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E S T UD OS C ULT URA IS

UFS/PPGL – DOUTORADO EM
ESTUDOS LITERÁRIOS
DOUTORANDA: IVÂNIA NUNES
MACHADO ROCHA
DISCIPLINA: METODOLOGIA DE
PESQUISA EM LITERATURA
PROFESSORA: CHRISTINA
RAMALHO
ESTUDOS CULTURAIS
ANTECEDENTES
• Bronislaw Malinowski – funcionalista;

[...] A análise apenas esboçada, na qual tentamos definir a relação entre


uma realização cultural e uma necessidade humana, básica ou derivada,
pode ser denominada funcional. Pois função não pode ser definida de
nenhuma outra maneira senão como a satisfação de uma necessidade por
uma atividade na qual os seres humanos cooperam, usam artefatos e
consomem bens. (MALINOWSKI, 1975, p. 44).
ANTECEDENTES
• Franz Boas – difusionista;

[...] As atividades do indivíduo são determinadas em grande medida


por seu ambiente social; por sua vez, suas próprias atividades
influenciam a sociedade em que ele vive, podendo nela gerar
modificações de forma. Obviamente esse problema é um dos mais
importantes a serem enfrentados nas investigações sobre as
mudanças culturais. (BOAS, 2004. p. 47).
ANTECEDENTES
• Claude Lévi-Strauss – estruturalista;
[...] Mas o que confere ao parentesco seu caráter de fato social
não é o que ele deve conservar da natureza; é o procedimento
essencial pelo qual se separa dela. Um sistema de parentesco
não consiste nos elos objetivos de filiação ou consaguinidade
dados entre os indivíduos; só existe na consciência dos homens,
é um sistema arbitrário de representações, não o
desenvolvimento espontâneo de uma situação de fato. (LÉVI-
STRAUSS, s. d. pp. 48/49).
SURGIMENTO

• Contexto Pós-guerra;
• Inglaterra – Centre for Contemporary Cultural Studies
(CCCS);
• Raymond Williams, Richard Roggart e E. P. Thompson.
RAYMOND WILLIAMS
• Culture and Society (1958);

• Olhar diferenciado sobre a história literária;

• Cultura como uma categoria-chave que conecta a análise literária


com a investigação social;
RICHARD ROGGART

• Materiais culturais da cultura popular e dos meios de comunicação


de massa + metodologia qualitativa;

• Percepção de resistência no meio popular, não somente submissão.


E. P. THOMPSON
• Influencia o desenvolvimento da história social britânica de dentro
da tradição marxista;

• cultura como rede vivida de práticas e relações que constituíam a


vida cotidiana, cujo papel do indivíduo estava em primeiro plano;

• Modos de vida diferentes.


• Em sentido mais amplo, o estudo dos fenômenos culturais pode ser
pensado como o estudo do mundo sócio-histórico constituído como um
campo de significados. Pode ser pensado como o estudo das maneiras
como expressões significativas de vários tipos são produzidas,
construídas e recebidas por indivíduos situados em um mundo sócio-
histórico. Pensando dessa maneira, o conceito de Cultura se refere a
uma variedade de fenômenos e a um conjunto de interesses que são,
hoje, compartilhados por estudiosos de diversas disciplinas, desde a
sociologia e antropologia até a história e a crítica literária.
(THOMPSON, 1995, p. 165).
OBJETIVOS
• Reconhecer a coexistência de culturas – MULTICULTURALISMO;
• Borrar fronteiras entre erudito/popular; civilizado/selvagem etc;
• Trazer ao centro do debate categorias marginalizadas;
• Valorizar vozes de excluídos como mulheres, negros, homossexuais,
nordestinos etc;
• Retirar o foco de uma única disciplina ou campo de conhecimento –
INTERDISCIPLINARIDADE.
CONTRIBUIÇÕES
• Stuart Hall - incentivou o desenvolvimento da investigação de
práticas de resistência de subculturas e de análises dos meios
massivos, identificando seu papel central na direção da sociedade;

• Exerceu uma função de "aglutinador" em momentos de intensas


distensões teóricas;

• Destravou debates teórico-políticos, tornando-se um "catalizador"


de inúmeros projetos coletivos.
• “Em contraposição a essa versão dominante, afirma-se que em
outras localidades e em outros momentos podem ser identificadas
"outras" origens para os Estudos Culturais. A existência de
diferenças nacionais e a confluência de um conjunto particular de
propostas de cunho teórico-político geraram outros exemplos de
Estudos Culturais que desestabilizam a narrativa sobre uma origem
centrada, sobretudo, em Birmingham, na Inglaterra.”
(ESCOSTEGUY).
• Análise das práticas culturais simultaneamente como formas
materiais e simbólicas;

• A criação cultural se situa no espaço social e econômico, dentro do


qual a atividade criativa é condicionada;

• Imbricamento de PODER nas relações e representações culturais.


• Existem várias forças determinantes - econômica, política e cultural
- competindo e em conflito entre si, compondo aquela complexa
unidade que é a sociedade.

• EXTENSÃO do conceito de cultura:


• inclui as formas nas quais os rituais da vida cotidiana, instituições e
práticas, ao lado das artes, são constitutivos de uma formação
cultural;
• rompe com um passado em que se identificava cultura apenas com
artefatos;
• Vai além de textos e representações para práticas vividas e suas
implicações na rígida divisão entre níveis culturais distintos;
• Propiciou a consideração em foco de toda produção de sentido.

• Noção de cultura como prática = dá relevo ao sentido de ação, de


agência na cultura.

• Atenção a formas de expressão culturais não-tradicionais,


descentrando a legitimidade cultural.
• Questiona o estabelecimento de hierarquias entre formas e
práticas culturais, estabelecidas a partir de oposições como cultura
alta/baixa, superior/inferior, entre outras binaridades.

• Ressalta os nexos existentes entre investigação e formações sociais


onde se desenrola a própria pesquisa.
• Método heterodoxo – sujeito posicionado.
• “A Antropologia que faço, a metodologia que aplico são, portanto, posicionadas
pela minha condição racial negra assim como por minha orientação sexual
homossexual, quase sempre ausentes, não nomeados ou não vislumbrados, ao
contrário da condição racial branca e sexual heterossexual nos estudos sobre
o negro e as relações raciais. De fato, ao posicionar-me não acredito que
necessariamente facilite minha inserção no campo de pesquisa, a interlocução
com os informantes ou, posicionado, obrigatoriamente esteja capacitado a
elevar o grau de profundidade etnográfica do meu trabalho. Por outro lado,
não acredito que isto prejudique minha inserção etnográfica ou a torne mais
parcial que todas aquelas que tradicionalmente têm sido realizadas nos estudos
sobre o negro e as relações raciais no Brasil.” (LIMA, 2013, p. 19-20).
• “Assenhorando-se da “pena”, objeto representativo do poder
falocêntrico branco, as escritoras negras buscam inscrever no
corpus literário brasileiro imagens de uma autorrepresentação.
Criam, então, uma literatura em que o corpo-mulher-negra deixa de
ser o corpo do “outro” como objeto a ser descrito, para se impor
como sujeito-mulher-negra que se descreve, a partir de uma
subjetividade própria experimentada como mulher negra na
sociedade brasileira.” (EVARISTO, 2005, p.54).
• “Ethnographic truths are thus inherently partial- committed and incomplete.
This point is now widely asserted — and resisted at strategic points by those
who fear the colapse of clear standards of verification. But once accepted and
built into ethnographic art, a rigorous sense of partiality can be a source of a
representational tact.” (Clifford, 1986, p. 7).

• Verdades etnográficas são, portanto, inerentemente parciais, comprometidas e


incompletas. Este ponto é agora amplamente afirmado e tem resistido em
pontos estratégicos por parte daqueles que temem o colapso de padrões
claros de verificação. Mas, uma vez aceito e incorporado pela arte etnográfica,
um sentido rigoroso de parcialidade pode ser uma fonte de tato
representacional. (tradução nossa)
REFERÊNCIAS
• ALVES, Arivaldo de Lima (Ari Lima). O método é heterodoxo. O sujeito é
posicionado. A pesquisa é possível? — In: DUCCINI, Luciana; BARRETO,
Luzania Rodrigues (Org.). — Número temático: Metodologias de pesquisa em
ciências sociais e humanas. — A Cor das Letras: Revista do
Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Feira
de Santana. — N. 1 (1997)-. — Feira de Santana: UEFS, n. 14, 2013.
• BHABHA, Homi K. O local da cultura. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 1998.
• BOAS, Franz. Antropologia cultural. – organização e tradução Celso Castro.
– Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2004.
• CANCLINI, Nestor G. Consumidores & cidadãos: conflitos multiculturais
da globalização. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 1995.
• _____. La Globalización Imaginada. Buenos Aires: Paidós, 2001.
• _____. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da
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• CLIFFORD, James. Introduction: Partial Truths. — In: CLIFFORD, James;
MARCUS, George E. (ed.). — Writing Culture:The Poetics and Politics
of Ethnogrphy. — Berkeley and Los Angeles: University of California Press,
1986.
• ESCOSTEGUY, Ana Carolina D. Uma introdução aos Estudos Culturais.
Revista FAMECOS, Porto Alegre, n.9, dez, 1998.
• _____. Cartografias dos Estudos Culturais: uma versão latino-americana.
Belo Horizonte: Ed. Autêntica, 2001.
• EVARISTO, Conceição. Gênero e Etnia: uma escre(vivência) de dupla face. In:
BARROS, Nadilza Martins de; SCHNEIDER, Liane (Orgs.). Mulheres no
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• GUATTARI, Félix; ROLNIK, Suely. Micropolítica: cartografias do desejo.
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• HALL, Stuart. Da Diáspora: identidades e mediações culturais. Org. Liv Sovik.
Belo Horizonte: Editora UFMG, Brasília: Representa- ção da UNESCO no
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• LÉVY-STRAUSS, Claude. A antropologia estrutural. – 4 ed. - Rio de Janeiro:
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• MALINOWSKI, Bronislaw. Uma teoria científica da cultura. Rio de Janeiro:
Jorge Zahar Editores, 1975.
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• THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna: teoria social crítica
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• WILLIAMS, Raymond. Cultura y sociedad. 1780-1950. De Colleridge a
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