Mudança de paradigma: do Estado Liberal para o Estado Social

(Marcelo Abelha)
• Postura neutra e distante do juiz, que só
atuava se provocado (princípio
dispositivo)
• Supremacia das técnicas de segurança
em detrimento das técnicas de
efetividade
• Apego exagerado à forma dos atos
• Execução vinculada a procedimentos
exaurientes e transitados em julgado
• Mito do dogma da coisa julgada material
• Supervalorização do direito de agir, visto
como exercício de proteção ao direito
material aviltado
• Isolamento das tutelas processuais,
através de processos de função
específica (cautelar, execução, cognição)
• Prova vista sob ótica privada
• Valorização da tutela ressarcitória em
detrimento da tutela específica, para
respeitar o dogma da intangibilidade da
vontade humana (preservação da
liberdade)
• Tipicidade das técnicas executivas
• Valorização do direito de propriedade e
seu reflexo nas limitações da técnica
expropriatória
•Postura ativa do juiz, que atua de forma a dar
jurisdição (princípio inquisitivo)
•Reconhecimento da necessidade de intervenção
do estado-juiz, para igualar as partes e permitir o
devido processo legal
•Supremacia das técnicas de efetividade em
detrimento das técnicas de segurança
•Desapego à forma dos atos, valorizando-se a
instrumentalidade das formas
•Execução com base em provimentos prováveis e
valorização do juízo de verossimilhança
•Revisitação do mito do dogma da coisa julgada
material em prol de soluções mais justas
•Desvalorização do direito de agir em troca da
valorização da entrega da tutela jurisdicional
•Aproximação do binômio direito e processo como
meio de se alcançar uma eficácia social da tutela
jurisdicional
•Agrupamento das tutelas processuais num só
processo (cognição, execução, cautelar)
•Prova vista sob uma ótica pública
•Valorização da tutela especifica em detrimento da
tutela ressarcitória
•Atipicidade das técnicas executivas, permitindo ao
juiz a escolha da mais adequada ao caso concreto
•Simplificação da técnica executiva


TUTELAS DE URGÊNCIA

As tutelas de urgência têm a finalidade de resguardar um direito (tutela
cautelar), antecipar o próprio provimento de mérito (tutela antecipatória) ou
impedir que um dano iminente aconteça (tutela inibitória).

Chiovenda: “o processo deve dar, quanto for possível praticamente, a quem
tenha um direito, tudo aquilo e exatamente aquilo que ele tenha direito de
conseguir”.

Juízo de probabilidade x juízo de certeza
Cognição sumária e superficial x cognição ampla
Efetividade e razoável duração x segurança jurídica

Caracterízam-se pelo periculum in mora (e não pela sumariedade da
cognição, que está também presente em tutelas não cautelares)

Tutelas antecipadas previstas na CLT: art. 659, IX e X (transferência abusiva
de empregado e reintegração de dirigente sindical – verdadeira natureza de
antecipação de tutela).
Princípio da fungibilidade das tutelas de urgência

Por este princípio o juiz pode conceder uma medida de urgência em lugar de
outra postulada, desde que presentes os requisitos para concessão.

Nesse sentido (fungibilidade) são as previsões dos art. 273, §7º (dispositivo
de mão dupla), e 489 do CPC, respectivamente:
“Se o autor, a título de antecipação de tutela, requerer providência de natureza
cautelar, poderá o juiz, quando presentes os respectivos pressupostos, deferir a
medida cautelar em caráter incidental do processo ajuizado”;
“O ajuizamento da ação rescisória não impede o cumprimento da sentença ou
acórdão rescindendo, ressalvada a concessão, caso imprescindíveis e sob os
pressupostos previstos em lei, de medidas de natureza cautelar ou antecipatória
de tutela”.

SUM 405 - I - Em face do que dispõe a MP 1.984-22/2000 e reedições e o
artigo 273, § 7º, do CPC, é cabível o pedido liminar formulado na petição
inicial de ação rescisória ou na fase recursal, visando a suspender a
execução da decisão rescindenda. II - O pedido de antecipação de tutela,
formulado nas mesmas condições, será recebido como medida acautelatória
em ação rescisória, por não se admitir tutela antecipada em sede de ação
rescisória.
Inciso II tacitamente revogado pelo art. 489 do CPC (redação posterior à Súmula).
1. TUTELA ANTECIPADA

CPC, arts. 273 , 461 e 461-A

Decisão: interlocutória e de natureza mandamental.

Pressupostos:
1) requerimento do autor – não pode ser concedida de ofício; excepcionam-
se as situações em que o autor esteja sem advogado, dada a função social
do processo;
2) prova inequívoca – aquela capaz de convencer o juiz da verossimilhança
da alegação (prova idônea, clara, inequívoca);
3) verossimilhança da alegação – plausibilidade, probabilidade de ser
(questão de fato, que depende das circunstâncias do caso); a fim de que se
coadune com a expressão „prova inequívoca‟, a verossimilhança deve ser
compreendida como „probabilidade‟; aqui, deve o juiz considerar: a) o valor
do bem jurídico; b) a dificuldade do autor provar sua alegação; c) a
credibilidade da alegação, de acordo com as regras de experiência; d) a
própria urgência da alegação;
4.1) fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação – é o perigo
de demora;
4.2) fique caracterizado o abuso de direito de defesa ou o manifesto
propósito protelatório do réu – argüição de teses infundadas, inconsistentes.
• Outras peculiaridades - Art. 273 (...)

• § 2
o
Não se concederá a antecipação da tutela quando houver
perigo de irreversibilidade do provimento antecipado
– *avaliação discricionária pelo juiz (custo/benefício) – razoabilidade x
efetividade processual

• § 3
o
A efetivação da tutela antecipada observará, no que couber e
conforme sua natureza, as normas previstas nos arts. 588*, 461, §§
4
o
e 5
o
**, e 461-A
– * atual art. 475-O – execução da tutela antecipada (dmv do CPC, a
efetivação da tutela antecipada deve ir até a entrega do bem da vida)
– ** § 4
o
O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença,
impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se
for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando-lhe prazo
razoável para o cumprimento do preceito.
– ** § 5
o
Para a efetivação da tutela específica ou a obtenção do
resultado prático equivalente, poderá o juiz, de ofício ou a
requerimento, determinar as medidas necessárias, tais como a
imposição de multa por tempo de atraso, busca e apreensão, remoção
de pessoas e coisas, desfazimento de obras e impedimento de
atividade nociva, se necessário com requisição de força policial.
• § 6
o
A tutela antecipada também poderá ser concedida quando um
ou mais dos pedidos cumulados, ou parcela deles, mostrar-se
incontroverso.
Concessão da tutela na sentença
SUM 414 - I - A antecipação da tutela concedida na sentença não comporta
impugnação pela via do mandado de segurança, por ser impugnável mediante
recurso ordinário. A ação cautelar é o meio próprio para se obter efeito suspensivo a
recurso.
II - No caso da tutela antecipada (ou liminar) ser concedida antes da sentença, cabe
a impetração do mandado de segurança, em face da inexistência de recurso próprio.
III - A superveniência da sentença, nos autos originários, faz perder o objeto do
mandado de segurança que impugnava a concessão da tutela antecipada (ou
liminar).

Concessão da tutela após a sentença
OJ-SDI2-68 ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. COMPETÊNCIA. Nos Tribunais,
compete ao relator decidir sobre o pedido de antecipação de tutela, submetendo sua
decisão ao Colegiado respectivo, independentemente de pauta, na sessão
imediatamente subseqüente.

Obrigações de fazer
OJ-SDI2-65 - Ressalvada a hipótese do art. 494 da CLT, não fere direito líquido e
certo a determinação liminar de reintegração no emprego de dirigente sindical, em
face da previsão do inciso X do art. 659 da CLT”;
OJ-SDI2-142 - Inexiste direito líquido e certo a ser oposto contra ato de Juiz que,
antecipando a tutela jurisdicional, determina a reintegração do empregado até a
decisão final do processo, quando demonstrada a razoabilidade do direito subjetivo
material, como nos casos de anistiado pela Lei nº 8.878/94, aposentado, integrante
de comissão de fábrica, dirigente sindical, portador de doença profissional, portador
de vírus HIV ou detentor de estabilidade provisória prevista em norma coletiva”.
• Impugnação da medida que aprecia a tutela antecipada

• Concedendo: MS // SLAT (LACP e LMS)

• E Negando? Vide Súmula 418.

• SUM-418 MANDADO DE SEGURANÇA VISANDO À
CONCESSÃO DE LIMINAR OU HOMOLOGAÇÃO DE
ACORDO. A concessão de liminar ou a homologação de
acordo constituem faculdade do juiz, inexistindo direito
líquido e certo tutelável pela via do mandado de
segurança.
– Inconstitucionalidade da Súmula-> ofensa ao acesso à
Justiça
1.1. TUTELA ANTECIPADA EM FACE DA FAZENDA PÚBLICA
Lei 9.494/97 e Lei 8.437/92:
Lei 8.437/92, Art. 1° Não será cabível medida liminar contra atos do Poder Público, no
procedimento cautelar ou em quaisquer outras ações de natureza cautelar ou preventiva, toda
vez que providência semelhante não puder ser concedida em ações de mandado de
segurança, em virtude de vedação legal.
§ 1° Não será cabível, no juízo de primeiro grau, medida cautelar inominada ou a sua liminar,
quando impugnado ato de autoridade sujeita, na via de mandado de segurança, à competência
originária de tribunal.
§ 2° O disposto no parágrafo anterior não se aplica aos processos de ação popular e de
ação civil pública.
§ 3° Não será cabível medida liminar que esgote, no todo ou em qualquer parte, o objeto da
ação (...).

Observações:
A) o STF declarou constitucional a Lei 9.494/97;
B) A LMS veda a concessão de liminar para a compensação de créditos tributários, a entrega
de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de
servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de
qualquer natureza;
C) as normas acima atentam contra os princípios do acesso à Justiça e da efetividade;
D) nas tutelas visando à obrigações de fazer ou não fazer e nas condenações até 60 SM‟s não
há necessidade de precatório – caberia aqui a antecipação? (vide ADC 4 e decisões do STF
em matéria de pensão previdenciária).

Questionamento: Considerando o princípio do acesso à Justiça, segundo o qual é
garantido a todos o direito a uma tutela adequada, pode-se dizer que são
constitucionais as restrições impostas pela Lei 9.494/97 quanto à concessão de
liminares em face do Poder Público?
• Tutela antecipada contra a Fazenda - Posição STF

• EMENTA: AÇÃO DIRETA DE CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 1º DA LEI N 9.494, DE 10.09.1997, QUE
DISCIPLINA A APLICAÇÃO DA TUTELA ANTECIPADA CONTRA A FAZENDA PÚBLICA. MEDIDA CAUTELAR:
CABIMENTO E ESPÉCIE, NA A.D.C. REQUISITOS PARA SUA CONCESSÃO. 1. Dispõe o art. 1º da Lei nº 9.494,
da 10.09.1997: "Art. 1º . Aplica-se à tutela antecipada prevista nos arts. 273 e 461 do Código de Processo Civil, o
disposto nos arts 5º e seu parágrafo único e art. 7º da Lei nº 4.348, de 26 de junho de 1964, no art. 1º e seu § 4º
da Lei nº 5.021, de 09 de junho de 1966, e nos arts. 1º , 3º e 4º da Lei nº 8.437, de 30 de junho de 1992." 2.
Algumas instâncias ordinárias da Justiça Federal têm deferido tutela antecipada contra a Fazenda Pública,
argumentando com a inconstitucionalidade de tal norma. Outras instâncias igualmente ordinárias e até uma
Superior - o S.T.J. - a têm indeferido, reputando constitucional o dispositivo em questão. 3. Diante desse quadro, é
admissível Ação Direta de Constitucionalidade, de que trata a 2ª parte do inciso I do art. 102 da C.F., para que o
Supremo Tribunal Federal dirima a controvérsia sobre a questão prejudicial constitucional. Precedente: A.D.C. n 1.
Art. 265, IV, do Código de Processo Civil. 4. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal
Federal, nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade de lei ou ato normativo federal, produzem eficácia contra
todos e até efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e ao Poder Executivo, nos
termos do art. 102, § 2º , da C.F. 5. Em Ação dessa natureza, pode a Corte conceder medida cautelar que
assegure, temporariamente, tal força e eficácia à futura decisão de mérito. E assim é, mesmo sem expressa
previsão constitucional de medida cautelar na A.D.C., pois o poder de acautelar é imanente ao de julgar.
Precedente do S.T.F.: RTJ-76/342. 6. Há plausibilidade jurídica na argüição de constitucionalidade, constante da
inicial ("fumus boni iuris"). Precedente: ADIMC - 1.576-1. 7. Está igualmente atendido o requisito do "periculum in
mora", em face da alta conveniência da Administração Pública, pressionada por liminares que, apesar do disposto
na norma impugnada, determinam a incorporação imediata de acréscimos de vencimentos, na folha de
pagamento de grande número de servidores e até o pagamento imediato de diferenças atrasadas. E tudo sem o
precatório exigido pelo art. 100 da Constituição Federal, e, ainda, sob as ameaças noticiadas na inicial e
demonstradas com os documentos que a instruíram. 8. Medida cautelar deferida, em parte, por maioria de
votos, para se suspender, "ex nunc", e com efeito vinculante, até o julgamento final da ação, a concessão
de tutela antecipada contra a Fazenda Pública, que tenha por pressuposto a constitucionalidade ou
inconstitucionalidade do art. 1º da Lei nº 9.494, de 10.09.97, sustando-se, igualmente "ex nunc", os efeitos
futuros das decisões já proferidas, nesse sentido (ADC 4 MC, Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES, Tribunal
Pleno, julgado em 11/02/1998, DJ 21-05-1999 PP-00002 EMENT VOL-01951-01 PP-00001)

• EMENTA: DIREITO CONSTITUCIONAL, PREVIDENCIÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECLAMAÇÃO CONTRA
DECISÃO QUE CONCEDE TUTELA ANTECIPADA, DE PAGAMENTO DE PENSÃO PREVIDENCIÁRIA.
ALEGAÇÃO DE DERESPEITO À DECISÃO PROFERIDA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, NA A.D.C. 4-
DF. 1. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento no sentido de que a decisão proferida na ADC 4-DF
não se aplica às hipóteses de pensões previdenciárias. 2. Precedentes. 3. Adotadas a exposição, a
fundamentação e a conclusão do parecer do Ministério Público federal, bem como as dos precedentes nelas
referidos, além de outros no mesmo sentido, a Reclamação é julgada improcedente, cassada a medida liminar
concedida (Rcl 1257, Relator(a): Min. SYDNEY SANCHES, Tribunal Pleno, julgado em 07/08/2002, DJ 07-02-
2003 PP-00025 EMENT VOL-02097-02 PP-00284)
2. TUTELA INIBITÓRIA (suporte: art. 461/CPC)

Tem suporte nos princípios constitucionais de acesso à
Justiça e de efetividade da tutela jurisdicional (CF, art. 5o,
CPC, arts. 461 e 461-A, CDC, art. 83 etc.).

Requisito: dispensável o dano – basta a probabilidade do
ilícito

Exemplos de aplicabilidade: condutas antissindicais;
condutas discriminatórias; cláusulas contratuais abusivas;
interdito proibitório; descumprimento de normas de saúde e
segurança.

Questionamento: Tem o Judiciário trabalhista poder de
impor tutela inibitória, ainda quando não haja pedido
expresso nesse sentido, em se tratando de cumprimento
de normas de saúde e segurança no trabalho?
• Tese aprovada no XV CONAMAT - Congresso Nacional
dos Magistrados da Justiça do Trabalho

• Título: Possibilidade do Judiciário, na Lacuna
Legislativa, dar Efetividade ao Direito Fundamental a um
Meio Ambiente de Trabalho Sadio, quando Disponíveis
os Meios Tecnológicos para a Eliminação dos Riscos à
Saúde.

• Ementa: Adoção pela CF/88 da teoria da eficácia direta
e imediata dos direitos fundamentais. Operacionalização
de tais direitos, pelo Judiciário, por meio da aplicação
das "precedências prima facie" e do "método da
ponderação". Situação concreta de lacuna legislativa,
em que o empregador, embora dispondo de meios
tecnológicos para eliminar a insalubridade, opta por
realizar pagamento do adicional correspondente.
Possibilidade de efetivação, pelo Judiciário, do direito
fundamental a um meio ambiente sadio de trabalho,
impondo ao empregador a eliminação da insalubridade.
3. TUTELA CAUTELAR

Finalidade de resguardar um direito ou o resultado útil de um processo.

Características da ação cautelar:
1) acessoriedade e provisoriedade – é acessória de uma ação principal; sua
existência é temporária, destinando-se forçosamente a ser substituída por
outra medida de caráter definitivo;
2) instrumentalidade – objetiva garantir o resultado de um outro processo;
3) revogabilidade – tem caráter precário, não formando coisa julgada
material;
4) fungibilidade – o juiz pode deferir tanto uma quanto outra, independente
do que foi pedido;
5) autonomia – embora instrumental e precário, o processo cautelar tem
existência própria.

Requisitos específicos (doutrina aponta como pressupostos ou condições
da ação cautelar – na verdade, mérito propriamente dito das cautelares):
1) periculum in mora – perigo da demora (resguardo de um direito);
2) fumus boni juris – plausibilidade do direito a ser resguardado.
• Competência
– CPC, Art. 800. As medidas cautelares serão requeridas ao juiz da
causa; e, quando preparatórias, ao juiz competente para conhecer da
ação principal.
– Parágrafo único. Interposto o recurso, a medida cautelar será requerida
diretamente ao tribunal.

• Questionamentos:
• 1) E se o recurso ordinário foi interposto mas ainda não foi
distribuído, de quem é a competência funcional?
• 2) E se o recurso for dotado de efeito suspensivo, tal como ocorre
com os dissídios coletivos (Lei n. 10.192/01, art. 14)?
• 3) E quando se trata de recurso para o TST, em que há juízo de
admissibilidade, a quem cabe a competência funcional para
apreciar a cautelar?
– Aplicação analógica das Súmula 634 e 635 do STF: Não compete ao
Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito
suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de
admissibilidade na origem;
– Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida
cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de
admissibilidade.
• Procedimento (CPC, arts. 796 a 818 // IN
27/TST)

• Petição inicial (CPC, art. 801; CLT, art. 840,
§1o): exigência de indicação do valor da
causa, em razão e sua autonomia.

• Decisão que concede ou rejeita a medida
liminar: interlocutória -> MS

• Inaudita altera pars: somente em casos
excepcionais (CPC, art. 797)
3.1. PODER GERAL DE CAUTELA // MEDIDAS CAUTELARES
INOMINADAS

CPC:
Art. 798. Além dos procedimentos cautelares específicos, que este Código
regula no Capítulo II deste Livro, poderá o juiz determinar as medidas
provisórias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que
uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão
grave e de difícil reparação.

Art. 799. No caso do artigo anterior, poderá o juiz, para evitar o dano,
autorizar ou vedar a prática de determinados atos, ordenar a guarda judicial
de pessoas e depósito de bens e impor a prestação de caução”.

CLT:
Art. 765 - Os Juízos e Tribunais do Trabalho terão ampla liberdade na
direção do processo e velarão pelo andamento rápido das causas, podendo
determinar qualquer diligência necessária ao esclarecimento delas.

O art. 798 do CPC, além de possibilitar as chamadas medidas cautelares
inominadas, consagra o poder geral de cautela do Juiz, o qual, sempre que
necessário, poderá tomar medidas no processo, de ofício. Este último poder
é também afirmado no art. 765 da CLT.
3.2. ESPÉCIES DE MEDIDAS CAUTELARES

Nominadas: CPC, arts. 813 e seguintes.
Inominadas: ancoram-se no poder geral de cautela.

Competência: CPC, art. 800 (Juízo causa principal // Tribunal)
SUM 634/STF: “Não compete ao supremo tribunal federal conceder medida
cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi
objeto de juízo de admissibilidade na origem”.
SUM 635/STF: “Cabe ao presidente do tribunal de origem decidir o pedido de
medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de
admissibilidade”.
Dissídio Coletivo – recurso efeito suspensivo – competência TST

Procedimento – CPC, arts. 801 a 811
Instrução Normativa n. 27/05 do TST:
“Art. 1º As ações ajuizadas na Justiça do Trabalho tramitarão pelo rito
ordinário ou sumaríssimo, conforme previsto na Consolidação das Leis do
Trabalho, excepcionando-se, apenas, as que, por disciplina legal expressa,
estejam sujeitas a rito especial, tais como o Mandado de Segurança,
Habeas Corpus, Habeas Data, Ação Rescisória, Ação Cautelar e Ação de
Consignação em Pagamento”.
3.2.1. ARRESTO (CPC, art. 813 e seguintes) – mais utilizada na JT
Art. 813. O arresto tem lugar:
I - quando o devedor sem domicílio certo intenta ausentar-se ou alienar os bens que possui, ou
deixa de pagar a obrigação no prazo estipulado;
II - quando o devedor, que tem domicílio:
a) se ausenta ou tenta ausentar-se furtivamente;
b) caindo em insolvência, aliena ou tenta alienar bens que possui; contrai ou tenta contrair
dívidas extraordinárias; põe ou tenta pôr os seus bens em nome de terceiros; ou comete outro
qualquer artifício fraudulento, a fim de frustrar a execução ou lesar credores;
III - quando o devedor, que possui bens de raiz, intenta aliená-los, hipotecá-los ou dá-los em
anticrese, sem ficar com algum ou alguns, livres e desembargados, equivalentes às dívidas;
IV - nos demais casos expressos em lei.

Finalidade: Visa a apreensão de bens do devedor, tantos quantos bastem para
garantia de uma futura execução por quantia certa.
Requisitos:
a) prova literal da dívida líquida e certa (CPC/814): a sentença pendente de recurso;
CLT/876 – flexibilidade: documentos que comprovam o inadimplemento;
b) prova documental ou justificação de algum dos casos mencionados no 813/CPC.

Efeitos: Julgada procedente a ação, o arresto se convola em penhora.

3.2.2. SEQUESTRO (CPC, art. 822 e seguintes).

Finalidade: Visa a apreensão e guarda de um bem a fim de evitar que ele pereça,
danifique ou se extravie, quando houver discussão sobre sua posse ou propriedade
(ex.: disputa por máquina ou ferramenta de trabalho).
Depositário: Determinado o sequestro, o bem apreendido ficará em poder de um
depositário nomeado pelo Juiz.
3.2.3. BUSCA E APREENSÃO (CPC, art. 839 e seguintes)

Finalidade: visa a captura de um bem ou pessoa quando houver receio de dano.

Exemplos: documentos, ferramentas de trabalho, CTPS, testemunha que se oculta
para não comparecer em juízo.

3.2.4. EXIBIÇÃO (CPC, art. 844 e seguintes)

Finalidade: é medida cautelar preparatória, cujo objetivo é a exibição judicial de
coisa móvel ou documento em poder de outrem, para o fim de propositura de futura
ação judicial.

3.2.5. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS (CPC, art. 846 e seguintes)

Objeto: pode consistir no interrogatório da parte, na inquirição de testemunhas ou
na realização de perícias.

3.2.6. JUSTIFICAÇÃO (CPC, art. 861 e seguintes)

Exemplo: pode ser utilizada pelo empregado com o fito de comprovar o seu tempo
de serviço.
3.2.7. PROTESTOS, NOTIFICAÇÕES E INTERPELAÇÕES (CPC, art. 867 e seguintes)
Art. 867. Todo aquele que desejar prevenir responsabilidade, prover a conservação e ressalva de seus
direitos ou manifestar qualquer intenção de modo formal, poderá fazer por escrito o seu protesto, em
petição dirigida ao juiz, e requerer que do mesmo se intime a quem de direito.

São procedimentos não contenciosos destinados à conservação de direitos.

Protesto é medida acautelatória de direitos. Tem eficácia subordinada ao fato de corresponder
à intenção de quem o maneja e à correspondência perfeita dos atos que se alega terem
ocorrido. Tem sido utilizado com freqüência para interromper a prescrição e também contra a
alienação de bens pelo empregador, quando este está prestes a se tornar insolvente. Nesse
último caso, é menos rigoroso que o arresto. Assim, quando não presentes os requisitos do
arresto, o Juiz pode convolar o arresto em protesto, ante o princípio da fungibilidade (Nelson
Nery Júnior).

Interpelação é o ato pelo qual se dá a conhecer a pretensão de exercer direito. Muitas vezes, a
eficácia de cláusula penal depende de interpelação.

Notificação é ato formal de comunicação que provoca a atividade positiva ou negativa de
alguém e que, em alguns casos, contém também a interpelação.

3.2.8. ATENTADO (CPC, art. 879 e seguintes)

Finalidade: é medida cautelar incidental, cujo objetivo é o de preservar a dignidade do
processo e também prevenir danos de ordem processual.

Efeitos da sentença: a sentença, que julgar procedente a ação, ordenará o restabelecimento
do estado anterior, a suspensão da causa principal e a proibição de o réu falar nos autos até a
purgação do atentado (CPC, art. 881).