Mecânica dos Sólidos.

PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
1
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL
FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL








Mecânica dos Sólidos
EQ




Notas de Aula





Profa. Maria Regina Costa Leggerini

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
2
CAPÍTULO I

REVISÃO DE MECÂNICA GERAL – CONCEITOS BÁSICOS

I . FORÇA
A. CONCEITO:
Força é toda a grandeza capaz de provocar movimento, alterar o estado de movimento ou provocar
deformação em um corpo. É uma grandeza vetorial cuja intensidade pode ser obtida pela expressão
da física:
a . m F =
r

onde:
F = força
m = massa do corpo
a = aceleração provocada
Sendo força um elemento vetorial somente se caracteriza se forem conhecidos:
• direção
• sentido
• módulo ou intensidade
• ponto de aplicação

Exemplo 1 :Força provocando movimento





Exemplo 2: Força provocando deformação








F
r


F
r



Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
3
Exemplo 3 : PESO DOS CORPOS:
O peso dos corpos é uma força de origem gravitacional que apresenta características especiais:


Módulo: g . m P
r
r
=
Direção : Vertical
Sentido : de cima para abaixo
Ponto de aplicação: centro de gravidade do corpo


B. UNIDADES
Existem muitas unidades representando forças. As que mais vamos utilizar são:
N - Newton kN - kiloNewton kgf - kilograma força



C. CARACTERÍSTICAS DAS FORÇAS
1. Princípio de ação e reação:
Quando dois corpos se encontram, toda a ação exercida por um dos corpos cobre o outro
corresponde uma reação do segundo sobre o primeiro de mesmo módulo e direção, mas porem com
sentidos contrários, que é a 3ª lei de Newton.
Podemos observar que estas duas forças têm pontos de aplicação diferentes e portanto causam
efeitos diferentes, cada uma atuando no seu ponto de aplicação.
2. Princípio da transmissibilidade de uma força,
Quando aplicamos uma força em um corpo sólido a mesma se transmite com seu módulo, direção e
sentido em toda a sua reta suporte ao longo deste corpo.








1 kN = 10
3
N = 10
2
kgf
P

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
4
3. Decomposição das forças.
Qualquer força contida em um plano pode ser decomposta segundo duas direções que nos
interessem.
Normalmente nos interessam duas direções perpendiculares entre si, também escolhidas de acordo
com a conveniência do problema.
Vamos nos ater ao caso plano que é o mais usual
Exemplo:

r
F - força a ser decomposta

x e y – direções ortogonais de referência

α - ângulo formado por F em relação a x


r
Fx,
r
Fy- componentes da força nas direções x e y

A decomposição é feita por trigonometria:

r
Fx =
r
F . cos α
r
Fy =
r
F . sen α
r
Fy/
r
Fx = tg α
A força
r
F decomposta também pode ser chamada de resultante da soma vetorial de suas
componentes
r
Fx e
r
Fy .
Nos problemas pode-se utilizar para cálculos apenas a força resultante, ou as suas componentes, o
que se tornar mais fácil. Isto pode se constituir em uma das ferramentas mais úteis no trabalho com
as forças. Observe que soma vetorial ou geométrica não corresponde a soma algébrica.
D. CLASSIFICAÇÃO DAS FORÇAS
As forças podem ser classificadas de acordo com a sua origem, modo de se comportar, etc. como
por exemplo as forças de contato (ex: locomotivas, musculares, etc.) e as de ação à distância (ex:
elétricas, gravitacionais, magnéticas, etc.)
Em análise estrutural as forças são divididas conforme esquema abaixo:

FORÇAS EXTERNAS: atuam na parte externa na estrutura, e são o motivo de sua existência.
Podem ser ativas ou reativas.
F
F
x
F
y
x
y
α

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
5
ativas: São forças independentes que podem atuar em qualquer ponto de uma estrutura.
Correspondem às cargas as quais estaremos submetendo a estrutura, normalmente conhecidas ou
avaliadas. Ex: peso do pedestre em uma passarela, peso próprio das estruturas, etc...
reativas: São forças que surgem em determinados pontos de uma estrutura (vínculos ou apoios),
sendo conseqüência das ações portanto não são independentes, devendo ser calculadas para se
equivalerem as ações e assim preservarem o equilíbrio do sistema.
A partir do acima exposto podemos dizer que sempre que uma peça de estrutura carregada tiver
contato com elementos externos ao sistema (vínculo), neste ponto surge uma força reativa.
FORÇAS INTERNAS : são aquelas que mantém unidos os pontos materiais que formam o corpo
sólido de nossa estrutura (solicitações internas). Se o corpo é estruturalmente composto de diversas
partes, as forças que mantém estas partes unidas também são chamadas de forças internas (forças
desenvolvidas em rótulas).

II . MOMENTO DE UMA FORÇA
A. CONCEITO:
O momento de uma força é a medida da tendência que tem a força de produzir giro em um corpo
rígido. Este giro pode se dar em torno de um ponto (momento polar ) ou em torno de um eixo
(momento axial). Vamos trabalhar com momento em torno de ponto, que ocorre nos casos de cargas
em um plano.
MOMENTO POLAR (momento de uma força em relação à um ponto): Chama-se de momento de
uma força
r
F em relação à um ponto "0", o produto vetorial do vetor OA
r
pela força
r
F , sendo "A"
um ponto qualquer situado sobre a reta suporte da força
r
F. Logo também é um vetor, e para a sua
caracterização precisamos determinar
o seu módulo, direção e sentido.




OA F = o M ∧
r r








O efeito do vetor momento é o de provocar um giro com determinado sentido em relação ao ponto
‘O’ considerado. O vetor momento apresenta as seguintes características:

π
A
F
d
Mo
O
Mo

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
6
• direção : perpendicular ao plano formado pela força e pelo vetor OA
• sentido : regra da mão direita
• módulo: produto do módulo da força
r
F pela menor distância do ponto "0" a reta suporte da
força.
• ponto de aplicação : ponto "O" em relação ao qual se calculou o momento.

α = sen . OA . F o M
r r
ou d . F o M
r r
=
A distância d que representa o módulo do vetor OA é também chamada de braço de alavanca. Ela
é a menor distância entre a reta suporte da força e o ponto em relação ao qual se calcula o
momento , isto é, pode ser obtida pela perpendicular à reta que passa pelo ponto.
Isto simplifica em muito o cálculo do momento polar de uma força.
M = F.d
Regra da mão direita:
A regra da mão direita consiste em posicionar os dedos da mão direita no sentido da rotação
provocada pela força em torno do ponto O. Neste caso o polegar indica o sentido do momento.

Podemos também convencionar sinais + ou - para cada um dos sentidos, de acordo com a
nossa escolha.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
7
Exemplo 1 : Determine o peso que devemos colocar na extremidade direita da gangorra a
fim de que ela permaneça em equilíbrio estático.

P1 = 30 kN
a = 2 m
b = 4 m


Exemplo 2 : Determine a força desenvolvida no tirante da estrutura, a fim de que ela
permaneça em equilíbrio, sabendo-se que a barra pesa 5 kN. A barra é presa a uma parede
por meio de um pino O.


G = 5 kN

L = 3 m

α= 15º

T = ?



C. UNIDADE DE MOMENTO
Sendo o momento produto de uma força por uma distância,a unidade desta grandeza é o produto de
uma unidade de força por uma unidade de distância.
Exemplos: kgf.m , kN.m , N.m , kN.cm , etc








III – RESULTANTE DE FORÇAS CONCORRENTES EM UM PONTO DE UM PLANO



Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
8
A resultante de forças concorrentes em um ponto de um plano também pode ser calculada através da
decomposição destas forças em relação à duas direções ortogonais escolhidas.

F
1x
= F
1
. cos α
F
1y
= F
1
. sen α
F
2x
= F
2
. cos β
F
2y
= F
2
. sen β
F
x
= F
1x
+ F
2x

F
y
= F
1y
+ F
2y


2
y
2
x
) F ( ) F ( R Σ + Σ =
PITÁGORAS


IV . PRINCÍPIO DA SUPERPOSIÇÃO DE EFEITOS

" O efeito produzido por um conjunto de forças atuando simultaneamente em um corpo é igual a
soma do efeito produzido por cada uma das forças atuando isolada"
Deve-se fazer a ressalva de que a validade deste princípio se resume a casos em que o efeito
produzido pela força seja diretamente proporcional a mesma. Isto acontece na maioria dos casos
estudados.
A partir deste princípio podemos dizer que:
- O momento polar resultante de um sistema de forças é a soma algébrica dos momentos polares,
produzidos em relação ao mesmo ponto, por cada uma das forças atuando isolada.

V . TRANSLAÇÃO DE FORÇAS
Transladar uma força (como artifício de cálculo) é transportá-la de sua direção para outra direção
paralela. Isto implica no acréscimo de um momento devido à translação, cujo módulo é igual ao
produto da força pela distância de translação.


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
9

VII . REDUÇÃO DE UM SISTEMA DE FORÇAS À UM PONTO
Qualquer sistema de forças pode ser reduzido à um sistema vetor-par, onde o vetor é a resultante das
forças , localizada à partir de um ponto arbitrariamente escolhido e o par é o momento polar
resultante do sistema em relação ao mesmo ponto.
Exemplo 1: Reduzir o sistema de forças da figura ao ponto B indicado.




Exemplo 2 : Reduzir o sistema acima ao ponto A.

R:




VI . EQUIVALÊNCIA DE UM SISTEMA DE FORÇAS
Dois sistemas de forças são equivalentes quando tem resultantes iguais e momentos polares em
relação ao mesmo ponto também iguais.



Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
10
Exemplo:

F = 50 kN
α =
F
y
= F. cos α
F
x
= F. sen β
a = 3 m
b = 4 m


F - sistema inicial
F
x
, F
y
- sistema equivalente
M
A
(sistema inicial) =
M
A
(sistema equivalente) =

O uso de sistemas equivalentes é um artifício de cálculo muito útil. Podemos, de acordo com a
nossa conveniência substituir uma força, ou um sistema de forças por sistemas equivalentes mais
adequados ao nosso uso.


















A

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
11
EXERCÍCIOS PROPOSTOS:
1. Suponha um plano formado pelos eixos x e y, conforme desenho, onde atuam as cargas F
1
e F
2
.
Calcule:
a. Momentos desenvolvidos por F
1
em relação aos pontos A , B e C.
b. Momentos desenvolvidos por F
2
em relação aos pontos A , B e C.
c. Momento da resultante do sistema em relação aos pontos A , B e C .
d. Resultante do sistema na direção x
e. Resultante do sistema na direção y
Convencione o giro no sentido horário positivo.

F1 = 20 kN
F2 = 30 kN










R: a) M
1A
= 0 M
1B
= 69,28 kN.m M
1C
= 109,28 kN.m
b) M
2A
= 120 kN.m M
2B
= 120 kN.m M
2C
= 0
c) M
A
= 120 kN.m M
B
= 189,28 kN.m M
C
= 109,28 kN.m
d) F
x
= + 17,32 kN e) F
y
= - 20 kN

2. Qual a força horizontal que atua nos parafusos 1 e 2 da ligação abaixo, considerando o momento
provocado pelo peso na ponta da haste






R : P1 = 100 kgf P2 = 100 kgf

x
y
F1
F2
3 m
3 m
A
B
C
30
0


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
12
3. Suponha as estruturas planas representadas abaixo. Determine, se necessário usando sistemas
equivalentes Σ Fx ,ΣFy, ΣMA, ΣMB e ΣMC
a.




R: ΣFx = 25,98 kN ΣFy = 65 kN
ΣMA = 138,04 kN.m
ΣMB = 70 kN.m
ΣMC = 330 kN.m


b.


R: ΣFx =16,64 kN ΣFy = -4,96kN
ΣMA = -36 kN.m
ΣMB = -84 kN.m
ΣMC = -98,96 kN.m




4. Reduzir no ponto A o sistema de forças da figura:













Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
13
CAPÍTULO II
INTRODUÇÃO À MECÂNICA DOS SÓLIDOS – EQUILÍBRIO EXTERNO
I. OBJETIVO PRINCIPAL DA MECÂNICA DOS SÓLIDOS
O principal objetivo de um curso de mecânica dos sólidos é o desenvolvimento de relações entre as
cargas aplicadas a um corpo e as forças internas e deformações nele originadas. Estas relações são
obtidas através de métodos matemáticos ou experimentais, que permitam a análise destes
fenômenos.
Normalmente buscamos a solução de três tipos de problemas:
→ Projetos – Definição de materiais, forma e dimensões da peça estudada.
→ Verificações – Diagnosticar a adequação e condições de segurança de um projeto conhecido.
→ Avaliação de capacidade – Determinação da carga máxima que pode ser suportada com
segurança.
As principais ferramentas adotadas neste processo são as equações de equilíbrio da estática,
amplamente utilizadas.
II. GRAUS DE LIBERDADE (GL)
Grau de liberdade é o número de movimentos rígidos possíveis e independentes que um corpo pode
executar.
A. CASO ESPACIAL
Caso dos corpos submetidos a forças em todas as direções do espaço.
No espaço estas forças podem ser reduzidas a três direções ortogonais entre si (x, y, z), escolhidas
como referência.
Nestes casos o corpo possui 6 graus de liberdade, pois pode apresentar três translações (na direção
dos três eixos) e três rotações (em torno dos três eixos).

Exemplo:










x
z
y
Fx
Fz
Fy
Mz
Mx

My

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
14

B. CASO PLANO
Ocorre nos corpos submetidos a forças atuantes em um só plano, por exemplo, x, y.
Neste caso possuem três graus de liberdade, pois os corpos podem apresentar duas translações (na
direção dos dois eixos) e uma rotação (em torno do eixo perpendicular ao plano que contém as
forças externas).
Exemplo:









III. EQUILÍBRIO
Sempre que se deseja trabalhar com uma peça componente de uma estrutura ou máquina, devemos
observar e garantir o seu equilíbrio externo e interno.
A. EQUILÍBRIO EXTERNO
Para que o equilíbrio externo seja mantido se considera a peça monolítica e indeformável. Dize-se
que um corpo está em equilíbrio estático quando as forças atuantes formam entre si um sistema
equivalente à zero, isto é, sua resultante e o seu momento polar em relação a qualquer ponto são
nulos.
R = 0 M
p
= 0
Como se costuma trabalhar com as forças e momentos referenciados a um sistema tri-ortogonal de
eixos, desta maneira o equilíbrio se verifica se as seis equações abaixo são satisfeitas:
ΣFx = 0 Σ M
x
= 0
Σ F
y
= 0 Σ M
y
= 0
Σ F
z
= 0 Σ M
z
= 0
Diante de um caso de carregamento plano, e, portanto apresentando 3 graus de liberdade, as
condições de equilíbrio se reduzem apenas às equações:
ΣFx = 0 Σ F
y
= 0 Σ M
z
= 0
Observe que as equações de equilíbrio adotadas devem ser apropriadas ao sistema de forças em
questão, e se constituem nas equações fundamentais da estática.


x
z
y
Fx
Fy
Mz

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
15
B. EQUILÍBRIO INTERNO
De uma maneira geral podemos dizer que o equilíbrio externo não leva em conta o modo como o
corpo transmite as cargas para os vínculos.
O corpo quando recebe cargas vai gradativamente deformando-se até atingir o equilíbrio, onde as
deformações param de aumentar (são impedidas internamente), gerando solicitações internas. Estas
solicitações internas são responsáveis pelo equilíbrio interno do corpo.
O equilíbrio ocorre na configuração deformada, que admitimos ser bem próxima da inicial (campo
das pequenas deformações).
IV. DIAGRAMA DE CORPO LIVRE
O objetivo principal de um diagrama de corpo livre é mostrar as forças que atuam em um corpo de
forma clara, lógica e organizada.
Consiste em separar-se o nosso “corpo de interesse” de todos os corpos do sistema com o qual ele
interage.
Neste corpo isolado são representadas todas as forças que nele atuam, assim como as forças de
interação ou de contato.
A palavra livre enfatiza a idéia de que todos os corpos adjacentes ao estudado são removidos e
substituídos pelas forças que nele que exercem.
Lembre-se que sempre que há o contato entre dois corpos surge o princípio da ação e reação.
O diagrama do corpo livre define claramente que corpo ou que parte do corpo está em estudo, assim
como identifica quais as forças que devem ser incluídas nas equações de equilíbrio.
V. VÍNCULOS
A. DEFINIÇÃO
É todo o elemento de ligação entre as partes de uma estrutura ou entre a estrutura e o meio externo,
cuja finalidade é restringir um ou mais graus de liberdade de um corpo.
A fim de que um vínculo possa cumprir esta função, surgem no mesmo, reações exclusivamente na
direção do movimento impedido.
→ Um vínculo não precisa restringir todos os graus de liberdade de uma estrutura, quem o fará
será o conjunto de vínculos.
→ As reações desenvolvidas pelos vínculos formam o sistema de cargas externas reativas.
→ Somente haverá reação se houver ação, sendo as cargas externas reativas dependentes das
ativas, devendo ser calculadas.







Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
16
B. CLASSIFICAÇÃO
Os vínculos podem ligar elementos de uma estrutura entre si ou ligar a estrutura ao meio externo e,
portanto, se classificam em vínculos internos e externos.
B.1 Vínculos externos:
São vínculos que unem os elementos de uma estrutura ao meio externo e se classificam quanto ao
número de graus de liberdade restringidos.
No caso plano o vínculo pode restringir até 3 graus de liberdade (GL) e, portanto se classifica em
três espécies.

Figura extraída do livro Mecânica Vetorial para engenheiros
Beer, Ferdinand P; Johnston, E. Russel.


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
17
B.2 Vínculos internos
São aqueles que unem partes componentes de uma estrutura. Compõem as estruturas compostas.
VI. CARGAS ATUANTES EM UMA ESTRUTURA
Quando se trabalha com uma peça de uma estrutura, devemos ter em mente a sua finalidade e,
portanto, devemos avaliar a quantidade de carga que ela deve ser capaz de suportar.
Ao conjunto destas cargas damos o nome de CARGAS EXTERNAS ATIVAS.
Para que o equilíbrio desta peça seja garantido, devemos vinculá-la, ou seja, restringirmos as
possibilidades de movimento da mesma. Em cada vínculo acrescido, surgem as reações na direção do
movimento restringido. Estas reações são chamadas de CARGAS EXTERNAS REATIVAS.
O conjunto destas cargas, ativas e reativas, se constitui no carregamento externo da peça em estudo.

A. CARGAS EXTERNAS ATIVAS
As cargas aplicadas em uma peça de estrutura se classificam quanto ao modo de distribuição em:
→ Concentradas - São aquelas que atuam em áreas muito reduzidas em relação às
dimensões da estrutura. Neste caso ela é considerada concentrada no centro de
gravidade da área de atuação.
→ Cargas momento ou conjugados - momentos aplicados em determinados
pontos de uma estrutura (fixos). Podem se originar de um par de forças, cargas
excêntricas ou eixos de transmissão.
→ Cargas distribuídas - São aquelas que atuam em uma área com dimensões na
mesma ordem de grandeza da estrutura.
As cargas também se classificam quanto ao tempo de duração em:
→ Permanentes - Atuam durante toda ou quase toda a vida útil de uma estrutura
→ Acidentais ou sobrecarga - Podem estar ou não atuando , sendo fornecidas por
normas (NBR - 6.120/80), catálogos ou avaliadas em cada caso.
A classificação quanto ao ponto de aplicação fica:
→ Fixas – atuam sempre em um ponto ou uma região.
→ Móveis – percorrem a estrutura podendo atuar em vários dos seus pontos.
VII - EQUILÍBRIO EXTERNO EM DUAS DIMENSÕES
Ocorre quando as cargas que atuam na estrutura estão contidas em um mesmo plano, o que acontece
na maior parte dos casos que iremos estudar.
Nestes problemas, é conhecido o sistema de cargas ativas que atua na estrutura e devemos calcular
as cargas reativas capazes de manter o corpo em equilíbrio, neste plano.
Reações externas ou vinculares são os esforços que os vínculos devem desenvolver para manter em
equilíbrio estático uma estrutura, considerada como um corpo rígido e indeformável.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
18
Os vínculos são classificados de acordo com o número de graus de liberdade restringidos e só
podemos restringir um GL mediante a aplicação de um esforço (força ou momento) na direção deste
movimento.
A determinação das reações vinculares de uma estrutura é feita por intermédio de um sistema de
equações algébricas.
Sendo o plano das cargas x y, e sabendo-se que a estrutura possui três graus de liberdade (translação
nas direções x e y e rotação em torno do eixo z), o número de equações a serem satisfeitas é três e o
equilíbrio se dá quando:
ΣFx = 0 Σ F
y
= 0 Σ M
z
= 0

Convém salientar que neste caso do carregamento plano, os vínculos podem ser de três espécies,
simbolizados por:
1
a
espécie - restringe uma translação -

2
a
espécie - restringe duas translações -

3
a
espécie - restringe duas translações e uma rotação -

Desta maneira, cada movimento restringido corresponde a uma reação vincular (incógnita), que
deve ser determinada.
Para serem restritos três graus de liberdade, as reações devem ser em número de três.
Como se dispõe de três equações a serem satisfeitas, a aplicação destas equações leva à
determinação das reações (incógnitas) desejadas.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A eficácia vincular deve ser previamente analisada, pois muitas
vezes o número de restrições é suficiente, mas a sua disposição não é eficiente.

VIII - PROCEDIMENTO DE CÁLCULO:
→ Transforma-se a estrutura dada num corpo livre, substituindo-se todos os vínculos externos
pelas reações vinculares que o mesmo pode desenvolver, arbitrando-se um sentido para cada
esforço.
→ Para que o equilíbrio externo seja mantido é necessário que as três equações da estática
sejam satisfeitas.
Σ F
x
= 0 Σ F
y
= 0 ΣM
z
= 0
→ As cargas distribuídas devem ser substituídas por suas respectivas resultantes (este artifício é
válido somente para o cálculo das reações externas).

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
19
→ Como escolhemos direções de referência (x e y), as cargas que não estiverem nestas direções
devem ser decompostas, ou seja, substituídas por um sistema equivalente.
→ Resolvido o sistema de equações, reação negativa deve ter o seu sentido invertido.


EXERCÍCIOS PROPOSTOS
1. Observe-se na figura abaixo, três cargas aplicadas a uma viga. A viga é apoiada em um rolete
em A e em uma articulação em B. Desprezando o peso próprio da viga, determine as reações
em A e B quando Q = 75 kN.
R: V
A
= 30 kN ( ↑ )
V
B
= 105 kN ( ↑ )
H
B
= 0

2. Um vagonete está em repouso sobre os trilhos que formam um ângulo de 25º com a vertical. O
peso bruto do vagonete e sua carga são de 27,5 kN e está aplicado em um ponto a 0,75 m dos
trilhos e igual distância aos eixos das rodas. O vagonete é seguro por um cabo atado a 0,60 m
dos trilhos. Determinar a tração no cabo e a reação em cada par de rodas.
R: T = 24,9 kN ( )
R1 = 2,81 kN ( )
R2 = 8,79 kN ( )

3. A estrutura da figura suporta parte do telhado de um pequeno edifício. Sabendo que a tração
no cabo é de 150 kN, determine a reação no extremo fixo E.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
20

R: H
E
= 90 kN (←) V
E
= 200 kN ( ↑ ) M
E
= 180 kN.m ( anti-horário)
4. Uma empilhadeira de 2500 kgf é utilizada para levantar uma caixa de 1200 kgf. Determine a
reação em cada par de rodas: (a) dianteiras e (b) traseiras.
R : RA = 2566 kN
RB = 1134 kN

5. Um carrinho de mão é utilizado para transportar um cilindro de ar comprimido. Sabendo-se
que o peso total do carrinho e do cilindro é de 900 N, determine: (a) a força vertical P que
deve ser aplicada ao braço do carrinho para manter o sistema na posição ilustrada. (b) a reação
correspondente em cada uma das rodas.
R: (a ) 117 N ( ↑ )
(b) 392 N ( ↑ )

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
21

6. Um guindaste montado em um caminhão é utilizado para erguer um compressor de 3000 N. O
peso da lança AB e do caminhão estão indicados, e o ângulo que a lança faz com a horizontal
α é de 45º. Determine a reação em cada uma das rodas: (a) traseiras C, (b) dianteiras D.

R: RC = 19645 kN
RD = 9605 kN

7. Uma treliça pode ser apoiada de duas maneiras, conforme figura. Determine as reações nos
apoios nos dois casos.


R: (a) R
A
= 4,27 kN ( 20,6º) R
B
= 4,5 kN ( ↑ )
(b) R
A
= 1,50 kN ( ↑ ) ; R
B
= 6,02 kN ( 48,4º)

8. Determine as reações em A e B quando: (a) α = 0º (b) α = 90º (c) α = 30º

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
22



9. Um homem levanta uma viga de 10 kg e 10 m de comprimento puxando uma corda. Encontrar
a força de tração T na corda e a reação em A. Suponha a aceleração da gravidade igual a 9,81
m/s
2
.
R: T = 81,9 N
R = 148 N ( 58,6 º)

10. Uma carga P á aplicada a rotula C da treliça abaixo. Determine as reações em A e B com: (a)
α = 0º e (b) α = 45º.

R: α = 0
o
VA = -P HA = P VB = P
α = 45
o
VA = 0 HA = 0,7 P VB = 0,7 P

11. Calcule as reações externas das estruturas abaixo:
a.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
23




R: VA = VB 27,5 KN
HA = 25,98 KN


b.




VA = - 5 kN
VB = 95 kN
HA = 0


c.




VA = - 8,75 kN
VB = 8,75 kN
HA = 0


d.



VA = 60 kN
VB = 0
HA = 0





Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
24
e.


VA = 27,5 kN
VB = 62,5 kN
HB = 0



VA = 40 kN
HA = 0
MA = 75 kN.M (anti-horário)


g.



VA = 70 kN
HA = 0
MA = 140 kN.m (anti-horário)


h.




VA = 73,4 kN
HA = 25 kN (←)
MA = 68,3 kN (anti-horário)










Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
25
CAPÍTULO III

EQUILÍBRIO INTERNO – SOLICITAÇÕES INTERNAS


I. EQUILÍBRIO INTERNO
No capítulo dois a atenção foi centralizada no equilíbrio externo dos corpos, ou seja, não houve a
consideração da possibilidade de deformação dos corpos sendo os mesmos considerados rígidos.
Nestes problemas, é conhecido o sistema de cargas ativas que atua na estrutura e devem ser
calculadas as cargas reativas capazes de manter o corpo em equilíbrio. As cargas reativas ou reações
vinculares são determinadas com a aplicação das equações fundamentais da estática.
Observe-se que após o equilíbrio externo ser obtido pode-se então passar a analisar o equilíbrio
interno.
De uma maneira geral pode-se dizer que:
1. O equilíbrio externo não leva em conta o modo como o corpo transmite as cargas para os
apoios.
2. O corpo quando recebe carregamento vai gradativamente deformando-se até atingir o
equilíbrio, onde as deformações param de aumentar (são impedidas internamente),
gerando solicitações internas.
3. O equilíbrio interno ocorre na configuração deformada, que admitimos ser bem próxima
da inicial (campo das pequenas deformações).
Pretende-se analisar os efeitos que a transmissão deste sistema de cargas externas aos apoios
provoca nas diversas seções que constituem o corpo em equilíbrio.
Para tanto, supõe-se o corpo em equilíbrio sob efeito de um carregamento qualquer. Se este corpo
for cortado por um plano qualquer (a-a), rompe-se o equilíbrio, pois é destruída a sua cadeia
molecular na seção "S" de interseção do plano com o corpo.
Para que as partes isoladas pelo corte permaneçam em equilibradas, deve-se aplicar, por exemplo,
sobre a parte da esquerda, a ação que a parte da direita exercia sobre ela, ou seja, resultante de força
( R
r
) e resultante de momento (
r
M). O mesmo deve ser feito com a parte da esquerda cujas
resultantes estão também representadas.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
26
r
R - Resultante de forças da parte retirada
r
M - Resultante de momentos da parte retirada, criado pela translação da resultante R para o
baricentro da seção de corte.


As resultantes nas seções de corte de ambos os lados devem ser tais que reproduzam a situação
original quando as duas partes forem ligadas novamente, ou seja, pelo princípio da ação e reação
devem ser de mesmo módulo, mesma direção e sentidos opostos.
M e R
r r
São as resultantes das solicitações internas referidas ao centro de gravidade da seção de corte
da barra.

Quando se quer conhecer os esforços em uma seção S de uma peça, deve-se cortar a peça na seção
desejada, isolar um dos lados do corte (qualquer um). Pode-se dizer que no centro de gravidade
desta seção devem aparecer esforços internos (resultante de força e de momento) que mantém o
corpo isolado em equilíbrio.
Estes esforços representam à ação da parte retirada do corpo. Em isostática a seção de referência
adotada será a seção transversal das peças em estudo e estes esforços internos devidamente
classificados se constituem nas solicitações internas.
Este procedimento descrito chama-se Método das Seções.
II. CLASSIFICAÇÃO DAS SOLICITAÇÕES
Trabalha-se com um um sistema sujeito à cargas em um plano.
Para que se facilite a observação e sua determinação, os esforços internos estão associados às
deformações que provocam e se classificam de acordo com elas.
Sabe-se também que um vetor no plano pode ser decomposto segundo duas direções que forem
escolhidas e adota-se duas direções perpendiculares entre si no espaço (x, y).
Em primeiro lugar, e de acordo com o método das seções , intercepta-se por um plano o corpo
carregado, isolando um dos lados deste corte.





M
M

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
27






















Os vetores resultantes
r r
R e M são decompostos segundo estas direções escolhidas e se obtém duas
componentes de esforço e uma componente de momento.










F1
F2
F3 F4
F1
F2
F3 F4
F1
F2
F3 F4
S
x
y
z
F1
F2
F3 F4
x
y
z
→ →→ →
R
→ →→ →
M
x
y
→ →→ →
R
→ →→ →
M
z
F1
F2
F3 F4
x
y
z
→ →→ →
R
→ →→ →
M
Q

N

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
28
Denominam-se as componentes da seguinte maneira:
N - Esforço Normal
Q - Esforço Cortante
M - Momento Fletor
Cada solicitação conforme já vimos tem associada a si uma deformação:
A. ESFORÇO NORMAL (N):
Pode-se definir esforço normal em uma seção de corte como sendo a soma algébrica das
componentes de todas as forças externas na direção perpendicular à referida seção (seção
transversal), ou seja, todas as forças de um dos lados isolado pelo corte na direção do eixo x.


O efeito do esforço normal será de provocar uma variação da distância que separa as seções, que
permanecem planas e paralelas.
As fibras longitudinais que constituem estas seções também permanecem paralelas entre si, porém
com seus comprimentos alterados (sofrem alongamentos ou encurtamentos).




O esforço normal será considerado positivo quando alonga a fibra longitudinal e negativo no caso
de encurtamento.
B. ESFORÇO CORTANTE (Q):
Pode-se definir esforço cortante em uma seção de referência como à soma vetorial das componentes
do sistema de forças de um dos lados da seção de referência (seção de corte), sobre o próprio plano
desta seção.
O efeito do esforço cortante é o de provocar o deslizamento linear, no sentido do esforço, de uma
seção sobre a outra infinitamente próxima, acarretando o corte ou cisalhamento da mesma.
N = Σ ΣΣ Σ F
x

ext

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
29

Os esforços cortantes serão positivos, quando calculados pelo somatório das forças situadas à
esquerda seguem o sentido arbitrado para os eixos e quando calculados pelo somatório das forças à
direita forem contrários aos eixos.
C. MOMENTO FLETOR (M):
Pode-se definir momento fletor em uma seção como a soma vetorial dos momentos provocados
pelas forças externas de um dos lados da seção (tomada como referência), em torno de eixos nela
contidos (eixos y e z).
Não é usual, entretanto trabalhar-se com a soma vetorial optando-se pelo cálculo separado dos
momentos em relação aos eixos y e z, transformando a soma em algébrica.


O efeito do momento fletor é o de provocar o giro da seção em torno de um eixo contido por ela
mesma. As fibras de uma extremidade são tracionadas, enquanto que na outra são comprimidas. As
seções giram em torno do eixo em torno do qual se desenvolve o momento, permanecendo planas.
III – CÁLCULO DAS SOLICITAÇÕES EM UMA SEÇÃO
Conforme já se viu, corta-se uma estrutura por uma seção, e nesta seção devem aparecer esforços
que equilibrem o sistema isolado (solicitações internas).
Será feita a análise em estruturas sujeitas a carregamento plano onde os esforços desenvolvidos são
o esforço normal N (Σ ΣΣ ΣF
x
), o esforço cortante Q
y
(Σ ΣΣ ΣF
y
) ou simplesmente Q e o momento fletor M
z

ou simplesmente M. Com o fim de uniformizar-se a representação serão representadas graficamente
as convenções para o sentido positivo destas solicitações.




M

= Σm
ext


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
30
O “MÉTODO DAS SEÇÕES” consiste em:
1. Corta-se a peça na seção desejada e isola-se um dos lados do corte (qualquer um), com todos
os esforços externos atuando.
2. Na seção cortada devem ser desenvolvidas solicitações que mantém o sistema isolado em
equilíbrio. Arbitra-se as solicitações possíveis de serem desenvolvidas (N, Q e M) com suas
orientações positivas. Estas solicitações são os valores que serão determinados.
3. Aplicam-se as equações de equilíbrio na parte do corpo isolada em relação à seção cortada e
determinam-se os valores procurados. Observe-se que as solicitações a serem determinadas
são em número de três e dispomos também de três equações de equilíbrio, podendo-se então
formar um sistema de três equações com três incógnitas.

Exemplo:
Calcule as solicitações desenvolvidas na seção intermediária da viga abaixo.

V
A
= V
B
=
q l .
2

Cortando e isolando um dos lados do corte:
Aplicando as equações de equilíbrio, teremos:
ΣF
x
= 0 ∴ N = 0
Σ F
y
= 0 ∴ 0
2
l . q
2
l . q
Q = + − ∴ Q = 0
Σ M
S
= 0 ∴ 0
2
l
.
2
l . q
4
l
.
2
l . q
M = |
¹
|

\
|
− |
¹
|

\
|
+
M
s
=
8
l . q
2










Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
31

EXERCÍCIOS PROPOSTOS:
1. Uma barra está carregada e apoiada como mostra a figura. Determine as forças axiais
transmitidas pelas seções transversais nos intervalos AB, BC e CD da barra:







R: N
AB
= - 20 kN
N
BC
= + 60 kN
N
CD
= + 10 kN

2. Três cargas axiais estão aplicadas a uma barra de aço como mostra a figura. Determine os
esforços normais desenvolvidos nas seções AB, BC e CD da barra.


R : N
AB
= - 25 kN
N
BC
= +50 kN
N
CD
= - 50 kN




3. Determine as solicitações internas desenvolvidas na seção a-a’ da barra da figura abaixo:





R: N = 300 kN
Q = - 500 kN
M = -3600 kN.cm





500 kN
300 kN
8 cm
16 cm 12 cm

40 kN
50 kN
10 kN
40 kN



Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
32
4. Determine as solicitações internas na seção a-a’ da barra ABC da estrutura composta pelas
três barras mostradas na figura:











R: N= 1,53 kN
Q = - 2,55 kN
M = 297,4 kN.mm

5. Determine as solicitações na seção a-a’ da barra abaixo:






R : N = 225 N
Q = -139,71 N (↓)
M = + 95,91 N.m
(horário)



6. Para a viga da figura abaixo determine as reações externas de vínculo e as solicitações
internas transmitidas por uma seção transversal a 75 cm do apoio A.



R : VA = 8 kN
VB = 64 kN
N = 0
Q = 0,5 kN
M = 3,18 kN.m



32 kN
10 kN/m
4 m 1,5 m

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
33


7. Para a viga abaixo, determine as reações de apoio e as solicitações internas em uma seção a
2 m do apoio esquerdo.




R: VA = 21 kN
VB = 9 kN
N = 0
Q = 11 kN
M = 14 kN.m



8. Determine as solicitações internas transmitidas pela seção a-a da barra em L mostrada
abaixo:






R: N = -434,18 lb
Q = 105,84 lb
M = -846,72 lb.in












60
o


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
34
CAPÍTULO IV
INTRODUÇÃO À RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS
I. OBJETIVO FUNDAMENTAL
A Resistência dos Materiais se preocupa fundamentalmente com o comportamento das diversas
partes de um corpo quando sob a ação de solicitações.
Ao estudar-se o equilíbrio interno de um corpo, as solicitações internas fundamentais (M, Q, N e
Mt) são determinadas. Se está penetrando no interior da estrutura, para analisar-se, em suas diversas
seções, a existência e a grandeza dos esforços que a solicitam.
A avaliação destes esforços foi objeto de estudo na disciplina de Estruturas Isostáticas que deve
preceder a Resistência dos Materiais.
Consideram-se corpos reais, isótropos e contínuos constituídos de pequenas partículas ligadas entre
si por forças de atração. Com a aplicação de esforços externos supõe-se que as partículas destes
corpos se desloquem e que isto prossiga até que se atinja uma situação de equilíbrio entre os
esforços externos aplicados e os esforços internos resistentes. Este equilíbrio se verifica nos
diversos pontos do corpo citado e se manifesta sob a forma de deformações (mudança da forma
original), dando origem à tensões internas.
Observe-se que o equilíbrio se dá na configuração deformada do corpo, que admitiremos
como igual a configuração inicial pois em estruturas estaremos sempre no campo das
pequenas deformações.
Resumindo, em um corpo que suporta cargas ocorre:
1. Um fenômeno geométrico que é a mudança da sua forma original: Isto é deformação.
2. Um fenômeno mecânico que é a difusão dos esforços para as diversas partes do corpo:
Isto é tensão.
É claro que se entende que a capacidade que um material tem de resistir as solicitações que lhe são
impostas é limitada, pois pode ocorrer a ruptura do corpo quando o carregamento for excessivo. É
necessário conhecer esta capacidade para que se projete com segurança.
Pode-se resumir um problema de Resistência dos Materiais conforme fluxograma abaixo:










Estrutura
Cargas Externas Reativas
Cargas Externas Ativas
Solicitações
Tensões
Deformações
Limite Resistente
do Material
Critério de Resistência
(Coeficiente de Segurança)
PROJETO
VERIFICAÇÃO

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
35
II. TENSÕES
Conforme se citou, as tensões que se desenvolvem nas partículas de um corpo são consequência dos
esforços (força ou momento) desenvolvidos. Como os esforços são elementos vetoriais (módulo,
direção e sentido) a tensão como consequência também o será.
Lembra-se do método das seções visto em Isostática:
Supõe-se um corpo carregado e em equilíbrio estático. Ao se cortar este corpo por um plano
qualquer e isolando-se uma das partes, pode-se dizer que na seção cortada devem se
desenvolver esforços que se equivalham aos esforços da parte retirada, para que assim o
sistema permaneça em equilíbrio. Estes esforços são decompostos e se constituem nas
solicitações internas fundamentais. O isolamento de qualquer uma das partes deve levar ao
mesmo resultado.
As resultantes nas seções de corte de ambos os lados devem ser tais que reproduzam a situação
original quando as duas partes forem ligadas novamente, ou seja, pelo princípio da ação e reação
devem ser de mesmo módulo, mesma direção e sentidos opostos.
r r
R e M são as resultantes das solicitações internas referidas ao centro de gravidade da seção de
corte da barra.
Partindo-se deste raciocínio pode-se afirmar que em cada elemento de área que constitui a seção
cortada, está sendo desenvolvido um elemento de força, cujo somatório (integral) ao longo da área
mantém o equilíbrio do corpo isolado.

ρ =
A
dA . R
r

O Momento M resultante se deve à translação das diversas forças para o centro de gravidade da
seção.


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
36
A tensão média (
r
ρ
m
) desenvolvida no elemento de área citado nada mais é do que a distribuição
do efeito da força pela área de atuação da mesma.

Sejam:
∆ A → Elemento genérico de área ∆Α

r
F → Elemento de força que atua em ∆Α
r
ρ
m
→ tensão média
r
r
ρm
F
A
=



Como a tensão é um elemento vetorial se pode representá-la aplicada em um ponto determinado,
que obtem-se fazendo o elemento de área tender ao ponto (∆A→0), e então:
r
ρ
= Tensão atuante em um ponto ou tensão resultante em um ponto



ou gráficamente:


Ainda por ser um elemento vetorial ela pode, como qualquer vetor, ser decomposta no espaço
segundo três direções ortogonais que se queira, portanto escolhe-se como referência duas direções
contidas pelo plano da seção de referência "S" (x,y) e a terceira perpendicular à este plano (n).



∆Α
∆F
ρ
dA
F d
=
A
F
lim
0 A
r r
r


= ρ
→ ∆

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
37










Isto permite dividir as componentes da tensão do ponto em duas categorias:
1. Tensões Tangenciais ou de Cisalhamento (τ) - contidas pela seção de referência
2. Tensão Normal (σ) - perpendicular à seção de referência
Costuma-se em Resistência dos Materiais diferenciar estas duas tensões pelos efeitos diferentes que
elas produzem (deformações) e se pode adiantar que normalmente trabalham-se com estas
componentes ao invés da resultante.
A. TENSÕES NORMAIS (σ)
A tensão normal tem a direção perpendicular à seção de referência e o seu efeito é o de provocar
alongamento ou encurtamento das fibras longitudinais do corpo, mantendo-as paralelas.
Costuma-se medir a deformação de peças sujeitas a tensão normal pela deformação específica
longitudinal (ε).
1. nceito:
É a relação que existe entre a deformação medida em um corpo e o seu comprimento inicial, sendo
as medidas feitas na direção da tensão.








l
i
→ comprimento inicial da barra
l
f
→ comprimento final da barra
∆l →deformação total
∆l = l
f
- l
i


z
x
y
σ
τ

li
lf
σ
σ

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
38

i
l
l ∆
= ε
Observe que no exemplo dado ∆ l > 0 portanto ε > 0 (alongamento)
Pode-se mostrar um outro exemplo onde ∆ l < 0 conseqüentemente ε < 0 (encurtamento)








Neste exemplo ∆ l 〈 0 portanto ε 〈 0
2. Sinal:
(+) alongamento→ Corresponde à uma tensão de tração que também será positiva
(-) encurtamento → Corresponde à uma tensão de compressão que também será negativa
3. Unidade:
- adimensional quando tomarmos para ∆l a mesma unidade que para l
i
-Taxa milesimal (
o
/
oo
) - Nestes casos medimos ∆l em mm e l
i
em m(metros).
B. TENSÕES TANGENCIAIS ( τ )
É a tensão desenvolvida no plano da seção de referência tendo o efeito de provocar corte ou
cisalhamento nesta seção.
1. Lei da Reciprocidade das tensões tangenciais
Esta lei representa uma propriedade especial das tensões tangenciais. Pode-se provar a sua
existência a partir das equações de equilíbrio estático. Pode-se enunciá-la de forma simples e aplicá-
la.
Suponha duas seções perpendiculares entre si formando um diedro retangulo. Se em uma das faces
deste diedro existir uma tensão tangencial normal a aresta de perpendicularidade das faces, então,
obrigatóriamente na outra face, existirá a mesma tensão tangencial normal a aresta. Ambas terão o
mesmo módulo e ambas se aproximam ou se afastam da aresta de perpendicularidade. São
chamadas de tensões recíprocas."
Para facilitar a compreensão, pode-se representa-la gráficamente:
li
lf
σ
σ

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
39


A figura (c) demonstra o desenvolvimento das tensões de cisalhamento longitudinais, recíprocas às
tensões de cisalhamento desenvolvidas pelo esforço cortante.

2. Distorção Específica ( γ )
Medida de deformação de corpos submetidos a tensões tangenciais.
Supõe-se um bloco com arestas A, B, C e D, submetido a tensões tangenciais em suas faces. Para
melhor ser visualisar a deformação considera-se fixa a face compreendida pelas arestas A e B.





DB
' DD
CA
CC'
= tg = γ



Como em estruturas trabalha-se sempre no campo das pequenas deformações e então γ <<< 1 rad,
então arco e tangente se confundem :
DB
' DD
CA
CC'
= ≅ γ
(c)
C
C’ D D’
A B
τ
τ
τ
τ ττ τ
γ

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
40
2.1 Conceito:
Distorção específica é a relação entre o deslocamento observado e a distância respectiva, medida
perpendicular ao deslocamento. Representa fisicamente a variação que sofre o ângulo reto de um
corpo submetido a tensões de cisalhamento.
2.2 Unidade:
As observações quanto a unidade da distorção seguem as da deformação específica longitudinal:
adimensional ou taxa milesimal, ressalvando-se que quando adimensional representa um arco
expresso em radianos.
III. DEFORMAÇÕES E ELASTICIDADE
Deformação é a alteração da forma de um corpo devido ao movimentos das partículas que o
constituem.
A tendência dos corpos de voltarem a forma original devido a força de atração entre as partículas
representa a elasticidade do material. Quanto mais um corpo tende a voltar a sua forma original,
mais elástico é seu material, ou seja, quanto mais ele resiste a ser deformado maior é a sua
elasticidade.
Pode-se diferenciar os tipos de deformações observando um ensaio simples, de uma mola presa a
uma superfície fixa e submetida sucessivamente a cargas cada vez maiores até a sua ruptura.

A. DEFORMAÇÕES ELÁSTICAS
Uma deformação é elástica quando cessado o efeito do carregamento o corpo volta a sua forma
original.
Exemplo:

No exemplo acima, se medidas numéricamente as grandezas vamos ver que:
k
d
P
= .....
d
P
d
P
n
n
2
2
1
1
= = = (constante elástica da mola)
Conclui-se que as duas propriedades que caracterizam uma deformação elástica são:
1. Deformações reversíveis
2. Proporcionalidade entre carga e deformação.



Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
41
B. DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS:
Se fosse aumentada a carga sobre esta mola ela chegaria a uma situação em que terminaria a
proporcionalidade e apesar da tendência do corpo em assumir sua forma original, sempre restariam
as chamadas deformações residuais.

Considera-se então terminado o regime elástico e o corpo passa a atuar em regime plástico.
Note-se que no regime plástico termina a proporcionalidade e a reversibilidade das deformações.

Se fosse aumentada ainda mais a carga, o próximo limite seria a ruptura.
V. LEI DE HOOKE
A maioria dos projetos de peças serão tratados no regime elástico do material, sendo os casos mais
sofisticados trabalhados em regime plástico e se constituindo no que há de mais moderno e ainda
em estudo no campo da Resistência dos Materiais.
Robert Hooke em 1678 enunciou a lei que leva o seu nome e que é a base de funcionamento dos
corpos em regime elástico.
As tensões desenvolvidas e suas deformações específicas consequentes são proporcionais enquanto
não se ultrapassa o limite elástico do material.
A Lei de Hooke pode ser representada pelas expressões analíticas:
al) longitudin de elasticida de . (mod E =
ε
σ

al) transvers de elasticida de . mod ( G =
γ
τ

Estes módulos de elasticidade são constantes elásticas de um material, e são determinados
experimentalmente.








Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
42
VI. LEI DE POISSON ( DEFORMAÇÃO ESPECÍFICA TRANSVERSAL)
notação : ε
t

Poisson determinou experimentalmente a deformação que as peças sofrem nas direções
perpendiculares a da aplicação da tensão normal.










A. CONCEITO:
Deformação específica transversal é a relação entre a deformação apresentada e o seu comprimento
respectivo, ambos medidos em direção perpendicular à da tensão.
D
D
t

= ε
Os estudos de Poisson sobre a deformação transversal levam as seguintes conclusões:
1. ε e ε
t
tem sempre sinais contrários
2. As deformações específicas longitudinais e transversais são proporcionais em um mesmo
material
µ − =
ε
ε
t

O coeficiente de Poisson é a terceira constante elástica de um material, também determinada
experimentalmente.
3. Em uma mesma seção a deformação específica transversal é constante para qualquer direção
perpendicular ao eixo.







li
lf
σ
σ
D
D+∆D
li
lf
σ
σ
a
a+∆a
b+∆b
b

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
43

te tan cons
b
b
a
a
t
= ε =

=


As constantes elásticas de um mesmo material se relacionam pela expressão:
) 1 ( 2
E
G
µ +
=
Resumindo:










VII. PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS
Para serem determinadas as características mecânicas dos materiais são realizados em laboratório
ensaios com amostras do material, que são chamadas de corpos de prova.
No Brasil estes ensaios são realizados empregando-se métodos padronizados e regulamentados pela
ABNT.
O ensaio mais costumeiro é o de tração simples, onde determinam-se as TENSÕES LIMITES dos
diversos materiais, que indica a tensão máxima alcançada pelo material, em laboratório, sem que se
inicie o seu processo de ruptura.
Com a realização destes ensaios pode-se classificar os materiais em dois grupos:

¹
´
¦
frageis materiais
dúteis materiais


A. MATERIAIS DÚTEIS :
São considerados materiais dúteis aqueles que sofrem grandes deformações antes da ruptura. Dentre
os materiais dúteis ainda temos duas categorias:
1. Dútil com escoamento real:
exemplo: aço comum
Num ensaio de tração axial simples costuma-se demonstrar os resultados atravéz de um diagrama
tensão x deformação específica (σ x ε ).

−µ
E
E
E
x
z
x
y
x
x
σ
µ − = ε
σ
µ − = ε
σ
= ε

µ = Coeficiente de Poisson

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
44
No caso de material dútil com escoamento real a forma deste diagrama segue o seguinte modelo:


reta OA - Indica a proporcionalidade entre σ x ε , portanto o período em que o material trabalha em
regime elástico (lei de Hooke). Deformações reversíveis.
σ
p -
Tensão de proporcionalidade
Representa o limite do regime elástico.
curva AB - A curvatura indica o fim da proporcionalidade, caracterizando o regime plástico do
material. Podemos notar que as deformações crescem mais rapidamente do que as tensões e cessado
o ensaio já aparecem as deformações residuais, que graficamente podemos calcular traçando pelo
ponto de interesse uma reta paralela à do regime elástico. Notamos que neste trecho as deformações
residuais são ainda pequenas mas irreversíveis.
σ
e
- Tensão de escoamento
Quando é atingida a tensão de escoamento o material se desorganiza internamente (a nível
molecular) e sem que se aumente a tensão ao qual ele é submetido, aumenta grandemente a
deformação que ele apresenta.
trecho BC - Chamado de patamar de escoamento. Durante este período começam a aparecer falhas
no material (estricções), ficando o mesmo invalidado para a função resistente.


curva CD - Após uma reorganização interna o material continua a resistir a tensão em regime
plástico, porém agora com grandes e visíveis deformações residuais. As estricções são agora
perceptíveis nítidamente. Não se admitem estruturas com esta ordem de grandeza para as
deformações residuais.
σ
R
- Tensão de ruptura
Conforme se pode analisar no ensaio acima, o material pode ser aproveitado até o escoamento,
portanto sua TENSÃO LIMITE será a TENSÃO DE ESCOAMENTO.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
45
2. Dútil com escoamento convencional
Exemplo: aços duros
Se comporta de maneira semelhante ao anterior, mas não apresenta patamar de escoamento. Como
em estruturas não se admitem grandes deformações residuais se convenciona este limite, ficando a
tensão correspondente convencionada como TENSÃO DE ESCOAMENTO, que é também a
TENSÃO LIMITE do material.

OBSERVAÇÕES:
Os materiais dúteis de uma maneira geral são classificados como aqueles que apresentam grandes
deformações antes da ruptura, podendo também ser utilizados em regime plástico com pequenas
deformações residuais.
Apresentam uma propriedade importantíssima que é resistirem igualmente a tração e a compressão.
Isto quer dizer que o escoamento serve como limite de tração e de compressão.
B. MATERIAIS FRÁGEIS
Exemplo : concreto
São materiais que se caracterizam por pequenas deformações anteriores a ruptura. O diagrama σ x ε
é quase linear sendo quase global a aplicação da lei de Hooke.
Nestes casos a tensão limite é a tensão de ruptura.
Ao contrário dos materiais dúteis, eles resistem diferentemente a tração e a compressão, sendo
necessário ambos os ensaios e obtendo-se assim dois limites:

σ
T
= Limite de ruptura a tração
σ
C
= Limite ruptura a compressão
Em geral estes materiais resistem melhor a compressão do que a tração.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
46
IX. CRITÉRIO DE RESISTÊNCIA - COEFICIENTE DE SEGURANÇA
Em termos gerais um projeto está sempre ligado ao binômio economia x segurança. Deve-se aotar
um índice que otimize este binômio.
Pode-se dizer também que mesmo sendo determinada em laboratório a utilização da tensão limite
em projetos é arriscada, pois os valores são trabalhados com diversos fatôres de incerteza.
Em vista do que foi exposto adota-se o seguinte critério:
A tensão limite é reduzida divindo-a por um número que se chama coeficiente de segurança (s).
Para que este número reduza o módulo da tensão limite, ele deve ser maior do que a unidade. Então,
para que haja segurança:

1 s ≥

As tensões assim reduzidas, que são as que realmente se pode utilizar. São chamadas de tensões
admissíveis ou tensões de projeto. Para serem diferenciadas das tensões limites são assinaladas com
uma barra (σ σσ σ).

s
lim
adm
σ
= σ

Resumindo analíticamente o critério de segurança conforme abaixo, para os diversos casos:

MATERIAIS DÚTEIS MATERIAIS FRÁGEIS
e
e
máxt
s
σ =
σ
= σ (tensão de escoamento
admissível)
T
T
máxt
s
σ =
σ
= σ (tensão de tração admissível)
e
e
máxc
s
σ =
σ
= σ (tensão de escoamento
admIssível)
c
c
máxc
s
σ =
σ
= σ (tensão de compressão
admissível)












Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
47
EXERCÍCIOS PROPOSTOS:
1. Uma barra de latão de seção circular de diâmetro três cm está tracionada com uma força axial de
50 kN. Determinar a diminuição de seu diâmetro. São dados do material o módulo de elasticidade
longitudinal de 1,08. 10
4
kN/cm
2
e o seu coeficiente de Poisson 0,3.
R: 5,89. 10
-4
cm
2. Uma barra de aço de 25 cm de comprimento e seção quadrada de lado 5 cm suporta uma força
axial de tração de 200 kN. Sendo E = 2,4. 10
4
kN/cm
2
e µ = 0,3 , qual a variação unitária do seu
volume ?
R: 0,000133
3. Uma barra de alumínio de seção circular de diâmetro 1. 1/4” está sujeita à uma força de tração
de 5.000 kgf. Determine”:
a. Tensão normal (a) 651,89 kgf/cm
2

b. Deformação específica longitudinal (b) 0,000815
c. Alongamento em 8" (c) 0,163 mm
d. Variação do diâmetro (d) - 0,006 mm
Admita:
E = 0,8. 10
6
kgf/cm
2
µ = 0,25 1" = 25 mm

4. Considere um ensaio cuidadosamente conduzido no qual uma barra de alumínio de 50 mm de
diâmetro é solicitada em uma máquina de ensaio. Em certo instante a força aplicada é de 100 kN e
o alongamento medido na direção do eixo da barra 0,219 mm em uma distancia padrão de 300 mm.
O diâmetro sofreu uma diminuição de 0,0125 mm. Calcule o coeficiente de Poisson do material e o
seu módulo de elasticidade longitudinal.
R: µ= 0,33 E =0,7 . 10
4
kN/cm
2




















Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
48
CAPÍTULO V

SOLICITAÇÕES INTERNAS SEUS EFEITOS - ESFORÇO NORMAL AXIAL


I . INTRODUÇÃO
I. CONCEITO:
Quando um corpo que está sob ação de forças externas, na direção do seu eixo longitudinal,
origina-se Esforços Normal no seu interior, mesmo sendo de equilíbrio a situação.
Assim como todo o corpo está em equilíbrio, qualquer parte sua também estará.
Adotando-se o método nas seções, e seccionando o corpo, na seção de corte de área A, deve
aparecer uma força equivalente ao esforço normal N, capaz de manter o equilíbrio das partes do
corpo isoladas pelo corte (fig b e c). Observe que se as partes isoladas forem novamente unidas,
voltamos a situação precedente ao corte.
Neste caso, apenas a solicitação de esforço normal N, atuando no centro de gravidade da seção de
corte é necessária para manter o equilíbrio.

Na prática, vistas isométricas do corpo são raramente empregadas, sendo a visualização
simplificada por vistas laterais.







Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
49



















Σ F
V
= 0 ∴ N - P = 0


Admite-se que este esforço normal se distribui uniformemente na área em que atua (A), ficando a
tensão definida pela expressão:
sendo:
N → Esforço Normal desenvolvido
A→ Área da seção transversal
A tração ou Compressão axial simples pode ser observada, por exemplo, em tirantes, pilares e
treliças.
A convenção adotada para o esforço normal (N)




Nas tensões normais, adota-se a mesma convenção.
N = P
A
N
= σ

P
P
P
P
N
N
P
P
σ
σ
+ tração
Normal N
- compressão

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
50
As deformações desenvolvidas podem ser calculadas diretamente pela lei de Hooke:







ε =
l
l ∆

E
σ
= ε

N = P
A
N
= σ

E
=
l
l σ ∆
∴ ∴∴ ∴
EA
N
=
l
l ∆
ou :

E.A
N.l
= l ∆


OBSERVAÇÕES:
1. Deve-se ter um cuidado adicional para com as peças comprimidas, pois as peças esbeltas
devem ser verificadas à flambagem. A flambagem representa uma situação de desequilíbrio
elasto-geométrico do sistema e pode provocar o colapso sem que se atinja o esmagamento.
2. O peso próprio das peças constitui-se em uma das cargas externas ativas que devem ser
resistidas. Pode-se observar como se dá a ação do peso próprio:









P
P
l
l + ∆l
Peças de eixo horizontal
pp
Peças de eixo vertical
G

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
51
Nota-se que nas peças horizontais o peso próprio constitui-se em uma carga transversal ao eixo,
desenvolvendo Momento Fletor e Esforço Cortante.
No caso das peças verticais o peso próprio (G), atua na direção do eixo longitudinal da peça e
provoca Esforço Normal, que pode ter um efeito diferenciado dependendo da sua vinculação:
Nas peças suspensas (tirantes) o efeito do peso é de tração e nas apoiadas (pilares) este efeito é de
compressão.
O peso próprio de uma peça (G) pode ser calculado, multiplicando-se o volume da mesma pelo peso
específico do material:

l . . A G γ =

Sendo:
A - área da seção transversal da peça
l - comprimento
γ γγ γ – peso específico do material
Na tração ou compressão axial a não consideração do peso próprio é o caso mais simples.
A não consideração do peso próprio se dá em peças construídas em materiais de elevada resistência,
quando a mesma é capaz de resistir a grandes esforços externos com pequenas dimensões de seção
transversal, ficando portanto o seu peso próprio um valor desprezível em presença da carga externa.
Nestes casos é comum desprezar-se o peso próprio da peça. Exemplo: Treliças e tirantes.

EXERCÍCIOS PROPOSTOS:
1. Uma força de tração axial é aplicada à barra de aço estrutural abaixo, que tem 25 mm de
espessura. Se a tensão de tração admissível deste aço é 135 MPa e a deformação longitudinal
admissível 1,25 mm, determine a largura mínima ‘d’ da barra.







R: 5,64 cm

2. Uma barra de seção transversal retangular de 3 x 1 cm tem comprimento de 3 m. Determinar o
alongamento produzido por uma carga axial de tração de 60 kN, sabendo-se que o módulo de
elasticidade longitudinal do material é de 2. 10
4
kN/cm
2
.

R: 0,3 cm

3. Uma barra de aço e outra de alumínio têm as dimensões indicadas na figura. Determine a carga
"P" que provocará um encurtamento total de 0,25 mm no comprimento do sistema. Admitimos
que as barras sejam impedidas de flambar lateralmente, e despreza-se o peso próprio das barras.
Dados: E
aço
= 2 . 10
4
kN/cm
2
E
Al
= 0,7 . 10
4
kN/cm
2

OBS : medidas em cm
200 kN 200 kN
‘d’

25 mm

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
52











R : P ≅ 1.900 kN


4. Um cilindro sólido de 50 mm de diâmetro e 900 mm de comprimento acham-se sujeitos a uma
força axial de tração de 120 kN. Uma parte deste cilindro de comprimento L
1
é de aço e a outra
parte unida ao aço é de alumínio e tem comprimento L
2
.
Determinar os comprimentos L
1
e L
2
de modo que os dois materiais apresentem o mesmo
alongamento
Dados: E
aço
= 2 . 10
4
kN/cm
2
E
Al
= 0,7 . 10
4
kN/cm
2



R : (a) L
1
= 66,5 cm
L
2
= 23,33 cm



5. A carga P aplicada a um pino de aço é transmitida por um suporte de madeira por intermédio de
uma arruela de diâmetro interno 25 mm e de diâmetro externo "d". Sabendo-se que a tensão
normal axial no pino de aço não deve ultrapassar 35 MPa e que a tensão de esmagamento média
entre a peça de madeira e a arruela não deve exceder 5MPa, calcule o diâmetro "d" necessário
para a arruela.








R: 6,32 cm





Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
53

6. Aplica-se à extremidade C da barra de aço ABC uma carga de 66,7 kN. Sabe-se que o módulo
de elasticidade longitudinal do aço é de 2,1.10
4
kN/cm
2
. Determinar o diâmetro "d" da parte BC
para a qual o deslocamento do ponto C seja de 1,3 mm.









R: 21,8 mm



























Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
54
CAPÍTULO VI

PEÇAS E RECIPIENTES DE PAREDES FINAS


Uma outra aplicação de tensões normais uniformemente distribuídas (ver capítulo V) ocorre na
análise simplificada de peças ou recipientes de paredes finas assim como tubos, reservatórios
cilíndricos, esféricos,cônicos, etc... sujeitos à pressão interna ou externa, de um gás ou líquido.

Por serem muito delgadas as paredes destas peças, considera-se uniforme a distribuição de tensões
normais ao longo de sua espessura e considera-se também que devido à flexibilidade destas peças as
mesmas não absorvem e nem transmitem momento fletor ou esforço cortante.

A relação entre a espessura e o raio médio da peça não deve ultrapassar 0,1, sendo excluÍda a
possibilidade de descontinuidade da estrutura.

Nestes casos também existe a possibilidade de ruptura por flambagem nas paredes sujeitas à
compressão, possibilidade esta que não será considerada de momento.

As aplicações deste estudo se dão em tanques e recipientes de armazenagem de líquidos ou gazes,
tubulações de água ou vapor (caldeiras), cascos de submarinos e certos componentes de avião, que
são exemplos comuns de vasos de pressão de paredes finas.


A. TUBOS DE PAREDES FINAS

Seja o tubo de paredes finas abaixo:


Onde:

pi - pressão interna
ri - raio interno
t - espessura da parede


Intuitivamente podemos observar suas transformações quando sujeito por exemplo a uma pressão
interna pi:




Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
55
Observe que o arco genérico de comprimento dS após a atuação da pressão interna alongou e passou
a medir dS+∆dS, portanto houve uma tensão de tração capaz de alongá-lo.

Como o arco aumentou na sua própria direção e como o arco considerado dS é um arco genérico
podemos concluir que em todos os arcos elementares que constituem a circunferência, ou seja, em
todos os pontos da circunferência se desenvolve uma tensão normal que por provocar um
alongamento é de tração (+) e por ter a direção da circunferência chama-se de tensão
circunferencial ( σ σσ σ
circ
).


Determinação da tensão circunferencial e de sua deformação

Para a determinação do valor destas tensões consideremos um tubo de comprimento 'L' conforme
desenho:



Seccionamos o tubo segundo um plano diametral
longitudinal e aplicamos as equações de equilíbrio:





Ao efetuarmos o corte, na seção cortada devem aparecer tensões que equilibrem o sistema, que
conforme já foi visto são tensões circunferenciais:







Podemos substituir as pressões internas por um sistema equivalente:












Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
56
Aplicando a equação de equilíbrio estático:

Σ F
y
= 0 teremos:

σ
circ
. 2.L.t - pi.2.ri.L = 0

2.L.t → área de corte onde atua a σ
circ

2.ri.L → área onde atua pi

Efetuando modificações algébricas chegamos na expressão:

t
r p i i.
= circ σ



À tensão cIrcunferencial corresponde uma deformação circunferencial.

dS
dS
= circ

ε

Considerando o comprimento dos arcos como o comprimento da circunferência toda:

comprimento inicial = 2.π.r
i

comprimento final = 2.π. (r
i
+ ∆r
i
)
então ∆dS = 2.π. (r
i
+ ∆r
i
) - 2.π.r
i
= 2.π.∆r
i

=
r
r
=
.r 2.
r . 2.
= rad
i
i
i
i
circ ε

π
∆ π
ε


Pela lei de Hooke
t.E
.r p

E
i i circ
= circ =
σ
ε


então comparando os valores:
t.E
.r p
=
r
r i i
i
i ∆


E . t
. p
= r
i
2
i
i
r



OBS:

Chegamos aos valores das tensões e deformações circunferenciais tomando como exemplo o
caso de tubos sujeitos à pressão interna. Quando estivermos diante de um caso onde atuam pressões
externas podemos adaptar o nosso formulário ao invés de deduzirmos de novo, o que seria feito da
mesma forma e seria repetitivo.


Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
57
Podemos citar como exemplo destes casos tubulações submersas que estão sujeitas à pressão do
líquido na qual estão submersas (pressão externa).



Podemos notar que sob o efeito de pressões externas o comprimento
da circunferência que compõe a seção do tubo diminui ao invés de
aumentar e portanto as tensões circunferenciais são de compressão
(negativas).




Da mesma maneira o raio da seção diminui e também sua variação é negativa.


O formulário fica:

t
.r p
- =
e e
circ σ

t.E
r
p
- = r
e
2
e.
e ∆




B. RESERVATÓRIOS CILÍNDRICOS DE PAREDES FINAS


Reservatórios cilíndricos de paredes finas nada mais são do que tubos com as extremidades
fechadas.


Podemos notar que a ação da pressão sobre as paredes longitudinais do reservatório exercem o
mesmo efeito que nos tubos, e que a ação da pressão nas paredes de fechamento faz com que a
tendência do reservatório seja aumentar de comprimento sugerindo o aparecimento de tensões na
direção do eixo do reservatório chamadas de tensões longitudinais(σ
long
), que poderíamos calcular
fazendo um corte transversal no reservatório e aplicando equações de equilíbrio.





Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
58
Teríamos se isolássemos um elemento de área da parede do reservatório a seguinte situação:


onde:


t
.r p
=
i i
circ σ


2.t
.r p
=
i i
long σ




C. RESERVATÓRIOS ESFÉRICOS DE PAREDES FINAS


Quando submetido à pressão um reservatório esférico de paredes finas desenvolve tensões
circunferenciais em todas as direções, pois todas as direções formam circunferências.
Um elemento de área da parede deste reservatório seria representado:







O valor destas tensões circunferenciais seria:

2.t
.r p
=
i i
circ σ










Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
59
EXERCÍCIOS PROPOSTOS:

1. O tanque de um compressor de ar é formado por um cilindro fechado nas extremidades por
calotas semi-esféricas. O diâmetro interno do cilindro é de 60 cm e a pressão interna de 35 kgf/cm
2
.
Se o material com que é feito o cilindro é de aço com limite de escoamento de 2.400 kgf/cm
2
e o
coeficiente de segurança adotado de 3.5, pede-se determinar a espessura da parede do cilindro
desprezando-se os efeitos da ligação do cilindro com as calotas. OBS: num cálculo mais rigoroso
seria necessário levar em conta e dimensionar a ligação.

R: 1.53 cm

2. Um tanque cilíndrico de gasolina com eixo vertical está cheio à partir da extremidade inferior
com 12 m do líquido, tendo a gasolina peso específico de 7.4 kN/m
3
. Tendo o tanque 26 m de
diâmetro interno e sendo o limite de escoamento do material do tanque 240 MPa, pede-se calcular
com segurança 2 a espessura necessária a parede em sua parte mais profunda. Qual seria esta
espessura se a eficiência da ligação parede-fundo fosse de 85%?





R: t = 0.962 cm
t
junta
= 1.13 cm






3. Um tubulão de ar comprimido é constituído por um tubo de aço de 2 m de diâmetro interno e
recebe ar injetado para expulsar água à uma profundidade de 20 m. Calcular a espessura necessária
à este tubo numa profundidade de 2 m, sendo a tensão de escoamento admissível para o material do
tubo de 6 kN/cm
2
.







R: 3 mm










Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
60
FORMULÁRIO PADRÃO

INTRODUÇÃO À RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS:

σ ou τ =
resist A
F
ε =
Ε
σ
(lei deHooke) ε =
l
.l∆


µ =
ε
ε
-

t
(lei de Poisson)
D
D∆
= εt

TRAÇÃO OU COMPRESSÃO AXIAL SEM CONSIDERAÇÃO DO PESO PRÓPRIO
σ =
A
N

A . E
L . N
L = ∆

PEÇAS E RECIPIENTES DE PAREDES FINAS

Tubos cilíndricos

t
r p i i.
= circ σ

E . t
r
. p
= r
i
2
i
i ∆

t
.r p
- =
e e
circ σ

t.E
r
p
- = r
e
2
e.
e ∆


Reservatórios cilíndricos

t
.r p
=
i i
circ σ

2.t
.r p
=
i i
long σ



Reservatórios Esféricos

2.t
.r p
=
i i
circ σ















Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
61
CONVERSÃO DE UNIDADES


1 tf = 10 kN = 1.000 kgf

1 kN = 100 kgf = 0,1 tf

1 MPa = 0,1 kN/cm2 = 10 kgf/cm2

1 kN/m3 = 10-6 kN/cm3

1 kN/cm2 = 100 kgf/cm2 = 10 MPa

1 kN/cm2 = 104 kN/m2

1º = 0,01745 rad

1" = 2,54 cm
































Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini
62


BIBLIOGRAFIA

BEER, Ferdinand P, JOHNSTON, E. Russel Jr. Mecânica vetorial para engenheiros, Makron Books
do Brasil Editora Ltda. São Paulo. 1991.

MERIAM, J.L. Mecânica- Estática- Editora Reverte S.A.Buenos Aires. 1965

RILEY, William F, STURGES, Leroy D, MORRIS, Don H. Mecânica dos Materiais . Livros
Técnicos e Científicos Editora Ltda. Rio de Janeiro. 2003

BEER, Ferdinand P & JOHNSTON, E Russel. Resistência dos Materiais Editora Mc Graw
Hill do Brasil. São Paulo.

GOMES, Sérgio C. - Resistência dos Materiais - Livraria Kosmos

NASH, W.A. - Resistência dos Materiais - Editora Mc Graw Hill do Brasil. São Paulo


CAPÍTULO I
REVISÃO DE MECÂNICA GERAL – CONCEITOS BÁSICOS I . FORÇA A. CONCEITO: Força é toda a grandeza capaz de provocar movimento, alterar o estado de movimento ou provocar deformação em um corpo. É uma grandeza vetorial cuja intensidade pode ser obtida pela expressão da física:

r F = m.a
onde: F = força m = massa do corpo a = aceleração provocada Sendo força um elemento vetorial somente se caracteriza se forem conhecidos: • direção • sentido • módulo ou intensidade • ponto de aplicação Exemplo 1 :Força provocando movimento

r F

Exemplo 2: Força provocando deformação

r F

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini

2

Exemplo 3 : PESO DOS CORPOS: O peso dos corpos é uma força de origem gravitacional que apresenta características especiais:

Módulo: P = m.g Direção : Vertical Sentido : de cima para abaixo

r

r

P

Ponto de aplicação: centro de gravidade do corpo

B. UNIDADES Existem muitas unidades representando forças. As que mais vamos utilizar são: N - Newton kN - kiloNewton kgf - kilograma força

1 kN = 103 N = 102 kgf

C. CARACTERÍSTICAS DAS FORÇAS

1. Princípio de ação e reação:
Quando dois corpos se encontram, toda a ação exercida por um dos corpos cobre o outro corresponde uma reação do segundo sobre o primeiro de mesmo módulo e direção, mas porem com sentidos contrários, que é a 3ª lei de Newton. Podemos observar que estas duas forças têm pontos de aplicação diferentes e portanto causam efeitos diferentes, cada uma atuando no seu ponto de aplicação.

2. Princípio da transmissibilidade de uma força,
Quando aplicamos uma força em um corpo sólido a mesma se transmite com seu módulo, direção e sentido em toda a sua reta suporte ao longo deste corpo.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini

3

gravitacionais. Qualquer força contida em um plano pode ser decomposta segundo duas direções que nos interessem. e são o motivo de sua existência. Mecânica dos Sólidos. Normalmente nos interessam duas direções perpendiculares entre si.3.ângulo formado por F em relação a x r r Fx .componentes da força nas direções x e y r F . etc. etc. musculares. também escolhidas de acordo com a conveniência do problema. Nos problemas pode-se utilizar para cálculos apenas a força resultante.) Em análise estrutural as forças são divididas conforme esquema abaixo: FORÇAS EXTERNAS: atuam na parte externa na estrutura. CLASSIFICAÇÃO DAS FORÇAS As forças podem ser classificadas de acordo com a sua origem. o que se tornar mais fácil. como por exemplo as forças de contato (ex: locomotivas. magnéticas. Observe que soma vetorial ou geométrica não corresponde a soma algébrica. Fy . etc.) e as de ação à distância (ex: elétricas. ou as suas componentes. Decomposição das forças. Isto pode se constituir em uma das ferramentas mais úteis no trabalho com as forças.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 4 .força a ser decomposta x e y – direções ortogonais de referência A decomposição é feita por trigonometria: r r r r Fx = F . modo de se comportar. Vamos nos ater ao caso plano que é o mais usual Exemplo: y F Fy α Fx x α . cos α Fy = F . PUCRS . sen α r r Fy / Fx = tg α r A força F decomposta também pode ser chamada de resultante da soma vetorial de suas r r componentes Fx e Fy . Podem ser ativas ou reativas. D.

Ex: peso do pedestre em uma passarela. r r Mo = F ∧ OA Mo Mo A O d π F O efeito do vetor momento é o de provocar um giro com determinado sentido em relação ao ponto ‘O’ considerado. II . direção e sentido. devendo ser calculadas para se equivalerem as ações e assim preservarem o equilíbrio do sistema. normalmente conhecidas ou avaliadas. Logo também é um vetor. reativas: São forças que surgem em determinados pontos de uma estrutura (vínculos ou apoios). A partir do acima exposto podemos dizer que sempre que uma peça de estrutura carregada tiver contato com elementos externos ao sistema (vínculo). as forças que mantém estas partes unidas também são chamadas de forças internas (forças desenvolvidas em rótulas). O vetor momento apresenta as seguintes características: Mecânica dos Sólidos. Se o corpo é estruturalmente composto de diversas partes. CONCEITO: O momento de uma força é a medida da tendência que tem a força de produzir giro em um corpo rígido. e para a sua caracterização precisamos determinar o seu módulo. Vamos trabalhar com momento em torno de ponto.. Correspondem às cargas as quais estaremos submetendo a estrutura.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 5 . MOMENTO POLAR (momento de uma força em relação à um ponto): r Chama-se de momento de r r uma força F em relação à um ponto "0". sendo conseqüência das ações portanto não são independentes. sendo "A" r um ponto qualquer situado sobre a reta suporte da força F . PUCRS . que ocorre nos casos de cargas em um plano. o produto vetorial do vetor OA pela força F . Este giro pode se dar em torno de um ponto (momento polar ) ou em torno de um eixo (momento axial).ativas: São forças independentes que podem atuar em qualquer ponto de uma estrutura. MOMENTO DE UMA FORÇA A. FORÇAS INTERNAS : são aquelas que mantém unidos os pontos materiais que formam o corpo sólido de nossa estrutura (solicitações internas). neste ponto surge uma força reativa. peso próprio das estruturas.. etc.

para cada um dos sentidos. Isto simplifica em muito o cálculo do momento polar de uma força. pode ser obtida pela perpendicular à reta que passa pelo ponto. d A distância d que representa o módulo do vetor OA é também chamada de braço de alavanca. isto é.senα ou r r Mo = F . M = F.• direção : perpendicular ao plano formado pela força e pelo vetor OA • sentido : regra da mão direita r • módulo: produto do módulo da força F pela menor distância do ponto "0" a reta suporte da força.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 6 .d Regra da mão direita: A regra da mão direita consiste em posicionar os dedos da mão direita no sentido da rotação provocada pela força em torno do ponto O. PUCRS . OA . Mecânica dos Sólidos. Ela é a menor distância entre a reta suporte da força e o ponto em relação ao qual se calcula o momento . Neste caso o polegar indica o sentido do momento. r r Mo = F . • ponto de aplicação : ponto "O" em relação ao qual se calculou o momento. Podemos também convencionar sinais + ou . de acordo com a nossa escolha.

UNIDADE DE MOMENTO Sendo o momento produto de uma força por uma distância.m . a fim de que ela permaneça em equilíbrio. Exemplos: kgf. PUCRS . A barra é presa a uma parede por meio de um pino O. etc III – RESULTANTE DE FORÇAS CONCORRENTES EM UM PONTO DE UM PLANO Mecânica dos Sólidos.cm .m .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 7 .m .a unidade desta grandeza é o produto de uma unidade de força por uma unidade de distância.Exemplo 1 : Determine o peso que devemos colocar na extremidade direita da gangorra a fim de que ela permaneça em equilíbrio estático. N. P1 = 30 kN a= 2m b= 4m Exemplo 2 : Determine a força desenvolvida no tirante da estrutura. sabendo-se que a barra pesa 5 kN. kN. kN. G = 5 kN L=3m α= 15º T= ? C.

cujo módulo é igual ao produto da força pela distância de translação.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 8 . produzidos em relação ao mesmo ponto. V . cos α F1y = F1 . sen α F2x = F2 . sen β Fx = F1x + F2x Fy = F1y + F2y R = Σ(Fx ) 2 + Σ(Fy ) 2 PITÁGORAS IV . PRINCÍPIO DA SUPERPOSIÇÃO DE EFEITOS " O efeito produzido por um conjunto de forças atuando simultaneamente em um corpo é igual a soma do efeito produzido por cada uma das forças atuando isolada" Deve-se fazer a ressalva de que a validade deste princípio se resume a casos em que o efeito produzido pela força seja diretamente proporcional a mesma. cos β F2y = F2 . F1x = F1 . Isto acontece na maioria dos casos estudados.A resultante de forças concorrentes em um ponto de um plano também pode ser calculada através da decomposição destas forças em relação à duas direções ortogonais escolhidas. por cada uma das forças atuando isolada. PUCRS . Isto implica no acréscimo de um momento devido à translação. Mecânica dos Sólidos.O momento polar resultante de um sistema de forças é a soma algébrica dos momentos polares. A partir deste princípio podemos dizer que: . TRANSLAÇÃO DE FORÇAS Transladar uma força (como artifício de cálculo) é transportá-la de sua direção para outra direção paralela.

REDUÇÃO DE UM SISTEMA DE FORÇAS À UM PONTO Qualquer sistema de forças pode ser reduzido à um sistema vetor-par. EQUIVALÊNCIA DE UM SISTEMA DE FORÇAS Dois sistemas de forças são equivalentes quando tem resultantes iguais e momentos polares em relação ao mesmo ponto também iguais. R: VI . Exemplo 2 : Reduzir o sistema acima ao ponto A. onde o vetor é a resultante das forças .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 9 .VII . Mecânica dos Sólidos. localizada à partir de um ponto arbitrariamente escolhido e o par é o momento polar resultante do sistema em relação ao mesmo ponto. PUCRS . Exemplo 1: Reduzir o sistema de forças da figura ao ponto B indicado.

Exemplo: F = 50 kN α= Fy = F. cos α Fx = F.sistema inicial Fx . Mecânica dos Sólidos.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 10 . Fy .sistema equivalente MA (sistema inicial) = MA (sistema equivalente) = O uso de sistemas equivalentes é um artifício de cálculo muito útil. Podemos. ou um sistema de forças por sistemas equivalentes mais adequados ao nosso uso. de acordo com a nossa conveniência substituir uma força. PUCRS . sen β a=3m A b=4m F .

PUCRS . Momentos desenvolvidos por F2 em relação aos pontos A .m MB = 189. Suponha um plano formado pelos eixos x e y.m b) M2A = 120 kN.m M2C = 0 c) MA = 120 kN.28 kN.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 11 . B e C.20 kN 2.32 kN e) Fy = .28 kN. B e C. conforme desenho. Resultante do sistema na direção x e. c. Calcule: a. onde atuam as cargas F1 e F2. Momentos desenvolvidos por F1 em relação aos pontos A . b.m M1C = 109. considerando o momento provocado pelo peso na ponta da haste R : P1 = 100 kgf P2 = 100 kgf Mecânica dos Sólidos. y F1 = 20 kN F1 F2 = 30 kN A 300 F2 3m B C 3m R: x a) M1A = 0 M1B = 69. B e C .EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 1. Resultante do sistema na direção y Convencione o giro no sentido horário positivo.28 kN.m M2B= 120 kN.m MC = 109. Qual a força horizontal que atua nos parafusos 1 e 2 da ligação abaixo. Momento da resultante do sistema em relação aos pontos A .28 kN. d.m d) Fx = + 17.

R: ΣFx = 25. Suponha as estruturas planas representadas abaixo.m ΣMC = -98. R: ΣFx =16.96 kN.98 kN ΣFy = 65 kN ΣMA = 138.3.96kN ΣMA = -36 kN. ΣMA. Determine. Reduzir no ponto A o sistema de forças da figura: Mecânica dos Sólidos.m b. PUCRS .04 kN.64 kN ΣFy = -4.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 12 .ΣFy. ΣMB e ΣMC a.m ΣMC = 330 kN.m 4. se necessário usando sistemas equivalentes Σ Fx .m ΣMB = -84 kN.m ΣMB = 70 kN.

→ Verificações – Diagnosticar a adequação e condições de segurança de um projeto conhecido.CAPÍTULO II INTRODUÇÃO À MECÂNICA DOS SÓLIDOS – EQUILÍBRIO EXTERNO I. → Avaliação de capacidade – Determinação da carga máxima que pode ser suportada com segurança. II. GRAUS DE LIBERDADE (GL) Grau de liberdade é o número de movimentos rígidos possíveis e independentes que um corpo pode executar. y. que permitam a análise destes fenômenos. PUCRS . As principais ferramentas adotadas neste processo são as equações de equilíbrio da estática. Normalmente buscamos a solução de três tipos de problemas: → Projetos – Definição de materiais. z). forma e dimensões da peça estudada. OBJETIVO PRINCIPAL DA MECÂNICA DOS SÓLIDOS O principal objetivo de um curso de mecânica dos sólidos é o desenvolvimento de relações entre as cargas aplicadas a um corpo e as forças internas e deformações nele originadas.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 13 . Estas relações são obtidas através de métodos matemáticos ou experimentais. Exemplo: My Fy Fx Fz Mx Mz z y x Mecânica dos Sólidos. Nestes casos o corpo possui 6 graus de liberdade. pois pode apresentar três translações (na direção dos três eixos) e três rotações (em torno dos três eixos). CASO ESPACIAL Caso dos corpos submetidos a forças em todas as direções do espaço. escolhidas como referência. A. amplamente utilizadas. No espaço estas forças podem ser reduzidas a três direções ortogonais entre si (x.

e.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 14 . A. sua resultante e o seu momento polar em relação a qualquer ponto são nulos. isto é. x. desta maneira o equilíbrio se verifica se as seis equações abaixo são satisfeitas: ΣFx = 0 Σ Fy = 0 Σ Fz = 0 Σ Mx = 0 Σ My = 0 Σ Mz = 0 R=0 Diante de um caso de carregamento plano. pois os corpos podem apresentar duas translações (na direção dos dois eixos) e uma rotação (em torno do eixo perpendicular ao plano que contém as forças externas). devemos observar e garantir o seu equilíbrio externo e interno. CASO PLANO Ocorre nos corpos submetidos a forças atuantes em um só plano. portanto apresentando 3 graus de liberdade. EQUILÍBRIO EXTERNO Para que o equilíbrio externo seja mantido se considera a peça monolítica e indeformável. Exemplo: y Fy Fx x z Mz III. Neste caso possuem três graus de liberdade. y. PUCRS .B. Mp = 0 Como se costuma trabalhar com as forças e momentos referenciados a um sistema tri-ortogonal de eixos. Dize-se que um corpo está em equilíbrio estático quando as forças atuantes formam entre si um sistema equivalente à zero. e se constituem nas equações fundamentais da estática. EQUILÍBRIO Sempre que se deseja trabalhar com uma peça componente de uma estrutura ou máquina. por exemplo. as condições de equilíbrio se reduzem apenas às equações: ΣFx = 0 Σ Fy = 0 Σ Mz = 0 Observe que as equações de equilíbrio adotadas devem ser apropriadas ao sistema de forças em questão. Mecânica dos Sólidos.

surgem no mesmo. assim como identifica quais as forças que devem ser incluídas nas equações de equilíbrio. gerando solicitações internas. V. Lembre-se que sempre que há o contato entre dois corpos surge o princípio da ação e reação. cuja finalidade é restringir um ou mais graus de liberdade de um corpo. Estas solicitações internas são responsáveis pelo equilíbrio interno do corpo. Mecânica dos Sólidos. O corpo quando recebe cargas vai gradativamente deformando-se até atingir o equilíbrio. onde as deformações param de aumentar (são impedidas internamente). Consiste em separar-se o nosso “corpo de interesse” de todos os corpos do sistema com o qual ele interage. assim como as forças de interação ou de contato. devendo ser calculadas. VÍNCULOS A. → Somente haverá reação se houver ação. lógica e organizada. EQUILÍBRIO INTERNO De uma maneira geral podemos dizer que o equilíbrio externo não leva em conta o modo como o corpo transmite as cargas para os vínculos. reações exclusivamente na direção do movimento impedido. quem o fará será o conjunto de vínculos. Neste corpo isolado são representadas todas as forças que nele atuam.B. que admitimos ser bem próxima da inicial (campo das pequenas deformações). O diagrama do corpo livre define claramente que corpo ou que parte do corpo está em estudo. DIAGRAMA DE CORPO LIVRE O objetivo principal de um diagrama de corpo livre é mostrar as forças que atuam em um corpo de forma clara. IV. sendo as cargas externas reativas dependentes das ativas. A fim de que um vínculo possa cumprir esta função. → As reações desenvolvidas pelos vínculos formam o sistema de cargas externas reativas. PUCRS . DEFINIÇÃO É todo o elemento de ligação entre as partes de uma estrutura ou entre a estrutura e o meio externo. → Um vínculo não precisa restringir todos os graus de liberdade de uma estrutura. O equilíbrio ocorre na configuração deformada. A palavra livre enfatiza a idéia de que todos os corpos adjacentes ao estudado são removidos e substituídos pelas forças que nele que exercem.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 15 .

B. No caso plano o vínculo pode restringir até 3 graus de liberdade (GL) e.1 Vínculos externos: São vínculos que unem os elementos de uma estrutura ao meio externo e se classificam quanto ao número de graus de liberdade restringidos. Russel. Figura extraída do livro Mecânica Vetorial para engenheiros Beer. se classificam em vínculos internos e externos. portanto se classifica em três espécies. Mecânica dos Sólidos. portanto.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 16 . Johnston. PUCRS . CLASSIFICAÇÃO Os vínculos podem ligar elementos de uma estrutura entre si ou ligar a estrutura ao meio externo e. B. Ferdinand P. E.

Nestes problemas. VI. Compõem as estruturas compostas. é conhecido o sistema de cargas ativas que atua na estrutura e devemos calcular as cargas reativas capazes de manter o corpo em equilíbrio.São aquelas que atuam em uma área com dimensões na mesma ordem de grandeza da estrutura.EQUILÍBRIO EXTERNO EM DUAS DIMENSÕES Ocorre quando as cargas que atuam na estrutura estão contidas em um mesmo plano. devemos avaliar a quantidade de carga que ela deve ser capaz de suportar. cargas excêntricas ou eixos de transmissão.120/80). Podem se originar de um par de forças. considerada como um corpo rígido e indeformável. surgem as reações na direção do movimento restringido. CARGAS EXTERNAS ATIVAS As cargas aplicadas em uma peça de estrutura se classificam quanto ao modo de distribuição em: → Concentradas . sendo fornecidas por normas (NBR . → Cargas momento ou conjugados . Móveis – percorrem a estrutura podendo atuar em vários dos seus pontos. A. ativas e reativas. devemos ter em mente a sua finalidade e. CARGAS ATUANTES EM UMA ESTRUTURA Quando se trabalha com uma peça de uma estrutura. PUCRS . Reações externas ou vinculares são os esforços que os vínculos devem desenvolver para manter em equilíbrio estático uma estrutura. ou seja.B.São aquelas que atuam em áreas muito reduzidas em relação às dimensões da estrutura. portanto. O conjunto destas cargas. Em cada vínculo acrescido. VII . Estas reações são chamadas de CARGAS EXTERNAS REATIVAS. A classificação quanto ao ponto de aplicação fica: → → Fixas – atuam sempre em um ponto ou uma região. → Cargas distribuídas . se constitui no carregamento externo da peça em estudo. devemos vinculá-la. catálogos ou avaliadas em cada caso. As cargas também se classificam quanto ao tempo de duração em: → Permanentes . Ao conjunto destas cargas damos o nome de CARGAS EXTERNAS ATIVAS. o que acontece na maior parte dos casos que iremos estudar. Neste caso ela é considerada concentrada no centro de gravidade da área de atuação.2 Vínculos internos São aqueles que unem partes componentes de uma estrutura.Atuam durante toda ou quase toda a vida útil de uma estrutura → Acidentais ou sobrecarga . restringirmos as possibilidades de movimento da mesma. Para que o equilíbrio desta peça seja garantido.Podem estar ou não atuando . Mecânica dos Sólidos.6.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 17 .momentos aplicados em determinados pontos de uma estrutura (fixos). neste plano.

o número de equações a serem satisfeitas é três e o equilíbrio se dá quando: ΣFx = 0 Σ Fy = 0 Σ Mz = 0 Convém salientar que neste caso do carregamento plano. cada movimento restringido corresponde a uma reação vincular (incógnita). mas a sua disposição não é eficiente. ΣMz = 0 → As cargas distribuídas devem ser substituídas por suas respectivas resultantes (este artifício é válido somente para o cálculo das reações externas).restringe duas translações e uma rotação Desta maneira.Os vínculos são classificados de acordo com o número de graus de liberdade restringidos e só podemos restringir um GL mediante a aplicação de um esforço (força ou momento) na direção deste movimento.restringe duas translações 3a espécie .restringe uma translação - 2a espécie . a aplicação destas equações leva à determinação das reações (incógnitas) desejadas. simbolizados por: 1a espécie . Para serem restritos três graus de liberdade. → Para que o equilíbrio externo seja mantido é necessário que as três equações da estática sejam satisfeitas. A determinação das reações vinculares de uma estrutura é feita por intermédio de um sistema de equações algébricas. arbitrando-se um sentido para cada esforço. VIII .PROCEDIMENTO DE CÁLCULO: → Transforma-se a estrutura dada num corpo livre. que deve ser determinada. as reações devem ser em número de três. os vínculos podem ser de três espécies.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 18 . Como se dispõe de três equações a serem satisfeitas. Sendo o plano das cargas x y. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: A eficácia vincular deve ser previamente analisada. substituindo-se todos os vínculos externos pelas reações vinculares que o mesmo pode desenvolver. e sabendo-se que a estrutura possui três graus de liberdade (translação nas direções x e y e rotação em torno do eixo z). Σ Fx = 0 Σ Fy = 0 Mecânica dos Sólidos. PUCRS . pois muitas vezes o número de restrições é suficiente.

Mecânica dos Sólidos. R: VA = 30 kN ( ↑ ) VB = 105 kN ( ↑ ) HB = 0 2. determine as reações em A e B quando Q = 75 kN. Um vagonete está em repouso sobre os trilhos que formam um ângulo de 25º com a vertical. Determinar a tração no cabo e a reação em cada par de rodas. PUCRS .60 m dos trilhos.81 kN ( ) R2 = 8. EXERCÍCIOS PROPOSTOS 1. R: T = 24. → Resolvido o sistema de equações. O vagonete é seguro por um cabo atado a 0. substituídas por um sistema equivalente.5 kN e está aplicado em um ponto a 0.9 kN ( ) R1 = 2.79 kN ( ) 3.→ Como escolhemos direções de referência (x e y). A estrutura da figura suporta parte do telhado de um pequeno edifício. Desprezando o peso próprio da viga.75 m dos trilhos e igual distância aos eixos das rodas. Sabendo que a tração no cabo é de 150 kN. três cargas aplicadas a uma viga. O peso bruto do vagonete e sua carga são de 27. as cargas que não estiverem nestas direções devem ser decompostas. determine a reação no extremo fixo E. reação negativa deve ter o seu sentido invertido. Observe-se na figura abaixo. ou seja.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 19 . A viga é apoiada em um rolete em A e em uma articulação em B.

Sabendo-se que o peso total do carrinho e do cilindro é de 900 N. determine: (a) a força vertical P que deve ser aplicada ao braço do carrinho para manter o sistema na posição ilustrada. R : RA = 2566 kN RB = 1134 kN 5. Determine a reação em cada par de rodas: (a) dianteiras e (b) traseiras. (b) a reação correspondente em cada uma das rodas.m ( anti-horário) 4. PUCRS .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 20 . Um carrinho de mão é utilizado para transportar um cilindro de ar comprimido. R: (a ) 117 N ( ↑ ) (b) 392 N ( ↑ ) Mecânica dos Sólidos. Uma empilhadeira de 2500 kgf é utilizada para levantar uma caixa de 1200 kgf.R: HE = 90 kN (←) VE = 200 kN ( ↑ ) ME = 180 kN.

PUCRS . (b) dianteiras D.6º) RB = 4.02 kN ( 48.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 21 . R: (a) RA = 4. Uma treliça pode ser apoiada de duas maneiras. Determine as reações nos apoios nos dois casos. e o ângulo que a lança faz com a horizontal α é de 45º. conforme figura. O peso da lança AB e do caminhão estão indicados.50 kN ( ↑ ) . RB = 6. R: RC = 19645 kN RD = 9605 kN 7.4º) 8. Um guindaste montado em um caminhão é utilizado para erguer um compressor de 3000 N. Determine a reação em cada uma das rodas: (a) traseiras C. Determine as reações em A e B quando: (a) α = 0º (b) α = 90º (c) α = 30º Mecânica dos Sólidos.5 kN ( ↑ ) (b) RA = 1.27 kN ( 20.6.

9. Um homem levanta uma viga de 10 kg e 10 m de comprimento puxando uma corda. Encontrar a força de tração T na corda e a reação em A. Suponha a aceleração da gravidade igual a 9,81 m/s2.

R: T = 81,9 N R = 148 N (

58,6 º)

10. Uma carga P á aplicada a rotula C da treliça abaixo. Determine as reações em A e B com: (a) α = 0º e (b) α = 45º.

R: α = 0o α = 45o

VA = -P VA = 0

HA = P HA = 0,7 P

VB = P VB = 0,7 P

11. Calcule as reações externas das estruturas abaixo: a.

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini

22

R: VA = VB 27,5 KN HA = 25,98 KN

b.

VA = - 5 kN VB = 95 kN HA = 0

c.

VA = - 8,75 kN VB = 8,75 kN HA = 0

d.

VA = 60 kN VB = 0 HA = 0

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini

23

e.

VA = 27,5 kN VB = 62,5 kN HB = 0

VA = 40 kN HA = 0 MA = 75 kN.M (anti-horário)

g.

VA = 70 kN HA = 0 MA = 140 kN.m (anti-horário)

h.

VA = 73,4 kN HA = 25 kN (←) MA = 68,3 kN (anti-horário)

Mecânica dos Sólidos. PUCRS - Profa: Maria Regina Costa Leggerini

24

resultante de força r r ( R ) e resultante de momento ( M ). Observe-se que após o equilíbrio externo ser obtido pode-se então passar a analisar o equilíbrio interno. supõe-se o corpo em equilíbrio sob efeito de um carregamento qualquer. PUCRS .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 25 . ou seja. não houve a consideração da possibilidade de deformação dos corpos sendo os mesmos considerados rígidos. Mecânica dos Sólidos. sobre a parte da esquerda. O equilíbrio externo não leva em conta o modo como o corpo transmite as cargas para os apoios. ou seja. deve-se aplicar. gerando solicitações internas.CAPÍTULO III EQUILÍBRIO INTERNO – SOLICITAÇÕES INTERNAS I. Pretende-se analisar os efeitos que a transmissão deste sistema de cargas externas aos apoios provoca nas diversas seções que constituem o corpo em equilíbrio. O mesmo deve ser feito com a parte da esquerda cujas resultantes estão também representadas. As cargas reativas ou reações vinculares são determinadas com a aplicação das equações fundamentais da estática. Se este corpo for cortado por um plano qualquer (a-a). Para tanto. a ação que a parte da direita exercia sobre ela. 3. rompe-se o equilíbrio. EQUILÍBRIO INTERNO No capítulo dois a atenção foi centralizada no equilíbrio externo dos corpos. Para que as partes isoladas pelo corte permaneçam em equilibradas. que admitimos ser bem próxima da inicial (campo das pequenas deformações). O corpo quando recebe carregamento vai gradativamente deformando-se até atingir o equilíbrio. por exemplo. De uma maneira geral pode-se dizer que: 1. onde as deformações param de aumentar (são impedidas internamente). Nestes problemas. O equilíbrio interno ocorre na configuração deformada. pois é destruída a sua cadeia molecular na seção "S" de interseção do plano com o corpo. 2. é conhecido o sistema de cargas ativas que atua na estrutura e devem ser calculadas as cargas reativas capazes de manter o corpo em equilíbrio.

os esforços internos estão associados às deformações que provocam e se classificam de acordo com elas. PUCRS . II.Resultante de momentos da parte retirada. mesma direção e sentidos opostos. intercepta-se por um plano o corpo carregado. isolando um dos lados deste corte. deve-se cortar a peça na seção desejada. Este procedimento descrito chama-se Método das Seções. ou seja. Estes esforços representam à ação da parte retirada do corpo. M M As resultantes nas seções de corte de ambos os lados devem ser tais que reproduzam a situação original quando as duas partes forem ligadas novamente.Resultante de forças da parte retirada r M . Em primeiro lugar. Em isostática a seção de referência adotada será a seção transversal das peças em estudo e estes esforços internos devidamente classificados se constituem nas solicitações internas. e de acordo com o método das seções . isolar um dos lados do corte (qualquer um). Quando se quer conhecer os esforços em uma seção S de uma peça. r r R e M São as resultantes das solicitações internas referidas ao centro de gravidade da seção de corte da barra.r R . pelo princípio da ação e reação devem ser de mesmo módulo.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 26 . Mecânica dos Sólidos. y). Sabe-se também que um vetor no plano pode ser decomposto segundo duas direções que forem escolhidas e adota-se duas direções perpendiculares entre si no espaço (x. criado pela translação da resultante R para o baricentro da seção de corte. CLASSIFICAÇÃO DAS SOLICITAÇÕES Trabalha-se com um um sistema sujeito à cargas em um plano. Pode-se dizer que no centro de gravidade desta seção devem aparecer esforços internos (resultante de força e de momento) que mantém o corpo isolado em equilíbrio. Para que se facilite a observação e sua determinação.

PUCRS .y x z F1 F2 F1 F2 S F3 F4 F3 F4 F1 y F2 F1 y z F2 → R x x F3 → M z → M → R F3 F4 F4 r r Os vetores resultantes R e M são decompostos segundo estas direções escolhidas e se obtém duas componentes de esforço e uma componente de momento. F1 y F2 Q → R N x F4 F3 z → M Mecânica dos Sólidos.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 27 .

todas as forças de um dos lados isolado pelo corte na direção do eixo x. no sentido do esforço. ESFORÇO NORMAL (N): Pode-se definir esforço normal em uma seção de corte como sendo a soma algébrica das componentes de todas as forças externas na direção perpendicular à referida seção (seção transversal). acarretando o corte ou cisalhamento da mesma.Momento Fletor Cada solicitação conforme já vimos tem associada a si uma deformação: A.Denominam-se as componentes da seguinte maneira: N . O esforço normal será considerado positivo quando alonga a fibra longitudinal e negativo no caso de encurtamento. B.Esforço Normal Q . ou seja. N = Σ Fx ext O efeito do esforço normal será de provocar uma variação da distância que separa as seções. sobre o próprio plano desta seção. Mecânica dos Sólidos. ESFORÇO CORTANTE (Q): Pode-se definir esforço cortante em uma seção de referência como à soma vetorial das componentes do sistema de forças de um dos lados da seção de referência (seção de corte).Esforço Cortante M . O efeito do esforço cortante é o de provocar o deslizamento linear. PUCRS . que permanecem planas e paralelas. de uma seção sobre a outra infinitamente próxima. As fibras longitudinais que constituem estas seções também permanecem paralelas entre si.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 28 . porém com seus comprimentos alterados (sofrem alongamentos ou encurtamentos).

Será feita a análise em estruturas sujeitas a carregamento plano onde os esforços desenvolvidos são o esforço normal N (ΣFx). Mecânica dos Sólidos. As fibras de uma extremidade são tracionadas. As seções giram em torno do eixo em torno do qual se desenvolve o momento.Os esforços cortantes serão positivos. o esforço cortante Qy (ΣFy) ou simplesmente Q e o momento fletor Mz ou simplesmente M.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 29 . MOMENTO FLETOR (M): Pode-se definir momento fletor em uma seção como a soma vetorial dos momentos provocados pelas forças externas de um dos lados da seção (tomada como referência). e nesta seção devem aparecer esforços que equilibrem o sistema isolado (solicitações internas). entretanto trabalhar-se com a soma vetorial optando-se pelo cálculo separado dos momentos em relação aos eixos y e z. M = Σmext O efeito do momento fletor é o de provocar o giro da seção em torno de um eixo contido por ela mesma. C. III – CÁLCULO DAS SOLICITAÇÕES EM UMA SEÇÃO Conforme já se viu. transformando a soma em algébrica. permanecendo planas. PUCRS . corta-se uma estrutura por uma seção. em torno de eixos nela contidos (eixos y e z). enquanto que na outra são comprimidas. Com o fim de uniformizar-se a representação serão representadas graficamente as convenções para o sentido positivo destas solicitações. quando calculados pelo somatório das forças situadas à esquerda seguem o sentido arbitrado para os eixos e quando calculados pelo somatório das forças à direita forem contrários aos eixos. Não é usual.

l 2 8  q. podendo-se então formar um sistema de três equações com três incógnitas.O “MÉTODO DAS SEÇÕES” consiste em: 1.  = 0  2 4  2 2 Mecânica dos Sólidos. − . com todos os esforços externos atuando. Na seção cortada devem ser desenvolvidas solicitações que mantém o sistema isolado em equilíbrio. VA = VB = q.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 30 . 2. PUCRS . l 2 Cortando e isolando um dos lados do corte: Aplicando as equações de equilíbrio.l l   q. Q e M) com suas orientações positivas. teremos: ΣFx = 0 ∴ N=0 Q− q. Observe-se que as solicitações a serem determinadas são em número de três e dispomos também de três equações de equilíbrio.l l  M + .l q. Arbitra-se as solicitações possíveis de serem desenvolvidas (N.l + =0 ∴ Q=0 2 2 Σ Fy = 0 ∴ Σ MS = 0 ∴ Ms = q. Exemplo: Calcule as solicitações desenvolvidas na seção intermediária da viga abaixo. 3. Estas solicitações são os valores que serão determinados. Aplicam-se as equações de equilíbrio na parte do corpo isolada em relação à seção cortada e determinam-se os valores procurados. Corta-se a peça na seção desejada e isola-se um dos lados do corte (qualquer um).

Determine os esforços normais desenvolvidos nas seções AB.25 kN NBC = +50 kN NCD = .EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 1. BC e CD da barra: 40 kN 10 kN 50 kN 40 kN R: NAB = . Determine as solicitações internas desenvolvidas na seção a-a’ da barra da figura abaixo: 500 kN 300 kN 8 cm R: N = 300 kN Q = .50 kN 3. Determine as forças axiais transmitidas pelas seções transversais nos intervalos AB.20 kN NBC = + 60 kN NCD = + 10 kN 2. Três cargas axiais estão aplicadas a uma barra de aço como mostra a figura. BC e CD da barra. PUCRS .cm 16 cm 12 cm Mecânica dos Sólidos.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 31 . R : NAB = .500 kN M = -3600 kN. Uma barra está carregada e apoiada como mostra a figura.

m (horário) 6. Para a viga da figura abaixo determine as reações externas de vínculo e as solicitações internas transmitidas por uma seção transversal a 75 cm do apoio A.mm 5.53 kN Q = .5 kN M = 3. Determine as solicitações na seção a-a’ da barra abaixo: R : N = 225 N Q = -139.55 kN M = 297.5 m Mecânica dos Sólidos.71 N (↓) M = + 95.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 32 . PUCRS .4 kN.18 kN.91 N.2. Determine as solicitações internas na seção a-a’ da barra ABC da estrutura composta pelas três barras mostradas na figura: R: N= 1. 32 kN 10 kN/m R : VA = 8 kN VB = 64 kN N=0 Q = 0.4.m 4m 1.

84 lb M = -846. Determine as solicitações internas transmitidas pela seção a-a da barra em L mostrada abaixo: 60o R: N = -434. R: VA = 21 kN VB = 9 kN N=0 Q = 11 kN M = 14 kN. PUCRS .72 lb.in Mecânica dos Sólidos.m 8. determine as reações de apoio e as solicitações internas em uma seção a 2 m do apoio esquerdo.7.18 lb Q = 105.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 33 . Para a viga abaixo.

Resumindo. Pode-se resumir um problema de Resistência dos Materiais conforme fluxograma abaixo: Cargas Externas Ativas Estrutura Cargas Externas Reativas Solicitações Deformações Tensões Limite Resistente do Material Critério de Resistência (Coeficiente de Segurança) PROJETO VERIFICAÇÃO Mecânica dos Sólidos. Q.CAPÍTULO IV INTRODUÇÃO À RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS I. Um fenômeno geométrico que é a mudança da sua forma original: Isto é deformação. OBJETIVO FUNDAMENTAL A Resistência dos Materiais se preocupa fundamentalmente com o comportamento das diversas partes de um corpo quando sob a ação de solicitações. para analisar-se. em suas diversas seções. Ao estudar-se o equilíbrio interno de um corpo. dando origem à tensões internas. PUCRS . Consideram-se corpos reais. Um fenômeno mecânico que é a difusão dos esforços para as diversas partes do corpo: Isto é tensão. Com a aplicação de esforços externos supõe-se que as partículas destes corpos se desloquem e que isto prossiga até que se atinja uma situação de equilíbrio entre os esforços externos aplicados e os esforços internos resistentes.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 34 . em um corpo que suporta cargas ocorre: 1. Este equilíbrio se verifica nos diversos pontos do corpo citado e se manifesta sob a forma de deformações (mudança da forma original). A avaliação destes esforços foi objeto de estudo na disciplina de Estruturas Isostáticas que deve preceder a Resistência dos Materiais. pois pode ocorrer a ruptura do corpo quando o carregamento for excessivo. É claro que se entende que a capacidade que um material tem de resistir as solicitações que lhe são impostas é limitada. as solicitações internas fundamentais (M. Se está penetrando no interior da estrutura. a existência e a grandeza dos esforços que a solicitam. que admitiremos como igual a configuração inicial pois em estruturas estaremos sempre no campo das pequenas deformações. N e Mt) são determinadas. É necessário conhecer esta capacidade para que se projete com segurança. Observe-se que o equilíbrio se dá na configuração deformada do corpo. isótropos e contínuos constituídos de pequenas partículas ligadas entre si por forças de atração. 2.

pelo princípio da ação e reação devem ser de mesmo módulo. mesma direção e sentidos opostos. cujo somatório (integral) ao longo da área mantém o equilíbrio do corpo isolado. as tensões que se desenvolvem nas partículas de um corpo são consequência dos esforços (força ou momento) desenvolvidos. direção e sentido) a tensão como consequência também o será. TENSÕES Conforme se citou. para que assim o sistema permaneça em equilíbrio. PUCRS . ou seja. Como os esforços são elementos vetoriais (módulo.dA A O Momento M resultante se deve à translação das diversas forças para o centro de gravidade da seção. O isolamento de qualquer uma das partes deve levar ao mesmo resultado. As resultantes nas seções de corte de ambos os lados devem ser tais que reproduzam a situação original quando as duas partes forem ligadas novamente. r R = ∫ ρ. Partindo-se deste raciocínio pode-se afirmar que em cada elemento de área que constitui a seção cortada. r r R e M são as resultantes das solicitações internas referidas ao centro de gravidade da seção de corte da barra. Mecânica dos Sólidos. Ao se cortar este corpo por um plano qualquer e isolando-se uma das partes. pode-se dizer que na seção cortada devem se desenvolver esforços que se equivalham aos esforços da parte retirada. Lembra-se do método das seções visto em Isostática: Supõe-se um corpo carregado e em equilíbrio estático. está sendo desenvolvido um elemento de força.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 35 .II. Estes esforços são decompostos e se constituem nas solicitações internas fundamentais.

como qualquer vetor. Mecânica dos Sólidos. portanto escolhe-se como referência duas direções contidas pelo plano da seção de referência "S" (x.r A tensão média ( ρ m) desenvolvida no elemento de área citado nada mais é do que a distribuição do efeito da força pela área de atuação da mesma.y) e a terceira perpendicular à este plano (n). ∆Α ∆F Sejam: ∆ A → Elemento genérico de área ∆Α r ∆ F → Elemento de força que atua em ∆Α r ρ m → tensão média r r ∆F ρm = ∆A Como a tensão é um elemento vetorial se pode representá-la aplicada em um ponto determinado.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 36 . e então: r ρ = Tensão atuante em um ponto ou tensão resultante em um ponto r r r ∆F dF ρ = lim = ∆A → 0 ∆A dA ou gráficamente: ρ Ainda por ser um elemento vetorial ela pode. que obtem-se fazendo o elemento de área tender ao ponto (∆A→0). ser decomposta no espaço segundo três direções ortogonais que se queira. PUCRS .

sendo as medidas feitas na direção da tensão.contidas pela seção de referência 2. mantendo-as paralelas. Tensão Normal (σ) . Tensões Tangenciais ou de Cisalhamento (τ) .perpendicular à seção de referência Costuma-se em Resistência dos Materiais diferenciar estas duas tensões pelos efeitos diferentes que elas produzem (deformações) e se pode adiantar que normalmente trabalham-se com estas componentes ao invés da resultante.l i Mecânica dos Sólidos. Costuma-se medir a deformação de peças sujeitas a tensão normal pela deformação específica longitudinal (ε).Profa: Maria Regina Costa Leggerini 37 . TENSÕES NORMAIS (σ) A tensão normal tem a direção perpendicular à seção de referência e o seu efeito é o de provocar alongamento ou encurtamento das fibras longitudinais do corpo. A. PUCRS . nceito: É a relação que existe entre a deformação medida em um corpo e o seu comprimento inicial.y τ σ x z Isto permite dividir as componentes da tensão do ponto em duas categorias: 1. σ σ li lf li → comprimento inicial da barra lf → comprimento final da barra ∆l →deformação total ∆l = l f . 1.

Suponha duas seções perpendiculares entre si formando um diedro retangulo. Pode-se provar a sua existência a partir das equações de equilíbrio estático. Lei da Reciprocidade das tensões tangenciais Esta lei representa uma propriedade especial das tensões tangenciais.Nestes casos medimos ∆l em mm e li em m(metros). Pode-se enunciá-la de forma simples e aplicála.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 38 ." Para facilitar a compreensão. Ambas terão o mesmo módulo e ambas se aproximam ou se afastam da aresta de perpendicularidade. B.adimensional quando tomarmos para ∆l a mesma unidade que para li -Taxa milesimal (o/oo) . obrigatóriamente na outra face. Unidade: . Se em uma das faces deste diedro existir uma tensão tangencial normal a aresta de perpendicularidade das faces. então. pode-se representa-la gráficamente: Mecânica dos Sólidos. 1. São chamadas de tensões recíprocas. PUCRS .ε= ∆l li Observe que no exemplo dado ∆ l > 0 portanto ε > 0 (alongamento) Pode-se mostrar um outro exemplo onde ∆ l < 0 conseqüentemente ε < 0 (encurtamento) σ σ li lf Neste exemplo ∆ l 〈 0 portanto ε〈0 2. existirá a mesma tensão tangencial normal a aresta. Sinal: (+) alongamento→ Corresponde à uma tensão de tração que também será positiva (-) encurtamento → Corresponde à uma tensão de compressão que também será negativa 3. TENSÕES TANGENCIAIS ( τ) É a tensão desenvolvida no plano da seção de referência tendo o efeito de provocar corte ou cisalhamento nesta seção.

então arco e tangente se confundem : γ≅ CC' DD' = CA DB Mecânica dos Sólidos. C e D. Supõe-se um bloco com arestas A. C C’ τ D D’ τ A γ τ tg γ = B CC' DD' = CA DB τ Como em estruturas trabalha-se sempre no campo das pequenas deformações e então γ <<< 1 rad. Para melhor ser visualisar a deformação considera-se fixa a face compreendida pelas arestas A e B. 2.(c) A figura (c) demonstra o desenvolvimento das tensões de cisalhamento longitudinais. B. Distorção Específica ( γ ) Medida de deformação de corpos submetidos a tensões tangenciais. submetido a tensões tangenciais em suas faces. recíprocas às tensões de cisalhamento desenvolvidas pelo esforço cortante.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 39 . PUCRS .

DEFORMAÇÕES E ELASTICIDADE Deformação é a alteração da forma de um corpo devido ao movimentos das partículas que o constituem. III. 2. = n = k (constante elástica da mola) d1 d 2 dn Conclui-se que as duas propriedades que caracterizam uma deformação elástica são: 1. Representa fisicamente a variação que sofre o ângulo reto de um corpo submetido a tensões de cisalhamento..2. Pode-se diferenciar os tipos de deformações observando um ensaio simples. Proporcionalidade entre carga e deformação. Exemplo: No exemplo acima..Profa: Maria Regina Costa Leggerini 40 . mais elástico é seu material. A tendência dos corpos de voltarem a forma original devido a força de atração entre as partículas representa a elasticidade do material. Mecânica dos Sólidos. PUCRS .2 Unidade: As observações quanto a unidade da distorção seguem as da deformação específica longitudinal: adimensional ou taxa milesimal. ressalvando-se que quando adimensional representa um arco expresso em radianos. ou seja. Deformações reversíveis 2.. de uma mola presa a uma superfície fixa e submetida sucessivamente a cargas cada vez maiores até a sua ruptura. se medidas numéricamente as grandezas vamos ver que: P1 P2 P = = .. Quanto mais um corpo tende a voltar a sua forma original. A. quanto mais ele resiste a ser deformado maior é a sua elasticidade. DEFORMAÇÕES ELÁSTICAS Uma deformação é elástica quando cessado o efeito do carregamento o corpo volta a sua forma original. medida perpendicular ao deslocamento.1 Conceito: Distorção específica é a relação entre o deslocamento observado e a distância respectiva.

sempre restariam as chamadas deformações residuais. Robert Hooke em 1678 enunciou a lei que leva o seu nome e que é a base de funcionamento dos corpos em regime elástico. PUCRS . As tensões desenvolvidas e suas deformações específicas consequentes são proporcionais enquanto não se ultrapassa o limite elástico do material. o próximo limite seria a ruptura. Note-se que no regime plástico termina a proporcionalidade e a reversibilidade das deformações. Mecânica dos Sólidos. Considera-se então terminado o regime elástico e o corpo passa a atuar em regime plástico.B. e são determinados experimentalmente. sendo os casos mais sofisticados trabalhados em regime plástico e se constituindo no que há de mais moderno e ainda em estudo no campo da Resistência dos Materiais. de elasticidade longitudinal) ε τ = G (mod . LEI DE HOOKE A maioria dos projetos de peças serão tratados no regime elástico do material. DEFORMAÇÕES PLÁSTICAS: Se fosse aumentada a carga sobre esta mola ela chegaria a uma situação em que terminaria a proporcionalidade e apesar da tendência do corpo em assumir sua forma original.de elasticidade transversal) γ Estes módulos de elasticidade são constantes elásticas de um material. V. A Lei de Hooke pode ser representada pelas expressões analíticas: σ = E(mod . Se fosse aumentada ainda mais a carga.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 41 .

ambos medidos em direção perpendicular à da tensão.Profa: Maria Regina Costa Leggerini . σ σ li lf D D+∆D A. σ σ b b+∆b li lf a a+∆a 42 Mecânica dos Sólidos. PUCRS . Em uma mesma seção a deformação específica transversal é constante para qualquer direção perpendicular ao eixo. também determinada experimentalmente. εt = ∆D D Os estudos de Poisson sobre a deformação transversal levam as seguintes conclusões: 1. ε e εt tem sempre sinais contrários 2. As deformações específicas longitudinais e transversais são proporcionais em um mesmo material εt = −µ ε O coeficiente de Poisson é a terceira constante elástica de um material. LEI DE POISSON ( DEFORMAÇÃO ESPECÍFICA TRANSVERSAL) notação : εt Poisson determinou experimentalmente a deformação que as peças sofrem nas direções perpendiculares a da aplicação da tensão normal. 3.VI. CONCEITO: Deformação específica transversal é a relação entre a deformação apresentada e o seu comprimento respectivo.

∆a ∆b = = ε t = cons tan te a b As constantes elásticas de um mesmo material se relacionam pela expressão: G= E 2(1 + µ) Resumindo: εx = σx E σx −µ E σ ε z = −µ x E ε y = −µ µ = Coeficiente de Poisson VII. Mecânica dos Sólidos. que indica a tensão máxima alcançada pelo material. que são chamadas de corpos de prova. No Brasil estes ensaios são realizados empregando-se métodos padronizados e regulamentados pela ABNT. em laboratório. PUCRS . PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS Para serem determinadas as características mecânicas dos materiais são realizados em laboratório ensaios com amostras do material. MATERIAIS DÚTEIS : São considerados materiais dúteis aqueles que sofrem grandes deformações antes da ruptura. Dútil com escoamento real: exemplo: aço comum Num ensaio de tração axial simples costuma-se demonstrar os resultados atravéz de um diagrama tensão x deformação específica (σ x ε ). Dentre os materiais dúteis ainda temos duas categorias: 1.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 43 . Com a realização destes ensaios pode-se classificar os materiais em dois grupos: materiais dúteis  materiais frageis A. onde determinam-se as TENSÕES LIMITES dos diversos materiais. sem que se inicie o seu processo de ruptura. O ensaio mais costumeiro é o de tração simples.

σR . Durante este período começam a aparecer falhas no material (estricções). σe .Tensão de escoamento Quando é atingida a tensão de escoamento o material se desorganiza internamente (a nível molecular) e sem que se aumente a tensão ao qual ele é submetido. o material pode ser aproveitado até o escoamento. curva AB . caracterizando o regime plástico do material. ficando o mesmo invalidado para a função resistente. PUCRS .No caso de material dútil com escoamento real a forma deste diagrama segue o seguinte modelo: reta OA . As estricções são agora perceptíveis nítidamente. σp .A curvatura indica o fim da proporcionalidade. curva CD . Notamos que neste trecho as deformações residuais são ainda pequenas mas irreversíveis. Podemos notar que as deformações crescem mais rapidamente do que as tensões e cessado o ensaio já aparecem as deformações residuais. Deformações reversíveis. que graficamente podemos calcular traçando pelo ponto de interesse uma reta paralela à do regime elástico.Tensão de ruptura Conforme se pode analisar no ensaio acima.Chamado de patamar de escoamento. aumenta grandemente a deformação que ele apresenta. portanto o período em que o material trabalha em regime elástico (lei de Hooke). porém agora com grandes e visíveis deformações residuais.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 44 . portanto sua TENSÃO LIMITE será a TENSÃO DE ESCOAMENTO. trecho BC .Após uma reorganização interna o material continua a resistir a tensão em regime plástico. Não se admitem estruturas com esta ordem de grandeza para as deformações residuais.Tensão de proporcionalidade Representa o limite do regime elástico.Indica a proporcionalidade entre σ x ε . Mecânica dos Sólidos.

Apresentam uma propriedade importantíssima que é resistirem igualmente a tração e a compressão. MATERIAIS FRÁGEIS Exemplo : concreto São materiais que se caracterizam por pequenas deformações anteriores a ruptura. B. ficando a tensão correspondente convencionada como TENSÃO DE ESCOAMENTO. que é também a TENSÃO LIMITE do material. Como em estruturas não se admitem grandes deformações residuais se convenciona este limite. OBSERVAÇÕES: Os materiais dúteis de uma maneira geral são classificados como aqueles que apresentam grandes deformações antes da ruptura.2. O diagrama σ x ε é quase linear sendo quase global a aplicação da lei de Hooke. Ao contrário dos materiais dúteis.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 45 . PUCRS . sendo necessário ambos os ensaios e obtendo-se assim dois limites: σT = Limite de ruptura a tração σC = Limite ruptura a compressão Em geral estes materiais resistem melhor a compressão do que a tração. eles resistem diferentemente a tração e a compressão. podendo também ser utilizados em regime plástico com pequenas deformações residuais. Isto quer dizer que o escoamento serve como limite de tração e de compressão. mas não apresenta patamar de escoamento. Mecânica dos Sólidos. Nestes casos a tensão limite é a tensão de ruptura. Dútil com escoamento convencional Exemplo: aços duros Se comporta de maneira semelhante ao anterior.

para os diversos casos: MATERIAIS DÚTEIS σmáxt = σe = σe s MATERIAIS FRÁGEIS σmáxt = σT = σT (tensão de tração admissível) s (tensão de escoamento admissível) σmáxc = σe = σe (tensão de escoamento s admIssível) σmáxc = σc s = σc (tensão de compressão admissível) Mecânica dos Sólidos. que são as que realmente se pode utilizar. pois os valores são trabalhados com diversos fatôres de incerteza.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 46 . para que haja segurança: s ≥1 As tensões assim reduzidas.COEFICIENTE DE SEGURANÇA Em termos gerais um projeto está sempre ligado ao binômio economia x segurança. São chamadas de tensões admissíveis ou tensões de projeto. Em vista do que foi exposto adota-se o seguinte critério: A tensão limite é reduzida divindo-a por um número que se chama coeficiente de segurança (s). PUCRS . Pode-se dizer também que mesmo sendo determinada em laboratório a utilização da tensão limite em projetos é arriscada. ele deve ser maior do que a unidade. Para serem diferenciadas das tensões limites são assinaladas com uma barra ( σ ).IX. Para que este número reduza o módulo da tensão limite. σ adm = σ lim s Resumindo analíticamente o critério de segurança conforme abaixo. Deve-se aotar um índice que otimize este binômio. CRITÉRIO DE RESISTÊNCIA . Então.

Determinar a diminuição de seu diâmetro.33 E =0.219 mm em uma distancia padrão de 300 mm.3.7 .000 kgf. 104 kN/cm2 e o seu coeficiente de Poisson 0.08. 1/4” está sujeita à uma força de tração de 5.0125 mm.89 kgf/cm2 b. qual a variação unitária do seu volume ? R: 0.000815 c. São dados do material o módulo de elasticidade longitudinal de 1. 104 kN/cm2 e µ = 0.000133 3. Em certo instante a força aplicada é de 100 kN e o alongamento medido na direção do eixo da barra 0.25 1" = 25 mm 4.0. Alongamento em 8" (c) 0.EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 1.8.006 mm Admita: E = 0. R: µ= 0. Deformação específica longitudinal (b) 0. Uma barra de aço de 25 cm de comprimento e seção quadrada de lado 5 cm suporta uma força axial de tração de 200 kN. 104 kN/cm2 Mecânica dos Sólidos. 10-4 cm 2.163 mm d.4. Determine”: a. Uma barra de alumínio de seção circular de diâmetro 1. Uma barra de latão de seção circular de diâmetro três cm está tracionada com uma força axial de 50 kN. Considere um ensaio cuidadosamente conduzido no qual uma barra de alumínio de 50 mm de diâmetro é solicitada em uma máquina de ensaio. O diâmetro sofreu uma diminuição de 0. Calcule o coeficiente de Poisson do material e o seu módulo de elasticidade longitudinal. PUCRS . 106 kgf/cm2 µ = 0.89.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 47 . Variação do diâmetro (d) .3 . R: 5. Sendo E = 2. Tensão normal (a) 651.

atuando no centro de gravidade da seção de corte é necessária para manter o equilíbrio. CONCEITO: Quando um corpo que está sob ação de forças externas. Assim como todo o corpo está em equilíbrio. deve aparecer uma força equivalente ao esforço normal N. Mecânica dos Sólidos. PUCRS . Adotando-se o método nas seções.CAPÍTULO V SOLICITAÇÕES INTERNAS SEUS EFEITOS .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 48 . e seccionando o corpo. sendo a visualização simplificada por vistas laterais. vistas isométricas do corpo são raramente empregadas.ESFORÇO NORMAL AXIAL I . Observe que se as partes isoladas forem novamente unidas. mesmo sendo de equilíbrio a situação. capaz de manter o equilíbrio das partes do corpo isoladas pelo corte (fig b e c). origina-se Esforços Normal no seu interior. qualquer parte sua também estará. apenas a solicitação de esforço normal N. INTRODUÇÃO I. na direção do seu eixo longitudinal. Na prática. voltamos a situação precedente ao corte. Neste caso. na seção de corte de área A.

A convenção adotada para o esforço normal (N) + tração Normal N . PUCRS . por exemplo.compressão Nas tensões normais. adota-se a mesma convenção. pilares e treliças.P P P N N σ σ P P P Σ FV = 0 ∴ N-P=0 N=P Admite-se que este esforço normal se distribui uniformemente na área em que atua (A). Mecânica dos Sólidos. em tirantes.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 49 . ficando a tensão definida pela expressão: sendo: σ= N A N → Esforço Normal desenvolvido A→ Área da seção transversal A tração ou Compressão axial simples pode ser observada.

O peso próprio das peças constitui-se em uma das cargas externas ativas que devem ser resistidas. PUCRS . Deve-se ter um cuidado adicional para com as peças comprimidas. 2. A flambagem representa uma situação de desequilíbrio elasto-geométrico do sistema e pode provocar o colapso sem que se atinja o esmagamento.As deformações desenvolvidas podem ser calculadas diretamente pela lei de Hooke: P P l l + ∆l ε= ∆l l ε= σ E N=P σ = N A ∆l σ = l E ∴ ∆l N = l EA ou : ∆l = N.A OBSERVAÇÕES: 1.l E.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 50 . pois as peças esbeltas devem ser verificadas à flambagem. Pode-se observar como se dá a ação do peso próprio: Peças de eixo vertical Peças de eixo horizontal pp G Mecânica dos Sólidos.

O peso próprio de uma peça (G) pode ser calculado. que tem 25 mm de espessura. 104 kN/cm2 OBS : medidas em cm Mecânica dos Sólidos. Uma força de tração axial é aplicada à barra de aço estrutural abaixo. Nestes casos é comum desprezar-se o peso próprio da peça. Determine a carga "P" que provocará um encurtamento total de 0. Uma barra de aço e outra de alumínio têm as dimensões indicadas na figura. Exemplo: Treliças e tirantes. Determinar o alongamento produzido por uma carga axial de tração de 60 kN.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 51 . R: 0. PUCRS . quando a mesma é capaz de resistir a grandes esforços externos com pequenas dimensões de seção transversal. Admitimos que as barras sejam impedidas de flambar lateralmente. A não consideração do peso próprio se dá em peças construídas em materiais de elevada resistência. 104 kN/cm2 EAl = 0.comprimento γ – peso específico do material Na tração ou compressão axial a não consideração do peso próprio é o caso mais simples. Dados: Eaço = 2 . atua na direção do eixo longitudinal da peça e provoca Esforço Normal. No caso das peças verticais o peso próprio (G). sabendo-se que o módulo de elasticidade longitudinal do material é de 2.l Sendo: A . ficando portanto o seu peso próprio um valor desprezível em presença da carga externa.área da seção transversal da peça l . e despreza-se o peso próprio das barras. Uma barra de seção transversal retangular de 3 x 1 cm tem comprimento de 3 m.3 cm 3.Nota-se que nas peças horizontais o peso próprio constitui-se em uma carga transversal ao eixo. determine a largura mínima ‘d’ da barra. 200 kN 200 kN ‘d’ 25 mm R: 5. que pode ter um efeito diferenciado dependendo da sua vinculação: Nas peças suspensas (tirantes) o efeito do peso é de tração e nas apoiadas (pilares) este efeito é de compressão. desenvolvendo Momento Fletor e Esforço Cortante.25 mm. Se a tensão de tração admissível deste aço é 135 MPa e a deformação longitudinal admissível 1.7 . 104 kN/cm2.25 mm no comprimento do sistema. multiplicando-se o volume da mesma pelo peso específico do material: G = A.γ.64 cm 2. EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 1.

R: 6.5 cm L 2 = 23. A carga P aplicada a um pino de aço é transmitida por um suporte de madeira por intermédio de uma arruela de diâmetro interno 25 mm e de diâmetro externo "d".Profa: Maria Regina Costa Leggerini 52 .33 cm 5. Sabendo-se que a tensão normal axial no pino de aço não deve ultrapassar 35 MPa e que a tensão de esmagamento média entre a peça de madeira e a arruela não deve exceder 5MPa.900 kN 4.32 cm Mecânica dos Sólidos.7 .R : P ≅ 1. Um cilindro sólido de 50 mm de diâmetro e 900 mm de comprimento acham-se sujeitos a uma força axial de tração de 120 kN. Uma parte deste cilindro de comprimento L1 é de aço e a outra parte unida ao aço é de alumínio e tem comprimento L2. calcule o diâmetro "d" necessário para a arruela. Determinar os comprimentos L1 e L2 de modo que os dois materiais apresentem o mesmo alongamento Dados: Eaço = 2 . 104 kN/cm2 R : (a) L1 = 66. 104 kN/cm2 EAl = 0. PUCRS .

3 mm.1.104 kN/cm2. R: 21. Determinar o diâmetro "d" da parte BC para a qual o deslocamento do ponto C seja de 1. PUCRS .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 53 .7 kN. Aplica-se à extremidade C da barra de aço ABC uma carga de 66.8 mm Mecânica dos Sólidos.6. Sabe-se que o módulo de elasticidade longitudinal do aço é de 2.

pressão interna ri . cascos de submarinos e certos componentes de avião. reservatórios cilíndricos. tubulações de água ou vapor (caldeiras). Nestes casos também existe a possibilidade de ruptura por flambagem nas paredes sujeitas à compressão.CAPÍTULO VI PEÇAS E RECIPIENTES DE PAREDES FINAS Uma outra aplicação de tensões normais uniformemente distribuídas (ver capítulo V) ocorre na análise simplificada de peças ou recipientes de paredes finas assim como tubos. A. que são exemplos comuns de vasos de pressão de paredes finas. sendo excluÍda a possibilidade de descontinuidade da estrutura. de um gás ou líquido..raio interno t . A relação entre a espessura e o raio médio da peça não deve ultrapassar 0..Profa: Maria Regina Costa Leggerini 54 . considera-se uniforme a distribuição de tensões normais ao longo de sua espessura e considera-se também que devido à flexibilidade destas peças as mesmas não absorvem e nem transmitem momento fletor ou esforço cortante. As aplicações deste estudo se dão em tanques e recipientes de armazenagem de líquidos ou gazes.1. TUBOS DE PAREDES FINAS Seja o tubo de paredes finas abaixo: Onde: pi . possibilidade esta que não será considerada de momento.cônicos. esféricos. etc. Por serem muito delgadas as paredes destas peças. PUCRS . sujeitos à pressão interna ou externa.espessura da parede Intuitivamente podemos observar suas transformações quando sujeito por exemplo a uma pressão interna pi: Mecânica dos Sólidos.

portanto houve uma tensão de tração capaz de alongá-lo.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 55 . PUCRS . que conforme já foi visto são tensões circunferenciais: Podemos substituir as pressões internas por um sistema equivalente: Mecânica dos Sólidos. Determinação da tensão circunferencial e de sua deformação Para a determinação do valor destas tensões consideremos um tubo de comprimento 'L' conforme desenho: Seccionamos o tubo segundo um plano diametral longitudinal e aplicamos as equações de equilíbrio: Ao efetuarmos o corte. ou seja. na seção cortada devem aparecer tensões que equilibrem o sistema.Observe que o arco genérico de comprimento dS após a atuação da pressão interna alongou e passou a medir dS+∆dS. Como o arco aumentou na sua própria direção e como o arco considerado dS é um arco genérico podemos concluir que em todos os arcos elementares que constituem a circunferência. em todos os pontos da circunferência se desenvolve uma tensão normal que por provocar um alongamento é de tração (+) e por ter a direção da circunferência chama-se de tensão circunferencial ( σcirc ).

ri t. (ri + ∆ri ) então ∆dS = 2.π.L.π. 2. o que seria feito da mesma forma e seria repetitivo.ri.ri = 2.E ∆ri pi. Mecânica dos Sólidos.π. Quando estivermos diante de um caso onde atuam pressões externas podemos adaptar o nosso formulário ao invés de deduzirmos de novo. (ri + ∆ri ) .2.pi.π. PUCRS .t .L.ri comprimento final = 2.ri = ri t.π.ri ri Pela lei de Hooke εcirc = então comparando os valores: ∴ 2 ∆ri = pi.ri t À tensão cIrcunferencial corresponde uma deformação circunferencial.2.∆ri εcirc = σcirc pi.E 2.ri = E t.Aplicando a equação de equilíbrio estático: Σ Fy = 0 teremos: σcirc .ri.π.t → área de corte onde atua a σcirc 2.E OBS: Chegamos aos valores das tensões e deformações circunferenciais tomando como exemplo o caso de tubos sujeitos à pressão interna. εcirc = ∆dS dS Considerando o comprimento dos arcos como o comprimento da circunferência toda: comprimento inicial = 2.∆ri ∆ri = = εrad 2.L = 0 2.L → área onde atua pi Efetuando modificações algébricas chegamos na expressão: σcirc = pi.π.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 56 .

re σcirc = t pe. Podemos notar que a ação da pressão sobre as paredes longitudinais do reservatório exercem o mesmo efeito que nos tubos. Podemos notar que sob o efeito de pressões externas o comprimento da circunferência que compõe a seção do tubo diminui ao invés de aumentar e portanto as tensões circunferenciais são de compressão (negativas). e que a ação da pressão nas paredes de fechamento faz com que a tendência do reservatório seja aumentar de comprimento sugerindo o aparecimento de tensões na direção do eixo do reservatório chamadas de tensões longitudinais(σlong).Podemos citar como exemplo destes casos tubulações submersas que estão sujeitas à pressão do líquido na qual estão submersas (pressão externa). O formulário fica: pe.E B. Da mesma maneira o raio da seção diminui e também sua variação é negativa. PUCRS . RESERVATÓRIOS CILÍNDRICOS DE PAREDES FINAS Reservatórios cilíndricos de paredes finas nada mais são do que tubos com as extremidades fechadas. re2 ∆re = t.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 57 . Mecânica dos Sólidos. que poderíamos calcular fazendo um corte transversal no reservatório e aplicando equações de equilíbrio.

Um elemento de área da parede deste reservatório seria representado: O valor destas tensões circunferenciais seria: σcirc = pi. RESERVATÓRIOS ESFÉRICOS DE PAREDES FINAS Quando submetido à pressão um reservatório esférico de paredes finas desenvolve tensões circunferenciais em todas as direções. pois todas as direções formam circunferências.t C.ri t σlong = pi.Teríamos se isolássemos um elemento de área da parede do reservatório a seguinte situação: onde: σcirc = pi.t Mecânica dos Sólidos.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 58 .ri 2.ri 2. PUCRS .

13 cm 3. O diâmetro interno do cilindro é de 60 cm e a pressão interna de 35 kgf/cm2. tendo a gasolina peso específico de 7. Um tubulão de ar comprimido é constituído por um tubo de aço de 2 m de diâmetro interno e recebe ar injetado para expulsar água à uma profundidade de 20 m. pede-se determinar a espessura da parede do cilindro desprezando-se os efeitos da ligação do cilindro com as calotas. sendo a tensão de escoamento admissível para o material do tubo de 6 kN/cm2. R: 1. Se o material com que é feito o cilindro é de aço com limite de escoamento de 2.EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 1. Tendo o tanque 26 m de diâmetro interno e sendo o limite de escoamento do material do tanque 240 MPa. Qual seria esta espessura se a eficiência da ligação parede-fundo fosse de 85%? R: t = 0.53 cm 2.5. R: 3 mm Mecânica dos Sólidos. OBS: num cálculo mais rigoroso seria necessário levar em conta e dimensionar a ligação. PUCRS .Profa: Maria Regina Costa Leggerini 59 . Um tanque cilíndrico de gasolina com eixo vertical está cheio à partir da extremidade inferior com 12 m do líquido.400 kgf/cm2 e o coeficiente de segurança adotado de 3. pede-se calcular com segurança 2 a espessura necessária a parede em sua parte mais profunda. Calcular a espessura necessária à este tubo numa profundidade de 2 m. O tanque de um compressor de ar é formado por um cilindro fechado nas extremidades por calotas semi-esféricas.962 cm tjunta = 1.4 kN/m3.

t Reservatórios Esféricos σcirc = pi.FORMULÁRIO PADRÃO INTRODUÇÃO À RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS: σ ou τ = F Aresist ε= σ Ε (lei deHooke) ε= ∆ ε = µ ε σ= N A (lei de Poisson) εt = ∆ TRAÇÃO OU COMPRESSÃO AXIAL SEM CONSIDERAÇÃO DO PESO PRÓPRIO ∆L = N.t Mecânica dos Sólidos.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 60 .A PEÇAS E RECIPIENTES DE PAREDES FINAS Tubos cilíndricos σcirc = pi.E σcirc = pi.ri t ∆ri = pi.re σcirc = t Reservatórios cilíndricos pe.ri t σlong = pi.ri 2. ri 2 t.E pe. re2 ∆re = t.ri 2. PUCRS .L E.

Profa: Maria Regina Costa Leggerini 61 .1 tf 1 MPa = 0.000 kgf 1 kN = 100 kgf = 0.54 cm Mecânica dos Sólidos.01745 rad 1" = 2.1 kN/cm2 = 10 kgf/cm2 1 kN/m3 = 10-6 kN/cm3 1 kN/cm2 = 100 kgf/cm2 = 10 MPa 1 kN/cm2 = 104 kN/m2 1º = 0.CONVERSÃO DE UNIDADES 1 tf = 10 kN = 1. PUCRS .

MERIAM. GOMES. . PUCRS . Mecânica dos Materiais . Russel Jr.Editora Reverte S. Sérgio C. São Paulo. Mecânica vetorial para engenheiros. W.Buenos Aires. .Editora Mc Graw Hill do Brasil.A.Profa: Maria Regina Costa Leggerini 62 . 2003 BEER. STURGES.BIBLIOGRAFIA BEER.Resistência dos Materiais . Mecânica. Rio de Janeiro. MORRIS. J.Livraria Kosmos NASH. E. William F.Estática. Ferdinand P. Don H. São Paulo.L.Resistência dos Materiais . Makron Books do Brasil Editora Ltda. Ferdinand P & JOHNSTON. São Paulo Mecânica dos Sólidos. E Russel. Livros Técnicos e Científicos Editora Ltda.A. Resistência dos Materiais Editora Mc Graw Hill do Brasil. 1965 RILEY. 1991. Leroy D. JOHNSTON.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful