Carlos Relvas

photographe amateur fotógrafo a mador

(1838-1894)

Uma das figuras pioneiras da fotografia em Portugal foi o ribatejano Carlos Relvas. A abordagem, duma prespectiva essencialmente histórica que aqui fazemos (e que se completará na próxima edição desta revista), tem como objectivo consolidar parte do saber, ainda disperso, sobre esta importante figura portuguesa do séc. XIX, e constitui-se em mais um, muito modesto (porque muito fica por dizer e por investigar), contributo para uma história da fotografia em Portugal.

As primeiras notícias sobre o anúncio da Fotografia foram surpreendentemente precoces em relação ao atraso com que as notícias costumavam chegar a Portugal. Tendo sido anunciado em Janeiro o invento de Daguerre na Academia de Ciências em França, o Jornal litterario e instructivo da Sociedade Propagadora dos Conhecimentos Uteis "O Panorama" anunciava, a 16 de fevereiro de 1839, esta descoberta com o título "Revolução nas artes do desenho", onde se pode ler: "O invento, ou descubrimento de que vamos fallar, merece um e outro titulo; a natureza e o engenho do homem, podem ahi apostar primasias. A natureza apparece retratando-se a si mesma, copiando as suas obras assim como as da arte, não em paineis presenciaes, inconstantes e fugitivos, como eram e são os rios, os lagos, as pedras e metaes polidos, mas em materia que retem o sumulacro do objecto visivel e o fica repetindo com a mais cabal semelhança ainda depois de ausente: isto pelo que toca á natureza. Agora pelo que respeita ao engenho do homem, foi elle quem a forçou a este milagre novo e inesperado." Carlos Augusto de Mascarenhas Relvas de Campos exerceu a sua actividade de fotógrafo amador tardiamente em relação ao invento da fotografia, iniciando a sua actividade fotográfica entre 1860 e 1862. Isso permitiu-lhe o contacto com as técnicas que estavam a começar a transformar a fotografia numa arte “popular”. A arte fotográfica terá sido a sua grande paixão, a par com a que nutria pela arte tauromáquica, produzindo uma obra de grande envergadura, onde se destaca também a casa-estúdio, que construiu no jardim do Palácio do Outeiro, sua residência. Mas além de fotógrafo, foi ainda político e lavrador, criador de cavalos e cavaleiro, inventor, e músico. Na opinião do historiador António Pedro Vicente, Carlos Relvas, do conjunto daqueles fotógrafos que foram no seu tempo (último quartel do século XIX) figuras bem conhecidas, não só no país como no estrangeiro, foi, talvez, “o que subiu mais alto”,1 sempre amador, exercendo a arte fotográfica por gosto e não por profissão e, ao que parece, nunca tendo cobrado qualquer preço pelas suas fotos. Carlos Relvas nasceu na Golegã em finais de 1838 na casa de família, a Quinta do Outeiro, que seu pai abastado lavrador, presidente da Câmara e procurador da Junta Geral do Distrito, havia adquirido três anos antes. Filho mais velho de uma fratria de dois irmãos, veio a casar, aos
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VICENTE, António Pedro (1984) — Carlos Relvas Fotógrafo. Contribuição Para a História da Fotografia em Portugal no Século XIX. Lisboa: Imprensa Nacional Casa da Moeda. p. 27.

Editora Taylor & Francis. os daguerreótipos eram muito caros. o processo de daguerreotipia.º conde de Podentes (Condeixa-a-Nova). EMISON. Louis Jacques Mandé Daguerre (1789-1851) aperfeiçoou os passos seguintes. depois de esta ter obtido Real licença para o efeito. facto que os limitou às classes sociais com maiores possibilidades económicas. Relvas e a «sciencia photographica»2 “Para fotografar. na capital portuguesa. Margarida e Maria Liberata. O retrato de estúdio era na época uma actividade demasiado dispendiosa para que o povo a ela pudesse aceder. No entanto. em Portugal. 346 . Basicamente. 1884. então. A primeira gravura publicada na imprensa portuguesa feita a partir de uma fotografia terá surgido apenas sete meses antes. Rodrigo da Fonseca Magalhães e foi tirada e oferecida ao retratado por William Barclay em Outubro de 1841. in Renaissance Theory. Os Daguereótipistas estrangeiros espalharam-se faziam digressões pelo país e ofereciam os seus serviços na Arte de Fotografia. James Elkins. William Henry Fox Talbot (1800-1877). com Margarida Amália Mendes de Azevedo de 16 anos. Patricia (2008) – Developing a Twenty-First-Century Perspective on the Renaissance. decorria o ano de 1848. quem desenvolveu o sistema de negativo e positivo. processo a que chamou calotipia. O primeiro Daguerreótipo (a primeira fotografia) obtido em Portugal. teve similar impacto e sucesso comercial que por toda a Europa e América. Tiveram cinco filhos – José. Em 1835. descobriu como reduzir o tempo de exposição de várias horas para cerca de meia hora e dois anos depois resolveu o problema da fixação da imagem e baptizou. A daguerreotipia tinha um problema: gerava fotos únicas. na história.quinze anos de idade. feita em 1826 ou 1827 sobre uma placa de estanho sensibilizada com sais de prata. na edição de 13 de Março do Panorama – Jornal Literário e Instrutivo. já em positivo e sem cópias. um estúdio de retrato por daguerreotipia. da fotografia ”3 O francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) é o autor da imagem fotográfica mais antiga que conhecemos. os fotógrafos não necessitam de pensar na origem. Por isso a burguesia foi a grande adepta deste revolucionário instrumento de captar e registar a imagem pessoal. filha do 1. Com a divulgação cada vez maior em todo o mundo dos daguerreótipos. segundo Silva de Carvalho. era uma imagem positiva em chapa de cobre coberta por uma fina camada de prata polida e sensibilizada com vapores de iodo. Wenceslau Cifka instala. Foi um inglês. ISBN: 9780203929865. Francisco. Ministro dos Negócios Estrangeiros. p. Clementina. O calótipo era um negativo fotográfico obtido sobre 2 3 «sciencia photographica» . Open WorldCatalog. a expansão. é o que retrata o liberal condeixense.expressão retirada a publicação periódica Arte Photographica. sendo que esta última faleceu antes de completar um ano de idade.

Por cá. melhorou o Calótipo. sendo depois lavada e fixada em hiposulfito de sódio. uma cadeira de fotografia. Em 1869 forma-se em Lisboa o primeiro clube fotográfico do país. nem ao fixador. Trata-se de um processo fotográfico para negativos em vidro. graças ao trabalho de Peter Mawdsley. cuja chapa era coberta com uma solução de colódio (fluido viscoso e transparente. O processo seguinte foi o Gelatinobrometo. surgido em 1871. como o nome indica. do mesmo modo que lá fora. feito através de piroxilina ou algodão pólvora e diluído em partes iguais com álcool e éter) e iodeto de cámidio. surge por volta de 1871. pela mão do médico Richard Leach Maddox. o processo foi aperfeiçoado por Thomas Russel Manners Gordon e passou-se a utilizar uma emulsão seca de brometo de prata em colódio sobre vidro. e durabilidade que a de colódio seco. começaram a aparecer. sendo usada primeiramente em Carlos Relvas suporte de vidro e dois anos depois. Apesar das evidentes limitações impostas pela técnica este processo acabou por suplantar o daguerreótipo devido aos bons resultados conseguidos. Em Portugal. o Colódio Seco. Todo o processo tinha de acontecer enquanto a chapa estava húmida. Louis Blanquart-Évrard. tendo adquirido em 1862 o seu primeiro equipamento fotográfico. e é considerado o processo base da fotografia moderna. Contudo. que a de colódio húmido. Mas as técnicas da “sciencia photographica” continuaram a sua rápida evolução. É o processo fotográfico onde a chapa de gelatina substitui a Máquina fotográfica usada por chapa de colódio. novamente lavada e posta a secar. em Lisboa. E estando ainda húmida era imersa numa solução de nitrato de prata. De maior sensibilidade.papel normal de escrita sensibilizado com iodeto de potássio e nitrato de prata. este cede rapidamente o seu lugar ao Colódio Húmido inventado por Sir Frederick Scott Archer em 1851. nesse ano de 1864. como evolução dos métodos de impressão e do papel de albumina. na Escola do Exército. Foi nesta fase da evolução da fotografia que Carlos Relvas se iniciou na arte fotográfica. é criada. a chapa era revelada em ácido pirogálico ou em sulfato ferroso. em 1847. Depois de exposta. Em 1864. pois seca não era sensível nem ao revelador. as chapas eram compostas de gelatina e sais de brometo de prata. em papel. Depois de exposto era normalmente encerado para aumentar a translucidez. as primeiras publicações com albuminas coladas. que consistia . A partir de então passou a ser possível reproduzir uma imagem fotográfica quantas vezes fosse necessário. uma colecção intitulada “Os Contemporâneos”. principalmente no tocante a facilidade na obtenção de cópias.

NUMERAÇÃO: A. …) a photographia era sómente propria dos ricos. 1887 Introdução do Nitrato de celulose pela Eastman Kodak. palcos. Photographia Moderna – com Clichés Inéditos do Autor in Illustração Portugueza (Edição semanal do jornal O Século) N. PUBLICAÇÃO: Lisboa : Typ. na fotótipia . actualizado. nascendo assim o rolo de película. n. num amador fotográfico diletante internacionalmente reconhecido. Em 1878 surge a revista ”O contemporaneo : livros.processo de impressão planográfico fotomecânico (litográfico e uma variante da fotolitografia). a partir de um negativo. Cit. AUTORES: Lobato. também. particularmente. quadros. p. visitou na Europa os mais conhecidos fotógrafos do seu tempo. salas / red.º 199. politica e económica na região. de enorme influência social. quadros... . tornando-se. Gervásio. Sucediam-se velozmente os desenvolvimentos: 1878 Invenção da fotogravura por Karl Kliĉ (1841–1926). 1850-1895. inovador.em biografias de personalidades com pequenas fotografias (albuminas) coladas da pessoa descrita. salas” 4. 1891 George Eastman lança o primeiro filme intercambiavel à luz do dia. 1884 Introdução do Negativo em Papel Eastman pela Eastman Kodak. 13 de Dezembro de 1909. e também fotografo amador. muito informado. n. que permite imprimir muitas provas a partir da mesma matriz. Lisboa. 1874)-a. 1890 Fundado o Grémio Portuguez d’Amadores Photográficos. DESCRIÇÃO FÍSICA: 31 cm 5 Vicente (1984). 12. 1888 Primeira câmara Kodak (Kodak 100 vistas) com rolo de papel. [et al. ed. do jornal "O Brasil". Afonso Lopes Vieira (1878-1946) quando em Dezembro de 1909 fazia publicar clichés seus a acompanhar um texto da sua autoria sobre Photographia Moderna. 1882 Processo de trama para impressão simultânea de fotografias e texto por Georg Meisenbach (1841–1912). comprou sofisticados aparelhos. que foi publicada até 1886 com albuminas coladas sendo a maioria das fotografias da autoria de Alfred Fillon.”6 Carlos Relvas. O escritor. burguês rural. rico. “[T]odos os processos fotográficos da altura foram ensaiados por Carlos Relvas”5. Fundada a Academia Portuguesa dos Amadores Photográphicos. Ter-se-á notabilizado. 760. 155 (1886). Relvas viveu estes progressos. comercializado a partir de 1868. reuniu uma enorme biblioteca especializada e edificou. Gervásio Lobato . palcos. com excelente reprodução dos meios-tons. junto a sua casa. sobre os amadores portugueses e sobre a photographia esthetica referia que “… no tempo de Carlos Relvas (que produziu para a sua epoca trabalhos valiosisissimos. 1.. p. um excelente contraste nas altas luzes. 1 (Dez. com tinta gorda forte em meio de gelatina bicromada e exposta ao sol. Ob. 1874-1886. Como não 4 O contemporaneo : livros. Não teve já a oportunidade de admirar o Cinematógrafo que foi introduzido um ano depois da sua morte pelos irmãos Lumiére. detalhe minucioso nas sombras. um luxuoso atelier.].. 6 Affonso Lopes Vieira. lit. 68. 1889 O papel do rolo da Kodak 100 vistas é substituído por um de celulóide.

"photo-collograph". 9 Davane foi vice-presidente da Sociedade Francesa de Fotografia. 2009. pág. por exemplo. Agosto de 1878. Hydrographicos e Geologicos do Reino. membro do comité de admissão e presidente do júri da classe 12 – Provas e Aparelhos Fotográficos – da Exposição Universal de 1878 em Paris. em Florença. a Alinari Stamperia d'Arte.º 2816 especificamente para o processo “Collotype” (Calótipo) que Joubert renomeou de fototipo. de ter introduzido o referido processo de reprodução não obstante José Júlio Bettencourt Rodrigues (1843-1893). Várias empresas que imprimem usando o método "calótipo" continuam hoje activas na Europa. de Leipzig. de Leipzig. Carlos Relvas. em 1856 – a patente n. da Secção Photographica da Direcção Geral dos trabalhos Geodesicos. a chamada Fotografia Inalterável. cet amateur toujours à la tête des 7 cf. em finais de 1874. Topographicos. Este método de impressão foi descoberto por Alphonse Louis Poitevin (1819-1882). ISBN 978-0-89236-957-7. assim. Várias empresas que imprimem usando o método "calótipo" continuam activas na Europa. a imagem impressa não se deteriorava com o tempo ou com a acção da luz – formava. A partir desta descoberta passou a ser possível ilustrar os textos dos livros sem ter de colar as fotografias e com uma qualidade excelente. a Alinari Stamperia d'Arte. também. de Dresden. como por exemplo. . São os seus contemporâneos que o corroboram. no Reino Unido. de Munique. a chamada Fotolitografia. "heliotype". Bertrand Lavédrine. de Dresden. tendo registado as patentes. garantir ter feito. A. Photographs of the Past: Process an Preservation. 258. "phototype". São os seus pares estrangeiros como. membro do júri da Exposição Universal de Viena de 1873. 8 Brito Aranha in Universo Ilustrado. secretário do júri de grupo da Exposição Universal de 1867. Veio a ser. como Brito Aranha que num extenso artigo publicado no Universo Ilustrado afirmava: «(…) a arte em primeiro lugar e mui de propósito. Existe alguma contorvérsia sobre a quem pertence a introdução da phototypia em Portugal. "Lichtdruck" (na Alemanha).º 2815 relativa às Impressões Fotográficas e a Patente n. que toda a sua vida esteve interessado pelos problemas da gravura e inventa a reprodução de fotografias através de uma impressora. porque todos sabem que o Senhor Carlos Relvas é o primeiro fotógrafo amador em Portugal e um dos primeiros no estrangeiro.continha prata. "ensaios" com aquele processo fotográfico. "phototypie" (em França) e fototipia (em Portugal). tomo II. e o Lichtdruck-Kunst. o Lichtdruck Museum and Workshop. que em 1886 o patenteou com esse nome na Alemanha. Davane9 que no relatório que escreve sobre a exposição de Provas e Aparelhos Fotográficos na Exposição Universal de 1878 em Paris declara: "En Portugal.7 Estes incluem "collograph". em Florença. O processo calótipo foi conhecido por uma grande variedade de nomes em diferentes periodos e locais. conhecido como “Albertipo” – de Joseph Albert. nous retrouvons M. Sabe-se que o seu espirito empreendedor e curioso o levava a interessar-se por todas as “novidades”. em Junho de 1875. e o Lichtdruck-Kunst. Há quem declare que Carlos Relvas “gabava-se”. o Lichtdruck Museum and Workshop. p.182. como por exemplo. e que a sua galeria e o seu laboratório fotográfico excedem o que possa imaginar-se em luxo de ornamentações de especimens resplandescentes e em profusão de máquinas e utensílios dos melhores autores (…)» 8.

n. podem ser vistas e sujeitas a qualquer apreciação de mestre. a propósito da phototypia.améliorations. de Belem. resultados de tal perfeição. ha entre ellas copias em cliché directo. que Relvas fez instalar no seu atelier uma oficina. esse amador sempre à frente dos melhoramentos. como pelo esmero de impressão. mas seria tambem demasiado callar se não manifestasse por alguma forma o enthusiasmo que me surpreendeu à vista de alguns dos seus trabalhos. com exatidão. só póde ser vencida por um vivíssimo talento.) Sabe-se. Relvas pertence a gloria de ser um distinto amador de photographia. também ele fotógrafo amador com estúdio. sentimos que as observações tecidas sobre o trabalho fotográfico de Relvas por outros fotógrafos da época. pagou a um técnico especializado estrangeiro para aí vir ministrar “cursos de formação” sobre este método de impressão. Emílio Biel e Carlos Relvas. Há tantas e tão melindrosas manipulações a attender no sistema. são já um fortissimo indício da importância de que se reveste. Quem conhecer a dificuldade de collodionar e desenvolver uma chapa de quarenta por cincoenta centimetros. na Rua das Flores. que se esforça por fazer penetrar na sua pátria. pode bem avaliar o merecimento do negativo que deu positivos tão esplendidos. sem dúvida as de maior merecimento. seria uma tarefa que eu não poderia vencer sufficientemente. A sua collecção de vistas stereoscopicas[10] é notavel não só pelo quanto se conhece da pureza dos clichés. vota a mais dedicada preserverança." (Em Portugal. A difficuldade de operação em trabalhos de taes dimensões. os da Casa Biel. Carlos Relvas. sendo passível de a atribuír a José Júlio Rodrigues. do Porto.º 152. A C. Não procurarei descrever o genio artistico d’artista tão dedicado. teceu sobre Relvas em artigo publicado na edição do Diário de Notícias de 6 de Abril de 1870. sendo ainda muito para admirar o bom gosto que 10 Em português actual: estereoscópica – fotografias dupla que permite ver a imagem em relevo. As suas provas a carvão. por exemplo. . e que se impõe transcrever: “A perfeição das suas obras tem sido por diversas vezes provada pelo que se tem visto e analisado. desde 1863. tão evidentemente. qu'il s'efforce de faire pénetrer dans sa patrie. grande dimensão. É o caso das considerações que Henrique Nunes (1820-1882). e que frequentaram este curso vários fotógrafos e operadores como. o momento da introdução da fotopia em Portugal. e a cujo Processo (como lhe chamam os criticos nossos patricios). (…) Estão também expostas [no seu atelier na Gollegã] differentes provas de lindos pontos de vista. encontramos o Sr. Tal como o historiador António Vicente. que só uma grande firmeza de conhecimentos deixaria perceber. algumas das quaes já conhecidas e analysadas. admiravelmente executadas. (…). Ao ritmo a que as técnicas fotográficas evoluiam na época (tal como os avanços da ciência e da tecnologia hoje continuam a suceder-se à “velocidade da luz”) parece difícil marcar. no Porto.

do vale de Santarém. Luís I de Portugal (1838-1889) fotografado por Carlos Relvas no estúdio deste. 0006-000-040 Fotos gentilmente cedidas pela Casa-Estúdio Carlos Relvas Enquanto viveu. de paisagens da região da Golegã. Podem ser expostas em qualquer parte que serão sempre classificadas como de primeira ordem (…) . mas também mendigos e mulheres e homens do povo – autoretratos de Carlos Relvas. Dava aulas de fototipia gratuitas no seu estúdio. 00025-000-020 Paisagem ribatejana por Carlos Relvas. da cidade de Lisboa e Rio Tejo. foi um exemplo para os fotógrafos amadores. de aspectos do rio Douro. da Foz do Douro. concorreu e ganhou variadíssimos prémios em concursos internacionais. dos seus inventos e realizações. e das viagens de Carlos Relvas pela Europa e. de atividades agrícolas. Era considerado o expoente dos chamados Amadores Fotográficos. ainda. 11 Da colecção da Casa da Família de Margarida Relvas Costa Alemão. na Golegã. . não por razões comerciais.presidem na escolha de pontos de vista. publicitava o seu trabalho fotográfico em cartões feitos em França onde colava as fotografias que tirava. de cavalos e outros animais. D. de Condeixa e Rio dos Mouros11. de arte equestre e tauromáquica.” No seu trabalho fotográfico predominam os retratos de estúdio – fotografou toda a alta burguesia e até a monarquia. retratos de grupo. mas de prestígio artístico e por via das suas relações pessoais. da cidade do Porto. das cheias no vale do Tejo. Carlos Relvas. “muito imaginativos” como salienta Luís Pavão.

401-414 13 Prefácio do Presidente da Comissão Europeia à Encyclopaedia on History of European Photography in The History of European Photography. AAVV Colaboradores: Luís Trindade / Maria Alice Samara / Emília Tavares / Tiago Baptista / Rui Bebiano / Silvina Rodrigues Lopes / Manuel Graça Dias / Daniel Melo / João Pinharanda / Eduardo Cintra Torres / entre outros. (continua) João Salgueiro da Mouta fotografia@joaomouta. segundo esta investigadora de História da Fotografia.ª edição: Junho de 2010. It reflects a form of art. 1900 – 1938 (ISBN: 978-80-85739-55-8). No original em inglês “ … photography does much more than narrating reality..” 12 ".. “o que faz dele uma figura de referência na fotografia portuguesa da época. Carlos Relvas dá à sua produção fotográfica um “tratamento artístico”. Retratos do Povo in Como Se Faz Um Povo . ISBN 978989-671-040-8. pois.Ensaios em História Contemporânea de Portugal.“A sua prática de retrato de estúdio”.. como refere Emília Tavares. I. Presidente da Comissão Europeia (2011). Ela reflecte uma forma de arte. an expression of creative talent.."13 José Manuel Barroso.. permitindo‑lhe uma abordagem exclusivamente artística…”. uma expressão do talento criativo .. pp. 1. a fotografia faz muito mais do que narrar a realidade. p.” .eu 12 Emília Tavares. “estava liberta dos procedimentos estereótipados representacionais dos profissionais de estudios comerciais.