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ANÁLISE DA REDUÇÃO DE TURBIDEZ DE ÁGUA PRODUZIDA SINTÉTICA UTILIZANDO

TURFA COMO MATERIAL ADSORVENTE

Resumo:

As atividades ligadas à exploração e produção de petróleo tem gerado cada vez mais resíduos
que necessitam ser tratados para terem o seu destino final definido , com os avanços dessas
atividades o desperdício e impacto ambiental tem aumentado e causado preocupação em
busca de tratamentos alternativos para tais resíduos. Um fato que chama a atenção de
pesquisadores há alguns anos é a grande quantidade de água produzida em campos maduros
de petróleo, gerada ao longo da vida produtiva de um campo, representando a maior corrente
de resíduo na produção de óleo cru. A água produzida é trazida a superfície juntamente com
petróleo e gás, possuindo grandes quantidades de contaminantes tóxicos e por isso, os
tratamentos aplicados elevam os custos para gestão dessa água. A composição da água
produzida é influenciada pelos fatores geológicos e de localização geográfica dos
reservatórios variando consideravelmente suas características físicas, químicas e biológicas.
Os tratamentos dados à água produzida são realizados com objetivo de atender exigências
estabelecidas pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, de acordo com a
Resolução 393/07 obedecendo aos padrões dispostos na resolução de forma a ter seu destino
final definido. Entre os diversos tratamentos aplicados a água produzida, a adsorção tem sido
um tratamento bastante usado nos últimos tempos principalmente devido à utilização de
adsorventes naturais e de baixo custo. A turfa é uma substância fóssil, organo-mineral,
originada da decomposição de restos vegetais, encontrada em áreas alagadiças como
várzeas de rios, planícies costeiras e regiões lacustres. Sob o ponto de vista físico-químico, é
um material poroso, altamente polar, com elevada capacidade de adsorção para metais de
transição e moléculas orgânicas polares Com isso a turfa se torna um material atrativo para
estudos aplicados a tratamentos de água produzida contaminada por mat erial orgânico, como
o óleo, já que é considerado um material de baixo custo e com capacidade de adsorção.
Nesse contexto, se tem um desafio, analisar a redução da turbidez de água produzida
sintética, utilizando a turfa como material adsorvente de óleos e graxas, em banho finito e
com isso propor uma metodologia capaz de tratar água produzida em campos de petróleo. A
turfa passou por classificação granulométrica através de peneiramento automá tico, sendo
utilizadas as faixas de -10+16 e -16+30 mesh nesse trabalho. Posteriormente o material foi
submetido a um tratamento por hidrofobização, utilizando cera de carnaúba como agente
hidrofobizante, com o objetivo de transforma-lo em um material com aversão a água afim de
melhorar sua eficiência de remoção do óleo, em seguida foi feita a caracterização do material
através das técnicas de termogravimetria e Espectroscopia de Absorção na Região do
Infravermelho com intuito de verificar a eficiência do processo de hidrofobização, bem como
os grupos funcionais presentes no material que comprovem sua afinidade com óleo. A turfa
na forma natural e hidrofobizada em diferentes granulometrias, foi colocada em contato com
um fluido sintético produzido com óleo diesel, em banho finito sob agitação, análises de
turbidez foram realizadas antes e após o contato do fluido com o material adsorvente,
visando verificar a eficiência da turfa na redução da turbidez da água produzida sintética. Os
resultados da caracterização do material por termogravimetria mostraram perda de água
adsorvida por desidratação no intervalo de até 138,9 °C. Entre as temperaturas de 138,9 a
687 °C ocorre oxidação da matéria orgânica com grande perda de massa de 31,1 % e 35,2%
para turfa natural e hidrofobizada, respectivamente. A perda de massa da turfa hidrofobizada
é maior do que da turfa natural devido a presença da cera de carnaúba. A degradação do
material ocorre a altas temperaturas, o que é ocasionado pela grande presença de matéria
orgânica em sua composição. Os espectros de absorção na região do infravermelho
mostraram que o processo de hidrofobização ocorreu eficientemente, tornando dessa forma a
turfa com maior aversão a água como também, comprovou a presença de grupos funcionais
que possuem alta afinidade com as moléculas orgânicas do óleo, evidenciando a sua provável

Rio Oil & Gas Expo and Conference 2016


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capacidade para remoção de hidrocarbonetos em água. Os resultados da análise de redução
de turbidez foram satisfatórios utilizando turfa na forma natural e hidrofobizada, confirmando
a capacidade desse material para ser aplicado em métodos de tratamento de água produzida
para remoção de óleo. A turfa hidrofobizada de menor granulometria mostrou melhor resultado
na redução da turbidez do fluido sintético nos ensaios realizados em banho finito.

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