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CASA – ÁRVORE – PESSOA

TÉCNICA PROJETIVA DE DESENHO


HTP
Prof. Dr. Roberto Menezes de Oliveira
Introdução
• HTP
– Compreensão sobre como o sujeito experiencia
sua individualidade em relação a si, aos outros e
ao ambiente
– Projeção de dimensões da subjetividade e de
características da relação transferencial.
– Avaliação psicológica e ensaio para a relação
terapêutica.
Introdução – descrição geral
• HTP
– Quatro fases
• Primeira
– Não verbal; criativa; pouco estruturada
» Desenho à mão livre acromático de uma casa, de uma
árvore e de uma pessoa (em sequência)
• Desenho de uma pessoa do sexo oposto à primeira
pessoa desenhada (opcional)
• Segunda
– Inquérito padronizado sobre os desenhos acromáticos e as
associações do sujeito.
Introdução – descrição geral
• HTP
– Quatro fases
• Terceira
– HTP dito cromático (colorido).
• Quarta
– Inquérito padronizado sobre os desenhos cromáticos e as
associações do sujeito (questões específicas sinalizadas no
Protocolo padrão).
Introdução – descrição geral
• HTP
– Manual e Guia de Interpretação
• Livro texto
• Protocolo de Interpretação do HTP
– Inquérito Posterior ao Desenho
– Lista de Conceitos Interpretativos
Introdução – objetivos e aplicações
clínicas
• Uso projetivo dos desenhos
– Como o sujeito lida com uma situação pouco
estruturada
• ansiogênica
– Como o sujeito e o clínico lidam com a situação clínica
• mais subjetiva do que objetiva
– Como se dá a instalação da transferência
• relação interpessoal subjetiva
– Avaliação de conflitos intra e inter psíquicos
• descritiva e psicodiagnóstica
– Avaliação do trabalho clínico desenvolvido
• mudanças globais
Introdução – princípios de uso
• População
– Pessoas acima de 08 anos
– Diferenças interpretativas entre crianças e adultos
(cap. 04 do Manual)
– Adequado nas situações onde a comunicação verbal
direta de conflitos é improvável por obstáculos físicos
e resistências subjetivas
• Usuários profissionais
– Ensino; uso clínico e supervisão
– Sensibilidade para as dimensões simbólicas, subjetivas
e inconscientes da existência
Administração
• Situação e tempo de aplicação
– Situação clínica
• Continência objetiva e subjetiva do examinando
– Conforto, silêncio, luminosidade, ventilação
– Acolhimento, escuta, empatia, sigilo, confidencialidade,
orientação
– Desenhos acromáticos e/ou acromáticos
• Duas fases e/ou quatro fases
– Tempo variável
• 30 a 90 minutos
Administração
• Materiais do teste
– Folhas brancas (papel A4), uma por desenho
– Lápis preto nº 02 (desenhos acromáticos)
– Giz de cera colorido (desenhos cromáticos)
– Borrachas
– Cronômetro
– Protocolo de Interpretação do HTP (padrão)
• Inquérito Posterior ao Desenho
• Lista de Conceitos Interpretativos
Administração
• Desenhos acromáticos
– Informações de identificação (Protocolo)
– Apresenta-se a folha para o desenho da casa na
horizontal; da árvore e da pessoa, na vertical
– Um desenho por folha e na sequência – casa,
árvore, pessoa
– O desenho da pessoa do sexo oposto à primeira
pessoa desenhada, é opcional e deve ser
solicitado, obviamente, depois do desenho da
pessoa
Administração
• Instrução
“Eu quero que você desenhe uma __________
(casa/árvore/pessoa). Você pode desenhar o tipo de
__________ (casa/árvore/pessoa) que quiser. Faça o
melhor que puder. Você pode apagar o quanto quiser e
pode levar o tempo que precisar. Apenas faça o melhor
possível.”
• O que será avaliado não é a habilidade artística
do sujeito, mas características formais do
desenho, assim estes devem ser feitos da melhor
forma e o mais completo possível.
Administração
• Desenhos acromáticos
– Anotações
• Latência inicial
• Ordem dos detalhes desenhados
• Duração das pausas e em que detalhes ocorreram
• Verbalizações, comentários, comportamentos, etc.
• Tempo total
– Inquérito posterior ao desenho
• Deve ser feito após a execução de todos os desenhos
• Mostra-se cada desenho por fase do inquérito (casa, árvore,
pessoa) e procede-se às questões específicas
• Não se permite que o examinando desenhe durante o
inquérito, salvo quando solicitado
Administração
• Desenhos cromáticos
– Seguem as mesmas regras e orientações dos
acromáticos
– Devem ser solicitados após a execução dos desenhos
acromáticos
– Devem ser executados com giz de cera
– A fase de Inquérito é uma só para desenhos
acromáticos e cromáticos
– O Inquérito deve ser feito após as questões dos
acromáticos e se deter às questões sinalizadas no
Protocolo padrão.
Interpretação
• Características formais
• Interpretação clínica
• Hipóteses interpretativas a serem combinadas
com as entrevistas e material advindos de
outros testes
• Conhecimentos teóricos e empíricos (de
pesquisas)
Interpretação
• Avaliação do desenho
– Examinar o desenho em relação à localização, ao
tamanho, à orientação e à qualidade geral
– Examinar os desvios nas áreas gerais apresentadas
na lista de características gerais do desenho que
tenham algum possível significado clínico
– Faz-se um sinal (×) próximo a qualquer área em
que as características do desenho pareçam ser
desviantes
Interpretação
• Avaliação do desenho
– Consulta-se as seções interpretativas de cada
desenho para avaliar o possível significado de
algum aspecto de um desenho em questão
– Corelaciona-se com as informações do Inquérito e
das entrevistas
Interpretação
• Aspectos gerais do desenho
– Atitude
• Como lida com uma tarefa nova, pouco estruturada,
ansiogência
– Da cooperação à rejeição
» O desenho mais rejeitado é o da Pessoa
– Tempo, Latências, Pausas
• Latência: até 30 segundos
• Total para os 03 desenhos: 02 a 30 minutos
• Pausas: até 05 segundos
– Qualquer desvio destas médias é indicador de conflitos
» Explorar no Inquérito
Interpretação
– Capacidade crítica e rasuras
• A desmedida e impropriedade de autocrítica e de
rasuras é indicador de conflito
• Problemas com autocrítica
– Abandono de umojetonão completado, recomeçando-o em
outro lugar da página, sem apagar o anterior
– Apagar sem tentar redesenhar
– Apagar e redesenhar
» Ver qualidade formal
Interpretação
– Comentários
• A desmedida e a impropriedade são indicadores de
conflitos
• Escritos: tentativa de maior estruturação e controle da
situação
• Guardam correlação direta e/ou simbólica com os
temas despertados pelos desenhos em particular, e
pela situação clínica em geral
Interpretação
• Características gerais do desenho
– Uso adequado
• detalhes → proporção → perspectiva
– Linha de desenvolvimento
– Proporção
• Valor atribuído aos objetos
• Entre a figura desenhada e a folha do desenho
– (um quadrante)
– Muito pequenos
» Inadequação, afastamento, rejeição
– Muito grandes
» Hostilidade, tensão, egocentrismo
• Detalhes desproporcionais
– Interesse no simbolismo do detalhe em questão como via de expressão
de conflitos
Interpretação
– Perspectiva
• Localização horizontal na página

• Localização vertical na página

• Localizaçao central na página


Interpretação
– Perspectiva
• Mudança da posição da página

• Quadrantes da página

• Margens da página
Interpretação
– Perspectiva
• Relação com o observador

• Distância aparente em relação ao observador

• Posição
Interpretação
– Perspectiva
• Transparência

• Movimento

• Consistência
Interpretação
– Detalhes

• Essenciais

• Não essenciais

• Irrelevantes

• Bizarros
Interpretação
– Detalhes
• Dimensão

• Sombreamento

• Sequência

• Ênfase

• Qualidade da linha
Interpretação
• Características gerais do desenho
– Cor

– Escolha

– Aplicação

– Adequação
Casa
• Cena das relações familiares
• Vida doméstica
• Um auto-retrato
• As relações do sujeito com a realidade e a
fantasia, sobre os contatos que faz com o
meio e também sobre a maturidade e o
ajustamento psicossexual
• Representação Universal Infantil
Casa
• Perspectiva e posição da casa
– Reação afetiva sobre a vida familiar
• Tipos de casa
– Como se relaciona com o meio
– Exposição de sonhos e fantasias
– Precariedade da vida
• Linha representativa do solo ou chão
– O contato com a realidade
• Paredes
– A capacidade de auto-sustentação, integração e controle dos
impulsos
– O ego do sujeito, indicando sua força, fraqueza ou
deteriorização.
Casa
• Porta
– O local de passagem entre dois estágios, entre dois mundos, entre o
conhecido e o desconhecido, entre o interior e o exterior
– O contato, o relacionamento e a interação com o meio ambiente
• Janela
– É o meio secundário de interação com o ambiente
– Uma maneira de comunicação menos direta e menos imediata com o
mesmo
– A receptividade.
• Telha ou telhado
– A área ocupada pela fantasia e pensamentos, os impulsos e as
tentativas de controle
– O grau em que o sujeito devota seu tempo à fantasia e em que medida
ele se volta para esta área a fim de obter satisfação
Casa
• Chaminé
– Apenas um detalhe à representação da casa
– Um símbolo fálico
– O nível de maturidade sensual
– Afeto, tensão interior ou no lar
– A grande maioria dos pacientes desenha suas casas com um
telhado inclinado e chaminé, numa representação infantil
• Fumaça
– A respiração
– A expressão da vida dentro de casa
• Acessórios
– Detalhes bem organizados, boa relação com o meio e maior
possibilidade de a ansiedade ser bem canalizada e controlada
Árvore
• A árvore atinge aspectos mais profundos e básicos da
personalidade;
• Um auto-retrato inconsciente, uma elaboração
inconsciente da auto-imagem, que é relacionado com os
três maiores campos da personalidade humana (instintivo,
emocional e intelectual);
• As raízes significam a vida instintiva e os sentimentos que
se referem ao contato com a realidade; o tronco representa
a vida emocional ou o domínio emocional sobre as
pressões ambientais e as tensões internas; e a copa revela
a vida intelectual e social, as trocas com o ambiente, a
busca d realizações e a distribuição dos investimentos
psicológicos na área da fantasia.
Árvore
• O desenho da árvore reflete os sentimentos mais
profundos e inconscientes do examinando sobre si
mesmo, enquanto a pessoa converte-se em um veículo
de expressão dos aspectos mais conscientes e de suas
relações com o meio;
• É mais fácil perceber atitudes conflitantes ou
emocionalmente perturbadoras no desenho da árvore
do que no da pessoa;
• O critério de que a árvore permite investigar
sentimentos mais básicos e antigos se vê assinalado
pelo fato de este desenho ser menos suscetível a sofrer
modificações no re-teste.
Árvore
• Seqüência dos detalhes:
– Tronco, galhos e copa;
– Estrutura de ramos e o tronco;
– Raiz, tronco e copa.
• Impressão da árvore como um todo:
– Símbolo da vida;
– Aspectos mais inconscientes da personalidade.
• Idade atribuída à arvore:
– O nível de maturidade psicossexual;
– Faixa etária de maior satisfação;
– Vivências traumáticas
• Árvore apresentada como morta:
– Índice de patologia.
Árvore
• Perspectiva ou posição da árvore:
– Força.
• Simetria:
– Capacidade de organização.
• Raiz:
– O inconsciente, as forças instintivas, primitivas, impulsivas e não
elaboradas;
– O contato com a realidade;
– A necessidade de apoio e segurança;
– A busca de energia psíquica básica.
• Linha da terra / de base ou solo:
– O traço divisório entre o consciente e o inconsciente;
– Os sentimentos de segurança, equilíbrio, necessidade de apoio ou
auto-sustentação.
Árvore
• Tronco:
– A força interior, o sentimento de poder e de sustentação do ego,
o equilíbrio;
– O desenvolvimento emocional;
– A integração da personalidade.
• Galhos ou ramos:
– A capacidade para obter satisfação no meio;
– Os recursos subjetivos do indivíduo para aproximar-se dos
outros, expandir-se e realizar-se;
– A zona de contato com o ambiente, permitindo o intercâmbio
entre o que é interior e o que é exterior;
– O grau de habilidade do indivíduo para relacionar-se com os
outros.
Árvore
• Copa:
– Vida intelectual, fantasias e criatividade;
– A relação de troca entre o que é de dentro e o que é
de fora;
– O tipo de comportamento em relação à realidade,
sociabilidade e atividade imaginativa;
– A zona de contato com o ambiente.
• Folhas:
– Vida;
– Enfeite;
– Como o sujeito realiza contato com o ambiente.
Árvore
• Flores:
– Necessidade de revestir-se de boa aparência
(máscara);
– Preocupação com a fantasia e a beleza, auto-
admiração, vaidade e necessidade de agradar.
• Frutos:
– O rendimento, a utilidade, o desejo de realização;
– O desejo de compreender os problemas da vida;
– A criação.
Pessoa
• Figura humana:
– Auto-retrato;
– Eu ideal ou ideal do eu;
– Pessoas significativas.
• Figuras inacabadas:
– Conflitos relacionados com a parte em questão.
• Sucessão:
– Cabeça, características faciais, pescoço, tronco superior, braços, mãos,
tronco inferior, pernas e pés.
• Ordem:
– Próprio sexo e sexo oposto.
• Visão geral:
– O grau de auto-exposição.
Pessoa
• Idade:
– Grau de maturidade;
– Sentimento em relação aos outros significativos.
• Postura:
– Nível de força e vitalidade;
– Nível de energia.
• Simetria:
– Capacidade de organização;
– Equilíbrio.
• Movimento:
– O impulso para a atividade, a natureza do controle sobre os
impulsos; a fantasia; a mobilidade psíquica; a capacidade
mental; a ação, o contato social; a adaptação.
Pessoa
• Transparência nas figuras:
– Juízo crítico; censura.
• Cabeça:
– O auto-conceito; as necessidades sociais e de contato; o
controle do corpo e as fantasias.
• Rosto:
– A interação com o meio.
• Cabelo:
– Vitalidade, virilidade, força, sensualidade e sexualidade.
• Chapéu:
– Proteção, status social, sensação de impotência e/ou
aspectos fálicos.
Pessoa
• Barba e/ou bigode:
– Luta pela virilidade
• Olhos:
– O contato com o mundo exterior, a percepção da realidade, a
discriminação perceptiva do ambiente e o controle.
• Sobrancelhas:
– Atitudes de arrogância, dúvida, autoritarismo.
• Nariz:
– Sentimentos de simpatia e de antipatia, arrogância, simbolismo
sexual.
• Boca:
– Assimilação de novas idéias e nutrição, comunicação,
intercâmbio social, dar e receber afetos, agredir.
Pessoa
• Orelhas:
– Sensibilidade às críticas, paranóia.
• Queixo:
– Força, autoridade, auto-afirmação e determinação.
• Pescoço:
– Controle dos impulsos, das emoções, dos sentimentos.
• Colarinho e gravata:
– Simbologia sexual e/ou social.
• Ombros:
– Força, poder físico, autoridade, auto-afirmação, autonomia e domínio
sobre o ambiente.
• Tórax:
– Altivez/timidez, agressividade/gentileza, prepotência/humildade,
como apresenta-se no mundo e como relaciona-se com as pessoas.
Pessoa
• Seios:
– Proteção, feminilidade, maternidade, suavidade e
segurança; identidade e auto valorização; erotismo.
• Camisa, paletó, blusa ou camiseta:
– Proteção.
• Cintura:
– Controle do impulso sexual, da feminilidade, da sedução e
da possibilidade de atração.
• Quadril e nádegas:
– Conflitos.
• Zona genital:
– Conflitos e distúrbios sexuais.
Pessoa
• Braços:
– A natureza da interação do indivíduo com o mundo; o contato com
objetos e pessoas, o desenvolvimento do eu, a adaptação social, a
inter-relação com o ambiente, a força, o poder, o socorro concedido e
a proteção.
• Mãos:
– Nível de aspiração, confiança, agressividade, eficiência, culpa, conflito.
• Dedos:
– Polegar: intelecto e preocupação;
– Indicador: ego, medo.
– Médio: raiva, sexualidade
– Anular: uniões, pesar.
– Mínimo: família, honestidade.
– Da carícia à agressão.
Pessoa
• Unhas:
– Agressividade, auto-proteção e sedução.
• Anéis:
– Laço, ostentação, auto-afirmação.
• Pernas:
– Estabilidade, mobilidade, equilíbrio, contato com o ambiente, sexualidade.
• Calças, saias e cintos:
– Proteção, sexualidade, controle.
• Pés e dedos:
– O contato com a realidade, as atitudes frente à vida, segurança.
• Sapatos e meias:
– Afirmação sexual, social, proteção.
• Roupas e acessórios:
– Proteção, pudor, socialização.
Referência bibliográfica
BUCK, J. N. H-T-P: casa – árvore – pessoa,
técnica projetiva de desenho: manual e guia de
interpretação. São Paulo: Vetor, 2003.