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Analista TCU 2004 – Questão de Parecer Um ente público precisou adquirir, em certo exercício, o valor de R$ 500.

000,00 em equipamentos de informática. O administrador desse ente determinou que fossem realizadas diversas aquisições, cada uma com valor inferior ao limite autorizado para dispensa de licitação. Dessa forma, todas as contratações foram diretas, sob o fundamento da dispensa. Essa prática foi detectada no exame da prestação de contas do referido ente público. Apesar do ocorrido, constatou-se não ter havido lesão ao erário, pois as contratações foram realizadas por valores de mercado. Em face da situação hipotética acima, redija um parecer que, necessariamente, contemple considerações a respeito da validade jurídica das aquisições, apontando de que modo o Tribunal de Contas da União (TCU) deverá julgá-las e que providências caberá a esse tribunal determinar. Exemplo de Solução: Trata-se de prestação de contas anual de entidade pública relativas a certo exercício. Ao analisar as contas, foram detectados vícios na aquisição de equipamentos de informática no valor total de R$ 500.000,00. O administrador da entidade determinou que fossem realizadas diversas aquisições, cada uma com valor inferior ao limite legal para contratação direta por dispensa de licitação, promovendo o fracionamento da despesa. Todavia o fato não acarretou dano ao erário, já que as contratações foram realizadas por valores de mercado. De início, destaco que o TCU tem competência para apreciar a matéria, estando a entidade sob a jurisdição do Tribunal. A defesa do responsável não é suficiente para elidir a irregularidade verificada. A Lei n.º 8.666/1993 estabelece que aquisições acima de R$ 80.000,00 e até R$ 650.000,00 devem, em regra, ser precedidas de licitação na modalidade de tomada de preços. No presente caso, o valor total situa-se nesse intervalo e, por isso, a administração deveria ter promovido várias tomadas de preços, preservando a modalidade de licitação cabível para o valor total das aquisições. ‘Registre-se que a Lei de Licitações não proíbe o parcelamento do objeto. Pelo contrário, determina que ele deve ser promovido com intuito de aumentar a competitividade, sem prejuízo da economia de escala. Mas a Lei veda o fracionamento da despesa. Desse modo, o responsável poderia ter promovido várias contratações, mas todas deveriam ter sido precedidas de licitação na modalidade tomada de preços. Apesar da existência de vício na aquisição, os elementos contidos nos autos indicam que as contratações foram realizadas a preços de mercado, descaracterizando, por conseguinte, a existência de dano ao erário. Todavia a inexistência de débito não elide a irregularidade praticada pela administração. O responsável determinou o fracionamento da despesa, burlando preceitos da Lei de Licitações, e violou o princípio da licitação, ao promover as indevidas contrações diretas. Enfim, observo que, caso as contratações já não estivessem consumadas, caberia ao Tribunal determinar à entidade que adotasse medidas corretivas, informando ao Congresso Nacional eventual descumprimento da determinação, para que este promovesse a sustação dos contratos. O TCU teria competência também para decidir a respeito da sustação dos contratos, caso o Legislativo ou o Executivo não tomassem as providências cabíveis dentro do prazo de noventa dias. Mas não é o que se passa no presente caso, pois aqui as aquisições já se consumaram. Em face de todo o exposto, considerando a gravidade dos vícios detectados e a inexistência de dano ao erário, proponho que as presentes contas sejam julgadas irregulares e que seja aplicada ao responsável multa fundada no art. 58 da Lei n.º 8.443/1992. Proponho, ainda, que seja determinado ao ente público que, em futuras aquisições, abstenha-se de promover o fracionamento da despesa, de modo a realizar licitação na modalidade que seria aplicável para o valor total das contratações.