A HISTÓRIA DO NEGRO NO BRASIL

Sergio Roberto Vieira Martins
Uma nação deve conhecer suas origens, mesmo que fragmentada,
buscando identificar os alicerces de suas raízes, identificando elementos que
garantam um futuro digno, pois suas características não devem ser deixadas
de lado, sob a condição de correr os mesmos erros do passado.
Parece que estamos andando na contramão. Em um momento histórico
em que a informação está cada vez mais acessível, através das mídias sociais
e das novas tecnologias, em especial o uso de smartphones com acesso quase
irrestrito à internet, o MEC propõe mudanças na BCN (Base Nacional Comum),
excluindo os estudos literários portugueses, e assim, consequentemente, da
história literária e seu contexto social do país que nos colonizou. Os livros
didáticos, por mais que não aprofundassem sobre o assunto, traziam propostas
de discussões sobre a chegada do homem branco (portugueses) no continente
americano, de maneira a apontar que eles cometeram atrocidades por aqui,
começando pelos nativos, desde aspectos religiosos até humanos e, chegando
à escravidão dos negros, trazidos do continente africano. Com o afundamento
da história literária, que leva consigo Luiz Vaz Camões e Fernando Pessoa,
entre outros, boa parte das reflexões sobre o imperialismo branco no Brasil vai
embora, assim como a origem ou formação não só da língua, mas da nossa
história. Por outro lado, apontar a literatura portuguesa e não a africana, por
exemplo, é valorizar a cultura europeia e descartar a africana, sendo que há
uma urgência ou dívida histórica que deve ser reparada.
Sem dúvida, estudar a história da África pode contribuir para o
entendimento das nossas raízes culturais, mas o continente africano sendo tão
grande quanto o Brasil, seria difícil trabalhar de forma sensata, posto que não
temos um acesso verdadeiramente amplo sobre o assunto, pois nada destes
conteúdos foram ensinados aos professores que hoje estão em sala. Mas isso
não tira a importância destes estudos.
Outra questão que observamos em poucas reflexões seria o fato de que
o Brasil esconde suas origens, de todas as formas possíveis. Na música, por
exemplo, Carmem Miranda, Tom Jobim e Sérgio Mendes foram os destaques
nos Estados Unidos durantes muitos anos, e ainda hoje dá mais valor a bandas
e cantores brancos em eventos como Brasilian Day, por exemplo, com Skank,
Ivete Sangalo, Claudia Leitte, entre outros. O Brasil também não produz filmes
sobre o tema escravidão, basta digitar em um buscador “filmes brasileiros
sobre escravidão” e aparecerá 5 opções, entre eles apenas dois que trabalham
relativamente a história dos escravos, os outros apenas trabalham o tema.
Porém, se colocar “filmes americanos sobre escravidão” aparecerá uma lista
quase interminável, sendo que muitos foram premiados, e vários mostram a
escravidão dos negros naquele país e a luta pela liberdade, sendo que lá a
discriminação é tão intensa quanto é em nosso país. Obviamente que há mais
produção de filmes americanos, de modo geral, mas o Brasil foi o último país
das Américas, depois de muita pressão de outros países, a promover a

. ou seja. história mais próxima da realidade. e logicamente de que há diversos países com características. história oficial. apontar a riqueza cultural que os povos oriundos da África trouxeram para cá é no mínimo fundamental. de que só há uma voz que conta. e daquele que não está no poder. Contudo. poetas. línguas e culturas diferentes. embora cerca de 12% destes não conseguiram sobreviver a travessia transatlântica. e fazer esse resgate é revelar a identidade do povo brasileiro. Estudos também revelam que mais de 29 milhões de negros foram arrancados do continente africano. Pode-se dizer que o retrato de um povo só é completo quando coloca todos os seus representantes em condições de igualdade.abolição.5 milhões de africanos foram trazidos para o Brasil. músicos e nas diversas formas de arte? Um grande passo para reconstruir a história da África parece em algumas coleções. que procuram desmistificar o paradigma da história única. Também apontando o mito de que o continente é selvagem por excelência. não seria assim um tema a ser discutidos por cineastas. Estimativas apontam que em torno de 5. sendo que 45% deles vieram para o continente americano. principalmente para trabalhar em terras portuguesas. brasileiras e inglesas. A ideia de trabalhar a história do negro no Brasil obviamente necessita de embasamento. daquele que está no poder. de que há pelo menos dois lados da história.