UNIVERSIDADE GAMA FILHO

NÚCLEO DE BRASÍLIA
PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA EM DIREITO DA TECNOLOGIA DA
INFORMAÇÃO









Magda De Conto










DIREITO AUTORAL VERSUS DIREITO À INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS DIGITAIS

















Porto Alegre
2010











Magda De Conto










DIREITO AUTORAL VERSUS DIREITO À INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS DIGITAIS





















Magda De Conto














DIREITO AUTORAL VERSUS DIREITO À INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS DIGITAIS











Trabalho de especialização apresentado ao
Programa de Pós-Graduação à Distância em Direito
da Tecnologia da Informação, da Universidade
Gama Filho, como requisito para obtenção do grau
de Especialista em Direito da Tecnologia da
Informação.

Orientador: Prof. Anderson Soares Furtado Oliveira













Porto Alegre
2010

UNIVERSIDADE GAMA FILHO
Reitora: Profa. Maria José Mesquita Cavalleiro de Macedo Wehling
Pró-Reitor de Humanidades e Ciências Sociais: Prof. Arno Wehling



Coordenação Geral dos Cursos em Direito
Guilherme Valadares Vasconcelos
Anderson Soares Furtado Oliveira

















POSEAD – Educação à Distância - Núcleo Brasília
L2 Sul – SGAS Qd. 603, cj. C
Brasília, DF
CEP: 70.200-630
Telefone: (61) 3218-8330
E-mail: acadêmico@posead.com.br

D296d De Conto, Magda
Direito autoral versus direito à informação em bibliotecas digitais / Magda
De Conto; orientador Anderson Soares Furtado Oliveira. – Porto Alegre,
2010.
78 f. ; 27 cm.

Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação) - Universidade Gama
Filho. Curso à Distância em Direito da Tecnologia da Informação, 2010.

1. Direito Autoral 2. Direito à informação 3. Bibliotecas digitais I. Oliveira,
Anderson Soares Furtado. II. Título.
CDU – 347.78:004

MAGDA DE CONTO




DIREITO AUTORAL versus DIREITO À INFORMAÇÃO
EM BIBLIOTECAS DIGITAIS


Monografia julgada e aprovada em: ....../...../......




BANCA EXAMINADORA


____________________________________________________
Prof
.
Anderson Soares Furtado Oliveira
Orientador
Universidade Gama Filho



____________________________________________________
Prof
a
.
Universidade Gama Filho



____________________________________________________
Prof.
Universidade Gama Filho





Conceito final: ___________



































“Aquilo que nos parece atualmente inerente à
natureza do direito, e, que é em grande parte
concepção inata da humanidade, não deve de
modo algum sua realização prática só ao poder
de convicção jurídica, à idéia da justiça. É,
também, obra da atividade humana, posta em
movimento, e nutrida às vezes por
considerações da vida e da pressão das
circunstâncias por motivos de oportunidade.
Quando estes factos efetuaram o trabalho mais
difícil, a ideia veio aproximar-se da obra e
tomá-la sob a sua proteção, como propriedade
que lhe pertence”.

Rudolf Von Jhering



RESUMO



O presente trabalho traça um histórico dos direitos autorais no mundo e no Brasil,
baseando-se em dois sistemas distintos de proteção aos direitos autorais: o de
Copyright e no Sistema Droit d’ Auteur, elencando concomitantemente algumas
convenções internacionais do qual o Brasil é signatário. Através de levantamento
bibliográfico e revisão da literatura, detalha as principais normas brasileiras a
tratarem deste assunto desde o Império até o presente momento. Analisa a atual
LDA, fazendo um paralelo com o Projeto de Lei em tramitação no Congresso e com
o texto que recentemente foi à consulta pública, ambos versando sobre sua
alteração. Aborda a sociedade da informação como sendo resultante das auto-
estradas da informação, da conectividade, acessibilidade, da interatividade e do uso
da tecnologia como mediante. Coloca o acesso à informação como sendo um direito
fundamental, passível de respeito. Situa o direito autoral em ambientes virtuais, mais
especificamente internet e bibliotecas digitais. Aponta a situação paradoxal existente
entre o direito autoral e o direito à informação, demonstrando o quanto o advento da
sociedade da informação ocasionou e alimenta esta situação. Já em suas
considerações finais coloca que tanto o sistema que protege em sua essência o
editor quanto o que protege o autor estão convergindo para uma proteção mútua, do
empresário e do autor contra plágios e contrafações, tendo em vista que neste
mercado capitalista globalizado, um não sobrevive sem o outro. Segundo os textos
analisados, no Brasil o problema maior não é a lei, mas a sua aplicação, sendo que
as bibliotecas digitais através das licenças de uso podem tornar acessíveis as
informações sem prejuízo ao autor, desde que resistências por parte de autores e
editores sejam quebradas. Pois, a necessidade de autorização para qualquer uso e
a larga duração dos privilégios obstam ao invés de promover a criação, a cultura e o
acesso à informação.




Palavras-chave: Direito Autoral. Direito à Informação. Lei dos Direitos Autorais.
Internet. Bibliotecas Digitais. Licenças de Uso.

ABSTRACT



This dissertation traces a detailed report of author’s protection in the world and in
Brazil, basing into two separate systems of author’s protection: Copyright and the
System Droit d'Auteur, listing concurrently some international conventions to which
Brazil is a signatory. Through bibliographical research and review of the literature,
details the main Brazilian rules treat with this subject since the Empire to the present.
Analyzes the current LDA, showing a parallel of the Bill in Congress with the text that
was recently in a public consultation, both which discuss the alteration of LDA. It
approaches the society of the information as being resulting from the freeways of the
information, connectivity, accessibility, interactivity and the use of technology as a
mediator. It puts the access to information as a fundamental right, susceptible to
respect. It situates the author’s protection in virtual atmospheres, more specifically in
the internet and digital libraries. It points the existent paradoxical situation between
the copyright and the right to the information, demonstrating how the advent of
information society caused and fuels this situation. Already in its closing argument
that puts both the system that protects the publisher in its essence, as it protects the
author are converging to a mutual protection, the entrepreneur and the author
against plagiarism and counterfeiting, considering that in this globalized capitalist
market, one doesn't survive without the other. According to the texts analyzed, the
biggest problem in Brazil is not the law, but their implementation, and digital libraries
through the use licenses can turn accessible the information without prejudice to the
author, since resistance from authors and publishers are broken. Therefore, the need
for authorization for any use, and long duration of privileges hinders instead of
promoting the creation, the culture and the access to the information.


Keywords: Copyright. Information’s right. Copyright’s law. Author’s protection.
Internet. Digital libraries. Licenses of use.



SUMÁRIO



1 INTRODUÇÃO............................................................................................ 8
1.1Tema......................................................................................................... 9
1.2 Problema................................................................................................. 10
1.3 Justificativa............................................................................................. 10
1.4 Objetivos................................................................................................. 11
1.4.1Objetivo Geral......................................................................................... 11
1.4.2 Objetivos Específicos............................................................................ 11

2 METODOLOGIA......................................................................................... 13

3 HISTÓRIA DO DIREITO AUTORAL........................................................... 14

4 DIREITO AUTORAL NO BRASIL............................................................... 22
4.1 Lei dos Direitos Autorais de 1998......................................................... 25
4.2 Atualização e modernização da lei....................................................... 28

5 COMO A INTERNET AFETA O DIREITO AUTORAL................................ 32

6 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DIREITO À INFORMAÇÃO ........ 39
6.1 Sociedade do conhecimento................................................................. 39
6.2 Direito à informação............................................................................... 42

7 ERA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DIGITAIS................................ 50
7.1 Bibliotecas digitais................................................................................. 50
7.2 Definição dos direitos autorais em bibliotecas digitais..................... 56
7.3 Uso de licenças...................................................................................... 57

8 DIREITO AUTORAL X DIREITO À INFORMAÇÃO................................... 62

CONSIDERAÇÕES FINAIS........................................................................... 67

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................. 69

ANEXO........................................................................................................... 76


8

1 INTRODUÇÃO


O desenvolvimento de diferentes tecnologias proporcionou-nos o surgimento
da internet, e esta, por sua vez, uma massiva troca de informações entre as
pessoas. Se a prensa de Gutenberg proporcionou a democratização do
conhecimento entre o povo, através da proliferação de livros, o surgimento da web
acelerou vertiginosamente este processo, sendo considerado o terceiro marco (vindo
atrás do surgimento da escrita e da prensa) na arte da transmissão do
conhecimento.
A crescente produção de informação neste ambiente fez surgir verdadeiros
repositórios de dados acessíveis a um grande contingente de pessoas. Muitos
destes repositórios são conhecidos como bibliotecas digitais, ambientes que
disponibilizam a informação de forma organizada, presentes principalmente em
ambientes acadêmicos e governamentais, sem fins lucrativos, tendo como único
intuito o de divulgar o conhecimento ali presente de forma a contribuir com a
construção de uma sociedade mais igualitária, indo de encontro a um dos direitos
fundamentais: o direito à informação.
A evolução da internet, no entanto, interpõe-se diretamente a alguns valores
sociais e mercantis, principalmente quando o assunto envolve a preservação dos
direitos autorais.
Nesse sentido, pode-se observar que a internet ocasionou no mercado
livreiro, da música e das artes um estremecimento, pois os principais detentores dos
direitos autorais viram-se diante de uma troca massiva de arquivos entre usuários
através do uso de aplicativos, atividade esta que provocou baixa vertiginosa de suas
arrecadações, fazendo-os buscar novas formas de remuneração. A internet
aproximou o autor das obras intelectuais de seu usuário, muitas vezes abreviando o
caminho entre a obra-prima e seu apreciador, ou seja, colocando em segundo plano
o papel das editoras e gravadoras.
Autores e editores buscam hoje novos serviços como sendo a solução para
seus produtos e receitas declinantes, muitos deles utilizando-se do mesmo ambiente
que outrora os colocou nesta situação, há quem diga que estamos em plena crise da
propriedade intelectual.
9

As bibliotecas digitais neste contexto estariam violando os direitos autorais ao
disponibilizarem acesso a uma série de informações através de uma única interface
de pesquisa? Atualmente é possível atender ao direito à informação sem ferir os
direitos autorais? Que mecanismos estão sendo desenvolvidos para tornar isso
possível?
Buscando responder a estas questões, o trabalho primeiramente coloca a
evolução histórica do direito autoral, traçando um paralelo entre o copyright e o droit
d’auteur, colocando suas origens, principais diferenças e contribuições.
Em seguida discorre sobre o direito autoral no Brasil, analisando a Lei
9610/1998 bem como o projeto em tramitação no Congresso que tem como objetivo
alterar a mesma.
Logo depois, trata do direito de autor propriamente dito, sua natureza jurídica,
aspectos morais e patrimoniais, sua função sob vários pontos de vista, suas
limitações e a crise nos conceitos tradicionais de autor e obra diante da era digital.
Analisa também as principais questões ligadas ao direito autoral na internet.
Dando seguimento, dedica um capítulo em especial a sociedade da
informação, a democratização do conhecimento e o direito à informação,
O trabalho também examina as bibliotecas digitais como um todo, conceitua,
levanta suas funções para a sociedade, analisa as principais bibliotecas digitais
brasileiras, bem como coloca a aplicabilidade das licenças de uso neste ambiente.
Por fim, coloca os conflitos éticos e jurídicos entre direito à informação e
direito autoral sugerindo algumas alternativas para minimização destes.


1.1 Tema


O presente estudo pretende chamar a atenção para os aspectos envolvidos
na disponibilização de informações em bibliotecas digitais.
Especificamente, versará sobre as limitações impostas pelo direito autoral ao
direito à informação e conseqüentemente, sobre os conflitos éticos e jurídicos
surgidos.


10

1.2 Problema


A disponibilização de informação por parte das bibliotecas digitais pode trazer
inúmeros benefícios à sociedade como um todo, partindo-se do pressuposto de que
todo indivíduo tem direito à informação.
Entretanto, isso também pode suscitar vários questionamentos referentes aos
direitos autorais na internet, ambiente em que estão inseridas as bibliotecas digitais, e
gerar diversos conflitos éticos e jurídicos.


1.3 Justificativa


O Direito serve como instrumento destinado a tutelar os interesses coletivos e
se posicionar diante das lides sociais. Porém, com o advento da internet, observa-se
que o Direito não está mais conseguindo acompanhar os avanços tecnológicos e o
comportamento desta sociedade “informacional”, sempre conectada, o que, por
vezes, faz com que muitos aspectos jurídicos neste novo ambiente fiquem
desatendidos. Apesar de a legislação procurar abarcar tudo e todos, colocando, por
exemplo, que os direitos autorais são válidos inclusive no ambiente web, na prática
verifica-se que há carência de uma legislação específica, que regulamente questões
mais pontuais.
É nesse ambiente que as bibliotecas digitais estão inseridas, procurando se
adaptar às questões de disponibilização e uso da informação na web e de respeito
aos direitos autorais. Mas, estão elas de acordo com a legislação vigente? Esta
legislação é adequada para este tipo de ambiente e sociedade informacional? Quais
são as alternativas apresentadas para o pleno cumprimento perante o Direito?
O tema proposto é polêmico, principalmente por se tratar de um assunto
interdisciplinar, envolvendo operadores do Direito, da Ciência da Informação, da
Informática, além de diversos outros segmentos.
11

O maior questionamento sem dúvida é jurídico, refere-se ao fato da
democratização da informação. Até que ponto pode-se considerar o direito à
informação sem ferir o direito das editoras e autores?
De um lado vemos alguns doutrinadores que afirmam que todos têm direito à
informação, que a disponibilização de obras em bibliotecas digitais pelos autores
coibiria o plágio, inclusive. Porém de outro lado temos os mais conservadores, que
alegam, por exemplo, que o uso de licenças de uso não levou a resultados
promissores.
Essa dicotomia necessita ser analisada, comentada e o resultado disso
disseminado de forma a contribuir para o avanço dessa matéria tão interessante que
é o direito digital.


1.4 Objetivos


1.4.1 Objetivo Geral

O propósito central do estudo é a construção de um trabalho científico que
aborde como tema o direito à informação, particularmente da informação
disponibilizada em bibliotecas digitais e os aspectos jurídicos envolvidos nesse
processo, com relação à aplicação do direito autoral na internet.

1.4.2 Objetivos Específicos

a) Compreender a relação entre o direito à informação e o direito autoral;
b) Refletir a respeito do impacto das inovações tecnológicas sobre o universo
dos direitos autorais;
c) Esclarecer questões referentes ao direito à informação;
d) Verificar os meios utilizados para a garantia do acesso à informação;
e) Analisar e compreender o histórico da evolução do direito autoral no mundo e
no Brasil;
f) Verificar os meios utilizados para a garantia do direito autoral na internet;
12

g) Analisar a atual lei referente aos direitos autorais no Brasil e o projeto em
tramitação no Congresso que visa sua reformulação;
h) Verificar a aplicação do direito autoral e do direito à informação em bibliotecas
digitais;
i) Analisar os princípios que regem os valores da sociedade contemporânea e
que, sendo o Direito o reflexo dos anseios sociais, interferem na edição da
legislação referente ao assunto;
j) Como objetivo conclusivo, o estudo tentará, após a revisão bibliográfica e
jurisprudencial, verificar a tendência mundial quanto à disponibilização de
informações em bibliotecas digitais.
13

2 METODOLOGIA


O presente trabalho terá como metodologia a revisão bibliográfica tradicional,
buscando-se, a partir da doutrina já existente na área do direito autoral, do direito à
informação bem como da ciência da informação o conhecimento disponível,
identificando e analisando as teorias existentes, na tentativa de expor o melhor
entendimento do tema a ser discutido.
Conforme Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos (2003, p. 183), a
pesquisa bibliográfica “é um tipo de pesquisa que oferece meios para definir e
resolver não só problemas científicos bem determinados, como também explorar
novas áreas nas quais os mesmos problemas ainda não se cristalizaram o
suficiente”. Este é o caso do direito autoral na internet, tema polêmico, cujas bases
ainda não estão sólidas.
Buscaram-se na literatura brasileira e estrangeira contribuições de diversos
autores renomados na área como é o caso de José de Oliveira Ascensão, Manuel
Castells, Eliane Y. Abrão, Fábio Ulhoa Coelho, Guilherme Carboni, José Joaquim
Gomes Canotilho, dentre outros e textos de várias convenções, legislações
nacionais e estrangeiras, e jurisprudência, a fim de se obter um panorama geral e
aprofundado do assunto.
Várias fontes foram consultadas como livros, periódicos, teses, dissertações,
sites como o do Ministério da Cultura, da UNESCO, de ONGs e jornais como o
Diário Oficial da União.
Após a coleta do material houve seleção, leitura e análise das principais
idéias, conforme os objetivos do trabalho.
14

3 HISTÓRICO DO DIREITO AUTORAL


Há quem diga que o direito autoral surgiu no momento em que surgiram os
homens na Terra, pois a capacidade criativa o acompanha desde que este nasce,
sendo a criatividade um produto do intelecto e sem dúvida, passível de direitos de
reconhecimento. Assim perpassam todas as aulas de História como se fosse um
filme em “slow-motion”: as pinturas rupestres, a criação de inúmeros utensílios na
pré-história, a criação da escrita, a edificação de diferentes povos, a criação de
obras literárias e teatrais na antigüidade, a transmissão da cultura, as batalhas pela
conquista de território e poder na idade média, as revoluções francesa e industrial,
tudo isso, de uma forma ou de outra, contribuiu para o surgimento e
desenvolvimento do direito autoral.
Na idade antiga (imaginemos Grécia e Roma), havia abundante produção
intelectual, inúmeros artistas eram consagrados pelo público. Porém, não era
assegurado a eles o status de propriedade, nem o de exclusividade. Ou seja, o
direito de autor não protegia as diversas manifestações da obra, porém, a noção de
plágio já era reconhecida e praticada, de uma forma peculiar. Prevalecia o caráter
moral sobre o aspecto patrimonial da autoria, através da condenação da opinião
pública, única medida repressiva, pois o segundo aspecto citado não era
reconhecido. Aquele que apresentasse como sua obra a de outrem era considerado
um verdadeiro ladrão, sofrendo o repúdio do público, desonrado e desqualificado
intelectualmente.
Existia nessa época a expressão “plagium” como sendo crime de furto
cometido contra pessoas livres, que passou a ser adotada para ilustrar essas
situações em que os indivíduos “roubavam” ou copiavam idéias de outras pessoas.
No entanto, não se concebia a criação do intelecto como objeto de direito. O
direito romano amparou o direito de autor somente nos seus aspectos morais
através da actio injuriarum. A ação de injúrias possibilitava às vítimas de uma injúria
reclamar perante um júri uma pena pecuniária. A actio injuriarium permitia aos
Recuperadores que compunham o júri estimar a injúria livremente. Mais tarde, surge
a Lex Cornelia que continha disposições referentes não só a injúrias, mas também
violação de domicílio, que permitia a exposição dos fatos e a fixação, dependendo
dos casos, pela vítima ou pelo pretor, do valor máximo dos prejuízos.
15

Para Carla Eugenia Caldas de Barros (2007, p. 468), a obra em Roma, tinha
duas conotações: a moral e a econômica. A primeira era atribuída ao autor: fama,
glória, honras. Já a remuneração pertencia ao copista, vendedor. Manuella Santos
(2009, p.17) complementa, explicando que em Roma “entendia-se que o homem que
criasse não deveria ‘descer’ à condição de comerciante”.
José Carlos Costa Netto (1998, p. 30) coloca que a reparação do dano moral
é anterior aos romanos. Já existia no Código de Manu que consistia na legislação do
mundo indiano e estabelecia o sistema de castas na sociedade hindu, escrito entre
os séculos II a. C e II d.C e no Código Hamurabi, da Babilônia, datado de 1726 a.C:

Código de Manu, Livro IX, parágrafo 239. O rei na revisão do processo
imporá aos ministros ou juízes responsáveis pela condenação injusta do
inocente uma penal de mil panas.
Código de Hamurabi, art. 127. Se um homem livre estender um dedo contra
uma sacerdotisa ou contra a esposa de um outro e não comprovou,
arrastarão ele diante do juiz e raspar-lhe-ão a metade do seu cabelo.
(COSTA NETTO, 1998, p. 30)

Na idade Média, pode-se dizer que a Igreja detinha o monopólio cultural e
tutelava rigorosamente a produção intelectual. Os únicos letrados nesta época eram
os monges copistas, que reproduziam os manuscritos da Antiguidade clássica à
mão, trabalho este bastante detalhado artesanal e lento. Em função disso, a cópia
de uma obra era praticamente inexistente, primeiro por ser esta de difícil acesso,
segundo porque a língua disseminada era o latim, e por fim, só os letrados a
poderiam fazer, de modo que a utilização de uma obra, quando acontecia, acabava
por não prejudicar os direitos patrimoniais do autor.
Foi na Idade Moderna que houve uma revolução na cultura e literatura.
Emerge o Renascimento, movimento surgido em meio urbano, que propunha uma
ruptura com a tradição medieval, que trouxe idéias humanistas, voltando-se para o
estudo da literatura, da historia e filosofia antiga, valorizando os grandes pensadores
e as correntes clássicas de pensamento em que o individuo é visto como um
cidadão, livre e apto a fazer o seu julgamento de valores. Esta foi uma época em
que houveram grandes feitos artísticos através de pessoas como Leonardo da Vinci,
Michelangelo, progressos na astronomia com Nicolau Copérnico e Johannes Kepler.
Um dos inventos mais marcantes nesta época foi o do alemão Johannes
Gensfleisch zum Gutenberg. Ele desenvolveu o processo de impressão com tipos
16

móveis de metal, a chamada impressão tipográfica. Segundo Elisângela Dias
Menezes:

O alemão Johannes Gutenberg nasceu em Mainz, por volta de 1400 e foi o
responsável pela invenção da impressão tipográfica, a partir do
aperfeiçoamento da prensa utilizada para espremer uvas na produção de
vinhos. Gutenberg também inventou os chamados tipos móveis, formados
pro letras de metal. Em 1456 seria impressa a primeira versão tipográfica da
Bíblia com tiragem de aproximadamente seiscentos exemplares.
(MENEZES, 2007, p. 22).

Muitos afirmam que a técnica de impressão já existia na China. Porém, com
relação aos caracteres móveis, não há registros anteriores, de modo que, sua
paternidade é atribuída a Gutenberg.
Esta invenção provocou uma revolução, pois os livros passaram a ser
reproduzidos em série e a custos mais baixos. Com isso, não só as glórias e honras
do autor passaram a ter maior difusão, mas também sua reputação. Os seus nomes
e os assuntos escolhidos passaram a agregar valor às obras, ao contrário dos que
apenas as reproduziam. Conseqüentemente, o que até então só se considerava
uma violação à moral, começou a ser visto como uma violação a um direito. Iniciam-
se neste período, por conseguinte, discussões entre autores e editores, pois a visão
de que os frutos das obras pertenciam aos que as editavam e não aos seus
criadores, passou a ser questionada. Houve, neste sentido, alguns reconhecimentos
por parte dos reis de que o indivíduo possuía direitos sobre o que ele próprio
produziu, porém, estes foram atos isolados.
A informação até então era privilégio da nobreza ou alto clero e concentrava-
se nas mãos de poucos. Com a invenção da impressão tipográfica, houve a difusão
do conhecimento e cultura de forma massiva e a história do direito autoral toma
corpo a partir deste momento.
Surge a figura dos impressores e dos vendedores de livros. Lojas são abertas
nas cidades, ambulantes divulgam as obras no interior, a comercialização se torna
comum em feiras e exposições européias. Neste cenário surge a necessidade de
legislar sobre a publicação de obras. Até então, as obras intelectuais não eram
vistas como uma fonte econômica, mas sim como uma fonte de glória, sem proveitos
comerciais. A sua reprodução não podia ser feita em escala industrial, o autor tinha
a posse do manuscrito original e fiscalizava a multiplicação dos exemplares. Mas
com a invenção de Gutenberg, o autor deixa de ter controle sobre sua obra, gerando
17

mais conflitos com os editores, que passaram a ter lucros significativos, enquanto o
criador continuava somente a alimentar o seu ego com elogios e lisonjas.
Em paralelo surgia a concorrência desleal e crescia o medo da Igreja e da
nobreza com relação à divulgação de informações que provocassem motins e
revoltas contra a classe dominante e idéias contrárias às defendidas pela Igreja.
Para amenizar estas diferenças cria-se o sistema de privilégios. Neste
sistema, os reis concedem a um impressor o direito de exclusividade de uma obra,
mediante critérios políticos. Entretanto, os prazos de duração, as penalidades no
caso de infração, a extensão desses privilégios alterava-se de autoridade para
autoridade. Não havia uma padronização, muitos concediam a uma obra em
especial, outros a uma coleção, envolvendo muitas vezes, diversas autoridades:
municipais, papais, imperiais.
Na Inglaterra e na França este sistema se tornou complexo, vindo mais tarde
a eclodir no copyright e no droit d’ auteur e atendia aos interesses dos editores,
livreiros e da realeza. Se por um lado os primeiros tinham sua reserva de mercado e
lucros garantidos, a monarquia dispunha de mecanismo eficiente para a censura de
idéias contrárias. Sendo assim, muitos conteúdos sofreram modificações ou mesmo
verdadeiras deturpações. Este controle recebeu o nome de copyright, ou seja,
direito de reprodução, sendo que até hoje esta expressão é utilizada quando
tratamos de direito autoral.
Sabiamente coloca o autor português José de Oliveira Ascensão (1997, p. 4),
que desde o início, “a ratio da tutela não foi proteger a criação intelectual, mas os
investimentos”. Os editores não conferiam aos autores qualquer parcela de lucro,
ficando estes a mercê da boa vontade de mecenas, pessoas ricas que motivavam e
patrocinavam o trabalho de escritores e artistas.
Eliane Y. Abrão (2002, p. 29) explica que mediante o monopólio dos livreiros,
surge a pirataria, oferecendo livros a preços populares. Em contrapartida, estes
livreiros ingleses conseguem aprovar um decreto real em 1586, que ampliava seus
poderes, e novamente sem considerar os direitos do autor.
Em 1662 na Inglaterra houve a assinatura do Licensing Act, que proibia a
reprodução de obras sem registro e licença, garantindo ainda assim, o monopólio da
reprodução e comércio de livros à Stationer’s Company, mediante pagamento de
royalties à monarquia, que ganhava duplamente, na cobrança desses royalties e na
censura de obras que divulgavam idéias contrárias a seus interesses. Segundo
18

Fábio Ulhoa Coelho (2009, v. 4, p. 264), o Licensing Act tornou obrigatório o registro
da obra licenciada nesta companhia, e surgiu para aumentar e melhorar o controle
sobre as publicações bem como para assegurar a exclusividade de publicação a
determinado editor.
Esse sistema sobreviveu por 200 anos, apesar de em 1709 ser promulgado
na Inglaterra o Copyright Act, da rainha Ana I da Grã-Bretanha, também conhecido
como Statute of Anne. Esta lei estabeleceu que os impressores e livreiros poderiam
continuar imprimindo as obras dos autores, mas seria necessário primeiramente
adquiri-las destes autores mediante contrato de cessão. Ela também assegurava,
por mais 21 anos a exclusividade da Stationer’s Company sobre as obras já
editadas, permitindo também a qualquer pessoa interessada a estabelecer-se como
editor.
O Statute of Anne é considerado a primeira lei referente ao direito autoral,
apesar de não reconhecer ainda o direito do autor sobre sua obra. O que faz é tentar
regular o mercado, desfazendo o monopólio editorial existente e protegendo
indiretamente o autor, ao abrir para a livre concorrência esse mercado, fazendo com
que o autor pudesse negociar o preço de sua obra de forma mais justa, ou mesmo
dela ser seu editor.
“A noção de que o autor titulariza um direito natural sobre sua criação
intelectual surge 200 anos depois”, segundo Fábio Ulhoa Coelho (2009, v.4, p. 265),
num momento em que os livreiros antes monopolistas moviam processos contra os
novos editores assim que estes passavam a publicar as obras caídas em domínio
público após 21 anos proclamados pelo Statute of Anne. A Stationer’s Company
alegava que não podia se limitar a common law, ou seja, o direito natural que os
autores titulavam e que lhes haviam sido transmitidos. Estes argumentos utilizados
na tentativa de prolongar o monopólio na verdade contribuíram para reconhecer o
direito do autor.
Finalmente, em 1842, o Literary Copyright Act reconhece o direito do autor e
seus sucessores sobre a obra pelo prazo de 42 anos, contados pelo que fosse
maior: da primeira publicação ou 7 anos da sua morte. Logo a seguir, em 1911 é
editado o Copyright Act, que além dos direitos do autor e ator, colocava também os
do compositor, fotógrafo e arquiteto, dentre outros. Nos Estados Unidos em 1790
editou-se o Copyright Act, onde a duração da exclusividade dos autores foi fixada
em 14 anos, contados da primeira publicação, prorrogáveis por mais 14. Foi
19

posteriormente ampliado, sendo que hoje as obras caem em domínio público após
50 anos da morte do autor. Observa-se que o sistema copyright focado
primariamente no mercado editorial se aproxima lentamente do droit d’ auteur, cujo
interesse inicial foi curiosamente o inverso: a tutela dos interesses do criador da obra
intelectual.
Já o droit d’ auteur surge na França, com a Revolução Francesa. Enquanto na
Inglaterra o regime era o do copyright que privilegiava os editores e impressores e
cujo principal direito a ser protegido era o da reprodução de cópias, mais conhecido
como sistema anglo-americano, o droit d’auteur preocupava-se com as idéias do
autor, com os seus direitos morais, sendo o inverso do copyright. Para Fábio Ulhoa
Coelho (2009, v.4, p. 266), “o reconhecimento pelo direito positivo de que o criador
de obra intelectual tornava-se o proprietário dela representou um extraordinário
avanço na promoção e difusão da cultura”.
Ao ser juridicamente considerado proprietário da obra intelectual, o autor
passou a ter em seu patrimônio obras com valor de troca, que poderiam
proporcionar-lhe independência financeira e liberdade de criação, já que não
necessitaria mais viver de favores da nobreza e de seu mecenas.
Nasce desta forma, a proteção dos direitos do autor perante os direitos do
editor. Desenvolve-se o conceito dos direitos morais, que passa a ser mais
importante do que os direitos patrimoniais, uma vez que a obra é algo único,
pessoal, fruto da criatividade e mente de seu criador, ligada a ele de forma perene.
Seguindo este raciocínio, a obra só poderia ser divulgada com nome do autor, e
continuava ligada a ele mesmo depois de sua morte ou extinguindo-se os seus
direitos patrimoniais. Pollaud-Dulian (2005, p. 2 a 37) explica que para este sistema
o registro da obra não era o mais importante para garantir a titularidade do direito
sobre ela, mas que ela tivesse sido derivada de um ato de seu criador, de seu
intelecto.
Vários foram os países que inspirados pelos franceses, promulgaram leis
versando sobre os direitos autorais, inclusive na América Latina. A primeira iniciativa
que se tem registro visando um pacto internacional sobre os direitos autorais ocorreu
em 1840, porém, a convenção mais importante neste cenário foi a Convenção de
Berna de 1886, ratificada pelo Brasil em 9 de fevereiro de 1922 e atualmente em
vigor. Ela inseriu os direitos autorais nas discussões internacionais. Nela são
contemplados três princípios: os Estados signatários pela Convenção devem
20

dispensar aos autores dos demais, proteção idêntica à dispensada aos seus autores
nacionais, não podendo esta depender de qualquer exigência quanto a registros,
depósitos e valores fiscais. Esta proteção é autônoma, não dependendo da
existência de proteção idêntica de outro país. Ainda, pela Convenção de Berna,
artigo 9.2:

Fica reservada às legislações dos países da União a faculdade de permitir a
reprodução das referidas obras, (1) em certos casos especiais, (2) desde
que tal reprodução não prejudique a exploração normal da obra (3) nem
cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses do autor.
(CONVENÇÃO, 1971)


Guilherme Carboni (2007) ao analisar o artigo 9.2 da Convenção de Berna
destaca que a limitação deve ter um propósito que seja justificável em termos de
políticas públicas. Também de que pela Convenção não é permitida a limitação
injustificada de um mercado comercialmente relevante já existente ou que está em
ascensão, a menos que haja interesse público.
Nota-se que a Convenção tenta manter o equilíbrio entre o direito privado e
público, ou seja, equilíbrio entre os direitos dos autores e o interesse público
relacionado à pesquisa, educação e acesso à informação.
A Convenção de Berna foi revisada diversas vezes: em Paris de 15.03.1896 a
04.04.1896; em Berlim de 14.10 a 14.11.1908, em ato assinado em 13 de novembro,
entrando em vigor em 09 de setembro de 1910, e sido promulgada, após o
aditamento em Berna em 1914, pelo Decreto nº 4.541, de 06 de fevereiro de 1922;
em Roma, no período de 07.05 a 02.06.1928, com assinatura em 02 de junho, e
aplicação a partir de 1º de agosto de 1931; em Bruxelas de 06.06 a 26.06.1948;
Estocolmo em 14.07.1967 e, novamente, em Paris em 24.07.1971, com modificação
feita em 28.09.1979.
Em 1952 surge a Convenção de Genebra que ficou conhecida como a
Convenção Universal sobre Direitos de Autor. Teve como propósito conciliar o
sistema dos direitos do autor, de origem francesa e a do copyright, anglo-saxã,
adotada principalmente pelos Estados Unidos. Em vigor, sua última revisão foi em
conjunto com a Convenção de Berna, em julho de 1971 e apesar de passados 39
anos desde sua última revisão, pode-se afirmar que seu objetivo ainda não foi
atingido, uma vez que o direito autoral está em crise diante dos avanços
tecnológicos.
21

A Convenção de Washington de 1946, no sistema jurídico brasileiro através
do Decreto 26.675, de 18 de maio de 1949, é contrária ao princípio de que o direito
autoral se materializa no ato de criação. Para a Convenção, o direito de autor é
transferível e o registro da obra fica sendo uma exigência implícita, marcas do
copyright. Sua relevância para o Brasil é questionável, pois direito autoral brasileiro
baseia-se nas Convenções de Berna, Genebra e no droit d’auteur.
Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada em 1948 e assinada
pelo Brasil no mesmo ano, afirma que todo ser humano tem direito à proteção dos
interesses morais e materiais de sua obra, seja ela científica, artística, ou literária.
Nela surge de forma implícita, o direito ao acesso à informação, em seu artigo 27,
parte 1.
O mais recente acordo é o que foi aprovado juntamente com a criação da
OMC – Organização Mundial do Comércio em 1994. Trata-se do Acordo sobre
Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio –
TRIPs. Ele determina que os países pertencentes à OMC cumpram a Convenção de
Berna e atenta também para o cumprimento do seu artigo 6º-bis relacionado aos
direitos morais pelos países que seguem o sistema de copyright. Ele também
assegura os direitos conexos e fixa para as obras em geral, o prazo mínimo de 50
anos para a duração do direito autoral.
22

4 DIREITO AUTORAL NO BRASIL


No Brasil, a primeira noção legal de direitos de autor surgiu com a criação dos
dois primeiros cursos jurídicos no país, em 1827. Dom Pedro I através da Lei de 11
de agosto de 1827 garantia aos professores destes cursos a proteção às suas obras
em seu artigo 7º:

Os Lentes farão a escolha dos compendios da sua profissão, ou os
arranjarão, não existindo já feitos, com tanto que as doutrinas estejam de
accôrdo com o systema jurado pela nação. Estes compendios, depois de
approvados pela Congregação, servirão interinamente; submettendo-se,
porém, á approvação da Assembléa Geral, e o Governo os fará imprimir e
fornecer ás escolas, competindo aos seus autores o privilegio exclusivo da
obra, por dez annos. (BRASIL, 1827)

Para Plínio Cabral (2009, p. 24), observa-se a preocupação do governo em
imprimir e fornecer às escolas o material necessário, bem como a de reconhecer os
autores destas obras, dando-lhes o direito sobre estas por 10 anos.
Em 1830, através do Código Criminal do Império, foi estabelecida a primeira
regulamentação sobre direito autoral no âmbito penal, especificando o delito e
respectivas penas em seu artigo 261:

[...] Art. 261. Imprimir, gravar, lithographar, ou introduzir quaesquer
escriptos, ou estampas, que tiverem sido feitos, compostos, ou traduzidos
por cidadãos brasileiros, emquanto estes viverem, e dez annos depois da
sua morte, se deixarem herdeiros.
Penas - de perda de todos os exemplares para o autor, ou traductor, ou
seus herdeiros; ou na falta delles, do seu valor, e outro tanto, e de multa
igual ao tresdobro do valor dos exemplares.
Se os escriptos, ou estampas pertencerem a Corporações, a prohibição de
imprimir, gravar, lithographar, ou introduzir, durará sómente por espaço de
dez annos. (BRASIL, 1830)

Salienta Roberto Senise Lisboa (2005, p. 500) que o artigo acima institui o
delito de contrafação, mencionando também as punições cabíveis. Ao que
Manuela Santos (2009, p. 45) observa que ao contrário dos demais países, a
primeira regulação dos direitos autorais no Brasil foi feita via legislação penal e não
civil.
23

Em seguida, já no regime republicano, é promulgado o Código penal de 1890
(BRASIL, 1890) que estabelecia punições para quem, sem permissão do autor,
reproduzisse obra artística ou literária, através dos artigos 342 a 350.
Finalmente em 1891 o direito autoral passa a fazer parte do texto
constitucional, impondo-se como princípio normativo, através do artigo 72, mais
especificamente em seu parágrafo 26, coincidentemente logo após a Convenção de
Berna de 1886 (CONVENÇÃO, 1971), do qual o Brasil é país originalmente
signatário. Somente a partir esta convenção que o Brasil incluiu em seus textos
constitucionais a proteção aos direitos de autor aos brasileiros e estrangeiros
residentes no país, ainda que a Constituição do Império de 1824 dispusesse em seu
art. 179, XXVI os princípios de proteção aos direitos de propriedade industrial.

[...] Art 72 - A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade, à
segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
[...] § 26 - Aos autores de obras literárias e artísticas é garantido o direito
exclusivo de reproduzi-Ias, pela imprensa ou por qualquer outro processo
mecânico. Os herdeiros dos autores gozarão desse direito pelo tempo que a
lei determinar. (BRASIL, 1891)

O direito autoral foi incluído nas Constituições brasileiras posteriores: de 1934
através do art. 113, XX, na Constituição de 1946 através do artigo 141, § 19:

[...] Art 141 - A Constituição assegura aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à
liberdade, a segurança individual e à propriedade, nos termos seguintes:
[...] § 19 - Aos autores de obras literárias artísticas ou científicas pertence o
direito exclusivo de reproduzi-las. Os herdeiros dos autores gozarão desse
direito pelo tempo que a lei fixar. (BRASIL, 1946)

E na Constituição de 1967(redação dada pela EC 1/1969) pelo artigo 153, §
25:

[...] Art. 153. A Constituição assegura aos brasileiros e aos estrangeiros
residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida, à
liberdade, à segurança e à propriedade, nos têrmos seguintes:
[...] § 25. Aos autores de obras literárias, artísticas e científicas pertence o
direito exclusivo de utilizá-las. Êsse direito é transmissível por herança, pelo
tempo que a lei fixar. (BRASIL, 1969)

24

Observa-se que ao longo do tempo houveram algumas alterações na redação
dos artigos, principalmente da Constituição 1946 para 1967. Esta última ao invés de
colocar que “aos autores pertence o direito exclusivo de reproduzir suas obras”
passa a colocar “aos autores pertence o direito exclusivo de utilizar suas obras”.
Avança do direito de exclusividade de reprodução de uma obra para uma
terminologia mais ampla, talvez na tentativa de adequar a legislação aos avanços da
sociedade da época.
Atualmente o direito de autor está protegido através do artigo 5º, incisos XXVII
e XXVIII da Constituição Federal de 1988 colocando que aos autores pertence o
direito exclusivo não só de utilização, mas de publicação ou reprodução de sua obra.
(BRASIL, 1988). Ou seja, amplia o rol de alternativas para o autor, e este tem a
opção também de não dar acesso ao público de sua obra.
A primeira norma específica referente ao direito de autor foi a Lei 496, de 1º
de agosto de 1898, chamada de Lei Medeiros de Albuquerque (BRASIL, 1898), que
divergia do Código penal vigente desconsiderando como crime de contrafação a
reprodução de atos oficiais da União, estados e municípios, tornando obrigatória o
registro da obra na Biblioteca Nacional.
Conforme Carla Eugenia Caldas Barros (2007, p. 490), a lei era breve quanto
à responsabilidade civil, “[...] apenas condenava o contrafator à indenização de
perdas e danos causados ao autor da obra”.
A abrangência do direito autoral se ampliou com a edição da Lei 3.071, de 1º
de janeiro de 1916, o Código civil de 1916 (BRASIL, 1916), nos artigos 649 a 673,
em especial nos artigos 650, 652, 655, 657, 666 e 669. Conferiu-se direito ao
compositor de canção, houve preocupação em atribuir ao contrafator a obrigação de
pagar ao autor o valor da obra original no mercado ou o valor avaliado; não se
podendo identificar a tiragem ficava ele obrigado a pagar o valor de mil exemplares,
além dos apreendidos. Tratava também das exceções ao direito de autor.
Merece atenção o Decreto-Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940, Código
penal brasileiro ainda vigente (BRASIL, 1940), em seu artigo 184. Este penalizava
com a detenção de 3 meses a 1 ano ou multa, quem violasse o direito de autor. Este
artigo passa em 1980 e 1993 por modificações, elevando-se a pena para os casos
25

de venda, aquisição e ocultação ou depósito com fins comerciais, aumentando
também os valores da multa.
Em 1973, surge a lei dos direitos autorais propriamente dita. Trata-se da Lei
5.988 (BRASIL, 1973), revogada pela atual lei autoral, a Lei 9.610, de 19 de
fevereiro de 1998 (BRASIL, 1998). Ela inaugura uma nova fase da legislação nessa
área, consolidando a legislação até então existente.


4.1 Lei dos Direitos Autorais de 1998


A LDA – Lei dos Direitos Autorais como é conhecida, já em seu artigo 1º
coloca que entende sob esta denominação “os direitos de autor e os que lhes são
conexos”, assegurando através dela, a proteção aos seus direitos prevista em
diversos acordos, convenções e outros diplomas internacionais vigentes no Brasil.
A referida Lei também disciplina o conceito e abrangência das obras
protegidas, relaciona os direitos morais do autor, especifica normas sobre os
direitos patrimoniais, aumentando o prazo de proteção de 60 para 70 anos, após
1º de janeiro subseqüente à morte do autor.
Algumas mudanças significativas ocorreram na Lei 9.610, de 1998, em
relação à Lei 5.988/1973. Houve o aumento do número de exemplares na
indenização por contrafação, de dois mil para três mil exemplares; o Conselho
Nacional de Direito Autoral – CNDA criado na lei anterior, que decidia e estabelecia
algumas questões com relação aos direitos dos autores, foi extinto; ocorrendo
também a extinção do direito de arena (direito que as entidades de prática
desportiva, os clubes, tinham para negociar, autorizar ou não a fixação, transmissão
ou retransmissão de imagem de eventos desportivos ou espetáculos) e do direito
sobre a obra sob encomenda. A nova lei também passou a utilizar o termo “co-
autoria” como sendo uma obra criada em comum, ao invés de “obra em
colaboração” como era utilizado na revogada lei e o termo “audiovisual” em
detrimento de “videograma”.
No artigo 7º, a Lei define como obras intelectuais protegidas, as criações de
espírito, expressas por qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecidos ou a
26

serem inventados, e especifica quais são: os textos de obras literárias, artísticas ou
científicas, as obras dramáticas, as obras coreográficas e pantomímicas, as
composições musicais, as obras audiovisuais, as ilustrações, obras de desenhos,
pinturas, gravuras, esculturas, as coletâneas, compilações e bases de dados que
por sua seleção, organização e disposição de conteúdo configurem uma criação
intelectual, inclusive programas de computador, dentre outros.
Desta forma, a obra pode estar impressa, num CD-ROM, num arquivo de e-
book, num banco de dados ou numa biblioteca digital, ela estará protegida pela lei
dos direitos autorais, sendo esta um texto, som, imagem, base de dados ou
software.
O artigo 11 da Lei 9.610/98 define o autor como sendo “pessoa física criadora
de obra literária, artística ou científica”, podendo este usar nome civil completo,
abreviado, iniciais do nome ou pseudônimo para identificar sua autoria. Não regulou
as obras que surgem em função do contrato de trabalho, prestação de serviço ou
aquelas sob encomenda. Conforme Plínio Cabral (2009, p. 67):

[...] nos países cujo ordenamento jurídico segue as concepções romano-
germânicas, [...] os autoralistas são unânimes em reconhecer unicamente
na pessoa física a capacidade para criar a obra. [...] Já nos países de
tradição anglo-saxônica, especialmente nos Estados Unidos, considera-se
se a pessoa jurídica encomendante da obra o titular originário do direito de
autor, como se ela fosse a criadora.

Sendo assim, na falta de uma regra específica utiliza-se a geral: a titularidade
é do criador da obra. A lei brasileira protege a empresa, pessoa jurídica, mas não
como autora, e sim como titular de direitos autorais (no caso de empresas
desenvolvedoras de software).
Há de se atentar para a questão de autoria do software quando este é
desenvolvido no trabalho ou prestação de serviço. Os direitos relativos a ele são do
empregador, segundo o artigo 4º da Lei do Software (9.609/98):

[...] salvo estipulação em contrário, pertencerão exclusivamente ao
empregador contratante de serviços ou órgão público, os direitos relativos
ao programa de computador, desenvolvido e elaborado durante a vigência
de contrato ou vínculo estatutário, expressamente destinado à pesquisa e
desenvolvimento, ou em que a atividade do empregado, contratado de
serviço ou servidor seja prevista, ou ainda, que decorra da própria natureza
dos encargos concernentes a esses vínculos. (PAESANI, 2005, anexo).

27

Por isso a lei dos direitos autorais, em seu art. 7º, XIII, §1º coloca que os
softwares são objeto de legislação específica, observadas, no entanto, as
disposições desta que são aplicáveis a estes. Isso por vezes tem gerado confusão,
apesar de citar o software em seu texto, não tem competência para regulamentar
este tipo de situação, uma vez que a Lei de Direitos Autorais não regulamentou esta
questão para qualquer outra obra citada no artigo 7º.
A Lei do Software como é conhecida, poderia ser um capítulo dentro da LDA,
em seu texto, reconhece o direito patrimonial, mas quanto aos direitos morais limita-
se a paternidade e integridade da obra (a de não sofrer alterações). E ao exigir o
registro do software confronta-se com a Convenção de Berna, a qual se baseia a
LDA.
Quanto à transferência dos direitos, segundo o artigo 49 da Lei 9610/98, o
autor ou seus sucessores poderá ceder seus direitos total ou parcialmente para
terceiros, a título universal ou singular, pessoalmente ou por meio de seus
representantes com poderes especiais. A transferência de direitos poderá ser por
meio de Licenciamento, Concessão, Cessão, Autorização ou por outros meios
admitidos em lei. A cessão será por escrito, presumindo-se onerosa, devendo
constar da mesma, como elementos essenciais, seu objeto, condições de exercício
do direito quanto a tempo, lugar e preço.
A LDA em seu texto traz uma relação de itens que não gozam de proteção do
direito autoral, dentre eles: as idéias, procedimentos normativos, sistemas, métodos,
conceitos matemáticos, projetos, planos ou regras para realizar atos mentais, jogos
ou negócios, leis, decretos, regulamentos, decisões judiciais, títulos isolados e
informações de uso comum.
Nos artigos 46 a 48 são elencados alguns itens que não constituem ofensa
aos direitos de autorais, dentre eles a reprodução de pequenos trechos da obra,
para fins privados, sem o intuito de lucro. O entendimento de “pequeno trecho”,
segundo Carboni (2007) é de cerca de 15 % a 20 % da obra e que não contenha a
essência do texto. A questão da cópia privada, sem dúvida, é a mais polêmica, na
atual Lei dos Direitos Autorais. A Lei 5.988/1973, em seu artigo 49, possibilitava a
cópia integral de um único exemplar, sem intuito de lucro. Ao redigir o novo texto,
este tópico foi alterado para “cópia de pequenos trechos”, não sendo permitida a
cópia de livros esgotados, ou para fins educativos na nova Lei dos Direitos Autorais.

28

Não existe, também, na nossa legislação um inciso que permita uma livre
reprodução em casos envolvendo educação, pesquisa, ciência e qualquer
coisa semelhante, da mesma forma como não existe um artigo que diga que
o impacto econômico da reprodução deva ser levado em consideração. Mas
nós temos de lembrar que a “regra dos três passos”, da Convenção de
Berna, foi “internalizada” pelo nosso sistema jurídico. Então, dessa forma, é
possível fazer uma interpretação desse rol taxativo das limitações, com
base na “regra dos três passos”. (CARBONI, 2008).

A lei também não faz menção à cópia com a finalidade de preservação do
original, de seu conteúdo e suporte ou das cópias de segurança (backups), nem de
cópia para utilização em outros formatos, como por exemplo, de uma fita VHS para
DVD.
Em função disso, e motivados pelo constante avanço da tecnologia, vários
projetos de lei estão em tramitação no Congresso sugerindo modificações à LDA.


4.2 Atualização e modernização da lei


Além de não prever cópias para fins de preservação, vários criadores afirmam
que a forma de arrecadação e distribuição dos seus direitos não são tratados de
forma transparente pela LDA, pois não oferece mecanismos eficazes para
comprovar a lisura da prestação de contas entre editoras, gravadoras ou
associações e seus respectivos criadores, mesmo sendo a fiscalização da
exploração econômica das obras um direito garantido pela Constituição.
O Governo Federal, através do Ministério da Cultura promoveu por 2 anos
(2007 a 2009) o Fórum Nacional de Direito Autoral e colocou, em 2010, para
Consulta Pública as idéias debatidas, e através das contribuições está consolidando
o texto final do anteprojeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional. O
prazo para apresentação de propostas através do site do Ministério da Cultura
encerrou-se dia 31 de agosto de 2010. Durante este período foram feitas reuniões
setoriais, estudada a legislação de 30 países objetivando identificar fragilidades e
colher sugestões. Assim afirma o sociólogo e Ministro de Estado e Cultura Juca
Ferreira, complementando:

Um dos pontos mais questionados ao longo desse processo foi o da licença
não voluntária: ela destina-se a equacionar casos excepcionais e visa
permitir a reedição de obras esgotadas e as chamadas obras órfãs,
29

fundamentalmente. Não tem aplicação no universo da música. Mas é
relevante no mundo das artes visuais e da literatura. Obras que estão hoje
inacessíveis.(FERREIRA, 2010, p. 28).

A proposta traz inovações interessantes. Numa primeira análise observa-se
que busca harmonizar o direito autoral com o ordenamento jurídico brasileiro -
Código Civil de 2002, Código de Defesa do Consumidor de 1990, Lei de Defesa da
Concorrência e Constituição Federal 1988, incorporando a essa legislação
específica disposições desses códigos. Também está em consonância com os
princípios definidos pelas Convenções de Berna e de Roma, e pelo acordo TRIPS -
Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, dos
quais o Brasil é signatário.
Como exemplo tem-se a inclusão da possibilidade de revisar e, até mesmo,
de anular contratos injustos, onde há vantagem excessiva para uma das partes ou
quando há descaso com a obra por parte de quem deveria explorá-la. No artigo 6º, §
2º do texto do anteprojeto:

É anulável o contrato quando o titular de direitos autorais, sob premente
necessidade, ou por inexperiência, tenha se obrigado a prestação
manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta, podendo
não ser decretada a anulação do negócio se for oferecido suplemento
suficiente, ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito
(BRASIL. Ministério da Cultura, 2010)

A lei atual permite a cessão total (transferência definitiva) dos direitos de
autor. Porém, o novo texto em debate não permite mais incluir a cessão de direitos
nos contratos de edição, necessários para a difusão da obra em larga escala. O
autor poderá cedê-los, mas isso terá de ser feito num contrato específico. Isso
evitará que autores sejam impedidos de regravar suas músicas porque cederam
seus direitos a gravadoras ou editoras as quais não estão mais ligados.
Pela proposta ainda, se poderá fazer uso das criações protegidas sem a
necessidade de pedir autorização ou de pagar qualquer retribuição. No entanto,
essas possibilidades deverão atender a três critérios previstos nos acordos
internacionais, já mencionados anteriormente (Convenção de Berna, item 9.2):
utilizados apenas em casos especiais, não podendo afetar a exploração normal da
obra, nem causar prejuízo injustificado aos interesses legítimos do autor.
A legislação vigente restringe excessivamente o uso privado e educacional
das obras. Para se ter uma idéia, as bibliotecas atualmente estão violando a lei ao
30

permitir o empréstimo de suas obras, e os sebos ao revenderem livros e discos, pois
pela LDA o autor deve autorizar a distribuição de sua obra, seja venda, revenda,
empréstimo ou aluguel. O mesmo para arquivos e museus que fazem cópia de
documentos históricos e de reálias para fins de preservação.

Uma pesquisa encomendada pela OMPI – a agência especializada da ONU
para o tema do direito intelectual – em 2008 mostrou que, num universo de
149 países, apenas 21 não permitem que museus, bibliotecas e
cinematecas façam cópias de preservação e conservação de seus acervos.
O Brasil é um deles, ao lado de países da África como Burkina Faso,
Burundi, Líbia, Namíbia; do Oriente como Iraque, Kwait e Yemen; na
América Central e Sul como Haiti, Costa Rica, Argentina (BRASIL, 2009).

Ações corriqueiras, como a cópia de músicas de um CD original para um
aparelho portátil, exibições de audiovisuais para fins didáticos são vedadas pela lei
de 1998. Pelo texto da lei, sem autorização e pagamento prévio, não se pode
realizar cópias.
Porém, pelo atual sistema, estudos (BRASIL, 2009) demonstram que há
grande inadimplência por parte de rádios, emissoras de televisão, restaurantes,
bares, hotéis, e outros que exploram comercialmente as obras. Empresários e
autores reclamam que os valores são estabelecidos por critérios pouco claros e
razoáveis, o que resulta num excesso de ações judiciais custosas e lentas, que
acabam por atrasar o retorno do investimento.
Para contornar isso, o anteprojeto permite a reprodução, sem finalidade
comercial, de livros, músicas ou filmes, que estão com a última publicação esgotada
e também que não estejam em estoque disponível para venda.
O novo texto também torna explícito o conceito de licença (autorização para
uso sem transferência de titularidade) para que o autor conheça as alternativas para
um melhor controle dos usos de suas obras.
Pelo anteprojeto, o Ministério da Cultura, atuará na resolução de conflitos,
inclusive no processo de renovação de concessões públicas outorgadas a
organismos de radiodifusão, acerca da adimplência desses organismos no que
tange aos direitos autorais.
Uma inovação interessante é a de que os empresários passam a ter a
possibilidade de solicitar uma autorização para comercializar obras que estejam
inacessíveis ou com acesso restrito e que sejam de interesse público como obras
esgotadas, ou de autores não localizados, dentre outros (artigos 52-B, 52-C e 52-D).
31

Quanto à reprografia, ela é tratada no capítulo 9, artigo 88-A, e prevê o
pagamento de uma retribuição aos titulares dos direitos autorais sobre as obras
reproduzidas.
A proposta também acrescenta as notícias diárias que têm o caráter de
simples informações de imprensa como obras intelectuais protegidas pelos direitos
autorais, em resposta à intensa polêmica em torno de portais que simplesmente
reproduzem notícias de outros sites a fim de alavancar sua reputação ou buscar
usuários pela força dos nomes comerciais no campo jornalístico.
Arranjadores e orquestradores na música, diretores, roteiristas e compositores
da trilha sonora original nas obras audiovisuais passam a ser reconhecidos como
autores das obras, ampliando o leque de criações intelectuais a serem protegidas.
Observa-se que há um esforço em se evitar múltiplas interpretações, em se
adequar aos avanços tecnológicos, em manter um equilíbrio entre os interesses do
autor, dos investidores e dos usuários, como coloca seu artigo 3º-A:

Na interpretação e aplicação desta Lei atender-se-á às finalidades de
estimular a criação artística e a diversidade cultural garantir a liberdade de
expressão e o acesso à cultura, à educação, à informação e ao
conhecimento, harmonizando-se os interesses dos titulares de direitos
autorais e os da sociedade (BRASIL. Ministério da Cultura, 2010).

Com relação à punição, e sanções a quem não respeitar a nova lei de direitos
autorais, Omar Kaminski (2010) coloca:

Embora a proposta de revisão da lei não tenha caráter punitivo, ela não é
leniente com a corrupção e a impunidade. Por essa razão, irá combater a
disseminada corrupção na forma de “jabá” ou “payola” - mecanismo de
suborno que viabiliza a artificial execução pública de obras e fonogramas.
A proposta prevê a exigência de certidão de quitação de direitos autorais,
emitida pelo Poder Público, por ocasião da renovação de concessões
públicas outorgadas a organismos de radiodifusão. E torna ilícito o uso
abusivo de medidas de proteção tecnológica. A ação civil por violação a
direitos autorais patrimoniais prescreverá em cinco anos, contados a partir
da infração, no que segue o disposto no Novo Código Civil Brasileiro e
corrige lacuna existente na atual legislação.
A proposta de revisão da lei reconhece expressamente a possibilidade de o
juiz ajustar, de forma equitativa, as sanções de natureza civil, em função
das circunstâncias do caso concreto, em linha com as tendências do direito
civil contemporâneo. Incorpora-se também a jurisprudência quanto ao valor
da multa pela execução pública feita em desacordo com a lei, que deve ser
proporcional ao dano gerado.
Com relação aos dispositivos para gestão de direitos, mantêm-se as
penalidades previstas em lei, estabelecendo-se, contudo, igual sanção para
quem por qualquer meio dificultar usos permitidos, incluindo-se a utilização
abusiva de medidas de proteção tecnológica.

32

5 COMO A INTERNET AFETA O DIREITO AUTORAL


Não se pode negar que os avanços tecnológicos e meios de comunicação,
dentre eles a internet, vêm produzindo impactos e discussões no campo do direito
autoral. Aliás, o direito autoral desde sua origem esteve ligado à invenção de uma
nova tecnologia. Até a prensa de Gutenberg, pouco se pensava em direito autoral.
Mas esta, ao possibilitar a cópia em escalas nunca antes imaginadas, fez também
com que os autores e editores passassem a se preocupar com a proteção de seus
interesses. Novos suportes físicos surgiram além do papel, e com eles a proteção
das músicas, esculturas, das manifestações artísticas em geral, havendo a
preocupação da legislação em assegurar também a proteção dos direitos autorais
de conteúdos cujos suportes estariam por vir. Assim foi o caso da Lei 9.610/98.
Apesar de ter sido promulgada em um tempo em que já existia a internet, esta ficou
por um longo tempo tramitando no Congresso, e não menciona a internet em seu
texto, mas os conteúdos através dela gerados estão abarcados no artigo 7º: “são
obras intelectuais protegidas as criações de espírito expressas por qualquer meio ou
fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no
futuro...” (BRASIL, 1998). Sendo assim, a Lei 9.610/98 protege o direito autoral
inclusive na internet.
Por mais paradoxal que possa parecer, o desenvolvimento tecnológico e, por
conseguinte, a internet, proporciona a expansão do direito autoral, ao mesmo tempo
em que aproxima os dois sistemas, o copyright e o droit d’ auteur. Se o copyright
favorecia o editor e o droit d’ auteur o autor, atualmente os dois convergem para
preservação do autor e empresário, contra terceiros (plágios e contrafações), em
função da própria internet e da globalização. Porém a tecnologia como um todo
(internet, mídia digital, o desenvolvimento de novos softwares) também ameaça os
mecanismos de proteção e estes parecem sempre querer a sua supressão. Para
Tridente (2009, p. 48):

Se cada nova tecnologia torna possível novas formas de fixação de
conteúdo, possibilita igualmente novas formas de reprodução de conteúdo
não autorizadas pelos titulares de direitos autorais, em outras palavras,
aumenta a pirataria de material protegido.

33

Em contrapartida, essas novas tecnologias ampliam os públicos, e mostram a
possibilidade para as gravadoras, editoras e para outros distribuidores de conteúdos,
de novos meios a serem explorados e de renderem dividendos.
Atualmente observam-se infindáveis ações judiciais desses distribuidores de
conteúdo contra os fabricantes das novas tecnologias, assim como foi há tempos
atrás contra fabricantes de vídeo cassetes, gravadores e máquinas fotográficas.
Agora são contra as mídias digitais e usuários da internet, capazes de reproduzir
cópias fiéis a um custo baixo, de ótima qualidade e de disseminá-las na grande rede.
Para se ter uma idéia, em 1998, A Digital Millennium Copyright Act, uma lei
norte-americana, aumentou as penas previstas para as violações de direito autorais
feitas por meio da internet, bem como criminalizou condutas como a de driblar
tecnologias de controle e de desenvolver softwares capazes dessa conduta, mesmo
que não ferissem os direitos autorais.
Abrindo precedente, o conhecido Napster, programa que possibilitava a troca
de músicas pela internet entre usuários conectados, o primeiro programa P2P
1
,
perdeu judicialmente o direito de “estar vivo”, para as indústrias de distribuição
musical, em 2001, mesmo que já houvesse orientação nos tribunais dos Estados
Unidos em não banir novas tecnologias. Não adiantou muito, pois logo após
surgiram outros programas para ocupar o lugar deixado por ele. O mais famoso foi o
Kasaa, que possibilitava não só o intercâmbio de músicas, como também de fotos,
filmes, dentre outros. Novamente a Recording Industry Association of America entra
com ações na justiça americana, mas desta vez, os juristas entenderam que não
poderiam barrar essas tecnologias, e derrubando o precedente, retomam a idéia de
que as novas tecnologias não podem ser estancadas somente por que colocam em
perigo “um determinado negócio”.
Atualmente um dos programas P2P mais utilizados para este fim é o eMule.
Paralelo a eles existem os programas compartilhadores de arquivos como o Torrent.
Em pesquisa realizada pela internet, a melhor definição deste sistema foi dada por
Cohen (2003):

BitTorrent é um sistema de download de arquivos P2P. A idéia basica é que
quando um usuário procura por um arquivo, ele baixa "pedaços" do arquivo
de outros usuários até que o arquivo fique completo. Um importante objetivo

1
Peer-to-Peer (do inglês: par-a-par), entre pares (tradução livre ponto a ponto), é uma arquitetura de sistemas distribuídos
caracterizada pela descentralização das funções na rede, onde cada nodo realiza tanto funções de servidor quanto de cliente.
34

de projeto foi garantir colaboração. Na maioria dos sistemas de
compartilhamento de arquivo, uma fração significante dos usuários somente
baixa os arquivos e contribuem perto de nada.

Para isso, um arquivo pode
ser baixado somente quando o cliente que está baixando também está
provendo conteúdo para alguém. [tradução]

A troca de arquivos pela internet é algo irreversível. Praticamente todo tipo de
conteúdo pode ser encontrado como séries de televisão, revistas, livros, filmes
recentes e antigos, jogos de futebol. Há de se pensar no que está por trás deste
combate veemente a sua prática bem como à pirataria, pois grande parte dos
consumidores desta informação adquirida por esses meios gratuitos dificilmente
seria consumidora destes mesmos produtos pagos (pay-per-view, assinatura de
canal a cabo, etc.). A indústria de distribuição de conteúdo está vendo seus lucros
irem pelo ralo abaixo, por não saber lidar com essas novas tecnologias e em
contrapartida lança campanhas antipirataria, processa usuários pelo download de
arquivos, quando na verdade, deveria é utilizar estas tecnologias para alavancar seu
negócio.
Não há como frear esta nova tecnologia, assim como não foi possível frear o
Skype
2
. Mesmo com este software não foi o fim da telefonia. Para Nazareno (2009,
p. 5),

A busca de novos serviços sempre será a solução para produtos e receitas
declinantes. Foi assim com as operadoras de telefonia fixa, pela oferta da
banda larga, e também com as congêneres móveis, pelos novos serviços
ofertados par e passo com a evolução tecnológica. À diferença das outras
indústrias onde os produtos, as fábricas e os insumos são, em geral,
materiais, a indústria do software oferece todo o contrário. Somada a essa
não tangibilidade de bens (os arquivos) está o fato de essa indústria se
reinventar constantemente.

É necessário aceitar a realidade que a internet provocou principalmente:
- a desmaterialização do suporte físico: não existe mais a obra em papel, ela pode
estar na forma de e-book, interpretada através de um vídeo no You Tube;
- alteração do tradicional fluxo de distribuição: autor -> indústria ou mercado ->
usuário: o fluxo pode ser autor-> usuário, ou mesmo usuário-> usuário, este fluxo foi
expandido verdadeiramente em forma de rede, o que incomoda um pouco é que a
indústria de distribuição perdeu espaço com isso;

2
Programa que permite a comunicação de voz e vídeo grátis entre os usuários do software pela Internet.
35

- facilidade na reprodução e modificação de obras intelectuais: a internet
proporcionou a cópia perfeita, fidedigna ao original, e mais do que isso, a
disseminação a milhares de pessoas conectadas;
- surgimento de novos valores na circulação de obras intelectuais: com a
disseminação de obras na internet, muitas delas perdem preço no suporte papel, e
fazem com que a indústria reverta seus investimentos em novos formatos, como o e-
book, apesar de certa resistência. No mercado brasileiro há muito poucos e-books à
venda, geralmente o que se observa é a possibilidade de acesso a obra (algo mais
rentável) do que a venda de um e-book;
- possibilidade de confusão nos atuais papéis de autor e leitor: nas redes de
informação é difícil distinguir quem é quem;
- autoria coletiva nas redes de informação.
Todas estas características fazem da internet um campo propício a
“ilegalidades” no que concerne aos direitos autorais pelas atuais leis vigentes.
Ilegalidades como a de baixar um arquivo protegido pelos direitos autorais. Provoca
também um repensar dessas leis, e o surgimento de alternativas para combater as
ilegalidades, sem que para isso seja necessário agravar as penas.
Uma das alternativas encontradas é a utilização da obra por meio do fair use,
ou, em outras palavras, do uso justo, honesto, legítimo, aceitável, razoável. O
detentor do direito autoral de determinada obra autoriza seu uso em determinadas
condições. Geralmente para uso educacional (incluindo múltiplas cópias para uso
em sala de aula), para pesquisa, comentário ou crítica, divulgação de notícia.
Patricia Peck Pinheiro (2007, p. 96), frisa que este conceito nasceu na legislação
americana, sendo que o fair use permite o acesso à obra sem a necessidade de sua
aquisição e da autorização do autor, pois este já o fez anteriormente desde que
cumpridas as condições.
Para isso é feita uma análise do propósito e do tipo de utilização que será
feita da obra, da proporcionalidade a ser copiada em relação ao todo, o efeito do uso
desta em específico através do fair use e o impacto disso no valor intelectual e
comercial desta obra.
Em outras palavras, busca-se equalitar os direitos exclusivos do direito de
autor, com a promoção do desenvolvimento do conhecimento e com os interesses
da coletividade. Seguindo ester preceito, as obras disponíveis na internet podem ser
36

utilizadas desde que atendam aos quatro quesitos descritos anteriormente, segundo
Manuella Santos (2009, p. 135).
A doutrina do fair use não existe na legislação brasileira, porém a Lei 9.610/98
prevê limitações dos direitos autorais, tratadas no capítulo IV artigo 46 da referida
lei.
Conforme Guilherme Carboni (2008), a OMC – Organização Mundial do
Comércio constituiu um painel em 2008 para analisar as limitações do Digital
Millennium Copyright Act, dos Estados Unidos, sendo que uma das principais
conclusões foi:

[...] a de que se deveria levar em consideração, não somente usos
então existentes da obra, mas também seus usos potenciais. Todas as
formas de exploração de uma obra, que tenham ou, provavelmente, venham
a ter importância econômica ou prática considerável, deveriam ser
reservadas ao autor. [...]

Afirmando ainda de que tais conclusões surpreenderam vários estudiosos do
assunto, como a de que “Nem todos os usos comerciais de uma obra
necessariamente conflitam com sua exploração normal”. Para o doutrinador, isto
resta evidente no caso da cópia privada. Para ele, em determinadas condições a
cópia privada não afeta a exploração normal da obra e não pode ser vista como
substituta em relação à aquisição de um exemplar original. Em 2007 o mesmo autor
participou do Seminário de Gestão da Informação Jurídica em Espaços Digitais,
onde colocou que 62,7 % da população brasileira vivem abaixo da linha da pobreza.
Segundo Guilherme Carboni (2007), para esta parcela da população é impensável
adquirir livros e produtos culturais, acessar a internet e alimentar- se. Sendo assim,
a reprodução integral de obras protegidas por esta população (seja através de
fotocópias ou downloads da internet) não interferiria nos meios normais que os
autores possuem para explorar economicamente suas obras, pois esta parcela da
população brasileira está fora do mercado. O impedimento da reprodução de obras
por estes não implicaria na compra de mais ou menos exemplares de livros
impressos ou e-books, mas apenas na perpetuação da miserabilidade do povo
brasileiro, gerada pela falta de acesso à cultura e à educação.
Porém, parece que esta idéia não é tão bem recebida pela indústria de
distribuição de conteúdos. Prova disso são os constantes lobbies junto ao poder
legislativo para modificação das leis a seu favor. Um exemplo disso foi o caso
37

Mickey Mouse, em que a indústria do entretenimento conseguiu junto ao Congresso
americano estender em mais 20 anos o prazo dos direitos autorais relacionados que
estavam prestes a expirar. Outro exemplo são os milhares de processos contra o
Google, contra usuários de internet por colocar conteúdo protegido na rede, mesmo
em produções caseiras no You Tube (fotos das férias com trilha sonora de banda de
sucesso).
Existem também tecnologias que pretendem controlar o uso de
material protegido pelos direitos autorais na internet, em CDs, DVDs, são as
chamadas codificações eletrônicas, incorporadas pelas legislações (vide artigo 107
da LDA) como a criptografia, marcação dos bits adicionando ao conteúdo
digitalizado uma espécie de marca d’ água, variação de pixels feitas no próprio
objeto digital, bem como a criptografia – utilizada para transformar forma digital em
forma ilegível e aplicada durante a distribuição, dentre outras formas de codes
eletrônicos. Procuram equacionar as atividades de “baixar” ou obter o conteúdo e a
do autor em ser recompensado financeiramente. No documento preparado por
Jeffrey P. Cunard, Keith Hill e Chris Barlas, denominado Evolución reciente en el
campo de la gestión de los derechos digitales, para a OMPI em 2004, há vários
exemplos interessantes e atrativos da aplicação do DRM - Digital Rights
Management:

[Exemplo 1] Un consumidor descarga música en casa desde un servicio de
red, y recibe El permiso necesario para escuchar la música mediante un
dispositivo durante doce meses desde la fecha de la descarga (tantas veces
como desee hacerlo); también puede pasar una copia de dicha música a
hasta diez amigos sin coste alguno, pero ellos solo puede escucharla una
vez si no han obtenido previamente una licencia propia. Sin embargo, el
consumidor es recompensado como forma de gratificar su labor de
distribuidor de ficheros protegidos, ya sea financieramente o en especies,
por el titular del derecho de autor que se beneficia de la distribución a sus
amigos.
[Exemplo 2] Un estudiante “visita” la biblioteca de su Universidad desde su
habitación, que se encuentra fuera del campus, encuentra cinco artículos de
periódico y varios capítulos de diversos libros que le son de utilidad para
redactar un trabajo, los descarga en su computadora personal, quedando
sólo disponibles sobre la base de un préstamo a corto plazo, es decir, em
cinco días los ficheros descargados quedan inaccesibles. Sin embargo, la
biblioteca tiene um acuerdo con un vendedor de libros electrónicos que
ofrece descuentos sobre una gama de libros que son de interés en relación
con los artículos del periódico que descargó el estudiante. Esto se consigue
mediante una correspondencia compleja entre metadatos utilizando DRM.
(CUNARD; HILL; BARLAS, 2004, p. 13)

38

Isso também está sendo discutido, pois de certa forma, são controles sendo
exercidos junto à internet. Assim como atualmente não há como proibir o uso de
programas P2P, há de se utilizar esta tecnologia com cautela, pois no seu âmago o
ciberespaço previa liberdade de navegação, privacidade, anonimato, disseminação
de informações e neutralidade da rede, não podendo o tráfego na internet ser objeto
de monitoração e controle.
Mas também não se pode deixar de considerar que o uso de material
protegido por direitos autorais só pode ser feito mediante prévia autorização do
respectivo titular. Muitas das situações de aproveitamento e uso de obras alheias
são hoje socialmente aceitas, mas ferem o disposto em nossa lei de direitos
autorais, a LDA.
A discussão dos direitos autorais na internet está em consonância com a
discussão na regulação ou não do ciberespaço, recaindo nas questões de
privacidade, anonimato, desenvolvimento de novas tecnologias.
No Brasil, atualmente, o Código Civil em sua esfera autoral e de
responsabilidade civil é um instrumento jurídico eficaz, além da LDA para que os
autores tenham seus direitos tutelados, mesmo na internet, ou como muitos
preferem dizer, no ciberespaço.
Para Carla Eugenia Caldas Barros (2007, p. 560):

A responsabilização civil [na internet] é objetiva sendo desnecessária a
indagação sobre a culpa do infrator direto. Ao prejudicado, cabe apenas
demonstrar o nexo entre a ação contrafeita e o dano, para , quando
possível, obrigar o infrator às compensações necessárias, e, pelo menos, a
retirada de sua obra da página da internet. Caso não se consiga identificar o
contrafator, cabe a aplicação do princípio da solidariedade ativa,
responsabilizando-se de forma subsidiária, o dono da página contrafatora.

Faz-se necessária a flexibilização desta lei e das de outros países, de modo a
tirar da ilegalidade uma série de ações, principalmente utilizando-se a internet,
incorporando a mesma o uso de licenças (serão discutidas mais adiante como o
copyleft, creative commons) e o fair use.
39

6 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DIREITO À INFORMAÇÃO


6.1 Sociedade do Conhecimento


Os antecedentes do termo “sociedade do conhecimento” datam da década de
setenta. Em 1973, o sociólogo Daniel Bell (1973) apresenta um conceito de
“sociedade de informação” em seu livro O advento da sociedade pós-industrial. Nele
coloca que o motor desta nova sociedade seria o conhecimento, impulsionando o
desenvolvimento social e econômico, como uma espécie de substituto ao conceito
de “sociedade pós-industrial”. Foi utilizado por algum tempo, caindo em seguida no
esquecimento.
A expressão “sociedade da informação” reaparece nos anos noventa no
contexto do desenvolvimento das TICs – tecnologias da informação e comunicação,
e da internet. A convergência destas tecnologias com a internet fez com que se
alterasse profundamente os métodos da geração, processamento, armazenagem e
disseminação da informação. Esta passou a ser um insumo de valor agregado e o
seu controle passou a significar poder político, cultural e econômico. Para Manuel
Castells
3
apud Roseli Silva (2008, p. 184) a sociedade da informação:

[...] se caracteriza por cinco critérios que se traduzem no fenômeno da
globalização: tecnológico (inovação), econômico (o peso da informação na
economia), ocupacional (transformação ocupacional – a maioria dos
empregos depende da informação e do conhecimento), espacial (as
fronteiras deixam de existir) e cultural (crescimento da informação que é
acessível aos cidadãos).

Nessa sociedade as tecnologias se aprimoram para proporcionar o constante
desenvolvimento de processos mais flexíveis e incrementam o valor da informação,
colaborando para uma sociedade global, ligando pontos distantes, anulando
fronteiras e modelando relações sociais.



3
CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. 2. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
40

Já a noção de knowledge society ou “sociedade do conhecimento” surgiu no
final da década de 90 e é empregada como alternativa à “sociedade da informação”.
Manuel Castells, renomado pesquisador espanhol, assim a define:

[...] trata-se de uma sociedade na qual as condições de geração de
conhecimento e processamento de informação foram substancialmente
alteradas por uma revolução tecnológica centrada no processamento de
informação, na geração do conhecimento e nas tecnologias da informação.
(CASTELLS, 1999, p. 47)

Muitos estudiosos colocam que o conceito mais apropriado para utilização
seria sociedade do conhecimento e não sociedade da informação. Mas não há
concenso, e cada um acaba por utilizar o que considera mais adequado. Matellart
4
,
por exemplo, utiliza “sociedade global da informação”, já Ascensão
5
coloca que o
mais correto seria “sociedade da comunicação”, já Castells a expressão “sociedade
informacional”, pois assim como a era anterior se chamou sociedade industrial onde
as formas sociais e tecnológicas da organização industrial se infiltraram também na
sociedade, na economia, na política e na vida cotidiana das pessoas, a informação
está presente hoje a sociedade como sendo algo indispensável.
A UNESCO, em suas políticas institucionais, utiliza o termo “sociedade do
conhecimento” ou sua variante “sociedades do saber”. Abdul Waheed Khan,
subdiretor-geral da UNESCO para Comunicação e Informação, escreve:

Information society is the building block for knowledge societies. Whereas I
see the concept of ‘information society’ as linked to the idea of ‘technological
innovation’, the concept of ‘knowledge societies’ includes a dimension of
social, cultural, economical, political and institutional transformation, and a
more pluralistic and developmental perspective. In my view, the concept of
‘knowledge societies’ is preferable to that of the ‘information society’
because it better captures the complexity and dynamism of the changes
taking place. (...) the knowledge in question is important not only for
economic growth but also for empowering and developing all sectors of
society. (KHAN, 2003, p. 8)

Independentemente do termo utilizado, é fato que o conceito da informação
foi repaginado, tendo o suporte tecnológico como sua razão de ser. Apesar do
“boom” informacional, do desenvolvimento da web, da disponibilização do
conhecimento nas redes, há ainda muitas pessoas sem acesso a tudo isso. É nessa

4
MATTELART, Armand. História da sociedade da informação. São Paulo: Loyola, 2002.
5
ASCENSÃO, José de Oliveira. Direito da internet e da sociedade da informação. Rio de Janeiro: Forense, 2002.
41

perspectiva que a UNESCO realiza trabalhos voltados a inclusão social e digital,
procurando proporcionar o acesso à informação, um direito de todos.
Segundo o que consta na Cartilha “Consulta pública para a modernização da
lei dos direitos autorais” (BRASIL, 2009), de responsabilidade do Ministério da
Cultura, A Consumers International fez, em 2010, um ranking dos países que mais
facilitam o acesso ao conhecimento em suas leis de direitos autorais. De 34 países,
o Brasil ocupa a 27ª colocação. Fica atrás de Bangladesh, Paquistão, África do Sul,
Índia e Argentina. Verificamos com isso, que apesar da Constituição Federal do
Brasil de 1988 em seu artigo 5º respaldar o direito à informação, e
conseqüentemente ao conhecimento, suas leis muitas vezes não privilegiam esse
acesso, como é o caso da lei dos direitos autorais. O atual projeto de lei, para
alteração da LDA (BRASIL, 2010), cuja consulta pública foi prorrogada até 31 de
agosto de 2010 está recebendo veementes críticas quanto à modificação de seu
artigo 1º, que acrescentou “e orienta-se pelo equilíbrio entre os ditames
constitucionais de proteção aos direitos autorais e de garantia ao pleno exercício dos
direitos culturais e dos demais direitos fundamentais e pela promoção do
desenvolvimento nacional”, que busca justamente equilibrar a questão dos direitos
autorais com o acesso à informação e cultura.
Se hoje, “o conhecimento é a chave para o desenvolvimento social e
econômico” segundo a Declaração de Kronberg sobre o Futuro da Aquisição e
Compartilhamento do Conhecimento (KRONBERG, 2007)
6
, elaborada em reunião
organizada pela UNESCO na Alemanha, se faz necessário que este conhecimento
seja adquirido, compartilhado e democratizado.
Neste sentido, Mansell e Wehn (1998, cap. 13):

[...] o papel das tecnologias de informação na construção de uma
“sociedade do conhecimento” inovadora poderá ser muito relevante e
contribuir para o desenvolvimento sustentado, mas será acompanhado de
muitos riscos. Nesses países, em especial os de nível médio de renda –
grupo em que se enquadram muitos dos países da América Latina e Caribe
– as novas tecnologias e seu uso requerem investimentos na elevação das
capacidades tecnológicas locais e no desenvolvimento das instituições
políticas, culturais, econômicas e sociais.



6
KRONBERG DECLARATION ON THE FUTURE OF KNOWLEDGE ACQUISITION AND SHARING. Germany, jun. 2007.
Disponível em: <http://www.gossamer-threads.com/lists/wiki/foundation/96502>. Acesso em 31 jul. 2010.
42

Por isso, os países vêm buscando diminuir o que chamamos de exclusão
digital, através de políticas que privilegiam o acesso dos cidadãos às informações
produzidas pelos poderes públicos, buscando estar em consonância com o artigo 19
da Declaração Universal dos Direitos Humanos, regulamentando este direito de
acesso e proporcionando o contato da população com as tecnologias da informação.
O Brasil em 1996 iniciou alguns estudos tendo como objetivo o levantamento
de dados referentes às tecnologias utilizadas pelo setor empresarial bem como o de
“lançar os alicerces de um projeto estratégico, de amplitude nacional, para integrar e
coordenar o desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação,
comunicação e informação e de suas aplicações na sociedade”. (TAKAHASHI, 2000,
v). Este estudo se consolidou numa publicação chamada “Livro Verde da Sociedade
da Informação no Brasil”, e trazia tendências no setor da tecnologia da informação
propondo em seu texto algumas metas para implementação do Programa Sociedade
da Informação e uma série de ações para o desenvolvimento de tecnologias no país.
Porém, este projeto não teve êxito, pois não houve o envolvimento necessário dos
setores governamentais, educacionais nem empresariais.


6.2 Direito à informação


Atualmente verifica-se que a sociedade da informação apesar de fornecer
uma série de vantagens como o compartilhamento de conhecimento, o uso de novas
tecnologias digitais, a conectividade com outros indivíduos, a socialização através
das redes sociais, pode também, de uma forma paradoxal, gerar exclusão.
Para Luiz Gonzaga Silva Adolfo (2008, p. 250):

Se na economia pré-revolução industrial a exclusão era medida entre
proprietários e não-proprietários, especialmente de terras, passando à
histórica dicotomia capital e trabalho, naquele abrangido o capital
industrializado, na nova era as formas de exclusão poderão ser melhor
visualizadas entre aqueles que têm e os que não têm acesso à informação.
(...) Como uma nação rica possui um conjunto maior de bens e serviços
econômicos, ela valoriza mais a informação e os serviços informáticos, pois
eles geram mais riqueza. Prova disso é que nos Estados Unidos, Alemanha
e Japão, o hardware e o software de computadores e o processamento de
informações que ocorre nas organizações correspondem a
aproximadamente 10% do Produto interno bruto – PIB, enquanto em
Bangladesch não chega a 0,1%, ou seja, cem vezes menor.
43


Sem dúvida, a colocação anterior potencializa a frase “quem detém a
informação detém o poder”, ou ainda, “quem domina a informação domina o mundo”.
Segundo esta lógica, observa-se que aqueles que possuem maiores condições
financeiras aumentam ainda mais suas posses pelo uso da informação, pela qual
valorizam e pagam. Já os que possuem menos condições financeiras, os que mal
têm para subsistir, não atribuem tanto valor a informação, pois esta não é
considerada como prioridade (a prioridade é se alimentar, de ter o que vestir),
acabando por subutilizar os recursos informacionais e tecnológicos, aumentando a
desigualdade já existente.
Segundo o site da UNESCO, os brasileiros buscam familiarizar-se com as
novas tecnologias de comunicação e informação, porém o país ainda apresenta
percentuais que podem ser melhorados:

No uso da internet, o Brasil ocupa o primeiro lugar na América Latina e o
quinto no mundo. No entanto, o baixo percentual de usuários em relação à
população total (71% dos brasileiros não utilizam o serviço) nos coloca em
62º lugar no ranking mundial e em 4º na América Latina, depois de Costa
Rica, Guiana Francesa e Uruguai. (UNESCO, 2010)

Pela análise dos números apresentados podemos verificar que grande parte
dos brasileiros ainda estão a margem deste processo, não exercendo seus direitos
fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988 como o de acesso à
informação apregoados no artigo 5º, incisos XIV e XXXIII:

XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo
da fonte, quando necessário ao exercício profissional;
XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu
interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas
no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujo
sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (BRASIL,
1988)

O direito à informação é um direito inegável aos cidadãos, existindo poucas
exceções impostas constitucionalmente, como é o caso da Lei 11.111, de 5 de maio
de 2005, que coloca que o “acesso aos documentos públicos de interesse particular
ou de interesse coletivo ou geral será ressalvado exclusivamente nas hipóteses em
que o sigilo seja ou permaneça imprescindível à segurança da sociedade e do
Estado” (BRASIL, 2005).
44

Assim como nossa Constituição reconhece o direito ao acesso à informação,
vários outros instrumentos internacionais de direitos humanos o fazem, como o
artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão; esse
direito inclui a liberdade de ter opiniões sem sofrer interferência e de
procurar, receber e divulgar informações e idéias por quaisquer meios, sem
limite de fronteiras.(DECLARAÇÃO, 1948)

Também o artigo 19 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, a
Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos (também chamada de Pacto de
San José da Costa Rica) reconheceu a liberdade de informação como primordial ao
homem em seu artigo 13 (caput e inciso 1º), o artigo 9 da Carta Africana sobre os
Direitos Humanos e dos Povos e o artigo 10 da Convenção Européia sobre Direitos
Humanos. Cada um deles reconhece o acesso a informações públicas como direito
humano fundamental.
José Afonso da Silva, procurando interpretar o artigo 19 da Declaração
Universal dos Direitos Humanos externa:

Nesse sentido, a liberdade de informação compreende a procura, o acesso,
o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e
sem dependência de censura, respondendo cada qual pelos abusos que
cometer. (SILVA, 2001, p. 245)

Ou seja, o indivíduo deverá ter liberdade de acessar as informações, de
transmitir ou comunicá-las a outrem, o direito de ser informado, e de se manter
informado.
Corroborando, Canotilho e Moreira (1984, p. 234), na obra Constituição da
República Portuguesa anotada, ao comentarem o artigo 37 da Constituição de seu
país afirmam que

O direito de informação integra três níveis: o direito de informar, o direito de
se informar e o direito de se ser informado. O primeiro consiste, desde logo,
na liberdade de transmitir ou comunicar informações a outrem, de as
difundir sem impedimentos, mas pode também revestir uma forma positiva,
enquanto direito a informar, ou seja, direito a meios para informar. O direito
de se informar consiste designadamente na liberdade de recolha da
informação, de procura de fontes de informação, isto é, no direito de não se
impedido de se informar. Finalmente, o direito a ser informado é a versão
positiva do direito de se informar, consistindo num direito a ser mantido
adequadamente e verdadeiramente informado, desde logo, pelos meios de
comunicação.
45


Por este pensamento, não só quem transmite possui direito à informação,
mas também aquele que a recebe passivamente, ou seja, tanto o agente
transmissor quanto o receptor.
Segundo Toby Mendel (2008, p. 101), a primeira lei de acesso a informações
de que se tem notícia no mundo foi promulgada pela Suécia há mais de 200 anos.
Ele afirma que a garantia legal do acesso a informações públicas na Suécia foi
baseada justamente na compreensão, pelos partidos políticos, de que a abertura de
informações ajudaria a promover uma disputa de forças mais balanceada, quando
eles não estivessem no poder. Porém, a pioneira decisão sueca não foi seguida com
a mesma velocidade pela maioria das nações. Em 1990, somente 13 países haviam
adotado leis nacionais relacionadas ao tema. Em 2008, mais de 70 países já têm leis
de acesso à informação.
Embora a Constituição Federal de 1988 proteja a liberdade e o acesso à
informação, o exercício deste direito no País é dificultado pela ausência de uma lei
específica, inclusive que regulamente a divulgação de informações pelas instituições
públicas. Na Câmara dos Deputados foi aprovada pelo Plenário em 13 de abril de
2010 a redação final do Projeto de Lei 219-C, de 2003, que regula o acesso a
informações previsto no inciso XXXIII do artigo 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no
§ 2º do art. 216 da Constituição Federal. Neste Projeto de Lei, o artigo 3º assim
coloca:

Art. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei se destinam a assegurar o
direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em
conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as
seguintes diretrizes:
I – observância da publicidade como preceito geral e o sigilo como exceção;
II – divulgação de informações de interesse público, independentemente de
solicitações;
III – utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da
informação;
IV – fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na
administração pública;
V – desenvolvimento do controle social da administração pública. (BRASIL,
Projeto de Lei, 2003)

O Projeto de Lei 5.228, de 15 de maio de 2009 foi apensado ao Projeto de Lei
219/2003. É o projeto intitulado “Lei de Acesso à Informação. Também garante o
acesso pleno, imediato e gratuito a informações públicas e estabelece critérios para
proteção das informações pessoais e sigilosas. Isenta o servidor de ser
46

responsabilizado civil, penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade
competente de informações concernentes à prática de crime ou improbidade,
revogando também a Lei nº 11.111, de 2005 e os arts. 22 a 24 da Lei nº 8.159, de
1991, regulamentando a Constituição Federal de 1988. Em função das várias
semelhanças com o Projeto de lei de 2003 foi apensado a este.
Neste contexto, direito à informação é o direito de todo indivíduo de acessar
informações públicas, ou seja, informações em poder do Estado ou que sejam de
interesse público. Quanto a isso Toby Mendel (2009, p. 34) comenta:

Para efetivar o direito a informação na prática, não basta simplesmente
exigir que os órgãos públicos atendam a pedidos de informação. O acesso
efetivo para muitas pessoas depende de que esses órgãos publiquem e
divulguem, efetivamente, voluntariamente, de forma pró-ativa, sem
necessidade de requisição, categorias-chave de informação, mesmo na
ausência de um pedido. Isso é refletido em uma série de declarações
internacionais. Os Padrões da ONU, por exemplo, afirmam que a liberdade
de informação implica que os órgãos públicos publiquem e divulguem
amplamente documentos de interesse público significativo, como por
exemplo informações operacionais sobre o funcionamento do órgão público
e o conteúdo de eventuais decisões ou políticas que afetem a população.

Alguns avanços podem ser notados no Brasil, como a tramitação de Projetos
de Lei nas casas legislativas e criação de websites que disponibilizam dados
orçamentários e administrativos e processos legislativos. Porém, ainda está muito
aquém comparado a outros países. O Brasil acrescentou em sua Carta Magna a
garantia constitucional do acesso à informação. Porém, antes de regulamentar o
acesso, regulamentou o sigilo. Ainda não possuímos uma legislação que trate do
acesso à informação pública, ou seja, a informações produzidas pelos mais
diferentes órgãos federais, estaduais e municipais. O artigo 5º, inciso XXXIII, apesar
de trazer um grande avanço, ainda não foi regulamentado.
A publicação editada pela ARTIGO 19, uma organização não governamental
de direitos humanos que trabalha na promoção e defesa da liberdade de expressão
e do acesso à informação, no Brasil desde 2005, coloca:

A falta de detalhamento [na Constituição Federal] é um dos motivos para a
necessidade de regulamentação. Além disso, também é preciso definir
prazos para a liberação das informações, apontar possíveis – e únicas –
exceções que podem impedir as instituições públicas de liberá-las e, ainda,
definir punições para quem barrar ou dificultar o acesso aos dados e
registros. (CANELA; NASCIMENTO, 2009, p. 42)

47

Este mesma entidade editou um documento intitulado “O Direito do público a
estar informado: princípios sobre a legislação de liberdade de informação” (O
DIREITO, 1999), utilizando a vasta experiência e trabalho feito com organizações
associadas em muitos e variados países. Estes princípios foram preparados por
Toby Mendel, Chefe do Programa Jurídico do ARTIGO 19 e tem como objetivo
estabelecer uma norma que possa ser comparada com as leis nacionais para se
saber se estas permitem ou não um acesso genuíno à informação oficial. São os
princípios:

Princípio 1: da máxima divulgação: O princípio de máxima divulgação
estabelece a suposição de que toda a informação mantida por organismos
públicos deverá ser sujeita a divulgação e de que tal suposição só deverá
ser superada em circunstâncias muito limitadas.

Princípio 2: Obrigação de publicar. Os organismos públicos deveriam estar
sob a obrigação de publicar informação considerada essencial.

Princípio 3: Promoção de governo aberto. Organismos públicos devem
promover ativamente um governo aberto. Informar o público sobre os seus
direitos e promover uma cultura de abertura no governo, são aspectos
essenciais para que a finalidade da legislação sobre a liberdade de
informação seja alcançada. (...) a lei deveria providenciar no sentido de se
educar o cidadão e disseminar os elementos relacionados com o direito de
acesso à informação, o alcance da informação ao dispor e a forma como
tais direitos podem ser exercidos.

Princípio 4: As exceções deveriam ser clara e rigorosamente traçadas.
Todas as solicitações individuais de informação a organismos públicos
deveriam ser atendidas, a não ser que o organismo público possa
demonstrar que a informação seja considerada no âmbito do regime
limitado de exceções: a) A informação deve relacionar-se com um dos
objetivos legítimos listados na lei. b) A divulgação deverá ameaçar causar
graves prejuízos a tal objetivo; e c) O prejuízo ao objetivo em questão deve
ser maior do que o interesse público à informação específica.

Princípio 5: Processos para facilitar o acesso. As solicitações de informação
deveriam ser processadas rapidamente e com imparcialidade e uma revisão
independente de quaisquer recusas deveria estar à disposição das partes.

Princípio 6: Custos excessivos não deviam impedir o cidadão de solicitar
informações. O custo de ter acesso à informação que é mantida pelos
organismos públicos não deveria ser tão elevado que dissuadisse potenciais
requerentes de o fazer, uma vez que a idéia fundamental, na base da
liberdade de informação, é exactamente a de promover o acesso aberto à
informação.

Princípio 7: Reuniões de organismos públicos deveriam ser abertas ao
público.

Princípio 8: Divulgação tem primazia. As leis que são inconsistentes com o
princípio de máxima divulgação deveriam ser alteradas ou revogadas.

Princípio 9: Proteção de denunciantes. Indivíduos que divulgam informações
sobre situações impróprias - denunciantes - devem ser protegidos.
48


Podemos afirmar que os governos ao redor do mundo estão em diferentes
fases quanto à aplicação destes princípios a leis que tratam do direito à informação.
Países que possuem constituições mais modernas como Polônia, Bulgária, Estônia
e Argentina possuem dispositivos constitucionais que asseguram o direito de acesso
à informação produzida pelos seus respectivos governos. O Brasil, no entanto, neste
cenário encontra-se um tanto atrasado, em função da resistência governamental em
“abrir seus arquivos” à consulta pública. Como já colocado, o portal da
Transparência auxilia na divulgação das informações governamentais aos cidadãos,
mas ainda é muito pouco, tendo em vista que o direito ao acesso à informação
possui status idêntico ao de outros direitos humanos. Em contato através da
ouvidoria de muitos ministérios e secretarias, por exemplo, não se obtém uma
resposta de que a solicitação será processada, como é o caso da Receita Federal
do Brasil. Em abril deste ano, na tentativa de se obter manuais, apostilas de cursos,
relativas à responsabilidade fiscal junto a este órgão, para ser consultado por outro
órgão público, no caso um tribunal, uma bibliotecária procurou contato junto à SRF,
sem êxito. As tentativas não cessaram na consulta à página, envio de diversos e-
mails e contatos telefônicos. Ou seja, as informações não estão acessíveis nem para
outros órgãos do governo. Muitas das informações estão perdidas, como é o caso
de vários documentos emanados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência
Social, pelas constantes reestruturações (ou diria desestruturações) e pela não
existência de uma política de preservação documental.
Sandra Coliver (1995, p. 41 a 46), afirma que o direito à liberdade de
informação passou por algumas fases principais de sua interpretação quanto às
obrigações que impõe aos Estados. Dentre elas a obrigação de respeitar o direito à
liberdade de informação, o direito receber e divulgar informações, livre da
interferência do Estado. Depois, já nos anos 90, seguiu-se a obrigação do Estado de
proteger, na qual os governos estavam sob uma obrigação positiva de tomar
medidas concretas para prevenir que indivíduos ou grupos privados interferissem na
comunicação legal de informações. Comenta:

Finalmente, o direito à informação tem sido crescentemente compreendido
como impondo aos governos uma obrigação positiva de fornecer
informação, inclusive informação detida pelo Estado. Nos últimos dez anos,
ou há mais tempo, esta obrigação em particular passou a dominar o
trabalho de muitos ativistas que têm defendido o acesso à informação em
49

poder do governo por meio da adoção de leis de liberdade de informação ou
leis de acesso. (COLIVER, 1995, p. 45)
7


Podemos ver isso como algo positivo, uma vez que o direito ao acesso à
informação também contribui para a realização e consolidação de outros direitos,
como o direito de todos de ter acesso a informações ambientais, de se ter acesso a
informações relacionadas à saúde, moradia, educação, dentre outros. Tendo
conhecimento, os cidadãos podem exercer seus direitos constitucionais.






























7
Tradução coletada na obra CANELA, Guilherme; NASCIMENTO, Solange (Coord.). Acesso à informação e controle social
das políticas públicas. Brasília, DF: ANDI; ARTIGO 19, 2009. p. 17.
50

7 ERA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DIGITAIS


O avanço da área de tecnologia da informação propiciou o desenvolvimento
desta rede de indivíduos, a internet, e esta por sua vez, a novos avanços e
crescimentos nesta área. Atualmente os indivíduos, através de uma simbiose
digital, geram e absorvem conhecimento, criando uma espécie de comunidade
global, sem barreiras, sem fronteiras. Este é o combustível para a sociedade da
informação, uma sociedade baseada no conhecimento e na inteligência.
A era da informação está intimamente relacionada à evolução da tecnologia,
do modo de tratamento e transmissão de dados, passando pela criação do primeiro
computador pela ENIAC, em 1946, até a invenção da web por Tim Berners-Lee, em
1991, que contribuíram para o surgimento das bibliotecas digitais.


7.1 Bibliotecas digitais


As bibliotecas digitais remontam à Biblioteca de Alexandria, não só pela sua
nomenclatura (em grego biblion = rolos de papiro e theke = armário, prateleira), ou
pela sua forma de organização, mas principalmente pela idéia de se ter todos os
livros e conhecimento reunido em um só lugar.
Devido aos constantes avanços, a biblioteca é hoje um organismo
multifacetado. Não podemos mais vê-la como tradicionalmente fazíamos, como um
depósito ou um ambiente físico, real, em contato direto com seus clientes. Elas
evoluíram. E assim como houve o aumento do fluxo informacional, houve
amadurecimento na forma de armazenar e disponibilizar estas informações.
Em meados dos anos sessenta as grandes bibliotecas iniciaram a passagem
do catálogo em papel para o suporte eletrônico (microfilme, base de dados
bibliográficas). Nas décadas seguintes as bibliotecas passaram disponibilizar a
consulta remota, através do chamado "catálogo on-line" ou OPAC – Online Public
Access Catalog, seguindo-se a automatização de serviços de empréstimo. Surgiram
expressões como bibliotecas online, bibliotecas 24 horas.
51

Nos anos 80 a expressão foi substituída por “biblioteca eletrônica” ou
“biblioteca digitalizada”, tendo em vista que estas disponibilizavam algum conteúdo
anteriormente em papel de forma eletrônica, através do processo da digitalização de
originais.
Já na década de noventa surgiram expressões como “bibliotecas digitais”,
“bibliotecas virtuais”, para designar bibliotecas sem fronteiras, não existentes no
mundo físico e sim somente na web, que continham arquivos digitais (digitalizados
ou originalmente nascidos na forma de bits). Muitas vezes foram utilizadas como
sendo expressões similares, no entanto, existem algumas diferenças entre elas.
Para o autor Carlos Marcondes, a biblioteca digital é:

[...] uma biblioteca que tem como base informacional conteúdos em texto
completo em formatos digitais – livros, artigos, teses, imagens, vídeos e
outros, que estão armazenados e disponíveis para acesso, segundo
processos padronizados, em servidores próprios ou distribuídos e
acessados via rede de computadores em outras bibliotecas.
(MARCONDES, 2006, p. 16)

Já para pesquisadores responsáveis pelo Projeto Phronesis, da Universidade
de Monterrey, no México:

A digital library is an organized collection of documents stored in digital
format. A digital library offers services such as submission, classification
indexing, searching, and retrieval. The documents that are stored in a digital
library can be text, images, video or combinations of these. Ideally, a digital
library will allow to store, search and retrieve full documents. This contrasts
with traditional systems that are only focused on searching library records
based on title, description or keywords. (GARZA-SALAZAR; LAVARIEGA;
SORDIA-SALINAS, 2003, p. 55)

Biblioteca virtual seria o próprio ambiente físico transportado para o espaço
cibernético, ou seja, realidade virtual. Imagine-se colocando um óculos 3D e
adentrando numa biblioteca virtual, escolhendo livros, folheando-os, interagindo com
outras pessoas. Seria a biblioteca do futuro.
Para ser uma biblioteca digital não basta ser uma biblioteca automatizada, ou
possuir um catálogo na web. O Google e a internet não são bibliotecas digitais. O
Google possui um projeto de digitalização do acervo de milhares de bibliotecas e
editoras. Neste projeto somente obras de domínio público são colocadas na íntegra
para leitura, oferecendo ao usuário a disponibilidade de download do texto
52

eletrônico. Somente pequenos trechos de obras protegidas pelo copyright são
disponibilizados para leitura, indicando links para sites de livrarias online parcerias
onde poderia ser feita a compra do livro ou sites de bibliotecas onde poderia obter o
mesmo através de empréstimo, não deixando de ser uma espécie de loja virtual. No
início do projeto a Google sofreu uma série de processos judiciais por infringir a lei
de copyright.
Para ser uma biblioteca digital primeiramente ela deverá ser acessível
remotamente, permitir o acesso simultâneo a documentos digitais ou digitalizados,
disponibilizar diversos tipos de informações: textos, imagens, vídeo, etc. e serviços
para seus clientes ou usuários. O mais importante é que estas informações devem
estar disponíveis integralmente (texto completo), de forma tratada, ou seja, os
objetos digitais
8
têm de estar classificados, catalogados e indexados utilizando-se
para isso metadados
9
– que são dados sobre estes objetos. Têm de estar
organizadas e pesquisáveis (seja pela interface de busca ou pelos harvests), para
que estas possam estar também acessíveis a longo prazo (preservação
10
dos
objetos digitais). Têm de ser um verdadeiro repositório digital
11
, com links
persistentes
12
, que tem realmente como objetivo a disseminação de conhecimento,
em tempo real, sem propósito lucrativo. Ou seja, não basta ter um site com uma
porção de documentos e denominar o mesmo de biblioteca digital é preciso que ela
atenda a uma série de requisitos, sendo o principal deles a disseminação de
informações.

As bibliotecas digitais tornam-se, desse modo, um instrumento poderoso de
distribuição, cooperação e acesso ao conhecimento, atendendo e podendo
servir de foco agregador a uma comunidade segmentada, distribuída
geograficamente. (MARCONDES, 2006, p. 11)

O Projeto Gutenberg criado em 1971, é considerado a mais antiga biblioteca
digital do mundo. As obras ali existentes são de domínio público. Segundo a

8
Um objeto digital é muito mais do que um arquivo, é um registro de informação codificado digitalmente, consistindo de
conteúdo informacional, metadados e identificador.
9
Metadados é um conjunto de campos de dados que identificam, descrevem os atributos e o conteúdo de um documento que
está no espaço digital (ex.: título, autor, data de publicação, assunto etc.), facilitando a sua recuperação posterior.
10
Preservação digital é o emprego de mecanismos que permitem o armazenamento em repositórios de objetos digitais e que
garantem a perenidade dos seus conteúdos. Compreende o planejamento, a alocação de recursos e a aplicação de métodos e
tecnologias para assegurar que a informação digital de valor contínuo permaneça acessível e utilizável.
11
Um banco de metadados, freqüentemente representando uma coleção de conteúdos de uma instituição. São sistemas de
informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual.
12
Um identificador persistente é uma nomenclatura e identificação que permita que um objeto possua somente um identificador
longínquo. The PURL System (Persistent Uniform Resource Locator: http://www.purl.org/)

53

Wikipédia (2010), em meados de 2006, o Projeto continha mais de 20.000 obras em
seu acervo, dentre livros de romance, contos, poesia, teatro, obras de referência e
até algumas partituras. O primeiro livro em Português publicado pelo Projeto
Gutenberg foi Lendas do Sul (1913) do autor brasileiro João Simões Lopes Neto, em
2001. Seguiram-se Os Lusíadas do português Luís Vaz de Camões.
Também existem alguns poucos textos protegidos por direitos autorais que o
Projecto Gutenberg distribui com uma autorização. Estes estão sujeitos a mais
restrições, especificadas pelo detentor dos direitos autorais. A grande maioria das
obras estão em inglês, mas existem muitas em português. Antes de inserir a obra na
biblioteca digital é feita uma pesquisa com relação aos direitos autorais, sendo que
estas pesquisas são arquivadas para uma consulta futura, evitando-se assim,
processos judiciais pro violação dos direitos autorais.
Atualmente existem várias bibliotecas digitais no mundo e no Brasil, alguns
exemplos a nível mundial:
• Biblioteca Nacional Digital de Portugal (http://purl.pt),
• Portal Europeana (http://www.europeana.eu/portal/),
• Library of Congress (http://memory.loc.gov/ammem/index.html),
• Gallica, França (http://gallica.bnf.fr/),
• Alexandria Digital Library (http://www.alexandria.ucsb.edu/),
• New Zealand Digital Library (http://www.nzdl.org/cgi-bin/library.cgi);

No Brasil as mais conhecidas são:
• Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br),
• Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro (www.bibvirt.futuro.usp.br/),
• Biblioteca Brasiliana Digital – USP (http://www.brasiliana.usp.br/),
• Biblioteca digital brasileira de Teses e Dissertações do IBICT – Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (http://bdtd.ibict.br/)
• Biblioteca digital do Senado (http://www2.senado.gov.br/bdsf/)
• Biblioteca digital da Câmara (http://bd.camara.gov.br/bd/)
• Bdjur (http://bdjur.stj.gov.br/)

A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro contém vídeos em libras e
gravações de vozes de personagens importantes da história brasileira, foi uma das
54

primeiras bibliotecas digitais do Brasil, recebendo uma série de prêmios, tendo em
seu acervo mais de 10.000 obras em domínio público, dentre elas audiolivros,
biografias, obras clássicas da literatura brasileira.
A Biblioteca Digital Domínio Público foi lançada em 2004, desenvolvida em
software livre, contendo inicialmente 500 obras em seu acervo. Pelas estatísticas
apresentadas no portal, atualmente possui 71.000 obras cadastradas, sendo que até
então foram realizadas 26.791.646 consultas. Abaixo levantamento feito em 2010:

Tabela 1: Quantitativo mensal do número de visitas, obras cadastradas e e-mails recebidos. Fonte: Portal Domínio Público

Pelos números podemos verificar que o projeto desenvolvido pelo Ministério
da Educação vem dando certo. As obras digitalizadas sãos as se encontram em
domínio público ou que contam com a licença dos titulares dos direitos autorais.
Assim como a Domínio Público, a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e
Dissertações – BDTD é um projeto coordenado pelo IBICT e que integra os sistemas
de informação de teses e dissertações existentes nas instituições de ensino
superior.
Segundo o que consta no site do IBICT (2010),

[...] as instituições de ensino e pesquisa atuam como provedores de dados e
o IBICT opera como agregador, coletando metadados de teses e dissertações
dos provedores, fornecendo serviços de informação sobre esses metadados
e expondo-os para coleta por outros provedores de serviços, em especial
pela Networked Digital Library of Theses and Dissertation - NDLTD.
Mês Visitas Obras Cadastradas E-mails Recebidos
Julho/10 524.595 2.642 872
Junho/10 663.548 3.209 910
Maio/10 722.915 3.193 1.495
Abril/10 774.836 3.715 1.439
Março/10 766.287 3.670 1.638
Fevereiro/10 209.247 3.224 1.227
Janeiro/10 511.279 3.438 972
55


A BDTD utiliza as tecnologias do Open Archives Initiative (OAI) e adota o
modelo baseado em padrões de interoperabilidade consolidado em uma rede
distribuída de bibliotecas digitais de teses e dissertações.
Grande maioria das bibliotecas digitais segue a filosofia do projeto OAI (Open
Archive Initiative - Iniciativa Arquivos Abertos), uma nova filosofia para a publicação
científica, baseada em três princípios: auto-arquivamento, revisão pela comunidade
(pelos seus pares) e interoperabilidade.
O auto-arquivamento refere-se ao direito de o próprio autor enviar o seu texto
para publicação sem intermédio de terceiros. Isso faz com que o texto seja
disponível mais rapidamente, favorecendo também o acesso gratuito a publicações
eletrônicas, que até então estavam na mão de grandes editoras científicas, que
detinham também os direitos de publicação.
A revisão pela comunidade científica tem como propósito a transparência das
críticas e sugestões feitas aos textos eletrônicos depositados no repositório. Já a
interoperabilidade faz com que haja um conjunto mínimo de metadados e protocolo
comum para que seja possível a troca de informação bem como a preservação a
longo prazo destas informações.
Os adeptos a essa idéia defendem o acesso aberto de conteúdos e novas
modalidades de direitos autorais, as licenças copyleft, para a democratização da
informação.
A Bdjur – Biblioteca digital jurídica STJ, a Biblioteca Digital do Senado, a
Biblioteca Digital da Câmara e a Biblioteca Brasiliana Digital – USP, utilizam
software Dspace, um sistema de repositório digital feito em código aberto (open
source), também adepto ao Open Archives e a iniciativa Open Access (acesso livre
ao conhecimento).
Este software foi desenvolvido pelo Massachusets Institute of Technology –
(MIT), nos Estados Unidos, em parceria com a Hewlett-Packard - HP
(http://www.dspace.org). Foi utilizado pela primeira vez em língua portuguesa pela
Universidade do Minho/Portugal (https://repositorium.sdum.uminho.pt/index.jsp).
Ele permite pesquisa ao texto integral das obras, pesquisa dinâmica, links
persistentes (de forma que a obra sempre estará naquele endereço
independentemente de software e da própria web, não se alterará), maior
56

visibilidade, pois os dados podem ser buscados por metabuscadores na web, e
preservação a longo prazo para os objetos digitais.
Mas porque dedicar um capitulo específico a elas? Porque toda esta
discussão com relação aos direitos autorais na web perpassa pela biblioteca digital.
Ela foi tanto uma das várias tecnologias que contribuíram para essa discussão
quanto um ambiente atingido por essas mudanças. Pode parecer um tanto
paradoxal, mas tanto é uma das causas quanto sofre os efeitos. Na internet, as
bibliotecas digitais possuem a função de repositório de obras, preservando-as a
longo prazo como já destacado anteriormente. Através delas os autores podem ter
seus trabalhos permanentemente divulgados, tendo seus direitos autorais protegidos
através da obediência às leis de direitos autorais vigentes e uso de licenças.


7.2 Definição dos direitos autorais em bibliotecas digitais


Para a disponibilização de documentos em uma biblioteca digital há
necessidade de se observar a legislação vigente a respeito dos direitos autorais.
Segundo a Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, a lei dos direitos autorais no
Brasil, todas as obras, mesmo quando digitalizadas, não perdem sua proteção,
porque os autores mantêm seus direitos independentemente do meio pelo qual
estas se encontram (Art. 7º).
Em função disso, a inserção de obras protegidas por direitos autorais na
internet (reprodução e transmissão) e em bibliotecas digitais depende de prévia e
expressa autorização dos titulares de direitos autorais (Art. 29, Inc.I). Sendo assim,
há necessidade de se elaborar de um termo de autorização, em que o autor permite
a publicação de sua obra em meio digital. Em anexo alguns modelos.
Autorizada a inserção, existem 4 tipos básicos de utilização desta obra:
• Visualização em tela;
• Reprodução externa do material através de download no computador do
usuário;
• Reprodução externa através da impressão do material em um ou mais
exemplares, com ou sem intuito de lucro;
• Reprodução total ou parcial da obra para uso no próprio ciberespaço.
57


A fim de evitar que a obra seja usada indevidamente, os pacotes de softwares
para bibliotecas digitais (Dspace, etc.) geralmente utilizam alguma licença,
complementar à Lei de Direitos autorais. Desta forma, o autor compartilha sua
monografia, tese, artigo com os usuários desta biblioteca digital, mas sob alguns
limites e critérios estabelecidos, definidos por esta licença, ficando claro o que é
permitido. Por exemplo, o usuário poderá estar autorizado a ler na tela e imprimir o
texto, mas não a fazer o download da obra. Desta forma, a biblioteca digital propõe-
se não só a divulgar o trabalho do autor, mas a coibir o plágio total ou uso indevido
de partes de seu texto. As principais licenças utilizadas em bibliotecas digitais em
complemento a lei dos direitos autorais são as licenças Creative Commons que
serão vistas logo a seguir.


7.3 Uso de licenças


A licença é uma espécie de contrato (que pode ser muito simples, até uma
linha) por meio do qual o titular de direitos sobre determinada criação define
condições e limites para a utilização da obra. Muitos definem como sendo um
documento através do qual se pode especificar condições-padrão para o uso de
determinada obra por outras pessoas. Pode-se permitir o uso de uma obra na
criação de outra, desde que a fonte seja referenciada, ou ainda para fins não
comerciais, ou ainda, que esta seja licenciada pela mesma licença da primeira.
Seguindo esta idéia surgiu o Copyleft. Uma obra sob a licença Copyleft
(deixar copiar) requer que suas modificações, ou extensões da mesma, sejam livres,
passando adiante a liberdade de copiá-la e modificá-la novamente. A licença GPL –
Licença Pública Geral para software livre baseia-a nesta filosofia, bem como o
Creative Commons, e representam uma alternativa ao copyright, o qual restringe
excessivamente a distribuição e utilização de obras intelectuais. Com relação a isso,
Ronaldo Lemos, diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito
da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons
Brasil reforça:

58

Há músicos, produtores de vídeos ou escritores que [...] querem que as
pessoas tenham acesso às suas obras, ou, eventualmente, que outras
pessoas continuem o seu trabalho, seja reinterpretando-o, seja
reconstruindo-o ou recriando-o. Para essas pessoas, não faz sentido nem
econômico, nem artístico, que seus trabalhos se submetam ao regime de
“todos os direitos reservados.” (LEMOS, 2005, p. 83)

Para compreender as raízes do copyleft, é necessário compreender os
fundamentos do projeto GNU (Gnu is Not Unix). Este projeto foi iniciado por Richard
Stallman em 1984, após o mesmo abandonar o Laboratório de Inteligênia Artificial
do Instituto de Tecnlogia de Massachusetts, - MIT, com o objetivo de criar um
sistema operacional totalmente livre, que qualquer pessoa teria direito de usar,
estudar, modificar e redistribuir o programa e seu código fonte, desde que
garantindo para todos os mesmos direitos.
Com isso surgiu a GNU General Public License (Licença Pública Geral),
GNU GPL ou simplesmente GPL. É uma licença para software livre baseada na
liberdade de executar o programa, estudá-lo e adaptá-lo, de redistribuir cópias e
aperfeiçoá-lo e liberar seus aperfeiçoamentos à comunidade usuária do software. A
GPL mantém, porém, os direitos do autor de forma a não permitir que o código-fonte
seja utilizado em programas proprietários, ou que sejam impostos sobre ele
restrições que impeçam que seja distribuído da mesma maneira que foi adquirido.
Ou seja, trabalhos derivados deverão ser distribuídos através da mesma licença
GPL. Um exemplo de programa desenvolvido pelo projeto Gnu é o Gimp, um
software para edição de imagens. A GPL é a licença menos permissiva, mas a que
possibilita maior perenidade. É um instrumento jurídico, que garante que o usuário
não se aproprie de algo sem retornar com um produto melhor.
A criação do termo copyleft é atribuída ao mesmo Richard Stallman, que criou
o projeto Gnu e que em 1985, fundou a Free Software Foundation (FSF). Segundo
Liliana Minardi Paesani (2007, p. 180) “o conceito surge juntamente com a idéia de
software livre e desponta como uma inversão de valores do copyright”. Copyleft é
um trocadilho. É uma inversão do copyright (direitos de reprodução). O termo
substitui o “right” (direita) pelo “left” (esquerda), o que em inglês se refere ao
passado perfeito do verbo “leave”, que significa permitir, deixar. Ainda pode aludir
à ideologia política de esquerda, envolvida nos esforços de democratização da
informação.
59

De acordo com Stallman, o termo foi-lhe sugerido pelo artista e programador
Don Hopkins, que incluiu a expressão "Copyleft - all rights reversed." (todos os
direitos invertidos) numa carta que lhe enviou e de certa maneira, parodia a
expressão All rights reserved, tanto que o símbolo do copyleft é um C invertido.
O copyleft passou a ser utilizado não só para licenciamento de softwares, mas
também para obras literárias, textos, principalmente na modalidade Creative
Commons.
O Creative Commons – CC pode denominar tanto um repositório de licenças
padronizadas para gestão aberta, livre e compartilhada de conteúdos e informação –
copyleft quanto a organização sem fim lucrativos que as redigiu e mantém a
atualização e discussão sobre estas licenças e que presta acessoria gratuita para
garantir que aqueles que desejam liberar suas obras ao domínio público o façam de
maneira ainda legal e preservando seu direito inalienável de ser reconhecido como
autor.
Teve sua origem na Universidade de Stanford, com professor Lawrence
Lessig, estando presente atualmente em mais de 50 países. Também conhecido
como movimento, estabelece um novo modelo de negócios, baseado na liberdade
do autor de estipular quais direitos ele está disposto a conceder sobre sua obra,
flexibilizando o conceito do copyright de “todos os direitos reservados” para “alguns
direitos reservados”. O objetivo é manter os direitos autorais do autor e criador da
obra intelectual e ao mesmo tempo permitir a democratização da informação, e às
pessoas terem alguns direitos sobre a obra.
A licença Creative Commons se aplica a vários tipos de trabalhos, não só a
softwares, como criações artísticas colaborativas e textos. As licenças de software
livre inspiraram a criação do Creative Commons, o conceito original é comum, porém
as licenças deste repositório são mais variadas do que as utilizadas pelo software
livre, dando muito mais opções para o autor quanto os direitos que ele pretende
conceder. O CC (assim conhecido), pode potencializar o valor econômico de obras
culturais como imagens, filmes, músicas, livros, dentre outros. Essas licenças
também são incorporadas em sites que lidam com conteúdo produzido
descentralizadamente como Flickr. Muitos sites de busca como Yahoo possuem
dispositivo de pesquisa especializado em localizar obras licenciadas sob CC.
60

Nas licenças CC o titular dos direitos autorais continua sendo o autor, não é
uma cessão de direitos, pois não há transferência dos mesmos, nem concessão
(cuida da exclusividade de exploração temporária).
As principais licenças Creative Commons são a licença de Atribuição, de Uso
Não-Comercial, a de Não a Obras Derivadas e a de Compartilhamento pela mesma
Licença. O autor poderá fazer combinações, um mix entre elas.
A licença de Atribuição permite a cópia, distribuição e execução da obra –
protegida pelos direitos autorais – e a da obra derivada criada a partir dela, mas
somente se for dado crédito da maneira que o autor estabeleceu. Esta é a única
licença obrigatória.
A licença de Uso Não-Comercial, permite que as pessoas copiem, distribuam
e executem a obra e as obras derivadas criadas a partir dela, mas não para fins
comerciais.
Através da licença Não a Obras Derivadas, é permitido que outras pessoas
copiem, distribuam e executem somente cópias exatas da obra, mas o autor não
autoriza sua obra para elaboração de obras derivadas. Por isso a obra não pode ser
alterada ou reeditada sem a autorização do autor.
No Compartilhamento pela Mesma Licença, o autor permite a cópia, a
distribuição e a utilização de sua obra, como ocorre no caso da licença de
Atribuição, e na licença Vedado uso Comercial, mas impõe a condição de que, no
caso da obra ser utilizada para criação de obras derivadas, estes deverão distribuir
estas obras derivadas somente sob uma licença idêntica à licença que rege a obra
original.
Ainda existem as licenças de Sampling, por exemplo, que permitem que
pequenos pedaços da obra sejam remixados em obras novas, a licença de
Compartilhamento de Música, para músicos que queiram compartilhar suas obras
com seus fãs, entre outras.
Segundo o site Creative Commons Brasil (PROJETO, 2004), o Creative
Commons (CC) disponibiliza licenças que abrangem um espectro de possibilidades
entre a proibição total dos usos sobre uma obra – todos os direitos reservados – e o
domínio público – nenhum direito reservado. As licenças ajudam a manter o direito
autoral ao mesmo tempo em que permite certos usos da obra – um licenciamento
com “alguns direitos reservados”. É um tipo de licença mais flexível, permitindo
61

acesso ao conhecimento (Projeto A2K – Access to Knowledge), garantindo proteção
e liberdade.
O Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito da Fundação
Getulio Vargas, no Rio de Janeiro é o órgão responsável pela direção, no Brasil, do
projeto Creative Commons. O CTS adaptou as licenças do Creative Commons para
o ordenamento jurídico brasileiro e fez com que o Brasil se tornasse pioneiro no
desenvolvimento de licenças CC-GNU GPL e CC-GNU LGPL, atualmente utilizadas
pelo governo para o licenciamento de software livre.
Tanto a GPL, que licencia softwares livres, as licenças aplicadas a softwares
Open Source, quanto o Creative Commons são legais, pois se traduzem em
institutos jurídicos de proteção dos direitos autorais. Eles se fundam em um princípio
básico, de que o autor, enquanto dono de todos os direitos de uma criação
intelectual possui a faculdade de fazer o que quiser com esses direitos. Sendo
assim, fundamentam-se no modelo tradicional do direito autoral, o que eles fazem é
autorizar alguns direitos sobre as obras, direitos esses que pertencem, por lei, ao
próprio criador da obra.
62

8 DIREITO AUTORAL X DIREITO À INFORMAÇÃO


Atualmente as leis de direitos autorais preocupam-se em proteger as grandes
indústrias do entretenimento, os detentores dos direitos cedidos em grande maioria
pelos autores através de contratos de cessão; não visam proteger aquele poeta
sonhador, o músico romântico, o pintor excêntrico. Esses somente são lembrados
para justificar os direitos de exclusividade fornecidos pelo direito autoral toda vez
que a matéria entra em discussão, embora isso não corresponda à realidade, pois
grande parte destes direitos não está na mão destes autores, mas de corporações.
O autor português José de Oliveira Ascensão considera:

A associação cada vez mais estreita do direito de autor a setores muito
poderosos da atividade econômica marca também profundamente a nossa
época. O direito de autor nasce amparado na imagem do escritor cuja
criatividade se recompensa. (...) Hoje, porém, podemos dizer que (...) os
objetivos empresariais do direito de autor sejam cada vez mais nítidos e o
significado efetivo do criador intelectual cada vez mais modesto. A situação
econômico-social do autor não corresponde hoje à visão clássica do criador
independente, como que artesanal na elaboração de sua obra. As leis
protecionistas do autor tornam-se ambíguas. Falam do autor, mas autores
são os adquirentes de direitos, e pelo autor agem os mandatários. Essas
leis protegem afinal interesses empresariais, que só casualmente coincidem
como os do criador intelectual. (ASCENSÃO, 1997, p. 8).

Seu surgimento na Inglaterra não foi para proteger os autores, mas sim o
monopólio dos editores e mesmo o droit d’ auteur que surgiu para proteger os
autores na França, hoje esbarra em novos conceitos de autor e obra. A web
imprimiu uma nova dinâmica na relação autor-> obra-> empresários-> usuário.
Muitas obras possuem autoria coletiva, de indivíduos que ora são leitores ora são
autores; grande maioria delas está disponibilizada na web, em redes colaborativas,
em forma de comentários e e-book, muitas delas derivadas de outras obras, e
originais para uma porção de outras mais. Muitos autores recebem contribuição de
seus leitores, muitos programas de televisão são feitos com base nas sugestões dos
telespectadores. Carlos Rogel Vide e Victor Drummond (2005, p. 32) citam ainda as
obras multimídia, intimamente ligadas com a tecnologia digital, chamada também de
numérica. Nelas estão presentes ao mesmo tempo, imagens fixas ou animadas,
textos, músicas. Estas informações estão disponíveis em diversos formatos, sendo
que há a possibilidade de se intervir nesse conteúdo, de acrescentar informações,
63

mesclar textos, etc. A Wikipédia, criada em 2001 é um exemplo desta dinâmica, e
Wiki
13
, e desafiam o paradigma dos direitos autorais.
Para Alessandra Tridente (2009, p. 132), as regras atuais do direito autoral
revelam acentuada preocupação legal com a proteção aos detentores do direito
autoral.
O que era para proteger o autor e sua obra e contribuir para o
desenvolvimento da cultura, de forma a garantir a subsistência do mesmo e
assegurar a proteção do patrimônio cultural, acaba por fazer exatamente o contrário.
A larga duração dos privilégios dos direitos sobre as obras (grande parte dos países
é de 70 anos), a necessidade de autorização para qualquer uso, até mesmo as
dificuldades na identificação dos titulares do direito autoral (pois o registro das obras
em vários países é facultativo ou não existente) obstam a criação ao invés de
promovê-la, pois estas obras demoram muito tempo para entrarem em domínio
público e servirem de insumo para novas criações.
Obras derivadas, por exemplo, deveriam ter menos tempo de proteção. Toda
criação deveria ser registrada, em um esquema simplificado e os prazos para que as
obras se tornem de domínio público deveriam também ser menores, pois o
argumento de que as obras poderiam demorar décadas para chegar aos mais
diferentes países com a internet “caiu por terra”. Esse era um dos principais pilares
que sustentavam longos prazos para o direito autoral, o fato de demorarem a chegar
a países mais distantes. Nos debates há um consenso na idéia de que os prazos de
exclusividade devem ser longos o suficiente para estimular a criação de obras e
proteger o autor e sua obra, mas não tão longos ao ponto de inibir a criação de
obras derivadas.
Não é verdade que quanto maiores forem os direitos autorais, quanto maiores
forem os direitos de propriedade intelectual dos autores sobre suas obras mais
protegidos eles estariam e conseqüentemente mais garantido estaria o progresso
humano. Pelo contrário, os direitos autorais não protegem o autor, e sim os
detentores dos direitos autorais, o progresso humano é barrado pela série de
entraves já citados presentes nas leis e muitas vezes ferem o direito de acesso à
informação.

13
Wiki: edição colectiva dos documentos usando um sistema que não necessita que o conteúdo tenha que ser revisto antes da
sua publicação
64

É o caso da LDA, pois segundo o seu art. 11, o autor de uma obra só poderá
ser pessoa física, porém, já em seu parágrafo único coloca que a proteção
concedida ao autor pode estender-se a pessoas jurídicas (editoras, gravadoras),
pois o autor, através de um contrato de cessão poderá transferir a titularidade de
seus direitos a uma editora, por exemplo. Embora chamemos a LDA de Lei dos
Direitos Autorais, na verdade ela protege principalmente o titular dos direitos, que,
coincidentemente, na maioria das vezes, não é o autor.
Allan Rocha de Souza, professor da disciplina de Direitos Autorais da UFRJ
coloca:

Uma legislação restritiva como a atualmente vigente, que reflete uma visão
hiperproprietária da proteção autoral, traz incontáveis malefícios, pois, ao
mesmo tempo, reduz o que presume promover (novas criações e uma
economia cultural robusta), restringe injustificadamente direitos
fundamentais sociais de caráter essencial à própria formação das pessoas e
condena parte substancial da população à exclusão cultural, com efeitos
nefastos sobre a democracia e cidadania culturais. Ao final, a exacerbada
restritividade da legislação vigente afeta negativamente sua própria
legitimidade social, reduz o escopo da necessária adesão voluntária,
aumenta os custos de implantação e, com isso, presta um desserviço ao
próprio Estado democrático de direito. (SOUZA, 2010, p. 33)

Outro exemplo é a produção de filmes norte-americanos. Na obra “Direitos
Autorais”, Pedro Paranaguá e Sérgio Branco (2009, p.45-46) afirmam que a indústria
do entretenimento nos Estados Unidos vem transformando a propriedade intelectual,
os direitos autorais em um fator limitador à criatividade. Vários filmes já foram
suspensos temporariamente porque muitos (escultores, artistas, arquitetos, músicos)
alegavam que suas obras estavam sendo mostradas sem o devido ressarcimento,
mesmo que aparecendo no fundo de uma cena. Neste contexto, surgiu a expressão
“clearning”, que segundo os autores, “é o ato de obter todas as licenças: de uso de
mobília de tal artista, de músicas, necessárias para o uso de obras de terceiros que
apareçam no filme, ainda que incidentalmente, de modo a evitar possíveis
transtornos na exibição da obra” (PARANAGUÁ; BRANCO, 2009, p. 46).
O direito à informação defende o livre acesso ao conhecimento. Por outro
lado, o direito autoral visa proteger os autores de infrações cometidas pelos usuários
de suas obras. Entretanto, esses dois direitos visam, como comenta Lemos (2005, p.
17 a 19), o equilíbrio entre o mundo da colaboração e do compartilhamento, com o
mundo da exploração da obra e da remuneração ao autor.
65

O dilema da propriedade intelectual agravado com a internet é a de que a
reprodução não autorizada feita por uma pessoa qualquer pode nunca ser
descoberta pelo autor, pois esta não furtou algo material, mas sim uma coisa
imaterial, não impedindo ainda o autor de usar sua obra, seu próprio trabalho. A
internet agrava isso, no momento em que não se distingue mais o que é original do
que é cópia. Nesta seara, o autor Guilherme Carboni em suas palestras defende a
função social dos direitos autorais.
Se o direito autoral é um ramo da propriedade intelectual, e dadas as
características do direito de propriedade, é possível atribuir ao direito autoral as
peculiaridades do direito de propriedade, excetuando-se a perpetuidade. A
propriedade tem, por determinação constitucional (Constituição do Brasil de 1988),
uma função a cumprir. Sendo assim, o direito autoral, como ramo da propriedade
intelectual também tem uma função social a cumprir, que exerce papel importante
para o equilíbrio entre o direito de autor e o direito de acesso ao conhecimento. Esta
função social está ligada à educação, ao acesso à cultura e à ciência, a idéia de que
a exploração da obra deve favorecer tanto autor quanto a sociedade, de que o
aproveitamento tem de ser racional e adequado. Washington de Barros Monteiro
(2007, p. 91) lembra que “entre os romanos, o exercício do direito de propriedade
era subordinado às exigências do bem comum”.
Para Pedro Paranaguá e Sérgio Branco (2009, p. 18), a LDA atualmente
desautoriza uma série de condutas que estão em conformidade com a função do
instituto da propriedade: cópia de livros esgotados, a cópia para preservação da
obra, a representação e a execução de qualquer obra em instituições educacionais,
desde que sem fins lucrativos.
Carlos Rogel Vide e Victor Drummond (2005, p. 103) mencionam que o artigo
37 da Lei de Propriedade Intelectual prevê a livre reprodução e o empréstimo de
obras (vedadas pela LDA). Assim coloca o artigo 37, apartado 1:

Os titulares dos direitos de autor não poderão se opor às reproduções das
obras , quando aquelas se realizem sem finalidade lucrativa pelos museus,
bibliotecas, fonotecas, hemerotecas ou arquivos de titularidade pública ou
integrada em instituições de caráter cultural ou científico, e a reprodução se
realize exclusivamente pra fins de pesquisa.

66

Observam os autores que as reproduções a que se faz referência são,
exclusivamente, as que se referem às chamadas cópias de substituição do original
extraviado, deteriorado ou então cópias destinadas ao estudo dos pesquisadores.
Outra preocupação dos direitos autorais é com relação à pirataria, a cópia não
permitida. Essa preocupação é valida, porém, podemos verificar que as cópias não
influenciam na vendagem das obras. Na realidade, editorialmente, quanto mais uma
obra circula, mais vende.
O que se busca, é um caminho intermediário, maior flexibilização entre os
direitos autorais e o direito de acesso à informação. Na Minuta da Declaração de
princípios da World Summit on the Information Society – WSIS, realizada em 2003, o
item 26 refere-se ao acesso à informação e ao conhecimento:

A rich public domain is an essential element for the growth of the Information
Society, creating multiple benefits such as an educated public, new jobs,
innovation, business opportunities, and the advancement of sciences.
Information in the public domain should be easily accessible to support the
Information Society, and protected from misappropriation. Public institutions
such as libraries and archives, museums, cultural collections and other
community-based access points should be strengthened so as to promote
the preservation of documentary records and free and equitable access to
information. (WORD SUMMIT..., 2003)

Neste item fica claro que é importante a disponibilização do conhecimento
para desenvolvimento da sociedade como um todo, mas também de que toda
informação deverá ser protegida de apropriações indevidas.
67

CONSIDERAÇÕES FINAIS


Estamos num momento de transição no que diz respeito aos direitos autorais.
Este tem de acompanhar os avanços tecnológicos e a mudança de comportamento
da sociedade. Faz-se necessária a flexibilização da atual lei dos direitos autorais
brasileira e também de outros países, de modo a tirar da ilegalidade uma série de
ações corriqueiras como passagem de uma música para o Ipod, de um CD-ROM,
para outro, por exemplo, ou de ações utilizando-se a internet, como download de
vídeos e músicas, incorporando a mesma o uso de licenças como as do creative
commons detalhadas ao longo do texto, ou outros mecanismos alternativos como o
fair use. Em outras palavras, há necessidade de se modificar os parâmetros de
proteção legal existentes.
As bibliotecas digitais já utilizam estas licenças de uso em complemento às
leis de direitos autorais. Desta forma, as obras disponibilizadas nestes repositórios
digitais estão protegidas e seus respectivos autores também, evitando-se o uso
indiscriminado e coibindo também o plágio. Ao contrário do que a maioria dos
editores alegam, essa forma de disponibilização não diminui a comercialização
destas obras, pelo contrário, torna-as conhecidas pelo público.
O direito autoral hoje está muito calcado no direito patrimonial, enquanto que
o direito à informação é um direito fundamental, presente no texto de diversas
constituições, parecendo desta forma, direitos antagônicos, porém não o são.
Propomos aqui um olhar diferente ao direito autoral, como um direito de propriedade,
com função social, que se aproximaria ao direito de acesso à informação.
Neste contexto, toda a informação governamental tem de estar disponível
para o público, obedecendo-se ao princípio do acesso à informação presente na
Constituição Federal de 1988, seguindo-se também os preceitos da sociedade da
informação e do conhecimento.
Assim como o autor não pode atualmente viver sem o empresariado que
promove sua obra, o direito autoral também não terá mais como sobreviver sem
abrir mão de sua visão excessivamente patrimonialista e comercial para uma
necessária democratização do acesso à informação. Pois, da forma como hoje está
delineado, não protege eficazmente os autores nem promove uso racional das obras
68

por parte da sociedade. Assim como o copyright e o droit d’auteur estão convergindo
para proteger tanto autores quanto os editores contra as fraudes e plágio, é
necessário ampliar esta abrangência de modo que o direito autoral promova o
equilíbrio estas três segmentos: autores, empresários e sociedade.
O que se propõe então é o equilíbrio entre os direitos. Para isso deverá haver
uma reformulação dos prazos de exclusividade dos direitos autorais, atualmente
girando em torno de 70 anos na maioria dos países, também a formalização do
registro das obras para que os autores possam ser identificados e as obras
derivadas deverão ter menor prazo de proteção se comparadas ao prazo das
originais. Isso auxiliaria no aumento do número de bens culturais disponíveis a
todos, de domínio público, incentivando-se assim novas criações.





69

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76

ANEXO
Termo Geral de Autorização para publicação
na Biblioteca Digital do TRF4


1 Identificação do autor:

Nome: ________________________________________________________________________
Cargo: ________________________________________________________________________
Lotação: _______________________________________________________________________
Endereço: ______________________________________________________________________
Telefones: ______________________________________________________________________
E-mails: _______________________________________________________________________



2. Identificação do documento:

2.1 Artigos

Títulos:_________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________

Estes trabalhos já foram previamente publicados? Sim Não
Em caso afirmativo, anexar a(s) fonte(s).


Autorização para publicação dos artigos:

Na qualidade de titular dos direitos de autor do conteúdo supracitado, de acordo com a Lei n.º 9610/98,
autorizo a Coordenadoria de Documentação - DIAP/Biblioteca a disponibilizar gratuitamente, sem
ressarcimento dos direitos autorais, o texto integral desta(s) obra(s) de minha autoria, em meio eletrônico,
na Biblioteca Digital do Tribunal Regional Federal da 4. Região, via a Rede Mundial de Computadores, em
formato PDF, para fins de leitura e/ou impressão pela Internet, a título de divulgação e de cooperação com
outras instituições e iniciativas similares.
____________________________, _____/_____/_____
Local Data



____________________________
Assinatura do Autor



77

2.2 Identificação do documento:
Trabalhos de Pós-Graduação

Tese (Doutorado) Dissertação (Mestrado) Monografia (Pós-graduação)

Título:__________________________________________________________________________
Programa/Curso de Pós-Graduação: __________________________________________________
Nome do orientador: ______________________________________________________________
Data da defesa: ___ /___ /____


Tese (Doutorado) Dissertação (Mestrado) Monografia (Pós-graduação)

Título:__________________________________________________________________________
Programa/Curso de Pós-Graduação: __________________________________________________
Nome do orientador: ______________________________________________________________
Data da defesa: ___ /___ /____



Tese (Doutorado) Dissertação (Mestrado) Monografia (Pós-graduação)

Título:__________________________________________________________________________
Programa/Curso de Pós-Graduação: __________________________________________________
Nome do orientador: ______________________________________________________________
Data da defesa: ___ /___ /____

2.3 Identificação do documento:
Outros ___________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________
_______________________________________________________________________________


Autorização


Na qualidade de titular dos direitos de autor do conteúdo supracitado, de acordo com a Lei n.º 9610/98,
autorizo a Coordenadoria de Documentação - DIAP/Biblioteca a disponibilizar gratuitamente, sem
ressarcimento dos direitos autorais, o texto integral desta(s) obra(s) de minha autoria, em meio eletrônico,
na Biblioteca Digital do Tribunal Regional Federal da 4. Região, via a Rede Mundial de Computadores, em
formato PDF, para fins de leitura e/ou impressão pela Internet, a título de divulgação e de cooperação com
outras instituições e iniciativas similares.


____________________________, _____/_____/_____
Local Data


____________________________
Assinatura do Autor

78

(Tradução do texto contido no DSpace)

LICENÇA DE PUBLICAÇÃO NÃO-EXCLUSIVA (aplicada à Bdjur)

Ao assinar e entregar esta licença, o/a Sr./Sra. (autor ou detentor dos direitos de autor):

a) Concede à Biblioteca Digital...... o direito não-exclusivo de reproduzir, converter
(como definido abaixo), comunicar e/ou distribuir o documento entregue (incluindo o
resumo/abstract) em formato digital ou impresso e em qualquer meio.

b) Declara que o documento entregue é seu trabalho original, e que detém o direito de
conceder os direitos contidos nesta licença. Declara também que a entrega do
documento não infringe, tanto quanto lhe é possível saber, os direitos de qualquer outra
pessoa ou entidade.

c) Se o documento entregue contém material do qual não detém os direitos de autor,
declara que obteve autorização do detentor dos direitos de autor para conceder à BDJur
e ao Consórcio BDJur os direitos requeridos por esta licença, e que esse material cujos
direitos são de terceiros está claramente identificado e reconhecido no texto ou conteúdo
do documento entregue à BDJur e o Consórcio BDJur identificarão claramente o(s) seu
(s) nome(s) como o(s) autor(es) ou detentor(es) dos direitos do documento entregue, e
não fará qualquer alteração, para além das permitidas por esta licença.

Magda De Conto

DIREITO AUTORAL VERSUS DIREITO À INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS

Magda De Conto

DIREITO AUTORAL VERSUS DIREITO À INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS

Trabalho de especialização apresentado ao Programa de Pós-Graduação à Distância em Direito da Tecnologia da Informação, da Universidade Gama Filho, como requisito para obtenção do grau de Especialista em Direito da Tecnologia da Informação. Orientador: Prof. Anderson Soares Furtado Oliveira

Porto Alegre 2010

UNIVERSIDADE GAMA FILHO Reitora: Profa. Maria José Mesquita Cavalleiro de Macedo Wehling Pró-Reitor de Humanidades e Ciências Sociais: Prof. Arno Wehling

Coordenação Geral dos Cursos em Direito Guilherme Valadares Vasconcelos Anderson Soares Furtado Oliveira

D296d De Conto, Magda Direito autoral versus direito à informação em bibliotecas digitais / Magda De Conto; orientador Anderson Soares Furtado Oliveira. – Porto Alegre, 2010. 78 f. ; 27 cm. Trabalho de Conclusão de Curso (Pós-Graduação) - Universidade Gama Filho. Curso à Distância em Direito da Tecnologia da Informação, 2010. 1. Direito Autoral 2. Direito à informação 3. Bibliotecas digitais I. Oliveira, Anderson Soares Furtado. II. Título. CDU – 347.78:004

POSEAD – Educação à Distância - Núcleo Brasília L2 Sul – SGAS Qd. 603, cj. C Brasília, DF CEP: 70.200-630 Telefone: (61) 3218-8330 E-mail: acadêmico@posead.com.br

..../.MAGDA DE CONTO DIREITO AUTORAL versus DIREITO À INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS Monografia julgada e aprovada em: .. Anderson Soares Furtado Oliveira Orientador Universidade Gama Filho ____________________________________________________ Profa..... Universidade Gama Filho Conceito final: ___________ ../. Universidade Gama Filho ____________________________________________________ Prof.. BANCA EXAMINADORA ____________________________________________________ Prof....

Quando estes factos efetuaram o trabalho mais difícil. e nutrida às vezes por considerações da vida e da pressão das circunstâncias por motivos de oportunidade. também. Rudolf Von Jhering . como propriedade que lhe pertence”. e. É. obra da atividade humana. à idéia da justiça. não deve de modo algum sua realização prática só ao poder de convicção jurídica.“Aquilo que nos parece atualmente inerente à natureza do direito. posta em movimento. que é em grande parte concepção inata da humanidade. a ideia veio aproximar-se da obra e tomá-la sob a sua proteção.

sendo que as bibliotecas digitais através das licenças de uso podem tornar acessíveis as informações sem prejuízo ao autor. Aponta a situação paradoxal existente entre o direito autoral e o direito à informação. Coloca o acesso à informação como sendo um direito fundamental. demonstrando o quanto o advento da sociedade da informação ocasionou e alimenta esta situação. Segundo os textos analisados. tendo em vista que neste mercado capitalista globalizado. mais especificamente internet e bibliotecas digitais. no Brasil o problema maior não é a lei. Através de levantamento bibliográfico e revisão da literatura. baseando-se em dois sistemas distintos de proteção aos direitos autorais: o de Copyright e no Sistema Droit d’ Auteur.RESUMO O presente trabalho traça um histórico dos direitos autorais no mundo e no Brasil. . passível de respeito. ambos versando sobre sua alteração. Pois. Licenças de Uso. Lei dos Direitos Autorais. a cultura e o acesso à informação. Já em suas considerações finais coloca que tanto o sistema que protege em sua essência o editor quanto o que protege o autor estão convergindo para uma proteção mútua. Bibliotecas Digitais. fazendo um paralelo com o Projeto de Lei em tramitação no Congresso e com o texto que recentemente foi à consulta pública. mas a sua aplicação. detalha as principais normas brasileiras a tratarem deste assunto desde o Império até o presente momento. da conectividade. acessibilidade. Palavras-chave: Direito Autoral. do empresário e do autor contra plágios e contrafações. Analisa a atual LDA. a necessidade de autorização para qualquer uso e a larga duração dos privilégios obstam ao invés de promover a criação. Situa o direito autoral em ambientes virtuais. desde que resistências por parte de autores e editores sejam quebradas. Internet. da interatividade e do uso da tecnologia como mediante. Direito à Informação. elencando concomitantemente algumas convenções internacionais do qual o Brasil é signatário. um não sobrevive sem o outro. Aborda a sociedade da informação como sendo resultante das autoestradas da informação.

Licenses of use. Author’s protection. the need for authorization for any use. but their implementation. demonstrating how the advent of information society caused and fuels this situation. the culture and the access to the information. details the main Brazilian rules treat with this subject since the Empire to the present. Already in its closing argument that puts both the system that protects the publisher in its essence.ABSTRACT This dissertation traces a detailed report of author’s protection in the world and in Brazil. and digital libraries through the use licenses can turn accessible the information without prejudice to the author. both which discuss the alteration of LDA. and long duration of privileges hinders instead of promoting the creation. accessibility. listing concurrently some international conventions to which Brazil is a signatory. Information’s right. one doesn' survive without the other. the entrepreneur and the author against plagiarism and counterfeiting. Keywords: Copyright. since resistance from authors and publishers are broken. Copyright’s law. more specifically in the internet and digital libraries. interactivity and the use of technology as a mediator. It points the existent paradoxical situation between the copyright and the right to the information. Internet. considering that in this globalized capitalist market. Through bibliographical research and review of the literature. Therefore. Digital libraries. Analyzes the current LDA. showing a parallel of the Bill in Congress with the text that was recently in a public consultation. . basing into two separate systems of author’s protection: Copyright and the System Droit d' Auteur. connectivity. susceptible to respect. It situates the author’s protection in virtual atmospheres. the t biggest problem in Brazil is not the law. as it protects the author are converging to a mutual protection. According to the texts analyzed. It approaches the society of the information as being resulting from the freeways of the information. It puts the access to information as a fundamental right.

..........................1 Bibliotecas digitais........... 7........................................................................ 1.........2 Direito à informação... 4........ 1...........................1 Sociedade do conhecimento................ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...3 Uso de licenças........... 6........................................................ 4......................................1Objetivo Geral.....................................2 Problema...3 Justificativa...............4.................... 4 DIREITO AUTORAL NO BRASIL.........................4...................................................1 Lei dos Direitos Autorais de 1998............................................................................................... 8 9 10 10 11 11 11 13 14 22 25 28 32 39 39 42 50 50 56 57 62 67 69 76 .................SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..................................................... 1... 2 METODOLOGIA.....................................................................................2 Definição dos direitos autorais em bibliotecas digitais................... 3 HISTÓRIA DO DIREITO AUTORAL...............................4 Objetivos....1Tema......................... 6.. 7.................................................................................................................................................................................................................. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................................................. 1............................................................................ 1. 5 COMO A INTERNET AFETA O DIREITO AUTORAL....................... 7..............................................................................................2 Objetivos Específicos........................................... 6 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DIREITO À INFORMAÇÃO .......................................................................2 Atualização e modernização da lei.............................................. 7 ERA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DIGITAIS.................................................................. 1.......... 8 DIREITO AUTORAL X DIREITO À INFORMAÇÃO.................................................................................................................... ANEXO.........................................

no entanto. . sendo considerado o terceiro marco (vindo atrás do surgimento da escrita e da prensa) na arte da transmissão do conhecimento. presentes principalmente em ambientes acadêmicos e governamentais. A evolução da internet. ambientes que disponibilizam a informação de forma organizada. muitos deles utilizando-se do mesmo ambiente que outrora os colocou nesta situação. Muitos destes repositórios são conhecidos como bibliotecas digitais. principalmente quando o assunto envolve a preservação dos direitos autorais. através da proliferação de livros. fazendo-os buscar novas formas de remuneração.8 1 INTRODUÇÃO O desenvolvimento de diferentes tecnologias proporcionou-nos o surgimento da internet. ou seja. o surgimento da web acelerou vertiginosamente este processo. A crescente produção de informação neste ambiente fez surgir verdadeiros repositórios de dados acessíveis a um grande contingente de pessoas. pode-se observar que a internet ocasionou no mercado livreiro. por sua vez. Autores e editores buscam hoje novos serviços como sendo a solução para seus produtos e receitas declinantes. A internet aproximou o autor das obras intelectuais de seu usuário. colocando em segundo plano o papel das editoras e gravadoras. pois os principais detentores dos direitos autorais viram-se diante de uma troca massiva de arquivos entre usuários através do uso de aplicativos. muitas vezes abreviando o caminho entre a obra-prima e seu apreciador. tendo como único intuito o de divulgar o conhecimento ali presente de forma a contribuir com a construção de uma sociedade mais igualitária. e esta. há quem diga que estamos em plena crise da propriedade intelectual. sem fins lucrativos. atividade esta que provocou baixa vertiginosa de suas arrecadações. Nesse sentido. indo de encontro a um dos direitos fundamentais: o direito à informação. interpõe-se diretamente a alguns valores sociais e mercantis. Se a prensa de Gutenberg proporcionou a democratização do conhecimento entre o povo. uma massiva troca de informações entre as pessoas. da música e das artes um estremecimento.

analisa as principais bibliotecas digitais brasileiras.1 Tema O presente estudo pretende chamar a atenção para os aspectos envolvidos na disponibilização de informações em bibliotecas digitais. sobre os conflitos éticos e jurídicos surgidos. sua função sob vários pontos de vista. versará sobre as limitações impostas pelo direito autoral ao direito à informação e conseqüentemente.9 As bibliotecas digitais neste contexto estariam violando os direitos autorais ao disponibilizarem acesso a uma série de informações através de uma única interface de pesquisa? Atualmente é possível atender ao direito à informação sem ferir os direitos autorais? Que mecanismos estão sendo desenvolvidos para tornar isso possível? Buscando responder a estas questões. o trabalho primeiramente coloca a evolução histórica do direito autoral. sua natureza jurídica. dedica um capítulo em especial a sociedade da informação. conceitua. 1. Por fim. . colocando suas origens. traçando um paralelo entre o copyright e o droit d’auteur. bem como coloca a aplicabilidade das licenças de uso neste ambiente. analisando a Lei 9610/1998 bem como o projeto em tramitação no Congresso que tem como objetivo alterar a mesma. Logo depois. Em seguida discorre sobre o direito autoral no Brasil. Analisa também as principais questões ligadas ao direito autoral na internet. Especificamente. trata do direito de autor propriamente dito. coloca os conflitos éticos e jurídicos entre direito à informação e direito autoral sugerindo algumas alternativas para minimização destes. O trabalho também examina as bibliotecas digitais como um todo. aspectos morais e patrimoniais. a democratização do conhecimento e o direito à informação. Dando seguimento. principais diferenças e contribuições. suas limitações e a crise nos conceitos tradicionais de autor e obra diante da era digital. levanta suas funções para a sociedade.

Entretanto. É nesse ambiente que as bibliotecas digitais estão inseridas. principalmente por se tratar de um assunto interdisciplinar. por exemplo. partindo-se do pressuposto de que todo indivíduo tem direito à informação. estão elas de acordo com a legislação vigente? Esta legislação é adequada para este tipo de ambiente e sociedade informacional? Quais são as alternativas apresentadas para o pleno cumprimento perante o Direito? O tema proposto é polêmico. Apesar de a legislação procurar abarcar tudo e todos. Mas. sempre conectada. ambiente em que estão inseridas as bibliotecas digitais. o que. . além de diversos outros segmentos.10 1. envolvendo operadores do Direito. por vezes. da Ciência da Informação. e gerar diversos conflitos éticos e jurídicos. com o advento da internet. observa-se que o Direito não está mais conseguindo acompanhar os avanços tecnológicos e o comportamento desta sociedade “informacional”. procurando se adaptar às questões de disponibilização e uso da informação na web e de respeito aos direitos autorais. isso também pode suscitar vários questionamentos referentes aos direitos autorais na internet. faz com que muitos aspectos jurídicos neste novo ambiente fiquem desatendidos. da Informática. Porém.2 Problema A disponibilização de informação por parte das bibliotecas digitais pode trazer inúmeros benefícios à sociedade como um todo. que regulamente questões mais pontuais. 1. que os direitos autorais são válidos inclusive no ambiente web. na prática verifica-se que há carência de uma legislação específica.3 Justificativa O Direito serve como instrumento destinado a tutelar os interesses coletivos e se posicionar diante das lides sociais. colocando.

11 O maior questionamento sem dúvida é jurídico. por exemplo. 1. Porém de outro lado temos os mais conservadores. Essa dicotomia necessita ser analisada. 1. inclusive. .4. refere-se ao fato da democratização da informação. que a disponibilização de obras em bibliotecas digitais pelos autores coibiria o plágio. e) Analisar e compreender o histórico da evolução do direito autoral no mundo e no Brasil. c) Esclarecer questões referentes ao direito à informação. que alegam. f) Verificar os meios utilizados para a garantia do direito autoral na internet.2 Objetivos Específicos a) Compreender a relação entre o direito à informação e o direito autoral. com relação à aplicação do direito autoral na internet. que o uso de licenças de uso não levou a resultados promissores.1 Objetivo Geral O propósito central do estudo é a construção de um trabalho científico que aborde como tema o direito à informação.4. comentada e o resultado disso disseminado de forma a contribuir para o avanço dessa matéria tão interessante que é o direito digital.4 Objetivos 1. Até que ponto pode-se considerar o direito à informação sem ferir o direito das editoras e autores? De um lado vemos alguns doutrinadores que afirmam que todos têm direito à informação. b) Refletir a respeito do impacto das inovações tecnológicas sobre o universo dos direitos autorais. d) Verificar os meios utilizados para a garantia do acesso à informação. particularmente da informação disponibilizada em bibliotecas digitais e os aspectos jurídicos envolvidos nesse processo.

o estudo tentará. j) Como objetivo conclusivo. h) Verificar a aplicação do direito autoral e do direito à informação em bibliotecas digitais. após a revisão bibliográfica e jurisprudencial. verificar a tendência mundial quanto à disponibilização de informações em bibliotecas digitais. . interferem na edição da legislação referente ao assunto. i) Analisar os princípios que regem os valores da sociedade contemporânea e que. sendo o Direito o reflexo dos anseios sociais.12 g) Analisar a atual lei referente aos direitos autorais no Brasil e o projeto em tramitação no Congresso que visa sua reformulação.

conforme os objetivos do trabalho. dentre outros e textos de várias convenções. e jurisprudência. como também explorar novas áreas nas quais os mesmos problemas ainda não se cristalizaram o suficiente”. Guilherme Carboni. cujas bases ainda não estão sólidas. a partir da doutrina já existente na área do direito autoral. a fim de se obter um panorama geral e aprofundado do assunto. de ONGs e jornais como o Diário Oficial da União.13 2 METODOLOGIA O presente trabalho terá como metodologia a revisão bibliográfica tradicional. do direito à informação bem como da ciência da informação o conhecimento disponível. na tentativa de expor o melhor entendimento do tema a ser discutido. José Joaquim Gomes Canotilho. Várias fontes foram consultadas como livros. Após a coleta do material houve seleção. periódicos. sites como o do Ministério da Cultura. buscando-se. Manuel Castells. Fábio Ulhoa Coelho. p. leitura e análise das principais idéias. Este é o caso do direito autoral na internet. . Buscaram-se na literatura brasileira e estrangeira contribuições de diversos autores renomados na área como é o caso de José de Oliveira Ascensão. Conforme Marina de Andrade Marconi e Eva Maria Lakatos (2003. da UNESCO. tema polêmico. legislações nacionais e estrangeiras. identificando e analisando as teorias existentes. Eliane Y. 183). dissertações. Abrão. a pesquisa bibliográfica “é um tipo de pesquisa que oferece meios para definir e resolver não só problemas científicos bem determinados. teses.

pela vítima ou pelo pretor. única medida repressiva. contribuiu para o surgimento e desenvolvimento do direito autoral. Prevalecia o caráter moral sobre o aspecto patrimonial da autoria. a criação de obras literárias e teatrais na antigüidade. Assim perpassam todas as aulas de História como se fosse um filme em “slow-motion”: as pinturas rupestres. de uma forma peculiar. surge a Lex Cornelia que continha disposições referentes não só a injúrias. . não era assegurado a eles o status de propriedade. pois o segundo aspecto citado não era reconhecido. passível de direitos de reconhecimento. desonrado e desqualificado intelectualmente. porém. o direito de autor não protegia as diversas manifestações da obra. mas também violação de domicílio. a criação de inúmeros utensílios na pré-história. Aquele que apresentasse como sua obra a de outrem era considerado um verdadeiro ladrão. sofrendo o repúdio do público. a transmissão da cultura. tudo isso. do valor máximo dos prejuízos. as revoluções francesa e industrial. a noção de plágio já era reconhecida e praticada. Mais tarde. pois a capacidade criativa o acompanha desde que este nasce. inúmeros artistas eram consagrados pelo público. sendo a criatividade um produto do intelecto e sem dúvida. A ação de injúrias possibilitava às vítimas de uma injúria reclamar perante um júri uma pena pecuniária. havia abundante produção intelectual. a criação da escrita.14 3 HISTÓRICO DO DIREITO AUTORAL Há quem diga que o direito autoral surgiu no momento em que surgiram os homens na Terra. Na idade antiga (imaginemos Grécia e Roma). que permitia a exposição dos fatos e a fixação. a edificação de diferentes povos. não se concebia a criação do intelecto como objeto de direito. nem o de exclusividade. de uma forma ou de outra. Ou seja. No entanto. O direito romano amparou o direito de autor somente nos seus aspectos morais através da actio injuriarum. através da condenação da opinião pública. Porém. A actio injuriarium permitia aos Recuperadores que compunham o júri estimar a injúria livremente. dependendo dos casos. Existia nessa época a expressão “plagium” como sendo crime de furto cometido contra pessoas livres. que passou a ser adotada para ilustrar essas situações em que os indivíduos “roubavam” ou copiavam idéias de outras pessoas. as batalhas pela conquista de território e poder na idade média.

468). p. pode-se dizer que a Igreja detinha o monopólio cultural e tutelava rigorosamente a produção intelectual. escrito entre os séculos II a. segundo porque a língua disseminada era o latim. 1998. vendedor. honras. Manuella Santos (2009. Já existia no Código de Manu que consistia na legislação do mundo indiano e estabelecia o sistema de castas na sociedade hindu. Se um homem livre estender um dedo contra uma sacerdotisa ou contra a esposa de um outro e não comprovou. (COSTA NETTO. Michelangelo. Já a remuneração pertencia ao copista. Um dos inventos mais marcantes nesta época foi o do alemão Johannes Gensfleisch zum Gutenberg. José Carlos Costa Netto (1998. O rei na revisão do processo imporá aos ministros ou juízes responsáveis pela condenação injusta do inocente uma penal de mil panas. arrastarão ele diante do juiz e raspar-lhe-ão a metade do seu cabelo. Foi na Idade Moderna que houve uma revolução na cultura e literatura. Os únicos letrados nesta época eram os monges copistas. a obra em Roma. valorizando os grandes pensadores e as correntes clássicas de pensamento em que o individuo é visto como um cidadão. glória. C e II d.17) complementa. que reproduziam os manuscritos da Antiguidade clássica à mão.C e no Código Hamurabi.C: Código de Manu. Esta foi uma época em que houveram grandes feitos artísticos através de pessoas como Leonardo da Vinci. A primeira era atribuída ao autor: fama. p. progressos na astronomia com Nicolau Copérnico e Johannes Kepler. só os letrados a poderiam fazer. de modo que a utilização de uma obra. Em função disso. acabava por não prejudicar os direitos patrimoniais do autor. explicando que em Roma “entendia-se que o homem que criasse não deveria ‘descer’ à condição de comerciante”. da Babilônia. voltando-se para o estudo da literatura. que propunha uma ruptura com a tradição medieval. 30) coloca que a reparação do dano moral é anterior aos romanos. Livro IX. tinha duas conotações: a moral e a econômica. 30) Na idade Média. Ele desenvolveu o processo de impressão com tipos . que trouxe idéias humanistas. datado de 1726 a. p. a cópia de uma obra era praticamente inexistente. 127. da historia e filosofia antiga. art. livre e apto a fazer o seu julgamento de valores. Código de Hamurabi. Emerge o Renascimento.15 Para Carla Eugenia Caldas de Barros (2007. p. e por fim. primeiro por ser esta de difícil acesso. trabalho este bastante detalhado artesanal e lento. quando acontecia. parágrafo 239. movimento surgido em meio urbano.

pois a visão de que os frutos das obras pertenciam aos que as editavam e não aos seus criadores. discussões entre autores e editores. passou a ser questionada. porém. Até então. gerando . (MENEZES. neste sentido. não só as glórias e honras do autor passaram a ter maior difusão. Com a invenção da impressão tipográfica. a chamada impressão tipográfica. o autor deixa de ter controle sobre sua obra. a partir do aperfeiçoamento da prensa utilizada para espremer uvas na produção de vinhos. Surge a figura dos impressores e dos vendedores de livros. começou a ser visto como uma violação a um direito. Lojas são abertas nas cidades. p. por volta de 1400 e foi o responsável pela invenção da impressão tipográfica. a comercialização se torna comum em feiras e exposições européias. por conseguinte. Gutenberg também inventou os chamados tipos móveis.16 móveis de metal. formados pro letras de metal. Mas com a invenção de Gutenberg. com relação aos caracteres móveis. sem proveitos comerciais. 2007. 22). não há registros anteriores. Neste cenário surge a necessidade de legislar sobre a publicação de obras. sua paternidade é atribuída a Gutenberg. mas sim como uma fonte de glória. Porém. mas também sua reputação. houve a difusão do conhecimento e cultura de forma massiva e a história do direito autoral toma corpo a partir deste momento. Muitos afirmam que a técnica de impressão já existia na China. Iniciamse neste período. Segundo Elisângela Dias Menezes: O alemão Johannes Gutenberg nasceu em Mainz. estes foram atos isolados. Houve. de modo que. o autor tinha a posse do manuscrito original e fiscalizava a multiplicação dos exemplares. Com isso. o que até então só se considerava uma violação à moral. ao contrário dos que apenas as reproduziam. Os seus nomes e os assuntos escolhidos passaram a agregar valor às obras. as obras intelectuais não eram vistas como uma fonte econômica. A sua reprodução não podia ser feita em escala industrial. Esta invenção provocou uma revolução. Conseqüentemente. A informação até então era privilégio da nobreza ou alto clero e concentravase nas mãos de poucos. pois os livros passaram a ser reproduzidos em série e a custos mais baixos. alguns reconhecimentos por parte dos reis de que o indivíduo possuía direitos sobre o que ele próprio produziu. Em 1456 seria impressa a primeira versão tipográfica da Bíblia com tiragem de aproximadamente seiscentos exemplares. ambulantes divulgam as obras no interior.

Na Inglaterra e na França este sistema se tornou complexo. p. surge a pirataria. a monarquia dispunha de mecanismo eficiente para a censura de idéias contrárias. papais. ou seja. Sendo assim. vindo mais tarde a eclodir no copyright e no droit d’ auteur e atendia aos interesses dos editores. que desde o início. que proibia a reprodução de obras sem registro e licença. mediante critérios políticos. Segundo . estes livreiros ingleses conseguem aprovar um decreto real em 1586. Para amenizar estas diferenças cria-se o sistema de privilégios. Os editores não conferiam aos autores qualquer parcela de lucro. 4). Eliane Y. os reis concedem a um impressor o direito de exclusividade de uma obra. mediante pagamento de royalties à monarquia. Entretanto. o monopólio da reprodução e comércio de livros à Stationer’s Company. Se por um lado os primeiros tinham sua reserva de mercado e lucros garantidos. Abrão (2002. envolvendo muitas vezes. Em contrapartida. muitos conteúdos sofreram modificações ou mesmo verdadeiras deturpações. outros a uma coleção. p. a extensão desses privilégios alterava-se de autoridade para autoridade. oferecendo livros a preços populares. que ganhava duplamente. Este controle recebeu o nome de copyright. mas os investimentos”. Sabiamente coloca o autor português José de Oliveira Ascensão (1997. ficando estes a mercê da boa vontade de mecenas. livreiros e da realeza. muitos concediam a uma obra em especial. “a ratio da tutela não foi proteger a criação intelectual. diversas autoridades: municipais.17 mais conflitos com os editores. direito de reprodução. os prazos de duração. as penalidades no caso de infração. garantindo ainda assim. na cobrança desses royalties e na censura de obras que divulgavam idéias contrárias a seus interesses. imperiais. Não havia uma padronização. 29) explica que mediante o monopólio dos livreiros. e novamente sem considerar os direitos do autor. pessoas ricas que motivavam e patrocinavam o trabalho de escritores e artistas. Neste sistema. Em paralelo surgia a concorrência desleal e crescia o medo da Igreja e da nobreza com relação à divulgação de informações que provocassem motins e revoltas contra a classe dominante e idéias contrárias às defendidas pela Igreja. que ampliava seus poderes. enquanto o criador continuava somente a alimentar o seu ego com elogios e lisonjas. Em 1662 na Inglaterra houve a assinatura do Licensing Act. que passaram a ter lucros significativos. sendo que até hoje esta expressão é utilizada quando tratamos de direito autoral.

segundo Fábio Ulhoa Coelho (2009. prorrogáveis por mais 14. Nos Estados Unidos em 1790 editou-se o Copyright Act. o Licensing Act tornou obrigatório o registro da obra licenciada nesta companhia. ou mesmo dela ser seu editor. o Literary Copyright Act reconhece o direito do autor e seus sucessores sobre a obra pelo prazo de 42 anos. e surgiu para aumentar e melhorar o controle sobre as publicações bem como para assegurar a exclusividade de publicação a determinado editor. contados pelo que fosse maior: da primeira publicação ou 7 anos da sua morte. em 1911 é editado o Copyright Act. O que faz é tentar regular o mercado. em 1842. permitindo também a qualquer pessoa interessada a estabelecer-se como editor.18 Fábio Ulhoa Coelho (2009. Ela também assegurava. Estes argumentos utilizados na tentativa de prolongar o monopólio na verdade contribuíram para reconhecer o direito do autor. Esse sistema sobreviveu por 200 anos. por mais 21 anos a exclusividade da Stationer’s Company sobre as obras já editadas. da rainha Ana I da Grã-Bretanha. dentre outros. contados da primeira publicação. “A noção de que o autor titulariza um direito natural sobre sua criação intelectual surge 200 anos depois”. onde a duração da exclusividade dos autores foi fixada em 14 anos. p. colocava também os do compositor. Finalmente. num momento em que os livreiros antes monopolistas moviam processos contra os novos editores assim que estes passavam a publicar as obras caídas em domínio público após 21 anos proclamados pelo Statute of Anne. o direito natural que os autores titulavam e que lhes haviam sido transmitidos. fazendo com que o autor pudesse negociar o preço de sua obra de forma mais justa. também conhecido como Statute of Anne. v. que além dos direitos do autor e ator. v. apesar de em 1709 ser promulgado na Inglaterra o Copyright Act. A Stationer’s Company alegava que não podia se limitar a common law. ao abrir para a livre concorrência esse mercado.4. apesar de não reconhecer ainda o direito do autor sobre sua obra. Foi . ou seja. Esta lei estabeleceu que os impressores e livreiros poderiam continuar imprimindo as obras dos autores. mas seria necessário primeiramente adquiri-las destes autores mediante contrato de cessão. 265). fotógrafo e arquiteto. O Statute of Anne é considerado a primeira lei referente ao direito autoral. desfazendo o monopólio editorial existente e protegendo indiretamente o autor. 4. 264). p. Logo a seguir.

Vários foram os países que inspirados pelos franceses. Seguindo este raciocínio. fruto da criatividade e mente de seu criador. 266). a obra só poderia ser divulgada com nome do autor. promulgaram leis versando sobre os direitos autorais. que poderiam proporcionar-lhe independência financeira e liberdade de criação. Desenvolve-se o conceito dos direitos morais. com os seus direitos morais. de seu intelecto. Já o droit d’ auteur surge na França. Observa-se que o sistema copyright focado primariamente no mercado editorial se aproxima lentamente do droit d’ auteur. Nasce desta forma. sendo que hoje as obras caem em domínio público após 50 anos da morte do autor. p. a proteção dos direitos do autor perante os direitos do editor. 2 a 37) explica que para este sistema o registro da obra não era o mais importante para garantir a titularidade do direito sobre ela. já que não necessitaria mais viver de favores da nobreza e de seu mecenas. sendo o inverso do copyright. que passa a ser mais importante do que os direitos patrimoniais. A primeira iniciativa que se tem registro visando um pacto internacional sobre os direitos autorais ocorreu em 1840. Nela são contemplados três princípios: os Estados signatários pela Convenção devem . o autor passou a ter em seu patrimônio obras com valor de troca. Pollaud-Dulian (2005. com a Revolução Francesa.4. pessoal. a convenção mais importante neste cenário foi a Convenção de Berna de 1886.19 posteriormente ampliado. porém. v. “o reconhecimento pelo direito positivo de que o criador de obra intelectual tornava-se o proprietário dela representou um extraordinário avanço na promoção e difusão da cultura”. ratificada pelo Brasil em 9 de fevereiro de 1922 e atualmente em vigor. mais conhecido como sistema anglo-americano. e continuava ligada a ele mesmo depois de sua morte ou extinguindo-se os seus direitos patrimoniais. o droit d’auteur preocupava-se com as idéias do autor. Ela inseriu os direitos autorais nas discussões internacionais. Para Fábio Ulhoa Coelho (2009. ligada a ele de forma perene. p. mas que ela tivesse sido derivada de um ato de seu criador. Enquanto na Inglaterra o regime era o do copyright que privilegiava os editores e impressores e cujo principal direito a ser protegido era o da reprodução de cópias. Ao ser juridicamente considerado proprietário da obra intelectual. inclusive na América Latina. cujo interesse inicial foi curiosamente o inverso: a tutela dos interesses do criador da obra intelectual. uma vez que a obra é algo único.

(1) em certos casos especiais.06. 1971) Guilherme Carboni (2007) ao analisar o artigo 9. a menos que haja interesse público. de origem francesa e a do copyright.1928. após o aditamento em Berna em 1914.1908. educação e acesso à informação. uma vez que o direito autoral está em crise diante dos avanços tecnológicos. e aplicação a partir de 1º de agosto de 1931.2 da Convenção de Berna destaca que a limitação deve ter um propósito que seja justificável em termos de políticas públicas.07.1967 e. Em 1952 surge a Convenção de Genebra que ficou conhecida como a Convenção Universal sobre Direitos de Autor. Nota-se que a Convenção tenta manter o equilíbrio entre o direito privado e público.1896 a 04. com assinatura em 02 de junho. proteção idêntica à dispensada aos seus autores nacionais. em Bruxelas de 06. Também de que pela Convenção não é permitida a limitação injustificada de um mercado comercialmente relevante já existente ou que está em ascensão. pela Convenção de Berna.20 dispensar aos autores dos demais.06.09. não podendo esta depender de qualquer exigência quanto a registros. ou seja. . de 06 de fevereiro de 1922.541.2: Fica reservada às legislações dos países da União a faculdade de permitir a reprodução das referidas obras. pelo Decreto nº 4.1979.1971.06 a 26.07.1948. novamente. em ato assinado em 13 de novembro. Em vigor. depósitos e valores fiscais. anglo-saxã. no período de 07. com modificação feita em 28. Ainda. e sido promulgada. entrando em vigor em 09 de setembro de 1910. sua última revisão foi em conjunto com a Convenção de Berna. pode-se afirmar que seu objetivo ainda não foi atingido. Esta proteção é autônoma. Teve como propósito conciliar o sistema dos direitos do autor.04. em Berlim de 14. adotada principalmente pelos Estados Unidos. em Paris em 24. em julho de 1971 e apesar de passados 39 anos desde sua última revisão. (CONVENÇÃO. (2) desde que tal reprodução não prejudique a exploração normal da obra (3) nem cause um prejuízo injustificado aos legítimos interesses do autor. A Convenção de Berna foi revisada diversas vezes: em Paris de 15. não dependendo da existência de proteção idêntica de outro país. Estocolmo em 14. equilíbrio entre os direitos dos autores e o interesse público relacionado à pesquisa.11. artigo 9.05 a 02. em Roma.03.1896.10 a 14.

675. Sua relevância para o Brasil é questionável. o direito ao acesso à informação. pois direito autoral brasileiro baseia-se nas Convenções de Berna. Trata-se do Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio – TRIPs. artística. . no sistema jurídico brasileiro através do Decreto 26. ou literária. Nela surge de forma implícita. Genebra e no droit d’auteur.21 A Convenção de Washington de 1946. Ele determina que os países pertencentes à OMC cumpram a Convenção de Berna e atenta também para o cumprimento do seu artigo 6º-bis relacionado aos direitos morais pelos países que seguem o sistema de copyright. parte 1. marcas do copyright. afirma que todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais de sua obra. O mais recente acordo é o que foi aprovado juntamente com a criação da OMC – Organização Mundial do Comércio em 1994. é contrária ao princípio de que o direito autoral se materializa no ato de criação. Ele também assegura os direitos conexos e fixa para as obras em geral. de 18 de maio de 1949. o prazo mínimo de 50 anos para a duração do direito autoral. o direito de autor é transferível e o registro da obra fica sendo uma exigência implícita. em seu artigo 27. seja ela científica. Para a Convenção. promulgada em 1948 e assinada pelo Brasil no mesmo ano. Declaração Universal dos Direitos Humanos.

45) observa que ao contrário dos demais países. bem como a de reconhecer os autores destas obras. ou traduzidos por cidadãos brasileiros. Penas . foi estabelecida a primeira regulamentação sobre direito autoral no âmbito penal. e de multa igual ao tresdobro do valor dos exemplares. 1827) Para Plínio Cabral (2009. (BRASIL.. Imprimir. e outro tanto. por dez annos. e dez annos depois da sua morte. 500) que o artigo acima institui o delito de contrafação. a primeira noção legal de direitos de autor surgiu com a criação dos dois primeiros cursos jurídicos no país. porém. a primeira regulação dos direitos autorais no Brasil foi feita via legislação penal e não civil. Estes compendios. ou os arranjarão.22 4 DIREITO AUTORAL NO BRASIL No Brasil. gravar. que tiverem sido feitos. p. competindo aos seus autores o privilegio exclusivo da obra. . 24). ou estampas pertencerem a Corporações. mencionando também as punições cabíveis. á approvação da Assembléa Geral. Em 1830. ou seus herdeiros. ou introduzir quaesquer escriptos. através do Código Criminal do Império.] Art. não existindo já feitos. ou estampas. p. 261. se deixarem herdeiros. Se os escriptos. ou na falta delles. submettendo-se. lithographar. depois de approvados pela Congregação.de perda de todos os exemplares para o autor. com tanto que as doutrinas estejam de accôrdo com o systema jurado pela nação. Dom Pedro I através da Lei de 11 de agosto de 1827 garantia aos professores destes cursos a proteção às suas obras em seu artigo 7º: Os Lentes farão a escolha dos compendios da sua profissão. emquanto estes viverem. durará sómente por espaço de dez annos. ou introduzir. especificando o delito e respectivas penas em seu artigo 261: [. Ao que Manuela Santos (2009. em 1827. ou traductor. compostos. 1830) Salienta Roberto Senise Lisboa (2005.. do seu valor. p. observa-se a preocupação do governo em imprimir e fornecer às escolas o material necessário. (BRASIL. dando-lhes o direito sobre estas por 10 anos. lithographar. a prohibição de imprimir. gravar. e o Governo os fará imprimir e fornecer ás escolas. servirão interinamente.

. § 19: [.. (BRASIL. Finalmente em 1891 o direito autoral passa a fazer parte do texto constitucional.. à segurança individual e à propriedade. nos termos seguintes: [.] Art... artísticas e científicas pertence o direito exclusivo de utilizá-las. A Constituição assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida.Aos autores de obras literárias e artísticas é garantido o direito exclusivo de reproduzi-Ias. Os herdeiros dos autores gozarão desse direito pelo tempo que a lei fixar. XXVI os princípios de proteção aos direitos de propriedade industrial. 1891) O direito autoral foi incluído nas Constituições brasileiras posteriores: de 1934 através do art.. pelo tempo que a lei fixar.] Art 141 . § 25: [. Somente a partir esta convenção que o Brasil incluiu em seus textos constitucionais a proteção aos direitos de autor aos brasileiros e estrangeiros residentes no país.. sem permissão do autor. do qual o Brasil é país originalmente signatário. à liberdade. coincidentemente logo após a Convenção de Berna de 1886 (CONVENÇÃO.Aos autores de obras literárias artísticas ou científicas pertence o direito exclusivo de reproduzi-las. mais especificamente em seu parágrafo 26.] Art 72 . 1946) E na Constituição de 1967(redação dada pela EC 1/1969) pelo artigo 153. XX.] § 19 .. à segurança e à propriedade. [.A Constituição assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à vida. através do artigo 72. 113. 1971). a segurança individual e à propriedade. Êsse direito é transmissível por herança. através dos artigos 342 a 350. 1969) .. à liberdade.. Aos autores de obras literárias. já no regime republicano. ainda que a Constituição do Império de 1824 dispusesse em seu art. 1890) que estabelecia punições para quem..23 Em seguida. reproduzisse obra artística ou literária. nos termos seguintes: [. pela imprensa ou por qualquer outro processo mecânico.] § 26 . 179. 153. (BRASIL. na Constituição de 1946 através do artigo 141..] § 25. (BRASIL.A Constituição assegura a brasileiros e a estrangeiros residentes no País a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade. nos têrmos seguintes: [. impondo-se como princípio normativo. Os herdeiros dos autores gozarão desse direito pelo tempo que a lei determinar. é promulgado o Código penal de 1890 (BRASIL.

quem violasse o direito de autor. a lei era breve quanto à responsabilidade civil. 1898). incisos XXVII e XXVIII da Constituição Federal de 1988 colocando que aos autores pertence o direito exclusivo não só de utilização. principalmente da Constituição 1946 para 1967. Ou seja. chamada de Lei Medeiros de Albuquerque (BRASIL.] apenas condenava o contrafator à indenização de perdas e danos causados ao autor da obra”. 652. p. A abrangência do direito autoral se ampliou com a edição da Lei 3. 1940). “[. Tratava também das exceções ao direito de autor. houve preocupação em atribuir ao contrafator a obrigação de pagar ao autor o valor da obra original no mercado ou o valor avaliado. 666 e 669. em especial nos artigos 650. mas de publicação ou reprodução de sua obra. nos artigos 649 a 673. além dos apreendidos. de 7 de dezembro de 1940. Este penalizava com a detenção de 3 meses a 1 ano ou multa. o Código civil de 1916 (BRASIL. não se podendo identificar a tiragem ficava ele obrigado a pagar o valor de mil exemplares. amplia o rol de alternativas para o autor. em seu artigo 184. talvez na tentativa de adequar a legislação aos avanços da sociedade da época. 490). elevando-se a pena para os casos . tornando obrigatória o registro da obra na Biblioteca Nacional. Avança do direito de exclusividade de reprodução de uma obra para uma terminologia mais ampla. e este tem a opção também de não dar acesso ao público de sua obra.071. (BRASIL. A primeira norma específica referente ao direito de autor foi a Lei 496. Este artigo passa em 1980 e 1993 por modificações. Conferiu-se direito ao compositor de canção. de 1º de janeiro de 1916.. Merece atenção o Decreto-Lei 2. estados e municípios. 657.848. Esta última ao invés de colocar que “aos autores pertence o direito exclusivo de reproduzir suas obras” passa a colocar “aos autores pertence o direito exclusivo de utilizar suas obras”.. 655. de 1º de agosto de 1898. Conforme Carla Eugenia Caldas Barros (2007.24 Observa-se que ao longo do tempo houveram algumas alterações na redação dos artigos. 1988). Atualmente o direito de autor está protegido através do artigo 5º. que divergia do Código penal vigente desconsiderando como crime de contrafação a reprodução de atos oficiais da União. Código penal brasileiro ainda vigente (BRASIL. 1916).

25 de venda. tangível ou intangível. Algumas mudanças significativas ocorreram na Lei 9. No artigo 7º. Houve o aumento do número de exemplares na indenização por contrafação. A referida Lei também disciplina o conceito e abrangência das obras protegidas. o Conselho Nacional de Direito Autoral – CNDA criado na lei anterior. 1973). consolidando a legislação até então existente. aquisição e ocultação ou depósito com fins comerciais. foi extinto. de dois mil para três mil exemplares. Em 1973. 4. convenções e outros diplomas internacionais vigentes no Brasil. ocorrendo também a extinção do direito de arena (direito que as entidades de prática desportiva. 1998).610. já em seu artigo 1º coloca que entende sob esta denominação “os direitos de autor e os que lhes são conexos”. a proteção aos seus direitos prevista em diversos acordos. ao invés de “obra em colaboração” como era utilizado na revogada lei e o termo “audiovisual” em detrimento de “videograma”. especifica normas sobre os direitos patrimoniais. autorizar ou não a fixação.1 Lei dos Direitos Autorais de 1998 A LDA – Lei dos Direitos Autorais como é conhecida. surge a lei dos direitos autorais propriamente dita.988 (BRASIL. Ela inaugura uma nova fase da legislação nessa área.988/1973. a Lei 9. Trata-se da Lei 5. transmissão ou retransmissão de imagem de eventos desportivos ou espetáculos) e do direito sobre a obra sob encomenda. de 1998. as criações de espírito. A nova lei também passou a utilizar o termo “coautoria” como sendo uma obra criada em comum. revogada pela atual lei autoral. que decidia e estabelecia algumas questões com relação aos direitos dos autores. tinham para negociar. a Lei define como obras intelectuais protegidas. expressas por qualquer suporte. de 19 de fevereiro de 1998 (BRASIL. assegurando através dela.610. aumentando o prazo de proteção de 60 para 70 anos. aumentando também os valores da multa. os clubes. relaciona os direitos morais do autor. após 1º de janeiro subseqüente à morte do autor. conhecidos ou a . em relação à Lei 5.

[.] nos países cujo ordenamento jurídico segue as concepções romanogermânicas.. os direitos relativos ao programa de computador. esculturas. que decorra da própria natureza dos encargos concernentes a esses vínculos.. Há de se atentar para a questão de autoria do software quando este é desenvolvido no trabalho ou prestação de serviço. podendo este usar nome civil completo.26 serem inventados. O artigo 11 da Lei 9.. 67): [. artísticas ou científicas. sendo esta um texto. contratado de serviço ou servidor seja prevista.. mas não como autora. Não regulou as obras que surgem em função do contrato de trabalho. [. e especifica quais são: os textos de obras literárias. ou ainda. ou em que a atividade do empregado. Os direitos relativos a ele são do empregador. som..] os autoralistas são unânimes em reconhecer unicamente na pessoa física a capacidade para criar a obra. num banco de dados ou numa biblioteca digital. segundo o artigo 4º da Lei do Software (9. especialmente nos Estados Unidos. e sim como titular de direitos autorais (no caso de empresas desenvolvedoras de software). obras de desenhos. Desta forma.. pessoa jurídica. inclusive programas de computador. as composições musicais. considera-se se a pessoa jurídica encomendante da obra o titular originário do direito de autor.] salvo estipulação em contrário. Sendo assim. a obra pode estar impressa. artística ou científica”.] Já nos países de tradição anglo-saxônica. p. expressamente destinado à pesquisa e desenvolvimento. gravuras. anexo). abreviado. 2005. desenvolvido e elaborado durante a vigência de contrato ou vínculo estatutário. num arquivo de ebook. dentre outros.. as coletâneas. . imagem. as obras dramáticas. iniciais do nome ou pseudônimo para identificar sua autoria.610/98 define o autor como sendo “pessoa física criadora de obra literária. como se ela fosse a criadora. compilações e bases de dados que por sua seleção. as ilustrações. ela estará protegida pela lei dos direitos autorais. num CD-ROM.609/98): [. pertencerão exclusivamente ao empregador contratante de serviços ou órgão público. (PAESANI. organização e disposição de conteúdo configurem uma criação intelectual. na falta de uma regra específica utiliza-se a geral: a titularidade é do criador da obra.. as obras coreográficas e pantomímicas. prestação de serviço ou aquelas sob encomenda. as obras audiovisuais. pinturas. A lei brasileira protege a empresa. base de dados ou software. Conforme Plínio Cabral (2009.

A cessão será por escrito. a título universal ou singular. Isso por vezes tem gerado confusão. para fins privados. este tópico foi alterado para “cópia de pequenos trechos”. em seu art. Ao redigir o novo texto. uma vez que a Lei de Direitos Autorais não regulamentou esta questão para qualquer outra obra citada no artigo 7º. métodos. observadas. leis. o autor ou seus sucessores poderá ceder seus direitos total ou parcialmente para terceiros. decisões judiciais. 7º. regulamentos. é a mais polêmica. devendo constar da mesma. A LDA em seu texto traz uma relação de itens que não gozam de proteção do direito autoral. condições de exercício do direito quanto a tempo. A questão da cópia privada. dentre eles a reprodução de pequenos trechos da obra. seu objeto. títulos isolados e informações de uso comum. no entanto. procedimentos normativos. A Lei do Software como é conhecida. O entendimento de “pequeno trecho”. não tem competência para regulamentar este tipo de situação. não sendo permitida a cópia de livros esgotados. §1º coloca que os softwares são objeto de legislação específica. em seu texto. decretos. pessoalmente ou por meio de seus representantes com poderes especiais. planos ou regras para realizar atos mentais. possibilitava a cópia integral de um único exemplar. XIII. ou para fins educativos na nova Lei dos Direitos Autorais. mas quanto aos direitos morais limitase a paternidade e integridade da obra (a de não sofrer alterações). a qual se baseia a LDA.27 Por isso a lei dos direitos autorais. poderia ser um capítulo dentro da LDA. apesar de citar o software em seu texto. Cessão. conceitos matemáticos. Concessão.988/1973. segundo o artigo 49 da Lei 9610/98. E ao exigir o registro do software confronta-se com a Convenção de Berna. como elementos essenciais. na atual Lei dos Direitos Autorais. sem intuito de lucro. lugar e preço. jogos ou negócios. presumindo-se onerosa. sem dúvida. sem o intuito de lucro. sistemas. A transferência de direitos poderá ser por meio de Licenciamento. em seu artigo 49. dentre eles: as idéias. Autorização ou por outros meios admitidos em lei. as disposições desta que são aplicáveis a estes. Nos artigos 46 a 48 são elencados alguns itens que não constituem ofensa aos direitos de autorais. projetos. segundo Carboni (2007) é de cerca de 15 % a 20 % da obra e que não contenha a essência do texto. reconhece o direito patrimonial. A Lei 5. . Quanto à transferência dos direitos.

pois não oferece mecanismos eficazes para comprovar a lisura da prestação de contas entre editoras. O prazo para apresentação de propostas através do site do Ministério da Cultura encerrou-se dia 31 de agosto de 2010. da mesma forma como não existe um artigo que diga que o impacto econômico da reprodução deva ser levado em consideração. gravadoras ou associações e seus respectivos criadores. na nossa legislação um inciso que permita uma livre reprodução em casos envolvendo educação. Então. Mas nós temos de lembrar que a “regra dos três passos”. complementando: Um dos pontos mais questionados ao longo desse processo foi o da licença não voluntária: ela destina-se a equacionar casos excepcionais e visa permitir a reedição de obras esgotadas e as chamadas obras órfãs. nem de cópia para utilização em outros formatos. dessa forma. Assim afirma o sociólogo e Ministro de Estado e Cultura Juca Ferreira. ciência e qualquer coisa semelhante.2 Atualização e modernização da lei Além de não prever cópias para fins de preservação. foi “internalizada” pelo nosso sistema jurídico. em 2010. e através das contribuições está consolidando o texto final do anteprojeto de lei que será encaminhado ao Congresso Nacional.28 Não existe. é possível fazer uma interpretação desse rol taxativo das limitações. de seu conteúdo e suporte ou das cópias de segurança (backups). . mesmo sendo a fiscalização da exploração econômica das obras um direito garantido pela Constituição. 2008). também. (CARBONI. como por exemplo. A lei também não faz menção à cópia com a finalidade de preservação do original. estudada a legislação de 30 países objetivando identificar fragilidades e colher sugestões. vários projetos de lei estão em tramitação no Congresso sugerindo modificações à LDA. da Convenção de Berna. com base na “regra dos três passos”. pesquisa. e motivados pelo constante avanço da tecnologia. Em função disso. de uma fita VHS para DVD. para Consulta Pública as idéias debatidas. vários criadores afirmam que a forma de arrecadação e distribuição dos seus direitos não são tratados de forma transparente pela LDA. O Governo Federal. Durante este período foram feitas reuniões setoriais. 4. através do Ministério da Cultura promoveu por 2 anos (2007 a 2009) o Fórum Nacional de Direito Autoral e colocou.

o novo texto em debate não permite mais incluir a cessão de direitos nos contratos de edição. ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito (BRASIL. nem causar prejuízo injustificado aos interesses legítimos do autor. onde há vantagem excessiva para uma das partes ou quando há descaso com a obra por parte de quem deveria explorá-la. podendo não ser decretada a anulação do negócio se for oferecido suplemento suficiente. § 2º do texto do anteprojeto: É anulável o contrato quando o titular de direitos autorais. essas possibilidades deverão atender a três critérios previstos nos acordos internacionais. 28). No artigo 6º. Também está em consonância com os princípios definidos pelas Convenções de Berna e de Roma. ou por inexperiência. Não tem aplicação no universo da música. mas isso terá de ser feito num contrato específico. A proposta traz inovações interessantes. dos quais o Brasil é signatário. e pelo acordo TRIPS Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio. incorporando a essa legislação específica disposições desses códigos. Lei de Defesa da Concorrência e Constituição Federal 1988. necessários para a difusão da obra em larga escala. No entanto. tenha se obrigado a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. 2010. 2010) A lei atual permite a cessão total (transferência definitiva) dos direitos de autor. Numa primeira análise observa-se que busca harmonizar o direito autoral com o ordenamento jurídico brasileiro Código Civil de 2002.29 fundamentalmente. se poderá fazer uso das criações protegidas sem a necessidade de pedir autorização ou de pagar qualquer retribuição. p.2): utilizados apenas em casos especiais. Porém. Mas é relevante no mundo das artes visuais e da literatura. até mesmo.(FERREIRA. de anular contratos injustos. Ministério da Cultura. Código de Defesa do Consumidor de 1990. O autor poderá cedê-los. já mencionados anteriormente (Convenção de Berna. A legislação vigente restringe excessivamente o uso privado e educacional das obras. Para se ter uma idéia. Obras que estão hoje inacessíveis. sob premente necessidade. as bibliotecas atualmente estão violando a lei ao . não podendo afetar a exploração normal da obra. item 9. Pela proposta ainda. Como exemplo tem-se a inclusão da possibilidade de revisar e. Isso evitará que autores sejam impedidos de regravar suas músicas porque cederam seus direitos a gravadoras ou editoras as quais não estão mais ligados.

Pelo texto da lei. Costa Rica. dentre outros (artigos 52-B. emissoras de televisão. restaurantes. o que resulta num excesso de ações judiciais custosas e lentas. O novo texto também torna explícito o conceito de licença (autorização para uso sem transferência de titularidade) para que o autor conheça as alternativas para um melhor controle dos usos de suas obras. num universo de 149 países. O mesmo para arquivos e museus que fazem cópia de documentos históricos e de reálias para fins de preservação. que estão com a última publicação esgotada e também que não estejam em estoque disponível para venda. revenda. inclusive no processo de renovação de concessões públicas outorgadas a organismos de radiodifusão. do Oriente como Iraque. 52-C e 52-D). bibliotecas e cinematecas façam cópias de preservação e conservação de seus acervos. atuará na resolução de conflitos. sem finalidade comercial.30 permitir o empréstimo de suas obras. ou de autores não localizados. bares. não se pode realizar cópias. seja venda. como a cópia de músicas de um CD original para um aparelho portátil. Namíbia. sem autorização e pagamento prévio. 2009) demonstram que há grande inadimplência por parte de rádios. Porém. pelo atual sistema. exibições de audiovisuais para fins didáticos são vedadas pela lei de 1998. de livros. que acabam por atrasar o retorno do investimento. estudos (BRASIL. Uma pesquisa encomendada pela OMPI – a agência especializada da ONU para o tema do direito intelectual – em 2008 mostrou que. Empresários e autores reclamam que os valores são estabelecidos por critérios pouco claros e razoáveis. Pelo anteprojeto. acerca da adimplência desses organismos no que tange aos direitos autorais. Para contornar isso. e outros que exploram comercialmente as obras. Uma inovação interessante é a de que os empresários passam a ter a possibilidade de solicitar uma autorização para comercializar obras que estejam inacessíveis ou com acesso restrito e que sejam de interesse público como obras esgotadas. O Brasil é um deles. Argentina (BRASIL. empréstimo ou aluguel. na América Central e Sul como Haiti. pois pela LDA o autor deve autorizar a distribuição de sua obra. Líbia. o anteprojeto permite a reprodução. ao lado de países da África como Burkina Faso. hotéis. Burundi. e os sebos ao revenderem livros e discos. Kwait e Yemen. apenas 21 não permitem que museus. o Ministério da Cultura. músicas ou filmes. Ações corriqueiras. 2009). .

por ocasião da renovação de concessões públicas outorgadas a organismos de radiodifusão. ampliando o leque de criações intelectuais a serem protegidas. 2010). ela não é leniente com a corrupção e a impunidade. irá combater a disseminada corrupção na forma de “jabá” ou “payola” . incluindo-se a utilização abusiva de medidas de proteção tecnológica. A proposta de revisão da lei reconhece expressamente a possibilidade de o juiz ajustar. contados a partir da infração. à educação. Omar Kaminski (2010) coloca: Embora a proposta de revisão da lei não tenha caráter punitivo. emitida pelo Poder Público. estabelecendo-se. em função das circunstâncias do caso concreto. mantêm-se as penalidades previstas em lei. diretores. Com relação aos dispositivos para gestão de direitos. A ação civil por violação a direitos autorais patrimoniais prescreverá em cinco anos. as sanções de natureza civil. A proposta também acrescenta as notícias diárias que têm o caráter de simples informações de imprensa como obras intelectuais protegidas pelos direitos autorais. A proposta prevê a exigência de certidão de quitação de direitos autorais. Arranjadores e orquestradores na música. Observa-se que há um esforço em se evitar múltiplas interpretações. artigo 88-A. e sanções a quem não respeitar a nova lei de direitos autorais. roteiristas e compositores da trilha sonora original nas obras audiovisuais passam a ser reconhecidos como autores das obras. harmonizando-se os interesses dos titulares de direitos autorais e os da sociedade (BRASIL. em linha com as tendências do direito civil contemporâneo. contudo.mecanismo de suborno que viabiliza a artificial execução pública de obras e fonogramas. Por essa razão. no que segue o disposto no Novo Código Civil Brasileiro e corrige lacuna existente na atual legislação. em resposta à intensa polêmica em torno de portais que simplesmente reproduzem notícias de outros sites a fim de alavancar sua reputação ou buscar usuários pela força dos nomes comerciais no campo jornalístico. igual sanção para quem por qualquer meio dificultar usos permitidos. Com relação à punição. dos investidores e dos usuários. . Incorpora-se também a jurisprudência quanto ao valor da multa pela execução pública feita em desacordo com a lei. de forma equitativa. como coloca seu artigo 3º-A: Na interpretação e aplicação desta Lei atender-se-á às finalidades de estimular a criação artística e a diversidade cultural garantir a liberdade de expressão e o acesso à cultura.31 Quanto à reprografia. ela é tratada no capítulo 9. em se adequar aos avanços tecnológicos. em manter um equilíbrio entre os interesses do autor. e prevê o pagamento de uma retribuição aos titulares dos direitos autorais sobre as obras reproduzidas. que deve ser proporcional ao dano gerado. Ministério da Cultura. à informação e ao conhecimento. E torna ilícito o uso abusivo de medidas de proteção tecnológica.

Até a prensa de Gutenberg. atualmente os dois convergem para preservação do autor e empresário. dentre eles a internet. tangível ou intangível. e com eles a proteção das músicas. pouco se pensava em direito autoral. Novos suportes físicos surgiram além do papel. Se o copyright favorecia o editor e o droit d’ auteur o autor. havendo a preocupação da legislação em assegurar também a proteção dos direitos autorais de conteúdos cujos suportes estariam por vir. ao possibilitar a cópia em escalas nunca antes imaginadas. a Lei 9. 1998). Porém a tecnologia como um todo (internet. mídia digital. Apesar de ter sido promulgada em um tempo em que já existia a internet. por conseguinte. o desenvolvimento tecnológico e. proporciona a expansão do direito autoral. o copyright e o droit d’ auteur. esta ficou por um longo tempo tramitando no Congresso. contra terceiros (plágios e contrafações). 48): Se cada nova tecnologia torna possível novas formas de fixação de conteúdo. Para Tridente (2009. das manifestações artísticas em geral. Aliás. o direito autoral desde sua origem esteve ligado à invenção de uma nova tecnologia.32 5 COMO A INTERNET AFETA O DIREITO AUTORAL Não se pode negar que os avanços tecnológicos e meios de comunicação. em função da própria internet e da globalização.” (BRASIL. fez também com que os autores e editores passassem a se preocupar com a proteção de seus interesses. Assim foi o caso da Lei 9.610/98. Por mais paradoxal que possa parecer.. vêm produzindo impactos e discussões no campo do direito autoral. em outras palavras. conhecido ou que se invente no futuro. Mas esta. aumenta a pirataria de material protegido. p.610/98 protege o direito autoral inclusive na internet.. o desenvolvimento de novos softwares) também ameaça os mecanismos de proteção e estes parecem sempre querer a sua supressão. Sendo assim. e não menciona a internet em seu texto. . possibilita igualmente novas formas de reprodução de conteúdo não autorizadas pelos titulares de direitos autorais. ao mesmo tempo em que aproxima os dois sistemas. mas os conteúdos através dela gerados estão abarcados no artigo 7º: “são obras intelectuais protegidas as criações de espírito expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte. esculturas. a internet.

Não adiantou muito. Para se ter uma idéia. entre pares (tradução livre ponto a ponto). de ótima qualidade e de disseminá-las na grande rede. para as indústrias de distribuição musical. Atualmente observam-se infindáveis ações judiciais desses distribuidores de conteúdo contra os fabricantes das novas tecnologias. programa que possibilitava a troca de músicas pela internet entre usuários conectados. ele baixa "pedaços" do arquivo de outros usuários até que o arquivo fique completo. Atualmente um dos programas P2P mais utilizados para este fim é o eMule. a melhor definição deste sistema foi dada por Cohen (2003): BitTorrent é um sistema de download de arquivos P2P. editoras e para outros distribuidores de conteúdos. Paralelo a eles existem os programas compartilhadores de arquivos como o Torrent. o primeiro programa P2P1. onde cada nodo realiza tanto funções de servidor quanto de cliente. 1 . como também de fotos. o conhecido Napster. Novamente a Recording Industry Association of America entra com ações na justiça americana. aumentou as penas previstas para as violações de direito autorais feitas por meio da internet. mesmo que já houvesse orientação nos tribunais dos Estados Unidos em não banir novas tecnologias. que possibilitava não só o intercâmbio de músicas. essas novas tecnologias ampliam os públicos. Abrindo precedente. em 2001. bem como criminalizou condutas como a de driblar tecnologias de controle e de desenvolver softwares capazes dessa conduta. perdeu judicialmente o direito de “estar vivo”. A Digital Millennium Copyright Act. mas desta vez. O mais famoso foi o Kasaa. pois logo após surgiram outros programas para ocupar o lugar deixado por ele. e mostram a possibilidade para as gravadoras. Agora são contra as mídias digitais e usuários da internet. gravadores e máquinas fotográficas. de novos meios a serem explorados e de renderem dividendos. dentre outros. uma lei norte-americana. assim como foi há tempos atrás contra fabricantes de vídeo cassetes. filmes. é uma arquitetura de sistemas distribuídos caracterizada pela descentralização das funções na rede. e derrubando o precedente. Um importante objetivo Peer-to-Peer (do inglês: par-a-par). os juristas entenderam que não poderiam barrar essas tecnologias. capazes de reproduzir cópias fiéis a um custo baixo. Em pesquisa realizada pela internet. mesmo que não ferissem os direitos autorais. em 1998. retomam a idéia de que as novas tecnologias não podem ser estancadas somente por que colocam em perigo “um determinado negócio”. A idéia basica é que quando um usuário procura por um arquivo.33 Em contrapartida.

uma fração significante dos usuários somente baixa os arquivos e contribuem perto de nada. as fábricas e os insumos são. processa usuários pelo download de arquivos. interpretada através de um vídeo no You Tube. ou mesmo usuário-> usuário. a indústria do software oferece todo o contrário. A indústria de distribuição de conteúdo está vendo seus lucros irem pelo ralo abaixo. assim como não foi possível frear o Skype2. p. A busca de novos serviços sempre será a solução para produtos e receitas declinantes. por não saber lidar com essas novas tecnologias e em contrapartida lança campanhas antipirataria. pelos novos serviços ofertados par e passo com a evolução tecnológica. assinatura de canal a cabo. À diferença das outras indústrias onde os produtos. quando na verdade. jogos de futebol. Foi assim com as operadoras de telefonia fixa.alteração do tradicional fluxo de distribuição: autor -> indústria ou mercado -> usuário: o fluxo pode ser autor-> usuário. este fluxo foi expandido verdadeiramente em forma de rede. Na maioria dos sistemas de compartilhamento de arquivo. 5). [tradução] A troca de arquivos pela internet é algo irreversível. o que incomoda um pouco é que a indústria de distribuição perdeu espaço com isso. revistas. . . Para Nazareno (2009.34 de projeto foi garantir colaboração. É necessário aceitar a realidade que a internet provocou principalmente: . materiais. deveria é utilizar estas tecnologias para alavancar seu negócio. 2 Programa que permite a comunicação de voz e vídeo grátis entre os usuários do software pela Internet. Somada a essa não tangibilidade de bens (os arquivos) está o fato de essa indústria se reinventar constantemente. um arquivo pode ser baixado somente quando o cliente que está baixando também está provendo conteúdo para alguém. em geral. ela pode estar na forma de e-book. Para isso. Não há como frear esta nova tecnologia. pela oferta da banda larga. livros. pois grande parte dos consumidores desta informação adquirida por esses meios gratuitos dificilmente seria consumidora destes mesmos produtos pagos (pay-per-view. Mesmo com este software não foi o fim da telefonia. e também com as congêneres móveis.a desmaterialização do suporte físico: não existe mais a obra em papel. Há de se pensar no que está por trás deste combate veemente a sua prática bem como à pirataria. Praticamente todo tipo de conteúdo pode ser encontrado como séries de televisão. filmes recentes e antigos. etc.).

Patricia Peck Pinheiro (2007. Em outras palavras. para pesquisa. a disseminação a milhares de pessoas conectadas. Ilegalidades como a de baixar um arquivo protegido pelos direitos autorais. divulgação de notícia. O detentor do direito autoral de determinada obra autoriza seu uso em determinadas condições.35 . Provoca também um repensar dessas leis. Todas estas características fazem da internet um campo propício a “ilegalidades” no que concerne aos direitos autorais pelas atuais leis vigentes. frisa que este conceito nasceu na legislação americana. . da proporcionalidade a ser copiada em relação ao todo. Seguindo ester preceito. . fidedigna ao original. apesar de certa resistência. pois este já o fez anteriormente desde que cumpridas as condições. e fazem com que a indústria reverta seus investimentos em novos formatos. do uso justo. p. e mais do que isso. No mercado brasileiro há muito poucos e-books à venda. e o surgimento de alternativas para combater as ilegalidades. muitas delas perdem preço no suporte papel.facilidade na reprodução e modificação de obras intelectuais: a internet proporcionou a cópia perfeita. . Para isso é feita uma análise do propósito e do tipo de utilização que será feita da obra. aceitável.surgimento de novos valores na circulação de obras intelectuais: com a disseminação de obras na internet. o efeito do uso desta em específico através do fair use e o impacto disso no valor intelectual e comercial desta obra. razoável.possibilidade de confusão nos atuais papéis de autor e leitor: nas redes de informação é difícil distinguir quem é quem. com a promoção do desenvolvimento do conhecimento e com os interesses da coletividade. comentário ou crítica. 96). honesto. sendo que o fair use permite o acesso à obra sem a necessidade de sua aquisição e da autorização do autor.autoria coletiva nas redes de informação. busca-se equalitar os direitos exclusivos do direito de autor. Geralmente para uso educacional (incluindo múltiplas cópias para uso em sala de aula). sem que para isso seja necessário agravar as penas. como o ebook. Uma das alternativas encontradas é a utilização da obra por meio do fair use. as obras disponíveis na internet podem ser . ou. em outras palavras. legítimo. geralmente o que se observa é a possibilidade de acesso a obra (algo mais rentável) do que a venda de um e-book.

[. A doutrina do fair use não existe na legislação brasileira. que tenham ou.7 % da população brasileira vivem abaixo da linha da pobreza. Sendo assim. a reprodução integral de obras protegidas por esta população (seja através de fotocópias ou downloads da internet) não interferiria nos meios normais que os autores possuem para explorar economicamente suas obras. a OMC – Organização Mundial do Comércio constituiu um painel em 2008 para analisar as limitações do Digital Millennium Copyright Act.. mas também seus usos potenciais.610/98 prevê limitações dos direitos autorais. Todas as formas de exploração de uma obra. para esta parcela da população é impensável adquirir livros e produtos culturais. Segundo Guilherme Carboni (2007). p. Porém.] principais Afirmando ainda de que tais conclusões surpreenderam vários estudiosos do assunto. como a de que “Nem todos os usos comerciais de uma obra necessariamente conflitam com sua exploração normal”. Prova disso são os constantes lobbies junto ao poder legislativo para modificação das leis a seu favor. pois esta parcela da população brasileira está fora do mercado. venham a ter importância econômica ou prática considerável. deveriam ser reservadas ao autor..] a de que se deveria levar em consideração. Conforme Guilherme Carboni (2008).se. O impedimento da reprodução de obras por estes não implicaria na compra de mais ou menos exemplares de livros impressos ou e-books. não somente usos então existentes da obra. Em 2007 o mesmo autor participou do Seminário de Gestão da Informação Jurídica em Espaços Digitais. Um exemplo disso foi o caso . provavelmente. sendo que uma das conclusões foi: [. tratadas no capítulo IV artigo 46 da referida lei. Para o doutrinador. acessar a internet e alimentar. 135). dos Estados Unidos. parece que esta idéia não é tão bem recebida pela indústria de distribuição de conteúdos.. isto resta evidente no caso da cópia privada. segundo Manuella Santos (2009. mas apenas na perpetuação da miserabilidade do povo brasileiro. em determinadas condições a cópia privada não afeta a exploração normal da obra e não pode ser vista como substituta em relação à aquisição de um exemplar original. onde colocou que 62.36 utilizadas desde que atendam aos quatro quesitos descritos anteriormente. gerada pela falta de acesso à cultura e à educação. porém a Lei 9. Para ele..

[Exemplo 2] Un estudiante “visita” la biblioteca de su Universidad desde su habitación. pero ellos solo puede escucharla una vez si no han obtenido previamente una licencia propia. BARLAS. são as chamadas codificações eletrônicas. p. dentre outras formas de codes eletrônicos. Esto se consigue mediante una correspondencia compleja entre metadatos utilizando DRM. también puede pasar una copia de dicha música a hasta diez amigos sin coste alguno. el consumidor es recompensado como forma de gratificar su labor de distribuidor de ficheros protegidos. contra usuários de internet por colocar conteúdo protegido na rede. em CDs. es decir. quedando sólo disponibles sobre la base de un préstamo a corto plazo. los descarga en su computadora personal.37 Mickey Mouse. DVDs. ya sea financieramente o en especies. mesmo em produções caseiras no You Tube (fotos das férias com trilha sonora de banda de sucesso). 13) . Cunard. Sin embargo. Outro exemplo são os milhares de processos contra o Google. encuentra cinco artículos de periódico y varios capítulos de diversos libros que le son de utilidad para redactar un trabajo. Existem também tecnologias que pretendem controlar o uso de material protegido pelos direitos autorais na internet. em cinco días los ficheros descargados quedan inaccesibles. Procuram equacionar as atividades de “baixar” ou obter o conteúdo e a do autor em ser recompensado financeiramente. bem como a criptografia – utilizada para transformar forma digital em forma ilegível e aplicada durante a distribuição.Digital Rights Management: [Exemplo 1] Un consumidor descarga música en casa desde un servicio de red. há vários exemplos interessantes e atrativos da aplicação do DRM . para a OMPI em 2004. Keith Hill e Chris Barlas. variação de pixels feitas no próprio objeto digital. (CUNARD. No documento preparado por Jeffrey P. HILL. que se encuentra fuera del campus. incorporadas pelas legislações (vide artigo 107 da LDA) como a criptografia. y recibe El permiso necesario para escuchar la música mediante un dispositivo durante doce meses desde la fecha de la descarga (tantas veces como desee hacerlo). la biblioteca tiene um acuerdo con un vendedor de libros electrónicos que ofrece descuentos sobre una gama de libros que son de interés en relación con los artículos del periódico que descargó el estudiante. 2004. denominado Evolución reciente en el campo de la gestión de los derechos digitales. em que a indústria do entretenimento conseguiu junto ao Congresso americano estender em mais 20 anos o prazo dos direitos autorais relacionados que estavam prestes a expirar. Sin embargo. por el titular del derecho de autor que se beneficia de la distribución a sus amigos. marcação dos bits adicionando ao conteúdo digitalizado uma espécie de marca d’ água.

incorporando a mesma o uso de licenças (serão discutidas mais adiante como o copyleft. responsabilizando-se de forma subsidiária. A discussão dos direitos autorais na internet está em consonância com a discussão na regulação ou não do ciberespaço. além da LDA para que os autores tenham seus direitos tutelados. anonimato. Caso não se consiga identificar o contrafator. pois no seu âmago o ciberespaço previa liberdade de navegação. Para Carla Eugenia Caldas Barros (2007. mesmo na internet. há de se utilizar esta tecnologia com cautela. Mas também não se pode deixar de considerar que o uso de material protegido por direitos autorais só pode ser feito mediante prévia autorização do respectivo titular. pois de certa forma. desenvolvimento de novas tecnologias. . cabe apenas demonstrar o nexo entre a ação contrafeita e o dano. quando possível. mas ferem o disposto em nossa lei de direitos autorais. obrigar o infrator às compensações necessárias. No Brasil. a LDA.38 Isso também está sendo discutido. anonimato. cabe a aplicação do princípio da solidariedade ativa. no ciberespaço. Muitas das situações de aproveitamento e uso de obras alheias são hoje socialmente aceitas. privacidade. Ao prejudicado. de modo a tirar da ilegalidade uma série de ações. para . Assim como atualmente não há como proibir o uso de programas P2P. atualmente. disseminação de informações e neutralidade da rede. p. a retirada de sua obra da página da internet. são controles sendo exercidos junto à internet. recaindo nas questões de privacidade. não podendo o tráfego na internet ser objeto de monitoração e controle. pelo menos. e. Faz-se necessária a flexibilização desta lei e das de outros países. o dono da página contrafatora. 560): A responsabilização civil [na internet] é objetiva sendo desnecessária a indagação sobre a culpa do infrator direto. principalmente utilizando-se a internet. o Código Civil em sua esfera autoral e de responsabilidade civil é um instrumento jurídico eficaz. creative commons) e o fair use. ou como muitos preferem dizer.

A expressão “sociedade da informação” reaparece nos anos noventa no contexto do desenvolvimento das TICs – tecnologias da informação e comunicação. Em 1973. ligando pontos distantes. espacial (as fronteiras deixam de existir) e cultural (crescimento da informação que é acessível aos cidadãos).39 6 SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E DIREITO À INFORMAÇÃO 6. cultural e econômico. processamento. 2. . armazenagem e disseminação da informação. anulando fronteiras e modelando relações sociais. A convergência destas tecnologias com a internet fez com que se alterasse profundamente os métodos da geração. o sociólogo Daniel Bell (1973) apresenta um conceito de “sociedade de informação” em seu livro O advento da sociedade pós-industrial. São Paulo: Paz e Terra. econômico (o peso da informação na economia). Para Manuel Castells3 apud Roseli Silva (2008. colaborando para uma sociedade global. caindo em seguida no esquecimento.. ocupacional (transformação ocupacional – a maioria dos empregos depende da informação e do conhecimento).] se caracteriza por cinco critérios que se traduzem no fenômeno da globalização: tecnológico (inovação).. 184) a sociedade da informação: [. 2000. Foi utilizado por algum tempo. Nele coloca que o motor desta nova sociedade seria o conhecimento.1 Sociedade do Conhecimento Os antecedentes do termo “sociedade do conhecimento” datam da década de setenta. Esta passou a ser um insumo de valor agregado e o seu controle passou a significar poder político. 3 CASTELLS. ed. como uma espécie de substituto ao conceito de “sociedade pós-industrial”. p. Nessa sociedade as tecnologias se aprimoram para proporcionar o constante desenvolvimento de processos mais flexíveis e incrementam o valor da informação. e da internet. impulsionando o desenvolvimento social e econômico. Manuel. O poder da identidade.

tendo o suporte tecnológico como sua razão de ser. escreve: Information society is the building block for knowledge societies. and a more pluralistic and developmental perspective. na geração do conhecimento e nas tecnologias da informação. é fato que o conceito da informação foi repaginado. utiliza o termo “sociedade do conhecimento” ou sua variante “sociedades do saber”. p. já Castells a expressão “sociedade informacional”. A UNESCO. 2002. na economia.40 Já a noção de knowledge society ou “sociedade do conhecimento” surgiu no final da década de 90 e é empregada como alternativa à “sociedade da informação”. Mas não há concenso. . 47) Muitos estudiosos colocam que o conceito mais apropriado para utilização seria sociedade do conhecimento e não sociedade da informação. Manuel Castells. ASCENSÃO. (CASTELLS. História da sociedade da informação. Rio de Janeiro: Forense. 2003. na política e na vida cotidiana das pessoas.) the knowledge in question is important not only for economic growth but also for empowering and developing all sectors of society. Whereas I see the concept of ‘information society’ as linked to the idea of ‘technological innovation’.. já Ascensão5 coloca que o mais correto seria “sociedade da comunicação”. utiliza “sociedade global da informação”. economical.] trata-se de uma sociedade na qual as condições de geração de conhecimento e processamento de informação foram substancialmente alteradas por uma revolução tecnológica centrada no processamento de informação. da disponibilização do conhecimento nas redes. a informação está presente hoje a sociedade como sendo algo indispensável. em suas políticas institucionais. 1999. (KHAN. subdiretor-geral da UNESCO para Comunicação e Informação. do desenvolvimento da web. Armand. p. political and institutional transformation. the concept of ‘knowledge societies’ is preferable to that of the ‘information society’ because it better captures the complexity and dynamism of the changes taking place. São Paulo: Loyola. cultural. 2002. In my view. José de Oliveira. 8) Independentemente do termo utilizado. pois assim como a era anterior se chamou sociedade industrial onde as formas sociais e tecnológicas da organização industrial se infiltraram também na sociedade. por exemplo. e cada um acaba por utilizar o que considera mais adequado. (. assim a define: [. Direito da internet e da sociedade da informação. renomado pesquisador espanhol. Matellart4. há ainda muitas pessoas sem acesso a tudo isso... Abdul Waheed Khan. the concept of ‘knowledge societies’ includes a dimension of social. É nessa 4 5 MATTELART.. Apesar do “boom” informacional.

2007)6. um direito de todos. para alteração da LDA (BRASIL. como é o caso da lei dos direitos autorais. em 2010. Verificamos com isso. África do Sul. compartilhado e democratizado. De 34 países.com/lists/wiki/foundation/96502>. o Brasil ocupa a 27ª colocação. culturais. que busca justamente equilibrar a questão dos direitos autorais com o acesso à informação e cultura. Germany. que apesar da Constituição Federal do Brasil de 1988 em seu artigo 5º respaldar o direito à informação. Índia e Argentina. que acrescentou “e orienta-se pelo equilíbrio entre os ditames constitucionais de proteção aos direitos autorais e de garantia ao pleno exercício dos direitos culturais e dos demais direitos fundamentais e pela promoção do desenvolvimento nacional”. jun. 2009). suas leis muitas vezes não privilegiam esse acesso. procurando proporcionar o acesso à informação. Paquistão. um ranking dos países que mais facilitam o acesso ao conhecimento em suas leis de direitos autorais. econômicas e sociais. Disponível em: <http://www. 2010. mas será acompanhado de muitos riscos. A Consumers International fez. Segundo o que consta na Cartilha “Consulta pública para a modernização da lei dos direitos autorais” (BRASIL. e conseqüentemente ao conhecimento. 2010). Mansell e Wehn (1998. Acesso em 31 jul.gossamer-threads. “o conhecimento é a chave para o desenvolvimento social e econômico” segundo a Declaração de Kronberg sobre o Futuro da Aquisição e Compartilhamento do Conhecimento (KRONBERG. 13): [. cuja consulta pública foi prorrogada até 31 de agosto de 2010 está recebendo veementes críticas quanto à modificação de seu artigo 1º. Nesses países. Fica atrás de Bangladesh.41 perspectiva que a UNESCO realiza trabalhos voltados a inclusão social e digital. Se hoje. . Neste sentido. 2007.. elaborada em reunião organizada pela UNESCO na Alemanha. O atual projeto de lei. se faz necessário que este conhecimento seja adquirido. 6 KRONBERG DECLARATION ON THE FUTURE OF KNOWLEDGE ACQUISITION AND SHARING..] o papel das tecnologias de informação na construção de uma “sociedade do conhecimento” inovadora poderá ser muito relevante e contribuir para o desenvolvimento sustentado. cap. em especial os de nível médio de renda – grupo em que se enquadram muitos dos países da América Latina e Caribe – as novas tecnologias e seu uso requerem investimentos na elevação das capacidades tecnológicas locais e no desenvolvimento das instituições políticas. de responsabilidade do Ministério da Cultura.

para integrar e coordenar o desenvolvimento e a utilização de serviços avançados de computação. e trazia tendências no setor da tecnologia da informação propondo em seu texto algumas metas para implementação do Programa Sociedade da Informação e uma série de ações para o desenvolvimento de tecnologias no país. Prova disso é que nos Estados Unidos. (TAKAHASHI. através de políticas que privilegiam o acesso dos cidadãos às informações produzidas pelos poderes públicos. cem vezes menor. gerar exclusão. v). especialmente de terras. o hardware e o software de computadores e o processamento de informações que ocorre nas organizações correspondem a aproximadamente 10% do Produto interno bruto – PIB. o uso de novas tecnologias digitais.1%. 6. ou seja. na nova era as formas de exclusão poderão ser melhor visualizadas entre aqueles que têm e os que não têm acesso à informação. Para Luiz Gonzaga Silva Adolfo (2008.. de uma forma paradoxal.. Porém. a conectividade com outros indivíduos. Alemanha e Japão. 2000. este projeto não teve êxito. .2 Direito à informação Atualmente verifica-se que a sociedade da informação apesar de fornecer uma série de vantagens como o compartilhamento de conhecimento. (. a socialização através das redes sociais. regulamentando este direito de acesso e proporcionando o contato da população com as tecnologias da informação. os países vêm buscando diminuir o que chamamos de exclusão digital. 250): Se na economia pré-revolução industrial a exclusão era medida entre proprietários e não-proprietários. comunicação e informação e de suas aplicações na sociedade”. pode também. Este estudo se consolidou numa publicação chamada “Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil”. de amplitude nacional. naquele abrangido o capital industrializado. pois não houve o envolvimento necessário dos setores governamentais. p. pois eles geram mais riqueza. passando à histórica dicotomia capital e trabalho.42 Por isso. enquanto em Bangladesch não chega a 0. ela valoriza mais a informação e os serviços informáticos. O Brasil em 1996 iniciou alguns estudos tendo como objetivo o levantamento de dados referentes às tecnologias utilizadas pelo setor empresarial bem como o de “lançar os alicerces de um projeto estratégico.) Como uma nação rica possui um conjunto maior de bens e serviços econômicos. buscando estar em consonância com o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. educacionais nem empresariais.

sob pena de responsabilidade. depois de Costa Rica. aumentando a desigualdade já existente. o Brasil ocupa o primeiro lugar na América Latina e o quinto no mundo.43 Sem dúvida. No entanto. como é o caso da Lei 11. Segundo esta lógica.todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. pela qual valorizam e pagam. ou ainda. não atribuem tanto valor a informação. acabando por subutilizar os recursos informacionais e tecnológicos. os que mal têm para subsistir. existindo poucas exceções impostas constitucionalmente. não exercendo seus direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal de 1988 como o de acesso à informação apregoados no artigo 5º. Já os que possuem menos condições financeiras. 2010) Pela análise dos números apresentados podemos verificar que grande parte dos brasileiros ainda estão a margem deste processo. a colocação anterior potencializa a frase “quem detém a informação detém o poder”. que serão prestadas no prazo da lei. de 5 de maio de 2005. ou de interesse coletivo ou geral. . (UNESCO. 2005). 1988) O direito à informação é um direito inegável aos cidadãos. Segundo o site da UNESCO. “quem domina a informação domina o mundo”. Guiana Francesa e Uruguai. o baixo percentual de usuários em relação à população total (71% dos brasileiros não utilizam o serviço) nos coloca em 62º lugar no ranking mundial e em 4º na América Latina.111. pois esta não é considerada como prioridade (a prioridade é se alimentar. XXXIII . os brasileiros buscam familiarizar-se com as novas tecnologias de comunicação e informação. porém o país ainda apresenta percentuais que podem ser melhorados: No uso da internet. de ter o que vestir). que coloca que o “acesso aos documentos públicos de interesse particular ou de interesse coletivo ou geral será ressalvado exclusivamente nas hipóteses em que o sigilo seja ou permaneça imprescindível à segurança da sociedade e do Estado” (BRASIL. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado (BRASIL. observa-se que aqueles que possuem maiores condições financeiras aumentam ainda mais suas posses pelo uso da informação. quando necessário ao exercício profissional. incisos XIV e XXXIII: XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte.

o indivíduo deverá ter liberdade de acessar as informações. como o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos: Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e de expressão. Finalmente. de as difundir sem impedimentos.(DECLARAÇÃO. vários outros instrumentos internacionais de direitos humanos o fazem. consistindo num direito a ser mantido adequadamente e verdadeiramente informado. ao comentarem o artigo 37 da Constituição de seu país afirmam que O direito de informação integra três níveis: o direito de informar. enquanto direito a informar. de transmitir ou comunicá-las a outrem. 245) Ou seja. O direito de se informar consiste designadamente na liberdade de recolha da informação. o artigo 9 da Carta Africana sobre os Direitos Humanos e dos Povos e o artigo 10 da Convenção Européia sobre Direitos Humanos.44 Assim como nossa Constituição reconhece o direito ao acesso à informação. procurando interpretar o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos externa: Nesse sentido. e de se manter informado. sem limite de fronteiras. Corroborando. no direito de não se impedido de se informar. desde logo. mas pode também revestir uma forma positiva. ou seja. isto é. Canotilho e Moreira (1984. (SILVA. 234). p. o direito de ser informado. p. esse direito inclui a liberdade de ter opiniões sem sofrer interferência e de procurar. pelos meios de comunicação. direito a meios para informar. o direito de se informar e o direito de se ser informado. 2001. na obra Constituição da República Portuguesa anotada. 1948) Também o artigo 19 do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. de procura de fontes de informação. e sem dependência de censura. o acesso. o direito a ser informado é a versão positiva do direito de se informar. por qualquer meio. na liberdade de transmitir ou comunicar informações a outrem. desde logo. . José Afonso da Silva. receber e divulgar informações e idéias por quaisquer meios. o recebimento e a difusão de informações ou idéias. O primeiro consiste. a liberdade de informação compreende a procura. Cada um deles reconhece o acesso a informações públicas como direito humano fundamental. respondendo cada qual pelos abusos que cometer. a Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos (também chamada de Pacto de San José da Costa Rica) reconheceu a liberdade de informação como primordial ao homem em seu artigo 13 (caput e inciso 1º).

inclusive que regulamente a divulgação de informações pelas instituições públicas. o artigo 3º assim coloca: Art. II – divulgação de informações de interesse público. de 2003. somente 13 países haviam adotado leis nacionais relacionadas ao tema. 3º Os procedimentos previstos nesta Lei se destinam a assegurar o direito fundamental de acesso à informação e devem ser executados em conformidade com os princípios básicos da administração pública e com as seguintes diretrizes: I – observância da publicidade como preceito geral e o sigilo como exceção. que regula o acesso a informações previsto no inciso XXXIII do artigo 5º. (BRASIL. Projeto de Lei. 2003) O Projeto de Lei 5. Também garante o acesso pleno. Em 2008. independentemente de solicitações. ou seja. pelos partidos políticos.228. Ele afirma que a garantia legal do acesso a informações públicas na Suécia foi baseada justamente na compreensão. mais de 70 países já têm leis de acesso à informação. no inciso II do § 3º do art. imediato e gratuito a informações públicas e estabelece critérios para proteção das informações pessoais e sigilosas. IV – fomento ao desenvolvimento da cultura de transparência na administração pública. de 15 de maio de 2009 foi apensado ao Projeto de Lei 219/2003. Segundo Toby Mendel (2008.45 Por este pensamento. p. Neste Projeto de Lei. não só quem transmite possui direito à informação. III – utilização de meios de comunicação viabilizados pela tecnologia da informação. Na Câmara dos Deputados foi aprovada pelo Plenário em 13 de abril de 2010 a redação final do Projeto de Lei 219-C. de que a abertura de informações ajudaria a promover uma disputa de forças mais balanceada. V – desenvolvimento do controle social da administração pública. o exercício deste direito no País é dificultado pela ausência de uma lei específica. mas também aquele que a recebe passivamente. É o projeto intitulado “Lei de Acesso à Informação. 37 e no § 2º do art. Em 1990. a primeira lei de acesso a informações de que se tem notícia no mundo foi promulgada pela Suécia há mais de 200 anos. 216 da Constituição Federal. a pioneira decisão sueca não foi seguida com a mesma velocidade pela maioria das nações. 101). quando eles não estivessem no poder. Isenta o servidor de ser . tanto o agente transmissor quanto o receptor. Porém. Embora a Constituição Federal de 1988 proteja a liberdade e o acesso à informação.

Em função das várias semelhanças com o Projeto de lei de 2003 foi apensado a este. de 1991. estaduais e municipais. também é preciso definir prazos para a liberação das informações. ou seja. apesar de trazer um grande avanço. O Brasil acrescentou em sua Carta Magna a garantia constitucional do acesso à informação. 42) . de 2005 e os arts. 2009. coloca: A falta de detalhamento [na Constituição Federal] é um dos motivos para a necessidade de regulamentação. a informações produzidas pelos mais diferentes órgãos federais. antes de regulamentar o acesso. mesmo na ausência de um pedido. por exemplo. definir punições para quem barrar ou dificultar o acesso aos dados e registros. A publicação editada pela ARTIGO 19. no Brasil desde 2005. direito à informação é o direito de todo indivíduo de acessar informações públicas. Isso é refletido em uma série de declarações internacionais. p. de forma pró-ativa. p. inciso XXXIII. Além disso. O artigo 5º. afirmam que a liberdade de informação implica que os órgãos públicos publiquem e divulguem amplamente documentos de interesse público significativo. Os Padrões da ONU. regulamentou o sigilo. Porém. ainda. revogando também a Lei nº 11. Alguns avanços podem ser notados no Brasil. 22 a 24 da Lei nº 8. apontar possíveis – e únicas – exceções que podem impedir as instituições públicas de liberá-las e. 34) comenta: Para efetivar o direito a informação na prática. categorias-chave de informação. ainda não foi regulamentado. (CANELA. como por exemplo informações operacionais sobre o funcionamento do órgão público e o conteúdo de eventuais decisões ou políticas que afetem a população. Quanto a isso Toby Mendel (2009. Porém. penal ou administrativamente por dar ciência à autoridade competente de informações concernentes à prática de crime ou improbidade. sem necessidade de requisição. informações em poder do Estado ou que sejam de interesse público.159.111. como a tramitação de Projetos de Lei nas casas legislativas e criação de websites que disponibilizam dados orçamentários e administrativos e processos legislativos. ainda está muito aquém comparado a outros países. uma organização não governamental de direitos humanos que trabalha na promoção e defesa da liberdade de expressão e do acesso à informação. não basta simplesmente exigir que os órgãos públicos atendam a pedidos de informação. regulamentando a Constituição Federal de 1988. Ainda não possuímos uma legislação que trate do acesso à informação pública. voluntariamente. ou seja. efetivamente.46 responsabilizado civil. Neste contexto. NASCIMENTO. O acesso efetivo para muitas pessoas depende de que esses órgãos publiquem e divulguem.

Informar o público sobre os seus direitos e promover uma cultura de abertura no governo. Princípio 9: Proteção de denunciantes. Princípio 5: Processos para facilitar o acesso. .denunciantes . Princípio 4: As exceções deveriam ser clara e rigorosamente traçadas. (. Organismos públicos devem promover ativamente um governo aberto. b) A divulgação deverá ameaçar causar graves prejuízos a tal objetivo. Indivíduos que divulgam informações sobre situações impróprias . Estes princípios foram preparados por Toby Mendel. utilizando a vasta experiência e trabalho feito com organizações associadas em muitos e variados países.devem ser protegidos. Princípio 2: Obrigação de publicar. Chefe do Programa Jurídico do ARTIGO 19 e tem como objetivo estabelecer uma norma que possa ser comparada com as leis nacionais para se saber se estas permitem ou não um acesso genuíno à informação oficial. 1999). Princípio 3: Promoção de governo aberto. é exactamente a de promover o acesso aberto à informação. O custo de ter acesso à informação que é mantida pelos organismos públicos não deveria ser tão elevado que dissuadisse potenciais requerentes de o fazer. o alcance da informação ao dispor e a forma como tais direitos podem ser exercidos.) a lei deveria providenciar no sentido de se educar o cidadão e disseminar os elementos relacionados com o direito de acesso à informação. Princípio 7: Reuniões de organismos públicos deveriam ser abertas ao público. uma vez que a idéia fundamental... são aspectos essenciais para que a finalidade da legislação sobre a liberdade de informação seja alcançada. a não ser que o organismo público possa demonstrar que a informação seja considerada no âmbito do regime limitado de exceções: a) A informação deve relacionar-se com um dos objetivos legítimos listados na lei.47 Este mesma entidade editou um documento intitulado “O Direito do público a estar informado: princípios sobre a legislação de liberdade de informação” (O DIREITO. e c) O prejuízo ao objetivo em questão deve ser maior do que o interesse público à informação específica. Os organismos públicos deveriam estar sob a obrigação de publicar informação considerada essencial. As solicitações de informação deveriam ser processadas rapidamente e com imparcialidade e uma revisão independente de quaisquer recusas deveria estar à disposição das partes. Todas as solicitações individuais de informação a organismos públicos deveriam ser atendidas. Princípio 8: Divulgação tem primazia. As leis que são inconsistentes com o princípio de máxima divulgação deveriam ser alteradas ou revogadas. Princípio 6: Custos excessivos não deviam impedir o cidadão de solicitar informações. São os princípios: Princípio 1: da máxima divulgação: O princípio de máxima divulgação estabelece a suposição de que toda a informação mantida por organismos públicos deverá ser sujeita a divulgação e de que tal suposição só deverá ser superada em circunstâncias muito limitadas. na base da liberdade de informação.

pelas constantes reestruturações (ou diria desestruturações) e pela não existência de uma política de preservação documental. como é o caso da Receita Federal do Brasil. Em abril deste ano. na qual os governos estavam sob uma obrigação positiva de tomar medidas concretas para prevenir que indivíduos ou grupos privados interferissem na comunicação legal de informações. relativas à responsabilidade fiscal junto a este órgão. o direito à informação tem sido crescentemente compreendido como impondo aos governos uma obrigação positiva de fornecer informação. o portal da Transparência auxilia na divulgação das informações governamentais aos cidadãos. seguiu-se a obrigação do Estado de proteger. esta obrigação em particular passou a dominar o trabalho de muitos ativistas que têm defendido o acesso à informação em . Estônia e Argentina possuem dispositivos constitucionais que asseguram o direito de acesso à informação produzida pelos seus respectivos governos. p. As tentativas não cessaram na consulta à página. tendo em vista que o direito ao acesso à informação possui status idêntico ao de outros direitos humanos. no caso um tribunal. Depois. sem êxito. Bulgária. não se obtém uma resposta de que a solicitação será processada. uma bibliotecária procurou contato junto à SRF. como é o caso de vários documentos emanados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. Ou seja. o direito receber e divulgar informações. apostilas de cursos. ou há mais tempo. no entanto. em função da resistência governamental em “abrir seus arquivos” à consulta pública. para ser consultado por outro órgão público. inclusive informação detida pelo Estado. O Brasil. 41 a 46). envio de diversos emails e contatos telefônicos. mas ainda é muito pouco. na tentativa de se obter manuais. as informações não estão acessíveis nem para outros órgãos do governo. já nos anos 90. Muitas das informações estão perdidas. Sandra Coliver (1995. Como já colocado. Dentre elas a obrigação de respeitar o direito à liberdade de informação. Comenta: Finalmente. Países que possuem constituições mais modernas como Polônia. Nos últimos dez anos. por exemplo. afirma que o direito à liberdade de informação passou por algumas fases principais de sua interpretação quanto às obrigações que impõe aos Estados. Em contato através da ouvidoria de muitos ministérios e secretarias. livre da interferência do Estado.48 Podemos afirmar que os governos ao redor do mundo estão em diferentes fases quanto à aplicação destes princípios a leis que tratam do direito à informação. neste cenário encontra-se um tanto atrasado.

7 Tradução coletada na obra CANELA.49 poder do governo por meio da adoção de leis de liberdade de informação ou 7 leis de acesso. (COLIVER. moradia. Guilherme. Acesso à informação e controle social das políticas públicas. uma vez que o direito ao acesso à informação também contribui para a realização e consolidação de outros direitos. Brasília. Solange (Coord. ARTIGO 19. como o direito de todos de ter acesso a informações ambientais. 2009. dentre outros. 45) Podemos ver isso como algo positivo. de se ter acesso a informações relacionadas à saúde. NASCIMENTO. Tendo conhecimento. 17. educação. p. DF: ANDI. p. os cidadãos podem exercer seus direitos constitucionais.). 1995. .

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7 ERA DA INFORMAÇÃO E BIBLIOTECAS DIGITAIS

O avanço da área de tecnologia da informação propiciou o desenvolvimento desta rede de indivíduos, a internet, e esta por sua vez, a novos avanços e crescimentos nesta área. Atualmente os indivíduos, através de uma simbiose digital, geram e absorvem conhecimento, criando uma espécie de comunidade global, sem barreiras, sem fronteiras. Este é o combustível para a sociedade da informação, uma sociedade baseada no conhecimento e na inteligência. A era da informação está intimamente relacionada à evolução da tecnologia, do modo de tratamento e transmissão de dados, passando pela criação do primeiro computador pela ENIAC, em 1946, até a invenção da web por Tim Berners-Lee, em 1991, que contribuíram para o surgimento das bibliotecas digitais.

7.1 Bibliotecas digitais

As bibliotecas digitais remontam à Biblioteca de Alexandria, não só pela sua nomenclatura (em grego biblion = rolos de papiro e theke = armário, prateleira), ou pela sua forma de organização, mas principalmente pela idéia de se ter todos os livros e conhecimento reunido em um só lugar. Devido aos constantes avanços, a biblioteca é hoje um organismo multifacetado. Não podemos mais vê-la como tradicionalmente fazíamos, como um depósito ou um ambiente físico, real, em contato direto com seus clientes. Elas evoluíram. E assim como houve o aumento do fluxo informacional, houve amadurecimento na forma de armazenar e disponibilizar estas informações. Em meados dos anos sessenta as grandes bibliotecas iniciaram a passagem do catálogo em papel para o suporte eletrônico (microfilme, base de dados bibliográficas). Nas décadas seguintes as bibliotecas passaram disponibilizar a consulta remota, através do chamado "catálogo on-line" ou OPAC – Online Public Access Catalog, seguindo-se a automatização de serviços de empréstimo. Surgiram expressões como bibliotecas online, bibliotecas 24 horas.

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Nos anos 80 a expressão foi substituída por “biblioteca eletrônica” ou “biblioteca digitalizada”, tendo em vista que estas disponibilizavam algum conteúdo anteriormente em papel de forma eletrônica, através do processo da digitalização de originais. Já na década de noventa surgiram expressões como “bibliotecas digitais”, “bibliotecas virtuais”, para designar bibliotecas sem fronteiras, não existentes no mundo físico e sim somente na web, que continham arquivos digitais (digitalizados ou originalmente nascidos na forma de bits). Muitas vezes foram utilizadas como sendo expressões similares, no entanto, existem algumas diferenças entre elas. Para o autor Carlos Marcondes, a biblioteca digital é:
[...] uma biblioteca que tem como base informacional conteúdos em texto completo em formatos digitais – livros, artigos, teses, imagens, vídeos e outros, que estão armazenados e disponíveis para acesso, segundo processos padronizados, em servidores próprios ou distribuídos e acessados via rede de computadores em outras bibliotecas. (MARCONDES, 2006, p. 16)

Já para pesquisadores responsáveis pelo Projeto Phronesis, da Universidade de Monterrey, no México:
A digital library is an organized collection of documents stored in digital format. A digital library offers services such as submission, classification indexing, searching, and retrieval. The documents that are stored in a digital library can be text, images, video or combinations of these. Ideally, a digital library will allow to store, search and retrieve full documents. This contrasts with traditional systems that are only focused on searching library records based on title, description or keywords. (GARZA-SALAZAR; LAVARIEGA; SORDIA-SALINAS, 2003, p. 55)

Biblioteca virtual seria o próprio ambiente físico transportado para o espaço cibernético, ou seja, realidade virtual. Imagine-se colocando um óculos 3D e adentrando numa biblioteca virtual, escolhendo livros, folheando-os, interagindo com outras pessoas. Seria a biblioteca do futuro. Para ser uma biblioteca digital não basta ser uma biblioteca automatizada, ou possuir um catálogo na web. O Google e a internet não são bibliotecas digitais. O Google possui um projeto de digitalização do acervo de milhares de bibliotecas e editoras. Neste projeto somente obras de domínio público são colocadas na íntegra para leitura, oferecendo ao usuário a disponibilidade de download do texto

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eletrônico. Somente pequenos trechos de obras protegidas pelo copyright são disponibilizados para leitura, indicando links para sites de livrarias online parcerias onde poderia ser feita a compra do livro ou sites de bibliotecas onde poderia obter o mesmo através de empréstimo, não deixando de ser uma espécie de loja virtual. No início do projeto a Google sofreu uma série de processos judiciais por infringir a lei de copyright. Para ser uma biblioteca digital primeiramente ela deverá ser acessível remotamente, permitir o acesso simultâneo a documentos digitais ou digitalizados, disponibilizar diversos tipos de informações: textos, imagens, vídeo, etc. e serviços para seus clientes ou usuários. O mais importante é que estas informações devem estar disponíveis integralmente (texto completo), de forma tratada, ou seja, os objetos digitais8 têm de estar classificados, catalogados e indexados utilizando-se para isso metadados9 – que são dados sobre estes objetos. Têm de estar organizadas e pesquisáveis (seja pela interface de busca ou pelos harvests), para que estas possam estar também acessíveis a longo prazo (preservação10 dos objetos digitais). Têm de ser um verdadeiro repositório digital11, com links persistentes12, que tem realmente como objetivo a disseminação de conhecimento, em tempo real, sem propósito lucrativo. Ou seja, não basta ter um site com uma porção de documentos e denominar o mesmo de biblioteca digital é preciso que ela atenda a uma série de requisitos, sendo o principal deles a disseminação de informações.
As bibliotecas digitais tornam-se, desse modo, um instrumento poderoso de distribuição, cooperação e acesso ao conhecimento, atendendo e podendo servir de foco agregador a uma comunidade segmentada, distribuída geograficamente. (MARCONDES, 2006, p. 11)

O Projeto Gutenberg criado em 1971, é considerado a mais antiga biblioteca digital do mundo. As obras ali existentes são de domínio público. Segundo a
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Um objeto digital é muito mais do que um arquivo, é um registro de informação codificado digitalmente, consistindo de conteúdo informacional, metadados e identificador. 9 Metadados é um conjunto de campos de dados que identificam, descrevem os atributos e o conteúdo de um documento que está no espaço digital (ex.: título, autor, data de publicação, assunto etc.), facilitando a sua recuperação posterior. 10 Preservação digital é o emprego de mecanismos que permitem o armazenamento em repositórios de objetos digitais e que garantem a perenidade dos seus conteúdos. Compreende o planejamento, a alocação de recursos e a aplicação de métodos e tecnologias para assegurar que a informação digital de valor contínuo permaneça acessível e utilizável. 11 Um banco de metadados, freqüentemente representando uma coleção de conteúdos de uma instituição. São sistemas de informação que armazenam, preservam, divulgam e dão acesso à produção intelectual. 12 Um identificador persistente é uma nomenclatura e identificação que permita que um objeto possua somente um identificador longínquo. The PURL System (Persistent Uniform Resource Locator: http://www.purl.org/)

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Wikipédia (2010), em meados de 2006, o Projeto continha mais de 20.000 obras em seu acervo, dentre livros de romance, contos, poesia, teatro, obras de referência e até algumas partituras. O primeiro livro em Português publicado pelo Projeto Gutenberg foi Lendas do Sul (1913) do autor brasileiro João Simões Lopes Neto, em 2001. Seguiram-se Os Lusíadas do português Luís Vaz de Camões. Também existem alguns poucos textos protegidos por direitos autorais que o Projecto Gutenberg distribui com uma autorização. Estes estão sujeitos a mais restrições, especificadas pelo detentor dos direitos autorais. A grande maioria das obras estão em inglês, mas existem muitas em português. Antes de inserir a obra na biblioteca digital é feita uma pesquisa com relação aos direitos autorais, sendo que estas pesquisas são arquivadas para uma consulta futura, evitando-se assim, processos judiciais pro violação dos direitos autorais. Atualmente existem várias bibliotecas digitais no mundo e no Brasil, alguns exemplos a nível mundial: • • • • • • Biblioteca Nacional Digital de Portugal (http://purl.pt), Portal Europeana (http://www.europeana.eu/portal/), Library of Congress (http://memory.loc.gov/ammem/index.html), Gallica, França (http://gallica.bnf.fr/), Alexandria Digital Library (http://www.alexandria.ucsb.edu/), New Zealand Digital Library (http://www.nzdl.org/cgi-bin/library.cgi);

No Brasil as mais conhecidas são: • • • • • • • Domínio Público (http://www.dominiopublico.gov.br), Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro (www.bibvirt.futuro.usp.br/), Biblioteca Brasiliana Digital – USP (http://www.brasiliana.usp.br/), Biblioteca digital brasileira de Teses e Dissertações do IBICT – Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (http://bdtd.ibict.br/) Biblioteca digital do Senado (http://www2.senado.gov.br/bdsf/) Biblioteca digital da Câmara (http://bd.camara.gov.br/bd/) Bdjur (http://bdjur.stj.gov.br/)

A Biblioteca Virtual do Estudante Brasileiro contém vídeos em libras e gravações de vozes de personagens importantes da história brasileira, foi uma das

As obras digitalizadas sãos as se encontram em domínio público ou que contam com a licença dos titulares dos direitos autorais.227 972 Tabela 1: Quantitativo mensal do número de visitas.247 511. A Biblioteca Digital Domínio Público foi lançada em 2004. fornecendo serviços de informação sobre esses metadados e expondo-os para coleta por outros provedores de serviços.836 766. tendo em seu acervo mais de 10.000 obras em domínio público.439 1. Pelas estatísticas apresentadas no portal.209 3.224 3. [.548 722. coletando metadados de teses e dissertações dos provedores.642 3.279 Obras Cadastradas 2. Assim como a Domínio Público. desenvolvida em software livre.NDLTD.495 1. a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações – BDTD é um projeto coordenado pelo IBICT e que integra os sistemas de informação de teses e dissertações existentes nas instituições de ensino superior.715 3. sendo que até então foram realizadas 26.791. Abaixo levantamento feito em 2010: Mês Julho/10 Junho/10 Maio/10 Abril/10 Março/10 Fevereiro/10 Janeiro/10 Visitas 524. recebendo uma série de prêmios.54 primeiras bibliotecas digitais do Brasil. dentre elas audiolivros. obras cadastradas e e-mails recebidos. biografias.646 consultas. atualmente possui 71.915 774.287 209.638 1. Fonte: Portal Domínio Público Pelos números podemos verificar que o projeto desenvolvido pelo Ministério da Educação vem dando certo. obras clássicas da literatura brasileira. Segundo o que consta no site do IBICT (2010).670 3. ..000 obras cadastradas.595 663..193 3.] as instituições de ensino e pesquisa atuam como provedores de dados e o IBICT opera como agregador.438 E-mails Recebidos 872 910 1. contendo inicialmente 500 obras em seu acervo. em especial pela Networked Digital Library of Theses and Dissertation .

Ele permite pesquisa ao texto integral das obras. Grande maioria das bibliotecas digitais segue a filosofia do projeto OAI (Open Archive Initiative . que até então estavam na mão de grandes editoras científicas. utilizam software Dspace. maior .pt/index. Já a interoperabilidade faz com que haja um conjunto mínimo de metadados e protocolo comum para que seja possível a troca de informação bem como a preservação a longo prazo destas informações. um sistema de repositório digital feito em código aberto (open source). A Bdjur – Biblioteca digital jurídica STJ. as licenças copyleft. para a democratização da informação. links persistentes (de forma que a obra sempre estará naquele endereço independentemente de software e da própria web.dspace. baseada em três princípios: auto-arquivamento. pesquisa dinâmica.HP (http://www.Iniciativa Arquivos Abertos). Isso faz com que o texto seja disponível mais rapidamente. A revisão pela comunidade científica tem como propósito a transparência das críticas e sugestões feitas aos textos eletrônicos depositados no repositório. Foi utilizado pela primeira vez em língua portuguesa pela Universidade do Minho/Portugal (https://repositorium. favorecendo também o acesso gratuito a publicações eletrônicas.uminho.jsp). em parceria com a Hewlett-Packard .sdum. O auto-arquivamento refere-se ao direito de o próprio autor enviar o seu texto para publicação sem intermédio de terceiros. Este software foi desenvolvido pelo Massachusets Institute of Technology – (MIT). a Biblioteca Digital da Câmara e a Biblioteca Brasiliana Digital – USP. também adepto ao Open Archives e a iniciativa Open Access (acesso livre ao conhecimento). que detinham também os direitos de publicação.55 A BDTD utiliza as tecnologias do Open Archives Initiative (OAI) e adota o modelo baseado em padrões de interoperabilidade consolidado em uma rede distribuída de bibliotecas digitais de teses e dissertações. nos Estados Unidos. Os adeptos a essa idéia defendem o acesso aberto de conteúdos e novas modalidades de direitos autorais. a Biblioteca Digital do Senado. uma nova filosofia para a publicação científica. revisão pela comunidade (pelos seus pares) e interoperabilidade. não se alterará).org).

e preservação a longo prazo para os objetos digitais. a lei dos direitos autorais no Brasil. Inc. de 19 de fevereiro de 1998. existem 4 tipos básicos de utilização desta obra: • Visualização em tela. Autorizada a inserção. Em anexo alguns modelos. não perdem sua proteção.56 visibilidade. tendo seus direitos autorais protegidos através da obediência às leis de direitos autorais vigentes e uso de licenças. preservando-as a longo prazo como já destacado anteriormente. • Reprodução total ou parcial da obra para uso no próprio ciberespaço.2 Definição dos direitos autorais em bibliotecas digitais Para a disponibilização de documentos em uma biblioteca digital há necessidade de se observar a legislação vigente a respeito dos direitos autorais. a inserção de obras protegidas por direitos autorais na internet (reprodução e transmissão) e em bibliotecas digitais depende de prévia e expressa autorização dos titulares de direitos autorais (Art. mas tanto é uma das causas quanto sofre os efeitos. .610. 7. com ou sem intuito de lucro.I). todas as obras. há necessidade de se elaborar de um termo de autorização. pois os dados podem ser buscados por metabuscadores na web. • Reprodução externa do material através de download no computador do usuário. porque os autores mantêm seus direitos independentemente do meio pelo qual estas se encontram (Art. • Reprodução externa através da impressão do material em um ou mais exemplares. Em função disso. Ela foi tanto uma das várias tecnologias que contribuíram para essa discussão quanto um ambiente atingido por essas mudanças. Na internet. em que o autor permite a publicação de sua obra em meio digital. as bibliotecas digitais possuem a função de repositório de obras. mesmo quando digitalizadas. Sendo assim. 29. Mas porque dedicar um capitulo específico a elas? Porque toda esta discussão com relação aos direitos autorais na web perpassa pela biblioteca digital. 7º). Pode parecer um tanto paradoxal. Através delas os autores podem ter seus trabalhos permanentemente divulgados. Segundo a Lei 9.

artigo com os usuários desta biblioteca digital. definidos por esta licença. diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. tese. mas a coibir o plágio total ou uso indevido de partes de seu texto. ou extensões da mesma. bem como o Creative Commons. Por exemplo. mas não a fazer o download da obra. que esta seja licenciada pela mesma licença da primeira. ou ainda para fins não comerciais. Seguindo esta idéia surgiu o Copyleft.) geralmente utilizam alguma licença. ou ainda.3 Uso de licenças A licença é uma espécie de contrato (que pode ser muito simples. e representam uma alternativa ao copyright. o usuário poderá estar autorizado a ler na tela e imprimir o texto. Desta forma. etc.57 A fim de evitar que a obra seja usada indevidamente. A licença GPL – Licença Pública Geral para software livre baseia-a nesta filosofia. passando adiante a liberdade de copiá-la e modificá-la novamente. Desta forma. o qual restringe excessivamente a distribuição e utilização de obras intelectuais. As principais licenças utilizadas em bibliotecas digitais em complemento a lei dos direitos autorais são as licenças Creative Commons que serão vistas logo a seguir. complementar à Lei de Direitos autorais. 7. o autor compartilha sua monografia. mas sob alguns limites e critérios estabelecidos. até uma linha) por meio do qual o titular de direitos sobre determinada criação define condições e limites para a utilização da obra. Ronaldo Lemos. desde que a fonte seja referenciada. ficando claro o que é permitido. Pode-se permitir o uso de uma obra na criação de outra. sejam livres. os pacotes de softwares para bibliotecas digitais (Dspace. Muitos definem como sendo um documento através do qual se pode especificar condições-padrão para o uso de determinada obra por outras pessoas. Com relação a isso. Uma obra sob a licença Copyleft (deixar copiar) requer que suas modificações. a biblioteca digital propõese não só a divulgar o trabalho do autor. no Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons Brasil reforça: .

Com isso surgiu a GNU General Public License (Licença Pública Geral).MIT.58 Há músicos. produtores de vídeos ou escritores que [. que criou o projeto Gnu e que em 1985. de redistribuir cópias e aperfeiçoá-lo e liberar seus aperfeiçoamentos à comunidade usuária do software. seja reconstruindo-o ou recriando-o. É uma licença para software livre baseada na liberdade de executar o programa. modificar e redistribuir o programa e seu código fonte. trabalhos derivados deverão ser distribuídos através da mesma licença GPL. os direitos do autor de forma a não permitir que o código-fonte seja utilizado em programas proprietários.. que significa permitir. o que em inglês se refere ao passado perfeito do verbo “leave”. não faz sentido nem econômico. mas a que possibilita maior perenidade. ou. 2005. Este projeto foi iniciado por Richard Stallman em 1984. estudar.” (LEMOS. que qualquer pessoa teria direito de usar. p. que seus trabalhos se submetam ao regime de “todos os direitos reservados. nem artístico. p. ou que sejam impostos sobre ele restrições que impeçam que seja distribuído da mesma maneira que foi adquirido. um software para edição de imagens. A criação do termo copyleft é atribuída ao mesmo Richard Stallman. porém. fundou a Free Software Foundation (FSF). após o mesmo abandonar o Laboratório de Inteligênia Artificial do Instituto de Tecnlogia de Massachusetts. . que outras pessoas continuem o seu trabalho. com o objetivo de criar um sistema operacional totalmente livre. . Segundo Liliana Minardi Paesani (2007. Ou seja. é necessário compreender os fundamentos do projeto GNU (Gnu is Not Unix).] querem que as pessoas tenham acesso às suas obras. É uma inversão do copyright (direitos de reprodução). A GPL mantém. O termo substitui o “right” (direita) pelo “left” (esquerda).. deixar. Um exemplo de programa desenvolvido pelo projeto Gnu é o Gimp. que garante que o usuário não se aproprie de algo sem retornar com um produto melhor. É um instrumento jurídico. 180) “o conceito surge juntamente com a idéia de software livre e desponta como uma inversão de valores do copyright”. 83) Para compreender as raízes do copyleft. Para essas pessoas. GNU GPL ou simplesmente GPL. Copyleft é um trocadilho. desde que garantindo para todos os mesmos direitos. estudá-lo e adaptá-lo. Ainda pode aludir à ideologia política de esquerda. eventualmente. envolvida nos esforços de democratização da informação. A GPL é a licença menos permissiva. seja reinterpretando-o.

Também conhecido como movimento. dando muito mais opções para o autor quanto os direitos que ele pretende conceder. Muitos sites de busca como Yahoo possuem dispositivo de pesquisa especializado em localizar obras licenciadas sob CC. Teve sua origem na Universidade de Stanford. como criações artísticas colaborativas e textos. O Creative Commons – CC pode denominar tanto um repositório de licenças padronizadas para gestão aberta. livros." (todos os direitos invertidos) numa carta que lhe enviou e de certa maneira. As licenças de software livre inspiraram a criação do Creative Commons. parodia a expressão All rights reserved. O copyleft passou a ser utilizado não só para licenciamento de softwares. músicas. com professor Lawrence Lessig. o termo foi-lhe sugerido pelo artista e programador Don Hopkins. livre e compartilhada de conteúdos e informação – copyleft quanto a organização sem fim lucrativos que as redigiu e mantém a atualização e discussão sobre estas licenças e que presta acessoria gratuita para garantir que aqueles que desejam liberar suas obras ao domínio público o façam de maneira ainda legal e preservando seu direito inalienável de ser reconhecido como autor. . não só a softwares. dentre outros. baseado na liberdade do autor de estipular quais direitos ele está disposto a conceder sobre sua obra. O CC (assim conhecido). filmes. pode potencializar o valor econômico de obras culturais como imagens. O objetivo é manter os direitos autorais do autor e criador da obra intelectual e ao mesmo tempo permitir a democratização da informação.all rights reversed. principalmente na modalidade Creative Commons. o conceito original é comum.59 De acordo com Stallman. estabelece um novo modelo de negócios. A licença Creative Commons se aplica a vários tipos de trabalhos. Essas licenças também são incorporadas em sites que lidam com conteúdo produzido descentralizadamente como Flickr. e às pessoas terem alguns direitos sobre a obra. flexibilizando o conceito do copyright de “todos os direitos reservados” para “alguns direitos reservados”. que incluiu a expressão "Copyleft . mas também para obras literárias. porém as licenças deste repositório são mais variadas do que as utilizadas pelo software livre. textos. estando presente atualmente em mais de 50 países. tanto que o símbolo do copyleft é um C invertido.

entre outras. para músicos que queiram compartilhar suas obras com seus fãs. permite que as pessoas copiem. o autor permite a cópia. A licença de Atribuição permite a cópia. permitindo . mas somente se for dado crédito da maneira que o autor estabeleceu. de Uso Não-Comercial. um mix entre elas. distribuição e execução da obra – protegida pelos direitos autorais – e a da obra derivada criada a partir dela. Por isso a obra não pode ser alterada ou reeditada sem a autorização do autor. Ainda existem as licenças de Sampling. e na licença Vedado uso Comercial. pois não há transferência dos mesmos. Através da licença Não a Obras Derivadas. mas não para fins comerciais. por exemplo. no caso da obra ser utilizada para criação de obras derivadas.60 Nas licenças CC o titular dos direitos autorais continua sendo o autor. a de Não a Obras Derivadas e a de Compartilhamento pela mesma Licença. como ocorre no caso da licença de Atribuição. é permitido que outras pessoas copiem. mas impõe a condição de que. É um tipo de licença mais flexível. mas o autor não autoriza sua obra para elaboração de obras derivadas. Esta é a única licença obrigatória. 2004). distribuam e executem a obra e as obras derivadas criadas a partir dela. No Compartilhamento pela Mesma Licença. Segundo o site Creative Commons Brasil (PROJETO. As licenças ajudam a manter o direito autoral ao mesmo tempo em que permite certos usos da obra – um licenciamento com “alguns direitos reservados”. A licença de Uso Não-Comercial. O autor poderá fazer combinações. nem concessão (cuida da exclusividade de exploração temporária). a licença de Compartilhamento de Música. distribuam e executem somente cópias exatas da obra. que permitem que pequenos pedaços da obra sejam remixados em obras novas. estes deverão distribuir estas obras derivadas somente sob uma licença idêntica à licença que rege a obra original. o Creative Commons (CC) disponibiliza licenças que abrangem um espectro de possibilidades entre a proibição total dos usos sobre uma obra – todos os direitos reservados – e o domínio público – nenhum direito reservado. não é uma cessão de direitos. a distribuição e a utilização de sua obra. As principais licenças Creative Commons são a licença de Atribuição.

Tanto a GPL. de que o autor. atualmente utilizadas pelo governo para o licenciamento de software livre. do projeto Creative Commons. as licenças aplicadas a softwares Open Source. direitos esses que pertencem. . enquanto dono de todos os direitos de uma criação intelectual possui a faculdade de fazer o que quiser com esses direitos. O Centro de Tecnologia e Sociedade (CTS) da Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas. pois se traduzem em institutos jurídicos de proteção dos direitos autorais.61 acesso ao conhecimento (Projeto A2K – Access to Knowledge). fundamentam-se no modelo tradicional do direito autoral. o que eles fazem é autorizar alguns direitos sobre as obras. Eles se fundam em um princípio básico. garantindo proteção e liberdade. O CTS adaptou as licenças do Creative Commons para o ordenamento jurídico brasileiro e fez com que o Brasil se tornasse pioneiro no desenvolvimento de licenças CC-GNU GPL e CC-GNU LGPL. no Rio de Janeiro é o órgão responsável pela direção. ao próprio criador da obra. por lei. quanto o Creative Commons são legais. no Brasil. que licencia softwares livres. Sendo assim.

O direito de autor nasce amparado na imagem do escritor cuja criatividade se recompensa. p. que só casualmente coincidem como os do criador intelectual. (ASCENSÃO. Carlos Rogel Vide e Victor Drummond (2005. muitos programas de televisão são feitos com base nas sugestões dos telespectadores. imagens fixas ou animadas.. A web imprimiu uma nova dinâmica na relação autor-> obra-> empresários-> usuário. o músico romântico. porém. e originais para uma porção de outras mais. intimamente ligadas com a tecnologia digital. (. A situação econômico-social do autor não corresponde hoje à visão clássica do criador independente. Nelas estão presentes ao mesmo tempo. e pelo autor agem os mandatários. os detentores dos direitos cedidos em grande maioria pelos autores através de contratos de cessão.) Hoje. . Seu surgimento na Inglaterra não foi para proteger os autores. Falam do autor. As leis protecionistas do autor tornam-se ambíguas. Estas informações estão disponíveis em diversos formatos. Esses somente são lembrados para justificar os direitos de exclusividade fornecidos pelo direito autoral toda vez que a matéria entra em discussão. embora isso não corresponda à realidade.. o pintor excêntrico. mas autores são os adquirentes de direitos. mas de corporações. mas sim o monopólio dos editores e mesmo o droit d’ auteur que surgiu para proteger os autores na França. como que artesanal na elaboração de sua obra. 1997.62 8 DIREITO AUTORAL X DIREITO À INFORMAÇÃO Atualmente as leis de direitos autorais preocupam-se em proteger as grandes indústrias do entretenimento. em redes colaborativas. Muitas obras possuem autoria coletiva. O autor português José de Oliveira Ascensão considera: A associação cada vez mais estreita do direito de autor a setores muito poderosos da atividade econômica marca também profundamente a nossa época. 32) citam ainda as obras multimídia.) os objetivos empresariais do direito de autor sejam cada vez mais nítidos e o significado efetivo do criador intelectual cada vez mais modesto. pois grande parte destes direitos não está na mão destes autores. de acrescentar informações.. 8). hoje esbarra em novos conceitos de autor e obra. em forma de comentários e e-book. grande maioria delas está disponibilizada na web. Muitos autores recebem contribuição de seus leitores. músicas. chamada também de numérica.. não visam proteger aquele poeta sonhador. sendo que há a possibilidade de se intervir nesse conteúdo. textos. Essas leis protegem afinal interesses empresariais. podemos dizer que (. p. de indivíduos que ora são leitores ora são autores. muitas delas derivadas de outras obras.

13 Wiki: edição colectiva dos documentos usando um sistema que não necessita que o conteúdo tenha que ser revisto antes da sua publicação . até mesmo as dificuldades na identificação dos titulares do direito autoral (pois o registro das obras em vários países é facultativo ou não existente) obstam a criação ao invés de promovê-la. acaba por fazer exatamente o contrário. o progresso humano é barrado pela série de entraves já citados presentes nas leis e muitas vezes ferem o direito de acesso à informação. pois o argumento de que as obras poderiam demorar décadas para chegar aos mais diferentes países com a internet “caiu por terra”. Toda criação deveria ser registrada. quanto maiores forem os direitos de propriedade intelectual dos autores sobre suas obras mais protegidos eles estariam e conseqüentemente mais garantido estaria o progresso humano. de forma a garantir a subsistência do mesmo e assegurar a proteção do patrimônio cultural. e Wiki13. Pelo contrário. pois estas obras demoram muito tempo para entrarem em domínio público e servirem de insumo para novas criações. a necessidade de autorização para qualquer uso. e sim os detentores dos direitos autorais. e desafiam o paradigma dos direitos autorais. Para Alessandra Tridente (2009. mas não tão longos ao ponto de inibir a criação de obras derivadas. o fato de demorarem a chegar a países mais distantes. por exemplo. criada em 2001 é um exemplo desta dinâmica. deveriam ter menos tempo de proteção. Não é verdade que quanto maiores forem os direitos autorais. os direitos autorais não protegem o autor. em um esquema simplificado e os prazos para que as obras se tornem de domínio público deveriam também ser menores. p. Esse era um dos principais pilares que sustentavam longos prazos para o direito autoral. 132). A Wikipédia. O que era para proteger o autor e sua obra e contribuir para o desenvolvimento da cultura. Nos debates há um consenso na idéia de que os prazos de exclusividade devem ser longos o suficiente para estimular a criação de obras e proteger o autor e sua obra.63 mesclar textos. etc. as regras atuais do direito autoral revelam acentuada preocupação legal com a proteção aos detentores do direito autoral. Obras derivadas. A larga duração dos privilégios dos direitos sobre as obras (grande parte dos países é de 70 anos).

Ao final. esses dois direitos visam. pois o autor. de modo a evitar possíveis transtornos na exibição da obra” (PARANAGUÁ. p. Vários filmes já foram suspensos temporariamente porque muitos (escultores. reduz o escopo da necessária adesão voluntária. pois segundo o seu art. Neste contexto. ainda que incidentalmente. artistas. p. Entretanto. que reflete uma visão hiperproprietária da proteção autoral. músicos) alegavam que suas obras estavam sendo mostradas sem o devido ressarcimento. 33) Outro exemplo é a produção de filmes norte-americanos. o equilíbrio entre o mundo da colaboração e do compartilhamento. a exacerbada restritividade da legislação vigente afeta negativamente sua própria legitimidade social. restringe injustificadamente direitos fundamentais sociais de caráter essencial à própria formação das pessoas e condena parte substancial da população à exclusão cultural. 46). 2009. “é o ato de obter todas as licenças: de uso de mobília de tal artista. o autor de uma obra só poderá ser pessoa física. O direito à informação defende o livre acesso ao conhecimento. aumenta os custos de implantação e. por exemplo. pois. que. não é o autor. 2010. Allan Rocha de Souza. mesmo que aparecendo no fundo de uma cena. como comenta Lemos (2005. porém. presta um desserviço ao próprio Estado democrático de direito. Na obra “Direitos Autorais”. na maioria das vezes. já em seu parágrafo único coloca que a proteção concedida ao autor pode estender-se a pessoas jurídicas (editoras. professor da disciplina de Direitos Autorais da UFRJ coloca: Uma legislação restritiva como a atualmente vigente. através de um contrato de cessão poderá transferir a titularidade de seus direitos a uma editora. o direito autoral visa proteger os autores de infrações cometidas pelos usuários de suas obras. necessárias para o uso de obras de terceiros que apareçam no filme. que segundo os autores. p. Por outro lado. surgiu a expressão “clearning”.45-46) afirmam que a indústria do entretenimento nos Estados Unidos vem transformando a propriedade intelectual. ao mesmo tempo. traz incontáveis malefícios. (SOUZA. com isso. .64 É o caso da LDA. Pedro Paranaguá e Sérgio Branco (2009. na verdade ela protege principalmente o titular dos direitos. 11. arquitetos. os direitos autorais em um fator limitador à criatividade. coincidentemente. com efeitos nefastos sobre a democracia e cidadania culturais. reduz o que presume promover (novas criações e uma economia cultural robusta). p. com o mundo da exploração da obra e da remuneração ao autor. gravadoras). Embora chamemos a LDA de Lei dos Direitos Autorais. 17 a 19). de músicas. BRANCO.

e dadas as características do direito de propriedade. que exerce papel importante para o equilíbrio entre o direito de autor e o direito de acesso ao conhecimento. Washington de Barros Monteiro (2007. . 18). e a reprodução se realize exclusivamente pra fins de pesquisa. como ramo da propriedade intelectual também tem uma função social a cumprir. p. no momento em que não se distingue mais o que é original do que é cópia. a representação e a execução de qualquer obra em instituições educacionais.65 O dilema da propriedade intelectual agravado com a internet é a de que a reprodução não autorizada feita por uma pessoa qualquer pode nunca ser descoberta pelo autor. 103) mencionam que o artigo 37 da Lei de Propriedade Intelectual prevê a livre reprodução e o empréstimo de obras (vedadas pela LDA). apartado 1: Os titulares dos direitos de autor não poderão se opor às reproduções das obras . o direito autoral. Sendo assim. A internet agrava isso. bibliotecas. uma função a cumprir. p. Carlos Rogel Vide e Victor Drummond (2005. a cópia para preservação da obra. 91) lembra que “entre os romanos. desde que sem fins lucrativos. é possível atribuir ao direito autoral as peculiaridades do direito de propriedade. o exercício do direito de propriedade era subordinado às exigências do bem comum”. a LDA atualmente desautoriza uma série de condutas que estão em conformidade com a função do instituto da propriedade: cópia de livros esgotados. mas sim uma coisa imaterial. Assim coloca o artigo 37. p. o autor Guilherme Carboni em suas palestras defende a função social dos direitos autorais. A propriedade tem. quando aquelas se realizem sem finalidade lucrativa pelos museus. Esta função social está ligada à educação. Nesta seara. Para Pedro Paranaguá e Sérgio Branco (2009. por determinação constitucional (Constituição do Brasil de 1988). fonotecas. pois esta não furtou algo material. seu próprio trabalho. Se o direito autoral é um ramo da propriedade intelectual. hemerotecas ou arquivos de titularidade pública ou integrada em instituições de caráter cultural ou científico. a idéia de que a exploração da obra deve favorecer tanto autor quanto a sociedade. ao acesso à cultura e à ciência. de que o aproveitamento tem de ser racional e adequado. não impedindo ainda o autor de usar sua obra. excetuando-se a perpetuidade.

creating multiple benefits such as an educated public.. exclusivamente. innovation. porém. . maior flexibilização entre os direitos autorais e o direito de acesso à informação. a cópia não permitida. Na realidade. Outra preocupação dos direitos autorais é com relação à pirataria. business opportunities. Information in the public domain should be easily accessible to support the Information Society. mas também de que toda informação deverá ser protegida de apropriações indevidas. editorialmente. o item 26 refere-se ao acesso à informação e ao conhecimento: A rich public domain is an essential element for the growth of the Information Society. Essa preocupação é valida. Na Minuta da Declaração de princípios da World Summit on the Information Society – WSIS. 2003) Neste item fica claro que é importante a disponibilização do conhecimento para desenvolvimento da sociedade como um todo. deteriorado ou então cópias destinadas ao estudo dos pesquisadores. as que se referem às chamadas cópias de substituição do original extraviado. realizada em 2003. podemos verificar que as cópias não influenciam na vendagem das obras. quanto mais uma obra circula..66 Observam os autores que as reproduções a que se faz referência são. Public institutions such as libraries and archives. mais vende.. O que se busca. é um caminho intermediário. museums. new jobs. and protected from misappropriation. (WORD SUMMIT. and the advancement of sciences. cultural collections and other community-based access points should be strengthened so as to promote the preservation of documentary records and free and equitable access to information.

como um direito de propriedade. direitos antagônicos. Este tem de acompanhar os avanços tecnológicos e a mudança de comportamento da sociedade. da forma como hoje está delineado. o direito autoral também não terá mais como sobreviver sem abrir mão de sua visão excessivamente patrimonialista e comercial para uma necessária democratização do acesso à informação. seguindo-se também os preceitos da sociedade da informação e do conhecimento. parecendo desta forma. toda a informação governamental tem de estar disponível para o público. que se aproximaria ao direito de acesso à informação. incorporando a mesma o uso de licenças como as do creative commons detalhadas ao longo do texto. O direito autoral hoje está muito calcado no direito patrimonial. porém não o são. Assim como o autor não pode atualmente viver sem o empresariado que promove sua obra. para outro.67 CONSIDERAÇÕES FINAIS Estamos num momento de transição no que diz respeito aos direitos autorais. obedecendo-se ao princípio do acesso à informação presente na Constituição Federal de 1988. de modo a tirar da ilegalidade uma série de ações corriqueiras como passagem de uma música para o Ipod. ou outros mecanismos alternativos como o fair use. Desta forma. enquanto que o direito à informação é um direito fundamental. As bibliotecas digitais já utilizam estas licenças de uso em complemento às leis de direitos autorais. as obras disponibilizadas nestes repositórios digitais estão protegidas e seus respectivos autores também. ou de ações utilizando-se a internet. Propomos aqui um olhar diferente ao direito autoral. Em outras palavras. evitando-se o uso indiscriminado e coibindo também o plágio. Ao contrário do que a maioria dos editores alegam. essa forma de disponibilização não diminui a comercialização destas obras. como download de vídeos e músicas. torna-as conhecidas pelo público. não protege eficazmente os autores nem promove uso racional das obras . Faz-se necessária a flexibilização da atual lei dos direitos autorais brasileira e também de outros países. Pois. com função social. de um CD-ROM. há necessidade de se modificar os parâmetros de proteção legal existentes. por exemplo. pelo contrário. Neste contexto. presente no texto de diversas constituições.

Isso auxiliaria no aumento do número de bens culturais disponíveis a todos. O que se propõe então é o equilíbrio entre os direitos.68 por parte da sociedade. Assim como o copyright e o droit d’auteur estão convergindo para proteger tanto autores quanto os editores contra as fraudes e plágio. Para isso deverá haver uma reformulação dos prazos de exclusividade dos direitos autorais. incentivando-se assim novas criações. . empresários e sociedade. também a formalização do registro das obras para que os autores possam ser identificados e as obras derivadas deverão ter menor prazo de proteção se comparadas ao prazo das originais. de domínio público. atualmente girando em torno de 70 anos na maioria dos países. é necessário ampliar esta abrangência de modo que o direito autoral promova o equilíbrio estas três segmentos: autores.

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