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POR FAVOR LEIA: Este documento é uma tradução “oficial” para o português feita pelo

autor do artigo original, publicado no periódico Universitas Psychologica. Esta é a citação do
artigo, que deve ser utilizada se necessário:

Wachelke, J. (2012). Social representations: a review of theory and research
from the structural approach. Universitas Psychologica, 11, 729-741.
O artigo original em inglês está em
http://revistas.javeriana.edu.co/index.php/revPsycho/article/download/766/2867 . Se precisar
citar o artigo, use a citação indicada acima.
Representações sociais: uma revisão teórica e de pesquisas da abordagem estrutural.
Joao Wachelke
Universidade Federal de Uberlândia
wachelke@yahoo.com
Resumo
O presente artigo é uma revisão dos avanços teóricos e achados empíricos relacionados a
representações sociais conforme a abordagem estrutural, uma corrente de pesquisa que visa
estudar a influência de fatores sociais nos processos de pensamento por meio da identificação e
caracterização de estruturas de relações. A apresentação da abordagem inicia pelas definições de
base de representações sociais de acordo com a abordagem estrutural, passando para um
panorama sobre a natureza dos elementos representacionais, as relações entre representações e
práticas, dimensões de esquemas cognitivos, teoria do núcleo central, transformações
representacionais e efeitos de contextos de interação. Além de nos posicionarmos acerca de
tópicos polêmicos na revisão, na seção final avaliamos brevemente o estado atual e perspectivas
futuras da pesquisa estrutural em representações sociais, tratando principalmente do problema de
definição de consenso, da dificuldade de caracterizar um construto coletivo a partir de dados
individuais e da importância secundária do conteúdo nas leis estruturais.
Uma representação social é um construto sociopsicológico que desempenha um papel
simbólico, representando algo – um objeto – para alguém – uma pessoa ou grupo. Ao fazer isso, a
representação efetivamente substitui o objeto que representa, e assim torna-se o próprio objeto,
para a pessoa ou grupo que se refere a ela (Moscovici, 1961/1976). Desse modo, uma

representação social é um produto que resulta de um processo de representar, e sempre substitui o
objeto que um ator social liga a ela. O objeto só pode ser acessado por meio de uma
representação; para um dado ator social, essa representação ‘é’ o objeto (Abric, 1994a).
Depois de quase 50 anos da introdução das representações sociais na psicologia social, a
pesquisa relacionada formou um corpo de estudos impressionante publicado mundialmente,
incluindo a América Latina (p. ex.. Parales Quenza, 2006; Magnabosco-Martins, Camargo &
Biasus, 2009; Souza Filho & Durandegui, 2009). Há várias escolas que propuseram diferentes
abordagens e estratégias metodológicas para lidar com o fenômeno.
O presente artigo enfoca uma dessas escolas, a abordagem estrutural, e visa a fornecer
uma revisão do estado da arte das posições teóricas atuais sustentadas por seus estudos sobre
representações sociais. Esta revisão também tem um objetivo secundário de tornar a abordagem
estrutural das representações sociais mais acessível para o público leitor na língua portuguesa –
até então, a vasta maioria dos estudos e ensaios sobre ela foi publicada somente em francês,
apesar de razoável difusão global da abordagem.
A abordagem estrutural das representações sociais é uma escola originada na França nos
anos 1970 e 80. É uma perspectiva marcada por um olhar experimental, que liga com o
conhecimento socialmente compartilhado na forma de estruturas, isto é, sistemas formados por
unidades interconectadas que tem seu funcionamento regulado por leis. No caso da representação
social, a estrutura é formada por ideias simples, unidades cognitivas de significado básicas que
são chamadas cognemas (Codol, 1969) ou elementos. Uma representação social é um conjunto de
cognemas que se refere a um objeto social e forma uma estrutura de conhecimento integrada
compartilhada por um grupo.
Os principais campos de estudo relacionados à investigação estrutural das representações
sociais serão apresentados e discutidos no texto. Começamos com as definições de base de
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e não deve ser tomado como um consenso na comunidade. Além de nos posicionarmos acerca de temas polêmicos durante a revisão. nesse sentido. apresentando visões que não são necessariamente compartilhadas por outros acadêmicos. nem todas as 3 . Tentamos apresentar a abordagem estrutural sobre as representações sociais em seus próprios termos. o leitor é então encaminhado para as fontes originais para obter detalhamento metodológico. o modelo dos esquemas cognitivos de base. Tal tarefa já foi realizada por Parales Quenza (2005). sobreposições e relações com outros desenvolvimentos de outras abordagens ligadas às representações sociais não são abordados. na seção final discutimos brevemente o estado da pesquisa estrutural sobre representações sociais. Algumas coisas devem ser esclarecidas: no decorrer do texto expressamos nossas posições acerca de tópicos controversos. a presente revisão restringe-se ao quadro conceitual e metodológico da própria abordagem estrutural ‘francesa’. Estrutura da representação social: conceitos básicos Quando um objeto completamente novo aparece na sociedade ou quando um grupo enfrenta algum desafio devido a um objeto preexistente. e passamos a um panorama dos avanços acerca da natureza dos elementos representacionais. a teoria do núcleo central. Isso é feito principalmente por motivos de desambiguação e avaliação de direções do campo. as condições básicas para a gênese de uma representação social são preenchidas (Garnier. o texto organiza-se de modo a apontar as contribuições teóricas dos trabalhos mencionados. Finalmente.representações sociais conforme uma abordagem estrutural. Estudos individuais não são descritos em detalhe. que identificou um alto grau de compatibilidade entre a abordagem estrutural e a principal perspectiva da cognição social. 1999). as relações entre representações sociais e práticas sociais. por razões de espaço. Entretanto. transformações das representações sociais e efeitos de interação. Além disso.

uma representação é formada por dois sistemas de elementos qualitativamente diferentes: um núcleo central e um sistema periférico. Em suas formulações clássicas. e deve associar-se com um nível de práticas sociais. 1994a. e o objeto deve estar ligado a um desafio para o grupo. 1994a). integra informações particulares à estrutura. Não é necessariamente compartilhado pelo grupo. referindo-se a uma classe geral. 4 . 1993. Moliner (1993) propôs três critérios complementares: o objeto deve ser polimorfo. O trabalho de Moscovici (1961/1976) propõe que três condições mínimas devem ser satisfeitas em um dado contexto: um objeto social deve ser definido de modo ambíguo. a teoria afirma que o núcleo central inclui alguns elementos-chave que geram o significado global da representação e organizam toda a estrutura. as pessoas precisam sentir a necessidade de inferir sobre ele. Os elementos do núcleo têm raízes históricas e ideológicas fortes e são consensuais no grupo. explicando um conjunto de ocorrências de fenômenos subordinados.configurações sociais permitem o estabelecimento de uma estrutura de representação social. pode-se dizer que duas representações são diferentes quando pelo menos um elemento de seus núcleos não é o mesmo. 1994b). ligando-a a práticas e modulações ambientais (Abric. deve ser um tema de comunicações. deve haver um contexto intergrupo. Os elementos periféricos funcionam como roteiros de ações adaptando as diretrizes do núcleo central a situações concretas e ocorrências específicas do objeto social (Katerelos. De acordo com essa teoria. Flament. e diferentes aspectos desse objeto devem ser salientes para grupos diferentes. Flament e Rouquette (2003) acrescentam que um objeto deve ter função de conceito para o grupo. O sistema periférico é a parte flexível da estrutura. opondo pelo menos dois grupos acerca do objeto. ameaçando ou sua identidade ou a coesão social. É o núcleo central que define e distingue representações. A teoria do núcleo central é o desenvolvimento teórico mais estabelecido acerca da estrutura e funcionamento das representações sociais no contexto da abordagem estrutural.

enquanto representações sem um núcleo organizado encontram seu significado em outras representações relacionadas. a freqüência ou intensidade de realização de uma dada ação. guiar ações e práticas acerca do objeto. De acordo com Flament (1987). uma representação com um único núcleo central deve ser considerada uma representação social autônoma. se há uma situação que contesta o significado dos elementos centrais. A definição ampla 5 . 1987. e justificar essas práticas (Abric. Representações e práticas Representações sociais geralmente encontram-se associadas a práticas empregadas por um grupo envolvendo o objeto social referente. e são classificadas como não-autonomas. O conceito de práticas sociais é suscetível a interpretações múltiplas. manter a identidade grupal. o discurso envolvendo um objeto social também está incluído. Esses mecanismos de racionalização que funcionam como para-choques para o núcleo são chamados de ‘esquemas estranhos’ (Flament. de acordo com o autor. 1994a). e os diferentes modos de realizar a ação. Flament e Rouquette (2003) distinguiram quarto dentre eles: a passagem ao ato. Milland (2001) contesta essa visão. mas ocasionalmente um objeto pode ser interpretado por duas representações sociais diferentes. Os autores também esclarecem que uma prática não deve ser entendida somente como comportamento físico. o sistema periférico é ativado e tenta justificar a contradição para resisti-la. uma de suas funções é defender os conteúdos do núcleo central de contradições. não há representação sem núcleo.Devido a sua flexibilidade. em oposição a não fazer algo. constituindo grades de leitura diferentes. sem práticas significativas associadas. a perícia associada a uma ação. As funções das representações sociais incluem fornecer conhecimento sobre o objeto para o grupo. 1989). esse seria o caso de representações ainda em fase de estruturação.

Todavia. Algumas questões pertinentes se impõem. abreviados como SCB2. exceto quando eventos ambientais impõem mudanças nas últimas. Esquemas cognitivos de base Um avanço teórico chave para o entendimento das relações entre cognemas consistiu no modelo dos esquemas cognitivos de base. e quando uma situação afetivamente carregada ativa assuntos que são compartilhados por um coletivo. já que representações e práticas encontram-se em uma relação de correspondência na maior parte das vezes. 1994b. 1994c). é frequentemente difícil separar ambas. representações sociais predizem a realização de práticas sociais em pelo menos dois casos: quando um ator social vê-se frente a frente com uma situação envolvendo um objeto social e tem autonomia para agir. é necessário tratar de dois tópicos antes de apresentar os modelos teóricos sobre a dinâmica das representações sociais: dimensões de esquemas cognitivos e centralidade estrutural. Esse modelo classifica as 6 . Práticas e restrições ambientais desempenham papeis essencial para causar transformações em representações. e não o outro sentido (Flament & Rouquette. 2001). é provável que uma representação pertinente guie práticas e comportamento (Abric. livre de restrições fortes.fornecida por Flament (2001) é uma boa diretriz: uma prática é definida como um sistema comportamento que é legitimado socialmente. então: como são as relações entre representações e práticas? As representações determinam práticas? Contrariamente ao que o pensamento intuitivo poderia sugerir. Isso implica que ambas as representações e práticas subordinam-se a restrições ambientais. Porém. Em ambos os casos. tornando-as incompatíveis com as primeiras (Flament. 2003). a posição teórica atualmente aceita é que as práticas medeiam representações e o ambiente 1.

Rateau (1995a) observou as associações empíricas de ativações de conectores com vários objetos de representação social e propos que o modelo fosse reduzido a três meta-esquemas de base. e um terceiro grupo desempenha ambas as funções. Centralidade da estrutura 7 . que podem ser agrupados em cinco esquemas cognitivos de base de acordo com o domínio de operação lógica a que se referem: léxico (3 conectores). enquanto outros se relacionam a práticas. Baseado nos resultados de Rateau. De modo semelhante. enquadrar relações entre um objeto social e um elemento da representação. descritivos e funcionais na representação. vizinhança e composição. os quais ele chamou de dimensões das representações sociais: descrição (o agrupamento de léxico. 1992).relações lógicas possíveis entre duas unidades de uma estrutura. indo além da distinção entre elementos centrais e periféricos. Abric e Tafani (1995) posteriormente demonstraram que os elementos do núcleo central têm funções diferentes: alguns fornecem normas acerca do objeto social. ele torna possível. por exemplo. admitindo a possibilidade de papeis mistos envolvendo mais de uma dimensão. As duas unidades são codificadas como A e B e podem ser ligadas por até 28 conectores. Flament (1994b) apontou que os elementos das representações sociais poderiam ser concebidos como esquemas com papeis normativos. vizinhança (3). composição (3). praxis (12) e atribuição (9) (Guimelli & Rouquette. A contribuição do modelo SCB consiste na possibilidade de entender os diferentes papeis lógicos que os elementos desempenham na estrutura. O modelo torna possível caracterizar a ativação de uma representação ou um elemento num dado contexto. praxis (12) e avaliação (renomeando o esquema de atribuição). formando até 9 conectores).

Esse estudo foi a primeira aplicação de um princípio de dupla negação chamado ‘questionamento’ ou ‘colocar em causa’. possuem valor simbólico a respeito do objeto social de interesse. Lheureux e Halimi-Falkowicz (2008) desenvolveram uma técnica alterantiva para determinar a centralidade dos elementos por meio da medida de um princípio relacionado: independência a mudanças de contexto. que verificou que na ausência de certos elementos num espécime de representação. geralmente abreviado como MEC3. enquanto que os elementos periféricos associam-se com menos. sendo empregado com variações de procedimento (p.ex. na ausência de uma característica. condicionais e negociáveis. elementos centrais são essenciais para manter sua identidade. De acordo com Moliner (1994). os elementos centrais tem duas propriedades específicas. Primeiro. Alto valor 8 . Lo Monaco. 2001a). elementos essenciais que definiam o objeto de representação social. sendo mais amplos. um espécime refere-se a uma classe representacional. Uma segunda propriedade relaciona-se ao poder associativo dos elementos centrais. As primeiras evidências experimentais da validade do núcleo central foram fornecidas por Moliner (1980). Os últimos eram elementos periféricos. O questionamento é atualmente a mais amplamente aceita e empregada técnica para identificar o núcleo central. os participantes de pesquisa negavam consensualmente que ele se referia a uma dada representação social. enquanto os primeiros faziam parte do núcleo central. Mais recentemente. Ele pergunta aos participantes se. Moliner. estes podem associar-se a mais elementos na estrutura. Essa distinção permite a identificação do que é de fato compartilhado numa representação e define sua organização. Duas outras propriedades derivam das duas mencionadas.Talvez o pressuposto mais importante da teoria do núcleo central seja a existência de uma diferença qualitativa entre os sistemas central e periférico. Técnicas baseadas no princípio MEC apoiam-se no diagnóstico dessa propriedade para determinar a centralidade dos elementos. enquanto preservavam a grade de leitura da representação na ausência de outros elementos.

são verdadeiramente incondicionais e definem o objeto. e seu cruzamento possibilita uma classificação de quatro status dos elementos: definições (elementos centrais descritivos). são condicionais. 1989. elementos periféricos podem ser ativados por contextos específicos e apresentar também essas propriedades secundárias (Flament. noutras palavras. A segunda dimensão contrapõe os papeis de descrição e avaliação desempenhados pelos elementos na estrutura. Em tarefas MEC. enquanto um segundo conjunto de elementos. 1995c) levaram a avanços importantes no entendimento da estrutura do núcleo central. Entretanto. 1994). As pesquisas de Rateau (1995b. apesar de terem alto valor simbólico. 1989. normas 9 .simbólico significa que o elemento também é saliente no discurso. ainda que típicos de cognemas do núcleo central. que propôs um modelo bidimensional: os elementos das representações sociais teriam uma natureza dupla. O autor mostrou que há uma hierarquia de elementos no núcleo: alguns deles. incluindo duas coordenadas estruturais chave. os adjuntos. e alto poder associativo implica que os elementos centrais são encontrados conexos a um maior número de elementos. Ambas as dimensões são postuladas como sendo teoricamente independentes. em que os elementos podem ser ou centrais ou periféricos. chamados prioritários. seu status é determinado pela avaliação de seus valores simbólicos por tarefas MEC baseadas na incondicionalidade. é um dimensão opondo cargas afetivas altas e baixas dos elementos. A primeira dimensão envolve a própria estrutura da representação. Outra perspectiva teórica produtiva envolvendo a estrutura da representação social foi também apresentada por Moliner (1995). Moliner. enquanto os adjuntos geralmente geram respostas mais diversificadas e refutação condicional. Seu objetivo é avaliar o especificar o objeto. Só os elementos prioritários são essenciais para manter a identidade do objeto social. não são exclusivos. os elementos prioritários exibem padrões de refutação absoluta. saliência e conexidade.

pesquisas já indicaram que a centralidade não está sempre ligada à incondicionalidade.(elementos centrais avaliativos). Avançando no assunto. com impacto significativo também mais recentemente. Resultados de Gigling e Rateau (1999) com pesquisa realizada com um objeto artificial também mostraram que a atribuição de valor a um elemento pode levá-lo a assumir um papel central. em vez de devido a eles serem incondicionais (Moliner. 1992). apontando para a importância da função normativa para definir centralidade.g. o modelo bidimensional foi o primeiro esforço teórico que geralmente levou em consideração variáveis avaliativas para caracterizar a estrutura da representação social. 1997. Nos termos da teoria do núcleo central. Rateau e Guimelli (2008) confirmaram que centralidade do elemento e normatividade não são independentes. Contudo. descrições (elementos periféricos descritivos) e prescrições (elementos periféricos normativos). desse modo tornando presente a modalidade descrição nos dois polos da dimensão. estudos recentes de Lheureux. o modelo bidimensional foi contestado devido a algumas limitações teóricas e novos achados empíricos. abrindo portas para estudos relacionando representações sociais a atitudes (e. Moliner & Tafani. foi talvez a integração do afeto na teoria do núcleo central. Seus 10 . às vezes o valor simbólico dos elementos centrais baseava-se principalmente em sua função normativa na estrutura. De qualquer modo. o modelo bidimensional foi um grande passo para empurrar a teoria estrutural para frente. Sua principal contribuição. Apesar da posição inicial de Flament (1994b) que afirmava que os elementos centrais são prescrições incondicionais acerca de um objeto social. Tafani & Souchet. 2001). Outra limitação relaciona-se a resultados que mostram que as dimensões estrutural e descritiva-avaliativa não são independentes. Rizkallah (2003) indicou um problema teórico relacionado à dimensão de carga afetiva: toda avaliação pressupõe uma descrição.

a primeira ação que ocorre é definir de que objeto se trata. enquanto que o componente normativo julga espécimes de objetos. e quando uma valência é desproporcionalmente alta em relação à outra. De acordo com esse modelo. Assim. é o caso de um elemento periférico ‘normal’. um elemento é central quando as valências ligadas aos esquemas de práxis e atribuição são ambos altos. Uma vez que a classe de objeto é identificada.resultados indicam que elementos de representações sociais possuem um componente duplo. elementos adjuntos entram em jogo para avaliar a ocorrência específica. trata11 . O componente semântico está ligado à meta de definir a classe de objeto. alguns elementos centrais têm seus valores simbólicos baseados na sua normatividade em vez de incondicionalidade. As duas dimensões não são independentes. por meio de elementos prioritários. Os resultados dos autores mostram que essa natureza dimensional dupla não é encontrada apenas no núcleo. associado a dois papeis na estrutura: semântico e normativo. e quando um ator social defronta-se com um espécime. como evidenciado por taxas de refutação condicional. 1998). Baseado na avaliação resultante. à medida que a normatividade parece desempenhar um papel chave: elementos periféricos que pontuam mais alto que outros em índices de normatividade são percebidos como menos condicionais. conjuntos periféricos condicionais são ativados para lidar com ela de acordo com necessidades contextuais. o modelo de Lheureux. Quando as duas valências são baixas. mas por toda a representação. O modelo dos autores torna possível explicar como diferentes partes da estrutura são ativadas de acordo com demandas contextuais: cada representação consiste num sistema de categorização. uma perspectiva alternativa baseada nos SCB está apoiada na ativação equilibrada de esquemas práticos e de atribuição (Rouquette & Rateau. e adicionalmente. Finalmente. Rateau e Guimelli (2008) permite explicar os mecanismos envolvendo sub-estruturas periféricas identificado por Katerelos (1993).

Essa perspectiva tem a vantagem de identificar elementos sobre-ativados. 1994). Baseado em resultados de pesquisa. 1989. Até o momento. ou um elemento periférico sendo ‘promovido’ ao núcleo central. novos conjuntos de elementos periféricos chamados ‘esquemas estranhos’ formam-se para tentar 12 . por outro lado. introduzindo duas variáveis chave. já que o sistema periférico é flexível por definição. e não há transformação. então os esquemas periféricos tornam-se centrais. não há contestação da estrutura representacional. e uma transformação progressiva acontece (Guimelli. os esquemas periféricos envolvidos aumentam em ativação (Guimelli. 1994b). A primeira é a compatibilidade das novas práticas com a representação. então o estado de ativação é temporário. Flament (1994b) formulou o modelo geral para a dinâmica das representações sociais determinada por práticas. quando as práticas são relacionadas a um aspecto periférico da representação. Em contraste. Dinâmica das representações sociais Uma transformação numa representação envolve um elemento central tornando-se condicional e assim adquirindo status periférico. A segunda é a percepção dos atores sociais sobre a reversibilidade das novas práticas. geralmente causadas por eventos ambientais. Mas quando as práticas contrapõem tanto elementos centrais quanto periféricos. Se a realização de novas práticas é percebida como reversível. e nenhuma transformação ocorre. Flament.se de um elemento periférico ativado por um efeito de contexto. se as práticas são vistas como permanentes. a única maneira de induzir mudanças representacionais passa através da realização de novas práticas. Quando as novas práticas são compatíveis com o núcleo central. Porém. mas não transformações estruturais. mas a inconveniência de ser incapaz de lidar com o modelo de núcleo hierárquico de Rateau (1995b). Mudanças na saliência ou ativação de elementos periféricos são consideradas mudanças menores.

e isso é socialmente indesejável por definição. Posteriormente. Se a situação é percebida como reversível. mas se é permanente. portanto dando conta de instâncias pertinentes de transformação representacional.acomodar a contradição (Flament. paradigmas de influência social mostraram-se muito úteis para compreender os processos de interação e comunicação envolvendo mudanças e resistência do status estrutural dos elementos de representações sociais para amostras situadas. 1989). e os casos em que representações sobre o a situação do contexto de influência modulam processos de influência. mesmo incluindo a percepção de reversibilidade. 1994b). Mugny. Contudo. Tafani e Souchet (2001) usaram ensaios contrarepresentacionais. tarefas forçando participantes a dar opiniões contradizendo a representação compartilhada. isto é. as mudanças duram mais quando práticas contraditórias 13 . Quiamzade e Codaccioni (2009) ofereceram um panorama das variáveis que foram estudadas como fatores da transformação representacional: influência majoritária e minoritária. O entendimento da dinâmica das representações sociais geralmente vem de resultados obtidos em estudos de campos. então a contradição é neutralizada com sucesso e a representação permanece inalterada. a verdadeira mudança representacional implica opor crenças e práticas compartilhadas pelo grupo a que pertence essa pessoa. Souchet. porque mesmo se as crenças de uma pessoa mudem devido a um dispositivo experimental. influência de autoridades epistêmicas e assimetria no status intergrupo. Souchet e Tafani (2001) conseguiram reproduzir o modelo de dinâmico completo de Flament (1994b) num contexto de laboratório. então os esquemas estranhos não conseguem sustentar a integridade da estrutura e eventualmente há uma transformação no núcleo central para adaptar ao novo contexto social (Flament. Conforme Flament (2001) é pouco provável que se chegue verdadeiramente transformar uma representação no laboratório. Apresentando uma inovação importante.

1994). O contexto global compreende os desafios intergrupo e a herança histórica que ativam o núcleo central e são responsáveis por sua formação. mesmo se levam anos ou gerações para mudar. ou seu nascimento à medida que o objeto social aparece em práticas de comunicação pela primeira vez. 1994c. 14 . pode-se então referir-se a isso como a ‘morte’ de uma representação. mesmo se a verdadeira dinâmica representacional não pode ocorrer em contextos artificiais. modulando a ação do sistema periférico (Abric. 2001). chega-se inevitavelmente à questão: como elas evoluem? É essencial enfatizar que as representações têm uma história. até que a representação não seja mais pertinente em seu contexto social. Abric & Guimelli. O contexto situacional relaciona-se às múltiplas e particulares condições de interação em que um mesmo objeto social entra em jogo. Como conclusão. 1998). para dizer o mínimo. Representações em ação: efeitos do contexto de interação A ocorrência das representações na vida cotidiana das pessoas associa-se à influência de variáveis de contexto. adaptando-se ao ambiente. estabilidade. Existem dois tipos básicos de contexto: o contexto social global e o contexto situacional imediato. Se as representações sociais mudam. Estabilidade e transformação alternam-se.são percebidas como irreversíveis. Uma representação social pode ser encontrada em três fases cronológicas: emergência. há possibilidades promissoras no laboratório para contribuir para o entendimento de uma variedade de processos na dinâmica representacional. e transformação. em que a representação torna-se estável com um núcleo bem delimitado. a caracterização de uma estrutura de representação é sempre a descrição de um estado representacional. um herdeiro de estados precedentes (Rouquette & Guimelli. quando restrições ambientais causam os já mencionados processos de mudança (Moliner.

então diferentes níveis de conhecimento poderiam relacionar-se a diferentes níveis de práticas. 2007). Porém. Mais recentemente. Flament e Rouquette (2003) veem essas dimensões de implicação como fatores intermediários que poderiam explicar diferenças interpessoais e situacionais num grupo em termos de comportamento.Efeitos globais de contexto já foram tratados por meio dos mecanismos dos processos de estruturação das representações e sua dinâmica. 2002) e isso pode se associar à ativação de esquemas cognitivos de base diferentes (Gruev-Vintila & Rouquette. e a possibilidade percebida de agir a respeito do objeto. Além disso. essa dimensão é questionável. Mas e os efeitos de contextos de interação: como os indivíduos empregam o conhecimento de representações sociais em situações particulares? Há três tópicos que guiaram a pesquisa sobre efeitos de contexto até o momento. ou o grau em que um objeto se relaciona a um indivíduo específico e não a todos em geral. ou o valor de desafio ligado ao objeto. já que se sobrepõe a definições de práticas sociais: uma vez que o discurso envolvendo um objeto é considerado um tipo de prática (Flament & Rouquette. 2003). referem-se a graus diferentes de envolvimento com o objeto. opiniões e atitudes relacionadas a um objeto social. Guimelli e Abric (2007) sugeriram que conhecimento sobre o objeto social poderia ser uma quarta dimensão de implicação. Como exemplo. A implicação é uma condição para a transformação das representações e adesão a crenças relacionadas. Rouquette (1996) formulou três dimensões teoricamente independentes que poderiam dar conta da implicação pessoal acerca de um objeto: identificação pessoal. O primeiro é dedicado ao entendimento da conexão das pessoas junto aos objetos sociais. diferentes níveis de implicação geralmente significam diferenças no uso de processos de pensamento social: pessoas com alta ou baixa implicação empregam diferentes modos de raciocínio quando enfrentam contradições a um núcleo representacional (Guimelli. valorização social. o estudo de Salesses (2005) avalia o papel do conhecimento sobre um objeto de um modo que é pelo menos 15 .

um terceiro tópico sobre os efeitos de contexto interacional deriva de uma característica básica da identidade social. 2009. Essa distinção mostrou-se útil num estudo sobre implicação social e risco coletivo (Ernst-Vintila. 2000. intergrupais e coletivas com processos de categorização. 16 . Guimelli & Abric. Chokier & Rateau. Portanto. Chokier & Moliner. Flament. 1993)? Esses problemas não foram objeto explícito de estudos estruturais. 1973). 2009). e apresenta um problema: já que os indivíduos pertencem a múltiplos grupos sociais (Tajfel.muito próximo ao entendimento de práticas sociais. já que são o produto final da ação de processos identitários envolvendo a interações de representações do self. 2006. especialmente quando os participantes de pesquisas completam questionários. 2009). ou existe uma interação entre representações sociais diferentes compartilhadas por um mesmo indivíduo (Breakwell. Uma inovação posterior de Guimelli e Abric (2007) foi uma diferenciação entre possibilidades percebidas de ação individuais e coletivas. A existência de pressões normativas causadas por características do experimentador ou pelo envolvimento do participante e seus grupos nas instruções das tarefas pode levar as pessoas a responder de um modo que seja desejável socialmente. Guimelli. Outro tópico que mereceu atenção significativa é a influência de pressões normativas na expressão de conteúdos de representações sociais. 2006. a expressão de elementos relacionados a práticas grupais é favorecida. mas resultados de Wachelke e Camargo (2008) apontam que quando a pertença de grupo é saliente. As representações sociais também desempenham um papel importante envolvendo a identidade social. como o conhecimento da representação social entra em jogo numa situação específica? Existem pistas contextuais que ativam representações singulares. comparação e atribuição (Deschamps & Moliner. 2008). para dar uma boa imagem de si para o experimentador ou em comparação com outros membros do grupo (Guimelli & Deschamps.

De qualquer modo. esse comentário obviamente refere-se a um caso que não conta com mudanças radicais causadas por pesquisa questionadora. gostaríamos de fechar essa revisão abordando alguns tópicos gerais que permeiam o estudo das representações sociais de acordo com uma perspectiva estrutural como um todo. crenças. protótipos. desenvolvidos e estabelecidos. incluindo a ênfase e interpretação de alguns esforços e as tentativas de identificar relações entre os diversos estudos. Outro ponto chave refere-se à diferenciação do construto representação social de outras noções sociopsicológicas mais clássicas como atitudes. Os modelos e concepções básicos sobre estruturas de representações sociais já foram propostos. de vez em quando esses estudos marcantes surgem e tem implicações muito fortes para um campo inteiro. a representação diz respeito a um objeto que 17 . Além disso. uma nova fase marcada principalmente por problemas de pesquisa mais especializados está ocorrendo. relações entre representações e práticas e formulação de um modelo de esquemas cognitivos de base terminou. Talvez a primeira coisa que possa ser concluída a partir de uma análise da literatura relacionada à abordagem estrutural é que uma fase de pesquisa responsável por grandes descobertas e formulações de base. provocando mudanças dramáticas nas direções de pesquisa. e assim por diante. novos dados evidenciam contradições teóricas e limitações exigindo ajustes de modelos e refinamentos em menor escala. como ocorre com toda ciência.Considerações finais: desafios gerais e possibilidades futuras Tendo em mente a organização que foi dada ao texto. A especificidade do conceito de representação social está supostamente no fato de que é uma estrutura simbólica que é compartilhada por um coletivo e que é ativamente negociada por meio de comunicação inter e intragrupo. inevitavelmente faz transparecer algumas de nossas posições a respeito do campo. e ainda assim. estereótipos. tal como a teoria clássica do núcleo central.

Para complicar as coisas ainda mais. Wagner (1994) já havia criticado o critério de consenso numérico para identificar representações sociais e sustentou que é o consenso funcional que deve ser buscado. Mas os outros construtos simbólicos clássicos que acabamos de mencionar também são numericamente compartilhados (Jahoda. Essas considerações certamente fornecem uma visão alternativa do consenso em comparação ao que é normalmente feito na pesquisa estrutural. Como certificar-se de que uma representação social é de fato compartilhada por um grupo? Geralmente uma tendência para o consenso entre os participantes de um grupo é tomada como medida. autoconscientes. o que torna a distinção de certo modo nebulosa. mesmo se é afirmado teoricamente que as representações sociais são construtos de um nível coletivo de análise.se refere a uma classe de eventos e tem certa relevância para o grupo. e até então não foram incorporadas aos estudos da abordagem estrutural. Outra limitação que é mais difícil de contornar refere-se ao fato de que. 1988). verificação. traz algumas dificuldades em termos de operacionalização empírica. os membros do grupo devem reconhecer que uma representação social comum subjaz práticas grupais ligadas a um dado objeto. Fora da abordagem estrutural. Elas poderiam ajudar a garantir maior precisão e sofisticação a modelos de representação social e mereceriam ao menos um esforço de integração de modo a delinear melhor o que se entende por consenso. 2001b). como por exemplo em tarefas MEC. e consequentemente. Isso implica uma assinatura grupal na representação social que o autor chamou holomorfia. a maior parte da pesquisa empírica alinhada com uma abordagem estrutural baseia-se em 18 . a representação social deve desempenhar um papel para grupos reflexivos. Ao passo que isso faz sentido e que seja teoricamente correto. há evidências de pesquisa que apontam para o fato de que membros de um grupo estejam ou não a par da existência de um consenso no grupo associa-se a propriedades diferentes de elementos representacionais (Moliner. uma coordenada essencial para o fenômeno de interesse.

A respeito do nível interno. Se por um lado esse modo de fazer pesquisa tem os benefícios de tornar possível atingir maior rigor e é compatível com práticas experimentais padrão da psicologia social. gostaríamos de enfatizar algumas possibilidades promissoras tanto num nível interno – desenvolvimento teórico sobre a própria estrutura representacional – e externos – teoria relacionada aos processos ligando representações sociais com outros construtos do pensamento social.dados de indivíduos. Apesar dessa peculiaridade. a menos que paradigmas radicalmente novos sejam introduzidos. Um refinamento 19 . por outro lado tudo que pode ser avaliado são os efeitos de manipulações de campo e laboratório nos processos cognitivos e afetivos de membros de grupos. a pesquisa sobre a dinâmica das representações sociais é estimulante ao sugerir as etapas que a mudança sócio representacional pode seguir. e infere efeitos sociais por meio da agregação dos dados. Mesmo assim. Em termos de tendências futuras de pesquisa relacionadas à investigação estrutural de representações sociais. acrescentaríamos outro lado ao problema: se uma representação social por definição é um construto histórico. (2008). esse é o caso envolvendo o modelo bidimensional de Moliner (1995) e a abordagem do componente duplo de Lheureux et al. como um construto coletivo. a representação social em si. Contextos de laboratório só permitem realizar mudanças restritas aos participantes envolvidos. Isso sem dúvida está relacionado ao comentário de Flament (2001) sobre a impossibilidade de transformar representações sociais experimentalmente. então somente eventos de grande magnitude que afetem a coletividade que mantém uma representação social podem exercer a transformação do construto. apesar de ele ter enfocado a desejabilidade social. permanece inacessível. e isso é uma característica que dificilmente mudará. começando da mudança individual e prosseguindo para a legitimação coletiva. talvez o principal debate envolva os tópicos chave da centralidade estrutural das representações: há uma competição entre teorias concorrentes que são incompatíveis em alguns pontos.

o conteúdo é então 20 . Além disso. 2009. então esse processo traz pouco interesse estrutural 4.nos modelos de centralidade é de importância capital para redefinir as concepções de estrutura da representação social como um todo. Num nível externo. o objetivo. diferenças e ligações entre essas formações. 1992). que tem todas as características de um quadro conceitual ao redor do qual os vários avanços que foram alcançados pela abordagem estrutural poderiam ser integrados. 1996). os estudos continuam empurrando para estender as “fronteiras” de conhecimento sobre as representações sociais. A abordagem estrutural tem por objetivo identificar processos e propriedades estruturais típicas de representações sociais. Um comentário final a ser feito relaciona-se à especificidade da abordagem estrutural dentre as escolas acadêmicas dedicadas ao estudo das representações sociais. então há necessidade de caracterizar as similaridades. há ainda muito espaço para desenvolvimento de pesquisas envolvendo o modelo dos esquemas cognitivos de base (Guimelli & Rouquette. em vez disso. como estereótipos. e que não se limitem ao entendimento de objetos isolados. é alcançar formulações que possibilitem uma generalização para classes de objetos. outra tendência frutífera envolve estudar as relações entre representações sociais e os processos investigados pela corrente da cognição social. No mesmo espírito. tal como ideologias e opiniões (Rouquette. Se for entendido que as representações sociais são uma estrutura simbólica dentre outras de uma arquitetura do pensamento social. viés endogrupo. De acordo com essa visão. A pesquisa também está avançando consideravelmente em lidar com os vários modos por meio dos quais o conteúdo das representações sociais é expresso de acordo com a modulação de contexto (Chokier & Rateau. atribuição causal. Se a explicação de um processo é determinada por ou relacionada a diferenças de conteúdo ligadas a representações diferentes. comprometimento e outros (Rateau & Moliner. 2009). Guimelli. 2009) e as relações entre representações sociais e a implicação social. independentemente do conteúdo representacional.

-C. Guimelli (Ed. In C. Referências Abric. In J.-C. 21 .-C. (1994b). C. 72(2). Paris: PUF.). Isso contrasta com as outras escolas de representações sociais. Abric. ou de variedades específicas e identificáveis de representações sociais. & Guimelli.-C. Lausanne: Delachaux et Niestlé. Paris: PUF. verificável e em evolução.). Représentations sociales et effets de contexte. que tendem a dar atenção especial aos processos e configurações ligados a objetos específicos. Connexions. Abric. 23-38. L’organisation interne des representations sociales: système central et système périphérique. Esse é o procedimento ideal que guia e avalia a pesquisa de base na teoria das representações sociais de acordo com uma perspectiva estrutural.-C. J. Abric (Ed. J. Abric (Ed. 217-238). do qual tentamos fornecer um resumo inteligível por meio desta revisão.). deve-se realizar pesquisa com uma variedade de objetos e apanhar processo comuns que sejam generalizáveis a uma atividade de representar comum que comanda a formação e operação de potencialmente todas as representações sociais. e que tornou possível construir um corpo de conhecimento sólido. Pratiques sociales et representations (11-36). In J. 73-84). J. représentations sociales. J. (1994c). Como consequência de dar privilégio a processos estruturais e tentar colocar os conteúdos de lado para alcançar uma formulação de leis relacionadas a mecanismos de funcionamento de representações sociais e à identificação de efeitos ligados a variáveis associadas. (1994a). Pratiques sociales.considerado uma qualidade secundária que não é o foco da análise (Rouquette & Rateau. Pratiques sociales et représentations (pp. 1998). Structures et transformations des représentations sociales (pp. Les représentations sociales: aspects théoriques. (1998).-C. Abric.

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Que fique claro. e não um caso isolado. mise en cause. 3. 2. que alguma regularidade de conteúdos ou configuração numa taxonomia de conteúdo capaz de dar conta de padrões identificáveis e replicáveis em processos representacionais. Da expressão original em francês. Ambiente é aqui entendido como o conjunto de restrições que são externas a conexão de representar direta entre um grupo e um objeto social pertinente. schèmes cognitifs de base. contudo. 27 . 4. Da expressão original em francês. é nada mais que uma manifestação estrutural de algum modo.Notas de rodapé 1.