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14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira

Considerações sobre execução penal na
sistemática penal brasileira
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Publicado por Gisele Leite
há 3 anos 2.702 visualizações

O texto pretende explanar de forma didática os principais aspectos da execução
penal. E as principais dúvidas que por ora povoaram nosso país, sociedade e
democracia.

Para regular a execução penal, a doutrina internacional consagrou a expressão
“Direito Penitenciário”. Mas, para o direito brasileiro tal designação não coaduna
com a Lei 7.210/1984, a Lei de Execução Penal (LEP) [1] já que em seu primeiro
artigo estabeleceu como objetivo “efetivar as disposições da sentença criminal e
proporcionar condições para a harmônica integração social do condenado e do
internado”.

Portanto, a execução penal não trata apenas das questões relacionadas com o
cárcere mas se preocupa com a reabilitação do condenado. Surgiu então a
expressão “Direito da Execução Penal” que fora também acolhida pela Exposição
de Motivos da Lei 7.210/1984.

O pressuposto fundamental da execução é a existência de sentença
condenatória[2] ou absolutória imprópria (absolvição com imposição de medida
de segurança[3]) transitados em julgado. Apesar de que estarem sujeitas a
execução também as decisões homologatórias de transação penal exaradas nos
Juizados Especiais Criminais.

Tema controvertido é a natureza jurídica da execução penal, havendo quem
defenda que possua caráter puramente administrativo e, por outro lado, quem
sustente sua natureza eminentemente jurisdicional[4].
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14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira

A execução penal encerra atividade complexa que vai da seara administrativa até a
esfera jurisdicional, sendo regulada por normas pertencentes a outros ramos
jurídicos, especialmente o direito penal e o direito processual penal.

A Exposição de Motivos do projeto que gerou a Lei 7.210/1984 reconheceu
explicitamente a autonomia desse ramo jurídico ao reconhecer que o direito
regulador da execução penal não possui índole predominantemente
administrativa, e tem caráter autônomo embora se submeta aos ditames do Direito
Penal e Direito Processual Penal.

Dessa atividade leciona Ada Pellegrini Grinover que se desenvolve,
entrosadamente nos planos jurisdicionais e administrativo, onde há a participação
de dois poderes estaduais: o Judiciário e o Executivo, e por intermédio,
respectivamente dos órgãos jurisdicionais e dos estabelecimentos penais. Mas,
Renato Marcão adverte que é jurisdicional sua natureza apesar de ser intensa a
atividade administrativa desenvolvida.

O processo de execução se desenvolve por impulso oficial, não havendo
necessidade de provocação de juiz pelo Ministério Público ou por quem quer que
seja. Transitada a sentença condenatória ou absolutória imprópria em julgado,
caberá ao juiz da execução, recebendo os autos do processo ou cópia das principais
peças que o compõem, determinar as providências cabíveis para cumprimento da
pena ou da medida de segurança.

Com relação à multa, não sendo paga dentro do prazo de dez dias após o trânsito
em julgado da sentença[5], poderá o juiz da condenação (por economia processual)
ou o juiz da execução, exofficio, determinar a intimação do condenado para que o
faça.

E, se ainda assim, não houver pagamento, prevalece o entendimento de que seja a
Procuradoria Fiscal deduzir a competente ação de execução, visando à penhora e
subsequente venda pública de bens do condenado.

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 da legalidade. Em se tratando de pena de privativa de liberdade. o executado pode ser tanto o preso definitivo como o provisório. aplicada a medida de segurança. não podendo o particular nesta se intrometer com o objetivo de fazer cumprir o comando incorporado à decisão penal transitada em julgado. enfim é o monopólio estatal independentemente da natureza da ação penal que gerou a sentença. já que possui ciência da acusação e da sentença final.com. nesses casos é necessária a citação do condenado tendo em vista que tal processo pode resultar em penhora e subsequente venda judicial dos seus bens. refere­se ao executado. O objetivo da execução penal é proporcionar condições para integração social do condenado e. o condenado não precisa ser citado do processo de execução penal. Também não é possível que o particular venha insurgir­se contra os benefícios concedidos ao apenado durante o cumprimento da pena ou intervir em incidentes da execução. O sujeito ativo da execução penal é o Estado.jusbrasil.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira Geralmente. restritiva de direito ou multa ou ainda. pois. não se resume no plano teórico. Existem princípios que regem todas as fases de aplicação e de execução das sanções penais (é o caso do princípio da intranscendência da pena.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 3/23 . https://giseleleite2. Ressalvada a hipótese da execução forçada da pena de multa. postulando as providências necessárias para o escorreito cumprimento da pena imposta ou da medida de segurança. ou seja. Portanto. a pessoa a quem é imposta a pena privativa de liberdade. cabe ao Ministério Público intervir em todos os seus termos. O objeto da execução penal é a efetivação do mandamento incorporado à sentença penal e a reinserção social do condenado ou do internado. Quanto o sujeito passivo. Busca concretizar o jus puniendi do Estado realizando­se o título executivo constituído pela sentença. mas nas decisões do Judiciário no momento de decidir sobre a concessão ou negativa de benefícios.

14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira da inderrogabilidade. cabe ao juiz da condenação determinar a expedição da guia de recolhimento provisória e seu envio à Vara de Execução competente. condenado acometido de doença grave[i]. ou que o tratamento médico seja ineficiente ou inadequado. devendo o condenado submeter­se ao regime normal de cumprimento da pena. É nesse juízo onde deverá correr a execução e onde devem ser feitos os pedidos a esta relacionados. A prisão domiciliar caso seja permitida aos condenados definitivos do regime aberto quando presentes as situações descritas do art.jusbrasil. A prisão especial prevista no art. Sendo aberta a execução provisória. duas posições: uma considerando que a competência para decidir sobre pedidos formulados pelo acusado preso provisoriamente é do juiz do processo do conhecimento. forma de cumprimento da prisão cautelar. https://giseleleite2. deixa de existir o direito à prisão especial. condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental e condenada gestante). Ressalve­se que se o condenado for portador de doença grave cujo tratamento não possa ser ministrado no próprio estabelecimento prisional em que seja recolhido. e sim. da individualização[6] da pena e da humanidade[7]). Com o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. da proporcionalidade.210/1984 (condenado maior de setenta anos. portanto. Existem hipóteses legais em que terão os presos direito à cela separada de outros presos mesmo após a condenação definitiva.com. 295 do CPP não configura uma modalidade de prisão cautelar. a fim de evitar constrangimentos e intimidações físicas e morais durante a execução penal. Sobre o juízo competente da execução penal sendo provisória há.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 4/23 . Outra posição aponta que isso compete ao juiz da Vara de Execuções Penais. 117 da Lei 7.

 os direitos políticos. à educacional.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 5/23 . Prevê o art. à audiência pessoal com o diretor do estabelecimento prisional e de atestado de pena a cumprir emitido anualmente[10]. ressalvadas as restrições decorrentes da própria sentença penal e os efeitos previstos da condenação previstos normalmente na Constituição Federal brasileira e na legislação infraconstitucional.jusbrasil. principalmente no caso de condenação à prisão privativa de liberdade. Se a execução penal é transferida para outra unidade da Federação onde se executará a pena. Os direitos assegurados aos presos[9] pela legislação infraconstitucional são à alimentação. dispondo que “o preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade. ao da sentença. 65 da Lei 7. 38 do Código Penal. vir e ficar. E. impondo­se a todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral[8]”. à saúde. o direito à naturalização. ao exercício do poder familiar.270/1984. 3º da LEP que “ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei”. à assistência material.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira De acordo com o art. na sua ausência. a execução penal competirá ao juiz indicado na lei local da organização judiciária e. social e religiosa (conforme enumera os incisos do art. Aliás. exercício de mandato eletivo.com. 12 da LEP). tal regra bem se harmoniza com o ditame do art. nesse caso. Portanto. estará ocorrendo modificação de competência. de acordo com a respectiva Lei de Organização Judiciária. Mas existem direitos que podem ser atingidos ou restritos como decorrência direta da condenação: a liberdade de ir. antes do trânsito em julgado da decisão condenatória. ao trabalho remunerado. 42 da LEP). ao uso do nome. à proteção contra o sensacionalismo. o condenado mantém incólume todos os direitos que lhe assistiam. à jurídica. vestuário e instalações higiênicas (art. tutela e curatela e à direção de veículo automotor. direito à propriedade dos bens adquiridos com o proveito do crime; ao exercício do cargo ou função ou emprego público. https://giseleleite2.

As penas previstas no art.com. devendo ser respeitado o comando constitucional que prevê expressamente ser inviolável o sigilo de correspondência[12]. de seus familiares ou dependentes.jusbrasil. a fim de melhor orientar e acompanhar o tratamento médico. não importando. Mas na prática. Salvo quando essa profissão foi o que propiciou o exercício delituoso. Quanto aos presos provisórios. Adverte Alexandre Morais ser indiferente o tipo de infração penal cometida. Não havendo a utilidade em se proibir o condenado de exercer uma profissão ou atividade lícita. não importa em violação de correspondência. O condenado que teve sua condenação criminal transitada em julgado tem automaticamente a suspensão de seus direitos políticos que somente cessa com o cumprimento a pena ou da extinção da mesma. ou contravenção penal. preservando­se a dignidade da representação democrática[13]. Tal restrição. no entanto. em tese. independentemente de reabilitação ou de prova de reparação de danos (Súmula 9 do TSE).br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 6/23 . Tal suspensão de direitos políticos perdurará pelo tempo em que persistir as sanções impostas ao condenado. No art. A ratio dessa suspensão de direitos é reservar os cargos políticos eletivos para os cidadãos insuspeitos. 41. se encontra em livramento condicional. 45 da LEP é garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoa do condenado.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira No caso de medida de segurança dispõe o art. que isso seja restringido pela administração penitenciária pelo cometimento de falta grave. possibilitando contudo. mantêm seus direitos de votar e de ser votados. sursis ou prisão domiciliar. https://giseleleite2. inciso XV da LEP é previsto como direito do preso a comunicação[11] com o mundo exterior mediante cartas manuscritas. seja da prática de crimes dolosos ou culposos. 47 do CP estão dissociadas dos propósitos regeneradores da pena. torna­se inviável o referido exercício pela falta de instalação de sessões eleitorais no interior dos presídios.

jusbrasil. Há também a proibição.com. No regime fechado são exercidos controle e vigilância rigorosos sobre o preso. Ao iniciar o cumprimento deverá ser submetido ao exame criminológico[14] para obtenção dos elementos necessários para a adequada individualização da execução.716/1989 que definiu como crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor. social. 87 da LEP) devendo o condenado ser alojado em cela individual que conterá sanitário. E tal entendimento coaduna com a Lei 7.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira O condenado não tem o direito subjetivo de escolher o presídio onde pretendam cumprir a pena. e se ocorrer recusa injustificada significará falta grave[15]. O trabalho interno do apenado em regime fechado será no período diurno. religiosa ou política. Sendo obrigatório o trabalho. E. bem como a habilitação e condição pessoal do preso. https://giseleleite2. embora que a distância não restrinja a visitação (art. de tratamento diferenciado com relação aos homossexuais e às pessoas portadoras de necessidades especiais. o chamado período de silêncio. sob a direção do juízo da Vara de Execução Penal. sendo que o local do cumprimento da pena uma atribuição do juízo de conveniência da Administração Penitenciária. dormitório e lavatório. tal trabalho será em conformidade com as aptidões e ocupações anteriores.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 7/23 . Não poderá o condenado sobre qualquer distinção de natureza racial. observando a salubridade adequada à existência humana. por analogia. A penitenciária é o local apropriado para o cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado (art. Tratando­se de penitenciária de homens estabelece a lei que deverá ser construída em local afastado do centro urbano. 90 da LEP). ficando este no isolamento durante o repouso noturno.

 91 da LEP).br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 8/23 . de aptidão. disciplina e cumprimento de no mínimo um sexto da pena. Em razão do trabalho. Deverá ser observado o limite máximo de dez percento do total de empregados na obra. Poderão os presos em regime fechado obter permissão para sair do estabelecimento mediante escolta para os seguintes fatos: I­ falecimento ou doença grave de cônjuge. não se configura elemento idôneo para o indeferimento à concessão do benefício do trabalho externo (vide STJ HC 65 356/AC. 126 da LEP). ascendente. em três dias; e de um dia de pena para cada três dias de trabalho (art. Neste âmbito o STJ já pacificou­se entendimento que no caso de natureza hedionda do delito. Os condenados do regime semiaberto[17] devem cumprir sua pena privativa de liberdade em colônia agrícola. além de requerer a autorização da direção do estabelecimento prisional. Em alojamento de compartilhamento coletivo também observada https://giseleleite2. Excepcionalmente. DJ 10/09/2007). por si só. ou entidades privadas tomando­se naturalmente as precauções cabíveis para impedir a fuga ou a indisciplina. A permissão de saída ocorrerá por concessão do diretor do estabelecimento prisional com a duração necessária à finalidade da saída (art. 121 da LEP). industrial ou estabelecimento similar (art. no mínimo. companheira. em razão de um dia de pena para cada doze horas de frequência escolar divididas.jusbrasil. Tratando­se de trabalho em entidade privada a execução do trabalho dependerá de expresso consentimento do preso. admite­se no regime fechado o trabalho externo desde que em obras públicas realizadas por órgãos da Administração direta ou indireta. descendente ou irmão; II­ necessidade de tratamento médico que não possa ser realizado na penitenciária. dependerá ainda.com. Note­se que a admissão de trabalho externo para o preso. o preso faz jus à remição[16] de sua pena.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira Aos maiores de sessenta anos poderá ainda solicitar ocupação adequada à sua faixa etária bem como os doentes e deficientes físicos.

 caput do Código Penal.jusbrasil. desde que cumpridos os demais requisitos necessários de natureza subjetiva[20]. sendo admissível trabalho externo. Igualmente é obrigatório o exame criminológico. 126 da LEP. O local adequado para o cumprimento da pena em regime aberto é a casa do albergado[21] que deve situar­se em centro urbano. Obviamente faz jus o preso que trabalha ou estuda a respectiva remição da pena conforme estatui o art. considera­se o tempo do cumprimento da pena em regime fechado”. A Súmula 40 do STJ fixa que “para a obtenção dos benefícios de saída temporária e trabalho externo.com. bem como a frequência de cursos supletivos profissionalizantes. a doutrina e jurisprudência discutem sobre a necessidade da observância do prazo mínimo de um sexto da pena cumprida para seu deferimento. Há quem sustente ser desnecessário o cumprimento do um sexto da pena[19] para a concessão do trabalho externo.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 9/23 . 120 e 121 da LEP. caracterizando­se pela ausência de obstáculos físicos contra a fuga. Sugerindo referir­se ao preso presente no regime semiaberto por progressão sendo cabível a exigência do lapso mínimo. Relativamente ao trabalho externo.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira a salubridade adequada à existência humana. 36. O regime aberto funda­se basicamente na autodisciplina e no senso de responsabilidade do condenado ex vi o art. https://giseleleite2. de instrução de segundo grau ou superior. A prisão albergue é uma das espécies do regime aberto porém nada impede que lei federal ou mesmo lei local venha estabelecer outras espécies desde que cumpridos todos os requisitos próprios para o ingresso nesse regime. podendo ser realizado pela Comissão Técnica de Classificação[18]para prover a adequada individualização da pena. mas prevalece o entendimento que seja facultativo. Também podem usufruir de saída temporária nos mesmos casos dos arts. O condenado se sujeita a trabalho no período diurno. em prédio separado dos demais.

 São as hipóteses: condenado com mais de setenta anos; acometido de doença grave; com filho menor ou deficiente e condenado gestante. I e II. especialmente a dos idosos. 146­B. uma proibição objetiva e incondicional à concessão de prisão domiciliar. já que não se pode impor o cumprimento de pena pelo meio mais severo ou penoso que o já determinado em sentença condenatória. 117 da LEP estabelece claramente os casos em que se admite o recolhimento do preso em residência particular. Vige controvérsia se é cabível prisão domiciliar ao condenado por crime hediondo[22] ou equiparado. A majoritária jurisprudência tem entendido que inexistindo vaga em estabelecimento penal compatível com regime semiaberto ou aberto. Trata­se de um rol taxativo. c.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 10/23 .14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira O art. violar.jusbrasil. principalmente do condenado à pena privativa de liberdade em regime aberto. sempre será preponderante dada a sua condição de princípio fundamental da república (art. resta incontroverso que essa mesma dignidade se encontrará ameaçada nas hipóteses excepcionalíssimas em que o apenado idoso estiver acometido de doença grave que exija maiores cuidados especiais. Por outro lado. pois a dignidade da pessoa humana. O STF já deliberou que no sentido de que o fato de o paciente estar condenado por delito tipificado como hediondo não enseja. IV da LEP que a pessoa beneficiada com prisão domiciliar poderá estar sujeita a fiscalização por meio de monitoração eletrônica[23]. por si só. responder aos seus contatos e cumprir suas orientações.com. é legítima a adoção da prisão domiciliar. 146. do mesmo diploma (receber visitas do servidor responsável pela monitoração eletrônica. 1º. bem como abster­se de remover. os quais não possam ser fornecidos no local de custódia ou em estabelecimento hospitalar adequado. mas existem situações em que se admite o deferimento da prisão domiciliar. Caso ocorra comprovada violação dos deveres pertinentes à monitoração eletrônica previstos no art. Dispõe ainda o art. III da CF/1988). https://giseleleite2.

14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira modificar ou danificar o dispositivo de monitoração ou de permitir que outrem o faça). 111 da LEP) no mesmo processo ou em processos distintos a determinação do regime de cumprimento será realizada pelo resultado da soma ou unificação das penas. segundo parágrafo do Código Penal ainda fixa que a progressão de regime deve ser “segundo o mérito do condenado”. a prisão domiciliar tem natureza cautelar. Não se pode confundir a prisão domiciliar prevista no art. indivíduo extremamente debilitado por doença grave. sendo observada a possibilidade de detração ou remição. Quando houver a condenação por mais de um crime (art. https://giseleleite2. Sendo vedada a progressão per saltum[24]. é colocado em liberdade condicional. Ademais o art. e quando imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de seis anos de idade ou portador de deficiência. O art. 317 do CPP).br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 11/23 . sendo prevista como forma de cumprimento da prisão preventiva. 33.com. a prisão domiciliar poderá ser revogada. Quanto à progressão de regime prisional no Brasil se adota o sistema progressivo onde há um período inicial de isolamento absoluto e. 318 do Código de Processo Penal. E o art. No primeiro caso. após segue­se a fase em que o apenado trabalha durante o dia e na companhia de outros presos e no estágio final. refere­se ao benefício previsto na Lei de Execução Penal (LEP) aos apenados ao regime aberto; já no segundo caso. 117 da LEP com a prisão domiciliar prevista no art. 318 do CPP prevê a prisão domiciliar para o condenado ou indiciado com mais de oitenta anos. 112 da LEP frisa ainda que a transferência para regime menos rigoroso deve ocorrer depois da pena privativa de liberdade ser executada de forma progressiva. de sorte que o indiciado ou mesmo acusado recolhido a sua residência apenas poderá dela ausentar­se com autorização judicial (art.jusbrasil.

 Não é outro sentido o adotado pela súmula 439 do https://giseleleite2. 74 do CP. Para tanto. Esclarece o art. A jurisprudência dominante firmou­se no sentido de que não é verdade ao juiz aferir o mérito do reeducando por outros elementos como o exame criminológico ou psicossocial do condenado. mais favorável para execução penal. bem como ao lado do requisito objetivo que é o cumprimento de um sexto da pena. Tal “bom comportamento” deverá ser aferido pelo juiz da execução penal por meio de atestado fornecido pelo diretor do estabelecimento prisional.jusbrasil. Isso significa que os dias remidos devem ser somados ao total da pena já cumprida. não sobre o limite legal de execução que é de trinta anos.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 12/23 . não é considerada para a convenção de outros benefícios. revelado por meio de bom comportamento carcerário durante a execução da pena privativa de liberdade. o percentual de um sexto é calculado sobre o total da pena imposta e.433/2011 que o tempo remido pelo trabalho ou estudo do preso deve ser considerado o tempo de pena efetivamente cumprido para todos os fins. Na hipótese de condenação superior a trinta anos. 128 da LEP alterado recentemente pela Lei 12. como o de livramento condicional ou regime. para os fins de integrar o lapso temporal necessário à obtenção dos benefícios. A pena unificada para atender ao limite de trinta anos por cumprimento determinado pelo art.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira Sem embargo de ser possível o ajuste do sistema progressivo visando melhor adaptá­lo à moderna execução criminal. Quanto ao requisito subjetivo para obter a progressão de regime que consiste no mérito do apenado. inclusive de progressão de regime prisional. apesar de a lei fixar estabelecimentos prisionais distintos conforme o regime prisional no qual se encontra o preso estabelece o exame do mérito do apenado como condicionante do deferimento da progressão de regime.com.

 visto que não se consegue fazer a revista pessoal adequada no visitante de maneira completa. Note­se ainda que o juiz poderá requerer parecer prévio da Comissão Técnica de Classificação para autorizar a progressão de regime. Tal direito deve ser considerado pela administração do presídio. parece­nos que não é certo vetar tal direito quando não se tratar de cônjuge ou companheiro (seja do sexo oposto ou não). O inciso X do art. Há. até por ser questão de invasão de privacidade; c) pode­se incentivar a prostituição; d) se a prisão descaracteriza­se como castigo pois a possibilidade de relacionamento sexual periódico torna a vida prisional muito próxima da vida de réu solto; e) o estabelecimento prisional não é adequado e nem há instalações próprias para tal ato de intimidade podendo gerar promiscuidade; f) há presos que são obrigados a “vender” as suas mulheres e parceiros a outros para que prestem favores sexuais em virtude de dívidas ou outros aspectos.jusbrasil. Mas. pontos negativos indicados pela doutrina a respeito desse direito. sim.com. tais como: a) o direito de visita íntima retira o controle integral do Estado em relação aos contatos entre presos e pessoas de fora do estabelecimento prisional; b) permite­se o ingresso de aparelhos celulares. contudo. ainda não está regulamentado em lei. O preso casado tem sido beneficiado pois seu cônjuge cadastra­se e passa à esfera da autoridade. e redução do direito de saída da cela. https://giseleleite2.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira STJ bem como a Súmula Vinculante 26 do STF[25]·. de uma forma especial de cumprimento de pena no regime fechado que se caracteriza pela permanência do preso em cela individual com a limitação do direito de visita. 41 da LEP não se refere ao direito à visita íntima. Tal direito ainda depende de lei federal para regulamentar integralmente o tema e finalmente complementar o rol dos direitos do preso.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 13/23 . Não se trata o regime disciplina diferenciado (RDD[26]) de uma quarta modalidade de regime de cumprimento de pena privativa de liberdade e. Infelizmente.

 Criando­se também a figura típica prevista no art. Por essa razão. editou­se a Lei 11. indulto e outros benefícios.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 14/23 . Se o condenado requerer. reconhecimento de remição. a produção de provas ou determinar à direção do presídio que o faça.com. bem como indicando provas e fontes. a saber: a) é fundamental garantir em todo procedimento administrativo ao condenado para apurar a falta gravem a participação de defensor técnico; b) basta garantir ao condenado.466/2007 que acrescentou o inciso VII ao art. a autodefesa para o procedimento de apuração de falta grave é suficiente; se necessário. oferecendo sua versão sobre os fatos. poderá atuar o advogado. atualmente tem prevalecido a primeira corrente principalmente no STF. em juízo. de rádio ou similar que permita a comunicação com outros presos ou com o ambiente externo”. 50 da LEP é na douta opinião de Guilherme Nucci taxativo. ter “em sua posse. portanto não é possível sua alteração por meio de resolução. O que reforça a índole jurisdicional da execução penal.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira O rol constante do art. sendo possível o acompanhamento do juiz corregedor do presídio. Porém. utilizar ou fornecer aparelho telefônico.jusbrasil. se for o caso. existem duas correntes. caberá ainda ao juiz revisar o procedimento administrativo no sentido de proporcionar­lhe. 50 da LEP para o fim de prever como falta grave. portaria ou decreto efetivando outras espécies de faltas graves[27] sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. E. Além do fato de que o registro de falta grave no prontuário do preso é inviabilizador de progressão de regime. Não há ponto pacífico quanto à necessidade de defesa técnica ou autodefesa para a apuração de falta grave. Portanto. https://giseleleite2. a oportunidade de se manifestar diretamente. 319­A do Código Penal criminalizando­se a conduta do funcionário público que permita acesso do preso ao celular ou aparelho similar.

Enfim. 9. NUCCI.jusbrasil. garantindo ao condenado o respeito a todos os princípios e regras básicas que quando acusado se submeteu ao tempo do processo de conhecimento. Direito Processual Penal e sua Conformidade Constitucional. Norberto. na certeza de preservar os valores mais importantes para a prosperidade de uma nação democrática. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais.) Vade Mecum Penal e Processual Penal 5 em 1. 2006. sem efeito suspensivo. caberá recurso de agravo. 197 da LEP que das decisões proferidas no processo. 2012. Referências AVENA. São Paulo: Editora Método. No fundo. Execução Penal: Esquematizado. 2010 GREGO. 2014. Curso de Processo Penal. Guilherme de Souza. Rogério (coord.com. todos clamam pela execução penal garantista que aponte reger­se pelos dispositivos da Constituição Federal vigente. 1. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 15/23 . pela Lei de Execução Penal e pelo Código de Processo Penal. Ed. A única exceção é o agravo interposto contra decisão de liberação da pessoa sujeita a medida de segurança. Rio de Janeiro: Editora Impetus. Aury Lopes. Manual de Processo Penal e Execução Penal. Marcellus Polastri.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira Preceitua o art. Niterói. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. LIMA. a execução penal ratifica plenamente o Estado de Direito e o respeito a lei por todos. compete ao juízo das execuções a aplicação da lei https://giseleleite2. 2012. JUNIOR. [1] É de bom alvitre lembrar­se da Súmula6111 do STF que aduz: "Transitada em julgada a sentença condenatória. Ed. Volume III.

[4] O estatuto jurídico preso prevê no art.com. Então. desde que compatíveis com a execução da pena; VII ­ assistência material. Havendo dois posicionamentos: o primeiro entende que se converte por tempo indefinido. fundamentar a aplicação da pena. (Incluído pela Lei https://giseleleite2. mediante a aplicação da sanção adequada. a correlação não existe apenas em relação ao fato criminoso. social e religiosa; VIII ­ proteção contra qualquer forma de sensacionalismo; IX ­ entrevista pessoal e reservada com o advogado; X ­ visita do cônjuge. artísticas e desportivas anteriores. Tendo a condenatória duplo conteúdo: declara existente o direito de punir emanado da violação do preceito primário da norma penal; e o segundo lugar. motivação e conclusão. da companheira. sob pena da responsabilidade da autoridade judiciária competente.411 daLEPP em numerus apertus I ­ alimentação suficiente e vestuário; II ­ atribuição de trabalho e sua remuneração; III ­ Previdência Social; IV ­ constituição de pecúlio; V ­ proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho. jurídica. que não podem ir além do objeto da acusação formalizada e devem justificadas pelo prolator da sentença condenatória. emitido anualmente. em defesa de direito; XV ­ contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita. converte­se pelo tempo remanescente da pena. faz vigorar para o caso concreto as forças coativas latentes da ordem jurídica.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira mais benigna". [2] Como qualquer sentença deverá observar os requisitos formais referentes à exposição. intelectuais. não há menção em lei.jusbrasil. [3] O limite para a medida de segurança que se converte em pena. XVI – atestado de pena a cumprir. portanto. o descanso e a recreação; VI ­ exercício das atividades profissionais.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 16/23 . à saúde. mas igualmente com relação às sanções que devem ser aplicadas ao réu. como se faz com qualquer medida de segurança; e o segundo. da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. Deve ele. educacional. de parentes e amigos em dias determinados; XI ­ chamamento nominal; XII ­ igualdade de tratamento salvo quanto às exigências da individualização da pena; XIII ­ audiência especial com o diretor do estabelecimento; XIV ­ representação e petição a qualquer autoridade.

 e outros efeitos civis. [9] Lembrando que quaisquer benefícios fora da prisão.jusbrasil.8.com. Lembrando sempre que a sentença condenatória penal é dinâmica e não estática. recolhe­se o condenado ao IML para realizar perícia e se constatar formalmente de estado físico e moral. X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento. de 13. [7] O estudo da execução penal está intimamente ligado aos princípios constitucionais penais e processuais até para que a realização do direito punitivo ocorra em respeito dos direitos e garantias individuais. [5] Poderá a sentença penal produzir efeitos outros tais como impedir a naturalização do estrangeiro. Os direitos previstos nos incisos V. já deve estabelecer a pena respectiva (se detenção ou reclusão); b) individualização judicial que ocorre quando o juiz fixa a pena concreta.2003). realizar cursos ou mesmo visitar a família. tais efeitos só se produzirão uma vez transitada em julgado a sentença. com previsão constitucional ou em leis especiais penais ou mesmo em leis não penais. [6] Quanto à individualização da pena são três aspectos a considerar segundo Guilherme Nucci: a) a individualização legislativa (pois o legislador ao criar o tipo penal incriminador inédito. políticos ou trabalhistas. esgotando­se as vias recursais. administrativos. Não é possível a execução penal dissociada da individualização da pena e demais corolários. Porém. Parágrafo único. Sendo possível em parecer o legista não recomendar transferência ou transporte do apenado para grandes distâncias. de suspensão dos direitos políticos. só poderão ser https://giseleleite2. além de optar pelo regime de cumprimento da pena e eventuais benefícios; c) individualização executória que envolve o estágio da execução penal.713. tais como o direito de sair da prisão para trabalhar. escolhendo o valor cabível fixado entre o mínimo e o máximo previstos pelo legislador.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 17/23 . [8] Por essa razão antes de efetivada a prisão.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira nº 10. É necessário aguardar o trânsito em julgado da sentença.

 No Judiciário brasileiro o entendimento firmado é que o objetivo da https://giseleleite2. muitas alternativas foram procuradas no sentido de combater a entrada de celulares nos presídios brasileiros.com. Como também prevê a progressão para o regime aberto quando o condenado possui bom comportamento atestado pelo diretor da unidade. Junho. Culminando pena de detenção de três meses a um ano. a qual acrescenta ao Decreto­Lei 2. em estabelecimento prisional. E. o cumprimento de um sexto da pena no regime semiaberto.848. Mas. no mínimo um sexto da pena. nem a honra e nem a moral. 10 a liberdade de expressão.jusbrasil. que é o anterior. Não importando se estão em estabelecimento fechado ou semiaberto. sendo possível tal exigência. de 07 de dezembro de 1940 (Código Penal brasileiro) o art. [10] A cartilha da pessoa presa disponível em: http://www.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 18/23 .tjdft.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira gozados após o cumprimento de um sexto da pena. se a prisão justifica a limitação na liberdade de expressão. ao decidir se deve impedir os presos usem a internet. Surgindo ainda a Lei 12. A Convenção Europeia de Direitos Humanos garante ab initio em seu art.08. O legislador não inseriu uma denominação legal ao novo crime.2009. apondo­o em seguida do art.br/institucional/imprensa/glossariosecartilhas. ainda que o condenado por crimes hediondos praticados antes de 28/3/2007. [11] No jargão carcerário vige o aforismo que “basta um celular para iniciar uma rebelião de grandes proporções”. 349­A tipificando o ingresso da pessoa portando aparelho telefônico de comunicação móvel. o exercício dessa liberdade não poderá colocar em riscos os direitos de outrem. seja aumentando o rigor das revistas de visitas. E. no caso de réus primários. sem autorização legal.012 de 06. assim não sendo possível a divulgação de informações confidenciais. 349 que trata de favorecimento real. de rádio ou similar. Pdf informa claramente que para o preso ser beneficiado com o trabalho externo é necessário que tenha cumprido. posto que viole o direito de ter acesso amplo e irrestrito à informação. O busilis lituano está aguardando decisão desde 2008 e a Corte Internacional deverá analisar se a proibição de fato viola algum direito fundamental dos presos. [12] A Corte Europeia de Direitos Humanos em janeiro de 2013 enfrentou um desafio.jus. mais ainda.

 o STF considerou a lei constitucional e válida para as próximas eleições que forem realizadas no Brasil. Em fevereiro de 2012. E. E. Portanto. renunciar para evitar a cassação ou for condenado por decisão de órgão colegiado mesmo que ainda exista a possibilidade de recurso.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 19/23 .3 milhão de assinaturas com fito de aumentar a idoneidade dos candidatos. mas os advogados recorrerão da decisão. Acesso em 07/12/2013.jusbrasil.br/servicos/sala­de­imprensa/noticias/2012/06/a­ pedido­do­mpf­justiça­nega­ac. Recentemente em 2012 um parecer da Procuradoria Regional da República da 3ª. A lei torna inelegível por oito anos um candidato que tiver o mandato cassado.. https://giseleleite2. O mesmo pedido já havia sido indeferido anteriormente pela 5ª Vara Federal de Campo Grande. Atualmente o condenado cumpre pena em presídio federal de segurança máxima de Porto Velho. [13] ALei Ficha Limpaa ou Lei Complementar1355/2010 representa uma emenda à Lei das Condições de inelegibilidade ou Lei complementar644/1990 originada de um projeto de lei de iniciativa popular idealizado pelo juiz Márlon Reis que reunião cerca de 1. para que pudesse realizar curso à distância de gestão financeira da Universidade Católica Dom Bosco.prms. foi sancionada pelo Presidente da República em 04 de junho de 2010. e isso representou uma vitória para a posição defendida pelo Tribunal Eleitoral nas eleições de 2010.mpf. portanto. o direito da penitenciária explicou que o estabelecimento já conta com computadores mas que por ora ainda não estão instalados sendo.mp. Região negou por unanimidade. Disponível em: http://www.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira norma é de fato restringir a comunicação do preso com o mundo exterior. seja para impedir que volte a cometer novos crimes enquanto preso. a proibição de acesso à internet estaria implícita. vulgarmente conhecido como Fernandinho Beira­Mar..com. o pedido de acesso à internet a Luiz Fernando Costa. impossível proporcionar ao preso acesso à educação e ao mesmo tempo manter a rígida segurança. inerente ao sistema penitenciário federal. O Projeto fora aprovado na Câmara dos Deputados em 05 de maio de 2010 e também aprovado no Senado brasileiro no dia 19 de maio de 2010 por votação unânime. em Rondônia. e formulou o pedido de acesso por três horas semanais durante dois anos. traficante internacional de drogas.

[17] Em 20 de março de 2012 a segunda turma do STF decidiu no julgamento do HC 110891 que o condenado a regime semiaberto tem direito de cumprir pena no regime mais benéfico. [16] Com a Lei12. https://giseleleite2. 302 e 303 do CTB). a merecer a atenção do diretor do estabelecimento prisional bem como a aplicação de punição. poderá o preso trabalhar e estudar concomitantemente. o exceder a esse montante será reservado para compor outro dia/trabalho.jusbrasil. mas muitos juízes continuam a exigi­lo como pré­requisito para concessão benefícios. quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade. No caso concreto. Aliás. Ocorre que. A Lei 10. 75 do CP) motivo pelo que seria ilógico e descabido conceber que a sanção disciplina seja perpétua ou definitiva. não dispõe de estabelecimento adequado para o regime semiaberto.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira [14] O exame criminológico é realizado por psicólogos. é avaliar o merecimento do preso em receber ou não a progressão de regime. Como o mínimo para a obtenção de um dia de trabalho é o desenvolvimento de seis horas laborativas. à pena de três anos e seis meses em regime semiaberto. a localidade do Estado de Minas Gerais. desde que os horários sejam compatíveis e terá remição cumulada. um psicólogo e um assistente social. onde o sujeito foi condenado.792 de 2003 extinguiu a obrigatoriedade do exame. o paciente havia sido condenado pelo delito de homicídio culposo e lesão corporal na direção de veículo automotor (arts. um psiquiatra. mantendo­se a já tradicional remição pelo trabalho. [18] A Comissão é existente em cada estabelecimento prisional e será presidia pelo diretor e composta. caso não haja estabelecimento penal adequado ao cumprimento. O condenado deve desenvolver as seguintes cargas horárias: a) de seis a oito horas de trabalho por dia; b) quatro horas de estudos por dia. psiquiatras e assistentes sociais do sistema prisional. por natureza (art. A função desse exame. [15] Tratando­se de falta grave e ocorrência séria. No caso.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 20/23 . como nem as penas são perpétuas. demandado pelo Judiciário.com. no mínimo por dois chefes de serviço.4333/2011 é possível remir a pena por estudo.

2009 Rel. de 1994); III ­ extorsão qualificada pela morte (art.6944/1985.484588­2/001 Publ.08.930. IV e V); (Inciso incluído pela Lei nº 8.).. 121.930/94. trata­se de estabelecimento de segurança mínima para o cumprimento de penas em regime aberto e da pena de limitação de fim de semana. § 2º. 25. 37 da LEP confirma a necessidade de se preencher o requisito subjetivo e o requisito objetivo que é o cumprimento de. devendo ser observadas tão­somente as condições pessoais do condenado.848. de 7 de dezembro de 1940 ­ Código Penal.com.072/90 recebeu nova redação em seu primeiro artigo por conta da Lei 8. 121). [20] A realização do requisito subjetivo como aptidão. Para concessão de trabalho externo ao condenado em regime semiaberto.. disciplina e responsabilidade. todos tipificados no Decreto­Lei nº 2. Agravo em Execução ­ Trabalho Externo ­ Condenado em regime semiaberto ­ cumprimento de 1/6 da Pena ­ Desnecessidade ­ Precedentes do STJ ­ Recurso Provido. § 3º. Estão no máximo de desvalorização axiológica criminal. [21] A casa do albergado foi criada pela Lei1. [22] O crime hediondo é o considerado repugnante. in fine); (Inciso incluído pela Lei nº 8. I.930.jusbrasil. A lei de crimes hediondos a 8. 158.05. se ele não cumpre estágio mínimo no regimento de cumprimento de pena em que se encontra para os fins de apreciação de pedido de trabalho externo (. § 2º); (Inciso incluído pela https://giseleleite2. 1º São considerados hediondos os seguintes crimes. bárbaro ou asqueroso. Mas o art. II. e homicídio qualificado (art.2009 Julg. não há exigência do lapso temporal de 1/6. um sexto da pena. de 1994); II ­ latrocínio (art. ainda que cometido por um só agente.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 21/23 .05. Alexandre Victor de Carvalho. sendo diretamente subordinada à Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos ­ SEJUS. quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio. Afigura­ se impossível analisar as condições pessoais do condenado. 25. consumados ou tentados: I ­ homicídio (art. 157. São crimes que merecem maior reprovação por parte do Estado. Ao dispor sobre os crimes hediondos e equiparados na Constituição Federal de 1988.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira [19] Acórdão 1. no mínimo. In litteris: Art. III. o legislador determinou que tais delitos recebessem tratamento mais rigoroso que os demais.0000.

[24] Nesse sentido a Súmula4911 do STJ explicita; "É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional".1990. https://giseleleite2.com. para tal fim. caput e §§ 1º e 2º); (Redação dada pela Lei nº 12. o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do art.695.2588/2010 que prevê a vigilância indireta feita por aparelhos eletrônicos.889. e §§ lº.07. de 1994); V ­ estupro (art. 217­A.072. 2º e 3º); (Inciso incluído pela Lei nº 8. (Inciso incluído pela Lei nº 8. podendo determinar. de 1994).930. 112 da Lei de Execucoes Penais.930. E disciplinada pelo art. Considera­se também hediondo o crime de genocídio previsto nos arts. 273. [25]Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime hediondo. de modo fundamentado. os requisitos objetivos e subjetivos do benefício. tentado ou consumado. 213 e sua combinação com o art. de 1994); VII­A – (VETADO) (Inciso incluído pela Lei nº 9. 2º da Lei 8. de 1998); VII­B ­ falsificação. Essa vigilância respeita a dignidade humana do apenado por ser um vigia oculto e não denegrir a imagem do sentenciado. 159. adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. § 1º­A e § 1º­B. caput e parágrafo único); (Inciso incluído pela Lei nº 8. com a redação dada pela Lei no 9. 213. 3º e 4º); (Redação dada pela Lei nº 12.930.695.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira Lei nº 8.jusbrasil. 2º. de 2 de julho de 1998). de 1994); V ­ estupro (art. caput e §§ 1º. caput. de 25. 223.677. a realização de exame criminológico. de 1994); IV ­ extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art.015. 267. 214 e sua combinação com o art. de 1998); Parágrafo único. 1º. § 1º). caput e parágrafo único); (Inciso incluído pela Lei nº 8.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 22/23 . de 1994); VI ­ atentado violento ao pudor (art. corrupção. caput e § 1º. 2º e 3º da Lei no 2.930.015. ou equiparado. (Inciso incluído pela Lei nº 9.930.930. sendo o mais adequado para a reintegração social. 146­ B da LEP. ou não. [23] A monitoração eletrônica fora instituída pela Lei12. Tal resumo legal fulcra­se na interpretação do art. (Parágrafo incluído pela Lei nº 8. sem prejuízo de avaliar se o condenado preenche. de 2009); VI ­ estupro de vulnerável (art. de 2009); VII ­ epidemia com resultado morte (art. 223. de 1º de outubro de 1956.

[27] Mas a apresentação de empregador inidôneo que possa comprometer a seriedade do trabalho do preso e do parecer a ser apresentado sobre a conduta do preso. Portanto não basta ser portador de doença grave e nem se exige que a mesma seja incurável. Excepcionalmente podem ter o deferimento de prisão domiciliar principalmente quando demonstrada a necessidade especial para tratamento de saúde e que não possa ser suprido no local onde está acautelado o preso.jusbrasil. embora a maioria dos julgados tenha francamente admitido a constitucionalidade do RDD. já acenando que o condenado pretende burlar a execução penal com expedientes auspiciosos. A má fé compromete o objetivo de ressocialização do apenado.14/02/2017 Considerações sobre execução penal na sistemática penal brasileira [26] Debate­se sobre a constitucionalidade do RDD principalmente em face do princípio da dignidade da pessoa humana e da vedação de penas cruéis. no entanto. Bem como a apresentação de falso vínculo laboral. se encontra dividida.com.br/artigos/121943890/consideracoes­sobre­execucao­penal­na­sistematica­penal­brasileira 23/23 . [i] A flexibilização do art. Mas o RDD tornou­se uma alternativa viável para conter o avanço da criminalidade e para defender o fiel cumprimento das leis penais e de execução penal; A jurisprudência.1177 daLEPP tem permitido que os réus que foram beneficiados com regime aberto e desde que sejam maiores de setenta anos ou estejam comprovadamente acometidos de doença grave. pode efetivamente caracterizar­se como falta grave. https://giseleleite2.