ORGANIZAÇÕES BUROCRÁTICAS A burocracia representa um modelo de organização social, que dominou o mundo a partir do século XIX, tendo sido

bem interpretada e popularizada pelo sociólogo alemão Max Weber. Posteriormente, seus pressupostos fundamentais foram transpostos para o campo da administração, na forma de um modelo de gestão largamente adotado pelas organizações. O modelo burocrático tem como objetivo básico organizar detalhadamente e dirigir rigidamente as atividades da organização, com a maior eficiência possível. Seus principais postulados são: ·Caráter legal das normas e regulamentos – as organizações burocráticas procuram instituir normas para regulamentar cada procedimento administrativo ou operacional. ·Impessoalidade nas relações – pretende-se que as decisões sejam tomadas de maneira impessoal, ou seja, que não existam privilégios para determinados grupos ou pessoas. ·Hierarquia da autoridade – a burocracia prevê a obediência estrita à hierarquia, devendo cada empregado limitar-se ao relacionamento com seu chefe imediato. ·Rotinas e procedimentos padronizados – cada tarefa deve ser rotinizada, de modo a ser executada sempre de maneira padronizada. ·Competência técnica e meritocracia – o merecimento, entendido como qualificação técnica e capacidade, deve ser a base dos sistemas de recompensa e promoção. Apesar de pretender dotar as organizações de confiabilidade e segurança administrativa, o modelo burocrático costuma ocasionar uma série de disfunções, acabando por comprometer a eficiência, a eficácia e a efetividade da gestão. As principais disfunções observadas são as seguintes: ·Inflexibilidade – o excesso de normas e de padronização de rotinas, aliado à rigidez hierárquica, dificulta sobremodo a adaptação das decisões quando as circunstâncias específicas assim o recomendariam. ·Excessiva concentração das decisões – a hierarquia rigorosa faz com que praticamente todas as decisões precisem ser tomadas pela cúpula, gerando lentidão e, muitas vezes, inadequação no processo decisório. ·Descomprometimento – submetidos a normas e rotinas pré-definidas e não possuindo nenhuma autonomia, os funcionários tendem a não se sentir responsáveis pela qualidade dos serviços que prestam. ·Formalismo excessivo – na organização burocratizada só tem valor o que é formalmente instituído, o que está explícito nas normas e regulamentos. Tudo o que foge às mesmas é desconsiderado, ainda que se revele importante ou sensato. ·Supervalorização dos meios – as rotinas administrativas, tipicamente atividades-meio, tendem a ser excessivamente valorizadas neste tipo de organização.

a . a organização passa a se preocupar basicamente com seus próprios interesses. tem por principal desejo vir a tornar-se uma roda dentada maior… é horrível pensar que o mundo poderá. O trecho. unindo seus membros na busca dos interesses comuns. pequenos homens agarrados a pequenos postos de trabalho e sequiosos dos maiores… esta paixão pela burocracia é suficiente para levar uma pessoa ao desespero. de um discurso proferido por Weber no final da sua vida sugere que esta criação humana acabaria por revoltar-se e por devorar a humanidade. Quando esse processo se dá de forma exagerada. a burocracia não deixava de ser um produto humano. como o mercado. Todavia. como a crescente despersonalização das relações sociais _ sobretudo no trabalho _. Apesar de a burocracia eficiente ser uma criação humana. um dia. a lei e o Estado. logo aparecem pessoas desonestas que “vendem facilidades”. Ou seja. Weber quase considera a burocracia como a criação científica que se revoltou contra os seus criadores humanos e que acabou por devorá-los. a dimensão humana da burocracia estava fatalmente comprometida pelo seu funcionamento técnico. que passamos a citar. Com isso. as “relações que nos são importantes pelas suas ligações aos nossos valores” são devoradas e desnaturalizados por este triunfo do engenho humano. Esta invasão decorreu da irresistível expansão da burocracia durante o século XIX. chamamos de “corporativismo”. A RACIONALIDADE BUROCRÁTICA Segundo Weber. Outra manifestação comum do corporativismo é o protecionismo dos colegas. a proliferação de barreiras burocráticas favorece a disseminação da corrupção. em função da rigidez das normas e do descomprometimento dos funcionários. Apesar da efetiva superioridade técnica relativamente às restantes formas de gestão. estando presente em vários processos gerais. A difusão da burocracia tornou-se irresistível devido à sua “superioridade puramente técnica. da qual era produto: Na atualidade. No centro desta capacidade modernista encontramos um princípio racionalista unificador. Neste caso. Através dele. cada homem torna-se uma roda dentada da máquina e. consciente disto. o cálculo racional está presente em qualquer atividade. por comparação com as restantes formas de organização”. a tecnologia. serem preenchidas por estas pequenas rodas dentadas. que faz com que erros ou mesmo atitudes desonestas sejam relevados. O cálculo racional tornou-se uma máquina monstruosa.·Favorecimento à corrupção – costumam ser criadas enormes dificuldades ao atendimento das necessidades dos clientes. Na sua análise. a atuação de cada trabalhador individual é medida matematicamente. mas em muitos aspectos Weber encarava-a com cepticismo. ao invés de se voltar para o cumprimento de sua missão. ·Corporativismo – é natural que as corporações desenvolvam o chamado “espírito de corpo”. segundo o autor. o advento da modernidade testemunhava a invasão da esmagadora maioria das esferas da vida pela “disciplina da burocracia”. o homem rapidamente perdia o seu controlo. que intervinha na racionalização de diferentes áreas institucionais. Todos os significados da humanidade. Apenas sobrevivem “rodas dentadas” num desespero crónico.

Outro fator bastante ligado à burocracia é a racionalidade que implica eficiência naquilo que se faz. A crescente diferenciação das esferas de existência e dos fenómenos nelas ocorridos era o principal mecanismo de transmissão deste princípio. notou que o relacionamento entre pessoas havia sido transformado de pessoal para impessoal. Esta infiltração gerou um fenómeno que Weber designou por “des-encantamento” ou “desencantamento” do mundo. a concentração dos meios de administração. mas sim com o que tais produzirão a fim de aumentar o lucro da empresa. pretendia o autor dar conta de um processo que arredava o encantamento da vida e da crença cotidianas. o que torna o trabalho bastante difícil. Mesmo com o crescimento da burocracia. da cultura. padrão de rotinas que diminuísse custos e erros. podemos dizer que as disfunções da burocracia se desenvolveram pelo fato das organizações não se preocuparem com o bem-estar dos funcionários. Estas transformações eram atribuídas à modernidade. Notou que as normas impostas dentro de uma organização passaram a ser a maior preocupação dos trabalhadores. rapidez nas tomadas de decisões.crescente importância da especialização na vida moderna e a intelectualização paralela de todos os campos de conhecimento. notou que os trabalhadores não mais sentiam prazer pelo que faziam. . notou o exagerado uso de formalismo e papéis para registrar tudo o que acontecia. devido à crescente infiltração do cálculo racional em todas as esferas da vida. mas se conformavam com a rotina imposta que lhes tiravam a liberdade. mais precisamente. definição do cargo e na operação. projeto de recrutamento de pessoal segundo suas habilidades técnicas. A burocracia a cada dia tomava mais força e Max. pois o indivíduo que trabalham dentro de uma organização teria que abrir mão daquilo que deseja para seguir regras e imposições. ORGANIZAÇÕES E BUROCRÁCIA Burocracia é uma organização com cargos distribuídos por poderes que são limitados por normas com áreas específicas onde à submissão se dá ao cargo não à pessoa que ocupa o cargo. notou que os trabalhadores se acostumavam a trabalhar de uma forma que não conseguiam se adaptar a mudanças. notou que a imposição de autoridade é sempre de quem ocupa o mais alto cargo dentro da organização. um balanceamento sobre diferenças entre efeitos sociais e econômicos. Por fim. portanto notou várias razões que explicariam esse avanço entre eles estão: a racionalidade. Segundo Max Weber (sociólogo alemão) criador da sociologia da burocracia. redução de atritos entre funcionários de uma organização e por fim a confiabilidade. Com estes termos. notou também que os trabalhadores voltados somente para a organização e suas normas tratavam os clientes de forma padronizada seguindo um “script” imposto pela organização e se esquecendo de que cada pessoa gosta de ser tratada de uma forma diferente das outras. Weber notou que havia algumas fragilidades na burocracia. informação discreta e direta. da ciência e da religião. as propriedades essenciais da burocracia encontram-se a impessoalidade.

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