NOTA TÉCNICA

ASSUNTO: Projeto de Lei nº 7.542/2010 que acrescenta incisos IV e V ao artigo 12
da Lei nº 10.257/2001 (Estatuto da Cidade), para atribuir ao Ministério Público e à
Defensoria Pública legitimidade ativa para a propositura de ação de usucapião es-
pecial urbana.

A Associação Nacional dos Defensores Públicos – ANADEP, no uso de
suas atribuições estatutárias com fulcro no Artigo 2º, Inciso IV, de seu Estatuto,
tendo por uma de suas finalidades institucionais a de “colaborar com os Poderes
constituídos no aperfeiçoamento da ordem jurídica, fazendo representações,
indicações, requerimentos ou sugestões à legislação existente ou a proje-tos em
tramitação”, e tendo em vista que a Defensoria Pública é definida pelo art. 134 da
Carta Magna como “instituição permanente, essencial à função jurisdicional do
Estado, incumbindo-lhe, como expressão e instrumento do regime democrático,
fundamentalmente, a orientação jurídica, a promoção dos direitos humanos e a
defesa, em todos os graus, judicial e extrajudicial, dos direitos individuais e
coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados, na forma do inciso LXXIV
do art. 5º desta Constituição Federal (Redação dada pela Emenda Constitucional
nº 80, de 2014)”, possuindo como objetivo, de acordo com o art. 3°, III, da Lei
Complementar 80/94 (com a redação da LC 132/09): “a prevalência e efetividade
dos direitos humanos;”, vem apresentar, em conjunto com o Núcleo de Habitação e
Urbanismo da Defensoria Pública de São Paulo, Nota Técnica ao Projeto de Lei nº
7.542/2010 do Senado Federal, de autoria do Senador Demóstenes Torres -
DEM/GO, que busca acrescentar os incisos IV e V ao artigo 12 da Lei 10.257/2001
para atribuir ao Ministério Público e à Defensoria Pública legitimidade ativa para a
propositura de ação de usucapião especial urbana coletiva.

a usucapião especial é instrumento jurídico que tem por escopo assegurar a moradia digna e regularizar áreas ocupadas por população de baixa renda. cabe à Defensoria Pública “a promoção dos direitos humanos e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos necessitados. Ainda. conferiu legitimidade para a propositura de ação de usucapião especial urbana somente ao (s) possuidor (es) e à associação de moradores da comunidade. . está inserida na promoção dos direitos humanos posto que direito fundamental compreendido no conteúdo mínimo da dignidade da pessoa humana.347/85). a tutela do direito à moradia. da Lei 7. consoante dispõe o artigo 185 do Código de Processo Civil. coletivos e individuais homogêneos e dentre eles. Preambularmente. a legitimidade da Defensoria Pública tem fundamento em sua vocação constitucional relacionada à prestação de assistência jurídica integral e gratuita aos necessitados (artigos 134 e 5º. à época da edição da lei. inseridos na ordem urbanística (artigo 1º. Ademais. A toda evidência. em todos os graus. verifica-se que o legislador. Assim. através do reconhecimento do domínio de terras em benefício de população de baixa renda. estão o direito à moradia e direito ao desenvolvimento urbano tutelados pelo reconhecimento da prescrição aquisitiva e declaração de domínio coletivo. de forma integral e gratuita”. nos termos do artigo 12 do Estatuto da Cidade. Acrescenta-se que a Defensoria Pública já possui legitimidade para propositura de ação civil pública que constitui instrumento jurisdicional idôneo à defesa de direitos difusos. apresenta-se como alternativa de resolução dos conflitos fundiários. inciso VI. Não obstante. inciso LXXIV da Constituição da República de 1988).

de 6 de julho de 1992. oficiar a Defensoria Pública para promoção de ação coletiva pertinente. Destarte. que visem a assegurar. Em consonância. com relevantes contribuições para a efetivação do direito fundamental à moradia. e. Sociais e Culturais adotado pela XXI Sessão da Assembléia-Geral das Nações Unidas. afigura-se constitucional. adequado e oportuno. merecendo o apoio da Associação Nacional de Defensores Públicos – ANADEP para aprovação de sua redação original. o que pode ser verificado na propositura de ação de usucapião especial coletiva. principalmente nos planos econômico e técnico. determina no seu artigo 2 º que “Cada Estado Parte do presente Pacto compromete-se a adotar medidas. a adoção de medidas legislativas. e ratificado pelo Brasil pelo Decreto nº 591. tanto por esforço próprio como pela assistência e cooperação internacionais. Em suma. em particular. inciso X.” Nesse contexto de aprimoramento do ordenamento jurídico em busca de maior acesso à justiça. o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos. merecendo enfática adesão. . de boa técnica legislativa. Registre-se que a usucapião especial para fins de moradia se apresentada na ordem jurídica a permitir que a Defensoria Pública possa cumprir seu múnus em defesa dos direitos humanos. celeridade e efetiva economia processual. quando se deparar com diversas demandas individuais repetitivas. necessário. em 19 de dezembro de 1966. progressivamente. que ao juiz incumbe. o pleno exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto. por todos os meios apropriados. até o máximo de seus recursos disponíveis.542/2010 que confere à Defensoria Pública legitimidade ativa para a propositura de ação de usucapião especial urbana é oportuno e pertinente. no mérito. o Novo Código de Processo Civil estabeleceu no artigo 139. o Projeto de Lei nº 7. incluindo.

Brasília/DF. 12 de agosto de 2016. .