O que é o Tétano Neonatal?

O tétano neonatal mata 180 mil recém-nascidos a cada ano(1). “Mas eu nunca vi um caso de tétano neonatal”. Não, não é no Brasil. Tal estatística é mundial e atual; engloba 48 países pobres do sul da Ásia e da África Sub-Saara. Mas, ainda que isso não afete o nosso país atualmente, nem sempre a situação foi tão favorável.1 A partir da primeira metade do século 20 até a década de 1970, o tétano neonatal, também conhecido como tétano umbilical, tétano neonatorum e, popularmente, o “mal dos sete dias”, era um problema sério de Saúde Pública, que atingia principalmente a zona rural e a periferia das cidades.1 Portanto, uma doença infecciosa aguda, grave, não-contagiosa, que acomete o recém-nascido (RN) nos primeiros 28 dias de vida, tendo como manifestação clínica inicial a dificuldade de sucção, irritabilidade, choro constante.2 Doença de caráter agudo, tendo como agente etiológico o "Clostridium tetani" (BACILO NICOLAIER), que vive em meio anaeróbico e se caracteriza por elaborar toxinas: TETANOLISINA (Hemolisina, que não desempenha papel na patogenia do tétano); EXOTOXINA (Tetanoespasmina, que age nas placas motoras terminais dos músculos esqueléticos, na medula, no cérebro e no sistema nervoso simpático). Admitese que a toxina aja inibindo a liberação de acetilcolina dos terminais nervosos no músculo, perturbando a transmissão neuromuscular, Na medula, a toxina produz disfunção dos reflexos polissinápticos, que resulta em uma falta de oposição à contração dos músculos. As convulsões podem ser secundárias à fixação da toxina pelos gangliosídeos cerebrais.2 A manipulação séptica do coto umbilical provoca iatrogenicamente a entrada de esporos tetânicos: corte do cordão com facas sujas, bambu e curativo do mesmo com pó de café, ervas de banana verde, fuligem, fezes de animais, lama, teia de aranha, urina, fumo queimado e etc.3 O Clostridium tetani e comumente encontrado na natureza, sob a forma de esporo, nos seguintes meios: pele, trato intestinal dos animais (especialmente do cavalo e do Homem, sem causar doença), fezes, terra, reino vegetal, águas putrefatas, instrumentos perfuro cortantes, poeira das ruas.3 Não ha transmissão de pessoa a pessoa. A infecção ocorre por contaminação, quando são utilizados instrumentos cortantes contaminados para secção do cordão

contraturas paroxísticas. ou através do uso de substancias contaminadas na ferida umbilical. Os filhos de mães adequadamente vacinadas nos últimos 5 anos apresentam imunidade passiva e transitória ate os 4 meses de vida extra-uterina. causando problemas respiratórios. como teia de aranha. Quando ha presença de febre.4 As manifestações clínicas em recém-nascido normal que passa a apresentar: irritação. hiperextensão dos membros inferiores e hiperflexão dos membros superiores.4 Os espasmos são desencadeados ao menor estimulo (toque.3 A susceptibilidade e universal. chamada de “atitude de boxeador”. A doença não confere imunidade. taquipnéia e presença de febre nos casos com infecção secundária. irritabilidade. No entanto. pó de café. Período toxêmico – ocorre taquicardia com pulso filiforme. sem motivo. A imunidade ativa obtida através da vacina dura em torno de 10 anos. afetando recém-nascidos de ambos os sexos e todas as raças.4 Clinicamente. tronco e abdome. de dois a cinco dias. recusa a amamentação. choro constante.4 A contração da musculatura da mímica facial leva ao cerramento dos olhos. o coto umbilical pode apresentar características de infecção ou encontrar-se normal. dificuldade em abrir a boca decorrente de trismo (contratura dolorosa da musculatura da mandíbula). recomenda-se um reforço em caso de nova gravidez. esterco. Evolui com hipertonia generalizada. geralmente confundidas com cólica intestinal. a imunidade passiva através do soro antitetânico (SAT) e da imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT) dura em media uma semana e 14 dias. exceto se houver infecção secundaria. com as mãos em flexão. luminosidade. seguida de rigidez de nuca. se esta ocorrer há mais de 5 anos da ultima dose. respectivamente.umbilical. respira com dificuldade e passam a ser constantes as crises de apnéia. com três doses (mínimo de duas). ela e baixa. o recém-nascido apresenta-se com choro constante. Crises de contraturas e rigidez da musculatura dorsal (opistotono) e intercostal. fronte pregueada e contratura da musculatura dos lábios. como se o recém-nascido fosse pronunciar a letra U. .4 Período de infecção – em média. Com a piora do quadro clinico o recém-nascido deixa de chorar. sudorese e taquicardia. que podem levar a óbito. ruídos) ou surgem espontaneamente. a qual só e conferida pela vacinação adequada da mãe.

onfalite). havendo alterações do sensório e crises convulsivas. nem ocorrem os paroxismos. O trismo não e manifestação freqüente. O trismo não e freqüente. logo apos o nascimento. com hipertermia ou hipotermia. porém o estado geral da criança e grave. . alterações do sensório e evidências do foco séptico (diarréia. Encefalopatias – podem cursar com hipertonia e o quadro clínico geralmente e evidente.Diagnóstico diferencial Septicemia – nas sepses do recém-nascido pode haver hipertonia muscular.

4. 816 p. 2004. 3. – (Série A. Tétano neonatal. Secretaria de Vigilância em Saúde. P. Ministério da Saúde.Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde. 2005. R. A. ed. MARGOTTO. . Tétano dos recém-nascidos: revisitado Rev Paul Pediatr 2008. Jornal de Pediatria . Tétano neonatal. 76. 2009. BRASIL. Assistência ao Recém-Nascido de Risco. – Brasília : Ministério da Saúde. 2. MURAHOVSCHI. Normas e Manuais Técnicos). et al. Nº5. – 6. GUARDIOLA.Vol. 2ª Edição.26(4):312-4.REFERÊNCIAS 1. J.

.Conhecimentos Prévios Para mim o tétano neonatal ocorria devido à falta de vacinação das gestantes.

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