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VISOES E PERCEPCOES TRADICIONAIS por Honorat Aguessy cite comes tao, Tudo 6 g80 contac €tma parte de ado Quando se comers a tratar de cultura na Europ, & primeira atitude consste em procurarreferncias owtroe utores! ocanjanto dos eoritan dos divers autores define @ campo eallural que o homem culo tom nesessariamente de cothecer © datinar, ‘ratandose da Afvice, da Atvica em ger, procede-te 4e outro modo: a domingnte et matéria de culture deer loca do escrito para o oFsl. Hata midanca, mio. pode dlizar do implicar consequtncian peticulares nto 86 no ‘tue se relaciona com as fontes doe valores eattorss mas faba n> que se retere ao eatabuto ao dsstino prtieo diag condicden'c dow agentes de trarsalelo Go modo de concepgio do sudo. ‘Qual ¢ eatéo 0 proprium africanum da concepeto do universe, da vida, dh socledade? Seria surproendents pen. Sar que as sociedadee nio africanas mince tvessem €ido 95 ‘delas polo menos similares as dos Atricanos sobre estes assuntbe, Ser-noe- permite falar, doedo o prinelpo, de intludn- cia exterior (hipétese que sempre obsecou siguns exerto- ea eropeus ctnocintrie)? Seria demasiado fell, do ada ver que a2 sociedades humanas Tevelasom cortas Similaridades, recorrer & hipstese que inspire « relagio Actual de forgas, exclamando: «No! Boses objectos de Sito nlp podem ter sido prodaaidos por Afrieanoe no sioilo Via C! Certarsente gue houve, neve higar, passa. fem e lafhiéncia de europe» Reconheoe-se aqui 0 Dimero de curopous fas quando tain astuse litle que Dolerteneorejar & compreensto 0 propisito heurfatio, pelo menos para © SXSESSe ertaee elante cms betta" o eu serene foomalias que a vontade de dominaato suse © gue Yim na politica um prvilegiado terreno de expresso. Penasion a refledo Ge Cnt LavSirean a ro- plelto das epliddes logicas das diferentes oe ‘ulvex deseubramos um dia que a mesma logiea se pro- us no pensamento miftico no pensamento clentificn © {tue ohomem pensou sempre do mesmo modo. O progresso we & que entio se posse aplicar 0 terme — mio teria ido a consciécia por paleo. mas © mundo, onde ume hrumenidade dotada’ de facudades constantenter-oi encontrado, no decorrer de sua longa histori, continua ‘mente is vollas som novos objeetos ().>.— ‘Segundo este ponto de vista, 0 proprium africanum da concspeio do tmniverso e da scciedade mo consstira fim pensar que as faculdades do inteleto africano s80 ‘iperiores As das outras sociedades, mas tambam no se ‘poled considera” inferioes. O proprivm africanum deve fer procarado no mo anna cltral (intuindo a oo) {ogia) dlalecticsmente transformado. ‘Dizemon dalectcamente transformado porque bi um toca entre 0 meio ambiente o intloto, transformacio do meio ambiente pelas produgées do intelecto, reapro- priagio do intelecto transformado pelo meio ambiente Unoluindo, eventualments, as mudangas que implica 03 contactos vom outras soeiades). 96 YISOES 5 PEROKPGOES TRADICIONAIS st, xin, rt i nt springen aap at a tage tum es ie coe os meet Sew etic Sei ee se guauit Peeena e Se eahare neem fol Eeaas earamine Seare ciate hier mate eae inure ae nee Seam as siete barat! eat acta ieee ears ames ena eli Lal se mes eae ue ee ale sa ede es Gee iets Te tnize o lolamento de poquenoe grupos fechados &'¢ ml Ehacermse amt cors oat feet nme cee tar Eee dt a Sei" snaeci fa sate ao Be et ements sai een ere wali eae ger ae Sikes Saceenee cree ee eters eaanca na Se Re Sence etm lems ais Sn er, oo or, ae seine aie dere tema diecneeeg Simei es aw widened a rn weadicas mana items Megas tena o amr a Eee co propomos uma avaliagio exact dos reltadon de etude ecinados uoersa deste assunto, por exemplo por Maree! Griaule, 0 padre Tem- Pele, Melville Herskovits, Lucien Lévy-Bruhl, Bascom, te, Se Lucien Lévy-Brunl é essoncialmente contecido pelo n feu livro de inspiracio ideolégica A Mentatidade Primi. tio, se 0 padze Tempels se notablizou entre os europeus com A Plovofia Bonto, devem-se a Herskovits e a Graule lumas dezenas de publicagdes (nada menos do que alguns ovtenta,ulos de artigos ou livres publcados sob 0 ‘nome de Griaule) que tentam elucldar os problemas q née aqui sbordamos. Semelhanta evelingio seria fase ‘loos ¢ ‘ultrapassaria o8 limites do nosco cstudo. Costudo, um olhar sinéptien sobre ce diverse traba- hos europeus mostra Importineia dada a estes trés rineipios para definir a concepeso africana do mundo: {Midu "Fora 0 Unidad oe tre grandes eiscion> tradlelonais. “A propésito disto, guntaram como explicar, ico, que sistemas fe pensamento ‘rogremo tienioo mata evoliSao? Porgue fol que Atria io se expandie cletificamente ant do contacto com Settee parn inven n, prota mai nda ‘itede "para a inven eu pry ae {Ral se no expire, pelo menor em parts, por tm seg fextremo Terral, o resplto por ela hlo toler Sues explorassem mats do que 0 poedtio cpr 10 Shnaae, tomer exaagie o Gdn C)- Tovia-Vineot Toman morta mo tris Sains mes- tras podem exprimir o carketer do mote de pensar afc: ano, que leva a una espete de percepoto impressionist So mando: 1) Uma carta contaminagio so. nivel dow conesitos Centre 0 material 0 expritaal, por exemplo 2) Uma npugndnciam eoloear ob problemas Tea vou 2 naturesa ed onion; 3) Uma notéria incapeiade em passar da ideologin 4 operagao logics. [Na maior parte dos trabathos que tentsm sprofundar o campo caaral africana destacsee a extreordnacia ompiondade da vishounicaia que Africa tem Go mundo. Diterentes nvels de exintincla © diferentes snes enoone tanveeunitos pein cforga vitals, Bassa iterenten eres io: o Ser supremo, co sores sobreatarais (dois © eapie Foe), as alms dor defunton(antepassadon préos 8 VISOBE © PEECEPYOSS TRADICIONAIS Ihonsens), om homens vivos, os universos vegetal, mineral "animal e 0 tniversa maetoo. ‘Nesta erspeciva, tudo se passa como se o mundo pdesce ser representado por um irangulo que mostrasse: 1)'no ino e por fora, o Ser supremo; 2) na base, 08 pole- es magicos ineriores 3) nos dola utroa lados, 08 86 Sobrenaturais, por tum indo, © es antepasead, por outro; 4) por dentro, © homem, ‘0 intetor dom Ciedalo rodeado por todoa on lados pelo wnvorso matorsal. “Assim se apresesta 0 eaguetna dsese raundo onde 0 vuniverso, a vida e 1 sotiedade catio inextricavelmente Headey ‘pblouainnte evo lorae-& aproximar essa forga da forge viva que Leilni dln ser “qualquer coisa do diferente Go tamenho de figure ¢ do movimento, ¢ podarse-6 assim julgar gue {tudo 6 que ¢ eoncebido no corpo nko consste nleameate ‘be extonsio onan mins modifcajoes, como os moderns tstdo poruadides, Deato modo, omen obrigadoo ® tesla. ‘else alguna seres ou formas que eles baniran> (Dis. furao de Metofisica)? Seri necessirio comparicls. a0 Iimpulso vital bergsonlano, que se manifesta pelo desdo- bramento no copago da spariglo daa espieise, oa como simples tenféacla quo manta, complnided daa Tea. oes da genealogia dos seres? pena ema forge vital como a expresso dintmiea das contradigies fecundes que os seres escondem? ‘Scnipre. que om penoadotss tratam diate aamunto ser- vernao do tina profusa verisdade de matdfores, ‘Gitemos Janheing Tan (), quo cacreves «Neu & 0 termo que designa 0 centro fundamental das fore, © universo energétien original; ele nio é, em si Sm qualquer outro nome, tab no. pode era’ em relagho drcta com 0 Hommes “tn, precise clea forge wnivoreal enquanto tl, yert'e tinplosente. Niu 4-2 forge no son geal S Fore o ents comeldem ‘No seio de Neu sao ausenter 2 contatites om due “Andr Bron te dato, 0 ‘eae do fur nt @ tnd “one , 6 antes peo contario primo. Niu a8 Bro ras esis e nto Une determinagio que se Ines Junta 9 Ba linguistica que serve de elemento de comparasiio ‘4 um outro autor para precisar o sontido desta. fore ital: , "Sgn também insite na inporténela do verbo, Lem- bbrando 08 diversos aspectos da inextricivel ligagdo da vida, do universo © da sociedsde — Aunty é euma essto- ela. que 6 forge, ¢ ‘the a posse do Nommo>, «a faima humane, desde que o homem vive, nunca teve tna ‘enominacio cspeclal na nossa Mlosofias (Kagame), «tudo 50 concentra. na cxistineia prosicea dos homens-vivos, {Goe perpetuam a exist8nela doa vives trancmitida pelos Antepassados> —, Jahn nota quo’ uals as diftdades que levanta este attude de Jaleo premature sobre a sociedade afvieana? ‘Uma dan primeimas € a existénoa do uma controvée- sia entre earopeus para saber se oe pode falar de filoso. fin em Africa, Consideremos, por exemplo, 0 debate entre Marcel Griauio, LoulsVineent Thomas e Jaaheine Jain, ‘ebate allés simbolico porque nao chegou a processar-se ‘ireotamante entre estes tres pensadores europes. Nos ie mito artigo (Art Bimbo ne Africa Giotcapao ‘A Imagem do Bunton dae, de Retgce Negran, at.” cnpctments, por fous livron Deus de Apue (digloges com Ogotammili) = Rapowa Paid, Marco! Graule ‘existincia. de {igen ‘om Kein © se nteesior open, Osten ‘opreseate para ee o tastemunho mals inontesté Vel dy facto, Com eet, Orta dmeyoien,& Dropésito do univervo, da vide, da sociedade ede genese Sp mundo elas que maraviharan Grisule. Eis e ambiguldade terminoldgica.com que L-V., Tho- ‘ma, Yor su ado, pte a su opal sobre o problema ‘A originalldade’da cocoa ctndlégice modema consist Gm tar evidonoindo a0 filofian aficanas compardvels © 404 Honorat Agsesey ‘mesmo. superiores — dizem-nos — as metatisicas grega (OL Griaule) ow cartesiana (R, P. Tempels). Sem deixar Ge referir a ignoranels relativa que estas atitudes meni festa (evident no ca et, Ptempela) om reasio As fllosofias europsiag, nfo podemoe também deixar considarar semelhantes pretenses como excossivas. 16, cero, um sentido Into da palavre filoain que con Sidera fidsofo qualquer pessoa que reflicta um pouco, que se esforee por tor idelas de conjunto sobre 0 mundo Telacione o seu comportamento moral com alguns ele- ‘mentos cosmogénicos, Deste ponto de vista, ha uma floso- fia diola porque hé um modus vivends dioia. Som divida gine, comapide dinky do univero,« Neraraue Ses forgas, a lel do antecipagto (...) tém poder © ‘ado; maa uma verdatleire flosofia implica « ideia de Sistema: 0 que, supe imultancamente: a wintese 8 abstraccio, ing caracteristicas que néo parecem ‘ser. frequents na Africa negra (...) Alm sors eit rico nao una qualidade exe ‘ima africana, mais senmael que reflectida, mae mis- tiea que epiatemdlogica (..) 0 eomplexo das tradigios das’ concopedea nogro-africanas eonstitul um conjunto ‘gue raramente podemos qualificar como filosofia propris- Inte dita, se eonsiderarmos como filosofin a aceltacko s investigagio ontoldgica expressa. num sistema ons. cienciosaments elaborado (*).> 1 debate ndo fice por aqui, Porque Janhelne Jahn, 20 cemprogar a expressto «flosotia tradicionals no capitalo ‘quarto da sua obra (tw), precisa que ela 6 a pedra ‘Sgular da culture afvieana>, Beerevet “Podaremos ser Tebstidos a0 dizerem-nos que pon- samento filostico postula. uma tomada de conscineia e que no encontramos exemplo explicito no passado de ‘tsi, que nos oferece spenas mitos (*)-> ‘as para ele tal objecedo {A fol refuteda, Desde que haje consciencia, & imagem do mundo que era objecto de rong, de intuigdo e do exporiéneia vivida transtorma-se fem fildsofia, «Todas as colsas tem a sua fllosofiae escre: Yet Biel, ou maip enactment: Todas a olan {losofia. A tarefa do homem é procurer a idein.que se ‘contra esoondids em cada coisa, peoyuisar em cada coina 108 ViNoNS m PRRCEPGOES TRADICIONAIS o pensamento que the di forma.» Conchuindo, Jaaheinz ‘Jahn declare? como se trata de ume filosofia africana endo de uma variedade da filoolia europea, torneo Sridentemonte porigoeo ‘sta forma pone: ‘onto com as ueadse no mundo do voeabulario europe "Peta controwdrsia & feroamonto mantida pelod espe. clalstas estrangelros, mas nao tem, ao que parece, qual rue efeita sobre as caltras afvicanas. Nao € pelo facto dest investigador ter deolarado que Africa tem filoso- fag superores ou meno setae 89 conhendas na Europa oa aoutra parte do mundo que o estatuio. das cultaras tradicionais aricanas ser. posto em evidencia, B tambim no € por um pensador, por malto eminent que ej, tor deeretado quo nio hi Mosofia em Africa ‘Tour apna exo weno prepa 4 do, la ‘sparaas desprovidas de absteacgio, que dest: Dareceri ipto facto (por milagre) os valores produzidos Pronovadas pelo espito eriador africana. ‘Se demonstrassem do maneira irrefutavel que sb a posse de uma flosofia, felta de abstracgio eatiil © de Tepice, determina o alt nivel de uma cultura, scetarta- me power aun anise mis apatendade Sat gk ‘lo, com proseupagio do molhor situarmos a concep Sfricana do indo, Mas Ses flosofia uma denegesto permanente, e segundo a peicanilies tom origem nao £5 ba order simbéliea (e tira partido da efiescis simbolien Msemelhanga da astividade. do sand) mas também 20 Gelirio onde o ceus que penia o constrdl a sinteie ca Stbatracgao se embala ha iusto de ser live, estando, pel ontriri, preso na rede da ordem cultural que 0 deter- tng led pn rear extn ou ai oi “Aacin, propome-nes antes aprosontar aigumas obser. vagden que ver & compreensla da eoneapgto do mundo he Africa tradicional stas anotardes tém por fim deser. Brat epit d to (9 tomo em prieto Iga) de certos proconeelios. que fatselam a andlise Para Iimitar importdncla dos valores. produsidos pelo esptito eriador em Afric, excluindo o argument do fata de poder de sntase ¢ do abetraccio,tuzse roferéae cla ao arblagre grogos © ao expanto que causa auséacin de nomes de grande filofoo afvieanea Tnflucnolados Dor evtas consideragoes, alguns africans opersm ma Soparagio radical entre’ flosofis, join gue singin do 03 onorat Apuesey ag gregon, 0 mito, eng atin da alma nen ‘ual afvicana. Assim, para Adebayo Adesanye. «quando fr cwve um proeasct lg chervoee no pat dacvy © {etal austneta do mito: com el, movemo-nos no dominio do puro pensamento, onde o er puro & considerado como Pertenvendo & eatagoria espicio-temporal inalterdvel. Os tos so umm modo de resolver o problema da transils- Slo © do ensino popular dossa filocofi, um modo do {ornar pablicamente inteligivels as conchisGes elaboradas numa torre de marfim () “awbye € tm Tob contesoor du ctu orba ‘Mas é.de temer que ole nio raciosine como alguns es ‘lalistasholonistan oem capectal como oo capeciaistas (°) 4a flosofin de Platdo, que fezam n mesma disriminagio. ‘Com felt, para setes fitimos, 2 presenca © © seu objectivo seria permitir um melhor conhecimento das ideias puras que a intuiglo intelectual ¢ & apreensio singptica revelam. ‘Gra, som a exposigdo dos mitas no vemos multo bem como Plato conseguiria chogar & razio sufleionte (logos ‘kanoe) do seu catudo. O mito sorviu-ihe multas vores e sintese para oo grandes problemas que abordos. Seite ‘mos imparvials pare vermos com serenidade a ideologia, que se esconde por detris de semelhantes ‘Mlesmo que eoncordissemos em roeonhccor a influts monetiria), como demonstram as pesquisas de JP. Ver~ nant (*), verifieariamos que a insistencia sobre o°mila- [gre grego esoonde uma extraordiniria Ideologis, Nao #e trata de uma diligéncla neutra, objectiva: estabolece-s0 tum valor absoluto, Soria mals indicado dizer, tal como © faz Claude Lévi-Strauss, que a emongéncia da filoaofia| he Gréein consistiy sobretuda na reflexio do mito sobre ‘mito, no moyimento cirealatério que earaeterlsa 0 mito,| 105 Visons 2 PeRcAPQOBS TRapicroNaIs ainda que seja neceario tomar em considerago a causa- ith Sonics secon a ent, ‘Dace proconclto. do wnllagre grogo> que obcecpu rullos tibcofosocidentals especialmente Hegel, Hldeg. er, omer, no deve eetvr pare falecat sahdlie Etta daw ferent calturns ns do grande fotos ateao, on sh, peneadones oman de grandes Riootosstfeanos, ose: pensdores Ge’ tiveatom individunlmente’ elusiéado os ‘problemas ‘Rotations evidenciando 9 seu sels © nao dilindo- no Atonimato da tradigo? ® bom poder aasinar Um exto Inteiramente digi © conecoda por nis, sain que 40, csnar ou no un texto nao ae £ intere © totalmente O autor, ¢ mlhor ein ' ‘Os fencadores eo, sem sombra de divide, ot escrito. ex dat saa obras; mas serio aubore exclusives? Qual & Felagio eate a obra aasinada pelo cou pensante> ea obra ‘nGalina dita tradicional? Panteernos que o modo como se ‘horde este aapesto do problema do etatto das cares its ndlclonais enoeera ambiguldades e eaconde uma ‘rte falta de informagéo om relogio a Afvca. “Tentaremon, no noato trabalho de descoberta de uma ametodologia apropriada no campo calcul african, re. ‘tbat on pontos que nos parece mais imjortantot “Comesemon pelo falso problema que representa 0 gar do Sean a obra, ‘Sm tdoo modo de produ cultural, quer a tate de escrita ou do oreldade ce valores que se fornam de con. fumo piblio paseam sempre, nem que seja apenae por {Mistantas, pelo individuo, Mao individuo Sto se opde Solecividale, ao grape. Que seria ewe indviduo a foviedade weno Iitgun, por cxemplo, ou seme» gromation ‘olinds pela colitis © 0 focafularo que cla Ine {oga? Se dada individoo se caracteria por um est, quer dir, yorum enaalo paral scarpre Inaloquado para apr= Sentar'uma obra sempre inacabacs, lato deverse 0 {acto 4 ele ae mover num contexio em que‘s tradgio fixa 2 trdem do smbolleo, que dam seatido a tudo 0 que © Insiviguo realize prods ‘Aiea das, 8 trusgto,contrariamente A dsia fit queso tom dela, nio poteria sera repetigio das meamas ‘SEtubneias; mio poderia tadusir um eriado imovel da callurs que as eum de uma geratto pars outra. a acti: 105 roverat Aguesy vidade e a mudangaostlo na base do conceito de tradicto. “Hs, poi, entre 0 indviduo e-o grupo, all agoe entre. ‘ec Que permancoem Indestrusvels assim pelo me thos que'te vive a Jelagdo individuo-ociedade ent Afra. No hé uma ceodacia da soiedade o sata tina no tam ‘mn maliesa flea, alomporal As socledades afrieanas Imovemsse. num quadro dindmieo, onde a migragio. dos ‘rupas constitu! simultencamente Uma metifora © ca ‘etonimia signifieativas. Ao longo. dessas mudangas © Tovimentes, sinénimos de. enriguotimento diatetie, © Indlviduo mines deixou do eotar ligado & coletvidade sanpresndonte que eva, ameter, seri monte nolada, tana sido suiclente para que certos obser ‘adores afirbassom, do tanoira dogmitiea. que 0c ‘io exinto oon Afren, que oindiviguo este sujeto A cles: tividade, Trataae de uma extrapolasio abusiva que endo Pare o parulogismo. ‘Nio seri por 0 ocupar um lugar tio preponde- ante nas eulluras ooldentas que os obeerasores © que os foferimas 0 opéem 0 eeus Afticano? Sigamnce, a propisitoa refloxao de C. Lévi-Strauss no Homem Ne: Para mais ov paralogisnos eneontrads naa dedlara- gées feitas sobre este assunto indicam-nos a via que o oso estudo deve segulr para ser petinente "Néo noe compete decarar, por nasa vex, que as vises © perepytes trvdlcinals aobve o univers nfo isto ou fuquilo, que as visies « peroepetes tradiclonals da vida chseiem con tas ou ‘als meiifestagdes... Nko feiamoe foals do que aenncontarnovas ateongw todas as ove 4 conbetiiae pola msiora dor ltoree, Som eompensa- w onarot Agus) io, pareco-nos ‘itil insistir no dominio e nas condigdes fe producto dos valores africanos. ‘primelro lugar, lembramos que uma das caracte- risticas das culluras afrisanas tradiclonais, « sua caracte- istica essoncial, € @ oralidadd, Eaquanto, no quadro da ‘oorlta, as fontes de valores aio of eautores> © an suas bras, 0 que eria reflecoe eulturaie que levam = pense ‘doves a negar qualquer réatea de pensamenta endo no ‘encontrem ‘obras escritas, devemos hoje recoahecer que §ofaldade poo produ bran cultras mult rias Poder-se alirmur que a Afrion nunea conhooew a e5- ena? 'Sé uma informagio daficiente sobre o campo cultural eicanopaderia evar der ave a Africa no criu ae tomas do ovcrita (Gscrita de ideias ou eaerita| pave) ow Toniticn (eserta slibiea oo escrte ale ‘Como hoje em dia se reeonhoee, toda a sosledade hu- mane dispio de um meio de fixazio espocifico que In permite tuna certa apropriagio do tempo. Mas, para li festa afirmacio geral que vale para toda a sociedade, fconvéen procisar que epesar do uso da escrita pela socle: dade bain (Camardes), apesar da existéneia da escrita teat (Serra Leca), da euerita nsiditt (Calabar, ‘NI Oriontal), das escritas baea © monde (Serra Laos © ria), 28 seciedades referidas no flzeram dela 0 mesmo \tso que a civilizueéo chinesa ou a civilizaxto oriental ‘Se alegarem que os sistemas de eserita a que fazeinos alusdo sio Teoentes e datam apenas do século XIX ou, na Imelhor das mipéteses, do séeulo XVINE, doveremos Insist no facto de a cserita esipeia figurar, juntaments com 0 ‘Sistema eumério e o chinds, entre as tts mals Importan- tes e main antigas eaeritas «de palavrass. B, todavia, em Africe foi por melo de aquisigio o transmissdo orais que ‘8 valores eulturais se perpetuaram. Portanto, quando falamos de oralidade como cara: teristien do" campo altura afi om lominante "nlp. nus exelusvidade’ Neste sentido, & oralidade numa exltara permite privilegiar o aspecto oral "agus transmis dos coecinento @ doa vlo- rea, dispondo de um meio de fixacie ‘A objecgio quo & seguir oo lovanta @- do quo mance se cocreven qualquer obra eientfien ot literdria ho campo 108 VISOBS B PBRCEPCOBS TRADICIONAIS ‘altura afrioano! Para responder « isto convinba exami: bar tm posto mais'a dinittea cultural propia do eon: tinento african ‘Nao insistiremos nas extraordingias produces cultu- sais das eacolas do Egiplo antigo, eneruathada, univers. {ria onde se encontravam os omens cultos do miurdo Snfero © que detxou a sus mares na evoiueso das ideiaa insttsigden, Depois de Herddoto. de Hallcarmasao, no Stoulo Va. C,,publicer nosm zona da Africa, Tate texto Ji responds & uma das objeogSea: havendo Infuéncia do Talo eobre esta eliza doa Batados da ‘regio do Niger, poder-se-& falar de cultura autentica- 10 ViSoBS © PERCEPOBS TRADICIONAIS ‘mente africana? Digamos sumariamente que, por um lado, henhuma culture se desenvolve e se expande de maneira auléreiea e que, por outro, a autenticidade de uma cultura do se avalia polo nivel do assunto ou doe materials sobre dque 0 espirito trabalha, mas sim pelo nivel do estilo. ular que ela adopia'para individualizar ou qualifiar cesses materials ¢ para, & partir deles, formular & sintese, ‘A sutenticidade nao conota o solipelamo de uma eal: ‘tura, mas a atenedo particular que tada cultura presta Ae celia comuns do tundo para ao dstnguir em sobje- ots, eideiags, palavras aignitieaivas, mmeros repetidores que se abandonavam a0. psitaciamo. ‘Se o siblo Ahmed Babe se notabilizou por umas qua venta obras sobre gramética, retria, astronomla, iret, (eologia, histéria, moral, Kigiea, ete, € porque sentia que © context de simbioso cultural om que prosperava a Unie \arsidade de Tombuotu demonstravn umm modo expecltion de abordar os mesmos problemas ou de oa reformular, Bite estilo sudanés nio'eseapou a atenclo dos maiores sstbios do séeulo XVI, uma ver que Ahmed Baba era, por ‘exemplo, convidado polos grandes mastres da inteligentsia fe Marriquexe. Numa palavra, houve mumerosos pensadores aftieanoe ‘que desenvolverain por eserito © durante siculoa 0 Yalo- "es produzidos pela docledade e os frutes das suas propriaa inspiragées © cleboranéos. Poderiamos, om lugar de fazer referéncia a esta Grea cultural da 2ona do Niger entre os séeuloa Xe XVI (Grea, influenciada pelo Tslio), insstir antes nos grandes dou tores africanos que foram ‘Tertuliano, Origenes, ArnSbio, Santo Agostinho, Sio Girl de Alexandria, Sio Cipriano, ‘So Firminiano, produtos da, area. cultural da Africa, ‘desde muito cedo influenciaia pelo cristianism. Nao esquecamos Terdncio, que teve o privilégio de enunolar uma verdade em que todo o homem se deveria inspirar: ‘Homo sum: huumani nihil a me alienvm puto.s Todos les deram i bumanidade uma importante soma de refle- ‘xGes muito elaboradas desde 0s primeiros séculos da era crista, ut Hoorat Aguoony ‘Também poderiamos ter evosado nomes de pensado- res etlopes que se tomaram olebres pelas suas obras cneritas, Mas a0 fazé-o eatariamos « faciliar a critica fos que reduzem «cultura tradieonel africana a gual- ier coisa de indefinivel e-de fhutuante, assilével sos ‘eur fantzamas ou A zona de sombra do seu proprio ser. Com efeito, » formagio destes sGbies estava.profunda- ‘monte polarizada na érea eultarel erstd © cepecalmonte ‘mand Tomar an consileraga te suas Gntriblase ‘como fazendo parte integrante do. patriménio cultural tradicional afrieano nio seréjoger’ demasiado com © dimensio geogrética? ‘Bis uma nova interrogacio que implica yor em ques- tio o conceito do stredigao>....O que ¢ tradicional ne soneapp 20 mundo de ‘um povot! Agulo que 6 ree, ‘ado parm 0 passado muito antigo dese povo? Nao te ‘Eiten'o que to deiaa do manifestar a marca partioular do povo sonsiderado e que, deeprezado pelo madernismo, vem sempre ao de cia? A’tradigto, em lugar de tradusit lum periedo volvido da vida de-um ovo em lugar de radttir o seu «tor sido», ndo tradusirh antes 0 seu eser> permanente, no no sentido de definigao da easencia de ii clr ae fem que uma traducio Fees, tesena mnt nk igor om gue fa no traduaind a tradigion80 Imports em que conjunra actual, o eatil textual dose altura? As ‘aveultara tradiclona! faze, desfazae e refazce. 2 um sindnimo de actividade e nfo de pessividade. Nio 6 uma ‘moda. paasageira como © modernism 86 ola caracteriza Uma calture « distingue de ume oatra eultura. Como 5k dissemos, « tradigio nio & uma repetigio das mesmas ‘equéneiss em periodos diferentes, ou ume forea de inér- cia ou de oonservadorismo arrastando as mesos gestos sic ntlectaniy para um inom de espn fncapez de se renovar esas coigbos 0 prvpriam de conepeto do manto de Africa pode ser determinado peles diterentes manifes- {gies do Seu modo de apreensio das coisas, dos aoonten- ientos, ¢ que o mais profundo do modernismo exigente, Goereivo e muitas vezes superficial se desloce. som parar, nfo 6 e um domino pare outro mas tambin de um perfodo para outro. Manifesta-se nos comportamentos mais ue YISOBS & PRECERCoES TRADIOIONAIS ‘actuals como nos gestos mais antigos, nas actividades ‘anusis reflexas e reflectidas, nas actividades puramente inteloctuais, nas ‘relagGes com os outros, nas atitudes individuals, ete. ‘Examinemos agora esses dominios e perfodos de forma mais rigorosa ‘Apesar de cortas manifestacées dos valores africanoe, repetings ao a earttariaton capone das utr ‘a canas é-a oralidade. Porqua, mesmo quando se utili a ‘terita, a tradigio, que distemos ser sinénimo de actie ‘idade, apenas se expande autenticamente, na maloria dos ‘Afriesnos, pela oralidade 2 alts sta sbertra ao malor némoro qu expos 0 {noto de a oralidade ter venoido a resistencia da eacrite za clvllizacto da zona do Niger. Durante séeulos de vida intelectual intensiva ¢ inter- nacionalmente conhecida, ‘econhesida, ¢ respeltada em que a Universidade de Tombuctu manifestou a sua auto- Fidade, 2 cultura beseada na escrita foi ume actividade tadina e minoritiria. ‘Quanto mais os grandes doutores africanos dominavam os diferentes campos da eidacia do saber do seu tempo tanto mais as masoas se contentavam com o aspecto oral a vida cultural quotidiana..A cultura dos doutores, tito ‘fluid yermatecia contudo rigorosamants purs.a do ponto de vista lingulstioo: 06 0 drabe, a lingua do Corio, ‘podla tradusic a verdado. Por falta do apolo das manaas, ssa brifhante vida cultural nio terdou 2 desmoronar-se. Observemos, de passagem, que a florescéneia da cul ‘tara elitista basoaas na oserita requer uma base cons ‘mica ‘s6lida. Privada da mina de sal de ‘Teghaze, cobl- ‘ada por Marrooos mina muito importante para os sidane- Ses, pelvada do our das minas’ de Bambuque, de Bure de Bito, que «durante sfculos fol una das armas deck sivas do Talto oeldentals, a cultura sudanesa desenvol- Vide’ no contexto da eactita, dessparvoet bruscamente, ‘Assim, caurora do Onidente doa ‘tempos_modemnoa, 0 sleulo XVI fol © ereplzculo de. civilncio da Attics ep donols de ter ofeeldo com geratio de Ahmed ‘as maiores promessas de renome mundial. ‘Bn todo 0 caso, no plano metodolbgico, quando se quer conhecer a eondepedo do mundo ne cultura africans {adicional pode-se e com interesse tirar partido dos tra- wus bathos produsdos por ¢ neste perlodo, porque ¢ neoes- co entar un ceo nimero de obaiiculon em expecal aldo strospestive que lava 8 roprosontar'a fea cults: fal atris analoade & fur do estado actual dessa regio, ols o Africano tom tanta autoridade como qualquer outro ovo para poder afirmar como, Valery: «Nos, a5 civil agbes,sabemes que somoe morta.» ‘unio rettonpetiva lee igvalnente 20 egaec- amet do ontento de prooperiands econtmica que favore- tla @ soca e 0 estado culture, de scordo com 0” qu ‘Hubert Deschempe esorove: «Atravéa do. Barn, aa cart. wanes do eamolon van. pera_o. Suto OciSental, fem busca do_oure ( TGambugue, de Bure, de ‘ede escravon Levavam para 10 bal do Sere (Ioft, Tephaza, Bilma) ¢ os prodatas ‘igo, timaree, envalos, roupas de ode aeda, cobre, prate, misenngas. Os mereedores beronfes residlam no Suda, Uma estrada tra. ‘eraavn a Mauritinia, wma outra ia até zona do Niger, lime terosina, partindo de Gadamés ou de Tripoll, che: fava e Air ou 0 Chade, Estas actividades comerciais {freram sem dvida‘uma grande importaneie no apares- ‘onto dos primeiros rluos negros de Sudio, por vole dos séculoe VIL TX ("> ‘Umm outro obsthetio consiste om acredtar que a ore: 1idade ao se serve de sigur meio que implgue liaagéo de sinsis especialmente indioados para ajudar a seméria. Como #4 precios mals aalma, falar de ora. lidade é sublinhar ‘a existGneia do uma dominante. em que prevalece a comunicagio oral; no ¢ de modo algun | dosignar a exclusividade da comimicacio ‘oral prove: lente de uma hiptétiea ineepuciiade do uso da esrits, ‘orelidade 6 tat efeito como eats de um certo modo de er scial. Denuncia a relagdee socials opecticas Drivilogiando osrton factores do eatratfioagso ou do dif Fenclagio socal, taia como 4 detengio de pelavray quo & Sinal de autoridade, a inicio a conhesimentos que cons- fitaom uma espéele de saber minimo garantido, que qua Iifiea'o individu. estas condigs, os diferentes dominios « investiga para definir 0 proprium cultural afrcano vio da rallgiio 4p quotidiano mais banal. Podemos repartlos assim! uy i YIS0BS © PERCERSOBS TRADIGIONAIS L. As priticas religiosss africanas; Aa frodugtes srisoas:ecovultar, a arqitester, © urbanismo, o vestuiio.; 3 4 As. productos de oralidade:. ditados, provérbios, 8. 08 jogos. No proceerence aqu a uma ivetigneto completa « alveralendn de tatoo’ eles dominion Se exprmto © 4. conortizngtn da conceprdo africana do mun, Bets. aremos, modertamente,algomas das manifostagten de Sita aue eaten powln aficanon tan em Tlando 80 tnivero'® soeedade 03 jogos yerimenteos comes por wm mina grants elon espcilsas ou entendids, porque Tfmoram, devido A gua formagto e aoe seus precnellon, © importante ensinamento que o jogo pode suscitar nt ‘mentalidade da sociedad. ‘Um destes jogos confirma a pertingncia da nogio de ‘unidade africana © revela, na aso de cartos principiog ‘comune, variantes que enriqueoem coneretizagko desoee principles: trate-se do jogo a que alguns europeus cha- fam Jogo Africano doa Godée ¢ os nomes, variivels de luma socledade para outra, sio certamente ainda mais signifiati ‘No Daomé e no ‘Togo chamam-Ibe fofos aatigos (..), 08 enlgmag'e as febula. A histiria Ao seus tisofon'é' to interessante. gue no delxo do citar alguns ‘acton 0” mals notivel ‘de ene. eles 6 CCothi-Barma. Os brilhantes conceit deat fldsofo pode- Hiam perfeitemente constitur matéria para uma grande obra.) Bila ficou vivaments impremsionado com o modo de conunieagio ¢ de oxpressio doe Uolof anotow sa paces ions mais surpreendonte. 120 visous © Pexcspyoss Teapiorowals ‘Bis uma delas: . De um outro Moto Uolot, Mase cs mato do Cothi, sie trannoreve oe quatro adlgice 26: inten 1 oerat Aguesny 1 sAqule que despre a sus condi ¢ um homem 2. “Ginna tim fo nko se contenta com o teeta palermo’ porque a sus mle € impaciente> 4. @ defender © se. contentarem em rencionar o seu sspanto, os tenha levado a atribulr aos provéebios im valor importante, Anda hoje, poscos aio ‘6: homens de cultura africana que se desintoressam dos- {ts problemas quando se osfoream por compreender a sua propria. socledade. A arte Depois dos jogos ¢ dos provéxbios, dominios de obser- vaso ttals parn o estudo que em 308, sordneeae iri agora abordar o dominio da arte ‘Quer se trato da estatuéria da escultura, euja pureza ce rigor so testemuzhos de um elevado valor estético que {am por base a reflexio, quer so trato da aryuitectura, Ge urbanism, de coreografia, de mésica, do modesto fentrangamento dos cabelos, etc, a atitude dos Afrieanos fem relacdo a0 universo, b vida et sociedade exprime-se ‘Blo de forma espoculativa, mas sob a forma de activ ‘ad social criativa.c Nbertadora, Se Terwin Panofiky (") fot bem suvedido na anilise as relagdes ntre a arquitectura gétiea e pensamento ‘escolistiea, no venos por que razio, no estudo das eul- tras que ndo esto polarizadas em tratados escritos, ndo sera possivel extrait do trabalho dos construtores das Bigantescas casas bamileké (Camarves), das easus-obus hadianas ou dos eastelos somba (Norte do Daomé).. © penstmento que as inspira e a concepeio das relagdes fsotiais que elee estabelocern. ‘O ebjecto trabalhado participa de um mundo em que a. unide, “trav das mil ‘icalan de opoicbn Sons um ampesto importante dn integrasto. Vidades numa cultura dindmica. Na sua anélise da casa kabyle, Pierre Bourdieu con- segulu 34 por em evidéncla o pensamento social que a ‘subtl arqultectura kabyle traduz. ‘Trata-se agora de fomentar estudos deste género nas cultures com dominante oral. Assim, veremos como & 18 Honoree Agvesty Possivel, na auséncia de tratados escritos, apreender a ‘expresso do homem na sua vida conereta, a expressio de todo © homem e de toda'a vida no gesto do artetio- “artiste, A religido Nio poderfamee nogar o lugar proponderante que cave gio em rela ton damit dow jogo, ou provirblos € da arte, na intarpretagio do proptam fr Sano no. quo Tespita. ae «vintes © pervopgoes tredicio ‘X raligido afvicana 6, em certo sentido, 0 ofeito © & origem di evilisaglo ds’ orlidade (°), ‘Sor falta de Livros que consignem as aquisies das culéuras efricanas, a religito desempenha o papel de set ‘ubatituto vivo. As priteas relipiosas conservam © tre (¢ £010). ‘Mas a Iniclagio 10 concede todo o saber durante ‘uma ceriminia de tempo limitedo; ala continua depois ‘com 0 enriquecimento moral, clentifico e potion, que sb tempo prodigaliza'e apenias a0 homem perseverante 'B um esforgo constants que dosemboca num certo estilo do vida, nume atitude em relagio & vida, a sociedade & 9 univer, que nio‘be redis & aqusgto 40 algunas reeeitas. "Bis, porque diremos que o saber_prodigalizado pels inieiagio € de ordem qualltativa e nfo quantitativa! tra- tacee de a3 fa viver eno de capitaizar conheci- ant ws tetenupton de. tio potran, colts estas obvervagsen. A propGsito do Koumen, A. Hamat Eile G, Dicanien eaerovenns cA inilagao 6 conhediment, Oe Den eda gran ie ke atau omnecmert do SS, porque fe aptesenth como ume eice; te co ‘heelmento de tudo o que nao somos (> © esta elénela Gove ating o universal, ada um doe seus slementon © dae aapecto que fase parte de um todo, Oe Poul Gio “Xito te conhece tudo, Tatoo gu se eothece & una part ade tudo. ‘Para compreender bem este aforiamo 6 neoessirlo saber que ca vida de um Peo enguanto pastor inilado, Sneed com u “entrada” e trmiun cont 8 elds” do fcrmi, que tem lugar aoe 69 anos, Implea tres sequne San, de BY anos cia una 21‘anos de aprendizage, 2 hos de pritien e 21 ance de entinon “Sain do carral> feado doa infeindos ou 0 seu filho. Fascthe chupar a s Tingua porque s saliva éo suporte da epalavras, quer dizer, do conhecimento, depois diz-Ihe 20 ouvido 0’ nome ‘seersto do bovino, Mais adiante, um pormenor importante: «33. graus correspondem ads 33 fonemas da lingua peul, mais 3 a5 srmun mperiongs que alo inandivels; sho os da “peter ‘ie fommalnin ai erape pre, chnonts“Palayre rosehecia( si 7 ‘Site tastemunio fax aporcebor © papel ingubstituvel da inicingfo, excelente escola que ‘educa cada. cidadao, io ab a0 sononbe co conhedlentas titles Feuer dow pea aun profisio ran tamibem Tastrndocs seer dn orca do univers bre agulo qu © homens pose tsyerar oo que pods fast ‘Um tenia boas (*) (amare) copia 0s mécitos de semltaate sdatagio ® Saemetve as sins sobre com, ‘Sedo eta do hamom: 20 Loman & come tina drvers habee diate e apenas comega a curve mais tarde ‘om o peso dos ventoe deste nando: Tal como vers, ‘ema levantilo quando ainds ¢ nove, Assn como un iho no areal alo: pode ser ehdiaiadn, tart Um sulle vice. difelinents & resuperodo. A range ‘Sool dofeao ovi,Noentany4su nan Darvce A medida quo esc» rand do fudo, Depts deter tomado conseiieia dest propia descobre 6 mio (qoe a soiela © gue age sobre tin Peis bus cusondade To st gato Ge'Sventurs depres Gears onal: Ore ‘mon Ihde tina io ead plovenido em roagho a nade ‘roe faalors to velle, gee pseuens ee mal ‘Towle inSegn eda ita {ars que cla pou oviar'e nal'e proomar ¢ bem, O als. Sador ésimutaneamente um irittoe am tremor Ble [prio pole nfo net um Som Jogndor Mas cones todas Er fearon do Jogo dial mata que pods enna 2 outros e oboe etaptaree «done ‘R nora seit eogineda ao oducando polo educator 1s fot a pan serie 2a ican rights, one tao merfaina no setado. ‘Bis porque, ao fazer uma prospeesio do dominio reli- logo, se revelario os preciosos veios de ldeias sobre a ‘vindes precepeces tradieionals>- ‘ interrogazdo as teologias ¢ cosmologias elaboradas nos emnicules que nos daremoe cons, tal como Mares Piaule, que 0 conheclmento dogon, por exemplo, & «cot posto por 22 categorias de 12 elementos, ot aja, 264, © ada um esti eabece de uma lista de 22 pares. esta fonstrugdo de 11 €16 sinais exprime todos os ferui ¢ to- 16 YISOHS B PERCHPCOBS TRADICIOWAIS as as situagtes possvels vistas pelos machos. As daa Tulteres, do igual Importincia, correspondence, Ver ‘moa aisim que. oe Dogon ow outros Africanon | ‘Neste caso, gostariamos igualmente de saber qual o termo que of Uolof dessa épora usavam pera designar 0 ita Consideremos uma érea cultural africana onde os ter- mos que designam os géneros de narrativa so mais nu ‘erosos. Trata-ae da drea cultural 76 (Deom). ‘Eneoatramos na sua Iinguagem habitual as) palavras Xé, ta Xéipxd, vies, sexd, ght, huowiizd. ‘Que signiticam estes termon? Muitan explicagSes fo- ram dadas cerca deste assunto por eminentes auto- res. XG queria dizer glu , a0 ‘past que huemixd aignificaria (provisoriaments) «nar Fativa verdadeira ou lendiria> (*) ‘Retomando estes termos para sprofundar 0 emprego ‘vulgar que deles se faz, apresentando algumas perguntas em gue periods do dia se conta esta ou aquela forma ‘de narrativa? Quem diz ou conta ® nerrativa? A quem 129 Monorat Agucry se conta a narrativa? Interyém a exigéncia ou 0 Gritério de verdade ou de falsidade?) conseguiremoe tal. ‘yer determinar 0 estatuto do mito o procisar ov ensina- rmentos que ele encerra. ‘0 termo indigena hueniad eonviria para designar 0 ito. O ito (Ruemies) pods ser contado no importa fm que perfodo do dia. Hats, em contrapartids, eubmetido arstrgdea a dole lve: por um lado a0 nivel daqueles {ie ado suscoptivein do roosbor a monzagem comunioads, {or outro, ao nivel doe que estio habiitaios « reeitar ox Fesctunlzar a menengea. 'No que respelta& primeira restriio, est estabelecido que para uma quelquor pessoa néo é Mecessirio que Ihensagem sejo harrada or umn eepeciaists, Para a oe ida Sigamon ques trata de capella om matt pedis religions (pb menor no sera de aie ahaeio). “ima outra caraceriticn do Auonied (mito) consiste em ser abourdo conalderar se eategoran do verdadciro © do falno. Aqui sntervim o principio de autoridade © e Felagio de slldariedade efiiente entre o loeitor © o ine {erloenton ‘No mit, un paticante tnt far conhesimentn da narraive fundadara qae permitriaeueidar in ‘ristenclal angustiante. _— Nesta clima de relagio, de solidsrisdede ficient, « palavra manifesta-se como sel. A vor coloct, num ‘olteto smb 0 robene de reads enn toon me agora, entre ¢ locktar ¢ 0 iniaroeuior = ‘lima carscteriation do mito (f4, polo. menos): 0 specialist io o narra por simples gosto de conversa? {com a preocuparto de divertir: espera quo o seu aud tor tire da narragio @ licio dovida, que siga a via quo harrativa aponta © obtenba aaistecto Por outras pulawras, o milo tem consequénclas na nodida em que’ o tudltorconsultante € afectado, peas ‘conelusées a que a narrativa cond ‘Assim, 6-0 huenied (mito) que s0 datingue por mui- tos indeioe do td (narratives histireosniteas), do 2rd (conto de fadas), do ghe (anedotas sobre no importa ae anwunto da vide), ete, 130 VISORS ® PRECEPCOES TRADICIONAIS Se todas casas formas de narrativa apresentam de comum 0 feeto de trem apenas por fundamento a palavrs Crnathos), ono entanto importante sublinhar que ab 0 hue: ES coniegue Yoda sun ofc pla alr. ‘Nao podemos aqui deixar de pensar em Pavlov, para o.qual.a'pelavrs «entra et relacko oom todas as excl Sten eniatman ¢ inernas gue chegam tos. hemisfércs Strcbrais, guarda-an tolan subetiatan o por essa Talo pode provocar as mesmas rosegéos quo as suscltadas por een Imeamon exeltantoss (*). ‘A utillzagio da vox, do geato e do ritmo confere & palavra narrate do mito © 4 palavra-mensagem que ‘mana da nerretiva uma forea©'um estatato tals que © mito (hewntad) (*) mada tem a ver” com 0 aspecto Dparamente Hideo ¢ divertido das ovtras formas de narra Uva, coneebidas pela teora Indigens. ‘Para non fasermos compreender auma otra Ungua- 0m, diremos quo o mito afrieano (mesmo quando dist rule oun eitnele' o aeu poder «oa prega dos farrapos om que aio revestidoss) tem origer na ordem do sire paleo. ‘Aordem do silico, tal como a entendemos, distin sguete da ondem do «imaginition » da ordem do «zeal Dara usar a Iinguagem da escola dreadiana de Paris. ‘Para M. Jacques Lacan (©), ebefe desta escola pelea: nailien, 0 simbslleo &-0 que dh sentido ao imaging. ¢ {0 Teal’ Ha ume caxtonomia do nimbelices, «tomada 8 Simblico» sobre 0 imagindsio eo real, diz bastante sobre (9s princfpios essencials da sociedade a que nos referimos, ‘Trata-se de ume sociedade onde o universo e a. vida nl oderiam ser assumides por um Individuo ‘reduzido. 20 solipsiswn. O «outro» est VIgoRS & PERCEPOOES PRADICIONAIS zo que condleions, quando no determina conjuntamente {eeu «nfs»: © anterioridads om, pelo menos, simul faneidide de comunidade, a partr’do momento em que Burge 0 «cub. " B ceca dimensto prioritérin que 0 mito teorim a lnguagem fandadora gue repreacta. Extra deste a Scrilendo ou negando @ exsténcla do uma filosoia aft 'No fundo, nfo serio todas as flosotias constituas Vises © pereepgies mals ou menos bem ticuadas, P'ttraven ‘daa quale se Urs 0 fantanma de um grupo tu de um individ? ‘86 6 legitimo admitir os pensamentos interpretativos do mundo, penaamentos por vesea brilhantes, mas tame bbém por vers delirantes, e que a sociedade nio sabe 0 ‘que fazer deles na sua tentative de transformar o mundo, ‘Mo sera também legitimo tomar em considaracio os ‘Samentos que germinam na transformagio. do Tun nas diferentes actividades quotidianas? As vozes de ma- rlfestacio ds 1dgica e do pensamento sfo muito variadas; vemos evitar todo o dogmatism preguigoso, esforgan- donot por eonsideri-las a todas. " f ei z 3 ¥ ‘i & : i 2 1 Migr Couthrt, que conaieracetranba & Sow do Patio twa a sagen de taped miler (ao De Paton at, Pari, as asta ce gras a men ighah WM, Ah et"pordahesTw Ore, Mame, pots. ana gate Wat oonge oars em Abyss 18 108, iia Batata, Yopeps dant te Soudan (texdueo de Mare co ln ar fu i gartinom Sdn (tee GeO, Hout), Male Gy ad Sena, rar a Patch Cntto de 0, Ho san BRS gE mbene ao putea, Labersabe eho VISOHS & PRECEPGOBS TRADICIONAIS ‘s 3 Bust iat aif i, op. gs (5 Gen atte eco Gants, ata Mable Pars, Ye) tacam, sort, pp. 231, 408, erin. me id of tin Kant 2B Ae lletioa de oruiis in Posen africsine,(Calsule Hatin ei 8 srstare de pete, mal de mtd SE Gh deteatre nal, Wein RES, teteneatne nen Bosses a eee ipsa (ara tec po nod Eis Wendi aa Er ae me rama oun tn pnw a oe no Nace ca yee 2 Bough Siete ma re i te i calaso co rh mi a se coin eg rns a pee see aaa Ect Pinta ceee tee 135 oorat Aguey 2 te om att rm as i Sua ferme cape of erchien ex Gabon Paris 1082 ESSE eee rine ecco tt on Se grin sl Ange ret So a manent ears re Oa do ee ements raps Hae n,n cate Rtn, jes Dumécl G, Aythes ef dour das Germans, Pars, 190 ‘lade af'Za Nostegie dea onc, Methodologies ef attr des ‘avanertchard iy Suerrllplon, Te Carenden Pres, Oxford raha By . Onto onde Di Africon Wortds, «Studie ta the ca Las and ‘Soci Vluee of “Atenin Peopiao, Loar, Gxtond Uae, ty Prom i508 oveilt By i/Orare du dicoure, Part, Gaurd, {9m Giege a, Danoome arin I8te: Nov Slanume, By Dogucint, Barly Lavoe 1986 Hoag’ Las Dus @pue Nat, Pars Libra Oro vo, dare dpe om, La arnt Buse Nena aaah xtemerato od dmg Jaulln, R, La Mort sara, Union Générale é'RAttions, Paris, 1971 Hee are tan onc a “Maqueé, J,, Les Clotvations noires, Paris, 1962, Mesa, Samat Papa cin Be, Pas, (ant 5, cn of 2nd Ann mts a PASSE ae poe Ue na ido eeckeigie, Paras Oa aac, iL Romme, 1 Pai, Wels nn ee A acts 2 Ace De wean van, ra, SER es Serta, a ete Veg, Sie Parapet See San ‘tomas LV bos Disa, HAN, Das. ia a Eee a rane a, ‘Vass 3, Za tration ord, sal sur lx mthode Metorgue, Ter- zanan De Relion, epirtalte of poste sfrcane, Payot, Pats, 136

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