queria agradecer a inês que me deu tanta força para escreve essa fic.

“a

ciência não me preparou para o que estou sentindo. que experimento poderia descreve a sensação” gil grissom

grissom chegou na sala de descanso distribuindo os casos da noite. gg:sara, você e greg vão investigar um corpo encontrado perto de um lago. catherine e stokes, também um corpo em um lago, só que do lado oposto da cidade. warrick, você vem comigo; uma mulher foi atacada e está no hospital. vamos. todos se separaram e seguiram seus caminhos. ... sara e greg já viram as luzes brilhando, indicando o local; estacionaram o enorme tahoe, saíram os dois, e foram olhar o corpo. uma mulher, jovem, grávida de aproximadamente nove meses, cuidadosamente arrumada, estava estendida ali. sempre era triste ver um corpo, mas aquele, em especial, abalou os dois csis. sara, que teve um forte choque, e se sentiu um pouco nauseada, falou a greg: ss: hei, greg, não estou muito legal; você poderia ficar com corpo, enquanto eu cuido do perímetro? gs: o que você tem sara? ss: este corpo me chocou um pouco, sei lá ... greg olha preocupado para a amiga, que está pálida. gs: claro sara. mas você esta bem mesmo ? talvez devesse ir para casa. sara dá um sorriso tenso. ss: imagina, eu to ótima. obrigada, greg.

catherine e nick estavam parados, indignados, olhando para o corpo. ns: dá pra acreditar que tem gente capaz de fazer algo assim ? cw: infelizmente, fazem. mas para isso estamos aqui; vamos

descobrir o culpado, e arranjar-lhe alojamento na cadeia. o corpo era de uma mulher de meia idade, em que o avançado estágio de gravidez era notável. catherine abaixou-se, para poder olhar detalhadamente o corpo. chocada, ela aponta para uma perfuração na barriga da vítima. cw: nick, veja isso! ns: parece que quem matou a mulher queria ter certeza que matara também o bebe. cw: não só isso; parece que ele foi o motivo do ataque, o local do primeiro golpe ! bem, temos que esperar o legista. só a autópsia vai nos dar certeza. após o exame local do legista, e a liberação do corpo, os dois processaram a cena do crime e voltaram para o laboratório com as evidências coletadas. não haviam encontrado muita coisa e não ficaram muito satisfeitos. após encaminhar o material, seguiram para a sala de descanso. catherine se joga no sofá, desanimada. nick lhe serve uma xícara de café. logo a seguir, sara e greg entram conversando sobre seu caso. sara parecia estar melhor. gs: puxa, pessoal, não vão nem acreditar no nosso caso... ns: depois do que eu vi hoje, pode aposta que não vai me impressionar... ss: uma mulher grávida, morta, aparentemente por causa do bebe, que foi assassinado ainda em seu útero, antes dela.... catherine olhou para nick, com um olhar confuso. ns: vocês estão brincado, não ? gs: e você acha que brincaríamos com uma coisa dessas? ns: nosso corpo também... antes que pudesse concluir a frase, grissom entra na sala. gg: oi. já voltaram ? todos respondem seu cumprimento. gs: não vai me dizer que você também achou uma mulher grávida ? grissom olha por cima dos óculos.

gg: por que ? eu deveria? cw: nada disso, é que nossos casos apresentam uma estranha semelhança e warrick, que chegara na porta e ouvia a conversa, vê sara passar rapidamente por ele, muito pálida. então, entra na sala perguntando: wb: o que deu nela??? grissom, concentrado nos detalhes de ambos os casos, estranhamente iguais, se perdera em seus pensamentos, buscando um significado para estes fatos, pois sua mente arguta já previa algo abominável; não havia reparado na saída de sara. nem mesmo via o que acontecia a sua volta, enquanto raciocinava ferozmente. É arrancado deste transe, pelo medo súbito que o golpeia, pois instintivamente, logo sabe sobre quem estão falando. gg: o que aconteceu com sara? wb: eu não sei, estou perguntando pois ela passou... greg, que só esperava uma oportunidade para falar de sua preocupação, diz: gs: ela não está bem hoje! quando fomos investigar nosso caso, após ver o corpo, ela até pediu para cuidar do perímetro... grissom, nem o esperou acabar de falar, saindo à procura dela. nervoso, viu-a retornando lentamente pelo corredor. gg: hei, sara, você está bem? a resposta de sara vem um tanto áspera: ss: lógico que estou ! por que não estaria ? gg: soube que você anda se sentindo mal. o que você tem? está bem, mesmo ? ss: só tive um pouco de dor de cabeça, grissom. você sabe bem como é isso, não ? talvez seja contagioso..., disse com aquele sorriso secreto, só seu, enquanto se sentia satisfeita de ver como ele estava preocupado por ela. grissom examina-a, com olhos protetores e possessivos, então solta um pequeno suspiro enquanto pensa em como ela é capaz de abalálo tanto. arquei uma sobrancelha, numa expressão intrigada. ss: pode ficar tranqüilo, estou ótima, diz com um largo sorriso.

os corpos já haviam chegado ao necrotério. greg e sara foram ver se havia alguma novidade. eles não tinham sido chamados para a autópsia, não sabiam quando seria, mas queriam ver se no exame inicial algo mais fora encontrado, para poderem começar o trabalho rotineiro do caso. eles precisavam identificar a vítima, e digitais e dna seriam o primeiro passo. dr. ar: ainda não fui longe com os corpos, mas posso quase afirmar que as duas mulheres morreram da mesma forma. quanto aos bebês... enquanto falava, o dr. albert robbins pegou o bisturi e fez uma incisão no abdome da mulher. dr .ar: É incrível como esse mundo é cruel... ele retirou de lá um bebe totalmente formado; havia um buraco na cabeça da criança, onde tivera o cérebro transpassado, ainda no interior do corpo da mãe, que pelo sangramento, só fora morta depois de ver seu filho ser assassinado daquela forma tão brutal; algo cônico, comprido e afiado, como um pino longo, afilado com precisão, como o fuso de uma antiga roca de fiar, como nos contos de fadas, como aquele que espetou o dedo da bela adormecida, monologava o doutor, com um humor muito ácido. aqui não havia mágica que despertasse seus mortos, as vítimas... ele deitou o pequenino corpo, com tanto cuidado, como se estivesse ainda vivo. já fora tão machucado... grissom, catherine e nick estavam chegando na porta do necrotério, quando sara desabou. greg mal conseguiu ampará-la nos braços, antes que caísse completamente desacordada. grissom se dirigiu em para ela, angustiado: gg: sara ! ela voltou a si, firmando-se de joelhos, enquanto empurrava grissom e greg, e começava a vomitar sem poder conter-se; ficou extremamente embaraçada e começou a zangar-se consigo e com todos que presenciavam a cena.

o dr. albert robbins se aproximou dela, ajudando-a a levantar-se, com seu jeito especial de médico, enquanto perguntava: dr. ar: está se sentindo melhor, sara ? grissom sentiu uma dor fria percorrer seu peito, pois não sabia como ajudar sara. queria levá-la dali, cuidar dela, e tinha que fazer tanto esforço para não abraçá-la e revelar seus sentimentos... gg: eu vou levá-la a um hospital... ss: nem pensar. eu estou Ótima ! respondeu, cada vez mais zangada. gs: não está, não sara ! (greg não conseguiu conter-se. mostrava sua preocupação claramente). ss: eu só fiquei um pouco abalada com o corpo de um bebê, gente. É só isso. não posso ser sensível, ás vezes ? gg: desde quando corpos, mesmo de bebes, abalam você ? você já viu tantos, de todas as idades, e sempre se manteve controlada... está doente, é visível... dr: posso falar com você sara? ss: claro, dr. robbins. mas saiba que estou bem. dr: em particular, por favor. os outros saíram da sala e ficaram esperando do lado de fora, no corredor frio. grissom nunca havia sentido tanta apreensão antes; a ansiedade o corroia por dentro, e ele precisava escondê-la. após alguns minutos, sara saiu bastante pálida. grissom se aproximou: gg: sara, o doutor acha que você está bem ? sara deu um sorriso com os músculos de sua boca, mas seu rosto mostrava-se perturbado. ss: eu não me tornei uma das pacientes dele, grissom. como vê, ainda estou viva; só conversamos; ele não espera cuidar de mim tão cedo. o turno já estava acabando. sara chamou grissom a um canto e pediu-lhe para sair um pouco mais cedo. gg: você deve sair agora mesmo. afinal, sara, você tem muitas horas de trabalho além do horário; precisa mesmo descansar. isto não é um favor; é de seu direito.

ela fez uma cara bem maliciosa, ao responder: ss: vou estar acordada, lhe esperando. você pretende demorar ? gg: pode esperar. não vou reler nenhum livro hoje ! trocaram olhares, um sorriso tão íntimo, que só eles conheciam, e sara saiu. grissom ficou olhando-a sair, se sentido tão só, de repente. mas precisava fazer o trabalho prosseguir. sacudiu a cabeça, e seguiu para sua sala. aquele caso só foi ficando mais complicado e, no final do turno grissom estava cansado e sentia que não tinham avançado absolutamente nada. só se confirmara que os crimes foram iguais, provavelmente cometidos pela mesma pessoa. mas não tinham nenhum suspeito, motivos, nada. ele, no momento, só queria chegar em casa, ver como sara estava, ficar junto dela, olhá-la... imaginava a cena, enquanto se dirigia para seu carro, quando lady heather apareceu. fazia um bom tempo que ele não a via, não queria pensar muito sobre seu último encontro. sempre a considerara uma boa amiga, e tinha contado com os conselhos dela num momento difícil; bom, ela não tinha ajudado naquela vez. sentiu uma sombra cruzar seu rosto, mas fez força para sorrir. ela era uma mulher muito linda, além de inteligente, com profunda percepção das emoções humanas, algo que sempre o deixava confuso. havia sido uma ótima amiga, em outros tempos, e ele não sentia raiva contra ela. além do que, se ela o procurava, era porque tinha seus motivos. ele não se recusaria a ouvi-la, ou ajudá-la. todos estes pensamentos passavam rapidamente por sua mente, enquanto se aproximavam; neste momento, uma rajada do vento noturno abriu a elegante capa que ela usava, e ele percebeu que ela estava lindamente grávida. ficou feliz por saber que ela teria nova oportunidade de ser mãe. alegrou-se por ela e, quando ia dar-lhe suas congratulações, ela falou com voz embargada: lh: grissom, preciso de ajuda. eu não o procuraria, se não fosse grave. mas você é o único homem em que confio e, neste estado, preciso confiar em alguém. ajude-me, por favor. confuso com o desespero dela, ele só consegue murmurar: gg: o que eu posso fazer...

lh: estão querendo me matar ! gg: quem ? por que ? lh: não posso contar aqui. vamos ate minha casa? não me negue este pedido ! grissom pensou um pouco. não podia recusar, não sendo grissom. gg: você esta de carro? ela respondeu, ofegante e assustada, que não. gg: então, entre. vamos, embora eu não possa demorar.

nick e catherine encontraram uma digital no celular de uma das vitimas e, após compará-la com as da própria vítima, sem resultado, animaram-se, com esta primeira pista. ns: possível suspeito? cw: espero que sim. colocaram no sistema que ficou buscando um resultado compatível. o banco de dados era imenso, não havia como prever o tempo para a busca se completar; poderia ser de 4 minutos, ou 4 horas, e nem tinham certeza de que haveria uma combinação. só desejavam que aparecesse alguém, para poderem interrogar. resolveram ir pra casa, descansar um pouco. enquanto isso, sara ainda esperava grissom; preocupada, ligou para o celular dele, que estava desligado. achou estranho, mas pensou que ele poderia ter ficado sem bateria. grissom não lembrava de coisas sem importância, quando estava envolvido com um caso difícil. deito-se na cama, para repousar o corpo, e acabou adormecendo. sara acordou às 18:00 horas. ficou espantada com o tempo que dormiu; olhou para o lado e o viu vazio; seu primeiro pensamento foi ligar para grissom. onde ele estaria ? o celular continuava desligado. será que eles haviam descoberto algo, e ele trabalhara até agora ? tomou um banho, comeu, e foi direto para o laboratório.

ao chegar, e ver nick e catherine saindo, perguntou: ss: hei, pessoal, vocês viram o grissom?. cw: não, e estou estranhado ele não chegar cedo, ainda mais com um caso desses por resolver. foi então que warrick chegou com novidades: wb: gente, vocês não vão acreditar ! hoje foi encontrado mais um corpo, com as mesmas características dos outros dois. cw: bom gente, temos um suspeito e estamos indo pra lá, falar com ele agora e, como os casos parecem ser do mesmo assassino, vamos juntas sara? os rapazes podem ir examinar o novo caso. ss: claro nick e warrick foram processar a nova cena de crime, onde fora encontrado outro corpo. ss: e quem é nosso suspeito? cw: lady heather; uma velha conhecida de outros casos, sempre como suspeita. sara sentia ciúmes da dominatrix, mas tinha que esconder. procurou disfarçar seu mal-estar. cw: e então, sara, está melhor ? o comentário foi seguido de uma risadinha irônica. sara entendeu o recado. ss: estou ótima, já me sinto bem melhor. obrigada por se preocupar. a caminho do carro, catherine continua: cw: qual é, você acha que nasci ontem? nós duas sabemos que esse seu mal só vai passar daqui a uns oito meses, não ? sara ficou pálida. ss: não sei do que você esta falando... cw: eu já estive grávida e, acredite, não era nada diferente do que você está sentindo. sara ficou quieta. cw: o pai já sabe? apesar de observadora ela não sabia do romance de sara com grissom. sara e se rendeu, com um suspiro profundo. ss: não, ele não sabe.

cw: então é verdade; quando foi que você descobriu ? ss: ontem. antes de terminar a conversa, chegaram à casa da lady heather. catherine bateu na porta, ela atendeu. cw: oi, somos da perícia de las vegas; podemos fazer umas perguntas? lh: claro, podem entrar. elas entram na casa. ss: você conhece esta mulher? sara mostrou a foto da mulher que estava com o celular com digital dela, lh. lh: sim... mostrando-se fragilizada pela gravidez, ela chora. lh: Éramos amigas... cw: onde você esteve durante o dia de hoje ? uma voz masculina e muito conhecida delas, vem de dentro de uma sala. gg: estava aqui, comigo. grissom, segurando uma xícara, surpreende as colegas, principalmente sara, que se sente explodir por dentro. ele olha diretamente nos olhos dela, tentando transmitir uma mensagem que ela precisava entender. e completa sua resposta. gg: estava aqui, ajudando uma amiga em dificuldades. sara não se controla e fala irritada: ss: ajudando em quê ? triste, mas sério e formal, grissom só responde: gg: sinto muito, mas isto não tem nada a ver com a investigação. vocês precisam saber onde ela esteve, e eu afirmo que permaneceu todo o tempo aqui, comigo. sara sentiu um aperto no peito tentou não demonstrar e continuou seu trabalho. não olhava mais para ele, não conseguia. quando concluíram suas perguntas sobre a vítima, as duas saíram da casa, catherine com cara inconformada. você notou que ela está grávida? ss: não dava para não notar.

cw: será que é filho dele? sara se perguntava a mesma coisa. e não gostava de pensar nesta possibilidade. não queria acreditar que grissom tivesse sido capaz de agir assim com ela. greg que já havia chegado, foi falar com sara. gs: oi, sara, tudo bem hoje ? sara, triste, não responde. apenas se vira e dá um abraço muito apertado no amigo, buscando algum conforto. greg, estranhando a atitude de sara, pergunta confuso: gs: ei tudo bem? sara caiu no choro. os dois vão para a sala de descanso e sentam no sofá; sara apoiou a cabeça no colo de greg. ss: greg, eu só gosto de homem errado. gs: por que diz isto, sara ? ss: eu estou saindo com um cara de quem gosto demais; e, por peça do destino, engravidei dele. greg ficou meio sem reação. gs: isso é ruim? ss: não, mas hoje eu descobri que ele passou o dia com outra. greg acariciou o cabelo dela, confortando-a. gs: não liga não sara, eu ajudo você com o bebê... o tio greg vai cuidar de você bebê, e da sua mamãe. passando a mão na barriga dela, greg conversava com o bebê. sara deu um sorriso triste, e pediu a greg: ss: greg não conta para ninguém o que eu te disse, por enquanto. gs: tudo bem. será um segredo só nosso... grissom chega na sala e vê aquela cena: greg, acariciando sara na barriga e falando baixinho, e rindo todo alegre. enfurecido de ciúmes, grissom quase grita: gg: o que está acontecendo aqui ? não tem trabalho para fazer greg? greg, meio surpreso, meio assustado: gs: desculpe, grissom. eu estava... a sara... levanta e sai, sem saber como explicar. sara havia pedido segredo, ele guardaria segredo. mas fica se perguntando porque grissom

estava tão irritado. após greg sumir no corredor, do meio da sala, grissom olha envergonhado para sara, pedindo desculpas com seu olhar mais meigo, esperando pela raiva dela, que ele sabe que despertou, e que está merecendo... sara, com o rosto molhado, os olhos vermelhos, o observa, esperando suas justificativas. como se ele pudesse tê-las, ela pensa. desejando, desesperadamente, que ele diga alguma coisa. grissom media as palavras, sem saber quais poderia usar. gg: sara, quero que saiba que eu não estava fazendo nada errado lá, só estava protegendo uma antiga amiga, que corria perigo... sara abaixou a cabeça e disse: ss: grissom, eu não estou brava por você ajudar uma amiga; estou triste por você sumir sem me avisar, quando eu precisava tanto de você. e então, eu encontro você na casa de outra mulher, e... neste momento, o resto da equipe entra e começa a discutir o caso. os dois se calam; voltarão a falar nisto depois. agora, volvem toda a atenção para o caso; afinal aquele é seu trabalho, não vão descuidar dele. sempre foram profissionais. wb: bom, até agora temos três corpos, todos de mulheres grávidas, em estágios diferentes da gestação, ou seja, nove, oito, e sete meses, com morte cruel, infringida intencionalmente primeiro aos bebês, quero dizer, aos fetos, e só depois às mães. não sei nem como descrever esta barbárie. não consigo pensar neles, sem pensar em criancinhas... ns: e o foco dos ataques assassinos era, sem qualquer dúvida, os bebes. todas as autópsias confirmaram que os bebês, foram mortos antes que as mulheres sofressem quaisquer ferimentos. isto é horrível de imaginar... ss: o fato de ele saber em que estágio da gravidez as mulheres estavam, seguindo uma seqüência decrescente, sugere que ele tem informações exatas; as vítimas não são escolhidas ao acaso; ele pode ser médico, enfermeiro, estudante dos cursos que envolvem anatomia, alguém que sabia em que posição os bebes estariam; alguém que trabalha em clínicas obstétrica, de pré-natal, de ultra-

sonografia, hospitais... ou alguém muito próximo destas mulheres, como maridos ou parentes e amigos das amigas íntimas. precisamos descobrir algo que elas tinham em comum, além da gravidez. gg: podemos começar descobrindo em que clínicas cada uma fazia suas consultas. temos um nome, por onde começar. uma das vítimas foi identificada. vamos seguir esta linha de investigação, até termos mais indícios. lady heather tinha identificado a vítima que fora sua amiga, a segunda, e informara seu nome: cristina alves. seu marido fora encontrado e trazido para reconhecer o corpo. apesar de seu evidente desespero e dor ao vê-la, daquela forma, o homem havia conseguido informar o nome da clínica em que ela se consultava, embora não lembrasse o nome do médico. o capitão jim brass foi em busca de uma lista das pacientes da clínica, e do médico de cristina. não foi muito fácil conseguir um mandado de busca, para obter as informações junto à clínica, mas uma juíza, considerou que uma relação de pacientes e seus estágios de gravidez, não seria abusiva no caso, principalmente se houvesse chance de se poder identificar duas vítimas anônimas, duas futuras mães, e seus esperados filhos, de quem alguém precisasse de notícias, mesmo que fossem tão dolorosas.. em poucas horas, brass chegou, com cópias da lista das pacientes; dela constava nome, dados pessoais resumidos, tipo sanguíneo e o tempo de gestação, sem mais detalhes do que o necessário. não havia interesse em violar a privacidade de qualquer gestante. jim entregou cópias a todos que foi encontrando. só faltavam sara e warrick receber as suas. jim entrou na sala de análise onde estavam os dois csis, com um sorriso estranho. demonstrava alguma emoção, e não era sua habitual personalidade cheia de ironia e sarcasmo que se manifestava. ele estava muito gentil. jb: ola, sara. você está bem ? ss: sim, brass. obrigada. ele entrega os papéis a eles e sai, olhando para sara quase com doçura.

sara dá uma rápida olhada e sussurra: ss: meu deus. e agora ? ela afunda a cabeça entre os braços, apertando o papel em suas mãos. grissom, sentado em sua sala, começa a ver a lista e em meio às últimas pacientes, ele nem acredita estar lendo aqueles dados: nome: sara sidle gestação: 4 semanas ele se sentiu fora do seu corpo por um longo tempo, como se estivesse em um triplo looping de uma gigantesca montanha russa. seu coração acelerado, batia tão alto, que ele pensava que pudesse ser ouvido por todo o laboratório; ao mesmo tempo, ele sentia que escutava outro coração, soando alto, chamando-o, era de sara aquele bater ritmado, agora com um eco em contraponto, muito suave, começando a encher os seus ouvidos. como um sonâmbulo, ele caminhava em um corredor que não tinha fim. então uma porta. grissom chegou onde sara estava trabalhando; ficou ali, parado, olhando, quando escutou a voz de warrick. wb: uau que é isso aqui ? sua voz sou muito animada. sara finge não ter entendido. ss: falou comigo ? wb: então esse é o motivo de você esta passando tão mal ? meus parabéns, sara ! com um sorriso só de canto, sara responde: ss: obrigada ! (e pensa como esta palavra está ficando automática e cansativa nestes dias). antes que grissom possa se mover, chegam greg, nick e catherine, que passam a sua frente; abrindo a porta, entram, fazendo piadas e brincadeiras, abraçando e parabenizando sara. grissom permanece olhando da porta, parecendo ter encontrado uma colônia de insetos raros, com uma cara de quem ganhou o grande prêmio do cassino montecyto. estava sem reação. sara o encara fixamente. catherine que estava em pé, no canto da sala, observa os rostos de

ambos. É quando nick pergunta: ns: e o pai, já sabe? sara se mostra embaraçada. ss: não, ainda não. não sei como ele vair reagir ... nesta hora, grissom não se contém mais: gg: tenho certeza que ele vai adorar a notícia ! sara dá um sorriso, e faz um biquinho como só ela sabe, enquanto baixa o rosto, deixando os cabelos encortinarem seus olhos. ns: hei, você precisa nos apresentar esse cara, viu. temos que dar uns bons conselhos para ele. só nesta hora lhes ocorreu que eles teriam muito que explicar aos colegas. sara reagiu rapidamente: ss: na hora certa vocês irão conhecê-lo. grissom não consegue mais esperar e diz que o pessoal tem trabalho a fazer; agora ! todos saem, e vão cuidar das suas atividades, com exceção de warrick, que, já que está ali, junto a sara, trabalhando, não imagina que as ordens de grissom o incluam. gg: huumm... warrick, você pode ir ver se o dr. robbins... hã ... tem alguma novidade? warrick, distraído, comparando os dados da lista em suas mãos, pergunta: wb: mas ele já não terminou com os corpos? já temos os laudos... grissom fulmina-o com seu olhar por cima dos óculos, naquele seu jeito característico de dizer “saia agora !” warrick, que conhece o chefe a tempo suficiente, afinal, entende o recado; nem pensa em se perguntar os motivos de grissom para ficar a sós com sara. pode se dizer que com a mente ocupada pela “ordem” recebida, simplesmente saiu, sem pensar em nada. finalmente, ele poderiam conversar o mais urgente, tão a sós como a situação no laboratório permitia. grissom olha, pensativo, cheio de culpas e arrependimento, para a mulher que ama. pensou por uns segundos

gg: sara, me perdoe por ter lhe aborrecido; nunca desejei, nem por um minuto, magoá-la. sara olha para ele, muito séria. ss: eu posso perdoá-lo, mas você ainda me deve uma resposta direta. ele se aproximou dela, abraçou-a com tanto cuidado e carinho, como se ela pudesse se quebrar com um toque mais desastrado; beijou-a, bem docemente, e sem nem mesmo lembrar de onde estavam, ajoelhou-se diante dela e beijou sua barriga firme, sem os sinais visíveis da maravilha que ocorria naquele corpo. gg: meu filho, papai está aqui... (e como um tolo, continuo a conversar baixinho, dizendo palavras de amor incondicional àquela criança em formação...) sara, com um sorrisinho irônico, nem acreditava que grissom estivesse fazendo um papel tão bobo, em local tão público. a qualquer momento, alguém podia passar pelo corredor e observá-los. ss: o que deu em você? onde está homem da ciência ? o homem objetivo, que só considera os fatos ? lembro que você acreditava que com quatro semanas, pelo estágio de desenvolvimento fetal, o bebe ainda não escuta, seus ouvidos ainda não se formaram... grissom levantou-se, lentamente, e olhou-a nos olhos; estava profundamente emocionado. sua voz saiu com dificuldade. gg: a ciência não me preparou para o que estou sentindo. que experimento poderia descreve a sensação que um pai tem, ao falar com seu filho pela primeira vez ? como um homem pode agradecer a uma mulher por ensiná-lo o que é realmente amor ? obrigado, sara, por ter esperado eu superar meus medos. obrigado por ter escolhido a mim. obrigado por me fazer feliz. obrigado por ser você quem é, o que me transformou em um homem que acredita na felicidade. eu te amo, sara !!!!!!! os olhos de sara brilhavam; a espera fora recompensada. ela o amara por tantos anos e agora ele estava ali, e não pretendia mais fugir... ss: eu também; eu sempre te amei. o celular de grissom tocou; era jim, querendo algumas informações.

grissom se despediu e saiu; greg, que estava indo levar um fio de cabelo que encontrou em uma das vitimas para análises-dna, passou por ele, tocando mentalmente um rock pesado. finalmente eles tinham algo com dna mas ainda não tinham um doador suspeito, para fazer a comparação. colheram o dna dos fetos, para ver se apontava o pai de uma das crianças, mas deu em nada. o caso estava esfriando e eles não podiam fazer mais que esperar.

sara tinha uma consulta marcada para aquela manhã. estava entrando na quinta semana de gravidez. grissom, apesar de animado, estava começando a temer que sara pudesse ser uma das vítimas préviamente escolhidas pelo assassino, e isso o fazia perder o sono, e ter suas terríveis enxaquecas com mais freqüência. após o turno, sara e grissom foram até a nova clínica que haviam escolhido juntos, para fazer seu acompanhamento pré-natal. chegaram à porta, sem poder esconder sua euforia. grissom preencheu uma ficha com os dados de ambos e então sentou ao lado de sara; poucos minutos depois, o nome dela foi chamado. conversaram longamente com a médica, informando todas as condições familiares de ambos e de como a gravidez vinha se desenrolando. por fim, sara se deitou na maca para fazer um ultrasom; em poucos segundos, a médica mostrou na tela o pequeno embrião. grissom segurou a mão de sara, enquanto a medica explicava tudo que podiam ver; grissom viaja em pensamentos, imaginando ouvir o som forte do coração de seu filho batendo... uma lágrima corre por seu rosto. o exame é concluído, e a doutora faz algumas recomendações à mãe, sobre evitar álcool, fumo, remédios e ter uma alimentação bem balanceada. ambos escutam atentamente, tranqüílos por não terem quaisquer vícios nocivos ao bebê, em seus hábitos rotineiros. sara diz que irá fazer caminhadas, para exercitarse, sem esforços físicos excessivos e grissom compromete-se a

acompanhá-la, para ficar em melhor forma (e protegê-la também, ele pensa consigo); no geral, os dois estão saudáveis e o bebê em ótimo estado. no fim do exame, ao passar pela porta, grissom esbarra no assistente da mulher, e escuta quando a doutora reclama com o empregado por seus constantes atrasos. os dois seguem para a casa de grissom. ficam sentados, vendo o dvd do exame, como quaisquer pais bem corujas fariam. brincam, escolhem nomes, fazem planos. quando a campainha soa, grissom, sem pensar, pede a sara para atender a porta e ela que está lá, bem próxima, pois fora bebe água, gritou: ss: já vai. ao abrir a porta, fica espantada. ss: greg, o que você esta fazendo aqui? greg, pergunta confuso: gs: aqui não é a casa do grissom ? eles haviam esquecido que os colegas e amigos não sabiam do seu romance. sara fala devagar: ss: É, sim ... gs: então, eu é que pergunto. o que você está fazendo aqui? grissom, escutando aquilo, foi até à porta. gg: ela está aqui a meu pedido, revisando alguns relatórios do caso comigo. era um desculpa muito fraca, mas o que ele poderia dizer ? esperava que colasse, por enquanto. greg ficou parado, juntando os fatos, quando grissom pergunta: gg: e em que eu posso ajudá-lo, greg? gs: vim lhe avisar que mais duas mulheres foram encontradas; as duas na represa hoover. grissom só pegou suas chaves, o telefone, e seguiu greg até o estacionamento; nada falou, pois sentia sara ao seu lado. os três entraram no carro de greg, que se que se lembrou de algo: gs: sara, você acabou um turno de trabalho, aposto que nem descansou; isso não é bom para você; pode fazer mal para a

baixinha. sara sabia que ele tinha razão. ss: greg, obrigada por se preocupar, mas tenho que ir junto, pelo menos desta vez; prometo que mais tarde eu descanso. greg que segurava o volante tirou de lá uma das mãos e a levou até sara, que estava ao seu lado, e fez um carinho no seu cabelo e depois na sua barriga. grissom não gostou do que estava vendo e queria deixar isto claro, mas ... gs: eu prometi que ia cuidar de vocês. e vou ! grissom engasgou-se de raiva e ciúmes. tinha um olhar furioso fitando greg... chegando ao local, os três desceram e grissom chamou sara para perto dele: gg: mas o que foi aquilo que eu vi, entre você e o greg ? sara dá um sorriso suave e fala: ss: nada, só um amigo me protegendo, num momento de perigo. sara repete a fala de grissom, quando tentava se justificar por estar junto de outra mulher. ele não deixa de perceber a ironia, e reconhece que mereceu. depois disso, foram ver os corpos; uma das mulheres mostrava ferimentos de defesa. sara ainda sentia-se nauseada ao ver os corpos das mulheres grávidas, por motivos que todos, agora, podiam compreender; por isso, processou o perímetro da cena de crime. os corpos logo foram fotografados e levados para exame. em poucas horas, já haviam sido feitos os principais exames nas duas grávidas; uma delas havia sido violentada e o sêmen foi coletado; seriam feitos os exames de dna; o padrão das mortes combinava com os casos anteriores; estágios de gravidez: seis e cinco meses. grissom sai da sala meio pálido; estava cada vez mais assustado com tudo aquilo; temia por sara e seu filho. seguiu direto para a sala de descanso, onde estavam todos, menos sara gg; gente, antes de começar, onde está sara?

sua preocupação era evidente. sara aparece na porta, com péssima figura. ss: desculpem, não me senti bem... ns: você não está legal. dá para notar. ss: estou ótima, é só enjôo matinal... sara estava realmente passando mal; estava cansada, viu que não podia fazer hora extra aquele dia, apesar de ter muita vontade de ajudar no caso. não poderia ficar. ss: grissom, se não causar problemas, vou pra casa descansar até a noite. gg: tudo bem; você deve mesmo ir, sara. ela se despediu de todos e foi pra casa. foi direto tomar um banho; escutou a campainha e lembrou que precisava pagar o condomínio; pegou o dinheiro que deixara sobre a mesa e foi até a porta e abriu. um homem, de máscara, a empurrou para dentro do apartamento; ela tentou chegar até sua arma, mas foi puxada com rapidez, o que a fez bater a boca na mesa, causando um grande corte em seus lábios.tentou se levantar e lutar, quando sentiu um pano sendo comprimido contra seu rosto, cobrindo boca e nariz; reconheceu o cheiro ao sentir-se desmaiar. no laboratório grissom estava impaciente, sentindo algo incomodá-lo por dentro, quando jim aparece por ali. jb: meu amigo, tudo bem ? gg: sim, só estou preocupado com sara... grissom falou sem perceber. jim, olhou espantado para grissom, que se justificou: gg: É que ela não estava se sentindo bem quando saiu, e me preocupo com meu pessoal. jb: ligue para ela e... foi quando catherine chegou. cw: ligar pra quem? jb: o grissom está preocupado com a sara; ela parece que não estava bem. cw: sim, é verdade... eu deveria ter ligado mais cedo, mas fiquei revendo todo o caso e nem vi o tempo passar. de qualquer forma, ela

deve ter deitado, para descansar e dormir; foi bom que não ligássemos acordando-a, ou ela ficaria uma fera. ela imediatamente discou o número da casa de sara, e caiu na caixa postal. tentou o celular, ouviu-o chamar várias vezes, mas não foi atendido. cw: ela não está atendendo, já deve estar no banho.. talvez dormiu pesado demais. É normal no estado dela. grissom ficou mais nervoso. gg: e se ela passou mal sozinha em casa, desmaiou ? cw: relaxe, homem. ela deve ter ido ver o namorado, afinal porque você pensa que ela está sozinha ? eles têm muitos planos para fazer... grissom ficou embaraçado, sem poder argumentar, e nem um pouco tranqüilo. brass notou, e acabou por falar: jb: mandarei uma viatura passar por lá e ver como ela está. assim ficamos todos despreocupados. grissom ficou quieto, enquanto o amigo falava no rádio e saía. ele e cath foram se reunir com os demais, discutindo o caso. grissom passou um olhar pelas fotos dos bebes, ficou pensativo, cenho cerrado, sentiu-se inquieto, e se levantou para pegar um pouco de café. jim brass irrompeu na sala, tenso e pálido. olhou para grissom e respirou fundo, antes de falar. grissom percebendo sua expressão, nem sentiu o copo de café cairlhe das mãos. os colegas estranharam o incidente, e olharam confusos para seu supervisor, quando brass conseguiu dizer o que é necessário: jb: sara sumiu. ele não tinha como dizer aquilo de uma maneira mais delicada. gg: como assim, ela sumiu... o que aconteceu com ela ? (ele estava gritando, sem perceber). não pôde continuar. tirou os óculos e pinçou o alto de seu nariz, apertando os cantos interiores dos olhos, entre seu polegar, indicador e médio, como se sua cabeça doesse. ao ver sua reação, catherine entendeu o motivo de sua preocupação.

jb: acalme-se grissom; nós vamos encontrá-la. gilbert grissom cambaleia até uma cadeira junto à mesa, senta-se , de cabeça baixa e solta um gemido estrangulado; larga os óculos sobre a mesa, e une suas mãos, comprimindo-as contra a testa. atônitos, os colegas olham-no sem saber o que falar, pois ele parece estar passando mal. o grupo tenta assimilar o que está acontecendo, quando grissom levanta o rosto mostrando seus olhos azuis embaçado de lágrimas, e suas mãos permanecem largadas sobre a mesa. gg: por favor, encontrem sara e meu filho, antes que alguma coisa de mal aconteça a eles. seu pedido foi dolorido e patético, vindo daquele homem tão pouco afeito a demonstrar emoções. a equipe ficou chocada e sem reação aquilo que ouviu, tentando absorver o impacto de cada fato, como se precisasse de algum tempo para processar estes dados. greg, que já que desconfiava deste relacionamento, quando teve certeza, logo lembrou que sara corria perigo. olhou para cath, que começava a compreender, também, a extensão da tragédia com que lidavam, quando viu o pânico espalhando-se no rosto de greg, e soube que a hora era de agir, e rapidamente. cw: fique calmo grissom, estamos indo agora mesmo para a casa dela, todos nós, e vamos localizá-la, eu prometo. apesar de sua promessa, catherine não tinha muita esperança de encontrá-la, pois sabia que aquele que caçavam era muito esperto. e, pior, não poderiam contar com a inteligência de grissom, que no estado em que estava, além de não conseguir auxiliá-los precisaria do seu carinho de amiga e do apoio de toda a equipe. ele teria que ficar junto deles. jim passava ordens pelo radio, alertando todas as viaturas, e mandando que fossem vigiados cada um dos lagos da cidade. quando chegaram ao apartamento de sara, a porta estava aberta e um policial montava guarda. logo começaram a examinar a cena, onde alguns objetos derrubados sugeriam que ela havia lutado e, o sangue na mesa e no chão, apesar

de não ser muito, deixou-os perturbados. grissom, ao ver o local, nada falou, mas todos perceberam sua expressão ao olhar para aquele sangue. cada um deles temia saber o que ele estava pensando. greg, não falou com grissom, em momento algum, e evitava encarálo diretamente. sempre havia admirado-o muito, mas não o perdoava por ter magoado sara, ficando ao lado de lady heather nick stokes se resolveu a falar o que todos já haviam concluído, e não queriam aceitar. ns: não tem nada aqui, que nos conduza a algum lugar. grissom cerra os punhos e sente vontade de socar o colega, mas sabe que ele tem razão. coletaram fibras, e cabelos escuros, provavelmente da própria sara; colheram amostra do sangue, para verificar se era dela, e recolheram as digitais de todo o ambiente, mas nada parecia muito promissor. tinham que levar estes poucos indícios para o laboratório e verificar o que os policiais que estavam interrogando os moradores do prédio, e dos prédios vizinhos conseguiram obter.

enquanto isso, sara começa a acordar... sua cabeça doía bastante, e ela sentiu uma cólica bem fraquinha, que a assustou; logo percebeu que era apenas a náusea, causada pelo clorofórmio, que lhe fizeram aspirar quando foi atacada. seus olhos já acostumados com a luz forte, começam a examinar o local onde está e a primeira coisa que vê é o corpo de uma mulher morta; começa a lembrar dos casos em que trabalhava, e sente o pânico invadi-la; precisa se acalmar, respirar fundo, não pode ficar assim, tem que pensar em si e no bebê. o bebê precisa dela. fecha novamente os olhos, e procura regularizar sua respiração, inspirando, expirando, inspirando... de forma barulhenta, um homem entrou a sala; sara o reconhece, como o empregado atrasado, que viu chegando em sua nova clínica; fica desanimada, porque não adiantou deixar a outra clínica, não foi

o suficiente para ela e o bebê ficarem seguros... mas ela precisa reagir, tentar alguma coisa, estabelecer contato com ele, descobrir algo que a ajude. então pergunta: ss: quem é você ? o que você quer ? por que me atacou, por que está fazendo isto com estas mulheres todas ? (ela percebe que está descontrolada.) o homem não a olhava nos olhos; mantinha a cabeça baixa, não falava, parecia quase mais assustado do que ela, tinha maneiras tímidas. sara percebe que ele não seria capaz de armar isto sozinho. talvez conversar com ele fosse a sua chance de sair dali. pensa com cuidado no que vai falar, quando ouve uma voz conhecida que faz seu sangue ferver de raiva. xx: sara, sara sidle, quem diria, finalmente você está em minhas mãos. ss: lady heather ?!! lh: surpresa de me ver? ss: sim. ou não. eu não sei. estou muito cansada. sinto-me fraca, minha cabeça e meu corpo doem; nem consigo pensar direito. porque você está fazendo isso? lh: sabe, sara, conheci muitos homens em minha vida. nunca me impressionei muito com eles. realizei suas fantasias e extraí deles prazer. sob meu domínio, eles me davam o que eu queria, e não percebiam que não ganhavam nada de mim, exceto suas tolas fantasias, onde eram menos que homens, menos que animais. pensavam que eu os agradava, enquanto eu apenas zombava deles. eram desprezíveis. então conheci grissom. ele era deferente dos outros homens. ele era especial. decidi que o queria, que eu o teria. teria que seduzi-lo, e ele seria meu. não poderia fazê-lo da maneira mais obvia; tinha que seduzir sua mente. precisava encantá-lo, impressioná-lo, pois logo percebi que não poderia conquistá-lo pelos sentidos, pelo prazer. eu teria que jogar xadrez, mover uma pedra de cada vez. calcular cada lance, prevendo seus bloqueios e seus avanços. eu podia fazê-lo. não tinha pressa, tudo estava correndo bem. mais algumas jogadas, e ele se renderia. mas, em vez disso, ele se afastou.

quando o lembrei da nossa amizade, ele foi capaz de dizer que eu o fizera descobrir o que realmente havia de valor em sua vida. eu o fizera encarar o seu grande segredo, o seu medo. eu o fizera ter coragem de se unir à mulher que sempre amara. você, sara sidle. precisei muito controle naquele momento. e sorri, e disse que estava feliz por ele. mas não desisti dos meus planos, e passo a passo, eu prossegui. tudo deu certo. minha vida estava perfeita. fiquei grávida. agora, só mais algum tempo, e poderia me aproximar dele, falar do seu filho, então seríamos felizes e você não seria mais nada. eu tiraria dele qualquer lembrança que pudesse ter de você. eu o faria muito feliz. nós seríamos muito felizes, e ficaríamos juntos. mas aconteceram duas coisas, que eu não pude evitar; você engravidou, e eu pensava que você seria mais prudente. enquanto isto, meu filho, o nosso filho, apresenta anomalias cromossômicas, que não lhe permitirão viver mais de uma hora após o parto. e se meu filho não ia viver, o de vocês também não ia. nem os dessas outras mulheres. sara nem consegue falar, está aterrorizada com a frieza e a maldade que percebe nos olhos e na voz daquela mulher. sara está assustada, por si e pelo bebê, o filho de grissom, o seu filho. lady heather continuou sua narrativa, no mesmo tom. lh: quando esse inútil me falou que vocês estavam foram na clínica em que ele estava trabalhando, vi a oportunidade de fazer minha melhor jogada. xeque-mate. como você acha que grissom ficará após perder você, desta forma que ele não pôde evitar, nem protegê-la ? sabendo exatamente qual será seu destino ? ele estará totalmente vulnerável, após perder tudo. então eu entro em cena, apaixonada, sofrendo, precisando dele, e podendo oferecer tudo o que ele acabou de perder. ss: você não poderá lhe dar o filho dele, sua louca ! nesse momento, lady heather dá uma risada cristalina. lh: mas eu vou dar o filho dele, sara. você vai morrer, o bebê não. em alguns meses, este bebê que carrego nascerá, e o seu bebê, forte

e saudável irá substituí-lo. vamos cuidar muito bem dos dois até o momento certo, e então, terei meu filho, o filho que darei a grissom. você percebe como tudo será justo e poético ? você tirou de mim o único homem que eu amei, então tomarei tudo de você. o amor de grissom será meu, o seu filho será meu e você sentirá o que senti quando, naquele dia em que passou comigo, para me proteger, e eu me declarei, e ele simplesmente disse que era você a mulher que ele amava e sempre amaria. pensando bem, serei generosa, e você não sofrerá como eu. você estará morta. agora vá para seu novo quarto, e cuide muito bem do meu filho. nisso, o homem se aproximou de sara e a pegando-a pelo braço, conduziu-a para um quarto sem janelas, espaçoso, para que ela pudesse se exercitar, pois estava quase vazio, só tinha uma cama, uma pequena mesa a um canto, e uma cadeira. ligado ao quarto, um banheiro completo. havia cobertas na cama, uma muda de roupas. o quarto era perfeitamente climatizado, com iluminação especial, para ser graduada de acordo com o interesse de seus carcereiros. quando o homem ia fechando a porta, lady heather disse, em voz gentil: lh: É bom que você aprenda a apreciar seus aposentos. vai passar um bom tempo aí. descanse bastante, exercite-se e alimente-se bem. seja muito cuidadosa, pois não quero que nada de mal aconteça com meu filho. sara viu a porta se fechando e sentiu um grande desespero, enquanto se perguntava: o que você fez, grissom ? como pode fazer isto conosco ? enquanto isso, os csis começavam a ficar desesperados. reunidos na sala de descanso, reviam tudo que fora feito para encontrar sara, e procuravam não pensar que já poderia ser tarde demais. greg, sentou em uma das cadeiras à volta da mesa, e começou a chorar. gs: eu havia prometido cuidar dela e... sofia chegou na porta da sala, visivelmente transtornada: sc: encontraram um corpo no lago...

todos congelaram em seus lugares, e olharam para grissom, que, em silêncio, levantou-se rigidamente, e seguiu para o estacionamento. greg foi atrás dele. os dois ficaram calados durante todo o percurso. o carro parecia nem se mover, embora estivessem em alta velocidade. grissom divisou ao longe, as duas viaturas policiais junto à faixa de “cena de crime”. sentiu seu estômago se contrair, ao pensar em quem poderia estar dentro daquele perímetro demarcado... conrrad ecklie estava cuidando do caso. grissom e greg, ultrapassaram a faixa, sem nem mesmo apresentar suas identificações, enquanto conrrad, que era sempre petulante e provocador, se aproximou tentando ser gentil, pois neste caso, em especial, finalmente, mostrava algum respeito aos sentimentos da equipe da noite e entendia porque o sofrimento de grissom era tão visível. ce: vocês não deviam estar aqui, não podem se envolver... grissom ignorou o tom quase conciliador em sua voz, e, desviandose dele, foi em direção ao corpo, andando como um autômato... sentiu um grande alívio inundá-lo, quando viu que não era o corpo de sara; embora também sentisse compaixão pela mulher morta, não pode deixar de agradecer a deus, por não ser ela. o fato não acabava com seu sofrimento, mas lhe permitia ter mais um tempo de esperança. percebendo greg suspirar a seu lado, fez um gesto de cabeça, chamando-o para irem embora, enquanto a equipe do dia trabalhava naquele crime. ele temia que, como nos casos anteriores, não haveria muitos indícios para serem encontrados. já no carro, enquanto retornavam ao laboratório, levando a notícia para os colegas, novamente ambos iam em silêncio, mergulhados em seus próprios pensamentos, que seguiam caminhos paralelos. a próxima vítima, poderia ser sara. eles não conseguiam encontrá-la e sabiam o que havia acontecido com todas as mulheres grávidas que estavam na lista daquela clínica.

sara estava desaparecida a mais de um mês. como seu corpo não fora encontrado, todos os colegas teimavam em acreditar que ela ainda estava viva, e trabalhavam sem descanso, em cima dos poucos dados que tinham. as vítimas todas, haviam sido identificadas como pacientes daquela clínica, e seu médico, dr jonh mac allistair, um homem não muito jovem, de origem escocesa, franco e gentil, comprovara ser um homem idôneo, acima de qualquer suspeita. o dr. robbins, já o conhecera, pois participaram juntos, de alguns seminários sobre obscuras deformações intrauterinas, e suas conseqüências no processo de gestação, geralmente fatal também para a mãe, daí o interesse do dr robbins, e que mantinha o embrião, desde a concepção, em intenso sofrimento. por isso o dr. mac allistair buscava conhecimentos que permitissem diagnosticar estas deformações antes do início de uma gravidez fadada ao fracasso e a dor para todos envolvidos. como ficou provado, era um homem de caráter forte, mas generoso e humanitário. os empregados da clínica, também não tinham qualquer antecedente criminal, e tanto quanto se pode descobrir, não tinham qualquer relação com as vítimas, fora da clínica, e seus perfis não sugeria indivíduos patológicos ou psicóticos, bem como suas atividades externas, investigadas exaustivamente, nada apresentaram de suspeito. não havia ex-empregados a procurar, pois todos já trabalhavam com o médico há vários anos. os maridos das vítimas, e seus demais familiares, também foram um beco sem saída. grissom não desistira de procurar sara, mas era um homem em desespero. não falava mais do que o imprescindível, mal dormia, mal se alimentava; analisava o caso repetidamente, vez após outra, em busca de um detalhe que houvesse passado despercebido, e se afastava dos outros, cada vez mais, embora reconhecesse o esforço deles. sabia que tinham muitos outros casos para resolver, e que procuravam deixá-lo tão livre para continuar sua busca, quanto era

possível, fazendo sua parte do serviço rotineiro também.

quando se completaram dois meses do seqüestro, o delegado considerou que já tinham gastado tempo suficiente naquela busca, e mandou suspendê-la, arquivar o caso, até que surgissem mais indícios que justificassem nova investigação. ele decidiu que a equipe já tivera tempo para superar a perda da colega; todos deveriam voltar a trabalhar normalmente, exigindo a participação de grissom nos casos atuais. ecklie entrou na sala onde os csis do turno da noite estavam; o ambiente estava diferente do que costumava ser, não havia mais conversas nem animação no grupo; era como se sara houvesse levado consigo toda a alegria da equipe. ce: o delegado determinou o arquivamento do caso sara sidle. gg: o caso não está resolvido, ela não apareceu, nem seu corpo foi encontrado ! ce: sinto muito, grissom; não sou eu que estou desistindo, mas recebi esta ordem, e a estou repassando. grissom, cuja aparência demonstrava seu esgotamento e desespero, tomou-se de fúria. ainda não havia sido derrotado. levantou-se, e foi para a sala do delegado, onde entrou alterado, sem pedir licença, e negou-se a acatar a decisão, contestando a ordem recebida. sua voz soava alta e raivosa, sendo ouvida por todos do lado de fora daquela sala. quando se calou, quase de imediato, saiu batendo com força a porta as suas costas. encaminhou-se para sua sala, sob o olhar assustado dos amigos. lá chegando, contornou sua mesa, recolheu pertences pessoais das gavetas, jogando-os em uma caixa que pegou de passagem, em uma das estantes; inclinando-se sobre a mesa, deixou sua arma e identificação da perícia forense, e virou-se para sair. catherine falou, desolada, para grissom: cw: por favor, gil, acalme-se; pense melhor no que está fazendo... gg: peça desculpas a todos em meu nome, e despeça-se deles com

afeto, por mim. não há mais nada que eu possa fazer aqui. por causa de minha carreira, perdi o que tinha de mais importante em minha vida. eu preciso encontrá-la... xxxxxxx sara não suportava mais pensar em tudo que perdera; em como poderia estar ao lado de grissom, os dois felizes, com seu bebê. estava desanimada, mas alisava carinhosamente sua barriga, que começara a crescer. estava arredondada e firme, pois caminhava horas e horas, no espaço livre do quarto de confinamento, movendose elasticamente; fazia alongamentos, e exercícios respiratórios, além de comer disciplinadamente o que lhe era oferecido, buscando manter seu corpo em boa forma, pela saúde de seu filho. Às vezes, pensava em tentar fazer alguma coisa para fugir, mas temia pelo bebê. se ela cooperasse, sua criança teria uma chance de sobreviver e conhecer o pai. ela precisava ser forte, e apenas esta idéia lhe dava um pouco de conforto e razão para viver. cada hora que ela passava naquele lugar, era como morrer um pouco. lady heather não apareceu mais por ali. depois do dia em que chegara, quando conhecera os planos daquela louca, só via o homem que a trouxera, e que lhe trazia água e comida com zelosa regularidade. xxxxxxx grissom saiu do laboratório rapidamente, dirigindo-se ao seu carro. ainda não estava pronto para deixar de procurar por sara. ele não podia exigir ou esperar mais ajuda do pessoal, mas sabia que não desistiria de encontrá-la, ou ao seu cadáver, algo que se negava a considerar. era como se sentisse que, em algum lugar, ela estava em perigo, mas viva, esperando que ele a fosse salvar. ele foi para o seu apartamento, onde ainda estavam algumas roupas e pertences de sara, de quando ela ficara lá, antes dele viajar. depois, ela voltara a morar em seu próprio apartamento, e só visitava-o;

quando descobrira sobre o bebê, ele insistira para que ela viesse para junto dele outra vez. mas como desejavam um apartamento maior, ela manteve apenas parte de suas coisas lá, e então, desaparecera, após uma última noite que passaram juntos. ele ainda sentia a presença dela no apartamento; havia um casaco dela, com o cheiro suave da colônia que ela usava, que ele mantinha cuidadosamente colocado sobre o encosto de uma das poltronas, como se ela fosse entrar na sala a qualquer momento. o pouco que ele dormia, era no sofá, abraçado ao travesseiro dela, sentido o cheiro dos cabelos dela, porque não podia ficar no quarto onde sabia que ela não dormiria... o toque agudo da campainha, despertou-o de seu sonho acordado, e ele foi atender a porta. era lady heather. lh: eu soube o que aconteceu, pelos noticiários, grissom. sinto muito por você. eu achei que não deveria vir antes, que você precisava de tempo. grissom fez um gesto de assentimento com a cabeça e convido-a a entrar, postando-se ao lado da porta. não conseguia falar. fechou a porta lentamente, de costas para ela, que fixava o casaco de sara com profundo ódio. mas compôs-se em uma aparência solícita e gentil, e ao virar-se para ele, falou com muita doçura: lh: pensei que talvez a presença de uma amiga, pudesse lhe ajudar. vulnerável, naquele momento,grissom esqueceu suas reservas, e falou, sem pensar, sobre tudo que estava trancado dentro dele, há longo tempo. falou de seu amor por sara, do tempo que ele perdera, sentindo medo e insegurança, e da felicidade que ela lhe ensinara. falou do último presente, do filho dele, que ela carregava, e da dor que sentia, com a perda repentina de tudo que tinha algum sentido em sua vida. não se envergonhou das lágrimas que começaram a rolar por seu rosto, apenas deixou-se cair sobre o sofá, fechou os olhos e falou, falou, falou... lady heather era uma mulher muito experiente e sabia ouvir. eles já haviam conversado outras vezes, mas ela nunca o vira tão indefeso assim. isso era bom para seus planos. sabia que após seu desabafo, ele tentaria controlar-se, mais ainda estaria muito emotivo, então

chegaria sua vez. quando ele ficou em silêncio, exausto, ela sentou-se a seu lado e o abraçou, puxando-o para bem próximo de seu corpo, onde a barriga já se projetava amplamente. grissom deixou-se consolar, imóvel, e,ainda que já não confiasse mais nela, estava cansado demais para raciocinar ou reagir. neste momento, o bebê que ela esperava, moveu-se junto ao seu rosto, como se tentasse tocar sua face. mais uma vez, e outra... ele ficou bem próximo, sentindo aqueles movimentos, e lembrando que sara já estaria com três meses e quase três semanas de gravidez. sentiu uma grande saudade dela e, sem perceber, ergueu sua mão e colocou-a sobre a barriga da amiga, sentindo a vida que acontecia ali. lady heather não fez qualquer gesto para detê-lo. ela sabia em quem ele estava pensando, mas logo teria coisas bem mais próximas, com que se ocupar. passou suavemente a mão livre nos cabelos de grissom, enquanto seu outro braço rodeava os ombros dele, mantendo-o firmemente junto dela. aguardou um momento, e, dando um profundo suspiro, começou a falar, conforme planejara. lh: grissom, eu não tenho como esperar mais. eu preciso lhe contar. eu sei que não é a melhor hora, mas, talvez, possa consolá-lo um pouco. o bebê, este bebê que você está sentindo se mover, o meu bebê, é também seu filho! nosso filho. simulou um soluço, quando grissom saltou do sofá, olhando-a com os olhos esgazeados. gg: como você pode me dizer uma coisa destas ? o que significa isto ? sabe que sempre a tratei como uma amiga, fiz confidências a você, não me tornei seu amante ou... lh: você sabe como tudo aconteceu. eu não podia prever, apenas depois de algum tempo, eu tive certeza. e neste período, como antes, não tinha havido mais ninguém. eu estava só há bastante tempo, eu esperava que em algum momento você percebesse, então, naquela noite... você não queria, realmente, eu sei, mas naquele momento eu era apenas uma mulher apaixonada, e você estava lá, tão só e confuso... quando eu soube do bebê, não sabia se devia procurá-lo; eu devia,

mas você havia sido tão definitivo quando disse que não me queria, que eu não podia usar o bebê. porém, naquela madrugada que fui procurá-lo, haviam tentado me matar, eu estava assustada, e temia pela criança. pedi seu auxílio, pretendia lhe contar... você passou o dia em minha casa, se dispôs a nos proteger, mas contou-me que estava feliz, porque enfim, tinha ao seu lado a única mulher que poderia amar. então, calei-me. como eu poderia contar ? eu só deixaria você confuso, talvez infeliz... baixa a cabeça, e chora em silêncio, tremores sacudindo seus ombros. grissom atravessa a sala, devagar, incrédulo. aquilo não podia estar acontecendo, sua vida toda estava virando de cabeça para baixo, sentia-se tonto, nauseado, um gosto amargo na boca e, mesmo assim, ele sabia que o tempo coincidia, que ela estava falando a verdade. então ele tinha outro filho... não conseguia alegrar-se com a notícia, não agora, não ainda. precisava se acostumar a ela, mas... tinha que aceitar o bebê. começou a lembrar, pensar naquilo que fizera todo o possível para esquecer, que não tinha tido coragem de contar a sara, porque fora algo que nunca desejara, na verdade, ele estava apenas sentindo falta de sara... o pensamento de grissom retorna a cinco meses atrás, em... *** williamstown (ma), uma noite muito fria. na verdade, na grande cama do hotel, vazia, todas as noites estavam sendo muito frias. grissom se perguntava porque quisera ir para aquele sabbatical. ele sabia que precisava de um descanso, de um tempo longe de cenas de crimes; pensara que seus insetos seriam um repouso bem vindo. mas, a verdade era que em suas aulas, os alunos eram medíocres, e não estavam interessados nas oscilações observadas no amadurecimento dos mosquitos do brejo. grissom, a contra gosto, percebia que ele próprio estava menos empolgado pelo assunto do que deveria. ele estava sentindo mais falta de sara, do que imaginara poder sentir e muito mais do que conseguia traduzir em palavras. as palavras sempre lhe faltavam, quando queria falar dos seus sentimentos. ele reconhecia que fora tolice enviar um casulo para

sara. ele precisava sair de seu casulo, e se explicar melhor. ela estava magoada com sua partida, sem explicações. acreditava que ele estava se afastando dela, e a única coisa que conseguira dizer foi que ia sentir falta dela. precisava que alguém lhe ensinasse com poderia consertar este erro. não podia perdê-la. resolveu ir até o restaurante do hotel, porque não havia comido nada desde o almoço. ela achava que tinha almoçado, mas não tinha certeza. quando saiu do elevador, surpreendeu-se em ver alguém conhecido, de vegas, sorrindo ao vir em sua direção: gg: lady heather, não esperava encontrá-la por aqui, tão longe de casa. está sozinha ? lh: gilbert grissom, meu perito forense predileto, meu único amigo confiável. que faz aqui ? gg: penso em jantar. me faz companhia ? lh: se me oferecer um bom vinho ... grissom nunca soubera ao certo em que momento daquela noite o desastre começara. talvez o vinho tenha feito alguma diferença, só que não fora o suficiente para justificar, ou apagar sua lembrança do acontecido. quando a acompanhou até o quarto, pensava em pedir a ela que o aconselhasse sobre como falar sobre seus sentimentos para sara, por isto aceitou o convite para entrar e conversar. a saleta era confortável e aconchegante, e ele considerava lady heather uma mulher especial, sua amiga. quando se sentou ao lado dela no sofá, foi surpreendido por sua declaração ardente, paixão intensa e o desejo nos olhos dela. não conseguiu evitar seu beijo e afastá-la, apenas sentiu, quando sua camisa foi aberta, as mãos dela queimando seu peito, e foi tolamente seduzido quando o corpo o dominou. quando recuperou o próprio controle, estava cheio de vergonha. sentiu-se usado em um momento de fraqueza, mas sabia que também tinha culpa, pois deixara as coisas irem longe demais e correspondera fisicamente. zangado consigo mesmo, falou-lhe que isto nunca deveria ter acontecido, pois ele amava outra mulher, que sempre seria seu único amor. a partir daquela noite o respeito e amizade que sentira por ela, transformaram-se em decepção. não escondeu seu desgosto ao sair, e pediu que ela se afastasse dele

definitivamente. depois daquilo, não conseguiu dormir. encaminhou-se ao williams college, e foi para sua sala, ler para se acalmar. como ia explicar a sara o que acontecera? esconder dela, aumentaria sua traição, mas ele precisava dar um passo de cada vez. um dia teria que contar sobre aquela noite, olhando dentro dos seus olhos, para que ela pudesse ler sua dor e arrependimento. agora, precisava fazer algo para que ela entendesse seu amor. ele tinha necessidade de se comunicar com ela. lendo o soneto 47 de shakespeare, viu claramente o que o que fazer. pegou uma folha em branco e escreveu: “sara nossa despedida foi desajeitada. eu não sei porque encontro tanta dificuldade em expressar meus sentimentos por você. mesmo pensando na distância que nos separa, posso ver você tão claramente, como se estivesse aqui comigo. eu disse que sentiria sua falta, e eu sinto. transcrevo este soneto, que pode expressar o que sinto, melhor do eu consigo. eu a amo.” endereçou um envelope e colocou a carta dentro. mas, ainda não podia enviá-la, não agora, depois do que acontecera...*** voltou ao presente, quando lady heather suplicou: lh: grissom, diga alguma coisa, este bebê não deve sofrer por nossos erros. grissom não estava feliz. a idéia de um filho (outro filho...), parecia uma segunda chance que a vida lhe ofertava... uma espécie de amarga compensação; amava sara e o filho de sara... mas tinha, agora, um filho que precisava dele. e, ainda que este filho tenha sido gerado sem amor, com uma mulher que ele não amava, era seu filho, e ia amá-lo, como um pai ama um filho. ajoelhou-se e encostou o rosto no ventre volumoso e falou: gg: vou cuidar do meu filho com muito amor, e tratar com respeito sua mãe. É tudo que eu posso lhe oferecer, o meu respeito. e quero

que saiba que não vou desistir de procura sara, enquanto eu viver !

no laboratório, catherine tentava conversar com delegado: cw: você não pode demiti-lo assim; ele só precisa de mais tempo... dl: eu não queria catherine, mas ele não me deu outra escolha. se e quando ele recuperar o juízo, podemos considerar readmiti-lo. catherine saiu da sala desolada; pegou os casos e foi distribuir para o pessoal, que estava na sala de descanso, em profundo silêncio. cw: nick e greg, ficam com um homem morto no quarto do hotel duck’s. warrick vem comigo, temos um caso de uma mulher, acusada de espancar o filho de cinco anos até a morte. no carro, nem nick nem greg conversavam; para aliviar o clima, ligam o rádio. mas não é possível suportar calados por mais tempo: ns: hei cara, não fique assim. ninguém vai desistir dela. gs: eu sei cara, nunca desistiremos... ns: mas tudo vai ficar mais complicado, com grissom longe do laboratório... a semana foi passando lentamente. todos estavam angustiados. grissom, que precisara tomar fortes remédios para dormir um pouco, acordou mais descansado, pelo menos fisicamente. sabia que precisava voltar para o laboratório; precisava seu emprego de volta. levantou, tomou um banho, fez a barba, olhou sua aparência no espelho e sentiu-se muito velho. mas, quanto a isto, não havia nada que pudesse fazer. vestiu-se e saiu. no caminho, parou em uma lanchonete, para comer alguma coisa. ao lado, havia uma loja infantil. olhou para as roupinhas e sentiu que devia começar a agir como um pai; comprou dois macacões amarelos, um para o bebê de lady heather. e outro para seu filho com sara. tudo que ele fizesse para um, faria igual para o outro. ainda que sara e seu filho não estivessem com ele, ele sentia que ela voltaria. chegando ao laboratório, pediu para falar com delegado. gg: eu vim pedir desculpas por ter perdido a cabeça. preciso deste emprego. pode me aceitar de volta ?

dl: grissom, você sempre foi excelente csi, talvez o melhor, embora seja um grande teimoso. até posso readmiti-lo, porque a equipe está incompleta e precisamos de mais um perito. mas tome muito cuidado com seu comportamento. você estará em experiência, qualquer abuso, e volta para a rua, desta vez sem nova chance. gg: É claro, eu entendo. dl: outra coisa, você não será mais supervisor. este cargo já é de catherine. você vai começar do zero. terá que refazer sua carreira. gg: mais alguma coisa ? dl: por hora, só isto. vá apresentar-se a sua supervisora agora e passe mais tarde no setor de recursos humanos, para assinar a papelada. grissom dirige-se a sala de descanso, onde o pessoal se reunia, até a distribuição dos casos. todos já deviam estar lá; poderia apresentarse logo a todos ao mesmo tempo. warrick, nick e greg lá estavam, conversando, quando ouviram chegou: gg: boa noite, pessoal. deu um suspiro, de alguém que finalmente volta para casa. wb: cara, como é bom te ver de novo ! greg ainda não conseguira perdoá-lo por causa do que fizera a sara, mas não deixou de cumprimentá-lo: gs: também senti sua falta, grissom. ns: então você é novamente nosso chefe ? grissom, que estava pensando nos problemas que tinha pela frente, respondeu calmamente: gg: não, agora sou apenas um csi do turno de vocês. catherine que chegava escutou o que grissom falara, e só pode dar um leve sorriso e falar: cw: bem vindo de volta, meu amigo, enquanto dava um grande abraço nele. cw: só quero que saiba, grissom, que ninguém aqui vai desistir dela, jamais. ele concordou com a cabeça. ela começou a distribuir os casos daquela noite. por volta do meio dia, grissom pegou a pasta com o caso das

mulheres grávidas, que havia sido arquivado e começou a examinála. greg sentou-se ao lado dele. gs: hei, cara. quer ajuda ? gg: obrigado, greg, mas você precisa descansar, se alimentar, cuidar um pouco de sua vida, fazer as coisas que gosta. não pode só pensar em trabalhar todo o tempo. greg larga os papéis que estava estudando, e olha aborrecido para grissom: gs: você não é o único aqui que se importa com ela. todos sabem que eu gostava dela, e por um bom tempo tive esperança de conquistá-la. mas com o tempo, percebi que ela gosta de mim como um irmão, e sempre amou apenas você. isto não me fez deixar de amá-la; eu daria minha própria vida para trazê-la de volta. então, não me diga para ir cuidar da minha vida, enquanto sara não estiver de volta. ela é parte da minha vida, mesmo que me considere apenas um irmão. grissom ficou parado, olhando-o fixo, e sentindo ciúmes... mas greg estava ali pelo mesmo motivo que ele: trazer sara de volta. gg: desculpe, greg. vou pegar um café para nós dois, e volto para discutirmos o caso xxxxxxx sara olhava um cordão que grissom lhe dera, quando começaram a se encontrar, e que ele gostava de saber que ela sempre o usava. era de ouro, com um pingente duplo, em forma de coração, que quando se abria, mostrava seu nome gravado. ela suspirou baixinho o nome dele, quando a porta se abriu. era seu carcereiro, o homem que a cuidava de sua prisão, trazendo seu almoço. hoje ele estava irritado, e falava consigo mesmo: cc: então ela pensa que agora pode simplesmente me descartar, para ficar com aquele cientista forense ? sara escutou estas palavras com seu coração acelerado... ss: a quem você está se referindo ? o homem olhou pra ela com desprezo, cheio de rancor. cc: aquele seu namorado, pensa que pode ficar com lady heather;

recebeu ela de braços abertos, e ela quer se livrar de mim, como se eu fosse um monte de lixo. mas eu vou me vingar eu já tenho meus planos. ele olhou tão friamente para sara, que ela temeu por seu filho... ss: pois me solte, e você terá sua melhor vingança ! cc: não, você é assunto que ela quer liquidar pessoalmente. sara estava muito assustada, com aquele homem tão submisso a lady heather, que agora mostrava sua fúria. seu coração estava apertado, tentando imaginar o que aquele maluco pretendia fazer. ao mesmo tempo, se perguntava se grissom havia realmente aceitado lady heather em seu lugar. ela começou a chorar baixinho...

grissom voltou com o café deles. estava calado e pensativo. greg examinava a pasta, analisando cada caso. o silêncio, quase amistoso, que mantinham, foi quebrado por uma voz feminina: lh: grissom, trouxe alguma coisa pra você comer. você não tem se alimentado direito... ele olhou embaraçado para greg, que não escondeu sua decepção. fixou um olhar severo nela: gg: muito obrigado, mas você não devia esta aqui... nick e jim, que vinham entrando na sala, se espantaram em ver quem estava ali. cumprimentaram-na, pegaram café e sentaram-se, fingindo conversar, mas na realidade, cheios de curiosidade... lh: tudo bem, eu já estou de saída. mas você precisa se cuidar, ou não vai conseguir trabalhar assim; observei que não tem preparado nada em sua casa. você nem fez compras... greg pensou que com esse comentário, ela mostrava estar muito íntima de grissom; era uma exibição do seu poder sobre ele. ela estava marcando-o como seu homem. ela olhou greg diretamente nos olhos. soube de imediato que ele a odiava, e deu um sorriso triunfante. lh: até mais tarde, grissom. não demore demais.

jim ouvia tudo com olhar de reprovação, mas nada disse. greg não suportou mais: gs: grissom, porque está fazendo isso com sara? grissom respondeu sem dar muita importância: gg: não estou fazendo nada greg. greg balançou a cabeça como se não acreditasse no que ouvia: gs: como você acha que sara vai se sentir quando voltar, e encontrar lady heather lhe consolando, com tanto domínio sobre você ? seja realista, grissom. acredita mesmo que ela só quer sua amizade ? grissom, impaciente, respondeu: gg: greg, não devo satisfações da minha vida a ninguém. mas se quer realmente saber, eu não estou junto com heather; estou só cuidando de meu filho... grissom interrompeu-se, quando percebeu o que tinha falado. havia contado algo que nem mesmo ele perdoava-se por ter acontecido. jim e nick olharam de um para o outro, muito surpresos pelas coisas que estavam ouvindo. gs: É isso, então, grissom, foi por isto que você voltou. bastará esta criança nascer, para você esquecer de sara. não sei como ela pôde amá-lo. você só pensa em você, e nas coisas que são importantes para você. o que sara viu em você gil grissom ? os dois estavam muito alterados, elevaram suas vozes e grissom parecia a ponto de explodir. jim achou melhor interferir na discussão e acalmá-los. jb: hei, parem com isto os dois ! se o delegado escuta essa confusão, não vai ser nada bom para você grissom. os dois se olham, ressentidos, mas param de discutir. grissom resolve ir para casa; sabe que precisa descansar um pouco. durante o trajeto, fica pensando no que aconteceu, e reconhece que só se enfureceu com greg porque estava com raiva de si mesmo, sentia culpa pelo que estava acontecendo, e sabia que não devia fazer isto com sara. mas, a essa altura, não dava pra voltar atrás. ele não podia mudar o que já havia acontecido. seu celular toca; é o numero de ecklie. ce: grissom, nem sei porque estou fazendo isso, mas achei que devia

lhe contar. temos novas pistas, outros corpos foram encontrados, com mesmo mo (modus operandis) dos outros casos. ainda não identificamos as vítimas. grissom não queria acreditar. um dos corpos poderia ser o dela ? sentiu-se sem forças para enfrentar este fato. desejou fugir, não ter ouvido, e fingiu não entender o que foi falado. gg: como?? ecklie, perdeu sua pouca paciência e tornou-se ríspido: ce: não banque o tolo comigo, você entendeu muito bem! ligue para sua supervisora imediatamente. grissom ligou para o número de catherine: gg: catherine, acharam mais dois corpos. o ecklie vai passar o caso para nosso turno. por deus, cath, pegue o caso... cw: É claro, grissom, mas não posso cuidar dele pessoalmente, pois lindsay está doente. eu realmente queria muito estar aí, mas minha filha precisa de mim. por ora, vou mandar greg acompanhá-lo. algum problema ? gg: lógico que não! e, catherine, muito obrigado. cw: eu vou ligar para ele. grissom retornou ao laboratório e foi direto ao necrotério, onde os corpos já sendo preparados para a necropsia. quando entrou, greg encontrava-se a espera dele: gs: grissom, não dá para saber se é ela. será preciso esperar o exame de dna; você sabe como o processo é demorado... a cabeça de grissom começa a latejar; ele tinha desejado muito que surgissem novas pistas, mas imaginar que sara pudesse estar lá, dentro da morgue, enchia-o de pânico. greg sentou em uma mesa; suas pernas tremiam e ele sentia vontade de chorar; mas precisava se mostrar forte; a raiva que estava sentindo de grissom, por causa de lady heather, ajudou-o a conter-se.

sara estava angustiada. precisava encontrar um jeito de fazer com que seus amigos soubessem o que havia acontecido com ela, e descobrissem quem estava por trás de tudo aquilo ... temia as conseqüências, que poderiam recair sobre sua criança e, ao mesmo tempo, não suportava a idéia de grissom sendo enganado, envolvido por aquela mulher... ao mesmo tempo, se perguntava como ele poderia ter gerado um filho com a outra, e a resposta desta questão era sempre muito amarga... ela poderia morrer a qualquer momento, sem que ninguém descobrisse a verdade. nem ela própria... estava presa num local onde o tempo não existia, nem trazia qualquer esperança de liberdade. grissom faz um movimento de cabeça e pergunta se greg não vai com ele, assistir às autópsias; está muito pálido, ao pensar em quem pode estar sob o bisturi do legista, mas tem que realizar seu trabalho da melhor forma possível e sabe que alguém envolvido no caso tem que estar lá, durante o procedimento. ele sabe que greg está sofrendo, e que isto poderia ser demais para ele; fica comovido e diz: gg: eu posso fazer isto sozinho; não precisamos estar os dois lá dentro... você pode ir analisando o material coletado na cena dos crimes, e ver o que o pessoal do ecklie encontrou; ele já sabia que ... do que se tratava, quando nos passou o caso. veja o que eles encontraram, as fotos, tente achar algo que nos dê um indício para encontrarmos... o responsável por estes... atos. vestindo o avental adequado, grissom entrou na sala onde, nas macas metálicas, os corpos anônimos começavam a contar seus segredos ao dr robbins. um csi do turno do dia entregou a greg, que era o responsável pelo caso, uma pasta com as informações que tinham recolhido. a primeira coisa que viu, foram as fotos dos corpos, que eram apenas dois troncos desmembrados, imagens terríveis para se associar a alguém que se conheceu. pensou em grissom, olhando o exame daqueles horríveis restos humanos, e sentiu abrandar um pouco sua raiva, porque tinha certeza de que ele estaria sofrendo, com ou sem lady heather em sua vida. questionou-se se não devia estar lá

também. e decidiu que também assistiria a necropsia; poderiam examinar o que fora coletado posteriormente, juntos. eles dois estavam trabalhando no caso; precisava aceitar isto, além de reconhecer que a experiência de grissom era um fato a considerar seriamente, por mais que estivesse decepcionado com ele. vestiu um avental, respirou fundo, e entrou na sala dos exames. os dois homens lá dentro, olharam interrogativamente para ele, mas, ao ver sua expressão decidida, nada disseram. olhar de perto aquela monstruosidade, foi um choque para greg, que mesmo sabendo o que veria, não conseguiu conter suas palavras: gs: maldito psicopata ! quando eu pegar este sujeito... grissom, de forma automática, tentando manter sua mente longe do desespero que sentia, nem percebe que começa uma preleção textual: gg: autores psicanalíticos consideram a psicopatia como uma grave patologia do superego, como sendo uma síndrome de narcisismo maligno, cujas características seriam a conduta anti-social, agressão ego-sintônica dirigida contra outros em forma de sadismo, ou dirigida contra si mesmo, em forma de tendências automutiladoras ou suicidas, sem depressão e de conduta paranóide. a estrutura de tipo narcisística do psicopata teria as seguintes características: auto-referência excessiva, tendência à superioridade, exibicionismo, dependência excessiva da admiração por parte dos outros, superficialidade emocional, crises de insegurança que se alternam com sentimentos de grandiosidade. portanto, dentro das relações de objeto (com os outros), seria intensa a rivalidade e inveja, consciente e/ou inconsciente, refletidos na contínua tendência para exploração do outro, incapacidade de depender de outros, falta de empatia com para com outros, falta de compromisso interno em outras relações... greg ouvia tudo, com espanto. o dr. robbins, entendendo o que se passava, olha o amigo, interrompendo suas palavras, com suas próprias conclusões: dr. ar: as vítimas estão mortas há pelo menos noventa dias; foram

mortas do mesmo modo que as outras; os fetos foram atingidos por um objeto cilíndrico, de ponta aguçada, que não deixa marcas de empunhadura, o que sugere algo como um longo estilete... uma estocada fatal para os embriões, mas não mortal para as mães, que tem intensa hemorragia. em seguida, são também trespassadas na altura do coração, o que nos dá a causa de seus óbitos. nos dois casos atuais, os corpos foram desmembrados com um instrumento cortante, serrilhado, mecânico ou elétrico, uma vez que os cortes são retos, sem hesitação, na base do pescoço, articulações dos braços e pernas. as mutilações foram infringidas antes da rigidez cadavérica, provavelmente logo após a morte, tendo havido uma grande drenagem de sangue. não há como definir qual das vítimas foi à primeira, nem qual o espaço de tempo entre elas. provavelmente, muito próximo, uma vez que sua decomposição apresenta semelhante desenvolvimento. os troncos foram preservados através de resfriamento, ou seja, foram congelados e assim permaneceram, até o momento de serem carregados para o local em que foram encontrados. os senhores devem procurar uma cena de crime primária, pois elas não foram mortas e ... cortada no local. receberão meus relatórios detalhados, com os resultados das análises de fluídos, dna e toxicológicas, mas não deverão ter muito mais novidades.

sara estava sentindo o estômago reclamar, sua refeição estava atrasada. esperava que logo o homem que cuidava dela aparecesse, pois já passara da hora do almoço. como o homem costumava ser muito cuidadoso com suas necessidades, ela começou a ficar assustada, imaginando coisas ruins... e se ele tivesse resolvido matála ? e se lady heather não quisesse mais o seu bebê ? e se... seus pensamentos eram cheios de medo, quando a porta se abriu e homem chegou com seu almoço. ele estava enfurecido, e falava com mordacidade: h: oi, sarinha. como se sente ? está satisfeita com suas

acomodações ? tem tudo que precisa ? ela estranhou aquela atitude, mas resolveu esconder seus receios: ss: estou péssima ! isto é um cativeiro, com uma intenção cruel ! o que você acha que eu deveria sentir ? ele não gostou da atitude desafiadora de sara. puxou-a pelos cabelos e trousse seu rosto bem para perto do dele, num movimento tão rápido, que sara não conseguiu se esgueirar. h: olhe aqui mocinha, preste muita atenção em minha estória.. destilando sua raiva, começou a falar: h: eu, por muito tempo fui submisso à lady, porque eu a amo muito; ela sempre foi senhora da milha vida; fiz tudo ela mandou. eu peguei todas aquelas mulheres, de acordo com os planos dela. os dois últimos corpos deram mais trabalho; como você era o objetivo principal, precisei aproveitar a oportunidade, antes que ficasse protegida demais. já havia capturado as outras duas, mas antes de cuidar delas, precisava trazer e acomodar você. e, tendo você nas mãos, a lady queria confundir a cabeça do seu namoradinho ! não quis que eu me livrasse dos corpos de imediato, porque eles iam logo saber que não era você, e isso não era do interesse dela. disse que eu teria que dar um jeito para que elas não pudessem ser identificadas imediatamente, além de ter que guardá-las, para ele ter bastante tempo para se preocupar... quando fossem encontradas, ele deveria sofrer com a dúvida, sem identificar os corpos logo; era preciso que ele ficasse se perguntando se uma delas era você. e quando ele pudesse ter certeza que não, ainda teria que entender que todas as mulheres desaparecidas só eram encontradas depois de mortas, não importa quanto tempo se passasse. então, eu desmembrei os corpos; sem cabeça, braços com mãos e dedos, ou pernas, um simples tronco, não poderia ser identificado visualmente. como era preciso que o caso chegasse a ele, teria que ficar claro que a maneira como elas morreram seguiu o mesmo método das outras; por isto, precisei congelar os troncos, com minha assinatura mortal, nos bebês e nas mães. precisei limpar as partes cortadas, até que só sobrassem os ossos; quebrei os dentes de cada uma pra dificultar a perícia e a identificação dos corpos. veja, eu me diverti fazendo isto.

sabe por que toda a estória se tornou necessária ? sara olhava-o, horrorizada: ss: não, eu não sei. ele soltou uma risada que fez gelar o sangue de sara. h: porque a minha lady acha que o filho dela vai morrer. eu trabalhava no laboratório que atendia as clínicas pré-natais, e pude alterar os exames dela, com a esperança que ela fizesse um aborto e se voltasse para mim, finalmente enxergando o quanto eu a amava e como poderia fazê-la feliz! sara olhava-o, sem conseguir acreditar no que ouvia. ele não percebeu a confusão de sara, e continuou sua narrativa: h: minha lady, então, ficou transtornada, e teve esta idéia de matar os bebês das outras mulheres que passavam em seu caminho, e ficou ainda mais furiosa quando descobriu que mulher que ele havia dito amar, a outra, você, também estava grávida ! eu fui um tolo, falando do resultado do seu exame. e foi azar meu, trocar de emprego e ir parar na clinica da sua nova médica, mas para ela, foi um sinal de sorte ! ela elaborou o plano de trocar o seu bebê pelo dela e, livre de você, tendo também um filho dele, ela sabe que mais cedo ou mais tarde, pode agarrar aquele perito idiota. e, após me usar, simplesmente me abandonará... ha, mas eu sei o que vai acontecer com o maldito filho deles ! e com este que você espera, também ! saiu do quarto, fechando a porta atrás de si, deixando sara trêmula, agarrando seu ventre, imaginando o que aquele louco poderia estar planejando... e mais uma vez, ele só conseguiu sussurrar bem baixinho: grissom ... precisamos tanto de você ! grissom e greg, tentavam examinar o material recolhido pelo turno do dia, enquanto aguardavam o resultado do dna; folheavam a pasta, evitando olhar as fotos, e liam os relatórios, sem conseguir se concentrar completamente, pois sentiam a angústia consumi-los. apesar de tudo, sabiam que era preciso continuar o trabalho. assim, se o pior se confirmasse, mais motivos teriam para querer agarrar o criminoso. ele tinha que ter cometido uma falha, em algum momento, algo que eles precisavam encontrar... grissom reuniu todo o seu controle, e distanciando-se das emoções

pessoais, começou a relatar a descrição do material encontrado na cena do crime, e isto motivou greg a esforçar-se para prestar completa atenção: gg: local: lago overton. ocorrência: descobertos, bem próximo ao lago, dois corpos femininos, caucasianos, extensamente mutilados, com o estágio inicial da decomposição acelerado devido gradual elevação da temperatura dos órgãos e tecidos, indicativa de anterior conservação em ambiente refrigerado, por tempo não determinado, até serem expostos ao ar livre. segundo o relatório preliminar do legista, em exame local, ambos corpos apresentavam ferimentos no ventre, com profuso sangramento, indicando um primeiro ataque aos úteros fertilizados, com as vítimas ainda vivas, sendo apontadas como causas das mortes, as perfurações dos músculos cardíacos das duas mulheres, como um tipo de execução. os dois corpos foram decapitados na altura da primeira vértebra, tiveram amputados os membros superiores nas articulações dos ombros e os membros inferiores nas articulações coxofemorais, possivelmente logo após a morte. foram encontrados no local dois crânios e três fêmures descarnados, partes de mandíbulas superiores e inferiores esmagadas, quarenta e um dentes, falanges, e vários ossos, todos embalados e enviados ao necrotério, junto com os troncos, embora não estejam identificados. É admissível que pertençam às vítimas, que podem ter os corpos só parcialmente recuperados, pois muitos dentes, ossos e seus fragmentos estão faltando. greg balança a cabeça, assombrados por visões torturantes... gs: por que, por que esta selvageria insana com ela... com elas, além dos ataques aos bebês ? por que este monstro mudou sua forma de ataque... desta vez... gg: isto nós precisamos, vamos descobrir! a mudança no padrão do modo de se livrar dos corpos, deve significar algo... você observou que os cortes foram nas articulações, precisos, como se feitos por alguém que tivesse experiência em desmembramentos, ou

conhecimentos de anatomia. mas não foram utilizados instrumentos cirúrgicos... também não havia marcas de hesitação, nem irregularidades, que demonstrassem esforço físico; nosso criminoso usou equipamento mecânico, provavelmente elétrico e fixo, para serrar... sim, uma lâmina poderosa, denteada, como uma serra. não uma moto-serra manual, não poderia fazer cortes tão perfeitos... precisamos analisar estes cortes... podemos descobrir o que os causou, identificar sua origem. você é um especialista em procurar este tipo de informações; use sua capacidade, com uma dedicação que nunca antes precisou... pode ser nossa melhor chance de encontrá-la... encontrar algo... chegar ao assassino! gs: você já está formando um perfil deste louco, ou louca, acrescentou, desafiando grissom a contradizê-lo... gg: você poderia estar certo, greg, não teríamos certeza de estarmos lidando com um homem, apenas considerando a força física empregada nos ataques, em todos os ataques, dado não termos descoberto como as vítimas foram capturadas; o uso de um tipo de serra de mesa, com motor, não excluiria uma mulher... mas está esquecendo que uma das vítimas foi estuprada ! temos amostra de sêmen, um dna masculino, que não consta do sistema. e temos ainda, um segundo dna xy, em outro caso, um fio de cabelo, também anônimo, também desconhecido. não podemos sequer ter certeza se são dois criminosos, ou apenas um... sabemos que temos um estuprador, além de um assassino sádico, de bebês não nascidos, e das suas mães... suas últimas palavras foram ditas em tom mais baixo e temeroso. gg: também sabemos que nenhum dos doadores de dna é um dos familiares das vítimas... grissom começou a organizar um mural, reunindo dados de todos os casos, desde o primeiro; foi adicionando algumas fotos, incluindo as dos dois últimos casos, e num canto em destaque, as do desaparecimento de sara. sentiu uma grande angústia ao rever as cenas do apartamento dela; ainda podia lembrar cada detalhe dele, em sua mente, de como era antes, quando a visitava lá... seu olhar perdeu-se em lembranças, tão vivas e tão íntimas, até se chocar com

o que era mostrado nas fotografias de agora. tudo continuava exatamente como fora encontrado, em desordem, com manchas de sangue, e vazio de sara! ele trancara e selara o apartamento, embora não tivesse mais estado em seu interior, depois daquela noite, que transformara sua vida em um pesadelo... greg, começara a auxiliar grissom, na montagem do quadro de seqüência dos crimes. formaram uma linha de tempo, que não parecia corretamente definida, e buscavam algo, que deveria estar lá. olhavam todos os detalhes, tentando nada deixar escapar... gg: não percebo por que ele mudou o comportamento. geralmente não mudam um padrão, que aqui é a raiva que ele direciona aos bebês. este seria o fato que provocaria os ataques... seus motivos, podem ser diversos. um irmão mais jovem, monopolizando a atenção dos pais ? crianças são capazes de reagir com profunda intensidade a situações de ciúmes... um adulto instável, pode reagir com violência à chegada de um filho indesejado, ou à perda de um filho muito esperado... observando a expressão estranha no rosto de greg, grissom pergunta no que ele está pensando: gs: pode ser uma mulher, que não consiga ser mãe, ou que tendo sido rejeitada por seu parceiro, dispõe-se a culpar seu bebê, e quaisquer outros que atravessem seu caminho... grissom olha para greg, entendendo sua intenção acusadora... gg: greg, vejo que me culpa pelo que aconteceu a sara, mas precisa concentrar-se nas evidências! não pode deixar sua raiva levá-lo a desconfiar de heather, só porque ela espera um filho meu! talvez você me veja como seu cúmplice, estuprando mulheres grávidas, matando seus filhos nascituros e cometendo todos estes crimes selvagens... por que não solicita uma amostra de meu dna, e faz a comparação com o material coletado nos homicídios... claro, não tem necessidade de amostras, todos os meus dados estão arquivados no sistema, como de todas as pessoas que trabalham aqui. provavelmente você já fez os testes, mas deve acreditar que eu adulterei os meus dados que constam do arquivo! o que você prefere, saliva, sangue, ou talvez sêmen? por que não os exige de

mim ? a explosão de grissom demonstrava seu cansaço, irritação, uma fúria contida, mas acima de tudo, profunda tristeza e arrependimento. era muito difícil estar todo o tempo justificando o injustificável... greg sentiu-se mal por tê-lo pressionado. podia não gostar de lady heather, por sara ter sido magoada com a proximidade dela e grissom; podia ter sentido muita raiva de grissom, por ter traído sara...e por estar ligado àquela mulher por um filho... mas nunca poderia acreditar que seu líder, ídolo, o homem que ele sempre admirara, aquele que conquistara o amor da mulher que ele, greg, desejara e chegara a amar, fosse um psicopata assassino, e mais, este tipo perverso de assassino... ele nunca imaginara grissom nem como um cúmplice, apenas sua instintiva aversão à mulher que tentava ocupar o lugar de sara, levava-o a considerá-la uma suspeita. ele sabia que isto era algo irracional, sem que qualquer indício apoiasse esta idéia, mas ela insistia em surgir em sua mente. gs: desculpe, grissom, eu não quis acusar você, de forma alguma. mas essa mulher parece pedir para ser culpada. e você está se deixando dominar por ela, como... como um bobo ! grissom esboçou algo, que poderia passar por um sorriso ou um esgar de dor. ele sabia que se deixara prender em um beco sem saída ! não podia rejeitar um filho, fosse qual fosse a forma como fora gerado, e não podia simplesmente livrar-se da mãe desta criança, como se fosse um objeto desnecessário. ele não apreciava as exigências de atenção e tempo que heather lhe fazia, usando a criança como motivo; mas não sabia o que podia fazer a este respeito. fora totalmente franco com ela, quando dissera que reconheceria o filho, mas não queria qualquer tipo de relação íntima com ela; nem mesmo a amizade que lhe dedicara, conseguia mais demonstrar. procurava ser gentil, e entender suas alterações de humor, mas não ocultava seu desprazer, e reagia com repulsa quando ela procurava atraí-lo e tocá-lo. tentou retomar a análise do assassino, procurando ser paciente com greg. gg: uma mulher, que tivesse sofrido a perda de um bebê ainda no

ventre, de forma violenta, poderia tornar-se desequilibrada, e buscar vingança, tirando o filho e a vida de outras mulheres cuja felicidade lhe parecesse injusta... mas não podemos esquecer que o dna encontrando não permite este tipo de interpretação ! um fio de cabelo pode ser plantado, ou até mesmo, incidental, mas a presença de sêmen, e as marcas do estupro não foram simuladas. em todos os casos, os maridos foram excluídos de qualquer tipo de suspeita, e não encontramos quaisquer indícios de outros, namorados ou amantes, rejeitados e buscando vingança. quase todas as vítimas, tinham casamentos estáveis e, tanto quanto pudemos descobrir, seus maridos estavam felizes com a idéia de serem pais. e, antes que você destaque o fato, heather disse não ter ninguém em sua vida, pelo menos, no último ano, e assim as investigações confirmaram. você participou das verificações que concluíram ter sua atividade profissional se restringido a organizar os encontros e fantasias de seus clientes, enquanto as garotas do domínio heather cuidavam da parte operacional. era embaraçoso para grissom, falar destes fatos, enquanto examinava a pasta com o caso da agressão sofrida por lady heather, e recordava como lhe fizera companhia naquele dia. eles não tinham conversado muito, pois ele logo contou sobre sara e seus sentimentos por ela. não queria ficar na casa dela, mas não pudera negar-se a auxiliá-la. pensara em pedir a brass que enviasse uma viatura, mas sabia que seu amigo não gostava da mulher, e não se sentira disposto a tomar sua defesa, não após o que acontecera... tinha consciência e arrependimento da sua parcela de culpa no ocorrido, por isto, não pudera apenas virar as costas e deixá-la correr perigo. neste momento, o resultado do dna das vítimas é entregue. grissom e greg olham para as folhas impressas, como se estivessem diante de uma cascavel, cujo bote poderia ser fatal. após um tempo que pareceu conter toda a eternidade, grissom se aproxima lentamente da mesa, pega os resultados e tenta lê-los, quando os nomes desconhecidos lhe saltam aos olhos. olha para greg, ainda

imóvel, e diz com voz rouca: gg: as vítimas foram identificadas. corpo 1 - patrícia davis, 27 anos, desaparecida há cento e quinze dias, conforme registrado por seu marido, gerald davis jr. na época, estava no terceiro mês de gravidez e era paciente da clínica do dr. mac allistair. corpo 2 - anne caroline morgan, 23 anos, desaparecida há cento e treze dias, conforme registro feito por seu marido, nicholas morgan; na época, estava no segundo mês de gravidez; também era paciente da clínica do dr. mac allistair. greg soltou um suspiro de alívio, que grissom não deixou de ouvir, enquanto pensava que sara estava desaparecida há cento e doze dias, desde quando estava com seis semanas de gravidez, e fizera seus primeiros exames na clínica do dr. mac allistair... seu filho deveria estar... com cinco meses de gestação... ele não podia deixar de temer que outro corpo fosse encontrado. as demais pacientes da clinica, estavam em segurança. todas as desaparecidas haviam sido localizadas apenas depois de mortas, após verem a morte de seus bebês. e ele... eles não tinham quaisquer evidências para chegar ao criminoso, que passara a mutilar terrivelmente os corpos de suas vítimas... precisavam ... tirando os óculos, grissom esfregou seus olhos, que ardiam; imaginou se uma de suas enxaquecas estaria chegando, pois sentia doer parte de sua cabeça, pescoço e ombros, além de estar levemente nauseado... foi quando percebeu que estavam trabalhando sem descanso há mais de trinta e cinco horas, e, embora devessem ter comido algo, neste período, não conseguia lembrar o que fora, nem quando... seus músculos rígidos, exigiam um pouco de movimento, também. e greg não podia estar muito melhor do que ele, pois, apesar de mais jovem, deveria alimentar-se com mais regularidade e consistência do que tinham feito nestas tantas horas; e ele não reclamara, nem se mostrara disposto a ir, em nenhum momento. olhando para os olhos fundos, com olheiras, e as faces abatidas de greg, grissom perguntou-se qual seria a sua aparência e, o que diriam os colegas, se alguém chegasse e os visse naquele estado...

deviam descansar e se alimentar. a madrugada estava em meio, a equipe do dia, há muito deveria ter saído, e a turma da noite, provavelmente estava em campo, sobrecarregada com o excesso de trabalho. havia algo que ele queria fazer, mas não agora, pois precisava da luz do sol. resolveu que ambos deveriam ir para casa, tomar um banho e dormir por umas quatro horas; no momento, podiam sentir algum alívio em saber que nenhum dos corpos nas gavetas do necrotério era o de sara. falou com greg, que concordou com sua sugestão. sabia que tinham ultrapassado seus limites físicos, e deviam recuperar suas energias. greg mostrou-se surpreso ao chegar, pois nem imaginava a existência daquela praia. um belo lugar, mas desconhecido para a maioria dos forasteiros. os moradores locais divertiam-se por lá nos fins de semanas, com suas famílias, pois o recanto não fora incluído nos roteiros para turistas. grissom já estivera lá; trabalhara num caso, anos antes, quando parecera ter ocorrido um crime no balneário, durante uma festa escolar. procurar suspeitos entre adolescentes, quase crianças, fora uma perspectiva desagradável, mas com sua perícia, decifrara os indícios contraditórios e ficara provado que tudo não passara de um acidente infeliz. agora, no presente, após uma falsa pista ter levado seu colega a uma investigação infrutífera, ele sabia por que tinham que reexaminar o local, olhando tudo de maneira diferente. pediu a greg que manobrasse o carro e retornasse pelo asfalto, por uns duzentos metros. gg: estacione no bem no meio do asfalto, pegue os cones de sinalização de trânsito, e vamos fechar toda a largura de estrada, uns dez passos à frente. o local é pouco freqüentado nesta época e horário, mas não queremos causar nenhum acidente. gs: mas grissom, estamos nos afastando demais do perímetro investigado! gg: acabamos de delimitar um novo perímetro, greg. vamos vasculhar cuidadosamente cada lado da rodovia daqui até o lago.

podemos começar pelo lado esquerdo, é o mais provável... gs: eu entendo que identificamos sem qualquer dúvida o carro que deixou as marcas na areia e que ficou comprovado que ele não estava envolvido no crime. também reconheço que você soube de imediato que aquele não era o veículo que queríamos, e que, apesar de seu aviso, insisti em investigar inutilmente. mas como você adivinhou? as marcas ficaram lá, eram evidências... gg: exatamente por isto greg, eram tão evidentes, que não eram evidências. gs: suas citações são impressionantes, mas não explicam como você soube que não era o carro certo, nem o que você espera encontrar tão longe do local onde os corpos foram desembarcados. gg: simples. as marcas encontradas pertenciam a uma limousine, uma das grandes, usadas apenas por vips. via-se pelo comprimento, número de eixos, rodas e modelos dos pneus... gs: você quer dizer que vips não cometem crimes? gg: não, greg. eu quero dizer que limousines, podem ser rastreadas e identificadas facilmente. principalmente uma com 19 metros de comprimento, o que significa muito, muito luxo, até para os padrões de las vegas. além do mandala bay resorts & casino, neste caso, apenas o bellagio e, talvez, o mgm grand hotel & casino, seriam capazes de oferecer um serviço tão exclusivo aos seus hóspedes. um assassino não usaria um veículo destes porque assim nos levaria diretamente a ele, como se desenhasse um alvo em seu próprio traseiro! gs: e porque um casal milionário, de meia idade, acima de qualquer suspeita, hospedado no mandala bay, resolve vir neste lugar, à noite, realizar suas fantasias sexuais? só para atrapalhar nossa investigação... gg: esta, greg, é a magia local. a pequena praia é chamada de silver beach porque de noite, sob a luz do luar, as areias brilham como prata líquida e, o brilho se estende por toda paisagem ao redor, incluindo o lago. É um fenômeno muito interessante, causado pela condensação que o ar seco do deserto transforma em névoa sobre as águas do lago, que se esfriam rapidamente após o por do sol. os

habitantes daqui já se acostumaram com o espetáculo, raramente vêm assisti-lo, mas ainda gostam de contar sobre seus poderes românticos. as limousines com o teto retrátil, permitem aos casais... hã... amarem-se sob névoa de prata, o que lhes garante a perenidade do seu amor. gs: Ótimo para eles... mas porque vamos examinar esta área tão afastada, se o carro do nosso suspeito teve suas marcas disfarçadas pela presença da limo. acaso ela está fora do campo mágico protetor, ou a mágica do lago de prata vai nos expor algo que os outros não viram? gg: você acabou de responder sua pergunta! essa magia talvez nos mostre algo que tenha passado despercebido. ela já nos fez entender porque havia marcas de um carro na areia da beira do lago. agora, deixe-se conduzir pelo raciocínio, e pense em porque nosso esperto criminoso iria estacionar junto ao lago, onde deixaria marcas de sua presença, se podia permanecer no asfalto, e não ser percebido? gs: mas, ele precisava levar os corpos para próximo da beira do lago, é sua assinatura... e ele não poderia parar tão longe, poderia? gg: por que não? no estado em que estavam os corpos, não seria difícil carregá-los. pense comigo, greg. nosso homem é esperto, conhece as redondezas e vinha para cá. porém, viu outro carro seguindo para esta estrada. ela só conduz até aqui. sabia da praia, é provável que conheça o mito e, pelo tipo de carro, imagina o motivo que o trouxe. ele só precisaria esperar no entroncamento da rodovia... poderia simular uma troca de pneus, para justificar sua presença, parado lá, em plena noite. quando a limo foi embora, ele veio, aproveitou as marcas tão evidentes deixadas por ela, fez o que planejava fazer, encenando pequenos erros, para demarcar um falso ponto de desembarque, mantendo-se suficientemente longe da areia para ficar fora do perímetro que seria examinado... por que o sobressalto, greg? gs: grissom, o motorista da limousine... quando conversei com ele, perguntando se observara outros carros nesta estrada, aquela noite, ele disse que não... achou “engraçado”, todo este trecho estar deserto, e na saída para a nv – 169 e, ver apenas aquele coitado, que

deu o azar de ter um pneu para trocar... gg: nosso assassino! ele o viu? pode descrevê-lo? e ao carro? gs: não viu muita coisa, o homem usava uma espécie de macacão e boné; estava abaixado junto à roda traseira, era um carro velho... se ele não estivesse com passageiros, pararia para ajudar, porque o sujeito só tinha uma lanterna fraca... os faróis potentes da limo mostraram o que parecia ser um fazendeiro, por causa da caminhonete, muito arranhada... azul, ele achava... grande, cabine dupla, carroceria coberta por um encerado... mas o motorista não prestou muita atenção, era só pneu vazio. ele guardou o fato, por ser de madrugada, perto das três horas da manhã e porque havia sido uma noite calma nas estradas; e ele havia tirado um cochilo, na cabine, enquanto os hóspedes aproveitavam a o luxo lá atrás... gg: observador, boa testemunha... você sabe onde ele trabalha, converse novamente com ele. tente fazê-lo lembrar de mais detalhes... talvez parte da placa da caminhonete, qual o fabricante, alguma característica do modelo... ele não sabe, mas teve sorte em não poder parar para ajudar; passaria a ser apenas mais um cadáver, na lista do sujeito esperto, que cuidou para não ficar sob muita claridade! gs: então foi assim? quando voltarmos para a cidade, vou interrogar o cara que dirige a limousine special gold do mandala bay, até virálo do avesso! ele pode recordar mais alguma coisa. começo a entender o que você quis dizer, sobre um novo perímetro... mister morte teria vindo para cá quando viu a limo indo embora; as marcas deixadas seriam úteis; ele sabe que não vai encontrar outros carros aqui, pois ficou vigiando o início da estrada e quem houvesse chegado mais cedo já teria partido; ninguém mais apareceria depois do show do luar... então, ele pára sobre o asfalto, onde não deixa marcas de pneus nem pegadas, e tira o... os corpos e... mas o que devemos procurar? gg: você compreendeu perfeitamente minha idéia, greg. imagino que ele tenha parado em um dos lados da estrada, e retirado seus troféus macabros, para levá-los até próximo à beira do lago, em algum ponto, entre este em que estamos, e o final do asfalto; um lugar bem

longe da parada da limo na areia, onde ele deixou uns poucos ossinhos caídos, um com um pedaço de plástico resistente e escuro preso, outro com fibras de lona, sem exagero, suficiente para parecer que foram perdidos durante o desembarque, que na realidade ocorreu fora da área examinada. vamos procurar qualquer coisa, que confirme esta teoria, e nos dê mais indícios para analisarmos. gs: os corpos estariam sob a lona? gg: não sei, talvez dentro do carro, atrás dos bancos dianteiros; os dois volumes em que foram transformados, não chamariam muita atenção, nem ocupariam muito espaço. enquanto falavam, iam caminhando, máquinas fotográficas nas mãos, os olhos analisando cada pedaço de chão da faixa direita. o sol alto, que se aproximava do meio dia, faz sobressair um brilho branco, leitoso, sobre o asfalto, chamando a atenção de grissom, que se abaixa, examina cuidadosamente, bate uma foto, coloca luvas, e com a pinça, pega o pequeno objeto: um dente humano, que coloca em um envelope, e rotula cuidadosamente. gg: foi por aqui... ainda com um joelho no chão, grissom observa algo que parece o brilho de um líquido, sobre o asfalto quente e negro, novamente fotografa, e utiliza a pinça, para levantar um fragmento de plástico preto, amolecido pelo calor, parecido com o plástico encontrado anteriormente. mais a frente, avista uma falange, e outro dente; todos os procedimentos são cuidadosamente repetidos, enquanto greg se aproxima fascinado por algo escuro, que parece incrustado no asfalto, poucos passos à frente... gs: isto está parecendo... pega uma pinça, recolhe um objeto escuro, com aproximadamente três por dois centímetros de tamanho. usa um bastão de amostras, faz o teste químico com a fenolftaleína, que dá positivo para sangue. mostra ao colega. gs: sou capaz de jurar que isto é um pedaço de um tipo de lâmina dentada! tem resíduos de sangue... acho que pode ser um pedaço da serra que desmembrou os corpos. gg: e que não deve ser um utensílio muito comum! este é o primeiro

indício material que encontramos que talvez possa ser identificado de alguma forma... greg mostra-se otimista. acho que podemos descobrir o fabricante, através de sua exata composição, formato e tamanho... vou pesquisar tudo sobre serras, seus tipos e usos... vou descobrir de onde isto veio, grissom, eu juro! gg: eu sei que você fará tudo o que for possível, greg, e acredito que terá resultados. vamos terminar de examinar a área. ele deve ter andado até o lago, carregando partes das vítimas, de cada vez, e o plástico que as envolvia rasgou-se, deixando para trás pistas que ele não desejava plantar. depois de tudo arrumado, ele só pensou em desmanchar suas pegadas na areia, com o próprio invólucro que usou para acondicionar os ossos. vistoriaram todo o local, detalhadamente, incluindo a área que já fora investigada anteriormente. foram encontrados pequenos pedaços de ossos, parte de um dente, e mais um fragmento metálico, com sinais de sangue. já passavam das 17:00 horas, quando liberaram a estrada e retornaram para a cidade. consideraram parar, no local onde a caminhonete estivera, naquela noite, mas não saberiam o lugar exato o auxílio do motorista que a avistara. além disso, aquela era uma estrada estadual movimentada e que passava pelo parque do vale do fogo, muito visitado pelos turistas, assim, não seria provável encontrar nada após o tempo transcorrido. grissom, já sentia algum cansaço, após mais de seis horas em campo, sob o sol forte. havia sido um trabalho necessário, e não fora um gasto inútil de tempo, mas seus olhos ardiam devido ao excesso de claridade e areia soprada pelo vento, junto ao lago. possivelmente, seu corpo também esperava mais algum alimento, após a última refeição ingerida, mas não era esta a maior preocupação em sua mente, enquanto o carro seguia pela rodovia ie 15 n, chegando à vegas. não queria pensar em heater, mas sua gravidez o preocupava. ela dissera que tudo corria bem, e não desejava fazer os exames, mas ele sabia que teriam que ser feitos. a saúde dela era boa, mas a diabetes

podia trazer alguma complicação, e ela já não era tão jovem; os riscos para a criança tinham que ser considerados. e ele tivera um problema hereditário, de otosclerose. precisava saber quanto deste problema seria geneticamente transmitido para seu filho. sara, em sua prisão, conversa com o bebê. fala do homem amado, um bobo, gentil, distraído, carinhoso, inteligente e protetor, que vai ser o melhor pai do mundo! não quer se deixar abater, precisa lutar, mas às vezes sente que está enlouquecendo... lá fora, um barulho a faz se sobressaltar. soa a marcha fúnebre; é o toque do celular de seu carcereiro escolhido com perverso senso de humor. horácio se afasta da porta, onde estava chegando, para atender ao telefone. sabe quem vai falar, ele sempre sabe quando é ela... ainda que seu toque não fosse tão especial... lh: horácio, tenho um trabalho para você! tem que ser feito o mais rápido possível! h: seus desejos são ordens, minha senhora! seu servo está ao seu dispor. em seu tom de voz, há um misto de adoração, rancor e zombaria, que lady heater não deixa de perceber. ela se pergunta até quando ainda poderá controlá-lo. sabe quão perigoso um homem enciumado pode se tornar, e pensa que grissom pode se tornar um alvo muito fácil! lh: você tem que matar marcel, o médico que demitiu você da clínica de spring valley. ele não pode fazer os exames que grissom está exigindo; coisa demais seriam descobertas... cuide do assunto, não cometa nenhum erro. h: eu farei o que deve ser feito, ainda hoje. vou gostar deste trabalho, e você, minha lady, vai gostar dos resultados... lady heater não entende o que ele está querendo dizer, mas, no momento, o essencial é que marcel saia de cena. ela teme que ele fale sobre a fertilização, ao descobrir que o bebê tem problemas genéticos que não lhe deixarão sobreviver. ela não vai correr o risco de deixá-lo realizar os exames. até agora, conseguira fraudar os

resultados que mostrara a grissom, e ficara satisfeita dele se manter ocupado e não insistir em acompanhá-la durante as visitas periódicas ao médico. ele considerava seu dever assumir a paternidade da criança, e ter certeza de que ela estava recebendo todos os cuidados necessários, mas não conseguia esconder que ainda não amava este filho dela. quando o neném chegasse, aí as coisas seriam diferentes; ele ficaria amoroso, e a mãe, frágil após um parto complicado, seria merecedora de sua atenção. ela saberia transformar este apreço em amor... horácio desliga o telefone, exultante. a ordem de lady h. vinha na hora exata. seu plano já tinha amadurecido completamente, e agora, ele podia agir, sem despertar as suspeitas dela, sem que ela pudesse prever o que viria a seguir... heater ainda precisaria dele, mesmo após seu primeiro gesto de rebeldia declarado... ele teria que estar lá, para atendê-la no parto, só que faria as coisas a sua maneira... ela teria uma grande surpresa! ele começa a agir imediatamente. vai até o quarto de sara, levando o jantar; recolhe as roupas da cama, os travesseiro, as roupas usadas, e outros objetos que seriam úteis, levando-os consigo. ao voltar, traz uma seringa, e tubos de ensaio; dizendo que é o dia dos exames de controle, tira várias amostras de sangue, uma quantia considerável, e para que ela não fique enfraquecida, certifica-se de que na pequena geladeira que há no quarto, haja muitas frutas frescas, sucos e repositores energéticos, que a aconselha a ingerir, bem como bastante água. substitui tudo o que retirou do quarto. faz a cama com lençóis perfumados, novos, como os vários travesseiros, roupas, peças íntimas, artigos de toalete, que arruma cuidadosamente, no armário e no banheiro, onde fizera meticulosa limpeza. comporta-se de forma gentil, atento para que nada falte ao conforto dela, exceto a liberdade. ele não sente ódio por ela... sara apenas olha a cena sem reagir, nem tentar entender. concentra-

se em proteger sua criança, ciente de que enquanto ela não o desafia, ele se mostra delicado e menos perigoso. horácio lhe deseja um bom repouso, e sai, trancando a porta com um sorriso. busca as cordas que usara, quando capturou sara em seu apartamento, que têm algumas manchas de sangue, além de células epiteliais dela, cuidadosamente preservadas e reúne ao restante do material que vai utilizar. coloca tudo no carro, a velha camionete azul, e parte em direção a casa do doutor marcel. tinha seus próprios motivos para não querer que o médico procedesse aos exames em heater, e fizera planos muito especiais para livrar-se dele, que deixariam seu inimigo bem ocupado e confundiriam sua lady infiel. --------------------------------------------------------------quando marcel chegou em casa, sentia-se cansado e faminto, pois tivera um dia ocupado, da pior maneira, apenas com a papelada administrativa. foi direto até a geladeira e fez um grande sanduíche de tomate com palmito e molho de ervas frescas e picantes no pão integral. cuidava de sua saúde mantendo uma alimentação equilibrada, evitando o fumo e o consumo de álcool. um bom chá verde era sua bebida predileta. fazia exercícios na academia completa que montara no pavilhão, junto à piscina, onde dava boas braçadas diariamente. uma vaidade inocente o levava a gostar de sua aparência, cultivada ao longo de seus anos de trabalho dedicado a medicina, e a manter seus cabelos naturalmente grisalhos e volumosos bem tratados. após jantar, resolveu entregar-se a uma relaxante hidromassagem, ouvindo um pouco de música suave, antes de ir dormir. vai até a suíte principal, onde abre as torneiras e deixa a água morna encher a imensa banheira, e liga o sistema sonoro que funciona em todos os cômodos da casa. pensa em tomar uma rápida ducha, para tirar a poeira e o suor do corpo, quando se lembra de que precisa assinar alguns papéis, que terá que despachar na manhã seguinte. volta ao pequeno escritório onde deixara sua pasta ao chegar, tão envolvido pelos altos acordes da música ambiente e nem nota um vulto deslizando pelo corredor. enquanto ele revisa e assina os documentos, uma sombra negra esconde-se em seu próprio quarto, a

espera do momento exato para atacar. marcel, libertando-se da burocracia, vem checar a temperatura da água e temperá-la com os sais adequados. ao sentir a tepidez convidativa da água, desiste da ducha, despe suas roupas, que são colocadas no cesto, onde põe tudo que deverá ser lavado, e que é recolhido uma vez por semana. para manter sua casa em ordem, contratou uma empresa de limpeza e jardinagem, que neste dia, desembarca um batalhão de profissionais em seu lar, e em poucas horas, deixam tudo perfeito, sem que ele precise dar ordens. um serviço caro, mas satisfatório ao extremo, para alguém que se acostumou a viver só naquela imensa casa. imerge, com um suspiro de prazer, na banheira funda, e recosta-se, fechando os olhos, para desfrutar totalmente da sensação repousante. horário, que olhava pela porta do quarto, esperando para cumprir sua tarefa da melhor maneira, resolve fazer, então sua entrada. usando luvas, um macacão jeans, uma toca de esquiador, apontando sua arma com firmeza, pronuncia o nome de seu alvo de maneira suave. o doutor, sonolento, abre os olhos e se depara com o cano de uma automática fixo em si; fica imóvel, mas sente o medo o dominar, porque no brilho do olhar que o perscruta, ele vê a morte. gratificado por ver o medo que causava, horácio examina o longo cabo do secador de cabelos que já notara preso junto ao espelho, sobre a pia com balcão de mármore, conecta-o à tomada e o liga. dá um passo na direção do médico, que está incapacitado de reagir e joga o aparelho ligado dentro da banheira, assistindo impassível a eletrocussão provocada. as luzes se apagam, o som silencia, devido à sobrecarga de energia. o corpo na banheira afunda sem vida, após ser sacudido pela corrente elétrica que lhe paralisou o coração. tirando as bota de borracha que usava, à luz de sua potente lanterna, horácio veste um par de meias e sapatos do falecido doutor, para concluir a parte final de seu plano. ao sair, deixará os sapatos, mas levará as meias e suas botas, para não deixar indícios de si mesmo, mas vai distribuir vários presentes, para os homens da perícia encontrarem... com ódio feroz de grissom, quer que ele sofra! fará com que ele

sinta a dor de saber que a mulher que ama está nas mãos de outro homem. quando o doutor marcel não apareceu na clínica, na manhã seguinte, nem atendeu aos telefonemas para sua casa, carro e celular, sua secretária ficou confusa, pois ele não costumava ausentar-se sem aviso. não havia congressos, palestras, nem um evento para estes dias, que justificasse uma viagem repentina; e por que ele não levaria o celular, ou ligaria do aeroporto? ela era uma mulher eficiente, mas não conseguia decidir o que fazer... talvez, ele tivesse passado mal, ela sabia que ele morava sozinho... resolveu ligar para o 911 e pedir que alguém fosse a sua casa verificar, pois ela sentia que algo muito errado devia ter acontecido! como se tratava de alguém de prestígio e dinheiro, uma viatura foi encaminhada para o endereço, para uma averiguação. a câmara eletrônica, da portaria, estava desativada. a campainha não emitia som e os portões automáticos não estavam trancados. os dois policiais se entreolharam, verificaram suas armas, e entraram na propriedade, seguindo até a porta da frente da casa, de um único andar, que ocupava boa área do terreno, vendo-se do lado mais distante da entrada de carros, o brilho azul de uma piscina. a porta escancarada para trás, e as manchas de sangue logo na entrada, foram suficientes para que se reportassem à central, pedindo reforços e orientações de procedimento. jim brass, que passava bem próximo dali, ouviu o chamado pelo rádio, e dirigiu-se ao local, pedindo mais dois carros para cobertura. assumindo o comando da operação, ordenou que os homens cercassem as saídas da casa, enquanto ele e mais dois entravam, armas em punho, para examinar o lugar. rapidamente, encontraram o corpo do doutor, mas viram muitas manchas de sangue, e outras coisas bem preocupantes. o capitão sentia-se mal pelo que encontrara no interior da mansão, mas quando chegou à garagem, ocupada no momento por três carros, um luxuoso e esportivo; outro clássico, do tipo que só se compra por encomenda e a velha camionete cabine dupla azul, muito arranhada, suas conclusões foram assustadoras e, devido ao alerta distribuído, ele sabia que

devia manter o seu pessoal afastado, pois já não havia vivos lá dentro. era hora de chamar a perícia; sabia a quem o caso pertencia. ligou também para catherine, além do legista. greg olhava nervoso de brass para grissom, que ao receber o telefonema do policial ficara pálido, e apenas murmurara que se sara estivesse viva, estava nas mãos de um assassino louco... falara um endereço e mantivera um silêncio amargo, mandíbulas cerradas, até chegarem ao portão, vigiado por carros da polícia. lembrava-se de ter olhado a entrada de uma casa de luxo, enquanto pegava seu kit e o seguia. eles mostraram suas identificações e passaram pela faixa amarela e preta, que já apontava uma cena de crime; um dos guardas os acompanhou até próximo à porta da frente onde estava o capitão. os dois amigos ficaram se avaliando longamente, antes que brass conseguisse falar, esquecido da presença de greg. jb: há um morto lá dentro, na banheira, e sangue que não parece pertencer a ele. o legista não deve demorar e poderá para confirmálo... o sangue forma uma trilha, de um quarto, no porão, onde deve ter sido uma adega que foi reformada, até quase a porta, e ali na sala há sinais de luta... há uma camionete azul muito velha, na garagem, que não combina com os outros carros, que pode ser aquela que vocês descreveram, no boletim de alerta para veículo suspeito. eu e dois policiais examinamos o local para ter certeza de que não havia mais perigo. cuidei para que não circulassem mais do que o necessário nem tocassem em nada, e mandei que os aguardassem aí mesmo, junto da porta. apenas eu estive na garagem e foi então que liguei para vocês e para o legista. devem querer as impressões dos nossos sapatos e nossas digitais, para não perderem tempo com verificações inúteis... tudo fora dito de um fôlego só. era evidente o desconforto de brass. grissom não lembrava de tê-lo visto assim em qualquer outro caso e se perguntou o que ele teria encontrado lá dentro que o fazia acreditar que sara estivera lá... e por que ele pensava que ela morrera, mesmo sem encontrar seu corpo? gg: vamos examinar o cativeiro, de que você falou, enquanto o dr. david não chega para liberar o corpo. você nos mostra o caminho,

jim? jb: vão precisar de lanternas, lá embaixo. nem uma luz da casa está acendendo. as janelas estão com as cortinas puxadas e o sol clareia bem a casa. mas a escada é oculta atrás de uma falsa parede de painéis de madeira entre a cozinha e a sala de jantar; só a notamos porque estava aberta, e fica tudo escuro logo a partir do terceiro degrau. o proprietário da casa, que por sinal é a nossa vítima na banheira, é o doutor marcel dunbar avery, filho de mãe canadense e pai americano, ambos de famílias de banqueiros. um morto endinheirado, de renome internacional em obstetrícia e dono de uma clínica especializada para milionários, em spring valley. brass tentava recuperar sua atitude sarcástica, mas suas palavras soavam falsas. a menção à clínica em spring valley agitou algo na memória de grissom, mas ele não lembrou de imediato do que se tratava. sabia que recordaria mais tarde. no momento, devia concentrar-se no que encontraria no final daquela escada. cauteloso, começou a descer um degrau de cada vez, examinando atentamente o padrão das manchas de sangue, sentindo uma sensação de frio percorrer sua espinha. ao pé da escada, uma porta reforçada, metálica. as lanternas iluminaram um amplo e confortável quarto de pânico, que fora usado como cativeiro. uma cama com armação em aço polido, os lençóis manchados de sangue, com os pedaços da corda ainda amarrados e cortados apressadamente, um par de algemas preso na cabeceira, contavam uma história de pesadelo. uma porta simples, entreaberta, deixava ver parte de um banheiro bem aparelhado. havia roupas femininas, espalhadas e rasgadas pelo quarto. grissom tentava se convencer de que eram roupas iguais a outras quaisquer, mas um sapato preto, elegante e confortável, não muito alto, cujo solado mostrava pouco uso, caído sob uma cadeira, era igual ao par que ele comprara para sara, três dias antes de ela desaparecer; embora não fosse um modelo exclusivo, era bastante caro, e não muito comum. podia ouvir em sua mente a voz da vendedora que explicava: “todas as mulheres devem usar belos calçados, mas só as inteligentes sabem que cuidar

de seus pés com carinho é tão importante como estarem bem vestidas. este modelo garante ambas as coisas.”... o facho da lanterna com que ele continuava a percorrer o quarto foi refletido por uma fivela de cinto, na forma de um delicado “s” duplo, confirmando seus temores; mas algo mais brilhou, perto de seus pés, no chão; ele notou o distintivo, e adivinhou a foto antes mesmo de vê-la. sabia agora, porque brass tinha certeza de que sara ocupara esta prisão; era sua identificação. ela estivera aqui, estava viva até... quando? e ele chegara tarde! gg: precisamos de luz! imediatamente! greg, há uma caixa de força ao lado da porta do banheiro. use os protetores de sapato, e chegue até ela, andando junto a esta parede; estes aposentos foram criados para ser um refúgio, em caso de arrombamento ou assalto, devem ter um gerador elétrico próprio, com sistema de baterias para garantir ventilação, luz, energia para os monitores de vigilância e o sistema de telefonia especial, pois há aparelhos sobre a mesa. a porta é de aço maciço e as paredes devem ser resistentes, também revestidas em metal. quem mandou construir este lugar sabia não ter acesso aos sinais de satélites daqui de dentro e providenciou a instalação de uma linha telefônica subterrânea. não podia correr o risco de ter a energia cortada aqui por fora. com certeza, armazenou alimentos e dispõe também de abastecimento de água potável, sem depender do exterior, ao menos por vários dias. um indivíduo preparado para emergências... grissom protegia sua mente do horror que ameaçava sufocá-lo, racionalizando sobre a situação. ele precisava, literalmente, ter claridade para examinar o local e extrair dali todas as informações possíveis. greg acabava de acionar a chave que ligava o gerador, e lâmpadas frias se acenderam em ofuscante profusão, ferindo os olhos dos três homens duplamente; parte por sua inesperada intensidade, parte pela revelação cruel de detalhes que a escuridão anterior ocultara. enquanto isto, catherine chegava à casa acompanhada de warrick e nick, junto com o furgão do necrotério e chamava brass, para falar-

lhes sobre o que fora descoberto, enquanto o legista fazia seu trabalho. ao chegarem ao quarto, da porta olham para o homem estirado na banheira. david examina-o e, considerando a temperatura interna do corpo, a água e seu aquecimento na hora do banho, calcula que a morte tenha ocorrido aproximadamente há doze horas, ou seja, não antes das 23:00 nem depois de 01:00 hora (am). o corpo não apresentava ferimentos nem sangramento; havia sido eletrocutado, o que era compatível com o secador caído junto dele; esta era a causa provável do óbito. outros detalhes poderiam ser encontrados durante a necropsia, mas apesar de não ser jovem, o indivíduo aparentava boa saúde. nada indicava se a morte fora suicídio, acidente ou crime; a posição do corpo não sugeria ataque com violência ou tentativa de defesa. como as fotos iniciais já haviam sido feitas, david preparavase para partir, levando o cadáver. catherine, sabendo por brass da cela encontrada no porão e do possível significado de seu conteúdo, dá ordens para que warrick e nick prossigam com as fotos e comecem a processar esta cena, enquanto ela vai até lá embaixo, ver como grissom e greg estão. brass vai até o fundo do quarto, observa sobre a cama um pijama de seda marrom, em cujo bolso sobressai um papel cuidadosamente dobrado, e o mostra a catherine. ela se aproxima, fotografa os objetos de vários ângulos e olha para ele, significativamente, apontando as mãos dele já com luvas. jb: faço as honras? cw: por que não justificar o seu salário? ele puxa o papel para fora, justo o suficiente para abri-lo e ler. repentinamente, fica rígido e relata sombriamente: jb: parece que temos um suicídio e uma confissão... o cara admite ter matado todas as outras mulheres, mas diz que quando sua cativa predileta quase conseguiu fugir, livrar-se dela foi uma perda dolorosa demais para suportar... cw: o sangue, a luta... quer dizer que ela estava aqui? ele a matou... agora ... ontem? grissom agora olhava o quarto sob luz forte. em silêncio, começou a

fotografar. greg não precisava de orientações, já sabia o que fazer. tecnicamente, no presente caso, ele era o csi mais antigo, e o responsável pela investigação. poderia tomar qualquer iniciativa, e se impor ao colega mais velho, mas não sentia vontade de fazê-lo. mais do que nunca, precisava da perícia e experiência dele para prosseguir. via no rosto de grissom que ele estava sofrendo. não era agradável; ele próprio também lamentava pela amiga... as fotos que estavam tirando do lugar em que ela estivera presa, nas mãos de outro homem... um olhar na direção da cama, com cordas e sangue, o fez estremecer... foi para o banheiro, e passou a fotografar tudo havia por lá. *** após as fotos, recolher as evidências, embalar, registrar, rotular, enviar para análise. uma ação de cada vez, sem pensar, apenas seguir os procedimentos... grissom repetia mentalmente esta ordem para si mesmo, concentrando-se nos gestos, sem interpretar o que seus olhos informavam ao cérebro. ensacou a identificação; sapatos, cinto, roupas, tudo foi posto nos sacos de papel, próprios para este fim. coletou amostras de sangue, em vários pontos do quarto, no chão, respingos nas paredes... talheres, prato, copo, escova de cabelos, uma caixa de talco, objetos que continham digitais; mais fotos, antes de ser cuidadosamente embalados. os fios dos telefones pendiam cortados. as paredes haviam sido lavadas, de forma meticulosa, e não mostravam nenhuma impressão, apenas poucas marcas de mãos enluvadas. por fim, não havia mais nada a examinar, exceto a cama. grissom havia adiado esta parte, o quanto pudera. temia o que poderia descobrir entre os lençóis sujos de sangue... greg, que terminara o exame do banheiro, trazia escova de dentes, pente, sabonete, xampu, algumas peças de roupas, toalhas, amostras de cabelos e pelos recolhidos na ducha. o banheiro também fora lavado, e não havia digitais aproveitáveis; além disto, em um balde plástico, um boné e um macacão semelhantes ao que foram descritos pelo motorista da limo, estavam mergulhados em alvejante e não forneceriam dna.

juntos, os dois csis pegaram o refletor e, desligando a iluminação, banharam as roupas de cama na luz negra, que foi evidenciando em diversos matizes sêmen e outros fluídos corporais; muco, substâncias salinas, ácidas e viscosas, nos lençóis, nas fronhas, travesseiros e colchão (lágrimas? suor? saliva?); sangue ainda úmido em algumas manchas. várias amostras são coletadas. os dois homens têm as feições crispadas, quando a luz é novamente acesa. uma camisola rasgada, encontrada entre os lençóis amarfanhados, bem como os pedaços de uma calcinha, que se espalham no chão sob a cama, e os muitos fios de cabelos grisalhos e escuros, da cor dos cabelos de sara, arrancados pela raiz, descrevem um tipo de violência que eles não querem comentar. ao embalar as cordas e algemas, em que digitais e epitélios serão verificados, eles sabem que sofrerão outra vez a agonia da espera pelo resultado dos exames de dna. desta vez, porém, o que foi encontrado, não dá margem a muitas dúvidas. gg: vamos levantar o colchão e ver se há alguma marca no outro lado... gs: veja, grissom, mais roupas íntimas... envolvido em tecido com resíduos de sêmen, e manchas de sangue marrom ferrugem, um objeto estava oculto sobre o estrado da cama. enrolada em uma delicada combinação rendada, uma bengala com castão de carvalho esculpido, com uma ponteira em aço maciço, cônica e pontiaguda, tinha todas as características da arma dos crimes anteriores. nauseados com esta última descoberta, eles a embalam, dando por concluído o exame da cama. catherine e brass chegam, trazendo o bilhete de suicídio. cw: como vocês estão rapazes? gs: encontramos a arma dos crimes... gg: acabamos aqui dentro. as escadas e o corredor foram apenas fotografados... jb: warrick e nick já estão cuidando do banheiro onde o cadáver

estava. eles podem dar conta do resto, eu acho. as coisas já parecem ruins o bastante por aqui, talvez você... vocês devam deixar que eles continuem deste ponto. eu... cath, você quer falar com eles? cw: achamos um bilhete. o dr. marcel diz que matou aquelas mulheres... algo a ver com bebês que não deveriam nascer; porque ele não lhes dera vida, e as mulheres precisavam aprender esta lição... É melhor que você mesmo veja... grissom lê o documento, protegido por um envelope de pvc transparente, com greg espiando sobre seu ombro. um leve tremor em suas mãos mostra como as palavras que contém vão sendo absorvidas por ele. ao fim da leitura, permanece por um longo tempo de olhos fixos no papel, muito quieto... greg tenta sufocar os soluços em sua garganta. grissom aperta a mão com força, sobre o nariz e a boca, num gesto de extremo desalento. ao levantar a cabeça, nota nos olhos dos amigos o brilho das lágrimas contidas; olha a cena da prisão uma última vez. e quando fala, sua voz vai retomando o tom baixo e firme, característico de sua obsessiva busca pela verdade. gg: qual a cor dos cabelos do cadáver? a pergunta parece tão absurda para catherine, que ela chega a pensa que o cérebro do amigo não suportou a situação e fragmentou-se. mas, olhando nos olhos dele, viu a seriedade sombria de seu questionamento, e respondeu, descrevendo brevemente o corpo e o que fora constatado até então. no caminho do porão, jim havia explicado que nem grissom nem greg havia ido ao quarto nem visto o cadáver ainda, porque nada poderiam fazer antes da chegada do legista; ele não iria ficar mais morto, devido esta demora. e na cela, de onde provinham as manchas de sangue, ele vira a identificação de sara, o que o preocupara mais do que tudo no andar de cima. nada falara a eles, mas é claro, devia ter sido a primeira coisa que notaram... gs: era ele, o miserável que a... os fios de cabelo na cama, eram dele... e dela! ela nunca desistiu de lutar... as cordas, algemas... covarde, assassino...

gg: não acredite nas aparências, greg. precisamos verificar as evidências e descobrir o que elas provam. não temos certeza de que quem esteve neste porão tenha sido assassinada; os indícios apontam este local como o cativeiro de uma mulher, possivelmente sara sidle. o sangue e o dna vão confirmar ou não, sua identidade. mas antes de encontrarmos seu corpo, não sabemos se ela está morta. este bilhete precisa ter sua autenticidade verificada. procure amostras da escrita do signatário; procure o tipo de papel usado, para ver se pertence à casa, e localize a caneta que foi usada. esta caneta é muito importante! É uma caneta tinteiro, vê? algo está errado neste cenário, e eu quero cada milímetro desta casa e terreno vasculhado a pente fino. se uma mulher foi morta nesta casa, onde está seu corpo? jb: num lago, provavelmente. era assim que ele se desfazia delas... das vítimas. vou passar um alerta, para que sejam verificadas as margens dos lagos do condado. cw: segundo o bilhete, o crime teria sido logo antes dele se matar. a sua morte foi calculada em, deixe-me ver, são 13:55 h... há umas treze horas atrás. não poderia ter se desfeito do corpo antes de 20:00 h, porque o risco de ser visto seria muito grande, pois ainda haveria luz do dia... gg: e o sangue que encontramos ainda está úmido nos lençóis. É recente... não tem mais de doze a quinze horas que foi... derramado. nosso crime teria sido por volta das 18:00 horas... cath, você pode cuidar das coisas todas por aqui? quero levar o material que recolhemos para o laboratório examiná-lo com urgência, e há uns detalhes que preciso examinar, nos arquivos daqueles crimes... jb: você quer ter certeza sobre a arma? gg: também, é necessário, mas há algo que preciso confirmar sobre estes cabelos! cw: gil, é claro que vamos cuidar de tudo, como você deseja, mas... você tem certeza que está bem? quero dizer, vocês podem levar as evidências para o laboratório, mas talvez você devesse ir para casa... você sofreu um choque, precisa fazer uma pausa...

gg: eu só preciso descobrir o que aconteceu realmente, cath. jb: porque você está tão interessado nos cabelos do morto, gil? gg: eu acho que já vi estes cabelos em algum lugar. quero ter certeza. greg, vamos pegar alguns papéis escritos, e procurar uma caneta! brass, cath, não se esqueçam de providenciar a revista completa do terreno também. jb: você acha que ele está bem? porque os cabelos ficaram tão importantes de repente? cw: eu espero que ele saiba o que está fazendo. ele costuma saber. grissom não vai aceitar a derrota facilmente. o melhor consolo para ele é o trabalho. e para nós também. eu ainda não sei como me sinto a respeito de hoje; eu só sei que vou virar esta casa pelo avesso e encontrar tudo que houver para encontrar aqui, ou não me chamo mais catherine willows. jb: vou cuidar do jardim e do resto do terreno. acho que ainda lembro como se faz... no carro, a caminho do laboratório, greg já não consegue manter silêncio: gs: você se acalmou rapidamente. nem a morte dela consegue abalálo? gg: não quero acreditar que sara esteja morta, greg. não vou acreditar enquanto eu não ver seu corpo na mesa do legista. perder um filho que nem nasceu é uma dor muito grande, e terei que carregá-la pelo resto de minha vida. mas não estou pronto para perder definitivamente a mulher que amo. portanto, sei que ela ainda está viva. greg olhou espantado para o colega. sentiu-se envergonhado, de ter acusado-o de indiferença, pois, embora suas palavras tenham sido ditas com tranqüilidade, não escondiam a profunda emoção, e havia sinceridade nos sentimentos que ele expressara de forma tão direta. recuperando toda a confiança que sempre tivera em grissom, greg dispõe-se a seguir suas ordens, sejam quais forem. gs: e então, o que faremos a seguir? gg: vamos aguardar o resultado dos exames de dna.

gs: e enquanto esperamos, não faremos nada? gg: você vai continuar procurando a origem daquela serra. conseguiu algo ali, não? gs: sim, um modelo, de acordo com a distância entre os dentes, seu formato, inclinação e material que a compõe: ferro, carbono, estanho, chumbo e, acredite ou não, uma liga especial de níquel. o ferro era usado em vez do aço, porque mantém o fio mais agudo, e sendo aquecido e atingido por jatos da mistura... gg: não precisa me informar todo o processo industrial, greg. identificou o fabricante? gs: ... É um modelo em desuso. de acordo com os registros da fábrica, interromperam sua produção há quase três anos; alteraram toda a linha, de acordo com as exigências do mercado. prometeram enviar uma listagem da distribuição do produto, de todo o período em que o produziram. tivemos sorte, a fábrica não só produz as serras, que são exclusivas, como monta os equipamentos de corte que as utilizam. só eles vendem estas máquinas. a maior parte aqui mesmo em nevada. uma empresa pequena, especializada em... ok, estou falando mais do que o necessário, novamente! gg: muito bem, greg. você está fazendo um ótimo trabalho. prossiga nesta investigação; ela pode nos levar ao lugar onde o assassino agia... podemos encontrar o que é realmente importante lá, neste local... gs: você acha que ela pode ter sido levada para lá? vou descobrir este endereço, nem que tenha que examinar cada açougue deste condado... ou do resto do estado. gg: e eu, enquanto espero, vou reler aqueles relatórios, e localizar um fio de cabelo! no laboratório, enquanto greg examinava os dados enviados pelas indústrias iron and steel cuttings limited company, grissom, após localizar os dois casos que procurava, e observar quase com satisfação os dois resultados diferentes, ali registrados, dedicava-se a pensar. colocando seus óculos sobre as pastas de relatórios na

bancada, ao lado de um microscópio, concentrou-se em algo que o incomodava, desde a chegada à casa do médico, quando brass falava sobre ele. spring valley, um clínica, milionários, obstetra, bebês... bebês, sim, era isto. não bebês mortos, gestantes... heater! seu bebê, a clínica onde ela fazia seus exames! ela também fora um vítima, uma quase vítima... a outra clínica, que ela freqüentava, a mesma que sara, antes... havia algo aí, que ele não estava conseguindo entender. será que sara foi a spring valley alguma vez? não, não acreditava que fosse isso; era uma clínica para milionários, segundo brass; como sara iria lá? mas havia mais, lembrava-se de quando heater havia falado desta clínica, ele verificara alguma coisa sobre ela... Ótimas qualificações, a melhor do estado, equipamento de última geração, fazia todos os tipos de exames pré e neonatais, atendia todas as demais clínicas com seu laboratório completo... era isto! os exames... todos os materiais colhidos nas outras clínicas de acompanhamento pré-natal da cidade, do condado, eram enviados para os laboratórios da new life institute, com os nomes, idades, dados completo das gestantes. era isto que havia em comum entre todas elas, que servira de banco de dados para o assassino. a clínica do dr. mac allistair fora apenas um engodo, para levá-los ao local errado; não havia suspeitos por lá, não havia o que encontrar, por isto, nada foi encontrado. agora... ele tinha suas próprias idéias sobre os resultados de dna, mas ainda precisava esperar por eles. entretanto, achava que conseguiria um mandado de busca para a clínica women’s new life care, para a sala do dr. marcel, e para os arquivos de empregados. mais provavelmente, exempregados... enfermeiros, laboratoristas, médicos? precisava perguntar a heater se ela conhecera o dr. marcel dunbar avery. será que ele havia sido seu médico? isto poderia ser um choque para ela.

horácio prosseguia em sua rotina. com o passar do tempo, tornara-se muito atencioso com sara. sorria interiormente, com a satisfação de uma criança que pregara uma grande peça nos adultos, e imaginava como o perito de sua lady estaria se sentindo neste momento... não descuidava das refeições de sua prisioneira ela era preciosa. observava sua saúde, media sua pressão, fazia os exames necessários; ele lhe explicara que era médico, mostrara até seu diploma, para deixá-la tranqüila quanto as suas qualificações. fora mais difícil nas primeiras vezes, quando precisara usar as algemas e ameaçara ferir o bebê se ela não se aquietasse; ela só desistira de lutar quando entendera que os riscos não eram para si, mas para a criança. agora ela aceitava docilmente sua presença; encarava-o como seu médico e seguia as suas recomendações. percebera que ele estava cuidando para que a gravidez prosseguisse em segurança, se não por ela, pelo bebê. ele nunca tocara nela com desrespeito. não a tratara igual às mulheres que ele matara. eram desconhecidas, escolhidas ao acaso, em uma listagem de computador, a princípio, seguindo ordens, depois, porque o satisfazia matar aquelas crianças. era como se matasse o filho do perito que sua lady esperava; as mães haviam, então, desejado morrer... ele queria vingança, uma vingança que derramasse sangue, o sangue do outro, através dos seus filhos. ele, o outro, sobreviveria, para sofrer... por isto, sara teria que morrer também. sua morte seria gentil. ela não precisava sofrer. talvez ele não matasse sara. quem desejava sua morte era heater, e ele não mais pretendia obedecê-la. ele mataria os bebês, isto era certo. o de sara e o da lady. e, enquanto sua lady estivesse desacordada, fraca, indefesa, devido ao parto forçado, ele fugiria, levando-a consigo, após matar os dois filhos do perito, que até poderia encontrar e salvar sara; talvez ela o odiasse por tudo o que passara. mas se ela o perdoasse e ficassem juntos, o perito já teria sido castigado o suficiente, não é mesmo? ele, horácio, teria sua lady só para si. eles estariam longe daquilo

tudo, e ele a faria feliz. por agora, ele ainda mantinha as portas externas todas trancadas, com as chaves bem escondidas. se a passividade de sara fosse uma maneira de fazê-lo confiar indevidamente em sua cativa, ele não lhe daria chances de fugir antes da hora... grissom telefonara para lady heater e quando ela confirmara a clínica em que fazia seus exames e o dr. marcel como seu médico, ele teve que lhe falar da morte do doutor. recusou-se a dar mais detalhes, declarando tratar-se assunto de trabalho, que exigia sigilo. no entanto, preocupado com seu estado, quando ela deu mostras de histerismo e medo, concordou em fazer-lhe uma rápida visita. os resultados que ele precisava ainda demorariam várias horas. ele tinha tempo para ir até o domínio acalmá-la, depois passar em seu próprio apartamento, tomar um banho, vestir roupas limpas, se ele encontrasse alguma em seus armários, talvez comer alguma coisa, e voltar para cá, para receber em mãos os exames. avisou greg que estaria fora por umas seis horas, no máximo. aconselhou-o a sair, também, e obter um pouco de descanso e alimentação por enquanto. eles poderiam retornar ao serviço de madrugada. lh: quem matou marcel? ele era meu médico, cuidava de nosso filho; era quem faria os exames que você desejava... não entendo, porque alguém o mataria? ele era rico, é claro... estou falando bobagens. a notícia abalou-me profundamente. eu gostava tanto dele, era um homem bom, um amigo... porque você não me conta o que aconteceu? eu gostaria de saber. não vou comentar o assunto com ninguém, mas você pode falar comigo, dividir seu trabalho, suas preocupações... eu sou a mãe de seu filho, lembre-se... pelo menos por este motivo, você vai me visitar muitas vezes. considerar-me como uma amiga vai tornar a situação mais confortável. gg: não somos amigos. vim vê-la, para pedir que se acalmasse, mas percebo que você já voltou ao seu normal, forte e controladora, e que está bem. posso dizer-lhe que o dr. marcel suicidou-se,

deixando uma confissão sobre o assassinato das mulheres grávidas e seus filhos. aparentemente, ele atingiu um estado de insanidade em que se considerava o responsável por gerar todos os bebês que poderiam nascer. encontramos, ainda, uma cela, em sua casa, onde pelo menos uma mulher deve ter estado prisioneira. pertences de sara, a mulher que amo, estavam lá, bem como sangue e sinais de luta, que podem significar que era ela quem estava lá; e ele declara ter matado esta cativa, possivelmente na noite passada. eu lhe conto isto, porque notícias vão sair nos jornais e não sei o quanto será dito. só sei que estarei ocupado e, enquanto não solucionar este quebra-cabeças, e encontrar o corpo dela, vivo ou morto, não terei tempo para conversas sociais com você. ah, não se esqueça de procurar um outro médico... acho que na clínica de spring valley há vários. ainda poderá usar os mesmos laboratórios e nem precisará fazer nova ficha. cuide-se, para que esta criança fique bem. quando todo este inferno terminar, conversaremos sobre este filho e o que será melhor para ele. grissom sentia-se irritado e agressivo com lady heater. a certeza de que sara estava viva há tão poucas horas, enchera-o de raiva da mulher de quem se despedira tão friamente. coincidência ou não, o fato dela ser cliente do médico que mantivera sara em cativeiro, e dizia tê-la matado, estava enfurecendo-o, como se heater soubesse de algo a este respeito. estas visitas não eram mais um prazer para ele, desde quando deixaram de ser amigos; agora, com a gravidez, tornaram-se uma obrigação incômoda, mas hoje, ele sentiu-se simplesmente manipulado por aquela mulher, que só desejava dominá-lo. não sabia o que fazer quando seu filho nascesse. grissom sentia-se irritado e agressivo com lady heater. a certeza de que sara estava viva há tão poucas horas, enchera-o de raiva da mulher de quem se despedira tão friamente. coincidência ou não, o fato dela ser cliente do médico que mantivera sara em cativeiro, e dizia tê-la matado, estava enfurecendo-o, como se heater soubesse de algo a este respeito. estas visitas não eram mais um prazer para ele, desde quando deixaram de ser amigos; agora, com a gravidez, tornaram-se uma obrigação incômoda, mas hoje, ele sentiu-se

simplesmente manipulado por aquela mulher, que só desejava dominá-lo. não sabia o que fazer quando seu filho nascesse. lh: idiota! o que você plantou na casa de marcel? porque grissom acredita que a mulher estava viva, até ontem? o que você pensa que está fazendo? h: eu matei o homem, minha lady. faço tudo para agradá-la. agora o seu perito procura apenas um cadáver, além de ter um assassino que se suicidou nas mãos! não vai perder muito tempo em procurar uma mulher morta. este suicídio resolveu seu caso. lh: você acredita que pode enganar grissom? não vê que ele é o melhor perito do condado, talvez do estado inteiro? h: e o que ele vai descobrir? vai centrar suas buscas na casa, nos lagos, na clínica. vai chegar a um beco sem saída, porque mesmo que adivinhasse minha existência, não teria como saber quem sou. ele vai cansar de procurar um fantasma e um cadáver, e se voltará para a minha senhora. lh: não acredite muito nisto. tem certeza que ele não vai descobrir você? h: eu sou ninguém, minha lady. lh: para sua segurança, é bom que você não exista para grissom. seja muito cuidadoso, a partir de agora. cuide da criança que será minha; falta pouco tempo agora. a ligação foi interrompida sem despedidas. será que heater lembrara que a morte de seu próprio médico poderia, de alguma forma, trazêla para perto das suspeitas? ela estava zangada, mas começava a aceitar suas ações, acreditando no que ele dissera. não que fosse exatamente verdade... até mesmo um idiota perceberia que outra pessoa estivera na casa, aquela noite. ele fora meticuloso o suficiente, para que o cenário fosse bom, mas não perfeito. o perito iria procurá-lo; tinha provas da existência dele. isto era parte da sua tortura. sem esquecer a surpresa quase agradável, transformada em pesadelo e urgência! ele teria certezas só quando já fosse tarde demais. seu riso se prolongou, espelhado em eco pelas paredes

azulejadas. chegando ao laboratório, com dois copos de café na mão, grissom viu greg conferindo listagens de computador. não ficou surpreso; havia se forçado a um pequeno descanso. sendo mais jovem, o outro não tivera esta cautela; não estava considerando o efeito que o excesso de adrenalina faria em seu organismo, após algum tempo, deixando em completa exaustão. ele próprio já passara por isto, e sabia que certos limites precisam ser respeitados, em benefício da necessária acuidade mental. as emoções ainda o confundiam e aceitá-las e lidar com elas foi um processo de aprendizagem difícil. conviver com elas, quando ameaçavam dominá-lo, estava sendo doloroso e cansativo. aproximou-se de greg e entregou-lhe um dos cafés. percebendo seu cabelo molhado e as roupas limpas, perguntou-lhe se havia ido para casa. gs: dormi um pouco, em uma sala no necrotério. depois de tomar uma ducha, me troquei, usando o que estava em meu armário. está meio amassado, mas limpo. comi pizza com cogumelos... quer um pedaço? gg: obrigado. comi um sanduíche, antes chegar aqui. por isto lembrei de trazer café. gs: bem, este se pode chamar de café. o que tem lá na sala de descanso, eu teria medo de analisar. misturei coca-cola, para poder digeri-lo... grissom ergueu as sobrancelhas, num arremedo de diversão. entendia a intenção do colega, ao fazer piada, tentando aliviar a tensão. olhou em dúvida para seu copo, pensando se cafeína era uma boa opção, nas circunstâncias. decidiu que o café não poderia piorar as coisas e foi sentar na mesma cadeira onde estava antes, voltando a ler as folhas que havia deixado marcadas. quarenta e três minutos depois, os resultados chegaram. sara olhava um ponto na parede como se nele fosse encontrar respostas para suas dúvidas. não vinha se sentindo bem nos últimos

dias. perdera um pouco de líquido amniótico e seu carcereiro e médico dissera que ela precisava manter-se em repouso. ele que fazia os exames dela, apalpava seu ventre e verificava as batidas cardíacas do neném. além das análises de sangue, também havia feito procedimentos mais íntimos, que ela não conseguira evitar, mas que reconhecia, haviam sido perfeitamente profissionais. desta vez, ela ficara tão assustada com o corrimento, que se sentira grata quando ele viera olhá-la... agora, estava deitada, muito quieta, procurando controlar sua respiração, e permanecer calma. ela já completara seis meses de sua gravidez; a criança vinha se movendo de forma tão ativa em seu ventre que chegava a ser incômodo. porém, nestes dias, parecia chutar e socar, com mais força, apesar de mexer-se com menos freqüência; como se reclamasse da falta de espaço e conforto. apesar de tudo, parecia ser bem forte. sara se desesperava, sem saber se sentiria seu filho em seus braços antes de ser separada dele. o homem entrou e perguntou como ela estava. trazia leite e queijo sem gorduras para seu lanche. nunca esquecia das vitaminas e cálcio, com que complementava sua dieta. pela manhã, trazia suco de frutas frescas, que ele preparava para ela. saladas, fibras, legumes e vegetais. não a forçara a comer carne vermelha, mas ela tinha refeições diárias com algum tipo de peixe ou ovos. Às vezes, ela se sentia como uma escolhida, sendo preparada para o sacrifício. uma breve contração interrompeu o fluxo dos seus pensamentos. sentiu medo outra vez. apenas seis meses, é muito cedo ainda... horácio chegara à conclusão que as coisas não demorariam muito a acontecer. decidiu que já era hora de se livrar do beberrão. logo precisaria do local escolhido para realizar os dois partos. grissom estava pronto para a maioria das confirmações que eles traziam. os cabelos eram do morto. era dele, também o dna obtido do fio de cabelo encontrado em um dos crimes mais antigos. o sêmen nos lençóis, não era do médico. era igual ao coletado na vítima que fora estuprada e na roupa que envolvia a bengala; o

sangue, na roupa, também era da mesma vítima. a bengala encontrada sob o colchão fora a arma de todos crimes todos. suas medidas foram calculadas e o tipo de ferimento que provocava foi analisado, resultando positivamente. foram encontrados nela traços de sangues das várias vítimas. o laudo do perito e o exame grafoscópico do bilhete de suicídio. grissom leu todos os papéis, e passou-os para greg, sem se alterar. por último, o que informava que as secreções encontradas na cama e o sangue no local eram de sara. não havia qualquer dúvida quanto ao resultado. cerrando os maxilares, a mão novamente trêmula, grissom ia passar o impresso para greg, quando seus olhos passaram em anotação adenda às demais informações. sentiu-se congelar. gg: não é possível... gs: era ela, grissom? gg: eu examinei e conferi as digitais dos objetos, greg; eram dela. o sapato, o cinto, as roupas, eram dela. a identificação era a dela. eu já esperava que as marcas nos lençóis, os cabelos, pelos e sangue fossem dela. ainda assim, ela podia... poderia... pode estar viva! não havia tanto sangue lá; só parecia haver. gs: era muito sangue, grissom. uma longa trilha... nossa esperança era que não fosse o sangue dela. o colchão ainda estava molhado com ele... gg: molhado, greg; deveria estar emplastado, não molhado. se o sangue estivesse em sua composição normal, estaria coagulando, viscoso, não líquido. estava molhado; havia encharcado o colchão. uma solução de cloreto de sódio a 0,9 % foi adicionada a ele... gs: cloreto de sódio... soro fisiológico! gg: sim, alguém coletou o sangue dela, e o manteve diluído com soro, e resfriado, até conseguir uma quantidade que causasse uma impressão chocante. gs: então, o sangue não foi... obtido todo de uma vez? gg: pelo exame das hemácias, o sangue foi armazenado por algum tempo... gs: que tipo de louco faria uma coisa destas?

gg: o mesmo que cometeu os crimes e... a voz de grissom pareceu falhar, e quando ele continuou a frase, parecia formar cada palavra como se elas fossem de cristal muito fino e pudessem ser quebradas por um sopro mais forte. gg: ... manteve sara prisioneira, e permitiu que sua gravidez prosseguisse... neste ponto da conversa, virando-se para greg e olhando-o nos olhos, ele conclui gg: ... até matar um médico, simulando suicídio. veja o laudo da perícia sobre o bilhete; a caneta com que foi escrito, que não encontramos. os outros também a procuraram e ela não estava na casa nem no terreno. alguém a levou de lá. alguém que está com sara e nosso filho em seu poder. quando catherine chegou, encontrou greg ainda com o papel na mão, incrédulo, lendo e relendo, como se não compreendesse corretamente o idioma. ela adivinhou, pela expressão do colega, pelo menos em parte, o que continha. cw: oi, greg. são os resultados... era mesmo ela ... não há qualquer possibilidade de erro, não? como grissom suportou a notícia? onde ele está? gs: ele disse que precisava ficar a sós, que provavelmente ia se sentar um pouco em um banco de uma igreja... mas não acho que ele vá querer falar com um padre... meditar, talvez... ele deve querer entender o que está sentindo. cheio de raiva... ele está furioso! mas meio feliz, sabe? cw: greg, você não está bem, não é? eu sei que você gostava dela de uma maneira muito especial... todos nós gostávamos dela. mas você precisa se... você está falando as coisas de forma incoerente, sem sentido... gs: ela ainda está grávida, cath, ela estava... deve estar viva! É o que diz aqui... cw ... o que você está dizendo? dê-me este papel!

gs: leia aqui, cath, no sangue, as proteínas, hormônios e aminoácidos, e taxas... a concentração é de uma mulher grávida! vinte e seis ou vinte e sete semanas, por aí... o dia começa a amanhecer. sara acorda com uma nova contração, desta vez mais forte. tenta convencer-se de que é apenas uma cólica, ou dores musculares, devido má postura. horácio faz planos para a noite, enquanto prepara o desjejum. no fundo da igreja, em um canto onde o bruxuleio das velas não chega a iluminar, grissom permanecia sentado, fixando o crucifixo esculpido, sentindo as próprias emoções, tentando racionalizá-las. não conseguira acreditar que sara estivesse morta; e agora sabia que ela estava viva. onde? e como ela podia ter protegido o bebê, sozinha, todo este tempo... não quer pensar no que ela deve ter sofrido, no que está sofrendo... em tudo o que pode ter acontecido a ela. sara é uma mulher forte, uma lutadora. não vai se entregar. será que ela ainda confia nele? será que ela ainda o ama? tanto tempo distante, sem ele, com... quem, quem estará com ela em seu poder? por quê? sente raiva, sente medo, sente solidão, angústia, saudade... olha novamente para o cristo com sua face atormentada... e recorda de quando era criança e esta visão era um símbolo de fé, trazia conforto e esperança... talvez fosse por isto que viera aqui. porque junto ao medo, agora havia uma esperança real, feita de evidências... e evidências eram a essência do seu trabalho, com elas ele sabia lidar. talvez uma parte dele pedisse silenciosamente por um milagre. mas ele tinha que fazer sua parte, acreditando em milagres e ele estava acostumado a agir... ele ficaria grato por qualquer auxílio divino, mas cabia a ele o esforço para encontrá-la, encontrar ambas, sua mulher e sua criança. ele já sábia de um local onde começar a investigar. lady heater sente o desconforto com a gravidez aborrecê-la. olha a

imensa cama, onde ainda dorme sozinha, enquanto este filho se torna um incômodo... ele vai morrer e não lhe trará aquele que ela deseja. ela terá que amar o filho da outra para que grissom seja seu! tanto desejou outra criança, que fosse como sua linda zoe... a perda de zoe foi algo que nunca conseguiu superar... retornando ao laboratório, grissom vai falar com catherine. eles precisam de um mandado de busca para a clínica de spring valley, para a sala do médico, as fichas dos empregados e os laboratórios... os indícios recolhidos provam que há mais alguém envolvido no caso. ainda não identificaram o doador do sêmen encontrado no local onde sara teria estado presa; este mesmo indivíduo já aparecera como estuprador, num dos casos anteriores. há muitos fatos a levar em consideração... o assassino demonstrou conhecimentos de anatomia, intencionalmente ou não. e também sabia como lidar com o sangue, o que ficou evidente na última cena de crime. e tinha informações sobre as gestantes, sobre todas elas, inclusive sobre sara, que só poderia ter obtido em um lugar: o laboratório onde os exames delas todas haviam sido processados. o material era colhido em vários lugares e analisados na clínica do morto. o responsável por tudo isto, inclusive pelo falso suicídio, deveria ter alguma ligação com a clínica; poderia ser um médico, um sócio, um empregado ou ex-empregado. alguém que conheceu o dr. marcel e teve acesso à sua casa, e aos exames. a clínica precisava ser verificada. catherine foi providenciar o mandado. deixaria a investigação por conta de grissom e greg. e brass, é claro. um capitão do departamento de polícia sempre causa forte impressão. ela cuidaria da papelada, e dos demais casos. sabia como seu amigo estava se sentindo. daria a ele todo auxílio e cobertura que pudesse. enquanto procurava um juiz, catherine pensava que, depois de todo este tempo, só agora eles tinham motivos para acreditar que sara pudesse estar viva. e seu bebê também! ela e sara haviam discutido algumas vezes, chegara a se ofender seriamente com as palavras de sara, mas agora, só queria que ela voltasse e que pudessem ser amigas. o que

acontecera abalara todos no laboratório, até mesmo ecklies mostrara-se quase humano, vez ou outra. eles eram uma família, e a família precisava se reunir outra vez, para as coisas voltarem aos seus devidos lugares. sacudiu a cabeça, censurando-se por sua pieguice. a tensão estava cobrando um alto preço de todos eles, ela ficara realmente abalada com as cenas do cativeiro. sara continua sentindo contrações, e se pergunta se a hora vai chegar tão cedo. haveria alguma possibilidade de ela ter errado nos cálculos? não, claro que não, no máximo uma ou duas semanas, nunca em quase três meses... os médicos teriam percebido... e ela saberia, sem dúvida. a busca na clínica em spring valley durou quase todo o dia. médicos, enfermeiras, auxiliares, todos foram exaustivamente interrogados. grissom examinou a sala do dr. marcel, e com o auxílio da secretária dele, localizou todos os documentos comerciais e pessoais do médico. entre as fichas das poucas pacientes que ele atendia, encontrou a de heater. ele já sabia que ele era seu médico, mas algumas datas, anteriores mesmo ao período da gravidez, causaram alguma surpresa. ela não lhe falara de tê-lo consultado antes de mudar de clínica devido aos crimes... ele também não mostrara muito interesse nas atividades dela. sentiu algum remorso, por se preocupar tão pouco com este filho. mas algo mais estava incomodando-o. ele sabia que iria lembrar mais tarde. por enquanto, dedicava-se exclusivamente a procurar um assassino. greg, que estivera interrogando o pessoal, junto com brass, reuniu-se a grissom, quando ele verificava os registros de empregados, em especial, os que haviam deixado o emprego. um nome, por fim, chamou a atenção de ambos. gg: médico, obstetra, especialização em doenças congênitas e degenerativas dos fetos e nascituros, pesquisa em prevenção e tratamento intra-uterino... phd, harvard, o que um médico desta categoria fazia escondido em um laboratório, mesmo que fosse o

melhor do estado? gs: parece que ele fazia a maioria das análises pessoalmente, e não apenas conferia e assinava. estava executando o trabalho de um técnico. há outros médicos responsáveis pela liberação dos resultados... gg: talvez o seu talento não estivesse sendo reconhecido. ele foi mandado embora, por fraude, de algum tipo. parece que o nosso brilhante doutor não estava muito satisfeito em ficar nos bastidores... eis o formulário enviado para o conselho de medicina, onde o dr. desmond martin roller é acusado de falsificar solicitações de exames, em nome de vários de seus colegas, incluindo o dr. marcel. não pode ser provado, mas há suspeitas de que também tenha falsificado assinaturas em resultados... este pode ser o nosso homem, greg. o período em que ele trabalhou aqui antecede de pouco a época em que as mulheres assassinadas fizeram seus primeiros exames, e sua saída foi... antes de sara desaparecer. gs: ele já não havia ido embora quando ela mudou de clínica, grissom? acha que ele a estava vigiando? gg: talvez... mas tenho um palpite. a outra médica de sara teve um novo assistente. lembro-me dela ter comentado que ele tinha excelentes qualificações; ainda assim, dispensou-o quase de imediato. era desagradável com as pacientes, desrespeitoso com ela e estava sempre atrasado... esbarramos nele uma vez na saída do consultório... gs: ele parecia suspeito? gg: havia algo de furtivo nele. talvez por causa do atraso. mas ele parecia bastante arrogante... anote o endereço que consta na ficha, e consiga uma cópia da denúncia ao conselho. chame brass, vamos falar com a médica de sara, quero o nome do assistente que ela demitiu. depois podemos tentar o endereço deste dr. roller. não acredito que ele seja verdadeiro. já era noite quando retornaram ao laboratório, absolutamente frustrados.

jb: um beco sem saída, literalmente. bom endereço, para o nosso amigo. e agora, chamamos os caça-fantasmas? o nome do médico despedido da clínica em spring valley e do assistente da médica de sara era o mesmo. eles pensaram ter avançado um grande passo para a identificação do assassino, porém o endereço fornecido nos dois lugares era falso, um número que não existia. onde ele deveria estar, havia uma ruela morta entre dois prédios em ruínas na old vegas. mas o golpe pior foi descobrirem que o médico que procuravam havia morrido. nos arquivos do conselho, descobriram que o dr. roller falecera no colorado, dois anos atrás, em um acidente automobilístico, junto com sua esposa. fotos, digitais, tudo fora oficialmente recolhido pela polícia, e o responsável pelo acidente, um motorista embriagado, também morrera no local. seus amigos e colegas estiveram presentes ao enterro; o corpo foi reconhecido por seu pai, um oficial da marinha de ilibada reputação. o conselho estranhara a denúncia, e entrara em contato com o representante da clínica sobre o assunto. aparentemente o dr. marcel ficara chocado com o engano e ficara de apurar a correta identidade da pessoa em questão, mas acabara por se escusar, informando que houvera um erro na confecção de carimbos. não fora uma desculpa convincente, mas sem um nome real, nada havia a fazer. o caso fora arquivado. gg: não temos o nome dele, não temos suas digitais... e seu dna não consta do sistema. mas ele existe, tem conhecimento de medicina suficiente para enganar todos os médicos com quem lidou na clínica do dr. marcel, e para não causar desconfiança aos olhos observadores da médica titular de uma pequena clínica particular. além disto, ele sabia da morte de roller, e teve acesso aos seus documentos... um amigo... um colega de harvard, talvez? pedirei acesso aos arquivos da universidade. jb: eu vou conseguir um desenhista do departamento para fazer um retrato falado do homem que trabalhou no laboratório. amanhã, tentaremos ver o que o pessoal da clínica e sua médica podem

lembrar. gil, você viu o sujeito também, sabe descrevê-lo? enquanto grissom faz um esforço para capturar os traços fugidios em sua memória, greg volta ao trabalho nos relatórios da iron and steel e seus clientes. ele já aprendeu bastante sobre serras elétricas e seus usos; o modelo que lhe interessa, destina-se ao desmembramento de carcaças inteiras, congeladas; não é do tipo que se encontra em estabelecimentos varejistas... isso vai reduz o campo de busca. havia dez grandes armazenadores e distribuidores no estado. gs: condado de clark, área de abate... serras, trinchantes, eram encaminhadas para as instalações... horácio havia examinado sara e não tinha dúvida. ela entraria em trabalho de parto na noite seguinte, o mais tardar. o bebê estava bem adiantado. não fazia muita diferença... não teria muito tempo de vida, de qualquer jeito. a semente do homem que roubara o amor de sua lady, não iria viver. este era o preço que ele, horácio ramirez bellafonte cobraria por sua perfídia... ele faria o possível para salvar a mulher. avisara-a para permanecer em repouso absoluto; deixara tudo que ela pudesse precisar próximo a ela. ele ia sair, para resolver o caso do dr. uísque, mas... voltou até o quarto onde sara se encontrava, trazendo várias garrafas de água. ensinou-a como respirar pausadamente, e a forma mais cômoda de se deitar, sobre os travesseiros extras. h: cuide-se bem. faça poucos movimentos, e sempre lentos. respire de forma profunda e expire todo o ar viciado para fora de seu pulmão a cada cinco aspirações. tome água fresca, mas não gelada. levante-se apenas para ir ao banheiro. lembre-se, esse bebê parece ter pressa de vir cá para fora. eu vou fazer tudo para que o parto corra bem. vou à cidade buscar medicamentos, anestesia e tudo mais que vamos precisar. fique calma. não demorarei mais do que o necessário. ao sair, antecipava mentalmente todos os seus passos, e a primeira coisa a fazer era ligar para lh, avisando-a que sara estaria em trabalho de parto antes do esperado.

sara, apesar de quase adormecida, observa que horácio se esquecera de trancar a porta do quarto. força-se a repousar, e permanecer calma, imaginando se na ausência dele terá, por fim, sua oportunidade de fuga... h: lady h, a mulher não vai demorar a ter o bebê. posso controlar a situação esta noite, mas bem cedo, antes do clarear do dia, estarei com ela no local escolhido para os partos. precisa chegar lá ainda pela manhã, pois a criança dela terá que ser levada com urgência para o hospital... retardarei a cirurgia o quanto puder, mas os riscos para o bebê são grandes... lh: está cedo demais... eu... eu não esperava que fosse agora... h: bem, alguém aqui está com pressa de vir ao encontro da... mãe. lh: não há jeito de adiar mais um pouco... eu... como vai fazer comigo? não quero mais a cesariana... não posso correr este risco fora de um hospital perfeitamente equipado! h: não se preocupe, vamos induzir o parto. já tenho tudo o que é necessário. sabe que sou capaz... e brilhante. eu fui o primeiro de minha classe, lembre-se. estudei e aprendi muito... e pratiquei. o mundo perdeu um médico de primeira qualidade quando tive que morrer, durante aquela festa, porque a estúpida garota resolveu ameaçar acusar-me de estupro... a vantagem de um incêndio em um clube fechado é não haver certeza de quais e quantas pessoas não conseguiram sair. há uma relação dos que estavam na festa. supõe-se que os que não se apresentaram entre os sobreviventes são parte da sopa orgânica que restou após o rescaldo dos bombeiros. devido à quantidade de destilados que havia em estoque na casa, não houve um único corpo que se pudesse considerar como tal. a bebida é algo perigoso. É claro que tive sorte... fugindo de miami, cheguei ao colorado, onde acabo por encontrar o segundo colocado de minha própria classe, renovar nossa amizade, conhecer seus planos de viagem... só para vê-lo perecer em tão triste acidente, deixando-me seus diplomas e outros documentos... bêbados são tão perigosos nas estradas...

lh: pare com isso horácio. não é um bom momento para falar de seus crimes... eu sinto meu coração se apertar... achei que estava preparada para isso, mas agora que chegou a hora... É o meu filho que será tirado de mim... h: talvez prefira desistir de tudo... arriscar-se a ter este filho que vai morrer... e esperar que seu perito a queira consolar... lh: cuide de tudo, estarei lá pela manhã... não posso ir cedo demais, porque preciso justificar minha ida... aquele antiquário, onde fingirei voltar abre às 10:00 horas... h: 10:15 horas será um bom horário. providenciarei para que tudo esteja imaculadamente pronto para recebê-la... lh: como vai lidar com o médico, para que ele não fique sabendo da outra mulher e... seu bebê? h: o dinheiro que pagou a ele, lady heater, o manterá cego e surdo. de qualquer forma, ele não estará acordado quando eu chegar. minhas ordens serão para que fique curando sua ressaca com um bom sono esta noite. logo antes de sua chegada lhe entregarei a chave do novo e belo carro que lhe permitimos comprar e o mandarei abastecê-lo, para que esteja tudo em ordem para transportá-la e ao seu novo filho a um bom hospital... lh: faça tudo direito. o som do telefone sendo desligado fez com que horácio se apressasse em direção ao carro. o carro que trouxera da garagem de marcel. um carro que quase ninguém sabia que ele tinha. por isto, a polícia não estava buscando o veículo ainda. marcel comprara o carro em dinheiro, numa revenda distante. era uma pequena van, bem equipada, que ele usava em suas pescarias solitárias, para uma das quais havia convidado horacio, uma vez, quando ainda confiava nele e estava impressionado com a modesta colocação que solicitara na clínica. depois, ele acabara vendo uma das falsas requisições de exame de heater, e achara que fora apenas para ganhar dinheiro extra que ele as fazia... tolo. a demissão atrapalhou um pouco, mas a denúncia ao conselho poderia ser um problema no futuro... bem, aquele caso fora resolvido.

mas agora, para a viagem que ele tinha em vista, o carro comprado em nome deste doutor uísque, uma bmw classic, daria o conforto necessário para sua mulher... ela teria que dormir bastante, até se recuperar da perda de... dois filhos! até sentirem a falta do dono e do carro, eles já estariam muito longe... uma risada estranha o sacudiu, enquanto decidia que não precisava trancar as portas externas. sara não ia sair esta noite... no laboratório, grissom conseguira acesso aos anuários das turmas de medicina, de harvard, nos anos em que o dr. roller estava lá e procurava nos cursos seguidos por ele alguém que pudesse ter acompanhado seus passos... greg, neste meio tempo, descobria que existira um abatedouro, onde os animais chegavam ainda vivos, próximo ao lago mead. uma estrada de ferro particular ligava este estabelecimento a union pacific railroad, por onde chegavam os vagões com o gado. eram clientes da iron and steel, mas haviam encerrado suas atividades há mais de cinco anos. gs: por que será que fecharam? deixe ver... será que tem alguma construção lá ainda? eles possuíam uma grande área, num local valorizado... o tipo de local que procuramos... vamos ver... um resort! droga, foi vendido para ser transformado num resort... sara sentia suas costas doendo, enquanto seu desconforto aumentava... sentia náuseas, e uma forte tontura. respirou profundamente e procurou relaxar o máximo possível, mas uma cólica intensa a fez arquear-se na cama. com os olhos cheios de lágrimas, sussurrou baixinho: ss: meu neném, o que você está fazendo? ainda é muito cedo, cedo demais... mas a criança em seu ventre já tinha tomado uma decisão. havia se movimentado, deslizando para se encaixar na posição correta, e começou a exigir de sua mãe mais cooperação... o líquido quente que escorreu de dento dela fez sara concluiu que não havia mais como lutar para conter a criança. para o melhor ou

para o pior, a hora chegara. tentou lembrar-se de tudo que já ouvira, lera ou aprendera sobre partos... no início de sua gravidez, quando sua vida era normal, ela ia regularmente ao médico, e comprara livros, e aprendera como as coisas deviam ser, mas ninguém a avisara que teria que fazer tudo sozinha, que seria deste jeito... o que começara como cólica, se transformou em violenta contração, que durou uma eternidade. banhada em suor ela tentou se concentrar: ss: preciso contar o tempo entre as contrações... quanto mais próximas, mais fortes serão e eu terei que fazer alguma coisa... despiu as roupas, colocando uma leve camisola de algodão, que estava sob o seu travesseiro; juntou todas as roupas de cama e demais travesseiros que dispunha, e formou uma espécie de ninho, onde se colocou em posição para o parto, apoiando as costas e erguendo as coxas e joelhos da melhor forma que pode. aguardou a próxima contração, que não demorou muito. lembrou-se dos exercícios respiratórios que devia fazer e pensou em grissom... se ela voltaria a vê-lo, se ele chegaria a conhecer esta criança e saber que era deles... nova contração, agora em intervalo menor. sara não sabia se teria dilatação suficiente, se o parto seria possível. mas estava decidida a dar o melhor de si pela vida que gerara. as contrações sucederam-se. o tempo entre elas ia diminuindo, a respiração tornava-se rápida... difícil, estava cansada... ss: ... fazer força, empurrar... agora... empurrar com mais força... ela já não saberia descrever tudo que sentiu ou fez, quando ou como, nem por quanto tempo, mas finalmente, com um grito meio desespero, meio alívio, sentiu como uma explosão dentro de si, e viu aquela coisinha rosada, cheia de seu sangue, finalmente em suas mãos, sobre seu ventre, e aconchegou-a com os braços protetores... com a ponta do lençol, limpou o rostinho e a boquinha, que se escancarou num choro feroz... sara riu, mesmo chorando ela riu... examinou o corpinho, rapidamente, era perfeito, era uma menina... pequena, mas parecia

forte, e chorava... com um faca de mesa, o único instrumentos de que dispunha, sara cortou o cordão umbilical. rasgou em pedaços, fronhas, lençóis, o que conseguiu encontrar ainda limpo, e umedecendo-os em água mineral, das garrafas que lhe haviam sido trazidas, ela nem se lembrava quando, limpou um pouco a pequenina. utilizou parte dos trapos para enfaixá-la e enrolá-la firmemente... percebeu que ela própria, estava fraca... sangrava. juntando mais pedaços de pano, fez uma espécie de tampão, para si, e vestiu uma calça jeans... o dia já estava clareando, horácio chegaria a qualquer momento, ela precisava pegar sua cria e fugir... enquanto procurava uma camisa, sentiu as mamas cheias, gotejando leite. a neném resmungava, entre um choro e outro, possivelmente sentia fome... sem saber se teria outra oportunidade de amamentar sua filha, sara aconchegou-a ao seio, e sorriu quando a pequenina sentindo os bracinhos liberados, agarrou-se ao peito e o sugou, gulosa. horácio sentia-se furioso. não encontrara o médico em casa, e não tinha idéia de onde procurá-lo. precisava esperar... sentindo-se como uma fera enjaulada, foi na garagem verificar o carro e acabou por levá-lo a um posto, onde encheu o tanque, verificou óleo, água e pneus, e fez algumas compras, na loja de conveniências anexa. assim, tudo estaria pronto para a viagem. tão logo anestesiasse e fizesse adormecer lady heater, retiraria o bebe de dentro dela, deixála-ia repousar até a noite, então, mantendo-a sedada, partiriam. tinha todos os medicamentos que precisava... ela ficaria bem... só ele poderia dar a ela o melhor tratamento. o dia começava a amanhecer... onde podia estar aquele idiota? examinou os instrumentos, e providenciou sua esterilização... pensava se daria tempo de trazer sara até aqui... quando cobria a maca com um lençol limpo e verificava os suportes para soro, organizando tudo o que podia com antecipação, ouviu os passos cambaleantes no corredor... antes que ele pudesse evitar, a porta

abriu-se de supetão, e o bêbado tropeçou para dentro da sala, perguntando o que ele pensava esta fazendo... horácio, com um bisturi que se destinava ao alto-clave nas mãos, sentiu imenso prazer em alcançá-lo com um único passo, colocar-se por trás dele e cortar sua garganta de fora a fora... o sangue esguichou como um chafariz vermelho enquanto o corpo caia lentamente. trazendo sacos de lixo, para embalar o cadáver, arrastou-o até o refrigerador, onde o ajeitou, após retirar todas as prateleiras e escondê-las. olhou aborrecido para a sujeira que ficara na sala... não havia tempo de limpá-la totalmente... passou um rápido pano no chão, mas não trocou o lençol sobre a maca. com um sorriso cínico, amassou-o, e tornou a esticá-lo. trancou a porta da sala, da casa e certificou-se que a garagem com o carro pronto para a viagem também estivesse bem fechada. usou a mini-van em que viera para ir buscar sara. faria o parto dela com o máximo cuidado, para que ela não sofresse. já havia resolvido matar apenas o bebê. este não poderia sobreviver. sara forçara-se a levantar, após enrolar novamente a neném que agora dormia calma. saiu de seu quarto, que fora esquecido destrancado pela primeira vez, desde que fora encarcerada. talvez isto fosse um bom sinal. caminhou por corredores de azulejo, até encontrar uma porta, que se abria para a rua. um estreito braço de lago passava por todo o terreno em que se encontrava e, ao olhar em torno, identificou o lugar onde estava... o matadouro star. ela se lembrou de ter acompanhado pelos noticiosos o processo de fechamento daquele local terrível... animais eram mortos e esfolados ali; sua carne era distribuída para todo o condado... sara não mais comia carne, mas sabia que outras pessoas comiam. procurava ter uma postura neutra. mas o problema com aquele local foram os dejetos... não tinham um tratamento adequado antes da vazão, e estavam sendo jogados nas águas do lago mead... então, ela estava bem próxima de callville bay...

ela sentia o seu sangue escorrendo, sabia que estava com forte hemorragia, não resistiria muito tempo... se houvesse um barco... viu então, as caixas plásticas, que serviam para acondicionar os cortes de carne para transporte... examinou-as com atenção: ss: veja, eu posso usá-las como bóia... elas flutuam bem... você ficará confortável dentro de uma delas, pois esta borda larga e dupla impedirá que vire e a derrube. vamos buscar toalhas e travesseiros, para acomodá-la, preciosa... entrando novamente no prédio, sara faz uma trouxa com travesseiros, lençóis e cobertas, tudo que consegue encontrar e corre para fugir. mas confusa, segue pelo corredor errado e percebe que está na frente do prédio desta vez. lá longe, um carro vem pela estrada privativa da propriedade. apavorada, sara recua, e corre em busca da outra porta... mas sabe que não poderá fazer o que planejava... horácio logo as veria na água, e capturaria sua filha... ela precisa fugir de outra forma... olhando a área deserta que se estende atrás do prédio, sara toma uma decisão difícil. sabe que é perigoso para sua filha, mas pode ser que ela tenha uma chance... se aquele louco puser as mãos na neném, vai matá-la, não tem nenhuma dúvida... ele deixou isto bem claro... com urgência, sara acomoda sua fila em uma das caixas, aninhada entre travesseiros e lençóis. tira seu cordão do pescoço, o cordão que grissom lhe deu, o cordão que tem seu nome, e coloca-o com cuidado no pescoço da filha. chorando, beija-a mais uma vez, e coloca a caixa na água. observa-a indo, na lenta correnteza, em direção ao lago. ela sabe que é exatamente em callville bay que ela chegará e lá alguém vai socorrê-la... há a marina, turistas... pessoas que logo vão encontrar sua filha... porque o jogo fala mais alto em nevada... e há jogo lá... sara percebe que está delirante... com um último lampejo de consciência, faz um embrulho, com os lençóis que sobraram, e com esforço, tenta correr para o deserto, agarrada fortemente ao falso bebê. o calor sufocante estava piorando a hemorragia de sara... o sol

queimava suas vistas esquecidas daquela claridade, a sede e a fraqueza torturavam seus passos. sua mente divagava em miragens de olhos azuis e sorriso gentil caminhando para ela, tomando-a em seus braços fortes e protetores, quando suas pernas cederam no abandono misericordioso da inconsciência. horácio chegara com pressa de levar sara, não queria se atrasar para o encontro com lady heater, finalmente vulnerável, para que ele pudesse... seus planos se chocaram com o quarto aberto e vazio, os sinais da fuga apressada e os vestígios do parto. agora totalmente alerta, ele caminhou decidido para a saída nos fundos... ele a teria visto na estrada, se ela houvesse ido por lá... não fazia muito tempo, não podia fazer... havia muito sangue, ela não poderia ter ido longe... da porta aberta, horácio olha em torno, e vê ao longe, em direção ao deserto, o vulto de sara, abraçado ao bebê, provavelmente morto... pode simplesmente deixá-la prosseguir... o sol impiedoso durante o dia, os coiotes à noite... ela não teria nenhuma chance, nem o pequeno bastardinho... e o perito nunca saberia o que aconteceu com eles... ou ele poderia contar, um dia... em rápidas passadas, numa breve corrida, ele a alcançou quando ela já caia. a mulher fora corajosa até o fim... aquilo comoveu horácio. uma última fuga, e ela estava fora do alcance da vingança dele... pega-a em seus braços, com ternura... o sorriso na face dela... os dois dentes um pouco afastados, visíveis na boca entreaberta, relaxada... em seu rosto, alegria e uma paz profunda, tão absoluta... só quem encontrou o refúgio final, onde não há mais nada nem ninguém a temer se queda assim... flutuando no lago, dentro do barco improvisado, um caixote de plástico vermelho, cheio de panos e travesseiros, um pequenino ser acorda, e manifesta seu aborrecimento por estar preso e faminto, primeiro com leves resmungos, que deram bons resultados antes. como nada acontece, sem receber a imediata atenção devida, sem o conforto dos braços e sons maternos, nem o saboroso néctar a regalar-lhe a boca, ela se enfurece e grita seu ressentimento a plenos

pulmões, num choro crescendo que se eleva na manhã calma. as águas do lago, que embalam suavemente a coisinha irritada, também espalham sua queixa, levando ondas deste barulho até onde crianças brincam, em algazarra... bem mais longe, na marina, os motores dos barcos são testados, em sonoro festival... caminhando junto ao lago, um bronzeado guarda-vidas atrai os olhares das jovens, que só esperava sua chegada, para exporem seus corpos e untá-los com cremes e loções, de forma provocante... um sorriso distraído passa por seu rosto, enquanto pensa na esposa que ama com paixão, e na criança que esperam para breve... o ruído que ouve, parece sua própria imaginação, antecipando... mas seus sentidos treinados e profissionais o deixam alerta, algo estava errado... olha às crianças brincando, não estão assustadas, não há nadadores em perigo, nem banhistas na área dos barcos, mas ele ouve um... choro, é claro, um choro de bebê... ri e procura o pequeno... não vê ninguém com crianças de colo e lhe parece que o choro vem do lago... há alguns metros, vê uma caixa vermelha, boiando e sente um arrepio correr por sua espinha... ninguém faria isto, é ridículo... concentra sua atenção no objeto vermelho, sob o sol da manhã azul e percebe que dele vem um pranto cheio de frustração, fome e forte ânsia de viver... ele pula na água e em rápidas braçadas alcança a caixa e a traz para a margem... olha incrédulo para a trouxinha minúscula e berrante, e carrega-a em seu casulo, para a sede, onde há sombra, mulheres e telefones... passa pela entrada privativa dos empregados em completa fúria, e pede a telefonista para ligar para 911, chamar a polícia, pois um bebê recém nascido fora abandonado no lago e precisava de urgentes cuidados médicos... seu treinamento incluíra noções do que fazer e do que não deve ser feito em casos como estes, quer dizer, não exatamente como este... mas quando se deparasse com situações de mortes ou risco de mortes, causadas por dolo intencional ou ato criminoso. ninguém deveria mexer em nada... antes dos paramédicos, a polícia e a perícia chegarem, apesar do choro lhe cortar o coração... apóia a caixa sobre uma mesa e

senta-se ao seu lado, balançando-a falando baixinho, tentando dizer àquela criancinha abandonada que agora tudo ficaria bem, ela estava em segurança... os olhinhos do bebê eram azuis, como os dele. o capitão brass escutava os despachos da central, pelo rádio de seu carro, quando as palavras lago e bebê, na mesma ocorrência o sacudiram com força: jb: outro crime daquele monstro! espero que não seja o corpo de sara... controla sua emoção, porque não vai deixar ninguém vê-lo abalado. ele é um tira, um velho policial durão... ao ouvir o código de pedido do socorro aéreo sendo emitido, ele responde ao comunicado, assumindo o caso, solicitando viaturas para o local e o envio da perícia. então, disca para grissom, sem saber bem o que dizer ao amigo... grissom sentia os olhos arderem, após horas olhando fotos dos anuários de harvard, quando um rosto o encara da tela com arrogância. era o homem que esbarrara nele, meses atrás, quando saía com sara, do consultório da médica... tira os óculos, limpa as lentes mecanicamente, fixando as feições regulares, os olhos escuros... lê os seus dados: horácio ramirez bellafonte... mãe americana, filha de espanhóis e pai americano, filho de franceses. nascido em nova orleans, família rica e tradicional. excelente aluno, com habilidade cirúrgica extraordinária. seu currículo era perfeito, impressionante. obstetrícia parecia ser seu grande interesse, complementado por técnicas de fertilização in vitro... era seguidor de marcel dunbar avery... recolocando os óculos, grissom digitou o código do seguro social e o nome de horácio, para obter mais informações, agora que sabia quem ele era de fato. simultaneamente, uma idéia terrível começava a tomar forma em seu cérebro. o nome do médico e as datas e anotações na ficha de heater começavam a fazer sentido de forma desagradável... algo que o

estivera incomodando, estava sendo decifrado... primeiro ele precisava se concentrar em horácio, que estava com sara em seu poder. radicando-se em miami, ele tivera famosa, luxuosa e movimentada clínica. atendia a nata da sociedade local, em muitos procedimentos... talvez nem todos legais, mas não houve registro de problemas. ele parecia ser um excelente profissional e as pacientes não morriam devido a seus tratamentos. sua ficha era limpa, sem processos profissionais; nem mesmo multas de trânsito ele tinha... uma observação, no final da ficha, fez grissom levantar um sobrolho: gg: morto, durante um incêndio, possivelmente criminoso, em uma festa privada... tanto quanto foi apurado, sete pessoas ficaram presas no depósito com as bebidas mais fortes, quando parte do vigamento desabou, bloqueando a porta. garrafas explodiram e o líquido derramado transformou o local em uma fornalha por conter muito material combustível, entre eles, embalagens de papelão, madeira, palha, serragem, estopa, fibras... vários focos de fogo explodiram pela casa simultaneamente, e a energia foi cortada, criando escuridão e pânico. quando a sala finalmente foi aberta, durante o rescaldo do incêndio, não havia como identificar quem estava naquele caldo de incinerados orgânico. os sobreviventes contaram que havia muitos fogos na casa, que seriam queimados no final da festa. eles também informaram os participantes que desapareceram, sendo estes dados como mortos. as investigações não foram conclusivas e o caso foi arquivado... por que precisar sumir de circulação? até ali, era um médico genial, sem nada de criminoso em sua vida... pouco tempo depois, noutro estado, um homem, cuja identidade ele assumiu, e sua esposa morrem em um providencial acidente... por que ele seqüestrara sara? nesse momento, seu telefone vibra. jb: gil, onde você está? gg: descobri quem é ele, brass! precisa divulgar um boletim com sua foto...

jb: grissom, temos outra vítima, agora no lago mead. gg: nÃo! não... não ela! jb: não sei todos os detalhes gil, mas foi solicitado socorro médico e transporte para o hospital. acho que você deve ir comigo até o desert palm... já pedi a catherine que enviasse alguém para o local, em callville bay... devem falar com gerry, o guarda-vidas. estou chegando ao estacionamento do laboratório... gg: estou a caminho. lady heater estaciona seu carro em frente ao antiquário the past things, seus movimentos são lentos e rígidos... entra na loja, e se faz ver pelo gordo proprietário, fazendo algumas perguntas sobre a mercadoria. ele já vendera para ela uma ou duas peças bizarras, destinadas a usos ainda mais bizarros, nas fantasias fornecidas pelo domínio. a presença dela é festeja. algumas peças que recebeu são bem incomuns... ela examina o que lhe é mostrado com pouco entusiasmo, enquanto simula sentir-se mal e ver pela vitrine que há uma clínica médica ali em frente... lh: acho que vou lá, não me sinto bem e... no meu estado... o homem a informa, como já fizera antes, que o médico é um bom homem, mas amigo demais das garrafas. sim, se ela estava tão indisposta, o doutor talvez ajudasse... lady heater, sorriu, com certa dificuldade, e disse que um breve repouso a deixaria melhor... isto, com certeza o doutor lhe ofereceria. outro cliente em potencial entrara naquele momento, então o comerciante apenas assentiu, enquanto ela saia. atravessa a rua e bate na porta, que é rapidamente aberta por horácio. ele a apressa para a sala que eles haviam equipado para esta ocasião. ela pergunta onde está o outro médico e recebe a informação que ele já está chegando com o carro... horácio aponta para uma sala fechada, e diz que sara está ali e que precisam andar logo, porque o bebê é muito prematuro, precisa de cuidados especiais. lh: onde está a criança?

h: recebendo oxigênio, no berço cirúrgico... já vai vê-la. empurra a porta e aponta para uma cuba de aço e vidro, onde mal se vê uns cabelinhos escuros escapando da máscara respiratória que lhe cobre o rostinho. dos bracinhos enfaixados, tubos e fios diversos conectam-se em monitores e bolsas de nutrientes, soro, plasma... um pezinho rosado que aparece fora da manta, também tem um cateter preso nele. ela começa a mover-se em direção ao berço, quando vê a maca, com o lençol amassado e cheio de sangue e se assusta. olha o chão, vê que não foi bem limpo; havia sangue nele também... lh: o que é isto? que sangue é este? o que você fez? h: o parto de sara não foi fácil, nem exatamente normal... perdoe-me, precisei cuidar da criança, e não tive tempo de limpar tudo e trocar os lençóis, mas já vou fazê-lo, lady. por que não se despe e põe a camisola cirúrgica? ele vai até o armário, pega roupas e lençóis esterilizados, selados em sacos plásticos. oferece um dos pacotes para heater. o sorriso irônico dele, ao falar friamente sobre o sangue a deixara desconfortável; mas agora, quando ele a encara, enquanto lhe estende o avental, ela pode ver o brilho da loucura nos olhos dele. e sente medo real, pela primeira vez em sua vida. pega o saco que lhe é estendido, vira as costas para aquilo tudo e sai da sala. e foge correndo dali; aquele homem tem sangue demais nas mãos para ela confiar nele. um táxi que desembarcara seu passageiro na esquina, mal consegue de frear quando ela atravessa a rua ainda sem o ver, com sua bolsa na mão, a procura das chaves do carro. o motorista, preocupado, abre a janela e pergunta se ela está bem, quando horácio chega à porta vestido como médico. ela, então, entra no taxi e pede que o motorista a conduza para um hospital, porque não se sente bem. lh: por favor, depressa, leve-me para o desert palm. acho que meu filho quer nascer... grissom faz perguntas a brass, mas este diz apenas que o helicóptero

de socorro já está no heliporto do hospital. jb: a polícia vai isolar a área do lago onde... horácio, vê sua presa escapar. por enquanto, tudo que ele pode fazer, é voltar para seu esconderijo. heater vai se acalmar, e pensar melhor... ela quer a criança, voltará por causa dela. agora, deve voltar ao seu próprio território. tranca a frente da clínica, ajeita os equipamentos e o que precisa ser levado; usa a passagem interna, que comunica com a garagem, para não chamar a atenção dos vizinhos. aciona a porta da garagem e sai. volta ao matadouro para esperar notícias da sua lady até a noite. caso ela não se decida, ele irá buscá-la em seu próprio domínio. não vai esperar mais. É sua hora de tê-la, poder amá-la, longe de todos... greg sentira-se cansado, e faminto. foi em casa, dormir um pouco, e passou todo tempo sonhando com serras, mulheres mortas, e a cabeça de sara, sobre uma bancada no laboratório, explicando que as estrelas são mais lindas, vistas na escuridão do deserto... acordou bem disposto, apesar disto... gostara de ouvir a voz de sara, e ver seu sorriso maroto; recusava-se a pensar no fato de ela ser apenas uma cabeça... era um sonho, e em sonhos coisas assim eram normais. uma idéia aflorara com o sonho... algo que ele devia ter visto, sem perceber, e que pedia investigação. já passavam das 15:30 horas... ele tinha o tempo justo para ligar para um amigo que trabalhava na prefeitura e pedir que verificasse algo nos registros... poderia comer alguma coisa, enquanto esperava a resposta. ele tinha descoberto algo muito suspeito. não podia falar com grissom, antes de ter absoluta certeza... talvez um laço se apertasse em torno de um pescoço bem conhecido... no desert palm, grissom segue brass. absorto, pensando se pode ser sara viva, apesar de ferida quem irão encontrar, não percebe que são encaminhados para a ala infantil. aguardam por horas, assim lhe parece, até que um médico se

aproxima deles. wa: boa tarde. sou william ames, o médico que a atendeu. desejam falar comigo? jb: sou o capitão brass, encarregado do caso. este é grissom, da perícia... gg: e ela? como ela está? wa: uma enfermeira recolheu os objetos, para lhes entregar. ela está muito bem, parece ser forte como uma potranca selvagem... perfeitamente saudável, pelo que pude verificar... claro, pedi alguns exames... gg: o nome dela é sara? wa: então já a identificaram? eu achei que o cordão ajudaria, guardei-o comigo, mas... gg: doutor, ela já está em condições de falar? preciso vê-la... wa: acho que ela vai demorar um pouco para falar. você deve saber disto. mas poderão vê-la através da janela. venham comigo. grissom segue o médico, sem entender sua última observação. ele dissera que sara estava bem... wa: vejam, ela é linda. não consigo imaginar os motivos de seu abandono... brass fala com voz muito rouca: jb: coragem e muito sacrifício, provavelmente... enquanto o médico olha curioso para o policial, a voz de grissom soa confusa e perplexa: gg: mas sara não pode estar aqui... wa: bem, é este o nome gravado junto à borboleta... enquanto fala, tira do bolso de seu avental verde um saquinho plástico, lacrado com fita adesiva, e o estende a grissom, que o segura com a mão trêmula e fecha os olhos, preso de forte vertigem. wa: ...os paramédicos o tiraram do pescoço dela, onde estava colocado cuidadosamente, de forma a não machucá-la... senhor grissom, está passando mal? venha até aqui, sente-se... deixeme ver... gg: este cordão é de minha... minha mulher... namorada... queríamos nos casar... ela foi seqüestrada... estava grávida... é o cordão de

sara... eu... eu estou bem... pensei que ela tivesse sido encontrada... que estava viva... brass sente que sua garganta está cheia da areia do deserto, e permanece calado. wa: senhor grissom, é um bebê. foi encontrado um bebê abandonado no lago, não lhe disseram? eu sinto muito, pensei que era seu trabalho... não sabia que... eu deveria ter explicado antes... jb: não, eu deveria ter contado, no caminho... não estava certo de que fosse... eu não sabia da corrente com o nome... wa: o rapaz que a encontrou conhecia os procedimentos... não tocou nela, não deixou ninguém mexer em nada, até a chegada do socorro médico... eles carregaram-na com tudo para o helicóptero, e só a bordo, cortaram as faixas, para examiná-la, e acharam a corrente. eles estavam de luvas, é claro, todos que o pegaram nela estavam de luvas, então a lacraram no saquinho... são bons rapazes... vocês entendem, eles sabem como deve ser feito... todos nós sabemos, por isto, o que estava com ela foi guardado para lhes ser entregue... gg: a criancinha é uma menina, o senhor disse... quantos meses... quero dizer... ela é prematura, doutor? deve ser minha filha... tem que ser minha filha, se ela estava com o cordão de sara. ela nunca o tirava... a borboleta estilizada é formada com as iniciais do meu nome... dois gg, um deles invertido... mandei fazer para ela... gravar junto ao seu nome... o que terá acontecido com ela para... quero ver minha filha. quero tocá-la. ela vai ficar bem, não vai? wa: como eu falei, senhor grissom, ela está bastante bem. estava bem aquecida e foi protegida do sol. estava faminta, e tem ótimos pulmões. É um pouco pequena... e sim, é prematura, mas perfeitamente formada. gg: minha filha teria pouco mais de seis meses... wa: precisaremos testar seu dna, para termos certeza... gg: quero vê-la agora. levarei amostras de seu sangue para o laboratório, e lá faremos o teste. ele será necessário, como evidência, no caso. entretanto, tenho certeza de que é minha filha e quero vê-la de perto.

wa: sr. grissom... jb: qual o problema, doutor? wa: bem, não sei se é o mais apropriado, neste caso, não há nada comprovado... jb: não se preocupe com estes detalhes, doutor. nós não vamos questioná-los. ele não vai prejudicar a filha. wa: não temos certeza ainda se é filha dele... gg: eu tenho. jb: ele tem o hábito de sempre estar certo, doutor. vamos lá. wa: terão que usar roupas esterilizadas, luvas, máscaras... jb: acho que conseguiremos fazer tudo certinho... sabe, conhecemos os procedimentos. brass murmura para si próprio que é um pouco diferente quando se trata de gente viva... ficam em estufas, em vez de geladeiras.

lady heater chega ao hospital. paga o taxi, e agradece ao motorista. só então percebe que estão na entrada de urgências, e alguém já a aguarda, com uma cadeira de rodas. ela vai dizer que foi um engano, um falso alarme, quando desfalece. o atendente a ampara, sem deixá-la cair, enquanto outros dois já se aproximam com uma maca onde ela é ajeitada e levada para a área interna. grissom olha a pequenina que dorme tranqüila. desajeitado, estende uma mão enluvada, tateia de leve seu pezinho... move lentamente a mão, até a face, que ele roça suavemente, ressentido por só poder tocar nela através do látex das luvas... uma ânsia de segurá-la no colo aperta seu peito. parecendo sentir a presença emocionada do pai, sua garotinha sacode as perninhas e os bracinhos em orgulhosa exibição, e abre preguiçosamente os dois olhinhos de um azul profundo, que parecem se fixar diretamente nele. em seguida, dá um cômico bocejo

e fecha os olhos. sua face de porcelana relaxa novamente, no abandono completo do sono. grissom, talvez pela primeira na vida, parece não ter a perfeita citação para o momento. jb: ela tem seus olhos, grissom... mas se parece com sara... a observação escapa dos lábios do policial antes que ele consiga evitá-la. ficara comovido, e humano demais, no seu próprio pensar. não deveria falar certas coisas... wa: sono e leite materno são suas necessidades imediatas. e podemos fornecê-los aqui, sob supervisão adequada, até que ela seja... que ela tenha condições de ir embora. ainda faremos alguns exames e... precisamos verificar seu dna... talvez, sr. grissom, possa nos dar uma amostra de seu sangue para comparação. sabe que precisamos confirmar... gg: eu darei amostras de meu dna. não tenho dúvidas de que ela é minha filha, mas sei que é necessário. peço, por favor, que me forneça amostras dela, de seu sangue. ele terá que ser testado no laboratório da perícia também. os meus dados e da mão... estão no sistema porque ambos trabalhamos lá. eles tiravam as roupas descartáveis, quando o celular de grissom tocou. gg: grissom. minha mulher... heater, sim, sei... desert palm... meu filho está para nascer? ... onde ela está? sim... 6º andar, suíte 622... sim, eu irei... brass fecha a expressão, ao ouvir esta parte da conversa e se afasta com o espantado dr. william: wa: eu pensei que ele... quantas mulheres grávidas ele tem? jb: duvido que ele mesmo saiba... se ele acreditou nesta, é capaz de acreditar em qualquer uma... sara é a única mulher da vida dele. wa: bem, eu suponho que ele saiba como crianças são geradas? jb: eu me pergunto... ele caiu nas mãos de uma “amiga bastante profissional”. eu lhe recomendei o golfe, mas ele é teimoso. vamos resolver isto na hora certa... gg: jim, preciso falar algo com uma pessoa. heater chegou ao

hospital, parece estar entrando em trabalho de parto, pediu que me chamassem. não vou demorar. você precisa mandar revistar toda a região próxima a callville bay... sara está em algum lugar próximo de lá... mande helicópteros, policiais, cadetes... quero aquela área inteira totalmente vasculhada... agora sabemos onde procurar... jb: acalme-se gil. já está anoitecendo, não podemos... gg: jim, ela está lá, em algum lugar, no meio do nada... teve uma criança, está fugindo, ela pode morrer... jb: há policiais procurando... viaturas já foram para lá, estão vigiando o lago. se ela... gg: eu vou procurá-la... doutor, falei com a supervisora catherine e alguém da perícia virá buscar os objetos encontrados com minha filha, e as amostras para exame. pode coletar minha amostra agora? wa: venha comigo, senhor grissom. quando grissom segue para o elevador, seu amigo pergunta: jb: posso visitar madame heater, para oferecer-lhe meus parabéns? gg: como queira. será uma visita bastante rápida. greg voltara para o laboratório no começo da noite. seu amigo tivera dificuldades para encontrar o que ele queria, e exigira um jantar em alto estilo, como recompensa. custara a se livrar do sujeito. entretanto, ele temia falar para grissom sobre o que descobrira. desconfiara da mulher, quase desde o início, de uma forma bem irracional... agora, o fato de lady heater ser a atual dona das instalações do antigo abatedouro e frigorífico star, conhecido como “o matadouro”, que comprara a serra, cujo dente eles encontraram em silver lake, a ligava diretamente ao caso... ela afirmara ter sido vítima de um ataque... grissom acreditara nela. eles tiveram um caso, era o pai da criança que ela esperava... como reagiria à informação? ele estivera fora do laboratório desde cedo, não soubera dos últimos acontecimentos. encontrou nick, que saía para o desert palm, em busca do material do lago, para ser processado. conversando com ele, descobriu como tudo dera uma reviravolta, e ficou entre feliz e

desesperado: gs: um bebê, a filha de sara? e sara, não foi encontrada? ns: vamos testar o dna da criança para ter certeza... grissom reconheceu o cordão de sara... mas não temos notícias dela, nem se está viva... gs: vou com você! eu sei onde sara está. preciso contar a grissom, e vamos precisar da polícia... brass já está lá, ele vai organizar tudo... sara está viva, ela falou comigo... algumas lágrimas sentidas escorreram de seus olhos... ele reviu a cabeça dela, solta do corpo, por um instante, e sentiu muito medo de que ela estivesse se despedindo... ns: quando... como ela falou com você? você está falando sério, greg? ela conseguiu telefonar para você? gs: não... talvez... deixe para lá, você não iria acreditar... vamos rápido. precisamos chegar a tempo... greg não sabia bem a tempo de quê... sentia uma grande urgência. eles precisavam agir. no desert palm, suíte 622, grissom confronta uma pálida lady heater, angustiada, com dores devido às contrações... lh: grissom! É bom que esteja aqui. com você ao meu lado durante o parto, sei que tudo dará certo... nosso filho vai viver, e você ficará sempre junto de nós... gg: pare com isto! pare de fingir! chega. acabou! este filho... não é meu. você me fez de bobo... já não importa. minha filha, minha verdadeira filha, está aqui... e vou buscar a mãe dela, a mulher que amo... ao lado dela... sim, ao lado delas eu ficarei. lh: não, não é verdade... É o nosso filho, fruto de nossa linda noite de amor! você não pode negar isto... não pode esquecer aquela noite, quando me amou com tanta paixão e... gerou nosso filho... sofri tanto, por vê-lo com outra... mas você voltou para mim, você me ama, não entende... descontrolada, ela gritava frases desconexas. em desespero, tentava usar os próprios gritos para abafar as palavras duras de grissom... ele descobrira algo... jamais falaria assim, sem ter provas... ele falara de

uma filha, ali... lh: maldito, maldito horácio. ele trouxe o bebê, o bebê que seria meu... eu esperei tanto, suportei esta gravidez inútil todos estes meses... enquanto aquela desgraçada tinha tudo, tinha você, tinha uma criança saudável... eu não ia perder você... eu não podia perder mais uma vez minha filha... eu disse para ele mantê-la presa, até que a criança pudesse ser arrancada dela e entregue para mim... brass, que entrara discretamente no quarto, e se surpreendera favoravelmente com as primeiras palavras de grissom, aproximou-se neste momento, encolerizado, com tudo que aquela mulher estava dizendo. grissom, que a princípio julgara ser uma reação puramente histérica, ouvia com horror as palavras dela, percebendo seu perverso significado. uma fúria desmedida brilhava em seu olhar, quando ele avançou um passo na direção do leito.

gg: você fez isto, planejou tudo... você... você queria a morte de sara... tirar a filha de sara... você é uma... assassina... tenho vontade de matá-la neste momento, com minhas mãos... jb: não faça loucuras, gil. deixe este prazer para mim... você tem uma filha para criar... desta vez, nem todos os juízes do estado vão salvá-la... mas não aqui... não agora, com tantos recursos ao alcance dela, e tantas testemunhas... eu vou querer interrogá-la... vai ser um lindo interrogatório... lh: vocês não entendem? a criança era minha, ela a roubou de mim, roubou meu amor, roubou minha filhinha, minha linda zoe... tinha que morrer... quem matou zoe merecia morrer... você não devia ter me impedido, grissom... disse que era meu amigo, que queria me ajudar... mas zoe continuava morta... aquele monstro não merecia viver... um médico acudira aos gritos de lady heater, dizendo que ela precisava ser sedada. eles deviam sair do quarto agora. ela não

estava em condições de falar com ninguém. a bolsa amniótica havia estourado, ela tinha que ser levada para a cirurgia com urgência... breve o bebê entraria em sofrimento... médico: algum de vocês é o pai da criança? jb e gg: nÃo! médico: parentes, amigos? jb: pergunte-me isto quando ela estiver na cadeia. gg: não. não creio que ela tenha parentes... sua filha morreu, não tem marido... médico: vocês... ? jb: somos adivinhos. prevemos o futuro dela. médico: alguém deveria ser avisado... grissom estende um cartão para o médico: gg: estes são os advogados dela. fale com eles... avise-os que ela vai precisar muito deles. vamos jim, eu vou procurar minha mulher... saíram do quarto em silêncio, e rumaram para o elevador. o celular de grissom emite vibrações, ele atende. horácio lamenta por sara. não pretendia deixar que nada de mal acontecesse a ela. mas ela escolheu fugir, e levar o bebê... ele percebeu que ela quisera enganar-lo, escondendo a criança em algum lugar, na esperança de salvá-la... e sacrificara a si mesma, como isca. ele não encontrara o bebê... não tinha importância, se ainda não estivesse morto, logo estaria. sem comida, sem cuidados... nem valia a pena procurá-lo mais. ele fizera o melhor possível. agora, precisava buscar sua lady. invadir o domínio, e carregá-la. já estivera lá, sabia como chegar aos aposentos dela... e então partir. não precisaria voltar ao esconderijo. talvez, fizesse uma ligação anônima... ao sair do elevador, grissom e brass vão ao encontro de greg, que ligara a procura deles.

nick seguira para cumprir suas ordens, levar o material para o laboratório, e chamar os colegas, para a busca. estava incrédulo, mas ansioso para ajudar. gs: grissom, eu queria falar frente a frente com você... você vai achar difícil acreditar, mas... lady heater... ela está envolvida de alguma forma, nos assassinatos... gg: É verdade. gs: grissom, ela comprou uma propriedade... onde funciona “o matadouro”... é perto de callville bay, onde a criancinha apareceu... ela vai ficar bem? É a filha de sara, não? foi difícil descobrir a real identidade do novo proprietário... constava que foi vendido para a construção de um spa, foi o nome que me fez desconfiar... the new domain... um amigo verificou na prefeitura, a solicitação de licença para a obra... foi requerida por lady heater... jb: onde? onde é a propriedade?

gg: você sabe onde é o local? sara tem que estar lá. heater falou que mandou detê-la... precisamos resgatá-la... ela está em perigo. está nas mãos do monstro que matou todas aquelas mulheres e ele vai matá-la... jb: qual o endereço, greg? vou enviar viaturas para lá... gs: abatedouro e frigorífico star... tem um acesso privativo, a partir... jb: central, aqui brass, homicídios. preciso de reforços, antiga estrada para lake mead nort cânion; 10-14, com refém, repito: suspeito é perigoso e mantém como refém um dos nossos. deverão aguardar na entrada do frigorífico star. fechar o cerco e esperar meu sinal. câmbio e desligo. gg: vamos buscá-la. parte final: horácio não encontrara lady heater. descobrira, com uma das garotas

que ela estava no hospital, em trabalho de parto. então, tudo acabara. ele nada mais podia fazer... o filho do perito já estava nascendo. ele estaria lá... com ela... logo saberiam que a criança era saudável. o outro o vencera, afinal... teria seu filho... e sua mulher também. no hospital sua lady estava fora do seu alcance... ele poderia vê-la, mas não havia como levá-la. ela ficaria furiosa quando soubesse que ele mentira a respeito da criança. nunca o perdoaria. ele sonhara em tê-la em seus braços nas areias de silver beach, amá-la sob os raios prateados do luar dos amantes... desde muito jovem, quando um amigo de seus pais falara sobre as estórias da praia que unia para sempre os que se entregavam em suas areias, desejou conhecê-la... muitas vezes andou por aqueles lugares, passou noites à beira da água prateada, até saber tudo sobre o local, seus acessos, o movimento de visitantes em certas épocas... o grande lago artificial e a barragem no meio do deserto o fascinavam... em suas férias e folgas, não era pelo prazer do jogo que vinha à las vegas, com seus tolos amigos, mas sim pela sedução sensual daquele recanto... quando conheceu a mulher de cabelos negros e olhos de fogo, no domínio, ansiou por unir-se a ela naquele lugar perfeito, tornando-a sua para sempre. como um adolescente bobo, entregarase a ela, a disposição de todos os seus caprichosos desejos, até vê-la rastejar por outro homem e usá-lo... voltou para o matadouro. estava cansado... perdera tudo. ia esperálos... sua lady já devia estar contando sobre este local... ela era inteligente... só precisava se livrar dele, horácio, e estaria livre. ela dissera que ninguém descobriria que o local lhe pertencia. com sara fora do caminho, seria fácil ser apenas mais uma vítima. ele facilitara tudo para ela, ao se livrar do médico beberrão. no final, nada havia contra ela. ele não se importava mais. gostaria que ela ficasse livre, tivesse seu filho... mas... o outro, aquele que a roubou, morreria. tomada sua decisão, buscou sua arma, uma glock 19, semi-automática, nove milímetros, verificou se os dez projéteis estavam no pente e considerou com ironia a situação:

h: matarei o homem que destruiu meu sonho e depois me matarei. um tiro em cada cabeça, e nós dois estaremos estendidos lado a lado, no necrotério... com uma silenciosa gargalhada prediz que irão se encontrar no inferno... senta-se à mesa e começa a escrever sua história, enquanto espera. acha que será bom que alguém saiba de tudo em detalhes... desta vez, ele vai cooperar com a polícia. o esquadrão especial, formado por homens com armamento pesado, ferramentas de assalto, coletes à prova de balas, trajes de camuflagem, máscaras e gás paralisante, se coloca estrategicamente ao redor do prédio; o grupo se mantém em contato por falas breves, através de códigos e só espera um sinal para iniciar a invasão. brass exige que aguardem, até estarem certos de não ferir a refém. a madrugada já avança para o amanhecer. horácio fecha o caderno e apaga a luz. na claridade difusa, vai até o interior do prédio, uma última vez. não ouviu nenhum ruído, não viu nenhum movimento, mas sente que eles estão por ali. resolve sair... e esperar sua presa. h: o homem está ansioso, vai acabar se expondo, antes que os outros possam segurá-lo. grissom, é o nome dele, quer este confronto tanto quanto eu. ele virá ao meu encontro... brass discutia com grissom, que insistia em se adiantar. usava um colete de proteção, não queria esperar mais. enquanto verifica sua arma regulamentar, grissom percebe a porta se abrir e uma figura alta, que desliza pela passagem... sem pensar, salta na direção daquele vulto, saindo das sombras que o protegiam junto aos outros. com um sorriso de triunfo, horácio atira e vê grissom caindo, enquanto é fuzilado pelos policiais do cerco. eles entram na extensa instalação, e se espalham para vasculhar e

liberar o local. greg e brass abaixam-se grissom está estendido, vendo o sangue. seus olhos azuis muito abertos... ele levar a mão à orelha esquerda, onde a bala raspou bem superficialmente, apesar do abundante sangramento. gg: por que vocês estão olhando com estas caras tolas para mim? eu torci o tornozelo, ajudem-me a levantar... quero ir lá dentro... jb: seu louco teimoso, ele poderia ter explodido seus miolos, e seria bem feito... gs: você não devia ter... gg: isso logo vai parar de sangrar. dê-me seu lenço e vamos logo... um dos homens do esquadrão os chama da porta, dizendo que ela foi encontrada, mas... os três correm na direção indicada por ele, e chegam à porta do quarto onde sara havia passado os últimos cinco meses... estendida na cama, muito pálida, imóvel, ela tem uma máscara de oxigênio no nariz, um tubo na traquéia, soro e plasma conectados ao seu corpo. chocados, eles percebem o som fraco, do monitor cardíaco, que anuncia que ela ainda está viva, enquanto os para-médicos que acompanhavam a investida, acionados, tomam conta dela. grissom se acerca deles enquanto confirmam que ela está em coma. novamente um helicóptero de socorro sobrevoa aquela área. mãe e filha saíram de lá no mesmo tipo de transporte. desta vez, um grissom ferido segura a mão da inconsciente sara. sua família vai ser reunir no hospital. brass e greg vêem uma boneca, de cabelos escuros, enrolada e enfaixada como um bebê, ainda com cateteres e cabos colados ao corpo com esparadrapo, em um berço hospitalar, num canto do quarto, e se interrogam sobre seu significado. sobre a mesa, na sala que dá para rua, um caderno com várias páginas cobertas pela escrita firme e meticulosa, conta uma história

macabra, quando jim brass o folheia com sua própria caneta, ao lado de um greg incrédulo. gs: se ele deveria matá-la, por que ela estava medicada? e o que era aquela simulação maluca de criança... jb: você me diga, você é o perito... eu sou apenas o tira burro, que corre atrás dos bandidos e só de vez em quando vê o vilão morrer. o local é lacrado com a fita amarela e negra, que marca as cenas de crime. a polícia vai mantê-lo sob guarda e outros peritos virão coletar evidências. lady heater, abalada mentalmente desde a perda da filha zoe, tem sua criança saudável, mas não recuperas sua sanidade. seu filho, um menino, é retirado da custódia dela. depois da divulgação do caso, nos noticiários o pai biológico do menino, que concordara em ser doador, sem conhecer as intenções dela, reconhece a mulher que lhe fizera tal pedido, e se apresenta, em busca da criança. sendo solteiro, um fuzileiro naval a ser embarcado, entregará o menino para seus pais, que moram na flórida. lady heater fica sob custódia judicial, após ser examinada diversas vezes, por vários especialistas que confirmam sua incapacidade legal. os anos após o nascimento de sua filha foram apagados de sua mente. confinada em uma instituição para tratamento, ela vive seus dias na ilusão de que a boneca que possui, igual a que lhe fora mostrada por horácio, se trata de sua filha zoe, ainda bebê. seu caso é considerado irrecuperável. a dominatrix foi subjugada.

o laboratório de perícia criminal de las vegas estava voltando à normalidade, depois dos tempos conturbados que abalaram suas estruturas. grissom, atarefado com os casos que estavam pendentes e precisavam ser resolvidos,

é chamado pelo delegado de volta a sala de onde saiu uma vez furioso, outra em humilde situação: delegado: grissom, eu soube que você vai se casar... nunca poderia imaginar você casado. e com uma filha! bem, acho que devo lhe dar algo em consideração ao fato. eu lhe devolvo a supervisão dos csis do turno da noite. você não precisava provar nada, eles seguiam as suas ordens... você já havia provado sua capacidade muitas vezes. eu só precisava fazer você entender que não pode entrar em minha sala e gritar comigo só porque as coisas não são feitas do seu modo. eu poderia ter sido mais gentil, grissom. mas você deve agir de forma mais política, sabe? e, quando a futura sra. grissom voltar ao trabalho, tenho certeza que poderemos ajeitar um turno com outro supervisor para ela... pelo que eu soube, é uma perita excelente. catherine vai continuar supervisora. talvez duas equipes trabalhando juntas, reduzam o acúmulo de papéis e apressem a solução dos casos... exijo a promessa que você não irá mais se envolver com suas subordinadas... e, por favor, mantenha-se longe das dominatrixs! siga os conselhos de brass a este respeito. elas não me parecem amigas adequadas para alguém como você... em callville bay, o ruído dos barcos na marina, parecia distante demais, quase um ronronar, naquela manhã de sol claro e céu azul. um grupo animado ocupava a melhor área junto ao lago. gerry, o guarda-vidas, sorria de orelha a orelha, com seu filho no colo, ao lado de sua bela esposa, de longos cabelos negros e olhos amendoados. ele se sentia feliz de estar ali, com aquelas pessoas. era tratado como amigo de longa data. a fase dos agradecimentos já passara, mas o respeito e a consideração o deixavam orgulhoso. música suave soava pelos alto-falantes, discretamente oculto nas árvores. um monge de longo manto amarelo, a cabeça totalmente raspada, era

uma figura que poderia ser cômica, não fosse a placidez de sua contemplação e a paz que emanava de seu ser, sua crença, sua determinada rejeição à violência. era um convidado especial de grissom, que o encontrara em um caso e maravilhava-se com sua silenciosa dedicação à procura da perfeição dentro do homem para conduzi-lo a um ser superior. havia um ministro juramentado, bastante convencional que oficiava a cerimônia, muito simples. greg, catherine, nick, warrick, brass, sofia, doutor robbins, dr. david e um ecklies, meio deslocado como representante do laboratório, observavam a confusão de grissom: gg: votos de casamento? eu não escrevi votos. o que eu posso prometer à mulher que meu deu angel, o mais belo e perfeito presente que um homem pode receber? o que posso oferecer em troca do que recebi desta mulher, seu amor e uma filha! eu só vou dizer que quero estar ao seu lado, ao lado das duas, por toda minha vida e ainda depois dela... para amar e protegê-las. para você, que aceitou ser minha esposa, eu juro que vou ler muito, porque tudo o que estudei de anatomia, biologia e química, não me ensinou a lidar com fraldas e mamadeiras, ou como limpar... o que precisa ser limpo. eu poderia usar meus conhecimentos de entomologia, para fazer retornarem a natureza o conteúdo das fraldas usadas, mas acho que não iria deixá-la feliz desta forma... posso prometer desistir de criar baratas de corrida, e não mais fazer experimentos que deixem cheiros desagradáveis nas geladeiras de casa. eu nada sabia sobre amor, até você entrar na minha vida, mostrando beleza aos meus olhos e trazendo sentimentos ao meu coração. amo você desde que a vi pela primeira vez, com seu rabo de cavalo e tantas perguntas sobre antropologia. perdoe-me por ter demorado até quase perdê-la, para confessar como você é importante, como vocês duas se tornaram tudo para mim...

uma risada cristalina, entre terna e divertida, tornou mais bela a face de sara, cheia de serena felicidade. ss: eu me caso com você, gilbert grissom, mas não diga mais nada de que possa se arrepender depois. entregue angel para greg segurar, e encontre as alianças que você me prometeu, para que a cerimônia seja completa, da forma que você planejou... grissom, com um sorriso maroto, fez aparecer um estojo aberto em sua mão esquerda, como em um passe de um mágica. duas belas alianças brilhavam contra o veludo negro. cada uma delas era metade ouro branco, metade ouro amarelo, dois aros se fundindo em um, e em uma delas, na menor, havia um diamante perfeitamente engastado. as alianças foram trocadas, e as palavras rituais pronunciadas. eles estavam casados, com autoridade concedida ao oficiante pelo estado de nevada. o rápido beijo cerimonial foi lindamente aplaudido. sara, muito bonita, em um vestido leve, branco rosado, esvoaçando na brisa de manhã, estava tão diferente da discreta profissional, sempre em trajes sóbrios, que grissom não conseguia parar de olhála ela aproxima a boca de seu ouvido e recorda-o do que fora combinado. segurando a mão de sua esposa, grissom aproxima-se de greg e catherine, que babavam descaradamente em sua filha angel, rodeados pelos demais amigos, que disputavam sua vez de paparicar a risonha menina, que tinha os olhos do pai... pedindo licença por um minuto, sugerem aos demais amigos que se sirvam no bufe que fora armado sob as árvores. chamando também brass, para completar um trio junto de angel, sara e grissom os declaram seus mais próximos e queridos amigos, e lhes pedem que sejam os guardiões de angel, em sua falta. gg e ss: vocês aceitam serem seus padrinhos?

os três aceitam e maravilhados e enquanto greg e catherine discutem quem vai fazer o quê para agradá-la mais, brass recebe um abraço de sara e de grissom, que agradecem ao policial e ao amigo por ter sido o cara durão que nunca desistiu deles. brass disfarça sua emoção, andando em direção aos outros dois, e tomando deles sua linda afilhada que o encara e lhe dá um sorriso especial. o estouro do champanhe convoca o grupo para o brinde tradicional. todos se revezam nos discursos, enquanto angel circula por muitos colos, até chegar ao de ecklies que é saudado pelo franzir do rostinho em esforço logo justificado pelo cheiro que anuncia sua realização. enquanto catherine se justifica como madrinha, efetuando os procedimentos necessários, o casal de pais se afasta, caminhando pela beira do lago. de mãos dadas, sorrindo, se distanciam do grupo de amigos, desfrutando seu primeiro momento a sós, após tanto tempo. tiram os calçados e pisam com pés nus nas areias mornas, e nas águas frescas. seus olhares se encontram e seus lábios se procuram famintos, devorando-se em longo beijo que apaga o sofrimento passado e os faz esquecer as testemunhas presentes.

fim

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