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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ


PRÓ-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS E LETRAS
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM LETRAS
COORDENAÇÃO DO MESTRADO ACADÊMICO EM LETRAS

Disciplina: Literatura, Cinema e Sociedade


Responsável pelo fichamento e condução da discussão: Alana Yasmim dos Santos
Área de Concentração: Estudos Literários
Linha de Pesquisa: Literatura, cultura e sociedade
Carga Horária: 45 horas
Período: 2017.1

Deleuze, Gilles. A Imagem-Movimento. Tradução de Stella Senra. São Paulo: Brasiliense, 1983
– (Cinema 1).

 Tema: A Imagem-Movimento

1- SOBRE O AUTOR: Gilles Deleuze indicados como responsáveis pelo renascimento do


interesse pelas obras de Nietzsche.
Gilles Deleuze (1925-1995), filósofo francês,
Foi professor de História da Filosofia na ainda
filiado aos denominados movimentos pós-
unificada Universidade de Lyon entre os anos de 1964
estruturalistas, categorizações que o próprio filósofo
e 1969. Deleuze fez tanto críticas ao marxismo como
questionava pelo que trazem (ainda) da visão e luta
ao freudismo, ponderando-os como representantes de
pelo idêntico. As teorias de Deleuze acerca da
um “burocratismo fundamental”. Deleuze nos convida
diferença e da singularidade nos desafiam a pensar em
a experimentar junto com ele suas ideias, sem nos
temas como: rizoma, ontologia da experiência, a
tornarmos representantes de deleuzianismos. Deleuze
virtualidade e a atualidade.
publicou estudos sobre pensadores como Nietzsche,
Entre os anos de 1944 e 1948, Deleuze cursou
Kant, Spinoza, Bergson, Foucault entre outros. Com
filosofia na Universidade de Paris, onde encontrou o
Félix Guattari publicou os conhecidos: O Anti-Édipo
romancista Michel Butor, o historiador de filosofia
(1972), Kafka: Por uma literatura menor (1975) e Mil
François Châtelet, o filósofo Revault d’Allonnes e o
Platôs (1980). Além disso, escreveu os livros Cinema
escritor Michel Tournier, o “contrabandista da
1: A Imagem-movimento (1983) e Cinema 2: A
filosofia”.
Imagem-tempo (1985). Neste fichamento, iremos
Em 1948, depois de concluir o curso, Deleuze
apresentar os principais pontos da obra Cinema 1: A
dedica-se à história da filosofia, tornando-se professor
Imagem-movimento, de Gilles Deleuze.
da matéria na Universidade de Paris de 1957 a 1960.
Em 1962, Deleuze conhece Michel Foucault, de quem
Fonte: Deleuze. Disponível em:
se torna amigo até 1984, data de sua morte. Apesar de https://www.ufrgs.br/corpoarteclinica/?page_id=62
serem amigos, eles não trabalharam juntos, mas foram Gilles Deleuze. Disponível em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze

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2- SÍNTESE DAS IDEIAS PRINCIPAIS DO
TEXTO: Cinema 1: A Imagem-movimento “Em suma, o cinema oferece uma imagem a qual
acrescentaria movimento, ele nos oferece
2.1 Apresentação da obra:
imediatamente uma imagem-movimento.” (p.07)
No Prólogo do livro Cinema 1: A Imagem-
movimento, o autor explica do que se trata o livro. Ele
“Imagem-movimento: conjunto acentrado de
diz que o estudo apresentado no livro “não é uma
elementos variáveis que agem e reagem uns sobre os
história do cinema. É uma taxinomia, uma tentativa de
outros.” (p. 241)
classificação das imagens e dos signos” (DELEUZE,
1983, p. 05). Acrescenta ainda que este primeiro
MINHA EXPLICAÇÃO
volume irá se limitar a determinar certos elementos,
De acordo com a primeira tese de Bergson, a qual se
tratando da imagem-movimento e suas variedades. No
serve Deleuze, o espaço percorrido é passado, o
segundo volume (Cinema 2), o autor trabalhará a
movimento é presente (é o ato de percorrer) por isso
imagem-tempo. Segundo Deleuze, ainda em seu
ele se torna indivisível. Logo, movimento e espaço
Prólogo, ele afirma que os grandes autores da sétima
apresentariam entre si uma diferença de natureza.
arte “nos parecem confrontáveis não somente com
Além disso, o autor explica que o cinema opera por
pintores, arquitetos, músicos, mas também com
meio de fotogramas, isto é, de cortes instantâneos,
pensadores” (DELEUZE, 1983, p. 05), pois eles não
onde o movimento pertence já a uma imagem-média
pensam com conceitos, mas sim com imagens-
desses cortes enquanto dado imediato (percepção), por
movimento e com imagens-tempo.
isso, o cinema nos oferece uma imagem-movimento.

“[...] as condições determinantes do cinema são as


2.2 Teses sobre o movimento - Primeiro comentário
seguintes: não apenas a foto, mas a foto instantânea (a
de Bergson
fotografia posada pertence a uma outra linhagem); a
eqüidistância dos instantâneos; a transferência dessa
“O espaço percorrido é divisível, e até infinitamente
eqüidistância para um suporte que constitui o "filme"
divisível, enquanto o movimento é indivisível, ou não
(Edison e Dickson perfuram a película); um
se divide sem mudar de natureza a cada divisão” (p.06)
mecanismo que puxa as imagens (as garras de
Lumière). É neste sentido que o cinema é o sistema
“Com efeito, o cinema opera com dois dados
que reproduz o movimento em função do instante
complementares: cortes instantâneos, que chamamos
qualquer, isto é, em função de momentos
imagens; um movimento ou um tempo impessoal,
eqüidistantes, escolhidos de modo a dar a impressão de
uniforme, abstrato, invisível ou imperceptível, que
continuidade.” (p. 10)
existe "no" aparelho e "com" o qual fazemos
desfilarem as imagens. O cinema nos oferece então um
movimento falso, ele é o exemplo típico do movimento
falso” (p. 06-07)

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MINHA EXPLICAÇÃO coincide com o conceito de duração em Bergson. O
A segunda tese de Bergson, trabalha em cima de dois movimento é o que passa entre os instantes (cortes
modos distintos de se pensar o movimento durante a imóveis), remetendo os objetos à duração (a um todo
história. O primeiro modo pertence a filosofia antiga, que muda). E esse processo efetiva o próprio
que compreende o movimento remetendo-o a uma movimento enquanto corte na duração (corte móvel).
ordem de instantes privilegiados, e o outro modo é o
da ciência moderna, que coloca o movimento sob a
ordem de um instante qualquer de uma trajetória. O 2.3 Quadro e plano, enquadramento e decupagem
instante qualquer é o instante equidistante de um outro.
Assim o cinema seria o sistema que reproduz o
“Chamamos enquadramento a determinação de um
movimento reportando-o ao instante qualquer. (visão
sistema fechado, relativamente fechado, que
moderna).
compreende tudo o que está presente na imagem,
cenários, personagens, acessórios. O quadro constitui,
“E chegamos à terceira tese de Bergson, sempre em A
portanto, um conjunto que tem um grande número de
Evolução Criadora. Se tentássemos oferecer dela uma
partes, isto é, de elementos que entram, eles próprios,
fórmula brutal diríamos: não só o instante é um corte
em subconjuntos.” (p. 18)
imóvel do movimento, mas o movimento é um corte
móvel da duração, isto é, do Todo ou de um todo. O
“Tanto assim que há no quadro muitos quadros
que implica que o movimento exprime algo mais
diferentes. As portas, as janelas, os guichês, as
profundo que é a mudança na duração ou no todo.”
lucarnas, as janelas dos carros, os espelhos são outros
(p.13)
tantos quadros dentro do quadro.” (p.18)

“O movimento reporta os objetos, entre os quais se


“A imagem cinematográfica é sempre dividual. A
estabelece, ao todo cambiante que ele exprime, e vice-
razão última disso é que a tela, enquanto quadro dos
versa. Pelo movimento, o todo se divide nos objetos, e
quadros, confere uma medida comum aquilo que não a
os objetos se reúnem no todo: e, justamente entre os
tem, plano distante de paisagem e primeiro plano de
dois, "tudo" muda. Podemos considerar os objetos ou
rosto, sistema astronômico e gota de água, partes que
partes de um conjunto como cortes imóveis; mas o
não apresentam um mesmo denominador de distância,
movimento se estabelece entre esses cortes e reporta os
de relevo, de luz. Em todos esses sentidos, o quadro
objetos ou partes a duração de um todo que muda, ele
assegura uma desterritorialização da imagem.” (p 21)
exprime portanto a mudança do todo com relação aos
objetos e é, ele mesmo, um corte móvel da duração”.
“[...]” o quadro se reporta a um ângulo de
(p. 17)
enquadramento. É que o próprio conjunto fechado é
um sistema ótico que remete a um ponto de vista sobre
MINHA EXPLICAÇÃO
o conjunto das partes. Evidentemente, o ponto de vista
Na terceira tese de Berson, é postulado o movimento
pode ser ou parecer insólito, paradoxal: o cinema
como expressão de certa mudança no Todo. Esse Todo

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mostra pontos de vista extraordinários, rente ao chão, os planos vão se ligar uns aos outros através dos
de cima para baixo, de baixo para cima, etc.” ( p.21) cortes, ou seja, da decupagem. O plano é um trecho do
filme que é rodado sem interrupções, ou que parece ter
“A decupagem é a determinação do plano, e o plano a rodado sem interrupções. Como informa Deleuze: “O
determinação do movimento que se estabelece no plano é a imagem-movimento”. Esse plano é protanto
sistema fechado, entre elementos ou partes do um conjunto de imagens fixas, limitadas por um
conjunto. Mas, como já observamos, o movimento diz enquadramento, e que possui uma duração especifica.
respeito também a um todo, que difere em natureza do Há vários tipos de planos: geral, médio, detalhe,
conjunto. O todo é o que muda, é o aberto ou a americano etc.
duração. O movimento exprime, portanto, uma
mudança do todo, ou uma etapa, um aspecto dessa
mudança, uma duração ou uma articulação de duração. 2.4 Montagem
Assim, o movimento tem duas faces, tão inseparáveis
“A montagem é essa operação que tem por objeto as
quanto o direito e o avesso, o recto e o verso: ele
imagens-movimento para extrair delas o todo, a idéia,
é relação entre partes, e é afecção do todo.” (p.26)
isto é, a imagem do tempo. É uma imagem
necessariamente indireta, pois é inferida das imagens-
“O plano é a imagem-movimento. Enquanto reporta o
movimento e de suas relações. Nem por isso a
movimento a um todo que muda, é o corte móvel de
montagem vem depois. De certo modo, é até preciso
uma duração.” (p.30)
que o todo seja primeiro, que seja pressuposto.” (p.38)

“[...] o plano é uma determinação unicamente espacial


“A montagem é a composição, o agenciamento das
que indica uma "porção" de espaço a esta ou aquela
imagens-movimento enquanto constituem uma
distância da câmera, do primeiro plano ao plano
imagem indireta no tempo” (p.39)
distante (cortes imóveis)”. (p.32)

“É preciso dizer que a montagem já se encontrava em


MINHA EXPLICAÇÃO
toda parte, nos dois momentos precedentes. Ela se
O enquadramento cinematográfico é quando você
encontra antes do ato de filmar, na escolha do material,
seleciona parte do cenário (e todos os objetos que
isto é, das porções de matéria, às vezes muito distantes
deverão aparecer no quadro) para aparecer na tela.
ou longínquas, que vão entrar em interação (a vida
Então, dependendo de um enquadramento a mesma
como ela é). Ela se encontra na filmagem, nos
paisagem pode ser apresentada de diferentes formas.
intervalos ocupados pelo olho-câmera (o câmera que
Tudo que está enquadrado pela câmera é o quadro.
segue, corre, entra, sai, em suma, a vida no filme). Ela
Quando algo não está visível no enquadramento, diz-se
se encontra depois da filmagem na sala de montagem,
que está “fora do quadro”. Decupagem vem do francês
onde material e tomada são confrontados um com o
découper, que significa recortar. Decupagem
outro (a vida do filme), e nos espectadores, que
cinematográfica é o planejamento da filmagem, que irá
confrontam a vida no filme e a vida como ela é.”
se preocupar com as cenas e suas divisões, e em como
(p.49-50)

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2.6 A imagem-percepção
MINHA EXPLICAÇÃO
A montagem (também chamada de edição de imagens) “Suponhamos então que a imagem-percepção seja
é um das últimas etapas do processo cinematográfico. semi-subjetiva. O difícil é encontrar um estatuto para
A montagem é o processo de selecionar os planos e tal semi-subjetividade, já que ela não tem equivalente
ordená-los e ajustá-los à compor a lógica do produto na percepção natural. Aliás, a esse respeito, Pasolini
final, ou seja, do filme. Por isso, o editor ou montador recorria a uma analogia lingüística. Pode-se dizer que
precisa conhecer bem o roteiro do filme. A trabalho da uma imagem-percepção subjetiva é um discurso direto;
montagem é um processo que deve ser pensando em e, de uma maneira mais complicada, que uma imagem-
todos os momentos da gravação do filme, pois bons percepção objetiva é como um discurso indireto (o
planos e boas sequências ajudam o trabalho do espectador vê o personagem de modo a poder, mais
montador. cedo ou mais tarde, enuncíar o que este
espontaneamente vê). (p.87)

2.5 A imagem-movimento e suas três variedades —


“Imagem-percepção: conjunto de elementos que
Segundo comentário de Bergson
agem sobre um centro, e que variam em relação a ele.”
(p.241)
“ [...] as imagens-movimento se dividem em três tipos
de imagem quando são reportadas tanto a um centro de
MINHA EXPLICAÇÃO:
indeterminação quanto a uma imagem especial:
imagem-percepção, imagem-ação, imagem-afecção. E A imagem-percepção seria a gênese da imagem-

cada um de nós, a imagem especial ou o centro movimento. Essa imagem-percepção cinematográfica

eventual, não é nada mais que um agenciamento das não seria nem objetiva (quando a coisa ou o conjunto

três imagens, um consolidado de imagens-percepção, são vistos do ponto de vista de alguém que permanece

de imagens-ação, de imagens-afecção.” (p.79) exterior a esse conjunto) e nem subjetiva (quando a


coisa vista por alguém que faz parte desse conjunto), e
“As três espécies de variedades podemos fazer sim semi-subjetiva. As imagens de percepção
corresponder três espécies de planos espacialmente se concentram no que é visto. Há três tipos diferentes
determinados: o plano de conjunto seria sobretudo uma de percepção: percepção sólida ( percepção humana
imagem-percepção, o plano médio, uma imagem-ação, normal), percepção líquida (onde as imagens fluem
o primeiro plano, uma imagem-afecção.” (p.84-85) juntas, como no cinema francês do pré-Guerra)
e percepção gasosa (visão pura do olho não-humano).
“Centro de Imagem: hiato entre um movimento
recebido e um movimento executado, uma ação e uma
reação (intervalo).” (p.241) 2. 7 A imagem-afecção

“A imagem-afecção é o primeiro plano, e o primeiro


plano é o rosto... Eisenstein sugeria que o primeiro

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plano não era apenas um tipo de imagem entre as ficção e até o sonho; pode compreender o fantástico, o
outras, mas oferecia uma leitura afetiva de todo o extraordinário, o heróico e sobretudo o melodrama;
filme. É o que ocorre com a imagem-afecção — ao pode comportar um exagero e um excesso, mas que lhe
mesmo tempo um tipo de imagens e um componente são próprios. O que constitui o realismo é
de todas as imagens.” (p.103) simplesmente o seguinte: meios e comportamentos;
meios que atualizam e comportamentos que encarnam.
“Quanto ao rosto propriamente, não se afirmará que o A imagem-ação é a relação entre os dois, e todas as
primeiro plano o trate, faça-o sofrer um tratamento variedades desta relação. É este modelo que consagrou
qualquer — não há primeiro plano de rosto, o rosto é o triunfo universal do cinema americano, a ponto de
em si mesmo primeiro plano, o primeiro plano é por si servir de passaporte para os autores estrangeiros que
mesmo rosto, e ambos são o afeto, a imagem-afecção.” contribuíram para a sua constituição.” (p.162)
(p.104)

“De ação em ação, a situação surgirá pouco a pouco,


“Imagem-afecção: o que ocupa o hiato entre uma
variará, e finalmente se esclarecerá ou conservará seu
ação e uma reação, o que absorve uma ação exterior e
mistério. Chamávamos de grande forma a imagem-
reage no interior.” (p.241)
ação que ia da situação como englobante a ação como
duelo. Por comodidade chamaremos pequena forma a
imagem-ação que vai de uma ação, de um
MINHA EXPLICAÇÃO
comportamento ou de um habitus a uma situação
A imagem-afecção é o interlúdio entre as duas outras
parcialmente desvendada. É um esquema sensório-
imagens (imagem-percepção e imagem-ação). É
motor invertido.” (p.182)
também entendido como “primeiro plano”. A imagem-
afecção é produzida quando o primeiro plano destitui a
MINHA EXPLICAÇÃO
imagem de seu referencial espacial. Portanto, entrando
Através da citação de Deleuze podemos entender que
em relação com um espaço (chamado de espaço
o realismo no cinema é constituído basicamente por
qualquer), e através do close, a imagem-afecção
duas instâncias: meio e comportamento. A imagem-
impede qualquer determinação que venha de um outro
ação seria, justamente, a relação entre meios e
espaço. As imagens afetos se concentram em
comportamentos (e todas as variedades). Nos moldes
expressões de sentimentos.
realistas, o meio determinaria a situação da
personagem, e ele responderia a isso por meio de uma
ação. Além disso, há segundo Deleuze, duas formas: a
2.8 A imagem-ação: a grande forma
grande e a pequena. A grande seguiria o esquema
“situação-ação-situação” e a pequena seria “ação-
“Imagem-ação: reação do centro ao conjunto.”
situação-ação”. As imagens de ação se concentram na
(p.241)
duração da ação.
“Ocorre que o realismo se define por seu nível
específico. Neste nível, ele não exclui absolutamente a

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2.9 A crise da imagem-ação executado, porém esse preenchimento pode desregular
a imagem-ação (por isso a crise). Deleuze aponta
“Quando falamos de imagem mental queremos dizer Hitchcock como o cineasta que mais trabalhou com
outra coisa: é uma imagem que toma por objetos de imagens mentais, pois o ao transformar o personagem
pensamento, objetos que têm uma existência própria em espectador, e também o espectador se transformar
fora do pensamento, como os objetos de percepção têm em personagem, Hitchcock traz a tona uma nova
uma existência própria fora da percepção. É uma relação de pensamento com a imagem
imagem que toma por objeto relações, atos simbólicos, cinematográfica.
sentimentos intelectuais. Ela pode ser, mas não é
necessariamente, mais difícil que as outras imagens. 3 – CONCLUSÃO

Ela terá necessariamente com o pensamento uma nova


Como o próprio autor escreve, Cinema 1: Imagem e
relação, direta, inteiramente distinta daquela das outras
Movimento não é um livro sobre a história do cinema,
imagens.” (p.221-222)
e sim sobre classificação de imagens, ou melhor, as
variedades possíveis das imagens-movimento
“Ao inventar a imagem mental ou a imagem relação,
(imagem-percepção, imagem-afecção, imagem-ação e
Hitchcock dela se serve para rematar o conjunto das
a última, imagem mental). Para a construção de seu
imagens-ações, e também o das imagens-percepção e
pensamento, Deleuze recorre bastante ao filósofo
afecção. Donde sua concepção do quadro. E a imagem
Bergson, fazendo as relação do cinema com o
não só enquadra as outras como as transforma ao
movimento e o tempo, explorando o componente que
penetrá-las. Assim, poder-se-ia afirmar que Hitchcock
lhe é mais intríseco a sétima arte: a imagem. No livro,
consuma, leva a culminação todo o cinema ao levar a
Deleuze desvenda os processos imagéticos do cinema
imagem-movimento até o seu limite. Ao incluir o
e de montagem do cinema moderno. Além disso, o
espectador no filme, e o filme na imagem mental,
livro apresenta termos chave para o estudo de cinema,
Hitchcock consuma o cinema.” (p. 228)
como: enquadramento, quadro, plano, decupagem e
montagem. Por isso, o livro que mesmo sem intenção
“Mas então pode ser que uma conseqüência pareça
de tratar da história do cinema, nos mostra bastante do
inevitável: a imagem mental não seria tanto uma
processo cinematográfico na modernidade, ao passo
consumação da imagem-ação, e das outras imagens,
que discute com tradições antigas e reflete sobre o que
mas um novo questionamento de sua natureza e de seu
foi dito sobre cinema.
estatuto.” (p.229)

MINHA EXPLICAÇÃO
Neste tópico, Deleuze sugere que haja uma crise na
imagem-ação pelo surgimento de uma outra variedade
de imagem-movimento, chamada imagem mental. Essa
imagem mental seria o preenchimento do intervalo
entre o movimento percebido e o movimento

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