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Sumário

Capítulo 1 – Histórico do Karate .................................................01


1.1. Introdução ..................................................................01
1.2. As Origens .................................................................02
1.3. O Okinawa Te ............................................................03
1.4. O Karate Moderno ......................................................05
1.5. Principais Estilos ........................................................06
Capítulo 2 – O Dojo e a Conduta do Karateca .............................07
2.1. Introdução ..................................................................07
2.2. O Dojo ........................................................................08
2.2.1. A Limpeza do Dojo ......................................08
2.2.2. Os Principais Elementos ...............................09
2.2.3. O Cumprimento ............................................09
2.3. Conduta Durante as Aulas ..........................................10
2.4. Os Personagens do Dojo ............................................11
2.4.1. Sensei ............................................................11
2.4.2. Senpai ...........................................................11
2.4.3. Kohai ............................................................11
2.5. O Dogi ........................................................................11
2.6. O Obi ..........................................................................12
2.7. Bases Filosóficas ........................................................12
2.7.1. O Dojo Kun ..................................................12
ii

2.7.2. O Niju Kun....................................................13


Capítulo 3 – A Respiração ........................................................... 14
3.1. Introdução ..................................................................14
3.2. Processo de Respiração ..............................................15
3.3. Formas de Respiração .....................................................15
3.4. Praticando a Respiração ..................................................16
3.5. Respiração na Concentração Mental ..........................17
Capítulo 4 – Energia .................................................................... 18
4.1. Introdução ..................................................................18
4.2. Energia Interior ..........................................................18
4.2.1. Kiai 19
4.3. Energia Exterior .........................................................20
4.4. Atitude Mental ...........................................................20
Capítulo 5 – As Armas no Karate ................................................ 21
5.1. Introdução ..................................................................21
5.2. Armas Artificiais .............................................................21
5.2.1. Bo .................................................................22
5.2.2. Jo ..................................................................22
5.2.3. Nunchaku ....................................................................23
5.2.4. Kama ............................................................23
3

5.2.5. Tonfa..............................................................23
5.2.6. Sai .................................................................24
5.3. Armas Naturais ...........................................................24
5.3.1. Shuto .............................................................25
5.3.2. Seiryuto. .......................................................25
5.3.3. Haishu ...........................................................26
5.3.4. Nukite ...........................................................26
5.3.5. Seiken ...........................................................26
5.3.6. Uraken ..........................................................27
5.3.7. Tetsui ............................................................27
5.3.8. Koshi ............................................................27
5.3.9. Kakato. .........................................................28
5.3.10. Haisoku .......................................................28
5.3.11. Sokuto .........................................................28
Capítulo 6 – Técnicas do Karate ..................................................29
6.1. Introdução ..................................................................29
6.2. Bases ..........................................................................30
6.3. Uke Waza ...................................................................31
6.4. Atemi Waza ................................................................32
6.5. Geri Waza ..................................................................33
Capítulo 7 – Treinamento.............................................................34
7.1. Introdução ..................................................................34
7.2. Kihon ..........................................................................34
7.3. Kata ............................................................................35
7.3.1. Kata e Significado ........................................35
7.4. Kumite ........................................................................36
7.4.1. Gohon Kumite ..............................................36
7.4.2. Sanbon Kumite .............................................36
7.4.3. Ippon Kumite ................................................36
7.4.4. Jiyu Ippon Kumite ........................................36
7.4.5. Jiyu Kumite ..................................................36
7.5. Termos Técnicos ........................................................37
Capítulo 8 – Exames e Graduações .............................................38
8.1. Introdução ..................................................................38
8.2. Graduações .................................................................38
8.3. Exames .......................................................................39
8.3.1. Branca para Amarela ....................................39
8.3.2. Amarela para Vermelha ................................40
8.3.3. Vermelha para Laranja ..................................41
8.3.4. Laranja para Verde ........................................42
8.3.5. Verde para Roxa............................................43
8.3.6. Roxa para Marrom ........................................44
Capítulo 9 – Competições ............................................................45
9.1. Introdução ..................................................................45
9.2. Área de Competição ...................................................45
9.3. Kata ............................................................................46
9.3.1. Individual ......................................................46
9.3.2. Equipe ...........................................................46
9.4. Kumite ........................................................................47
9.4.1. Individual ......................................................48
9.4.2. Equipe ...........................................................48
Bibliografia ..................................................................................49
PROJETO PENIEL HISTÓRICO DO
KARATE

Capítulo 1 – Histórico do Karate


“Nunca é tão fácil perder-se como
quando se julga conhecer o caminho”.
SABEDORIA CHINESA

1.1. INTRODUÇÃO
A maioria das pessoas imagina que as lutas marciais têm por objetivo princi-
pal a defesa pessoal, fisicamente falando. É verdade que normalmente o indivíduo prati-
cante é uma pessoa bastante forte, de personalidade, e com energia e técnicas de defesa
pessoal, fisicamente falando, bastante aprimoradas e cientificamente estudadas e testadas,
em inúmeros combates antigos e em competições modernas. Porém estas qualidades são
apenas uma das conseqüências dos treinamentos marciais, elas são atribuições vindas por
acréscimo dentro de uma meta muito mais profunda, importante e superior.

As lutas marciais, na verdade, têm como seu verdadeiro objetivo, ser um ca-
minho alternativo para as nossas buscas de soluções aos problemas que a vida nos apre-
senta, tentando ser uma solução para nossas dificuldades. Assim, este caminho – o “DO”
– aberto inicialmente pelos hindus e chineses e posteriormente pelos japoneses tem várias
correntes:

Y AIKIDO;

Y JUDO;

Y KARATE DO;

Y KENDO;

Y IKEBANA;

Y KYUDO;

Y CERIMÔNIA DO CHÁ;

Y E outras dezenas de caminhos.

Todos os mestres afirmam que sua arte é fundamentalmente um treinamento para a vida,
uma filosofia, um caminho para se resolver os desequilíbrios vitais e atingir a felicidade.

COGIC SENSEI-GUSTAVO SANTOS 1


1.2. AS ORIGENS
As artes marciais atuais têm suas raízes mais remotas por volta do de 5000
anos a.C., quando na Índia surgiu uma luta cujo nome em sânscrito era “Vajramushti”,
cuja tradução literal significa punho real ou punho direto. Era uma arte guerreira da casta
Kshatriya (portanto, praticada por nobres apenas) foi uma arte marcial que se desenvol-
veu simultaneamente com práticas de meditação e estudo dos antigos clássicos hindus
(por ex: os Veda, Gita, os Purana). Esta arte marcial foi incorporada ao budismo, pois seu
criador era um príncipe e, portanto, um conhecedor da mesma (Sidarta Guatama – o Buda
histórico).

Quase mil anos após a morte de Buda, Bodhidarma, que era filho do rei Su-
o
ghanda, tornou-se o 28 patriarca do budismo e viajou à China a convite do imperador
Ling Wu Ti, mas como tinham opiniões divergentes de como alcançar a iluminação, Bo-
dhidarma (ensinava que a união do corpo com a alma é algo indivisível para chegar à
verdade e a paz) foi ao reinado de Wei, província de Honan, e hospedou-se no templo
Shaolin. A lenda conta que quando Bodhidarma chegou ao templo encontrou os monges
numa condição de saúde tão precária, devido às longas horas que eles passavam imóveis
durante a meditação, que ele imediatamente se preocupou em melhorar-lhes a saúde.

Valorizando o vajramushti como auxiliar do homem em sua pesquisa interior,


os monges budistas se desenvolveram enormemente nesta arte marcial e o templo Shaolin
ficou mais famoso, como centro de artes marciais, do que de budismo, efetivamente. Os
ensinamentos de Bodhidarma são reconhecidos pelos historiadores como a base de um
estilo de arte marcial chamado de Shaolin Kung Fu.

Os templos Shaolin foram destruídos e saqueados por ordem do governo chi-


nês e apenas cinco monges escaparam, enquanto todos os demais foram massacrados pelo
exército manchú. Os cinco sobreviventes tornaram-se conhecidos como “Os Cinco An-
cestrais” e vagaram por toda China, cada um ensinando sua própria forma e visão de
Kung Fu. Considera-se que este fato deu origem aos cinco estilos básicos de Kung Fu:
Tigre; Dragão; Leopardo; Serpente e Grou.
1.3. O OKINAWA TE

A história conta que o rei Hasshi, para evitar as revoltas, proibiu o uso de ar-
1
mas aos habitantes de Ryu Kyu . Tal proibição não impediu que o povo da pequena ilha
de Okinawa improvisasse armas de artefatos agrícolas:

Y NUNCHAKU;
Y TONFA;
Y J O;
Y B O.

Mais tarde Shimazu conquistou a ilha e proibiu mais uma vez o uso de as armas nova-
mente.

Dado que Ryu Kyu pertencia à China, sob a dinastia Ming, havia uma cres-
cente imigração da corte imperial e sem se aperceberem, eles introduziram as técnicas de
lutas chineses na ilha. Com a nova proibição, os treinos se tornaram secretos e os alunos
passaram a ser escolhido com muito cuidado, treinando-se firmemente fazendo com que
as mãos e os pés se tornassem armas eficazes contra espadas, facas e armaduras. O nome
genérico dado às formas de luta na ilha foi “TE”, que significa mão.

Havia três principais núcleos de “Te” em Okinawa, estes eram nas cidades de
Shuri, Naha e Tomari. Conseqüentemente os três estilos básicos tornaram-se conhecidos
como: Shurite; Nahate e Tomarite. E todos eram conhecidos como Okinawa Te.

O Shurite veio a ser ensinado por Sakugawa, que ensinou a Matsumura So-
kon que por sua vez transmitiu esses ensinamentos a Itosu Anko. O Shurite foi o precur-
sor dos estilos japoneses que eventualmente vieram a se chamar:

Y SHOTOKAN;
Y SHITO RYU;
Y ISSHIN RYU.

O Nahate tornou-se popular devido aos esforços de Higaonna Kanryo, tendo


este aprendido a arte com Arakaki Seisho e o seu aluno mais ilustre foi Miyagi Chojun,

1
Ryu Kyu – Antiga denominação do arquipélago do qual Okinawa faz parte.
que também estudou na China e mais tarde desenvolveu um estilo conhecido atualmente
como Goju Ryu.

O Tomarite foi desenvolvido juntamente por Matsumora Kosaku e Oyadoma-


ri Kosaku, sendo que os dois professores mais famosos desta época Motobu Chokki e
Kyan Chotoku foram discípulos dos dois anteriores respectivamente. Até então o Tomari-
te era largamente ensinado e influenciou tanto Shurite como Nahate.

Azato Yasutsume orientou os primeiros passos de Funakoshi Gichin e poste-


riormente o companheiro e amigo Itosu foi quem ficou responsável pelo aprendizado do
jovem Funakoshi. Com Azato a filosofia de treinamento era chamada “Hito Kata San
Nen” (um kata em três anos).

No começo do século XX (aproximadamente 1900) o Karate foi reconhecido


como um método eficiente de condicionamento físico e educação sendo então ensinado
nas escolas públicas da pequena ilha e o responsável por esta introdução foi o Mestre Ito-
su. O ensino do Karate tornou-se oficial a partir de 1902 quando da visita do inspetor da
prefeitura de Kagoshima à escola onde Funakoshi ensinava e este organizou uma de-
monstração para o ilustre visitante.

No final do ano 1921 o Príncipe Hirohito convidou Funakoshi para fazer uma
demonstração de Karate em Tóquio, a exibição de Kata (Kanku Dai, o preferido de Funa-
koshi) foi um sucesso total. Após esta demonstração, Funakoshi foi assediado para per-
manecer em Tóquio e ensinar sua arte que tanto maravilhou os japoneses.
1.4. O KARATE MODERNO
Em 1922 sob a influência do pintor Kosugi Hoan, Funakoshi publica o seu
primeiro livro intitulado “Ryukyu Kenpo Karate”, onde enfatiza os propósitos e a prática
do Karate. Na introdução deste livro ele escreveu:

“A pena e a espada são inseparáveis como duas ro-


das de uma carroça”.

Este livro teve grande repercussão e quatro anos depois foi reeditado com o título de
“Renten Goshin Karate Jitsu”.

Em 1936, Funakoshi muda os caracteres kanji utilizados para escrever a pala-


vra Karate. O caracter “KARA”, que significava China é trocado por um outro que tinha o
mesmo som; o caracter utilizado foi um do Zen Budismo que significava vazio, passando
o Karate a ser conhecido não mais como “Mãos Chinesas”, mas como “Mãos Vazias”.
Funakoshi defendia o fato de que “Mãos Vazias” era mais apropriado, pois representava
não só o fato de o Karate ser um método de defesa sem armas, mas também representava
o próprio espírito do Karate, que é esvaziar o corpo de todos os desejos e vaidades terre-
nas, como escrito por ele mesmo:

“Como sobre a face polida de um espelho, se reflete


tudo que está diante dele e como um vale calmo
transmite os sons mais doces, assim o estudante de
karate, deve ter seu espírito livre de egoísmo e das
coisas materiais, num esforço por reagir a tudo que
pode parecer adverso a ele”.

Ainda sob a luz das mudanças, Funakoshi troca o nome dos Kata, com signi-
ficado chinês, para nomes mais adequados ao momento histórico que passa o Japão
(guerra sino-japonês). O Karate até este momento era praticado apenas através dos Kata e
por volta de 1933 foram introduzidas às técnicas básicas de treinamento com a ajuda de
um colega, surgindo assim:

Y GOHON KUMITE;

Y IPPON KUMITE;

Y JYU IPPON KUMITE;

Y JYU KUMITE.
O filho do Mestre Funakoshi, Yoshitaka, introduziu no Karate as modernas técnicas de
pernas:

Y YOKO GERI;

Y MAWASHI GERI;

Y FUMIKOMI;

Y URA MAWASHI GERI.

Em 1939, os alunos de Funakoshi dão-lhe de presente o seu próprio Dojo e


nele havia uma placa pendurada onde se lia “SHOTOKAN” – “SHO” significa pinheiro,
“TO” significa ondas ou o som que as árvores fazem quando o vento bate nelas e “KAN”
significa lugar ou escola. Portanto, nasce assim o estilo Shotokan de Karate, que nada
mais foi do que uma pequena homenagem dos alunos ao seu Mestre.

Com o passar do tempo Funakoshi também mudou o nome da própria arte de


Karate Jutsu – Técnicas das Mãos Vazias – para Karate Do – Caminho das Mãos Vazias.
Esta mudança foi de vital importância para o crescimento do Karate, pois o mesmo dei-
xou de ser visto apenas como um simples método de treinamento e passou a ser um “ca-
minho”, focalizando o lado espiritualizado desta arte marcial. Portanto, o Karate deixa de
ser uma preparação física, unicamente, e passa a se preocupar com a formação do cidadão
e da sociedade como um todo também.

1.5. PRINCIPAIS ESTILOS


Dentre todos os estilos de karate, os mais praticados na atualidade são:

Y SHOTOKAN – Funakoshi (Tóquio, 1922);


Y SHITO RYU – Mabuni (Osaka, 1930);
Y GOJU RYU – Miyagi (Kyoto, 1936);
Y WADO RYU – Otsuka (Tóquio, 1932).
HENSHIN KARATE DOJO O DOJO E A
CONDUTA

Capítulo 2 – O Dojo e a Conduta do Karateca


“A ação do ritual na formação do ho-
mem é secreta; ele previne o mal antes
que ele apareça; ele nos aproxima do
bem e nos afasta do mal sem que nos
apercebamos”.
LI-KI

2.1. INTRODUÇÃO

Os rituais em todos os Dojo propõem aos praticantes uma série de atitudes e


gestos que facilitam as relações entre eles deixando claro o desejo comum de obedecer a
uma ordem válida para toda a comunidade e para cada um. A intenção do praticante é
sempre a de estimular o progresso na arte de todas as pessoas sem perder o desenvolvi-
mento individual.

A prática de karate está repleta de exercícios marciais, combativos, porém


com um total espírito de conciliação, buscando a vitória pela harmonia, pela paz, procu-
rando esquecer as atitudes egoístas e pensando sempre no grupo e como sendo parte dele.
O karateca treina com seu companheiro com todo respeito e consideração, pois o conside-
ra como parte de si mesmo e sem o qual não há treinamento.

Daí ser fundamental tratar o companheiro com cortesia e agradecimento por


ele dá a possibilidade de você treinar e de aprender com ele. Ao professor, se deve o res-
peito e o agradecimento pela transmissão dos conhecimentos e pela dedicação e esforço
em ensinar segredos que foram por muitos séculos restritos a uma minoria privilegiada.
Respeitar e se fazer respeitar é uma das regras mais importantes durante os treinamentos.
Conciliar e nunca confrontar é o princípio básico. Esquecer-se da palavra “eu” e substi-
tuí-la pela palavra “nós” é a essência do ensinamento. Outro ponto fundamental é que não
se treina karate, mas sim, para a vida.

Portanto, fica claro ao praticante e ao grupo que o fundamental não é vencer,


não é derrubar, não é ser o mais forte, mas descobrir o potencial individual, o centro das
ações e se, ele não for o centro, colocar-se em uma de suas órbitas, de acordo com suas
reais condições.
2.2. O DOJO

O lugar onde se pratica Artes Marciais é denominado “Dojo”, esta palavra foi
emprestada do Zen Budismo, significando “Lugar de Iluminação” (onde os monges pra-
ticavam a meditação, a concentração, a respiração, os exercícios físicos e outros mais). A
palavra dojo significa literalmente:

Y DO1 – Caminho, estrada ou trilha (sentido espiritual);


Y JO – Lugar (espaço físico).

Algumas pessoas referem-se à academia de karate como um dojo, porém as


duas coisas são diferentes. A palavra dojo somente se refere ao espaço físico onde ocorre
o treino de karate (leia-se arte marcial japonesa), enquanto academia se refere ao local
onde se pratica karate. Portanto, o dojo é o lugar onde se pratica o “caminho”.

Alguns podem perguntar sobre qual o caminho que se pratica em um dojo, a


resposta vem, mais uma vez, do Budismo (mais precisamente do Zen); O homem deve
despertar em meio às questões de todos os dias, vivendo intensamente no presente e con-
cedendo atenção integral às coisas do cotidiano, para, desta maneira, retornar à naturali-
dade de sua natureza, conforme ditado Zen:

“Antes de estudar Zen, as montanhas são montanhas e os


rios são rios. Enquanto estuda Zen, as montanhas deixam
de ser montanhas, os rios deixam de ser rios. Uma vez al-
cançada a iluminação, as montanhas voltam a ser monta-
nhas e os rios voltam a ser rios”.

Isto quer dizer que um pintor alcança a felicidade pintando, um médico reali-
zando cirurgias e um karateca praticando karate.

2.2.1. A LIMPEZA DO DOJO

O dojo é limpo através do uso de panos úmidos empurrados sobre o piso pe-
los estudantes, fazendo com que a sujeira seja removida e não esfregada. Isto é importan-
te, pois limpar o chão é um exemplo de humildade (não um castigo) que faz bem para o
desenvolvimento do indivíduo.

1 JO – Mesmo tendo a mesma pronúncia de bastão (jo), seu ideograma japonês é diferente.
A limpeza deve ser executada antes do treinamento e será precedida por uma
boa varrida do piso. Os estudantes limpam o chão, enquanto o professor e alguns alunos
geralmente não participam da limpeza.

2.2.2. OS PRINCIPAIS ELEMENTOS

O dojo tem em cada um de seus cantos um significado diferente:

Y SHIMOZA - Local onde ficam os alunos durante os treinamentos;


Y SHIMOZEKI - Local onde ficam os alunos que desejam falar com o professor;
Y JOZEKI - Local onde fica o aluno mais graduado;
Y KAMIZA - Lugar de Honra reservado ao professor e convidados;
Y SHOMEN – É a parede da frente do dojo;
Y NAFUDA – Quadro na parede do dojo que contém plaquetas com o nome dos
membros da academia;
Y HATA – É a bandeira da academia.

2
2.2.3. O CUMPRIMENTO

Uma demonstração tradicional de cortesia é o cumprimento, isto tanto é ver-


dade que ele é realizado no início e no final da aula de frente para o Shomen (forma de
agradecimento àqueles que desenvolveram a arte). Ao cumprimentar, você deverá olhar
para baixo e não na face do seu oponente – olhar na face de alguém durante um cumpri-
mento é sinal de falta de confiança. O cumprimento pode ser feito de duas maneiras dis-
tintas:

Y RITSU REI – cumprimento em pé;


Y ZAREI – cumprimento sentado (SEIZA).
A maneira correta de se cumprimentar é, partindo-se da posição natural (SHI-
o
ZENTAI), curvar o corpo apenas em 30 e segurá-la por meio segundo e retornar a posição
ereta (ritsu rei). O cumprimento deve acontecer nas situações a seguir:

Y Quando entramos ou saímos do dojo;


Y Quando o professor entra ou sai do dojo;
Y No início e final de um combate;
Y No início e final da aula;
Y No início e final de um kata;
Y No início e final de um exercício com um companheiro.

O Zarei é realizado a partir da posição Seiza (o praticante senta-se sobre seus


calcanhares e quando o fizer deverá abaixar sua perna esquerda e em seguida a direita,
colocando o dedão do pé esquerdo sobre o do direito, ao levantar-se ocorre à inversão),
inclinando-se o corpo e as mãos descem suavemente das coxas para o chão, formando um
triângulo onde a testa tocará.

2.3. CONDUTA DURANTE AS AULAS

O treinamento inicia com uma saudação e após este momento, as conversas


paralelas deixam de existir e toda a atenção é voltada para o professor e os seus ensina-
mentos devem ser executados com a máxima concentração possível para poder alcançar-
se a perfeição dos movimentos.

Quem ensina durante a aula é o professor. Um praticante, que não seja desig-
nado pelo professor, não pode instruir ou corrigir ninguém; é considerado falta de respei-
to para com o professor corrigir alguém, se ele não for seu parceiro de treinamento. As
perguntas devem ser dirigidas sempre ao professor ou ao aluno mais graduado que con-
duz o treino, que na ausência do professor, deve receber as mesmas considerações.

Jamais, na ausência do professor, um karateca deve contestar o aluno mais


graduado que comanda o treino. Caso ache que a técnica está errada, deve recorrer poste-
riormente ao professor e deixar que ele corrija o aluno mais graduado.

2 CUMPRIMENTO – O cumprimento é feito com a cintura e não com o pescoço.


É dever do estudante mostrar uma ética apropriada no dojo e ter respeito pelo
seu professor, isto é feito, geralmente:

Y Não argumentando com o professor durante a aula;


Y Quando ele corrige sua técnica;
Y Quando assinala algum defeito no seu desempenho.

2.4. OS PERSONAGENS DO DOJO


2.4.1. SENSEI

A palavra Sensei (SEN - antes e SEI - vida) significa aquele que ensina e refe-
re-se somente ao instrutor e nunca pelo instrutor, ou seja, o professor deve ser chamado
de sensei, mas jamais deverá se referir a ele por sensei. A palavra tem conotação de res-
peito e denota todo o respeito que o aluno tem pelo professor.

2.4.2. SENPAI

O Senpai será o aluno mais graduado de faixa preta (YUDANSHA) e que com o
consentimento do sensei poderá instruir e corrigir os alunos menos graduados (assisten-
te).

2.4.3. KOHAI

O aluno menos graduado de uma aula é considerado o Kohai e geralmente é o


responsável pela limpeza do dojo antes de iniciar a aula.

2.5. O DOGI

Para se treinar karate, bem como a maioria das artes marciais, é necessário
usar um uniforme especial denominado Dogi (criado por Jigoro Kano para os utilizarem
3
durante os treinamentos de Judo). O dogi é chamado erroneamente de “quimono ”, GI

quer dizer vestimenta, portanto, dogi significa a vestimenta para a prática do caminho.
Ele deve está sempre limpo e, preferencialmente, sem nenhum detalhe especial que o di-
ferencie dos demais, exceto pelo distintivo da academia. O dogi usado para praticar kara-
te é o karate-gi.

3
QUIMONO – Tipo de vestimenta usada pelos japoneses.
2.6. O OBI

O Obi é um cinturão ou faixa que serve para manter o dogi fechado, embora o
seu significado seja bem maior que um mero cinto. Como o karate gi, o obi tem um signi-
ficado simbólico. Esse aspecto simbólico são as cores. Tradicionalmente, quando alguém
começa a praticar karate, recebe a faixa branca. Após anos de treinamento, a faixa tende a
escurecer assumindo uma coloração marrom. Se continuar praticando, ela vai se tornando
preta. A faixa preta significa que a pessoa esteve treinando karate por muitos anos.

Quando o karateca realmente se dedica ao karate, sua faixa, após a preta, co-
meça a ficar branca novamente, depois de muitos anos. Assim se completa o ciclo (con-
forme ditado Zen, citado anteriormente). A seguir o significado das cores do Obi:

Y BRANCO – é a cor da inocência. Indica quem tem a mente e o espírito “vazios”,


alguém que é leigo nos aspectos espirituais do karate. Também indica
que esse praticante ainda não conhece bem as técnicas do karate;
Y MARROM – é a cor da terra, é a cor da solidificação. A faixa marrom indica
que o praticante já se tornou competente, que sua mente é fértil e que
seu espírito está firme.
Y PRETO – é a fusão de todas as cores. Ela indica quem passou por todos os de-
safios e dificuldades necessárias para superar os obstáculos encontra-
dos nos primeiros anos de karate. Preto é a cor da noite. Ela mostra
que o primeiro “dia” que começou com a faixa branca, acabou e que
agora realmente começa a jornada de um karateca em busca do seu a-
prendizado interior.

2.7. BASES FILOSÓFICAS

2.7.1. O DOJO KUN

O Dojo Kun é a ética do dojo. São cinco lemas (kun) que têm sido passados
desde os tempos mais remotos até o presente e são atribuídos ao mestre Sakugawa (sécu-
lo XVIII). O propósito do dojo kun é dar justificação ética para os praticantes de karate e
guiar as crianças para a prática correta do karate.
Y Esforçar-se para formação do caráter.
Y Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.
Y Criar um intuito de esforço.
Y Respeito acima de tudo.
Y Conter o espírito de agressão.

2.7.2. O NIJU KUN

O Niju Kun é a síntese do pensamento de Funakoshi sobre como deve ser o


espírito do praticante de karate. São vinte preceitos cujo propósito é dar subsídios à cerca
da prática cotidiana do karate, servindo também como um guia para o autoconhecimento.

Y O karate começa e termina com saudação (rei);


Y No karate não existe atitude ofensiva;
Y O karate é um assistente da justiça;
Y Antes de julgar os demais, procure conhecer a si mesmo;
Y O espírito é mais importante do que a técnica
Y Evitar o descontrole do equilíbrio mental
Y Os infortúnios são causados pela negligência;
Y O karate não deve se restringir ao dojo;
Y O aprendizado do karate deve ser perseguido durante toda a vida
Y O karate dará frutos quando associado à vida cotidiana;
Y O karate é como água quente. Se não receber calor constantemente esfria;
Y Não alimentar a idéia de vencer, pense em não ser vencido;
Y Adaptar sua atitude conforme for o adversário;
Y A luta depende do manejo dos pontos fracos (kyo) e fortes (jitsu);
Y Imagine que os membros dos adversários são como espadas;
Y Para o homem que sai do seu portão, há milhões de adversários;
Y No início seus movimentos são artificiais, mas com a evolução tornam-se na-
turais;
Y A prática de fundamentos deve ser correta, porém sua aplicação é diferente;
Y Não esqueça de aplicar: (1) alta e baixa intensidade de força, (2) expansão e
contração corporal e (3) técnicas lentas e rápidas;
Y Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.
HENSHIN KARATE DOJO A
RESPIRAÇÃO

Capítulo 3 – A Respiração
“Aprender é descobrir aquilo que você
já sabe. Fazer é demonstrar que você o
sabe”.
RICHARD BACH

3.1. INTRODUÇÃO

Diz a literatura esotérica que, o universo tem um ritmo próprio, forjado em


ciclos de opostos, yin – yang, sol – lua, homem – mulher, dia – noite, inverno – verão,
tique – taque (do coração), inspiração – expiração. Os ensinamentos também se referem a
um tempo mais lento, para alcançar equilíbrio interior.

Na prática não oculta, não esotérica, podemos confirmar que um atleta bem
preparado fisicamente tem sua pulsação cardíaca bem abaixo da população normal. En-
quanto se aceita que uma pessoa que não pratique exercícios regularmente tenha 80 bati-
mentos cardíacos por minuto (em repouso), um atleta em repouso, às vezes, não precisa
ter mais do que 60 para sentir-se bem, satisfazendo-se até com menos. O mesmo aparece
em relação às necessidades de respiração. O número de incursões (inspiração – expira-
ção) que um atleta necessita, é bem menor do que o de um executivo, por exemplo.
Quanto melhor preparado estiver, menos precisará aumentar seu ritmo respiratório, além
do que, disporá de uma reserva para quando uma ação ou adversário exigir.

O controle respiratório não é importante apenas para a prática de esportes. Ele


pode fazer parte de todo um conjunto de atitudes que denotem uma maior harmonia pes-
soal. Percebam que, quando estamos irados, totalmente descontrolados, temos uma acele-
ração, tanto da ventilação quanto do ritmo cardíaco, respiramos mais rápido e temos ta-
quicardia; quando tendemos a nos acalmar, estes ritmos também tenderão a se normali-
zar; quando recebemos um susto, o mesmo acontece e tendemos à aceleração. Assim, a
perda brusca ou continuada de nosso equilíbrio mental e emocional, nos leva a alterar
nossos ritmos, tendendo para uma repetição cíclica rápida.

Numerosas práticas orientais têm suas bases estabelecidas sobre o ato de bem
respirar. Como exemplo, poderíamos citar o Yoga (talvez a mais conhecida entre nós), o
Tai Chi Chuan e o Shikun. Em várias artes marciais como, o Karate e o Aikido, a respira-
ção sob controle é requisito básico, mesmo para um faixa branca. Observando-se o kata
executado por um perito, se percebe a harmonia entre os movimentos do corpo e a sua
respiração.

3.2. PROCESSO DE RESPIRAÇÃO

A respiração é o mecanismo mediante o qual o nosso corpo apreende do ar o


oxigênio necessário para realizar as combustões metabólicas no funcionamento dos di-
versos tecidos, servindo também para eliminar determinados produtos, especialmente gás
carbônico.

Do perfeito funcionamento e da correta mecânica deste processo vital depen-


derão o maior ou menor rendimento do indivíduo, que será mais perceptível quanto maior
forem as necessidades orgânicas a que se submete o organismo. Portanto, quer na prática
desportiva quer no cotidiano é de capital importância que o indivíduo conheça e realize
corretamente todas as ações do mecanismo, permitindo-lhe conseguir um máximo rendi-
mento.

Pode-se diferenciar, dentro do ato da respiração, uma fase inicial na qual se


introduz ar através das vias superiores até o pulmão (inspiração) e outra de saída do dito
ar uma vez utilizado (expiração). Esta ação mecânica se complementa com uma dupla
fase químico-metabólica de intercâmbio gasoso, uma ao nível do alvéolo pulmonar onde
as hematitas do sangue recebem oxigênio em troca de gás carbônico e a outra nos tecidos,
que fazem o processo inverso.

3.3. FORMAS DE RESPIRAÇÃO

Existem duas maneiras (naturais) de se colocar ar dentro dos pulmões:

Y Respiração torácica (barriga para dentro e peito para fora);


Y Respiração abdominal (uso do diafragma).

Observe uma criança pequena dormindo. Veja como sua barriquinha sobe e
desce, numa calma de fazer inveja. Essa é a respiração diafragmática ou abdominal. Ago-
ra se lembre dessa mesma criança chorando ou assustada. Essa é a respiração torácica.
Quando você enche o peito de ar, encolhendo a barriga, está usando apenas a
musculatura do tórax. Esse é o tipo de respiração de quem está fazendo um exercício físi-
co intenso ou está sob pressão. Nesse último caso, ocorre uma superficialização dos mo-
vimentos, entrando menos ar, mas com um grande número de inspirações e expirações. O
resultado é acúmulo de ar viciado, pobre em oxigênio, além de tensão muscular. Já a res-
piração diafragmática ocorre em situações de calma e, muito importante, é capaz de di-
minuir a reação de alarme. O diafragma é o músculo que separa o abdômen do tórax e
pode ser controlado com um mínimo de atenção.

3.4. PRATICANDO A RESPIRAÇÃO

Num local calmo, em casa, passe a provocar a respiração diafragmática, da


seguinte maneira: deitado, coloque uma mão na barriga, logo acima do umbigo, e a outra
no peito. Inale muito lentamente, procurando fazer de sua barriga um balão expandindo-
se. A mão da barriga deve subir e a mão do tórax deve se mexer muito pouco. Respire
com muita calma, de maneira regular e suave, expire muito lentamente, mais ou menos
na mesma velocidade que inspirou. Deixe sair todo o ar e se possível, fique de um a dois
segundos parado antes de começar um novo ciclo.

Se pensamentos começarem a interromper sua concentração, você poderá


contar o tempo que está passando, como mil, dois mil, três mil, etc. sendo que cada um
desses números contado mentalmente equivale a aproximadamente um segundo. Outra
maneira é desenhar também na mente um círculo que se completa a cada ciclo de respira-
ção, imaginando metade na inspiração e metade na expiração. É possível que suas primei-
ras experiências o deixem com alguma tontura. Não force o organismo, este não é um
desafio e muito menos uma competição, vá devagar e procure se adaptar aos poucos.

Quando estiver dominando a técnica você conseguirá desencadear a respira-


ção abdominal quando precisar. Passe a empregá-la em situações de tensão. Pode ser no
meio de uma aula (ninguém vai notar), meio minuto antes de fazer àquela prova impor-
tante, no meio do trânsito (dentro do ônibus). Essa prática é facílima e sem querer você
não apenas irá melhorar sua concentração, mas também já começa a monitorar as situa-
ções que o deixam mais tenso.
A freqüência e o ritmo da respiração são regulados pela estimulação do centro
respiratório, aonde chegam mensagens por meio da distensão dos alvéolos pulmonares ou
sob a resultante do aumento de concentração de gás carbônico no sangue.

Quanto maior for o trabalho muscular, maior será a produção de gás carbôni-
co e maior o ritmo respiratório. A freqüência respiratória está situada em um adulto, em
condições de repouso, por volta de 15 ciclos por minuto e variará com a idade (40 no re-
cém-nascido, de 8 a 10 em pessoas treinadas, etc.).

O ritmo normal recebe o nome de eupneico (se acelerar torna-se taquipneico,


e se diminuir passa para bradipneico). A quantidade de ar que se mobiliza no interior dos
pulmões em respiração normal nunca é o total da sua capacidade, dado que sempre ficará
o chamado "ar residual", daí a necessidade de se procurar esvaziar e preencher os pul-
mões totalmente durante os exercícios respiratórios.

3.5. RESPIRAÇÃO NA CONCENTRAÇÃO MENTAL

Tendo como base uma forma treinada de controle voluntário e consciente da


respiração, é possível conseguir um alto grau de concentração e isolamento mental. O
que, partindo de um estado de repouso físico, nos possibilita aprender a "ouvir e a ver por
dentro o nosso próprio corpo" e ao mesmo tempo em que nos familiarizamos com o seu
funcionamento.

Em grande medida, as mais avançadas formas de concentração mental aplica-


das ao treinamento desportivo empregam, em fases iniciais, diversas técnicas de respira-
ção abdominal combinada com auto-regulação de outros processos fisiológicos de capaci-
tação mental. Nas artes marciais, tais procedimentos metódicos podem ajudar a conseguir
um melhor conhecimento da nossa interioridade corporal, ou seja, conseguem-se uma
disposição maior para maximizar as capacidades mentais de concentração, relaxação, i-
maginação, equilíbrio, e tantos outros.

Além disso, o adequado controle da respiração proporciona ao indivíduo um


aumento da capacidade vital, com uma melhor oxigenação celular com menos esforço,
logo um ritmo cardíaco muito menor com igualdade de esforço, com maior resistência à
fadiga e um mais rápido e melhor tempo de recuperação.
HENSHIN KARATE DOJO ENERGIA

Capítulo 4 – Energia
“O que se educa não é uma alma nem
um corpo... é um homem”.
MONTAIGNE

4.1. INTRODUÇÃO

No oriente fala-se de um tipo de energia que está presente em tudo à nossa


volta, ela influencia desde o mais simples ser ou coisa até os planetas. Tal força, que é
relacionada à essência do universo, envolve todas as entidades que nele existem e dá vi-
da, pois ela não fica estagnada em um lugar específico, mas se movimenta e como um rio
sempre é renovado. Ela possui muitos nomes:

➢ CH’I – China;
➢ KI – Japão;
➢ PRANA – Índia.

4.2. ENERGIA INTERIOR

Qualquer um pode entrar numa academia e aprender a dar socos e chutes ou


pegar uma espada e dar cortes com ela, mas o difícil é a parte mental e espiritual que está
relacionada com a concentração de energia, porque na verdade o karate trabalha muito
com a parte interna e se a pessoa não estiver bem espiritualmente não conseguirá realizar
as técnicas com perfeição.

Embora o conceito de energia interior seja realmente indefinível como tudo


que rodeia a doutrina Zen, a existência universal de uma manifestação vital de energia foi
tema presente em todas as civilizações. E esta imagem talvez seja a que melhor se adapta,
podendo assim considerá-la sob a forma de "impulso vital universal".

Ante isto, os cartesianos raciocínios ocidentais, que raramente se conformam


com não definir, etiquetar ou comparar qualquer ato ou circunstância, ao confirmar a e-
xistência do fato trataram de analisá-lo, unindo na explicação atuações físicas, psíquicas,
bioquímicas e inclusive astrais, que conformam uma complexa cadeia, após a qual pre-
tende esclarecer essa especial "ânsia de viver", esse "impulso vital" que em circunstâncias
insólitas ou extremas aparece sem raciocínio científico válido.

O treinamento marcial tem por base o desenvolvimento interior através do ex-


terior (físico) e após este acontecer, o processo inverso tem início, isto é, o exterior se
desenvolve e expressa o interior. A expressão verbal da energia interior é conhecida co-
mo Kiai.

4.2.1. KIAI

O kiai ou “grito de força” – KI: força e AI: grito – é uma energia que nasce a
partir do baixo ventre (saika tanden – aproximadamente cinco centímetros abaixo do um-
bigo). Todos têm um grito de força, principalmente os grandes felinos. Geralmente, esses
animais paralisam suas presas com o seu kiai antes de atacá-las. O kiai pode ser aplicado
em três momentos:

➢ No início de uma atividade;


➢ Durante a realização desta tarefa;
➢ Final de um trabalho.

Os gritos de guerra servem para aumentar, acelerar e expor a força de ação do


homem. Portanto, podem ser aplicados contra incêndios, vendavais e as fortes ondas ma-
rítimas para criar coragem e energia para enfrentá-los.

Na luta individual, para colocar o adversário em movimento, o grito antecipa


seus golpes e, em seguida, pode se aplicar chutes e socos. Não é necessário utilizar o gri-
to simultaneamente com seus golpes. No decorrer da luta, ele servirá para incentivar e
colocar numa situação vantajosa, sendo forte e profundo.

Tomar precaução ao gritar, pois se o grito for usado fora de ritmo ou de tem-
po ou em ocasiões impróprias poderá surgir como contra-efeito, tornando-se prejudicial.

No Japão há a prática do Kiai Do – caminho do grito da força – onde o prati-


cante chega a ter medo do próprio grito.
4.3. ENERGIA EXTERIOR

Enquanto o kiai é a verbalização da energia interior, o Kime é a expressão fí-


sica (corporal) dessa fonte vital que num momento aflora do ser com pausada força irre-
freável ou com extraordinária violência.

A modo de exemplo comparativo poderíamos utilizar a energia vulcânica que


se manifesta quer através de manso rio de lava quer de violenta erupção, é em ambos ca-
so incontrolável.

No exercício das artes marciais e do karate em particular o termo kime, sinô-


nimo dessa erupção violenta, é utilizado para indicar a realização total e plena de uma
ação efetiva, com a que se trata de conseguir num dado momento uma execução técnica
na qual a união de concentração e poder transbordam ao adversário. Para isso é necessá-
rio canalizar toda a energia, tanto física como mental, anulando a ação consciente dos
sentidos e do ambiente habitual, inibindo a afirmação do "eu" interno, e partindo para o
caminho do "não pensar" libertando a energia vital própria, mas concentrando-a num
momento dado de acordo com a atuação física.

4.4. ATITUDE MENTAL

Entende-se atitude mental como o estado de consciência que apresenta um ser


inteligente diante de qualquer situação concreta, podendo ser favorável ou contrária ou de
indiferença. Portanto, o indivíduo adotará ações de resposta direcionais que vão determi-
nar a sua linha de conduta perante os diferentes estímulos.

No exercício das artes marciais é fundamental, para compreender as diferen-


tes atitudes mentais que ocorrem, realizar uma espécie de divisão prévia das motivações
que provocam reações adversas e fora do normal em cada indivíduo. Isto posta, o treina-
mento marcial pode ser direcionado para o desenvolvimento de atitudes mentais que be-
neficiem o praticante quando se deparar com situações, cotidianas ou não, que possam
colocá-lo na defensiva ou sem ação.

O karate procura lapidar o espírito de seus praticantes através das agruras so-
fridas pelo corpo durante os rigores de seu treinamento.
HENSHIN KARATE DOJO AS ARMAS NO
KARATE

Capítulo 5 – As Armas no Karate


“Quem se apega à vida morre. Quem
desafia a morte sobrevive”.
UYESUGI KENSHIN

5.1. INTRODUÇÃO

Como dito anteriormente, a proibição do porte de armas na ilha de Okinawa


possibilitou aos ilhéus o desenvolvimento de sistemas de defesa sem armas (karate) e si-
multaneamente a utilização de ferramentas de trabalho usuais como armas de ocasião
(kobudo).

Alguns estilos de karate ainda hoje utilizam tais armas em seus treinamentos
e outros não usam. O estilo Shotokan (atribuído a Funakoshi Sensei) não faz uso de ar-
mas como parte de seu treinamento.

Apesar do estilo praticado no Cefet Karate Clube (Henshin Dojo) ser o Sho-
tokan, é de entendimento comum que as armas podem servir de auxiliar no desenvolvi-
mento de habilidades específicas de forma não convencional (noção de espaço e distância
efetiva do companheiro) e em menor tempo de treinamento e favorecendo a lapidação do
espírito marcial de seus praticantes mesmo em um meio influenciado fortemente pela
competição.

5.2. ARMAS ARTIFICIAIS

Y Bo;
Y Jo;
Y Nunchaku;
Y Kama;
Y Tonfa;
Y Sai.
5.2.1. BO

Um pedaço de madeira que era carregado sobre os ombros para transportar


baldes de água. O modelo mais popular mede 1,82 m de comprimento e tem 31,75 mm de
espessura. Os kata mais comuns com o bo são:

Y Shushi No Kon;
Y Choun No Kon;
Y Sakugawa No Kon;
Y Tsuken No Kon;
Y Shishi No Kon.

5.2.2. JO

Bastão tradicional japonês com 1,20 m de comprimento. Pode ser manuseado


como katana (espada japonesa), haja uma arte japonesa separada chamada jojutsu. O de-
senvolvimento do jo, segundo a lenda, se deve a Muso Gonosuke que enfrentou Miyamo-
to Musashi em combate por duas vezes.

No primeiro duelo, Gonosuke, que utilizava um bo, perdeu e se refugiou na


floresta com vergonha pela derrota e de ter sua vida poupada e durante esse período teve
a visão, durante um sonho, das mudanças que deveria implementar na sua arma. No se-
gundo combate, que foi presenciado pela mãe de Gonosuke, Musashi estava por vencer
quando a mãe de Gonosuke deu um grito e este desferiu um golpe novo e totalmente ins-
tintivo e então Musashi falou que a luta havia terminado e que Muso vencera.
5.2.3. NUNCHAKU

Era uma ferramenta usada para bater grãos de arroz. No sistema Matayoshi os
tipos mais comuns de nunchaku são o octogonal (hakkakukei) e o arredondado (maruga-
ta). Suas hastes de madeira de igual tamanho são conectadas por um pedaço de corda ou
corrente.

5.2.4. KAMA

Era usado para cortar o arroz. O kama pode ser empregado para rasgar, cortar
lateralmente, espetar, perfurar e desviar ataques de outras armas.

5.2.5. TONFA

Um implemento de madeira que era utilizado para girar o moinho de arroz e


que teve um importante papel na história dos combates com armas derivadas pelo uso
efetivo.
5.2.6. SAI

É uma tonfa com três pontas de metal. É utilizada com duas ou três pontas pa-
ra interceder um ataque do oponente e usando lâminas menores, que causam cortes e um
ataque perfurante. Apesar de sua exata origem ser obscura, tem semelhança com um ins-
trumento utilizado na China, e acredita-se que tenha se derivado de um instrumento agrí-
cola usado para cavar buracos na terra para plantação de sementes. Um terceiro sai era
levado nas costas em um cinto (obi) para reposição do que era atirado.

5.3. ARMAS NATURAIS

Muitas partes do corpo podem ser usadas como armas nas artes marciais e
particularmente no karate. As mãos, os cotovelos, os pés e os joelhos são as partes mais
utilizadas e se tornam armas eficientes e potentes quando combinadas com outras e refor-
çadas com exercícios apropriados. Há duas maneiras de usar a mão (1) aberta (kaisho) e
(2) fechada (ken). As principais partes do corpo usadas como armas no karate são listadas
a seguir:

Y Shuto;
Y Seiryuto;
Y Haishu;
Y Nukite;
Y Seiken;
Y Uraken;
Y Tetsui;
Y Koshi;
Y Kakato;
Y Haisoku;
Y Sokuto.
5.3.1. SHUTO (MÃO EM ESPADA)

Quando a mão aberta é usada como arma é necessário pressionar os juntos


uns contra os outros, dobrando a articulação do polegar e pressioná-lo contra a parte late-
ral da mão. O pulso e o dorso da mão devem formar uma linha reta com o antebraço para
que a energia corporal possa fluir naturalmente em direção aos dedos.

No shuto, a energia deve chegar aos dedos, forçando-os para deixá-los resis-
tentes e em tensão. Isto é necessário para que o dedo mínimo não sofre danos desnecessá-
rios quando da utilização de golpes com o shuto.

Usar a borda da mão como uma faca ou uma espada para golpear os braços
ou as pernas do oponente que ataca, sendo também usada para desferir golpes contra a
têmpora, a parte lateral do pescoço ou as costelas flutuantes. Este tipo de golpe deve ser
desferido com muita intensidade e velocidade.

5.3.2. SEIRYUTO (BASE DA MÃO EM ESPADA)

Uma variação do shuto é o seiryuto e a diferença básica entre eles está na po-
sição da mão, isto é, flexionando o pulso de modo que a borda externa da mão e a sua
extensão formem uma curva, como na figura acima.

Usado para atacar o rosto ou a clavícula e, em alguns casos, para dar apoio ao
corpo quando de uma queda.
5.3.3. HAISHU (DORSO DA MÃO)

O haishu é utilizado principalmente para defender um golpe de mão. Porém


um haishu aplicado no plexo solar ou na parte lateral do tronco também pode ser bastante
eficiente.

5.3.4. NUKITE (MÃO EM LANÇA)

No nukite a ponta dos três primeiros dedos forma uma superfície bastante
plana com uma leve curvatura do dedo médio. As pontas dos dedos são usadas para gol-
pear o plexo, o ponto central entre os olhos, a axila e outras partes sensíveis.

Quando o nukite é formado com a ponto dos dedos indicador e médio esta-
mos fazendo o chamado nihon nukite (mão em lança a dois dedos). Quando usamos ape-
nas o dedo indicador para golpear e os outros ficam dobrados dando-lhe apoio, temo o
ippon nukite (mão em lança a um dedo).

5.3.5. SEIKEN (FRENTE DO PUNHO)

O seiken é à parte do punho situado entre o nó do dedo médio e o nó do indi-


cador. No momento do impacto toda a energia do corpo deve passar por uma linha direta
através do braço, alcançando o punho e passando para o alvo. A energia necessária para
tal movimento nasce no saika tanden e dela emana para todo o corpo.
5.3.6. URAKEN (DORSO DO PUNHO)

No uraken a mão é fechada como no seiken, porém a área usada para tocar o
alvo é o dorso da mão (costas), como mostra a figura acima, com particular tensão nos
nós dos dedos indicador e médio.

O uraken deve ser aplicado com um movimento decisivo e chicoteado do an-


tebraço e deve ser usado para atacar áreas como o rosto e as partes laterais do tronco do
oponente.

5.3.7. TETSUI (PUNHO MARTELO)

O tetsui é também chamado de kentsui (martelo do punho), sendo formado do


mesmo modo que no seiken, porém a parte que entra em contato com o alvo é a inferior
próxima do dedo mínimo. Como no uraken, deve se aproveitar à força decisiva para gol-
pear.

5.3.8. KOSHI (PLANTA DO PÉ)

No karate a energia dos chutes é concentrada na ponta do pé (koshi), que é


formado curvando-se os dedos para cima, chicoteando a perna para o alto ou empurrando
para frente. Desta forma os golpes podem ser desferidos no rosto, no peito e até na virilha
do oponente.
5.3.9. KAKATO (CALCANHAR)

O calcanhar (kakato) é usado para dar golpes tanto para trás como para frente
de forma circular. É uma arma extremamente eficiente contra um oponente que tente lhe
agarrar por trás ou pelo lado.

5.3.10. HAISOKU (PEITO DO PÉ)

Para executar golpes usando haisoku deve-se esticar o pé para baixo com os
dedos apontando para o chão. Usa-se esta arma nos golpes diretos chicoteando a perna na
direção da virilha ou na direção do rosto de forma circular ou ainda no peito e costas do
oponente.

5.3.11. SOKUTO (FACA DO PÉ)

No sokuto a borda do pé do lado do dedo mínimo serve como área de contato


com o oponente quer seja um golpe chicoteado quer empurrando. O sokuto é usado nos
chutes laterais.
HENSHIN KARATE DOJO TÉCNICAS DO KARATE

Capítulo 6 – Técnicas do Karate


“A árvore de raiz mais profunda con-
segue estender seus galhos para mais
longe”.
SAINT-EXUPÉRY

6.1. INTRODUÇÃO

O karate tem uma quantidade muito grande de técnicas e não é o objetivo des-
te trabalho apresentar todas, apresentaremos as mais usuais desde suas bases até as técni-
cas de chute.

A apresentação constará do nome técnico, de um desenho de sua forma e de


uma breve descrição.

O ponto fundamental do aprendizado do karate é a postura. Nenhuma técnica


de ataque ou de defesa será eficiente se não tiver uma boa base.

A postura no karate é formada pela parte do corpo que vai dos quadris para
baixo, e que deve fornecer uma base sólida à parte superior. As costas devem estar eretas
e perpendiculares ao solo, garantindo o equilíbrio e a estabilidade. As técnicas assim se-
rão aplicadas com potência, velocidade, precisão e eficiência.
6.2. BASES
NOME FORMA DESCRIÇÃO
Manter os pés paralelos e em
conta- to. Os joelhos ficam
eretos, mas re- laxados.
HEISOKU DACHI

Esta posição é parecida com


heisoku dachi, só que com os pés
apontando para fora com os
MUSUBI DACHI calcanhares unidos em e formando
o
um ângulo de 60 .

Manter os pés paralelos, apontados


para frente e separados a uma
distân- cia equivalente a largura
HEIKO DACHI dos quadris. Pode-se dizer que o
heisoku dachi com os pés
separados.

A distância frontal dos pés é de


duas tíbias e a largura pode ser a
do qua- dril ou de uma tíbia.
ZENKUTSO DACHI A perna da frente deve ser
(BASEAVANÇADA) flexiona- da, deslocando o peso
para frente.
Os pés devem estar bem
plantados no chão e os tornozelos
bem fecha-
Manter dos.paralelos, em linha
os pés
e a uma distância de duas tíbias.
Empurrar os glúteos para frente,
KIBA
DACHI im- pedindo que fiquem para fora.
(BASE DO CAVALEIRO) Abaixar os quadris, flexionando
os tornozelos e joelhos.

A distância frontal dos pés é de


duas tíbias, porém alinhados e os
calca- nhares formam um ângulo
KOKUTSO DACHI
de 90º.
(BASE
RECUADA)
O peso deve ser concentrado
sobre a
perna de
trás.
6.3. UKE WAZA
NOME DEFESA DESCRIÇÃO
Levar o punho para próximo da
ore- lha oposta e baixe-a esticando
o Bra- ço e com o dorso dirigido
GEDAN BARAI para fren- te.
(DEFESA BAIXA Desvie o ataque do oponente late-
VARRENDO) ralmente, batendo com a área
inferior do pulso.
O movimento termina com o
punho acima do joelho da perna da
frente.
Levantar lateralmente o braço
man- tendo a mão fechada e
próxima da orelha.
CHUDAN SOTO UKE Com o cotovelo dobrado a 90º,
(DEFESA MÉDIA PARA levar o braço para baixo e para
DEN- TRO) frente de encontro ao ataque
dirigido ao seu peito.
No impacto, mantenha o punho
vol-
tado posição
Da para de opartida, levar o
braço que serve para bloquear
para cima e para frente,
concluindo o movimento com o
JODAN AGE UKE
antebraço na frente da testa e
distante desta de um punho.
(DEFESA ALTA) O braço descreve uma curva e o
que
se retira passa na frente do nariz.
Os braços se cruzam e formam
Colocar o braço dobrado em um
ân- gulo de 90º e embaixo do
outro, que se mantém esticão.
CHUDAN UCHI UKE
Puxar o braço esticado para o
quadril
(DEFESA MÉDIA PARA e lançar o outro para fora e para
FORA)
fren- te.
O movimento termina idêntico
ao chudan soto uke.
Posicionar a mão aberta próxima à
orelha do lado oposto ao braço e
CHUDAN SHUTO UKE com o dorso voltado para fora.
A defesa se realiza com a faca
(DEFESA MÉDIA COM da
FACA DA MÃO) mão sobre o antebraço do
agressor.
6.4. ATEMI WAZA
NOME ATEMI DESCRIÇÃO
Oi zuki é o soco desferido ao final
de um longo passo p/ frente.
Neste movimento o centro de
OI ZUKI gravi-
(SOCO AVANÇANDO) dade recebe um grande
deslocamento e a velocidade do
corpo para frente dá uma força
adicional ao golpe.
O braço que desfere o golpe sai
da
cintura
O e se projeta
movimento à frenteaoe oi
é semelhante o
zuki, diferindo apenas no fato de
que o braço usado é do contrário
GYAKU ao da perna que avança.
ZUKI Outra diferença está no uso da
(SOCO CONTRÁRIO) rota- ção dos quadris.

No soco à martelada, a parte que


toca o alvo é a base da mão
fechada do lado do dedo mínimo.
TETSUI É usado principalmente para
(SOCO À MARTELADA) golpear o rosto, o plexo e as
partes laterais do tronco.
O tetsui pode ser utilizado tanto
no plano vertical como no
horizontal.
Tendo o cotovelo como centro da
circunferência, cujo raio é o braço,
aplique o shuto como um golpe
SHUTO chi- coteado num círculo de 180º.
UCHI Este golpe é direcionado as têmpo-
(GOLPE À FACA DA MÃO) ras, a parte lateral do pescoço.
O shuto uchi pode ser aplicado
tanto
da direita para esquerdo quanto no
sentido inverso (mesma mão) ou
ainda na vertical.
6.5. GERI WAZA
NOME GERI DESCRIÇÃO
Levantar o joelho, mantendo a
planta do pé paralela ao chão e
puxar o cal- canhar para trás.
MAE Apontar o joelho e o pé na
GERI mesma
(CHUTE FRONTAL) direç
ão.
Estirar a perna, tendo por centro o
joelho.
Bater no alvo com a ponta do pé
(ko- shi). oPuxar
Levantar joelhoa na
perna assim
altura do
abdô- men, trazendo o pé
lateralmente aos quadris.
MAWASHI GERI Manter a coxa e a perna paralelas
(CHUTE ao
CIRCULAR) solo.
O calcanhar quase toca no glúteo.
Girar o corpo sobre a perna de
apoio e estirar a perna para tocar o
alvo. Usar os quadris como
elemento
O processodede propulsão
levantar de energia.o
e dobrar
joelho no chute lateral é quase
idên- tico ao do chute frontal.
Jogar os quadris lateralmente e a
YOKO GERI
partir daí esticar a perna.
(CHUTE Tocar o alvo com a faca do pé
LATERAL)
(soku- to).
A posição do joelho irá determinar
se o chute será alto ou baixo.

O processo de levantar e dobrar o


joelho no chute para trás é
idêntico ao do chute frontal.
USHIRO GERI O golpe é desferido com o
(CHUTE PARA TRÁS) calcanhar
(kakato) e pode ser direcionado a
qualquer parte do corpo.
O golpe pode ser dado para frente,
bastando apenas girar o corpo e
exe- cutá-lo com precisão.
HENSHIN KARATE DOJO TREINAMENTO

Capítulo 7 – Treinamento
“Não temas o progresso lento, receais
apenas ficar parado”.
PROVÉRBIO CHINÊS

7.1. INTRODUÇÃO

A agressividade é a matéria-prima do ser humano, e do homem, mas não a


violência. Temos a violência quando não conseguimos aprofundar a agressividade, quan-
do superficializamos a agressividade, então temos situações de violência. Porém a agres-
sividade é importante em tudo que fazemos, em qualquer ação profissional ou humana é
importante à agressividade, ou seja, se não tivermos um mínimo de agressividade ou
controle adequado não conseguiríamos sobreviver na sociedade.

A agressividade deve ser trabalhada no sentido de proporcionar um caminhar


do ser humano no principal objetivo da arte marcial que é proporcionar o desenvolvi-
mento e aperfeiçoamento do espírito humano.

7.2. KIHON

Os fundamentos técnicos do karate são passados aos alunos através dos trei-
namentos de kihon, porém, no início, tais princípios eram repassados por intermédio dos
kata.

É no kihon que o praticante irá desenvolver todo o seu potencial para a arte
marcial, bem como preparar o seu corpo para as agruras que virão com o passar dos anos
de treino.

É também no kihon que o praticante desenvolve o espírito de karateca, pois


este é o momento onde os princípios do dojo kun são postos à prova real e o corpo irá
padecer caso o espírito seja fraco ou o desejo de ser karateca não seja verdadeiro. O ca-
minho do karate é vislumbrado pela primeira vez durante os exercícios de kihon e o sen-
timento de dever cumprimento se manifesta com maior intensidade, mesmo quando o
corpo está exausto e quase sem forças para andar.
7.3. KATA
O kata ou forma no karate é um conjunto de golpes realizados numa seqüên-
cia previamente definida e que durante anos foi à única maneira de se praticar karate.
Cada kata tem uma especificidade e se destina a desenvolver determinadas habilidades.

7.3.1. ESTILO SHOTOKAN


Y HEIAN

SHODAN; Y
HEIAN NIDAN; Y
HEIAN SANDAN; Y
HEIAN YONDAN; Y
HEIAN GODAN. Y
TEKKI SHODAN; Y
TEKKI NIDAN; Y
TEKKI SANDAN; Y
BASSAI DAI.

Y BASSAI SHO;

Y KANKU DAI;

Y KANKU SHO;

Y JION;

Y JITTE;

Y JIIN;

Y HANGETSU;

Y GANKAKU;

Y ENPI;

Y GOJUSHIHO SHO;

Y GOJUSHIHO DAI;

Y NIJUSHIHO;

Y UNSU;

Y SOCHIN;

Y CHINTE;

Y MEIKYO;

Y WANKAN.
7.4. KUMITE

No karate existem diferentes formas de se fazer combate – kumite significa


combate de mãos – e todas têm sua importância no desenvolvimento do karateca.

7.4.1. GOHON KUMITE

Combate a cinco passos tem por objetivo fortalecer o vigor dos praticantes
através de seqüências de ataca e defesa. O gohon kumite deve ser praticado a exaustão,
procurando realizar cada movimento com a maior precisão e fidelidade possível.

7.4.2. SANBON KUMITE

Combate a três passos, tendo por objetivo aumentar a agilidade de quem ata-
ca e de quem defende. Deve ser executado com a máxima intensidade e velocidade de
movimentos, pois só assim o controle necessário ao domínio das técnicas utilizadas po-
derá ser alcançado. O corpo deverá trabalhar como uma unidade que se desloca pela área
de combate.

7.4.3. IPPON KUMITE

Combate a um passo, tendo por objetivo criar no praticante a idéia de vencer


com um único golpe para isso é necessário o desenvolvimento de habilidades acessórias,
como observação, para análise das situações. A noção de espaço e tempo (maai em japo-
nês) torna-se fator preponderante, bem como o conhecimento real do próprio corpo e de
seus limites físicos e mentais.

7.4.4. JYU IPPON KUMITE

Combate semilivre a um único golpe, tendo por objetivo favorecer o desen-


volvimento de vivências corporais nas situações de luta real e assim preparar o corpo e a
mente para as mesmas.

7.4.5. JYU KUMITE

Combate livre, onde o praticante deve dispor de um bom repertório de gol-


pes, bem com ter táticas e estratégias que possam enfrentar um ou mais oponentes em
combate real. Esta forma de combate é a que mais se assemelha ao kata, pois é para esta
situação que nos preparamos arduamente.
7.5. TERMOS TÉCNICOS

TERMO SIGNIFICADO TERMOS SIGNIFICADO TERMOS SIGNIFICADO

AGE Levantar, erguer. HIDARI Esquerda KUTSU Postura


AGO Queixo JO Alto MAE À frente, diante.
ASHI Pé, perna. JUJI Cruz MAWASHI Circular
ATEMI Golpe sobre KOKAT Calcanhar MIGI Direita
ATE corpo
Golpe O
KAMAE Guarda MIKAZUK Crescente
BARAI Varrer, expulsar. KATA Ombro IMOROTE A duas mãos
CHU Médio KATA Forma NAGE Projetar
CHOKU Direto KEAGE Ascendente NUKITE Pique de mão
DACHI Base, posição. KEITO Exercício OBI Faixa
FUMIKOMI Esmagar o pé KEKOM Penetrante OSAE Manter, prender.
GE Baixo IKERI Golpe de pé OTOSHI Cair
GERI Golpe de pé KI Energia REI Saudação
GO Força KIHON Treino de base SABAKI Esquivar
GYAKU Contrário, KIRI Cortante SEN Iniciativa
HAISHU oposto.da mão
Dorso KOKOR Espírito SHIAI Combate com
HAISOKU Tornozelo O
KOTE Punho SHUTO juiz
Faca da mão
HAITO Sabre da mão KUBI Pescoço SOKUTO Faca do pé
HEIKO paralelo KUMITE Combate SOTO Exterior
TAI Corpo UCHI Interior WAZA Técnica
TATE Vertical UDE Antebraço YAMA Montanha
TE Mão URA Oposto YOI Preparado,
Saltar Oposto da mão pronto.
Lateral
TOBI URAKE YOKO
TSUI Martelo N
USHIRO Atrás ZEN Para frente
TSUKI Golpe de mão WAN Antebraço ZUKI Golpe de mão

Números

TERM SIGNIFICADO TERMO SIGNIFICAD


O O

ICHI Um ROKO Seis


NI Dois SHICH Sete
SAN Três IHACH Oito
SHI Quatro KU Nove
GO Cinco JU Dez
HENSHIN KARATE DOJO EXAMES E
GRADUAÇÕES

Capítulo 8 – Exames e Graduações


“Quando andar, apenas ande. Quando
sentar, apenas sente. Acima de tudo,
não vacile”.
MONGE UMON

8.1. INTRODUÇÃO

A evolução técnica do karateca é percebida pelo kyu ou nível e cada um é re-


presentado por uma cor de obi. O sistema de faixas (obi) adotado por Funakoshi foi uma
das muitas modificações feitas após encontro com Jigoro Kano (criador do judô), como
também adotou uma indumentária própria à prática o dogi.

A mudança de kyu é realizada em um ritual chamado “exame de faixa” e du-


rante o qual o praticante demonstra sua perícia técnica a uma banca de avaliadores, os
quais deverão analisar não apenas o conhecimento técnico do praticante, mas também sua
conduta como karateca além de sua capacidade intelectual. O grau de dificuldade dos e-
xames é proporcional ao kyu.

Atualmente, para evitar injustiças, foi estabelecida uma nota mínima (forma-
da pela média das notas dos avaliadores) que o praticante deve alcançar para fazer jus à
nova faixa e com ela advêm novas responsabilidades, pois a partir deste momento os er-
ros anteriores, considerados não graves, não poderão ser mais cometidos, além de uma
mudança de comportamento no sentido de servir como modelo para as futuras gerações
de karateca, incorporando os ideais do mestre Funakoshi.

8.2. GRADUAÇÕES

No karate existem sete faixas cada uma associada a uma cor representativa do
kyu. A faixa representa o amadurecimento e conhecimento individual de cada praticante,
e a função do professor é de guiá-lo nesta estrada, indicando os aspectos básicos de cada
etapa. As faixas no karate, em ordem, são:

➢ Branca – 7º kyu;
➢ Amarela – 6º kyu;
➢ Vermelha – 5º kyu;
➢ Laranja – 4º kyu;
➢ Verde – 3º kyu;
➢ Roxa – 2º kyu;
➢ Marrom – 1º kyu.

Há uma oitava faixa que indica o grau (dan) de conhecimento do praticante e


esta é a preta, a qual cresce com o passar dos anos indo do primeiro ao décimo (pós-
morte).

8.3. EXAMES

A seguir apresentamos as habilidades e competências mínimas que cada kara-


teca deve desenvolver para almejar a faixa seguinte. Lembramos ainda que tal conteúdo
não é uniformizado e que depende de cada academia ter ou não o seu próprio programa.

8.3.1. BRANCA PARA AMARELA

➢ Kihon (em zenkutso dachi).


Gedan barai;
Chudan soto uke;
Jodan age uke;
Chudan shuto uke;
Jodan oi zuki;
Chudan gyaku zuki;
Chudan tate tetsui uchi;
Gedan mae geri – kekomi;
Chudan mae geri – keage.
➢ Kata (até 10 anos com contagem).
Heian Shodan.
➢ Kumite.
Sanbon kumite (com contagem).
1. Jodan oi zuki – jodan age uke e chudan gyaku zuki;
2. Chudan oi zuki – chudan soto uke e chudan gyaku zuki;
3. Gedan mae geri – gedan barai e chudan gyaku zuki.
8.3.2. AMARELA PARA VERMELHA

➢ Kihon (zenkutso dachi).


Gedan barai com chudan gyaku zuki;
Chudan soto uke com chudan gyaku zuki;
Jodan age uke com chudan gyaku zuki;
Chudan uchi uke;
Chudan morote uke;
Gedan osae uke;
Ken haiwan uke (kokutsu dachi);
Chudan shuto uke (kokutsu dachi) com chudan tetsui uchi (zenkutsu dachi);
Sanbon zuki;
Chudan urazuki;
Jodan uraken uchi;
Chudan nukite;
Chudan mawashi geri – kekomi;
Jodan mawashi geri – keage;
Gedan yoko geri (kiba dachi) – kekomi;
Chudan yoko geri (kiba dachi) – keage.
➢ Kata (até 10 anos com contagem).
Heian Shodan – aplicação;
Heian Nidan – execução.
➢ Kumite.
Ippon kumite
1. Jodan oi zuki – jodan age uke e jodan uraken uchi;
2. Chudan oi zuki – chudan uchi uke e chudan urazuki;
3. Gedan yoko geri – gedan barai e gyaku zuki;
4. Jodan mawashi geri – jodan shuto uke e jodan nukite.
8.3.3. VERMELHA PARA LARANJA

➢ Kihon (zenkutso dachi).


Chudan uchi uke com chudan gyaku zuki;
Chudan morote uke (kokutsu dachi) com chudan uraken uchi (zenkutsu dachi);
Gedan osae uke (kokutsu dachi) com jodan tate shuto uchi (zenkutsu dachi);
Ken haiwan uke (kokutsu dachi) com jodan tetsui uchi (zenkutsu dachi);
Jodan age uke (kokutsu dachi) com urazuki (zenkutsu dachi);
Chudan soto uke com nukite;
Chudan tate shuto uke;
Sanbon zuki;
Gedan Fumikomi (kiba dachi);
Jodan mawashi geri;
Chudan mae geri;
Chudan yoko geri (kiba dachi).

➢ Kata (até 10 anos com contagem).


Heian Nidan – aplicação;
Heian Sandan – execução.

➢ Kumite.
Jiyu ippon kumite
1. Atemi waza;
2. Geri waza.
8.3.4. LARANJA PARA VERDE

➢ Kihon (zenkutso dachi).


Sho haiwan uke (kokutsu dachi);
Gedan juji uke;
Chudan kakiwaki uke;
Chudan tate shuto uke (kokutsu dachi) com chudan nukite (zenkutsu dachi);
Chudan mawashi empi uchi;
Jodan shuto uchi;
Sanbon zuki;
Chudan hiza geri;
Chudan mae geri com chudan oi zuki;
Jodan mawashi geri com jodan uraken uchi;
Chudan yoko geri chudan urazuki;
Gedan ushiro geri.

➢ Kata.
Heian Sandan – aplicação;
Heian Yondan – execução.

➢ Kumite.
Katatetore omote e ura
Shomen uchi ude garame omote e ura
Yokomen uchi omote/ ura shiho nage
Jiyu ippon kumite
Shiai kumite
8.3.5. VERDE PARA ROXA

➢ Kihon (zenkutso dachi).


Sho haiwan uke (kokutsu dachi) com ude garame e shuto uchi;
Gedan juji uke osae ashi shiho nage;
Jodan sho juji uke osae te koshi com tetsui;
Chudan kakiwaki uke com chudan hiza geri;
Chudan tate shuto uke com chudan mawashi empi uchi;
Chudan osae uke com jodan uraken uchi
Sanbon zuki;
Jodan shuto uchi;
Chudan kagi zuki;
Chudan mikazuki geri;
Chudan mae geri com chudan tate zuki;
Jodan mawashi geri com chudan ushiro geri;
Chudan yoko geri chudan uraken uchi;
Jodan uramawashi geri.

➢ Kata.
Heian Yondan – aplicação;
Heian Godan – execução.

➢ Kumite.
Katatetore omote e ura (dois oponentes);
Shomen uchi ude garame omote e ura (faca);
Yokomen uchi omote/ ura shiho nage (faca);
Shiai kumite;
Jiyu kumite.
8.3.6. ROXA PARA MARROM

➢ Kihon (zenkutso dachi).


Gedan barai com chudan gyaku zuki;
Chudan soto uke com chudan gyaku tate zuki;
Jodan age uke com chudan gyaku urazuki;
Chudan uchi uke com chudan gyaku kagi zuki;
Chudan morote uke (kokutsu dachi) com chudan uraken uchi (zenkutsu dachi);
Gedan osae uke (kokutsu dachi) com jodan tate shuto uchi (zenkutsu dachi);
Ken haiwan uke (kokutsu dachi) com jodan tetsui uchi (zenkutsu dachi);
Sho haiwan uke (kokutsu dachi) com ude garame e shuto uchi;
Gedan juji uke osae ashi shiho nage;
Jodan sho juji uke osae te koshi com tetsui;
Chudan kakiwaki uke com chudan hiza geri;
Chudan tate shuto uke com chudan mawashi empi uchi;
Chudan osae uke com jodan uraken uchi;
Jodan kizami zuki com chudan oi zuki;
Chudan mikazuki geri com chudan ushiro uramawashi geri;
Chudan mae geri com jodan mawashi geri;
Jodan mawashi geri com chudan yoko geri;
Nihon geri;
Ashi barai com otoshi kakato geri;
Mae tobi geri.

➢ Kata.
Heian Godan – aplicação;
Tekki Shodan – execução.

➢ Kumite.
Jyu kumite (um oponente);
Jyu kumite (dois oponentes).
HENSHIN KARATE DOJO COMPETIÇÕES

Capítulo 9 – Competições
“Por mais que na batalha se vença um
ou mais inimigos, a vitória sobre si
mesmo é a maior de todas as vitórias”.
BUDA

9.1. INTRODUÇÃO

A vitória sempre é muito difícil, por mais que se fale o contrário, cada vez
mais. O que é fundamental é que o participante de uma competição saiba que aquilo é
uma mera representação e nesse ponto de vista a competição é só um jogo. A competição
deve servir ao homem, portanto, não posso me destruir e nem deixar que ela destrua o ser
humano.

A competição deve ser vista de uma forma humanista e que possibilite a for-
mação integral do homem, dando-lhe a capacidade de interagir consciente e criticamente
com seus pares, com sua comunidade e, se possível, com a sociedade a que pertence,
transformando-a em um mundo melhor.

Portanto, a competição é o momento ideal para a autocrítica e para tal não


podemos encobrir nossas falhas pelo resultado dos embates nela travados, mas, por outro
lado, devemos ver friamente o que foi feito de bom e de ruim e compará-los com os reais
objetivos que foram traçados para o evento.

9.2. ÁREA DE COMPETIÇÃO

A área de competição propriamente dita é denominada de KOTO, que é um


quadrado com 8 metros de lado (medido de extremo a extremo) e no seu interior encon-
tramos um quadrado inscrito com 6 metros de lado. A área entre o quadrado interno e a
extremidade do externo tem uma cor diferente da do quadrado interno e é denominada de
área de controle. Nas competições de karate há dois atletas que se posicionam à direita e
a esquerda do árbitro, que pode ser um dos juízes, o competidor do lado direito é deno-
minado de AKAI (vermelho) e o da esquerda de AOI (azul), os quais usarão faixas com as
referidas cores.
9.3. KATA

A competição de kata poderá ser individual ou por equipe. É aplicado o sis-


tema de eliminação simples podendo ser com ou sem repescagem. Durante a competição,
os atletas poderão realizar tanto katas obrigatórios (SHITEI) quanto livres (TOKUI).

Nas duas primeiras rodadas, os competidores só podem escolher katas obriga-


tórios e nas demais a escolha é livre. A critério da organização, os competidores poderão
repetir o kata executado na rodada anterior.

O kata deve ser realizado de forma competente e deve demonstrar uma boa
compreensão dos princípios fundamentais que contém, ou seja, o competidor (es) deve
(m) passar à comissão julgadora a essência primordial do kata executado.

9.3.1. INDIVIDUAL

A competição individual de kata consiste em uma execução individual em ca-


tegorias separadas homens e mulheres.

9.3.2. EQUIPE

Uma equipe de kata é composta por três pessoas. A equipe é exclusivamente


masculina ou feminina.
9.4. KUMITE

A competição de kumite pode ser dividida em individual e por equipes e o


sistema de eliminação simples é adotado.

A duração de um kumite é de três minutos para adulto masculino (individual


ou equipe) e de dois minutos para o adulto feminino. A duração nas categorias inferiores
fica a critério da organização do evento. A luta tem início quando comando do árbitro e
pára a cada vez que for dito yame pelo mesmo, a cada parada o cronômetro deverá ser
pausado para que as observações do árbitro sejam registradas na súmula.

A pontuação são as seguintes:

Y Sanbon – 3 pontos;
Y Nihon – 2 pontos;
Y Ippon – 1 ponto.

Nenhum ponto poderá ser assinalado, mesmo que realizado, quando os com-
petidores estiverem fora da área de luta. Após o comando de yame nenhuma técnica po-
derá ser executada por quaisquer competidores e caso isto ocorra, o infrator pode ser pe-
nalizado. Também não devem ser pontuadas técnicas (golpes) eficazes, mas que foram
realizadas simultaneamente por ambos os competidores (denominado aiuchi).
9.4.1. INDIVIDUAL

A competição individual de kumite pode ser dividida em categorias de acordo


com o peso dos atletas e uma categoria independente do peso denominado open. As cate-
gorias são compostas de combates.

9.4.2. EQUIPE

Nas competições de kumite por equipes não há limitação de peso para os


membros de uma mesma equipe e esta deverá ser constituída por um número ímpar de
atletas. As equipes masculinas são compostas por sete atletas, sendo dois reservas, e as
femininas por quatro, sendo uma reserva. Os reservas podem ser mudados de uma rodada
para outra, bem como a ordem dos atletas.
HENSHIN KARATE DOJO BIBLIOGRAFIA

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