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Direito Internacional

SUJEITOS INTERNACIONAIS..........................................................................................9
1. Introdução......................................................................................................................9
2. Classificação dos sujeitos..............................................................................................9
3. Estados.........................................................................................................................10
3. 1. Tipos de Estados..................................................................................................12
Quanto a sua estrutura, os Estados aparecem simples o compostos.....................12
4. Organismos internacionais..........................................................................................12
5. Outras coletividades....................................................................................................12
6. Indivíduos....................................................................................................................15
ÓRGÃOS DE RELAÇÃO EXTERNA...............................................................................17
1. Diplomacia. Conceito..................................................................................................17
A carreira diplomática surgiu em fins do século XVI na Europa...............................17
2. Representação do Estado.............................................................................................17
Essas imunidades estendem-se à sua família e às pessoas de sua cortesia........18
3. Ministro das Relações Exteriores................................................................................18
4. Relacionamento externo..............................................................................................19
5. Agentes diplomáticos...................................................................................................20
6. Agentes consulares......................................................................................................21
7. Princípios sobre relações exteriores............................................................................22
7. 1. Independência nacional.......................................................................................22
7.2. Prevalência dos direitos humanos........................................................................22
7.3. Autodeterminação dos povos................................................................................22
7.4. Não-intervenção...................................................................................................23
7.5. Igualdade entre os Estados...................................................................................23
7.6. Defesa da paz........................................................................................................23
7.7. Solução pacífica dos conflitos..............................................................................23
7.8. Repúdio ao terrorismo e ao racismo.....................................................................23
7.9. Cooperação entre os povos para o progresso da Humanidade.............................23
7. 10. Concessão de asilo político...............................................................................23
7. 11. Integração da América Latina............................................................................23
TRATADOS.........................................................................................................................24
1. Conceitos.....................................................................................................................24
2. Elementos....................................................................................................................24
3.Terminologia.................................................................................................................24
4. Classificação. Tratados em espécie.............................................................................25
Já o critério material contém enormes dificuldades, pela sua imprecisão..............26
5. Procedimento para o texto convencional.....................................................................27
5. 1. Noções.................................................................................................................27
5.2. Representação - Habilitação dos agentes - Carta de Plenos .......................Poderes
27
5.3. Adesão..................................................................................................................28
5.4. Assinatura.............................................................................................................28
5.5. Ratificação............................................................................................................28
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Direito Internacional

5.6. Reservas................................................................................................................29
5.7. Duração do tratado...............................................................................................29
5.8. Vícios do consentimento......................................................................................29
5.9. Objeto lícito e possível.........................................................................................29
6. Estrutura do tratado.....................................................................................................29
7. Entrada em vigor. Execução. Cláusula da nação mais favorecida. Extinção..............30
Tal é a conformação do tratado no Brasil e no mundo...............................................31
SOCIEDADE INTERNACIONAL.....................................................................................31
CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE INTERNACIONAL.....................................31
NOVOS ESTADOS.........................................................................................................32
BASES SOCIOLÓGICAS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO...................33
MONISMO COM PRIMAZIA DO DIREITO INTERNO.............................................34
MONISMO COM PRIMAZIA DO DIREITO INTERNACIONAL..............................34
FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO...................................................36
QUANTO AO ENUNCIADO DAS FONTES:.................................................................36
ESTRUTURA DA CORTE:..............................................................................................37
CONDIÇÕES DE VALIDADE DOS TRATADOS INTERNACIONAIS......................38
OBJETO LÍCITO E POSSÍVEL.......................................................................................39
PROCESSO DE CONCLUSÃO DO TRATADO...........................................................40
ATENÇÃO: ASSINATURA DIFERIDA É DIFERENTE DE ADESÃO:.......................41
CLÁUSULAS ESPECIAIS DOS TRATADOS..............................................................43
CLÁUSULA COLONIAL:..................................................................................................43
CLÁUSULA SI OMNES:..................................................................................................44
EFEITOS DOS TRATADOS............................................................................................44
COSTUME......................................................................................................................46
ATOS UNILATERAIS....................................................................................................47
DECISÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS..........................................48
A LEI INTERNACIONAL..................................................................................................48
LEI INTERNACIONAL......................................................................................................48
ANALOGIA E EQUIDADE...........................................................................................49
CODIFICAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL....................................................50
PESSOAS DE DIREITO INTERNACIONAL...............................................................51
PESSOAS INTERNACIONAIS.......................................................................................51
COLETIVIDADES ESTATAIS:........................................................................................51
DESDOBRAMENTO DO ESTADO NA ORDEM INTERNACIONAL).......................51
COLETIVIDADES INTERESTADUAIS:.........................................................................51
COLETIVIDADES NÃO ESTATAIS:...............................................................................51
INDIVÍDUO:.......................................................................................................................51
LIBERDADE – PROPRIEDADE.....................................................................................51
O ESTADO COMO PESSOA DO DIREITO INTERNACIONAL................................53
RECONHECIMENTO DE ESTADO E GOVERNO.....................................................53
RECONHECIMENTO DE ESTADO...............................................................................54
NATUREZA JURÍDICA DO RECONHECIMENTO DOS ESTADOS:.......................54
RECONHECIMENTO DE GOVERNO.........................................................................55
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Direito Internacional

DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS DOS ESTADOS.....................................56
DIREITO AO EXERCÍCIO DE JURISDIÇÃO:.............................................................56
A IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO:.................................................................................57
DIREITO À IGUALDADE JURÍDICA DO ESTADO:..................................................57
LEGÍTIMA DEFESA.........................................................................................................57
RESPONSABILIDADE DOS ESTADOS......................................................................58
INSTITUTO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA.............................................................58
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS..................................................................59
ESTRUTURA DA ONU....................................................................................................59
CONSELHO DE SEGURANÇA.....................................................................................59
ASSEMBLÉIA GERAL....................................................................................................60
CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL........................................................................61
SECRETARIADO.............................................................................................................61
NOÇÕES FUNDAMENTAIS...........................................................................................61
A doutrina ensina que o Estado é composto de POVO, TERRITÓRIO e PODER 61
A lei age no tempo e espaço. Assim também é com os fatos..................................62
FATO ANORMAL..............................................................................................................63
Do ponto de vista jurídico emerge reflexos fundamentais:................................63
Par. 4º) Vida Internacional - Fato Internacional (interjurisdicional)..................63
Par. 8º) O DIP não é o regulamento do fato anormal.............................................63
Par. 10) Direito Judicial - escolha feita pelo Juiz......................................................64
Porém, a aplicação se faz pela sentença.................................................................64
Par. 12 - Direito Auxiliar Judicial.....................................................................................64
OBJETO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO.................................................64
Par. 19. OBJETO DÚPLICE............................................................................................64
Par. 20. OBJETO MÚLTIPLO..........................................................................................64
A DENOMINAÇÃO DA DISCIPLINA..............................................................................65
Existem normas de Direito Internacional?..............................................................65
DIREITO PRIVADO..........................................................................................................65
Par. 29. DIREITO PÚBLICO NACIONAL......................................................................66
E) FONTES DO DIREITO INTERNACIONA PRIVADO..............................................66
Par. 31. Fontes do Direito Internacional Privado...................................................66
PROBLEMAS DA APLICAÇÃO DA LEI ESTRANGEIRA...........................................66
Par. 42. Apuração da ordem pública: pelo juiz.......................................................67
Par. 43. O Dip tem por finalidade indicar direito aplicável ao fato anormal.............67
Par. 47 - Nosso direito veda o retorno...........................................................................68
VANTAGENS INEXISTENTES.......................................................................................68
JUSTIÇA DAS SOLUÇÕES............................................................................................68
Par 55) Plurinacionalidade..............................................................................................69
Par. 56) Apátrida...............................................................................................................69
Par. 57) DOMICÍLIO.........................................................................................................69
Multiplicidade ou falta de domicílio................................................................................69
RELIGIÃO e Vontade das Partes...................................................................................69
FUNÇÕES DA CONEXÃO..............................................................................................70
3

...............................................................................................................................79 CONTRATO DE TRABALHO.......71 Par....................................................................79 QUALIDADE DE COMERCIANTE:............................................................................................... lei regedora da relação empregatícia............................. lei pessoal do testador.....................................................79 PROTESTO DO TÍTULO : lei do lugar onde é exeqüível......................................................................................................77 FORMA DOS ATOS E CONTRATOS..........................................................................................78 VALIDE INTRÍNSECA...... 89.....................72 Sobre existência: (organização..............................................71 Par.....................................................................................................................79 INVENTÁRIO (art...80 ACIDENTES DO TRABALHO..............................................................................78 INVENTÁRIO NO BRASIL....................................................................75 D'Argentré e Dumoulin.....................76 DIREITO DAS COISAS................76 OBRIGAÇÃO..................................................................................................79 FALÊNCIAS E CONCORDATAS.................................................................................................................................................................................................................. Fraude à lei e Ordem Pública..............................Direito Internacional Par....... 74.............................................................................................................78 QUANTO À FORMA: locus regit actum.............................80 Lex causae ......................................................70 Par................................................................................................78 LEI APLICÁVEL:........................................ou seja........................................................................................... 66...................................Realidade Internacional.................77 Brasil: LEI DO LUGAR ONDE A OBRIGAÇÃO FOI ASSUMIDA........................................................................................................................................75 DIVÓRCIO..............70 Brasil arts 8º e 9º..........................................................................................74 CASAMENTO: Capacidade para o casamento......79 OBRIGAÇÕES CAMBIAIS E TÍTULOS DE CRÉDITO EM GERAL..........................79 ATOS DE COMÉRCIO: matéria de qualificação ............................................70 Par...............77 Período Estatutário: imóveis = lei da situação..................................72 MEDIDAS DE URGÊNCIA: lei local......74 FORMA: lei do lugar do ato...........78 SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA:............................70 Par.......................................................72 QUANTO À FORMA: Lei do lugar da constituição da tutela ou curatela........... II CPC)...................................................................................................."ius fori".................................79 PAGAMENTO DO TÍTULO: lei do lugar onde é exeqüível.................................................73 DIREITOS DE FAMÍLIA...................................................71 Medidas imediatas: ius fori.......................................................................................................................................77 OBRIGAÇÕES NÃO CONVENCIONAIS – lei do lugar do ato ou fato.................................................................................................................................77 SUCESSÕES MORTIS CAUSA........................................................... 68........................................73 ADOÇÃO............... administração e extinção)......................75 REGIME DE BENS................................80 4 ........................................... 83 Definição: Personalidade é a aptidão para adquirir direitos................................................. Recurso Extraordinário................74 CASAMENTO.........74 Esponsais: a forma deve ser regulada pelo local............... 62 Conexões Fraudulentas...............................................................79 COMÉRCIO INTERNACIONAL................................... Essa operação é processual e apenas feita pelo juiz. 85 ..........................................................................................................................71 A LEI APLICÁVEL................................................................

.......................................81 O Direito de Guerra versus a Necessidade Militar.....86 Outras Convenções e Declarações de Haia....92 O Movimento e a Guerra........................................101 O Direito Internacional Humanitário e a Aplicação da Lei................................................................................)............................................103 SUMÁRIO................................................Direito Internacional CONTRATOS DE TRABALHO EM TRANSPORTE (INT............................................................80 Origem e Desenvolvimento..................................................................................Uma Breve Recapitulação..............................................................................82 O Direito de Guerra versus a Tática.........................................................89 Os Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra de 1949..............96 O CICV pode tomar qualquer iniciativa humanitária que venha ao encontro de seu papel de instituição e intermediário especificamente neutro e independente...................................................................................... pode oferecer seus serviços às Partes em conflito........................................................................................100 O Direito Internacional Humanitário e os Instrumentos de Direitos Humanos.................................................................................88 Direito Misto....................................................................................................84 O Direito de Genebra.....................98 Vermelha.................98 Melhoria das condições de detenção e tratamento de pessoas encarceradas ................80 DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO......................94 Guardião dos Princípios Fundamentais...........................................................................................................103 Ciência....................................................................................................98 Em distúrbios interiores e tensões internas....80 O Direito de Guerra .........................................................103 5 ..............................................................................................................95 Função.... podendo considerar qualquer questão que necessite seu exame.....................................101 Introdução.......................................99 A luta contra a tortura e maus tratos..........................95 O CICV em Resumo....................................................94 Promotor das Convenções de Genebra.....................................................................98 O CICV e os Distúrbios e Tensões......................................................................................................................................................................................................................................................................................94 Intermediário Neutro..........................................................................................................................................................................103 TEORIA PURA DO DIREITO DE KELSEN...............................................................................................................................................97 Em conflitos armados não internacionais (guerra dentro dos Estados)...................................................................................................................................................................................................................................................................89 O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e a Guerra........................................................94 O Papel do CICV.80 Introdução..................................97 Em conflitos armados internacionais (guerra entre Estados).......................103 O ESTADO..................................................................84 O Direito de Haia........101 Após a Segunda Guerra Mundial..................97 O Mandato do CICV.........................................93 O Comitê Internacional da Cruz Vermelha.................................................................103 Elementos Constitutivos do Estado...............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................83 Direito Internacional Humanitário........................................

........................104 Direito Interno e Internacional................................................................................104 DIREITO COMUNITÁRIO....................................................................................................................109 TIPOS DE ATOS JURÍDICOS.............104 Órgãos Principais da OEA..................................................................................................................105 FUNÇÃO DO ESTADO...........................................104 ELEMENTOS DE CONEXÃO.....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................107 PODER.........104 HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA...........................104 OEA....................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................105 CATEGORIAS DEONTOLÓGICAS DO ESTADO...................................................................................................................................................105 CIÊNCIA.................................................................104 DIREITO INTERNACIONAL NO MERCOSUL......................................................106 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO...................................................................................109 O ATO JURÍDICO NO PLANO DO DIREITO INTERNACIONAL......................................................................................104 TRATADOS INTERNACIONAIS...........105 TEORIA PURA DO DIREITO DE KELSEN.......109 CARACTERÍSTICAS DOS ATOS JURÍDICOS...........................................................106 Conceito: “Âmbito de validade espacial da ordem jurídica do Estado” (Kelsen)..........109 DIREITO PRIVADO INTERNACIONAL..................................................................................................................................................................................................................104 VISTOS..................... 106 ELEMENTO HUMANO..........................................................................................Direito Internacional DIFERENÇA ENTRE ATO E FATO JURÍDICO..........................................................................106 ELEMENTO FÍSICO....................................................................................................108 DIFERENÇA ENTRE ATO E FATO JURÍDICO..........................................................................................................................................................................................................................104 Expulsão......................................................................104 Sistemas Definidores..110 6 .........................107 FUNDAMENTO DE VALIDADE DA CR/88....................105 Criar e aplicar o direito...........104 NACIONALIDADE....................................................104 EXPULSÃO/DEPORTAÇÃO/EXTRADIÇÃO.................................109 CONCEITO DE ATO JURÍDICO...........................................................................104 LEASING EM DIREITO INTERNACIONAL...................................105 OBJETO DO DIREITO...................104 Visto de Trânsito........................103 DIREITO PRIVADO INTERNACIONAL................................104 Agências Internacionais Relacionadas com as Nações Unidas.................................................................................................................103 Conceito de Ato Jurídico.........................................................................................................................................104 Ratificação.................................................................................105 O ESTADO..............109 ELEMENTOS DE CONEXÃO.................................................................................................................................................................................................104 Conceito...........................................................................................104 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL...........................................................108 A LEGITIMIDADE..........................................................................104 ONU..................................................................

...........111 CRIAÇÃO OU FORMAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS...................................................................................................115 DOUTRINAS MONISTA E DUALISTA............................................................................................114 EXPULSÃO..................123 As fraudes financeiras e a lavagem de dinheiro.............................................................................116 CARACTERÍSTICAS DO DIREITO COMUNITÁRIO..................113 PERDA DA NACIONALIDADE DE ORIGEM...114 VISTO DE TRÂNSITO.............................................................................................................................................110 HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA......................111 Casos de não aplicação do direito público internacional...........................................116 RELAÇÕES GLOBALIZADAS....................................................................................122 B .......................123 Dados sobre veículos roubados........................................................................115 SOBERANIA ESTATAL..................................................................................................................................................................................................................................................................................124 7 .............................................................................................................................................................115 O DIREITO INTERNO E O DIREITO INTERNACIONAL.......................................................115 DIREITOS HUMANOS......................................................................................111 ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL...................................................................................114 EXPULSÃO / DEPORTAÇÃO / EXTRADIÇÃO...................................114 DIREITO COMUNITÁRIO.................121 HOMICÍDIO E LESÕES CORPORAIS CULPOSOS.............................114 DEPORTAÇÃO....................................................................................................................................................................................................110 INCORPORAÇÃO................113 BRASILEIROS NATOS.....113 SISTEMAS DEFINIDORES.........................................................................................................................................................................................................121 ACIDENTES DE TRÂNSITO..........................................................................................................112 ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU.........Considerações iniciais...........................................123 Dados sobre pessoas com antecedentes criminais....................................................................................111 ESTRUTURA DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS...................................................................................Direito Internacional TRATADOS EM DIREITO INTERNACIONAL...............................................124 Os conflitos entre as legislações penais........121 A ...........................................................................111 Homologação de sentença estrangeira..............................113 Órgãos Principais da OEA...110 A RATIFICAÇÃO NO DIREITO BRASILEIRO.............................113 BRASILEIROS NATURALIZADOS.......123 O uso de cartas rogatórias...............................................................................................................112 OEA.111 PERDA DO STATUS DE MEMBRO..........................................Outros destaques em protocolos gerais e legislação comparada..........................................................................................111 CONCEITO......................................................................................................................................................................................114 EXTRADIÇÃO........................................................115 DEFESA DA SOBERANIA FUNDADA NO DIREITO INTERNACIONAL............................................................................................................................................................113 NACIONALIDADE..............................................................110 TRATADOS FIRMADOS COM A SANTA SÉ...............................................................................................................111 CLASSIFICAÇÃO....116 DIREITO INTERNACIONAL NO MERCOSUL............................................................

............................................................134 4................................................................................................136 COMPETÊNCIA INTERNACIONAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO... .................................................125 Sistemas prisionais – situação dos brasileiros no Paraguai.................................128 Que seja criado um ordenamento jurídico comunitário de caráter supra-nacional.137 8 ............. Objetivo.....132 3.................................129 Que sejam elaborados tratados bi e multilaterais sobre transferência de prisioneiros................................................................................... e.............................................................. Gênese da instituição.....................................126 As barreiras constitucionais..................................127 De todo modo..................................................................................................................................129 Que tal tribunal possua um caráter permanente...........................................................129 2..............129 1.. Convenções ratificadas pelo Brasil...................... Estrutura.............Direito Internacional A abordagem da interrupção de gestação e da anticoncepção....................................................................................................................................................................................................................................129 A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO... Funcionamento.....................

são sujeitos de Direito Internacional. tomam corpo próprio. a sujeitos de direito. e tal associação constitui-se na civitas gentium maxima. como AgenorAndrade. Introdução Pessoas internacionais são os entes destinatários das normas jurídicas internacionais e têm atuação e competência delimitadas por estas. Na expressão "outras coletividades" podemos enfeixar entes que não os Estados. são exemplos de pessoas. além das empresas transnacionais ou internacionais. organizações regionais e o Homem. como Belfort de Mattos ou em Estados. Qualquer classificação que não os leve em conta pecará pela base. os mesmos caracteres das ordens internas. no dizer de outros. pois em torno do Estado é que giram as diversas concepções sobre o Direito Internacional. interestatais e não estatais e o indivíduo. Podem ser classificadas em: coletividades estatais. a faculdade de exercer direitos e obrigações. Santa Sé. Para os juristas antigos os Estados se associam para formar a sociedade internacional. os Estados. estes principalmente. no caso internacional. conforme as conhecemos neste. nem as organizações por eles criadas. quanto aos demais sujeitos internacionais. porque "pessoa" é uma criação jurídica possível quando se considera dada ordem normativa. também. não se faz apenas em relação aos Estados. inexistindo dúvida quanto ao seu papel no mundo. a Santa Sé e o próprio indivíduo. porque jurídicas e naturais. à unanimidade das opiniões. A existência de tais pessoas comprova a própria vida internacional e as regras que a animam.Direito Internacional SUJEITOS INTERNACIONAIS 1. entidades anômalas. Clóvis Beviláqua ensina que pessoa é o ser a quem se atribuem direitos e obrigações. ou. adquirem personalidade e vivem independentemente de seus criadores. com a comprovação fática e histórica de sua participação em vários eventos. Os organismos internacionais merecem esse nome porque já admitidos de há muito como realidade na vida internacional e com atuação inequívoca. Tal idéia. assim. proporcionando-lhes os diversos autores quase que exclusividade de existência como ser jurídico internacional. a ONU. ainda que não tenha tal ordem. equivalendo. os Beligerantes e 9 . mas. A partir de sua criação. "uma comunhão universal". isto é. Outros autores falam em sujeitos básicos permanentes. organizações internacionais e organizações supranacionais. mas aqueles que por outras causas vieram a ter importância na sociedade internacional. Os Estados. contudo. 2. a Cidade do Vaticano. Assim. Não se pode escapar à conceituação do Direito Interno no que concerne a tais pessoas. Classificação dos sujeitos Todas as pessoas internacionais têm o que se chama de "subjetividade internacional". tais como a Santa Sé.

Não vamos reduzir todo o Direito ao Homem de forma simples. e. as mesmas tradições. O Direito Internacional moderno deixou de lado a postura clássica estável e passou a estudar os diversos fenômenos que ocorrem na sociedade internacional. estava dividida. nele. em sua Universidade de Turim. porque justifica a união dos Estados (nações) para "preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra". A Itália. tornando o Direito sem alma. um povo e ter um governo. embora se diversifiquem as denominações. A Carta das Nações Unidas em seu "Preâmbulo" já revela essa preocupação. Quanto ao Homem. a Soberana Ordem de Malta. de forma clara. só agora as obras modernas o vêm mencionando. não é de agora que a nossa matéria com ele se preocupa. Na verdade. Nação é o conjunto de indivíduos que têm a mesma origem. o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. e outros. as sociedades comerciais (transnacionais. dos fatores de produção nesse nível. como mero mecanismo de convivência. "progresso econômico e social dos povos" etc.Direito Internacional Insurgentes em determinadas ocasiões. assim como não o é o Homem. no entanto. na dignidade e no valor do ser humano. geralmente professam a mesma religião e com a mesma língua. de suas sociedades. internacionais). porque. que cuida das transações internacionais. podendo existir uma nação distribuída em vários territórios e sob distintos governos. esquecendo de suas criações jurídicas. vamos encontrarem todas as classificações os mesmos elementos universalmente aceitos. na igualdade de direitos dos homens e das mulheres". ainda funcionando dentro de quadro jurídico do Estado. por mais rarefeito que se apresente. 0 homem tem. É certo que pessoas jurídicas existem que. "reafirmar a fé nos direitos fundamentais do Homem. da circulação de riquezas entre os diversos países. Diversas outras coletividades poderão. sob pena de construirmos teses e normas dele apartadas e que não o beneficiam. Não é assim que vemos o Direito Internacional. é preciso não esquecê-lo. depois. Estados 0 Estado deve satisfazer três condições: possuir um território. tem por destinatário o Homem. qualquer ordenamento jurídico. no sentido de que "toda Nação deve constituir um só Estado e somente um". eventualmente. mesmo porque estes variam através dos tempos. Em Direito Internacional. porém. Não estamos falando em "nação". também fala em "progresso social". posição garantida ao lado dos demais entes. 10 . os Territórios Internacionalizados e aqueles sob mandato e tutela internacional. ainda que quase sempre venha identificado com o Estado. antes da unificação. daí a peroração de Mancini. em virtude das necessidades que a comunidade impõe. 1851. surgir no cenário internacional e se enquadrar na classificação de sujeitos internacionais. 3. pois não se trata de termo sinônimo. Tais entes não podem ser olvidados pelo Direito Internacional. adquirem vida própria. como o Direito Internacional Econômico. afinal. O fato é que. os mesmos costumes. influenciam cada vez mais as relações internacionais.

Basta citar à guisa de mero exemplo o Saara Ocidental. 0 mundo atual é pródigo em exemplos de povos que pretendem transformar-se em Estados soberanos. 0 atual desmoronamento da União Soviética. eminentemente histórica. geográfica. assim. em 1576. enfim. está acontecendo o que Mancini propugnava. que mantém a ordem interna e representa o Estado no relaciona. a população. É a parte do globo onde o Estado exerce sua atividade política e jurídica. é vista como relativa. As fronteiras estendem-se até a série de pontos que formam linhas retas ou curvas denominadas "limites". assim. fazendo prever para a próxima década trabalho maior para geógrafos e cartógrafos ante o realinhamento das linhas tradicionais conhecidas e conseqüentes mudanças nos mapas. Não corresponde o território apenas ao país. numérico. rios e demais cursos d'água que cortam ou atravessam o território (domínio fluvial ou lacustre). esse requisito diz respeito aos que vivem no Estado de forma permanente. Há uma reorganização natural das fronteiras políticas e jurídicas e uma tendência de afirmação de nacionalidades esquecidas e subjugadas. tem-se falado em "poder soberano" ou "soberania". Por fim. porque o domínio do Estado encontra óbice no domínio de outro Estado vizinho. as águas que margeiam as costas do território (águas territoriais) e que se estendem até certa distância (domínio marítimo) e o espaço aéreo correspondente a tais domínios até a altura determinada pelas necessidades de defesa (domínio aéreo). temos o governo. como doutrina Accioly. mas jurídica. como visto nos mapas. a divisão da Tcheco-Eslováquia e a fragmentação dolorosa da Iugoslávia fazem-nos pensar que. É o espaço delimitado no qual o Estado exerce de maneira constante sua soberania. Compreende o solo. enquanto o segundo teria sentido mais demográfico. considerado uma nação no exílio e o eterno problema dos curdos. atualmente. Outras manifestações ocorrem sem cessar. É a organização política estável. dependendo sempre da ordem internacional. Jean Bodi foi quem a formulou. são linhas precisas entre fronteiras. algumas nações acabariam por formar Estados mínimos sem condições de sobrevivência. mas que existe. de certa forma. ou. como dizem outros. 11 . Dissemos que um dos elementos é o povo. Território é outro elemento. Limites. de fronteiras. uma vez que. nesses fenômenos da natureza e políticos onde a força de um Estado esbarra com a de outro ou se amolda às regras convencionais. A noção do território não é. abrangendo nesse binômio atividades econômicas e morais. 0 primeiro termo representaria um elemento mais fixo. se assim fosse. Fronteira é um conjunto geográfico mais ou menos impreciso porque é possível que o Estado esteja em luta para melhor definir suas fronteiras -. Na verdade. no mar aberto. como poder absoluto e perpétuo Este não é mais o sentido da soberania. englobando nacionais e estrangeiros.Direito Internacional Entretanto. o subsolo (domínio terrestre).mento com os demais membros da comunidade internacional. Em face de tais aspectos. que é a noção obscura. Quando falamos em território nos vem à mente a existência de limites.

pois. Representam a cooperação entre eles. aceita pelo Direito Internacional. Possuem um estatuto interno.nos negócios externos). os Estados aparecem simples o compostos. Estão nesse caso a "união pessoal" (dois ou mais Estados unidos temporária ou acidentalmente sob a autoridade de um soberano). Organismos internacionais Os organismos internacionais são entes formados pela iniciativa de outros sujeitos internacionais . uma defesa para o Estado mais fraco perante o Estado mais forte. não podem realizar seus objetivos. 4. tendo em vista sua importância na área internacional. como também o fazem outros internacionalistas. 1. mas. Como entes internacionais. possuem direito de convenção. sozinhos. sendo a soberania externa exercida por um governo federal) e a "confederação" (uma associação de Estados soberanos que conservam sua autonomia e personalidade internacional. São criados por meio de tratados e passam a ter personalidade internacional independentemente de seus membros. Os compostos têm estrutura complexa e dividem-se em compostos por coordenação e compostos por subordinação. Reuter apresenta uma teoria geral das organizações internacionais. Os compostos por coordenação são constituídos pela associação de Estados soberanos. delegando os Estados a um órgão único os poderes de representação externa). cedem o poder a uma autoridade central). os "Estados-clientes" (são os que confiam a outro Estado a defesa de alguns de seus negócios e interesses) e os "tutelados" (aqueles que se acham sob o regime de tutela previsto nos arts. a soberania. Compostos por subordinação: os "vassalos" (gozam de autonomia interna e devem vassalagem a outro Estado . Tipos de Estados Quanto a sua estrutura. sob o mesmo monarca ou chefe. 3. 0 financiamento de tais organizações é realizado por meio de contribuição dos Estados-Membros. também. a "união federal" ou "federação" (dois ou mais Estados conservam sua autonomia interna. 75 a 85 da Carta das Nações Unidas).em regra. porque. a "união real" (reunião. os "protetorados" (são aqueles que. Em capítulo posterior desenvolveremos alguns aspectos do Estado. de dois ou mais Estados por acordo mútuo.suserano . colocam-se sob proteção e direção de outro Estado). 12 . para certos fins especiais. os Estados. de que nos ocuparemos no capítulo próprio. com autonomia para cada unidade estatal. mas um poder soberano central. como os Estados. sendo.Direito Internacional É. em virtude de um tratado. Simples são aqueles que apresentam um poder único e centralizado. órgãos internos e funcionam na forma estabelecida pelo tratado de criação. passíveis de responsabilidade internacional.

de fato. Um exemplo recente foi o de 1979. c) Santa Sé . A razão de ser desse instituto. em 1861. embora. Tais sujeitos . de imediato. uma vez que esse estado tende a se definir. exercendo pressão política. Tanto o reconhecimento do estado de beligerância quanto o de insurgência acionam a aplicação dos mecanismos do direito de guerra a um conflito interno. Celso D. conseguiu um lugar dentro da comunidade internacional.os Beligerantes .São os revoltosos internos de um Estado que possuem o controle de parte do território deste. através de uma série de fatores felizes. Quando. ao contrário de outros entes.têm.Direito Internacional 5. uma esquadra se amotina contra o governo legal. "Territórios sob Tutela Internacional". e. b) Insurgentes . quando os países do Pacto Andino reconheceram os sandinistas na Nicarágua como Beligerantes. d) os revoltosos terão tratamento de prisioneiros de guerra. observa-se.0 reconhecimento do estado de insurgência abrange os movimentos em terra e no mar que não assumem a proporção de uma guerra civil. dependendo do que estabelece o ato em si. Mello cita alguns efeitos do reconhecimento do estado de insurgência: "a) Os navios dos Insurgentes não são considerados piratas. de A. Nesse caso estão os "Beligerantes". a "Soberana Ordem de Malta". que atuam na área internacional. de uma certa época. e) os terceiros Estados não estão sujeitos à neutralidade. Diversamente dos Beligerantes. a "Santa Sé". cujo reconhecimento cria direitos e obrigações. a) Beligerantes . na condição temporária que possuem. por exemplo. é certo que pesou muito a própria história da religião cristã. entre outras. podem os governos estrangeiros ou mesmo o governo lega reconhecer tais amotinados como "insurretos". No entanto. os "Insurgentes". que. nos dias atuais. tornando a luta menos selvagem e proporcionando aos contendores iguais oportunidades perante os olhos da sociedade internacional. 13 . as "Sociedades Comerciais" e as organizações nãogovernamentais. vida curta. c) as partes em luta podem impedir que o'inimigo' seja abastecido. normalmente com efeitos mais restritos. alguns atos tenham levado a isso. ante a ameaÇa da integridade territorial do Estado envolvido. um abandono do instituto. a identificação dos Insurgentes não tem. Outras coletividades Outras coletividades podem ser apontadas que não se enquadram entre os caracteres do Estado e dos organismos internacionais. diante da declaração de neutralidade. está no fato de obrigar as partes em luta às leis da guerra (ver capítulo específico sobre a guerra). mas podem declará-la.A personalidade jurídica da Santa Sé (Papa e Cúria Romana). tais efeitos. normalmente. f) os revoltosos não têm o direito de captura na guerra marítima" . como era o caso dos confederados na Guerra de Secessão nos EUA. o "Comitê Internacional da Cruz Vermelha". b) o governo de jure não é responsável pelos atos dos Insurgentes. porém criando problema de monta. mas só podem agir nas águas territoriais do Estado. não foi formalmente definida a partir de um certo momento. reconhecidos como tais pela França e pela Inglaterra.

enquanto não se resolvia a chamada "questão romana". a pedido do Senado Romano.8) Em 1871 a Itália baixou a chamada "Lei das Garantias". o direito de honras prestadas a um soberano. temos alguns degraus históricos. c. não participa da ONU. Os territórios sob esse regime possuem personalidade internacional.Antigamente eram conhecidos como territórios sob mandato. a inviolabilidade pessoal. porque a Capital Imperial.1) Em 313 o futuro Imperador Constantino concedeu o livre exercício à religião cristã. em pé de igualdade com o paganismo greco-romano. contudo. enfraqueceu a autoridade civil que foi nomeada. desiderato que obteve com total êxito. o que implicava um reconhecimento oficial do papado. reconhecendo ao Papa a propriedade sobre o palácio. pela aplicação das leis em diversas propriedades adquiridas de doações inter vivos e causa mortis. Teodósio.9) 0 reconhecimento coletivo veio em 1916. Um Estado teológico. zelava pela moral pública. pelo Edito de Milão. expressão esta muito criticada e substituída por tutela. uma vez que recebem direitos e deveres diretamente da ordem jurídica internacional. Sua finalidade é conduzir os povos colocados nesse regime à independência política. Embora local. o museu e os jardins do Vaticano. c. A propriedade privada era transformada em direito público. c. chamadas "Estados Pontifícios" ou "Patrimônio de São Pedro". durante a 1° Guerra Mundial. Aí está por que a Santa Sé é sujeito de direitos na ordem internacional. c. eram pagos com terras e herdades. sendo a autoridade eclesiástica invocada pelos interessados. esse reconhecimento estendia-se à área internacional. houve a proclamação da República Romana no Vaticano.7) Napoleão despojou Pio VII dos "Estados Pontifícios" após a reconquista.6) 0 Papa administrava os bens patrimoniais. a pedido do Papa Bento XV.Direito Internacional Assim. em virtude de ter esmagado de maneira cruel a revolta dos tessalonicenses. sendo o Vaticano apenas o complemento territorial Faz a Santa Sé parte de diversos organismos internacionais.2) Em 381. proclamado Imperador. e. e a Santa Sé aparecia como autoridade no solo italiano.4) A conquista de Roma pelos Ostrogodos. c. a saber: c. a imunidade de residência e de legação ativa e passiva. para fugir dos hunos. c. reconhecendo no centro de Roma um minúsculo Estado independente. 14 . porque. 10) Em 1929 foi firmado o Tratado de Latrão. c.5) A atuação diplomática da Igreja tornava-se cada vez mais freqüente e requisitada.3) Morto Teodósio. c. as potências em guerra concederam salvo-conduto a um navio com a bandeira pontifícia que levava prelados a Barcelona. c. o que é feito por intermédio de acordos de tutela entre a ONU e a potência administradora. mais ou menos em 476. e os serviços por esta prestados. criou-se na Itália Central um vácuo do Poder. aceitou fazer a penitência pública que lhe foi imposta por Santo Ambrósio. Bispo de Milão. o Papa Leão 1 encarregou-se de negociar com o rei dos hunos para que este poupasse Roma. d) Territórios sob Tutela Internacional . transferiu-se para Ravena. muitas vezes.

doações de Estados (a maior parte dos EUA) e contribuições das sociedades nacionais. como a participação na OIT pelos delegados sindicais ou a 15 . Assim como o Homem não tem capacidade plena para postular e participar dos eventos internacionais. também não é preciso dar a essas sociedades direitos iguais aos dos Estados. proteção das minorias nacionais (curdos. de lá foi expulsa e recebeu de Carlos V as Ilhas de Malta. o Estado de que ele dependa dispõe de reclamação diplomática. regime do comércio internacional. Indivíduos 0 desenvolvimento progressivo do estatuto internacional do particular comporta três fases. Mais difícil tem sido o acesso do particular aos tribunais e organismos internacionais. porque teve sua origem nessa cidade. que ficou impressionado com a falta de assistência aos feridos nos campos de batalha. leitor da obra. no entanto. dedica-se a fins filantrópicos. visto que. Nem todos os internacionalistas admitem-nas como sujeitos na área internacional.Consideradas aquelas que estão dentro de certos organismos europeus. fechar os olhos à sua existência. "Un Souvenir de Solférino". Conselho Executivo e Diretoria. seu Grão . sanções de Direito Interno com reclamação interestadual e o acesso do indivíduo ao Direito Internacional. Estatuto do Estrangeiro. por causa disso. mantendo relações diplomáticas junto a diversos Estados.Proveio de uma idéia de Henri Durant. que. sendo uma homenagem a esta. principalmente da guerra havida entre a França e a Áustria em 1859. atuam em espaço diverso das ordens internas e devem ser consideradas pelo Direito Internacional. se a vítima não é um estrangeiro. pois temos algumas regras internacionais que atingem o indivíduo. organismos internacionais e o Homem. não pode a ordem internacional ignorá-las. o que tem sido feito. Após a 1a. Goza e Comino. permanentemente neutra. que se convenceu das idéias de Durant. exatamente por isso e para que não se tornem uma força oculta. como é o caso das empresas de aço e carvão dentro do CECA. Sua bandeira é uma cruz vermelha em fundo branco. se a vítima não é um estrangeiro. como ensina Reuter: regras de Direito Internacional que definam os direitos e obrigações dos particulares. palestinos). Em 1928 foram elaborados os seus estatutos.Também conhecida como Ordem de São João de Jerusalém. Quanto às nações. f) Cruz Vermelha Internacional . Seu orçamento é formado com dotação do governo suíço. que publicou. Todas essas fases têm sido ultrapassadas. Tem sede em Genebra. Em 1523. 6. como sobre a pirataria. Juntamente com Gustave Moynier. é criar um monstro não reconhecido pelo Direito e que influencia profundamente Estados. em 1862. Cruzada foi formada uma Ordem Religiosa. Em 1119 o Papa aprovou a Ordem e lhe deu aspecto militar. nasce o Comitê Internacional e Permanente de Socorro dos Feridos Militares. o inverso da bandeira da Suíça. direitos dos particulares contra o seu próprio Estado. A sede atual é Roma.Mestre tem gozado de imunidade de jurisdição. g) Sociedades Comerciais . As empresas multinacionais ou transnacionais. Tem Assembléia. Todavia. A ONU elabora um código de conduta para tais empresas. os governos podem apresentar reclamação junto ao Estado culpado.Direito Internacional e) Soberana Ordem de Malta . quando dominava na Ilha de Rodes. quando os Estados não as controlam. ante o escopo de lucro que buscam. em um hospital para peregrinos cristãos e pobres. já tem ocorrido. acabam por influenciar a política dos Estados e até chegam a ameaçar a soberania de alguns. devido ao seu poderio econômico. porém entendemos que.

a lhe reconhecer direitos fundamentais e procurar protegê-los. 25. b) a própria noção de Direito. fatos concretos sobre o Homem como personalidade de Direito Internacional. ) um recurso contra decisões que a ela se refiram e contra decisões que. Guído Soares lembra-nos o procedimento criado pela Convenção Européia para a Proteção dos Direitos Humanos e Liberdades Fundamentais. A tais efeitos. de petição junto ao Conselho de Tutela (art. em 4. qualquer pessoa. prevendo a criação de órgãos de proteção. estabeleceu que "toda pessoa física ou jurídica pode interpor ( . no caso de terem os Estados signatários aceitado a competência da Comissão para receber reclamações de indivíduos (e 11 dos 18 membros do Conselho da Europa assim o aceitarem). 87-B da Carta das Nações Unidas). um debate intenso em torno desse projeto envolvendo países defensores da idéia para punir criminosos internacionais e desestimular ditadores (Pinochet.. 16 . embora sem a mesma amplitude de ação dos Estados e dos organismos internacionais. embora adotadas sob a aparência de um regulamento ou de uma decisão dirigida a outra pessoa.. que "assegura a qualquer pessoa. direta ou individualmente". 173. ainda. assinada em Roma. alçando. com previsão de funcionamento para quatro ou nove anos. adotada pela OUA.11. criaram ( . como veremos. Temos.Direito Internacional possibilidade de reclamação junto ao BIRD ou. em seu art. a Convenção dispõe que. Chile) e outros que não abrem mão da soberania. 0 Homem foi tido como parte nos tribunais arbitraís místos ínstituídos após a 1 Guerra Mundial e na Corte de Justiça Centro-Americana. Em 1998 120 países aprovam o projeto de criação de um Tribunal Penal Internacional Permanente. Em 1994 em Arusha. Albuquerque Mello dá-nos o fundamento teórico: "Na verdade. obra do Homem para o Homem. pessoas físicas ou jurídicas à mesma posição institucional que os Estados.. organização governamental ou grupos de indivíduos poderão dirigir petições à Comissão Européia dos Direitos Humanos. No Tribunal Militar Internacional de Nuremberg o Homem compareceu como acusado de crime de guerra.50. por parte de um Estado Contratante".Holanda para julgar os culpados pela limpeza étnica na ex-Iugoslávia. Em seu art. na Tanzânia foi criado um tribunal para punir responsáveis pelo genocídio de mais de um milhão de pessoas em Ruanda. Em conseqüência. de Nairobi. § 21'. ainda. lhe digam respeito. que são quase verdadeiros'direitos naturais concretos"'. inclusive apátridas. podemos concluir que existem duas razões para o Homem ser considerado pessoa internacional: a) a própria dignidade humana. Há uma Carta Africana de Direitos do Homem e dos Povos. de 1981. com sede em Haja. que leva a ordem jurídica internacional. Em 1993 foi criado um tribunal em Haia . ) a Comissão Européia dos Direitos Humanos (tantos membros quantos forem os Estados signatários da Convenção). 0 Tratado de Roma. Há. a ordem jurídica internacional vai-se preocupando cada vez mais com os direitos do Homem. A Carta da OEA colocou como um dos seus princípios os direitos do Homem. assim. Igualmente tem acontecido em outros tribunais internacionais. assim. no caso de se sentirem lesados por violações da Convenção Européia. que vigorou até março de 1918.. o direito de acionar os mecanismos criados por aquele ato interestadual.

não 17 . embora com aspectos mais políticos. Conceito Ensina Belfort de Mattos. Assim. os procuradores dos reis romanos junto à Cúria Romana procuratores in Romanam Curiam -. o chefe de Estado aceitar a jurisdição do Estado em que se encontra. quer penal. o que se tem na História é um significado diverso em relação ao termo. Alguns afirmam que essas figuras eram apenas criações internas da Administração local para proteger os estrangeiros. pelas funções que exerciam. citando o Barão Szilassy. 4) imunidade de jurisdição. sendo normal e esperado que assim ocorra. para não criar situações internacionais constrangedoras. 2. como simples particular. 3) liberdade de comunicar-se com seu Estado. podem ser considerados os antecessores dos diplomatas. Também havia os proxenos. para fazer a intermediação. Como veremos. desde aquelas épocas as atividades exercidas por tais pessoas eram técnico administrativas e de intermediação. que significa "falso". quer civil. porque importará o reconhecimento do governo. referência às credenciais dobradas ao meio. para o Direito Internacional.Direito Internacional ÓRGÃOS DE RELAÇÃO EXTERNA 1. Quando o chefe de Estado assume o poder. normalmente. que está à frente da nação. com a multiplicação das embaixadas. a carta comunicando a assunção do poder aos demais Estados da sociedade internacional será. Outros entendem vir da palavra helênica diploma. se aquele que alcançou a chefia suprema da nação o fez através de uma revolução. que eram pessoas escolhidas pelos estrangeiros residentes em uma cidade grega para intermediar as relações destes com o governo da cidade. normalmente comunica aos demais Estados. "ato dobrado". 2) isenção de impostos diretos. quanto à origem do termo "diplomacia": do grego diplos. e que a instituição surgiu no período medieval. havendo que se ter certeza de que o governo anterior não mais tem a possibilidade de retomada do poder. Representação do Estado A representação do Estado pertence ao chefe de Estado . Quanto aos cônsules. e quando. A carreira diplomática surgiu em fins do século XVI na Europa Ocidente Europeu -. Ao Direito Interno é que cabe a definição de quem é o chefe de Estado Direito Constitucional e Direito Administrativo. inclusive usando códigos. Diplomacia. e não de representação do seu governo ou de seu Estado. Entretanto. os cônsules têm seu ancestral histórico nos prostates na Grécia. será chefe de Estado. de forma voluntária.monarca ou presidente da República. recebida com expectativa. Tais privilégios são: 1) inviolabilidade de sua pessoa e de sua residência. como são entendidos hoje. No entanto. porque assim eram tratados os chefes de Estado na Roma republicana. "imbuído de duplicidade". Esse fato não provoca nenhuma reação diversa na sociedade internacional. exceção feita às ações referentes a imóveis a si pertencentes. Antes eram apenas os enviados extraordinários. gozando de imunidades e com representação permanente. por ser representante máximo do Estado. 0 chefe de Estado goza de privilégios em território estrangeiro. através de sua Chancelaria. porém.

4) não-intervenção. nos casos previstos em lei complementar. nas repúblicas presidencialistas. A Constituição brasileira estabelece as competências privativas do chefe de Estado (art. da Inglaterra . 9) cooperação entre os povos para o progresso da Humanidade. 0 Brasil. é o chefe de Estado auxiliado pelo ministro das Relações Exteriores ou por aquele que detém função equivalente. sempre que o chefe de governo visitar outros Estados. pois tal representação cabe ao chefe de Estado. nestes e noutros afazeres. declarar a guerra. 7) solução pacífica dos conflitos. embora de certa forma irrelevante para o Direito Internacional. no caso de agressão estrangeira ocorrida no intervalo das sessões legislativas. o chefe de Estado é igualmente chefe do governo. 10) concessão de asilo político. ditador no exercício efetivo do poder. Dentre as funções exercidas pelo ministro das Relações Exteriores. 6) defesa da paz. como é o caso do Brasil.parlamentarista -. quem administra é o primeiro-ministro. não mais do que isso. 5) igualdade entre Estados. por exemplo. Não significa que o chefe de governo não tenha as mesmas regalias que o chefe de Estado quando visita países estrangeiros. porque esse é um problema de competência interna. 84). ao mesmo tempo. 2) prevalência dos direitos humanos. a saber: 1) independência nacional. 5) organizar e instruir missões especiais. como: de manter relações com os Estados estrangeiros e acreditar seus representantes diplomáticos. que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente. ad referendum do Congresso Nacional. ad referendum do Parlamento. em que a rainha reina. 3) representar o governo brasileiro. bastando dizer que. 6) coordenar as conferências internacionais que se realizarem no Brasil.chefe de Estado e ministro das Relações Exteriores -. 4) negociar e celebrar tratados. 2) dar as informações necessárias para a execução da política exterior. e permitir. e sim representará . depois de autorizado pelo Congresso Nacional ou sem prévia autorização. mas não governa. rei.se é que se pode assim dizer . imperador e outros. o chefe de governo não representará o Estado. Todavia. 8) repúdio ao terrorismo e ao racismo. 3. fazer a paz.a Administração do Estado. Ministro das Relações Exteriores 0 Ministro das Relações Exteriores é órgão interno do Estado e. 7) proteger os interesses brasileiros no exterior. 8) representar o 18 . exercerá o treaty making power. ao contrário. 42. órgão de relações com os demais países. celebrar tratados. Assim. convenções e atos internacionais. governa e administra. Essas imunidades estendem-se à sua família e às pessoas de sua cortesia.Direito Internacional importando o nome que receba. 3) autodeterminação dos povos. deve relacionar-se internacionalmente com base nos princípios estabelecidos pela própria Constituição Federal em seu art. quem o Estado indicar: presidente da República. com autorização ou ad referendum do Congresso Nacional. A diferença que se costuma fazer entre chefe de Estado e chefe de governo. separando-se as figuras do chefe de Estado e do chefe de governo. 11) promoção da integração econômica latino-americana. tem suas especificações conhecidas. Neste último caso. o que não seria razoável. através de seus representantes . temos: 1) seguir a política exterior determinada pelo presidente da República. ou seja. Contudo.

a posição estratégica do Brasil perante as nações estrangeiras. 2) proteger no Estado acreditado os interesses do Estado acreditante e de seus nacionais. as provas a que são submetidos os candidatos revelam essa exigência: Português. Ao decano cabe a obrigação de defender os privilégios e as imunidades do corpo diplomático. 12. de 12. o diplomata mais antigo da primeira categoria ou o núncio apostólico.Direito Internacional governo brasileiro nas relações oficiais com missões diplomáticas estrangeiras e junto a organismos internacionais. A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas. podendo uma embaixada ser exercida por pessoa estranha. aquele que fala em nome do corpo . para ingressar no Instituto Rio Branco. uma vez nomeado.é o decano. A partir de 1937 tornou-se regra o concurso para ingresso na carreira. e pelo corpo diplomático e consular. economista e diplomata de carreira. Relacionamento externo 0 relacionamento externo do Estado é exercido. Exige-se do futuro diplomata formação humanística apreciável. E. Geografia. No Brasil. Economia e Direito e questões internacionais. presidente do Senado. Os agentes diplomáticos são pessoas que o governo acredita em outro Estado. 3) 19 . É o que se chama "pedido de agreement'. No mundo moderno. consulta-se este para saber se o indicado é ou não persona grata. Entretanto. conforme o Decreto n. A matéria é de domínio interno do Estado. classe. de 1961 explicita as funções do chefe de missão diplomática: 1) representa o Estado acreditante perante o Estado acreditado. Nas relações entre os países. direitos humanos. assim como os cargos de presidente da República. classe e. § 3°. meio ambiente etc. presidente da Câmara dos Deputados. Inglês. evidenciada. com aulas sobre Direito Internacional. no entanto. Ao conjunto de chefes de missão diplomática dá-se o nome corpo diplomático. ministro de 2a. no Brasil. 0 cargo de embaixador só pode ser exercido por ministro de la. V. antes de se acreditar chefe de missão diplomática junto a um Estado. é privativa de brasileiro nato (art. 1° secretário. vem sendo constantemente atualizado. também chamado "chanceler". pelo chefe de Estado e pelo ministro das Relações Exteriores. conservará o título mesmo após abandonar a embaixada. os futuros agentes diplomáticos saem do Instituto Rio Branco e vão para o Itamaraty.12. classe. da CF). que. entre outras. que regula a carreira diplomática. 4. Ciência Política. cujo porta-voz isto é. se existe óbice à sua investidura.72. finalmente. 71. 0 currículo do curso. conselheiro. sem esquecer a formação acadêmica. Roberto Campos. porque são cargos que dizem respeito ao centro das decisões nos três Poderes e. ministro do STF e oficial das Forças Armadas. o diplomata necessita cada vez mais de conhecimentos específicos na área do Direito e da Economia. começando o agente diplomático como 3° secretário.534. embaixador não é grau da carreira diplomática. revela bem tais necessidades no livro Lanterna na Popa. através do agente. portanto. depois passando a 2° secretário. História. ministro da 1 a.nome que passou a ser conhecido como sinônimo da diplomacia brasileira . no caso da carreira diplomática. Francês. A carreira diplomática.

Da missão diplomática também participa o pessoal de apoio ao agente diplomático. 11 – 1° Não havendo acordo explícito sobre o número de membros da Missão. A Convenção de Viena de 1961 é farta nas definições sobre os diversos cargos ocupados em uma missão diplomática. seja quem for seu proprietário. b)'membros da Missão'são o Chefe da Missão e os membros do pessoal da Missão.Para efeitos da presente Convenção: a) 'Chefe de Missão' é a pessoa encarregada pelo Estado acreditante de agir nessa qualidade. 1° Definições . do pessoal administrativo e técnico e do pessoal de serviço da Missão..” 20 . 5. b) solicitar o cumprimento de rogatórias que lhes forem encaminhadas pelo seu país. g) 'membros do pessoal de serviço'são os membros do pessoal da Missão empregados no serviço doméstico da Missão. criptógrafos etc. como abaixo se transcreve: "Art. 4) promover relações amistosas e desenvolver as relações econômicas. i) 'locais da Missão' são os edifícios. culturais e científicas entre os dois Estados. inclusive a residência do Chefe da Missão" (Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas). o Chefe da Missão ou um membro do pessoal diplomático da Missão. em relação ao Brasil: a) expedir e visar passaportes oficiais. e tal limitação é feita com base em acordo ou na reciprocidade: "Art. c)'membros do pessoal da Missão'são os membros do pessoal diplomático. utilizados para as finalidades da Missão. dependendo da necessidade específica. como secretaria e técnicos. Normalmente. tendo em conta as circunstâncias e condições existentes nesse Estado e as necessidades da referida Missão. e d) encaminhar os pedidos de extradição. e terrenos anexos. h)'criado particular'é pessoa do serviço doméstico de um membro da Missão que não seja empregado do Estado acreditante. d)'membros do pessoal diplomático'são os membros do pessoal da Missão que tiverem a qualidade de diplomata. c) transmitir aos consulados brasileiros as instruções recebidas de seu governo. f) membros do pessoal administrativo e técnico'são os membros do pessoal da Missão empregados no serviço administrativo e técnico da Missão. e)'Agente Diplomático'. o Estado acreditado pode determinar o efetivo das missões diplomáticas. ou parte dos edifícios. o Estado acreditado poderá exigir que o efetivo da Missão seja mantido dentro dos limites que considere razoáveis e normais. Agentes diplomáticos Acrescenta-se a essas funções.Direito Internacional negociar com o governo acreditado.

embora no Brasil não exista carreira específica para o cônsul. isto é. de hipoteca. c) direito de legação: decorre daí a imunidade. Possuem os agentes diplomáticos isenção de todos os impostos e taxas pessoais ou reais. Os privilégios e imunidades dos agentes diplomáticos tiveram por base algumas teorias que tentaram justificá-los: a) o agente diplomático representa o soberano ou o Estado. e d) teoria do interesse da função: atualmente consagrada. os cônsules honorários recebem gratificações. Existem os cônsules honorários ou electi. escolhidos entre os nacionais do Estado em que vão servir. da correspondência oficial com seu governo. exceção feita aos impostos indiretos que estejam normalmente incluídos no preço das mercadorias ou dos serviços. b) extrat rrito rial idade: a embaixada faz parte do território do Estado de que ela é nacional. tem em mira que a finalidade de tais privilégios e imunidades não é beneficiar os indivíduos. quando o Estado desaparece ou quando os Estados acreditante e acreditado . fazendo parte do Direito Natural. os direitos de registro.se desentendem. 3) isenção de impostos. dentro dos limites e sem discriminação. seu exequatur. 3) liberdade de circulação e trânsito. Têm os agentes diplomáticos algumas imunidades: 1) inviolabilidade para o desempenho das funções diplomáticas. 6. Recebe sua investidura através de carta-patente assinada pelo chefe de Estado e o Estado receptor dá sua autorização. 0 cônsul está subordinado ao Ministério das Relações Exteriores. nacionais. 2) inviolabilidade da residência oficial. e os cônsules missi para os quais serve o primeiro conceito dado. mas a remuneração é paga aos de carreira. da 21 . Abrange a missão diplomática e as residências particulares dos agentes diplomáticos. daí a imunidade. por óbvio. A isenção de impostos não se estende às pessoas que contratam com a missão diplomática. As prerrogativas dos cônsules são: 1) inviolabilidade pessoal (não se estendendo à família). sendo este escolhido entre os agentes diplomáticos. sendo este propriedade daquele. são funcionários administrativos do Estado que este envia para proteger seus interesses comerciais. Agentes consulares Os agentes consulares. legalizar documentos nacionais que estão no estrangeiro e outras funções determinadas pelo governo. Além dessas imunidades. salvo em zona que interesse à segurança nacional. aqueles sobre bens imóveis privados. 2) direito de arvorar o pavilhão nacional. mas o desempenho das missões diplomáticas (Convenção de Viena). os de remuneração a serviços específicos. têm os agentes diplomáticos: 1) direito ao culto privado. 2) imunidade de jurisdição civil e administrativa. custas judiciais e impostos de selo relativos a bens imóveis.Direito Internacional 2° 0 Estado acreditado poderá igualmente. sendo verdadeiros funcionários públicos. Em geral. recusar-se a admitir funcionários de uma determinada categoria" (Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas). regionais ou municipais. em geral. Os agentes diplomáticos terminam suas funções. por sua vez. criminal e de execução (porque invioláveis os bens da missão diplomática). quando há rompimento das relações diplomáticas e.

no art. 42 e parágrafo único da CF). defesa da paz. no art. com esse princípio. 170 (soberania nacional como princípio da ordem econômica). Princípios sobre relações exteriores 0 Estado. enquanto o agente diplomático as tem junto ao governo central. principalmente independência econômica. 172 (investimento de capital estrangeiro. pela declaração de guerra entre os Estados. poderia contrariar a existência de uma ordem internacional superior. f) o agente diplomático entra em função após a entrega das credenciais. de certa forma.(6) 7.3. os cônsules não tratam de assuntos políticos. Prevalência dos direitos humanos 0 Brasil. c) os agentes diplomáticos têm maiores privilégios e imunidades do que os cônsules. prevalência dos direitos humanos. 219 (estabelecendo que o mercado interno integra o patrimônio nacional). está voltado para a proteção do indivíduo na ordem jurídica interna. enquanto o cônsul o faz após a concessão do exequatur. Interessantes as diferenças entre os agentes diplomáticos e os cônsules. Preocupação constante dos legisladores constituintes. pela demissão. por intermédio de seus representantes. como já parcialmente destacado no item 5 do Capítulo 1. concessão de asilo político e a integração econômica. autodeterminação dos povos. continuando os Estados como sujeitos principais e primários do sistema internacional. social e cultural dos povos da América Latina. 4) imunidade de jurisdição e 5) isenção de impostos. pela aposentadoria ou pela morte. 3) inviolabilidade de arquivo.2. não-intervenção. 176 (restringindo a exploração dos recursos naturais por pessoas ou capital estrangeiro). 7. Independência nacional Deve ser vista como independência de atuação. enquanto o cônsul recebe carta-patente do Estado de envio. 22 . solução pacífica dos conflitos. deve atuar nas suas relações com a sociedade internacional em obediência aos seguintes princípios: independência nacional. b) o cônsul tem funções junto às autoridades locais. g) o cônsul só tem atuação no distrito consular. A função consular pode terminar pela anulação do exequatur. enquanto o agente diplomático a tem em todo o território do Estado". d) diversidade de funções (por exemplo. apoiando os sistemas internacionais de proteção e propugnando de forma ativa pela formação de um Tribunal Internacional dos Direitos Humanos (art. Autodeterminação dos povos Representa esse princípio um prestígio aos princípios da sobe rania e da independência nacional e que. enquanto o agente diplomático tem. subordinando. no art. como no art. e) o agente diplomático recebe credenciais do Estado acreditante. no art. 178 (assegurando a predominância nacional na atividade de transporte). cooperação entre os povos para o progresso da humanidade. Vamos especificar um pouco melhor: 7. repúdio ao terrorismo e ao racismo. 7. igualdade entre os Estados. como fazem os agentes diplomáticos). Também vem inserta a idéia de que cada nação deve corresponder a um Estado soberano. política. 79 do ADCT). 1. como tais didaticamente apontadas por Albuquerque Mello e que ora reproduzimos: "a) o cônsul não tem aspecto representativo no sentido político.se ao interesse nacional).Direito Internacional correspondência com o representante diplomático do seu país e daquela com o corpo consular estrangeiro. visando à formação de uma Comunidade Latino-Americana de Nações (art.

XLII (racismo como crime inafiançável) e ao a art. executores e os que se e omitirem). Fica para discussão o problema dos direitos humanos violados por um Estado. porque é a v proteção da pessoa contra a violência e o arbítrio do Estado. 0 repúdio ao racismo é uma expressão dos direitos humanos. porém dá ensejo. porque o terrorismo internacional de uns tempos para cá tornou-se mais constante e atinge toda a c coletividade.6. 1° da Carta Magna das Nações Unidas. Defesa da paz Está o princípio conectado com o da solução pacífica dos conflitos e a proibição da guerra de conquista. 23 . Solução pacífica dos conflitos Significa que os conflitos internacionais devem ser resolvidos p por negociações diretas. Não se tem ferido o princípio quando o Estado que está sofrendo algum problema pede a intervenção ou pratica atos que a permitam. mais uma vez firmando a soberania como um dos princípios máximos de sustentação da ordem internacional. 5°. XLIII (responsabilizando mandantes. se tais situações extremas permitiriam ao Brasil imiscuir-se na ordem de outro país. 7. 11. a possibilidade de ceder parcela da soberania para esse fim. Repúdio ao terrorismo e ao racismo A preocupação do legislador constituinte está de acordo com o os acontecimentos mais modernos.7. Integração da América Latina É. ou guerras internas que contrariam princípios humanitários. 7. arbitragem e outros meios pacíficos. 7. regional. Igualdade entre os Estados Trata-se de igualdade formal e reconhecida aos Estados soberanos. abordando. 5°.Direito Internacional 7. o que está em conformidade com o art. Concessão de asilo político Está coerente com a defesa dos direitos humanos.4. desestabilizando a estrutura mínima da ordem interna d de cada país.8. 7.5. E Está ligado ao art. sendo este um dos propósitos da ONU. É preciso buscar a higidez econômica dos E Estados para que todos possam relacionar-se com a mesma força.9. como ensina Celso Ribeiro Bastos. Cooperação entre os povos para o progresso da Humanidade Privilegia a busca de acordos para a solução dos problemas. 7. 7. 7. a uma interpretação mais ampla de igualdade material. como estava na Carta a anterior. também. ainda que não expressamente. a autorização constitucional para buscar a integração numa comunidade maior. Não-intervenção É a não-interferência nos assuntos internos de outros Estados. . 10. conjuntamente com outros Estados e em nome de princípios gerais maiores.

concordata etc. inclusive. carta. ato jurídico exarado de cada um dos interessados. tal característica foi sendo desvinculada da exclusiva figura do Estado. manifesta o objeto e a finalidade do tratado. dada a notória dificuldade de execução de eventuais acordos orais. são concluídos pelos Estados e. Os tratados. declaração. ajuste. internacional.há que se dar razão ao eminente doutrinador. formando um ato complexo. visto que pode ele referir-se a uma gama imensa de assuntos. Elementos Dos conceitos acima descritos. ou mesmo às empresas públicas e privadas. 3° convencional prestigia a relação.Direito Internacional TRATADOS 1. entendemos que a regra expressa no art. estatuto. É a manifestação de vontades de tais entes. Conceitos Tratado é o acordo formal concluído entre os sujeitos de Direito Internacional Público destinado a produzir efeitos jurídicos na õrbita internacional. embora não abrangidos pela codificação específica representada na Convenção de Viena. capitulação. porém sem fazer concessões ao indivíduo. convênio. pacto. como: convenção. compromisso. Sob certo aspecto mormente dada a imprecisão dos vocábulos utilizados . somente o Estado soberano tinha capacidade de promover tratados com os seus co-irmãos. 3. que a Convenção em referência não se aplica aos acordos entre Estados e outros sujeitos de Direito Internacional ou entre estes. Não prescindem de forma escrita. por fim. 2. regulamento. Nota-se. Entretanto. uma vez que a Convenção de Viena menciona a existência de acordos não escritos. a contrario sensu de seu art. ainda que multinacionais. memorando. conforme a Convenção de Havana de 1928 e a de Viena de 1969 muito embora admita Grandino Rodas o tratado oral: "A exteriorização de vontades concordantes. ainda que não amparados pela Convenção dos Tratados. para afirmar o próprio Direito Internacional como regra e princípio protetor. protocolo. outros são usados. sem qualquer rigor científico. para abranger as entidades internacionais. mais comumente através de forma escrita. ainda que não escrita. Aos poucos. observa-se que os tratados são efetuados através de acordos. Antigamente. acordo. Um ato jurídico formal que envolve pelo menos duas vontades. Porém. 3°.Terminologia Tratado é o nome que se consagra na literatura jurídica. modus vivendi. que não tem essa capacidade. ato. A verdade é que a variedade de nomes não guarda relação com o teor substancial do tratado. de conformidade com a própria Convenção. isto é. lato sensu. pelos demais entes de Direito Internacional (exceção dos particulares). mas também através da oral ou comportamento passivo. 24 .

No entanto. a Carta da OIT. os tratados normativos e. normalmente reservado para os tratados institucionais. quando este é o desafio. dentro destes. Os primeiros dizem respeito à forma de apresentação dos tratados. podem ser vistos quanto ao número de partes e quanto ao procedimento. e os segundos. Outro não é o caminho para o estudo dos tratados. naturalmente. há que se ter em mente a noção anterior de "parte" em Direito. assim. o que significa que um tratado bilateral pode ter de um lado um Estado e de outro uma organização internacional. Alguns falam em tratados plurilaterais para especificar tratados compostos de poucos Estados . no entanto. por exemplo -.três. Alguns exemplos sobressaem: a) compromisso arbitral. A intuição. ora critérios materiais. outros. o mais das vezes. repartindo-os. simples mortais. Em relação à forma. à substância destes. A inteligência.0 tratado pode ser bilateral ou multilateral. Em relação ao critério material. Contudo. a necessidade de se classificar os fenômenos do mundo é vital para a compreensão do ser humano.. que significa um tratado bilateral em que uma das partes é organização internacional e a outra um Estado.Direito Internacional Algumas tentativas têm sido feitas no sentido de vincular os termos ao tipo de tratado. muitas vezes. a Carta da OEA etc. como centro de interesses. conta pouco e pouco serve para o estudo científico. Aqui. c) carta. em grandes quadros e ramos específicos . feito para a instalação física daquela no território deste.É uma distinção do tratado segundo o procedimento adotado para sua conclusão. o entendimento menos variado. que é o tratado em que os Estados submetem à arbitragem certo litígio em que são partes. ainda. b) acordo de sede. Em todos esses casos. Como se observa.a única forma que temos.para a maioria dos ocidentais pelo menos. Aliás.. ou. nessa matéria de Direito Internacional. somente consegue absorver os fatos e proporcionar soluções. não. nome normalmente reservado ao tratado bilateral em que uma das partes é a Santa Sé. Ratificação. aqui vemos como aquele ato formal internacionalmente imprescindível para definir 25 . ora vislumbrando critérios formais. a.2) Procedimento . temos os tratados-contratos. leva-nos a fixar nomes mais aplicáveis em um ou em outro caso. como a Carta da ONU. a doutrina vai aos poucos se fixando e justificando determinadas classificações. Tratados em espécie 0 critério para a classificação é mais utilitário do que de regime jurídico claro e diferenciador. existiriam duas partes e o tratado será bilateral . sem êxito. Classificação. ser concluído entre duas organizações internacionais envolvendo. de entender a realidade. ainda. d) concordata. a prática. porque o prefixo "pluri" pode também aplicar-se quando dois são os Estados . como em outras. 4. Existem tratados que necessitam de ratificação e/ou adesão. composta de vários Estados. Bilateral se somente dois são os partícipes. Vamos especificá-los: a) Quanto à forma: a. os tratados especiais. sem clareza. classificando-os. não há qualquer lógica: apenas a prática e a adaptação do nomem iuris à noção de compromisso de teor científico. dividindo-os. influenciando e sendo influenciada pelos fatos. e multilateral nos demais casos. tendo por objeto as relações entre a Igreja Católica local e um Estado. tornando. enfim. muitos Estados de cada lado.1) Número de partes .

VIII.3) Tratados especiais ou de categorias especiais . o Poder Executivo. Finalmente aprovado. como num tratado comercial. norma geral e abstrata. a. b.2. mas deseja fazer parte dele. São interesses que se complementam. mas o que qualifica essa classificação é o ato que ocorre na sociedade internacional.Os Estados. Têm por parâmetro a idéia de lei. mas sim pela simples assinatura. Já o critério material contém enormes dificuldades.São aqueles que passam pelas seguintes fases: negociação.Os pactuantes estabelecem regras gerais para nortear seus comportamentos. Quem celebra os tratados internacionais pelo Brasil é o presidente da República (art.São também conhecidos como executive agreements. gerando direitos e deveres.Embora seu conteúdo seja normativo. sem intervenção do Parlamento. o Estado procura manifestar sua vontade através da ratificação ou adesão. visto que se trata de legislação nacional. nesse tipo de tratado. b. isto é.2) Acordos de forma simplificada . b) Quanto à matéria: b. das "convenções internacionais do trabalho". teria importância relativa para o Direito Internacional. 0 parâmetro é a própria idéia de contrato. entrando em vigor não pela "ratificação". Se for negociação coletiva. como fato dentro dessa sociedade. concluídos. da CF). através do órgão próprio (Legislativo) e em obediência às regras imperativas emanadas do próprio Estado. varia de Estado para Estado. daqueles que criam organismos não dotados de personalidade jurídica e daqueles que criam empresas. 0 ato de adesão tem idêntica natureza e igual finalidade do ato de ratificação. como é o caso dos "tratados institucionais".2) Tratado normativo ou tratado-lei . tem para se obrigar internacionalmente. sob esse aspecto. aprovação legislativa por parte do Estado interessado e. o instituto de Direito interno. a negociação inicia-se usualmente através do envio de uma nota diplomática para o território de uma das partes. mesmo porque o procedimento. por sua substância. na verdade. a. os Estados participantes voltam-se para seus órgãos internos. adquiriram. finalmente. Escrevemos acima "ratificação" e/ou "adesão". via de regra. Em outra parte deste capítulo discorreremos um pouco mais sobre esses institutos. porque esta última é a fórmula que aquele que não participou das negociações de um tratado. Se o tratado for bilateral.2.Direito Internacional direitos e obrigações dos co-partícipes de um tratado. Não é a ratificação constitucional interna do país. tem objetivos desiguais. 0 andamento interno que resulta na expressão da vontade do Estado brasileiro pelo Executivo. pela sua imprecisão.1) Tratados solenes ou em devida forma . buscando a aprovação do Parlamento. ratificação ou adesão. 26 . tem início no seio de uma organização internacional ou de uma conferência diplomática.1) Tratados contratuais . 84. assinatura ou adoção. Após iniciada a negociação e discutidas suas cláusulas amplamente. relevância e especificidade.

São tratados normativos celebrados no âmbito da OIT. Uma análise mais acurada sobre essa Organização será feita no Capítulo XI. 1. que se inicia pela sua nota diplomática. 5. levando em conta a ordem jurídica reinante em cada Estado-Membro. e. quando bilateral. como é o caso da ONU. 19.3. 0 art. entre as chancelarias de um Estado e a embaixada do outro.Exemplo destes pode ser dado como o que criou a Itaipu. b. b. enfim.Habilitação dos agentes .3. comissões mistas etc. que deles se diferencia. Procedimento para o texto convencional 5.2) Convenções internacionais do trabalho . numa conferência diplomática. Normalmente. Caso se trate de um organismo internacional.4) Tratados que criam empresas . podendo ser lavrado o tratado em uma única versão autêntica ou em mais versões. b. da Carta Constitutiva da OIT obriga todo membro a submeter a convenção à autoridade interna competente para legislar sobre a matéria.Carta de Plenos Poderes A validade do tratado depende da capacidade das partes. Noções 0 texto convencional vem a lume através da negociação. Em regra. 5. os Estados se reúnem e dão nascimento a um outro ente na vida internacional. criam organizações internacionais e regem a vida de tais organizações. trabalhadores e empregadores. 27 . do consentimento. A língua utilizada é a que melhor convier às partes. a e b. no interior deste. no caso de uma negociação coletiva .2.3) Tratados que criam organismos não dotados de personalidade jurídica . Representação .3. que se caracterizam pelo fato de em sua negociação haver participação de representantes dos governos e das classes sociais.1) Tratados institucionais ou tratados constitucionais . que não era órgão e que não tinha personalidade jurídica própria. Podemos incluir o tratado que criou o GATT. Encontrava-se nessa categoria aquele que criou a antiga Corte Permanente de Justiça Internacional.São aqueles que instituem. cuidando-se de tratado multilateral que envolvia uma complexa estrutura permanente. que não tinha na Sociedade das Nações a qualidade de órgão.3.muitos Estados -.Como os que criam tribunais arbitrais. constituem. no qual Brasil e Paraguai criaram uma empresa binacional subordinada ao Direito Interno de ambos os países que objetiva o aproveitamento hidrelétrico dos recursos hídricos do rio Paraná. da habilitação de seus agentes. da OIT. da OEA etc. enviando posteriormente o instrumento de ratificação à Secretaria da Organização.Direito Internacional b. desenvolve-se no território de uma das partes. Sua substância versa sobre a proteção do trabalho humano. § 5°. normalmente.

Adesão A adoção do texto de um tratado efetua-se pela maioria de dois terços dos Estados presentes e votantes ou pelo consenso numa conferência internacional. para produzir seus devidos efeitos. Normalmente a ratificação vem expressa por uma "carta de ratificação".4. (art. também. sendo. 0 Estado normalmente se obriga por intermédio da ratificação. em regra. referendada pelo ministro das Relações Exteriores. ou. Ela é a formalidade que habilita os agentes que representam o Estado. 5. a denunciar o tratado. 0 comprometimento definitivo depende de futura ratificação. salvo se o representante do Estado estiver autorizado. deve fazê-lo através da adesão. são autênticas. A adesão ocorre. mas sim. 0 Estado que não participou das negociações. Outros representantes poderão ser admitidos quando possuidores de uma carta de plenos poderes. conforme postas. Admitida a organização internacional como partícipe de um tratado.Direito Internacional A representação das partes no caso dos Estados é feita pelo chefe do Estado e/ou plenipotenciário. quando outros já o haviam assinado logo de início.5. a obrigá-lo internacionalmente. Em algumas circunstâncias tais "plenos poderes" podem ser dispensados. nos termos do tratado. É ato unilateral. o secretário-geral ou outro funcionário que sob título diverso possa estar à frente do corpo administrativo da organização. mesmo. dirigido às partes que assinaram o tratado. não se retirando. porém atesta que as cláusulas pactuais. pois. qualificando-a. fíxando o texto convencional. Não se pode confundir com a chamada "ratificação em sentido constitucional". em regra. em nome do governo. Isso pode ocorrer com os chefes de Estado. também denominado ad referendum do Congresso ou mesmo aprovação legislativa. o Presidente da República confirma e ratifica. tendo sido aprovado pelo Congresso. A ratificação aqui é ato formal. 5. o que é fato. em determinada cidade. Nesses casos temos a representação derivada. prometendo o cumprimento do tratado. pelo chefe de missão diplomática. a obrigação. em que o Estado resolve depois de estabelecidos os parâmetros aderir ao tratado. num segundo momento. determinada convenção. porque a partir do momento da entrega da Carta de 28 . de natureza internacional. Ratificação Ratificação é ato unilateral com o que o co-partícipe da feitura de um tratado expressa em definitivo sua vontade de se responsabilizar. Tais formalidades se justificam. a possibilidade do estado vir. 5. como é óbvio. seu representante não é um chefe governamental ou um plenipotenciário. expedida pelo chefe de Estado. porque esta é um ato interno do Estado.3. 72 da Convenção de Viena de 1969). no futuro. os chefes de governo e com os ministros das Relações Exteriores. Depende da legislação interna de cada país. 0 destinatário da carta é o governo que co-pactua o tratado. A assinatura é dada ao término dos trabalhos de negociação. através de simples assinatura. que é o ministro de Estado responsável pelas relações exteriores. mas quer fazer parte do acordo. Assinatura A assinatura de um tratado não representa. discricionário e irretratável (pacta sunt servanda). no caso do Brasil. em que o país faz saber que foi concluído um acordo e. devendo a entrega de tal carta preceder o início da negociação. perante a comunidade internacional. como seu plenipotenciário para assinar. Na referida carta vem escrito que o Presidente da República nomeia determinada pessoa. A carta é assinada pelo presidente da República e deve ter o selo das Armas da República.

Direito Internacional
ratificação no órgão internacional designado para recebe-la ou no Estado partícipe que foi
determinado para tanto, o Estado se obriga internacionalmente.
Adesão e ratificação têm igual natureza, e o mesmo acontecerá com a simples assinatura do
representante do sujeito internacional no tratado, quando do término das negociações, neste
último caso, se o tratado for um acordo em forma simplificada - executive agreement-, não
precisando, pois, da intervenção formal do Parlamento. A Constituição brasileira parece reprimir
tais acordos (arts. 49, 1, e 84, VIII), salvo se o compromisso internacional não for gravoso ao
patrimônio do Estado.

5.6. Reservas
Não se tratando de acordo bilateral, é possível a existência de "reservas". Reserva é uma
declaração unilateral do sujeito de Direito Internacional visando a excluir ou modificar para si o
efeito jurídico de um ou vários dispositivos do tratado.
0 tratado bilateral não comporta reserva, no sentido acima, porque o consenso há de ser total.

5.7. Duração do tratado
Cada tratado dispõe de sua própria duração; quando não, opera por tempo indeterminado,
extinguindo-se por consentimento mútuo, denúncia, desuso, impossibilidade de execução e
estado de guerra.

5.8. Vícios do consentimento
Como acontece nos contratos de Direito Interno, pode o tratado padecer de vício de
consentimento, dado pelo sujeito internacional, considerando-se vício o erro, o dolo, a
corrupção do representante do Estado ou coação por este sofrida. As conseqüências seriam a
anulabilidade da cláusula viciada ou a nulidade de todo o tratado (arts. 46 a 52 da Convenção
de Viena). 0 art. 52 da Convenção mencionada determina: "É nulo um tratado cuja conclusão
foi obstada pela ameaça da força em violação dos princípios de Direito Internacional
incorporados na Carta das Nações Unidas".
0 art. 53 fala da nulidade do tratado em conflito com norma imperativa de Direito Internacional.

5.9. Objeto lícito e possível
0 tratado somente pode ter por objetivo coisa materialmente possível e permitida pelo Direito
Internacional, e, ainda, que não contrarie a moral.

6. Estrutura do tratado
Simples é a estrutura de um tratado. Constitui-se normalmente de um preâmbulo e a parte
dispositiva, sendo completado, às vezes, por anexos.
0 preâmbulo anuncia as partes e descreve as razões, circunstâncias e/ou pressupostos do ato
convencional. Parte essencial de um tratado é a parte dispositiva, ordenada por artigos e em
linguagem jurídica, representando a própria matéria acordada. Os anexos, quando existem,
constituem parte do teor compromissivo do tratado, podendo apresentar-se com fórmulas
numéricas, gráficos, listas de produtos etc.

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Direito Internacional

7. Entrada em vigor. Execução. Cláusula da nação mais favorecida. Extinção
Quando observamos a classificação dos tratados, linhas atrás, discorremos sobre o
procedimento e dissemos como um tratado entra em vigor. No entanto, dada a importância do
tema, e por uma questão metodológica, há que se fixar com clareza que a vigência de um
tratado se inicia quase sempre com o ato de ratificação.
Repetimos, ainda, que a ratificação, ato administrativo de confirmação dos termos do tratado,
obriga o Estado ao cumprimento das cláusulas avençadas. 0 próprio corpo do tratado
determina seu início de validade por esse ato. Se assim não ocorrer, o tratado começará a
vigorar pela simples troca de instrumentos, pela assinatura dos representantes ou quaisquer
outros meios, desde que expresso de forma clara o início aludido. E o que diz a Convenção de
Viena em seu art. 11: "0 consentimento de um Estado em obrigar-se por um tratado pode
manifestar-se pela assinatura, troca de instrumentos constitutivos do tratado, ratificação,
aceitação, aprovação ou adesão, ou quaisquer outros meios, se assim for acordado".
Portanto, a prática é a ratificação; porém, todas as outras formas mencionadas se mostram
possíveis, devendo ser claros os atos praticados, nesse sentido, para as partes convencionais
e para a comunidade internacional.
0 Direito Internacional não prescreve a forma de ratificação, admitindo alguns, até, que esta
seja tácita, "contanto que se evidencie por atos inequívocos, como, por exemplo, o começo da
execução".
A Carta das Nações Unidas exige que todo e qualquer acordo internacional seja registrado no
Secretariado e por este publicado, acrescentando que, se tal não ocorrer, o tratado não poderá
ser invocado perante qualquer órgão das Nações Unidas (art. 102), o que determina a
publicidade dos tratados como elemento de defesa da parte interessada no caso de seu
eventual descumprimento.
A partir de sua vigência, o cumprimento dos tratados é natural, de acordo com suas cláusulas,
e apenas tem efeito entre as partes (pacta sunt servanda), embora se reconheça que possam
eles, em conseqüência da execução, prejudicar ou favorecer terceiros.
Em relação, especificamente, à aplicação e aos efeitos do tratado, isto é, de sua execução, é
possível que haja uma exceção de não cumprimento do tratado por estado de necessidade ou
força maior, ante qualquer fenômeno da natureza ou injunções políticas irresistíveis (invasão de
território). É um tema referente à responsabilidade do Estado.
Outra situação que deve ser estudada é a que diz respeito aos direitos de outros Estados em
relação a determinado tratado de que não participam.
A máxima é pacta tertiis nec nocent nec prosunt, pois um tratado só se aplica entre as partes
que o pactuaram.
Entretanto é possível que alguma repercussão tenha em relação a terceiro que não participou
do acordo, quando este o beneficia e quando o prejudica.
No caso de haver prejuízo, o Estado lesado pode pleitear reparações - sofrendo violações em
seus direitos; contudo, se o dano é extralegal, a reclamação via diplomática é a que ocorre.

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Direito Internacional
Muitas vezes, pode constar dos tratados uma cláusula segundo a qual os Estados contratantes
gozarão das vantagens e privilégios que a parte conceder ou vier a conceder a outros Estados,
por meio de outros tratados, ou até por ato unilateral.
Sobre a extinção dos tratados, já dissemos que cada tratado dispõe sobre sua própria duração.
Completamos a idéia afirmando que o tratado poderá extinguir-se, como é lógico, pela
execução integral, pela expiração do prazo, pela verificação de uma condição resolutória
prevista expressamente, pelo acordo mútuo, pela renúncia unilateral, sem prejuízo da outra
parte, pela denúncia, quando expressamente admitida, e pela impossibilidade de execução.
Pela Constituição brasileira, a formação de um tratado é simultaneamente internacional e
interna, porque o Congresso Nacional intervém em fase anterior à sua consecução no campo
internacional (arts. 21, 1, 84, Vil 1, e 49, 1).
0 § 2o. do art. 52 da Constituição Federal estabelece a emergência de se obedecer aos
tratados no que diz respeito aos direitos e garantias individuais para brasileiros e estrangeiros
residentes no País.
Tem-se que o tratado é fonte do Direito brasileiro, e, pela última norma citada, o Estado tem o
dever de adaptar sua norma interna àquelas dele decorrentes.
Tal é a conformação do tratado no Brasil e no mundo.

SOCIEDADE INTERNACIONAL
A formação da sociedade internacional e do DIP deu-se juntamente com a formação das
primeiras coletividades, onde o estabelecimento de relações entre os indivíduos que
compunham as coletividades, exigiam normas que as regulassem.
Existe uma sociedade internacional porque existem relações contínuas entre as diversas
coletividades, que são formadas por indivíduos que apresentam como característica a
sociabilidade, que também se manifesta no mundo internacional. A sociabilidade não está
contida dentro das fronteiras de um Estado, mas as ultrapassa.

CARACTERÍSTICAS DA SOCIEDADE INTERNACIONAL
A sociedade internacional é:
 UNIVERSAL: porque abrange todos os entes do globo terrestre;
 PARITÁRIA: porque há uma igualdade jurídica; é ABERTA, o que significa que qualquer
ente, ao reunir determinados elementos, pode nela ingressar, sem que haja necessidade
de que os membros já existentes se manifestem sobre o ingresso;
 ABERTA: significa que qualquer ente, ao reunir determinados elementos poderá
ingressar, sem que haja necessidade de aprovação dos membros já existentes.
DESCENTRALIZADA: porque não possui poderes executivo, legislativo e judiciário.
 ORIGINÁRIA: porque não se fundamenta em outro ordenamento jurídico, a não ser no
direito natural.
A sociedade internacional é composta por entes que possuem direitos e deveres outorgados
pela ordem jurídica internacional. São eles os Estados, as Coletividades Interestatais, as
Coletividades Não Estatais e o Indivíduo.

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perdem a unidade por sua maior vulnerabilidade em relação aos países desenvolvidos frente às influências estrangeiras.  FORÇAS RELIGIOSAS: que com o passar da história tiveram uma influência decisiva no DI. Primeiro. 32 . a revisão do DI foi sendo defendida pelos chamados "Novos Estados" que ingressaram na ordem internacional existente a fim de participarem ativamente nas relações internacionais. acende-se conflito constante entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. válido para toda terra. Atualmente. passando a existir um sistema de Estados de civilização cristã. dando-lhes tempo para aprender técnicas de política estrangeira e de diplomacia. todos os problemas de natureza econômica só podem ser resolvidos através de uma cooperação interestatal. sendo que estes últimos colocam-se em desvantagem. Embora muito criticado. tentam explorar a bipolaridade em seu benefício. a Paz de Deus. Entretanto. tentam criar uma multipolaridade. por serem subdesenvolvidos. em não tomar posição nem no bloco soviético. pela dificuldade de controle dos verdadeiros órgãos diretores destas organizações. que pudesse envolver o maior número de Estados e de indivíduos aí existentes. Atualmente. os sub-desenvolvidos formam o MOVIMENTO DOS NÃO-ALINHADOS.Direito Internacional Entretanto. Entretanto. Com o tempo. onde seja dado a eles um tratamento mais benéfico em termos de comércio. que. pelo aumento do território dos Estados. nem no bloco americano. tentam criar uma zona de paz exercendo uma função mediadora e pacificadora e acima de tudo. Segundo. embora em minoria eram os que elaboravam e ainda hoje elaboram as normas internacionais. ROBERT BOSCH afirma que o DI clássico é um "direito de coexistência que regula as rivalidades e os conflitos do poder". bem como em aplicação de recursos. através dos quais todos os Estados participarão na elaboração e aplicação das normas internacionais. ao lado desses entes atuam diversas forças que acabam por influenciar a sociedade internacional. estabelecendo as bases de uma nova ordem internacional. Durante algum tempo os Novos Estados adotaram na política internacional uma posição denominada NEUTRALISTA.  FORÇAS POLÍTICAS: onde claramente se vê a luta pelo poder e. na criação de novos organismos internacionais destinados à cultura e na aproximação entre os Estados. etc. o que na realidade ocorre é que os Estados mais poderosos. com a independência dos Estados Unidos no século XVII cai a idéia de um direito europeu. os subdesenvolvidos já têm reivindicado uma "igualdade vantajosa". que consistia. segundo BERG. Normalmente. o poderio dos Estados é levado em consideração no momento de se decidir sua participação na formação dessas normas. tais como. o Neutralismo dava a estes países pelo menos o poder de barganha. devido aos acordos comerciais. Assim. vez que o catolicismo angariou uma série de institutos. durante a guerra. A reivindicação desses Estados era uma participação democrática proveniente da convivência social internacional.  FORÇAS CULTURAIS: se manifestam pela realização de acordos culturais entre os Estados. São elas:  FORÇAS ECONÔMICAS: onde. (Busca da hegemonia da ordem internacional NOVOS ESTADOS Entre os séculos XVI e início do século XX o DIP foi considerado por alguns autores como um produto do Cristianismo europeu. a Trégua de Deus.

Vêm sofrendo um processo de internacionalização. Quando isto ocorre. porque é o DIP que regula as relações entre eles. A nossa. é omissa quanto à matéria. consideram o assunto uma mera "disputa de palavras" e negam sua importância. enquanto na ordem interna. Existem três correntes sobre o assunto:1. pois os conflitos sempre deverão existir em quaisquer envolvimentos humanos. mas fora delas todos os Estados se equivalem. não poderá existir o DIP. mas nunca como secantes. Diz respeito à possibilidade de conflito entre uma norma internacional e uma norma interna. assina um tratado que entra em conflito com norma interna anterior. o DI tem como fonte a vontade coletiva dos Estados. Algumas constituições têm contemplado as relações entre o Direito Internacional e o Direito Interno.Dualismo . Declara sua independência dizendo não existir entre elas nenhuma área comum e que lhes é possível apresentarem-se como tangentes. que um Estado é soberano dentro de suas fronteiras. A segunda diferença: refere-se às fontes nas duas ordens jurídicas. Isso não significa a morte do DI. COMÉRCIO INTERNACIONAL: havendo comércio entre vários Estados são necessárias normas que regulem as relações existentes.Monismo com primazia do Direito Internacional O Dualismo é uma das 3 correntes que estudam as relações que o Direito Internacional e o Direito Interno guardam entre si. mas significa que sua importância tende a diminuir. A terceira diferença: está na estrutura das duas ordens jurídicas. comuns aos Estados (pacta sunt servanda) . enquanto na ordem interna. São elas: . por exemplo. infelizmente. PRINCÍPIOS JURÍDICOS COINCIDENTES: ou seja. interna e internacional e que tentaremos aqui resumir: A primeira diferença: na ordem internacional o Estado é o único sujeito de Direito. acrescenta-se também o indivíduo como sujeito de direito. 33 . em 1899. como Ross. Parte ele do princípio de que não existe possível conflito entre essas duas normas. Muitos autores. O primeiro estudo sistemático da matéria foi feito por HENRICH TRIEPEL. pressupõe a existência de determinados fatores que os doutrinadores denominam de bases sociológicas. mas as constantes pressões dos fortes sobre os fracos só fazem retardar essa integração entre os povos.Monismo com primazia do direito Interno .Monismo com Primazia do Direito Internacional Monismo com Primazia do Direito Interno No momento em que ocorre um conflito. Enquanto o Direito Interno é o resultado da vontade de um só Estado. uma alteração no DI deveria conhecer um "direito de cooperação" visando "conciliar os interesses".se não existirem valores comuns.Dualismo . qual das duas normas vai prevalecer? O Estado. baseia-se na subordinação. Normalmente cabe ao Poder Judiciário decidir. BASES SOCIOLÓGICAS DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO O DIP. perguntamo-nos qual será a norma que deverá prevalecer. A Teoria de Triepel baseia-se nas diferenças entre as duas normas. para existir. Na ordem internacional a estrutura está baseada na coordenação. Ressalve-se. entretanto. que podem ser assim resumidas: PLURALIDADE DE ESTADOS SOBERANOS: devem existir vários Estados soberanos.Direito Internacional Para ele. que o pode fazer até com primado do Direito Interno.

Assim. Mas. Entretanto. esta concepção nos conduz à denominada TEORIA DA INCORPORAÇÃO.2ª crítica: alguns a classificam como pseudomonista.A primeira e mais importante de todas é que ela nega a existência do próprio DI como um direito autônomo. 2ª) Sendo duas ordens independentes. TRIEPEL por sua vez dizia que são ordens independentes. uma simples "diferença de grau". O voluntarioso é insuficiente para explicar a obrigatoriedade do costume internacional. tendo em vista a existência de várias ordens internas. que nada têm em comum.Direito Internacional Assim. o homem também é sujeito internacional. mas de estrutura. afirmamos. é necessário que se faça primeiro sua "transformação" em direito interno. uma vez que tem direitos e deveres outorgados diretamente pela ordem internacional. Mas isso não ocorre. MONISMO COM PRIMAZIA DO DIREITO INTERNACIONAL O Monismo com Primazia do Direito Internacional é uma das correntes que estudam as relações que o Direito Internacional e o Direito Interno guardam entre si. 4ª) KELSEN observa que coordenar é subordinar a uma terceira ordem. o Tratado não fica pairando na ordem internacional. porque em nome da continuidade e permanência do Estado ele é ainda obrigado a cumprir os Tratados concluídos no regime anterior. Não estão sujeitos a nenhum sistema jurídico que não tenha emanado de sua própria vontade. Ele vai ser aplicado na ordem interna. pode ser mudada por outra norma interna. ou seja. se os Estados são absolutamente soberanos. nega o conflito. como pode o Estado aparecer nas duas? 3ª) O direito não é produto da vontade nem de um Estado. 34 . incorporando-a em seu sistema jurídico. São elas: Dualismo e Monismo com Primazia do Direito Interno. Ela o reduz a um simples direito estatal. O Dualismo com isso. para que uma norma internacional seja aplicada no âmbito do Estado. toda a modificação na ordem constitucional por um processo revolucionário deveria acarretar a caducidade de todos os Tratados concluídos na vigência do regime anterior. tais como: 1ª) Nega a condição da personalidade internacional do indivíduo. MONISMO COM PRIMAZIA DO DIREITO INTERNO O Monismo com Primazia do Direito Interno foi adotado por autores nazistas e algumas vezes por autores soviéticos. na medida que só a aceita na ordem interna. . pois na medida que passa a ser uma norma interna. nem de vários Estados. a diferença entre as duas normas não é de natureza. É nesse momento que surge a pergunta: Ora. Assim é explicado porque um Tratado não pode ser inovado se o direito interno muda. Esta é a TEORIA DA AUTOLIMITAÇÃO As diversas críticas a essa Teoria são: . podemos apresentar uma 3ª crítica que é a de que se a validade dos Tratados Internacionais repousasse nas normas constitucionais que estabelecem o seu modo de conclusão. independente. Finalmente. O Direito Internacional não vai atingir diretamente a ordem jurídica interna. pois na verdade ela é pluralista. A Teoria Dualista é passível de uma série de críticas. por que vão se submeter às normas internacionais?" A resposta é que o próprio Estado autolimita essa soberania para acatar a norma jurídica internacional. pois este muda. ou seja. Monismo com Primazia do Direito Internacional. O Tratado é feito pelo Estado e não pelo Governo. porque vai utilizar a norma mais recente. Essa Teoria parte do princípio que os Estados são absolutamente soberanos.

KELSEN sai do seu indiferentismo e elege a norma costumeira pacta sunt servanda como norma do DI. No vértice da pirâmide estaria a norma fundamental. toda ciência jurídica tem por objeto a norma jurídica. É a norma fundamental no DI. KELSEN não admite aqui o conflito entre as duas normas jurídicas. tais como a espanhola. Numa terceira fase. tendo em vista a garantia de que ela será cumprida. Por este motivo é que ocorre a primazia do DI sobre o Direito Interno. a Primazia do Direito Interno. Embora seja o Estado sujeito de Direito Interno e de DI. a existência de uma única norma jurídica. Realmente. uma vez que os Estados seriam soberanos absolutos e não estariam subordinados a qualquer ordem jurídica que lhes fosse superior. Cabe-nos aqui discursar sobre o Monismo com Primazia do Direito Internacional. O direito. mas já admite o conflito. Afirma que as normas devem ter sua hierarquia: uma norma tem a sua origem e tira sua obrigatoriedade da norma que lhe é imediatamente superior. dando ensejo à TEORIA DA LIVRE ESCOLHA ou FASE DA INDIFERENÇA. a alemã. que era uma hipótese e cada jurista poderia escolher qual seria ela. Num segundo momento. 35 . Essa concepção tem duas posições: uma. que veio substituir o MONISMO RADICAL de KELSEN em sua fase anterior. não se pode conceber que esteja submetido a duas ordens jurídicas em choque. Os monistas respondem que sua teoria é "lógica" e não histórica. É o MONISMO MODERADO. É um princípio ordenador da Ordem jurídica Internacional. que nos ensina ser o Estado anterior ao DI. assim.Direito Internacional O Monismo sustenta. que foi desenvolvido principalmente na Escola de Viena (Kelsen. negar a superioridade do DI é negar a sua existência. KELSEN continua a eleger a pacta sunt servanda como norma base. Assim. a francesa (esta. Ao formular sua Teoria enunciou a célebre pirâmide de normas. é um só e a Ordem Internacional acarreta a responsabilidade do Estado. que defende a Primazia do Direito Internacional e outra. E o Estado aceita esta responsabilidade. os países baixos. a norma base ("Grundnorm"). A Teoria Monística com Primazia do Direito Internacional foi eleita por várias constituições. ele é a mesma pessoa e. Críticas: A principal crítica dirigida à esta Teoria é que ela não corresponde à História. é a que maior segurança oferece às relações internacionais. influenciado por VERDROSS. com primazia da norma internacional. Nenhuma outra norma pode modificar a pacta sunt servanda. Verdross. Kunz. etc) Para KELSEN. majoritária. sob a reserva de reciprocidade com a outra entidade). quando ele viola um dos seus princípios. na sua essência. de um modo geral. neste primeiro momento KELSEN não se define. Essa Teoria.

Não é o Poder Judiciário face à descentralização da Ordem Internacional. Assim se classificam as fontes de DIP. Esses elementos que provocam o aparecimento das fontes formais são denominados de fontes materiais. É o que se chama de princípios. sociais e econômicos). É a concepção mais adotada atualmente. Porém. até mesmo para aqueles que não manifestaram sua vontade no sentido de aceitá-la. o principal Tribunal das Nações Unidas. norteiam a ordem jurídica internacional. Os doutrinadores têm sido unânimes na apresentação da imagem do curso de água para distinguir as fontes formais das fontes materiais. Entretanto. Assim. que são costumes. que são as normas que regulam as relações entre as pessoas de DI. Entretanto. sendo obrigados a obedecê-la. isto é. Em outras palavras. porque elas não pertencem ao Direito Positivo. etc. b) fontes secundárias: são os tratados e costumes baseados nos princípios constitucionais. Fundamento: é de onde o direito tira sua obrigatoriedade. O novo governo para ser reconhecido deve declarar que manterá os compromissos constitucionais vigentes. vez que a norma costumeira. as maneiras pelas quais surge a norma jurídica. encontraremos a sua nascente. se seguirmos um curso de água. têm fundamento nas fontes primárias.) que fizeram com que a água surgisse naquela região. ao direito positivo. ao qual só interessa a fonte formal. Faz distinção entre as fontes formais e as fontes materiais. segundo QUADRI: a) fontes primárias: são aquelas que orientam. São os meios formais do DI. ou seja. existem diversos outros fatores (ex. econômico e social que dão origem às fontes formais. Esta é a fonte formal.: composição do solo. esta concepção é insuficiente para explicar uma das fontes do DI. atos mistos.. Exemplos: atos unilaterais. O art. Exemplo: um Tratado é fonte formal do DIP. As fontes materiais são os elementos histórico. torna-se obrigatória para todos os Estados membros da sociedade. e . . Se apoiam nas fontes secundárias. que pode ser expressa nos tratados e tácita nos costumes. as fontes materiais são estudadas apenas para sabermos as origens das fontes formais. atos convencionais. Não se pretende com isto negar a existência das fontes materiais (os elementos históricos. o local onde surge a água. São os princípios constitucionais da ordem jurídica internacional. c) fontes terciárias: são as outras fontes.Direito Internacional FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO KELSEN confunde a noção de fonte com fundamento. a fonte formal é um simples reflexo da fonte material.princípio da interdependência do Estado. Todavia.Quanto às fontes formais existem duas concepções ou versões: 1ª) POSITIVISTA OU VOLUNTARISTA: Para essa corrente a fonte formal é a vontade comum dos Estados. Fontes do DI: constituem os modos pelos quais o Direito se manifesta. que é o ESTATUTO DA CORTE INTERNACIONAL DE JUSTIÇA.consuetudo est servanda (respeito ao costume e à norma costumeira). . Observam eles que.Regras 36 . sendo geral.pacta sunt servanda (o tratado deve ser cumprido) . que as utiliza na solução dos litígios que lhe são apresentadas. que é a sua fonte.princípio da permanência e continuidade do Estado. QUANTO AO ENUNCIADO DAS FONTES: As fontes formais do DI encontram-se enunciadas num texto em vigor. pluviosidade. só interessam as fontes formais. 38 do Estatuto da CIJ enumera as fontes formais do DIP: a) CONVENÇÕES INTERNACIONAIS .

Concordata: são os assinados pela Santa Sé.} Ato: quando estabelece regras de direito. Mas é claro que elas devem existir. Protocolo. A forma escrita é a mais comum. 59) Pode. alínea a dá a seguinte definição: "tratado significa um acordo internacional concluído entre Estados em forma escrita e regulado pelo DI. Carta. a Corte decidir uma questão ex aequo et bono se as partes com isso concordarem. significando que estão abrangidos os acordos em forma simplificada.: Declaração de Paris. por es. etc. Convênio. tais como os atos unilaterais. também. em 1856. 2º. Declaração: é usada para os acordos que criam princípios jurídicos ou "afirmam uma atitude política comum". Temos ainda: Estatuto. Acordo: é geralmente usado para os tratados de cunho econômico.: Ato Geral de Berlim.ASSEMBLEIA GERAL: onde estão presentes todos os Estados (cinco membros temporários com direito a voto). CONSELHO DE TUTELA: praticamente extinto na organização. sob a responsabilidade da Assembléia Geral...: Pacto de Renúncia à Guerra. .Direito Internacional b) COSTUME INTERNACIONAL c) PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO RECONHECIDOS PELAS NAÇÕES CIVILIZADAS (Europa. financeiro. tal fato não significa que tais Tratados percam a sua força legal e por outro lado.: a convenção sobre mar territorial. 37 . ainda. nada impede que as normas desta Convenção se apliquem a tais Tratados.: o tratado de paz. Esta definição é de Tratado em sentido lato. Uma crítica ao art.CONSELHO DE SEGURANÇA: é o órgão responsável pela paz e segurança internacional (quinze membros. por ex. no seu art. em 1969. Pacto: é um tratado solene. O desenvolvimento das relações internacionais e a interdependência cada vez maior entre os Estados têm feito com que os Tratados se multipliquem na sociedade internacional. sendo cinco com direito a voto). A terminologia dos Tratados é bastante imprecisa na prática internacional. CONSELHO ECONÔMICO-SOCIAL: é o órgão da ONU. Convenção: é o tratado que cria normas gerais. Trata de matéria que seja da competência comum da Igreja e do Estado. etc. § 1º. "Modus Vivendi". comercial e cultural. de 1885. não só devido à sua multiplicidade. Critica-se. por ex. por ex. A Convenção sobre o direito dos Tratados concluída em Viena. consubstanciado em um único instrumento ou em dois ou mais instrumentos conexos qualquer que seja a sua designação específica". A Convenção de Viena excluiu de sua regulamentação os Tratados entre Organizações Internacionais ou outros sujeitos de DI. 38 é que ele não estabelece hierarquia entre as fontes. Troca de Notas. responsável pelos assuntos econômicos e sociais. Os Tratados são considerados atualmente a fonte mais importante do DI. que não incorpora outras fontes do DIP. mas só com a concordância das partes. ESTRUTURA DA CORTE: Os órgãos principais são: . É a decisão por equidade (só entre as partes). porém os acordos orais também têm obrigatoriedade. Entretanto. Estados Unidos e América Latina) d) AS DECISÕES JUDICIÁRIAS E AS DOUTRINAS DOS PUBLICISTAS QUALIFICADOS (com ressalva do art. Compromisso. Sua função é a fiscalização dos territórios sob tutela da ONU. mas também porque geralmente as matérias mais importantes são reguladas por eles. sobre assuntos religiosos. por ex. Tratado: é utilizado para acordos solenes. Acordos em forma Simplificada (executivos). em 1928.

possui exceções. bem como do desejo de se dar "maior liberdade" de ação ao chefe de Estado. os territórios internacionalizados. como por exemplo. apesar de ser este um direito discutido. como ocorreria se o Tratado fosse assinado diretamente pelo chefe de Estado. uma vez que eles adquirem personalidade internacional após o reconhecimento. Outra razão de suma importância é a de evitar que os Tratados obriguem imediatamente os Estados. Cabe-nos lembrar que a prática internacional não apresenta. Os "plenos poderes" surgiram da intensificação das relações internacionais e. Os Estados Vassalos e Protegidos possuem o direito de Convenção quando autorizados pelos soberanos ou protetores. a menor uniformidade. Quem tem direito à Convenção? A resposta a esta pergunta é que a capacidade de concluir Tratados é reconhecida aos Estados Soberanos. uma vez que estaria dispensada a ratificação. A Santa Sé sempre teve o direito de Convenção. Quanto aos Estados Soberanos. As pessoas que o recebem são denominadas de plenipotenciários. O Governo Federal no Brasil não será responsável se um Estado membro da Federação concluir um acordo sem que seja ouvido o Poder Executivo Federal e nem seja aprovado pelo Senado. Os Tratados formados pela Santa Sé são acerca de matéria religiosa e denominados Concordatas. 2ª CONDIÇÃO: HABILITAÇÃO DOS AGENTES SIGNATÁRIOS A habilitação dos agentes signatários de um Tratado Internacional é feita pelos "plenos poderes" que dão aos negociadores o "poder de negociar e concluir" o Tratado. O Direito Interno (Constituição). para outros. poderão concluir Tratados sobre qualquer matéria. Para uns. o art. eles só poderão concluir Tratados referentes às operações de guerra. Assim. à Santa Sé e a Outros Entes Internacionais. neste aspecto. pode dar aos Estados Federados o direito de concluir Tratados. O instituto dos plenos poderes se desenvolveu no Renascimento. aos Beligerantes.Direito Internacional Estas são as principais denominações com sua utilização mais comum. a respeito da conclusão do Tratado.¬_ As Outras Entidades Internacionais também podem assinar Tratados. por influência do "Corpus Juris Civilis". As Organizações Internacionais têm sua capacidade limitada pelos próprios fins para os quais foram criadas. Esta é a regra geral e como tal. não tem efeito legal até que o Estado confirme tal ato. os Estados Dependentes ou os membros de uma Federação também podem concluir Tratados Internacionais em certos casos especiais. Um ato de pessoa não habilitada. CONDIÇÕES DE VALIDADE DOS TRATADOS INTERNACIONAIS 1ª CONDIÇÃO: COMPETÊNCIA DAS PARTES CONTRATANTES Depende da capacidade entre as partes. da impossibilidade de os chefes de Estado assinarem todos os Tratados. às Organizações Internacionais. Muito difícil se torna estabelecer uma Teoria Geral sobre o direito de Convenção. Os Beligerantes e Insurgentes também possuem direito de Convenção. em conseqüência. 38 . Tal capacidade deve ser analisada de acordo com cada caso. 6º da Convenção de Viena determina que todos os Estados soberanos têm capacidade para concluir Tratados.

Enfim. ela passou a ser considerada um dos vícios do consentimento. Nos Tratados bilaterais os plenos poderes são trocados pelos negociadores e nos multilaterais a verificação dos instrumentos é feita por uma comissão ou pelo Secretariado da ONU. o dolo e a coação viciam os Tratados. vez que o Poder Legislativo pode não concordar com o Tratado. Entretanto. que alegavam ser desiguais os acordos celebrados sem atender à igualdade jurídica. com a ameaça ou o emprego da força. mas alguns doutrinadores negam o seu reconhecimento pelo DI. 39 . o Estado que tenha contribuído para o erro não pode invocá-lo. porque como esta norma é aceita e reconhecida pela comunidade internacional. c) o erro de fato é que constitui vício do consentimento. uma vez que tal fato viola a Carta da ONU. de renúncia à guerra. b) se o erro é de redação. A ameaça contra a pessoa do representante do Estado anula o Tratado. COAÇÃO: A coação manifesta-se de duas maneiras: contra a pessoa do representante do Estado ou contra o próprio Estado. Os plenos poderes perderam muito de sua importância com o desenvolvimento da ratificação. chefes de missão diplomática e representantes acreditados pelos Estados. esta forma de coação não anulava o Tratado.Direito Internacional Normalmente estão dispensados dos plenos poderes para a negociação e autenticação dos Tratados: os chefes de Estado e de Governo. O dolo acarreta a responsabilidade internacional do Estado que o praticou. b) que o erro devido à fraude de outrem seja escusável para a vítima e determinante para o seu consentimento. O erro de direito deve ser afastado como vício. DOLO: O dolo ocorre sempre que um Estado se utiliza de qualquer espécie de manobras ou de artifícios para induzir outro Estado na conclusão de um Tratado. ela só poderá ser modificada por uma outra norma imperativa do DI Geral. Se estes casos acontecerem. a parte poderá pôr fim ao Tratado. Para existir o dolo são necessários dois requisitos: a) ter sido praticado por um a parte contratante. Esta questão da norma imperativa do DI Geral foi colocada na Convenção de Viena. Nas Organizações Internacionais não se exigem "plenos poderes" dos secretários-gerais adjuntos. que ferir a norma imperativa do DI Geral. entretanto. em 1928. O erro. o erro que tenha atingido a "base essencial do consentimento para se submeter ao Tratado". ele não atinge a validade do Tratado e deverá ser feita a sua correção. mesmo que esta norma seja posterior a ele. em 1969. provocando o erro ou aproveitando o erro existente. por insistência dos países subdesenvolvidos. A ratificação passa a não ser obrigatória. A coação contra um Estado pelo uso ou ameaça da força é causa de nulidade do Tratado. Ministro das Relações Exteriores. um Tratado não poderá ter um objeto que contrarie a moral internacional nem a jus cogens. 4ª CONDIÇÃO: CONSENTIMENTO MÚTUO O acordo de vontade entre as partes não deve sofrer nenhum vício. é necessário delimitar o assunto: a) só anula o Tratado. ERRO: A maioria dos autores admite o erro como vício do consentimento nos Tratados Internacionais. ao ser a guerra considerada um ilícito internacional. A orientação de admitir o erro como vício do consentimento foi adotada pela Convenção de Viena. Não poderá também existir no Tratado um objeto impossível de ser executado. Até o Pacto de Paris.OBJETO LÍCITO E POSSÍVEL É nulo o Tratado que violar.

2ª FASE: ASSINATURA 40 . os negociadores depositam os "plenos direitos" em uma urna. depois de conhecer o fato. que então não gerará efeito para eles. entre o Ministro do Exterior ou seu representante e o agente diplomático estrangeiro que são assessorados por técnicos nos assuntos em negociação. os dois Estados contratantes). atingido o número exigível. para serem analisados posteriormente por uma comissão. Se não alcançar o número exigível. apenas entre eles.Negociação .. Esta fase termina com a elaboração de um texto escrito. Cada uma dessas fases possui normas próprias e características específicas. Quando os negociadores estão munidos dos plenos poderes. A vantagem do consenso é a possibilidade de eliminar o confronto entre os Estados.Registro: . ou deles dispensados.Publicação As quatro primeiras fases pertencem à fase internacional de conclusão de um Tratado. o Tratado então é assinado. Entretanto.. A corrupção do representante do Estado é outro vício do consentimento.Promulgação: . que é o Tratado. permite-se que os negociadores rubriquem o texto até que estes recebam os plenos poderes e possam assiná-lo. ao passo que as duas últimas fazem parte da fase interna. sua competência é do Poder Executivo. PROCESSO DE CONCLUSÃO DO TRATADO O Tratado Internacional no seu processo de conclusão atravessa diversas fases: . foi aceito o vício de consentimento. nada impede que seja acordado que a rubrica constitua a assinatura do Tratado. Às vezes não se chega nem à votação. A negociação de um Tratado bilateral se desenvolve. pois do contrário chegaríamos a um contra-senso. Não sendo atingido o número exigível nos Tratados bilaterais. Nessa fase serão analisados os "plenos poderes" dos representantes no Tratado bilateral.1ª FASE: NEGOCIAÇÃO A negociação é a fase inicial do processo de conclusão de um Tratado. O Estado cujo representante foi corrupto pode invocar este fato para invalidar o seu consentimento dado ao Tratado. Se não possuem os plenos poderes. Já nos Tratados multilaterais. A negociação de um Tratado multilateral se desenvolve nas grandes conferências e congressos. Não poderá ser invocada a nulidade se. ou seja. os negociadores. com os Estados chegando a um consenso. como aconteceu no caso da Conferência do Direito do Mar que foi tratado num consenso.Assinatura: . se reúnem com a intenção de concluir um Tratado. na Conferência. No caso do Tratado multilateral. Dentro da ordem constitucional do Estado. na maioria das vezes.Direito Internacional O DI só condena a violência ilícita. Aqui. a não ser que se determine o contrário. O lapso de tempo entre a rubrica e a assinatura. aplica-se o disposto no § 2º que determina seja o texto adotado por 2/3 dos Estados presentes e votantes. o "Tratado de Paz" estaria inquinado de nulidade. A regra estabelecida no art. pois que no caso de um agressor vencido por uma "força" da ONU. acaba o projeto. 9º da Convenção de Viena é a adoção do texto por todos os Estados.Ratificação: . No caso do Tratado bilateral aplica-se o § 1º que preceitua a adoção do texto por todos os Estados negociadores (neste caso. Nesta fase os representantes do chefe do Estado. acaba o projeto do Tratado e os Estados favoráveis ao Tratado poderão marcar nova data para a votação. isto é. neste caso. é de poucas semanas em média. os Estados que não adotaram o texto deixam de fazer parte do Tratado.

. na exposição de motivos. o mandará para o Legislativo explicando. porque o negociador não estava munido dos plenos poderes quando assinou o texto do Tratado. Em resumo. que afirma que uma vez assinado o Tratado. a ratificação é considerada um ato discricionário do Poder Executivo. Ratificação só por parte do Executivo: o Legislativo só toma conhecimento do Tratado. Ela apenas passa pela apreciação do Legislativo. exigindo ou não a prévia autorização do Poder Legislativo. I CF). Não produz efeitos jurídicos. de posse deste. A ratificação é o ato que torna o Tratado obrigatório na Ordem Internacional.. 84. O Legislativo então aprecia o Tratado.Direito Internacional A assinatura é a segunda fase de conclusão do Tratado. A ratificação vai depender da ordem constitucional interna de cada Estado. Para a assinatura do Tratado os negociadores deverão estar munidos dos "plenos poderes" ou deles estarem dispensados. a assinatura não torna o Tratado obrigatório. assine o Tratado e o Estado ratificará este Tratado. este deverá ser assinado. e Ratificação com Primazia do Legislativo: menos comum. pois este só submeterá o Tratado à aprovação do Legislativo se tiver a intenção de ratificá-lo. Existem 3 sistemas sobre o poder competente para proceder à ratificação:. Diversos são os tipos de assinatura: assinatura ad-referendum as demais partes poderão deixar que o Poder Executivo negocie o Tratado. pois neste caso o Executivo não poderá ratificá-lo.3ª FASE: RATIFICAÇÃO A partir do século passado a Ratificação passa a ser um ato discricionário do Estado. Neste último caso. que o ratificará tornando-o válido na Ordem Internacional. que é o mais comum. É só manifestação de intenção. a assinatura e a ratificação. atesta que os negociadores estão de acordo com o texto do Tratado. assina-o e o manda ao Legislativo. O Estado comunica às demais partes contratantes que tem interesse de fazer parte do Tratado. é da competência do Poder Executivo. ADESÃO: não há assinatura nenhuma e o Estado vai apenas aderir ao Tratado. Em via de regra. Após a fase de negociação. têm ou podem ter grande valor político. adesão ad-referendum: é sobre a confirmação ou sobre reserva de ratificação. mas que o Tratado lhe interessa. com o texto do Tratado pronto. A obrigatoriedade surge apenas quando o Congresso não aprova o Tratado. a assinatura: autentica o texto do Tratado. de virem a assiná-lo. Com a assinatura os Estados atestam que estão de acordo com o texto produzido. assinatura diferida: é a possibilidade oferecida a Estados que não negociaram o Tratado. Até a ratificação o Tratado é um mero projeto. que volta ao Executivo. que o país não participou da negociação nem da assinatura. 49. 41 . A assinatura diferida pode ou não ter prazo determinado. esta é a assinatura que precisa ser confirmada pelo Estado. Este aprecia o Tratado. Normalmente. Encontra o Tratado pronto. c) Ratificação pelo Executivo com participação do Legislativo: é adotado pelo Brasil (art. com exceção do acordo executivo. VIII c/c art. O efeito é que o Estado figura como membro originário do Tratado. devolve ao executivo e este adere ao Tratado. Assim. adesão: quando no processo de conclusão o Poder Executivo não negociou nem assinou o Tratado. A adesão substitui a negociação. o Estado não deverá apor nenhuma resistência à sua entrada em vigor. ATENÇÃO: ASSINATURA DIFERIDA É DIFERENTE DE ADESÃO: ASSINATURA DIFERIDA: é a possibilidade oferecida ao Estado de assinar o Tratado figurando como membro originário. mas o colocará à apreciação dos órgãos competentes.

Se os órgãos internos competentes consideram que o Tratado é perfeito na sua constitucionalidade. Cabe-lhes apenas verificar se a ratificação for feita pelos órgãos competentes. que sustenta a nulidade do Tratado quando a violação for notória e a sua validade em caso contrário Esta concepção é a que melhor atende às necessidades da vida internacional. O 2º caso ocorre quando o Tratado é ratificado pelo Executivo com a aprovação prévia do Legislativo. mas não na Ordem Internacional. Esta Teoria tem a desvantagem de trazer insegurança às relações internacionais. em relação à Constituição Federal. A única sanção para o Tratado não registrado é que não poderá ser invocado perante qualquer órgão das Nações Únicas. como determina a Constituição.4ª FASE: REGISTRO A Carta da ONU estabelece em seu art. não compete ao Estado estrangeiro averiguar-se se o Tratado é conforme à Constituição daquele Estado. c) o da Teoria-Mista. 102 da Carta da ONU. onde ele é perfeitamente válido. 5ª FASE: PROMULGAÇÃO A Promulgação é ato jurídico de natureza interna. 102 que todos os Tratados concluídos deverão ser registrados após entrarem em vigor. As dúvidas que podem surgir dizem respeito à execução do Tratado na Ordem Interna. que apesar de não ser reconhecido pelos demais. quando foram publicados uma série de Tratados perigosos.Direito Internacional A ratificação pode levantar. mas apenas sua executoriedade no direito interno. o que sustenta a nulidade do Tratado: alega este grupo que não existe nenhuma norma de DI afirmando a validade destes Tratados. problemas de "constitucionalidade extrínseca" e de "constitucionalidade intrínseca". O Tratado sem registro é considerado um Tratado-secreto. O primeiro caso ocorre quando o Tratado é ratificado pelo Poder Executivo sem a aprovação do Legislativo. uma vez que resguarda a segurança das relações internacionais e ao mesmo tempo responde às maiores necessidades do direito interno dos Estados. preceito constitucional do Estado. porque há um interesse maior de que todos os Tratados sejam reconhecidos. Além disso ordena sua execução dentro dos limites de sua competência. a não submissão do Tratado ao Legislativo seria uma questão de direito interno sem relevância no DI. pelo qual o Governo de um Estado afirma ou atesta a existência de um Tratado por ele celebrado e o preenchimento das formalidades exigidas para sua conclusão. Esta concepção daria maior segurança às relações internacionais. Com o Registro termina a fase internacional. A origem do Registro se dá com a Revolução Bolchevista. será válido entre as partes contratantes. Esse Registro é feito no Secretariado da ONU e seu efeito é dar publicidade ao Tratado na Ordem Internacional. como está previsto no § 2º do art. Os problemas de "constitucionalidade intrínseca" levantados pela ratificação não são propriamente questões de ratificação. Para este grupo. O Estado contratante não é obrigado a conhecer o Direito Constitucional do outro contratante. mas que pertencem ao domínio das relações entre o DI e o Direito Interno. das relações entre os Tratados e as Constituições. Mesmo Estados que não são membros podem registrar Tratados. A razão da existência da promulgação é que o Tratado não é fonte de direito interno e sendo assim a promulgação não atinge o Tratado no plano internacional. violando. 42 .tornar o Tratado executório no plano interno. São efeitos da promulgação: .} A doutrina sobre o valor dessas ratificações imperfeitas dividiu-se em 3 grupos: a que admite a validade dos Tratados irregularmente ratificados. porém.

onde é ordenada a execução do Tratado. que permite a um Estado não contratante tornar-se parte desse Tratado. a promulgação é feita por Decreto do Presidente da República. O Governo Federal encontra-se obrigado do mesmo modo que o Governo de um Estado unitário. Há controvérsias quanto ao seu embrião.constatar através do Executivo. estendam a convenção a todos ou apenas a alguns de seus territórios dependentes. só é possível quando o Tratado a previu expressamente.CLÁUSULA FEDERAL . Caso o Tratado silencie sobre a possibilidade de um terceiro se tornar seu contratante. A adesão pode ocorrer antes da entrada em vigor do Tratado. por meio de uma declaração. Uma vez publicado no Diário Oficial pelo Poder Executivo. a existência de uma norma obrigatória para o Estado.CLÁUSULA DA NAÇÃO MAIS FAVORECIDA: É uma cláusula clássica em DI. nem assinado. A cláusula colonia pode determinar que o Tratado seja. . pode estar aberta a todos os Estados. é necessário o consentimento dos Estados partes do Tratado. . Algumas importantes cláusulas têm a seguinte denominação: . podendo-se admitir que os contratantes.Direito Internacional .CLÁUSULA DE SALVAGUARDA . mesmo que não tenha negociado.CLÁUSULA DA NAÇÃO MAIS FAVORECIDA . 6ª FASE: PUBLICAÇÃO A Publicação é conduta essencial para o Tratado ser aplicado no âmbito interno. ___É aquela em que o Tratado estipula que os Estados contratantes se outorgarão as vantagens mais consideráveis que eles já tenham concedido. Outras há que devem figurar no texto dos mesmos.CLÁUSULA FEDERAL: Regula a aplicação dos Tratados em Estados membros de uma Federação. Em princípio. Através de publicação se leva ao conhecimento de todos a existência desta norma internacional.. cujo texto aí figura e é publicado no Diário Oficial.CLÁUSULA SI OMNES CLÁUSULA DE ADESÃO: É a cláusula inserida num Tratado. ou ainda de se incluir o Tratado de aplicação nos territórios dependentes.CLÁUSULA COLONIAL: A regra geral é a de que o Tratado se aplica a todas as partes do território da contratante.CLÁUSULA DE ADESÃO .- CLÁUSULAS ESPECIAIS DOS TRATADOS Algumas cláusulas estão implícitas na celebração dos Tratados. sem que seja necessária uma nova convenção entre eles. a um terceiro Estado.CLÁUSULA COLONIAL . É utilizada em assuntos aduaneiros e se encontra consagrada no GATT. aplicado a todas as partes do território dependentes dos contratantes. É adotada por todos os países. No Brasil. Simplesmente adere ao Tratado sem a necessidade de ratificação. Existem dois processos de adesão: 1ª ADESÃO PURA E SIMPLES: ocorre quando o Estado quer fazer parte de um Tratado. o Tratado ganha executoriedade e eficácia.CLÁUSULA DE SALVAGUARDA: Possibilita a um Tratado o não cumprimento de determinada cláusula que esteja ameaçando o seu equilíbrio econômico. 2ª ADESÃO AD REFERENDUM: é a que suscita a futura apreciação pelo Legislativo. de fato. ou possam vir a conceder no futuro. 43 . como também permitir somente aderir aqueles que pertençam a determinada região do globo.

oferece as mesmas vantagens que o terceiro Estado. São Tratados que versam sobre questões territoriais e devem ser obedecidos por todos. poderá ser: . A produção de efeitos apenas em relação às partes contratantes é a regra geral. do modo indireto. Assim.condicional: ela só opera quando o Estado. se ele exercer o direito que lhe foi outorgado. Os Estados sub-desenvolvidos começam a contestar esta cláusula sob a alegação de que todos os Estados são iguais. pela Carta da ONU (art. gravames ou ônus mais onerosos que aqueles aplicados a terceiros Estados. o Poder Judiciário é obrigado a aplicar o Tratado. visando ao bem comum. para as partes contratantes ele é convencional e para o terceiro.Direito Internacional Pode ser: . considerar-se-ão também aceitas todas as implicações decorrentes dessa decisão.unilateral: quando as vantagens são somente para um contratante. Tal ocorre quando uma grande parcela da sociedade internacional. sem produzir efeitos em relação a terceiros. EFEITOS DOS TRATADOS Em virtude do princípio da relatividade. em conseqüência. ele só poderá ser revogado com o consentimento do terceiro Estado e dos contratantes. 44 . a saber: um Tratado pode criar obrigações para um terceiro Estado. o ato da criação de um Tratado será um ato misto. unilateral. Eles são uma res inter alios acta.incondicional: é a mais comum e se estende à parte contratante automaticamente. o Tratado produz efeitos apenas em relação às partes contratantes.¶ negativa: quando estabelece que não será imposto a um Estado. impõe obrigações (respeitado o DI Geral) a terceiros Estados por meio de um Tratado. Consequentemente. Entretanto.. sem que este tenha dado seu consentimento. A partir daí. Poderemos classificá-la em: positiva: quando declara que serão dadas as mesmas vantagens outorgadas aos terceiros Estados. Será ainda: geral: quando se aplica a todas as relações comerciais. obrigatória para todos os Estados como tal. especializada: quando enumera as mercadorias ou o seu campo de aplicação. o qual cria obrigações para terceiro sem que este tenha dado seu consentimento expresso. que pretende dela se beneficiar. vez que com a promulgação e a publicação o Tratado incorpora-se ao Direito Interno e torna-se obrigatório. der seu consentimento. Observância: um Estado não pode invocar o seu Direito Interno para o não cumprimento dos Tratados. são impostas obrigações ao terceiro Estado. ou ainda se os participantes do são todos partes na convenção. expressamente. Como se aplicam a todo território das partes contratantes geram. há necessidade do consentimento tácito ou expresso deste. existe um tipo de Tratado chamado TRATADO DISPOSITIVO. alínea VI). Finalmente. o Poder Executivo a cumprí-lo e o Poder Legislativo deverá elaborar as leis necessárias à regular sua execução. Entretanto.bilateral: quando ambos os contratantes se outorgam as vantagens da cláusula. IMPORTANTE: Um Tratado pode se transformar em norma costumeira de DI e. sob pena do descumprimento acarretar responsabilidade internacional para o Estado. . vez que a integridade de um Estado deve ser respeitada por todos os outros. c) nos Tratados que outorgam direitos a terceiro Estado. obrigações para os poderes estatais. ela apresenta exceções. Neste caso. CLÁUSULA SI OMNES: É aquela em que a convenção só é aplicada se todos os Estados a ratificarem. se este. que não podem descumprí-los. 2º. . O terceiro Estado pode se opor a isto.

vez que eles apresentam reservas às cláusulas que lhes são nocivas. As reservas deveriam estar sujeitas ao controle do Legislativo. Há o Tratado com a reserva. esta sujeição. determinada pessoa acusada ou condenada neste último. 2º O Estado não aceita a reserva. tendo em vista que os Estados não abusam de sua utilização. Entretanto. restringi-la. a Reserva é uma declaração unilateral. O Executivo ao receber o Tratado. São estas as situações estabelecidas pela ONU: 1º O Estado aceita a reserva. 2º. isto é. na prática. ser aceita pelas outras partes contratantes. modificação essa que pode vir a não ser aceita pelo Executivo. devido á lentidão do Congresso na apreciação dos atos internacionais que necessitam de soluções rápidas. Se um Tratado é omisso quanto à possibilidade de reserva. Não se aplicará somente à cláusula que foi tratada com reserva (componente político: a reserva não fere a essência do Tratado). Apresentaria ainda a vantagem de defender a igualdade dos Estados. Em lá chegando. Isto só será possível se houver Tratado celebrado entre os Estados envolvidos. há que se verificar se ela é compatível ou incompatível com o objeto do Tratado. § 1º da Convenção de Viena.Direito Internacional Retroatividade: um Tratado não alcança situações que ocorreram antes de sua entrada em vigor. não ocorre. com o objetivo de excluir ou modificar os efeitos jurídicos de certas disposições do Tratado em sua aplicação a esse Estado." As reservas. sempre que um Estado não concordar com determinada cláusula de um Tratado. porque há um interesse da sociedade internacional de que o Tratado seja aplicado uniformemente ao maior número de Estados. Neste caso há o Tratado entre aquele que não aceita e o que formulou a reserva. poderá ratificá-lo ou não. Aqui. O Tratado pode ser celebrado para atingir com a extradição. qualquer que seja sua redação ou denominação. Se for o caso. ao assinar. ampliá-la ou modificá-la. E por que esta exceção para a Extradição? R: Porque a extradição não é pena e sim medida administrativa. Excluem-se das reservas as denominadas DECLARAÇÕES INTERPRETATIVAS. Consoante o art. Entretanto. Entretanto. só gera efeitos para as partes contratantes a partir da data que entra em vigor. a uma exceção para o caso da EXTRADIÇÃO. poderá extraí-la. A extradição ocorre quando um Estado entrega a outro Estado. o Tratado não entrará em vigor. neste caso. feita por um Estado. ratificar. A doutrina mais recente tem ressaltado que as reservas não têm prejudicado muito a eficácia dos Tratados. Portanto. pode ocorrer que lá ele chegue sem nenhuma reserva para apreciação. se ele não ratificar. aceitar ou aprovar um Tratado. ou a ele aderir. Tanto a reserva. nos casos em que isto é exigido.O INSTITUTO DA RESERVA Preliminarmente. sob forma de reserva. portanto. para serem válidas. sem consultar aqueles Estados que a apreciaram. não está obrigado a aceitar o que for proposto pelo Legislativo. como condição de fundo. mas ainda assim quiser fazer parte dele. poderá o Legislativo estabelecer alguma restrição ao Tratado. deverá remeter o Tratado outra vez ao Legislativo para reapreciação. A Convenção de Viena diz que a qualquer momento o Estado que formulou a reserva poderá retirá-la. quanto a objeção à reserva podem ser retiradas livremente. devem preencher uma condição de forma e outra de fundo. em alguns Tratados que são submetidos ao Legislativo. vez que elas modificam os Tratados. é preciso observar que a reserva só ocorre em Tratados multilaterais (se ele admitir reserva). a reserva vigora entre o Estado que aceita e o que formulou a reserva. A retirada de uma reserva ou de uma objeção só começará a produzir efeitos quando o outro Estado receber a comunicação disto. pessoas que tenham chegado antes ao território de um Estado. mas acha que ela é compatível com o Tratado. 45 . A condição de forma é que ela deve ser apresentada por escrito pelo Poder Executivo e. Como é o Poder Executivo o competente para a formulação de reservas.

por sua vez. Na sua origem. como explicar que a obrigatoriedade do Costume se encontra no consentimento tácito? É o costume que dá ao DI a sua verdadeira base universal e se fosse reduzido ao consentimento. Em determinados casos a denúncia não é previamente submetida ao Legislativo. podemos dizer que não existe um prazo determinado para que surja um Costume internacional. O uso é mera prática social. mas sem ser unânime e obrigatória para todos os membros da sociedade internacional. necessita do elemento subjetivo que forma o costume. na hora que retifica ou adere. embora a sociedade internacional ainda permaneça descentralizada.O Estado que já ratificou ou aderiu ao Tratado tem o prazo de 12 meses para apreciar a reserva de outro Estado que adere com reserva. tem a vantagem de distinguir o Costume do Uso e do Hábito. é insuficiente para explicar o estabelecido no art. O elemento material apresenta duas características: o tempo e o espaço. Quanto ao espaço. Antes disso. elemento subjetivo: é geralmente aceito como sendo exigível para o comportamento dos Estados. O Costume tem o elemento social. é que o Costume seja seguido por uma parcela da sociedade internacional. Transforma-se em direito positivo quando é adotado como tal pelos Tribunais de Justiça e quando as decisões judiciárias formadas com base nele são feitas valer através da força do poder do Estado. não obrigatória. em virtude de a sociedade internacional ser descentralizada. Há a prática social e num determinado momento verifica-se que ela preenche a necessidade social e então passa a ser obrigatória no Direito. sendo suficiente apenas provar que tal regra é reconhecida como sendo direito. esta base acabaria por desaparecer. mas além disso é exigível juridicamente O Costume.Direito Internacional A crítica é que a reserva acaba fracionando o Tratado em vários Tratados. uma norma costumeira geral. COSTUME O Costume foi a principal fonte do DIP. terá que cumprí-la. o Costume é uma regra de conduta observada espontaneamente e não em execução a uma lei posta por um político superior. É ele que dá o caráter obrigatório ao Costume. TEORIA VOLUNTARISTA sustenta que o fundamento do Costume se encontra no consentimento tácito dos Estados. Se ele já encontra a reserva. São críticas ao voluntarismo: ele se esquece de que a vontade só produz efeitos jurídicos quando existe uma norma anterior a ela lhe dando esse poder. O elemento subjetivo. que manda este Tribunal aplicar um "costume geral". O fundamento do Costume é explicado por 3 teorias que podem ser reduzidas às duas concepções presentes em todo o DI: o voluntarismo e o objetivismo. 38 do Estatuto da CIJ. ou seja. O hábito tem características individuais. já deve manifestar-se sobre ela. Atualmente. Então. é apenas uma regra de moralidade positiva cuja força vem da reprovação geral que recai sobre aqueles que a transgridem. 46 . Quanto ao tempo. a repetição social. Mesmo que um Estado não a aceite. esta Teoria descaracteriza o Costume como uma prática que se adapta espontaneamente às transformações sociais. o Costume começou a regredir. além do uso. tendo em vista a sua lentidão e incerteza. O Estado pode se retirar do Tratado pela denúncia. não explica como um novo membro da sociedade internacional se encontra obrigado a um costume formado antes de seu ingresso nesta sociedade. São dois os elementos do Costume: elemento material ou objetivo: é o uso.

que deverão por sua vez ter um objeto lícito e possível. Permite-se a interpretação no sentido de que seja menos prejudicial ao seu autor. deve-se observar também se o órgão daquela pessoa é competente para formular Atos Unilaterais (neste caso. É considerado fonte de 3º grau. O Indivíduo não poderá formulá-lo. surge ainda a figura do "stoppel". ato unilateral atípico: quando há cláusula de denúncia no Tratado -A Renúncia ocorre quando um sujeito de direito internacional. sustenta que o fundamento do Costume é a "consciência social do grupo". Além da pessoa do direito. Aqui. 2º) Ato Expresso como Ato Unilateral expresso.Direito Internacional TEORIA OBJETIVISTA é representada por duas teorias: a da consciência jurídica coletiva e a sociológica. o interesse jurídico do Estado no fato. é o silêncio. embora não se encontre entre as fontes a serem aplicadas pela Corte Internacional de Justiça. o que é na realidade uma noção vaga e imprecisa. Seu fundamento é exatamente as necessidades sociais. O protesto evita a criação de uma norma jurídica. uma vez que eles tiram o seu fundamento do Costume ou Tratado Internacional. É ato eminentemente facultativo e excepcionalmente um Estado poderá ser obrigado a protestar. O novo estado de coisas não será oponível ao autor do protesto. A Teoria da Consciência Jurídica Coletiva. que visa a atender as necessidades sociais. Entretanto. A aplicação deverá ser feita após a análise de cada caso concreto. que corresponde à preclusão e confunde-se com o silêncio. A omissão do Estado significa a aceitação deste. além de não conter vícios de consentimento. Para que haja reconhecimento pelo silêncio é necessário acrescentar os seguintes elementos: que o Estado que guarda silêncio conheça o fato. voluntariamente abandona o seu direito. que significa a aceitação. o Costume é um produto da vida social. parecendonos inaceitável. No DI todos os direitos são passíveis de renúncia. Do contrário. Há necessidade que esta prática seja aceita pelo Estado como Direito. mas ele mesmo não cria uma. ATOS UNILATERAIS São aqueles em que a manifestação de vontade de uma pessoa de direito vai produzir efeitos na Ordem Internacional. Quando o Costume é formado por um Estado que tem liderança ele será obrigatório. O Costume geral é o que oferece o caráter de universalidade ao DI. a expiração de um prazo razoável. O Ato Unilateral tem sido considerado pelos modernos doutrinadores do DI como uma de suas fontes. uma vez que a renúncia não se presume. Aqui. O protesto tem por fim defender os direitos de quem protesta. conforme a enumeração do art. temos entre outros: O Protesto pode ser escrito ou oral. ROSSEAU assim os classifica: 1º) Ato Tácito por excelência. mas que dependerá das circunstâncias. não é aceito. O Costume pode ser universal (geral) e particular regional). A Denúncia surge quando um Estado denuncia um Tratado e se retira dele. A Teoria Sociológica é a que melhor explica a obrigatoriedade do Costume.- 47 . A manifestação de vontade deverá ser inequívoca. Não poderão ferir a moral internacional nem a norma imperativa do DI (Jus Cogens). o Poder Executivo). Pode ser por: ato unilateral típico: quando não consta cláusula de denúncia no Tratado e o Estado mesmo assim o faz. salienta que não se trata de regra geral. 38 do seu Estatuto. Quem pode formular Atos Unilaterais são os Estados e as Organizações Internacionais.

a ratificação pelo Executivo ainda é um ato discricionário. que não se encontra enumerada no art. isto é. que são obrigatórias para os Estados membros. quanto à qualidade de fonte à Lei Internacional. mas não aplicada pelas grandes nações. principalmente as da Assembléia Geral da ONU. As Leis Internacionais. isto é. A Lei Internacional manifesta-se. que obrigatoriamente deverão ser levados à aprovação do Poder Legislativo e uma vez aprovados. tendo em vista que a sua aprovação é feita por uma grande maioria dos Estados que compõem a AG da ONU. Podem ser ainda de âmbito restrito.Salientamos que apesar de sua denominação de Lei Internacional não corresponder inteiramente à realidade. não é obrigado a enviar para o Legislativo imediatamente. O Estado que reconheceu não pode mais contestar aquele fato. porque pode não ser do seu interesse a ratificação do Tratado. estão sendo utilizadas pelos Estados sub-desenvolvidos. mas nem por isto deixam de constituir norma de conduta. acima de tudo. 38 do Estatuto da Corte Internacional de Justiça: a LEI INTERNACIONAL A Lei Internacional teria se formado com o fenômeno do associacionismo internacional. então não é fonte. mas é aplicada pelas grandes potências. deverão ser ratificados pelo Poder Executivo. vão formar o Direito Branco.) É o ato pelo qual um sujeito de direito internacional aceita uma determinada situação de fato ou de direito e. elas se assemelham no principal ponto. São decisões não só jurídicas. não podemos negar-lhe o caráter de fonte. pois são normas obrigatórias para sujeitos de direito. é que: se ela é aprovada. mesmo contra sua vontade. Entretanto. as decisões das comunidades européias (majoritárias). Há decisões que se tornam imediatamente obrigatórias para os Estados membros. Direito na sua essência e cujas violações são normalmente passíveis de sanção. São essas decisões que dão origem a uma nova fonte formal. as decisões das Organizações Internacionais. DECISÕES DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS A LEI INTERNACIONAL São fontes do DI. como também políticas. Discute-se sua obrigatoriedade como fontes do A resposta às perguntas dessa natureza. É o contrário do Protesto. Há divergência na doutrina." se ela não é aprovada pela maioria das nações.- 48 . se houver comparação com a Lei do Direito Interno. nos seguintes atos da vida internacional: nos Tratados Internacionais do Trabalho. no território de cada um dos Estados membros. então é fonte. não cria nem constitui seu objeto. que pode ser considerado o órgão mais representativo da Sociedade Internacional. Cabe dizer que elas reconhecem Princípios Gerais do Direito. como é o caso do orçamento. declara considerá-la legítima. após a II Guerra Mundial e se desenvolvido com as comunidades européias.Direito Internacional O Reconhecimento: é o mais importante dos Atos Unilaterais. O principal efeito do reconhecimento é que o objeto ou situação reconhecida passa a ser oponível a quem o reconheceu. Esta nova fonte consiste em normas originadas em uma Organização Internacional. uma vez submetido ao Legislativo e aprovado. Entretanto. Tratados em matéria sanitária da OMS entram em vigor se os Estados não declaram a sua não aceitação em determinado lapso de tempo. eventualmente. caracterizam-se por serem diretamente exeqüíveis. sem qualquer transformação. É Ato Unilateral de natureza jurídica declaratória. Este. o Direito Verde. independentemente de sua vontade. a Soft Law. independentemente de qualquer ratificação por sua parte. Genericamente. entre outros.

A Corte Internacional da Justiça nunca deu uma decisão baseada exclusivamente na Equidade. a sentença será nula.Direito Internacional ANALOGIA E EQUIDADE Não são propriamente fontes. 2) suprir as lacunas do Direito Positivo. é "a aplicação dos princípios da Justiça a um determinado caso". Repousa na idéia de justiça de que casos iguais devem ser tratados igualmente. Nos dias de hoje. mas contém uma falha. como meio de esclarecer os textos obscuros. Portanto. São eles: a Analogia e a Equidade. A doutrina considera à equidade três funções: corrigir o Direito Positivo. afastar o Direito Positivo. quando esta é semelhante à que é aplicável a norma já existente. Em não sendo fontes do DI. A Analogia não é uma fonte formal do DI. 49 . como meio de suprir lacunas dos textos constitucionais. a equidade tem diminuído de importância na jurisprudência internacional. A Equidade apresenta o perigo de ser uma noção imprecisa. A Equidade (ex aequo et bono): segundo ROSSEAU. também não serão obrigatórios para os sujeitos do DI. bem como conduzir à arbitrariedade. por duas razões: a) das partes exige-se que tenham grande confiança no Juiz. os elementos subsidiários que a Corte pode utilizar Não constituem uma maneira pela qual se manifesta a norma jurídica internacional. Caso contrário. A Analogia ainda tem aplicação restrita no DI e não apresenta um papel decisivo. São apenas meios auxiliares na constatação do Direito ou na sua interpretação. O Juiz internacional somente poderá decidir com base na Equidade quando as partes litigantes assim o desejarem. A Analogia se apresenta sob duas formas: analogia "legis": quando o assunto já se encontra regulamentado. mas um meio de integração deste direito. ROUSSEAU assinala três funções: confirmar as conclusões atingidas por outros métodos de interpretação. não constitui uma fonte formal do DI. o desenvolvimento do DI Positivo. analogia "juris": quando o caso é inteiramente novo e não existe uma norma aplicável. É utilizada para preencher lacunas do Ela pode ser definida como a aplicação de uma norma já existente a uma situação nova.

terminar com as incertezas do costume. A própria finalidade da codificação é diversa: no Direito Interno (Alemanha. Desde 1960. ou seja. A jurisprudência se forma pelas decisões reiteradas sobre um mesmo assunto. Poder Executivo) a faz e ela se impõe a todos os habitantes do Estado. A Codificação do DI apresenta inúmeras diferenças com a codificação do Direito Interno. A Codificação pode se fazer de três maneiras: Codificação Declaratória: capta qual o Costume Internacional e o torna Tratado que é obrigatório entre as partes. pois o tratado nem sempre é aceito por todos os Estados. quer dizer transformar normas consuetudinárias em normas convencionais.Direito Internacional CODIFICAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL Codificar. A codificação no DI e no Direito Interno só apresenta em comum a idéia central de toda e qualquer codificação: agrupar sistematicamente as normas jurídicas. Transformar o Costume em Tratado. no DI isto não ocorre. Uma codificação pode considerar um Costume. Codificação Cristalizadora: existe uma prática embrionária. isto é. enquanto no DI ela o é por meio de uma convenção. é realizada por "via autoritária". Na codificação do Direito Interno procura-se reunir todas as normas sobre o assunto. Quanto às condições em que são realizadas elas também diferem: no Direito Interno ela é precedida de um grande trabalho preparatório (jurisprudência abundante). no DI. No DI ela só se impõe aos sujeitos de direito (Estados) que com ela concordarem. isto é. no DI a codificação visa apenas aos princípios gerais da matéria. um pequeno grupo de pessoas (Congresso. que o costume desapareça. os Novos Estados vêm tentando modificar o DI. No Direito Interno ela é realizada por meio de um processo legislativo. onde se faz a codificação. sem significar. Turquia) ela foi o "complemento da unidade política". 50 . enquanto no DI ela toma aspecto meramente técnico. Não se trata apenas de pegar o Costume e escrevê-lo simplesmente. uma vez que a jurisprudência internacional é pequena. independente da vontade destes últimos e no DI a convenção. é desenvolver progressivamente o DI. No âmbito interno. Codificação Constitutiva: cria o Costume através do Tratado. entretanto. Existe uma regra costumeira (informação) e a Convenção a cristaliza. só é obrigatória para os Estados que a assinarem e ratificarem. É quando o próprio processo social cria uma norma costumeira. Itália. ou aderirem a ela.

Passaram da COEXISTÊNCIA à COOPERAÇÃO. O Estado é formador do DI. para o conceito de pessoa internacional se. A pessoa física ou jurídica a quem a ordem internacional atribui direitos e deveres é transformada em pessoa internacional. Exemplo: Liga das Nações. criadas por Tratados. território delimitado. pois a composição da sociedade internacional não é imutável. sujeito de Direito Internacional. Exemplos: Santa Sé. que é quem possui personalidade internacional). A noção de sujeito de DI tem uma dimensão sociológica. É o criador das demais pessoas. não é Organização Internacional. vem sofrendo diversas variações através da evolução histórica. COLETIVIDADES NÃO ESTATAIS: Junta-se tudo. histórica e lógico-jurídica. pessoas internacionais são os destinatários das normas jurídicas internacionais. Elabora as normas de DI e é ele que vai cumpri-las (DUPLA FUNÇÃO DO DESDOBRAMENTO DO ESTADO NA ORDEM INTERNACIONAL) O Estado deverá ter: população. Cruz Vermelha Internacional. Não é Estado. etc. A Independência Americana e a Revolução Francesa são os primeiros textos. Sociológica: significa que os principais entes terão necessariamente personalidade diante do DI. A Declaração de Virgínia e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão são outros exemplos. CHARLES ROUSSEAU faz a melhor e mais didática classificação para as pessoas de DIP: COLETIVIDADES ESTATAIS: É o Estado como pessoa de DI. São associações voluntárias. 51 . não é Indivíduo. também lhe é outorgada a capacidade de agir no plano internacional. COLETIVIDADES INTERESTADUAIS: São as organizações internacionais. é cada um de nós com personalidade internacional. . OLP.¹ Não importa. fenômeno recente na ordem internacional (societarismo ou associetarismo). ou seja. ao lhe ser atribuída personalidade. Ao contrário. Existem três gerações de direitos humanos: 1ª GERAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS: DIREITOS POLÍTICOS E CIVIS (DIREITOS NEGATIVOS) LIBERDADE – PROPRIEDADE Somente a partir da 2ª Guerra Mundial é que o indivíduo vai ter personalidade internacional. Têm personalidade.comércio internacional.Direito Internacional PESSOAS DE DIREITO INTERNACIONAL PESSOAS INTERNACIONAIS Sujeito de direito é todo ente que possui direitos e deveres perante determinada ordem jurídica. Lógico-Jurídica: caracteriza-se por não poder existir uma ordem jurídica sem destinatários. etc. isto é. princípios jurídicos coincidentes. INDIVÍDUO: Em outras palavras. As bases sociológicas do DI são: pluralidade de Estados. governo efetivo e independente e soberania. Após a 2ª Guerra Mundial é que ocorreu a explosão das Organizações Internacionais. Histórica: é muito importante. (O Vaticano é o território da Santa Sé. comuns aos Estados ( pacta sunt servanda) O Estado é a principal pessoa de DI. Assim.

não se pode mais sair dele. direito de solidariedade. ao passo que os direitos econômicos. O Brasil não é parte do Pacto. à saúde. Através do contrato entramos em estado de sociedade. É instaurada a Comissão de Direitos Humanos em 1948 e é editada a Declaração Universal dos Direitos Humanos. a liberdade vinculada ao direito de propriedade não pode ser limitada. SOCIAIS E CULTURAIS (DIREITOS POSITIVOS) Aqui existe interferência do Estado. O primeiro sinal de fraqueza está no art. 4ª GERAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS: DIREITOS DOS GENES É uma nova geração de direitos humanos que desponta na Ordem Internacional. em decorrência dos efeitos da revolução biotecnológica na vida humana. Em 1966 a Assembléia Geral da ONU aprova dos pactos de direitos humanos: . mas tão somente dos Tratados. pois não implicam gastos. 3ª GERAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS: ____DIREITOS DIFUSOS Hoje já se fala numa terceira geração de direitos. São exemplos desses direitos: liberdade de consciência. etc. o direito à reunião sem armas.2ª GERAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS: DIREITOS ECONÔMICOS. etc. que neles não poderá interferir. o direito de propriedade. direito ao meio ambiente.Direito Internacional Esses são os chamados direitos negativos. porque o indivíduo tem esses direitos independentemente do Estado. direito ao crescimento. Sociais e Culturais. o direito de associação. embora seja permitido suspender as determinações nele contidas. mas quando vinculada ao direito político sofre limitações. direito à paz. 52 . A questão dos direitos humanos assume grande importância com a Carta da ONU. Entretanto. à remuneração condigna. o direito à própria liberdade. quando ocorre no Estado o estado de crise (estado de sítio). porque geram gastos). sociais e culturais são paulatinamente aplicados.Tratado dos Direitos Econômicos. em 1945. à educação. Eles entrariam em vigor na Ordem Internacional em 1976 e. São os direitos ao trabalho. HOBBES tinha a visão do estado de natureza. em julho de 1992. ela não tem caráter obrigatório e a ONU trabalha na elaboração de um Tratado (documento que vincula o Estado). 1º do Pacto de Direitos Civis e Políticos: o Tratado pode ser suspenso. Nos direitos negativos. Não existe a renúncia ao Pacto. etc. Direitos civis e políticos devem ser imediatamente aplicados. para o Brasil. Entrando. Vários Estados assinam um Protocolo Facultativo ao Pacto dos Direitos Civis e Políticos. e Tratado de Direitos Civis e Políticos. que tem como exemplos: direito ao desenvolvimento.

Direito Internacional

O ESTADO COMO PESSOA DO DIREITO INTERNACIONAL
O Estado surge na Idade Média, mas o poder central desaparece após a Queda de Roma. Nos
séculos XVI e XVII, o "Estado" existente na Idade Média vai se transformar no Estado Moderno.
O DI começa se formar na Idade Moderna com a formação dos Estados e do capitalismo.
Os Estados são os principais sujeitos do DIP por terem sido os fundadores da Sociedade
Internacional.
Apesar de não serem mais os únicos sujeitos de direito da ordem internacional, continuam
sendo os principais e mais atuantes."
É o Estado quem cria as regras do DI. Não existe um Poder Legislativo para criar a norma e
nem Poder Executivo que vá aplicá-la. Há dupla função de desdobramento do Estado na
ordem internacional, pois ele vai criar as normas que ele mesmo cumprirá.
Não são todos os entes de DI que são considerados Estados, pois para tal faz-se necessário
preencher certos requisitos fixados pelas normas internacionais, que lhes vão atribuir
personalidade internacional. São eles:
População: dividida entre nacionais e estrangeiros, sendo irrelevantes para o DIP, o número, a
cultura e a formação;
Território: é importante que seja delimitado para saber até onde o Estado exerce a sua
jurisdição. O tamanho e a qualidade do território são irrelevantes para o DIP, apesar de
apresentarem grande importância no campo da política internacional fatores como: localização
estratégica, recursos, etc., que vão aumentar ou diminuir a sua dependência externa.
O território estatal não se limita ao domínio terrestre, mas se estende ao espaço aéreo e
determinados espaços marítimos (águas interiores e mar territorial);
Governo: é a organização política do Estado. Deve ser efetivo (exercer administração e
controle sobre todo território e sobre toda a população) e independente (não estar subordinado
a outro Estado).
Soberania: hoje entendida apenas na concepção relativa, pois os Estados estão subordinados
à ordem jurídica internacional. Estado soberano é aquele que se encontra subordinado direta
ou indiretamente à ordem jurídica internacional, sem que exista entre ele e o DI qualquer outra
coletividade de permeio.
A soberania tem dois aspectos:
Independência (aspecto externo): determina que o Estado possui o direito de convenção que
lhe dá competência para celebrar Tratados e o direito de legação, o que lhe permite enviar e
receber agentes diplomáticos;
Autonomia (aspecto interno): significa que o Estado tem jurisdição e competência, podendo
com isso estabelecer formas de Estado, Governo, etc.Na Ordem Internacional, além da
soberania relativa há também a questão da INTERDEPENDÊNCIA, o que é muito importante
atualmente, a partir do momento que nenhum Estado pode viver isoladamente.Há uma
cooperação internacional nas relações de compra e venda entre os Estados.Essa
interdependência é diferente da dependência de auxílio técnico, econômico e financeiro
(interdependência assimétrica), que ao satisfazer interesses comuns existentes entre os grupos
sociais dominante e dependente, acaba por aniquilar a soberania.A assistência externa dada
por outros Estados não é uma doação

RECONHECIMENTO DE ESTADO E GOVERNO
Reconhecimento é o ato por meio do qual um sujeito de direito internacional aceita uma
determinada situação de fato ou de direito e, eventualmente, declara considerá-la legítima. É
ato unilateral de natureza jurídica declaratória, isto é, não cria nem constitui seu objeto.

53

Direito Internacional
O principal efeito do reconhecimento é que o objeto ou situação reconhecida passa a ser
oponível a quem a reconheceu. O Estado que reconheceu não pode mais contestar aquele
fato.
O reconhecimento de Estado ou de Governo é dado após um "pedido" do "interessado",
através de uma notificação dirigida aos demais Estados.`
O reconhecimento apresenta as seguintes características:
É um ato:
discricionário: a questão de sua oportunidade é de apreciação discricionária do Estado autor do
reconhecimento. Não existe no DI a fixação de um momento para que seja feito o
reconhecimento. Entretanto, a prática internacional e a doutrina têm salientado que ele não
deve ser um ato prematuro;
b) incondicional: significa dizer que o Estado não poderá criar condições para o
reconhecimento, vez que estas já estão previstas pelo Direito Internacional;
irrevogável: não significa isto que o reconhecimento seja perpétuo. Quer dizer apenas que
quem o efetuou não pode retirá-lo discricionariamente. Entretanto, como ele é dado ao Estado
que preencher determinados requisitos, caso esses deixem de existir, o reconhecimento
desaparece.
retroativo: quando do reconhecimento, este abrangerá todos os atos emanados desde o
surgimento deste Estado ou Governo, na Ordem Internacional. Caso contrário, haveria uma
solução de continuidade na personalidade do Estado ou Governo.
Quando se reconhecer o Estado, estará também se reconhecendo o Governo.
Quando se reconhecer o Governo estará se reconhecendo apenas o Governo.
RECONHECIMENTO DE ESTADO
É o reconhecimento do 1º Governo à frente daquele Estado.
Para uma coletividade ser reconhecida como Estado ela tem que possuir população, território
delimitado, governo efetivo e independente e, por fim, soberania.'
Preenchendo estes requisitos ela passa a ser uma pessoa internacional plena e passível de ser
reconhecida.
Esse reconhecimento pode ser feito de modo expresso ou tácito.
O reconhecimento expresso pode ser individual, quando é emanado de um Estado através de
seus órgãos (chefe de Estado ou Ministro das Relações Exteriores), ou coletivo, quando
através da assinatura de um Tratado.
O reconhecimento tácito, também pode ser individual, quando se envia ou recebe agentes
diplomáticos; ou coletivo, quando um Tratado é assinado sem que o assunto que ele trate seja
o reconhecimento.
NATUREZA JURÍDICA DO RECONHECIMENTO DOS ESTADOS:
Sobre esta matéria existem 3 teorias:
1ª TEORIA CONSTITUTIVA: sustenta que a personalidade do novo Estado é constituída pelo
ato de reconhecimento.
O reconhecimento é que constitui, cria, estabelece a personalidade do novo Estado. Tal
afirmação está em contradição com tudo que até agora se disse sobre o Estado, daí as críticas
que se seguem:
O Estado teria a sua personalidade constituída quantas fossem as vezes em que fosse
reconhecido;(
o reconhecimento é um ato retroativo, o que não seria possível se a personalidade do Estado
só surgisse a partir do reconhecimento;
por esse modo não seria um Ato Unilateral e sim bilateral e se fôssemos admitir como ato
bilateral seria um negócio jurídico entre uma não pessoa de direito internacional e uma pessoa
de direito internacional.
Para a Teoria Constitutiva o reconhecimento é um Ato Unilateral.

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Direito Internacional
2ª TEORIA DECLARATÓRIA: é mais aceita na ordem internacional. O reconhecimento do
Estado é um simples ato de constatação do Estado, que preexiste a ele. O Estado tem
personalidade jurídica independentemente do reconhecimento, uma vez que ela existe desde
que preencha os requisitos: população, território delimitado, governo efetivo e independente e
soberania.
3ª TEORIA MISTA: admite que o reconhecimento constata um fato (Teoria Declaratória) e
produz efeitos jurídicos e é a partir desse reconhecimento que surgem os direitos e deveres
(Teoria Constitutiva).
Salienta-se que o reconhecimento do Estado implica no reconhecimento do primeiro governo
que estiver à frente do mesmo. Acrescenta-se também, que a ONU não reconhece situações
contrárias à descolonização.
Ingressar na ONU não significa reconhecimento pelos outros Estados membros da ONU.,

RECONHECIMENTO DE GOVERNO
O reconhecimento de Governo deve ocorrer sempre que um novo governo se instalar em um
Estado, com a violação do seu sistema constitucional, isto é, quando alcança o poder por
meios não previstos no sistema jurídico estatal.
Chegando ao poder por golpe ou revolução, terá esse novo Governo de ser reconhecido.
Em 1964, no Brasil, a revolução em que os militares subiram ao poder. Em 1969, a Junta Militar
violou a Constituição.
Neste caso, não há necessidade de qualquer reconhecimento, pois não se trata de novo grupo.
Só há necessidade de reconhecimento, quando um novo grupo chega ao Governo, violando a
Constituição.
São requisitos para o reconhecimento de Governo:
governo efetivo e independente;
deve cumprir as obrigações internacionais vigentes, pois se não as mantiver, não serão
reconhecidas;
o governo de ser conforme o DI, isto é, não deve violar os direitos humanos e não deve ter
chegado ao poder pela intervenção em outro Estado.
São efeitos do Reconhecimento de Governo:
estabelecimento de relações diplomáticas;
imunidade de jurisdição - o Governo não reconhecido também goza de imunidade
capacidade para demandar em tribunal estrangeiro;
admissão de validade das leis e dos atos de governo.

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são território nacional. jurídico: é o que oferece uma segurança maior. o "alcance" destes direitos tem variado com a época histórica. que o direito de liberdade é entendido de acordo com a ótica internacional (o Estado é relativamente soberano).Direito Internacional DIREITOS E DEVERES FUNDAMENTAIS DOS ESTADOS A teoria dos direitos fundamentais dos Estados surgiu no século XVIII. estabelecer a sua linha de política externa. mas e alguns momentos eles escapam e passam para a jurisdição internacional. Um Estado sem qualquer destes direitos fundamentais deixaria de ser uma pessoa internacional com capacidade plena.jurisdição doméstica As embaixadas estrangeiras situadas no país não são território estrangeiro. e mesmo que tivesse existido. o Estado tem absoluta liberdade na conduta dos seus negócios. Executivo e Judiciário. direito ao respeito mútuo. Assim.jurisdição internacional . possuem direitos naturais. direitos inatos. Enfim. 56 . É a ONU quem vai decidir quais os assuntos são de jurisdição doméstica. É a consagração do direito de autodeterminação. Diversas outras teorias dirigiram as suas críticas à formulação clássica dos direitos fundamentais. objetivo: há assuntos que pertencem ao domínio da jurisdição doméstica. Exemplos: Direitos Humanos . No aspecto interno ele se manifesta nos diferentes poderes do Estado: Legislativo. É uma decorrência da afirmação de independência dos Estados em relação ao Papado e ao Império. A defesa destes direitos é da maior importância para os Estados mais fracos. à semelhança dos indivíduos. Todo direito subjetivo pressupõe a existência de uma norma que o consagre. o Estado seria livre para agir na ordem interna e na ordem internacional. com os jusnaturalistas racionalistas: Wolff e Vattel. Escapará da jurisdição doméstica do Estado todo assunto que for regulamentado por normas internacionais. nele predominaria a força e não o direito. Há 3 critérios para identificar: material. pelo simples fato de existirem. o direito do Estado de ter o governo e as leis que bem entender sem sofrer interferência estrangeira. Conclui-se assim. Não há qualquer impedimento para que o DI venha a regular qualquer assunto. existem restrições à jurisdição estatal. Nunca houve Estado de natureza na vida internacional. que são impostas pelo DI. político: assuntos que pertencem à jurisdição do Estado. O Estado não pode ser comparado ao indivíduo no tocante aos seus direitos fundamentais. Segundo o DI.. isto é.Relação entre o Estado e seus nacionais . está definida na alínea VII do art. A violação destes limites acarreta a responsabilidade internacional do Estado. uma necessária reformulação passou a entender os direitos fundamentais dos Estados como resultantes da personalidade internacional dos Estados. A Jurisdição doméstica (exclusiva) ou domínio reservado. entretanto. DIREITO AO EXERCÍCIO DE JURISDIÇÃO: O Estado tem o direito de exercer a sua jurisdição sobre todas as pessoas e coisas no seu território nacional. No aspecto externo. Essa "visão antropomórfica" não pode ser aceita. que precisam afirmar a sua existência pelo direito e não pela força. apenas gozam de imunidade de jurisdição. o direito à independência e à soberania se manifesta no direito de celebrar Tratados. Seus partidários defendem que os Estados. Entretanto. O direito à independência ou soberania se manifesta no aspecto interno e no aspecto externo do Estado. 2º da Carta da ONU.

3º do Tratado Interamericano de Assistência Recíproca. Ela é uma exceção ao uso da força armada. a legítima defesa apresenta pontos em comum com a represália. ele sofre exceções quando forem livremente estatuídas pelos Estados Em um regime liberal. 28 da Carta da OEA. para se configurar. Pode-se concluir que o princípio da igualdade jurídica domina a vida internacional. Grã Bretanha. DIREITO À IGUALDADE JURÍDICA DO ESTADO: É questão fundamental do DI. A igualdade é uma defesa da soberania dos Estados. a legítima defesa coletiva acaba por ser uma forma de intervenção. bem como que a defesa não ultrapasse a agressão. Em questões iguais (situações idênticas). vez que Estados que não sofreram ataque armado farão uso dela. mas aqui também existem exceções e limitações: imunidade dos chefes de Estado. questão processual: por 9 votos. França e China) o direito de veto. A legítima defesa coletiva ocorre quando. 1947) e art. por meio de uma ficção. URSS. o que viola o princípio da igualdade jurídica entendido estritamente. não há um Estado igual ao outro (território. população. Já a imunidade do consulado é restrita. Na verdade.). não é absoluta. As embaixadas estrangeiras situadas no país não são território estrangeiro. diz respeito às atividades consulares. A legítima defesa tem sido encarada também no seu aspecto coletivo. atinge os próprios familiares. a igualdade jurídica conduz a uma desvantagem para os países subdesenvolvidos (ex. se considera a agressão a um Estado como sendo uma agressão a todos os demais Estados. porque ela nada acrescenta à de soberania. onde devem estar incluídos os votos dos 5 membros permanentes do Conselho de Segurança. Atualmente estes países têm reivindicado maiores vantagens. Ela se encontra na Carta da ONU (art. Embora sejam conceitos diversos. a legítima defesa tem-se desenvolvido. porque o voto destes Estados enumerados passada a ter maior peso do que os dos demais membros. A moderna interpretação do princípio de igualdade jurídica considera que no DIP. Assim. etc. entretanto. Devido à paralisação dos órgãos de segurança coletiva. 51) e no sistema pan-americano (art. 57 . os Estados desfrutam de igualdade jurídica na Ordem Internacional. é necessário que haja um ataque armado injusto e atual. Rigorosamente.: cláusula de nação mais favorecida). Para que haja a legítima defesa coletiva é necessário que o Estado vítima do ataque dê o seu consentimento. Alguns autores consideram a noção de igualdade uma redundância. O Estado possui o direito de legítima defesa que. Na Carta da ONU. A igualdade jurídica na ordem internacional. no sentido de que ambas são atos que violam o direito. tendo em vista que as "desigualdades compensatórias" não violam a igualdade jurídica. por 9 voto. Salienta-se então. reivindicam eles maiores vantagens com a finalidade de alcançarem o desenvolvimento LEGÍTIMA DEFESA A legítima defesa está consagrada na Carta da ONU (art. 51) e na Carta da OEA (art.questão importante: vale o direito de veto. etc. A imunidade decorre da soberania dos Estados. os cônsules que gozam imunidade de jurisdição. no Conselho de Segurança. deve-se levar em consideração as desigualdades de fato dos Estados. foi dado aos 5 grandes (EUA. Entretanto.Direito Internacional A IMUNIDADE DE JURISDIÇÃO: A imunidade da embaixada é ampla. 21). onde ainda domina a política. são praticados em resposta a um ato ilícito e não acarretam a responsabilidade do Estado. apenas gozam de imunidade de jurisdição. A doutrina tem visto o direito a legítima defesa como uma manifestação de um direito de conservação do Estado. são território nacional. que a igualdade jurídica é uma ficção no sentido de que de fato os Estados são desiguais.

tornando-a sua. etc. autores do Terceiro Mundo a consideram um pretexto para a ingerência de Estados estrangeiros. O autor do ilícito nem sempre é diretamente responsável por ele perante a Ordem Internacional. embora a jurisprudência internacional a este respeito não seja uniforme. é que.: em caso de transferência forçada de território). O Estado assim. aplicando-se a ele o princípio da efetividade. Assim.Direito Internacional RESPONSABILIDADE DOS ESTADOS A responsabilidade internacional do Estado é "o instituto jurídico através do qual o Estado a que é imputado um ato ilícito segundo o direito internacional deve reparação ao Estado contra o qual este ato foi cometido" (Rosseau. esgotamento de recursos internos e procedimento do autor da reclamação. para ser responsabilizado tem que ter culpa. ou seja. no direito do espaço interior (art. O ponto comum. ou o nacional em outro Estado. Basderant). Assim. Não será permitido usar uma nacionalidade de um Estado contra o outro. identificada na ação ou omissão do Estado. A responsabilidade penal na ordem internacional sempre recaiu em pessoas e não contra o Estado. quando o lesado é o indivíduo ou uma sociedade. A ilicitude de um ato tem de ser conforme o DI. INSTITUTO DA PROTEÇÃO DIPLOMÁTICA A responsabilidade internacional é feita de Estado a Estado. deve-se fazer uma observação que já está consagrada no século XX: a proteção diplomática não se exercerá contra o Estado de que o indivíduo é nacional. ou seja. a sanção seria a expulsão do Estado da Ordem Internacional. Por outro lado. Esta proteção poderá ser a pessoas físicas ou jurídicas. A responsabilidade internacional é sempre uma responsabilidade com a finalidade de reparar o prejuízo. Aplica-se no direito nuclear. o Estado é o responsável por ato praticado por seus funcionários. entretanto. ele não pode mudar de nacionalidade. o critério de sua nacionalidade tem variado: 58 . Somente em casos excepcionais é que a jurisprudência internacional amenizou esta regra (ex. A responsabilidade internacional tem por base a violação de uma norma internacional. O polipátrida terá esse direito assegurado. Quanto à Nacionalidade do Reclamante: o Estado só pode proteger diplomaticamente o seu nacional. Diz-se que a reclamação deve ser nacional desde o seu início. O Estado. Se o Estado assume o risco. É uma responsabilidade civil. Delito internacional é aquele ilícito de tal gravidade que atinge a ordem internacional como um todo Na responsabilidade penal será sempre de Estado para Estado. endossando a sua reclamação. Alguns autores consideram a proteção diplomática benéfica para os países subdesenvolvidos. ou o membro de uma coletividade que ele representa na ordem internacional. a proteção levará em conta a nacionalidade efetiva do reclamante Neste caso. A proteção diplomática é de formação costumeira e da jurisprudência internacional. será responsabilizado. como por exemplo: o Tribunal de Nuremberg. é a TEORIA DA CULPA. 7º). A proteção diplomática só se realiza mediante o preenchimento de certas condições: nacionalidade do autor da reclamação. uma vez apresentada a reclamação. ou seja. O apátrida não terá direito à proteção diplomática. é necessária a proteção pelo Estado ao seu nacional. A Teoria objetiva que vem sendo aplicada hodiernamente é a TEORIA DO RISCO. Hoje. Quanto à pessoa jurídica. porque estimula os investimentos privados ao dar maior confiança ao investidor estrangeiro. protege os bens de um nacional. A Teoria é subjetiva.

ESTRUTURA DA ONU CONSELHO DE SEGURANÇA É o órgão mais importante da ONU. deve-se observar o tempo. a proteção diplomática faz com que a reclamação individual passe a ser do Estado. Os não permanentes não podem ser reeleitos. a OMS. como por ex. Secretariado e a Corte Internacional de Justiça. Os membros admitidos ou eleitos. etc. Entretanto. ao longo do East River. É a TEORIA DO ENDOSSO. Quanto ao Procedimento do Reclamante: este não poderá ter cometido nenhum ilícito interno ou externo.: levar o recurso ao Judiciário até a última instância. Não existe prazo de prescrição. A sede da ONU é na cidade de Nova Iorque. São os membros que nela ingressaram após a sua constituição e atualmente. 23 ele é formado por quinze membros. entre as ruas 42 e 48. A Carta não declara qual é a sua sede. que são aqueles criados por seus órgãos. O Conselho de Segurança é um órgão permanente. o do controle acionário (é o mais moderno). a Comissão de Quotas. como fizera o Pacto da Liga das Nações. nacional. em nome dos membros das Nações Unidas. Na opinião de Schurman. como a Comissão de DI. O art. 24 da Carta da ONU estabelece que incumbe a ele. a presunção de que os recursos internos do Estado são capazes de dar satisfações aos estrangeiros. Entretanto. Esta distinção não traz qualquer diferença em relação aos direitos e deveres dos membros.? Seu fundamento é duplo: evitar reclamações prematuras. são aqueles que preenchem determinadas condições e apresentam a sua candidatura à ONU. criadas pela Assembléia Geral e outros. tais como a OIT. Não há norma que obrigue o Estado a proteger o seu nacional. A ONU possui seis órgãos. Conselho de Tutela. a ONU é pela primeira vez na História "a concreta institucionalização de uma idéia de governo mundial". em dezembro de 1946 decidiu instalar no local descrito a sua sede permanente. Os membros originários são todos aqueles que estiveram presentes na Conferência de São Francisco ou que haviam assinado a Declaração das Nações Unidas em 1942.Direito Internacional o da sede onde exercita a atividade ( é o mais antigo). Nos termos do art. Assembléia Geral. a UNESCO. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS ONU – (Origens-Composição-Sede-Estrutura). Conselho Econômico e Social. sendo cinco permanentes e dez não permanentes. este é um ato discricionário do Estado. Quanto ao Esgotamento dos Recursos Internos: a proteção diplomática só poderá ocorrer após o indivíduo esgotar todos os recursos internos possíveis. A ONU é a principal Organização Internacional. são em maior número do que os originários. "a principal responsabilidade na manutenção da paz e da segurança internacionais". caso a caso. a FAO. Existem ainda os organismos subsidiários. que serão eleitos pela Assembléia Geral pelo prazo de dois anos. Esgotadas essas três condições. Ao lado destes órgãos. A ONU possui duas categorias de membros: os originários e os admitidos. a saber: Conselho de Segurança. A Assembléia Geral. isto é. Seu sistema de votação é o seguinte: 59 . a ONU coordena a ação de uma série de organismos especializados.

onde estão representados todos os seus membros.decidir sobre as medidas a serem tomadas para o cumprimento das sentenças da CIJ. etc. como por exemplo: admissão de novos membros. etc. surgindo assim a figura do duplo veto. São funções do Conselho de Segurança regulamentar os litígios entre os Estados membros da ONU . as decisões são tomadas por voto afirmativo de nove membros. recomendações para a solução pacífica de qualquer situação internacional. Ao contrário do que ocorre no Conselho de Segurança. A grande questão a respeito do veto é que a Carta da ONU não estabelece quais são as questões processuais ou não.. recomendações relativas à manutenção da paz e da segurança internacionais. Na Conferência de Ialta foi resolvido definitivamente que os grandes teriam o direito de vetar qualquer decisão sobre assunto que não fosse matéria processual. o assunto é submetido preliminarmente a uma votação para ser decidido se é processual ou questão de fundo.ação nos casos de ameaça à paz . São suas atribuições exclusivas:¦ 60 .designação do Secretário Geral .solução de litígios . considerar os princípios gerais de cooperação na manutenção da paz e da segurança nacionais e fazer recomendações relativas a tais princípios (art.aprova e controla a tutela estratégica . As sessões têm início na 3ª feira do mês de setembro. São suas atribuições exclusivas: . Assim.pedir pareceres à CIJ. discutir e fazer recomendações sobre desarmamento e regulamentação de armamentos. nos diferentes domínios econômicos.execução forçadas das decisões da CIJ. Aqui surge o veto (nas questões importantes). Esta decisão é considerada matéria importante. inc. São atribuições exercidas conjuntamente com a Assembléia Geral: . codificação e desenvolvimento do DI.. fazer estudos e recomendações sobre cooperação internacional. mas algumas vezes o seu início é adiado em caráter excepcional. apesar de poderem designar para representálos. A Assembléia Geral não é um órgão permanente. suspensão e admissão dos membros .regulamentação de armamentos . 18. 2º. b) as decisões nos "outros assuntos". inclusive os votos afirmativos de todos os membros permanentes. É onde estão representados todos os Estados membros que têm direito a um voto.eleição dos juizes da CIJ . O inciso 3º estabelece ainda que a dúvida entre questões processuais e de fundo é resolvida por votação da maioria presente e votante. As questões importantes estão elencadas no art. Age em razão das Organizações Unidas. cultural e social. serão tomadas por um voto afirmativo dos nove membros.).regulamentação de armamentos agir nos casos de ameaça à paz e de agressão . Ela funciona por meio de sete comissões. Em relação à manutenção da paz o Conselho de Segurança goza de autonomia. 10). ASSEMBLÉIA GERAL A Assembléia Geral é um dos órgãos que compõem a ONU. reunindo-se anualmente. enquanto as questões importantes o são por 2/3 dos membros. a solução da dúvida é considerada matéria não importante.emendas à Carta. até cinco delegados. 11). As funções da Assembléia Geral são: discutir e fazer recomendações sobre quaisquer questões ou assuntos que estiverem dentro das finalidades da Carta da ONU ou que se relacionarem com as atribuições e funções de qualquer dos órgãos nela previstos (art. São atribuições comuns ao Conselho de Segurança e Assembléia Geral: . As questões processuais são decididas por maioria simples.Direito Internacional nas questões processuais (ordem do dia.exclusão.

negocia os acordos entre a ONU e as organizações especializadas. não podendo em conseqüência. responsável pelos assuntos econômicos e sociais. O Secretário-Geral é indicado pela Assembléia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. receber instruções dos Governos.. O CES e o Conselho de Tutela exercem suas competências sob a autoridade da Assembléia Geral. e de aspirações-. Conselho de Segurança. As suas decisões são tomadas por maioria simples. autorizar os organismos especializados a solicitarem pareceres à CIJ.como a raça. formaram governos aborígenes (Estados). São suas principais funções É o órgão da ONU sob a autoridade da Assembléia Geral. bem como coordena as atividades destas organizações. tem o direito de "chamar a atenção do Conselho de Segurança para qualquer assunto que em sua opinião possa ameaçar a manutenção da paz e da segurança internacionais (art. exerce as funções que lhe forem confiadas pela Assembléia Geral. 99). por um período de 3 anos. de tradições. coordenar as atividades desses organismos. A doutrina ensina que o Estado é composto de POVO. SECRETARIADO É um órgão permanente da ONU. TERRITÓRIO e PODER 61 . a religião. Reúne-se 2 vezes por ano (uma em Genebra e outra em Nova Iorque). o Secretariado tem funções técnico-administrativas e um direito de iniciativa política. a língua. Possui uma série de comissões que o auxiliam nas suas funções. promove o respeito e a observância dos direitos do homem e das liberdades fundamentais. Desta maneira. aprovar os acordos de tutela. Seu chefe é o Secretário-Geral. esses grupos. votar o orçamento da ONU. que tem um mandato de 5 anos. formado por 54 membros eleitos pela Assembléia Geral. indicar os seus auxiliares. conforme afixado pela Assembléia Geral. Tal fato tem origem nos intervalos inabitáveis e fatores determinados pela convivência . CONSELHO ECONÔMICO E SOCIAL É um dos órgãos da ONU. Suas funções são: é o chefe administrativo da ONU. O Secretário-Geral só é responsável perante a ONU. encarregado da sua parte administrativa. NOÇÕES FUNDAMENTAIS A humanidade sempre viveu repartida em grupos. em regra. pois a Carta da ONU é omissa a esse respeito. de Tutela e Econômico e Social. podendo ter sessão extraordinária.` fazer relatórios à AG sobre os trabalhos da ONU. prepara relatórios e estudos e faz recomendações nestes assuntos c) convoca conferências e prepara projetos de convenção sobre matérias econômicas e sociais.Direito Internacional eleger os membros não permanentes do Conselho de Segurança e os Membros dos Conselhos de Tutela e Econômico e Social. a comunhão de hábitos.

ao despachar a inicial ou julgando exceção declinatoria fori. mas sim a esfera humana de validade do direito. competência esta que não pode ser confundida com a verificação da competência judicial pelo próprio juiz. não estes materialmente vistos em carne e osso". Portanto. mesmo que seja estranho ou estrangeiro. que não se confunde com Poder Soberano. ou produz efeitos em outro meio. Assim também é com os fatos. que autorizam o juiz nacional a aplicar ao fato interjurisdicional o direito a ele adequado. o ESTADO como trindade jurídica tem o poder como competência. Como as relações sociais podem estabelecer-se com ou sem sujeição das pessoas a um governo é que concluese da existência de dois sistemas de distribuição de justiça: o regime de justiça pública e o de justiça privada. 62 por . (falar sobre interação dos povos ao longo da história da humanidade). pois contém princípios disciplinadores de direito sobre direito. que vivem sujeitos às mesmas leis. Os chamados: Direito Intertemporal e Interespacial são conhecidos “SUPERDIREITOS”. (da competência) Há território físico e jurídico e só este é parte integrante do Estado. mantidos por autoridades jurisdicionais. A) CONCEITOS BÁSICOS § 1º) Def: Direito Internacional Privado é o setor em que se encontram as normas do Direito Interno de cada país.Direito Internacional POVO. TERRITÓRIO é o limite do poder público. O Estado-membro de uma federação é verdadeiro Estado porque tem o poder de dar ordens. Vulgarmente. mas tecnicamente povo desperta apenas a idéia de relações humanas. o território como limite dessa competência e o povo como conjunto de interações humanas.explicitar) FATO INTERESPACIAL: surge em determinado meio social. FATO INTERTEMPORAL: surge sob o império de uma lei e se completa ou produz efeitos sob o manto de outra. PODER SOBERANO é a competência para estabelecer as competências. O Estado de Direito caracteriza-se pela separação de poderes e a garantia de direitos fundamentais. e não é soberano porque não lhe compete determinar o domínio em que haja de exercer tal poder. adicional cascata . no sentido jurídico não é o grupo humano. povo é o nome coletivo de todos os indivíduos do mesmo país. FATO JURÍDICO UNITEMPORAL: surge e se exaure sob o império de uma mesma lei (nascimento e óbito de certa pessoa) FATO JURÍDICO LOCAL OU UNIESPACIAL: tem seus elementos centrados em um mesmo meio social. domínio este que é determinado pelo Estado federal. permitindo afirmar que ao direito interessa "apenas as relações estabelecidas por determinados indivíduos. (Ex. LIMITES DA AÇÃO DISCIPLINADORA DA LEI E MOBILIDADE DOS FATOS JURÍDICOS A lei age no tempo e espaço. mas se completa em outro. de dar ordens. PODER é a competência de governar.

está estabelecido em determinado meio social. pois não seria justo. sejam essas ordens estrangeiras ou indígenas. 5º) Falta de Direito Próprio para o fato interjurisdicional: o fato anormal refoge. Do ponto de vista jurídico emerge reflexos fundamentais: I . pois. por qualquer um dos seus elementos. 2º) A coexistência de jurisdições independentes é a pedra angular do DIP: o mundo é dividido em países politicamente independentes e províncias independentes.Essa autonomia legislativa pode provocar o surgimento de leis diferentes. conveniente. 7º) A norma de DIP se caracteriza por uma estrutura de indicação de direito aplicável. B) INDICAÇÃO DE DIREITO APLICÁVEL Par. apreciar juridicamente os fatos mesclados de elementos estranhos como se fossem normais. está em contato com dois. o que importa é se o mesmo será apreciado pelo direito local ou alienígena. ou mais meios sociais onde vigoram ordens jurídicas independentes. Par. 8º) O DIP não é o regulamento do fato anormal. que o juiz que julga o fato "normal" também tem poder para julgar os fatos anormais. livres de ligações com outros meios sociais. em detrimento do outro. isto é.a existência de jurisdições autônomas não encontra um Poder superior a todas jurisdições. Par. 63 . que por quaisquer de seus elementos. útil ou eqüitativo. pura e simplesmente. há vezes referencia dois meios sociais autônomos. Também é irrelevante que as pessoas envolvidas sejam estrangeiras ou que uma delas o seja. Par. *** Todo fato anormal tem um centro de gravidade.Face a autonomia essa leis não valem por si só em outros países.Direito Internacional FATO ANORMAL As relações humanas. necessitando. aí é que surge a aplicação do DIP. contudo. 3º) Inexistência de Poder Supranacional . puros. de direito especial. III . assim. Assim pode-se concluir que o FATO INTERJURISDICIONAL não tem direito próprio que lhe seja automática e previamente aplicável. a um só local. decorrendo. *** Não se deve confundir fato anormal com fato estranho a vida nacional. 4º) Vida Internacional . razoável.Cada jurisdição faz seu próprio direito. Par. II . em regra apresentam-se com exclusiva referência a determinado meio social. 6º) Necessidade de comportamento especial: todos os países vivem sob o regime de justiça pública e ao fato interjurisdicional não pode ser aplicado o direito de um meio social. Par. FATO ANORMAL é um acontecimento. juridicamente apreciáveis. *** a atuação do DIP em caso de fato anormal independe dos direitos primários dos meios sociais em contato serem ou não iguais.Fato Internacional (interjurisdicional) Par.

se verdadeiro exigiria: . quando um fato interjurisdicional gerar lide. porém como ainda não surgiu.órgão próprio supranacional. Par. OBJETO DÚPLICE a) determinar a jurisdição competente. ou B) Indicar direito competente para o fato interjurisdicional. mas sim.Pillet acreditava que o DIP regulamentava o fato anormal.escolha feita pelo Juiz. Par.DIP é ramo que permite a utilização de critério legal de outro sistema jurídico. 19. 12 .ordem jurídica internacional. existe um setor em branco e esse campo é que seria de competência subsidiária determinado pelo DIP. ou seja. 14. Tal teoria é impraticável posto que. (não há autoridade supranacional que o resolva. tal entendimento esbarra no fato de que ele não regulamenta o fato. verificar se aplicará a norma local ou estrangeira. 10) Direito Judicial . Par. que elaborasse as normas internacionais Par. . as nacionalidades apenas valem nos Estados que a outorgaram e um país não pode impor sua solução aos demais). a) Werner Goldschmidt dizia que as partes aplicam o direito quando observam a norma.Direito Auxiliar Judicial OBJETO DO DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO Par. se o Direito das Gentes não existe.Pontes de Miranda sustentava que esse fato deveria ser regido pelo Direito das Gentes. remete o juiz a escolha de um ou outro direito para tal fim Também. OBJETO MÚLTIPLO A) determinação da nacionalidade e solução dos conflitos correspondentes.porque o ideal seria a existência de um direito próprio ao fato anormal. porém. Par. o Juiz deverá. primeiramente. cada Estado tem seu próprio direito internacional C) indicar direito aplicável ou adequado a esse fato. . Objeto único A) Resolver conflitos de leis. Porém. 20.Direito Internacional . 9º) Direito da Imperfeição . 64 . não há como delegar competência e. e matéria de Direito Processual b) resolver conflito de leis escolhendo a lei aplicável ao fato interjurisdicional Par. a aplicação se faz pela sentença b) No DIP a escolha será sempre pelo juiz. 11) Aplicação do direito .

E) promover o respeito internacional dos direitos adquiridos (Pillet) Par.. 26 . ante a inexistência de um órgão supranacional. A realidade internacional demonstra a existência: a) autonomia de cada Estado. pois a aplicação de lei estrangeira é uma técnica presidida por princípios próprios. D) determinação da jurisdição competente.. não se pode esquecer que: a) existem necessidades internacionais. c) sua elaboração se dá por concordância estatal episódica. autônomos. o serão por vontade de cada país.) Existem normas de Direito Internacional? Não existem normas internacionais e se as normas de um País forem aceitas em outro. mas sim uma técnica especial de aplicação das leis ou de julgamento. c) julgamento particular. lex rei sitae. Par. solução dos conflitos de jurisdição (conflito de jurisdição apenas pode existir em face de um mesmo regulamento de competência). etc. politicamente autônomo. 27. ou ainda. execução ou julgamento das normas internacionais Cada Estado organiza suas próprias normas para apreciação dos fatos interjurisdicionais. organizar direito adequado à apreciação do fato anormal. Nada obstante a falta de normas internacionais. contudo. se necessário. Sem razão. d) essa aceitação não vincula os Estados.Conclusão: Objeto do Direito Internacional Privado é a autorização para que o juiz. b) há critérios seguidos por vários países. C) solução dos conflitos de leis. b) legislação própria. Direito Uniforme (e não Direito Universal) e Direito Comparado A DENOMINAÇÃO DA DISCIPLINA A) DIREITO: Pierre Lepaulle não é propriamente um Direito. aplicandolhe. podendo alterá-las a qualquer momento. e) não há órgão supranacional de elaboração.Direito Internacional B) determinação da condição jurídica do estrangeiro (conjunto de direitos que a esses sejam reconhecidos em determinado país). proceda de acordo com a natureza especial do fato. e d) inexistência de poder supranacional. em cada Estado. ante um fato interjurisdicional. lei de outra jurisdição. B) INTERNACIONAL: porque se o fato é internacional o tratamento dado ao mesmo também tem que ser internacional (princípio locus regit actum. portanto ele é nacional DIREITO PRIVADO 65 . regulamentadoras aos fatos que guardam relevância à mais de um meio social.

29. estranho ou alienígena. 2. a) o Dip é aplicado como direito competente. 5. b) Integração ao Direito Nacional: integração momentânea da norma alienígena ao Direito Local c) Imitação do Direito Estrangeiro: 66 . Porém essa aplicação não se faz por mandamento do direito estrangeiro.Direito Internacional Argumentam que seria de direito privado porque regula relações (fatos) de ordem privada. ou seja. portanto a distinção entre direito público e privado serve para distinguir as normas jurídicas sob o aspecto das relações humanas a que se referem. Par. os tratados e convenções PROBLEMAS DA APLICAÇÃO DA LEI ESTRANGEIRA A) NATUREZA DO ATO APLICADOR Par. Fontes do Direito Internacional Privado a) Fonte judicial ou imediata b) Fontes normativas ou mediatas 1. a doutrina nacional e internacional. 4. b) Fonte do Direito é a decisão judicial: C) Direito como norma . 31. mas sim. apenas indica lei e alguns institutos são de ordem pública (capacidade. DIREITO PÚBLICO NACIONAL E) FONTES DO DIREITO INTERNACIONA PRIVADO a) Direito é o conjunto de normas gerais e positivas para regular a vida em sociedade. pelo direito local (DIP local).norma agendi e facultas agendi Par. etc) ULPINIANUS considerava como público às relações sociais entre governantes e governados e PRIVADO às relações entre governados. a jurisprudência nacional e internacional. partindo-se do pressuposto de que seria competente aquele País onde os fatos integralmente ou principalmente ocorreu. primeiro deve se verificar qual dos países envolvidos seria competente para elaborar a norma aplicável. Norma de DIP. os costumes nacionais e internacionais. 34. Mas o direito internacional não regulamenta o fato. 3. porque regula relações (fatos) entre particulares o que contrasta com o D I Público que regula as relações entre Estados. O juiz ante um fato anormal aplica o direito estrangeiro.

Pressupostos teóricos: aceitação de conflitos de leis de 1º grau (direitos primários) e de 2º grau (positivo e negativo). ou seja. B) EXCEÇÃO DE ORDEM PÚBLICA Par. Conceito de Ordem Pública: gama de motivos sociais. 42. o juiz faz incidir sobre o fato uma norma. econômicos e políticos. devolução ou reenvio. Vantagens: a) faz com o juiz local possa aplicar seu próprio direito. RETORNO é a operação pela qual o juiz nacional ou volta ao seu próprio direito ou vai a um terceiro direito. segundo alguns: a) olha a norma de DIP e verificar qual o direito indicado. de nacionalidade bavárico. 39. 17 da LiCC) Bartolo já antevira tal situação lecionando que não deveria ser aceito a extraterritorialidade do estatuto pessoal odioso Par. que os sistemas jurídicos são fechados e que o juiz deve consultar o direito estrangeiro para decidir da mesma forma que esse decidiria. Iniciou nos séculos XVI e XVII.Direito Internacional d) é aplicado porque serve ao Juiz como fundamento decisório. Essa indicação pode ser de duas formas. assim. Segundo essa corrente pode vir a ocorrer CONFLITO DE LEIS DE 2º GRAU POSITIVO (qdo o DIP estrangeiro indica seu próprio direito substantivo) e CONFLITO DE LEIS DE 2º GRAU NEGATIVO (qdo o DIP estrangeiro determina o conhecimento pelo direito do juiz consulente ou outro direito) . 37) Como já se disse o DIP tem uma estrutura indicativa de direito aplicável. constituindo-se. Leis de Ordem Pública: que não podem serem derrogadas pela vontade das partes. 46. que era filho natural. morais. Par. 41. religiosos. *** Nem sempre o Retorno determina a aplicação do direito do consulente e também ocorrerá interpretação de direito estrangeiro (DIP estrangeiro) 67 . Par. éticos. acompanhando a indicação feita pelo DIP da jurisdição cuja legislação consultara de acordo com a norma de DIP de seu país. se consolidando na França em 1. O Dip tem por finalidade indicar direito aplicável ao fato anormal. no que se denomina aplicar o direito. com desenvolvimento jurisprudencial a partir do século XIX. ORIGEM HISTÓRICA. Par. matrimônio + domicílio = Direito X Mas quando a norma indicada é repugnante ao meio social não deve ser aplicado (art. isto é.nesse caso há retorno. no caso Forgo. b) olha a norma de DIP e se remetido a outro direito primeiro se olha a norma de DIP desse País (ordem jurídica fechada).874. Apuração da ordem pública: pelo juiz C) RETORNO OU DEVOLUÇÃO Par. mas domiciliado de fato na França. 43.

68 .a posteriori (indutivo) Savigny -.Dado um determinado fato que lei deve ser aplicada. razão pela qual a decisão apenas valerá. D) OS ELEMENTOS DE LIGAÇÃO Par. c) residência das partes.Sistemas Jurídicos: formação de jogo de espelhos paralelos. motivo pelo qual surgiu o DIP.Direito Internacional b) conduz a identidade de decisões (juiz local aplica direito que o juiz estrangeiro aplicaria) ***ver o Caso Forgo.a priori (dedutivo): verifica-se se a lei local estende ou não sua eficácia ao fato -. Conceitos Preliminares: I) .Vontade da Lei Estrangeira . pois para chegar a essa conclusão terá que ter análise da lei estrangeira) b) IDENTIDADE DE SOLUÇÕES .Conflitos de leis: inexiste II .Nosso direito veda o retorno Par. JUSTIÇA DAS SOLUÇÕES Inverídico. ACEITAÇÃO INTERNACIONAL .a decisão proferida só tem valor em seu próprio meio. VANTAGENS INEXISTENTES a) aplicação de direito local (irreal. se proposta a ação na França a solução é uma e se proposta na Baviera a solução será outra. b) domicílio das partes. pois se a lei estrangeira fosse inadequada existem outros meios para seu abandono. 47 .não é verdade que o retorno leve a identidad e de soluções pelos diversos meios sociais. Elementos de ligação: a) nacionalidade das partes. 50. *** Par. *** cada jurisdição é independente. III . tendo em vista as circunstâncias do próprio fato? R: Assim conclui-se que todo fato fato interjurisdicional deve ser regulado pelo direito indicado pelas circunstâncias que o ligaram a mais de um meio social.que o juiz nacional aplica lei que a lei estrangeira quer que ele aplique . d) situação dos imóveis. por si própria.Críticas ao retorno I . 48 . e) lugar do nascimento.Sendo esta a lei quais são os fatos por ela abrangidos? II) . *** Impróprio porque a aplicação da lei depende do elemento de conexão e se a mesma for inconveniente deverá ser aplicado o princípio de ordem pública d) propicia solução que seria mais aceita internacionalmente. no local onde foi firmada e) promove o respeito ao direito adquirido. c)porque conduz a solução conveniente e justa.BALELA.

art 22 e 26 do Código de Bustamante (trata como adômide usando o lugar da residência e na falta onde se encontre) RELIGIÃO e Vontade das Partes Par. 56) Apátrida 1) última nacionalidade perdida. Par. 61 . a vontade das partes. pois vale no local em que foi atribuída e se existisse que órgão a solucionaria c) Conclusão. nos contratos. 2) aplicação do ius fori 3) lei domiciliar ou da residência e ius fori Par. r) para alguns. aplicando-se a lei do domícilio ou lex fori Par. a) atribuição da nacionalidade . m) o pavilhão de navio e aeronaves. 4) nacionalidade mais semelhante à local.caso Rafael Canévaro) 2) prevalência da nacionalidade local. p) lugar do contrato. b) Se um for legal e outro voluntário. 3) prevalência da primeira ou da última. n) lugar do delito. g) lugar da constituição das pessoas jurídicas. 57) DOMICÍLIO QUALIFICAÇÃO DO DOMICÍLIO Multiplicidade ou falta de domicílio a) prevalência ao domicílio local. 53. prevalecerá aquele. b) Conflito de nacionalidade: Inexiste. no DIp apenas penetra como elemento de conexão Par 55) Plurinacionalidade 1) Sistema da Nacionalidade efetiva (Corte Internacional de Haia . l) lugar do processo. o) lugar da sede do estabelecimento principal ou do exercício da atividade (para as pessoas jurídicas). j) lugar do ato em geral.Direito Internacional f) lugar do falecimento. q) religião dos interessados. 54. Divisão: circunstância de conexão jurídicas e circuntâncias de conexões de puro fato Par. para os contratos de trabalho.não tem valor do ponto de vista internacional e é feito pelo juiz do processo.Função das Conexões é para que através delas se encontre o direito aplicável ao fato interjurisdicional 69 . h) lugar da assinatura dos contratos. nacionalidade: Ao DIP apenas interessa a nacionalidade como elemento que pode ligar o fato a mais de um meio social. i) lugar da execução dos contratos ou do cumprimento da obrigação. Se ambos forem legais o coincidente com a residência e se impossível tratar como adômide c) Brasil -. 5) neutralização: tratado como apátrida. lugar da sua execução ou lugar da efetiva prestação dos serviços.

encontro da sede da relação jurídica (Savigny). 72.é praticar um ato proibido em seu país em outro que o permite.para encontro da lei aplicável e jurisdição competente FUNÇÕES DA CONEXÃO As funções servem. com adptação do elemento de conexão.Qualificação se chama a operação pela qual o juiz verificar a qual instituição jurídica correspondem os fatos realmente provados.para se chegar ao direito material aplicável. 68.encontro da sede das relações jurídicas. Tal fato não é verdadeiro pois a qualificação antecede a própria escolha da lei e o juiz não emite sentença para valer no estrangeiro Brasil arts 8º e 9º F) PROBLEMAS PROCESSUAIS Par. b) exercício no mesmo país. Portanto. Ex: Par. Definição e conceito . b)para se chegar ao direito competente (Pontes de Miranda). Essa operação é processual e apenas feita pelo juiz Par.337 do CPC Como fazer a prova? Falta da prova? 70 .pratica o ato no mesmo País. Que direito aplicar? A regra de DIP será a contemporânea à apreciação e a indicada será "tempus regit actums" Par. b) Fraude à Lei . mas alguns entendem que sim e que a qualificação se deve operar pelo direito indicado pelo DIP. a qualificação não é matéria de DIP. c) para se chegar ao direito material aplicável (Goldsschimidt e Oscar Tenório) d)para o encontro da lei aplicável e jurisdição competente. III . 62 Conexões Fraudulentas a) Evasão do direito .para se chegar ao direito competente. Internacional: art. IV . Fraude à Lei em DIP necessita: a) pretensão de fim ilícito. através da alteração do elemento de conexão. se encontre o direito aplicável ao fato interjurisdicional. Par. para que. que contém norma em contrário. 66. Fraude à lei e Ordem Pública E) COMO QUALIFICAR OS FATOS Pr. ônus da prova do D. (Arminjon) Par. 67. 73. 69. por dolo.Direito Internacional I . através delas. Para outros: a) . II .

.Começo da personalidade a) lex causae (lei da causa. para os casos de nacionalidade múltipla. c) lei do lugar do exercício do direito. etc) b) Lex patriae (lei nacional) Critica: aos apátridas. Personalidade . 87. lex fori b) matéria processual.Capacidade . casamento. 83 Definição: Personalidade é a aptidão para adquirir direitos. Recurso Extraordinário A LEI APLICÁVEL A) DIREITOS DA PERSONALIDADE Par.Realidade Internacional Par. mas nem toda pessoa é ente humano. 74. Critica: na prática implica na aplicação do ius fori. viúvo. aplica-se a lei do lugar onde o menor se encontre ou a lei de sua residência. d) lei do lugar do domicílio ou nacionalidade do responsável pelo menor e) não se sabendo quem é o responsável do menor. Personalidade: é o pressuposto para aquisição do estado. todo ente humano é pessoa. casado. Estado é o conjunto de direitos que uma tem por possuir uma determinada posição no grupo social. portanto. 85 . 84. Par. aplica-se a lex fori e) lei do lugar do acidente Conclusão: aplicação da lex causae 2) Ausência: a) acautelação dos bens lex fori e em geral a lex loci rerum b) apuração judicial da ausência.Estado. Par. lex fori d) Neutralização: as várias presunções se neutralizam. nacional. 86 .Direito Internacional Par. *** Par. Ex: de falido. contratos. filiação. etc. Fim da Personalidade: 1) Co-moriença: a) Direito Nacional b) Direito domiciliar c) Lex fori a) multiplicidade de conexões. lei da negócio ou demanda principal) Critica: em uma mesma jurisdição a pessoa poderá ou não ser considerada pessoa (sucessão. lei nacional ou do domicílio c) declaração de ausência (atribuição de conseqÜência) lei do domicílio e no caso de sucessão do último domicílio do desaparecido 71 .

QUANTO À FORMA: Lei do lugar da constituição da tutela ou curatela. do filho ou conjugal). devendo ser observado o disposto no art. Tutela e Curatela: lei do menor ou incapaz (CB. do filho ou de ambos). apenas possuem patrimônio endereçado a determinado fim ou segundo outra corrente que são produtos de mera ficção. 93 do Código de Bustamante: “Aplicar-se-á a lei local à obrigação do tutor ou curador alimentar o menor ou incapaz e à faculdade de os corrigir só moderamente” MEDIDAS DE URGÊNCIA: lei local. Ação de Alimentos a) Lex causae.Direito Internacional Par. a ordem da sua prestação. Proteção aos incapazes . eis que. art. 90. b) Lei da residência do alimentando ou a mais favorável ao brasileiro. Poder de correção do tutor: de acordo com a lei do tutelado. 3) lei do lugar do nascimento ou onde o filho ou menor se encontra No Brasil aplica-se o art 7º cumulado com artigo 69 do CB: "estão submetidos à lei pessoal do filho a existência e o alcance geral do pátrio poder a respeito da pessoa e bens.as partes podem escolhê-lo para fins ilícitos d) lei nacional e) lei do domicílio Par. assim como as causas de sua extinção e recuperação. Medidas imediatas: ius fori Par. 88 Capacidade . 67 – Sujeitar-se-ão à lei pessoal do alimentado o conceito legal dos alimentos. Par. do direito de castigar" Não se pode esquecer que o domicílio do pai ou do guardião(ã) entende-se aos menores. Par. a) lex fori b) lex causae c) lei do lugar do ato . 89. por motivo de novas núpcias. 91. organização e espécies de tutela e curatela) e art 7º. 93.Pátrio Poder a) Lei aplicável: 1) lei da nacionalidade (do pai. O Código de Bustamante diz: “Art. a maneira de os subministrar B) DIREITOS DA PESSOA JURÍDICA Há pessoas que entendem que inexiste personalidade jurídica dos entes coletivos. e a limitação. 84 "lei do domicílio do menor ou incapaz quanto a objeto. aptidão para que a própria pessoa exerça direitos.capacidade fato ou de exercício. 2) lei do domicílio (do pai. 72 .

tanto que o art. pelo menos.Direito Internacional Pessoa jurídica é um pleonasmo. No Brasil. aplicação da lei mais rigorosa. pois todas as pessoas são jurídicas. portanto esses são os sistemas possíveis: 1) nacionalidade ou domicílio dos sócios. não devendo apenas se confundir com a nacionalidade das pessoas físicas e no mundo é usual o seguinte critério para atribuição de nacionalidade: lugar da constituição e ou sede de seu principal estabelecimento. 5) lugar da constituição. Sobre existência: (organização. CC). Pelas regras atuais do direito brasileiro não há que falar-se em filhos legítimos ou ilegítimos. 73 . II . 3) lugar da exploração da atividade social. desquite. lei nacional do pai ou do marido da mãe. 4) lugar da administração social. sendo que essa era a redação do mesmo: “ART.92. lei nacional do filho.12. No DIP referida discussão se enriquece sobre a existência da pessoa jurídica e atribuição de efeitos às pessoas estrangeiras no País (esta questão refoge ao DIP posto que. 6) lei do controle do capital Nacionalidade das pessoas jurídicas é possível.os nascidos dentro nos 300 (trezentos) dias subsequentes à dissolução da sociedade conjugal por morte. se se contraíu de boa-fé ( art. posto que. para estar em Juízo não precisa ter seus atos constitutivos aprovados pelo Governo. adulterina e incestuosa) e adotiva. pessoa é todo ser capaz de direitos. São legítimos os filhos concebidos na constância do casamento. depois de estabelecida a convivência conjugal ( art. a) que lei diz se o filho é legítimo. ” (art. soberanamente. ilegítima (natural. ainda que anulado ( art.339 ). 2. 2) lugar da subscrição do capital. seja ou não nacional. 337 do CC está revogado pela Lei 8.337. DIREITOS DE FAMÍLIA Filiação é o laço que une pais e filhos (legítimia. 338.560 de 29. 3. 4. ou mesmo nulo.os filhos nascidos 180 (cento e oitenta) dias.221).217 ).” Não se pode esquecer que “Presumem-se concebidos na constância do casamento: I . os sócios podem ter nacionalidades e domicílios diferentes. cada país. decide o que pode ou não fazer as pessoas jurídicas estrangeiras). aplicação cumulativa das leis do pai e filho e se impossível a do pai. a sede pode estar em um local e o centro de exploração em outro. ou não? 1. ou anulação. os capitais podem ser subscritos em diversos Estados. administração e extinção) o estabelecimento pode ser fundado em um local para exercer atividade em outro.

requerendo a legitimação a concorrência das condições exigidas em ambas. lei do domicílio do pai na época do casamento 5. 60 do CB: “Art.” CASAMENTO Esponsais: a forma deve ser regulada pelo local 74 . lei nacional do pai. Entendo. para fins de apuração da legitimidade ou não de um filho deve ser observado o disposto no artigo 7º usque §7º do mesmo artigo c/c art. lei do domicílio dos pais na época do nascimento do filho. A capacidade para adotar e ser adotado e as condições e limitações para adotar ficam sujeitas à lei pessoal de cada um dos interessados. (critério indicado no livro do Profº Osiris Rocha). lei nacional do filho 2. 73. as que conferem o direito ao apelido e as que determinam as provas de filiação e regulam a sucessão do filho. é de que a lei local regula a forma e circunstâncias dos reconhecimentos dos filhos ilegítimos. 7º c/c 60). 3. se for distinta da do pai. São regras de ordem pública interna. contudo. 60. Se não houve abandono: lei do domícilio do pai. A capacidade para legitimar rege-se pela lei pessoal do pai e a capacidade para ser legitimado pela lei pessoal do filho. que esse posicionamento está incorreto. CB). expressamente acolhido no artigo 63 do CB) substância: Art. caso contrário. especialmente aceito pelo CB. c) que lei diz se pode. as referentes à presunção de legitimidade e suas condições.Direito Internacional 5. 57. Brasil: art. (art. b) que lei diz como é que se pode legitimar um filho? FORMA: locus regit actum SUBSTÁNCIA 1. ou não. “ Art. ADOÇÃO FORMA: lei do lugar do ato CONTEÚDO: lei pessoal do adotante quanto a capacidade para adotar e do adotado para ser adotado. lei do pai quanto a capacidade p/legitimar e do filho para ser legitimado (art. 60. na medida em que.” 7. Como princípio geral.” O art. pleitear uma investigação? procedimento judicial: lex fori (princípio universal. 66. 6. lei nacional do pai e filho. 61 do CB impõe como de ordem pública internacional a proibição de legitimar filhos que não sejam simplesmente naturais. 6. 4. 57 do CB. lex causae. 73. lei do domicílio conjugal (na época do casamento ou do nascimento). verbis: “Art. devendo aplicar-se a lei pessoal do filho. por seu art.

(observar diversidade) CASAMENTO: Capacidade para o casamento capacidade especial: a) ius patriae de cada um. a) lei matrimonial como lex causae b) lugar da promessa c) lei pessoal dos nubentes (se comum) ou lugar da promessa d) aplicação cumulativa da lei nacional dos nubentes. § 3º. REGIME DE BENS 75 . Quanto ao conteúdo. c) primeiro domicílio conjugal. § 1º da LICC). mesmo ante o reconhecimento de que o casamento não é um negócio. tem-se: 1. d) art. c) não tem conseqüência jurídica. se diverso lei do primeiro domicílio conjugal. 3. quanto à forma: locus regit actum substância . mas sim os danos emergentes verificados. 7º. b) rompimento da promessa como ato ilícito (art. domícilio comum dos nubentes. 7. lei do primeiro domicílio conjugal. lei nacional ou domiciliar do marido. Não se indeniza as vantagens econômicas esperadas com o casamento. 159 do CC). 4. se comum. 6. 1. 2. 5. 36 do CB (Brasil) – LEI PESSOAL Observa-se. No Brasil face ao artigo 39 do CB pela lei pessoal das partes (se comum) ou ao contrário pelo ius fori. lei do domicílio conjugal. gerador de obrigação de fazer. lei do domicílio dos cônjuges. art. lei nacional dos cônjuges. LICC) DIVÓRCIO lei domiciliar dos cônjuges e se diverso lei do último domicílio conjugal. que no ato do casamento será aplicado o ius loci celebrationis – lei do lugar da celebração (Brasil – art. 7º da LICC c/c art. b) ius domicilii de cada um. caso contrário ius fori (Código Bustamante. No direito brasileiro sustenta-se ser contrato preliminar.056 do CC). c/obrigação de indenizar (art. Esponsais pode ser: a) contrato preliminar de casamento. (art. lei do lugar da celebração. 39). 7º. resolúvel em perdas e danos (=direito canônico). contudo. e) Brasil: lei do domicílio dos nubentes.Direito Internacional Esponsais são as recíprocas promessas de casamento entre desposados e na ocorrência de rompimento pode um dos nubentes sofrer dano moral ou material.

230 do Código Civil Brasileiro) D'Argentré e Dumoulin D'Argentré = imóveis (lugar da situação) e móveis (lugar do domicílio conjugal) <<estatuto real>> Dumoulin = <<estatuto não era real nem pessoal>> mas sim que a vontade dos contraentes é que tinha efeito internacional. (lei do destino) Os bens que o proprietário leva consigo deva obedecer a lei do domicílio do proprietário navios e aeronaves = lei do pavilhão 76 . 1) lei do domicílio comum dos nubentes e na falta. 6) lei do foro. 8) princípio da autonomia da vontade. todo objeto material. 7) lei do autor da demanda.germânico) Regime único – imutabilidade (vide art. 3) lei nacional de cada um dos cônjuges. lei do primeiro domicílio conjugal (BR c. mas sim das coisas apropriáveis.(venda a non domine) : lei da situação no momento da compra que lei deve reger os imóveis? e os móveis? Observar os móveis de situação permanente qualificação? ius fori móveis: bens que os viajantes carregam e sobre aqueles que são remetidos. quanto ao regime patrimonial e estabilidade só pode ser convencionado antes do casamento (latino) ou por contrato (antes ou depois -. suscetível de medida de valor. de comum acordo. antes do casamento.Direito Internacional O regime de bens. sendo estas portanto. ou não. Os bens podem ser considerados como unidade (na sua própria individualidade) (uti singuli) e como parte do todo (uti universitas) Móveis objeto de furto . 188 do CB c/c art. A valoração é uma realidade jurídica e não fenomenica Devemos lembrar que bens não são os valores das coisas úteis. 2) lei domicílio conjugal fixado pelos cônjuges. 4) cumulação das leis nacionais.c 187 do CB). 5) lei do domicílio do marido. 9) lei da situação do imóvel e do domicílio conjugal quanto aos móveis DIREITO DAS COISAS BENS são os valores que se pode obter das coisas.

77 . 229 do CB: “A prescrição extintiva de ações pessoais é regulada pela lei a que estiver sujeita a obrigação que se vai extinguir”.lei do lugar onde estiverem situados -lei do último lugar da posse. ESTATUTO SUCESSÓRIO: a) pessoas sucessíveis. o lugar da execução. o lugar onde a obrigação é assumida. o patrimônio é um só e a transmissão se opera por um único fato. Tanto pode decorrer de: a) atos de vontade. c) valor das quotas necessárias e quais sejam. lugar do imóvel vontade humana lei própria do contrato (proper law of the contract) Brasil: LEI DO LUGAR ONDE A OBRIGAÇÃO FOI ASSUMIDA.lei do domícilio do possuidor. UNIDADE DO ESTATUTO SUCESSÓRIO. quer a título singular ou a título universal.lei do primeiro lugar onde tivesse ocorrido a posse. . 115. SUCESSÕES MORTIS CAUSA Sucessão é a substituição de titular de direitos. CB) prescrição aquisitiva: . e) deserdação. estando a caminho de prescrever. OBRIGAÇÕES NÃO CONVENCIONAIS – lei do lugar do ato ou fato FORMA DOS ATOS E CONTRATOS PRESCRIÇÃO DAS AÇÕES PESSOAIS: Art.lei do domicílio do proprietário . a "morte".Direito Internacional bens incorpóreos e intelectuais = tratados e convenções (art. d) restrições às legítimas. b) atos ou fatos que a lei vincula (atos ilícitos) partes podem ter domicílios ou domicílios diversos.aplicação cumulativa das leis . . podendo esta ser "inter vivos" ou "mortis causa". b) ordem da vocação hereditária. será regulada a prescrição pela lei do lugar em que se encontrarem ao completar-se o tempo requerido" OBRIGAÇÃO OBRIGAÇÃO é o vínculo jurídico em virtude do qual uma pessoa pode exigir de outra uma prestação economicamente apreciável. f) colação de bens.(Sistema vigente no Brasil face ao artigo 227 c/c 228 do CB: "se as coisas móveis mudarem de situação.

2º vol. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA: QUANTO À FORMA: locus regit actum 78 . aplica-se o artigo 2. 5º.Segundo o cânone constitucional que rege a quaestio (cf. será aplicado a última lei do último domicílio do de cujus. d) lei da nacionalidade do "de cujus". Ap.” O julgado que segue transcrito interpreta esse dispostivo: 06 . artigo 5º. 12. § 2º (este retirou à lei do de cujus a abrangência determinativa da condição de herdeiro ou legatário.12.Critério na divisão dos bens .Constituição Federal. O art.u. Apelação improvida (TJRJ . artigo 5º. inciso XXXI da CF dispõe: – “a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.Existindo bens no Brasil será competente. sendo o falecido e seus pais portugueses e a cônjuge sobrevivente brasileira.ESBOÇO DE PARTILHA . Rel.150ementário INVENTÁRIO NO BRASIL existindo herdeiros ou cônjuge brasileiro será aplicável a lei brasileira se mais favorável a esses e do último domicílio do de cujus. não existindo brasileiros. em caso contrário. j. b) lei pessoal do proprietário. v. In casu.Direito Internacional Período Estatutário: imóveis = lei da situação móveis = lei do último domicílio do morto LEI APLICÁVEL: a) lei da situação dos imóveis. 152. pág. e) lei do lugar da morte. O art. a presença de estrangeiros em sucessão causa mortis exige melhor estudo para o Juiz solucionar os conflitos surgidos sobre a possibilidade de aplicação da lei de países distintos. Hudson Lourenço. XXXI Código Civil.BOLETIM AASP nº 2. Cível nº 14.611 .153/98RJ. 1.INVENTÁRIO .1998. Des.Falecido e ascendentes portugueses Cônjuge meeira . CELSO R. XXXI)..142 do Código Civil Português por ser este mais favorável à cônjuge. a prevalecer aquela que for mais favorável ao cônjuge ou aos seus filhos brasileiros (in Comentários à Constituição do Brasil. ementa). 18. qto aos móveis.603. c) lei do último domicílio do "de cujus".3ª Câm. COMPETÊNCIA: . Observar artigo 10 da LICC e r. exclusivamente. artigos 1. o Juiz Brasileiro.606 e 1. a qual será beneficiada com 2/3 dos bens e os pais do falecido com 1/3. § 1º apenas reconhece competência do juízo brasileiro para decidir sobre imóveis situados no Brasil. O texto em comento oferece duas soluções. BASTOS). Cível.

lei pessoal do testador. se em nosso meio for capaz (art. 89.Direito Internacional VALIDE INTRÍNSECA. parágrafo único do Decreto nº 2.912 e de Genebra em 1931/1932. . quando será competente o juízo brasileiro (art. adotadas no Brasil pelo Decreto 57. II do CPC). de 24/01/1966. 89.1. . II CPC) O inventário deverá ser aberto no último domicílio do "de cujus".2. os efeitos. 7º da LF é competente para declaração da falência o Juízo onde se encontra situado o principalmente estabelecimento. capacidade para se obrigar: quem tenha capacidade civil ou comercial.044: substância.lei do lugar do exercício profissional (ius professiones) CONTRATOS COMERCIAIS: os mesmos critérios das obrigações e contratos civis. FALÊNCIAS E CONCORDATAS Segundo o art.663."ius fori" QUALIDADE DE COMERCIANTE: a) a capacidade para adquirir a qualidade de comerciante (aspecto da personalidade) lei pessoal do interessado.B. (regra tb. OBRIGAÇÕES CAMBIAIS E TÍTULOS DE CRÉDITO EM GERAL Convenção de Haia em 1.lei pessoal do interessado b.) PAGAMENTO DO TÍTULO: lei do lugar onde é exeqüível PROTESTO DO TÍTULO : lei do lugar onde é exeqüível A posse do título de crédito é regulado pela lei da situação e o crédito pela lei da obrigação. COMÉRCIO INTERNACIONAL Direito Cambiário: Convenção de Haia (1912) Convenção de Genebra (1930/1931) Direito Uniforme Comercial nada tem a ver com o DIP e sim com o DIREITO COMERCIAL INTERNACIONAL ATOS DE COMÉRCIO: matéria de qualificação . a forma extrínseca e os meios de prova da obrigação cambial são reguladas pela lei do lugar onde a obrigação foi firmada.) validade extrínseca da obrigação cambial = art 47 da Lei 2. de 31/12/1908. sendo que o estrangeiro incapaz em seu Estado responde pelas obrigações que assume no Brasil. INVENTÁRIO (art. b) condição de comerciante: b. 79 . 42.595 de 07/01/66 e 57.044. constante do C. salvo na existência de bens imóveis situados no Brasil.

ou seja. e meios de combate desleais. ao longo.) Lei do pavilhão ou lei do lugar do contrato (a execução acaba ocorrendo em diversos meios). que reuniu. Não foi uma coincidência que isto tenha ocorrido num tempo em que os Estados estavam cada vez mais interessados em princípios comuns de respeito pelo ser humano. idosos. crianças.nacionalidade ou domicílio das partes 2 . baseado em convenções multilaterais. foi somente no século dezenove .quando as guerras foram empreendidas por grandes exércitos nacionais usando novas e mais destruidoras armas. As leis para proteção de certas categorias de pessoas durante conflitos armados podem ser acompanhadas. desde os tempos antigos. como. No entanto. DIREITO INTERNACIONAL HUMANITÁRIO Introdução Origem e Desenvolvimento Normas restringindo o direito dos beligerantes de infligir lesões a seus adversários têm existido. que expressa com clareza a idéia de um princípio humanitário de aplicação geral. em quase todas as civilizações. Estas categorias de pessoas têm incluído mulheres. combatentes desarmados e prisioneiros de guerra. Foram proibidos os ataques contra certos alvos. Essa tendência geral recebeu um impulso decisivo da Convenção de Genebra de 1864 para a Melhoria das Condições dos Feridos nos Exércitos em Campanha. em um instrumento extenso e independente. foi desenvolvido. lei regedora da relação empregatícia. todas as normas e costumes 80 .que um direito de guerra. o emprego de veneno em especial. em praticamente qualquer país ou civilização do mundo. 651) é competente para dirimir lide trabalhista o Juízo do local onde o trabalhador presta serviços (lei do lugar da execução do contrato) – Súmula 207 do TST ACIDENTES DO TRABALHO Lex causae .lugar do contrato 3 – lei do lugar da execução do contrato Competência = Segundo a CLT (art. como templos religiosos. que deixaram um número terrível de soldados feridos e abandonados no campo de guerra . mas especialmente desde a Idade Média.Direito Internacional CONTRATO DE TRABALHO qto à forma: lei do lugar do ato conteúdo: 1 . CONTRATOS DE TRABALHO EM TRANSPORTE (INT. Outro evento chave foi a elaboração do Código de Lieber (1863). por exemplo. mediante a exigência das Altas Partes Contratantes de tratar os feridos e os do inimigo com cuidado igual.

os prisioneiros de guerra. Uma característica atual do DIH. Freqüentemente. O processo de elaboração de tratados para codificar as normas de guerra data da década de 1860. ao passo que o Direito de Genebra cobre a proteção das vítimas de guerra. Com o passar do tempo. tais práticas. e outras similares. os conjuntos de princípios resultantes são conhecidos como o Direito de Genebra e o Direito de Haia. Isto implica a constatação de que o direito internacional humanitário está sempre uma guerra atrasado. nasceu no campo de batalha e foi moldado pela própria experiência. e a guerra é tão velha quanto a existência humana na terra. que os tratassem bem e que poupassem a população civil inimiga e seus pertences.Direito Internacional de guerra e também ressaltou certos princípios humanitários que ainda não haviam sido clarificados. e os civis nas mãos do inimigo. desenvolveram-se gradualmente em um conjunto de normas costumeiras relativas à guerra. as normas são tão velhas quanto a própria guerra. Essas duas conferências internacionais marcaram o ponto de partida da codificação do direito de guerra em tempos modernos. Não obstante. o círculo de pessoas protegidas pelo direito internacional humanitário tem sido gradualmente aumentado. Em duas ocasiões distintas uma conferência internacional foi convocada para elaborar dois tratados . o destino dos soldados feridos no campo 81 . e a outra em São Petersburgo. deve ser enfatizado que tais normas já existiam no Código de Lieber (1864). em 1899 e 1907. causado por situações de conflito armado. Uma conferência aconteceu em Genebra. embora de data recente em sua forma atual. os doentes. é a categoria bem definida de pessoas protegidas por este: os feridos. O direito de guerra. Os acontecimentos mais recentes na codificação do DIH têm tido a tendência de proteger todas as pessoas que não estão participando ou tenham cessado de participar nas hostilidades. com o intuito de proibir o emprego de projéteis explosivos com menos de 400 gramas de peso. sobre o destino dos soldados feridos no campo de batalha. Este rege a conduta das operações militares. foi um resultado direto daqueles conflitos armados. os náufragos. as quatro Convenções de Genebra de 1949 não ofereceram soluções adequadas aos problemas surgidos dos conflitos armados subseqüentes. tem uma longa história. Desde então. Esse Código foi mais importante para o desenvolvimento do direito internacional humanitário (DIH). Foram seguidas por duas Conferências de Paz. em 1868. ordenavam que suas tropas poupassem as vidas dos inimigos capturados ou feridos. Por exemplo. em geral.cada uma delas encarregada de um aspecto específico do direito de guerra. Mesmo no passado distante. Pelo contrário. às vezes. O principal objetivo desses encontros foi o de regular os métodos e os meios de guerra. em 1864. A relação intrínseca entre o mundo militar e o da Cruz Vermelha também pode ser reportada a eventos e acontecimentos históricos que deixaram sua marca sobre a civilização do presente século.Uma Breve Recapitulação O Direito de Guerra não é o produto do pensamento fútil de algum humanista esclarecido que decidiu tornar a guerra mais humana. Em meados do século dezenove. sediadas em Haia. O Direito de Guerra . as partes beligerantes concordavam em trocar prisioneiros em seu poder. nem propiciaram proteção suficiente às novas categorias de vítimas criadas por eles. cessadas as hostilidades. levou à evolução permanente da codificação das normas relativas à conduta de hostilidades e à proteção das vítimas de conflitos armados. Portanto. O aumento paulatino do sofrimento humano. adicionais às Convenções de 1949. que a própria Convenção de Genebra de 1864. A elaboração dos Protocolos de 1977. Na realidade. que vem surgindo ao longo dos anos. os líderes militares.

Porém. infelizmente. um conflito armado pode ser gerido racionalmente ou. de poupar os hospitais de campo. era desastrosa.Direito Internacional de batalha deixava muito a desejar. não era mais respeitada. além da falta de recursos para se cuidar de milhares de vítimas. são resultados tangíveis daqueles esforços. A situação de milhares de combatentes capturados. da ameaça ou emprego da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado. o status de neutralidade (inviolabilidade) do pessoal médico e dos estabelecimentos médicos foi formalmente declarado. e seus dois Protocolos Adicionais de 1977. mostra que guerras e conflitos continuam e que as leis limitando a violência e aliviando o sofrimento tornaram-se mais importantes do que nunca. na verdade. os hospitais de campo eram bombardeados e os médicos e enfermeiros eram expostos a ataques no campo de batalha. O respeito pelo direito de guerra e suas normas não é somente um ditame do bom senso. tornando ilegal aos Estados promoverem a guerra. relegados sem tratamento adequado. seu dever é manter o conflito sob controle e evitar seu recrudescimento. respeitando-se os princípios táticos dentro do arcabouço do direito de guerra. O Direito de Guerra versus a Necessidade Militar O papel das forças armadas mudou. os doentes. Militares e civis afiliaram-se ao que ficou sendo conhecido como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. ou de qualquer outra maneira inconsistente com os Propósitos das Nações Unidas” (Carta das Nações Unidas artigo 2. São especialmente relevantes aos comandantes militares as normas que governam o emprego dos métodos e meios de combate contidas nas Convenções de Haia e nos dois ditos Protocolos. Foi em meio às horríveis condições do campo de batalha de Solferino que a idéia da Cruz Vermelha nasceu. no início do século. o recurso ao conflito armado foi na realidade banido pela comunidade internacional (em 1945). os náufragos. Pior do que isto. mas sim a ferramenta mais importante ao alcance do comandante militar para evitar o caos.4). o pessoal médico e os feridos do inimigo. foi o fato de que a prática de guerra. de modo a expandir o escopo da proteção das vítimas e adaptá-lo à realidade dos novos conflitos. pois estabelecem limites destinados a evitar sofrimento e destruição desnecessários. e o símbolo de uma cruz vermelha sob um fundo branco foi introduzido para identificar e proteger as atividades médicas. Desde então. O direito de guerra não pede que o comandante militar siga normas que não possa respeitar. se a guerra acontecer. senão em defesa própria ou para a manutenção da segurança coletiva sob a autoridade do Conselho de Segurança das Nações Unidas: “Todos os Membros abster-se-ão. As normas contidas nas quatro Convenções de Genebra de 1949. prevenir a guerra através da dissuasão. os primeiros passos para a proteção das vítimas de conflitos armados foram tomados: organizações privadas de assistência foram fundadas em vários países para assistir aos serviços médicos militares na tarefa para a qual estes não estavam equipados. Mas a realidade. na Carta das Nações Unidas. Pelo contrário. em suas relações internacionais. em seus esforços para melhorar a proteção das vítimas de guerra. os prisioneiros de guerra e os civis. em outras palavras. protegendo os feridos. Logo após. profissionalmente. Nenhum conflito armado pode ser humanitário. Sua principal função é. Pede que ele execute sua missão pesando os fatores militares e humanitários 82 . Na melhor das hipóteses. Após a experiência traumática da Segunda Guerra Mundial. o direito de guerra tem sido constantemente aprimorado.

cada uma moderando a influência da outra. de que a tortura é desumana e a guerra é uma situação anormal . É por isso que os princípios táticos se concentram no essencial. pode vir a ser do interesse próprio que se aja com cautela. Este é uma barreira contra o exagero: enfraquece o potencial do inimigo até que ele se submeta ou se renda. organizar. O direito de guerra e os princípios táticos são compatíveis. a arte das táticas busca o mesmo objetivo. A clemência é freqüentemente tanto do interesse do vitorioso quanto um benefício do conquistado. baseado no interesse próprio. Apesar dessa opinião. A guerra é um fenômeno complicado. planejar e. conduzir uma operação militar em meio ao caos. A necessidade militar e as considerações humanitárias pelas vítimas de guerra são forças freqüentemente opostas na guerra. atacar somente alvos militares. poupar pessoas e objetos sujeitos à proteção que não contribuam para o esforço militar. Da mesma forma. A simplificação é necessária porque o comandante deve ser capaz de analisar. 2. e é por isso que o processo decisório deve tornar-se uma questão rotineira. está além do controle da lei. Por um lado existe o requisito da vitória. O Direito de Guerra versus a Tática O direito de guerra não é um obstáculo à eficiência militar.que é lutada não para destruir uma civilização. A guerra. existe um argumento natural forte. e a conseqüente tendência é de se usarem todos os meios possíveis de assegurá-la. simultaneamente. em que fatores múltiplos interagem. A essência do direito de guerra pode ser resumida em três frases: 1. às vezes.Direito Internacional prevalecentes quando da tomada de decisões. por sua própria natureza. e visto que o direito de guerra se tornou um complexo conjunto de princípios de cerca de 800 normas. devemos simplificá-lo. Essa é a razão para que o direito de guerra seja condensado estritamente ao mínimo. existe a consciência louvável de que a vida tem valor. Além disso. se o ressentimento causado pela falta de humanidade persiste após o fim das hostilidades. Ela representa a fragmentação da lei. Os princípios táticos ensinam ao comandante como organizar seus meios disponíveis para derrotar o inimigo sem expor seu próprio contingente. para que se observem as normas humanitárias: a ameaça de retaliação. As ações tomadas para satisfazer os requisitos da necessidade militar não devem ser excessivas em relação à vantagem militar direta esperada da operação planejada. por outro. Existe um efeito convergente entre as táticas bem aplicadas e o objetivo do direito de guerra. mas sim para que se atinja uma paz melhor. 83 . Os princípios táticos funcionam como guia ao comandante militar para que se concentre no essencial. não usar mais força do que o necessário para cumprir sua missão militar. 3. que o comandante militar não tem como conhecer todas.

elas são universalmente reconhecidas.e é destinado a assegurar o respeito pelos seres humanos à medida que este seja compatível com os requisitos militares e a ordem pública. contando com 188 Estados Partes.Direito Internacional Direito Internacional Humanitário O direito internacional humanitário (DIH) é uma ramificação do direito internacional público . As convenções foram ampliadas e suplementadas pela adoção dos dois Protocolos Adicionais de 10 de junho de 1977 (o Primeiro Protocolo relativo a conflitos armados internacionais. doentes. As quatro Convenções de Genebra de 12 de Agosto de 1949 constituem o conjunto dessas normas de proteção. Esta fusão dos dois tipos de direito é encontrada principalmente nos dois Protocolos Adicionais. horrorizado com o sofrimento dos feridos abandonados sem socorro e sem cuidados médicos no campo de batalha. o direito de Genebra evoluiu ao longo dos tempos. Na noite da sangrenta batalha de Solferino (na Itália). ao passo que o direito de Haia permaneceu inalterado desde 1907. os doentes. e concentra-se na condução das operações militares. sejam eles feridos. Sendo assim. na água ou em terra. que não participam ou não estão mais participando nas hostilidades: os feridos. Portanto. o CICV considerou indispensável que elas fossem incluídas no esboço dos Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra de 1949 Esta intenção foi plenamente aprovada pelos representantes de governos na Conferência Diplomática sobre a Reafirmação e Desenvolvimento do Direito Internacional Humanitário aplicável a Conflitos Armados. que foram adotados em 1977. o direito de Haia preocupa-se mais com a regulamentação dos métodos e meios de combate. bem como a população civil e geralmente todas as pessoas que não participam ou não estão mais participando nas hostilidades. de interesse fundamental ao comandante militar em terra. que deram origem tanto à Cruz Vermelha quanto ao direito internacional humanitário. restou um pequeno problema: conforme mencionado.aplicável em conflito armado . O direito de Haia é. mar e ar.os membros das forças armadas que estejam fora de ação. os náufragos e os prisioneiros de guerra. O Direito de Genebra O objeto do Direito de Genebra é salvaguardar as vítimas de situações de conflito armado . haviam sido ratificados por 147 e 139 Estados. respectivamente. O direito internacional humanitário é dividido em duas categorias: o Direito de Genebra e o Direito de Haia. Protege todas as pessoas fora de combate. Por outro lado. e atenuar os sofrimentos causados pelas hostilidades. No entanto. Suas idéias. que. Atualmente. que contém disposições que tratam tanto da proteção das vítimas de guerra quanto de conceitos mais operacionais. as normas estabelecidas pelas Convenções de Haia foram de importância fundamental. O direito de Genebra trata da proteção das vítimas de guerra. até 31 de março de 1997. isto é. Contudo. e o Segundo Protocolo relativo a conflitos armados não internacionais). sejam elas militares ou civis. ocorrida em Genebra de 1974 a 1977. Henry Dunant. foram expressas em seu famoso 84 . em 1859. O Direito de Genebra e a Cruz Vermelha têm a mesma origem. portanto. náufragos ou prisioneiros de guerra. sendo essencial evitar que se tornassem obsoletas. buscou uma maneira de evitar tal sofrimento em guerras futuras. existe um terceiro tipo de direito. o chamado direito misto.

em tempo de paz. a Convenção para a Melhoria das Condições dos Feridos nos Exércitos em Campanha. Se necessário. o Comitê em si) são todos suíços. Estas sociedades de assistência tornar-se-iam Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha. por Henry Durant e quatro outros cidadãos daquela cidade (Sr. providenciando suprimentos alimentares. os quais adotaram. A categoria de pessoas legalmente protegidas tem crescido como resultado de duras experiências.já protegidos pelo direito consuetudinário e pelas Convenções de Haia . a Suíça. doentes e náufragos. O CICV é uma organização privada e neutra. cujos membros (de seu órgão governante. e c) a convocação. bem como buscando melhorar as condições de detenção dos prisioneiros de guerra. que foi formado em Genebra. Appia e Dr. Esta Convenção representou o alicerce do direito internacional humanitário contemporâneo: ela estipula que os membros das forças armadas feridos ou doentes devem ser assistidos e tratados sem distinção adversa a que lado pertençam. Em 1949. que. Este Comitê. Elas incorporam o ideal da Cruz Vermelha. de sociedades capazes de auxiliar soldados feridos em tempos de conflito e. O CICV é seu promotor e inspirador.e que a ação médica em tempo de conflito é neutra. uma organização neutra para dar assistência em tempos de conflito armado. pelo governo Suíço. As idéias podem ser resumidas da seguinte forma: a) criação. tal como a batalha de Solferino. o Comitê contribui para a aplicação do direito internacional humanitário por meio da assistência médica aos feridos. Elas encontraram receptividade em toda a Europa. Segunda e Terceira Convenções. já tivessem sido mencionados na Convenção de Haia (IV) de 1907. Além disso. Dr.Direito Internacional livro Uma Lembrança de Solferino. remediar como auxiliares as deficiências dos serviços médicos das forças armadas. Em 1929 a proteção aos prisioneiros de guerra . mas principalmente em seu próprio país. medicamentos e roupas. desta forma. localizar pessoas desaparecidas e transmitir mensagens da família. e foram rapidamente postas em prática. as Convenções existentes foram revisadas e suplementadas na forma da Primeira. Maunoir). de uma Conferência Diplomática da qual participaram dezesseis Estados. Esta proteção foi estendida. que os estabelecimentos. As Convenções de Genebra transpõem as matérias de interesse moral e humanitário para o sistema jurídico internacional. Como um intermediário neutro. também organiza operações de assistência em nome da população civil. em territórios ocupados. 85 . não representando apoio a nenhuma das partes beligerantes. b) fundação do “Comitê Internacional para Assistência aos Soldados Feridos”.foi intensificada. A Quarta Convenção estendeu a proteção conferida pelo direito internacional humanitário a uma nova e importante categoria de vítimas: os civis. estas mesmas Convenções estabelecem a base legal para o mandato humanitário de proteção e assistência do CICV. aos náufragos integrantes das forças armadas. revelaram a proteção inadequada às vítimas. em 1899 e 1906. equipamentos e pessoal médico deverão ser respeitados e marcados com um emblema característico . Moynier.uma cruz vermelha sobre fundo branco . embora estes. em 1864. General Dufour. em 1863. após a Segunda Guerra Mundial. deu origem ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O direito internacional humanitário tem-se desenvolvido em estágios desde 1864.

Tais convenções são reflexo de um tempo em que o recurso à guerra ainda não era considerado ilegal. Exemplos desta categoria incluem os seguintes instrumentos: (i) a Convenção para a Solução Pacífica de Controvérsias Internacionais. e limita os meios de infligir dano ao inimigo. mas sua inspiração também é humanitária. Embora alguns dos tratados de Haia tenham perdido seu significado jurídico. As normas de guerra são formuladas com as necessidades militares em mente.Direito Internacional O Direito de Haia O “Direito de Haia” determina os direitos e deveres das partes beligerantes na conduta de operações militares. atualmente. revistas em 1907 e. b) a segunda categoria de instrumentos legais adotados convençõesespecíficas à proteção das vítimas de guerra. e (iii) a Convenção relativa ao Rompimento das Hostilidades. tanto quanto possível. a escolha dos métodos ou meios de lesar o inimigo não é ilimitada. Esta categoria já tornou-se totalmente obsoleta. 86 . e todo emprego da força que cause sofrimento ou destruição excessivos em relação à vantagem militar de uma operação é proibido. e a segunda adotou quatorze. ocorridas em Haia. todas se encaixando nas seguintes três categorias: a) a primeira categoria inclui as convenções que objetivam evitar a guerra. A primeira Conferência adotou seis convenções e declarações. em se dizer que as hostilidades não podem começar sem aviso: elas nem devem acontecer. a situação mudou inteiramente desde a adoção da Carta das Nações Unidas. Em um conflito armado. o objetivo almejado por ambas as partes é alcançar uma vantagem decisiva através do enfraquecimento do potencial militar do inimigo. desde 1977. as normas relativas à conduta de hostilidades são ainda válidas hoje em dia. que proíbe o recurso à guerra (exceto em casos de defesa própria). adotada em 1899. O Capítulo II da Seção I destas Normas já versava sobre os prisioneiros de guerra. As Convenções de Haia foram estabelecidas por duas sucessivas Conferências Internacionais de Paz. Não há sentido. visto que problemas humanitários não resolvidos são freqüentemente fontes de conflitos. ou pelo menos estabelecendo condições rigorosas a serem cumpridas antes do início das hostilidades. em 1899 e 1907. ao passo que. Estas normas estão contidas nas Convenções de Haia de 1899. (ii) a Convenção respeitando a Limitação do Emprego da Força para a Indenização de Débitos Contratuais. No entanto. tais como: em Haia inclui (i) a (III) Convenção para Adaptar a Guerra Marítima à Convenção de Genebra de 1864. (ii) a Seção II das Normas anexas à (II) Convenção concernente às Leis e Usos da Guerra Terrestre. adotada em 1899. nos Protocolos adicionais às Convenções de Genebra bem como nos vários tratados proibindo ou regulando o emprego de armamentos. atualmente.

se um Estado não vinculado pelas Convenções interviesse em um conflito. ou dos emblemas característicos da Convenção de Genebra (no singular. de fazer uso impróprio de uma bandeira de trégua. a maioria delas foi incluída e aprimorada no 1 0 Protocolo Adicional. estabelece alguns dos mais importantes princípios do Direito de Guerra. desde então. integrados desde 1977 na Parte III do Primeiro Protocolo Adicional às Convenções de Genebra de 1949. embora alguns capítulos importantes como o da ocupação militar ou o do tratamento de espiões e parlamentares. ainda sejam válidos. da morte ou ferimento do inimigo que tenha se rendido .estão contidas na IV Convenção concernente às Leis e Usos da Guerra Terrestre adotada em 1899 e revisada em 1907. Devem também ser mencionadas as normas proibindo a pilhagem. quais Estados estão ou consideram-se formalmente vinculados pelas Convenções de Haia. Esta seção. Todas estas normas elementares são bem conhecidas. da bandeira nacional ou da insígnia e uniforme militar do inimigo. os feridos. essa regra chamada clausula si omnes. as próprias Convenções de Haia se aplicam a casos bem específicos. tornando-os progressivamente obsoletos (tal como com a primeira categoria). de 18 de outubro de 1907 concernente às Leis e Usos da Guerra Terrestre”. Conseqüentemente.são quase tudo que restou daquelas Convenções. intitulada Hostilidades.e que são as mais importantes para nós hoje em dia . essas Convenções somente se aplicavam aos casos em que todas as partes envolvidas em um conflito fossem formalmente vinculadas por elas. e especialmente na Seção II de suas Normas anexas. Destacam-se as disposições fundamentais mediante as quais o direito dos beligerantes de adotar meios de ferir o inimigo não é ilimitado. Desta forma. c) a terceira e última categoria compreende as convenções estabelecendo algumas normas elementares à conduta de guerra.uma vez depostas suas armas ou então que este não tenha mais outros meios de defesa. esta terceira categoria ainda é de interesse especial aos militares. É até mesmo possível dizer que estas normas . por exemplo. seus longos anos de existência e importância fundamental fizeram-nas parte do direito internacional consuetudinário. tendo considerado suas normas como parte do direito internacional consuetudinário. projéteis ou materiais prováveis de causar sofrimento desnecessário. não mais se aplica. Atualmente. doentes e náufragos e os prisioneiros de guerra) têm sido. pois somente a Convenção de Genebra de 1906 existia em 1907). ao passo que as normas (do Direito de Haia) tornaram-se parte do direito internacional consuetudinário ou estão contidas nos Protocolos adicionais às Convenções de Genebra. de 1899. atualmente. Os dois tipos de vítimas protegidas por esta segunda categoria de instrumentos (isto é. O mapa político do mundo mudou completamente desde 1907. na mente de muitos juristas internacionais. ao passo que outras nações mais recentes nunca se importaram em ratificá-las. e o capítulo destinado a espiões e bandeiras de trégua. de declarar que nenhuma misericórdia será concedida. No entanto. é quase impossível se dizer. Muitos Estados que fizeram parte dessas Convenções simplesmente não existem mais. de empregar armas. e segundo. nenhuma das partes teria obrigação de respeitá-las a partir desta intervenção. a qual se sobrepôs à anterior II Convenção de Haia. Além disso. 87 . Hoje em dia. amparados mais extensivamente e mais detalhadamente pelas Convenções de Genebra. as quais se sobrepuseram aos instrumentos de Haia. da perfídia.Direito Internacional (iii) a IV Convenção de Haia. As principais normas desta categoria . e a proibição do emprego de veneno ou armas venenosas.as únicas das Convenções de Haia que retiveram sua força e poder . Existe uma explicação dupla para isso: primeiro.

o interesse que as Convenções de Haia despertam é que elas contêm os princípios gerais mais importantes para o que cada vez mais se convencionou chamar de o direito do conflito armado. em 1899. Também com relação a isso. quão certos seus autores estavam em prever. os perigos inerentes à guerra aérea e a terrível destruição que iria causar. em uma época na qual a aviação ainda estava em sua infância. Esses não são convenções. Se a proibição contida nessa declaração tivesse sido respeitada. a correspondente (XIII) Convenção concernente à Guerra Marítima e sete outras convenções relativas à guerra marítima. tendo adquirido força de direito internacional consuetudinário e tendo sido reconhecidos como tal. Produção e Acúmulo de Armas Bacteriológicas (Biológicas) e Tóxicas 88 . Esses princípios gerais. mas seu teor foi resgatado nas disposições do 10 Protocolo sobre a proteção da população civil. também assinados nessa cidade. mas sim declarações. A maioria destas normas foram incluídas na Quarta Convenção de Genebra de 1949. em 1925. Seu título pode hoje parecer incongruente. Londres. Dresden. Esse antigo Protocolo ainda está em vigor. Considerando-se a natureza excessivamente tóxica de certos gases venenosos acumulados em grandes quantidades por diversas potências hoje em dia. É também de interesse especial a Seção III das Normas anexas à dita (IV) Convenção concernente às Leis e Usos da Guerra Terrestre que inclui normas relativas à autoridade militar sobre o território ocupado do Estado hostil. todas ainda de vital importância em conflitos do presente. e é um dos raros tratados deste tipo a ter sido respeitado durante a Segunda Guerra Mundial. São: a) a (XIV) Declaração relativa à Proibição de Lançar Projéteis e Explosivos dos Balões Esta declaração foi assinada em Haia. b) a (IV. a declaração tornou-se uma letra morta.Direito Internacional Em suma. Infelizmente.de gás. devem ser mencionados. muitas resoluções da Assembléia Geral das Nações Unidas sobre o respeito pelos direitos humanos em períodos de conflito armado têm-se referido às Convenções de Haia como ainda sendo aplicáveis. Nessa análise das Convenções de Haia três outros documentos. 2) Declaração relativa ao Emprego de Gases Asfixiantes Esta foi assinada em Haia. Esse detalhe técnico é hoje de importância fundamental. no entanto. faz-se referência à Convenção de 10 de abril de 1972 sobre a Proibição do Desenvolvimento. mas seu conteúdo foi incluído no Protocolo para a Proibição do Emprego em Guerra de Gases Asfixiantes. no entanto. em 1907. mas é de se admirar. Essa declaração não foi respeitada durante a Primeira Guerra Mundial. Hiroshima ou Hanói tivessem sido evitados. Outras Convenções e Declarações de Haia Dentre as outras Convenções de Haia estão incluídas as (V) Convenção concernente aos Direitos e Deveres das Potências e das Pessoas Neutras no Caso de Guerra Terrestre. que é uma forma particularmente traiçoeira e cruel de armamento. e de Métodos Bacteriológicos de Guerra. são aplicáveis a todos os Estados. talvez os bombardeios de Varsóvia. pois significa que os Estados ainda não signatários do Primeiro Protocolo Adicional às Convenções de Genebra de 1949 estão vinculados às normas originais contidas nas antigas Convenções de Haia. As Partes Contratantes concordaram em “abster-se do emprego de projéteis que tenham como único objetivo a difusão de gases asfixiantes ou deletérios”. e foi a primeira tentativa de se proibir o emprego na guerra . Venenosos ou Outros Gases. assinado em Genebra. Além disso. é arrepiante cogitar-se da hipótese do tratado não mais ser observado.

com o Direito de Genebra. Os Protocolos Adicionais às Convenções de Genebra de 1949 O CICV julgou em 1965 que havia chegado o momento certo para tal revisão. A redação desses textos antigos. Essa tarefa presumivelmente nunca será concluída. pois embora as Convenções de 1949 não houvessem perdido .visto que uma revisão poderia acarretar o risco dos Estados reverterem os avanços alcançados em 1949 . desenvolvê-lo para assegurar que acompanhe o passo dos conflitos. o CICV obteve consultas a respeito da viabilidade de preencher as lacunas na legislação existente. nomeadamente a proibição do emprego de armas. 89 . a lei é incapaz de prevenir a invenção de novos métodos e meios de guerra. o CICV tem almejado. sempre em transformação. datadad de 1868. No entanto. não pela revisão das Convenções de 1949 . novos tipos de conflitos e meios de guerra surgiram durante os últimos trinta anos: guerras de libertação. forjar normas jurídicas para propiciar uma proteção adequada. pois especialistas em direito gastam seu tempo tentando acompanhar a evolução da tecnologia militar. e complementou a Declaração de São Petersburgo. desde a adoção dos Protocolos Adicionais. em 1899. tornou-se então mais vulnerável. Infelizmente. elas provaram ser insuficientes para proteger as vítimas de conflitos armados modernos. Conseqüentemente. De fato. são concernentes em primeiro lugar e. O CICV o faz em diferentes estágios. porém tenta limitar os efeitos cruéis de certas armas tanto quanto possível. Juristas e especialistas de governo ainda não conseguiram determinar que armas são atualmente cobertas por esse princípio e cujo emprego deve ser conseqüentemente proibido. ainda no presente. tais como armas incendiárias e projéteis de fragmentação. as balas dum-dum). táticas de guerrilha e o emprego de armamentos sofisticados e indiscriminados. A população civil. que se encontra em contraste tão irônico com as armas empregadas atualmente. freqüentemente compelida a aceitar combatentes em seu meio. e o CICV em particular.e ainda não perderam . Direito Misto O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em geral. a proteção às vítimas não receberia o apoio apropriado à sua tarefa. projéteis ou substâncias prováveis de causar ferimentos supérfluos e sofrimento desnecessário. Sem um arcabouço jurídico internacional desse tipo.Direito Internacional e sobre sua Destruição bem como à Convenção sobre Armas Químicas de 1993 (que entrou em vigor em 6 de maio de 1997). acima de tudo. 3) Declaração relativa ao Emprego de Projéteis de Teor Explosivo Esta declaração foi assinada em Haia. Era importante. concebido como sendo todo o conjunto legislativo aplicável em situações de conflito armado. portanto.sua relevância e valor.mas sim por suplementá-las com protocolos. ao passo que a declaração de 1899 afirma que as Partes concordam em abster-se do emprego de projéteis que se expandem ou se achatam facilmente no corpo humano (por exemplo. o CICV também se concerne com o respeito pelo direito internacional humanitário como um todo. c) a (IV. A Declaração de 1868 proibiu o emprego de “qualquer projétil de peso inferior a 400 gramas. de acordo com a aparente necessidade e viabilidade de revisão dos instrumentos existentes. que seja explosivo ou carregado com substâncias fulminantes ou inflamáveis”. na verdade estabeleceu um princípio essencial das Convenções de Haia. Como iniciador do direito internacional humanitário.

de todo o auxílio essencial para a sobrevivência da população. assegura a proteção de civis contra os efeitos das hostilidades (particularmente bombardeios). simplificadas e adaptadas ao contexto específico dos conflitos armados não internacionais. e este foi tratado. aplicável a conflitos armados internacionais. em termos inequívocos. devem ser poupados o máximo possível. As ações para tal devem incluir as instalações para as organizações que prestam auxílio e a proteção ao pessoal especializado. As organizações de defesa civil também são protegidas. respeito pelas leis e costumes de guerra. ou tenham cessado de participar nas hostilidades. Convenção para a Proteção da Propriedade Cultural na Eventualidade de Conflito Armado. mesmo para o benefício de uma população inimiga ou da população de um território ocupado. incluindo guerras de libertação nacional. O fornecimento de auxílio para a população civil é um assunto de grande interesse da Cruz Vermelha. sem obstáculos.). templos. devem permitir a entrada. dois Protocolos adicionais às Convenções foram assinados. Outros dispositivos melhoraram os meios de supervisão da implementação do direito internacional humanitário. Haia. desde que estes obedeçam a certas normas (por exemplo. bem como o princípio geral da obrigatoriedade de proteção à população civil e às normas pertinentes aos feridos. serviu para promover uma nova disposição universal de implementar tais normas. Nesse sentido. Se estas forem incapazes de fazê-lo. O status de prisioneiro de guerra foi concedido a categorias de combatentes que não haviam sido anteriormente incluídas. Além disso.Direito Internacional A reunião da comunidade internacional aumentada. Essas disposições. Essa regra aplica-se a todas as circunstâncias. desde que não estejam sendo usados para fins militares. são baseadas naquelas contidas no 1 0 Protocolo. carreguem suas armas abertamente. O 20 Protocolo suplementa o artigo 3 o. isto é. várias normas relativas ao comportamento de combatentes e a conduta de hostilidades foram retiradas das Convenções de Haia. De importância particular são as garantias fundamentais da proteção a todas as pessoas que não estão participando. Em 8 de junho de 1977. concebidos por todos os Estados modernos. o pessoal médico civil. em 1974. conflitos armados não-internacionais de uma certa magnitude. de acordo com o 1 0 Protocolo. comum a todas quatro Convenções de Genebra. pelo dispositivo que afirma que as necessidades da população civil devem ser supridas pelas partes em conflito. ao passo que as Convenções de Genebra de 1949 são limitadas à proteção contra o abuso de autoridade. O artigo 19 da Convenção estipula que. ajudou a dirimir o sentimento de que as disposições das quatro Convenções de Genebra refletiam um modo de pensar predominantemente europeu. A elaboração de novos instrumentos jurídicos. etc. tais como combatentes irregulares. doentes e náufragos e às instalações e pessoal médico. ao final de uma Conferência Diplomática que havia sido iniciada em Genebra. incluindo Estados recentemente estabelecidos após 1949. 1954 O princípio subjacente a esta Convenção é o de que objetos culturais. com normas mais detalhadas e aplicáveis em situações que não são abrangidas pelo 10 Protocolo. tais como igrejas. Esses Protocolos são destinados a suplementar as Convenções pela proteção de civis em tempo de guerra e a estender os critérios da aplicação do direito internacional humanitário para abranger novos tipos de conflito. museus. O Primeiro Protocolo. etc. mesmo na eventualidade de 90 . transporte e hospitais agora gozam da mesma proteção já concedida pelas Convenções ao pessoal médico militar e suas instalações.

O CICV. em 1976. adotou a Convenção sobre Proibições ou Restrições ao Emprego de Certas Armas Convencionais que Possam ser Consideradas como Excessivamente Nocivas ou Ter Efeitos Indiscriminados. ela provou ser um notável e inesperado sucesso. O CICV então organizou uma Conferência de Especialistas de Governo com essa finalidade. armas de fragmentação tais como bombas de estilhaço. A Convenção propriamente dita contém normas de procedimento e especifica sua abrangência de aplicação e sua relação com outros acordos. O 10 Protocolo proíbe o emprego de qualquer arma cujo efeito primário seja ferir com fragmentos que não possam ser detectados no corpo humano com raios X. a 10 de outubro de 1980.Direito Internacional um conflito armado não internacional. aplicar os dispositivos da presente Convenção relacionados ao respeito pela propriedade cultural”. que se realizou em Lucerna. e. Isto se relaciona principalmente à invenção indigna de bombas de fragmentação feitas de pedaços de plástico ou vidro. muitas das quais há muito faziam parte do arsenal das forças armadas e eram comumente usadas em várias guerras. projéteis de pequeno calibre e alta velocidade . ou marcar a propriedade cultural com um emblema característico. “cada parte em conflito deverá. em 1974. Ciência e Cultura (UNESCO). A Convenção diferencia dois tipos de proteção. pelo menos. armadilhas e bombas de efeito retardado. 91 . existem várias armas descritas como convencionais que também podem ter efeitos indiscriminados ou excessivamente cruéis. construir abrigos ou fazer preparativos para o transporte a um local seguro. Outras Convenções e Declarações sobre a Conduta de Hostilidades Além das chamadas armas ABQ (atômicas. quando. que é mantido pelo Diretor-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação. hoje existem na verdade cinco Protocolos). Os dispositivos básicos estão contidos em quatro Protocolos anexos (com a emenda ao segundo Protocolo. que causem ferimentos supérfluos ou sofrimento desnecessário. Tornou-se. que põem em perigo as operações de assistência. porém. em tempos de paz. armas tão traiçoeiras como minas. pediram à Conferência que considerasse proibições ou restrições. Alguns governos. bacteriológicas e químicas). em 1979 e 1980. não incluiu em suas propostas a proibição ou limitação de armas específicas. e em Lugano. por ocasião do preparo da Conferência Diplomática de 1974. os Estados podem. Com essa finalidade. por exemplo. mas recomendou que fosse convocada outra conferência para tratar do assunto. o alicerce para protocolos adicionais tratando de outras armas específicas. dos quais pelo menos dois devem ser ratificados por um Estado antes que este possa tornar-se parte da Convenção. Sua importância reside no fato de que ela estabeleceu o embasamento jurídico para futuras limitações e proibições ao emprego de armas desenvolvidas no futuro. finalmente. Esta realizou-se sob os auspícios das Nações Unidas.que podem ter efeitos semelhantes aos das balas dum-dum. zelar pela salvaguarda da propriedade cultural dentro de seu território contra os efeitos previsíveis de um conflito armado. Entre elas estão incluídas armas incendiárias (tais como napalm e lança-chamas). Requer-se dos Estados. Embora o âmbito abrangido por essa Convenção fosse relativamente estreito. na verdade. pois sentiu que este assunto era particularmente delicado por causa de suas implicações políticas e militares. Um objeto de grande importância pode ainda receber proteção adicional por intermédio de seu registro no “Registro Internacional de Propriedade Cultural sob Proteção Especial”. A Conferência Diplomática de 1974 não chegou a nenhuma conclusão sobre o assunto. o objetivo principal era chegar a um acordo sobre restrições ao emprego de armas específicas.

A proibição de seu emprego contra civis em todas as circunstâncias foi confirmada e estendida para incluir até mesmo objetivos militares localizados dentro de concentrações de civis e em florestas e outros tipos de coberturas vegetais. finalmente. Proíbe também. Visto que cada Estado deve informar ao Secretário Geral da ONU seu “consentimento de ser vinculado” por essas emendas. incluídos nesta lista de objetos estão brinquedos infantis. Ele também bane em todas as circunstâncias armadilhas destinadas a causar ferimentos supérfluos ou sofrimento desnecessários. É o órgão fundador da Cruz Vermelha e o promotor das Convenções de Genebra. Em tempos de conflito armado . O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). O 40 Protocolo sobre Armas de Laser Cegantes. como sua única função de combate ou como uma de suas funções de combate. que seja excessivo em relação à vantagem militar concreta e direta almejada. 92 . Novas Sociedades Nacionais ainda são formadas atualmente.ele propicia proteção e assistência às vítimas militares e civis. a proibição do emprego de minas antipessoais não detectáveis. E. o protocolo exige o mapeamento das minas com o propósito de proteger a população civil. em especial.Direito Internacional O 20 Protocolo proíbe o emprego de minas. a minas colocadas fora de zonas militares. proíbe o emprego e transferência (tanto para Estados quanto entidades não Estatais) de armas de laser especificamente projetadas. Cada uma das duas instituições internacionais tem seu caráter e atividades específicas que embora bastante diferentes. armadilhas e outros artifícios contra a população civil. na Conferência de Revisão. e o estímulo a usar somente minas antipessoais com mecanismo de autodestruição. a colocação de armadilhas em objetos aparentemente inofensivos. a Conferência passou uma resolução a respeito dos perigosos avanços no campo de sistemas de armas de pequeno calibre. ou seu emprego de uma forma indiscriminada que cause ferimentos acidentais a civis. qual seja. é uma instituição neutra e independente. pedindo aos governos que conduzam mais pesquisas sobre seus efeitos e que exerçam o máximo de cuidado possível em relação ao avanço no desenvolvimento destas . fundado em 1863. ambos com suas sedes em Genebra. especificamente. e com mais de 160 Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho em todo o mundo. guerras civis e distúrbios internos . sejam elas prisioneiros de guerra. ou ao olho nu ou à visão com o emprego de dispositivos corretivos. pode-se argumentar que um novo (quinto) protocolo de facto foi criado. detidos civis.conflitos internacionais. são complementares. durante a Conferência de Revisão. Este protocolo se refere. O 30 Protocolo tomou um grande passo à frente mediante a restrição do emprego de armas incendiárias. o dever de remover as minas imposto àqueles que as usam. Além disso. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e a Guerra O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é constituído pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha e pela Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. exceto quando tais elementos naturais estiverem sendo usados para esconder combatentes ou alvos militares. As emendas mais importantes incluem a extensão de seu escopo de aplicação a conflitos armados não internacionais. feridos de guerra ou populações civis em território ocupado ou inimigo. adotado em 13 de outubro de 1995. para causar cegueira permanente à visão intensificada. Esse Protocolo foi alterado em 3 de maio de 1996. pois o 20 Protocolo original não perdeu sua força de lei para os Estados Partes dele.

Mas como se pode alcançar esse objetivo? Em seu livro. Esta se reúne. principalmente. estabelecer um corpo de voluntários para ajudar soldados feridos no campo de batalha não poderia ser feito de outra forma a não ser por completo: tais voluntários haveriam de ser protegidos na tarefa de dar assistência e deveriam ser claramente distinguíveis dos combatentes. as Sociedades Nacionais agem como auxiliares dos serviços médicos das forças armadas. coordena e direciona as operações internacionais de assistência nos casos de desastres naturais. bem como em seus próprios Estatutos (direito de iniciativa em outras situações que não conflitos armados). se os serviços médicos das forças beligerantes tivessem sido capazes de enfrentar a situação. a segunda idéia. treinamento de enfermeiros. Ela organiza. Dunant propõe duas possibilidades: a primeira seria a de criar.Direito Internacional bem como visita detidos políticos. Suas atividades abrangem desde a assistência emergencial até serviços médicos e sociais. Seu fundador. vindo em socorro das vítimas civis e militares. respeitar os Princípios Fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. era vital que “os limites sejam postos de uma vez por todas a esta tragédia de guerra. O Movimento e a Guerra A Cruz Vermelha nasceu da guerra. A independência que deve ser concedida às Sociedades Nacionais propicia que elas ajam sem consideração de raça. primeiros socorros. para promover e supervisionar sua implementação e para disseminar o conhecimento destes pelo mundo. das Sociedades Nacionais devidamente reconhecidas. Henry Dunant. em princípio. ou melhor. para a assistência aos feridos no campo de batalha. já por mil vezes repetida”. a idéia de um símbolo que fosse tanto indicativo 93 . também contribuindo para a promoção da paz. portanto. religião ou opinião política. A Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. fundada em 1919 e até recentemente mais conhecida como a Liga. inviolável em seu caráter. Para obterem o reconhecimento do CICV e serem admitidas como filiadas à Federação. trabalha no sentido de promover o desenvolvimento das Sociedades membros no nível nacional. as Sociedades Nacionais necessitam preencher quesitos bem definidos. Cada uma das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho também tem seu caráter específico. Para Dunant. A Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é o órgão deliberativo supremo do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho. em tempos de paz. “Uma Lembrança de Solferino”. ficou chocado ao ver o campo de batalha de Solferino e os milhares de jovens morrendo como resultado de suas feridas. Todavia. Elas devem. transfusão de sangue e programas para jovens. uma sociedade de assistência em cada país para ajudar os serviços médicos das forças armadas em tempos de guerra. era a de formular uma convenção internacional. dentre se destacam a imparcialidade e neutralidade. O mandato do CICV para suas atividades durante conflitos é baseado nas quatro Convenções de Genebra de 1949 e seus Protocolos Adicionais de 1977. a cada quatro anos. quando poderiam ter sido salvos se houvesse médicos e enfermeiros suficientes para atendê-los. e agrupa o conjunto dos delegados do CICV e da Federação. Por isso. O CICV trabalha para aprimorar os tratados mencionados anteriormente. Em tempos de conflito armado. assim como representantes dos Estados Partes das Convenções de Genebra. dos horrores desta. ou seja. para coordenar suas atividades no nível internacional e para incentivar a criação de novas Sociedades Nacionais. apoiando o trabalho humanitário das Sociedades Nacionais com vistas a prevenir e aliviar o sofrimento humano.

Existem três facetas deste papel. guerra civil ou distúrbios interiores e tensões internas. Executa as tarefas a si incumbidas pelas Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais. por meio de seu trabalho para aliviar o sofrimento das vítimas: aqueles que não participam. como uma organização humanitária imparcial e um intermediário neutro.Direito Internacional quanto protetor: o emblema da cruz vermelha sobre um fundo branco. o objetivo original da Cruz Vermelha era o de tornar a guerra menos desumana. o CICV ajudou a melhorar a condição das vítimas de guerra pela legislação. por parte dos Estados. que codificaram as normas que estipulam como as partes em conflito devem tratar os inimigos capturados. É aqui que o CICV entra em ação. torna-se o mais importante dentro do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. visto que foi o autor das Convenções de Genebra. Dessa forma. vindo ao auxílio de todas as vítimas sob a proteção daquela que foi a primeira Convenção de Genebra. deve haver um intermediário entre os Estados. da confirmação de alguns princípios reconhecidos de maneira geral e aplicados por todos. tem ajudado milhões de pessoas na desgraça. Foi aí que a segunda idéia se encaixou: o desejo de prestar assistência médica no campo de batalha – de forma neutra . tem feito mais do que qualquer outra instituição na área. das hostilidades (civis. que têm certos deveres. o CICV age como um intermediário neutro entre as partes em conflito ou outros adversários. Isto veio a ser a primeira Convenção de Genebra de 1864. Portanto. Em primeiro lugar. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha O Papel do CICV O CICV age essencialmente em tempos de guerra. guerra civil ou distúrbios interiores e tensões internas. ou deixaram de participar. aqueles que trazem ajuda a estes devem ser protegidos. o Comitê tem a tarefa de proteger e assistir às vítimas civis e militares dos conflitos armados. feridos e os prisioneiros de guerra) devem ser poupados e respeitados. Reconhecido como tal pelos Estados Partes das Convenções de Genebra. em caso de guerra. 2.necessitava. Fiel ao seu lema Inter arma caritas. Promotor das Convenções de Genebra O CICV trabalha para o desenvolvimento e aplicação do direito internacional humanitário e para seu entendimento e difusão. visando assegurar-se de que os últimos sejam aplicados e estando pronto a aumentar-lhes o escopo quando necessário. No entanto. há mais de 130 anos. e com o apoio dos outros componentes do Movimento. quais sejam: 1. que têm certos direitos. O papel do Comitê Internacional da Cruz Vermelha. protegendo e assistindo às vítimas civis e militares. Desde sua fundação. esforçando-se 94 . Intermediário Neutro Em tempo de guerra. e as vítimas de guerra. a vocação do CICV é representar e defender a causa humanitária na guerra. Foi este o desafio que a Cruz Vermelha quis enfrentar.

e suas ações e decisões são baseadas inteiramente em considerações humanitárias.Seus delegados devem ter acesso a todos os prisioneiros (ou detidos) e a falar com estes sem impedimento e em particular. pessoas deslocadas ou vivendo em território ocupado. . A decisão do CICV baseia-se no cumprimento. contribuições das Sociedades Nacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. etc. dar apoio material e moral aos detidos visitados. hospitais. as quais são então admitidas como membros da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. 3. protegendo e assistindo as vítimas civis e militares de conflitos armados. Nas situações que não são previstas pelas Convenções de Genebra (distúrbios interiores e tensões internas).). distúrbios interiores e tensões internas e promovendo o direito internacional humanitário e sua disseminação. o CICV toma qualquer iniciativa humanitária que corresponda a seu papel de instituição especificamente neutra e independente. visitando-os onde estiverem (campos. o CICV visita pessoas que foram detidas por razões de segurança e que podem ser vítimas de tratamento arbitrário. Em outras situações de conflito. das condições estabelecidas pela Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. O CICV em Resumo O CICV é ativo em todo o mundo. que é o de: Guardião dos Princípios Fundamentais O CICV certifica-se de que os princípios fundamentais sejam respeitados no seio do Movimento. aos civis em poder do inimigo ou em territórios ocupados. Para fazê-lo. mas sim uma instituição privada e independente com sua sede em Genebra. age como um intermediário neutro entre os beligerantes em favor das vítimas de guerra : prisioneiros de guerra e civis. Suas atividades consistem essencialmente em: proteger os prisioneiros de guerra. o CICV desempenha um papel especial dentro do Movimento. pela Sociedade Nacional. sejam estes prisioneiros de guerra ou presos políticos. o CICV aplica os mesmos critérios a suas atividades com detidos. campos de trabalho. baseado nas Convenções de Genebra de 1949. às pessoas deslocadas ou a refugiados em zonas de combate. Além disso. reconhecido pelos Estados. Suíça. 95 . contribuições privadas e várias doações e legados. feridos e doentes. Também decide sobre o reconhecimento das Sociedades Nacionais. porém internacional em termos de suas atividades que são globais. o Comitê pode oferecer seus serviços humanitários com base em seu direito de iniciativa. Em situações de guerra internacional. . O CICV tem quatro fontes de renda: contribuições dos Estados Partes das Convenções de Genebra. tornando-se oficialmente parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. prisões. Em qualquer uma dessas circunstâncias. o CICV. os feridos e detidos civis. Não é uma organização multinacional. restabelecendo o contato entre as famílias separadas como resultado de uma situação de conflito e promovendo o desenvolvimento e implementação do direito internacional humanitário.Direito Internacional para assegurar que as vítimas militares e civis recebam proteção e assistência. É independente de todos os governos.devem ter acesso a todos os locais de detenção e devem poder repetir as visitas. tais como guerras civis ou distúrbios interiores e tensões internas.

e tomar conhecimento de quaisquer queixas baseadas em alegações de violações daquele direito. será em particular a de: Artigo 5. e) garantir a operação da Agência Central de Pesquisa. trabalhar para a aplicação fiel do direito internacional humanitário aplicável em conflitos armados. 96 . unidade e universalidade. e notificar as outras Sociedades Nacionais de tal reconhecimento. Função A função do CICV. independência. neutralidade.como uma instituição neutra cujo trabalho humanitário é conduzido particularmente em tempos de conflitos armados internacionais ou outros conflitos armados internos . Como uma instituição neutra e imparcial. de acordo com o artigo 5 o dos Estatutos do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho.Direito Internacional . o Comitê se abstém de expressar quaisquer opiniões sobre as causas dos conflitos ou situações nas quais intervém. d) empenhar-se sempre .devem receber listas de todas as pessoas a serem visitadas (ou serem capazes de estabelecer tais listas no local). serviço voluntário. como tais. imparcialidade. ou nos casos de prisioneiros de guerra. nova ou reconstituída. O CICV não questiona as razões da detenção. Os relatórios produzidos pelo CICV após as visitas aos locais de detenção são confidenciais e. são passados somente às autoridades da detenção. h) executar os mandatos confiados pela Conferência Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (A Conferência Internacional). nomeadamente humanidade. para o treinamento do pessoal médico e a preparação de equipamento médico. preparando qualquer aprimoramento deste. b) reconhecer qualquer Sociedade Nacional. com os serviços médicos civis e militares e outras autoridades competentes. à potência que os detém e à(s) potência(s) da(s) qual(is) os prisioneiros dependem.em assegurar a proteção e assistência às vítimas civis e militares de tais eventos e de seus resultados diretos. a priori de conflitos armados.2: a) manter e disseminar os Princípios Fundamentais do Movimento. c) executar as tarefas que lhe são incumbidas de acordo com as Convenções de Genebra*. f) contribuir. As visitas do CICV têm relação exclusiva com as condições materiais e psicológicas da detenção e o tratamento recebidos a partir do momento da captura. estabelecida e que preencha as condições para reconhecimento determinadas no artigo 4 o [dos Estatutos]. em cooperação com as Sociedades Nacionais. g) cultivar o entendimento e disseminar o conhecimento do direito internacional humanitário aplicável em conflitos armados. de acordo com as Convenções de Genebra.

A principal preocupação do CICV tem sido sempre. subseqüentemente. Em conflitos armados internacionais (guerra entre Estados) O direito à iniciativa do CICV. limitado a promover a criação de sociedades de assistência em cada país e a incentivar os Estados a respeitar e assegurar o respeito às disposições da Convenção de Genebra de 1864. Este documento havia sido redigido pelo então Comitê de Genebra. o CICV pode ser visto desde o início como o promotor e guardião do direito internacional humanitário. Esta tarefa tem sido a mais importante ao longo dos anos. empreender para a proteção dos feridos e doentes. ao longo dos anos. o CICV tem um direito reconhecido de iniciativa para cada uma das situações de conflitos em que esteja agindo. no entanto. sujeito ao consentimento das Partes do conflito em questão. que adotou os dois Protocolos Adicionais com base em textos iniciais submetidos ao CICV por especialistas de governo. podendo considerar qualquer questão que necessite seu exame. inicialmente. Foi dada expressão tangível a esse entendimento por meio da concessão do direito de iniciativa. O Mandato do CICV O mandato do CICV era. o exemplo mais importante da história recente foi a preparação da Conferência Diplomática de 1974-1977. que. Segunda e Terceira Convenções e pelo artigo 10 da Quarta Convenção: “Estes dispositivos da presente Convenção não constituem obstáculo às atividades humanitárias que o Comitê Internacional da Cruz Vermelha ou qualquer outra organização humanitária imparcial possam. ficou sendo conhecido como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. por parte dos governos. 97 . o CICV tem o direito de oferecer seus serviços. doentes. Para ser mais específico. oriundo de tratados. a de assistir às vítimas de conflitos armados: as tarefas são voltadas para elas. Isto significa que o CICV toma qualquer iniciativa que considere apropriada para cumprir este mandato. Em outras palavras. é estabelecido pelo artigo 9 o da Primeira. pessoal médico e capelães (Primeira Convenção) / dos feridos. Em virtude desse direito de iniciativa. sujeitas ao consentimento das Partes em conflito em questão.3: O CICV pode tomar qualquer iniciativa humanitária que venha ao encontro de seu papel de instituição e intermediário especificamente neutro e independente. o Comitê Internacional da Cruz Vermelha também pode executar quaisquer outras atividades humanitárias em favor destas vítimas. a importância da existência de um órgão neutro que cuide das vítimas de guerra sem escolher lados.Direito Internacional Artigo 5. e náufragos (Segunda Convenção) / dos prisioneiros de guerra (Terceira Convenção) / das pessoas civis (Quarta Convenção) e para sua assistência. Os governos vieram a entender. de forma a assegurar a proteção e assistência às vítimas dos conflitos. ao CICV nas quatro Convenções de Genebra e seus Protocolos Adicionais e em seus Estatutos. O artigo 81 do Primeiro Protocolo reforça esse direito à iniciativa da seguinte maneira: As Partes em conflito concederão ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha todas as condições em seu poder para que este possa executar as funções humanitárias atribuídos a este pelas Convenções e por este Protocolo.

Se os Estados afetados por um conflito aceitarem a oferta de serviços. Em outras palavras. Onde quer que o CICV tenha o direito à iniciativa. particularmente nos locais de internamento. No artigo 18 deste último é estipulado que sociedades de assistência. o acordo resultante constituir-se-á no embasamento jurídico para as atividades do CICV. Este direito estatutário à iniciativa é especificado no artigo 5 o. os Estados podem recusar sua oferta de serviços . não abrangidas pelo direito internacional humanitário. os Estados não podem proibir o CICV de agir em favor dessas pessoas. um órgão humanitário imparcial. Os delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha gozarão das mesmas prerrogativas.. dos Estatutos. No caso dos chamados conflitos armados não internacionais de alta intensidade. e tem a seguinte redação: O Comitê Internacional pode tomar qualquer iniciativa humanitária que venha ao encontro de seu papel de instituição e intermediário especificamente neutro e independente. localizadas no território da Alta Parte Contratante.. portanto. podem oferecer seus serviços para o desempenho de suas funções tradicionais em relação às vítimas do conflito armado.. concede-se ao CICV um direito especial. mas sim pelos Estatutos do Movimento. o direito de agir.. mas também o Segundo Protocolo Adicional de 1977. comum às Quatro Convenções de Genebra. estabelecido no artigo 126 (citado abaixo) da Terceira Convenção de Genebra e no equivalente artigo 143 da Quarta Convenção no que compete a civis: Representantes ou delegados das Potências Protetoras terão permissão de acesso a todos os locais onde prisioneiros de guerra possam estar. Nesse caso. tal como o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. e terão acesso a todas as instalações ocupadas por prisioneiros.. O CICV e os Distúrbios e Tensões 98 . que o capacita a agir em situações não definidas como de guerra propriamente dita e. da Cruz Vermelha. estabelecido não pelas Convenções. não somente o artigo 3o comum às Quatro Convenções de Genebra de 1949 se aplica..a qual o CICV pode voltar a apresentar. parágrafo 3. Em distúrbios interiores e tensões internas O CICV tem outro direito à iniciativa. tais como as organizações .. não importando a situação. aprisionamento e de trabalhos forçados. podendo considerar qualquer questão que necessite seu exame.. pode oferecer seus serviços às Partes em conflito. Em conflitos armados não internacionais (guerra dentro dos Estados) O artigo 3o.Direito Internacional No caso específico dos prisioneiros de guerra e civis. o CICV tem um mandato expresso: o direito de visitar prisioneiros de guerra e civis. estipula que o CICV tem um direito à iniciativa baseado em tratados: ...

a proteção do Estado. certas categorias de pessoas são presas pelas autoridades. natureza costumeira e o oferecimento dos serviços do Comitê Internacional nestas situações não constitui interferência nos assuntos internos de um Estado. em sua preocupação em preservar a confiança de todas as partes por meio de sua neutralidade. desaparecimentos forçados.Direito Internacional A prática do CICV de oferecer seus serviços para a proteção e assistência de pessoas atingidas por distúrbios interiores ou tensões internas está enraizada em sua própria tradição. com as condições materiais e psicológicas dos detidos. a realidade de cada dia da vida no cárcere pode e deve ser melhorada. não há obrigação correspondente por parte dos governos em aceitar esse oferecimento naquelas situações que não estão. Está confirmada nas resoluções das Conferências Internacionais da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e nos Estatutos do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e do próprio CICV. nos casos de distúrbios interiores e tensões internas. nenhuma maneira prática para que eles possam comunicar suas queixas às autoridades nacionais que poderiam e estariam dispostas a assegurar um tratamento humano e digno. A experiência mostra que. nem comenta os motivos para a detenção. ou porque o governo não é mais capaz de manter a ordem. estados de direito que são violados por indivíduos ou pelo Estado. 99 . freqüentemente. Em alguns casos. se preocupa. é a de visitar locais de detenção para melhorar as condições de encarceramento. Assim. Os Estados nunca questionaram o princípio real no qual essa prática está fundamentada: a base da ação do CICV nos casos de distúrbios interiores e tensões internas adquiriu. de outra forma. disseram ou escreveram é considerado pelas autoridades como uma oposição de tal magnitude ao sistema político vigente que devem ser punidos pela privação de sua liberdade. O CICV. Em virtualmente todas as situações de distúrbios interiores e tensões internas. não se envolve com o problema político na raiz dos distúrbios e tensões. Não há. Não obstante. Em tais circunstâncias. as atividades do CICV podem assumir várias formas: Melhoria das condições de detenção e tratamento de pessoas encarceradas A tarefa tradicional do CICV. podem resultar de medidas administrativas em vigor por um período limitado ou ilimitado. ou porque ao manter a ordem também viola os princípios humanitários. a situações em que o indivíduo perde de fato . cobertas pelas Convenções de Genebra. tomada de reféns. As sentenças podem ser pronunciadas de acordo com as leis normalmente em vigor ou com a legislação ou jurisdição em caso de emergência. O espiral clássico de violência e repressão leva. condições precárias de detenção. a captura pode ser uma medida geral e indiscriminada que atinge grande grupos de pessoas. etc. muitas vezes. A intenção jurídica das medidas de detenção pode ser punitiva ou preventiva.ou até por lei . visando à reeducação ou à reintegração. atos de terrorismo. essencialmente. tortura. Os encarregados em contato direto com os detidos tendem a vê-los como inimigos. As inúmeras violações das normas essenciais de humanidade que acontecem nos distúrbios interiores e tensões internas justificam plenamente as razões humanitárias que o CICV possui para agir nestas situações: violência indiscriminada. por definição. Todos têm uma coisa em comum: o que fizeram. portanto. tanto durante o período de interrogatório quanto posteriormente – quando a única segurança envolvida é aquela do próprio local de detenção – os delegados do CICV têm. mesmo nos países em que o governo deseja que seus detidos recebam um tratamento humano.

os delegados registraram uma série completa de métodos para infligir o sofrimento moral e mental. Os relatórios não são destinados à publicação: o CICV torna público apenas o lugar. podem também ser consideradas como tortura. nenhum Estado reclamou ao CICV que sua segurança foi posta em perigo por tais visitas ou que o status legal das pessoas visitadas foi afetado. o CICV se reserva o direito de publicar os relatórios concernentes em sua totalidade). Relatórios confidenciais são então escritos e enviados exclusivamente à autoridade do local de detenção. Caso surja a necessidade e as autoridades concordem. os delegados da CICV solicitam visitar todas as pessoas detidas em conexão com uma ocorrência. Visitas periódicas e completas aos locais de detenção e às pessoas detidas são conduzidas por delegados do CICV propriamente treinados. judicial ou disciplinar) 100 . Visando a desempenhar eficazmente sua tarefa de proteção. o CICV visitou mais de meio milhão de detentos em mais de uma centena de países A luta contra a tortura e maus tratos Conforme é bem conhecido. Essas visitas são seguidas de discussões em todos os níveis com os encarregados da detenção. a data e o número de pessoas vistas e o fato de que seus delegados puderam entrevistar privadamente os detentos. as condições de detenção e tratamento dos detentos. É válido mencionar isso quando se recorda que. econômico e cultural particular ao respectivo país e descrevem. Esses relatórios levam em consideração o contexto social. Contudo. Sugestões específicas e práticas para melhoria são feitas. De qualquer modo que seja praticada. e os governos que escolheram fazer uso dos serviços do CICV são em geral gratos. As atividades do CICV consistem de vários passos. entrevistar livre e privadamente os detidos de sua escolha e retornar aos locais de detenção em base regular ou quando a necessidade exigir. Esse procedimento geralmente traz resultados positivos. a responsabilidade primária na luta contra a tortura repousa nos governos. a tortura é proibida em todas as circunstâncias tanto pelo direito internacional quanto pela legislação nacional. (Contudo. Obviamente. Durante entrevistas privadas com detentos. É igualmente evidente que há graves conseqüências para toda a sociedade na qual a tortura se desenvolve. Alem das várias formas de tortura física. caso a autoridade de detenção publique parte desses relatórios. Nunca se comenta publicamente sobre as condições materiais ou psicológicas observadas. dentre os muitos problemas relativos ao tratamento de presos políticos. as condições materiais de detenção são às vezes tão pobres que. Da mesma forma. A fase de interrogatório. geralmente do mais alto nível. mas também de sua integridade psicológica. por causa de sua gravidade e da freqüência com que isto ocorre. freqüentemente o CICV providencia material de assistência aos detentos. períodos de confinamento solitário e a incerteza causada pela detenção sem base legal figuram proeminentemente entre as preocupações dos delegados do CICV. se são intencionais. de forma objetiva e detalhada. Cabe a eles tomar medidas (legislativa. a proteção significa a salvaguarda não somente da integridade física dos indivíduos. desde 1918. os delegados do CICV observaram incontáveis formas de maus tratos que esses vêm sofrendo. assim como pressão psicológica que destrói a identidade pessoal dos detidos. os delegados observam que ela afeta não somente a pessoa torturada mas também sua família e seu grupo social – sem mencionar o torturador em si mesmo que é moralmente maculado e amiúde psicologicamente desequilibrado pelas suas ações. Além disso.Direito Internacional freqüentemente. estado cientes da grande necessidade de melhoria nas condições de prisão. enfrentando-o resolutamente. o CICV considera que o problema da tortura merece atenção especial. Para o CICV.

às regras que os Estados concordaram em observar com respeito aos direitos e liberdades dos indivíduos e povos. direitos humanos e direito internacional humanitário. O direito internacional humanitário é aplicável em casos de conflitos armados. ao passo que os direitos humanos. de dar explicações claras e simples sobre o assunto. isto é. jogados no mesmo caldeirão. mas não cessam de existir em situações de conflito armado. em contraste. por meio de constante diálogo com o CICV. contra abuso por parte das autoridades responsáveis. protegendo-os. quando de fato dizem respeito fundamentalmente aos sistemas legais. O Direito Internacional Humanitário e os Instrumentos de Direitos Humanos Introdução O emprego indiscriminado dos termos direitos dos povos. por outro. Embora o direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos sejam ambos baseados na proteção da pessoa. consistindo. de regras relativas a meios e métodos de combate e condução das hostilidades. A esse respeito. que floresceram melhor em tempos de paz e estabilidade. quando necessário. sociais ou culturais – de cada indivíduo sejam respeitados todo o tempo. Os instrumentos de direitos humanos. Não obstante. os relatórios confidenciais que os delegados escrevem e enviam às autoridades. políticos. etc. Isso torna essencial especificar a natureza do direito internacional humanitário e dos direitos humanos. tem induzido a uma grande confusão e igual ceticismo com respeito a esses conceitos mal conhecidos. quer internacionais ou não-internacionais. Atualmente. Isso deve ser feito para defender o interesse das pessoas protegidas por ambos os tipos de leis. estando os mais fundamentais incluídos nas constituições dos Estados.) de vítimas e não combatentes na ocorrência de conflito armado. também conhecido como Direito de Haia. devem possibilitar aos governos dispostos. assim como seja assegurar-lo que ele ou ela possa desenvolver-se completamente na comunidade. assumir suas responsabilidades e. conforme requerido.Direito Internacional para prevenir e reprimir atos de tortura. o assim chamado Direito de Genebra. do mesmo modo. de padrões de proteção a vítimas de conflitos. Pode ser afirmado que o direito internacional humanitário é destinado especificamente a salvaguardar e preservar os direitos fundamentais (à vida. segurança. em seguida a suas visitas regulares e entrevistas sem testemunha. juntos. há diferenças específicas entre eles quanto ao escopo. propósito e aplicação. É um direito de emergência. os instrumentos de direitos humanos são também concernentes à proteção internacional dos direitos humanos. colocar um fim em tais práticas inaceitáveis. mas também facilita a tarefa daqueles funcionários públicos (do Estado) responsáveis por essa proteção. concentrando-se nas similaridades e diferenças entre esses dois ramos do direito internacional público. absolutamente essencial para os responsáveis pela disseminação de informação sobre o direito internacional humanitário e direito internacional dos direitos humanos que eles sejam capazes. Esses direitos dependem de legislação interna. e. ditado por circunstâncias particulares. saúde. adotados em 1977. 101 . econômicos. a maior parte desses dois conjuntos de regras foram fundidos e modernizados nos dois Protocolos adicionais às Convenções de Genebra. que certas pessoas consideram ser uma criação recente da política internacional. por um lado. estão relacionados essencialmente com o desenvolvimento de cada indivíduo. É. visam a garantia de que os direitos e liberdades – quer civis.

Desse modo. como. liberdade. Onde o conflito não ameace a vida da nação (e um estado de emergência não foi formalmente declarado). conseqüentemente. certas regras humanitárias em conflitos armados sem caráter internacional. uma ligação foi estabelecida não intencionalmente entre aqueles dois conjuntos de direito internacional: as Convenções de Genebra e as convenções de direitos humanos. certos direitos contidos na Convenção podem ser derrogados. não fazem menção aos direitos humanos. Em sua Resolução XXIII. não se prestou nenhuma atenção às relações entre essas duas ramificações do direito internacional. em tempos de guerra ou de emergência pública ameaçando a vida da nação. as Convenções de Genebra de 1949. em qualquer de suas disposições. lado a lado com aquelas originárias do direito internacional humanitário. resguardadas por esses acordos.Direito Internacional Após a Segunda Guerra Mundial A Declaração Universal dos Direitos Humanos. um elo foi oficialmente estabelecido entre direitos humanos e direito internacional humanitário. Um artigo em cada uma das quatro Convenções estipula que pessoas protegidas não podem renunciar a direitos a elas asseguradas pelas Convenções (artigo 7 0 da Primeira. dispõe que. no mínimo. estende-se para a esfera tradicional dos direitos humanos. o artigo 75 do Primeiro Protocolo (garantias fundamentais) e o artigo 6 0 do Segundo Protocolo (processos 102 . de 1977. alguns dos tratados internacionais de direitos humanos contêm disposições para sua implementação em tempo de guerra. Da mesma forma. Disposições semelhantes podem ser encontradas no artigo 40 do Pacto Internacional das Nações Unidas sobre Direitos Civis e Políticos e no artigo 27 da Convenção Americana de Direitos Humanos. comum a todas as quatro Convenções. todas as disposições das convenções sobre direitos humanos permanecem aplicáveis. que as pessoas começaram a tornarse atentas a relação entre os dois. de 1948. adotada em 12 de maio de 1968. convocada. de 1950. em 1968. em Teerã. Foi somente ao final dos anos sessenta. com a eclosão de uma série de conflitos armados – guerras de libertação nacional na África. Segunda e Terceira Convenções e artigo 8 0 da Quarta). e intitulada Respeito pelos direitos humanos em conflitos armados. segurança. a Conferência obrigou a uma rigorosa aplicação das convenções existentes em conflitos armados e à conclusão de acordos adicionais. às Convenções de Genebra de 1949. uma tendência pode ser detectada nas Convenções de Genebra de 1949 para que suas disposições sejam consideradas não somente como obrigações a serem cumpridas pelas Altas Partes Contratantes. Além disso. o conflito no Oriente Médio. O direito internacional de direitos humanos criou impacto no teor dos dois Protocolos Adicionais. à questão do respeito aos direitos humanos em conflitos armados. Por um longo período. como pode ser visto nos relatórios anuais do Secretário Geral e nas resoluções adotadas a cada ano pela Assembléia Geral das Nações Unidas. o artigo 3 0. obriga as Partes a aplicar. Na Conferência Internacional de Direitos Humanos. exceto alguns direitos inalienáveis que constituem uma base imutável (vida. que foram redigidas mais ou menos ao mesmo tempo. mas também como direitos individuais de pessoas protegidas. Por um lado. pelas Nações Unidas. não se refere. Os tratados internacionais de direitos humanos devem. desse modo. tortura. personalidade legal. também ser aplicados na eventualidade de conflitos armados. por exemplo. Contudo. Por outro lado. O artigo 15 da Convenção Européia de Direitos Humanos. isso delineia as relações entre o Estado e seus próprios cidadãos e. Essa Resolução iniciou a atividade das Nações Unidas a respeito do direito internacional humanitário. discriminação racial e escravidão). as guerras da Nigéria e do Vietnã – envolvendo simultaneamente aspectos do Direito de Guerra e considerações de direitos humanos.

Pode-se afirmar que o direito internacional humanitário e o direito internacional dos direitos humanos podem ser legalmente aplicáveis simultaneamente. O Direito Internacional Humanitário e a Aplicação da Lei Enquanto o direito internacional humanitário é legalmente aplicável em situações de conflito armado. a questão da subseqüente investigação de (graves) violações do Direito de Guerra naturalmente abrangerá uma responsabilidade da aplicação da lei. o envolvimento prático dos encarregados da aplicação da lei em casos de manifestações de violência. Pela verdadeira natureza de seus deveres. se sobrepõem uns aos outros. requer deles que sejam cuidadosos – e capazes . pelos quais as organizações de aplicação da lei possuem uma responsabilidade direta. direito internacional e direito interno.Direito Internacional penais). Embora a função de aplicação da lei possa ser temporariamente suspensa durante as situações de conflito armado. uma alusão sobre disposições relevantes de direito internacional humanitário que poderiam (ou deveriam) ter um impacto na prática da aplicação da lei. guerras civis e conflitos internacionais.de integrar os princípios de direito internacional humanitário e direitos humanos em suas operações e treinamento. para o correto desempenho de sua atividade. A convergência do direito internacional humanitário e os direitos humanos demonstra que a guerra e a paz. um certo nível de conhecimento do direito internacional humanitário é indispensável aos encarregados da aplicação da lei. Isso pode ser tomado como uma razão adicional pela qual os encarregados da aplicação da lei precisam estar familiarizados com o direito internacional humanitário. Por essa razão. que podem escalar em direção à guerra civil. que derivam diretamente do Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos das Nações Unidas. que podem ser melhor caracterizadas como distúrbios e tensões. conforme apropriado neste Manual. Conseqüentemente. SUMÁRIO REVISÃO DA “TEORIA GERAL DO ESTADO” E “TEORIA GERAL DO DIREITO” Função do Estado Categorias Deontológicas do Estado TEORIA PURA DO DIREITO DE KELSEN Ciência Objeto do Direito O ESTADO Elementos Constitutivos do Estado DIFERENÇA ENTRE ATO E FATO JURÍDICO 103 . será feita. As situações de conflito armado não eclodem espontaneamente. de forma acumulativa e complementar. os princípios do direito internacional humanitário – relativos ao cuidado e proteção das vítimas de situações de conflito armado – são igualmente relevantes para outras situações. São um produto da deterioração do estado da lei e da ordem em um país. distúrbios e tensões.

Direito Internacional Conceito de Ato Jurídico Tipos de Atos Jurídicos Características dos Atos Jurídicos DIREITO PRIVADO INTERNACIONAL ELEMENTOS DE CONEXÃO TRATADOS INTERNACIONAIS Ratificação Incorporação Tratados com a Santa Sé HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL Conceito Criação (Formação) Perda do status de membro Classificação Estrutura das Organizações Internacionais ONU Agências Internacionais Relacionadas com as Nações Unidas OEA Órgãos Principais da OEA NACIONALIDADE Sistemas Definidores Brasileiros Natos Brasileiros Naturalizados Perda da Nacionalidade de Origem EXPULSÃO/DEPORTAÇÃO/EXTRADIÇÃO Expulsão Deportação Extradição VISTOS Visto de Trânsito DIREITO COMUNITÁRIO Direito Interno e Internacional Teorias Monista e Dualista Soberania Estatal Defesa da Soberania no Direito Internacional Direitos Humanos Relações Globalizadas Natureza Constitutiva do Vínculo Criado Entre os Estados no Direito Comunitário Características do Direito Comunitário 104 .

“Relação social’ é objeto de várias ciências. dessa forma. pois seu objeto muda. diferentemente das ciências da natureza. Fato cria direito? Contrariando a sociologia. II CR/88. direito este que pode ser inadimplido. “matar alguém”. Kirchmman acreditava que bastava uma nova lei para mudar toda uma legislação jurídica e. e ainda o é. há algo no direito que não muda nunca: a teoria pura do direito de kelsen. Diferentemente. que criticou sua teoria por ser ensinada durante o período militar. surgida numa época onde o direito não conseguia se afirmar como ciência. Princípio Ontológico do direito: artigo 5o. e também sob o argumento de que a teoria pura do direito admite qualquer conteúdo. E prova-se da 105 . o direito não poderia ser entendido como “ciência”. portanto. Mas o autor foi extremamente criticado. Direito cria fato? Não. b)Obrigação c)Permissão TEORIA PURA DO DIREITO DE KELSEN CIÊNCIA Objeto Método Princípios OBJETO DO DIREITO Normas. hoje sabe-se que a ciência da natureza é “eterna”. não sendo suficiente para ser explicado como objeto do direito. o que não deixa de ser uma afirmativa absolutamente falsa. Apesar da afirmativa do autor. Não há direito sem as categorias deontológicas. O direito é peculiar em relação aos outros campos. Ex. especialmente na região latinoamericana. a saber: a)Proibição: não é necessário estar expresso na norma. inclusive o ditatorial. não. sendo úris tantum. Elementos modais (que modelam a ciência do direito). que muda a todo instante e seu objeto é mutante. Também afirmava o autor que o direito é uma ciência cultural. mas apenas até que se prove o contrário. direito somente cria direito (os 3 elementos deontológicos). Lei do 4o excluído: há apenas 3 categorias deontológicas.Direito Internacional LEASING EM DIREITO INTERNACIONAL DIREITO INTERNACIONAL E OS REFLEXOS NA BALANÇA COMERCIAL DIREITO INTERNACIONAL NO MERCOSUL REVISÃO DA “TEORIA GERAL DO ESTADO” E “TEORIA GERAL DO DIREITO” FUNÇÃO DO ESTADO Criar e aplicar o direito CATEGORIAS DEONTOLÓGICAS DO ESTADO Ontologia = estudo do ser.

Direito Internacional seguinte forma: o nascimento cria direito? Alguns sociólogos acreditam que sim. regidas pela CLT. relação jurídica. C.F. até 1977. A Antártica não é território de ninguém. alterando-se o conteúdo. processo ordinário.: é empresa pública de capital privado. a relação jurídica é a mesma (reciprocidade de sujeitos ativo e passivo). Mas é a incidência de uma norma sobre o fato”nascimento” que gera a personalidade civil. Conceito: “Âmbito de validade espacial da ordem jurídica do Estado” (Kelsen). Para navio brasileiro em alto mar. cabendo mandado de segurança. foi posta abaixo por considerar o espaço território. sujeito ativo e passivo. exerce funções relevantes que necessitam de imunidade. O ESTADO ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO ELEMENTO FÍSICO a)Base territorial do Estado. a lua pode ser considerada território americano. Para crime praticado na lua. é ato de gestão. porque a categoria deontológica mudou. não mudam. aplicando-se entre as nacionalidades de cada um (estrangeiro). Ex. Depois de 1977. não é o fato que traz a realização de uma norma. c)Plataforma continental (cerca de 200 milhas da praia) no plano horizontal. A lua pode ser território do Brasil? Não. Apenas não se aplica se não for relevante. Ex. mas o conceito de sujeito ativo.E. Somente com a alteração da categoria deontológica. sujeito passivo. não cabendo a segurança (pode caber cautelar. aplica-se a lei no primeiro lugar em que a nave pousar. pois são “estruturas lógicas de direito”. Apenas para atos de gestão e atos de soberania. b)Ponto imaginário do talvegue (meio) de rio ou lago. enquanto o Brasil não conquistou tal espaço. a personalidade civil. altera-se o conteúdo normativo. O que muda é a norma. indeferimento do FGTS). Dissolução da sociedade conjugal: até 1977 a norma deontológica era a “proibição” (em ser dissolvida) e depois dessa data foi alterada para “permissão”. portanto. por causa Extraterritorialidade”. da “Teoria da “Teoria da Relevância das Funções”: não se aplica a lei do Estado onde está. etc. dessa forma. Duas pessoas do mesmo sexo trata-se de “união estável” e não um “contrato de matrimônio”.F. mas sim o que o Estado deseja. Embaixadas: acreditava-se que era território nacional. Quando age escolhendo o terceiro lugar do concurso para a C. cujo objeto era o contrato de matrimônio lícito. Logo. porque é âmbito de validade espacial da ordem jurídica brasileira. reciprocamente. mas o que diferencia é a norma (conteúdo normativo). quando age com soberania do Estado (ex. d)Plano vertical: até onde o Estado possa alcançar. se o embaixador inglês bate no carro do Brasil (justiça do Brasil). conceito de “mulher honesta” nas várias regiões do Brasil) mas a norma não muda. Se a norma estabelecesse a idade de 10 anos para a personalidade civil. aplica-se a lei brasileira.E. O conteúdo normativo pode até mudar (ex. já que este é lícito. Ex. o casal é. propriedade privada (“permissão”). Logo. 106 . assim como o objeto lícito. As estruturas lógicas do direito são as mesmas em todo lugar do mundo. o fato “nascimento” não traria relevância para o direito. Para crime praticado dentro da nave aplica-se a lei do território do local da nave.

Antes de jurídico. forma prescrita em lei. Independe da vontade do Estado. não importa para as relações diplomáticas. Ministros de Estado. a)População: dado estatístico ou geográfico. que 107 . No plano externo. soberano. mas aplica-se a jurisdição do Estado acreditado para atos de império. Estado acreditando: aquele que recebe missão estrangeira. O criminoso que se refugia na embaixada não pisa em território nacional. A nação. o poder é político. é mais amplo que o conceito de “povo”. portanto. Agente capaz. A legalidade não basta aos 3 aspectos formais. Porque o Rio Grande do Sul não se separa? Alguns autores acreditam que existem fatores de unidade nacional: língua. O poder emana do povo. apesar de ser território estrangeiro. mando e obediência. mesma cultura. Estado acreditante: aquele que envia missão para o estrangeiro. que é lei ordinária). a)Legitimidade: da autoridade. O direito é limitador do poder político. Admite-se apenas um poder igual a ele. como muitos doutrinadores pensam. 2 a instância do judiciário. quem habita o Estado. objeto lícito. Para um trabalhador americano que trabalha na embaixada do Brasil a jurisdição é a brasileira (é ato de gestão.Direito Internacional etc). presente e futuro. O poder do Estado não admite outros poderes iguais a ele sendo. traços do passado. concurso público (ex: juízes de primeira instância). No Brasil há várias nações (indígena. Kelsen afirmou que o Estado pode ser entendido pelo ordenamento jurídico (a pirâmide): Constituição e Emendas Constitucionais / Lei Complementar / Lei Ordinária – Medida Provisória – Decretos do Legislativo / Decreto / Portarias normativas – Instrução Normativa – Circulares Normativas – Pareceres Normativos – Avisos Ministeriais / Normas Particulares (ex: contrato de compra e venda onde tem fundamento jurídico no CCB. No plano econômico os Estados não são iguais. Soberania vazada. etc). etc. Georg Jellineck afirma que é uma “qualidade” e não um 4 o elemento. ELEMENTO HUMANO Âmbito de validade pessoal da ordem jurídica do Estado (acreditante. se o indivíduo entra na embaixada brasileira nos EUA). das fronteiras. no plano vertical. não distingue um país do outro. não é relevante). PODER Fenômeno Social. mas no ponto jurídico são iguais. pois abrange crianças. quem vota e pode ser votado. investidura. portanto. nomeação (ex. para a legitimidade. Voto. travado entre dois pólos. Embaixada é “território” do lugar onde está. menores de 16 anos. religião. não há poderes maiores que o Estado. mas a jurisdição estrangeira que não se aplica. e o povo. futebol. Cabe mandado de segurança. mas quem exerce o poder diretamente são os agentes políticos e deve ser a investidura. com muita propriedade. c)Nação: conceito cultural. b)Povo: quem participa da vida política. Soberania não é um 4o elemento do Estado. as pessoas que votam facultativamente. Conceito jurídico formal porque depende de país para país. É uma qualidade do poder do Estado. etc) b)Legalidade: exercício. Há pressuposto lógico do ato administrativo (motivação) e um posposto (finalidade).

A legitimidade não é fator determinante – o poder do tráfico colombiano concorre com o governo colombiano. Segundo poder constituinte: 1822. A função sistematizadora é a constituição. estando o primeiro poder constituinte calcado em um fato. o negócio jurídico. Reconhece-se que houve uma mudança de governo (o Brasil já era Estado). A efetividade é a base da soberania. A declaração de independência de 1822 que gerou. Saiu de monarquia (Império) para República (forma de governo). O elemento físico é disputado. Então o que mudou? A forma de governo e a forma de Estado. que rompe com o modelo jurisdicional. A LEGITIMIDADE O que interessa é que o poder seja efetivo. que é reconhecido internacionalmente pela ONU e OEA. com a criação da primeira constituição do Brasil. Por que a Palestina não é Estado? Porque não tem poder efetivo. Há acordo entre a autoridade palestina e os outros países. Formam tudo que preenche a pirâmide. Forma o sistema jurídico / ordenamento jurídico do Estado: organiza. sob o fato da Proclamação da República. em oposição à ordem jurídica anterior. portanto. que tem unidade. mas não tem poder. havendo o fato da assembléia constituinte. Não foi o fato. mas o conteúdo do Princípio da Efetividade e sim a incidência da norma internacional sobre o fato. não conseguindo implantar direito novo. portanto. Devem estar em consonância para que não ponha abaixo todo o sistema. Só não entra aquilo que não se permite em lei. havendo um golpe. O poder constituinte número 2 do Brasil já estava reconhecido. Houve reconhecimento de Estado apenas na primeira constituição. No plano do direito internacional.O conteúdo da norma hipotética. o Estado. Estados e Municípios) e sistemiza. Antes. Sétimo poder constituinte: 1988. Tal afirmativa retiraria a validade da Teoria Pura do Direito de Kelsen. sentenças. Primeiro poder constituinte: ocorrido em 1824. atos administrativos. A Palestina é um Estado? Tem elemento físico (com certas restrições) e tem elemento humano constituído (sendo nação). dá unidade (distribui a competência entre União. FUNDAMENTO DE VALIDADE DA CR/88 Um fato gerador gera o poder constituinte: a)Golpe de Estado (que cria o Estado) b)Revolução c)Assembléia constituinte. mas a incidência de uma norma internacional (Princípio da Efetividade). XLIII CR/88. não podendo ser encarado como ciência que é. 108 . Saiu de Estado unitário para uma Federação (forma de Estado). para que a comunidade jurídica internacional o reconheça como Estado.Direito Internacional obedece à CR/88. haveria um novo governo. mas não entre o Estado Palestino. Qual a autoridade da Palestina? O chefe. mas sim o Governo (que mudou). apesar do artigo 5o. o país era vice-reino de Portugal e aplicara-se o ordenamento jurídico português. III. não foi o ato da independência. Ex. Também entram nas normas particulares. já que o direito estaria baseado em um fato. que reprime o terrorismo. não importa) e sim a efetividade do poder. A norma não reconhecerá. rompendo com a ordem jurídica de Israel (o poder não é efetivo). Não é o fato que determina o poder (se foi legítimo ou não. que deveria ser reconhecido pelo Brasil (artigo 4 o. compra e venda de tóxicos. o que importa não é a legitimidade é sim a efetividade. No caso. um sistema.No seio de uma comunidade que vive em território o poder é exercido de forma efetiva. TODO ATO DESSE PODER PRODUZIRÁ DIREITO NOVO. CR/88).

sua limitação. Uma norma legítima que dispusesse que o Brasil não pagará sua dívida externa não faz sentido. Mas. não poderia se eximir da dívida. IX CR/88: a República Federativa do Brasil dá aval para os Estados estarem com dívidas. Artigo 52. ao contrário de uma sentença proferida na justiça do trabalho de servidor público federal (que poderá ser anulável. porque trata-se de um contrato internacional público (pacta sunt servanda) que não poderá ser colocado na constituição brasileira. se algum estado se separasse do Brasil. 3. Ex. Na prática. ele não podia avançar nos direitos dos Estados internacionais. Porque o direito internacional limita? Porque quando nasce o Estado. tratados internacionais.Eficácia = aptidão para produzir efeitos jurídicos. “jogo do bicho” possui existência e validade. apenas). mas está viciado. objeto e forma. quem desconstituiu é o golpe e a revolução. sentenças. a comunidade jurídica internacional. O ESTADO É A UNIÃO DA INCIDÊNCIA DE ORDENAMENTO JURÍDICO EFETIVO SOBRE A VIDA DE UM POVO QUE VIVE EM DETERMINADO TERRITÓRIO. pois é a expressão do titular do poder (povo. DIFERENÇA ENTRE ATO E FATO JURÍDICO CONCEITO DE ATO JURÍDICO Fato qualificado por uma manifestação de vontade.Existência = para existir no plano material. se a forma é a prevista em lei. é um poder ilimitado. Mas então o primeiro poder constituinte do Brasil foi ilimitado? Não. Ex. CARACTERÍSTICAS DOS ATOS JURÍDICOS 1. exceto desconstituir o Estado. TIPOS DE ATOS JURÍDICOS a)Ato Inexistente = nulo de pleno direito. 2. ele já nasce dentro de um complexo de direitos e obrigações internacionais. mas não goza da efetividade. se o objeto é lícito. Uma sentença proferida por quem não é juiz é uma sentença inexistente (pois não passa pelo requisito da existência). por ser um novo estado. O Poder Constituinte pode tudo. tradicionalmente. o ato jurídico deve possuir sujeito. -Validade -Eficácia = incorporação no direito internacional ratificando dos tratados. Convenção de Viena. para assegurar a continuidade do Estado. b)Ato Anulável = ato que existe. O ATO JURÍDICO NO PLANO DO DIREITO INTERNACIONAL -Existência: Sujeito = Estado + Organismos Internacionais Objeto = lícito Forma = análise de convenções. há o Princípio da Continuidade. por exemplo: o primeiro poder constituinte. 109 . artigo 2 o CR/88) mas este dogma está sendo posto abaixo. O poder é constituinte e não poderá desconstituir o Estado para formar outros. O poder constituinte.Direito Internacional Em decorrência da efetividade do Governo. Ex.Validade = saber se o sujeito é capaz.

TRATADOS EM DIREITO INTERNACIONAL A RATIFICAÇÃO NO DIREITO BRASILEIRO É o Crivo do órgão público. com força de lei. lei material aplicável ao matrimônio e ao regime de bens – lei do país de domicílio dos nubentes. lei processual aplicável aos processos com trâmite no Brasil – lei processual brasileira. INCORPORAÇÃO O congresso analisa o tratado e o publica no Diário Oficial. tornando-o. caso os nubentes tenham domicílios diversos. lei material aplicável às obrigações – lei do país em que constituírem. fraude à lei – o direito internacional não pode fraudar a lei nacional. ELEMENTOS DE CONEXÃO Elementos de conexão: domicílio é o elemento básico – domicílio fixo. Casos de não aplicação do direito público internacional: ordem pública – se ferir a ordem jurídica nacional. lei material aplicável ao começo e ao fim da personalidade. Exceção dos acordos executivos. 110 . em caso de controvérsia. que contém asa seguintes regras: lei material aplicável aos contratos – lei do local do cumprimento da obrigação. Assim. então. I. CR/88. não será aplicado. que não precisam passar pelo crivo do Congresso Nacional. a capacidade e os direitos de família – lei do país do domicílio da pessoa. No Brasil. baseado no artigo 49. à lide privada entre entes ou pessoas. centro das atividades. que está catalogado no consulado. Objetivo – determinar qual será o direito aplicável a uma lide com conexão internacional. lei material aplicável às ações de imóveis situados no Brasil – compete somente à autoridade judiciária brasileira. as partes podem eleger o direito aplicável. ou a lei do país do primeiro domicílio conjugal. se nacional ou estrangeiro. é composto somente de regras indicativas sobre qual o direito será aplicado. Não é todo tratado que passa pelo Congresso Nacional. pode aplicar o direito estrangeiro. lei material aplicável aos bens – lei do país em que estiverem situados. aplica-se a Lei de Introdução ao CC. Assim. as relações entre particulares ou entres públicos de estados soberanos diferentes é regido pelo direito internacional privado. o juiz quando depara com lide envolvendo relações internacionais deve consultar o direito privado internacional e se for o caso. local onde a pessoa for encontrada autonomia da vontade – em matéria contratual. Assim. o nome. as partes podem definir no contrato o foro competente para dirimir controvérsias.Direito Internacional DIREITO PRIVADO INTERNACIONAL As regras de direito internacional privado indicam somente qual o direito a ser aplicado ao caso concreto. apenas aqueles onde há encargo ou compromissos financeiros.

Argentina. Caráter partidário = igualdade jurídica (cooperação). a Europa. tradução oficial com vista do cônsul brasileiro no País estrangeiro. O Estado deve conter os requisitos necessários à sua entrada nas organizações. A ONU tem poder de veto. de 12/11/1996 no âmbito do Mercosul. excluindo. esta será executada junto à justiça federal. Exequatur – ato cumprimento de carta rogatória de sentença estrangeira Homologação de sentença estrangeira Será sempre procedida pela corte superior – STF que : sentença transitada em julgado no estrangeiro. por exemplo.Direito Internacional TRATADOS FIRMADOS COM A SANTA SÉ Chamado de “concordata” e não se confunde com a concordata do direito comercial. Paraguai e Uruguai) podem ser executadas sem homologação pela justiça federal. não será aplicado. 101. assim. nunca decisão interlocutória. Pluralidade de membros. Exceção à homologação – Protocolo de Las Lenas. OEA é apenas para Estados americanos. tratando-se de acordos com a Igreja. PERDA DO STATUS DE MEMBRO É a retirada (mas deve assumir os compromissos prestados anteriormente. por expulsão ou suspensão. Ex. que tem que ser executada no Brasil. STF não verifica o mérito. CRIAÇÃO OU FORMAÇÃO DE ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS O membro pode ser fundador ou mero participante das organizações. I. HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA Casos de não aplicação do direito público internacional ordem pública – se ferir a ordem jurídica nacional. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL CONCEITO Caráter voluntário. Ex. CLASSIFICAÇÃO 1)Quanto ao Sujeito 111 . fraude à lei – o direito internacional não pode fraudar a lei nacional. Independência jurídica. mas tão-somente se a sentença é contrária à ordem pública e se houve fraude à lei. Compete ao STF (art. homologada a sentença. “h” CF) Homologação – ato que põe fim ao processo. que vai verificar se o juiz é competente e se a tradução é fiel. que dispõe : “as sentenças advindas dos países do Mercosul (Brasil. parte solicita ao STF a homologação da sentença.

Sede: New York. -Secretariado 112 . Fins Específicos – ex. 3)Quanto ao Espaço Universais – gerais. OTAN 4)Quanto à Natureza dos Poderes Executivos Intergovernamentais – para relações entre os Estados Supra-Nacionais – abrir mão de parte da soberania. por cláusulas de adesão. para fins militares. Substitui a Liga das Nações. Regionais – ex.Direito Internacional Abertas – a outros membros.Ex. exigem participação de todos. apenas. É aberta em relação a novos membros. 185 Estados Membros. inclusive o Brasil (artigo 4 o. questões de fronteiras. ESTRUTURA DAS ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS 1)Assembléia Geral -Uma vez por ano. -Vontade política -Esporádica 2)Conselho -Pode ser constante ou permanente 3)Órgãos Burocráticos . Ex. da CR/88) 2)Principais Órgãos -Assembléia Geral -Conselho de Segurança -Conselho Econômico Social -Conselho de Tutela -Corte Internacional de Justiça (competência pode ser em razão da matéria e em razão da pessoa). Fechadas 2)Quanto a Finalidade Fins Amplos – para vários assuntos. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU 1)Histórico Surgida a partir da segunda guerra mundial. em média. UNESCO 4)Auxiliares 5)Sede -Estipulado em tratado -Acordo de sede.

Ciência e Cultura Comissão Interamericana de Direitos Humanos -Secretaria Geral -Conferências Especializadas NACIONALIDADE SISTEMAS DEFINIDORES a)jus sanguinis – Itália b)jus solis – O sistema brasileiro é misto. I. Se for a serviço de uma empresa privada. o filho deve morar no Brasil e optar pela nacionalidade. CR/88. 113 .Direito Internacional AGÊNCIAS INTERNACIONAIS RELACIONADAS COM AS NAÇÕES UNIDAS -OIT (Organizações Internacionais do Trabalho) -FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) -AEIA (Agência Internacional de Energia Atômica) -UNESCO (Organizações das Nações Unidas para a Educação. Ciência e Cultura) -OMS (Organização Mundial de Saúde) -BIRD (Banco Internacional por Reconstrução de Desenvolvimento) -FMI (Fundo Monetário Internacional) -OIAC (Organização Internacional da Aviação Civil) -UIT (União Internacional de Telecomunicações) -IMO (Organização Marítima Internacional) -OMC (Organização Mundial de Comércio) OEA Órgãos Principais da OEA -Assembléia Geral – órgão supremo -Reunião de Consulta dos Ministros dos Estados Membros -Conselho permanente: Conselho Interamericano de Desenvolvimento Integral Comissão Jurídica Interamericana de Jurisconsultos Conselho Interamericano de Educação. é apátrido. que foi a trabalho do governo brasileiro para a discussão da dívida externa. Se não o fizer e o estrangeiro adote o jus sanguinis. BRASILEIROS NATURALIZADOS -Artigo 12. não há nacionalidade. pai brasileiro o mãe brasileira (que não exige prazo). CR/88: . II. O apátrido viaja com o registro de nascimento obtido no consulado. sendo que o registro não confere a nacionalidade. Se um filho da Procuradora da Fazenda Nacional que nasceu fora do Brasil. predominando o jus solis (são considerados brasileiros os nascidos em território nacional).Regra Geral = jus solis .Exceções = jus sanguinis Ex. BRASILEIROS NATOS -Artigo 12.

§2 o CR/88). exceto: a)o naturalizado. será feita para o país que primeiro a requereu. Artigo 119 CR/88: Tribunal Superior Eleitoral (escolha dentre os Ministros do STF. que o encaminha para o Ministério da Justiça. ou aquele que entrou clandestinamente. O conceito de crime político é complexo e deve ser analisado no caso concreto. não se autoriza a extradição. portanto) PERDA DA NACIONALIDADE DE ORIGEM Via de regra. de acordo com o artigo 5 o. Contra o decreto de expulsão não cabe recurso para o STF.Direito Internacional -Artigo 12. feito perante a justiça federal. lembrando-se que. para crimes políticos. com a aquisição voluntária de determinada nacionalidade. CR/88). por exemplo). matar Presidente da República pode não ser crime de caráter político mas. mediante decreto. onde o juiz federal marca uma audiência de naturalização e o estrangeiro é transformado em nacional (a audiência é solene). X. Apenas a Constituição pode distinguir o brasileiro nato do naturalizado. especialmente se tratar-se de crime político. CR/88. Sempre feito na 1a vara da justiça federal. Caberá. II. DEPORTAÇÃO Retirada do território nacional do irregular (por visto vencido. Segue então para a justiça federal. a soberania. passional. simplesmente. Lembra-se que ocorrerá a extradição do brasileiro cujo país interessado mantenha Promessa de Reciprocidade com o Brasil. sendo ato privativo do Presidente da República. A Constituição precisou emendar para acolher o disposto na Lei Complementar 97 (Emenda 23/99). EXTRADIÇÃO Retirada do território nacional daquele que cometeu crime fora do território nacional para que o mesmo responda por processo criminal. Ex. pois para recursos no STF não se admite prova pré-constituída (de plano) e no caso da expulsão essa prova é necessária. não se permitindo brasileiros naturalizados. O brasileiro não pode ser extraditado. Se mais de um país requerer a extradição. O pedido de extradição deve ser feito perante o STF. b)aquele que se envolveu em tráfico de drogas. 114 . perde-se a origem EXPULSÃO / DEPORTAÇÃO / EXTRADIÇÃO EXPULSÃO Retirada do território nacional do nocivo (aquele que ofende os bons costumes. por exemplo). LI. e o juiz apenas analisa:  processo (se o estrangeiro não tem condenação)  capacidade de expressar-se no idioma nacional (artigo 12. porém. para crime praticado antes da naturalização. §1o – “Estatuto da Igualdade” – Requisitos: Não condenação Residir no Brasil Expressar-se no idioma nacional -Competência para ser naturalizado: juiz federal (artigo 109. Feito pela polícia federal e não necessariamente a deportação deve ser feita para o país de origem. -O procedimento de naturalização é administrativo. que devem ser brasileiros natos. ação ordinária na justiça federal para discutir o decreto de expulsão.

. b)Diferentemente da primeira corrente.. Os doutrinadores dualistas não se dividem em dois grupos.. a saber: a)Os monistas acreditam que o direito internacional é soberano e somente existe o Estado porque o direito internacional assim o deseja. Interno .... onde convivem o direito internacional e o Estatal..... é um novo direito entre ambos...... Sendo assim. dependendo do momento em cada caso. A soberania deve ser tratada de forma absoluta.. conhecida com mundial.... Alguns autores acreditam que o direito interno prevalece sobre o internacional e outros doutrinadores afirmam o contrário... 115 . de acordo com o artigo 13 e 37 da Lei do Estrangeiro. cada doutrina irá prevalecer... basicamente).... D..... D.. D.... Se o Estado recepcionar algum tratado internacional (o que ocorre no Brasil... COMUNITÁRIO.....830: para os casos de estrangeiro com passaporte de país que mantém relações com o Brasil. Artigo 56 da Lei 6. uma ordem jurídica do Estado (de direito interno ou constitucional) e uma ordem jurídica de direito internacional (tratados e costumes. Internacional DOUTRINAS MONISTA E DUALISTA A eterna luta entre o direito interno e o direito internacional em relação à sua aplicação fez surgir doutrinas divergentes.. cada corrente cria seus conceitos.. acredita-se que o direito estatal é soberano porque os Estados é que desejam que haja um direito internacional.. DIREITO COMUNITÁRIO O DIREITO INTERNO E O DIREITO INTERNACIONAL Direito Comunitário é o estudo recente dos blocos comunitários (ex. a saber: a)Doutrina Dualista: Existência de duas ordens jurídicas distintas..... SOBERANIA ESTATAL Em relação à soberania dos Estados. b)Doutrina Monista: Há apenas uma ordem jurídica... pelo Princípio da Efetividade dado ao Estado.Direito Internacional VISTOS VISTO DE TRÂNSITO Em aeronaves.... portanto... não é necessário o visto de trânsito... O visto temporário pode se transformar em permanente... não se tratando de direito interno ou de direito internacional.. divergindo-se.... União Européia e Mercosul).. DEFESA DA SOBERANIA FUNDADA NO DIREITO INTERNACIONAL Não há isonomia jurídica dos Estados no plano internacional.

porque as sanções internacionais (como os encargos econômicos. Os Estados não se sujeitam às decisões internacionais. União Européia). a União poderá realizar a intervenção no mesmo. não criando algo novo. Sendo assim. os Estados reuniam-se para firmar tratados. o que se busca então é a internacionalização dos direitos constitucionais (criando-se novas constituições). em confederações de países. pois está na CR/88 (Pacto Federativo). já que as ações são propostas no juízo de primeira instância. O Brasil. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO COMUNITÁRIO O juiz nacional analisa o caso concreto. §2o CR/88) mas. como um direito de desligamento do acordo o tratado pelo Estado interessado. A corte analisa a matéria e. trouxe os princípios de direito internacional para a norma constitucional. Assim. DIREITOS HUMANOS Trata-se de um cuidado entre países vizinhos para manter a própria segurança e bem estar social. por exemplo) são falidas e não tem força coercitiva. No passado. organizando-se um novo nível de poder entre o direito interno e o direito internacional. não havendo mais o Direito de Secessão. no plano internacional. o juiz nacional faz recurso de reenvio para o tribunal analisar como se fosse questão preliminar. artigo 5 o. onde predominava o pacta sunt servanda. por exemplo. não caberia mais as confederações de Estados mas sim um vínculo de natureza constitutiva (para que não possa ser rompido) e. reenvia para o julgador interno. infelizmente o STF não dá o devido tratamento constitucional. surge um novo vínculo entre os Estados. passando a ser uma preocupação de todos os Estados. já que tratava-se de contratos. atinge-se a economia globalizada. 116 . Se o juiz entender que a competência é do direito supra-nacional. legislativo e judiciário.Direito Internacional por exemplo) como norma constitucional é um grande avanço (ex. O direito comunitário é o surgimento de um novo nível. as reuniões de Estados eram precárias e temporárias. “Uma ameaça aos direitos humanos é uma ameaça à justiça em qualquer parte” (Martin Luther King). O direito comunitário possui a divisão de poderes em poder executivo. §2o e artigo 4o. se um Estado desejar retirar-se da União. NATUREZA CONSTITUTIVA DO VÍNCULO CRIADO ENTRE OS ESTADOS NO DIREITO COMUNITÁRIO Porque a ordem jurídica que cria o direito comunitário é semelhante à uma constituição? Porque trata-se de um poder dotado de soberania (ex. Atualmente. As uniões de Estados tratam de forma a abrir mão de parceria de suas soberanias estatais em determinados aspectos. portanto. para que este aplique o direito comunitário. que a tratam de forma absoluta. para tal. Sendo assim. Assim sendo. Essas reuniões ainda permitiam o “Direito de Secessão”. No plano internacional. Corte de Luxemburgo). no direito comunitário. enviará para a corte de direito comunitário (Ex. e não apenas em relação aos países mais favorecidos economicamente. Assim. e sim como “lei”. já que a CR/88 não permite a separação de Estados-membros. não há efetividade em nome da soberania dos Estados. confirmando que trata-se de matéria de direito comunitário. Portanto. RELAÇÕES GLOBALIZADAS Ultrapassando-se as barreiras nacionais. a soberania deve ser relativizada. II da CR/88. em seu artigo 5o. não de natureza contratual mas de natureza constitutiva. apenas. Não há como manter a soberania absoluta e cuidar de questões internacionais ao mesmo tempo. se o fator econômico (globalização) é efetivo e permanente. no Brasil. entre o direito interno e a ordem internacional surge o direito comunitário (ordem comunitária supranacional). no caso do Brasil.

certifica a sua existência e o seu texto. quando necessário. Entretanto. tantos quantos forem necessários para a solução. à semelhança do que ocorre com o Tribunal de Justiça da União Européia. E explica: "Trata-se de mecanismo ágil. por questões políticas. F. Desse modo. o Tribunal de Justiça do MERCOSUL não deveria ser uma preocupação imediata. especialmente dos principais mandatários da economia. Neste ponto do trajeto. em seu art. de 1960 até esta data. relativizando o poder judiciário.08. Rezek e o Prof. infelizmente. E ainda mais longo aquele a ser percorrido. é de se voltar ao passado recente. será o magistrado internacional. No Brasil. em muito similar a outros tantos previstos em acordos de comércio firmados no âmbito da ALADI. Na verdade. dos juristas e dos que militam no comércio intra-regional. João Grandino Rodas. dos diplomatas. Gazeta Mercantil. A instituição do Tribunal de Justiça europeu verificouse quando as condições sócio-econômicas revelaram a sua necessidade. das controvérsias surgidas no Mercosul" ("Os tribunais do Mercosul". 15. de 1960. A importância da ratificação é destacada por Celso de A. 42. ressaltando-se. finalmente o seu valor imperativo e executório” Finalmente.ALALC. entre os empeços de implementação do projeto de integração 117 . Côrte de Luxemburgo). a criação de novas instituições implicará o desenvolvimento de estudos do direito comunitário. Tudo indica. caso a caso. contém expressamente: “As normas emanadas dos órgãos do Mercosul previstos no artigo 2 deste Protocolo terão caráter obrigatório e deverão. para quem “a promulgação atesta a adoção da lei pelo legislativo. registre-se que tudo isso bem se harmoniza com o Protocolo de Ouro Preto que. Escrevendo sobre o tema. e afirma. ser incorporadas aos ordenamentos jurídicos nacionais mediante os procedimentos previstos pela legislação de cada país Seguindo a lógica da evolução da Comunidade Européia. que a instituição de uma Corte de Justiça não está posta entre os objetivos imediatos. instituída pelo Tratado de Montevidéu. Mello e classificada pelo autor como “a fase mais importante do processo de conclusão dos tratados”. porém. O recurso das decisões proferidas pelo magistrado supra-nacional será para o tribunal comunitário (ex. às primeiras experiências integracionistas do Cone Sul com a Associação Latino-Americana de Livre Comércio .96).Direito Internacional É importante ressaltar que o tribunal supra-nacional não julga. Sendo matéria de direito supra-nacional. A experiência européia pode ser-nos útil. A garantia de segurança jurídica do Mercosul está assente no acesso facilitado ao referido mecanismo e no caráter obrigatório e inapelável dos laudos arbitrais emitidos pelos diversos Tribunais Ad Hoc do Protocolo de Brasília. o STF não permitiria. longo o caminho percorrido. e a necessidade da promulgação ressaltada por autoridades como J. o Embaixador JOSÉ BOTAFOGO GONÇALVES assinala que o sistema atual deve ser mantido. deve ser um projeto a merecer a reflexão de todos. com análise da legislação emanada do Parlatino e a jurisprudência de um Tribunal de Justiça do MERCOSUL. a intervenção do órgão executivo do Mercosul e a fase arbitral. e contempla três etapas distintas: as negociações diretas. e percebo que avançamos. apenas determina ao juiz qual direito será aplicado ao caso concreto. “suprimir” sua competência em função de uma côrte supra-nacional.

que rende ensejo à adoção de meios alternativos de litígios. de 23 de setembro de 1996). que ainda merece reflexão. Há. mas de grande eficiência como solucionador de controvérsias. de decisão proveniente de corte arbitral estrangeira.. à FLEXIBILIDADE. 5º . porquanto historicamente duas grandes correntes dividem os doutrinadores entre os partidários do monismo e os adeptos do dualismo jurídico. Sem pretender a tomada de partido em face da doutrina. a de circulação do capital. Cuida-se da denominada “Lei Marco Maciel” (Lei nº 9. contraponto ao dualismo jurídico preconizado por Triepel em sua famosa obra “Direito Internacional e Direito Interno”. não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados. a aplicação do Direito Internacional pelos juízes nacionais reacende dúvidas sobre o grau de autonomia dos magistrados quando lidam com o tema. quando submetidos ao regime de mercado comum. no Brasil. Luiz Olavo Batista. De modo que a consagração do acolhimento do tratado internacional no âmbito do Direito Positivo. no ponto. Essa parece ser. porquanto. não olvidar o ideário norteador da ALADI.707/96. quanto ao assunto. por intermédio daqueles princípios concernentes ao PLURALISMO. ao TRATAMENTO DIFERENCIAL e à 118 . como corolário da Lei 9. Convém. de maneira que a integração do tratado internacional no Direito Interno somente ocorre por intermédio da tramitação de projeto de lei especial.307. Em fins de novembro último. a de circulação de trabalhadores. convocando a atuação dos nossos juízes para resolver as pendências. vazado nos moldes da convenção internacional. e a liberdade de concorrência. aviventando instituto pouco utilizado. o mesmo conflito há de se repetir. a tendência majoritária dos operadores do Direito. aquele que nos diz respeito: A aplicação das normas do MERCOSUL pelo juiz nacional. a eficácia. a de estabelecimento do empreendedor.Direito Internacional econômica. preserva-se a soberania do Poder Judiciário brasileiro. hoje. E o grau de dificuldade se afigura complexo quando colhemos da autorizada opinião do Prof. há pouco editada em nosso ordenamento jurídico. § 2º. Tais preceitos nacionais. a disposição legislativa. parece pertinente a lembrança do disposto no art. segundo o qual os direitos e garantias expressos na Constituição: “.. No âmbito do Mercosul. O exame da temática. segundo a qual a distinção de fontes entre o Direito Internacional e o Direito Interno conduz à cisão. deixa-nos perplexos ante os impasses ainda não resolvidos nem mesmo em sede doutrinária. à CONVERGÊNCIA. a lição de que a integração nacional dos Estados (que dá conformação aos respectivos mercados) é informada pelo conjunto de cinco grandes liberdades: a de circulação de mercadorias. pelo viés constitucional. Assim. a Corte Brasileira de Arbitragem Comercial foi instalada. que criou o juízo arbitral. autoriza a adoção do Sistema de Arbitragem como solução de controvérsias envolvendo a temática do Mercosul. em certas circunstâncias. ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte”. pelo menos no Brasil. Não obstante arrefecido no tempo o embate doutrinário. Importante relembrar. provocam grande impacto no plano do direito constitucional e no plano das relações privadas. ao tempo em que se admite. desde o princípio. da Carta Política.

que estavam prontos para serem embarcados para a Argentina. Não apenas o litisconsórcio simples. Para usar uma imagem bem ao nosso gosto jurídico. durante sete anos. ainda não foi aceita pelo organismo. somente ao longo da próxima semana o Brasil saberá se poderá apelar. diria que. tendo como rumo a tolerância mútua. tornaria mais favoráveis ao país as decisões da OMC. no qual a sentença do Supremo Juiz há de produzir idênticos reflexos para todos. por exemplo. Entre janeiro e junho do ano 2. que somente após mais de cinco anos de conflitos. sendo 680 mil até 31 de outubro. não têm um futuro promissor se não houver cooperação. mas que não podiam entrar ainda no país por causa da licença prévia imposta pelos argentinos.e perigoso . calçadistas brasileiros e importadores argentinos chegaram a um primeiro entendimento para a exportação dos 2 milhões de pares de calçados da estação primavera-verão/2000. onde a jurisprudência se debruça sobre controvérsias relativas à majoração de alíquota do imposto de importação de combustíveis que envolvem considerações sobre as regras fixadas no âmbito do Mercosul. esses calçados entrarão na Argentina de forma escalonada. O acordo. Podemos lembrar. os acórdãos reforçam e acentuam os propósitos de estabelecimento de uma tarifa externa comum. que adiaria a conclusão sobre o direito de retaliações do Canadá ou. de um total de 1. Segundo Vitor Prado.A estratégia brasileira de apelar. que entrou em vigor no momento da assinatura (set/99). Nesses casos. valendo-se de interpretação vinculada ao firmado no Tratado de Assunção. Um exemplo prático já desponta em casos como os mandados de segurança julgados pelo Tribunal Regional Federal da Quinta Região. Isso vale até o fim do possível processo de apelação brasileiro e a decisão final sobre o valor das retaliações. permitiu a exportação. Em abril do próximo ano. a OMC (Organização Mundial do Comércio) inicia neste mês de maio/2000 o processo que poderá autorizar o Canadá a impor barreiras comerciais de até US$ 468 milhões por ano. Já sobre o rumoroso .Direito Internacional MULTIPLICIDADE.caso Embraer x Bombardier. assessor econômico do ministro das Relações Exteriores. contra o Brasil. Por ora. o Brasil pediu autorização para apelar da decisão da OMC que permitiu ao Canadá entrar com o pedido de retaliação (a condenação do sistema brasileiro de incentivo às exportações de aeronaves). Na mesma reunião. O programa prevê a exportação de calçados brasileiros até 30 de junho de 2. Interessante observar que os Estados. a adoção de uma política comercial unificada em relação a terceiros Estados ou agrupamentos de Estados e a coordenação de posições em foros econômico-comerciais regionais e internacionais. o litisconsórcio é necessário e indeclinável. na lide da existência e sobrevivência terrena dos povos. 119 . a OMC proibiu o Canadá de adotar qualquer medida contra o Brasil.4 milhões de pares de sapatos. Por ora. a aceitação do outro em sua diversidade. 680 mil em novembro e 340 mil pares em dezembro.000 poderão ser exportados até 4. fabricante de aviões canadense. sinaliza o caminho da integração. os representantes de Brasil e Argentina voltarão a reunir-se para examinar a aplicação deste acordo e determinar possíveis correções.7 milhão de pares de sapatos. A briga entre os dois países faz parte da disputa pelo mercado de aviões regionais entre a Bombardier. 3 – Conclusões Talvez por tratar-se dos ramos mais novos e dinâmicos do direito – e por mudarem ao sabor dos interesses econômicos –os exemplos práticos sejam diversos e de conseqüências diferentes. na melhor hipótese. assim como os homens.000. mas o unitário. Mesmo assim. até 31 de dezembro de 99.

fracassou devido às exigências de compensações feitas pelos canadenses.7% na comparação com o ano passado. A revisão dos contratos antigos da Embraer poderá ter um impacto negativo na balança comercial brasileira.Direito Internacional e a Embraer. Segundo a FOLHA DE SÃO PAULO (23/05/2000-Economia). E. lembremos.representou 54% do total do saldo brasileiro. evidentemente. um produto.5 milhões em 99 para US$ 349 milhões agora. A cifra foi baseada nos contratos de cerca de 800 aeronaves vendidas pela Embraer com o subsídio. oferecendo tarifas de importação mais baixas para produtos canadenses para evitar o pedido de retaliações na OMC ou a revisão dos contratos que autorizam a retaliação. O consumo de plásticos está ligado à atividade industrial. tanto o exemplo dos calçados com a Argentina como o caso Brasil x Canadá (Embraer x Bombardier). disse Robério Costa. um país. as empresas os adquirem para aumentar a produção. O Brasil e o Canadá pediram à OMC a análise dos sistemas de incentivos à exportação de aviões dos respectivos países. "Quando se comparam os gráficos das exportações e das importações. quando estimou que o saldo da balança comercial seria de US$ 3. A contabilização de saldos em equilíbrio ou desequilíbrio é apenas uma fotografia momentânea a demonstrar forças ou fraquezas de um setor.4 milhões para US$ 1.638 bilhão. são casos de solução de controvérsia. a meta atual esperada pelo governo já é conseqüência de uma revisão. o jogo do comércio internacional não acaba nunca. A primeira rodada de negociação. o Canadá tem direito de requisitar maiores compensações que o Brasil. Quando as fábricas produzem mais. com um único país. reduziu a estimativa para US$ 2 bilhões. Após várias rodadas de julgamento. o Citi reforçou a projeção feita no final do ano passado. Por exemplo. aumenta a demanda por plásticos. Na outra ponta. Na realidade. O saldo comercial (exportações menos importações) da Embraer no ano passado -US$ 647 milhões.refere-se ao que o governo do país considera ser o prejuízo causado à Bombardier pelos subsídios oferecidos à Embraer. No primeiro trimestre. pois muitas embalagens são feitas com o produto. pois o subsídio só acontece de fato na entrega da aeronave. Segundo o mercado financeiro. Esses equipamentos são usados na fabricação de outros artigos. O Canadá argumenta que esses contratos antigos são ilegais.7 bilhão. a empresa foi a maior exportadora do país. o Canadá saiu em posição mais favorável. mas. considerada pelo Itamaraty o maior conflito comercial da história do país. de US$ 283. o fabricante brasileiro. A briga na OMC. contudo. pendendo a balança comercial e de pagamentos para um lado ou para outro. devido ao aumento de preço no mercado internacional. os gastos com combustíveis subiram 78. percebe-se que caminham juntos". o governo deve anunciar estimativa mais conservadora novamente. sobre um único produto. A importação de materiais têxteis básicos também subiu nos primeiros três meses do ano. pois está numa posição desfavorável. encerrada em 05/05/2000. aparelhos e materiais elétricos (bens de capital) tiveram incremento de 7. Os diplomatas brasileiros já assinalaram que estão dispostos a fazer concessões comerciais ao Canadá. vendendo para o exterior US$ 1. economista do Citibank. são os itens que mais têm pesado nas importações. seria arquivada. Mas. Petróleo e derivados. A primeira projeção era de US$ 5 bilhões. o valor pedido pelo Canadá. Foram de US$ 915. Segundo dados do Citibank.9% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dois países terão de modificar seus sistemas. máquinas e aparelhos eletroeletrônicos são exemplos de aumento das 120 . a importação de plástico bruto subiu 30. Ou seja. O objetivo do país é evitar ao máximo o confronto com o Canadá. As compras de máquinas. de acordo com as decisões atuais. A rigor.4% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. na semana de 15 a 19/05/2000. O valor apresentado pelo Canadá -US$ 468 milhões ao ano por sete anos.5 bilhões. O Brasil contestará. Em março. mas ainda não entregues. Em 1999. conflitos como esse nunca terão fim.

de um superávit de US$ 3 bilhões. entre elas está o ingresso do autor no território nacional. Essas exceções constituem o Principio da Extraterritorialidade da lei penal. A regra geral é que a lei penal de um país somente seja aplicada no território em que esse país exerce sua soberania. em determinados casos expressamente previstos. pois permite. André Lóes. Um mês atrás. Mas ressaltou que tudo vai depender do preço do petróleo. Sem embargo. Octavio de Barros. Basicamente. pois já esperava o aumento das importações. Paraguai e Uruguai.§ 2º. Tomando como exemplo o Brasil. está bem aquém do que esperávamos". previstas no art. Mas contou que fará nos próximos dias. Os cálculos anteriores previam algo entre US$ 3 bilhões e US$ 3. Para isso.5 bilhões. 7º do CP.Direito Internacional exportações. pode ser subdivido. os Protocolos de Matéria Penal no Mercosul procuram tratar de: ACIDENTES DE TRÂNSITO 121 . a previsão era de que o saldo seria de US$ 3 bilhões. tiveram incremento de 64%. que incluem automóveis. ainda em US$ 3 bilhões. por exemplo. que seria uma produção normativa paralela para suavizar as diferenças entre os direitos internos dos países integrantes. Brasil. que permitem à lei penal brasileira. disse Freitas. essa regra possui exceções. Além dos gastos mais altos com petróleo. O economista-chefe do BBVA. existem exceções previstas no art. obriga a que os países que firmaram o tratado ou convenção. O Unibanco projeta que o superávit da balança comercial ficará entre US$ 2 e US$ 2. conforme o caso. também é necessário a presença de determinadas condições. Eduardo Freitas. depois de reavaliar o desempenho da balança nas últimas semanas. O valor das vendas desses produtos para o exterior cresceu. A estas trocas chamamos de harmonização. em outros principios. economista-sênior do Unibanco. citamos os delitos que o Brasil. no primeiro trimestre. No caso do genocidio ( Lei 2889/56). por tratado ou convenção. afirmou que mantém sua avaliação. independente da nacionalidade do autor e o local em que ocorreram. DIREITO INTERNACIONAL NO MERCOSUL 1 – Introdução A completa implementação do Mercado Comum do Sul trará inevitavelmente uma gama de trocas nos ordenamentos jurídicos da Argentina. lembra que o preço das commodities não se recuperaram como se imaginava: "O preço da soja. persigam e punam a todo fato criminoso. disse. Esta trocas são imprescindíveis para o pleno atingimento do processo de integração econômica pretendido por estes Estados. se aplica o chamado "Principio da Justiça Universal" que. 7º. decidiu manter a projeção de US$ 2. que o poder punitivo de um Estado se extenda para punir as condutas praticadas em outro. disse que não refez sua projeção. ser aplicada a delitos cometidos fora do Brasil. O Lloyds TSB.5 bilhões. economista-chefe do Santander. se obrigou a reprimir como o genocídio (de que se acusa a Pinochet).5 bilhões. visando a cooperação internacional na luta contra o crime. Materiais de transporte. do CP.5 bilhões (média entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões). 75% na comparação com o mesmo período de 99. é o denominado Principio da Territorialidade da lei penal. Como exemplo de extraterritorialidade. A expectativa do BankBoston também é que o superávit comercial fique entre US$ 2 bilhões e US$ 2. Esse Principio da Extraterritorialidade. "Muito provavelmente será para baixo".

Direito Internacional
HOMICÍDIO E LESÕES CORPORAIS CULPOSOS
CONTRABANDO
DIREITO PENAL ECONÔMICO
APROPRIAÇÕES INDÉBITAS NAS EMPRESAS
ESTELIONATO NAS EMPRESAS

2 – Desenvolvimento
A - Considerações iniciais
As primeiras iniciativas de estabelecer medidas de controle e harmonização em matéria de
Direito Internacional no cone sul foram as que tratavam de práticas monopolísticas e colusivas
na América Latina, tendo como precursores a Argentina em 1919, o México em 1934, o Brasil
em 1938 e o Chile em 1959. Vale destacar que a inspiração que levou esses países da América
Latina a adotarem, no passado, leis de defesa da concorrência, teve objetivos mais amplos do
que a simples repressão às práticas comerciais restritivas. Estavam preocupados, acima de
tudo, com a questão da autonomia tecnológica, desnacionalização de empresas locais, bem
como a defesa dos interesses específicos do pais.
A Argentina, em 1919, promulgou a Lei nº 11.120, que dispunha sobre formas puníveis de
monopólios. Esse diploma legal tinha uma visão estritamente penal da questão. Aquele Estado
membro somente veio a ter uma legislação de defesa da concorrência pura, em 1980, com a
entrada em vigor da Lei nº 22.262, que sofreu forte influência da legislação européia, ao
introduzir o conceito de "posição dominante", afastando-se da rigidez do direito norteamericano, mantendo, porém, a defesa instrumental da liberdade de iniciativa pela livre
concorrência. No texto da citada Lei foi criado também o órgão de aplicação, denominado
Comissão Nacional de Defesa da Concorrência - CNDC, com características semelhantes ao
Conselho Administrativo de Defesa Econômica - CADE, existente no Brasil.
O Brasil tratou da matéria em 1938, através do Decreto-lei nº 869, num contexto de segurança
nacional, incluindo também o conceito de "economia popular". Em 1962, através da Lei nº
4.137, foi sancionada a primeira Lei de defesa da concorrência brasileira, inspirada na Lei
Sherman, norte-americana. Criou-se, assim, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE, órgão com características de um verdadeiro tribunal administrativo. Posteriormente
foram aprovadas as Leis nºs. 8.158, de 1991, e na fase mais recente, a de nº 8.884, de 1994.
É possível afirmar que as revisões feitas ou propostas nas legislações de defesa da
concorrência, tanto no Brasil, como na Argentina, estão orientadas não apenas para conciliálas no âmbito do Mercosul, mas também para adequá-las às suas necessidades internas. O
Uruguai e o Paraguai terão, certamente, que se ajustarem a essa nova realidade.
Os avanços alcançados nas decisões adotadas, até o momento, pelo Conselho do Mercado
Comum, demonstram uma crescente preocupação com a questão dos regimes de concorrência
no Mercosul. Pode-se afirmar que a compatibilização dos regimes de concorrência dos Estados
membros do Mercosul é um pré-requisito para a deflagração, de forma consistente, dos
estímulos e incremento das atividades econômicas na região, e de seu desempenho conjunto
depende o sucesso do processo de integração regional.

122

Direito Internacional
No que se refere às legislações da Argentina e do Brasil, constata-se que são bastante
semelhantes, no que se refere as competências legislativas, na parte instrutória de apuração
de infrações e na imposição de medidas administrativas ou de segurança, na adoção de
medidas preventivas e na tipologia dos dois sistemas jurídicos, na admissão em defesa do
interesse público da prestação do compromisso de cessação, assegurando, ainda, no processo
administrativo, o amplo direito de defesa. Contemplam também, ambos os sistemas jurídicos, o
controle judicial da legalidade dos atos administrativos decorrentes da aplicação da legislação
de defesa da concorrência.
Os resultados obtidos, por sua vez, por parte das instituições encarregadas de aplicação
dessas legislações, na Argentina e no Brasil, nas últimas décadas, demonstram pouco
experiência concreta desses países na implementação de políticas de concorrência, em
decorrência das políticas de desenvolvimento por eles praticadas nesse período.
Na medida em que a Argentina e o Brasil direcionaram suas políticas de desenvolvimento para
a estruturação de mercados concentrados, com uma forte participação do Estado na economia,
criou-se nesses países, um vazio, em termos de cultura concorrencial. A substituição estatal
pela iniciativa privada, por ser recente, ainda não permitiu que se sedimentasse uma cultura de
concorrência nessas sociedades, notadamente entre os agentes econômicos.
Por outro lado, em quase todos os países da América Latina os regimes de concorrência terão
que ser organizados a partir da reestruturação da participação do Estado nessas economias,
que levou a formação de setores oligopolizados e monopolizados, os quais inibiram de forma
marcante a competição, com reflexos negativos no desempenho do mercado.

B - Outros destaques em protocolos gerais e legislação comparada
Dados sobre veículos roubados
Dados sobre pessoas com antecedentes criminais
Os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), junto com Bolívia e Chile,
possuem, desde o ano passado, um banco de dados comum sobre todos os seus carros
furtados ou roubados e todas as pessoas que tenham antecedentes criminais.
A decisão foi tomada em reunião em Assunção (Paraguai), em maio/1999, com objetivo de
definir uma atuação conjunta em relação a questões referentes a segurança, narcóticos e
lavagem de dinheiro. Com isso e com a unificação normativa em outros itens (incluindo a
lavagem de dinheiro, cuja legislação comum será definida em dois anos e terá a brasileira
como modelo), a idéia é que, além de cair a criminalidade, atos praticados em um país não se
tornarão impunes por falta de tipificação penal em outro.
O Brasil, por exemplo, considera crime usar lucros oriundos do tráfico de drogas para a compra
de bens. Na Argentina, isso não é considerado crime. A reportagem apurou que o tema tem
sido um dos mais sensíveis nas reuniões do Mercosul. Para Brasil e Argentina, a "fronteira
tríplice" (divisa com o Paraguai) é considerada um foco de contrabando de armas, receptação
de carros e núcleos terroristas. Os paraguaios resistem em aceitar esse conceito.
O uso de cartas rogatórias

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Direito Internacional

Uma carta rogatória _instrumento pelo qual um juiz de um país pede a um juiz de outro país
para ouvir um suspeito_ leva dois anos para ser cumprida, quando é bem sucedida. No âmbito
do Mercosul, por exemplo, apenas 30% das rogatórias são cumpridas. As 70% restantes
sequer recebem resposta. O encontro de Paris concluiu que, além de elaborar leis que
criminalizem a corrupção, os países devem também ajustar a legislação para dificultar a
lavagem de dinheiro. Os peritos recomendam ainda que os grandes centros financeiros
internacionais adotem regras que permitam detectar operações decorrentes da corrupção.
As fraudes financeiras e a lavagem de dinheiro
Pesquisas recentes realizadas nos quatro países do Mercosul evidenciam que,
frequentemente, as fraudes financeiras (com cartões de crédito e transferências bancárias)
envolvem os mesmos grupos. A conclusão é que tais grupos atuam coordenadamente na
região e, além disso, mantêm ligações internacionais.
O tráfico de drogas, por exemplo, para poder instalar-se e manter-se, conseguiu criar uma rede
de suborno e corrupção que impregna toda a sociedade e o aparelho estatal, particularmente
visível nos órgãos de controle e repressão da criminalidade.
Os traficantes conseguem estabelecer verdadeiros territórios livres, como certas zonas da
periferia carioca. Embora com as diferenças da geografia e da língua, não é muito diferente o
caso das máfias coreanas e libanesas de Ciudad del Este. Nestes casos, o Estado é
questionado em sua própria essência: a territorialidade. A divisão político-administrativa é
substituída por zonas de influência, divididas segundo o interesse dos traficantes e onde nem
as leis nem a moeda nacional têm vigência. O Estado não só vê sua autoridade questionada,
mas perde inclusive o controle da economia.
Os conflitos entre as legislações penais
A abrangência das leis _mediante sua compatibilização e uniformização_ é um dos pontos
críticos do Mercosul. Há algumas leis conflitantes nos quatro países membros, que podem até
dificultar a integração. É o caso da legislação de proteção ao consumidor, que no Brasil é mais
exigente que nos outros parceiros de Mercosul.
No Direito Penal, a Argentina adota procedimentos, como a delação premiada (o acusado
confessa ou delata companheiros de quadrilha e tem sua punição abrandada), que não são
admitidos no Brasil. O Brasil não admite a extradição para a Argentina nos casos em que foi
usada a delação premiada.
Crimes de evasão fiscal praticados por meio de falsas exportações, recebem tratamentos
diferentes nos quatro países.Para discutir tais assuntos foi criado em SET/99, no Brasil, um
instituto supranacional, formado por advogados, juízes e membros do Ministério Público dos
quatro países.
Desde DEZ/1996, cinco anos após ratificar a Convenção de Viena, compromisso internacional
de caracterizar como crime a conversão de dinheiro oriundo do narcotráfico, o governo
brasileiro concluiu projeto que pune a lavagem de dinheiro.

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a pena poderá ser reduzida de um a dois terços e começará a ser cumprida em regime aberto. firmou posições progressistas. além de multa e perda dos bens e valores objetos da lavagem do dinheiro. apoiou o princípio (parágrafo 107K) que recomenda a revisão das atuais legislações punitivas com relação ao procedimento. 1995). não correspondem aos debates que vêm ocorrendo nos parlamentos dos dois países. mais especificamente. no curso do inquérito ou ação penal. A importação ou exportação de bens com valores não correspondentes aos reais também estão sujeitas às mesmas penalidades. Sem legislação própria. crime contra a administração pública. O projeto criou ainda o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). No Cairo. o Brasil estava virando um paraíso da lavagem de dinheiro. O Brasil. ao contrário. A liberação dos bens apreendidos dependerá da comprovação da licitude de sua origem. Com o projeto. considera como crime a lavagem ou ocultação de bens oriundos de tráfico de drogas. levantando reservas com relação aos acordos de saúde e direitos reprodutivos e. a Argentina se alinhou abertamente às posições defendidas pelo Vaticano. Se o autor do crime colaborar espontaneamente com as autoridades. associações ou escritórios cuja atividade envolva algum desses crimes também serão consideradas culpadas. o Brasil e a Argentina passam a ser os únicos países do Mercosul com legislação para punir a lavagem de dinheiro. Essas posições. contribuiu para que o aborto fosse reconhecido como problema de saúde pública. ainda que sem provas definitivas. O conselho vai investigar as suspeitas de atividades ilícitas previstas na lei. seqüestro. sistema financeiro nacional ou praticado por organização criminosa. Desenvolvimento e Paz (Beijing. Em Beijing. As pessoas que participarem de grupos. que passarão a ser controlados pela União. terrorismo. A abordagem da interrupção de gestação e da anticoncepção Na Conferência Internacional de População e Desenvolvimento (Cairo. no que se refere ao aborto. a apreensão ou seqüestro dos bens em nome do acusado que forem fruto da lavagem de dinheiro. se ficar provado que conheciam a real atividade. Nesse caso. A Justiça poderá decretar. Os autores do crime de lavagem também ficarão impedidos de exercer qualquer função pública ou de administrar empresas privadas pelo dobro do tempo da pena de prisão a que forem condenados.Direito Internacional A proposta. prestando esclarecimentos que facilitem as investigações. contrabando de armas. entretanto. 125 . A pena prevista é de três a dez anos de prisão. elaborada pelo Ministério da Justiça. 1994) e na 4ª Conferência sobre Mulher. a pena poderá ser aumentada de um a dois terços. Também será punido quem utilizar recursos e bens que saiba ser provenientes de qualquer dos crimes citados no projeto. que ficará ligado ao Ministério da Fazenda. sem concorrer com outros órgãos hoje existentes.

ele acaba de redigir as propostas de mudança no Código de Processo Penal paraguaio. pelo magistrado paraguaio Roque Orrego Orué. No Brasil. O relatório da Comissão _ que propõe o arquivamento da PEC _ será votado pelo plenário neste ano. porém. o Congresso Nacional argentino aprovou uma nova legislação. Nota-se então. ''Precisamos de uma reforma estrutural profunda na Justiça paraguaia.Aspectos gerais de direito constitucional e internacional com interveniência no direito penal 126 . a emenda elimina os dois permissivos existentes no Código Penal. em 27 de setembro/98. é lenta. ''Para qualquer coisa que preciso aqui em relação a brasileiros. ''a situação desses presos é alarmante e a mim. Nosso Congresso não enfrenta o mesmo dilema. tenho de acionar Assunção. enquanto esperamos sentados'' . Não há data para a votação. Uma nova lei penitenciária está sendo estudada. Pode abrir novos caminhos para a integração no contexto do Mercosul. O embargo foi suspenso pelo governo Alfonsín. Com outros cinco membros de uma comissão nacional. por exemplo. porém. Em outubro. a Comissão de Seguridade Social do Congresso aprovou projeto que regulamenta a oferta de serviços de aborto na rede pública de saúde. nos casos permitidos pelo Código Penal (estupro e risco de vida para a mãe). essas medidas pouco afetam a situação dos brasileiros presos no Paraguai. O Senado acaba de sancionar uma nova proposta de código penal. No dia 1º de novembro de 1995. disse ele. também sem data para ir a apreciação. que aciona Brasília. porém. me envergonha''. no âmbito de missões parlamentares de acompanhamento dos Protocolos de Matéria Penal. como juiz. o Congresso argentino desafiou abertamente a posição defendida pelo governo Menem. O arquivamento definitivo da proposta também irá expressar sintonia entre as agendas parlamentares e das sociedades civis brasileira e argentina. C . ''Há casos de gente presa há dois ou mais anos sem nunca ter dado o primeiro depoimento. até 1986. aquele que instrui o processo''.'' A reforma. Em novembro/98. ''É incrível que estejamos falando em Mercosul e não haja um acordo ou instrumentos jurídicos entre os países de fronteira para combater a delinquência''. considerado abortivo pela Igreja Católica. que serão analisadas pelo parlamento em breve. Ao indeferir a PEC. os parlamentares brasileiros estarão alinhados com a posição adotada pelo Brasil no plano global. Se aprovada. Na lista de métodos anticoncepcionais a serem distribuídos pelo Ministério da Saúde inclui-se o dispositivo intra-uterino. que o caminho a percorrer é longo. Sistemas prisionais – situação dos brasileiros no Paraguai Segundo. declaração feita a parlamentares brasileiros em visita àquele país. juiz de primeira instância no Fórum de Ciudad del Este. mas a Igreja Católica tem impedido a implementação de programas de assistência à anticoncepção. instalou-se uma comissão especial para avaliar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que pretende introduzir no preâmbulo constitucional o preceito de direito à vida desde a concepção. era proibida a distribuição de métodos anticoncepcionais pelo sistema público de saúde. De qualquer maneira. disse o magistrado Orrego.Direito Internacional Na Argentina. que espera ainda a aprovação dos deputados e do presidente da República.

Ao serem assinados e ratificados o Tratado de Assunção e o Protocolo de Ouro Preto pelos países membros. A soberania do Estado no entanto tem seus limites. contudo o texto constitucional não esclarece de maneira expressa se esta pode se dar através de um organismo supranacional. logo não podemos falar em primazia do direito comunitário. "A integração econômica exige a harmonização progressiva das legislações nacionais. quer na ordem externa (relação com os outros Estados). no seu parágrafo único deixa certo que existe a permissão constitucional para uma negociação visando uma integração latino-americana.Direito Internacional Cada vez mais sentiremos falta de uma estrutura institucional com órgãos que bem se caracterizem como uma pessoa jurídica. quer na ordem interna. para uma verdadeira unificação do direito. O artigo 4. Ao contrário da maioria das Constituições mundiais. ou se deve-se respeitar o conceito clássico de soberania. quer seja no próprio tratado ratificado por este." As barreiras constitucionais Toda e qualquer integração. por ser este ponto o elo de ligação com o mundo jurídico exterior. esses foram inseridos em seus direitos internos. e para isto basta vontade política. Para esta análise deixo em anexo uma tabela com a opinião das elites dos nossos vizinhos e nossa ao fim deste trabalho”. para se efetivar de maneira sólida e segura. também velar pela uniformidade da sua interpretação para não se criar uma nova divergência em lugar desta visada uniformidade. "a partir da ratificação e consequente inserção dos tratados nas ordens jurídicas internas. regulado pela Convenção de Viena e seu artigo 53 enquanto uma norma aceita e reconhecida por todos os Estados. e isto não pode acontecer. "com os direitos nacionais. no contato das normas vindas destes com seus cidadãos e pessoas jurídicas nacionais. a garantir sua validade e eficácia. Pela sua condição de soberano. o direito interno. o Estado enquanto sujeito de direito internacional. quer seja pelas normas internacionais gerais. o que será já um grande trabalho. especialmente quanto as normas de natureza constitucional. ao menos formalmente. o direito harmonizado. a dimensão constitucional é um dado fundamental para a integração. A condição soberana do Estado não pode ser então invocada contra legem. pode contrair direitos e obrigações ficando vinculados. e de um tribunal de justiça que assegure a interpretação e funcionamento do mercado comum visado pelos Estados. o jus cogens. É este ponto que vários renomados autores consideram a grande omissão tratando-se de questões internacionais. Esta divergência entre normas constitucionais de um lado e normas do Mercosul de outro deve ser resolvida de qualquer modo." Deveríamos esperar tal coerência. deve-se. a brasileira constantemente deixa de lado a regulamentação entre o direito interno e o direito internacional. É de suma importância o tratamento que o modelo institucional de cada Estado dispensa em relação aos tratados internacionais assumidos por este. Pedro Dallari diz que "não se cogita constitucionalmente da transferência de soberania para organizações supranacionais. deve partir de um ponto essencial. Por fim não basta estabelecer apenas normas uniformes. resta assegurar a coerência do ordenamento jurídico e a compatibilidade das obrigações resultantes" dos tratados e protocolos. Queremos sucesso no Mercosul? Então necessitamos urgentemente de uma revisão constitucional. o problema é que esta nem sempre ocorre. uma interpretação uniforme e esta uma jurisdição supranacional. 127 .

recorde-se que ele prevê negociações diretas (Capítulo II). mas principalmente quando o MERCOSUL der passos mais largos e deixar de ser uma simples Zona Aduaneira. bem como das decisões do Conselho do Mercado Comum e das Resoluções do Grupo Mercado Comum. a aplicação ou o não cumprimento das disposições contidas no Tratado de Assunção. Considerando a necessidade de uma cooperação regional em matéria penal. Podemos notar então que. fatalmente advirá uma Corte com caráter permanente. nos diferentes graus de jurisdição. Por fim. quanto aos meios e direções que este deve assumir.Direito Internacional 3. as normas do MERCOSUL. dos acordos celebrados no âmbito do mesmo. devemos primeiramente adaptar nossas leis internas a essa nova realidade que é a integração. Reconhecendo a necessidade de harmonização da legislação penal dos países do MERCOSUL. 128 . De todo modo.Conclusões Ainda estamos longe de alcançar os objetivos aos quais propuseram-se os Estados-membros quando do começo do Mercosul. dando de certa forma mais valor aos compromissos assumidos internacionalmente. como forma efetiva de combate à criminalidade na região. principalmente no caso brasileiro e uruguaio. Uma integração efetiva e realmente vantajosa só irá ocorrer se os integrantes deste mercado transferirem poderes a órgãos supraestatais que dêem suporte a este desafio. Para que possamos aplicar os mesmos métodos de integração que hoje são aplicáveis na Comunidade Européia com tanto sucesso. A propósito do referido Protocolo de Brasília. De outra parte. e Recordando os direitos Fundamentais do Homem. intervenção do Grupo Mercado Comum (Capítulo III) e procedimento arbitral (Capítulo IV). não só no que tange à harmonização dos aspectos econômicos quanto aqueles relativos ao direito. no âmbito do direito para o MERCOSUL. vem aplicando. para a solução de controvérsias. As controvérsias em destaque são as que surgirem entre os Estados-Partes sobre a interpretação. parece oportuno registrarem-se os passos que têm sido dados no que se poderia designar cooperação institucional. A necessidade de uma revisão constitucional é latente. faltam princípios que norteiem esta integração. muito embora ainda não seja tão pacífica a aceitação da idéia da criação de um tribunal internacional para o MERCOSUL (observe-se o Protocolo de Brasília). com regularidade. como primeiro passo rumo ao estabelecimento de uma política criminal unificada para a região. tem-se que não só a experiência do Tribunal de Luxemburgo (ou melhor. registre-se que. Devermos citar que o judiciário brasileiro. como fruto da experiência da União Européia).

Os Estados Membros do MERCOSUL estabeleçam os mecanismos necessários tendentes à harmonização do Direito Penal Econômico. Se sistematizem as legislações penais econômicas dos Estados Membros. Que os Estados membros promovam esforços a fim de que suas respectivas legislações autorizem a extradição de nacionais pelos países do MERCOSUL. aderindo. Que os Estados membros estabeleçam planos internos de capacitação interdisciplinar em peritos em assuntos do MERCOSUL. Que seja criado um ordenamento jurídico comunitário de caráter supra-nacional. A futura legislação do MERCOSUL se caracterize pelo justo equilíbrio entre a necessidade de resposta social à criminalidade econômica e as garantias dos Direitos Fundamentais do Homem. desde que devidamente homologadas por autoridade judiciária. Seja definido o conteúdo do Direito Penal Econômico nos Estados Membros do MERCOSUL. especializando-se seus órgãos de aplicação. para todo o arcabouço jurídico que rege o processo de integração. Que a execução da pena seja realizada segundo a legislação do país onde se cumprirá a sentença. assim. Que sejam elaborados tratados bi e multilaterais sobre transferência de prisioneiros. Que tal tribunal possua um caráter permanente.. Que os Estados membros realizem esforços para o estabelecimento de um tribunal supranacional.não apenas no que tange aos aspectos de Direito Penal Internacional. é absolutamentre necessário que: Os Estados membros do MERCOSUL promovam gestões no sentido de incluir em seus tratados de extradição uma cláusula adicional impeditiva do seqüestro de pessoas que se encontrem em seus territórios. Que os Estados membros promovam esforços para que suas legislações autorizem a execução de sentença penal estrangeira. 129 . na verdade. Que os tratados de extradição e de assistência judiciária mútua não excluam os delitos dolosos em matéria tributária. e que os pedidos de extradição por tais delitos não sejam negados por não prever a legislação do Estado requerido o mesmo tipo de tributo estabelecido na legislação do Estado requerente. e com o consentimento expresso do condenado. aos argumentos dissidentes da recente decisão da Corte Suprema Norte-Americana no caso Álvarez Machain. mas.Direito Internacional .. Que os tratados de assistência judiciária mútua não incluam a cláusula da dupla incriminação.

Onde falta o trabalho. A concordância traz consigo a ordem e a beleza. que só fazem recordar o mandamento divino: "Enchei a Terra e dominai-a". Sem um organismo. mas nela Paulo VI. a sociedade internacional torna-se mais desequilibrada.Direito Internacional A ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO 1. inseparável da caridade". A Organização Internacional do Trabalho há décadas vem se dedicando. Lloyd 130 . que bem cabem nesta introdução. influenciando a saúde. Leão XIII alerta: Não pode haver capital sem trabalho. Gênese da instituição. Belas e verdadeiras palavras. para dirimir este conflito e cortar o mal na sua raiz. ao contrário um conflito perpétuo de que só podem resultar confusão e lutas selvagens. a vida social fica abalada em todas as suas manifestações. Objetivo Na Encíclica"Rerum Novarum". a "Populorum Progressio". completá-la pelo seu serviço ( . a educação. o mesmo ocorrendo em escala maior na sociedade internacional. não só em matéria de capital e trabalho. segundo a regra da justiça. e isso ele faz através do trabalho. o Estado somente pode controlá-lo através de órgãos próprios voltados para sua fiscalização e estudo. No caso do trabalho. Deus destinou a Terra e tudo o que nela existe ao uso de todos os Homens e de todos os povos de modo que os bens da criação afluam com eqüidade à mão de todos. provocando equilíbrios e desequilíbrios. enfim. pelo seu trabalho. É preciso que o ser humano se organize para dominar a Terra. ou onde a sua retribuição não é adequada. as Instituições possuem uma virtude admirável e múltipla". involuntariamente. nem trabalho sem capital. pronunciou: "Toda criação é para o Homem. A doutrina social da Igreja tem-nos legado páginas e páginas preciosas sobre a matéria.. Uma reflexão histórica se faz necessária para chegarmos à OIT.(') Parece-nos correto assim pensar. com a condição de ele aplicar o seu esforço inteligente em valorizá-la. fazendoos compreender que. um controle coordenando os Estados. também o eram na vida. lado a lado com outras classes sociais. mais pobre. obrigando os governos a fazer concessões aos operários. uma vez que têm mera finalidade didática e de qualquer forma representam a realidade sobre o Homem e a sua sobrevivência.. influenciando a política e movendo-se a par com a economia. onde a morte estava presente. dada a complexidade de suas realizações que envolvem os setores da sociedade. Ora. desestabilizando. mas em todo e qualquer campo da atividade humana que adquire importância para a sociedade. a ordem econômica e social e a sensível balança política. o nível de vida em geral. ). se os Homens eram iguais na guerra. com felicidade. As figuras acima utilizadas não pretendem melindrar os estudiosos do Direito que professam ou não uma religião. Guerra Mundial (19141918) levou milhares de trabalhadores à luta. A 1 a. Perdoe-se-nos a citação de outra Encíclica. uma instituição. por assim dizer. a cumprir a ordem eterna.

de sua Constituição estabelece que: "Gozará.Direito Internacional George. em que o trabalho fosse colocado no mesmo plano que o capital". dizia: "0 Governo pode perder a guerra sem o vosso auxílio. liberdade sindical etc. para assegurar o bem -estar material e espiritual da Humanidade. B) A OIT não procura unicamente a melhora das condições materiais de existência. a luta contra o desemprego. lutaram não somente para a defesa das riquezas dos detentores do capital. tinham. no sentido mais amplo do termo. Basta dizer que a Parte XIII do Tratado de Versalhes. com papel prevalente. Deixemos de lado as iniciativas históricas que redundaram na criação da OIT. da crença ou do sexo. Enfim. de regras de duração. pois teríamos de escrever sobre a própria história da Humanidade. 0 art.em particular da igualdade de oportunidades. também. de higiene. como à defesa dos valores da liberdade . os maiores responsáveis pela guerra. D) Os textos fundamentais da OIT insistem na necessidade de um esforço concentrado. É. na Inglaterra. visando ao progresso material e à segurança econômica.6. porquanto alcança o conjunto de seres humanos nas suas relações de trabalho. como parte da Sociedade das Nações. dos privilégios e imunidades que sejam necessários para a consecução de seus fins". Foram os trabalhadores chamados para a paz. 40. a OIT um organismo à parte. respeitado por todas as nações. a OIT viu -se vinculada à ONU. Também foi convocada uma conferência sindical dos aliados para um mínimo de garantia do trabalho. 57 e 63 da Carta). de segurança e seguro social. não deve constituir um setor distinto das políticas nacionais ou da ação internacional. para promover o bem comum. § 12. pois representa o próprio objeto dos programas 131 . o Direito que o sustenta tem vocação internacional. C) A ação da Organização não se limita à proteção dos trabalhadores propriamente ditos. que haviam caído nos campos de batalha. Após a 11 Guerra. 28. em que os operários gozassem dos mesmos direitos de que usufruíam todos os cidadãos. Concitava-se o proletariado internacional (CGT1915) para assentar suas bases. no território de cada um dos seus membros.19. pois. sem integrá-la (arts.notadamente da liberdade de expressão e de associação -. Ela dá ênfase tanto à luta contra a necessidade. de dignidade e igualdade . Entre tais fins encontram-se a proteção ao trabalho. preparado o campo para uma nova aurora social. internacional e nacional. posição do trabalhador estrangeiro. embora cada Estado estabeleça suas próprias normas sobre o trabalho. com a Carta das Nações Unidas. independentemente da raça. Explica Süssekind a filosofia da OIT: "A) 0 objetivo da OIT não se restringe a melhorar as condições de trabalho. previdência social. E) Esses princípios de base da OIT sublinham que a ação para melhorar as condições sociais da Humanidade. instituía uma Organização Internacional do Trabalho. independente de fronteiras e ideologias. isto é. universalista. "Compreendiam todos que os trabalhadores. tendo total independência de ação. mas sem ele não a pode ganhar". mas a melhorar a condição humana no seu conjunto.

mas também as concernentes ao bem-estar dos indivíduos e à justiça no seio das sociedades. como órgão supremo da Organização. o local e a ordem do dia das reuniões da Conferência Internacional e das Conferências Regionais e Técnicas. Elege o diretor-geral da RIT (Repartição Internacional do Trabalho). decidindo. Estrutura A estrutura básica da OIT constitui-se de três órgãos: a Conferência Internacional do Trabalho.44. como já se disse alhures. fixar a data de suas reuniões e tomar medidas para as resoluções da Conferência.4. em colaboração direta com as autoridades nacionais interessadas e organismos de diversos tipos. ainda que em suas disposições con sagre o respeito à soberania estatal. Afirma-se a primazia do social em toda planificação econômica e a finalidade social do desenvolvimento econômico" Sendo a OIT uma associação de caráter federativo .no dize de Plá Rodriguez -. 0 primeiro é a Assembléia Geral de todos os Estados-Membros. porém a OIT tem uma tradição de regrar matéria de competência exclusiva interna dos Estados. Adota resoluções sobre problemas que concernem direta ou indiretamente às suas finalidades e competência. que implica. como a regulamentação internacional do trabalho e das questões que são conexas. também. Já o Conselho de Administração administra em nível superior a OIT. a partir desta passou a regular não somente as questões entre Estados. além de outros afazeres consagrados no seu diploma. 132 .Direito Internacional econômicos e financeiros e estes devem ser julgados sob este prisma. traça as diretrizes gerais da política social a ser observada. além de elaborar o projeto de programa e orçamento da Organização. A Repartição Internacional do Trabalho constitui-se no Secretariado Técnico-Administrativo da Organização.M Reúne-se três vezes por ano e seus membros são eleitos a cada três anos pela Conferência. Tem. Qualquer outro organismo internacional não age dessa forma. bem como a realização de inquéritos determinados pela Conferência e pelo Conselho. que. naturalmente. constituiu uma inovação no Direito Internacional. A Conferência Geral da OIT. competência para elaborar. É que o sistema de convenções internacionais do trabalho. 2. Centraliza todas as informações e as distribui. dirigida por um diretor-geral nomeado pelo Conselho. de quem recebe instruções e perante o qual é responsável. elaborando-as por meio das convenções e recomendações. em particular o estudo das questões a serem submetidas a discussão na Conferência para a Adoção de Convenções Internacionais. o Conselho de Administração e a Repartição Internacional do Trabalho. ainda. realizada em Filadélfia em 5. bem se vê que sua atuação não leva em conta as fronteiras do Estado. 0 diretor-geral do Secretariado da Organização é eleito pelo Conselho. programas de atividades práticas e de cooperação técnica. supervisionando as atividades da Repartição. instituir Comissões. fixando a data. certa restrição à soberania de cada membro. sobre pedidos de admissão de países não pertencentes à ONU e sobre o orçamento da Organização. Reúne-se anualmente.

Direito Internacional 0 mais que se possa dizer sobre a estrutura da OIT (e há muito). um da organização sindical dos trabalhadores e um da organização dos empregadores: "A Conferência corresponde a uma espécie de Parlamento Mundial integrado por um sistema de representação mista de interesses: estatais e profissionais". de associações sindicais de trabalhadores e associações de empregadores. que o progresso social não é um obstáculo ao desenvolvimento econômico. A Conferência Internacional. A atividade da OIT não se restringe apenas à matéria relativa ao trabalho.da RIT. em nome da Organização. a ponto de criar uma rede de diplomas e regras na qual o Estado se vê compromissado. A constituição tripartite é uma de suas características mais marcantes. após a Declaração de Filadélfia (1944). decorrendo de seus termos a uniformização das normas jurídicas. Todas as Comissões formadas na OIT para estudo de matérias específicas revelam a mesma formação tripartite. indispensável fonte de consulta. asseverou: "0 tripartismo da OIT constitui sua verdadeira força. em vista da autoridade com que são ungidas as decisões de seus organismos. afirmou. alguns livros já consagram o suficiente. Roberto Von Potubsky. Essa característica corresponde a um compromisso de representação dos Estados. como o tantas vezes citado "Direito Internacional do Trabalho". Por aí se vê que a constituição sui generis dessa instituição dá-lhe autoridade ímpar que se vem confirmando ao longo dos anos. ele é a finalidade mesma do desenvolvimento econômico e um elemento vital do seu processo tese que foi adotada pela Assembléia Geral das Nações Unidas. com a incorporação das convenções e 133 . adotadas com o apoio majoritário dos três setores" .segundo Süssekind . que gozam de relativa estabilidade e de certa maturidade política. citado por Mario Deveali. a estrutura da Organização é muito mais democrática que qualquer outra. é composta de dois delegados do Estado-Membro. nem um luxo reservado aos países prósperos. os órgãos colegiados compõem-se de representantes de governos. 0 que efetivamente nos interessa é o modo pelo qual a OIT age. Tal composição empresta às normas criadas pela OIT um caráter especial. dos indivíduos e dos grupos. restou consignado que os programas de cooperação técnica têm por alvo aspectos socioeconômicos e tecnológicos. Wilfred Jenks. por exemplo. Um saudoso Diretor-Geral . pois inclui o Homem na representação de sua classe ao lado dos Estados. Como regra quaseabsoluta. porque. juntamente com a consagração do tripartismo. Logo. A Constituição de 1919 da OIT afirmou como objetivo a paz universal e a justiça social. do festejado Süssekind.

cada Estado tem seu sistema de normas e de eficácia interna dos acordos e tratados assinados na órbita internacional.Direito Internacional recomendações no Direito Interno dos diversos Estados. ao cabo de múltiplos acertos e debates. reduzindo-se os conflitos de leis do trabalho no espaço. o monismo. Funcionamento A Convenção ratificada pelo Estado constitui fonte formal de Direito. o terceiro e o quarto representando. respectivamente. 19-6-b da Constituição da OIT. Mas. como toda conferência preparatória de tratados coletivos. dois agem à conta do governo. É certo que os delegados classistas são. Inobstante. ou não. os Estados-Membros têm obrigação de submeter. 0 conjunto das normas consubstanciadas nas convenções e recomendações forma um autêntico Código Internacional do Trabalho. Também nos países dualistas poderíamos ter uma convenção auto-aplicável. neste último caso teria. Auto-aplicáveis em referência ao Estado. 3. automaticamente. à diferença do que sucede nas outras assembléias a tantos destinadas.. que vem sendo seguido não só pelo Brasil. no prazo máximo de dezoito meses. a convenção em questão 134 . os empregadores e os trabalhadores. por maioria de dois terços. quando não ratificadas. ante os compromissos internacionais assumidos. Se ratificadas. as delegações estatais à Conferência Internacional do Trabalho não são estritamente governamentais. 0 caráter é. mas necessariamente de acordo com as corporações profissionais mais representativas das duas classes ( . não sendo possível impingir as regras emanadas pela Conferência aos Estados. embora ocorra normalmente a aceitação. que. gerando direitos subjetivos individuais. Diferem as convenções das recomendações porque elas têm um apelo formal de menor intensidade. de princípios gerais e promocionais. Costuma-se classificar as convenções que são tratados (abertos à adesão e à ratificação) em auto-aplicáveis. as Convenções Internacionais do Trabalho". com prevalência na ordem internacional. No entanto. têm sua eficácia no território nacional assegurada. ex vi do art. ) recolhem-se os votos individuais dos delegados. integrada a convenção no plano legislativo interno. designados pelo governo de origem. servem de inspiração e modelo para a atividade legislativa dos Estados. não é mais que o conjunto das delegações dos Estados interessados em pactuar. se este adota. e. adotam-se. com regras específicas de votação.. não obrigando os Estados. a recomendação à autoridade que no seu Direito Interno for legislar ou adotar medidas sobre o assunto. assim. universal. A Conferência Internacional é o grande palco onde se gestam as convenções internacionais. As convenções. e é essa sua aspiração. tornando-os efetivos sobretudo nos países que adotam o monismo. dada a sua natureza tripartite: "A negociação das convenções internacionais do trabalho tem por cenário a conferência anual da OIT. como por todos os países-membros da instituição. desde que. Sua composição é tríplice no que pertine à representatividade dos quatro delegados de cada Estado-Membro. como os outros. uma por uma.

a adaptação da norma geral aprovada no Direito Internacional do Trabalho pela conferência da OIT justifica. que medeia entre a ratificação e a vigência. expondo. como se vê. porque os Estados se vêem obrigados a responder dentro do prazo de dezoito meses. 0 art. Promocionais são as que fixam determinados objetivos e estabelecem programas para a sua consecução. que também devem ser atendidos em prazo médio ou. "até que ponto aplicou. (A convenção de princípios gerais.Direito Internacional reproduzindo a espécie normativa nacional. c e d). dispositivos da convenção. ainda. deverá prestar informação sobre sua legislação e prática sobre o assunto de que trata a convenção. as dificuldades que impedem ou retardam a ratificação da convenção" (art. da adoção por parte deste. 0 Estado-Membro está atrelado a uma série de normas procedimentais que não pode simplesmente descumprir porque se lhe impõe. da convenção através da norma específica. por uma organização profissional de empregados ou de empregadores. poderão ser transmitida pelo Conselho de Administração ao governo em questão e este poderá ser convidado a fazer. por força de contratos coletivos. uma vez que precisa este levar em conta a realidade de seu povo e do seu território. Dois princípios de Direito Internacional Público devem ser contemporizados na aplicação das normas internacionais trabalhistas: aquele que determina o respeito à soberania dos Estados 135 . no máximo. conforme determinação expressa na Carta Constitutiva. 19 da Constituição da OIT. a longo prazo. Deverão os Estados dar conhecimento ao diretor-geral (RIT) das medidas que tomaram em relação à convenção. conforme o estabelecido. por intermédio de leis. informando. 26 da Constituição da OIT também se refere a queixas que podem ser dadas por um contra outro Estado-Membro. 24. sobre a matéria. a ser efetuada no prazo de doze meses. por qualquer outro processo. 19-5-e). As atitudes do Estado podem ser objeto. havendo a possibilidade de a Organização instaurar inquérito para apurações. Mesmo quando o Estado não ratificou. a declaração que julgar conveniente". por meios administrativos. Toda reclamação. e segundo a qual um dos Estados-Membros não tenha assegurado satisfatoriamente a execução de uma convenção a que o dito Estado haja aderido. dirigida à Repartição Internacional do Trabalho. seus termos não necessitassem de nenhuma adaptação. uma responsabilidade como participe do organismo. às vezes. para sua efetiva aplicação pelo Estado. propõe princípios a serem seguidos na matéria e depende. de reclamações por parte dos particulares: "Art. a demora do Estado em implementá-las. mesmo. As recomendações. Contudo. ou pretende aplicar. ou ainda. outrossim. A submissão dos Estados-Membros ao atendimento das medidas dentro de certo prazo vem especificada no art. b. como o nome está dizendo. A ingerência das decisões da Organização no plano interno dos Estados é um fato. sobre a adoção das medidas aprovadas. embora tenham menos força vinculante também se mostram objeto de explicações por parte do Estado (art 19-6-a. inclusive.

92 . e a partir daí se obriga a obedecer.Idade Mínima no Trabalho Marítimo N.Idade Mínima de Admissão nos Trabalhos Industriais N. 58 .Abolição do Trabalho Forçado N. 16 . 42 . que está revelado no art. 52 .Organização do Serviço no Emprego N. ante o processo de globalização que o mundo atravessa. negociação coletiva.Inspeção do Trabalho na Indústria e no Comércio N. Convenções ratificadas pelo Brasil Abaixo. 14 . 21 .Exame Médico de Menores no Trabalho Marítimo N.Alojamento de Tripulação a Bordo (revisão) N. 80 . é fiscalizado de forma individual e rígida na assunção de suas obrigações. igualdade de tratamento independente de sexo. proibição de trabalho forçado.Indenização por Enfermidade Profissional N. perante a OIT e.Trabalho Noturno dos Menores na Indústria N. 88 . Ratificado o tratado. 5 . 19 .Inspeção dos Emigrantes a Bordo dos Navios N.Indenização por Acidente do Trabalho na Agricultura N.Emprego de Mulheres nos Trabalhos Subterrâneos das N. este derroga automaticamente as normas da legislação nacional. relativa) e o do pacta sunt servanda. Desse modo. 12 . que busca o respeito de todos os países aos seguintes desideratos: liberdade sindical.Férias Remuneradas dos Marítimos (revisão) N. 4. raça ou religião e a idade mínima para a entrada no mercado de trabalho. Não se pode esquecer que. 81 .Direito de Sindicalização na Agricultura N. 26 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados: "Todo tratado em vigor obriga as partes e deve ser cumprido por elas de boa-fé".Contrato de Engajamento de Marinheiros N. 11 . 89 -Trabalho Noturno das Mulheres na Indústria (revisão N. Sempre é possível compatibilizá-los quando se raciocina que o Estado soberanamente ratifica o tratado. 91 .Certificados de Capacidade dos Oficiais da Marinha N. 22 .Repouso Semanal na Indústria N. elencamos as Convenções ratificadas pelo Brasil: N.Direito Internacional (como vimos.Igualdade de Tratamento entre Estrangeiros e Nacionais em Acidentes do Trabalho N.Férias Remuneradas N. 26 . o Estado. 6 . 45 . 94 . por conseqüência. 29 .Cláusulas de Trabalho em Contratos com órgãos 136 .Revisão dos Artigos Finais N.Métodos de Fixação de Salários Mínimos N. perante o Direito Internacional. a exploração do trabalho humano sem a devida remuneração e ou com desrespeito aos direitos mínimos do trabalhador mostra-se instigadora para a atuação cada vez mais efetiva da OIT. 53 .

103 . 127 . 119 .Salário Igual para Trabalho de Igual Valor entre Homem e Mulher (revisão) N.Abolição das Sanções Penais no Trabalho Indígena N.Continuidade no Emprego Marítimo N. 137 . 105 . 148 . 162 .Higiene no Comércio e nos Escritórios N. 99 .Proteção das Máquinas N.Abolição do Trabalho Forçado N.Estatísticas do Trabalho (revisão) N. 155 . Ruído e Vibrações N. 142 Desenvolvimentos de Recursos Humanos N. 147 . 168 . 161 . 118 Igualdade de Tratamento entre Nacionais e Estrangeiros em Previdência Social N.Reabilitação Profissional e Emprego de Pessoas Deficientes N. 124 .Fixação de Salários Mínimos Especialmente nos Países em Desenvolvimento N. 135 .Direito de Sindicalização e de Negociação Coletiva N.Promoção do Emprego e Proteção contra o Desemprego. 101 .Amparo à Maternidade (revisão) N.Certificados de Capacidade dos Pescadores N. 97 -Trabalhadores Migrantes (revisão) N. 113 . 111 .Licença Remunerada para Estudos N. 117 . 107 . 140 . 139 . 98 .Exame Médico dos Adolescentes para o Trabalho Subterrâneo nas Minas N.Métodos de Fixação de Salário Mínimo na Agricultura N.Repouso Semanal no Comércio e nos Escritórios N. 109 . 131 .Revisão dos Artigos Finais N. 104 . 145 . 160 .Proteção de Representantes de Trabalhadores N.Objetivos e Normas Básicas da Política Social N. 116 . 159 . 108 . 106 . 125 .Prevenção de Riscos Profissionais causados por Substâncias ou Agentes Cancerígenos N.Discriminação em Matéria de Empregos e Ocupação N. COMPETÊNCIA INTERNACIONAL DA JUSTIÇA DO TRABALHO A mais polêmica novidade do preceito contido no art. 122 Política de Emprego N.Segurança e Saúde dos Trabalhadores N.Férias Remuneradas na Agricultura N. 136 -Proteção contra os Riscos da Intoxicação pelo Benzeno N.Utilização do Amianto com Segurança N. 133 .Populações Indígenas e Tribais N.Proteção do Salário N.Serviço de Saúde do Trabalho N. 120 .Peso Máximo de Cargas N. 95 .Direito Internacional N.Fomento à Negociação Coletiva N. 154 . 114 da Constituição é a que prevê a competência da Justiça do Trabalho para compor conflitos entre trabalhadores e entes de direito público externo.Proteção contra as Radiações N.Segurança e Higiene dos Trabalhos Portuários N.Contaminação do Ar.Normas Mínimas da Marinha Mercante N.Documentos de Identidade dos Marítimos N. 100 .Alojamento a Bordo de Navios (Disposições complementares) N. 152 .Exame Médico dos Pescadores N.Salários. 115 . Duração do Trabalho a Bordo e Efetivos N.

a impossibilidade de um Estado subordinar outro a sua jurisdição. a Comunidade Européia do Carvão e do Aço (CECA). que se unem com objetivos comuns e definidos". dotados de personalidade jurídica própria.Direito Internacional Ao primeiro exame a norma constitucional leva a crer que o Brasil teria deixado de honrar. esses entes são associações de Estado. distinta da de seus membros. 304). "nenhum Estado pode se subtrair a uma obrigação jurídica internacional invocando seu direito interno" (Alfred Verdross). até porque os outros Estados também são soberanos. reconhecida pelo Direito das Gentes. mesmo nos países que a ela não aderiram". pode ser invocada. por fundamentos diversos. segundo ensina Georgenor de Sousa Franco Filho. superior. que não significam. entre nós (in 1munidade de Jurisdição Trabalhista dos Entes de Direito Internacional Público". ou seja. assegurando aos membros da missão diplomática imunidade de jurisdição no Estado acreditado. LTr 52-111324 e 325). o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como entes reconhecidos de Direito Internacional Público. pág. a imunidade de jurisdição dos Estados. 0 estudo menos apressado e a análise mais descansada revelam. a Organização Mundial da Saúde (OMS). e sim em uma igualdade entre as nações. a disposição do art. "exercem funções notariais e de caráter administrativo". a Organização das Nações Unidas (ONU). a Comunidade Econômica Européia (CEE). por via indireta. que a primeira impressão é falaciosa. aliás. Süssekind (ín "Curso de Direito Constitucional do Trabalho". "Tecnicamente. apesar da semelhança dos efeitos. "por corresponder a Direito Internacional básico ou geral. Mas os cônsules. com base no art. 114 significa que o Brasil sujeita à competência de sua Justiça do Trabalho até mesmo os Estados estrangeiros e seus organismos. a daqueles deriva de tratados e convenções internacionais. vol. a partir de 5 de outubro de 1988. A Convenção de Viena sobre relações diplomáticas foi aprovada pelo Brasil através do Decreto Legislativo n. Campos Batalha e Silvia Marina Labate Batalha. 103. A imunidade deste está fundada no Direito das Gentes. como veremos. e portanto sua submissão à jurisdição do país receptor é legítima (in Rev. Desse axioma decorre. são elas equiparadas aos Estados. Na moderna lição dos internacionalistas. não podem ser submetidos pela norma estatal brasileira. A imunidade de jurisdição se estende às organizações internacionais. Essa convenção. Se o Estado é soberano e a soberania consiste no poder incontrastável. através de tratados e convenções. a Associação Lati no-Ame rica na de Integração (ALADI) e a Organização dos Estados Americanos (OEA). como ensina Arnaldo L. 138 . e assim sendo. seus compromissos internacionais. pág.11. que não reconhece outro. uma abdicação da soberania ou uma dependência. salvo sua anuência expressa. assumidos perante a comunidade das nações. prevalecendo o princípio de que iguais não podem submeter iguais ao seu mando: par in parem non habet imperium. 0 Estado goza de imunidade por direito próprio. constituídos através de tratados. Imunes à jurisdição também estão os agentes diplomáticos. a Organização Internacional do Trabalho (Off). É o que acontece com a Agência Européia de Energia Atômica (EURATOM). 2. como corolário. para lembrar apenas as mais conhecidas. contudo. 65). contudo. 0 convívio internacional implica em aceitação de algumas diretrizes supranacionais. 27 da Convenção de Viena. de 18. no dizer de Wilson de S. um dos maiores conhecedores do assunto. os agentes diplomáticos.64. lastreada na necessidade funcional de bem desempenhar sua missão de representação dos Estados. como representantes do Estado.

quando o agente exerce atos de comércio ou de indústria. onde há uma multiplicidade de soberanias e de interesses". de acordo com Georgenor de Sousa Franco Filho (in "Da Competência Internacional da Justiça do Trabalho". somente o Estado que o agente representa poderá renunciar. ri.lmar. Também nesse caso é requerida a renúncia expressa. também os agentes diplomáticos (embaixadores. Nesse sentido já se pronunciou o nosso Supremo Tribunal Federal. da Convenção de Viena. administrador. pág. 77). e até como manifestação de sua autonomia. porém. se submeterem. 4. para as quais nova renúncia é necessária". somente a renúncia à imunidade de jurisdição é admissível. voluntariamente. legados. na realidade. e ações referentes à profissão liberal ou atividade comercial exercida em nome pessoal. um conceito absoluto. não é essa. contudo. 114 da Constituição Federal. Por exceção. vedada a renúncia à imunidade de execução. de 1961. de Informação Legislativa. mas a própria Convenção abre algumas exceções: não há imunidade quando se tratar de ações reais sobre imóveis privados. admite a Convenção de Viena a renúncia implícita quando é o próprio Estado quem propõe ação no Tribunal estrangeiro. A renúncia expressa à execução também é necessária.Direito Internacional A imunidade de jurisdição não é. como acontece com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP). enviados. 31. jan. letra b). A razão jurídica fundamental. verbis: "A renúncia à imunidade de jurisdição no tocante às ações cíveis ou administrativas não implica renúncia quanto às medidas de execução da sentença. de caráter pessoal e privado. não tem o agente diplomático poderes para renunciar à imunidade. e ainda quando ocorra reconvenção na ação proposta pelo Estado estrangeiro. a possibilidade de o Estado renunciar à imunidade de que goza. 139 . A doutrina internacional reconhece. a título privado e não em nome do Estado. Tratando-se de garantia de ordem pública. bens imóveis. não se presume. também. contudo. muitas outras razões causam a admissão de exceções. de 1989. A renúncia. mas deve ser expressa. por imposição da convivência e do mútuo respeito. para conhecer e julgar os litígios trabalhistas de que sejam parte entes de direito público externo. às Cortes Internacionais. Além de os Estados. ações sucessórias em que "o agente diplomático figure. Finalmente: organismos internacionais sem personalidade jurídica reconhecida pelo Brasil tampouco se beneficiam de imunidade de jurisdição. em nome próprio. ministros e encarregados de negócios) gozam de dupla imunidade. Por força da mesma Convenção de Viena. por conveniência e/ou interesse de bom relacionamento entre membros da comunidade internacional. A existência dessas exceções já seria suficiente para justificar a previsão de competência da Justiça do Trabalho. Reconhece. No que respeita aos organismos internacionais. "Explica-se tal fato em decorrência de as organizações internacionais serem associações de Estado. no art. herdeiro ou legatário" (art. a existência de uma dupla imunidade: de jurisdição e de execução. porém. em nome próprio. ou possui. 32. em consonância com o disposto no art. como executor testamentário. separata da Rev. A mais comum e mais divulgada das exceções resulta da renúncia à imunidade. núncios. por ato próprio.

0 texto constitucional em vigor (art. Citado o ente de direito público externo. organismo internacional. Não se confunde. que tem a atribuição precípua de "dizer o direito". conforme Antonio Lamarca (à "0 Livro da Competência". a explicação do autor da emenda que resultou na inclusão. o juiz com competência interna deverá apreciar a sua própria competência. recurso de revista para uma das Turmas do Tribunal Superior do Trabalho. Havia dúvida. por várias razões: em primeiro lugar. mas não cumprida espontaneamente. c) comparece e argúi imunidade de jurisdição. No segundo. Em outras palavras: "Antes de apreciar um caso de imunidade de jurisdição (Estado estrangeiro. Essa missão é cumprida pelo Poder Judiciário. ter jurisdição e exercer jurisdição. 125 daquela Constituição. tanto na doutrina como na jurisprudência. a conciliação é válida. 114) visou precipuamente eliminar a controvérsia anterior sobre a "competência para declarar a competência" (ou incompetência) para dirimir litígios de que são partes entes de direito público externo: cabe à Justiça do Trabalho. o entendimento. que atribui competência específica à 140 . Essa tarefa de examinar e dizer. no regime da Constituição anterior. envolvendo ente de direito público externo. porém. b) comparece e se concilia. a saber: a) não comparece à audiência designada. nas hipóteses previstas no art. cabe o exame da competência "preliminar"-. para afirmar a sua própria competência (ou mais grave ainda. Supremo Tribunal Federal. não atua sempre espontaneamente. 114 da Constituição. ainda que. Parece inquestionável que a ação deverá ser proposta perante o órgão de primeiro grau. Contra o acórdão regional cabe. a imunidade de jurisdição deve ser declarada ex officío. por respeito à imunidade. quatro são as reações possíveis. para espancar qualquer dúvida. 894 da CLT. essa competência "preliminar". Do julgamento da Turma deste último tribunal caberá. ou seja.Direito Internacional 0 Direito. se a Justiça Brasileira tem jurisdição para dirimir o caso concreto. com fundamento no art. Algum organismo tem que apurar se há jurisdição. a que órgão do Poder Judiciário atribuía ela essa "competência preliminar" de examinar se havia jurisdição da Justiça Brasileira. inclusive do E. deve caber a um órgão integrante de nosso Poder Judiciário. em tese. d) comparece e renuncia à imunidade. diante dos expressos termos do art. Esse é o sentido do art. o multicitado Georgenor de Sousa Franco Filho. Parece-nos inviável o recurso ordinário contra a decisão do órgão de primeiro grau. ainda que de patamar constitucional. Veja-se. deixe de exercê-la. Resta saber a que órgãos. 896 da CLT. diretamente endereçado ao Superior Tribunal de Justiça. Prevalecia. dentro da organização judiciária trabalhista. deve o feito ser instruído e julgado como qualquer outro. No primeiro caso. No terceiro caso. liminarmente. endereçado ao Tribunal Regional do Trabalho. pág. no preceito constitucional. porque não há renúncia tácita. mas necessita de aplicação efetiva aos casos concretos. E no último caso. e qual o procedimento recomendável. deve ser proclamada a imunidade de jurisdição e arquivado o processo. porém. só poderá ser executada se houver renúncia expressa à imunidade de execução. se encontrar lastro nas hipóteses da letra b do art. Junta de Conciliação e Julgamento ou Juízo de Direito investido de jurisdição trabalhista. de que competia à Justiça Federal examinar a questão. 114 da Constituição de 1988. de jurisdição. a falta de jurisdição)". reconhecendo sua existência. nos processos trabalhistas. mas terá que ser competente. 0 recurso cabível contra qualquer decisão do órgão de primeiro grau é o ordinário. agentes diplomáticos ou consulares).'da expressão "entes de direito público externo". e não mais à Justiça Federal. o recurso de Embargos. 461).

invocou-se a doutrina que se lastreia nos princípios universais de cumprimento das obrigações assumidas e do dever de reparar o mal injustamente causado. contra a decisão dos Embargos. como a definitiva. entre nós. e já foi aceita. os atos legislativos invocados. restaria ao vencedor apenas a via diplomática. A nosso ver.Direito Internacional Justiça do Trabalho. frontalmente. que adotam a mesma linha de rejeitar a imunidade nas questões trabalhistas. em segundo lugar. em pelo menos dois episódios. não haveria como executar as decisões sem a renúncia expressa da imunidade pela entidade estrangeira. posto que nossas condições culturais são notoriamente diversas das imperantes nos países do primeiro mundo. o simples reconhecimento do direito se transforma numa vitória de Pirro. da Constituição Federal. principalmente no que respeita ao Direito do Trabalho. finalmente.11635-5. foi mantido no âmbito desse ramo do Poder Judiciário. do Foreign Sovereign Immunities Act dos Estados Unidos e no State ImmunityAct do Reino Unido. porque seriam subtraídas as competências funcionais dos Tribunais Regionais e Superior do Trabalho. de que é o primeiro e maior exemplo a Comunidade Econômica Européia. só contraria nossa opinião na aparência. 89. no segundo. o recurso extraordinário. e em último lugar.696-3. pelo Tribunal Superior do Trabalho. do Supremo Tribunal Federal. porque a intervenção da Justiça Federal ofenderia. a decisão do Superior Tribunal de Justiça não constrangeria órgão da Justiça do Trabalho. em terceiro lugar. renúncia essa que não pode ser presumida nem legalmente imposta. cabível será. E sem possibilidade de execução. porque sendo órgão de outro ramo judiciário. com apoio no art. Assim sendo. de acordo com as normas internacionais imperantes na comunidade de nações. E. no processo n. tais pronunciamentos revelam certa precipitação irrealista. ainda que fosse viável repelir a imunidade de jurisdição de que gozam os entes de direito. cada vez mais. item III. o v. que a integração de Estados independentes em blocos econômicos e. mas não funciona. público externo. 141 . no regime da Constituição anterior. freqüentemente lembrado. que afasta a imunidade nos litígios trabalhistas. do Superior Tribunal de Justiça. e pelo princípio da perpetuatio jurisdicionis. letra a. pois tal processo teve início perante Juiz Federal de primeiro grau. numa segunda etapa. A execução provisória. acórdão vem fundamentado nos exemplos da Convenção Européia de 1972. No primeiro deles. Cumpre ressaltar. 89.11635-5. 9. Essa tendência é nítida. a competência constitucionalmente fixada da Justiça do Trabalho. na Europa ocidental. também políticos. Inexistente a renúncia. E essa atenuação leva e levará. tende a atenuar a rigidez do conceito de soberania. num sino sem badalo: existe. à possibilidade de que os Estados passem a aceitar e a acatar decisões da Justiça de outros Estados. e no processo n. para obter a satisfação dos direitos que lhe foram reconhecidos. 102. pelo Brasil: no já lembrado processo n. requer a renúncia expressa do ente de direito público externo. finalmente. 0 precedente jurisdicional do Superior Tribunal de Justiça. endereçado ao Supremo Tribunal Federal. e não vigoram.