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Luis Felipe Silveira de Abreu

I Seminário Discente PPGCOM

O DESMONTE E O ARRANJO COMO PROPOSTA METODOLÓGICA

Tema de pesquisa

O biografema como modelo contemporâneo do narrar biográfico

Tema de pesquisa

“[

...

]

gostaria que minha vida se

reduzisse, pelos cuidados de um biógrafo amigo e desenvolto, a alguns pormenores, a alguns gostos, a algumas inflexões, digamos: “biografemas”, cuja distinção e mobilidade poderiam viajar fora de qualquer destino e vir tocar, à maneira dos átomos epicurianos, algum corpo futuro, prometido à mesma dispersão” (BARTHES, 2005, p. XVII)

Problemas na pesquisa

Como abordar um fenômeno amplo e disperso em discursos heterogêneos?

Como tratar enquanto objeto não veiculos, obras ou mídias, mas sistemas de enunciação?

Proposta

metodológica

1º Mapeamento da dispersão discursiva

2º Desmonte dos materiais

3º Arranjo dos fragmentos

A dispersão

Ora, essa própria dispersão – com suas lacunas, falhas, desordens, superposições, incompatibilidades, trocas e substituição – pode ser descrita em sua singularidade se formos capazes de determinar as regras específicas segundo as quais foram formados objetos, enunciações, conceitos, opções teóricas: se há unidade, ela não está na coerência visível e horizontal dos elementos formados; reside, muito antes, no sistema que torna possível e rege sua formação (FOUCAULT, 2013, p. 85)

O desmonte

“A atividade estruturalista comporta duas operações típicas: desmontagem e arranjo” (BARTHES, 2007, p.

52)

Trabalho de cisão: o fonema, na linguística e na fonologia; os mitemas para a antropologia

“Desmontar o primeiro objeto, o que é dado à atividade de simulacro, é encontrar nele fragmentos móveis cuja situação diferencial gera certo sentido; o fragmento não tem sentido em si, mas é, entretanto, tal que a menor variação trazida a sua configuração produz uma mudança do conjunto” (BARTHES, 2007, p. 52)

O arranjo

A pesquisa como puzzle

“Colocadas as unidades, o homem estrutural deve descobrir-lhes ou fixar-lhes regras de associação: é a atividade do arranjo, que sucede à atividade de chamada” (BARTHES, 2007, p. 53)

O arranjo

“Isso é novo? Numa certa medida, sim; certamente o mundo nunca cessou, em todos os tempos, de procurar o sentido do que lhe é dado e do que ele produz; o que é novo é um pensamento (ou uma “poética”) que procura menos atribuir sentidos plenos aos objetos que ela descobre do que saber como o sentido é possível, a que preço e segundo que caminhos. A rigor, poderíamos dizer que o objeto do estruturalismo não é o homem rico de certos sentidos, mas o homem fabricante de sentidos” (BARTHES, 2007, p. 54)

Bibliografia

ARFUCH, Leonor. O espaço biográfico: dilemas da subjetividade contemporânea. Rio de Janeiro: EdUERJ,

2010.

BARTHES, Roland. Crítica e verdade. São Paulo:

Perspectiva, 2007.

BARTHES, Roland. Sade, Fourier, Loyola. São Paulo:

Martins Fontes, 2005.

FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2013.