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Auditoria Interna Preventiva e Análise do Processo de Licitação de uma Prefeitura do Norte

do Estado do Paraná: um Estudo Empírico

Marines Lucia Boff


Mestranda em Ciências Contábeis pela
Universidade Regional de Blumenau (PPGCC/FURB)
Rua: Antônio da Veiga, 140 – Sala D 206
Bairro Victor Konder - Caixa Postal 1507
CEP 89012-900 – Blumenau/SC – Brasil
E-mail: marinesboff@hotmail.com
Telefone (47) 3321 0565

Ivone Vaz de Lima


Mestranda em Ciências Contábeis pela
Universidade Regional de Blumenau (PPGCC/FURB)
Rua: Antônio da Veiga, 140 – Sala D 206
Bairro Victor Konder - Caixa Postal 1507
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Jorge Ribeiro de Toledo Filho


Doutor em Controladoria e Contabilidade - FEA/USP
Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis da
Rua: Antônio da Veiga, 140 – Sala D 206
Bairro Victor Konder - Caixa Postal 1507
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RESUMO

A operacionalização da atividade pública inicia-se mediante a necessidade de se efetuar


compras visando atender as necessidades dos entes públicos. Entretanto, os gestores públicos
devem observar exigências legais que normatizam sua administração. Nesta perspectiva,
surgiu a Lei n° 8.666 de 21 de junho de 1993, que estabelece normas gerais sobre licitações e
contratos administrativos inerentes a obras, serviços, compras, alienações e locações no
âmbito dos poderes da união, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. O objetivo
deste estudo é analisar o processo de licitação de uma prefeitura do norte do Estado Paraná
visando identificar o cumprimento da Lei n° 8.666/93 por meio de um estudo empírico com
características descritivas e análise qualitativa dos dados. Os resultados demonstram que a
administração pública é ampla e amparada por legislação específica, podendo se apresentar
mais eficiente, se observado o conjunto de leis específicas e adotados os procedimentos de
auditoria interna preventiva. Conclui-se que os procedimentos de compras da prefeitura
estudada não estão de acordo com a Lei n° 8.666/93 visto que a auditoria interna preventiva
detectou que estes estavam ocorrendo de forma direta sem atender aos preceitos legais,
chegando a ignorar os limites estabelecidos para efetuar compras sem licitação.

Palavras-chave: Processo de Licitação. Auditoria Pública. Auditoria Interna Preventiva.


III Seminário de Ciências Contábeis FURB. Blumenau/SC, 27 a 29 de agosto de 2007. 2

1 INTRODUÇÃO

Assim como nas empresas privadas existem administradores contratados e


responsáveis pela gerência dos recursos disponíveis, visando a continuidade das atividades, o
mesmo acontece nas entidades públicas quando o povo elege seus representantes nas esferas
municipais, estaduais e federais.
Espera-se destes administradores públicos, comprometimento e responsabilidade com
os recursos disponíveis para atender as necessidades básicas da população que os elegeu.
Nesta perspectiva, surgiu a Lei n° 8.666 de 21 de junho de 1993, que estabelece normas gerais
sobre licitações e contratos administrativos inerentes a obras, serviços, compras, alienações e
locações no âmbito dos poderes da união, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A
referida Lei regulamentou o art. 37, inciso XXI da Constituição Federal de 1988.
No entanto, mesmo que as regras e normas estejam claramente definidas dentro da Lei
de forma eqüitativa à todos, não significa que estas realmente serão cumpridas. Surge então, a
necessidade de confirmação do cumprimento pelos gestores destas Leis, por meio da
auditoria.
Considerando que as aquisições são feitas por todos os setores, surge a necessidade de
se monitorar os procedimentos de solicitações de compras, o que formula aos entes públicos a
seguinte questão-problema: o processo licitatório de compras está sendo realizado de acordo
com a Lei n° 8.666/93? Para responder a esta pergunta, estabeleceu-se como objetivo do
trabalho analisar o processo de licitação de uma prefeitura do norte do Estado Paraná visando
identificar o cumprimento da Lei n° 8.666/93.
Este estudo apresenta características descritivas, pois foi necessário descrever as
informações coletadas dos resultados da auditoria interna realizada no exercício de 2005
numa prefeitura localizada no norte do Estado do Paraná. Configura-se como uma pesquisa
qualitativa de natureza empírica, ou seja, de identificação de uma teoria em um contexto
observável.
O estudo está estruturado em cinco seções. Após esta introdução, aborda-se o
referencial teórico que compreende a Lei n° 8.666/93, Lei Complementar n°101/2000 e
contextualiza-se auditoria. Na seqüência, apresenta-se o método e técnicas utilizadas no
decorrer da pesquisa e, descrição e análise dos dados. Finaliza-se com a conclusão e
referências.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 LEI N° 8.666/93 - NORMAS PARA LICITAÇÕES E CONTRATOS


ADMINISTRATIVOS PÚBLICOS

Esta Lei regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal e institui normas
para licitações e contratos da administração pública pertinentes a obras, serviços, compras,
alienações e locações no âmbito dos poderes da união, dos estados, do Distrito Federal e dos
municípios. Além dos órgãos da administração direta, subordinam-se ao regime desta Lei, os
fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de
economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente pela união, estados,
Distrito Federal e municípios.
De acordo com a Lei, a licitação destina-se a garantir a observância do princípio
constitucional da isonomia e a selecionar a proposta mais vantajosa para a administração e
será processada e julgada em estrita conformidade com os princípios básicos da legalidade, da
impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da probidade administrativa, da
vinculação ao instrumento convocatório, do julgamento objetivo e dos que lhes são correlatos.
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Contrato é considerado todo e qualquer ajuste entre órgãos ou entidades da administração


pública e particulares, em que haja um acordo de vontades para a formação de vínculo e a
estipulação de obrigações recíprocas, seja qual for a denominação utilizada.

2.2 LEI COMPLEMENTAR N°101/2000

A Lei Complementar n°101/2000 regulamentar do Art. 163 da Constituição Federal de


1988, se apresenta como código de conduta com normas e limites aos administradores
responsáveis pelas finanças públicas, prestando contas sobre quanto e como gastam os
recursos da sociedade. Em vista disso, surgiu a necessidade de unificar os procedimentos
adotados pelos municípios. Para tanto a Secretaria do Tesouro Nacional, padronizou por meio
de portarias, o plano de contas das receitas e despesas bem como o plano de contas contábil,
unificando-os em todos os municípios brasileiros, o que visa agilizar o poder de fiscalização
por parte dos Tribunais de Contas estaduais. (TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO).
O Tribunal de Contas do Estado do Paraná implantou o Sistema de Informações
Municipais – Acompanhamento Mensal (SIM-AM), sendo os dados do sistema transmitidos
bimestralmente para o Tribunal de Contas do Estado. A implantação desse sistema ocorreu
para que o Tribunal de Contas cumpra seu papel de fiscalizador externo.
Neste sistema, além de diversos controles orçamentários e financeiros, está inserido
também o módulo licitações, o qual visa acompanhar os procedimentos que os municípios
vêm adotando com relação às suas aquisições. Neste modulo há informações de todos os
participantes dos processos licitatórios, produtos licitados, acompanhamento dos contratos e
termos aditivos.
Na análise das contas municipais, o Tribunal de Contas, por meio das informações já
transmitidas bimestralmente pelo SIM-AM, consegue apurar se há irregularidades nas
aquisições feitas por parte do ente público, pois vincula o detalhamento das despesas com o
CNPJ do fornecedor, totalizando o montante empenhado ao mesmo durante o exercício
confrontando estas informações com o modulo licitação, resultando nos montantes adquiridos
sem licitação, com valores que ultrapassam a modalidade aplicada caracterizando o
fracionamento de licitação e falta de processos de dispensa (Tribunal de Contas do Estado).

2.3 AUDITORIA

A auditoria surgiu como conseqüência da necessidade de confirmação dos registros


contábeis, em virtude do aparecimento das grandes empresas e da taxação do Imposto de
Renda, baseado nos resultados apurados em balanços. Sua evolução ocorreu paralelamente ao
desenvolvimento econômico, gerado pelas grandes empresas, formadas por capitais de muitas
pessoas, que têm na confirmação dos registros contábeis a proteção ao seu patrimônio
(FRANCO; MARRA, 2001).
A evolução da auditoria no Brasil está ligada com a instalação de empresas
internacionais de auditoria independente, uma vez que investimentos também internacionais
foram aqui implantados e compulsoriamente tiveram de ter suas demonstrações contábeis
auditadas (ALMEIDA, 2003). As principais influências, de acordo com o autor, que
possibilitaram o desenvolvimento da auditoria no Brasil foram:
a) filiais e subsidiárias de firmas estrangeiras;
b) financiamento de empresas brasileiras através de entidades internacionais;
c) crescimento das empresas brasileiras e necessidade de descentralização e
diversificação de suas atividades econômicas;
d) evolução do mercado de capitais;
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e) criação das normas de auditoria promulgadas pelo Banco Central do Brasil em


1972;
f) criação da Comissão de Valores Mobiliários e da Lei das Sociedades Anônimas em
1976.
A Lei das Sociedades por Ações n° 6.604/76 determinou que as companhias abertas,
além de observarem as normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM),
serão obrigatoriamente auditadas por auditores independentes registrados na mesma
comissão. Para os efeitos dessa Lei, a companhia é aberta ou fechada conforme os valores
mobiliários de sua emissão que estejam ou não admitidos à negociação em bolsa de valores e
registradas na CVM.
A Lei n° 6.384 de 7 de dezembro de 1976, criou a Comissão de Valores Mobiliários
(CVM) e estabeleceu a disciplina e fiscalização para as atividades de auditoria das
companhias abertas, dando à referida comissão atribuição de examinar, ao seu critério, os
registros contábeis, livros ou documentos dos auditores independentes. Segundo esta Lei,
somente as empresas de auditoria contábil ou os auditores contábeis independentes registrados
na VCM poderão auditar as demonstrações contábeis de companhias abertas e das
instituições, sociedades ou empresas que integram o sistema de distribuição e intermediação
de valores mobiliários. Além disso, estabeleceu que as empresas de auditoria contábil ou
auditores contábeis independentes responderão, civilmente, pelos prejuízos que causarem à
terceiros em virtude de culpa ou dolo no exercício de suas funções.

2.4 AUDITORIA PÚBLICA E DE DESEMPENHO

A auditoria pública abrange todas as auditorias realizadas por agências


governamentais. Segundo Boynton, Johnson e Kell (2002 p. 943), “As auditorias de
organizações governamentais incluem auditorias de unidades públicas estaduais e municipais
realizadas por auditores federais e por contabilistas independentes”. Estas possuem como
premissa principal o conceito de que executivos e empregados que administram fundos
públicos têm de prestar contas à sociedade. De acordo com os autores, existem dois tipos de
auditorias identificadas nas normas de auditoria pública (Government Auditing Standards):
1) Auditorias contábeis: abrangem demonstrações contábeis e correlatas;
2) Auditorias de desempenho: compreendem auditoria de economia e eficiência e
auditorias de programas.
A auditoria de desempenho, como auditorias de economia e eficiência, que segundo
Boynton, Johnson e Kell (2002 p. 943), envolvem:
a) determinação: se a entidade está adquirindo, protegendo e utilizando seus recursos
econômica e eficientemente;
b) causas de práticas ineficientes ou anti – econômicas; e
c) se a entidade tem obedecido as leis e regulamentos referente a questão de economia
e eficiência.
Uma auditoria de desempenho, de acordo com Boynton, Johnson e Kell (2002 p. 943)
é um “exame objetivo e sistemático de evidências que permitam avaliação independente do
desempenho de uma organização, programa, atividade ou função pública, para fornecimento
de informações que melhorem a responsabilização pública”.
A atividade pública inicia sua operacionalização mediante a necessidade de se efetuar
compras, as quais estão inseridas em legislações especificas, sendo esta a Lei n° 8.666/93,
promulgada para regulamentar o art. 37 da Constituição Federal, o qual trata dos
procedimentos a serem adotados pelos entes públicos com relação às contratações,
estabelecendo regras para aquisições de produtos e serviços.
Para se efetuar as compras que atendam as necessidades dos entes públicos, é
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necessário o efetivo cumprimento de todas as fases administrativas, visto que sem elas, o
gestor público poderá incorrer no descumprimento das legislações pertinente.
A estrutura administrativa municipal, normalmente é formada de secretarias e, ou
departamentos, que variam de acordo com seu tamanho. Como exemplo, pode-se citar uma
estrutura municipal composta de várias secretarias como, de administração, de fazenda, de
educação, de saúde, etc. As aquisições são feitas para atender toda a estrutura num todo,
surgindo assim, a necessidade de um planejamento nas compras dos produtos e serviços, os
quais serão destinados a manutenção das estruturas mencionadas.
O setor de compras se classifica como a porta de entrada de todas as necessidades do
ente público, pois, por meio dele se inicia os procedimentos de aquisições, os quais serão
separados por grupos de produtos, de acordo com a Portaria Interministerial nº 163, de 04 de
maio de 2001, como por exemplo, medicamentos, material de expediente, gêneros
alimentícios, materiais de limpeza, etc.
A Lei n° 8.666/93 traz limites para se efetuar as aquisições por meio de tabelas de
valores, estando separados em produtos, obras e serviços de engenharia, conforme apresenta-
se na Tabela 1.

Tabela 1 - Valores de Licitação


Modalidades Obras e serviços de engenharia Compras e serviços
Artigo 23 – Inciso I Artigo 23 – Inciso II
DISPENSAVEL ATÉ ATÉ
Artigo 24 – Inciso I 15.000,00 8.000,00
CONVITE ATÉ ATÉ
Artigo 24 - Alínea A 150.000,00 80.000,00
TOMADA DE PREÇOS ATÉ ATÉ
Artigo 24 - Alínea B 1.500.000,00 650.000,00
CONCORRENCIA Acima de Acima de
Artigo 24 - Alínea C 1.500.000,00 650.000,00
Fonte: adaptado da Lei n° 8.666/93

Conforme demonstrado na Tabela 1, valores inferiores a R$8.000,00 gastos no


exercício financeiro, não há necessidade de se efetuar o processo licitatório, sendo
mencionado nos empenhos dessas despesas a descrição “dispensável” conforme artigo 24 –
Inciso I da Lei 8.666/93.
Segundo a Lei n° 4.320/64, art. 58, Cap. III, os departamentos ou secretarias
municipais, efetuam as solicitações de produtos e serviços, encaminhando estes ao setor de
compras, o qual faz uma mensuração da necessidade e a transforma em valores, separando-os
por grupos de produtos, obtendo assim a quantidade necessária para aquele determinado
produto ou serviço. Tendo em mãos os produtos necessários e seus valores, é encaminhado ao
setor de licitação para emissão de parecer sobre a necessidade de se efetuar processos
licitatórios ou não. Para tanto, o setor de licitação efetua uma etapa interna de pareceres que
envolvem o setor contábil e o setor financeiro, sendo que o primeiro emite parecer sobre a
existência ou não de dotações orçamentárias para a referida aquisição, e o segundo emite
parecer sobre a disponibilidade financeira frente às aquisições propostas (Lei 101, art. 8,
LRF).
A necessidade de se efetuar o planejamento nos diversos setores do ente público se dá
exatamente em função de atender as exigências legais, pois, se há uma solicitação em
conjunto, haverá um maior controle dos processos licitatórios, evitando assim problemas
como, compras sem processos licitatórios e fracionamento de compras. Salienta-se que,
compras com dispensa de licitação, necessitam de um processo de dispensa (Lei n° 8.666/93,
art. 24, inciso I,).
Dependendo da estrutura do ente público, este poderá designar compras
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descentralizadas, onde, cada secretaria ou departamento se responsabiliza por seus pareceres,


observando que, os valores constantes na Tabela 1 são únicos para um determinado
município, ou seja, a soma das aquisições em conjunto das diversas secretarias não poderá
exceder o limite de cada modalidade. Justifica-se essa observância pelo fato de se efetuar uma
consolidação dos gastos em sua prestação de contas ao Tribunal de Contas do Estado - TCE.

2.5 AUDITORIA INTERNA PREVENTIVA

Paralelamente ao crescimento das empresas, se apresenta a burocracia e complexidade


das atividades internas, surgindo necessidades de controle e planejamento. Nesse contexto, a
auditoria interna se apresenta às entidades como um meio de averiguação da situação
econômica, financeira e patrimonial.
Nesse sentido, Franco e Marra (2001) mencionam que as empresas de porte médio a
grande são as que comportam um departamento de auditoria em face ao grande volume de
suas operações, a complexidade de sua organização e a diversificação dos fatos nela
ocorridos, assim em tempo integral existe o controle permanente, que só pode ser realizado
por uma auditoria interna.
Conforme Boynton, Johnson e Kell (2002 p. 932), “Auditoria interna é uma atividade
independente, de fornecimento de segurança objetiva de consultoria que visa acrescentar valor
a uma organização e melhorar suas operações”. Assim, a auditoria interna deverá atuar de
forma diferenciada, objetivando a melhoria das atividades da empresa de modo a atingir seus
objetivos de forma eficaz.
Segundo Franco e Marra (2001), a auditoria interna é aquela exercida por funcionário
da própria empresa, em caráter permanente. Apesar de seu vínculo com a empresa, o auditor
interno deve exercer sua função com absoluta independência profissional, preenchendo todas
as condições necessárias ao auditor externo. Ele deve exercer sua função com total obediência
às normas de auditoria sendo que o vínculo de emprego não lhe deve tirar a independência
profissional, pois sua subordinação à administração da empresa deve ser apenas sob o aspecto
funcional.
Nesse sentido, mesmo com a titulação de auditor interno, este deverá exercer suas
funções preservando sua independência profissional, a qual será garantida pela autonomia e
confiança, além da imparcialidade frente a fatos observados durante seus trabalhos e não
devidamente corrigidos pelos gestores.
A auditoria interna apresenta vantagens e desvantagens. Como vantagem, temos uma
auditoria preventiva, que estando ligada a todos os acontecimentos da empresa tem como
prevenir equívocos, bem como direcionar os lançamentos contábeis pelo caminho correto.
Como desvantagem, indica-se a rotina que cabe ao profissional de auditoria, que pode causar
uma inobservância dos fatos, analisando só o que chega até sua mão (FRANCO; MARRA,
2001).
É possível que os auditores internos e externos trabalhem em conjunto, de forma que
aos auditores internos caibam todos os serviços analíticos e aos externos a conferência desses
serviços, por amostragem e ao acaso, segundo seu próprio juízo. Nesse caso o trabalho do
auditor externo começa, onde termina o do auditor interno (ALMEIDA, 2003).
Para o auditor interno exercer suas funções com eficácia, este se utiliza de papéis de
trabalho necessários à compilação de informações úteis e necessárias aos gestores. Além
disso, os papéis de trabalho do auditor interno servem como uma referência de informações
sobre a empresa a possíveis auditores externos.
Os papéis de trabalho são o conjunto de documentos e apontamentos com informações
e provas colhidas pelo auditor, preparados de forma manual, por meios eletrônicos ou por
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outros meios, que constituem a evidência do trabalho executado e o fundamento de sua


opinião ( NBC T 11).
No Quadro 2 apresenta-se um papel de trabalho utilizado na prefeitura objeto de
estudo, onde o auditor criou um check-list dos procedimentos necessários ao processo
licitatório.

3.1 Fase Interna


3.1.1 Princípio da Motivação (Interesse/necessidade)
3.1.1.1 Solicitação/Requisição com identificação do objeto
3.1.1.1.1 Definição do objeto
3.1.1.1.2 Solicitação ao Departamento de Compras/Licitação
3.1.1.2 Abertura do Processo Administrativo
3.1.1.2.1 Análise do Objeto - Definição clara e sucinta
3.1.1.2.2 Orçamento Prévio
3.1.1.2.3 Análise da Disponibilidade de Orçamentária
3.1.1.2.4 Análise da Disponibilidade Financeira
3.1.1.2.5 Não havendo recursos, deve a Administração implementá-los.
3.1.1.3 Padronização – Registro de Preços
3.1.1.3.1 Padronização – decreto do executivo – somente para compras
3.1.1.3.2. Registro de Preços – Procedimento adotado para seleção de melhor proposta – realizado
através de Concorrência – Preço válidos por 1 ano – não obrigatoriedade de contratação imediata.
3.1.1.4 Início do Processo Licitatório - Obrigatoriedade ou não de licitar
3.1.1.4.1 Dispensa
3.1.1.4.1.1 Enquadramento pela Lei nº8666/93
3.1.1.4.1.2 Publicação de Dispensa
3.1.1.4.1.3 Verificação de Dotação
3.1.1.4.1.4 Emissão da Ordem de Compra/Serviço
3.1.1.5.2 Inexigibilidade
3.1.1.5.2.1 Enquadramento pela Lei nº8666/93
3.1.1.5.2.2 Publicação da Inexigibilidade
3.1.1.5.2.3 Verificação de Dotação
3.1.1.5.2.4 Emissão da Ordem de Compra/Serviço
3.1.1.6.3 Definição de Modalidades–Enquadramento
3.1.1.6.3.1 Convite
3.1.1.6.3.2 Tomada de Preços
3.1.1.6.3.3 Concorrência
3.1.1.6.3.4 Leilão–Declaração de Inservibilidade e Baixa de Patrimônio
3.1.1.6.3.5 Concurso
3.1.1.6.3.6 Pregão
3.1.1.7.4 Tipos de julgamentos-critérios
3.1.1.7.4.1 Menor Preço
3.1.1.7.4.2 Melhor Técnica
3.1.1.7.4.3 Técnica e Preço Melhor Lance ou oferta
Quadro l - Papel de trabalho
Fonte: dados da pesquisa

O auditor precisa avaliar o sistema de controle interno da empresa auditada, a fim de


determinar a natureza, época e extensão dos procedimentos de auditoria. Segundo Attie
(1992), o auditor independente deverá levantar o sistema de controle interno; verificar se o
sistema levantado é o que está sendo seguido na prática; avaliar a possibilidade do sistema
revelar de imediato, erros e irregularidades, assim como, determinar o tipo, data e volume dos
procedimentos de auditoria. Quanto à avaliação do controle interno, em face da auditoria,
quanto melhor o controle, mais segurança para o trabalho e, quanto menor o controle, mais
cuidado será exigido na execução das tarefas.
A Lei n° 4.320/64 institui normas gerais de direito financeiro para elaboração e
controle dos orçamentos e balanços da união, dos estados, dos municípios e do Distrito
Federal. Assim, a auditoria preventiva, quando implantada no ente público, visa antecipar
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problemas futuros, pois se há uma checagem por parte do setor designado para tal, as
probabilidades de se cometer erros com relação as aquisições serão reduzidos drasticamente.
Desta forma, quando diretores e secretários possuem autonomia para as compras sem
centralização destas, muitos erros podem ser cometidos em relação à legislação, pois
desencadeia falta de controle por parte do setor de licitação para se determinar a modalidade a
ser aplicada (dispensa carta convite, tomada de preços ou concorrência), prejudicando assim a
execução do cronograma financeiro de desembolso da parte financeira, previsto no art. 8 da
Lei de Responsabilidade Fiscal, podendo ainda causar problemas por falta de dotação
orçamentária ou, empenhos a posteriori, sendo este vedado no art. 60 da Lei n° 4.320/64.
A falta de planejamento para aquisições de produtos e serviços, em todos os setores do
ente público causa, além dos problemas acima elencados, sanções legais previstas nas
diversas legislações que norteiam a administração pública, como a Constituição Federal, Leis
Orgânicas Municipais, Lei de Improbidade Administrativa, entre outras.

3 MÉTODOS E TÉCNICAS DA PESQUISA

Cervo e Bervian (2002, p. 25) mencionam que “por método entende-se o dispositivo
ordenado, o procedimento sistemático, em plano geral. A técnica, por sua vez, é a aplicação
do plano metodológico e a forma especial de o executar.[...] A técnica está subordinada ao
método, sendo sua auxiliar imprescindível”.
Este estudo apresenta características descritivas, pois foi necessário descrever as
informações coletadas dos resultados disponibilizados da auditoria interna realizada no
exercício de 2005, na prefeitura, objeto de estudo. Barros e Lehfeld (2000, p. 70) destacam
que pesquisa descritiva, “procura descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua
natureza, característica, causas, relações e conexões com outros fenômenos”.
A pesquisa configura-se como de natureza empírica, ou seja, de identificação de uma
teoria em um contexto observável. Nesse sentido, Rudio (1993, p.9) destaca que “a pesquisa
deve ser feita de modo sistematizado, utilizando, para isto, método próprio e técnicas
específicas e procurando um conhecimento que se refira à realidade empírica”. Realidade
empírica para o autor é “tudo que existe e pode ser conhecido através da experiência”.
O estudo foi realizado numa prefeitura do norte do Estado do Paraná, cuja
denominação social declina-se revelar por motivos de sigilo das estratégias da entidade. As
informações necessárias ao estudo foram obtidas junto ao setor de contabilidade que cedeu os
resultados da auditoria interna referente ao exercício de 2005. Essas informações foram
processadas visando sua análise qualitativa. Segundo Silveira (2004, p. 108), “as pesquisas
qualitativas, por meio de narrativa ou relato, elucidam as situações onde se passam os fatos.
Evidenciam o que, como, quando, entre outros aspectos, estes fatos ocorrem, se justapõem e
se inter-relacionam”.

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Para facilitar a compreensão de um processo licitatório municipal, realizou-se um


estudo do processo de licitação de uma prefeitura do norte do Estado do Paraná, objetivando
demonstrar o entendimento e importância da licitação para a prefeitura, objeto de estudo.
Apresenta-se no Quadro 2 o levantamento preventivo efetuado em processos de
licitação realizado na prefeitura municipal do Estado do Paraná, objeto de estudo. Salienta-se
que o nome dos credores foi alterado, evitando dessa forma, a exposição das empresas
credoras do município.
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Licitado
Mercadorias
Credor Empenhado Homologação Sem Licitação
Serviços Valor
Data
Alban Ltda Mat.Construção 7.711,52 (7.711,52)

Do Sul Ltda Mat.Construção 19.492,41 09/08/2004 15.000,86 (4.491,55)


Mat.Construção 27.203,93 15.000,86 (12.203,07)
Clinica Ltda Serv.Médicos 7.990,00 (7.990,00)
Marcos Ltda Serv.Médicos 11.142,38 (11.142,38)
Serv.Médicos 19.132,38 (19.132,38)
Cirurgica Ltda Remédios 14.853,74 09/02/2004 69.836,62 54.982,88
Droga Ltda Remédios 5.813,21 (5.813,21)
Eco Ltda Remédios 7.824,47 (7.824,47)
Farmacia Ltda Remédios 6.050,66 (6.050,66)
Remédios 34.542,08 69.836,62 35.294,54
MercadoLtda Gen.Alim/Limp. 27.328,38 18/02/2004 18.056,93 (9.271,45)
Nilton Ltda Gen.Alim/Limp 60.217,50 19/02/2004 22.458,00 (37.759,50)
Gen.Alim/Limp 87.545,88 40.514,93 (47.030,95)
Rosário Ltda Combust/lubrif. 255.843,45 23/09/2004 209.751,00 (46.092,45)
Manoel Ltda Combust/Lubrif 389.301,59 29/01/2004 552.020,00 162.718,41
Combust/Lubrif 645.145,04 761.771,00 116.625,96
Tarso Ltda Construção 19.434,23 18/06/2004 64.500,00 45.065,77
Construção 19.434,23 64.500,00 45.065,77
Planurb Ltda Pavimentação 82.133,81 12/07/2004 10.800,00 (71.333,81)
29/03/2004 67.833,81 67.833,81
Serco Ltda Pavimentação 85.401,98 29/03/2004 85.401,95 (0,03)
Pavimentação 167.535,79 164.035,76 (3.500,03)
Clinica Nai Atendimento clínico 98.880,00 23/02/2004 30.000,00 (68.880,00)
Hospital Rei Atendimento clínico 187.688,00 (187.688,00)
Quadro 2 - Levantamento preventivo efetuado em processos de licitação
Fonte: dados da pesquisa

Constam no Quadro 2, valores negativos referentes às compras sem licitações e que


ultrapassaram os valores licitados. Desta forma a prefeitura objeto de estudo descumpriu o
que trata o art. 24 da Lei n° 8.666/93. A auditoria interna preventiva detectou que as compras
foram efetuadas acima dos valores previstos de dispensa de licitações, sem a emissão de
parecer do setor de licitação do município, pois o mesmo poderia orientar qual modalidade
seria aplicada no caso das aquisições.
Os valores negativos do Quadro 2 representam a comparação entre valor empenhado e
valor licitado, sendo seu total o resultado de que houve compras acima dos valores licitados.
Os valores positivos representam a comparação entre valor empenhado e valor licitado, sendo
seu total o resultado que ainda há saldo de produtos e serviços a serem entregues ao
município.
A prefeitura, objeto de estudo, não gerencia suas aquisições, deixando de verificar as
etapas previstas na legislação pertinente que compreendem o parecer do setor de licitação (se
há ou não necessidade de se efetuar processo licitatório, atentando as modalidades aplicáveis),
III Seminário de Ciências Contábeis FURB. Blumenau/SC, 27 a 29 de agosto de 2007. 10

parecer do setor contábil (se há ou não dotação orçamentária para se efetuar os empenhos
futuros das referidas despesas) e o parecer do setor financeiro (se há ou não disponibilidade
para atender as despesas).

5 CONCLUSÃO

O objetivo do presente trabalho era verificar a observância da Lei n° 8666/93 num


processo de licitação numa prefeitura localizada no norte do Estado do Paraná. Esta Lei
institui normas para licitações e contratos da administração pública pertinentes a obras,
serviços, compras, alienações e locações no âmbito dos poderes da união, dos estados, do
Distrito Federal e dos municípios.
Para tanto, realizou-se um estudo empírico nesta prefeitura, onde analisou-se um de
seus processos de licitação de compra após a realização da auditoria interna na prefeitura.
Diante dos resultados apresentados na pesquisa, verifica-se que a administração
pública é ampla e amparada por legislação específica, podendo se apresentar mais eficiente, se
observado o conjunto de leis supracitadas e adotados os procedimentos de auditoria interna
preventiva.
Conclui-se que os procedimentos de compras desta prefeitura não estão de acordo com
a Lei n° 8.666/93, visto que, a auditoria interna preventiva detectou que estas, estavam
ocorrendo de forma direta, sem atender aos preceitos legais, chegando a ignorar os limites
estabelecidos para compras sem licitação (valores inferiores a R$ 8.000,00 no exercício
financeiro, não há necessidade de se efetuar o processo licitatório conforme artigo 24 – Inciso
I da Lei 8.666/93).

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