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A PROFISSIONALIZAÇÃO DA FORMAÇÃO DOCENTE

BRASIL, Eliana de Alcantara 


ZILIANI, Rosemeire de Lourdes Monteiro

RESUMO: Este artigo tem como objetivo investigar a formação profissional dos
docentes, pesquisando os elementos necessários a profissionalização do ensino.
Diante da onda neoliberal que avançou na seara da educação, o profissional da
educação foi instado a profissionalização, causando mudanças e discussões no modo do
docente desempenhar a sua função.
Os teóricos FISHER (2009), TARDIF (2013), CUNHA (2004), NOVOA (1992), entre
outros autores, embasaram a pesquisa bibliográfica realizada para a elaboração deste
artigo.

ABSTRACT: This article aims to investigate the professional formation of teachers,


researching the elements necessary for the professionalization of teaching.
Faced with the neoliberal wave that has advanced in the field of education, the education
professional was urged to professionalize, causing changes and discussions in the way
the teacher does his job.
Theoreticians FISHER (2009), TARDIF (2013), CUNHA (2004), NOVOA (1992), among
other authors, based the bibliographical research carried out for the elaboration of this
article.

PALAVRAS CHAVES: Formação docente, profissionalização, docência.

KEYWORDS: Teacher training, professionalization, teaching.

INTRODUÇÃO

A educação vem se desenvolvendo constantemente desde os primórdios da humanidade.


De tempos em tempos, o papel da educação é discutido e sugestões e/ou mudanças são
sugeridas para que a mesma continue evoluindo e atendendo aos interesses da sociedade.

O papel do docente também mudou ao longo do tempo. Antes, à docência era exercida
por religiosos que ensinavam por vocação, recebendo as vezes nenhuma remuneração


Aluna especial da Disciplina Docência no Ensino Superior, do Mestrado em Educação-UFGD
Professora doutora no Mestrado em Educação, da UFGD
para lecionar. Com o tempo, o Estado assumiu a educação e ensinar se tornou um ofício,
com remuneração e exigência de formação formal, de acordo com TARDIF (2013).

Nas últimas décadas, vem sendo cobrado a profissionalização dos docentes, para que o
profissional tenha competências necessárias para formação de cidadãos e de mão de obra
qualificada para o mercado de trabalho, atendendo a politica neoliberal, causando
mudanças na formação do profissional da educação.

Diante disso, se torna mister discorrer sobre a profissionalização do docente, seus desafios
e impactos para o cenário educacional. Com essa premissa, este trabalho tem por objetivo
principal investigar a profissionalização da formação docente, procurando entender os
anseios e particularidades da docência e os desafios para a concretização desse processo.
E especificamente apresentar um breve relato da evolução docente, pesquisar os
elementos inerentes ao currículo escolar adequado à nova realidade da profissionalização
docente, e demonstrar as ideias e discussões sobre a docência e sua profissionalização em
curso.

Para o embasamento teórico desta pesquisa, foram utilizados os estudos dos pensadores
FISHER (2009), TARDIF (2013), CUNHA (2004), NOVOA (1992), entre outros autores,
entre outros notáveis pesquisados que se debruçam sobre o tema.

Na metodologia deste trabalho, foi feito pesquisa bibliográfica acerca da temática


estudada, levando em conta material abordado em sala de aula.

O trabalho está organizado em três seções, para melhor organização e leitura. Na primeira
seção, fala sobre a evolução da profissão docente. Na segunda seção, se discorre sobre a
profissionalização da formação docente e a adaptação do currículo escolar a atual
conjuntura. E na última seção, é apresentado a relação da docência com a
profissionalização, demonstrando o quão complexo é ensinar e é feita uma breve análise
da docência.

Em seguida vem as considerações finais sobre o trabalho e as referências bibliográficas


utilizadas no trabalho.

Espera-se que esta pesquisa possa contribuir para que, tanto professores como alunos,
possam ter na educação um meio de desenvolvimento pessoal e social.

1 A E V O LU Ç Ã O D A P R O F IS S Ã O D O C E N T E : D A VO C A Ç Ã O A
P R O F IS S IO N A L IZ A Ç Ã O

A profissão docente nem sempre foi exercida por profissionais formados, com
legitimidade para lecionar, com competências atinentes a seu cargo. O ato de ensinar
sofreu modificações ao longo do tempo, e novos atores assumiram respaldo para a prática
docente, hoje reservada a professores licenciados, com formação profissional e
competências profissionais .
TARDIF(2013) aponta três períodos históricos acerca do exercício da profissão docente:
idade da vocação, idade do ofício e idade da profissão. Estes períodos representam épocas
em que um paradigma era hegemônico em cada referencial histórico e nos ajuda a
entender a urgência da profissionalização da formação docente, e os desafios e
especificidades que norteiam a docência.
...podemos dizer que a evolução do ensino escolar moderno passou por três
idades que correspondem cada uma a um período histórico particular: a idade
da vocação que predomina do século XVI ao XVIII, a idade do ofício que se
instaura a partir do século XIX e, finalmente, a idade da profissão que começa
lentamente a se impor na segunda metade do século XX.(TARDIF,2013,p.553)

No período denominado idade da vocação, o ensino tinha cunho religioso, era exercido
por religiosos e professoras , impondo disciplina rígida a seus alunos, muitas vezes estes
educadores não eram remunerados ou recebiam formação formal, de acordo com
TARDIF(2013).

No período “idade do ofício”, a educação é assumida pelo Estado e um novo cenário


irrompe na sociedade: o Estado se afasta da Igreja paulatinamente, os professores agora
devem possuir formação formal, começam a ter direitos e a educação se torna obrigatória.
Isso impulsiona o desenvolvimento social e alavanca o crescimento econômico mundo
afora.

A idade do trabalho está, portanto, ligada não somente à estatização da


educação, mas também ao impulso da sociedade salarial a partir do século
XIX, que se caracteriza pelo surgimento das massas de trabalhadores que
exercem um trabalho num quadro de uma relação salarial com um empregador
junto a indústrias ou a serviços públicos.(TARDIF,2013,p.557)

A necessidade de ampliar a qualidade do ensino, resultando na oferta de mão de obra cada


vez mais qualificada, a disposição do mercado, fomentou a busca pela profissionalização
da educação. Movimento recente, com inúmeras discussões e incertezas diante de sua
efetividade, a sociedade moderna se debruça em recorrentes esforços para definir os
critérios que definem as características de profissionalização da formação docente.
O objetivo principal do movimento de profissionalização é fazer com que o
ensino passe do estatuto de ofício para o de profissão em sua integralidade.
Como? Trata-se de oferecer aos futuros professores uma formação
universitária de alto nível intelectual. O que se quer é desenvolver
competências profissionais baseadas em conhecimentos científicos. As
autoridades educativas desejam ainda fazer com que ensino e professores
passem: 1) de uma visão rotineira da pedagogia a uma concepção inovadora;
2) do respeito às regras e rotinas escolares a uma ética profissional a serviço
dos alunos e de seu aprendizado, 3) enfim, do papel de funcionário ao de
profissional autônomo, mas também imputável de suas escolhas, o que pede
uma avaliação do ensino.(TARDIF, 2013,p.561)

A busca pela profissionalização do ensino instigou as universidades , pensadores e demais


agentes da educação a esmiuçar a docência, identificando elementos pertinentes ao
exercício profissional da licenciatura, expondo a nova realidade dos professores e
demonstrando as razões que levaram ao processo de profissionalização do ensino.

2 A PR O FI S S IO N A L I Z A Ç Ã O DA FO R M A Ç Ã O DOCENTE :
D E S A FI O S E A N S E I O S
A busca pela profissionalização docente não ocorreu por acaso. Seu surgimento remete a
necessidade de a educação atender a demanda mercadológica por cidadão instruídos e
capacitados para o mercado do trabalho , atendendo também a politica neoliberal que
almeja uma educação igualitária, com eficácia no uso dos recursos públicos.
Há alguns anos, especificamente desde meados da década de 1980, a
instituição escolar vem sendo desafiada pelas novas exigências do mercado e
da sociedade, que cobram eficácia nos serviços educacionais e competências
que vão além de títulos ou apenas conhecimentos da experiência e/ou
acadêmicos(CÁRIA, OLIVEIRA,2014,p.3)

A profissionalização da formação docente requer que os professores tenham


competências básicas desenvolvidas para o exercício da profissão. Caria, Oliveira (2014)
ratifica que os profissionais docentes devem possuir competências relevantes para atuar
na profissão, possuindo assim saberes específicos a sua função, além de incensado
profissionalismo em seu ato laboral.

Entretanto, a docência é dinâmica, com elementos próprios distintos de outras profissões


A competência de um docente não é fácil de definir, porque sua capacidade não se limita
apenas ao saber técnico, mas sim uma amalgama de elementos que o fazem ser um
professor, de fato.
...a competência para ensinar não se trata de questão fácil. Entre outros fatores
de igual importância, exige profissionais preparados, o que evidencia a
complexidade da profissionalização do ensino e da profissão docente, por isso
o sentido de formação profissional não pode ser reduzido à formação
continuada e/ou em serviço, nem tão pouco à participação em alguns cursos
esporádicos de treinamento ou palestras.(CÁRIA, OLIVEIRA,2014,p.16)

Aqui no Brasil, a discussão sobre a profissionalização da formação docente foi ampliada


com promulgação de leis e decretos instituindo que os profissionais da educação deveriam
ter competências para exercerem a docência. Dentre estes atos regulatórios Cária,
Oliveira(2014), destaca a Emenda Constitucional n.º 53, aprovada em 2006 que, entre
outros dispositivos, confere ao professor da educação básica o status “profissional da
educação” e o insere na categoria de trabalhador da educação. Isso representa um novo
status a categoria do docente da educação básica, reconhecendo seu papel relevante e
exigindo lhe competências básicas para exercer sua profissão.

Portanto, reconhecer as nuances especificas da docência ajuda a entender que a


profissionalização da formação docente deve atender tanto ao desejo da sociedade , e
também ser feita de acordo com as particularidades abarcadas pela prática docente de
cada professor. “A formação de professores pode desempenhar um papel importante na
configuração de uma "nova" profissionalidade docente, estimulando a emergência de uma
cultura profissional no seio do professorado e de uma cultura organizacional no seio das
escolas.”(NOVOA,1992,p.12)

O professor adquire suas competências para exercer o seu cargo através da sua formação
intelectual e também do exercício do seu oficio, se relacionando e modificando seus
pontos de vista, evoluindo culturalmente e enriquecendo sua prática laboral.

O professor, no exercício ordinário de sua profissão, não permanece incólume as


mudanças e contingências que lhe são comuns no seu dia a dia. Suas competências e
saberes são modificados continuamente, no contato com seus alunos, com seus colegas
de profissão, com a sociedade em si. As referidas caraterísticas singulares citadas nos
fazem entender o quão complexo é determinar os atributos pertinentes a profissão
docente, segundo CUNHA (2004).

2 1 O currículo escolar diante da profissionalização docente

A profissionalização da formação docente impacta a educação de maneira intensa,


estimulando a revisão de práticas anteriormente aceitas como inequívocas e sugere
mudanças salutares, que vão ao encontro do novo paradigma educacional em vigência.
Isso nos leva a discussão sobre um currículo escolar renovado, que atenda as inquietudes
da contemporaneidade.
A sociedade contemporânea vem mudando sistematicamente e, com ela, a
educação toma novos rumos e o currículo, como instrumento norteador das
práticas de formação, carece de novos princípios organizadores. Apesar disso,
a estrutura que sustenta a prática de formação observada nessa modalidade
educacional ainda preserva princípios tradicionais, provocando um
descompasso entre discurso, prática e demandas no âmbito da formação
humana e profissional(GESSER,RANGHETTI,2011,p.3)

Durante muito tempo, o currículo escolar se manteve engessado, pouco afeito a


mudanças, muitas sem participação de docentes e discentes em sua elaboração.
Entretanto, os tempos pedem mudanças céleres, que contemplem os anseios por uma
educação inclusiva, que preparem as pessoas para exercerem a cidadania e sua função no
mercado de trabalho. Portanto, o currículo escolar deve ser revisto e modernizado,
suscitando nos alunos uma reflexão crítica.
Para o contexto atual, urge um currículo que desenvolva a capacidade do
pensamento crítico, da reflexão e da reconstrução da própria gênese histórica
do currículo, das teorias e da prática da profissão, reconhecendo que as
escolhas (pessoais e profissionais) são sempre carregadas de valores. Por isso,
tanto o currículo quanto seus fundamentos devem ser históricos e críticos.
Desenvolver habilidades de pesquisar a própria prática, confrontá-la com as
produções teóricas, redimensionando tanto a prática em si quanto a teoria, num
movimento dialógico e contínuo, no qual se produz a prática profissional,
parece ser a tônica para uma formação profissional
consciente(GESSER,RANGHETTI,2011,p.4)

A profissionalização da formação docente, ao interferir na maneira dos professores


obterem sua formação e de exercerem seu labor, também causa mudanças na maneira de
abordagem do aluno e consequentemente, na aprendizagem. Se outrora, o aluno era visto
como sujeito passivo, que absorvia o conhecimento transmitido por seus mestres, agora é
visto como um sujeito ativo do conhecimento, capaz de desenvolver seu senso critico de
maneira ainda mais robusta, aprendendo de maneira emancipada.

Gesser, Ranghetti (2011) reiteram que o currículo , no seio da formação docente, deve
estar adequado aos anseios e necessidades dos alunos, professores, da sociedade,
procurando atender as expectativas geradas. Um currículo que deva contemplar o
contexto histórico atual, juntamente com a reflexão crítica da função curricular.

Para que um novo currículo escolar emerja, se faça presente e atuante, é necessário
procurar investigar elementos que podem enriquecer o currículo escolar, que possam
atender a necessidade de um currículo dinâmico, moderno adequado aos tempos atuais.
Para isso, a pesquisa é fundamental no intuito de modificar as estruturas regulares da
docência.
...a pesquisa é um princípio básico para um design de currículo que atenda a
formação nesses parâmetros. Como aplicar esse princípio na organização de
um currículo no ensino superior? Acreditamos que problemáticas relacionadas
ao campo de atuação do profissional em formação podem constituir-se em
eixos ou componentes curriculares que mobilizarão o emprego desse
pressuposto; ou seja, a pesquisa como ferramenta mobilizadora de toda a ação
pedagógica com os sujeitos em formação.(GESSER, RANGHETTI,2011,p.7)

Mais do que propor um currículo escolar novo, antenado com as mudanças advindas da
profissionalização docente, é importante que este processo também possui um viés
simbólico: simboliza a capacidade humana de evoluir e se reinventar, de agir diante de
cenários históricos que requerem inovação e ousadia.
Propor ousadia, desafios na constituição de outra racionalidade para o design
de um currículo significa acreditar que o ser humano é história, faz história e a
refaz, conforme o tempo no qual vive. Hoje, a literatura que apresenta as
pesquisas sobre o currículo e os processos de ensinar e de aprender, sobre o
desenvolvimento do ser humano e sua constituição, destacam a relevância do
ser humano como autor de sua história(GESSER, RANGHETTI,2011,p.16)

Portanto, um currículo escolar inédito, que contemple os saberes tradicionalmente aceitos


a flexibilidade na adição de valores, que promovam a reflexão crítica e emancipação do
indivíduo, tornar-se-á um instrumento valioso para que a profissionalização da formação
docente se mantenha obstinada em auxiliar na formação de profissionais da educação
capazes de exercer seu oficio com eficiência e em consonância com os anseios da
sociedade.
Compreendemos que o currículo é o tecido que impulsiona os sujeitos a
construírem sua profissionalidade, abrindo ou fechando possibilidades de se
autotranscenderem. Para tanto, a ênfase não está só no conteúdo nem nos
objetivos e estratégias, mas sim na aprendizagem, na apreensão do sentido e
do significado dos termos, em como os sujeitos aprendem e quais mecanismos
são acionados para que o ato de aprender se constitua(GESSER,
RANGHETTI,2011,p.20)

A discussão do currículo escolar e a profissionalização docente são justas e válidas, e é


apenas mais um elemento no seio de desafios e incertezas decorrentes da mudança de
paradigma na formação de professores. As universidades se debruçam em procurar
soluções e alternativas para que os docentes e nem a sociedade sejam prejudicadas com
as mudanças recentes. Sendo assim, a formação docente ainda demanda novos estudos e
pesquisas em prol de uma docência de qualidade, moderna e inclusiva.

3 A DOCÊNCIA E A PROFISSIONALIZAÇÃO: O COMPLEXO ATO DE LECIONAR

É sabido que a profissionalização da formação docente é algo que mobiliza os agentes


ligados a educação, provocando acaloradas discussões e causando incertezas sobre a
docência. Isso se deve a complexidade que a docência emana, não sendo possível se
limitar a apenas ao saber técnico dos professores, sendo necessário abarcar outros
elementos a analise docente.

No ensino superior, a docência não se furta de exibir seu caráter investigador, de propor
soluções e alternativas aos problemas que surgem intempestivamente. O enfrentamento
as demandas educacionais é algo natural da prática docente.” Uma das principais razões
da prática docente na universidade seria fazer pensar, buscar soluções para novos
problemas, descobrir alternativas originais diante dos enfrentamentos teóricos e
práticos.”(FISHER,2009,p.313)

Todavia, a universidade carrega em si uma estrutura já sacramentada, afeita a poucas


mudanças e segue um padrão estabelecido há tempos distante. A constatação deste fato
nos leva a entender as dificuldades enfrentadas sobre o tema da profissionalização
docente, sobre a necessidade de catalisar mudanças, em um terreno aonde as alterações
são escassas e de impacto reduzido, no caso, o seio universitário. A academia sempre teve
como função para transmitir ideias, de modo geral.
A função principal da universidade, ao longo da história, foi a transmissão de
um patrimônio de conhecimentos de alto nível, através da linguagem oral ou
escrita. O patrimônio foi conservado, conforme a época, em manuscritos,
livros ou suporte eletrônico. Sendo organizada para transmitir, a universidade
é conservadora por natureza. Ela repete, reproduz. O fato de que o professor
tende a recrutar como colegas, quem concorda com ele e o peso das rotinas,
acentuam essa vertente conservadora.(CHARLOT,SILVA,2010,p.4)

O conservadorismo latente incrustado na seara acadêmica é algo que merece ser avaliado,
estudado. Não se pode simplesmente tecer critica irascível ao modus operandis da
universidade e propor mudanças abruptas, sem levar em conta as peculiaridades do objeto
estudado. A profissionalização da formação mexe com toda a cadeia educacional, fazendo
com que os atores envolvidos na referida discussão sejam convidados a repensar seu
modo de agir, de atuar. Isso também se aplica a docência no ensino superior e a forma
como as mudanças afetam os professores do ensino superior e os alunos, futuros
profissionais da educação.
A temática da formação de professores coloca-se como um tema inesgotável e
é sempre tema da formação de professores: trajetórias e tendências do campo
na pesquisa e é sempre .instigadora na educação superior. Provocou e vem
provocando diferentes abordagens de estudo e exigindo desdobramentos na sua
análise e compreensão. As exigências da profissionalização reabriram
reflexões específicas acerca da formação continuada dos docentes de todos os
níveis, as quais provocaram a necessidade de repensar a formação inicial.
Ambas continuam exigindo esforços e estimulando o espírito investigativo da
base acadêmica.(CUNHA,2013,p.14)

A contemporaneidade vive sob o paradigma da inovação, do fazer algo novo, eficaz, que
impulsione os desejos humanos. No tocante a profissionalização da formação docente, se
espera que os alunos aprendam mais, que possam se tornarem sujeitos ativos , criadores
de seu aprendizado. A possibilidade de isso ocorrer se dá quando o docente assimila em
seu escopo de competências e habilidades , um olhar diferenciado para a prática docente.
O professor deixa de apenas ser um transmissor de ideias e informações, e se torna um
parceiro do seu discente, ao facilitar seu aprendizado e desenvolvimento do seu senso
crítico, da sua cidadania.
O docente que focaliza o seu ensino sobre dados e palavras a serem
memorizados e decorados na prova não tem mais espaço na sociedade
contemporânea: já perdeu o combate contra a Internet e o Google, que
providenciam informações, esquemas, fotografias, links, melhores do que o
professor mais bem-formado pode oferecer. Está agonizando o professor de
informações, mas torna-se cada vez mais indispensável o professor de saber,
ou seja, aquele docente que consegue ensinar como procurar e ligar
informações para produzir sentido, para entender o mundo, a vida, as nossas
relações com os demais e conosco mesmo. Portanto, o problema fundamental
é saber se as universidades do século XXI conseguirão formar tal professor de
saber (CHARLOT,SILVA,2010,p.17)

O dinamismo da vida moderna, as relações interpessoais passando por ressignificações


constantes, as contingencias oriundas da instabilidade politica e econômica que
eventualmente assolam a humanidade, exigem que os cidadãos saibam tomar decisões,
muitas vezes em curto espaço de tempo. Esta analise influencia nos rumos do
aprendizado, pois os alunos não devem apenas acumular conhecimento, mas sim serem
capazes de consultar seu intelecto, fazer reflexão critica e tomar decisões sensatas,
oportunas. Logo assim, o crescimento intelectual do aluno é propiciado pela ação docente
do professor, que lhe será útil para tomada de decisões.
Ensinar é, certamente, provocar o crescimento intelectual e isso não se faz
através de aulas onde, ao longo do semestre, só o professor fala e/ou faz
demonstrações no quadro. Aprender não significa acumular informações
memorizadas e sem sentido. Aprender, efetivamente, significa que o aluno,
diante de situações novas, é capaz de buscar alternativas argumentando
teoricamente em favor de suas escolhas.(FISHER,2009,p.314)

A docência no ensino superior auxilia os futuros professores, quando além de transmitir


os saberes tradicionais, promove o dialogo e a reflexão dos mesmos, imputando a eles a
possibilidade de adquirir as competências necessárias a exercer a função de profissional
da educação, sendo capazes de ir além da duvida, de não permanecer impassível diante
de incertezas que irrompem o ambiente ,e são capazes de pensar, de propor soluções para
problemas que surgem no dia dia da sala de aula.
Ensinar é, certamente, provocar o crescimento intelectual e isso não se faz
através de aulas onde, ao longo do semestre, só o professor fala e/ou faz
demonstrações no quadro. Aprender não significa acumular informações
memorizadas e sem sentido. Aprender, efetivamente, significa que o aluno,
diante de situações novas, é capaz de buscar alternativas argumentando
teoricamente em favor de suas escolhas.(FISHER,2009,p.314)

A temática da profissionalização da formação docente mostra como é intrincado o


trabalho de um professor, um profissional que deve estar sempre atento as mudanças,
deve ter a sensibilidade de se reinventar e buscar iniciativas que possam melhorar sua
prática docente e ter o cuidado de não deixar seus alunos desamparados ou inseguros,
sempre mediando o aprendizado discente.

Dando sequência a análise da docência, surgem indagações. Como a profissionalização


da formação docente afeta o papel do professor? O professor também é capaz de criar
conhecimento, e não apenas transmitir? Como ir além da assimilação do saber técnico,
tornando seu labor acolhedor , reflexivo?
Estas questões serão discutidas adiante, na analise da docência e desafios a
profissionalização.

3.1 A docência esmiuçada; breve análise.

A prática docente possui natureza multifacetada, sendo que o professor transforma seu
saber, seu intelecto, a medida que leciona a seus alunos. Ou seja, O ato de ensinar não é
algo mecânico, mero transmitir de ideias, e sim um processo dinâmico que o professor
utiliza seu saber técnico e produz novos conhecimentos, em sua prática laboral.

CUNHA (2013) aponta que o professor , ao exercer sua profissão, também cria
conhecimento, pois sua função exibe demasiada complexidade, conciliando seu
conhecimento acadêmico ao conhecimento oriundo de sua práxis no cotidiano, sua
trajetória de vida, seus valores sociais, etc. Ou seja, o contato com a prática docente, a
experiência, geram saberes inéditos que permitem o professor enfrentar problemas
diversos, em sua trajetória.

Isso ratifica a tese que o trabalho docente , ao ser analisado, também deve relevar as outras
dimensões que englobam a prática docente, como a carreira, o desenvolvimento pessoal,
entre outros fatores que influenciam no trabalho do professor.
...é muito difícil isolar a questão do conhecimento dos professores das outras
dimensões do trabalho docente: formação, desenvolvimento profissional,
identidade, carreira, condições de trabalho, tensões e problemas
socioeducativos que marcam a profissão, características das instituições
escolares onde trabalham os professores, conteúdos dos programas escolares,
entre outras dimensões.(TARDIF,2013,p.567)

Os saberes tradicionalmente aceitos, legitimados e que constam nos currículos escolares,


devem ser dominados pelo docente para o exercício do seu trabalho. Contudo, a pratica
docente produz outros conhecimentos também importantes , pois surgem da interação
entre aluno-professor, comunidade escolar e o contexto histórico em que ocorre o
processo de aprendizagem. Estes conhecimentos também devem ser considerados, pois
só ocorrem quando o docente exerce seu oficio.
A ciência concentra determinados saberes como relevantes, à medida que
descarta outros: o racionalismo privilegia a mente, em detrimento de saberes
da sensibilidade. O conhecimento local, o senso comum, o saber advindo da
experiência cotidiana têm seu lugar não legitimado, em nome de saberes
considerados universais – o que significa corresponder ao universo da
ideologia dominante.(AMORIM, CASTANHO,2008,p.6)

CUNHA (2013) aponta que vários estudiosos elaboraram teorias sobre a pratica docente
e sua relação com a criação de novos conhecimentos, citando TARDIF, NOVOA,
GAUTHER, entre outros. Entretanto, o referido autor aponta as contribuições de SCHON
(1983), que versam sobre a epistemologia da prática, que é um conceito que reconhece a
prática docente como produtora de novos conhecimentos, reforçando ainda mais a
importância da formação docente e o exercício da docência.

SCHON(1983,apud,CUNHA,2013,p.10) propõe

.... o que denominou epistemologia da prática, ou seja, assumiu que o contato


e a interação com a prática docente pode gerar conhecimento, sempre que os
professores se impliquem em ciclos de reflexão e diálogo com os problemas
da prática. Nesse caso, reconhece-se que os professores produzem
conhecimentos, ao cotejar a prática com a teoria e o conceito de saberes
docentes se instalou num possível contraponto ao sentido dado pelas políticas
neoliberais ao termo competências.

Em termos de profissionalização da formação docente, a epistemologia da prática


reconhece o poder agregador do exercício da docência, ao apontar que novos
conhecimentos podem surgir do trabalho do professor, ao lecionar. Isso corrobora a
necessidade de se pensar no desenvolvimento profissional do professor, levando em conta
seu saber técnico, seu ambiente de trabalho, trajetória, entre outros elementos que fazem
parte de sua profissão.
O principal mérito da epistemologia da prática refere-se ao reconhecimento do
trabalho docente como fonte de saberes e da complexidade da docência,
sempre atingida por contingências contextuais. Como decorrência dessa
tendência, instalaram-se com significativa presença no campo da formação de
professores as estratégias de narrativas culturais e a compreensão do conceito
de desenvolvimento profissional, que foram substituindo e englobando os
anteriores relativos à formação continuada e formação
permanente.(CUNHA,2013,p.11)

Pensar na formação do professor implica em dizer que seu desenvolvimento profissional


é algo continuo, que inicia na universidade, com a graduação, e se estende a sua carreira,
sempre tendo uma postura critica, reflexiva sobre seu papel na educação. Portanto, a
formação docente tem que preparar os professores para isso, criando sua identidade
profissional.
A formação deve estimular uma perspectiva crítico-reflexiva, que forneça aos
professores os meios de um pensamento autónomo e que facilite as dinâmicas
de auto formação participada. Estar em formação implica um investimento
pessoal, um trabalho livre e criativo sobre os percursos e os projetos próprios,
com vista à construção de uma identidade, que é também uma identidade
profissional.(NOVOA,1992,p.13)

A formação do professor contempla tanto a aquisição dos saberes específicos necessários


a sua profissão, quanto ao desenvolvimento de habilidades de pensar e refletir sobre os
elementos inerentes ao seu ofício, a realidade de seus alunos e quaisquer outros elementos
que interajam com sua função. Logo assim, Amorim, Carvalho(2008) aponta a
necessidade de o docente pensar além da racionalidade, procurar desenvolver seu senso
estético, em prol de ampliar seu entendimento do mundo, aprimorando seu papel de
educador

Desta maneira, a formação docente deve levar em conta que se deve ir além da
racionalidade técnica, além da formação formal, apenas. O papel da docência deve
consistir em desenvolver um olhar humano, sapiente, capaz de entender que a pratica
docente é influenciado pelo meio ambiente, pelas condições de trabalho, pelo contato
diário do professor com seus alunos.
Tardif, Lessard e Lahaye (1991) chamam a atenção para o fato de que o saber
docente é plural, estratégico e desvalorizado, constituindo-se em um
amálgama, mais ou menos coerente, de saberes oriundos da formação
profissional, dos saberes das disciplinas, dos currículos e da
experiência(MONTEIRO,2001,p.130)

A docência deve estar sempre sendo estudada e a repensada, em virtude da complexidade


de sua prática, das expectativas criadas pela sociedade e por lidar com valores humanos,
por representar anseios de uma época, de um período.” O professor se faz professor em
uma instituição cultural e humana, depositária de valores e expectativas de uma
determinada sociedade, compreendida em um tempo histórico”.(CUNHA,2013,p.4)

C O N S I D E R A ÇÕ E S FI N A I S

A p r o f i s si o n a l i z a ç ão d a f o r m a ç ã o d o c e n t e v e m s e n d o d e b a t i d a h á c e r t o
t e m p o , c o m o um a m a n e i r a d e a t e n d e r o s i n t e r e s s e s d a p o l i t i c a
n e o l i b e r a l , q u e p r e ga u m a e d u c a ç ã o d e m e l h o r q u a l i d a d e , q u e p r e p a r e
a s p e s s o a s p a r a s e r e m c i d a d ã o s c r í t i c os , a l é m d e o f e r e c e r m ã o d e o b r a
q u a l i f i c a d a a o m e r ca d o d e t r a b a l h o .

A l é m d i s s o , o q u e s e v ê t a m b é m é a e x p a ns ã o d a f o r m a ç ão s u p e r i o r,
c o m a u m e n t o d e e st u d a n t e s n a a c a d e m i a . E n t r e t a n t o, i ss o s e d e v e a
expansão das faculdades particulares, e menores investimentos na
u n i v e r s i d a d e p ú bl i ca , a t e n d e n d o a s s i m a o p a r a d i gm a m e r c a d o l ó gi c o d a
politica neoliberal.

O ensino superior é cada vez menos considerado um bem público e cada vez
mais um serviço lucrativo. Nos países pobres, os governos não podem custear
a expansão do seu ensino superior e, nos países ricos, a lógica neoliberal
apregoa a contenção das despesas públicas, tida como condição da
competitividade no mundo globalizado(CHARLOT, SILVA, 2010,p.13)

E s t e c e n á r i o d e i n c e r t e z a s i m p a c t a n a p r o f i s s i on a l i z a ç ã o d a f o r m a ç ã o
d o c e n t e , p o i s s e ex i ge m a i s d o s d o c e n t e s , m u i t as v e z e s c o m f o r m a ç ã o
a c a d ê m i c a i n s u f i ci e n t e o u i n a d e q u a da , e c o m a i n c o m p r e e n s ã o d o
m e r c a d o , q u e i gn o r a a c o m p l ex i d a d e qu e a d o c ê n c i a p o s s ui .

E s t e t r a b a l h o o b j et i v o u f a z e r u m a an a l i s e s o b r e os de s a f i o s da
p r o f i s s i on a l i z a ç ã o d o c e n t e , s o b r e o q u e s e e s p e r a d o s p r o f i ss i o n a i s da
e d u c a ç ã o , s o b r e a a m á l ga m a d e c o m p e t ê n c i a s e h a b i l i d ad e s q u e o
professor deve ter.

A d o c ê n c i a f o i e s m i u ç a d a e a n a l i s a d a , e m v i r t u d e d e um p ro f e s s o r s e r
m u i t o m a i s q u e um m e r o t r a n sm i sso r d e c o n h e c i m e n t o , s e r um
p r o f i s s i on a l q u e a l i a o s e u s a b e r t é c n i co e , a t r a v é s d a p r á t i c a d o s e u
o f i c i o , c r i a n ov o s c o n h e c i m e n t o s e m e d i a o a p r e n d i z ad o d e s e u s
alunos.
A profissionalização da formação docente merece novos estudos e
c r i t e r i o s a s a n á l i s e s , q u e p o s s a m a ux i l i a r n a b u s c a p o r u m a e d u c a ç ã o
d e m a i s q u a l i d a d e, c o m p r o f e s s o r e s a t u a n d o c o m ex c e l ê n c i a e
v a l o r i z a ç ã o , i n c o r r en d o e m u m a s o c i e d ad e , j us t a , a d e pt a a o p r o gr e s s o .

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universitária de docentes. Educ. Soc., Campinas, vol. 29, n. 105, p. 1167-1184, set./dez.
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