23/11/2011

Magnetismo da Matéria e Equações de Maxwell
Curso de Física Geral F328 2o semestre, 2011

Ímãs –Pólos e dipolos
Introdução
As propriedades magnéticas dos materiais podem ser compreendidas pelo que ocorre com seus átomos e elétrons. A estrutura mais simples na eletricidade é, como vimos, uma carga isolada q; no magnetismo, é um dipolo magnético, do qual uma barra imantada (ímã) é um exemplo. Um ímã é caracterizado por dois pólos: o pólo norte (de onde emergem as linhas do campo magnético) e o pólo sul ( para onde as linhas migram). Não somos capazes de isolar um único pólo (monopolo magnético): um ímã partido ao meio se subdivide em dois outros e assim sucessivamente até o nível microscópico de átomos, núcleos e elétrons. Até onde sabemos, não existem, pois, monopolos magnéticos.
ω

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já que não pode existir qualquer b “ carga magnética” isolada envolvida pela superfície. um pólo sul do dipolo magnético terrestre. O magnetismo da Terra Em 1600. Vemos que φB = 0 através das superfícies I r e II da figura. William Gilbert descobriu que a Terra era um ímã natural permanente com pólos magnéticos próximos aos pólos norte e sul geográficos: seu campo magnético pode ser aproximado pelo de uma enorme barra imantada ( um dipolo magnético) que atravessa o centro do planeta. A lei de Gauss do magnetismo é válida mesmo para estruturas mais complicadas que um dipolo magnético. 2 . As linhas de B são fechadas. n dA = 0 r O fluxo de B através de qualquer superfície fechada é nula.23/11/2011 A Lei de Gauss do magnetismo A lei de Gauss para campos magnéticos é uma maneira formal de se dizer que não existem monopolos magnéticos: r ˆ φB = ∫ B . Uma vez que o pólo norte da agulha imantada de uma bússola aponta na direção do pólo sul de um ímã. o que é denominado pólo norte da Terra. é na realidade.

Por exemplo. cada um envolvendo um momento de dipolo magnético. de produzir um campo magnético. O campo observado em qualquer local da superfície varia com o tempo. Contudo. relacionado a S por: µS = − r e r S m (1) 3 . Magnetismo e elétrons Já vimos que elétrons constituindo uma corrente elétrica num fio geram um campo magnético ao redor deste. possuindo um momento angular intrínseco ou r spin S . Há mais duas maneiras. a compreensão destes mecanismos exige conhecimentos de Física Quântica não abordados nesta disciplina. Momento de Dipolo Magnético de Spin Um elétron isolado pode ser considerado classicamente como uma minúscula carga negativa em rotação. associado a este spin existe um momento de r r dipolo magnético de spin µ S . entre 1580 e 1820 a direção indicada pelas agulhas de uma bússola variou de 350 em Londres.23/11/2011 O magnetismo da Terra A direção do campo magnético sobre a superfície da Terra pode ser especificada em termos de dois ângulos: a declinação e a inclinação do campo.

) (*) a mecânica quântica prevê (e observa-se experimentalmente) que apenas uma das componentes do spin e o seu módulo ao quadrado podem ser medidos simultaneamente. a componente S z (medida ao longo do eixo z. mS = ± 1 2 onde h ≡ h / 2π e h = 6. ( mS é chamado número quântico magnético de spin. Magnetismo e elétrons r O momento de dipolo magnético µS também não pode ser medido. Tomando a componente z de (1): µS . de Para um elétron. z = 1 µB 4 . z = − e eh Sz = ± . m 4π m (2) A grandeza do lado direito de (2) é chamada magneton de Bohr ( µ B ) : eh eh J µB = = = 9.s é a constante de Planck. apenas a sua componente ao longo do eixo z.27 x 10 − 24 4π m 2m T Momentos de dipolo magnético de elétrons e de outras partículas elementares podem ser expressos em termos r µ B . por exemplo.63 x 10−34 J . a componente z medida de µ S é: µ S .23/11/2011 Magnetismo e elétrons r O próprio spin S não pode ser medido (*). por exemplo) é quantizada e pode ter dois valores que diferem apenas em sinal: S z = mS h . que também é quantizada.

podemos escrever vetorialmente: µorb = − r e r Lorb 2m 5 . e estas componentes são também quantizadas: eh h µ orb. nem Lorb nem µorb podem ser medidos. ao qual se pode associar um momento de dipolo r magnético orbital µorb . em seu movimento circular em torno do átomo. ml = 0. mas apenas suas componentes ao longo de um eixo (z). z = ml . 4π m 2π Ou: e r Lorb 2m (3) µorb. é uma “espira de corrente”. ± 2..23/11/2011 Magnetismo e elétrons Momento de Dipolo Magnético Orbital Os elétrons ligados aos átomos possuem um momento angular r orbital. Temos: r µorb = i A r Mas: i = carga ev = tempo 2π r µorb = ev evr (4) π r2 = 2π r 2 Temos ainda: Lorb = mrv (5) Combinando as equações (4) e (5) e levando em conta os sentidos r r de Lorb e µorb .. z = − ml e Lorb. z = − ml µ B ( ml é chamado número quântico magnético orbital ) Magnetismo e elétrons Modelo de Espira para Órbitas de Elétrons Podemos obter a equação (3) de modo clássico. ± 1.. Lorb . supondo que o elétron. Os dois estão relacionados por: µorb = − r r r Analogamente.

eles tendem a se alinhar paralelamente ao campo. mas isto é dificultado pelo movimento caótico provocado pela agitação térmica. Em 1895. Paramagnetismo A magnetização M de um material (momento de dipolo total por unidade de volume) dá uma idéia da extensão deste alinhamento.23/11/2011 Paramagnetismo Em materiais paramagnéticos. r B Um material paramagnético colocado num campo externo não uniforme é atraído para a região de campo mais intenso. os átomos têm momentos de dipolo magnéticos permanentes que interagem fracamente e estão orientados aleatoriamente na ausência de um campo magnético externo. 6 . Pierre Curie descobriu experimentalmente a relação entre a magnetização de uma substância. Na pre_ sença de um campo externo. O grau de alinhamento dos momentos com o campo depende da intensidade deste e da temperatura. o campo externo e a temperatura: M =C Bext T (Lei de Curie) Curva de magnetização para o sulfato de cromo-potássio.

chamada acoplamento de troca. o acoplamento de troca deixa de ter efeito e o material torna-se paramagnético. etc e por suas ligas. cobalto. O ferromagnetismo surge devido a uma interação quântica especial. há um BM . Acima de uma certa temperatura crítica. apesar da tendência à desordem devida à agitação térmica. gadolínio. correspondendo à saturação. níquel. chamada temperatura de Curie. O campo no interior do núcleo é: B = B0 + BM . isto é. T > Tc T < Tc Ferromagnetismo O anel de Rowland (figura) é um dispositivo para estudar a magnetização de um material (núcleo toroidal circundado por uma bobina primária). onde B0 é o campo da bobina e BM está associado ao alinhamento dos dipolos do núcleo. exibida por materiais comoferro.max . que permite o alinhamento dos dipolos atômicos em rígido paralelismo. 7 .23/11/2011 Ferromagnetismo Esta é a forma mais forte de magnetismo.

os domínios tendem a se alinhar. A curva externa da figura é chamada curva de histerese. mesmo para pequenos valores de B0 ? Por que cada prego de ferro em estado natural não é um ímã permanente? Um material ferromagnético. em seu estado normal.23/11/2011 Ferromagnetismo Por que o momento magnético de uma amostra não atinge logo o seu valor de saturação. Quando o material é magnetizado. dando forte contribuição para o campo magnético no material. graças a um campo remanescente (ponto b da figura). As fronteiras dos domínios não retornam completamente à sua configuração original quando o campo externo é diminuído ou reduzido a zero ( memória magnética). seus efeitos magnéticos em grande parte se cancelam. deixando o material permanentemente magnetizado. é constituído de um número muito grande de domínios magnéticos. r B=0 r B Ferromagnetismo Como a orientação dos domínios é aleatória. 8 . nos quais o alinhamento dos dipolos atômicos é perfeito. Este alinhamento pode persistir mesmo quando o campo externo é removido.

o material diamagnético é repelido de uma região de campo mais intenso para uma região de campo menos intenso. que desaparece quando o campo externo é removido.23/11/2011 Diamagnetismo É o tipo de magnetismo manifestado por todos os materiais comuns. fracos momentos de dipolo magnético são produzidos nos átomos do material. Se este for não uniforme. mas é tão fraco que é mascarado se o material exibir também magnetismo de um dos outros dois tipos. r O momento der dipolo induzido por um campo externo Bext tem sentido oposto a Bext . A combinação destes momentos de dipolo induzidos produz um fraco campo magnético resultante. quando o material é submetido a um campo magnético externo. Um material diamagnético não possui momento de dipolo magnético permanente. Diamagnetismo 9 .

Será que um fluxo elétrico variável no tempo pode produzir um campo magnético? A experiência diz que sim. podemos escrever: r v dφ B. razão pela qual não aparece o sinal negativo na equação. b) as constantes µ 0 e ε 0 aparecem por causa da adoção do sistema SI de unidades.dl = µ0ε 0 E ∫ dt (Lei de Maxwell da indução) r Consegue-se E uniforme variando à taxa constante dE no interior de um capacitor que está sendo carregado dt com uma corrente constante (figura (a)). Por analogia com a lei de Faraday reformulada. o sentido de B induzido é oposto ao do r campo E induzido.23/11/2011 Campos magnéticos induzidos Vimos que um fluxo magnético variável no tempo produz um campo elétrico. A lei de Ampère-Maxwell Considerando as duas maneiras de se obter um campo magnético r (uma corrente ou um campo E variável no tempo). podemos combinar as equações correspondentes em uma só: r v dφ B. Campos magnéticos induzidos Vê-se que há duas diferenças entre os casos elétrico e magnético: a) no laço de circuitação r (figura(b)).dl = µ0ε 0 E + µ0ienv ∫ dt (Lei de Ampère-Maxwell) 10 .

Como a corrente de deslocamento está uniformemente distribuída entre as placas do capacitor circular de raio R: B( r) = µ 0 id r 2πR 2 (r < R ) E fora do capacitor: µ i (r > R ) B( r ) = 0 d 2π r r O sentido de B está mostrado na figura.23/11/2011 Campos magnéticos induzidos A Corrente de Deslocamento Observamos que o termo ε 0 dφE tem dimensão de corrente e o dt chamamos de corrente de deslocamento ( id ) : id = ε 0 d φE dt Então a lei de ampère_Maxwell fica: r v B. mostra-se facilmente que id = i .dl = µ0 (ienv + id ) ∫ Para o caso de um capacitor sendo carregado (figura). Campos magnéticos induzidos Calculando o campo magnético induzido Embora nenhuma carga realmente se mova entre as placas do capacitor sendo carregado. o conceito de corrente de deslocamento pode nos ajudar a calcular o campo magnético induzido. então podemos considerar a corrente fictícia id como dando continuidade à corrente real i que está carregando o capacitor. 11 .

tomando-se o rotacional de (4) e utilizando (2): r r v v ∂2E ∇ 2 E = ε 0 µ0 2 ∂t (5) r r ∂2B ∇ B = ε 0 µ0 2 ∂t 2 (6) As equações (5) e (6) equivalem a seis equações escalares (uma r r para cada componente de E e B ) formalmente idênticas. capazes de explicar uma grande variedade de fenômenos e são a base do funcionamento de muitos dispositivos eletromagnéticos. Tomando-se o rotacional de (3) e utilizando (1): r r r r r r ∂B ∂ r r ∂2E ∇ × (∇ × E ) = −∇ × = − (∇ ×B ) = − ε 0 µ 0 2 ∂t ∂t ∂t r r r r r r r Mas: ∇ × (∇ × E ) = ∇(∇. E = 0 : Analogamente. n dA = 0 r r dφ E . B = 0 ε0 (1) ˆ ∫ B. Consideremos as equações de Maxwell com ρ = J = 0 .dl = µ0 ε 0 E + µ0 ienv ∫ dt r (2) (3) r r r ∂B ∇× E =− ∂t r r r r ∂E (4) ∇ × B = µ0 J + ε 0 µ0 ∂t A Equação de uma Onda Eletromagnética Vamos deduzir uma equação diferencial cujas soluções descrevem uma onda eletromagnética e descobrir a sua velocidade de propagação no vácuo. n dA = env ∫ ˆ ε0 r r ρ ∇.E ) − ∇ 2 E E como ∇. São elas: Forma integral Forma diferencial r q E. 12 .E = r r ∇.23/11/2011 As Equações de Maxwell As equações de Maxwell são equações básicas do eletromagnetismo. dl = − B ∫ dt r v dφ B.

as equações (5) e (6) se simplificam para: ∂2Ey ∂x 2 = ε 0 µ0 ∂2Ey ∂t 2 e ∂ 2 Bz ∂ 2 Bz = ε 0 µ0 2 ∂x 2 ∂t (7) Cada uma destas equações é formalmente idêntica à equação: ∂2 y 1 ∂2 y . A solução mais geral para propagação numa direção genérica do espaço é: ψ =ψ m e r r i ( k . respectivamente e ainda que E y = E y ( x. t ) somente. ∂ x 2 c2 ∂ t 2 cuja solução é do tipo: ψ =ψ m sen (k x ± ω t ) . Então. = ∂x 2 v 2 ∂t 2 que representa uma onda oscilando na direção y e propagando-se na direção x com velocidade v .0 x 108 = c s ε 0 µ0 A Equação de uma Onda Eletromagnética Ou seja. Então. uma onda EM se propaga no vácuo com velocidade da luz. as equações (7) acima representam uma onda que se propaga na direção x com velocidade 1 m v= ≅ 3.23/11/2011 A Equação de uma Onda Eletromagnética r r Para simplificar. com k = ω c . consideremos que E e B estejam nas direções y e z. r ±ω t ) 13 . A equação de onda para um escalar ψ qualquer (representando qualquer r r componente de ou ) é: E B ∂ 2ψ 1 ∂ 2ψ − = 0. t ) e B z = B z ( x.

de/ph14br/stwaverefl.html (a propagação de uma onda eletromagnética) 14 .htm uma onda estacionária http://www.walter-fendt.de/ph14br/emwave_br.harvard.edu/~jones/ap216/applets/emWave/em Wave.htm (uma onda eletromagnética) http://people.23/11/2011 http://www.walter-fendt.seas.