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Financiou um imóvel na planta e não consegue suportar mais as parcelas? - Jus.com.

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Financiou um imóvel na planta e não
consegue suportar mais as parcelas?
Entenda quais são seus direitos em caso de
desistência da compra
Pérecles Ribeiro Reges

Publicado em 08/2017. Elaborado em 08/2017.

O comprador tem total direito em romper o Contrato de Promessa de Compra e Venda, assim como a construtora tem
o direito de reter uma porcentagem sobre o valor já pago. Mas, tem limite para essa porcentagem? Leia o artigo
abaixo e entenda.

Todos nós sabemos, e já não é de hoje, que a economia brasileira não vai bem. Aos poucos o mercado vai se
reerguendo, mas, a verdade, é que, muitos de nós estamos passando por sérios problemas financeiros, não só as
empresas dos mais diversos ramos, como, e principalmente, as pessoas físicas.

No setor imobiliário não seria diferente e as notícias dos últimos anos não têm nos animado. Pelo contrário, cada vez
mais os consumidores têm adotado medidas preventivas para não contrair dívidas desnecessárias ou que não
possam ser suportados.

Com a “bolha imobiliária” entre os anos de 2009 e 2011, os preços dos imóveis elevaram-se em razão da grande
procura aliada à concessão desenfreada de créditos bancários para o financiamento do imóvel.

Ocorre que com a elevação dos preços e o forte impacto sofrido pela economia, muitos compradores têm desistido do
financiamento da tão sonhada compra da casa própria por força da incapacidade do comprador em manter o
pagamento das prestações.

Diante desta situação, muitos compradores têm desistido da compra, o que lhes faz procurar as construtoras para
encerrar o contrato e reaver os valores que lhes pertence. ENTRETANTO, muitos compradores se depararam com a
negativa das construtoras na devolução desses valores ou a retenção muito elevado do que realmente é devido, sob
a mera justificativa por parte das construtoras de que o Contrato de Promessa de Compra e Venda, aquele contrato
feito quando o imóvel ainda encontra-se na planta, é um contrato inegociável e irretratável.

Como o Distrato (o encerramento do contrato) deve ser feito por ambas as partes do negócio, leva-se em
consideração o valor até então pago pelo comprador, as despesas que o construtor teve, dentre outros gastos.
Todavia, não raras vezes, as contas não batem e surge, daí, o desequilíbrio contratual, devendo haver, nessa
hipótese, a intervenção Judicial.

Antes de qualquer coisa, devemos deixar claro que essa é uma relação tipicamente consumerista, ou seja, incide
sobre ela as normas do Código de Defesa do Consumidor, em razão, não só dos arts. 2º e 3º, mas, principalmente,
do art. 53, que possuem as seguintes redações:

https://jus.com.br/imprimir/60131/financiou-um-imovel-na-planta-e-nao-consegue-suportar-mais-as-parcelas[30/08/2017 10:58:45]

Jus. deve ocorrer a imediata restituição das parcelas pagas pelo promitente comprador – integralmente. https://jus. ou parcialmente. mas retenha do comprador um valor superior a 10% ou 20% do que já foi pago (esta conta não difícil de ser feita). uma quantia absoluta a ser restituída. muito além do razoável e proporcional. Todavia. a solução é procurar as vias judiciais. tais como taxas de comissão de corretagem e assessoria técnico-imobiliária (veja sobre estas taxas no artigo publicado clicando neste link). exportação. Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica. a devolução dos valores a ele. deverá ser IMEDIATA e INTEGRAL. bem como os entes despersonalizados. em 2015. bem como nas alienações fiduciárias em garantia. passando a estipular um entendimento uniforme para outros casos que viessem a surgir. no ato do rompimento do contrato foram considerados exorbitantes. Explicitar os motivos pelos quais quer romper o contrato. Se a situação não for favorável pelas vias alternativas. não poderá ser restituído parceladamente e. caso tenha sido o comprador quem deu causa ao desfazimento. Segundamente. Claro que cada caso merece atenção em sua particularidade e somente cabe para as hipóteses em que o comprador contraiu o financiamento JUNTO À PRÓPRIA CONSTRUTORA. considera-se prática abusiva qualquer forma de impedimento por parte da construtora ou a restituição parcelada. gastos internos. 3°. pela construtora. Faça uma consulta jurídica sobre seu caso e veja o melhor caminho a ser tomado. sendo transparente e sincero. em razão do inadimplemento. consideram-se nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam a perda total das prestações pagas em benefício do credor que. transformação. montagem. Sabendo do direito de ser restituído quanto aos valores já gastos em razão do Contrato de Promessa de Compra e Venda. serviços de publicidade. financiado-o e não estar em condições de suportar mais as parcelas contratadas. Na hipótese de resolução de contrato de promessa de compra e venda de imóvel submetido ao Código de Defesa do Consumidor.br | Jus Navigandi Art. que diz: Súmula nº 543. Se caso a construtora não aceitar a quebra do contrato. outros de 20%. que desenvolvem atividade de produção. em caso de culpa exclusiva do promitente vendedor/construtor. Art. procure um ADVOGADO especialista. 53. Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final. criação. esclareça os acontecimentos e busque seus direitos. Art. ou seja. sem dúvidas. Neste sentido. (grifos nossos) Perceba as partes em negrito. STJ. O que o STJ diz é que. busque primeiramente tratar diretamente com a construtora. em razão do montante total pago pelo comprador.com. não sendo aplicável para os casos de financiamento com instituições financeiras*. nacional ou estrangeira. a Súmula nº 543. o STJ não determinou um valor padrão. ou caso ela aceite o Distrato. de valores já pagos pelo comprador. a retenção da porcentagem equivale aos diversos serviços realizados pela construtora em torno da construção. editou. Contudo. Na hipótese de você ter adquirido um imóvel na planta. saiba argumentar e não deixe que seus direitos sejam lesados. Nos contratos de compra e venda de móveis ou imóveis mediante pagamento em prestações.com. quando houver a quebra do Contrato de Promessa de Compra e Venda por decisão única (unilateral) do comprador. uma vez abatidos os valores de direito da construtora. deverá o restante ser entregue em sua totalidade. alguns julgados determinaram o direito das construtoras de reterem o valor que gira em torno de 10%. distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. de sua confiança. Desta forma. pleitear a resolução do contrato e a retomada do produto alienado. pública ou privada. importação. a pergunta é: por quê a construtora tem direito de reter uma porcentagem e qual porcentagem seria essa? Primeiramente. 2°. O Superior Tribunal de Justiça já analisou diversos casos em que a retenção.br/imprimir/60131/financiou-um-imovel-na-planta-e-nao-consegue-suportar-mais-as-parcelas[30/08/2017 10:58:45] .Financiou um imóvel na planta e não consegue suportar mais as parcelas? . etc. construção.

regesadvogado.br/imprimir/60131/financiou-um-imovel-na-planta-e-nao-consegue-suportar-mais-as-parcelas[30/08/2017 10:58:45] . https://jus. Portanto. Autor Pérecles Ribeiro Reges Pós-graduado em Direito Processual Civil pela Faculdade de Direito de Vitória (FDV). pois serviu.com. novamente.Jus.com.com. para que ocorresse o “boom” imobiliário no Brasil nos anos de 2009 a 2011 e. tão somente. Quando selecionados. os textos são divulgados na Revista Jus Navigandi. Advogado civilista.br | Jus Navigandi * A informação na introdução deste artigo acerca dos financiamentos bancários não deve ser entendida como sendo aplicável para a hipótese em questão. trânsito.Financiou um imóvel na planta e não consegue suportar mais as parcelas? . atuante nas áreas de defesa do consumidor. Sua divulgação não depende de prévia aprovação pelo conselho editorial do site. Textos publicados pelo autor Site(s): www. senão a maior delas.br/ Informações sobre o texto Este texto foi publicado diretamente pelo autor.blogspot. empresarial. ao após. imobiliário. para que não haja dúvidas. para informar que esta foi uma das principais causas. que o entendimento é aplicável somente para os casos em que o comprador adquiriu financiamento DIREITO com a construtora. a crise do setor diante do elevado grau de inadimplemento. deixo claro.