimento aos graduandos.)” O que se pode observar. O coordenador (. Trib. 12. 111-405..).. não obstante o apelado soubesse que havia desconfianças em torno da lisura de seu trabalho... Os responsáveis pelo setor de Pós-Graduação e Mestrado aproveitaram a oportunidade para tentar esclarecer outros fatos. O coordenador argumentou que o trabalho do aluno (.... a coincidência literal entre o livro e o texto (.. o que se pretendia era a confissão.) O aluno Santos colocou-se à disposição para refazer o trabalho.) passou a relatar o que segue: face às dificuldades de agradar a orientadora com os textos de sua própria lavra.. era de sua lavra. considerou que deveria contratar os serviços de uma terceira pessoa para escrever seus trabalhos acadêmicos. indicando ainda que esta não era a primeira vez que o aluno entregava trabalhos com indícios de plágio. Maria Helena negou qualquer dificuldade de relacio­namento pessoal ou acadêmico...) reproduz integralmente trechos e até títulos do livro apresentado. p.). O objetivo era evidente. mas negou conhecer o livro. Reg.) e passou a mostrar página por página.ao aluno sobre o fato em questão. O mestrado é um curso de muita importância. 2001 .) Muhl referiu a gravidade do fato (. declarando este que nada iria referir.

indiretamente. com razão. 111-405. mas também deve ter domínio da língua. e é louvável a iniciativa da Universidade em tentar coibir práticas que venham a denegrir a imagem do curso de mestrado. a Constituição Federal de 1988. com razão a Universidade ao se indignar. Ocorre. Tudo isso influi sobremaneira na qualidade do futuro professor. está fundamentado: a) no art.. salienta a gravidade dos fatos envolvendo o impetrante. já que a notificação aludia somente ao pedido de trancamento do curso. 40. Trata-se de um ciclo. 4ª Reg. Trib. comprometendo. entretanto. a qualidade do ensino como um todo. r. pois certamente a punição também será muito grave.Cabe à CPG: (. do Regimento Geral dos Programas de Pós-Graduação Strictu Sensu da UPF: “(. p. se a Comissão pretendia ir a fundo na investigação sobre a lisura do trabalho do impetrante. 7º . traz exigências mínimas. É fácil perceber que se tratou de um verdadeiro interrogatório. 12. ad referendum das instâncias superiores. deve saber expressar-se com certa desenvoltura. Reg. a.. irá ser decisivo na qualidade dos futuros profissionais que serão ensinados pelos mestres que saem desses cursos. os casos omissos. desde que pelo procedimento correto.) r – resolver.tema de sua dissertação. dando ao aluno a mais ampla oportunidade de defesa. no nome que terá o curso de mestrado e. Na hipótese em análise. mas o dever de fazê-lo. O ato de desligamento. e não exatamente uma oportunidade de esclarecimentos. dentro das atribuições legais. dizendo que não pode ser obrigada a adotar um procedimento com excessivo rigor formal. Justamente no mestrado em Pedagogia do ensino flagra-se uma atitude profundamente distante da ética e do aprendizado. 7º. principalmente. 2001 161 . por sua vez. O impetrante sequer foi devidamente intimado a prestar esses esclarecimentos. n. a exclusão do curso.. tinha não só o direito. A Universidade.. procedimentos que não podem ser preteridos.) Art. que justamente os fatos mais graves são aqueles que exigem mais cautelas na sua apuração. Porto Alegre. sob pena de aplicar-se uma penalidade gravíssima sem oportunidade de defesa. E não há como dizer que na reunião acima transcrita foi dada essa oportunidade. O ordenamento jurídico. Fed. R. como no caso.

de qualquer membro do corpo docente ou de funcionário universitário. transitada em julgado. (. 40. IV . (. o Regimento do Curso de Mestrado em Educação.desligamento. V..(. 4ª Reg.. do Diretor da Unidade.) § 5º .. 189 – As penas previstas no artigo anterior aplicam-se na forma seguinte: (. os casos omissos.. 162 R. c – por prática de atos incompatíveis com a dignidade universitária... do Superintendente do Campus.) art. 3º .. V .) Art.) art. Trib. do Regimento Geral da UPF: “(..)” b) no art.suspensão de atividades escolares por trinta (30) ou mais dias. r.)” Por outro lado. Porto Alegre. 188 e 189.) V – desligamento: a – por grave desacato à autoridade do Reitor. a. 111-405... II – repreensão.)” c) nos arts. b – por prática de atos atentatórios à ordem pública em virtude de condenação criminal.188 – Os alunos da Universidade estão sujeitos às seguintes penalidades: I – advertência... III . ad referendum das instâncias superiores. do Chefe de Departamento.... p. 12.suspensão de atividades escolares até oito (8) dias. 2001 .) r . § 5º. 3º.(. n. do Regimento do Curso de Mestrado em Educação: “(.. Fed.resolver. Reg.São atribuições da CPG: (. (.. dentro das atribuições legais..

16. para depois ocorrer a punição. n. d) se não efetuar a matrícula no prazo estabelecido. Trib. no art. o que poderá ser feito de imediato. enquadrar a atitude do aluno como incompatível com a dignidade universitária. Reg. preservou o direito de a Universidade prosseguir nas investigações. Porto Alegre.. 2001 163 . a tipicidade. Isso posto. 40. c) se for reprovado duas vezes no exame de qualificação.juntado nas fls. Importante. a publicidade. sem aguardar o trânsito em julgado desta decisão.. as hipóteses de exclusão do curso: “(. é bem claro. nego provimento ao apelo e à remessa oficial. A verdade somente é alcançada com o amplo exercício do devido processo legal na via administrativa. Fed. R. p. Os fatos devem ser corretamente apurados. com certeza.. O fato de a Comissão não ser composta de juristas de forma alguma significa que não devam ser observados os princí­pios constitucionais gerais que regem o ato administrativo. 73 e seguintes. Deve. (. como a legalidade.) art. ser mantida a sentença que. compreender que seus motivos são os mais nobres.)” A apelante quis. não há como dar guarida a um ato de desligamento sem a possibilidade de defesa do mestrando.. arrola. assegurar-se a ampla defesa e o contraditório nesses casos. não obstante entender as razões e a preocupação da apelante. e) se tiver obtido conceito ‘C’ em mais de 50% das disciplinas realizadas para integralizar o curso. várias atitudes estariam incluídas nesse conceito. portanto. 12. têm uma abrangência muito grande. É o voto. 3º. a. 16 – O aluno será desligado do curso caso ocorra uma das seguintes hipóteses: a) se obtiver conceito ‘D’ em qualquer atividade repetida. inclusive. É óbvio que esses “atos incompatíveis com a dignidade universitária” encerram conceitos indeterminados. 4ª Reg. 111-405. b) se exceder o prazo de conclusão estabelecido no art. a moralidade etc. f) se não aprovado na argüição final da dissertação. então. Assim.

Fed.APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. Trib. sem que. Lauro Wagner Magnago e outros Remetente: Juízo Federal da 5ª Vara Federal de Porto Alegre/RS EMENTA Administrativo. José Luis Wagner e outros Dr. . A supressão da GDAT dos proventos dos inativos pela MP 19151/99 traduz redução de parcela remuneratória de ordem geral vinculada ao simples exercício do cargo de todos os auditores fiscais. Humberto Acacio Trez Seadi Drs. Constitucional. caput. na esteira dos precedentes da Turma. MP 1915-1/99. da CF/88 assim o determina. Supressão. . devendo ser resguardado o direito dos aposentados e pensionistas que a vinham percebendo por força da MP 1915-1/99. ACÓRDÃO 164 R. para tanto. e 40. Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária . p. 40. com redução dos honorários para 10% sobre o valor da condenação. § 8º. 111-405. 12. a.GDTA. Sentença mantida.882-5-DF. Luís Inácio Lucena Adams Apelada: Vera Regina Baltar Garcia Advogados: Drs. 40.027279-6/RS Relatora: A Exma. porque o art. 2001 .71. . estabelecido o prequestionamento pelas razões de decidir. inclusive quanto aos consectários legais. CF/88. n. Critério que estabelece discriminação entre os próprios inativos. Auditores fiscais aposentados e pensionistas. Sra. § 8º.06. Direito reconhecido.99. Porto Alegre. Apelação e remessa oficial parcialmente providas. Juíza Silvia Goraieb Apelante: União Federal Advogado: Dr. haja diversidade quanto às condições fáticas ocorridas quando da concessão da aposentadoria ou pensão. ao reservar a percepção da vantagem apenas àqueles cuja aposentadoria é posterior a 30. 4ª Reg. Arts. Reg. Precedente do STF na SS nº 1.00. 5º. .

4ª Reg. OTN. vencido em parte o Juiz Amaury Chaves de Athayde quanto aos honorários advocatícios. INPC. p. 16.915-1/99. n. BTN. 12. nos termos do relatório. onde o MM. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. É o relatório. 40. Sobreveio sentença. a. IPC-r e IPC. por maioria.Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 2001 165 . Trib. Relatora. não ofendendo direito líquido e certo. nos seus proventos. Com contra-razões. março. corrigidas as diferenças desde quando devidas pelas ORTN. subiram os autos a esta Corte. § 5º. 111-405. objetivando a inclusão.915/99. VOTO R. Sra. que a autora não tem direito ao que pretende. Fed. a União alegou. Fixou os honorários advocatícios em 20% sobre o valor da condenação. Porto Alegre. da parcela denominada Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária. ajuizada por pensionista do Ministério da Fazenda. 13 de março de 2001. repisando os argumentos dispendidos na contestação quanto ao mérito e postulando a redução dos juros de mora para 6% ao ano e dos honorários advocatícios. um vez que a Administração agiu dentro da legalidade. Juíza Silvia Goraieb: Trata-se de ação ordinária com pedido de tutela antecipada. em síntese. Em contestação. Juíza Silvia Goraieb. Porto Alegre. Juízo a quo julgou procedente a ação para condenar a ré ao pagamento dos proventos da pensão da autora sem aplicar o disposto no art. abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991 e juros de mora de 12% ao ano calculados até o depósito da integralidade do débito. da MP 1. Reg. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Apelou a União. cumprindo o disposto na Medida Provisória nº 1. dar parcial provimento à apelação e à remessa oficial. RELATÓRIO A Exma. nas mesmas condições em que são pagas aos servidores em atividade. mais os expurgos inflacionários de janeiro de 1989.

a vantagem em comento configura parcela remuneratória de ordem geral. Em sua primeira edição. p. 7º. no art. Min. Marco Aurélio. . em sua primeira edição.” Inegável que o fundamento jurídico invocado é consistente. 16. a.073-2-SP. Reg. não poderia ser aplicada aos proventos e pensões.03. Sra. 40. por isso. Mesmo que assim não fosse. em 30. Fica instituída a Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária – GDAT. Porto Alegre. § 8º. Fed. da Constituição de 1988.A Exma. Trib. no percentual de até cinqüenta por cento.99. devida aos integrantes da Carreira Auditoria da Receita Federal. restringiu o direito nos seguintes termos: “Art. 4ª Reg. até 30 de julho de 1999. § 5º O disposto neste artigo não se aplica às aposentadorias e pensões concedidas até 30 de junho de 1999 a servidores da Carreira de Auditoria da Receita Federal e. n.99. 12. ao contrário do alegado. É que. obstáculo desta natureza foi afastado pelo Supremo Tribunal Federal que decidiu no RE nº 117. ou seja. incidente sobre o vencimento básico do servidor. 40. estabelecia sua aplicação também aos inativos. tanto que a Medida Provisória.. sendo que a reedição.99. está diretamente vinculada ao simples exercício do cargo de todos os auditores fiscais. porque impossível auferir a produtividade de inativos e pensionistas. Carreira Auditoria Fiscal da Previdência Social e Carreira Fiscalização do Trabalho. DJ 12. Rel. 2001 . a servidores da Carreira da Auditoria Fiscal da Previdência Social e Carreira Fiscalização do Trabalho. nos seguintes termos: “PROVENTOS DA APOSENTADORIA . aos integrantes da carreira da Auditoria da Receita Federal com base no art.915-99.06. Juíza Silvia Goraieb: Discute-se nos autos o direito dos inativos à percepção da Gratificação de Desempenho de Atividade Tributária instituída pela Medida Provisória nº 1.. Não se oponha à pretensão declinada na inicial o argumento de que a GDAT é gratificação de produtividade e. pois a regra constitucional antes citada determina que sejam estendidos aos aposentados e pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens concedidos aos servidores em atividade. art. 111-405.VANTAGENS DO PESSOAL ATIVO – PARCELA VARIÁVEL PELA PRODUTIVIDADE – AGENTE FISCAL DE REN- 166 R.07. previa a norma provisória. 11. a aplicação da vantagem aos proventos de aposentadoria e às pensões. de 06.

dentre outros dispositivos. que previa. não há que se falar que inexiste redução de salário na hipótese.915. a servidores da Carreira da Auditoria da Receita Federal e. 40. na medida em que estabelece discriminação entre os inativos. Carlos Velloso. a fim de que não se transforme em periculum in mora inverso.882-5-DF. da CF/88. 2001 167 . é certo que a supressão contida na MP 1. sob pena de atingir direitos assegurados na Constituição. consignou. Fed. houve a inserção.” Assim. A situação reclama cuidadosa análise. em sua reedição. procede o pedido. ao reservar a percepção da vantagem apenas àqueles cuja aposentadoria é posterior a 30 de junho de 1999. do artigo 16. parágrafo 8º. recomendando. até 30 de julho de 1999. caput. 12. na SS nº 1. 40. 111-405. O preceito no § 4º do artigo 40 da Constituição Federal revela a isonomia na plenitude maior. em seu artigo 11. Assim. a subsistência do ato decisório atacado. que foi excluída das edições posteriores. expressamente.DAS – SÃO PAULO. da Constituição Federal. a servidores da Carreira da Auditoria Fiscal da Previdência Social e Carreira Fiscalização do Trabalho’. em sua redação primitiva. já que as verbas aqui tratadas se revestem do caráter alimentar. por isto mesmo.” Por outro lado. Entretanto. Reg. 4ª Reg. o Min. assim se manifestou: “A Medida Provisória nº 1. além de violar o art. que ‘o disposto nesta Medida Provisória produz efeitos financeiros a partir de 1º de julho de 1999 e aplica-se aos proventos de aposentadoria e às pensões’. a extensão das modificações introduzidas na Carreira Auditoria Fiscal aos inativos e pensionistas. p. Trib. contemplando todo e qualquer benefício. que em seu parágrafo 5º determinou que ‘o disposto neste artigo não se aplica às aposentadorias e pensões concedidas até 30 de junho de 1999. a. entendo que o Magistrado a quo apenas preservou uma situação inaugurada com a edição da primeira Medida Provisória. a norma impugnada afronta o art. § 8º. Porto Alegre. n. Juros de Mora: O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o percentual cabível R. em 29 de junho de 1999. na primeira redação da Medida Provisória. sem que para tanto haja qualquer diversidade quanto às condições fáticas ocorridas quando da concessão da aposentadoria. 5º.915-1/99 não pode ser tolerada. inclusive com restrições de ordem temporal. A propósito. porquanto houve extensão da vantagem aos inativos e pensionistas. Seja qual for o aspecto considerado. que inclusive se apresentava de acordo com o artigo 40. em 29 de julho de 1999. cumpre considerar que. A circunstância de ter-se parcela calculada a partir de parâmetros alusivos à produtividade não afasta o direito dos inativos. Ademais.

DEL 2.322/87. n. 3º do Decreto-Lei nº 2. TAXA. Solução igual para situações idênticas. Decreto-Lei 75/66. 28. deve-se ao fato de que as dívidas de salários. Não tem relevância eventual distinção entre débito de índole estatutária ou trabalhista. JUROS MORATÓRIOS. 111-405. em face da natureza alimentar da dívida.337/SP. 1. DJ de 22. cujo acórdão foi ementado pelo Eminente Ministro Fernando Gonçalves nos seguintes termos: “ADMINISTRATIVO. Rel. Min. p. Incidem juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês sobre dívida resultante de complementação de aposentadoria. com amparo no art. Trib. DJ de 15. Porto Alegre. proventos de aposentadoria e benefícios previdenciários são típicas dívidas de valor em razão de sua natureza alimentar. 5ª Turma.657/SP. Recurso conhecido e provido. Embargos rejeitados. 3º. de 26 de fevereiro de 1967. no julgamento dos Embargos de Divergência 58.09. 168 R. Sobre as diferenças resultantes do pagamento de reajuste nos vencimentos de servidores federais devem incidir juros moratórios calculados à taxa de 1% ao mês. Fed. o entendimento restou pacificado naquela Corte. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil. p. 3. p.86%. Recurso conhecido e provido. 4ª Reg. RSTJ 104:375-386) A possibilidade de aplicação das disposições do Decreto-Lei nº 2. sendo que quanto a esta última a taxa de 1% (um por cento) é fixada pelo art. DÉBITO. Fernando Gonçalves. JUROS MORATÓRIOS. APOSENTADORIA. REsp 195964/SC. Precedentes do STJ.97. Min. p/ ac.322. Fernando Gonçalves. Min. em face de sua natureza salarial. Assim. DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO E DE PROVENTOS. em face da natureza alimentar da dívida. pois ambas são de cunho eminentemente alimentar. 116) Através da 3ª Seção. REsp 175827/SC.REsp nº 5.” (STJ. Reg.interpretação magnânima.98. Rel. DJ de 07. 1. impõe-se a adoção dos juros de mora de 1% ao mês.03. 2001 . que regula os débitos de origem trabalhista. do Decreto-Lei nº 2. 283) “PROCESSO CIVIL.” (EREsp 58. Precedentes do STJ . COMPLEMENTAÇÃO. Rel. 2.0% ao mês.322/87. No cálculo das diferenças de remuneração e de proventos devidos a servidores públicos devem incidir juros moratórios na taxa de 1. pensões.337/SP. 2. Gilson Dipp. 6ª Turma.a título de juros moratórios em débitos relativos aos vencimentos de servidores públicos é de 1% ao mês nos termos do art.99.322/67. visto que tais prestações têm caráter eminentemente alimentar: “PROCESSO CIVIL. a. JUROS.12. 40.” ( STJ. 12.

portanto. vez que deixo de aplicar os dispositivos legais tidos como aptos a obter pronunciamento jurisdicional diverso do que até aqui foi declinado. que entende adequado tal percentual para ações desta natureza. em razão da sua relevância e finalidade. sem que se definam os correspondentes contornos. a sentença no tópico. de trato periódico. Confiro. sucessivo e ilimitado. enquanto se sirva regularmente dos meios de defesa que a lei lhe garante. Assim é porque. Prequestionamento: O prequestionamento quanto à legislação invocada fica estabelecido. ao litigante em processo judicial não é dado responder pelo tempo transcorrido até a final solução do litígio — senão nos casos de condutas típicas sujeitas a cominações legais próprias. Fed. fixados em 20% sobre o valor da condenação. 2001 169 . a meu sentir. a. VOTO O Exmo. de fato.hoje amplamente aceita nos Tribunais do País .que determina sua incidência a partir do momento em que deveria ter sido efetuado o pagamento. Fica mantida. porém. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Peço vênia para divergir da eminente Relatora no tocante ao trato dado aos honorários advocatícios. Porto Alegre. Em face do exposto. 4ª Reg. 40. eis que em situação cuja causa não se lhe pode atribuir. firmou-se a construção jurisprudencial . nos casos em que a condenação mesma consubstancia o cumprimento de obrigação pecuniária. dou parcial provimento à apelação e à remessa oficial.observando-se que também quanto à correção monetária das dívidas de valor. formada a modo absolutamente indevido. de que não se cuida in casu — e de definitiva resolução de sua obrigação. R. são reduzidos para 10% na esteira dos precedentes da Turma. p. Trib. É o voto. Sr. o que dispensa consideração a respeito. pelas razões de decidir. incorre-se em imposição excessiva lançada contra o devedor. Ao fixar-se a honorária advocatícia sobre o valor da condenação. 111-405. 12. Reg. n. Sucumbência: Os honorários advocatícios.

É o que se dá, máxime quando o obrigado é ente fazendário, ao qual,
ademais dos instrumentos de proteção de manejo voluntário, socorre o
sistema de duplo grau de jurisdição oficial. Afirmo-o tendo por induvidoso que subordinado a tal equação, ao devedor não se há de carregar
honorária advocatícia crescente em agravação progressiva.
Fosse de outra forma, estar-se-ia a alcançar situação carente da mais
mínima razoabilidade, data maxima venia. Tal ocorreria, para exemplificar, na hipótese de reexame — por força de recurso voluntário ou
oficial — de imposição sentencial de parcela indevida contra a Fazenda
Pública. Por indevida mesmo, tal parcela haveria de ser excluída na
quadra recursal, com provimento, pois, do recurso. Inobstante efeito
reverso, até aí estaria a progredir a ampliação da honorária, porquanto
periódica e constantemente ampliando-se a sua base, assim prosseguindo
adiante, até o total pagamento em regime constitucional de precatório.
É claro que não se pode contemplar esse elastecimento. Bem por
isso, a delimitação da base dos honorários advocatícios, no caso, eu a
tenho por absolutamente necessária. E para fazê-lo, vejo amparo legal
no Código de Processo Civil, quando dispõe sobre a fixação do valor da
causa, válida a transcrição do seu:
“Art. 260. Quando se pedirem prestações vencidas e vincendas, tomar-se-á em consideração o valor de umas e outras. O valor das prestações vincendas será igual a uma
prestação anual, se a obrigação for por tempo indeterminado, ou por tempo superior a
1 (um) ano; se, por tempo inferior, será igual à soma das prestações.”

Não fora o suficiente, impõe-se notar que neste momento está apenas
a se cuidar de honorários da sucumbência no processo de conhecimento.
Por isso, não se pode omitir consideração ao fato de que, em oportuna
eventual execução no julgado, honorários próprios do processo executivo, com base então no valor atual em execução, ainda haverão de ser
contemplados forte no artigo 20, parágrafo 4º, in fine, do Código de
Processo Civil, remansosa a melhor jurisprudência, bastante representativos os julgados do egrégio Superior Tribunal de Justiça, consoante
os arestos a seguir:
“EXECUÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. HONORÁRIOS.
A execução de título judicial constitui processo autônomo, sendo devidos honorários advocatícios, ainda que não tenham sido opostos embargos. Recurso conhecido

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e provido.” REsp nº 159.845/RS, Rel. Min. COSTA LEITE, 3ª Turma, unânime, DJU
08.02.99, p. 277.
“EXECUÇÃO POR TÍTULO JUDICIAL. HONORÁRIOS DE ADVOGADO.
CABIMENTO.
Na execução por título judicial, é cabível a fixação de honorários advocatícios,
ainda que não embargada. Precedentes da Quarta Turma.
Recurso especial conhecido e provido.” REsp nº 141.013/RS, Rel. Min. BARROS
MONTEIRO, 4ª Turma, unânime, DJU 14.12.98, p. 245.
“PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CABIMENTO.
São devidos honorários na execução por título judicial ou extrajudicial, embargada
ou não, consoante a nova letra do § 4º do art. 20 do CPC.
Recurso conhecido e provido.” REsp nº 140.448/RS, Rel. Min. GILSON DIPP, 5ª
Turma, unânime, DJU 18.12.98, p. 374.
“PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. INTELIGÊNCIA DO ART. 20, § 4º, DO CPC.
1 — Na execução fundada em título judicial são devidos os honorários advocatícios.
Precedente: REsp nº 140.403-RS, Corte Especial.
2 — Embargos de divergência rejeitados.” EREsp nº 159.291/RS, Rel. Min. FERNANDO GONÇALVES, 3ª Seção, unânime, DJU 14.12.98, p. 92.

Assim, e tomando por baliza a disposição pertinente (CPC, art. 260),
os honorários, à conta da parte vencida, reduzido o percentual para 10%
sobre o valor da condenação, delimitada essa base no somatório das
prestações vencidas ao tempo do aforamento da ação, mais uma anualidade de prestações então vincendas, com correção monetária e os juros
moratórios incidentes.
Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário e à
remessa oficial, com o fito de reduzir a verba honorária para 10% sobre
o valor da condenação, fixados em base delimitada.
É como voto.

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APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000.04.01.001996-0/SC
Relatora: A Exma. Sra. Juíza Luiza Dias Cassales
Apelantes: Elmo Borkert e outros
Advogado: Dr. Homero Flesch
Apelado: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA
Advogados: Dra. Lúcia Helena Bertaso Goldani
Dr. Roberto Porto
EMENTA
Constitucional. Administrativo. Processo Civil. Desapropriação direta. Regularização fundiária. Retitulação às expensas do estado de Santa
Catarina. Cerceamento de defesa inexistente. Indenização não-devida.
Manutenção da extinção do processo sem julgamento do mérito, nos
termos do art. 267, inc. VI, do CPC. Honorários advocatícios devidos
pelos expropriados. Redução. Possibilidade.
1. Por convênio firmado entre o INCRA e o Estado de Santa Catarina
os expropriados foram retitulados às custas daquele Estado.
2. Em contrapartida, os expropriados, retitulados, outorgaram ao Estado de Santa Catarina procuração, por instrumento público, cedendo seus
direitos de indenização, decorrentes da desapropriação. Assim, o Estado
de Santa Catarina se sub-rogou ao preço da indenização no processo de
desapropriação.
3. À época em que contestaram a presente ação, os expropriados já
estavam de posse do título de propriedade fornecido pelo INCRA há
mais de 9 anos.
4. Ao cederem os direitos relacionados à indenização ao Estado de
Santa Catarina, os expropriados não têm legitimidade processual para
contestar o valor da indenização referente aos imóveis desapropriados.
5. A presente ação não comporta discussão sobre possíveis vícios que
maculariam as procurações concedidas pelos expropriados ao Estado de
Santa Catarina.
6. De mais a mais, procurações feitas por instrumento público gozam
de presunção juris tantum de validade e na ação de desapropriação não
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cabe nenhuma discussão além da fixação do justo preço.
7. Considerando que os expropriados são pequenos proprietários
rurais e por não se lhes atribuir qualquer possível má-fé, os honorários
advocatícios são reduzidos para R$ 500,00, para cada expropriado.
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas,
decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª
Região, por unanimidade, dar parcial provimento ao recurso, nos termos
do relatório e notas taquigráficas, que ficam fazendo parte integrante do
presente julgado.
Porto Alegre, 16 de novembro de 2000.
Juíza Luiza Dias Cassales, Relatora.
RELATÓRIO
A Exma. Sra. Juíza Luiza Dias Cassales: Da r. sentença que extinguiu
o processo sem julgamento do mérito, com fulcro no art. 267, VI, do CPC,
e condenou os expropriados ao pagamento de honorários advocatícios,
arbitrados em R$ 5.000,00 para cada um, sob o fundamento de que os
expropriados cederam os direitos relacionados à indenização do imóvel,
foi interposto recurso de apelação.
Em suas razões de recurso, os recorrentes argúem o cerceamento de
defesa, tendo em vista que não lhes foi propiciada oportunidade para
comprovarem que foram forçados a outorgar procuração ao Estado de
Santa Catarina. Afirmam que o INCRA denunciou o convênio realizado
com o Estado de Santa Catarina, o que, por si só, revoga as procurações
concedidas pelos recorrentes. Reporta-se à situação dos expropriados
Armando Rieger e Outros. Tece considerações sobre o processo de
desapropriação e sua finalidade. Finalmente, requer a redução da verba
honorária.
Juntou documentos, que, obviamente, não poderão ser objeto de exame
em grau de recurso.
O INCRA, em contra-razões, requer a condenação dos recorrentes
em litigância de má-fé.
O douto Procurador Regional da República opinou pelo desprovimento do recurso.
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É o relatório.
VOTO
A Exma. Sra. Juíza Luiza Dias Cassales: Esta ação de desapropriação
foi ajuizada em 29 de julho de 1976, com o objetivo único de:
“. . . permitir a regularização fundiária da área delimitada no decreto expropriatório.”

A razão da necessidade de regularização fundiária da área vem expressa na inicial da forma seguinte:
“. . . trata-se de região com elevada incidência de minifúndios, em que, inclusive,
ocorreu, em grande escala, duplicidade de registros imobiliários, eis que diversas
empresas ali efetuaram alienação a terceiros, levadas à transcrição no Registro de Imóveis. Assim, constituindo uma verdadeira colcha de retalhos, milhares de propriedades
surgiram na área, inclusive com intrusão de não proprietários, formando um quadro
de tensão social que obrigou o Governo Federal a tomar as providências necessárias
à desapropriação.”

E, a seguir, consta da inicial:
“. . . uma vez concretizada a desapropriação, o Autor promoverá as medidas
necessárias a que sejam titulados realmente aqueles que estão na posse das terras,
eliminando-se assim o elevado contingente dos que simplesmente possuem títulos de
propriedade (muitas vezes duvidosos), sem qualquer ligação de trabalho, ou social,
com as glebas propriamente ditas. Por essa razão, a desapropriação que se propõe não
abrange as benfeitorias porventura existentes nos lotes, eis que serão, exatamente,
aqueles aos quais elas pertencem que receberão, a final, a propriedade do solo.” (grifei)

Destaquei esses trechos da inicial para deixar bem clara a finalidade
da desapropriação, qual seja, a de, por meio de retitulação, promover
a regularidade da situação fundiária, fazendo com que, no caso de duplicidade de titulação, prevaleça, por meio da retitulação, o título de
quem está na posse da terra. Por isso, a maioria dos desapropriados, na
verdade, não perderam suas propriedades por força da desapropriação,
apenas tiveram regularizados seus títulos de domínio.
Como nada perderam, em meu entender, nada, além de um título firme,
poderão pretender ganhar, sob pena de enriquecimento ilícito.
Esta desapropriação foi proposta contra mais de 3.000 proprietários,
arrolados na relação das fls. 12 até 86 dos autos, daí por que foi necessário
o desmembramento do processo inicial.
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Como conseqüência de desmembramento, nestes autos, apenas está
em julgamento a situação dos expropriados Elmo Bockert, Edgar Bailke,
Norberto Bock, Guido Blank, Silvino Bier, Alziro Goldberk, Rudolpho
Buss, Nelson Maximo Nicaretta, Oreste Rabaioli, José Bruno Gabriel,
Mindo Orlando Henkel, Mathias Miotto, Hubert Neitzel, Hermínio Maldaner, Arlindo Altmann, Valentim Müller, Pedro da Costa, Alfredo Ilvo
Kich, Lindolfo E. Heller (fl. 213).
O desmembramento foi determinado por despacho de 23 de junho
de 1998 (fl. 184).
Em 15 de junho de 1998, os expropriados, acima nominados, apresentaram contestação. Rebelaram-se contra a avaliação de seus imóveis e
pediram juros moratórios, compensatórios e 40% a título de compensação
pelo deságio das TDAs. Omitiram o fato de ainda estarem, ou não, na
posse da terra e de terem, ou não, sido retitulados.
Todos eles apresentaram títulos de domínio de data anterior à propositura desta ação de desapropriação.
O INCRA contraditou a contestação.
Após destacar que o objetivo desta desapropriação foi a regularização
fundiária do perímetro do imóvel de Pepery, com 51.000 ha, situado nos
municípios de Mondaí, Descanso e Ipiranga, e que todos os expropriados
contestantes foram devidamente retitulados nas mesmas propriedades
das quais haviam sido desapropriados, tendo em vista que delas tinham
a posse, que, aliás, nunca perderam, informa que a retitulação foi feita
às custas do Estado de Santa Catarina, tendo em vista Convênio firmado
com o INCRA. Por força do que foi conveniado, o expropriante (INCRA)
promoveria a retitulação dos expropriados – possuidores, enquanto o
Estado de Santa Catarina pagou ao INCRA o montante decorrente da retitulação. Em contrapartida, os expropriados, retitulados, outorgariam ao
Estado de Santa Catarina procuração, por instrumento público, cedendo
seus direitos de indenização, decorrentes da desapropriação.
De fato, na Cláusula Segunda do aludido Convênio, ficou estabelecido
que o INCRA promoveria a retitulação dos proprietários - com posse
– dos imóveis desapropriados, enquanto o Estado de Santa Catarina pagaria ao INCRA, em nome dos titulandos, o montante por eles devido e
resultante da retitulação.
Em conseqüência do referido convênio e para ressarcir o Estado de
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Santa Catarina pelos pagamentos devidos ao INCRA, em conseqüência
da retitulação dos posseiros-proprietários dos imóveis desapropriados,
os beneficiários dessa operação de desapropriação e de retitulação outorgaram ao Estado de Santa Catarina procuração por instrumento público,
para que o Estado, em causa própria, pudesse:
“postular, administrativa ou judicialmente, direitos, res, ações de qualquer espécie, e
privilégios decorrentes da desapropriação de que trata o Decreto nº 74.391, de 12 de
agosto de 1974, retificado pelo Decreto nº 76.773, de 11 de dezembro de 1975, referente
a uma área de terras contidas no imóvel Pepery, localizada nesta Comarca, especialmente para levantar, junto à Justiça Federal, o depósito efetuado pelo INSTITUTO
NACIONAL DE COLONIZAÇÃO E REFORMA AGRÁRIA – INCRA, visando à
cobertura das indenizações a que têm direito os referidos outorgantes, pelo ato de
desapossamento e redistribuição da terra. - Disseram mais, que, por este Instrumento,
cedem ao outorgado direitos e ações sobre as importâncias eventualmente devidas pelo
INCRA, ficando convencionada a sub-rogação do ESTADO DE SANTA CATARINA
nos mencionados direitos, por haver este assumido, junto ao expropriante, a responsabilidade pelo pagamento dos débitos dos outorgantes, decorrentes da redistribuição
dos imóveis e recebimento dos títulos de propriedade, quanto ao valor da terra nua,
medição e demarcação, bem como das taxas administrativas cotadas no título, conforme convênio firmado nesse sentido, em face do que os já mencionados outorgantes
recebem, neste ato, o mencionado ‘TÍTULO DEFINITIVO DE PROPRIEDADE’,
livre de quaisquer ônus.”

Procurações nestes termos foram assinadas, consoante documentos
juntados aos autos por Otmar Roloff e Ida Roloff (fl. 190), Edgar Bailke, Martha Hanna Bailke, Arsênio Bottega, Osmar Bottega e Terezinha
Eva De Souza Bottega (fl. 193), Elmo Borkert e Gilda Borkert (fl. 190),
Silvino Bier e Edith Bier (fl. 196), Alziro Goldbeck e Olga Goldbeck (fl.
199), Rudolpho Buss e Romilda Buss (fl. 201), Nelson Maximo Nicaretta e Maria Falcade Nicaretta (fl. 203), Oreste Natal Rabaioli e Alice
Formentini Rabaioli (fl. 205), José Bruno Gabriel e Elisabeta Gabriel
(fl. 207), Mindo Orlando Henkel (fl. 210), Mathias Miotto e Lourdes
Strapazzon Miotto (fl. 212), Hubert Neitzel e Mecilda Neitzel (fl. 214),
Hermindo Maldaner e Hedi Cecília Maldaner (fl. 216), Arlindo Altmann
e Helga Altmann (fl. 222), Valentin Müller e Anita Matilde Müller (fl.
224), Alfredo Ivo Kich e Ira Kich (fl. 226), Lindolfo Eduardo Heller e
Wilma Kunz Heller (fl. 231), Norberto Bock (fl. 236), Pedro da Costa
(fl. 237) e Guido Blank e Leoni Blank (fl. 195).
Todos os outorgantes das procurações acima arrolados, que são os
contestantes desta ação de desapropriação, foram devidamente retitu176
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lados, ou seja, receberam do INCRA o título definitivo das glebas das
quais haviam sido desapropriados unicamente para fins de regularização
fundiária, títulos esses expedidos durante o ano de 1979 e primeiros
meses do ano de 1980, consoante prova nos autos. O valor do título foi
pago ao INCRA, como já se viu, pelo Estado de Santa Catarina, que se
sub-rogou ao preço da indenização no processo de desapropriação.
Quando os expropriados contestaram esta ação, em 15 de junho de
1998, já estavam de posse do título de propriedade fornecido pelo INCRA
há mais de 9 anos.
Assim sendo, nenhum reparo merece a r. sentença que extinguiu o feito
e condenou os expropriados contestantes ao pagamento de honorários
advocatícios, porque, ao cederem os direitos relacionados à indenização ao Estado de Santa Catarina, não têm legitimidade processual para
contestar o valor da indenização referente aos imóveis desapropriados.
Os sucumbentes, em suas razões de recurso, alegam que o INCRA
teria denunciado o Convênio realizado com o Estado de Santa Catarina
porque não estaria ele cumprindo com a obrigação de reembolsá-los
pelos valores contidos nos títulos de propriedade distribuídos entre os
expropriados que comprovaram estar na posse do imóvel do qual eram
titulados. Mesmo que essa alegação possa ser verdadeira, visto que sobre
ela não foi juntada nenhuma prova, essa situação, se ocorrida, não aproveita aos apelantes que receberam seus títulos sem nada por eles pagar
e que, por isso mesmo, sob pena de enriquecimento ilícito, nada podem
receber a título de indenização.
Caso seja certo que o INCRA denunciou o Convênio, deverá ele buscar
o ressarcimento das importâncias que o Estado de Santa Catarina deixou
de lhe pagar no próprio valor depositado, por ocasião da propositura
desta ação de desapropriação.
Alegam, ainda, os recorrentes que teriam sido forçados a assinar as
aludidas procurações e que por não lhes ter sido propiciado fazer, neste
processo, tal prova, houve cerceamento de defesa. Contudo, data venia,
não comporta discussão, nesta ação de desapropriação, sobre possíveis
vícios que maculariam as procurações concedidas pelos expropriados
ao Estado de Santa Catarina. Além das ditas procurações, feitas por
instrumento público, gozarem de presunção juris tantum de validade,
na ação de desapropriação não cabe nenhuma discussão além da fixação
R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 111-405, 2001

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Se pecou. inferiores a 30 hectares. jamais foram desapossados de suas terras. por não lhes atribuir a possível má-fé a que se referem o INCRA e o douto Procurador Regional. Dr. sentença recorrida. 371.00. Quanto aos demais argumentos das razões de apelação. É o voto.” Finalmente. No que diz respeito aos ditos desapropriados Armando Rieger. sentença. 2-3. Reg. Porto Alegre. dos titulares de pequenas propriedades rurais. ainda. assim referiu: “Não merece qualquer censura a r. ou foi pago ao INCRA pelo Estado de Santa Catarina. Fed. apenas para evitar embargos declaratórios que. serão considerados protelatórios. p. Luís Alberto d’Azevedo Aurvalle. apenas para reduzir a verba honorária. a. No mais. ao não aplicar aos Apelantes as penas da litigância de má-fé. ou não foi pago por ninguém. na sua maioria. para cada expropriado. nada há que discutir. mantenho integralmente a r. repito o que já foi expendido neste voto. Seus títulos de propriedade foram cancelados. e substituídos por outros títulos. considerando que os expropriados são pequenos proprietários rurais. reduzo os honorários advocatícios para R$ 500. estando o INCRA no prejuízo. que formam o pólo passivo desta ação de desapropriação. dou parcial provimento ao recurso. sem qualquer desembolso. 2001 . Aloisio Magerl e Lilia Maria Magerl. a saber: o fato de haverem cedido seus direitos indenizatórios ao Estado de Santa Catarina. até mesmo de sobrevivência. O valor constante do título fornecido pelo INCRA. Almira Rieger. 178 R. Todas as questões que não disserem respeito ao preço da indenização deverão ser deduzidas em ação própria. fê-lo por omissão. sem qualquer ônus ou turbação possessória. não me parece rigorosa a manifestação do douto Procurador Regional da República. tendo suas propriedades áreas. dolosamente omitido. conhecedora das dificuldades. Os 19 expropriados. que. 40. Por isso mesmo. Sua situação fática em nada se alterou pelo processo expropriatório: tiveram simplesmente trocado o título de domínio (cancelamento da matrícula imobiliária e concessão de retitulação pelo INCRA). em razão da desapropriação. Isto posto. haja vista terem deduzido pretensão contrária a fato incontroverso. 12. cujos nomes estão arrolados às fls. se interpostos. 4ª Reg. Trib. no que se refere aos honorários advocatícios. n. tendo em vista que não fazem eles parte da relação processual nesta ação de desapropriação. no parecer da fl.do justo preço. e. 111-405.

Prova. 475.01. sendo os titulares dos direitos de ação e de obter sentença de mérito. Gustavo Harb Naime Remetente: Juízo Federal da 5ª Vara Federal de Porto Alegre/RS EMENTA Remessa ex officio.469. Os Autores. 3. caput e inciso II. Fed. Advogados: Drs. Porto Alegre. Jacques Farinon e outros Apelante: Universidade Federal do Rio Grande do Sul . Sr. Dano estético. 2. se não de repugnância.04. 111-405. Relação de consumo. do CPC. acarretando vexame ao seu portador.APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. tendo sido proferida em 06 de agosto de 1999. Juiz Valdemar Capeletti Apelante: Rudder Segurança Ltda. a. devem trazer aos autos a existência do ato ou fato por R. Ana Luiza Frota Lisboa Apelados: Alan Ronaldo Herborn e outro Advogado: Dr. de 10 de julho de 1997. 1. O dano estético somente pode vingar como causa de qualificação quando gera impressão. p. após a vigência da Lei n. pelo menos de desagrado. 12. Reg.UFRGS Advogada: Dra. a qual estendeu às Autarquias a aplicação do disposto no art. Não-configuração do nexo de causalidade entre a relação de consumo e o dano sofrido. 2001 179 . n. o que não restou demonstrado no caso concreto. Ação de indenização. Sentença prolatada em 1ª instância sujeita ao duplo grau de jurisdição. Trib. 9. já que. 4ª Reg. Dano material. 4. 40.045719-7/RS Relator: O Exmo. 5. Responsabilidade civil. Inexistência de provas quanto ao prejuízo patrimonial sofrido pelos autores em decorrência do fato.

eles descrito na inicial como ensejador do seu direito. ofensas verbais. Sr. 40. que os retiraram do carro e os levaram para o interior do prédio com uso da força física. por maioria. 2001 .000. à UFRGS. os Autores pedem a condenação solidária dos réus para a devida reparação do dano moral. contra a Universidade Federal do Rio Grande do Sul . solidariamente. sendo este ressarcido pelas despesas com tratamento médico e dentário. recusaram-se a pagar e tentaram retirar-se do estabelecimento. não concordando com o pagamento. n. e dar provimento à remessa oficial. Porto Alegre. Juiz Valdemar Capeletti. p. nos autos. Os Autores. Ausência.. que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. sendo que o serviço foi acertado no valor de R$ 37. pela qual pleiteiam a condenação no valor de R$ 120. Reg. 1. Relatório. dar provimento às apelações dos demandados. de prova material bastante que enseje a procedência da demanda. 12. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. foi cobrado o valor de R$ 57. e material. para reformar a sentença. Juiz Valdemar Capeletti: Os Autores ajuizaram a presente ação de indenização por danos materiais. 25 de julho de 2000. RELATÓRIO O Exmo. Porto Alegre. 111-405. III. Nos dizeres da exordial. decorrente da agressão verbal e do trauma causado. Trib. tendo o autor Alan sofrido a fratura de um dente e. morais e estéticos. 6. quando da retirada do animal. 180 R. Em razões desses fatos. a. decorrente das lesões e da perda do dente. Fed.00 (cento e vinte mil reais). que necessitava de tratamento veterinário. sendo impedidos pelos seguranças da ré Rudder.00 (cinqüenta e sete reais). excluindo a condenação de indenização por danos materiais e estéticos. 159. os Autores requerem a condenação dos réus à indenização que for devida para integral reparação.UFRGS e Rudder Segurança Ltda.521 e inc. estético.00 (trinta e sete reais) e. 76 e § único. nos termos do relatório e notas taquigráficas. devido à insuficiência de provas. os Autores levaram seu cachorro de estimação. fundamentando seus pedidos nos arts. Por fim. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 4ª Reg. também.

5º. correção monetária e juros de 12% ao ano. portanto. 20 do CPC. 4ª Reg. Coloca. I.00 (quinze mil reais). incisos III e V. ofereceu contestação. Fed. ficando os valores compensados reciprocamente entre as partes. com apoio no art. pois não sofreu danos. Insurge-se quanto aos valores da indenização por serem excessivos. Porto Alegre. alegou que há carência de ação em relação à autora Márcia por ilegitimidade ativa. dos Autores. A ré UFRGS. alegou que é carente de ação a autora Márcia. 40. 111-405. p. nada deve ser indenizado. pois o autor Alan foi o único responsável pelos ferimentos que sofreu e quem deu causa aos incidentes quando se negou a pagar o valor que era devido. No mérito. porquanto os Autores não teriam comprovado no decurso processual os danos sofridos. pelo que é descabida essa condenação. a. sustentou que os autores não têm direito à indenização que pretendem. nas Súmulas números 37 do STJ e 341 do STF. A ré Rudder Segurança Ltda. considerando-se o disposto na alínea c do art.538 do Código Civil. art. sustentando que o Juiz a quo caracterizou a relação jurídica entre as partes como de consumo.. No mérito. do CPC. com a incidência de juros moratórios. Trib. 2001 . Reg. Pediu a improcedência da ação. Insurge-se quanto ao ônus da prova. a contar da data do evento danoso. em contestação. Juiz sentenciante julgou em parte procedente a ação. Manifestou que o autor Alan agrediu os seguranças e servidores da UFRGS. sendo que tal relação era única e exclusiva com a ré UFRGS. a títulos de danos materiais e danos estéticos. sustentou que não houve dano e. Impugnou o valor da indenização pretendida.000. Pediu a improcedência da ação. devidamente atualizado desde o ajuizamento. 181 R. preliminarmente. 333. conforme a Súmula nº 54 do STJ. que restou comprovado que as agressões físicas e ofensas verbais partiram. única e exclusivamente. referindo que é absurdamente elevado. condenando os réus ao pagamento da indenização correspondente a R$ 15. inc. 12. O MM. apelou a Rudder Segurança Ltda. Irresignada.e 1. assim como as custas e despesas processuais. Os honorários advocatícios foram arbitrados em 10% do valor atribuído à causa. 21 do CPC. Preliminarmente. que inexistiu deformidade física e que as agressões foram mútuas. pelo qual incumbe ao Autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito. da Constituição Federal. na forma do caput do art. ainda. n.

Por seu turno. 12. marca. corrigindo a deformidade causada. À douta revisão.UFRGS .Alega. ainda. resta comprovada nos autos a atitude ilícita do demandante ao transacionar no processo-crime a extinção de punibilidade pela aplicação imediata de pena não privativa de liberdade. e que a condenação considerou o pedido da exordial destituído de qualquer comprovação. o autor Alan teria iniciado as agressões. descabendo assim a condenação por danos materiais. É o relatório. 4ª Reg. VOTO O Exmo. no que se refere aos danos estéticos e danos materiais. já que proferida em 06 de agosto de 1999.469. também. por ser instituição de ensino superior. 111-405. Sem contra-razões. vinculada à Administração Federal. visto que a Universidade. em face disso. aleijão ou deformidade na fisionomia do autor Alan. pois não comprovada qualquer lesão. defeito. Assevera que a relação entre as partes não pode ser considerada como de consumo. levados em consideração os depoimentos da instrução criminal. Alega. por parte de servidores ou seguranças. Por derradeiro. para o aprimoramento de seus cursos de graduação. que o Autor tendo realizado tratamento dentário. a Universidade Federal do Rio Grande do Sul . a. também. n. Juiz Valdemar Capeletti: A sentença proferida em 1ª instância está sujeita ao duplo grau de jurisdição. Considera o dano estético descabido. p.00 (quinze mil reais) é descabida. coloca que a condenação das rés ao pagamento da quantia de R$ 15. Aduz. 40. pelo contrário. Reg. restou eliminado o dano estético. que nos autos não foram comprovados os gastos realizados com o tratamento dentário. que os Autores não comprovaram o montante econômico dos prejuízos sofridos a título de danos materiais. Trib. Sr.insurge-se alegando a ausência de provas das supostas agressões verbais e físicas. subiram os autos a esta Corte. Fed. após a vigência da Lei nº 9. Além disso. o direito à indenização somente será cabível àquele que sofreu o dano e não deu causa ao acontecimento. em apelação. é entidade que não visa ao lucro e oferece serviços a preço de custo. de 10 de julho de 182 R.000. 2001 . Porto Alegre.

Quanto ao ônus da prova. “(.. pois o fato extrapolou os limites de tal relação. Nesse sentido. Porto Alegre. Então o juiz deve perquirir quem tinha o ônus de provar e dele não se desincumbiu. Os Autores. a depoente e a Sra. o nexo de causalidade entre o fato do consumo e o dano sofrido. (. que os Apelantes propugnam pela sua inexistência. n. 40. sem atrito nem discussão. somente socorrer-se das regras se pertinentes o non liquet quanto à prova. Então.. caput e inciso II. 2001 183 . 12. assim. Fed.. tenho que merece guarida. a existência das agressões físicas recíprocas entre as partes. na sentença. a qual estendeu às Autarquias a aplicação do disposto no art. p. Que então a Sra. indo em direção ao seu carro”. não há referência ao pagamento da consulta. deveriam trazer aos autos a existência do ato ou fato por eles descrito na inicial como ensejador do seu direito. a autora. Sheila informou para o depoente que poderia suspender o tratamento do animal e que então nada pagaria. 475. se o fato não se encontrar provado. trago à colação a transcrição parcial de ambos os depoimentos dos Autores. conforme se verifica nos autos à folha 50. Passo a analisar as questões suscitadas pelas apelantes. Na presente ação. 111-405. (Autor Alan Ronaldo Herborn) (. do CPC. restando concluída a prestação do serviço. Scheila informou que o tratamento poderia ser cancelado.. Scheila decidiram cancelar o tratamento. que causaram R. Reg..1997. restaram controversos os fatos alegados e as provas trazidas.” (Autora Márcia Mariza Melo Cardoso) (. 4ª Reg. insuficientes.. deve o Juiz... Não se configura. No presente caso.). ou seja. conforme se verifica às páginas 193 e 195. nota-se que os Autores não comprovaram os danos sofridos. seu marido e o cachorro deixaram o prédio e se dirigiram até o carro.) e saiu do estabelecimento.).). sendo os titulares dos direitos de ação e de obtenção da sentença de mérito. No concernente à relação de consumo. ficando unicamente demonstrada. Conforme se verifica dos depoimentos pessoais dos Autores. respectivamente: “(. Trib.. Que antes de se dirigir ao caixa a Sra.).. a.

de absoluta insegurança quanto à comprovação da causa de qualificação. 26 e 27. bem como do dano financeiro em seu patrimônio. No que tange ao dano estético. e o dano sofrido pelo segurança Régis. Sem falar. entendeu inexistir a comprovação de sua efetivação. n. Além da insegurança do laudo. uma vez que não comprovam os gastos dos Autores como. este somente pode vingar. cabe ressaltar que o Juiz de primeiro grau. Destarte. Conforme demonstrado. portanto. Então. Merece. conforme folha 17. se não de repugnância. Não há prova quanto à real perda do dente. ferido com mordidas no dorso da mão esquerda e punho esquerdo. não há recurso nesse sentido por parte dos Apelados. Consoante as provas trazidas quanto ao dano material. 111-405. conforme folha 79. 12. p. Diante disso. ser acolhida a irresignação dos Apelantes no que 184 R. no decisum. Porto Alegre. 4ª Reg. merecem guarida as apelações dos demandados no que tange à inexistência de prova do dano material. como causa de qualificação. quando causa impressão. pelo menos de desagrado. Diante desse quadro. 40. pois. Reg. despesas com consultas. tenho que os autos carecem de prova material o bastante que permita a possibilidade de ensejar a procedência da demanda. ainda. Fed. em razão do ferimento sofrido. respectivamente: “Foi efetuado no paciente Alan Ronaldo Herborn uma reconstrução com resina composta fotopolimerizável no dente de notação dentária 11 devido a uma fratura de esmalte e dentina causada por provável impacto frontal”. por exemplo. com a fratura do dente incisivo central superior direito. médicos e medicamentos. funcionário da apelante Rudder. 2001 . oportuno a transcrição das provas documentais expendidas pelos Autores. Quanto ao dano moral.o dano físico ao autor Alan. são ineficazes. o que não restou demonstrado no caso concreto. “ Atesto para devidos fins que foi realizada restauração de resina fotopolimerizável no dente 11”. de que o laudo pericial aponta fratura. tenho por evidente que não houve comprovação do montante despendido pelos Autores. Considero. As demais alegações não ficaram totalmente comprovadas. a simples referência à perda do dente não basta à demonstração do dano estético. e não perda do dente. a. Trib. Verifica-se às págs. nenhuma das testemunhas foi indagada acerca da fealdade ou aspecto repugnante da vítima. acarretando vexame ao seu portador.

e dar provimento à remessa oficial. Sr. Trib. Fed. devendo arcar por inteiro com os ônus sucumbenciais. Critério de arredondamento. Voto. condeno-os ao pagamento de 5% do valor atualizado da causa.04. excluindo a condenação de indenização por danos materiais e estéticos. 111-405. Reg. Juiz Surreaux Chagas Impetrante: Sérgio Segovia da Silva Advogado: Dr. contudo. É o voto.tange à inexistência de prova em relação aos danos material e estético. no sentido de dar provimento aos apelos dos demandados para reformar a sentença. Reserva de percentual de vagas para candidatos portadores de deficiência física. Porto Alegre. devido à insuficiência de provas. restaram integralmente vencidos os Autores. p. a. n.097455-6/RS Relator: O Exmo. Roosevelt Maurício Pereira Impetrados: Juiz-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Diretora de Recursos Humanos do Tribunal Regional Federal da 4ª Região EMENTA Administrativo. 40. MANDADO DE SEGURANÇA Nº 2000.01. No que tange aos encargos da sucumbência. Concurso público. 12. 2001 185 . levando-se em conta serem os mesmos hipossuficientes. 4ª Reg. O critério a ser adotado pela Administração na destinação de um percentual de vagas a candidatos portadores de deficiência física não R. pois.

se o edital do concurso público reserva 10% das vagas a candidatos portadores de deficiência. referente ao quinto constitucional na composição dos Tribunais. se as frações forem maiores ou iguais a 0.5 (cinco décimos). 4ª Reg. Porto Alegre. 01 de fevereiro de 2001. Aplica-se ao caso a regra de arredondamento contida na Resolução 155/96 do Conselho da Justiça Federal. que prevê que. Trib. 12. 2001 . nos termos do relatório. RELATÓRIO O Exmo. Porto Alegre. decide o Plenário do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Juiz Surreaux Chagas. num universo de 9 vagas. uma delas seja destinada a um candidato deficiente. 40. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. por unanimidade. Juiz Surreaux Chagas: Sérgio Segóvia da Silva impetra Mandado de Segurança contra ato do Juiz-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e da Diretora de Recursos Humanos do mesmo Tribunal. a.112/90. que deixou de ser aproveitado em face da nomeação do candidato classificado na 1ª colocação dentre os deficientes. é razoável e justo que. Reg. Sr. na definição do número de vagas decorrente da aplicação do percentual destinado aos deficientes. Portanto. inexiste violação a direito líquido e certo do candidato não deficiente classificado em 9º lugar. Assim. se utilize o arredondamento para o número inteiro imediatamente inferior nas frações menores do que 0. concorrendo a uma das vagas de Auxiliar Judiciário destinadas à circunscrição judiciária 186 R. Refere que se inscreveu no concurso público para provimento de cargos da Justiça Federal de Primeiro Grau da 4ª Região.5 (cinco décimos) e imediatamente superior. denegar a segurança. A regra do arredondamento está em sintonia com decisão do Colendo STF em questão análoga. Relator. 111-405. Fed.pode tornar “letra morta” a regra protetiva do deficiente inscrita na Constituição Federal e na Lei 8. p. buscando compeli-los a nomeá-lo para a função de Auxiliar Judiciário da circunscrição da Justiça Federal de Maringá/PR. Segurança denegada. n.

Pede. Trib. 2001 187 . invocando em prol de sua tese a Súmula 15 do STF. tendo sido comunicado o resultado por ofício datado de 13. As informações são prestadas. que obteve a 9ª classificação no concurso. oito sem deficiência mais o portador de deficiência. pedido que foi indeferido sob o fundamento de que não havia tempo hábil para a nomeação em face do termo final de validade do concurso estar previsto para 30.de Maringá/PR.07. também não foi nomeado para a vaga solicitada pelo Juiz Federal da 1ª Vara de Maringá. após o preenchimento de cinco vagas. 4ª Reg. O Ministério Público Federal opina pela denegação do writ. É o relatório. para a qual haviam sido abertas cinco vagas. que o pedido foi indeferido. Sr. o que implica a inobservância do edital. 12.01412-6DRH/DIRSAP e 00. que. conforme processo nº 00. a. R. 111-405. VOTO O Exmo. Diz que protocolou requerimento de nomeação junto à Diretoria de Recursos Humanos.2000. além de não ter sido nomeado na ordem de sua aprovação. que a nomeação do deficiente somente poderia ocorrer após a nomeação do impetrante. Reg. Fed.07.01186-0-DRH/DIRSAP. outrossim. que o Edital 01/99 previa o preenchimento de uma das vagas a cada dez por portador de deficiência física. que seja determinada a juntada aos autos dos Processos Administrativos nºs 00. foi dada posse ao candidato portador de deficiência física. que outras cinco vagas também surgiram depois do término do concurso e ainda no seu prazo de validade. Porto Alegre. n. À revisão. conforme Edital 01/99.01412-9-DRH. que prevê a nomeação dos candidatos deficientes na proporção de um candidato para cada dez vagas oferecidas por categoria profissional. 40.2000. tendo em vista que nove candidatos haviam sido nomeados.40. Alega que. Juiz Surreaux Chagas: O impetrante busca compelir as autoridades apontadas como coatoras a nomeá-lo para a função de Auxiliar Judiciário da circunscrição da Justiça Federal de Maringá/PR. Requer a concessão de liminar para que seja determinado às autoridades coatoras que procedam à nomeação do impetrante. A liminar é indeferida.40. p.40.

4ª Reg. as autoridades impetradas esclarecem. dispõe sobre a regra de arredondamento: “Art. dentre eles um portador de deficiência. exatamente a que. 111-405.A tese em que se fundamenta o writ.112/90 (Regime Jurídico dos Servidores Públicos Civis da União. 37. O art. teria sido destinada ao deficiente físico. não caberia a nomeação de um desses candidatos antes de preenchidas as nove primeiras vagas. 2001 . em síntese. classificado em 70º lugar na listagem geral e em 1º dentre os deficientes (fl. p. Parágrafo único . que fixou em 10% o percentual das vagas destinadas aos deficientes. Nas informações. 2º . em atendimento ao critério estabelecido na Resolução 155/96 do Conselho da Justiça Federal.Na definição do número de vagas decorrente da aplicação do 188 R. da Lei 8. em seu dizer. Reg. prevista no texto constitucional (art. em havendo previsão no edital de destinação de 10% das vagas para deficientes (uma para cada dez). que o candidato deficiente físico não foi nomeado para a nona vaga. Trib. em atendimento ao disposto no art. § 2º. ou das que vierem a surgir no prazo de validade do concurso.112/90. 5º. Portanto. único. 2º. VIII). na lei de regência (Lei 8. é a de que o impetrante teria sido preterido na nomeação para o cargo público. art. O impetrante foi classificado em 9º lugar no certame. 5º. das quais alega ter direito à nona. 40. O impetrante sustenta que. mas para a quinta. O impetrante impugna o critério adotado no provimento das vagas. A controvérsia não envolve a discussão sobre a reserva de um percentual das vagas para portador de deficiência física e sua legitimidade. 107). par. Porto Alegre. A Resolução em foco regulamenta a destinação de vagas aos portadores de deficiência física no âmbito do Conselho da Justiça Federal e da Justiça Federal de 1º e 2º Graus. Foram nomeados ao todo nove candidatos. Fed. tendo sido desrespeitada a ordem de classificação no concurso em face da nomeação de candidato portador de deficiência. dentre os concorrentes não-portadores de deficiência. n.No edital de abertura do concurso. entendendo que caberia ao candidato deficiente a 10ª vaga. inicialmente. apenas os oito primeiros colocados dentre os não-deficientes foram aproveitados. das autarquias e das fundações públicas federais). deverão ser reservadas às pessoas portadoras de deficiência até 20% (vinte por cento) das vagas nele oferecidas. a. §2º) e no edital. 12.

estabelece. se a fração é superior a meio. havia cinco vagas a serem preenchidas. 12. Concedo que.02. que estabelecia em quatro os cargos destinados a membros oriundos do Ministério Público e dos advogados. É que a Constituição. seria possível o arredondamento para quatro. 94. se um quinto se compõe de advogados e membros do MP. Reg. Trib.” O edital previa a destinação de 10% das vagas aos portadores de deficiência. que um quinto dos lugares dos Tribunais Regionais Federais será composto de membros do Ministério Público e dos advogados (C.. A regra do arredondamento é razoável. expressamente. em frações maiores ou iguais a 0. se a fração fosse inferior a meio (0. Como foram nove os candidatos concursados nomeados. em obséquio aos quatro quintos da magistratura de carreira.5). a prevalência da tese do impetrante – a de que apenas a décima vaga deveria ser destinada ao candidato deficiente – resultaria em desatendimento às normas constitucional. tem-se que quatro quintos dos lugares são reservados aos juízes de carreira. art. Porto Alegre. 2001 189 . Inicialmente. n. utilizar-se-á arredondamento para o número inteiro imediatamente inferior. assim se pronunciou sobre a Resolução do Tribunal. Todavia. a. dado que. o arredondamento há de ser em favor do ‘quinto constitucional’. Fed. Ora. um quinto de vinte e três é igual a quatro vírgula seis (23:5=4.5 (cinco décimos). pois. art. O procedimento atende à regra de arredondamento contida na Resolução 155/96.5 vaga.5.95)” Outrossim.percentual a que se refere o caput deste artigo.5 (cinco décimos) e para imediatamente superior.6). em frações menores do que 0. 4ª Reg. Naquela oportunidade. legal e do edital que prevêem a reserva de vaga para portadores de deficiência. justa e está em sintonia com a decisão proferida pelo colendo Supremo Tribunal Federal ao apreciar a questão relativa ao quinto constitucional quando da ampliação do número de membros deste TRF.171-5 – Medida Cautelar – julgada em 22. conforme vimos de ver. I). 111-405. se são vinte e três os lugares. 40. O procedimento da Administração foi o de destinar a 5ª vaga ao candidato deficiente classificado em 1º lugar dentre os portadores de deficiência. que impunha a destinação de uma delas a deficiente físico (10% de 5 vagas corresponde a 0. com o preenchimento da 5ª vaga. Se apenas quatro lugares são preenchidos por advogados e membros do MP. o Tribunal não tem completo o ‘quinto constitucional’. 107. (ADIn 1. que deve ser arredondada para uma vaga). ao que penso. o Relator da ADIn. ao final nenhuma vaga teria sido R. num universo de vinte e três juízes: “É relevante a argüição de inconstitucionalidade. o eminente Ministro Carlos Velloso. havia sido atingida a fração de 0. p.F.

Rel. DJU de 09. 4ª Reg. frustrar-se-ía a aplicação da lei e mesmo da CF. RESERVA DE VAGAS. A reserva de vagas para portadores de deficiência física que não chega a corresponder sequer a uma vaga. os Tribunais Regionais Federais da 1ª e da 2ª Regiões manifestaram-se pela prevalência da garantia assegurada constitucio­nalmente aos portadores de deficiência física: “CONSTITUCIONAL. a. na determinação da vaga destinada ao candidato portador de deficiência. e cujo preenchimento foi solicitado ao Tribunal pelo Juízo de Maringá.01. Trib. C/C 5º. 5º. Rel. sete. CONCURSO PÚBLICO. § 2º. que a toma conforme critérios de conveniência e oportunidade: “Vencido o concurso. 12. Interpretação do § 2º de tal art. I. Fed.10. Reg. ADMINISTRATIVO.38440-5. pelo menos. a administração do Tribunal aplicou critérios que resguardam os princípios constitucionais e legais que regem a matéria. contratada para realizar o concurso. ainda no prazo de validade do concurso.18957-2. viola os princípios constitucionais da moralidade e da igualdade. p/ acórdão Juiz Arnaldo Lima. LEGITIMIDADE PASSIVA. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA MORALIDADE E DA IGUALDADE. uma vaga para tal fim. DJU de 08. Em situações semelhantes. no caso. pois caso contrário. DEFICIENTE FÍSICO. AMS 96. 111-405. n. ARTS.02. por categoria.” (TRF-1ª Região. III.08. ter-se-ía de oferecer um percentual que propiciasse. o impetrante alega que poderia ter sido nomeado para outra vaga de auxiliar judiciário surgida posteriormente. nos termos do voto condutor. no pertinente. MS 95. EDITAL. CF. Outrossim. mera prestadora de serviços. eis que firma o edital juntamente com a autoridade da FUB. VIII.destinada aos deficientes. Juiz Jirair Meguerian. Aduz que o Tribunal indeferiu o pedido por entender que não havia tempo hábil para a nomeação antes da caducidade do certame. Ocorre que a decisão de prover ou não o cargo vago está na abrangência do poder discricionário da Administração. Porto Alegre. por vias transversas. VAGA DESTINADA A DEFICIENTE FÍSICO. no sentido de que serão reservadas até 20% das vagas oferecidas. CONCURSO PÚBLICO REALIZADO PELO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO PARA A CATEGORIA DE AGENTE DE PORTARIA. DA LEI 8. PROCESSUAL CIVIL. p.95) Conclui-se que. o que atenderia. 40. Afigura-se como parte passiva legítima o Diretor do Senado Federal. 2001 . II. Sabendo-se o número de vagas oferecidas. 1. a seu pleito.97) “MANDADO DE SEGURANÇA. 37.” (TRF-2ª Região. 2. para as pessoas portadoras de deficiência. Segurança concedida.112/90. o primeiro colocado adquire direito subjetivo à nomeação 190 R.

Porto Alegre.CREA/RS Advogados: Drs. o que é absolutamente legítimo. Sra. n. O Tribunal entendeu não ser conveniente nem oportuno o preenchimento da vaga referida pelo impetrante. sim. não há qualquer violação a direito do impetrante. a que. Trib. 2001 . Direito Administrativo Brasileiro. como foi analisado anteriormente. IV”. O candidato aprovado em concurso não tem direito à nomeação.04. p. O que não se admite é a nomeação de outro candidato que não o vencedor do concurso. não houve desrespeito à ordem de classificação. denego a segurança. Luciana Teixeira Esteves e outro Apelante: Conselho Regional de Eng. Eneida Teresinha Heinrich Drs. José Estanislau Silveira Baptista e outros Apelados: (Os mesmos) 191 R. Reg. p. 12. pois. Portanto.. haverá preterição do seu direito. se houver o provimento dos cargos. 380). Em face do exposto. Arquitetura e Agronomia do RGS . 21ª ed. 4ª Reg. seja respeitada a ordem de classificação no certame. a. Fed. É o voto. mas a conveniência e oportunidade do provimento ficam à inteira discrição do Poder Público. (Meirelles. 111-405. Juíza Marga Barth Tessler Apelante: Ruth Jutta Konitz Advogados: Dra. E. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000.com preferência sobre qualquer outro. de forma a não ser preterido (Súmula 15 do STF). salvo a exceção do art. nesse caso. mas. Hely Lopes. não merecendo prosperar o mandamus.01. 37. desde que a Administração se disponha a prover o cargo.121053-9/RS Relatora: A Exma. 40.

o Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do RS. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. pelo fato deste ter provocado os referidos danos em razão do cancelamento do registro funcional da autora e feito notificações num total 192 R. sobretudo em sede de remessa oficial e em homenagem aos princípios do livre convencimento e ao da busca da verdade real. decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 1. por unanimidade. o que implica a total improcedência da ação. Relatora. em que pese o proceder alheio ao contrato no que tangia ao método de pagamento. Reg. nos termos do relatório. não há como responsabilizar a ré. RELATÓRIO A Exma. 4. a. quanto à regularização dos pagamentos anteriormente avençados que se deram por via oblíqua ao pacto. prejudicado o recurso da parte-autora. Porto Alegre. 2. Trib. Indenização indevida. Juíza Marga Barth Tessler. Fed. p. Porto Alegre. prejudicado o recurso da parte-autora. 4ª Reg. Nexo de causalidade. Ocorrência de culpa concorrente. 2001 . No caso. a parte manteve-se inerte apesar das diversas provocações da Autarquia fiscalizadora. Sra.EMENTA Responsabilidade civil. 40. culminando com julgamento à revelia como se os mesmos não tivessem sido repassados à esfera jurídica da ré e notificação de cliente seu. 03 de abril de 2001. 159 do Código Civil. O nexo causal é o supedâneo da ação indenizatória baseada no art. 12. Juíza Marga Barth Tessler: Versam os presentes autos de apelações interpostas pelas partes contra sentença em “ação de indenização por danos – patrimonial e moral”. n. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. dar provimento ao recurso da ré e à remessa oficial. Provido o recurso da ré e a remessa oficial. que deve ser examinado pelo julgador independentemente da ausência de alegações da parte-ré. 111-405. 3. proposta pela primeira apelante contra o segundo. Certo que a referida inércia concorreu sobremaneira a consecução dos danos alegados.

alegando cerceamento de defesa pela ausência de produção de prova oral o que culminou com a improcedência da demanda no que tange aos danos patrimoniais. apesar de indeferida a produção de prova testemunhal. reconheceu o juiz a ocorrência de dano moral. A despeito da ausência de determinação expressa neste sentido. renovando os mesmos argumentos trazidos em contestação. Reg.de quatro. a Autarquia-ré sustentou a parcial veracidade das informações trazidas pela parte-autora. contra o quantum indenizatório arbitrado. Trib. ao contrário do que alegara. que. R. Em contestação. Fed. p. 40. é caso de reexame necessário. junta provas. o que foi rejeitado pelo magistrado a quo e subsidiariamente impugnou o alto valor pleiteado em indenização. 12. que os fatos mencionados na inicial geraram sérios danos à imagem da autora. tal qual em contestação. contratou mais obras e não deixou de trabalhar em razão dos fatos alegados. adquiriu mais clientela. a. n. pois teria sido “impedida de exercer sua profissão”. notificando a profissional oito meses após a quitação das parcelas e que a comunicação enviada ao seu cliente causou limitações ao seu exercício profissional e sérios constrangimentos. comunicação a cliente seu. A Autarquia-ré. efetivamente. ficou esta encarregada do recolhimento de mais duas parcelas. 111-405. porque o referido banco não fez a devida comunicação de recebimento dos atinentes DOCS”. denunciou a lide ao Banrisul. o que causa presunção de que perdera sua clientela. Porto Alegre. requer a procedência do apelo para condenar também a ré em danos patrimoniais apuráveis em liquidação de sentença. por conta de débito de anuidades que não estavam em aberto. Apela a parte-autora. Insurge-se. que não comprovou ter sofrido danos material ou moral em razão de tal comunicação. de que a autora. Sentenciando. que considera excessivo. pugna pela improcedência da demanda. mas que tal informação “só bem mais tarde chegou ao conhecimento do CREA-RS. alternativamente. tendo-as honrado pontualmente. que teria o réu agido negligentemente. É o relatório. 2001 193 . alega ter somente feito uma comunicação da situação “irregular” da parte-autora. 4ª Reg. haja vista não ter restado provado danos morais e patrimoniais apesar do erro que reconheceu. em razão do acordo anteriormente firmado.

e esta não deve escapar dos atentos olhos do julgador. a tese sustentada pela parte-autora. autorizativa de tal proceder. de fevereiro de 1996. bem como o necessário reexame do julgado de acordo com o art. Porto Alegre. n. Inicialmente. também. Reg. embrião de toda a controvérsia. no que diz com o princípio do livre convencimento e o da busca da verdade real. pelo conjunto probatório. 40. supedâneo das ações indenizatórias. no item “3”. verifico. o CREA/RS. termo firmado em setembro de 1995. a despeito da ausência de contestação expressa.VOTO A Exma. 29. Na fl. examino nesta sede os recursos aviados. Rememorando a cronologia dos fatos. lá na fl. Tratando-se de presunção relativa. Vai longe a diferença do possível controle de créditos operada com pagamento contra circunstanciado recibo de caixa e mero depósito em conta-corrente. 2001 . 30. a segunda parcela três dias após à data aprazada e a terceira no dia certo. e trata-se de prova material. Naquele Termo de Acordo. sobretudo em reexame necessário. examinar o que diz com a revelia do art. p. o qual após a quitação das três parcelas dará quitação total da(s) respectiva(s) anuidade(s)”. tampouco levantada pela ré. onde consta a presunção de veracidade dos fatos alegados e não contestados pelo réu. o primeiro documento. Juíza Marga Barth Tessler: Como relatado. depositou na conta-corrente da Autarquia. Na fl. 10 da Lei 9. a. pelo ofício nº 068/96. que “As parcelas serão pagas diretamente no caixa localizado na sede do CREA/RS ou nas inspetorias no interior do Estado. convencionaram autora e ré. 12. vislumbro que a parte em vez de pagar no caixa. 111-405. 159 do Código Civil. Sra. a natureza da lide nos força a fazer um exame da relação de causalidade. Trib. 28 dos autos. insculpido no art. não sem antes. 4ª Reg. apesar de não organizados nesta ordem os documentos juntados. conforme avençado. em que pese ainda não ficar o magistrado adstrito ao alegado. ao qual também não interessa quem faz depósito e a que título. 319 do Código Processual. entregue contra aviso de recebimento.469/97. apesar de não haver nos autos qualquer referência quanto à novação contratual ou avença verbal subsidiária. pode e deve resultar derrubada. máxime se é certo que o Banco não encaminha via de depósito feito em conta-corrente ao respectivo correntista. Fed. constatando a ausência dos paga194 R.

haja vista que os demais tenho-os por desimportantes para dirimir a controvérsia. o ofício 1. Logo abaixo. não teria sido notificada e julgada a revelia. no item III do antepenúltimo campo. Trib. que o não-atendimento ao disposto no item I dará origem a processo administrativo e após os trâmites legais. 15. 4ª Reg. 256 e 273.03.96. Nas fls. Seguindo na cronologia. Porto Alegre. sem no entanto estar firmada pela autora. p. que cotejado com a assinatura da procuração da fl. 111-405. para regularizar a situação ou contestá-la. Certamente. n. No verso deste documento. respectivamente. prova inconteste de que a parte-autora saiu da inércia depois destas três provocações não consta nos autos. 12. haja vista constar apenas o seu nome. ao Sr. solicita providências da parte. verifica-se ictu oculi substancial diferença. sem no entanto identificar o autor. examinando o processo do mesmo resolveu arquivá-lo ante a irregularidade da situação profissioR. ambos de setembro de 1996. Fed. dando conta de que as respectivas notificações foram julgadas a revelia por ausência de manifestação no prazo nelas estipulado. Calca a alegação de que sofrera danos morais substancialmente no documento da fl. encontra-se manuscrito que teria sido remetido em resposta. 25 e 31. José Lehmenn. dando prazo legal de 10 dias. Agora. porque a Câmara Especializada de Arquitetura. as notificações encaminhadas pela Autarquia-ré. agora. apesar de não contestado pela autarquia-ré. a data em caneta preta de 05. 17. a. remetido um ano e quatro meses após a primeira provocação da autarquia-ré.051/97. e também entregues contra aviso de recebimento à parte-autora. todas emitidas no mês de julho de 1996. 18 a 24. Reg. 2001 195 . Lê-se lá. constantes nas fls. agora. examino os ofícios da parte-ré. a multa lá estipulada será lançada na Dívida Ativa e cobrada judicialmente.mentos. tenho por examináveis. o horário de “11h30min” e algo que parece uma rubrica. Tivesse havido manifestação da autora. Paradoxalmente. este documento não é bastante à conclusão de que a autora dirigiu-se formalmente à autarquia para esclarecer que fizera os depósitos. concedendo mais 60 (sessenta) dias para que a situação fosse regularizada. 40. examino o último documento.

violar direito ou causar prejuízo a outrem. A parte-autora. tendo esclarecido todo o problema um pouco antes de setembro de 1997. 40. não encaminha as cópias para o Conselho – pelo menos não provou isso – e depois de manter-se na sombra dos acontecimentos por quase um ano e meio. p. não restaram demonstrados os danos materiais. negligência ou imprudência. pois carente de relação de causa e efeito autorizativa da ação indenizatória. Não há prova cabal. fica obrigado a reparar o dano”. deposita em conta-corrente as parcelas que devia. n.nal da parte-autora. A parte-autora não realizou os últimos dois pagamentos como se obrigava. prejudicado o recurso da parte-autora. Assim. como bem referiu a autarquia-ré em contestação e nas razões de apelação. em vez de pagar no caixa contra recibo circunstanciado. a. por ele contratada para tocar uma obra. ante a cronologia dos fatos. Trib. 196 R. pergunto. todos os prazos foram assegurados e. Fed. Reg. Demais disso. voltando ao fundamento insculpido no art. como já disse. não merece ter procedência no seu pleito. contrariamente ao que avençou no acordo referido. 4ª Reg. se efetivamente concorreu a ré para os fatos que sequer restaram demonstrados. Porto Alegre. contudo. poderiam ser presumidos. 27. 12. Os fatos indicam que a autora manteve-se inerte desde o início. não restava outra providência que não a acertadamente tomada pela ré. “aquele que por ação ou omissão voluntária. sem referência dos motivos. limitando-se a fazer simples depósitos em conta-corrente. 159 do Código Civil. depósitos. O pagamento da última parcela sequer identifica quem procedeu o recolhimento e a que título. aliás. num ano e quatro meses de inércia da autora. Quanto aos danos morais. 2001 . conforme certidão da fl. dou provimento ao recurso da ré e à remessa oficial para julgar totalmente improcedente a ação. de que a autora impugnou regularmente os débitos ou as notificações. senão só ocorreram – se ocorreram – por inércia da parte-autora? Acaso restou demonstrado o cerceamento de defesa na esfera administrativa que culminou com as comunicações do cancelamento do registro funcional da parte-autora? Não. onde ainda constava o indigitado débito. muito antes pelo contrário. 111-405. sendo que o segundo tampouco o nome da autora traz.

Lei 9. 111-405. 40.640/97. pois à vantagem pessoal foi atribuído reajuste de acordo com a revisão geral da remuneração dos servidores – o que não ocorre há muitos anos – enquanto o aumento de vencimentos concedido por meio do adicional beneficia apenas os atuais detentores dos cargos e 197 R. Sra. Cynthia Maria Greca Schaffer EMENTA Administrativo. Fed. n.01. Incorporação de “quintos” ou “décimos”. Reg. Servidores inativos. CF. Trib. 4ª Reg. Direito reconhecido.527/97 (art. O procedimento atinente à transformação dos quintos ou décimos já incorporados em vantagem pessoal e sua teórica desvinculação das parcelas recebidas a esse título pelos servidores em atividade constitui estratégia adotada justamente para melhor manipular a forma de reajuste a ser considerado. Paulo Cesar Hertt Grande Apelada: Universidade Federal do Paraná Advogada: Dra.135309-0/PR Relatora: A Exma. que não pode ser excluído para o efeito de cálculo da chamada vantagem individual dos servidores inativos. Lei 9. 12. por força do art. Porto Alegre. instituído pela Lei 9. Juíza Silvia Goraieb Apelantes: Clovis Jose Serafini e outros Advogado: Dr.640/98. 2001 . § 8º. que determina igualdade de tratamento remuneratório entre servidores ativos e inativos.É o voto. CF.04. O Adicional de Gestão Educacional. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. Adicional de gestão educacional. 40.§ 1º). O adicional em questão constitui parcela componente da própria remuneração do cargo em comissão. é devido aos servidores inativos. Constitucional. p. para o servidor investido em cargo de direção ou função gratificada das Instituições Federais de Ensino. § 8º. 40. Art. 15. incidindo sobre os “quintos” e “décimos” incorporados aos proventos da aposentadoria. a.

resultando diferenças gritantes demonstradas nos fundamentos através de cálculo que dispensa transcrição. na esteira da jurisprudência pacífica do STJ e deste Tribunal. Reg. p. Trib. Fed. mas vantagem pessoal. Sucumbência invertida. 40. portarias. CF/88. e foram transformados em vantagem pessoal pela Lei 9. deve o juiz identificar aquelas editadas a serviço da política atual de aniquilamento do serviço público. A vantagem pessoal guarda correspondência com os décimos e quintos recebidos na ativa e deve sofrer o mesmo reajuste destes últimos.640/97. no sentido de ser incluído no cálculo da vantagem pessoal o AGE a partir de sua instituição pela Lei 9. no percentual de 1% ao mês. 12.527/97. em que pese não existir expressa vedação no texto legal. 111-405. Procedência do pedido. 40. a contar da citação. décimos ou vantagem pessoal – é certo que existe o direito adquirido à manutenção do mesmo padrão remuneratório havido por ocasião da aposentadoria. n. afastando sua aplicação sempre que esta redundar na inobservância das garantias mínimas asseguradas ao servidor pela Constituição. 4ª Reg. que nem sempre guardam correspondência com a realidade dos fatos. 2001 . que assegura a revisão dos proventos da aposentadoria na mesma proporção adotada para a remuneração dos servidores em atividade e que. conclusão esta insustentável. sob pena de haver a redução do valor recebido a título de vantagem pessoal à época da aposentadoria. visto que as parcelas já incorporadas não podem sofrer redução em virtude da alteração da nomenclatura.funções já mencionados. III. a Administração adota entendimento no sentido de que não pode o AGE ser estendido aos inativos. a. aplicabilidade do art. decretos e resoluções. leis. Porto Alegre. Possibilidade de o Poder Judiciário tutelar os direitos que paulatinamente vêm sendo suprimidos do patrimônio jurídico dos servidores civis a pretexto de aplicação de conceitos doutrinários. foi ostensivamente ignorada pelo legislador. § 8º. Como os décimos foram considerados na aposentadoria. porque não recebem décimos. A par do direito adquirido. no caso dos autos. sem qualquer respaldo nos princípios constitucionais. porque seja qual for a denominação adotada – quintos. no percentual de 10% sobre o valor da con198 R. No cipoal de medidas provisórias. devidamente atualizadas monetariamente as diferenças desde então pelo IPC-r e pelos juros de mora.

Apelaram os autores reiterando os termos da inicial. nos termos do relatório. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre. incidente sobre os “quintos” e “décimos” incorporados. a. Juízo monocrático afastou a preliminar argüida pela ré e julgou improcedente o pedido. vencido em parte o Juiz Amaury Chaves de Athayde quanto aos honorários advocatícios. sustentou que não há tratamento diferenciado entre ativos e inativos. e que foi violado o princípio constitucional da irredutibilidade dos salários. ajuizada contra a UFPR. onde os autores objetivam o recebimento do Adicional de Gestão Educacional. impossibilidade jurídica do pedido. Reg. Com contra-razões. por maioria. Juíza Silvia Goraieb. em síntese. pois entenderam que os argumentos utilizados na mesma foram insuficientes. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. dar provimento à apelação. 111-405. 13 de março de 2001. nos termos da Lei nº 9. Porto Alegre.640/98. condenando os autores ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da causa. 12.denação. na esteira dos precedentes da Turma. Contestou a ré. Sobreveio sentença onde o MM. que a criação do referido adicional deu tratamento diferenciado entre os servidores ativos e inativos. A antecipação de tutela foi indeferida. Apelação provida. alegando. Sra. 4ª Reg. Trib. Relatora. 2001 199 . É o relatório. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. preliminarmente. para que seja reformada a sentença. n. R. No mérito. RELATÓRIO A Exma. subiram os autos a esta Corte. É sustentado. Fed. p. 40. Juíza Silvia Goraieb: Trata-se de ação ordinária com pedido de antecipação de tutela.

40.É criado o Adicional de Gestão Educacional. A negativa da Administração de pagar a referida vantagem pecuniária aos inativos reside no fato de que não mais percebem quintos ou décimos. Parágrafo único . transformadas em “vantagem pessoal nominalmente identificada. observado o disposto no artigo seguinte. Reg. de 25 de maio de 1998. 15. sendo também estendidos aos aposentados e aos pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos àqueles. Juíza Silvia Goraieb: Versa o presente feito o direito à percepção do Adicional de Gestão Educacional pelos servidores inativos que incorporaram quintos ou décimos. Sendo o Adicional de Gestão Educacional parcela componente da própria remuneração do cargo em comissão. § 8º. 12. Tal raciocínio. p.640. a partir da Lei nº 9.A remuneração do servidor investido em Cargo de Direção ou Função Gratificada das Instituições Federais de Ensino passa a ser paga na forma desta lei. sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade. que determina que os proventos de aposentadoria e as pensões sejam revistos na mesma proporção e na mesma data. Art. a. 7º . n. A paridade acima referida deixou de ser observada no caso dos autores. A vantagem em questão foi instituída pela Lei nº 9. 2001 . sujeita exclusivamente à atualização decorrente da revisão geral da remuneração dos servidores públicos federais” (art.VOTO A Exma. de 10 de dezembro de 1997. 111-405. a isonomia e o direito adquirido. Fed. contudo. não poderia ser excluído 200 R. § 1º). 6º . da CF/88. porque o aumento da remuneração havido na retribuição dos cargos de direção em conseqüência da criação do adicional em tela não foi aplicado às parcelas incorporadas dos servidores inativos. Já é por demais conhecido o preceito contido no art. Sra. Porto Alegre. 4ª Reg. os valores de remuneração atribuídos aos Cargos de Direção e Funções Gratificadas das Instituições Federais de Ensino passam a ser os constantes dos Anexos V e VI desta Lei”. 40.Em função do disposto neste artigo. não subsiste ao mais singelo cotejo com os princípios constitucionais que dizem com a irredutibilidade dos vencimentos.527. nos seguintes termos: “ Art. devido aos ocupantes dos cargos referidos no artigo anterior. Trib. uma vez que estas parcelas incorporadas aos proventos foram.

12. a remuneração dos cargos de direção e das funções gratificadas das instituições federais de ensino ficou assim definida (Anexos V e VI da Lei nº 9. a. porque o seu valor é cada vez menor. gerando a interminável discussão acerca da distinção entre vencimento e vencimentos e do conceito de remuneração. Não foi outro o procedimento atinente à transformação dos quintos ou décimos já incorporados em vantagem pessoal e sua teórica desvinculação das parcelas recebidas a esse título pelos servidores em atividade. visando a atribuir reajustes diferenciados a uns e outros com espeque na alegada diferença entre eles. Fed. À vantagem pessoal foi atribuído reajuste de acordo com a revisão geral da remuneração dos servidores. 40. Veja-se exatamente a situação dos autos. 40. 111-405. p. Trib. conforme sua área de atuação. que são incorporados ou não aos proventos de aposentadoria segundo sua natureza ou a vontade do legislador. Porto Alegre.para o efeito de cálculo da chamada vantagem individual dos servidores inativos. isto porque as gratificações e adicionais são livremente reduzidos. n. Com a instituição do Adicional de Gestão Educacional. antes citado. Reg. suprimidos e desincorporados dos proventos sob o argumento corrente na doutrina. Considerando-se que esta revisão geral não é efetuada há mais de seis anos. sob pena de infração ao art. assegurando a manutenção dos parcos direitos que restaram após o início do Governo Fernando Henrique e as emendas constitucionais que se seguiram. resulta que a vantagem pessoal (quintos incorporados) tende a desaparecer. § 8º. assim como na jurisprudência. 2001 201 . Para que se compreenda bem a amplitude do prejuízo sofrido pelos inativos é preciso conhecer os mecanismos utilizados pelo legislador para burlar os princípios constitucionais que ainda podem favorecer o funcionalismo público federal. Inicialmente. III. impõe-se a consideração de que a estrutura da remuneração do servidor público compreende um vencimento básico irrisório ao qual são acrescentadas diversas gratificações e adicionais.640/98): R. Trata-se de uma estratégia adotada justamente para melhor manipular a forma de reajuste dos vencimentos. de que “o servidor público não tem direito adquirido a regime jurídico”. 4ª Reg.

15 da Lei Delegada nº13/92): 36. 2001 . Trib.05 .527/97. À primeira vista.13 . além de abranger a todos os servidores incidiria no vencimento básico e.Vencimento : 22. 40.Gratificação de atividade pelo desempenho de função (art.854. enquanto um reajuste geral.78 Observe-se que. Quando aposentados. entre março de 1995 e julho de 1998.00 FG-6 . que o adicional não foi conferido aos detentores da vantagem pessoal que.67 . foram transformados em vantagem pessoal. Tanto é verdadeiro o raciocínio.Adicional de gestão educacional: 29.800. o procedimento poderia parecer contraditório. 4ª Reg. assim. Fed. 111-405. sustenta a Administração que o Adicional de Gestão Educacional não pode ser es202 R. assim.Vencimento: 187. Porto Alegre. 14 da Lei Delegada nº 13/92): 618. pela Lei nº 9. sofreram verdadeira redução de proventos desautorizada pela Constituição. Reg. p. Embora não exista expressa vedação na Lei nº 9.CD-4 .Total: 2.Adicional de gestão educacional: 1. repercutiria em todas as demais vantagens cuja base de cálculo é aquele vencimento. n. mas não é: o reajuste concedido por meio do adicional beneficia apenas os detentores dos referidos cargos e funções.60 . os autores fizeram jus ao recebimento de décimos que.05 . foi criado o adicional em questão como forma de atualizar a remuneração dos ocupantes de cargos de direção e funções gratificadas. 12. como explicado acima. a.Total: 87.Representação mensal: 140.Gratificação de atividade pelo desempenho de função (art. sendo o valor do vencimento irrisório e persistindo a política governamental instituída em 1995 de deixar os servidores públicos civis federais sem qualquer reajuste.640/07.02 .26 .

porque as parcelas já incorporadas não podem sofrer redução em virtude da alteração da nomenclatura. Argumenta-se que décimos e vantagem pessoal são parcelas distintas. Reg. Fed. apesar de ter sido instituída com a finalidade de extinguir-se com o passar do tempo. p. como poderia haver uma vantagem pessoal pertencente aos proventos de aposentadoria se não houvesse a correspondente vantagem pecuniária nos vencimentos percebidos na ativa? Qual a origem dessa vantagem pessoal? Poderia o legislador simplesmente criar uma vantagem pessoal da mesma forma que instituiu uma gratificação nova ou um novo adicional? A reflexão sobre estas e várias outras indagações que poderiam ser postas permite concluir que a vantagem pessoal guarda correspondência com os décimos e quintos recebidos na ativa e deve sofrer o mesmo reajuste destes últimos. Afigura-se contrário à Constituição qualquer procedimento que acarrete a redução do valor recebido a título de vantagem pessoal à época da aposentadoria. no caso dos autos. 40. Não fosse pelo fundamento do direito adquirido.é certo que existe o direito adquirido à manutenção do mesmo padrão remuneratório havido por ocasião da aposentadoria. 4ª Reg. e que. Data venia. convém enfatizar o papel reservado ao Poder Judiciário na tutela de direitos que paulatinamente vêm sendo suprimidos do patrimônio jurídico dos servidores civis a pretexto de aplicação de conceitos doutrinários que nem sempre guardam correspondência com a rea-lidade dos fatos. leis. mas vantagem pessoal. deve o juiz identificar aquelas editadas a serviço da política atual 203 R. deveria ainda ser observada a disposição contida no art. Trib.tendido aos inativos porque estes não recebem décimos. decretos e resoluções. III. da CF/88 que assegura a revisão dos proventos da aposentadoria na mesma proporção adotada para a remuneração dos servidores em atividade. § 8º. seja qual for a denominação adotada – quintos. 12. Contudo. 40. que não se confundem. Porto Alegre. portarias. foi ostensivamente ignorada pelo legislador. em razão da política de ser atualizada somente por ocasião do reajuste geral de vencimentos. 2001 . décimos ou vantagem pessoal . Ainda a propósito da matéria. n. a. 111-405. No cipoal de medidas provisórias.

Rel. 116) Através da 3ª Seção. TAXA.322/67. JUROS MORATÓRIOS. No cálculo das diferenças de remuneração e de proventos devidos a servidores públicos devem incidir juros moratórios na taxa de 1. 2.de aniquilamento do serviço público. Trib.” ( STJ. 111-405. Juros de mora O Superior Tribunal de Justiça tem decidido que o percentual cabível a título de juros moratórios em débitos relativos aos vencimentos de servidores públicos é de 1% ao mês nos termos do art. Recurso conhecido e provido. REsp 195964/SC. em face da natureza alimentar da dívida. o entendimento restou pacificado naquela Corte.640/97.86%. cujo acórdão foi ementado pelo Eminente Ministro Fernando Gonçalves nos seguintes termos: “ADMINISTRATIVO. Gilson Dipp. 28. Fernando Gonçalves. p.337/SP. de acordo com os fundamentos abaixo. JUROS. DJ de 15. 1. condenando a ré a incluir no cálculo da vantagem pessoal o Adicional de Gestão Educacional desde a sua instituição pela Lei nº 9. APOSENTADORIA.98.12. a. 12.” (STJ. p. p. REsp 175827/SC. Porto Alegre. visto que tais prestações têm caráter eminentemente alimentar: “PROCESSO CIVIL. 40. DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO E DE PROVENTOS. Fed. DJ de 07. Precedentes do STJ. 1. Recurso conhecido e provido.03. Sobre as diferenças resultantes do pagamento de reajuste nos vencimentos de servidores federais devem incidir juros moratórios calculados à taxa de 1% ao mês. a partir da citação. pagando as diferenças devidas corrigidas monetariamente desde então pelo IPC-r e acrescidas de juros de mora de 1% ao mês.322/87. DEL 75/66. Min. DÉBITO. 3º do Decreto-Lei nº 2. 4ª Reg.0% ao mês. no julgamento dos Embargos de Divergência 58. Rel. 5ª Turma. Com estes fundamentos.99. 283) “PROCESSO CIVIL. reformo a sentença para julgar procedente o pedido. n. 2001 . Incidem juros moratórios de 1% (um por cento) ao mês sobre dívida resultante 204 R. JUROS MORATÓRIOS. Min. 6ª Turma. em face da natureza alimentar da dívida. Reg. sem qualquer respaldo nos princípios constitucio-nais. afastando sua aplicação sempre que esta redundar na inobservância das garantias mínimas asseguradas ao servidor pela Constituição. COMPLEMENTAÇÃO. DEL 2.

Juiz Amaury Chaves de Athayde: Relativamente à questão central da lide. VOTO O Exmo. impõe-se a adoção dos juros de mora de 1% ao mês. com amparo no art.97. Sr. DJ de 22. firmou-se a construção jurisprudencial . 5º da Lei de Introdução ao Código Civil. 3. Não tem relevância eventual distinção entre débito de índole estatutária ou trabalhista. tenho a honra de acompanhar o brilhante voto da eminente Relatora. que regula os débitos de origem trabalhista. sendo que quanto a esta última a taxa de 1% (um por cento) é fixada pelo art. de 26 de fevereiro de 1967. 205 R. Solução igual para situações idênticas. Em face do exposto.322/87.322.657/SP. 12. dou provimento à apelação. Prequestionamento O prequestionamento quanto à legislação invocada fica estabelecido. Precedentes do STJ . Reg.que determina sua incidência a partir do momento em que deveria ter sido efetuado o pagamento.337/SP.” (EREsp 58. Fernando Gonçalves. p. são invertidos os ônus da sucumbência.interpretação magnânima.hoje amplamente aceita nos Tribunais do País .de complementação de aposentadoria. 40. o que dispensa consideração a respeito.REsp nº 5. fixados os honorários em 10% sobre o valor da condenação. proventos de aposentadoria e benefícios previdenciários são típicas dívidas de valor em razão de sua natureza alimentar. em face de sua natureza salarial. Porto Alegre. Assim. pelas razões de decidir. 4ª Reg. 2001 . Embargos rejeitados. pensões. Rel. p/ ac. É o voto. na esteira dos precedentes da Turma. 3º do Decreto-Lei nº 2. Sucumbência Com a reforma da sentença. 111-405. Min. em razão da sua relevância e finalidade. Trib.09. observando-se que também quanto à correção monetária das dívidas de valor. n. pois ambas são de cunho eminentemente alimentar. a. Fed. RSTJ 104:375-386) A possibilidade de aplicação das disposições do Decreto-Lei nº 2. deve-se ao fato de que as dívidas de salários. 2. vez que deixo de aplicar os dispositivos legais tidos como aptos a obter pronunciamento jurisdicional diverso do que até aqui foi declinado.

haja vista que ambos os dispositivos hão de ser aplicados em concerto. n. porém. a. Isso se faz dentro dos limites mínimo e máximo estabelecidos pelo parágrafo 3º do artigo 20 do Código de Processo Civil. de trato periódico. Com efeito. estar-se-ia a alcançar situação carente de mais mínima razoabilidade. tal parcela haveria de ser excluída na quadra recursal. Tal ocorreria. Trib. de fato. na hipótese de reexame — por força de recurso voluntário ou oficial — de imposição sentencial de parcela indevida contra a Fazenda Pública. sucessivo e ilimitado. do recurso.Permito-me divergir. 4ª Reg. obrigação de efeito pecuniário. com provimento. porém. 40. Assim é porque. para exemplificar. a meu sentir. contra a parte vencida. p. Inobstante efeito 206 R. incorre-se em imposição excessiva lançada contra o devedor. Porto Alegre. Reg. 12. quando vencida for a Fazenda Pública. ao litigante em processo judicial não é dado responder pelo tempo transcorrido até a final solução do litígio — senão nos casos de condutas típicas sujeitas a cominações legais próprias. não o transmudando o parágrafo 4º do mesmo artigo. É o que se dá. formada a modo absolutamente indevido. nos casos em que a condenação mesma consubstancia o cumprimento de obrigação pecuniária. 2001 . 111-405. ademais dos instrumentos de proteção de manejo voluntário. ao devedor não se há de carregar honorária advocatícia crescente em agravação progressiva. Fosse de outra forma. porém. Fed. data maxima venia. Afirmo-o tendo por induvidoso que subordinado a tal equação. máxime quando o obrigado é ente fazendário. enquanto se sirva regularmente dos meios de defesa que a lei lhe garante. no que concerne ao trato que Sua Excelência dá à honorária advocatícia. de que não se cuida in casu — e de definitiva resolução de sua obrigação. pois. que o próprio entendimento do valor da condenação enquanto para servir de base para o cálculo dos honorários há de ser bem definido. Por indevida mesmo. sobre a condenação é que devem ser computados os honorários da sucumbência. Advindo da imposição sentencial. sem que se definam os correspondentes contornos. eis que em situação cuja causa não se lhe pode atribuir. ao qual. Ao fixar-se a honorária advocatícia sobre o valor da condenação. socorre o sistema de duplo grau de jurisdição oficial. É claro.

” Não fora o suficiente. se. assim prosseguindo adiante. honorários próprios do processo executivo. Min. 4ª Reg. 277. se a obrigação for por tempo indeterminado. porquanto periódica e constantemente ampliando-se a sua base.013/RS. CABIMENTO. quando dispõe sobre a fixação do valor da causa. 245. impõe-se notar que neste momento está apenas a se cuidar de honorários da sucumbência no processo de conhecimento. remansosa a melhor jurisprudência.12. HONORÁRIOS. in fine. Rel. Por isso. ainda que não tenham sido opostos embargos. Porto Alegre. TÍTULO JUDICIAL. até o total pagamento em regime constitucional de precatório. embargada ou não. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. por tempo inferior. Bem por isso. Na execução por título judicial. no caso. Fed. 260. unânime. 20 do CPC. Precedentes da Quarta Turma. até aí estaria a progredir a ampliação da honorária. n. não se pode omitir consideração ao fato de que. consoante a nova letra do § 4º do art. Rel. em oportuna eventual execução no julgado. Reg. ainda que não embargada.99. Quando se pedirem prestações vencidas e vincendas. Barros Monteiro. CABIMENTO. p. a delimitação da base dos honorários advocatícios. São devidos honorários na execução por título judicial ou extrajudicial. “EXECUÇÃO POR TÍTULO JUDICIAL. O valor das prestações vincendas será igual a uma prestação anual. DJU 08. A execução de título judicial constitui processo autônomo. com base então no valor atual em execução.845/RS. sendo devidos honorários advocatícios. p. a. eu a tenho por absolutamente necessária. Trib. ou por tempo superior a 1 (um) ano. forte no artigo 20. Recurso conhecido e provido.” REsp nº 159. unânime. 111-405. Min.02. É claro que não se pode contemplar esse elastecimento. 12. 40. 4ª Turma. EXECUÇÃO. HONORÁRIOS DE ADVOGADO. vejo amparo legal no Código de Processo Civil. ainda haverão de ser contemplados. 3ª Turma.reverso. “PROCESSUAL CIVIL. 2001 207 . DJU 14. Costa Leite. tomar-se-á em consideração o valor de umas e outras. parágrafo 4º.” REsp nº 141.98. do Código de Processo Civil. Recurso especial conhecido e provido. p. R. bastante representativos os julgados do egrégio Superior Tribunal de Justiça. E para fazê-lo. é cabível a fixação de honorários advocatícios. será igual à soma das prestações. consoante os arestos a seguir: “EXECUÇÃO. válida a transcrição do seu: “Art.

1 . p.04. “PROCESSUAL CIVIL. até para ensejar o reexame da matéria.448/RS.” EREsp nº 159. 92. a. Min. 4ª Reg. Fernando Gonçalves. porém. Destarte. 2 . 2001 . 12.98. não obstante a douta Segunda Seção desta Corte. art. delimitada essa base. 111-405. Rel. p.” REsp nº 140. mais uma anualidade de prestações então vincendas. 5ª Turma. n.Embargos de divergência rejeitados. Gilson Dipp. tomando por baliza a mesma disposição.Recurso conhecido e provido. Precedente: REsp nº 140. 20. EXECUÇÃO.01. Reg. Luís Inácio Lucena Adams Apelados: (Os mesmos) R. 40. 3ª Seção. Min. Juíza Silvia Goraieb 208 Apelantes: Lauro Schuck e outros Advogado: Dr. Corte Especial. 20. Trib. agora acrescida a fundamentação. Ante o exposto. É como voto. com correção monetária e os juros moratórios incidentes. p. 374. unânime. Porto Alegre. em relações da espécie.12. permito-me insistir no seu cabimento. arbitro honorários na ordem de 10% sobre o valor da condenação (CPC.137630-2/RS Relatora: A Exma.403-RS. INTELIGÊNCIA DO ART.12. §§ 3º e 4º). com a explicitada disposição concernente à verba honorária. unânime.98.Na execução fundada em título judicial são devidos os honorários advocatícios. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DJU 14. DJU 18. à conta da parte vencida. § 4º. Assim.291/RS. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. no somatório das prestações vencidas ao tempo do aforamento da ação. Jorge do Couto e Silva Apelante: União Federal Advogado: Dr. no caso dos autos. DO CPC. e acompanhando a eminente Relatora no mais. já haver se pronunciado pela não delimitação da base de cálculo da verba em comento. Fed. Sra. Rel.

ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Porto Alegre. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. voto e notas taquigráficas. por unanimidade. 40. . Recurso da União improvido. Correção monetária. Honorários advocatícios devidos nos embargos à execução. Sua destinação constitucional e a necessidade de tornar efetiva a sua atuação impõem-se-lhe reconheça a faculdade de. p. . O Poder Judiciário não pode submeter suas decisões a verdadeiro aviltamento. a. sem afronta à coisa julgada. . comprometendo-se a União a pagar o valor no prazo de 30 dias e não o cumprindo. . Apelação dos embargados provida. . fazer justiça ao aplicar a lei. 209 R. Ação expropriatória. Expurgos inflacionários. ao julgar. afastando vícios de manipulação dos índices oficiais de correção monetária do débito. negar provimento ao recurso da União e dar provimento à apelação dos embargados. . Prequestionamento estabelecido pelas razões de decidir. certa a existência de diferença em favor dos embargos. Porto Alegre. permitindo prejuízos para resguardar o enriquecimento ilícito de quem não pagou na época devida e quer pagar valor irreal e defasado. Atraso. 2001 . decorrente de política econômica. Juros moratórios devidos por expressa previsão legal e incidência da Súmula 52 deste Tribunal. Cumprimento parcial. Honorários advocatícios. porque não tratou a União de quitar a parcela incontroversa. . 4ª Reg. 111-405. . Juros de mora. nos termos do relatório. Embargos à execução. n. Transação. 13 de março de 2001. 12. Trib. Cômputo de expurgos inflacionários existentes a partir da data da transação até o efetivo pagamento. que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.EMENTA Processual Civil. porque tal sistemática visa a preservar o valor real do débito. . majorados para 10% sobre o valor executado. havendo saldo remanescente. segundo entendimento já consolidado em Súmulas deste Tribunal. Fed. Homologada a transação. Reg.

Devidamente processado o feito.96. efetuou o pagamento de Cr$ 140.397.90 em ação de desapropriação no valor de 2. Trib. 65). em 16. 49-50).11 (fl.267.816. Também apelou a União sob o fundamento de que houve o pagamento integral do débito em BTN. Relatora. Juiz a quo rejeitou os embargos e condenou a embargante em honorários fixados em R$ 2. 20.00.Juíza Silvia Goraieb.751.000. n. Reg. houve o pagamento parcial em dezembro de 1990 equivalente a 1. a existência de diferença em favor dos 210 R. 05). Apelaram os embargados. corrigidas até o pagamento pela BTN mensal (fl.02. p. Juíza Silvia Goraieb: Consoante os documentos juntados aos autos. postulando a elevação dos honorários.572. para novembro de 1998. no prazo de 30 dias. 4ª Reg. Em 05. deixando o julgador singular de considerar o art. já corrigido o débito pela variação da BTN/UFIR. Porto Alegre. sendo improcedente o pagamento de juros e expurgos inflacionários não determinados na transação. conforme planilha apresentada pela própria União (fl. 2001 . 40. Postula a exclusão dos honorários advocatícios por serem indevidos quando se trata de execução contra a Fazenda Pública.000. do CPC. depositou outra parcela no valor de R$ 1. descabendo o acréscimo de juros e expurgos inflacionários. onde foram submetidos a Parecer do Ministério Público. restando o saldo de 1. a. os quais. RELATÓRIO A Exma.10.872.10. Resta induvidosa.000. 2. o MM.90.083% do valor da execução.02.90.75 BTNs.872. Juíza Silvia Goraieb: Trata-se de embargos à execução opostos pela União a qual alega que.432.30 BTNs mais 5% a título de honorários advocatícios. Fed. homologada transação em 08. devidamente pago em 16.00 e.759.59. VOTO A Exma. subiram os autos a esta Corte.96. §§ 3º e 4º. Sra. 111-405.12.11 BTNs.751. 12.30 BTNs. É o relatório. deveriam ser discutidos na via ordinária. foi homologada transação entre as partes pela qual a União comprometeu-se a pagar aos embargados. Sra. se devidos. restando ainda um saldo remanescente de R$ 4. portanto.552.583. Contra-arrazoados os recursos. porquanto correspondentes apenas a 0. em 08.

jamais espelham a inflação verdadeira. fazer justiça ao aplicar a lei. Trib. frente ao processo inflacionário.89. como no cálculo considerado não foi incluído o expurgo inflacionário de janeiro/89. a. Por outro lado. n. aqueles integrados devem ser mantidos. face às manipulações econômicas. a preservar o valor real do débito. ao julgar. também devidos os juros moratórios por expressa R. ou seja. cujo montante é objeto de discussão nos presentes embargos. Fed. os quais são objeto de entendimento pacificado na jurisprudência já sumulada nesta Casa. 12. permitindo que aqueles que o procuram venham a sofrer prejuízos em seu patrimônio para resguardar o enriquecimento ilícito de quem não pagou na época devida e quer pagar em valor irreal e defasado. Reg. submetendo suas decisões a verdadeiro aviltamento. visando a resguardar os fins sociais a que se dirige. é certo que não ofende a coisa julgada a integração dos expurgos verificados posteriormente à homologação. p. quando existe previsão legal a regrar a atualização monetária do débito. já que a embargante entende indevida a inclusão no cálculo dos expurgos inflacionários e dos juros moratórios. eis que tal sistemática visa.embargados. Por isso. de forma sistemática. e os índices oficiais manipulados contiverem vícios decorrentes de expurgos. Porto Alegre. devem eles ser considerados como de real inflação e como tal ser computados no cálculo. 111-405. por corresponderem à defasagem do valor acordado pela falta de pagamento na época oportuna. segundo sua destinação constitucional e a necessidade de tornar efetiva a sua atuação impõem-se-lhe reconheça a faculdade de. Esta não é a missão do Poder Judiciário. não se referir aos expurgos inflacionários. É certo que não há excesso de execução pela atualização do débito com a inclusão dos expurgos inflacionários. representando apenas mera atualização da moeda. 4ª Reg. Em que pese o termo de transação. não há dúvidas que o Poder Judiciário não pode ficar inerte. 40. prevendo tão-somente a correção pelo BTN. razão pela qual devem ser computados até o efetivo pagamento. Partindo da certeza de que a atualização monetária não constitui um plus. por razões de política econômica. No caso dos autos. unicamente.12. os expurgos postulados dizem respeito a período posterior à formalização do acordo sobre o valor a ser pago e que não foi na época devida. porque os índices oficiais de correção monetária. 2001 211 . lavrado em 31.

” No caso em exame. § 1º .. Trib.. § 3º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez por cento (10%) e o máximo de vinte por cento (20%) sobre o valor da condenação. atendidos: a) o grau de zelo profissional.00).. n... atendidas as normas das alíneas a. 1. determinando expressamente o seguinte: “ART.. o artigo 20 do Código de Processo Civil fixa os parâmetros que devem ser seguidos quando se depara com essa situação. nas de valor inestimável. 4ª Reg. § 2º .. 2001 .. O arbitramento da verba honorária está adstrito ao critério de valoração. Para isso.064 do Código Civil). nos acasos em que o advogado funcionar em causa própria. b) o lugar da prestação do serviço. 20 A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. Assim sendo... irretocável a decisão monocrática que. porquanto é entendimento já sedimentado na Turma o cabimento de honorários nos embargos à execução... § 4º Nas causas de pequeno valor. naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública. que deve estar perfeitamente delineado em lei processual.000.. Essa verba honorária será devida.. o que impõe seja estabelecida uma equação capaz de cumprir com o princípio da apreciação eqüitativa consubstanciado no parágrafo 4º do art. também. a matéria versada nos autos exigiu esforço do procurador quando atuou no feito. o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. A respeito da matéria. a. embargadas ou não. os honorários serão fixados consoante apreciação eqüitativa do juiz. 12. a irresignação dos embargados deve ser analisada frente à realidade dos autos. Reg.. 111-405. Porto Alegre.. aplicável a Súmula nº 52 deste Tribunal que dispensa maiores considerações a respeito. deixando a União de comprovar de que modo teria havido a alegada incidência de juros sobre juros.. b e c do parágrafo anterior.. c) a natureza e importância da causa. Sucumbência É mantida a condenação da União ao pagamento de honorários advocatícios. a rigor segue jurisprudência firme desta Casa... 20 antes transcrito. p.previsão legal (art. 212 R. Fed. e nas execuções. Quanto ao valor arbitrado pelo julgador singular (R$ 2. 40.

não seria cabível a fixação de honorários apenas entre a diferença que a União reconhece e aquela que o Tribunal entende devida. É o voto. Fed. sendo apropriado para este caso o percentual de 10% sobre o valor da execução.04. Reg. Advogados: Dr.10. porque tendo sido a execução promovida posteriormente a 16. 2001 213 .01. quando remanescia em aberto expressiva parcela do débito. Em face do exposto.Por outro lado. devem ser considerados o conteúdo econômico do pedido e a natureza da ação. Porto Alegre.01. até porque não tratou de efetuar o pagamento da parcela incontroversa. 4ª Reg. Sr. vez que deixo de aplicar os dispositivos legais tidos como aptos a obter pronunciamento jurisdicional diverso do que até aqui foi declinado. pelas razões de decidir. o que dispensa consideração a respeito. n.96. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. Trib. 40. a. Juiz Valdemar Capeletti Apelante: União Federal Advogado: Dr.144768-0/PR e 2000. p. João Renato Bittencourt de Oliveira Apelados: (Os mesmos) EMENTA R. voto no sentido de negar provimento à apelação da União e dar provimento à apelação dos embargados. consoante entendimento da Turma. Renato de Oliveira Dr. José Diogo Cyrillo da Silva Apelante: Cooperativa Agropecuária Mista do Vale do Ivaí Ltda. Prequestionamento O prequestionamento quanto à legislação invocada fica estabelecido. 12.144769-2/PR Relator: O Exmo.04. 111-405.

por unanimidade.. 111-405. 1. 40. Em decorrência da extinção do IBC.029/90. Contrato de locação parcial de área.º 33.058. 2001 . Juiz Valdemar Capeletti: Trata-se de ação ordinária ajuizada pelo Instituto Brasileiro do Café – IBC. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. que a locatária não estava obrigada a contratar seguro proporcional à parte locada. 3. a UNIÃO assumiu os direitos e obrigações pertinentes àquela autarquia. parte no presente processo.02. Relator. 2. vindo daí que. decide a Egrégia Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.U. Indenização. 214 R.º 8. é quem deveria manter segurados seus bens imóveis contra riscos de incêndios e eventuais sinistros. portanto. negligência ou imprudência. Não provada a culpa. doravante. parágrafo único. Porto Alegre.O. Sr. tornando impossível a outorga do direito à reparação. Resta comprovado. Reg. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. n. Incêndio. Obrigatoriedade da locatária em manter contrato de seguro da área locada. RELATÓRIO O Exmo. 4ª Reg. Fed. Porto Alegre. extinta em 28. da Exposição de Motivos n. O art. da simples leitura contratual. com a publicação no D. Trib. dar provimento à apelação da Cooperativa Agropecuária Mista do Vale do Ivaí Ltda. 12. é sucessora da mesma e. A responsabilidade civil extracontratual está contida no art. do Excelentíssimo Senhor Presidente da República. ao contrário. 1. através da Lei n. do Código Civil define o caso fortuito ou de força maior como o que se verifica no fato necessário.1992. esta não se pode presumir. 03 de abril de 2001. Juiz Valdemar Capeletti. o locador. 159 do Código Civil. a. pessoa jurídica de direito público.Responsabilidade civil. . o qual se aplica ao agente que causar dano a outrem. através de ação voluntária. p. 4.COPIVA e negar provimento à apelação da União. autarquia federal.

o encarregado do armazém do IBC constatou um incêndio no local locado à COPIVA.00 (dez milhões de cruzeiros). 40. através de seus prepostos. a COPIVA enfrentou outros sinistros da mesma natureza e que não teve a cautela de manter um funcionário especialmente designado à prevenção de incêndios. 4ª Reg. que. a. na forma dos arts. cumprindo todas as especificações técnicas. e que usava adequadamente o prédio. a União requereu sua admissão como assistente adesiva. 111-405. n. 603 e seguintes do Código de Processo Civil.1991. na verdade. 12. no mesmo mês de março. Alegou que o armazenamento de algodão não pertencia à categoria capaz de oferecer dano ao prédio e aos produtos estocados. negligência e imprudência em relação ao patrimônio público. após 5 (cinco) dias. 2001 215 .03. a intimação da União como litisconsorte ativo necessário ou como assistente litisconsorcial facultativo e a concessão dos privilégios da Fazenda Pública.000. continuando o estoque de café em chamas. Atribuiu à causa o valor de Cr$ 10. sustentando que esta agiu com omissão. no dia 24. . contrato de locação parcial de área. Aduziu que o IBC sempre foi rigoroso e mantinha permanentemente vigilância e fiscalização. sendo objeto do contrato a utilização parcial pela COPIVA do armazém de propriedade do IBC. Informou que. R. Pretendeu a caracterização da “culpa in vigilando”. Alegou que. cabendo-lhe ressarcir os danos causados. Trib.COPIVA. cereais. visando à segurança dos próprios bens e daqueles pertencentes ao IBC. Fed. onde estava estocado algodão de propriedade desta. provia regularmente a manutenção do sistema elétrico do armazém. há muitos anos. Porto Alegre. além do algodão albergado. Pediu a procedência da ação. Intimada. Por fim. aproximadamente às 16 horas. o armazém do IBC encontrava-se irremediavelmente destruído. requereu que a reparação dos danos sofridos fosse apurada em liquidação de sentença. p.000. sustentando que. através de funcionários especializados.A parte autora ingressou com ação de reparação de danos contra Cooperativa Mista do Vale do Ivaí Ltda. algodão e sementes diversas. foi vítima do incêndio. O sinistro veio a atingir. ainda. Além disso. Informou que mantém com a requerida. a COPIVA contestou o feito. na cidade de Ivaiporã/PR. Citada. exclusivamente para armazenamento de café. obtendo deferimento. Aduziu. as sacas de café de propriedade governamental. Reg.

Pediu a improcedência da ação.Acrescentou que. embora o contrato firmado com a reconvinte permitisse a estocagem de algodão. n. Fed. 111-405. devendo ser aplicada a teoria objetiva. após o período de “dormência”. Ajuizou. Destacou que o sinistro ocorreu no período de vigência desse contrato. deixando de possuir as chaves dos portões que dão acesso ao armazém. Aduziu que a vigilância do prédio. p. a. o armazém. quando se verifica a inexistência de fagulhas. 216 R. Alegou que. Referiu que o IBC não mantém seguro sobre seus bens móveis e imóveis. os autos foram anotados para sentença. a União requereu que passasse a constar nos autos como parte-autora. no dia do incêndio. Apresentadas razões finais. 12. para prestar serviços de segurança 24 horas por dia. recebeu um comunicado de que este havia contratado uma empresa especializada em vigilância. “Miramar de Segurança S/C Ltda. esta assumiria os riscos que pudessem ocorrer de tal fato. 2001 . somente através de ação externa poderá incendiar. Acrescentou que os vigias contratados pelo IBC tomaram as providências necessárias ao combate do incêndio. além de não possuir equipamentos de combate a incêndio. Em contestação à reconvenção. mesmo sabendo que o café demora vários dias para ser consumido pelo fogo. não tomou nenhuma providência para retirá-lo logo de início. 40. em outubro de 1989. Reg. sendo-lhe deferido o pedido. das mercadorias e dos produtos armazenados incumbia ao IBC. ação de reconvenção nos mesmos fundamentos da contestação. Requereu a improcedência da reconvenção. impedindo os funcionários da requerida de retirarem as sacas de café ali armazenadas. Trib. Mencionou que o IBC. 4ª Reg. para receber do requerente os prejuízos que sofreu com o incêndio. Porto Alegre. No que tange à estocagem de algodão. pois. a COPIVA. Com a extinção do IBC. Juntou documentos.”. A União não requereu produção de provas. Realizou-se a inquirição de 3 (três) testemunhas indicadas pela COPIVA. manifestou sua intenção de reconvir. os produtos e as mercadorias estavam em absoluta ordem. Nesse contexto. ocasião em que foi dispensada pelo autor de prover a vigilância do imóvel locado. a União aduziu que no contrato não havia qualquer cláusula que a eximisse da responsabilidade pela segurança e conservação do imóvel. ao término do expediente. alegou que este era prensado e enfardado e que.

40. p. Por derradeiro. outrossim. os funcionários da COPIVA não receberam treinamento especial para lidar com a mercadoria albergada e no combate a incêndios. ou seja. não era de sua obrigação verificar as condições do produto armazenado. instaurado para apurar as responsabilidades pela ocorrência do evento. 111-405. Junta jurisprudência. portanto. se não contratado o seguro a que estava obrigada a requerida. concluiu como advento da causa a isenção de responsabilidade do caso fortuito e força maior. quanto na reconvenção que a sucedeu. 12. formulado tanto na demanda originalmente proposta. 4ª Reg. O pedido reconvencional formulado pela COPIVA foi julgado improcedente. Reg. Foram estabelecidos os honorários advocatícios das partes. Insurge-se contra o advento da causa de isenção de responsabilidade de caso fortuito ou força maior. Nesse contexto. o Juiz sentenciante. fundamentando sua decisão na ausência de nexo de causalidade entre o fato e a conduta da COPIVA. restou concluído como indeterminada a origem do sinistro. 2001 217 . julgou parcialmente procedente o pedido indenizatório formulado pela União. Fed. que independem de culpa. sem preliminares suscitadas. Dessa forma. apreciou diretamente o mérito. que estabelece a obrigatoriedade de manter a ré-locatária contrato de seguro relativamente à área locada. Trib. proteger o local contra ação de terceiros. manifestando que a sentença merece reforma no que tange à ocorrência de caso fortuito e força maior. argumentando que está suficientemente comprovada a obrigação de ressarcimento total dos danos causados pela COPIVA. devendo a COPIVA somente reparar os danos. Custas processuais a cargo de cada um dos litigantes. Porto Alegre. n. pois nos autos do Inquérito Policial. Sustenta que a empresa de vigilância contratada pelo IBC tinha como função regular a entrada e a circulação de pessoas no armazém. porque o requisito de inevitabilidade não está presente.Sobrevindo a sentença. a União interpôs recurso de apelação. decorrente da Cláusula Quinta do contrato de locação. que. bem como a procedência R. bem como de mantê-lo em ordem. Inconformada. a serem compensados. a. em ambas as ações. haja vista que a ré-reconvinte sucumbiu em parcela mínima na ação indenizatória. requer a alteração da sentença no tocante à compensação dos valores referentes aos honorários. inviabilizando o pleito indenizatório. suportando cada uma delas o respectivo pagamento. Aduz.

mas sim do IBC. equívoco maior reside na sua interpretação.do recurso. Trib. 2001 . Por seu turno. visto que a parte-autora não fundamentou a ação nesse sentido. e não naqueles itens considerados obrigações principais. Assim. n. É o relatório. Com contra-razões. 12. o julgamento foi extra petita. levando-se em conta o valor indenizatório pleiteado na ação proposta pelo IBC e o valor pretendido na reconvenção ajuizada pela COPIVA. item 5. pois a referida cláusula não obrigava a Apelante a manter contrato de seguro do imóvel locado. na verdade. sendo. primeiramente. com a conseqüente condenação nas verbas sucumbenciais. que é impossível contratar seguro de área parcial do imóvel. requer a improcedência da ação proposta pelo IBC. que a Cláusula Oitava. quando. Porto Alegre. subiram os autos a esta Corte. Além disso. porque refere a Cláusula Quinta do referido contrato como sendo a cláusula que obrigava a COPIVA a manter seguro do imóvel. 4ª Reg. Reg. 24. apelou a COPIVA. a. foi à Cláusula Quarta a que pretendeu se referir. porquanto está desobrigada de reparar o dano por essa causa. À douta revisão. p. porquanto totalmente inviável a contração de seguro. 218 R. Por derradeiro. portanto. e a reforma do decisum no que toca aos honorários advocatícios. que a Cláusula Décima ressalva o direito do locador de retomar o espaço locado e que este era ora reduzido ora ampliado. 111-405. a obrigação de manter o seguro não era da COPIVA. sustenta que a COPIVA não estava obrigada a contratar seguro. 40. manifesta que houve equívoco por parte do julgador ao interpretar o contrato de locação. dispõe que a COPIVA é obrigada tão-somente a ressarcir o IBC do seguro do imóvel. mas tão-somente a custear as despesas relativas ao seguro na proporção de sua locação. todavia este não possuía contrato de seguro dos seus imóveis. para reformar a sentença. impossível ressarci-lo. conforme prova acostada à fl. Assevera que a Cláusula em questão está consignada no item “despesas”. Em segundo lugar. ou seja. inocorrendo sustentação na inicial. pleiteando a reforma do decisum no tocante à obrigatoriedade desta em manter contrato de seguro relativamente à área locada. condenando a parte apelada ao pagamento do valor total do prejuízo causado. Fed. de que o dever de indenizar decorre de obrigação contratual.

analisarei a questão controvertida ventilada no apelo da União. decisão monocrática: “CLÁUSULA QUARTA – DAS DESPESAS Correrá por conta da COPIVA a execução dos serviços concernentes à preservação. Na seqüência. Fed. ora sucedido pela União. manutenção e conservação da área locada. Pleiteia a COPIVA a reforma da sentença no tocante à parcial procedência do pedido ajuizado pelo IBC. Para tanto. Sr. estaduais e municipais. tudo proporcionalmente R. ou de força maior. p. visto que o seu fundamento versa sobre a não-obrigatoriedade de contratação de seguro proporcional à área locada do imóvel. Porto Alegre. Trago à colação a Cláusula Quarta do referido contrato. n. qual seja a extensão da culpa da locatária e a caracterização do caso fortuito. Trib. Reg. seguros e taxas devidas aos órgãos públicos federais. 2001 219 . . 4ª Reg. que teve como fundamento a obrigação da locatária de contratar seguro. asseio e higiene. como advento de isenção do dever de indenizar.COPIVA. 40. na qual restou embasada a r. Juiz Valdemar Capeletti: Passo a examinar o recurso de apelação interposto pela Cooperativa Agropecuária Mista do Vale do Ivaí Ltda. a.VOTO O Exmo. vigilância. 111-405. 12. faz-se necessário interpretar o contrato de locação anexado ao processo.

a. 111-405. 12. Reg. 2001 . n. Fed. Trib. 40. p. 4ª Reg.Branca 220 R. Porto Alegre.

12. 111-405. 40. Trib. 4ª Reg. p. a. Porto Alegre. Fed. n.DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL R. Reg. 2001 221 .

p. Trib. 4ª Reg. Fed. Porto Alegre. Reg. 12. n. 40. 111-405.Branca 222 R. 2001 . a.

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 97. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz Apelados: Os mesmos EMENTA Penal. 4. O Código de Processo Penal não exige a oitiva da defesa sobre desistência de testemunha do Ministério Público. 111-405. Precedentes. n. apoR. Omissão relevante. Inocorrência. Se a soma das penas mínimas cominadas é superior a um ano. 12.04. Reg. Crime continuado (eventualmente permanente). 1. Consistindo em recebimento fraudulento de benefício previdenciário. Hermann Homem de Carvalho Roenick Apelante: Ministério Público Advogado: Dr. 2001 223 . Estelionato contra a Previdência. o estelionato renova-se a cada mês. 2. A nulidade relativa deve ser argüida na primeira oportunidade e com demonstração do prejuízo. a. Havendo recurso do Ministério Público pleiteando a majoração da pena. 3. Processo Penal.099/95. Amadeu de Almeida Weinmann Dr. Trib. Fed. Porto Alegre. Comissão. Prescrição e nulidades. Juiz José Germano da Silva Apelante: Silvio Paulo dos Santos Ribeiro Advogados: Dr. É de se ter por configurado o crime de estelionato se o agente. 40. p. não há cogitar do benefício do artigo 89 da Lei nº 9. 4ª Reg. Sr. não há reconhecer a prescrição retroativa. Configuração.39566-3/RS Relator: O Exmo.

Trib. conforme informação à fl.08. dar parcial provimento a ambos os recursos de apelação. às penas de 07 (sete) anos de reclusão e de 170 (cento e setenta) dias-multa à razão unitária de 01 (um) salário mínimo (observados os meses antes referenciados acerca da consumação dos delitos continuados). 5.79 (informação a fls.03. Porto Alegre. por infração à norma do art. o denunciado entrou em gozo de auxílio-doença junto ao então Instituto Nacional de Previdência Social .87 a 30.05. em regime inicial semi-aberto. De 26. e. A pena de multa deve guardar consonância com a privativa de liberdade aplicada na sentença. p.08. 2001 . de 01.sentado por doença mental. ou em 05. Relator. Tipifica-se o mesmo delito se o agente. 119). Fed. todos do Código Penal Brasileiro.76. Porto Alegre. a. 171 (por duas vezes). durante as perícias médicas.INPS. Sr. simula sintomas de alienação mental e presta informações falsas ao examinador.67 a 28. que perdurou até 30. c/c os arts. mais as custas processuais”.07. Reg. A partir de 01. nos termos do relatório e notas taquigráficas.86. 4ª Reg. que ficam fazendo parte integrante do presente julgado.70. assume cargo estadual. 12.09. 14 de dezembro de 1999.04. parágrafo 3º (uma vez).76. A denúncia assim se manifestou: “O denunciado acima qualificado foi empregado do Banco do Estado do Rio Grande do Sul no período de 20. ao início qualificado. RELATÓRIO O Exmo.83 a 31. benefício este que se prolongou até a data de 31.01. o denunciado novamente entrou em gozo de auxílio-doença junto ao INPS. Em 29. 69 e71. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 111-405.94.03. o denunciado passou a perceber do INPS o benefício de aposentadoria por invalidez.70 (fl.12. 119. Juiz José Germano da Silva. o referido benefício foi transformado em 224 R. 236/237). omitindo tal situação e permanecendo no gozo do benefício. decide a Egrégia Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 236). Juiz José Germano da Silva: Trata-se de apelações (do acusado e do MPF) contra sentença que julgou “PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido condenatório veiculado pelo Ministério Público Federal para o efeito de condenar o réu Sílvio Paulo dos Santos Ribeiro.07.70 (fl. por unanimidade. 40. n.

03.09. de 01.78 até 30. 40. desde 17. sendo que ambas de forma continuada e com o acréscimo previsto no parágrafo terceiro do dispositivo citado” (fls. 227/230. 239 e seguintes. n. A incapacidade alegada.94.76 até 30.08.79 e de 26. o denunciado. 2001 225 . via de regra. suplementação de aposentadoria por invalidez.78. assim. 171. induzindo e mantendo em erro a autarquia previdenciária e a fundação bancária.04. em concurso material uma contra o INSS e outra contra a Fundação Banrisul -.76. referiu. era de ordem mental. Além disto. Embora haja percebido os benefícios previdenciários durante os períodos acima por incapacidade para o trabalho. de acordo com informação de fls. correspondia a 37.suplementação de aposentadoria por invalidez -. 225).22. plena capacidade para o trabalho. O denunciado.05.. lecionando em cursos de formação de agente de segurança penitenciária e monitor penitenciário. cujo benefício. como consta do documento de fl. p. por duas vezes.06. 119/121. previsto no art. nos períodos de 17. Reg.94. Verifica-se. o denunciado também percebeu da Fundação BANRISUL de Seguridade Social. no Instituto Psiquiátrico Forense Maurício Cardoso da SUSEPE. e da Fundação BANRISUL de Seguridade Social . Porto Alegre. assim.09.05. equivalentes a 35.70 ou 05.840. 215 e 220).83 até 30. caput.78 até o mês de junho de 1994.01. pois desempenhava atividade laboral junto ao Estado do Rio Grande do Sul. percebeu benefícios previdenciários por incapacidade para o trabalho do Instituto Nacional do Seguro Social . ambos de forma indevida e fraudulenta. conforme cálculo juntado a fls.04. Por ocasião de entrevistas médicas. 03 a 05). do Código Penal.01.08. nos períodos de 29. 176. em seu recurso.79 e de 26. 4ª Reg.70 até 31. tendo. desde então e até os dias atuais.53 UFIRs. que o denunciado esteve alegadamente incapacitado para o trabalho. o que não foi confirmado pela citada Clínica (fls. a. que esteve internado durante um ano na Clínica Pinel (fls. pede que a pena-base seja R. 12. Em relação à Fundação BANRISUL de Seguridade Social.aposentadoria por invalidez (informação a fl. Assim agindo. 273v. em data de 17. como se verifica dos laudos médicos de fls. portanto. inclusive.246. Fed.07. alegando doença mental que o incapacitava para o trabalho. desde o mês de outubro de 1976 até. integrando o Conselho Estadual de Entorpecentes etc. a exercer diferentes funções junto à Secretaria de Justiça. 124/130 e 146/159.60 URVs. foi nomeado Delegado de Polícia do Estado do Rio Grande do Sul e passou. Somente no último período referido.94. e 282). Trib.INSS a quantia de R$ 22.83 até 30. o denunciado antes qualificado praticou o delito de estelionato. recebendo benefícios previdenciários por isto. em data de 13. 111-405.01.auxílio-doença e aposentadoria por invalidez -. O Ministério Público. ainda é de referir-se que o denunciado continuou a perceber o benefício de suplementação de aposentadoria por invalidez mesmo após haver rescindido seu contrato de trabalho com o Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A. o mês de junho de 1994. conforme se pode verificar de seus assentamentos funcionais juntados a fls. no mínimo. o denunciado percebeu do atual Instituto Nacional do Seguro Social .

Após longas considerações. a. À douta revisão.150 e 210 vezes). que opinou no sentido da ausência de infração por aquele procurador autárquico. onde historia os fatos desde a sua origem e a brilhante carreira do acusado (advogado. 4ª Reg.213/91 expressamente o exclui do Regime Geral da Previdência Social e porque o seu retorno à atividade não foi na mesma função que exercia anteriormente. Reg. 306. do Código Penal. (em razão do elevado número de condutas . do Código Penal). sustenta a legalidade e a moralidade de sua aposentadoria por invalidez porque o art. Trib. Juiz José Germano da Silva: Examino inicialmente o 226 R. É o relatório.P. com base na Lei 9. 46 da Lei 8. e (3) a nulidade do processo (porque não lhe foi deferida a suspensão dele. Fed. previstos no art. n. Sr. como quer a sentença. daí por que inaplicável o art.aumentada para 3 (três) anos de reclusão e a multa para 185 dias-multa (ao argumento de que todas as variantes operacionais são desfavoráveis ao acusado). A defesa. 12 da Lei nº 8. e a denúncia foi recebida em 07 de junho de 1995. 2001 .. Porto Alegre. Delegado de Polícia e administrador público) culmina por requerer a sua absolvição.R. Houve pedido de preferência no julgamento pela acusação e pela defesa. decorridos mais de 12 anos.S. em seu apelo. argúi (1) a prescrição da ação penal (porque os fatos teriam ocorrido em 26 de maio de 1983. No mérito. O acusado S. requereu a juntada aos autos das conclusões do inquérito instaurado no INSS contra a testemunha Luiz Carlos Ribas Reiffel. bem como que a majoração pela continuidade delitiva seja no percentual máximo (2/3).099/95). 111-405. parágrafo único. p. Requerem também a juntada de sentença absolutória em processo onde fora acusado pela prática do delito do art. VOTO O Exmo. 109. Parecer ministerial opinando pelo provimento do recurso da acusação e desprovimento do apelo da defesa. 12.213/91. sustenta (2) a nulidade do processo (porque não houve concordância da defesa quanto à desistência de oitiva de testemunha da acusação). III. professor. posteriormente. 40. O recurso do MPF foi contra-arrazoado.

pedido de reconhecimento da prescrição da ação penal. Do exame da denúncia. tendo a denúncia sido recebida somente em 07 de junho de 1995. em concurso material . os benefícios percebidos do INSS no período de 28. que ele praticou centenas de condutas em cada série delitiva.09.05. teriam transcorrido mais de doze anos (no seu entender) e. e de outubro de 1976 a junho de 1994. Porto Alegre. bem como tendo em vista as penas abstratamente cominadas . Alega que.uma contra o INSS e outra contra a Fundação Banrisul” (fl. neste processo. não se pode ainda falar em prescrição retroativa.5 anos (artigo 171. 05). o estelionato não seria apenas “por duas vezes. assim. Ora. Trib. como no concurso de crimes a prescrição é contada sobre a pena de cada um deles isoladamente. e a segunda. CP). Como visto. III. do Código Penal”. p. em relação ao INSS. em relação à Fundação Banrisul. 12. ambas de forma continuada e a primeira com o acréscimo do parágrafo 3º do artigo 171 do Código Penal. 4ª Reg. CP) e 7 anos e 8 meses (artigo 171. CP) -. em 25 de maio de 1983. Consideraram. Não está correto o raciocínio do acusado. a acusação não levou em consideração. Portanto. pois. § 3º. n. a. “licenciou-se. em caso contrário. Conclui que esteve realmente doente de 1981 a 1995. assim. em concurso material. Por seu turno. Fed. Reg. Além disso. a denúncia e a sentença enquadraram o acusado no artigo 171 do Código Penal duas vezes (concurso material). sendo que a primeira delas se encerrou em junho de 1994 (contra a Fundação Banrisul). prescrita a ação penal “à luz do art. uma contra o INSS e outra contra a Fundação Banrisul. por imposição de laudo médico”. por outro lado. 109. 111-405.70 até 30. na forma continuada. pois. feito pelo acusado. Os períodos questionados são. verifica-se que a acusação é de prática de estelionato por duas vezes. sustenta o recorrente que se encontrava incapacitado para o exercício das funções de Delegado de Polícia Estadual (RS) desde 03 de junho de 1981 e que o laudo que atestou tal incapacidade foi “desconstituído” pela Justiça em 1995. se operou a prescrição em abstrato em relação apenas às infrações praticadas antes de 7 de junho de 1983. porque R. 2001 227 . 40. III.79. perante o INSS. de 26.04. com prescrições em 12 anos (artigo 109.94. em 30 de setembro de 1994 (contra o INSS).83 a 30. Pretende que a prescrição seja contada desde esta data e.07.

de que são exemplos: os requerimentos para substituição de testemunhas (fls. não há prescrição a ser reconhecida. hipótese em que incidiria a norma do art. nesta hipótese. Não poderá. além de não ter sido reconhecida pela Justiça Estadual. 521/522 e 531/532). só haverá de ser tida como tal quando o prejuízo alegado pela defesa vier concreta e objetivamente demonstrado. nada tendo sido trazido de novo: “Primeiro de tudo. em ambas oportunidades por prazo de 05 dias) e manifestações escritas (fls. agora. 422. 4ª Reg. exatamente visando ao aumento das penas. não tem relevância em relação à prescrição. CPP). Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. 2001 . É dizer. Trib. Porto Alegre. a. 386. silenciou a defesa acerca do vício que. vários momentos lhe foram concedidos. do Código Penal. 387. sem indicação. A alegação de nulidade pela desistência da testemunha Aldo Sudbrack da Gama não é nova e já foi devidamente dirimida na sentença. 479/481 e 515 . somente na fase das alegações finais. as vigas mestras do sistema assentam-se nas seguintes assertivas: (a) ao argüir-se nulidades. Reg. 111. com influência na apuração da verdade substancial 228 R. de alguma forma ou de outra. 566. de que qualidades era portadora a testemunha para fazer ver ao Juízo até que ponto sua inquirição poderia. Por outras palavras.. a nulidade. para o caso concreto. agitar preliminar de nulidade. sob aquele fundamento. 40. o prazo de 12 (doze) anos teria iniciado a sua contagem apenas quando da cessação das condutas (junho e setembro de 1994). salvo em relação às condutas praticadas antes de 07 de junho de 1983. no processo penal. 111-405. 449/458 e 516/517). portanto. É que. as audiências para colheita de testemunhos da denúncia e de defesa (fls. as oportunidades de vista de juntada de documentos (fls. 428. sem que houvesse contrariedade à ausência de intimação da homologação da desistência. a conclusão semelhante (ausência de prescrição) se chegaria se os delitos praticados fossem considerados “eventualmente permanentes”. Em todas essas oportunidades. A questão da incapacidade do acusado entre 1981 e 1995. é insuficiente para caracterizá-lo a simples alegação genérica. Assim. 378. III. 428 e 429). conforme ele mesmo aduz. De outra parte. Não somente isso. Fed. dever-se-á indicar de modo objetivo os prejuízos correspondentes. 391. n. 12. porquanto variadas foram as manifestações da defesa constituída nos autos deste processo-crime após a homologação referenciada. influenciar na descoberta da verdade real e no convencimento judicial acerca dos fatos (art. Transcrevo a orientação citada: ‘Em tema de nulidade no processo penal. vencidas todas aquelas oportunidades. qualquer que seja o ângulo sob o qual se examine a questão. p.o Ministério Público Federal interpôs apelação. pretende ver reconhecido.

Reg. para cada uma das séries delitivas. em razão de que estava sujeito. poderia ter substituído. A terceira prefacial diz respeito à nulidade do processo em face da não-concessão do benefício da Lei 9. julgado em 28. p. passo ao exame do mérito.03. p.01. 2001 229 . REsp. a matéria foi novamente ventilada . Ademais disso.09. assim.64. nº 80.63. Trib.. em que as penas somadas montam em mais de 1 (um) ano de reclusão (HC nº 1999. observo que a defesa. Deve. O acusado iniciou a trabalhar na Cooperativa de Consumo dos Bancários do RS. Todavia. 2ª ed. a. restou inerte”.45). No caso em tela. Mas também aqui não tem razão o recorrente. ou ainda.99.04. a matéria já foi objeto de requerimento e decisão em primeiro grau. DJU 08.apesar de não ter havido recurso da decisão anterior -. uma das testemunhas por ela arroladas por aquela que. (b) em princípio. conforme vem decidindo esta Colenda 1ª Turma em hipóteses de concursos de crimes e de continuidade delitiva. com 18 anos de idade (nasceu em 26. podem ser assim resumidos. 89 da referida lei. (fls.11. incluí-la no rol que apresentar. como se vê dos documentos do processo. com indicação de jurisprudência. que: ‘O código não exige a oitiva da defesa sobre a desistência de testemunha pelo Ministério Público. reputa sobremaneira importante para o deslinde da ação penal.01. não havendo nenhuma nulidade a ser sanada. Editora Malheiros.96. agora no campo doutrinário.04.e reflexo na decisão da causa. No que concerne ao art. onde foi “auxiliar” até 31. a pena superiores a 1 (um) ano. Relator Juiz José Luiz B. Porto Alegre. nas oportunidades já aludidas. p. 40. aí inclusa a do Supremo Tribunal Federal. agora sob a forma de preliminar de nulidade. as nulidades consideram-se sanadas se não forem argüidas no tempo oportuno. Vencidas as preliminares. Depois trabalhou como auxiR.43. 4ª Reg. Fed. 12. porquanto corretamente indeferida a suspensão do processo. tendo sido decidido que o acusado não fazia jus à suspensão do processo. se assim o quisesse ter feito. Os fatos. Germano da Silva. 127. se pretender ouvir a mesma pessoa. unânime).277).355/ PR. em 04.Grifos no original Rejeito esta preliminar. preleciona Ada Pellegrini Grinover et alii. Em alegações finais. por inércia da parte’ (STJ. nesse passo. o advogado do réu.099/95.043439-9/SC. 111-405. n. como é feito também na apelação. 798/800) . substituir uma testemunha por ela’. in As Nulidades no Processo Penal. mesmo em tese.

o art.90 (Psicose não-especificada). inscrevera-se como advogado autônomo no INPS. Cinco meses após ter alta. 293). auxílio-doença. foi contratado advogado (retificado para gerente) do Bailão Santos Ltda. isto é. estão alicerçados por prova documental. 12.82. em 1º de janeiro de 1987. permanecendo nesta condição até 30. que perdurou até 31.08. Reg.07. Ora.83.79 (fls. em 1º de maio de 1982. Com base nestas contribuições requereu e obteve. enquanto recebia estes dois benefícios . (fls. Este benefício foi convertido em aposentadoria por invalidez. como dito.05.09. o benefício de auxílio-doença. Em outubro de 1979. 34 a 36). Neste interregno.03.79. Este é um dos delitos imputados ao réu: a manutenção do recebimento desta complementação após sua nomeação como Delegado de Polícia.liar de inspetoria. com o diagnóstico 298. Trib.79. aposentou-se por invalidez (doença mental) em 01. com o mesmo diagnóstico (fls. 278/282). obteve. Defende-se o réu com os artigos 12 e 46 da Lei nº 8. passando a contribuir também nesta condição. quando foi suspensa.70. Este o resumo dos fatos relevantes que. passou a ser contínuo do Banco do Estado do RS. onde ficou até 04. Em 20 de março de 1967. enquanto estava aposentado. permanecendo nesta condição até 30. da qual era segurado por força de seu emprego no referido BERGS. Fed. Durante este período (1967 a 1979). por estar incapaz para o trabalho. 40. quando o réu pediu e teve deferida a sua alta (fl. 12 (“O servidor 230 R. Este é o outro estelionato imputado ao réu. na Mesbla S.94. p.04. Tal benefício só veio a ser cancelado em 30. 36 dos autos e 13 do apenso). 4ª Reg. Esta aposentadoria por invalidez cessou em 30. a. em 1966. mas a complementação dela pela Fundação Banrisul continuou sendo paga até o mês de junho de 1994. Em 1º de junho de 1981. a complementação da aposentadoria que vinha recebendo.213/91. em 26. Porto Alegre. concursou-se e foi nomeado Delegado de Polícia do Estado do RS.76. como destacado na sentença. verba esta que passou a ser paga pela Fundação Banrisul. como bem apanhado na decisão recorrida. em 28. n. obteve. no antigo INPS. 2001 .76.aposentadoria do INPS e complementação da Fundação Banrisul. além de serem incontroversos. quando obteve alta.09. em outubro de 1976. o acusado foi contratado como advogado de Reci e Moraes Ltda. Em 17 de janeiro de 1978..04. Depois. por apenas 8 dias.04.A. 111-405.

213/91 (“O aposentado por invalidez que retornar voluntariamente à atividade terá sua aposentadoria automaticamente cancelada. Este último regressando ao labor. em sua obra Comentários à Lei Básica da Previdência Social. nem tampouco disciplina. é suficiente que alguém. 827/828). começou a perceber parcelas previdenciárias. impondo. como fazia o art. desde o início das atividades. 202. Reg. 4ª Reg. assim como determinava a norma que o precedia (art. pressupõe a higidez do trabalhador. p. a. n. quando SÍLVIO. a manter o INPS/INSS em erro” (fls. porque visa “meramente afirmar que servidores públicos (lato sensu) não participam dos benefícios conferidos aos segurados. Para esta. aplicando-se. a partir da data do retorno”) “desponta com toda a sua higidez. vinculando-se à Lei de regência. 120 do Decreto nº 83. tem o dever moral e legal de comunicar ao ente previdenciário a respeito disso. ipso facto. normalmente.080/79.civil ou militar da União. então. ao iniciar qualquer outra atividade (a Lei não faz distinção alguma. LTr. 120 do Decreto nº 83. Trib. obrigatórios ou facultativos. continuando a perceber vantagens patrimoniais. ou seja. Comentando o art. é excluído do Regime Geral de Previdência Social consubstanciado nesta lei.213/91). Por outro lado. o disposto no art. a situação daquele que. logo em seguida. Fed. tendo reiniciado o trabalho. 11 e 12. por vontade própria do segurado. vigente no ano de 1983. 40. Isto. um dever moral. 46 do RBPS regra o segurado que se julga capaz para o trabalho e seu direito R. 46 da mesma Lei 8. requer novamente o mesmo benefício. do Distrito Federal ou dos Municípios. em essência. 46 do atual Regime do Plano de Benefícios da Previdência Social. da Previdência Social (arts. O RBPS não faz distinção entre titular de aposentadoria por invalidez provisória ou definitiva. impondo-se. 111-405. Wladimir Novaes Martinez. em conseqüência. A partir do momento em que se omite. É. justamente para evitar a continuação da percepção fraudulenta de benefícios). ed. assim leciona: ‘O retorno do percipiente de aposentadoria por invalidez ao trabalho dá-se após a alta médica. nos termos do artigo em epígrafe. e não se sentindo em condições. inicia. desde que esteja sujeito a sistema próprio de previdência social”) não serve aos propósitos do acusado. 12. voluntariamente. antes de tudo. bem como o das respectivas autarquias e fundações. o art.. que. depois de ter recuperada a capacidade para o desempenho de suas funções. Porto Alegre. 2ª ed. tendo recorrido às benesses do Regime Previdenciário e. Lei nº 8. 47. o cancelamento do benefício. nada altera a normatização anterior. como imperativo lógico de sua normatividade. isto é. O art. p.080/79). Diferente é a ótica penal. na parte que aqui interessa. dos Estados. há de estar ciente de que. 2001 231 . o dever de o beneficiário de parcelas previdenciárias comunicar oficialmente ao INSS o início de outra atividade remunerada. por isso mesmo.

pedia para não ser aposentado (fl.83 e nova aposentadoria por invalidez em 31. a razão do recebimento deste benefício. mas. É interessante notar que. 12. 40. a.de pedir nova avaliação médica. o cometimento concreto do delito contra a Previdência. o réu exercia a advocacia (testemunho da fl. o que agrava a situação: não se trata de mera omissão em comunicar. o que também lhe rendeu problemas com a OAB (idem). Assim. Ressalte-se que tais benefícios foram requeridos e deferidos também com base em incapacidade para o trabalho por doença mental. 766) e que. Parece irrespondível que. sim.79.05. quando ele próprio solicitou alta do benefício (fls. quando o acusado já era.86). ao contrário do que refere a sentença. É importante examinar o contexto de tais pedidos. Assim. 424 de um de seus colegas de escritório). desde 1978. comunicar o fato ao órgão previdenciário. portanto. 130 do RBPS” (grifei) (fls. deveria ele tão logo recuperasse tal capacidade. matéria a ser vista à luz do disposto no art. Reg.04. nas perícias a que se submeteu.12. 2001 . como visto. E não importa que o retorno tenha se dado em um cargo estadual. 829 a 831). ele começou suas contribuições como advogado e como gerente do “bailão” que culminaram com seus novos pedidos de benefícios (auxílio-doença em 26. É que a sua aposentadoria pública (INPS/INSS) foi extinta em 30. porque se existe a capacidade de trabalhar é porque não existe a razão a causa para o recebimento do benefício. Receber o benefício por incapacidade e trabalhar constitui burla à lei previdenciária. Porto Alegre. n. Fed. Delegado de Polícia (ainda que readaptado para assessor administrativo). não é responsável pelo deferimento deste benefício. através do ato comissivo de requerer novo benefício por invalidez. a contar desta data ele passou a receber a complementação de um benefício sem que tivesse direito ao principal (a aposentadoria pública). tendo o acusado recebido o benefício porque era incapaz de trabalhar (por ser psicótico). Trib. 111-405. Mas há um fato que agrava sobremaneira a situação do acusado. 265/266). Sustenta o acusado que. estes benefícios são posteriores ao seu retorno ao trabalho. porque cessou a própria causa. pelo menos de 1981 a 1988 ou 1989. transcrevendo as 232 R. Depois desta alta é que. p. 4ª Reg. além desta função.

271v. Refere precisar da perícia a qual se refere como ‘humilhação’.Relatório “ .08. ninguém presta e ele também. Trib.. Reg. 4ª Reg. 272v.Relatório “Tem medo de ser aposentado. 12.História da doença atual “Fala sem cessar.História da doença atual “Queixa de mal-estar. Não consegue trabalhar.11.Diagnóstico “Depressão ! Psicose? Incapaz.” (fl. 270v.02. . . 29890” (fl. 40... por isso deseja morrer.Diagnóstico “Psicose . Toma Gardenal e Neozine. já foi aposentado (mas ‘levantou’ sua aposentadoria)”.. não quer baixar (tem de.) R.. Sente-se mal no hospital”.Relatório “.83: . afeto hipomodulado.” ..) No dia 24. n.90” (fl.83: .” .. fala monótona.” ...História da doença atual “Esgotamento. a. mas não quer se aposentar. Ansiedade (ilegível).).84: . Posição existencial muito negativa. Está em tratamento com psiquiatra. em tais ocasiões: No dia 16. Deseja suicidar.anotações dos médicos que o examinaram. 2001 233 . Porto Alegre. quadro depressivo.) No dia 08. Trata-se.298.Diagnóstico “Psicose (299?) . Descuidado”. Fed. .ansioso idéias suicidas. 111-405. p.

porque o réu deliberadamente enganou os médicos da Previdência. confuso.. o perturbou. Também não consta do processo que alguma vez tenha feito tratamento psiquiátrico ou ingerido medicação psiquiátrica. Trib.11. Mantém sorriso inexpressivo todo o tempo. sem juízo crítico.No dia 11.História da doença atual “Está separado da esposa ..)”. 2001 .. Bem falante.9/0” (fl. Durante toda a conversa mantém olhar fixo no espaço.. . Reg. Assim tenho que procedem as acusações.. o acusado exercia seu cargo na Polícia Estadual. 278v. Este o ardil. Diz que separou da esposa e. Porto Alegre. Fed.85: . 12. 331).História “Diz que anda depressivo. negando que tivesse afirmado isto aos médicos da Previdência (fl. a.. 298. advogava (fl.”. Fez uso de . Não tem receitas ou atestado. 234 R.) No dia 25. Em juízo afirma que nunca esteve internado na Clínica Pinel. n.” . 132).. 111-405.9/0” (fl.86 (última perícia antes da transformação do auxílio-doença em aposentadoria invalidez): . Diz que esteve hospitalizado na Pinel (1ano).Relatório “Lúcido.) Na mesma época em que prestava tais informações aos médicos da Previdência. 881/882).. p.Diagnóstico “Psicose (?).. não gosta de ser inquirido. 40. entrou em parafuso. lecionava e assistia a cursos (fls. 298. coerente.. não dorme bem à noite.04..Diagnóstico “Psicose. . 276v. Depressivo”.. 424). Tem internação psiquiátrica prévia. (. já sofreu muitas perdas . 4ª Reg. onde fora nomeado para integrar o Conselho Estadual de Entorpecentes (fl...Relatório “Rígido. Bom porte físico.. .

ludibriando os psiquiatras da Previdência. Entretanto. Assim. Fed. a. Reg. tenho que não procede o apelo da acusação. n. a conduta do acusado foi comissiva. iníqua a fixação de pena-base idêntica quando as circunstâncias foram diversas. Além das razões já expostas na sentença. adequada a fixação da pena-base em 2 (dois) anos de reclusão. quando. De outra parte. É certo que as infrações são em número muito elevado. 111-405. algumas já teriam sido alcançadas pela prescrição (ver preliminar deste voto). Assim. altero a sentença para estabelecer a pena-base em 1 (um) ano e 8 (oito) meses de reclusão e não mais nos 2 (dois) anos de reclusão lá fixados. Da mesma forma.A defesa não impugna a dosimetria das penas. pelas penas ora fixadas. p. como destacado na sentença. Trib. Além disso. 40. Pelo menos quanto ao estelionato perpetrado contra o INSS. 959). em realidade. porque considerou como se fossem idênticas as circunstâncias dos dois crimes. 4ª Reg. na Justiça Estadual (fl.praticado contra a Fundação Banrisul . o recurso ministerial o faz. No que concerne à pena-base de dois anos de reclusão. Entretanto. tendo ele atuado positivamente para obter o benefício pretendido. Quanto ao outro . em metade. algumas circunstâncias da prática de cada série de infrações permitem afirmar que uma tem vinculação com a outra. se considerada a prescrição retroativa. Portanto. Portanto. neste (Banrisul). 2001 235 . limitando-se a não-comunicação à Fundação do seu retorno ao trabalho. a conduta foi omissiva. mantenho a sentença quanto à pena privativa de liberdade fixada para o estelionato contra o INSS (quatro anos de reclusão) e reduzo R. não procede a alegação de que todas as circunstâncias do art. merece confirmação a sentença quanto ao aumento pela continuidade delitiva.tenho que a sentença merece um pequeno reparo. Enquanto. como dito. 12. pleiteando o aumento da pena privativa de liberdade para um total de 11 anos e 8 meses de reclusão e da pena pecuniária para 185 dias--multa para cada delito. ele é tecnicamente primário. Em razão disso. 59 lhe são desfavoráveis. ainda que não se possa reconhecer a continuidade entre a série praticada contra o INSS e a praticada contra a Fundação Banrisul. Porto Alegre. anoto que o acusado restou absolvido nos dois outros feitos a que respondeu. naquele (INSS).

APELAÇÃO CRIMINAL Nº 1998. levariam a uma pena de multa de 100 (cem) dias-multa e 120 (cento e vinte) dias-multa para cada um dos delitos e não apenas os 170 dias-multa fixados na sentença para as mesmas infrações.015177-4/RS Relatora: A Exma. combinados com os artigos 69 e 71 do Código Penal. Ante o exposto. Reg. 111-405. n. Assim. dou parcial provimento a ambos os recursos.A. aumento a pena de multa. fixando-a em 100 (cem) dias-multa para o delito contra a Fundação Banrisul e. 4ª Reg. E assim é porque os mesmos critérios utilizados pela sentença e neste voto para a fixação da pena-base privativa de liberdade. Sra. Em conseqüência. para o outro.04. § 3º (uma vez). Porto Alegre. à razão unitária de 1 (um) salário mínimo. no que respeita à pena de multa. por infração à norma do artigo 171 (por duas vezes). S. condenado às penas de 06 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão e de 220 (duzentos e vinte) dias-multa à razão unitária de 1 (um) salário mínimo. P.01. Trib. fica o acusado S. EMENTA 236 R.A. R. p. É o voto. observados os próprios parâmetros da sentença. 12. 2001 . contra o INSS. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz Apelado: D.a mesma para privativa de liberdade para o estelionato praticado contra a Fundação Banrisul para 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de reclusão. 40. em 120 (cento e vinte) dias-multa. a. Fed. Juíza Maria Lúcia Luz Leiria Apelante: Ministério Público Advogado: Dr. O recurso ministerial também merece ser provido parcialmente.

40. Rejeição da denúncia. Regime de economia familiar. portanto. Em suas razões de apelo.A. a. Sra.830.99 UFIRs dos cofres do INSS. 4ª Reg. devendo ser reformada a decisão de primeiro grau.A. indevidamente.. Reg. não constituindo. Porto Alegre. do CPP. p. É o relatório. Juíza Maria Lúcia Luz Leiria: Trata-se de apelação interposta contra decisão que. É indevida a aposentadoria rural em regime de economia familiar quando o segurado já percebe aposentadoria urbana. 2001 237 . Cumulação. rejeitou a denúncia oferecida contra D. n. Aposentadoria urbana. R. tendo recebido. Juíza Maria Lúcia Luz Leiria. O MM. crime o fato de o beneficiário requerer aquele benefício. Porto Alegre. nos termos do relatório. 43. por unanimidade. 111-405. porém. Trib. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. caput. Estelionato qualificado.Aposentadoria rural. forte no art. O digno representante do Ministério Público Federal opina pelo provimento do recurso interposto. RELATÓRIO A Exma. Inocorrência. 13 de março de 2001. 171. de ser atípico o fato ora descrito. Fed. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. I. o Ministério Público Federal afirma que estão presentes todos os elementos que caracterizam o crime de estelionato imputado ao ora apelado. Relatora. A ação penal ajuizada contra o ora apelado decorre de possível fraude. decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Impossibilidade. sem conhecimento da lei previdenciária. negar provimento ao recurso e manter a rejeição da denúncia. c/c § 3º do Código Penal. como incurso no art. mormente quando pessoa humilde. Juízo Federal rejeitou a denúncia ao fundamento de que não se caracterizou o estelionato e. mediante a qual o apelado omitiu o fato de ser aposentado pela prefeitura e apresentou documentos para se aposentar como rurícola. o valor de 4. 12.

O réu apresentou termo de homologação firmado pela Promotora de Justiça do Município de Santana do Livramento. Os documentos apresentados estão de acordo com o estipulado pelo artigo 106. da Lei 8. notas fiscais de produtor emitidas por Leontina G. certidão de casamento. o réu declarou ser aposentado como funcionário público municipal desde 1992. esclarece que é aposentado por tempo de serviço como funcionário público municipal e que recebe aposentadoria rural por idade (fl. obtendo ilicitamente a concessão de aposentadoria rural indevida. verifico que não há indícios de uso de artifício. p. eis que já beneficiário da previdência social urbana como aposentado pela prefeitura municipal. depois de trabalhar por trinta e cinco anos. Neste sentido. comprovantes de pagamento do ITR em nome da esposa. como segurado especial. 28 e 32). Concedida a aposentadoria rural ao réu. Chamado a prestar esclarecimentos. ardil ou qualquer outro meio fraudulento para a obtenção do referido benefício. Reg. inciso II. comprovando o exercício de atividade laborativa rurícola. 37). 2001 . Impossível. enquadrar o acusado como segurado especial. há mais de vinte anos. e que. Porto Alegre. Em razões de recurso.erro. foram apresentados comprovantes de vacinação do gado e um talão de notas fiscais de produtor (fls. 27. 111-405. além de cópia do documento de identidade (fls. uma vez que não se configurou o regime de economia familiar. da mesma lei (redação anterior à Lei 9. 35). mora. a. da Luz e outros e formal de partilha relativo à área rural. produtor em regime de economia familiar. 46). 9-23). nos termos do artigo 143. no campo.213/91. 40. não-permanentemente. onde cria algumas cabeças de gado e planta pequenas roças para consumo da família (fl. 4ª Reg. porém. n. Trib. parágrafo único. Compulsando os autos. A pedido da autarquia previdenciária. Fed. a legislação pertinente prevê: 238 R. posteriormente foi “constatada a necessidade de reavaliação da documentação que embasou a concessão do benefício em referência” (fl. 12.063/95). termos de declaração de que exercia atividade em regime de economia familiar em seu estabelecimento rural. pedido de encaminhamento de aposentadoria rural e Folha de Informação Rural firmados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santana do Livramento.

2001 239 . o réu é pessoa de poucas letras. Se recebeu ambos os benefícios. § 1° Entende-se como regime de economia familiar a atividade em que o trabalho dos membros da família é indispensável à própria subsistência e é exercido em condições de mútua dependência e colaboração... n. não ficou caracterizado o regime de economia familiar. desde que trabalhem. com o grupo familiar respectivo. 40. considerando que os rendimentos do réu provêm. Pedreiro aposentado (fl. não teve os cuidados necessários para verificar se a aposentadoria rural por idade era devida ou não ao requerente. Assim. de aposentadoria estatutária. o parceiro. que exerçam atividades.. 39). R. bem como seus respectivos cônjuges ou companheiros e filhos maiores de 14 (quatorze) anos ou a eles equiparados. no entanto. 111-405. ainda que com auxílio eventual de terceiros. Reg.“art. p. urbana e rural. não sendo fonte exclusiva de renda. individualmente ou em regime de economia familiar. principalmente. razão pela qual é razoável que não tivesse conhecimento da incompatibilidade do recebimento de duas aposentadorias.. Fed. 12. a atividade rurícola ocorreu de maneira subsidiária.” No caso. não deve levar à conclusão de que atuou o acusado de maneira ardilosa. 4ª Reg. sem a utilização de empregados. nego provimento ao recurso e mantenho a rejeição da denúncia. VI . Diante do exposto. o garimpeiro. 11 . Tal fato.como segurado especial: o produtor. ao analisar o pedido. . comprovadamente. com vistas a lesar a previdência social. o meeiro e o arrendatário rurais. Porto Alegre.São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoa física: . o pescador artesanal e o assemelhado. a. Trib. estes foram concedidos pela própria autarquia previdenciária que.

Porto Alegre. em mais de uma oportunidade. Sr. Artigo 594 do CPP.105416-5/PR Relator: O Exmo.C. LVII. Se efetivamente há essa necessidade. 5º. p. EMENTA Habeas corpus. e não em procedimento diverso. a regra inscrita no artigo 594 do Código de Processo Penal deve ser interpretada em consonância com os aludidos princípios constitucionais.Em decorrência do princípio constitucional da presunção de inocência. Aplicação da lei penal. durante a tramitação do feito. extrai-se que a prisão provisória somente é admitida em caráter excepcional. 4 – Encerrada a fase probatória. na espécie.A existência de outros procedimentos criminais movidos contra o réu não é motivo suficiente para a decretação da custódia cautelar. mormente. no sentido de que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. insculpido no art.B. não se justifica a negativa ao paciente de apelar em liberdade em um determinado processo como meio de garantir a idoneidade da fase instrutória de outros. 312-CPP). inc. condicionando-se a negativa de apelar em liberdade à existência de fatores concretos e objetivos que demonstrem que o status libertatis do condenado representa ameaça efetiva à ordem pública. 12. 1 . 2001 . não há falar em prisão cautelar como forma de assegurar a instrução criminal. Instrução criminal. e com expressa autorização judicial. 111-405. 40. Trib. a prisão preventiva deve ser decretada nesses feitos.01. à ordem econômica ou à aplicação da lei penal (art.04.J. LVII. empreendido viagem ao exterior 240 R. Juiz Élcio Pinheiro de Castro Impetrantes: Francisco de Assis do Rego Monteiro Rocha e outro Impetrado: Juízo Substituto da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/ PR Paciente: C. 5º. Antecedentes. a. 3 . 4ª Reg. Reg. Direito de apelar em liberdade. 2 . Precedentes. Fed. em que o acusado respondeu todo o processo em liberdade. nas hipóteses onde fique plenamente demonstrada a sua necessidade.D.HABEAS CORPUS Nº 2000. Princípio da presunção de inocência: art. da Constituição Federal de 1988. 5 – A circunstância de ter o réu.Nesse contexto. n. Ordem pública. CF/88. De igual forma.

pela prática.CP) de crimes tipificados no artigo 304.B. contra ato do MM. com pedido liminar.sem deixar de comparecer a todos os atos processuais para os quais fora intimado..J. 4ª Reg. 40. além de responder a outros procedimentos criminais.C. 2001 241 . bem como para assegurar a futura aplicação da lei penal.que negou ao paciente o direito de apelar em liberdade. em ocasiões diversas. Fed. Porto Alegre.Dr. empreenderá fuga. após o trânsito em julgado da decisão condenatória. 6 – Ordem concedida. Aduz que o acusado. em favor de C. a aplicação da lei penal. 111-405. preso nas dependências da Vara. pelo uso indevido. continuou praticando ilícitos. decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Porto Alegre. por unanimidade.0010542-3. por conveniência da instrução criminal. 12. a. no valor unitário de 15 (quinze) vezes o valor do salário mínimo vigente à época dos fatos. a ilustre autoridade impetrada fundamenta a necessidade da prisão ante tempus do paciente como garantia da ordem pública. 19 de outubro de 2000. elide. em continuidade delitiva (art. Juiz Élcio Pinheiro de Castro. conceder a ordem. c/c os arts. assim. a presunção de que. de 04 (quatro) procurações falsas destinadas a instruir processos perante a Justiça Federal. Sr. todos do Código Penal. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. impetrado por Francisco de Assis do Rêgo Monteiro Rocha e outros. Juiz Substituto da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba . Consoante se depreende dos autos. n.D. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. em sentença proferida na Ação Penal nº 97. frustrando. 71 . RELATÓRIO O Exmo. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: Cuida-se de habeas corpus. Moser Vhoss . nos termos do relatório. sendo posteriormente. p. Trib. porquanto está envolvido em inquérito policial que apura possível existência de crime R. Reg. o paciente foi condenado às penas de 04 (quatro) anos e 05 (cinco) meses de reclusão e 40 (quarenta) dias-multa. em princípio. Nessa decisão. 298 e 299. Relator.

além de o réu ser primário. que. Contra esse decisum foi impetrado o presente habeas corpus. Roberto Luís Oppermann Thomé. 12. É o relatório. a. fundamenta a prisão como forma de garantir a efetiva aplicação da lei penal. com bons antecedentes e residência fixa. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: A decisão deferitória da medida de urgência praticamente esgotou o exame da matéria. imputando indevidamente esse fato a terceira pessoa (Derli de Souza). ofertou parecer opinando pela denegação da ordem. 2020-2026). em exame perfunctório dos presentes autos. circunstância que elide qualquer presunção de fuga. tomo a liberdade de reproduzir seu conteúdo: “Ab initio cabe referir que. caso sobrevenha condenação definitiva. 40. Trib. considerando haver indícios de provável fuga do paciente. cujos fatos ainda estão sendo investigados. requerem a concessão liminar da ordem e sua posterior confirmação pela Turma. 2040-2047). alegando constrangimento ilegal à locomoção do paciente.. 111-405. Por fim. 2001 . Oficiando nos autos. Os defensores do paciente sustentam. para evitar a desnecessária tautologia. Sr. evidências de que C. Asseveram inexistir perigo quanto à aplicação da lei penal. A ínclita autoridade impetrada prestou informações. não tem o condão de justificar a segregação antecipada. p. n. para que ele possa apelar em liberdade da sentença condenatória. 4ª Reg. na Polícia Civil. Porto Alegre. o acusado efetivamente não possui 242 R. A liminar foi deferida (fls. Juntou cópias de peças processuais (fls. sendo preso dentro da própria Vara Federal. ainda. em síntese. sustentando a manutenção do ato guerreado (fls. consoante bem analisado pela ilustre autoridade impetrada. VOTO O Exmo. 2048-3847). Nesse contexto. o ilustre agente da douta Procuradoria da República. Em razão disso. Reg.consistente na falsificação de guias DARFs referentes à empresa Libre Importação e Exportação Ltda. promoveu a instauração fraudulenta de um inquérito. havendo. Fed. a simples instauração de um inquérito policial. visto que o acusado sempre compareceu a todos os atos do processo para o qual fora intimado.

CUSTÓDIA CAUTELAR . p. extrai-se que a prisão cautelar somente é admitida em caráter excepcional. DJU de 23. mesmo tendo antecedentes. Nesse aspecto.09. ora pelo Superior Tribunal de Justiça. considerando o princípio constitucional da presunção de inocência. à ordem econômica ou à aplicação da lei penal (art. cuja sanção in abstracto ao crime de uso de documento falso varia entre 01 (um) e 05 (cinco) anos. responde a outros procedimentos criminais perante a Justiça Federal pela prática de crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8. 2001 243 . Fed. nas hipóteses onde fique plenamente demonstrada a sua necessidade. Este foi o entendimento manifestado pela 1ª Turma deste Tribunal no julgamento do habeas corpus nº 1998. em mais de uma oportunidade.01. 312 do CPP. assim decidiu: ‘HABEAS CORPUS . além da ação penal referente a este writ. Tendo o acusado respondido solto o processo.07. se suficientemente demonstrada a necessidade da custódia cautelar. Diante disso. pág. com ou sem fiança’.impedindo o apelo em liberdade do réu que não for primário ou não tiver bons antecedentes . de sua prisão preventiva. ora por esta Corte.137/90) e contra o Sistema Financeiro Nacional (Lei 7. 111-405. sim. onde ficou assentado que ‘apesar da edição da Súmula nº 09 do Superior Tribunal de Justiça. nas hipóteses previstas no art.01. que. Entretanto. visto que. Houve a decretação. 5º. Juiz Vilson Darós. e o paciente foi condenado.038608-7/RS (Rel.CP). aliado ao disposto no inc. em continuidade delitiva (art.04. 312CPP). A existência de outros processos movidos contra o réu não é motivo suficiente para decretar a prisão ante tempus. LVII. Exemplo disso é a presente ação penal. que foram posteriormente revogadas mediante habeas corpus. inclusive. mas. quase o máximo da reprimenda cominada. no sentido de que ‘ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória’. condicionando-se a negativa de apelar em liberdade à existência de fatores concretos e objetivos que demonstrem que o status libertatis do condenado representa ameaça à ordem pública. Reg. Rel.2000.’ No mesmo sentido cabe referir a decisão tomada pela 2ª Turma desta Corte ao apreciar o habeas corpus nº 2000. Ainda que declarados os maus antecedentes dos pacientes na sentença de R. a vexata quaestio do presente mandamus não diz respeito à indubitável reprovabilidade dos fatos delituosos atribuídos ao paciente.04. não bastando a invocação pura e simples dos maus antecedentes. somente deverá recolher-se à prisão para apelar de sentença condenatória. DJU 19. Porto Alegre. quando a lei admitir a liberdade provisória.98. à pena de reclusão de 04 (quatro) anos e 05 (cinco) meses. 71 . inc.492/86). a exigência do recolhimento do réu à prisão para apelar está vinculada à efetiva necessidade. nos quais o réu está sendo severamente punido. p. que deve ser verificada a partir dos elementos contidos nos autos. 40. 12. a regra inscrita no artigo 594 do Código de Processo Penal .deve ser interpretada em consonância com os aludidos princípios constitucionais. da Constituição Federal de 1988. 508. mormente nas hipóteses em que o acusado respondeu o processo em liberdade.NECESSIDADE. n. 4ª Reg. a. ou seja. LXVI do referido artigo constitucional determinando que ‘ninguém será levado à prisão ou nela mantido.ANTECEDENTES . Juiz Amir José Finocchiaro Sarti. Trib.comportamento exemplar. por unanimidade. 179).047958-5. insculpido no art. Em virtude desses fatos delituosos foram instaurados os respectivos procedimentos criminais. em definir se até o trânsito em julgado dessas ações penais é imprescindível sua segregação cautelar.

quando a Constituição Federal expressamente consagra o princípio da presunção de inocência (art. constato que este não é o único fundamento da segregação antecipada.99) também decidiu que ‘se o réu permaneceu em liberdade durante o longo curso da instrução criminal e não se demonstrou no dispositivo da sentença presença de alguma das circunstâncias inscritas no art. no caso em questão. Diante desse quadro. o fato de tramitarem outras ações penais contra o ora paciente não é motivo. no julgamento do Recurso de Habeas Corpus nº 8. evidências de que C. p. para evitar que atos fraudulentos como os antes mencionados tornem a ocorrer. medida conveniente e. após a tramitação da presente ação penal. alguns dos quais situam-se na fase de inquirição de testemunhas. é ou não responsável pela produção dessa fraude’. na Polícia Civil. ainda. necessária. passível de desconstituição por via de habeas corpus. Entretanto.. cuja definição se dará a posteriori. por outros meios. Juízo a quo ‘bem verdade que todos os elementos que apontam para a produção fraudulenta de um inquérito na Polícia Civil objetivando acobertar a responsabilidade criminal investigada pela Polícia Federal. Diante desses fatos. sobre diversos outros procedimentos aos quais o acusado responde. Primeiramente. LVII). Fed. 40. 312 do CPP. haverão de ser analisados em processo criminal autônomo. para justificar sua segregação antes do trânsito em julgado desses feitos. aponta o envolvimento do paciente em possíveis outras fraudes. sem que tivesse sido decretada a sua prisão preventiva ante-riormente. a necessidade da prisão processual. tampouco se justifica a prisão do paciente como forma 244 R. e outros ainda na fase das investigações realizadas pela autoridade policial’.primeiro grau. e deu causa. 2001 . posto ser cediço que inquéritos e processos em andamento e condenações pendentes de recurso não se enquadram no conceito dos mesmos’. que é nesse processo autônomo que. Reg. afinal. Não se pode presumir a culpabilidade do réu por este fato. Aliás. por si só. gerando repercussão não apenas sobre o presente processo. inclusive. mostra-se precipitada a custódia ante tempus do paciente com base nesse fundamento. Nada obstante. estes responderam a todo o processo em liberdade. 111-405. foi instaurado inquérito policial onde se apura possível envolvimento do acusado em falsificações de guias DARF’s referentes à empresa Libre Importação e Exportação Ltda. a. em verdade. promoveu a instauração fraudulenta de um inquérito. aduz ‘que o réu não registra antecedentes. restando prematura a conclusão antecipada de que foi o acusado quem efetivamente falsificou as referidas guias. fundamenta que ‘a prisão preventiva do réu se justifica para assegurar a idoneidade da instrução criminal. n. 594 do Código de Processo Penal’. será definido se o acusado C. imputando indevidamente esse fato a terceira pessoa. é certo. a própria decisão impugnada.11. por ocasião da dosimetria da pena. essa situação ainda não está consolidada.831/SP (Rel. O Egrégio STJ. Diante disso. Conforme reconhece o MM. sendo irrelevante mera referência a maus antecedentes’. em que foi atribuído a este a suposta falsificação das guias DARF’s. Por outra parte. também. mas. Relata a ilustre autoridade apontada como coatora que. 12. havendo. por isso. não se pode negar haver indícios do possível envolvimento do paciente na instauração de um inquérito policial contra um tal de Derli de Souza. DJU de 27. a exigência de recolhimento à prisão para apelar é descabida. 4ª Reg. assim. Além disso. sendo. devendo ser justificada. Porto Alegre. Trib. à instauração indevida da mencionada investigação policial. que não a mera e simples invocação do famigerado preceito contido no art. Ministro Vicente Leal. 5º.

trago à colação ementa do seguinte julgado do Colendo Superior Tribunal de Justiça: ‘PROCESSUAL PENAL. DJU de 17. p. Primeiramente. Rel. as hipóteses autorizadoras da medida prevista no art. pois. outra vez não encontrará ele receios e escrúpulos que o impeçam de lançar-se novamente para local onde não mais possa ser encontrado para aplicação da lei penal’. Fed. 1 . indicação de que o acusado ocultou-se para que não houvesse cumprimento da ordem de prisão preventiva então vigente. De outro lado. p. a. que encerram a fase instrutória. a prisão preventiva deve ser decretada nesses feitos. no período entre 27. Reg. Se efetivamente há essa necessidade. evidentemente. não foi ele encontrado para o cumprimento do mandado de prisão que. Habeas Corpus nº 8. para o acusado que respondeu o processo em liberdade. encerrada a fase probatória. Tal assertiva decorre do fato de que. Trib. exarada pelo Diretor da Secretaria da 2ª Vara Federal Criminal de Curitiba/PR.Após o advento da Constituição Federal de 1988. p. até a decisão da Corte Superior. Precedentes do STJ. Fernando da Costa Tourinho Filho (in Processo Penal. os fatos concretos e objetivos constantes nos autos não permitem chegar a essa conclusão. in concreto.2000.de ‘assegurar a idoneidade da instrução criminal’ quando essa já se encontra encerrada.07. 40. 243). não cabendo cogitar. se mantido em liberdade. se aquela decisão foi correta. CerR. 472) é taxativo ao afirmar que ‘a custódia cautelar só pode ser decretada até o oferecimento das ‘alegações finais’. excluída. concluiu a ínclita autoridade impetrada: ‘há.99. Nesse sentido. com eventual expedição de nova ordem de prisão. não basta à luz do art. quando foi cassada liminar concedida em habeas corpus impetrado perante esta Corte.06. RÉU QUE PERMANECEU SOLTO DURANTE TODO O PROCESSO.’ (6ª Turma. a causa relativa à conveniência da instrução criminal. Vol.2000. atestando ‘que todos os pedidos de viagem para o exterior formulado pelo acusado ora nominado. 20ª edição. que se dá quando verificadas. Melhor diria: até a fase do art. nesse momento. introduzindo no sistema jurídico pátrio o princípio da presunção de inocência. Saraiva. deve ser dito que a referida prisão foi considerada ilegal pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. não há falar em prisão cautelar como forma de ‘assegurar a idoneidade da instrução criminal’. Diante disso. Porto Alegre. 499. em havendo condenação definitiva. Faz-se mister decisão fundamentada onde se coloque em destaque a necessidade da custódia. Entretanto. Ministro Fernando Gonçalves. 3.05. foram deferidos por este juízo. RECOLHIMENTO À PRISÃO PARA APELAR. A respeito do tema. ocasião em que o STJ restituiu sua liberdade. 32. visto que foi prolatada sentença condenatória. 594 do CPP. e 06.606/MG. 111-405. em caso de condenação definitiva. mostra-se descabida a prisão do paciente como forma de assegurar a instrução dos outros feitos criminais aos quais o acusado responde.’ Logo. Segundo aspecto que elide a presunção de fuga do paciente está relacionado com a certidão acostada aos autos à fl. 12. e não em procedimento diverso. invocar-se a condição de crime hediondo como forma de condicionar eventual recurso de apelação ao prévio recolhimento à prisão. 312 do CPP. 2001 245 . n. possuía plena eficácia. Derradeiro fundamento da negativa ao paciente para apelar da sentença em liberdade repousa no fato de que ele estaria atentando contra a efetiva aplicação da lei penal. Não se justifica a negativa ao paciente para apelar em liberdade em um determinado processo como meio de garantir a idoneidade da fase instrutória em outros. 4ª Reg. e a presunção havida é a de que.

Trib. não dá respaldo a presunção de que. necessário tecer algumas considerações no tocante aos informes prestados às fls. em verdade. Nesse contexto. Porto Alegre. se aqueles fatos tomados em desabono de determinado réu. ilícitas. 2040-2047. foi ao exterior sem deixar de comparecer a todos os atos processuais para os quais fora intimado. 312 do Código de Processo Penal: de efeito.03. em mais de uma oportunidade.é excepcional e somente encontra justificativa na necessidade.dado o seu caráter de antecipação da sanção . para a prisão provisória. sendo. 4ª Reg. Juiz impetrado “ser indevido que se exija. indubitavelmente. então essa mencionada decretação. ainda que constam destes autos o comparecimento do acusado a todos os atos processuais que fora intimado e que fazia-se necessária a sua presença’. sempre de conteúdo abstrato”. mormente na espécie em que o acusado. 312 do Código de Processo Penal. nesse caso. 12. ao invés de submetê-lo à custódia cautelar”. de uma das hipóteses previstas no art. devem mesmo ter sua ocorrência reconhecida numa sentença judicial já passada em julgado para que somente depois tal medida coercitiva possa ser decretada. já tenham sido reconhecidas como procedentes em decisão transitada em julgado. Fernando Gonçalves. Reg. basta para a custódia cautelar a existência de prova da materialidade e indícios 246 R. exigindo a sua decretação elementos concretos. praticadas pelo acusado e representativas de ameaça à ordem pública. sendo. 137) ‘a prisão preventiva . durante a instrução dos processos aos quais responde. e com expressa autorização judicial. de simples presunções. Nesse aspecto. desnecessário. p. DJU de 27. assiste razão ao ilustre julgador singular. na realidade. Complementando esse decisum. empreenderá fuga frustrando a aplicação da lei penal. 40. que caracterizam os pressupostos da prisão preventiva. cuidar para que o réu em questão fosse segregado de modo a desde logo principiar o cumprimento da pena definitivamente imposta na sentença referida. Sustentando a manutenção do ato hostilizado. p. 111-405. para caracterização de uma situação de ‘risco’ para a ordem pública. Como é cediço. Consoante bem decidiu a 6ª Turma do STJ. configuradores. 2001 . com integral exclusão. aduz o MM. fatos cabalmente provados e já submetidos a um julgamento judicial definitivo que os tenha contabilizado em desfavor do paciente”. em tese. por ocasião do julgamento do habeas corpus nº 11. a toda evidência. portanto. posteriormente.826/MA (Rel. que “entendimento contrário a esse ora exposto parece implicar tornar-se inócuo o preceito do art. preso nas dependências da Vara Federal. que as condutas. ainda. especialmente no tocante à ordem pública. em caso de condenação definitiva. já que se poderia. n. a. Assevera.2000. Fed.tifico. já nem mais teria razão de ocorrer. Min. o comportamento do réu.

nessa hipótese. Caso o Ministério Público tivesse efetuado sua opinio delicti com o oferecimento da peça acusatória e esta fosse recebida. 40. propugna a ínclita autoridade impetrada que seja levado em consideração o enten247 R. da existência dos pressupostos legais para a prisão cautelar. se a lei se contenta com mero juízo de probabilidade relativamente ao fumus boni juris. ademais. especialmente nos casos em que o acusado respondeu o processo em liberdade. o paciente atribui a prática de crime de falsificação de determinadas guias à terceira pessoa – Derli de Souza – e. n. 290) “a sumariedade ou superficialidade da cognição. já haveria uma cognição sumária no tocante aos pressupostos legais da prisão ante tempus. 4ª Reg. in fine. Fed. para a decretação da medida extrema. com base em tais dados.suficientes de autoria. Diante desse quadro. Entretanto. quais sejam. Outro ponto que merece destaque diz respeito aos decretos prisionais lavrados contra o paciente. restringindo-se àquelas hipóteses em que haja elementos concretos e objetivos apontando para a necessidade da medida coercitiva. a. 6ª ed. considero que não há elementos seguros de que a conduta do paciente representa ameaça à ordem pública. o mesmo não pode ser afirmado quanto ao periculum libertatis. do estatuto penal adjetivo. Nesse tópico. a análise dos pressupostos suso arrolados deve ser feita cum granus salis. não se confundem com o arbítrio ou qualquer forma de automatismo no que se refere aos provimentos que importem restrição ao direito de liberdade. Nesse contexto. nos termos preconizados pelo artigo 312. com efeito. Não se está exigindo o trânsito em julgado de decisão condenatória. a situação seria outra. ele aduz que o fato delituoso foi praticado por C. posteriormente revogados. 1999. ora pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. por outro lado.. Porto Alegre. porquanto.de um lado. 111-405. entendo que a simples existência de inquérito policial em que se investigam fatos controvertidos . em face da precariedade do inquérito policial inconcluso. que deve obrigatoriamente resultar de avaliação mais aprofundada sobre as circunstâncias que indicam a necessidade da medida excepcional”. Conforme bem preleciona Ada Pellegrini Grinover e outros (in As Nulidades no Processo Penal. prova da materialidade e indícios de autoria. p. apenas considerando que a situação fática é complexa e duvidosa quanto à autoria dos atos criminosos citados. – torna prematura a conclusão antecipada. 2001 . ora por esta Corte. Reg. Trib. 12. Editora Revista dos Tribunais. p. dado seu caráter de antecipação da sanção.

Este juízo não se abstém de respeitosamente clamar. geralmente. bem como. no tempo e no espaço. em vários aspectos processuais. conforme já referido na decisão liminar. Exa. o quinto julgador que decreta a prisão cautelar do paciente. que em quatro ocasiões. em mais de uma 248 R. no sentido de que. pois. se considera. entendido como cabível no caso em enfoque. Trib. insta registrar que. Em virtude disso. Assim se manifestou o MM. não há como permanecer custódia cautelar para assegurar a aplicação da lei penal quando há certidão nos autos atestando que o acusado. O signatário destas informações é. 12. dos fatos e dos acusados. com base em fatos e motivos diversos daqueles nos quais se embasaram os outros magistrados. aliás. em particular. suas decisões são de extrema relevância na aplicação do direito. Em que pesem as doutas razões da ínclita autoridade apontada como coatora. Fed. ‘mostra-se descabida a prisão do paciente como forma de assegurar a instrução dos outros feitos criminais aos quais o acusado responde. tem privilegiado as decisões monocráticas. E essa é a situação dos autos. enfim.05. Se efetivamente há essa necessidade. n. Precisa ser devidamente analisada. fazendo-o. a prisão preventiva deve ser decretada nesses feitos. autos nº 90. devendo as instâncias supe-riores considerar tal aspecto em seus julgados. também o princípio do prestígio ao julgador que mais perto conduz o processo venha a ser considerado (consoante precedente do Superior Tribunal de Justiça: Habeas Corpus nº 542/GO. Entretanto. 4ª Reg. tal circunstância não pode ser considerada de forma absoluta. Cid Flaquer Scartezzini..dimento do Juiz condutor do processo quanto à necessidade da medida coercitiva. não há como manter prisão preventiva por conveniência da instrução criminal quando esta fase processual já se encontra encerrada. este julgador. Aliás.97). e não em procedimento diverso’. fixação da pena etc. se por V. Juiz a quo: “Cabe frisar. tais como prisão preventiva. Não se justifica a negativa ao paciente para apelar em liberdade em um determinado processo como meio de garantir a idoneidade da fase instrutória em outros. DJU 27. levando-se em conta as peculiaridades do caso concreto. De igual forma. a. a posição privilegiada do magistrado instrutor do feito.” Ab initio. seja quando de eventual análise quanto à mantença dos efeitos da liminar que deferiu a colocação do paciente em liberdade. 2001 . é sempre conveniente frisar. sendo que todos os decretos foram exarados por magistrados diversos. 40. seja quando da decisão atinente ao mérito propriamente dito da impetração. p. Reg.000131685. Min. Porto Alegre. visto estar mais perto. 111-405. Rel. já foi decretada a prisão preventiva do paciente.

para configurar a organização criminosa. William Esperidiao David Apelado: Ministério Público Advogado: Dr. 4ª Reg. consoante o art. Organização criminosa. S.078690-9/PR Relator: O Exmo. Apelação em liberdade. R. 12. a.01. 5. Nadyr Zimmermann Apelante: C. R.04. Julio Goes Militao da Silva Apelante: P. L. 288 do Código Penal. 40. Pena-base. 3. Substituição. Plenamente aplicável ao caso dos autos o art. 111-405. n. O crime de quadrilha consuma-se no momento em que ocorre a associação de mais de três pessoas para a prática de crimes. A. 6. Consumação do delito de quadrilha. Bastam os requisitos exigíveis para o crime do art.034/95. Fed. que o réu não poderá apelar em liberdade e que o regime inicial será o fechado para o cumprimento da pena. Advogado: Dr.714/98. Lei 9. Advogado: Dr. Reg. Advogado: Dr. incabível a declaração de nulidade. J. 563 do CPP. Ali Fauaz Dr. A prática do delito de moeda falsa e quadrilha restou plenamente comprovada nos autos. Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz EMENTA Penal e Processo Penal. Pena-base acima do mínimo legal. Advogados: Dr. 4. respectivamente. p. 1. Crime de moeda falsa e quadrilha comprovados. Juiz José Germano da Silva Apelante: G. Regime inicial fechado. 9º e 10 da Lei nº 9. 2001 249 . Nulidade. William Esperidiao David Apelante: N. 2.APELAÇÃO CRIMINAL Nº 2000. Trib. diante do conjunto de circunsR. R. independentemente dos delitos que seus participantes venham a praticar. Sr. C. Não havendo prejuízo. Porto Alegre. os quais estabelecem.

. No seio da organização criminosa. Segundo narra a peça acusatória: “Os denunciados G. onde seriam instalados os equipamentos para a contrafação da moeda. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. No dia 10 de março de 1999.00.. 39). R. N. e P..tâncias judiciais desfavoráveis. e N. nº 346. L.. 40. representados por dois cheques no valor de R$ 1. n. conscientes da ilicitude da conduta que perpetrariam. Sr. RELATÓRIO O Exmo. 4ª Reg. C. voto e notas taquigráficas. C. os denunciados N. a. e N. associaram-se de forma permanente para o fim de cometerem crimes. os Denunciados G. Porto Alegre. e 288 do Código Penal. J.00 (fl. ficaram encarregados de operar as máquinas para a confecção da moeda. R.. Para tanto no dia 10 de fevereiro de 1999.. 20 de março de 2001. enquanto os demais Denunciados responsabilizaram-se pela introdução da moeda falsa em circulação. Relator. M. uma ‘matriz de corte’ pelo preço de R$ 2. na cidade de Contenda/PR (doc. 111-405. S. A. Juiz José Germano da Silva: Trata-se de ação penal promovida pelo Ministério Público contra G. e P. M. M. R. caput. decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. denunciados como incursos nas sanções dos artigos 289. C. Fed. 2001 . R.. Porto Alegre. A. 77). p. N. J. devolvidos pelo Banco sacado por serem objeto de furto. Não atendidos os requisitos subjetivos e objetivos. R. L.. J. negar provimento aos recursos de apelação. e C. Trib. incabível a aplicação das penas restritivas de direitos. A. adquiriram junto a uma empresa denominada LONK. nos termos do relatório. C. R. N. 250 R. R. os Denunciados G. N. por volta das 17h30min. L. C.. A seguir. L. N. S. R.. L.300. 12. por unanimidade. S. e P. que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. R. R. Reg. também foram os responsáveis pela aquisição de matéria-prima para a contrafação da moeda junto à empresa Aço Trio Comércio de Aços Especiais Ltda. Policiais da Polícia Civil do Estado do Paraná lograram localizar em poder dos Denunciados G. R.600. especialmente a fabricação e introdução de moeda falsa no território nacional. Juiz José Germano da Silva. C. alugaram um ‘barracão’ localizado na Rua Eucário Terezio de Carvalho. e P. S. Fl. 7. que detinham conhecimento técnico suficiente.

com base no artigo 386. Entretanto. M. absolvendo-o da imputação referente ao artigo 289. Fed. que exige um número mínimo de quatro agentes..Absolver o réu N. basicamente. inciso VI. acondicionadas em sacos plásticos e mantidas no interior do ‘barracão’ antes referenciado e que seriam objeto de distribuição ou introdução em circulação nos Estados do Paraná e São Paulo”. Porto Alegre. R. não havendo. N. alegando. julgando parcialmente procedente a denúncia para o fim de: . na base de 2 (dois) salários mínimos vigentes em março/99. L. à pena de 1 (um) ano e 4 (quatro) meses de reclusão. Reg. R. a. às fls. J. S. às penas de 6 (seis) anos e 6 (seis) meses de reclusão e 50 (cinqüenta) dias-multa. em relação ao crime de moeda falsa. em síntese. R. n. 19. A denúncia foi recebida em 30. Alega que “Se P. inciso IV. . 4ª Reg.99. 288 do Código Penal. R. nas penas do mesmo artigo 288. tanto na polícia como em juízo. com fulcro no artigo 386. do Código de Processo Penal. interpõe recurso de apelação. às penas de 3 (três) anos..560 moedas falsas de R$ 1. Este fato foi confirmado pelas testemunhas Klaus e Daniel. 6 (seis) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e 26 (vinte e seis) dias-multa. na base de 1/30 do salário mínimo vigente em março/99. todos do Código Penal. nunca esteve no Barracão R. junto com N. até a empresa LONK foi apenas para fazer companhia. pela prática dos delitos previstos nos artigos 288 e 289. o réu C. também apela. negou qualquer envolvimento com a falsificação de moedas. Inconformado com a sentença proferida. caput. p. a configuração do crime de quadrilha. Processado o feito. sustentando.03. 12. às penas de 3 (três) anos. Alega que não foi preso em flagrante no local. era quase um empregado. portanto. e P. 40. sobreveio sentença. que não restou tipificado o crime do art. C. caput. O fato de ter acompanhado N. que a ele foi atribuído o fato de ter ido por duas vezes até a empresa LONK. Trib. pois estava sem fazer nada. C. 417/442.00 (um real).M. c. naturalmente. Aduz que a estabilidade e permanência não ficaram comprovadas.. C. J.. 10 (dez) meses e 20 (vinte) dias de reclusão e multa de 30 (trinta) dias-multa na base de 1/10 do salário mínimo vigente à época dos fatos.Condenar os réus G.c o artigo 69. 2001 251 . A. 111-405. . não pode ser considerado como integrante da quadrilha”. para levar e buscar uma ferramenta. P. do Código de Processo Penal.Condenar o réu C.

bem como pela determinação do regime inicial fechado para o seu cumprimento. sustentando. insurge-se quanto à penalidade aplicada pelo crime de moeda falsa. 4ª Reg. Trib. VOTO O Exmo. não locou imóvel algum para o cometimento do crime e não obteve qualquer vantagem com o objeto criminoso. Juiz José Germano da Silva: Inicialmente. negar provimento às apelações. porquanto não caracterizados seus elementos. pedindo a revogação da liberdade provisória e opinou para que a pena aplicada fosse elevada. 111-405. Porto Alegre. que a sentença é nula de pleno direito. não haver prova da associação permanente e que não há crime de quadrilha quando o acordo é para um só crime. apela. Alega. C. É o relatório. No mérito. 40. até a referida empresa não faz do apelante co-autor no crime de moeda falsa. Sr. Postula a aplicação das penas restritivas de direitos. em síntese.034/95. À douta revisão. Por fim. n.na cidade de Contendas. Alega que quando os autos já se encontravam conclusos para sentença. R. o simples fato de ter acompanhado N. devendo ficar no mínimo legal. p. Desta petição. cabe frisar que o voto enfrentará os recursos conjuntamente na parte que lhe é comum 252 R. que não estava no local do crime quando os co-réus foram presos em flagrante. não houve oportunidade de manifestação para as defesas. interpõe recurso de apelação. pela lógica não pode o apelante fazer parte de quadrilha ou bando. aduzindo que não há prova nos autos de que o apelante tivesse qualquer participação no ilícito penal. o Ministério Público requereu a juntada de uma petição. 9º e 10 da Lei nº 9. foram contra-arrazoados. Em relação ao crime de quadrilha. Requer a redução da pena-base ao mínimo legal. Alega a inexistência do crime de quadrilha ou bando. Os recursos de C. ainda. preliminarmente. opinando pela rejeição da preliminar argüida por G. sustenta que como não teve nenhuma participação na falsificação de moedas. Fed. Reg. tendo em vista o cerceamento de defesa em prejuízo do recorrente. por fim. que não se aplica os arts. 12. no mérito. Assim. mesmo porque não há prova nos autos da existência de uma societa criminis. L. Aduz. A. e. O réu N. O Ministério Público Federal oferece parecer. e P. O réu G. a. requer a redução da penalidade por ser réu primário e de bons antecedentes. 2001 .

(. 563 e 566 do Código de Processo Penal. Assim. n. informativo do título ‘Das Nulidades’. CRIME GRAVE. assim se pronunciou (fls. não se anula nenhum ato processual” (RSTJ 17/172). 2001 253 . pois estava em sintonia com os arts. asseverando: “Por fim vale dizer que a ação de fabricar ou guardar os maquinismos e objetos destinados à falsificação das moedas. caput. JUNTADAS DE DOCUMENTOS. art. 4ª Reg. p. 310. RECOLHIMENTO À PRISÃO. CPP)”. CONDENAÇÃO. ausência de estabilidade e permanência. Porto Alegre. Assim sendo.. Primeiramente. arts. configurando o chamado crime progressivo. R. Nesse sentido. 12. se concomitantemente postulou a revogação do benefício. a decretação da preventiva e o recolhimento como pressuposto de eventual recurso. TRIBUNAL DO JÚRI. resta absorvida pela figura delituosa deste artigo 289. configuração ou não do crime de quadrilha – art. não havendo prejuízo. INEXISTÊNCIA. 291 do Código Penal. eis que inocorrente no caso. o pedido. Nessa esteira. CONSTRANGIMENTO ILEGAL. Inexistência. Sem a prova da ocorrência de prejuízo para a acusação ou para a defesa. 563)” (RSTJ 17/383). o MM. prescinde da audiência dos acusados. Arts. “PROCESSUAL PENAL. 9º e 10 da Lei nº 9. NULIDADES. de forma que estando ausente o prejuízo. 228 CP. Os recursos não merecem prosperar. é a jurisprudência do STJ: “Processual Penal. Trib. consoante autorizada doutrina”. 312 e 594 do CPP. cabe afastar a preliminar de nulidade de sentença alegada pelo réu G. PREJUÍZO. incabível a declaração de nulidade. 443 dos autos.(negativa de autoria. o pleito foi rechaçado (fl. 111-405. constante da lei processual penal (CPP. 563. 424). 519/520): “O fato de os acusados não terem tido vista da petição de fls. 378/379 em momento algum pode ser alçado a cerceamento de defesa. De fato. a.) Aplicação do princípio do pas de nullité sans grief. afastou a incidência do art. Nulidade sem prejuízo. ao enfrentar a questão. 563 do Código de Processo Penal. “Nulidade Processual. Fed. Reg. obviamente. consoante o art. Juízo sentenciante à fl. L. Prejuízo para a defesa.. Quanto ao aditamento às alegações finais. porquanto naquela peça o Ministério Público somente participou ao Doutor Juiz o descumprimento das condições da liberdade provisória concedida aos recorrentes em função da prática de novo e idêntico delito. não cabe reconhecer-se nulidade (art. vale transcrever o entendimento ministerial que.. 40.034/95) e de forma específica nas questões que dizem respeito a cada apelante. tipificado no artigo 291 do Código Penal.

Senão vejamos. 4ª Reg. 16. como autodefesa. in fine). 414. (STJ. mesmo que tenha dado segurança às atividades do bando (fls. 254 R. 130/133). Igualmente correta a percepção de Sua Excelência ao divisar a estratégia defensiva (fl.. haja vista que empreendeu circunstanciado exame do contexto em que deram os fatos. e P. de modo objetivo. Porto Alegre. reporto-me ao parecer ministerial (fls. fls. p. que desmascararam a tentativa de N. procuravam descaracterizar a quadrilha. 124/125/IPL e 133/135. e Klaus. 135/143). propôs a esse – então em dificuldades com o insucesso de seu negócio – o fabrico de moeda falsa (fls.INOCORRÊNCIA. 15. compra do material necessário (fls. Trib. 288 do CP. Rel.08. 133/135.. Ainda em dezembro de 1998. via quantitativo numérico (a suposta nenhuma participação de P. N. Vicente Leal.. porquanto a prática do delito previsto no artigo 289 do Código Penal. art. dispondo-se a prestar-lhe o auxílio que lhe fosse possível: introdução em circulação do falso. melhor sorte não têm os apelantes. unânime. 17. N. 393). RHC nº 5082/SP. mostraram-se em harmonia com as provas documentais e orais. 04/IPL. 501.. as palavras de G.’. 13. n. . o princípio fundamental que norteia o sistema preconiza que para o reconhecimento da nulidade do ato processual é necessário que se demonstre. os prejuízos conseqüentes. porquanto os apelantes centraram fogo na exclusão da responsabilidade de C. de modo a derrubar o art..Recurso ordinário desprovido”. no entanto. a r. Com efeito. Fed. seja o acusado C. P. cerrou fileiras junto ao esquema do grupo. 26421) No tocante ao mérito. Reg. 14. assim como a prática do crime de quadrilha. acostumado a colaborar com N. p. decisão recorrida é uma ode à lógica e ao bom senso.Em tema de nulidade no processo penal. concluindo pelo acerto da sentença prolatada: “12. foi cooptado para distribuição do produto criminoso em São Paulo. enquanto big boss. 139/143). 40.. era o homem do dinheiro e da logística: aluguel do barracão. que tinha um álibi para vir com regularidade a Curitiba (tratamento médico). (fls.). em fazer-se passar por outras pessoas. 139/143 em juízo). ou um tal ‘R. 566).96. . 421). 6ª Turma. Para tanto. Min. notadamente os depoimentos do proprietário do barracão alugado para a instalação dos petrechos da falsificação e da empresa LONK (M. Ao contrário do alegado à fl. sua residência. ciente dos conhecimentos técnicos de G. (fl. com influência na apuração da verdade substancial e reflexo na decisão da causa (CPP. fls.. in DJ 05. 67/70 e 269/274 em juízo). mão-de-obra de apoio ao serviço de G. Perfeita a comparação feita pelo Doutor Juiz a uma sociedade de capital e indústria (fl. 520/521) que sintetizou como se passaram os fatos.. a. diante do flagrante não chegou a pôr em prática o derrame. 111-405. 2001 . salvo naquilo em que. 12. C. ficaram devidamente comprovadas nos autos. por seu lado.

4ª Reg. não resta dúvida quanto à configuração dos delitos de moeda falsa e quadrilha. está mencionando o réu N. 12. Segundo seu relato. A. tanto que essa primeira ferramenta que a gente afiou. eles queriam que a gente modificasse o sistema de molas. Fed. ouvida em juízo (fl. n. 39. proprietária de uma empresa de matrizes e moldes. O precedente citado no decisório hostilizado demonstrou o equívoco da tese. Dessa forma.560 moedas falsas. de forma não habitual. com muita acuidade.. C.. Afastando as alegações de negativa de autoria feita pelos réus P. J. afirma que foi procurado por N. a. Chega a dizer que ‘estranhou’ o tipo de encomenda. E no mesmo dia que eles foram buscar eles levaram daí a outra ferramenta. 139). lá compareceu para buscá-la. A mesma testemunha dá detalhes preciosos a respeito de seu contato com ambos. Porto Alegre. que pretendia transformá-la de estampo único para três estampos. estavam ali para saber se estava ou não pronta.18. depreende-se que havia sido requisitada por ‘Jacó’. inclusive o testemunho de Indiamara Regina de Lima. 40. tendo sido confeccionadas neste espaço de tempo 19. e não funcionou então eles trouxeram de novo. e o P. ainda. restando afastadas as alegações dos réus de negativa de autoria do delito de moeda falsa e ausência de estabilidade e permanência que configura a quadrilha. C. C. 19. Olvidando o elenco probatório. 76/77 e 84/87 (IPL) revelaram-se bastantes em si. A ferramenta a ser modificada foi levada por P. Trib. C. mas as R. conforme ficou esclarecido em seu depoimento. para fazer a verificação de uma ferramenta que havia sido encomendada dias antes. 111-405. com específica divisão de tarefas. 12. Era uma ferramenta tipo unestampo. foram buscar. pois lhe foi informado que seriam utilizadas na fabricação de arruelas. A. o grupo estava em atividade há pelo menos três meses. Reg. Cumpre observar que a testemunha quando se refere a R. asseverou o MM. disseram faltar estabilidade e permanência ao pactum sceleris. uma ferramenta para a gente fazer fiação. daí simplesmente a gente tentou arrumar alguma coisa e eles levaram de volta embora’. A. e N. os cheques e a perícia de fls. bem como que um único crime teria sido cometido. que tomavam informações a respeito das ferramentas procurando saber o melhor modo de se chegar àquilo que se pretendia. levou uma ferramenta. Juízo a quo: “A testemunha Klaus Hermann Steinhausser. que eles diziam que era para estampar arruelas. p. que depois o R. na companhia do réu P. como era feriado e o comércio aqui de Curitiba estava parado. que era mola prata e que estava estragado e a gente tentou fazer uma outra modificação. De sua narrativa. enquanto que o termo de apreensão. dado revelador de sua alta periculosidade”. N. o contrato de locação. 2001 255 . e que quando se refere a ‘eles’ está mencionando este réu e o réu P.. Vale transcrever parte de seu depoimento: ‘O P. ou seja.

teria estado em certa tarde na loja de N. A esse respeito. não entendia qualquer coisa do assunto. ora a pedido de C. ‘para que servia’ a tal ferramenta” (fl. 256 R. encaixa-se nesse contexto como um verdadeiro auxiliar de N.. enquanto R. Segundo seu relato na fase policial.. 423/424). Trib. ora a pedido de N. Fed. 111-405.. R. aliás’ (fls. por ‘simples curiosidade’. 12.. R. (. ainda. R. a. possa se atribuir um vínculo quase que empregatício nessa sociedade. 4ª Reg. aparentando ser apenas o responsável pelo dinheiro’ (f. 2001 . Ora. afastando a alegação de não-configuração do delito de quadrilha. C. nas quais demonstrou um interesse muito maior do que aquele de quem queria apenas saber. que em breve será decidida” (fl. com plena consciência dos objetivos das ordens que dele recebia. desta forma. Como era a realidade.. A forma acertada para a divisão dos lucros também demonstra a intenção societária. correta a sentença. Porto Alegre. ainda que com relação ao réu P. cada qual colaborando de uma forma ou de outra para a consumação dos crimes. E para essa conclusão utilizou-se de elementos de provas bastante diretos que não podem ser afastados por um único testemunho. tratava dos assuntos ligados a operação do maquinário. a que se apega a defesa para tentar fazer prevalecer a sua tese. 96. A.características da ferramenta fugiam ao normalmente utilizado neste tipo de atividade. Tampouco há dúvida quanto à conduta de P. Da mesma forma. mesmo que não entendesse nada do assunto – tecnicamente falando – acompanhou todas as explicações dadas pela testemunha acima. p. Totalmente inverídica a afirmação também de que esteve em referida empresa apenas por uma vez.. porque ‘estava sem fazer nada’ e seria ‘rapidinho’. C. que o tomou como diretamente interessado na utilidade da ferramenta.) Sem qualquer consistência. As palavras dessa testemunha no sentido de que o réu C.. J. C. Sabe-se que lá esteve por pelo menos duas vezes. restou decidido: “O vínculo associativo é perfeitamente detectável. não são capazes de imprimir a este Juízo qualquer dúvida a respeito das conclusões aqui já lançadas. Assim. S. o depoimento da testemunha Indiamara Regina de Lima. conforme suas habilidades e circunstâncias pessoais. Vale observar que o réu Carlos Roberto nega a existência desse diálogo e que por esse depoimento responde a testemunha a uma ação penal neste Juízo pelo crime do artigo 342 do Código Penal.P. de que esteve na referida empresa apenas para ‘fazer um favor’ para o réu C. não tem qualquer consistência suas afirmações de que compareceu na empresa Lonk. I. 426). ‘P. nesses termos (fl. 40. 427). Isso é suficiente a derrubar a alegação do réu N. não tendo idéia do uso que seria feito de tal ferramenta. sendo que os integrantes da associação tinham funções adredemente definidas.. apenas porque ‘conhecia o endereço’ e para acompanhar N. Reg. a qual foi muito bem apreciada na sentença. R. n.). 427): “A conduta de P. bastante vago por sinal. pedindo que fosse buscar algo com uma certa camionete.

1997. Embora não se tenha prova da efetiva distribuição das moedas (e por isso não se pode condená-lo pelo crime do artigo 289). a formação consumada da quadrilha. Reg. qual seja. 4ª Reg. 59): “O ilícito em questão. Porto Alegre.A permanência dessa associação também se apresenta de forma clara. TRANCAMENTO DE INQUÉRITO POLICIAL INSTAURADO POSTERIORMENTE PARA AVERIGUAR POSSÍVEL PRÁTICA DO CRIME DE QUADRILHA OU BANDO. Fed. pelo menos quatro agentes irmanados no mesmo escopo de cometer crimes. Min.94. revela uma cooperação tática necessária para o perfeito desenvolvimento do plano. Roberto aguardava para entrar com o serviço de distribuição. nem. 111-405. concomitantemente ou cumulativamente. conseqüentemente. Rel. Trib. cuja consumação ocorre com a simples associação de mais de três pessoas para a prática de crimes. pois a distribuição assim poderia ser feita com muito mais eficácia. quanto àqueles que venham posteriormente a integrar-se ao bando já formado. podendo ser incluída aí uma função logística conveniente aos rumos do empreendimento ilícito” (fls. da realização ulterior de qualquer delito compreendido no âmbito de suas projetadas atividades criminosas. 1ª Turma. já decidiu este Egrégio Tribunal: “HABEAS CORPUS. J. deixa essa conclusão bem nítida. O crime de quadrilha ou bando (art. observe-se. L.. pois. 432/433). quando reúnem-se. CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. como já visto. DUPLICIDADE DE PROCEDIMENTO. consuma-se no estágio que a doutrina clássica designou por momento associativo. C. Nesse período a participação dos réus N. p. no momento da adesão de cada qual. INEXISTÊNCIA. 9731) Nesse sentido. DENÚNCIA. 12. era providenciar o equipamento indicado por G. R. DJ 29. crime formal. de tudo consciente. HC 70. p. que é formal e permanente (antecipando-se. a valoração normativa para a própria ação para além de qualquer resultado fenomênico e protraindo-se temporalmente seu momento consumativo com reflexos na sua flagrância).919-2. no momento em que aperfeiçoada a convergência de vontades entre mais de três pessoas. e P. p. a. A. Lumen Juris. INDEPENDÊNCIA JURÍDICO-PENAL DO DELITO DE QUADRILHA. 2001 257 . nem depende. 288 – CP) é independente dos delitos que seus participantes venham a praticar. molde e tudo que se fazia necessário para a produção iniciar. nesse sentido é o entendimento de Rodolfo Tigre Maia (Obra: O Estado Desorganizado contra o Crime Organizado. 1. O fato de residir em outro Estado. enquanto C. Quanto à configuração do delito de quadrilha. 40. pois o próprio réu G. admite que inicialmente procedeu a um trabalho de pesquisa do processo de cunhagem. unânime. Sepúlveda Pertence. ‘o crime de quadrilha se consuma. n. Ed. a anuência deste último para com os demais integrantes da associação.04. e. Como esclarece aresto lapidar do Pretório Excelso. o que levou cerca de três ou quatro meses. a imputação do crime coletivo a cada um dos partícipes da organização reclama que se lhe possa atribuir participação concreta na comissão de algum dos crimes-fim da associação” (STF. em relação aos fundadores.

Juiz Élcio Pinheiro de Castro. não procede a alegação de que não há crime de quadrilha quando o acordo é para um só crime. 132) “PENAL. pois era um quase empregado. configura-se o delito de quadrilha”. p. não merece prosperar. 2001 . Luiz Carlos de Castro Lugon. qual seja. obra citada. estabelece o art. 12. Igualmente não há necessidade sequer que todos os componentes se conheçam ou habitualmente se encontrem” (Rodolfo Tigre Maia. que ao contrário do concurso de agentes atuando em co-autoria. no mesmo diapasão.016103-0/RS.034/95: “Art. PROVA DO ENVOLVIMENTO DE QUATRO PESSOAS. 1º . a. 4ª Reg.Omissis” (TRF-4.04. p. (TRF-4. Rel.2000. assim como repelida a alegação de que o réu P. Ademais. que evidenciada satisfatoriamente a estabilidade e a permanência de contingente de pelo menos quatro agentes objetivando prática delituosa.12. assevera às fls. 171.97. HC nº 2000. Trib. n.42968-0/RS. 1ª Turma. Com efeito. Porto Alegre. 40. A propósito a seguinte lição: “Aduza-se. Comprovado nos autos que houve a participação de pelo menos quatro pessoas nas fraudes perpetradas. 7646) Assim sendo.Esta lei define e regula meios de prova e procedimentos investigatórios que versarem sobre crime resultante de ações de quadrilha ou bando”. 2ª Turma. 111-405. in DJ 19. desde que comprovada a participação de um quarto elemento ainda que de identidade desconhecida ou que. in DJU 19. 55/56: 258 R.04.3º. Fed. requisito comum às duas situações. 1º da Lei nº 9. Rel. restringindo-se o comando desta e o conseqüente controle da prática do fato a apenas um de seus componentes. obra citada. inobstante presentes a comunhão de vontades e a divisão de trabalho. ainda. nesse sentido é a jurisprudência: “É factível a condenação de três pessoas pelo crime. p. CAPUT E PAR. Rodolfo Tigre Maia. DO CP-40. p. Reg. na sua obra. ‘não há falar em simples participação criminosa’ mas sim em quadrilha”.04. (Rodolfo Tigre Maia. não há necessidade aqui de compartilhamento pelos sujeitos ativos do domínio do modelo típico.034/95. 60). ART. 61) No que se refere à insurgência quanto à aplicação dos artigos 9º e 10 da Lei nº 9. não se exclui a presença da quadrilha pelo fato de um ou alguns de seus componentes não serem passíveis de punição em virtude de razões pessoais como a menoridade ou a inimputabilidade. em comentário ao referido artigo. ACR nº 96.01. p. não pode ser considerado como integrante da quadrilha. 288 E ART. a estrutura organizativa da quadrilha poderá ser verticalizada.

Portanto. mormente que os réus já se encontravam presos preventivamente. a. Reg. Trib. eis que em consonância com o entendimento jurisprudencial: “CRIME. (STJ.é inegável que a Lei de Regência forneceu um conceito de OC equiparando-a. 5ª Turma. qualquer requisito adicional dependente de integração hermenêutica pelos operadores do direito para determinar-se a presença de uma organização criminosa: bastará – tão-somente – a presença dos requisitos tradicionalmente exigíveis para o crime descrito no art. R. 17. n. e que o regime inicial será fechado para o cumprimento da pena. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. Omissis. o que retira a alegação de constrangimento ilegal”. 1ª Turma. 12. são admissíveis os embargos para suprir a falha apontada. Não se criou. para apelar. 40. unânime. Verificada a omissão quanto ao regime prisional na apelação. 4ª Reg. DJ 27. pois.034/95. que o réu não poderá apelar em liberdade. ao conceito legal de quadrilha ou bando.“O primeiro artigo da LOC inquestionavelmente categoriza crime oriundo de organização criminosa como o praticado por quadrilha ou bando. RHC nº 5. 288 do CP desde que associados a efetiva prática de pelo menos um crime”. p. a sentença judicial que determinou o recolhimento à prisão para apelar.56806-1/PR. 372) “O regime prisional fechado se amolda aos ditames da Lei nº 9. não merece reforma a sentença. p. Ademais.96. Perfeita. não ofende a garantia constitucional da presunção de inocência” (Súmula nº 9). portanto.05. Quanto à aplicação do regime inicial fechado. ‘. ou pelo menos as suas ações. Diante da presença do conjunto de circunstâncias judiciais desfavoráveis aos réus. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti.034/95. estipulou a pena-base acima do mínimo legal. in DJ 07.304. o regime inicial para o cumprimento da pena será necessariamente o fechado”. Rel.. porquanto o MM.10.04. plenamente aplicável ao caso dos autos os arts. EDAC nº 97. melhor sorte não têm os apelantes. p. PENA REGIME INICIAL. Juiz a quo fixou as penas de forma necessária e suficiente para a reprovação e a prevenção do crime. Se os fatos descritos na denúncia se passaram em data posterior à vigência da LEI-9034/95. Min. conduzindo inevitavelmente a uma identidade aproximativa entre as duas expressões: organização criminosa é a quadrilha que tenha cometido um ou mais crimes. Porto Alegre. 2001 259 . Fed. (TRF-4. 9º e 10 da Lei nº 9. Cid Flaquer Scartezzini..881) A respeito da inconformidade dos réus quanto à penalidade aplicada. 111-405. é entendimento sumular do STJ de que “A exigência da prisão provisória. Rel. respectivamente.98. os quais estabelecem.

98.. L. 2001 . outro não foi o entendimento do Ministério Público. cabe proceder à análise do cabimento ou não da Lei nº 9. Nesse sentido. ainda. exarado nesses termos: “As circunstâncias judiciais. seja pelo recrudescimento da situação de N. excetuando-se a conduta social do réu abonada por testemunhas.04. apesar de preenchido o requisito objetivo exigi- 260 R. n.” (fl. ou.714/98. 111-405.em consonância com o entendimento jurisprudencial. afastada a aplicação das penas restritivas de direitos. inciso I.37601-4/RS.04. Trib. a. ACR nº 97. Gilson Dipp. 522). Rel. tendo em vista o não-preenchimento do requisito objetivo exigido pelo art. in DJ 29. como líder do grupo ou pela premiação da confissão de G. Por fim. minorantes e dirimentes legais foram avaliadas com precisão. 4ª Reg. 1ª Turma. 000505). Reg. o reconhecimento da menor participação de P. 44. de forma a individualizar corretamente a solução aflitiva. Em relação ao réu N. o seguinte julgado: “Em sendo as moduladoras circunstâncias judiciais desfavoráveis. unânime.. Fed. (TR4. Aliás. p. do Código Penal. p. Quanto ao réu G. 12. 40. impõe-se a fixação da pena-base acima do mínimo legal”. Porto Alegre.

12. n. 4ª Reg. Porto Alegre. Fed. 2001 261 . p. a.DIREITO PREVIDENCIÁRIO R. Reg. 111-405. 40. Trib.

p. 40. 2001 . Fed.branca 262 R. a. 111-405. n. 12. Reg. Porto Alegre. Trib. 4ª Reg.

Sr. Porto Alegre. Assim. depois de todas as operações matemáticas que envolvem o cálculo. Waldir Francescheto e outro EMENTA Previdenciário. Processo Civil. 4ª Reg. Fed. ou se apenas ao final. a. 12.INSS Advogada: Dra. Reg. 111-405. Embargos infringentes. o salário-de-benefício e a renda mensal inicial têm o mesmo valor. A carência de ação por falta de interesse resulta caracterizada porquanto não há qualquer interesse por parte do segurado no provimento jurisdicional preconizado no voto divergente que. R. Limitação do benefício ao valor máximo do salário-de-contribuição vigente quando da concessão. p. embora devesse em tese prevalecer. Nos dois casos. como determina a lei. Jaqueline Maggioni Piazza Embargado: Jose Germano Pires Advogados: Drs. depois.48246-5/RS Relator: O Exmo. n. por mais se aproximar do entendimento firmado do Tribunal. Interesse processual. sobre a renda mensal inicial.04. Juiz Surreaux Chagas Embargado: Instituto Nacional do Seguro Social . Se o benefício foi concedido no coeficiente de cálculo de 100%. 40. 2001 263 .EMBARGOS INFRINGENTES EM AC Nº 95. Trib. como propugnado no voto divergente. é irrelevante se o teto do salário-de-contribuição será aplicado como limitador sobre o salário-de-benefício e. o resultado será o mesmo.

§ 2º. decide a Egrégia Terceira Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. RELATÓRIO O Exmo. Juiz Surreaux Chagas: A controvérsia diz respeito à limitação do salário-de-benefício e da renda mensal ao teto do salário-de-contribuição vigente. ou seja. Sr. 4ª Reg. afasta a limitação do salário-de-benefício e da renda mensal inicial ao teto do salário-de-contribuição. a. Os embargos são contra-arrazoados. prevista respectivamente nos arts. n. § 2º. 29. 2001 . VOTO O Exmo. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Reg. dar provimento parcial aos embargos infringentes. Juiz Surreaux Chagas: O Instituto Nacional do Seguro Social – INSS opõe Embargos Infringentes contra acórdão da 5ª Turma do Tribunal que. como condição da ação. por maioria de votos. 111-405. após a aplicação do coeficiente correspondente ao benefício. Porto Alegre.213/91. mas que o limite deve ser aplicado após todas as operações matemáticas necessárias à apuração da renda mensal inicial. por maioria. 12. Trib. e 33 da Lei 8. Embargos Infringentes providos em parte para extinguir o processo sem exame do mérito em relação ao momento de aplicação do teto do salário-de-contribuição. Relator. 22 de novembro de 2000. prevista nos arts. e 33 da Lei 8. Porto Alegre. Sr. § 2º. O embargante pretende a prevalência do voto vencido. 264 R. 40. Juiz João Surreaux Chagas.213/91. 29.213/91. e 33 da Lei 8.é sem utilidade para a parte. pode e deve ser conhecida de ofício em sede de embargos infringentes. Fed. A falta de interesse processual. que entende ser constitucional a limitação da renda mensal prevista nos arts. 29. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. p. É o relatório.

Grande número de ações. referentes ao denominado teto do salário-de-benefício. a existência ou não de limita­dores a todas as operações que resultam no valor inicial do bene­ficio previdenciário.. 40. entendendo aplicável o teto limitador somente após efetuadas todas as operações matemáticas do cálculo da renda mensal ini-cial. Assiste razão ao Segurado. O voto. 29. ora deferida.213. na parte em que se configura a divergência. tanto no cálculo do salário-de-benefício como na renda men­sal inicial. Trib.” O voto vencido. 136 – ‘Ficam eliminados o menor e o maior valor-teto para o cálculo do salário-de-benefício’. tenha que R. 12. 135 – ‘Os salários-de-contribuição utilizados no cálcu­lo do valor de benefício serão considerados respeitando-se os limites mínimo e máximo vigentes nos meses a que se referirem’. bem como à revisão com apoio no artigo 58 do ADCT e nela incluir a revisão do benefício sem as limitações do art.060/50. quanto à aplicação do artigo 29. 29 e art. contudo. § 2º. suspensa sua exigibilidade nos termos da previsão contida no art. entende indevida a aplicação de ambos os limites no cálculo da renda mensal inicial. n.213/91.213/91: Art.) Concluiu ainda o eminente juiz monocrático pela aplicação do te­to de dez salários-de-contribuição somente após todas as operações mate­máticas. porquanto em atenção ao art. 111-405. vêm sendo ajuizadas.00 (cinqüenta reais). Pela parcial derrota responderá o Segurado com a verba honorária que fixo em R$ 50. sustentando o segundo a legitimidade da limi­tação de que trata o parágrafo 2º do art. p. 4ª Reg. de autoria da eminente Juíza Maria Lúcia Luz Leiria. afasta a aplicação do teto previsto no art. da Lei 8.213/91. dou parcial provimento aos recursos para afastar da condenação o recálculo da renda inicial à luz da Súmula 2 deste Tribunal. 2001 265 . Reg. e do artigo 33 da Lei 8. As normas infraconstitucionais relativas ao sistema previdenciário estão inseridas em contexto amplo que faz com que o aplicador da lei. não poderia a Administração Previdenciária aplicar qual­quer redução.. O voto tem a seguinte redação. ficando. (. Porto Alegre. mantidos os demais termos da sentença recorrida. 33 da Lei 8. ou seja.. por beneficiário da Justiça Gratuita. num primeiro passo. § 2º. argumentando o pri­meiro ser inconstitucional qualquer redução na média das trinta e seis últi­mas contribuições realizadas. “Com a maxima venia divirjo do eminente relator. 202 da Constituição Federal deixou o legislador averbado nas disposições transitó­rias da Lei 8.) Frente a esse quadro. tão-somente. Art.O voto condutor do acórdão. 12 da Lei 1. 29 da Lei 8. de lavra do eminente Juiz Élcio Pinheiro de Castro..213/91 ao salário-de-benefício. Logo. Fed. a. está assim redigido: “(. com o que não se conformam autor e réu.

Trib. com data de início entre 5 de abril de 1991 e 31 de dezembro de 1993. 202 da Consti­tuição Federal. § 2º. 12. conforme crité­rios definidos em lei’.enfrentar a sistematização das normas para que não retire de dispositivos isolados o comando do legislador para aplicar ou não qualquer teto li­mitador ao cálculo do qual resultará o valor de benefício a ser concedido. tomando-se como base para aplicação das normas previdenciárias o sistema de contribuição e prestação e aplicando-se de acordo com a interpretação sistemática de todo o Plano de Custeio e Benefícios da Previdência Social. o princípio cons­titucional da preservação do valor real do beneficio. 201).213/91 deve ser aplicada em con­junto com o disposto no artigo anterior. quando. ou seja. isto é. cuja renda mensal inicial tenha sido calcu­lada sobre o salário-de-benefício inferior à média dos 36 últimos salários-de-contribuição. da Lei nº 8. 201. mediante a aplicação do percentual corresponden­te à diferença entre a média mencionada neste artigo e o salá­rio-de-benefício considerado para a concessão. serão revistos a partir da competência abril de 1994. inexiste ilegalidade no procedimento da Au­tarquia em observar o teto de benefício nos termos dos artigos 33 e 29. para o cálculo do salário-de-benefício. 135 da mesma Lei. por expressa disposição constitucional. en­tão. 111-405. 136 da Lei nº 8. sendo constitucionalmente previsto que o siste­ma previdenciário atenda ao princípio da reciprocidade entre con­tribuição e prestação (art. o valor do benefício.870/94. sensivelmente. Assim. 29 da referida lei. não ferindo. tenho que a norma do artigo 136 da Lei 8. em caráter permanente. refere que ‘é assegurado o reajustamento dos benefícios para pre­servar-lhes. ou seja. tal dispositivo veio estabelecer a correta for­ma de aplicação dos tetos limitadores da renda mensal inicial. Ora. Fed. Parágrafo único. 2001 . Contudo. § 2º. Portanto. o valor real. de 24 de julho de 1991.’ Ou seja. A Constituição Federal em seu art.213/91. Reg.213/91. a. Até então. 4ª Reg. 40. deve ser observado o correto momento pa­ra aplicação do teto. o referido teto de benefício era aplicado antes de finalizadas todas as operações matemáticas para apuração do valor inicial do benefício. em decorrência do disposto no § 2º do art. então. Entendo que a expressão ‘critérios defini­dos em lei’ permite a fixação de tetos à renda mensal inicial. conforme se vê do disposto no artigo 26 da Lei nº 8. p. n. Os benefícios revistos nos termos do caput des­te artigo não poderão resultar superiores ao teto do salário-de-­contribuição vigente na competência de abril de 1994. o que nos remete à inexistência de teto limitador para a primeira opera­ção. o que diminuía.213/91 não implicam afronta ao art. da Lei nº 8. 266 R. parágrafo 2º. porque justamente esta preservação está em linha direta à correção dos salários-de-contribuição e atrelada aos critérios da lei regulamentadora.213/91. os limites impostos pelo art. no momento em que se obtinha a média do período básico de cálculo (salário-de-benefício) e antes de aplicado o devido coeficiente. O citado artigo dirimiu as dúvidas existentes acerca do correto momento de aplicação do teto limitador disposto nos artigos 33 e 29. à preservação do valor real do benefício. in verbis: ‘Os benefícios concedidos nos termos da Lei nº 8. Porto Alegre.

202. a revisão conforme o disposto no art.10. VALOR MÁXIMO. PREVIDENCIÁRIO. DJU de 18. 2001 267 . 4ª Reg.213/91. está pacificado o entendimento no sentido de que é aplicável a limitação do salário-de-benefício prevista no art. Min. Fernando Gonçalves. bem como a renda mensal de que trata o art. nem superior ao do limite máximo do salário-de-contribuição na data inicial do benefício’. 29. a. 12. ou seja. estabeleceram que o salário-de-benefício observasse o limite máximo do salário-de-contribuição. que transcrevo: “CONSTITUCIONAL.000) “ PREVIDENCIÁRIO. Trib. 29. Reg. VALOR INICIAL. O art. 2. Art. 111-405. Assim sendo. razão pela qual trata-se de regra geral. deve ser observado o valor limite do salário-de-benefício. p. que visa impedir a incidência de qualquer tipo de limitação na relação entre o salário-de-contribuição e o salário-de-benefício. DJU de 19.2. 40. 33 da mesma Lei. Embargos acolhidos. 3.213/91.06. resta claro que a limitação da renda mensal inicial é constitucional e deve ser aplicada após todas as operações matemáticas necessárias à apuração da renda mensal inicial. Porto Alegre. 3ª Seção. 29.” No Superior Tribunal de Justiça.somam-se todos os salários-de-contribuição. Desta forma. SALÁRIO-DE-BENEFÍCIO. José Arnaldo da Fonseca. 136 da Lei 8. VALOR INICIAL.” (Embargos de Divergência no REsp 195437/SP. Fed. Rel.051/SP. § 2º. após a aplicação do coeficiente correspondente ao beneficio. voto no sentido de dar parcial provi­mento ao recurso de apelação da Autarquia para afastar da conde­nação o recálculo da renda inicial à luz da Súmula nº 02 deste Tribunal. 3ª Seção. Min. § 2º.213/91: ‘O valor do salário-de-benefício não será inferior ao de um salário mínimo. 1. 29 E 33 DA LEI 8. n. TETO.99) Os precedentes são claros no sentido de que o teto deve ser aplicado exatamente conforme previsto na lei. ARTS. bem como. Segundo precedentes. Precedentes. ou seja. dando cumprimento ao preceito constitu-cional previsto no art. após o somatório e a apuração da média. Os arts. 29 da Lei 8.213/91 deve ser interpretado em face da legislação previdenciária como um todo. Rel. da Lei 8.213/91. conforme precedentes da Terceira Seção daquela Corte. antes da aplicação do coeficiente de cálculo. Embargos rejeitados. § 2º.” (Embargos de Divergência no REsp 192. 58 do ADCT e negar provimento ao recurso de apelação do Autor. não havendo falar em eliminação dos respectivos tetos. BENEFÍCIOS. BENEFÍCIO. ao fixarem a forma de cálculo do valor inicial do benefício. incidindo já sobre o salário-de-benefício. conforme estipulado pelo art. No mesmo sentido. são os acórdãos proferidos no julgamento dos R. e 33 da Lei 8. TETO LIMITE.

Portanto.2000. p/ acórdão Juíza Virgínia Scheibe. Com efeito. mereceria prevalecer. a. § 2º. regra esta que vem sendo cumprida pelo Instituto Previdenciário. o salário-de-benefício e a renda mensal inicial têm o mesmo valor. Porto Alegre.12. Rel.213/91 deve dar-se nos exatos termos propostos pelo referido dispositivo. para que o teto limitador seja aplicado somente após todas as operações matemáticas que envolvem o cálculo da renda mensal inicial. há uma particularidade importante nos autos que há de ser observada. e 33 da Lei 8.93. 116. na esteira do entendimento emanado do Colendo STJ.91 e 21.Embargos de Divergência no REsp 189. em qualquer tempo e grau de jurisdição. § 2º. 268 R. § 2º. DJU de 06.03. Reg.2000) No caso. é o que mais se aproxima do entendimento pacificado no STJ e predominante neste Tribunal. mesmo de ofício.218/SP. ART. Min. Min. pode e deve ser conhecido. p.” (EIAC 95.44656-6.651/SP. DJU de 05. 2. Assim. 29. TETO. Nos dois casos. de fl. como condição da ação. depois de aplicado o coeficiente de cálculo. n. 29.04.213/91: “EMBARGOS INFRINGENTES. Precedentes da 3ª Seção e do Egrégio STJ. ou se apenas ao final. o resultado será o mesmo. a execução do julgado não produz diferença alguma em favor do segurado.213/91. A observância do aludido teto-limitador não interfere na observância da regra ditada pelo art. como determina a lei. depois.04. 12. DJU de 22. conforme doc. O autor não tem qualquer interesse no provimento jurisdicional oferecido. passou também a julgar legítima a aplicação do tetos conforme prevista nos arts.12. A Terceira Seção do Tribunal. A aplicação do teto do art. Rel. DA LEI Nº 8.99. por maioria. Rel. 29.870/94 para os benefícios concedidos no período compreendido entre 05. Inexistência de inconstitucionalidade na aplicação dos tetos limitadores dos benefícios previdenciários. o voto vencido. 111-405. 2001 . a tese sustentada no voto vencedor resta rejeitada. é irrelevante o momento em que será aplicado o teto. por sua vez. Gilson Dipp. da Lei nº 8. 4ª Reg. 1. o voto vencido. Contudo. É que o benefício foi concedido no coeficiente de cálculo de 100%. da Lei 8.04. conforme propugnado no voto vencido. 3. se sobre o salário-de-benefício e. O interesse processual. Voto vencido no sentido de sua aplicação após todas as operações matemáticas necessárias à apuração da renda mensal inicial. e no 178. Fed. 26 da Lei nº 8.213/91. 29. sobre a renda mensal inicial. que afasta apenas a aplicação do art. que lhe é inútil. Felix Fischer. Nesse caso. Trib. § 2º. 40.

Em embargos infringentes pode o Tribunal. n. Min. p. a título exemplificativo: “LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO. excepcionalmente. p. embora não seja objeto da divergência em que se funda o recurso. do CPC). “PROCESSUAL CIVIL. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. 267. v. de ofício. Este entendimento doutrinário é corroborado por diversos precedentes do Colendo Superior Tribunal de Justiça. Fed. Essa é a lição do eminente processualista José Carlos Barbosa Moreira: “Convém ressaltar que ao colegiado só é lícito examinar quaisquer questões relativas ao processo e às ‘condições da ação’ se e na medida em que puder conhecer dos embargos. quando R. antes de entrar na apreciação da matéria impugnada. se era obrigatória: art. 4ª Turma. quanto a eventuais nulidades que atinjam o feito de modo genérico (v. Recurso especial não conhecido” (REsp 50. único. 246 e parágrafo único). anular o feito e determinar a providência de que trata o art.. falta de intimação do Ministério Público. § 4º. V.010. 8ª ed. mas deve proceder ao exame das aludidas questões. por exemplo. em tese. aprecie-se matéria não discutida no voto vencido.. EMBARGOS INFRINGENTES.97). § 3º. do CPC c/c 267. por satisfeitos todos os requisitos de admissibilidade do recurso. 47.g. pode ser conhecida em sede de embargos infringentes. ou que atinjam especificamente o acórdão embargado (v. A questão. dentre os quais transcrevo os seguintes. inclusive e notadamente a divergência no seio do órgão a quo. pelo qual o órgão julgador pode examinar de ofício todas as questões de ordem pública (artigo 515. 2. 4ª Reg. 1. 12. não estejam preclusas. salvo. 1999. incompetência absoluta do órgão a quo. desde que. LIMITES. Reg.conforme disposto no art.” (Comentários ao Código de Processo Civil. do CPC. in: RTRF/4ª Região. Porto Alegre. par. De modo algum é preciso que no órgão a quo tenha ocorrido dissídio acerca dessas questões. em embargos infringentes. Forense. a.g. p. Trib. 5.(Embargos Infringentes. DJU de 25. 2001 269 . 25). desde que o recurso preencha os requisitos de admissibilidade para ser conhecido. Assim. os infringentes têm também efeito translativo. Fontes de Alencar. §§ 1º e 2º. é claro. O ordenamento jurídico formal brasileiro não permite que. examinados dentro dos limites impostos pelo voto vencido. Nesse caso (e nessa medida). Rel. 32. 111-405. 40. contudo. verificando a ausência de litisconsortes necessários.08. do CPC. Os embargos infringentes devem ser. julgamento ultra ou extra petitum na apelação ou na ação rescisória). 531) Este também é o posicionamento sustentado pelo eminente Juiz José Luiz Borges Germano da Silva: Além do efeito devolutivo. o colegiado não apenas pode. § 3º e 301.

hipótese a que não se refere este feito. 3. Se a matéria do acórdão rescindendo era controvertida nos Tribunais. em tese. Concluindo. A condenação à aplicação da Súmula 02/TRF e do art. 2001 . POSSIBILIDADE. José Delgado. ação rescisória. a condenação imposta no voto vencido. foi afastada por unanimidade no julgamento da apelação da autarquia. 26 da Lei 8.ocorrer ausência evidente de pressupostos processuais para a ação e for manifesta a incompetência absoluta. Ressalto que a única condenação imposta nos autos à autarquia é a de deixar de aplicar o teto ao salário-de-benefício. 111-405. a. ao julgar improcedente. VI. o que obriga o Tribunal a conhecê-las de ofício. carece de interesse processual. Min. 530. com a remessa dos autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Min. se deu por competente para apreciá-la. estabelecida na sentença. Porto Alegre. Rel. Reg. a falta de interesse processual. o Excelso Pretório decidiu que esta Corte só tem competência para julgar rescisória de acórdãos do Tribunal Federal de Recursos relativos à matéria da competência originária deste. Cabe à Seção deste Tribunal. a Seção.93) Assim. p. em sede de embargos infringentes. DJU de 03. bem foi posto o entendimento de não cabimento da rescisória. 58 das DCT. 1ª Seção. Rel. 3. CONHECIMENTO DE OFÍCIO DE MATÉRIA RELATIVA A FALTA DE PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. o processo merece ser extinto sem exame do mérito por falta de interesse. 1ª Seção. 1. Assim. 40. Embargos conhecidos. Pádua Ribeiro. ainda que.05. Outrossim. é pacífica a possibilidade de se reconhecer. 12. ao conhecer de embargos infringentes.06. EMBARGOS INFRINGENTES. Todavia. que passaram para sua competência.” (Embargos Infringentes em AR nº 195. por unanimidade. que. DJU de 03. no relativo à aplicação do teto do salário-de-contribuição apenas ao final do cálculo da renda mensal inicial.96) “PROCESSUAL CIVIL. esta decisão em anda prejudica eventual direito do autor à revisão prevista no art. ART. Trib. CPC. NÃO OBJETO DO DISSÍDIO JUSTIFICADOR DOS EMBARGOS. na forma do art. a fim de anular os atos decisórios praticados no processo.870/94. examinar de ofício questões relativas à falta de pressupostos processuais.” (Embargos Infringentes na AR nº 380/SP. Outrossim. pois é inútil ao autor. na época em que foi proferido o julgamento. No caso. 4ª Reg. mereceria acolhida por estar mais próxima do entendimento jurisprudencial majoritário. n. Fed. 267. não tenha ocorrido dissídio quanto a essas questões. preconizada no voto condutor. no acórdão embargado. cuja abrangência transborda 270 R. implicitamente. por maioria. 2. do CPC. afasto a determinação de desconsiderar o teto no cálculo do salário-de-benefício e na renda mensal inicial. de ofício.

propugnada no voto vencido. ficando a imposição suspensa na forma do art. e 33 da Lei 8. Fed. Sr. 2001 271 . p. Trib. 12 da Lei 1. a. Conflito negativo de competência . Porto Alegre. 29. dou provimento parcial aos embargos infringentes para que. Reg. condeno o autor em honorários de advogado.04. É o voto. 12.060/50. 40. Em face do exposto. Em face da improcedência dos demais pedidos. 128). Vilson João Tomaz EMENTA Processo Civil. CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 97. Natureza jurídica da relação. 4ª Reg.04822-0/SC Relator: O Exmo. § 2º. rejeitada a não-aplicação dos limites previstos nos arts. Maria Olívia de Brito Ramos Dr. Ex-combatente integrante da Marinha Mercante Nacional.os limites desta ação.213/91 preconizada no voto vencedor. R. 111-405. tendo em vista o benefício de Assistência Judiciária Gratuita concedido pelo Relator das apelações (fl. Aposentadoria e pensão derivada. Juiz Amaury Chaves de Athayde Parte-Autora: Saly Nascimento Maurício Parte-Ré: Instituto Nacional do Seguro Social Suscitante: 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Suscitada: 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Advogados: Dra. n. Cesar Correa Guedes Dr. julgar extinto o processo sem exame do mérito por falta de interesse processual em relação à aplicação do teto do salário-de-contribuição apenas após a efetivação de todas as operações matemáticas do cálculo da renda mensal inicial. que fixo em 10% do valor atualizado da causa.Turmas de Seções diversas.

como integrante da Marinha Mercante Nacional. p. Porto Alegre. 2001 . Trib. 82) nos autos da apelação cível interposta pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS contra a r.1. a. Relator. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. conhecer do conflito de competência e declarar competente a egrégia 6ª Turma. Fed. mediante a revisão da aposentadoria desse com atendimento aos preceitos legais que lhe asseguravam a condição de ex-combatente na Segunda Guerra Mundial. Juiz Amaury Chaves de Athayde. É de natureza previdenciária a relação jurídica atinente à aposentadoria (e à ulterior pensão derivada) de integrante da Marinha Mercante Nacional. 12. 40. perante o MM. RELATÓRIO O Exmo. visando à revisão da pensão que percebe pelo falecimento do seu esposo. suscitada. acrescidos os efeitos pecuniários pertinentes. Sem revisão. O douto órgão do Ministério Público Federal opina pela procedência do conflito (fls. Reg. 1º de fevereiro de 2001 (data do julgamento). por maioria. Apresento o feito em Mesa. 90/91). Sr. 272 R. Porto Alegre. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Trata-se de conflito negativo de competência estabelecido entre as doutas 3ª e 6ª Turmas. vencido o Juiz José Germano da Silva. Juiz de Direito da Comarca de Laguna/SC. Define-se a competência para o processo e julgamento do recurso à Turma da Seção especializada em matéria previdenciária. 4ª Reg. sentença prolatada em ação ordinária promovida por Saly Nascimento Maurício. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. É o relatório. 2. decide o Pleno do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. integrantes da 2ª e 3ª Seções deste Tribunal. n. 111-405. sendo o trabalhador segurado da Previdência Social. respectivamente. não o transmudando o fato da qualificação do benefício pelo regramento direcionado à condição pessoal de ex-combatente na Segunda Guerra Mundial. suscitado pela primeira (fl.

merecendo trato específico (Lei nº 5. I e II). n. impende concluir que a matéria versada nos autos é. A qualificação da aposentadoria do segurado e a ulterior pensão. O fato de a sua aposentadoria. Juízo Estadual. p. Penso haver equívoco na afirmativa de que a pensão que interessa ao processo é de ordem estatutária. suscitou o conflito negativo tendo presente que em não sendo a questão em liça matéria previdenciária objeto de delegação. pois. antes. fosse funcionário público. não obstante desborde do regime geral da legislação orgânica da Previdência Social. Juiz Amaury Chaves de Athayde: A douta 6ª Turma.afastado o objetivo de evitar o decreto da anulação da v. Não se indica que o finado esposo da autora. do funcionário público . como base à ulterior pensão direcionada à viúva. Porto Alegre. configura. A douta 3ª Turma (fl. 111-405. Trib. de segurado da Previdência social . 81). sentença proferida pelo MM. sentença. Sr. efetivamente. 74). art. 1º. Por isso . aliás. para o caso. de natureza previdenciária. incidir regramento referido à pessoal condição de ex-combatente na Segunda Guerra Mundial. segurado da Previdência Social. que. fê-lo a pressuposto de que a pensão de que cuida os autos é estatutária consubstanciando matéria predominantemente administrativa (fl. não se há de o fazer no tocante à aposentadoria. Sob a ótica oferecida. se fosse o caso. um plus que se mantém atrelado ao liame originário.mesmo com os acréscimos vinculados à pessoal condição de ex-combatente . 4ª Reg.VOTO O Exmo. e posterior pensão. a. 12. a móvel de privilegiar a celeridade e a utilidade processual. Fed. Ele era trabalhador na iniciativa privada. ao firmar pela declinação da competência para o processo e julgamento do feito a uma das Turmas da Segunda Seção. impunha-se a anulação da v.689/71. em consonância com o comando regimental (art. ainda que a princípio assente em disposições de legislação de ordem transcedente. 40. e pensão posterior. impor-se-ia ser ditado para o resguardo da ordem jurídica -. 273 R.essas as quais. Tal como não se há de contestar que é de fundo estatutário a aposentadoria.. correm à conta dos cofres da autarquia previdenciária certo que a eles mesmos são recolhidas as correspectivas contribuições preparatórias. 2001 . integrante da Marinha Mercante Nacional. não transmuda a natureza jurídica originária daquela relação.com os quais acréscimos vinculados à sobreditacondição pessoal . Reg.

(Sublinhei)(Sublinhei) Em igual sentido: AC nº 95. De resto.09189-4/SC. DJ 31. Guerra Mundial.” (AC nº 97. DJ 03. AC nº 96. 502). III). “PREVIDENCIÁRIO. porque este diploma legal assegurou todos os direitos estabelecidos pelas legislações anteriores mas ressalvou os casos em que os outorgados pela nova lei fossem mais vantajosos.99. 525. Sexta Turma. AC nº 274 R. 661). Apelação improvida. LEI 1756/52. unânime.04. Sexta Turma. contramestre ( ART.2º. “PREVIDENCIÁRIO. abstraindo. 111-405. PAR-ÚNICO. PAGAMENTO DE ATRASADOS COM CORREÇÃO MONETÁRIA DESDE QUANDO DEVERIAM TER SIDO PAGAS AS PARCELAS E JUROS LEGAIS DA CITAÇÃO. LEI 3807/60 ( LOPS ).03.36209-5/SC. PENSÃO DE VIÚVA DE MARINHEIRO DA MARINHA MERCANTE. n.36725-9/SC. Relator Juiz Edgard A. p. . p. APOSENTADORIA COM BENEFÍCIO DECORRENTE DA LEI 5698/71. definido e delimitado na legislação previdenciária comum.31851-9/RS. Fed. Precedentes. AC nº 96. DJ 11.07613-2/RS. CÁLCULO DO BENEFÍCIO SOBRE PROVENTOS DO POSTO IMEDIATAMENTE SUPERIOR.98. a solução de mérito: “PREVIDÊNCIA SOCIAL. como o demonstram os rr.98. 1. a competência para o processo e julgamento do recurso incumbe a douta 6ª Turma deste Pretório. unânime. DJ 04. Reg. visto que ressalvou os direitos adquiridos dos segurados e de seus dependentes.02. p.63934-1/SC. o benefício deve ser calculado sobre os proventos do cargo imediatamente superior ao de marinheiro..04. quando da aposentadoria. Quinta Turma.99. da LEI 1756/52 ). à qual fora distribuído o feito. em zonas de ataques de submarinos durante a 2a. precedentes a seguir.03.” ( AC nº 92. Relator Juíza Maria Lúcia Luz Leiria.04. QUINTA TURMA. Trib.04. 625.01. QUINTA TURMA. 2001 . logicamente.99. Comprovado ter o esposo da Autora integrado guarnição de embarcação que navegou. DJ 20. § 2º. DJ 10. por mais de duas oportunidades. PENSÃO POR MORTE DE EX-COMBATENTE. no caso.. Relator Juiz Carlos Sobrinho. o valor correspondente a 100% (cem por cento) do salário-de-benefício. 1º.” ( AC nº 95. Lippmann Junior. p. p. é válido notar que as Turmas da Seção Previdenciária desta Corte já há tempo vêm apreciando a matéria. Porto Alegre. 551. 40.11.11. A viúva de EX-COMBATENTE cujo benefício foi concedido com amparo na LEI 1756/52 faz jus à PENSÃO no percentual estabelecido pela Lei 3807/60. QUINTA TURMA. unânime. 411).99.04. p. 12. 4ª Reg. é devido ao EX-COMBATENTE que reúne as exigências legais para assim ser considerado. Não tendo a Lei 5698/71 revogado inteiramente a LEI 1756/52.04. a. aos quais me reporto unicamente no que interessa para a definição do conflito. p. LEI 1756/52. MARÍTIMO EX-COMBATENTE.

observados a escala de salários e os interstícios R. Faço-o para fixar a competência da douta 6ª Turma deste Tribunal. 3.20302-5/SC. 40. DJ 21. p. Revisão de benefício.” Ante o exposto Julgo procedente o conflito. Previdenciária de Porto Alegre/RS EMENTA Previdenciário.97. finalmente. abrangendo o antigo contribuinte em dobro.1.212/91. Reg. sujeito à observância do interstício. SEXTA TURMA. Fed. É como voto. Sra. e. 111-405.63085-9/RS Relatora: A Exma. Escala de salário-base.10. Porto Alegre. p. Angelo Jose Cichocki Apelada: Maria Deolinda de Miranda Machado Advogados: Drs.96. AC n° 94. 4ª Reg. sistemática que foi alterada com a entrada em vigor da Lei 8. O contribuinte em dobro contribuía para a Previdência Social com base no salário declarado. 42.INSS Advogado: Dr.04. SEXTA TURMA. O cálculo da renda inicial deve ser realizado com base nos valores efetivamente recolhidos. As contribuições vertidas como contribuinte em dobro servem para completar o interstício legal da escala de salário-base. que criou a categoria de segurado facultativo. Contribuinte em dobro.04. p. a qual. APELAÇÃO CÍVEL Nº 97. Ives Agamenon Leite Lucas e outros Remetente: Juízo Substituto da 3ª Vara Fed. Juíza Virgínia Scheibe Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social . 2001 275 . suscitada.922. n. não se enquadrando nas hipóteses da escala de salário-base.06. possibilitou ao mesmo o enquadramento na escala de salário-base. DJ 11. a. 912.06384-7/SC.98.04. Trib. 2. 12.

Em suas razões recursais.91 a 03. a partir do reenquadramento dos salários-de-contribuição considerados no PBC da seguinte forma: enquadrar as contribuições de 03. RELATÓRIO A Exma. a partir da renda mensal inicial de seu falecido marido revisada.94 na classe 5. p. 2001 .92 a 02.. c) pagar as diferenças apuradas.92 na classe 4 e enquadrar as contribuições de 04.212/91.212/91. o INSS sustenta que. por unanimidade. mas tendo anteriormente contribuído como empregado na classe “3”. 111-405. 25 de janeiro de 2001.91 na classe 3. e de juros de 6% a. obrigatoriamente. tendo o falecido se filiado ao sistema da Previdência na qualidade de contribuinte em dobro. em 01. decide a Egrégia Turma Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. desde o vencimento de cada parcela. acrescidas de correção monetária.94). iniciar suas contribuições na classe “3” e.94). 40. 4ª Reg. a teor do disposto no § 3º do art. deveria. as anteriores contribuições 276 R. negar provimento ao apelo e à remessa oficial. a contar da citação. deveria respeitar o interstício necessário. Juíza Virgínia Scheibe. Relatora. a.previstos no art. Fed. aduz que. 29 da Lei nº 8.05. Sra. 12. b) revisar a renda mensal inicial do benefício da autora (Pensão em 24. até 12. Trib. enquadrar as contribuições de 04.a.90. Porto Alegre. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.91.03. Reg. 29 da Lei nº 8. n. bem como os valores dos proventos da pensão daí decorrentes. para progredir na escala. Assim. Porto Alegre. bem como honorários advocatícios de 10% sobre o valor da condenação. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. como mudou de categoria. Juíza Virgínia Scheibe: Trata-se de remessa oficial e de apelação interposta pelo INSS contra sentença de procedência que o condenou a: a) revisar a renda mensal inicial do benefício do falecido esposo da autora (AV em 25.

segundo Wladimir Novaes Martinez. como comprova o documento da fl. passou a contribuir por si e por seu empregador. VOTO A Exma. Dispunha o art. Porto Alegre. isto é.91 na classe 3. 111-405. Insurge-se a Autarquia Previdenciária contra a sentença que a condenou a revisar a renda mensal inicial do benefício do falecido marido da autora (AV em 25. a partir do reenquadramento dos salários-de-contribuição considerados no PBC. 94). Primeiramente. não se enquadrava nas hipóteses da escala de salário-base. recolhia o mesmo percentual que lhe era descontado na ativa. LTr. portanto. reduzir o salário declarado até o limite R. mais o percentual anteriormente a cargo do empregador. O contribuinte pode. Com contra-razões. 53. a renda mensal inicial do benefício desta (Pensão em 24. 40. Sra.94). O salário declarado do contribuinte de que trata o art.92 a 02. enquadrar as contribuições de 04. o falecido marido da Autora estava enquadrado na categoria de contribuinte em dobro. Reg. 47. dentro ou fora do período de manutenção da qualidade de segurado. Tomo I. Nessa situação. da seguinte forma: enquadrar as contribuições de 03. nem inferior ao salário mínimo mensal de adulto. pelo qual se entende. vieram os autos a esta Corte.94) e. desempregado ou cessante de atividades. a. a qualquer tempo.081/79. Juíza Virgínia Scheibe: O recurso é tempestivo (fl. Tenho que não mereça acolhida o recurso. Frise-se que passou a integrar tal categoria quando ainda vigente a legislação anterior. ed. 2ª ed. Tal categoria de segurado contribuía para a Previdência Social com base no salário declarado e. posteriormente. aquele “trabalhador não mais exercente de atividades.94 na classe 5. p. 2001 277 . § 1º. n..03. considerado no seu valor mensal. Fed. p. 12. no período de janeiro/91 a outubro/91. 4ª Reg. É o relatório.91 a 03.92 na classe 4 e enquadrar as contribuições de 04. Trib.efetivadas na classe “3” não são consideradas para fins de interstícios.05. 53 do referido diploma legal: “Art. 9º (contribuinte em dobro) não pode ser superior ao último salário-de-contribuição quando em atividade. Decreto nº 83. 328). que não dava respaldo à progressão para a classe superior na escala de salário-base. há que se deixar assentado que. desejoso de permanecer no RGPS” (in Comentários à Lei Básica da Previdência Social.

A propósito do tema. mas a partir de então deveria submeter-se às novas regras e poderia ser enquadrado na escala. ao seu salário-de-contribuição. mas sim pelo salário-base. permitida sua elevação. n. em julho/91.213/91 diverso era o tratamento do segurado facultativo e do chamado ‘contribuinte em dobro’. ressalvado o disposto no § 2º. § 8º.213/91 inovou na matéria. sujeito à observância do interstício. que abrangeu o antigo contribuinte em dobro. A Lei nº 8. que correspondia. e 29. Este. e a observância dos interstícios quando da alteração para classe imediatamente superior. mas não pode elevá-lo. 2. a. 53 do Decreto nº 83. Porto Alegre. § 8º. devendo o INSS assim considerar seus recolhimentos. não mais pelo salário declarado. 3.56315-5-PR. mediante aplicação. Fed. não tinha direito à progressão na escala do salário-base e. 278 R.212/91 alterou a sistemática anterior. possibilitando a contribuição. o último sobre o qual o segurado contribuiu ou devia ter contribuído. Até o advento da Lei nº 8. Para os contribuintes dobristas. a Lei nº 8. Contribuinte em dobro. Este o limite máximo do salário declarado. 12. para o caso do ex-empregado. ao próprio salário-de-contribuição. não fazia jus à progressão na escala de salário-base até o advento da Lei de Custeio. 1. do fator de reajustamento salarial referente ao mês da última alteração do salário mínimo.081/79). 111-405. 4ª Reg. uma vez feito seu enquadramento inicial. 29. 28. Em face de tais considerações. quando em atividade (art.inferior de que trata este artigo. Trib. ou seja. passou o mesmo a usufruir da possibilidade de enquadrar-se na escala de salários-base. o cálculo da contribuição e das prestações pecuniárias era efetuado com base no salário declarado. de modo a abranger o antigo ‘dobrista’. alargando o conceito de segurado facultativo. nos termos do art.” (grifo nosso) Todavia. III.04. sua contribuição somente era alterada pela variação do salário mínimo. Necessário. contudo. e. confira-se o precedente desta Turma: “Previdenciário. criando a categoria do segurado facultativo. Reg. Salário declarado. contribuindo sobre o salário declarado. § 2º. p. conforme arts. 40. O valor do salário declarado pode ser reajustado pelo contribuinte com intervalos mínimos idênticos aos de alteração do salário mínimo. 2001 . o reenquadramento.” (AC nº 95.

Trib.912.Rel.10 4 3/92 420.126.10 4 2/91 420.19 3 10/91 420.80 41.00 136.210.863. respeitando rigorosamente os interstícios legais .000.000.345.736.120. Porto Alegre.prazo mínimo de permanência em uma classe.210.00 369. ficou submetido à escala de salário-base.210. constatando-se dos documentos trazidos as seguintes contribuições: TABELA DE SALÁRIOS-DE-CONTRIBUIÇÃO: MÊS SC DO AUTOR SC DO INSS CLASSE ( INSS ) 3/91 127.17 3 9/91 420. conforme o caso. com suas alterações. não se encontram nos autos informações completas sobre todas as contribuições do segurado.80 41. 43 do Decreto nº 83.99 4 6/92 2.081/79.736. 2001 279 . c/c art. antes do acesso à imediatamente superior.305.000. Juíza Maria Lúcia Leiria.31 4 10/92 4.03 3 7/91 127.00 369.000.31 4 11/92 4.000.863.20 1.120.000. a. 4ª Reg.126.912. 3º do Decreto nº 97. In casu.49 850. 12. não tendo liberdade irrestrita para fixar seus salários-de-contribuição.98) Cessado tal período.155.00 168.03 3 8/91 170.126. 40.305.00 4 1/92 923.262. 111-405.10 4 4/92 420.863.00 4 12/91 420.20 1.126.000. posto que tais segurados devem observar.000.212/91.80 41. contribuindo como autônomo. as disposições do art.120.780.305.99 4 9/92 4.80 41.780.736.345.842. n.000.99 4 7/92 2.76 369.00 369. Reg. 29 da Lei nº 8.80 41.11. Fed.842.49 850.155. 137 da CLPS/84. art.968/89 e art.110.00 55.120. p.00 136.03 3 5/91 127.842.49 850.000.736.120.345. DJ 18.10 4 5/92 2.49 850.31 4 R.20 1.780.03 3 6/91 127.00 168.210.210.03 3 4/91 127.305.19 3 11/91 420.912.99 4 8/92 2.842.

405.306.532.97 43.765.054.12 25.219. a.429.795.898.890.532.22 5 168.207.027. Trib.054.35 5 50. são os seguintes: TABELA DE SALÁRIOS-DE-CONTRIBUIÇÃO: MÊS SC DO AUTOR CLASSE EQUIVALENTE 1/90 5. 111-405.110.42 4/90 16.766.107.880.20 3/90 17. 12.082.31 10/90 28.79 5 135.00 5 6 6 6 (acima do teto máximo) idem idem 5 9 5 4 10 10 O procedimento da Autarquia encontra-se esclarecido pelo documento de fl.510.760.654.345.912.655.858.09 21.636.219.860.04 21.10 2/91 118.120.10 5 30.214.14 8/90 21.858. Fed.879.780.14 5 15.863. 4ª Reg.49 67.613. onde se verifica que o segurado foi enquadrado como contribuinte em dobro de janeiro/91 a outubro/91.751.429.20 1.12 9/90 42.35 7 72.897.50 192.366. de fl.655.214.23 5.09 15.47 5 108.14 2/90 10.92 6/90 55.39 147. 47.07 12/90 - 1/91 92.560. considerando o INSS 280 R.52 7.414.55 5 86.766.434.98 84.81 11/90 29.31 4 11.70 5 Veja-se ainda que os salários-de-contribuição anteriores ao PBC.165.23 5.29 5 30.14 5 11.96 5 295.027.64 5 385.760.21 7/90 46. Porto Alegre.62 54.168.52 7. p. 20. Reg.36 5/90 40.29 5 15. extraídos do doc. 2001 .880.852.117.422. n.12/92 1/93 2/93 3/93 4/93 5/93 6/93 7/93 8/93 9/93 10/93 11/93 12/93 1/94 2/94 4. 40.273.375.

nem poderia aquele ser elevado. não seriam consideradas as anteriores contribuições nessa classe para fins de interstícios.contribuições na classe 3 de janeiro/91 a dezembro/91.212/91. permanecer ou regredir R. por ter mudado de categoria – de empregado para contribuinte em dobro .212/91. 53 do Decreto nº 83. 111-405. Efetivamente. no período em que contribuiu como “dobrista” até a vigência da Lei nº 8. na forma do art. n. o ex-segurado não poderia ter salário declarado superior ao último salário-de-contribuição da atividade. da Lei nº 8. por força do já citado art. quando não há perda da qualidade de segurado. Juros de mora. ao filiar-se. a Autarquia não está obrigada a considerar. Fed. ao deixar o emprego em dezembro/90. Salário-de-contribuição do autônomo. o valor do salário-de-contribuição praticado pelo segurado se desrespeitados os interstícios e o regime de progressão de classes da escala. que teria passado suas contribuições diretamente para a classe 10. assim não teria procedido o segurado. deveria ter começado a contribuir na classe 3 e ali permanecido por doze meses. não há empeços a que avance à classe superior considerando o período em que contribuiu na classe de onde regrediu para fins de progressão. em janeiro/91. 2001 281 . na classe 4 de janeiro/92 a dezembro/92 e na classe 5 de janeiro/93 a fevereiro/94. É que a troca de categoria não afeta o direito de progressão do segurado. 40. a. 11º e 12º. Embora a lei confira ao segurado opção para avançar. 29. sujeito à escala de salário-base a partir de julho/91. Revisão da renda mensal inicial do benefício. O INSS argumenta que. § 12. 29. o falecido tinha média de salários na classe 3 e.§§ 3º. p.081/79. contrariando as disposições dos arts. 8º. Todavia. como contribuinte em dobro. tendo mudado de categoria. Entretanto.não poderia ter considerado as anteriores contribuições ao Autor na classe 3. Porto Alegre. não procede o argumento do INSS no sentido de que. a não ser na hipótese do § 2º do referido artigo. De outra parte. Trib. o que também não ocorreria em caso de interrupção das contribuições. 4ª Reg. Interrupção nas contribuições. indiscriminadamente. pois. Ainda quando o segurado usa da faculdade legal de regredir na escala.212/91. Nesta linha o precedente desta Casa: “Previdenciário. 1. da Lei nº 8. 12. Reg. podendo suprimir o excedente ao limite legal para fins de cálculo do benefício. Enquadramento e progressão na escala de salário-base. posicionando o segurado na classe a que tinha direito de estar.

29 da Lei nº 8.na escala de salário-base. Interstícios. porquanto o período em que o segurado contribuiu na classe de onde regrediu é considerado para fins de progressão. 2001 .04. 111-405. O exercício do direito de regressão não impede o avanço à classe superior. a partir de 04.99) Assim. somente após cumprir o respectivo interstício. A interrupção das contribuições sobre a escala de salário-base não afeta o direito de progressão do segurado. Os juros de mora são devidos a contar da citação. Comprovação. Portanto. Tendo o Instituto Previdenciário demonstrado a aplicação do índice de 28. Apelação improvida. considerando-se os recolhimentos feitos pelo Autor no período anterior ao PBC e tendo o INSS enquadrado os mesmos. e de 04. o contribuinte não dispõe de autonomia de vontade para reenquadrar-se em função do tempo de filiação.03.99) “Previdenciário. Reajuste do benefício de maio de 1993. Revisão de benefício. 1. 2. DJ 14.91 até 03. sendo correto o procedimento do INSS que suprimiu o excedente ao limite legal dos salários-de-contribuição.04. inca- 282 R.” (AC nº 96. A propósito do tema colho a jurisprudência desta Casa: “Previdenciário. n. não há como acolher a sua irresignação. Juiz Nylson Paim de Abreu. Escala do salário-base. Trib. a. 4. p. já que o segurado não poderia. Fed. 2. DJ 31. contribuinte em dobro que era então. deve ser mantida a sentença que condenou a Autarquia a reenquadrar as contribuições.44282-1-PR.28653-8-PR. O segurado somente pode evoluir na escala do salário-base. Mudança de classe. 3. se não houve a perda da qualidade de segurado.” (AC nº 97. como se viu da disposição legal supracitada. 40. já que o salário declarado não podia ser elevado. PBC. respectivamente (art. para o reajuste dos benefícios com DIB em abril daquele ano. 4ª Reg. já que cumpridos os interstícios legais.25%. 2. 12. Rel. Juiz Carlos Sobrinho. de 12. ter elevado o salário declarado).94 na classe 5. em 03.04. 1.92 a 02.91. Porto Alegre. Reg. suprimindo uma das respectivas classes. Rel. posicionando-o na classe que haveria de observar para o recolhimento das contribuições previdenciárias. devendo respeitar os interstícios legais e a progressão prevista. as contribuições recolhidas como “dobrista” servem para completar o interstício legal. 12 e 24 meses.212/91). em maio de 1993. Se o segurado não obedeceu à escala do salário-base. ainda que não sirvam para alçar as contribuições a uma classe superior no período anterior à disciplina da Lei de Custeio. mudando de uma classe para outra superior. na classe 3 (adequadamente.92 na classe 4.

Dilação probatória. Sendo o apelado segurado autônomo. 3.98) Assim. Trib. REMESSA EX OFFICIO EM MS Nº 1998.07837-0-SC.01. Rel. 1. Necessidade de respeito aos interstícios para progressão de classes salariais.98) “Previdenciário.04. Rel. devendo respeitar os interstícios para progresso nas classes salariais. Recolhimento de contribuições previdenciárias. Cômputo de tempo de serviço.bível o inconformismo do requerente. R. p. para fins de fixação da renda mensal inicial.09. Juiz Nylson Paim de Abreu. Apelo do INSS improvido. sob pena de não ver adotados. Indenização. a. Correta fixação da renda mensal inicial feita pelo INSS. Juíza Cláudia Cristofani. DJ 27. 111-405. está obrigado a contribuir segundo a escala de salário-base.” (AC nº 95. Controvérsia sobre a natureza do vínculo laboral. 2. Segurado autônomo. 12. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon Parte-Autora: Maristela Benvegnu Advogados: Drs.40556-6-RS. tendo o INSS corretamente enquadrado os salários-de-contribuição na classe 5. Sr.076047-0/RS Relator: O Exmo. Jaime Antonio Bridi e outro Parte-Ré: Chefe do Posto Especial do Seguro Social do INSS/Passo Fundo Remetente: Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Passo Fundo/RS EMENTA Previdenciário.” (AC nº 94. Apelação improvida. autônomo ou equiparado. 4ª Reg. Porto Alegre. 40. 3. tenho por bem negar provimento ao apelo e à remessa oficial. até o final do período básico de cálculo. convocada. É o voto. Decadência. 2001 283 . DJ 16. sujeito à escala de salário-base.05. Reg. Empresário. Extinção sem julgamento do mérito.04. Caso em que o segurado saltou da classe 5 para a classe 6. sem cumprir o interstício mínimo. n.04. os salários-de-contribuição sobre os quais efetivamente contribuiu. Fed.

todavia. a Previdência exige a comprovação da contribuição. 40. porque não se há de fazer incidir juros e multa sobre um principal já extinto. nem mesmo existindo uma obrigação sobre a qual possa se contemplar extinção do direito de exigir. Porto Alegre. A legislação previdenciária em vigor oportunizou o aproveitamento do tempo de serviço e estes segurados. não pode exigir a prestação conexa oriunda da relação jurídica de previdência social. 4ª Reg. Fed. Ao segurado é que lhe foi propiciado.1. pois a lei criou a faculdade de recolhimento a posteriori (malnominada como “indenização”). com os consectários legais até quando ocorrida a decadência. 4. Os descontos das contribuições previdenciárias dos empregados presumem-se feitos oportuna e regularmente pela empresa. igual presunção não se estende aos segurados obrigados ao recolhimento por iniciativa própria. para fins de obtenção de benefício. ante a inadequação da via processual eleita. n. Uma vez que a controvérsia demanda dilação probatória. A principal questão ventilada na inicial diz respeito à natureza do vínculo laboral da parte impetrante. A decadência do direito de a autarquia cobrar as contribuições previdenciárias tem como contraponto a impossibilidade de o segurado computar o período de vinculação à Previdência para efeito de benefício previdenciário. mediante a comprovação do exercício da atividade e a satisfação das contribuições previdenciárias pertinentes. autônomo ou equiparado não cumprir a obrigação de pagar a contribuição. Reg. 2. sem julgamento do mérito. ACÓRDÃO 284 R. Não há falar em decadência do direito de exigir a satisfação de valores para contabilização do tempo de serviço das indigitadas categorias. para certas categorias. impõe-se a extinção do processo. A contribuição previdenciária deve ser cobrada em valor correspondente à época do fato gerador. 5. p. após tal ocasião. estas categorias de segurados devem fazer prova das respectivas contribuições. para que o segurado tenha o direito à prestação correspondente. 12. 3. como favor legal. 2001 . somente pode incidir a correção monetária. Se o empresário. inexistindo prova preconstituída da relação empregatícia. Trib. a. A relação jurídica de custeio é conexa à relação jurídica de previdência social. 111-405. um recolhimento de contribuições atrasadas e não-exigíveis. Para a contabilização do tempo de serviço.

cobrança e serviços de estafeta. para o efeito de determinar ao impetrado que tome as providências necessárias a fim de expedir a certidão de tempo de serviço em nome da impetrante. apesar de reconhecer o tempo de serviço. Prestadas as informações (fls. de ofício. quando. 41/47). vieram os autos a esta Corte por força de remessa oficial. ainda. RELATÓRIO O Exmo. está exigindo o recolhimento de contribuições como autônoma. por unanimidade. Porto Alegre. manifestando-se o Ministério Público Federal. Sr. nos termos do relatório. a. independentemente do recolhimento das contribuições previdenciárias relativas ao período (fls. para que seja expedida a certidão de tempo de serviço relativa ao período de 01. 36/39). referente ao período de 20. no Município de São Domingos do Sul.12. Relator. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon. desempenhando tarefas de escrituração.Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 40.75. 12. datilografia.75. n. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. VOTO O Exmo. requerida foi aposentadoria R. sobreveio sentença que concedeu a segurança.71 a 30.71 a 31. 05 de dezembro de 2000. na realidade. comprovada mediante laudo de exame documentoscópico-grafotécnico. que o valor exigido não corresponde ao salário percebido à época.10. decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. que correspondia a um salário mínimo mensal. Trib.10. Fed. julgar o processo extinto. sem julgamento do mérito. Sem recurso voluntário. 2001 285 . Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: Maristela Benvegnu impetrou mandado de segurança contra ato do Chefe do Posto do INSS. Reg. Afirmou. É o relatório. Sr. desempenhou a atividade como empregada. 111-405. Porto Alegre. Argumentou que a autarquia. além de haver-se consumado a decadência do crédito tributário.12. p. em que trabalhou como empregada em escritório de contabilidade. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: Segundo as informações prestadas pela autoridade impetrada. prejudicada a remessa oficial. 33/34) e emitido parecer pelo Ministério Público (fls. 4ª Reg.

solicitando a realização de justificação administrativa. a serem cobradas e aplicadas pelas entidades paraestatais. no entanto. pessoal. a. Trib.12. pois não se trata de recomposição de dano. J. o problema crucial das contribuições ou taxas parafiscais. O MM. é “reparação de um dano causado ao patrimônio de alguém. Rio de Janeiro. ante a ausência de elementos de prova que configurassem o vínculo empregatício. Já de princípio. de José Náufel (Ícone Editora. foi mantido o indeferimento do benefício. resultante de um ato ou um fato. Motta Maia (in Novo Sistema Tributário Nacional. Indenização. Fed. de reposição de prejuízo. n. porquanto a exigência foi atingida pela decadência. p. A segurada interpôs recurso à Junta de Recursos da Previdência Social. termo oriundo do Latim.71 a 30. Já nos idos de 1969. forjada no intuito de mascarar a índole de tributo. p. mediante a apresentação de laudo de exame documentoscópico de lançamentos realizados por ela em livros fiscais. 40. Correta a sentença no que tange à natureza tributária da figura em exame. A autarquia entendeu comprovada a atividade da segurada no período de 20. Reg. deixou ausente constituição do crédito tributário. Mabri. 2ª Edição. Porto Alegre. 2001 . sem deixarem de ser de natureza pública. aqui. que foi indeferida por falta de tempo de atividade suficiente. 111-405. 8ª Edição. AS TAXAS E CONTRIBUIÇÕES PARAFISCAIS — Surge. há que se afastar a denominação “indenização”. ou “reparação a que está obrigado todo aquele que comete um ato ilícito.10. aquelas que se destacam do corpo da administração direta para se constituírem em unidades autônomas que. doloso ou culposo”. tornando indevida a exigência do recolhimento da obrigação fiscal. 4ª Reg. indemnis (não-vulnerado. mais liberta 286 R.por tempo de serviço — e não simples certidão —. segundo o Novo Dicionário Jurídico Brasileiro. 12. ou de terceiro por quem legalmente se responde. 620). pois a impetrante não efetuou o recolhimento das contribuições pertinentes.75 na condição de prestadora de serviço autônoma. 106) prelecionava: “83. Entendeu que o ente responsável pelo lançamento do débito. postulando o cômputo do tempo de serviço como empregada do escritório de contabilidade de Evaldo Jacinto Benvegnu e Arnaldo Eloi Benvegnu. íntegro). se diferenciam da administração pública tradicional pela sua forma de ação. em não o promovendo na época própria.” A natureza tributária das contribuições previdenciárias vem sendo afirmada há longos anos. Juízo a quo acolheu a tese de ilegitimidade da cobrança de valores a título de contribuições previdenciárias. p.

e que na doutrina nacional ora são designadas por imposto. 12. com delegação para praticar atos que são peculiares ou privativos do Estado. serviços públicos específicos destacados em unidades autônomas de intervenção. sem que deixassem de ser contribuições ou taxas parafiscais. em que pese o fato de eles. V) já estavam previstas no Código Tributário. 2001 287 . nada mais. n. p. possam praticar certos atos que já não podem ser suportados pela máquina burocrática tradicional. aqui e em outros países. 4ª Reg. como o Imposto sindical. um meio termo entre o serviço público e a empresa privada. por sua atividade ou interesse. Reg. as entidades autônomas. sempre aludiram às taxas de natureza parafiscal. § 9º. se terem transformado. não simplesmente a forma. com o fito de que elas se realizem de forma mais flexível. Trib. 40. (Constituição de 1967. na denominação das contribuições parafiscais. 157. sem os espartilhos da burocracia tradicional. a fixar um conceito. taxa ou contribuições (Projeto de Lei nº 4. Argumenta-se. Questão de palavras. para não dizer uma espécie de pudor técnico. Com esse desprendimento do velho tronco da árvore do Estado. a. provoca a necessidade de serviço específico ou de despesa especial por parte da pessoa de direito público. que. Em outros países. taxas e até de impostos.834-A. com a percuciência que lhe é peculiar. 111-405. Sob a denominação de contribuições. As unidades autônomas são as entidades paraestatais. que se desprendem do corpo do Estado. Porto Alegre. que as contribuições parafiscais não estão contempladas no vigente sistema tributário e que por contribuição só deve ser entendida a de melhoria. vigoram várias contribuições parafiscais. que considera a taxa parafiscal como ‘tributo exigido do contribuinte que. mas a ele ficam vinculados para execução de tarefas básicas. na sistemática do direito público moderno. A delegação é para que elas. na discussão do antigo projeto de Código Tributário Nacional. porque se visa. o espírito dos entes autônomos. autônomas porque autárquicas. mesmo antes da permissão constitucional para fins de intervenção no domínio econômico. expressamente referida no Código Tributário (Código Tributário Nacional. assim se manifesta a respeito: R. não há esse escrúpulo infundado. Esse. de 1954). para não confundir com as taxas de conceito tradicional. Fed. Como temos afirmado. arts. que se evita denominar de taxas. ainda agora. Essa assertiva assenta em um preconceito que poderíamos dizer de categoria semântica. Esse receio não é partilhado por tratadistas eminentes como os srs. de utilidade ou necessidade públicas. onde se discute parafiscalidade. antes de tudo. art. dentre outros). Daí aquilo que Baleeiro assinala com muita propriedade. como uma delegação do Estado. há um certo casuísmo. regredindo em seus objetivos que eram de maior liberdade de movimentos. 5º e 81. os entes autônomos continuam a ser uma parte do Estado.das peias da burocracia tradicional.’” O mestre Geraldo Ataliba. muito menos do que dantes. As contribuições parafiscais. Aliomar Baleeiro e Rubens Gomes de Souza. e Rubens Gomes de Souza. uma parte destacada. de caráter fiscal. específicas. órgãos de vários graus ou grupos profissionais. ao prever a instituição de taxas a serem cobradas e aplicadas por serviços públicos autônomos ou serviço público prestado ao contribuinte.

a mentalidade primária que supõe — muito ingênua ou muito industriosamente — que a alegação do caráter parafiscal autoriza a desobediência aos cânones constitucionais limitatórios da tributação. A contribuição previdenciária é 288 R. Os tributos parafiscais. 51). escreveu. 153. que regulam a exigência coativa de prestações pecuniárias pelo estado. nem permite que se posterguem as exigências constitucionais que disciplinam e limitam a tributação. Porto Alegre. Em suma. relação de administração (Ruy Cirne Lima. ou a autoridade policial. 2ª parte). não discricionariedade administrativa etc. Geraldo Ataliba. receba o nomen iuris de contribuição ou outro qualquer e mesmo que venha acompanhada do miraculoso adjetivo parafiscal. n. em sendo facultativa. a. e uma taxa para o empregado. nem o administrador de obedecer à lei. ninguém se deixaria lograr por esse embuste e não haveria Juiz que não acudisse ao preso com a garantia do habeas corpus. Conforme o caso. importa ficar claro. saborosamente: ‘Não basta. p. Este regime se caracteriza pelos princípios da isonomia (art. fazer-se uso de nome falso. 12. enterrada inexoravelmente no passado. porque é essencial a compulsoriedade na índole de tributo. 153.” A mim não me empolga a tese de que.“A designação contribuição parafiscal não retira a um tributo seu caráter tributário. É imperioso deixarmos definitivamente para trás. É preciso deixar insistentemente sublinhado que a invocação do termo parafiscal não exime o legislador de obedecer à Constituição. ou contribuição. p. 154). para burlar a Constituição. São impostos. por exemplo. ‘toda obrigação pecuniária ex lege em benefício de pessoa pública ou com finalidades de utilidade pública’ é tributo e se submete ao chamado regime tributário: conjunto de princípios e normas constitucionais. O grande João Mangabeira. estudando o empréstimo compulsório — à época em que pouco debatido tinha sido o assunto — ao refutar os arautos da tese de que de tributo não se tratava. 111-405. ou taxa. A chamada contribuição previdenciária. As chamadas ‘contribuições’ cobradas como seu adicional são impostos. estabelecesse que se poderia ‘compulsoriamente’ convidar e levar alguém a repousar ou veranear num presídio. a mal-apelidada “indenização” refugiria ao Direito Tributário. 4º do CTN). estrita legalidade (art. como imposto é o tributo que tem o singularmente curioso nome de ‘salário-educação’. também. § 29. 40. Apontamentos de Direito Tributário. Porque a lei. 4ª Reg. com a tabuleta ‘clínica de repouso’ ou ‘estação balneária’. § 1º). conforme a consistência da sua hipótese de incidência. p. é um imposto para o empregador. podem revestir a natureza de imposto. obedecerão ao regime peculiar de cada qual. os “depósitos” (sic) a que se refere a lei do PIS. inequívoco e inquestionável que a circunstância de um tributo ser batizado de ‘contribuição parafiscal’ não implica necessariamente natureza específica de contribuição (art. Qualquer que seja o nome com que se batize. 2001 . Princípios. Obrigação tributária ex lege é tributo e deve obedecer ao regime tributário (v. Reg. Fed. Trib.

A decadência. talvez decorrente de devassa na contabilidade ensejada por perseguição política. Em desaparecendo o direito ele-mesmo. Assim. 4ª Reg. a Previdência exige a comprovação da contribuição para que o segurado tenha o direito à prestação correspondente. ao esvaziamento do texto legal. Quando a lei estabelece uma isenção ou imunidade. não causa o legislador dano qualquer ao contribuinte que lhe venha a retirar a paz imprescindível ao desenvolvimento normal de suas atividades. a qualquer momento. que o crédito não-levantado no prazo legal não mais pode ser exigido. excepcionalmente. Reg. inviabilizar-se-ia o benefício da contagem do tempo para obtenção de aposentadoria. Fed.obrigatória. um crédito coberto pela decadência passa a mera abstração. no rigor da técnica. 12. 2001 . p. e nem pode ser pago. in casu. Todavia. n. Porto Alegre. 111-405. igual presunção não se estende aos segurados obrigados ao recolhimento por iniciativa própria. Equivocado pretender-se que o contribuinte viesse a beneficiar-se apenas da parte da lei que lhe traz vantagem. o recolhimento de tributo caduco ensejaria restituição de indébito. 40. não se pode olvidar que a relação jurídica de custeio é conexa à relação jurídica de previdência social. em não sendo possível o recolhimento. a. O pressuposto fático de gênese do instituto. retira — e de modo bem mais absoluto — a obrigatoriedade da espécie tributária abonada. Se o pagamento serôdio é condição para a contagem do tempo. e nem por isso perde ela sua natureza de tributo. 289 R. empresta-se-lhe facultatividade. a meu sentir. Em certas situações. ter-se-á. conforme é consabido. Os descontos das contribuições previdenciárias dos empregados presumem-se feitos oportuna e regularmente pela empresa. impede que o legislador faça reviver a obrigação fiscal em sua compulsoriedade. em repristinando o crédito finado em termos opcionais. todavia. no âmbito do Direito Tributário. a um nada absoluto. deparar-se com responsabilidades tributárias desenterradas de passado remoto. O prazo de decadência houve sua origem na necessidade de preservar a tranqüilidade jurídica. essencial à vida em sociedade. extingue o próprio fundo de direito. Ainda que correta a linha de raciocínio adotada pela sentença recorrida. evitando que o contribuinte viva no sobressalto de. A questão que ora se põe — e que corresponde à pedra-de-toque da questão em exame — é se o legislador pode “ressuscitar” aquilo que a decadência fez desaparecer. Trib. A resposta negativa levaria.

não há falar em decadência. Apenas em relação ao quantum a ser pago pelo contribuinte é que me parece estar o comportamento da autarquia a merecer reparos. para fins de aproveitamento do tempo de serviço. estas categorias de segurados devem fazer prova das respectivas contribuições. É princípio de hermenêutica: Ad impossibilia nemo tenetur. Rediviva. oportunizou o aproveitamento do tempo de serviço do segurado empresário. Ao segurado é que lhe foi propiciado. sobre quem não tem ação nem potestade. 4ª Reg. em se tratando de um direito renascido. com idêntico fato gerador. Se o sujeito passivo dessa obrigação não a cumprir. Absurdo seria contar qualquer prazo. antes impedida em face da ausência das contribuições. pois não possuía a entidade previdenciária. em conseqüência. nem mesmo existe uma obrigação sobre a qual se possa contemplar extinção do direito de exigir. Para a contabilização do tempo de serviço. É impositivo. a obrigatoriedade de recolher as contribuições é do próprio segurado. o direito do segurado à contagem do tempo de serviço. autônomo ou equiparado. mediante a comprovação do exercício da atividade e a satisfação das contribuições previdenciárias pertinentes. Fed. direito potestativo a exercer. Destarte. na mesma medida. pois não lhes é dado beneficiarem-se da própria omissão. Porto Alegre. Conforme já fizemos ver acima. Ora. como favor legal. que o segurado. trata-se da contribuição previdenciária. autônomo ou a este equiparado. para fins de obtenção de benefício. Como a lei criou a faculdade de recolhimento a posteriori (malnominada como “indenização”). 111-405. n. a decadência do crédito tributário afeta. um recolhimento de contribuições atrasadas e não-exigíveis. A legislação previdenciária em vigor. indisfarçavelmente a mesma contribuição previdenciária. antes do novel diploma legal. Trib. então. 40. p. há 290 R. Reg. 12. e. a caducidade dos direitos inerentes a essa qualidade.Tratando-se de filiação obrigatória na condição de empresário. o que provocava a perda da qualidade de segurado. A medida resgata a possibilidade de contabilização do tempo de serviço de tais categorias. verta os valores reclamados pelo Instituto. A decadência do direito de a autarquia cobrar as contribuições previdenciárias tem como contraponto a impossibilidade do segurado computar o período de vinculação à Previdência para efeito de benefício previdenciário. todavia. 2001 . a. ainda que maldisfarçada com a alcunha de “indenização”. não pode exigir a prestação conexa oriunda da relação jurídica de previdência social.

p. Em se demonstrando que o afastamento da obrigação em razão da decadência não encontra respaldo jurídico. Porto Alegre. não serve como prova plena do contrato de trabalho. que nosso Direito repudia. Reg. que. Excesso de tributação é confisco. R. demanda dilação probatória. restando patente a ilegalidade do ato coator. 4ª Reg. qualificou-a como autônoma. porque não se há de fazer incidir juros e multa sobre um principal já extinto. normalmente. nada justifica que a Administração venha a cobrar mais do que o que devido pelo contribuinte. A impetrante limitou-se a acostar à inicial cópia do laudo de exame grafotécnico. a principal questão ventilada na inicial diz respeito à natureza do vínculo da parte impetrante ao escritório de contabilidade de Evaldo Jacinto Benvegnu e Arnaldo Eloi Benvegnu. 12. porque ausente prova preconstituída da relação empregatícia. no caso vertente. ao passo que a autarquia. VI. Somente a prova testemunhal poderia complementar e elucidar a efetiva natureza do vínculo. No entanto. incide a correção monetária. apresenta-se incompatível a necessária complementação probatória com a via estreita do mandado de segurança. até a época em que ocorrida a decadência. Assim. embora constitua razoável início de prova material do exercício de atividade laboral.de voltar a habitar entre nós tal qual existia. as vias ordinárias. 2001 291 . sem julgamento do mérito. 111-405. 40. Fed. Ficam ressalvadas à autora. fornecendo dados concretos sobre os elementos essenciais da relação de emprego. o crédito tributário. 267. Trib. como subordinação. deve-se apurar. remuneração e não-eventualidade. Ante o exposto. com fulcro no art. todavia. com os consectários legais pertinentes. Se evidenciada a relação empregatícia. do CPC. a partir do fato gerador. Aduz a parte que trabalhou como empregada. A controvérsia. após o processamento de justificação administrativa. voto no sentido de dar provimento à remessa oficial para julgar o processo extinto. Depois. a. obviamente não poderia ser exigida da impetrante a comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias. n.

2. ACÓRDÃO Vistos. Sra. Trib. decide a Turma Especial do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. deve retroagir à data em que devidos.12. 4ª Reg. 2001 . A correção monetária em ações de natureza previdenciária. Sistemática de reajustes. Concessão. 6. as custas processuais devem ser suportadas por metade pelo Instituto Previdenciário. dar parcial provimento à apelação e à remessa 292 R. 5.INSS Advogada: Dra. Fed. n. 1. Porto Alegre. Companheira de ex-combatente. Não questionada a condição de companheira. 3º. ante a existência de permissivo legal específico (Lei 4.97. Antonio Carlos da Cunha e outros EMENTA Previdenciário. 33 da Lei Complementar nº 156. Pensão. embora pelo índices da Lei n° 6. Edma Silveira Coelho Apelada: Margarida Arao Advogados: Drs. a renda mensal inicial da pensão e os reajustes subseqüentes devem ser calculados conforme a Lei nº 4. relatados e discutidos estes autos entre as partes acima indicadas.297/63 até o advento daquele dispositivo legal. face ao caráter alimentar dos proventos.698/71. alínea d) e a equiparação dos integrantes da Marinha Mercante Nacional aos ex-combatentes de que trata a Lei 288/48. 111-405. Juíza Virgínia Scheibe Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social . Reg. Tendo o óbito ocorrido antes da vigência da Lei nº 5. por unanimidade. 40. 3. p. de 23. 12. A teor do parágrafo único do art.297/63.092124-5/SC Relatora: A Exma. a partir do qual cabível os reajustamentos conforme o regime geral da Previdência Social.899/81.04. na redação dada pela LC nº 161/97. Remessa oficial tida por interposta. art. 4. de ser mantida a concessão de pensão por morte de ex-combatente à companheira.APELAÇÃO CÍVEL Nº 1998. Afastada preliminar de nulidade da sentença.01. a. a dependência econômica é presumida.

Decreto 48. a partir da vigência da Lei 9.oficial. 12. tendo em vista a Autora ter requerido na inicial que o INSS fosse condenado “a pagar todas as prestações vencidas desde o qüinqüênio que precede a data da súplica administrativa. condenou-o a conceder em favor da Autora pensão por morte do companheiro (óbito em 30. 111-405. 140). Trib. 5). 25 de janeiro de 2001. não se aplica ao caso concreto a Lei 4. Sustenta que. em ação previdenciária. a nulidade da sentença. preliminarmente. Porto Alegre. p. respeitada a prescrição qüinqüenal. no valor correspondente a 70% dos proventos que são pagos aos segurados ocupantes do cargo de foguista da Marinha Mercante Nacional. 2001 293 .032/95. a teor do Regulamento Geral da Previdência Social à época da aposentadoria e falecimento do segurado. específica para ex-combatentes. por entendê-la extra petita. Relatora. Reg. a. salvo no caso de pessoa R. Aduz ainda que. a companheira não detinha a condição de dependente. por força das Leis 1. enquanto que o Julgador Singular decidiu que “Não se aplicam os percentuais majorantes previstos na Lei 8. Fed. razão pela qual não lhe é devida pensão. a qual não contemplava à companheira direito à pensão. 4ª Reg.297/63. com termo inicial à data do óbito.698/71. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. e a razão de 100%. 4. Condenou ainda a Autarquia ao pagamento das prestações vencidas atualizadas monetariamente desde a origem. Porto Alegre. decisão nos termos do relatório. bem como juros legais de 6% ao ano a contar da citação. com manutenção desses parâmetros. sob pena de ofensa ao ato jurídico perfeito.65).756/52. n. no percentual de 80% (70% cota básica + 10% dependente) a partir da Lei 8.” (fl.807/60). que deu nova redação ao artigo 75 da Lei de Benefícios da Previdência Social” (fl. 75) e na Lei nº 9.959/A/60 e da LOPS ) Lei 3. que era ex-combatente.03. Argúi a Autarquia Previdenciária.297/63 e 5.032/95. 40. custas processuais e honorários advocatícios de 10% sobre o valor da condenação. Sra.213/91. Juíza Virgínia Scheibe. devendo o segurado morto enquadrar-se na legislação previdenciária ordinária. Juíza Virgínia Scheibe: Trata-se de apelo do INSS contra sentença de procedência que. por ter sido foguista.213/91 (art. RELATÓRIO A Exma.

que o MM. o que não é o caso.designada.01. 2001 .899/81. in casu. conforme bem salientou o MM. 111-405. mas.98. requer que a correção monetária das parcelas vencidas seja contada desde o ajuizamento da ação. Julgador Singular. Preliminarmente. haja vista que. Sem razão. de 17. Trib. tendo sido a sentença proferida em 22. não havendo falar em julgamento fora do pedido. Juíza Virgínia Scheibe: O recurso é tempestivo (fl. Da mesma forma. Julgador Singular não poderia determinar a manutenção do benefício por regras outras que não as da política geral de reajustamento dos benefícios da Previdência Social. 4ª Reg. centrando-se a argumentação da Ré na alegada falta de previsão legal para a concessão postulada. pois somente possível na hipótese de inexistência de outros dependentes e. Porto Alegre. Com contra-razões e parecer do douto Ministério Público Estadual pelo improvimento do apelo. n. os dispositivos legais aplicáveis à espécie. embora consignando no dispositivo 294 R. o de cujus tinha três filhos com a Autora. 144). p. ainda. É que o pleito vestibular é de concessão de pensão e isto foi deferido no julgado singular. tenho por interposta a remessa oficial. Dispensada a revisão. É o relatório. poste-riormente. E isso porque o julgado. A matéria é apenas de direito. o qual não logrou êxito. nos termos da Lei 6. no entanto. 40. os quais foram contemplados com pensão. Sustenta a Ré que a sentença é nula por extra petita. Reg.97. vieram os autos a esta Egrégia Corte. à edição da Medida Provisória nº 1.06. Alega. sim. a qual determinou fosse aplicado às autarquias o disposto no caput e inciso II do art. haja vista decidir diferentemente do pedido no que tange aos percentuais do benefício. Fed. portanto. conforme facilmente se depreende da leitura da contestação. a. Ainda que assim não fosse. a mesma também não é questionada. 475 do CPC.561-1. Por fim. VOTO A Exma. 12. tendo em vista a condição de foguista da Marinha Mercante Nacional por parte do de cujus. a condição de companheira não é questionada pela Autarquia e é até admitida. A preliminar levantada pela Autarquia não merece prosperar. no que tange à condição de ex-combatente. Sra. deveria comprovar dependência econômica em relação ao falecido segurado.

a procedência da ação, na verdade julgou parcialmente procedente o
pedido, pois não atendeu à postulação da Autora (inicial, fl. 5, item b)
no sentido de aplicar ao benefício concedido a regra insculpida em legislação posterior (Leis 8.213/91 e 9.032/95) àquela vigente por ocasião
do óbito do de cujus, no que tange ao percentual da pensão em relação
ao benefício originário.
No mérito, a questão resume-se à legislação aplicável à espécie.
Sustenta a Autarquia que a Lei 4.297/63, invocada pela Autora na inicial para sustentar sua pretensão ao pensionamento, não se aplica ao caso
concreto, eis que específica para ex-combatentes, devendo os benefícios
rela-cionados ao de cujus serem regidos pela legislação previdenciária
comum, pois era foguista e teve sua aposentadoria concedida com fulcro
na Lei 1.756/52, que apenas estendeu ao pessoal da Marinha Mercante
Nacional as vantagens da Lei 288/48, mas somente isto, sem repercussão
no direito à pensão, não previsto na legislação especial.
Ora, não vinga a tese, que pretende suprimir a contrario sensu o
efetivo alcance da legislação em comento. Na verdade, a Lei 1.756/52,
ao estender ao pessoal da Marinha Mercante Nacional os direitos e vantagens da Lei 288/48 os equiparou, para fins de concessão de benefício,
aos ex-combatentes, sendo certo que, a partir de então, as aposentadorias
concedidas com fulcro naquele dispositivo legal são todas, indistintamente, aposentadorias de ex-combatente. Não mais importa a origem
do beneficiário, importa que a intenção do legislador foi estabelecer a
equiparação entre eles e, uma vez estabelecida, os benefícios passaram
a ter a mesma natureza, gerando os mesmos direitos, entre os quais o
de pensão.
Assim sendo, quando editada a Lei 4.297/63, que dispõe sobre a aposentadoria e pensões de Institutos ou Caixas de Aposentadoria e Pensões
para ex-combatentes e seus dependentes, encontrou, no universo de seus
destinatários, tanto o ex-combatente tipificado como tal na Lei 288/48
como aqueles a eles equiparados para os fins da Lei 1.756/52. Uma vez
que a concessão da aposentadoria ao de cujus deu-se sob a égide desta
última norma legal, é certo que a natureza do benefício, como acima
dito, é de ex-combatente e, por via de conseqüência, alcançada pelos
efeitos decorrentes da Lei 4.297/63, que, em seu art. 3º, assim dispunha:
R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 111-405, 2001

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“Art. 3º Se falecer o ex-combatente segurado de Instituto de Aposentadoria e
Pensões ou Caixa de Aposentadoria e Pensões, aposentado ou não, será concedida, ao
conjunto de seus dependentes, pensão mensal, reversível, de valor total igual a 70%
(setenta por cento) do salário integral realmente percebido pelo segurado e na seguinte
ordem de preferência:
a) metade à viúva e a outra metade, repartidamente, aos filhos de qualquer condição, se varões — enquanto menores não emancipados, interditados ou inválidos — se
mulheres, enquanto solteiras, incluindo-se o filho póstumo;
b) não deixando viúva, terão direito à pensão integral os filhos mencionados na
letra a deste artigo;
c) se não houver filhos caberá a pensão integral à viúva;
d) à companheira, desde que com o segurado tenha convivido maritalmente por
prazo não inferior a 5 anos e até a data de seu óbito; (grifei)
(...) omissis”

Tem-se, pois, que para o caso específico da Autora a legislação aplicável não é a regra geral dos benefícios previdenciários, constante da
LOPS (Lei 3807/60) e do então Regulamento da Previdência, Decreto
48.959/A/60, mas a indigitada legislação especial, Lei 4.297/63, vigente
à data do óbito (30.03.65), devendo-se aplicar a legislação ordinária
previdenciária apenas subsidiariamente.
Como já antes dito, a condição de companheira não foi questionada
pela Autarquia Previdenciária, inclusive foi admitida, tanto administrativamente (doc. fl. 27, p. ex.), como judicialmente (contestação, fls.
87/91), tornando desnecessária a análise da prova testemunhal produzida
em audiência (fls. 71/75), anteriormente à citação do INSS, com vista
ao convencimento do MM. Juízo a quo para os fins da antecipação de
tutela postulada e deferida a fls. 77/80, a qual, aliás, sofreu ataque pela
via do agravo de instrumento nº 96.04.67595-8/SC, ao qual foi negado
provimento por esta Egrégia 5ª Turma em 07.05.98.
Em tal contexto, tenho que não merece trânsito a alegação recursal
de que a dependência econômica não restou demonstrada. Ora, a jurisprudência pátria e também a legislação previdenciária têm consagrado
o entendimento de que, comprovada a convivência more uxorio com
aparência de casamento, a dependência econômica é presumida. No caso
dos autos, vale referir que a dependência econômica resta configurada
também pela natural detenção e fruição dos valores do pensionamento,
por parte da recorrida, enquanto administradora dos bens dos filhos menores, os quais desde o óbito do segurado passaram a receber tal benefício,
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R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 111-405, 2001

justificando sua acomodação ante a negativa da Administração, por tão
longo período de tempo. Alcançando os filhos a maioridade e cessadas
as cotas respectivas de pensionamento, passou a companheira a manter-se por seus próprios meios ou a ser sustentada pelos filhos ou, ainda,
a viver de caridade alheia, situação que mais ainda põe em evidência
a alegada dependência econômica em relação ao de cujus, com o qual,
aliás, conviveu mais de sete anos e até sua morte.
Quanto à preservação do valor do benefício, concedido à razão de
70% dos proventos do segurado, a teor do art. 3º, caput, da Lei 4.297/63,
tenho que mereça parcial reforma a sentença, pois determinou que o valor assim obtido fosse mantido com observância do seguinte parâmetro:
sempre no valor correspondente a 70% dos proventos que são pagos aos
segurados ocupantes do cargo de foguista da Marinha Mercante Nacional,
a teor da Lei 4.297/63. Embora o MM. Julgador não tenha feito menção
específica ao dispositivo legal assegurador de tal sistemática, a mesma
é encontrada no art. 5º da referida lei, que assim dispunha:
“Art. 5º O valor total das pensões será reajustado a 70% do salário integral que
perceberia o segurado, na base dos salários atuais e futuros, da mesma forma que o
disposto no art. 2º.”

Por sua vez, o art. 2º supra-referido rezava:
“Art. 2º O ex-combatente, aposentado de Instituto de Aposentadoria e Pensões ou
Caixa de Aposentadoria e Pensões, terá seus proventos reajustados ao salário integral,
na base dos salários atuais e futuros, de idêntico cargo, classe, função ou categoria da
atividade a que pertencia ou na impossibilidade dessa atualização na base dos aumentos
que seu salário integral teria, se permanecesse em atividade em conseqüência de todos
os dissídios coletivos ou acordos entre empregados e empregadores posteriores à sua
aposentadoria. Tal reajuste também se dará todas as vezes que ocorrerem aumentos
salariais, conseqüentes a dissídios coletivos ou a acordos entre empregados e empregadores, que puderem beneficiar ao segurado se em atividade.”

Tal diploma legal, porém, veio a ser revogado pela Lei nº 5.698, de
31.08.71, segundo a qual “o ex-combatente segurado da previdência
social e seus dependentes terão direito às prestações previdenciárias
concedidas, mantidas e reajustadas de conformidade com o regime geral
da legislação orgânica da previdência social”. Não resguardou, pois, o
direito ao reajustamento pelo salário dos trabalhadores da ativa, devendo
o benefício da Autora, a partir da vigência dessa lei, seguir a política de
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reajustes do regime geral da previdência social.
Em tal sentido, lembro o precedente desta Corte, assim ementado:
“Previdenciário. Aposentadoria. Ex-combatente. Revisão. Renda mensal inicial.
Leis 4.297/63 e 5.698/71. Proventos integrais. Limitação em 10 salários mínimos.
Sistemática de reajustes.
1. A Lei nº 4.297/63, que previa aposentadoria com estipêndios iguais aos da
atividade, foi expressamente revogada pela Lei nº 5.698/71, que alterou a sistemática
de reajustamento dos proventos de ex-combatentes, estabelecendo, inclusive, que não
seriam abrangidos pela revisão os valores excedentes a 10 salários mínimos mensais.
A lei nova revelou, contudo, cautela em preservar os direitos adquiridos, aos que
houvessem completado os requisitos para aposentadoria de acordo com o regime da
legislação anterior, mais generoso que o previsto na Constituição de 1967.
2. Reconhecimento de direito adquirido à concessão do benefício pela Lei nº
4.297/63, mas não ao regime de reajustes.” (AC nº 94.04.50218-9-RS, Rel. Juíza Maria
Lúcia Luz Leiria, DJ 27.04.00)

Quanto ao termo inicial de fluência da correção monetária, nada há
que ser revisto, eis que correta a atualização dos proventos desde a época
em que devidos, face ao seu caráter alimentar.
No tocante às custas processuais, no âmbito da remessa oficial, entendo
mereça parcial reforma a sentença, porquanto, a teor do que preceitua a
Lei Complementar nº 156/97, do Estado de Santa Catarina, em seu art.
33, parágrafo único, na redação dada pela Lei Complementar nº 161/97,
a Autarquia deve arcar com as custas por metade.
Ante o exposto, dou parcial provimento ao apelo e à remessa oficial
para julgar parcialmente procedente a ação, reduzindo a condenação no
que tange à forma de reajuste do benefício e para que as custas processuais sejam pagas por metade. Havendo sucumbência recíproca, mas
não equivalente, a verba honorária fixada na sentença deverá ser rateada
entre as partes, à razão de 80% pelo INSS e 20% pela Autora, suspensa
a exigibilidade quanto a esta tendo em vista litigar ao amparo da Assistência Judiciária Gratuita.
É o voto.

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 1999.04.01.093644-7/RS
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Relator: O Exmo. Sr. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon
Agravantes: Johara Assad Ali Abdel Rahman e outros
Advogados: Drs. Mauri Jose Griebler e outro
Agravados: Adelaide Ferreira Pinto e outro
Advogado: Dr. Valter Sanzo Medeiros
Interessado: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Advogada: Dra. Nara Rodrigues Gaubert
EMENTA
Previdenciário. Pensão por morte. Esposa e filhos estrangeiros. Dependência econômica. Habilitação sem a participação de companheira
pensionista. Vulneração aos princípios do contraditório e da ampla
defesa.
1. Se a esposa e os filhos residiam no estrangeiro, longe do falecido
segurado, há necessidade de prova da dependência econômica, que em tal
caso não se presume, à semelhança com a situação do cônjuge ausente,
na separação de fato, regulada pelo § 1º do art. 76 da Lei 8.213/91.
2. Em simetria com o processo judicial, a companheira pensionista,
na medida em que terá sua esfera jurídica atingida, deve participar do
processo administrativo de habilitação de outros dependentes, sob pena
de vulnerados os princípios do contraditório e da ampla defesa (CF, art.
5º, LX).
ACÓRDÃO
Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas, decide
a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, por unanimidade, negar provimento ao agravo de instrumento, nos termos do
relatório, voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante
do presente julgado.
Porto Alegre, 20 de fevereiro de 2001.
Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon, Relator.
RELATÓRIO
O Exmo. Sr. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: Trata-se de agravo de
instrumento manejado em face de decisão que antecipou a tutela, determinando fosse destinado à agravada 50% do valor da pensão originada
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do falecimento de Assad Ali El Abed Abder Rahman.
Sustenta a parte agravante que, consoante a legislação de regência,
aquele benefício deve ser dividido em partes iguais entre os dependentes
habilitados; alega que a beneficiária da medida de urgência não sofre
risco de dano irreparável; aduz, ainda, que somente seria exigível o contraditório, nos termos em que entendeu o D. Juízo a quo, na hipótese
de pedido de revisão do benefício ou de exclusão da companheira que
já percebia os proventos previdenciários.
Foi indeferido o pedido de efeito suspensivo (fls. 150/151).
A parte agravada respondeu (fls. 156/162).
É o relatório.
VOTO
O Exmo. Sr. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: O falecido segurado,
nascido em Jerusalém, mas de origem árabe-jordaniana, constituiu duas
famílias, uma na Jordânia e outra no Brasil; casou em 1977 com Johara
Assad Ali Abdel Rahman, com quem teve nove filhos, sendo um brasileiro; manteve, pari passu, um relacionamento duradouro com Adelaide
Ferreira Pinto desde, pelo menos, 1978, tendo filhos também com ela;
residiu na avenida Silva Paes, nº 392, na cidade de Rio Grande/RS;
quando morreu, em 24.02.96, morava na Filadélfia, Pensilvânia, EUA.
Há vários aspectos que precisarão ser elucidados na ação ordinária;
o principal é o da existência de dependência econômica dos agravados,
relativamente ao de cujus. Será que este provia o sustento daqueles à
distância? Só a dilação probatória propiciará a resposta, na medida em
que não pode incidir a presunção relativa contida no § 4º do art. 16 da
Lei 8.213/91. A situação em foco guarda enorme semelhança com a
prevista no § 1º do art. 76, também da Lei de Benefícios, cuja redação
é a seguinte:
“§ 1º O cônjuge ausente não exclui do direito à pensão por morte o companheiro
ou a companheira, que somente fará jus ao benefício a partir da data de sua habilitação
e mediante prova da dependência econômica.” (grifei)

Cumpre esclarecer que a expressão “cônjuge ausente” não foi utilizada
na mesma acepção do art. 463 do CC, mas para designar o separado de
fato. Aliás, “o conceito de cônjuge, para efeito previdenciário, como
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acontece no Direito Penal, não é o enunciado pelo Direito Civil. Não
interessa apenas o vínculo matrimonial. Finalisticamente, reclama convivência, de modo a participar (ativa e passivamente) do patrimônio. Só
isso justifica uma pessoa ser beneficiária.” (REsp nº 167.303/RS, rel.
Min. Luiz Vicente Cernicchiaro, DJ de 13.10.98).
De fato, os agravantes (esposa e filhos em comum) viviam separados
do extinto segurado por uma longa distância, justificando-se plenamente
a dúvida sobre se dele recebiam ajuda econômica, questão que não foi
resolvida adequadamente na esfera administrativa.
Mercê das peculiaridades que rodeiam o caso, impunha-se a realização
de um processo administrativo, do qual não poderia ficar de fora a agravada, cujo interesse é evidente, pois a habilitação de outros dependentes
atingirá sua esfera jurídica, traduzindo-se na redução dos proventos.
Em juízo, tal circunstância impõe, nos termos do art. 47 do CPC, a
formação de litisconsórcio passivo necessário entre o Instituto Previdenciário e os dependentes já habilitados à pensão.
Registra a jurisprudência a respeito:
“PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. PENSÃO POR MORTE DO ESPOSO.
COMPANHEIRA. FILHOS. LITISCONSÓRCIO NECESSÁRIO.
Se o segurado falecido, além da esposa, deixou companheira e filho menor, estes
devem ser citados na qualidade de litisconsortes necessários. (AC nº 1998.04.01.0572706/RS — 6ª Turma — Relator Juiz Carlos Sobrinho — DJ em 10.02.99).”
“PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO CIVIL. PENSÃO POR MORTE POSTULADA POR COMPANHEIRA. EX-ESPOSA NÃO CITADA COMO LITISCONSORTE
PASSIVO.
Em causa de que trata sobre pensão por morte, postulada por pessoa que se diz ex-companheira do de cujus, necessário se faz a citação da ex-esposa do segurado como
litisconsorte passivo necessário se esta aufere o benefício.
Processo que se anula a partir da sentença para que a autora promova a citação da
litisconsorte, prejudicado o exame dos apelos das partes. (AC nº 97.04.02526-2/RS —
6ª Turma — Relator João Surreaux Chagas — DJ em 02.07.97).”

Simetricamente, pois, na instância administrativa, a relação não
poderia ser estabelecida com bipolaridade, como o foi, resultando sério
malferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa, consagrados no art. 5º, LV, da Lei Maior.
Agregada à questão - nos moldes de início traçados - da ausência de
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prova da dependência econômica, tem-se que a desobediência ao devido processo legal vulnerou os direitos constitucionais da Autora, ora
agravada, viciando o desfecho do processo administrativo, atestando a
presença da verossimilhança à pretensão deduzida.
Revestindo-se de caráter marcadamente alimentar os proventos previdenciários suprimidos pela decisão administrativa, inegável, então, o
fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação experimentado
pela autora.
Em vista do exposto, nego provimento ao agravo de instrumento.
É o voto.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999.04.01.097527-1/SC
Relator: O Exmo. Sr. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon
Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social - INSS
Advogada: Dra. Tania Regina Morastoni
Apelada: Maria Cecilia Oecksler
Advogado: Dr. Horst Wirth
EMENTA
Previdenciário. Processual Civil. Citação pelo correio. Ausência de
prejuízo. Rural. Aposentadoria por idade. Segurada especial. Trabalho
individual. Marido da área urbana. Desnecessidade da comprovação do
trabalho em regime de economia familiar. Lei nº 8.213/91.
1. Não há razão para a decretação da nulidade da citação do INSS
porque efetuada pelo Correio, uma vez que a carta de citação foi corretamente endereçada à Procuradora Autárquica do Instituto, não tendo
causado qualquer defeito na relação processual, que se constituiu e desenvolveu válida e regularmente, nem qualquer prejuízo à defesa, uma
vez que a autarquia apresentou contestação no prazo legal, impugnando,
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Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon. a. RELATÓRIO O Exmo. 5. 11 da Lei de Benefícios elenca como segurado especial o produtor rural que exerça suas atividades tanto individualmente como em regime de economia familiar. sem qualquer vínculo com os demais membros da família. 40. por unanimidade. uma vez que a legislação protecionista alcança todos aqueles indivíduos que. — não estão necessariamente sob regime de economia familiar. para que albergado na seguridade social. o mérito da ação. parceiros. observados os prazos de carência gradativa da tabela prevista no art. individualmente considerado. decide a Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 2001 303 . 142. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. auxiliando-o na labuta. ou com o auferimento de fontes outras de renda. O trabalhador rural. unicamente demonstrar o exercício da atividade rural. ele mesmo. Porto Alegre. 4ª Reg. na forma do relatório e votos constantes destes autos e que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 12. 4. Em relação a estes — e só em relação a estes — foram feitas restrições quanto à caracterização do regime. deve. Fed. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: Maria Cecilia Oecksler R. É nessas duas situações que os artigos 48 e 143 da LBPS prevêem a concessão de aposentadoria por idade. 19 de setembro de 2000. Porto Alegre. 2. posto que a circunstância de real participação na atividade laborativa do chefe da unidade familiar não coabita. n. 111-405. trabalhem fora do regime de economia familiar.inclusive. Trib. O inciso VII do art. Agravo retido e apelação improvidos e remessa oficial parcialmente provida. p. meeiros etc. Reg. com o exercício de atividades outras. dentro do que encontradiço no meio rural. como segurados especiais na condição de produtor rural. tal figura abrange aqueles membros da família que se agregam ao produtor rural. Relator. Os trabalhadores rurais sem vínculo empregatício — produtores. negar provimento ao agravo retido e ao apelo e dar parcial provimento à remessa oficial. 3. Sr.

98. 07/12). n. postulando. VOTO O Exmo. 222 do CPC. Juntou cópia do processo administrativo (fls. efetuado em 19. em 20. Com contra-razões (fls.03. 25/63). o INSS argüiu. p. 111-405. 2001 . decisão contra a qual o INSS interpôs agravo retido (fls. preliminarmente. O réu foi condenado ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor total atualizado das parcelas vencidas (Súmula 111 do STJ). aduziu que os documentos juntados não demonstram que a apelada tenha exercido atividade rural no período da carência. 12. Juntou documentos (fls. Sobreveio sentença (fls. subiram os autos a este Tribunal. 69/72 para que seja declarada nula a citação inicial. sobre as quais incidirá correção monetária desde o vencimento de cada parcela e juros de mora a partir da citação. 93/95). assim como seus filhos. No mérito. Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon: Inicialmente. 17/24). em ofensa ao art. foi afastada a preliminar de nulidade da citação (fl.03. preliminarmente.09.96). No mérito.96 e indeferido sob a alegação de que o marido e os cinco filhos da autora trabalham na área urbana. 81/86). o conhecimento e o provimento do agravo retido das fls. sendo que a prova testemunhal não pode suprir a ausência de prova material. 66). conhe304 R. Contestando a ação (fls. ação contra o INSS pretendendo a concessão de aposentadoria rural por idade a contar do requerimento administrativo. lastreando-se o pedido na prova testemunhal a ser produzida na instrução do feito. Em despacho saneador. Fed. 4ª Reg. É o relatório. À revisão. julgando procedente o pedido e condenando o INSS a conceder à autora o benefício da aposentadoria por idade. a contar da data do requerimento administrativo (19. Afirmou que o marido da apelada sempre trabalhou na área urbana. Trib. 40. A autarquia apelou (fls. pagando de uma só vez as prestações vencidas. Sr. foram ouvidas três testemunhas (fls. por ofensa ao disposto no art. 69/72). em 31. Porto Alegre.ajuizou.99. Reg. 87/91). a. aduziu não ter a autora comprovado o efetivo exercício de atividade rural nos 90 meses anteriores à data de entrada do requerimento administrativo.09. 74/76). Na instrução do feito. a nulidade da citação por ter sido efetuada pelo correio. 222 do CPC.

observados os prazos de carência gradativa da tabela prevista no art. mesmo quando o ato foi praticado em desconformidade com o modelo legal. verificar a natureza da norma jurídica violada. Também o art. sendo juntado aos autos o aviso de recebimento (AR) devidamente assinado. uma vez que entendo descabida a declaração de nulidade da citação. especialmente com o princípio da instrumentalidade das formas. Reg. passo à análise do mérito da ação. pois apresentou contestação no prazo legal. Trib. impugnando inclusive o mérito da ação. 12. O procedimento da autarquia não está em consonância com o que dispõe a lei previdenciária. A carta de citação foi corretamente endereçada à Procuradora Autárquica do Instituto. aferindo-o de acordo com os princípios informadores das nulidades processuais. negando-lhe provimento. 40. A autarquia não teve qualquer prejuízo à sua defesa.ço do agravo retido das fls. Não há como acolher a realização do ato citatório pelo correio como ausência de pressuposto processual de existência do processo. a. informações estas extraídas em pesquisa realizada por servidor do instituto junto aos vizinhos da apelada. É justamente em ambas as situações que previa . cuida-se de nulidade cuja decretação depende da iniciativa da parte que se considerar prejudicada. Da mesma forma. o Juiz deve investigar se a parte foi efetivamente prejudicada. Rejeitada a nulidade da citação. embora a citação não tenha obedecido aos preceitos legais. Importa. que criou uma hipótese R. 11 da Lei de Benefícios elenca como segurado especial o produtor rural que exerça suas atividades tanto individualmente como em regime de economia familiar. A autarquia-apelante indeferiu a aposentadoria por idade postulada pela autora sob a alegação de que o marido e os filhos da autora trabalham na área urbana. 2001 305 . No sistema adotado pelo Código de Processo Civil. as nulidades insanáveis são de caráter restrito e. 142. Fed. n. ao Juízo cabe valorar o prejuízo alegado. p. 4ª Reg.e ainda prevê . No caso vertente. Porto Alegre. Se o defeito ou irregularidade não se enquadrar na expressa previsão legal. O inc. em seus aspectos de cogência ou dispositividade e de tutela de interesse público ou individual. 111-405. ainda. 48 a concessão de aposentadoria por idade. 143. que se constituiu e se desenvolveu válida e regularmente. e que a demandante “não tem características de trabalhadora rural”. não causou qualquer defeito na relação processual.o art. 69/72. VII do art.

Fed. portanto. 4ª Reg. p. enquanto o cônjuge e os filhos trabalham na área urbana (fls. informou explorar a terra individualmente. 40. individualizadamente considerado. com o exercício de atividades outras. como segurados especiais na condição de produtor rural. 306 R.excepcional de aposentadoria rural por idade. filiação Kilian e Gertrudes Pitz. 11. É importante ressaltar que as pessoas que labutam nas lides rurais podem assim ser classificadas: empregadores. auxiliando-o na labuta. visto que a própria autora. tal figura abrange aqueles membros da família que se agregam ao produtor rural. Em relação a estes — e só em relação a estes — foram feitas restrições quanto à caracterização do regime. para que albergado na seguridade social. cujo relatório e conclusão transcrevo: “Estive junto aos vizinhos e residência da requerente Cecilia Oecksler 3R 2960520. 12. dada a peculiaridade de sua situação. trabalhem fora do regime de economia familiar. 111-405. posto que a circunstância de real participação na atividade laborativa do chefe da unidade familiar não coabita. Tem 8 cabeças de gado. a que possam ter sua situação tratada do ponto de vista individual. é que a legislação protecionista alcança todos aqueles indivíduos que. A contemplação do regime de economia familiar houve sua gênese na necessidade de abranger na proteção do seguro social aqueles familiares que. sem qualquer vínculo com os demais membros da família. na entrevista junto ao instituto. Os trabalhadores sem vínculo empregatício (produtores. ou com auferimento de fontes outras de renda. Nenhum óbice há. Porto Alegre. restariam fatalmente à margem. Reg. em posição secundária em relação ao trabalhador rural propriamente dito. dentro do que encontradiço no meio rural. Trib. unicamente demonstrar o exercício da atividade rural. a fim de verificar se exerce atividade rural. ele mesmo. faz alusão aos segurados especiais do antes referido inc. 2001 . A propriedade está localizada em área semi-urbanizada. na pesquisa realizada pelo Instituto. a. pois. VII do art.) não estão necessariamente sob regime de economia familiar. DN 240140. empregados e trabalhadores sem vínculo empregatício. ainda. A exegese única cabível. tais como esposa e filhos. pelos vizinhos da autora. Analisada sob tal ângulo. meeiros etc. O trabalhador rural. n. Essas informações foram confirmadas pelas testemunhas ouvidas em audiência e. deve. revela-se sem fundamento a objeção oposta pela autarquia. parceiros. 33/34).

111-405. gado. de que tivesse. Uma está dando leite. Os vizinhos deram as mesmas informações. não havendo exigência legal. 75) disse que: “a autora é viúva e reside com três filhos. a. marrecos. banana. 27). tudo para consumo próprio. Porto Alegre. Oecksler. A testemunhal produzida em audiência corrobora plenamente a documental. referentes aos exercícios de 1987 a 1995 (fls. na localidade de Belchior Alto. 4ª Reg. uma vez que a demandante comprovou o implemento da idade mínima e o exercício da atividade rural..64.. porco. verduras que planta assim como pato. Silvana Mistica Luciano (fl.” Ou seja. batata-doce. aipim. realizado em 18. 40. (. confirmando o trabalho da autora como rurícola. Trib. ganso para os vizinhos”. sendo que dois trabalham como motoristas e ajudante de caminhão. A requerente não tem características de trabalhadora rural. p. plantação de milho. plantam aipim. há fortes indícios de que a autora exerça sua atividade individualmente. inclusive o leite. torna-se irrelevante a circunstância de o marido e os filhos da autora trabalharem na área urbana. Que o mesmo trabalhava fora. por meio dos documentos acostados aos autos.) Que conheceu o marido da autora. Disse que nunca trabalhou fora. galinhas. 12. em nome do marido da autora. milho. que o marido e a autora plantavam cana e vendiam para engenhos de cachaça.2 vacas. feijão. os quais incluem: certidão de casamento. não havendo justificativa para ter o servidor do INSS concluído que “a requerente não tem características de trabalhadora rural”.). no município de Gaspar/SC. O marido e 5 filhos solteiros trabalham na área urbana. milho. cana etc. Assim. e certificados de cadastro no INCRA. 74) afirmou que a autora “possui animais. Que não conheceu os pais da autora mas conhece os três filhos que moram com a autora. Fed. CONCLUSÃO: Não ficou caracterizada atividade rural da requerente Maria C. como vaca leiteiras. Reg. As atividades exercidas pela autora são tipicamente rurais (criação de gado e outros animais. Maria Theiss (fl. n. Que hoje em dia ela a autora vende aipim. pato. Que reside em uma casa. 28/32). para a concessão do benefício. cana.02. uma vez que produz apenas para consumo próprio. na qualidade de produtora rural.” R. Planta aipim. na qual o marido da autora é qualificado como lavrador (fl. 2001 307 . Que desde que conhece a autora essa trabalha na roça e possui criação de ganso. necessariamente. que labutar no regime de economia familiar. mas no tempo que sobrava ou nos feriados ele ajudava a autora na casa e nas atividades acima referidas. galinha. As plantações são pequenas. batata-doce.

com a finalidade de comercializar o produto. Submetida a sentença ao reexame necessário.. parágrafo único. 40. 33.. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. que conhece a requerente há aproximadamente quarenta e um anos. de 23. Anderson Cavalheiro Muller EMENTA Trabalho agrícola.INSS Advogado: Dr. 111-405.Estefânia Gertrudes Hammes (fl. criando galinhas. tendo a autora logrado comprovar a condição de segurada especial. Que a autora mantém uma lagoa de peixes. (. a. afirmou: “Que o marido da autora faleceu aproximadamente há dois anos atrás. 308 R. nos termos dos artigos 48 e 143 da Lei 8. Início de prova material. da Lei Complementar nº 156. Anaury Sperb Barreto e outro Apelado: Instituto Nacional do Seguro Social . 2001 . mantendo vacas leiteiras. Trib. na forma do art. p. Honorários advocatícios. Que a autora e seu marido plantavam cana para fazer cachaça. Fed. Juiz Tadaaqui Hirose Apelante: Alceu José Nedel Advogados: Drs.” Destarte.213/91.97. com a redação dada pela Lei Complementar nº 161.12. 76). nego provimento ao agravo retido e ao apelo e dou parcial provimento à remessa oficial para determinar o pagamento das custas processuais pela metade. Reconhecimento. melado. Sr. Ante o exposto. merece reparo para determinar o pagamento das custas processuais pela metade. Que a autora continua com as atividades agrícolas.71. de Santa Catarina. de 15.00.05. Reg.005725-3/RS Relator: O Exmo. faz jus à aposentadoria por idade.97.) Que viu a autora trabalhando na lavoura. 4ª Reg. n. plantando aipim. Porto Alegre. 12. que a região é predominantemente agrícola.

mantida suspensa a condenação do primeiro em face da Justiça Gratuita. RELATÓRIO O Exmo. VOTO O Exmo. 40. Juiz Tadaaqui Hirose. 2001 . Porto Alegre. 3. Relator. associada à prova testemunhal. subiram os autos a este Tribunal. Porto Alegre. Juiz Tadaaqui Hirose: Trata-se de recurso interposto contra sentença que julgou improcedente o pedido de concessão de tempo de serviço. Contra-arrazoado o apelo. O fato de possuírem caminhão e de transportarem frutas também para os agricultores vizinhos não descaracteriza o regime de economia familiar. dar parcial provimento ao recurso. a menos que a renda obtida com a outra atividade seja suficiente para a manutenção da família. por litigar o autor sob o pálio da Justiça Gratuita. É o relatório. o que não ficou demonstrado. que a função do pai. decide a Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. de forma a dispensar a renda obtida da agricultura. Sustenta que os documentos apresentados constituem início razoável de prova material.1. é procedimento corriqueiro. Trib. condenando o autor ao pagamento de honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor atribuído à causa. Alega o autor. 2. em suas razões. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. restando suspensa a sua condenação. A documentação trazida aos autos. 12. n. p. não devendo ser considerada atividade econômica stricto sensu. À douta revisão. Sr. Reg. Honorários advocatícios a serem arcados em 70% pelo autor e 30% pelo INSS. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Fed. 111-405. 19 de março de 2001. Sr. 4ª Reg. de transportar produtos de outros agricultores da vizinhança para vender no mercado. por unanimidade. é hábil a demonstrar parte do período alegado pelo autor como exercido em regime de economia familiar. a. Juiz Tadaaqui Hirose: Insurge-se o autor com o não309 R.

visando à comprovação da atividade rurícola. Reg. alternativamente. só produzirá ela efeito quando acompanhada de início de prova material. cumulando o período exercido na atividade rural com aquele laborado na área urbana. os documentos relacionados nos incisos do artigo 106 da Lei de Benefícios. A fim de demonstrar as atividades desenvolvidas no campo. 160). Trib. Nesta época o autor conti- 310 R. Da prova testemunhal produzida. foi assegurado pela Carta Magna de 1988. 72 e v. em nome do autor (fl. Conforme previsão dos artigos 94 da Lei nº 8.213/91 e 182 do Decreto nº 2. conforme seu artigo 202. Para fazer jus ao benefício de aposentadoria. de junho/72. por ter o Magistrado entendido como não-comprovada tal situação em face da documentação contraditória e por serem vagos os depoimentos das testemunhas. Porto Alegre. O autor trabalhava junto com a família. O depoente tem 57 anos de idade. ficha do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. 4ª Reg. ficha do Sindicato dos Trabalhadores Rurais. aliás. a parte poderá apresentar. n.213/91 e Súmula 149 do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. trouxe o autor ao processo: certificado de dispensa de incorporação. a teor do parágrafo 3º do artigo 55 da Lei nº 8. 111-405. é assegurada a cumulação de contagem do tempo de serviço exercido nos regimes rural e urbano para efeito dos benefícios previstos no Regime Geral da Previdência Social. salvo ocorrência de força maior ou caso fortuito.172.-reconhecimento do labor agrícola exercido em regime de economia familiar. de outubro/78. constando como dependente o autor (fl. colhe-se o seguinte: Alfredo Sérgio Rambo disse que: “conheceu o autor desde pequeno. 12. 2001 . constando como agricultor (fl. Tal direito. em nome de sua mãe. 12). certidão de arrolamento e partilha. parágrafo 2º. não sendo admitida a prova exclusivamente testemunhal para comprovação do tempo de serviço respectivo. produzindo mudas de árvores frutíferas. p. que também trabalhava com o pai na roça. No que pertine à prova oral. incompletos. sendo vizinho da propriedade que pertencia ao pai dele. Fed. O autor morava há aproximadamente 2 quilômetros do depoente. constando como agricultor e título de eleitor. a parte-autora deve comprovar o efetivo exercício nas respectivas atividades. 40. tendo trabalhado junto com o pai até os 28 anos de idade. de 05 de março de 1997.). a. 159). de março/61 (fls. inclusive o pai. pois.

ainda mais se considerarmos que na época cujo reconhecimento pleiteia o autor. dificilmente o inverso. conforme se verifica pela ficha de alistamento militar. Nesta época o pai dele já era falecido. Depois que o pai dele morreu. a evasão se dava no sentido do campo para a cidade. R. que lhes pertencia. Lembra apenas que um outro irmão do autor tinha uma Kombi amarela.” José Bruno Rohr declarou que: “conheceu o autor em 1969.5 a 2 hectares. se aos 18 anos de idade já era qualificado como agricultor. até porque ele continua até hoje no mesmo local. Não se recorda se eles tinham empregados.” Em se tratando de rurícola sob o pátrio poder e dependência econômica de seus genitores. para onde traziam de caminhão. Eles tinham arvoredo.” Silfredo Barth afirmou que: “conhece o autor desde a época em que ele era guri. Porto Alegre. Depois. 40. a meu sentir. cumpre ao julgador valorar os fatos e as circunstâncias evidenciados com ênfase no artigo 5º da Lei de Introdução ao Código Civil. O depoente inclusive pediu emprestado para a família do autor a junta de bois que possuíam. destinado principalmente ao consumo próprio. não teve mais contato com a família. Não sabe informar a partir de quando o autor passou a trabalhar por conta própria. tendo o autor comprovado ser filho de agricultores e. frutas que vendiam provavelmente em Porto Alegre. Produziam. Vendiam a produção de frutas na própria região. quando o depoente foi morar em Pareci Novo. 2001 311 . talvez por volta de 1975. O depoente não se recorda qual era a cor desse veículo. Sabe que o pai do autor faleceu cedo. tendo o próprio autor trabalhado na propriedade da testemunha. inclusive o pai e a mãe. mas não se recorda se na época em que o depoente foi trabalhar por conta própria ele já havia falecido ou não. Tinham uma roça com arvoredo. próximo ao local onde ele morava e trabalhava junto com a mãe e demais irmãos. pois eles não tinham caminhão. Reg. 4ª Reg. n. 12. Tinham também um pequeno tambo de leite. A área que pertencia à família do autor tinha aproximadamente uns dez hectares. e que era dirigido pelo pai do autor. p. onde plantavam de tudo. é inafastável a conclusão de que essa atividade vinha sendo desenvolvida em época anterior. Além disso tinham uma outra propriedade. início de prova documental. ele comprou uma Kombi e passou a trabalhar com a venda de mudas de árvores frutíferas. Os documentos juntados aos autos constituem. 111-405. além das mudas. talvez com 1. Fed. Trib. A produção de frutas obtida pela família era vendida no próprio local. também transportando com um caminhão que lhes pertencia e que era dirigido pelo pai do autor. quando trabalhava junto com a família. plantando ainda outros produtos de subsistência. a.nuava trabalhando junto com a família. não sabendo quem passou a dirigir o caminhão.

não descaracteriza o regime de economia familiar. somados ao tempo de serviço já averbado pela autarquia – 18 anos e 09 meses – totaliza 22 anos. 42. Fed. Tal situação seria configurada se a renda obtida com a outra atividade fosse suficiente para a manutenção da família. Trib. dos seus 14 anos de idade até 1971 .12. 312 R.71 – perfaz 04 anos e 06 dias que. 12. mantenho suspensa a condenação do autor. o que não se verifica no presente caso. É o voto.67 a 31. desenvolve o trabalho visando à sua subsistência. sob risco de fazer injustiça. deve arcar com 70% dos honorários estabelecido na sentença. juntamente com os demais membros da família. p. dou parcial provimento ao recurso do autor para. cabendo os 30% restantes ao INSS. 2001 . conforme explicitado. em 1972 já exercia atividade urbana . quanto à atividade exercida em consonância com o conceito emanado pelo legislador . O reconhecimento da qualidade de segurado especial do autor. 09 meses e 07 dias de trabalho efetivo. Ante o exposto. por sua vez. sem a utilização de empregados. n.é medida que se impõe. em que a utilização do veículo maior era com a finalidade de transportar os produtos cultivados/colhidos. Reg. os fatos demonstrados no processo podem ser acolhidos em parte. em condições de mútua dependência e colaboração.pois pela declaração de imposto de renda constante à fl. reconhecendo 04 anos e 06 dias de trabalho rural exercido em regime de economia familiar. 4ª Reg. julgar parcialmente procedente a demanda. Em face da Justiça Gratuita. corroborou os fatos alegados pelo autor na inicial. Em face da sucumbência quase total da parte-autora. insuficientes ao implemento da aposentadoria pleiteada.12. O fato de possuírem caminhão e de transportarem frutas. 40. de forma a dispensar a renda obtida da comercialização da safra. o trabalho agrícola aqui reconhecido – de 24. 111-405. ao contrário do que considerou o Magistrado a quo. a.A prova testemunhal. Assim sendo. no cultivo agrícola em regime de economia familiar. Desta forma.aquela pessoa que. Porto Alegre.

Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia Apelante: Jairo Antonio Marca Advogado: Dr. 40. Porto Alegre. 2. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Apelação parcialmente provida.INSS Advogado: Dr. Gilmar Antonio Coppini EMENTA Previdenciário. Calcula-se a aposentadoria por tempo de serviço do autor em duas parcelas. enunciado que se refere ao regime anterior à edição da Lei 8. a. Embargos à execução de título judicial. Porto Alegre. 3. Reg. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia. em sede de embargos.003296-6/RS Relator: O Exmo. nos termos do relatório. R. Efetuada a citação do INSS para pagamento sem a inclusão dos expurgos inflacionários referidos nas Súmulas n. é vedado ao exeqüente. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. 1. 2001 313 . por unanimidade. no caso.04.APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. 05 de março de 2001. p. 32 e 37 desta Corte. O título executivo determinou a aplicação da Súmula n. dar parcial provimento à apelação. e a segunda correspondente a 2/30 do valor excedente.71. Trib. 4. pleitear a incidência dos correspondentes índices.213/91. n. 12. a primeira equivalente a 83% do menor valor-teto. 4ª Reg. Maior e menor valor-teto. Fed. decide a Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Relator. Sr. Hildo Wollmann Apelado: Instituto Nacional do Seguro Social . 02 desta Corte no recálculo da renda mensal inicial do benefício do embargado.312/84. razão por que aplicáveis os limites do menor e maior valor-teto. 111-405. nos termos do artigo 23 do Decreto 89.

40.312/84 e determinou o prosseguimento da execução com base no cálculo de fls. É o relatório. deixando de observar o disposto no art. Quanto aos expurgos inflacionários. 2001 . Aduz que obedeceu aos critérios definidos pela sentença exeqüenda. 8/11 apresentado pela autarquia embargante. aplicando-se. em virtude da concordância do autor com o cálculo de fls. a seguir.760.67. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia: Versam os presentes embargos a respeito do recálculo da renda mensal inicial de aposentadoria por tempo de serviço em que o INSS alega devam ser adotados os valores do maior e do menor valor-teto do salário-de-benefício. 150/151 que não incluía esses expurgos inflacionários.12. salientando que a não-inclusão dos índices do IPC contemplados na Súmula 37 desta Corte é matéria preclusa. Apresentadas contra-razões. 275 do Decreto 611/92 eliminou o maior e o menor valor-teto a partir de outubro de 1988.108. p. Fed. que.00. além do que o ora apelante havia requerido a inclusão dos índices expurgados quando forneceu as diferenças devidas para elaboração do cálculo. Juiz singular que o exeqüente efetuou o recálculo de sua renda mensal inicial (DIB 01. Sr.04 encontrado para o salário-de-benefício resultou da incidência da variação da ORTN/OTN na correção dos primeiros 24 salários-de-contribuição integrantes do cálculo do benefício. ainda inferior ao maior valor-teto que era de Cz$ 389. 4ª Reg. enquanto que o embargado sustenta já terem sido eliminados estes limites por ocasião 314 R. Porto Alegre. Sustenta o recorrente que o valor de Cz$ 425. VOTO O Exmo. que resultou em renda inicial de Cz$ 352.88) com base em salário-de-benefício superior ao maior valor-teto. a. Trib. 21. Sr. após a promulgação da CF/88.RELATÓRIO O Exmo. 111-405. ou seja. subiram os autos a esta Corte.INSS. n. § 4º.839. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia: Trata-se de recurso de apelação interposto por Jairo Antonio Marca em face de sentença que julgou procedentes os embargos à execução de título judicial movidos contra o Instituto Nacional do Seguro Social . 12. do Decreto 89. Reg. o coeficiente de cálculo 83%. disse que nunca é tarde para pleiteá-los. por considerar o MM. inexiste limite para o salário-de-benefício e que o art.

144. 40. corrigem-se os salários-de-contribuição. pela variação nominal da ORTN/OTN” Fácil de ver que referida súmula diz respeito ao regime anterior à Lei 8. 02 desta Corte.213. respeitado o limite máximo de 80% (oitenta por cento) do valor dessa parcela.213/91. Para efeito da Súmula n. decreto este que regulamentou a nova Lei de Benefícios da Previdência Social. Porto Alegre. A controvérsia é solucionada pela análise do teor do título em execução. 23. que dispõe: “Art. o salário-de-benefício é dividido em 2 (duas) parcelas. a. anteriores aos doze últimos meses. salvo no que diz respeito à base de cálculo da segunda parcela. são aplicados os coeficientes previstos nesta Consolidação. b) à segunda um coeficiente igual a tantos 1/30 (um trinta avos) quantos forem os grupos de 12 (doze) contribuições acima do menor valor-teto. prevalece o regime anterior. 145 e 31 da Lei 8. não podendo ultrapassar 90% (noventa por cento) do maior valor-teto. como esclareço a seguir. o que não foi objeto da decisão exeqüenda.058. Trib. 2001 315 . p.da concessão de seu benefício. que estabelecia o cálculo do benefício em duas parcelas quando o salário-de-benefício excedesse o menor valor-teto. 12.” A conta apresentada pela autarquia previdenciária à fl. a qual reza: “Para o cálculo da aposentadoria por idade ou por tempo de serviço. III – na hipótese do item II o valor da renda mensal é a soma das parcelas calculadas na forma das letras a e b. aplicando-se: a) à primeira parcela os coeficientes previstos nesta Consolidação. 275 do Decreto 611/92. O valor do benefício de prestação continuada é calculado da forma seguinte: I – quando o salário-de-benefício é igual ou inferior ao menor valor-teto. 07 dos autos principais segue correta interpretação do artigo supratranscrito. no regime precedente à Lei nº 8. não se podendo conjugar os critérios determinados por seu enunciado com o disposto no art. a primeira igual ao menor valor-teto e a segunda correspondente ao que excede o valor da primeira. 4ª Reg. O menor e o maior valor-teto foram eliminados para efeito da revisão da renda mensal inicial de acordo com os arts. de 24 de julho de 1991.00) R. Reg.880. n. que determinou a revisão da renda inicial do autor de acordo com os preceitos da Súmula n. II – quando é superior ao menor valor-teto. 23 da CLPS/84. nos termos do art. 111-405. 02 desta Corte.05) ultrapassava ao limite do menor valor-teto (Cz$ 194. Fed.213/91. Tendo em vista que a média dos salários-de-contribuição do autor (Cz$ 425.

880. Sra. Quanto aos demais aspectos impugnados em apelação.178. De acordo com o inciso III acima transcrito. estando preclusa a matéria atinente à inclusão dos expurgos inflacionários no cálculo em execução. a primeira correspondente aos Cz$ 194.INSS Advogada: Dra. Cz$ 230. Seguindo-se a regra das alíneas a e b. isto é. Em face do exposto.345.095. resultando o valor de Cz$ 161. p. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000.40 encontrados pelo INSS). vez que o autor optou por citar o INSS para pagamento sem a adoção deste critério de cálculo na época oportuna.742. 2001 . Andiara Pickler Cunha Mattei R. 08/11.01. partindo deste valor a evolução das parcelas efetuada na forma das fls. Cz$ 177.00 utilizados pela autarquia-ré).foi primeiramente dividido em duas parcelas. respectivamente. 33). devendo resultar Cz$ 15.04.880. 111-405. Tendo em vista a sucumbência parcial. consoante a norma do inciso II. Trib. Juíza Virgínia Scheibe 316 Apelante: Jamir Duarte Advogado: Dr. a.005318-9/SC Relatora: A Exma. à primeira parcela foi aplicado o coeficiente de 83% estabelecido pela CLPS para a aposentadoria por tempo de serviço (art. voto no sentido de dar parcial provimento à apelação para determinar que a nova renda mensal inicial do embargado seja fixada em Cz$ 177. n.00 e a segunda ao valor excedente. ou seja. 4ª Reg.60 (e não Cz$ 174. ou seja.750. do valor dos honorários advocatícios fixados na sentença. Porto Alegre. autor e réu devem arcar com 70% e 30%. David Mario Tiscoski Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social . 12.20. 40.05 (e não os Cz$ 194.40. à segunda parcela o coeficiente de 2/30. Fed.095.60. o valor da renda mensal é a soma das duas parcelas. tenho que estão corretos os cálculos apresentados pela autarquia embargante. Reg.

Porto Alegre.367/76. 2001 . nos termos do voto da Relatora e notas taquigráficas. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 1. RELATÓRIO A Exma. que. decorrente de horas extras e noturnas percebidas habitualmente. decide a Egrégia Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 3. 40. Trib. Fed.06. já que. Porto Alegre. Tendo a ação sido ajuizada em outubro de 1996. a. porquanto a mesma só gera efeitos até a competência de março/89. 12. deve ser reconhecido que a prescrição qüinqüenal atingiu o pedido de aplicação da Súmula 260 do TFR. 6º da Lei nº 6.Apelados: Os Mesmos Remetente: Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Criciúma/SC EMENTA Previdenciário. Reg. p. Tratando-se de segurado com remuneração variável. negar provimento ao apelo do autor e dar parcial provimento ao apelo do INSS e à remessa oficial. 27 de novembro de 2000. acolhendo a preliminar de prescrição qüinqüenal. por unanimidade. acrescendo aos salários317 R. Sendo a remuneração composta de uma parcela fixa e outra variável. mormente porquanto houve a incidência de contribuição previdenciária também sobre a parcela variável.12. condenou o INSS a: a) revisar as rendas mensais do auxílio-doença acidentário (DIB 01. ambas devem ser computadas para o cálculo do salário-de-contribuição. Relatora. 58/ADCT. 4ª Reg.85). que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. a renda mensal do auxílio-acidente deve ser fixada em observância ao disposto no parágrafo 1º do art. Juíza Virgínia Scheibe: Trata-se de remessa oficial e de apelações interpostas contra sentença de parcial procedência. Juíza Virgínia Scheibe. 2. Sra. n. o benefício recuperou sua expressão original em número de salários mínimos. por força do cumprimento do art.81) e do auxílio-acidente (DIB 11. 111-405. a partir de abril seguinte. Revisão de benefício.

111-405. a partir de abril/89. 12. É o relatório.-de-contribuição a média da remuneração variável decorrente das horas extras e noturnas. 2001 . com base na Súmula 260 do extinto TFR. vieram os autos a esta Corte. fazendo cessar quaisquer reflexos decorrentes da revisão do primeiro reajuste do benefício. a partir de abril/89. n. VOTO A Exma. Reg. 58/ADCT neste último de modo a alterar a RMI daquele. É que. 58/ADCT. com reflexos sobre o sucessivo benefício de auxílio-acidente. por sua vez. sem a incidência do percentual-redutor. com base na Súmula 260 do extinto TFR. Em suas razões recursais. p. 4ª Reg. não há diferenças a serem contabilizadas. tendo a ação sido ajuizada em outubro de 1996. insurge-se contra a condenação supra. b) recalcular a renda mensal inicial do auxílio-acidente. como o auxílio-acidente não é calculado com base na renda mensal do auxílio-doença reajustado. uma vez que a mesma teria reflexo apenas até o mês de março/89. Sem contra-razões. Dessa maneira. Não merece guarida a pretensão. Pretende o autor a revisão da renda mensal do benefício de auxílio-doença. 58 do ADCT. no ponto. houve a recomposição do valor inicial de todos os benefícios por força do art. a partir de abril/89. 40. em face da aplicação do art. Juíza Virgínia Scheibe: Os recursos são tempestivos (fl. devendo ser mantida a sentença. em face da aplicação do art. não há que se cogitar de reflexos da aplicação da Súmula 260/TFR e do art. já que. Fed. Trib. o autor postula a revisão da renda mensal do benefício de auxílio-doença. bem como a repercussão nas rendas mensais. a. Frise-se que. tomando por base o valor que representaria a aposentadoria por invalidez acidentária. O INSS. Sra. 58 do ADCT. Insurge-se o INSS contra a condenação a revisar as rendas mensais 318 R. observo que a prescrição qüinqüenal reconhecida em sentença absorveu todas as parcelas referentes à aplicação da Súmula 260/TFR. Porto Alegre. 96). bem como a repercussão nas rendas mensais. com reflexos sobre o sucessivo benefício de auxílio-acidente.

85).” (STJ. 1ª Turma. cumpre considerar o ganho real. DJ 10.CÁLCULO DO BENEFÍCIO . acrescendo aos salários-de-contribuição a média da remuneração variável decorrente das horas extras e noturnas. sob pena de grande e inaceitável prejuízo para o segurado. se parte é conhecida. Pedro Acioli) “ACIDENTE DO TRABALHO . 2001 319 . REsp 0003840/90-SP.” (STJ.91. Min. n. Não prospera a insurgência. ao implantar o auxílio-acidente. Rel. porque fixa. 2ª Turma. Quando o legislador. Rel. O juízo de probabilidade só tem lugar quando impossível definir o rendimento efetivo.06. Nesse sentido. tomou por base a renda mensal do auxílio-doença acidentário. Rel.12. trago à colação as seguintes ementas do Egrégio STJ: “RECURSO ESPECIAL – SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO . até porque houve a incidência de contribuição previdenciária sobre o adicional decorrente das horas extras e noturnas mencionadas. REsp 0007349/91-SP. não afasta a inclusão das horas extras no cálculo desta média que não pode ser só da parte fixa. 4ª Reg. uma vez que. BENEFÍCIOS. Garcia Vieira) Já no que tange à condenação a recalcular a renda mensal inicial do auxílio-acidente. 12. REsp 0005709/90-SP. O Julgador singular entendeu que o INSS. no parágrafo 4º do art. p.” (STJ. Jamais poderá reduzi-lo.367/76. seja do auxílio-acidente. 111-405.81) e do auxílio-acidente (DIB 11. 1ª Turma. o valor do benefício será calculado com base na média aritmética. ambas devem ser computadas para o cálculo do salário-de-contribuição seja do auxílio-doença acidentário. Min.do auxílio-doença acidentário (DIB 01.A apuração do valor do benefício concedido a acidentado deve ter como componente a parte fixa da remuneração acrescida da variável. DJ 20.91. 5º da Lei nº 6. R. nos autos. Trib. a. Luiz Vicente Cernicchiaro) “PREVIDENCIÁRIO. No cálculo do valor do salário. Fed. DJ 06. Porto Alegre. tendo restado comprovado.05.Improvimento do recurso. decorrente de horas extras e noturnas percebidas habitualmente. Reg. merece revisão a sentença. II . tomando por base o valor que representaria a aposentadoria por invalidez acidentária. sem a incidência do percentual-redutor. I . Min.REMUNERAÇÃO VARIÁVEL. alcançando-se a média salarial percebida pelo segurado nos últimos doze meses. determina que.SALÁRIO COM PARTE FIXA E OUTRA VARIÁVEL.05.09. 40. que a remuneração percebida pelo segurado era composta de uma parcela fixa e outra variável. no caso de empregado de remuneração variável.90.

” (grifei) 320 R. § 4º. 2001 . o valor dos benefícios de que trata este artigo. mantido e reajustado na forma do regime de previdência social do INPS e corresponderá a 40% (quarenta por cento) do valor de que trata o inciso II do art. que serão os seguintes: I – auxílio-doença – valor mensal igual a 92% (noventa e dois por cento) do salário-de-contribuição do empregado. tenho que não mereça confirmação o argumento. n. ou seja. mensal. 92%. evidentemente que a RMI não poderá ser a mesma (100%) do salário-de-contribuição vigente no dia do acidente. concedidos. 5º Os benefícios por acidente do trabalho serão calculados. a.dos salários-de-contribuição compreendidos nos 12 (doze) meses imediatamente anteriores ao do acidente ou no período de que trata o item I. pois a utilização daquela implicaria prejuízo ao segurado porque sobre a mesma incide um percentual redutor de 8%. caso do Autor. nele.. da Lei nº 6. será concedido. Todavia. p. II – aposentadoria por invalidez – valor mensal igual ao do salário-de-contribuição vigente no dia do acidente. conforme for mais vantajoso. vitalício e independente de qualquer remuneração ou outro benefício não relacionado ao mesmo acidente. 6º da Lei nº 6. 4ª Reg. será calculado com base na média aritmética: I . Reg. vigente no dia do acidente. se o segurado contar. surgindo daí a necessidade de proceder-se ao cálculo considerando a média aritmética. já que dispõe o §1º do art. 111-405.” (grifei) Assim. tratando-se de segurado que em atividade percebia remuneração variável. observado o disposto no §4º do mesmo artigo. o qual pode ser excedente à média ou. não podendo ser inferior ao de seu salário-de-benefício. sendo o caso de calcular-se a média remuneratória. não podendo ser inferior a 92% (noventa e dois por cento) de seu salário-de-benefício. Assim é porque. (.dos 12 (doze) maiores salários-de-contribuição apurados em período não supe-rior a 18 (dezoito) meses imediatamente anteriores ao acidente.) §4º No caso de emprego de remuneração variável e de trabalhador avulso. inferior a esta. se o segurado contar 12 (doze) ou menos contribuições nesse período. Trib. respeitado o percentual previsto no item I.quando a lei estabelece que deva ser adotado o valor que representaria a aposentadoria por invalidez. Porto Alegre. tal como dispõe o referido artigo: “Art.. 40. II . 12. mantidos e reajustados na forma do regime de previdência social do INPS.367/76. 5º desta lei. o cálculo se fará com base em média aritmética e respeitado o percentual previsto no item I do mesmo artigo.367/76: “§ 1º O auxílio-acidente. salvo no tocante aos valores dos benefícios de que trata este artigo. Fed. 5º. mais de 12 (doze) contribuições. a prejuízo do segurado. por força do art.

mas não equivalente. e 164. § 5º. Cálculo do salário-de-benefício. Fed. Sr. respeitado o percentual de 92% (veja-se o precedente da Egrégia Terceira Seção desta Corte.INSS Advogado: Dr. no ponto. quanto a este. Werner Isleb e outros Remetente: Juízo Substituto da 1ª Vara Federal de Blumenau/SC EMENTA Previdenciário. em seus arts. pelo autor. n. 40. 165. James Eduardo Weiers Apelado: Imo Schulze Advogados: Drs. É o voto.10.04. a. Reg. Juíza Maria Lúcia Luz Leiria) e. suportados à razão de 40%.2000. Tenho. 111-405. ao julgar.093280-0/SC Relator: O Exmo. Atividades concomitantes. Revisão. pois o valor da aposentadoria por invalidez a que teria direito o autor deveria ser calculado com base na média acima referida. p. Trib. em 18.01. pois. 2001 . na forma da fundamentação supra. que mereça reforma a sentença. suspensa a satisfação. Aposentadoria por tempo de serviço. Em tais termos. não há que se falar em cálculo do auxílio-acidente sem o redutor de 8%. Atividade principal.04. e 60%. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. 12. honorários advocatícios de 10% sobre o valor da condenação.Veja-se que tais disposições foram mantidas pela CLPS/84.017640-0-SC. a AR nº 1998. Juiz Nylson Paim de Abreu Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social . Face à sucumbência recíproca. nego provimento ao apelo do autor e dou parcial provimento ao apelo do INSS e à remessa oficial. 321 R. pelo INSS. assim. por litigar ao amparo da Assistência Judiciária Gratuita. § 1º. Rel.01. 4ª Reg. Porto Alegre.

Apelação e remessa oficial improvidas. sendo o benefício concedido em 11.02. a. Assim. decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.DIB 11. na qualidade de empregado.Correção monetária. Precedente da Corte. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. durante o período de 01.98. a exegese da norma contida no art. pois. RELATÓRIO O Exmo.02. contribuiu como segurado-empregador (proprietário de bar . Relator.95 a 10. Juiz Nylson Paim de Abreu.05. 3) o INSS considerou a atividade de empregador como principal. objetivando a revisão do cálculo da RMI do seu benefício previdenciário.98) ajuizou ação contra o INSS. em síntese. 21 de novembro de 2000. Sr. n.04.07. 32 da Lei nº 8. p. laborou num total de 21 anos.12. 111-405. Reg. que: 1) após mais de trinta anos de serviço. 2001 . em 10.02. Porto Alegre.84 a 10. auferindo maior proveito econômico. Porto Alegre.02.98. 2. 40. como empregador contribuiu apenas 11 anos.213/91 deve ser feita no sentido de considerar como principal aquela que assim efetivamente o era para o segurado. Fed. quando sua atividade principal sempre foi de empregado das Indústrias Hering S/A. Juiz Nylson Paim de Abreu: Imo Schulze (NB 1090401237 . o recálculo do salário-de-benefício de sua aposentado322 R. 12. por unanimidade. 43). Trib. trabalhou como Encarregado de Almoxarifado na Hering S/A e de 01.82 a 24.fl.98. 4ª Reg. seus rendimentos do trabalho assalariado sempre foram superiores aos de empregador. negar provimento à apelação e à remessa oficial. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Postula. Concomitantemente.98 como Gerente de Produção na Hering Rasti Indústria e Comércio de Brinquedos Ltda. Asseverou. E mais. 1. requereu ao INSS o benefício de aposentadoria por tempo de serviço. 2) que de 02.89. Se o segurado não satisfaz as condições para a concessão do benefício em nenhuma das atividades concomitantes.02.

sustentando que a renda mensal inicial do benefício do autor foi corretamente calculada.07. Com contra-razões.02. Juiz Nylson Paim de Abreu: O INSS interpôs recurso de apelação.98. 4ª Reg. porquanto é a atividade em que laborou mais tempo. Juízo a quo julgou procedente o pedido. 2001 323 . Compulsando os autos. não tendo o requerente comprovado que os rendimentos advindos da atividade como segurado-empregado fossem superiores aos advindos da função exercida como contribuinte-autônomo (fls. 65/8). para condenar o INSS a: a) revisar o cálculo da aposentadoria por tempo de serviço do autor. 111-405. 40. não tendo o requerente comprovado que os rendimentos advindos da atividade como segurado-empregado fossem superiores aos advindos da função exercida como contribuinte-autônomo (fls. 12. Sr.89.82 a 24. n. 64). VOTO O Exmo. p. Reg.213/91. Porto Alegre. É o relatório. 23/5). O autor. Sentenciando. aliada à maior remuneração. o INSS interpôs recurso de apelação. Condenou o vencido. trabalhou como Encarregado de R. a. sustentando que a renda mensal inicial do benefício do autor foi corretamente calculada. Trib. 40/1. o INSS sustentou a correção do cálculo da RMI do benefício do autor. a partir de 11. fixados em 10% sobre o valor da condenação (fl. acrescidos de juros de mora e correção monetária.04. Irresignado. vieram os autos a esta Corte. que o autor exerceu atividades concomitantes. devendo ser considerada a atividade de empregado como principal. Contestando a demanda. ao pagamento de honorários advocatícios. calculando a renda mensal inicial nos termos do art. 32 da Lei nº 8. depreende-se pela análise da planilha de fls.ria. considerando como atividade principal a de segurado-empregado e como atividade secundária a de contribuinte-autônomo. no período compreendido entre fevereiro de 1995 e fevereiro de 1998 (segurado-autônomo e empregado das empresas Hering). Fed. não tendo o requerente logrado demonstrar a incorreção nos cálculos (fls. b) pagar os atrasados. 65/8). ainda. o MM. de 02.

111-405. O salário-de-benefício do segurado que contribuir em razão de atividades concomitantes será calculado com base na soma dos salários-de-contribuição das atividades exercidas na data do requerimento ou do óbito. n.quando se tratar de benefício por tempo de serviço. § 1º O disposto neste artigo não se aplica ao segurado que. se aquela com maior tempo de serviço. em obediência ao limite máximo do salário-de-contribuição. No que concerne à tal questão. p. assim dispõe o artigo 32 da Lei nº 8. como dispõe o art.98. Concomitantemente. o salário-de-benefício será calculado com base na soma dos respectivos salários-de-contribuição.02. equivalente à relação entre o número de meses completo de contribuição e os do período de carência do benefício requerido. durante o período de 01. 40. as condições do benefício requerido. Trib. 32. ou no período básico de cálculo. e. Reg. contribuiu como segurado-empregador (proprietário de bar .quando não se verificar a hipótese do inciso anterior. como Gerente de Produção na Hering Rasti Indústria e Comércio de Brinquedos Ltda. 4ª Reg. a. o percentual da alínea b do inciso II será o resultante da relação entre os anos completos de atividade e o número de anos de serviço considerado para a concessão do benefício.84 a 10. ou seja. Fed.” (grifado) Como se vê. quando o segurado não completou 30 (trinta) anos de tempo de serviço em relação a nenhuma das atividades concomitantes consideradas para fins de apuração do salário-de-benefício. ou não. 2001 . de 01. atendeu às condições do beneficio. na hipótese 324 R. 32 acima transcrito. II . o salário-de-benefício corresponde à soma das seguintes parcelas: a) salário-de-benefício calculado com base nos salários-de-contribuição das atividades em relação às quais são atendidas as condições do benefício requerido.213/91: “Art. b) um percentual da média do salário-de-contribuição de cada uma das demais atividades. Porém. 29 e as normas seguintes: I . dentre as exercidas concomitantemente pelo segurado durante o período básico de cálculo.02. III .98.quando o segurado satisfizer. Porto Alegre.02. contribuiu apenas por uma das atividades concomitantes. 12.fl. em relação a cada atividade. observado o disposto no art. 43). § 2º Não se aplica o disposto neste artigo ao segurado que tenha sofrido redução do salário-de-contribuição das atividades concomitantes em respeito ao limite máximo desse salário.95 a 10.05.Almoxarifado na Hering S/A e. Não há dúvida que por atividade principal se deve entender aquela em relação à qual o segurado completou 30 (trinta) anos de tempo de serviço. a lei não determina qual atividade deva ser considerada como principal.

29. Ademais. na linha desse raciocínio. que considera a atividade principal como a de maior tempo de filiação (contribuinte autônomo).22140-0/RS. a renda mensal inicial do segurado resulta menor do que se continuasse trabalhando apenas na atividade sujeita a desconto. 09. 2001 . Fed. ART.” (AC nº 96. PERCEPÇÃO DE AUXÍLIO-DOENÇA NO PERÍODO BÁSICO DE CÁLCULO. deve ser considerada como atividade principal aquela que assim efetivamente o é para o próprio segurado. Trib. contribuiu sobre valores superiores. segundo se observa da análise do documento de fl. como o caso vertente. devendo ser considerada principal aquela que confere proveito econômico maior ao trabalhador durante a atividade. aliás. 4ª Reg. p.em que. E ART.213/91. deve ser adotado o critério menos paradoxal para o cálculo do salário-de-benefício. Uma vez que o segurado não satisfaz as condições para a concessão do benefício em nenhuma das atividades concomitantes e a solução legal não regula a situação concreta. e não prejudicá-lo. ATIVIDADES CONCOMITANTES. . CÁLCULO DO SALÁRIO-DE-BENEFÍCIO. 2. a. considerando-se como principal a atividade exercida como empregado e como secundária a de contribuinte autônomo. III. considerada pelo INSS como principal. Neste sentido. 634) Destarte. durante todo o período básico de cálculo. já decidiu esta Egrégia Corte.08. II E INC. INC.22140-0/RS. no julgamento da Apelação Cível nº 96..04. LEI 8. concomitantemente. que teve como Relator o Eminente Juiz Carlos Sobrinho. Logo. Porto Alegre. TRF.. 1. Reg. Se utilizado o critério administrativo. EFETIVO TEMPO DE SERVIÇO. houve recolhimento simultâneo quanto às atividades desenvolvidas durante todo o período básico de cálculo. p. § 5º. como empregado. n. 12. DJ 05. 32. 40. Assim sendo. esse critério não se afigura legítimo e não poderia ter sido eleito pelo administrador. ADOÇÃO DO CRITÉRIO MENOS PARADOXAL. não se pode considerar como preponderante uma atividade em que o segurado contribuiu sobre valores inferiores em relação à outra atividade em que o segurado. INSUFICIÊNCIA DA REGULAÇÃO LEGAL. verbis: “PREVIDENCIÁRIO.04. mostrando-se descabida a consideração de salá-rios-de-contribuição (no patamar de um salário mínimo) subs325 R.98. Relator Juiz Carlos Sobrinho. os salários-de-contribuição como segurado-empregado são substancialmente superiores aos salários-de-contribuição computados na atividade de segurado-autônomo. o exercício de atividade concomitante deve beneficiar o segurado. 111-405.

213/91. No caso do segurado especial. Sr. Segurado especial. As contribuições previdenciárias exigíveis para o cômputo do tempo de serviço são somente as legalmente previstas e obrigatórias para cada categoria de segurado. devendo ser mantida a r. caput. sentença. Período posterior à edição da Lei 8. Assim sendo. Leni Ana Maria Mainardi Remetente: Juízo Federal da 2ª Vara Federal de Santa Maria/RS EMENTA Previdenciário.213/91. 40. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. Trib. Em face do exposto. conforme previsto no art. Fed. voto no sentido de negar provimento à apelação e à remessa oficial. prospera a irresignação do autor. a.01. É consabido que consi326 R. 12. a contribuição consiste em um percentual incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção. Porto Alegre. Contudo. 4ª Reg.INSS Advogada: Dra. 55.tancialmente menores do que os informados pela empresa empregadora. a comercialização da produção do segurado especial não é obrigatória. Reg. p. da Lei. Juiz Surreaux Chagas Apelante: Walter Cechin Advogada: Dra. Tempo de serviço rural. 111-405.04. sendo computável o respectivo período de atividade como tempo de serviço.No regime da Lei 8. n. Lamia Samhan Dedavid Apelado: Instituto Nacional do Seguro Social . 2001 .116983-7/RS Relator: O Exmo. o exercício de atividade rural como produtor individual sem empregados ou em regime de economia familiar confere ao trabalhador a qualidade de segurado obrigatório da Previdência.

09. hábil e tempesti327 R.98. Portanto. Relator.79 e de 01. Porto Alegre. Juízo. a.01. Inconformado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.08. postulando o reconhecimento de atividade rural de 17. n. 4ª Reg.213/91 seja computado como tempo de serviço. a falta de prova de contribuições à Previdência não representa óbice para que a atividade rural em regime de economia familiar posterior à vigência da Lei 8. Honorários advocatícios pelo INSS. o postulante faz jus ao reconhecimento do respectivo tempo de serviço.08. O feito é instruído. O INSS contesta a ação. 111-405. 12. por unanimidade.INSS. Sr. restringindo-se às práticas comerciais do escambo. Porto Alegre. Trib. 06 de março de 2001. julga procedente em parte a ação para condenar o INSS a reconhecer o exercício de atividade rural de 17.65 a 30.65 até os dias de hoje. Fed. sentenciando. ressalvando que o período laborado após a vigência da Lei 8. mas teve o pedido indeferido. 40. Refere que requereu a certidão em 13. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. p.05. o autor interpõe recurso de apelação. O MM. Se existe princípio de prova material hábil sobre a atividade rural coerente com a prova oral produzida nos autos. Juiz Surreaux Chagas. Reg.213/91 somente é computável mediante comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias.96. negar provimento à remessa oficial e dar provimento à apelação do autor.12.derável parcela dos pequenos produtores rurais produz para subsistência. fixados em 10% sobre o valor da causa. Apelação do autor provida e remessa oficial desprovida. RELATÓRIO O Exmo.88 a 29. Juiz Surreaux Chagas: Walther Cechin propõe Ação Ordinária contra o Instituto Nacional do Seguro Social . 2001 . decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

05. Porto Alegre.vamente.98. § 3º A comprovação do tempo de serviço para os efeitos desta Lei.” Portanto. É o relatório.88 a 29.65 a 30.. compreendendo. pretendendo que seja afastada a exigência do recolhimento de contribuições referentes ao período posterior à edição da Lei 8. Regularmente processado o recurso. n. a. só produzirá efeito quando baseada em início de prova material. Juiz Surreaux Chagas: O autor postula o reconhecimento de atividade rural de 17. 55 .213/91. além do correspondente às atividades de qualquer das categorias de segurados de que trata o artigo 11 desta Lei. Refere que requereu a certidão em 13. que dispõe: “Art. conforme dispuser o Regulamento.213/91. sobem os autos. ressalvando que o período laborado após a vigência da Lei 8. mesmo que anterior à perda da qualidade de segurado: (. Fed. não sendo admitida prova exclusivamente testemunhal. O autor apela. Reg.08. 4ª Reg. o direito dos segurados ao reconhecimento do tempo de serviço rural prestado antes da edição da Lei 8. será computado independentemente do recolhimento das contribuições a ele correspondentes.. 55 da Lei 8. VOTO O Exmo. 12. conforme o disposto no artigo 108. exceto para efeito de carência. 111-405. 40. À revisão. 2001 . Trib. mas teve o pedido indeferido.213/91.213/91 depende da 328 R. Sr.09. analiso as condenações impostas à autarquia na sentença. A comprovação do tempo de serviço é regulada no art. salvo na ocorrência de motivo de força maior ou caso fortuito.01. pretendendo que seja afastada a exigência do recolhimento de contribuições referentes ao período posterior à edição da Lei 8.65 até os dias de hoje.08.O tempo de serviço será comprovado na forma estabelecida no Regulamento.) § 2º O tempo de serviço do segurado trabalhador rural. conforme disposto no Regulamento. Espécie sujeita a reexame necessário. O juízo a quo reconhece o exercício de atividade rural de 17. anterior à data de início de vigência desta Lei. inclusive mediante justificação administrativa ou judicial.96.12.79 e de 01. p. Em sede de remessa oficial.213/91 somente é computável mediante comprovação do recolhimento das contribuições previdenciárias.

4ª Reg. unânime. a. p. certidão do INCRA. Havendo início de prova (escritura pública de compra e venda de propriedade de imóvel rural onde se observa a profissão de agricultor do autor). 12. AÇÃO DECLARATÓRIA. A produção em regime de economia familiar caracteriza-se. admite-se a prova testemunhal como complemento para obtenção do benefício”. em regra. b) em seu nome: notas fiscais do produtor emitidas de 1988 a 1996. 05. mas. o fato de os documentos não estarem em nome do segurado.03. TRABALHADOR RURAL. INÍCIO DE PROVA. Porto Alegre. 5ª T.02. Reg. certidão de casamento de 1980. Fed. APOSENTADORIA.comprovação da atividade agrícola mediante início de prova material corroborada por idônea prova testemunhal. 40. Contudo. O Colendo STJ consolidou o entendimento de que anotações no registro civil são admissíveis como início de prova material da atividade rural. pelo trabalho com base em uma única unidade produtiva. dando conta de imóvel rural de 13 hectares de 1966 a 1978. sim. cuja documentação é expedida em nome de uma pessoa. Trib. no de seu pai não invalida a prova. geralmente o marido ou o pai em sociedades com forte preponderância do elemento masculino. j. no plano fático. A título de prova documental do exercício de atividade rural. o acórdão que segue: “PREVIDENCIÁRIO. 111-405. o pressuposto.98) No regime de economia familiar. na qual está qualificado como agricultor. n. o autor apresenta: a) em nome do pai: notas fiscais do produtor emitidas de 1967 a 1978. Rel. é o trabalho conjunto e cooperado de todos os membros da família. DJU 16. 2001 329 . Neste sentido.98. 1. (RE 98507/RS. valendo os documentos em nome do chefe da unidade familiar como princípio de prova material em favor de R. José Arnaldo. Min. omissis 2.

a. 4ª Reg. Fed.Branca 330 R. Trib. 111-405. 12. p. 2001 . Reg. 40. Porto Alegre. n.

111-405. n. 4ª Reg. Trib. 40. Porto Alegre. 2001 331 . 12. a. p. Reg. Fed.DIREITO PROCESSUAL CIVIL R.

40.Branca 332 R. Fed. 111-405. n. Trib. 2001 . a. Porto Alegre. 12. Reg. p. 4ª Reg.

Hugo Erno Lang. n. R. Manoel Gomes Filho.04. Plaudenir Joraci Mallmann. Joceli Fernandes da Silva. Darci Tiepo. Audelino Ferraz. acolhem-se embargos de declaração com efeitos infringentes. p.07516-9/SC Relator: O Exmo. Verificada a omissão no exame de embargos infringentes. Roque Stedile e Severino Vanin Interessada: União Federal EMENTA Processo Civil. José Troian. Augusto Gawski. Antônio Anival dos Santos. Sr. Afastamento pelo tribunal. Irani Antônio Giusti. enfrentando a questão posta naquele anterior recurso. Ferdinando Donada. Leonei Pradella. Albino Ferreira Prestes. Porto Alegre. a. Milton Weber. 12. Paulino Balestro. Carlito Zatti Vitalli. 2001 333 . Indispensabilidade de prolação de nova sentença com enfrentamento do mérito.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS INFRINGENTES EM MATÉRIA CÍVEL Nº 95. 4ª Reg. 1. Efeitos infringentes. 40. Trib. Leopoldo José de Quadros. Ângelo José de Almeida. Princípio da unidade do julgamento. Adilo Lasch. Arcelino Olindo da Silva. Reconhecimento de impossibilidade jurídica de parte do pedido em sentença. Albino Rodrigues da Silva. Embargos de declaração. Fed. Juiz Amaury Chaves de Athayde Embargante: Caixa Econômica Federal Embargados: Antônio Pereira da Silva Neto. 111-405. Nelson Antônio Rasnieveki. Reg.

ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. impõe o retorno dos autos à origem para prolação de novo decisum com enfrentamento do mérito. requer seja sanada a “omissão/contradição apontada. 4ª Reg. O afastamento. Entretanto. entendendo ser devido o percentual de 44. em relação inclusive ao denominado ‘Plano Collor’. p. 12. a divergência em relação ao voto condutor encontra-se nos efeitos decorrentes do afastamento da preliminar. transcrito na peça de embargos infringentes. n. Relator. Porto Alegre. EMBARGOS INFRINGENTES. O voto divergente traça o entendimento de que os ‘autos devem retornar à origem para decisão unitária de mérito’ (fl. O voto condutor. dando-se efeito infringente 334 R. vencido o Senhor Juiz Marcelo De Nardi. 111-405. 40. razão pela qual impõe-se o não-conhecimento do presente recurso. Juiz Amaury Chaves de Athayde. conhecer dos embargos de declaração e dar-lhes provimento. afasta a preliminar e julga o mérito.” Sustenta a Caixa Econômica Federal (CEF) que: “o voto divergente. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 3. Reg. conferindo-lhes efeitos infringentes. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Trata-se de embargos de declaração opostos a r. 2001 . Fed. por sua vez. julgado desta douta Seção. A matéria levantada nos embargos infringentes foi julgada por unanimidade. MATÉRIA UNÂNIME. RELATÓRIO O Exmo. 153)(grifamos). NÃO-CONHECIMENTO.2.80% relativamente ao IPC de abril de 1990 (fl. de preliminar de impossibilidade jurídica de parte do pedido reconhecida em sentença. Porto Alegre. Solução adotada também em face do princípio da unidade do julgamento. a. Sr. 157)”. cuja ementa transcrevo a seguir: “FGTS. 12 de maio 1999 (data do julgamento). decide a 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. pelo Tribunal. Trib. Entendendo que tal situação afronta aos princípios do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição — “uma vez que o juízo de primeiro grau não se pronunciou sobre a matéria” — . por maioria. efetivamente afasta a preliminar invocada pela CEF. em sua integralidade.

trago-os em Mesa. a proceder à correção das contas vinculadas do FGTS dos promoventes. do ponto de vista jurídico. sob entendimento de que “não é lícito ao julgador substituir o índice oficial por outro que entenda mais justo. portanto. ao par de demais disposições. adveio a v.87%. Sob processamento regular. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Merecem guarida os presentes embargos de declaração. é inviável.. Trib.Deste modo.80% e 7. é evidente. em imediato confronto com o artigo 2º da Constituição. 12.. sentença (fls. da CF/88. julgando os autores carecedores de ação relativamente à União.87%. 4ª Reg. Trata-se de ação versando sobre a recomposição de contas de depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS. p. O objetivo é nobre: fazer justiça. Porto Alegre. Fed. com a devida vênia do respeitável entendimento em contrário. Sr. 70. incisos XXXV e LV. Prequestiona o artigo 5º. 44. o Juiz estaria substituindo-se ao legislador e ao administrador público. abril/90 e maio/90. n. Tempestivamente interpostos os embargos. O pedido. 111-405. consoante indexadores efetivos da inflação. referidos às competências de junho/87. a questão posta nos embargos infringentes não foi objeto de deliberação por esta douta Seção. VOTO O Exmo.80% e 7. a. Assim efetivamente o é pois.ao r. que consagra o princípio da divisão funcional do poder do Estado.28%. 2001 335 . Porém. Quanto “aos índices de 44. proposta em face da Caixa Econômica Federal — CEF e da União Federal — UF. janeiro/89. com base nos índices dos IPCs de junho/87 e janeiro/89. Julgou ainda procedente o pedido para o efeito de condenar a CEF. requerendo expressa manifestação”. foi extinto o processo sem apreciação do mérito. acórdão embargado para o fim de julgar o mérito dos embargos infringentes interpostos. 103 a 109). acrescidos os legais consectários.06%. Confiro. É o relatório. para elaborar ele próprio a sua política econômica. Invocando fundamentos de Direito. Vieram-me os autos por redistribuição. ao argumento de que às mesmas não foram efetuados creditamentos devidos. em face da impossibilidade jurídica do pedido”. razão pela qual R. 40. Reg. reclamam os autores diferenças entre os créditos feitos e os que deveriam sê-lo pela aplicação dos índices de 26.

161) e transcrita no que interessa: “ADMINISTRATIVO. Trib.16%) e COLLOR I (44. julgando prejudicadas as demais questões”. Com efeito. . a CEF interpôs embargos infringentes. por reconhecido o julgamento a este título como sendo de mérito. por maioria. . Ocorre que a Turma. o retorno 336 R. mantendo a exclusão da União Federal da lide. portanto. 40. 12. por unanimidade. Dra.” Após solução de embargos declaratórios (fls. julgava prejudicado também o recurso interposto pela CEF. Porto Alegre. PROCESSUAL CIVIL. a pertinência destes embargos declaratórios.80% e 7. 177/178). nesse ponto. n. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. a partir do afastamento da preliminar de impossibilidade jurídica do pedido reconhecida em sentença e diante do princípio da unidade de julgamento. . o voto divergente propugnava. a MM. no prosseguimento.87% referentes aos meses de abril e maio de 1990). Fed. 111-405. por decisão majoritária da Turma. Por isso. Juíza-Relatora. PLANOS ECONÔMICOS. Afastada a impossibilidade jurídica do pedido. Silvia Goraieb.82%). Reg. Daí decorre. 2001 .. VERÃO (39. afastar a impossibilidade jurídica dos pedidos antes declinados (índices de 44. rejeitou a solução proposta e. . deduzidos os valores creditados. vencida a Relatora no tópico. À apelação interposta pelos autores. p. 4ª Reg.80%) no que ferem o princípio da irretroatividade. Questão preliminar da impossibilidade jurídica do pedido superada. a fim de que seja julgado o mérito. a fim de viabilizar de imediato o seu reexame.. 242).. CORREÇÃO MONETÁRIA DAS CONTAS VINCULADAS AO FGTS. nos quais foi transcrito o voto divergente e solicitado o provimento. dava parcial provimento “para. Direito reconhecido com relação aos Planos BRESSER (6. . sendo.. IRRETROATIVIDADE. vencida a douta Relatora. A situação está perfeitamente esclarecida na ementa assim declinada (fl. afastou a alegação de litispendência e deu parcial provimento aos apelos da CEF e dos autores. segundo entendo. decidindo esta douta Seção pelo não-conhecimento “uma vez que a eminente Juíza Silvia Goraieb se posicionou no sentido de afastar a prejudicial de impossibilidade jurídica do pedido reconhecida na sentença. unânime a decisão” (fl. QUESTÕES PRELIMINARES.não pode ser conhecido” (Grifos no original). a. a viabilizar o exame do mérito.

111-405. logo. a exclusão da União Federal. porque necessária a unidade do julgamento. não se transmuda em face da circunstância de. bem como repelida a impossibilidade jurídica do pedido na sentença quanto a dois itens. Fed.” Impõe-se. o acolhimento destes declaratórios com efeitos infringentes para que prevaleça. do duplo grau de jurisdição e do contraditório. a decisão deste Tribunal alcança somente tais questões preliminares. Reg. inclusive a decisão de mérito sobre os itens julgados. conheço dos presentes embargos de declaração e dou-lhes provimento. n. impõe-se a anulação dos demais tópicos.dos autos à origem para prolação de novo decisum com enfrentamento do mérito em sua integralidade. afasto a prejudicial reconhecida em sentença. no sentido de que inexistia divergência. no ponto. As demais questões suscitadas nos recursos restam prejudicadas. a eminente Juíza ter prolatado voto enfrentando o mérito daqueles pedidos. mantidas as demais deliberações preliminares das duas sessões nas quais se realizou o julgado. malferir-se-á. o afastamento da litispendência e a manutenção da CEF na lide. conferindo-lhes efeitos infringentes para dar parcial provimento ao apelo dos autores e determinar a prolação de nova sentença com enfrentamento do mérito em sua integralidade. segundo entendo. razão pela qual o feito deve retornar à origem para decisão unitária de mérito. a. Nesse ponto. Não houve unanimidade e. por isso. Sirvo-me dos fundamentos adotados no multicitado voto vencido: “Portanto. Tal situação. 4ª Reg. já decidida a legitimidade passiva. A manifestação judicial deve ser una. isto é. R. gizo. Em sendo mantida a ilegitimidade da União Federal e afastada a ilegitimidade da CEF. p. Em face do exposto. restando vencida — e justo por isso — . 2001 337 . a decisão foi por maioria. com o que o feito volta apenas para julgamento de mérito. 12. o entendimento minoritário manifestado no julgamento da apelação pela Turma. A manter-se a r. os embargos infringentes não podiam ter sido rejeitados — ao menos pelo fundamento manejado. os princípios do devido processo legal. a meu ver. 40. a fim de que seja enfrentado o mérito dos itens questionados. decisão da douta Turma tal qual se apresenta. Trib. Porto Alegre.

04. a. à época da prolação do julgado rescindendo. Complementação do depósito. Inaplicável a Súmula 343 do STF. Rejeitadas as preliminares argüidas e. pela interpretação do contrato de financiamento. Fed. n. no momento em que transitar em julgado a decisão do último feito. Porto Alegre. não se podendo afirmar que possuía.AÇÃO RESCISÓRIA Nº 96. 2ª parte. 40. improcedente a ação rescisória. 111-405. claramente. Edevaldo Daitx da Rocha e outros EMENTA Civil e Processual Civil.256. no valor por eles ofertado. 5. Violação ao art. não incorreu em qualquer erro de fato ao julgar procedente a pretensão e declarar quitada a dívida. 3. Decidindo o magistrado a quo.256. no mérito. exatamente. Trib. do Código Civil. Reg. caso seja fixado para a causa um montante superior àquele atribuído pela autora. 1. de sua leitura. eis que foram obedecidos todos os termos do ajuste firmado pela instituição financeira com os mutuários. pois a exegese do art. Violação a referido artigo de lei não caracterizada. 2001 . Romão Golambiuk e outros Réus: Leoze Lobo Maia e outro Advogados: Drs. Súmula 343 do STF. Juíza Marga Barth Tessler Autora: Caixa Econômica Federal . Inexistência. será oportunizada a complementação do depósito prévio. 2.CEF Advogados: Drs. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. do Código Civil transparece. na data do aforamento da ação consignatória. 1. Ação consignatória de saldo devedor decorrente de contrato de financiamento vinculado ao SFH. Erro de fato. Ação rescisória.09347-9/PR Relatora: A Exma. O valor da causa encontra-se em litígio no correspondente incidente de impugnação e. interpretação controvertida nos tribunais. 1. 2ª parte. 4ª Reg. p. que o saldo devedor dos autores consistia. 12. Sra. 338 R. 4.

confirmada pelo Tribunal.256. por não ter se apercebido de que a distribuição da ação consignatória e o depósito nela efetuado deram-se após a última variação da UPC (Unidade Padrão de Capital). ao caso. 2001 339 . Quanto ao erro de fato. a. a interpretação da cláusula contratual pertinente à correção monetária do saldo devedor. Reg. Frisa. 13 de dezembro de 2000. ademais. a CEF que o depósito da ação consignatória foi efetuado após a conversão da UPC pela “virada do trimestre”. 4ª Reg. utilizada como indexador do aludido contrato de financiamento. por unanimidade. 1. Porto Alegre. n. motivo pelo qual seus valores ficaram defasados. 2ª parte. restando com valor inR. Sustentam a aplicação. e não do seu aforamento. os réus contestaram o feito. violou literalmente o disposto no art. Aduz que o magistrado a quo incorreu em erro de fato. Em réplica à contestação. Sra. Porto Alegre. nos termos do relatório e notas taquigráficas. afirmam a sua inexistência. unicamente. rejeitar as preliminares argüidas e. Fed. Trib. sendo a data invocada pela CEF o dia da distribuição da demanda. Alegam que não houve violação ao art. que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. do Código Civil. 2ª parte. do Código Civil. Juíza Marga Barth Tessler: Trata-se de ação rescisória intentada contra acórdão deste Tribunal. 12. 111-405.decide a Egrégia Segunda Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. julgar improcedente a ação rescisória. a parte-autora salienta que a correção monetária de mútuo hipotecário com cláusula de reajuste anual deve ter seu saldo devedor atualizado quando do pagamento antecipado. por não proporcionar à CEF a total restituição da quantia oferecida em mútuo. o qual confirmou sentença que julgou procedente ação de consignação em pagamento proposta pelos ora réus contra a CEF. Juíza Marga Barth Tessler. Citados. RELATÓRIO A Exma. visando a compeli-la ao recebimento do saldo devedor decorrente de contrato de financiamento de imóvel vinculado ao SFH. Aduzem que a ação consignatória seguiu todos os preceitos dos arts.256. eis que a ação consignatória fora ajuizada em momento anterior ao último reajuste da UPC. da Súmula 343 do STF. 40. 1. Sustenta a autora que a sentença de primeiro grau. no mérito. na redação então vigente. Relatora. pois o que se discutiu no processo no qual foi proferida a decisão impugnada foi. p. 890 a 900 do CPC.

V). Isto porque o valor da causa encontra-se em litígio no correspondente incidente de impugnação. É o relatório. Porto Alegre. Em sede de razões finais. 40. 2001 . a parte-autora fundamenta a rescisória na ocorrência de erro de fato (CPC. Juíza Marga Barth Tessler: Preliminarmente. cabe salientar que a ação na qual foi proferida a decisão rescindenda girou em torno da interpretação de cláusula do contrato de financiamento de imóvel. será oportunizada a complementação de referido depósito. refiro que a insuficiência do depósito prévio não constitui motivo para a extinção do presente feito sem julgamento do mérito. em função do índice de variação das Unidades Padrão de Capital (UPC). Reg. art. Antes. assim.” 340 R. p. a autora intentou ação cautelar incidental à presente ação rescisória. no momento em que transitar em julgado a decisão do último feito. de fls. a. 485. para impedir a liberação da hipoteca constituída sobre o imóvel dos ora réus.ferior ao da dívida e não tendo o condão. Dispensada a revisão. 111-405. VOTO A Exma. tendo em vista a insuficiência do depósito ofertado pela parte-autora. Dispunha referida cláusula: “QUARTA – CORREÇÃO MONETÁRIA: O saldo devedor. art. a CEF interpôs agravo regimental. E. O Ministério Público Federal opinou pela improcedência da ação. Fed. porém. requerendo a suspensão da execução rescindenda. Na questão de fundo. de analisar a procedência dos argumentos da instituição financeira. 485. por ser a matéria predominantemente de direito. de eximir a obrigação do consignante. Contramencionada decisão. caso seja fixado para a causa um montante superior àquele atribuído pela autora. 276 a 279. Em março de 1999. Acresceram os réus a necessidade de extinção do feito sem julgamento do mérito. mediante a decisão da fl. 4ª Reg. Sra. 274. Trib. n. a avaliação e todos os demais valores constantes desta escritura estão sujeitos à correção monetária anual. 12. as prestações de resgate do mútuo. que previa a correção monetária do saldo devedor. Tal pedido foi recebido como antecipação de tutela e indeferido. IX) e na violação literal a dispositivo de lei (CPC. as partes ratificaram os argumentos já expendidos na inicial e na contestação.

Fed. 2001 341 . Ora. Porto Alegre. decidiu o juízo de primeiro grau. em lugar. a CEF deveria receber o valor ofertado pelos consignantes. é claro. cumpre esclarecer que. Com efeito. somente. 25) e. a parte-autora ofertou. 40. a regra é de que ela não poderá ser inferior a 10% da dívida. Não vislumbro. para verificar se há cláusula expressa sobre a liquidação antecipada. contudo. na redação então vigente: “Art. vez que esta constitui mera reposição do valor nominal da moeda. posteriormente confirmada por este Tribunal. dia e hora determinados. n. à época dos fatos controvertidos na presente demanda. logo. a única a tratar da liquidação antecipada encontra-se embutida sob a denominação de “Amortização Extraordinária” (fl. não há previsão específica. o seu ajuizamento deu-se.” Por conseguinte. Reg. pelo só exame da cláusula quarta. a. receber a quantia devida. cabia ao autor. Trib. foi designado o dia 28 de R. vir ou mandar receber a quantia ou a coisa devida. 12. na exordial da consignatória. na verdade. na inicial. 893. hipótese. Na petição inicial o autor requererá a citação do réu para. o autor não poderia ser prejudicado pela demora do Serviço Judiciário na designação da data do recebimento da quantia pelo réu. Portanto.Assim. o valor a ser depositado seria aquele constante da petição inicial – desde que consentâneo com o valor do débito naquele momento – acrescido. Por certo. sem dúvida. Somente na inércia do demandado é que seria realizado o depósito. 244. dispunha o CPC. no momento estipulado pelo juiz. p. caberia uma visão mais abrangente do contrato. conforme a data do protocolo constante na fl. Efetivamente. excepcional. em sentença confirmada por esta Corte. 4ª Reg. o que não se cogita tenha ocorrido. inobstante a ação consignatória tenha sido distribuída em 1º de julho de 1985. na atuação do magistrado a quo. de correção monetária. requerer a citação do réu para. o montante do saldo devedor atualizado de acordo com a UPC vigente naquele período. em 28 de junho do mesmo ano. aí. 111-405. na antiga sistemática da ação consignatória. Logo. sob pena de ser feito o respectivo depósito. em cumprimento a tais disposições. Assim. qualquer erro de fato ou violação literal a dispositivo de lei. que a avença do mútuo era expressa ao determinar que a correção monetária seria calculada anualmente e. Bem examinado o contrato.

não é lícito à empresa pública. estatui mencionado dispositivo legal. claramente. rejeito as preliminares argüidas e. Pelos argumentos acima expendidos. de sua leitura. pois a exegese de referido preceito transparece. Quanto à alegada afronta ao art. não incorreu em qualquer erro de fato ao julgar procedente a pretensão e declarar quitada a dívida. 2001 . Fed. agora. interpretação controvertida nos tribunais. no valor por eles ofertado. do Código Civil.” Sustenta a CEF que. 1. exatamente. Porto Alegre. decidindo o magistrado a quo. 2ª parte. já no dia 29 de julho daquele ano. p. à época da prolação do julgado rescindendo. pretender afastar os efeitos de uma avença voluntária e legalmente constituída. 1. Condeno a parte-autora ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios. no mérito. pela interpretação do contrato de financiamento. com a procedência do pedido deduzido na ação consignatória.agosto de 1985 para a efetivação da consignação pleiteada pela parte-autora. a. Assim. in verbis: “Art. os autores realizaram o depósito. Reverta-se o depósito prévio em favor da parte-ré (CPC. por não incidir. de início. Reg.256. 28. art. 494. na data do aforamento da ação. conforme atesta a cópia de guia de arrecadação juntada no verso da fl. Prejudicado o exame do agravo regimental da CEF. no qual foram previstas as formas de ressarcimento da mutuante. refiro. 29. não se podendo afirmar que possuía. não teria havido a integral restituição da quantia mutuada aos réus. que o saldo devedor dos autores consistia. 2ª parte). Isto posto. Logo. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisas do mesmo gênero. n. 111-405. Porém. porém. tendo em vista o 342 R. 40. Conseqüentemente. a Súmula 343 do STF (Não cabe ação rescisória por ofensa à literal disposição de lei quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. na espécie.). Trib. os quais fixo em 10% sobre o valor atualizado da causa. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. 12. julgo improcedente a ação rescisória. 4ª Reg. qualidade e quantidade. percebe-se que foram obedecidos todos os termos do ajuste firmado pela instituição financeira com os mutuários. consoante o despacho da fl.256. ser possível o seu exame.

embora juntado instrumento de substabelecimento. p. RELATÓRIO R. Relator. não conhecer dos embargos. EMBARGOS INFRINGENTES EM APELAÇÃO CÍVEL Nº 96. Reg.52839-4/PR Relator: O Exmo. 13 de outubro de 1999 (data do julgamento).julgamento do mérito da presente ação. 111-405. Luciane do Perpétuo Lopes Secerino. Valdirene Aparecida Souza Lopes. não vem aos autos instrumento de procuração outorgada ao substabelecente. 12. Aníbal Souza Lopes. por unanimidade. Porto Alegre. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. art. Isso ocorre quando.04. É o voto. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 4ª Reg. Peça recursal inexistente. Reputa-se inexistente o ato praticado no processo por advogado que não exibe prova de habilitação para falar em nome da parte que indica representar (CPC. a. Fed. 40. 37). Franciane de Fátima Souza Lopes e Edson Fernandes Paschoal EMENTA Processual Civil. Trib. decide a 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Porto Alegre. Sr. n. Ausência de prova de representação processual. 2001 343 . Juiz Amaury Chaves de Athayde. Juiz Amaury Chaves de Athayde Embargante: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT Embargados: Jucimara do Rócio Lopes Moraes.

eis que se não indica qualquer hipótese identificada com as exceções capituladas no mesmo dispositivo legal. em sua douta formação anterior. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Trata-se de embargos infringentes opostos pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT a v. o ato é inexistente. faz-se insanável. também. já que “a apresentação tardia do instrumento de mandato não convalida atos havidos por inexistentes pela lei processual civil” (RTJ 144/605). até mesmo se viesse a exsurgir intento de recuperação. n. no caso. que cuida de hipótese diversa — irregularidade de representação. Juiz Amaury Chaves de Athayde: Impõe-se apontar vício que induz à inexistência dos presentes embargos infringentes. advogado signatário de “substabelecimento” encartado às fls. RT 683/225). Trib. 307 a 311). 12. Sr. dispensada a revisão. 2001 . A peça recursal. não sendo o caso de aplicar-se o artigo 13. 294. 4ª Reg. É o relatório. E a omissão. Inexiste nos autos mandato outorgado ao i. 40. caput. do qual se serviu aquele que firmou os presentes embargos. p. a. Porto Alegre. Sr. Tal posição está também corroborada em precedentes de que extraio os seguintes excertos: “Os atos postulacionais praticados sem mandato somente se convalidam no prazo 344 R. pois. visando à prevalência do douto voto vencido no que tange ao valor da indenização por danos morais decorrentes de acidente automobilístico. e não falta de procuração”. É o que se dá no pertinente à representação processual da parte ré/embargante Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos — ECT. julgado da 4ª Turma deste Tribunal. houve impugnação (fls. 111-405. que “se o advogado não juntou procuração nem protestou pela sua juntada no prazo de 15 dias. é juridicamente inexistente.O Exmo. circunstância passível de apreciação de ofício (STF. VOTO (PRELIMINAR) O Exmo. Com efeito. estando o empeço assente no artigo 37. certo. Reg. Fed. Destarte. Admitido o recurso. in initio. do Código de Processo Civil. aos mesmos advogados não é dado falar em nome da parte requerida.

2ª Turma. portanto.707.51817-6/RS. p. por falta de pressuposto de constituição e desenvolvimento válido do processo. não conheço dos presentes embargos infringentes. 13. O prazo de 15 (quinze) dias para a juntada do instrumento procuratório faltante corre ex lege. 40. já que este decorre de previsão legal e não da reiteração da irregularidade” (STF. obrigando-se o advogado a comprová-la existente dentro do prazo de 15 dias. A falta da procuração acarreta a inexistência da relação processual. Reg. 26. Cabe. 111-405. Também nesta Corte. Pleno. Enquanto o art. Rel. o art. 5ª Turma.97. “MANDATO.741.” RSTJ 31/384. o advogado não pode procurar em Juízo. alguma. em que nenhuma a representação. “Os artigos 13 e 37 do CPC não se superpõem.21966-5/RS. gizar que “a prática de atos por advogado sem procuração não configura mandato tácito.” AC nº 95. prejudicados os recursos das partes. inaplicável o art. 12. insuficiente. Sem instrumento de mandato. p. Fed. FALTA DE INSTRUMENTO PROCURATÓRIO. a. DJ 24. INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO PROCESSUAL. R. É como voto. expressa nos julgados dos quais transcrevo as correspondentes ementas: “ADVOGADO. independentemente de intimação. que versa suprimento de irregularidade da representação da própria parte. 13 prevê representação irregular. 37 se dirige a hipótese diversa. Porto Alegre. INSTRUMENTO DE MANDATO. o advogado não será admitido a procurar em Juízo. 2001 345 . existindo. n. unânime. Juiz AMIR JOSÉ FINOCCHIARO SARTI.97. com extinção do feito sem julgamento do mérito. DJ 09. p.07. unânime. é possível vislumbrar idêntica orientação. Processo anulado. sendo havidos por inexistentes os eventuais atos processuais por ele praticados.04. Sem instrumento de mandato. CAPACIDADE POSTULATÓRIA. Rel.” — AC nº 94. a propósito. RTJ 139/269). mutatis mutandis.do art.” RT 709/67. Juíza TANIA ESCOBAR. 4ª Reg. Trib. Ante o exposto. 52. 37 do CPC.04.04.

nos termos do relatório.61012-0/RS Relator: O Exmo.INSS Advogada: Dra. julgar procedente o conflito para declarar o juízo suscitado – 6ª Turma deste Regional – competente para o julgamento da causa. Trib.04.CONFLITO DE COMPETÊNCIA Nº 96. decide o Plenário do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 28 de fevereiro de 2001. Se a discussão diz respeito à revisão de benefícios de servidores ferroviários inativos. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. por unanimidade. n. 12. 40. Daisson Silva Portanova e outros Dra. Sandra Maria de Jesus Rausch EMENTA Competência – Revisão de benefícios – Matéria previdenciária. Reg. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti Suscitante: 3ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Suscitada: 6ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região Partes-Autoras: Almerindo de Oliveira Duarte e outros Advogados: Drs. p. Porto Alegre. 2001 . 111-405. Isabel Cristina Trapp Ferreira Parte-Ré: Instituto Nacional do Seguro Social . a. Fed. Porto Alegre. Sr. 4ª Reg. 346 R. a matéria é predominantemente previdenciária.

Porto Alegre. nem mesmo o fato de a União complementar as referidas aposentadorias retira a natureza nitidamente previdenciária da causa. os valores dos proventos de dez/93 e fev/94. O representante do MPF opinou pela competência do Juízo Suscitado. Fed. sejam utilizados. não define a matéria como “predominantemente administrativa”. 2001 347 . Sr. 111-405. que sejam revisados os seus proventos nos meses de agosto de 1993 e seguintes. RELATÓRIO O Exmo. em ação de revisão de benefícios previdenciários. de acordo com o índice integral do IRSM. Reg. nos meses de agosto de 1993 e seguintes. para fins de conversão dos benefícios em URV. os valores dos proventos de dez/93 e fev/94. vez que a lide foi dirigida unicamente à autarquia previdenciária para revisão da parcela de sua responsabilidade e de acordo com as normas pertinentes ao sistema geral de previdência social”. notadamente uma revisional de benefício. a. O juízo suscitante diz que a competência para o julgamento do feito é da 6ª Turma. devidamente reajustados pelo índice integral do IRSM. Diz. que. para fins de conversão dos benefícios em URV. por si só. Relator . 12. em relação à 6ª Turma deste mesmo Tribunal. tão-somente. R. foi trazida aos autos a relação existente entre os autores e a União”. isto. 4ª Reg. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti: Com a devida vênia do juízo suscitado – 6ª Turma desta Corte – a despeito de a ação ter sido proposta por servidores ferroviários inativos. proposta contra o INSS. visando ao reajustamento dos benefícios. bem como para que em março de 1994. ainda. de acordo com o índice integral do IRSM. Trib. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti: Trata-se de conflito negativo de competência suscitado pela 3ª Turma deste Tribunal. bem como para que em março de 1994 sejam utilizados. porque se trata de “matéria eminentemente previdenciária”. p. sendo “irrelevante perquirir a respeito da existência de complementação de proventos por parte da União. É o relatório. devidamente reajustados pelo índice integral do IRSM. “em nenhum momento. Muito pelo contrário.Juiz Amir José Finocchiaro Sarti. n. os autores pedem. Sr. Com efeito. 40. VOTO O Exmo.

Incisos II e III do artigo 303 do CPC. No caso. Edison da Costa e outro EMENTA Agravo de instrumento. Cezar Saldanha Souza Junior Agravada: Sonia Maria Beltrão Zimmer Advogados: Drs. contanto patente a ocorrência da revelia. Sr. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 98. Possibilidade de a fazenda apresentar manifestação. n. considerada como disfarçada contestação.No que tange à falta de interesse de 348 R. 111-405. 4ª Reg. 40. julgo procedente o conflito para declarar o juízo suscitado – 6ª Turma deste Regional – competente para o julgamento da causa. o fato é que na “manifestação” ofertada pela União. p/Acórdão: A Exma. a prescrição e a falta de interesse de agir. sendo que a quanto à prescrição. É o voto. Trib. Fed. 1. Ausência de contestação.03092-6/RS Relator: O Exmo. Juiz Élcio Pinheiro de Castro Rel. 12. p. pode ser alegada a qualquer tempo (artigo 162 do Código Civil). Porto Alegre. 2001 . Sra.Nessas condições. Reg.04. a. Juíza Tania Escobar Agravante: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. são alegados dois temas.

um dos aspectos que levam à inépcia da inicial (artigo 295 do CPC. é uma das condições da ação. sendo que não haverá desigualdade entre as partes. tendo em conta que a Fazenda Pública goza de certos privilégios em relação aos efeitos da revelia. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 2. e o artigo 322 prescreve que o réu poderá intervir no processo em qualquer fase. 12. impedir o réu de que as suscite somente porque não apresentou a contestação (está-se tratando não de réu ausente. foge ao fim precípuo do processo que é um instrumento ético e jurídico à disposição das partes para distribuir a justiça. Sr. n. 2001 . mas de réu que não apresentou contestação). Trib. 111-405. motivo pelo qual foi decretada sua revelia. também cognoscível de ofício. entregando-a ao subscritor. vencido o Juiz Élcio Pinheiro de Castro. Afirma que o fato de ser revel não implica ter suas petições desentranhadas dos autos. 349 R. Discorre que apresentou contestação extemporânea. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: A União Federal agrava de decisão que determinou o desentranhamento de petição. porquanto o referido dispositivo é aplicável a qualquer parte. seja ela a Fazenda Pública ou o particular. Incidência do artigo 303 do CPC. decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Formulou. incisos II e III. Porto Alegre. 4ª Reg. RELATÓRIO O Exmo. Porto Alegre. 16 de março de 2000. a. em se tratando de matérias de ordem pública e que podem ser alegadas a qualquer tempo. 40. Reg. Deferido o efeito suspensivo. a Agravada não apresentou resposta. Entende que não merece prosperar a decisão objurgada. então. p. Juíza Tania Escobar. Fed. peça manifestando-se sobre a decadência do direito de pleitear repetição de indébito do empréstimo compulsório incidente sobre combustíveis. Assim. dar provimento ao agravo de instrumento. idem o artigo 301 do CPC). Relatora p/Acórdão.agir. por unanimidade. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas.

Quanto à prescrição. Fed. 40. n. ser reconhecida de ofício. podendo. p. 4ª Reg. um dos aspectos que levam à inépcia da inicial (artigo 295 do CPC. No que tange à falta de interesse de agir. Com essas considerações. contanto patente a ocorrência da revelia. Ora. VOTO A Exma. Ademais. percebo que na verdade trata-se de uma contestação disfarçada. De outra parte. VOTO O Exmo. o fato é que na “manifestação” ofertada pela União. como são aqueles em que a parte passiva é a Fazenda Pública. em face do disposto no inciso II do artigo 319 do CPC. Quando a lide versar sobre direitos indisponíveis. Sr. em confronto com a lei e o direito. Trib.É o relatório. retornou a Agravante ao feito. é uma das condições da ação. 12. Juíza Tania Escobar: No caso. o que acarretou a decretação da revelia e o desentranhamento da mesma. considerada como disfarçada contestação. observando os termos da hostilizada petição. Entendo que não assiste razão à Agravante. não se aplica os efeitos da revelia. dessarte. nenhum prejuízo decorre para a União Federal a ausência de contestação. são alegados dois temas. alegar que tal manifestação não tem cunho contestatório é menosprezar o discernimento do julgador. De fato. na espécie. nego provimento ao agravo. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: Depreende-se dos autos. 111-405. Porto Alegre. cumpre lembrar que pode ser alegada a qualquer tempo (162 do CC). a (1) prescrição e (2) a falta de interesse de agir. gerando novamente a ordem para ser extraída a peça do processo. idem 350 R. porquanto foi abordada questão sobre decadência que é eminentemente de defesa. a. ter a União Federal apresentado contestação extemporânea. pois configurava intenção de contornar a lei. o artigo 322 do CPC permite ao revel intervir no processo em qualquer de suas fases. para “manifestar-se” sobre a inicial da ação. Contudo. Reg. Então. a denominada prescrição com base no artigo 168 do CTN é por muitos considerada como verdadeiro prazo decadencial. Sra. 2001 . tratando-se de demanda que versa somente sobre matéria de direito. devendo o juiz de ofício examinar todos os pontos abordados pela parte-autora.

2001 351 . 111-405. p. É o voto. Trib. mas faço mais uma consideração em atenção ao que foi com veemência defendido pelo ilustrado relator e insigne colega. Ora. só é lícito deduzir novas alegações quando: I . o artigo 303 do CPC.04. mas de réu que não apresentou contestação. Juiz Vilson Darós R. a. não só na contestação e.por expressa autorização legal. II .o artigo 301 do CPC). Reg. Incide. 4ª Reg. n. inviável falar em preclusão. Depois da contestação. 12. seja ela Fazenda Pública ou particular. (2) matéria que pode e deve ser conhecida de ofício. APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999.relativas a direito superveniente. em se tratando de matérias de ordem pública e que podem ser alegadas a qualquer tempo. Porto Alegre. porquanto os incisos II e III do artigo 303 do CPC se aplicam a qualquer parte.085697-0/RS Relator: O Exmo. dou provimento ao agravo de instrumento. data venia do ilustre relator. e a não-apresentação da contestação acarreta tão-somente o efeito do artigo 319 do CPC).” O voto estaria aqui encerrado. Assim. pelo que se vê a União nada mais fez que instar o julgador a manifestar-se sobre temas que: (1) pode ser alegado a qualquer tempo. A observação é que não haverá desigualdade entre as partes. impedir o réu de que as suscite somente porque não apresentou a contestação (veja que não estamos tratando de réu ausente. puderem ser formuladas em qualquer tempo e juízo.01. 40. Sr.competir ao juiz conhecer delas de ofício. no caso. foge ao fim precípuo do processo que é um instrumento ético e jurídico à disposição das partes para distribuir a justiça. Ante o exposto. 303. III . Fed. também cognoscível de ofício. incisos II e III: “Art.

2001 . Note-se que não se está. assim. Em sede recursal. 12. Ocorre que o feito deve ser regularmente liquidado. não pode ser utilizado o critério da conta homologada(o total do benefício em moeda convencional de janeiro de 1984 a setembro de 1990). quanto à data fatal. INPC. “janeiro de 1982”. Fed. 40. 1º). Porto Alegre.722/82. produziram toda a eficácia e validade. Portanto. reconheceu o direito pleiteado.658 (art. a fixação de término. de 1969. Foi o que fez a União. não houve. Coisa julgada. Nessas condições. restou hígido. Flavio Borghetti e outros Drs. ou seja. Reg. Crédito-prêmio. Nessas condições. uma vez que o direito ao crédito-prêmio do IPI continua reconhecido. já que o termo final do benefício ocorreu em 30. nos termos do Decreto-Lei nº 1. p. A sentença. pois a matéria está pacificada 352 R.658/79 e 1. 4ª Reg. não houve pronunciamento judicial. nos exatos termos do pedido. a partir de janeiro de 1982. aqui. Decretos-Leis nºs 1. O prazo fatal de extinção do crédito-prêmio instituído pelo Decreto-Lei nº 491. mas. em momento algum. A autora formulou pedido para auferir os estímulos fiscais “a partir de janeiro de 1982”. e com razão.83. Guillermo Antonio Araujo Grau e outros EMENTA Liquidação de sentença.06. Assim. n. o Acórdão manteve a sentença. a ferir a coisa julgada. Cezar Saldanha Souza Junior Apelada: Madezorzi S/A Advogados: Drs. É legal a correção monetária pelo INPC. quanto a esta parte. sua extinção fixada para 30 de junho de 1983.722(art. IPC. por sua vez. IPI.Apelante: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. 111-405. 3º). João Luciano da Fonseca Pereira de Queiroz e outros Drs. não havendo. É legítima a incidência dos expurgos inflacionários do IPC. nada que esteja coberto pelo manto da coisa julgada. a. Trib. ao contrário. os quais não mereceram nenhuma declaração de inconstitucionalidade. pois é a que melhor reflete a variação ocorrida no período de março a dezembro de 1991. ambos de 1979. mantido pelo Decreto-Lei nº 1. Correção monetária. nos meses de janeiro de 1989 e de março a maio de 1990 (Súmulas nºs 32 e 37 desta Corte). possível a discussão dessa questão em embargos à execução. a decisão trânsita em julgado somente fixou a data inicial para auferir os estímulos.

voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 4. em face do disposto nos Decretos-Leis nºs 1.nesta Corte. na forma do art. assim. a partir da citação. 3º do Decreto-Lei nº 1. n. 3. 2001 . Fed. Trib. 4ª Reg. e 167. pelas variações das ORTNs e BTNs. declarou a inconstitucionalidade do art. Juiz Vilson Darós. afirmando ser a mesma 30 de junho de 1983. decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. § único. A correção monetária é devida a partir da data da conversão dos créditos questionados em moeda nacional. Juiz Vilson Darós: Trata-se de liquidação de sentença proposta por Madezorzi S/A em virtude de decisão judicial cuja ementa teve a seguinte redação: “CONSTITUCIONAL. A União (fls. (AInc nº 90. Reg. Os juros de mora serão de 12% ao ano. JUROS MORATÓRIOS. 1º do Decreto-Lei nº 1. parcialmente provido recurso da parte autora. não podendo. JUROS COMPENSATÓRIOS. p. CORREÇÃO MONETÁRIA. §1º. em sua composição plena. 1. (570/577) foi determinada a liquidação por arbitramento. ser equiparada a ato ilícito. ESTÍMULOS FISCAIS. Requereu a delimitação de tal data como marco temporal para a aferição do crédito-prêmio do IPI. porque a suspensão dos incentivos foi feita em decorrência de lei. 12.658/79 e 1. ” Em decisão de fls. Porto Alegre. Relator. Na espécie não cabem juros compensatórios. Sr. Aplicação do índice do IPC no mês de fevereiro de 1991 (Súmula nº 37 desta Corte).722/82. 5. Foram emitidas duas contas que utilizaram o total do benefício em moeda convencional de janeiro de 1984 até setembro de 1990 como 353 R. RELATÓRIO O Exmo. nos termos dos arts. Porto Alegre.04.11176-0/RS) 2. DECRETO-LEI Nº 491/69. Este Egrégio Tribunal. 111-405. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. a.894/81. 868/871) manifestou-se quanto ao prazo final da concessão. 161.724/79 e a do inciso I do art. nos termos do relatório. do CTN. Recurso da União Federal e remessa oficial improvidos. por unanimidade. 40. dar parcial provimento à apelação e à remessa oficial. 11 de dezembro de 2000. 2º do DL nº 491/69.

Sr. 40. 4ª Reg. Feita a dedução. § 2º.658/79 e 1. 882/943). ou aproveitado nas formas indicadas por regulamento. 1º. que estabeleceu: “Art. n. Porto Alegre. apelou a União insurgindo-se quanto ao prazo final da concessão. 2001 . tenho que o apelo merece prosperar. até sua definitiva extinção. Pleiteou. vieram os autos a esta Corte. Irresignada. será reduzido gradualmente. § 1º . 868/871. Com contra-razões. de 1979. créditos tributários sobre suas vendas para o exterior. a.722/82. Reg.658. em face do disposto nos Decretos-Leis nºs 1. p. Trib.critério (fls. Senão. Juiz Vilson Darós: Quanto ao prazo final da concessão do crédito-prêmio ser 30 de junho de 1983. e havendo excedente de crédito. b) a 31 de março. dispôs o Decreto-Lei nº 491. 354 R. Fed. O estímulo fiscal de que trata o artigo 1º do Decreto nº 491. É o relatório. A União impugnou-o discordando dos índices de correção monetária e remetendo-se ao arrazoado de sua manifestação de fls.722/82. vejamos: Ao instituir estímulos fiscais à exportação de manufaturados. a exclusão do IPC e do INPC no cálculo. § 1º. Sobre o cálculo a autora manifestou-se concordando inteiramente com o mesmo. afirmando ser a mesma 30 de junho de 1983. de 05 de março de 1969. em 5% (cinco por cento).658/79 e 1.” Posteriormente. 111-405. poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais. em 10% (dez por cento). a título de estímulo fiscal. o estímulo será reduzido: a) a 24 de janeiro. Regularmente processado o feito sobreveio sentença homologando os cálculos apresentados. Requereu a delimitação de tal data como marco temporal para a aferição do crédito-prêmio do IPI.Durante o exercício financeiro de 1979. VOTO O Exmo. com ressarcimento de tributos pagos inteiramente. de 1969: “Artigo 1º. As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão. 12. ainda. em face do disposto nos Decretos-Leis nºs 1. veio a ser editado o Decreto-Lei nº 1. Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre produtos Industrializados incidente sobre as operações do mercado interno.

a 30 de setembro e a 31 de dezembro de cada exercício financeiro. e) a 31 de dezembro.estabelecer prazo.estabelecê-los.” Com base nestes últimos dois normativos. permanecendo como limite de vigência o dia 30 de junho de 1983. O parágrafo 2º do artigo 1º do Decreto-Lei nº 1. 12. com referência aos incentivos fiscais à exportação. em seu item I. que autorizou o Ministro da Fazenda a deliberar acerca do crédito-prêmio do IPI instituído pelo Decreto-Lei nº 491. consórcios ou entidades semelhantes. bem como reduzi-los. a edição de novo Decreto-Lei. cooperativas.658. de 1969. a. após. em 5% (cinco por cento). p. Porto Alegre. a operações de venda de produtos manufaturados nacionais. vinte por cento em 1981.determinar sua aplicação nos termos. III . ou extinguir. verbis: “Art. 3º. 40.c) a 30 de junho. § 2º . forma e condições para sua fruição. a sistemática de gradual redução do benefício estabelecida no Decreto-Lei nº 1. suspendê-los ou extingui-los. d) a 30 de setembro. A de nº 252/82. II . 110/81.O estímulo será reduzido em vinte por cento. 270/81. aumentar ou reduzir. 111-405.658 recebeu nova redação pelo Decreto-Lei nº 1. 252/82 e 176/84. atribuiu ao Ministro da Fazenda poderes delegados. de 7 de dezembro de 1979. Houve. mais uma vez. Seguiu-se a edição do Decreto-Lei nº 1. às exportações efetuadas por intermédio de empresas exportadoras. no mercado interno. 2001 . o estímulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março. Fed.724. em 5% (cinco por cento). até sua total extinção a 30 de junho de 1983. total ou parcialmente.722. a 30 de junho. tal como. em 5% (cinco por cento). Trib. 4ª Reg.894. passa a vigorar com a seguinte redação: § 2º . como se vê: “Art.” Naquele mesmo ano de 1979. limites e condições que estipular. em 16 de dezembro de 1981. majorá-los. a nova regulamentação não alterou a data fatal da extinção do estímulo em questão. temporária ou definitivamente. a: I . O Ministro da Fazenda fica autorizado. o de nº 1. contra pagamento em moeda de livre conversibilidade. em 1980.” Como se vê. 3º. que. n. o Ministro da Fazenda baixou as Portarias nºs 78/81. em caráter geral ou setorial. vinte por cento em 1982 e de dez por cento até 30 de junho de 1983.A partir de 1980. Reg. de 24 de janeiro de 1979. prorrogou a data de extinção do estímulo em 355 R. de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda.

ou restringir os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1º e 5º do Decreto-Lei nº 491. 78. Rel. Juiz Paim Falcão. p. ARTIGOS 1º E 5º. 2. 356 R. parece ter sido alterada a data fatal de extinção do crédito-prêmio fixada pelo Decreto-Lei nº 1. de 07. previu a extinção em 1º de maio de 1985.A partir de 1º de maio de 1985 fica extinto o crédito a que se refere o item I da Portaria n.11176-0/PR. reduzir. que “é inconstitucional o artigo 1º do Decreto-Lei nº 1.175/DF o mesmo colegiado julgou inconstitucional a delegação de competência prevista no Decreto-Lei nº 1. porém. passando para 30 de abril de 1985 ou 1º de maio de 1985. n. como se vê do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade na AC nº 90. que autorizou o Ministro da Fazenda a aumentar ou reduzir. de 05. 111-405.724. a. A autorização dada pelo artigo 1º do Decreto-Lei nº 1. ambos de 1979.69. de 1981.12.894.03. será de 11% (onze por cento) até 30 de abril de 1985. DECRETO-LEI Nº 491. Já na Argüição de Inconstitucionalidade na AC nº 111.724.04. Trib.722. E DO INCISO I DO ARTIGO 3º DO DECRETO-LEI Nº 1. de 1º de abril de 1981.724. à lei. bem assim a do inciso I do artigo 3º do Decreto-Lei nº 1. de 5 de março de 1969. de 07.658 e mantida pelo Decreto-Lei nº 1.”(Plenário. DE 16 DE DEZEMBRO DE 1981.40). concedidos pelos artigos 1º e 5º do Decreto-Lei nº 491.” Já a de nº 176/84. Porto Alegre. p.92.79.896/DF.” (Relator Ministro Antônio de Pádua Ribeiro). Reg. 40. 2001 . inciso VI do Código Tributário Nacional. ao Ministro da Fazenda para suspender. ou seja. DE 5 DE MARÇO DE 1969.comento. de 16 de dezembro de 1981. 4ª Reg. extinguindo-se após essa data. de 1º de abril de 1981. por seu Plenário. aumentar.12. ou extinguir os incentivos fiscais.79. DJU de 10. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 1º DO DECRETO-LEI Nº 1. 30 de junho de 1983. temporária ou definitivamente. cujo acórdão restou assim ementado: “CONSTITUCIONAL. DE 7 DE DEZEMBRO DE 1979. Fed. nº 10. em seu inciso II.06.894. decidiu. temporária ou definitivamente. que o extinto e sempre lembrado Tribunal Federal de Recursos ao julgar a Argüição de Inconstitucionalidade suscitada na AC nº 109.” À primeira vista. 12.0 crédito a que se trata a Portaria nº 78. ao prescrever: “I . reconheceu referidas inconstitucionalidades. de igual modo. Esta Corte. nos termos do artigo 97. Ocorre.894. exclusivamente. Argüição de Inconstitucionalidade acolhida. é inconstitucional por invadir esfera reservada. verbis: “II . Revista do TRF/4ª. 1. 1992. ESTÍMULOS FISCAIS.

já que o termo final do benefício ocorreu em 30.658 (art. O reajuste monetário. 12. É por isso que o cálculo da correção monetária deve ser efetuado de modo a refletir a efetiva desvalorização da moeda. de 1979. 1º). Trib. quanto à data fatal não houve pronunciamento judicial. invalidados. Desta maneira. nos termos do Decreto-Lei nº 1. reconheceu o direito pleiteado. ou seja. Foi o que fez a União. provocada pelo 357 R. os atos normativos inferiores. porém. Logo. de 1969. Nessas condições. ao contrário.06. Nessas condições. a autora formulou pedido para auferir os estímulos fiscais “a partir de janeiro de 1982” (fl. 357 manteve a sentença. a ferir a coisa julgada.894.724. através da alteração de sua expressão nominal. mantido pelo Decreto-Lei nº 1. mas. Assim. n. 4ª Reg. possível a discussão dessa questão em embargos à execução. nos exatos termos do pedido. quanto a esta parte. A sentença. 40. nada que esteja coberto pelo manto da coisa julgada. a. ambos de 1979. a nada mais visa do que manter o valor real da dívida no decurso do tempo. ex tunc.722 (art. do que decorre a conclusão única que o prazo fatal de extinção do crédito-prêmio instituído pelo Decreto-Lei nº 491. Nada acrescenta. Ocorre que o feito deve ser regularmente liquidado. e no artigo 3º do Decreto-Lei nº 1. 111-405. “janeiro de 1982”. o Acórdão de fls. a partir de janeiro de 1982. de 1981. restou hígido. descaracteriza-se qualquer sanção ao devedor. sua extinção fixada para 30 de junho de 1983. Note-se que não se está. a decisão trânsita em julgado somente fixou a data inicial para auferir os estímulos. p. os quais não mereceram nenhuma declaração de inconstitucionalidade.Com isso. não houve. É simples reposição do poder aquisitivo da moeda. em momento algum. Reg.83. Porto Alegre. e com razão. No caso em tela. assim. aliás. 3º). 2001 . produziram toda a eficácia e validade. restaram ineficazes. 28). ditados pelo Ministro da Fazenda com respaldo no artigo 1º do Decreto-Lei nº 1. uma vez que o direito ao crédito-prêmio do IPI continua reconhecido. Fed. aqui. a fixação de término. Em sede recursal. não havendo. a utilização de correção monetária é inarredável e traduz forma lícita e justa de alcançar o maior grau possível de satisfação do direito tutelado. por sua vez. Portanto. não pode ser utilizado o critério da conta homologada (o total do benefício em moeda convencional de janeiro de 1984 a setembro de 1990).

06. inclui-se o índice de 42. Trib. revisou a Súmula n° 17 e editou a Súmula n° 32. Nesse contexto. sob pena de tolerar-se o enriquecimento indevido de uma das partes.” No que tange ao índice de correção monetária do mês de janeiro de 1989. 4ª Reg. este Tribunal. o fator de correção é o IPC. incluem-se os índices relativos ao IPC de março abril e maio de 1990 e fevereiro de 1991. este Tribunal editou a Súmula n° 37. os Tribunais do país têm reiterada e uniformemente se pronunciado no sentido da aplicação dos índices IPC e INPC nos cálculos de liquidação de sentença. 40. 111-405.01. seguindo orientação da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. impõe-se a aplicação de índices que efetivamente afirmam a realidade inflacionária do período.” Da mesma forma. 2001 . 12. Por isso. Reg. dou parcial provimento ao apelo e à remessa oficial. a inclusão do INPC é a que melhor reflete a variação ocorrida no período de março a dezembro de 1991. Isso posto. Quanto à correção monetária relativa ao período de março a maio de 1990. APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. para fixar o termo final do incentivo de crédito-prêmio do IPI em 30. p.83. a.003101-7/RS Relator: O Exmo. Juiz Teori Albino Zavascki 358 Apelante: Rogério Duro Barreto R. Nesse sentido. Porto Alegre. cujo enunciado transcrevo a seguir: “Na liquidação de débito resultante de decisão judicial. n. de acordo com jurisprudência consolidada da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. relativo à correção monetária de janeiro de 1989. No que se refere aos índices. Fed.72%. que dispõe: “No cálculo da liquidação de débito judicial. Sr.fenômeno da inflação.04. adotar índices que contenham expurgos ditados pela política governamental não é adequado e implica redução do valor real da dívida.

do Distrito Federal. “Compete à Justiça do Trabalho conciliar e julgar dissídios individuais e coletivos entre trabalhadores e empregadores. Eberaldo Leo Cestari Junior e outros EMENTA Competência. p. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Relator. Juiz Teori Albino Zavascki: Suscito questão de ordem para que se decida a respeito da competência para o julgamento da causa. Juiz Teori Albino Zavascki: Segundo o artigo 114 da Constituição. Fed. 111-405. Trib. 4ª Reg. Justiça do trabalho. Porto Alegre. em decorrência de vínculo laboral. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. proveniente de lesões por esforços repetitivos (LER) sofridas no desempenho das atividades funcionais. declarar. dos Estados e da União. É o breve relatório. postulando indenização por danos materiais e morais e pagamento de assistência médica. abrangidos os entes de direito público externo e da administração pública direta e indireta dos Municípios.CEF Advogados: Drs. n. 114 da Constituição Federal. Reg. e a remessa dos autos à Justiça do Trabalho. Trata-se de demanda movida por empregado da Caixa Econômica Federal. Sr. Juiz Teori Albino Zavascki. QUESTÃO DE ORDEM O Exmo. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Conforme preceitua o art. 2001 359 . Sr. Ação de indenização. não importando a natureza civil do pedido. Geraldo Tschoepke Miller Apelado: Caixa Econômica Federal . 30 de novembro de 2000. a incompetência da Justiça Federal. com conseqüente anulação da sentença recorrida. e. de ofício. a. R.Advogado: Dr. 40. se postula indenizações. 12. são de competência da Justiça do Trabalho as causas em que. por unanimidade. Porto Alegre. VOTO O Exmo.

2001 . Paralisação de empregados. 40. por exemplo. 1. 1ª Turma ). o STJ considera da competência trabalhista também as causas fundadas em responsabilidade civil. em suma.99.). Min. 111-405. 118. outras controvérsias decorrentes da relação de trabalho.na forma da lei. movidas pelo empregador contra o empregado em decorrência de atos que tenham relação de pertinência com o vínculo empregatício (CC 22327. Conflito conhecido para declarar a competência da Justiça do Trabalho”. 1ª Turma. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal a respeito desse dispositivo é no sentido de considerar da competência da Justiça do Trabalho qualquer dissídio entre empregado e empregador que tenha origem ou que guarde relação com o contrato de trabalho. Porto Alegre.99. o ressarcimento de danos cuja causa está diretamente relacionada 360 R. p. DJ de 29. 47. n. Carlos Alberto Menezes Direito. Min. não importando deva a controvérsia ser dirimida à luz do Direito Civil”. assim decorrente da relação de trabalho. tem-se presente demanda promovida por empregado da Caixa Econômica Federal contra a sua empregadora. Sepúlveda Pertence. Ação de indenização.737-4/SP. não trabalhista. Trib. A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação de responsabilidade civil proposta por empregador contra ex-empregados em decorrência de abusos e de ilícitos civis praticados durante paralisações no serviço. inclusive coletivas”. 4ª Reg. no caso concreto. com a seguinte ementa: “Justiça do Trabalho. Assim. p. Com base nessa mesma linha de entendimento. Fed. Precedente do STF (RE nº 238. pleiteando indenização por danos à saúde (lesões por esforços repetitivos – LER) e morais sofridos por ocasião e em função das atividades laboratícias e imputados a ato culposo da empregadora. a. com a seguinte ementa: “Conflito de competência. Competência.11. 2ª Seção. 2. DJ de 05. Reg. Ação de reparação de danos decorrentes da imputação caluniosa irrogada ao trabalhador pelo empregador a pretexto de justa causa para a despedida e. Ora. o STF considera da competência da Justiça Trabalhista a causa em que o reclamante postula indenização por dano moral por imputação caluniosa irrogada ao trabalhador pelo empregador a pretexto de justa causa para a sua despedida (RE 238737. mesmo que se trate de controvérsia para cuja solução se deva aplicar as normas de direito comum. 12. p. Busca-se. bem como os litígios que tenham origem no cumprimento de suas próprias sentenças.).02.

INSS Advogada: Dra. no sentido de declarar. p. Sr.04. com a conseqüente anulação da sentença recorrida e a determinação da remessa dos autos a uma das varas trabalhistas de Porto Alegre. 111-405. 243 Autora: Maria das Dores Silva Advogados: Drs.01. Zaqueu Sutil de Oliveira e outro R. Ante o exposto. Reg. de ofício. 2001 361 . Decisão da fl.034264-3/RS Relator: O Exmo. É o voto. 40. a incompetência da Justiça Federal. Porto Alegre. n. 4ª Reg. 12. Marcia Pinheiro Amantea Agravada: V. Fed. Juiz Nylson Paim de Abreu Agravante: Instituto Nacional do Seguro Social . onde reside o demandante. Trib. causa entre empregado e empregador enquadrável na competência da Justiça do Trabalho. AGRAVO REGIMENTAL NA AR Nº 2000. segundo o artigo 114 da Constituição. É.com o contrato de trabalho e o exercício da função. a. portanto. resolvo a questão de ordem.

juntando-se-a por linha. 188 do CPC. com pedido de antecipação de tutela. Prazo para contestação. a teor do disposto no art. objetivando desconstituir o v. Sr. RELATÓRIO O Exmo. o INSS interpôs agravo regimental. acór362 R. com pedido de antecipação de tutela. Porto Alegre. Juiz Nylson Paim de Abreu. Irresignado com tal decisão. como ocorre na ação rescisória. 40. 188 do CPC. de dilação dos prazos processuais nela previstos. n. Relator. em face da sua intempestividade. A regra prevista no art. Porto Alegre. Por meio da decisão da fl. p. VOTO O Exmo. Agravo regimental improvido. É o relatório. a. por unanimidade. Reg. e não aos judiciais. Em suas razões. 22 de novembro de 2000. Traz à colação jurisprudência que ampara a sua tese e requer seja procedido o regular processamento daquela peça. que deu provimento à apelação e à remessa oficial para julgar improcedente o seu pedido de aposentadoria rural por idade. Ação rescisória. Juiz Nylson Paim de Abreu: Trata-se de ação rescisória.EMENTA Processual Civil. acórdão proferido pela Egrégia 6ª Turma deste Tribunal. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Sr. Inaplicabilidade do art. 1. sustenta que a tempestividade da contestação. Fed. 2. previstos em lei. negar provimento ao agravo regimental. 243. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Juiz Nylson Paim de Abreu: Trata-se de ação rescisória. 4ª Reg. 2001 . 111-405. 12. 188 do CPC. objetivando desconstituir o v. é aplicável apenas aos chamados prazos legais. foi determinado o desentranhamento da contestação dos autos. decide a Egrégia Terceira Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Trib.

491 que tem o Juiz-Relator como destinatário.05. Reg. os previstos na própria lei. Nesse sentido. p. obedece às normas comuns no que diz respeito à contagem. 4ª Reg. aos procedimentos especiais.dão proferido pela Egrégia 6ª Turma deste Tribunal. 491 do estatuto processual civil regra dirigida ao Juiz-Relator. para responder aos termos da ação. ação popular onde o prazo é sempre de vinte dias. não aos judiciais. juntando-se-a por linha. razão pela qual determino o seu desentranhamento dos autos. em princípio. 188. 1998. 188 nas ações rescisórias implicaria na inobservância da regra do art. Incide. que deu provimento à apelação e à remessa oficial para julgar improcedente o seu pedido de aposentadoria rural por idade. prorrogação. aplicando-se.2000 (fl. Porto Alegre. porquanto. Destarte.) É tranqüilo o entendimento na doutrina e na jurisprudência que a aplicabilidade de tal regra não se limita ao procedimento ordinário.” (Comentários ao Código de Processo Civil. preleciona José Carlos Barbosa Moreira: “O prazo para a resposta.2000 (fl. no prazo de trinta dias. e não aos prazos judiciais. suspensão. o art. iniciado o prazo em 31. e 191). intimado o réu para apresentar resposta. verifica-se que.717/65. 2001 363 .08. a. que somente concerne aos prazos legais. 237). restituição etc. nºs I a V. 241.018-1/SP: “(. colaciona-se excerto da decisão proferida no Ag. Entre as exceções inclui-se a ação rescisória. n. caput. Em seu recurso. As exceções são conhecidas. Trib. Examinando os autos. fê-lo intempestivamente. 12. p. em AR 67. a Autarquia-ré invoca o disposto no art. por força da regulamentação específica prevista na Lei 4. Será comum o prazo aos eventuais litisconsortes passivos. Reg. Entendimento em contrário implicaria inobservância do disposto no art. fixados pelo Juiz. onde se dispõe que o Relator mandará citar o réu assinando-lhe o prazo nunca inferior a quinze dias nem superior a trinta dias. 111-405. admitir-se a regra do art. Rio de Janeiro: Forense. 190 – grifado) Na trilha do mesmo entendimento.. quanto ao dies a quo. 188 do CPC. o disposto naquela norma processual é aplicável apenas aos prazos legais. dentro de um mínimo e um máximo. Fed. isto é. 40. fixado pelo relator. como ocorre na ação rescisória. É princípio elementar de hermenêutica que quando dois dispositivos aparentemente conflitam deve procurar o intérprete harmonizá-los e isso só se torna possível se entender-se que o R. 298. Entrementes.. a peça contestatória foi protocolada na Secretaria do Plenário e das Seções deste Tribunal somente no dia 29. Entendemos inaplicável o art. 234). entre 15 e 30 dias. mas contar-se-á em dobro se tiverem procuradores diferentes (arts.

Porto Alegre.. mantenho a decisão agravada. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA AC Nº 2000. Não abrange aqueles outros. Como bem anotou Barbosa Moreira em aresto do qual foi Relator (RT 547/178). Reg. 4ª Reg. que determinou o desentranhamento da contestação dos autos. cuja fixação se deixou ao critério do órgão judicial.01.)” (Ação rescisória II – jurisprudência brasileira. 40.04. Fed. 2001 . p. embora o texto do art. o que se deve entender é que a dilatação especial nele prevista apenas vale para os prazos denominados legais. 1997.334) Nessas condições. isto é. p. 111-405. Trib. fixados na própria lei. 12. como se verifica quanto à resposta na ação rescisória. n. Curitiba: Juruá. Mas não é só. juntando-se-a por linha.124187-1/SC 364 R. a. Diante do exposto. em face da sua intempestividade.prazo para rescisório jamais poderá ser superior a trinta dias. 188 não estabeleça em termos expressos a distinção. dentro de limites mínimo e máximo.. voto no sentido de negar provimento ao agravo regimental. (.

devem os mesmos ser improvidos. 100 da Constituição Federal. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia Embargante: Instituto Nacional do Seguro Social . Inexistência. Relator. a. JUROS DE MORA. Porto Alegre. O acórdão embargado foi assim ementado: “PRECATÓRIO COMPLEMENTAR. n. deu parcial provimento ao recurso de apelação. Erickson Silveira de Souza EMENTA Embargos declaratórios. 1. Fed. 12. Porto Alegre. Paulo Delcio Torres Costa Embargados: Manoel Antonio Correa e outros Advogado: Dr. Sr. deixando de prequestionar a matéria. p. . 4ª Reg.INSS Advogado: Dr. o R. negar provimento aos embargos de declaração. nos termos do relatório. 2001 365 . 22 de fevereiro de 2001.Relator: O Exmo. decide a Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. vedado o cômputo de juros sobre juros. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. 111-405. por unanimidade. por unanimidade. Sr.” Em suas razões. Em não ocorrendo qualquer dos requisitos estabelecidos em lei para a interposição de embargos de declaração. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia. o embargante afirma que o colegiado não enfrentou a questão da incidência dos juros no precatório complementar frente ao art. Omissão. RELATÓRIO O Exmo. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Reg. 40.São devidos juros de mora na atualização da conta objeto de precatório complementa. Trib. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia: Trata-se de embargos declaratórios opostos pelo INSS contra acórdão da 5ª Turma deste Tribunal que.

Trib. e Rosa Maria Andrade Nery. n. Inexistem obscuridade. seu convencimento. derivados de mora. p. mas não desmotivada. Fed. por entender compatível a incidência de juros. 4ª Reg. com o estrito cumprimento do disposto no art. Com efeito. na questão de fundo. a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça como se vê das ementas a seguir transcritas: “A nulidade do julgamento por omissão tem por pressuposto a necessidade de a Câmara pronunciar-se sobre o ponto. não é necessário ao julgador enfrentar os dispositivos legais citados pela parte ou obrigatória a menção dos dispositivos legais em que fundamenta a decisão. Requer seja dado provimento aos embargos “para que fique explícito na fundamentação que a Turma. 1ª Turma. Demócrito Reinaldo. É o relatório.” (STJ. Alega que os precedentes jurisprudenciais que deram origem à Súmula nº 52 desta Corte não contêm debate da questão constitucional envolvida. Portanto. contradição e/ou omissão a serem supridas na forma do disposto no artigo 535 do CPC. art.que caracterizaria omissão no acórdão.93. 458. devidamente. Reg. como se vê da passagem a seguir transcrita: “De acordo com o comando preconizado no CPC. VOTO O Exmo. limitando a examinar apenas a incidência da mora nos termos do Código Civil. a decisão judicial de mérito pode ser concisa. nega provimento ao recurso. Juiz Sérgio Renato Tejada Garcia: Tenho que não merecem prosperar os presentes embargos de declaração. Sr. p. REsp 152288. rel. mas estando a mesma suficientemente fundamentada. 111-405. eis que o fundamento da sentença é a garantia do juiz contra duas pechas que se lhe possam atribuir: o arbítrio e a parcialidade. de que a decisão seja motivada.03. desde que enfrente as questões jurídicas postas na ação e fundamente. A intenção maior do legislador ao elaborar o artigo 458 do Código de Processo Civil é. inexiste omissão 366 R. RT. Min. justamente. não se lhe pode atribuir a condição de omissa. 3ª edição). Nelson Nery Jr. Porto Alegre. DJU 15. 100 da Constituição Federal”. Se a fundamentação da conclusão a que chegou independe do enfrentamento dos dispositivos legais citados pela parte. constando da decisão razões de decidir que não correspondem ao entendimento do embargante. a. in Código de Processo Civil Comentado e Legislação processual em vigor. 3784. 12. 40. Nesse sentido. 2001 .

Rel. 1. Não há que se falar em ofensa aos arts. Adhemar Maciel. O Tribunal de apelação não está obrigado a fazer menção expressa aos dispositivos legais invocados pelo apelante. POR TER O TRIBUNAL DE APELAÇÃO MENCIONADO EXPRESSAMENTE O DISPOSITIVO LEGAL A SER SUSCITADO NO RECURSO ESPECIAL. 1992. 21497) “PROCESSUAL CIVIL. 2.14ª Câmara Cível. os argumentos das partes.” (REsp 88365-SP. todas elas que possam servir de fundamento essencial à acolhida.103). Porto Alegre. Fed. 2ª Turma. o que é desnecessário para o cumprimento do requisito de admissibilidade do prequestionamento. ‘sejam preliminares ou prejudiciais. como se vê da passagem a seguir transcrita: “O juiz. Se não o fizer.Conceito . 111-405.” No mesmo sentido. não está adstrito a responder. STJ. 40.Parte Final da sentença e não referência ao artigo legal no qual se funda . Rel. no todo ou em parte. desnecessário o esgotamento de todas as argumentações das partes. NULIDADE DO ACÓRDÃO: NÃO-OCORRÊNCIA.” (AC nº 224. Trib. 458 e 535 do CPC. por certo. Ed.97) Ainda nesse sentido a passagem a seguir transcrita. isto sim. a jurisprudência como se vê das ementas a seguir transcritas: R. DJU 29. a sentença estará incompleta’ (Sentença e Coisa Julgada. JTJ 155/122) Ademais. 4ª Turma. embora não tenha feito menção expressa ao respectivo dispositivo legal. tem o dever. RECURSO ESPECIAL NO QUAL SE ALEGA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 3. STJ. 12. in verbis: “SENTENÇA . p. DJU 17. omitir-se sobre o pedido.Dispositivo . Reg. 458 E 535 DO CPC. com o que estará satisfeito o requisito do prequestionamento.Requisito .AIDE. ou à rejeição. se o Tribunal de segundo grau apreciou e solucionou a questão federal posta na apelação. p.06. não podendo o julgador. 4ª Reg. de examinar as questões(= pontos controvertidos).575-2 . n° 75.Omissão afastada. (REsp 130031-SP.sanável através de embargos de declaração. contudo.Conclusão ou decisão .TJSP .96. Recurso especial não conhecido. total ou parcial. um a um. JÁ QUE A QUESTÃO FEDERAL FOI APRECIADA E SOLUCIONADA. in AJURIS nº 65. a. o Juiz tem de examinar e julgar todas as questões da lide trazidas à sua apreciação. No magistério de Egas Moniz de Aragão. do pedido formulado pelo demandante. processuais ou de mérito. p. n. Basta que aprecie e solucione as questões federais insertas nos artigos citados pelo recorrente. 2001 367 . Min. Mathias Coltro. RECURSO NÃO CONHECIDO.09. na lição de Athos Gusmão Carneiro.

21497) “O Juiz não está obrigado a responder todas as alegações das partes. verbis: “A discussão sobre a aplicação de juros de mora na conta de atualização está encerrada com a edição da Súmula nº 52. portanto. Porto Alegre.06. nego provimento aos embargos de declaração. 535 do Código de Processo Civil. no acórdão embargado. obscuridade ou contradição. não estando presentes os requisitos elencados no art. 40. 4ª Reg. inexiste omissão sanável através de embargos de declaração.” (REsp 88365-SP. Em face do exposto. a. Fed. DJU 17. Reg.” (RJTJESP 115/207) No caso em apreço.04. nem mesmo as circunstâncias especiais para admiti-lo.124254-1/RS 368 R. 4ª Turma. qualquer reparo o acórdão prolatado. Se a fundamentação da conclusão a que chegou independe do enfrentamento dos dispositivos legais citados pela parte. porque inocorrente qualquer dos requisitos estabelecidos em lei para a interposição de embargos de declaração. nem se obriga a ater-se aos fundamentos indicados por elas tampouco a responder um a um todos os seus argumentos. qualquer omissão.96. não tendo havido. AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2000. 111-405. 12. STJ. deste Tribunal. o aresto embargado foi claro ao estabelecer suas razões de decidir. quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. n. p. Trib.” Não merece.01. 2001 .“A nulidade do julgamento por omissão tem por pressuposto a necessidade de a Câmara pronunciar-se sobre o ponto. reconhecendo que ‘são devidos juros de mora na atualização da conta objeto de precatório complementar’. p.

Sr.Relator: O Exmo.00 (fl. 40. Porto Alegre. a. porquanto a devedora está impedida de cumprir espontaneamente a prestação a que foi condenada. 2001 369 . § 4º. 4ª Reg. decide a Egrégia Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Reg. fixou os honorários advocatícios em R$ 1. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Sustentam os agravantes que o valor arbitrado a título de honorários advocatícios é irrisório em relação ao valor da execução. 20. Juiz Teori Albino Zavascki. são indevidos honorários advocatícios. Trib. Não-cabimento. R. p. só podendo fazê-lo por via judicial e mediante expedição de precatório. negar provimento ao recurso. Nas execuções de quantia certa contra a Fazenda Pública não embargadas. 06 de fevereiro de 2001. RELATÓRIO O Exmo. Com contraminuta (fls. Juiz Teori Albino Zavascki Agravantes: Adão Camargo e outros Advogados: Drs. do CPC. Fed. 31). Relator. n. Luís Inácio Lucena Adams EMENTA Honorários advocatícios. nos termos do relatório. 111-405. Execução de quantia certa contra a fazenda pública. 12. e tampouco aos critérios que o magistrado deve se ater.000. por unanimidade. Juiz Teori Albino Zavascki: Cuida-se de agravo de instrumento contra decisão que. em execução de sentença proveniente de ação civil pública contra a União. 44 a 49). Sr. Marcelo Lipert e outros Agravada: União Federal Advogado: Dr. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. constantes no art. Porto Alegre. não atendendo ao zelo empenhado pelos patronos da causa.

Entretanto.00 (fl. arbitrados no valor de R$ 1. p. 2. 1. mesmo não embargadas. Sobre o cabimento ou não de honorários advocatícios em execução fundada em título judicial. ou seja. em regra. ainda. mantendo íntegra a decisão recorrida. 40. nego provimento ao agravo. obrigado a cumprir espontaneamente a prestação (execução provisória)” (AI 2000. EXCEÇÕES. são devidos. do qual fui relator. Excetuam-se da regra apenas algumas situações peculiares. atento para a vedação de reformatio in pejus. os agravantes propuseram contra a União ação de execução visando ao pagamento de diferenças de vencimentos (28. Fed. a fixação de honorários advocatícios (fl. nesses casos.01. promovida pelo Ministério Público. não pode pagar senão por via de precatório). É o voto.2000). e requereram. Sr. tem-se presente a primeira exceção. No caso concreto.86%) reconhecidas em sentença proferida em ação civil coletiva.27895-3. ou em que (b) o devedor não está. há precedente da Turma. agravaram da decisão requerendo a elevação da verba honorária. CABIMENTO. julgado em 11. honorários advocatícios nas ações de execução fundadas em título judicial. 4ª Reg. 2001 . Trib. em que (a) o devedor está impedido de cumprir espontaneamente a prestação a que foi condenado (execução por quantia certa contra a Fazenda Pública. que. 12).000. § 4º. que restou assim ementado: “HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. os agravados. 12. Nos termos do artigo 20. 31). pedido que foi deferido pela decisão agravada. 111-405. Reg.VOTO O Exmo. inconformados pela quantia fixada.05. a. a hipótese em que o devedor está impedido de cumprir espontaneamente a prestação a que foi condenado.04. do CPC. EXECUÇÃO DE TÍTULO JUDICIAL. Porto Alegre. n. Juiz Teori Albino Zavascki: Ao que se depreende dos autos. 370 R. Assim. também.

Fed.132614-1/RS Relator: O Exmo.04. 20 de fevereiro de 2001. a. Rossano Braga Agravado: Adão Gilberto Batista Advogado: Dr. de ofício ou a requerimento da parte. Juiz Nylson Paim de Abreu Agravante: Instituto Nacional do Seguro Social . Relator. indeferindo as diligências inúteis ou meramente protelatórias.” 3. Agravo de instrumento improvido. com base em prova pericial. por unanimidade. Porto Alegre. 12. p. nos termos do relatório. 2.01. determinar as provas necessárias à instrução do processo. Porto Alegre. RELATÓRIO O Exmo. 111-405. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. 2001 . Poderá o magistrado determinar a realização de perícia médica antes da fase probatória a fim de certificar-se da verossimilhança da alegação. considerando a urgência para prestação jurisdicional. via de regra. decide a Egrégia Sexta Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.INSS Advogado: Dr. Realização de perícia médica para apreciação do pedido de tutela antecipada. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Trib. Sr. Sr. Juiz Nylson Paim de Abreu. 1. n. Nas ações em que se objetiva a aposentadoria por invalidez ou auxílio-doença. que dispõe: “Caberá ao juiz. Joaquim Carlos Carvalho EMENTA Processual Civil e Previdenciário. negar provimento ao agravo de instrumento. Juiz Nylson Paim de Abreu: Trata-se de agravo de ins371 R. 130 do CPC. Reg. 40. usando do permissivo do art. Momento processual. Agravo de instrumento. 4ª Reg.AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2000. o julgador firma seu convencimento.

O pedido de efeito suspensivo. a aparente contradição entre as expressões ‘prova inequívoca’ e ‘verossimilhança’. Ed. 26-28. interposto contra decisão que determinou a realização de perícia médica a fim de possibilitar a apreciação do pedido de antecipação de tutela (fl. 40. Reg. Trib. capaz de autorizar 372 R. a.) Conforme Cândido Rangel Dinamarco. interposto contra decisão que determinou a realização de perícia médica a fim de possibilitar a apreciação do pedido de antecipação de tutela. Sr. Porto Alegre. 17). 273..trumento. do CPC e assevera que somente se houvesse a parte-autora ajuizado uma medida cautelar preparatória ou incidental é que se justificaria a produção de prova pericial antes do oferecimento da contestação. com pedido de efeito suspensivo. 4ª ed. (. a existência de prova inequívoca que convença o magistrado da necessidade do provimento antecipatório. É o relatório. conjugadas no art... Juiz Nylson Paim de Abreu: Trata-se de agravo de instrumento. Em suas razões recursais. impondo-se. É sabido que o deferimento da antecipação de tutela pressupõe a verossimilhança da alegação e o periculum in mora. A propósito da matéria. menos do que de certeza. ‘prova inequívoca é aquela que possibilita uma fundamentação convincente do magistrado’ (in Reforma do CPC. 12. n.) A nós parece que a ‘inequivocidade’ da prova significa sua plena aptidão para produzir no espírito do magistrado o ‘juízo de verossimilhança’... foi deferido (fls. preleciona o jurista Athos Gusmão Carneiro: “(. O agravado apresentou contraminuta às fls. 145). § 2º. 4ª Reg. postulado liminarmente na inicial. Malheiros. 20-21). pois determinou a realização de perícia antes que houvesse a citação válida ou qualquer manifestação da parte-ré. o INSS sustenta que a decisão foi proferida com ofensa ao rito ordinário. com pedido de efeito suspensivo. 2001 . p. 331. VOTO O Exmo.. cit. p. resolvem-se pela adoção de um juízo e probabilidade. nº 106. 111-405. Invoca o art. Segundo Calmon de Passos. para tal fim. Fed. 195). mais do que um de simples credibilidade: ‘a exigência de prova inequívoca significa que a mera aparência não basta e que a verossimilhança exigida é mais do que o fumus boni iuris exigido para a cautela tutelar’ (A Reforma do CPC. p.

22-23 . n. 1999. a. provas efetuadas ad perpetuam. será tomada em consideração. excepcionalmente.” (Da antecipação de tutela no processo civil. p. embora ainda não suficiente para a declaração da existência ou não do direito (A antecipação da tutela. 283). 4ª Reg. E que provas são estas? Se o pedido de antecipação de tutela for apreciado limine litis. pareceres de especialistas no objeto da lide. justificações prévias. Rio de Janeiro: Forense. No magistério preciso de Luiz Guilherme Marinoni. testes de DNA.grifado) R. 12. Fed.a antecipação da tutela. cit. Reg. normalmente. 111-405.. a prova inequívoca a que se refere o art. p. p. 273 somente pode ser entendida como ‘a prova suficiente para o surgimento do verossímil’. Porto Alegre. a prova documental apresentada pelo autor com a inicial (CPC. Trib. 2001 373 . 155). 40. art.

Fed. Trib.Branca 374 R. 4ª Reg. 111-405. 12. 2001 . p. Reg. a. Porto Alegre. n. 40.

40. Reg. 2001 375 . 12. 4ª Reg. 111-405. n. a. Porto Alegre. Trib.DIREITO TRIBUTÁRIO R. p. Fed.

p. 4ª Reg. 111-405. Fed. a. Trib. 12. n. 40. 2001 .Branca 376 R. Porto Alegre. Reg.

04. 2. uma efetiva mais-valia patrimonial. que é justamente a renda. 12. Abono salarial. Não indeniza. Cláudio Antônio Cassou Barbosa e outros Apelada: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. não repõe o patrimônio diante de um fato que dê ensejo a indenizações trabalhistas. ou a disponibilidade econômica ou jurídica do bem. O abono pago aos trabalhadores gera acréscimo patrimonial. 1. p. 111-405. Juíza Tania Escobar Apelante: Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados no Estado do Rio Grande do Sul Advogados: Drs. uma gratificação. A essência imediata e efetiva do fato gerador do imposto sobre a renda continua sendo a possibilidade da fruição do bem.01. ou da combinação de ambos (artigo 43 do CTN). Cezar Saldanha Souza Junior EMENTA Tributário. mas R. como no caso. Porto Alegre. 40. 2001 377 . porquanto se configura como um verdadeiro prêmio. 4ª Reg. resultante do capital. a.038302-1/RS Relatora: A Exma. mas gera acréscimo patrimonial. não é uma verba para o trabalho. n. Sra. Somente num determinado mês. Fed.APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999. Trib. implicando esta um acréscimo. Imposto de Renda. Incidência. Reg. do trabalho.

por unanimidade. nos termos do relatório e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Porto Alegre.pelo trabalho. Reg. 40.05.99. Fed.que foi livremente negociada dentro da constância do contrato de trabalho. 4ª Reg. Porto Alegre. p. Juíza Tania Escobar: Adoto o relatório da sentença. 3. Sra.09. O que não se admite é tentar dar natureza indenizatória ao que indenização não é. 111-405. diz ser filiado à Central Única dos Trabalhadores e à Federação Nacional dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados. 12.04. negar provimento à apelação. RELATÓRIO A Exma. assim redigido pela juíza a quo: “Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados no Estado do Rio Grande do Sul impetra mandado de segurança contra ato reputado ilegal e abusivo atribuído ao Delegado da Receita Federal em Porto Alegre. n. “indenização” ou “abono” para que sobre ela não incidisse tributação.98 e 30. Juíza Tania Escobar.98. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Adotado outro pensamento. Serviços de Informática e Similares . 04 de maio de 2000. a. Sustentando sua legitimidade a postular pela categoria na qualidade de substituto processual. bastaria que qualquer parcela paga a título gracioso estivesse revestida da expressão “reposição da inflação”. decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. independentemente do respectivo nível salarial. 2001 . a ser pago no mês de setembro de 1998. abono este a ser pago em 02. Trib. correspondente a 40% (quarenta por cento) do respectivo salário-base constante na tabela salarial de abril de 98 e sobre o valor do anuênio daquele mês. o pagamento de abono salarial indenizatório não incorporável. representando os trabalhadores da categoria no Estado do Rio Grande do Sul. Relatora. é uma parcela . a todos os empregados admitidos até 30.FENADADOS.98. Narra que restou previsto no Acordo Coletivo firmado entre os representantes dos empregados e a DATAPREV a viger entre 01. 378 R. incidindo também o referido percentual sobre a parcela referente à função de confiança ou função gratificada exercida em abril de 1988.assim como o reajuste . visando a impedir a retenção de imposto de renda sobre o abono pactuado para o acordo coletivo 1998/1999.04. embora ao salário não se incorpore.

apresentou informações às fls. consoante o disposto no parágrafo 1º do art. XXVI. ressalta que a outorga de isenção somente pode acontecer por lei. 111-405. da Lei 8. 611 e segs.98 foi de 4. Reg.107/66.98.5%.713/88. Parágrafo único. de apenas 1. nenhuma tratando sobre as verbas em questão são as constantes do art. pois a inflação entre 01.55). 56/63). Determinada a intimação do impetrante para que comprovasse a homologação do acordo coletivo pela Justiça do Trabalho. da CF/88. 118 e 123 do CTN.05.Afirma que o reajuste recebido. 43 do CTN. por não serem destinadas a ressarcir qualquer espécie de dano. alterada pela Lei 8. 64/67. da CLT e art. manifestou-se às fls. opinando pela denegação da segurança. salientando que os substituídos no processo somente poderão discutir novo reajuste salarial a partir da data-base de 01. Sustenta que o abono recebido não constitui renda (acréscimo patrimonial) para fins de tributação. Trib. Expedida notificação ao Delegado da Receita Federal (fl.” Sentença denegando a segurança. portanto. cujos efeitos não podem ser opostos à Fazenda Pública. Fed. 52/53.98. Diz que o acordo coletivo tem a natureza de convenção particular. Instruem a inicial procuração e documentos (fls. Requer a concessão de liminar e da segurança para garantir o direito líquido e certo dos trabalhadores da DATAPREV ao não recolhimento e não pagamento do imposto sobre renda referente ao abono pactuado para o acordo coletivo. p. 12. na forma do art. inserto no art.036/90. XVII e XVIII. 28. 111 do CTN e as únicas hipóteses legais que excluem verbas trabalhistas de tributação na fonte. sustentando que a verba recebida pelos empregados da DATAPREV a título de abono constituem tipo especial de salário e. destinado a minorar a perda ocasionada no período. 145.238/84 e da Lei 5. Argumenta com o princípio constitucional da capacidade contributiva. já que houve.95% segundo o IGP/M. O Ministério Público Federal apresentou parecer às fls.036/90 (FGTS). cumprido parcialmente em relação ao imposto de renda incidente sobre o pagamento efetuado em 21.50% segundo o IGGP/DI e de 4. 9 da Lei 7. tão-somente reparação de um dano sofrido. a regra do caput do art. 457 da CLT. 4ª Reg. 7º. Por fim. n.09. da Lei 7. Apelo do impetrante. já que quanto ao abono pago no dia 02. Porto Alegre. 50/51. o recolhimento ocorreu em data anterior à intimação judicial (informes fls. incidindo. ambos índices da Fundação Getúlio Vargas. art. Indeferida a liminar no despacho das fls. 12/47). 40. visto que a natureza jurídica do abono avençado no Acordo Coletivo de Trabalho é salarial e não indenizatória.05. dos arts. IV e V. consoante o disposto nos arts.041/94. §1º.09.97 e 30. 2001 379 . assim. para posterior homologação perante o Ministério do Trabalho. dizendo que o acordo estava em fase de redação final e recolhimento de assinaturas. destituídas de caráter indenizatório.04.99. R. 68/70. foi autorizado o depósito. a. do art. do art. na forma facultada pelos arts. demonstra o porquê do caráter indenizatório do abono. 40. do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 1. da CF/88 e com o princípio da vedação do confisco. 477 e 499 da CLT. 60.

cumpre questionar quando o fato gerador do imposto de ren380 R. 12. É. para que não se deturpem a Constituição e a lei complementar que admite a tributação. não integrando os seus salários para os efeitos da legislação do trabalho e da Previdência Social. uma situação é a legislação trabalhista e previdenciária. e não se incorpora ao salário. Fed. p. O pagamento do abono. Para a legislação tributária. o abono “No sentido vulgar significa adiantamento em dinheiro. Sra. ou da combinação de ambos (artigo 43 do CTN). implicando esta um acréscimo. ou a disponibilidade econômica ou jurídica do bem. Trib. é um pagamento aleatório. 2001 . Só se integra ao salário se pago por vários meses seguidos. dentro desse limite que se deve objetivamente inserir a lei. 40. percentagens. e outra. como explicitado no § 1º do artigo 457 da CLT: “Integram o salário não só a importância fixa estipulada. Reg. gratificações ajustadas. n. segundo Amauri Mascaro do Nascimento. a título de imposto de renda. resultante do capital.Sem contra-razões da União. conforme expresso no artigo 144 da CLT. do trabalho. ou que deve o intérprete procurar inserir o seu alcance. 4ª Reg. No sentido jurídico quer dizer antecipação salarial”. o abono possui natureza salarial. que é justamente a renda. a essência imediata e efetiva do fato gerador do imposto sobre a renda continua sendo a possibilidade da fruição do bem. como dito na sentença. pois. É um plus que não se dilui no salário. mas por sua própria natureza. a legislação tributária. então. a. O abono gera um aumento nos ganhos do empregado somente no mês em que é pago.” Aliás. verdadeiro benefício concedido aos trabalhadores. Assim. apenas sobre o acréscimo patrimonial. VOTO A Exma. não porque as partes assim convencionaram. Juíza Tania Escobar: O abono é pago de forma aleatória. Contudo. diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. uma efetiva mais-valia patrimonial. É o relatório. como também as comissões. Por outro lado. Porto Alegre. Parecer do Ministério Público Federal opinando pelo desprovimento do recurso. 111-405.

O fato gerador do IMPOSTO de RENDA é a disponibilidade econômica e/ou jurídica de RENDA ou proventos de qualquer natureza (art. Relator Juiz Mário César Ribeiro). É o voto. é uma parcela . Nesse sentido: “Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – MANDADO DE SEGURANÇA – IMPOSTO DE RENDA – ABONO SALARIAL – DISSÍDIO COLETIVO – SUBSTITUIÇÃO DE REAJUSTE – INCIDÊNCIA. o que é inadmissível. embora ao salário não se incorpore. não repõe o patrimônio diante de um fato que dê ensejo a indenizações trabalhistas. do CTN). DJ de 25.713/88. Deste modo.010. ABONO ANUAL. IMPOSTO DE RENDA. pois. mas pelo trabalho. 43.assim como o reajuste . DJU de 15. 37.da não ocorre. é valor que substitui o reajuste salarial. 3. 257. No caso. Somente num determinado mês. porquanto se configura como um verdadeiro prêmio. p.2000. O ABONO concedido por ocasião de ACORDO coletivo.38717-6/BA. e uma das situações recorrentes nos tribunais é a verba indenizatória no âmbito trabalhista.08. O que não se pode é tentar dar natureza indenizatória ao que indenização não é. 1. R. nego provimento à apelação. a. pág. tendo o mesmo caráter. pág. obtido através de acordo coletivo e com a finalidade de quitar diferenças salariais. 4ª Reg.07. Adotado outro pensamento. mas gera acréscimo patrimonial. 6º da Lei nº 7. Porto Alegre. como no caso.71. Não configuradas as hipóteses definidas no art.” (Decisão unânime da 4ª Turma do TRF 1ª REGIÃO na AMS 1999. bastaria que qualquer parcela paga a título gracioso estivesse revestido da expressão “reposição da inflação”.10.” (Decisão unânime da 1ª Turma do TRF 4ª REGIÃO na AMS nº 1999. 4. configura claro aumento patrimonial.que foi livremente negociada dentro da constância do contrato de trabalho.006335-4/RS. Reg. Negar provimento à apelação. sendo o ABONO concedido. de natureza salarial. não é uma verba para o trabalho. Não indeniza. 2. Relator Juiz Guilherme Beltrami). 40. 2001 381 . NATUREZA. Parece-me claro que é quando não estiver configurada a efetiva mais-valia patrimonial. tenho que o abono pago aos trabalhadores gera acréscimo patrimonial. O ABONO pago em substituição a reajuste pleiteado. uma gratificação. Trib. “indenização” ou “abono” para que sobre ela não incidisse tributação. sobre este incide IMPOSTO de RENDA. 12. 111-405. Diante do exposto. sendo devido o IMPOSTO de RENDA.00. “Ementa TRIBUTÁRIO.2000. I e II. Fed. tem a mesma natureza da verba que se visa substituir. INCIDÊNCIA. n.

Inconformada. incidentes sobre remuneração. com a exigência tributária. constituindo-se simplesmente. 24 de outubro de 2000. RELATÓRIO A Exma. pois a vantagem não possui caráter remuneratório. Companhia Paranaense de Energia . 2001 . Sr. 4ª Reg. nos termos do relatório. Sra. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti Apelante: Cia.091497-0/PR Relatora: A Exma. por maioria. 111-405. Sobre valores pagos aos empregados a título de bolsa de estudo não incide contribuição previdenciária. Sra.INSS Advogada: Dra. Os débitos tributários referem-se às competências de dezembro de 1987. Porto Alegre. Paranaense de Energia . paga. Fed. Maria de Fatima Carneiro Bianeck EMENTA Bolsa de estudo – Contribuição previdenciária – Não-incidência. foi autuada. a Autora propôs a presente ação anulatória de débito fiscal. p. Trib. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. Juíza Maria Isabel Pezzi Klein Relator p/Acórdão: O Exmo. decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Porto Alegre. dar provimento ao recurso. Relator p/Acórdão.01. janeiro de 88. a. Reg. n. a seus empregados.APELAÇÃO CÍVEL Nº 1999. 12. visando a desconstituir as notificações 382 R.COPEL -. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. 40. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti. num incentivo ao trabalhador. pela Fiscalização do INSS. a título de “bolsa de estudo de 2º Grau”. vencida a Juíza-Relatora.04.Copel Advogado: Dr. e março de 1988 a junho de 1991. Juíza Maria Isabel Pezzi Klein: A parte-autora. Delvani Alves Leme Apelado: Instituto Nacional do Seguro Social . face ao não-recolhimento de contribuições previdenciárias.

O art. duram toda a seriação. sim. alvo de incidência tributária). Nem mesmo se pode alegar que tais pagamentos seriam eventuais. para fins da incidência da contribuição sobre a folha de salários. efetivamente. A parte-autora apelou. a qualquer título. por força do recurso voluntário. n. VOTO A Exma. que é longa. Argumenta. 12. ou gastos (com o exercício da profissão). 40. face a perdas (por danos). a esta Corte. ao seu salário. pois o trabalhador deixa de desembolsar numerário. Juíza Maria Isabel Pezzi Klein: Os débitos consolidados se referem a competências submetidas ao Decreto 89. E. e 31. aos seus empregados. a de ressarcimento.483. como modalidade de remuneração indireta (DJ 17. Esta nobre 1ª Turma do TRF 4ª R. de que a “bolsa de estudos de 2º grau” possui natureza indenizatória. A discutida “bolsa de estudos de 2º Grau” não faz parte do rol dos excluídos. 4ª Reg. A Sentença julgou improcedente a ação anulatória de débito fiscal. A resposta é negativa. diante do auxílio financeiro.fiscais de lançamento de débitos (NFLDs 31. p. a. basicamente. Porto Alegre.. para o efeito de incidência de contribuição previdenciária. não podendo ser incorporada. a título de “bolsa de estudos de 2º Grau” não têm natureza remuneratória. R. a título de “bolsas de estudo” compõem o chamado salário indireto. 110746). I. mas. 2001 383 . no art. Trib. recebida. portanto não integrariam o salário-de-contribuição. repisando os argumentos da inicial. ou de indenização. Reg. Resta perguntar se a “bolsa de estudos” não teria natureza de ressarcimento.904-6. Sra. define o conceito de salário-de-contribuição.97. mantendo os lançamentos tributários “de ofício”.921-6). ao salário-de-contribuição. ao reconhecer o reembolso de mensalidades escolares. Ao contrário. as verbas constituem acréscimo patrimonial. que os valores pagos.483. pois não se trata de recomposição do patrimônio do trabalhador. para custear seus estudos. integrando o salário-de-contribuição (portanto. Contra-razões. já firmou seu entendimento.12. 136 elenca os valores que ficam fora desta base de cálculo da contribuição previdenciária.312/84. 135. Subiram os autos. p. Pelo contrário. ao argumento de que as verbas. Fed. como a remuneração. 111-405. É o Relatório.

negando provimento. a alimentação. § 9º. 457: “Integram o salário. gratificações ajustadas. repito. além do salário. Aqui se poderia incluir essa bolsa de estudo. conheço da Apelação do Autor. nos termos da fundamentação. pelo menos – que bolsa de estudo seja algo que a empresa forneça habitualmente ao empregado. 458 da CLT vai além.528.212. Porto Alegre.. t. Ante o Exposto. ou seja. habitação. a. percentagens. n. por força do contrato ou do costume. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti: A Consolidação das Leis do Trabalho estabelece que remuneração. VOTO DIVERGENTE O Exmo. não é algo que se pague habitualmente. fornecer habitualmente ao empregado”.212. é tudo que se paga ao empregado como contraprestação de serviço. a referida Lei nº 9. que deu nova redação ao art. 28 da Lei nº 8. e não é algo especificamente vinculado aos objetivos 384 R. a discussão. 2001 . a bolsa de estudo só vige enquanto o empregado está estudando. o argumento contrário é o de que a bolsa de estudo se destina à formação geral do trabalhador. que trata explicitamente. Sentença mantida. Até aqui. eminente Relatora. data venia. Fed.. vestuário ou outras prestações in natura que a empresa. Trib. diz textualmente que: “O valor relativo a plano educacional que vise ao ensino fundamental e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa . 111-405. Da mesma forma. termina a bolsa de estudo. 12. O art. dizendo que: “Compreendem-se no salário. Terminado o estudo. não só a importância fixa estipulada. 4ª Reg. não vejo onde incluir como verba remuneratória a bolsa de estudo que a empresa paga a seus empregados. especificamente do salário-de-contribuição. 28. Não me parece – até aqui. Ela a fornece enquanto o empregado estiver estudando. mas o óbice. não merece reparos. para todos os efeitos legais. Reg.A ação fiscal que culminou com as NFLD’s indicadas. Além disso. 40. diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”. p. não se integram ao salário-de-educação”. da Lei nº 8. como também as comissões. Diz o § 1º do art. É o Voto. diz que se entende por salário-de-contribuição os ganhos habituais do empregado. se bem entendi. o art. E. continuadamente ao empregado. Sr.

como é a bolsa de estudo. R. por força desse dispositivo legal. entendendo que esse incentivo. nobre Relatora. que vai servir de base para o salário-de-contribuição. Tanto é verdade que. Porto Alegre. dou provimento ao recurso. o que interessa é a essência das coisas. 2001 385 . 4ª Reg. tem natureza indenizatória ou de incentivo. penso eu: a bolsa de estudo – já repeti mais de uma vez – não se integra à remuneração do empregado. de remuneração para o trabalho. Trib. esta não poderia ser reduzida nem com acordo de vontades entre empregado e empregador. 12. mas não me parece que algo que possa ser livremente retirado e que tem duração expressamente delimitada no tempo.da empresa. p. a. que acabará resultando em benefício da própria empresa. embora com algum fundo de Direito. não é remuneração e. Não me sensibiliza aquele jogo de palavras. pelo trabalho.. É o meu voto. esse auxílio eventual que a empresa paga a seus servidores para colaborar com o seu aprimoramento. cessa a bolsa. é porque não tem natureza remuneratória. Fed. Se a bolsa fosse remuneração. 111-405. teria um outro argumento – mais intuitivo do que jurídico. Além de todas essas considerações. muito menos sem acordo de vontades. Se for uma capacitação voltada aos objetivos da empresa mais excluída estará ainda. que nome se queira dar. 40. Exa. do conceito de remuneração. de cunho estritamente legal. acho que jogo de palavras é jogo de palavras. n. e o empregado não tem direito a manter aquela suposta verba remuneratória. terminando o curso. não se integra no salário-de-contribuição. portanto. Mas. Reg. se essa bolsa de estudo pode ser livremente retirada sem decréscimo à remuneração no momento em que cessam os estudos. Nessas condições. seja para efeito trabalhista ou para efeito previdenciário. Com a devida vênia de V. possa ser considerado remuneração.

4. relatados e discutidos estes autos entre as partes acima indicadas. Cezar Saldanha Souza Junior Interessada: Denise Alencastro Cecchini Advogados: Drs. Luiz Carlos Monaco EMENTA Tributário e processo civil. 1.71. Não configuram sentença extra petita os argumentos utilizados pelo magistrado para delimitar o tema examinado na sentença. Claudio Monroe Massetti e outros Apelada: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. a pretensão deduzida deve estar apoiada em fatos incontroversos.024012-6/RS Relator: O Exmo. 3. 4ª Reg. Reg. 2. Fed. Sr.APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999. A impetração foi bem dirigida. 12. Legitimidade passiva. É incontroverso ter o Banco promovido o recolhimento do imposto de renda na fonte. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. é a quem cabe a guerreada restituição. 111-405. 386 R. Porto Alegre. Imposto de Renda. cuja obrigação competia aos empregados que aderiram ao programa de demissão voluntária. Juiz Élcio Pinheiro de Castro Apelante: Banco do Estado do Rio Grande do Sul S/A Advogados: Drs. na hipótese dos autos. Ônus suportado pela fonte pagadora. Sentença extra petita. Em sede mandamental. 5. 40. PDV. A relação contratual existente entre as partes configura liberalidade do empregador que preferiu assumir o encargo tributário a fim de incentivar a adesão ao programa demissionário. por unanimidade. negar provimento ao apelo.00. O que se perquire. a. ACÓRDÃO Vistos. 2001 . decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Retenção na fonte. porquanto a sede do Impetrante localiza-se na jurisdição da autoridade apontada como coatora. p. Direito líquido e certo. n. Luiz Henrique Oliveira e outros Interessada: Maria Inez Delanni Monaco Advogado: Dr. nos termos do relatório. Trib.

comprovando que arcou com o ônus. 2001 . foi. no mérito. 30 de novembro de 2000. O pedido liminar foi deferido e mantido em análise de agravo de instrumento. que todos os incentivos e verbas rescisórias estariam livres do imposto de renda. RELATÓRIO O Exmo. Sr. Relata que instituiu o programa de desligamento voluntário de seus empregados. p. na hipótese dos autos. Relator. Alega que o artigo 165 do CTN autoriza o sujeito passivo indireto a reaver o imposto. A sentença denegou a segurança ao fundamento de que os acordos particulares como o firmado entre o BANRISUL e seus empregados não alteram a relação jurídica entre o contribuinte. Trib. Cumprida a obrigação com o recolhimento do montante. com débitos vincendos da mesma espécie. não tendo este legitimidade para pleitear a devolução daquilo que por liberalidade recolheu em nome de outrem. autorizando a compensação com parcelas vincendas do mesmo tributo. A autoridade apontada como coatora afirmou ter legitimidade apenas quanto aos contribuintes domiciliados em Porto Alegre e. 12. 40. as verbas pagas pelo Impetrante a título de “ressarcimento do imposto de renda” retido na fonte. 4ª Reg. Afirmou o magistrado singular que. pois iria suportar tal encargo. Porto Alegre. o responsável tributário e o titular da capacidade ativa tributária. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: Cuida-se de mandado de segurança impetrado pelo BANRISUL S/A buscando compensar valores recolhidos indevidamente a título de imposto de renda. no mérito. Em vista disso. Pediu liminar para que a autoridade coatora suspendesse os pagamentos aos ex-empregados e. tendo em vista decisão do STJ entendendo isenta de tributação a indenização recebida pelos empregados demitidos naquelas condições. gerando o presente recurso constitucional. 111-405. estipulando. a concessão da segurança. entre outras condições. veio ao mundo jurídico o Ato Declaratório nº 3/99 da Secretaria da Receita Federal autorizando a restituição de tais valores. n. era inaplicável o disposto 387 R. Reg. que o indeferiu. informou não assistir direito líquido e certo ao Impetrante. Fed. mais um incentivo à demissão voluntária a ser pago pelo Banco. Juiz Élcio Pinheiro de Castro. Em vista disso. a. requereu a devolução do tributo ao Delegado da Receita Federal. na verdade.Porto Alegre.

Ressalvou. 12. assim. ainda. e não sobre o enriquecimento sem causa dos empregados ao pleitearem a restituição do imposto que não lhes foi retido na fonte. 40. que a instituição financeira poderá buscar junto à Justiça do Trabalho a devolução das quantias que entende desembolsadas a maior aos seus empregados. que aderiram ao PDV. bem como afastado manifestação de terceiro prejudicado.051. VOTO O Exmo. p. o magistrado singular apresentou tal argumentação tão-só para delimitar a abrangência da controvérsia. Reg. manifestou-se a douta Procuradoria da República pelo provimento do recurso. ser a sentença extra petita. quando se refere à relação entre o Banco e seus ex-empregados de recorrerem à Justiça do Trabalho para dirimir o conflito sobre quem arcou com o encargo do imposto de renda. têm ou não direito a receberem os valores do imposto de renda retido na fonte pelo Banrisul. tendo a Fazenda Nacional apresentado contra-razões. Sr. Porto Alegre. Inconformado. n. Aduz que assumiu o ônus do imposto de renda sub judice. Fed. primeiramente. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: A sentença não extrapolou os termos do pedido. Sustenta existir prova cabal nos autos sobre a devolução procedida aos empregados da verba devida a título de imposto de renda incidente sobre a indenização decorrente da rescisão contratual. alegando. Trib. eventual enriquecimento sem causa. importando em R$ 10.. nos termos do artigo 796 do Regulamento do Imposto de Renda vigente no ano de 1995.no artigo 166 do CTN. 2001 . 111-405.780.. tem direito à restituição dos valores recolhidos indevidamente.11 e. seria apreciada apenas a existência do direito do BANRISUL na devolução do que pagou indevidamente. na forma de compensação. Oficiando nos autos. a. ou seja. Antes de mais nada. De fato. A propósito. veja-se a seguinte passagem da sentença: “. 4ª Reg. no tocante ao direito de recorrer à Justiça do Trabalho para reaver as quantias ora discutidas. apela o BANRISUL. por não ser tal imposto tributo que por sua natureza importe em transferência do encargo. 388 R. evitando. é preciso deixar bem claro que este Juízo não está examinando nesta sentença se os ex-empregados do Banrisul. O apelo foi recebido somente no efeito devolutivo. como alega o Apelante. É o relatório. em virtude do Ato Declaratório SRF nº 3/99.

Não puderam defender-se. Diz respeito com direitos decorrentes de uma relação de emprego que foi extinta. o pedido que será examinado por este Juízo é aquele que consta do item ‘III-c’ de fls. eles não poderiam ser prejudicados pela sentença de mérito que viesse a ser proferida. Ora. mas não formula pedido expresso. 128 do CPC: ‘o juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta’. que diz respeito exclusivamente ao Banrisul e ao Delegado da Receita Federal. Não participam da relação processual. certamente este Juiz seria o primeiro a lhes propiciar o sagrado e constitucional direito ao contraditório e ampla defesa. 2001 389 . já que parece tratar-se de um dissídio individual trabalhista. o Juiz singular assim analisou a questão relativa à participação dos empregados na lide: “. A relação entre ex-empregados e Banrisul certamente não tem natureza tributária e certamente não interessa à Receita Federal. Ora. os ex-empregados não são partes no processo. a. Não foram citados. Somente se eles pudessem participar do processo. porque se trata de litígio trabalhista. Se eles fossem alcançados pela sentença. n. não há como presumirem-se pedidos implícitos. é que se poderia admitir que uma sentença de mérito os viesse prejudicar. Trib. Segundo. 1257/8). 12.. 66 da Lei 8. Não há pedido nos autos para que se declare que os valores indevidamente recolhidos a título de IR/PDV não pertencem aos ex-empregados (contribuintes) ou que esses valores pertencem ao Banrisul (responsável tributário).Isso não faz parte do pedido principal e este Juízo teria sérias dúvidas sobre sua competência constitucional para conhecer. Porto Alegre.” (fls. Fed. Primeiro. somente se eles fossem chamados ao processo. cuja competência é da Justiça do Trabalho. além dos problemas relacionados com a competência (Justiça do Trabalho ou Justiça Federal). O art. Aliás. com as alterações promovidas pela Lei 9. se fosse disso que se tratasse. 293 do CPC é bastante claro: ‘os pedidos são interpretados restritivamente’. Apenas dá a entender que os valores lhe pertenceriam (causa de pedir e fundamentos do pedido principal). p.383/91. processar e julgar um tal pedido. este Juízo seria incompetente para conhecê-lo. sem pedido expresso. 114 da CF/88). reconhecendo o direito de o impetrante promover a compensação. se é assim. 4ª Reg. Reg. Além disso. parecendo por isso afeta à Justiça do Trabalho e não à Justiça Federal. recolhidos indevidamente. com os débitos vincendos de IR R.. O Banrisul não formula pedido expresso quanto a isso. que está reservado à Justiça do Trabalho (art. a saber: ‘seja concedida segurança em definitivo. Continuando. o princípio da demanda limita o conhecimento deste Juízo. Isso não aconteceu. 14. dos valores do Imposto de Renda sobre PDV. nos termos do art. Assim sendo. A presente sentença somente poderia alcançar aqueles que seriam partes no processo. 40. que diz respeito com a participação daqueles que seriam então alcançados pelos efeitos da sentença no processo. Ora.069/95. entre empregados e empregador (Banrisul e os aderentes do PDV). conforme o art. 111-405. certamente porque sabe que se formulasse um tal pedido duas conse-qüências daí resultariam. todos os ex-empregados precisariam ser citados e integrar o processo na qualidade de litisconsortes passivos necessários. corrigidos monetariamente nos termos da lei. ainda haveria outro sério óbice ao processamento da ação e prolação da sentença.

No mérito. qualquer debate sobre o tema. na qual se dispõe de margem para liberalidade. descabe. a impetração foi bem dirigida. Ao que tudo indica. Porto Alegre. o Impetrante não tem direito líquido e certo à pretendida compensação. Trib. objetivando angariar maior número de adesões ao indigitado plano de demissão voluntária. Nessa linha de entendimento. Em princípio. podendo ser convencionado que o empregador ressarciria o outro dos valores dispendidos com o pagamento do imposto de renda ora em exame. 111-405. 12. Reg. Logo. 2001 . Fed. em razão da jurisprudência sumulada do STJ no sentido de serem tais verbas isentas do guerreado imposto. correspondentes a períodos subseqüentes. 390 R. n. os valores lhe pertencem. a. 14). nesta via mandamental. transferindo o encargo financeiro do contribuinte de fato para a fonte pagadora. nos termos do artigo 123 do CTN. cumpre anotar que esse acordo particular. alterando a relação jurídica tributária. não há dúvida de que o BANRISUL promoveu o recolhimento do imposto devido pelos ex-empregados. Argumenta o Banco ter suportado tal ônus financeiro. por isso. Observo ter o BANRISUL matriz nesta Capital.” (fl. 40. Entretanto. essa convenção configurou-se em mais um dos benefícios deferidos. como bem salientou o eminente julgador monocrático. p. não tem qualquer consistência perante a Fazenda Pública. não merecendo reparo a decisão singular. ressalvado o direito da autoridade administrativa à mais ampla fiscalização quanto à exatidão dos valores envolvidos’ (fls. 1258). a controvérsia inicial que se pretende analisada resume-se em saber se os valores recolhidos pelo Impetrante a título de imposto de renda retido na fonte incidente sobre verbas pagas aos empregados que aderiram ao plano de demissão voluntária devem ou não ser devolvidos ao empregador.na fonte. está correta. A inteligência da sentença de existir relação contratual entre o Apelante e seus antigos empregados. E mais. 4ª Reg. sobretudo por ausentes os legítimos interessados. Outra preliminar levantada diz respeito à legitimidade do Delegado da Receita Federal em Porto Alegre. A questão de alta indagação que se põe é se a referida obrigação fez ou não parte do acordo celebrado com os demissionários. nada sendo descontado dos empregados. sendo que sua relação tributária está vinculada à autoridade fiscal também aqui sediada.

nego provimento ao apelo. tendo em conta não ser o imposto de renda retido na fonte tributo que comporte a transferência do encargo financeiro. 1. deve ser este fixado segundo a legislação respectiva. Imposto de renda lucro real.02. não torna a instituição bancária postulante credora da Fazenda Pública. Fed. O fato de ter a jurisprudência assentado indevida a retenção do guerreado tributo. Dedução. Sendo tais tributos apurados com apoio no lucro real. n. não se vislumbrando o invocado direito líquido e certo. APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999. Cezar Saldanha Souza Junior EMENTA  Tributário. Trib. Base de cálculo. com o advento da Súmula 215 do STJ. Reg.004558-0/RS Relator: O Exmo. ACÓRDÃO R. Contribuição social sobre o lucro. 4ª Reg. Não há inconstitucionalidade no art. 111-405.71. Juiz Élcio Pinheiro de Castro Apelante: Renocar Equipamentos Rodoviários Ltda. p. Porto Alegre. não há como autorizar o Impetrante a promover a compensação nos termos deduzidos na peça inicial. Leandro Pacheco Scherer e outro Apelada: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. Leandro Duarte Scherer e outros Drs.316/96. 2001 391 . 1º da Lei 9. a. Constitucionalidade. obedecendo às limitações nela previstas. Advogados: Drs.Por fim. 2.316/96 que veda a dedução dos valores pagos a título de contribuição social sobre o lucro líquido da base de cálculo do imposto de renda e da própria exação. 12. Frente a esse quadro. Em suma. Lei 9. 40. Sr. importa registrar inaplicável o artigo 166 do CTN na situação dos autos.

Sustenta haver afronta aos princípios constitucionais da vedação ao confisco e da capacidade contributiva. a. implicando tributação sobre lucro fictício. 4ª Reg. Trib. subiram os autos.516. Porto Alegre. n. 1º da Lei 9. Sr. por unanimidade. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: A guerreada Lei 9. Sr. Juiz Élcio Pinheiro de Castro. é resultante da conversão da Medida Provisória nº 1. Os valores da contribuição social a que se refere este artigo. decide a Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. de 22 de novembro de 1996. relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas. negar provimento ao apelo. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. Reg. sendo. Porto Alegre. 40. VOTO O Exmo. 12. a partir do ano-base de 1997. É o relatório. recorre a Impetrante. nos termos do relatório. Presentes as contra-razões. a matéria reservada à lei complementar. da base de cálculo do imposto de renda e da própria CSLL. descaracterizando o conceito de renda por não restar configurado acréscimo patrimonial.Vistos. Processado o feito. Parágrafo único. do mesmo ano. por entender legítima a vedação imposta pelo dispositivo em comento. p. assim dispondo em seu art. nem de sua própria base de cálculo. sobreveio sentença denegando a ordem. Irresignada. 1º. Fed. registrados como 392 R. ademais. a douta Procuradoria da República manifestou-se pelo improvimento do apelo. RELATÓRIO O Exmo. Oficiando no feito.316. 111-405. 15 de fevereiro de 2001. O valor da contribuição social sobre o lucro líquido não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real. 2001 . alegando ter o “lucro real” sido majorado em virtude da impossibilidade de dedução da despesa atinente à referida contribuição social.316/96 e o conseqüente reconhecimento do direito a deduzir os valores pagos a título de contribuição social sobre o lucro. Relator. 1º e parágrafo único: “Art. Juiz Élcio Pinheiro de Castro: Cuida-se de ação mandamental objetivando a declaração de inconstitucionalidade do art.

bem como o de lucro da legislação comercial. arbitrado ou presumido. para fins de recolhimento dos indigitados tributos.. Porto Alegre. Os tributos e contribuições são dedutíveis. o CTN é norma complementar em relação ao disposto no art. No que tange ao citado imposto. argumentando que os valores configuram despesa.). compete à lei ordinária fixar os demais critérios para a disciplina do tributo. e não renda. O imposto.981/95. observando. 2001 393 . na determinação do lucro real. cumpre observar. os limites determinados pelo regramento superior. II – de proventos de qualquer natureza. não podendo ser incluídos na apuração do montante do lucro real. da Constituição Federal. assim entendido o produto do capital.316/96. de competência da União. ou da combinação de ambos. é que se insurge a Autora. 43 e 44 do referido Diploma: “Art. da renda ou dos proventos tributáveis”. Delineados o fato gerador e a respectiva base de cálculo. ou vedar tal prática. a pessoa jurídica não poderá deduzir como custo ou despesa o Imposto sobre a Renda de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável em substituição ao contribuinte. dos pagamentos efetuados quanto a esta última. p.)” Como se vê.. 153. (. A base de cálculo do imposto é o montante. A definição do imposto de renda e a de sua base de cálculo provêm do Código Tributário Nacional. Fed. pode a lei ordinária validamente admitir a dedução de despesas na apuração do lucro real. 41 da Lei 8. assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior”. desde que em conformidade com os conceitos de renda e acréscimo patrimonial contidos na lei complementar.custo ou despesa.. Assim. 44. III. o que está escrito no art. sobre a renda e proventos de qualquer natureza. ora em debate. 12. 40. tenho que não lhe assiste razão. nada mais fez do que R. Trib. § 1º (. “Art. a respeito do imposto de renda das pessoas jurídicas.de renda. deverão ser adicionados ao lucro líquido do respectivo período de apuração para efeito de determinação do lucro real e de sua própria base de cálculo”. segundo o regime de competência. n. verbis: “Art. Reg. 43. 111-405. a Lei 9. 4ª Reg. real. Contudo. porém. 41. Contra tal restrição à dedutibilidade da base de cálculo do imposto de renda e da própria contribuição social sobre o lucro. do trabalho. tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I.. a. § 2º Na determinação do lucro real. Veja-se o que estabelecem os arts. Nesse contexto.

não há obstáculo jurídico que possa macular a exigência.316/96. apenas não é mais permitido abater uma parte do lucro obtido. vindo a nova lei apenas a suprir lacuna do texto legal anterior. Seria ilógico admitir que os valores pagos a título de CSLL. se houvesse majoração de alíquota desproporcional às possibilidades da pessoa jurídica. em vedação ao cômputo. pudessem ser excluídos da base de cálculo da mesma contribuição. não tendo vedado a dedução. p. Por outro lado. o qual. Considerando incidir a CSLL sobre o “resultado do exercício antes da provisão do imposto de renda”. no caso. da Carta Magna. Não desnatura o conceito de lucro. 394 R. mas. n. incidem sobre os rendimentos líquidos auferidos pela empresa apurados ao final do exercício. não se há falar em elevação dos tributos a serem pagos. 2001 . Tal critério implica evidentemente maior incidência tributária. a. tanto uma como outra. o fato de ser vedado o mencionado desconto. o que não acarreta qualquer vício de inconstitucionalidade. reduzindo o montante da obrigação tributária. terminou por favorecer o contribuinte. para a contribuição social sobre o lucro. Porto Alegre. sim. Reg. sendo legítima a restrição imposta pela Lei 9. de parcela indedutível. como despesa. 12. 4ª Reg. ou lucro líquido. Tanto assim é que a legislação prevê expressamente as outras parcelas que podem ou não ser deduzidas do montante real. antes concernente apenas ao imposto de renda. as alíquotas descontadas a tais títulos (IR e CSLL) já faziam parte do acréscimo patrimonial apurado. Trib. nem mesmo despesas necessárias à obtenção daquela renda. sendo esse o objetivo da lei. Portanto. quando apurados com base no lucro. não podendo ser consideradas despesas. inciso III.estender tal limitação. Poder-se-ia cogitar de ofensa aos princípios da capacidade contributiva e do não-confisco. na verdade. 146. 111-405. posto que legalmente instituída. 40. Fed. Contudo. claro está que pode ser submetida às mesmas regras no que tange aos limites dedutíveis. pode ser modificada pelo legislador ordinário sem o óbice do art. em vista das operações essenciais às atividades da empresa. no que tange à hipótese de incidência da própria contribuição social sobre o lucro. Todavia. ao proibir o abatimento de parte do lucro apurado. aumento da arrecadação fiscal. pois permanece o resultado positivo do balanço. sobre o próprio lucro. Com efeito.

DJ 15.316/96 não violou o conceito de lucro. 1. MANDADO DE SEGURANÇA. CONCEITO DE LUCRO E RENDA. e 195. Com essas considerações. Porto Alegre.01. Reg. Rel.316/96. 1º. LEI 9. II. ‘O conceito jurídico de renda é fixado livremente pelo legislador. para entregar ao Estado.. 43 do CTN ou os arts. da Constituição e “TRIBUTÁRIO.00. Lucro ou renda não é somente aquilo que sobra para a sociedade distribuir a seus sócios ou reaplicar em seu objeto social. lucro é. p. 40. n. 153. LEI Nº 9. a.-1. Inteligência do art. 1º da Lei nº 9. Não é a destinação que determina se um valor é ou não é lucro. ART. bem como de sua própria base de cálculo. e ao ser retirado. nem afrontou o art. não reduz o patrimônio. IMPOSTO DE RENDA. nego provimento ao apelo. nem de sua própria base de cálculo (Lei nº 9. do trabalho. O que a sociedade retirou do lucro. 3ª T. R. AMS 1998. Não é inconstitucional a indedutibilidade do valor da contribuição social sobre o lucro para efeito de determinação do lucro real. 2. 111-405. Ao vedar a dedução do valor da contribuição social para efeito da determinação do lucro real.2000). MP Nº 1516/96. art. Juiz Saulo Casali. 2001 395 . 1º). I. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DA SUA PRÓPRIA BASE DE CÁLCULO E DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA. IMPOSSIBILIDADE. acórdãos sobre o tema assim ementados: “MANDADO DE SEGURANÇA. 2. Fed. ou da combinação de ambos’ e proventos de qualquer natureza como ‘os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior’.316/96. 12. 43 do CTN que define renda como ‘o produto do capital.095179-7/MG. não se circunscrevendo ao elemento novo que se agrega ao patrimônio após a dedução de despesas e custas’ ” (TRF/1ª. Trib. o art.09. 4ª Reg.Vejam-se. Lucro é o que se desprende do capital sem reduzi-lo. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. adstrito a considerações de ordem pragmática (Aliomar Baleeiro). a propósito.316/96.

Reg. e outro Advogados: Drs. Porto Alegre. Trib. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti Apelante: União Federal (Fazenda Nacional) Advogado: Dr. 111-405. 4ª Reg. 23. Ademar Silva dos Santos e outro Remetente: Juízo Federal da 1ª Vara Federal de Cascavel/PR EMENTA Argüição de inconstitucionalidade – art. Suscitado incidente de inconstitucionalidade do art. a. por unanimidade. de 29. portanto. Fed. 56. Sr. II. p.APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Nº 1999.99. 2001 . 06 de março de 2001. II. nos termos do relatório. a. n. 23.06.003502-0/PR Relator: O Exmo. Sr. da Medida Provisória nº 2113-27/2001 (que corresponde ao art. desonerando. 56. as receitas provenientes de atos cooperativos e determinando à autoridade coatora 396 R. Porto Alegre. a. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti.05. Juiz Amir José Finocchiaro Sarti: Trata-se de reexame necessário e de apelação contra a sentença que concedeu mandado de segurança “para o fim de apenas declarar o direito das impetrantes em proceder ao recolhimento da COFINS e da contribuição destinada ao PIS de acordo com o regime tributário vigente antes da edição da Medida Provisória nº 1858-6. decide a Primeira Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 40. Relator. Cezar Saldanha Souza Junior Apelados: Cooperativa Agrícola Mista Vale do Piquiri Ltda. da primitiva Medida Provisória nº 1858-6/99) para os fins do art. a. II. da MP nº 211327/2001(que corresponde ao art. da primitiva MP nº 1858-6/99).70. 12. suscitar o incidente de argüição de inconstitucionalidade. 97 da Constituição Federal. II. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos entre as partes acima indicadas. voto e notas taquigráficas que ficam fazendo parte integrante do presente julgado. RELATÓRIO O Exmo. a.

não houve alteração no tratamento que vinha sendo dado às cooperativas . Asseveram que. 35 da referida medida provisória haver revogado os dispositivos que cuidavam da matéria na Lei Complementar nº 70/91 e na Lei nº 9. Observam que tanto a LC nº 7/70 como a LC nº 70/91 eram de ser consideradas. Assinala que. 15 (da Medida Provisória nº 1858/99) não é. Nos dizeres da sentença recorrida. “o rol do art. se acham “concretamente sujeitas aos efeitos das medidas contestadas na ação. embora as contribuições questionadas. o que decorre do simples fato de serem pessoas jurídicas constituídas na modalidade legal de sociedades cooperativas”. sejam passíveis de regulamentação por lei ordinária e. também por medida provisória. como também porque materialmente se vestem da mesma natureza. reforçam a sua argumentação. porquanto só a lei complementar pode dispor sobre o “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. daí resultando que “o mandado de segurança foi interposto contra lei em tese”. em relação ao ato cooperativo. a despeito de o art. devido à variedade de situações que podem ocorrer. a Fazenda Nacional sustenta. desta forma. Em memorial. podem ser modificadas por medida provisória”. no que se refere ao ato cooperado. “em relação ao ato cooperativo. “sendo a atividade administrativa plenamente vinculada”. Quanto à questão de fundo.715/98.. Inconformada. c. donde não admitirem modificação exceto por via do mesmo instrumento legislativo qualificado. isso não resolve o problema “no caso concreto”. 111-405. p. em seu art. como leis complementares plenas. R. Fed. à vista do sobredito art. n. 12. como regra geral. 4ª Reg. Reg. 2001 397 . não havendo falar em impetração contra lei em tese nem em falta de liquidez e certeza do direito invocado. a. diz que as contribuições impugnadas (PIS e COFINS) “não necessitam de lei complementar para que sejam alteradas e. Trib.que se abstenha de autuá-las pelo exercício deste direito”. III. preliminarmente. salientando novamente que. As cooperativas recorridas. “de mais a mais. razão por que “devem prevalecer as isenções anteriormente vigentes”. não apenas porque formalmente o são. 40. em resposta. suficientemente amplo para abranger todas as receitas provenientes de atos cooperativos”. da CF”. Porto Alegre.. 146. “a Constituição Federal. permanece inalterada sua tributação”. conseqüentemente. que “inexiste qualquer prova documental que pudesse dar à impetrante um direito líquido e certo”. afirmam que.

c. o que contraria toda a jurisprudência construída em torno do assunto”. 111-405. César Asfor Rocha). Min.146. Trib. a liquidez e certeza do direito invocado. à lei complementar dispor sobre o seu adequado tratamento tributário”.. ao Poder Executivo. admitir-se que a sobredita Medida Provisória nº 1858-6/99 e suas reedições constitua-se em instrumento legislativo apto.. “o justo receio decorre da potencialidade dos efeitos da lei. “o mandado de segurança é via adequada para que o impetrante possa. 4ª Reg. 2001 .. que impõe a exação” (REsp. Min. Fed. Daí a viabilidade do mandado de segurança preventivo” (REsp. Demócrito Reinaldo). Juiz Amir José Finocchiaro Sarti: A jurisprudência do STJ parece firmada no sentido de que. “no que diz respeito ao ato cooperativo . 1ª T. Reg. 1ª T. “em matéria tributária. a solução da controvérsia resume-se. Porto Alegre.072. pois não há questões de fato para decidir. vinculados e obrigatórios à conseqüente legislação de regência. se o tratamento dado (às cooperativas) é ou não ‘adequado’. pelo justo receio decorrente da potencialidade dos efeitos da norma legal” (REsp. 1ª T. diante de um fato tributável. eximir-se da contribuição . É o relatório. destacando que “o fato de ser sociedade cooperativa não lhe garante. Sr. definir”.670. III. que não pode ser ignorada ou descumprida pelo agente fiscal. 43.751. essa é uma questão política que cabe ao Poder Legislativo ou. 40.105. o pedido não se configura como contra lei em tese. exclusivamente. 72. 12. VOTO O Exmo. preventivamente. 40. em parecer lavrado pela ilustre Dra. n. Irene Coifman Branchtein. no uso de competência legislativa constitucionalmente delegada. Milton Luiz Pereira). Milton Luiz Pereira). 398 R.. “o mandado de segurança preventivo não se confunde com o mandado de segurança contra lei em tese” (REsp. é o mesmo que admitir possa esse instrumento fazer as vezes de lei complementar. p. opinou no sentido do provimento da apelação e da remessa. 105. imposição de penalidades de cobrança.. por isso que.. o justo receio do contribuinte reside na atividade de lançamento. Min. na espécie. postular o não pagamento das majorações da alíquota do FINSOCIAL. como pretende a impetrante. como no caso em tela. atribuiu. Min. 1ª T.. a. A Procuradoria Regional da República. outrossim. Em decorrência disso. Inegável.

1998. até então. 6º. estabelecendo. Direito Tributário. como a jurisprudência tem feito. devendo extrair-se da combinação o seguinte comando: “a lei apoiará e estimulará o cooperativismo” (art. Nessa perspectiva. realmente a Medida Provisória nº 1858/99 não fez por dar “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. Com efeito. conforme destaca a sentença hostilizada. à matéria de direito. art. 146. 2º. art. E se isso é verdade. III. III. n. c). de fato. 111-405. que tanto a LC nº 7/70 quanto a LC nº 70/91 podem ser objeto de alteração por simples lei ordinária. art. apoiando e estimulando o cooperativismo (CF. 12. terminei convencido de que a regra contida no art. Assim sendo. então não há como negar a flagrante inconstitucionalidade da medida provisória que veio agravar – e não aliviar – a R. 4ª Reg. quanto ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. que só lei complementar pode dar-lhe adequado tratamento tributário. “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas” (art. 146. 146. como determinam as normas constitucionais. § 2º). ou. Reg. § 1º) – está claro. Livraria do Advogado. c/c art. mesmo admitindo. Trib. da CF. 15) não é suficientemente ampla para atingir todos os rendimentos provenientes dos atos cooperativos – que. as preliminares suscitadas pela recorrente. 174. Porto Alegre. É dizer: “será adequado o tratamento tributário do ato cooperativo quando implicar carga tributária inferior a das demais atividades produtivas. p. e Lei nº 9715/98. Porto Alegre. quando implicar carga tributária que não seja mais gravosa que a incidente sobre outras atividades (do contrário. 174. francamente não vejo como deixar de reconhecer. § 2º). se a relação dos valores e receitas que ficaram excluídas da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP (MP nº 1858/99. veio agravar – e não reduzir – a carga fiscal incidente sobre as suas atividades. 2001 399 . que a nova disciplina legal não está apoiando nem muito menos estimulando o cooperativismo. Fed. parece inevitável concluir que. no mínimo. 40. p. c. portanto.única e exclusivamente. ao invés de estimular. pois. c. art. estaria inviabilizando o cooperativismo)” (Leandro Paulsen. Rejeito. do diploma constitucional. 47). a. 174. só pode ser corretamente interpretada à luz do art. § 2º. estavam isentos das referidas contribuições (Lei Complementar nº 70/91. embora já tenha votado em sentido diverso. III. No mérito. entre outras medidas. incentivando-o.

da Constituição Federal. sem restrições. § 2º. Se isso fosse verdade. como salientado na sentença. a contrario sensu. afastava a incidência da contribuição sobre todos os atos cooperativos típicos. 4ª Reg. § 1º. e que podem atuar lado a lado. ensina Serpa Lopes. sem exceção. a sentença combatida: aqui. Cabe observar que a medida provisória referida teve origem na MP nº 1807.2001) – sendo que o dispositivo inconstitucional. não revoga nem modifica a lei anterior” (LICC.. deixando a descoberto determinados ingressos provenientes de atos cooperativos – com o que. está na 28ª reedição (MP nº 2213-28. II. não há revogação porque as normas são compatíveis” (Comentários à Lei de Introdução ao Código Civil. Acontece que. da Lei nº 9. 2º. de 23. presentemente. 2037 e 2113 e que. pois a medida 400 R. 56).02. p. o problema reside na insuficiência do elenco de valores e receitas excluídos da base de cálculo da contribuição. 2º. como é bem sabido. 40. c. atualmente. que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades” (art. teria sido revogado o art. I. Porto Alegre. v. a. por conseguinte. Ora. 12. II. Equivocada. 2ª ed. Fed. se encontra no art. pois ela definitivamente não dá “adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas”. No que tange ao PIS/PASEP. § 2º). inc. Parece-nos uma regra redundante. em relação à fixada no parágrafo antecedente.715/98..situação das cooperativas relativamente aos tributos questio-nados. do diploma legal. 2º. quanto ao PIS/PASEP.. que foi reeditada diversas vezes sob os números 1991. “essa expressão a par das já existentes significa tratar-se de normas que ficam a par das anteriores. aparentemente. “a lei nova. Em resumo: ao revogar expressamente o art. No caso do § 2º do art. pois apenas corrobora o critério da incompatibilidade. 1. 56. Trib. sem incompatibilidade. “as sociedades cooperativas . da LC nº 70/91 – que isentava da COFINS. 6º. nem muito menos está “apoiando e estimulando o cooperativismo”. art. 23. iguais em qualidade e merecimento. 146. o vício seria idêntico àquele apontado relativamente à COFINS. que. consagrado como elemento básico para se interpretar a revogação ou não de uma norma por outra. n. 111-405. a) – a MP nº 1858/99 ofendeu os arts. a. III. p. e 174. Reg. não há falar em inconstitucionalidade. Livraria Freitas Bastos. quer dizer. 2001 .

conforme.. 15 da MP.. Trib. de acordo com os incisos do art. II. a teor da Medida Provisória guerreada. Conquanto realize ato com cooperados. excluir tais receitas do cálculo das citadas exações. da primitiva MP nº 1858-6/99). ou seja. 2001 401 . a própria Fazenda Nacional sempre reconheceu: “De mais a mais. Porto Alegre. pois tais atos não se caracterizam como ato cooperativo. Nessas condições. a. a receita do ato da cooperativa. p. ser abatida quando do cálculo da base imponível da COFINS e do PIS. II. peço vênia para argüir a inconstitucionalidade do art. como também a Lei nº 9715/98 estabeleciam que apenas os atos cooperativos próprios da finalidade cooperativa não eram tributados. 12.provisória em questão absolutamente não “revogou a isenção anterior mais ampla”. 4ª Reg. a. Tanto a Lei Complementar nº 70/91. Reg. deverá. 56. não mudou” (sic). 111-405. Fed. 40. A receita do ato cooperativo. poderá. antes mesmo da MP aqui debatida. disposições “a par das já existentes”. vinculado a suas atividades e realizado com os cooperados.. Tal fato. Desta forma. R. 23. para os fins do art. não houve alteração no tratamento que vinha sendo dado às cooperativas. da MP nº 2113-27/2001 (que corresponde ao art. apenas os atos realizados com pessoas não cooperadas . 97 da Constituição Federal. É o voto. Tais atos já vinham sendo tributados. que permanece vigente – e não o fez exatamente porque estabeleceu. sem qualquer incompatibilidade. a. portanto. aliás. n.

negar provimento à apelação e à remessa oficial. 11 de dezembro de 2000. Fed. Lei complementar nº 84/96. nos termos do relatório e do voto do Relator. Juiz Vilson Darós Apelante: Instituto Nacional do Seguro Social . 2001 .01. Sr. Teru Batista Alves Torres Remetente: Juízo Federal da 1ª Vara Federal de Joinville/SC EMENTA Contribuição social incidente sobre royalties. Juiz Vilson Darós: Cuida-se de ação declaratória cumulada com repetição de indébito na qual a autora – Minancora e Cia. Não-incidência.APELAÇÃO CÍVEL Nº 2000. Contratos de transferência de tecnologia industrial (know how). Porto Alegre. 111-405. 4ª Reg. Sr. RELATÓRIO O Exmo. . Amir Carlos Mussi Dr.038193-4/SC Relator: O Exmo.04. sobre os royalties pagos em decorrência dos contratos de transferência de tecnologia industrial. 12. prevista na Lei Complementar nº 84/96. Relator. Trib. p. Sandro Monteiro de Souza Apelada: Minancora e Cia. decide a Egrégia Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Porto Alegre. Advogados: Dr. ACÓRDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas. Ltda.objetiva a declaração da ilegalidade dos recolhimentos efetuados a título de contribuição social (prevista na Lei Complementar nº 84. Não incide a contribuição social. por unanimidade. Reg. por força dos contratos de transferência de tecnologia com este celebrados.INSS Advogado: Dr. bem como a restituição das quantias que reputa recolhidas indevidamente 402 R. Juiz Vilson Darós. que fazem parte integrante do presente julgado. a. de 1996) sobre os royalties pagos ao químico Aluísio Marinho de Andrade. n. 40. Ltda.

VOTO O Exmo. A autora. 111-405. p. Trib. 2001 403 . tendo. pleiteando a total improcedência da ação. Aduz que tem. alternativamente. Busca. Irresignado. Reg. bem como a restituição das quantias que reputa recolhidas indevidamente ou. na qual o juízo monocrático julgou procedente o pedido. Processado regularmente o feito. Fed. a saber. pagos em decorrência dos contratos de transferência de tecnologia industrial mencionados na inicial. É o relatório. prejudicado o pedido alternativo de compensação. essa decorrente de prestação de serviços profissionais na área química. Minancora e Cia. a contar de maio de 1995. Sr. Para formulação de seus produtos. de 18 de janeiro de 1986. outra relação jurídica contratual completamente diferenciada com a mesma pessoa. a compensação com a contribuição social incidente sobre a remuneração de seus diretores. alternativamente. ver declarado que a contribuição de que trata a Lei Complementar nº 84.77 em fevereiro de 1998). condenando o INSS à restituição das importâncias recolhidas indevidamente. Creme Anti-séptico Infantil Minâncora e Vaselina industrial Minâncora. cujo prêmio da cessão e transferência onerosa da tecnologia é pago a título de royalties. Aluísio Marinho de Andrade. mas. apelou o INSS. Sem contra-razões. subiram os autos a esta Corte. 4ª Reg. Pomada Minâncora. Para tanto. sobreveio sentença. bem como nas custas e honorários advocatícios arbitrados em 10% sobre o valor da causa (R$ 24. 40. a sua compensação. não incide somente sobre os contratos de transferência de know how. Juiz Vilson Darós: Cuida-se de ação pela qual se objetiva a declaração da ilegalidade dos recolhimentos efetuados a título de contribuição social sobre os royalties pagos por força de contratos de transferência de tecnologia.. 12. a. autônomos e avulsos contratados para a prestação de serviços. atualizado.897. dedica-se à indústria de produtos farmacêuticos e cosméticos. utiliza a matéria-prima vaselina.ou. relata que firmou contrato de fornecimento de tecnologia industrial (know how) com o químico Dr. n. Ltda. deixado de adquiri-la de terceiros. tão-somente sobre os valores R. sim. para industrializá-la por conta própria. declarando a inexigibilidade dos recolhimentos efetuados a título de contribuição social nos termos da Lei Complementar nº 84/96 incidente sobre os royalties. Porto Alegre. enfim. ainda.

n. cujo preço é pago a título de royalties. 404 R. Sua insurgência é bem específica. na área química. Creme Anti-Séptico Infantil Minâncora e Vaselina Industrial Minâncora). consoante estabelecido naquele diploma legal. distribuídas ou creditadas a seus cooperados. Fed. Agora. Para obter o Know How necessário firmou um contrato de fornecimento de tecnologia industrial com químico. 1. o qual teve por objeto a transferência de tecnologia industrial para a produção da “Vaselina” utilizada na Pomada Minâncora. ao argumento de que não está sujeita ao pagamento da contribuição social sobre a folha de salários criada nos termos da Lei Complementar nº 84.96. inclusive cooperativas. b) outra relativa à prestação de serviços profissionais autônomos. 4ª Reg. 12. Trib. devendo ser mantida a sentença proferida pela douta julgadora singular. e II . no valor de quinze por cento do total das importâncias pagas. de 18. 40.. em decorrência dos contratos de transferência de tecnologia industrial. trabalhadores autônomos. de 18 de janeiro de 1996.pagos a título de serviços prestados. a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas’. por seus próprios fundamentos. Reg. não quer pagar a contribuição em tela a pressuposto que não incide o fato gerador. Porto Alegre. Por oportuno. A inicial narra duas relações contratuais diferenciadas: a) uma relativa à transferência onerosa de tecnologia industrial (Know How). A associação com o químico deve ter sido mais vantajosa do ponto de vista comercial. A Autora é pessoa jurídica de direito privado. no valor de quinze por cento do total das remunerações ou retribuições por ela pagas ou creditadas no decorrer do mês. assim.a cargo das cooperativas de trabalho. quer que se declare a inexigibilidade dos recolhimentos efetuados a título de contribuição social incidente sobre os Royalties pagos a químico contratado. 111-405.º Para a manutenção da Seguridade Social. ficam instituídas as seguintes contribuições sociais: I .. e demais pessoas físicas. os quais transcrevo em parte e adoto como razão de decidir: “(. 15. que novamente instituiu a contribuição incidente sobre o pro labore e pagamento efetuado a autônomo. p. Entende que não incide na regra da referida lei. 14. Assiste razão à autora. 13. por tempo limitado e determinado e. 12. pelos serviços que lhes prestem. a. os segurados empresários. A discussão está restrita ao primeiro tópico. De acordo com o que narra produz vários produtos conhecidos no mercado brasileiro (Pomada Minâncora.01. A partir de determinado período deixou de adquirir a matéria-prima ‘Vaselina’ com formulação específica e passou a industrializá-la. sem vínculo empregatício. 2001 . proporcionalmente à comercialização do respectivo produto. grifei.a cargo das empresas e pessoas jurídicas. avulsos. transcrevo o artigo 1º da Lei Complementar nº 84/96: ‘Art.) A autora insurge-se contra a exação instituída pela Lei Complementar nº 84.

Dissertando sobre o contrato de know how, a professora Maria Helena Diniz explica
que ‘... é aquele em que uma pessoa, física ou jurídica, se obriga a transmitir ao outro
contraente, para que este os aproveite, os conhecimentos que tem de processo especial
de fabricação, de fórmulas secretas, de técnicas ou de práticas originais, durante certo
tempo, mediante o pagamento de determinada quantia chamada royalty, estipulada
livremente pelos contraentes. Tal pagamento poderá ser feito de uma só vez, ou com
uma entrada inicial e percentagens sobre vendas, ou somente com percentagens sobre
vendas, ou, então, pelo pagamento de importâncias fixas, feito parceladamente. Todavia,
nada obsta a que se transfira o know how a título gratuito, quando o concedente tem
outro interesse que não auferir lucro.
E, mais adiante, ‘... que o know how consiste em certos conhecimentos, técnicas ou
processos de fabricação de um produto, secretos e originais, que alguém tem, idôneos
para melhorar um produto, tornando-o mais rentável para o seu possuidor. O know
how – ‘como conhecimentos, técnicas ou experiências desenvolvidos no exercício de
atividade secreta e suscetíveis de aplicação prática, traduzidos em fórmulas ou procedimentos especiais, descobertos por pessoa física ou jurídica’ - constitui um bem
imaterial protegido juridicamente (Lei nº 4.131/62, modificada pela Lei nº 4.390/64,
regulamentada pelo Dec. nº 55.762/65; Lei nº 5.772/71, art. 128; Lei nº 5.988/73; Dec.-Lei nº 1.418/75; Dec.-Lei nº 1.446/76).’ (Curso de Direito Civil Brasileiro, 3º Vol.
Teoria das Obrigações Contratuais e Extracontratuais, Ed. Saraiva, 6ª ed., pg. 463).
16. Assim sendo, esse ato (fornecimento de tecnologia) não se subsume à hipótese
de incidência prevista no inciso I do artigo 1º da Lei Complementar nº 84/96. Com
efeito, para a incidência da lei, faz-se necessário que se esteja diante de remuneração paga por serviços prestados, às empresas e às pessoas jurídicas, por autônomos,
empresários ou avulsos. A relação jurídica que é estabelecida entre a parte-autora e o
químico não envolve prestação de serviços deste para aquela. Logo, não se está diante
de fato imponível da contribuição prevista no referido inciso I e muito menos, o fato
sob exame também não se enquadra no inciso II do mencionado artigo 1º.
17. Logo, improcedem as alegações do INSS (de que a tecnologia industrial fornecida é de domínio público, que apenas foi aprimorada e assim não atende o requisito da
novidade e que a mesma não se enquadra nas condições de patenteabilidade previstas na
Lei 9.279/196) haja vista que sequer trouxe aos autos a prova da composição química
do produto. E, ainda, que houvesse, é de se ter em conta que é a técnica manufatureira,
de juntar os elementos químicos, que constitui o segredo.”

Por estas razões, não incidirá o mandamento da norma, sendo, por isso,
ilegal a exigência combatida, devendo ser mantida a sentença também
no que tange aos consectários, pois estão de acordo com os precedentes
da Turma.

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 111-405, 2001

405

branca

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R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 407-410, 2001

ÍNDICE NUMÉRICO

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 407-410, 2001

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branca

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R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 407-410, 2001

DIREITO ADMINISTRATIVO E DIREITO CIVIL
1998.04.01.030971-0/RS. (AC) Rel. Juiz Edgard Lippmann............... RTRF-4ª 40/2001/115
1998.04.01.054251-9/RS. (AC) Rel. Juiz Edgard Lippmann............... RTRF-4ª 40/2001/125
1999.04.01.091413-0/PR. (AC) Rel. Juiz Teori Albino Zavascki
. RTRF-4ª 40/2001/137
1999.04.01.110764-5/RS. (AC) Rel. Juíza Luiza Dias Cassales ..... RTRF-4ª 40/2001/140
1999.04.01.112449-7/PR. (AC) Rel. Juíza Luiza Dias Cassales ..... RTRF-4ª 40/2001/144
1999.70.08.002946-0/PR. (AC) Rel. Juiz Valdemar Capeletti............. RTRF-4ª 40/2001/150
1999.71.04.003807-5/RS. (AMS) Rel. Juíza Marga Barth Tessler.......... RTRF-4ª 40/2001/154
1999.71.00.027279-6/RS. (AC) Rel. Juíza Silvia Goraieb .............. RTRF-4ª 40/2001/163
2000.04.01.001996-0/SC. (AC) Rel. Juíza Luiza Dias Cassales.......... RTRF-4ª 40/2001/171
2000.04.01.045719-7/RS. (AC) Rel. Juiz Valdemar Capeletti............. RTRF-4ª 40/2001/178
2000.04.01.097455-6/RS. (MS) Rel. Juiz Surreaux Chagas
... RTRF-4ª 40/2001/184
2000.04.01.121053-9/RS. (AC)
.......................................................... Rel. Juíza Marga
Barth Tessler
RTRF-4ª 40/2001/190
2000.04.01.135309-0/PR. (AC) Rel. Juíza Silvia Goraieb
...... RTRF-4ª 40/2001/195
2000.04.01.137630-2/RS. (AC) Rel. Juíza Silvia Goraieb
...... RTRF-4ª 40/2001/206
2000.04.01.144768-0/PR. (AC) Rel. Juiz Valdemar Capeletti............. RTRF-4ª 40/2001/211
DIREITO PENAL E DIREITO PROCESSUAL PENAL
97.04.39566-3/RS. (ACr)
Rel. Juiz José Germano da Silva....... RTRF-4ª 40/2001/223
1998.04.01.015177-4/RS. (ACr) Rel. Juíza Maria Lúcia L. Leiria ....... RTRF-4ª 40/2001/236
2000.04.01.105416-5/PR. (HC) Rel. Juiz Élcio Pinheiro de Castro.... RTRF-4ª 40/2001/240
2000.04.01.078690-9/PR. (ACr) Rel. Juiz José Germano da Silva....... RTRF-4ª 40/2001/249

DIREITO PREVIDENCIÁRIO
95.04.48246-5/RS. (EI)
97.04.04822-0/SC. (CC)
97.04.63085-9/RS. (AC)
1998.04.01.076047-0/RS. (REO)
1998.04.01.092124-5/SC. (AC)
1999.04.01.093644-7/RS. (Ag)
1999.04.01.097527-1/SC. (AC)
1999.71.00.005725-3/RS. (AC)

Rel. Juiz Surreaux Chagas
......... RTRF-4ª 40/2001/263
Rel. Juiz Amaury C. de Athayde....... RTRF-4ª 40/2001/271
Rel. Juíza Virgínia Scheibe................ RTRF-4ª 40/2001/275
Rel. Juiz Luiz Carlos de C. Lugon.... RTRF-4ª 40/2001/283
Rel. Juíza Virgínia Scheibe................ RTRF-4ª 40/2001/291
Rel. Juiz Luiz Carlos de C. Lugon.... RTRF-4ª 40/2001/298
Rel. Juiz Luiz Carlos de C.Lugon..... RTRF-4ª 40/2001/301
Rel. Juiz Tadaaqui Hirose.................. RTRF-4ª 40/2001/307

R. Trib. Reg. Fed. 4ª Reg. Porto Alegre, a. 12, n. 40, p. 407-410, 2001

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1999.71.04.003296-6/RS. (AC)
2000.04.01.005318-9/SC. (AC)
2000.04.01.093280-0/SC. (AC)
2000.04.01.116983-7/RS. (AC)

Rel. Juiz Sérgio Renato T. Garcia...... RTRF-4ª 40/2001/311
Rel. Juíza Virgínia Scheibe................ RTRF-4ª 40/2001/315
Rel. Juiz Nylson Paim de Abreu........ RTRF-4ª 40/2001/320
Rel. Juiz Surreaux Chagas................. RTRF-4ª 40/2001/324

DIREITO PROCESSUAL CIVIL
95.04.07516-9/SC. (ED)
Rel. Juiz Amaury C. de Athayde....... RTRF-4ª 40/2001/333
96.04.09347-9/PR. (AR)
Rel. Juíza Marga Barth Tessler.......... RTRF-4ª 40/2001/338
96.04.52839-4/PR. (EI)
Rel. Juiz Amaury C. de Athayde....... RTRF-4ª 40/2001/343
96.04.61012-0/RS. (CC)
Rel. Juiz Amir José F. Sarti................ RTRF-4ª 40/2001/346
98.04.03092-6/RS. (Ag)
Rel. Juíza Tania Escobar.................... RTRF-4ª 40/2001/348
1999.04.01.085697-0/RS. (AC) Rel. Juiz Vilson Darós....................... RTRF-4ª 40/2001/351
2000.04.01.003101-7/RS. (AC) Rel. Juiz Teori Albino Zavascki........ RTRF-4ª 40/2001/358
2000.04.01.034264-3/RS. (AgRg) Rel. Juiz Nylson Paim de Abreu........ RTRF-4ª 40/2001/361
2000.04.01.124187-1/SC. (ED) Rel. Juiz Sérgio Renato T. Garcia...... RTRF-4ª 40/2001/364
2000.04.01.124254-1/RS. (Ag) Rel. Juiz Teori Albino Zavascki........ RTRF-4ª 40/2001/368
2000.04.01.132614-1/RS. (Ag) Rel. Juiz Nylson Paim de Abreu........ RTRF-4ª 40/2001/370
DIREITO TRIBUTÁRIO
1999.04.01.038302-1/RS. (AMS) Rel. Juíza Tania Escobar.................... RTRF-4ª 40/2001/377
1999.04.01.091497-0/PR. (AC) Rel. Juiz Amir José F. Sarti................ RTRF-4ª 40/2001/382
1999.71.00.024012-6/RS. (AMS) Rel. Juiz Élcio Pinheiro de Castro..... RTRF-4ª 40/2001/386
1999.71.02.004558-0/RS. (AMS) Rel. Juiz Élcio Pinheiro de Castro..... RTRF-4ª 40/2001/391
1999.70.05.003502-0/PR. (AMS) Rel. Juiz Amir José F. Sarti................ RTRF-4ª 40/2001/396
2000.04.01.038193-4/SC. (AC) Rel. Juiz Vilson Darós....................... RTRF-4ª 40/2001/402

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ÍNDICE ANALÍTICO

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branca

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AC 1999.137630.01.01.04. RTRF-4ª 40/2001/338 ADCT. Quintos. Juros de mora.04.04. IR. art. CP. Décimos.61012-0/ RS. Erro de fato. RTRF-4ª 40/2001/195 Aposentadoria. RTRF-4ª 40/2001/358 Ação rescisória. Processo administrativo.04. Servidor público. RTRF-4ª 40/2001/236 Aposentadoria. 11. AC 2000.01. Aposentadoria. Justiça do Trabalho.04. AMS 1999. Conflito de competência. RTRF-4ª 40/2001/301 Aposentadoria por invalidez.034264-3/RS. Competência. Fato gerador.71. 188. ACr 1998.003101-7/RS.01.09347-9/PR.2/RS.04. Fed. Estelionato.030971-0/RS.04. Rurícola. 142 e 143. 53. 2001 413 .04.0383021/RS.132614-1/ RS. 411-428. RTRF-4ª 40/2001/377 Ação de desapropriação.04. Adicional de gestão educacional. art.213/91. Correção monetária. Não-configuração. art. CPC. Perícia. Pensão especial. AC 1998. RTRF-4ª 40/2001/154 Antecipação de tutela.003807-5/RS.01.0/PR.015177-4/RS. AC 2000. Ex-combatente. CPC. arts. Transação. Contraditório. 171. 40. Revisão. Ag 2000.01. 114. Servidor público. n. RTRF-4ª 40/2001/115 Adicional de gestão educacional.01. INSS. CPC.01. Direito adquirido. Quintos. art.-ATrbt Adm PrCv PrCv PrCv Adm Adm Adm PrCv Pn Adm PrCv Pv PrCv Abono salarial. 130. p.04. Não-configuração. art. art. CTN.135309. Porto Alegre. art. CC 96.1353090/PR. 4ª Reg. RTRF-4ª 40/2001/195 Ampla defesa.01.097527-1/SC. Ag 2000. Súmula n° 343 do STF. Antecipação de tutela. CF. RTRF-4ª 40/2001/370 Aposentadoria. Perícia. 48.04.04. Reg.01. R. 43. Ensino superior. AC 2000. a. Batalhão de Suez. 12. Adimplemento parcial. § 3°. Décimos. Prazo. Contestação. RTRF-4ª 40/2001/346 Aposentadoria. Proventos. AR 96. RTRF-4ª 40/2001/361 Ação rescisória. AMS 1999. Lei n° 8. RTRF-4ª 40/2001/206 Ação de indenização. AC 2000. Trib.04.

Ag 2000. Não-configuração. Lei n° 8. COFINS.04. Lei n° 8. RTRF. CC 96.01.9/SC.71. CPC. RTRF-4ª 40/2001/311 Benefício.01. 130.091413-0/PR. 171.076047-0/RS. Contribuição previdenciária. Fed.003296-6/ RS.027279-6/RS.04. AC 2000. Imposto de renda. Convalidação.213/91. 40. INSS.05. RTRF-4ª 40/2001/283 Auxílio-doença.093280-0/SC.5/RS. ACr 1998. RTRF-4ª 40/2001/115 Bem público.04. AC 1999. Cálculo. RTRF-4ª 40/2001/391 Batalhão de Suez.969/81. Princípios da boa-fé e da segurança jurídica. Terceiro. Importação irregular. AMS 1999.04. Ve í c u l o u s a d o .04. Apreensão. Porto Alegre. art. Ag 2000. AC 1998.005318-9/SC.01. Lei n° 9. Proventos. Usucapião especial. RTRF-4ª 40/2001/396 Ato administrativo.71.04. I m p o r t a ç ã o i r r e g u l a r. art. art. Conflito de competência. AC 2000. RTRF-4ª 40/2001/370 A p r e e n s ã o . RTRF-4ª 40/2001/320 Boa-fé. Pensão especial.02. Salário-de-benefício. Embargos à execução. art. REO 1998. Direito adquirido.04.00. RTRF-4ª 40/2001/311 Benefício.04.01. Ato administrativo. RTRF-4ª 40/2001/137 Argüição de inconstitucionalidade. RTRF-4ª 40/2001/140 Benefício.04.054251-9/ RS. Gratificação de desempenho de atividade tributária. Perícia.01. AC 97. RTRF-4ª 40/2001/125 Boa-fé. Revisão. art.01. a. 32.091413-0/PR.70.054251-9/RS. RTRF-4ª 40/2001/236 Benefício. art. RTRF-4ª 40/2001/163 Autônomo. RTRF-4ª 40/2001/275 Benefício. RTRF-4ª 40/2001/137 R.212/91.63085-9/RS. Não-configuração. Revisão.04. 12. p. Revisão.04. Veículo usado. A M S 1999.030971-0/RS.004558-0/RS.316/96. ADCT. RTRF-4ª 40/2001/346 Benefício. AC 1998. 53. § 3°.132614-1/RS. AC 2000.003502-0/PR.71. Convalidação. AC 1998.01. Reg.61012-0/RS. II. Descabimento. CP. 1°.132614-1/RS.01. 411-428. RTRF-4ª 40/2001/315 -B- Trbt Adm Adm Pn PrCv PrCv Pv Pv Pv Pv Adm Adm 414 Base de cálculo.01.110764.01. Contribuinte em dobro. Prescrição. PIS.Adm Trbt Adm Adm Pv Pv 130.4ª 40/2001/125 Auditores fiscais. Prescrição. Revisão. Trib.01. AMS 1999. Medida provisória n° 2. 2001 . Inconstitucionalidade.01. AC 1999. n. 29.04. Revisão. art. 56. 4ª Reg. Lei n° 6. Terreno de marinha. AMS 1999.04.04. a.04.015177-4/RS.01.04. Antecipação de tutela.005318. Decadência. AC 1999.113/2001. RTRF-4ª 40/2001/370 Benefício. Estelionato. Ex-combatente.

01.08. CC 96.212.698/71. a. AC 2000. Medida provisória n° 2. 37. art. Força maior.698/71. Porto Alegre. art. Fed.01. 28. RTRF-4ª 40/2001/346 Competência. AC 2000.01.04.213/91. Habeas corpus.04. AC 1998.003101-7/RS. 37. Responsabilidade extracontratual do Estado. art. art. RTRF-4ª 40/2001/358 Concurso público. § 2°.093280-0/SC. Não-incidência.04. Não-configuração. art. Princípios R. 114. Imposto de renda. Reg.04. Conflito. Portadores de deficiência física.04.097527-1/SC.01.091497-0/PR. RTRF-4ª 40/2001/211 CEF.004558-0/ RS.003502-0/PR.04822-0/SC. Nulidade. Ação de indenização. 411-428. Base de cálculo. Desapropriação. Lei n° 5. AC 2000.113/2001. RTRF-4ª 40/2001/184 CF. Reserva de vagas.02.70. RTRF-4ª 40/2001/184 Concurso público interno. AC 2000. Aposentadoria. art.756/52.01. art. RTRF-4ª 40/2001/358 Citação. AC 2000. INSS. Justiça do Trabalho. AC 1999.01. CC 97. Salário-de-benefício.003101-7/RS. RTRF-4ª 40/2001/391 COFINS. RTRF-4ª 40/2001/150 Cessão de direitos. 40.01. RTRF-4ª 40/2001/382 -C- Pv Cv Cv Adm Adm Pn Adm PrCv Pv Trbt Trbt PrCv Pv PrCv Pv PrCv Adm Adm Cálculo. VIII. Concurso público.04. Justiça do Trabalho. Responsabilidade civil. AC 1999. AC 1999.04. RTRF-4ª 40/2001/291 Competência. art. RTRF-4ª 40/2001/240 CF. Contribuição previdenciária. CCv.Trbt Bolsa de estudos. t.01. 3°.316/96.70. MS 2000. art. art.105416-5/PR. II. RTRF-4ª 40/2001/351 Companheira. 32. Lei n° 8.092124-5/SC. d. 2001 415 . p.04.144768-0/PR. Lei n° 8. AC 1999. Inconstitucionalidade. 222. 12. Responsabilidade civil.04.61012-0/ RS. Liquidação de sentença. RTRF-4ª 40/2001/320 Caso fortuito. Majoração. AC 2000. Lei n° 8. § 9°.71. Ação de indenização. Trib. art. Conflito negativo.085697-0/RS. RTRF-4ª 40/2001/301 COFINS.04. 159. Revisão. a. Dano moral.297/63.112/90. Não-configuração.01. CPC. Lei n° 1. Convalidação.04. Força maior.04.01.144768-0/PR. Pensão. 4ª Reg. Presunção de inocência. VIII. Lei n° 9.01. Caso fortuito. AMS 1999. Competência. Pensão. Ato administrativo. Portadores de deficiência física. Lei n° 4. MS 2000.01. art.04. Argüição de inconstitucionalidade.002946-0/PR. CF. 5°. LVII. RTRF-4ª 40/2001/171 CF. Ex-combatente. 5°. Não-configuração.01. RTRF-4ª 40/2001/271 Competência. Lei n° 5. Indenização. Incêndio. art. RTRF-4ª 40/2001/396 Coisa julgada.05.0019960/SC. 114.04. CF. 56. HC 2000. AMS 1999. art.0974556/RS.04. 159.097455-6/RS. n. RTRF-4ª 40/2001/211 CCv. 1°.

art. RTRF-4ª 40/2001/402 Contribuição previdenciária. Não-incidência. Majoração. Ampla defesa. 130. RTRF-4ª 40/2001/382 Contribuição social.01.04.04. Não-configuração. Ausência. Ensino superior.52839-4/ PR. Prazo. Processo administrativo.0342643/RS. § 4°. § 9°.04. Descabimento. Princípios da boa-fé e da segurança jurídica. INSS.04. p.054251-9/RS. Ag 2000. RTRF-4ª 40/2001/271 Contestação. Ag 2000. CPC. ACr 1998. AC 1999.01. Lei n° 1.01. Porto Alegre. Ag 2000.137630-2/RS. ACr 2000.PrCv Pv PrCv Adm Pv Trbt Pv Trbt Trbt Adm Adm Pn Pn Pn PrCv PrCv PrCv PrCv Pv 416 da boa-fé e da segurança jurídica.076047-0/RS. Aposentadoria. Contestação. 411-428. AC 1998. Não-configuração.04. INSS. Citação. Reg.698/71.01.0151774/RS.132614-1/ RS.04. RTRF-4ª 40/2001/361 Contraditório. Rescisória. Adimplemento parcial. AC R. a.054251-9/RS. ACr 97.01.4ª 40/2001/125 Correção monetária. Ampla defesa.01. Não-incidência. 12.04. INSS. RTRF-4ª 40/2001/343 CPC. t.01.61012-0/ RS. Lei Complementar n° 84/96. Transação. Antecipação de tutela. AMS 1999.04. art.04. CC 96. Perícia. Pensão. CC 97.093644-7/RS.04.078690-9/ PR.01. Ag 2000.01. RTRF-4ª 40/2001/125 Conflito de competência. 20. Crime continuado.01. Estelionato. art. 188. 171. n. Fed. Nulidade. AC 2000.04.091497-0/PR. RTRF-4ª 40/2001/206 CP. Lei n° 5. Revisão. Trib. Desapropriação. Execução por quantia certa. Lei n° 8.71.04.01. art. RTRF-4ª 40/2001/236 CP. Decadência.01.003807-5/RS. Rescisória. 28. RTRF-4ª 40/2001/298 Contrato de transferência de tecnologia. AC 2000. art. RTRF-4ª 40/2001/346 Conflito negativo de competência.756/52. RTRF-4ª 40/2001/249 CPC. § 3°. Lei Complementar n° 84/96. art. Prazo. AC 2000. RTRF-4ª 40/2001/223 CP. RTRF-4ª 40/2001/283 Contribuição previdenciária.04. Representação processual. 40. 171. Bolsa de estudos. AC 1998. RTRF-4ª 40/2001/154 Contraditório. RTRF. art. Pensão. 2001 . Ag 1999. Royalties. EI 96. RTRF-4ª 40/2001/361 CPC. 4ª Reg.04. Honorários advocatícios.038193-4/ SC. 288 e 289. Quadrilha. art.04. 222.038193-4/SC.124254-1/RS. Não-incidência. 37. Fazenda Pública. 188. REO 1998.04. Processo administrativo.39566-3/RS.0342643/RS. Habilitação de dependentes.212.01.04. Contribuição social. Ato administrativo. RTRF-4ª 40/2001/370 CPC. RTRF-4ª 40/2001/402 Convalidação.04. Moeda falsa.04822-0/SC. RTRF-4ª 40/2001/368 CPC. Estelionato. arts. art.04.01.

art. PDV. ACr 1998. Responsabilidade extracontratual do Estado. Responsabilidade tributária. 563. art.0383021/RS.Adm PrCv PrPn Pn Adm Pn Pn Pn Trbt Trbt Adm Pv 1999. Aposentadoria.00.316/96.39566-3/RS. AMS 1999. 171.078690-9/PR.024012-6/RS.71.9/PR. Contribuição previdenciária. 289. Revelia. § único.02. RTRF-4ª 40/2001/386 Culpa concorrente. Sentença.015177-4/RS. art.04. CP. Responsabilidade extracontratual do Estado.04.04. Não-configuração. Trib.04. AC 1998. 267. Servidor público.076047-0/RS. art.01.004558-0/RS.01. AC 1999.001996-0/SC.04.01. Imposto de renda.01. RTRF-4ª 40/2001/377 CTN. art. RTRF-4ª 40/2001/236 Desapropriação. Recurso em sentido estrito.097527-1/SC.01.01.01. IR.105416-5/PR. AMS 1999. Porto Alegre.002946-0/PR. art. INSS. RTRF-4ª 40/2001/249 CPP. Cessão de direitos.04. Lei Complementar n° 156/97. RTRF-4ª 40/2001/391 Denúncia. RTRF-4ª 40/2001/348 CPP.01. RTRF-4ª 40/2001/249 Crime de quadrilha. ACr 2000.01.04.045719-7/RS.03092-6/RS. AC 2000.078690-9/PR. Fed. Lei n° 9. 33. Rejeição. Ag 98.0019960/SC. 43. Direito de apelar em liberdade. AC 2000. Habeas corpus. 288. 594. HC 2000. II e III.04. AC 2000. CREA. CEF. Fato gerador. arts. 411-428. Fazenda pública.04. 40. AC 2000. Adicional de gestão educacional. RTRF-4ª 40/2001/301 CPC. 123 e 166.0/PR. RTRF-4ª 40/2001/171 CPC.121053-9/RS. AMS 1999. AC 2000. Responsabilidade extracontratual do Estado.121053-9/RS. art. 12. Inconstitucionalidade. RTRF-4ª 40/2001/190 Crime continuado.04. RTRF-4ª 40/2001/291 -D- Adm Adm Pv Adm Trbt Pn/PrPn Adm Dano moral. art. Súmula n° 60 do TRF-4ª. n. RTRF-4ª 40/2001/223 Crime de moeda falsa. Extinção do processo. art.135309. RTRF-4ª 40/2001/240 CREA. RTRF-4ª 40/2001/190 Custas. Nulidade. VI. RTRF-4ª 40/2001/195 Dedução.04. Não-configuração. REO 1998. Não-configuração. Estelionato.04. Indenização. ACr 97. RTRF-4ª 40/2001/178 Decadência. art. Responsabilidade extracontratual do Estado.70. a.04. 2001 417 . Imposto de renda. ACr 2000. INSS.04. ACr 2000. RTRF-4ª 40/2001/249 CTN.71.078690. RTRF-4ª 40/2001/150 Danos moral e material.01. Ilegitimidade.04.092124-5/SC. Desapropriação. 4ª Reg.08.01.04.04.01. CP. 1°. RTRF-4ª 40/2001/283 Décimos. 303. CP.01. RTRF-4ª 40/2001/171 R. Abono salarial. Efeitos.01. Quintos. AC 2000. Reg. p.01.

Pressupostos. ADCT. Porto Alegre. Correção monetária. Auditores fiscais. RTRF-4ª 40/2001/291 Adm Exclusão.04. RTRF-4ª 40/2001/171 Dosimetria. Liquidação de sentença.135309-0/PR.01. AMS 1999.Adm Adm Adm Adm Adm Pn Desapropriação. d. RTRF-4ª 40/2001/163 Direito adquirido. RTRF-4ª 40/2001/351 Adm Ex-combatente.04. RTRF-4ª 40/2001/333 Pv Embargos à execução.04.01. art. RTRF-4ª 40/2001/144 Direito adquirido. Rurícola. ACr 2000.030971-0/RS. AC 1998. RTRF-4ª 40/2001/338 Pn Estelionato. Transação. Trib. § 3°. Embargos de declaração. Rescisória. Pena.005725-3/RS. Crime continuado.01. 411-428.04. Coisa julgada.09347-9/PR. ACr 1998. AC 1999.04. Mestrando. a.297/63. art.092124-5/SC.073/98. AC 1998. Não-configuração.39566-3/RS. Batalhão de Suez.04.04. Prescrição. RTRF-4ª 40/2001/115 Pv Ex-combatente.04. Rejeição.04. Cessão. AC 1999. ED 2000. ED 95. Décimos.01. Adicional de gestão educacional. Não-configuração. 40.04.71. Princípios do contraditório e da ampla defesa. RTRF-4ª 40/2001/354 PrCv Erro de fato. 53. FGTS. Nulidade. art. ED 95.078690-9/ PR. Pensão especial. RTRF-4ª 40/2001/236 PrCv Estímulo fiscal.124187-1/SC. Proventos. AR 96.01.71. Fed. RTRF-4ª 40/2001/249 -E- Pv Economia familiar. Início de prova material.00. Não-configuração. Reg.015177-4/RS.00. Lei n° 5.04. RTRF-4ª 40/2001/311 PrCv Embargos de declaração.04. FGTS. RTRF-4ª 40/2001/154 418 R.0019960/SC. 171.01. Benefício. Pensão. Desapropriação. Quintos. Moeda falsa.04. ACr 97.027279-6/RS. AC 1999. AC 2000. Efeitos infringentes. AC 1999.112449-7/PR.075169/SC.01.01. 12.71.04.085697-0/RS.01. Adimplemento parcial. Gratificação de desempenho de atividade tributária. Indenização. Processo administrativo.003807-5/RS. Aposentadoria.003296-6/ RS.04. AC 1999. AC 2000.04. Companheira. Servidor público. RTRF-4ª 40/2001/307 PrCv Efeitos infringentes. p. Lei n° 4. Denúncia. RTRF-4ª 40/2001/223 Pn Estelionato. 2001 .71. Revisão.137630-2/RS. n. Não-configuração. 4ª Reg.075169/SC. RTRF-4ª 40/2001/333 PrCv Embargos de declaração. 3°. RTRF-4ª 40/2001/206 Desapropriação indireta.01. Medida provisória n° 1. Quadrilha. RTRF-4ª 40/2001/195 Direitos.698/71. Não-configuração. Juros de mora. CP. Prescrição. AC 2000.

001996-0/SC. art. Moeda falsa. CPP. CPC. art. Extinção do processo. RTRF-4ª 40/2001/163 -H- Pn PrCv Habeas corpus. 20. 4ª Reg.001996-0/SC. CCv.04. art. art. VI. Execução de quantia certa.04. II e III. 411-428. art.04. 20.078690-9/PR.48246-5/RS.01.027279-6/RS. 5°. Embargos de declaração. art.01. 2001 419 . 159. AC 2000.04. Ag 2000. Honorários advocatícios. art. Descabimento. 303.144768-0/PR.04.0383021/RS. 267.01. 267. § 4°.04.03092-6/RS. art. § 4°. Fed. CTN.124254-1/RS.01.71.04. Desapropriação. Ag 2000. Quadrilha. Porto Alegre. LVII. RTRF-4ª 40/2001/348 FGTS. IR. CPC. RTRF-4ª 40/2001/263 Extinção do processo.04. Abono salarial. EI 95. art.PrCv Pv Adm Execução de quantia certa. Reg. Presunção de inocência. RTRF-4ª 40/2001/368 -I- Adm Ilegitimidade. RTRF-4ª 40/2001/368 Fazenda Pública.01. 40.04. AC 2000. Ag 98.04. § 4°. RTRF-4ª 40/2001/333 Fixação. art. n.00. 12. 43. Desapropriação. p. Ag 2000. Embargos infringentes. Responsabilidade civil. Auditores fiscais. RTRF-4ª 40/2001/240 Honorários advocatícios.04. CPC.075169/SC. Efeitos infringentes.124254-1/RS. RTRF-4ª 40/2001/171 R. Fazenda Pública. CF.01. Honorários advocatícios.01. Descabimento. Trib.01. 594. Direito de apelar em liberdade. ED 95. AC 2000. CPC. RTRF-4ª 40/2001/211 -G- Adm Gratificação de desempenho de atividade tributária. a.04. RTRF-4ª 40/2001/249 Força maior. Fazenda Pública. AMS 1999.105416-5/PR.124254-1/RS. Descabimento. Direito adquirido. ACr 2000. RTRF-4ª 40/2001/368 Extinção do processo.01. CPC. Ilegitimidade. RTRF-4ª 40/2001/377 Fazenda Pública. 20. AC 1999. RTRF-4ª 40/2001/171 -F- Trbt PrCv PrCv PrCv Pn Cv Fato gerador. Execução de quantia certa. Salário-de-contribuição. VI. Caso fortuito. Efeitos. Revelia. HC 2000. Pena. CPC.

01. RTRF-4ª 40/2001/391 Indenização. RTRF-4ª 40/2001/351 INSS. Responsabilidade tributária. Revisão. RTRF-4ª 40/2001/311 INSS. Prescrição.091413-0/ PR. art.00.132614-1/RS.0019960/SC.297/63.05. AC 2000. Antecipação de tutela. 4ª Reg. Veículo usado. Nulidade. Embargos à execução. n.71.085697-0/RS.04.076047-0/RS. Abono salarial. § 3°. arts.01.71. RTRF-4ª 40/2001/171 INPC. Crime continuado. RTRF-4ª 40/2001/236 INSS. art. PIS. CTN. Ag 2000. RTRF-4ª 40/2001/391 Imposto de renda. Lei n° 8. AMS 1999. art. 171. ACr 1998.004558-0/RS. CTN.04.316/96.01. art.04. RTRF-4ª 40/2001/137 Imposto de renda. Benefício. Fed. Pensão.01. 40.Adm Adm Trbt Trbt Trbt PrCv Trbt Trbt Adm PrCv PrCv PrCv Pv Pv Pv Pv Pn Pn Pv Pv 420 Imóvel urbano. 12. RTRF-4ª 40/2001/140 Importação.969/81. AC 97.212/91.04.04. Não-configuração. 2001 .698/71. Benefício. p.038302-1/RS. Medida provisória n° 2.092124-5/SC. RTRF-4ª 40/2001/275 INSS. ACr 97.70.093644-7/ R.110764-5/RS.04. Trib. 3°. Usucapião especial. Não-configuração. Cessão de direitos.01.01. Lei n° 9.02. COFINS. 411-428.04.0032966/RS.01. RTRF-4ª 40/2001/396 Inconstitucionalidade. Súmula n° 37 do TRF. AC 1998.04. REO 1998. Descabimento. Prescrição. AC 1999. Apreensão. 1°. AC 2000. 29. Porto Alegre. RTRF-4ª 40/2001/377 Imposto de renda.005318-9/SC. Companheira. RTRF-4ª 40/2001/386 Incentivo fiscal. RTRF-4ª 40/2001/346 INSS. 56. 1°. PDV. Liquidação de sentença.39566-3/RS.04. RTRF-4ª 40/2001/223 INSS. AMS 1999. Revisão.113/2001. Coisa julgada. 130.04. RTRF-4ª 40/2001/283 INSS. Ex-combatente. Perícia.04.04. 123 e 166.02. IPC.04. RTRF-4ª 40/2001/291 INSS.04. Reg. Estelionato. art. 43. AMS 1999. Desapropriação.04. Conflito de competência. AC 1999. Lei n° 6. Não-configuração.71.316/96. Princípios do contraditório e da ampla defesa.01. art.024012-6/RS.003502-0/PR. RTRF-4ª 40/2001/370 INSS. Contribuinte em dobro. AC 1999. Lei n° 9. Inconstitucionalidade. Lei n° 5. Não-configuração. Benefício. Benefício. Pensão.63085-9/RS.01. Contribuição previdenciária.61012-0/ RS. CPC. Ag 1999.085697-0/RS. d.01. Fato gerador. CC 96. Lei n° 4. Habilitação de dependentes. Revisão.04. Base de cálculo. Revisão.004558-0/RS. art. CP. II. RTRF-4ª 40/2001/351 Inconstitucionalidade.01. AMS 1999. Estelionato.015177-4/RS. AMS 1999. a. Argüição.01.4ª.71. Decadência. AMS 1999. Processo administrativo. art. a. Não-configuração. RTRF-4ª 40/2001/311 INSS. Liquidação de sentença. AC 1999.

01. Ex-combatente. RTRF-4ª 40/2001/351 -J- PrCv Adm PrCv Juros de mora. Embargos de declaração. 3°. Precatório. Pensão. AC 2000. Lei n° 8.04. AC 1999. RTRF-4ª 40/2001/358 -L- Pv Pv Pv Pv Adm Adm Trbt Pv Lei n° 1.04. 4ª Reg. RTRF-4ª 40/2001/354 Juros de mora.01. Terreno de marinha. Bolsa de estudos.097455-6/RS. INPC. AC 1999. 142 e 143. Porto Alegre. Embargos infringentes. RTRF. 411-428. 11.092124-5/SC. Fed. RTRF-4ª 40/2001/184 Lei n° 8.085697-0/RS.213/91. Cálculo. Rurícola.698/71. RTRF-4ª 40/2001/206 Justiça do Trabalho. Regime de economia familiar.04.01.01.04. art. Incentivo fiscal.04822-0/SC.01.213/91.04. RTRF-4ª 40/2001/301 INSS. RTRF-4ª 40/2001/271 Lei n° 4. § 9°. Conflito negativo de competência. Pensão. 29.04. Início de prova material. AC 2000. 12. Rurícola.00.4ª. RTRF-4ª 40/2001/307 INSS. a. Majoração.091497-0/PR.Pv Pv Pv Pv Pv PrCv PrCv RS. Adimplemento parcial. Coisa julgada. EI 95. Desapropriação. AC 1999. 114. RTRF-4ª 40/2001/382 Lei n° 8. AC 1998.04. Aposentadoria. RTRF-4ª 40/2001/140 Lei n° 8.212/91. RTRF-4ª 40/2001/351 IPI.01. Lei n° 8.110764-5/RS. RTRF-4ª 40/2001/320 INSS. 32. RTRF-4ª 40/2001/263 IPC. MS 2000.097527-1/SC. RTRF-4ª 40/2001/324 INSS. Lei n° 8. Não-incidência. Cálculo. Salário-de-contribuição. 5°. RTRF-4ª 40/2001/271 Lei n° 5.71.092124-5/SC. Conflito negativo de competência. AC 1999.04. Liquidação de sentença. Teto. art.212/91. art. Pensão. CC 97.085697-0/RS. Salário-de-benefício. AC 1999.04.297/63.48246-5/RS. art. 40.04. Não-configuração. AC 2000. art. Usucapião especial. Companheira.093280-0/SC.003101-7/RS.4ª 40/2001/291 Lei n° 6.124187-1/SC. CF. Contribuinte R. p. n. Concurso público. ED 2000. Renda mensal inicial.005725-3/RS. RTRF-4ª 40/2001/291 Lei n° 5.756/52. Rurícola. AC 1999.04.01.04.01. Competência. Companheira.04822-0/SC. Contribuição previdenciária. Ação de indenização. d.04. Trib.04.01. CC 97. Portadores de deficiência física. AC 2000. Reg. 48. Descabimento. t. 28.04. art. Tempo de serviço.04. Majoração.01.01. Renda mensal inicial. Liquidação de sentença.01.969/81. Transação. arts.698/71. 2001 421 . AC 1998. RTRF-4ª 40/2001/298 INSS. § 2°. Ex-combatente.112/90. Súmula n° 37 do TRF.01. Pensão.137630-2/RS.116983-7/RS.213/91.

RTRF-4ª 40/2001/320 Lei n° 8. RTRF-4ª 40/2001/402 Lei Complementar n° 156/97. Cálculo. Conversão em desapropriação indireta. Auditores fiscais. CP. Adicional de gestão educacional. RTRF-4ª 40/2001/301 Lei n° 9. 56.01.04.71. 4ª Reg. AC 1999. Desapropriação indireta.003807-5/RS. AMS 1999.01.003502-0/PR.092124-5/SC.04.01.04.097527-1/SC.63085-9/RS. 76.116983-7/ RS. RTRF-4ª 40/2001/391 Lei n° 9.135309-0/PR. Salário-de-benefício. Processo administrativo. n.04. Não-incidência. art. 12. Trib.078690-9/PR.213/91. AC 1999. PIS.213/91. art.093644-7/RS.756/52.01. Inconstitucionalidade.04. art. 1°.04.027279-6/RS.01.70. Lei n° 5. art. AC 2000. RTRF-4ª 422 R.71. Processo administrativo. RTRF-4ª 40/2001/163 Medida provisória n° 2. Porto Alegre.093280-0/SC. 32. a. RTRF-4ª 40/2001/240 Limitação administrativa. Servidor público. RTRF-4ª 40/2001/271 Medida provisória n° 1.038193-4/SC. Contribuição social. 2001 Adm Adm Trbt Adm . Décimos. INSS. AC 2000. 40. RTRF-4ª 40/2001/195 Lei n° 9. Direito adquirido. AC 1998.316/96. II.01. Fed. Argüição de inconstitucionalidade.527/97. Exclusão. Royalties.915-1/99. Contraditório e ampla defesa. art. Não-configuração. Gratificação de desempenho de atividade tributária. 48. Habeas corpus. art. 594.01. 289. RTRF-4ª 40/2001/195 Lei Complementar n° 84/96.04.135309-0/PR. Quintos.112449-7/PR. Não-configuração. Coisa julgada. AMS 1999. a. Custas. Aposentadoria.04. Tempo de serviço. AC 2000. Prescrição. Lei n° 1.Pv Pv Pv Pv Trbt Adm Adm Trbt Pv Pn Adm PrCv em dobro. Aposentadoria. COFINS.113/2001.05. Reg.004558-0/RS.112449-7/PR. Princípios do contraditório e da ampla defesa. § único.04.073/98.085697-0/RS. INSS.213/91. INSS. AC 1999. art.04.01. Rurícola. Pensão. RTRF-4ª 40/2001/324 Lei n° 8. AC 1999. AC 2000. 411-428. AC 2000. HC 2000.04. ACr 2000. AMS 1999. RTRF-4ª 40/2001/144 Medida provisória n° 1.01. RTRF-4ª 40/2001/154 Moeda falsa.04. Rurícola.04. § 1°. RTRF-4ª 40/2001/351 -M- Pv Pn Majoração.01. 33. arts.01. RTRF-4ª 40/2001/291 Liberdade provisória.00.71.640/98. RTRF-4ª 40/2001/144 Liquidação de sentença. Aposentadoria.02.105416-5/PR. CC 97.213/91.01. Conflito negativo de competência.698/71. 142 e 143.04822-0/SC.01. AC 97. RTRF-4ª 40/2001/275 Lei n° 8. CPP. AC 1999. Ag 1999. RTRF-4ª 40/2001/396 Mestrando. Pensão. Servidor público.04. 11. RTRF-4ª 40/2001/298 Lei n° 8.04.04. p.

04. Batalhão de Suez. art. Princípios do contraditório e da ampla defesa. 563. 3°. 37. RTRF-4ª 40/2001/249 Pensão. RTRF-4ª 40/2001/298 Pensão especial. Ex-combatente. AMS 1999. Fed. Fixação. AC 1998.01. CC 97. ED 2000. CPC. Reg.756/52.01.04. Medida provisória n° 2. Não-configuração.297/63.01. art.124187-1/SC. ACr 97. Não-configuração. Não-configuração.04.05.04822-0/SC.01. Moeda falsa. AC 1999.00.04. CTN. 123 e 166. Processo administrativo.01. RTRF-4ª 40/2001/271 Pensão. Majoração. R.030971-0/RS.04. Lei n° 4. RTRF-4ª 40/2001/190 Nulidade.9/RS.395663/RS. Quadrilha.003502-0/PR. 2001 423 . Porto Alegre. art. II.01. d.698/71. Lei n° 5. 12.70. RTRF-4ª 40/2001/354 -P- Pn Pv Pv Pv Adm PrCv Trbt Trbt Adm Pena. art.04.092124-5/SC.024012-6/RS. Companheira. ACr