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A PEDAGOGIA WALDORF: FERRAMENTAS E PRÁTICAS Elaine Marasca Garcia da Costa UNISO – Universidade de Sorocaba
Rudolf Steiner, várias vezes chamou a atenção para o fato do pedagogo, até certo ponto, ser um curador como o é o médico, se partirmos de uma visão ampla do conhecimento do homem e do mundo. Ao lado disto, Rudolf Steiner também diz que o médico que quer curar, no verdadeiro sentido, deve ter viva em seu interior, a arte da educação em seu sentido mais amplo. Estas duas indicações serão plenamente compreendidas por quem se tiver ocupado seriamente acerca da compreensão do desenvolvimento humano, e em especial do desenvolvimento infantil. (WEGMAN, 2001).

A Pedagogia Waldorf, resultado de um trabalho de conhecimento e de vivências de Rudolf Steiner e seus colaboradores, está pautada na visão integral, holística do ser humano, cujo conhecimento e aperfeiçoamento são guiados pelos pilares básicos que constituem a ciência espiritual, denominada por Steiner ANTROPOSOFIA. Esse método pedagógico observa uma primeira realidade que é o desenvolvimento da personalidade de seus alunos, os quais admite, sem julgamento de credo, raça adaptar-se. Para os mais aficionados, eis a diferença entre a Pedagogia Waldorf e as tradicionais: enquanto as pedagogias tradicionais informam, a Pedagogia Waldorf forma, de uma maneira ampla. Paixões à parte, a Pedagogia Waldorf visa à formação integral do ser humano, focando não só o desenvolvimento da inteligência, a qualidade de conhecimentos em tempo adequado, como também o estímulo da vontade, relacionamentos, ideais sociais, entre outros. Pretende despertar, ainda, em seus alunos, todas as suas potencialidades, estabelecendo um relacionamento sadio com seu ambiente e com todos os indivíduos que dele participem. (LANZ, 2000). Bases Antroposóficas da Pedagogia Waldorf A Quadrimembração ou cultura, procurando fazer-lhes jus e a eles

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Steiner concebeu o homem atual, como portador e comportador de quatro processos, que nada mais são que a introjeção dos três reinos evolutivos da natureza (mineral, vegetal e animal) e mais um, que seria o qualificador, o distintor da individualidade humana: o Eu. Tentaremos fazer um passeio pelos três reinos da natureza, traçando seu paralelismo, e apontando como eles se fazem presentes na constituição humana. Assim, observemos primeiramente o mundo físico, o mundo mineral ou inorgânico, em que não poderíamos contemplar um fenômeno que só se apresenta nos reinos mais complexos, como o vegetal, o animal e o humano, ou seja, onde haja a presença da vida. Assistiremos nesses três últimos, a fenômenos como: crescimento, formas típicas, regeneração, reprodução, metabolismo, dentre outros, que o mundo mineral desconhece. Veremos ainda que, a cada passo que se dá no sentido evolutivo - partindo-se do reino mineral até o homem - a complexidade das substâncias, dos elementos químicos e das estruturas percorrem, coerentemente, esse mesmo ritmo. O mundo inorgânico também não estaria sujeito às leis de finitude do mundo orgânico: uma pedra sempre permanecerá a mesma pedra, se não houver interferência de forças externas, não-inerentes à sua própria essência, que modifiquem ou destruam a sua forma. Por outro lado, os seres orgânicos ou vivos, obedecem a uma existência limitada no tempo: nascimento, crescimento e morte. Existiria, então, nos seres orgânicos, com vida limitada, algo além da pura substancialidade; algo que, no momento da morte deixaria de existir, ou pelo menos, de atuar no indivíduo. O que resta, o cadáver, retornaria à condição inorgânica e com isso voltaria a obedecer às suas leis como decomposição, perda de estrutura etc. Dir-se-ia, portanto, que os seres vivos, ou seja, o mundo orgânico, possuem leis diferentes e, em certo sentido, alheias às leis químicas e físicas do mundo inorgânico ou mineral. E aquele algo que deixa de existir no

analisado. mas que havia possuído a capacidade de formar organismos. é inevitável que surja a pergunta: Como a Antroposofia pode afirmar isso? Não seria essa afirmação mais uma hipótese ou teoria de alguma nova ciência ou religião? Segundo Steiner. elástico. o corpo estará mais ressecado (pela menor quantidade de água) enrijecido. podemos compreender que. no ancião. uma abstração. nos animais e no homem. a consciência segue um caminho totalmente inverso. Por não se tratar de um conhecimento constituído. as atividades intelectuais e psíquicas ainda estariam por . mesmo imperceptível aos nossos sentidos comuns. inexistindo no reino mineral. Em compensação. isso não seria a exposição apenas de um conceito. estaria presente apenas nas plantas. mas que permeia todo o corpo físico. além de seu corpo físico. especialmente no recém-nascido. com uma metodologia rigorosa. plasmável). ou em outras palavras. embora a vida seja um morrer contínuo. de um lado uma criança e de outro um ancião. não fazer parte do senso comum. segundo Steiner. na tenra idade. portanto. à mineralização. Isso fica claro. os seres orgânicos teriam. No adulto e mais ainda. mineral. Na criança. o corpo etérico ou vital é. a vitalidade (intimamente relacionada com a presença da água) estaria no seu ápice (corpo flexível. institucionalizado e.15 momento da morte. Então. mole. que se traduziria num conjunto de forças que dão vida ao ser e também impedem a ação das leis químicas e físicas exclusivas da matéria. ao observarmos. Na realidade o CORPO ETÉRICO pode ser observado. um mantenedor da vida e um defensor desta contra as forças da morte. se denomina força vital. plasmando-o: é o corpo das forças plasmadoras ou CORPO ETÉRICO que. Ainda de acordo com Steiner. esse algo mais. por isso mesmo. investigado por experiência direta. Esse conjunto constituiria um corpo. desvitalizado e sujeito a estados patológicos que tendem à esclerose. denominação sabidamente inadequada já que não tem constituição física.

o preço da aquisição da consciência sendo pago com a diminuição da vitalidade. o animal. contendo um mundo em seu espaço interior. parceiros sexuais). desde o mais primitivo. ao contrário das plantas. manifesta atração (simpatia) e repulsa (antipatia) e também pode aprender. o que. tem impulsos (procura alimentos. provocaria toda a dinâmica das funções vitais. do cosmos. atuando no espaço e no tempo. enquanto a planta vive num estado de sono. Na idade avançada. Já o animal se encontra mais fechado. constitui um mundo próprio de reações. é praticamente uma superfície aberta. das influências desta. enquanto na planta existe um processo constitutivo e evolutivo ligado ao tempo. o ser humano experimentará o auge do desenvolvimento de suas capacidades mentais. instintos e atitudes que o separam da natureza. . ela não possui vida interior. mas que o isentam de certa forma. seja responsável pela sua postura serena de sabedoria: pode-se dizer que é a vida dando lugar à consciência. que está aberta e exposta às forças de fora. que acontece internamente. Essa vivência. Johann Wolfgang von. aparece uma nova qualidade. No reino animal. A Metamorfose das Plantas – São Paulo: Antroposófica. então. cuja explicação não caberia nesse momento.16 se desenvolver. mais isolado do mundo externo. se não houver outro empecilho. caracterizado pela formação de órgãos e de sistemas com funções específicas. alterna sono e vigília. não apenas fisicamente. Vimos. Além disso. que o corpo etérico. segundo suas leis próprias. Pode-se dizer que a criança vive num estado entregue às suas funções vitais e vegetativas. o elemento básico da planta1 é a folha. ou seja. o animal nasce contendo todos os seus órgãos e depois só faz crescer2. de consciência e de autodomínio. 1997. pois. Na verdade. Salvo as metamorfoses de alguns insetos. além de dar forma. novamente isso não se constituiria em nenhuma novidade: o mérito da Antroposofia é apontar a importância do fato de os 1 2 Goethe. ele reage. Segundo Göethe. provavelmente.

um estágio evolutivamente mais elevado.a alma grupal. como é proposto por Steiner. característica de cada espécie. envolvendo. e cuja percepção é ainda mais sutil que o corpo etérico. especializar tarefas e funções. então. até os sentimentos mais nobres. Desenvolveu. Vejamos que interessante a relação entre as palavras latinas: Anima = alma Animus = vento. ou seja. instintos. também. possibilitando-lhe toda a gama do sentir. uma maneira típica de reagir. para isso. O corpo astral ou corpo dos sentimentos. acontece de forma oscilante. o animal tem uma vida anímica. Como uma maneira de compensar o isolamento com a natureza. Esse novo corpo será vivenciado no homem também como o CORPO DOS SENTIMENTOS. que são traduzidas em órgãos e sistemas. pois não podemos nos esquecer de que todo espaço fechado. será. rítmica (inspiração/expiração). o que significa um certo estado de consciência . mesmo que oco. a função respiratória. Para . ter reflexos. relacionavam-se as forças planetárias (em latim. no reino animal. o animal desenvolveu um sistema sensorial e nervoso. A alma. o que restabelece o seu contato com o mundo. Steiner resolveu denominar esta qualidade presente no reino animal e também no ser humano como CORPO ASTRAL (ou corpo anímico). enquanto nas plantas a respiração se faz numa corrente contínua. astra) com os órgãos e a vida anímica do homem. vai ser o responsável por formar o espaço e o mundo interno e está relacionado ao ar. sopro Animal = animal Observa-se que os animais superiores utilizam o ar para manifestar seus estados anímicos. desde os instintos mais primitivos. ou corpo astral. fato que os torna capazes de sentir sensações. todavia. contém o elemento ar. Sabe-se que. ar. através da voz e do grito. em antigas correntes esotéricas. ou animada. A partir disso.17 animais possuírem uma qualidade inexistente nos vegetais. dominando o físico e o etérico e se caracteriza por diferenciar. Essa função.

crescimento. Vimos também que cada estágio dessa evolução contém em si os estágios precedentes. seres humanos. não domesticados. cálcio. Para isso. nós. ou seja: o vegetal contém o mineral. veremos que elas reagem de maneira sempre idêntica aos mesmos estímulos. o vegetal (vida. adquirimos algo diferente. existe uma complexidade crescente. na evolução da natureza cujos reinos estariam presentes metamorfoseados no ser humano. Se tomarmos animais em seus habitats e.). Algo que nos individualiza e nos torna únicos. por isso. e sempre segundo suas espécies. contendo em nós todos os outros reinos da natureza: o mineral (ferro. etc. Portanto.). é-lhe necessária uma série de faculdades que jamais encontraríamos no animal e dentre as quais destacamos: a) o pensar b) permanecer no estado anímico c) memória d) Renúncia e) Liberdade . como por exemplo a baleia ou a tartaruga. Até aqui. o animal contém o vegetal e o mineral. A contribuição que a Antroposofia se propõe a trazer. sódio. diferente de todos os seres de sua própria espécie. o corpo astral pode ser entendido como o provedor dos movimentos e dos sentimentos. é a imagem do Homem como um ser único. sexo. que lhe permita realizar seus instintos (fuga. singular.18 reagir. fome etc. ele precisa do movimento dirigido. Essa condição humana nos eleva ao grau mais alto das criaturas viventes no planeta Terra. Durante a evolução. potássio. Não existe um ser humano igual a outro e só ele tem consciência de si mesmo frente ao mundo – o que chama de autoconsciência. vimos então que. reprodução) e o animal (movimento e sentimento).

o que nos traz a possibilidade lógica de traçarmos o paralelismo com o pensar. deve ser cunhado através dos ritmos e da maneira apropriada de ensinar. o sentir e o querer. o homem torna-se capaz de desenvolver sua vida intelectual. digestão. transformando (inconscientemente) e incorporando ativamente. um substrato físico que lhes dá suporte. Essa atividade possui características de menor mobilidade. frio e outro mais móvel. O tórax (pulmões e coração) o sentir. São milhares de acontecimentos num constante movimento. Entre esses dois pólos. sendo mais estática.. desde que haja um equilíbrio entre eles. No outro extremo. têm. até mesmo na sua localização física – o tórax – o meio do corpo. A cabeça contém o sistema neuro-sensorial (cérebro e órgãos dos sentidos). desencadeando vários processos. Com esses três processos. um mais estático. poderemos agrupá-los em três grandes áreas: o pensar (onde se encontram também a percepção sensorial e a memória). ditas anímicas.19 A Trimembração Munido desses quatro corpos. mais fria. através da alimentação. o qual. viabilizado e conduzido pelos membros. centralizando a maior parte dos processos metabólicos. e para isso basta lembrar a dificuldade de regeneração do tecido cerebral. quais sejam: • • • A cabeça (cérebro e órgãos dos sentidos) para o pensar. o agir. afetiva e profissional. se encontra o sentir. está o abdome. Steiner chegou à conclusão de que. podendo-se dizer mais morta.. Essas três atividades. cada uma. segundo o método Pedagógico Waldorf. o mundo material ao organismo. . O sistema metabólico (abdome e membros) o querer. se juntarmos todos os processos desenvolvidos na alma humana. que constitui uma atividade intermediária. gerando processos de calor. quente. secreção etc. o ser humano se põe a serviço de sua missão.

porém por um caminho que necessita de explicação: quando decidimos fazer um movimento. está mergulhado na mais profunda inconsciência. Acredita-se que essa trimembração e seus desdobramentos formulados por Steiner. No movimento dos membros aconteceria a mesma coisa. apenas como processos de preservação inconscientes (basta lembrar que os órgãos sexuais estão na parte abdominal nos animais superiores e no homem). Trata-se do instinto bruto. não-orientados pela inteligência. quando caminhamos em direção ao pólo oposto. O sentir seria o processo mediador. Porém.20 Seria ele. a transmissão da minha intenção ao meu sistema motor – a observação daquilo que se passou dentro de mim. o sentir que. Nesses dois passos. é nessa região do tórax que levo minha mão para me designar. e que se desenvolveria de modo mais inconsciente. • O Sentir está relacionado com o sentimento e com a semiconsciência. curador. então. 3 Quando eu me chamo por Eu. através dos movimentos anímicos de simpatia e antipatia. De acordo com Steiner. observação). nítida. consciente. o metabolismo – ou seja. o que eu usei foi o meu sistema neuro-sensorial (representação. pensamento. pois seria o portador do discernimento e da verdade de cada um3. com nossa VONTADE4. até a realização do impulso volitivo. sanador que serviria de ponte entre o pensar e o querer. avaliaria as impressões recebidas pelo pensar (Sistema Neuro-sensorial). aquilo que se localiza no abdome e nos membros (atividade muscular) – temos uma função relacionada com nosso QUERER. podem ser observados. me apontar. a partir das seguintes relações: • O Pensar está relacionado com o intelecto e com a consciência plena. subjacente aos impulsos vitais. me identificar. 4 Nesse momento precisamos esclarecer que não se trata aqui da expressão da vontade clara. é bem verdade que este pode ser bem consciente – exemplo: quero pegar um copo – a partir disso. . o meu braço traça uma trajetória (meta fixada) e chega ao copo (meta alcançada).

algumas vivências comuns. um amadurecimento progressivo daqueles corpos que se desenvolveriam e/ou se emancipariam a cada setênio. experimentamos. da abordagem de tal desenvolvimento característico e de como o seu conhecimento se apresenta como fator de relevada importância no processo educativo observado nesta pedagogia. A Biografia Humana Steiner. astral e o Eu – os quais já estariam presentes no momento do nascimento. diz respeito à possibilidade de termos uma história própria de vida. os três primeiros setênios. haveria. Um outro processo subordinado ao nosso Eu. e por estar sempre presente na estruturação da Pedagogia Waldorf. objetivou essa preparação. Vejamos. também. ocorrem desenvolvimentos diferenciados de cada um dos nossos constituintes – físico. pois obedecemos a determinadas leis que poderiam ser consideras. . a cada setênio.21 • O Querer está relacionado com o metabolismo e com a inconsciência. Abordaremos. porém. todos nós. analisa e descreve o desenvolvimento do ser humano de sete em sete anos e os denomina. No decorrer da nossa existência. mais especificamente. Trataremos. um conhecimento norteador dos ritmos e das épocas na Pedagogia Waldorf. por serem os mais diretamente envolvidos no processo educacional. universais: as chamadas leis biográficas. uma biografia. Tais conhecimentos são fundamentais para o conceito de homem entendido pela Antroposofia. Segundo ele. então. resumidamente. em seguida. retomando uma antiga sabedoria grega. quais são as características de cada setênio. setênios. etérico. de certa forma. dando ensejo à utilização e ao surgimento de outras faculdades específicas inerentes àqueles períodos. Esse é.

as funções metabólicas. poderia ser mais inconsciente. tornando-se pouco a pouco mais consciente. Nesse sentido. mas também de nossos próprios gestos. o corpo etérico. como também o clima emotivo. podendo auxiliar o desenvolvimento de outros processos. Tudo vai sendo recebido pelo corpo plasmador ou corpo etérico que. O sinal físico de tal evolução acontece pela expulsão dos dentes de leite e a formação de dentição definitiva. roupas. Teremos. O primeiro setênio se caracteriza pela estruturação do corpo físico. a memória – o que coloca o indivíduo em condições de aprender5. nossa maneira à 5 Importante salientar que antes disso não existiria tal condição. nessa idade pré-escolar. apesar de continuar atuando como tal. de nada adiantaria. o raciocínio. Essa permeabilidade inconsciente absorve não só o aspecto físico ao seu redor (cor / som / forma). não somente de seu quarto. 2003). estará emancipado do corpo físico. como. sofre grande influência daquilo que acontece em seu ambiente. por exemplo. na criança. bem como da psíquica. De acordo com as leis biográficas. os sentimentos e até o próprio caráter das pessoas. pelo exemplo e pelo ambiente. de início. portanto. no primeiro setênio. como se fora um grande órgão sensorial. que todo o processo formador da organização física. estará formando os órgãos. Ao final desse trabalho plasmador. haveremos de cuidar.22 Os setênios a) O primeiro setênio (0-7 anos) – Base do desenvolvimento físico. a criança é extremamente permeável a todas as influências do meio ambiente. nosso modo de falar. segundo a Pedagogia Waldorf. . etc. nessa fase. Vale observar aqui outra característica do primeiro setênio que é a imitação a qual. (BURCKHARD. via corpo etérico ou vital (base corpórea de toda nossa saúde). ela aprenderia pela imitação. Recorrer a preceitos morais ou explicações intelectuais para educar uma criança. e seus efeitos serão sentidos ao longo de toda a sua vida. de seus móveis.

tentando conquistar o espaço: podemos ver o desenrolar desse desenvolvimento. correr para todo lado.44) “nos primeiros 3 anos de vida. esses movimentos devem ser conduzidos para uma regularidade rítmica. ainda não se trata de uma referência àquela vontade consciente.. da fase imediatamente .. o homem aprende mais do que em todos os seus estudos acadêmicos”. observaremos que a própria criança pede esses ritmos. como se fora uma respiração ou um batimento cardíaco de contração e de expansão. Os três primeiros anos da criança são decisivos para sua vida. 1991). Pode-se fazer isso. para que possamos servir de modelo à nossas crianças. mas àquela força irresistível de impulsos motores.. deveria ser: O MUNDO É BOM – ou seja. nesse período. O sentimento da criança. subir nas cadeiras. haveremos de reconhecer que esse aprendizado é dos mais difíceis de toda a existência humana. assim. inclusive. o falar e o pensar. de engatinhar. Como disse o escritor Johann Paul Friedreck Rishter (1763-1825) (apud LANZ. Isso sugere que sempre devemos cuidar da nossa auto-educação. Na criança pequena existe um predomínio da vontade. p. Tais fases teriam uma evolução seqüencial.23 mesa. nas árvores. Pedagogicamente. de doenças físicas e psíquicas. pouco a pouco. se focalizarmos o esforço para o aprendizado do andar ereto. mostrando. observando-se horários para jogos. quais sejam: o andar. Cita-se que Steiner foi um dos primeiros a assinalar uma correspondência entre essas três atividades que acabamos de descrever.. ela deveria sentir que pode ter confiança nesse mundo e. dando exemplos dignos de serem imitados.. para tanto. 2000. descanso etc. para sua evolução. de certa forma até descontrolados. que existe uma consonância desta prática com os anseios da alma infantil. o falar e o pensar. cujo calor a protegeria. conquistas feitas até o 3º ano de vida – ainda que de maneira incompleta –. (LIEVEGOED. Com efeito. quando a acompanhamos no ato de se erguer. depois de certo tempo. num contínuo movimento. deve estar num ambiente de muito carinho e amor. pular.. em que cada uma dependeria. refeições.

o que está sendo chamado de Reorganização neuro-funcional. da mesma maneira. . 1988). a primeira separação Eu e Mundo. Nossa tendência é a de concordar com esse postulado. ou seja. visto de uma outra maneira. período em que. por volta do terceiro ano de vida. mas importantíssimo “amadurecimento”. Agora. adultos. sustentaria o pensar. assim. junta-se às influências do meio e da hereditariedade e. todas as transformações anímico-espirituais em curso no 1º setênio têm sua respectiva repercussão física.afirmação do Eu. acontece a primeira auto. ou isso é meu. por assim dizer. a memória começa a desabrochar e a ocupar um espaço que antes não era usado – é como se as impressões sensoriais agora se contivessem um pouco mais. A partir dos três anos. a criança passa então a dizer: eu quero. ou. uma nova disposição. constituindo. geralmente nos deslocamos no tempo até mais ou menos os três anos. tudo o que se trouxe de autenticidade (Eu). o pensar6. que pode ser verificado na atitude de a criança se autodenominar – eu. pois quando nós. Paralelamente. Agora. que parece ser o ponto onde encontramos. A partir desse momento. segundo o desenvolvimento biográfico. por exemplo. onde. (TREICHLER. assim também seriam problemáticos o falar e. localizaríamos nossas primeiras lembranças. tentamos recordar nossa infância (procedimento rotineiro com nossos pacientes). Até então ela dizia: Mariazinha quer doce ou Joãozinho quer o brinquedo. O andar daria suporte e impulso para o falar que. o nascimento da memória. as 6 Método Padovam: Mais recentemente no Brasil a fonoaudiologia vem usando uma metodologia criada por Beatriz Padovan. 1994). ao final desse período – marcado fisicamente pela troca dos dentes –. acontece um pequeno. Isto equivaleria dizer que se o andar não se desenvolver a contento. e somente agora. conseqüentemente. alguns distúrbios da fala poderiam ser corrigidos refazendo-se as fases do andar terapeuticamente.24 anterior. normalmente. a criança estaria madura para seguir adiante. Em suma. adentrando uma segunda etapa – a escolaridade. (PADOVAM. ao invés de terem passagem livre como antes.

nas Escolas Waldorf. segundo a especificidade do corpo astral ou anímico. Diz-se que não poderia ser diferente. às emoções. dos 7 aos 9 anos. na musicalidade. em cantar e. com o desenvolvimento dos processos em formação como o crescimento e a regeneração. pedagógico. todo desenvolvimento vai estar ligado aos sentimentos. Assim. no segundo setênio. de fazer eurritmia7. o corpo astral é quem assume a liderança (assim como o corpo etérico o fez no 1º setênio). aquele famoso amor platônico. uma nova vivência do Eu. um identificador deste anseio – o que fica explicitado no prazer que o jovem tem em ouvir música. ao sentimento. trazendo uma espécie de solidão e de irritação. Faz parte do currículo Waldorf e é exercida. Sendo o corpo etérico ou vital também o plasmador. a criança fica muito crítica e pode vivenciar. se denota no rosto que este se torna mais individual. . Neste 2º setênio. próximo dos 10 anos. bem como dos 12 aos 14 anos. do pensar e da memória. seguindo um sentido crânio-caudal (de cima para baixo) quando. ainda segundo Steiner. nessa fase. o corpo astral se desenvolve em pequenas fases que se apresentariam dos 7 aos 9 anos. podemos verificar especialmente o crescimento do tórax. b) o 2º setênio (7 a 14anos) – Base para o amadurecimento psicológico. já que a esfera sentimental organizada pelo corpo astral. aconteceria. o alongamento dos membros. seu papel condiz com a organização da vitalidade. agora. Agora. e teremos no elemento rítmico. Do mesmo modo que a imitação no primeiro setênio. em relação. ou terapêutico. todos os dias nessas escolas. comandante desse 7 A eurritmia é uma arte do movimento criada pela Antroposofia que pode ter caráter artístico. de alguma maneira. há um anseio de identificação com uma realidade exterior. dos 9 aos 12 anos. Assim como no 1º setênio. estarão à disposição do aprendizado. dos 9 aos 12 anos e dos 12 aos 14 anos – mudanças fisicamente verificáveis.25 forças que até então plasmaram o organismo físico.

aquele que ocupa o desenvolvimento nesse período. o cultivo da musicalidade em suas diversas possibilidades serão armas pedagógicas preciosas. abstrações e conceitos sem vida. logo após os doze anos. permitindo a assimilação de grande quantidade de conhecimentos. Por isso mesmo. tornando-se um grande sanador. De outra forma. correm o risco de não apenas arrefecer os sentimentos. o que nas Escolas Waldorf é feito através de atividades artísticas e artesanais. No segundo setênio. contendo a busca da estética. estimularia diretamente o sistema rítmico (coração e pulmões).26 período. que não podem ser desperdiçadas nesse período. mas até de ressecá-los. esse segundo setênio se desenvolve basicamente em 3 fases. É. tudo deveria estar permeado por emoções! Então. a alma vai se movimentando nessa época. que antes estavam diluídas pelo corpo todo. ainda segundo o autor. Isso não equivaleria a dizer que ela vá apreciar tudo e se interessar por todas as coisas que lhe são apresentadas. e em sua última fase. Como já descrevemos. É um fazer concreto que. sem exageros. Todo ensino nessa fase deve apelar à fantasia criadora. momento de a criança vivenciar que O MUNDO É BELO. Também se desenvolve mais a memória. o . também seria o campo de atuação da música – o ritmo seria sentido nos órgãos do tórax – coração e pulmão (sístole/diástole – inspiração/expiração) onde pouco a pouco iriam se localizando as vivências do Sentir. a personalidade da criança se desvenda através dos sentimentos. alternando-se entre simpatia e antipatia. aproveitando tais anseios da alma humana. Isso significa que devemos engajar. Afirma-se que ela quer aprender por meio de imagens – o que podemos entender como uma atitude estética. que deveriam ser cultivados especialmente nesse setênio. trazendo de forma viva os conteúdos necessários e pertinentes a essa época. aproveitando sua fase sentimental. provavelmente. é importante a vivência da estética e do belo. mas apenas que é assim que. ao manancial de forças sentimentais. Desse modo. envolver a criança.

Hemisfério Sul etc. Surge. Estará despertada. os costumes se fixam. ou “você não aprende mesmo”. Ainda no segundo setênio. sem que exija maiores orientações. repercussões tardias. quando os sentimentos foram desenvolvidos de forma plena. a consciência do próprio corpo e disso resulta o amor físico. conseqüências de expressões usadas por pais ou professores. como por exemplo os hábitos alimentares.27 precisamos estar atentos ao nascimento da autoconsciência (ainda que em seus primórdios). como por exemplo: Idade Média. Acredita-se que esse processo deva se desenvolver normalmente como os outros. Esse é o momento de se iniciar o ensino da Física. agora. da Química. a concentração de todos os impulsos elevados do corpo astral em direção a outro ser humano. o que se manifestaria em 2003). . então. o jovem para uma série de outros c) o 3º setênio (14 a 21anos) – Base para o amadurecimento social. devem ser apresentadas apenas em cenas características e até num tom mais lúdico. Acompanhando o desenvolvimento do corpo astral. Assim também a História e a Geografia que. Também as composições e redações próprias só deveriam ser exigidas a partir dos doze anos. da Mineralogia – sempre com o cuidado de se passar lentamente dos fenômenos para as leis abstratas. o intelecto começa a captar leis e abstrações com maior facilidade. higiênicos. antes. inadvertidamente como: “você é a ovelha negra”. Tudo se torna mais objetivo. o que irá capacitar aprendizados. aqui já podem seguir princípios mais intelectuais e categorizados. As atitudes de pessoas importantes na vida da criança podem beneficiar ou dificultar o desenvolvimento sadio de sua vida anímica ou psíquica. que deve ocorrer ao redor dos catorze anos. acompanhado normalmente de um erotismo harmonioso. (BURCKHARD. de rezar – entre outros – também como hábitos rígidos. o raciocínio próprio. chega-se ao despertar da sexualidade.

sofre uma separação. O nascimento do Eu. esse movimento deve ser incentivado pedagogicamente. acionando mais diretamente. Sabe-se que. O adolescente parece sentir prazer em colocar em xeque as opiniões dos outros. necessariamente. os jovens só aceitam a honestidade. condizer com o seu raciocínio próprio. o pensar lógico. O indivíduo se torna capaz de emitir julgamentos objetivos e de agir eticamente. recusa-se a aceitar qualquer autoridade que. e o Mundo é o mundo. até os catorze anos. sempre no âmbito da . ao mesmo tempo. que seria também o meio social. em realidade. É a fase de O MUNDO É VERDADEIRO – o que não estiver neste contexto. esse despertar do julgamento próprio vem. era um fato quase inquestionável. ao final desse setênio. Essa vivência sempre será acompanhada de lutas e crises internas entre o dentro e o fora. com ela. como diriam eles mesmos – está fora! Agora sim. Porém. em que eu sou Eu. seria. mas. que passam a valer pelo que realmente são intelectual e moralmente. sendo a maturidade sexual apenas parte dela. tornandose autônomo. como disse Rudolf Steiner. acompanhado de um forte espírito crítico. após os catorze anos. Seria a maturação terrestre. o mundo que era vivenciado como mais ou menos integrado a esse eu até agora. agora devem. o conceito. como dos professores –. a verdade – tanto dos pais. é a hora certa para se apresentar a ciência. o eu mesmo e o mundo. a sensação de ser um individuo. a vivência de um não-eu. valores. de acordo com sua personalidade.28 Esse período marca a época em que o EU amadurece. Isso significa o pleno desenvolvimento das faculdades mentais e morais. o jovem vive um idealismo que será acolhido internamente. provoca a autoconsciência e. ponderações e critérios. quase sempre. Nesse momento. dos instintos e desejos da evolução anterior (2º setênio). Haveria um conflito entre o eu que está amadurecendo. trazendo as forças da responsabilidade e as forças anímicas ainda presentes.

como favelas. não apenas na teoria. se organizam visitas e atividades a outras comunidades.) e Eu ( 14-21a. astral ( 7-14a. mas também a realidade social.). ou seja. Ele deve desejar. Com a capacidade de discernimento nascida nesse setênio. especialmente por nos sabermos portadores de uma parcela anímico-espiritual. Em São Paulo existe um grande projeto. aproveitando esse idealismo. dos corpos etérico ( 0-7a. Resumindo. em que se deve ensinar aos jovens. que hoje é exemplo do 3º setor. o que nos municia a aprender durante a vida toda. são aqueles dedicados.). que é a regente desse período. que precisaria estar de acordo com esse desenvolvimento. para o desenvolvimento da humanidade. nos jovens. a maturidade intelectual e moral parece trazer uma certa estabilidade. Jamais devemos fechar as portas para o aprendizado. poderia nascer também. por exemplo. os problemas da humanidade. ele deve percorrer um longo caminho de aprendizado que pode perdurar por toda sua vida. contribuir em liberdade e responsabilidade. ao amadurecimento. não apenas tecnologia e ciências. a fixação de metas para sua vida futura. É o momento. como algo orgânico e. como uma chave para sua fechadura. que começou com esse .29 verdade. teria uma correspondência direta na disposição interna. ao contrário dos animais. corresponde. 8 Nas escolas Waldorf. verdadeiramente. não só ao contato com o mundo. portanto. então. Por volta dos 21 anos. na prontidão para o aprendizado. pelo fato de o homem não nascer pronto. de uma maneira geral. dirigindo-o para uma criatividade consciente. Certamente. Isso aconteceria de uma forma endógena. sucessivamente. o que deve ser acompanhada também de responsabilidade. mas por uma participação ativa na prática em atividades sociais8. o desenvolvimento desses três setênios que. mas com o aprender no sentido amplo da palavra.

foi a do princípio dos temperamentos. sangüíneo e fleumático. segundo o autor. d) o temperamento Fleumático. de ver e viver o mundo. De acordo com esse princípio. poderia ser agrupada. desviariam tratamentos e/ou procedimentos mais diretamente relacionados com a demanda daquele determinado temperamento. pedagógica e até mesmo social. pois. dando sua versão para o homem contemporâneo. fogo. os elementos de cada grupo agem e reagem de maneira semelhante. ar e água. potencialmente. b) o temperamento Melancólico. aproximadamente. embora os quatro tipos estejam em nosso ser. No que diz respeito à educação e também ao profissional de saúde.br).com. 15 mil pessoas (e-mail: ascmazul@amcham. tal conhecimento poderá constituir-se em uma ferramenta terapêutica. Vale salientar que os temperamentos nunca serão puros. . c) o temperamento Colérico. de se relacionar. com quatro tipos básicos de “tempero” do comportamento humano: melancólico. em quatro tipos básicos.30 Os temperamentos Uma outra contribuição. novamente emprestada da sabedoria grega 9 que Steiner desenvolveu. Conforme suas características. colérico. na Antiga Grécia. 9 Eurípedes. normalmente apresentaremos características de um ou dois temperamentos. que representariam a junção da corrente hereditária e da evolução do “eu” através dos tempos. Seriam eles: a) o temperamento Sangüíneo. a nossa constituição física e anímica. relacionou os 4 elementos naturais – terra. Os temperamentos são. a maneira característica que cada um desses grupos tem em comum de se expressar. apesar de termos cada um a marca específica do nosso “eu”. intuito – Associação Monte Azul – assistindo. segundo Rudolf Steiner.

leve. a melancolia só pode ser superada com muito calor – tanto físico quanto animicamente. b) O tipo melancólico se apresenta completamente diferente do sangüíneo – no lugar da leveza. o que piora ainda mais sua solidão. Sempre mais propensa a doenças. a) O tipo sangüíneo designa uma criatura ágil. a tristeza. porém perde facilmente a concentração – por isso tem dificuldade para se fixar numa determinada tarefa. É geralmente inteligente. Adormece e desperta facilmente. desajeitados – seu corpo parece um fardo. Não suporta o frio. ou se o fizer. ou seja. A criança está sempre isolada em seu mundo. Ele se compraz com a . Come pouco e prefere doces e balas. tem movimentos lentos. dirigindo-a para um ensimesmamento que poderá render-lhe um egocentrismo exagerado. É predominantemente alegre. quando criança vive saltitando. não gosta de exercícios físicos. por isso descreveremos os quatro tipos e suas principais características. qualquer dor ou sofrimento a deixa arrasada. Todavia. através da compreensão. Por causa disso – em contraste com a criança sangüínea – tem dificuldades em ser aceita pelos colegas. demora a acordar e a adormecer. será por apenas alguns minutos. e ao invés de alegria. veremos o peso. uma criatura um tanto aérea. que vive um pouco acima do chão – digamos. toda criança é um pouco sangüínea. tem essas características de não se ligar muito ao mundo e viver pulando de alegria. detesta jogos violentos. Essa criança não poderia ser dominada pela força. o adulto teria que desenvolver uma ligação afetiva dela para consigo e com o objeto com o qual se quer fazê-la ocupar-se.31 O conhecimento e o diagnóstico dos temperamentos são questões básicas no ensino Waldorf. prefere alimentos azedos e picantes e em casos extremos tende a ligar-se a interesses fúteis e superficiais. se cair não chora. Por isso.

porém. nuca grossa – é aquela comumente conhecida como touro. Assim como o elemento ar predomina no sangüíneo. por trás da sua aparência dura. A criança colérica tem o corpo atlético – membros curtos. Jamais deveremos tratar coléricos com ironia ou críticas infundadas pois. aplicada e líder nata – tem sua própria maneira de lidar com o que ela define como o mal.32 dor de outras pessoas ainda mais sofredoras que ela – então o educador trabalharia. É nessa hora que ela ouve as argumentações. Deve-se dirigir suas forças para os seus limites. . Somente quando passa o acesso de cólera é que ela se recupera. Se o colérico encontrar pessoas. geralmente. e até desproporcionalmente à qualidade do problema. estoura. ao menor problema. Ao invés de movimentos violentos. para que possa constatar que não é infalível. o melancólico vivencia as forças do peso da matéria sólida – o elemento terra. falar com ela no momento da cólera é inútil e só a torna mais furiosa. c) O tipo colérico teria sua ligação com o fogo. além de inteligentes. sendo a primeira a se desculpar. em tarefas sabidamente impossíveis. inclusive porque ela. é preciso muita paciência e compreensão. Para se lidar com um colérico. gosta muito de música. Sua característica é a de geralmente ser atenta e concentrada. fazendo a criança competir até consigo mesma. idéias ou objetos que tenham um valor moralmente elevado ela pode desenvolver um tipo de sentimento de veneração e de respeito – especialmente pelo professor que sabe o que faz. está uma alma que clama por carinho. age sempre com muita energia. tornando seu autocontrole mais fácil. É corajosa. temperamento difícil e complexo. até para defender os mais fracos ou menos corajosos. mostrando a ela o sofrimento do mundo. responsável. às vezes violenta. convém sugerir-lhe movimentos rítmicos. inflama como o fogo.

pedagogicamente. especialmente daqueles de sua idade. Pedagogicamente. saladas e salgados. sem forçar situações. diminuir doces e pudins. que tanto aprecia. substituindo-os pelas frutas. Podemos dizer. acaba sendo compensada pela sua calma e por seu espírito metódico. à mediocridade. é somente através do interesse que vive em outras almas. No entanto. que ele poderá receber esse reflexo e despertar. ficar na sua. Em resumo. Convém reduzir-lhe as horas de sono. às vezes. Não adiantaria tentar despertá-lo através de coisas ou assuntos escolares ou domésticos. por outro lado. existe um caminho indireto que poderia despertar o interesse do fleumático – e isso seria feito através do interesse de seus colegas e amigos – motivo pelo qual ele deve estar sempre cercado deles. deve-se reconhecer e trabalhar com as possibilidades de uma maneira positiva. Sua lentidão em captar conhecimentos e impressões.33 d) O tipo fleumático possui uma tendência a. de se ligar ao que acontece ao seu redor. então. ou seja. como se diz popularmente. o que lhe proporciona um constante bem-estar. Ocorre disso uma dificuldade de iniciativa. tendo características de lentidão e sonolência. é muito ordeiro. Exercícios físicos são importantes – inclusive para combater a obesidade que seria uma tendência comum nos fleumáticos. envolvendo-se com outras coisas. Tem uma ligação intensa com seu corpo etérico. é muito difícil despertar seu interesse. após diagnosticar os temperamentos – e aqui vale ressaltar – tarefa perfeitamente possível para um educador. pelo próprio prazer interno de bem-estar que ele possui e do qual não gosta de abdicar. Porém. rendendo-lhe uma vitalidade inabalável. sendo muitas vezes gorducho e sua fantasia chegando. amante da rotina e de uma fidelidade incomum. resumidamente que: . devemos partir daquilo que se tem.

para se lidar em classe com os vários temperamentos. passariam a tomar iniciativas. por isso deveria estar constantemente rodeado der colegas e amigos que. mesmo estando no lado externo. tendendo a ficar mais calmos. fleumáticos com fleumáticos. ou seja: coléricos com coléricos. recomendou que se formassem grupos do mesmo temperamento e que estes deveriam estar sentados todos juntos. devem ser de mesma idade. os coléricos teriam que se cuidar mais e respeitar o outro. por incrível que pareça.34 • para o sangüíneo – o melhor seria crescer sob a direção de uma mão firme. geralmente. Dessa maneira. segundo a exigência da Pedagogia Waldorf. é disso que ele poderia extrair alguma leveza e. a presença dos quatro temperamentos. que também é colérico. dentro de suas possibilidades. Observando que a posição no espaço físico da classe era importante. • para o colérico – o respeito pela capacidade verdadeira. e assim por diante. por não se sentir só em sua tristeza. o professor terá. • para o fleumático – ele se beneficiaria pelos interesses de outras pessoas. Na maioria das classes. os fleumáticos se cansariam da indolência reinante e. se aperceberiam na turbulência de seus vizinhos. chegando mesmo à veneração de uma personalidade. ele pode desenvolver amor e afeto. . • para o melancólico – compartilhar um destino justificadamente doloroso. ele pretendia demonstrar que os sangüíneos. e assim por diante. Steiner deixou uma recomendação prática – como ele considera que toda a Antroposofia deva ser –. na infância . terão imensa atuação no seu auto-controle. devendo estar apto a atuar sobre todos eles. Para os professores. para ensinar-lhe que. até certa alegria. por exemplo.

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