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XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES

E PERÍCIAS – IBAPE/SC - 2013

NATUREZA DO TRABALHO: PERÍCIA

MODELAGEM DA PERDA DE INSOLAÇÃO DE EDIFÍCIOS URBANOS

RESUMO:
O presente trabalho expõe os procedimentos utilizados no âmbito de uma perícia
judicial para a investigação de eventual perda de insolação de um edifício urbano.
Palavras-chave:
sombreamento.

modelagem computacional,

iluminação natural,

insolação,

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XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES
E PERÍCIAS – IBAPE/SC - 2013

1 - INTRODUÇÃO
Com o boom imobiliário e o crescente adensamento dos grandes centros
urbanos, tem se observado também um aumento das contendas judiciais requerendo
indenização por prejuízos causados por novas construções a construções
preexistentes, em particular no que se refere à perda de insolação.
No contexto das perícias judiciais, raramente a avaliação de eventual prejuízo à
insolação de edificações é feita mediante a aplicação de modelos quantitativos, sendo
tal questão avaliada de forma subjetiva, através de julgamento de engenharia. Em que
pese a simplicidade de entendimento conferida pela abordagem subjetiva, o fato é que
um Laudo que pretenda constituir prova técnica no âmbito de uma demanda judicial
deveria se afastar tanto quanto possível do julgamento subjetivo e privilegiar o uso de
modelos quantitativos, os quais, por serem auditáveis e aferíveis, podem subsidiar o
magistrado na sua decisão de forma mais segura.
Atualmente, o perito judicial que se propõe a analisar essa questão tem à
disposição um robusto arcabouço normativo sobre os procedimentos, já consagrados,
para a avaliação da iluminação natural em edificações, os quais estão consolidados nas
quatro partes da norma NBR 15215. Além disso, softwares disponíveis podem facilitar
tanto a modelagem quanto a visualização de resultados, tornando o trabalho pericial
mais amigável para o público leigo em geral.
O trabalho ora apresentado pretende expor o ferramental utilizado no âmbito de
uma perícia judicial na qual o condomínio autor objetivava a indenização causada por
prejuízos relacionados à construção de uma nova edificação em sua vizinhança, a qual
estaria sendo erigida em desrespeito às normas da edilidade da cidade de São Paulo.
Dentre os prejuízos alegados, o Autor invocava a perda de insolação e o devassamento
causado pela construção da Ré.

2 – CARACTERIZAÇÃO DO PROBLEMA

O trabalho pericial objetivava apurar os eventuais danos causados a um
condomínio existente, Autor do processo, em razão da construção de um novo
empreendimento residencial em sua divisa direita. Os imóveis se localizam em uma
região de alta renda e com grande adensamento do Município de São Paulo, como
ilustra a Figura 1 a seguir.

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3 .XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . em particular devido à construção de uma mureta no nível do piso da piscina a qual estaria sendo feita em desatenção aos ditames da edilidade.2013 Figura 01 – Aspecto da região onde se situa o imóvel de propriedade do condomínio Autor e aquele em construção pela Ré do processo. O condomínio Autor alegava que a construção vizinha iria ocasionar grande prejuízo à insolação e devassamento da privacidade dos apartamentos nele abrigados. conforme apresentado na Figura 02 a seguir.

também sem se utilizar de qualquer supedâneo técnico. nos moldes do executado.  Após a construção do prédio da Requerida  o prédio do Autor vem classificado (pelo perito) como de padrão médio (coeficiente 2.005).20). decorreu no rebaixamento do padrão construtivo do imóvel do condomínio Autor. ou seja:  Antes da construção do prédio da Requerida  o prédio do Autor vinha classificado como padrão superior (coeficiente 2. vieram desprovidas de qualquer elemento técnico comprobatório.2013 CRE PISCINA 1º SUBSOLO 2º SUBSOLO +99. O Perito Judicial considerou que o prejuízo causado à insolação. O Perito nomeado.7% do valor dos apartamentos situados nos andares 4 . destacada na figura. concluiu que a construção da mureta. Considerou ainda o perito que tal rebaixamento de padrão construtivo incorreria em uma perda equivalente a 9. A construção guerreada pelo condomínio Autor era a mureta executada no nível do piso da piscina. o qual sequer foi constatado de maneira técnica. ao menos no que se refere ao prejuízo à insolação.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .20 IMÓVEL DO AUTOR 3º SUBSOLO IMÓVEL DA REQUERIDA Figura 02 – Situação relativa dos imóveis sub-júdice. No caso do processo ora em comento as alegações do condomínio Autor. configurava prejuízo de grande monta ao condomínio.

XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .7% em virtude da diminuição do padrão construtivo. o perito calculou a verba entendida por ele como indenizatória no valor de R$ 400. (1996) Iluminação. poeiras em suspensão e outros obstáculos na atmosfera. Segundo PETRUCCI e IOSHIMOTO (1996)*. com enorme capacidade luminosa e calorífica. O jurisperito fundamenta a necessidade dessa indenização somente pela desvalorização do edifício. 3 – APURAÇÃO DA EVENTUAL PERDA DE ILUMINAÇÃO DO IMÓVEL DO AUTOR 3.2013 mais baixos. sem intervenção direta da perda de insolação e ventilação.000. IOSHIMOTO.1 – Conceitos básicos de iluminação natural Os Autores. Já radiação difusa é aquela indireta.L. resultante da difração da luz solar nas nuvens. nos autos do processo. queimaduras. E. a desvalorização desses apartamentos decorre ditamente do efeito da perda de insolação e ventilação. apresentaram uma sintética exposição sobre o tema “Iluminação Natural”. Segundo o perito. uma vez que esta parcela de luz é quase sempre indesejada devido à possibilidade de efeitos deletérios à saúde humana (fadiga visual em decorrência de ofuscamento. os quais atuavam como Assistentes Técnicos da incorporadora do Edifício vizinho. 5 . CARVALHO (1970) informa que um dos objetivos do estudo da iluminação dos edifícios é impedir a penetração da luz direta do sol (radiação direta). o perito propôs o seguinte esquema de indenização:  Apartamentos do 1º ao 5º andares: desvalorização de 9. insolação * PETRUCCI. Dentre outras conjecturas. a radiação solar direta é aquela proveniente diretamente do sol. Evidentemente que as conclusões alcançadas pelo Jurisperito suscitaram uma saraivada de críticas dos autores do presente trabalho. do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da USP.  Apartamentos do 5º ao 10º andares: desvalorização equivalente à metade da desvalorização dos andares inferiores. em construção. data-base de outubro/2006. Apostila do curso da disciplina PCC 261-Física das Construções. Um primeiro mito a ser desmistificado é o próprio conceito de iluminação natural: iluminação natural é a iluminação proveniente do espaço extraterrestre e que pode ocorrer sob duas formas: a radiação solar direta e a radiação difusa.00 (quatrocentos mil reais). Nos tópicos seguintes são apresentados os argumentos utilizados pelos Autores do presente trabalho nos questionamentos ao Laudo Pericial apresentado. a qual figurava como Ré no processo.. Com base em pesquisa própria. A.

6 . proximidade dos prédios e grande ocupação do quarteirão.2013 e câncer de pele). é bastante comprometida nos grandes centros urbanos. como expõe Aguiar (2001). configurando-se o que se conhece por SÓLIDO EDIFICADO. em decorrência da magnitude dos prédios e densa ocupação dos quarteirões.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . presente na luz solar. A radiação direta. evidentemente. cujos componentes normalmente não são resistentes à radiação ultravioleta. A radiação direta também agride as fachadas das edificações. A foto aérea a seguir permite consignar o elevado sombreamento na região que abriga o imóvel sub-júdice. em decorrência da grande altura das edificações.

2013 LOCAL DOS IMÓVEIS OBJETIVADOS NA LIDE Figura 03 – Foto aérea da região onde se localizam os imóveis em questão. 7 . Observa-se o grande sombreamento que caracteriza a região (fonte: Google Earth).XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .

Quanto maior a iluminância melhor o conforto visual existente. que mede a intensidade luminosa uniforme por m².Cálculo da altitude solar (s). são tomados os seguintes passos: . passamos à análise: 8 . calculada em função da posição do sol ao longo do dia e do ano. a densidade de fluxo luminoso recebido por uma superfície. em função de s. A iluminância externa pode ser calculada pelas seguintes expressões: a) Para céu claro: Eh = 85.Cálculo da declinação solar. apresentaram uma sintética exposição sobre o tema “Iluminação Natural”.000sen(s) (II) Onde s é a altitude solar.Obtenção da iluminância externa.2013 Desta feita. . . . 3. não tendo como aventar-se a RADIAÇÃO DIRETA.Cálculo do ângulo horário local. com os resultados dos cálculos dos itens anteriores. Uma grandeza importante para a análise da iluminação natural é a grandeza chamada ILUMINAMENTO ou ILUMINÂNCIA [E]. o conforto térmico/visual dos moradores do prédio da Requerente ficou garantido através da RADIAÇÃO DIFUSA.2 – Cálculo da iluminação natural para o prédio do Requerente Os Autores. Por isso o presente estudo visa fornecer subsídios para atestar a realidade técnico-fática de que o muro divisório e a piscina não alteraram a radiação difusa do condomínio Autor. nos autos do processo.000sen²(s) + 6. ou ainda. Assim sendo.9) (I) b) Para céu encoberto: Eh = 300 + 21.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . Para o cálculo da Iluminância Externa.500sen²(2s) + 280arctg(s/18.

XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . variando de 1 a 30 ou 31. A declinação solar pode ser avaliada pela seguinte expressão (NBR 15215-2):  = 23.45º sen(29. teremos: Tabela 01 – Declinação Solar. Calculando-se a declinação solar para a data o dia 21 dos diversos meses. M = nº do mês do ano. indicada por “”.7ºM + 0.3 .2013 3. sendo igual a 1 para janeiro e 12 para dezembro. 9 . D = nº do dia do mês. exceto para o mês de fevereiro.Cálculo da declinação solar: A declinação solar.98ºD – 109º) (III) Onde:  = declinação solar dada em graus. representa o ângulo formado entre os raios solares e o equador. como mostra a figura a seguir: Figura 04 – Representação da declinação solar.

 = longitude do local.  = latitude local = -22. A figura a seguir ilustra essa definição. em graus = 45º. p = longitude do meridiano padrão local.129.cos * cos * cos(15hs)) (IV) Onde: s = altura solar.2013 A altura solar é o ângulo entre o planto horizontal e os raios solares e varia com latitude. com o dia do ano e com o horário local.93(J)-154.08] c =correção do horário de verão.4] – 0.sen[1. J = dia Juliano. utilizamos a equação abaixo: s = arcsen(sen * sen . Figura 05 – Representação da altura solar. dado por J = i + D. Para sua determinação. hs  h   p   15  x h -c h = hora local marcada no relógio.sen[1. dada por: Xh = 0. em graus = 46º39’44” = 46.170.66º.01(J)-8. A tabela a seguir apresenta o cálculo da altura solar s: 10 .44º.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .  = declinação solar = -14.65º. Xh = expressão horária. onde i é o valor numérico mensal (Tabela 1 da NBR 15215-2) e D é o dia do mês.

92 71.03 16.91 23481.93 15477.25 40714.39 85724.87 114.88 75577.14 41.99 20.21 48459.07 34.41 53.céu claro mai jun jul ago 821.45 9532.55 74.08 60049.64 0.78 81947.13 58079.32 67919.04 85.69 76228.05 46557.74 46.90 66423.93 54592.12 43.37 73375.91 54.92 mai 4.68 23391.88 65.83 76.66 24.97 76378. Hora 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 jan 30.40 76147.67 41286.35 72.06 37226.89 85948.21 32913.78 74587.44 67649.32 22455.65 47.31 48815.05 51327.75 39.85 27.57 51.03 66.46 66.77 42.86 7306.39 81907.22 47732. Aplicando-se a referida formulação para os dados da tabela anterior.90 19427.17 62119.39 42656.32 44.23 44.77 37.63 82864.18 36.32 28.37 35382.94 ago 1.83 mar 15.24 .19 11 dez 10751.56 63.41 46.31 64.78 80.14 fev 16923.67 28554.35 abr 9.41 24.60 59556.98 53.73 20.14 nov 10400.96 53.14 33.58 39921.50 32036.69 abr 2976.44 28.55 12.22 43.20 57.26 38.59 34.83 38.89 dez 18.83 44755.98 altura solar jun jul 1.25 59099.13 47514.34 57710.41 Iluminância Externa (lux) .59 25.12 57.17 38728.78 22550.09 12970.16 40.15 18198.45 28421.62 21714.75 48.95 45.14 out 5714.62 14.58 44.04 33.87 5459.88 27.54 79952. Hora 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 jan 27443.61 67149.38 20.10 80391.30 85.63 73382.85 set 6.07 39.21 62272.97 66.35 45.99 out 12.85 61797.48 37687.49 74890.20 31.44 61983.05 72696.75 54054.03 35.84 51327.58 37.86 58.79 18562.72 41.65 33.18 39822.59 44109.33 50741.59 72.17 32732.76 63.60 36.73 50.4 .02 52.94 41.72 16.08 58856.40 74412.38 85812.19 23657.74 67.67 49302.75 27.76 31113.13 40.86 mar 7966.00 54.36 47814.40 43.64 21931.92 19855.76 58.Cálculo da iluminância externa: O cálculo da iluminância é feito com base nas fórmulas (I) e (II).83 76.43 75526.16 27.53 3.99 57.92 41835. teremos a tabela e o gráfico abaixo: Tabela 03 – Iluminância para céu claro.33 37288.68 40.96 37835.14 52122.68 6.54 25.10 6216.49 28763.08 61.46 set 1462.57 32.83 66939.62 57754.58 84549.83 83937.57 26.11 31.13 9389.67 42233.59 79.73 53.91 37.28 13.93 50.08 42894.2013 Tabela 02 – Variação da altura solar.75 45042.77 80222.07 70594.46 9270.64 84.32 51.72 74.97 26.74 62479.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .60 53.80 64.43 51.41 31752.98 14060.79 31.85 63.16 14035.04 fev 23.61 49707.57 66.85 112.03 78.23 22.97 nov 17.00 50.18 25000.40 82956.28 38.82 32652.35 39.79 61101.72 46.45 16.04 44.17 63049.94 39742.97 84215.00 49450.

Por reflexões internas em piso. Observa-se que a maior iluminância acontece quando o sol esta a pino (o que corrobora o conhecimento empírico que se tem. 4 – CÁLCULO DA ILUMINÂNCIA EM UM PONTO INTERNO 4.00 30000. devido aos obstáculos. somente uma parcela dessa luz será aproveitada no interior do imóvel.Por reflexão externa em uma obstrução (CRE).00 80000. naturalmente).00 70000.00 20000.00 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 hora jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Gráfico 01 – Iluminância em função da hora local e dos meses do ano. A figura seguinte ilustra essa situação: 12 . . parede e teto (CRI). A luz que atinge um determinado ponto do planto de trabalho (interior ao imóvel) provém basicamente das seguintes fontes: . .00 10000.00 40000.00 90000.00 50000.2013 Variação da Iluminância 100000.Diretamente da abóboda celeste = componente celeste (CC).1 – Preliminares: A luz natural deve ser utilizada para iluminação do meio interno das residências.00 0.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .00 E (lux) 60000. No entanto.

Cálculo do componente de reflexão interna.Consideração à respeito da transmitância do vidro. . .XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . . 13 . O fator de luz diurna pode ser obtido através dos seguintes cálculos: . .Consideração à respeito dos caixilhos. Eh = iluminância externa (já obtida na tabela anterior) FLN = fator de luz diurna.Cálculo do componente de reflexão externa. Essa porcentagem da luz externa que chega ao ambiente interno é um fator conhecido como Fator de Luz Diurna (FLN) e é aplicado da seguinte maneira: Ep = FLN x Eh (V) Onde: Ep = iluminância em um ponto interno.2013 Figura 06 – Fontes de iluminação natural num ponto de trabalho (interno) em um dos apartamentos do condomínio Autor voltados para a construção da Requerida. .Consideração à respeito da limpeza dos vidros (fator de manutenção dos vidros).Cálculo da componente celeste. em lux.

próximo à divisa com o prédio da Requerida. 14 .2013 Nesta análise. Foram confrontadas duas situações: a primeira buscou o cálculo do conforto visual COM O MURO EXATAMENTE COMO ESTÁ (“NÃO CONFORME”) e uma segunda teve por objetivo calcular o conforto visual COM A SITUAÇÃO DE PROJETO (GRADE). uma mesa situada em um dos dormitórios dos apartamentos da Requerente e distante 1. considerou-se como plano de trabalho um local (interno) situado a 1. 4. O plano de trabalho poderia ser.50 da janela do referido dormitório. somente uma parcela dessa luz será aproveitada no interior do imóvel. por exemplo.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . Cumpre salientar que a simulação foi feita considerando-se os apartamentos dos três primeiros andares do Edifício do Autor. No entanto. Da confrontação das duas situações retro restaria apurado o suposto prejuízo decorrente da não conformidade alegada pelo Autor e confirmada pelo jurisperito. devido aos obstáculos.2 – Iluminância no ponto interno considerando a existência da mureta: A luz natural deve ser utilizada para iluminação do meio interno das residências.50m da janela de qualquer dos cômodos com janelas voltadas para o corredor lateral externo do imóvel do Autor. A luz que atinge um determinado ponto do planto de trabalho (interior ao imóvel) provém basicamente das seguintes fontes: a) Cálculo da Componente Celeste (CC): Esse cálculo levará em conta a seguinte situação: W H janela da sala ponto de trabalho D Figura 07 – Janela sem obstrução e ponto de trabalho interno ao imóvel.

para a área da janela que tem a visão do céu obstruída por um determinado obstáculo externo. os autores do presente trabalho consideraram que não havia a parcela de Componente Celeste (CC) no ponto de trabalho situado no interior dos apartamentos dos três primeiros andares do Edifício do Autor. ou seja.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .00 b) Cálculo do Componente de Reflexão Externa (CRE): A componente de reflexão externa é avaliada de forma análoga à componente celeste. Desta forma.2 )) 14 A A B A B Onde: W D H Y = D A = 1+ Y 2 X = B = 1+ X 2 + Y 2 Em função da grande ocupação da quadra onde se situam os edifícios do Autor e Ré. tem-se: CC = 0. porém com fator de forma determinado apenas para a parte obstruída da janela.2013 CC = 1 1 X XY XY  (3  (arctg(x) . conforme esquema abaixo: 15 . arctg( ))  4  (arctg( ) . bem como em função da disposição da quadra frente aos pontos cardeais.

ou pode ser calculada através da seguinte fórmula: FFo = 1 1 X  (arctg(X) . obtém-se: 16 . A CRE pode ser calculada através do diagrama para construções de máscaras.20 3º SUBSOLO IMÓVEL DA REQUERIDA IMÓVEL DO AUTOR Figura 08 – Obstrução externa.5m (toda a janela obstruída).50m e D = 1.2013 CRE PISCINA 1º SUBSOLO 2º SUBSOLO +99. arctg( )) 2 A A Onde: h = D  tg( ) X = W/D Y = h/D A = 1+ Y 2 Considerando-se h = 1.0m e substituindo-se esses valores na fórmula acima. preconizado em norma.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . W = 1.

15 0.095 x 0.5  rteto  rext ) . teto.07 0.39 0.20 0.095 Considerando-se a reflectância externa de 0.Ai = área interna do recinto.019 c) Cálculo da Componente de Reflexão Interna (CRI): Representa a parcela da luz externa que não atinge diretamente o ponto estudado. em teto. .10 0.85  A j A i  (1.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .2.r = reflectância média das paredes. piso.26 0.35 0. .C = constante de obstrução da janela.31 0.2013 FFo = 0.2  CRE = 0. r = rpiso  A piso +  (rparede  A parede ) + rteto A teto A piso + A parede + A teto .Aj = área da janela. C 0.r)  (C  rpiso + 0. paredes e piso. mas através de reflexões internas no recinto. É obtida através da seguinte fórmula: Onde: CRI = 0.05 [º] 0 10 20 30 40 50 60 70 80 17 . dado pela expressão abaixo. dada pela tabela abaixo. a componente de reflexão externa fica: CRE = 0.

2013 Admitindo-se que o piso e o teto possuem áreas iguais a 15. seu valor seria T = 0.92. calcula-se o fator de luz diurna pela seguinte expressão: FLN = (CC + CRE + CRI) MT Onde: CC = 0. leva em conta a perda de uma parcela da luz devido à reflexão. e) Coeficiente de caixilho () : Reflete a relação entre a área envidraçada de uma janela e a área total.01 d) Fator de manutenção do vidro(M): Considerando-se ambiente urbano.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . teremos: CRI = 0.39. tem-se M = 0.00 CRE = 0. tem-se  = 0. a área obstruída pelo caixilho.9. g) Cálculo do Fator de Luz Diurna (FLN): Feitos todos os cálculos das variáveis. e considerando-se ainda:  reflectância das paredes = 80%  reflectância do teto = 50%  reflectância do piso = 20%  reflectância externa = 20%  Constante de obstrução da janela (tabelado) C = 0. descontando.019 CRI = 0.0m².0m² e as paredes área aproximada de 45.90 18 . f) Transmitância do vidro (T): Também tabelado. portanto.01 M = 0.80.  área da janela = 2. Considerando-se vidro transparente polido.25m²  área interna do recinto = 75m².

jan 548.66 836. Iluminância interna 2000.19 994.76 1338.45 1524.01 900.56 1328.54 fev 338.60 794.97 1690.24 259.65 1155.04 1026.96 1222.92 Obtém-se : FLN = 0.46 1718.44 2.29 0.019 OU 1.14 1527.42 281.42 954.00 1800.38 1453.95 956. em lux.88 1161.80 T = 0.56 dez 215.68 895.00 1000.12 950.95 1659.58 857.21 467.27 798.15 1014.34 109.78 1042.84 473.72 Tabela 04 – Iluminâncias internas no ponto de trabalho.00 200.99 1522.26 1678.29 1638.12 1260.24 363.11 575.00 800.29 853.80 1181.86 397.03 571.52 1638.26 280.54 654.31 1191.10 1026.01 1358.98 796.26 1491.75 1497.72 658.86 969.00 1400. para os meses de janeiro e junho.99 1599.00 600.29 434.00 0.00 400.46 388.12 1245. 19 .29 190.15 1239.54 1411.47 1488.52 1200.46 744.09 986.71 Iluminância Interna (lux) .00 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 hora jan jun Gráfico 02 – Iluminâncias internas no ponto de trabalho.29 882.9% DA ILUMINÂNCIA EXTERNA.98 774.57 1657.32 500.14 2.65 976.54 309.68 756.20 146.98 1177.50 1684.09 745.2013  = 0.84 1235.64 371.19 1342.53 1154.30 622.78 124.11 abr 59.54 931.98 451.03 825.57 1249.05 1353.65 185. em lux.89 438.01 753.céu claro mai jun jul ago 16.76 nov 208.83 set 29.00 1604.21 1467.00 E (lux) Hora 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 1200.64 mar 159.12 1081.14 469.41 635.42 989.46 653.15 449.72 1091.27 814.00 1600.84 1242.31 1510.01 568.05 1714.94 1511.04 out 114.71 707.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .24 187.65 844.75 640.15 1467.83 1716.38 1607.

nota-se que a eventual não conformidade existente no muro divisório não altera as condições de iluminação dos apartamentos do condomínio Autor. Sob esta consideração.2013 4. A componente de reflexão interna (CRI) também se mantém. A componente de reflexão externa (CRE) permanece inalterada.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . por hipótese. ou seja. haja vista que as características internas dos apartamentos continuam as mesmas. Desta feita.20 IMÓVEL DO AUTOR 3º SUBSOLO IMÓVEL DA REQUERIDA Figura 09 – Componente de Reflexão Externa. Do exposto. os apartamentos inferiores continuam sendo difusamente iluminados apenas pela Componente de Reflexão Externa (CRE) e pela Componente de Reflexão Interna (CRI). 20 . haja vista que as janelas dos pavimentos inferiores se mantêm obstruídas pelas construções vizinhas.3 – Iluminância no ponto interno considerando a existência de grade: A situação objetivada no presente item segue ilustrada abaixo: CRE PISCINA 1º SUBSOLO 2º SUBSOLO +99. pode-se certificar que a inclusão da grade não altera as condições de iluminação dos apartamentos situados nos pavimentos inferiores. não altera o conforto visual dos moradores dos apartamentos do imóvel do Autor.

mas sim dos prédios erigidos na quadra. cuja legalidade construtiva não foi questionada.2013 O sombreamento da fachada do Autor não decorre do muro divisório. Prédio do Autor Prédio da Requerida Rua X Figura 10 – Modelo computacional de alguns prédios da quadra de interesse e de uma quadra vizinha (somente grade colocada na divisa). 21 . os autores empreenderam uma simulação computacional do fenômeno do sombreamento na quadra onde se localizam os prédios do Requerente e Requerido. o corpo principal do prédio já se encontrava concluído e foi executado em total conformidade com o projeto aprovado na Edilidade. considerando-se duas situações distintas: A – Com grade colocada na divisa.4 – Da influência dos prédios vizinhos na insolação do imóvel do Autor: Como já consignado. Ademais. 2001). A fim de corroborar tal assertiva. 4.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . o sombreamento não é um fenômeno raro nos grandes centros urbanos. em linha também com as conclusões alcançadas no item 4. Ao contrário. B – Com a situação atual (muro de alvenaria em cota superior à do deck da piscina).3 do presente artigo. inclusive do corpo principal do prédio da Requerida. é um fenômeno rotineiro em função da proximidade e da altura das edificações de determinada quadra (Aguiar.

XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . 22 . Figura 12 – Sombreamento do quarteirão às 10:00hs da manhã. entre o solstício de verão e um equinócio.2013 Figura 11 – Sombreamento do quarteirão às 9:00hs da manhã. entre o solstício de verão e um equinócio.

entre o solstício de verão e um equinócio. entre o solstício de verão e um equinócio.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . Figura 14 – Sombreamento do quarteirão às 12:00hs da manhã. 23 .2013 Figura 13 – Sombreamento do quarteirão às 11:00hs da manhã.

2013 Figura 15 – Sombreamento do quarteirão às 13:00hs da tarde. A fachada lateral do prédio do Autor (voltada para o prédio da Requerida) já não está iluminada diretamente. 24 . entre o solstício de verão e um equinócio. Figura 16 – Sombreamento do quarteirão às 14:00hs da tarde. entre o solstício de verão e um equinócio.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .

entendido pelo Jurisperito como causador de todo o prejuízo à iluminação do imóvel do Autor.2013 Figura 17 – Sombreamento do quarteirão às 15:00hs da tarde. entre o solstício de verão e um equinócio. no intuito de representar a situação atual da divisa. por ocasião da elaboração do Parecer Técnico Divergente. Os autores do presente artigo ainda procederam. 25 . A figura a seguir ilustra a introdução do muro divisório no nível do deck da piscina. uma simulação considerando-se o alteamento do muro divisório.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .

Figura 19 – Sombreamento. Observa-se que a fachada do Autor possui grande área sombreada. para a situação “B”. 26 . para simular a situação atual. para as 9:00hs da manhã.2013 Figura 18 – Colocação do muro divisório no modelo.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC .

mas sim pela própria ocupação da quadra onde se localizam os imóveis sub-júdice. Figura 20 – Sombreamento do imóvel do Autor sem a existência do imóvel da Requerida. 27 .XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . ocupação essa típica dos grandes centros urbanos.2013 Por absurdo. Por todo o exposto. constituindo-se o que se conhece por sólido edificado. os autores ainda simularam o sombreamento da fachada do prédio do condomínio Autor retirando o prédio erigido pela Requerida do modelo computacional. nota-se que o sombreamento da fachada lateral do imóvel do Autor não é condicionado pelo muro divisório. conforme ilustrado na figura a seguir. A figura a seguir apresenta o sombreamento de outro edifício situado na mesma quadra onde se localizam os imóveis do Autor e da Requerida.

em detrimento dos julgamentos subjetivos que haviam sido contemplados no Laudo Pericial.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . Em função dos robustos elementos técnicos que a análise quantitativa e a modelagem computacional podem oferecer. na mesma quadra onde se situam os imóveis do Autor e da Requerida.g. 28 . os autores do presente trabalho recomendam a extensa utilização de tais procedimentos nas perícias envolvendo a apuração de supostos prejuízos à insolação de imóveis causados por alterações no meio circunvizinho (e. 5 – CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES O presente artigo apresentou as análises efetuadas e as conclusões alcançadas pela equipe da perícia acerca do sombreamento causado por um prédio em construção sobre edifício existente no terreno vizinho. novas construções). modelos quantitativos de iluminação natural contemplados na NBR 15215 bem como modelagem computacional do fenômeno de sombreamento trouxeram o necessário supedâneo técnico ao Parecer Divergente elaborado. No particular caso em questão.2013 Figura 21 – Sombreamento em um edifício provocado pelo prédio vizinho.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 2005. NBR 15215-3: Iluminação Natural – Parte 3: Procedimentos de cálculo para a determinação da iluminação natural em ambientes internos. Apostila do curso da disciplina PCC 261-Física das Construções. Revista ProjetoDesign. Rio de Janeiro.XVII COBREAP – CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA DE AVALIAÇÕES E PERÍCIAS – IBAPE/SC . (1996) Iluminação. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS.2013 6 . NBR 15215-1: Iluminação Natural – Parte 1: Conceitos básicos e definições. E. do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da USP. IOSHIMOTO. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. (2001) O quarteirão urbano.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR. Rio de Janeiro. A. Edição 255. 2005. Rio de Janeiro. PETRUCCI. 29 ..L. 2005. NBR 15215-2: Iluminação Natural – Parte 2: Procedimentos de cálculo para a estimativa da disponibilidade de luz natural. D.V.