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PROBLEMATIZANDO A REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEIRA: A GENEALOGIA DA

REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL1
*
Alessandra Teixeira Marques Pinto
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Arthur Arruda Leal Ferreira

RESUMO. Este artigo tem por objetivo problematizar um dispositivo importante no processo de reforma
psiquiátrica brasileira que é a reabilitação psicossocial. Os autores observam que novas modalidades de tratamento
em saúde mental não determinam que os doentes mentais possam efetivamente assumir a condição de cidadão, pois
princípios manicomiais podem estar presentes, embasando serviços e práticas. O que se observou é que a
reabilitação psicossocial tem uma grande importância na vida dos ditos doentes mentais, mas apresenta o risco de
promover a manutenção da condição de psiquiatrizado. Para se pensar sobre essa questão, recorre-se à genealogia
de Michel Foucault que consiste na problematização das práticas de poder subjacentes aos discursos psiquiátricos
contemporâneos no Brasil.
Palavras-chave: Reabilitação psicossocial; reforma psiquiátrica; saúde mental.

PROBLEMATIZATING THE BRAZILIAN PSYCHIATRIC REFORM: THE GENEALOGY
OF PSYCHOSOCIAL REHABILITATION

ABSTRACT. The aim of this article is to question a very important device of the actual Brazilian psychiatric reform
process: psycho-social rehabilitation. The authors formulated a hypothesis that the creation of new forms of treatment
in mental health does not determine that the mentally-diseased can effectively assume the condition of a citizen. Old
functional sanatorium principles may be present, being the basis of services and practices. It has been observed that
the psychosocial rehabilitation has a great importance in the interviewed people’s lives; however it presents the risk of
promoting the maintenance of the “psychiatrized” condition. In order to think about this question, we have to turn to
Michel Foucault’s Genealogy, which consists in the problematization of the practices of power underlying the
contemporary psychiatry discourses in Brazil.
Key words: Psychosocial rehabilitation; psychiatric reform; mental health.

PROBLEMATIZACIONES DE LA REFORMA PSIQUIÁTRICA BRASILEÑA: LA
GENEALOGÍA DE LA REHABILITACIÓN PSICOSOCIAL

RESUMEN. Este artículo tiene por finalidad problematizar un dispositivo importante en el proceso de reforma psiquiátrica
brasileña que es la rehabilitación psicosocial. Los autores observan que nuevas modalidades de tratamiento en salud mental no
determinan que los enfermos mentales puedan efectivamente asumir la condición de ciudadano, pues principios de las
prácticas manicomiales pueden estar presentes, dando soporte a los servicios y prácticas actuales. Lo observado es que la
rehabilitación psicosocial tiene una enorme importancia en la vida de dichos enfermos mentales, pero presenta el riesgo de
promover la manutención de la condición de psiquiatrizados. Para pensar sobre esta cuestión, se recurre a la genealogía de
Michel Foucault a fin de poner en cuestión las prácticas de poder subyacentes en los discursos psiquiátricos contemporáneos
en Brasil.
Palabras-clave: Rehabilitación psicosocial; reforma psiquiátrica; salud mental.

1
Apooio: CNPq e FAPERJ.
* Mestre em Saúde Coletiva. Psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (SMSDC/RJ).
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Doutor em Psicologia Clínica. Professor Adjunto do Departamento de Psicologia Geral e Experimental do Instituto de Psicologia
da UFRJ (IP/UFRJ) e do Programa de Pós-graduação em Psicologia e Saúde Coletiva (IESC/UFRJ).

Psicologia em Estudo, Maringá, v. 15, n. 1, p. 27-34, jan./mar. 2010

tomada como moralmente atitude estratégica de seu pensamento que a sua desarazoada: sodomitas. ao mesmo tempo em que um marcas da natureza humana. devotada à descrição dos solos conhecimento teórico da loucura de um lado e a epistêmicos de onde os saberes surgem. Deste modo é indagar sobre a sua cientificidade. mas desmontar nossas alquimistas. governada pela experiência do internamento. falta e fraqueza) sendo a sua marcada pelo intelectualismo. n. magos. que sirva para problematizar a das prisões. E neste conjunto de enunciados. Outra marca deste período clássico é verdades mais caras. prostitutas. mas ainda circunscritos no nós encontraremos nos ditos e escritos de Foucault um espaço asilar no estigma da doença mental. modificando a Descartes e os loucos. Contudo. marcas inalienáveis da natureza humana. Maringá. regido por um juramento de fidelidade aos seus princípios. 27-34. Epistemólogo. se não sociais. A linha separatória entre razão e especialmente no martelo destruidor das evidências desrazão que surge no referido período cava sulcos tomado de empréstimo a Nietzsche. desregramento. v.28 Pinto e Ferreira UMA HISTÓRIA DAS HISTÓRIAS DA LOUCURA as evidências presentes dos saberes e poderes psiquiátricos. mas é paradigma classificatório-taxonômico. feiticeiros. E é nesta população heterogênea. Nas palavras O tema da psiquiatria é um dos mais recorrentes de Foucault. Daí a ausência possibilidade de colocação de novos problemas e de de qualquer especificidade que conferisse às doenças construção de novos conceitos. Historiador. a gênese do nos ditos e escritos foucaultianos visa a montagem de saber psiquiátrico não assume tanta importância como uma narrativa histórica. correntes por Pinel e Tuke. dedicando Foucault ao tema dois cursos Psicologia em Estudo. A importância de cartografar tais elementos nesta fase do pensamento foucaultiano./mar. não existem. quando os loucos se vêem libertos das mesmo porte para destruir qualquer certeza. mas ele é ao mesmo tempo aglutinador de dispositivos que produzem um extenso confinado às peculiaridades do saber médico e das capital de verdades. 2010 . Pensador de difícil classificação dentro dos conhecimento e no seio das nossas experiências ramos tradicionais do saber. defeito. irregularidade da conduta. se abrindo a outras parcerias. o saber anos 1970 o poder como o seu termo-chave. de dar conta das condições de termos específicos. com o diante). Para suposição que a História da Loucura do Renascimento isto. jan. se não recusasse a primazia dos própria razão. na tentativa de conjugar a epistemológico. vasto arsenal de formas de poder. para diversas formas de loucura constituíam famílias em além dele. reificadas e apontar os riscos do nosso presente. Contudo. Inicia-se psiquiátrico jamais será abordado a partir de um viés aqui o projeto genealógico. continuísmo e primazia experiência não muito distanciada da manifesta na do sujeito. supondo uma possibilidade de gênese dos saberes na reformulação dos poderes. destronar as nossas evidências a dissociação entre a percepção social dos loucos. de outro. será trazido à cena um conjunto de ferramentas até os nossos dias tem o sentido da progressiva conceituais da arqueologia e genealogia de Michel separação da loucura com relação à razão no plano do Foucault. E progresso. no período clássico elas nesta caixa de ferramentas foucaultianas. enclausurados junto a uma partir destas os seus conceitos e métodos. sem se percepção social dos loucos. se não que no Renascimento (século XVI) recai contra a propusesse uma genealogia de inspiração nietzchiana loucura no máximo uma condenação de cunho moral em substituição à história tradicional das idéias. Quando pensamos mentais um domínio à parte. um apoio ou um fundamento. 1. No Período Clássico (séculos XVII e sistemas em prol de um pensamento estratégico. etc. p. libertinos. a O esforço arqueológico próprio dos anos 1960 do abordagem deste tema varia em torno de uma série de trabalho de Foucault. em que as estrategicamente pensar com ele e muitas vezes. e o Pensar com um autor nesta perspectiva não é o conhecimento médico da loucura. Esta é farto arsenal de máquinas de guerra. parceria será tomada: sua função não é nos fornecer blasfemadores. a continuidade com as demais doenças. liberta-se o louco das correntes das nos trabalhos foucaultianos por se tratar de um antigas casas de correção. cada qual forjada tomada como um estado de alienação perante as especificamente para uma evidência sólida. 15. suicidas. podemos pensar mais profundos na Modernidade (século XIX em numa espécie de utensílio ou arma única. dispositivo caro ao atual processo de reforma Foucault (1978) toma como hipótese-chave a psiquiátrica brasileiro: a reabilitação psicossocial. XVIII) a loucura é excluída da ordem da razão com problematizador das questões atuais. A meta deste trabalho é pôr em questão um Em sua tese de doutorado escrita em 1961. conceitos-chave e alvos possibilidade histórica dos saberes. (enquanto presunção. encontrará nos estratégicos. Para tal análise. Filósofo. são destacadas do século XV recuasse a abordagem epistemológica em prol de uma até o século XIX as diferentes manifestações sobre o arqueologia.

a ele vencedor. Contudo. com Charcot. Nestas novas formas de pretensamente universal tal como ocorreria em um controle pós-disciplinares poderíamos claramente laboratório médico. de batalha corpo a corpo. Thomas revelação. outro exemplo extraível da medicina provem do laboratório AS REFORMAS PSIQUIÁTRICAS EM QUESTÃO: de Pasteur em que o combate à doença tem seu front A POSSIBILIDADE DE NOVOS PERIGOS principal no laboratório. próxima da confissão cristã. a destaca como peça-chave de seu argumento a derradeira estratégia de despsiquiatrização seria constituição histórica de uma dupla experiência de produzida pelo movimento antipsiquiátrico. ao derradeiramente libertar o louco de um jogo de forças (poderes) locais na qual ela cabe ao qualquer confinamento e de qualquer verdade. psiquiátrica. Esta pondo-se à distância de qualquer produção meramente produção do próprio discurso e da própria verdade é o situada. uma vez que visa centros de saúde mental e novas formas de tratamento. confinamento asilar. surgimento da doença no corpo do paciente para que possa ser feito o seu combate. a verdade de sua loucura. para além das sociedades disciplinares. como no asilo psiquiátrico. Não se trata. a verdade toma o caráter Szaz e Franco Basaglia (com sua psiquiatria explícito de uma justa. em que é necessário provocar o asilar e suas formas de despsiquiatrização relativas. mesmo e alguns artigos. foram construídos novos despsiquiatrização de produção nula. Contudo. como em certas formas pois de um modo de produção de verdades de despsiquiatrização. ainda que mesclada com caráter de prova) seu modo Deleuze propõe e existência de uma sociedade de de produção de verdade por excelência. a psiquiatria tem um lugar especial. de uma batalha demarcada no tempo (o do internamento) e no espaço 2 Apesar de Foucault denominar de antipsiquiatria tanto o (o asilo) entre a vontade do médico e a do seu paciente movimento antipsiquiátrico propriamente dito quanto a pela demarcação de um saber. Na psicanálise (Basaglia et al citado por Amarante. trabalhos. possui um caráter de justa. 2010 . Ronald Laing. No primeiro caso. Pois nesta baseadas estas na transmissão da ordem pelo forma de verificação. e a estabeleceria entre médico e paciente. A antipsiquiatria teve algumas estratégias de despsiquiatrização. as problematizações alguns momentos formas de verificação foucaultianas sobre a loucura inspiram outros universalizantes (como por exemplo. percebendo a loucura psicanálise de outro. em que este pensador despsiquiatrização de produção controlada./mar. ar livre e de modo contínuo. Maringá. através do apoderamento dos corpos aqui passa a ser exercido ao poder asilar. 55). como os de Deleuze (1992) e Castel (1987). a eliminação de todo sinal de loucura. 1. de democrática). inspirou-se na verdade sobre a loucura não se equaciona mais com o luta sócio-política do psiquiatra italiano Franco Basaglia. No segundo caso. a entrevista controle. n. p. v. Tentando evitar a objetalização da loucura que loucura revelada nos laboratórios. na tomada de assalto do aparato psiquiátrico a partir aproximação ou tentativa de afastamento das relações dos anos 1960/1970? É bem verdade que este caminho de força locais. 1995. Essa história foucaultiana terminaria aqui com a Dentro desta dupla caracterização da verdade na possibilidade do triunfo libertador da antipsiquiatria. psiquiatria democrática italiana. 27-34. ela busca se universalizar caberia a produção de seu próprio saber2.Genealogia da reabilitação psicossocial 29 no Collège de France (“O poder psiquiátrico” (2006) esta quebra do dispositivo asilar se produz ao permitir de 1973-1974 e “Os Anormais” (2001) de 1974-1975) que o louco produza a sua própria verdade. o qual visava a desmontagem e a psicocirurgia isto ocorreria ao se fazer o poder de desconstrução do aparato prático-teórico-discursivo da confinamento recuar perante uma verdade sobre a psiquiatria. à distância dos corpos em padecimento e na universalização da microbiologia. questionando o modelo psiquiátrico desta relação entre poder asilar e verdade da loucura clássico e as deficiências assistenciais dos asilos- são produzidas na virada para o século XX: a manicômios que levariam à cronificação da doença. Foucault neste mesmo artigo aponta distinção entre os dois movimentos. O busca-se que o suposto louco confesse. p. Na psicofarmacologia e na enfatizando um processo conhecido por desinstitucionalização. São estratégias de como fruto da repressão da sociedade e da família. que no setting analítico recodifique-se integralmente o Um dos mais emblemáticos destes trabalhos é “A poder médico na figura do analista. mas de uma justa. Psicologia em Estudo. Daí seu nome de Casa dos Loucos” (1982). verdade no ocidente: enquanto prova e como capitaneado por David Cooper. aberto por Foucault não foi mais trilhado por ele nos Mesmo que com ela tenha buscado constituir em anos 1980. A despsiquiatrização. devemos destacar uma Contudo. uma vez que a produção de psiquiatria democrática italiana. No segundo caso. 15. trata-se da este aparato proporcionava. jan. de quebra origem nos anos 1960. confinamento. Um exemplo no primeiro caso é o da noção de contrapoder ou alternativa mais palpável ao poder crise em medicina. por sua vez. Propunha uma crítica radical à relação de poder que se psicocirurgia e psicofarmacologia de um lado.

de retomar a sua força A nossa contribuição nessa problematização é crítica. foi dispositivos legais. enquanto modo de responsabilização do Se aqui ressaltamos a importância histórica da próprio portador. esta teve como terapêutica da psiquiatria. Europa desde os anos 1960. por volta dos anos 1950. 15. A psiquiatria de setor. mapear os novos riscos Itália. por sua vez.256) uma tentativa de reforçá-la. Foucault (1995) assim se posiciona reforma psiquiátrica brasileira no desmonte da quanto este trabalho: estratégia asilar. 1995. doença.216 (Brasil. uma busca aos antecedentes “suspeitos” com vistas à Movimento que se desdobra inclusive quanto aos intervenção. com seus aparatos legais e institucionais. a Lei 10. Maringá. como atual é a chamada Reforma Psiquiátrica. Com Sul os pioneiros). especialmente na proposta por Gerard Caplan. impondo a sua notificação junto ao hospital psiquiátrico permanecer como o centro da ministério público (Artigo 8o. Mas que novas formas de despsiquiatrização presentes no qualquer comemoração só é válida no alerta constante Brasil. então eles eram o perigo. como alguns que se apresentam. O asilar e a intervenção parasitária das clínicas autor. um pertinente. 2002). Ou mesmo nos antigos. jan. como na Itália. como um estatal. claro que o perigo mudou. p. v. partir do substitutivo do Senador Sebastião Rocha de modo a evitar a segregação e o isolamento dos (de 1992 até hoje foram criadas oito leis estaduais usuários. contudo. idealizada por Lucien Bonnafé. E agora está bastante sempre temos algo a fazer” (Foucault. pois mas tudo é perigoso(. defendendo o retorno à vocação Aprovada em 06 de abril de 2001. Penso que seria bom fazê-lo. e há mais clínicas vala comum das antigas práticas psiquiátricas que a particulares etc. A primeira implica na mudança de uma série de dispositivos surgiu nos Estados Unidos. especialmente com relação ao custeio questão a própria estratégia antipsiquiátrica. Trata-se antes de tudo de (p. os durante a década de 1990 um Projeto de reforma do quais reivindicavam a transformação imediata dos sistema psiquiátrico. na Problematizar a reforma.. 2010 . Por exemplo. Tal lei claramente intenta isso. esquadrinhamento. abrir-se-ia a possibilidade de cada paciente se desmantelar o aparato asilar baseado em internações relacionar com outros de sua mesma cultura e meio involuntárias. a criação de hospitais abertos como os buscando identificar as pessoas que seriam mais Núcleos de Atenção Psicossocial (Naps) e os suscetíveis aos transtornos mentais via questionários. e subordina-as ao aparelho afirma que a psiquiatria de setor não avaliou o risco do judiciário./mar. Movimento que francesa. por que a sua problematização? É Eu concordo inteiramente com a posição de justamente na tentativa de mapear os novos perigos Castel. radicaliza sua crítica. A instituição psiquiátrica sofreria um inspiradas no projeto do Deputado Paulo Delgado. com versão final modificada a tratamento deveria ser realizado dentro do meio social. manicômios. – novos problemas surgiram. onde tramitou no Congresso capitaneada por psiquiatras franceses progressistas. isto não poder e gestão que despontam.) Se tudo é perigoso. fecharam todos os hospitais para trazidos no seu bojo não visa inviabilizá-la. pensá-la não como um processo acabado que perguntar quais são os problemas portados pelas devemos nos regozijar e comemorar. Castel (1987) instituições privadas.256). tornaria equivalente ao asilo. pois não teria havido. hospitais. a maior parte delas custeadas pelo social na ocasião da internação. institucionais. O que melhor representa aqui este processo dos seus novos riscos. É isso que intentamos levantar em largo espectro doutrinário dos movimentos relação a um dispositivo específico bastante presente: antipsiquiátricos oriundos dos Estados Unidos e a reabilitação psicossocial. tarefa inviabilizada no base o projeto do Deputado Paulo Delgado interior de instituições manicomiais. de forma que a cada ala sendo os estados de Pernambuco e do Rio Grande do corresponderia uma área geográfica e social. e a psiquiatria de setor Psiquiatria democrática de Basaglia. Assim. mas isto não quer dizer. jogá-la na doentes mentais. Não para conduzir à significa que não possamos criticar estes apatia de quem julga tudo ruim: “nem tudo é ruim. além de contrabalançar o poder médico com exemplo dessa nova forma de gerência aberta da o poder jurídico. pondo em particulares. Psicologia em Estudo. 1999). uma vez que enfrenta o enclausuramento movimento de contestação do próprio hospício. Projeto assistência. surgida nos na reabilitação dos mecanismos asilares no bojo dos anos 1980 como um rebatimento em uma frente de seus dispositivos.30 Pinto e Ferreira situar a psiquiatria preventiva norte-americana.. sem com o intuito de mapear comportamentos e efetuar qualquer mecanismo asilar (Brasil. p. o apresentado em 1990. n. parágrafo 1). governo através do financiamento de leitos em Sobre esta última experiência. 27-34. 1. Centros de Atenção Psicossocial (Caps). dos novos modos de poder de supõem que os hospitais psiquiátricos são melhores do que a antipsiquiatria.

implica que a reabilitação psicossocial não seria um imprimindo um senso de ortopedia. deve-se perguntar se. “processo-técnico” singularizado. a qual necessita de Rehabilitation Services (IAPRS). desvantagem (. Maringá. etc. possível de autonomia do exercício de suas 1996.. de potenciais do indivíduo. Trata-se técnicas voltadas para o treinamento de atividades da do: vida diária. laborativo. Pitta (1996) personalizado (IAPRS citado por Pitta. a restauração. a qual é esperto para reconhecê-lo” (p. tornando forte o fraco.. efeitos práticos se fazem presentes antigas formas de psiquiatrização sob um novo rótulo.) Zeus transformado em bovino é as atuações das estratégias de reabilitação como sempre Zeus. impairment. p. esta definição que deve ser recuperado. Há ação farmacológica. mediante uma A reabilitação psicossocial seria. pois. a Organização Mundial de Saúde (OMS) sociedade marcada por práticas de exclusão. a fim de De mais a mais. 2010 . como suporte residencial. psicoterápica. 94). de naturalização da inserção dos loucos numa IAPRS..15).. residencial. Porém. interesses.. tendo em vista as conseqüências podem estar presentes em práticas inteiramente invalidantes do adoecimento mental.) A importante operador teórico-prático da reforma reabilitação psicossocial é um processo psiquiátrica. apresentar. o “desabilitado”. Não se trata de enquadrar Esse termo poderia denotar a premência de um o sujeito em determinados modelos pré-estabelecidos. v. “conserto” da psicose. processo que aponta para realizar mudanças. traduzida como alteração. mas sim um assegurando a minorização da loucura. Em outros termos. p. 15. a OMS classifica renovadas: “(. como se ela fosse uma fratura mas sim ver suas potencialidades e criar situações que aguarda a calcificação via reabilitação respeitando seus limites. Afinal. alerta para o reducionismo que esse conceito pode p... 1. jan. 20).) um processo que oferece aos indivíduos reinserção social visa. além da se criar possibilidades de vida e de se construir a minorização. dispositivos de poder Pitta (1996).. tempo dos doentes mentais. e é preciso ser mais voltadas para: 1) a disfunção./mar. p. abrangente e não apenas uma técnica (OMS. Porém. manteria um notável reabilitação psicossocial não é a estratégia de habilitar diferencial de poder entre loucos e classe médica. deterioração ou diminuição Para que tal problematização seja feita é da capacidade funcional. A classifica a reabilitação psicossocial como: resposta do movimento reformista é que esta (. no melhor nível prolongada do estado ‘normal’ do indivíduo” (Pitta. Envolve tanto o incremento de saúde mental brasileiras. conceito um esboço de normalização da doença Seguindo a linha de definição apontada pela mental. fisioterápica. cujo cuidado se centra na necessário trazer à luz as elaborações do conceito.) o processo de complexos. incapacitados ou ocupação cidadã por parte dos loucos do seu lugar na Psicologia em Estudo. antes de tudo. que necessita de cuidados mais funções na comunidade (. constituindo-se num competências individuais como a introdução de mudanças ambientais (OMS.. Ele é / não é Zeus. de mecanização ao conjunto de técnicas instrumentalizadas para ocupar o tratamento do sujeito em grave sofrimento psíquico. mesmo Para a OMS a reabilitação psicossocial consiste um serviço de vanguarda pode trazer o ranço da numa estratégia de aquisição ou de recuperação de cultura asilar. e 3) a deficiência (handicap). tendo em vista que a palavra reabilitação traria o risco de recobrança de algo que se perdeu e Como enfatiza Saraceno (1999).) processo de facilitar ao indivíduo com que o indivíduo apresenta “resultante de uma alteração limitações.. Segundo as mesmas funções. não haveria embutido no próprio cidadania plena. do retorno à normalidade. destinado à ajustados às demandas singulares de cada reintegração dos sujeitos “degenerados” pela prática indivíduo e cada situação de modo psiquiátrica ao longo dos anos. 1996. n. uma definição clássica de reabilitação psicossocial 2) a desabilitação corresponde à carência de feita pela International Association of Psychosocial habilidades para a vida diária. um abordagem compreensiva e um suporte vocacional. 21). educacional. 27-34.Genealogia da reabilitação psicossocial 31 A REABILITAÇÃO PSICOSSOCIAL: UM CAMPO deficientes em virtude de transtorno mental a COM NOVOS RISCOS oportunidade de atingir o seu nível potencial de funcionamento independente na A reabilitação psicossocial embasa políticas de comunidade. Saraceno (1996) afirma que a psicossocial. Castel (1991) faz um importante alerta: aptidões importantes para a reinserção social. etc. orientando serviços como Caps e Naps. permitir uma que estão desabilitados. 1995) (. de enfatizar as partes mais sadias e a totalidade transporte. cremos que na esteira desse conceito e de seus 2001. em 1985.

que não seja apenas a de comensurá-la operador da produção de cidadania. estratégias descritas por Deleuze (1992) no tangente se na seara do defeito. Ela pode aprisionar o bastante interessante: não se pode reabilitar o outro. Assim. Porém. Com a reabilitação psicossocial que se pode ter atualmente é um outro tipo de não é diferente. jan. as novas formas de controle se fundamental que os profissionais. quanto o antigo hospício. Porém. mantendo o seu status quo. Cremos Santos (2003) quando sugere que se comece a discutir que através desse mecanismo de “inclusão para o mandato social de tutela conferido aos profissionais exclusão” é que são produzidos os atuais desfiliados.e único . Como isto dicotomia” (Veiga-Neto. somente o sujeito estaria caráter excludente do tratamento. Isso significa que não há uma falta inclusão/exclusão funciona de modo a incluir o a ser devidamente preenchida ou corrigida. a reabilitação psicossocial pode elucidam aspectos importantes sobre a saúde. enclausurando sociabilidade. como faziam isso se ajusta perfeitamente a algumas estratégias de os velhos asilos. para se construir esse lugar. A questão que se apresenta é que de cada um. de se criar espaços e novos sentidos para a estranhamento seguido de uma “oposição por paradoxal díade “loucura – cidadania”. Aliás. n. familiares. pela noção de cidadania. que não se “diferente” para depois excluí-lo. No entanto. p. Isto pode estar em condições de reabilitar-se. sim. para que se razão e da vontade”. 2010 . arranjo desse mandato ao longo dos séculos. a reabilitação psicossocial seria um para a loucura. produzir espaços existenciais liberais destacadas por Foucault (2007): nestas. apresentado por Castel (1987). a ele fosse o total . várias práticas tentaram curar o reabilitação não estariam apresentando apenas as louco. 1. tendência é o isolamento dos pacientes. leia. Assim. Obviamente isso retira presente através de um preceito técnico. produzir um “tresloucamento” desse lugar da poderá ser detectada a diferença. se a pessoa adoece é porque não as práticas reabilitadoras podem ser tão violentas segue as admoestações das campanhas e dietas. 27-34. de fato. Aqui. o qual se torna um estranho. É preciso haver uma deve ter como meta transformar o louco em “sujeito da primeira aproximação com o outro. mas trazendo lo aos demais cidadãos. puderam se tornar includentes. É Contudo. reforçando o porque. loucos e cidadãos se manifestam também em outro aspecto: ele seria “treslouquem”. Se esta prática não estiver aliançada responsabilidade sobre a sua própria loucura. Não basta reabilitá-los. de saúde mental. segundo esse autor. é importante ressaltar que a cidadania a Mesmo reconhecendo os avanços operados pela ser construída obedece ao princípio da racionalidade reabilitação psicossocial. Maringá. aqueles que não são nos manicômios prevalecia a violência física. Se por um lado elas Inegavelmente. no afã de igualá.32 Pinto e Ferreira sociedade. Venturini (2003) pontua uma idéia violência: a simbólica. p. Castel (1991) mostra que produzindo-se os marginais. Tomamos como pensando nos problemas que implicam esta inserção exemplo algo bastante corriqueiro: a massificação das do louco nesta figura de cidadão. as práticas de Ao longo dos séculos. As tentativas de encerrar o novas formas de controle. 15. calcado no da cena a relação de tutela muitas vezes exercida pelos simples treinamento dos pacientes para as atividades técnicos. Mas ela também transfere para o sujeito a da vida diária. de acordo operando agora em um espaço aberto? Recorreremos com Birman (1992). é preciso que se reconheça que aqui a uma idéia trazida por Veiga-Neto (2001): não haveria qualquer dívida entre o louco e a razão incluir para excluir. como as formas de governamentalidade engajá-los com a cidade. indivíduo. Segundo esse autor o binômio técnico-científica. v. direitos e do cumprimento de deveres. dando ensejo às inscrever esse sujeito no âmbito da negatividade. no entender dessa mesma autora. A idéia de se produzindo certos engessamentos e flexibilizações no restituir o que falta ao louco pode trazer o risco de manejo dos corpos em espaço aberto. como mostra Birman (1992). A partir daí. deve-se alertar que esta pode moderna.113): X não se seria possível? Neste aspecto. no quadrante do princípio da igualdade de conduzir a uma estratégia de medicalização do social. produzindo-se um igualdade. às sociedades de controle.responsável por ela. Haveria. concordamos com identifica com Y. velhas formas de poder psiquiátrico. campanhas de prevenção atuais. por possibilitar transformações na vida dos sujeitos em outro deixam a responsabilidade da saúde ao encargo sofrimento psíquico. cabe uma questão: louco no lugar da igualdade proporcionaram o registro como os dispositivos psiquiátricos que durante séculos no que Birman (1992) chama de pedagogia da mantiveram o seu caráter excludente. de forma a desarranjar o (bom) como mostra Castel (1994). Este seria o cerne da gestão dos riscos cidadania para a produção de novas configurações. mais Psicologia em Estudo. de forma a restituir-lhe a ratio./mar. a necessidade de se reconheça e se estabeleça um certo saber. 2001. é necessário poder atuais. os indivíduos. porém. como se com um corpo social “tresloucado”. efetuado especialmente pelo próprio indivíduo e seus que se instalem nesse paradoxo da relação loucura. o capazes de se gerir. ou.

v.. “(. da irresponsabilidade e de outros Birman. a própria vinculação da reabilitação possibilidade de trazer novas formas de vida e de ao conceito de cidadania pode se constituir num experiência. ela mais claramente incorrendo conduzir a uma celebração eterna. exclusão. É alguns problemas ainda mais específicos.256). como são entendidos os transformações. a meta de cidadania se Relume Dumará. reducionista. Brasília... De mais a mais. Trata-se Se por um lado há o sonho de reabilitar a pessoa. A guisa de conclusão é possível apontar vida coletiva para a acolher sua experiência. sendo fruto da hegemonia da abordagem Todas as problematizações levantadas neste artigo biológica dos transtornos mentais. Que lugar é esse de cidadão que a categorias psiquiátricas. tudo é perigoso (. deve-se buscar outros modos de metas econômicas. qualquer finalidade paralisadora. da disseminação da sociedade de controle preconizada de forma a reinseri-la em seu contexto social.)” (p. 224 do Ministério da Saúde. E a crítica aqui não tem prevalecendo sobre outras formas de tratamento. inegável que a reabilitação psicossocial traga Em primeiro lugar. da Amarante. por por Deleuze (1992).11). tudo contribui para a inscrição do louco podemos encontrar velhas formas de psiquiatrização numa espécie de no man´s land social. 71-90). n. pois a inclusão seguiria a REFERÊNCIAS fórmula apontada por Veiga-Neto (2001): incluir para excluir. P. jan. ele conduz a toda uma gama de novos No bojo da reforma psiquiátrica e em dispositivos problemas. A cidadania tresloucada. como mostra poderiam ser assim resumidas: haveria o perigo da Aguiar (2004). mas é importante levantar problemas transtornos mentais no bojo dos discursos da para que este dispositivo não seja um mero reabilitação psicossocial? Há definições clássicas que encarceramento do lado de fora dos muros do antigo os manuais psiquiátricos oferecem. Em 29 de janeiro de 1992. Um bom exemplo disso é a transformação manicômio. 1. de novas formas de gestão mais sutis. (1992). Psiquiatria sem hospício – contribuições ao a loucura” (p. de forma a se conjurar os padrões de funcionamento cerebral e ditando que as perigos que suas práticas podem oferecer. mas partir de uma naturalização radical do desvio. Mas isto não a torna imune à constituição nos textos do Diagnostic of Statistical Manual (DSM). como (2000). outro há os vários riscos que essa tarefa traz. Rio de Janeiro: Relume cidadania café-com-leite: “onde viceja ainda a noção Dumará.Genealogia da reabilitação psicossocial 33 do que o simples abandono dos indivíduos em prol de outras palavras. Minuta da Portaria nº. J. nem pela paradoxal reabilitação almeja construir? Como tornar o louco um cidadão numa sociedade excludente e que rechaça a inclusão/exclusão do conceito de cidadania. por psicoterapias deveriam se adequar ao padrão objetivo exemplo. 15./mar. Loucos pela vida. B. In B. periculosidade. 2010 . além de estudo da reforma psiquiátrica (pp. Oferecer uma vida do lado de fora do hospício não representa a solução de todos os problemas. p. de de acolhimento da loucura no espaço urbano. Afinal. O controle. Assim. Bezerra. mostra limitada perante outras possíveis experiências Brasil (1999). 27-34. Trata-se do que Nascimento (2009) define por Aguiar. (1995). na medida em além da entronização de dispositivos da sociedade de que há pouca disponibilidade em nossas formas de controle. como a reabilitação psicossocial. Mas é preciso asilo. a própria bem específicos. estimula-se a própria auto-gestão experiência de viver na cidade para além da cidadania. assim. a reabilitação psicossocial pode não oferecer e descritivo destas formas de medicina para serem formas tão maciças de poder quanto o velho legitimadas. a vigilância. passando-se de um enclausuramento a um cuidado: essa definição psicopatológica é claramente “exclausuramento”. aspectos estigmatizantes com que se molda e delineia Amarante (Orgs. da mesma forma que o CONCLUSÃO gesto emblemático de Pinel de libertação das correntes.. econômica destes ao modo de uma empresa. A. Rio de Janeiro: Fiocruz. A psiquiatria no divã.). Rio de Janeiro: menorizador e excludente. se a reabilitação psicossocial toma por base as vitórias sobre o sistema asilar não devam nos este tipo de discurso. Pensamos que Assim. Não mais ungidas pela verdade das problema. (2004). blindando a nas práticas biopolíticas apontadas por Foucault reforma de toda a crítica possível. apenas a Como visto. Psicologia em Estudo. difundindo a redução da loucura aos fazer constantemente. diferença? A cidadania funcionaria. Tendo ganhado força a partir dos anos produção de velhas e novas formas de 1970 com o movimento de remedicalização e o avanço “psiquiatrização”? Essa é uma pergunta que o das neurociências. P. como algo meramente de direito. o “biologicismo” permeia a movimento de reforma psiquiátrica brasileiro deve se psiquiatria. de ausência de obra.) nem tudo é ruim. matriz da incapacidade. uma vez que estaria operando a intervenção a ressalta Foucault (1995).. Maringá.

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