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PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO GRANDE DO SUL – PUCRS

AS ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS E OS SIGNIFICADOS DO RECONHECIMENTO ANDRÉIA MARIN MARTINS

PORTO ALEGRE 2009

da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas. da disciplina Seminário de Sociologia do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais. PORTO ALEGRE 2009 .ANDRÉIA MARIN MARTINS AS ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS E OS SIGNIFICADOS DO RECONHECIMENTO Artigo apresentado ao Professor Doutor Emil Albert Sobottka.

Turim/Itália. produziu como efeito colateral do desenvolvimento a ampliação das comunidades periféricas. INTRODUÇÃO Com o desenvolvimento econômico acelerado que ocorreu nos paises desenvolvidos. e em muitos casos tornando-se bolsões de pobreza no meio destes centros. Apesar da ausência do Estado e o distanciamento dos representantes do poder público. as Organizações Comunitárias realizam um papel relevante em suas comunidades. ∗ Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS. Injustiça Social. o que provocou maiores deslocamentos populacionais do campo em direção aos grandes centros urbanos industrializados. Reconhecimento. 1. e sua relação com a realidade das Organizações Comunitárias que atuam em regiões periféricas nos grandes conglomerados urbanos. principalmente a partir anos 70. Estas organizações estão presentes em locais distantes da atuação oficial da administração pública. em função de sua luta contra as injustiças sociais. 2006. alto grau de violência na região. em muito prometido pelo Estado de Bem Estar Social. nos países em desenvolvimento. Palavras-chave: Organizações Comunitárias. E-mail: andreiamartins@esferaagenciasocial. Periferia.AS ORGANIZAÇÕES COMUNITÁRIAS E OS SIGNIFICADOS DO RECONHECIMENTO Andréia Marin Martins∗ RESUMO O presente artigo pretende traçar um paralelo entre os significados do Reconhecimento no combate às injustiças sociais. como por parte da sociedade e do Estado.br . como se sentem gratas quando percebem ser alvo deste reconhecimento. pela busca de melhores condições de vida. e por consequência. Conglomerados Urbanos. em função de fatores como a dificuldade de acesso. situadas às margens dos conglomerados urbanos. e controle social exercido pelo crime organizado.com. informalidade. Especialista em Gestão do Desenvolvimento Local pelo International Training Center of the International Labour Organization – ILO/UNSSC. e buscam o Reconhecimento tanto por parte dos seus pares.

tornando os responsáveis destas unidades lideres automáticos na comunidade. possuindo a autoridade que ninguém mais naquele meio possui. e como suas lideranças agem neste sentido.4 As periferias urbanas. atuando junto aos órgãos da administração pública. que surgem muito em função da própria necessidade de superação das adversidades provocadas pelo completo abandono por parte do Estado. valendo-se de sua representatividade local para concorrer a cargos públicos eleitos. junto aos representantes do poder público e da sociedade em geral. tanto como assessores comunitários como até mesmo a vereadores. são muito baseadas em noções de sobrevivência. como forma de combater as injustiças sociais a que estão expostas. sendo basicamente representado pela Escola Pública. e em alguns casos. onde os mais capazes de prover auxílio são convocados para cumprirem o papel de líderes. como presidente de associação de moradores. pois possuem mais condições de reivindicar atenção às necessidades especificas de cada coletividade. e em algumas vezes o Posto de Saúde. ou “comunidades” como são chamados os locais onde se concentram as populações pobres. dependendo sua sustentabilidade da própria contribuição dos membros da comunidade). tanto junto a própria comunidade em que estão inseridas. geralmente de moradores ou grupos de trabalho. Em outros casos. . pois são representantes diretos do Poder Público. Estas comunidades são regidas por lideranças locais. educação e bem estar social. buscando auxiliar aos mais necessitados. visto que não possuem grande parte dos equipamentos urbanos que proporcionam saúde. O que este trabalho procura demonstrar é a reivindicação de Reconhecimento que estas Organizações Comunitárias buscam. As demais lideranças são os presidentes de associações locais. como junto ao poder público e a sociedade em geral. A presença do Estado nestas comunidades é bastante pontual. possuem toda uma lógica própria de comportamento e sobrevivência. As relações estabelecidas entre os membros destas comunidades. são os próprios detentores de capacidades que buscam para si o papel de liderança na comunidade. basicamente representados pelos Clubes de Mães e as responsáveis pelas Creches Comunitárias (muitas delas sem receber nenhum tipo de auxilio do poder público. podendo chegar a concorrer a cargos na instância legislativa local.

“é como se o vocábulo ‘reconhecimento’ tivesse uma estabilidade lexical que justificasse seu lugar a título de verbete no léxico. levado a cabo por vários membros da comunidade unidos em torno de uma necessidade comum. e o sentido de gratidão que estas organizações percebem quando apontado por parte das autoridades públicas. que encontra na força da solidariedade a estrutura para sua operação. e para . realizado assim um significativo trabalho para estes indivíduos. partindo de conceitos usualmente aceitos até significações filosóficas. na “tentativa de associar a idéia de luta pelo reconhecimento ao que chamo. 2004. As Organizações Comunitárias exercem suas funções sob o signo da luta. ou mesmo pelos membros representativos da sociedade como sendo a sua atuação de grande valor no resgate da auto-estima destas comunidades. de estados de paz” (RICOUER. Estas organizações são frequentemente. p. não possuindo qualquer tipo de registro. o sentimento de gratidão gerado por este reconhecimento por parte destas organizações e suas lideranças. pois as mesmas estão às margens de um sistema formalmente organizado. Porém o que se pretende estabelecer aqui é seu significado enquanto atitude reivindicada por Organizações Comunitárias e seus líderes junto às comunidades nas quais atuam. minimizando os danos provocados pela ausência de instituições públicas responsáveis pelo atendimento a estas camadas da população. 2004. p. o resultado de esforços coletivos. Ou seja. junto com certos autores. Sua existência e permanência são unicamente garantidas pela luta dos indivíduos que precisam da prestação de seu serviço em função do atendimento. e junto ao Poder Público e a Sociedade em geral. OS SIGNIFICADOS DO RECONHECIMENTO O vocábulo Reconhecimento possui uma vasta lista de significações. e por outro lado. descritas em suas várias aplicações. 14). reduzindo os prejuízos causados pelas injustiças sociais sofridas por estas populações. na ausência de qualquer apadrinhamento filosófico que estivesse à altura da amplitude do campo de suas ocorrências” (RICOUER. o qual proporciona bem estar e qualidade de vida para os membros da comunidade. 233). a reivindicação de ser reconhecido seu trabalho e sua relevância no cenário local. seja em órgãos oficiais ou em organismos de assistência social. em função dos serviços prestados à comunidade.5 2.

o poder público. (. Reconhecimento das Organizações Comunitárias Para entendermos melhor o conceito de Reconhecimento aplicado aqui. e na forma como seus membros se posicionam.. e a inexistência deste serviço na comunidade. alcançado com o acréscimo de direitos de compartilhamento e participação política.1. que possuem uma lógica comportamental própria. 2004. tornando-se mais um nesta corrente de necessidades e solidariedade que se estabelece nestes locais..) por objetivo suplantar a privação de direitos de grupos desprivilegiados e. p. com isto. conforme estabelecido pelo Estado Democrático de Direito. dá-se basicamente pela necessidade de ter um serviço prestado por uma instituição a esta população. como com o seu público específico e com a comunidade em geral. seja ele educacional ou ocupacional. Esta “identidade” é construída através da forma de operação que estas instituições adotam no trato com as populações que atendem. ou seja. devemos observar as Organizações Comunitárias como organismos vivos.) por meio da promoção do status do trabalho assalariado dependente. conforme mencionado anteriormente.. O surgimento destas organizações. tanto entre si.224) Devemos observar que: . (HABERMAS. 2. cabe à massa da população a chance de viver com expectativas bem fundadas de contar com segurança. justiça social e bem-estar. As injustas condições sociais de vida da sociedade capitalista devem ser compensadas com a distribuição mais justa dos bens coletivos..6 os demais membros desta comunidade que também irão se beneficiar desta iniciativa. a fragmentação da sociedade em classes sociais: contudo a luta social contra a opressão de grupos que se viram privados de chances iguais de vida no meio social concretizou-se sob a forma de luta pela universalização socioestatal dos direitos do cidadão (. que seja prestado por quem é de direito prestar.

(. quando estas são indicadas como atores importantes dentro do contexto da promoção do desenvolvimento local.. trazendo bem estar e valorização à comunidade a que pertence. sem água. com efetividade e constância por estas organizações comunitárias. sem terras em plena zona urbana de Porto Alegre. ‘Ter reconhecimento por. produz efetivamente o sentimento de gratidão. coloca no caminho da gratidão sob a condição da adição da idéia de um movimento de retorno. (RICOUER. e a forma com a qual os indivíduos se articulam em torno de suas necessidades e buscam resolve-las independente da atuação ou a presença do poder público. 2004. segue abaixo o relato de uma liderança local: Éramos um grupo de pessoas vivendo precariamente.) as coisas parecem ser diferentes quando se trata de reivindicar reconhecimento para identidades coletivas ou igualdade de direitos para formas de vidas culturais. Para ilustrar exatamente o que está sendo chamado de Organizações Comunitárias. sem calçamento. a admissão da dívida em relação a alguém. está sendo realizado (com as condições que estão dentro das possibilidades destas instituições). sem luz.) (HABERMAS. Como sendo: “O reconhecimento como gratidão. desafiando proprietários e . admissão dirigida a esse alguém. p. 225) A luta por Reconhecimento empreendida por parte destas organizações é basicamente sustentada pela necessidade de se estabelecer um fundamento sobre o qual todos os envolvidos. sem escolas..19). demonstrar reconhecimento’. e a relevância da prestação de um serviço que deveria ser fornecido pelo Estado. na época em 27 vilas. espontâneo. Percebe-se a conexão com o que precede. em todos os sentidos da palavra. como se uma dívida fosse restituída”. gracioso. 2004... e como responsáveis pela minimização dos danos causados a estas populações pela exclusão social. como principalmente a autoridade pública.. tanto a comunidade local. perceba claramente a importância deste trabalho. sem esgoto. e que no entanto.. O Reconhecimento percebido por parte das Organizações Comunitárias. p.7 (.) Não exige ao menos uma espécie de direitos coletivos que faz ir pelos ares a auto-compreensão do Estado democrático de direito que herdamos (.

a tão sonhada terra que um dia seria nossa. Trata-se aqui a Reificação como: (. como “coisas” ou “mercadorias”.8 latifundiários da região. na época. o sentimento gerado nestas organizações quando seu trabalho é . alugavam terrenos e quando não pagávamos nos despejavam. todos nos unimos para lutar pelo direito de todos. só queriam nosso dinheiro. o outro levantava em nome daquele e buscava da mesma forma o seu direito por igual. (HONNETH. inertes.03) Podemos identificar no texto acima claramente a Luta por Reconhecimento. e a indignação pelo tratamento reificante recebido tanto por estas organizações. pois englobava pessoas também do Cristal e Glória. outros faziam um barranco ali próximo mesmo e fomos morando e nos unindo. e em meados de 1979 começamos a nos reunir com mais freqüência. ofereciam dinheiro. A melhor forma era nos unindo cada vez mais. casas caindo e terrenos sem infra-estrutura nenhuma.. O processo de Reconhecimento possui aqui dois aspectos relevantes. p. para que os mesmos ficassem fragilizados e fossem embora. quer dizer. mas tínhamos no peito e na pele o registro de nossas necessidades e sabíamos como saná-las. terrenos.) processos relacionados em um sentido decididamente normativo: isto significa um comportamento humano que viola nossos princípios morais ou éticos em tantos outros sujeitos que não são tratados de acordo com suas qualidades humanas. Passamos a chamar este grupo de cidadãos de “União de Vilas da Zona Sul”. Alguns ficavam na rua. o local de referência era o Centro Infantil Juvenil Zona Sul – Febem. e nossas famílias acuadas e cheias de medo. Alguns procuravam as lideranças. como pelas pessoas que as compõe. senão como objetos insensíveis. e por outro lado. afinal as necessidades eram quase as mesmas. 2005. Uma das necessidades era a regularização fundiária. dando as mãos e buscando o que necessitávamos. os quais se pretenderam enfatizar. não tínhamos registro em cartório.. Ficamos fortes com o sofrimento. p. nenhum vinha contra o outro. sempre falando a mesma fala e todos agindo do mesmo modo. gente de todos os bairros próximos da Cruzeiro e de todas as idades. alugavam casas. ninguém se vendeu. (OLIVEIRA. outros arranjavam barracas.17). mas não nos auxiliavam em nada. 2007. quais sejam: a luta pelas Organizações Comunitárias em terem reconhecido seu trabalho e a importância do mesmo para o desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida das comunidades em que estão inseridos. que se incomodavam com nossas presenças. casas para que as associações não apoiassem os despejados. se um não estivesse presente para responder por sua comunidade. Não queríamos mais ser despejados como bichos sobre um caminhão com nossas casinhas dois por dois.

que levará no futuro. constante no projeto “Cidades e Cidadãos pela Inclusão Social”. servindo de exemplo para outras comunidades e regiões. qual seja: acesso a capacitação profissional para ingressar em um mercado de trabalho competitivo. relatada por seus moradores. permitiu às lideranças locais. no ano de 2007. as quais também. Porém este exemplo somente reflete um fato especifico. Para citar como exemplo. pelo exemplo. um prêmio pelo esforço da comunidade da região da Grande Cruzeiro. no município de Porto Alegre. a um processo emancipatório. em unir esforços para sanar uma dificuldade que era de todos. através do Programa Rede Urb_Al – Rede 10 – Combate a Pobreza Urbana. Quando o reconhecimento vem por meios oficiais.9 apontado como sendo verdadeiramente eficaz na luta contra as injustiças sociais que estas comunidades são acometidas. promove nestas comunidades uma sensação de bem-estar e dever cumprido. não podendo ser tomado . dentro da atividade de “Apoio Inovador de Inclusão Social” . além de ser um reconhecimento efetivo dos organismos internacionais que atuam diretamente com a melhoria da qualidade de vida das comunidades carentes. a União Européia. e a toda a comunidade se ver retratada em um seminário. que resultou na elaboração de uma cartilha contendo a história da região. atribuiu ao “Projeto Demonstrativo de Desenvolvimento Local – Centro de Capacitação Profissional Cruzeiro”. minimizando os distanciamentos e as injustiças. Quando este movimento se estabelece. como das próprias organizações para com o Estado. O prêmio. que exige alta qualificação dos candidatos. promover sua própria qualificação. protagonistas de todo este processo. servindo como motivação para continuar e aprimorar sua atuação. promovendo a melhoria das condições de vida para todos. oriundos da autoridade pública. o qual parte do Estado para com as Organizações Comunitárias. onde cada um dos atores deste cenário procura aprimorar sua atuação para agregar valor ao processo. no momento em que se sentem gratificadas por tanto esforço empreendido na luta contra as injustiças sociais as quais estão constantemente expostas. podemos verificar uma espiral de desenvolvimento em ação. Neste caso podemos visualizar claramente os sentidos do reconhecimento.

promovido pelo Estado Democrático de Direito. os quais potencializados pelo coletivo.2. que alijam grandes contingentes populacionais de seus direitos estabelecidos. Reconhecimento dos Indivíduos As referências feitas até agora às Organizações Comunitárias. “pois só quando todo o sujeito vem a saber de seu defrontante que ele ‘igualmente se sabe em seu outro’.10 como padrão de comportamento. 77). ele pode possuir a ‘confiança’ segura de que o ‘outro’ é ‘para mim’. Para designar esta relação mutua de conhecer-se-no-outro. discutindo à política da comunidade. pessoas das vilas. 2003. p. Nesta parte do trabalho será colocado o foco nos indivíduos que empreendem estes esforços. Tínhamos. no movimento comunitário.) o conceito de ‘reconhecimento’. uma vida melhor para nós. salientaram os esforços coletivos locais. pessoas que vinham por curiosidade ver aquele povo se reunindo. Hegel emprega (. empreendidos no sentido de amenizar os prejuízos causados pelas injustiças sociais. promovem o desenvolvimento local e a melhoria da qualidade de vida das comunidades carentes.” (HONNETH.. para nossos filhos e nossos netos. São os indivíduos os protagonistas deste processo de desenvolvimento. Para ilustrar esta relação.. voltamos ao depoimento da liderança comunitária da Vila Cruzeiro. a política da sobrevivência com seus esforços. . ninguém buscaria para nós. em seu relato: Nós sabíamos que éramos cidadãos – favelados – mas conscientes e convictos que queríamos todos. sem ao menos buscarem formas de sanar esta privação de acesso ao Estado de Bem Estar. Em ordem. sendo a luta pelo reconhecimento o escopo aqui apresentado. mas quando necessário arregaçavam as mangas e iam a luta homens. tanto das Organizações Comunitárias como do Estado. Esta individualização é necessária para podermos entender como de fato se dão estas lutas. e só seria possível se nós buscássemos. este era o objetivo da União de Vilas. 2. somente com a união e harmonização dos interesses das pessoas que se pode avançar na busca da justiça social.

. fortalecer as associações e nos fazer respeitar pela sociedade e pelo governo..04) Os indivíduos buscam. na realização do seu trabalho.. Quando uma vila ia ser despejada sabíamos. alguns professores. mestiços. mesmo que em pequena escala. íamos todos no momento da ação. advogados. negros. deste trabalho. e a grande maioria o confinamento em condições extremamente precárias de sobrevivência. vemos que “a solidariedade necessária para integrar também as sociedades modernas não deverá fluir de fontes da tradição moral ou religiosa. Na luta pela redução da distância entre as classes. . (OLIVEIRA. brancos. conseguíamos na maioria das vezes conter. imbuias de espírito de luta pela melhoria de condições para a coletividade. É neste momento que surgem as lideranças comunitárias. porém todos com o mesmo objetivo: morar.11 mulheres. promovendo uma sensação de superação desta adversidade. e até regularizar muitas vezes a permanência no local de nossas famílias. que confere a uns um local de destaque. e principalmente perante a ausência do Estado. o reconhecimento por sua contribuição ao todo. que acabavam abraçando nossa causa e nos auxiliando com suas horas vagas no trabalho. 97). Fracassos tivemos alguns. Desta forma. onde a ação individual toma o corpo do coletivo para reivindicar o reconhecimento das necessidades de atendimento que estas comunidades enfrentam. os indivíduos são mobilizados em torno de algo que os una efetivamente. principalmente quando este trabalho é realizado em prol de uma grande quantidade de pessoas que necessitam. e onde sua ação possa remediar esta ameaça. 2008. p. (HONNETH. crianças. negociar e até adiar a ação. estagiários. “os sujeitos precisam ter reconhecido mutuamente a legitimidade de sua posse gerada pelo trabalho e assim ter-se transformado em proprietários uns para os outros. etc. Com todo este movimento vieram engrossar nossas reuniões alguns voluntários de fora. Durante oito anos fizemos nossa história sem nenhum documento oficial e conseguimos nosso objetivo. mas da realidade econômica. p.” (HONNETH. 2003. Quando as condições de sobrevivência são tão seriamente ameaças. p. a fim de trocar parte correspondente de sua riqueza legítima por um produto de sua escolha”. 61). fruto de um crescimento econômico desigual. 2007. de fato.

até o momento em que não será mais tão necessária a luta de seres humanos para serem reconhecidos por . Percebendo a exclusão a qual estavam sendo expostos. quanto por suas lideranças. que somente com o crescimento e a acumulação de recursos. os quais estavam sendo negados por discursos segregatistas que focavam seus argumentos na promoção dos valores da liberdade individual. tantas lutas e reivindicações. é a sensação do dever cumprido.12 3. O desenvolvimento econômico demonstrou. criaramse organizações que iniciaram um movimento reivindicatório de direitos. legitimadas por tantos esforços. muitas fatias da população foram alijadas de usufruírem do beneficio causado por este mesmo desenvolvimento. De que apesar de tanta luta e tanto sofrimento. tanto por parte do Estado. geração após geração. Foi pago o “ônus” sem o gozo do “bônus”. vítima desta exclusão. e suas lideranças. apartando e tornando invisíveis as camadas pobres da sociedade. Apesar da aparente “invisibilidade” a qual estavam expostos. No processo de desenvolvimento econômico. CONCLUSÃO A luta pelo Reconhecimento empreendida tanto pelas Organizações Comunitárias. quando estas mesmas Organizações Comunitárias. individuais e coletivos em direção a reivindicação de seus diretos. como de toda a sociedade. mudaram o rumo de seus destinos e saíram em luta de seu reconhecimento. os quais o Estado Democrático de Direito diz responder. Nas localidades periféricas ou nos bolsões de exclusão urbanos. e as conquistas vão se acumulando. o sentimento que resta quieto no peito de cada indivíduo. não é suficiente para o enfrentamento das disparidades e desigualdades promovidas por este desenvolvimento. esboça o lado da resistência e da superação das adversidades enfrentadas pelas grandes massas excluídas das benesses sociais experimentada pelo desenvolvimento econômico e apontadas pelo Estado de Bem Estar. percebem-se senhores de suas conquistas. Depois de tantos conflitos sociais. Organizações Comunitárias e suas lideranças empreenderam esforços. nada foi em vão.

à vida. Recognition. à saúde. Despite the absence of state and the distance of government representatives. Data de entrega: 02 de junho de 2009. high level of violence in the region.13 outros seres humanos em seus mais elementares direitos. and social control exercised by organized crime. and their relationship with the reality of community organizations that work in remote regions in large urban conglomerates. COMMUNITY ORGANIZATIONS AND THE MEANINGS OF RECOGNITION ABSTRACT This article aims to draw a parallel between the meanings of Recognition in the fight against social injustice. Keywords: Community. informality. These organizations are present at sites distant from the performance of official government. Urban conglomerates. according to their fight against the social injustice and feel grateful when they realize this target is recognized. Slums. based on factors such as the difficulty of access. of community organizations have a role in their communities. Social injustice. and seek the recognition by both their peers and by society and the state. . à educação e à moradia.

A Inclusão do Outro.14 REFERÊNCIAS _____Projeto Demonstrativo Centro de Capacitação Profissional Cruzeiro. São Paulo: Loyola. 2004. São Paulo: Loyola. 2006. . 2003. Paul. Reificación: Um estúdio de la teoria del reconocimiento. São Paulo: Editora 34. HONNETH. Trabalho e Reconhecimento. Luta por Reconhecimento: A gramática moral dos conflitos sociais. Alex. Alex. RICOUER. HONNETH. Porto Alegre: Civitas. Jürgen. Porto Alegre. Buenos Aires: Katz. 2008. Implantação do Programa de Governança Solidária Local – PGSL. HABERMAS. 2007 HONNETH. Percurso do Reconhecimento. Alex. 2007.