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Nômades digitais: profissionais desafiam o modelo tradicional...

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Gau Sousa e Thiago Belem adotaram o nomadismo e trabalham no café Jack and Jacks, na Lagoa da Conceição
Foto: Diorgenes Pandini

Na mesa central, estudantes franceses debatem animadamente sobre um trabalho da universidade. Espalhados em cadeiras, clientes se abastecem de cafés quentes para
espantar o frio da tarde. Gau Sousa e Thiago Belem, sentados de frente para o outro, notebooks abertos na mesa, trocam piadas e sorrisos enquanto o tempo passa na toada
relaxada da Lagoa da Conceição. Ninguém parece notar, mas apesar da casualidade do momento e do local o par está trabalhando duro para manter seu recém-conquistado
novo estilo de vida.
Há alguns anos, em uma epifania durante um mochilão pela Bolívia e Peru, Gau se deu conta que estava cansada da vida burocrática e de usar salto alto todos os dias, vendeu
sua parte em uma corretora de seguros em Brasília e, entre viagens, cursos de autoconhecimento e encontros com empreendedores, preparou-se para a sua "independência
geográfica". Thiago tinha uma vida regrada como programador no Rio de Janeiro, trabalhava em casa e passava a maior parte do tempo tranquilamente em seu apartamento
bem equipado. Certo dia, entre a piscina de bolinhas e a geladeira de cerveja na empresa em que ele trabalha e que Gau estava visitando, o encontro apaixonado dos dois deu
um senso de urgência a um sentimento latente. 
BBC elege Florianópolis uma das cinco melhores cidades do mundo para nômades digitais(http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/whats-up/noticia/2016/06
/bbc-elege-florianopolis-uma-das-cinco-melhores-cidades-do-mundo-para-nomades-digitais-5822695.html)
Chá: tudo o que você achava que sabia sobre a bebida estava errado(http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/whats-up/noticia/2016/07/novos-tempos-ja-temblogueira-de-sc-oferecendo-vaga-de-assistente-de-what-sapp-6423050.html)
A decisão de viajar e trabalhar, sair juntos sem destino veio rapidamente como uma conexão 4G. Gau, 34 anos, se reinventou como uma conselheira, "tipo uma coach", para
quem quer vender e empreender. Thiago, 27 anos, já trabalhava remotamente e continua oferecendo seus serviços como programador na HE:labs(http://helabs.com/br/), uma
empresa colaborativa de desenvolvimento online. Hoje, tudo o que precisam é uma boa conexão de internet. Ele levou apenas uma semana para desmontar o apartamento e se
desfazer do que tinha.
— Foi a melhor coisa que já fiz, me libertei de várias coisas que não eram importantes. Tudo o que tenho hoje cabe em uma mochila e em uma mala pequena — orgulha-se. 
Em dezembro do ano passado eles começaram a rodar e já estão na quinta cidade desde que abraçaram o nomadismo digital.
Porto para itinerantes
Os antenados nas novas tendências com certeza já escutaram essa expressão, que pipoca cada vez mais em textos na internet: usar a tecnologia para trabalhar e viajar ao
mesmo tempo, produzir e ganhar dinheiro de qualquer lugar do mundo — desde que lá exista internet de fácil acesso. As facilidades da tecnologia e de deslocamento atuais,
assim como uma certa compulsão moderna por viagens, alçaram esse modelo de vida como um ideal para muitos. 
Em pesquisa rápida no Google, uma infinidade de sites, blogs e perfis de redes sociais de experientes nômades surgem com relatos, dicas e até cursos que ensinam como se
tornar o próximo "itinerante em uma viagem sem fim". E Florianópolis parece ser um dos portos ideais para quem se arrisca nesse tipo de aventura.

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A holandesa Esther Jacobs acha que Floripa é o lugar ideal para nômades
Foto: EEF Photography / Divulgação

Uma recente reportagem da BBC inglesa(http://dc.clicrbs.com.br/sc/colunistas/whats-up/noticia/2016/06/bbc-elege-florianopolis-uma-das-cinco-melhores-cidadesdo-mundo-para-nomades-digitais-5822695.html) online incluiu a Ilha de Santa Catarina como um dos cinco lugares mais amigáveis para nômades, junto com Ching Mai
(Tailândia), Budapeste (Hungria), Miami (EUA) e Puerto Viejo (Costa Rica). A jornalista se baseou no Nomad List(https://nomadlist.com/), um respeitado site que elenca as
melhores cidades no mundo para esses peregrinos com base em diversos itens, como segurança, qualidade da internet, tempo e wi-fi grátis na cidade. "Eu nunca estive em
Floripa, mas sei que é um lugar bastante atraente para nômades e para surfistas", escreve à reportagem Pieter Levels, o fundador do site. Coisa que qualquer manezinho já
sabe, mas que é música para os gringos que querem alguma variação além de Rio e São Paulo. No site, entre as 14 cidades brasileiras, a capital catarinense é a segunda melhor
colocada, ficando atrás de Natal. Pieter explica que a alta qualidade de vida e o baixo custo são razões para Florianópolis ocupar o 68º lugar entre as 526 cidades de sua lista
mundial no momento. 
Esse é o tipo de convite perfeito para quem está sempre à procura do próximo lugar incrível para conhecer. Enquanto espera um voo de Amsterdam para Praga, a holandesa
Esther Jacobs escreve que Floripa é um lugar ideal para se trabalhar no destemido modelo.
— Estive aí em dezembro passado e amei o lugar! Encontros entre empreendedores são realizados na praia: em nenhum outro lugar do mundo isso aconteceu comigo antes. As
pessoas são informais e simpáticas, mas ao mesmo tempo muito profissionais — exalta a mulher que já viveu em mais de 100 países e há 10 anos não fica por mais de seis
semanas em um mesmo lugar.
Esther escreve e gira o planeta dando palestras inspiradoras baseadas em sua própria experiência como pioneira em um estilo de vida desejado por muitos. "LIBERDADE",
responde ela em letras garrafais quando pergunto sobre o que é mais gratificante na vida que escolheu. 
— Estar onde quero estar, fazer algo em que sou boa, quando tiver energia para fazê-lo. Experimentar o mundo como ele realmente é. 

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Jairet Crum está há seis meses na Ilha aprendendo português enquanto ensina inglês pelo Skype
Foto: Marco Favero

Talvez a maior parte dos moradores não perceba, mas os predicados de Florianópolis já magnetizam muitos nômades, para além dos já usuais mochileiros que percorrem a
América do Sul. O californiano Jairet Crum, 30 anos, está confortavelmente instalado há seis meses na Ilha, aprendendo português enquanto ensina inglês pela internet
através de um site baseado em Hong Kong. Estudantes de todo o mundo podem acessar seu perfil de professor no italki.com(https://www.italki.com/) e ter lições por Skype —
uma incontestável demonstração de como o mundo se torna um amálgama cada vez mais diverso e polifônico. Jairet começou a atuar como english teacher enquanto era um
morador de passagem no sudeste asiático, Vietnã, Laos, Camboja e Tailândia.
— Florianópolis é um ótimo balanço entre relaxado e sério, uma bonita mistura de desenvolvimento com preservação da natureza. Diferentemente do Rio, mantém uma
atmosfera mais séria mesmo com sua forte cultura de praia, mas não chega a ser sisudo como São Paulo — observa o californiano, concordando em muito com o relato da
holandesa Esther. 
Uma pequena frustração com a falta de variedade da cozinha local, mas a decepção maior foram as dificuldades não sanadas (ou até criadas) pelo transporte público de
Florianópolis. Alguém pode culpá-lo? Além do ambiente, Florianópolis provê o essencial.
— Wi-fi é razoavelmente acessível, e a velocidade é decente. Espaços de coworking são sempre recomendáveis, mas a internet em casa é bem estável e nas áreas com maior
turismo, como Campeche e Lagoa, cafés e restaurantes tendem a ser melhor equipadas com acesso grátis — explica Jaret. 
Atentos às rodas do mundo, Rodrigo Veronese e seus sócios abriram seu café e seu wi-fi ao público para a proposta de conectar seres com a mesma vibração vanguardista. O
aconchegante e descolado Jack and Jacks(https://www.facebook.com/jackandjacks/), no centrinho da Lagoa, tem virado referência para os viajantes em geral, bem-vindos
para trabalhar horas a fio por lá.
— Nossa intenção é oferecer um ambiente plural e inspirar pessoas, ser um local que cultive boas ideias e transformações — explica Veronese. Foi lá que a reportagem
encontrou Gau, Thiago e os estudantes franceses empolgados.
Empreendedores Conscientes
Apesar da fantasia comum de trabalhar na praia com um laptop no colo, as coisas não são apenas aventura e relax. As pessoas que apostam no nomadismo sabem que o prazer
de estar sempre rumo ao novo também significa a escolha pela incerteza, e é preciso preparar-se. Foi assim que Gau cavou uma nova profissão e forjou-se conselheira
profissional com a determinação de quem nunca mais quer participar de reuniões às sete da manhã.
"Mas não somos hippies", ela avisa. ¿Não temos esse espírito de comer em qualquer lugar, ficar em qualquer canto e tudo bem¿. Através do Airbnb, site que disponibiliza casas
para alugar em todo o globo, eles escolhem bem sua próxima morada e não abrem mão de certo conforto e facilidades. Gau teve mais dificuldades em deixar sua família de oito
irmãos e o armário bem montado em Brasília, mas o casal admite que hoje tem uma vida muito consciente do ponto de vista do consumo.

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Café Jack and Jacks é o reduto dos nômades da Lagoa da Conceição, como Gau e Thiago
Foto: Diorgenes Pandini

— A independência geográfica te torna minimalista. Agora tenho só um par de chinelos, dois tênis e uma sandália, usamos as mesmas roupas várias vezes e ainda vamos
deixando coisas pelo caminho. Compramos coisas em brechós — confessa com o orgulho de uma conquista. Como prova do desapego, nem suvenires dos lugares que visitam
eles colecionam.
Quanto mais se lê sobre o assunto, mais caem por terra os rótulos ou as tentativas de encaixar esses viajantes em determinado grupo. Liberdade de ir, vir e ser parece ser a
única tônica constante. Empreendedores de localização independente, trabalhadores remotos, freelancers, viajantes perpétuos, designers de estilo de vida ou qualquer
denominação pela qual sejam conhecidos são pessoas que não têm medo de arriscar e de se reinventar. Muitos são espíritos empreendedores, autônomos que trabalham com
economia criativa e sabem que a flexibilidade e a independência podem trazer maior produtividade, inspiração e qualidade de vida. Na verdade, esses andarilhos são a espécie
mais ousada de um movimento crescente apontado como "o futuro do trabalho". 
A possibilidade de trabalhar remotamente, sem estar presente fisicamente na empresa e com flexibilidade de horários, já é realidade e uma demanda cada vez maior dos
trabalhadores. Dezenas de pesquisas apontam a tendência exponencial, e cerca de 33% da população economicamente ativa mundial, 1 bilhão de pessoas, faz algum tipo de
home office. 
No Brasil, a estimativa é que mais de 12 milhões já trabalhem em casa, em esquema adotado por 36% das empresas do país. À medida que mais e mais jovens das gerações Y
(nascidos a partir de 1980), X (1990) e até Z (2000) entram no mercado ou criam seu próprio modelo de trabalho, paradigmas antigos se tornam obsoletos e até criam um
obstáculo para o crescimento das empresas. Salman Kahn, o renomado fundador da Khan Academy(https://pt.khanacademy.org/), uma estruturada e didática série de vídeos
educativos online com milhões de acessos mensais, puxa os limites e afirma que 65% dos empregos que os estudantes de hoje terão ainda não foram criados.

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7/10/16, 10:24 PM

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A empresa Way2 Technology permite trabalho remoto há três anos para funcionários
Foto: Antônio Rossa / Divulgação

— As pessoas começaram a sair dos trabalhos fixos e buscar mais flexibilidade, esse movimento tem forçado empresas a operar no formato remoto. Aqui ainda é incipiente,
mas espero que o formato cresça — pondera Alexandre Fortes, 31 anos, engenheiro que largou um emprego "nove às cinco, batendo ponto" e acaba de lançar sua segunda
startup nos Estados Unidos.
— É um milhão de vezes mais difícil, financeiramente bastante mais complicado, mas hoje viajo cinco vezes por ano. A flexibilidade é a grande diferença em minha vida — diz.
A Way2 Technology(http://www.way2.com.br/), companhia de softwares para o setor elétrico baseada em Florianópolis, oferece a opção de trabalho remoto há três anos e
foi eleita a melhor pequena empresa para se trabalhar em Santa Catarina pelo Instituto Great Place to Work (GPTW) em 2015.
— Adaptamos a empresa e todos os dados para que fossem acessíveis de qualquer lugar — explica André Carlucci, um dos sócios.
Mais do que as máquinas de fliperama, a chopeira para happy hour e o design à escritórios Google, é a gestão cooperativa e horizontal, com equipes autônomas, que faz a
empresa caminhar a passos largos. Lá há um colaborador totalmente remoto, que mora no continente e se salva de atravessar a ponte todos os dias, e os outros têm a
flexibilidade de atuar de casa. Já houve quem passou um mês trabalhando da Europa, a partir de espaços de coworking. "Mas não é rock¿n roll", observa André. 
— Há algumas regras a seguir, como providenciar internet estável e não estar cuidando de crianças. Resumindo, precisa ser o mesmo profissional e ter foco, mas agora com a
opção de estar em outro lugar. 
Disciplina é liberdade, já disse o poeta.

* TÓPICOS
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