UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT

ADRIANA NUNES DE SOUZA RODRIGUES
DINA MÜLLER
DOUGLAS YOSHIAKI BENITES KOYAMA
MARCOS VINICIO COSTA
MAURI ANTUNES MACEDO JUNIOR
RODNEI SANTANA AZEVEDO

HIDROGRAMA UNITÁRIO

Sinop/MT
2016/02

como requisito parcial para aprovação na disciplina.MT .UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO – UNEMAT ADRIANA NUNES DE SOUZA RODRIGUES DINA MÜLLER DOUGLAS YOSHIAKI BENITES KOYAMA MARCOS VINICIO COSTA MAURI ANTUNES MACEDO JUNIOR RODNEI SANTANA AZEVEDO HIDROGRAMA UNITÁRIO Trabalho apresentado à disciplina de Hidrologia do Curso de Engenharia Civil – UNEMAT. Prof.: Cezar Cláudio Granetto. Sinop . Campus Universitário de Sinop-MT.

Uma teoria para simplificar essa relação é a teoria do hidrograma unitário. mas ele não chega imediatamente à um curso de agua. que é igual ao volume escoado superficialmente. somando-se as vazões correspondentes às chuvas individuais. Ao comparar um hidrograma de unitário de uma chuva de 1mm com o hidrograma de uma chuva de 2mm. . somando-se dois hidrogramas unitários deslocados por um tempo t. é proporcional à intensidade dessa chuva. o volume de chuva. Um hidrograma é um gráfico que mostra a vazão em função do tempo. parte da chuva infiltra no solo e outra escoa superficialmente. Esta chuva efetiva gera um escoamento superficial. Chuvas com a mesma intensidade e duração. observa-se que o hidrograma resultante da chuva de 2mm é duas vezes maior do que o hidrograma unitário. sendo as medidas desta vazão feitas imediatamente. por exemplo. gerando diferentes níveis de vazão. Proporcionalidade Para uma chuva efetiva de uma dada duração. é possível obter um hidrograma resposta das duas chuvas. Superposição O princípio da superposição diz que é possível encontrar as vazões de um hidrograma produzidas por chuvas efetivas. o escoamento percorre um caminho com diferentes velocidades. após e durante a ocorrência da chuva. Por exemplo. sendo considerado que esta chuva tenha intensidade constante e que se distribui uniformemente sobre a bacia. Se os hidrogramas forem de chuvas de mesma duração eles serão proporcionais. é um hidrograma do escoamento direto causado por uma chuva efetiva unitária. que variam de acordo com a intensidade da chuva e o caminho que ela percorreu. pois. chuva de 1mm ou 1cm. se fosse uma chuva de 3 mm seria três vezes maior. princípios como da proporcionalidade e superposição podem ser aplicados para calcular a resposta da bacia à diferentes chuvas. a chuva que causa esse escoamento é chamada de chuva efetiva. sendo assim existe uma relação linear entre a chuva efetiva e a vazão. e assim por diante para todos valores de vazão para hidrogramas de mesma proporção. Assim. tendem a gerar hidrogramas semelhantes. Hidrograma Unitário Um hidrograma unitário.Introdução Uma bacia hidrográfica pode ser idealizada como um sistema que transforma a chuva em vazão.

Pef é a precipitação efetiva do bloco i. a aplicação da convolução para calcular as vazões Qt no exutório da bacia seria: . Aplicando-se os princípios da proporcionalidade e da superposição é possível calcular hidrogramas de eventos complexos usando-se a convolução. k é o número de ordenadas do hidrograma unitário. onde m é o número de pulsos de precipitação e n é o número de valores de vazões do hidrograma. A vazão em um intervalo de tempo t é calculada a partir da convolução entre as funções Pef (chuva efetiva) e h (ordenadas do hidrograma unitário discreto). produz uma terceira. a partir de duas funções. e uma bacia cujo hidrograma unitário para a chuva de duração D é dado por 9 ordenadas de duração D cada uma. convolução é um operador que. Considerando uma chuva efetiva formada por 3 blocos de duração D cada um. h é a vazão por unidade de chuva efetiva do HU. ocorrendo em sequência.Convolução Na matemática. Qt é a vazão do escoamento superficial no intervalo de tempo t. O hidrograma unitário é definido como uma função em intervalos de tempo discretos. que pode ser obtido por k = n – m +1. A convolução discreta fica mais clara quando colocada na forma matricial.

calculando a área do hidrograma superficial Ve = ΣQei* ∆t . onde para cada instante t. com chuvas de curta duração e mais ou menos constantes. Qb = vazão base. o hidrograma unitário pode ser obtido através dos seguintes passos. Sendo todos estes pré-requisitos atendidos. 1) Calcular o volume de água precipitado sobre uma bacia hidrográfica Vtot = Ptot *A Vtot = volume total precipitado. Qobs = vazão observada no posto fluviométrico. A = área de drenagem da bacia. 3) Determinar o volume escoado superficialmente. Para isso é necessário ter registros de vazão e precipitação simultâneos de preferência são utilizados eventos simples. 2) Fazer a separação do escoamento superficial.Obtenção do Hidrograma Unitário em uma bacia com dados de chuva e vazão O hidrograma unitário de uma bacia hidrográfica pode ser determinado observando o seu comportamento em relação a chuvas de curta duração. a vazão que escoa superficialmente é a diferença entre a vazão observada e a vazão de base Qe = Qobs – Qb Qe = vazão que escoa superficialmente. Ptot = precipitação.

que não se tenha presença de dados históricos. assim é necessário estimar a chuva efetiva em cada intervalo de tempo. 6) Determinar as ordenadas do HU Qu = (Pu/Pef)*Qe Qu = ordenada do hidrograma unitário. Com base em dados de algumas bacias. Ptot = precipitação total. ou um hidrograma unitário gerado a partir da análise do relevo. Outro fator que dificulta é que a vazão observada inclui parte de escoamento subterrâneo e por isso o hidrograma unitário obtido vai depender das hipóteses feitas na separação de escoamento. o tempo de pico. neste caso é necessário fazer uso de um hidrograma unitário sintético. Analisando graficamente vários hidrogramas de eventos de chuvas intensas e de duração curta.Ve = volume escoado superficialmente. os hidrogramas unitários sintéticos foram gerados e são utilizados quando não existem dados que permitam estabelecer o hidrogramas unitário. C = coeficiente de escoamento. 4) Determinar o coeficiente de escoamento C = Ve/Vtot Ve = volume escoado superficialmente. pois os dados são de chuva observada e não de chuva efetiva. Qe = ordenada do hidrograma de escoamento superficial. Vtot = volume total precipitado 5) Determinar a chuva efetiva. multiplicando-se a chuva total pelo coeficiente de escoamento Pef = C*Ptot Pef = chuva efetiva. como o tempo de concentração. A obtenção do hidrograma unitário a partir dos dados de chuva e vazão observados na bacia é muito difícil. o tempo de base e a vazão de pico. na prática. Pu = chuva unitária. Hidrograma Unitário sintético É muito comum. todos eles apresentando mais ou menos a mesma duração de chuva. . Os métodos de determinação do hidrogramas unitário baseiam-se na determinação do valor de algumas características do hidrograma. Pef = precipitação efetiva. também é possível identificar as características do hidrograma unitário da bacia para esta duração. denominado hidrograma unitário geomorfológico. Qei = vazão que escoa superficialmente. ∆t = intervalo de tempo dos dados.

e a partir deste. (1988). Para simplificar ainda mais. definido pela vazão de pico e pelo tempo de pico e pelo tempo de base. A qp= Tp . O tempo de pico é definido como o tempo entre o centro de gravidade do hietograma (chuva efetiva) e o pico do hidrograma. foi feito um estudo. Com base nestas definições é que pode-se caracterizar o Hidrograma Unitário Sintético adimensional do SCS. A vazão de pico do hidrograma unitário triangular é estimada por: 0. o hidrograma unitário pode ser aproximado por um triângulo. O tempo entre picos é definido como o intervalo entre o pico da chuva efetiva e o pico da vazão superficial. O tempo de concentração é definido como o intervalo de tempo entre o final da ocorrência de chuva efetiva e o final do escoamento superficial. assim: D Tp=tp+ 2 O tempo de base do hidrograma (tb) é aproximado por: . de acordo com o texto de Chow et al. técnicos do Departamento de Conservação de Solo (Soil Conservation Service – atualmente Natural Resources conservation Service) verificaram que os hidrogramas unitários podem ser aproximados por relações de tempo e vazão estimadas com base no tempo de concentração e na área das bacias. o que significa que o tempo de recessão do hidrograma triangular. a partir do pico até retornar a zero. As relações identificadas. O tempo de retardo é definido como o intervalo de tempo entre os centros de gravidade do hietograma (chuva efetiva) e do hidrograma superficial. O tempo de pico tp do hidrograma pode ser estimado como 60% do tempo de concentração: tp = tempo de pico e tc = tempo de concentração da bacia O tempo de subida do hidrograma Tp pode ser estimado como o tempo de pico tp mais a metade da duração da chuva D.208. Hidrograma Unitário Sintético Triangular do SCS Com um grande número de bacias e de hidrogramas unitários nos EUA. é 67% maior do que o tempo de subida. que permitem calcular o hidrograma triangular são descritas abaixo.

Histograma Tempo-Área O Histograma Tempo. Uma forma de corrigir os problemas do HU obtido a partir do HTA é combinar o HTA com um reservatório linear simples. quando o objetivo do cálculo é estimar a vazão máxima em uma pequena bacia. aos valores da vazão de base. Hidrograma Unitário Sintético Adimensional do SCS O hidrograma unitário sintético adimensional do SCS é parecido em alguns aspectos com o hidrograma unitário triangular. Como cada porção da bacia tem um tempo de deslocamento diferente. O Histograma Tempo-Área (HTA) pode ser obtido identificando linhas isócronas sobre a bacia e medindo a área entre cada par de isócronas. mas o hidrograma unitário triangular é muito popular. a resposta da bacia pode ser analisada na forma de um histograma. Neste método procura-se definir os tempos de deslocamento do escoamento superficial desde o local de origem até o exutório da bacia. ou analisando uma bacia através do modelo digital de elevação. que não é levada em conta nos cálculos com o hidrograma unitário. É possível construir um Hidrograma Unitário a partir do Histograma Tempo-Área. especialmente se a bacia for fortemente urbanizada. As isócronas são as linhas que definem um mesmo tempo de deslocamento até o exutório da bacia. e o resultado qp é a vazão de pico por mm de chuva efetiva.Tp é dado em horas. porém o hidrograma unitário resultante pode ter uma resposta muito rápida e resultar em superestimavas da vazão máxima. porém apresenta uma forma mais suave. Este procedimento é conhecido como Hidrograma Unitário de Clark. Hidrograma Unitário para chuvas de diferentes Durações . A vazão calculada pelo hidrograma unitário refere-se somente ao escoamento superficial. a bacia também apresenta uma vazão de base. calculada usando o hidrograma unitário.Área. porque aproxima a resposta como uma curva suavizada. Em muitos casos a vazão de base representa apenas uma pequena fração da vazão total durante um evento de chuva mais intenso. Normalmente. Isto ocorre porque o HTA representa o processo de translação da água na bacia. porque é simples. mas subestima o armazenamento ao longo dos cursos d’água. é uma forma de estimar a resposta de uma bacia hidrográfica às chuvas. O hidrograma unitário sintético adimensional é mais realista do que o hidrograma triangular. Hidrograma Unitário e a Vazão de base O hidrograma unitário é aplicado para representar a resposta da bacia à entrada de chuva efetiva. em função da distância e da declividade. a vazão de base pode até mesmo ser desprezada. Assim. cuja origem é o escoamento subterrâneo. a área da bacia (A) é dada em Km2. Para considerar a vazão de base é necessário somar a resposta da bacia.

As ordenadas desse hidrograma unitário procurado são calculadas pela diferença entre as duas curvas S. A curva S é o hidrograma unitário de resposta de uma bacia a uma precipitação unitária de duração infinita. O hidrograma unitário depende da duração da chuva. O escoamento não é gerado de forma uniforme em toda a bacia. Uma bacia pode ter um hidrograma unitário para o evento de chuva de 1 hora de duração e outro. ligeiramente diferente. é possível calcular o hidrograma unitário para outra duração qualquer. As áreas preferenciais de geração de escoamento são as áreas impermeabilizadas por ação do homem ou as áreas com solos saturados ou próximos da saturação. Conclusão Essa ideia do Hidrograma Unitário é muito útil para mostrar o comportamento de uma bacia no que se refere à geração de escoamento. . acumulando progressivamente as ordenadas do hidrograma unitário original. chuva efetiva gerada uniformemente na bacia. plotando dois hidrograma unitários de 1 hora. localizadas na região próxima à rede de drenagem. Se existe um hidrograma unitário de 1 hora (entende-se causado por uma chuva de 1 hora de duração). para isso se desloca a curva S um intervalo de tempo D2. boa parte das premissas utilizadas não são inteiramente corretas: tempo de base igual. A curva S pode ser obtida a partir de um hidrograma unitário conhecido. para o evento de chuva de 2 horas de duração. é possível achar o hidrograma unitário resultante de uma chuva unitária de 2 h. chuva efetiva gerada de forma idêntica em todos os eventos. corrigidas pela relação D1/D2 (onde D1 é a duração da chuva que originou a curva S e D2 é a duração da chuva do novo hidrograma unitário). e tem funcionado relativamente bem. O escoamento ocorre mais rapidamente para eventos maiores do que para eventos menores. linearidade (podemos somar efeitos). Nos casos gerais o hidrograma unitário para uma duração de chuva qualquer pode ser obtido através da curva S. Quando o hidrograma unitário para uma determinada duração de chuva é conhecido. assim a linearidade não se mantém. deslocados de 1 hora e extraindo a média aritmética das ordenadas.A grande utilidade da curva S é que ela permite o cálculo de hidrograma unitários de qualquer duração. Entretanto. Se a duração desconhecida for um múltiplo da duração conhecida basta aplicar os princípios da superposição e proporcionalidade. Hidrogramas Unitários sintéticos formam a base de muitos modelos hidrológicos amplamente utilizados para calcular vazões máximas de projeto. igual à duração do hidrograma unitário desejado.

Mayara. IPH UFRGS. . Introduzindo Hidrologia. MORAES. Walter.Referências: COLLISCHONN. Hidrologia Aplicada. Rutinéia. PUC Goiás. TASSI. Maio 2008.