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EXCELENTISSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO

EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO MATO GROSSO/MT.

GABRIEL MATOS, (NACIONALIDADE), (ESTADO CIVIL), (PROFISSÃO),


portador da Cédula de Identidade nº (RG), expedida pela (ÓRGÃO EXPEDIDOR),
inscrito no CPF nº (CPF), residente e domiciliado à (ENDEREÇO), por seu advogado
abaixo assinado, conforme procuração anexa a este instrumento, vem, respeitosamente,
à presença de Vossa Excelência impetrar a presente ordem de

HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR

com fundamento no art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal, em combinação com o


arts. 647 e 648, I, do Código de Processo Penal, apontando como autoridade coatora o
MM. Juiz de Direito da __ª Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da
Comarca de Rondonópolis/MT, pelos seguintes motivos:

1 - O paciente foi denunciado pela prática do delito de ameaça, previsto no art. 147,
do Código Penal. Recebida a peça acusatória, o MM. Juiz decretou, a pedido do
Ministério Público, a prisão preventiva.

2 - Observe-se, inicialmente, ser o réu primário e não registrar antecedente criminal;


possui residência fixa, juntamente com a vítima, além de ter trabalho fixo em um
escritório.

3 - A decretação da prisão cautelar configura evidente constrangimento ilegal por


variados fatores, conforme artigos previstos no 311ao 316 do CPP. a) a garantia da
ordem pública é requisito abrangente, devendo envolver a segurança pública em geral e
não a incolumidade de uma determinada pessoa, ainda que em tese; houve
inobservância do princípio da presunção de inocência associado à legalidade penal, vale
dizer, o estado de inocência do réu permite-lhe aguardar o seu julgamento em liberdade,
não sendo viável a antecipação da pena; vislumbrando-se, no entanto, a sanção
cominada em abstrato (detenção, de um a seis meses, ou multa), deduz-se ser inviável
prender o paciente durante a instrução. Afinal, conforme caput e o parágrafo 6º do artigo
282 do CPP, se tal se der, terá ele cumprido a sua pena antecipadamente e de maneira
integral no regime fechado, situação de caráter teratológico.

4- Caso continue encarcerado, dificilmente, o processo terá sido totalmente concluído


em menos de um mês, considerando-se a pena mínima; ainda que se leve em conta a
sanção máxima, de meros seis meses, teria ele direito ao regime aberto ou
ao sursis, significando ficar fora do regime fechado. Ademais, nada impede que o
julgador lhe aplique algumas das penas do artigo 319 ao 320 do CCP, ou a simples pena
de multa e, nesse caso, a prisão terá sido medida excessiva por parte do Estado.

5- A reforma trazida pela Lei 11.340/2006, em nome do combate à violência doméstica,


não pode vergar princípios constitucionais mais relevantes, como a presunção de
inocência e a dignidade da pessoa humana. O art. 313, IV, do CPP, ao autorizar a prisão
preventiva aos casos de violência doméstica faz referência à garantia de execução de
medidas protetivas de urgência. Ora, nada existe a ser assegurado no caso presente, ao
menos pela prisão preventiva açodadamente decretada.

6 - Em suma, a prisão preventiva não preenche os requisitos do art. 312 do CPPe, se


concretizada, colocará em risco de lesão o princípio constitucional da presunção de
inocência, afetando, por via indireta, a dignidade humana, conforme jurisprudência:

Ementa: HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. LESÃO


CORPORAL E AMEAÇA NO ÂMBITO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.
A prisãopreventiva, em se tratando de crime envolvendo violência doméstica
e familiar, destina-se a garantir a execução de medidas protetivas de urgência
(CPP, art. 313, inc. III). No caso vertente, ao que se depreende, o magistrado,
nenhuma medida protetiva deferiu à ofendida, substituindo essa pela
segregação cautelar, o que se mostra defeso. Inviável, ademais, a decretação
da prisão preventiva ex officio no curso da fase pré-processual, nos termos
do artigo 311 do Código de Processo Penal, ainda que se esteja diante de
crime cometido em contexto de violência doméstica e
familiar contra a mulher. Prisão revogada. ORDEM CONCEDIDA.
DECISÃO POR MAIORIA. (Habeas Corpus Nº 70078576048, Primeira
Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Honório Gonçalves da
Silva Neto, Julgado em 08/08/2018)

Para o Superior Tribunal Justiça o juízo valorativo sobre a gravidade genérica


do crime imputado aos acusados não constitui fundamentação idônea a autorizar a
prisão cautelar, mormente se desvinculado de qualquer fator concreto ensejador da
configuração dos requisitos dos arts. 311, 312 e 313, I do CPP.

CRIMINAL. HABEAS CORPUS. ROUBO QUALIFICADO. LIBERDADE


PROVISÓRIADENEGADA. GRAVIDADE DO DELITO. PRESUNÇÕES
ABSTRATAS. FUNDAMENTAÇÃOINIDÔNEA. ORDEM CONCEDIDA.
I. A prisão cautelar é medida excepcional e deve ser decretada apenas quando
devidamente amparada pelos requisitos legais previstos no
art. 312 do Código de Processo Penal, em observância ao princípio
constitucional da presunção de inocência ou da não culpabilidade, sob pena
de antecipar a reprimenda a ser cumprida quando da condenação. II. O juízo
valorativo a respeito da gravidade genérica do crime praticado pela paciente,
a existência de prova da materialidade e indícios de autoria não constituem
fundamentação idônea a autorizara prisão para garantia da ordem pública, se
desvinculados de qualquer fator concreto, que não a própria conduta, em tese,
delituosa, como já anteriormente destacado. Precedentes. III. Deve ser
cassado o acórdão recorrido, bem como a decisão monocrática por ele
confirmada, para conceder ao paciente o benefício da liberdade provisória, se
por outro motivo não estiver preso, sem prejuízo de que seja decretada nova
custódia, com base em fundamentação concreta. IV. Ordem concedida, nos
termos do voto do Relator. (STJ - HC: 198661 DF 2011/0040828-6, Relator:
Ministro GILSON DIPP, Data de Julgamento: 16/08/2012, T5 - QUINTA
TURMA, Data de Publicação: DJe 22/08/2012)

Por ser uma medida cautelar, a prisão preventiva só se justifica se demonstrada


a sua real necessidade e indispensabilidade, conforme podemos verificar no julgado
apresentado:

Ementa: HABEAS CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. LESÃO


CORPORAL E AMEÇA NO ÂMBITO DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. A
prisão preventiva, em se tratando de crime envolvendo violência doméstica e
familiar, destina-se a garantir a execução de medidas protetivas de urgência
(CPP, art. 313, inc. III). No caso vertente, ao que se depreende, o magistrado,
nenhuma medida protetiva deferiu à ofendida, substituindo essa pela
segregação cautelar, o que se mostra defeso. Inviável, ademais, a decretação
da prisão preventiva ex officio no curso da fase pré-processual, nos termos do
artigo 311 do Código de Processo Penal, ainda que se esteja diante de crime
cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher.
Prisão revogada. ORDEM CONCEDIDA. DECISÃO POR MAIORIA.
(Habeas Corpus Nº 70078576048, Primeira Câmara Criminal, Tribunal de
Justiça do RS, Relator: Honório Gonçalves da Silva Neto, Julgado em
08/08/2018)
Como visto, com a ocorrência de constrangimento ilegal de sua prisão
preventiva a concessão da ordem para responder à ação penal em liberdade se faz
necessária.

Da concessão de Liminar

Requer-se seja concedida a ordem de habeas corpus, liminarmente, em favor


de GABRIEL MATOS, para o efeito de, reconhecendo-se a ilegalidade praticada,
determinar a imediata expedição do contramandado de prisão, para que possa aguardar
o deslinde de seu processo em liberdade. O cabimento da medida liminar justifica-se por
ter ficado evidenciado o fumus boni iuris (direito de permanecer em liberdade por
ausência de preenchimento dos requisitos da preventiva) e o periculum in mora (o réu se
encontra preso).

Ante o exposto requer:

I- Concessão da presente ordem de Habeas Corpus.

II- A expedição imediata do alvará de soltura.

III- Concessão da liminar.

IV- O regular prosseguimento do feito, oficiando-se a autoridade coatora para


prestar as informações de praxe, com posterior remessa dos autos à Procuradoria-Geral
de Justiça. Após, que sejam os autos conclusos para julgamento, nos termos do
Regimento Interno deste Tribunal.

V- No mérito, a concessão definitiva do presente writ.

Nestes termos,

Pede deferimento.

Local/Data

Impetrante (advogado/oab)
ROL DE DOCUMENTOS

1- (DOC 1)- Procuração da Advogada.

2- (DOC 2)- Comprovação da residência fixa

3- (DOC 3)- antecedentes criminais

4- (DOC 4)- Comprovante de trabalho