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Introdução ao Balanço Patrimonial

Contabilidade financeira, patrimônio, resultado.

A Contabilidade Financeira pode ser definida como a ciência ou o conjunto de técnicas que tem o objetivo de registrar o patrimônio de uma entidade. Por registrar entende-se que ela deve oficializar, transcrever os fatos acontecidos e que alterem de qualquer forma o patrimônio que, por sua vez, é representado pelo conjunto de bens, direitos e obrigações da entidade.

De modo geral, três grandes visões moldam a forma de processar os números na Contabilidade Financeira: a visão do patrimônio - que consiste no objeto central de análise da Contabilidade,

cuidando dos registros de bens, direitos e obrigações -

a

visão do

resultado -

que

apresenta a

evolução

da

riqueza

e

do

patrimônio - e

a

visão do caixa - que apresenta

os recursos mais importantes para a liquidez e

solvência do negócio, representada pelo dinheiro disponível na empresa.

Visão

Descrição

Patrimônio

A riqueza da entidade precisa ser devidamente mensurada e acompanhada. Seus bens, direitos e obrigações devem ser devidamente apurados e controlados.

Resultado

Sob o ponto de vista dos acionistas, a entidade precisa dar lucro e lucro e esse precisa ser monitorado e devidamente calculado.

Caixa

A entidade deve ser capaz de efetuar o pagamento das diversas obrigações por ela contraídas. Assim, o correto acompanhamento dos recursos em posse da empresa, representados no caixa, precisa ser devidamente executado e acompanhado.

A Visão Do Patrimônio

A Visão do patrimônio faz referencia ao fato de que qualquer movimentação relativa a bens, direitos ou obrigações de se registrada pela contabilidade.

Para ilustrar a formação dos números com base na visão do patrimônio, considere o exemplo do plano de negócio dos Caldos Doce Magia Ltda. - um pequeno empreendimento destinado a produção e comercialização de caldos-de-cana, instalado na orla de uma grande cidade do Nordeste do país.

Os Caldos Doce Magia Ltda. consistem em um empreendimento muito simples. Será montado em um pequeno e bem produzido quiosque, com fácil visibilidade e em um ponto com grande fluxo de potenciais consumidores. No quiosque, serão instalados um pequeno motor a gasolina, já que não existirá possibilidade de fornecimento de energia elétrica em plena praia, e uma moenda para as canas.

O produto será sempre comercializado em copos plásticos descartáveis de 400 ml, com gelo e canudo. Antônio estima que cobrará $ 1,00 por copo, comercializando 240 copos por dia. Calcula que

poderá operar durante cinco dias por semana, de quarta a domingo, quatro semanas ou 20 dias por mês. Assim, o seu faturamento previsto será igual a $ 240,00 por dia, $ 1.200,00 por semana ou $ 4.800,00 por mês.

Para poder montar a operação, o empresário Antônio Araújo do Canavial estimou a necessidade de aquisição de implementos e de fardamento para os funcionários, que apresentam um orçamento total igual a $ 3.400,00, conforme exposto na relação da tabela seguinte.

Descrição

Valor

Quiosque para a instalação da máquina

1.440,00

Máquina de moer cana

600,00

Motor a gasolina

840,00

Utensílios variados

300,00

Caixa térmica

60,00

Fardamento

160,00

Soma

3.400,00

Além da aquisição dos equipamentos, utensílios e fardamentos, Canavial igualmente calculou que será preciso comprar uma série de outros materiais, necessários para a produção de uma semana de copos de caldo-de-cana, como as dúzias de cana-de-açúcar, os copos descartáveis de 400 ml, canudos, gasolina e gelo filtrado especial. Como pensa em produzir 240 copos por dia, a quantidade de materiais comprados deverá ser suficiente para a produção de 1.200 copos.

De forma adicional, será preciso deixar no caixa do estabelecimento uma certa quantia de dinheiro, empregado para o fornecimento de troco e a realização de pequenos pagamentos. Estimou a quantia de $ 144,00 que será sempre mantida no caixa. Veja a relação na tabela seguinte.

Descrição

Unidade

Valor unitário

Unidades

Subtotal

Cana -de-açúcar

Dúzia

3,00

50,00

150,00

Copos descartáveis de400 ml

Pacote c/ 50 unidades

5,00

24,00

120,00

Canudos

Pacote com 400 unidades

6,00

3,00

18,00

Gasolina

Litro

2,00

24,00

48,00

Gelo filtrado especial

Saco com 20 kg

20,00

6,00

120,00

Caixa

     

144,00

Soma

     

600,00

Assim, conforme apresentado na tabela, os gastos totais com os estoques de materiais e o caixa estão previstos como iguais a $ 600,00. O investimento total na operação é igual a $ 4.000,00, sendo $ 3.400,00 resultantes da compra dos equipamentos e fardamento e $ 600,00 resultantes da compra dos materiais e dos recursos que serão mantidos no caixa.

Alguns equipamentos serão financiados em 12 meses pelos próprios fornecedores: o quiosque para a instalação da máquina (no valor de $ 1.440,00); a máquina de moer cana ($ 600,00) e o motor a gasolina ($ 840,00). Os demais itens da operação deverão ser pagos a vista.

Assim, dos $ 4.000,00 necessários para a operação, $ 2.880,00 seriam financiados por terceiros. Logo, a diferença no valor de $ 1.120,00 deveria vir do capital próprio do investidor. Na visão patrimonial da Contabilidade Financeira, todos os valores do patrimônio - bens, direitos e obrigações - precisariam ser devidamente registrados.

O documento contábil que apresenta o patrimônio é denominado Balanço Patrimonial - por mostrar uma relação de igualdade (equilíbrio ou balanço) do patrimônio da entidade. Para isso, o documento deve apresentar bens, direitos e obrigações, devidamente agrupados.

Para facilitar a leitura das informações, o balanço patrimonial comumente apresenta bens e direitos do lado esquerdo e as obrigações do lado direito. Como os registros contábeis representam transações ocorridas entre dois sujeitos, um ativo - que possui as prerrogativas sobre bens e direitos - e um passivo - que recebe as prerrogativas exercidas por um terceiro -, a Contabilidade Financeira acaba adotando esta denominação: ativo para bens e direitos e passivo para obrigações. Veja a figura adiante.

Ativo

$

Passivo

$

Bens e Direitos

4.000,00

Obrigações

2.880,00

Total

4.000,00

Total

2.880,00

Nota-se, automaticamente, que a relação de equilíbrio expressa na denominação balanço patrimonial não está presente na figura anterior. O Balanço Patrimonial precisa igualmente apresentar um componente que represente o capital próprio, investido pelo dono e que costuma ser apresentado como Patrimônio Líquido - já que é igual ao patrimônio subtraído, líquido, portanto, das obrigações.

Ativo

$

Passivo

$

Bens e Direitos

4.000,00

Obrigações

2.880,00

   

Capital

1.120,00

Total

4.000,00

Total

4.000,00

O Balanço Patrimonial apresenta de forma clara o maior objetivo da Contabilidade Financeira registrar o patrimônio da entidade. Representa uma "fotografia" em dado instante do patrimônio da entidade. É estático e reflete um instante da situação patrimonial. Pode ser representado na Figura adiante:

Balanço Patrimonial (fotografia do equilíbrio patrimonial)

 

Passivo

Ativo

Conjunto de Obrigações a pagar a terceiros

Conjunto de bens e direitos

PL

Conjunto de

recursos

pertencentes

aos sócios

Balanço Patrimonial (fotografia do equilíbrio patrimonial) Passivo Ativo Conjunto de Obrigações a pagar a terceiros Conjunto

Balanço Patrimonial.

O Balanço Patrimonial reflete estaticamente a posição do patrimônio em dado momento, sendo constituído de três elementos distintos, apresentados como:

Ativo: consiste no conjunto de bens e direitos da entidade. É sempre apresentado no lado esquerdo do balanço e representa, de modo geral, os destinos dos recursos da entidade;

Passivo: forma o conjunto de obrigações assumidas pela empresa. Representa uma fonte de origens de recursos para as atividades da empresa, oriundos de terceiros e para os quais a empresa possui a obrigação de devolver o principal, eventualmente acrescido de juros;

Patrimônio Líquido: representa o volume de recursos pertencentes aos sócios. Formalmente, não representa obrigações, já que a empresa não é obrigada a restituir os investimentos feitos pelos sócios, o que somente ocorre na hipótese de retirada de um deles.

Convém destacar que o fato de as obrigações (ou passivo exigível) e o patrimônio líquido serem sempre apresentados do lado direito do Balanço Patrimonial faz com que ambos os grupos possam ser denominados como passivo, embora possuam naturezas distintas.

Genericamente, os passivos assumidos por uma entidade representam os recursos obtidos através dos sócios (o patrimônio líquido) ou de terceiros (o passivo exigível). Correspondem aos

financiamentos recebidos pela entidade e a estratégia de funding adotada. Já os ativos correspondem aos bens e direitos da entidade correspondem aos investimentos feitos.

Os ativos ou bens e direitos da entidade. Os ativos correspondem à parte desejável do patrimônio da entidade, formada por bens e direitos.

Os bens correspondem a quaisquer coisas passíveis de avaliação em dinheiro que tenham a capacidade de satisfazer a uma necessidade humana. Podem ser tangíveis ou corpóreos (que possuem existência física como coisa e como tal podem ser tocados, como veículos, imóveis, dinheiro, produtos, mercadorias etc.) ou intangíveis ou incorpóreos (inexistem como coisa, não podendo ser tocados, como o nome comercial, a marca, as patentes, os direitos autorais etc.).

Bens correspondem àquilo que pode ser avaliado economicamente e que satisfaça às necessidades humanas. Podem ser classificados em tangíveis (que têm existência física, são corpóreos, concretos ou materiais) ou intangíveis (que não possuem existência física, são incorpóreos, abstratos ou imateriais).

Os bens tangíveis podem ser classificados como:

numerários: dinheiro; de venda: mercadorias em estoque; fixos ou imobilizados: representam os bens duráveis, com vida útil superior a um ano, como imóveis, veículos, máquinas, instalações, equipamentos, móveis, utensílios; de renda: os bens não destinados aos objetivos da empresa, como imóveis destinados a renda ou aluguel; de consumo: bens não duráveis ou que são gastos ou consumidos no processo e que, depois de consumidos, tornam-se despesas, como combustíveis e lubrificantes, material de escritório ou de limpeza etc.

Destaca-se que a classificação do bem tangível depende da atividade da empresa, da especificação técnica do bem ou da utilidade dada ao bem (por exemplo, para venda, consumo ou uso).

Os bens intangíveis não possuem existência física, sendo incorpóreos, abstratos ou imateriais. Porém, representam aplicações de recursos, muitas vezes indispensáveis aos objetivos da empresa. O valor dos bens intangíveis reside em direitos de propriedade legalmente conferidos aos seus possuidores. Exemplos: direitos sobre marcas, patentes, direitos autorais, ponto comercial, fundo de comércio, ações ou quotas do capital de outras empresas etc.A depender da sua finalidade, os bens podem ser classificados como:

bens de uso: correspondem a bens que servem a vários ciclos produtivos e são empregados na produção de outros bens, tais como as imobilizações ou imobilizados - máquinas, veículos, móveis, direitos autorais etc.;

bens circulantes: participam ou são consumidos no processo produtivo, tais como matérias-primas, peças e acessórios etc.;

bens de venda: constituem o objeto principal da atividade empresarial e deles depende a formação do resultado da entidade (lucro ou prejuízo) através das receitas geradas, subtraídas dos custos e despesas incorridos. Podem ser mercadorias (nas empresas comerciais ou mercantis), produtos (nas empresas industriais), serviços (nas empresas prestadoras) ou imóveis (nas mobiliárias);

bens de renda: correspondem a investimentos que produzem rendimentos extraordinários para a empresa, como ações de outras empresas, locação de bens de não-uso, títulos de renda etc. Não concorrem diretamente para a formação do resultado principal da exploração da entidade. Seus rendimentos são considerados como outras receitas operacionais.

Os direitos correspondem a valores a serem recebidos de terceiros, por vendas a prazo ou valores de propriedade da empresa que se encontra em posse de terceiros. Os direitos são oriundos, por exemplo, de operações como:

  • 1. venda a prazo de bens ou serviços, tais como: duplicatas a receber, títulos a receber etc.;

  • 2. aplicação de recursos financeiros, tais como: aplicações financeiras, certificados de renda fixa, títulos a receber etc.

  • 3. aquisição de outros direitos decorrentes da forma de contabilização da transação contábil, como impostos a recuperar, seguros a vencer, juros antecipados etc.

A questão do prazo de recebimento ou pagamento

O estudo do prazo de recebimento ou realização dos bens e direitos da entidade ou do pagamento das obrigações é fundamental na análise e compreensão de demonstrativos financeiros. Para facilitar a extração da informação do Balanço Patrimonial, em função do seu timing, isto é, período de realização ou conversão em dinheiro, as principais contas do ativo podem ser apresentadas como Ativo Circulante, Realizável a Longo Prazo ou Permanente.

Além de apresentar as contas classificadas nos grupos formados por ativos, passivos e PL, de acordo com a legislação societária, o balanço também apresenta uma classificação em função do timing das contas e do ciclo operacional das empresas.

O ciclo operacional consiste no intervalo de tempo necessário para a em presa executar todas as suas operações. Em uma operação industrial, por exemplo, envolve desde o momento de aquisição dos insumos até o recebimento das vendas efetuadas a prazo.

As formas de classificação podem ser apresentadas como:

  • a) para empresas com ciclo operacional de até um ano: contas realizáveis ou exigíveis até o final do exercício social subseqüente são classificadas como curto prazo. Assim, considerando a publicação dos números no final do ano e supondo que o exercício social coincida com o ano calendário, contas realizáveis ou exigíveis em mais que 12 meses devem ser classificadas como longo prazo;

  • b) para empresas com ciclo operacional superior a um ano: consideramse curto prazo contas vencíveis ou realizáveis dentro do ciclo operacional da empresa. Se, por exemplo, um fabricante de navios gasta, em média, cinco anos na sua operação tradicional, todas as contas exigíveis ou;

Considerando o exercício social igual ao ano-calendário e a apresentação dos relatórios no final do mês de dezembro realizáveis no intervalo de cinco anos serão classificadas como contas de curto prazo. Como, de modo geral, as empresas possuem ciclos operacionais inferiores a um ano, diz-se

que de curto prazo são as contas vencíveis ou realizáveis até o final do exercício social subsequente. Supondo a publicação dos números no final do ano e a coincidência do exercício social com o ano- calendário, assume-se que contas realizáveis ou exigíveis em até 12 meses devam ser classificadas no curto prazo.

Além das contas de curto e longo prazo, existem outras, apresentadas didaticamente como contas de “longuíssimo" prazo. Correspondem a valores que somente serão realizados ou quitados em um intervalo de tempo muito longo. No ativo, são representadas pelo subgrupo formado pelos ativos permanentes - como móveis e utensílios - que somente se realizarão através de uma eventual venda - o que não deve ser comum - ou através do uso sucessivo ao longo dos anos. Tal uso é expresso pela Contabilidade através do reconhecimento da depreciação, que reflete o desgaste e a obsolescência dos bens adquiridos.

No Passivo, as contas do "longuíssimo" prazo são representadas pelos recursos dos sócios, agrupados no Patrimônio Líquido. A empresa não possui a obrigação de ressarcir os investimentos feitos pelos sócios. Logo, são contas com exigibilidade "a perder de vista". Ou seja, de "longuíssimo" prazo.

Para facilitar o processo de gestão empresarial e extração de informações do balanço patrimonial, as contas classificadas como curto prazo (ativos ou passivos circulantes ou correntes), longo prazo (ativos realizáveis a longo prazo ou passivos exigíveis a longo prazo) e "longuíssimo" prazo (ativos permanentes ou patrimônio líquido) devem ser apresentadas em ordem decrescente de liquidez - que se refere à velocidade de conversão de um ativo em dinheiro -, ou exigibilidade - que se refere à velocidade de conversão de dinheiro em quitação de obrigação.

Os principais componentes de cada um dos grupos apresentados na Figura 1.5 estão caracterizados e ilustrados a seguir.

ATIVO CIRCULANTE: os ativos circulantes correspondem às contas realizáveis em até 12 meses, sendo subdivididos em Disponibilidades, Valores a Receber e Despesas Antecipadas.

Disponibilidades: o que a empresa tem em caixa, bancos ou aplicações financeiras de curtíssimo prazo. Suas principais contas são:

Caixa: representa todo o dinheiro em espécie (notas e moedas) à disposição da empresa. Eventualmente, pode englobar os "cheques em mãos", que podem ser depositados imediatamente. Assim, jamais pode apresentar saldo credor.

Bancos: também denominada Bancos - Conta Movimento, corresponde aos depósitos bancários a vista. Representa valores de livre movimentação, já disponíveis na conta bancária da empresa. Valores de aplicações financeiras, mesmo quando vinculadas à conta movimento, não deverão compor a conta bancos - devem ser registrados em conta específica.

Valores a receber: correspondem aos direitos constantes no Ativo Circulante e podem ser formados por diferentes contas.

Contas a receber: genericamente, corresponde aos valores devidos pelos clientes, com o devido destaque dos eventuais créditos não recebíveis em função de inadimplência ou daqueles descontados em bancos. Divide-se nas contas:

Duplicatas a receber: a duplicata representa título de crédito que representa uma dívida contraída por venda a prazo de mercadorias ou serviços. O vendedor a emite, cabendo ao comprador assiná-la, reconhecendo formalmente a dívida. Dessa forma, a conta "Duplicatas a receber" indica o quanto a empresa vendedora tem a receber de seus clientes por vendas a prazo. Algumas vezes, essa conta recebe a denominação "Clientes".

É importante destacar que, de forma contrária às Duplicatas, as Notas Promissórias são títulos de crédito emitidos pelo devedor. Dessa forma, a conta "Notas Promissórias emitidas pela empresa" corresponde a obrigações, sendo registradas no passivo.

Provisão para devedores duvidosos: igualmente denominada "Provisão para créditos de liquidação duvidosa" ou, simplesmente, PDD. É uma conta redutora do Contas a Receber. Corresponde à provisão que deve ser constituída a fim de cobrir as possíveis perdas na cobrança das contas a receber. Sua contra partida corresponde a uma conta de despesa que reduz o resultado do exercício e, por conseqüência, o Imposto de Renda devido e a Contribuição Social Sobre o Lucro. Para evitar "excessos" no provisionamento, a legislação do Imposto de Renda impõe limites a esta despesa para o cálculo do lucro real. Por se tratar de conta que requer uma análise mais aprofundada, será abordada mais adiante.

Duplicatas descontadas: também representa conta redutora de Clientes, resultado da conversão de Duplicatas a Receber em dinheiro através de uma operação financeira de desconto.

Estoques: são representados pelos bens adquiridos ou produzidos pela empresa com a finalidade de venda ou para utilização própria no curso normal de suas atividades. O que caracteriza a inclusão neste grupo é o direito de propriedade e não a posse física. Os estoques podem ser representados por:

  • a) itens que existem fisicamente, excluindo-se os de propriedade de terceiros, recebidos em consignação ou para armazenamento;

  • b) itens de estoque em trânsito a caminho da empresa na data do balanço, adquiridos segundo o critério FOB (freight on board);

  • c) itens de estoque remetidos para terceiros em consignação, mas cujos direitos de propriedade permanecem com a empresa;

  • d) itens que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento etc.;

  • e) materiais de expediente ou de escritório, quando adquiridos em grande quantidade, cujo consumo aconteça ao longo do período.

Podem ser agrupados em diferentes contas, como: mercadorias; produtos elaborados; produtos em elaboração; matéria-prima; materiais de embalagem; materiais auxiliares; materiais de manutenção

e suprimento; almoxarifado; estoques de material de escritório. Um componente especial do subgrupo estoques é a conta Provisão para desvalorização de estoques, apresentada a seguir.

Provisão para desvalorização de estoques: consiste em subconta do grupo estoques que tem o objetivo de ajustar o valor dos estoques quando este for superior ao preço de mercado das mercadorias. Pode ser empregada para corrigir o valor dos estoques de mercadorias, matérias- primas, produtos em fabricação, produtos acabados e materiais de consumo.

Despesas antecipadas: corresponde, segundo o critério da liquidez, ao último item do Ativo Circulante. Segundo o critério da competência, devem ser alocadas ao período analisado apenas as despesas que se refiram a bens consumidos no período. Assim, se determinada despesa influenciar mais de um período, a legislação determina que, provisoriamente, ela seja contabilizada no subgrupo das "Despesas Antecipadas", sendo posteriormente apropriada ao resultado. Notase que, embora figurem no ativo circulante, não representam direito de recebimento de valores em dinheiro. Um exemplo usual de despesa antecipada consiste no pagamento do prêmio de seguros.

Ativo Não Circulante

Realizável A Longo Prazo: genericamente, consiste em direitos a receber em prazo superior a 12 meses, considerando a apresentação dos números em dezembro, ou em valores que somente ingressarão na entidade após o término do exercício seguinte. Porém, a legislação determina que, quando a entidade realizar transações com pessoas físicas ou jurídicas que sejam participantes do seu Capital Social ou quaisquer outros interessados nos lucros da empresa, deve declarar

textualmente que, quando

essas

fora da atividade operacional da empresa, serão classificadas

transações estiverem

no

Realizável

a

Longo

Prazo,

independentemente do prazo de vencimento do direito correspondente.

As operações eventuais, fora das atividades operacionais da empresa, podem ser exemplificadas por

meio

da

venda

de

bens

do

ativo

imobilizado

ou

quaisquer

outros

itens

do

permanente;

adiantamentos

ou

empréstimos

para

empresas

coligadas

ou

controladas;

empréstimos

ou

adiantamentos

 

a

diretores,

acionistas ou outros participantes nos lucros, tais como debenturistas ou titulares das partes

beneficiárias.

 

As principais contas do subgrupo Realizável a Longo Prazo são: Duplicatas a Receber; Contas a Receber; Títulos a Receber; Empréstimos a Coligadas; Empréstimos a Controladas; Empréstimos a Sócios e Diretores; Empréstimos Compulsórios; Depósitos Trabalhistas; Duplicatas Descontadas

(retificadora); são para Devedores Duvidosos (retificadora).

Provi-

Antigas Contas do Permanente: correspondem a recursos da empresa que se realizarão em prazos muito longos, como máquinas, automóveis, imóveis e outros. De acordo com a Lei das Sociedades por Ações, o Ativo Permanente é subdividido em subgrupos de acordo com a natureza dos elementos envolvidos, compreendendo os bens e direitos de propriedade, bem como as

despesas que contribuirão para a formação de mais de um exercício social. Os subgrupos das contas do Ativo Permanente são Investimentos, Imobilizado e Diferido.

Investimentos: correspondem às participações societárias permanentes em outras empresas, os bens de renda ou quaisquer outros bens que não se destinem à manutenção das atividades da empresa ou da fonte produtora dos rendimentos. Segundo a Lei ns 6.404/76, são classificadas em investimentos "as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza não classificados no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa" (art. 179).

São contas do subgrupo Investimentos: Participações Societárias Permanentes; Participações em Empresas Coligadas; Participações em Empresas Controladas; Imóveis de Renda; Terrenos para Utilização Futura; Objetos de Arte; Provisão para Ajustes de Investimentos retificadora).

Imobilizado: investimentos em instalações, equipamentos, utensílios necessários às atividades da empresa. Segundo a Lei nº 6.404/76, são classificados no Ativo imobilizado "os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia e da empresa, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial e comercial".

Os elementos patrimoniais agrupados no ativo imobilizado podem ser classificados como:

Tangíveis: bens com existência ou corpo físico, representados por máquinas, móveis, veículos, direitos sobre recursos naturais e outros;

Intangíveis: bens com existência abstrata, exemplificados através de direitos de propriedade imaterial, como marcas, patentes, direitos autorais, fundo de comércio e outros.

A depender de seu estágio de utilização, as imobilizações podem ser divididas em dois grupos principais:

a)Imobilizado em operação: formado por bens e direitos que se encontram em operação normal, segundo o objetivo social da empresa;

b)Imobilizado em andamento: constituído por aplicações de recursos em imobilizações que ainda não estão em operação.

Fazem parte do subgrupo Imobilizado as seguintes contas: Terrenos; Edifícios; Depósitos e Armazéns; Galpões Industriais; Veículos; Máquinas e Equiamentos; Instalações; Equipamentos de Informática; Sistemas Aplicativos (softwares); Aparelhos e Ferramentas; Jazidas de Minérios; Benfeitorias em Bens de Terceiros; Marcas e Patentes; Direitos Autorais; Direitos sobre Recuros Minerais; Direitos sobre Recursos Florestais; Depreciação Acumulada retificadora); Amortização Acumulada (retificadora); Exaustão Acumulada (retificadora) .

Intangível (Diferido): investimento a recuperar no futuro em que não se sabe exatamente o período necessário de amortização. Corresponde a gastos com pesquisas e desenvolvimento de novos produtos. É ativo caracterizado por sua intangibilidade. Deve ser apropriado às despesas operacionais no período de tempo em que estiver contribuindo para formação do resultado da empresa.

São características dos ativos Intangíveis (diferidos):

  • 1. serem, em geral, intangíveis, sujeitos à apropriação ao resultado a partir do início das operações sociais;

  • 2. não incluírem bens corpóreos, mesmo aqueles utilizados na fase préoperacional, os quais deverão estar contabilizados no Imobilizado;

  • 3. constituírem-se em verdadeira exceção à regra de classificação do ativo, já que não são bens ou direitos e sim despesas;

  • 4. não se confundirem com as "Despesas Pagas Antecipadamente" constantes do Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, porque, enquanto essas constituem ''valores pagos ou provisionados mas não incorridos", que de forma objetiva pertencem a um exercício futuro, o diferido seria formado por despesas já incorridas, que, em função de influenciarem outros exercícios, não são computadas imediatamente no resultado. Devem ser apropriadas a partir do início da fase de produção e comercialização dos produtos, por meio de critérios objetivos de tempo determinados pelo Regulamento do Imposto de Renda, em prazos que costumam variar de 5 a 10 anos;

  • 5. compreenderem despesas incorridas durante o período correspondente a desenvolvimento, construção e implantação de projeto de fabricação de produtos, anteriores a seu período de fabricação;

  • 6. abrangerem despesas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de novos produtos, métodos ou fórmulas de fabricação;

  • 7. representarem custos ou despesas associados a modernização ou reorganização administrativa da empresa, a exemplo dos projetos de informatização;

Fazem parte do subgrupo Imobilizado as seguintes contas: Terrenos; Edifícios; Depósitos e Armazéns; Galpões Industriais; Veículos; Máquinas e Equiamentos; Instalações; Equipamentos de Informática; Sistemas Aplicativos (softwares); Aparelhos e Ferramentas; Jazidas de Minérios; Benfeitorias em Bens de Terceiros; Marcas e Patentes; Direitos Autorais; Direitos sobre Recuros Minerais; Direitos sobre Recursos Florestais; Depreciação Acumulada retificadora); Amortização Acumulada (retificadora); Exaustão Acumulada (retificadora).

Diferido: investimento a recuperar no futuro em que não se sabe exatamente o período necessário de amortização. Corresponde a gastos com pesquisas e desenvolvimento de novos produtos. É ativo caracterizado por sua intangibilidade. Deve ser apropriado às despesas operacionais no período de tempo em que estiver contribuindo para formação do resultado da empresa em período não inferior a cinco exercícios e não superior a 10 exercícios.

São características dos ativos diferidos:

1.

Serem, em geral, intangíveis, sujeitos à apropriação ao resultado a partir do início das operações sociais;

  • 2. não incluírem bens corpóreos, mesmo aqueles utilizados na fase pré-operacional, os quais deverão estar contabilizados no Imobilizado;

  • 3. constituírem-se em verdadeira exceção à regra de classificação do ativo, já que não são bens ou direitos e sim despesas;

  • 4. não se confundirem com as "Despesas Pagas Antecipadamente" constantes do Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo, porque, enquanto essas constituem ''valores pagos ou provisionados mas não incorridos", que de forma objetiva pertencem a um exercício futuro, o diferido seria formado por despesas já incorridas, que, em função de influenciarem outros exercícios, não são computadas imediatamente no resultado. Devem ser apropriadas a partir do início da fase de produção e comercialização dos produtos, por meio de critérios objetivos de tempo determinados pelo Regulamento do Imposto de Renda, em prazos que costumam variar de 5 a 10 anos;

  • 5. compreenderem despesas incorridas durante o período correspondente a desenvolvimento, construção e implantação de projeto de fabricação de produtos, anteriores a seu período de fabricação;

  • 6. abrangerem despesas com pesquisas tecnológicas e desenvolvimento de novos produtos, métodos ou fórmulas de fabricação;

  • 7. representarem custos ou despesas associados a modernização ou reorganização administrativa da empresa, a exemplo dos projetos de informatização;

  • 8. estarem associados a pagamentos decorrentes da obtenção de concessões e licenças junto ao poder público, quando a atividade dependa da concessão governamental, como a

exploração

do

serviço

de

transporte

público municipal;

  • 9. representarem o pagamento de juros a acionistas durante o período que antecede o início das atividades sociais da entidade.

Fazem parte do subgrupo Ativo Diferido as contas de: Despesas Pré-Operacionais; Despesas de Implantação; Pesquisas Tecnológicas; Custos de Desenvolvimento de Produtos; Métodos e Fórmulas de Fabricação; Custos de Modernização Administrativa; Custos de Reorganização Administrativa; Concessões e Licenças; Custos com Prospecção de Jazidas; Juros pagos a Acionistas na Fase Pré-Operacional.

Os passivos: São as obrigações da entidade

As obrigações compreendem as dívidas ou compromissos de quaisquer espécies assumidos perante terceiros. Podem ser representadas por títulos de crédito (como duplicatas ou promissórias a pagar), compromisso contratual (como aluguéis a pagar, contas de energia elétrica, água ou telefone a

pagar) ou registro escritural (como empréstimos a sócios e acionistas). As obrigações formadas pelas dívidas da empresa com terceiros são denominadas obrigações exigíveis ou simplesmente, exigíveis.

As obrigações representam dívidas ou compromissos de qualquer espécie ou natureza assumidos perante terceiros, ou bens de terceiros que se encontram em posse da empresa. Exemplos:

duplicatas a pagar, notas promissórias a pagar; fornecedores, impostos a recolher, contas a pagar, títulos a pagar, contribuições a recolher etc.

É importante destacar que o Passivo registra um grupo de contas provisionadas: formadas por despesas já incorridas, porém ainda não quitadas. Podem ser: salários a pagar; encargos a recolher; comissões a pagar e impostos a pagar, juros a pagar etc.

PASSIVO CIRCULANTE: é formado pelas obrigações da empresa que vencem até o final do exercício seguinte (próximos 12 meses). Para empresas com ciclo operacional superior a 12 meses, serão classificadas no passivo circulante todas as obrigações da empresa que vencerem dentro do ciclo operacional da entidade.

Segundo

o

art.

184

da Lei das Sociedades

obrigações devidas:

por Ações, diferentes são as

formas de registro das

  • 1. obrigações, encargos e riscos, conhecidos ou calculáveis, inclusive Imposto de Renda a pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a data do balanço;

  • 2. obrigações em moeda estrangeira, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data da negociação e especificamente na data do balanço;

  • 3. obrigações sujeitas à correção monetária serão atualizadas até a data do balanço.

Dentre

algumas

contas

que

fazem

parte

do

subgrupo

passivo

circulante,

podem

ser

mencionadas:

 

Duplicatas a pagar ou fornecedores

 

Financiamentos

 

Empréstimos bancários

 

Debêntures a pagar

 

Encargos financeiros a

 

Provisão para Imposto

 
 

pagar

de Renda

 

Contribuição Social a

 

ICMS a Recolher

 

PIS a Recolher

 

Recolher

     

Cofins a Recolher

 

ISS a Recolher

 

Imposto de Renda na Fonte a Recolher

 

Provisão de Férias

 

Provisão de 132 Salário

 

Dividendos a Pagar

 

Salários a Pagar

 

Honorários da Diretoria a

 

Participações de Lucros a

 

li

   

Pagar

Pagar

Adiantamentos de Clientes

 

Receitas Recebidas

   

I

Antecipadamente

Passivo Não Circulante;

Exigível A Longo Prazo: corresponde às obrigações e aos financiamentos da entidade com vencimentos superiores a 12 meses (ou ao ciclo operacional da empresa, quando este for superior a 12 meses).

Dentre as contas agrupadas no exigível a longo prazo, podem ser citadas: financiamentos nacionais; financiamentos estrangeiros; debêntures a pagar; empréstimos de empresas coligadas; empréstimos de empresas controladas; empréstimos de sócios e acionistas; adiantamentos para aumento de capital; provisão para Imposto de Renda diferido.

Resultados de Exercícios Futuros: segundo a Lei das Sociedades por Ações, devem ser classificadas como resultados de exercícios futuros as receitas de exercícios futuros, diminuídas dos custos e despesas a elas correspondentes. Assim, segundo o regime de competência, o registro de contas neste grupo implica que:

no recebimento da importância correspondente não pode haver qualquer tipo de obrigação de devolução do valor por parte do recebedor;

o valor recebido e o custo incorrido ou pago serão futuramente transferidos, respectivamente, para o resultado receitas ou despesas, através da entrega do bem (coisa) ou serviço correspondente.

o Patrimônio Líquido e

os

recursos

dos sócios o patrimônio líquido ou situação líquida

corresponde à parcela que pertence aos sócios, representado pelo conjunto formado pelas obrigações não exigíveis das entidades os proprietários não exigem a devolução da importância investida.

A denominação Situação Líquida ou Situação Patrimonial Líquida (SPL) decorre do fato de o Patrimônio Líquido ser, algebricamente, igual à soma dos bens e direitos (total do Ativo), líquido das dívidas (obrigações exigíveis). Compreende o investimento inicial feito pelos sócios ou acionistas, os lucros (ou prejuízos) e reservas decorrentes da atividade empresarial. A depender dos valores registrados nos elementos patrimoniais, a situação patrimonial líquida poderia ser classificada como:

Positiva ou Favorável: quando o ativo for maior que as obrigações exigíveis, o patrimônio líquido será maior que zero. Nesta situação: Ativo > Passivo; logo, SPL > o.

Nula ou Compensada: no caso de ativo e passivo (obrigações exigíveis) apresentarem valores iguais. Em termos práticos, é quase impossível esta situação ocorrer. No caso: Ativo = Passivo; logo, SPL = o.

Negativa ou Desfavorável: situação também denominada de passivo a descoberto ocorre quando o ativo é menor do que as obrigações. Sua expressão algébrica consiste em: Ativo < Passivo; logo, SPL<

o.

Uma situação anormalíssima ocorre quando os ativos são iguais a zero. Nesta situação, o patrimônio líquido é negativo e igual ao passivo. É importante observar que o patrimônio líquido é o único elemento patrimonial que pode ser maior, igualou menor que zero.

Os principais subgrupos do Patrimônio Líquido podem ser apresentados através do Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Reavaliação, Reservas de Lucros e Lucros ou Prejuízos Acumulados.

Capital Social: representa o valor investido pelos acionistas na companhia. Porém, possui características jurídicas mais importantes que as econômicas, já que é a participação nele que define os direitos dos acionistas sobre o patrimônio da empresa. Pode ser subdividido em Capital Realizado (ou Integralizado) e Capital Autorizado.

Capital Realizado (ou Integralizado): a subscrição corresponde ao compromisso dos acionistas em contribuir com o patrimônio da entidade. Posteriormente, ocorre a integralização do Capital, que corresponde ao efetivo desembolso dos sócios.

Capital Autorizado: o estatuto das sociedades anônimas pode prever um alor até o qual o Capital pode ser subscrito. Isso permite o aumento de capital sem a necessidade de alteração do estatuto. Este valor recebe a denominação de Capital Autorizado.

Reservas de Capital: correspondem aos valores incorporados ao Patrimônio Líquido da empresa, não empregados na apuração do resultado. Podem ser grupadas em diferentes subgrupos: Correção Monetária do Capital Realizado; Agio na Emissão de Ações; Alienação de Partes Beneficiárias; Alienação de Bônus de Subscrição; Prêmio na Emissão de Debêntures; Doações e Subvenções entre outras contas.

Reservas de Reavaliação: correspondem à contrapartida no Patrimônio liquido decorrente do aumento do valor contábil de bens da empresa que foram atualizados a valor de mercado.

Reservas de Lucros: correspondem a contas formadas pela destinação do • ero da empresa, apurado pela confrontação das contas de resultado. Podem ser Reservas Legais; Reservas Estatutárias; Reservas para Contingências; Reservas de Lucros para Expansão; Reservas de Lucros a Realizar.

Reservas Legais: são obrigatórias por lei e têm a finalidade de dar proteção o credor da empresa. Devem ser formadas por 5% do lucro líquido do exercício, não podendo superar 20% do capital social corrigido. Facultativamente, a empresa pode deixar de destinar a parcela do lucro do exercício para estas reservas quando o seu saldo acrescido das reservas de capital, exceto a de correção monetária do capital, alcançar 30% do capital social corrigido.

Reservas Estatutárias: o estatuto da empresa pode criar reservas para a destinação do lucro líquido, mediante a observação de algumas regras:

a Reserva deve fixar os critérios para determinar a parcela anual dos lucros líquidos que serão destinados à sua constituição;

a Reserva deve estabelecer o seu limite máximo.

Reservas para Contingências: possuem o objetivo de preservar uma parcela do lucro atual quando

há razões para se esperar que em exercícios futuros os lucros diminuirão ou existirão prejuízos. Dessa forma, assegura-se melhor posição econômica para a empresa, capacitando-a a enfrentar

prováveis difíceis no futuro.

situações

Reservas de Lucros para Expansão: a assembléia geral pode determinar a retenção de uma parcela do lucro líquido do exercício, quando já houver previsão orçamentária por ela previamente aprovada. Essa reserva tem o objetivo de viabilizar a realização de projetos de investimentos da empresa. Porém, não pode ser empregada para diminuir o montante do dividendo obrigatório a ser distribuído aos acionistas.

Reservas de Lucros a Realizar: muitas vezes, o lucro obtido ainda não foi realizado financeiramente, em caixa, e nem o será brevemente (no próximo exercício). Assim, embora a empresa tenha um resultado positivo, não possui caixa para pagar os dividendos. Caso tivesse, seria obrigada a recorrer a onerosos empréstimos bancários. Logo, uma forma de reter os lucros e postergar o pagamento dos dividendos seria a criação desta reserva.

Lucros ou Prejuízos Acumulados: é a conta que representa os lucros da empresa. Registra o lucro do exercício e as reversões de reservas de lucros. Dessa conta também saem os valores para a constituição das reservas de lucros e para a distribuição de dividendos. Nas empresas de capital aberto e grandes empresas de capital fechado (S.A.s) a conta de lucro tornou-se transitória devendo os lucros apurados no exercício serem destinados quando da assembléia geral ordinária para aprovação das contas e demonstrações financeiras do exercício findo.

Dividendos: corresponde à parcela do lucro a ser destinada aos sócios da empresa.

Ações em tesouraria: é uma conta retificadora, onde a empresa deve registrar as suas próprias ações adquiridas.

A VISÃO DO RESULTADO

O resultado é expresso como o lucro ou prejuízo verificado para a entidade no período analisado. Segundo a visão do resultado para a Contabilidade Financeira, sob o ponto de vista dos acionistas, a entidade precisa dar lucro e este lucro precisa ser monitorado e devidamente calculado.

Conta

Descrição

Receita operacional bruta

Vendas de produtos, mercadorias ou serviços.

(-) Deduções

Correspondem a subtrações da receita bruta e podem ser de três tipos: devoluções de produtos, abatimentos e impostos sobre vendas.

( =) Receita operacionallíquida

Corresponde à receita bruta, subtraída das deduções.

(-) Custo dos produtos, serviços

Custos incluem todos os bens ou serviços

ou mercadorias vendidos (CpV, CSVou CMV)

consumidos com a produção dos bens ou serviços comercializados.

( =) Lucro bruto

Lucro ou prejuízo operacional bruto.

(-) Despesas operacionais

Gastos com outras atividades não relativas à produção.

(-) Despesas administrativas

Gastos com supervisão, gestão e controle da empresa.

( -) Despesas com vendas

Gastos com comercialização, comissões.

(-) Despesas financeiras

Gastos com juros.

(=) Lucro operacional líquido

O lucro operacional líquido no Brasil deve ser obtido após despesas ditas operacionais e que envolvam as despesas administrativas, comerciais e financeiras.

(+ /-) Receitas ou despesas não operacionais

Outras receitas (ou despesas) não operacionais como participações societárias ou eventuais.

( =) Lucro antes do Im posto de Renda (IR) e Contribuição Social (CS)

Resultado da entidade antes do cálculo do IR e da Contribuição Social.

(-) Provisão para IR e CS

Valor provisionado, reconhecido, mas ainda não

quitado, a título de Imposto de Renda e Contribuição Social.

= Lucro Líquido depois do IR e CS

Resultado da entidade, após o Imposto de Renda e Contribuição Social.

O Balanço Patrimonial, conforme apresentado anteriormente, reflete as posições do patrimônio da empresa em dado instante. É como se fosse a fotografia do patrimônio da entidade, representado por seus bens, direitos e obrigações. Quando os Balanços Patrimoniais de dois períodos sucessivos são analisados, as informações resultantes da variação da riqueza - representada pelo lucro - precisam ser obtidas. Como duas fotografias tiradas em períodos diferentes apresentam características diferentes, torna-se necessário apresentar e destacar as principais alterações ocorridas e refletidas pelo Balanço Patrimonial.

Já que as entidades, de modo geral, existem com o objetivo de gerar lucro, uma forma de revelar o que ocorreu entre dois balanços distintos envolve a demonstração do lucro ou prejuízo que a entidade registrou no período. Assim, é preciso compreender a visão contábil do resultado e o demonstrativo contábil que exerce esse papel: o Demonstrativo de Resultado do Exercício.

O Demonstrativo do Resultado do Exercício ou, simplesmente, DRE é resultante da confrontação das receitas de vendas com os impostos, custos e despesas verificados no período analisado. De forma sintética, pode ser construído de acordo com os modelos já demonstrados em aulas.