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Módulo - Produção Textual

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Sumário

Sumário 3

I. Apresentação 5

Apresentação 5

II. Refletindo sobre a Linguagem 6

Refletindo sobre a Linguagem 6


A. Língua e Linguagem.............................................................6
1. Língua, Linguagem, Fala e Discurso................................6
2. Linguagem Oral e Linguagem Escrita.............................14
3. Língua e Realidade.........................................................21
B. Diversidade Linguística......................................................33
1. Variações Linguísticas....................................................33
C. A Importância da Leitura....................................................39
1. Leitura da Palavra e Leitura do Mundo...........................39
D. A Palavra e a Ideia.............................................................55
1. Palavra, Pensamento e Ação..........................................55
2. Conhecendo as Palavras................................................63

III. Construindo o Texto 70

Construindo o Texto 70
A. Quebrando as Barreiras.....................................................70
1. Tecendo o Texto..............................................................70
2. Produzindo o Texto.........................................................79
3. Modelando o Texto..........................................................88
4. Passeando pela Gramática.............................................98
5. Descomplicando a Língua.............................................105

3
6. Descobrindo os Segredos.............................................113
7. Desvendando os Mistérios............................................121
8. Parando para Refletir....................................................130
9. Procurando a Saída......................................................138
10. Encontrando a Saída...................................................145
11. Aparando as Arestas...................................................157

IV. Fazendo e Aprendendo 162

Fazendo e Aprendendo 162


A. A Teoria, na Prática, é Outra............................................162
1. Interagindo com a Gramática........................................162
2. Nas Veredas da Gramática...........................................176
3. Fazendo e (re)aprendendo............................................189

V. Glossário 199

Glossário 199
A. De A a D...........................................................................199
B. De E a I.............................................................................202
C. De J a O...........................................................................203
D. De P a S...........................................................................204
E. De T a X...........................................................................206

VI. Bibliografia 208

Bibliografia 208

Solução da Avaliação 210

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Apresentação

I. Apresentação

Apresentação
I

Não basta ser falante da Língua Portuguesa, é preciso cuidar desse nosso
fantástico instrumento de comunicação! “Quem ama cuida”, não é? Por que,
então, amamos nossa língua? Porque é ela que viabiliza o interagir com o
outro; preserva a memória histórica; perpetua a cultura; difunde os valores;
recria o REAL, através da Literatura; exterioriza os sentimentos; pede e
concede o perdão; permite o lamento; escancara o amor; murmura o
verdadeiro elogio; grita o ódio e a calúnia; conclama todos à paz!
Fazendo esse curso, você terá uma grande oportunidade de ter um
conhecimento maior dos fatos linguísticos e, portanto, uma compreensão,
talvez, mais racional da norma culta e de informações significativas sobre a
Língua. Isso refletirá sobre sua produção de textos, facilitando a expressão
escrita, tão temida por uns, e fazendo fluir a expressão oral, que nos deixa, em
geral, tão vermelhos de insegurança.
Este módulo é dividido em três partes: Refletindo sobre a Linguagem,
Construindo o Texto e Fazendo e Aprendendo.
Estamos contando com a sua participação neste módulo! Ele foi planejado para
que você conheça mais a sua Língua, descubra seus segredos e, enfim, por
ele se apaixone! Não se faz nada sem paixão, não é mesmo?
Sucesso!
EQUIPE DA RCI

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Apresentação

II. Refletindo sobre a Linguagem

Refletindo sobre a
Linguagem
II

Língua e Linguagem 6
Diversidade Linguística 33
A Importância da Leitura 39
A Palavra e a Ideia 55

A. Língua e Linguagem

1. Língua, Linguagem, Fala e Discurso

a) Passo 1 de 10

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.1 - Língua e Linguagem
Unidade 1.1.1 - Língua, Linguagem, Fala e Discurso

Vamos refletir sobre a Língua Portuguesa?


Quando falamos em Língua Portuguesa, estamos, também, nos referindo à
forma como ela tem sido trabalhada nas instituições de ensino.
Para iniciarmos o processo de construção do conhecimento da nossa língua
pátria, que tal fazer a leitura, na próxima tela, de um poema de Carlos
Drummond de Andrade sobre as aulas de Português?

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Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 10

AULA DE PORTUGUÊS (Carlos Drummond Andrade)


A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.
A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?
Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,
e vai desmatando
o amazonas de minha ignorância.
Figuras de gramática, equipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, seqüestram-me.
Já esqueci a língua em que comia,
em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.
O português são dois; o outro, mistério.

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Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 10

Pense um pouco sobre as pessoas que utilizam diariamente a nossa língua.


Reflita, também, sobre as várias situações em que a utilizam: na família, no
trabalho, nos discursos de formatura, nos documentos oficiais, nas teses
acadêmicas, nas conversas de botequim.

A variação linguística observada é muito acentuada? Será que existem várias


línguas portuguesas?

d) Passo 4 de 10

A Língua Portuguesa pode assumir diferentes formas, nas diversas situações


em que é usada. A língua falada é, por exemplo, diferente da língua escrita que
é, geralmente, mais elaborada. A linguagem cuidada emprega um vocabulário
mais preciso, mais raro, e uma sintaxe mais elaborada do que a da linguagem
comum.

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Refletindo sobre a Linguagem

A linguagem oratória cultiva os efeitos sintáticos, rítmicos e sonoros e utiliza


imagens para enriquecer o texto. As linguagens familiar e popular recorrem
às expressões pitorescas, à gíria, e muitas de suas construções são tidas como
incorreções graves nos níveis de maior formalidade.

e) Passo 5 de 10

A língua também varia de acordo com as regiões e as situações em que é


usada. Observe o registro abaixo que comenta acerca das variedades da
Língua Portuguesa.

Você, em Portugal, é um tratamento respeitoso, de cerimônia. Na França, é


completamente diferente: você chama o motorista de vous (que corresponde
ao Senhor , em português). O tu (que seria você) é dado somente para as
pessoas com quem você tem intimidade, não tem nada a ver com classe social.
Você vai engraxar o sapato, chama o engraxate de vous; vai numa loja e
chama o balconista de vous; no Brasil ele é tratado de você. Lá, se você tem
intimidade, trata de tu, ou você. Quando não tem intimidade, chama de senhor,
de vous. No Brasil é diferente. O tratamento você (sic) é aplicado como se
fosse uma forma de respeito, mas na realidade estabelece diferenças de
classes sociais.

9
Refletindo sobre a Linguagem

A gente chama o motorista de você, mas o médico é tratado de senhor, então


fica preconceituoso. E programa de televisão que entrevista um engraxate e
logo depois um ministro, como o meu, não pode chamar o engraxate de
senhor, porque vai ficar ridículo, porque o tratamento padrão com ele é o
”você”, e não pode tratar o ministro de senhor, logo depois. Ficaria muito ruim,
seria uma diferença de classe social”. (Jô Soares, in Tramontina, 1996: 183-
184. Adaptado)

f) Passo 6 de 10

Aproximadamente, a sétima parte da Terra se expressa em português, ou seja,


cerca de 10.686.145 km2 estão sob o domínio político desse idioma, assim
divididos: 91.831 km2 pertencentes a Portugal, 2.078.277 km2 às ex-colônias
portuguesas na África, Ásia e Oceania e 8.516.037 km2 ao Brasil.
De onde vem esta língua tão difundida no mundo e apenas superada em
número de falantes pelo chinês, inglês, russo, hindu, árabe e espanhol?

10
Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 7 de 10

O português é de origem latina e, por isso, pertence ao grupo das línguas


neolatinas ou românicas, do qual fazem parte também o espanhol, o catalão,
o francês, o provençal, o italiano, o romeno, o rético, o sardo e o dalmático.

Leia o texto Papos, de Luís Fernando Veríssimo, refletindo sobre as normas


gramaticais, na próxima tela.

h) Passo 8 de 10

PAPOS
- Me disseram...
- Disseram-me.
- Hein?
- O correto é “disseram-me”. Não “me disseram”.
- Eu falo como quero. E te digo mais...Ou é “digo-te”?
- O quê? - Digo-te que você...
- O “te” e o “você” não combinam.
- Lhe digo?
-Também não? O que você ia me dizer?
- Que você está sendo grosseiro, pedante e chato. E que eu vou te partir a
cara. Lhe partir a cara. Partir a sua cara. Como é que se diz?

11
Refletindo sobre a Linguagem

- Partir-te a cara.
- Pois é. Partir-la hei de, se você não parar de me corrigir. Ou corrigir-me.
- É para o seu bem.
- Dispenso as suas correções. Vê se esquece-me. Falo como bem entender.
Mais uma correção e eu...
- O quê?
- O mato.
- Que mato?
- Mato-o. Mato-lhe. Mato você. Matar-lhe-ei-te. Ouviu bem?
- Eu só estava querendo...
- Pois esqueça-o e pára-te. Pronome no lugar certo é elitismo!
- Se você prefere falar errado...
- Falo como todo mundo fala. O importante é me entenderem. Ou entenderam-
me?
- No caso...não sei.
- Ah, não sabe? Não o sabes? Sabes-lo não?
- Esquece.
- Não. Como “esquece”? Você prefere falar errado? E o certo é “esquece” ou
“esqueça”? Ilumine-me. Me diga. Ensines-lo-me, vamos.
- Depende.
- Depende. Perfeito. Não o sabes. Ensinar-me-lo-ias se o soubesses, mas não
sabes-o.
- Está bem, está bem. Desculpe. Fale como quiser.
- Agradeço-lhe a permissão para falar errado que mas dás. Mas não posso
mais dizer-lo-te o que dizer-te-ia.
- Por quê?
- Porque, com todo esse papo, esqueci-lo.
(VERÍSSIMO, Luís Fernando. Comédias para se ler na escola. Rio de Janeiro:
Objetiva, 2001).

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Refletindo sobre a Linguagem

Que texto legal! Você gostou da abordagem de Luís Fernando Veríssimo?


Percebeu como ele brinca com a Língua Portuguesa e o nó que as regras
podem dar na nossa cabeça?
A Língua Portuguesa, às vezes, provoca muitas dúvidas. Por isso, muita
atenção quando escrever ou falar.

i) Passo 9 de 10

Por que encontramos nos romances, nos textos jornalísticos e em vários outros
textos o pronome átono iniciando orações, como em “– Me disseram ou
disseram-me?” A gramática normativa, que chama essa ocorrência linguística
de próclise (colocação do pronome átono antes do verbo), condena o uso dos
pronomes átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, lhes) no início de orações. Por
que isso continua ocorrendo em determinados tipos de textos?
Os jornalistas e, sobretudo, os poetas, têm a permissão de se afastar da norma
culta, em nome da clareza, do bom entendimento e da criatividade. Precisamos
ter muito cuidado. Devemos estar atentos para a norma culta sem sacrificar, no
entanto, a criatividade.
Além disso, a língua é o nosso principal instrumento de comunicação. Ela
possibilita o intercâmbio entre os membros de uma sociedade, sofrendo, por
isso, influências dessa mesma sociedade, como podemos perceber na figura
ao lado.

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Refletindo sobre a Linguagem

j) Passo 10 de 10

Mas qual é mesmo a diferença entre língua e linguagem?


Língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por uma
nação. É o conjunto de regras da sua gramática. Língua, nesse caso, é
sinônimo de idioma. A língua é, também, o conjunto de variedades linguísticas
que, por razões culturais, políticas, históricas, geográficas, é considerado como
entidade única que delimita uma comunidade linguística.
Linguagem é o uso da palavra articulada (oral) ou escrita, como meio de
expressão e de comunicação entre pessoas. É, enfim, todo sistema de signos
que serve de meio de comunicação entre indivíduos e que pode ser percebido
pelos diversos órgãos dos sentidos. Isso leva a se distinguir uma linguagem
visual, uma linguagem auditiva, uma linguagem tátil, etc., ou, ainda, outras
mais complexas, constituídas, ao mesmo tempo, de elementos diversos.

Como entender, nesse contexto, o significado de fala e discurso? Fala e


discurso são manifestações concretas da língua. São, portanto, expressões da
língua.

2. Linguagem Oral e Linguagem Escrita

a) Passo 1 de 9

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.1 - Língua e Linguagem
Unidade 1.1.2 - Linguagem Oral e Linguagem Escrita

HISTÓRIA
Vamos ver, agora, uma história?
Indagaram uma criança de rua - um menino analfabeto - acerca da grande
necessidade de se aprender a ler e a escrever. Disseram-lhe, então, que tudo
seria mais fácil para ele - pegar um ônibus, passar troco, identificar o nome das
ruas e avenidas. Ele, com a expressão de vencedor, respondeu: - Eu consigo
fazer tudo isso sem saber nenhuma letra. Os buzus, eu conheço pelas cores;
troco, eu nem tenho dinheiro pra passar; as ruas, eu já conheço, porque é aí
que eu moro! Por que, então, é bom saber ler e escrever?

14
Refletindo sobre a Linguagem

O imediatismo da vida dessas crianças passa para elas uma ideia equivocada
da importância do aprendizado da leitura e da escrita.

b) Passo 2 de 9

O processo da comunicação realiza-se pela linguagem oral ou pela linguagem


escrita. Apesar de a língua ser a mesma, a expressão escrita é muito diferente
da oral.
Você acha que alguém fala como escreve?
A escrita apareceu depois da língua oral. A escrita é, portanto, subsequente a
fala.
Antigamente, só existia a língua falada ; a escrita apareceu em fases mais
avançadas da civilização. Apesar do prestígio da escrita, a linguagem oral
serviu-lhe de base, sendo a primeira apenas uma tentativa imperfeita de
reprodução gráfica dos sons da língua.

15
Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 9

Vamos fazer um exercício para melhor fixação do conteúdo?

d) Passo 4 de 9

Segundo o filólogo brasileiro Mattoso Câmara, é através da posse e do uso da


linguagem, é falando oralmente ao próximo ou mentalmente a nós mesmos,
que conseguimos organizar o nosso pensamento, tornando-o articulado,
concatenado e nítido. A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar.
No entanto, sabemos que a língua, sobretudo a escrita, quando bem articulada,

16
Refletindo sobre a Linguagem

é um elemento de poder, legitimando-se como um diferencial relevante para


todo cidadão. Escrever é uma atividade social indispensável; é um processo de
descoberta. Não é uma privilégio apenas de escritores.
Saber escrever é adquirir possibilidades mais amplas de participação social.
Todos nós, conhecedores de um assunto, somos, em princípio, capazes de
escrever sobre ele.

Sem o domínio da língua formal, dita culta, é impossível alcançar determinados


níveis de conhecimento. Simplificar a língua seria o mesmo que simplificar o
raciocínio e não se podem cortar os neurônios pela metade.

e) Passo 5 de 9

A linguagem oral é adquirida naturalmente, na comunidade de entorno, sem


maiores sistematizações. Ela é, portanto, apreendida.
Já a linguagem escrita demanda um aprendizado sistemático, um
conhecimento das regras e padrões da norma culta, uma rigidez formal e um
sentido claro dentro dos princípios da coerência e da coesão.

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Refletindo sobre a Linguagem

f) Passo 6 de 9

Um aspecto extremamente relevante e definidor da oralidade e da escrita é a


importância da presença ou não dos interlocutores no discurso. Na linguagem
oral, observa-se a flutuação temática (mudança constante de tema) porque
emissor e receptor estão presentes para os devidos esclarecimentos. Na
escrita, exige-se uma unidade temática, tendo em vista a distância entre
emissor e receptor e, portanto, a impossibilidade de esclarecer as dúvidas. A
coerência, a coesão e a clareza, nesse caso, são mais exigidas em nome de
um bom texto.
Outro aspecto muito importante é o significado dos gestos, da expressão
fisionômica, do olhar, do riso, e até mesmo do não-dito, na oralidade. Todos
esses aspectos auxiliam na compreensão do texto oral.

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Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 7 de 9

Vamos descobrir agora, na prática, as diferenças entre a linguagem oral e a


linguagem escrita!

h) Passo 8 de 9

Você se lembra quantas vezes já vacilou diante da escrita de algumas


palavras, da colocação de uma vírgula, do desafio da folha em branco, ao
escrever uma carta, um relatório, uma comunicação interna, uma mensagem
de amor?

19
Refletindo sobre a Linguagem

Leia o poema de Carlos Drummond de Andrade e procure vencer a barreira


da escrita! O texto é a exteriorização do sentimento que inunda a alma. Os
sentimentos e as ideias precedem a produção do texto oral ou escrito.
Gastei uma hora pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
ANDRADE, Carlos Drummond de.Reunião – 10 livros de poesia. 10. ed. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1980. p. 16.

i) Passo 9 de 9

Pensemos um pouquinho! Será que é a Língua Portuguesa que é difícil,


inatingível? É a gramática que nos aprisiona com suas regras - redes tão
emaranhadas, distanciando-nos da linguagem coloquial? É o domínio do
universo das letras, conferido a poucos, que nos causa inibição?

20
Refletindo sobre a Linguagem

Será que é a televisão, ou a maldita mania de ficar preso à ela, que dificulta a
nossa expressão escrita? Por que não ler um bom livro? Por que não usar
nossa fantástica imaginação na criação dos personagens e na recriação da
história, do ambiente e do tempo que os romances nos proporcionam? Como
refletir, interpretar informações, ler o mundo, se o uso da linguagem é tão
sofrido e se não comandamos mais a nossa vontade?

3. Língua e Realidade

a) Passo 1 de 10

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.1 - Língua e Linguagem
Unidade 1.1.3 - Língua e Realidade

A linguagem reflete a realidade ou a realidade reproduz a linguagem?


Na vida social é, quase exclusivamente, através da linguagem que nos
comunicamos uns com os outros. A linguagem permite-nos a troca de ideias, a
organização do pensamento, a construção do conhecimento, a interação com o
outro. Assim, cada um de nós tem de saber usar bem a linguagem para
desempenhar o seu papel de indivíduo humano e de membro de uma
sociedade humana. A linguagem tem, portanto, uma função prática na vida
humana e social.

21
Refletindo sobre a Linguagem

Carlos Drummond de Andrade vem ao nosso encontro ilustrando, com uma


crônica, a necessidade de conhecimento, ampliação, adequação e seleção do
vocabulário para entendermos melhor o mundo, a realidade e os outros. Leia
com muita atenção na próxima tela.

b) Passo 2 de 10

Recalcitrante
- O senhor aí, cavalheiro, quer cutucar o braço do distinto pra ele me prestar
atenção?
O cavalheiro, vê lá se ia se meter numa dessas. Ignorou, olímpico, a marcha do
caso terrestre.
Embora sem surpresa, o cobrador coçou a cabeça. Sabia de experiência
própria que passageiro nenhum quer entrar numa fria. Ficam de camarote,
espiando o circo pegar fogo. Teve pois que sair do seu trono, pobre trono de
trocador, fazendo a difícil ginástica de sempre. Bateu no ombro do rapaz:
- Vamos levantar?
O outro mal olhou para ele, do longe de sua distância espiritual. Insistiu:
- Como é, não levanta?
- Estou bem aqui.
- Eu sei, mas é preciso levantar.
- Levantar pra quê?
- Pra quê, não. Por quê. Seu calção está molhado de água do mar.

22
Refletindo sobre a Linguagem

- Tem certeza que é água do mar?


- Tá na cara.
- Como tá na cara? Analisou? Forrou-se de paciência para responder:
- Olha, o senhor está de calção de banho, o senhor veio da praia, que água
pode ser essa que está pingando se não for água do mar? Só se...
- Se o quê?
- Nada.
- Vamos, diz o que pensou.
- Não pensei nada. Digo que o senhor tem de levantar, porque seu calção está
ensopado e vai fazendo uma lagoa aí embaixo.
- E daí?
- Daí, que é proibido.
- Proibido suar?
- Claro que não.
- Pois eu estou suando, sabe? Não posso suar sentado, com esse calorão de
janeiro? Tenho que suar de pé?
- Nunca vi suar tanto na minha vida. Desculpe, mas a portaria não permite.
- Que portaria?
- Aquela pregada ali, não está vendo? “O passageiro, ainda que com roupa
sobre as vestes de banho molhadas, somente poderá viajar de pé.”
- Portaria nenhuma diz que o passageiro suado tem que viajar de pé. Papo
findo, tá bom?
- O senhor está desrespeitando a portaria e eu tenho que convidar o senhor a

23
Refletindo sobre a Linguagem

descer do ônibus.
- Eu, descer porque estou suando? Sem essa.
- O ônibus vai parar e eu chamo a polícia.

- A polícia vai me prender porque estou suando?


- Vai botar o senhor pra fora porque é um ... recalcitrante. O passageiro pulou,
transfigurado:
- O quê? Repita, se for capaz.
- Re... calcitrante.
- Te quebro a cara, ouviu? Não admito que ninguém me insulte!
- Eu? Não insultei.
- Insultou, sim. Me chamou de réu. Réu não sei o quê, calcitrante, sei lá o que é
isso. Retira a expressão, ou lá vai bolacha.
- Mas é a portaria! A portaria é que diz que o recalcitrante...
- Não tenho nada com a portaria. Tenho é com você, seu cretino. Retira já a
expressão, ou... Retira não retira, o ônibus chegou ao meu destino, e eu paro
infalivelmente no meu destino. Fiquei sem saber que consequências físicas e
outras teve o emprego da palavra “recalcitrante”.
(Carlos Drummond de Andrade, De notícias & não-notícias faz-se a crônica.
Rio de Janeiro, José Olympio, 1975.)

24
Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 10

Saber usar bem a língua pátria é uma obrigação cívica, enquanto falante; um
elemento legítimo de poder, enquanto cidadão; um cuidado com a
competência, como profissional; um sinal de respeito ao nosso idioma; um zelo
com a preservação da memória cultural e, sobretudo, um amor, sem limites, ao
nosso povo e ao nosso país.
Não é à toa que o poder usa a linguagem para dominar, convencer. É
inquestionável a capacidade de persuasão das palavras!
Por que os escritores e os intelectuais, de uma maneira geral, são mal vistos
nos regimes ditatoriais?
Por que Hitler queimou os livros?
Por que todo país com um índice alarmante de analfabetismo é, em geral, um
país pobre, desigual, injusto e preconceituoso?

25
Refletindo sobre a Linguagem

Por que o sentimento diante de um envelope lacrado, com resultados de


exames laboratoriais; com um convite da Receita Federal; com uma carta do
namorado; com o extrato bancário é de inquietação e de perplexidade - uma
ansiedade mal disfarçada, um medo, uma dúvida?
A palavra legitima, define, esclarece (ou não) a verdade. Portanto, alguns a
temem.

d) Passo 4 de 10

Reflita, agora, sobre os questionamentos abaixo:


Por que todos nós subestimamos alguém que se preocupa em usar a língua
culta? Por que consideramos que errar na própria língua é coisa pouco
importante e, por isso mesmo, de menor relevância?
Pense um pouco. O que lhe causa maior constrangimento? Revelar para os
outros que tem dúvidas ou não sabe realizar uma operação matemática, que
desconhece as capitais de alguns países ou ser observado por alguém por
cometer um erro de Português? Claro que a última hipótese!
Errar na própria língua evidencia não apenas a fragilidade do falante, mas
uma desqualificação pessoal e profissional e nos mata de vergonha. Não raro,
ficamos vermelhos, perguntando, baixinho, qual é o certo.

26
Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 10

Vamos ler o que Daniela Silva, jovem repórter do jornal A Tarde, de Salvador,
tem a nos dizer sobre os erros na língua-pátria.

ERROS DE PORTUGUÊS COMPROMETEM IMAGENS DE FIRMAS


PROFISSIONAIS.
A língua portuguesa é considerada uma das mais belas do mundo. Porém, nem
sempre é respeitada como deveria. Erros de português graves são cometidos
por toda parte – nos letreiros, nos anúncios... E não é um problema
exclusivamente atrelado ao nível de analfabetismo do País. Falhas gravíssimas
também são cometidas por profissionais de alto escalão. Acredite!
Por deficiência de formação ou descuido, executivos e empresários também
andam “derrapando” na hora de escrever. Com a comunicação instantânea,
viabilizada pela Internet, estes erros têm adquirido ainda mais evidência, para
assombro de quem se comunica obrigatoriamente pela língua escrita. Um “s”
no lugar do “z”, um “s” em vez de um “c” pode até parecer um errinho bobo,
mas não é assim. Pisar na bola com o português é sinônimo de falta de
domínio linguístico e descaso com o idioma. Mas a parte pior do problema é
que pode prejudicar seriamente a imagem do profissional e da empresa.
Não são só os erros de grafia que assustam. Concordar nomes e verbos de
forma inadequada também incomoda e até constrange qualquer fiel ao
Português que é surpreendido com uma falha do gênero. Mas, apesar de
muitos acharem o nosso idioma difícil de aprender, o consultor empresarial, na
área de comunicação, Carlos Pimentel, tranquiliza a todos. Por meio de cursos
e leitura, qualquer pessoa pode superar as dificuldades com o Português. O
grande passo é começar. Ler os clássicos, como Machado de Assis, também
ajuda muito, ressalta o consultor. “Lendo estes autores você aprende
Português sem sentir. O cérebro precisa de musculação e a leitura é o
exercício ideal”, completa.
A maneira mais eficiente de aprimorar a escrita é praticando-a. Isso funciona,
usando como estímulo as mais variadas situações, como assistir a um filme e
depois colocar no papel os seus comentários sobre a película. Ler um livro e,
em seguida, fazer uma resenha. “Todos têm condições de escrever bem, basta
querer aprender, exercitar”, afirma Pimentel.
E quem não quiser ficar fora do mercado é bom não se descuidar da língua. A
exigência de dominar o idioma nativo não é só para quem está começando ou
para quem está sendo avaliado em um processo de seleção. É importante,
sobretudo, para quem deseja crescer na empresa, frisa Pimentel.
(Daniela Silva. A TARDE. 15/04/2001)

Gostou? Sente-se mais comprometido(a) com o seu idioma? Veja, agora, como
o desconhecimento linguístico compromete socialmente o falante!

27
Refletindo sobre a Linguagem

f) Passo 6 de 10

ELOQUÊNCIA SINGULAR
Mal iniciara seu discurso, o deputado embatucou:
- Senhor Presidente: não sou daqueles que...
O verbo ia para o singular ou para o plural? Tudo indicava o plural. No entanto,
podia perfeitamente ser o singular:
- Não sou daqueles que...
Tirou o lenço do bolso e enxugou o suor da testa. Vontade de aproveitar-se do
gesto e pedir ajuda ao próprio Presidente da mesa: por favor, apura pra mim
como é que é, me tira desta...
- Quero comunicar ao nobre orador que o seu tempo se acha esgotado.
- Apenas algumas palavras, senhor Presidente, para terminar o meu discurso:
e antes de terminar, quero deixar bem claro que, a esta altura de minha
existência, depois de mais de vinte anos de vida pública...
E entrava por novos desvios:
- Muito embora... sabendo perfeitamente... os imperativos de minha
consciência cívica... senhor Presidente... e o declaro peremptoriamente... não
sou daqueles que...
- O Presidente voltou a adverti-lo de que seu tempo se esgotara. Não havia
mais por onde fugir:
- Senhor Presidente, meus nobres colegas!
Resolveu arrematar de qualquer maneira. Encheu o peito e desfechou:
- Em suma: não sou daqueles. Tenho dito.
Houve um suspiro de alívio em todo o plenário, as palavras romperam. Muito
bem! Muito bem! O orador foi vivamente cumprimentado.
(Fernando Sabino. A companheira de viagem. Rio de Janeiro, Sabiá, 1972.)

Por que o nobre deputado não conseguia terminar a frase? O que houve? Você
já sentiu esse tipo de dificuldade? Que dificuldade era essa? O universo
vocabular do “ilustre deputado” era diferente do da plateia? Eles usavam o
mesmo código? Havia um interesse comum em que a mensagem continuasse
a ser transmitida? O “ilustre” deputado conhecia, de verdade, a Língua
Portuguesa?

g) Passo 7 de 10

Para realizarmos bem a nossa língua, para sermos bem entendidos, para
entendermos os outros, é necessário que emissor e receptor realizem o mesmo
código; que ambos estejam motivados para a comunicação; que o universo
vocabular seja comum entre eles; que a mensagem seja do interesse dos dois;
que haja um conhecimento mínimo da estrutura do nosso idioma e dos fatos
linguísticos.

28
Refletindo sobre a Linguagem

Já afirmamos anteriormente que é pela posse e uso da linguagem que


conseguimos organizar o nosso pensamento e torná-lo articulado, concatenado
e nítido.
Assim, as crianças, a partir do momento em que, rigorosamente, adquirem o
manejo da língua dos adultos e deixam para trás o balbucio e a expressão
fragmentada e difusa, desenvolvem, consideravelmente, o raciocínio. Esse fato
não só decorre do desenvolvimento do cérebro, mas, também, da circunstância
de que o indivíduo dispõe, agora, da língua materna, a serviço de todo o seu
trabalho de atividade mental.

29
Refletindo sobre a Linguagem

h) Passo 8 de 10

O estudo sistemático dos caracteres e aplicações desse novo e preciso


instrumento, aperfeiçoa, cada vez mais, a capacidade de pensar. Veja, caro
treinando, que são atividades concomitantes! Da mesma forma ocorre com o
operário. À medida que ele domina, conhece e está seguro das ferramentas da
sua profissão, vai aperfeiçoando seu trabalho.
Dentre as funções da linguagem, destacamos como uma das mais essenciais
a possibilidade de expressar o pensamento, permitindo uma comunicação
ampla das ideias.
A linguagem tem uma função prática, imprescindível na vida humana e social;
pode, também, como muitas outras criações do homem, ser transformada em
arte, isto é, numa fonte de mero gozo do espírito. Passa-se, com isto, a um
plano diverso daquele da vida diária. São duas coisas distintas: o aspecto
prático e o aspecto artístico da linguagem - a literatura. É fundamental
ressalvar, porém, que o sentido artístico é espontâneo e inerente aos homens e
que, para ser eficiente, a linguagem tem de satisfazê-lo e não apenas se limitar
a uma formulação seca, objetiva e fria.

Toda sociedade tem, portanto, um ideal, um padrão linguístico. Como seres


sociais, temos que nos pautar para que as palavras não provoquem uma
repulsão, às vezes latente e mal perceptível, mas sempre suficiente para
prejudicar o entendimento da mensagem.

30
Refletindo sobre a Linguagem

i) Passo 9 de 10

A precisão lógica da exposição linguística importa, antes de tudo, no problema


de composição, que consiste em bem ajustar e concatenar os pensamentos. O
próprio raciocínio ainda não exteriorizado depende disso para se desenvolver.
Além de nos fazermos entender pelos outros, temos de nos entender a nós
mesmos.

A correção gramatical não é responsável apenas pela boa linguagem, mas


concorre muito para ela, resultando numa boa forma de expressão.
A obediência às regras gramaticais é muito relevante porque essas
representam as conclusões de várias gerações de homens que se
especializaram em estudar a língua e observar a sua ação e os efeitos no
intercâmbio cultural. Além disso, acham-se apoiadas por um consenso geral e,
através delas, facilita-se a projeção de nossas ideias e a aceitação do que
assim dizemos.
Uma atitude de independência em relação às regras gramaticais é mais
cabível aos literatos, porque se espera deles uma visão pessoal da realidade e,
sobretudo, da língua, já que a língua é a sua preocupação mais importante e a
matéria-prima de sua arte.

31
Refletindo sobre a Linguagem

j) Passo 10 de 10

Vamos ler o texto A Cidadania e a Língua Brasileira, de Thereza Cristina


Guerra, que nos revela a responsabilidade do cidadão com o idioma.

A CIDADANIA E A LÍNGUA BRASILEIRA


Qual a relação entre falar, escrever e a cidadania? Qual é a imagem que
desejamos projetar ao escrevermos ou falarmos corretamente? Não é melhor
sabermos o inglês ou o espanhol? Ser poliglota da própria língua parece que
não interessa.
Devemos cultivar nossa língua como cultivamos nossos costumes, nossos
gostos e nossa cultura. Escolher palavras simples para construir textos claros e
coerentes é o caminho para a cidadania. Por que escrever difícil, com
vocabulário técnico, exigindo esforços demasiados para se entender uma
pequena frase?
A língua deve ser brasileira, no sentido de refletir e buscar soluções para os
problemas mais urgentes do País. Língua brasileira porque se funde às raízes
da nossa própria realidade.
Estamos falando um dialeto cheio de expressões em inglês que só demonstra
um futuro incerto pela frente. Ser cidadão em termos de linguagem é respeitá-
la não só em sua gramática, mas também em seu modo brasilis. É cultivá-la,
como patrimônio histórico e cultural. Utópico, talvez. Não importa. O que
importa é ressaltar que ela está esquecida, maltratada, desprezada por
políticos, profissionais de comunicação e pessoas públicas, de reconhecida
influência nas atitudes da população, como artistas e jogadores de futebol.
Repetimos o que aprendemos, no dia a dia, sem, ao menos, analisarmos a
razão desta ou daquela expressão. Pensamos em nosso vocabulário. O que
pretendemos com ele? Quem vamos atingir? Passamos arrogância, saber,
conhecimento, alegria e amor por meio da fala. Passamos poder, preconceito,
manipulação com a palavra. Resgatar o que é a essência brasileira deve ser a
meta de todo cidadão deste País.
Escrever bem é praticar a cidadania. E não é escrever difícil, cheio de frases de
filósofos ou poetas. Não é complicar, usando termos da economia, informática
ou administração. Ser simples é respeitar o receptor, é ir direto ao ponto,
mostrar a verdade, com transparência e sem camuflagem. É ser coerente,
preciso e claro. É dar ao povo as palavras que ele precisa saber para se
defender, reivindicar e crescer nos aspectos éticos e morais.
O que é o cidadão-do-idioma? É aquele que preserva a língua de tal forma
que possa construir um país forte, sadio e próspero.
Uma república das letras, cheia de seres conscientes, educados para o
domínio da língua brasileira, precisa ser a meta almejada por todos que
desejam cultivar, de fato, a cidadania.
(Thereza Cristina Guerra. A TARDE. 30/04/2002.)

32
Refletindo sobre a Linguagem

B. Diversidade Linguística

1. Variações Linguísticas

a) Passo 1 de 5

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.2 - Diversidade Linguística
Unidade 1.2.1 - Variações Linguísticas

Toda língua apresenta variações. O próprio emissor também apresenta


variações na sua maneira de usar a língua. Seu uso depende do receptor, da
idade de ambos, da profissão, do nível de escolaridade, da região onde moram
os falantes, do tipo de mensagem, da situação e do local em que a
comunicação acontece. Muitas vezes, o momento emocional do emissor e do
receptor interfere na realização da língua. Para que a comunicação ocorra, não
basta que as pessoas falem a mesma língua, mas usem a linguagem
adequada à situação em que se encontram.
A linguagem pode ser classificada em:
 Popular - mais informal, espontânea, não elaborada, não cultivada.
Usada, geralmente, por pessoas de baixa escolaridade ou mesmo
analfabetas, em situações informais, nas comunicações pragmáticas, do
dia a dia. Aparece, mais frequentemente, na forma oral e, raramente, na
língua escrita.
Pode-se desviar, inclusive, das normas de correção estabelecidas,
apresentando um vocabulário restrito, com grande ocorrência de gírias,
onomatopéias, clichês, e frases feitas, além de formas deturpadas (gaufo,
ossílio, probrema, arioporto, inxempro etc). Não há preocupação com as regras
gramaticais de flexão, concordância, regência, entre outras.

33
Refletindo sobre a Linguagem

Culta ou variante-padrão - bem mais elaborada, cuidada, de acordo com as


normas gramaticais e usada em situações de formalidade. Utilizada pelas
classes intelectuais da sociedade, na forma escrita e, mais raramente, na oral.
É a língua usada nos meios diplomáticos e científicos, nas correspondências e
documentos oficiais, nos discursos e sermões. O vocabulário é rico e as
normas gramaticais são plenamente obedecidas.

 Familiar - utilizada por pessoas que, apesar de conhecerem a língua,


utilizam-na num padrão menos formal, mais descontraído e cotidiano. É,
em geral, a linguagem do rádio, da televisão, dos meios de comunicação
de massa, nas formas oral ou escrita. Utiliza-se, nesse nível da
linguagem, o vocabulário da língua comum, sendo a obediência às
normas gramaticais bastante relativa. Admitem-se algumas construções
típicas da linguagem oral e, até mesmo, o uso consciente de gírias.
No Brasil, por exemplo, embora haja um só idioma, as alterações apresentadas
foram causadas, naturalmente, pela enorme diversidade social e cultural de
suas várias regiões. Deve-se, no entanto, observar os outros fatores já
referidos, como idade, profissão, escolaridade e momento emocional que
interferem na realização linguística.

34
Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 5

O escritor José Herculano de Carvalho esclarece-nos melhor sobre a


diversidade linguística através do texto que se segue.
“A língua portuguesa, como qualquer outra língua, configura-se como um
conjunto de variantes, isto é, não é um todo uniforme. Embora se fale
português em Manaus, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro,
não se fala, em Recife, da mesma forma, como se fala em Sorocaba,
Piracicaba ou Santo Antônio de Jesus e Lençóis, cidades dos estados de São
Paulo e da Bahia, respectivamente”.
(CARVALHO, José G. Herculano de. Teoria da Linguagem. Coimbra/ Atlântida,
1967/1973.2v)
A incorporação de vocábulos estrangeiros também contribui para a variação
linguística.
Será que você concordará com José Castellani, autor do texto a seguir,
intitulado “O massacre da Língua Portuguesa”? Ou acha que é muito
radicalismo, muita xenofobia no trato com a nossa língua?
Será que é dessa forma – defendendo-a contra qualquer influência dos demais
idiomas – que demonstramos o nosso cuidado com a Língua Portuguesa?
De que forma os estrangeirismos contribuem para a diversidade linguística?

“A LÍNGUA É MINHA PÁTRIA.”


(Caetano Veloso)

35
Refletindo sobre a Linguagem

c) Passo 3 de 5

O MASSACRE DA LÍNGUA PORTUGUESA


Um sinal de falência da educação no Brasil
O Brasil vive, hoje, o resultado de décadas de descaso em relação ao sistema
educacional. Nos “bons tempos” do regime autoritário, explodiam faculdades e
universidades, em locais sem meios de sustentação para um estabelecimento
desse gênero, e com verbas diminutas, que não conferiam, a elas, o
necessário para que se equipassem à altura dos cursos que exibiam.
No caso das Faculdades de Medicina, essa histeria criadora chegou às raias
do inconcebível, causando uma queda brutal no nível de ensino, com as
consequências hoje vistas no sistema sanitário brasileiro. As Faculdades de
Jornalismo, que se tornaram exigência daquele período de nossa história, para
os que pretendiam se dedicar à imprensa, criaram, por omissão da Gramática
no currículo – existe absurdo maior?! – como comprova o prof. Napoleão
Mendes de Almeida, filólogo dos mais ilustres, o início do assassinato do
idioma português, largamente demonstrado na mídia, onde, cada vez mais, os
erros são frequentes, como, só para exemplificar: confundir o “lhe” com “o/a”;
usar crase onde ela não existe e deixar de usá-la onde ela deve ser aplicada;
confundir o verbo “apenar”, que significa impor pena, com “penalizar”, que
significa ter pena: e assim por diante, “ad nauseam”.
Foram-se os tempos áureos da imprensa, quando os seus redatores e
revisores sabiam ler e escrever, embora tivessem passado um belo período
com censores a fungar nas suas costas, qual sombras vampirescas a cortar e a
sugar o seu trabalho. Não existiam, então, barbaridades como “à sete
quilômetros da capital” (crase onde não há), ou “foi a casa do ministro” (falta da
crase, onde ela existe), ou “ela não lhe ama” (com uma incorreta frase oblíqua
do pronome pessoal), ou, ainda, “há 15 anos atrás” (há 15 anos só pode ser
atrás), ou, ainda, “elo de ligação” (elo só pode ser de ligação), ou, ainda, “a
nível nacional” (quando o correto é ao, ou em nível), ou, ainda, “encarar de
frente” (como a cara é na frente, só se pode encarar de frente), ou, pior do que
isso, “enfrentar de frente”(só é possível enfrentar de frente; de costas é
encostar), ou, ainda..., ou, ainda... A coisa vai ao infinito!
A culpa, é claro, não é dos que cometem tais erros, mas, sim, de quem lhes
deu uma formação altamente deficiente, ou ainda de quem deixou que essa
formação se tornasse deficiente, na certeza de que um povo inculto tem mais
tendência a suportar a carga, tem mais índole ovina e pouca vontade e check-
in. Não há esboço de capa ou de anúncio; há lay-out. Não há abertura de
notícia; há lead. Não há texto informativo à imprensa; há release, ou press
release. Não há filme de suspense e mistério, há thriller. Não há primeiro plano;
há close-up. Não há cartaz; há outdoor. Não há elenco; há cast. Não há folheto
publicitário; há folder. E assim por diante, ao infinito. Palavras e expressões
como free-lancer, freezer, off, play-back, niver, lobby, marketing, franshising,
merchandising, pocket-book, best seller, remake, take, tape, script, spot,
slogan, soft, software, slow motion, show, receiver, pick-up, zoom, light, flat,
time, display, system, card, cartoon, air-bag e muitas outras centenas de
palavras inglesas habitam nosso dia a dia. E o pior é que a imensa maioria
delas tem correspondente em nosso idioma. Nem a nossa prosaica privada nos
foi deixada; ela passou à elegante sigla W.C. (water closet).

36
Refletindo sobre a Linguagem

d) Passo 4 de 5

A mesma meninada que massacra o idioma português, até nos exames


vestibulares, conhece e escreve direitinho essas palavras, ao mesmo tempo
em que abandona os hábitos alimentares brasileiros, para se empanturrar com
hambúrgueres, hot-dog, batatas fritas e catchup, essas cascatas de colesterol,
que fazem a alegria e o acidente vascular do americano típico.
E quando se chega ao âmbito da informática, então, a coisa torna-se
assustadora. Meu computador, com processador Pentium 200 MMX, é um
alegre norte-americano, que só conversa comigo se for em inglês; caso
contrário, simplesmente, me ignora. Só falta me pedir ovos com bacon no
breakfast. Qualquer daqueles adolescentes que sacrifica a língua portuguesa
no altar da ignorância e que desconhece até a História recente do Brasil, sabe,
direitinho, como se escreve e o que é personal computer, mouse, word,
windows, byte, som wave, paintbrush picture, rich text, software, delete, page
up, caps lock, print screen, page down, scroll lock, wordpad, windows explorer,
startup, microsoft exchange, file transfer, on-line, dial-up, joystick e assim por
diante, até à estratosfera.
A língua portuguesa ainda é mantida, em Portugal, graças às autoridades
responsáveis pela cultura e graças a uma mídia consciente de suas
responsabilidades na formação do povo. Nenhum locutor português – ao
contrário dos nossos – falou em princesa Daiana, mas, sim, em princesa Diana;
nem em príncipe Charles, mas, sim, em príncipe Carlos. Tanto a mídia, quanto
a medicina portuguesa não citam a síndrome de imuno-deficiência adquirida
como AIDS (que é sigla inglesa), mas, sim, como SIDA, juntando as iniciais de
cada palavra, no idioma vernáculo (esse último caso, por sinal, ocorre com
todos os países latinos).
Nossa cultura nacional e nossas tradições estão indo pelo ralo. Nossa
identidade como nação vai sendo, lentamente, comprometida pela influência da
cultura estrangeira em todos os setores de nossa vida diária, sem que vá,
nessa constatação, qualquer sentido de xenofobia, mas apenas de percepção
da realidade. Nosso idioma é tratado como linguagem de bárbaros e
amplamente desprezados. E isso ocorrerá, com tendência ao exacerbamento,
até que os nossos poderes constituídos – pois a responsabilidade não é só do
Executivo – conscientizem-se de que educação é o caminho mais rápido para o
desenvolvimento e é a base de todas as demais atribuições do Estado, pois
não há globalização que eleve o nível de uma nação, quando a educação conta
com verbas ridículas e quando a cultura da maioria do povo está num patamar
tão baixo, que pode ir para o esgoto com um simples apertar de botão de
descarga.
(CASTELLANI, José. O massacre da língua portuguesa. O Esquadro, p. 09,
nov. 1997.)

37
Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 5

Não só os estrangeirismos interferem na Língua Portuguesa. Outros fatores,


alguns já abordados, contribuem para que esse código apresente-se sob
formas variadas, enriquecendo, assim, o vernáculo. Quando importamos uma
ciência - a informática; uma arte; um tipo de esporte; uma inovação culinária,
não chegam apenas os usos, o vocabulário correspondente vem com eles.

As variações linguísticas da Língua Portuguesa não devem ser vistas com


preconceito. A língua não é uma estrutura rígida, arcaica e, sobretudo, estática.
Toda língua tem que ser maleável, versátil, flexível e, portanto, dinâmica.

38
Refletindo sobre a Linguagem

C. A Importância da Leitura

1. Leitura da Palavra e Leitura do Mundo

a) Passo 1 de 12

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.3 - A importância da Leitura
Unidade 1.3.1 - Leitura da Palavra e Leitura do Mundo

Vamos aprender um pouco sobre a Leitura da palavra e leitura do mundo.


Veja, abaixo, um texto introduzindo este assunto.
Vamos lá?

Linguagem e realidade são inseparáveis - uma legitima a outra. Leia esse


texto de Paulo Freire e reflita.
“A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura
desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e
realidade se prendem dinamicamente!” (Paulo Freire)

b) Passo 2 de 12

A importância do ato de ler


Rara tem sido a vez, ao longo de tantos anos de prática pedagógica, por isso
política, em que me tenho permitido a tarefa de abrir, de inaugurar ou de
encerrar encontros ou congressos.
Aceitei fazê-lo agora, da maneira, porém, menos formal possível. Aceitei vir
aqui para falar um pouco da importância do ato de ler.
Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do
momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do
processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio,
processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se
esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas
que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo
precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa
prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se
prendem dinamicamente.

39
Refletindo sobre a Linguagem

A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a


percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a
importância do ato de ler, eu me senti levado – e até gostosamente – a “reler”
momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as
experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de
minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se
veio em mim constituindo.

c) Passo 3 de 12

Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos


em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a
“leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da
palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da
“palavramundo”.
A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler”
o mundo particular em que me movia – e até onde não sou traído pela memória
– me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando,
recrio, revivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que
ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no
Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a
intimidade entre nós – à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à
minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam
para riscos e aventuras maiores.
A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço – o sítio das
avencas de minha mãe –, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o
meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na
verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha
atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras
leituras.

40
Refletindo sobre a Linguagem

Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto – em cuja percepção me


experimentava e, quanto mais o fazia, mais aumentava a capacidade de
perceber – se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja
compreensão eu ia aprendendo no meu trato com eles, nas minhas relações
com meus irmãos mais velhos e com meus pais.
(FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 12. ed. São Paulo, Cortez, 1986.
p. 11-3)

d) Passo 4 de 12

Você gostou do texto? Já conhecia o educador Paulo Freire? Que tal conhecer
um pouco da vida e da história dele?
Paulo Freire nasceu em Recife, em 1921, e conheceu, desde cedo, a pobreza
do Nordeste do Brasil. Formou-se em Direito, mas não exerceu a profissão,
preferindo dedicar-se a projetos de alfabetização. Nos anos 50, quando ainda
se pensava na educação de adultos como uma pura reposição dos conteúdos
transmitidos às crianças e jovens, Paulo Freire propunha uma pedagogia
específica, associando estudo, experiência vivida, trabalho, pedagogia e
política. Criou o método, que o tornaria conhecido no mundo, fundado no
princípio de que o processo educacional deve partir da realidade que cerca o
educando. Não basta saber ler que “Eva viu a uva”, diz ele. É preciso
compreender qual a posição que Eva ocupa no seu contexto social, quem
trabalha para produzir a uva e quem lucra com esse trabalho.

41
Refletindo sobre a Linguagem

Fantástico, não? Esse brasileiro deu uma grande contribuição para a


educação. Não dissociou realidade de linguagem; acreditou que a mera
leitura mecânica das palavras não nos permite uma consciência crítica do
mundo.

e) Avaliação
Neste momento, você terá a oportunidade de verificar o grau de aprendizagem
dos estudos ora concluídos.
Preparamos instrumentos de avaliação contendo cinco questões objetivas.
Estas questões, por serem bastante variadas e por abrangerem todo o
conteúdo que você estudou, apresentam grandes possibilidades de acerto.
Para cada uma das questões, oferecemos três alternativas, dentre as quais,
você deverá selecionar, sempre, a correta.
Será considerado desempenho satisfatório um aproveitamento equivalente a
70%.
Esperamos que as suas escolhas lhe permitam obter, de imediato, um
desempenho satisfatório, após a primeira avaliação. Entretanto, se isto não
ocorrer, reveja o conteúdo estudado. Concluída a revisão, nova oportunidade
de avaliação lhe será oferecida , possibilitando-lhe atingir o resultado esperado.
Você terá, ao todo, 4 (quatro) chances de ser bem sucedido ou bem sucedida.
Mantenha-se confiante. Tenha certeza de que, mesmo distantes, estaremos
torcendo pelo seu sucesso.
Antecipadamente os nossos parabéns!

42
Refletindo sobre a Linguagem

Lembre-se de que, em cada uma das questões apresentadas, você vai marcar
sempre a alternativa verdadeira.

Exercício1
A compreensão da realidade depende, diretamente, do conhecimento
lingüístico, porque:

o conhecimento, a ampliação do universo semântico, a adequação e


seleção vocabular, permite-nos um melhor entendimento do mundo, da
realidade e do outro;
poucas línguas apresentam variações, a depender das peculiaridades do
emissor e do receptor;
os estrangeirismos não contribuem para a variação lingüística.

Exercício2
Observando-se um texto coerente, pode-se registrar:

a inutilidade da progressão, como recurso complementar da repetição;


a ocorrência de repetições, retomadas de elementos, como palavras,
frases e seqüências que exprimem fatos ou conceitos: exprimem fatos ou
conceitos;
a progressão permite a retomada de elementos passados.

Exercício3
Para se obter coerência num texto, é, também, imprescindível:

a ausência de relacionamento entre os fatos e os conceitos;


a aproximação de idéias e fatos contrastantes, como um recurso não
muito freqüente no desenvolvimento da argumentação;
a presença de elementos que contradigam idéias e fatos que já foram
colocados.

Exercício4
O texto não deve destruir a si mesmo, assim, é incorreto dizer-se que:

não se tolera a contradição, como recurso, já que toma como verdadeiro


aquilo que foi falso;
esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando uma
maior clareza para o leitor;
a contradição é necessária porque é uma questão de lógica e está
intimamente relacionada com o caráter polissêmico das palavras,
tornando o contraste semântico enriquecedor.

43
Refletindo sobre a Linguagem

Exercício5
Na vida social, é, quase exclusivamente, através da linguagem, que nos
comunicamos uns com os outros. Portanto:

unicamente a linguagem permite-nos a troca de idéias e a organização do


pensamento;
apenas a linguagem permite-nos a construção do conhecimento e a
interação com o outro;
as alternativas a e b se completam.

Exercício6
Para desempenharmos o papel de indivíduos humanos e, portanto, membros
de uma sociedade humana:

saber usar uma boa linguagem é fundamental para o falante, uma vez que
a linguagem é um importante elemento de poder;
temos que desprezar a função prática da linguagem, na vida humana e
social;
temos de buscar o aprendizado de línguas estrangeiras, para sabermos
usar bem a nossa língua pátria.

Exercício7
Assinale a alternativa correta de acordo com a classificação de linguagem:

a linguagem popular é mais informal, espontânea, não elaborada, ou


mesmo analfabetas, em situações informais, nas comunicações
pragmáticas, do dia-a-dia. Aparece, mais freqüentemente, na forma oral e,
não cultivada, usada, geralmente, por pessoas de baixa escolaridade
raramente, na língua escrita. Desvia-se das normas de correção
estabelecidas, apresentando um vocabulário restrito, com grande
ocorrência de gíria, onomatopéia, clichês frases feitas, além de formas
deturpadas (gaufo, ossílio, probrema).Não há preocupação com as regras
gramaticais de flexão, concordância, regência.
a linguagem familiar é utilizada por pessoas que desconhecem a língua,
utilizam-na, num nível menos formal, mais descontraído e cotidiano.
nenhuma das alternativas acima está correta.

44
Refletindo sobre a Linguagem

Exercício8
Assinale a única definição correta:

linguagem familiar é a utilizada ,apenas, por pessoas da família;


linguagem culta ou variante-padrão é a mais elaborada, cuidada, de
acordo com as normas gramaticais;
linguagem popular não é a mais informal, embora seja utilizada por
pessoas de baixa escolaridade.

Exercício9
Rafael, filho caçula de D. Amanda, acabara de completar 18 anos e de passar
no vestibular. Seu presente: um carro novinho, zerinho! Ontem, ele chegou em
casa, contando uma grande vantagem: estacionou o carro em cima da calçada
e, além disso, em lugar proibido. Quando o guarda chegou e o flagrou, ele
passou-lhe uma boa conversa e uma boa gorjeta e, questão resolvida! Se
Rafael fosse seu filho, como agiria, tomando por base o conhecimento que
você vem adquirindo no decorrer deste curso:

diria que estava decepcionado ou decepcionada com a sua atitude e que


iria tomar-lhe a chave do carro por um mês;
reclamaria com ele, falaria da sua decepção e diria que coisas como
essas não devem ser feitas.
numa reflexão adulta, procuraria fazer com que ele entendesse que essas
espertezas, no sentido de levar vantagem sobre o outro, nada mais são,
do que transgressões das normas, que são estabelecidas, para serem
cumpridas. Atitudes como essas são desrespeitosas, prepotentes e
oportunistas.

Exercício10
Assinale a alternativa correta, tendo em vista a Língua Portuguesa, no Brasil:

embora, aqui, no Brasil, haja só um idioma, as mudanças apresentadas,


naturalmente, foram causadas pela enorme diversidade social e cultural
de suas várias regiões;
a incorporação de vocábulos estrangeiros não contribuiu para a variação
lingüística;
a diferença de idade, de profissão, de escolaridade, o momento emocional
dos falantes, todos esses fatores não têm nenhuma interferência na
realização lingüística.

45
Refletindo sobre a Linguagem

Exercício11
Assinale a alternativa correta acerca da importância da leitura:

a leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades , novos


valores, para decifrar o mundo.
a escrita, possibilita-nos, experimentar as possibilidades descobertas e,
assim, inventar outras tantas possibilidades, outras tantas formas de
comunicação. A escrita é um sucedâneo da fala. Ela é o registro definitivo
da língua.
a leitura dos livros não necessita de um aprendizado mais regular, de
treino, do processo ensino/aprendizagem. Ela é, absolutamente,
espontânea.

Exercício12
Refletindo sobre a Língua Portuguesa, vale estabelecer a diferença entre
língua e linguagem, afirmando-se:

língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por


uma nação. É o conjunto de regras da sua gramática. Nesse caso é
sinônimo de idioma;
linguagem é, apenas, o uso da palavra articulada (oral), como meio de
expressão e de comunicação entre os povos;
linguagem é, também, o conjunto de variedades lingüísticas que, por
razões culturais, políticas, históricas, geográficas, é considerada como
entidade única, que delimita uma comunidade lingüística.

Exercício13
Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem oral:

"O suco de que mais gosto é o de manga."


"Chegarei já, já..."
"Venha, pois tudo está bem."

Exercício14
Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem escrita:

"Hoje, irei à praia."


"Cadê meu presente, brother?"
"Maria iria ao médico, se a mãe estivesse aqui."

46
Refletindo sobre a Linguagem

Exercício15
Assinale a característica definidora da linguagem escrita:

censura lingüística rígida;


aprendizagem natural;
presença do interlocutor.

Exercício16
Assinale a característica definidora da linguagem oral:

uso de sinais gráficos;


flutuação temática;
unidade temática.

Exercício17
Assinale a alternativa correta: refletindo sobre a Língua Portuguesa, vale
estabelecer a diferença entre fala e discurso, afirmando-se que:

fala é a ação ou faculdade de falar. A fala não é uma característica


unicamente humana;
discurso é uma unidade lingüística maior do que a frase; enunciado;
fala e discurso são manifestações concretas da língua, são expressões da
língua, apenas em situações formais.

Exercício18
Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem oral:

"Vambora, galera!"
"A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar."
"Sairei imediatamente!"

Exercício19
Identifique, dentre as alternativas abaixo, um exemplo da linguagem escrita:

"Amanhã, irei à praia."


"Você se ferrou, maluco!"
"Cláudia irá ao dentista, se estivesse com dor de dente."

47
Refletindo sobre a Linguagem

Exercício20
Assinale a característica definidora da linguagem oral:

frases predominantemente longas;


uso de gestos, expressão facial;
ausência do interlocutor.

Exercício21
Assinale a característica definidora da linguagem oral:

uso de sinais gráficos;


flutuação temática;
unidade temática.

f) Passo 5 de 12

A leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades, novos valores,


decifrar o mundo. A escrita possibilita-nos, por outro lado, experimentar as
possibilidades descobertas e, assim, inventar outras tantas possibilidades,
outras tantas formas de comunicação.
Mais uma vez, convido você, aluno amigo, para ler um texto que nos ajudará a
refletir sobre a importância da leitura para todos nós, como donos e
responsáveis por esse planeta e não meros turistas do universo.

48
Refletindo sobre a Linguagem

g) Passo 6 de 12

APOSTANDO NA LEITURA
Marisa Lajolo
Se a chamada leitura do mundo se aprende por aí, na tal escola da vida, a
leitura de livros carece de aprendizado mais regular, que geralmente acontece
na escola.
Mas leitura, quer do mundo, quer de livros, só se aprende e se vivencia de
forma plena, coletivamente, em troca contínua de experiências com os outros.
É nesse intercâmbio de leituras que se refinam, reajustam e redimensionam
hipóteses de significado, ampliando constantemente a nossa compreensão dos
outros, do mundo e de nós mesmos.
Da proibição de certos livros (cuja posse poderia ser punida com a fogueira) ao
prestígio da Bíblia, sobre a qual juram as testemunhas em júris de filmes norte-
americanos, o livro, símbolo da leitura, ocupa lugar importante em nossa
sociedade.
Foi o texto escrito mais que o desenho, a oralidade ou o gesto, que o mundo
ocidental elegeu como linguagem que cimenta a cidadania, a sensibilidade, o
imaginário. É ao texto escrito que se confiam as produções de ponta da ciência
e da filosofia; é ele que regula os direitos de um cidadão para com os outros,
de todos para com o Estado e vice-versa.

h) Passo 7 de 12

Pois a cidadania plena, em uma sociedade como a nossa, só é possível – se é


que é possível – para leitores. Por isso, a escola é direito de todos e dever do
Estado: uma escola competente, como precisam ser os leitores que ela precisa
formar.

49
Refletindo sobre a Linguagem

Daí talvez, o susto com que se observa qualquer declínio na prática de leitura,
principalmente dos jovens, observação imediatamente transformada em
diagnóstico de uma crise da leitura, geralmente encarada como anúncio do
apocalipse, da derrocada da cultura e da civilização.
Que os jovens não gostem de ler, que leem mal ou leem pouco, é um refrão
antigo, que de sala de professores e congressos de educação ressoa pelo país
afora. Em tempo de vestibular, o susto transporta para a imprensa e, ao
começo de cada ano letivo a terapêutica parece chegar à escola, na oferta de
coleções de livros infantis, juvenis e paradidáticos que apregoam vender, com
a história que contam, o gosto pela leitura.
Talvez, assim, pacifique corações saber que desde sempre – isto é, desde que
se inventaram livros e alunos – se reclama da leitura dos jovens, do declínio do
bom gosto, da bancarrota das belas letras! Basta dizer que Quintiliano, mestre-
escola romano, acrescentou a seu livro “Institutione Oratoria” uma pequena
antologia de textos literários, para garantir um mínimo de leitura para os
estudantes de retórica. No século 1 da era cristã!
O pleno exercício da cidadania só é possível para os leitores.

50
Refletindo sobre a Linguagem

i) Passo 8 de 12

Estamos, portanto, em boa companhia. E temos, de troco, uma boa sugestão,


se cada leitor preocupado com a leitura do próximo, sobretudo leitores-
professores, leitores-pais-e-mães, leitores-tios-e-tias, leitores-avôs-e-avós,
montar sua própria antologia e contagiar por ela outros leitores, sobretudo
leitores-alunos, leitores-filhos-e-filhas, leitores-sobrinhos-e-sobrinhas, leitores-
netos-e-netas, por certo a prática de leitura na comunidade representada por
tal círculo de pessoas, terá um sentido mais vivo. E a vida será melhor,
iluminada pela leitura solidária de histórias, de contos, de poemas, de
romances, de crônicas, e do que mais falar a nossos corações de leitores que,
em tarefa de amor e paciência, apostam no aprendizado social da leitura.
(Marisa Lajolo é professora de teoria literária do IEL- Instituto de Estudos da
Linguagem.)
(Folha de S.Paulo, 19 set. 1993.)

j) Passo 9 de 12

Ultimamente, questiona-se o papel da escola na formação do leitor. Segundo a


pedagoga Rosa Mendonça, em artigo escrito no ano 2001, “... no bojo de uma
denominada crise de leitura, afirma-se que o aluno não lê, que o professor não
lê, que o brasileiro não lê...” Para ela, então, é preciso que se ilumine a questão
por diferentes prismas, a fim de que se ultrapasse o senso comum, logrando
compreender o fenômeno na sua complexidade.
Ainda segundo Rosa Mendonça, paradoxalmente à ideia de crise, o mercado

51
Refletindo sobre a Linguagem

editorial consolida-se e mostra um vigor incompatível com essa assertiva. As


editoras ampliam seus catálogos; os eventos relativos à leitura multiplicam-se.
Pergunta-se: Quem são os receptores dessas obras? Que representação de
leitura perpassa, então, a questão da crise?
“Se as pessoas leem nas ruas, nas conduções, nas filas, nos elevadores, nos
bancos de praça, nas escolas, livrarias, nas bibliotecas, por que são,
frequentemente, taxadas de ‘não-leitores'?”, questiona a pedagoga em seu
artigo.

k) Passo 10 de 12

Pensemos, então, que fatores de ordem social, política, cultural, econômica,


permeiam a leitura, favorecendo ou desfavorecendo sua prática. No Brasil, por
exemplo, existem políticas de promoção de leitura?
A responsabilidade pela promoção da leitura não é apenas da escola. Deve
haver uma política cultural que transforme a leitura numa prática habitual, que
acompanhe o cidadão durante sua vida, dando-lhe prazer.
Que conhecimentos são necessários para que se pratique e se ensine a
leitura? O fundamental é torná-la uma atividade significativa. Deve-se descobrir
o prazer de ler e, a partir da leitura, entender o mundo e as pessoas, recriando
a realidade.

52
Refletindo sobre a Linguagem

l) Passo 11 de 12

Nosso olhar, cotidianamente, transita dos jornais às placas, nas ruas; das bulas
aos manuais, das revistas aos livros, sem esquecer de outras formas de leitura,
impostas pela pós-modernidade com suas novas tecnologias, como televisão,
vídeo e computador.

53
Refletindo sobre a Linguagem

Rosa Helena Mendonça conclui que, quando lemos, somos motivados por
diferentes propósitos, tanto no âmbito particular quanto no profissional.
Recebemos influência de diferentes segmentos que vão da escola à família,
passando pela mídia, pelos aparatos de divulgação editorial e pelas políticas de
promoção de leitura.
O ambiente virtual é um espaço que privilegia o exercício da escrita e da
leitura. É a partir dela que o aluno pode e deve adquirir autonomia para alçar
seus próprios voos, enquanto autor e coautor de textos. O ambiente virtual de
aprendizagem continua sendo, portanto, o espaço onde o aluno – e, de certo
modo, os professores - desenvolvem ações continuadas com a linguagem
verbal, tornando possível o estudo sistemático dos mecanismos que organizam
as diferentes modalidades discursivas.

m) Passo 12 de 12

Essa convivência permanente com os textos é fundamental para que os


participantes consigam entendê-los, analisá-los, criticá-los, amá-los. Lendo-os,
escrevendo-os, descobrem-se, enfim, as enormes potencialidades
apresentadas pelas mil faces das palavras. Trabalhando diretamente com os
textos – lendo e escrevendo – é que aprendemos a detectar as articulações
que os formam. No corpo a corpo com os textos é que se identificam – e se
resolvem – os problemas que a leitura e a redação nos propõem.
As políticas públicas de promoção da leitura são fundamentais.

54
Refletindo sobre a Linguagem

D. A Palavra e a Ideia

1. Palavra, Pensamento e Ação

a) Passo 1 de 12

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.4 - A Palavra e a Ideia
Unidade 1.4.1 - Palavra, Pensamento e Ação

A língua é uma das realidades mais fantásticas da nossa vida. Ela está
presente em todas as nossas atividades; vivemos envolvidos pelas palavras.
São elas que estabelecem todas as nossas relações e os nossos limites.
Dizem, ou tentam dizer, quem somos, quem são os outros, onde estamos, o
que vamos fazer, o que fizemos. Nossos sonhos são povoados de palavras;
definimos, criticamos e julgamos as pessoas com palavras. Todas as nossas
emoções e sentimentos revestem-se de palavras. O mundo inteiro é um
magnífico e gigantesco bate-papo.

A negociação de paz e a declaração de guerra são feitas através de palavras.


As primeiras sílabas de uma criança, seja numa violenta favela ou numa aldeia
afegã, representam uma palavra. Este é o nosso diferencial. O que nos
distingue do animal é a capacidade de aquisição da linguagem, a posse da
palavra e a capacidade de pensar.
No processo linguístico de aquisição da linguagem, uma palavra vai se
concatenando a outras, que, por sua vez, a outras vão se juntando, formando
palavras, frases, orações, períodos, parágrafos, textos, enfim, construindo a
língua. Somos seres pensantes e as palavras alimentam e enriquecem as
ideias.

55
Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 12

Por razões históricas, a cultura do Ocidente deu à palavra um peso


fundamental. À medida que as relações sociais ganharam complexidade, as
palavras passaram a ser exercitadas numa dimensão não apenas oral, mas
também escrita. Dessa forma, foi possível sistematizar e difundir ampla e
rapidamente, através dos textos, o conhecimento acumulado pela experiência
dos homens. Assim, apreender a palavra, dominá-la, encontrar a procedência e
justeza de seu uso, tornou-se um crescente desafio para podermos
compartilhar dos saberes e das informações que nos circundam, especialmente
nesses tempos em que os verbos ler e escrever passaram a ser utilizados
como quase sinônimos de acesso ao trabalho e à formação da cidadania.
Segundo Othon Moacir Garcia, toda palavra tem um peso; esse peso depende
de sua expressividade, de sua capacidade de sintetizar uma informação
precisa e clara. Há perda de peso, por exemplo, quando o significado é
impreciso (caso de “muitos”, “vários” e “similares”) ou ambíguo (por exemplo, o
verbo “poder”, que tanto indica capacidade de fazer algo como autorização
para fazer).

c) Passo 3 de 12

Os substantivos concretos impõem-se aos abstratos. O texto informativo – por


ser mais objetivo e, portanto, mais específico, é considerado mais fácil que o
literário – mais subjetivo e, portanto, mais genérico. Os verbos de ação revelam
maior clareza, sobretudo, se estão na ordem direta e na voz passiva.

56
Refletindo sobre a Linguagem

Nos adjetivos e advérbios, devem-se preferir, de fato, os que acrescentam


informação, respectivamente, a substantivos e a verbos, desprezando os que
são usados apenas para “arredondar” a frase. A palavra mais curta é sempre a
preferida. Por uma simples razão – é lida com mais facilidade e já deve ser
conhecida pelo leitor.

d) Passo 4 de 12

Othon Moacir Garcia esclarece-nos acerca da necessidade de lidar com as


palavras e as ideias. No texto que se segue, demonstra, sobretudo, como a
leitura e a consequente aquisição de vocabulário ajudam-nos a refletir, julgar,
criar e agregar conhecimentos.

“Há alguns anos, o Dr. Johnson O'Connor, do Laboratório de Engenharia


Humana de Boston e do Instituto de Tecnologia de Hoboken, Nova Jersey,
submeteu a um teste de vocabulário cem alunos de um curso de formação de
dirigentes de empresas industriais (industrial executives), os executivos. Cinco
anos mais tarde, verificou que os dez por cento que haviam revelado maior
conhecimento ocupavam cargos de direção, ao passo que dos vinte e cinco por
cento mais ‘fracos', nenhum alcançara igual posição.
Isso não prova, entretanto, que, para vencer na vida, basta ter um bom
vocabulário; outras qualidades se fazem, evidentemente, necessárias. Mas
parece não restar dúvida de que, dispondo de palavras suficientes e
adequadas à expressão do pensamento de maneira clara, fiel e precisa,
estamos em melhores condições de assimilar conceitos, de refletir, de
escolher, de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou
medíocre para a tarefa vital da comunicação.

57
Refletindo sobre a Linguagem

e) Passo 5 de 12

Pensamento e expressão são interdependentes, tanto é certo que as palavras


são o revestimento das idéias e que, sem elas, é praticamente impossível
pensar. Como pensar que ‘amanhã tenho uma aula às 8 horas', se não
prefiguro mentalmente essa atividade por meio dessas ou de outras palavras
equivalentes? Não se pensa in vacuo . A própria clareza das idéias (se é que
as temos sem palavras) está intimamente relacionada com a clareza e a
precisão das expressões que as traduzem. As próprias impressões colhidas em
contato com o mundo físico, através da experiência sensível, são tanto mais
vivas quanto mais capazes de serem traduzidas em palavras – e sem
impressões vivas não haverá expressão eficaz.
É um círculo vicioso, sem dúvida: '... nossos hábitos linguísticos afetam e são
igualmente afetados pelo nosso comportamento, pelos nossos hábitos físicos e
mentais normais, tais como a observação, a percepção, os sentimentos, a
emoção, a imaginação.' De forma que um vocabulário escasso e inadequado,
incapaz de veicular impressões e concepções, mina o próprio desenvolvimento
mental, tolhe a imaginação e o poder criador, limitando a capacidade de
observar, compreender e até mesmo de sentir. ‘Não se diz nenhuma novidade
ao afirmar que as palavras, ao mesmo tempo que veiculam o pensamento, lhe
condicionam a formação. Há século e meio, Herder já proclamava que um povo
não podia ter uma idéia sem que para ela possuísse uma palavra', testemunha
Paulo Rónai em artigo publicado no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, e
mais tarde transcrito na 2a edição de Enriqueça o seu vocabulário (Rio,
Civilização Brasileira, 1965), de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira.
Portanto, quanto mais variado e ativo é o vocabulário disponível, tanto mais
claro, tanto mais profundo e acurado é o processo mental da reflexão.
Reciprocamente, quanto mais escasso e impreciso, tanto mais dependentes
estamos do grunhido, do grito ou do gesto, formas rudimentares de
comunicação capazes de traduzir apenas expansões instintivas dos primitivos,
dos infantes e... dos irracionais.”
(GARCIA, Othon Moacir, Comunicação em prosa moderna. 8. Ed. Rio de
Janeiro, FGV, 1980. P. 155-6.)

f) Passo 6 de 12

E então, concorda conosco? O enriquecimento do universo vocabular


desenvolve a nossa atividade cerebral, permitindo-nos um maior entendimento
do mundo que, por sua vez, exige de nós, cada vez mais, uma busca constante
de novos significados.

Leia esse texto de Cecília Meireles e veja como ela valoriza as palavras!

58
Refletindo sobre a Linguagem

“Os senhores todos conhecem a pergunta famosa universalmente repetida:


‘Que livro escolheria para levar consigo, se tivesse de partir para uma ilha
deserta...?' Vêm os que acreditam em exemplos célebres e dizem
naturalmente: ‘Uma história de Napoleão'. Mas uma ilha deserta nem sempre é
um exílio... Pode ser um passatempo...”
Os que nunca tiveram tempo para fazer leituras grandes, pensam em obras de
muitos volumes. É certo que numa ilha deserta é preciso encher o tempo... E
lembram-se das Vidas de Plutarco, dos Ensaios de Montaigne, ou, se são mais
cientistas que filósofos, da obra completa de Pasteur. Se são uma boa mescla
de vida e sonho, pensam em toda a produção de Goethe, de Dostoievski, de
Ibsen. Ou na Bíblia. Ou nas Mil e Uma Noites.
Pois eu creio que todos esses livros, embora esplêndidos, acabariam fatigando;
e, se Deus me concedesse a mercê de morar numa ilha deserta (deserta, mas
com relativo conforto, está claro - poltronas, chá, luz elétrica, ar condicionado)
o que levava comigo era um Dicionário. Dicionário de qualquer língua, até com
algumas folhas soltas; mas um Dicionário.

g) Passo 7 de 12

Não sei se muita gente haverá reparado nisso – mas o Dicionário é um dos
livros mais poéticos, se não mesmo o mais poético dos livros. O Dicionário tem
dentro de si o Universo completo.
Logo que uma noção humana toma forma de palavra – que é o que dá
existência às noções – vai habitar o Dicionário. As noções velhas vão ficando,
com seus sestros de gente antiga, suas rugas, seus vestidos fora de moda; as
noções novas vão chegando, com suas petulâncias, seus arrebiques, às vezes,
sua rusticidade, sua grosseria. E tudo se vai arrumando direitinho, não pela
ordem de chegada, como os candidatos a lugares nos ônibus, mas pela ordem
alfabética, como nas listas de pessoas importantes, quando não se quer
magoar ninguém...
Dicionário é o mais democrático dos livros. Muito recomendável, portanto, na
atualidade. Ali, o que governa é a disciplina das letras. Barão vem antes de
conde, conde antes de duque, duque antes de rei. Sem falar que antes do rei
também está o presidente.

59
Refletindo sobre a Linguagem

h) Passo 8 de 12
O Dicionário responde a todas as curiosidades, e tem caminhos para todas as
filosofias. Vemos as famílias de palavras, longas, acomodadas na sua
semelhança – e de repente, os vizinhos tão diversos! Nem sempre elegantes,
nem sempre decentes, – mas obedecendo à lei das letras, cabalística como a
dos números...

O Dicionário explica a alma dos vocábulos: a sua hereditariedade e as suas


mutações.
E as surpresas de palavras que nunca se tinham visto nem ouvido! Raridades,
horrores, maravilhas...
Tudo isto num dicionário barato – porque os outros têm exemplos, frases que
se podem decorar, para empregar nos artigos ou nas conversas eruditas, e
assombrar os ouvintes e os leitores...

i) Passo 9 de 12

A minha pena é que não ensinem as crianças a amar o Dicionário. Ele contém
todos os gêneros literários, pois cada palavra tem seu halo e seu destino –
umas vão para aventuras, outras para viagens, outras para novelas, outras
para poesia, umas para a história, outras para o teatro.
E como o bom uso das palavras e o bom uso do pensamento são uma coisa só
e a mesma coisa, conhecer o sentido de cada uma é conduzir-se entre
claridades, é construir mundos tendo como laboratório o Dicionário, onde
jazem, catalogados, todos os necessários elementos.

60
Refletindo sobre a Linguagem

Eu levaria o Dicionário para a ilha deserta. O tempo passaria docemente,


enquanto eu passeasse por entre nomes conhecidos e desconhecidos, nomes,
sementes e pensamentos e sementes das flores de retórica.
Poderia louvar melhor os amigos, e melhor perdoar os inimigos, porque o
mecanismo da minha linguagem estaria mais ajustado nas suas molas
complicadíssimas. E sobretudo, sabendo que germes pode conter uma palavra,
cultivaria o silêncio, privilégio dos deuses, e ventura suprema dos homens.”

(Cecília Meireles publicou este texto no jornal paulistano Folha da Manhã em


11 de julho de 1948.)

j) Passo 10 de 12

A elaboração de bons textos escritos pressupõe o domínio de um bom


vocabulário. Afinal, dentre as características específicas da modalidade escrita
da língua, destaca-se a necessidade de um vocabulário preciso e criterioso,
capaz de suprir a ausência dos recursos mímicos e o colorido da entonação da
língua falada.

Manejar um bom vocabulário não significa impressionar os outros com um


punhado de palavras difíceis e desconhecidas. O que importa é conhecer e
utilizar as palavras necessárias para a produção de textos claros e “enxutos”. O
nível do vocabulário utilizado decorre de fatores que condicionam a elaboração
do texto: o tema tratado; a finalidade a que se propõe; o receptor a que se
dirige; o meio de divulgação utilizado.
Um comunicado oficial a ser divulgado na imprensa, ou uma carta aberta de
um candidato à Presidência da República à população, às vésperas da eleição,
podem tratar de um mesmo tema, de um mesmo assunto, mas a seleção
vocabular deve ser adequada a cada caso. Um mesmo fato gera notícias, de
formatos diferentes, se transmitidas por uma revista especializada, por uma
emissora de rádio, de televisão, jornais ou internet. Cada veículo imprimirá à
notícia uma redação e um vocabulário diferentes. Assim, as melhores palavras
não são as mais pomposas e, sim, as mais eficazes.

61
Refletindo sobre a Linguagem

k) Passo 11 de 12

Todos nós devemos nos habituar a consultar os dicionários sempre que


necessitarmos, sobretudo na expressão escrita. A consulta aos dicionários
contribui, de forma decisiva, para a perfeita compreensão e expressão de
ideias, opiniões e sentimentos. Um bom dicionário oferece-nos várias e úteis
informações sobre as palavras, estimulando-nos, em geral, a consultar mais do
que pretendíamos.
Não se busca o sentido de uma palavra no dicionário sem antes contextualizá-
la. Isso decorre de que as palavras só adquirem seu significado pleno quando
em uso, ou seja, quando se relacionam com outras palavras e com o mundo.
Reflita sobre a palavra esperança. Na fala de um desempregado; no diário de
um náufrago; no discurso de um candidato que almeja subir, nas pesquisas
eleitorais; nos versos do poeta e na novela da televisão... Em alguns desses
exemplos, essa palavra – esperança – tem uma conotação de angústia, uma
busca de solução, de saída... Em outros, um sentido de desespero, um pedido
de ajuda. Há, até, uma alegria antecipada e uma certeza de sucesso na fala do
político, particularmente. Na poesia, pode ser entendida como o divino, o irreal,
o metafísico. Na ficção, esperança pode ser absurdamente polissêmica,
intencionalmente ideológica e mágica.
A significação da palavra depende do contexto.
Podemos afirmar, portanto, que trabalhar com as palavras requer sensibilidade.
As palavras oferecem-nos o bem e o mal; a alegria e a tristeza; o possível e o
impossível; o certo e o errado; o sagrado e o profano; o divino e o diabólico.
Cabe a cada um de nós escolher a melhor face, o melhor sentido. É
impossível, portanto, descuidar das relações entre as palavras, os textos e o
mundo. Qualquer deslize é fatal.

l) Passo 12 de 12

Como dissociar a palavra do pensamento? Como atingir, com plenitude, a


expressão escrita, se não somos suficientemente informados acerca do mundo,
das coisas, dos homens, se não temos opinião, se não nos posicionamos
diante do universo?

62
Refletindo sobre a Linguagem

2. Conhecendo as Palavras

a) Passo 1 de 7

Tema 1 - Refletindo sobre a Linguagem


Assunto 1.4 - A Palavra e a Ideia
Unidade 1.4.2 - Conhecendo as Palavras

Ao escrevermos um texto, o processo de escolha das palavras assemelha-se a


uma luta corporal, uma disputa, onde existem vencido e vencedor.

Para ajudá-lo a compreender melhor essa “luta”, escolhemos um poema de


Carlos Drummond de Andrade que a descreve com precisão. Leia-o com
atenção, associando-o com tudo o que você já estudou acerca das palavras e
seus matizes.
Pronto para começar? Então, vamos lá.

63
Refletindo sobre a Linguagem

b) Passo 2 de 7

O Lutador
Lutar com palavras é a luta mais vã.
Entanto lutamos mal rompe a manhã.
São muitas, eu pouco.
Algumas, tão fortes como o javali.
Não me julgo louco.
Se o fosse, teria poder de encantá-las.
Mas lúcido e frio,
apareço e tento
apanhar algumas
para meu sustento
num dia de vida.
Deixam-se enlaçar,
tontas à carícia
e súbito fogem
e não há ameaça
e nem há sevícia
que as traga de novo
ao centro da praça.
Insisto, solerte.
Busco persuadi-las.
Ser-lhes-ei escravo
de rara humildade.
Guardarei sigilo de nosso comércio.
Na voz nenhum travo
de zanga ou desgosto.
Sem me ouvir deslizam,
perpassam levíssimas
e viram-me o rosto.
Lutar com palavras parece sem fruto.
Não têm carne e sangue...
Entretanto, luto.
Palavra, palavra
(digo exasperado),
se me desafias,
aceito o combate.
Quisera possuir-te
neste descampado,
sem roteiro de unha
ou marca de dente

64
Refletindo sobre a Linguagem

nessa pele clara.


Preferes o amor
de uma posse impura
e que venha o gozo
da maior tortura.

c) Passo 3 de 7

Luto corpo a corpo,


luto todo o tempo,
sem maior proveito
que o da caça ao vento.
Não encontro vestes,
não seguro formas,
é fluido inimigo
que me dobra os músculos
e ri-se das normas
da boa peleja.
Iludo-me às vezes,
pressinto que a entrega
se consumará. Já vejo palavras
em coro submisso,
esta me ofertando
seu velho calor,
outra sua glória
feita de mistério,
outra seu desdém,

65
Refletindo sobre a Linguagem

outra seu ciúme,


e um sapiente amor
me ensina a fruir
de cada palavra
a essência captada,
o sutil queixume.
Mas ai! é o instante
De entreabrir os olhos:
entre beijo e boca, tudo se evapora.
O ciclo do dia
ora se conclui
e o inútil duelo
jamais se resolve.
O teu rosto belo,
ó palavra, esplende
na curva da noite
que toda me envolve
Tamanha paixão
e nenhum pecúlio.
Cerradas as portas,
a luta prossegue
nas ruas do sono.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Op. cit. p. 67.)

d) Passo 4 de 7

66
Refletindo sobre a Linguagem

Você acabou de ler o poema O LUTADOR, do grande poeta Carlos


Drummond de Andrade. Quantas vezes já pensamos sobre isso e não
soubemos expor, com propriedade, o nosso pensamento? Junte-se a nós,
procurando interpretá-lo. Será que conseguiremos entender o que esse ”poeta
maior” quer nos dizer ou a velha luta com as palavras vai impedir o nosso
desejo? Atente para a linguagem poética do texto. Reflita... Quem é o lutador?
Como são as palavras? Qual o poder que elas representam? Procure extrair do
poema as concepções do autor sobre o ato de escrever. Compare-o com o
poema que se segue – CATAR FEIJÃO, de João Cabral de Mello Neto.

1. Catar feijão se limita com escrever: joga-se os grãos na água do alguidar e


as palavras na da folha de papel; e depois joga-se fora o que boiar. Certo, toda
palavra boiará no papel, água congelada, por chumbo seu verbo: pois para
catar feijão, soprar nele, e jogar fora o leve e oco, palha e eco.
2. Ora, nesse catar feijão, entra um risco: o de entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto, um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quanto ao catar palavras: a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual, açula a atenção, isca-a com o risco.

e) Passo 5 de 7

67
Refletindo sobre a Linguagem

Que analogia maravilhosa! Catar feijão é também conhecido, sobretudo no


sertão, como escolher feijão. Os grãos imprestáveis são jogados ao lixo; as
palavras inapropriadas para refletirem nossos pensamentos são descartadas.
Os grãos sadios transformam-se em alimento para o corpo; as palavras
adequadas compõem o texto que servirá de alimento para a alma.

Agora, leia esse texto e vá se apropriando da magia das palavras!

Palavras, palavras, palavras...


Temos muito a aprender com os índios. O amor e a ligação com a natureza, o
conhecimento milenar das ervas medicinais, a integridade – quanta coisa eles
têm a nos ensinar! Quando li, há algumas semanas, a entrevista com Kaká
Jecupe, descobri que ainda há muito o que aprender com eles: o respeito ao
poder e à força da palavra, assunto que nenhum linguista jamais abordou.

f) Passo 6 de 7

Você já parou para pensar no quanto o seu universo é feito de palavras? Você
acorda de manhã cedo, lê as notícias no jornal e essas notícias irão influenciar
no seu dia, deixando-o mais feliz ou não; você entra no carro, liga o rádio e
ouve mais notícias, entremeadas com mensagens publicitárias e músicas que o
encherão de alegria, saudade, tristeza.

68
Refletindo sobre a Linguagem

Ao chegar ao trabalho, o que você encontra? Palavras e mais palavras! A mesa


cheia de relatórios, ofícios, cartas, projetos, o computador entupido de
mensagens eletrônicas... Depois, começam as reuniões intermináveis, nas
quais são trocadas palavras que podem decidir o futuro da empresa.
Finalmente você volta para casa, encontra a esposa, os filhos, e todos trocam
palavras doces e carinhosas (arrulhos)... Mas, de repente, acontece o desastre.
Você olha para a sua rechonchuda esposa e diz, sem pensar: “Como você
engordou, bem!” Ela imediatamente reage e solta as palavras envenenadas
(grunhidas). “Gordo é você, sua anta, seu desalmado, seu isso, seu aquilo, seu
aquilo outro...”.

g) Passo 7 de 7

É a guerra! Palavras agressivas (grunhidos, berros, silvos) são trocadas de


lado a lado, palavras cobertas de ódio – e, por isso, impensadas e fatais.
Depois vem o silêncio, dias, semanas sem que um fale com o outro. O silêncio
como forma de dizer que o amor está em crise, pois o amor é feito de palavras
e raramente sobrevive ao silêncio gélido da indiferença.
Percebeu como o índio está certo? A boca é um arco carregado com mil setas-
palavras, e não podemos nos dar o luxo de falar sem pensar, pois a palavra
impensada fere, mata.
E daí? E daí que você deve pensar mil vezes antes de falar, uma vez que a
palavra (mal) dita não pode ser recolhida. Não adianta falar “desculpe”, “não foi
isso o que eu quis dizer”, pois já disse, já feriu, já magoou.
Todos os conflitos humanos começam com palavras (mal) ditas. As guerras
acontecem quando todas as palavras já se esgotaram, quando não há mais
nada a dizer.
Jamais descarte um assunto dizendo “isso é uma simples questão de
palavras”, pois as palavras nunca são tão simples. Jamais empenhe a sua
palavra se não puder cumprir o prometido, pois a palavra é o que você tem de
mais importante...
“De acordo com a nossa tradição, uma palavra pode proteger ou destruir
uma pessoa. Uma palavra na boca é como uma flecha no arco.”
KAKÁ JECUPE
Índio txucarramãe
(Carlos Pimentel é escritor, professor pós-graduado de Literatura Brasileira e
Língua Portuguesa.)

69
Refletindo sobre a Linguagem

III. Construindo o Texto

Construindo o Texto
III

Quebrando as Barreiras 70

A. Quebrando as Barreiras

1. Tecendo o Texto

a) Passo 1 de 15

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1.1 - Tecendo o Texto

A palavra texto tem origem no latim textum. Significa “tecido, entrelaçamento”.


O texto é o resultado do ato de tecer, de juntar palavras que, entrelaçadas,
formam orações. Estas, por sua vez, agrupadas, compõem períodos, que se
juntam, formando os parágrafos e, finalmente, concatenados, resultam em
textos. A palavra é, portanto, a unidade do discurso, que, em associação a
outras, forma partes maiores e, finalmente, um todo interrelacionado – uma
rede de relações com coesão e coerência.
Criando ou lendo um texto, tecemos, quase artesanalmente, um tecido que vai
se encorpando, tomando forma, desenvolvendo-se. As partes que o formam,
surgem, uma após a outra, relacionando-se com o que já foi dito ou com o que
se vai dizer.

70
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 15

Que tal ler esse texto de João Cabral de Mello Neto para, juntos, sentirmos a
magia da criação de um texto?

Tecendo a Manhã
1. Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros
galos.
De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que
apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com
muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a
manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos.
2. E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem
todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de
armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão.
(A Educação pela Pedra)

c) Passo 3 de 15

Como já foi dito, o parágrafo é a unidade do texto. Porém, não bastam os


parágrafos bem estruturados, para garantir ao texto uma lógica. É necessário
haver coesão entre os parágrafos, refletindo a linha de raciocínio esboçada no
desenvolvimento do assunto.
À proporção que as idéias básicas de cada parágrafo vão se encadeando, o
texto também vai se organizando, vai-se construindo, permitindo o equilíbrio
entre as partes. Essas condições são indispensáveis para que o assunto
abordado torne-se claro e compreensível.

71
Construindo o Texto

A coesão entre os parágrafos é fundamental para a compreensão do texto.

d) Passo 4 de 15

Ao longo de um texto coerente, ocorrem repetições, retomadas de elementos


(palavras, frases e sequências que exprimem fatos ou conceitos). Essa
retomada é normalmente feita por pronomes (e pelas terminações verbais que
os indicam) ou por palavras e expressões equivalentes ou sinônimas. Também
podemos repetir a mesma palavra ou expressão, o que deve ser feito com
cuidado, a fim de que o ritmo não seja prejudicado.

Num texto coerente, o conteúdo também deve progredir, ou seja, devemos


sempre acrescentar novas informações ao que já foi dito. A progressão
completa a repetição. A repetição proporciona a retomada de elementos
passados; a progressão permite que o texto não se limite a repetir,
indefinidamente, o que já foi colocado. Assim, equilibramos o que já foi dito
com o que será dito, garantindo a continuidade do tema e a progressão do
sentido.
Para se obter coerência num texto, deve-se tomar cuidado com elementos que
contradigam ideias que já foram colocadas. O texto não deve destruir a si
mesmo, tomando como verdadeiro aquilo que já foi considerado falso, ou vice-
versa. Esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando
uma maior clareza para o leitor.

72
Construindo o Texto

e) Passo 5 de 15
No período: A liberdade pode libertar ou aprisionar, os verbos libertar e
aprisionar, aparentemente contraditórios, não desfiguram o sentido do texto,
porque reforçam a ideia de que ser livre socialmente e politicamente pressupõe
uma liberdade do indivíduo, do ser.

O surgimento, num mesmo período, desses dois verbos, só faz sentido porque
queremos enfatizar que uma mesma palavra pode conter significados diversos,
já que as palavras são polissêmicas e o contraste semântico é muito
enriquecedor. A aproximação de ideias e fatos contrastantes é um recurso
muito frequente no desenvolvimento da argumentação. A contradição é,
portanto, uma questão de lógica/da Lógica.

f) Passo 6 de 15
Para se obter coerência num texto, os fatos e conceitos devem estar
relacionados. Essa relação deve ser suficiente para justificar a inclusão desses
num mesmo texto. Por isso, é muito importante organizá-los no momento da
construção de um texto, ou mesmo antes de começar a escrever.

73
Construindo o Texto

Palavras e expressões, como primeiro, depois, além disso, tampouco,


introduzem novos fatos e conceitos, o que faz o texto avançar. Note que
progressão e repetição ocorrem simultaneamente.

g) Passo 7 de 15

A formatação final do texto depende, ainda, de outros fatores. Como o texto


escrito é um fato comunicativo, nele interferem questões relativas ao canal de
comunicação, ao perfil do receptor e às finalidades pretendidas pelo emissor. O
emissor pode pretender coisas tão diversas como informar, convencer,
enganar, seduzir, divertir. O receptor pode ser uma pessoa de elevado grau de
escolaridade, uma criança recém-alfabetizada ou alguém que tenha concluído
o primeiro grau; pode estar em casa, num campo de futebol, na praia ou no
trabalho. Todos esses fatores afetam diretamente as feições do texto que se
pretende bem-sucedido.

O processo de criação de um texto, além de passar pela escolha da palavra


mais forte e reveladora; pela busca do sentido mais exato e preciso, que
exprima, com exatidão, o que queremos dizer; pela coerência e pela coesão;
resulta num produto que, ao estar pronto, é propriedade coletiva - pertence ao
escritor que o criou; a quem lê e entende; e a quem se identifica com ele.

h) Passo 8 de 15

No processo de elaboração de um texto, sempre se consideram as


características de seu receptor. Isso significa que todo emissor, ao produzir
uma mensagem, faz um esforço no sentido de adaptá-la às características

74
Construindo o Texto

sociais e psicológicas de quem vai recebê-la. Portanto, podemos afirmar que


todo texto traz, de uma forma ou de outra, manifestações de persuasão, de
convencimento, através da linguagem.
Todo texto tem uma intenção.
Não só os textos publicitários e políticos tentam interferir no comportamento, na
postura do outro. Na literatura; na mais inocente conversa de comadres; nas
apaixonadas juras de amor; nas orações religiosas, a intenção pode ser até
subliminar, mas existe, manifestando-se de forma mais sutil, mascarando-se
por meio de artifícios persuasivos de difícil percepção.

i) Passo 9 de 15

Você deve estar atento ao que lê e escreve, pois nem sempre a aparência de
um texto traduz, de imediato, suas intenções. No caso da imprensa, por
exemplo, encontramos textos que se adaptam aos seus leitores, mediante a
utilização premeditada de determinado nível de linguagem. Assim, certos
jornais e revistas imprimem a seus artigos características linguísticas
destinadas a envolver o leitor pertencente à faixa de público que se quer
atingir. Outro exemplo desse trabalho de adaptação é a publicidade, sempre
elaborada com base no repertório linguístico e social do consumidor que se
propõe alcançar. Nesses casos, produzem-se textos que “falam a mesma
língua que o receptor”, envolvendo-o pelo reconhecimento e pela identificação.
Outro recurso muito importante da linguagem é a força da argumentação, por
meio da qual o emissor procura a adesão do receptor ao seu ponto de vista. Já
falamos sobre essa força quando estudamos os textos dissertativos e vamos
voltar a falar sobre ela em nossas atividades de leitura e criação.

75
Construindo o Texto

A linguagem oferece-nos a oportunidade de discutir um dos mais sérios


problemas de todos aqueles que lidam com a palavra: a luta pela expressão,
um problema que se enfrenta sempre que é necessário traduzir nossos valores
mais íntimos em palavras da nossa língua. Lendo esses três textos, dois de
Carlos Drummond de Andrade e um de João Cabral de Mello Neto,
refletimos bastante sobre os problemas que a linguagem nos coloca.

j) Passo 10 de 15
Observe as frases que se seguem. Marque aquela(s) que lhe parece(m) bem
redigida(s).

Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados.


Há meses que não pagam aos funcionários.
Antipatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.
O colega que mais gosto é Paulo.

k) Passo 11 de 15

As mil faces das palavras levam-nos, no cotidiano, a grandes embaraços no


processo de comunicação. Você já se sentiu aborrecido ou chateado com
alguém? Quando algo ou alguém está lhe incomodando, você se sente
aborrecido ou chateado?

Leia esse texto, de autoria de Paulo Mendes Campos, e descubra a diferença


semântica sutil entre encher e chatear.

l) Passo 12 de 15

76
Construindo o Texto

Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é


assim: você telefona para um escritório qualquer da cidade.
- Alô! Quer me chamar, por favor, o Valdemar?
- Aqui não tem nenhum Valdemar. Daí a alguns minutos, você liga de novo:
- O Valdemar, por obséquio.
- Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.
- Mas não é o número tal?
- É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar. Mais cinco minutos, você liga o
mesmo número:
- Por favor, o Valdemar já chegou?
- Vê se te manca, palhaço, já não te disse que o diabo desse Valdemar nunca
trabalhou aqui?
- Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.
- Não chateia.
Daí a dez minutos, liga de novo.
- Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?
O outro dessa vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas
impublicáveis.
Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova
ligação:
- Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?
(Paulo Mendes Campos, in Para gostar de ler, 3. ed., São Paulo, Ática, 1979,
v. 3 - crônicas, p.35.)

m) Passo 13 de 15

Através do texto – tecido construído – também interagimos com o outro,


informamos e somos informados, construímos o conhecimento.
É fundamental, pois, que, ao utilizar a linguagem escrita como forma de
expressão, cada indivíduo seja capaz de dominar os mecanismos e recursos
básicos da língua. É necessário, também, que tenha noção das diferentes
funções sociais e diferentes características que os textos podem ter, de acordo
com essas funções.

77
Construindo o Texto

A utilização de conhecimentos sobre fatos da Língua Portuguesa e o


aprimoramento da redação de textos serão as ferramentas básicas a serem
utilizadas durante esse curso.

n) Passo 14 de 15

Estudando a língua pátria - Língua Portuguesa, professor e aluno cumprem


responsabilidades sociais e políticas, possibilitando a ambos a apropriação
legítima do código. A intimidade com a língua conduz-nos à socialização do
saber sistematizado, desenvolvendo capacidades cognitivas que facilitam a
conquista do direito de cidadania.
A língua é legitimada como instrumento de poder e o falante dela se apropria
para construir o saber, para ser reconhecido como cidadão, um ser social
crítico na sociedade em que se insere.
O estudo da Língua Portuguesa não é um fim em si mesmo. Pela
especificidade dos seus conteúdos e por ser o nosso instrumento de
comunicação, pode ser usada como forma de apropriação de conteúdos
outros, como facilitadora da leitura do mundo, desenvolvendo o senso crítico
através da discussão de vários temas.

O conhecimento dos elementos da comunicação – emissor, receptor,


mensagem, código, canal, referente – assegura a eficácia da mensagem.

78
Construindo o Texto

A comunicação pode apresentar algumas peculiaridades. Quando existe um


intercâmbio de mensagens entre o emissor e o receptor, ela é bilateral: o bate-
papo, o diálogo. Pode ser unilateral quando é estabelecida de um emissor para
um receptor, mas sem haver reciprocidade. É o caso da televisão, se não se
tratar de um programa interativo.

o) Passo 15 de 15

Diariamente, recebemos milhares de comunicações orais, visuais, auditivas. O


mundo que nos cerca está cheio de mensagens, de formas diversas de
comunicação.
A maioria dessas comunicações é recebida e, imediatamente, esquecida.
Cerca de cem (100) mensagens são recebidas e lembradas.
Procure lembrar: quantas mensagens você recebeu hoje? Quantas
mensagens, realmente, você guardou na memória?
Por que será que guardamos algumas mensagens e outras não? O que é
necessário para que ela seja, realmente, entendida e cumprida?
Como emissor de mensagens, você deve ter sempre presente o esquema a
seguir, lembrando-se de que sua comunicação será tanto mais eficaz quanto
mais se observarem as regras:
 A mensagem deve chamar a atenção do receptor. Portanto, conheça
seu receptor para adequar a mensagem a ele.
 Conheça e domine as possibilidades e regras do código por meio do
qual você vai se expressar, assim será claro e compreendido por todos.
 Conheça, com razoável profundidade, aquilo sobre o que vai falar; para
isso, leia, pesquise, discuta, escreva.
Mesmo obedecendo a todas as recomendações, nem toda comunicação é
perfeita. A mensagem pode não ser absorvida pelo receptor por conter algum
tipo de ruído. Ruído é toda e qualquer perturbação que afete a comunicação e
pode envolver qualquer um dos seis elementos da comunicação.
Um emissor com problemas de fonação pode tornar sua mensagem
ininteligível. Problemas de surdez, deficiência visual ou falta de escolaridade
dos falantes podem tornar a mensagem inócua. O desconhecimento de um
código, não permitindo a comunicação; uma manchete dúbia, num jornal ou
numa revista, truncando a mensagem. Todas essas situações podem ser
consideradas como ruídos na comunicação.

2. Produzindo o Texto

a) Passo 1 de 13

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1.2 - Produzindo o Texto

79
Construindo o Texto

Você já deve estar cansado com tanto blá-blá-blá. Falamos muito sobre língua,
linguagem, vocabulário, palavras... Temos certeza de que sua expectativa
maior seja aprender a escrever bem (se acha que não sabe) e criar um
magnífico texto, sem, absolutamente, um erro de Português. Não tenha
pressa... Quem já esperou até agora, pode esperar mais um pouquinho. Vá
prosseguindo conosco e com a nossa pretensão de torná-lo, um dia, um
grande escritor!
Escrever, na verdade, é produzir o texto, é redigir. Não são apenas os
escritores que têm a prerrogativa de criar belos textos, recriando assim a
realidade. Não cabe apenas aos cientistas registrar, com precisão e clareza,
seus argumentos bem engendrados, comunicando-nos de seus achados e
descobertas científicas. Escrever, produzir um texto, envolve uma atividade
social indispensável, antecedida por uma preparação preliminar que prevê o
conhecimento significativo da língua, o domínio amplo dos elementos da
comunicação, a leitura crítica e elucidativa do mundo, a definição precisa do
receptor, a ampliação do universo vocabular.

b) Passo 2 de 13

A arte de escrever não se dissocia da arte de falar; elas completam-se. O


saber falar é necessário à exposição oral, mas não se dissocia e é
fundamental para o saber escrever. Este último torna-se mais fácil na medida
em que se beneficia da prática linguística do dia a dia, de cujos elementos
utiliza-se para a criação de seu texto.

Antes de tudo, o que há em comum entre a exposição oral e a escrita é a


importância de haver método e clareza na distribuição das ideias na fala e no
papel, respectivamente.
No entanto, vale ressaltar que ninguém é capaz de escrever bem se não sabe
o que vai escrever, se não procura interpretar o mundo, participando do que se
passa à sua volta. Lembremos, portanto, de Paulo Freire, “a leitura do mundo
precede a leitura mecânica das palavras” e, por consequência, a escrita das
palavras.
A convicção do que vamos dizer, a importância que há em dizê-lo, o domínio
de um assunto da nossa especialidade tiram da redação o caráter negativo de
um simples exercício formal.

80
Construindo o Texto

c) Passo 3 de 13

Todos nós, quando dominamos um assunto, somos capazes de escrever sobre


ele. Não há um modelo, uma técnica específica e fechada, um jeito especial de
redigir, senão o caráter criativo, individual, se perderia. O que existe é uma
inibição inicial, “o desafio do papel em branco”, que dificulta, mas que o esforço
e a prática podem vencer.

Às vezes, não encontramos as palavras certas para exprimir nossa mensagem


e nos valemos de gestos; palavras, como coisa, barato; negócio, treco, trem;
onomatopeias, como hum... hum; hém... hem; e outras expressões mais.
Como fazer para ampliar o nosso vocabulário?
No texto o autor Max Genhringer, que iremos ler logo mais, nos fala sobre a
necessidade de se encontrar a palavra certa.
Antes, vamos relaxar um pouco?

d) Passo 4 de 13

VAMOS RELAXAR
Que tal relaxar, “esticar o corpo”, fazer a energia corporal circular?

OMBROS E BRAÇOS
Apoie os braços sobre uma superfície resistente. Inspire e projete seu corpo à
frente, expirando após flexão completa dos cotovelos. Inspire e volte à posição

81
Construindo o Texto

inicial. Repita o exercício 5 vezes. Evite flexionar os joelhos durante a


realização do exercício e tenha cuidado para não enrijecer os ombros.

Quer fazer a coisa certa? Então, vamos entender como a coisa funciona. Leia o
texto da próxima tela e observe o que a falta de vocabulário pode causar na
produção textual.

e) Passo 5 de 13

O QUE É COISA COM COISA


Max Genhringer
Se tem uma coisa que anda incomodando a língua portuguesa é a coisa. O
único consolo é que “coisa” é uma das raríssimas palavras que existem em
qualquer idioma, e em todos eles tem o mesmo significado, isto é, coisa.
No princípio Deus criou as coisas, ensina o Gênesis, para só depois decidir
criar o Homem. Quer dizer, geneticamente falando, que tudo que não era gente
era coisa. Isso durou até 1963, quando finalmente o poeta Vinícius de Moraes
decidiu elevar também o ser humano à categoria de coisa: “Olha que coisa
mais linda, mais cheia de graça...” A bem da verdade, nenhum grande escritor
resistiu à coisa, e o próprio Shakespeare notou que existem muito mais delas
entre o céu e a Terra do que sonha a nossa vã filosofia.
Mas, o que antigamente era um artifício poético e literário acabou virando
arroz-de-festa. Tem até lugar onde a coisa passou a ser flexionada (“O coiso,
como é mesmo o nome dele?”) ou conjugada (“Eu estava coisando quando a
máquina pifou”). Ou por preguiça ou por economia de neurônio, as pessoas
passaram a abusar da coisa: por que aprender a falar empregabilidade se é
bem mais fácil dizer “aquela coisa que eu não tinha e por isso perdi o
emprego?” Nas empresas, a coisa já se tornou sinônimo bastardo para
qualquer coisa:
- Quer saber de uma coisa? Pra mim chega.
- Chega do quê?
- Cansei. E uma coisa eu digo: não sou só eu.
- Peraí. Me explica melhor.
- Explicar o quê? Vai me dizer que você é a favor desse estado de coisas?
- Sei lá. Você nem me disse ainda o que está acontecendo.
- Acorda, cara! A coisa ta preta nessa empresa.
- Taí, eu não acho.
- Como, não acha? Isso aqui é coisa de doido.
- E digo mais. Pra mim, ta tudo ótimo.
- Opa, até você? Eu bem que desconfiava. Aí tem coisa...

f) Passo 6 de 13

Convenhamos: a coisa já passou do ponto, e esse é o âmago da questão.

82
Construindo o Texto

Ao mesmo tempo em que estão adquirindo fluência em inglês e em outros


idiomas alienígenas, muitos profissionais insistem em espezinhar o português
escorreito. A proliferação indiscriminada da coisa é um bom exemplo disso.
Nas empresas, a hiperespontaneidade na comunicação está roubando aos
diálogos a consistência e a praticidade. Mas, a boa linguagem corporativa
jamais admitirá tais atalhos verbais. Quem realmente busca a excelência em
todas as suas dimensões tem por obrigação permear-se com um vocabulário
eclético e dinâmico. O tempo ensinará aos desesperados que o sucesso só
premia os que sabem administrá-lo multifacetadamente, e isso inclui o repúdio
ao uso do palavreado fácil e o respeito ao vernáculo. Apenas após dominar as
nuances de sua língua pátria é que alguém poderá alardear que atingiu a
plenitude profissional. Porque só aí terá compreendido e absorvido os três
pilares básicos em que se apóia a essência da filosofia corporativa, a saber:

83
Construindo o Texto

g) Passo 7 de 13
Saber escrever legitima a nossa capacidade de exprimir o pensamento e o
sentimento. Também firma raízes e retroalimenta a nossa própria
personalidade que, a partir daí, vai se desenvolvendo.
A arte de escrever tem o início de sua prática nas rodinhas de conversa do pré-
escolar; nos “causos” contados nas varandas das casas de fazenda; nos
contos de fada da infância, aliados a um hábito de leitura, às vezes, pouco ou
quase nada incentivado pelo ensino médio. Por isso, essa arte depende muito
de nós mesmos, de uma disciplina mental adquirida pela autocrítica e pela
observação cuidadosa das leituras de textos escritos.
Haverá modelos para se escrever bem?
Como enfrentar a folha em branco sem tensões?
Como atrair a atenção do leitor?
Vamos tentar estabelecer alguns parâmetros? Vamos, sim!
 Devemos contemplar apenas um assunto.
 O assunto do texto deve ser restrito.
 A ideia central deve ser determinada e delimitada.
 Os parágrafos devem ser estruturados, de modo que a ideia seja
identificada rapidamente.

84
Construindo o Texto

h) Passo 8 de 13

DEMONSTRAÇÃO PRÁTICA
Leia a carta abaixo e veja se está de acordo com as nossas recomendações
anteriores:
Salvador, 20 de fevereiro de 2006
Você está participando de uma experiência pioneira na Prefeitura Municipal de
Salvador. Ao inscrever-se neste curso, passou a fazer parte de uma ampla
rede: a comunidade de conhecimentos da SMEC, da qual também participam
vários segmentos da secretaria.
A Universidade Corporativa da Educação – UNICED – é um passo consciente
para a ampliação do processo de inovação das nossas práticas institucionais e
está inserida na visão pedagógica da SMEC.
Você tem à sua disposição um ambiente de aprendizagem que lhe permite
acessar vários cursos e atividades pedagógicas. Neste ambiente, processa-se
a troca de conhecimento, não só acadêmico como profissional, que cada um de
nós vem acumulando durante a vida.
Continue o seu contato com a UNICED. A sua presença é muito importante.
Equipe técnica da UNICED

i) Passo 9 de 13

O que você achou? E quanto à linguagem? Ela está adequada?

Os problemas mais comuns na correspondência são:


 Preocupações básicas do redator:
- Identificar o(s) receptor(es) do texto.
- Pensar claramente.
- Raciocinar linearmente, sem labirintos.
- Transmitir informações, de modo lógico.
- Manifestar as relações entre os fatos, com evidência.
- Refletir sobre o que vai escrever.
 Como vai transmitir?
 Qual o nível de linguagem a ser utilizado?
 Qual a função da linguagem mais adequada?

j) Passo 10 de 13
Ao escrever um texto, portanto, evite:
 Repetições de ideias, palavras, verbos auxiliares.
Vamos ver alguns exemplos?
Estamos dispostos a repensar sobre a nossa conversa. (errado)
Estamos dispostos a repensar sobre a conversa. (certo)
É nossa idéia apresentar todos os nossos produtos para os nossos clientes...
(errado)

85
Construindo o Texto

É nossa idéia apresentar todos os produtos para os clientes... (certo)


 Utilização de palavras e expressões imprecisas:
a dizer – a verdade – além disso – aspecto – casualmente – certamente – coisa
– conjuntura atual – definitivamente – ensejo – então – eventualmente –
oportuno – oportunamente – por seu lado – na verdade.
 Evite o emprego de gírias, estrangeirismos e expressões
antiquadas:
- Apraz-nos...
- Rogamos
- Reportamo-nos
- Sendo o que se nos oferece para o momento
- Epígrafe
- Limitados ao exposto
- Por oportuno julgamos
- Outrossim
- Assunto em tela
- Passo às suas mãos
- Tem a presente a finalidade de...
O uso de termos técnicos desconhecidos do receptor transforma-se em
obstáculo à comunicação. Portanto, evite-os!

k) Passo 11 de 13

Cuidado com essas práticas, tão comuns na escrita:

86
Construindo o Texto

l) Passo 12 de 13

Quando escrevemos, atentamos, também, para as atitudes.


Para a comunicação ser eficaz, o produtor de textos deve analisar:
 Com quem vai comunicar-se?
 Quem é? Que tipo de pessoa é?
 De quanto auxílio a pessoa necessita para atender e aceitar o que lhe
vai ser dito?
 O que você quer dizer?
 A mensagem está clara em sua própria mente?
 Você ainda tem pormenores para verificar?
 Como você está transmitindo as informações?
 Sua abordagem está correta?
 Você está usando palavras adequadas às circunstâncias?
 Como você se certifica de que conseguiu convencer?
 Que informações você quer para a confirmação?

87
Construindo o Texto

m) Passo 13 de 13

Você é prolixo? Quem não é? Isso parece fazer parte do falar brasileiro, que é
uma consequência do formalismo da burocracia brasileira.

Expressões evitáveis:
 Acima citado
 Acusamos o recebimento
 Agradecemos antecipadamente
 Anexo à presente
 Anexo
 Antecipadamente somos gratos
 Anterior a...
 Aproveitamos o ensejo e anexamos
 Até o presente momento

88
Construindo o Texto

 Como dissemos acima


 Com referência ao...
 Conforme acordado
 Conforme segue abaixo relacionado
 Datada de...
 Durante o ano de...
 Estamos anexando
 Levamos ao seu conhecimento
 No estado da Bahia
 Somos de opinião que
 Segue anexo nosso cheque
 Um cheque no valor de...
 Vimos solicitar
Evite, também, os pleonasmos:
 Fundamentos básicos
 Reiterar outra vez
Cuidado com as afetações e colocações exageradas:
 A seu inteiro dispor
 Temos a honra de...
 Temos a subida honra de...
 Temos especial prazer em...
 Com os protestos das mais elevadas estima e consideração...

3. Modelando o Texto

a) Passo 1 de 15

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1.3 - Modelando o Texto

Aluno amigo, sabemos que, agora, você está mais tranquilo porque já percebe
que começar a escrever não é tão difícil assim. É como o ditado diz: “comer e
coçar, a questão é começar!”

89
Construindo o Texto

Ao escrevermos um texto, a depender do conteúdo a ser abordado, além dos


cuidados com o uso correto da Língua Portuguesa, da capacidade de
concatenar as ideias, devemos escolher a modalidade que melhor se adapte à
produção textual que pretendemos: narração, descrição ou dissertação.

b) Passo 2 de 15

MODELANDO O TEXTO
A Narração
O ato de narrar é próprio da natureza humana. Contar e ouvir histórias são
atividades das mais antigas dos homens. Desde a idade mais remota da
humanidade, dos rituais pré-históricos do Homem de Neanderthal, passando
pelos contos de “As mil e uma noites”, cuja personagem principal salvou-se da
morte contando histórias, o ser humano tem, sempre, um “causo” a contar.

90
Construindo o Texto

Assim, narrar, do latim narrare, significa encadear uma sequência de fatos,


de acontecimentos reais ou imaginários, em que há personagens em
movimento; num determinado espaço; num determinado tempo que, por sua
vez, pode ser cronológico ou psicológico. Cronológico quando o fato narrado
obedece à realidade e, portanto, ao tempo físico, ordenado. Psicológico,
quando a narração subordina-se, apenas, às lembranças, à memória dos
personagens, portanto, do autor. Nesse caso, o passado mistura-se com o
presente e vice-versa.
A narração é mais dinâmica. Pressupõe a presença de um narrador, que
pode ser um personagem, ou alguém fora da história, que conta, de forma
onisciente e onipresente (aquele que sabe tudo e está em todos os lugares) os
acontecimentos narrados. A narração tem a movimentação do cinema.

c) Passo 3 de 15

Leia esse poema de Manuel Bandeira – Poema tirado de uma notícia de


jornal – e veja se identifica, aí, um exemplo de narração.

91
Construindo o Texto

Você deve ter observado que, apesar de ser um poema, o texto anterior tem
características peculiares: relata fatos sequênciados; o modo como se
desenvolvem os fatos; os personagens que protagonizam as ações; a causa ou
o motivo dos acontecimentos; a circunstância de tempo e lugar; o resultado das
ações. Existe um narrador e os verbos aparecem, preferencialmente, no
pretérito imperfeito do indicativo e no pretérito perfeito do indicativo – tempos
que, em geral, se referem a fatos passados.

d) Passo 4 de 15

Observe, a seguir, esse outro trecho de uma narração de Machado de Assis.

“Quis tirar o braço; mas o dele reteve-lhe com força. Não; ir para quê? Estavam
ali bem, muito bem...”
- Vamos para dentro? Murmurou Sofia.
Que melhor? Ou seria que ele a estivesse aborrecendo? Sofia acudiu que não,
ao contrário; mas precisava ir fazer sala às visitas... Há quanto tempo estavam
ali!
-Não, há dez minutos, disse o Rubião. Que são dez minutos?
-Mas podem ter dado por nossa ausência...”
(Machado de Assis)

REFLEXÃO
Percebeu o papel do narrador? Viu como ele conduz a história? E o papel dos

92
Construindo o Texto

personagens? Qual a função dos diálogos? Como organizá-los para


imprimirem maior dinamismo ao texto?
Reflita sobre as questões acima e partilhe suas reflexões com seus colegas. É
bom trocar ideias, não acha?

e) Passo 5 de 15

Há algumas formas de elaborar as falas dos personagens numa narração.


Podemos utilizar o discurso direto, indireto e o indireto livre.
Discurso Direto
O discurso direto é a reprodução direta das falas dos personagens. O seu uso
confere ao texto maior agilidade, oferecendo ao leitor uma maior veracidade
dos fatos porque é colocada através do falar direto dos personagens e não do
contar do autor. Caracteriza-se pelo uso do travessão ou das aspas. Exemplo:
“O mendigo, sofrido, dirigiu-se a um transeunte, mostrando seu sofrimento e
pedindo compaixão: - Moço, preciso de uma ajuda, estou com fome, sede,
estou doente!”
Discurso Indireto
O discurso indireto não é reprodução, mas a adaptação e a incorporação das
falas dos personagens pelo narrador/autor. Há, então, uma diferença
substancial. O texto perde um pouco o movimento e os fatos são mais
contados do que mostrados com mais realidade. Exemplo: Ele disse ao moço
que precisava de ajuda e que estava doente, com fome e com sede.
Discurso Indireto Livre
O discurso indireto livre é a combinação do discurso direto com o discurso
indireto. Tenta-se, assim, mostrar e contar os fatos ao mesmo tempo,
mesclando a opinião do autor/narrador com a atuação dos personagens.
Exemplo: Ele buscou ajuda e compaixão do moço. O que fazer, se estava
doente, e não podia trabalhar para matar sua sede e sua fome?
A Descrição
A descrição apresenta-nos um retrato da realidade, fornecendo-nos imagens
que caracterizam e individualizam o objeto, o personagem, a paisagem, o
ambiente a ser descrito, sob determinada perspectiva, num determinado
momento. A descrição é estática, um retrato verbal. São os aspectos que
caracterizam a descrição.

f) Passo 6 de 15

É através da sucessão de aspectos que o autor dá nitidez à sua intenção de


ressaltar as características. O produtor de textos busca atingir seu receptor,
através da observação, da precisão, da percepção, dos sentidos.

93
Construindo o Texto

A descrição apresenta algumas características como: predomínio de verbos de


ligação; emprego de adjetivos que caracterizam o que está sendo descrito;
ocorrência de orações justapostas ou coordenadas.

EXEMPLO
O texto a seguir, de Autran Dourado, é um exemplo bem característico de
descrição:
“Era um cavalo grande, branco, com uma crina brilhante de vento e luz, caída
sobre o pescoço firme. As patas pisavam duras e elegantes, os cascos
negros... Os olhos grandes, brilhantes, belos, revelavam a raça do cavalo...”
Percebeu a diferença entre narrar e descrever?

g) Passo 7 de 15

A descrição é um retrato através de palavras, uma representação verbal de


algo animado ou inanimado, que pode ser uma cena, um objeto, um animal, um
ambiente, uma pessoa, um sentimento, uma emoção. Observe que, para se
fazer uma descrição fiel, é necessário que sejam selecionados os aspectos
mais identificadores e significativos, particularizando, assim, o alvo da
descrição.

94
Construindo o Texto

No texto de Autran Dourado - referido anteriormente e usado como exemplo de


descrição, podemos ressaltar a presença constante dos adjetivos (grande,
branco, brilhante, firme, dura, elegante, negro, belo). O nome sobrepõe-se ao
verbo, que aparece pouco. As formas verbais ou são verbos de ligação ou se
associam a adjetivos e ficam em função deles, perdendo a força verbal: era
(verbo de ligação – SER: “Era um ...); pisavam e revelavam, apesar de terem
significação própria, perdem muito do seu valor significativo, realçando os
adjetivos duras, elegantes, grandes, belos que os acompanham.

EXEMPLO
E esse outro texto? É um belo exemplo de descrição. Note a presença dos
adjetivos e a pontuação que está sempre em função da necessidade de se
acumular características.
“Alto, esguio, de cabelo espetado, gravata borboleta, um ar empinado,
grande bravura pessoal, amigo dos amigos, companheiro fiel e solícito, mas
inimigo irredutível, possuído de uma verve inigualável, quando se tratava de
destruir adversários – sobretudo, quando adversários de baixa estatura moral
– Paulo Duarte ocupou, na história de São Paulo, um papel importante e, no
jornalismo exerceu uma missão moralizadora.” (Abramo, 1993:73)

h) Passo 8 de 15

A narração e a descrição não são tipologias textuais estanques. Elas podem


coexistir num mesmo texto, contribuindo, assim, para uma maior coerência e
coesão do mesmo.
Leia agora dois parágrafos de um mesmo texto. O ambiente desse fragmento
de conto é um bar onde se joga sinuca.

95
Construindo o Texto

O homem dos olhos sombreados, sujeito muito feio, que sujeito mais feio! No
seu perfil de homem de pernas cruzadas, a calça ensebada, a barba raspada,
o chapéu novo, pequeno, vistoso, a magreza completa. Magreza no rosto
cavado, na pele amarela, nos braços tão finos. Tão finos que pareciam os
meus, que eram de menino. E magreza até no contorno do joelho que meus
olhos adivinhavam debaixo da calça surrada.
Seus olhos iam na pressa das bolas na mesa, onde ruídos secos se batiam e
cores se multiplicavam, se encontravam e se largavam, combinadamente. A
cabeça do homem ia e vinha. Quando em quando, a mão viajava até o queixo
parava. Então seguindo a jogada, um deboche nos beiços brancos ou uma
provocação nos dedos finos, que se alongavam e subiam.
(ANTÔNIO, João. Meninão do caixote. In: Pauléia (Gentes da rua). São Paulo:
Ática, 1996. p. 30-1)
Os dois parágrafos, de autoria de João Antônio, fazem parte de um texto cujo
gênero é narrativo. Entretanto, percebemos que, dentro de um mesmo texto,
encontramos a narração e a descrição simultaneamente. Isso é um
procedimento comum ao criarmos os textos, sobretudo os textos literários. No
primeiro parágrafo, que se inicia com “O homem dos olhos sombreados...” e
termina com “debaixo das calças surradas”, observa-se a presença intensa de
adjetivos e muito poucos verbos, sendo a maioria de ligação (pareciam, eram).
O texto adquire uma cadência forte e indicadora de que é necessário a
elaboração mental do retrato do personagem. Este parágrafo é, portanto,
predominantemente, descritivo.

i) Passo 9 de 15

No processo descritivo desse primeiro parágrafo, temos uma percepção que se


dá pelos cinco sentidos, centrando-se na visão.
No segundo parágrafo desse mesmo texto, que começa com “Seus olhos iam
na pressa...” e acaba com a oração “e subiam.”, observa-se a presença de
verbos que indicam movimento, ação, logo, há a predominância da ação.

96
Construindo o Texto

j) Passo 10 de 15

EXERCÍCIO SOLO
A título de treinamento, e para maior fixação da aprendizagem, escreva mais
dois parágrafos para o texto de João Antônio, lido anteriormente. No primeiro,
você deverá descrever o outro jogador da partida de sinuca; no segundo, o final
da partida. Mas, cuidado! Procure ser bem parecido com o autor do texto
original, seguindo o mesmo estilo, para que o leitor não perceba a mudança de
autoria.
Como se trata de uma questão subjetiva, que dá margem a inúmeras e
diferentes respostas, inviabiliza o estabelecimento de um único gabarito.

k) Passo 11 de 15

Vamos retomar o estudo teórico deste assunto?

A Dissertação
Dissertar é expor, interpretar, debater, defender um ponto de vista, atribuir um
juízo de valor. Segundo outros, é avaliar ou discutir um problema.
A dissertação exige um amplo conhecimento e reflexão do texto a ser
desenvolvido, que deverá ser claro, objetivo, lógico e coerente. As ideias
expostas devem ser comprovadas e/ou discutidas através de fatos e/ou
argumentos. A dissertação prevê, também, um planejamento do que se vai
escrever e uma grande habilidade de expressão, em se tratando de
organização de ideias e utilização de recursos linguísticos.
Quando dissertamos, buscamos materiais necessários para introduzir, avaliar
e pôr em discussão ou solucionar um problema. Cabe, nesse caso, não
apenas uma exposição dos resultados e opiniões, mas o desenvolvimento da
argumentação.

l) Passo 12 de 15

A depender do tema, a dissertação permite o exame crítico de várias soluções


possíveis, que não será realizado apenas através de várias ideias justapostas,
mas pelo desenvolvimento de uma unidade. Nesse caso, o importante é a
argumentação, eivada de elementos de convencimento, que interferem no
senso crítico do leitor.

97
Construindo o Texto

O tema/problema a ser abordado deverá ser colocado, discutido e resolvido.


Portanto, a dissertação desenrola-se através de três partes:
 Introdução (colocação, apresentação do problema);
 Análise ou desenvolvimento (discussão do problema);
 Conclusão (resolução, solução do problema).

m) Passo 13 de 15

Introdução, Desenvolvimento e Conclusão


A introdução propõe o enunciado da questão a ser discutida, de forma que,
desde o início, percebamos o tema da dissertação. Nesse segmento do texto,
sugerimos o plano de desenvolvimento do texto, de forma clara, precisa,
breve e preparatória.
O desenvolvimento (a análise) deve ser ordenado, progressivo e equilibrado.
As opiniões devem ser sucessivamente avaliadas, partindo do mais simples, do
mais específico e conhecido, para o mais complexo e profundo. O equilíbrio da
análise, do desenvolvimento, não se refere apenas à proporção dos
argumentos apresentados. Deve ser relativo à sua importância dentro do todo,
como, por exemplo, atitude de quem discute.
A parte mais difícil da produção textual é a elaboração da conclusão. Aí,
deverá estar colocada a frase que definirá, com precisão, clareza e concisão, a
opinião do autor. O fim da dissertação deverá ser uma resposta acurada,
positiva ou negativa, à pergunta colocada no início ou mesmo no título do texto.
O processo dissertativo deve ser longo o suficiente para que apareçam os
pontos de vista diferentes que estimulam o desenvolvimento da argumentação.

98
Construindo o Texto

n) Passo 14 de 15

EXEMPLO
Leia o texto que se segue e procure descobrir as características da dissertação
às quais nos referimos.
O AGIR COMUNICACIONAL
Heloísa Dupas Penteado (FE/USP)
Neste mundo contemporâneo, da globalização econômica, da mundialização
cultural, múltiplas identidades se fazem presentes na escola, tornando inviável
ignorar diferentes realidades que compõem esse espaço, representadas pelo
corpo discente.
Impõe-se lidar com elas, de maneira formativa, tendo em vista a construção de
personalidades democráticas, condizentes com um mundo livre, plural, mais
justo e em intensa comunicação intercultural.
Considerar as diferenças que se projetam nos ambientes escolares de ensino e
nas práticas correspondentes implica e exige dos profissionais comprometidos
com a educação escolar o Agir Comunicacional, como conduta docente
capaz de desencadear entre os sujeitos da educação interações
produtivas/criativas/superativas às intercessões das políticas educativas de
flexibilização e descentralização.
No modelo da conduta docente tradicional ignoram-se as diferenças, pela
imposição do modo de agir linear, no processo de ensino escolar, com
predominância da atuação calcada no modelo linear de comunicação, onde o
discurso oficial se impõe pelo papel do docente como emissor de mensagem e
do discente como receptor.
No modo de agir comunicacional, deslocamo-nos para um modo de atuação
em rede. Nesse novo modelo, as etapas do processo educacional escolar são
vividas, enquanto instâncias decisórias de um processo coletivo/plural. E, de tal
forma, que as perguntas referentes a cada instância estão presentes em todas
elas, garantindo, simultaneamente:
 unidade e flexibilidade no processo de ensino/aprendizagem;
 alternância de papéis entre os sujeitos da educação escolar (professores
e alunos), nas relações com os objetos de conhecimento em foco, de tal
modo que alunos e professores vivam, respectivamente, os papéis de
receptores/emissores/processadores/produtores de conhecimentos.
Nas características do Agir Comunicacional, fundamento da Metodologia
Comunicacional de Ensino, encerra-se/esclarece-se a identidade
coletiva/comunicativa do processo de ensino aprendizagem escolar, enquanto
criador da cultura docente.

o) Passo 15 de 15

Reflita sobre o texto da professora Heloísa Dupas Penteado que você acabou
de ler.

99
Construindo o Texto

4. Passeando pela Gramática

a) Passo 1 de 8

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1.4 - Modelando o Texto

Nesta unidade, passearemos pela GRAMÁTICA, revendo alguns fatos


linguísticos que estudamos desde o primeiro grau, ferramentas necessárias
para a produção dos nossos textos, mas que ainda nos dão muita dor de
cabeça!
Para construir e produzir textos informativos, literários, publicitários e científicos
deve-se estar de acordo com a norma culta.

Você talvez se arrepie e ache que é muita rigidez e preconceito linguístico.


Entretanto, se me perguntasse: - O que é norma culta? E eu lhe respondesse: -
*&#@mhytt; ]~´-oi8654ewsa<>///}}^~:[=-)((. Você entenderia? Com certeza,
não! Por quê? Porque a língua não pode ser usada aleatoriamente, existem
regras que determinam o seu funcionamento.

100
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 8

PASSEANDO PELA GRAMÁTICA


Por que existem sinais de pontuação? Às vezes, as dificuldades em pontuar
são tantas que decidimos, por conta própria, eliminá-los.
Os sinais de pontuação são importantíssimos porque substituem e reproduzem,
na escrita, às vezes sem muita exatidão, os inumeráveis recursos da fala
como, por exemplo, a entonação, a modulação da voz, os gestos e as
expressões fisionômicas.
Contamos com uma série de sinais gráficos denominados sinais de pontuação,
que abordaremos a seguir.

Pontuação
A vírgula, como todo sinal de pontuação, deixa-nos loucos! Um autor brasileiro
já escreveu: “a vírgula não foi feita para humilhar ninguém! Mas que o emprego
dela é difícil, isso é!”
Ziraldo diz muito sobre a vírgula, com o texto que se segue...

Que delícia de sinal!


A história assim se passou:
a gente foi ler um livro
e faltava tanta vírgula
e faltava tanta letra
que alguém desconfiou!

101
Construindo o Texto

Só o que restou no ar
foi uma interrogação:
teriam as letras virado
comida de um comilão?
Até que não foi o fato
de tanta vírgula sumida
que nos fez desconfiar,
pois todo mundo, no mundo
come vírgula, até demais.
Dá até pra acreditar
Que a vírgula é, com certeza,
O mais doce dos sinais.
(Deve vir de sobremesa!).

102
Construindo o Texto

c) Passo 3 de 8

O uso da vírgula
Usa-se a vírgula, para:
 Separar frases coordenadas assindéticas.
Ex.: "Cheguei às 8 horas na Faculdade, assisti à aula de Língua
Portuguesa, fui almoçar."
 Separar os elementos de igual função sintática.
Ex.: "Li, refleti, esperei; fiz um belo poema."
" O padre, o juiz, o médico, o professor são personagens constantes de
história."
 Separar as orações alternativas.
Ex.: “Um dia chove, outro dia bate sol.”
"Ou aprenda, ou desista."
 Separar orações intercaladas.
Ex.: "Alice, disse a Graça, não se esqueça de sonhar."
 Separar os adjuntos adverbiais.
Ex.: "Hoje, por volta das 13 horas, almoçaremos no Iguatemi."
"Por falta de prioridade política, a educação tem sido esquecida pelos
governos."

A vírgula também é usada, para:


 Assinalar a inversão, a anteposição dos adjuntos adverbiais.
Ex.:" Na semana passada, os funcionários fizeram um churrasco em
Jauá."
"Todos os dias, faço uma caminhada."
 Assinalar a ausência de um termo anteriormente explícito.
Ex.:" A Open-School já nos ofereceu cursos de Designer Instrucional, de
Inglês e de Língua Portuguesa."
 Separar apostos e vocativos.
Ex.: "Caetano Veloso, grande compositor brasileiro, assume,
publicamente, posicionamentos políticos controversos através da
imprensa."
"Juliana, você sabe se o glossário já ficou pronto?"
"Sabe, Sônia, a coisa está ficando difícil neste planeta..."
"Não se aflija por tão pouco, Ivana..."
 Separar orações adjetivas explicativas.
Ex.: "O ensino à distância, que é uma metodologia inovadora, vai
transformar a educação tradicional."

d) Passo 4 de 8

Use a vírgula, para:

103
Construindo o Texto

 Separar local e data nos cabeçalhos.


Ex.: "Salvador, 1º de janeiro de 2003."
 Separar os elementos paralelos de um provérbio.
Ex.: "Juventude impertinente, exigente, velhice solitária."
 Separar as palavras sim ou não, usadas como resposta no início de uma
frase.
Ex.: "- Vocês aceitam chá de cidreira?
- Não, não queremos, Marinalva. Obrigada."
 Separar algumas conjunções pospostas.
Ex.: "O pessoal do Núcleo de Tecnologia da Informação, contudo,
prefere chá ao café."
 Separar palavras e expressões explicativas ou retificativas.
Ex.: Por exemplo, ou melhor, isto é, aliás, além disso, então...
"Você disse tudo, ou melhor, quase tudo sobre o assunto em discussão."

e) Passo 5 de 8

O ponto e vírgula
Usa-se o ponto e vírgula para marcar uma pausa mais longa, mais sensível do
que a vírgula, porém menor que a do ponto, esclarecendo, portanto, que o
período não terminou.
Assim, use o ponto e vírgula, para:
 Separar as várias partes distintas de um período, que se equilibram em
valor e importância.
Ex.: "Depois, ele passou para a próxima unidade; fez os exercícios de
revisão, preparando-se para a abordagem de um novo assunto."
 Separar as séries ou membros de frases que já são interiormente
separadas pro vírgulas.
Ex.: "Alguns alunos estudavam, esforçavam-se, exauriam-se; outros
folgavam, descuidavam-se, não pensavam no futuro."
 Separar os considerados de um decreto, de uma sentença, petição, etc.
Ex.: "Art.14. Os cargos públicos são providos por:
I-Nomeação;
II-Promoção;
III-Aproveitamento."

f) Passo 6 de 8

O ponto
É utilizado para encerrar qualquer tipo de período, exceto os terminados por
orações interrogativas diretas ou exclamativas. Indica, portanto, pausa longa.
O ponto é também usado para indicar abreviações de palavras. Exemplo: A
Sra. Renie é a nossa programadora visual.

104
Construindo o Texto

Os dois pontos
Usam-se os dois pontos para:
 Anunciar a fala dos personagens em histórias de ficção.
Ex.: "O professor ergueu o dedo, dizendo:
- Qualquer dúvida, podem perguntar!"
 Antes de uma citação.
Ex.: "Como dizia o ditado: Antes só, do que mal acompanhado."
 Antes de apostos discriminativos, principalmente nas enumerações.
Ex.: "Duas coisas dignificam o homem: a honestidade e o saber."
 Depois de um verbo dicendi (dizer, perguntar, responder, etc), em frases
de estilo direto.
Ex.: "Alguém te disse: Estuda. Só assim compreenderás o mundo."
 Para indicar um esclarecimento, um resultado ou resumo do que se
disse.
Ex.: "Confio muito nas pessoas: não sei se serei feliz!"

g) Passo 7 de 8

O ponto de interrogação
É usado após palavras ou frases que indicam perguntas, questionamentos.
Nunca é colocado no fim de uma oração interrogativa indireta.
Preste atenção para o seguinte:
 O ponto de interrogação é empregado no fim de uma palavra, oração ou
frase, para indicar pergunta direta ou indireta livre, que se faz com
entonação ascendente.
Exemplo: "- Como? Perguntou a professora. Aonde você vai? Como é
seu nome?"
 Aparece, às vezes, no fim de uma pergunta intercalada, que pode ao
mesmo tempo estar entre parênteses.
Exemplo: "A desonestidade (quem há de contestar?) é percebida nos
mais 'inocentes gestos humanos'."
 O ponto de interrogação pode estar combinado com o ponto de
exclamação ou as reticências.
Exemplo: "Você? Então, era você a pessoa que..."
 Não se usa o ponto de interrogação nas perguntas indiretas.
Exemplo: "Perguntei quem era você."
 Às vezes, o ponto de interrogação e o de exclamação aparecem juntos.
Isso ocorre, quando há, concomitantemente, entonação interrogativa e
exclamativa.
Exemplo: "Você viu?!"

105
Construindo o Texto

O ponto de exclamação
O ponto de exclamação é usado após uma palavra ou frase, indicando
surpresa, espanto, alegria, entusiasmo, dor ou ordem.
 Emprega-se o ponto de exclamação depois de qualquer palavra,
expressão ou frase, na qual, com entonação descendente, indica-se
surpresa, espanto, susto, indignação, piedade, ordem, súplica, etc.
Exemplo: "Deus! Que chuva!"
 A exclamação substitui a vírgula depois de um vocativo enfático.
"Exemplo: Brasileiros! A hora é de luta e esperança!"
 A exclamação também é empregada depois das interjeições e dos
vocativos intensivos.
Exemplo: "Ah! Se o povo soubesse..."
 O ponto de exclamação pode ser repetido quando há uma intenção de
indicar aumento de duração ou intensidade na enunciação.
Exemplo: "Hoje, ela já sabe!!!"

h) Passo 8 de 8

Reticências
Emprega-se as reticências para indicar suspensão, interrupção do pensamento
ou corte da frase de um personagem pelo interlocutor, nos diálogos. A função
das reticências é omitir o que não interessa, imediatamente, aos nossos
propósitos.
Fique atento para as seguintes características das reticências:
 Usadas no início para indicar supressão de palavra(s), numa frase
transcrita, que pertencia a uma frase que não foi copiada desde o
princípio. Por isso, começa-se com letra minúscula.
Ex.: "...se mistura, migalhas come."
 Usadas no final, são um sinal de que o termo da citação não coincide
com o fim da frase onde ela foi tirada.
Ex.: "Quem com porcos se mistura..."
 Usadas no meio do período para indicar certa hesitação ou breve
interrupção do pensamento.
Ex.: "Não sei... não sei... por que sofro tanto?"
Não divague com as reticências... Continue ligado...
 As reticências são usadas, no fim de um período gramaticalmente
completo, para sugerir certo prolongamento da ideia, expressando que o
sentido vai além do que ficou dito.
Ex.: "Na terra, os homens sonham, os mortais vivem sonhando..."
 As reticências também são usadas sugerindo movimento ou continuação
de um fato.
Ex.: "E a vida continua..."
 As reticências são usadas, no corpo da frase, para indicar pequenas
interrupções que revelam hesitação, ou dúvida, ou fatos que se

106
Construindo o Texto

sucedem espaçadamente.
Ex.: "Você vai ao cinema... vai, João?"
 Usam-se as reticências, substituindo o ponto de interrogação, para
indicar chamamento ou interpelação.
Ex.: "João... gritou ele bem alto."
 Podem, ainda, revelar que o pensamento tomou um rumo inesperado,
imprevisto, descambando para a ironia.
Ex.: “Quanto moço elegante e perfumado. Que anda, imponente, de
automóvel... fiado. Porque lhe faltam níqueis para o bonde.” (Bastos
Tigre)

5. Descomplicando a Língua

a) Passo 1 de 11

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 5 - Descomplicando a Língua

Você pensa que acabou? Como prometemos na unidade anterior, nosso


caminho é longo através dos fatos linguísticos. Nosso objetivo é descomplicar,
simplificar a norma culta.
Vamos continuar buscando o ritmo dos nossos textos, através da pontuação.
Não pense que alguns sinais de pontuação foram abolidos da Língua
Portuguesa, como dizem os temerosos das “imposições linguísticas”! Eles
estão bem vivos e são muito importantes, imprimindo ritmo e facilitando a
compreensão das nossas mensagens!

107
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 11

Observe alguns sinais muito usados na produção textual! Eles também estão
incluídos na pontuação.

Parênteses
Empregam-se os parênteses para isolar palavras, locução ou frases
intercaladas, no período, com caráter explicativo, que são ditas em tom mais
baixo. Às vezes, substituem a vírgula ou o travessão.
Exemplo: O uso do cachimbo (diz o povo) deixa a boca torta.

108
Construindo o Texto

Travessão
É um traço maior que o hífen. Emprega-se:
 Nos diálogos, indicando mudança de interlocutor ou início da fala de um
personagem.
Exemplo: - Você se sente feliz?
 Para separar expressões ou frases explicativas, intercaladas.
Exemplo: A esperança - um sentimento imperativo no Brasil – estimula-
nos a viver.
 Para isolar palavras ou orações que se quer realçar ou enfatizar.
Exemplo: Todos gritavam – grunhiam – em meio ao desespero.
 Ligando palavras, em cadeia de um itinerário, para indicar a junção de
vocábulos, sem, no entanto, formar palavras compostas. Exemplo: O
ferry faz o trajeto Salvador – Bom Despacho.
Vale a pena ressaltar que o travessão, às vezes, substitui os parênteses, a
vírgula e os dois pontos.

c) Passo 3 de 11

Aspas
Quando usar aspas?
 As aspas são empregadas antes e depois de uma citação textual
(palavra, expressão, frase ou trecho).
 As aspas são usadas para evidenciar expressões ou conceitos.
Costuma-se, também, colocar entre aspas, ou mesmo grifar, palavras

109
Construindo o Texto

estrangeiras, termos de gíria. Os títulos de livros, revistas, jornais, filmes


devem ser, preferencialmente, grifados.
 Quando uma expressão já está entre aspas e se deseja utilizar uma
nova expressão com aspas, dentro da primeira, pode-se usar o sinal de
aspas simples ( ' ).
Colchetes
Têm a mesma finalidade que os parênteses. Entretanto, seu uso restringe-se
aos escritos de cunho didático, filológico, científico. Na transcrição de um texto,
podem indicar inclusão de palavra(s). Exemplo: ”Cada um colhe [conforme
semeia].” (Adriano da Gama Kuri)

Asterisco
Asterisco significa estrelinha. Emprega-se:
Nos dicionários e enciclopédias, para remeter a um verbete.
No lugar de nome próprio, que não se quer mencionar. Exemplo: O
Jornal*...
Para remeter a uma nota ou explicação ao pé da página ou no fim de um
capítulo. Exemplo: A televisão* denunciou a corrupção no governo.

Parágrafo
Representa-se com o sinal §, servindo para indicar um parágrafo de um texto
ou artigo de lei.

d) Passo 4 de 11

Acentuação
Na pontuação, tentamos reproduzir, através de sinais gráficos (vírgulas,
reticências e outros) as pausas da voz. Na acentuação, indicamos, mediante o
uso dos sinais de acentuação (acento agudo, acento circunflexo, acento grave,
e outros) as sílabas mais fortes; o timbre vocálico aberto ou fechado; a fusão
dos as, como na crase - à, orientando, assim, o leitor, na pronúncia das
palavras.

Se você refletiu sobre a pronúncia das vogais, observando o timbre, leia essas
palavras, em voz alta, e sinta que algumas são pronunciadas com a boca mais
aberta e outras com a boca um pouco mais fechada. Todas têm apenas uma
sílaba!
É nó dó vá nu Zé li vê - do lá vô de com sem - se
Experimentou fazer o que lhe sugerimos? Notou que as palavras: é, nó, dó, vá,
nu, Zé, li, vê, lá, vô, além de terem apenas uma sílaba, são pronunciadas mais
fortemente? Entretanto, do, de, com, sem, se, também monossílabas, têm
uma pronúncia mais fechada. Assim, podemos concluir que as primeiras,
terminadas em á, é, ê, ô, ó (acentuadas) e i, u (nunca com acento!) são as
tônicas; as seguintes (todas sem acento) são as átonas.
Observe, agora, essas outras palavras; todas têm mais de uma sílaba! São
dissílabas, trissílabas e polissílabas.

110
Construindo o Texto

CAFÉ - FELICIDADE - DÁDIVA


As sílabas destacadas, nessas palavras, chamam-se sílabas tônicas. Sílaba
tônica, como você já viu, é a sílaba pronunciada com mais intensidade. Cada
palavra, a partir das dissílabas, tem apenas uma sílaba tônica, a mais forte.
As outras são chamadas sílabas átonas, as mais fracas.

Classificação Posição da sílaba tônica Exemplos


oxítona na última sílaba café
paroxítona na penúltima sílaba felicidade
proparoxítona na antepenúltima sílaba dádiva

111
Construindo o Texto

e) Passo 5 de 11

Acentuar não é difícil! Todas as palavras proparoxítonas (as que têm a sílaba
tônica na antepenúltima sílaba) são acentuadas. No entanto, elas são minoria
na nossa língua. As paroxítonas (as que têm a sílaba tônica na penúltima
sílaba) são as mais numerosas, mas nem todas levam acento. O mesmo
ocorre com as oxítonas (as que têm a sílaba tônica na última sílaba) que
ocupam o segundo lugar, em quantidade, logo depois das paroxítonas.

f) Passo 6 de 11

Um espaço não deverá ser preenchido. Por quê?

112
Construindo o Texto

g) Passo 7 de 11

Porque não existem palavras dissílabas proparoxítonas, porque as palavras


dissílabas só têm duas sílabas, não tendo, portanto, antepenúltima sílaba. O
ESPAÇO QUE DEVERÁ FICAR VAZIO É O DA PROPAROXÍTONA
DISSÍLABA.

h) Passo 8 de 11

Revisão panorâmica
Que tal entender e aprender um pouco a acentuar?

113
Construindo o Texto

Examine os quadros e observe que eles não contêm as terminações i(s) e u(s).
Portanto, palavras monossílabas tônicas e oxítonas com essas terminações
não são acentuadas. Dentre as oxítonas, excetuam-se as terminadas por hiato.
Exemplo: Itaú, Itajaí. Elas levam acento. Lembra do hiato? Note que o u e o i
vêm junto de uma vogal e se separam, na divisão silábica. No entanto, Aracaju,
caju, ali e senti não têm acento, porque o u e o i vêm junto de uma consoante
e, portanto, não formam hiato, ficando juntos na divisão silábica.

i) Passo 9 de 11

Continue observando os quadros a seguir. Existem outros tipos de paroxítonas


acentuadas, apresentando, no entanto, terminações menos comuns.

114
Construindo o Texto

Veja, na tela seguinte, na letra da música “Construção”, de Chico Buarque de


Hollanda, como é importante o aspecto formal da língua – a acentuação, as
sílabas, a seleção vocabular. Forma não se dissocia de conteúdo. E os bons
poetas sabem disso. Confira!

j) Passo 10 de 11

Construção
Chico Buarque de Hollanda
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música

115
Construindo o Texto

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado


E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último


Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina


Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

k) Passo 11 de 11

Que linda letra, a da música “Construção”, não acha?! Como se pode ser, ao
mesmo tempo, tão leve e tão incisivo, usando para isso um recurso linguístico
fantástico, que são as palavras proparoxítonas?
Observe cada estrofe dessa música! O que você nota nas últimas palavras de
cada verso? O que elas têm em comum? São apenas palavras fortes e
crespas? Como a acentuação dessas palavras interfere na rima e no ritmo do
poema? Pois é, todas são proparoxítonas: última, único, tímido, máquina,
sólidas, mágico, sábado, príncipe, lágrima, público, lógico, pássaro,
bêbado, próximo, música, flácida, náufrago, tráfego, única, pródigo. O
acento está na antepenúltima sílaba.

116
Construindo o Texto

Será que lhe cansamos, com tanta informação? Deu para compreender melhor
como se escreve? Complicou ou descomplicou?
Descanse, faça um pouco de alongamento, pense numa paisagem belíssima
que lhe descontraia e volte pronto, ou pronta, para o abraço... Temos muito a
descobrir!
Até a próxima aula!

6. Descobrindo os Segredos

a) Passo 1 de 11

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 6 - Descobrindo os Segredos

Imaginamos como você ficou predisposto, ou predisposta, para estudar


pontuação e acentuação! Será que, na prática, vai lembrar-se de tudo isso?
Apesar de cansativo, é muito necessário rever essas questões mais formais da
Língua Portuguesa.
Vamos tentar descobrir os segredos da Língua Portuguesa. Por isso,
escolhemos alguns assuntos polêmicos com os quais, tenho certeza, você já
deve ter se emaranhado nos textos que construiu!

117
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 11

Descobrindo os segredos
O uso da crase
Um grande impasse na produção dos nossos textos é o uso da crase.
Você sabia que a crase não é acento? O acento grave (`), nesse caso, é um
indicador de que houve uma fusão de dois fonemas iguais: a + a = à
(preposição a com o artigo a). O uso da crase, portanto, subordina-se ao estilo
e à regência dos nomes e verbos.
São condições necessárias para o uso do acento grave, indicador de
crase, que a palavra regente exija preposição a e que a palavra regida
admita o artigo feminino a.
Assim, exatamente como você formulou, baixinho, e ficou com medo de estar
errado.
 Só se coloca o sinal da crase antes de palavras femininas.
 Se você substituir um vocábulo feminino por um vocábulo masculino e
aparecer a contração ao antes do nome masculino, emprega-se a crase.
Exemplo: Eu vou ao colégio. Eu vou à praia. O verbo IR exige
preposição e a palavra praia admite artigo.
 Quando podemos substituir o a de uma frase pelas preposições e/ou
combinações a, com a, na, para, pela, usamos a crase. Exemplo: Eu
vou à praia; vou para a praia; vou na praia; vou pela praia.

118
Construindo o Texto

c) Passo 3 de 11
Pensa que terminamos o uso da crase? Que nada! Veja outras regras.
 Não se usa a crase antes de verbos, sendo opcional, no entanto, antes
dos pronomes possessivos sua, suas. Exemplo: Ele se recusou a
entregar o livro ao colega. Entreguei o livro a sua mãe. Entreguei o livro
à sua mãe.
 Podemos usar o sinal da crase, para evitar ambiguidade. Exemplo:
Bordado feito a mão (ou à máquina) – sem crase, por não haver
ambiguidade. À Luísa feriu Pedro – com crase – para evitar
ambiguidade.
 Os pronomes de tratamento iniciados por possessivos não admitem o
artigo antes de si; logo, não podem vir precedidos de a craseado.
Exemplo: Pedi a V. Exa.; o pronome de tratamento senhora admite o
uso da crase.
 Os substantivos próprios que indicam nome de lugar só são precedidos
de a craseado quando exigem o uso do artigo. Exemplo: Curitiba é uma
bela cidade. Portanto, vou a Curitiba. Roma representa, com
exuberância, a cultura europeia. Vou a Roma. A Bahia é um grande
centro turístico. Vou à Bahia. A Itália sediará o próximo congresso. Vou
à Itália.
Também usa-se a crase nas seguintes situações:
 Nas locuções adverbiais femininas, no plural, aparecem os sinais de
crase. Exemplo: às vezes, às escondidas, às pressas, às claras.
 Em algumas locuções adverbiais femininas, no singular, nem sempre se
coloca o sinal da crase. Exemplo: a facada, a máquina, a mão, a
navalha. Caso a clareza do texto seja prejudicada, aconselhamos usar o
sinal da crase.
 Usa-se sinal indicativo de crase nas expressões referentes a horas.
Exemplos: à uma hora, às nove horas.
 Antes dos pronomes possessivos, a crase é opcional. Exemplos: O
documento foi enviado a sua secretária. O documento foi enviado à sua
secretária.

d) Passo 4 de 11
Atenção! Não coloque crase!
 Antes de nomes masculinos: Escrevo a Pedro.
 Antes de verbos: Estou a procurar meu documento!
 Antes de artigo indefinido (um): Falei a um médico sobre você!
 Antes de expressões de tratamento. Exemplos: Escrevi a Vossa Sra.
 Antes de pronomes pessoais: Dirigi-me a ela.
 Antes de pronomes indefinidos. Exemplos: (cada, qualquer, nenhum,
todo, vários). Exemplo: Solicitou o relatório a alguma empresa pública.
 Antes de pronomes demonstrativos (este, esse, isto, isso, exceto aquele
e suas flexões). Exemplo: O presidente do sindicato referia-se a esse

119
Construindo o Texto

procedimento. Entretanto, usa-se: Vou àquele lugar que você me


indicou. Refere-se àquela professora.

e) Passo 5 de 11
O uso da crase é obrigatório nas seguintes situações:
 Antes de nome feminino, que admite artigo e é regido pela preposição a.
Exemplo: Vou à cidade.
 Antes de numeral, quando indica horas.
Exemplo: Cheguei às oito da noite.
 Antes de nomes masculinos, quando se omite a palavra moda ou
maneira, usa-se a crase.
Exemplo: Ele é um escritor à [moda de] Ferreira Gullar.
 Antes de pronomes demonstrativos (aquele, aqueles, aquela, aquelas,
aquilo), quando regidos de preposição.
Exemplo: Fomos àquele barzinho e não gostamos do atendimento.
Entretanto, o uso da crase é facultativo antes de nomes próprios, de
pronomes possessivos e na locução até a.
Não se usa a crase:
 Nas locuções adverbiais, antes de substantivos repetidos. Exemplo: cara
a cara, gota a gota.
 Antes de substantivo plural. Exemplo: Reporto-me a moças nascidas em
1976. O a, nessa oração, é apenas uma preposição. Entretanto, se a
oração fosse – Reporto-me às moças nascidas em 1976 – a crase seria
obrigatória, porque haveria a fusão da preposição com o artigo.

f) Passo 6 de 11
Leia as orações que se seguem. Sublinhe a oração que você considerar que o
a deve ter o sinal indicativo de crase.

Dê o livro aquele menino.


A noite, não haverá aula.
Nunca deu bom dia a quem morava a seu lado.
Nunca deu nada a ninguém.
Foi a farmácia e comprou os remédios.
Ele se refere a Curitiba, como um modelo de cidade moderna.
A professora saiu as pressas
Comprar a prazo é perigoso.
O curso começará as sete horas.
Ela se referia a duas empregadas.

120
Construindo o Texto

g) Passo 7 de 11

Vamos relaxar
Cansou, não? Crase, para alguns, é uma pedra no sapato! E para você? Se
souber um pouquinho de regência verbal, a crase terá sido bem mais fácil! Em
Língua Portuguesa, como em qualquer área do conhecimento, há uma relação,
uma dependência, entre os vários assuntos - um depende do outro.
Agora, descanse um pouco!

h) Passo 8 de 11

Como vai sua ortografia? Como vão as dúvidas entre S e Z? E entre X e CH, S
e SS, S? O que você sabe sobre o uso de Ç, S e Ç, J e G? E o H?
Não lhe prometo nada de extraordinário, mas vamos tentar representar melhor
os sons da nossa língua pelas letras, de forma mais adequada?

121
Construindo o Texto

A tarefa não é nada fácil, nem muito lógica. Uma boa dose de leitura, a prática
de escrever e a origem do nosso idioma explicam, direitinho, esse quebra-
cabeça. Ou tentam explicar!

i) Passo 9 de 11

Ortografia I
Você já deve ter tido problemas quanto ao uso do h. Por exemplo, a palavra
desumanizada, aparece sem h e, no entanto, a palavra humanizada aparece
com h.
O que vamos expor servirá para resolver parte do problema.
1. O h aparece no início da palavra, mas desaparece na derivada. Exemplos:
 Humanizadas, mas desumanizadas
 Harmonia, mas desarmonia
 Honesto, mas desonestos
 Honra, mas desonra
 Habitável, mas inabitável
 Hábil, mas inábil
 Herdar, mas deserdar
2. O h permanece nos compostos ligados por hífen:
 Anti-higiênico
 Pré-histórico
 Sobre-humano

122
Construindo o Texto

 Super-homem
 Pseudo-herói
 Mal-humorado
Como o h não tem valor fonético, quer dizer, não é pronunciado, somente a
prática ou um bom dicionário lhe poderão dar certeza se a palavra tem h inicial
ou não.

Eis algumas palavras que, por vezes, nos trazem dificuldades:

123
Construindo o Texto

Bahia - tradição
Derivados e composto não grafar com h – baiano, baianismo, baião, coco da
baía.

j) Passo 10 de 11

Ortografia II
Agora é a vez do uso de algumas consoantes. Prepare-se, essa viagem é
muito divertida e... tem volta!

Como justificar o emprego do S e do Z , nos exemplos acima? Observe os


exemplos que se seguem:

124
Construindo o Texto

k) Passo 11 de 11

Lembre os adjetivos e substantivos vistos anteriormente, cujos radicais


terminam em S. Compare-os com os adjetivos abaixo, que não têm S nem Z
nos seus radicais. Observe com atenção como as palavras derivadas desses
adjetivos e substantivos são grafadas.

125
Construindo o Texto

 Escrevem-se com S (isar) os verbos que derivam de palavras cujo


radical termina em S.
 Escrevem-se com Z (izar) os verbos que derivam de palavras cujo
radical não termina em Z.
 Terminam em eZa com (Z) os substantivos que derivam de adjetivos.
 Terminam em eSa com (S) os substantivos que não derivam de
adjetivos.
Está pensando que acabou? Vá até a próxima unidade, que lá tem mais...
Até breve!

7. Desvendando os Mistérios

a) Passo 1 de 13

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 7 - Desvendando os Mistérios
Leu o poema de Cecília Meireles - “Ou Isto ou Aquilo”? Com a ortografia é
assim mesmo, é pegar ou largar; ou vai, entra de cabeça, ou desiste! Mas você
já veio até aqui, tenho certeza de que irá até o fim!

126
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 13

Ortografia III
Observe a palavra contestação, grafada com Ç. Já as palavras omissão e
pretensão, que possuem o mesmo som final de contestação, escrevem-se,
respectivamente, com SS e S.
Por que os sons idênticos são grafados com letras diferentes? Para auxiliá-los
na solução dessa dificuldade, preferimos que você mesmo vá deduzindo após
observar os exemplos que seguem: SS e não C.
Os verbos que têm na sua raiz o segmento CED geram substantivos grafados
com ss.
retroCEDer – retroceSSo
interCEDer – interceSSão
conCEDer – conceSSão, conceSSionário
CEDer – ceSSão
aCEDer – aceSSo

Os verbos que têm na sua raiz o segmento GRED geram substantivos grafados
com ss.
aGREDir – agreSSão
reGREDir – regreSSão

127
Construindo o Texto

proGREDir – progreSSão

Os verbos que têm na sua raiz o segmento PRIM geram substantivos grafados
com ss.
comPRIMir – compreSSão

imPRIMir – impreSSão
suPRIMir – supreSSão

Os verbos que têm na sua raiz o segmento METER geram substantivos


grafados com ss.
introMETER – intromiSSão
subMETER – submiSSão, submiSSo
reMETER – remiSSão, remeSSa

c) Passo 3 de 13

Os verbos que têm na sua raiz o segmento TIR geram substantivos grafados
com ss.
discuTIR – discuSSão
repercuTIR – repercuSSão
admiTIR – admiSSão
permiTIR – permiSSão

128
Construindo o Texto

Ç e não SS
Os adjetivos e substantivos terminados em TO e os verbos terminados em TER
geram substantivos terminados em ÇÃO.
isenTO – insenÇão
canTO – canÇão
ereTO – ereÇão
aLto – alÇar
aTO – aÇão
reTER – retenÇão
deTER – detenÇão
conTER – contenÇão

Os vocábulos com som sibilante após um ditongo têm esse som grafado com
Ç.
eleiÇão – (ei é ditongo)
afeiÇão – (ei é ditongo)
traiÇão – (ai é ditongo)

d) Passo 4 de 13

Vocábulos de origem Árabe:


açúcar, açucena, açafrão, muçulmano, açafate, etc.
Vocábulos de origem Tupi, Africana ou Exótica:
araçá, Iguaçu, Juçara, miçanga, paçoca, Paraguaçu, moçoró, caçula,
muçurana, etc.
Os vocábulos de origem Árabe, Tupi, Africana ou Exótica são grafados
com Ç:

barcaça mulheraça carcaça linhaça


ricaço mormaço bagaço estilhaço
marcação armação embarcação alegação
carniça enfermiço dentuça metediço

e) Passo 5 de 13

S e não Ç
Os verbos que possuem o segmento ND no radical geram substantivos e
adjetivos grafados com S.

expaNDir expanSão expanSivo


suspeNDer suspenSão suspenSório
preteNDer pretenSão pretenSioso
asceNDer ascenSão ascenSorista
Os vocábulos, em geral verbos, cujo radical tem os segmentos RG e RT

129
Construindo o Texto

geram substantivos em S.

aspeRGir asperSão
inveRTer inverSão
diveRTir diverSão
conveRTer converSão

Os verbos que apresentam, no radical, os segmentos PEL e CORR geram


substantivos e adjetivos em S.

exPELir expulSão expulSo


comPELir compulSório compulSivo
rePELir repulSa repulSão
disCORRer discurSo discurSar
reCORRer recurSo recurSar
conCORRer concurSo concurSado

f) Passo 6 de 13

Ortografia IV
USO DE G E J
O G só pode ser empregado, com o som de J, antes das vogais e e i.
Exemplos: Gíria, gigante, gilete, giz, ginásio, girafa, vigia, algibeira, angico,
argila, égide, Egito, fuligem, ferrugem, estrangeiro, evangélico, geada, gengiva,
viagem, Gertrudes, gesso, gesto, selvagem, sugerir, tangente, tigela, vagem,
vegetal, vertigem.
Emprega-se o J antes das vogais a, o, u.
Exemplos: Encorajar, forjar, laranja, granja, sujar, lisonja, canja, rijo, sujo,
varejo, jurar, justo, júbilo, jumento, julgamento, juba.

Em muitos casos, usa-se o j, também, antes do e e do i.

g) Passo 7 de 13

Vejamos, quando isso acontece:


A - Em palavras derivadas de outras que já se escrevem com j:
 Laranja: laranjeira, laranjinha.
 Encorajar: que tu encorajes; que nós encorajemos (no entanto: a
coragem).
 Loja: lojinha, lojista.
 Manja: manjedoura.
 Viajar: que tu viajes; que eles viajem (no entanto, a viagem).

130
Construindo o Texto

 São Borja: são–borjense.


 Canja: canjica.
 Ultraje: eu ultrajei; que eles ultrajem; o ultraje.
 Rijo: rijeza.
 Sujo: sujeira; sujinho.
 Anjo: anjinho (no entanto, angélico).
 Cereja: cerejeira.
 Cerveja: cervejinha.
 Varejo: varejista.
 Laje, lájea: lajes; lajeano; lajeado.
 Trajar: que tu trajes; que eles trajem; o traje.
 Sarja: sarjeta.

B - Quando a origem latina da palavra assim o exigir:


Jeito, majestade, hoje, sujeito, injeção, interjeição, jeitoso, ajeitar, rejeitar,
jejum, jejuar, jesuíta.
C - Em palavras de origem africana, tupi-guarani e exótica:
Alfanje, alforje, caçanje, jirau, jerivá, jiboia, jê, pajé, jeca.

h) Passo 8 de 13

Ortografia V
USO DE X E CH
 Após um ditongo, emprega-se x: caixão, peixe, deixe.
 Após en inicial, usa-se x: enxada, enxaguar, enxame. As exceções
são: encher e derivados, enchova e palavras iniciadas por ch,
antecedidas do prefixo en, como enchapelar, encharcar.
 Após o me inicial (com som fechado, de"mê"), grafa-se com x:
mexerica, mexerico, mexicano, mexilhão, mexer.
 Palavras de origem indígena ou africana: xangô, xará, xavante, xingar,
xinxim, xique-xique.
 Palavras aportuguesadas do inglês trocam o sh original por x: xampu,
xerife.
 Atente para a grafia das seguintes palavras: bruxo, capixaba, caxemira,
caxumba, enxerido, esdrúxulo, muxoxo, praxe, puxar, rixa, roxo, xale,
xaxim, xícara.
 Observe, também, as seguintes palavras: arrocho, bochecha, broche,
cachimbo, chamego, chimpanzé (ou chipanzé), chope, chuchu, flecha,
pachorra, pechincha, piche, pichar, salsicha.

Chá (do chinês – dialeto mandarino – chá): planta teácea; da infusão das
folhas dessa planta prepara-se uma bebida.

131
Construindo o Texto

Xá (do persa xah): título nobre usado na antiga Pérsia (hoje, Irã), equivalente
ao de rei.
Cheque (do inglês check): documento bancário, ordem de pagamento.
Xeque: no jogo de xadrez, a jogada que coloca o rei em risco. A palavra, como
o jogo, vem da Pérsia e seria uma variante de xah.
Tacha (do francês tache): mancha, mácula, defeito; pode significar, também,
“pequeno prego”. O verbo tachar significa “difamar”, “caluniar”, “atribuir defeitos
morais a uma pessoa”.
Taxa (do latim medieval tax): imposto, tributo.
Brocha (do francês broche): prego curto, tacha.
Broxa (do francês brosse): grande pincel usado em caiação de paredes.
Buxo (do latim buxu): pequeno arbusto.
Bucho (origem controvertida): estômago de animal.
Coxo (do latim coxu): capenga.
Cocho (origem controvertida): vasilha para uso do gado.

i) Passo 9 de 13

PARTICULARIDADES DA ORTOGRAFIA DE ALGUNS VERBOS


1- Verbos em uir:
Grafam-se na terceira pessoa do singular do presente do indicativo com i
(contribui, possui, conclui, estatui). Exemplos:
Diante da violência que ameaça o mundo, conclui-se que o berço da
civilização deve ter sido uma jaula.
Ele possui muitos amigos.
2- Verbos em ear:
No presente do indicativo e presente do subjuntivo, nas três pessoas do
singular e na terceira do plural, intercala-se um i eufônico. Exemplos:
O sol clareia o rosto triste da criança.
Os noivos se presenteiam, numa manifestação de afeto.
3- Verbos em iar:
Intercala-se um e eufônico, em cinco desses verbos, no presente do indicativo,
e presente do subjuntivo, nas três pessoas do singular e na terceira do plural:
odiar, remediar, incendiar, ansiar e mediar. Exemplos:
Ele odeia o pai.
“Cada vez que morre um velho africano é uma biblioteca que se incendeia.”
(Lygia Fagundes Telles)
4- Verbo prover:
Apesar de composto de ver, o verbo prover dele se afasta no pretérito perfeito
do indicativo, no mais-que perfeito do indicativo, no imperfeito do subjuntivo e
no particípio passado.
“Foi provido uma cadeira jurídica da Faculdade do Recife.” (Fausto Barreto)
5- Verbo requerer:
Não segue seu modelo – verbo querer – no presente do indicativo, no

132
Construindo o Texto

imperativo afirmativo, mais-que-perfeito do indicativo, futuro do subjuntivo e nas


formas do perfeito do indicativo. Exemplos:
Requeiro, hoje, minha aposentadoria.
Isso requer muito cuidado.
6- Verbo falir:
Este verbo só é conjugado nas formas em que aparece a vogal i.
Exemplos:
Meu sócio faliu.
A loja estava falida.
Nós falimos.

j) Passo 10 de 13

Depois de ler tudo isso, buscando entender os segredos da nossa Língua


Portuguesa, como anda, de verdade, sua ortografia? Muitos ”erros”? Não se
preocupe! Se você tem algo a dizer, se estrutura bem seu pensamento, não
tem como se angustiar! O mais importante você já tem. Assim, é mais fácil.
Continue buscando desvendar esses “segredos” de nossa Língua!
Você já notou que todo mundo quer escrever determinadas palavras com letras
maiúsculas, ignorando que existem normas que padronizam o seu uso? Vamos
conhecê-las?

133
Construindo o Texto

k) Passo 11 de 13

EMPREGO DE MAIÚSCULAS
Usa-se letras maiúsculas:
Início de parágrafos/Períodos (versos - não obrigatoriamente).
Nomes próprios.
Tratamento mais formal ou respeitoso. Ex.: Santo Padre/Deus
Abreviaturas e siglas.
Nomes de pessoas, incluindo apelidos.
Nomes sagrados, religiosos, mitológicos. Ex.: Santa Clara, Eucaristia,
Hércules. Nomes de dinastias, clãs e tribos - Xavantes.
Nomes de vilas, cidades, regiões geográficas, mares. Ex.: O Negro e o
Solimões se encontram no Amazonas.
Títulos de livros, jornais ou qualquer produção.
Nomes de épocas históricas, datas significativas, movimentos filosóficos,
políticos. Ex.: O Brasil não teve Renascimento. Nosso estado não comemora o
aniversário da Guerra dos Farrapos.

Também usam-se letras maiúsculas nas seguintes circunstâncias:


 Nomes de conceitos religiosos, sociológicos, políticos. Ex.: A Igreja
Católica possui muitos terrenos na Bahia. O Senado Federal. A
Democracia. A Câmara.
 Nomes das ciências, das artes, disciplinas e escolas (literárias, artísticas
e arquitetônicas).
 Nomes de altos cargos. Ex.: o Imperador, o Coronel, etc.
 Leis, decretos ou qualquer ato oficial. Ex.: A Lei de Defesa do
Consumidor.
 Festas religiosas. Ex.: Natal.
 Nomes dos pontos cardeais quando designam regiões. Ex.: O Nordeste
anda sofrendo sempre.
 Nome de partidos políticos, associações e similares.
 Expressões de tratamento e fórmulas respeitosas
 Nomes comuns quando personificados. Ex.: Porque o Amor nunca
cumpre o que promete.

l) Passo 12 de 13

EMPREGO DE MINÚSCULAS
Usam-se letras minúsculas:
Depois de ponto de interrogação e exclamação, quando tem valor de vírgula.
Ex.: Não concorda? ninguém sabe tudo. É, Maria! a vida é fogo
Depois de dois pontos, se eles não estiverem imediatamente antes de citação

134
Construindo o Texto

direta ou de nomes próprios. Ex: Convidaram várias lideranças de base para a


posse do novo Presidente: sindicalistas; padres; trabalhadores rurais.
Substantivos próprios que fazem parte de substantivos comuns. Ex.: deus-
dará.
Nomes de festas populares e pagãs. Ex: No último carnaval a...
Fenômenos meteorológicos regionais. Ex: a seca
Nomes de povos. Ex.: O brasileiro, apesar de tudo, é um povo alegre.
Monossílabos átonos dentro de títulos. Ex.: O tempo e o vento
Nome de meses, estação do ano, dia da semana: fevereiro, março, abril;
inverno, verão; domingo, sábado.

m) Passo 13 de 13

VAMOS RELAXAR
Não fique pensando que agora é só alegria e que nos abandonará nessa árdua
tarefa de encontrar os segredos...
Agora, pernas para o ar, que ninguém é de ferro! Chega de normas, não acha?
Vamos exercitar um pouquinho o corpo? Deixe de preguiça, vamos lá!

8. Parando para Refletir

a) Passo 1 de 12

Tema 2 - Construindo o Texto

135
Construindo o Texto

Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras


Unidade 2.1. 8 - Parando para Refletir

Que viagem essa nossa! Estamos quase no final! Final? Parece um caminho
sem fim... Quanto mais estudamos, mais perplexos ficamos diante da
grandiosidade e beleza da Língua Portuguesa! O conhecimento dos elementos
que permitem o milagre da comunicação, o saber escrever, é muito maior do
que se pensa! Suas possibilidades são infinitas, como o sentimento. Seus
mistérios são insondáveis, como a alma humana!

b) Passo 2 de 12
Observe as frases que seguem. São enunciados bastante diferentes entre si.
Diferentes não apenas pelas informações veiculadas, mas também quanto às
formas empregadas. Há diferenças de sons, vocabulário, formas verbais,
formas de tratamento, etc. Analise-os, escrevendo nos quadrinhos: F, quando
for um enunciado mais relativo à fala, e E, quando for mais relativo à escrita.
Eu conheço ele dês que a gente era colega de colégio.
Eu o conheço desde o tempo em que éramos colegas no colégio.
O sinhô vai armoçá gorinha mesmo? Não faiz mar, nóis vorta despois.
Vós podereis dizer, excelência, que estou equivocado.
Você podia dizer, cara, que eu errei.
Comprei um pacótchi de lêitchi.
Comprei um pacote de leite.
Mas tu quiria u quê?

136
Construindo o Texto

Porém tu querias o quê?

c) Passo 3 de 12
Observe as sequências de palavras abaixo e assinale a única alternativa onde
estão transcritas apenas formas exclusivas da oralidade:

137
Construindo o Texto

d) Passo 4 de 12

Os exercícios das telas anteriores foram apenas alguns poucos exemplos. Se


saíssemos à rua com um gravador na mão, recolhendo amostras do que as
pessoas realmente falam no dia a dia, passaríamos o resto da vida coletando
material sem jamais esgotar as variedades. Esta é uma palavra-chave para
qualquer compreensão da língua, o ponto de partida de nosso estudo: a
variedade, abordada por nós, na unidade dedicada às variações linguísticas.

Leia o texto da próxima tela, extraído da revista Isto É, de 20 de agosto de


1997. Procure entender a necessidade que temos de conhecer a nossa língua,
e, portanto, todos esses fatos linguísticos que tanto nos atordoam! Só assim
poderemos tecer críticas ou fazer resistência ao uso da norma culta.

e) Passo 5 de 12

“Fala-se mal o português. Ou melhor, fala-se errado. Ninguém aguenta mais

138
Construindo o Texto

ouvir erros grosseiros do tipo ‘houveram acidentes' ou ‘é pra mim fazer'. Para
os mais letrados, essas agressões ao idioma têm ferido tanto os ouvidos que
se decidiu partir para um contra-ataque. Pelo menos três rádios de São Paulo e
uma emissora de televisão estão veiculando pequenos ‘inserts' de especialistas
em dicas para não maltratar a língua-mãe. Longe de se parecerem com
aquelas modorrentas aulas de gramática cheias de regras, que ninguém sabe
para que servem, essas intervenções são, antes de mais nada, bem-
humoradas. Ensinam o que se pode chamar de gramática de resultados. Ou
seja, dicas úteis e sem complicações das expressões mais usadas no dia a dia.
Uma dessas ofensivas veio da rádio Eldorado AM de São Paulo. Basta
sintonizar a estação, o jornalista Eduardo Martins dá suas advertências em
flashes de um minuto, chamado De palavra em palavra.”
“Autor do Manual de Redação do Estadão, Martins também faz aos sábados
um programa de uma hora de duração que leva o mesmo nome. Com um
tempo maior, aproveita para fazer entrevistas e responder dúvidas dos
ouvintes. Desde que entrou no ar, em maio, ele recebe a média de 60 cartas
por semana. Para Martins, essas solicitações retratam o quanto os brasileiros
estão fracos no próprio idioma. ‘As escolas estão ruins e as pessoas não
sabem nem consultar um dicionário', diz.
O precursor dessas aulas relâmpago é o professor de português Pasquale
Cipro Neto, 42 anos, que mantém, desde março de 1992, o Nossa língua
portuguesa, na rádio Cultura AM de São Paulo. Mas o sucesso aconteceu,
quando o programa foi colocado na tevê, em julho de 1994 pela Rede Cultura.
A aceitação foi tanta que Cipro vem sendo abordado por outras emissoras
comerciais para protagonizar um programa semelhante. ‘Já recebi convite de
duas grandes rádios de São Paulo', diz. Tamanho sucesso garantiu a Cipro
Neto estrelar a campanha publicitária do McDonald's.”
“A rádio Jovem Pan também saiu em defesa do idioma e investe no Programa
S.O.S. Língua Portuguesa, na voz do professor Odilon Soares Lemos, 63
anos, que veicula suas lições em flashes de um minuto. O programa de Lemos
começou voltado para melhorar o desempenho de estudantes às vésperas do
vestibular, mas o interesse dos ouvintes cresceu tanto que, hoje, Lemos tem
também a preocupação de dar dicas para o dia a dia, respondendo a perguntas
dos ouvintes. ‘Não é o erro de português em si que é chocante. Pior é
quem o comete. É duro ver um senador da República cometendo um erro
de concordância como o recorrente ‘fazem' tantos anos. Se essas
pessoas pretensamente escolarizadas erram em público, o que dirá em
suas casas?'”
(Isto É – 20/08/97)

f) Passo 6 de 12

Que tal esse texto? Você acha que, como falante, cuida bem da Língua
Portuguesa? Na prática, o que você faz para falar e escrever corretamente?
Reflita sobre essas questões.

Professor Arnaldo Niskier, membro da Academia Brasileira de Letras – ABL, é


o autor dessas importantes observações, sob forma de artigo – Correto

139
Construindo o Texto

mesmo só o português, discorrendo acerca da maneira descomprometida e


pouco cuidadosa com que o falante trata a nossa língua.
O verbo constituir é transitivo direto. Exemplo: Esses parágrafos constituem
o núcleo da obra.
O verbo constituir-se rege a preposição em: Esses parágrafos constituem-se
no núcleo da obra.
O verbo implicar, no sentido de envolver ou ter como consequência, é
transitivo direto isto implica dizer que não aceita a preposição em, ou seja,
isto implica aquilo e não naquilo.

Continuando a sua peregrinação pelos “atalhos da língua”, o imortal Arnaldo


Niskier, com muito humor e propriedade, destaca algumas “heresias
linguísticas”. Veja na tela seguinte.

g) Passo 7 de 12

É FRIA
“A água se solidifica a zero graus centígrados”.
Garanto que não virou gelo. O numeral zero deixa a palavra seguinte no
singular.
Frase correta: A água se solidifica a zero grau centígrado.

VELHICE
“Quando as pessoas envelhecem ficam rabujentas?”
Claro que não! Principalmente, grafando dessa maneira. Não seja rabugento.
Escreva esta palavra sempre com g.
Período correto: Quando as pessoas envelhecem ficam rabugentas?

ANEXO CERTO
Segue anexa a ficha do aluno ou Segue em anexo a ficha do aluno. São frases
corretas.
Observe: Anexo concorda em gênero e número com o termo a que se refere;
já em anexo não varia.

AMIZADE
“O amigo que mais gosto é o Pedro.”
Garanto que o Pedro não acredita nesta amizade.
O verbo gostar (quem gosta, gosta de) é transitivo indireto, isto é, precisa da
preposição de.
Observe: A presença do pronome relativo (que) atrai a preposição para antes
dele.
Período correto: O amigo de que mais gosto é o Pedro.
RESPEITABILIDADE GERAL
“Os Estados Unidos é respeitado por todas as nações do mundo.” Cuidado!
Quando o sujeito de uma oração é os Estados Unidos, o verbo ficará sempre
no plural, pois o nome daquele país indica pluralidade.
Frase correta: Os Estados Unidos são respeitados por todas as nações do

140
Construindo o Texto

mundo.

INAPETÊNCIA
“D. Maria destrinchou o frango assado, mas ninguém o comeu.”
Certamente porque a senhora usou um verbo inadequado.
Trinchar é o verbo correto, isto é, cortar em pedaços.
Destrinchar ou destrinçar significam expor com minúcias, resolver, desenredar.
Período correto: D. Maria trinchou o frango assado, mas ninguém o comeu.

HABITAÇÃO
O homem habita a Terra ou O homem habita na Terra?
Tanto faz! Podemos habitar algum lugar ou em algum lugar. O importante é
que o homem preserve essa Terra para que seus descendentes continuem
habitando-a.

h) Passo 8 de 12

EXEMPLO
Todo elo só pode ser de ligação.

Eduardo Martins é jornalista de O Estado de São Paulo e autor do Manual de


Redação e Estilo do OESP.
Repare nas duas afirmações seguintes – de uma autoridade federal e de um
cronista esportivo – e na locução assinalada em destaque: “As Forças Armadas
estão se deslocando crescentemente para a Amazônia, porque são o elo de
ligação com o Estado.” / “O meio-de-campo precisa ser o elo de ligação entre
a defesa e o ataque de um time.”
Você concorda com o “elo de ligação” que aparece em situações tão diferentes
nas frases? Bem, não concorde. “Elo de ligação” é uma das dezenas de
redundâncias (ou pleonasmos) que infestam a linguagem do dia a dia. Afinal,
elo já significa ligação e falar em “elo de ligação” é o mesmo que dizer “ligação
de ligação”.
Você se lembra das ideias de Charles Darwin? Pois é, ele procurava o elo
perdido entre o homem e o macaco e não o “elo de ligação” perdido entre o
homem e o macaco.

i) Passo 9 de 12

FUJA SEMPRE DO ÓBVIO


Veja a seguir mais algumas redundâncias muito comuns e faça o possível para
fugir do óbvio:
“Planos ou projetos para o futuro”. Alguém faz planos para o passado? Fale
nos seus planos ou projetos, apenas.
“Criar novos empregos”. Tudo que se cria é novo. Por isso, devem-se
apenas criar empregos.
“Habitat natural”. O “natural” está sobrando. Repare na definição do dicionário
para habitat: “Lugar habitado por uma raça, um animal ou uma planta em
estado natural” (o grifo é meu).

141
Construindo o Texto

Continue fugindo do óbvio! Veja:


 “Prefeitura municipal”. Existe alguma que não seja municipal?
 “Conviver junto”. Pode-se conviver separadamente?
 “Sua autobiografia”. Se é autobiografia, já é sua.
 “Sorriso nos lábios”. Onde mais o sorriso estaria?
 “Goteira no teto”. Onde mais a goteira estaria?
 “Estrelas no céu”. Onde mais as estrelas estariam?
 “General do Exército”. Só existem generais no Exército.
 “Brigadeiro da Aeronáutica”. Só existem brigadeiros na aeronáutica.
 “Almirante da Marinha”. Só existem almirantes na Marinha.

j) Passo 10 de 12

Veja mais obviedades, das quais você deve continuar fugindo!


 “Manter o mesmo time”. Pode-se manter outro time?
 “Labaredas de fogo”. De que mais as labaredas poderiam ser?
 “Pequenos detalhes”. Existem grandes detalhes? Fale em detalhes,
somente.
 “Erário Público”. O erário é o tesouro público. Por isso, erário basta.
 “Acabamento final”. Pode existir acabamento parcial?
 “Despesas com os gastos”. Despesas e gastos são sinônimos.
 “Encarar ou enfrentar de frente”. Alguém encara ou enfrenta de
costas ou de lado, por exemplo? Fale em encarar firmemente, enfrentar
com decisão, etc.
 “Monopólio exclusivo”. Se é monopólio, já é total ou exclusivo.
 “Ganhar grátis”. Alguém ganha pagando?
 “Países do mundo”. De onde mais podem ser os países?
 “Exultar de alegria”. Pode-se exultar de tristeza?
 “Viúva do falecido”. Não pode haver viúva sem falecido.
 “Subir para cima”. Bem, deixei propositadamente para o fim aquelas
construções que nenhum de nós deve usar, em nenhuma hipótese,
como “subir para cima”, “descer para baixo”, “entrar dentro ou para
dentro”, “sair fora ou para fora” (não se deixe influenciar por muitos
locutores esportivos, para os quais jogadores “entram dentro da área” ou
“saem fora do campo”);“autoestima”, nunca “baixa estima” porque o
correto é auto e não alto! E nem é preciso fazer comentários, não é
verdade, meu caro amigo leitor?

k) Passo 11 de 12

A essa altura, você já olha para a nossa Língua Portuguesa com outros olhos,
ela já invadiu sua alma. Leia o que Clarice Lispector tem a nos dizer.

142
Construindo o Texto

Esta é uma confissão de amor: amo a língua portuguesa. Ela não é fácil. Não é
maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua
tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro
pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem
de sentimento e de alerteza. E de amor. A língua portuguesa é um verdadeiro
desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e
das pessoas a primeira capa de superficialismo.

l) Passo 12 de 12

Eu queria que a língua portuguesa chegasse ao máximo nas minhas mãos. E


este desejo todos os que escrevem têm. Um Camões e outros iguais não
bastaram para nos dar para sempre uma herança da língua já feita. Todos nós
que escrevemos estamos fazendo do túmulo do pensamento alguma coisa que
lhe dê vida.
Essas dificuldades, nós as temos. Mas não falei do encantamento de lidar com
uma língua que não foi aprofundada. O que recebi de herança não me chega.
Se eu fosse muda, e também não pudesse escrever, e me perguntassem a que
língua eu queria pertencer, eu diria: inglês, que é preciso e belo. Mas como não
nasci muda e pude escrever, tornou-se absolutamente claro para mim que eu
queria mesmo era escrever em português. Eu até queria não ter aprendido
outras línguas: só para que a minha abordagem do português fosse virgem e

143
Construindo o Texto

límpida.

COMENTÁRIO
Gostou, hein?! Essa unidade foi "um descanso na loucura", como disse um dos
maiores escritores e recriadores da Língua Portuguesa, João Guimarães Rosa.
Respire fundo e se prepare, com muita garra, para a próxima aula! Até lá!

144
Construindo o Texto

9. Procurando a Saída

a) Passo 1 de 12

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 9 - Procurando a Saída
COMENTÁRIOS
Como você se sente? Emaranhado, ou emaranhada, em fios que não se
desatam? Enrolado no xale da doida? Percorrendo um labirinto complicado e
surpreendente? Nada disso, todo esse caminhar "faz parte do processo de
construção do conhecimento", diriam os professores modernos, cheios de
sabedoria e erudição. Estamos procurando o caminho e chegaremos lá!
Vamos, então, nessa unidade, rever alguns fatos linguísticos que facilitarão a
nossa tarefa de produzir textos. Afinal de contas, você não quer violar as
regras, atentando contra a gramática, você não é uma lesa-gramática (mais
uma palavra, talvez desconhecida - ou não? - grande contribuição para o seu
vocabulário!).
Que tal começar por regência?

145
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 12

Afinal, o que é regência?


Encontramos, no Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque
de Holanda, a seguinte definição para regência:
[Do lat. Regentia]. E. Ling. Em sentido estrito, a dependência da forma flexional
do nome ou do pronome em relação à preposição que complementa.

146
Construindo o Texto

Regência, portanto, pode ser definida, como uma relação de subordinação, de


dependência dos termos. Segundo Cegala (1977:312), "regência ou regime é o
modo pelo qual um termo rege outro que o complementa". A palavra que
completa o sentido é denominada ou regida, ou subordinada; a palavra que é
inteirada em sua significação chama-se regente ou subordinante.

c) Passo 3 de 12

Regência Verbal
Veja, a seguir, os verbos que têm, em geral, oferecido dificuldade quanto ao
uso ou não de preposição...

Advertir
Admite objeto direto, direto e indireto:
Vítor advertiu seu motorista. (objeto direto)
A política da empresa advertia os estagiários da necessidade de cumprimento
de horário. (direto e indireto)
O treinador advertiu-o de que estava fora de forma... (direto e indireto)

Agradar
Exige objeto indireto:
Agrada-lhe uma atitude coerente.

Agradecer
Pede objeto direto de coisa e indireto de pessoa, ou simplesmente objeto
indireto:
Agradeci o gesto solidário.
Agradeci-lhe o gesto solidário.
Agradeci-lhe.

d) Passo 4 de 12

Ajudar
Pede objeto direto:
O gerente ajudou-a na transação bancária.

Aspirar
É transitivo direto, quando significa sorver, cheirar (ar, pó):
O operário aspirou as substâncias nocivas.
É transitivo indireto quando significa desejar:
O operário aspirava a um salário mais justo.

Assistir
É transitivo direto na acepção de ajudar.
O professor assiste o aluno.
O médico assiste o doente.

147
Construindo o Texto

É transitivo indireto na acepção de ver, estar presente:


A juventude assistiu ao filme Cidade de Deus.
Os brasileiros assistiram aos jogos da Copa do Mundo.

e) Passo 5 de 12

Atender
Pede objeto direto no caso de significar responder a um chamado:
O médico não o atendeu.
É obrigatório o uso do objeto indireto, se significar prestar atenção:
O diretor atendeu a nosso pedido.
Atender ao pedido.
Atender à convocação.
No sentido de servir é transitivo direto:
A assistente social atende o dependente químico.

Hoje, já é comum o uso ou não da preposição, isto é, o verbo pode ser


transitivo direto ou indireto, indiferentemente.

Chamar
É transitivo direto no sentido de invocar:
O presidente chamou o ministro.
No sentido de apelidar, admite as seguintes possibilidades:
Chamaram-no Zé Moleza.
Chamaram-lhe Zé Moleza.
Chamaram-no de Zé Moleza.
Chamaram-lhe de Zé Moleza.
A preferência, no entanto, é pela transitividade direta:
Chamaram-no Zé Moleza.

f) Passo 6 de 12

Consistir
É transitivo indireto e pede a preposição em (e não a preposição de):
As novas informações enviadas consistem em novas normas da ABNT.

Implicar
Pede objeto direto no sentido de envolver, pressupor, requerer:
Considerar a nova norma gramatical implica revisar textos já elaborados.

Informar
É transitivo direto e indireto. Se a pessoa for objeto direto, a coisa se constituirá

148
Construindo o Texto

em objeto indireto. E vice-versa:


O médico informou-o de que sua saúde não estava muito boa.
O médico informou-lhe que sua saúde não estava muito boa.

Namorar
Pede objeto direto:
A professora namora o aluno surfista. Evite-se namorar com .

Obedecer
É transitivo indireto:
Antigamente, os filhos obedeciam aos pais.
A secretária obedecia ao presidente da empresa.

Veja mais exemplos de verbos que podem ser transitivos diretos e indiretos.

g) Passo 7 de 12

Pagar
Pede objeto direto de coisa e indireto de pessoa:
Paguei o empréstimo que fiz.
Paguei ao colega o que lhe devia.
Paguei-lhe o que devia.
Precisar
No sentido de necessitar: é transitivo indireto. Se significar estabelecer com
exatidão, será transitivo direto:
O aprendiz precisava de tempo para assimilar as técnicas.
Não sei precisar a hora do início da festa.
Preferir
É transitivo direto e indireto:
O diretor preferiu vendas à vista a vendas a prazo.
Evita-se preferir mais do que ... ou preferir uma coisa do que outra:
Fulano prefere jogar bola mais do que estudar.
Fulano prefere jogar bola do que estudar.

h) Passo 8 de 12
Proceder
É verbo transitivo indireto (logo, não pode ser usado em frases passivas):
O juiz procedeu à elaboração da sentença.
Responder
No sentido de dar resposta é transitivo indireto:
As perguntas a que ele respondia.
Responder à carta...
Responder ao oficio...

149
Construindo o Texto

Visar
É transitivo direto no sentido de mirar ou de pôr visto:
Construiu uma grande fortuna e visava a fama.
O empresário inovador visou a fama.
É transitivo indireto no sentido de ter em vista, objetivar:
A política educacional visava ao sucesso dos educandos.
O novo presidente visava à transformação da sociedade.
Modernamente, antes de infinitivo não se coloca a preposição a:
Marcelo visa oferecer vantagens aos novos compradores.

i) Passo 9 de 12
Marque um X nos quadrados, ao lado das orações, cuja regência verbal estiver
correta.

O diretor atendeu a nosso pedido.


O supervisor ajudava o vendedor.
A gerente pagou o empregado a diferença salarial.
O deputado aspira a presidência da República.
A contadora procedeu a elaboração do balanço.

j) Passo 10 de 12

Regência Nominal
Na regência nominal, o termo regente - um substantivo ou um adjetivo - é que
necessita de uma complementação para que seu sentido fique claro e preciso.
O termo regido em questão será sempre precedido de uma preposição.
Exemplo: Estou apto a escolher meu caminho. Nessa oração, apto é o termo
regente e escolher é o termo regido.
Às vezes, quando você está escrevendo, vacila diante da escolha de algumas
preposições, não?
Não se preocupe! Estamos lhe oferecendo uma relação de substantivos e
adjetivos, acompanhados de suas preposições mais usuais.

150
Construindo o Texto

acessível a capacidade de, para liberal com


acostumado a, com capaz de, para medo a, de
afável com para com compatível com natural de
agradável a contemporâneo a, de necessário a
alheio a, de contíguo a nocivo a
análogo a contrário a obediência a
ansioso de, para, por horror a ojeriza a, por
apto a, por idêntico a paralelo a
aversão a, por impróprio para parco em, de
ávido de indeciso em passível de
benéfico a insensível a possível de

k) Passo 11 de 12
Marque um X nas orações cuja regência nominal esteja correta:

É um pedido a que atenderei satisfeito.


É uma pessoa a quem atenderei com prazer.
A casa que conheci é arejada e moderna.
A casa que fomos é moderna e arejada.
Não é essa exatamente a rua em que estive.
O Bahia é o time que sempre torci.

l) Passo 12 de 12

Deu para entender ou foi puro gramatiquês?


Fique aí, não corra não! Ainda tem mais... Até a próxima aula!

151
Construindo o Texto

10. Encontrando a Saída

a) Passo 1 de 24

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 10 - Encontrando a Saída

Que responsabilidade a nossa ao dizer que estamos encontrando a saída!


Temos, porém, a certeza de que, depois de tanto lero-lero, de tanta conversa
mole, conseguimos seduzir-lhe, que é, na atualidade, uma das funções mais
importantes da linguagem. Sedução no bom sentido, é claro! Acabamos-lhe
convencendo de que usar bem a nossa Língua Portuguesa é um dever de
cidadão. Para isso, todo brasileiro deveria ter o direito a uma educação de
qualidade e criteriosa, assegurando-lhe um conhecimento pleno e claro do seu
idioma - passaporte para a ascensão social, caminho certo para a igualdade,
enquanto cidadão. Saber ler e escrever bem não é um detalhe, não é um
acessório, é a essência, é o fundamental.
Que tal navegar pelos mares da concordância, onde sempre nos afogamos? E
o que é concordar? Você, com certeza, já sabe o que é concordar. É
proporcionar harmonia, combinar uma coisa com outra, para que soe melhor,
comunique com mais clareza, a fim de que tudo fique mais equilibrado.
Para escrevermos bem, é fundamental que saibamos como fazer a
concordância verbal e nominal.

152
Construindo o Texto

b) Passo 2 de 24

Leia o texto que se segue e preste bem atenção ao uso dos verbos haver e
caber.

Não há vagas
(Ferreira Gullar)
O preço do feijão não cabe no poema.
O preço do arroz não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação do leite
da carne do açúcar do pão.
O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada em arquivos.
Como não cabe no poema o operário
que esmerila seu dia de aço e carvão
nas oficinas escuras
– porque o poema,
senhores, está fechado:
“não há vagas”
Só cabe no poema o homem
sem estômago a mulher de nuvens
a fruta sem preço
O poema, senhores,
não fede nem cheira.
GULLAR, Ferreira. Toda poesia (1950 – 1980).
3ª ed. Rio de janeiro: CivilizaçãoBrasileira, 1983. p. 224.)

153
Construindo o Texto

c) Passo 3 de 24
Observe os verbos caber e haver no poema de Ferreira Gullar. Faça um
levantamento das ocorrências desses dois verbos, indicando os seus
respectivos sujeitos. Há alguma peculiaridade quanto à concordância desses
verbos? Reflita sobre isso.

O verbo caber, nesse texto, é um verbo transitivo circunstancial e os sujeitos,


por ordem de ocorrência, são: o preço do feijão; o preço do arroz; o gás, a luz,
o telefone; a sonegação do leite, da carne, do açúcar, do pão; o operário; o
homem sem estômago; a mulher de nuvens; o funcionário público; a fruta sem
preço. As ocorrências do verbo caber concordam com seus sujeitos. O verbo
HAVER, NESSE POEMA, é usado como impessoal, no sentido de existir, não
tendo sujeito.

d) Passo 4 de 24

Você deve ter percebido que estamos nos referindo à concordância. Tenho
certeza de que sabe do que se trata. Concordar é buscar a harmonia entre as
palavras.
Vamos refletir um pouco acerca da concordância verbal?

154
Construindo o Texto

e) Passo 5 de 24

Concordância Verbal
Este fato linguístico da Língua Portuguesa assusta e desanima no momento de
produzirmos os textos. É um ponto crítico em qualquer modalidade de texto,
pois nem sempre é fácil determinar, corretamente, em que número deve ficar o
verbo. Para fazermos a concordância verbal, é necessário não apenas cumprir
as normas gramaticais, mas, sobretudo, fazer valer a lógica do nosso
pensamento e do nosso desejo. É preciso, no entanto, equilíbrio! Geralmente, o
respeito às normas gramaticais confere ao texto maior clareza.

A norma culta, através da gramática normativa, recomenda que o verbo deve


concordar com o sujeito em número e pessoa.
Exemplos:
O professor falou com os alunos.
A coordenadora e suas assistentes não compareceram à posse do novo reitor.

f) Passo 6 de 24

Casos especiais de concordância verbal


Como fazer a concordância, se o sujeito for um coletivo?

Se o sujeito for um coletivo do singular, seguido de um complemento no plural,


o verbo pode ir para o plural ou permanecer no singular:
Exemplo: O conjunto das provas reflete a péssima qualidade de ensino
verificada nas escolas públicas do país, no último ano.
O conjunto de provas reflete...
A série de verificações...
O número de avaliações e sondagens é inferior...
A multidão resistiu...
A maioria das provas é impressa no computador.

Há casos, porém, em que o redator percebe a fraqueza gramatical diante da


ideia que quer transmitir. Por isso, em vez do singular, prefere o plural:
Exemplo: A maior parte dos alunos leem muito pouco.

g) Passo 7 de 24

Um coletivo geral determina que o verbo permaneça no singular:


Exemplos: O povo queria, nas eleições diretas para presidência da República,
um representante legítimo das minorias.
O Exército não se conforma em desempenhar o papel de Polícia nos morros do
Rio de Janeiro.
O que prevalece é a concordância com a expressão utilizada e não com a ideia
que ela encerra. Embora povo e Exército sejam palavras que representam

155
Construindo o Texto

muitas pessoas, o verbo concorda com a palavra expressa. Por isso, série,
conjunto, multidão, maioria e tantas outras pedem o verbo no singular.

h) Passo 8 de 24

Um coletivo geral determina que o verbo permaneça no singular:


Exemplos: O povo queria, nas eleições diretas para presidência da República,
um representante legítimo das minorias. O Exército não se conforma em
desempenhar o papel de Polícia nos morros do Rio de Janeiro.

O que prevalece é a concordância com a expressão utilizada e não com a ideia


que ela encerra. Embora povo e Exército sejam palavras que representam
muitas pessoas, o verbo concorda com a palavra expressa. Por isso, série,
conjunto, multidão, maioria e tantas outras pedem o verbo no singular.

Uma expressão partitiva tanto pode levar para o plural, como admitir o uso do
singular:
Exemplos: A maior parte dos alunos conseguiu...
Uma porção de vestibulandos inicia...
Um grupo de professoras estão interessados...
Há outras expressões cujo procedimento quanto ao uso de singular e plural é
semelhante. São elas: uma porção de, o grosso de, o resto de.

i) Passo 9 de 24

E quando o sujeito é um pronome relativo? Como fica a concordância?

Sou uma pessoa que não aceito opiniões.


Sou uma pessoa que não aceita opiniões.
O primeiro caso é mais forte e afetivo que o segundo, pois o verbo, na 3ª
pessoa (aceita) da segunda frase, é quase indeterminado, sem nenhuma
intensidade afetiva. A primeira oração – “...que não aceito opiniões”, com verbo
na 1ª pessoa (aceito), reflete muito mais sentimento, sendo, por isso, muito
mais vivo e eficaz.

Se o verbo tiver como sujeito o pronome relativo que, ele concordará em


número e pessoa com o antecedente desse pronome:
Fui eu que fiz o curso.
Foram as alunas que me deram a notícia.
Se, no entanto, o relativo que vier antecedido da expressão um dos, o verbo vai
para a 3ª pessoa do plural, raramente para 3ª pessoa do singular:
Ele é um dos alunos que consomem droga pesada.

j) Passo 10 de 24

E se o sujeito for o pronome quem?

Segundo a norma gramatical, geralmente, a concordância é feita na 3ª pessoa

156
Construindo o Texto

do singular quando o sujeito é o pronome relativo quem:


Fui eu quem lhe falou sobre esse poeta.
Contudo, é também possível admitir a concordância com o pronome pessoal:
Fui eu quem lhe enviei o livro.
És tu quem me falarás sobre o novo projeto.

Como fazer se o sujeito do verbo estiver no infinitivo?

As alunas parece terem gostado do atual diretor.


As alunas parecem ter gostado do atual diretor.
É indiferente gramaticalmente o uso do singular ou do plural. A diferença é
semântica e estilística.

k) Passo 11 de 24

Como ficará a concordância, se o sujeito vier acompanhado de um verbo


pronominal?

Não se pode conceber uma escola sem liberdade.


Não se podem conceber uma escola sem liberdade.
No primeiro caso, chama-se a atenção para a ação: conceber, ou seja, não é
possível conceber uma escola. No segundo, em virtude da concordância, a
atenção concentra-se em escola.
Gramaticalmente, pode-se considerar conceber como sujeito e uma escola
como objeto. Pode-se, também, considerar escola como sujeito e então o verbo
vai para o plural. Em geral, prefere-se a concordância no plural.

l) Passo 12 de 24

Como fazer a concordância se os núcleos do sujeito forem representados


por pessoas gramaticais diferentes?

Havendo dois ou mais sujeitos de pessoas gramaticais diferentes, o verbo irá


para o plural, concordando com a pessoa que tem precedência na ordem
gramatical.
Eu e tu = nós
Eu e ele = nós
Eu, tu e ele = nós
Tu e ele = vós
Você e ela = eles

O professor e tu fizestes o que havia sido combinado.


Eu e tu ficamos debatendo sobre educação a distância.
Tu e eu concluiremos a experiência.
Eu e o caseiro consertamos o canil.
Tu e o diretor já recomendáveis a nova bibliografia.

157
Construindo o Texto

Ela e a mãe preparavam a ceia de Natal.


Portanto, o verbo vai para a 1ª pessoa do plural se entre os sujeitos houver um
da 1ª pessoa. Irá para a 2ª pessoa do plural se, não havendo sujeito da 1ª,
houver um da 2ª. Somente irá para 3ª pessoa do plural se os sujeitos forem da
3ª pessoa.

m) Passo 13 de 24

E quando o verbo é composto de vários núcleos no singular?

O verbo irá, de preferência, para o plural, principalmente se o sujeito estiver


anteposto. Se o sujeito estiver depois do verbo, é possível o uso do singular.
A educação e a saúde não foram prioridades dos governos.
Não foram prioridades dos governos a educação e a saúde.
Não foi prioridade dos governos a educação e a saúde.
No caso de sujeito de números diversos (singular e plural) precedendo o verbo,
este vai para o plural. Se esses sujeitos estiverem depois dele, o verbo poderá
ficar no singular, se o sujeito mais próximo estiver no singular:
O professor e os alunos reconheceram-se culpados.
Reconheceu-se culpado o professor e os alunos.
Reconheceram-se culpados o professor e os alunos.

n) Passo 14 de 24

Se o sujeito for composto, seguido de uma palavra que o resuma?

Se o sujeito for composto e houver palavra que o resuma, o verbo concordará


com essa palavra.
Gritos, palmas, ovações, quebra do protocolo, nada o levava a temer a
multidão.
Crianças, aposentados, vendedores, correligionários, freiras, ninguém queria
arredar o pé, para ver o presidente.
Discursos esmerados, elegância eclética, entusiasmo exacerbado, tudo
contribuiu para uma posse inusitada.

Se os sujeitos forem ligados por: como, bem, como...?


Dois sujeitos no singular ligados por como, bem como, assim como, do
mesmo modo que, tanto... como, não só... mas também, requerem análise:
Em se tratando de adição, coloca-se o verbo no plural; em se tratando de
comparação, coloca-se o verbo no singular:
A mudança ministerial, da mesma forma que os primeiros contratempos do
novo governo, não abalou o entusiasmo do povo.
A simplicidade, assim como a garra, fizeram dele um político carismático.

158
Construindo o Texto

o) Passo 15 de 24

Como fazer a concordância, se o sujeito for constituído por: cerca de,


mais de, menos de?

Sujeito constituído por expressões que indicam quantidade aproximada


determina que a concordância se faça com o complemento dessas expressões:
Cerca de cem cavaleiros abriram desfile.
Menos de dez pessoas participaram da sessão de fisioterapia.
A expressão mais de um determina o verbo no singular:
Mais de um executivo viajou ao Rio de Janeiro.
Se essas expressões se repetirem, o verbo irá para o plural:
Mais de um executivo e mais de um sindicalista estiveram no encontro.

Se o sujeito for um pronome interrogativo, demostrativo ou indefinido


plural, o que fazer?

Se o sujeito for constituído pelos pronomes indicados, o verbo pode


permanecer na 3ª pessoa do plural ou concordar com o pronome pessoal que
indica o todo:
Quantos, entre os policiais, estariam dispostos a participar dos festejos?
Quantos, entre vós, estaríeis dispostos...
Se o pronome interrogativo estiver no singular, o verbo ficará na 2ª pessoa do
singular.
Nas orações interrogativas que utilizam quem ou o que, faz-se a concordância
com o substantivo ou pronome que vier depois do verbo.
Quem são os ministros?
Quem és tu, ó rapaz?
Quem sois vós que tanto me chateia?
Que será isso que aconteceu?
O que são lamentos, queixas?

p) Passo 16 de 24

O que fazer se o sujeito for ligado por ou e por nem?

Se ligados por essas conjunções, o verbo tanto pode ir para o plural como ficar
no singular, conforme se queira ou não atribuir a ação a todos os sujeitos. Veja
os exemplos abaixo...
Ou o legislativo ou o judiciário terá de alterar o comportamento...
Nem o legislativo nem o judiciário tiveram de alterar o comportamento.
Se a ação só pode ser atribuída a um deles, o verbo ficará no singular:
Ou o professor ou o aluno será responsável.
As expressões um ou outro ou nem um nem outro admitem o verbo no
singular.

159
Construindo o Texto

Um ou outro teria de admitir a culpa.


Nem uma nem outra aceitou alegremente a imposição.
Já a locução um e outro leva, com frequência, o verbo para o plural:
Um e outro político admitiam estar enganados.

E se os sujeitos forem ligados por com?

A regra geral determina que o verbo vá para o plural quando a ideia que se
quer transmitir é de soma:
O chefe do cerimonial com o porta-voz recorreram a argumentos convincentes
para evitar graves incidentes.
Se o desejo é realçar um dos elementos, o verbo poderá ficar no singular:
O professor, com todos os alunos do curso, resolveu fazer o jornal da
instituição.

q) Passo 17 de 24

E quando os sujeitos são ligados por conjunção comparativa?

Admitem o verbo tanto no singular como no plural:


Tanto o professor como o aluno participaram...
O político, como qualquer cidadão, deve ser justo.
Observe-se que o primeiro elemento foi destacado: o político deve ser justo;
a expressão como qualquer cidadão aparece meio escondida, entre vírgulas.

Como fica a concordância, se o sujeito for expresso por horas?

Se aparecer na frase a palavra relógio com sujeito, o verbo ficará no singular:


O relógio deu 15 horas.
Entretanto, os verbos soar, dar, bater e ser com o sentido de tempo são
impessoais (constituem, portanto, orações de sujeito inexistente, ou zero).
Nesses casos, a concordância é feita com o número de horas expressas:
Soaram 12 horas e a festa começou.
Deram 10 horas no relógio da matriz.
Iam dar 15 horas, quando o desfile começou.
Bateram 21 horas e ainda estou na empresa.
São 15 horas.

r) Passo 18 de 24

Como fazer a concordância com o verbo ser?

Se o sujeito do verbo ser ou parecer for constituído pelos pronomes: isto,


isso, aquilo, tudo, e o predicativo estiver no plural, o verbo irá para o plural:
Isso são especulações desnecessárias.
Aquilo me pareciam esquisitices...

160
Construindo o Texto

Eram tudo sonhos de adolescente.


Se o sujeito designar pessoa, o verbo concordará com ele:
Ela era as alegrias das casas.
O professor de Informática foi os provocadores do curso.
Se o sujeito for constituído de um substantivo e o verbo ser vier seguido de
pronome pessoal, o verbo concordará com o pronome:
Os cidadãos mais tristes nessa empresa somos nós.
Os maiores gestores sois vós.
Os verdadeiros profissionais são eles.
Nas orações interrogativas com utilização de quem, o verbo concorda com o
substantivo ou pronome que lhe segue:
Quem são os professores dessa Universidade?
Quem és tu?
Quem sois vós?

s) Passo 19 de 24
Complete as lacunas com os verbos que mais se adequam em relação à
concordância.
1. Um e outro documento ao presidente. (pertence/pertencem)
2. O empregado com todos os clientes da loja em chamas. (saiu/saíram)
3. Eu sou aquele que o barulho da batida do automóvel. (ouvi/ouviu)
4. Eu e tu ao Rio de Janeiro. (iremos/ireis)
5. Qual de vocês que o Brasil crescerá e se tornará um país em que a
miséria não encontre lugar? (afirma/afirmam)
6. Quantos de nós, depois dos últimos acontecimentos, coragem de
expor nossos desejos? (temos/têm)
7. Tudo ali harmonia e paz. (parece/parecem)
8. Nem o diretor nem a secretária a carta do cliente.
(respondeu/responderam)
9. Quem disposto a convidar-nos depois dos últimos acontecimentos?
(estará/estarão)
10. Não fui eu quem as encomendas. (recebeu/recebi)

161
Construindo o Texto

t) Passo 20 de 24
Marque V (verdadeiro) nos períodos cuja concordância estiver correta:

O candidato e a plateia parecia alegre com a decisão acadêmica.


A gente não sabemos como aprender melhor a Língua Portuguesa.
A maioria dos exercícios causou perplexidade nos alunos.
A empresa decidiu que não se devem aceitarem todos os aumentos de
preços propostos pelos concorrentes.
Adalberto é um dos vendedores que mais se destaca na venda do novo
produto.

u) Passo 21 de 24

Concordância Nominal
Segundo as normas gramaticais, o adjetivo concorda em gênero e número
com o substantivo. (Gênero refere-se a masculino ou feminino; número refere-
se a singular ou plural.) Observe as seguintes frases:
Não conhecia a fundo o idioma pátrio.
Os alunos foram classificados por ordem alfabética.
As alunas foram classificadas por critério desconhecido.

Veja como fica a concordância nominal, no caso de dois adjetivos e um


substantivo:
A curto e médio prazo.
ou
A curto e médio prazos.
Ambas as construções estão corretas. No primeiro caso, o substantivo prazo
está no singular e os adjetivos tomam seu gênero. Acrescente-se que é o
adjetivo que deve concordar com o substantivo. No segundo caso, o
substantivo prazos aparece flexionado; contraria aqui a hierarquia gramatical,
pois o substantivo é que está subordinado ao adjetivo e não o contrário.
Contraria a hierarquia, mas não fere a regra e ambas as construções são
legítimas. Veja outros exemplos:

Revelou a bondade e a docilidade humana.


O adjetivo ficou no singular, concordando com o substantivo mais próximo. O
adjetivo está qualificando, apenas, o substantivo docilidade. Quando, no
entanto, se diz:
Revelou a bondade e a docilidade humanas.
Ambos os substantivos ficam separados e não formam um todo; há duas partes
distintas e o adjetivo está qualificando ambos os substantivos. Trata-se, no
caso, muito mais de um problema estilístico que gramatical.

162
Construindo o Texto

v) Passo 22 de 24

Vejam-se ainda:
O segundo, terceiro e quarto objetivos.
O segundo, terceiro e quarto objetivos.
O primeiro e o segundo semestre.
O primeiro e o segundo semestres.
No primeiro caso, o substantivo foi para o plural em virtude dos vários
adjetivos; no segundo, o substantivo ficou no singular, acompanhando o
adjetivo mais próximo; no terceiro, o substantivo ficou no singular, adotando o
número do adjetivo mais próximo; no quarto, o substantivo foi para o plural por
causa dos vários adjetivos.
Não só o adjetivo, mas também o artigo e o numeral, conforme a regra geral,
concordam em gênero e número com o substantivo a que se referem:
Dois irmãos ficaram prejudicados por falra de vagas.
Os assistentes de direção não foram promovidos.

w) Passo 23 de 24

OS CASOS ESPECIAIS DE CONCORDÂNCIA NOMINAL SÃO OS


SEGUINTES:
 Se o adjetivo se referir a um substantivo, concordará com ele em
gênero e número:
Dores esquecidas.
Se o adjetivo se referir a dois ou mais substantivos do mesmo gênero e
do singular, concordará quanto ao gênero deles e quanto ao número irá
para o singular ou plural:
Amor e carinho paternos.
Persistência e competência dignas de inveja.
Arrojo e esforço dignos...
A curto e longo prazo.
 Se o adjetivo (precedendo o substantivo) se referir a substantivos no
singular, mas de gêneros diferentes, concordará com o mais próximo.
Será estabelecido novo procedimento e política de governo.
Será estabelecida nova política e procedimento de governo.
 Se o adjetivo aparecer depois do substantivo, poderá ficar no singular ou
plural ou concordar com o mais próximo:
Política e procedimento de governo novos serão estabelecidos.
Será estabelecida política e procedimento de governo novo.
 Se o adjetivo se referir a substantivos do mesmo gênero, mas de
números diferentes, permanecerá no gênero deles e irá para o plural:
Garotas e meninas famosas.
Menina e garotas famosas.
 Se o adjetivo se referir a vários substantivos de gêneros diferentes e no

163
Construindo o Texto

plural, permanecerá no plural masculino ou concordará com o mais


próximo:
Executivos e funcionárias caprichosos.
Executivos e funcionárias caprichosas.
 Se o adjetivo se referir a diferentes substantivos de gêneros e número
diferentes, pode concordar com o mais próximo ou ir para o masculino
plural:
Cartas e relatórios bem datilografados.
Relatório e cartas bem datilografadas.
 As palavras anexas e inclusas concordam com o nome a que se
referem:
Segue anexo o balanço.
Seguem anexos dois balanços.
Segue inclusa uma cópia.
Seguem inclusas duas cópias.
 Quanto às expressões o mais possível, o melhor possível, o pior
possível, quanto possível e outras semelhantes, a gramática determina
que o adjetivo possível seja invariável.
Clientes o mais possível pontuais quanto ao pagamento de dívidas.
Clientes o mais pontuais possível quanto ao pagamento de dívidas.
Clientes quanto possível pontuais quanto ao pagamento de dívidas.

x) Passo 24 de 24

Menos, alerta e pseudo são palavras invariáveis;


Quite e extra concordam com a palavra a que se refere;
Meio, como advérbio, é invariável, significa um pouco, um tanto;
Meio, como numeral, é adjetivo, concorda com o substantivo e significa
metade.

11. Aparando as Arestas

a) Passo 1 de 6

Tema 2 - Construindo o Texto


Assunto 2.1 - Quebrando as Barreiras
Unidade 2.1. 11 - Aparando as Arestas

Colocar o pronome? Que loucura! Onde? O que fazer? Como fazer? Nas
revistas, nos jornais, encontramos o pronome pessoal do caso oblíquo
começando até parágrafos. A que senhor obedecer?
Você tem razão, aluno amigo! Você se lembra do texto PAPOS, de Luiz
Fernando Veríssimo, lido por nós em uma das primeiras unidades do nosso

164
Construindo o Texto

curso? Ele começa o texto, perguntando: “Me disseram ou disseram-me?” Ele,


enquanto escritor, tem a licença poética, a liberdade linguística legitimada para
usar a língua a serviço da sua criação! Já discutimos esse aspecto e
concluímos que a língua não pode ser uma camisa de força, comprometendo,
assim, a essência da obra literária e, às vezes, até, da notícia jornalística ou
mesmo do texto científico. Na oralidade, nem se fala! A preocupação com a
posição do pronome, se antes ou depois do verbo, é quase zero.
Como simples mortais, buscando um conhecimento linguístico diferenciado
para melhorar o nível de compreensão dos textos que produzimos, temos que
conhecer melhor as normas linguísticas, otimizando, assim, a qualidade textual.
A posição do pronome átono – antes do verbo (próclise), depois do verbo
(ênclise) ou entre o radical do verbo e a desinência modo-temporal do futuro do
presente e do futuro do pretérito (mesóclise) - depende muito da presença ou
não de algumas palavras, na frase, que confiram uma certa harmonia sonora.
Não se assuste com próclise, ênclise e mesóclise; esses termos parecem
verdadeiros palavrões! Vamos lá?

b) Passo 2 de 6

Próclise
É colocar o pronome átono antes do verbo.
A próclise é comum nos seguintes casos:
1. Quando o verbo segue uma partícula negativa: não, nunca, jamais, nada,
ninguém. Exemplos:
 Não nos responsabilizaremos por sua atitude rebelde.
 Nunca se acusou um cliente por esses motivos.
 Um vendedor de nossa empresa jamais se contentará com níveis de
faturamento tão baixos.
 O relatório fora bem escrito, mas nada o recomendava como modelo
que devesse ser imitado.
 Ninguém o viu chegar, mas ele já se encontra na sala de aula.
2. As orações que se iniciam por pronomes e advérbios interrogativos também
exigem antecipação do pronome ao verbo:
 Por que o diretor se ausentou tão cedo?
 Como se justificam essas afirmações?
 Quem lhe disse que o gerente de vendas não se interessaria por tal
fato?
3. As orações subordinadas também exigem antecipação do pronome ao
verbo:
 Ainda que lhe enviassem relatórios substanciais, não poderia tomar
nenhuma decisão.
 Quando o office-boy o interrogou, ele levantou a cabeça.
 Aquela correspondência que te chegou às mãos...
4. Alguns advérbios exercem forças atrativas sobre o pronome: mal, ainda, já,
sempre, só, talvez, não:

165
Construindo o Texto

 Mal se despedira...
 Ainda se ouvira a voz dos que clamam no deserto.
 Já se falou aqui da inconsequente...
 Só se acredita naquilo por que se interessa.
 Os relatórios talvez se abstenham de informar...
 Não se manifestará apoio ao desonesto, corrupto e politiqueiro
idealizador de semelhante comemoração.

c) Passo 3 de 6
5. A palavra ambos, bem como alguns pronomes indefinidos (alguém, todos,
tudo, outro, qualquer), também têm força atrativa:
 Ambos os candidatos me pediram voto.
 Alguém te dirá, algum dia, o que não queres ouvir.
 Todos te pedirão desculpas.
 Tudo se transformará em alegria.
 Outro ministro se ajustará ao cargo com dificuldade.
 Qualquer pessoa se preocupa quando está sem dinheiro.
6. Nas locuções verbais, se houver negação ou pronome relativo e
interrogativo:
 Não se pode deixar de realizar...
 Coisas que se podem deixar de realizar...
 Por que se deve realizar essa tarefa?
7. Se o verbo estiver no futuro do presente ou futuro do pretérito, pode se
utilizar a antecipação pronominal:
 Eu me dedicarei aos estudos gramaticais quando...
 Eu me dedicaria aos estudos gramaticais se...

Pode-se também utilizar mesóclise, mas não é aconselhável, porque parece


muito pedante (Eu dedicar-me-ei aos estudos... Eu dedicar-me-ia aos
estudos...). Embora o pronome pessoal do caso reto não tenha força atrativa, é
recomendável a próclise para evitar o preciosismo da mesóclise.

d) Passo 4 de 6
Ênclise
É colocar o pronome átono depois do verbo.
1. Nos casos de infinitivos, pode-se colocar o pronome depois do verbo:
 O presidente quis enviar-lhe...
 Para dizer-lhe a verdade...
Também se admite a construção:
 Para lhe dizer a verdade...

166
Construindo o Texto

2. A ênclise é obrigatória quando nada atrai o pronome oblíquo:


 O delegado começou a interrogá-la...
 Admite-se que o escrivão continue a datilografá-lo.
3. O pronome tende a permanecer depois do verbo nas locuções verbais.
Portanto, não fica solto entre verbos:
 A copeira continuou respondendo-lhe às perguntas.
 Quando tu poderá dizer-nos sobre os últimos acontecimentos?

Mesóclise
Meso significa meio. Mesóclise é colocar o pronome átono no meio - entre o
radical do verbo e sua terminação indicativa de tempo.
1. É utilizada no futuro do pretérito e no futuro do presente:
 Dar-te-ei o prazer de...
 Recomendar-nos-ia...
2. Para evitar afetação, recomenda-se buscar forma menos preciosa de
construção. Coloca-se, então, um pronome pessoal e antecipa-se o pronome:
 Eu me darei o prazer de...
 Ele nos recomendaria...

Observações
Não é recomendável iniciar oração com pronome oblíquo:
 Me telefonaram esta manhã de Santa Catarina.
 Te perguntaram alguma coisa?
 Se esqueceu de falar ao gerente?

3. O gerúndio determina que o pronome venha antes dele ou depois dele (mas
sempre ligado por hífen a um verbo), quando em locuções verbais:
 A secretária ia-se esquecendo de relatar...
 A secretária ia esquecendo-se de relatar...
A gramática tradicional recomenda que o pronome não fique solto entre
os verbos:
 Exemplo: A secretária ia se esquecendo...

4. É comum e desejável substituir o pronome possessivo por um oblíquo:


 Puxei o seu braço...
 Puxei-lhe o braço...
 Pisei o seu pé...
 Pisei-lhe o pé...

167
Construindo o Texto

e) Passo 5 de 6
Marque um X nas orações cujo pronome pessoal átono do caso oblíquo esteja
usado com propriedade:

Ele me deu um grande incentivo profissional.


Nos informaram acerca das novas instruções governamentais.
Já nos cumprimentamos, na sala reservada às autoridades.
Queimei-lhe o seu braço.
O presidente ia-se esquecendo de cumprimentar o adido cultural.
O professor não esqueceu-se de sua competência.
Por que fala-se tão mal dele?

f) Passo 6 de 6

Vamos relaxar
Eu sei que você, apesar do cansaço, ainda gostaria de rever algumas coisinhas
mais. Contudo, é impossível contemplar todos os aspectos da Língua
Portuguesa sobre os quais ainda há dúvidas e questionamentos.
Produzir textos não se restringe, apenas, a queimar os neurônios com a
abordagem de fatos linguísticos. É muito mais do que isso! É criatividade,
vocabulário amplo e adequado, conhecimento do assunto, boa estruturação do
texto, dentre muitas coisas...
Estamos chegando ao fim, começamos a sentir saudade de você! Prepare-se,
fique em forma, relaxe um pouco. Até já!

168
Construindo o Texto

IV. Fazendo e Aprendendo

Fazendo e Aprendendo
IV

A Teoria, na Prática, é Outra 162

A. A Teoria, na Prática, é Outra

1. Interagindo com a Gramática

a) Passo 1 de 28

Tema 3 - Fazendo e Aprendendo


Assunto 3.1 - A teoria, na Prática, é Outra
Unidade 3.1. 1 - Interagindo com a Gramática

Às vezes, estudamos, procuramos entender e memorizar as regras,


acreditando que elas nos bastam para produzirmos textos bonitos e de fácil
entendimento, como se a Língua Portuguesa tivesse apenas uma versão, uma
forma, para as infinitas realizações linguísticas. Na prática, com certeza, a
teoria é outra.

169
Fazendo e Aprendendo

Como já discutimos anteriormente, a Língua tem muitas variações, a depender:


das características do emissor e receptor - peculiaridades dos falantes;
especificidade do assunto abordado; da faixa etária; das profissões do emissor
e do receptor; da classe social a que pertencem, da região geográfica onde
moram e outras questões mais.
Por isso, podemos afirmar que a Língua não é uma camisa de força, que se
impõe ao usuário, independente da necessidade de um momento específico da
comunicação verbal.
Vamos, então, realizar uma revisão de algumas questões mais polêmicas,
seguida de exercícios práticos que esclarecerão suas dúvidas.

b) Passo 2 de 28

Revisão panorâmica
Você percebeu que o trabalho com as palavras requer sensibilidade. Vamos,
agora, procurar mexer com essa sensibilidade, deixando as teorizações e
buscando fazer os exercícios como uma forma de treinamento e fixação de
tudo que estudamos juntos. Procure fazer as atividades propostas com o maior
empenho possível, transformando-as numa possibilidade de trocar
experiências com seus colegas e de avaliar o seu novo modo de lidar com a
Língua Portuguesa!

Exercícios com palavras


Concentre-se, sozinho, em silêncio, em cada uma das palavras seguintes e
pense em outras palavras que, para você, têm alguma relação com elas
(dedique cerca de um minuto a cada uma). Reflita!

170
Fazendo e Aprendendo

Político - violência - amor - esgoto - paz - homem - oceano - Deus - salário


- pátria - povo - asfalto - rio - trabalho - dor - fome

c) Passo 3 de 28

Vamos lhe oferecer algumas opções de resposta, porque, o objetivo do


exercício é o desenvolvimento da sensibilidade do aluno. Ao usar as palavras,
elas poderão ser associadas de diversas maneiras. Vale a pena aproveitar a
oportunidade para verificar a ocorrência e, portanto, evitar o uso de lugares
comuns e chavões expressivos. Esse tipo de exercício possibilita uma maior
intimidade com a língua, através de um jogo de sedução com as palavras.

1ª possibilidade:
político - bem comum
violência - miséria
amor - paz
esgoto - pobreza
paz - amor
homem - vida
oceano - amplidão
Deus - justiça
salário - sobrevivência
pátria - povo
povo - pátria
asfalto - cidade
rio - alimento
trabalho - salário
dor - amor
fome - pobreza

2ª possibilidade:
político - mentira
violência - salário
amor - cuidado
esgoto - doença
paz - serenidade
homem - Deus
oceano - fuga
Deus - fé
salário - emprego
pátria - orgulho
povo - união
asfalto - tecnologia

171
Fazendo e Aprendendo

rio - fartura
trabalho - salário
dor - fome
fome - desemprego

d) Passo 4 de 28

Vamos continuar exercitando as palavras?


Relacione cada uma das palavras seguintes com outras que tenham
sonoridade semelhante (dedique um minuto a cada). Reflita!
Verão - constituição - murro - verdade - sim - vida - pulmão - dente - penso
- televisão - poesia - jornal

e) Passo 5 de 28

Vamos lhe oferecer algumas opções de resposta, porque, o objetivo do


exercício é o desenvolvimento da sensibilidade do aluno que, ao usar as
palavras, poderá associá-las de diversas maneiras. Vale a pena aproveitar a
oportunidade de brincar com as palavras. Esse tipo de exercício possibilita uma
maior intimidade com a língua, através de sua sonoridade.
verão - tesão
constituição - nação
murro - burro
verdade - realidade
sim - assim
vida - lida
pulmão - coração
dente - rente
penso - tenso
televisão - ilusão
poesia - melodia
jornal - factual
verão - emoção
constituição - determinação
murro - surro
verdade - seriedade
sim - coxim
vida - sofrida
pulmão - ação
dente - sente
penso - senso
televisão - maldição
poesia - sangria
jornal - atual

172
Fazendo e Aprendendo

f) Passo 6 de 28

Relacione cada uma das palavras abaixo com outras que a elas se liguem pela
semelhança de significado.
Índio - afeto - polícia - liberdade - economia - valores - projeto -
descoberta - ecologia - educação
Utilize as palavras que você escolheu, através da semelhança de significado, e
procure utilizá-las num pequeno texto cujo tema é dado pela primeira palavra -
índio - que serviu de sugestão inicial.

g) Passo 7 de 28

Vamos lhe oferecer algumas opções de resposta, porque, sendo o objetivo do


exercício o desenvolvimento da sensibilidade do aluno, ao usar as palavras,
elas poderão ser associadas de diversas maneiras. Vale a pena aproveitar a
oportunidade para refletir sobre os diversos significados que as palavras
podem assumir. Esse tipo de exercício também nos aproxima mais da língua,
permitindo-nos uma ampliação do vocabulário.
índio - floresta
afeto - carinho
polícia - violência
liberdade - alegria
economia - limite
valores - crenças
projeto - futuro
descoberta - novidade
ecologia - natureza
educação - crescimento
índio - selvagem
afeto - amizade
polícia - suborno
liberdade - paz
economia - poder
valores - respeito
projeto - compromisso
descoberta - alegria
ecologia - responsabilidade
educação - aprendizagem

h) Passo 8 de 28

Era uma vez...


Uma criança sonhou que era visitada por um índio velho que lhe apresentava
muitos indiozinhos, com quem deveria brincar. O ambiente onde estava
exalava muita paz, liberdade e afeto.

173
Fazendo e Aprendendo

A criança, inicialmente, ficou assustada, não acreditava muito no que via. Não
havia projetos nem programas escritos, mas um compromisso mútuo de
respeito ao próximo, à ecologia, aos direitos e deveres do homem. A educação
era construída coletivamente, cada dia revelava uma descoberta no interior de
cada um e no entorno, na sociedade. As diferenças eram respeitadas. Não
havia guerra nem ódio; mentiras nem angústias. Todos pareciam felizes e
plenos. Violência e polícia não havia no vocabulário daquela gente bonita que
só se pintava para festejar a harmonia e a convivência solidária. A criança
experimentava um momento único, já estava cansada de ouvir o lamento de
seus pais. Ia convidá-los para participar daquele banquete de felicidade.
Triste ilusão, foi acordada por eles!
São 7 horas! Levante-se! Estamos muito atrasados! Sua aula é às 8 horas e o
engarrafamento nos espera! Antes do trabalho, temos que ir ao banco negociar
uma dívida! Como acreditar no sonho? Como entender a realidade? Se fosse
apenas uma questão de terminologia, por que não trocar os nomes? O sonho
passaria a designar a realidade e a realidade passaria a ser chamada de um
"mau sonho"?

i) Passo 9 de 28

Exercício de fixação
Que tal treinar um pouco de Propriedade/Impropriedade Vocabular? Vamos
lá!
Observe as palavras destacadas nas frases abaixo. Trata-se de casos de
“impropriedade vocabular”, ou seja, de palavras cujos significados não são
adequados para o uso a que foram destinadas. Leia as orações, pense na
possibilidade de substituí-las. Sua função é substituí-las, mesmo que
mentalmente, por termos mais apropriados.
a) Os quatro rapazes sumidos em Brasília assassinaram o índio Galdino.
b) Num laboratório de genética de Paris, foi achada uma célula capaz de
clonar o ser humano.
c) Muitos turistas, no Nordeste, sofreram queimaduras de pele devido à
violenta luz do sol neste verão.
d) A seleção campeã de vôlei foi fazer uma excursão na Europa para que os
jogadores ganhem mais vivência.
e) A senhora idosa foi presa portando grande quantidade de maconha, no
Aeroporto de Salvador, onde traficantes fazem a comercialização de todos os
tipos de drogas.
As respostas dessa questão também não são rígidas, excludentes ou
definitivas. Depende muito da percepção do indivíduo.

174
Fazendo e Aprendendo

j) Passo 10 de 28

Observe algumas possibilidades de substituições:


a) desaparecidos perdidos.
b) foi descoberta
c) forte, intensa
d) experiência
e) vendem

Continue lendo as orações a seguir e pensando na possibilidade de substituí-


las.

k) Passo 11 de 28

f) Minha prima garantiu que irá reunir condições de passar no vestibular.


g) Os parlamentares apresentaram sua intenção de apoiar o presidente.
h) Os alunos das escolas estaduais terão aulas aos sábados para botar a
programação em dia, por causa da greve.
i) O futuro é enigmático.
j) Suas críticas são demasiadas.
k) Depois de negar várias vezes, o desembargador, repentinamente, assumiu
sua culpa.
l) Será implantada uma refinaria em Madre de Deus.
m) A Secretaria de Abastecimento divulgará a tabela de preços a ser
implantada a partir de segunda-feira, dia 06 de janeiro de 2003.
n) A reunião, marcada na terça-feira, aconteceu com a presença de todos os
ministros.

l) Passo 12 de 28

Observe algumas possibilidades de substituições:


f) reunirá
g) expuseram, manifestaram
h) pôr, colocar
i) incerto, duvidoso
j) exageradas
k) inesperadamente
l) será instalada
m) ser aplicada, ser seguida, ser adotada, ser obedecida
n) foi feita, realizou-se

175
Fazendo e Aprendendo

m) Passo 13 de 28

Que tal continuar exercitando?


Nas frases abaixo, estão destacadas palavras e expressões cujo uso deve ser
evitado. Trata-se de “modismos” e “frases feitas”, indicadores da pobreza
vocabular de quem escreve. Procure substituí-las por palavras e expressões
adequadas. Observe que, em alguns casos, pode-se simplesmente eliminar a
palavra ou expressão destacada.
a) A nível de revelação de novos talentos, o programa Fama, da Globo, está
a todo vapor.
b) O psicólogo quis colocar uma questão. Para ele, é necessário permitir que
os jovens conquistem seu espaço.
c) O tema vai ser abordado sob uma nova ótica, que permita a fuga da idéia
de um caos inevitável.
d) De repente, resolveu assumir.
e) Em última análise, certas expressões não dizem nada. Até porque muitas
delas são dispensáveis.
f) Sabendo administrar o resultado dos jogos da última Copa do Mundo,
Felipão carimbou seu passaporte para trabalhar, como técnico, na Europa.

n) Passo 14 de 28

Observe as possibilidades de substituições:


a) A nível de = em termos de, no tocante, com relação a
Novos talentos = bons jogadores novos
A todo vapor = vai muito bem, atua com competência
b) Colocar uma questão = opinar
Conquistem seu espaço = sejam reconhecidos, sejam valorizados
c) sob uma nova ótica = de outra maneira, de outro ponto de vista
caos inevitável = desorganização iminente, desordem insuperável
d) de repente = naquele momento, naquela ocasião
assumir = tomou uma decisão, tornei-me responsável pelos meus atos
e em última análise = (expressão dispensável, sem muito sentido)
f) administrar = controlar
carimbou seu passaporte = credenciou-se

o) Passo 15 de 28

g) A posição do ministro Gilberto Gil entrou em rota de colisão com as idéias


das manifestações populares identificadas nas comunidades de base.
h) A inflação não voltará a atingir patamares insustentáveis.
i) Os traficantes devem ser severamente penalizados pela lei.
j) Os familiares inconsoláveis não deixaram de recompensar os relevantes
serviços dos policiais.
k) O leque de opções para a comitiva de Caetés era limitado: aguentar as

176
Fazendo e Aprendendo

solenidades de praxe ou enfrentar o protocolo e o mau tempo reinante.


l) Agarrei-me à certeza de que, àquela hora, a esplanada dos ministérios
estaria literalmente tomada.
m) Depois de um longo e tenebroso inverno, vemos ressurgir a esperança
em novos tempos, com esse novo governo.

p) Passo 16 de 28

Observe as possibilidades de substituições:


g) entrou em rota de colisão = chocou-se, foi de encontro a
h) patamares insustentáveis = índices muito altos
i) severamente penalizados = punidos
j) familiares inconsoláveis = família entristecida, família triste
relevantes serviços = bons serviços; bom desempenho
k) leque de opções = as alternativas, as possibilidades
solenidades de praxe = o ritual convencionado
mau tempo reinante = o mau tempo
l) agarrei-me à certeza = prendi-me à ideia; sustentei a ideia
literalmente tomada = cheia
m) depois de um longo e tenebroso inverno = depois de um mau bocado;
depois de uma fase difícil
ressurgir a esperança em novos tempos = retornar o otimismo;retornar a
esperança; retornar a disposição.

q) Passo 17 de 28

n) A indústria de informática está ensaiando seus primeiros passos em


direção ao futuro.
o) O brilhante causídico, morto prematuramente, será objeto de perpétuas
saudades.
p) Os valorosos soldados do fogo, apesar de exaustivos esforços, não
conseguiram debelar as chamas do World Trade Center.
q) Foi uma agradável surpresa. Terá sido mera coincidência?
r) Foi aberto rigoroso inquérito sobre os desaparecidos dos anos 70, que
faria as investigações necessárias. Posteriormente, seriam tomadas medidas
drásticas.
s) Há um extenso programa a ser cumprido pelo novo governo. É necessário,
portanto, conjugar esforços.
t) Após acalorada discussão, seguida de intensa pancadaria, o pagodeiro e
o repórter foram encaminhados ao hospital com escoriações generalizadas.
u) O doutor Márcio Thomaz Bastos, que dispensa apresentações, discorreu
longamente sobre o tema da violência, dirimindo as dúvidas que
eventualmente surgiram.
v) Um lamentável acidente fez com que perdêssemos o bonde da história.
Parece que o destino nos quer tratar com requintes de crueldade.

177
Fazendo e Aprendendo

r) Passo 18 de 28

Observe as possibilidades de substituições:


n) ensaiando seus primeiros passos em direção ao futuro = iniciando um novo
período
o) brilhante causídico = competente advogado; advogado brilhante
morto prematuramente = que morreu ainda jovem
será objeto de perpétuas saudades = nunca será esquecido
p) valorosos soldados do fogo = bombeiros exaustivos
esforços = duro trabalho
debelar as chamas = apagar o fogo
q) agradável surpresa = surpresa
mera coincidência = coincidência
r) rigoroso inquérito = inquérito
medidas drásticas = medidas adequadas; medidas radicais, rígidas
s) extenso programa = longo programa
conjugar esforços = trabalhar em conjunto; cooperar mutuamente
t) acalorada discussão = forte discussão
intensa pancadaria = agressão
escoriações generalizadas = ferimentos
u) que dispensa apresentações = (pode ser retirado do texto ou substituído por
uma expressão como: intelectual competente; advogado brilhante; advogado
atuante)
discorreu longamente sobre o tema = falou sobre a violência
dirimindo dúvidas = esclarecendo dúvidas
v) lamentável acidente = (apenas) acidente
perdêssemos o bonde da história = perdêssemos a orientação; nos
desencontrássemos
requintes de crueldade = cruelmente

s) Passo 19 de 28

Saber usar bem o dicionário requer muita atenção, porque os verbetes são
organizados dentro de determinados padrões, critérios e convenções.
Consultando, no Novo Dicionário da Língua Portuguesa, de Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira, veja o que e como encontramos as definições da palavra
texto.
texto(ês).[Do lat. textu, ‘tecido'.] S.m. 1. Conjunto de palavras, de frases
escritas: o texto de um livro, de um estatuto, de uma inscrição. 2. Obra escrita
considerada na sua redação original e autêntica (por oposição a sumário,
tradução, notas, comentários, etc.): o texto da Bíblia; o texto da lei. 3. Restr.
Palavras bíblicas que o orador sacro cita, fazendo-as temas de sermão. 4.
Página ou fragmento de obra característica de um autor: um texto de Machado

178
Fazendo e Aprendendo

de Assis. 5. Texto (1) manuscrito ou impresso (por oposição a ilustração). 6.


Qualquer texto (1) destinado a ser dito ou lido em voz alta: um texto teatral; o
texto de um noticiário. [Pl.: textos. Cf. texto(ê), s.m., pl. testos (ê); texto, do v.
testar; e texto, s.m. e adj., pl. testos.]
Fora do texto. Diz-se de qualquer material ilustrativo impresso à parte,
geralmente em papel especial e em folhas não numeradas ou com numeração
própria, que se intercalam entre os cadernos de um livro.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda.Novo dicionário da língua
portuguesa. 2. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1986. p. 1674.

t) Passo 20 de 28

Exercício solo
Baseando-se no que você leu anteriormente, responda as questões abaixo:
1. A primeira informação, que o verbete nos fornece, surge entre parênteses. O
que indica essa informação?
2. Que tipo de informação é transmitida entre colchetes, no início do verbete?
Essa informação tem alguma utilidade para quem consulta o dicionário?
3. O que indica a abreviatura S.m.? Esse tipo de informação é útil a quem
consulta o dicionário?
Reflita um pouco!

179
Fazendo e Aprendendo

u) Passo 21 de 28

Respostas:
1. O timbre fechado da vogal e o som da letra x.
2. Informação etimológica, ou seja, a indicação da origem da palavra
pesquisada. A informação pode ser extremamente significativa para quem
consulta o dicionário. Nesse caso específico, texto, significando tecido, ajuda-
nos a compreender que o texto é um emaranhado, um entrelaçado de sentidos
e elementos linguísticos.
3. Substantivo masculino. Essa informação pode ser extremamente significativa
e útil para se estabelecer a concordância nominal.

v) Passo 22 de 28

Vamos continuar nosso exercício? Se precisar, releia o conteúdo do passo 19.


4. Os diversos significados que a palavra texto pode adquirir vêm em
sequência, numerados. A que critério essa numeração obedece?
5. O que indica a abreviatura Restr.? A que se pode recorrer para descobrir o
valor dessa abreviatura?
6. Depois da sexta definição, encontramos novamente algumas informações
entre colchetes. Qual a finalidade dessas informações? O que indicam que se
faça?

w) Passo 23 de 28

Respostas
4. Do sentido mais genérico ao sentido mais específico. Contextualizar a
palavra para definir claramente seu sentido.
5. Restrito, restritivamente. Podem-se encontrar essas abreviaturas numa lista,
nas primeiras páginas do Dicionário.
6. Essas informações fornecem-nos algumas formas da palavra que possam
provocar dúvidas (flexões de número e de gênero) e indicam confrontos com
parônimos ou homônimos para que se eliminem possíveis dúvidas.

x) Passo 24 de 28

Continuando nosso exercício, ainda baseado no conteúdo do passo 19,


responda as questões a seguir:
7. Depois das definições e das informações finais entre colchetes, o verbete
acrescenta mais algum dado sobre a palavra texto? Explique.
8. Pablo Neruda, poeta chileno, escreveu uma “ode ao dicionário”, em que,
entre outras coisas, diz o seguinte: “Dicionário, não és tumba, sepulcro, féretro,
túmulo, mausoléu, mas preservação, fogo escondido, plantação de rubis,
perpetuidade viva da essência, celeiro do idioma”. Observando a quantidade de
informações que um único verbete nos fornece, comente essa passagem de
Neruda.

180
Fazendo e Aprendendo

y) Passo 25 de 28

Respostas
7. No final do verbete, são colocadas expressões idiomáticas de que a palavra
faz parte.
8. Essa resposta é pessoal, deve demonstrar que você percebeu o imenso
potencial expressivo contido no dicionário. O dicionário não é "mofo",
"obsoleto". Ele é vida porque nos dá várias possibilidades de comunicação.

z) Passo 26 de 28

A grande imprensa brasileira, através de três manuais de redação, recomenda


um cuidado especial com o bom uso das palavras para se conseguir produzir
um bom texto. Observe, atentamente, as recomendações que se seguem:
Palavras
“Entre duas palavras, escolha sempre a mais simples; entre duas
palavras simples, escolha a mais curta”.
Paul Valéry, poeta francês (1871-1945).

Só use palavras necessárias, precisas, específicas, concisas, simples e, se


possível, curtas. Isto é, não diga nem mais nem menos do que você quer dizer.
Lembre-se de que são, apenas, recomendações. Você decide! Quatro dicas:

1. Corte palavras desnecessárias para ser conciso.

Não Sim
Neste momento nós acreditamos Acreditamos
Travar uma discussão Discutir
N eventualidade de Se
Com o objetivo de Para
Dentro de mais alguns instantes
devemos encontrar pequenas
precipitações e ligeiras
instabilidades em nossa rota. Vai chover

181
Fazendo e Aprendendo

aa) Passo 27 de 28

2. A precisão vocabular e os termos específicos tornarão o seu texto claro


e informativo, evitando o impressionismo e a generalização.

Não Sim
Fora do prazo estipulado Um dia atrasado
Fazia um calor de rachar 40º à sombra
Um dos maiores tenistas do mundo Quarto do ranking
Parlamentar Deputado federal

182
Fazendo e Aprendendo

3. Palavras simples vão ajudá-lo a escrever com naturalidade.

Não Sim
Empreender Fazer
Obviamente É claro
Auscultar Sondar

183
Fazendo e Aprendendo

4. Além de mais legíveis, palavras curtas quase sempre são mais simples.

Não Sim
Transcendental Elevado
transgressão Infração
Unicamente Só

184
Fazendo e Aprendendo

ab) Passo 28 de 28

Pensamos, repensamos, construímos e desconstruímos a Língua Portuguesa.


Refletimos e discutimos sobre a fala, a escrita e a leitura. Ainda vamos fazer
mais alguns exercícios sobre determinados fatos linguísticos que, no passado,
podem ter nos causado certa rejeição em usá-los. Agora, com certeza, você
terá muito prazer em conhecê-los. Depois de passear pela Gramática,
descobriremos que, na prática, a teoria pode não ser outra. Tente fazer os
exercícios! Fique atento para as correções! Você vai, com certeza, de forma
prazerosa, descobrir os segredos do nosso idioma.

Ficou muito assustado com os fatos encontrados no passeio que fez nas
unidades anteriores? Nem tanto, nem tão pouco... As coisas não são tão
difíceis como parecem. Você vai demonstrar, com certeza, que aprendeu
bastante!
Estamos lhe esperando, na próxima aula. Até lá!

2. Nas Veredas da Gramática

a) Passo 1 de 18

Tema 3 - Fazendo e Aprendendo


Assunto 3.1 - A Teoria, na Prática, é Outra
Unidade 3.1. 2 - Nas Veredas da Gramática

185
Fazendo e Aprendendo

Grandes dificuldades da Língua Portuguesa


A Língua Portuguesa provoca muitas dúvidas. Por isso, muita atenção quando
escrever ou falar. Procuramos descobrir algumas palavras que nos trazem
grandes problemas ao produzir um texto.
Muitas vezes, as pessoas ficam inseguras a respeito do uso de alguns termos,
da ortografia de algumas palavras.

Para “clarear” algumas dúvidas que a nossa Língua provoca, descreveremos, a


seguir, o emprego correto de algumas palavras ou expressões.

b) Passo 2 de 18

A FIM ou AFIM?
Escrevemos afim, quando queremos dizer semelhante.
Exemplo: O gosto dela era afim ao da turma.
Escrevemos a fim (de), quando queremos indicar finalidade.
Exemplos: Veio a fim de conhecer os parentes.
Pensemos bastante a fim de que respondamos certo.

A PAR ou AO PAR?
A expressão ao par significa sem ágio no câmbio. Portanto, se quisermos
utilizar esse tipo de expressão, significando ciente, deveremos escrever a par.
Exemplos: Fiquei a par do ocorrido.
Maria não está a par do assunto.

186
Fazendo e Aprendendo

A CERCA DE, ACERCA DE ou HÁ CERCA DE?


A cerca de significa aproximadamente, mais ou menos.
Exemplo: Osório fica a cerca de uma hora de automóvel da capital.
Acerca de significa sobre.
Exemplo: Conversaram acerca de política.
Há cerca de significa que faz ou existe (m) aproximadamente.
Exemplo: Moro neste apartamento há cerca de oito anos.
Há cerca de vinte alunos nessa turma.

AO ENCONTRO DE ou DE ENCONTRO À?
Ao encontro de quer dizer favorável a, para junto de.
Exemplo: Vamos ao encontro dos colegas, porque concordamos com eles.
De encontro a quer dizer contra.
Exemplo: Um carro foi de encontro à parede.

ACIDENTE x INCIDENTE
Acidente significa fato importante, imprevisto e, em geral, desastroso.
Exemplo: O acidente aéreo resultou em trezentas mortes.
Incidente significa fato, em geral secundário, episódico, atrito.
Exemplo: Houve um incidente desagradável na chegada do Presidente da
República.

c) Passo 3 de 18

HÁ ou A?
Quando nos referimos a um determinado espaço de tempo, podemos escrever
há ou a, nas seguintes situações.
Há é utilizado quando o espaço de tempo já tiver decorrido.
Exemplo: Ela saiu há dez minutos.
A é utilizado quando o espaço de tempo ainda não transcorreu.
Exemplo: Ele viajará daqui a vinte dias.
Vamos continuar esclarecendo dúvidas?

d) Passo 4 de 18

TRABALHARAM OU TRABALHARÃO
A dúvida ocorre, porque, em ambas as palavras, há um ditongo nasal (am e
ão). Usa-se -ão, quando a sílaba é tônica. Isso só acontece no futuro do
presente, pelo menos com os verbos regulares.
Exemplo: Se houver oportunidade, eles trabalharão na fábrica.
Como em toda regra, nesta também há exceções. São elas: estão, vão, hão,
são, formas do Presente do Indicativo.
Usa-se -am, quando a sílaba é átona. Isso acontece nas seguintes situações:
a) terceira pessoa do plural; b) na primeira conjugação no presente do
indicativo; c) na segunda e terceira conjugações no presente do subjuntivo; d)

187
Fazendo e Aprendendo

e nas três conjugações no pretérito perfeito, pretérito imperfeito, pretérito mais-


que-perfeito e futuro do pretérito do indicativo.
Exemplos: Eles trabalhavam; que eles vendam; que eles partam; eles
trabalharam, venderam, partiram; eles trabalhavam, vendiam, partiam; eles
trabalhariam, venderiam, partiriam.

RECORDAS-TE ou RECORDASTE?
A primeira expressão está no presente do indicativo, acompanhada por um
pronome átono (te).
Exemplo: Recordas-te daquelas férias maravilhosas que passamos no Rio?
(Tu te recordas). Aqui a sílaba tônica é cor.
A segunda expressão está no Pretérito Perfeito do Indicativo, e não vem
acompanhada do pronome átono.
Exemplo: Tu recordaste, com muito carinho, as homenagens recebidas. Aqui a
sílaba tônica é das.

RECORDAMOS e RECORDAR-NOS
No primeiro caso, a palavra não tem hífen, porque o morfema mos indica
pessoa-número e faz parte integrante da mesma. No segundo caso, a palavra
tem hífen, porque a partícula nos é um pronome pessoal e não faz parte
integrante da mesma.

Lembre-se: com M, não se separa; com N, separa-se.

Observação: não foi referida, aqui, a partícula mos quando combinação dos
pronomes.
Exemplos: ME + OS, como OI e OD, que, nos dias de hoje, tem uso muito
pouco frequente.
Está gostando de “clarear” suas dúvidas? Então, vamos continuar!

e) Passo 5 de 18
DEIXASSE ou DEIXA-SE
Empregamos deixasse quando queremos expressar o verbo no pretérito
imperfeito do subjuntivo (tempo cuja marca é esta: sse). Aqui, a sílaba tônica é
xas.
Exemplo: Se ele nos deixasse em paz, seria bom.
Empregamos deixa-se quando o “se” é um pronome (separado com hífen),
seguindo um presente do indicativo. Aqui a sílaba tônica é dei.
Exemplo: Deixa-se levar pela opinião alheia.

SE NÃO ou SENÃO
Emprega-se o primeiro, quando o se pode ser substituído por caso ou na
hipótese em que.
Exemplo: Se não chover, viajarei amanhã (= caso não chova, ou na hipótese

188
Fazendo e Aprendendo

de que não chova, viajarei amanhã).


Se não se tratar dessa alternativa, a expressão sempre se escreverá com uma
só palavra: senão.
Exemplos: Vá de uma vez, senão você chegará tarde. (senão = caso
contrário).
Nada havia a fazer, senão conformar-se com o fato. (senão = a não ser).
EM VEZ DE ou AO INVÉS DE
A expressão em vez de significa em lugar de.
Exemplos: Hoje, Pedro foi em vez de Paulo.
Em vez de Márcia, Paula foi escolhida secretária.
A expressão ao invés de significa ao contrário.
Exemplos: Ao invés de proteger, resolveu não assumir.
Ao invés de curar, o remédio piorou a situação.

TODO O ou TODO
A expressão todo o significa inteiro.
Exemplos: Todo o Brasil deu as mãos.
Toda a Europa sofreu com a guerra.
A expressão todo significa qualquer.
Exemplos: Todo mundo entrou na dança.
Toda primavera é florida.
Observação: No plural, porém, sempre aparece o artigo.
Exemplo: Todos os indivíduos gostam de ser bem tratados.

f) Passo 6 de 18

COM NÓS (conosco) ou COM VÓS (convosco)


Usam-se as duas formas, dependendo do caso.
Exemplos:
Ela irá conosco.
Ela irá convosco.
Falarão conosco.
Falarão convosco.
Mas, por uma questão de eufonia, diz-se:
É com nós mesmos que queremos falar.
É com vós mesmos que queremos falar.
É com nós próprios que querem falar.
É com vós próprios que querem falar.

VI E GOSTEI DA PEÇA ou VI A PEÇA E GOSTEI DELA


Somente a segunda construção está correta, uma vez que os dois verbos da
frase têm predicação diferente (o primeiro é Transitivo Direto e o segundo
Transitivo Indireto).
Quem vê, vê alguma coisa.

189
Fazendo e Aprendendo

Quem gosta, gosta de alguma coisa.

g) Passo 7 de 18

EU ME PROPONHO FAZER ISTO ou EU ME PROPONHO A FAZER ISTO


A primeira opção é a correta, porque a regência do verbo propor é a seguinte:
alguém propõe alguma coisa a alguém. A coisa proposta é a oração “fazer
isto”, e o pronome me é o objeto indireto (= a mim).
Ainda tem algumas dúvidas? Então, vamos esclarecê-las!

ELA SE DEU AO LUXO DE COMPRAR UMA JOIA ou ELA SE DEU O LUXO


DE COMPRAR
A segunda opção é a correta pelo mesmo motivo acima exposto. A expressão
“o luxo” é o objeto direto e o pronome se é o objeto indireto. Ela deu a si
mesma o luxo de comprar uma joia.

MAL ou MAU
Mau é um adjetivo, é antônimo de bom. Mal é um advérbio, é antônimo de
bem.
Exemplos: Uma redação bem escrita pode ser, apenas, o resultado de uma má
organização de ideias.
Permanecia mal vestido, com os cabelos desalinhados e de bem com a vida.
Seu mau posicionamento revelou a sua má vontade de servir aos outros.
A má organização das empresas resulta sempre em maus negócios.

h) Passo 8 de 18

Veja mais algumas dificuldades da nossa Língua Portuguesa!

MAIS ou MAS
Mas é uma conjunção coordenativa adversativa e significa porém, entretanto.
Mais é um advérbio de intensidade, significa muito.
Exemplos:
A empresa foi autuada, mas não pagou a multa.
Fiquei mais aliviada ao saber que não haveria fraude no concurso.
“É preciso continuar evoluindo, mas o segredo da evolução está no equilíbrio
das soluções encontradas”.

SEÇÃO, SESSÃO ou CESSÃO


Seção significa parte, setor, departamento.
Sessão significa reunião, assembleia.
Cessão significa o ato de ceder.
Exemplos:
Descobriu-se, na seção de limpeza, mais um bom produto capaz de eliminar
toda a sujeira.
A cessão dos bens foi feita através de um inventário.
Assistimos a mais uma sessão do filme “De Volta ao Passado”.

190
Fazendo e Aprendendo

Realizaram a sessão em uma das seções do escritório.


Resolveram, através de sessão extraordinária, mais um caso extrarotina.

FAZ ou FAZEM
Fazer, quando indicando tempo e fenômenos naturais, só é usado na terceira
pessoa do singular, mesmo acompanhado de outros verbos auxiliares.
Fazer, quando significa realizar, fabricar, produzir, pode ser usado em qualquer
pessoa, no singular ou no plural.
Exemplos:
Faz dois dias que iniciamos a construção da nova estação.
Os técnicos fazem seus trabalhos rotineiros incansavelmente.
Exatamente hoje, faz dez anos que nos conhecemos aqui.

Ainda há dúvidas? Então, vamos continuar esclarecendo-as!

i) Passo 9 de 18

HAVIA ou HAVIAM
Havia, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se, fazer, só é usado
na terceira pessoa do singular. Haviam, quando sinônimo de ter, com verbo
auxiliar em locuções verbais, pode ser usado no plural.
Exemplos:
Há diversas formas de reagir contra a imposição.
Há muitas contradições quanto ao seu talento, no entanto ele faz sucesso.
Muitos argumentos havia ainda para serem apresentados.
Exceção:
Os deputados haviam deixado o gabinete após a reunião extraordinária.
Os grandes empresários haviam se contagiado com a febre tifóide.

VÊM ou VEEM
Vêm é a terceira pessoa do plural do verbo vir.
Veem é a terceira pessoa do plural do verbo ver.
Exemplos:
Nem todas as pessoas veem esta medida com bons olhos.
Eles sempre dizem que vêm, mas nunca aparecem na hora do jantar.
Os trabalhadores vêm até aqui a pé diariamente.

MANTÉM ou MANTÊM
Mantém é a terceira pessoa do singular do verbo manter, composto do verbo
ter.
Mantêm é a terceira pessoa do plural do verbo manter, composto do verbo ter.
Exemplos:
Eles se mantêm alerta sempre que necessário.
Você ainda o mantém informado de tudo?
Há poucos analistas no laboratório que mantêm a qualidade do serviço.

191
Fazendo e Aprendendo

j) Passo 10 de 18

DE MAIS ou DEMAIS
Demais é um advérbio de intensidade e significa excessivamente.
De mais é uma locução adjetiva, formada pela preposição de e o advérbio de
intensidade mais; separadamente, significa a mais e é o antônimo de a
menos.
Exemplos:
Seu amor por ela é demais.
Nas compras veio um pacote de mais.
Comer demais faz mal à saúde.
Descansem, pois trabalharam demais durante esta semana.
O cobrador nos deu o troco de mais.
EU/TU, ME/TE, MIM/TI
Eu/Tu – Esses pronomes pessoais do caso reto ou subjetivos exercem a
função de sujeito.
Me/Te – O uso desses pronomes pessoais do caso oblíquo depende da
transitividade do verbo.
Mim/Ti – Na língua culta, só os pronomes pessoais do caso oblíquo aparecem,
regidos de preposição.
Exemplos:
Redação e Literatura são disciplinas que me agradam.
Em caso de eu ser eleita, farei grandes modificações neste clube.
O livro que me destes, guardei-o carinhosamente.
Para mim você não precisa mentir.
Trouxeram o relatório para eu analisar.
Confio em ti, pois és meu grande amigo.
Insisto para tu revelares o problema.
TÃO POUCO ou TAMPOUCO
Tão pouco é formado do advérbio tão (tanto) e do advérbio pouco (= não
muito).
Tampouco é uma conjunção e significa também não, nem.
Exemplos:
Os visitantes não vieram, tampouco se apresentaram ao clube.
Por que demorar tão pouco?
Ele tem tão pouco tempo, que não pode sair comigo.
Se o autor não determinou o título da obra, tampouco eu poderia fazê-lo.
Havia tão poucos livros na biblioteca, que fiquei surpresa!

As dúvidas ainda persistem? Então, vamos continuar esclarecendo-as!

192
Fazendo e Aprendendo

k) Passo 11 de 18
EMBAIXO, ABAIXO ou A BAIXO
Embaixo - é um advérbio e significa em plano inferior.
Abaixo - é um advérbio e significa para a parte inferior, para baixo, significando
reprovação.
A baixo - A é preposição e baixo é advérbio, significando a pouca altura do
chão.
Exemplos:
Encarei-o de cima a baixo, demonstrando insatisfação.
A lixeira encontrava-se embaixo da carteira.
Abaixo a ditadura! Queremos liberdade!
Colocaram azulejos de cima a baixo.
Embaixo do tapete, via-se toda a sujeira possível.

A PARTIR DE
A partir de significa a começar de, é sempre escrito separadamente.
Exemplos:
A partir de amanhã, chegarão as novas remessas deste produto.
Novas medidas serão formadas a partir de amanhã.

É BOM ou É BOA
Usa-se é bom, quando o substantivo ao qual se refere não é precedido de
artigo.
Usa-se é boa, quando o substantivo ao qual se refere é precedido do artigo.
Exemplos:
A organização dos trabalhos é boa.
A reunião é boa para tratarmos deste assunto.
Água é bom para a saúde.

Será que você já se deparou com uma das dificuldades a seguir?

l) Passo 12 de 18

É PROIBIDO ou É PROIBIDA
Usa-se é proibido, quando o substantivo ao qual se refere não é precedido
pelo artigo.
Usa-se é proibida, quando o substantivo ao qual se refere é precedido pelo
artigo.
Exemplos:
É proibida a entrada de pessoas estranhas neste recinto.
É proibido entrada de automóveis não autorizados neste local.

BASTANTE ou BASTANTES
Bastante é um advérbio e significa muito.
Bastantes é um pronome indefinido e significa vários; acompanha, portanto, os

193
Fazendo e Aprendendo

substantivos.
Exemplos:
Havia bastantes razões para ele não comparecer.
Estes fiscais são bastante rigorosos com seus subordinados.

QUE ou QUÊ
Que é uma conjunção integrante ou pronome relativo.
Quê é um substantivo e vem antecedido de artigo.
Exemplos:
Causou-nos prejuízos que não se podia calcular.
Percebi que estava sendo enganada ao vê-lo com alguém que não conhecia.
Ela não é muito bonita, mas tem um quê de rainha.

E o esclarecimento de dúvidas continua...

m) Passo 13 de 18

ESTE (A), ESSE (A) ou AQUELE (A)


Os pronomes demonstrativos variáveis (este, esse, aquele, etc.) podem ser
antepostos ao substantivo ou substituir o substantivo já mencionado. Além do
uso para localização espacial e temporal, são empregados para colocar em
destaque um termo, pessoas ou algo anteriormente citado.
Exemplos:
Este trabalho que agora analiso é de grande importância para o
desenvolvimento profissional.
Naquele ano de 1990, Collor de Mello assumiu a Presidência da República.
Houve graves terremotos na Turquia em 1999. Nesse ano, muitos habitantes
perderam suas famílias.

POR QUE, PORQUE, POR QUÊ ou PORQUÊ


Emprega-se por que (= preposição e pronome interrogativo que) em orações
interrogativas diretas.
Exemplo: Por que você não foi ao cinema?
Emprega-se por quê (preposição e pronome interrogativo quê) ao final de uma
oração interrogativa.
Exemplo: Você fez aquilo por quê?
Emprega-se porque (= conjunção), significando de, por causa de, visto que.
Exemplo: Canto, porque me sinto feliz. (= visto que).
Emprega-se porquê (substantivo) para substituir a causa, o motivo, a razão.
Exemplo: Todos choravam muito e ninguém dizia o porquê. (= a causa, o
motivo).
Emprega-se por que (= preposição por e pronome relativo que) em
substituição a pelo qual, pela qual, pelos quais, pelas quais.
Exemplo: O caminho por que seguira era íngreme e pedregoso. (= pelo qual).
Mais exemplos:

194
Fazendo e Aprendendo

Por que os hospitais em greve se recusaram a atender os pacientes?


Reidrate sua pele, porque além de manter a elasticidade previne contra o
câncer.

AONDE ou ONDE
Aonde é formado pela preposição a + advérbio onde. Usa-se, quando há
ideia de movimento, de aproximação. É usado em oposição a de onde, que
indica afastamento.
Exemplos:
De onde você vem?
Aonde você vai?

n) Passo 14 de 18

RINGUE ou RINQUE
Ringue - É estrangeirismo, do inglês ring (arena). Significa estrado para lutas
de boxe e outras.
Exemplo: Popó luta boxe no ringue.
Rinque - É estrangeirismo, do inglês rink, que significa pista de patinação.
Exemplo: As ginastas faziam exercícios no rink.

DESAPERCEBIDO ou DESPERCEBIDO
Desapercebido - Significa desprevenido, desprovido, sem dinheiro.
Exemplo: João não foi ao futebol, porque estava desapercebido.
Despercebido - Significa não percebido, distraído.
Exemplo: O soldado passou despercebido pelo ladrão.

DESPENSA ou DISPENSA
Despensa - Significa o local onde se guardam os alimentos.
Exemplo: Os gêneros alimentícios estão na despensa.
Dispensa - É Presente do Indicativo do verbo dispensar e significa desobriga,
prescinde de.
Exemplo: A dispensa de vários empregados preocupou o sindicato.

DESMISTIFICAR ou DESMITIFICAR
Desmistificar - Significa desfazer engano, ilusão, mistificação.
Exemplo: A ocorrência de corrupção entre os senadores desmistificou o
senado.
Desmitificar - Significa desfazer um mito.
Exemplo: Um juiz, considerado honestíssimo, foi desmitificado, quando
souberam dos desmandos que cometeu.

Vamos acabar de vez com essas dúvidas que tanto nos perseguem e
embaraçam!

195
Fazendo e Aprendendo

o) Passo 15 de 18

CONSERTO ou CONCERTO
Conserto - Significa reparos em objetos, máquinas.
Exemplo: Ele fez um conserto no fogão.
Concerto - Significa espetáculo, concerto musical.
Exemplo: Fui ao concerto sob a regência do maestro Carlos Veiga.

COMPRIMENTO ou CUMPRIMENTO
Comprimento - Significa medida.
Exemplo: O comprimento de sua saia é tão curto que deixa as coxas de fora.
Cumprimento - Significa saudação, elogio ou ação de cumprir.
Exemplo: Recebemos um cumprimento do diretor pelos os bons serviços
prestados à empresa.

CHEQUE ou XEQUE
Cheque - Significa documento bancário.
Exemplo: Ele visou o cheque.
Xeque - Significa título de sabedoria árabe ou xeque do jogo de xadrez (xeque
mate).
Exemplos: O argumento foi posto em xeque.
O xeque entrou na sua tenda.

p) Passo 16 de 18
Preencha os espaços abaixo com uma das palavras entre parênteses que você
achar mais pertinente:
a)O novo Ministro diz aceita os desafios e quer que a Constituição seja
cumprida. (que/quê)
b) Esteves tentará mais uma vez cruzar o Atlântico, ? (porque/por quê)
c) A razão idealizou este plano ficará clara em breve. (por que/porque)
d) Ficaram felizes obtiveram os melhores resultados do ano.
(porque/por que)
e) não resolvem a questão dos direitos do índio? (por que/por quê)
f) A questão da Floresta Amazônica é muito importante interfere na
reciclagem de oxigênio na atmosfera do planeta. (porque/porquê)
g) Não entendo o do desmatamento na área do Parque Nacional.
(porquê/porque)
h) A Federação Internacional Automobilística não confirmou a participação dos
pilotos brasileiros, ? (por quê/por que)
i) A casa em nasci está mal conservada. (que/quê)
j) No estado em que escola se encontra, não há condições de ensino.
(esta/aquela)
k) Estivemos em Ilhéus, e as praias cidade nos encantaram bastante.
(desta/daquela)

196
Fazendo e Aprendendo

l) A partir semana iniciam-se as campanhas contra a AIDS. (desta/


daquela)
m) setor em que trabalhas, já admitiram mais quinze técnicos.
(nesse/neste)
n) Solicitamos Divisão a aquisição de mais duas calculadoras Dismark
135. (essa/aquela)

o) Apronta-te rapidamente que estás atrasado para encontro.


(este/esse)

q) Passo 17 de 18
Vamos continuar exercitando?
p) Vivo cidade, mas admiro em que moras. (nesta/nessa -
esta/essa)
q) Há um de satisfação em seu olhar me atrai muito.
(que/quê - quê/que)
r) Estás de volta a troco de ? (que/quê)
s) Sinto um de nostalgia ou ouvir esta música. (que/quê)
t) O marido chegou cedo em casa e surpreendeu a esposa. (mais/mas)
u) Este terminal possui ônibus. (mais/mas)
v) sua permanência neste estabelecimento. (é proibido/é proibida)
w) estacionar na calçada. (é proibido/é proibida)
x) Isso vem todos. Reflete o desejo da turma. (ao encontro de/de
encontro a)
y) Esta medida desagradou aos funcionários, porque veio suas
aspirações. (ao encontro de/de encontro a)
z) duas semanas não encontro com você. Daqui três dias
será meu aniversário. (há/a - a/há)

r) Passo 18 de 18

Não se canse, nem se desespere; você tem aprendido muito; mas, muito tem,
ainda, a aprender... Tranquilize-se... Até mais ver!

197
Fazendo e Aprendendo

3. Fazendo e (re)aprendendo

a) Passo 1 de 19

Tema 3 - Fazendo e Aprendendo


Assunto 3.1 - A Teoria, na Prática, é Outra
Unidade 3.1. 3 - Fazendo e (Re)aprendendo

Acho que estamos satisfeitos e sabidos! Aprendemos muito, muito ainda temos
a aprender, mas o que estudamos já está de bom tamanho! Você deve estar
louco para comprovar seu saber, não é? Que tal botarmos o preto no branco?
Vamos pôr à prova o nosso conhecimento? Prepare-se!

198
Fazendo e Aprendendo

b) Passo 2 de 19
Preencha os espaços abaixo com uma das palavras entre parênteses que você
achar mais pertinente:
a) Eles em Salvador, na construção do metrô, em 2002.
(trabalharam/trabalharão)
b) Eles em Salvador, na construção do metrô, até 2004.
(trabalharam/trabalharão)
c) Os turistas por aqui até o carnaval. (circularam/circularão).
d) dos nossos carnavais? (lembrastes/lembras-te)
e) da alegria dos nossos carnavais, quando éramos crianças, não?
(lembrastes/lembras-te)
f) Pensemos bastante de que respondamos certo.(afim/a fim)
g) Ela não está do rapaz.(afim/a fim)
h) O empregado da empresa está de tudo. (a par/ao par)
i) vinte mil vestibulandos concorrendo às vagas na Universidade Federal
da Bahia . (há cerca de/a cerca de)
j) As tomadas de decisões intempestivas, nesta empresa, levaram a crer
que o diretor estava nervoso. (meio/meia - meio/meio)
k) copo d'água é o bastante para saciar a sede de muitos! (meio/meia)
l) Esperamos que não ocorram enchentes no Rio de Janeiro neste ano.
(mas/mais)
m) A Bahia é um dos importantes centros de atração turística do país.

199
Fazendo e Aprendendo

(mas/mais)
n) Ele foi a Brasília não conheceu o novo presidente. (mas/mais)
o) Não ficaram satisfeitos com a dos bens da empresa a uma pessoa tão
inescrupulosa. (sessão/cessão/seção)
p) Renovaram todo o estoque de Viagra da .(sessão/cessão/seção)
q) O Banco Central recebeu o novo presidente numa realizada em 2003.
(sessão/cessão/seção)
r) Não a necessidade de se contratar um ônibus. (vêm/veem)
s) Eles andando e não que um carro se aproxima.
(vêm/veem)
t)Todos os cidadãos perfeitamente o que está acontecendo e são
capazes de formar uma boa opinião sobre o assunto. (vêm/veem)
u) Ficou evidente que ele guardados, sigilosamente, os documentos de
que necessito. (mantém/mantêm)
v) Os interessados uma equipe de informantes a fim de notificar as
irregularidades. (mantém/mantêm)
w) O cobrador nos deu o troco . (demais/de mais)
y) Nas compras veio um pacote . (demais/de mais)

c) Passo 3 de 19
Alguns verbos da Língua Portuguesa são especiais. Eles têm particularidades,
que suscitam muitas dúvidas. Vamos exercitá-los?
Preencha os espaços com o verbo entre parênteses que você achar mais
pertinente:
1. Nós . (falemos – falimos).
2. Eu (requero – requeiro) sempre minhas vantagens funcionais.
3. A natureza (provê – prevê) o homem de alimentos.
4. No verão, o sol (clareia – clarea) muito cedo.
5. Ele (possui – possue) uma personalidade muito forte.
6. Ele (sua – soa) bastante no verão.

d) Passo 4 de 19
A concordância verbal também é um dos “calcanhares de Aquiles” da nossa
Língua. Vamos exercitá-la um pouco?
Complete as frases seguintes com a forma apropriada do verbo entre
parênteses.
a) várias investidas dos traficantes, na tarde de ontem. (acontecer)
b) -nos poucos dias de férias. (restar)
c) alguns poucos amigos fiéis no fim da festa. (ficar)
d) alguns doces. (sobrar)
e) alguns bons amigos para alegrar. (bastar)
f) Ainda bons motivos para ficarmos juntos. (dever existir)

200
Fazendo e Aprendendo

g) Ainda surpresas nesse campeonato. (poder ocorrer)


h) É provável que ainda lembranças daquele passado. (sobreviver)
i) Devem-se preservar os poucos indivíduos que . (restar)
j) Você e seus amigos das reuniões da classe. (dever participar)

e) Passo 5 de 19
Vamos exercitar um pouco mais de verbos?
Complete as frases seguintes com a forma apropriada dos verbos entre
parênteses.
a) As mensalidades dos planos de saúde muito nos últimos dois meses.
(subir)
b) Uma pesquisa recente revelou que a maioria dos adolescentes não se
contra a Aids. (prevenir)
c) A maior parte dos acidentes de trânsito pela imprudência dos
envolvidos. (ser provocado)
d) Cerca de duzentas mil pessoas da posse do novo presidente.
(participar)
e) Mais de um jogador em loterias mal o dinheiro ganho. (usar)
f) Mais de um torcedor naquela tarde de final de campeonato. (agredir-
se)

f) Passo 6 de 19

Está gostando de exercitar verbos? Então, vamos continuar!


Pense nas diferenças de significado que se podem perceber entre as frases de
cada um dos pares seguintes.
a) Grande número de pessoas participou do ato público.
Grande número de pessoas participaram do ato público.
b) Alguns de nós são culpados de omissão.
Alguns de nós somos culpados de omissão.
c) Mais de um atleta feriu-se durante a partida.
Mais de um atleta feriram-se durante a partida.

g) Passo 7 de 19
Reconhecemos que a concordância verbal é uma das maiores dificuldades da
Língua Portuguesa. Por isso mesmo, é fundamental praticá-la, concorda?
Vamos exercitar um pouco?
Complete as frases seguintes com a forma apropriada dos verbos entre
parênteses.
a) 40% dos participantes nunca de um concurso antes. (haver
participado)
b) 1% dos entrevistados seu voto. (negar-se a declarar)
c) 32% do orçamento nesse paraíso da corrupção. (desaparecer)
d) 1% do capital investido nesta bicicleta a mim! (pertencer)

201
Fazendo e Aprendendo

e) Fui eu que esses pacotes. (trazer)


f) Fui eu quem esses presentes. (comprar)
g) Somos sempre nós que tarde. (chegar)
h) Foste tu que suco de laranja? (pedir)
i) Não fui eu quem isso. (falar)
j) Lá vai um dos que que a lei é só para os pobres. (pensar)
k) Ela é uma das candidatas que a pena de morte. (repudiar)

h) Passo 8 de 19
Você é craque em Regência Verbal? Ou às vezes se atrapalha? Que tal
exercitar um pouco esse assunto?
Escreva nos campos em branco o pronome oblíquo átono mais adequado para
cada frase, escolha um dentre os abaixo:
los, las, los, los, lhes, la, los, o, lhes, lhes
a) Não quero aborrecer aqueles senhores.
b) Vou ajudar aquelas crianças de rua.
c) Não queremos prejudicar os participantes das provas.
d) Vou enviar estes pacotes de alimentos aos flagelados.
e) Vou enviar estes pacotes de alimentos aos flagelados.
f) Seu sonho é namorar a Júlia.
g) Vim aqui alegrar os amigos.
h) Prezo muito esse intelectual.
i) Não obedeci aos meus pais.
j) Não responderam aos que enviaram pedidos de informações.

i) Passo 9 de 19
Assinale as frases em que o pronome pessoal esteja substituído
adequadamente.

Vou pagá-las.
Há meses não os pagam.
O governo está pensando em perdoá-los.
Gosto muito de abará, mas não vou comer-lhe.
Agradeço-os a homenagem recebida.

202
Fazendo e Aprendendo

j) Passo 10 de 19

Está gostando de treinar Regência Verbal? Então, vamos fazer mais alguns
exercícios!
Observe a regência verbal das frases seguintes. Modifique-as, a fim de torná-
las adequadas ao padrão culto da língua portuguesa.
a) Lembro sempre de você.
b) Nunca esqueci de tudo que passamos juntos.
c) Antipatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.
d) Prefiro mil vezes ficar aqui do que ir com você.
e) Prefiro ser o que sou do que ser o que querem que eu seja.
f) Antes prefiro química à física.
g) Preferimos dormir que trabalhar.
h) Informo-lhe de que não pode ficar aqui.
i) Informo-a que seu financiamento ainda não foi concedido.

Observe as frases adequadas ao padrão culto da língua portuguesa.


a) Eu me lembro de você.
b) Nunca me esqueci de tudo que passamos juntos.
c) Antipatizei com ele desde a primeiro vez que o vi.
d) Prefiro mil vezes ficar aqui a ir com você.
e) Prefiro ser o que sou a ser o que querem que eu seja.
f) Antes prefiro a química à física.
g) Preferimos dormir a trabalhar.
h) Informo-o de que não pode ficar aqui.
i) Informo-a de que seu financiamento ainda não foi concedido.

k) Passo 11 de 19

Particípios duplos
Há verbos que apresentam duas ou mais formas, de igual valor e função. São
chamados verbos abundantes. Exemplos: Tu constróis ou tu construis; ele
constrói ou ele construi; comprazi ou comprouve, comprazestes ou
comprouveste; entopes ou entupes, entope ou entupe; vamos ou imos, etc.

Entretanto, é no particípio que mais encontramos formas duplas e mesmo


triplas, uma regular e as outras irregulares. Veja os exemplos que se seguem:

203
Fazendo e Aprendendo

l) Passo 12 de 19

Regra para o emprego dos particípios duplos


As formas regulares (particípio em -do) são empregadas na voz ativa, com os
auxiliares “ter” ou “haver”; as formas irregulares são usadas na voz passiva,
com os auxiliares “ser”, “estar” ou “ficar”.
Exemplos:
O diretor havia aceitado a tarefa. A tarefa foi aceita por nós.
O vigário teria benzido a vela. A vela será benta?
Talvez os piratas houvessem submergido o barco. O barco já fora submerso
pelos piratas, quando lá chegamos.

m) Passo 13 de 19
Vamos retomar nossos exercícios?
Complete os espaços, escolhendo entre as expressões listadas a seguir: para

204
Fazendo e Aprendendo

a qual; a que; que; por cuja; em cuja.


1. Nenhuma posse fui convidada esteve tão concorrida como essa.
2. O jogo presenciamos, foi muito bom.
3. O jogo assistimos, foi muito bom.
4. Aquele é o deputado casa estivemos ontem à noite.
5. As pessoas causa me interessei, venceram a questão judicial.

n) Passo 14 de 19
Como estão seus conhecimentos sobre ortografia? Que tal testá-los?
Coloque dentro do parêntese o h , quando necessário e X quando não
aplicavel:
( ) úmido, ( ) erbívoro, ( ) orário, ( )
ispânico, ( ) esitar, ( ) ipótese,
( ) ábil, ex ( ) aurir, re ( ) aver, ( ) óspede,
re ( ) abilitar, des ( ) onra,
co ( ) abitar, ( ) ervateiro, lobis ( ) omem,
( ) índia, ( ) arpa, ( ) erva,
in ( ) ábil, in ( ) óspito, ( ) ostilizar, ( )
ombro, des ( ) armonia, ( ) ortênsia,
( ) espanhol, ( ) ipismo, ( ) indu, ( ) aurir,
( ) iato, ( ) aver, ( ) umedecer,
( ) abilitar, ( ) omicida.

o) Passo 15 de 19
Vamos continuar treinando ortografia?
Escolha na letra que julgar correta para preencher os espaços abaixo: S ou Z.
1. exteriori ar
2. encami ar
3. escandali ar
4. pi ar
5. ligeire a
6. Prince a
7.rude
8. corte
9. nobre a
10. pre a
11. burguê

205
Fazendo e Aprendendo

12. mude
13. uniformi ar

p) Passo 16 de 19
Vamos continuar exercitando a ortografia da nossa Língua?
Preencha os espaços em branco com S, SS ou Ç.
1. Compreen ão
2. repreen ão
3. exten ão
4. disten ão
5. ace ível
6. exce o
7. exce ivo
8. cangu u
9. permi ão
10. insubmi ão
11. inver ão
12. rever ão
13. emer ão
14. impul o
15. incur ão
16. incur o
17. agre ivo
18. opera ão
19. admi ão
20. preten ão

q) Passo 17 de 19
Vamos continuar o exercício...
21. admi ível
22. emi ão
23. trai ão
24. congrega ão
25. ingre o
26. ponta o
27. rejei ão
28. conver ível
29. intromi ão
30. reten ão
31. absten ão
32. deten ão

206
Fazendo e Aprendendo

33. insubmi o
34. can ão
35. defen ivo
36. ma aroca
37. taquara o
38. transcur o
39. irrever ível
40. suce ão
41. controvér ia
42. mu ulmano
43. dobradi a
44. ascen ão
45. preten ioso

r) Passo 18 de 19
Continuemos com o nosso exercício de ortografia...
46.prome a
47. promi ória
48. assun ão
49. exten ão
50. a ucena
51. taquaru u
52. descen o
53. despreten ioso
54. promi or
55. opre ão

s) Passo 19 de 19

Prezado (a) aluno (a),


Parabéns! Estamos felizes!
Você concluiu o curso PRODUÇÃO TEXTUAL.
Esperamos que este curso tenha sido leve e prazeroso! Com certeza, deve ter
desmitificado a Língua Portuguesa! Ela será, a partir de hoje, usada com mais
alegria e de forma mais racional. Seus textos fluirão melhor e a folha em
branco deixará de ser um desafio!
Certamente, aprendemos uma nova forma de trabalhar com a nossa Língua!
“Minha Língua é a minha Pátria!” (Caetano Veloso).
Conte sempre conosco! Sucesso!
EQUIPE RCI

207
Fazendo e Aprendendo

208
Fazendo e Aprendendo

V. Glossário

Glossário
V

De A a D 199
De E a I 202
De J a O 203
De P a S 204
De T a X 206

A. De A a D

A
“AD NAUSEAM'' - Até as náuseas; até cansar.
A MERCÊ DE - sujeito à compaixão de.
AGREGAR - Reunir, congregar.
ALMEJADA - Desejada ardentemente, com ânsia; ansiada.
AMBÍGUO - Que se pode tomar em mais de um sentido; equívoco: explicação
ambígua.
ÂMBITO - Contorno, periferia; circunferência. Campo de ação; zona de
atividade.
APOCALIPSE - O último livro do Novo Testamento (q. v.), que contém
revelações terrificantes acerca dos destinos da humanidade. Fig. Grande
cataclismo; flagelo terrível. Fig. Linguagem muito obscura, sibilina.
APREGOAR - Anunciar com pregão; proclamar em voz alta.
ARCAICA - Relativo a épocas remotas; muito antigo. Obsoleto. E. Ling. Diz-se
de palavra ou de construção que constitui arcaísmo. E. Ling. Na periodização
das línguas, diz-se da fase mais remota; antigo. Diz-se do português do
período que se situa entre o séc. IX e meados do séc. XVI.
ARREBIQUES - Enfeite excessivo e de mau gosto. Amaneiramento e afetação
do estilo.

209
Glossário

ARREMATAR - Terminar, finalizar, acabar, concluir.


ARROGÂNCIA - Orgulho que se manifesta por atitudes altivas e desdenhosas;
soberba. Insolência, atrevimento.
ARTICULADO - Pronunciada, proferida.
ASSERTIVA - Proposição afirmativa; asserção.
ATURDIR - atordear, estontear, perturbar.
ÁUREOS - Da cor do ouro, ou a ele relativo. z
AUTONOMIA - Faculdade de se governar por si mesmo. Direito ou faculdade
de se reger (uma nação) por leis próprias. Liberdade ou independência moral
ou intelectual. Ét. Condição pela qual o homem pretende poder escolher as leis
que regem sua conduta.
AVENCAS - Designação comum a várias plantas criptogâmicas da família das
polipodiáceas, principalmente do gênero Adiantum, todas muito delicadas,
necessitando de ambientes bastante úmidos.

B
BALBUCIO - E. Ling. Psicol. No processo de aquisição (4), fase em que surge
a vocalização, mas que antecede as primeiras palavras. [Compreende três
etapas: (a) o arrulho, por volta dos dois meses de idade, quando a criança
apresenta as primeiras manifestações vocais; (b) o balbucio propriamente dito,
que dura aproximadamente dos três aos seis meses; e (c) a fase pré-
linguística, que vai dos seis aos doze meses, etapa em que a criança ainda não
produz qualquer palavra, embora comece a fixar a fonologia da língua-alvo (q.
v.).]
BULAS - Impresso que acompanha um medicamento e contém informações
acerca de sua composição, posologia, indicações, contra-indicações, etc.
BUZU - ônibus

C
CABALA - Filos. Tratado filosófico-religioso hebraico, que pretende resumir
uma religião secreta que se supõe haver coexistido com a religião popular dos
hebreus. Designação comum a movimentos místicos e esotéricos europeus do
séc. XII em diante.
CABALÍSTICA - Relativo à cabala. Relativo às ciências ocultas: número
cabalístico. Fig. Secreto, misterioso, obscuro.
CAMUFLAGEM - Ato ou efeito de camuflar. Aquilo que serve para camuflar ou
disfarçar.
CLICHÊ - Estereótipo . Fig. lugar-comum.
COERÊNCIA - E. Ling. Num discurso oral ou escrito, conjunto de relações que
unem os significados de sentenças. [A coerência de um discurso pode apoiar-
se em mecanismos formais, i. e., de natureza gramatical ou lexical, e no
conhecimento partilhado entre os usuários da língua.] Lóg. Ausência de
contradição, i. e., acordo do pensamento consigo mesmo (dos princípios com
as conseqüências, dos axiomas com os teoremas, etc.); compatibilidade,
consistência.
COESÃO - E. Ling. Ligação, de natureza gramatical ou lexical, entre os
elementos de uma frase ou de um texto.

210
Glossário

COLOQUIAL - Diz-se do estilo em que se usam vocabulário e sintaxe bem


próximos da linguagem cotidiana.
COLOQUIALIDADE - Maneira ou tom coloquial.
COMPARTILHAR - Ter ou tomar parte em; participar de; partilhar, compartir.
Usar em comum. Ter ou tomar parte; participar; compartir. CONCATENADO -
encadear, ligado, relacionado.
CONCOMITANTES - Que se manifesta simultaneamente com outro.
CONCORRER - Juntar-se para (uma ação comum); contribuir, cooperar. Ter a
mesma pretensão de outrem; competir; cooperar; contribuir; existir
simultaneamente; coexistir.
CONSENSO- Conformidade, acordo ou concordância de idéias, de opiniões.
CONSTRANGIMENTO- Aperto, compressão. Situação ou estado de quem foi
constrangido, violentado. Violência, coação. Insatisfação, desagrado,
descontentamento. Acanhamento, timidez, embaraço.
CONSUMAR - Terminar, completar, acabar. Realizar, praticar. Levar ao auge;
aperfeiçoar, requintar.

D
DECIFRAR - Ler, explicar ou interpretar (o que está escrito em cifra, ou mal
escrito). Compreender, revelar.
DECLÍNIO - Ato de declinar; declinação. Diminuição gradativa de força, de
valor, de intensidade. - Deliberação, determinação, decisão, resolução.
DESAFIAR - Instigar, incitar, excitar, estimular, provocar. Fazer face a;
afrontar, arrostar.
DESCAMPADO - Diz-se de lugar desabrigado e desabitado. Campo extenso,
inculto, aberto e desabitado.
DESDÉM - Ato ou efeito de desdenhar; desprezo com orgulho. Altivez,
arrogância.
DETECTAR - Revelar ou perceber a existência do que está escondido.
DIAGNÓSTICO - O conjunto dos dados em que se baseia essa determinação.
DIFUNDIDA - espalhada, propagada, divulgada.
DIFUNDIR - Irradiar, emitir: A vela difundia uma luz fraca. Espalhar, disseminar,
espargir: difundir um aroma. Propagar, divulgar.
DIFUSA - Em que há difusão; disseminado, divulgado. Prolixo, redundante;
difusivo.
DIGITAL - Inform. Que tem intervalos discretos, i. e., em que há um número
finito de valores possíveis entre dois valores quaisquer. [Cf., nesta acepç.,
analógico.] Inform. Que é representado exclusivamente por números (segundo
um código convencionado) e, portanto, passível de processamento por
computadores digitais: imagem digital; som digital.
DIMINUTAS - Diminuído, apequenado. Muito pouco. Muito pequeno. Escasso,
raro.
DISCURSIVA - Diz-se de operação mental que se processa por uma série de
operações intermediárias e parciais, como o raciocínio, a dedução e a
demonstração. Que costuma discursar; falador, palrador.
DISPONÍVEL - De que se pode dispor. Livre, desimpedido, desembaraçado.

211
Glossário

B. De E a I

ELOQUÊNCIA - Capacidade de falar e exprimir-se com facilidade. A arte de


bem falar.
EMPANTURRAR - Encher (alguém) de comida; empanzinar, empachar,
abarrotar. Encher em demasia; fartar.
ENLAÇAR - Prender nos braços; abraçar.
ENTRECORTADA - cortado ou interrompido a intervalos.
ERUDIÇÃO - Instrução vasta e variada, adquirida sobretudo pela leitura.
Qualidade de erudito.
ERUDITAS - Que tem erudição. Que revela erudição.
ESCASSO - De que há pouco; parco, raro. Falto, carente, carecente,
desprovido, privado.
ESGOTAR - Tirar até a última gota de; vazar completamente: Enxugar, secar,
exaurir: esgotar, privar de todo o conteúdo. Consumir, gastar. Aplicar com
empenho; empregar totalmente. Tratar por inteiro (um assunto).
ESPLÊNDIDO - Que tem esplendor; brilhante, luzente. Admirável, grandioso:
inteligência esplêndida. Pomposo, suntuoso. Maravilhoso, deslumbrante. Fam.
Excelente, delicioso: um vatapá esplêndido.
ESPONTÂNEO - Que se origina em sentimento ou tendência natural, em
determinação livre, sem constrangimentos; que se manifesta como que por
instinto, sem premeditação ou desvios; sincero.
ESQUIPÁTICAS - extravagante, esquisito,excêntrico, singular.
ESTÁTICO - Imóvel como estátua; sem movimento; parado, hirto. Que se acha
em estado de repouso (em oposição a dinâmico); parado.
EVIDÊNCIA - Qualidade do que é evidente; certeza manifesta. Filos. Caráter
de objeto de conhecimento que não comporta nenhuma dúvida quanto à sua
verdade ou falsidade.
EXACERBAMENTO - Ato de exacerbar.
EXASPERADO - Muito irritado; enfurecido, encolerizado.
FATIGANDO - Causar fadiga a; cansar. Enfastiar, aborrecer, enfadar,
importunar desinteressante. Causar ou produzir fadiga.
FICÇÃO - Ato ou efeito de fingir; simulação, fingimento. Criação ou invenção
de coisas imaginárias; fantasia. Na literatura, o romance, a novela e o conto.
FILOLOGIA - Estudo da língua em toda a sua amplitude, e dos documentos
escritos que servem para documentá-la.
FILÓLOGO - Especialista em filologia; que cultiva a filosofia. Aquele que
procede sempre com sabedoria e reflexão, que segue uma filosofia de vida.
Aquele que vive tranqüilo e indiferente aos preconceitos e convenções sociais.
Pop. Indivíduo esquisito, excêntrico.
FLUIDO - Que corre ou se expande à maneira de um líquido ou gás; fluente.
Suave, brando: movimentos fluidos. Fig. Espontâneo, fácil, corrente.
FORMATO - Feitio, forma.
FRAGMENTADA - Reduzida a fragmentos; partida em pedaços; dividida,

212
Glossário

fracionada Reduzir a fragmentos; partir em pedaços; dividir, fracionar.


FRUIR - Gozar, desfrutar.
GRUNHIDO - Ação de grunhir; voz do porco ou do javali.
HALO - Auréola, glória, prestígio.
HISTERIA - Psiq. Psicopatia cujos sintomas se baseiam em conversão. É
caracterizada por falta de controle sobre atos e emoções, ansiedade, sentido
mórbido de autoconsciência, exagero do efeito de impressões sensoriais, e por
simulação de diversas doenças.
IDIOMA - Língua de uma nação.
IMPERATIVO - Ordem; Imposição autoritária; ditame; dever.
IMPRESCINDÍVEL - Não prescindível.
IMUNO-DEFICIÊNCIA - Deficiência de meios de defesa imunológica,
específicos ou inespecíficos. AIDS (em Inglês), SIDA (em Português).
INCOMPATÍVEL - Que não pode harmonizar-se; inconciliável, incombinável.
ÍNDOLE - Propensão natural; tendência característica; temperamento.
INERENTE - Que está por natureza inseparavelmente ligado a alguma coisa ou
pessoa.
INFANTE - Que está na infância; infantil.
INSTINTIVAS - Relativo ao instinto; instintual. Automático, maquinal; natural:
reação instintiva.
INTERCÂMBIO - Troca, permuta. Relações de comércio ou intelectuais de
nação a nação.

C. De J a O

J
JAVALI - Zool. Animal mamífero (Sus scrofa), artiodáctilo, suiforme, suídeo. É
a mais conhecida e a principal das espécies de porcos selvagens; distribui-se
desde a Europa até a Ásia central, e do Báltico até o N. da África.
JAZER - Estar imóvel, sereno, quieto, tranqüilo.

L
LÉXICO - O vocabulário de uma língua.
LOGRAR - Gozar; obter; fruir, desfrutar, desfruir. Tirar lucro de; aproveitar.
Conseguir, alcançar. Enganar com astúcia; burlar, intrujar, defraudar.
LÚCIDO - Fig. Que tem clareza e penetração de inteligência; que mostra uso
de razão; espírito lúcido.

M
MALEÁVEL - Flexível, dobrável; Flexível, dócil.
MANEJO - Ato de manejar; manuseio, maneio.
MANIPULAÇÃO - Ato ou modo de manipular.
MANIPULAR - Controlar; dominar.
MATIZ - Fig. Gradação sutil, quase imperceptível; nuança.

213
Glossário

MESCLAR - Misturar, confundir; unir, ligar, amalgamar.


METAFÍSICO - Relativo ou pertencente à metafísica. Transcendente.
MÍDIA - Comun. O conjunto dos meios de comunicação, e que inclui,
indistintamente, diferentes veículos, recursos e técnicas, como, p. ex., jornal,
rádio, televisão, cinema, outdoor, página impressa, propaganda, mala-direta,
balão inflável, anúncio em site da Internet, etc. Veículo de mídia.
MIDIATECA - Acervo organizado de documentos disponíveis ao público em
mídias.

N
NEOLOGISMO - Palavra ou expressão nova numa língua, como, p. ex.,
dolarizar, dolarização, no português. Significado novo que uma palavra ou
expressão de uma língua pode assumir.
NÍTIDO - Em que há clareza, inteligibilidade.

O
OBSTINAÇÃO - Pertinácia, persistência, tenacidade, perseverança. Teima,
birra: Continuou a insistir, só por obstinação.
ONOMATOPEIA - Palavra cuja pronúncia imita o som natural da coisa
significada (murmúrio, sussurro, cicio, chiado, mugir, pum, reco-reco, tique-
taque).
ORATÓRIA - arte de falar ao público.

D. De P a S

P
PARADIDÁTICOS - Diz-se de livros, material escolar, etc., que, sem serem
propriamente didáticos, são utilizados para este fim.
PARADOXALMENTE - Contrariamente, contraditoriamente.
PASSATEMPO - Divertimento, diversão, entretenimento.
PATAMAR - Espaço mais ou menos largo no alto de uma escada ou entre dois
lanços de escadas; tabuleiro. Fig. O mais alto grau, ou um dos graus mais
altos.
PATRIMÔNIO - Bem, ou conjunto de bens culturais ou naturais, de valor
reconhecido para determinada localidade, região, país, ou para a humanidade,
e que, ao se tornar(em) protegido(s), como, p. ex., pelo tombamento, deve(m)
ser preservado(s) para o usufruto de todos os cidadãos.
PELEJA - Ato de pelejar. Combate, luta, batalha. Briga, contenda, desavença.
PELÍCULA - Camada muito delgada que envolve ou recobre certas
substâncias. Camada muito delgada que envolve ou recobre certas
substâncias. Pele ou membrana muito fina. Pele ou membrana muito fina.
PERCEPTIVA - Relativo à percepção. Que tem a faculdade de perceber.
PERCEPTÍVEL - Que se pode perceber.
PEREMPTORIAMENTE - Qualidade de peremptório.
PERPASSAR - Passar junto ou ao longo.

214
Glossário

PERPLEXIDADE - Estado ou qualidade de perplexo; perplexidez, perplexão.


PERSUADIR - Convencer; induzir.
PERSUASÃO - Ato ou efeito de persuadir(se).
PETULÂNCIA - Qualidade, ato ou modos de petulante; ousadia, atrevimento.
PITORESCAS - divertidas, recreativas; imaginosas, cintilantes,vivas.
PLENITUDE - Qualidade ou estado de pleno.
POLIGLOTA - Que sabe ou fala muitas línguas; multilíngüe, plurilíngüe. Que
está escrito em muitas línguas; poliglótico.
POLISSÊMICAS - Referente a polissemia; que tem mais de um significado.
POMPOSA - Em que há, ou que revela pompa.
POTENCIALIDADE - Qualidade de potencial.
PRAGMÁTICA - Suscetível de aplicações práticas; voltado para a ação. E.
Ling. Estudo dos fatores contextuais que determinam os usos lingüísticos nas
situações de comunicação.
PRECISÃO - Rigor sóbrio de linguagem; concisão.
PEREMPTÓRIO - Que perime. Terminante, decisivo: ordem peremptória.
PRERROGATIVA - Concessão ou vantagem com que se distingue uma
pessoa ou uma corporação; privilégio, regalia. Faculdade ou vantagem de que
desfrutam os seres de um determinado grupo ou espécie; apanágio, privilégio.
PRESCINDIR - Separar mentalmente; não fazer caso; não levar em conta;
abstrair Pôr de lado; renunciar; abrir mão de; dispensar.
PRESCINDÍVEL - De que se pode prescindir.
PRESERVAÇÃO - Ato ou efeito de preserva. Ação que visa garantir a
integridade e a perenidade de algo, como, p. ex., um bem cultural.
PROCEDÊNCIA - Ato ou efeito de proceder. Lugar de onde se procede.
Proveniência, origem.
PRÓCLISE - o fenômeno fonético de anteposição duma palavra átona a outra
que o não é, subordinando-se aquela ao acento desta.
PROFANO - Não pertencente à religião. Contrário ao respeito devido a coisas
sagradas.
PROPÓSITOS - Algo que se pretende fazer ou conseguir; intenção, intento,
projeto.
PROSAICA - Sem grandeza ou elevação; trivial, comum, vulgar.
PROVEITO - Ganho, lucro, interesse, provento. Utilidade, vantagem, benefício.
PUNIR - Infligir pena a; dar castigo a; castigar. Aplicar correção a; reprimir.

R
REAJUSTAR - Tornar a ajustar.
RECALCITRANTE - Que recalcitra; obstinado, teimoso.
REDIMENSIONAR - Dimensionar outra vez.
REFINAR - Tornar mais fino; apurar. Tornar mais puro; aperfeiçoar, afinar,
aprimorar, refinar, requintar.
REIVINDICAR - Intentar demanda para reaver (propriedade que está na posse
de outrem); vindicar. Reaver, readquirir, recuperar.

215
Glossário

RELEVÂNCIA - Qualidade de relevante; grande valor, conveniência ou


interesse; importância.
REMOTAS - Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo; que sucedeu há
muito tempo; antigo, longínquo.
RESENHA - Ato ou efeito de resenhar. Descrição pormenorizada.
REVESTIR - Tornar a vestir. Dar a aparência (de alguma coisa) a; colorir.
RUSTICIDADE - Qualidade de rústico.

S
SAPIENTE - Conhecedor das coisas divinas e humanas. Sabedor, sábio,
erudito.
SEGMENTOS - Porção de um todo; seção. Porção bem delimitada, destacada
de um conjunto.
SESTRO - Destino, sorte, fado, sina. Vício, hábito, mania, balda, cacoete.
SEVÍCIA - Mal tratos físicos.
SIGILO - Segredo.
SINGULAR - Pertencente ou relativo a um; único, particular, individual. Que
não é vulgar; especial, raro, extraordinário.
SINTÁTICOS - relativo ou pertencente à sintática; que está de acordo com as
regras da sintática.
SISTEMÁTICO - Referente ou conforme a um sistema: Todo organograma
deve ser sistemático. Que segue um sistema: plano sistemático. Ordenado,
metódico. Coerente com determinada linha de pensamento e/ou de ação. Bras.
Diz-se do indivíduo que, por ser metódico ao extremo, se torna ranheta,
ranzinza.
SUBESTIMAMOS - Não dar a devida estima, apreço, valor, a; não ter em
grande conta; desdenhar.

E. De T a X

T
TÁTIL - Suscetível de ser tateado; tateável. Relativo ao tato.
TERAPÊUTICA - Parte da medicina que estuda e põe em prática os meios
adequados para aliviar ou curar os doentes; terapia.
TRAVO - Sabor adstringente de comida ou de bebida; amargor. Impressão de
desagrado ou de amargor.

U
UTÓPICO - Relativo a utopia. Que encerra utopia; irrealizável, quimérico.

V
VENCEDOR - Aquele que vence ou venceu. Indivíduo vitorioso.
VENCIDO - Que sofreu derrota; derrotado.
VENTURA - Boa ou má fortuna, sorte, acaso, destino. Fortuna próspera; boa
sorte; felicidade.

216
Glossário

VERNÁCULO - Próprio da região em que está; nacional. Fig. Diz-se da


linguagem genuína, correta, pura, isenta de estrangeirismos; castiço.
VERSÁTIL - Inconstante, vário, volúvel.
VESTES - Peça de roupa, em geral aquela que reveste exteriormente o
indivíduo e, em grau menor ou maior, o caracteriza; vestido, vestidura,
vestimenta.
VIABILIZADA - Tornada viável.
VIRTUAL - Que existe como faculdade, porém sem exercício ou efeito atual.
Inform. Que resulta de, ou constitui uma emulação, por programas de
computador, de determinado objeto físico ou equipamento, de um dispositivo
ou recurso, ou de certos efeitos ou comportamentos seus.

X
XENOFOBIA - Aversão a pessoas e coisas estrangeiras; xenofobismo.

217
Glossário

VI. Bibliografia

Bibliografia
VI
SENGE, Peter M. A quinta disciplina . São Paulo: Editora Best Seller, 1998.
CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação . São Paulo: Pensamento-Cultrix, 1987.
DRUCKER, Peter F. O gerente eficaz . Rio de Janeiro: Zahar editores, 1972.
OVERSTREET, Harry Allen. A Maturidade Mental . São Paulo: Companhia
editora nacional, 1978.
BRADEN, Nathaniel. Auto estima no trabalho . Rio de Janeiro: editora Campus,
1999.
ARGYRIS, Chris. A integração indivíduo: organização . São Paulo: Atlas, 1975
11 KATZ, Daniel.
KHAN, Robert. Psicologia Social das Organizações . São Paulo: editora Atlas,
1975.
DENZO, Pedro. Educação e Qualidade . Campinas: Papirus Editora, 1994.
SCHEIN, Edgar H. Identidade Profissional: como ajustar suas inclinações a
suas afeições de trabalho . São Paulo: Nobel, 1996.
ZAJDSJUAJDER, Luciano. Teoria e Prática da Negociação . Rio de Janeiro:
José Olympio, 1998.
PJIFFNER, John M., SHERWOOD, Frank P. Administrative Organization
Prentice – Hall . New jersey: Englewood clifs, 1960.
HANDY, Charles. Deuses da Administração: como enfrentar as constantes
mudanças da cultura empresarial . São Paulo: Saraiva, 1994.
LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência: o futuro do pensamento na era
da informática . São Paulo: editora 34, 1999.
CHIAVENATTO, Idalberto. Administração de Empresas: uma abordagem
contingencial . São Paulo: Saraiva, 1997.
BASILE, Joseph. A formação cultural dos quadros e dos dirigentes . São Paulo:
Difusão européia do livro, 1965.
FLEURY, Maria Tereza Lemee. FISCHER. Rosa Maria. Cultura e poder nas
organizações . São Paulo: editora Atlas, 1989.
TRAMONTINA, Carlos. Entrevista: a arte e as histórias dos maiores
entrevistadores da televisão brasileira. 3. ed. São Paulo: Globo, 1996. 216 p.
ISBN 85-250-1584-9

218
Bibliografia

Solução da
Avaliação
> Solução n°1 (questão p. 43)

o conhecimento, a ampliação do universo semântico, a adequação e


seleção vocabular, permite-nos um melhor entendimento do mundo, da
realidade e do outro;
poucas línguas apresentam variações, a depender das peculiaridades do
emissor e do receptor;
os estrangeirismos não contribuem para a variação lingüística.

> Solução n°2 (questão p. 43)

a inutilidade da progressão, como recurso complementar da repetição;


a ocorrência de repetições, retomadas de elementos, como palavras,
frases e seqüências que exprimem fatos ou conceitos: exprimem fatos ou
conceitos;
a progressão permite a retomada de elementos passados.

> Solução n°3 (questão p. 43)

a ausência de relacionamento entre os fatos e os conceitos;


a aproximação de idéias e fatos contrastantes, como um recurso não
muito freqüente no desenvolvimento da argumentação;
a presença de elementos que contradigam idéias e fatos que já foram
colocados.

> Solução n°4 (questão p. 43)

não se tolera a contradição, como recurso, já que toma como verdadeiro


aquilo que foi falso;
esse tipo de contradição só é tolerada se for intencional, objetivando uma
maior clareza para o leitor;
a contradição é necessária porque é uma questão de lógica e está
intimamente relacionada com o caráter polissêmico das palavras,
tornando o contraste semântico enriquecedor.

219
Bibliografia

> Solução n°5 (questão p. 44)

unicamente a linguagem permite-nos a troca de idéias e a organização do


pensamento;
apenas a linguagem permite-nos a construção do conhecimento e a
interação com o outro;
as alternativas a e b se completam.

> Solução n°6 (questão p. 44)

saber usar uma boa linguagem é fundamental para o falante, uma vez que
a linguagem é um importante elemento de poder;
temos que desprezar a função prática da linguagem, na vida humana e
social;
temos de buscar o aprendizado de línguas estrangeiras, para sabermos
usar bem a nossa língua pátria.

> Solução n°7 (questão p. 44)

a linguagem popular é mais informal, espontânea, não elaborada, ou


mesmo analfabetas, em situações informais, nas comunicações
pragmáticas, do dia-a-dia. Aparece, mais freqüentemente, na forma oral e,
não cultivada, usada, geralmente, por pessoas de baixa escolaridade
raramente, na língua escrita. Desvia-se das normas de correção
estabelecidas, apresentando um vocabulário restrito, com grande
ocorrência de gíria, onomatopéia, clichês frases feitas, além de formas
deturpadas (gaufo, ossílio, probrema).Não há preocupação com as regras
gramaticais de flexão, concordância, regência.
a linguagem familiar é utilizada por pessoas que desconhecem a língua,
utilizam-na, num nível menos formal, mais descontraído e cotidiano.
nenhuma das alternativas acima está correta.

> Solução n°8 (questão p. 45)

linguagem familiar é a utilizada ,apenas, por pessoas da família;


linguagem culta ou variante-padrão é a mais elaborada, cuidada, de
acordo com as normas gramaticais;
linguagem popular não é a mais informal, embora seja utilizada por
pessoas de baixa escolaridade.

220
Bibliografia

> Solução n°9 (questão p. 45)

diria que estava decepcionado ou decepcionada com a sua atitude e que


iria tomar-lhe a chave do carro por um mês;
reclamaria com ele, falaria da sua decepção e diria que coisas como
essas não devem ser feitas.
numa reflexão adulta, procuraria fazer com que ele entendesse que essas
espertezas, no sentido de levar vantagem sobre o outro, nada mais são,
do que transgressões das normas, que são estabelecidas, para serem
cumpridas. Atitudes como essas são desrespeitosas, prepotentes e
oportunistas.

> Solução n°10 (questão p. 45)

embora, aqui, no Brasil, haja só um idioma, as mudanças apresentadas,


naturalmente, foram causadas pela enorme diversidade social e cultural
de suas várias regiões;
a incorporação de vocábulos estrangeiros não contribuiu para a variação
lingüística;
a diferença de idade, de profissão, de escolaridade, o momento emocional
dos falantes, todos esses fatores não têm nenhuma interferência na
realização lingüística.

> Solução n°11 (questão p. 46)

a leitura é fundamental para descobrir novas possibilidades , novos


valores, para decifrar o mundo.
a escrita, possibilita-nos, experimentar as possibilidades descobertas e,
assim, inventar outras tantas possibilidades, outras tantas formas de
comunicação. A escrita é um sucedâneo da fala. Ela é o registro definitivo
da língua.
a leitura dos livros não necessita de um aprendizado mais regular, de
treino, do processo ensino/aprendizagem. Ela é, absolutamente,
espontânea.

221
Bibliografia

> Solução n°12 (questão p. 46)

língua é o conjunto das palavras e expressões usadas por um povo, por


uma nação. É o conjunto de regras da sua gramática. Nesse caso é
sinônimo de idioma;
linguagem é, apenas, o uso da palavra articulada (oral), como meio de
expressão e de comunicação entre os povos;
linguagem é, também, o conjunto de variedades lingüísticas que, por
razões culturais, políticas, históricas, geográficas, é considerada como
entidade única, que delimita uma comunidade lingüística.

> Solução n°13 (questão p. 46)

"O suco de que mais gosto é o de manga."


"Chegarei já, já..."
"Venha, pois tudo está bem."

> Solução n°14 (questão p. 46)

"Hoje, irei à praia."


"Cadê meu presente, brother?"
"Maria iria ao médico, se a mãe estivesse aqui."

> Solução n°15 (questão p. 47)

censura lingüística rígida;


aprendizagem natural;
presença do interlocutor.

> Solução n°16 (questão p. 47)

uso de sinais gráficos;


flutuação temática;
unidade temática.

222
Bibliografia

> Solução n°17 (questão p. 47)

fala é a ação ou faculdade de falar. A fala não é uma característica


unicamente humana;
discurso é uma unidade lingüística maior do que a frase; enunciado;
fala e discurso são manifestações concretas da língua, são expressões da
língua, apenas em situações formais.

> Solução n°18 (questão p. 47)

"Vambora, galera!"
"A linguagem aperfeiçoa a capacidade de pensar."
"Sairei imediatamente!"

> Solução n°19 (questão p. 47)

"Amanhã, irei à praia."


"Você se ferrou, maluco!"
"Cláudia irá ao dentista, se estivesse com dor de dente."

> Solução n°20 (questão p. 48)

frases predominantemente longas;


uso de gestos, expressão facial;
ausência do interlocutor.

> Solução n°21 (questão p. 48)

uso de sinais gráficos;


flutuação temática;
unidade temática.

> Solução n°22 (questão p. 76)

Num texto coerente, os fatos e conceitos devem estar relacionados.


Há meses que não pagam aos funcionários.
Antipatizei-me com ele desde a primeira vez que o vi.
O colega que mais gosto é Paulo.

223
Bibliografia

> Solução n°23 (questão p. 120)

Dê o livro aquele menino.


A noite, não haverá aula.
Nunca deu bom dia a quem morava a seu lado.
Nunca deu nada a ninguém.
Foi a farmácia e comprou os remédios.
Ele se refere a Curitiba, como um modelo de cidade moderna.
A professora saiu as pressas
Comprar a prazo é perigoso.
O curso começará as sete horas.
Ela se referia a duas empregadas.

> Solução n°24 (questão p. 136)


F Eu conheço ele dês que a gente era colega de colégio.
E Eu o conheço desde o tempo em que éramos colegas no colégio.
F O sinhô vai armoçá gorinha mesmo? Não faiz mar, nóis vorta despois.
E Vós podereis dizer, excelência, que estou equivocado.
E Você podia dizer, cara, que eu errei.
F Comprei um pacótchi de lêitchi.
E Comprei um pacote de leite.
F Mas tu quiria u quê?
E Porém tu querias o quê?

> Solução n°25 (questão p. 137)

sinhô – senhor – você – tu – vós


armoçá – aumoçá - almoçar
despois – dipois
eu o conheço – eu conheço ele

224
Bibliografia

> Solução n°26 (questão p. 150)

O diretor atendeu a nosso pedido.


O supervisor ajudava o vendedor.
A gerente pagou o empregado a diferença salarial.
O deputado aspira a presidência da República.
A contadora procedeu a elaboração do balanço.

> Solução n°27 (questão p. 151)

É um pedido a que atenderei satisfeito.


É uma pessoa a quem atenderei com prazer.
A casa que conheci é arejada e moderna.
A casa que fomos é moderna e arejada.
Não é essa exatamente a rua em que estive.
O Bahia é o time que sempre torci.

> Solução n°28 (questão p. 161)


1. Um e outro documento pertencem ao presidente. (pertence/pertencem)
2. O empregado com todos os clientes saíram da loja em chamas. (saiu/saíram)
3. Eu sou aquele que ouvi o barulho da batida do automóvel. (ouvi/ouviu)
4. Eu e tu iremos ao Rio de Janeiro. (iremos/ireis)
5. Qual de vocês afirma que o Brasil crescerá e se tornará um país em que a
miséria não encontre lugar? (afirma/afirmam)
6. Quantos de nós, depois dos últimos acontecimentos, temos/têm coragem de
expor nossos desejos? (temos/têm)
7. Tudo ali parece harmonia e paz. (parece/parecem)
8. Nem o diretor nem a secretária responderam a carta do cliente.
(respondeu/responderam)
9. Quem estará disposto a convidar-nos depois dos últimos acontecimentos?
(estará/estarão)
10. Não fui eu quem recebeu as encomendas. (recebeu/recebi)

225
Bibliografia

> Solução n°29 (questão p. 162)

O candidato e a plateia parecia alegre com a decisão acadêmica.


A gente não sabemos como aprender melhor a Língua Portuguesa.
A maioria dos exercícios causou perplexidade nos alunos.
A empresa decidiu que não se devem aceitarem todos os aumentos de
preços propostos pelos concorrentes.
Adalberto é um dos vendedores que mais se destaca na venda do novo
produto.

> Solução n°30 (questão p. 168)

Ele me deu um grande incentivo profissional.


Nos informaram acerca das novas instruções governamentais.
Já nos cumprimentamos, na sala reservada às autoridades.
Queimei-lhe o seu braço.
O presidente ia-se esquecendo de cumprimentar o adido cultural.
O professor não esqueceu-se de sua competência.
Por que fala-se tão mal dele?

> Solução n°31 (questão p. 196)


a)O novo Ministro diz que aceita os desafios e quer que a Constituição seja
cumprida. (que/quê)
b) Esteves tentará mais uma vez cruzar o Atlântico, por quê? (porque/por quê)
c) A razão por que idealizou este plano ficará clara em breve. (por que/porque)
d) Ficaram felizes porque obtiveram os melhores resultados do ano. (porque/por
que)
e) Por que não resolvem a questão dos direitos do índio? (por que/por quê)
f) A questão da Floresta Amazônica é muito importante porque interfere na
reciclagem de oxigênio na atmosfera do planeta. (porque/porquê)
g) Não entendo o porquê do desmatamento na área do Parque Nacional.
(porquê/porque)
h) A Federação Internacional Automobilística não confirmou a participação dos
pilotos brasileiros, por quê? (por quê/por que)
i) A casa em que nasci está mal conservada. (que/quê)
j) No estado em que esta escola se encontra, não há condições de ensino.
(esta/aquela)
k) Estivemos em Ilhéus, e as praias daquela cidade nos encantaram bastante.
(desta/daquela)
l) A partir desta semana iniciam-se as campanhas contra a AIDS. (desta/ daquela)
m) Nesse setor em que trabalhas, já admitiram mais quinze técnicos.
(nesse/neste)

226
Bibliografia

n) Solicitamos aquela Divisão a aquisição de mais duas calculadoras Dismark 135.


(essa/aquela)
o) Apronta-te rapidamente que estás atrasado para esse encontro. (este/esse)

> Solução n°32 (questão p. 197)


p) Vivo nesta cidade, mas admiro essa em que moras. (nesta/nessa - esta/essa)
q) Há um quê de satisfação em seu olhar que me atrai muito. (que/quê - quê/que)
r) Estás de volta a troco de quê? (que/quê)
s) Sinto um quê de nostalgia ou ouvir esta música. (que/quê)
t) O marido chegou mais cedo em casa e surpreendeu a esposa. (mais/mas)
u) Este terminal possui mais ônibus. (mais/mas)
v) É proibida sua permanência neste estabelecimento. (é proibido/é proibida)
w) É proibido estacionar na calçada. (é proibido/é proibida)
x) Isso vem ao encontro de todos. Reflete o desejo da turma. (ao encontro de/de
encontro a)
y) Esta medida desagradou aos funcionários, porque veio de encontro a suas
aspirações. (ao encontro de/de encontro a)
z) Há duas semanas não encontro com você. Daqui a três dias será meu
aniversário. (há/a - a/há)

> Solução n°33 (questão p. 199)


a) Eles trabalharam em Salvador, na construção do metrô, em 2002.
(trabalharam/trabalharão)
b) Eles trabalharão em Salvador, na construção do metrô, até 2004.
(trabalharam/trabalharão)
c) Os turistas circularão por aqui até o carnaval. (circularam/circularão).
d) Lembrastes dos nossos carnavais? (lembrastes/lembras-te)
e) lembras-te da alegria dos nossos carnavais, quando éramos crianças, não?
(lembrastes/lembras-te)
f) Pensemos bastante a fim de que respondamos certo.(afim/a fim)
g) Ela não está a fim do rapaz.(afim/a fim)
h) O empregado da empresa está a par de tudo. (a par/ao par)
i) Há cerca de vinte mil vestibulandos concorrendo às vagas na Universidade
Federal da Bahia . (há cerca de/a cerca de)
j) As tomadas de decisões meio intempestivas, nesta empresa, levaram a crer que
o diretor estava meio nervoso. (meio/meia - meio/meio)
k) Meio copo d'água é o bastante para saciar a sede de muitos! (meio/meia)
l) Esperamos que não ocorram mais enchentes no Rio de Janeiro neste ano.
(mas/mais)
m) A Bahia é um dos mais importantes centros de atração turística do país.
(mas/mais)
n) Ele foi a Brasília mas não conheceu o novo presidente. (mas/mais)
o) Não ficaram satisfeitos com a cessão dos bens da empresa a uma pessoa tão
inescrupulosa. (sessão/cessão/seção)
p) Renovaram todo o estoque de Viagra da seção.(sessão/cessão/seção)
q) O Banco Central recebeu o novo presidente numa sessão realizada em 2003.
(sessão/cessão/seção)
r) Não veem a necessidade de se contratar um ônibus. (vêm/veem)

227
Bibliografia

s) Eles vêm andando e não veem que um carro se aproxima. (vêm/veem)


t)Todos os cidadãos veem perfeitamente o que está acontecendo e são capazes de
formar uma boa opinião sobre o assunto. (vêm/veem)
u) Ficou evidente que ele mantém guardados, sigilosamente, os documentos de
que necessito. (mantém/mantêm)
v) Os interessados mantêm uma equipe de informantes a fim de notificar as
irregularidades. (mantém/mantêm)
w) O cobrador nos deu o troco demais. (demais/de mais)
y) Nas compras veio um pacote de mais. (demais/de mais)

> Solução n°34 (questão p. 200)


1. Nós falimos. (falemos – falimos).
2. Eu requeiro (requero – requeiro) sempre minhas vantagens funcionais.
3. A natureza provê (provê – prevê) o homem de alimentos.
4. No verão, o sol clareia (clareia – clarea) muito cedo.
5. Ele possui (possui – possue) uma personalidade muito forte.
6. Ele sua (sua – soa) bastante no verão.

> Solução n°35 (questão p. 200)


a) Aconteceram várias investidas dos traficantes, na tarde de ontem. (acontecer)
b) Restam-nos poucos dias de férias. (restar)
c) Ficaram alguns poucos amigos fiéis no fim da festa. (ficar)
d) Sobraram alguns doces. (sobrar)
e) bastaram alguns bons amigos para alegrar. (bastar)
f) Ainda devem existir bons motivos para ficarmos juntos. (dever existir)
g) Ainda pode ocorrer surpresas nesse campeonato. (poder ocorrer)
h) É provável que ainda sobrevivam lembranças daquele passado. (sobreviver)
i) Devem-se preservar os poucos indivíduos que restam. (restar)
j) Você e seus amigos devem participar das reuniões da classe. (dever participar)

> Solução n°36 (questão p. 201)


a) As mensalidades dos planos de saúde subiram muito nos últimos dois meses.
(subir)
b) Uma pesquisa recente revelou que a maioria dos adolescentes não se previne
contra a Aids. (prevenir)
c) A maior parte dos acidentes de trânsito é provocada pela imprudência dos
envolvidos. (ser provocado)
d) Cerca de duzentas mil pessoas participaram da posse do novo presidente.
(participar)
e) Mais de um jogador em loterias usaram mal o dinheiro ganho. (usar)
f) Mais de um torcedor agrediram-se naquela tarde de final de campeonato.
(agredir-se)

> Solução n°37 (questão p. 201)


a) 40% dos participantes nunca haviam participado de um concurso antes.
(haver participado)
b) 1% dos entrevistados negou-se a declarar seu voto. (negar-se a declarar)

228
Bibliografia

c) 32% do orçamento desapareceram nesse paraíso da corrupção. (desaparecer)


d) 1% do capital investido nesta bicicleta pertence a mim! (pertencer)
e) Fui eu que trouxe esses pacotes. (trazer)
f) Fui eu quem comprou esses presentes. (comprar)
g) Somos sempre nós que chegamos tarde. (chegar)
h) Foste tu que pediste suco de laranja? (pedir)
i) Não fui eu quem falou isso. (falar)
j) Lá vai um dos que pensam que a lei é só para os pobres. (pensar)
k) Ela é uma das candidatas que repudia a pena de morte. (repudiar)

> Solução n°38 (questão p. 202)


a) Não quero aborrecer aqueles senhores. los
b) Vou ajudar aquelas crianças de rua. las
c) Não queremos prejudicar os participantes das provas. los
d) Vou enviar estes pacotes de alimentos aos flagelados. los
e) Vou enviar estes pacotes de alimentos aos flagelados. lhes
f) Seu sonho é namorar a Júlia. la
g) Vim aqui alegrar os amigos. los
h) Prezo muito esse intelectual. o
i) Não obedeci aos meus pais. lhes
j) Não responderam aos que enviaram pedidos de informações. lhes

> Solução n°39 (questão p. 202)

Vou pagá-las.
Há meses não os pagam.
Há meses não lhes pagam.
O governo está pensando em perdoá-los.
Gosto muito de abará, mas não vou comer-lhe.
Gosto muito de abará, mas não vou comê-lo.
Agradeço-os a homenagem recebida.
Agradeço-lhes a homenagem recebida.

> Solução n°40 (questão p. 204)


1. Nenhuma posse para a qual fui convidada esteve tão concorrida como essa.
2. O jogo que presenciamos, foi muito bom.
3. O jogo a que assistimos, foi muito bom.
4. Aquele é o deputado em cuja casa estivemos ontem à noite.
5. As pessoas por cuja causa me interessei, venceram a questão judicial.

> Solução n°41 (questão p. 205)


(X) úmido, (h) erbívoro, (h) orário, (h) ispânico, (h) esitar, (h) ipótese,
(h) ábil, ex (X) aurir, re (X) aver, (h) óspede, re (h) abilitar, des (X) onra,

229
Bibliografia

co (X) abitar, (X) ervateiro, lobis (X) omem, (X) índia, (h) arpa, (X) erva,
in (X) ábil, in (X) óspito, (h) ostilizar, (X) ombro, des (X) armonia, (h) ortênsia,
(X) espanhol, (h) ipismo, (h) indu, (h) aurir, (h) iato, (h) aver, (X) umedecer,
(h) abilitar, (h) omicida.

> Solução n°42 (questão p. 205)


1. exteriorizar
2. encamisar
3. escandalizar
4. pisar
5. ligeireza
6. Princesa
7.rudez
8. cortes
9. nobreza
10. presa
11. burguês
12. mudez
13. uniformizar
EXTERIORIZAR:Os verbos que derivam de palavras cujo radical não termina
em Z (exterior) são escritos com Z.
ENCAMISAR: Os verbos que derivam de palavras cujo radical termina em S
(camisa) são escritos com S.
ESCANDALIZAR: Os verbos que derivam de palavras cujo radical não termina
em Z (escândalo) são escritos com Z.
PISAR: Os verbos que derivam de palavras cujo radical termina em S (piso-
substantivo) são escritos com S.
LIGEIREZA:Os substantivos derivados de adjetivos (ligeiro) são escritos com a
terminação EZA.
PRINCESA: Os substantivos que não derivam de adjetivos são escritos com
ESA.
RUDEZ: Os substantivos derivados de adjetivos (rude) são escritos com Z.
CORTÊS: Os substantivos que não derivam de adjetivos são escritos com S.
NOBREZA: Os substantivos derivados de adjetivos (nobre) são escritos com a
terminação EZA.
PRESA: Os substantivos que não derivam de adjetivos são escritos com S.
BURGUÊS: Os substantivos que não derivam de adjetivos são escritos com S.
MUDEZ: Os substantivos derivados de adjetivos (mudo) são escritos com Z.
UNIFORMIZAR: Os verbos que derivam de palavras cujo radical não termina
em Z (uniforme) são escritos com Z.

> Solução n°43 (questão p. 206)


1. Compreensão
2. repreensão
3. extensão

230
Bibliografia

4. distensão
5. acessível
6. excesso
7. excessivo
8. canguçu
9. permissão
10. insubmissão
11. inversão
12. reversão
13. emersão
14. impulso
15. incursão
16. incurso
17. agressivo
18. operação
19. admissão
20. pretensão
1. compreenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical
(compreender) geram substantivos e adjetivos grafados com S.
2. repreenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical
(repreender) geram substantivos e adjetivos grafados com S.
3. extenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical (estender)
geram substantivos e adjetivos grafados com S.
4. distenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical (distender)
geram substantivos e adjetivos grafados com S.
5. aceSSível - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento CED (aceder)
geram substantivos grafados com SS.
6. exceSSo - verbos que têm, na sua raiz, o segmento CED (exceder) geram
substantivos grafados com SS.
7. exceSSivo - verbos que têm, na sua raiz, o segmento CED (exceder) geram
substantivos grafados com SS.
8. canguÇu - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
9. permiSSão - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento TIR geram
substantivos grafados com SS.
10. insubmiSSão - os verbos que possuem o segmento METER no radical (in-
submeter) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
11. inverSão - os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o segmento
RG e RT geram substantivos em S.
12. reverSão - os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o segmento
RG e RT geram substantivos em S.
13. emerSão - os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o segmento
RG e RT geram substantivos em S.
14. impulSo - os verbos que apresentam, no radical, os segmentos PEL e
CORR (impelir) geram substantivos e adjetivos em S.
15. incurSão - os verbos que apresentam, no radical, os segmentos PEL e

231
Bibliografia

CORR (incorrer) geram substantivos e adjetivos em S.


16. incurSo - os verbos que apresentam, no radical, os segmentos PEL e
CORR (incorrer) geram substantivos e adjetivos em S.
17. agreSSivo - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento GRED geram
substantivos grafados com SS.
18. operaÇão - os vocábulos terminados pelos sufixos aça, aço, iça, iço,uça,
ação são grafados com ç.
19. admiSSão - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento TIR (admitir)
geram substantivos grafados com SS.
20. pretenSão - os verbos que possuem o segmento ND, no radical
(pretender), geram substantivos e adjetivos grafados com S.

> Solução n°44 (questão p. 206)


21. admissível
22. emissão
23. traição
24. congregação
25. ingresso
26. pontaço
27. rejeição
28. conversível
29. intromissão
30. retenção
31. abstenção
32. detenção
33. insubmisso
34. canção
35. defensivo
36. maçaroca
37. taquaraço
38. transcurso
39. irreversível
40. sucessão
41. controvérsia
42. muçulmano
43. dobradiça
44. ascensão
45. pretensioso
21. admiSSível - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento TIR (admitir)
geram substantivos grafados com SS.
22. emiSSão - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento TIR (emitir) geram
substantivos grafados com SS.
23. traiÇão - os vocábulos com som sibilante, após um ditongo, têm esse som
grafado com Ç.
24. congregaÇão - os vocábulos terminados pelos sufixos aça, aço, iça,

232
Bibliografia

iço,uça, ação são grafados com Ç.


25. ingreSSo - os verbos que têm, na sua raiz, o segmento GRE(D) geram
substantivos grafados com SS.
26. pontaÇo - os vocábulos terminados pelos sufixos aça, aço, iça, iço,uça,
ação são grafados com Ç.
27. rejeiÇão - os vocábulos com som sibilante, após um ditongo, têm esse som
grafado com Ç.
28. converSível - os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o
segmento RG e RT geram substantivos em S.
29. intromiSSão - os verbos que possuem o segmento METER no
radical(intrometer) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
30. retenÇão - os verbos terminados em TER (reter) geram substantivos
grafados com Ç.
31. abstenÇão - os verbos terminados em TER (abster) geram substantivos
grafados com Ç.
32. detenÇão - os verbos terminados em TER (deter) geram substantivos
grafados com Ç.
33. insubmiSSo - os verbos que possuem o segmento METER, no radical
(insubmeter) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
34. canÇão - os substantivos e adjetivos terminados em TO (canto) geram
substantivos e adjetivos grafados com Ç.
35. defenSivo - os verbos que possuem o segmento ND, no radical(defender),
geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
36. maÇaroca - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
37. taquaraÇo - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
38. transcurSo - os verbos que apresentam, no radical, os segmentos PEL e
CORR (transcorrer) geram substantivos e adjetivos em S.
39. irreverSível - os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o
segmento RG e RT geram substantivos em S.
40. suceSSão - verbos que têm, na sua raiz, o segmento CED (suceder)
geram substantivos grafados com SS.
41. controvérSia -os vocábulos em geral e os verbos cujo radical tem o
segmento RG e RT geram substantivos em S.
42. muÇulmano - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
43. dobradiÇa - os vocábulos terminados pelos sufixos aça, aço, iça, iço,uça,
ação são grafados com ç.
44. ascenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical (estender),
geram substantivos e adjetivos grafados com S.
45. pretenSioso - os verbos que possuem o segmento ND, no radical
(pretender), no radical, geram substantivos e adjetivos grafados com S.

> Solução n°45 (questão p. 207)


46.promeSSa
47. promiSSória
48. assunÇão

233
Bibliografia

49. extenSão
50. aÇucena
51. taquaruÇu
52. descenSo
53. despretenSioso
54. promiSSor
55. opreSSão
46. promeSSa - os verbos que possuem o segmento METER no radical
(prometer) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
47. promiSSória - os verbos que possuem o segmento METER no radical
(prometer) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
48. assunÇão - os vocábulos terminados pelos sufixos aça, aço, iça, iço, uça,
ação são grafados com ç.
49. extenSão - os verbos que possuem o segmento ND no radical (estender)
geram substantivos e adjetivos grafados com S.
50. aÇucena - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
51. taquaruÇu - vocábulos de origem exótica são grafados com Ç.
52. descenSo - os verbos que possuem o segmento ND, no radical
(descender), geram substantivos e adjetivos grafados com S.
53. despretenSioso - os verbos que possuem o segmento ND no radical
(pretender) geram substantivos e adjetivos grafados com S.
54. promiSSor - os verbos que possuem o segmento METER, no radical
(prometer) geram substantivos e adjetivos grafados com SS.
55. opreSSão - os verbos que possuem o segmento PRIM, no radical (oprimir)
geram substantivos e adjetivos grafados com SS.

234