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carru109 Grupos sociais, relagdes intergrupais e identidade social ‘Ana Rag Rosa Tres oso objetivo, neste capita, €apresentar a0 leltoro papel que o grupo posui na Psicologia Social para aandise dos fenmenos sci Difrememiente com o que ocorte com a8 visbes mais frequntes sobre «grupo desenvolvidas no seo da dscpina, nds no flaremos apenas thos pequenos grupos, os quai eus membros mantém rlagdes face a face. Nossa Enfase ser nos grande grupos, ou caegoras socials, tema que no tem reebido mnt stengfo da Psicologia Social majorititia tas que so essenciis para as invesigagbes qu concebem os entme hos socials como sendo prodzidosnasrelagBes de poder eabelecidas entre os grupos que forma as sociedades. Considerando-se que os grupos conttvem un fendmeno fun damental na vid socal dos indvduos, era de se espera que desde sa origcm a Psicologia Soc tvese se orentado para 0 estudo desta forma particular de organlzago social. Mas, de fto, por um conjunto de rates, Piolo Social demorariem colcaro grupo como tema préprio (Camino, 2007), objetivo deste captuo é analisar,comegando ‘om uma evs hist, a principals teorlasdesnvolidas na pico- Toga que rata das elas entre individ e seus grupos de pertencs A pari dai, argumenta-se qu, embora multas vezsa pscoogia cial ‘contempordnea tenho indvidvo como cestode suas anise, es no deve colocar 0 grupo em um pape secundio dos fendmenos soca ois correo rico de desenvolverexplias des eatremamentereduionsts pat fentenossciiscomplesos. Defende-se que, dada aimportncia teGrica dos process grupals, uma maior artculaco entre socinlogia€ Pricoogia soci fundamental par o desenvolvinento desta dscipli. 1. Primeirasideias sobre as relagdes individuo-grupo (0s primeirs estos da vide sock realzados na prspectva da sicolgi,e publicados no final do século XIX eink do século XX, transmitam uma vio bastante negaiva mio s6 dos fendmenos socials ‘endo virios degra na escla da cvlizago, Para ese autora carace ristca principal das massa sera uma sugestionabilidade excessiva co copsequente contig, Seria eases dois processos os responsive pel tniformidade das ages de uma multido, Para ele, as pessoas, subme tides inflagncla do grupo, perderam no x8 sua invidualdade, Igualmente o contol racional. Assim se explicaria, portant, que uma ‘ex sob o manto do anonimat formes pela mul, o ind seri livre das presses soci daria vazdo aos seus instintos de deste {40 Desa forma, comportamento da multidi seria sempre violento€ Irracionl. Assim, para Le Bon (1896), a racionaidade individual e civ lisa seri substtuida pla mente grupal, sagem e incontoivel, CCabe asia, desde agora, a forte oposigioideolgica entre Individvoe Massa que a dns dos stores esse periodo intra a reflexiopscogics imeditamente posterior (Camino, 200). or outo ldo, os pineitos manuals que uilzaram explicts mente ito de "Psicologia Social” (McDougal, 1908; Ros, 1908) nio edicaram espago prprio ao estado dos grupos. Edward Res, que era $ocidiogo, por exemplo, dsctia o papel da opto pablia, ds costu Imes eceriménlas para a manutensio da estbilidade social. Wiliam McDougall, que era psicdlogo, dfendia que todo comportamento Ihumano, incuindo as elagds socials, poderia ser explicado pels ins tintos, que seria relacionados com as emogSes primi, Assim, 0 ocidlogo flava sobre a sociedad eo psicdlogo fleva sobre o individu, tespetando-se dasa maneira a tadigto fundada por Emile Dukhelm (1395/2007) que reservava oestudo de grupose instituigdes Sociologia 18 Pricologn estado ds indviduos, como vimos no capital prime este vo, Para ese autora ida em coletidades ela itm estiglo a evlucio psguica da raca humana, sendo o social aqui concbido omo uma especie de hiperpsiguismo,iredatvel a aspesto meramente [sicolgico individual Assim, para de pscoogla 6 podera sr ind [idual, nunca socal, endo est limo o objeto maior da Sociologia. A coogi Soil, nesta condibes procuaria defn se como o edo {as formas em que o comportamento ea maneira de ser de um indvi- {ho slo inluencados pelo comportamento ¢ modos de ser de outros indvduos, A partir dessa perspectv em eu i MeDougll (1920), por exempo, ico The Group Mind, dfendla que o social deveria sere {fad como produto das forgs mentas que seriam, por suave, abet0 dd eaudo dos psctlogs sci, Para ele, ests freas ment Mas, mento ceifieo fl co politicos as pos instintos soils, que era nats eriiplos Jomo acontee no devenvolvimento das ciénlas, 0 cone mtngencado pela hina, Os acontelmenos qe ganhavar fc por toda a Europa, notadamentoaaret vronte de ongazases qu sltinavam trabalhadores ds mais versss Categoria, fer surge a necessidade de isting fendmenos de rom darera dversn ass, Caer Sigmund Freoda tarefa de tentarexplcar ‘ses agosespcis. Tred prtenda expla nfo 3808 fenémenas i consatadon de trracinatidadeeemotivdade os participants de uma mass, ma ‘bomorlagosdeslidavedade extents etre seus membros, Frew (1921) pare daaniie do que denomina d Temibra a nog de corpora de Tarde (1890), para etabeleer «nat rem des Todos com uta mesma pessoa: o hele, eto ama, mas jstament Pot sere mates, no poder sr ‘os inp talmenteenre os membros te wentifcagbes: ods os membros da massa se identifica vert mente itrojetivamer um de cxemplo pad fe “masa artical’, concep He ss lag. Ox indvdos que forma uma mass se Weta amas po le de modo recproco. Ent so ibn nbs quanto a seu objeto rams riz 1 do grupo. Eatabelee se assim um dup te) com ochefe ques tora o ideal do egp decal a,c widentiear horzontalmente(ibidinosamente) entre st. ico deta suas se enconra na descr rei atordsprimitvaem “Totem Tab (Freud, 19133971) ‘uma madanca defoconosestudos sobre os grupos. Os seus anteesot ‘Come vimos no capitulo Las Weis de Freud, portant evra {extavam mais preocupados coma inludncia do grupo sobre o individu (Com Freud, éna inluénia do individu, na forma de um lider, sobre 1 grupo que os pscslogossocaiscomeram a se interessar (Saraiva & {Cxmino, 2007). Aqui é importante restalar que ese ntresse nto surge pum vio social, mas coincide com aascensdo do nazismo na Europa Por fim, deve-s também assn a que © interes principal de red nfo et no estado dos grupos sci ede suas caracteistica em bi ras no extudo da maneire como se constoem as instncas da per sonalidade humana na vida soil particularmente na via em fala {Saraiva & Camino, 2007) ‘Tomados em coajunt, os tabalhos dos autores discutdes até 3 apontam que, desde suas origens, as fronteiras entre a psiol- Jn sociale a psicologs individual estvam em campos diferentes. Da sna forma, os campos de auagto de scllogosepslcslogs socials ocalizavam em esferas diferentes Ads primes, cbiao esto das jeades como um todo, Aos segundos, 0 socal ea muito mais um tivo de procesoe considerados purimente pacoliglco, do que © rio objet substantivo de ands. {A questi bisca que se colocava nagulaépoca ¢ que, de certs anda tual 00 social produr as disposies plcoldgcas ind- duals ou se, 0 conriio, to as dispsigespsioligicasindividais 1 proiem as instituigs soins. Dito de ours forma, seria. socil| ative a individual Para Allport (1924) repost seria postva, spar de “no existe uma pscologia dos grupos que nio sea esen- nt ¢interamente uma psicolgia dos individu” (p 6), Posgio ida por Tf (1978), que deendia que os fndnenos sodas no desi se explcados partir de procesosndviduais ele sriam de rena dfrentes como tas necessitariam de explicagis trea de is dfrentes das elativas a8 fendmenosndviduais. No entanto,o estudo do grupos se desemvolvedfortementm ‘os 1950, bem apds a Segunda Guerra Mundial. Esta grande dif ddeveu-se, em grande parte 205 esfogoeponiros de Kurt Lewin, Almportincia de Kurt Lewin para a aceltsso do grupo cha objeto de andlise dos psicélogos soca fr resaada desde cede ‘xemplo, Deutsch (1968, p. 466) afirma que “uma das mores conith uigdes de Lewin fo sjudara converter a nocdo de grupo mais acy 120s psicélogoslevando-s a acstar a dein de que os grupos além ter caraceristcas em sh inluenclam fortement os indiiduos: Poe firmar que a grande ambico de Lewin era desenvover uma pach os grupos que least em considera, ao mesmo tempo, o spec de inamicidade, para cle inerente& vida coltivs, eo aspecto das contig ‘ages ds relages, que se desenvlvem nse pelos grupos, que eta Intrnsecamenteligad a priser, "win sjadou na fara populrizasso do conceto de dinimley ‘e grupo no sé com suas contribulgbe tories eempircss, consol as em 1945 com a criago da primeita organiza dedeads ao study do Grupo (The Research Centr for Group Dynamics, no Masachusty Instint of Tecnology ~ MT.) mas também com sua interven iret, via anos de pesquis-ao, nos problems socials qu fig ‘scieddenorte-americana da époc, Esta nogio tem como principio pode ser acesceninds pr ir prepndinc sgpot ue la caracterzava bem sta defnigio nos anos 1950. A primeira ising ete 5 boda ple sss do rn 8 4 Poolog ila com onan em conto 2 Sola “que ldava com a Sociedade como um tod, era evident qu a0 stu ir da 6tica do Individual , portato csc fo grupo ela o ies par tn These como clemento fundamental do grupo as rlades “foe & acl ‘A segunda considera que, dada a inuénca tant da prspetia com portametal como da mtodologa experimental a Pisogi Soc tra dese eaperar que a tengo se dns particularmente as “ine {he entre os membros do grupo ou sea, no aspect que é dita ‘bservivel 0 comportaments ae Pata defensores dest abordagem, a interag dieta si bse da constr de diversas estutras do grupo como normas so [Sherif 1935, 1966, padres de comunicagi Bales, 1950) ee otros autores colocaram como hase da defingio de grupo as consequéacias ogleas do grupo nos indivdos. ara Fred (1921), por exempl, 0 Fp psicoligicn &constuldo por das ou ts pessoas que tém cons: ido mesmo obeto ou ide como parte do superega, Na tadigio ianlica 0 que constitu a craceristica fandamental do grupo & 4 strugdo de uma norma comum. as formas de iterasio $30 cons. cas essa normaspofundas. Nest linha de rciocinio alguns ato colocaram como fundamental na noo de grupo a satifgSo que os bros obi dle (Bass & Norton, 1951) De ft, as defingesbaseadas nas conuequéncas do grupo nfo mprem uma fansiofenomenolégica(desereeroFeadmend em gues 9) mas uma Fung erica na medida cm gue descrevem o que €con- ado 4 natueza do grupe. Mas & pose! uma ands puramente civ? Como ji vimos anterirment, par ditingsir um grupo de Jagrupamento se precisa, dealgama manelexpitarotpa de rela sve os membros de um grupo mantém ete i, Difcllmente ext letSo no conte alguma perspectivadoque considera proprio haturcza pscologie ents dessa difeudade, Cartwright eZander (1968) procuram 4 defniga © menos restrta postive Prtindo da concep de (1935) de que os grupos so totalidads socoligicas qu podem etnias operacionalmente, ou caracterzaas plas formas conc ie inverdependnca das parts, Cartwright e Zander (1968 p. 46) em o grupo como“ conunto de indivins que poster Um tipo aco entre eles que fz com ques sintaminterdcpendentes Mas, seriam as consequdncias psicolgleas desis pertencas grupsis? ‘Uma das mais importantes ¢ nefasasconsequéncis serie a caso Grupa, process psclégio pelqual tenemos avi poskivamente 0 noso grupo enegatiramento grupo do autre que se de exaiago e defidliade & sua prdpria Wentidade cultura les pre onsite num fedmeno essencil do campo de teoriasepesuisas demo tendlam demonstar que esse tao radical de etnocentrismo seria con: spinado “ReagdesIntergrupais” (Stephan, 1985). Para entender methor equénca de uma form de personaidade desenvolvida pela existincia ‘ama breve apresentaiohistrict de pas atoritirios. A educago autora ea repressio da agessio tte proceso faremos,primerament

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