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A arte de ensinar

Educar, pode até parecer uma palavra com um significado muito simples, afinal, lidamos com a educação durante nossa vida inteira, seja enquanto alunos, pais, ou até mesmo como professoras, e talvez, esta seja a forma mais difícil. Não apenas pela dificuldade e falta de estrutura da educação brasileira, mas existe uma complexidade muito maior no ato de educar, de ensinar. Uma complexidade imposta pela forma de desenvolvimento que a sociedade manteve até o momento, e que tem causado um colapso na dinâmica da vida no planeta. A educação ganha mais um papel, muito além do ensino dos conhecimentos construídos pela humanidade, do tocante da construção da cidadania e da autonomia pelos alunos, a educação passa a promover a construção de uma perspectiva de desenvolvimento, e de uma nova ética. Essa nova educação visa à conexão e conscientização do ser humano enquanto ser parte de um conjunto maior, biodiverso, altamente tecnológico onde tudo e todos estão conectados em tempo real. Ainda não resolvemos questões da educação que sempre foram um problema: problemas de estrutura, falta de material, dificuldade no processo de alfabetização. Mas talvez o maior de todos seja o de não conseguir encantar nossos alunos com a escola, com o que ela ensina, com seus objetivos. Quem sabe os estudantes já estão nessa nova educação, enquanto as escolas ainda estejam na do século passado, as escolas sempre foram atrasadas em relação às sociedades, tornando-se estagnadas, sem vida. Não podemos fracassar mais uma vez, a idéia está aí, o tempo dela chegou, e nos resta começar. Na escola, semeia-se, constrói-se, ensina-se, educa-se e sonha-se. E isso é ação permanente. A escola é casa de janelas abertas ao futuro, enquanto educar é ver mais longe, além do tempo presente, já que na escola, o tempo não passa. Muitas vezes cansa e desgasta. Mas também encanta e deslumbra. Mas é a empatia que conta, o respeito à diversidade e o reconhecimento de que são seres únicos, o que os torna tão especiais. Não há receitas ou fórmulas mágicas. Na verdade é o mesmo processo que funciona há milênios, conquistar a credibilidade e empatia ganhar-lhes a confiança de forma verdadeira e honesta. Como se vê, é um caminho simples, longe do autoritarismo arcaico e obsoleto, mas repleto de amor e respeito à individualidade. Interagir, mediar e favorecer a reflexão é um compromisso de quem antes de ensinar, se permite aprender, enquanto nossos filhos e alunos percebem nossa postura e nos admiram por isso, temos todo o Encanto que envolve o Ensinar. Educar não é difícil. Difícil e muito complexo é saber educar. É preciso encantar a criança como as fadas madrinhas e os Peter Pan, para seduzir a sua atenção, sentar-se não no banco do professor, mas andar quilómetros entre eles, olhar nos olhos, saber brincar no meio de uma frase de forma amável e carinhosa para tornar outra vez à frase cortada por causa da brincadeira. O trabalho educativo não é prisioneiro de cálculos, nem se encerra nas grades do tempo. Educar é, de certo modo, semear para a eternidade. O futuro das pessoas e o rumo das sociedades decidemse, muitas vezes, em pequenos gestos e dependem de humildes e discretas decisões de quem sabe que educar é ver mais longe, para, em cada dia que passa, formar pessoas felizes, preparar um amanhã diferente e construir um mundo melhor. Como diz Augusto Cury, “ Ensinar é a arte de Encantar”.

Motoqueiro Fantasma