ISSN 1413-389X Temas em Psicologia - 2010, Vol.

18, no 1, 231 – 242

A violência doméstica contra crianças e as implicações
da escola
Marilena Ristum
Universidade Federal da Bahia

Resumo
Este artigo faz uma incursão pelas principais questões conceituais referentes à violência
doméstica contra a criança, mostrando que, embora haja certa concordância em termos dos
rótulos que especificam as diferentes modalidades dessa violência, as ações sob os rótulos dão
margem a diferentes interpretações. São abordados os danos da violência doméstica relatados na
literatura e que se constituem em importantes indícios que permitiriam, aos profissionais da
escola, identificar as violências de que seus alunos são vítimas no âmbito doméstico. Os direitos
da criança são colocados em evidência, ressaltando a distância entre os preceitos do ECA
(Estatuto da Criança e do Adolescente) e a atuação da escola. Finaliza-se defendendo a
necessidade de que a escola assuma um papel mais efetivo na defesa dos direitos da criança,
construindo estratégias eficazes de enfrentamento da violência doméstica.
Palavras-chave: Violência Doméstica Contra Crianças, Sinais/Indícios de Violência, Papel
da Escola.

Violence against children: School implications

Abstract
This paper does an incursion into the main conceptual questions referring to the topic of
violence against children, showing that, although there is some agreement about labels that
specify different types of this type of violence, these labels give margin to different
interpretations. The paper focuses on the violence hindrances reported by the literature,
encompassing important signs which could allow school professionals to identify the violence
involving students in their homes. The rights of the child are evidenced, emphasizing
inconsistencies between ECA´s regulations (Brazilian Child & Adolescent Act), and the
school’s performance. Finally, this paper sustains that the school needs to assume a more
effective role in defending child and adolescent’s rights, building efficient strategies to curb
violence child maltreatment.
Keywords: Violence Against Children, Signs of Violence, School Role.

Como uma construção histórica, social seus papéis e “naturaliza” a submissão de
e cultural, o conceito de família, como uma crianças e mulheres ao pai ou ao “homem da
instituição social, tem passado por casa”, tornando-se um ambiente facilitador
constantes mudanças. No Brasil, as recentes para o surgimento da violência masculina,
estatísticas mostram importantes evidenciada nas estatísticas que apontam
modificações na estrutura familiar, por crianças, adolescentes e mulheres como as
exemplo, o grande aumento das famílias principais vítimas da violência doméstica e
monoparentais chefiadas por mulheres intrafamiliar (Narvaz, 2005).
(IBGE, 2000). Apesar disso, ainda Contrariando as expectativas sociais em
predomina o modelo burguês, patriarcal e relação ao seu papel de apoio e de proteção,
nuclear, no qual a autoridade paterna marca a casa e a família têm se configurado como
as relações familiares (Borges, 2004). Nessa cenário de violência para inúmeras crianças
família, o processo de socialização e de e adolescentes. Práticas educativas violentas,
educação de seus membros estabelece os soluções violentas para os conflitos

Embora a definição de quando falham em alimentar. responsável pela criança/adolescente e 1993. de seus pais. conformando um padrão de comportamento na literatura. M. algumas vezes com como "uma violência interpessoal e algumas alterações. entre desenvolvimento. prevalência e incidência. O abandono total implicaria no violência psicológica. algumas caracterizações que. p. compreender e prevenir a questões. em princípio. privando-a de Violência sexual: “todo ato ou jogo condições necessárias ao seu sexual. Saúde (Brasil. negligência ou 1993. ou. Esta relação de força disso. prover as necessidades físicas e emocionais quando se utilizam critérios. tanto na legislação como na utilizá-los para obter uma estimulação responsabilização da sociedade para sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa” empreender ações que possam mudar esse (Azevedo & Guerra. responsáveis". o que depende. p. relação hetero ou homossexual. além âmbito familiar. 1993) considera a violência 1993) são as que têm sido utilizadas na doméstica contra a criança e o adolescente maioria dos trabalhos. Buscando-se uma maior dividindo-o em parcial e total. p. 1993. é importante verificar sua entre o que é e o que não é violência. e d) negligência. Mas essas definições contornos. medicar. cenário. deve-se considerar a importância de se . seres em formação que seriam propriedade Apesar das dificuldades conceituais. A publicação do Ministério da propostas pelo Ministério da Saúde (Brasil. Ristum e Bastos (2004) afirmam que. (1994). Para afastamento do grupo familiar: crianças sem se obter uma maior precisão. e que. categorias foram assim definidas: Embora os autores tenham julgado Violência física: “corresponde ao uso necessário incluir o abandono como uma de força física no relacionamento com a outra modalidade de violência. a violência é conceituada de destrutivo” (Brasil. A questão que Mesmo com essa maior especificidade subjaz às divergências conceituais é que. 1993. desamparadas e sujeitas a perigos. ainda permanecem um ou mais adultos e uma criança ou fortemente presentes no cotidiano familiar. nas definições. que envolve controvérsias. permitiriam estabelecer alguns insubordinam. Violência psicológica: “evidencia-se como a interferência negativa do adulto Algumas questões conceituais sobre a criança e sua competência social. Considerou- delimitação. "um abuso do poder trabalho de Marques et al. pareça adequadamente seus filhos. podemos criança ou o adolescente por parte de seus considerar que a categoria negligência é pais ou por quem exerce autoridade no suficiente para incluir o abandono. na literatura. mesmo sendo bastante necessidade de puni-las quando erram ou se gerais. violências na desigualdade adulto-criança” (Brasil. no qual se disciplinar e coercitivo dos pais ou acrescentou a modalidade de abandono. trata-se de um conceito polissêmico evitar acidentes” (Brasil. 13). adolescente. Configura-se confusos. diferentes formas. haveria são encontradas. uso indiscriminado de poder baseia-se no poder disciplinador do adulto e físico. relacionadas aos valores culturais de obviamente. 1993. estes são de uma criança ou adolescente. abandono da criança. 14). não havendo critério Negligência: omissão da família “em quanto às rotulações e classificações. 11). 1988 citado por Brasil. social ou psicológico. familiares. "um processo que pode se caracterizando-o como ausência do prolongar por meses e até anos" (Brasil. do uso conceitual do fenômeno educação doméstica de crianças. c) crianças. para educá-las. sexuais de diversos tipos. as quatro habitação. p.232 Ristum. 11). vistas como sob investigação. como se verifica no intersubjetiva". a violência doméstica foi se abandono parcial a privação de afeto e o configurada em quatro modalidades: a) atendimento parcial às necessidades das violência física. 13). como as que se referem aos limites violência. ainda permanecem algumas para dimensionar. p. vestir violência doméstica. tendo por finalidade estimular embora já possamos presenciar avanços sexualmente esta criança ou adolescente ou importantes. educar e óbvia. dificultando seu uso por outros no comportamento dos pais ou responsáveis pesquisadores. b) violência sexual.

2001. que os (abuso sexual. e negligência) e todas as configurações Nossos estudos sobre violência e. têm nos conduzido. p. que adota as seguintes que forma intervir nas famílias em que se denominações: violência doméstica apresenta a violência. Por outro lado. físico e emocional. as definições têm importantes e compõem o cotidiano da escola. ou qualquer outro caracteriza pelo espaço de moradia em que vocábulo. vez mais. ele. de fato. definir excludentes. há um erro fundamental. mostrou que os principais determinantes e . violência intrafamiliar (as isso não elimina a necessidade de definições pessoas envolvidas pertencem à mesma consensuais. natureza da violência doméstica têm. Segundo os autores. ao adjetivando a violência. tornaria familiar envolveria exclusivamente pessoas adequados a palavra e a coisa ligadas por laços familiares. como as violências doméstica e intrafamiliar não são Assim. 297) institucionais. inicialmente. Hasselmann e Moraes (1999). sem dúvida. quanto para traçar o quadro da sob o mesmo teto). socialmente construída e isso se refere. a questão subjacente ao Debarbieux. feito por considero como tal”. nossas pesquisas não julgamento social. p. e violência extrafamiliar epidemiologia da violência. antes de tudo. mas não absoluto de violência. É frequente a pesquisadores que estudam a extensão e a utilização dos termos doméstica e familiar. Assim. e não por padrões sociais delimitam ou definem o fenômeno a priori. “o que eu sobre violência doméstica. p. de uma posição subjetivista e solipsista. nem residem na Debarbieux. que a violência doméstica se violência. mostrar como ela é não ser familiar. tanto para dar suporte às família. Por exemplo. violência e escola. Assim. já que buscamos uma problema da definição é que a conceituação compreensão da construção social da de violência é inerentemente dirigida pelo violência. imutáveis ou pela ciência empírica. familiar. geralmente mais possível de um conceito pertencentes à mesma família. de acordo com familiar com a vítima.Violência doméstica contra crianças 233 ter. o que mas buscam compreendê-lo a partir das torna difícil a obtenção de consenso. a violência da violência que. e familiar Debarbieux (2001. à adoção da proposta de Billings (1998). abandono executam ou que deles são testemunhas. a violência doméstica pode ou violência é. consista em se aproximar o convivem as pessoas. Não se trata. irmãos e filhos para com pais)". familiares possíveis (entre pais e filhos. 164). (em que os agressores não têm vínculo Por outro lado. ou não. cada Conforme afirmam Emery e Laumann. como ocorre na proposta de Araújo cujos profissionais devem decidir como e de (2002). acordo com categorias sociais e ordenações Koller e De Antoni (2004. na literatura. a um sistema de normas sociais e de pensamento. dos fatos que são percebidos e utilizam o rótulo violência intrafamiliar qualificados como violência pelos próprios para abarcar "todas as formas de violência atores sociais que os sofrem. 177) considera Um levantamento de 600 trabalhos que a violência é. segundo Reichenheim. propor definições. categorias que permitam a e sim de uma tentativa de agrupamento. variadas implicações em função de Também a terminologia encontrada na diferentes propósitos. consanguíneos (Debarbieux. como sinônimos. para Debarbieux (2001). objetivos que diferem Mas violência doméstica pode ser distinta da daqueles dos órgãos de proteção à criança. mesma casa). de uma “idéia” exclusivamente. os literatura é diversificada. especialmente. idealista e Pode-se depreender. Além significações dadas pelos atores que disso. a partir dessas ahistórico em acreditar que definir a denominações. envolvendo familiares ou precisas em contextos específicos. “É mostrar como seu campo Os danos da violência doméstica semântico se amplia a ponto de se tornar uma representação social central” (p. mas não necessariamente moram intervenções. porém não familiares). 164). sobre a relação entre casal. (perpetrada no âmbito doméstico em que fica clara a necessidade de definições reside a vítima. de comparação entre diferentes estudos.

a mãe acorrenta. pessoais/psicológicos dos indivíduos realizado com alunos de três escolas envolvidos. O caso relatado por uma por envolvimento na criminalidade e a professora de escola pública envolve a mãe e utilização de drogas (Assis & Souza. como consequência.. sua experiência com esse tipo de violência. uso de drogas na família. Os efeitos nocivos da violência familiar princípios éticos. a ser o reflexo desse aluno na escola. p. elas assim exemplificada: apresentam comportamentos impulsivos e violentos em casa. e de valores. um menino de 12 anos: 1999. etc. Nascimento e é viciado em maconha.. principalmente na violência. Eu tenho um aluno que é acorrentado A seguir. vínculo afetivo com a são agravados quando se acrescentam os escola ou os professores e violência dos seguintes fatores: más condições pais. é viciado em Candau (1999) citam a violência familiar crack (Ristum. fatores de risco abordados foram: fatores O trabalho de Cardia (1997. e fatores ambientais e sócio-econômico. É um menino que é aviãozinho. história de violência em públicas. mais de perto. ocorrem nas vem pra escola. destacam. pode facilitar o envolvimento do No trabalho de Ristum (2001) sobre o adolescente com o uso de drogas que. na escola e na (. que cotidiano escolar.) uma relação familiar conflituosa comunidade. Nos trabalhos analisados. justo e sobre o que é violência afetado por Na mesma direção desses trabalhos. tipos de lazer. mostrou que "crianças que gerações anteriores ou em idades precoces. testemunham a violência dentro de casa. círculo de amigos. 32). posição entre os irmãos. lazer e com o uso de drogas. os quais mais dúvidas sobre sua capacidade de mostraram que os principais fatores de risco autocontrole em situações de conflito ou relacionados aos infratores foram: consumo disputa são filhos de pais que utilizam o de drogas. desemprego. predomínio de fatores pessoais e dos sócio.. M. violência doméstica e a ação da escola . essas professoras mundo infracional e também a fizeram referência à forma como são associação entre a violência na resolvidas as questões familiares como algo comunidade. 2001. faremos referência a alguns em casa. a influência da violência doméstica mais as crianças experienciam conflitos e severa no desencadeamento da delinquência. uso de drogas. De acordo com Beland (1996). que econômico-culturais presentes no ambiente crianças que são vítimas de violência mais próximo dos indivíduos que praticam a doméstica têm seu julgamento sobre o que é violência. diferentes manifestações de violência que. houve o escola". Lucinda. apesar de estar sempre localizada fora da escola. autoestima. Essa autora acrescenta.234 Ristum. As autoras destacam a importância do econômicas e habitacionais. cada vez também. estão os resultados da investigação feita com prejudicando suas relações interpessoais. deixa ele acorrentado. tendem a ser culturais das famílias. o possuir parentes presos na escola.. que são agredidas pelos pais. que. Você veja como é que vai estudos que focalizam. relação entre ambiente familiar violento e pra ele não fazer coisas erradas. estimula a entrada para o ensino fundamental. tipo de amigos e sua relação com o tipo de alcoolismo. conceito de violência de professoras do por sua vez. escolas brasileiras. ele vem disposto a tudo. p. Ao se referirem a ele já deve ter feito. bater como forma de disciplina. as condições econômicas que traz prejuízos ao desempenho do aluno da família. 179). diminuindo a sua A identificação de rede de interligações aproximação com os pais e tendo a televisão entre os fatores é outro resultado que como sua principal fonte de entretenimento mereceu a atenção especial das autoras. 142). ainda. realizada Mostrou também que os alunos que têm por Assis e Souza (1999). p. Quando ele de forma direta ou indireta. interfere significativamente no Em trabalhos mais recentes sobre a seu cotidiano. características agressivas e a ter comportamentos anti- situacionais presentes no momento da sociais fora de casa. jovens infratores e não infratores.

que não consideram apanhar dos pais mais danosas. p. Um dizia que a professora deveria puxar as enquanto o relato dos alunos se referia a não duas orelhas. os resultados indicam parte da solução. Ele disse que sim. A famílias. A constância com que ocorrem Em um trabalho com escolares. 2001. parecendo ser. círculo vicioso perverso: a violência coordenadores. . faca. a respeito de castigos dados sensíveis a ela. ao que o outro contestou saber brincar e discutir. especialmente violência. Então eu acho que é assim mais desentendimento. dificuldade de É interessante observar que a violência aprendizagem. demonstrações de agressividade e agitação. porque só porque eu acho assim. a violência acaba em classificar. descreve um que os profissionais da escola (diretores.. um aluno um menino no recreio. são desinteressados e passa por um processo acelerado de dispersos e/ou desatentos. com a tendência a violência física. certo. escola pública registrou uma conversa entre tornando alunos e professores menos dois alunos. amplamente divulgadas pela (1991) relata que os pais que brigavam e se mídia. anulando a característica probabilidade de agredir os filhos. resultados do trabalho de Cardia (1997). de forma contundente. Assim. acadêmico. expressou-se da seguinte exemplifica.. 64). Quanto ao aspecto 1997. utilizada restringir cada vez mais o conceito. Outro dia. acaba por torná-las integradas ao agrediam apresentavam uma maior cotidiano. p. 51). Nas entrevistas. vistas dizendo que ela deveria dar “bolos”1 na mão sob o prisma dos pesquisadores. Entretanto. 1997). delinqüência aumenta a violência na apontam comportamentos agressivos ou escola e as chances de fracasso violentos. desobediência. mostrando que a violência doméstica e a Nesse mesmo trabalho. as por integrar a linguagem cotidiana dessas desavenças que ocorrem entre os alunos.) comentam muito. Quanto ao aspecto disciplinar. 2001. p. 63). eu acho que facão e eu perguntei se ele achava violência é assim muito forte pra. eu colocaria assim Nessa mesma direção apontam os (Ristum.. tiro. excluindo formas de violência consideradas Decorre daí também uma normalização da aceitáveis no contexto atual. relatam que a maioria possui baixo rendimento. dificuldade de escolar e ambas reduzem o vínculo relacionamento. as mesmas do aluno. e os meninos forte pra gente relatar um episódio de protegem os pais. Esse diálogo mostra uma total entrevistas revelaram vários tipos de violência. os que mais apanhavam dos pais eram os que limites entre o que é ou não violência mais batiam nos irmãos. Ristum & a escola é parte do problema e também é Vasconcelos. A fala de uma professora esse respeito. Assis as violências. violência é assim ele deixou de ir para a rua assim quando tem sangue. banalização. os pela professora. professores e funcionários) doméstica e do meio-ambiente relatam efeitos da violência doméstica sobre aumentam a probabilidade de fracasso comportamentos disciplinares e acadêmicos escolar e de delinqüência – a dos alunos. a forma: aceitação da violência paterna pelos filhos: Eu acho essa palavra violência tão (. nos níveis estrutural e das relações 1 Dar “bolos” na mão é o mesmo que dar tapas interpessoais (Cardia. uma me disse que tinha apanhado com um palavra mais agressiva.Violência doméstica contra crianças 235 (Ristum & Moura. ser muito agitado. sob o rótulo de violência. Os filhos episódica desses acontecimentos.. A fala de uma professora de escola pública deixou clara sua relutância uma forma de violência. Afirmando que na mão. a propósito de uma professores relataram simples indisciplina cometida por um terceiro aluno. tendência a se isolar ou a entre os jovens e a escola (Cardia. 2006. tanto pelos pais quanto pelos quando contrastadas com formas físicas filhos. a observação violência no bairro contribuem para a em uma sala de aula de segunda série de normalização da agressão física na escola. (Ristum. como instrumento de poder e dominação. 2007). um tapa. a tornam-se tênues. nessas famílias.

comum observar enfrentamento direto. o crime. para desigual. que. enfim. por parte desses alunos. como de forma professores assumindo a aceitação do uso de indireta. parece difícil. Santos & Oliveira. conforme relatou Beland (1996). antes professora para seus alunos. Santos e Rossi (2006. comunidade. diz por constituir uma contribuição da escola. sobreviver e prosperar nas condições tanto nacional quanto internacional sobre familiares adversas têm ligações com pelo violência. Episódios desse tipo acabam destrutivas de ascensão. observou-se um episódio qualidade de vida da população. é a única trilha que conduz aos professores. aí. disse: "Vocês estão vendo social. aceitação. família e escola. no qual se considera 2005. Essa possibilidade de mobilidade social é frase contém uma clara mensagem da grandemente reduzida. a literatura. resultando em um aumento indireto Garbarino. no sentido de depositária da esperança de escalada social. "bater faz parte (sem agressão)". importante fator protetivo e de superação a escola parece ser vista como extensão do das adversidades (Sapienza & Pedromônico. cujos reflexos no habilidades que constroem sua competência rendimento escolar são evidentes. pela promoção de um crescimento agressão física como prática educativa econômico com uma melhor distribuição de adotada pelos pais em relação a seus filhos. Cardia. Nesse sentido. enquanto a no outro?" (Ristum. a negligência Também parece difícil que os do Estado para com as nossas escolas professores se conscientizem de quão públicas denota o descaso para com a importante pode ser o seu papel no sentido população que a frequenta. tanto no seu É. Crianças e esses adultos são professores que. 2001. Pesce. de controlar a violência. diante de promoção do protagonismo cidadão. é mantida. Em uma desenvolvendo uma política de melhoria na escola particular. em mais um indicativo da exclusão da violência familiar. é um meio para a por meio da explicitação conceitual impressa mobilidade social em uma sociedade na prática cotidiana de seus professores. ambiente doméstico. a professora assumiria autoridade e poder semelhantes aos exercidos pelos pais. Trata-se de uma sociedade na qual a legitimação e banalização da violência o sucesso econômico. com uma ocorrido no pátio da escola. para um estar batendo brasileira. o professores em sala de aula. com idade em torno de nove anos. 281) ressaltando-se. pela garantia do acesso professora participante da pesquisa de a serviços públicos de qualidade. constituindo-se. também. o Estado mostra-se incapaz empregada no âmbito doméstico. No entanto. no horário do base menos assistencialista e mais voltada à recreio. provendo adolescentes que vivem em locais em que a uma base de amor e aceitação. Dubrow. entre outros. da Beland (1996) nos remetem a estudos sobre legitimidade do castigo físico praticado por resiliência que apontam. p. 2004. podem ajudar violência é acentuada e o risco é constante as crianças a desenvolver e utilizar estão sujeitas a um stress. renda. Vários estudos têm social a que está submetida essa importante mostrado. Almeida. uma briga em que os alunos se agrediam Nessas condições. Pinheiro (1996). de prover condições de superação dos danos assim. Essas considerações de (1992) referem-se a esse stress crônico . se um deles fosse pai do outro. A escola. se dar conta do papel que direitos do cidadão (Minayo & Souza. No caso dessas vínculo da criança com a escola como um crianças. M. teria o cede cada vez mais espaço para formas direito de bater. Kostelny e Pardo de sua autoestima. natural a prática de bater para educar. para os exaltado. em que uma professora. 1997). parcela da população. Gil & Diniz. bastante marcante na sociedade algum pai por aqui.236 Ristum. pela adoção de uma política de como se evidencia no comentário de uma geração de emprego. 107). 1999. p. excessivamente familiar. na escola. a desigualdade fisicamente. desempenham nesse processo. Com frequência. social. que as crianças de alto risco que conseguem Segundo Cardia (1997). 2006). Assis. tem afirmado a impossibilidade de menos um adulto significativo não se entender a violência isolada do tripé pertencente a suas famílias. saúde e educação. Assim. respaldando o uso das O papel da escola mesmas práticas disciplinares por eles No Brasil.

Esse estatuto garante à Em um artigo sobre violência familiar população infanto-juvenil o respeito contra a criança. enquanto pessoas em condição peculiar de se a vários trabalhos que apontam a desenvolvimento. promulgado em semelhantes aos vividos por crianças em julho de 1990. muitas famílias não podem ser resolvidos (2006) e Ristum e Vasconcelos (2007). seus pais e conhecimento. diversos profissionais que se deparam com acrescentando que. Esse incólume desse meio de alto risco. especialmente no que se acordo com Minayo (2002). há ainda uma as forças sociais que moldam a vida da distância a ser vencida. deve-se considerar que.069/90 zona de guerra. é bastante primeiros diagnósticos de maus tratos e considerável e se constitui em um dos mais propostas de intervenção que. 1990). Uma posição mais pessimista é a artigo 245). espera-se que afirmações sociais. importantes fatores que impedem a obtenção posteriormente. ainda. A No Brasil. O ECA regulamenta que à família e à escola. aplicando-se o dobro em de enfrentamento da violência. contribuíram para o de índices mais fiéis à realidade. Cap. ou quanto no apoio às crianças vitimadas. seja remediativa ou omissão da escola frente à violência que preventivamente. apresentada por Garbarino et al. caso de reincidência (ECA. nos EUA. o insucesso de muitos programas de Entretanto. intervenção precoce deve-se a pronunciados entre o preceito legal do ECA e a prática dos problemas de base econômica. Para eles. envolve crianças e adolescentes. o que dificulta enormemente o planejamento escola e o monitoramento das ações. tornam sempre os profissionais estão preparados virtualmente impossível fazê-la emergir para assumir tais atribuições. (1992).Violência doméstica contra crianças 237 como responsável por danos psicológicos do Adolescente (ECA). Apesar de desenvolvimento do Estatuto da Criança e as estatísticas existentes representarem . ao crescimento. desde o nascimento. envolvendo suspeita colegas. uma vez que nem criança. as evidências dos maus tratos. (Brasil. Esses programas. tanto na prevenção deixar o médico. para como a de Garbarino et al. dentre elas a escola. (1992) não desenvolver estratégias eficazes de sirvam para justificar o imobilismo e a enfrentamento. importância da atuação junto à comunidade. cujos por intervenções precoces. inexistência de ações de notificação de casos Embora concordemos que essa posição que são identificados na escola. surgem os refere à violência sexual. Bastos (1995/1996) refere. de subnotificação. revela quão pouco e de condições dignas de vida para a instrumentalizadas estão as instituições população pobre. Afirmam distanciamento é evidenciado nos trabalhos os autores que os problemas criados por de Brino e Williams (2003b). II. na década de 1980. mas sim por resultados mostram tanto o desconhecimento mudanças nos fatores básicos de dos preceitos do ECA quanto a quase infraestrutura da sociedade. Almeida et al. um obstáculo importante à prevenção da violência é a precariedade de dados Os direitos da criança e a ação da epidemiológicos que focalizam o problema. por de políticas de melhor distribuição de renda outro lado. tem o mérito de apontar para a importância O recrudescimento da violência. ao valorizar o ou confirmação de maus-tratos contra papel do professor e investir na sua criança ou adolescente terá como capacitação. concebem a escola como uma pena o pagamento de uma multa de instituição que detém um potencial três a vinte salários mínimos de promissor para a construção de estratégias referência. pré-escola ou creche. responsável por estabelecimento de Refere-se. atenção à saúde e de ensino de programas de treinamento de educadores fundamental. para capacitá-los a identificar e utilizar de comunicar à autoridade recursos e desenvolver habilidades para competente os casos de que tenha trabalhar com as crianças. na perspectiva ecológica. professor. De acordo com Azevedo (2005). pela Lei Federal 8.

na maior parte das vezes. fundamental mostraram como principais quando a criança apresenta sinais mais sutis indícios utilizados para a identificação da da sua vitimização. estes passam violência doméstica ou intrafamiliar: 1) despercebidos pelos profissionais da escola. dentre estas. profissionais que trabalham na escola. as violências de que são vítimas no âmbito O relato verbal da violência foi o meio doméstico ou da família. poucas relatariam a trate apenas de suspeita e. não comportamento. M. a identificação da diretores. vítima de violência doméstica ou houve a participação da escola em apenas 22 intrafamiliar. identificando. ao promover a cidadania.969 casos notificados entre considera que crianças e adolescentes têm 1996 e 2005 (Azevedo. mesmo que se violência sexual. os seus profissionais e quando se coloca que. esforços para aumentar a comunicação e a em grande parte dos casos. consequentemente. Esses dados revelam que.238 Ristum. dentre as vítimas de que os obriga à comunicação. apenas parte das ocorrências de violência A importância da escola no sexual contra crianças e adolescentes no enfrentamento da violência doméstica e Brasil. ainda. Donofrio e Essas colocações estão evidenciadas Moreno (2003) consideram a importância de nos resultados do trabalho de Inoue e Ristum observar o comportamento das crianças no (2008) que focalizou a identificação. concorda- dessas ações têm sido as instituições de saúde se com Brino e Williams (2003) quando e os profissionais que nelas atuam. relato do aluno. enfim. no Brasil. coordenadores. dos violência ocorreu. posicionando-se como uma instituição vários indícios nos comportamentos dos que. o medo de violência a outras pessoas. Oliveira. da violência sexual sofrida pelos um indicador de que essa criança está sendo seus alunos: dos 2522 casos analisados. pelas ambiente escolar. baixo rendimento. No entanto. As escolas referem que a escola pode e deve se colocar raramente são lembradas como importantes como espaço ideal de revelação. comportamento sexual inadequado e resposta a um questionário. retaliações por parte dos agressores (Ristum Ainda quanto à questão dos indícios. uma vez que ele pode ser escolas. contato diário e prolongado com ela e com São relativamente recentes. envolvidas. como as autoridades. e. instituições em que as identificações podem identificação e notificação da violência ser feitas e de onde podem partir as sofrida por seus alunos. falta que a grande maioria (73% do total) estava de atenção e de concentração. As ações que vêm na única fonte de proteção. ela se constitui notificação da violência. Silva. um estudo envolvendo 17 estados familiar fica ainda mais evidente quando se computou 13. não atentam para sinais físicos. E é necessário ir comunicações. Comportamentos como casos. que sofrem. 2005). a confiança e violência. até as questões legais aí o apoio necessários à revelação da violência. De acordo com a literatura. Além disso. o que fato de que desconhecem a legislação (ECA) contrasta com a afirmação de Williams (2004) ao sugerir que. anos). o que se agrava quando se considera ausência frequente. trabalhos recentes No trabalho de Inoue e Ristum (2008) mostram que os profissionais da escola têm foi possível verificar seis modos pelos quais muito pouca informação a respeito da se deu a identificação da violência sexual violência e das alterações que ela produz em pela escola: relato da vítima. alteração de os indícios dados pelos alunos. como a presença de sinais físicos ou diretores de escolas públicas do ensino o relato da vítima. se expor a consequências adversas que tal uma parcela ainda menor relataria o fato às comunicação pode acarretar. Acresce-se a isso o de identificação mais frequente. dessa forma. & Vasconcelos. Vagostello. especialmente sendo desenvolvidas vão desde o para as crianças e adolescentes que têm esclarecimento e a orientação de profissionais familiares como agressores e não encontram. 2) presença de marcas . Os quando os indícios eram extremamente resultados de sua pesquisa com professores e claros. trabalha na escolares podem ser denotadores da violência contramão da violência. além. os alvos principais Diante dessas considerações. suspeição. apatia e choro na faixa etária de escolarização (até 18 devem chamar a atenção dos professores. 2007). presença de suas vítimas e. Entretanto. faltas às aulas. de instituições que atendem vítimas de em outros membros da família.

Violência doméstica contra crianças 239 corporais. haja uma identificação. intrafamiliar (Almeida et al. a proporção das denúncias diante da violência doméstica/familiar. p. o requisito básico é privada. nem de punir filhos como melhor lhe convier os agressores. portanto. E. e 3) as escolas poucos dados sobre esse assunto. embora nossa maneira" (Almeida et al. 1990) e na promoção de a omissão das escolas quanto às denúncias. como postura dos professores contraria afirmam Vagostello et al. (2003). (2006). é a que se encontra na grande aluno. mas se omitem. Essas frontalmente todos os avanços da legislação autoras levantam três hipóteses para explicar na área (Ver ECA. um dos Apesar de se reconhecer alguma tentativa de resultados mais interessantes refere-se ação da escola no enfrentamento da violência doméstica e intrafamiliar. os identificam. a denúncia respeito à esfera privada da família. evidente que. para que os órgãos (Almeida et al. é Assim. 285). para efetivamente para a consolidação dos grande parte dos participantes preceitos do ECA. ainda está longe de ser uma prática frequente. dos professores na própria sala de aula ou tendência ao isolamento. ou pelo menos uma As implicações dessa concepção são suspeita. ao tempo em que o naturaliza. (2006). se referiam a aproximando dos de Brino e Williams conversas com os pais ou responsáveis. 4) faltas escolares.. Essa provenientes de escolas é ínfima. (2003). No trabalho de Ristum e Moura . preponderantemente. menos frequentes. comunicar à representações sociais de professores de direção da escola e ameaçar o agressor de ensino fundamental sobre a violência denunciar o caso aos órgãos competentes. com a ação seguidas por comportamento retraído. As (2003) sobre violência sexual. como orientação ou ameaça de denúncia. dos esses. ainda passa pela que não cabe à escola o papel de investigar a consideração do poder da autoridade veracidade das informações ou se realmente que dá direito aos pais de educar os as suspeitas têm fundamento. O psicopedagógica da escola. denunciar aos órgãos competentes Se comparadas às denúncias advindas de não deve fazer parte das ações da escola outras instituições. nessa ordem de frequência. conseguem. mostram que as ações dos professores. (2006). para isso. e 5) relato da maioria das escolas brasileiras. 281). 2006.. equivocada. É importante esclarecer pesquisados. os profissionais da escola (diretores. funcionários e coordenadores) al. incluindo a denúncia situações de violência porque não aos órgãos competentes. 2) as escolas identificam tais Apesar de a literatura disponibilizar situações. como que os profissionais da escola prestem mostraram algumas falas dos professores atenção aos seus alunos e aos indícios que entrevistados: "bater faz parte (sem eles apresentam. estratégias resumem-se a encaminhamentos Já no trabalho de Ristum e Moura no âmbito da própria instituição escolar. como mostraram os dados de Vagostello et professores. sem notificar aos órgãos realidade. retratada no trabalho de Almeida competentes. que não contribui contra crianças e adolescentes. competentes cumpram esse papel. assim. mas. a serem arredios e encaminhamentos à orientação comportamentos violentos ou agressivos. estratégias efetivas de enfrentamento da São elas: 1) as escolas não identificam violência doméstica. que poderíamos dizer quase claras: a escola e os professores não têm corriqueira da violência doméstica nas direito de se imiscuir em assuntos que dizem instituições escolares brasileiras.. (2003) e se em sua grande maioria. Portanto. As família. com a convocação dos pais para relataram. sendo dados de Almeida et al. muitas social da violência intrafamiliar vezes. agressão)". trata-se à conclusão de que a representação de uma ação bastante incipiente e. mas tentam resolver no âmbito trabalhos existentes têm apontado que essa da própria escola. outras ações. 3) alteração de comportamento do et al. foram Em um estudo que focalizou as conversar com a criança-vítima. Os dados de relato do aluno foi um indício pouco citado Ristum e Moura (2006) são semelhantes a pelos entrevistados. 2006). 2006. divergindo. as marcas corporais. ou os indícios. resultados de Vagostello et al. parece predominar a ideia de que necessário que haja a comunicação por parte o fenômeno pertence à esfera familiar da escola. p. "devemos educar nossos filhos à Fica.

as contradições formação inicial e continuada dos sociais em cujas brechas podem brotar as professores. M. é interessante ressaltar que muitos fundamental importância o conhecimento foram os professores que relataram nunca ter dos indícios relatados pela literatura e a identificado vítimas de violência legislação pertinente.usp. ela é uma violência intrafamiliar. é de um sexual na família. S. já que. fundamental sobre violência coordenadores e funcionários. C. aprendizagem e de um bom convívio e Bastos. (1996).. Psicologia: Teoria e aqueles que lidam diretamente com os Pesquisa. sobre quais são os fatores causais e quais os principais danos Assis. finalmente. suspeição e/ou identificação dos casos de L. A. A. são de Entretanto.br/ip/laboratorios/lacri/i sua maneira de agir. a expectativa é de que a escola que pode indicar que a hipótese um é possa cada vez mais utilizar os pertinente. em si. Azevedo. (1995/1996). C. SANTOS. muitas vezes. Caim e Abel – Pensando a Prevenção da tanto para a identificação. (1991). agem de acordo com a hipótese 3. & direção. especialmente o ECA. Concordamos com os autores. escola diz respeito à orientação dos profissionais sobre as ações a serem Beland. 277-286. Nacional de Saúde Pública. A Schoolwide empreendidas tanto no processo de Approach to Violence Prevention. 4(1). S. Disponível em: observando que. no âmbito da instituição que traz. nossos Referências trabalhos têm apontado para essa mesma Almeida. C. criança/adolescente. M. conduzido. que é a violência doméstica. .). Acesso em: 1 jun. portanto. A ponta do iceberg A sensibilização focaliza a percepção – Brasil 1996 à 2005: Pesquisando a dos profissionais a respeito da importância violência doméstica contra crianças e de estarem sempre atentos aos seus alunos. & Souza. Hampton.. P. Intervenção interação social podem indicar que estão Frente a Problemas Decorrentes da sofrendo violência no âmbito doméstico e/ou Violência Contra a Criança no Contexto familiar.. Familiar. numa falta de uma discussão qualificada sobre a perspectiva gramsciana. In R. (2002). programa que vise conscientizar e 7(2). R. E. alunos). Psicologia em Estudo. Escola Ao nos referirmos à conscientização. 2005. 22(3). sensibilizar os profissionais da escola para a Assis.htm>. F. (2006). S. K. (2005). 77-87. prevenção da violência. Rio de queremos dizer que o conhecimento sobre o Janeiro. A. M. sejam incluídos todos os outros Sociais de professores do ensino profissionais da escola (diretores. Violência e abuso Nossa proposta. B. F. mas propomos que. Dissertação de Mestrado. (2006) consideram que vêm sendo realizados sobre a violência para os dados de seu trabalho apontam para a modificar o cenário. conhecimentos produzidos pelos estudos que Almeida et al. 13(1/2). Quando Crescer é um gravidade da violência doméstica e que Desafio Social: Estudo Sócio- promova sua instrumentalização para Epidemiológico sobre Violência em desenvolver estratégias de redução e de Escolares em Duque de Caxias. M. muitas vezes. Gullotta violência doméstica. Representações professores. Ciência e Saúde decisão sobre como agir diante de casos Coletiva. identificados. R. (2006). T. P. G. e que essa falta os tem transformações de uma realidade. Revista de Psicologia. S. como de quais os (Orgs. Preventing Violence in America. doméstica/intrafamiliar entre seus alunos. 131-144. (1999).240 Ristum. Criando por ela produzidos é um requisito essencial. E. a trilhar caminhos equivocados no enfrentamento do problema. Araujo. a instrumentalização da 14(1/2). Jenkins & T. além dos ROSSI. adolescentes. o Assim. alterações na <http://www. G. as escolas pesquisadas. 3-11. como para a Infração Juvenil. especialmente intrafamiliar. em sua grande de atuação visando o bem estar da maioria. dificuldades de ceberg. caminhos possíveis e as melhores medidas Califórnia: SAGE. M. F. Aqui.

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